A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
188 pág.
Anatomia vegetal

Pré-visualização | Página 1 de 50

1
ANATOMIA VEGETAL
Sandra Maria Carmello Guerreiro
Beatriz Appezzato da Glória
Capítulo 1 - Organização interna do corpo vegetal......................................2
Capítulo 2 - A célula vegetal.........................................................................5
Capítulo 3 - Epiderme.................................................................................30
Capítulo 4 - Parênquima, colênquima e esclerênquima ............................40
Capítulo 5 - Xilema .....................................................................................50
Capítulo 6 - Floema ....................................................................................62
Capítulo 7 - Células e tecidos secretores...................................................70
Capítulo 8 - Câmbio vascular .....................................................................80
Capítulo 9 - Periderme................................................................................88
Capítulo 10 - Raiz .....................................................................................100
Capítulo 11 - Caule ...................................................................................107
Capítulo 12 - Folha ...................................................................................115
Capítulo 13 - Flor ......................................................................................124
Capítulo 14 - Fruto ....................................................................................151
S Capítulo 15 - Semente...........................................................................160
Glossário ...................................................................................................175
http://www.go2pdf.com
2
Capítulo 1
Sandra Maria Carmello-Guerreiro
Beatriz Appezzato-da-Glória
A planta é uma entidade organizada, na qual o desenvolvimento segue um padrão definido, que lhe
confere estrutura característica (Fig. l. l). O desenvolvimento das plantas superiores inicia-se com a germinação das
sementes, que contêm, no seu interior, o embrião (esporófito jovem) (Fig. 1.2 - A a C).
O embrião maduro consiste de um eixo axial (eixo hipocótilo-radicular), bipolar, provido de um ou mais
cotilédones (Fig. 1.2 - C). A bipolaridade do eixo embrionário, ou seja, a presença de um pólo caulinar na sua
extremidade superior e de um pólo radicular na extremidade inferior, está relacionada com uma das expressões da
organização do corpo vegetal.
Cada um dos pólos apresenta o respectivo meristema apical, radicular ou caulinar (Fig. 1.2 - C). Os
meristemas são constituídos de células que se dividem repetidamente. O meristema caulinar situado entre os dois
cotilédones (nas Dicotiledôneas) é formado por uma plúmula rudimentar ou diferenciada (Fig. 1.2 - C). O eixo
situado abaixo dos cotilédones denomina-se hipocótilo. Na extremidade inferior do hipocótilo encontra-se a
radícula. Em muitas plantas, a extremidade inferior do eixo consiste de um meristema apical recoberto por uma
coifa. Quando a radícula não é distinta do embrião, o eixo embrionário abaixo dos cotilédones é denominado
hipocótilo-radicular (Fig. 1.2 - C).
As primeiras fases do desenvolvimento até o estabelecimento da estrutura primária são ilustradas,
utilizando como modelo a mamona (Ricinus communis) (Fig. 1.3 - B).
Durante a germinação da semente de mamona, o pólo radicular é o primeiro a ser ativado, levando à
formação da raiz primária. O hipocótilo alonga-se elevando os cotilédones acima do solo (germinação epígea).
Entre os cotilédones encontra-se a plúmula, que origina o epicótilo. O desenvolvimento da plântula prossegue por
meio da atividade dos meristemas apical caulinar e radicular (Fig. 1.2 - C).
O meristema apical do caule (Fig. 1.2 - C), cuja descrição será tratada com detalhe no Capítulo 11,
caracteriza-se por apresentar um promeristema contendo células meristemáticas iniciais e suas derivadas
imediatas (que não se diferenciam) e uma porção inferior formada pela atividade dessas células, representada
pêlos tecidos meristemáticos primários: protoderme, meristema fundamental e procâmbio. A medida que o
crescimento prossegue, as regiões mais afastadas do promeristema'tornam-se progressivamente mais
diferenciadas, ou seja, a protoderme organiza a epiderme, o meristema fundamental forma os tecidos
parenquimáticos, colenquimáticos e esclerequimáticos e o procâmbio origina floema e xilema primários. Portanto, a
atividade dos tecidos meristemáticos primários resulta na estrutura primária.
http://www.go2pdf.com
3
A estrutura primária do caule (Fig. 1.3 - D) consiste na organização dos tecidos primários: epiderme,
córtex e sistema vascular. Os primórdios foliares formados pela atividade da região periférica do meristema apical
caulinar também apresentam os tecidos meristemáticos primários. A estrutura primária foliar (Fig. 1.3 - A) resulta do
desenvolvimento desses primórdios foliares (ver Capítulo 12).
No ápice radicular, a zona meristemática constitui um conjunto de células iniciais protegidas pela coifa.
Segue-se a zona de alongamento celular composta pêlos tecidos meristemáticos primários: protoderme, meristema
fundamental e procâmbio, que darão origem à epiderme, ao córtex e ao cilindro central, respectivamente,
constituindo a estrutura primária característica da zona pilífera da raiz (Fig. 1.3 - C).
Os meristemas apicais das raízes e caules produzem células cujas derivadas se diferenciam em novas
partes desses órgãos. Esse tipo de crescimento é primário, ou seja, constitui a estrutura primária, conforme
esquema a seguir.
A maioria das espécies de monocotiledôneas e umas poucas dicotiledôneas herbáceas completam seu
ciclo de vida apenas com o corpo primário. Porém, a maioria das dicotiledôneas e as gimnospermas apresentam
crescimento adicional em espessura. O crescimento em espessura, no vegetal, é decorrente da atividade do
câmbio vascular, sendo denominado crescimento secundário. Geralmente, o crescimento secundário condiciona a
formação de uma periderme às expensas do felogênio. Câmbio vascular e felogênio são denominados meristemas
laterais (ver esquema) em virtude de sua posição paralela à superfície do caule e da raiz.
Uma vez que a estrutura primária dos órgãos vegetativos (raiz, caule e folha) é constituída basicamente
dos mesmos tecidos primários, ela forma uma continuidade no sistema de revestimento, fundamental e de
condução. Com base nesta continuidade topográfica, Sachs, já em 1875, estabeleceu os três sistemas de tecidos:
dérmico, fundamental e vascular.
No corpo vegetal, os vários sistemas de tecido distribuem-se, segundo padrões característicos, de acordo
com o órgão considerado, o grupo vegetal, ou ambos. Basicamente, os padrões se assemelham no seguinte: o
sistema vascular é envolvido pelo sistema fundamental e o sistema dérmico reveste a planta. As principais
variações de padrão dependem da distribuição relativa do sistema vascular no sistema fundamental (Fig. 1.4).
Entre os dois níveis, o do caule e o da raiz, há uma conexão ligando o sistema vascular cilíndrico desta e
do hipocótilo. Acompanhando esta conexão de nível em nível, a começar, por exemplo, da raiz, a estrutura desta
muda gradativamente em estrutura caulinar (Fig. 1.5).
Outro aspecto da diferenciação do sistema vascular envolve a maturação dos elementos do xilema
primário. Na raiz, os primeiros elementos traqueais diferenciados (protoxilema) ocorrem nas posições periféricas do
cilindro vascular (Fig. 1.6 - A). A direção de maturação dos elementos traqueais é centrípeta e o xilema é
denominado exarco. No caule, os primeiros elementos diferenciados do xilema estão mais distantes da periferia
(Fig. 1.6 - C), e os elementos subseqüentes do xilema amadurecem em direção centrífuga, sendo o xilema
denominado endarco.
A região da plântula em que o sistema radicular e o caulinar estão ligados e os pormenores estruturais
http://www.go2pdf.com
4
mudam de nível em relação às diferenças entre