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06/03/2014 1 Módulo 02 AMOSTRAS E MÉTODOS DE ANÁLISE EM TOXICOLOGIA Prof. MSc. Edem Oliveira Milhomem Filho CURSO DE FARMÁCIA TOXICOLOGIA CLÍNICA PARTE I Características de amostras convencionais e não-convencionais 06/03/2014 2 AMOSTRAS EM ANÁLISE TOXICOLÓGICA URINA E SANGUE: as duas amostras mais convencionais; Atualmente, utiliza-se bastante as amostras não convencionais ou ALTERNATIVAS, em relação à urina e sangue: • Cabelo e unhas, por exemplo, são ferramentas úteis em toxicologia clínica e forense; • O controle de presos e usuários de drogas em tratamento pode ser realizado por suor. Prof. MSc. Edem Oliveira Milhomem Filho AMOSTRAS EM ANÁLISE TOXICOLÓGICA • Cada matriz biológica possui suas vantagens e desvantagens; • Deve-se conhecer a estabilidade dos analitos nas amostras: - Métodos de coleta adequados; - Variação por influência da luz/temperatura; - Técnicas de conservação das amostras; - Tempo entre a coleta e o procedimento de análise. Prof. MSc. Edem Oliveira Milhomem Filho 06/03/2014 3 AMOSTRAS EM ANÁLISE TOXICOLÓGICA • Levar também em consideração aspectos relacionados à matriz da amostra e que podem ser contaminantes na análise. • EXEMPLO: uso de cabelo para detecção de 9-THC contaminação externa pelo uso passivo da maconha. Prof. MSc. Edem Oliveira Milhomem Filho Tetrahydrocannabinol (Δ9-THC ) AMOSTRAS EM ANÁLISES IN VIVO 1ªs fezes eliminadas pelo recém-nascido 06/03/2014 4 AMOSTRAS CONVENCIONAIS URINA • Amostras com menor número de interferentes endógenos, pois é constituída principalmente de H2O: • Presença de proteínas, lipídeos e outros só em estados patológicos. A urina apresenta concentrações mais altas de xenobióticos e/ou seus metabólitos, o que a torna muito útil em técnicas de imunoensaios ou análises cromatográficas! AMOSTRA DE ESCOLHA PARA SCREENING TOXICOLÓGICO (Relação toxicocinética entre metabolismo e excreção) 06/03/2014 5 URINA • Em algumas análises de urgência, a urina pode ser inviável, como no caso de pacientes inconscientes: • O tempo para a coleta do material é proibitivo; • A coleta por punção da bexiga não pe recomendado. - Mesmo que seja muito usada, a urina oferta resultados com baixa relação entre a dose e o efeitos fisiológicos; - A relação é baixa pois são vários os fatores que afetam a eliminação (metabolismo / função renal). SANGUE • A dosagem do xenobiótico no sangue (soro ou plasma) permite uma correta relação dose x efeito biológico; • Isto, serve de base para monitorização terapêutica com estreita margem terapêutica; • SANGUE TOTAL • SORO • PLASMA O soro possui a vantagem de não conter aditivos (ANTICOAGULANTES), mantendo sua composição inalterada. 06/03/2014 6 SANGUE EVITANDO ESTAS INTERFERÊNCIAS... • Coletar das veias subclávia e/ou femoral, pois nesses sítios anatômicos a chance de contaminação é menor; • Tomar cuidado com a homogeneidade, pois o sangue é mais viscoso e coagulado. POST MORTEM São necessárias ressalvas na interpretação dos resultados, pois fatores como o local da coleta (região anatômica), e outros relacionados à redistribuição (cinética post mortem) podem modificar os valores da concentração. SANGUE • Dependendo da finalidade, deve-se ter cuidados especiais: DETERMINAÇÃO DE ETANOL SÉRICO: Não usar produtos à base de álcoois (etanol, propanol) ou soluções de iodo (geralmente possuem álcool) para descontaminação do local de punção. CUIDADOS NO TRANSPORTE: O recipiente deve ser manuseado com cuidado para evitar o rompimento das hemácias (aumento das concentrações de ferro e potássio séricos) 06/03/2014 7 AMOSTRAS NÃO - CONVENCIONAIS USO EM ESTUDOS DE FARMACOCINÉTICA E EM ANÁLISES FORENSES: Permite correlacionar as concentrações obtidas a alterações comportamentais que possam eventualmente ser causadas pelo fármaco SALIVA • Usada principalmente em estudos de farmacocinética, monitorização terapêutica e verificação do uso de drogas ilícitas. • Principais vantagens: • Facilidade de obtenção; • Coleta assistida (o que dificulta alterações); • Não há constrangimento (salvo exceções de problemas bucais); • E a coleta é não invasiva. ÚNICA AMOSTRA QUE PERMITE TRAÇAR PARALELOS COM AS CONCENTRAÇÕES DO SANGUE! 06/03/2014 8 • Como a concentração na saliva reflete a fração livre no plasma, esta amostra possui janela de detecção tão curta quanto o sangue. • Desvantagem quando comparada a cabelo, unha ou urina; • O período de detecção na urina vai do momento em que a concentração sangüínea também começa a decair. • Outra desvantagem, é que geralmente a concentração do agente tóxico é baixa: • Alguns fármacos, estados patológicos e emocionais podem diminuir a secreção de saliva, diminuindo ainda mais a disponibilidade de amostra. Moléculas lipossolúveis Forma não-ionizada Não ligada às proteínas plasmáticas SALIVA! EXEMPLOS: •Digoxina; Esteróides; Hormônios. FRAÇÃO LIVRE !!! SALIVA SALIVA BASES FRACAS (PKA ELEVADO!) • Somente estão disponíveis para difusão na saliva, os fármacos (ou xenobióticos) não ligados às proteínas plasmáticas. • Autores detectaram, em estudo envolvendo o ecstasy, que as amostras de saliva podem variar na viscosidade e no volume, causando alteração na concentração, mesmo intra-indivíduo. Saliva pH ÁCIDO! IMPEDE O RETORNO AO PLASMA!!! 06/03/2014 9 • EXEMPLO: Saliva para detecção de álcool *S/P = Saliva/Plasma * SALIVA APLICAÇÃO: ESTUDO FCF/USP e VIAOESTE S.A (2002-2007): • Amostras de saliva foram obtidas de voluntários acima de 21 anos, MOTORISTAS DE CAMINHÃO (n=1075) que trafegavam em rodovias de São Paulo (Rod. Raposo Tavares, Rod. Castelo Branco e Rod. Sen. José Ermírio de Moraes). Resultado positivo para 3,3% das amostras: - 17 para etanol - 7 para anfetamina - 7 para cocaína - 4 para THC - 1 para cocaína e THC SALIVA 06/03/2014 10 SUOR • Pesquisas apontavam o suor como uma ótima matriz desde o início do século XX; • Sempre houve dificulade na coleta desse material até a criação dos sweat patch. • Vantagens do suor: • Coleta não-invasiva; • Indolor; • Sem constrangimento (acompanhamento de presos e dependentes). TESTE SWEAT PATCH - CELULOSE - HIPOALERGÊNICO - NÃO-OCLUSIVO SUOR 06/03/2014 11 CABELO • Matriz mais importante para comprovar (ou excluir) a suspeita de exposição passada ou uso crônico de determinado agente. • Comparado à urina, tem maior janela de detecção (semanas / meses); • Outras matrizes são usadas para complementar a análise no cabelo. • VANTAGENS • Coleta não-invasiva; • Não violação da privacidade; • Maior dificuldade de adulteração; • Longa janela de detecção (vários meses); • Raramente requer cuidados especiais no transporte/armazenamento; • Sempre há possibilidade de se obter uma nova amostra. CABELO • Muito comum na análise de metais pesados: • Arsênio • Chumbo • Mercúrio • Necessário uma digestão prévia do material (ácidos) para dosagem por espectrofotemetria de absorção atômica; • Técnicas como essa estão consolidadas desde os anos 60; • Permitem a detecção do toxicante em baixas concentrações (ppm, nanogramas). 06/03/2014 12 Analisador Semi-Automático de Mercúrio Modelo Hg 201. Fonte: NMT-UFPA. Leitor do Analisador Semi-Automático de Mercúrio Modelo Hg 201. Fonte: NMT-UFPA. 06/03/2014 13 Determinador de Hg-Total SP3D – Nippon Corporation. Fonte: NMT-UFPA 850ºC ANÁLISE DO CABELO Suporte para amostras do SP3D – Nippon Corporation. Fonte: NMT-UFPA (2012). 06/03/201414 Espectrofotômetro de Absorção Atômica • O aparelho tem como fundamento, a formação de amálgamas, através da interação do Hg presente na amostra, com as lâminas de ouro, que posteriormente são aquecidas, liberando o mercúrio na sua forma atômica. O processo de amalgamação é utilizado para auxiliar na remoção das impurezas presentes no vapor liberado pelo aquecimento da amostra. • O Hg liberado da lâmina de ouro passa por uma célula de leitura presente no aparelho, que apresenta uma lâmpada com comprimento de onda fixo para o mercúrio (253,7 nm). 12:56 • Exemplo: cabelo como matriz biológica no exame de doping: ANÁLISE DE URINA RESULTADO NEGATIVO? Confirmação do uso de esteróides anabólicos CONTRA-PROVA FEITA PELA ANÁLISE DE CABELO Mesmo com abstinência dias antes do exame ou tentativa de adulteração com diluição da urina, a amostra fica no cabelo. NÃO É USADO NA ROTINA DE DOPING! CABELO 06/03/2014 15 Parte II - Amostras no Post Mortem PRÓXIMOS CAPÍTULOS