Aula 07

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DisciplinaEducação e Economia Política720 materiais4.872 seguidores
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EDUCAÇÃO E ECONOMIA POLÍTICA
A NEOTEORIA DO CAPITAL HUMANO 
CURSO DE PEDAGOGIA \u2013 professora BEATRIZ PINHEIRO
Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2011
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OBJETIVOS DA AULA
Identificar e problematizar a Neo-teoria do Capital Humano em seus aspectos conceituais e históricos, relacionado-a a uma formação vinculada à esfera econômica e tendo o mercado de trabalho como referência para práticas e projetos educacionais significativas nos dias atuais. 
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POR QUE UMA NOVA TEORIA DO CAPITAL HUMANO? 
A teoria do Capital Humano assume uma nova roupagem com a crise do Bem Estar social e com a ascensão do neoliberalismo. Na atual fase do processo de acumulação capitalista, diante da Reforma do Estado e do novo quadro do mercado de trabalho (marcado pelo desemprego, pelo aumento da informalidade e pela precarização das relações de trabalho), a concepção econômica da educação passa a ganhar novos contornos para justificar a nova ordem neoliberal. Agora, a discussão sobre a educação é focada na necessidade de formação para o mercado de trabalho, uma formação para a empregabilidade.
Para Machado (1998), empregabilidade refere-se \u201càs condições subjetivas de integração dos sujeitos à realidade atual dos mercados de trabalho e ao poder que possuem de negociar sua própria capacidade de trabalho [...]\u201d.
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A NEOTEORIA DO CAPITAL HUMANO
A crise econômica dos anos 70 e os efeitos do processo de reestruturação produtiva promovem uma (re) visita aos enfoques economicistas da Teoria do Capital Humano. Esta teoria, agora apoiada numa base material distinta da dos anos 50 e 60, passa por um processo de reconceptualização, o que implica, em manter alguns princípios que sustentavam aquela perspectiva, mas articulando-os a novos diagnósticos sobre as atuais condições de regulação dos mercados (especialmente do mercado de trabalho) e a novas promessas.
Aneoteoria do capital humano afirma que um incremento no capital humano individual aumenta as condições de empregabilidade do indivíduo, o que não significa que ele terá um lugar garantido no mercado. Incrementos na educação e formação profissional apenas darão melhores condições de competição na disputa pelos poucos empregos disponíveis.
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O FIM DA PROMESSA INTEGRADORA
DA ESCOLA
Com a crise do Bem Estar Social, chega ao fim a promessa integradora da escola, que atribuía ao Estado uma função central na implementação das políticas públicas educacionais, atuando no sentido adequar a preparação dos recursos humanos às exigências da conquista de mercados e do bem estar da população. Assim, com a crise do Estado, verifica-se uma mudança no papel econômico da escola. Agora já não é mais possível falar que a escola irá incluir a todos e garantir maior renda individual. Agora só é possível afirmar que maior escolaridade e maior capacitação profissional correspondem a melhores oportunidades para competir no mercado de trabalho. A educação passa a preparar para as novas características de: desemprego, precarização, informalidade e exclusão do mercado de trabalho. A nova função econômica da educação, a promessa da empregabilidade, tem agora caráter estritamente privado, já que resta ao indivíduo (não sendo mais papel do Estado) definir as opções que lhe ofereçam um melhor lugar no mercado de trabalho.
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O CARÁTER IDEOLÓGICO DO CONCEITO DE EMPREGABILIDADE
A noção de empregabilidade, cuja origem vincula-se à Teoria do Capital Humano, tem cumprido um importante papel ideológico. Atribuindo aos indivíduos a responsabilidade por sua inserção no mercado, sem explicitar o caráter restritivo do mercado e seus condicionantes estruturais e conjunturais mais amplos, esse conceito acaba por ser responsável pela \u201cconstrução e legitimação de um novo senso comum sobre o trabalho, sobre a educação, sobre o emprego e a própria individualidade\u201d
O discurso da empregabilidade introduz a ruptura com a crença de que o desenvolvimento econômico está diretamente articulado ao desenvolvimento dos mercados de trabalho e inaugura a noção de que o crescimento econômico pode ser excludente.
Restringe-se a possibilidade de reivindicação do direito de todos ao trabalho, e passa-se a valorizar a lógica da competição individual num mercado estruturalmente excludente, assumindo que, como resultado dessa competição, será natural que alguns fracassem.
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EMPREGABILIDADE E CIDADANIA
A empregabilidade coloca ainda a identidade de cidadania e o direito à educação em segundo plano. A educação era vista como um direito dos cidadãos, sendo cada um responsável pela obtenção de um lugar no mercado compatível com o mérito individual. Agora cabe aos indivíduos tentar consumir os conhecimentos que os habilitem a uma competição produtiva e eficiente no mercado de trabalho.
Entender os indivíduos como consumidores de educação coloca em questão o ideal democrático da cidadania regido pelo princípio da igualdade. O direito à educação supõe a igualdade no acesso dos cidadãos aos serviços educacionais. Transformados em consumidores de educação, os indivíduos convivem com uma ruptura com essa identidade cidadã. A realidade do mercado e dos consumidores tem como referência o princípio da desigualdade. A igualdade não se coloca para consumidores. Consumidores não são iguais e o que os identifica é a conduta supostamente racional de consumo no mercado. Consumidores só são iguais no ato de realizar a compra de mercadorias no mercado. Os mais abonados \u201ccerta e justamente\u201d vão consumir mais, inclusive educação.
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EMPREGABILIDADE E O DIREITO À RENDA 
E AO EMPREGO
A empregabilidade desloca as concepções de emprego e renda da esfera do direito. A questão agora é tornar os indivíduos empregáveis. E ser empregável não significa estar inserido no mercado de trabalho, mas apenas ter condições de negociar essa inserção. Entretanto, é exatamente a inserção efetiva do indivíduo no mercado (sobretudo pela via do emprego) que garante a renda individual. Nessa perspectiva, o emprego e a renda deixam de ser encarados como direitos dos cidadãos, passando a serem vistos como uma conquista, só alcançada pelos poucos privilegiados que conseguem se inserir no mercado de trabalho. Pelos indivíduos que se situam no topo da pirâmide social, uma vez que o sucesso na negociação dos lugares disponíveis no mercado depende, além da educação e da formação profissional recebida, de outros atributos, como o capital social e cultural dos sujeitos.
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EMPREGABILIDADE E A MERITOCRACIA
Os baixos índices de crescimento econômico e a ausência de expansão do mercado de trabalho, próprios da nova etapa do processo de acumulação capitalista, impuseram limites à concepção dominante a respeito da relação educação/mercado de trabalho. Essa nova realidade promove mudanças no próprio discurso ideológico que busca justificar a posição dos indivíduos no mercado de trabalho. O mérito individual, antes considerado como o critério capaz de definir a posição alcançada no mercado, é redefinido, ganhando um novo conteúdo. Agora são as capacidades e vantagens competitivas adquiridas individualmente as responsáveis, não mais pelo lugar merecido no mercado, mas pela possibilidade de negociá-lo.
A educação e a escola, instâncias associadas historicamente à idéia da meritocracia, à idéia de escada para o sucesso social, passam agora também a conviver com um novo discurso, uma nova função social, onde o fracasso é possível, mesmo para aqueles que desenvolveram as capacidades empregatícias consideradas desejadas. Mesmo para aqueles que merecem, pois o mercado não tem lugar para todos. 
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A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E 
MERCADO DE TRABALHO
Se antes era possível postular um vínculo linear entre educação e mercado, já que o acesso à educação garantiria aos mais capazes melhores posições no mercado (e, conseqüentemente, maior renda individual), agora, a noção de empregabilidade torna a explicação sobre a relação educação/mercado de trabalho duplamente enganosa, uma vez que, embora