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Psicologia Jurídica - Aula 06 - Justiça Restaurativa e Medida Socioeducativa

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Profª Ms. Cecilia Santos	 Apostila 06
Medidas Protetivas, Medidas Socioeducativas e Justiça Restaurativa 
Medidas Protetivas
O Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, especificando uma rede de direitos e deveres que devem ser alvo de aplicação dos mecanismos sociais próprios ao estabelecimento da ordem social. Isto inclui as ações na área de saúde e no âmbito do judiciário.
Os conselhos tutelares
Previsto no art. 131 do ECA, o Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.
O Conselho Tutelar encontra-se em contato direto com a população; na prática, observa-se que as queixas relativas à violação dos direitos de crianças e adolescentes, em geral, são dirigidas a esse órgão, o qual deve estar em sintonia com o judiciário local, a fim de que as informações e as ações sejam harmoniosas e alcancem o objetivo de proteção à infância e à adolescência.
Trata-se de autoridade pública municipal. Nos centros urbanos maiores e mais complexos, esse órgão pode funcionar de maneira interdisciplinar, com advogado, psicólogo, pedagogo, assistente social, administrador, além dos próprios conselheiros.
Suas principais atribuições são:
•atender crianças que necessitem de proteção, sempre que seus direitos forem ameaçados ou violados;
•atuar junto às instituições de aplicação das medidas socioeducativas;
•encaminhar ao Ministério Público a notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança e do adolescente.
As medidas de proteção encontram-se previstas no ECA, em seu art. 101, e destacam-se:
•encaminhamento aos pais;
•orientação, apoio e acompanhamento temporários;
•matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de ensino;
•inclusão em programa comunitário de auxílio à família, à criança e ao adolescente;
•requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico;
•inclusão em programa de auxílio, orientação e tratamento a dependentes químicos;
•abrigo em entidade;
•colocação em família substituta.
Medidas Socioeducativas
As medidas socioeducativas aplicadas a adolescentes têm como objetivo não só responsabilizá-los, demonstrando que suas condutas foram erradas, desincentivando-os a repeti-las, como também reeducá-los. Desse modo essas medidas pretendem incutir nos jovens valores de cidadania, viabilizando outra inserção na sociedade.
O que são?  - Medidas socioeducativas são medidas aplicáveis a adolescentes autores de atos infracionais e O ECA dispõe em seus arts. 112 e seguintes as medidas que podem ser aplicadas na ocorrência de ato infracional praticado por adolescente. Apesar de configurarem resposta à prática de um delito, apresentam um caráter predominantemente educativo e não punitivo. 
Quem recebe?- Pessoas na faixa etária entre 12 e 18 anos, podendo-se, excepcionalmente, estender sua aplicação a jovens com até 21 anos incompletos, conforme previsto no art. 2º do ECA.
Quem aplica?- O Juiz da Infância e da Juventude é o competente para proferir sentenças socioeducativas, após análise da capacidade do adolescente de cumprir a medida, das circunstâncias do fato e da gravidade da infração.
Observa-se que a aplicação de medidas mais severas deve ser precedida da criteriosa análise sobre a possibilidade da utilização de medidas que não impliquem em internação. O Estatuto, em seus artigos seguintes, define cada uma destas medidas.
No Estado de São Paulo, a Fundação Casa – antiga FEBEM – tem por objetivo, de acordo com seu regimento interno, promover o atendimento ao adolescente em cumprimento de medida socioeducativa e daquele que se encontra em internação provisória, com eficácia, eficiência e efetividade, de acordo com leis, normas e recomendações de âmbito nacional e estadual. O atendimento deverá garantir a proteção integral dos direitos dos adolescentes, por meio de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais da União, dos Estados e dos Municípios.
Segundo a Resolução no 113/2006 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), os programas de aplicação das medidas socioeducativas devem obedecer aos princípios legislativos básicos e às seguintes diretrizes:
I - prevalência do conteúdo educativo sobre os sancionários e meramente de contenção;
II - ordenação do atendimento socioeducativo e da sua gestão, a partir do projeto político-pedagógico;
III - construção, monitoramento e avaliação do atendimento socioeducativo, com a participação proativa dos adolescentes socioeducandos;
IV - disciplina como meio para a realização do processo socioeducativo;
V - respeito à diversidade étnica/racial, de gênero, orientação sexual e localização geográfica como eixo do processo socioeducativo;
VI - participação proativa da família e da comunidade no processo socioeducativo.
Em conformidade ao preconizado pelo ECA, a aplicação de medidas socioeducativas necessita considerar a capacidade do adolescente em cumpri-las, as circunstâncias e a gravidade da infração praticada. Basicamente, pode-se dividi-las em medida socioeducativa de meio aberto ou fechado. As executadas em meio aberto são: Advertência, Obrigação de reparar o dano, Prestação de serviços à comunidade e Liberdade Assistida. 
ADVERTÊNCIA (ART. 115 DO ECA)
O que é: uma repreensão judicial, com o objetivo de sensibilizar e esclarecer o adolescente sobre as consequências de uma reincidência infracional. 
Consiste na repreensão verbal aplicada pela autoridade judicial que deverá ser reduzida a termo e assinada. A medida de advertência é aplicada e executada pelo próprio Juiz da Infância e Juventude. Portanto, esgota-se em si, com efeito imediato. A medida de advertência possui caráter educativo e sancionatório uma vez que busca a orientação do jovem, a internalização de valores sociais que induzam a comportamentos considerados adequados para a vida em sociedade, ao mesmo tempo em que censura sua conduta, prevenindo sua reincidência. 
OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO (ART. 116 DO ECA)
O que é: ressarcimento por parte do adolescente do dano ou prejuízo econômico causado à vítima. 
Aplicada em situações em que o ato infracional resulta em danos patrimoniais, o juiz pode determinar que o adolescente repare ou restitua o bem, ou ainda compense o prejuízo financeiro causado à vítima. 
Por não necessitarem de programas estruturados para sua execução, as medidas de advertência e obrigação de reparar o dano são comumente executadas pelo Poder Judiciário sem intervenção da equipe de CREAS ou das demais políticas intersetoriais envolvidas. Porém, há de se reconhecer o desafio para a elaboração de mecanismos de participação social na execução de tais medidas, seja no acompanhamento das regras legais para a advertência, seja na fiscalização, cooperação nas situações de compensação das vítimas e mediação, como forma de resolução de conflitos. 
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE (ART. 117 DO ECA)
O que é: realização de tarefas gratuitas e de interesse comunitário por parte do adolescente em conflito com a lei, durante período máximo de seis meses e oito horas semanais. 
Consiste no cumprimento de tarefas gratuitas de interesse geral em entidades assistenciais, hospitais, escolas ou instituições afins. A medida deve ser aplicada durante uma jornada máxima de oito horas semanais, em horário que não prejudique a frequência à escola ou o turno de trabalho, não podendo ultrapassar seis meses. 
Com cunho educativo e não repressivo ou de punição, precisa fornecer ao adolescente instrumentais para o seu crescimento social e intelectual, tendo como principal escopo a inserção em novas possibilidades de vida e oportunidades de relacionamentos e trabalho. 
A equipe irá monitorar o adolescente, com constância, bem como efetivar sua responsabilização de acordo com a proposta