Geologia de Montes Claros

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A cidade de Montes Claros está situada na região Norte do estado de Minas Gerais, mais precisamente na Bacia do Alto Médio São Francisco, ocupando um total de 3.576,76 km² de área total. A cidade possui 363,2 mil habitantes de acordo com o CENSO 2009. Montes Claros possui quanto ao relevo, uma porção elevada do terreno constituída por morros de calcário, pertencentes ao planalto residual do São Francisco; já a porção baixa e plana é denominada de depressão São Francisco. O relevo caracteriza-se por feições onduladas (60%), planas (30%) e montanhosas (10%). Destacam-se as Serras (Geral, dos Montes Claros, dos Fonseca, de Baixo, Velha, Mão Porta, Cordilheira e Sapé), Chapadas (Lagoinha e Mocotó) e Grutas (Lapa Grande, Lapa da Guiné, Lapa do Mereles, Lapa da Claudina, Lapa Pintada, Lapa D’água e Lapa da Lagoinha) (TOLMASQUIM, 2009). O ponto central da cidade tem uma altitude média de 655,21 metros, já o ponto culminante do município é o chamado Morro Vermelho, aonde a altitude chega aos 1075 metros. O relevo dessa região está inserido na zona de transição entre o Cráton São Francisco e a Faixa de Dobramentos Araçuaí, constituindo uma área plataformal cujo embasamento se consolidou em tempos pré-brasilianos, servindo assim de antepaís para as faixas de dobramentos estabelecidas no brasiliano. Esse Cráton é entendido como uma feição do Proterozóico Superior, ou seja, moldado pelo Evento Brasiliano, embora tenha se consolidado como segmento da litosfera continental, apenas no período Arqueano (CHAVES, ANDRADE e BENITEZ, 2012).

Situação das falhas geológicas 
Jequitaí
 (J), Bocaiúva (B) e Montes Claros (M), em relação ao contexto 
geotectõnico
 envolvendo o 
Cráton
 São Francisco e o 
Orógeno
 Araçuaí.
Na região Norte de Minas, afloram unidades neoproterozóicas dos supergrupos Espinhaço e São Francisco, além de resquícios de coberturas fanerozóicas de alguns supergrupos adjacentes. A porção do supergrupo Espinhaço foi depositada no Mesoproterozóico através de uma sedimentação em ambiente de rifte. Sua porção basal é representada por sedimentos eólicos e marinhos rasos. O supergrupo São Francisco predomina sobre a maior parte da região, sendo constituída pelos grupos Macaúbas e Bambuí. O grupo Macaúbas é a região basal do supergrupo São Francisco, sendo composta principalmente de quartzitos e metadiamicitos, e foi formada por sedimentação glaciomarinha. Já o grupo Bambuí concentra-se na parte superior da cobertura cratônica e é composta por uma sucessão de siltitos na base, folhelhos rítmicos de calcário na porção intermediária e argilitos no topo (CHAVES, ANDRADE e BENITEZ, 2012).
O clima encontrado na cidade de Montes Claros é do tipo tropical semi-árido, quente e seco, com período de chuvas concentradas entre os meses de outubro a março. A precipitação média anual é de 1.060 mm e a temperatura média anual é de 24,2° C. Em conseqüência do tipo de clima seco e com baixos índices de pluviosidade, o solo do município foi moldado a partir das ações intempéricas que ocorreram a partir do tipo de clima anlisado.  No solo de Montes Claros predomina uma formação Pré-cambriana antiga, com ocorrência de siltito, ardósia, calcários, filitos, calcita, galena, minério de ferro, azotato de potássio, cristal de rocha e ouro de aluvião (CHAVES, ANDRADE e BENITEZ, 2012). Podendo, assim, ser considerado um solo pobre em nutrientes e com isso dificulta a formação de uma grande biodiversidade, gerando assim as baixas taxas de matéria orgânica presentes no solo.
De modo geral, conforme dados do Núcleo de Ciências Agrárias da UFMG, o tipo de solo do município de Montes Claros apresenta aptidão restrita para lavoura nos níveis de manejo A (não tecnificado), B (semi-tecnificado) e C (tecnificado), devido às limitadas reservas de nutrientes, como foi apresentado anteriormente, sendo  necessário o uso de corretivos e fertilizantes nas poucas lavouras presentes no município. Como o clima da região é semi-árido há uma considerável deficiência de água, tanto no solo como na atmosfera, que reduz a opção de cultivo de culturas de ciclo longo e significativamente às possibilidades dos cultivos de ciclo curto.  Além disso, o solo apresenta susceptibilidade à erosão e, com isso, o impedimento à mecanização. Portanto, as atividades predominantes de uso e ocupação do solo em Montes Claros são voltadas para a pastagem plantada, pastagem natural e, principalmente, a silvicultura. As principais interferências considerando o tipo de uso do solo ocorrem principalmente em áreas de agropecuária, onde o uso da terra encontra-se consolidado com o plantio de culturas agrícolas e criação de gado em grandes propriedades.

Referencias:
M. T. Tolmasquim,  Análise socioambiental de alternativas para o atendimento à Interligação Pirapora – Montes Claros; Rio de Janeiro, 2009.
Secretaria Municipal De Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência E Tecnologia, Dados gerais da cidade de Montes Claros; Montes Claros, sem ano.

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