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Direitos Humanos - Aula 06

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UNIDADE III: SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
MECANISMOS GLOBAIS CONVENCIONAIS: PACTO INTERNACIONAL DOS DIREITOS CIVIS E POLITICOS DE 1966
Introdução
O processo de universalização dos direitos humanos traz em si a necessidade de implementação desses direitos mediante a criação de uma sistemática internacional de monitoramento e controle. Devemos enfatizar que a Carta da ONU de 1945, em seu artigo 55, estabelece que os Estados-partes devem promover a proteção dos direitos humanos e liberdades fundamentais. Em 1948 a Declaração Universal vem definir e fixar o elenco de direitos e liberdades fundamentais a serem garantidos. Entretanto, tais instrumentos não apresentam força jurídica obrigatória e vinculante.
Surgiu, então, um grande discussão sobre qual seria a maneira mais eficaz de assegurar o reconhecimento e o observância universal dos direitos neles previstos. Entendeu-se que a Declaração deveria ser “juridicizada” sob a forma de um tratado internacional, que fosse juridicamente obrigatório e vinculante no âmbito do Direito Internacional.
Tal processo de “juridicização” da Declaração começou em 1949 e foi concluído apenas em 1966 com a elaboração de dois tratados internacionais distintos – o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. A partir da elaboração desses pactos se forma a Carta Internacional dos Direitos Humanos, ou International Bill of Rights – formada pelos dois pactos de 1966 + Declaração Universal de 1948. Inaugurou-se, assim, o sistema global de proteção desses direitos, que seria posteriormente ampliado com o advento de diversos tratados multilaterais de direitos humanos, pertinentes a determinadas e especificas violações de direitos, como o genocídio, a tortura, a discriminação racial, a discriminação contra as mulheres, a violação dos direitos das crianças, etc.
Importante salientar que o Direito Internacional dos Direitos Humanos não substitui o sistema nacional de proteção, mas é subsidiário e suplementar a este, nas suas omissões, falhas e deficiências.
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Politicos
Embora aprovados em 1966 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais entraram em vigor apenas 10 anos depois, em 1976, tendo em vista que somente nesta data alcançaram o número de ratificações necessário para tanto. Em maio de 2011, 167 Estados já haviam aderido ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e 160 ao Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Com efeito, no início de suas atividades (de 1949 a 1951) a Comissão de Direitos Humanos da ONU trabalhou em um único projeto de pacto, que conjugava as duas categorias de direitos. Contudo, em 1951 a Assembleia Geral, sob a influência de países ocidentais, determinou fossem elaborados dois pactos em separado, tendo como argumento principal as diferenças na implementação das duas categorias de direitos: os direitos civis e políticos eram aplicáveis e passiveis de cobrança imediata, enquanto que os direitos econômicos, sociais e culturais demandavam realização aos poucos, progressivamente.
Nesse cenário nasceu o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que reconheceu um catalogo de direitos civis e políticos mais extenso que o da própria Declaração Universal. 
De um modo geral:
Os Estados-partes tem o dever de assegurar os direitos elencados no pacto, a todos os indivíduos que estejam sob sua jurisdição, adotando medidas necessárias para esse fim.
Os Estados-partes tem o dever de proteger os indivíduos contra a violação de seus direitos em face a entes privados, estabelecendo um sistema legal capaz de responder com eficácia às violações de direitos civis e políticos.
São obrigações tanto de natureza negativa (ex: não torturar) como positiva (ex: prover um sistema legal capaz de responder às violações dos direitos).
Apresenta auto aplicabilidade.
Especificamente:
Art.11: direito de não ser preso em razão de descumprimento de obrigação contratual.
Art.24: direito da criança ao nome e à nacionalidade.
Art.27: proteção dos direitos das minorias à identidade cultural, religiosa e linguística.
Art.20: proibição da propaganda de guerra ou de incitamento a intolerância ética ou racial.
Art.1°: direito à autodeterminação.
A esses direitos e garantias se soma ainda a vedação contra a pena de morte, instituída pelo Segundo Protocolo ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, adotado em 15 de dezembro de 1989, entrando em vigor em 11 de julho de 1991 em seu artigo 1º: “ninguém dentro da jurisdição de um Estado-parte (...) poderá ser executado”, e ainda que “cada Estado-parte deverá adotar todas as medidas necessárias a abolir a pena de morte em sua jurisdição”. O Brasil o ratificou em 25 de setembro de 2009.
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, em seu artigo 4º, permite excepcionalmente a derrogação temporária dos direitos, ficando condicionada pela decretação de estado de emergência, ficando proibida qualquer medida discriminatória fundada em raça, cor, sexo, língua, religião ou origem social. Ao mesmo tempo, entretanto, o pacto estabelece direitos inderrogáveis, como o direito à vida, proibição da tortura e de qualquer forma de tratamento cruel, desumano ou degradante, a proibição da servidão e da escravidão, que não poderão ser suspensos ainda que em estado de guerra, perigo público, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública.
Ao ratificar o Pacto, os Estados-partes passam a ter a obrigação de encaminhar relatórios sobre as medidas legislativas, administrativas e judiciarias adotadas, a fim de ver implementados os direitos enunciados pelo pacto, nos termos do seu art. 40. Por essa sistemática, por meio de relatórios periódicos, o Estado-parte esclarece o modo pelo qual está cumprindo as obrigações internacionais assumidas.
Tais relatórios são apreciados pelo Comitê de Direitos Humanos, instituído pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e devem ser encaminhados em um ano a contar da ratificação do pacto e sempre que solicitado pelo Comitê. A ele cabe examinar e estudar os relatórios, tecendo comentários e observações gerais a respeito, que encaminha relatório ao Conselho Econômico e Social da ONU.
O art. 28 do Pacto estabelece que o Comitê é composto por 18 membros dos Estados-partes, sendo por eles eleitos, sendo independentes e autônomos. 
O art. 41 do Pacto estabelece uma sistemática das comunicações interestatais, por meio da qual um Estado-parte pode alegar haver outro Estado-parte incorrido em violação dos direitos humanos enunciados no pacto. Cabe ao Comitê de Direitos Humanos resolver tais lides. Sua função primordial é auxiliar na superação da disputa, mediante proposta de solução amistosa.
Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
O Protocolo Facultativo, adotado em 16 de dezembro de 1966, vem adicionar um mecanismo de petições individuais a serem apreciadas pelo Comitê de Direitos Humanos, instituído pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que permite aos indivíduos apresentar petições denunciando violações de direitos enunciados no pacto. A importância do Protocolo está em habilitar o Comitê de Direitos Humanos a receber e examinar petições encaminhadas por indivíduos que aleguem ser vítimas de violação dos direitos enunciados pelo pacto.
A petição ou comunicação individual só pode ser admitida se o Estado violador tiver ratificado tanto o Pacto como o Protocolo Facultativo, já que só assim o Estado terá reconhecido a competência do Comitê de Direitos Humanos para tanto. O Comitê determinou que um indivíduo só pode ser considerado vítima, de acordo com o artigo 1° do Protocolo, se pessoalmente sofreu a violação de direito. Entretanto, as comunicações podem ser encaminhadas por