Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
1
CAROS AMIGOS E ALUNOS 
 
É um prazer poder usufruir dos atuais meios de comunicação e me dirigir a 
todos vocês. Nesta apresentação vou passar algumas breves informações sobre 
minha pessoa e o curso que pretendo ministrar. 
Sou graduado e pós-graduado em Direito pela Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo (PUC/SP). Fui Procurador do Estado de São Paulo e 
atualmente sou Juiz de Direito. Ao lado destas funções públicas, sempre fui 
ligado à área do ensino. Para mim, uma atividade completa a outra e vou me 
mantendo sempre atualizado. Iniciei minha carreira docente na própria PUC/SP, 
onde dei aulas durante alguns anos. Meu foco, atualmente, são os cursos 
preparatórios para concursos públicos. Acabei me envolvendo com diversas 
disciplinas na área jurídica, mas me especializei no Direito Civil, matéria que 
possuo algumas obras e artigos publicados. 
Há mais de vinte anos acompanho os concursos públicos, nas mais 
diferentes áreas, seja no âmbito jurídico, fiscal e outros. O contato que mantenho 
com os alunos (seja real, ou, nos tempos atuais, também virtual) é muito 
enriquecedor. Gosto de transmitir toda aquela experiência que fui acumulando 
nos concursos que prestei e nos cargos que exerci e ainda exerço. Fico 
extremamente feliz quando recebo a notícia de que um aluno passou em um 
concurso. Cada vez que isso ocorre, parece que eu passei junto com ele. E isso 
renova minhas forças para continuar fazendo o que gosto. Devo acrescentar que 
venho tendo muitas dessas alegrias, tendo-se em vista o frequente sucesso 
de nossos alunos, especialmente aqui, no PONTO DOS CONCURSOS. 
Minha intenção com este curso é ministrar aulas dirigidas de uma forma 
geral para concursos referentes a “Tribunais” de forma clara, direta e muito 
objetiva, fornecendo o máximo de informações ao aluno, mas sem dispersar para 
temas que não caem na prova, evitando opiniões pessoais e doutrinárias que não 
são acolhidas nos concursos. 
Esse curso não foi elaborado para um concurso específico. Mas, como 
dissemos, para cargos nos Tribunais de uma forma geral: Tribunais de Justiça 
(estaduais e federais), Tribunais Eleitorais e Militares, Tribunais Trabalhistas, 
Tribunais de Contas e Tribunais Superiores (STJ e STF), etc. Serve também para 
concursos referentes à Controladoria, Ministério Público, etc. Para tanto, analisei 
diversos editais e verifiquei que o Direito Civil cai em todos estes concursos, 
pois se trata de matéria básica. 
É com o Direito Civil que se começa o estudo do Direito. Inclusive nossa 
primeira aula, fornecida hoje, logo após a apresentação, fala sobre a chamada Lei 
de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Ponto importantíssimo para a 
compreensão não só do Direito Civil, mas de todos os outros ramos do Direito. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
2
É certo que já temos alguns concursos em andamento. No entanto este 
curso tem um intuito mais preventivo, pois é assim que se estuda para um 
concurso: de forma antecipada. Isso porque sabemos que os concursos para 
Tribunais vêm ampliando, cada vez mais, as matérias e os pontos a serem 
estudados. Assim, quando o edital é publicado, já não dá mais tempo para 
estudar todas as matérias de forma adequada e completa. 
Optamos por fazer um curso completo, abrangendo todo Direito Civil. 
No entanto, para que o curso saia mais em conta para o aluno, compactamos 
algumas aulas. Geralmente um curso completo de Direito Civil é dado em 20 
aulas. No entanto este curso será de apenas nove aulas (além da aula 
demonstrativa), sem que se perca qualquer conteúdo nestas aulas. 
Exemplificando. No curso regular fornecemos uma aula sobre pessoas naturais 
(físicas) e outra sobre pessoas jurídicas. No curso que iremos ministrar estas 
duas aulas serão condensadas em apenas uma aula, sem perder qualquer 
conteúdo da matéria, barateando, assim, os custos para o aluno. Por outro lado, 
como as aulas vão ficar maiores, daremos um tempo maior para que aluno 
estude a aula e envie suas perguntas ao nosso fórum. Portanto, como regra, 
nossas aulas serão enviadas a cada 15 (quinze) dias (vejam nosso cronograma 
mais abaixo). 
Vamos agora explicar como será desenvolvido o curso. 
Cada aula contém a matéria referente a um capítulo do Direito Civil, sendo 
que a mesma será exposta de uma forma bem simples, direta e objetiva. Durante 
as aulas forneço o maior número de exemplos possível. Tenho certeza que 
mesmo uma pessoa que não seja formada em Direito terá plenas condições de 
acompanhar o curso e entender tudo o que será ministrado. No entanto não 
posso fugir de algumas ‘complexidades jurídicas’, pois estas também costumam 
cair nas provas. Costumo dizer que os examinadores gostam de pedir “as 
exceções de uma regra...” e também “as exceções da exceção...”. Desta forma, 
darei um enfoque especial a estes aspectos, chamando a atenção do aluno 
quando um ponto é mais exigido em um concurso e onde podem ocorrer as 
famosas “pegadinhas”. 
Em todas as aulas, após apresentar a parte teórica, com muitos exemplos 
práticos, sempre faço um quadro sinótico, que na verdade é o resumo da 
aula. É o que eu chamo de “esqueleto da matéria”. A experiência demonstra que 
esse “quadrinho” é de suma importância, pois se o aluno conseguir memorizá-
lo, saberá situar a matéria e completá-la de uma forma lógica e sequencial. 
Portanto, após ler toda a aula, o aluno deve também ler (e reler) o resumo 
apresentado, mesmo que tenha entendido toda matéria. Sem dúvida alguma, 
esta é uma excelente maneira de fixação do conteúdo da aula. Além disso, ele 
é ótimo para rápidas revisões às vésperas de um exame. 
 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
3
Ao final de cada aula também apresento alguns testes. Aliás, muitos 
testes. Todos eles já caíram em concursos anteriores. Este ponto merece um 
destaque especial em nosso curso. Trata-se de um diferencial. Até por 
experiência própria, entendo que os testes são imprescindíveis para um curso 
direcionado para concursos. Uma aula, por melhor que seja, só é completa se 
tiver testes, pois é por meio deles que o aluno vai pegando a “malícia” de uma 
prova. Inicialmente os testes têm a finalidade de revisar o que foi ministrado na 
aula e fixar, ainda mais, a matéria dada. Mas resolver questões já aplicadas em 
concursos anteriores é, indiscutivelmente, uma das melhores formas de se 
preparar para exames. Observem como os concursos costumam repetir 
questões que já caíram em outros exames ou fazer “variações sobre um mesmo 
tema”. 
Os testes apresentados neste nosso curso têm um grau de dificuldade 
acima da média e não fujo de questões polêmicas, desde que haja interesse para 
o nosso concurso. Por isso não fiquem preocupados se o seu índice de acerto 
ficou aquém do esperado... isso é muito natural... faz parte do aprendizado. Com 
o tempo, sem afobação, o aluno “vai pegando a malícia dos testes”. É importante 
o aluno fazer todos os exercícios, pois muitas vezes eles completam a aula. Por 
esse motivo o gabarito é totalmente comentado. Muitas dúvidas da aula podem 
ser sanadas somente por meio da leitura dos testes e de suas respectivas 
respostas, pois completam e aprofundam a matéria da aula. Passados alguns 
dias, refaçam os testes. Veja como seu índice melhorou... sem perceber você 
está “pegando o jeito da coisa”. Devo esclarecer que alguns testes foram 
adaptados, acompanhando as alterações legislativas que vem ocorrendo a todo 
o momento e também com inserção de mais alternativas em algumas questões. 
Por isso, nem sempre a fonte é citada, poiso exercício original ficou 
“desnaturado”. 
Finalmente, qualquer dúvida que porventura o aluno ainda tenha referente 
à aula deve ser encaminhada ao forum deste site, para que eu possa respondê-la 
da melhor forma possível. Assim, as perguntas dos alunos e as minhas respostas 
ficarão disponíveis para todos os matriculados no curso, enriquecendo ainda mais 
o nosso projeto. Por isso é importante que o aluno leia todas as perguntas e 
respostas que já foram elaboradas e encaminhadas, mesmo que por outros 
alunos, pois às vezes as suas dúvidas podem ser as mesmas que outro aluno já 
formulou. 
CRONOGRAMA 
Além da aula demonstrativa, teremos outras 09 (nove) aulas. Nosso 
programa é o seguinte: 
Aula 00 (fornecida hoje, logo após a esta apresentação) Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei n° 4.657/1942, com 
suas alterações): arts. 1° a 19. Vigência e Aplicação das Leis no Tempo e no 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
4
Espaço. A) Aspecto Temporal: Início e Fim da obrigatoriedade da lei. Revogação: 
ab-rogação e derrogação. Princípio da Irretroatividade. Ato Jurídico Perfeito. 
Direito Adquirido. Coisa Julgada. B) Aspecto Territorial. Conflito das normas no 
tempo e no espaço. Interpretação. Hermenêutica. Lacuna e Integração das 
Normas: Analogia, Costumes e Princípios Gerais do Direito. Antinomia. 
Aula 01 (25 de agosto) Pessoa Natural – Conceito. Personalidade: Início, 
Individualização e Término. Direitos da Personalidade. Capacidade: Classificação. 
Emancipação. Pessoa Jurídica – Conceito. Início da Personificação. Registro. 
Classificação: Pessoa Jurídica de Direito Público e de Direito Privado. Término. 
Grupos não personificados. Abuso e Desconsideração da Personalidade Jurídica. 
Domicílio e Residência. 
Aula 02 (1º de setembro) Dos Bens. Das Diferentes Classes de Bens. 
Conceito. Espécies. Classificação Geral (considerados e si mesmos; 
reciprocamente considerados; considerados em relação ao titular da propriedade; 
considerados quanto à possibilidade de comercialização). Bens de família legal e 
bem de família convencional. 
Aula 03 (15 de setembro) Fatos e Atos Jurídicos. Negócio Jurídico. 
Conceito. Classificação. Modalidades. Elementos Constitutivos: Essenciais Gerais e 
Especiais (particulares). Elementos Acidentais (condição, termo, modo ou 
encargo). Da Validade do Negócio Jurídico: Forma e Prova. Defeitos do Negócio 
Jurídico. Invalidade. Teoria das Nulidades: Nulidade Absoluta e Relativa. 
Conversão do negócio nulo. Prescrição (disposições gerais, causas que impedem 
ou suspendem a prescrição, causas que interrompem a prescrição, prazos da 
prescrição) e Decadência. 
Aula 04 (29 de setembro) Atos Ilícitos. Responsabilidade Civil. 
Conceito, pressupostos, espécies e efeitos. Responsabilidade Contratual e 
Extracontratual. Responsabilidade Objetiva e Subjetiva. 
Aula 05 (06 de outubro) Direito das Obrigações. Teoria Geral. Conceito. 
Elementos Constitutivos. Classificação. Cláusula Penal. Adimplemento e Extinção 
das Obrigações. Pagamento. Direto e Indireto. Dação em Pagamento. Novação. 
Confusão. Compensação. Remissão das Dividas. Arras ou Sinal. Cláusula Penal. 
Extinção da obrigação sem pagamento. Execução forçada por intermédio do 
Poder Judiciário. Consequências da inexecução da obrigação por fato imputável 
ao devedor (mora, perda e danos e cláusula penal). Transmissão (cessão de 
crédito, cessão de débito e cessão do contrato). Declaração unilateral de vontade: 
promessa de recompensa, gestão de negócios, pagamento indevido e 
enriquecimento sem causa e títulos de crédito. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
5
Aula 06 (20 de outubro) Contratos. Disposições Gerais. Teoria Geral dos 
Contratos. Elementos. Princípios Fundamentais. Formação. Modalidades de 
contrato. Efeitos. Extinção da Relação Contratual. 
Aula 07 (03 de novembro) Direito das Coisas. Posse: Conceito. 
Classificação. Aquisição. Proteção. Efeitos. Perda. Propriedade: Aquisição. Perda 
da propriedade móvel. Direitos reais sobre coisa alheia: de fruição, de garantia e 
de aquisição. 
Aula 08 (17 de novembro) Direito de Família. 1) Direito Matrimonial. 
Casamento: classificação, habilitação, requisitos formais, impedimentos, forma e 
prova. Anulação e efeitos jurídicos. Regimes de Bens entre os Cônjuges. 
Separação e Divórcio. 2) Direito Convivencial. União Estável entre Homem e 
Mulher: caracterização, efeitos alimentícios e sucessórios, dissolução. 3) Direito 
Parental. Relação de parentesco. Filiação. Adoção. Poder Familiar. Alimentos. 4) 
Direito Assistencial. Guarda. Tutela. Curatela. Ausência. 
Aula 09 (1º de dezembro) Direito das Sucessões. Da Sucessão em Geral: 
Legítima e Testamentária. Disposições gerais, ordem de vocação hereditária, 
capacidade sucessória, direito de representação, transmissão da herança, 
herança jacente, aceitação e renúncia da herança. Capacidade para testar, parte 
disponível. Substituição. Formas de Testamento. Inexecução. Deserdação. 
Indignidade. Codicilo. Legados. Colação. Pagamentos das dívidas e garantias. 
Inventário, partilha, sonegados e sobrepartilha. 
Assim, com a exposição da matéria teórica acompanhada de exemplos 
práticos, quadros sinóticos, resumos, testes com gabarito comentado, 
possibilitando ainda ao aluno eliminar qualquer dúvida que reste através do nosso 
forum, acreditamos ser este trabalho uma importante ferramenta para o 
conhecimento e aprimoramento nos estudos. 
Finalizo, desejando a todos os votos de pleno êxito em seus objetivos, 
com muita tranquilidade e paz durante os estudos e na hora da realização das 
provas. 
 
 
Um forte abraço a todos. 
 
 
 
Lauro Ribeiro Escobar Jr. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
6
AULA DEMONSTRATIVA 
Meus amigos e alunos: antes de iniciar uma aula, costumo colocar em 
destaque, de forma minuciosa, os pontos que examinaremos, seguindo o que os 
editais exigem. Assim o aluno pode conferir se a aula dada realmente abrangeu 
os pontos que estão presentes em um edital de seu interesse. 
Itens que serão abordados nesta aula: Lei de Introdução às Normas do Direito 
Brasileiro (Decreto-Lei n° 4.657/1942, com todas as suas alterações): arts. 1° a 19. 
Vigência e Aplicação das Leis no Tempo e no Espaço. A) Aspecto Temporal: Início e 
Fim da obrigatoriedade da lei. Revogação: ab-rogação e derrogação. Princípio da 
Irretroatividade. Ato Jurídico Perfeito. Direito Adquirido. Coisa Julgada. B) Aspecto 
Territorial. Conflito das normas no tempo e no espaço. Interpretação. Hermenêutica. 
Lacuna e Integração das Normas: Analogia, Costumes e Princípios Gerais do Direito. 
Antinomia. 
 
Primeiro, vamos a uma curiosidade. O Decreto-Lei n° 4.657/42 tinha como 
“nome” (ou ementa) de Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Pois bem... a 
Lei n° 12.376 de 31 de dezembro de 2010 alterou esse nome para Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Ou seja, nossos parlamentares 
elaboraram uma lei apenas para alterar o nome da lei. Nada, absolutamente 
nada, mudou em seu conteúdo. E a intenção foi somente deixar claro o que já 
dizíamos há muito tempo: a Lei de Introdução não tem aplicação somente ao 
Código Civil, mas sim a todo o Direito, como veremos. No entanto, por ora, 
apesar da alteração, ainda iremos nos referir a Lei de Introdução ao Código Civil, 
ou, simplesmente, LICC. 
Comecemos... 
LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL 
 
Em 2003 entrou em vigor o novo Código Civil (Lei nº 10.406/02). Ela foi 
publicada no dia 10 de janeiro de 2002, mas somente entrou em vigor no ano 
seguinte. Antes disso jávigorava uma lei conhecida como Lei de Introdução ao 
Código Civil (ou simplesmente LICC), que é o Decreto-lei nº 4.657, de 04 de 
setembro de 1942. O novo Código Civil não revogou a LICC, nem a incorporou em 
seu texto. Portanto, a LICC não é parte integrante do Código Civil; trata-se de 
uma lei anexa ao Código Civil, porém autônoma. Suas normas são aplicáveis 
não só ao Direito Civil, mas também a todo nosso ordenamento jurídico, 
conforme veremos adiante. 
Na realidade a Lei de Introdução ao Código Civil, é um conjunto de 
normas sobre normas, isto porque disciplina as próprias normas jurídicas, 
prescrevendo-lhes a maneira de aplicação e entendimento, predeterminando as 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
7
fontes e indicando-lhes as dimensões espaço-temporais. Ela não rege a vida das 
pessoas, mas sim as próprias normas jurídicas. Logo, ela ultrapassa o âmbito do 
Direito Civil, atingindo tanto o direito privado quanto o público. Contém 
normas de sobredireito (também chamadas de normas de apoio). Trata-se de 
um código de normas. A doutrina a considera como uma lei de introdução às 
leis por conter princípios gerais sobre as normas sem qualquer discriminação, 
indicando como aplicá-las. E ela continua em vigor, a despeito do novo Código 
Civil, em sua plenitude e de forma autônoma. Em síntese, a LICC trata dos 
seguintes assuntos: 
• Vigência das leis sob o aspecto temporal (ou seja, início e tempo de 
obrigatoriedade) e sob o aspecto espacial (ou seja, a territorialidade). 
• Garantia da eficácia da ordem jurídica (ou seja, não admite a ignorância 
de lei vigente). 
• Critérios de interpretação das normas (hermenêutica). 
• Fontes e integração das normas (ou seja, quando houver lacunas na lei). 
• Direito intertemporal. 
• Direito internacional (como a competência judiciária brasileira, prova de 
fatos ocorridos no estrangeiro, eficácia de tratados e convenções assinadas 
pelo Brasil, execução de sentença proferida no exterior, atos praticados 
pelas autoridades consulares brasileiras no exterior, etc.). 
Toda norma jurídica tem um âmbito de aplicação temporal, espacial, 
material e pessoal, dentro dos quais ela tem vigência e validade. Quanto à 
Vigência, vamos analisar as leis sob dois prismas: Temporal e Territorial. 
I. VIGÊNCIA DAS LEIS NO TEMPO 
As leis também possuem um ciclo vital: nascem, aplicam-se a 
determinadas situações, podem ser modificadas e “morrem”. Elas são regidas, 
inicialmente, por dois princípios fundamentais: 
A) Princípio da Obrigatoriedade das Leis – uma vez em vigor, a lei 
torna-se obrigatória para todos os seus destinatários. Publicada a lei, ninguém 
se escusa de cumpri-la alegando que não a conhece (art. 3o da Lei de Introdução 
do Código Civil). Tal dispositivo visa garantir a estabilidade e a eficácia do 
sistema jurídico que ficaria comprometido se fosse admitida a alegação de 
ignorância de lei em vigor. O erro de direito (que seria a alegação de 
desconhecimento da lei) só pode ser invocado em raríssimas ocasiões e quando 
não houver o objetivo de furtar-se o agente ao cumprimento da lei. Reforçando: 
para a LICC o desconhecimento da lei não pode ser alegado; já para o Código 
Civil pode haver tal alegação em situações especialíssimas (art. 139, III). 
B) Princípio da Continuidade das Leis – a partir de sua vigência, a lei 
tem eficácia contínua, até que outra a revogue (embora possam existir “leis 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
8
temporárias”, conforme veremos adiante – art. 2o da LICC). O desuso ou o 
decurso de tempo, não fazem com que a lei perca sua eficácia. 
INÍCIO DA OBRIGATORIEDADE DAS LEIS 
A criação de uma lei obedece a um procedimento próprio, definido nas 
normas constitucionais. Uma lei não entra em vigor de imediato. De uma forma 
geral, há um processo de criação da lei que passa por cinco etapas. Vejamos de 
forma resumida. 
A criação de uma lei obedece a um procedimento próprio, definido nas 
normas constitucionais (arts. 59 a 69, CF/88). Há todo um processo solene de 
elaboração da lei, chamado de processo legislativo, que passa por cinco 
etapas. Embora este não seja um tema específico do Direito Civil é conveniente 
fazer um resumo sobre o tema. Há várias espécies de leis, cada uma possui 
peculiaridades próprias. Vamos falar sobre o “processo padrão”, ou seja, o 
processo legislativo ordinário: 
A) INICIATIVA – é o ato que inicia todo o processo legislativo. Trata-se da 
faculdade conferida a alguém ou a algum órgão para apresentar um projeto de 
lei. A Constituição confere legitimação a várias pessoas e órgãos para a 
apresentação de projetos de lei ao Poder Legislativo. Na área federal, 
dependendo da matéria, cabe: 
1. Iniciativa Parlamentar – a qualquer um dos membros ou comissões do 
Poder Legislativo; 
2. Iniciativa Extraparlamentar – ao Presidente da República, Supremo 
Tribunal Federal, demais Tribunais Superiores, Procurador Geral da República e 
também aos cidadãos em geral (iniciativa popular), como previsto no artigo 61 
da Constituição Federal. Nesta última hipótese o caso mais famoso foi o da 
autora de novelas Glória Peres, que perdeu uma filha assassinada e liderou 
uma campanha vitoriosa por todo Brasil para incluir o homicídio qualificado 
como crime hediondo. 
B) DISCUSSÃO E APROVAÇÃO – apresentado o projeto são realizados estudos, 
debates, redações, correções, emendas e votação do projeto. Este trabalho é 
chamado de deliberação parlamentar. No âmbito federal o projeto deve ser 
aprovado pelas duas Casas Legislativas (Iniciadora e Revisora). No caso de uma 
lei ordinária, que trata, em tese, de matérias mais simples, a aprovação se dá por 
maioria simples de cada Casa Legislativa. Já uma lei complementar possui um 
quorum qualificado (maioria a absoluta), isto para que se tenha certeza de que 
aquele assunto tratado realmente reflete o interesse da sociedade. Lembrando: 
na grande maioria das vezes a Casa Iniciadora é a Câmara dos Deputados. Isso 
ocorre quando o projeto for apresentado por um Deputado Federal, pelo 
Presidente da República, pelo Supremo Tribunal Federal, pelos Tribunais 
Superiores, etc. A exceção ocorre quando o projeto é de autoria de um Senador 
ou comissão do Senado. Neste caso a Casa Iniciadora é o próprio Senado Federal. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
9
A Casa Iniciadora pode aprovar ou rejeitar o projeto. Se for rejeitado, será 
arquivado, não podendo ser apresentado outro sobre a matéria na mesma sessão 
legislativa, salvo se houver proposta da maioria dos Deputados ou dos 
Senadores. Aprovado na Casa Iniciadora (com ou sem emendas) o projeto segue 
para a Casa Revisora, para nova deliberação. Ela poderá: a) aprovar 
integralmente o projeto (segue-se, então, para a próxima etapa, que é a sanção 
ou veto); b) emendar o projeto (neste caso as emendas – somente as emendas – 
retornam para a Casa Iniciadora, podendo aprová-las ou rejeitá-las); ou c) 
simplesmente rejeitar o projeto (neste caso ele será arquivado). Lembrando: não 
há um poder ilimitado para apresentar emendas; elas devem ser relacionadas ao 
tema de que trata o texto. Sendo o projeto de iniciativa exclusiva do Presidente 
da República, não será admitida emendas que acarretem aumento da despesa 
prevista, salvo se se tratar de lei orçamentária (este “salvo”, como temos visto na 
prática, é uma festa...) 
C) SANÇÃO OU VETO – nesta fase o chefe do Poder Executivo participa do 
processo (deliberação executiva). 
1. Com a sanção ele manifesta a sua concordância com o projeto 
aprovado pelo Poder Legislativo. Há uma conjugação das vontades dosPoderes 
Legislativo e Executivo, nascendo a lei. Costuma-se dizer que: a sanção 
transforma o projeto de lei em lei. A sanção incide em um projeto de lei e, ao 
incidir, nasce a lei. O projeto pode ser sancionado de forma expressa (quando o 
Executivo se manifesta por despacho, aprovando o projeto) ou tácita (quando o 
Executivo simplesmente se omite, deixando de apreciar o projeto no prazo de 15 
dias úteis), conforme estabelece o art. 66, §3o, CF/88. 
2. Com o veto, o chefe do Executivo manifesta sua recusa ou não-
concordância com o projeto de lei. O veto é irretratável e deve ser sempre 
expresso e motivado. Não há o chamado “veto tácito”, pois o silêncio do Chefe 
do Executivo implica em sanção. O veto pode ser total, quando atinge todos os 
dispositivos do projeto ou parcial, quando atinge um ou alguns dos dispositivos 
do projeto. Como falei acima, o veto deve ser motivado. E são dois os motivos 
para se vetar: inconstitucionalidade e/ou inconveniência. Costuma-se dizer que o 
veto é jurídico (caráter formal) quando o projeto é considerado inconstitucional; 
ele contraria a Constituição. Por outro lado ele pode ser político (caráter material 
- mérito), ou seja, contrário ao interesse público; o Chefe do Executivo faz um 
juízo sobre a inconveniência de se aprovar determinada matéria. Assim, um 
projeto pode ser constitucional, e mesmo assim, ser vetado por não ser 
conveniente para o interesse público. O veto só pode ser supressivo, ou seja, o 
Chefe do Executivo nada pode acrescentar ao projeto; ele somente pode retirar. 
Não pode haver veto de palavras isoladas; isso para evitar alterações ou 
inversões de sentido (ex.: vetar a palavra “não”). O veto, ainda que parcial, deve 
abranger o texto integral do artigo, de parágrafos (§1°, §2° ...), de incisos (I, II, 
III...), ou alíneas (“a”, “b”, “c”...). Por outro lado o veto pode ser superado (ou 
derrubado). Isto é, ocorrido o veto, o Presidente da República comunica ao 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
10
Presidente do Senado os motivos do veto no prazo de 48 horas e o Congresso 
Nacional irá reapreciar a matéria, no prazo de 30 dias. A votação será feita pelo 
Congresso Nacional, de forma conjunta, mas os votos dos Deputados e 
Senadores serão computados separadamente. Ou seja, embora a sessão seja 
conjunta, para derrubar o veto é necessária a maioria absoluta dos Deputados 
e dos Senadores. Sendo o veto total e não for alcançada a maioria absoluta em 
cada Casa, encerra-se o processo legislativo (o projeto será arquivado). Se o veto 
for parcial e ele for mantido, o próprio Presidente do Congresso promulgará a lei 
(evidentemente que somente com as partes não vetadas), uma vez que o texto 
já estava com a concordância com o Chefe do Executivo. Se o veto for derrubado, 
o projeto volta ao Chefe do Executivo apenas para a promulgação. 
D) PROMULGAÇÃO – decorre da sanção e tem o significado de proclamação. 
Dá-se conjuntamente com a sanção, quando o Presidente da República assina o 
projeto de lei. Promulgar é declarar a existência de uma lei, inovando-se a ordem 
jurídica. Costuma-se dizer que “a lei nasce com a promulgação”. Quando está 
escrito no texto da lei ...faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a 
seguinte Lei... implicitamente quer dizer que a lei também está sendo promulgada, 
no mesmo tempo e instrumento. A sanção transforma o projeto de lei em lei, por 
isso o que se promulga é a lei (e não o projeto). O Chefe do Executivo atesta 
perante a sociedade a existência válida de uma lei, ordenando-lhe o respectivo 
cumprimento. Lembrando que em uma Emenda Constitucional não há sanção ou 
veto, mas promulgação pelas mesas da Câmara e do Senado. Nos casos de 
sanção tácita (transcorreram 15 dias úteis sem manifestação do Executivo) ou 
derrubada de veto, o Chefe do Executivo terá 48 horas para promulgar a lei. Não 
o fazendo no prazo a atribuição cabe ao Presidente do Senado. 
E) PUBLICAÇÃO – é o ato por meio do qual se dá a divulgação da existência da 
nova lei em órgão oficial, tornando-se, portanto, conhecida de todos (trata-se de 
uma presunção). A finalidade da publicação é garantir (ao menos potencialmente) 
que uma lei seja conhecida por todos os que estarão sujeitos a seu comando; é 
uma condição de vigência e de eficácia da lei. É a fase que encerra o processo 
legislativo. 
A rigor as leis nascem pela promulgação, sendo que a seguir devem ser 
publicadas em órgão oficial (Diário Oficial). Mas a força obrigatória da lei está 
condicionada a sua vigência, ou seja, ao dia em que realmente ela começa a 
vigorar. 
,Distinção , Vigência X Eficácia 
Vigência deriva da expressão latina vigentia (do verbo vigere, vigens – 
estar em voga, vigorar), que significa a qualidade de vigente, o tempo durante o 
qual uma coisa vige ou vigora. Designa a existência específica de uma norma, em 
determinada época; é o período de vida da norma, desde o início de sua 
obrigatoriedade até a sua revogação. Lei em vigor é a que se mantém em voga, 
para ser efetivamente aplicada aos casos sob o seu regime. Como veremos logo a 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
11
seguir, uma lei pode ter sido publicada e ainda não estar vigorando, pois a 
própria lei marcou um prazo para que ela entre em vigor. 
Eficácia é a qualidade que uma lei que está em vigor tem de produzir 
efeitos concretos, seja porque foram cumpridas as condições exigidas para isso 
(eficácia jurídica), seja porque os destinatários da norma a estão cumprindo 
(eficácia social). Quase todas as leis que entram em vigor, possuem, também 
eficácia. No entanto, há normas que foram editadas, mas ainda não foram 
regulamentadas. Neste caso a lei já está vigorando, mas não tem eficácia. 
REGRAS DA LICC 
1) Salvo disposição em contrário, uma lei começa a vigorar, em todo o 
país, quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada (art. 1o, caput 
da LICC). Este dispositivo prevê um intervalo de tempo entre a publicação da lei e 
a data de início de sua vigência. Porém esse princípio não é absoluto porque 
quase todas as leis contêm em seu texto disposição prescrevendo sua entrada em 
vigor na data da respectiva publicação. 
O espaço compreendido entre a publicação da lei e sua entrada em vigor 
denomina-se vacatio legis. Geralmente este prazo é estabelecido para melhor 
divulgação dos textos legais antes que eles entrem em vigor e para que os órgãos 
da administração se aparelhem melhor ao novo texto legal. Enquanto não 
transcorrido esse período, a lei nova, mesmo que já publicada, ainda não tem 
força obrigatória ou vinculante. 
A atual legislação adotou o sistema simultâneo. Portanto, a regra geral 
teórica no Brasil é a de que uma lei entra em vigor em todo o território nacional 
45 dias após a publicação. Trata-se, portanto, de um prazo único para todo País, 
sendo simultânea a sua obrigatoriedade. 
Uma lei pode entrar em vigor na data de sua publicação ou em outra data 
mais à frente, desde que haja previsão expressa em seu próprio texto. Isto é 
assim devido à importância ou urgência de determinada lei e a maior ou menor 
dificuldade de adaptação da sociedade a esta nova lei. Somente quando não 
houver expressa disposição na própria lei acerca da data em que ela entrará 
em vigor (omissão proposital da lei), aí sim, ela entrará em vigor em 45 dias após 
a publicação. 
2) Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando 
admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada (art. 1o, §1o da 
LICC). Isto é, se uma lei for editada no Brasil, mas para surtir efeitos no 
estrangeiro (em geral quando cuida de atribuição de ministros, embaixadores, 
cônsules, convenções de direito internacional,etc.) e esta lei for omissa quanto à 
data que entrará em vigor (a data de sua vigência efetiva), esta lei somente 
entrará em vigor 03 (três) meses após a sua publicação. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
12
3) Uma lei pode ter sido publicada com algum erro substancial 
(implicando em uma divergência de aplicabilidade). O art. 1o, §3o da LICC 
determina que “se antes de entrar em vigor ocorrer nova publicação desta lei, 
destinada à correção de seu texto, o prazo deste artigo e dos parágrafos 
anteriores começará a correr da nova publicação”. 
Ex: Uma lei foi publicada em determinado dia e é omissa em relação ao dia 
que entrará em vigor. Assim, somente entrará em vigor 45 dias após a 
publicação. Vinte dias depois de publicada, alguém notou que houve um erro no 
texto da Lei. Desta forma ela deve ser republicada. E aquele prazo de 45 dias 
recomeça a contar; inicia-se novamente a contagem do prazo de vacatio a partir 
do dia da republicação da lei. Notem que continua sendo a mesma Lei. 
4) Por outro lado, as correções de texto de lei que já está em vigor 
consideram-se lei nova (art. 1o, §4o, LICC). Sujeita-se, naturalmente, aos prazos 
normais das demais leis. Ex: Uma lei foi publicada, cumpriu o prazo de vacatio 
legis e entrou em vigor. Alguns dias depois, um erro foi notado. Neste caso, 
quando houver a “republicação”, esta será considerada como lei nova. No 
entanto, para haver esta republicação para correção, é necessário um novo 
processo legislativo, pois se trata de lei nova. 
Contagem 
O prazo de vacatio legis conta-se: incluindo-se o dia do começo (ou seja, o 
dia da publicação da Lei) e também do último dia do prazo (que é o dia do seu 
vencimento). Assim, a lei entrará em vigor no dia subsequente a sua 
consumação integral (ainda que se trate de domingo ou feriado). 
Tal regra está prevista no art. 8o, §1o da Lei Complementar no 95/98, com 
texto modificado pela L.C. no 107/01 e regulamentada pelo Decreto no 4.176/02, 
que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, 
conforme determina o parágrafo único do art. 59 da Constituição Federal. 
Observação Não há vacatio legis em caso de decretos e regulamentos, 
cuja obrigatoriedade é determinada pela sua publicação (salvo se eles 
dispuserem de forma diversa). Assim, na omissão de quando essas espécies 
normativas entrarão em vigor, isto ocorrerá na data da sua publicação. 
FIM DA OBRIGATORIEDADE DAS LEIS 
Não se destinando à vigência temporária, uma lei terá vigor até que outra a 
modifique ou a revogue. É o que dispõe o art. 2o, caput da LICC. 
A regra geral é de que uma lei não tem um prazo certo para vigorar; ela 
permanece em vigor enquanto não for modificada ou revogada por outra (eficácia 
contínua). 
No entanto, algumas leis são expedidas com prazo de duração. Nestes 
casos a lei possui vigência temporária. Ex: lei que concede favores fiscais 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
13
durante 10 anos às indústrias que se instalarem em determinada região; 
racionamento de combustível durante a guerra; Imposto/Contribuição Provisória 
sobre Movimentações Financeiras (IPMF, CPMF), Leis Orçamentárias, etc. Tais 
normas desaparecem do ordenamento jurídico com o decurso do prazo 
estabelecido ou quando ela já cumpriu os objetivos a que se propôs (ex: lei que 
se destina alojar, de forma temporária, em escolas públicas, pessoas 
desabrigadas por causa de uma inundação). Assim, lei temporária é a que 
nasce com termo prefixado de duração ou com um objetivo a ser cumprido. A Lei 
já nasce com um prazo para perder sua vigência. Contudo, não se fixando um 
prazo determinado, prolonga-se a obrigatoriedade da norma (princípio da 
continuidade) até que ela seja modificada ou revogada por outra. 
Revogar (do latim revocatio, revocare = anular, desfazer, desvigorar) é 
tornar sem efeito uma lei ou qualquer outra norma jurídica; é a supressão da 
força obrigatória da lei, retirando-lhe a eficácia. Podem ser revogadas as leis, os 
regulamentos, as portarias, as cláusulas contratuais, etc. O art. 2o, §1o da LICC 
dispõe que a lei posterior revoga a anterior em três situações: 
1) quando expressamente assim o declare; 
2) quando seja com ela incompatível; 
3) quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. 
Podemos classificar a revogação em: 
a) Total (ou ab-rogação) – quando a lei nova regula inteiramente a 
matéria da lei anterior, ou quando existe incompatibilidade (explícita ou implícita) 
entre as leis. A norma anterior perde sua eficácia na totalidade. 
b) Parcial (ou derrogação) – quando torna sem efeito apenas uma parte da 
lei ou norma, permanecendo em vigor todos os dispositivos que não foram 
modificados. 
A revogação ainda pode ser classificada quanto à forma de execução: 
a) Expressa (ou por via direta) – quando a lei nova taxativamente declara 
revogada a lei anterior ou aponta os dispositivos que pretende suprimir (art. 2o, 
§1º, primeira parte da LICC). Seria interessante que todas as leis dissessem 
exatamente o que estão revogando. Mas isso não ocorre na prática. O art. 9o da 
LC 98/95, com a redação da LC 107/01, determina que “a cláusula de revogação 
deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas”. 
b) Tácita (indireta ou via oblíqua) – quando a lei posterior é incompatível 
com a anterior e não há disposição expressa no texto novo indicando a lei que foi 
revogada. Diz o art. 2º, §1º, segunda parte da LICC, que ocorre a revogação 
tácita quando “seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a 
matéria que tratava a lei anterior”. Geralmente o legislador utiliza, no final das 
leis, a seguinte expressão genérica: “revogam-se as disposições em contrário”. 
Observações 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
14
01) As espécies de revogação podem ser “combinadas”. Ou seja, a 
revogação expressa pode ser total (a nova lei diz que está revogando toda a lei 
anterior) ou parcial (a nova lei aponta apenas um ou dois artigos que está 
revogando da lei velha). E a revogação tácita também pode ser total ou parcial. 
02) Irrevogabilidade – algumas matérias estipuladas na Constituição 
(art. 60, §4º) não podem ser objeto de revogação, nem mesmo mediante 
Emenda Constitucional. São as chamadas cláusulas pétreas: forma federativa 
do Estado; voto direto, secreto, universal e periódico; separação dos Poderes e os 
direitos e garantias individuais. 
03) No mundo jurídico pode ocorrer a seguinte hipótese: uma Lei X está 
vigorando normalmente. Algum tempo depois é promulgada uma Emenda 
Constitucional (que ficará fazendo parte da própria Constituição – trata-se do 
Poder Constituinte Derivado ou Reformador). Com isto, aquela Lei X se tornou, 
digamos, “inconstitucional”. Quando isso ocorre dizemos que houve a “não-
recepção da lei pela nova ordem constitucional” ou que a lei “perdeu o seu 
fundamento de validade”. 
04) A perda de eficácia pode também decorrer da decretação de 
inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo ao Senado 
suspender-lhe a execução. Segundo a doutrina isso também não seria 
exatamente uma hipótese de revogação tácita. Nada impede, também, que uma 
pessoa se sentindo prejudicada por uma lei, e entendendo que ela esteja fora dos 
limites legais, ingresse no Poder Judiciário, arguindo a “inconstitucionalidade” 
desta lei. 
Termos Importantes 
1) Atividade – é o fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as 
situações durante o seu período de vida (vigência). É a regra em nosso Direito. 
2) Extra-atividade – ocorre quando umalei regula situações fora do seu 
período de vigência. Trata da exceção em nosso Direito. A extra-atividade pode 
abranger situações passadas e/ou futuras. Portanto, possui duas espécies: 
a) Retroatividade – a lei regula situações que ocorreram antes do 
início de sua vigência. 
b) Ultra-atividade – a lei foi revogada, mas continua sendo aplicada. 
REPRISTINAÇÃO 
Repristinar significa restituir ao valor, caráter ou estado primitivo. Na 
ordem jurídica repristinação (ou efeito repristinatório) é o restabelecimento da 
eficácia de uma lei anteriormente revogada. Preceitua o art. 2o, §3o da Lei de 
Introdução ao Código Civil que a lei revogada não se restaura por ter a lei 
revogadora perdido a vigência, salvo disposição em contrário. Ex: Se a lei “A” é 
revogada pela lei “B” e posteriormente a lei “B” é revogada pela lei “C”, não se 
restabelece a vigência da lei “A”. No Brasil não há repristinação ou restauração 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
15
automática da lei velha, se uma lei mais nova for revogada. É importante deixar 
bem claro que é possível que ocorra o fenômeno da repristinação. Mas isso 
somente é admissível quando a nova lei (no exemplo acima a lei “C”) determinar 
expressamente que a lei velha (lei “A”) retome a sua eficácia. Outra situação 
citada pela doutrina é a seguinte: foi editada a lei "A". Posteriormente foi editada 
a lei "B" que revogou a "A". Tempos depois, a lei "B" foi considerada 
inconstitucional. Neste caso retorna a vigência da lei "A". 
Leis Gerais e Especiais 
Outro item que vem caindo muito em concursos é a regra disposta no art. 
2º, §2º da LICC: “a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a 
par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. 
Explicando. Lei Geral é a que aborda todo um ramo específico do Direito 
(ex: Código Civil). Norma Especial é aquela que tem um conteúdo especializado 
dentro de certo ramo (ex: Lei do Inquilinato, do Condomínio, etc., em relação ao 
Código Civil). Como regra a norma geral não revoga a especial e a norma 
especial não revoga a geral. Quando a lei especial regula determinada matéria 
que também está prevista num Código, contendo outras disposições a mais que 
não se encontram no Código e que não contradizem o novo direito, ambas 
continuarão em vigor, coexistindo. No entanto a norma especial pode revogar a 
geral quando dispuser sobre esta revogação de forma explícita ou implícita, 
momento em que regula a mesma matéria que a geral, modificando o seu 
conteúdo. 
Vamos dar um exemplo prático. Uma lei geral está vigorando normalmente. 
Posteriormente uma lei especial é editada, dispondo sobre o mesmo assunto. Este 
fato, por si só, não faz com que a primeira lei seja revogada ou modificada. As 
duas leis podem coexistir normalmente. Somente se o texto de uma delas for 
totalmente incompatível com o da outra é que será hipótese de revogação. 
Exemplo: O Código Civil trata no art. 1.711 e seguintes, disposições sobre o bem 
de família de uma forma geral. No entanto a Lei nº 8.009/90 também trata deste 
tema. Qual lei deve ser aplicada? Se cotejarmos os textos de ambas as leis, 
veremos que eles não são antagônicos entre si. Uma lei completa a outra. Uma é 
especial em relação a outra, sendo que não há incompatibilidade entre seus 
dispositivos. A lei especial apenas introduziu uma exceção ao princípio geral. 
Portanto ambas coexistem e vigoram normalmente. E o intérprete deve associá-
las, acomodá-las, aplicando-as em cada caso concreto. 
CONFLITO DAS NORMAS NO TEMPO 
Quando uma norma é modificada por outra e já se haviam formado relações 
jurídicas na vigência da lei anterior, podem surgir conflitos. Qual norma deve ser 
aplicada a um caso concreto? O chamado direito intertemporal visa solucionar 
estes conflitos entre as normas. Para tanto são usados dois critérios: as 
disposições transitórias e o princípio da irretroatividade das leis. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
16
A) DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS (ou direito intertemporal) – A lei, para 
evitar eventuais e futuros conflitos, em seu próprio corpo, geralmente ao final, 
pode estabelecer regras temporárias, destinadas a dirimir conflitos entre a nova 
lei e a antiga, conciliando a nova lei com as relações já definidas pela norma 
anterior. Observem que o próprio Código Civil em vigor contém um Livro 
Complementar, chamado “das disposições finais e transitórias” (arts. 2.028 até 
2.043). Em seu corpo percebe-se que há uma série de regras, sendo que algumas 
delas autorizam a aplicação do Código anterior (mesmo já revogado, continua 
produzindo efeito - ultratividade). Observem o art. 2.038 do atual Código. Ele 
determina que um capítulo inteiro do Código anterior continue sendo aplicado em 
relação às enfiteuses (matéria que se analisa do Direito das Coisas). 
B) IRRETROATIVIDADE DAS LEIS – Etimologicamente retroatividade 
quer dizer atividade para trás, ou seja, produção de efeitos em situações 
passadas. Juridicamente, podemos dizer que uma norma retroage quando ela 
vigora, não somente a partir de sua publicação, mas, ainda, regula certas 
situações jurídicas que vêm do passado. Na realidade uma lei é expedida para 
disciplinar fatos futuros, a partir de sua vigência. A vigência de uma lei se 
estende, como já dissemos, desde o início de sua obrigatoriedade até o início da 
obrigatoriedade de outra lei. A regra no Brasil é a irretroatividade das leis, ou 
seja, estas não se aplicam às situações constituídas anteriormente. Trata-se de 
um princípio que visa dar estabilidade e segurança ao ordenamento jurídico 
preservando situações já consolidadas sob a lei antiga, em que o interesse 
particular deve prevalecer. 
No entanto, há casos em que a lei nova pode retroagir ao passado, 
alcançando consequências jurídicas de fatos efetuados sob a égide de lei anterior. 
Em regra, deve prevalecer o princípio da irretroatividade. Há um duplo 
fundamento: constitucional e infraconstitucional. O art. 5o, inciso XXXVI da 
Constituição Federal determina que “A lei não prejudicará o direito adquirido, 
o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. De uma forma análoga, o art. 6o da 
LICC prevê que: “A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato 
jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”. Observem que a cláusula 
de irretroatividade da lei nova convive com outro preceito de direito 
intertemporal, que é o da eficácia imediata e geral da lei nova. Isto quer dizer 
que a lei nova atinge os fatos pendentes e os futuros que se realizarem já sob 
sua vigência, não abrangendo os fatos passados. Em latim dizemos: tempus regit 
actum (o tempo rege o ato). Ou seja, a lei que incide sobre um determinado ato 
é a do tempo em que este ato se realizou. 
Vejamos agora ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. 
1) Ato Jurídico Perfeito ⎯ é o que já se consumou, segundo a norma 
vigente no tempo em que se efetuou; na ocasião da prática do ato todas as 
formalidades exigidas pela lei foram rigorosamente obedecidas e em razão disso 
o ato não pode ser alterado pela existência de lei posterior. Ex: um contrato de 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
17
locação que foi celebrado e vem sendo cumprido durante a vigência de uma lei 
não pode ser renovado sob o argumento que uma nova lei mudou, digamos, a 
forma de pagamento e dos reajustes das prestações. A lei nova, neste caso não 
retroage para atingir os fatos pretéritos, reajustando prestações vencidas. No 
entanto, esse contrato (embora celebrado sob a vigência de a lei anterior) não 
está imune aos efeitosda nova lei, ainda que estas sejam incompatíveis com o 
sistema anterior. Concluindo: para os contratos celebrados sob a égide de lei 
revogada e que ainda estão produzindo efeitos (fatos pendentes), não há uma 
imunidade absoluta. 
2) Direito Adquirido ⎯ é o que já se integrou ao patrimônio e à 
personalidade de seu titular, podendo ser exercido a qualquer momento. Para ser 
considerado “direito adquirido” são necessários dois requisitos: a) existência de 
um fato; b) existência de uma norma que faça do fato originar-se direito. 
Enquanto não estiverem presentes estes elementos não há direito adquirido, mas 
“expectativa de direito”. Ex: pessoa que já se aposentou e a lei modifica 
posteriormente o prazo para a aposentadoria, ampliando-o; a pessoa não será 
obrigada a voltar a trabalhar para completar o novo prazo, pois quando se 
aposentou a regra era aquela. 
Há direito adquirido contra normas constitucionais? Resposta: O 
Supremo Tribunal Federal, antes da Constituição de 1988, chegou a se manifestar 
no sentido de que “não há direito adquirido contra texto constitucional, resulte ele 
do Poder Constituinte originário ou do Poder Constituinte derivado”. Neste 
sentido, dizia Pontes de Miranda que “contra a Constituição nada prospera, tudo 
fenece”, de modo que qualquer ato infraconstitucional que contrarie a Carta 
Magna deve ser tido como inválido. No entanto atualmente se entende que se 
uma Emenda Constitucional atingiu as chamadas cláusulas pétreas, há o 
entendimento de que o direito adquirido deve prevalecer. Desta forma, embora o 
poder constituinte derivado possa desconstituir direitos que tiverem sido 
adquiridos no passado, isto não significa que tais atos fiquem imunes ao controle, 
pois será sempre possível verificar se outros princípios constitucionais 
condicionantes do poder de reforma foram atingidos, dentre os quais os direitos 
fundamentais individuais, políticos, sociais e coletivos, no seu núcleo essencial. 
3) Coisa Julgada ⎯ é a decisão judicial da qual não cabe mais recurso 
(transitou em julgado). Para alguns autores coisa julgada é a qualidade dos 
efeitos da decisão, no sentido de lhes traduzir imutabilidade. A decisão que 
estabelece o direito de um dos litigantes pressupõe uma verdade, que se torna 
irrevogável e irretratável. Assim, uma lei nova não pode alterar aquilo que já foi 
apreciado em definitivo pelo Poder Judiciário. É interessante acrescentar que 
mesmo após o trânsito em julgado de uma decisão, ela ainda pode ser modificada 
(ex: Revisão Criminal, Ação Rescisório). 
INTERPRETAÇÃO DAS LEIS 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
18
Na realidade as leis deveriam ser sempre claras e precisas. Nesta hipótese 
não seria necessário qualquer trabalho de interpretação. Mas é difícil encontrar 
uma “lei perfeita”. E quando surge uma ambiguidade no seu texto, ou má 
redação, imperfeição ou falta de técnica, deve então haver a intervenção do 
intérprete, para pesquisar o verdadeiro sentido que o legislador quis dar ou 
estatuir. Trata-se da mens legis (ou intenção da lei). Daí surge a hermenêutica, 
que é a teoria científica da arte de interpretar, descobrir o sentido da norma 
jurídica e fixar o seu alcance. Costumamos usar também o termo “exegese” para 
conceituar o esclarecimento, entendimento ou interpretação minuciosa de um 
texto legal, para a consequente aplicação do Direito. Ou seja, exegese é a 
aplicação prática das regras de hermenêutica. 
Existem vários métodos e critérios de interpretação das leis. Mas é 
importante deixar claro que todas essas espécies de interpretação não se operam 
de forma isolada; elas devem se completar, pois todas trazem alguma 
contribuição para a descoberta do sentido e alcance da norma de Direito. São 
elas: 
a) Quanto às Fontes ⎯ a interpretação pode ser autêntica (feita pelo 
próprio legislador), doutrinária (feita pelos estudiosos da matéria) ou 
jurisprudencial (feita por nossos Tribunais). 
b) Quantos aos Meios ⎯ a interpretação pode ser gramatical (observando 
as regras de linguística), lógica (ou racional – a lei é examinada no seu conjunto), 
ontológica (busca-se a essência da lei, sua razão de ser, a ratio legis ou razão da 
lei), histórica (pesquisam-se as circunstâncias que provocaram a expedição da 
lei), sistemática (compara a lei atual com os textos anteriores) ou sociológica ou 
teleológica (adapta o sentido ou a finalidade da norma às novas exigências 
sociais). Neste sentido o art. 5o, LICC: “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos 
fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. Assim, deve o 
juiz buscar o real sentido da lei e não se ater ao texto frio e literal da lei, 
aplicando que for mais justo, o que atende melhor ao bem comum. 
c) Quanto aos Resultados ⎯ a interpretação pode ser declarativa (a letra 
da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador, não sendo 
necessária a interpretação), extensiva (o legislador disse menos do que pretendia 
dizer, sendo necessário ampliar a aplicação da lei) ou restritiva (o legislador disse 
mais do que pretendia, sendo necessário restringir a sua aplicação). 
INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA 
De uma forma geral a lei procura prever e disciplinar todas as situações 
importantes às relações individuais e sociais. Quando um fato se enquadra no 
conceito abstrato da norma, chamamos isso de subsunção. Mas, muitas vezes, o 
legislador não consegue prever todas as situações que uma norma pode criar. E 
um Juiz não pode deixar de julgar um caso alegando lacuna, obscuridade ou 
contradição da lei. O Juiz tem o dever de decidir todas as controvérsias que lhe 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
19
forem apresentadas. O art. 126 do CPC prevê que “o juiz não se exime de 
sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da 
lide caber-lhe-á aplicar as normais legais; não as havendo, recorrerá à analogia, 
aos costumes e aos princípios gerais de direito”. Completando, o art. 4o da LICC 
prevê: “quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, 
os costumes e os princípios gerais de direito”. 
Desta forma, o Juiz deve inicialmente aplicar a lei de forma objetiva e 
direta. Não deu? Tenta-se interpretar a lei, usando os mecanismos mencionados 
mais acima! Esgotados os critérios interpretativos sem resultados, cumpre ao 
aplicador da lei suprir a lacuna encontrada, recorrendo, aí sim, aos meios de 
integração da norma jurídica, ou seja: à analogia, aos costumes e aos princípios 
gerais do direito. Estes são os meios supletivos de preencher as lacunas da lei. 
Observem que há uma ordem preferencial, uma hierarquia na utilização desses 
métodos de integração da norma jurídica. A analogia figura em primeiro lugar. 
Vejamos: 
1) ANALOGIA ⎯ consiste em aplicar, à hipótese não prevista de modo 
direto ou específico por uma norma, dispositivo relativo a um caso distinto, 
porém semelhante. Trata-se de um processo de raciocínio lógico pelo qual o Juiz 
estende uma norma (ou mesmo regras ou princípios) a outros casos não 
diretamente compreendidos na descrição legal, mas que é parecido. Vejamos: 
⎯ Hipótese “A” → Aplica-se expressamente a Lei “X”. 
⎯ Hipótese “B” (parecida com a hipótese “A”) → Não há lei (anomia); ou 
há lei, mas ela é omissa. Neste caso, permite-se a aplicação da regra jurídica 
“X”, por analogia. 
Ex: o Código Civil determina que quando a cláusula testamentária for suscetível 
de interpretações diferentes, prevalecerá a que melhor assegure a observância da 
vontade do testador. Não há qualquer previsão em relação a isto quanto às 
doações. No entanto, entende-se que tal dispositivo pode ser aplicado, por 
analogia, também às doações. Istoporque tanto o testamento, quanto a doação 
são formas de liberalidades de patrimônio. São casos parecidos entre si, não 
havendo previsão expressa proibindo tal conduta. 
É na aplicação da analogia que se origina a missão conferida ao Juiz pelo 
art. 4o da LICC, impedindo-o de se eximir de uma decisão. O magistrado cria 
uma norma individual, que só vale para cada caso concreto, pondo fim ao 
conflito, sem dissolver definitivamente a lacuna. A analogia pode ser assim 
classificada: 
a) Analogia Legis – aplicação de outra norma já existente, como no 
exemplo fornecido acima, retirado do próprio Código Civil (a lei fala de uma regra 
aplicável ao testamento, mas é omissa em relação à doação; como são casos 
parecidos, a regra referente ao testamento pode ser aplicada, por analogia, 
também no que se refere às doações). 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
20
b) Analogia Juris – aplicação de um conjunto de normas para extrair 
elementos que possibilitem a sua aplicabilidade a um caso concreto não previsto, 
mas parecido com outro (trata-se de uma forma mais complexa). 
2) COSTUMES ⎯ No direito antigo, o costume desfrutava de larga 
projeção, devido à escassa função legislativa e ao pequeno número de leis 
escritas. Ainda hoje, nos países de direito costumeiro (ou direito consuetudinário 
– common law), como na Inglaterra, ele exerce papel importante como fonte do 
direito. No direito moderno, de um modo geral, o costume foi perdendo 
paulatinamente sua importância. Costume é o uso reiterado, constante, notório 
e uniforme de uma conduta, na convicção de ser a mesma (a conduta) 
obrigatória. Em outras palavras: é uma prática que se estabelece por força do 
hábito, com convicção. 
São seus elementos: o uso continuado de uma prática (elemento objetivo) e a 
convicção de sua obrigatoriedade (elemento subjetivo). Um ótimo exemplo que 
podemos citar sobre os costumes são as filas. Elas não estão previstas na lei, 
mas a sua reiterada prática em nosso dia-a-dia, cria a convicção de sua 
obrigatoriedade. A diferença entre o costume e um simples hábito reside no fato 
de que neste último há a prática constante do ato, porém sem a crença de sua 
obrigatoriedade. Apesar de ter pouca aplicabilidade prática no Brasil, o costume 
tem caído em concursos com frequência, daí a sua importância para o nosso 
estudo. Em relação à lei, o costume pode ser classificado em três espécies: 
a) Costume segundo a Lei (secundum legem) ⎯ quando a própria lei se 
reporta expressamente aos costumes e reconhece a sua obrigatoriedade. Ex: 
prevê o art. 569, II, CC: “O locatário é obrigado: a pagar pontualmente o aluguel 
nos prazos ajustados e, em falta do ajuste, segundo o costume do lugar”. 
Observem que é a própria lei que determina a aplicação do costume. 
b) Costume na falta da Lei (praeter legem) ⎯ quando o costume se destina 
a suprir a omissão de uma lei, tendo caráter supletivo ou complementar. A lei 
deixa lacunas que podem ser preenchidas pelo costume, que irá ampliar o 
preceito da lei. Um Juiz não pode deixar de decidir uma causa com o argumento 
de que não há previsão legal. Ex: já faz parte dos costumes no Brasil, o uso do 
chamado “cheque pré-datado”, desnaturando esse título de crédito. Notem que o 
cheque é uma ordem de pagamento à vista, mas quando se coloca a expressão 
“bom para o dia tal”, estamos transformando este título em uma promessa de 
pagamento. 
c) Costume contra a Lei (contra legem) ⎯ quando ele contraria o que dispõe 
a lei. Pode ocorrer em dois casos: no desuso da lei (esta passa a ser letra morta); 
ou quando o costume cria nova regra contrária à lei. 
Os costumes segundo a lei e na falta da lei são aceitos normalmente. Já o 
costume contra a lei tem gerado discussões, sendo que a corrente majoritária não 
o aceita. Há uma hipótese em que o costume contra a lei foi aceito: o art. 227 do 
Código Civil determina que só se admite prova testemunhal em contratos cujo 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
21
valor não exceda dez vezes o maior salário mínimo vigente no país. Mas, segundo 
os usos e costumes de algumas cidades (ex: Barretos e Araçatuba) os negócios 
de gado, por maiores que sejam (geralmente envolvem cifras grandiosas), são 
celebrados verbalmente, na confiança, sem que haja um documento escrito. E 
eles foram considerados válidos, ainda que contra a lei. 
3) PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO ⎯ Não sendo solucionada a lacuna 
com a analogia e os costumes, aplicam-se então os princípios gerais de direito. 
Na verdade eles nada mais são do que regras que se encontram na consciência 
dos povos, mesmo que não sejam escritas. Estão implícitos em nosso sistema 
jurídico, possuindo caráter genérico e orientando uma melhor compreensão desse 
sistema. Exemplos (preceitos do direito romano): deve-se viver honestamente 
(honeste vivere); dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere); não se deve 
lesar o próximo (alterum non leadere); ninguém pode se valer de sua própria 
torpeza, etc. 
Atenção: A equidade, pela LICC, não é um meio de suprir a lacuna da lei 
(o art. 4o não a menciona em seu texto). No entanto, na prática, ela pode auxiliar 
o Juiz nesta missão. Trata-se do uso de “bom senso”, isto é, a adaptação razoável 
da lei a um caso concreto. Já o art. 127 do Código de Processo Civil prevê a 
aplicação da equidade: “O juiz só decidirá por equidade nos caso previstos em 
lei”. 
ANTINOMIA – CONFLITO ENTRE NORMAS 
Antinomia é a presença de duas ou mais normas conflitantes, sem que 
a lei afirme qual delas deva ser aplicada a um caso concreto; há uma 
incompatibilidade entre o conteúdo das normas. Também é usada a expressão 
“lacunas de conflito”. Obriga o Juiz, para solucioná-la, a aplicar os critérios de 
preenchimento de lacunas. A antinomia pode ser: 
a) Real (ou lacuna de colisão) – quando não há na ordem jurídica qualquer 
critério normativo para solucionar o impasse. Aplicando-se uma norma, 
viola-se outra. E vice-versa. Somente se elimina este tipo de antinomia com 
a edição de uma nova norma elucidando e solucionando a questão. Na 
prática, o Juiz acaba por harmonizar os dispositivos ou simplesmente 
eliminar uma das normas de colisão, dependendo do caso concreto. 
b) Aparente – quando os critérios para a solução forem as normas 
integrantes do próprio ordenamento jurídico. Observem que nesta hipótese 
o conflito é apenas aparente, sendo aplicada apenas uma das normas. Para 
isso, existem alguns critérios para a solução e eliminação deste conflito. 
Vejamos. 
Critérios: 
• Hierárquico (lex superior derogat legi inferiori) – é o primeiro a ser 
aplicado, baseado na superioridade de uma fonte de produção jurídica sobre 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
22
outra. Ex: A Constituição Federal se sobrepõe a todas as demais espécies 
normativas; uma Lei Complementar, dentro da esfera de sua competência, se 
sobrepõe a uma Lei Ordinária; esta se sobrepõe a decretos e regulamentos, etc. 
• Especialidade (lex specialis derogat legi generali) – o segundo critério leva 
em consideração a amplitude das normas. Ou seja, se o legislador tratou um 
determinado assunto com mais cuidado e rigor, ele deve prevalecer sobre o outro 
que foi tratado de forma geral. 
• Cronológico (lex posterior derogat legi priori) – é baseado no momento 
em que a norma jurídica entra em vigor, restringindo-se somente ao conflito de 
normas pertencentes ao mesmo escalão. Ex: leis ordinárias mais recentes 
revogam as mais antigas. 
A antinomia ainda se classifica em: 
a) Primeiro grau – o conflito envolve apenas um dos critérios acima 
mencionados;ou seja, para a solução aplica-se apenas um dos critérios. 
Situações: no conflito entre uma norma anterior e outra posterior, aplica-se esta 
última (cronológico); no conflito entre uma norma geral e outra especial, também 
se aplica esta última (especialidade). 
b) Segundo grau – o conflito envolve mais de um daqueles critérios. 
Ressalte-se que o critério hierárquico sempre prevalecerá sobre os demais. 
Situações: 
- concorrendo os critérios hierárquico e cronológico, prevalece o 
hierárquico; 
- concorrendo o critério hierárquico e o de especialidade, prevalece o 
hierárquico. 
- concorrendo os critérios de especialidade e cronológico, prevalece o da 
especialidade; 
No entanto, segundo a melhor doutrina, não há uma regra geral e única 
para a solução dos conflitos, sendo o melhor caminho a adoção do “princípio 
máximo da justiça”, analisando cada caso concreto. O Juiz deve aplicar uma das 
duas normas, tentando solucionar o conflito com os critérios acima e de acordo 
com a sua livre convicção, desde que devidamente motivada. 
II. VIGÊNCIA DAS LEIS NO ESPAÇO 
O Estado politicamente organizado tem soberania sobre o seu território e 
sobre seus habitantes. Decorre disso que toda lei, em princípio, tem seu campo 
de aplicação limitado no espaço pelas fronteiras do Estado que a promulgou. 
Chamamos isso de Territorialidade da Lei. Esse espaço ou território, em 
sentido amplo, inclui as terras (ou o território propriamente dito), o subsolo, as 
águas e a atmosfera territoriais. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
23
Os Estados modernos, contudo, admitem a aplicação, em determinadas 
circunstâncias, de leis estrangeiras, em seu território, no intuito de facilitar as 
relações internacionais. Nem por isso se vulnera o princípio da soberania 
nacional. É essa uma consequência do crescente relacionamento entre homens da 
comunidade internacional. Esses problemas geralmente são tratados por outra 
matéria: o Direito Internacional, que irá fornecer soluções para os conflitos da lei 
no espaço. 
O Brasil adotou a Teoria da Territorialidade, mas de forma moderada, 
também chamada de Territorialidade Temperada (ou Mitigada). Leis e 
Sentenças estrangeiras podem ser aplicadas no Brasil, observadas as seguintes 
regras: 
• Não se aplicam leis, sentenças ou atos estrangeiros no Brasil quando 
ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes. 
• Não se cumprirá sentença estrangeira no Brasil sem o devido exequatur 
(ou seja, o “cumpra-se”), que é a permissão dada pelo Superior Tribunal de 
Justiça (artigo 105, inciso I, letra “i” da CF/88) para que esta sentença produza 
seus efeitos. 
Território é a extensão geográfica ocupada por uma nação e sobre a qual 
o Estado exerce sua soberania, circunscrita por suas fronteiras. Fala-se em 
território real e ficto. O território real (ou terrestre) compreende: todo o solo e 
o subsolo ocupado pela nação, inclusive de ilhas que lhe pertencem, os rios, os 
lagos e os mares interiores, os golfos, as baías e os portos, a faixa de mar 
exterior que banha as suas costas, o espaço aéreo correspondente, etc. Já o ficto 
(há uma ficção jurídica) se reputa território o que material e geograficamente não 
o é; trata-se de um prolongamento da nação. A doutrina costuma citar como 
exemplo os edifícios ocupados oficialmente por agentes diplomáticos, ou seja, as 
embaixadas. Assim, estas, embora situadas em países estrangeiros, são 
consideradas (fictamente) como território nacional. Outros exemplos: navios de 
guerra e aeronaves militares, onde quer que se encontrem, etc. 
Meus Amigos. Até agora vimos, sobre a Lei de Introdução ao Código Civil 
apenas os seis primeiros artigos. No entanto ela possui outros dispositivos (7° a 
19). Estes não se encaixam bem dentro do Direito Civil. Na realidade são regras 
de Direito Internacional (Público e Privado). Tanto é assim que a LICC, neste 
aspecto, também é conhecida como Estatuto do Direito Internacional. No entanto, 
como nosso edital menciona “Lei de Introdução ao Código Civil” e este ponto está 
inserido nesta lei, devemos fornecer esta matéria também. Na realidade quando 
cai alguma questão deste ponto, cosuma ser a “lei seca”, ou seja, o próprio texto 
da lei. Portanto, é interessante que o aluno, antes de tudo, leia os artigos da lei. 
A seguir, faremos uma análise destes dispositivos. Vejamos. 
 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
24
O art. 7o da LICC adotou a “Regra do Domicílio”, ou seja, se uma 
pessoa está domiciliada no Brasil é a nossa lei que deve ser aplicada quanto às 
questões referentes à personalidade (início, capacidade, nome, fim, etc.), 
inclusive no tocante aos impedimentos matrimoniais (mesmo que ambos os 
cônjuges sejam estrangeiros) e ao direito de família de uma forma geral. 
Exemplo: vamos imaginar que duas pessoas com 13 anos se casaram em um País 
que permite tal casamento e a seguir o casal veio morar no Brasil. Este 
casamento não poderia ter sido realizado aqui, nas condições que o foram no 
estrangeiro. Mas o Brasil considera estas pessoas como casadas. No entanto, se o 
marido quiser contrair novas núpcias após ter completado 18 anos não poderá 
fazê-lo, pois nossa legislação não admite a bigamia. Por outro lado, se um 
estrangeiro casado se naturalizar brasileiro poderá adotar o regime da comunhão 
parcial de bens. 
Quanto aos bens e as relações a eles concernentes, a LICC prevê que deve 
ser aplicada a norma do local em que estes se situam. Da mesma forma, deve ser 
aplicada a lei do local onde as obrigações foram constituídas. Ou seja, para 
aplicar a lei brasileira basta que a celebração do contrato tenha ocorrido em 
nosso território. Se um contrato foi celebrado no estrangeiro, mas para produzir 
efeitos no Brasil, devem-se respeitar os requisitos exigidos por nossa lei. Ex.: foi 
celebrada no estrangeiro a venda de uma casa situada no Brasil. Para que o 
contrato tenha eficácia é indispensável que o registro tenha sido feito aqui. Além 
disso, sendo o vendedor casado pela comunhão de bens, é necessária a 
respectiva outorga conjugal, sob pena de anulação. 
A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que era 
domiciliado o de cujus (falecido) ou o ausente. Se os bens estiverem situados no 
Brasil, mas eles pertencem a estrangeiros, as regras sucessórias são as 
brasileiras, exceto se a lei estrangeira for mais favorável ao cônjuge ou aos filhos 
brasileiros (CF, art. 5o, XXXI). A lei do domicílio do herdeiro regula a capacidade 
para receber. 
A competência para apreciação de uma ação em que é parte um réu 
domiciliado no Brasil, ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação, é a brasileira. E 
também somente compete à autoridade judiciária brasileira (competência 
absoluta) o conhecimento de ações relativas a imóveis situados no Brasil. 
A lei a ser aplicada quando da prática de um ato ilícito e o dever de 
indenizar quem tenha sido atingido por ele, deve ser a do local onde se tenha 
produzido as consequências deste ato ilícito (lex damni). 
Quando aqui tiver que ser apreciado um fato que ocorreu no exterior, a 
prova é regida pela lei estrangeira. No entanto não são admitidas provas que 
a lei brasileira desconheça. 
Quando uma pessoa alegar Direito estrangeiro, ela deverá provar o seu 
conteúdo e sua vigência, se assim determinar o Juiz. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
25
Finalmente devemos acrescentar que o art. 5°, §3° da CF/88 dispõe que os 
tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintosdos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. E, 
complementando, o §4° prevê que o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal 
Penal Internacional, a cuja criação tenha manifestado adesão. Vejamos agora um 
teste sobre este tema. 
(Edursan – Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e 
Saneamento Ambiental – Advogado Cível – 2009 – Fundação Universo) 
De acordo com a Lei de Introdução ao Código Civil: 
a) na omissão da lei o juiz decidirá o caso concreto de acordo com a analogia, a 
equidade e os princípios gerais do direito. 
b) o divórcio de brasileiros realizados no exterior, em regra, somente é válido 
no Brasil, após um ano da data da sentença que o dissolveu. 
c) os direitos de família são regulados pelo País do nascimento da pessoa. 
d) a edição de uma nova lei de caráter especial revoga a lei anterior. 
e) nenhuma das hipóteses acima. 
Alternativa correta: letra “b”. O art. 7o, §6o da LICC, com a redação da Lei 
no 12.036/09, determina que “o divórcio realizado no estrangeiro, se um ou 
ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 01 
(um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação 
judicial por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, 
obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras 
no país”. A letra “a” está errada, pois pela LICC a equidade não é forma de 
integração da norma jurídica. Além disso, no rol fornecido na questão faltam os 
costumes (art. 4º, LICC). O art. 7o, caput, determina que a lei do País em que for 
domiciliada a pessoa (e não onde ela nasceu, como na alternativa) determina as 
regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os 
direitos de família. A letra “d” está errada nos termos do art. 2o, §2o da LICC. 
OBS. Esse teste caiu em uma prova em 2009. Há quem entenda que a EC 
n° 66/10 simplesmente revogou o prazo para concessão do divórcio. Por 
isso a referência a este prazo na Lei de Introdução deve ser suprimida. 
Meus amigos e alunos: com isso, encerramos a parte teórica da aula. No 
entanto, após apresentar a teoria, sempre faço um quadro sinótico, que é o 
resumo da matéria dada em aula. Trata-se do “esqueleto da matéria”. Tem a 
função de ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados em aula. A 
experiência nos mostra que este quadro é de suma importância, pois se o aluno 
conseguir memorizá-lo, poderá situar a matéria e completá-la de uma forma 
lógica e sequencial. Portanto após ler toda a aula teórica, o resumo também 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
26
deve ser também lido e relido, mesmo que o aluno tenha entendido a matéria 
dada e ache desnecessário. Isto porque lendo o “resuminho” o aluno certamente 
fixará melhor o conteúdo da aula. Além disso, ele é excelente para consultas e 
rápidas revisões às vésperas das provas. 
RESUMO DA AULA 
I. LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL 
Conjunto de normas sobre normas; considerado como um “Código de Normas”, 
ultrapassando o âmbito do Direito Civil, atingindo tanto matéria de ordem privada, 
quanto pública. 
• Regula a vigência e eficácia das normas jurídicas públicas e privadas. 
• Apresenta soluções aos conflitos de normas no tempo e no espaço. 
• Fornece critérios de interpretação (hermenêutica). 
• Quando houver lacunas, estabelece mecanismos de integração das 
normas. 
• Contém também normas de Direito Internacional. 
II. DIVISÃO DO DIREITO CIVIL 
A) Parte Geral → Normas concernentes às Pessoas (Físicas e Jurídicas), aos Bens 
e aos Fatos Jurídicos, incluindo os Atos Ilícitos. 
B) Parte Especial → Direito das Obrigações, Direito de Empresa, Direito das 
Coisas, Direito de Família, Direito das Sucessões e Disposições Finais e Transitórias. 
III. FONTES DO DIREITO CIVIL 
A) INDIRETAS OU MEDIATAS 
1) Doutrina – interpretação da lei feita pelos estudiosos da matéria (direito 
científico). 
2) Jurisprudência – conjunto uniforme e constante das decisões judiciais 
sobre casos semelhantes. 
B) DIRETAS OU IMEDITAS 
1) Lei – norma imposta pelo Estado e tornada obrigatória na sua 
observância. “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma 
coisa senão em virtude de lei” (art. 5o, II, CF/88 – Princípio da Legalidade). 
Características: generalidade, imperatividade, autorizamento, permanência 
e competência. Classificação Doutrinária. 
2) Costume – reiteração constante de uma conduta (elemento objetivo), na 
convicção de ser a mesma obrigatória (elemento subjetivo). Espécies: 
a) Segundo a lei → a própria lei determina a sua aplicação (admissível). 
b) Na falta da lei → quando a lei deixa omissões que podem ser 
preenchidas por ele (admissível). 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
27
c) Contra a lei → quando ele contraria o que dispõe a lei (inadmissível, 
segundo a teoria majoritária). 
IV. VIGÊNCIA DAS LEIS 
A) Processo Legislativo: Iniciativa, Discussão e Aprovação, Sanção (transforma o 
projeto de lei em lei) ou Veto, Promulgação (declara a existência da lei, inovando-se a 
ordem jurídica) e Publicação (divulgação da existência da nova lei em órgão oficial, 
tornando-se conhecida de todos). 
B) Vigência Temporal 
1) Princípios 
a) Obrigatoriedade das leis (art. 3o da LICC) 
b) Continuidade das leis (art. 2o da LICC) 
2) Início da Vigência 
a) Regra Geral (teoria) ⎯ 45 dias após a publicação (art. 1o, caput da 
LICC) → vacatio legis. 
b) Prática ⎯ na data da publicação ou em outra data que a própria lei 
determinar. 
c) Estados Estrangeiros – 03 (três) meses após a publicação (art. 1o, §1o 
da LICC). 
d) Alteração da lei durante o prazo de vacatio legis – prazo recomeça a 
contar da republicação (art. 1o, §3o da LICC). 
e) Alteração da lei após o prazo de vacatio – lei nova (art. 1o, §4o da 
LICC). 
f) Contagem – inclui-se o dia do começo e também o último dia do prazo, 
entrando a lei em vigor no dia subsequente à sua consumação integral 
(art. 8o, §1o, LC n° 95/98, alterado pela LC n° 107/01). 
3) Término da Vigência 
a) Lei Temporária (art. 2o, caput da LICC). 
b) Revogação (art. 2o, §1o da LICC): 
Expressa → lei nova declara de forma taxativa a revogação da lei 
anterior. 
Tácita → texto da lei posterior (mais nova) é incompatível com o 
da anterior. 
Ab-rogação → revogação total. 
Derrogação → revogação parcial. 
Obs.: não é caso de revogação (doutrina): a) edição de nova 
Constituição → não-recepção da lei pela nova ordem constitucional; b) 
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, com suspensão de execução pelo 
Senado Federal → perda de eficácia. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
28
4) Repristinação – lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora 
perdido a vigência, salvo disposição em contrário – art. 2o, §3o da LICC. 
5) Lei Especial que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, não revoga nem modifica lei anterior (art. 2o, §2o da LICC). 
6) Conflito das Normas no Tempo – Direito Intertemporal – Para a solução 
dos conflitos são usados dois critérios: 
a) Disposições Transitórias – quando a própria lei prevê em seu corpo 
regras temporárias para dirimir eventuais conflitos. 
b) Irretroatividade – as normas, como regra, não produzem efeitos em 
situações passadas. É a regra em nosso Direito. No entanto admite-se a 
retroatividade, desde que se respeite (art. 5o, inciso XXXVI, CF/88 e 6o, 
LICC): 
- Direito Adquirido – o que já se integrou ao patrimônio e à 
personalidade de seu titular. 
- Ato Jurídico Perfeito– é o que já se consumou, segundo a 
norma vigente no tempo em que se praticou o ato. 
- Coisa Julgada – é a decisão da qual não cabe mais nenhum 
recurso. 
7) Atividade – é o fenômeno jurídico pelo qual a lei regula todas as situações 
durante o seu período de vida (vigência). É a regra em nosso Direito. Extra-
atividade – ocorre quando uma lei regula situações fora do seu período de 
vigência. Espécies: 
a) Retroatividade – a lei regula situações que ocorreram antes do início de 
sua vigência. 
b) Ultra-atividade – a lei foi revogada, mas continua sendo aplicada. 
C) Vigência Territorial 
1) Regra → Territorialidade. Admite-se a Extraterritorialidade. Portanto, 
vigora no Brasil a chamada Teoria da Territorialidade Moderada (Mitigada ou 
Temperada). 
2) Território Nacional – Real (solo, subsolo, espaço aéreo, águas marítimas) 
e Ficto (embaixadas, navios e aeronaves). 
V. INTERPRETAÇÃO – descobrir o sentido e o alcance da norma jurídica – trata-se da 
hermenêutica. 
VI. INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA 
Art. 4o da LICC → Analogia, Costumes e Princípios Gerais de Direito, seguindo 
essa ordem preferencial (ver também o art. 126 do CPC). 
1) Analogia – aplica-se em hipótese não prevista, dispositivo relativo a outro caso 
distinto, porém semelhante. 
2) Costumes – já analisados acima. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
29
3) Princípios Gerais de Direito – regras que se encontram na consciência dos 
povos, mesmo que não sejam escritas, mas que estão implícitas em nosso ordenamento 
jurídico. 
VII. ANTINOMIA – CONFLITO DE NORMAS – PREENCHIMENTO DAS LACUNAS 
Antinomia → presença de duas normas conflitantes, sem que a lei diga qual delas 
deva ser aplicada em um caso concreto. Pode ser real ou parente. Critérios para solução 
do conflito aparente de normas: a) hierárquico (uma norma é hierarquicamente 
superior à outra); b) especialidade (uma norma é especial em relação à outra) e c) 
cronológico (baseado no momento em que a norma jurídica entra em vigor – a mais 
nova revoga a mais velha). A antinomia pode ser de 1o ou 2o grau, dependendo se é 
utilizado um ou dois dos critérios acima para a solução do conflito. 
Meus Amigos e Alunos. A aula ainda não acabou!! 
Ao final de cada aula, após o resumo, forneço alguns testes, com a 
finalidade de revisar o que foi ministrado e fixar, ainda mais, a matéria. Eles 
fazem parte da aula... Os testes foram selecionados e têm um grau de dificuldade 
acima da média, sendo que não fujo de questões polêmicas, desde que interesse 
para concursos. Seguindo a orientação do Coordenação do PONTO DOS 
CONCURSOS, logo após o exercício, fornecemos o gabarito e seu comentário. 
Muitas dúvidas da aula são sanadas por meio da leitura dos testes e de suas 
respectivas respostas, pois completam e aprofundam a matéria dada em aula. 
Mais adiante repetimos os mesmos testes, mas sem os comentários, sendo que 
no final é fornecido o “gabarito seco”. Vamos a eles: 
TESTES 
OBS.: as questões adiante seguem o padrão da CESPE/UnB, 
julgando as assertivas e colocando CERTO ou ERRADO. 
QUESTÃO 01 (CESPE/UnB – Analista Processual do MPU/2010) 
Considerando a regulamentação constitucional e civilista, julgue o 
seguinte item: 
a) Na interpretação extensiva da lei, são aplicados os princípios de adequação 
e proporcionalidade entre os termos empregados e o espírito das normas. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A interpretação da lei, quanto aos seus resultados, se classifica em: 
declarativa, restritiva e extensiva. Nesta última o legislador disse menos do que 
pretendia dizer, sendo necessário ampliar a aplicação da lei. É isso o que a 
questão deveria afirmar para estar correta. Já o princípio da 
proporcionalidade encontra-se intrinsecamente ligado à evolução dos direitos e 
garantias individuais da pessoa humana, verificada a partir do surgimento do 
Estado de Direito. Costuma-se dizer que ele nasceu âmbito do Direito 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
30
Administrativo, como princípio geral do direito de polícia e se desenvolveu como 
evolução do princípio da legalidade. Exige-se, para tanto, a presença de 
mecanismos destinados a controlar o Poder Executivo no exercício das suas 
funções, de modo a evitar o arbítrio e o abuso de poder. Tal princípio pode ser 
decomposto em três elementos (ou subprincípios): a adequação, a necessidade e 
a proporcionalidade em sentido estrito. Não preenchendo a norma qualquer 
desses três elementos ou não se conformando com eles o ato administrativo ou 
judicial produzido pela respectiva autoridade, deverão ser considerados 
inconstitucionais, por violação ao princípio da proporcionalidade. Entendemos que 
o postulado da proporcionalidade atua na interpretação de todas as normas, 
inclusive constitucionais, como decorrência do Princípio da Justiça, insculpido 
no preâmbulo e no art. 3° de nossa Constituição Federal. 
QUESTÃO 02 (CESPE/UnB – Analista Judiciário do STM/2011) No que se 
refere à Lei de Introdução ao Código Civil, julgue o item a seguir. 
a) Havendo lacuna no sistema normativo, o juiz não poderá abster-se de 
julgar. Nesse caso, para preenchimento dessa lacuna, o juiz deve valer-se, em 
primeiro lugar, da analogia; persistindo a lacuna, serão aplicados os costumes 
e, por fim, os princípios gerais do direito. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. É o que dispõe o art. 4º da LICC. Observem que houve a obediência à 
ordem preferencial estabelecida no dispositivo. 
QUESTÃO 03 (CESPE/UnB – Ministério Público/AM - 2007) Em relação à 
Lei de Introdução do Código Civil, julgue os itens a seguir. 
a) Para a contagem do prazo de vacatio legis de uma lei, ou seja, o intervalo 
entre a data de sua publicação e a sua entrada em vigor, exclui-se o dia da 
publicação e inclui-se o do vencimento. Além disso, se, após iniciado o 
transcurso da vacatio legis, ocorrer publicação de norma corretiva do texto 
original da lei, o prazo da obrigatoriedade começa a fluir da nova publicação. 
b) Se a lei for omissa no que diz respeito à matéria tratada no pedido do autor 
o Juiz deverá decidir por analogia e com equidade, valendo-se da doutrina e da 
jurisprudência dominantes sobre o tema. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. O prazo de vacatio legis conta-se: incluindo-se o dia publicação da 
lei e também do último dia do prazo (vencimento). Assim, a lei entrará em vigor 
no dia subsequente a sua consumação integral (art. 8°, §1° da Lei Complementar 
n° 95/98, com texto modificado pela também LC n° 107/01). 
b) Errado. Havendo omissão da lei, o Juiz deve aplicar a analogia, os costumes 
e os princípios gerais de direito (art. 4°, LICC). Observem que a equidade não 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
31
está prevista na Lei de Introdução ao Código Civil (a questão se refere 
expressamente à LICC), mas sim no Código de Processo Civil. 
QUESTÃO 04 (CESPE – Tribunal de Contas da União) – A lei... 
a) começa a vigorar em todo o país trinta dias depois de oficialmente 
publicada, salvo se ela dispuser de outra forma. 
b) nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, 
não revoga nem modifica a lei anterior. 
c) revogada se restaura se a lei revogadora perder sua vigência. 
d) possui vigência temporária no curso da “vacatio legis”. 
e) não pode ter seu desconhecimento como alegação para escusa de seu 
descumprimento. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. O prazo correto é de quarenta e cinco dias, depois de oficialmente 
publicada. 
b) Certo. É o que dispõe expressamente o art. 2o, §2o da LICC. 
c) Errado. Art. 2o, §3o da LICC – trata-se da repristinação,que, como regra não 
é admitida em nosso Direito, a não que expressamente prevista na lei. 
d) Errado. Durante a vacatio legis a lei nova ainda não tem vigência (portanto a 
lei anterior ainda continua vigorando – trata-se do princípio da continuidade). 
Deve-se aguardar o prazo de vigência (estabelecido na própria lei ou, em sua 
omissão – 45 dias) para começar a produzir efeitos. 
e) Certo. Art. 3° da LICC – ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que 
não a conhece. Publicada uma lei, há uma presunção de que todos tiveram 
conhecimento de seu teor, não podendo alegar o seu desconhecimento para 
descumpri-la. Esta é a regra. É isso que dispõe a LICC. No entanto há uma 
exceção que veremos em uma aula mais para frente sobre os defeitos do Negócio 
Jurídico (erro de direito). 
QUESTÃO 05 (CESPE/BACEN – 2007) Julgue os itens seguintes: 
a) Em regra tem efeito repristinatório, imediato e automático, a lei revogadora 
de uma outra lei revogadora. 
b) O princípio cardeal para se saber se uma lei foi ou não tacitamente 
revogada é o da incompatibilidade. 
c) A analogia é uma das técnicas empregadas para a interpretação das leis. 
d) Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo País 45 dias 
após sua promulgação. 
COMENTÁRIOS: 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
32
a) Errado. Nos termos do art. 2o, §3o da LICC a regra é no sentido contrário. 
b) Certo. Para se saber se uma lei foi ou não revogada de forma tácita, é 
necessário cotejar o texto da lei nova com a anterior e verificar se os textos são 
incompatíveis entre si. 
c) Errado (“pegadinha”). A analogia é forma de integração da lei (art. 4o, 
LICC) e não uma técnica de interpretar a norma jurídica. 
d) Errado. “Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo País 
45 dias depois de oficialmente publicada” (art. 1o, caput, LICC). Portanto, é após 
a sua publicação e não da promulgação. 
QUESTÃO 06 (CESPE/UnB - INSS/2008 – Analista do Seguro Social com 
Formação em Direito) “Uma norma jurídica tem três momentos, que dizem 
respeito à determinação do início de sua vigência, à continuidade de sua vigência 
e à cessação de sua vigência. Além disso, a norma contém em si uma carga de 
generalidade, referindo-se a casos indefinidos, o que implica seu afastamento da 
realidade, fazendo surgir uma oposição entre normas jurídicas e fatos” (Maria 
Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, vol. I, 24a ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 58 - 
com adaptações). Tendo as ideias do texto acima como referência inicial, julgue os 
itens que se seguem, relativos à analogia, interpretação e aplicação da lei no 
tempo e no espaço. 
a) As leis, em sentido amplo, nascem com a promulgação. 
b) A obrigatoriedade imposta por uma norma jurídica sempre se inicia na data 
da sua publicação. 
c) No que concerne à obrigatoriedade da norma brasileira no exterior, faltando 
estipulação legal do prazo de entrada em vigor, tal prazo é de três meses 
depois de a norma ser oficialmente publicada. 
d) Derrogação é a supressão total da norma jurídica anterior. 
e) A analogia, que é um dos instrumentos de integração da norma jurídica, 
consiste na prática uniforme, constante, pública e geral de determinado ato 
com a convicção de sua necessidade jurídica. 
f) Com a finalidade de resolver e evitar os conflitos que surgem da nova lei em 
confronto com a lei antiga, o legislador pode acrescentar, no próprio texto 
normativo, as disposições que têm vigência temporária. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. Promulgação tem o significado de proclamação. Promulgar é declarar a 
existência de uma lei, inovando-se a ordem jurídica. Como regra ela se dá em 
conjunto com a sanção, com a assinatura do Chefe do Executivo. 
b) Errado. A regra teórica é de que a obrigatoriedade da lei se dá 45 dias 
depois de oficialmente publicada. A obrigatoriedade na data da publicação ocorre 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
33
apenas quando isso estiver expresso na lei (“esta lei entrará em vigor na data 
de sua publicação”). A expressão “sempre” da afirmação torna a questão errada. 
c) Certo. Art. 1°, §1° da LICC. 
d) Errado. Derrogação é a supressão parcial (ou revogação parcial) da norma 
jurídica anterior. 
e) Errado. Analogia consiste em aplicar, à hipótese não prevista especialmente 
em lei, dispositivo relativo a caso semelhante. A questão fornece o conceito dos 
costumes. 
f) Certo. Visando solucionar conflitos entre as normas, geralmente são usados 
dois critérios: as disposições transitórias (que teriam vigência temporária) 
inseridas no próprio texto de lei e o princípio da irretroatividade das leis. 
QUESTÃO 07 (CESPE/UnB – Analista Judiciário TST – 2008) Um programa 
de TV, na Inglaterra, fez sucesso ao listar algumas das leis mais bizarras do 
mundo. A vencedora foi uma norma de Ohio, nos Estados Unidos, que proíbe 
embriagar peixes. (Revista Época, 12/11/2007, p. 24). Considere-se que, 
desconhecendo essa inusitada lei, um cidadão brasileiro tenha ido pescar com 
amigos no mencionado estado americano e acabou por “embebedar” algumas 
trutas. Descoberto o fato pelas autoridades locais, ele foi condenado ao 
pagamento de multa de dez mil dólares. O processo correu à revelia, pois, a essa 
altura, o réu já havia retornado ao Brasil. Considerando a situação hipotética 
descrita, julgue os próximos itens. 
a) A referida sentença poderia ser executada no Brasil se o réu fosse um 
cidadão americano aqui domiciliado, mas jamais pode ser aplicada a cidadão 
brasileiro. 
b) A sentença mencionada poderá ser executada no Brasil desde que atenda a 
certos requisitos, entre eles, haver sido homologada pelo Supremo Tribunal 
Federal e estar traduzida por especialista devidamente autorizado. 
c) Sob nenhuma hipótese a citada sentença poderá ser executada no Brasil, 
pois se trata de lei esdrúxula e o ato praticado não ser considerado ilícito pela 
legislação pátria. 
d) A sentença proferida pela corte americana precisa ser homologada, condição 
necessária para que qualquer sentença estrangeira possa produzir efeitos e ser 
executada no Brasil. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A sentença, em tese, pode ser executada tanto ao cidadão americano, 
quanto ao cidadão brasileiro, desde que o fato tenha sido praticado no 
estrangeiro e o autor do fato tenha seu domicílio no Brasil (arts. 15 a 17 da 
LICC). 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
34
b) Errado. Embora o art. 15, letra “e” da LICC afirme que a homologação da 
sentença estrangeira, para que esta produza efeitos no Brasil, seja do Supremo 
Tribunal Federal, a Emenda Constitucional nº 45/04 (dentre outras alterações) 
estabeleceu que a competência para processar e julgar originariamente tal 
homologação agora é do Superior Tribunal de Justiça (vide art. 105, inciso I, 
letra “i”, CF/88). 
c) Errado. Como vimos, atendendo aos requisitos legais, é possível a sua 
aplicação no Brasil. O fato de não ser um ilícito no Brasil não interfere em sua 
aplicabilidade, pois o art. 17 da LICC determina que não terá eficácia no Brasil 
quando a sentença ofender a soberania nacional, a ordem pública e os bons 
costumes, o que não é o caso. 
d) Certo. Na realidade a afirmação está correta pela legislação atual e não pelo 
que vigorava à época da elaboração da questão. Vejamos. A sentença americana 
precisa ser homologada no Brasil pelo Superior Tribunal de Justiça. Até aí sem 
problemas. Ocorre que antes da edição da Lei n° 12.036/09 as sentenças 
meramente declaratórias do estado das pessoas não necessitavam de 
homologação. Portanto a segundaparte da afirmação (condição necessária para 
que qualquer sentença estrangeira possa produzir efeitos no Brasil) estaria 
errada. No entanto a mencionada lei revogou o parágrafo único do art. 15 da 
LICC, sendo que o atual entendimento é de que qualquer sentença estrangeira, 
para produzir efeitos no Brasil, precisa de homologação do STJ, tornando, assim, 
totalmente verdadeira a afirmação. 
QUESTÃO 08 (CESPE/UnB – Analista e Técnico Judiciário – Área 
Judiciária – TRT 17a Região/ES – 2009) Julgue os seguintes itens, 
referentes à vigência e aplicação da lei no tempo e no espaço. 
a) As emendas ou correções aditadas à lei que já tenha entrado em vigor são 
consideradas lei nova. 
b) Na aplicação da norma jurídica, a existência de uma antinomia jurídica 
aparente será resolvida pelos critérios normativos, ou seja, o hierárquico, 
cronológico e o da especialidade. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. Determina o art. 1o, §4o da LICC que “as correções a texto de lei já em 
vigor consideram-se lei nova”. 
b) Certo. Antinomia é a presença de duas normas conflitantes em sua aplicação 
prática a um caso particular. Quando essa antinomia for aparente existem 
critérios para a solução do conflito: a) hierárquico (uma norma é 
hierarquicamente superior à outra); b) especialidade (uma norma é especial em 
relação à outra) e c) cronológico (baseado no momento em que a norma jurídica 
entra em vigor – a mais nova revoga a mais velha). Por outro lado, a antinomia 
real pressupõe um conflito impossível de ser ultrapassado, não se podendo 
aplicar os critérios mencionados. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
35
QUESTÃO 09 (CESPE/UnB – Analista – Área Administrativa – TRT 17a 
Região/ES – 2009) Acerca da vigência e da aplicação da lei no tempo e no 
espaço, julgue os seguintes itens. 
a) A ab-rogação é a revogação parcial da lei. 
b) O eventual antagonismo entre uma lei brasileira e uma lei pertencente ao 
ordenamento jurídico de Portugal constitui hipótese de antinomia real. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Ab-rogação é a revogação total da lei. A parcial é chamada de 
derrogação. 
b) Errado. Antinomia é a presença de duas ou mais normas conflitantes, sem 
que se possa afirmar qual delas deverá ser aplicada a um caso concreto. A real 
ocorre quando não há, na ordem jurídica, qualquer critério normativo para a sua 
solução. Já na aparente existem critérios para a sua solução, dentro do próprio 
ordenamento jurídico. 
QUESTÃO 10 (CESPE/UnB – Defensoria Pública do Estado do Espírito 
Santo – 2009) Acerca da LICC, julgue os itens a seguir. 
a) A analogia jurídica fundamenta-se em um conjunto de normas para extrair 
elementos que possibilitem sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto, 
mas similar. 
b) Consideram-se leis novas as correções de texto de lei já em vigor. 
c) A lei nova que dispõe sobre regras especiais revoga as regras gerais sobre a 
mesma matéria. 
d) O direito brasileiro não aceita o efeito repristinatório da lei revogada. 
e) Quando o conflito normativo for passível de solução mediante o critério 
hierárquico, cronológico e da especialidade, o caso será de antinomia aparente. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. Trata-se do conceito de analogia legal. 
b) Certo. Art. 1o, §4o da LICC. 
c) Errado. Neste caso não há revogação. As leis coexistem harmonicamente, nos 
termos do art. 2o, §2o da LICC. O que ocorre é a aplicabilidade de uma das leis 
em determinada situação especial e a aplicabilidade da outra nas demais 
situações. 
d) Errado. Embora a regra em nosso direito é a não-repristinação, o art. 2°, §3° 
da LICC faz a ressalva “salvo disposição em contrário”. Portanto, não se pode 
afirmar que o Direito brasileiro não aceita o efeito repristinatório. Ele aceita, 
embora de forma excepcional. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
36
e) Certo. Na antinomia aparente é possível a solução do conflito observando-se 
alguns critérios (hierárquico, cronológico e especialidade). Na antinomia real não 
há, na ordem jurídica, critério para sua solução. Somente se elimina este 
problema com a edição de uma nova norma. 
QUESTÃO 11 (CESPE/UnB – Analista TRT/ES - 2009) Julgue o item a 
seguir. 
a) Se durante o período da vacatio legis, a norma que vier a ser corrigida em 
seu texto por conter erros materiais, ensejando nova publicação, será 
considerada lei nova. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. No termos do art. 1°, §3° da Lei de Introdução, se antes de entrar a 
lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo 
começará a correr da nova publicação. Esta é a regra geral. Assim, se durante o 
período do vacatio legis ocorrer nova publicação do texto da lei, o efeito genérico 
será a prorrogação do prazo de entrada em vigor da norma. Lembrando que, se a 
alteração do texto da lei ocorrer no período em que a lei já estivesse em vigor, 
neste caso sim, teríamos lei nova (§4°, art. 1° da LICC). 
QUESTÃO 12 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Com relação ao conflito de leis no espaço e aos elementos de conexão que 
viabilizam a sua resolução, julgue os itens a seguir. 
a) A regra geral, ante o conflito de leis no espaço, é a aplicação do direito 
pátrio, empregando-se o direito estrangeiro apenas excepcionalmente, quando 
isso for, expressamente, determinado pela legislação interna de um país. 
b) A lex damni, como espécie de elemento de conexão, indica que a lei 
aplicável deve ser a do lugar em que se tenham manifestado as consequências 
de um ato ilícito, para reger a obrigação de indenizar aquele que tenha sido 
atingido por conduta delitiva de outra parte em relação jurídica internacional. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. Como vimos, o Brasil adotou a Territorialidade como regra para 
aplicação das leis no espaço. Ou seja, dentro do território brasileiro deve ser 
aplicada a lei brasileira. No entanto, admite-se, em determinadas hipóteses 
previstas expressamente pela nossa legislação, a aplicação da lei estrangeira. Por 
isso conclui-se que a teoria adotada pelo Brasil é o da Territorialidade Moderada 
(Temperada ou Mitigada). 
b) Certo. Regras de conexão são regras que indicam o direito a ser aplicado para 
resolver um conflito, principalmente no Direito Internacional. Esse ramo do 
Direito possui regras muito específicas, que nem sempre se aplicam ao Direito 
Interno. Muitas vezes um ato é praticado em um determinado País, mas as 
consequências atingem pessoas de outros Países. O termo "lex damni" indica que 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
37
a lei a ser aplicada quando da prática de um ato ilícito e o dever de indenizar 
quem tenha sido atingido por ele, deve ser a do local onde se tenha produzido 
as consequências deste ato ilícito. 
QUESTÃO 13 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) No 
que diz respeito às fontes brasileiras de direito internacional e à aplicação do 
direito estrangeiro no Brasil, julgue os itens subsequentes. 
a) No Brasil, não se admite o costume como recurso de integração ao direito. 
b) A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele 
vigorar, razão pela qual os tribunais brasileiros podem, excepcionalmente, admitir 
provas que a lei brasileira desconheça. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. O costume, além de ser fonte de Direito, também é forma de 
integração da norma jurídica, nos termos do art. 4° da LICC. 
b) Errado. Nos termos do art. 13 da LICC, “A prova dos fatos ocorridos em país 
estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de 
produzir-se, não admitindo os tribunais brasileirosprovas que a lei 
brasileira desconheça”. 
QUESTÃO 14 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Julgue os itens a seguir, acerca do direito processual civil internacional. 
a) A competência jurisdicional brasileira somente incide sobre indivíduo 
estrangeiro se este residir no Brasil durante mais de quinze anos ininterruptos. 
b) É absoluta a competência internacional brasileira em ação relativa a imóvel 
situado no Brasil. 
c) A parte que, em processo, alegar direito estrangeiro deverá provar-lhe o 
teor e a vigência, se assim determinar o juiz. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A LICC não exige o mencionado prazo de 15 anos. Além disso, fala 
em domicílio (e não em residência). 
b) Certo. Nos termos do §1° do art. 12 da LICC: “Só à autoridade judiciária 
brasileira compete conhecer das ações, relativas a imóveis situados no Brasil”. 
C) Certo. Nos termos do art. 14 da LICC: “Não conhecendo a lei estrangeira, 
poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência”. 
QUESTÃO 15 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Acerca da homologação de sentença estrangeira, julgue os seguintes itens. 
b) A sentença proferida por tribunal estrangeiro tem eficácia no Brasil depois 
de homologada pelo Supremo Tribunal Federal. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
38
c) Um dos requisitos para que a sentença estrangeira seja homologada no 
Brasil é terem as partes sido citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Embora a LICC ainda afirme que esta competência pertença ao STF 
(art. 15, letra “e”), a Constituição Federal determina que esta competência 
pertence ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 105, I, letra 
“i”. 
b) Certo. Nos termos do Código de Processo Civil (este ponto não está em nosso 
edital). 
QUESTÃO 16 (CESPE/UnB – AGU - Procurador Federal - 2008) Julgue os 
itens abaixo, relativos à Lei de Introdução do Código Civil (LICC — 
Decreto-lei nº 4.657/1942). 
a) Se João, brasileiro, domiciliado na Espanha, falecer ao visitar parentes no 
Japão, então, perante a LICC, a sucessão, em regra, deverá seguir a lei 
japonesa. 
b) Se Juan Carlos, argentino, apaixonar-se por Gabriela, paraguaia, desejando 
com ela contrair matrimônio, e ambos estiverem domiciliados no Brasil, então, 
perante a LICC, será aplicada a lei brasileira para os impedimentos para o 
casamento, mas a lei Argentina para as causas de suspensão e formalidades da 
celebração. 
c) Se Marcos, alemão naturalizado brasileiro, celebrar contrato, no Brasil, com 
Vinícius, brasileiro, então, perante a LICC, será aplicada a lei brasileira em face 
do princípio locus regit actum. 
d) Considere a seguinte situação hipotética. Mário, marroquino, já casado 
perante a legislação brasileira, com Marta, brasileira, deseja registrar no Brasil 
o seu segundo casamento realizado no Marrocos. Nesse caso, perante a LICC, 
será possível tal registro em face do princípio da territorialidade moderada 
adotado no Brasil. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Pelo art. 10 da LICC, a sucessão por morte obedece à lei do país 
em que domiciliado o de cujus. Portanto a regra será do direito espanhol. 
b) Errado. Pelo art. 7o, §1o da LICC, realizando-se o casamento no Brasil, será 
aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da 
celebração. 
c) Certo. O contrato foi celebrado no Brasil. Segundo o art. 9o da LICC, para 
qualificar e reger as obrigações, aplica-se a lei do país onde estas se 
constituíram. E, acrescentando, o §2o deste dispositivo prevê que a obrigação 
resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o 
proponente. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
39
d) Errado. Em que pese o Brasil ter adotado a teoria da Territorialidade 
Moderada, as regras a serem cumpridas referentes ao casamento, especialmente 
em relação aos impedimentos, é a brasileira (art. 7o, §1o da LICC). No Brasil, 
uma pessoa casada não pode se casar novamente. Trata-se de um impedimento 
absoluto. Assim, este casamento não pode ser realizado no Brasil. 
Meus amigos e alunos: para que a aula fique ainda mais completa, inserimos 
mais alguns testes. Só que estes são de outras bancas examinadoras. Vamos a 
eles. 
TESTES DE OUTRAS BANCAS EXAMINADORAS 
01) (ESAF – Procurador da Fazenda Nacional) Assinale a opção FALSA. 
a) a Lei de Introdução ao Código Civil é parte componente do Código Civil, 
sendo suas normas aplicáveis apenas ao Direito Civil. 
b) a Lei de Introdução ao Código Civil é uma lex legum, ou seja, um conjunto de 
normas sobre normas. 
c) a Lei de Introdução ao Código Civil é também o Estatuto do Direito 
Internacional Privado. 
d) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina o direito intertemporal, para 
assegurar a certeza, segurança e estabilidade do ordenamento jurídico-positivo, 
preservando as situações consolidadas em que o interesse individual prevalece. 
e) a Lei de Introdução ao Código Civil contém critérios de hermenêutica jurídica. 
Comentários: 
Alternativa falsa: letra “a”. Como vimos em aula, a LICC não é parte 
componente ou integrante do Código Civil. Trata-se de uma lei autônoma 
(Decreto-lei nº 4.657/42), que continua em vigor. Além disso, suas normas se 
aplicam a todas as matérias do direito (observadas as peculiaridades de cada 
uma). Disciplina a aplicação de regras das normas brasileiras, contendo também 
preceitos referentes à vigência (início e fim), eficácia, técnicas de interpretação, 
formas integração, indicação de métodos para a solução de conflitos de leis 
(temporais e territoriais), etc. Como vimos, contém até mesmo diversas regras 
de conteúdo de direito internacional. As demais alternativas estão corretas: b) a 
LICC é tratada pela doutrina como sendo um conjunto de normas sobre normas; 
c) a LICC possui normas de Direito Internacional Privado, como exemplo uma 
pessoa que morre no Brasil deixando bens no estrangeiro, possuindo regras de 
extraterritorialidade, indicando as condições de validade para aplicação da lei 
brasileira no estrangeiro ou vice-versa; d) como vimos a LICC disciplina o direito 
intertemporal (revejam o tópico “vigência das leis no tempo”); e) possui critérios 
de hermenêutica, ou seja, de critérios de interpretação das leis. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
40
02) (ESAF – Advocacia Geral da União) Sobre a Lei de Introdução ao 
Código Civil, assinale a opção FALSA. 
a) não é parte integrante do Código Civil, por ser aplicável a qualquer norma e 
por conter princípios gerais sobre as leis em geral. 
b) é uma lex legum, ou seja, um conjunto de normas que não rege exatamente 
as relações de vida, mas sim as normas, uma vez que indica como interpretá-
las, determinando-lhes a vigência e eficácia, suas dimensões espaço-temporais, 
assinalando suas projeções nas situações conflitivas de ordenamentos jurídicos 
nacionais e alienígenas, evidenciando os respectivos elementos de conexão. 
c) é um código de normas que não tem por conteúdo qualquer critério de 
hermenêutica jurídica. 
d) as normas de direito internacional privado nela contidas têm por objetivo 
solucionar o conflito de jurisdição, estabelecer princípios indicativos de critérios 
solucionadores do problema de qualificação, determinar o efeito dos atos 
realizados no exterior, reger a condição jurídica do estrangeiro e tratar da 
eficácia internacional de um direito legitimamente adquirido em um país, que 
poderá ser reconhecido e exercido em outro. 
e) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina a garantia daeficácia global da 
ordem jurídica, não admitindo a ignorância da lei vigente, que a comprometeria. 
Comentários: 
Alternativa incorreta: letra “c”. Como vimos na questão acima a LICC possui 
sim, regras de hermenêutica. Na realidade a LICC não trata expressamente desta 
matéria, porém estabelece critérios para sua aplicação. As demais alternativas 
são conceitos verdadeiros sobre o teor da LICC. Compare este teste com o 
anterior; observem como estas questões, que já caíram em concurso são 
parecidas. O examinador “roda... roda... roda...” e quase sempre exige a mesma 
coisa na prova. Daí a importância em se fazer os testes. Com eles o aluno vai 
“pegando a malícia” da questão. Uma observação: alguns alunos já me 
escreveram em outras ocasiões no forum dizendo que assinalaram a letra “b”, 
achando que estaria errada por causa do termo “alienígena”. Esta palavra 
significa “o que ou quem é de outro país; estrangeiro” (e não de outro planeta, 
como aparece em filmes de ficção científica, situação esta não admitida em nosso 
Direito). 
03) (OAB/SP – 2004) O art. 4° da LICC, ao dispor que, ante a omissão da 
lei, o Juiz decidirá de acordo com a analogia, costumes e princípios gerais 
de direito, é norma: 
a) dirigida exclusivamente ao campo do Direito Privado. 
b) dirigida, sem exceção, a todos os campos do Direito Positivo. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
41
c) que se aplica a todos os campos do Direito Positivo, com exceção do Direito 
Penal e Administrativo. 
d) dirigida ao Direito Público, mas pode ser aplicada ao Direito Privado, 
guardadas as suas peculiaridades. 
e) que se aplica ao Direito Positivo como um todo, em especial ao Direito 
Privado, mas pode ser aplicado ao Direito Público, observadas as suas 
peculiaridades. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “e”. Lembrando que direito positivo é o conjunto 
de normas jurídicas vigentes em determinado lugar, em determinada época; na 
verdade trata-se da lei propriamente dita. Ele pode ser dividido em direito 
público e privado. A LICC, em especial o art. 4o, é definida como um conjunto de 
normas sobre normas, isto porque disciplina as próprias normas jurídicas. 
Logo, ela ultrapassa o âmbito do Direito Civil, atingindo todo o Direito Positivo. 
No entanto, quanto ao Direito Público é aplicada com reservas, respeitando-se 
suas próprias peculiaridades. 
04) (OAB - Distrito Federal – 2004 - III) As principais funções da Lei de 
Introdução ao Código Civil são: 
a) regular a existência e eficiência das normas jurídicas. 
b) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade da lei, inadmitindo a 
ignorância da lei vigente. 
b) desregulamentar o direito intertemporal. 
c) desregulamentar o direito internacional privado no Brasil. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “b”. Como vimos, uma das funções da LICC é impor 
a vigência e eficácia geral das leis. Publicada uma lei, ninguém pode alegar que 
não a conhece e deixar de cumpri-la (art. 3o da LICC), pois há uma presunção de 
que todos tiveram conhecimento de seu teor. Eventual alegação de 
desconhecimento da lei (erro de direito) só pode ser invocada em raríssimas 
ocasiões, previstas no CC. Portanto, atenção. Se a questão estiver ser referindo à 
LICC (hipótese que estamos analisando) não se admite a escusa pela ignorância. 
Se a questão for referente ao CC pode haver a alegação, embora em hipótese 
especialíssima que será analisada em aula vindoura. A letra “a” está errada, pois 
utiliza o termo eficiência (o correto é eficácia). As letras “c” e “d” estão erradas, 
pois a LICC também regulamenta o direito intertemporal e direito internacional 
privado no Brasil. 
05) Assinale a alternativa CORRETA: 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
42
a) a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, revoga a lei anterior que disciplinar a mesma matéria. 
b) lei com vigência temporária terá vigor até que outra a modifique ou revogue. 
c) a lei posterior revoga lei anterior somente quando expressamente o declare. 
d) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
salvo disposição em contrário. 
e) uma lei pode retroagir, mesmo que afete o ato jurídico perfeito. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “d”. Esta alternativa trata da repristinação: a lei 
revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo 
disposição em contrário (veja o artigo 2o, §3o da LICC). A alternativa “a” está 
errada, pois o que ocorre é exatamente o contrário: a lei nova que estabeleça 
disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga a lei anterior 
que disciplinar a mesma matéria; é o que determina o artigo 2o, §2o da LICC. Ou 
seja, duas leis que dispõem sobre um mesmo assunto podem coexistir, desde que 
não sejam incompatíveis entre si. A letra “c” está errada, pois como vimos a 
revogação pode ser expressa ou tácita (neste caso quando o texto da lei posterior 
é incompatível com o da lei anterior). A letra “e” também está incorreta, pois 
uma lei não pode retroagir. No entanto há casos em que a lei retroage, desde que 
se respeite o Ato Jurídico Perfeito, o Direito Adquirido e a Coisa Julgada. 
06) Assinale a alternativa CORRETA: 
a) a obrigatoriedade da lei brasileira nos Estados estrangeiros, quando admitida, 
tem inicio três meses depois de oficialmente publicada. 
b) a revogação de lei revogadora de lei anterior tem efeito repristinatório. 
c) as declarações de vontade devem ser interpretadas literalmente. 
d) o termo inicial da obrigação suspende aquisição do direito. 
e) na interpretação das leis usa-se a analogia, os costumes e os princípios gerais 
de direito. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “a”. Uma lei começa a vigorar no Brasil (salvo 
disposição em contrário) 45 dias depois de oficialmente publicada. Já nos Estados 
estrangeiros este prazo sobe para três meses (veja o art. 1o da LICC). A letra “b” 
está errada, pois como vimos não há o efeito repristinatório (art. 2o, §3o da 
LICC). As declarações de vontade podem ser interpretadas de forma que a 
intenção da pessoa seja respeitada e nem sempre literalmente. A título de 
exemplificação citamos o artigo 423 do CC: “quando houver, no contrato de 
adesão, cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
43
mais favorável ao aderente”, portanto a letra “c” está errada também. Na letra 
“d” o examinador pediu um conceito fora da matéria LICC. Este tema será visto 
com calma, mais para frente, no capítulo referente a Atos e Fatos Jurídicos. Mas 
podemos adiantar agora que o termo inicial de uma obrigação suspende o 
exercício, mas não a aquisição do direito. Finalmente a letra “e” também está 
errada, pois é na integração das normas (e não na interpretação) que devem ser 
usadas a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. 
07) A vigência da lei ordinária que rege o direito privado: 
a) a lei brasileira nunca terá obrigatoriedade nos Estados estrangeiros. 
b) a lei sempre indicará a data do início de sua vigência. 
c) a lei, como regra, entra em vigor 45 dias após a sua publicação oficial. 
d) entra em vigor sempre na data de sua publicação, salvo a ocorrência de 
vacatio legis expressamente determinado em seu texto. 
e) não muda o prazo de vigência se no curso da vacatio legis for publicada 
correção de lei. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “c”. Uma lei, como regra, entra em vigor 45 dias 
após sua publicação (vacatio legis), salvo disposiçãoexpressa em contrário. Ou 
seja, salvo quando a lei diz quando entrará em vigor. Ela pode dizer que entrará 
em vigor “na data de sua publicação”, que é o mais comum; seis meses da data 
da publicação; etc. Como exemplo citamos o próprio Código Civil que marcou 
prazo de um ano para entrar em vigor. A letra “a” está errada. Até porque, a 
LICC marca prazo para uma lei brasileira entrar em vigor no estrangeiro – três 
meses. Letra “b” – errada – nem sempre a lei marca prazo para entrar em vigor; 
quando ela não marcar prazo este é o de 45 dias. A letra “d” também está 
errada, pois nem sempre a lei entra em vigor na data da publicação, como já 
vimos. A letra “e”, apesar de errada, é a mais interessante. Se, antes de entrar a 
lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto destinada à correção, o prazo 
começará a correr da nova publicação (LICC – art. 1o, §3o). 
08) Assinale a alternativa INCORRETA: Consoante a Lei de Introdução ao 
Código Civil: 
a) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a eficácia, 
salvo disposição em contrário. 
b) nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando 
admitida, se inicia 120 dias depois de oficialmente publicada. 
c) se, antes de entrar em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada 
à correção, começará a correr da nova publicação prazo para entrar em vigor. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
44
d) consideram-se direitos adquiridos aqueles que o seu titular, ou alguém por 
ele, possa exercer e aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixado, 
ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. 
e) a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, não revoga nem modifica lei anterior. 
Comentários: 
Alternativa incorreta: letra “b”. A obrigatoriedade é de três meses. As demais 
alternativas estão corretas e já foram analisadas em questões anteriores. Veja 
como concursos diferentes também costumam repetir as questões. 
09) Proposições: 
I – O costume é fonte de direito e também recurso suplementar que orienta 
a integração da norma jurídica. 
II – Se a lei for omissa o Juiz, de acordo com a LICC, pode decidir de acordo 
com os costumes e com a equidade. 
III – O costume não é fonte de direito. 
IV – Não se considera lei nova a correção de lei já em vigor. 
V – Em nenhuma hipótese ocorre no nosso sistema positivo a repristinação. 
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) I. 
b) II e IV. 
c) III. 
d) V. 
e) Nenhuma é correta. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “a”. Somente a proposição I está correta. Vejamos. 
São fontes de Direito: 1) Imediatas (lei e costumes) e 2) Mediatas (jurisprudência 
e doutrina). São formas de integração da norma jurídica, seguindo a ordem 
preferencial e hierárquica fornecida pela LICC: analogia, costumes e princípios 
gerais de direito. Portanto o costume é, ao mesmo tempo, fonte de Direito e 
forma de integração da norma jurídica. O enunciado II está errado, pois a LICC 
não prevê a equidade como forma de integração da norma jurídica. O item III 
está errado, pois o costume é fonte de Direito. O enunciado IV também está 
errado, pois como vimos se uma lei entrar em vigor, qualquer alteração em seu 
texto após isso (sua vigência) é considerada como “lei nova”. O item V também 
está errado: vimos que a repristinação não é acolhida em nosso Direito, salvo 
quando a lei expressamente assim dispuser. Portanto há uma hipótese em que a 
repristinação é aceita. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
45
10) Ocorrendo omissão na lei em face de determinado caso concreto o 
Juiz decidirá observando a seguinte ordem: 
a) costumes, equidade e analogia. 
b) equidade, princípios gerais de direito e costumes. 
c) princípios gerais de direito, analogia e equidade. 
d) analogia, costumes e princípios gerais de direito. 
e) costumes, analogia e princípios gerais de direito. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “d”. Observem que o artigo 4o da LICC não 
menciona a equidade como forma de integração da norma jurídica. Eliminam-se, 
assim, as alternativas “a”, “b” e “c”. Observem que há uma ordem preferencial 
quanto às formas de integração da norma jurídica, para se suprir eventuais 
lacunas. E o teste deseja saber exatamente qual é esta ordem. Portanto a letra 
“e” está errada por inverter a ordem prevista no art. 4o da LICC. Tenho uma dica 
para se guardar bem esta ordem: basta seguir também uma ordem alfabética: 
analogia, costumes e princípios gerais de direito. 
11) (Ordem dos Advogados do Brasil – Minas Gerais – 2007) De acordo 
com o disposto na Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), quando a lei 
for omissa, o Juiz decidirá o caso de acordo com os seguintes critérios, 
EXCETO: 
a) analogia 
b) princípios gerais do direito. 
c) costumes segundo a lei. 
d) costumes na falta de lei. 
e) equidade. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “e”. A questão é específica sobre a LICC e esta não 
traz a equidade como forma de integração da norma jurídica. Admite-se a 
aplicação dos costumes segundo a lei (secundum legem) quando a própria lei 
determina a aplicação dos costumes do lugar para suprir uma lacuna. Já a 
aplicação dos costumes na falta da lei (praeter legem) é supletiva, pois ocorre 
quando a lei deixa lacunas e não prevê como estas serão sanadas. 
12) Dispõe o art. 4o da LICC que “quando a lei for omissa, o Juiz decidirá 
o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de 
direito”. Este preceito se refere aos critérios relativos à: 
a) equidade. 
b) integração da norma jurídica. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
46
c) interpretação sistemática. 
d) antinomia. 
e) repristinação. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “b”. Como já vimos em questões anteriores, a 
analogia, os costumes e os princípios gerais de direito são formas de integração 
da norma jurídica. 
13) É CORRETO afirmar que: 
a) antinomia é um conflito de normas. 
b) derrogação é uma revogação total. 
c) ab-rogação é uma revogação parcial. 
d) ab-rogação é a revogação expressa. 
e) derrogação é a revogação tácita. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “a”. De fato, antinomia é a presença de duas normas 
conflitantes, sem que a lei afirme qual delas deve ser aplicada a um caso 
concreto. Obriga o Juiz, para solucioná-la, a aplicar os critérios de preenchimento 
de lacunas. Quanto às demais alternativas: revogação total (ou ab-rogação) – 
consiste em tornar sem efeito toda a lei ou norma anterior; revogação parcial (ou 
derrogação) – consiste em tornar sem efeito uma parte da lei ou da norma (pode 
ser um artigo, um parágrafo ou até todo um capítulo da lei). A revogação ainda 
pode ser: expressa – quando a lei nova taxativamente declara revogada a lei 
anterior; ela diz expressamente o que está revogando; tácita – quando a lei 
posterior é incompatível com a anterior e não há disposição expressa no texto 
novo indicando a lei que foi revogada, geralmente utiliza-se a expressão 
genérica: “revogam-se as disposições em contrário”, sem dizer o quê exatamente 
está em contrário. 
14) Leia as afirmações abaixo: 
I – Vacatio legis refere-se ao período de tempo que vai da publicação da lei a 
sua entrada em vigor efetivamente. 
II – A lei nova que estabelecer disposição geral a par das leis especiais, 
revoga estas últimas. 
III – Haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei nova regular 
inteiramente a matéria de que aquela tratava. 
IV – Somente haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei novafor 
com aquela incompatível. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
47
Estão CORRETAS, apenas: 
a) I e II. 
b) II e III. 
c) I e III. 
d) II e IV. 
e) I e IV. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “c”. Estão corretas as assertivas I e III. A questão é 
um pouco capciosa. A assertiva I realmente está correta. Vacatio legis (ou 
vacância da lei) é o período compreendido entre a publicação de uma lei e o 
momento em que realmente entra em vigor. A própria lei pode estabelecer um 
período (trinta dias, três meses ou um ano). Ou nada falar. Na omissão da lei a 
vacatio será de 45 (quarenta e cinco) dias. A assertiva II está errada, pois o art. 
2o, §2o da LICC determina que “a lei nova que estabeleça disposições gerais ou 
especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Esta 
disposição da LICC quer dizer que: temos uma lei. Uma outra lei é editada, 
complementando a primeira, criando mais uma situação especial, ou explicando 
melhor uma situação prevista ou criando uma regra geral. Pois bem. Esta 
segunda lei não revoga nem modifica a anterior. As duas leis podem coexistir, 
sem que uma revogue a outra. A assertiva III está correta. E é aí que está a 
capciosidade. Revogar uma lei é tornar sem efeito a disposição legal. A revogação 
tácita é aquela em que a lei posterior é incompatível com a anterior e não há 
disposição expressa (caso contrário seria hipótese de revogação expressa) no 
texto novo indicando que a lei foi revogada. O art. 2o, §1o da LICC determina que 
“a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare (revogação 
expressa), quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a 
matéria de que tratava a lei anterior” (revogação tácita). Ou seja, temos duas 
leis. A última nada fala sobre revogação. Temos então que cotejar as duas leis. 
Percebemos então que a lei mais moderna dispõe exatamente sobre a mesma 
matéria que a lei mais antiga. E percebemos que suas disposições são totalmente 
diferentes da lei anterior; regula a mesma matéria inteiramente e de forma 
diferente: neste caso ocorreu a revogação tácita (por isso a afirmação III está 
correta). Já a assertiva IV está errada, pois afirma que somente haverá 
revogação tácita da lei anterior quando a lei nova for com aquela incompatível. 
No entanto vimos que é caso de revogação tácita quando a lei nova regular 
inteiramente a matéria de que a anterior tratava, como disposto na afirmação III. 
15) (FCC – TRT/AM – 2005) Haverá revogação tácita da lei quando: 
a) a lei posterior estabelecer disposição especial a par da lei geral anterior. 
b) a lei posterior estabelecer disposição geral a par da lei especial anterior. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
48
c) cair em desuso ou ficar comprovado costume em sentido contrário. 
d) for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal 
e) a lei posterior for incompatível com a anterior ou regular inteiramente a 
matéria de que tratava a anterior. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “e”. O art. 2o, §1o da LICC prevê duas espécies de 
revogação: a) quando expressamente assim o declare (revogação expressa); b) 
quando a lei posterior for incompatível com a anterior ou quando regule 
inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (revogação tácita). As letras 
“a” e “b” estão erradas, pois o art. 2o, § 2o da LICC determina que “a lei nova que 
estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga 
nem modifica a lei anterior”. A letra “c” está errada, pois o desuso de uma lei não 
faz com que a mesma seja revogada. Finalmente a letra “d” está errada, pois a 
declaração de inconstitucionalidade da lei pelo STF não é causa de revogação 
tácita, mas sim de perda de eficácia da lei. 
16) No Direito brasileiro a repristinação da lei revogada: 
a) ocorrerá automaticamente com a revogação da lei revogadora. 
b) é vedada expressamente pela Lei de Introdução ao Código Civil. 
c) pode violar direito adquirido sem que isso configure violação de texto 
constitucional. 
d) poderá ocorrer por disposição expressa de outra lei. 
e) não se sujeita às regras pertinentes à vacatio legis. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “d”. Determina o art. 2o, §3o, LICC que a lei 
revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, salvo 
disposição em contrário. Exemplo: Se a lei “A” é revogada pela lei “B” e 
posteriormente a lei “B” é revogada pela lei “C”, não se restabelece a vigência da 
lei “A”. No Brasil não há repristinação ou restauração automática da lei velha, se 
uma lei mais nova for revogada. Só haverá repristinação quando a nova lei 
ressalvar expressamente que a lei velha retomará eficácia. Por tais motivos as 
alternativas “a” e “b” estão erradas. Nenhuma lei pode violar o direito adquirido 
(art. 6o da LICC), muito menos por meio de repristinação. A ressalva se faz 
quando se trata de texto constitucional, pois “não existe direito adquirido contra o 
texto constitucional”. Da mesma forma todas as leis devem se sujeitar às regras 
da vacatio legis, não havendo exceção quanto a lei repristinada (que voltou a 
vigorar). Como vimos não haverá vacatio se a própria lei determinar que entrará 
em vigor “na data de sua publicação” (errada, portanto a alternativa “e”). 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
49
17) (Magistratura do Trabalho: 15a Região – Campinas/2008) Assinale a 
alternativa CORRETA. A lei revogada não se restaura por ter a lei 
revogadora perdido a vigência, salvo disposição em contrário. Se houver 
esta disposição em contrário, ocorrerá a: 
a) repristinação. 
b) derrogação. 
c) sub-rogação. 
d) ab-rogação. 
e) revogação. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “a”. Havendo disposição em contrário, ou seja, se 
houver previsão expressa na nova lei, ocorrerá o fenômeno conhecido como 
repristinação (art. 2o, §3o, LICC). 
18) (Ministério Público/SP – Concurso nº 85) A Lei “B”, de vigência 
temporária, revoga expressamente a Lei “A”. Tendo a lei revogadora 
perdido sua vigência, é CERTO que: 
a) a lei revogada é automaticamente restaurada, já que a lei revogadora é 
temporária, e, os seus efeitos estavam apenas suspensos. 
b) a lei revogada é automaticamente restaurada, já que não se pode ficar sem 
lei. 
c) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
porque não é admitido o princípio da comoriência. 
d) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
salvo disposição expressa neste sentido. 
e) como não existe lei de vigência temporária, a revogação da anterior nunca 
teria acontecido. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “d”. A “pegadinha” nesta questão é o fato de que a 
lei revogadora (B) é temporária. Ou seja, depois de determinado tempo ela 
também irá perder sua eficácia, sem que seja revogada por outra lei. Mas nem 
por isso haverá a repristinação da Lei “A”, salvo disposição expressa em contrário 
(o que não ocorreu). 
19) (CESPE/UnB – Ministério Público do Estado de Sergipe – 2010) 
Considere que a Lei A, de vigência temporária, revogue expressamente a 
Lei B. Nesse caso, quando a lei A perder a vigência, 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
50
a) a lei B será automaticamente restaurada, já que a lei A é temporária e os 
seus efeitos, apenas suspensivos. 
b) a lei B será automaticamente restaurada, já que não pode haver vácuo 
normativo. 
c) a lei B não será restaurada, já quenão se admite antinomia real. 
d) a lei B não será restaurada, salvo disposição expressa nesse sentido. 
e) a revogação será tida como ineficaz, porque não pode ser determinada por lei 
de vigência temporária. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “d”. Mesmo sendo a revogadora uma lei temporária, 
nem por isso haverá repristinação, salvo disposição expressa em contrário. 
Observem como a esta questão é muuuito parecida com a anterior... 
20) Assinale a alternativa INCORRETA: 
a) a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Introdução ao Código Civil 
adotaram o princípio da irretroatividade das leis como regra geral. 
b) a analogia juris consiste em um conjunto de normas para obter elementos 
que permitam a sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto, mas similar. 
c) em tema de eficácia da lei no espaço o nosso país adota o princípio rígido da 
extraterritorialidade. 
d) as formas de integração na Lei de Introdução ao Código Civil são: analogia, 
costumes e princípios gerais de direito. 
Comentários: 
Alternativa incorreta: letra “c”. Sobre a eficácia da lei no espaço, o Brasil 
adotou o princípio da territorialidade moderada (ou temperada). Ou seja, vigora o 
princípio da territorialidade (no Brasil aplica-se a lei brasileira – arts. 8º e 9º da 
LICC), mas permitindo algumas exceções de extraterritorialidade (admitindo, 
assim, que em algumas hipóteses a lei e a sentença estrangeira sejam aqui 
aplicadas e cumpridas – arts. 7o, 10, 12 e 17, todos da LICC). A regra geral é de 
irretroatividade das leis (letra “a” correta). A analogia consiste em aplicar, à 
hipótese não prevista especialmente em lei, dispositivo relativo a caso 
semelhante. Trata-se de um processo de raciocínio lógico pelo qual o Juiz 
estende um preceito legal a casos não diretamente compreendidos na descrição 
legal. A analogia pode ser classificada em: a) analogia legis – aplicação de uma 
norma já existente; b) analogia juris – aplicação de conjunto de normas para 
extrair elementos que possibilitem a sua aplicabilidade ao caso concreto não 
previsto, mas similar (letra “b” correta). A letra “d” também está exata conforme 
já vimos em questões anteriores. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
51
21) Quanto à vigência das leis, podemos dizer que: 
a) não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a 
revogue ou estabeleça disposições gerais a par das já existentes. 
b) a lei revogada se restaura no caso de a lei revogadora vier a perder a 
vigência. 
c) se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, 
destinada a correção, o prazo para sua vigência se inicia depois da nova 
publicação. 
d) as correções de texto de lei em vigor passam a integrar a lei corrigida. 
e) a regra geral para o começo de vigência da lei é que esta passa as vigorar 
trinta dias após a sua publicação oficial. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra “c”. Trata-se da aplicação do art. 1o, §3o da LICC. A 
letra “a” está errada por causa de seu final, pois o art. 2o, caput da LICC 
determina que não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que 
outra a modifique ou revogue. No entanto, a lei nova que estabeleça disposições 
gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a anterior 
(art. 2o, §2o da LICC). Não há repristinação expressa (alternativa “b” errada – art. 
2o, §3o da LICC). A letra “d” está errada, pois as correções de texto de lei em 
vigor consideram-se lei nova (art. 1o, §4o da LICC). A regra geral para a vacatio 
legis é de 45 dias (art. 1o, caput da LICC), depois de oficialmente publicada (letra 
“e”, portanto, está errada). 
LISTA DE EXERCÍCIOS SEM COMENTÁRIOS 
CESPE/UnB – Certo ou Errado 
QUESTÃO 01 (CESPE/UnB – Analista Processual – MPU/2010) 
Considerando a regulamentação constitucional e civilista, julgue os 
próximos itens (Obs.: na realidade apenas um dos itens dizia repeito a esta 
aula; os demais foram retirados desta questão e inseridos nas respectivas aulas 
mais adiantes): 
a) Na interpretação extensiva da lei, são aplicados os princípios de adequação 
e proporcionalidade entre os termos empregados e o espírito das normas. 
QUESTÃO 02 (CESPE/UnB – Analista Judiciário STM/2011) No que se 
refere à Lei de Introdução ao Código Civil, julgue o item a seguir. 
a) Havendo lacuna no sistema normativo, o juiz não poderá abster-se de 
julgar. Nesse caso, para preenchimento dessa lacuna, o juiz deve valer-se, em 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
52
primeiro lugar, da analogia; persistindo a lacuna, serão aplicados os costumes 
e, por fim, os princípios gerais do direito. 
QUESTÃO 03 (CESPE/UnB – Ministério Público/AM - 2007) Em relação à 
Lei de Introdução do Código Civil, julgue os itens a seguir. 
a) Para a contagem do prazo de vacatio legis de uma lei, ou seja, o intervalo 
entre a data de sua publicação e a sua entrada em vigor, exclui-se o dia da 
publicação e inclui-se o do vencimento. Além disso, se, após iniciado o 
transcurso da vacatio legis, ocorrer publicação de norma corretiva do texto 
original da lei, o prazo da obrigatoriedade começa a fluir da nova publicação. 
b) Se a lei for omissa no que diz respeito à matéria tratada no pedido do autor 
o Juiz deverá decidir por analogia e com equidade, valendo-se da doutrina e da 
jurisprudência dominantes sobre o tema. 
QUESTÃO 04 (CESPE – Tribunal de Contas da União) – A lei... 
a) começa a vigorar em todo o país trinta dias depois de oficialmente 
publicada, salvo se ela dispuser de outra forma. 
b) nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, 
não revoga nem modifica a lei anterior. 
c) revogada se restaura se a lei revogadora perder sua vigência. 
d) possui vigência temporária no curso da “vacatio legis”. 
e) não pode ter seu desconhecimento como alegação para escusa de seu 
descumprimento. 
QUESTÃO 05 (CESPE/BACEN - 2007) Julgue os itens seguintes: 
a) Em regra tem efeito repristinatório, imediato e automático, a lei revogadora 
de uma outra lei revogadora. 
b) O princípio cardeal para se saber se uma lei foi ou não tacitamente 
revogada é o da incompatibilidade. 
c) A analogia é uma das técnicas empregadas para a interpretação das leis. 
d) Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo País 45 dias 
após sua promulgação. 
QUESTÃO 06 (CESPE/UnB - INSS/2008 – Analista do Seguro Social com 
Formação em Direito) “Uma norma jurídica tem três momentos, que dizem 
respeito à determinação do início de sua vigência, à continuidade de sua vigência 
e à cessação de sua vigência. Além disso, a norma contém em si uma carga de 
generalidade, referindo-se a casos indefinidos, o que implica seu afastamento da 
realidade, fazendo surgir uma oposição entre normas jurídicas e fatos” (Maria 
Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro, vol. I, 24a ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 58 - 
com adaptações). Tendo as ideias do texto acima como referência inicial, julgue os 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
53
itens que se seguem, relativos à analogia, interpretação e aplicação da lei no 
tempo e no espaço. 
a) As leis, em sentido amplo, nascem com a promulgação. 
b) A obrigatoriedade imposta por uma norma jurídica sempre se inicia na data 
da sua publicação. 
c) No que concerne à obrigatoriedade da norma brasileira no exterior, faltando 
estipulação legal do prazo de entrada em vigor, tal prazo é de três meses 
depois de a norma ser oficialmente publicada. 
d) Derrogação é a supressão total da norma jurídica anterior. 
e)A analogia, que é um dos instrumentos de integração da norma jurídica, 
consiste na prática uniforme, constante, pública e geral de determinado ato 
com a convicção de sua necessidade jurídica. 
f) Com a finalidade de resolver e evitar os conflitos que surgem da nova lei em 
confronto com a lei antiga, o legislador pode acrescentar, no próprio texto 
normativo, as disposições que têm vigência temporária. 
QUESTÃO 07 (CESPE/UnB – Analista Judiciário TST – 2008) Um programa 
de TV, na Inglaterra, fez sucesso ao listar algumas das leis mais bizarras do 
mundo. A vencedora foi uma norma de Ohio, nos Estados Unidos, que proíbe 
embriagar peixes. (Revista Época, 12/11/2007, p. 24). Considere-se que, 
desconhecendo essa inusitada lei, um cidadão brasileiro tenha ido pescar com 
amigos no mencionado estado americano e acabou por “embebedar” algumas 
trutas. Descoberto o fato pelas autoridades locais, ele foi condenado ao 
pagamento de multa de dez mil dólares. O processo correu à revelia, pois, a essa 
altura, o réu já havia retornado ao Brasil. Considerando a situação hipotética 
descrita, julgue os próximos itens. 
a) A referida sentença poderia ser executada no Brasil se o réu fosse um 
cidadão americano aqui domiciliado, mas jamais pode ser aplicada a cidadão 
brasileiro. 
b) A sentença mencionada poderá ser executada no Brasil desde que atenda a 
certos requisitos, entre eles, haver sido homologada pelo Supremo Tribunal 
Federal e estar traduzida por especialista devidamente autorizado. 
c) Sob nenhuma hipótese a citada sentença poderá ser executada no Brasil, 
pois se trata de lei esdrúxula e o ato praticado não ser considerado ilícito pela 
legislação pátria. 
d) A sentença proferida pela corte americana precisa ser homologada, condição 
necessária para que qualquer sentença estrangeira possa produzir efeitos e ser 
executada no Brasil. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
54
QUESTÃO 08 (CESPE/UnB – Analista e Técnico Judiciário – Área 
Judiciária – TRT 17a Região/ES – 2009) Julgue os seguintes itens, 
referentes à vigência e aplicação da lei no tempo e no espaço. 
a) As emendas ou correções aditadas à lei que já tenha entrado em vigor são 
consideradas lei nova. 
b) Na aplicação da norma jurídica, a existência de uma antinomia jurídica 
aparente será resolvida pelos critérios normativos, ou seja, o hierárquico, 
cronológico e o da especialidade. 
QUESTÃO 09 (CESPE/UnB – Analista – Área Administrativa – TRT 17a 
Região/ES – 2009) Acerca da vigência e da aplicação da lei no tempo e no 
espaço, julgue os seguintes itens. 
a) A ab-rogação é a revogação parcial da lei. 
b) O eventual antagonismo entre uma lei brasileira e uma lei pertencente ao 
ordenamento jurídico de Portugal constitui hipótese de antinomia real. 
QUESTÃO 10 (CESPE/UnB – Defensoria Pública do Estado do Espírito 
Santo – 2009) Acerca da LICC, julgue os itens a seguir. 
a) A analogia jurídica fundamenta-se em um conjunto de normas para extrair 
elementos que possibilitem sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto, 
mas similar. 
b) Consideram-se leis novas as correções de texto de lei já em vigor. 
c) A lei nova que dispõe sobre regras especiais revoga as regras gerais sobre a 
mesma matéria. 
d) O direito brasileiro não aceita o efeito repristinatório da lei revogada. 
e) Quando o conflito normativo for passível de solução mediante o critério 
hierárquico, cronológico e da especialidade, o caso será de antinomia aparente. 
QUESTÃO 11 (CESPE/UnB – Analista TRT/ES - 2009) Julgue o item a 
seguir. 
a) Se durante o período da vacatio legis, a norma que vier a ser corrigida em 
seu texto por conter erros materiais, ensejando nova publicação, será 
considerada lei nova. 
QUESTÃO 12 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Com relação ao conflito de leis no espaço e aos elementos de conexão que 
viabilizam a sua resolução, julgue os itens a seguir. 
a) A regra geral, ante o conflito de leis no espaço, é a aplicação do direito 
pátrio, empregando-se o direito estrangeiro apenas excepcionalmente, quando 
isso for, expressamente, determinado pela legislação interna de um país. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
55
b) A lex damni, como espécie de elemento de conexão, indica que a lei 
aplicável deve ser a do lugar em que se tenham manifestado as consequências 
de um ato ilícito, para reger a obrigação de indenizar aquele que tenha sido 
atingido por conduta delitiva de outra parte em relação jurídica internacional. 
QUESTÃO 13 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) No 
que diz respeito às fontes brasileiras de direito internacional e à aplicação do 
direito estrangeiro no Brasil, julgue os itens subsequentes. 
a) No Brasil, não se admite o costume como recurso de integração ao direito. 
b) A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele 
vigorar, razão pela qual os tribunais brasileiros podem, excepcionalmente, admitir 
provas que a lei brasileira desconheça. 
QUESTÃO 14 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Julgue os itens a seguir, acerca do direito processual civil internacional. 
a) A competência jurisdicional brasileira somente incide sobre indivíduo 
estrangeiro se este residir no Brasil durante mais de quinze anos ininterruptos. 
b) É absoluta a competência internacional brasileira em ação relativa a imóvel 
situado no Brasil. 
c) A parte que, em processo, alegar direito estrangeiro deverá provar-lhe o 
teor e a vigência, se assim determinar o juiz. 
QUESTÃO 15 (CESPE/UnB – Defensoria Pública Geral da União – 2010) 
Acerca da homologação de sentença estrangeira, julgue os seguintes itens. 
b) A sentença proferida por tribunal estrangeiro tem eficácia no Brasil depois 
de homologada pelo Supremo Tribunal Federal. 
c) Um dos requisitos para que a sentença estrangeira seja homologada no 
Brasil é terem as partes sido citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia. 
QUESTÃO 16 (CESPE/UnB – AGU - Procurador Federal - 2008) Julgue os 
itens abaixo, relativos à Lei de Introdução do Código Civil (LICC — 
Decreto-lei nº 4.657/1942). 
a) Se João, brasileiro, domiciliado na Espanha, falecer ao visitar parentes no 
Japão, então, perante a LICC, a sucessão, em regra, deverá seguir a lei 
japonesa. 
b) Se Juan Carlos, argentino, apaixonar-se por Gabriela, paraguaia, desejando 
com ela contrair matrimônio, e ambos estiverem domiciliados no Brasil, então, 
perante a LICC, será aplicada a lei brasileira para os impedimentos para o 
casamento, mas a lei Argentina para as causas de suspensão e formalidades da 
celebração. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
56
c) Se Marcos, alemão naturalizado brasileiro, celebrar contrato, no Brasil, com 
Vinícius, brasileiro, então, perante a LICC, será aplicada a lei brasileira em face 
do princípio locus regit actum. 
d) Considere a seguinte situação hipotética. Mário, marroquino, já casado 
perante a legislação brasileira, com Marta, brasileira, deseja registrar no Brasil 
o seu segundo casamento realizado no Marrocos. Nesse caso, perante a LICC, 
será possível tal registro em face do princípio da territorialidade moderada 
adotado no Brasil. 
LISTA DE EXERCÍCIOS SEM COMENTÁRIOS 
OUTRAS BANCAS EXAMINADORAS 
01) (ESAF – Procurador da Fazenda Nacional) Assinale a opção FALSA. 
a) a Lei de Introdução ao Código Civil é parte componente do Código Civil, 
sendo suas normas aplicáveis apenas ao Direito Civil. 
b) a Lei de Introdução ao Código Civil é uma lex legum, ou seja, um conjunto de 
normas sobre normas.c) a Lei de Introdução ao Código Civil é também o Estatuto do Direito 
Internacional Privado. 
d) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina o direito intertemporal, para 
assegurar a certeza, segurança e estabilidade do ordenamento jurídico-positivo, 
preservando as situações consolidadas em que o interesse individual prevalece. 
e) a Lei de Introdução ao Código Civil contém critérios de hermenêutica jurídica. 
02) (ESAF – Advocacia Geral da União) Sobre a Lei de Introdução ao 
Código Civil, assinale a opção FALSA. 
a) não é parte integrante do Código Civil, por ser aplicável a qualquer norma e 
por conter princípios gerais sobre as leis em geral. 
b) é uma lex legum, ou seja, um conjunto de normas que não rege exatamente 
as relações de vida, mas sim as normas, uma vez que indica como interpretá-
las, determinando-lhes a vigência e eficácia, suas dimensões espaço-temporais, 
assinalando suas projeções nas situações conflitivas de ordenamentos jurídicos 
nacionais e alienígenas, evidenciando os respectivos elementos de conexão. 
c) é um código de normas que não tem por conteúdo qualquer critério de 
hermenêutica jurídica. 
d) as normas de direito internacional privado nela contidas têm por objetivo 
solucionar o conflito de jurisdição, estabelecer princípios indicativos de critérios 
solucionadores do problema de qualificação, determinar o efeito dos atos 
realizados no exterior, reger a condição jurídica do estrangeiro e tratar da 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
57
eficácia internacional de um direito legitimamente adquirido em um país, que 
poderá ser reconhecido e exercido em outro. 
e) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina a garantia da eficácia global da 
ordem jurídica, não admitindo a ignorância da lei vigente, que a comprometeria. 
03) (OAB/SP – 2004) O art. 4° da LICC, ao dispor que, ante a omissão da 
lei, o Juiz decidirá de acordo com a analogia, costumes e princípios gerais 
de direito, é norma: 
a) dirigida exclusivamente ao campo do Direito Privado. 
b) dirigida, sem exceção, a todos os campos do Direito Positivo. 
c) que se aplica a todos os campos do Direito Positivo, com exceção do Direito 
Penal e Administrativo. 
d) dirigida ao Direito Público, mas pode ser aplicada ao Direito Privado, 
guardadas as suas peculiaridades. 
e) que se aplica ao Direito Positivo como um todo, em especial ao Direito 
Privado, mas pode ser aplicado ao Direito Público, observadas as suas 
peculiaridades. 
04) (OAB - Distrito Federal – 2004 - III) As principais funções da Lei de 
Introdução ao Código Civil são: 
a) regular a existência e eficiência das normas jurídicas. 
b) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade da lei, inadmitindo a 
ignorância da lei vigente. 
b) desregulamentar o direito intertemporal. 
c) desregulamentar o direito internacional privado no Brasil. 
05) Assinale a alternativa CORRETA: 
a) a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, revoga a lei anterior que disciplinar a mesma matéria. 
b) lei com vigência temporária terá vigor até que outra a modifique ou revogue. 
c) a lei posterior revoga lei anterior somente quando expressamente o declare. 
d) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
salvo disposição em contrário. 
e) uma lei pode retroagir, mesmo que afete o ato jurídico perfeito. 
06) Assinale a alternativa CORRETA: 
a) a obrigatoriedade da lei brasileira nos Estados estrangeiros, quando admitida, 
tem inicio três meses depois de oficialmente publicada. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
58
b) a revogação de lei revogadora de lei anterior tem efeito repristinatório. 
c) as declarações de vontade devem ser interpretadas literalmente. 
d) o termo inicial da obrigação suspende aquisição do direito. 
e) na interpretação das leis usa-se a analogia, os costumes e os princípios gerais 
de direito. 
07) A vigência da lei ordinária que rege o direito privado: 
a) a lei brasileira nunca terá obrigatoriedade nos Estados estrangeiros. 
b) a lei sempre indicará a data do início de sua vigência. 
c) a lei, como regra, entra em vigor 45 dias após a sua publicação oficial. 
d) entra em vigor sempre na data de sua publicação, salvo a ocorrência de 
vacatio legis expressamente determinado em seu texto. 
e) não muda o prazo de vigência se no curso da vacatio legis for publicada 
correção de lei. 
08) Assinale a alternativa INCORRETA: Consoante a Lei de Introdução ao 
Código Civil: 
a) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a eficácia, 
salvo disposição em contrário. 
b) nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando 
admitida, se inicia 120 dias depois de oficialmente publicada. 
c) se, antes de entrar em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada 
à correção, começará a correr da nova publicação prazo para entrar em vigor. 
d) consideram-se direitos adquiridos aqueles que o seu titular, ou alguém por 
ele, possa exercer e aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixado, 
ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. 
e) a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já 
existentes, não revoga nem modifica lei anterior. 
09) Proposições: 
I – O costume é fonte de direito e também recurso suplementar que orienta 
a integração da norma jurídica. 
II – Se a lei for omissa o Juiz, de acordo com a LICC, pode decidir de acordo 
com os costumes e com a equidade. 
III – O costume não é fonte de direito. 
IV – Não se considera lei nova a correção de lei já em vigor. 
V – Em nenhuma hipótese ocorre no nosso sistema positivo a repristinação. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
59
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) I. 
b) II e IV. 
c) III. 
d) V. 
e) Nenhuma é correta. 
10) Ocorrendo omissão na lei em face de determinado caso concreto o 
Juiz decidirá observando a seguinte ordem: 
a) costumes, equidade e analogia. 
b) equidade, princípios gerais de direito e costumes. 
c) princípios gerais de direito, analogia e equidade. 
d) analogia, costumes e princípios gerais de direito. 
e) costumes, analogia e princípios gerais de direito. 
11) (Ordem dos Advogados do Brasil – Minas Gerais – 2007) De acordo 
com o disposto na Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), quando a lei 
for omissa, o Juiz decidirá o caso de acordo com os seguintes critérios, 
EXCETO: 
a) analogia 
b) princípios gerais do direito. 
c) costumes segundo a lei. 
d) costumes na falta de lei. 
e) equidade. 
12) Dispõe o art. 4o da LICC que “quando a lei for omissa, o Juiz decidirá 
o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de 
direito”. Este preceito se refere aos critérios relativos à: 
a) equidade. 
b) integração da norma jurídica. 
c) interpretação sistemática. 
d) antinomia. 
e) repristinação. 
13) É CORRETO afirmar que: 
a) antinomia é um conflito de normas. 
b) derrogação é uma revogação total. 
c) ab-rogação é uma revogação parcial. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
60
d) ab-rogação é a revogação expressa. 
e) derrogação é a revogação tácita. 
14) Leia as afirmações abaixo: 
I – Vacatio legis refere-se ao período de tempo que vai da publicação da lei a 
sua entrada em vigor efetivamente. 
II – A lei nova que estabelecer disposição geral a par das leis especiais, 
revoga estas últimas. 
III – Haverárevogação tácita da lei anterior quando a lei nova regular 
inteiramente a matéria de que aquela tratava. 
IV – Somente haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei nova for 
com aquela incompatível. 
Estão CORRETAS, apenas: 
a) I e II. 
b) II e III. 
c) I e III. 
d) II e IV. 
e) I e IV. 
15) (FCC – TRT/AM – 2005) Haverá revogação tácita da lei quando: 
a) a lei posterior estabelecer disposição especial a par da lei geral anterior. 
b) a lei posterior estabelecer disposição geral a par da lei especial anterior. 
c) cair em desuso ou ficar comprovado costume em sentido contrário. 
d) for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal 
e) a lei posterior for incompatível com a anterior ou regular inteiramente a 
matéria de que tratava a anterior. 
16) No Direito brasileiro a repristinação da lei revogada: 
a) ocorrerá automaticamente com a revogação da lei revogadora. 
b) é vedada expressamente pela Lei de Introdução ao Código Civil. 
c) pode violar direito adquirido sem que isso configure violação de texto 
constitucional. 
d) poderá ocorrer por disposição expressa de outra lei. 
e) não se sujeita às regras pertinentes à vacatio legis. 
17) (Magistratura do Trabalho: 15a Região – Campinas/2008) Assinale a 
alternativa CORRETA. A lei revogada não se restaura por ter a lei 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
61
revogadora perdido a vigência, salvo disposição em contrário. Se houver 
esta disposição em contrário, ocorrerá a: 
a) repristinação. 
b) derrogação. 
c) sub-rogação. 
d) ab-rogação. 
e) revogação. 
18) (Ministério Público/SP – Concurso nº 85) A Lei “B”, de vigência 
temporária, revoga expressamente a Lei “A”. Tendo a lei revogadora 
perdido sua vigência, é CERTO que: 
a) a lei revogada é automaticamente restaurada, já que a lei revogadora é 
temporária, e, os seus efeitos estavam apenas suspensos. 
b) a lei revogada é automaticamente restaurada, já que não se pode ficar sem 
lei. 
c) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
porque não é admitido o princípio da comoriência. 
d) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência, 
salvo disposição expressa neste sentido. 
e) como não existe lei de vigência temporária, a revogação da anterior nunca 
teria acontecido. 
19) (CESPE/UnB – Ministério Público do Estado de Sergipe – 2010) 
Considere que a Lei A, de vigência temporária, revogue expressamente a 
Lei B. Nesse caso, quando a lei A perder a vigência, 
a) a lei B será automaticamente restaurada, já que a lei A é temporária e os 
seus efeitos, apenas suspensivos. 
b) a lei B será automaticamente restaurada, já que não pode haver vácuo 
normativo. 
c) a lei B não será restaurada, já que não se admite antinomia real. 
d) a lei B não será restaurada, salvo disposição expressa nesse sentido. 
e) a revogação será tida como ineficaz, porque não pode ser determinada por lei 
de vigência temporária. 
20) Assinale a alternativa INCORRETA: 
a) a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Introdução ao Código Civil 
adotaram o princípio da irretroatividade das leis como regra geral. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
62
b) a analogia juris consiste em um conjunto de normas para obter elementos 
que permitam a sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto, mas similar. 
c) em tema de eficácia da lei no espaço o nosso país adota o princípio rígido da 
extraterritorialidade. 
d) as formas de integração na Lei de Introdução ao Código Civil são: analogia, 
costumes e princípios gerais de direito. 
21) Quanto à vigência das leis, podemos dizer que: 
a) não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a 
revogue ou estabeleça disposições gerais a par das já existentes. 
b) a lei revogada se restaura no caso de a lei revogadora vier a perder a 
vigência. 
c) se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, 
destinada a correção, o prazo para sua vigência se inicia depois da nova 
publicação. 
d) as correções de texto de lei em vigor passam a integrar a lei corrigida. 
e) a regra geral para o começo de vigência da lei é que esta passa as vigorar 
trinta dias após a sua publicação oficial. 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 
63
GABARITO “SECO” 
TESTES CESPE/UnB
Questão 01 
a) Errado 
Questão 02 
a) Certo 
Questão 03 
a) Errado 
b) Errado 
Questão 04 
a) Errado 
b) Certo 
c) Errado 
d) Errado 
e) Certo 
Questão 05 
a) Errado 
b) Certo 
c) Errado 
d) Errado 
Questão 06 
a) Certo 
b) Errado 
c) Certo 
d) Errado 
e) Errado 
f) Certo 
Questão 07 
a) Errado 
b) Errado 
c) Errado 
d) Certo 
Questão 08 
a) Certo 
b) Certo 
Questão 09 
a) Errado 
b) Errado 
Questão 10 
a) Certo 
b) Certo 
c) Errado 
d) Errado 
e) Certo 
Questão 11 
a) Errado 
 Questão 12 
a) Certo 
b) Certo 
Questão 13 
a) Errado 
b) Errado 
Questão 14 
a) Errado 
b) Certo 
c) Certo 
Questão 15 
a) Errado 
b) Certo 
Questão 16 
a) Errado 
b) Errado 
c) Certo 
d) Errado 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR: LAURO ESCOBAR 
 
 64
GABARITO “SECO” DOS TESTES DE OUTRAS BANCAS
01) A 
02) C 
03) E 
04) B 
05) D 
06) A 
07) C 
08) B 
09) A 
10) D 
11) E 
12) B 
13) A 
14) C 
15) E 
16) D 
17) A 
18) D 
19) D 
20) C 
21) C 
 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
AULA 01 
DAS PESSOAS: NATURAIS E JURÍDICAS 
(arts. 1o ao 78 do Código Civil) 
Itens específicos previstos nos editais em geral que serão abordados 
nesta aula: Pessoa Natural - Conceito. Personalidade: Início, Individualização 
e Término. Direitos da Personalidade. Capacidade: Classificação. Emancipação. 
Pessoa Jurídica - Conceito. Início da Personificação. Registro. Classificação: 
Pessoa Jurídica de Direito Público e de Direito Privado. Término. Grupos não 
personificados. Abuso e Desconsideração da Personalidade Jurídica. Domicílio e 
Residência. 
Meus amigos e alunos: Após a análise da Lei de Introdução do Código Civil 
(que, apesar de ser considerada como "aula demonstrativa", é muito 
importante, pois também consta dos editais), vamos analisar nesta aula o 
tema "Pessoas", que é o primeiro ponto referente ao Código Civil (Parte 
Geral). Comecemos... 
Podemos conceituar Pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico, 
suscetível de direitos e obrigações. É sinônimo de sujeito de direitos. No 
Brasil temos duas espécies de Pessoas: Naturais e Jurídicas. Ambas possuem 
aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. 
PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL 
É o conjunto de caracteres próprios da pessoa, reconhecida pela ordem 
jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. 
É atributo da dignidade do homem. Prevê o art. 1o do Código Civil que: "Toda 
pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil". Assim, o conceito 
de Pessoa inclui homens, mulheres e crianças; qualquer ser humano sem 
distinção de idade, saúde mental, sexo, cor, raça, credo, nacionalidade, etc. 
Por outro lado o conceito exclui os animais (que gozam de proteção legal, mas 
não são sujeitos de direito), os seres inanimados, etc. Concluindo = Pessoa 
Natural ou Pessoa Física é o próprio ser humano. 
INÍCIO DA PERSONALIDADE 
Há muita polêmica doutrinária envolvendo o início da personalidade civil. 
São três as principais teorias sobre o tema: 
a) Teoria Concepcionista - a personalidadetem início com a concepção; ou 
seja, com a própria gravidez. 
b) Teoria Natalista - a personalidade se inicia a partir do nascimento da 
criança com vida. 
c) Teoria da Viabilidade - que pressupõe a possibilidade de sobrevivência da 
criança. Países que adotam esta teoria entendem que se uma criança nasceu 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 1 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
com uma doença que a levará a morte em poucos dias, não haverá a aquisição 
da personalidade. 
No Brasil a doutrina se manifesta de forma divergente, pois, se por um 
lado a lei estabelece que a personalidade civil tem início com o nascimento 
com vida, o mesmo dispositivo a seguir assegura ao nascituro direitos desde 
sua concepção. Em uma prova objetiva o aluno deve se limitar ao texto 
expresso da lei. Porém, em um prova dissertativa, deve citar as três teorias, 
expondo que no Brasil há ferrenhos defensores da Concepção e da Natalidade, 
devendo abordar os aspectos mais relevantes de cada uma. A tendência atual 
é se proteger, cada vez mais, o nascituro e seus direitos desde a concepção. 
Analisando o texto legal, podemos afirmar que a personalidade da 
pessoa natural ou física inicia-se com o nascimento com vida, ainda que por 
poucos momentos. Esta é a primeira parte do art. 2o do CC. Se a criança 
nascer com vida, ainda que por um instante, já adquire a personalidade. 
Ocorre o nascimento quando a criança é separada do ventre materno 
(parto natural ou por intervenção cirúrgica), mesmo que ainda não tenha sido 
cortado o cordão umbilical. Além disso, é necessário que tenha respirado. Há 
nascimento e há parto quando a criança, deixando o útero materno, respira. 
Portanto... se o recém-nascido respirou... nasceu com vida. E é nesse 
momento que a personalidade civil terá início em sua plenitude, com todos os 
efeitos subsequentes, conforme veremos. 
NASCITURO 
O termo nascituro significa "aquele que há de nascer". É o ente que já 
foi gerado ou concebido, mas ainda não nasceu, embora tenha vida 
intrauterina e natureza humana. Tecnicamente (teoria natalista), ele não tem 
personalidade, pois ainda não é pessoa sob o ponto de vista jurídico. Mas 
apesar de não ter personalidade jurídica, a lei põe a salvo os direitos do 
nascituro desde a concepção. Trata-se da segunda parte do art. 2o, CC. Na 
realidade o nascituro tem uma expectativa de direito. Ex: o nascituro tem o 
direito de nascer e de viver (o aborto, como regra é considerado como crime -
arts. 124 a 127 do Código Penal). 
O nascituro também tem direito à filiação, adequada assistência pré-
natal, honra, imagem, direito de ser contemplado por doação, por testamento, 
etc. Além disso, o art. 8o do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 
8.069/90 - ECA) determina que a gestante tem condições de obter 
judicialmente os alimentos para garantia do bom desenvolvimento do feto, 
consulta médica, remédios, etc. 
O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. Aquele que 
já foi concebido no momento da abertura da sucessão (morte do de cujus) 
legitima-se a suceder de forma legítima (conferir arts. 1.784 e 1.798, CC). 
Também se legitimam a suceder por testamento "os filhos ainda não 
concebidos de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-
se a sucessão" (art. 1.799, I, CC). 
Por tal motivo, tendo já tantos "direitos", é que está crescendo a teoria 
concepcionista, considerando o nascituro como sendo uma Pessoa Natural. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 2 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Justifica-se esta posição porque somente uma pessoa pode ser titular de 
direitos... e o art. 2o, CC afirma que o nascituro tem direitos... logo, tendo 
direitos, ele já pode ser considerado como tendo personalidade. A situação fica 
ainda mais definida segundo os seguidores desta teoria com o art. 542, CC que 
estabelece: "A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu 
representante legal". 
Mas o que se pode afirmar, sem medo de errar, é que o nascituro é 
titular de um direito eventual. Ex: homem falece deixando a esposa grávida. 
Não se pode concluir o processo de inventário e partilha enquanto a criança 
não nascer. O nascituro, nesta hipótese, tem direito ao resguardo à herança. 
Os direitos assegurados ao nascituro estão em estado potencial, sob condição 
suspensiva: só terão eficácia se nascer com vida. A representação do 
nascituro se dá por intermédio de seus pais. Nascendo com vida, a sua 
existência, no tocante aos seus interesses, retroage ao momento de sua 
concepção. As expectativas de direito, agora se transformam em direitos 
subjetivos. 
Mas há outro problema, de ordem filosófica, religiosa e jurídica 
envolvendo o nascituro. Isto devido ao avanço da medicina, com as técnicas de 
fertilização in vitro. Indaga-se: qual o momento em que podemos usar o termo 
nascituro de uma forma técnica? Uma corrente afirma que a vida tem início 
legal no momento da penetração do espermatozoide no óvulo, mesmo que fora 
do corpo da mulher. Para outra corrente a vida somente teria início com a 
concepção no ventre materno (embora ainda não se possa considerar como 
sendo uma pessoa). Isto porque é com a nidação (fixação do óvulo fecundado 
no útero) que se garante eventual gestação e o nascimento. Portanto somente 
será considerado como nascituro, o óvulo fecundado que for implantado no 
útero materno. Assim, o embrião humano congelado não poderia ser tido como 
nascituro, embora tenha proteção jurídica como pessoa virtual, com uma carga 
genética própria. 
Com o objetivo de regulamentar o art. 225, §1o, inciso II da CF/88, foi 
editada inicialmente a Lei n° 8.974/95, proibindo e considerando como crime a 
manipulação genética de células humanas, a intervenção em material genético 
humano e a produção, guarda e manipulação de embriões humanos destinados 
a servir como material biológico disponível. No entanto foi aprovada a Lei n° 
11.105/05, dividindo opiniões: trouxe esperança para alguns e indignação para 
outros. Pela nova lei é permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização 
de células-tronco embrionárias, obtidas de embriões humanos produzidos por 
fertilização in vitro, desde que: a) sejam inviáveis, ou estejam congelados há 
três anos ou mais; b) haja consentimento dos seus genitores. 
Importância de se nascer com vida 
Como vimos, o nascituro tem apenas expectativa de vida e é 
importante que nasça vivo, nem que seja por um segundo. Se nascer vivo, 
adquire personalidade. Será um sujeito de direitos e obrigações. No entanto, 
caso nasça morto, nenhum direito terá adquirido e/ou transmitido. Observem. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 3 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Demonstração Ordem de vocação hereditária 
1. Descendentes (em concorrência com o 
cônjuge sobrevivente): filho, neto, bisneto, 
etc. 
2. Ascendentes (em concorrência com o 
cônjuge sobrevivente): pai, avô, bisavô, etc. 
3. Cônjuge sobrevivente. 
4. Colaterais até o 4° grau: irmão, sobrinho, tio, 
primo, etc. 
Levando em consideração o quadro demonstrativo acima, suponhamos 
que X comprou um apartamento e a seguir se casou com Y pelo regime de 
separação parcial de bens. Faleceu um ano depois, deixando viúva grávida, 
pais vivos e apenas aquele apartamento para ser partilhado. Para saber quem 
será o proprietário do imóvel devemos aguardar o nascimento de Z. Não se 
pode fazer a partilha antes de seu nascimento. Vejamos as situações que 
podem ocorrer a partir daí. 
Situações: 
1) Se Z (filho de X - descendente) nascer morto, o apartamento irá para 
A e B, que são os pais (ascendentes) de X (observe o quadro da ordem de 
vocação hereditária). Neste caso Y (que é o cônjuge sobrevivente) também 
terá direitos sucessórios,pois atualmente é considerado herdeiro necessário e 
concorre com os ascendentes do falecido. 
2) Se Z (descendente) nascer vivo, herdará o imóvel, em concorrência 
com sua a mãe Y, pois como vimos atualmente o cônjuge é considerado 
herdeiro necessário e também concorre na herança com os descendentes do 
falecido. Observem que neste caso os pais de X nada herdarão. 
3) Se Z nascer vivo e logo depois morrer, os bens irão todos para sua 
mãe. Isto porque inicialmente Z herdará parte dos bens de seu pai; no 
instante em que nasceu vivo, ele foi um 'sujeito de direito'. Morrendo a seguir, 
transmite tudo o que recebeu a seus herdeiros. Como não tinha descendentes 
e nem cônjuge (até porque era recém-nascido) e seu pai já havia falecido, seu 
único herdeiro será o ascendente remanescente, ou seja, sua mãe. Neste caso 
A e B nada herdarão. 
É necessário dizer ainda, que todo nascimento deve ser registrado, 
mesmo que a criança tenha nascido morta ou morrido durante o parto. Se for 
natimorta, o assento será feito no "Livro C Auxiliar". Neste livro irá constar 
apenas: "o natimorto de Dona Fulana...". Ou seja, pela nossa lei não se dá 
nome ao natimorto. No entanto, parte da doutrina entende que o "natimorto 
tem humanidade" e por isso teria direito a um nome (tese aprovada na 
Jornada de Direito Civil promovida pelo Superior Tribunal de Justiça: "A 
proteção que o Código confere ao nascituro alcança o natimorto, no que 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 4 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
concerne aos direito da personalidade, tais como o nome, imagem e 
sepultura"). 
Por outro lado, é inquestionável que se a criança nasceu viva e logo 
depois morreu (chegou a respirar), serão feitos dois registros: o do 
nascimento (constando o nome da criança, pois naqueles poucos segundos a 
criança teve personalidade) e logo depois o de óbito. 
Observações: 
01) Segundo a doutrina, nascituro é uma expressão mais ampla do que 
feto, pois este seria o nascituro somente depois que adquiriu a forma 
humana. 
02) É importante salientar que a expressão natimorto não é 
considerada juridicamente técnica. O vocábulo é composto pelas palavras 
latinas natus (nascido) e mortus (morto), não tendo previsão no Código Civil. 
Possui um duplo sentido. Os Dicionários Jurídicos conceituam o natimorto 
como sendo "aquele que nasceu sem vida OU aquele que veio à luz, com sinais 
de vida, mas, logo morreu". Portanto, qualquer uma dessas situações está 
correta para conceituar natimorto. 
DIREITOS DE PERSONALIDADE (arts. 11 a 21, CC) 
Adquirindo a personalidade (aptidão para adquirir direitos e contrair 
obrigações), o ser humano adquire o direito de defender o que lhe é próprio, 
como sua integridade física ou corporal (como vida, corpo, seus órgãos, voz, 
imagem, liberdade, identidade, alimentos, etc.), intelectual (como a liberdade 
de pensamento, autoria científica, artística e intelectual, etc.), moral (como a 
honra, segredo pessoal ou profissional, privacidade, imagem, opção religiosa, 
sexual, etc.). Os direitos de personalidade são subjetivos e seu titular pode 
exigir de todos que tais direitos lhe sejam respeitados. Por isso dizemos que 
eles são erga omnes (extensíveis a todos). 
O art. 227 da Constituição Federal dispõe sobre os deveres da Família, 
da Sociedade e do Estado em relação à criança e ao adolescente, disposições 
completadas com a Lei n° 8.069/90 - ECA. Observem que a relação dos 
direitos de personalidade não é taxativa, mas apenas exemplificativa. 
Lembrem-se: a dignidade é um direito fundamental, previsto em nossa 
Constituição, que também prevê que são invioláveis a intimidade, a vida 
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito de 
indenização pelo dano material ou moral decorrente dessa violação (confiram 
também o art. 5°, inciso X da CF/88). 
Estabelece o art. 11, CC que com exceção dos casos previstos em 
lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não 
podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Apesar do Código fazer 
referência a apenas três características, a doutrina lhes dá maior extensão, 
afirmando que eles são: 
• inatos - os direitos de personalidade já nascem com o seu titular. 
• absolutos - não podem ser relativizados e são opostos contra todos 
(erga omnes). 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 5 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
• intransmissíveis - pertencem de forma indissolúvel ao próprio titular. 
Neste tópico, cabe uma observação: embora os estes direitos sejam 
intransmissíveis em sua essência, os efeitos patrimoniais dos direitos 
de personalidade podem ser transmitidos. Ex: a autoria de uma obra 
literária é intransmissível; porém podem ser negociados os direitos 
autorais sobre esta obra. 
• indisponíveis - não podem ser cedidos, a título oneroso ou gratuito a 
terceiros. 
• irrenunciáveis - nem mesmo o seu titular pode abrir mão destes 
direitos. 
• imprescritíveis - valem durante toda vida, não correndo os prazos 
prescricionais; podem ser reclamados judicialmente a qualquer tempo. 
• impenhoráveis - se eles não podem ser objeto de cessão ou venda, 
também não pode recair penhora sobre os mesmos. 
• inexpropriáveis - ninguém pode removê-los de uma pessoa. 
Vamos acompanhar os próximos dispositivos a respeito: 
O art. 12, CC prevê a possibilidade de exigir que cesse lesão a direito da 
personalidade, por meio de ação própria, sem prejuízo da reparação de 
eventuais danos materiais e morais suportados pela pessoa. A lei prevê 
também a possibilidade de defesa do direito do morto, por meio de ação 
promovida por seus sucessores, ou seja, pelo cônjuge sobrevivente, parentes 
em linha reta (descendentes ou ascendentes) e os colaterais até quarto grau 
(irmãos, tios, sobrinhos ou primos). 
O corpo, como projeção física da individualidade humana, é inalienável. 
O art. 13 e seu parágrafo único do CC prevê o direito de disposição de partes, 
separadas do próprio corpo em vida para fins de transplante, ao prescrever 
que, "salvo por exigência médica, é defeso (proibido) o ato de disposição do 
próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, 
ou contrariar os bons costumes. O ato previsto neste artigo será admitido para 
fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial" (conferir com o art. 
199, §4° da CF). Em hipótese alguma será admitida a disposição onerosa de 
órgãos, partes ou tecido do corpo humano. É possível, também, com objetivo 
científico ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em 
parte, para depois da morte, podendo essa disposição ser revogada a qualquer 
momento (art. 14, CC). 
Resumindo. A disposição sobre o próprio corpo: a) é proibida quando 
importar diminuição permanente da integridade física (salvo por exigência 
médica), ou contrariar os bons costumes; b) é válida com o objetivo científico 
ou altruístico, para depois da morte, ou, em vida, para fins de transplante. O 
Código Civil adotou o princípio do consenso afirmativo (termo usado pela 
doutrina e que caiu em alguns concursos), segundo o qual o titular do direito 
pode manifestar sua vontade em ser doador de órgãos, mas a qualquer tempo 
pode revogar esta intenção. 
OBS: A Lei 9.434/97 (regulamentada pelo Decreto 2.268/97 e 
posteriormente alterada pela Lei 10.211/01) trata do assunto, estabelecendo 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 6 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
as regras para transplantes. Permite-se a doação voluntária nas seguintes 
hipóteses: a) órgãos duplos (rins) e b) partes recuperáveis de órgão (fígado) 
ou de tecido (pele, medula óssea), sem que sobrevenham mutilações ou 
deformações. 
O art. 15, CC obsta que uma pessoa seja constrangida asubmeter-se, 
com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. Trata-se do 
Princípio da Autonomia do Paciente. Portanto, não há a chamada supremacia 
do interesse médico-científico, que se invocava em nome da coletividade, em 
face ao interesse individual. Uma pessoa, embora enferma, tem o direito 
oponível contra todos de sentir-se constrangida a enfrentar tratamento médico 
ou a intervenção cirúrgica com risco de vida. O direito não pertence ao médico, 
à ciência, ou à família, mas, exclusivamente, ao paciente que após ser 
informado do seu estado de saúde e das alternativas terapêuticas, decidirá se 
se submete ou não ao tratamento ou à intervenção cirúrgica. Mesmo que saiba 
ou tenha consciência de que isso abreviará a sua expectativa da vida. Somente 
em situações extremas, quando a pessoa não consegue expressar a sua 
vontade, o direito se desloca para a família do enfermo. 
Notem agora que os artigos de 16 a 19 do Código Civil, tutelam o direito 
ao nome (falaremos sobre ele logo adiante, em um item especial) e contra o 
atentado de terceiros, expondo-o ao desprezo público, ao ridículo, acarretando 
dano moral ou patrimonial. 
O art. 20, CC tutela, de forma autônoma, o direito à imagem e os 
direitos a ele conexos (art. 5o, XXVIII, letra "a", CF/88). A imagem-retrato é a 
representação física da pessoa, implicando o reconhecimento de seu titula por 
meio de fotografia, escultura, desenho, pintura, interpretação dramática, 
cinematográfica, televisiva, sites, etc. A imagem-atributo refere-se ao conjunto 
de caracteres e qualidades cultivadas pela pessoa, como a habilidade, 
competência, lealdade, etc. O direito à imagem se refere ao direito de ninguém 
ver seu rosto estampado em público ou comercializado sem seu consenso e o 
de não ter sua personalidade alterada, material ou intelectualmente, causando 
dano à sua reputação. Como normalmente ocorre, há certas limitações ao 
direito de imagem, com dispensa da anuência para sua divulgação. Vejamos 
algumas situações: a) pessoas famosas (ex: artistas, políticos, etc.), pois elas 
têm sua imagem divulgada em razão de sua atividade; mas mesmo assim, não 
pode haver abusos, pois a sua vida íntima deve ser preservada; b) 
necessidade de divulgação da imagem por questões de segurança pública (ex: 
publicação da fotografia de um perigoso marginal procurado pela polícia); c) 
quando se obtém uma imagem, mas a pessoa é tão somente parte do cenário, 
pois o que se pretende divulgar é o acontecimento em si (ex: um congresso, 
uma exposição de objetos de arte, a inauguração de uma obra pública, um 
hotel ou um restaurante, reportagens sobre tumultos, enchentes, shows, etc.). 
Há diversas decisões de que não cabe direito de imagem em fotografia de 
acontecimento carnavalesco, pois a pessoa que dele participa, de certa forma, 
"renuncia a sua privacidade". 
O titular de um direito de personalidade, quando este for violado, 
poderá pleitear reparação de danos morais e patrimoniais. E se ele já for 
falecido o direito será exercido pelo cônjuge, ascendente ou descendente 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 7 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
(trata-se do art. 20, parágrafo único, CC). Ficou famoso um caso em que uma 
empresa elaborou um "álbum de figurinhas" estampando a fotografia de 
jogadores de futebol. Como no caso havia o intuito de lucro da empresa e não 
houve o consentimento dos atletas, concluiu-se que foi uma prática ilícita, 
sujeita à indenização. A Súmula 221 do STJ estabelece que é cabível a 
reparação do dano decorrente de publicação da imprensa, tanto do autor do 
escrito, quanto do proprietário do veículo de divulgação. 
O Código Civil também tutela, em seu art. 21 o direito à intimidade 
(art. 5o, X, CF/88), prescrevendo que a vida privada da pessoa natural é 
inviolável (ex: inviolabilidade de domicílio, de correspondência, bancário, 
conversas telefônicas, etc.). 
Devemos reforçar que o Código Civil não exauriu a matéria referente aos 
direitos de personalidade. A enumeração exposta é meramente 
exemplificativa, deixando ao Juiz margem para que estenda a proteção a 
situações não previstas expressamente. 
INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL 
A) NOME 
É o sinal exterior pelo qual se designa e se reconhece uma pessoa. É 
pelo nome que ela fica conhecida no seio da família e da comunidade em que 
vive. Prevê o art. 16, CC que toda pessoa tem o direito ao nome, nele 
compreendido o prenome e o sobrenome. Trata-se de direito inalienável (não 
pode ser vendido), imprescritível (não correm prazos prescricionais) e 
personalíssimo, essencial para o exercício de direitos e cumprimento das 
obrigações. Há uma proteção especial da lei em relação ao nome, mediante as 
ações judiciais. A lei protege a honra da pessoa, proibindo que o seu nome 
seja usado ou empregado em situações agressivas à intimidade de quem se vê 
exposto à veiculação pública que provoque depreciação ética, moral ou 
jurídica, mesmo que a intenção na publicação ou representação não revele 
intuito difamatório (art. 17, CC). O nome é um direito da personalidade, que 
também é conferido às pessoas jurídicas, pois estas também têm direito ao 
nome. São elementos constitutivos do nome: 
• Prenome — é o nome individual, próprio da pessoa, que pode ser simples 
(ex; João, José, Rodrigo, Laura, Aparecida, etc.) ou composto (ex; José 
Carlos, Antônio Pedro, Ana Maria, etc.). 
• Patronímico — ou nome de família, ou apelido de família, ou 
simplesmente sobrenome — identifica a procedência da pessoa, o tronco 
familiar do qual provém, indicando sua filiação ou estirpe, podendo também 
ser simples ou composto. 
• Agnome — é o sinal distintivo entre pessoas da mesma família com 
nomes iguais, que se acrescenta ao nome completo (ex: Júnior, Filho, Neto, 
etc.). 
O pseudônimo (em latim: nome falso) consiste no nome atrás do qual 
se abriga um autor de obra cultural ou artística, para o exercício desta 
atividade específica (ex: cantor, ator, autor de um livro, etc.). A lei prevê, de 
forma expressa, como um direito inerente à personalidade (art. 19, CC), 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 8 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
gozando da mesma proteção que se dá ao nome, quando usado para 
finalidades lícitas. 
Em regra o nome é imutável. No entanto o princípio da 
inalterabilidade do nome sofre diversas exceções em casos justificados. A 
lei e a jurisprudência admitem a retificação ou a alteração de qualquer dos 
seus elementos. No entanto na prática há um maior rigor quanto à modificação 
do prenome e um menor rigor em relação ao sobrenome. A propósito, vejam a 
alteração que a Lei 9.708/98 fez na Lei de Registros Públicos (LRP - Lei n° 
6.015/73), em especial no art. 58: "O prenome será definitivo, admitindo-se, 
todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios". O parágrafo único 
deste mesmo dispositivo estabelece outra possibilidade: "A substituição do 
prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça 
decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em 
sentença, de Juiz competente, ouvido o Ministério Público". Outro exemplo é o 
previsto no art. 56 da própria LRP que permite que o interessado, no primeiro 
ano, após completar a maioridade civil, altere seu nome, desde que não 
prejudique os apelidos de família, averbando-se a alteração que será publicada 
pela imprensa. No entanto o art. 57 determina que qualquer alteração 
posterior de nome, somente será feita por exceção e motivadamente, após 
audiência do Ministério Público, e por sentença do Juiz a que estiver sujeito o 
registro, arquivando-se o mandado e publicando-se a alteração na imprensa. 
Outros exemplos: 
• quando expuser seu portador ao ridículo ou situações vexatórias. 
• quando houver evidente erro gráfico(ex: Nerson, Osvardo, etc.). 
• quando causar embaraços comerciais e/ou morais — trata-se da 
homonímia (ou homônimo). 
• com uso prolongado e constante de um nome diverso do que figura no 
registro — admite-se a alteração do nome adicionando-se o apelido ou 
alcunha (ex: Edson Pelé Arantes do Nascimento, Luiz Inácio Lula da 
Silva, etc.). 
• com o casamento - atualmente o art. 1.565, §1°, CC permite que 
qualquer dos nubentes acrescente ao seu, o sobrenome do outro. 
• com a união estável — a lei permite que os conviventes adotem o 
patronímico de seus parceiros, desde que haja concordância recíproca. 
• adoção, reconhecimento de filho, divórcio, serviço de proteção de 
vítimas e testemunhas, tradução de nomes estrangeiros, etc. 
B) ESTADO 
O estado é definido como sendo o modo particular de existir, ou seja, a 
soma de qualificações de uma pessoa na sociedade. Apresenta, basicamente 
sob 03 (três) aspectos: 
• Individual (ou físico) — são as características pessoais: idade, sexo, 
saúde mental e física, altura, peso, etc. 
• Familiar — indica a situação que a pessoa ocupa na família: a) quanto ao 
matrimônio (solteiro, casado, viúvo, divorciado); b) quanto ao parentesco 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 9 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
consanguíneo (pai, mãe, filho, avô, irmão, primo, tio, etc.); c) quanto à 
afinidade (sogro, sogra, genro, nora, cunhado, etc.). 
• Político — identifica a pessoa a partir do local em que nasceu ou de sua 
condição política dentro de um País: nacional (nato ou naturalizado), 
estrangeiro, apátrida. Obs.: a expressão heimatlos (origem alemã) significa 
apátrida. 
O estado é regulado por normas de ordem pública. É irrenunciável, pois 
não se pode renunciar aquilo que é uma característica pessoal. É uno e 
indivisível, pois ninguém pode ser simultaneamente casado e solteiro; maior e 
menor, etc. Por ser um reflexo da personalidade, é inalienável, não podendo 
ser objeto de comércio. Trata-se de um direito indisponível e imprescritível. As 
ações tendentes a afirmar, obter ou negar determinado estado, também 
chamadas de ações de estado (ex: investigação de paternidade, divórcio, 
etc.). Estas ações são personalíssimas. 
C) DOMICÍLIO 
O conceito de domicílio surge da necessidade legal que se tem de fixar 
as pessoas em determinado ponto, onde possam ser encontradas para 
responder por suas obrigações. Distinção: 
• Residência — é o lugar em que o indivíduo se estabelece 
habitualmente, com a intenção de permanecer, mesmo que dele se ausente 
temporariamente; trata-se de uma situação de fato. 
• Domicílio — é a sede da pessoa, tanto física como jurídica, onde se 
presume a sua presença para efeitos de direito e onde exerce ou pratica, 
habitualmente, seus atos e negócios jurídicos. É o lugar onde a pessoa 
estabelece sua residência com ânimo definitivo de permanecer; trata-se 
de um conceito jurídico. Possui dois elementos: 
a) Objetivo - é o estabelecimento físico da pessoa; a fixação da 
residência. 
b) Subjetivo - é a intenção, o ânimo de ali permanecer em definitivo 
(a doutrina chama isso de animus manendi). 
Regra Básica: O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela 
estabelece a residência com ânimo definitivo (art. 70, CC). É também 
domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à 
profissão, o lugar onde esta é exercida (art. 72, CC). 
Outras regras: 
A) Uma pessoa pode residir em mais de um local, tomando apenas 
um como sendo o centro principal de seus negócios; este local então será o 
seu domicílio. Mas se a pessoa tiver várias residências, onde alternadamente 
viva, sem que se possa considerar uma delas como sendo o seu centro 
principal, o domicílio pode ser qualquer delas ^ o Brasil adotou o sistema da 
pluralidade domiciliar (art. 71, CC). 
B) Pode ocorrer que uma pessoa não tenha uma residência habitual; ela 
não tem um ponto central de negócios. O exemplo clássico é o dos circenses 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 10 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
que a cada momento estão em uma localidade diferente. O domicílio desta 
pessoa então será o lugar onde ela for encontrada (art. 73, CC). Trata-se do 
chamado foro aparente ou ocasional. 
Espécies de Domicílio 
1) Domicílio Voluntário — escolhido livremente pela própria vontade 
do indivíduo e por ele pode ser modificado (geral) ou estabelecido conforme 
interesses das partes em um contrato (especial). 
2) Domicílio Legal ou Necessário — é a lei que determina o domicílio, 
em razão da condição ou situação de certas pessoas. Deixa de existir a 
liberdade de escolha do domicílio. Observem o art. 76, CC. Assim: 
• Incapazes (qualquer tipo de incapacidade) — os incapazes têm por 
domicílio o de seus representantes legais (pais, tutores ou curadores). 
• Servidor Público — seu domicílio é o lugar onde exerce permanentemente 
sua função. 
• Militar em serviço ativo — o domicílio do militar do Exército é o lugar 
onde está servindo; o da Marinha ou da Aeronáutica é a sede do comando 
a que se encontra imediatamente subordinado. Aplica-se este dispositivo, 
por analogia, também aos Policiais Militares estaduais. O militar reformado 
(aposentado) não tem mais este domicílio. 
• Preso — é o lugar onde a pessoa cumpre a sentença (não se aplica ao 
preso provisório; é necessário que haja uma decisão condenatória). 
• Marítimos (são os oficiais e tripulantes da marinha mercante) — Marinha 
Mercante é a que se ocupa do transporte de passageiros e mercadorias. O 
domicílio legal é no lugar onde estiver matriculado o navio. 
• Agente Diplomático do Brasil que, citado no estrangeiro, alegar 
extraterritorialidade, sem indicar seu domicílio no país, poderá ser 
demandado no Distrito Federal ou no seu último domicílio. 
3) Especial — O domicílio voluntário especial merece um destaque à 
parte. Segundo a doutrina ele pode ser subdividido: a) domicílio contratual 
(art. 78, CC) - local especificado no contrato para o cumprimento das 
obrigações dele resultantes; b) domicílio (ou foro) de eleição ou cláusula 
de eleição de foro (previsto no art. 111 do Código de Processo Civil) -
escolhido pelas partes para a propositura de ações relativas às obrigações. 
Quando se tratar de ação que verse sobre imóveis a competência é a da 
situação da coisa. Há uma forte corrente jurisprudencial negando o foro de 
eleição nos contratos de adesão, "quando constitui um obstáculo à parte 
aderente, dificultando-lhe o comparecimento em juízo". Trata-se de uma 
orientação do STJ, que entende ser cláusula abusiva, pois ela prejudica o 
consumidor, uma vez que o obriga a responder ação judicial em local diverso 
de seu domicílio ("é nula a cláusula que não fixar o domicílio do consumidor"). 
Lembrando que contrato de adesão (ou por adesão) é aquele que já está 
pronto, elaborado de forma unilateral. Ou você assina (adere) o contrato da 
forma como que ele foi redigido ou o mesmo não sai. Não é possível ficar 
discutindo cláusulas contratuais. Por tal motivo a tendência é não ser possível 
colocar o foro ou domicílio de eleição no contrato (até porque ele não foi eleito; 
foi imposto por uma das partes). 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 11 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
FIM DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL 
A existência da pessoa natural termina com a morte (art. 6o, CC). 
Verificada a morte de uma pessoa, desaparecem, como regra, os direitos e as 
obrigações de natureza personalíssima (ex: dissolução do vínculo matrimonial, 
relação de parentesco, etc.). Já os direitos não personalíssimos (em especial os 
de natureza patrimonial) são transmitidos aos seus sucessores. 
Num sentido genérico podemos dizer que há três espécies de morte: a) 
real; b) civil; c) presumida.A doutrina acrescenta também a hipótese da Lei 
9.140/95 que reconheceu como mortos, para todos os efeitos legais, os 
"desaparecidos políticos". 
Morte Real — A personalidade civil termina com a morte física, deixando o 
indivíduo de ser sujeito de direitos e obrigações. No momento do falecimento a 
pessoa deixa de ser um sujeito de direitos e obrigações. A morte real se dá 
com o óbito comprovado da pessoa natural. A regra geral é que inicialmente se 
exige um atestado de óbito (para isso é necessário o corpo), que irá 
comprovar a certeza do evento morte, devendo o mesmo ser lavrado por 
profissional registrado no Conselho Regional de Medicina. Com este documento 
é lavrada a certidão de óbito, por ato do oficial do registro civil de pessoa 
natural, sendo esta a condição para o sepultamento. Na falta do corpo, 
recorre-se aos meios indiretos de comprovação morte real (também chamada 
de justificação judicial de morte real). Isto está disciplinado no art. 88 da Lei 
n° 6.015/73 (Lei de Registros Públicos): "Poderão os juízes togados admitir 
justificação para o assento de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágios, 
incêndio, terremoto ou outra qualquer catástrofe, quando estiver provada a 
sua presença no local do desastre e não for possível encontrar o cadáver para 
exame". Se um avião explode matando todos os passageiros, há o óbito 
comprovado de todos; entretanto, pode ser que não tenhamos os corpos de 
todos os passageiros. Mesmo assim podemos dizer que houve a morte real, 
pela justificação judicial: não foram encontrados todos os corpos, mas há 
certeza da morte de todos. 
Morte Civil — A morte civil era a perda da personalidade em vida. Era 
uma pena aplicada a pessoas condenadas criminalmente, em situações 
especiais. Atualmente, pode-se dizer ela não existe mais. No entanto, há 
resquícios de morte civil. Ex: exclusão de herança por indignidade do filho, 
"como se ele morto fosse" (vejam esta expressão no art. 1.816, CC). 
Morte Presumida — ocorre quando a pessoa for declarada ausente. 
Ausência é o desaparecimento de uma pessoa do seu domicílio. A pessoa que 
deixa de dar notícias de seu paradeiro por um longo período de tempo, sem 
deixar um representante (procurador) para administrar seus bens (art. 22, 
CC). Os efeitos da morte presumida são patrimoniais (protege-se o 
patrimônio do ausente) e alguns pessoais (ex: o estado de viuvez do cônjuge 
do ausente). A ausência só pode ser reconhecida por meio de um processo 
judicial composto de três fases: a) curadoria de ausentes; b) sucessão 
provisória; c) sucessão definitiva. Vejamos. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 12 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Primeira Fase - Declaração de Ausência. Ausente uma pessoa, 
qualquer interessado na sua sucessão (e até mesmo o Ministério Público) 
poderá requerer ao Juiz a declaração de ausência e a nomeação de um 
curador. Trata-se da curadoria de ausentes. Os bens são arrecadados e 
entregues ao curador apenas para os mesmos sejam administrados (não há 
efeitos pessoais). Durante um ano (no caso do ausente não deixar 
representante ou procurador) devem-se expedir editais convocando o ausente 
para retomar a posse de seus haveres. Com a sua volta opera-se a cessação 
da curatela, o mesmo ocorrendo se houver notícia de seu óbito comprovado. 
No entanto, se o ausente deixou um representante para cuidar de seus 
interesses, aquele prazo (de um ano) eleva-se para três anos. É o que diz o 
art. 26, CC. 
Segunda Fase - Sucessão Provisória. Se o ausente não comparecer 
no prazo (um ou três anos, dependendo da hipótese), poderá ser requerida e 
aberta a sucessão provisória e o início do processo de inventário e partilha 
dos bens. No processo de ausência a sentença do Juiz é dada logo no início do 
processo, para que se inicie a sucessão provisória. Mas esta sentença 
determinando a abertura da sucessão ainda não produz efeitos de imediato. O 
art. 28, CC prevê uma cautela a mais. Ou seja, concede um prazo de mais 
180 dias para que o ausente reapareça e tome conhecimento da sentença que 
determinou a abertura da sucessão provisória de seus bens. Assim, a sentença 
somente irá produzir efeitos após 180 dias de sua publicação na imprensa. 
Trata-se, digamos, de uma "última chance" que se dá ao ausente. Após este 
prazo, a ausência passa a ser presumida. Nesta fase cessa a curatela dos 
bens do ausente. É feita a partilha dos bens deixados e agora são os herdeiros, 
de forma provisória e condicional (e não mais o curador) que irão administrar 
os bens, prestando caução (ou seja, dando garantias de que os bens serão 
restituídos no caso do ausente aparecer). Nesta fase os herdeiros ainda não 
têm a propriedade; exercem apenas a posse dos bens do ausente. Apenas se 
antecipa a sucessão, sem delinear definitivamente o destino dos bens 
desaparecido. Por isso os sucessores ainda não podem vender os bens. Os 
imóveis somente podem ser vendidos com autorização judicial. A sucessão 
provisória é encerrada se o ausente retornar ou se comprovar a sua morte 
real. Convém acrescentar que o descendente, o ascendente e o cônjuge 
(herdeiros necessários) que forem sucessores provisórios do ausente e 
estiverem na posse dos bens terão direito a todos os frutos e rendimentos 
desses bens. Ex: Uma pessoa foi considerada "ausente"; era proprietário de 
duas casas e uma fazenda. Seu filho entrou na posse dos bens: mora em uma 
das casas, alugou a outra e tornou a fazenda extremamente produtiva. Se seu 
pai retornar posteriormente, o filho não será obrigado a restituir os aluguéis 
que recebeu com a casa e nem o que lucrou explorando a fazenda. Já os 
demais sucessores (ex: irmãos, tios, sobrinhos, etc.) terão direito somente à 
metade destes frutos ou rendimentos. 
Terceira Fase - Sucessão Definitiva. Após 10 (dez) anos do trânsito 
em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória, sem que o 
ausente apareça, será declarada a morte presumida. Nesta ocasião 
converte-se a sucessão provisória em definitiva. Os sucessores deixam 
de ser provisórios, adquirindo a propriedade plena (ou o domínio) e a 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 13 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
disposição dos bens recebidos. Porém esta propriedade é considerada 
resolúvel. Isto é, se o ausente retornar em até 10 (dez) anos seguintes à 
abertura da sucessão definitiva terá direito aos bens, mas no estado em que se 
encontrarem. Ou então terá direito ao preço que os herdeiros houverem 
recebido com sua venda. Se regressar após esse prazo (portanto após 21 anos 
de processo), não terá direito a mais nada. 
É interessante acrescentar que o art. 38, CC possibilita se requerer a 
sucessão definitiva provando-se que o ausente conta com 80 anos de idade e 
que de cinco datam as últimas notícias dele. 
É nesta fase (na sucessão definitiva - ou seja, até 10 anos após o 
trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória) que 
também se dissolve a sociedade conjugal, considerando-se rompido o 
vínculo matrimonial. É o que prevê o art. 1.571, §1° do CC. Neste caso o 
cônjuge será considerado viúvo (torna-se irreversível a dissolução da 
sociedade conjugal), podendo se casar novamente. 
No entanto este cônjuge não precisa esperar tanto tempo para se casar 
novamente. Mesmo antes de ser considerado viúvo ele pode ingressar com um 
pedido de divórcio, atualmente, com a edição da Emenda Constitucional n° 
66/2010, muito mais simples e sem necessidade de aguardar prazos. 
Divorciada, a pessoa já está livre para convolar novas núpcias. 
Resumindo: a) Ausência (ou curadoria do ausente) - 01 ou 03 anos, 
dependendo da hipótese (art. 26, CC), arrecadando-se os bens que serão 
administrados por um curador; b) Sucessão Provisória - é feita a partilha de 
forma provisória, aguardando-se 10 anos; c) SucessãoDefinitiva - na 
abertura já se concede a propriedade plena e se declara a morte (presumida) 
do ausente. Seu cônjuge é reputado viúvo. Aguardam-se mais dez anos; d) 
Fim. 
É importante acrescentar que atualmente, em determinadas hipóteses, 
pode haver a morte presumida sem declaração de ausência. É o que 
prevê o art. 7o do CC. Isto para melhor viabilizar o registro do óbito, resolver 
problemas jurídicos e regular a sucessão causa mortis. Vejamos as duas 
situações excepcionais: 
a) For extremamente provável a morte de quem estava em perigo de 
vida. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 14 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
b) Pessoa desapareceu em campanha ou feito prisioneiro e não foi 
encontrado até dois anos após o término da guerra. 
A declaração de ausência nestes casos somente poderá ser requerida 
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a 
data provável do falecimento. Com a declaração de ausência nas hipóteses 
previstas, abre-se a sucessão definitiva. O patrimônio do "morto presumido" se 
transforma em herança, sendo que os herdeiros já podem ter a posse dos 
bens. 
COMORIÊNCIA 
Comoriência é o instituto pelo qual se considera que duas ou mais 
pessoas morreram simultaneamente, sempre que não se puder averiguar qual 
delas pré-morreu, ou seja, quem morreu em primeiro lugar. Art. 8°, CC: "Se 
dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo 
averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão 
simultaneamente mortos". Ex; um avião caiu e todos os passageiros faleceram 
no acidente; nesse caso vamos presumir que todos eles morreram no mesmo 
momento. Comoriência também é chamada de morte simultânea. Trata-se de 
uma presunção relativa (juris tantum), ou seja, que admite prova em 
contrário. 
Aplica-se o instituto da morte simultânea sempre que houver uma 
relação de sucessão hereditária entre os mortos. Se não houver esta 
relação também não haverá qualquer interesse jurídico na questão. A 
consequência prática é que se os comorientes forem herdeiros uns dos outros, 
não haverá transferência de direitos entre eles; um não sucederá o outro. 
Suponha-se o caso de mortes simultâneas de cônjuges, sem descendentes e 
sem ascendentes, mas com irmãos. Pelo instituto da comoriência, a herança 
de ambos é dividida à razão de 50% para os herdeiros de cada cônjuge, se o 
regime de bens do casamento for o da comunhão universal. 
Questão Polêmica E se duas pessoas falecerem em locais diferentes, mas nas 
mesmas circunstâncias de tempo? Há autores que defendem a posição de que 
somente haverá comoriência se as mortes se derem no mesmo acontecimento, lugar 
e tempo. Outros (Maria Helena Diniz) afirmam: "Embora o problema da comoriência 
tenha começado a ser regulado a propósito de caso de morte conjunta no mesmo 
acontecimento, ele se coloca, como se pode ver da redação do art. 8o do Código Civil, 
com igual relevância em matéria de efeitos dependentes de sobrevivência, nos 
casos de pessoas falecidas em lugares e acontecimentos distintos, mas em datas 
e horas simultâneas ou muito próximas. A expressão "na mesma ocasião" não requer 
que o evento morte se tenha dado na mesma localidade; basta que haja inviabilidade 
na apuração exata da ordem cronológica dos óbitos". 
EFEITOS DO FIM DA PERSONALIDADE 
São efeitos do fim da personalidade: dissolução do vínculo conjugal e 
do regime matrimonial; extinção do poder familiar; extinção dos contratos 
personalíssimos, etc. Outro efeito de suma importância é a extinção da 
obrigação de prestar alimentos com o falecimento do credor. Observem que o 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 15 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
credor é a pessoa que estava recebendo a pensão alimentícia; morrendo não 
faz mais jus ao benefício e este não se transmite a seus herdeiros. No entanto, 
no caso de morte do devedor (que é a pessoa que paga a pensão 
alimentícia), os herdeiros deste assumirão a obrigação até as forças da 
herança. Trata-se de uma inovação do atual Código. Este assunto é tratado 
com maior profundidade na aula referente ao Direito das Sucessões, quando 
este ponto for exigido pelo edital. 
A morte não aniquila com toda a vontade do de cujus, que pode 
sobreviver por meio de um testamento. Ao cadáver é devido respeito; os 
militares e os servidores públicos de uma forma geral podem ser promovidos 
post mortem; permanece o direito à imagem, à honra, aos direitos autorais, 
etc. 
CAPACIDADE 
Embora baste nascer com vida para se adquirir a personalidade, nem 
sempre se terá capacidade. Costuma-se dizer que a personalidade é a 
potencialidade resultante de um fato natural (nascer com vida); já na 
capacidade temos os limites desta potencialidade. A capacidade pode assim 
ser classificada: 
• Capacidade de direito ou de aquisição de direito ou de gozo 
— própria de todo ser humano, inerente à personalidade e que só se perde 
com a morte. É a capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações. "Toda 
pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil" (art. 1° do Código Civil). 
• Capacidade de fato ou de exercício da capacidade de 
direito — isto é, de exercitar por si mesmo os atos da vida civil. 
Toda pessoa natural tem capacidade de direito. Esta é inerente à 
personalidade. Quem tem personalidade (está vivo) tem capacidade de direito. 
Mas essa pessoa pode não ter a capacidade de fato, pois pode lhe faltar a 
plenitude da consciência e da vontade, limitando o exercício (e não o gozo) 
dos direitos. 
No Brasil não existe a incapacidade de direito. 
A capacidade de direito não pode ser negada ao indivíduo, mas pode 
sofrer restrições quanto ao seu exercício. Ex: o "louco", por ser pessoa (ele 
está vivo, possui personalidade), tem capacidade de direito, podendo receber 
uma doação; porém não tem capacidade de fato, não podendo vender o bem 
que ganhou. 
Quem possui as duas espécies de capacidade (de direito e de fato) tem a 
chamada capacidade plena. Quem só possui a de direito tem a chamada 
capacidade limitada. A incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos 
da vida civil (em outras palavras: é uma restrição ao poder de agir). Visa 
proteger os que são portadores de alguma deficiência jurídica apreciável, 
graduando a forma de proteção: pode ser absoluta ou relativa. A falta de 
capacidade pode ser suprida pelos institutos da: 
• Representação ^ para os absolutamente incapazes, ou seja, 
para pessoas completamente privadas de agir na vida civil. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 16 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
• Assistência ^ para os relativamente incapazes, ou seja, para 
pessoas que já podem atuar na vida civil, desde que autorizadas. 
CAPACIDADE DE FATO 
Na realidade a capacidade é a regra. E a incapacidade é a exceção. A lei 
(ordem pública) é que irá apontar quais as hipóteses em que a pessoa pode 
ser privada da capacidade. 
A) ABSOLUTAMENTE INCAPAZES 
Ocorre quando houver proibição total do exercício do direito do incapaz, 
acarretando, em caso de violação, a nulidade absoluta do ato jurídico (art. 
166, I, CC). Os absolutamente incapazes possuem direitos, porém não podem 
exercê-los pessoalmente. Há uma restrição legal ao poder de agir por si. Por 
isso devem ser representados. São absolutamente incapazes (art. 3°, CC): 
1) Os menores de 16 (dezesseis) anos (critério etário) — devem ser 
representados por seus pais ou, na falta deles, por tutores. São chamados 
também de menores impúberes. O legislador entende que, devido a essa 
tenra idade, a pessoa ainda não atingiu o discernimento pleno para distinguir o 
que pode ou não fazer. 
2) Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o 
necessário discernimento para a práticados atos da vida civil — são as 
pessoas que, por motivo de ordem patológica ou acidental, congênita ou 
adquirida, não estão em condições de reger sua própria pessoa ou administrar 
seus bens. Abrange pessoas que têm desequilíbrio mental (ex: demência, 
paranoia, psicopatas, etc.). Para que seja declarada a incapacidade absoluta 
neste caso, é necessário um processo de interdição. Trata-se de uma 
medida de proteção, em que o Poder Judiciário declara se determinada pessoa 
tem ou não a plena capacidade para gerir seus próprios negócios. Pode ser 
total ou parcial, dependendo da hipótese concreta. Trata-se de um 
procedimento especial de jurisdição voluntária (não há uma disputa entre as 
partes, porém a intervenção do Juiz é necessária, exercendo-se a jurisdição no 
sentido de simples administração). A jurisdição voluntária se contrapõe à 
jurisdição contenciosa (que é caracterizada pela disputa entre duas ou mais 
partes, que pleiteiam providências opostas ao Juiz). 
Em regra, só depois de decretada a interdição é que se recusa a 
capacidade de exercício, sendo nulo qualquer ato praticado pela pessoa 
interditada, ainda que a outra pessoa não saiba da interdição. Isto porque há 
uma presunção da publicidade da sentença de interdição e conhecimento geral. 
Se o ato praticado pelo enfermo mental foi antes de sua interdição, em regra 
não se anula o negócio. No entanto, jurisprudência e a doutrina admitem a 
produção retroativa dos efeitos da interdição em hipóteses especiais. 
Nosso direito não admite os chamados "intervalos lúcidos". Ou seja, se a 
pessoa praticou o ato após a sua interdição, este ato é considerado nulo, não 
se aceitando a demonstração de que naquele momento, embora interditada, a 
pessoa estava lúcida. A senilidade ou senectude (velhice), por si só, não é 
causa de restrição da capacidade de fato. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 17 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
3) Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir 
sua vontade — trata-se de uma expressão genérica e muito abrangente. Pode 
incluir o surdo-mudo, desde que ele não possa manifestar sua vontade de 
forma alguma. Se puder exprimir sua vontade, pode ser considerado 
relativamente capaz ou até plenamente capaz, dependendo do grau de sua 
expressão, embora estejam impedidos de praticar atos que dependam de 
audição (ex: testemunha em testamento). O dispositivo inclui, também, as 
pessoas que perderam a memória, embora de forma transitória, e outros casos 
análogos. 
Reforçando: o Código Civil não estende a incapacidade: a) ao cego, 
que somente terá restrição aos atos que dependem da visão, como 
testemunha ocular de um fato, testemunha em testamentos, etc.; além disso, 
o cego somente poderá fazer testamento da forma pública; b) ao analfabeto; 
e c) à pessoa com idade avançada. 
B) RELATIVAMENTE INCAPAZES 
Trata-se de uma situação intermediária entre a incapacidade total e a 
capacidade plena. A incapacidade relativa diz respeito àqueles que podem 
praticar por si os atos da vida civil, desde que assistidos por seus 
representantes legais. O efeito da violação desta norma é gerar a 
anulabilidade (ou nulidade relativa) do ato jurídico (art. 171, I, CC), 
dependendo da iniciativa do lesado. Certos atos a pessoa já pode praticar sem 
assistência e são considerados válidos. Há outras hipóteses em que o ato pode 
ser ratificado ou convalidado pelo representante legal, posteriormente. A 
grande diferença entre os absolutamente incapazes e os relativamente 
incapazes é que no primeiro caso a pessoa não pode praticar o ato, por isso ela 
será representada; já na segunda hipótese a pessoa pratica pessoalmente o 
ato, sua vontade é levada em conta, mas não pode praticar este ato sozinha, 
sendo necessária a assistência. Se houver um conflito de interesses entre o 
incapaz e o assistente, o Juiz lhe nomeará um curador especial. São 
relativamente incapazes (art. 4°, CC): 
1) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos — afirma a doutrina 
que a sua pouca experiência e insuficiente desenvolvimento intelectual não 
lhes possibilitam a plena participação na vida civil. São também chamados de 
menores púberes. Eles somente poderão praticar certos atos mediante 
assistência de seus representantes, sob pena de anulação. No entanto há 
atos que o relativamente incapaz pode praticar mesmo sem assistência. Ex: 
casar (necessitando neste caso apenas de uma autorização de seus pais); 
fazer testamento (art. 1.860, parágrafo único do CC); servir como testemunha 
(art. 228, I, CC) inclusive em atos jurídicos e em testamento; ser eleitor, etc. 
O menor, entre 16 e 18 anos, não pode, para eximir-se de uma 
obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela 
outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, espontaneamente se declarou maior 
(art. 180, CC). Explicando: Em um contrato, um rapaz com 17 anos se 
passou por maior de 18 anos e assumiu determinada obrigação. Depois, para 
não cumprir esta obrigação, alegou ser menor e revelou sua idade verdadeira. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 18 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Pela lei o menor não poderá fugir desta obrigação, pois conscientemente 
declarou-se maior (não se pode, para eximir de uma obrigação, alegar sua 
própria torpeza). 
2) Ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por 
deficiência mental, tenham o discernimento reduzido — alargaram-se os 
casos de incapacidade relativa decorrente de causa permanente ou transitória. 
Deve haver também um processo de interdição, onde o Juiz irá estabelecer os 
limites da curatela (maior ou menor dependendo do grau de comprometimento 
mental do interditado). A dependência por álcool ou drogas faz com que a 
pessoa seja considerada relativamente incapaz. No entanto se o grau de 
dependência atingir níveis excepcionais, essa pessoa poderá ser considerada 
absolutamente incapaz. 
3) Excepcionais, sem desenvolvimento mental completo — trata-
se de uma expressão de caráter genérico, abrangendo as pessoas portadoras 
de alguma anomalia psíquica que apresentam sinais de desenvolvimento 
mental incompleto. Neste caso também é necessário um processo regular de 
interdição. O exemplo clássico da doutrina são os portadores da "Síndrome de 
Down". 
4) Pródigos — são os que dilapidam os seus bens ou seu patrimônio, 
fazendo gastos excessivos e anormais, podendo chegar à miséria. Trata-se de 
um desvio de personalidade e não de uma alienação mental propriamente dita. 
O exemplo clássico é o da pessoa viciada em jogos de azar, que de forma 
compulsiva, dissipa seu patrimônio. Neste caso a pessoa deve ser interditada 
para a sua própria proteção, e, em seguida, nomeia-se um curador para 
cuidar de seus interesses. O pródigo interditado não pode (sem assistência): 
emprestar, transigir, dar quitação, alienar (ou seja, vender, doar, etc.), 
hipotecar, agir em juízo, etc. Como ele fica privado somente dos atos que 
possam comprometer seu patrimônio, ele pode: exercer atos de mera 
administração, exercer profissão, etc. O pródigo poderá até se casar. No 
entanto se houver necessidade de pacto antenupcial haverá assistência de um 
curador, pois o ato nupcial pode envolver disposição de bens. 
Observação - Índios — O atual Código Civil afirma que a capacidade 
dos índios será regulada por meio de lei especial (art. 4o, parágrafo único, CC). 
A Lei 6.001/73 (Estatuto do Índio) coloca o índio e sua comunidade, enquanto 
não integrado à comunhão nacional, sob o regime tutelar. O órgão que deve 
assisti-los é a FUNAI. 
TUTELA E CURATELA 
A tutela é um instituto de caráter assistencial que tem por 
finalidade substituir o poder familiar. Protege o menor (impúbere ou púbere) 
não emancipado e seus bens, se seus pais falecerem ou forem suspensos ou 
destituídos do poder familiar,dando-lhes representação ou assistência no 
plano jurídico. Pode ser oriunda de provimento voluntário, de forma 
testamentária, ou em decorrência da lei. Observem que o tutor pode 
representar o incapaz (se este for menor de 16 anos) ou assisti-lo (se ele for 
maior de 16, porém menor de 18 anos). O tutor pode realizar quase todos os 
atos em nome do menor (não poderá emancipá-lo, pois isso depende de 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 19 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
sentença judicial). Observem que poder familiar e tutela são institutos que se 
excluem. Somente se o menor não tiver pais é que será nomeado o tutor. 
Já a curatela é um encargo público (também chamado de munus) 
previsto em lei e que é dado para pessoas maiores, mas que não estão em 
condições de realizar os atos da vida civil pessoalmente, geralmente em razão 
de alguma enfermidade, deficiência mental ou prodigalidade. O curador além 
de administrar os bens do incapaz, deve, também, reger e defender a pessoa. 
Decorre de nomeação pelo Juiz em decisão prolatada em processo de 
interdição. 
C) CAPACIDADE PLENA 
A incapacidade termina, via de regra, ao desaparecerem as causas que a 
determinaram. Assim, nos casos de loucura, da toxicomania, etc., cessando a 
enfermidade que a determinou, cessa também a incapacidade. Já em relação à 
menoridade, a incapacidade cessa quando o menor completar 18 anos (art. 
5°, caput, CC). Dessa forma, torna-se apto a exercer pessoalmente todos os 
atos da vida civil sem necessidade de ser assistido por seus pais. 
Cuidado!! Não confundir a capacidade civil com a imputabilidade (ou 
responsabilidade) penal, que também se dá aos 18 anos completos. E nem 
com a capacidade eleitoral que se inicia, facultativamente, aos 16 anos. 
EMANCIPAÇÃO 
Emancipação (cessação da incapacidade ou antecipação dos efeitos da 
maioridade) é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos, habilitando 
o indivíduo para todos os atos da vida civil. A emancipação é irrevogável e 
definitiva. Adquire-se a emancipação (art. 5o, parágrafo único, Código Civil): 
1) Pela concessão dos pais ou apenas de um deles na falta do 
outro (emancipação parental ou voluntária) — os pais reconhecem que seu 
filho já tem maturidade suficiente para reger sua pessoa e seus bens. Deve ser 
concedida por ambos os pais, por instrumento público (escritura) e 
posteriormente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, 
não sendo necessária a homologação do Juiz. O menor deve ter, no mínimo, 
16 anos completos. 
2) Por Sentença do Juiz — em duas hipóteses: a) quando um dos pais 
não concordar com a emancipação, contrariando a intenção do outro (conflito 
de vontades entre os pais); b) quando o menor estiver sob tutela. O tutor não 
pode emancipar o menor. Evita-se, assim, a emancipação destinada apenas 
para livrar o tutor do encargo. Desta forma a emancipação deve ser feita pelo 
Juiz, se o menor tiver 16 anos, ouvido o tutor, com a participação do Ministério 
Público, depois de verificada a conveniência para o bem do menor. 
3) Pelo casamento — a idade nupcial (ou idade núbil) do homem e da 
mulher é de 16 anos. O art. 1.517, CC exige a autorização de ambos os pais, 
enquanto não atingida a maioridade. Caso os pais não consintam com o 
casamento, ou em havendo divergência entre eles, a autorização poderá ser 
suprida pelo Juiz. Após a celebração do casamento, os cônjuges, mesmo que 
menores, são considerados emancipados. O divórcio, a viuvez e mesmo a 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 20 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
anulação do casamento não implicam no retorno à incapacidade. No entanto o 
casamento nulo pode fazer com que se retorne à situação de incapaz. Mas há 
uma exceção: se o casamento for contraído de boa-fé. Nesta hipótese o ato 
produzirá efeitos de um casamento válido e a pessoa será considerada 
emancipada. 
Somente em casos excepcionais admite-se o casamento de quem ainda não 
alcançou a idade núbil (16 anos). Ex: gravidez. Digamos que uma jovem de 15 
anos engravidou de seu namorado que tem 23 anos e uma situação financeira 
confortável. Eles querem se casar. Mas a jovem ainda não tem a idade núbil. 
Neste caso exige-se uma sentença judicial de suprimento de idade. 
4) Pelo exercício de emprego público (efetivo) — excluem-se os 
diaristas, contratados e os nomeados para cargos em comissão. Há 
entendimento que deve ser funcionário da administração direta (excluindo-se, 
assim, os funcionários de autarquias). Há pouca aplicação prática deste 
dispositivo, pois os editais de concursos públicos exigem que o candidato 
tenha, no mínimo, 18 anos completos. 
5) Pela colação de grau em curso de ensino superior — também há 
pouca aplicação prática devido às particularidades de nosso sistema de ensino. 
6) Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de 
relação de emprego, desde que em função deles, o menor tenha 
economia própria — é necessário que este menor tenha no mínimo 16 anos 
completos, pois já revelaria suficiente amadurecimento. Na prática há uma 
certa dificuldade para se provar o que seja "economia própria" Ex: pessoas que 
com 16 anos que já é um artista expondo obras em galerias mediante 
remuneração; jogador de futebol profissional, etc. 
PESSOAS JURÍDICAS 
(arts. 40 a 69, CC) 
As Pessoas Jurídicas são entes resultantes da criação da lei. Existem 
como grupos constituídos para a realização de determinados fins, sendo 
dotadas de direitos e obrigações. Observem que a doutrina usa outras 
expressões sinônimas: pessoas morais, coletivas, abstratas, fictícias ou 
"entes de existência ideal". 
As Pessoas Jurídicas também têm direito à personalidade (identificação, 
liberdade para contratar, boa reputação, etc.), aos direitos reais (pode ser 
proprietária, usufrutuária, etc.), aos direitos industriais (art. 5o, inciso XXIX da 
CF/88), aos direitos obrigacionais (podendo comprar, vender, alugar ou 
contratar de uma forma geral) e até mesmo aos direitos sucessórios (podem 
adquirir bens causa mortis, ou seja, por testamento^. 
É interessante acrescentar que os dispositivos relativos aos direitos da 
personalidade da pessoa natural (arts. 11 a 21, CC) também podem ser 
aplicados em relação à pessoa jurídica, no que couber, por força do art. 52, 
CC. E é por isso que uma pessoa jurídica tem direito ao nome, à marca, à 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 21 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
imagem, à propriedade, ao segredo, etc. Segundo a doutrina ela tem honra 
objetiva, pois tem patrimônio, reputação, bom nome, etc. Assim, no campo do 
Direito Civil, a pessoa jurídica pode ser vítima e sofrer danos morais, tendo, 
inclusive, direito de acionar o Poder Judiciário para exigir reparação desses 
danos. Trata-se da Súmula 227 do Superior Tribunal de Justiça. 
Existem diversas teorias que tentam identificar a natureza da 
personalidade da Pessoa Jurídica. A corrente majoritária tem adotado a Teoria 
da Realidade Técnica, onde a pessoa jurídica existe de fato e não como 
uma mera abstração. É reconhecida pelo Estado, com personalidade própria, 
distinta da de seus membros. São pressupostos de existência da Pessoa 
Jurídica: 
a) Vontade humana criadora. Trata-se da affectio societatis, ou 
seja, intenção específica dos sócios em constituir uma sociedade. 
b) Obediência aos requisitos impostos pela lei para sua formação. 
As pessoas jurídicas somente existem porque a lei assim o permite. Portanto, 
ela necessita se submeter aos requisitos impostos pela própria lei. 
c) Licitude de sua finalidade, ou seja, deve ter objeto lícito 
abrangendo em seu conceito: a moralidade dos atos e os objetivos 
perseguidos. 
CONCEITO 
De uma forma técnica podemos conceituar a Pessoa Jurídicacomo 
sendo a união de pessoas naturais ou de patrimônios, com o objetivo de atingir 
determinadas finalidades e reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de 
direitos e obrigações. Atribui-se à Pessoa Jurídica uma personalidade distinta 
da personalidade dos membros que a compõe. 
REPRESENTAÇÃO 
Por não poder atuar por si própria, a pessoa jurídica, como ente da 
criação da lei, deve ser representada por uma pessoa física (ou natural) ativa 
e/ou passivamente, exteriorizando sua vontade, nos atos judiciais ou 
extrajudiciais. Pelo art. 47, CC, todos os atos negociais exercidos pelo 
representante, dentro dos limites de seus poderes estabelecidos no estatuto 
social, obrigam a pessoa jurídica, que deverá cumpri-los. Mas se o 
representante extrapolar estes poderes, responderá pessoalmente por este 
excesso. 
Em regra essa pessoa é a indicada no ato constitutivo da Pessoa Jurídica. 
Na sua omissão, a representação será exercida por seus diretores. Se a pessoa 
jurídica tiver administração coletiva, as decisões serão tomadas pela maioria 
dos votos, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso (art. 48, CC). 
Esta representação se extrai inicialmente (embora de forma indireta) dos arts. 
46, inciso V e 47 do Código Civil. Mas também está prevista expressamente no 
art. 12, incisos I e II (para as Pessoas Jurídicas de Direito Público) e inciso VI 
(para as Pessoas Jurídicas de Direito Privado) do Código de Processo Civil 
(C.P.C.). 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 22 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Lembrando sempre que o Ato Constitutivo varia de acordo com o tipo de 
Pessoa Jurídica: estatuto (na associação); contrato social (na sociedade); 
escritura pública ou testamento (na fundação). 
CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS: 
A) Quanto à Nacionalidade — Elas podem ser consideradas como 
Nacionais ou Estrangeiras. Sociedade Nacional é a organizada conforme a lei 
brasileira e tem no País a sede de sua administração. A Sociedade 
Estrangeira não poderá funcionar no País sem autorização do Poder Executivo 
e ficará sujeita aos Tribunais brasileiros quanto aos atos aqui praticados. 
B) Quanto à Estrutura Interna 
1) Universitas Personarum - nelas, o que é importante é o 
conjunto de pessoas, que apenas coletivamente goza de certos direitos e os 
exerce por meio de uma vontade única. O objetivo é o bem-estar de seus 
membros. Ex: as Sociedades (de uma forma geral) e as Associações. 
2) Universitas Bonorum - nelas, o que é importante é o 
patrimônio personalizado destinado a um determinado fim e que lhe dá 
unidade. O objetivo é o bem-estar da sociedade. Ex: as Fundações. O objeto 
e o patrimônio das Fundações são seus elementos essenciais. 
C) Quanto às Funções e Capacidade — Dividem-se em: 
1) Pessoas Jurídicas de Direito Público — Pode ser classificada 
em Externo ou Interno. Esta, por sua vez, pode ser subdividida em 
Administração Direta ou Indireta. 
2) Pessoas Jurídicas de Direito Privado — Fundações 
Particulares, Organizações Religiosas (Lei n° 10.825/03), Partidos Políticos 
(Lei n° 10.825/03), Associações e Sociedade, sendo que estas podem ser: 
simples (antigas sociedades civis) ou empresárias (antigas sociedades 
comerciais ou mercantis). 
I. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO 
O Estado é a pessoa jurídica de direito público por excelência. Todo 
Estado independente é formado por três elementos essenciais: a) povo; b) 
território; e c) governo soberano. Costuma-se dizer que o Estado é o povo, em 
dado território, politicamente organizado segundo sua livre e soberana 
vontade. 
I.1) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO EXTERNO 
Segundo o art. 42, CC, são pessoas jurídicas de direito público externo 
os Estados estrangeiros (outros países soberanos, como o Uruguai, Canadá, 
Dinamarca, etc.) e todas as pessoas que forem regidas pelo direito 
internacional público; ou seja, os Organismos Internacionais, como a ONU 
(Organização das Nações Unidas), OEA (Organização dos Estados Americanos). 
I.2) PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 23 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
São aquelas cuja atuação se restringe aos interesses e limites territoriais 
do Estado. É a nossa nação, politicamente organizada, nos moldes previstos na 
Constituição Federal de 1988. 
A) PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO DA 
ADMINISTRAÇÃO DIRETA OU CENTRALIZADA (art. 41, I, II e III, CC) — 
São elas: União, Estados-membros, Distrito Federal, Territórios e os Municípios 
legalmente constituídos. 
Costuma-se dizer que o Brasil é detentor de soberania, ou seja, não 
deve obediência jurídica a nenhum outro Estado. É juridicamente ilimitada no 
plano interno e somente contra limites na soberania de outro País. Já as 
demais entidades dentro do Brasil são detentoras de autonomias. A 
autonomia dos entes da federação brasileira está devidamente delimitada pelo 
Direito. Esta autonomia, na verdade, é o exercício do poder do Estado com a 
observância dos parâmetros jurídicos estabelecidos em uma norma de 
hierarquia superior (em outras palavras: a própria Constituição Federal). 
A União designa a nação brasileira, nas suas relações com os Estados-
membros que a compõe e com os cidadãos que se encontram em seu 
território. Os Estados federados (Estados-membros) possuem autonomia 
administrativa, competência e autoridade legislativa, executiva e judiciária 
sobre os negócios locais. Os Municípios legalmente constituídos também se 
encaixam nesta classificação, pois foram assegurados pela Constituição 
Federal; eles têm interesses e economia próprios. Também há previsão 
expressa em relação ao Distrito Federal. Mas em relação a ele a natureza 
jurídica é controvertida. Alguns dizem que ele é um município anômalo; outros 
que é uma autarquia territorial; outros que é uma circunscrição territorial 
assemelhada aos territórios. Finalmente outros afirmam que é "mais do que 
um município e menos que um Estado". Possui previsão expressa no art. 32, 
CF/88. Vejamos: a) o Distrito Federal rege-se por uma Lei Orgânica (típica de 
Municípios) e não por uma Constituição Estadual (típica dos Estados-
membros); b) o Poder Legislativo é exercido pela Câmara Legislativa 
(mistura de Câmara de Vereadores - Poder Legislativo Municipal e Assembleia 
Legislativa - Poder Legislativo Estadual) composto por Deputados Distritais 
eleitos, acumulando as competências legislativas reservadas aos Estados e 
Municípios; c) o Chefe do Poder Executivo é um Governador (típico dos 
Estados) Distrital e não um Prefeito (típico dos Municípios); d) é proibida a sua 
divisão em municípios. Há uma grande crítica em relação ao texto do art. 18, 
§1o, CF/88, pois ele afirma que Brasília é a Capital Federal, quando se devia 
ter mantido a nossa tradição e correção técnica afirmando que "o Distrito 
Federal é a capital da União". 
Na realidade Brasília é o nome de uma das Regiões Administrativas do 
Distrito Federal (RA-I). Ela é um núcleo urbano, uma cidade (e que bela 
cidade!!), que serve de centro político à União, mas não pode ser considerada 
como um Município, juridicamente falando. Esta região, em termos urbanos, 
compreende as "Asas" Sul e Norte e a área central do chamado "Plano Piloto". 
No entanto a Lei Orgânica do Distrito Federal não menciona os limites de 
Brasília. Já as demais aglomerações urbanas situadas fora do Plano Piloto 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 24 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
pertencem a outras Regiões Administrativas. Embora o Decreto n° 19.040/98 
tenha proibido a expressão, ainda se costuma usar o termo cidade-satélite 
(ex.: Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, Guará, 
etc.). 
Chamo atenção para os Territórios. Como sabemos,já não existem 
mais os Territórios no Brasil. Mas apesar de não mais existirem há previsão 
expressa na Constituição Federal, possibilitando a criação de eventual novo 
Território, por meio de Lei Complementar (arts. 18, §2° e 48, inciso VI, 
CF/88). Para o Direito Civil ele será considerado como sendo uma Pessoa 
Jurídica de Direito Público Interno, pois há previsão expressa no art. 41, inciso 
II do Código Civil neste sentido. Alguns autores classificam os territórios como 
"autarquias territoriais" dando a entender que seriam pessoa jurídicas de 
direito público interno de administração indireta. 
O Brasil, pelos termos da Constituição Federal de 1988, é uma 
República Federativa, com sistema Presidencialista. Além disso (segundo a 
doutrina), possui como Regime de Governo o Estado Democrático e de Direito. 
B) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO DE 
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA OU DESCENTRALIZADA (art. 41, IV e V, CC) 
— São órgãos descentralizados, criados por lei, com personalidade jurídica 
própria para o exercício de atividade de interesse público. São eles: a) 
Autarquias. b) Associações Públicas (Lei n° 11.107/05). c) Demais entidades 
de caráter público criadas por lei. Vejamos cada um destes itens: 
A) AUTARQUIAS 
São pessoas jurídicas de direito público, que desempenham atividade 
administrativa típica, com capacidade de auto-administração. Embora ligadas 
ao Estado, elas desfrutam de certa autonomia, possuindo patrimônio e 
orçamento próprio, mas sob o controle do Executivo que o aprova por Decreto 
e depois o remete ao controle do Legislativo. Elas são criadas por lei específica, 
possuindo atribuições estatais específicas, destinadas à realização de obras e 
serviços públicos, de cunho social, geralmente ligadas a área da saúde, 
educação, etc. (exclui-se, portanto as de natureza econômica ou industrial). A 
autarquia nasce com a vigência da lei que a instituiu; não há necessidade de 
registro. Seus atos são considerados como administrativos. Como possui 
personalidade jurídica própria, ela se desliga do ente criador. Portanto, se 
alguém quiser discutir judicialmente uma revisão em sua aposentadoria, deve 
ingressar com ação judicial não contra a União (entidade criadora), mas contra 
o próprio INSS como entidade autônoma e com patrimônio próprio. Ex: INSS 
(Instituto Nacional de Seguridade Social), USP (Universidade de São Paulo), 
Imprensa Oficial do Estado. 
Observação: Algumas autarquias como o BACEN são consideradas 
"autarquias de regime especial", posto que o legislador conferiu a elas maior 
autonomia perante o Poder Executivo em comparação com as demais. 
B) ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 25 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A Lei n° 11.107/05 regulou os consórcios públicos, cumprindo o 
disposto no art. 241 da Constituição Federal. A lei optou por atribuir 
personalidade jurídica aos consórcios públicos, dando-lhes a forma de uma 
associação, podendo ser de direito público ou de direito privado. Quando 
criado com personalidade de direito público, o consórcio público se apresenta 
como uma associação pública. O consórcio público será constituído por 
contrato, cuja celebração dependerá de prévia subscrição de protocolo de 
intenções. 
C) FUNDAÇÕES PÚBLICAS 
Fundação é uma instituição típica do direito privado. Para a sua criação 
destina-se um acervo de bens particulares para a realização de finalidades 
sociais, sem natureza lucrativa (educacional, assistencial, etc.). Compreende 
sempre: patrimônio e finalidade. No entanto, ultimamente, o Poder Público 
também tem instituído fundações para a execução de algumas atividades 
sociais. Estas fundações públicas se assemelham, então, às fundações 
particulares. No entanto elas se diferenciam nos seguintes aspectos: enquanto 
a fundação privada é criada a partir de um ato de um particular e com 
patrimônio deste, a fundação pública é criada mediante autorização de lei 
específica, a partir de um patrimônio público. Ex: FUNARTE (Fundação Nacional 
das Artes), FUNAI (Fundação Nacional do Índio), Fundação Biblioteca Nacional, 
Fundação Nacional da Saúde, etc. 
Inicialmente, sem dúvida alguma, segundo o Decreto-lei 200/67, trata-
se de uma entidade da Administração Indireta. Se observarmos bem o art. 
41, CC, que arrola as pessoas jurídicas de direito público, vamos concluir que 
ele não menciona, de forma expressa, a "fundação". No entanto, segundo a 
doutrina, as fundações públicas estariam implícitas na expressão "demais 
entidades de caráter público criadas por lei". E Constituição Federal de 1988, 
em especial após a Emenda Constitucional n° 19/98 (art. 37, XIX) reforçou 
esta posição. 
Assim, para os civilistas de uma forma geral a fundação é uma pessoa 
jurídica de direito público interno, apesar de não haver previsão expressa 
neste sentido. 
Segundo a doutrina, na expressão "demais entidades de caráter público" 
também estariam incluídas as Agências Reguladoras (que possuem natureza 
de autarquia federal especial), incumbidas de normatizar e fiscalizar a 
prestação de certos serviços de grande interesse público. Ex: ANATEL (Agência 
Nacional de Telecomunicações), ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), etc. 
II.PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO 
A pessoa jurídica de direito privado é instituída por iniciativa dos 
particulares em geral. Dividem-se em: fundações, partidos políticos, 
organizações religiosas, associações e sociedades. A doutrina ainda acrescenta 
os sindicatos, pois eles têm natureza de associação civil. 
1. FUNDAÇÕES PARTICULARES 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 26 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A doutrina costuma usar a seguinte expressão: as fundações são 
universalidades de bens (resultam da afetação de um patrimônio e não da 
união de indivíduos), personificados, em atenção ao fim que lhes dá unidade. 
Podemos conceituar uma fundação como sendo o complexo de 
bens livres colocados por uma pessoa física ou jurídica, a serviço de um fim 
lícito e especial, com alcance social pretendido por seu instituidor, e em 
atenção ao disposto em seu estatuto. Uma pessoa (natural ou jurídica) separa 
parte de seu patrimônio, criando a fundação para atingir objetivo não 
econômico. A partir de sua criação, o patrimônio da fundação não pertence 
mais ao patrimônio da pessoa que a criou, uma vez que passa a ter 
personalidade própria. Ex: a Fundação Roberto Marinho em momento algum 
pode ser confundida com a Rede Globo de Televisão. 
O próprio instituidor poderá administrar a fundação (forma direta) 
ou encarregar outrem para este fim (forma fiduciária). De acordo com o art. 
62, parágrafo único do CC terão sempre fins religiosos, morais, culturais ou de 
assistência. Outros exemplos: Fundação São Paulo (mantenedora da Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo), Fundação Ayrton Senna, etc. São criadas 
a partir de uma escritura pública (inter vivos) ou de um testamento (causa 
mortis). Portanto elas não podem ser criadas por instrumento particular ou 
privado. Para a sua criação pressupõem-se: 
• Dotação de bens livres - o instituidor destina determinados bens que 
comporá o patrimônio da fundação, que deve ser apto a produzir rendas 
ou serviços que possibilitem alcançar os objetivos visados, sob pena de 
frustrá-los. 
• Elaboração de estatutos com base em seus objetivos. Eles devem ser 
submetidos à apreciação do Ministério Público estadual que os fiscalizará. 
Em regra o seu objetivo é imutável. No entanto é possível a reforma 
dos estatutos, desde que: seja deliberada por dois terços dos competentes 
para gerir e representar a fundação; não contrarie ou desvirtue o seu fim; 
seja aprovada pelo órgão do Ministério Público (caso este a denegue, 
poderá o Juiz supri-la, a requerimento do interessado). 
• Especificaçãodos fins - como vimos, eles devem ser sempre religiosos, 
morais, culturais ou de assistência. 
• Previsão do modo de administrá-la - embora seja interessante que a 
fundação preveja o modo pelo qual ela deva ser administrada, este item 
não é essencial para sua existência. 
Recordem-se, como visto acima, que também existem as fundações 
públicas, instituídas pelo Estado. 
Nascimento 
As fundações surgem com o registro de seus atos constitutivos no 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
Características 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 27 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
• seus bens, em regra, são inalienáveis (não podem ser vendidos ou 
doados) e impenhoráveis (não pode recair penhora). Para uma eventual 
venda de seus bens é necessário ingressar com uma ação judicial, onde é 
consultado o Ministério Público. Posteriormente o Juiz decide, 
determinando se é ou não caso de venda desses bens. Como regra o 
produto da venda deve ser aplicado na própria fundação. 
• o fundador é obrigado a transferir para a fundação a propriedade sobre os 
bens dotados; se não o fizer, os bens serão registrados em nome dela por 
ordem judicial. 
• os estatutos são suas leis básicas. 
• os administradores devem prestar contas ao Ministério Público. 
Supervisão das Fundações 
Como vimos, as fundações privadas são supervisionadas pelo Ministério 
Público do Estado onde estiverem situadas (art. 66, CC), através da curadoria 
das fundações, que deve zelar pela sua constituição e funcionamento. Se 
estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um 
deles, ao respectivo Ministério Público estadual (art. 66, §2o, CC). A doutrina 
entende que não há esta fiscalização do Ministério Público em relação às 
fundações públicas. 
Observação Importante O art. 66, §1°, CC prevê que se a fundação 
funcionar no Distrito Federal, caberá o encargo ao Ministério Público Federal. 
No entanto este dispositivo foi objeto de uma Ação Direta de 
Inconstitucionalidade, sendo que o Supremo Tribunal Federal declarou a 
inconstitucionalidade deste parágrafo, posto que se a fundação funcionar no 
DF, a competência para fiscalização é do Ministério Público do Distrito Federal 
e Territorial (MPDFT). Ressalva-se, no entanto, segundo a decisão do STF, a 
atribuição do Ministério Público federal para velar pelas fundações federais de 
direito público. 
Término 
Não há prazo de duração para funcionamento de uma Fundação. Mas o 
instituidor pode fixá-lo. Por outro lado as fundações serão extintas se (art. 69, 
CC): a) tornarem-se ilícitas (o Ministério Público pode ingressar com ação 
visando sua extinção), impossíveis ou inúteis as suas; b) vencido o prazo de 
sua existência. 
Uma vez extinta a fundação, o destino do seu patrimônio será o previsto 
nos estatutos. Caso os estatutos sejam omissos, seu patrimônio será 
destinado, por determinação judicial, a outras fundações com finalidades 
semelhantes. 
2. PARTIDOS POLÍTICOS 
Os partidos políticos são entidades integradas por pessoas com ideias 
comuns (pelo menos em tese...), tendo por finalidade conquistar o poder para 
a consecução de um programa. São associações civis que visam assegurar, no 
interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e 
defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal. De acordo 
com o art. 17, §2°, CF/88 e a Lei n° 10.825/03, os partidos políticos, embora 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 28 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
tenham um caráter público, passaram a ser considerados como pessoas 
jurídicas de direito privado, tendo natureza de associação civil. Os estatutos 
devem ser registrados no cartório competente do Registro Civil de Pessoas 
Jurídicas da Capital Federal e no Tribunal Superior Eleitoral (Lei n° 9.096/95). 
3. ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS 
As organizações religiosas são pessoas jurídicas de direito privado, 
formadas pela união de indivíduos com o propósito de culto a determinada 
força (ou forças) sobrenaturais, por meio de doutrina e ritual próprios, 
envolvendo preceitos éticos. Atualmente a Lei n° 10.825/03 (que alterou o 
Código Civil) deixou bem claro que elas são pessoas jurídicas de direito 
privado. 
4. ASSOCIAÇÕES 
Atualmente as associações são caracterizadas pela união de pessoas 
que se organizam para fins não econômicos (comunhão de esforços para um 
fim comum). O membro da associação é o associado. Ele possui um vínculo 
direto com a finalidade da associação, não possuindo qualquer vínculo com os 
demais associados; não há, entre os associados, direitos e obrigações 
recíprocas (art. 53 e seu parágrafo único, CC), de forma diferente das 
sociedades, onde há este vínculo. O ato constitutivo é o seu estatuto que 
deve conter os requisitos do art. 54, CC. O fato de uma associação possuir 
determinado patrimônio e realizar negócios para aumentar esse patrimônio 
não a desnatura, pois não irá proporcionar lucro aos associados. As 
associações podem ser civis, religiosas, pias (de caridade), morais, 
educacionais, científicas ou literárias e de utilidade pública. O art. 5° da 
CF/88 (incisos XVII a XXI), ao dispor sobre as associações, estabelece que: 
a) é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter 
paramilitar; b) a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas 
independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu 
funcionamento; c) as associações só poderão ser compulsoriamente 
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, 
no primeiro caso, o trânsito em julgado; d) ninguém poderá ser compelido a 
associar-se ou permanecer associado; e, e) as entidades associativas, quando 
expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados 
judicial ou extrajudicialmente. 
A associação deve ser registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. E 
com o registro passa a ter aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações, 
possuindo capacidade patrimonial e adquirindo vida própria, que não se 
confunde com a de seus membros. A associação pode ser de pessoas físicas ou 
de pessoas jurídicas (ex: ABIA ^ Associação Brasileira das Indústrias da 
Alimentação, etc.). 
5. SOCIEDADES 
Sociedade é espécie de corporação dotada de personalidade jurídica 
própria e instituída por meio de um contrato social (que é o seu ato 
constitutivo), com o objetivo de exercer atividade econômica e partilhar lucros. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 29 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Vimos que o atual Código Civil deixou bem claro que a finalidade lucrativa é 
o que distingue uma associação de uma sociedade. As sociedades podem ser 
divididas em: 
a) Sociedades Empresárias (o que anteriormente chamávamos de 
sociedades comerciais) — são as que visam finalidade lucrativa, mediante 
exercício de atividade mercantil (ex: compra e venda mercantil). Segundo o 
art. 982, CC, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o 
exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (Registro Público 
de Empresas Mercantis). 
b) Sociedades Simples (o que anteriormente chamávamos de 
sociedades civis) — visam, também, fim econômico (lucro), mediante exercício 
de atividade não mercantil. Em regra são constituídas por profissionais de uma 
mesma área, ou por prestadores de serviços técnicos. Ex: um escritório de 
advocacia, uma sociedade imobiliária, uma clínica dentária, etc. Seus atos 
constitutivos devem ser inscritos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
Observação: para se saber se uma sociedade é simples ou empresária, 
basta considerar o objeto desta sociedade, a natureza das operações habituais 
e suas atividades econômicas. Atualmente vêm-seutilizando as expressões: 
organização e atividade (ao invés de objeto) para melhor distinguir a 
sociedade simples da empresária. Ou seja, a classificação se dá em função do 
exercício da atividade econômica organizada para a produção ou circulação de 
bens ou serviços. Havendo a organização dos fatores de produção (capital, 
mão de obra, tecnologia e insumos) se considera caracterizada a empresa e o 
empresário será quem a exerce. 
Atenção. A empresa pública e a sociedade de economia mista, 
apesar de fazerem parte da Administração Indireta e terem capital público, 
são dotadas de personalidade jurídica de direito privado. São regidas pelas 
normas empresariais e trabalhistas (art. 173, CF/88), mas com as cautelas do 
direito público (ex: sujeitam-se ao controle do Estado ^ administrativo, 
financeiro e jurisdicional). Podem perseguir fins não lucrativos, como também 
atividades lucrativas (produção e comercialização de bens ou prestação de 
serviços de natureza econômica). As empresas públicas e as sociedades de 
economia mista fazem parte da Administração Indireta do Estado, mas isso 
não quer dizer que sejam Pessoas Jurídicas de Direito Público. 
EMPRESAS PÚBLICAS 
São pessoas jurídicas integrantes da Administração Indireta, mas de 
direito privado, instituídas pelo Poder Público, mediante autorização de lei 
específica a se constituir com capital próprio e exclusivamente público, 
para exploração de atividade econômica ou a prestação de serviços públicos 
ou coordenadora de obras públicas, podendo se revestir de qualquer das 
formas de organização empresarial (Ltda., S/A, etc.). Ex: Empresa Brasileira 
de Correios de Telégrafos (EBTC), Caixa Econômica Federal (CEF), Casa da 
Moeda, Serviço de Processamento de Dados (SERPRO), EMURB, etc. 
SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 30 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
São pessoas jurídicas integrantes da Administração Indireta, mas 
também de direito privado, instituídas pelo Poder Público mediante 
autorização legal, constituídas com patrimônio público e particular, 
destinadas à exploração de atividades econômicas ou serviços de interesse 
coletivo, sendo que sua forma é sempre a de uma Sociedade Anônima. 
Embora haja a conjugação de capital público e privado, as ações com direito a 
voto (controle acionário) devem pertencer em sua maioria ao Poder Público. 
Ex: Banco do Brasil, Petrobrás, etc. 
INÍCIO DA EXISTÊNCIA LEGAL DA PESSOA JURÍDICA 
Enquanto a pessoa natural surge com um fato biológico (o nascimento 
com vida), a pessoa jurídica tem seu início, em regra, com um Ato Jurídico. No 
entanto há diferenças entre a forma de constituição de uma Pessoa Jurídica de 
Direito Público e de Direito Privado: 
1) Pessoas Jurídicas de Direito Público ^ sua existência se dá em 
razão da lei e do Ato Administrativo, bem como de fatos históricos, previsão 
constitucional, tratados internacionais, etc. São regidas pelo Direito Público. 
Um País surge quando afirma sua existência em face dos outros. Os Estados-
membros têm o reconhecimento de sua existência quando instituídos na 
própria Constituição Federal deste País. Já os Municípios, peculiaridade de 
nosso regime federativo, também têm sua autonomia assegurada pela 
Constituição, tendo seu início no provimento que os criou (são regidas pelas 
Constituições estaduais e pelas Leis Orgânicas). As autarquias e demais 
pessoas jurídicas de direito público são criadas e organizadas por leis, que 
estabelecem todas as condições para o exercício de seus direitos e obrigações. 
Assim elas nascem com a própria lei. 
2) Pessoas Jurídicas de Direito Privado ^ o fato que lhes dá origem é 
a vontade humana convergente (affectio societatis). Sua criação possui duas 
fases: a elaboração dos atos constitutivos e o seu respectivo registro. 
• Ato Constitutivo — a pessoa jurídica se constitui, por escrito, por 
ato jurídico unilateral inter vivos ou causa mortis (em relação às fundações) e 
por ato jurídico bilateral ou plurilateral (em relação às sociedades e as 
associações). Algumas sociedades civis dependem de prévia autorização do 
governo (ex: instituições financeiras, estabelecimentos de seguro, consórcios, 
universidades, sociedades estrangeiras, bolsa de valores, etc. - confiram o art. 
21, inciso XII, CF/88). 
• Registro Público — para que a pessoa jurídica exista legalmente, 
é necessário inscrever os contratos, estatutos ou compromissos no seu registro 
peculiar (art. 45, CC). E, além disso, quaisquer alterações supervenientes 
também deverão ser averbadas neste registro. Vejamos isso melhor: 
REGISTRO 
Somente com o registro a pessoa jurídica adquire a personalidade. 
Tal registro se dá no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas (art. 
1.150, CC). No entanto uma sociedade empresária deve ser registrada no 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 31 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins (Lei n° 8.934/94), 
sendo competente para tais atos as Juntas Comerciais. Segundo o art. 46, CC 
o registro deve conter os seguintes elementos: a) a denominação, os fins, a 
sede, o tempo de duração e o fundo social (quando houver); b) o nome e a 
individualização dos fundadores ou instituidores e dos diretores; c) forma de 
administração e representação ativa e passiva, judicial e extrajudicial; d) 
possibilidade e modo de reforma do estatuto social; e) previsão da 
responsabilidade subsidiária dos sócios pelas obrigações sociais; f) condições 
de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio. 
Uma pessoa jurídica começa a existir no momento em que é efetuado o 
seu registro, passando a ter aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações, 
obtendo capacidade patrimonial, adquirindo vida própria e autônoma, não 
se confundindo com a personalidade de seus membros. 
DOMICÍLIO DAS PESSOAS JURÍDICAS 
A pessoa jurídica também tem domicílio (art. 75, CC), que é a sua sede 
jurídica, onde os credores podem demandar o cumprimento das obrigações. 
Vejamos as situações legais: 
• União — seu domicílio é o Distrito Federal. 
• Estados e Territórios — as suas respectivas Capitais. 
• Municípios — o lugar onde funciona a Administração Municipal; a sede 
municipal. 
• Demais Pessoas Jurídicas — o lugar onde funcionam as respectivas 
diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial nos seus 
estatutos ou atos constitutivos. Tendo a pessoa jurídica diversos 
estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado 
domicílio para os atos nele praticados. Admite-se, portanto, a pluralidade de 
domiciliar da pessoa jurídica, desde que tenha estabelecimentos em lugares 
diferentes (ex: filiais, agências, escritórios de representação, etc. - art. 75, 
§1°, CC). 
RESPONSABILIDADE CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS 
A responsabilidade civil a pessoa jurídica pode ser de natureza contratual 
ou extracontratual. 
No âmbito da responsabilidade contratual as pessoas jurídicas são 
responsáveis por seus atos. Ou seja, elas respondem pelos danos 
decorrentes de suas condutas. Se assumiram determinada obrigação, se 
assinaram determinado contrato, devem cumpri-lo da forma como foi 
estipulado. Se a obrigação ajustada não for cumprida o devedor responde por 
perdas e danos (além dos juros, correção monetária e honorários 
advocatícios). É o que determina a regra geral do art. 389, CC. Portanto na 
responsabilidade assumida por meio de uma obrigação contratual as 
pessoas jurídicas devem responder com seus bens por esse inadimplemento 
(não cumprimento) contratual. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 32 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Já no campo da responsabilidade extracontratual vigora a regra 
geral do neminemlaedere (ou seja, a ninguém se deve lesar). Reprime-se a 
prática dos atos ilícitos em geral, impondo a obrigação de reparação 
de eventuais danos. Ela tem fundamento nos arts. 186 e 187 combinados com 
o art. 927, CC. 
Mas há uma leve nuance entre a responsabilidade das Pessoas Jurídicas 
de Direito Público e as de Direito Privado. Vejamos: 
A) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. Neste caso existem duas 
formas de responsabilidade: 
1) Por ato próprio — neste caso a responsabilidade é direta e 
subjetiva. Isto porque a Pessoa Jurídica responde pelos atos de seus órgãos 
(os diretores e os administradores estão apenas cumprindo as determinações 
das suas assembleias). 
2) Por ato de terceiro — neste caso a responsabilidade é indireta e 
objetiva. Determina o Código Civil que as Pessoas Jurídicas de Direito Privado 
são civilmente responsáveis pelos atos danosos praticados por seus 
empregados, serviçais ou prepostos (representantes) no exercício do trabalho 
que lhes competir ou em razão dele (art. 932, III, CC). Por tal motivo trata-se 
de responsabilidade indireta. Ou seja, a Pessoa Jurídica irá responder por 
uma conduta praticada por terceiro (seu empregado), mas que, em razão de 
um vínculo com a pessoa jurídica, gera a responsabilidade desta. Acrescenta o 
art. 933, CC que esta responsabilidade independe de culpa. Portanto a mesma 
é considerada como sendo do tipo objetiva. Observem que neste caso a 
Pessoa Jurídica nada fez de irregular; quem agiu de forma errônea foi o 
empregado. Mas mesmo assim ela responde por este ato. Este tipo de 
responsabilidade também é solidária, pois a vítima pode reclamar os danos 
tanto da pessoa jurídica, como do agente causador do prejuízo. Ex: O 
motorista de caminhão de uma empresa, embriagado, atropela e mata um 
pedestre; a família da vítima pode ingressar com ação judicial de 
responsabilidade civil somente contra a empresa, somente contra o motorista, 
ou contra ambos, posto que tanto a empresa, como o motorista são 
responsáveis solidários. Se preferir ingressar com a ação somente contra a 
empresa, esta terá o direito de regresso contra o empregado. 
B) PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO 
A partir de 1946 a responsabilidade passou a ser prevista na própria 
Constituição da República, principalmente em virtude da criação dos chamados 
direitos individuais de segunda geração, tratando a matéria no Direito. Com 
base no princípio da igualdade de todos perante a lei (todos têm encargos 
equitativamente distribuídos), não seria justo que, para benefício de toda uma 
coletividade, somente uma pessoa sofresse os ônus. Inicia-se, então a 
chamada Teoria da Responsabilidade Objetiva do Estado. A pessoa lesada 
apenas deve provar que houve uma conduta por parte do Estado, que ela 
sofreu um dano e que houve um nexo de causalidade entre a conduta e o 
dano. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 33 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Vigora atualmente a Teoria do Risco Administrativo. Nela o Estado 
responde objetivamente, porém não em qualquer hipótese. Permite-se que o 
Estado afaste sua responsabilidade em situações onde consiga provar a culpa 
exclusiva da vítima (ou mesmo a culpa concorrente, que atenua sua 
responsabilidade diminuindo o valor da indenização), o caso fortuito ou a força 
maior, a ausência de nexo causal, etc. 
Atualmente no Brasil as pessoas jurídicas de direito público e as de 
direito privado prestadoras de serviços públicos (concessionárias e 
permissionárias) têm responsabilidade civil: 
• pelos danos que seus agentes (sentido amplo), nessas qualidades, 
causarem a terceiros (art. 37, §6° da Constituição Federal e art. 43 do Código 
Civil). Trata-se de responsabilidade de ressarcimento de danos, do tipo 
objetiva, isto é, a responsabilidade existe independentemente de culpa do 
funcionário. Há que se provar a conduta (positiva ou negativa), a lesão (dano 
patrimonial ou moral) e o nexo causal (a lesão foi causada pela conduta). 
Não se analisa eventual culpa. Provados aqueles elementos (conduta, dano e 
nexo), o Estado deve indenizar. Lembrando que quando se fala "culpa", 
devemos entender seu sentido amplo, abrangendo tanto a culpa em sentido 
estrito (o agente praticou uma conduta, mas não teve a intenção da ocorrência 
de um resultado específico, porém este acabou acontecendo por imprudência, 
negligência ou imperícia do agente) como o dolo (o agente teve a intenção de 
praticar a conduta, desejando ou assumindo o risco pelos resultados advindos 
de sua conduta). Também não se indaga da licitude ou ilicitude da conduta 
administrativa. Ou seja, às vezes, mesmo agindo licitamente o Estado pode ser 
obrigado a indenizar um particular. Ex: quando o Estado realiza uma obra que 
em tese irá beneficiar a muitas pessoas, pode causar prejuízo a uma pessoa 
em especial. A obra realizada é lícita. Mas se causar prejuízo a um particular 
(ex: seu imóvel foi desvalorizado com a obra), ele deve ser indenizado. 
Os mesmos dispositivos citados (art. 37, §6o, CF/88 e art. 43, CC) 
autorizam ao Poder Público o chamado direito de regresso contra o causador 
do dano, se houver culpa ou dolo de sua parte. Assim, o Estado responde de 
forma objetiva (ou seja, independentemente de culpa). Mas se o Estado for 
condenado e ficar provada a culpa ou o dolo do funcionário, o Estado poderá 
acionar regressivamente o seu agente. Logo, a responsabilidade do funcionário 
é do tipo subjetiva, pois deve estar comprovada a sua culpa em sentido amplo 
(que abrange o dolo ou a culpa em sentido estrito) no evento. 
• por atos de terceiros e por fenômenos da natureza. Neste caso, a 
responsabilidade é somente subjetiva. Ou seja, deve-se provar a culpa da 
Administração (ex: casos de enchentes ou depredações por movimentos 
populares, já previstos pela administração). Trata-se de uma exceção à regra 
de que o Estado responde sempre de forma objetiva. Como vimos, nem 
sempre, pois há casos em que pode responder de forma subjetiva. 
Observação Uma parcela da doutrina entende que na hipótese de uma 
conduta omissiva por parte do Estado, a sua responsabilidade dependeria de 
demonstração de culpa da sua parte. Seria então mais um caso de 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 34 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
responsabilidade subjetiva do Estado. Lembrando que mesmo neste caso, 
havendo culpa concorrente da vítima, a indenização será reduzida. 
EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA 
A existência da Pessoa Jurídica (em relação às sociedades e às 
associações) termina: 
• pela dissolução deliberada de seus membros (extinção convencional), 
por unanimidade e mediante distrato. Distrato é a rescisão de um 
contrato. Pode ser amigável ou judicial. É ressalvado o direito de 
terceiros e da minoria. Assim, se a minoria desejar a continuidade da 
sociedade, impossível será sua dissolução amigável (haverá então uma 
sentença judicial), a menos que o contrato contenha cláusula que 
preveja a extinção por maioria simples. No entanto, se a minoria tentar 
extinguir a pessoa jurídica, não conseguirá. 
• morte de seus membros (extinção natural). 
• quando a lei assim determinar. 
• pelo decurso do prazo, se constituída por prazo determinado. 
• pela falta de pluralidade de sócios (não existe sociedade de um sócio 
apenas), se a sociedade simples não for reconstituída no prazo de 180 
dias. Obs.: Há casos em que se admite a existência de "sociedade de 
apenas um sócio". Essa situação pode ocorrer na chamada sociedade 
subsidiária integral, prevista no art. 251 da Lei das Sociedades 
Anônimas. A doutrina cita como exemplo o Banco Itaú, que possui 
apenas um sócio: o Banco Itaú Holding Financeira S/A, no entanto este 
possui uma pluralidade de sócios. 
• dissolução por decisão judicial. 
É importante notar que a extinção da pessoa jurídica nãose opera de 
modo instantâneo. Qualquer que seja o fator extintivo, tem-se o fim da 
entidade; porém, se houver bens em seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela 
continuará em fase de liquidação, durante a qual ainda subsiste para a 
realização do ativo e pagamento de débitos. Assim, mesmo dissolvida uma 
pessoa jurídica, ela ainda pode subsistir, mantendo a personalidade para fins 
de liquidação. Encerrada a liquidação, aí sim, promove-se o cancelamento da 
inscrição da pessoa jurídica. 
Destino do patrimônio na dissolução 
Tratando-se de uma Sociedade (que possui finalidades econômicas, 
lucrativas), cada sócio terá direito ao seu quinhão; o remanescente do 
patrimônio social será partilhado entre os sócios ou seus herdeiros. 
Tratando-se de uma Associação (que não possui finalidades lucrativas), 
seus bens serão destinados: conforme o previsto nos estatutos; se não houver 
previsão, serão destinados a estabelecimento municipal, estadual ou federal 
que possua finalidades semelhantes aos seus. 
GRUPOS DESPERSONALIZADOS 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 35 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Como vimos, as sociedades, as associações, as fundações, etc., possuem 
personalidade jurídica. Mas nem todo grupo que objetiva um determinado fim 
é dotado de personalidade jurídica. Os grupos despersonalizados (ou com 
personificação anômala) constituem um conjunto de direitos e obrigações, 
de pessoas e bens, sem personalidade jurídica, que geralmente se 
formam independentemente da vontade de seus membros. No entanto, apesar 
de não terem personalidade, possuem capacidade processual isto é, 
capacidade para postular em juízo (ou seja, ser autor ou réu em uma ação 
judicial). Citamos como exemplos: 
• Sociedades Irregulares e de Fato — (não personificadas) — elas são 
entidades que já foram criadas e que já estão em funcionamento; porém elas 
ainda não têm existência legal, pois ainda não foram registradas. 
• Massa Falida — decretando-se a falência de uma sociedade, a pessoa 
perde o direito à administração e à disposição do patrimônio, sendo que os 
bens são arrecadados e a reunião desses bens recebe o nome de massa falida. 
O Administrador Judicial da Falência a representa ativa e passivamente (ou 
seja, pode ser autor ou réu de uma ação judicial). 
• Espólio — é o conjunto de direitos e obrigações ou uma simples massa 
patrimonial deixada do de cujus; é a herança, propriamente dita. O 
inventariante prestará compromisso legal e irá representar ativa e 
passivamente, em juízo ou fora dele os interesses do espólio. 
• Herança Jacente e Vacante — é o conjunto de bens deixados pelo 
falecido, enquanto não entregue a um sucessor devidamente habilitado. 
Ocorre a herança jacente se, não havendo testamento, o de cujus não deixar 
herdeiros, ou deixando, eles renunciam, ficando sob a guarda e administração 
de um curador nomeado pelo Juiz. Aguarda-se... ninguém apareceu... Os bens 
da herança jacente são então declarados vacantes. Decorridos cinco anos da 
abertura da sucessão, os bens arrecadados passarão ao domínio do Estado 
(em sentido amplo). 
• Condomínio Especial (condomínio em edificações) - trata-se de uma 
questão controvertida. Ainda há autores que o consideram como ente 
despersonalizado. Porém a tendência é de considerá-lo como tendo 
personalidade jurídica. Inicialmente porque hoje em dia um condomínio é 
obrigado a ter CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). Além disso, no 
condomínio também há uma affectio societatis (lembram-se desta expressão 
falada no início da aula?), havendo aptidão à titularidade de direitos e deveres, 
podendo adquirir imóveis, materiais para construção, conservação e 
administração do edifício em seu nome. Acrescente-se que o Enunciado n° 90 
alterado pelo 246 das Jornadas de Direito Civil, realizadas pelo Conselho da 
Justiça Federal, orienta que: "Deve ser reconhecida personalidade jurídica ao 
condomínio edilício nas relações jurídicas". Lembrando que cabe a 
representação do condomínio (ativa e passiva) ao síndico ou administrador 
(que pode ser uma pessoa física ou jurídica). 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 36 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
No Brasil, inicialmente, tratava-se apenas de uma doutrina introduzida 
pelo direito anglo-saxão. Em razão do berço desta teoria (Inglaterra e EUA) é 
comum a utilização de termos em língua estrangeira: disregard of the legal 
entity (desconsideração da pessoa jurídica) ou disregard doctrine (doutrina da 
desconsideração), ou piercing the corporate veil (perfurando ou rasgando o 
véu da corporação ou da personalidade jurídica) ou lifting the corporate veil 
(levantando ou desvelando o véu da corporação). 
Com o tempo esta teoria foi ganhando força, fazendo jurisprudência, até 
que acabou sendo inserida no Código de Defesa do Consumidor. Daí foi se 
espalhando por todo o Direito brasileiro e acabou chegando também no Direito 
Civil, de forma expressa, com a edição do atual Código. 
Como sabemos, a pessoa jurídica, a exemplo da física, pode ser sujeito 
de direitos e obrigações, tendo existência independente dos membros que 
a compõem, ou seja, sem qualquer ligação com a vontade individual das 
pessoas físicas que a compõem. Pessoa Jurídica é uma coisa... Pessoas Físicas 
que integram a Pessoa Jurídica é outra coisa. Desta forma a Pessoa Jurídica 
somente responderá pelos débitos dentro dos limites do capital social, 
ficando a salvo o patrimônio individual dos sócios que a compõe. 
Devido a essa exclusão de responsabilidade dos sócios, que vigorava de 
forma plena em nosso Direito, a pessoa jurídica, por vezes, se desviava de 
seus princípios e finalidades, cometendo abusos, fraudes e desonestidades 
(evidente que se trata de uma minoria; não vamos aqui generalizar), 
provocando uma reação na doutrina e na jurisprudência. A pessoa jurídica 
serviria apenas como um escudo ou um manto protetor de distorções e fraudes 
levadas a efeito por uma pessoa física. Visando coibir tais abusos, surgiu a 
figura da desconsideração da pessoa jurídica. Com isso, se alcançam as 
pessoas físicas e seus bens que se escondem dentro de uma pessoa jurídica 
para fins ilícitos ou abusivos. 
Tal instituto permite ao Juiz não mais considerar os efeitos da 
personificação da sociedade, para atingir e vincular também as 
responsabilidades dos sócios, com intuito de impedir a consumação de 
fraudes e abusos, desde que causem prejuízos e danos a terceiros. Desta 
forma, os bens particulares dos administradores ou sócios podem responder 
pelos danos causados a terceiros. Uma pessoa lesada por uma empresa pode 
ser ressarcida por meio das próprias pessoas que constituíam a empresa. 
Neste caso específico e determinado, o Juiz não leva em consideração a pessoa 
jurídica (daí o termo "desconsideração da pessoa jurídica"), decidindo como se 
a própria pessoa física tivesse realizado o negócio. No entanto, o Juiz deve agir 
com cautela ao decidir pela desconsideração. Deve examinar cada caso em 
particular, se foram preenchidos todos os requisitos legais para decretação da 
medida. 
Nosso atual Código Civil acolheu tal princípio em seu art. 50: "Em caso 
de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou 
pela confusão patrimonial, pode o Juiz decidir, a requerimento da parte, ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de 
certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 37 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica". Ocorre a 
confusão patrimonial, quando se analisa a escrituração contábil (ou das contas 
bancárias) eapura-se que a sociedade costuma pagar as dívidas pessoais do 
sócio, ou que este recebe créditos dela, etc. 
Como se trata de medida excepcional, tem-se entendido que a 
desconsideração da personalidade jurídica somente pode atingir os bens da 
pessoa que incorreu na prática do ato irregular, após a observância dos 
parâmetros exigidos pela lei. 
RESUMO DA AULA 
A) PESSOAS NATURAIS (FÍSICAS) 
CONCEITO — é todo ser humano considerado como sujeito de obrigações e direitos, 
sem qualquer distinção. Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil (art. 
1o do CC). Compõe: a Personalidade, a Capacidade e a Emancipação. 
I - PERSONALIDADE — conjunto de caracteres próprios da pessoa, reconhecida 
pela ordem jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir direitos e contrair 
obrigações. Os Direitos de Personalidade estão previstos nos arts. 11 a 21 do CC. 
Lembrando que estes dispositivos não exaurem a matéria; são meramente 
exemplificativos. Com exceção dos casos previstos expressamente na lei eles são: 
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação 
voluntária. 
A) Início da Personalidade — nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, 
desde a concepção, os direitos do nascituro (o que está por nascer) - art. 2o do 
CC. Cuidado com a expressão natimorto. Ela não é considerada técnica. O 
vocábulo possui um duplo sentido: aquele que nasceu sem vida OU aquele que 
veio à luz, com sinais de vida, mas, logo morreu. 
B) Individualização (atributos da personalidade) 
1. Nome - é o sinal exterior pelo qual se designa e se reconhece uma 
pessoa perante a sociedade (arts. 16 a 19 do CC). Características: 
inalienável, imprescritível e personalíssimo. Elementos: prenome, 
patronímico (sobrenome) e agnome (Júnior, Neto, etc.). A lei protege 
de forma expressa o pseudônimo. Em princípio o nome é imutável, 
mas a lei permite inúmeras exceções (ex: situações vexatórias, erro 
gráfico, homônimo, casamento, etc.). 
2. Estado - soma das qualificações de uma pessoa na sociedade. Estado 
individual (idade, sexo, saúde mental e física, altura, peso, etc.); 
Estado político (brasileiro nato, naturalizado, estrangeiro, etc.); Estado 
familiar: quanto ao matrimônio (solteiro, casado, viúvo, etc.), quanto 
ao parentesco (pai, mãe, filho, avô irmão, etc.). 
3. Domicílio (arts. 70 a 78 do CC) - Regra básica = lugar onde se 
estabelece a residência com ânimo definitivo (art. 70, CC). É domicílio 
também, quanto às relações concernentes à profissão, onde esta é 
exercida (art. 72, CC). Elementos: a) objetivo (estabelecimento 
físico); b) subjetivo (intenção de ali permanecer). Outras regras: a) 
pluralidade domiciliar: pessoa com diversas residências onde 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 38 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
alternadamente viva ^ domicílio será qualquer delas (art. 71, CC); b) 
pessoa sem residência habitual ^ domicílio será o local onde for 
encontrada (art. 73, CC). Domicílio Legal ou Necessário: incapaz 
(absoluta ou relativamente), servidor público, militar, preso e marítimo 
(art. 76, CC). Domicílio voluntário especial: a) domicílio contratual 
(art. 78, CC) que é o local especificado no contrato para o 
cumprimento das obrigações dele resultantes; b) domicílio (ou foro) de 
eleição ou cláusula de eleição de foro (previsto no art. 111 do Código 
de Processo Civil), que é o escolhido pelas partes para a propositura de 
ações relativas às obrigações. Jurisprudência ^ não se admite o foro 
de eleição nos contratos por adesão quando dificultar os direitos do 
aderente em comparecer em juízo; considera-se como sendo uma 
cláusula abusiva e, por isso, nula. 
C) Fim da Personalidade 
1. Morte Real com corpo (certidão de óbito) ou sem corpo (justificação 
judicial - art. 88 da Lei de Registros Públicos - 6.015/73). 
2. Morte Civil - não existe mais. Deixou resquícios no Direito das 
Sucessões. Ex: indignidade (art. 1.816, CC) 
3. Morte Presumida: efeitos patrimoniais e alguns pessoais. Depende de 
um demorado processo judicial, passando por três fases (arts. 22 a 39, 
CC): a) Ausência (ou curadoria do ausente) - 01 ou 03 anos, 
dependendo da hipótese (art. 26, CC), arrecadando-se os bens que 
serão administrados por um curador; b) Sucessão Provisória - é 
feita a partilha de forma provisória, aguarda-se 10 anos o retorno do 
ausente; c) Sucessão Definitiva - na abertura já se concede a 
propriedade plena dos bens e se declara a morte (presumida) do 
ausente. Seu cônjuge é reputado viúvo. Aguardam-se mais dez anos; 
d) Fim - após o decurso deste prazo, encerra-se o processo e o 
ausente, se retornar, não terá direito a nada. 
4. Efeitos da Morte: dissolução do vínculo conjugal e do regime 
matrimonial; extinção do poder familiar; extinção da obrigação de 
prestar alimentos com o falecimento do credor; extinção dos contratos 
personalíssimos, etc. Por outro lado a vontade do de cujus (falecido) 
pode sobreviver por meio de um testamento. Além disso, ao cadáver é 
devido respeito; os militares e os servidores públicos de uma forma 
geral podem ser promovidos post mortem; permanece o direito à 
imagem, à honra, aos direitos autorais, etc. 
D) Comoriência - presunção relativa (juris tantum - admite prova em 
contrário) de morte simultânea de duas ou mais pessoas, sempre que não se 
puder averiguar quem faleceu em primeiro lugar - art. 8° CC. Aplica-se o 
instituto sempre que houver uma relação de sucessão hereditária. A 
consequência prática é que se os comorientes forem herdeiros uns dos outros, 
não haverá transferência de direitos entre eles; um não sucederá o outro. 
II - CAPACIDADE - aptidão da pessoa para exercer direitos e assumir obrigações, 
ou seja, de atuar sozinha perante o complexo das relações jurídicas. Espécies: 
Capacidade de Direito e de Fato. Quem tem as duas espécies de capacidade tem a 
capacidade plena. Incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida 
civil. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 39 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A) Capacidade de Direito (ou gozo) — própria de todo ser humano; quem tem 
personalidade (está vivo) possui capacidade de direito. 
B) Capacidade de Fato — trata-se da possibilidade de exercício dos direitos. 
Subdivide-se em: 
1. Absolutamente Incapazes (art. 3°, CC) 
a) menores de 16 anos. 
b) enfermidade ou deficiência mental sem discernimento. 
c) mesmo por causa transitória, não puderem exprimir a vontade. 
2. Relativamente Incapazes (art. 4°, CC) 
a) maiores de 16 e menores de 18 anos. 
b) ébrios habituais, viciados em tóxico e os que por deficiência mental 
tenham discernimento reduzido. 
c) excepcionais, sem desenvolvimento completo. 
d) pródigos (os que dissipam seus bens). 
Obs. Os absolutamente incapazes serão representados e os relativamente 
serão assistidos por seus representantes legais (pais, tutores ou curadores). 
^ Índios ^ são regulados por legislação especial (Lei n° 6.001/73 - Estatuto do 
Índio). 
3. Capacidade Plena — pessoas maiores de 18 anos ou emancipadas. 
III - EMANCIPAÇÃO — é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos, 
habilitando o indivíduo para todos os atos da vida civil. Definitiva e Irrevogável - Art. 
5o, parágrafo único, CC: 
1) concessão dos pais (na falta de um deles, apenas a do outro), por 
instrumento público, independentemente de homologação judicial - 16 anos. 
2) sentença do Juiz (ouvido o tutor, nos casos em que não há poder familiar) -
16 anos. 
3) casamento - idade núbil (homens e mulheres) ^ 16 anos. 
4) exercício de emprego público efetivo. 
5) colação de grau em curso de ensino superior. 
6) estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, 
com economia própria - 16 anos. 
IV - Devem ser registrados (art. 9o, CC): 
• nascimentos,casamentos e óbitos. 
• emancipação por outorga dos pais ou por sentença do Juiz. 
• interdição por incapacidade absoluta ou relativa. 
• sentença declaratória de ausência e de morte presumida. 
V - Devem ser averbados (art. 10, CC): 
• sentenças que decretam a nulidade ou anulação do casamento, bem como 
separação judicial, restabelecimento da sociedade conjugal (entende parte 
da doutrina que estas duas últimas situações estariam revogadas em face 
da EC n° 66/2010) e divórcio. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 40 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
• atos judiciais ou extrajudiciais que declaram ou reconhecem a filiação, bem 
como a adoção. 
B) PESSOAS JURÍDICAS 
CONCEITO 
Pessoa Jurídica (moral ou coletiva) - Unidade de Pessoas Naturais (físicas) ou 
de patrimônios, que visa à consecução de certos fins, reconhecido como entidade com 
aptidões de direitos e obrigações; a lei empresta-lhe personalidade, capacitando-a 
para ser sujeito de direitos e obrigações. Corrente majoritária ^ Teoria da 
Realidade Técnica. Súmula 227 do Superior Tribunal de Justiça: "A pessoa jurídica 
pode sofrer dano moral". 
CLASSIFICAÇÃO PRINCIPAL 
A) Pessoas Jurídicas de Direito Público 
1) Externo (art. 42, CC) ^ Regulamentadas pelo Direito Internacional -
Ex: outros países soberanos, Santa Sé, organismos internacionais (ONU, 
OEA). 
2) Interno (art. 41, CC) ^ O Estado. 
a) Administração Direta ou Centralizada ^ União, Estados 
Membros, Distrito Federal, Territórios e Municípios. 
b) Administração Indireta ou Descentralizada ^ Autarquias, as 
Associações Públicas (Lei n° 11.107/05) e as demais entidades de 
caráter público criadas por lei (Fundações Públicas). 
B) Pessoas Jurídicas de Direito Privado (art. 44, CC) 
1) Espécies 
a) Fundações Particulares - universalidades de bens personificados 
em atenção ao fim que lhes dá unidade (arts. 62/69, CC). Registro da 
escritura pública ou testamento. Dotação de bens livres que passam a 
ser inalienáveis e especificação dos objetivos. 
b) Partidos Políticos (Lei n° 10.825/03). 
c) Organizações Religiosas (Lei n° 10.825/03). 
d) Associações - união de pessoas, sem finalidade lucrativa. 
e) Sociedades - Simples ou Empresárias ^ ambas visam finalidade 
lucrativa; no entanto a diferença está no seu objeto: exercício (ou 
não) de atividade mercantil. Palavras chaves: organização e atividade. 
Espécies: nome coletivo, comandita simples, conta de participação, 
limitada, sociedade anônima (esta será sempre empresária) e 
comandita por ações. 
Obs. - Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista são 
consideradas como Pessoas Jurídicas de Direito Privado. 
2) Início 
a) Ato Constitutivo - ato jurídico unilateral inter vivos ou causa 
mortis (fundações) ou ato jurídico bilateral ou plurilateral 
(associações e sociedades). 
b) Registro Público - inscrição dos contratos, estatutos ou 
compromissos no seu registro peculiar. Requisitos ^ art. 46, CC. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 41 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
3) Domicílio 
a) Direito Público - art. 75, incisos I, II e III, CC. 
b) Direito Privado - Diretoria e Administração - art. 75, inciso IV, 
CC. 
c) Pluralidade Domiciliar - 75, §1°, CC. 
d) Foro de Eleição - escolhido no contrato. 
4) Término - dissolução deliberada de seus membros; hipóteses em que 
a lei determina; decurso de prazo (quando for constituída por prazo); falta de 
pluralidade de sócios; dissolução judicial. 
5) Grupos Despersonalizados ^ sociedades de fato ou irregulares, 
massa falida, espólio, etc. 
RESPONSABILIDADE 
Tanto as pessoas jurídicas de direito público como as de direito privado são 
responsáveis pelo que estiver disposto no contrato (responsabilidade contratual), 
respondendo com seus bens pelo eventual descumprimento de cláusulas contratuais. 
Já na órbita extracontratual há certa divisão em relação à responsabilidade: 
a) Pessoa Jurídica de Direito Privado - Regra ^ possui responsabilidade 
indireta, ou seja, a pessoa jurídica deve reparar o dano causado pelo seu 
representante que agiu de forma contrária ao direito. Além disso, a responsabilidade é 
solidária, pois em razão do vínculo entre a pessoa jurídica e seus funcionários, a 
vítima pode reclamar os danos tanto da pessoa jurídica como do agente causador do 
dano. 
b) Pessoa Jurídica de Direito Público - regra ^ responsabilidade objetiva 
do Estado (art. 37, §6°, CF/88 - teoria do risco administrativo - permite-se que a 
responsabilidade seja afastada em algumas hipóteses). O Estado, como regra, 
responde independentemente de culpa (em sentido amplo). No entanto tem o mesmo 
ação regressiva contra o funcionário causador do dano, se provada a culpa deste. O 
Estado não responde se não houver nexo de causalidade entre a conduta e o dano ou 
se houve culpa exclusiva da vítima no evento. 
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - disregard of the legal 
entity - Art. 50, CC ^ atinge e vincula responsabilidades dos sócios (atingindo seus 
bens particulares), com intuito de impedir abuso da personalidade jurídica, desvio de 
finalidade ou confusão patrimonial. Previsto também no C.D.C., art. 28 e seu §5°. 
TESTES 
As questões adiante seguem o padrão da CESPE/UnB, julgando 
as assertivas e colocando CERTO ou ERRADO. 
QUESTÃO 01 (CESPE/UnB - Analista Processual - MPU/2010) 
Considerando a regulamentação constitucional e civilista, julgue os 
próximos itens: 
a) De acordo com o Código Civil, o domicílio do marítimo e do militar do 
Exército é o de eleição da pessoa natural; o do preso condenado e do 
incapaz, o domicílio necessário. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 42 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
b) Para que a ocorrência de fato natural não resulte em extinção de uma 
pessoa jurídica, pode-se prever, no ato constitutivo da entidade, 
manutenção de suas atividades. 
c) Personalidade jurídica, definida como a maior ou menor extensão dos 
direitos e das obrigações de uma pessoa, representa um atributo. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. O domicílio do marítimo é o local onde o navio estiver 
matriculado e o do militar do exército, o local onde servir (portanto, nestas 
hipóteses, não há domicílio de eleição, mas sim domicílio necessário). Já o 
domicílio do preso condenado é lugar onde está cumprindo a sentença e o do 
incapaz o do seu representante ou assistente (portanto, estas pessoas 
possuem domicílio necessário). Conferir art. 76 e seu parágrafo único do CC. 
b) Certo. A expressão "ocorrência de fato natural" utilizada pelo 
examinador para a extinção da pessoa jurídica significa que pelo menos um 
dos sócios faleceu (a morte é um fato natural). E esta, de fato, pode ser uma 
causa de extinção da pessoa jurídica. Ocorre que o ato constitutivo da entidade 
pode prever o prosseguimento das suas atividades por intermédio dos demais 
membros ou de seus herdeiros. Prescreve o art. 46, VI, CC que o registro deve 
conter as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu 
patrimônio. 
c) Errado. Personalidade é o conjunto de caracteres próprios da pessoa, 
reconhecida pela ordem jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir 
direitos e contrair obrigações. É atributo da dignidade do homem. Está errado 
afirmar que ela se define como maior ou menor extensão dos direitos e 
obrigações. 
QUESTÃO 02 (CESPE/UnB - Analista e Técnico Judiciário - Área 
Judiciária - TRT 17a Região/ES - 2009) A respeito das pessoas naturais e 
jurídicas, e do domicílio, julgue os seguintes itens. 
a) No caso de preso ainda não condenado, o domicílio deste será o 
voluntário. 
b) Personalidade jurídica é a potencialidade de a pessoa adquirir direitos ou 
contrair obrigações na ordem civil. 
c) Pode ser declaradapor sentença a morte presumida da pessoa natural 
sem a necessidade da decretação da sua ausência. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. O art. 76, CC exige que haja uma sentença. Portanto, o domicílio 
necessário do preso somente se aplica quando houver sentença 
condenatória, não abrangendo casos de prisão provisória. Alguns autores 
ainda exigem que haja o trânsito em julgado da decisão condenatória. 
b) Certo. Personalidade é o conjunto de caracteres próprios da pessoa, 
reconhecida pela ordem jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir 
direitos e contrair obrigações. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 43 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
c) Certo. Pode ser declarada por sentença a morte presumida da pessoa 
natural sem a necessidade da decretação da sua ausência, nas hipóteses do 
art. 7o, CC. 
QUESTÃO 03 (CESPE/UnB - TCU - Analista de Controle Externo -
2008) Julgue os itens a seguir: 
a) Os pais de Hortelino, jovem de 19 anos de idade, faleceram em grave 
acidente automobilístico, herdando ele todos os bens e passando a residir 
com seus avós maternos. Tempos depois, necessitando saldar dívidas 
contraídas com cartão de crédito, fez, sozinho e de boa-fé, a venda de uma 
casa de praia a um casal de argentinos residentes na França. Nessa 
situação, essa venda é anulável, pois trata-se de negócio jurídico efetuado 
por indivíduo relativamente incapaz não assistido por seus representantes 
legais. 
b) Ranulfo, auditor-fiscal lotado na Delegacia da Receita Federal em Boa 
Vista-RR, foi nomeado para o cargo em comissão de diretor financeiro de 
uma autarquia com sede em Brasília. Nessa situação, durante o período em 
que ele estiver exercendo esse cargo, Ranulfo passará a ter por domicílio a 
Capital Federal, configurando-se o que se denomina domicílio necessário. 
c) Genivaldo, residente em Teresina-PI, adquiriu um automóvel por meio de 
financiamento obtido junto à financeira da própria montadora, com sede em 
São Paulo. Nesse caso, inobstante tal fato, Genivaldo poderá demandar 
judicialmente a referida instituição financeira na própria capital piauiense, 
local onde foi assinado o contrato. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Hortelino possui 19 (dezenove) anos de idade. Com essa idade 
já é absolutamente capaz (art. 5o, caput, CC). Portanto a venda que realizou 
é considerada válida. 
b) Errado. O domicílio necessário do servidor público é o local onde ele 
exerce permanentemente suas funções (art. 76, CC). No caso ele foi 
nomeado para um cargo em comissão (que não é permanente). Portanto seu 
domicílio continua sendo em Boa Vista, Roraima. 
c) Certo. O art. 78, CC prevê que os contratantes podem especificar 
domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles 
resultantes. No caso concreto é Teresina, no Estado do Piauí. 
QUESTÃO 04 (CESPE/UnB - Advogado Geral da União - 2008) 
Suponha-se que Aldo, com dezesseis anos de idade, deseja ser 
emancipado por seus pais. Nessa situação e de acordo com a 
legislação civil vigente relativa à emancipação e à família, julgue os 
itens em seguida. 
a) Se apenas o pai de Aldo desejar emancipá-lo, essa emancipação terá 
efeito de pleno direito, nos termos do Código Civil vigente. 
b) A hipótese de emancipação apresentada é classificada pela doutrina como 
emancipação voluntária. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 44 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
c) Caso Aldo se case com Maria, de dezessete anos de idade, tornar-se-á 
plenamente capaz, apesar de não ter 18 anos de idade, o mesmo ocorrendo 
com ela. 
d) Supondo que Aldo esteja concluindo a 3a série do ensino médio; caso ele 
seja aprovado no vestibular, será automaticamente emancipado. 
e) Caso Aldo seja emancipado com a concordância de seus pais e queira se 
casar após a emancipação, ainda assim deverá ter a autorização deles. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. De acordo com o art. 5o, parágrafo único, inciso I do CC, para 
se emancipar alguém é necessária a concessão de ambos os pais. Somente na 
hipótese de um dos pais faltar (ex: morte, ausência, perda ou suspensão do 
poder familiar, etc.) o outro poderá emancipar sozinho. 
b) Certo. A emancipação também é conhecida como antecipação dos 
efeitos da maioridade e possui muitas espécies. Uma delas é emancipação 
voluntária (ou emancipação parental), em que os pais autorizam a 
emancipação, sem necessitar de homologação do Juiz. Trata-se de uma 
questão em que se exige do candidato o conhecimento de expressões 
sinônimas. 
c) Certo. O casamento é forma de emancipação da pessoa natural, 
conforme o art. 5°, parágrafo único, II, CC, lembrando que a idade nupcial é 
de 16 anos. Ambos necessitarão apenas da autorização de seus pais para o 
casamento (art. 1.511, CC). A emancipação se dá com a efetiva realização do 
casamento. Lembrando que o divórcio e a viuvez não implicam no retorno à 
incapacidade. 
d) Errado. A emancipação se dá com a colação de grau superior 
(faculdade) e não o fato de ter sido aprovado em um vestibular (confira: art. 
5°, parágrafo único, inciso IV, CC). 
e) Errado. Uma vez emancipado pela concessão dos pais, a pessoa já pode 
realizar todos os atos negociais em nome próprio, sem assistência ou 
autorização de seus pais. Pode comprar, vender, doar, hipotecar, enfim, 
realizar todos os atos da vida civil, inclusive se casar, pois já é emancipado e, 
por tal motivo, absolutamente capaz. 
QUESTÃO 05 (CESPE/UnB - INSS/2008 - Analista do Seguro Social 
com Formação em Direito) No que concerne ao direito civil das 
pessoas, julgue os itens subsequentes. 
a) A capacidade de fato ou de exercício da pessoa natural é a aptidão 
oriunda da personalidade para adquirir direitos e contrair obrigações na vida 
civil. 
b) Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo 
averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão 
simultaneamente mortos. 
c) O foro de eleição constitui espécie de domicílio necessário ou legal 
especial. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 45 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. É a capacidade de direito que é oriunda da personalidade, para 
adquirir direitos e contrair obrigações, própria de todo ser humano e que só se 
perde com a morte. Já a capacidade de fato ou de exercício é a aptidão para 
exercitar por si próprio os atos da vida civil. 
b) Certo. Trata-se do instituto da comoriência, previsto no art. 8o, CC. 
c) Errado. O foro de eleição é uma espécie de domicílio voluntário especial. 
QUESTÃO 06 (CESPE/UnB - INSS/2008 - Analista do Seguro Social) 
Acerca da tutela e curatela no direito civil, julgue os seguintes itens. 
a) Tutela e poder familiar são institutos jurídicos que não se excluem, ou 
seja, podem coexistir e, assim, terem ambos, por objeto, a um só tempo, o 
mesmo incapaz. 
b) A sentença que declara a interdição do incapaz, em qualquer hipótese, 
somente produz efeitos após o seu trânsito em julgado. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A tutela é um instituto de caráter assistencial que tem por 
finalidade substituir o poder familiar. Protege o menor (impúbere ou púbere) 
não emancipado e seus bens, se seus pais falecerem ou forem suspensos ou 
destituídos do poder familiar. Somente se pode falar em tutela se não houver 
poder familiar. Portanto são institutos que se excluem. 
b) Errado (questão de doutrina). A regra é que a sentença somente produz 
efeitos após o seu trânsito em julgado. Admite-se, porém, em situações bem 
especiais, a produção de efeitos de forma retroativa, como no caso em que 
uma pessoa, reconhecidamente por todos da comunidade em que vive 
(inclusive pelo comprador) como doente mental, mas ainda não declarado por 
sentença como tal, vendeu sua casa e a ação de interdição somentefoi 
proposta posteriormente à venda. Neste caso a doutrina entende que há a 
possibilidade de retroatividade da sentença de interdição. Leva-se em 
consideração: a data da realização do negócio (próxima a do ingresso com 
ação), grau da doença mental, se a doença era aparente ou não, se era ou não 
do conhecimento da outra parte, valor do negócio, etc. Assim, o erro da 
questão reside na expressão "em qualquer hipótese". 
QUESTÃO 07 (CESPE/UnB - Analista Judiciário TST - 2008) O cientista 
francês Philippe Charlier trouxe à tona uma revelação inimaginável: os restos 
mortais da guerreira e mártir francesa Joana d'Arc são falsos — e, na 
realidade, podem ser de uma múmia egípcia. (Revista istoÉ - 11/4/2007, p. 75 - com 
adaptações). Considerando a notícia acima e a legislação civil brasileira, julgue 
os itens a seguir. 
a) Se Joana d'Arc fosse brasileira, a personalidade jurídica dessa heroína 
teria se iniciado no momento em que foi concebida, pois a partir desse 
momento estariam legalmente assegurados os seus direitos. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 46 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
b) A divulgação da referida descoberta, feita pelo cientista francês à 
imprensa, classifica-se como um fato jurídico stricto sensu. 
c) O nome do renomado pesquisador faz parte de seus direitos de 
propriedade, o que lhe assegura compensação financeira pelo uso não 
autorizado de seu nome. 
d) Se o cientista em questão fosse de nacionalidade brasileira, porém 
domiciliado na Alemanha, as regras relativas ao princípio e término de sua 
personalidade jurídica seriam as contidas no direito alemão. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. O art. 2o, CC prevê que embora a lei ponha a salvo os direitos 
do nascituro, a personalidade da pessoa natural se inicia com o nascimento 
com vida. 
b) Errado. Veremos em aula mais adiante que fato jurídico em sentido 
estrito é o nascimento, a morte, bem como outros fatos naturais dos quais não 
dependem da vontade humana. No caso concreto a divulgação da descoberta é 
um fato que depende da vontade humana 
c) Errado. Os arts. 17 e 18, CC determinam que o nome de uma pessoa 
não pode ser usado em publicações que exponham a pessoa ao desprezo 
publico, bem como em propagandas comerciais sem autorização. Como o 
relatado na questão não se encaixa nestas hipóteses, não haverá esta 
compensação financeira. 
d) Certo. A resposta para esta questão está na aula anterior, sobre a Lei de 
Introdução do Código Civil. O art. 7o, caput, da LICC prevê que "a lei do País 
em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da 
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família". 
QUESTÃO 08 (CESPE/UnB - Defensoria Pública do Estado do Espírito 
Santo - 2009) De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes. 
a) O indivíduo não pode ser constrangido a submeter-se a tratamento ou a 
intervenção cirúrgica com risco de morte. 
b) No que concerne a domicílio, é correto afirmar que, tendo uma pessoa 
natural vivido sucessivamente em diversas residências, qualquer uma delas 
será considerada como domicílio seu. 
c) A fixação da residência em determinado lugar configura o elemento 
subjetivo inerente ao conceito legal do domicílio da pessoa natural. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. É o que prevê o art. 15, CC. 
b) Errado (pegadinha). A pluralidade domiciliar somente é aplicável na 
hipótese de alternância da residência. A questão fala em "tendo vivido 
sucessivamente". Esta situação não se enquadra no disposto no art. 71, CC. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 47 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
c) Errado. A fixação da residência em determinado local configura o 
elemento objetivo. O elemento subjetivo é a intenção de permanecer neste 
local, com ânimo definitivo (também chamado de animus manendi). 
QUESTÃO 09 Julgue os itens seguintes sobre as Pessoas Jurídicas. 
a) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado, como regra, 
independe de registro, bastando a aprovação de seu contrato social pelo 
Poder Executivo. 
b) Nem todos os direitos de personalidade se aplicam às pessoas jurídicas. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A existência legal da personalidade jurídica da pessoa jurídica é 
obtida a partir da inscrição do ato constitutivo no respectivo registro (art. 45, 
CC e art. 119 da Lei n° 6.015/73). 
b) Certo. No tocante às pessoas jurídicas, realmente nem todos os direitos 
da personalidade lhes são aplicados, reservando apenas "o que couber", 
conforme o disposto no art. 52, CC. 
QUESTÃO 10 (CESPE/UnB - Procurador do Estado do Ceará - 2008) No 
que concerne ao direito de empresa, julgue o item abaixo. 
a) As sociedades simples e as empresárias têm por objeto social a 
exploração e o desenvolvimento de atividade econômica com organização 
profissional, voltada à produção ou circulação de bens ou serviços. Essas 
sociedades podem ou não ter personalidade jurídica. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A sociedade simples não realiza atividade econômica organizada 
para a produção ou circulação de bens ou serviços. Esta característica é 
somente da sociedade empresária. A sociedade simples é a formada por 
pessoas que exercem profissão intelectual (gênero), de natureza científica, 
literária ou artística (espécies), mesmo se contar com auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de 
empresa. 
QUESTÃO 11 (CESPE/UnB - Defensor Público da União) A respeito das 
pessoas jurídicas, julgue o item abaixo. 
a) A desconsideração da personalidade jurídica de uma sociedade é 
permitida nos casos em que há desvio de seu objetivo social, 
independentemente da verificação de abuso da personalidade jurídica, da 
intenção de fraudar a lei ou de causar prejuízos à própria sociedade ou a 
terceiros. Por isso, depois de despersonalizada a sociedade, os bens 
particulares dos sócios e dos administradores respondem pela dívida da 
pessoa jurídica. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A desconsideração da personalidade jurídica, prevista no art. 
50, CC é uma exceção em nosso Direito. Por isso é necessária a prova do 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 48 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
abuso da personalidade jurídica ou da intenção de fraudar a lei ou de causar 
prejuízos à própria sociedade ou a terceiros. 
QUESTÃO 12 (CESPE/UnB - questão adaptada pelo professor) Em 
relação às pessoas jurídicas, julgue os itens subsequentes. 
a) A sociedade adquire personalidade jurídica no momento da celebração do 
contrato social. 
b) Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de 
natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares 
ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento da 
empresa. 
c) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, 
qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o 
patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
d) Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao 
valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela 
integralização do capital social ou, alternativamente, por contribuição 
equivalente que consista em prestação de serviços. 
e) O Direito Civil estende às pessoas jurídicas a proteção dos direitos da 
personalidade, no que couber, havendo possibilidade de, inclusive, sofrer 
dano moral. 
f) As sociedades simples são aquelas que têm por objeto o exercício de 
atividades econômicas organizadas para a produção ou circulação de bens 
ou de serviços próprias de empresário. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Uma sociedade adquire a personalidade com a inscrição do ato 
constitutivo no respectivo registro (arts. 45 e 967, CC). 
b) Certo. Prevê o art.966, CC que é considerado empresário quem exerce 
profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a 
circulação de bens ou de serviços. Mas o seu parágrafo único determina que 
não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza 
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de 
empresa. 
c) Certo. É o que prevê o art. 978, CC. 
d) Errado. O art. 1.052, CC não menciona a possibilidade alternativa. 
e) Certo. O art. 52, CC prevê que se aplica às pessoas jurídicas, no que 
couber, a proteção dos direitos de personalidade. A Súmula 227 do STJ prevê 
que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
f) Errado. Nos termos do art. 982, CC "salvo as exceções expressas, 
considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de 
atividade própria de empresário sujeito a registro; e, simples, as demais". 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 49 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
QUESTÃO 13 (questão adaptada pelo professor) Em relação as 
autarquias, julgue os itens subsequentes: 
a) Desenvolvem atividades típicas do Estado sendo criadas para a realização 
de serviços descentralizados da entidade instituidora, especialmente aquelas 
que requeiram para seu melhor funcionamento gestão financeira e 
administrativa própria. 
b) Não são subordinadas hierarquicamente à entidade que as criou, sendo 
apenas a ela vinculadas, sujeitando-se, porém, ao chamado controle 
finalístico. 
c) Podem desempenhar atividades educacionais e previdenciárias a elas 
outorgadas pela entidade instituidora. 
d) Integram a chamada administração pública centralizada, ao contrário das 
empresas públicas e as sociedades de economia mista que fazem parte da 
Administração Centralizada. 
e) A lei instituidora não pode conferir privilégios a algumas autarquias em 
detrimento de outras; todas possuem o mesmo grau de autonomia. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. As autarquias fazem parte da administração indireta, com 
autonomia para o desempenho de serviço público descentralizado; como regra 
somente são destinadas a ela atividades típicas da administração. 
b) Certo. As autarquias possuem autonomia administrativa; não há uma 
hierarquia em relação às entidades que as criaram (não há subordinação entre 
elas, mas simples vinculação), porém há um controle político, exercido nos 
limites da lei (controle finalístico). 
c) Certo. Tais atividades são de interesse público, ao contrário das 
atividades industriais ou econômicas. 
d) Errado. Todas as entidades mencionadas pertencem à Administração 
Indireta ou Descentralizada, acrescentando-se, nesta relação, as Fundações 
Públicas. 
e) Errado. A lei instituidora pode conferir a determinadas autarquias 
privilégios específicos e maior autonomia comparativamente com as demais 
autarquias, hipótese das chamadas autarquias de regime especial (ex: 
BACEN). 
QUESTÃO 14 (questão adaptada pelo professor) A respeito das 
fundações públicas, julgue os itens subsequentes. 
a) Como regra, são instituídas para a prestação de serviços atípicos do 
Estado, mas sempre de interesse coletivo, como assistência educacional, 
saúde, cultura, pesquisa, etc. 
b) Podem ser pessoas jurídicas de direito público e de direito privado. 
c) Suas áreas de atuação devem estar definidas por lei complementar. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 50 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
d) Constituem uma universalidade de bens personalizada, destinada a um 
fim específico. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. Prescreve o art. 62, parágrafo único, CC que uma fundação (de 
direito público ou privado) somente poderá ser constituída para fins religiosos, 
morais, culturais ou de assistência. 
b) Certo. As de direito público estariam previstas no art. 41, V, CC (demais 
entidades de caráter público) e no Decreto-Lei 200/67. As de direito privado 
estão previstas no art. 44, III, CC. 
c) Certo. É o que determina o art. 37, XIX, CF/88. 
d) Certo. A fundação é uma universalidade de bens (segundo a doutrina: 
universitas bonorum). Elas resultam da afetação de um patrimônio (e não da 
união de indivíduos), personificados em atenção fim que lhe dá unidade. Em 
outras palavras: na fundação o que é importante é o seu patrimônio, destinado 
a uma determinada finalidade que lhe dá unidade. 
QUESTÃO 15 (CESPE UnB - Analista TRT/ES - 2009) Julgue o item a 
seguir. 
a) Nas associações, não há direitos e obrigações recíprocos entre os 
associados. 
COMENTÁRIOS: 
a) Certo. O parágrafo único do art. 53 do Código Civil dispõe que "não há 
direitos e obrigações recíprocos entre os associados". Assim, em uma 
associação, a relação obrigacional se dá de modo vertical entre associação e 
associado, e não entre os associados. 
QUESTÃO 16 (CESPE/UnB Defensoria Pública/AL - 2007) Em relação ao 
Direito Civil, julgue os itens a seguir. 
a) A lei concede personalidade ao nascituro, a qual termina no instante em 
que o indivíduo morre. 
b) A lei não exclui de sua proteção o menor púbere que, para eximir-se de 
uma obrigação, minta acerca de sua idade, no ato de contratar, pois a 
incapacidade é circunstância objetiva e independe da vontade do agente. 
c) A despersonalização da pessoa jurídica autoriza o juiz a ignorar a 
autonomia da pessoa jurídica e atingir o patrimônio dos sócios, vinculando 
as responsabilidades destes frente a atos ilícitos ou abusivos cometidos 
pelos representantes da pessoa jurídica. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. A lei não concede personalidade ao nascituro. O art. 2° 
determina que a personalidade da pessoa natural tem início com o nascimento 
com vida. Porém a lei assegura os direitos do nascituro, desde a sua 
concepção. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 51 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
b) Errado. Menor púbere é relativamente incapaz (maior de 16 e menor de 
18). E, determina o art. 180, CC (veremos melhor em aula mais adiante) que 
ele não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se 
dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de 
obrigar-se, declarou-se maior. 
c) Certo. Vide art. 50, CC. 
QUESTÃO 17 (CESPE/UnB - Analista Judiciário STM/2011) No que se 
refere ao Novo Código Civil, julgue o item a seguir. 
a) O menor que for emancipado aos dezesseis anos de idade em razão de 
casamento civil e que se divorciar aos dezessete anos retornará ao status de 
relativamente incapaz. 
COMENTÁRIOS: 
a) Errado. Após a celebração de um casamento, se um dos cônjuges for 
menor, será considerado emancipado. O divórcio, a viuvez e mesmo a 
anulação do casamento ocorrida logo a seguir não implicam no retorno à 
incapacidade. Em relação a um casamento nulo (não é a hipótese da 
questão) "pode" fazer com que se retorne à situação de incapaz. Obs.: a 
questão origina falava em "separar judicialmente". No entanto parte da 
doutrina entende que a separação judicial foi revogada de nosso 
ordenamento jurídico. 
TESTES DE OUTRAS BANCAS EXAMINADORAS 
OBSERVAÇÃO - Tenho um grande acervo de questões de concursos 
de outras bancas examinadoras. Portanto, achei interessante colocá-las 
também nesta aula para que o aluno tenha a ideia de que os testes, seja da 
banca que for, são bem repetitivos. Recebam isso apenas como um "plus", 
para que a aula fique ainda mais completa. Além disso, como nesta aula 
tratamos de diversos assuntos, tentei separar os testes por tema 
(personalidade, capacidade, domicílio, emancipação e pessoa jurídica), melhor 
situando a matéria e evitando que eles fiquem "misturados". Bem... vamos a 
eles: 
A) PERSONALIDADE 
A.01) De acordo com o Código Civil, os direitos inerentes à dignidade 
dapessoa humana são: 
a) absolutos, intransmissíveis, irrenunciáveis, ilimitados e imprescritíveis. 
b) relativos, transmissíveis, renunciáveis, limitados. 
c) absolutos, transmissíveis, imprescritíveis, ilimitados, renunciáveis, 
impenhoráveis. 
d) inatos, absolutos, intransmissíveis, renunciáveis em determinadas 
situações, limitados e imprescritíveis. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 52 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
e) absolutos, intransmissíveis, irrenunciáveis, ilimitados e penhoráveis. 
Comentários: 
Alternativa correta: letra "a". Nascendo com vida uma pessoa adquire a 
personalidade, que é a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. 
Desta forma uma pessoa, embora recém nascida, pode receber uma herança, 
uma doação, etc. Adquirindo a personalidade, o ser humano adquire o direito 
de defender o que lhe é próprio, como sua integridade física (vida, liberdade, 
identidade, alimentos, etc.), intelectual (liberdade de pensamento, autoria 
científica, artística e intelectual), moral (honra, segredo pessoal ou 
profissional, privacidade, imagem, opção religiosa, sexual, etc.). Lembrem-
se: a dignidade é um direito fundamental, previsto em nossa 
Constituição, que também prevê que são invioláveis a intimidade, a vida 
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito de 
indenização pelo dano material ou moral decorrente dessa violação. Os direitos 
da personalidade são direitos que existem para garantir a manifestação da 
personalidade humana; é o direito subjetivo ao respeito ao conjunto de 
características personalíssimas denominado "personalidade". O art. 11, CC 
prescreve: "Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da 
personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu 
exercício sofrer limitação voluntária". Os direitos referentes à personalidade 
(arts. 11 a 21, CC), portanto, não permitem que o seu exercício sofra limitação 
voluntária. Em outras palavras, mesmo que a pessoa queira, não pode assinar 
um contrato abrindo mão de sua vida, da sua integridade física ou moral, etc. 
Mas em alguns casos expressamente previstos em lei é possível esta limitação. 
Exemplo: eu não posso vender a autoria de um livro; porém eu posso ceder 
os direitos autorais referentes a este livro. Apesar do Código Civil se referir 
apenas a algumas características, a doutrina costuma afirmar, de uma forma 
completa, que os direitos de personalidade são: inatos (ou seja, o direito já 
nasce com o indivíduo), absolutos (ou seja, podem ser opostos contra todos, 
impondo à coletividade o dever de respeitá-los - costumamos dizer "oponível 
erga omnes"), intransmissíveis (não se transmitem - por exemplo - pela 
sucessão), indisponíveis (nem mesmo o seu titular pode desprezá-los ou deles 
dispor de foram onerosa ou gratuita), irrenunciáveis (que não se pode abrir 
mão), imprescritíveis (não correm os prazos prescricionais, podem ser 
reclamados judicialmente a qualquer tempo; no entanto não se deve confundir 
imprescritibilidade da lesão do direito de personalidade - o exercício do direito 
da personalidade é imprescritível - com a prescritibilidade da pretensão 
indenizatória de eventual dano decorrente da violação do direito de 
personalidade - este prescreve em três anos conforme o art. 206, §3o, V, CC), 
impenhoráveis (se não pode ser objeto de cessão, muito menos de penhora) e 
inexpropriáveis (ninguém pode removê-los de uma pessoa). Observem que o 
art. 11, CC não utiliza a expressão "ilimitados". Isto é fruto de construção 
doutrinária. Este termo se refere à impossibilidade de se imaginar um número 
fechado de direitos. O que se quer dizer é que não existe um número certo, 
determinado ou limitado de direitos. Eles não se resumem ao que está na lei. 
Podem existir direitos de personalidade que não estejam previstos 
expressamente na lei. A expressão não se refere à extensão do direito 
propriamente dito (pois na realidade todos os direitos possuem certos limites... 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 53 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Costumo sempre citar a seguinte expressão: "o seu direito termina quando 
começa o direito de seu próximo"), mas sim à possibilidade de existirem outros 
direitos de personalidade que não estejam previstos na lei. Notem que nas 
demais alternativas há sempre pelo menos uma palavra errada: a letra "b" 
todas as palavras estão erradas; na "c" estão erradas as palavras 
'transmissíveis' e 'renunciáveis'; na "d" renunciáveis e limitados e finalmente 
na letra "e" penhoráveis. 
A.02) (OAB/SP - 2005) Os direitos da personalidade são 
irrenunciáveis e ... 
a) disponíveis, podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
b) intransmissíveis, podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
c) intransmissíveis, podendo o seu exercício sofrer, parcialmente, limitação 
voluntária. 
d) intransmissíveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
Comentários: 
A.02) Alternativa correta: letra "d". Como vimos acima, os direitos da 
personalidade decorrem da própria Pessoa Natural, que compreende, entre 
outros, o direito à vida, à liberdade, à privacidade, à intimidade, à honra, ao 
nome, à integridade física, etc. Com fundamento no art. 11, CC tais direitos 
são irrenunciáveis e intransmissíveis, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária, salvo algumas exceções previstas na própria lei. O titular 
do direito pode ceder o exercício (e não a titularidade) de alguns dos direitos 
de personalidade (ex: o direito de imagem pode ser cedido, à título gratuito ou 
oneroso durante certo lapso de tempo). 
A.03) Sobre tutela dos direitos da personalidade assinale a alternativa 
CORRETA: 
a) falecida a pessoa, cessa a possibilidade de tutela desses direitos. 
b) é vedada à pessoa a disposição gratuita do próprio corpo. 
c) no ordenamento jurídico brasileiro, não se admite a possibilidade de 
alteração do sobrenome. 
d) para a manutenção da ordem pública, o Código Civil admite a exposição 
da imagem da pessoa sem sua autorização. 
e) uma pessoa pode ser constrangida a submeter-se a uma intervenção 
cirúrgica, mesmo que esta exponha o paciente a risco de vida. 
Comentários: 
A.03) Alternativa correta: letra "d". O direito à imagem é o de não ver a 
sua efígie exposta em público ou comercializada sem a sua autorização. Ele é 
um direito autônomo, isto é, não precisa, necessariamente, estar ligado a 
outro direito como a identidade, honra, etc. (embora muitas vezes estejam 
ligados entre si). No entanto em hipóteses especiais a lei permite a exposição 
da imagem sem autorização. O art. 20, CC prevê que "salvo se autorizadas ou 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 54 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, 
a divulgação de escrito, a transmissão da palavra ou a publicação, a exposição 
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas a seu 
requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a 
honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins 
comerciais". A letra "a" está errada, pois embora o art. 11, CC diga que os 
direitos personalíssimos sejam intransmissíveis, há ressalva de "exceções 
previstas na lei". Assim, alguns direitos podem se transmitem com a morte da 
pessoa (ex: direitos autorais), havendo ainda a proteção (ou tutela) dos 
mesmos. As pessoas que podem requerer a proteção destes direitos são: os 
cônjuges, os ascendentes ou os descendentes (art. 20, parágrafo único, CC). A 
letra "b" também está errada, pois o art. 14, CC permite a disposição gratuita 
do próprio corpo, no todo ou em parte, com o objetivo científico ou altruístico. 
Como vimos o nome (incluindoo prenome e o sobrenome) da pessoa natural 
pode ser alterado em diversas situações (alternativa "c" está errada, portanto). 
Finalmente a letra "e" está errada, pois o art. 15, CC prevê que ninguém pode 
ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a 
intervenção cirúrgica. 
A.04) Sobre os direitos de personalidade, pode-se afirmar que: 
a) a pessoa jurídica não é titular de tais direitos, por não ser detentora de 
honra. 
b) são renunciáveis, podendo seu exercício sofrer limitação voluntária. 
c) é permitida a disposição livre e onerosa do próprio corpo, para quaisquer 
fins. 
d) embora eles sejam intransmissíveis, o direito de exigir sua reparação 
transmite-se aos sucessores. 
e) caracterizam-se por serem apenas extrapatrimoniais. 
Comentários: 
A.04) Alternativa correta: letra "d". Notem, mais uma vez, que o art. 11, 
CC prescreve que os direitos de personalidade são intransmissíveis. Mas este 
próprio artigo faz a ressalva: "com exceção dos casos previstos em lei". Vejam 
como o examinador gosta das "exceções". Para a resposta ficar completa e 
bem fundamentada, devemos combinar este artigo com o art. 943, CC que 
prescreve que "o direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la 
transmitem-se com a herança". Por isso esta alternativa acabou ficando certa. 
A letra "a" está totalmente errada, pois o art. 52, CC assegura às pessoas 
jurídicas a mesma proteção cabível para a proteção da personalidade. A letra 
"b" está errada, pois os direitos da personalidade, como vimos, são 
irrenunciáveis. A letra "c" também está errada. Os artigos 13 e 14, CC regulam 
o tema; observem o que dispõe o art. 14: "É válida, com objetivo científico, 
ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, 
para depois da morte". Assim a disposição do próprio corpo deve ser gratuita e 
para fins específicos (e não qualquer finalidade, como ficou na questão). 
Finalmente a letra "e" também está errada, não só pela expressão "apenas", 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 55 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
mas porque os direitos da personalidade podem ser patrimoniais em algumas 
hipóteses. 
A.05) (Procurador do Distrito Federal - 2005) Quanto aos direitos de 
personalidade, pode-se afirmar: 
a) é vedado, seja qual for a hipótese, à pessoa juridicamente capaz, dispor 
gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio corpo, pois os direitos 
de personalidade, entre os quais se pode citar a integridade física, são 
irrenunciáveis. 
b) é viável a utilização, por terceiro, da imagem de uma pessoa, desde que 
tal uso não lhe atinja a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, nem se 
destine a fins comerciais. 
c) pelo Código Civil os direitos de personalidade são irrenunciáveis, porém 
são admitidas diversas limitações voluntárias. 
d) embora o nome de uma pessoa goze de proteção legal, o mesmo não se 
dá quanto ao pseudônimo utilizado em atividades lícitas. 
e) apenas o titular do direito de personalidade pode exigir que cesse a 
ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, 
sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, sendo vedado a qualquer 
outra pessoa levar a efeito tais medidas, ainda que o titular do direito de 
personalidade já tenha falecido. 
Comentários: 
A.05) Alternativa correta: letra "b". O artigo 5o, XXVIII, "a" da 
Constituição Federal combinado com o art. 20, CC tutelam o direito à imagem, 
porém não proíbem o seu uso por terceiros se isto não atingir a honra, a boa 
fama, a respeitabilidade, nem se destine a fins comerciais. A letra "a" está 
errada, pois o art. 14, CC permite a disposição gratuita do próprio corpo, no 
todo ou em parte, para depois da morte. Já o art. 13 e o seu parágrafo único, 
CC permite a disposição do próprio corpo, mesmo estando a pessoa viva, 
desde que para fins de transplante e desde que não importe em diminuição 
permanente da integridade física ou contrarie os bons costumes. A letra "c" é a 
mais sutil: ela está errada, pois o art. 11, CC não admite limitação voluntária 
ao direito de personalidade; eventuais exceções são raras e devem estar 
expressamente prevista na lei. A letra "d" está errada, pois o art. 19, CC 
equipara o pseudônimo ao nome para fins de proteção civil. A letra "d" está 
errada, uma vez que o pseudônimo, utilizado para atividades lícitas tem a 
mesma proteção jurídica que se dá ao nome (art. 19, CC). A letra "e" está 
errada, pois o art. 12, parágrafo único do CC prevê que em se tratando de 
pessoa falecida, terá legitimidade para proteger sua personalidade o cônjuge 
ou qualquer parente em linha reta (que são os descendentes ou ascendentes) 
ou colaterais até quarto grau (que são os irmãos, tios, sobrinhos, primos, 
etc.), portanto não é só apenas o titular do direito que pode mover ações 
judiciais. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 56 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A.06) (Tribunal Regional Federal - 1a Região - Técnico Administrativo 
- 2006) Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos de 
personalidade são: 
a) irrenunciáveis, mas transmissíveis, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. 
b) renunciáveis e transmissíveis, podendo o seu exercício sofrer limitação 
voluntária. 
c) irrenunciáveis e intransmissíveis, mas pode o seu exercício sofrer limitação 
voluntária. 
d) renunciáveis e transmissíveis, mas não pode o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. 
e) irrenunciáveis e intransmissíveis, não podendo o seu exercício sofrer 
limitação voluntária. 
Comentários: 
A.06) Alternativa correta: letra "e". Trata-se, mais uma vez, do texto 
literal do art. 11, CC. O examinador apenas deseja que se complete o texto do 
cabeçalho com a alternativa que esteja exatamente de acordo com o 
dispositivo legal. 
A.07) (Magistratura do Trabalho - 8a Região/PA - 2007) Assinale a 
alternativa CORRETA da disciplina do Código Civil sobre os direitos de 
personalidade: 
a) os direitos de personalidade são sempre intransmissíveis e irrenunciáveis, 
não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
b) é sempre defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar 
diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes; 
todavia é válida a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, 
para depois da morte, com objetivo altruístico ou científico. 
c) com a finalidade de preservação do direito à integridade física é possível, 
mediante determinação judicial, a adoção coativa de tratamento médico ou a 
intervenção cirúrgica. 
d) o nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, desde que presente a 
intenção difamatória, bem como, sem autorização, não será utilizado em 
propaganda comercial. 
e) o pseudônimo adotado para atividade lícitas goza da proteção que se dá 
ao nome. 
Comentários: 
A.07) Alternativa correta: letra "e". A alternativa está correta, pois se trata 
do texto exato previsto no art. 19, CC. A alternativa "a" está errada por causa 
da expressão "sempre". Notem que o art. 11, CC prevê inicialmente que: "com 
exceção dos casos previstos em lei, os direitos de personalidade são 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 57 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
intransmissíveis...". A letra "b" está errada. Trata-se do mesmo problema da 
alternativa anterior: a expressão sempre. Isto porque o art. 13 inicia sua 
redação prevendo que "salvo por exigência médica...". A letra "c" está errada, 
pois o art. 15, CC determina que ninguém pode ser constrangido a submeter-
se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. 
Portanto, não há mais a chamada supremaciado interesse médico-científico, 
que se invocava em nome da coletividade. Atualmente adotou-se o Princípio da 
Autonomia do Paciente. A alternativa "d" também está errada por uma 
sutileza. A alternativa utiliza a expressão "desde que presente a intenção 
difamatória". No entanto o art. 17, CC prevê o direito ao nome, "ainda quando 
não haja a intenção difamatória". 
A.08) (CESPE/UnB - OAB/SP - 2008) Não é própria aos direitos da 
personalidade a qualidade de: 
a) imprescritibilidade. 
b) irrenunciabilidade. 
c) disponibilidade. 
d) efeitos erga omnes. 
e) impenhorabilidade. 
Comentários: 
A.08) Alternativa correta: "c". Cuidado com a forma de elaboração da 
questão. O "não" pode confundir. Na verdade a questão quer saber qual a 
alternativa errada. Como vimos os direitos de personalidade, salvo as exceções 
previstas em lei, entre outras características, são imprescritíveis, 
irrenunciáveis, possuem efeitos erga omnes (extensíveis a todos) e 
impenhoráveis. Portanto não é própria aos direitos de personalidade a 
disponibilidade (ou seja, em regra eles são indisponíveis). 
A.09) (Fundação Getúlio Vargas - Magistratura do Estado do Pará) O 
Código Civil, no âmbito dos direitos da personalidade, no que concerne 
às circunstâncias de transgenitalização: 
a) proíbe. 
b) impõe. 
c) estimula. 
d) permite. 
e) vilipendia. 
Comentários: 
A.09) Alternativa correta: letra "d". Transgenitalização é a cirurgia para 
alteração de sexo, adaptando o corpo (sexo biológico) à mente (sexo psíquico) 
da pessoa. Não há uma previsão expressa autorizando a operação. No entanto 
o entendimento é de que tanto a Constituição Federal como o Código Civil, de 
forma implícita, permitem a cirurgia. Inclusive já há inúmeras decisões 
judiciais garantindo o direito dos transexuais de realizar a cirurgia de 
transgenitalização pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 58 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A.10) (OAB/RS - 2006) Em se tratando de direitos da personalidade, 
assinale a alternativa CORRETA. 
a) na hipótese de manutenção da ordem pública, a lei civil autoriza a 
divulgação da imagem da pessoa sem a sua devida e prévia autorização. 
b) os direitos da personalidade se enquadram no campo dos direitos 
eminentemente relativos. 
c) ocorrendo a morte da pessoa, cessa a tutela sobre sua personalidade. 
d) não há previsão legal que regule a possibilidade de alteração do 
sobrenome da pessoa. 
e) o elemento que permite integrar o nome, objetivando distinguir pessoas 
de uma mesma família com nomes iguais denomina-se codinome. 
Comentários: 
A.10) Alternativa correta: letra "a". O art. 20, CC determina que "salvo se 
autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da 
ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a 
publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser 
proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se 
lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a 
fins comerciais". Portanto é possível, em casos especiais, a divulgação da 
imagem da pessoa sem a sua devida e prévia autorização. A letra "b" está 
errada, pois segundo a doutrina tais direitos são absolutos, ou seja, podem ser 
opostos contra todos. A letra "c" está errada, pois tanto o parágrafo único do 
art. 12, CC, como o parágrafo único do art. 20, CC, prevêem que ao morto 
também há proteção dos direitos de personalidade e atribuem legitimidade ao 
cônjuge sobrevivente ou a seus parentes para a propositura de ações 
pertinentes. Quanto à possibilidade de alteração do nome, a Lei de Registros 
Públicos (6.015/73) prevê expressamente inúmeras hipóteses em que isso é 
possível. Já a letra "e" não estava na prova original. Caiu em um outro exame 
do Distrito Federal. Mas acrescentei nesta questão para ficar mais completa. A 
alternativa está errada, pois este sinal distintivo se refere ao agnome (Júnior, 
Neto, Sobrinho, etc.) e não ao codinome. A doutrina se refere a este termo 
(não está previsto na lei) como sinônimo de apelido. Quem não se lembra da 
música "Codinome Beija-flor" do Cazuza? 
A.11) (OAB/MG - 2007) Assinale a afirmativa CORRETA: 
a) a publicação, exposição ou utilização da imagem da pessoa é, de maneira 
geral, permitida, sendo necessária sua autorização se lhe atingir a honra, a 
boa fama ou a respeitabilidade, ou se destinar a fins comerciais. 
b) a existência legal da pessoa natural se dá a partir do registro no Cartório 
Civil das Pessoas Naturais. 
c) o nome da pessoa natural é protegido contra qualquer divulgação ou 
publicação não autorizada pelo titular, podendo este obter judicialmente a 
cessação da divulgação ou publicação ou, ainda, indenização pelas perdas e 
danos daí decorrentes. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 59 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
d) havendo alguma lesão ao direito de personalidade, o interessado tem 
direito de reclamar somente as eventuais perdas e danos desta lesão. 
Comentários: 
A.11) Alternativa correta: letra "a". Na verdade é exatamente esse o 
sentido e o alcance da lei. Confiram o art. 20, CC. A letra "b" está errada, pois 
a existência legal da pessoa natural se dá com o nascimento com vida (art. 2o, 
CC), e não com o registro. A letra "c" está errada e o erro é sutil, pois embora 
o nome da pessoa seja protegido, esta proteção não é contra qualquer 
divulgação como exposto na questão, mas apenas em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, conforme o art. 17, CC. 
Também não se pode usar o nome alheio, sem autorização, em propaganda 
comercial (art. 18, CC). A letra "d" está errada, pois o interessado pode, além 
de reclamar perdas e danos, exigir também que cesse a ameaça ou lesão a 
direito de personalidade, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 
A.12) (Delegado de Polícia Civil do Estado de Goiás - 2003) O Código 
Civil preceitua que "se pode exigir que cesse a ameaça ou a lesão, a 
direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de 
outras sanções previstas em lei". Em caso de morte, tem legitimação 
para requerer a medida prevista no artigo citado: 
a) o cônjuge sobrevivente e os demais descendentes. 
b) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até o 
terceiro grau. 
c) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até o 
quarto grau. 
d) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até o 
segundo grau. 
e) o cônjuge sobrevivente, os descendentes e os colaterais até o quarto grau. 
Comentários: 
A.12) Alternativa correta: letra "c". Trata-se do texto exato previsto no 
parágrafo único do art. 12, CC. Observem que a diferença entre as alternativas 
é muito sutil. 
A.13) (Defensoria Pública do Estado do Ceará - FCC - 2009) O 
envelhecimento é um direito personalíssimo e sua proteção um direito 
social, razão pela qual fica assegurada a gratuidade dos transportes 
coletivos públicos, urbanos e semiurbanos, a toda pessoa com mais 
de: 
a) 65 anos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados 
paralelamente aos serviços regulares. 
b) 60 anos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados 
paralelamente aos serviços regulares. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 60 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
c) 65 anos, incluindo-se os serviços seletivos e especiais, ainda que 
prestados paralelamente aos serviços regulares. 
d) 70 anos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados 
paralelamente aos serviços regulares. 
e) 65 anos, exceto nos serviços seletivos e especiais, mesmo quando inexistir 
serviçosregulares. 
Comentários: 
A.13) Alternativa correta: letra "a". Esta matéria está prevista na Lei n° 
10.741/03 (Estatuto do Idoso). Ela apenas complementa o Código Civil. Não 
faz parte da aula, embora caia em alguns concursos, que exige a lei de forma 
expressa. Selecionamos esta questão devido à curiosidade do tema. Estabelece 
a lei: Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos 
transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e 
especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares. §1o Para ter acesso à 
gratuidade, basta que o idoso apresente qualquer documento pessoal que faça prova de sua 
idade. §22 Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo, serão reservados 10% 
(dez por cento) dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a placa de 
reservado preferencialmente para idosos. §3o No caso das pessoas compreendidas na faixa 
etária entre 60 (sessenta) e 65 (sessenta e cinco) anos, ficará a critério da legislação local 
dispor sobre as condições para exercício da gratuidade nos meios de transporte previstos no 
caput deste artigo. Art. 40. No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos 
termos da legislação específica: I - a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para 
idosos com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos; II - desconto de 50% 
(cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das passagens, para os idosos que excederem as 
vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos. Parágrafo único. 
Caberá aos órgãos competentes definir os mecanismos e os critérios para o exercício dos 
direitos previstos nos incisos I e II. Art. 41. É assegurada a reserva, para os idosos, nos 
termos da lei local, de 5% (cinco por cento) das vagas nos estacionamentos públicos e 
privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade ao 
idoso. Art. 42. É assegurada a prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte 
coletivo. 
A.14) (Advogado Contencioso do BNDES - 2009) Desaparecendo 
alguém em uma catástrofe, provada a sua presença no local do 
acidente e não sendo encontrado o cadáver para exame: 
a) será declarado morto à vista após a confecção do Boletim de Ocorrência 
registrando o sinistro e de sua apresentação no Cartório de Pessoas Naturais. 
b) somente será considerado morto vinte anos depois de passada em julgado 
a sentença de abertura da sucessão provisória. 
c) se o ausente contar com 70 anos e decorrendo cinco anos de suas últimas 
notícias, será declarado morto. 
d) poderão os juízes togados, mediante justificação, determinar a lavratura 
do assento de óbito. 
e) será declarado morto apenas depois de contar oitenta anos de idade e 
haverem decorrido cinco anos de suas últimas notícias. 
Comentários: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 61 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
A.14) Alternativa correta: letra "d". Trata-se da justificação judicial, 
disciplinada no art. 88 da Lei n° 6.015/73 (Lei de Registros Públicos). 
Lembrando que "juiz togado" é uma expressão da própria lei referindo-se ao 
Juiz graduado em Direito, aprovado em concurso de provas e títulos para o 
ingresso na Magistratura. Toga é o vestuário especial que o Juiz usa nas 
audiências (eu, particularmente, costumo usar nas audiências de julgamento). 
A.15) (ESAF - AFRFB/2009) Se uma pessoa, que participava de 
operações bélicas, não for encontrada até dois anos após o término da 
guerra, configurada está a: 
a) declaração judicial de morte presumida, sem decretação de ausência. 
b) comoriência. 
c) morte civil. 
d) morte presumida pela declaração judicial de ausência. 
e) morte real. 
Comentários: 
A.15) Alternativa correta: letra "a". O art. 7o, inciso II, CC determina que 
"pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência de 
pessoa desaparecida em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até 
dois anos após o término da guerra". 
B) CAPACIDADE 
B.01) São consideradas absolutamente incapazes pela atual legislação 
civil: 
I - os menores de 16 anos. 
II - os maiores de 80 anos. 
III - os silvícolas. 
IV - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiveram o 
necessário discernimento para a prática desses atos. 
V - os que, por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
ASSINALE: 
a) os itens I, II e IV são considerados corretos. 
b) somente o item I está correto. 
c) os itens I, IV e V estão corretos. 
d) somente o item V está incorreto. 
e) todas as alternativas estão corretas. 
Comentários: 
B.01) Alternativa correta: letra "c". O art. 3o, CC arrola as pessoas que são 
absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I - os 
menores de dezesseis anos; II - os que, por enfermidade ou deficiência 
mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III 
- os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 62 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Portanto o que está afirmado nas proposições I, IV e V está correto. O maior 
de 80 anos, por si só não é incapaz. A velhice (senilidade ou senectude), por si 
só não limita a capacidade da Pessoa Natural. Esta somente será considerada 
incapaz se a velhice originar um estado patológico, uma doença (esclerose 
mental), hipótese em que a incapacidade resulta do estado psíquico e não da 
velhice propriamente dita (item II errada). A palavra "silvícola" não consta 
mais do Código Civil. O Código anterior dizia que o silvícola era relativamente 
incapaz. O atual, além de não usar mais este termo, determina que a 
capacidade do índio será regulada pela legislação especial (Estatuto do Índio), 
portanto o item III também está errado. 
B.02) São absolutamente incapazes os menores de: 
a) 16 anos; os que somente não puderem exprimir sua vontade, em razão e 
por causa permanente. 
b) 18 anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o 
necessário discernimento para os atos da vida civil; os excepcionais sem 
desenvolvimento mental completo. 
c) 16 anos; os que por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o 
necessário discernimento para os atos da vida civil; os que mesmo por causa 
transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
d) 16 anos; os ébrios habituais; os pródigos; os toxicômanos. 
e) 16 anos, os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o 
necessário discernimento para os atos da vida civil; os pródigos. 
Comentários: 
B.02) Alternativa correta: letra "c". Esta alternativa está completa, pois 
contempla todas as hipóteses do art. 3o, CC, que trata dos absolutamente 
incapazes. A alternativa "a" esta errada, pois fala daqueles que não podem 
expressar ou exprimir a vontade somente por causa permanente, no entanto o 
inciso III do art. 5o fala em "mesmo por causa transitória não puderem 
exprimir a sua vontade". A letra "b" está errada quanto à idade (o correto seria 
16 anos) e no tópico "os excepcionais sem desenvolvimento mental completo" 
(pois esta é uma causa de incapacidade relativa). A letra "d" também está 
errada, pois os ébrios habituais, os pródigos e os toxicômanos são causas de 
incapacidade relativa. Finalmente a alternativa "e" também está errada, pois 
menciona o pródigo, que é relativamente incapaz. 
B.03) É INCORRETO afirmar que são incapazes, relativamente a certos 
atos ou à maneira de os exercer: 
a) os ébrios habituais e os que, por deficiência mental, tenham o 
discernimento reduzido. 
b) os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. 
c) os maiores de 14 e menores de 18 anos. 
d) os pródigos. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br63 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
e) os viciados em tóxicos que por este motivo tenham o discernimento 
reduzido. 
Comentários: 
B.03) Alternativa incorreta: letra "c". São relativamente incapazes (art. 4o, 
CC) os: maiores de 16, mas menores de 18 anos; os ébrios habituais, os 
viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento 
reduzido; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo e os 
pródigos. Portanto o critério etário (relativo à idade) apontado na questão 
(entre 14 e 18 anos) está errado. Observem que todas as demais alternativas 
estão previstas no mencionado dispositivo e, portanto, corretas. 
B.04) Uma pessoa com dezenove anos de idade, que sempre trabalhou 
na roça, sendo que por esse motivo não teve o seu registro de 
nascimento realizado: 
a) por não ter sido registrada ainda, não existe juridicamente como pessoa 
natural. 
b) é pessoa plenamente capaz. 
c) é pessoa relativamente incapaz. 
d) é pessoa absolutamente incapaz. 
e) não será considerada pessoa, nem mesmo se for registrada, pois não há 
registro retroativo. 
Comentários: 
B.04) Alternativa correta: letra "b". O início da personalidade civil da 
pessoa natural ou física se dá com o nascimento com vida (art. 2o, CC). E não 
com o efetivo registro do nascimento. Para a pessoa física o registro é um ato 
declaratório, isto é, a certidão de nascimento somente vai declarar uma 
situação que já ocorreu (o próprio nascimento). Veremos na aula sobre 
pessoas jurídicas que o registro delas é um ato constitutivo, ou seja, é o 
registro da pessoa jurídica que faz com que ela "nasça". No teste em análise, a 
pessoa tem 19 anos e não há nada que limite a sua capacidade. Portanto ela é 
absolutamente capaz. No entanto, apesar disso, na prática terá muitos 
problemas pela falta de registro (ou certidão de nascimento). 
B.05) (OAB/RS - 2006) Quanto à capacidade civil, podemos afirmar 
que: 
a) os menores de 18 anos são absolutamente incapazes para exercer 
pessoalmente qualquer ato da vida civil. 
b) são relativamente incapazes os que, mesmo por causa transitória, não 
puderem exprimir sua vontade. 
c) os menores de 16 anos já podem contratar, sem haja vício de vontade. 
d) os pródigos são incapazes relativamente a certos atos. 
Comentários: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 64 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
B.05) Alternativa correta: letra "d". Capacidade é a aptidão para exercer, 
por si só, os atos da vida civil. Trata-se da capacidade de fato (ou capacidade 
para exercício do direito). Segundo o art. 4°, IV, CC os pródigos são incapazes, 
relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer. O pródigo (pessoa 
que de forma compulsiva dissipa seu patrimônio) pode praticar, por si só e de 
forma válida os atos da vida civil que não envolvam e nem comprometam seu 
patrimônio. Não pode emprestar, dar quitação, alienar, hipotecar, etc. Ele será 
interditado e o seu representante legal irá assisti-lo nos atos. A letra "a" está 
errada, pois a incapacidade absoluta neste caso seria para os menores de 16 
anos. A letra "b" está errada, pois as pessoas que mesmo por causa 
transitória, não puderem exprimir sua vontade são absolutamente incapazes 
(art., 3°, III, CC). A letra "c" está errada, pois os menores de 16 anos são 
absolutamente incapazes e não podem realizar os negócios da vida civil, entre 
eles o de contratar, sob pena de nulidade, portanto há vício de vontade. 
B.06) (Magistratura - São Paulo. Concurso 171) O Código Civil exige, 
para a validade na realização de um ato jurídico, que o agente seja 
capaz. Tal disposição legal configura a exigência de que o agente: 
a) tenha capacidade de gozo ou de direito. 
b) tenha capacidade de fato ou exercício. 
c) seja pessoa física, dotado de personalidade jurídica. 
c) somente tenha sempre mais de 18 anos. 
d) mesmo menor de 16 anos, seja assistido por seu representante legal. 
Comentários: 
B.06) Alternativa correta: letra "b". Embora basta nascer com vida para se 
adquirir a personalidade, nem sempre se terá capacidade. A capacidade pode 
ser classificada em: a) de direito ou de gozo, que é própria de todo ser 
humano, inerente à personalidade e que só se perde com a morte. É a 
capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações; b) de fato ou de 
exercício que serve para exercitar por si os atos da vida civil. A capacidade de 
direito não pode ser negada ao indivíduo, mas pode sofrer restrições quanto ao 
seu exercício. A questão trata da capacidade para os atos jurídicos. Logo está 
se referindo à capacidade de fato, ou seja, para exercitar os direitos. Portanto 
as alternativas "a" e "c" estão erradas. A alternativa "d" está errada, pois uma 
pessoa pode ter mais de 18 anos e ser incapaz (ex: doente mental); a letra "e" 
também está errada, pois o menor de 16 anos deve ser representado (e não 
assistido) por seus representantes legais. 
B.07) A venda de um imóvel por um menor, com dezessete anos de 
idade, sem ter sido assistido, mas após sua aprovação no concurso 
vestibular, do qual participou pagando a inscrição com suas próprias 
economias, será: 
a) inexistente, porque o menor não foi emancipado. 
b) ineficaz, porque o agente não foi assistido nem representado. 
c) anulável, porque o agente é relativamente incapaz. 
d) anulável, porque o agente é absolutamente incapaz. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 65 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Comentários: 
B.07) Alternativa correta: letra "c". Como vimos anteriormente, o menor, 
entre 16 e 18 anos é considerado relativamente incapaz. Logo, para realizar 
um negócio jurídico válido (ex: a compra e venda de um imóvel), seria 
necessário ser assistido pelos seus representantes legais, sob pena de 
anulação deste negócio (se fosse menor de 16 anos, seria considerado 
absolutamente incapaz e o negócio seria reputado como nulo). O fato de ter 
ingressado em uma faculdade não o emancipa, pois a causa de emancipação é 
o fato ter colado grau em curso de ensino superior. Da mesma forma, o fato de 
ter pago sua inscrição com economia própria não o emancipa, pois a causa 
legal de emancipação é "pelo estabelecimento civil ou comercial ou pela 
existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com 
16 anos completos tenha economia própria". 
B.08) Assinale a alternativa CORRETA: 
a) a incapacidade será absoluta, quando houver proibição total do exercício 
do direito pelo incapaz, acarretando, em caso de violação do preceito, a 
possibilidade de decretação da anulação do ato. 
b) os menores somente são capazes de direitos e obrigações, quando 
representados ou assistidos. 
c) os menores relativamente incapazes, independente da presença de 
assistente, podem ser testemunhas em atos jurídicos e elaborar o seu próprio 
testamento. 
d) nosso Código Civil trata do instituto da comoriência, no livro do Direito das 
Sucessões, em razão de sua relevância para esse ramo do Direito Civil, que 
trata sobre a presunção absoluta de morte simultânea. 
Comentários: 
B.08) Alternativa correta: letra "c". Observem como uma questão 
relativamente fácil pode se tornar um pouco mais difícil pela redação das 
alternativas. O examinador redigiu as alternativas de uma maneira em que o 
candidato deve pensar um pouco mais ao analisá-las. Além disso, exige 
conhecimentos específicos da parte especial do Código. De fato, a letra "c" está 
correta, pois um menor, entre 16 e 18 anos, já pode praticar alguns atos, 
mesmo sem assistência, tais como: casar (embora necessite para tanto de 
autorização dos pais - art. 1517, CC), fazer testamento (art. 1.860, parágrafo 
único, CC), servir como testemunha em contratos (art. 228, I, CC), celebrar 
contrato de trabalho,ser eleitor, receber poderes no contrato de mandato (art. 
666, CC), etc. A alternativa "a" está errada, pois menciona que a incapacidade 
absoluta gera a anulação do ato. Na verdade a incapacidade absoluta gera a 
nulidade absoluta do ato; ou seja, o ato é nulo de pleno direito. O problema da 
nulidade ou anulabilidade será visto mais adiante, com maior profundidade, 
quando tratarmos do tema Negócio Jurídico. A "b" também está errada, pois 
uma pessoa, mesmo menor pode ser considerada capaz, se for emancipada; 
além disso, os menores possuem capacidade de direito ou gozo (que é 
inerente à personalidade). Portanto a expressão 'somente' está errada. Já a 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 66 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
letra "d" também está errada, pois a comoriência é tratada na Parte Geral do 
Código e trata da presunção relativa de morte simultânea. 
B.09) (Analista Judiciário - 4a Região - 2005) A respeito das Pessoas 
Naturais, é CERTO que: 
a) os ébrios habituais, os viciados em tóxico e os pródigos são absolutamente 
incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil. 
b) a personalidade civil da pessoa começa com a concepção e termina com a 
morte, ainda que presumida, com ou sem declaração de ausência. 
c) os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo são incapazes, 
relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer. 
d) a menoridade cessa aos 21 anos completos, quando a pessoa fica 
habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
e) a declaração da morte presumida só poderá ser requerida se alguém, 
desaparecido em campanha, não for encontrado até 02 (dois) anos após o 
término da guerra. 
Comentários: 
B.09) Alternativa correta: letra "c". Esta alternativa está certa, pois traz o 
texto expresso do art. 4o, inciso III, CC. A alternativa "a" está errada, pois de 
acordo com o art. 4o, CC as pessoas nele arroladas são relativamente 
incapazes. A alternativa "b" está errada, pois o Brasil (art. 2o, CC) adotou a 
Teoria Natalista; ou seja, inicia-se a personalidade com o nascimento com 
vida, e não com a concepção (embora a lei ponha a salvo os direitos do 
nascituro). A segunda parte da alternativa está correta, pois o art. 6o, CC 
prevê que a existência da pessoa natural termina com a morte, ainda que 
presumida e o art. 7o, CC permite, em circunstâncias especiais a declaração de 
morte presumida sem a decretação de ausência, como veremos na análise da 
alternativa "e". A letra "d" está errada, pois o art. 5°, CC determina que a 
menoridade cessa aos 18 anos completos. A letra "e" também está errada. 
Embora a alternativa traga um exemplo de morte presumida sem declaração 
de ausência, não é apenas esta hipótese que autoriza a declaração da morte 
presumida. Outro exemplo é o caso em que "for extremamente provável a 
morte de quem estava em perigo de vida" (art. 7o, II, CC). Portanto a 
expressão "só" tornou a alternativa errada. 
B.10) (Procurador do Banco Central - 2005) São relativamente 
incapazes: 
a) os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário 
discernimento para a prática dos atos da vida civil. 
b) os maiores de 18 (dezoito) e menores de 21 (vinte e um anos). 
c) os ébrios habituais e os viciados em tóxicos que tenham o discernimento 
reduzido. 
d) os que, por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
e) os menores de 16 (dezesseis) anos. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 67 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
Comentários: 
B.10) Alternativa correta: letra "c". Embora a alternativa apontada como 
correta não esteja completa, isto é, não traga todas as hipóteses do rol dos 
relativamente incapazes (art. 4o, CC), no entanto é a única que não contém 
erros. Observem que as letras "a", "d" e "e" trazem hipóteses de 
absolutamente incapazes (art. 3o, CC). A letra "b" também está errada, pois a 
pessoa natural (ou física) quando completa 18 anos já é considerada 
absolutamente capaz. 
B.11) (Procurador do Banco Central - 2005) A existência da Pessoa 
Natural termina com a morte, 
a) a qual pode ser declarada, pelo Juiz, sem decretação de ausência, se for 
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. 
b) presumindo-se a morte quanto aos ausentes, desde que aberta a sua 
sucessão provisória. 
c) a qual nunca pode ser presumida. 
d) e o ausente será presumido morto somente depois de contar 80 (oitenta) 
anos de idade e de 05 (cinco) anos antes forem suas últimas notícias. 
e) e o ausente será considerado presumidamente morto depois de 10 (dez) 
anos do pedido de sucessão definitiva. 
Comentários: 
B.11) Alternativa correta: letra "a". De fato, o art. 6o, CC determina que a 
existência da pessoa natural termina com a morte, presumindo-se esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura da sucessão 
definitiva. No entanto o art. 7o, I, CC permite a declaração de morte presumida 
sem a declaração de ausência, se for extremamente provável a morte de quem 
estava em perigo de vida. A letra "b" está errada, pois como vimos da leitura 
do art. 6°, CC a presunção da morte se dá nos casos em que a lei autoriza a 
abertura da sucessão definitiva (e não provisória, como na questão). A letra 
"c" está errada, pois afirma que a morte nunca poderia ser presumida, o que 
vai de encontro com os artigos mencionados. A letra "d" está errada, pois o 
art. 38, CC prevê que se pode requerer a sucessão definitiva, também, 
provando-se que o ausente conta com 80 (oitenta) anos de idade e que de 05 
(cinco) datam as últimas notícias dele. Trata-se, portanto, de uma hipótese a 
mais de presunção de morte e não 'somente' esta hipótese (como afirmado na 
questão). Finalmente a letra "e" está errada, pois afirma que o ausente será 
presumido morto depois de 10 (dez) anos do pedido de sucessão definitiva, 
quando o correto seria 10 (dez) anos depois do trânsito em julgado da 
sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória (art. 37,CC). 
B.12) (ESAF - Advogado da IRB - Brasil Resseguros - 2008) Assinale a 
opção FALSA: 
a) o direito à personalidade é o direito da pessoa defender o que lhe é 
próprio, como a vida, a identidade, a liberdade, a imagem, a privacidade, a 
honra, etc. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 68 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
b) pessoa idosa poderá sofrer interdição se a senectude originar um estado 
patológico, retirando-lhe o necessário discernimento para pratica atos 
negociais. 
c) o pródigo é considerado, se sofre interdição, relativamente incapaz, 
estando privado, sem assistência do curador, da prática de atos que possam 
comprometer o seu patrimônio. 
d) o direito brasileiro não admite a declaração de morte presumida sem 
decretação de ausência, para, em casos excepcionais, viabilizar o registro do 
óbito, resolver problemas jurídicos e regular a sucessão causa mortis. 
e) o instituto da incapacidade visa proteger os que são portadores de alguma 
deficiência jurídica apreciável, graduando a forma de proteção. 
Comentários: 
B.12) Alternativa incorreta: letra "d". O que ocorre é exatamente o 
contrário. O art. 7°, CC admite a declaração de morte presumida sem 
decretação de ausência, sempre que for extremamente provável a morte de 
alguém que estava em perigo de vida e se alguém, desaparecido em 
campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o 
término da guerra. A alternativa "a" está correta, pois adquirindo a 
personalidade, o ser humano adquire o direito de defender o que lhe é próprio, 
como sua integridade física (vida, liberdade, identidade, alimentos, etc.), 
intelectual (liberdade de pensamento, autoria científica, artística e intelectual), 
moral (honra, segredo pessoal ou profissional, privacidade,imagem, opção 
religiosa ou sexual, etc.). É o que se extrai da Constituição Federal e dos 
artigos de 11 a 21 do CC. A alternativa "b" está correta. A senectude ou 
senilidade (ou seja, a velhice), por si só, não é causa de interdição. As pessoas 
com idade avançada podem realizar os negócios da vida civil normalmente. No 
entanto, poderá haver interdição se a velhice originar de um estado patológico, 
retirando o discernimento para a prática desses negócios, como a 
arteriosclerose, hipótese em que a incapacidade resulta do estado psíquico e 
não da velhice propriamente dita. A letra "c" está correta, pois o pródigo é o 
que dilapida, dissipa os seus bens ou seu patrimônio, fazendo gastos 
excessivos e anormais. Trata-se de um desvio de personalidade e não de 
alienação mental. Por isso deve ser interditado, nomeando-se um curador, que 
irá assisti-lo, para cuidar de seus bens. Portanto ele fica privado dos atos que 
possam comprometer seu patrimônio. Por fim a letra "e" está exata, quanto à 
definição de incapacidade, que visa a proteção, com certa graduação 
(incapacidade absoluta ^ art. 3°, CC e incapacidade relativa ^ art. 4°, CC). 
B.13) (Controladoria Geral da União - 2006) Assinale a opção 
VERDADEIRA. 
a) a capacidade de exercício pressupõe a de gozo e esta não pode subsistir 
sem a de fato ou de exercício. 
b) artista plástico menor, com 16 anos de idade, que, habitualmente, expõe, 
mediante remuneração, numa galeria, não adquire capacidade. 
c) a condenação criminal acarreta incapacidade civil. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 69 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
d) o estado civil é uno e indivisível, pois ninguém pode ser simultaneamente 
casado e solteiro, maior e menor, brasileiro e estrangeiro, salvo nos casos de 
dupla nacionalidade. 
e) se alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até dois anos após o término da guerra, seus parentes poderão 
requerer ao Juiz a declaração de sua ausência e nomeação de curador. 
Comentários: 
B.13) Alternativa correta: letra "d". De fato, o estado de uma pessoa é 
regulado por normas de ordem pública, sendo: irrenunciável, uno e indivisível, 
inalienável, indisponível e imprescritível. A letra "a" está errada, pois afirma 
que a capacidade de gozo não pode subsistir sem a capacidade de fato. A 
situação inversa é a verdadeira: a capacidade de fato (ou exercício) depende 
da capacidade de gozo (ou direito). A letra "b" está errada: a doutrina costuma 
citar esse exemplo como causa de emancipação "por estabelecimento civil ou 
comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com 16 (dezesseis) anos completos tenha economia própria". A 
letra "c" está errada, pois capacidade civil e a criminal são independentes. 
Finalmente a letra "e" está errada, pois se alguém desaparecer em campanha 
ou for feito prisioneiro, e não for encontrado até dois anos após o termino da 
guerra, já pode se declarada a morte presumida sem a declaração de sua 
ausência (art. 7o, CC). De fato deve haver um requerimento dos interessados 
(parentes). Mas não há nomeação de curador, pois esta figura somente 
aparece na fase de ausência, fase esta que não existe nesta hipótese. Com a 
declaração do Juiz, os bens transmitem-se, de imediato, para os herdeiros. 
B.14) (Tribunal de Contas da União - Analista de Controle Externo -
ESAF - 2006) Aponte a opção FALSA. 
a) a capacidade de fato é a aptidão de exercer por si os atos da vida civil. 
b) o portador de doença neurológica degenerativa progressiva grave, por não 
ter discernimento, é tido como absolutamente incapaz, devendo ser 
interditado e representado. 
c) a capacidade dos índios, pela sua gradativa assimilação à civilização, nos 
termos do atual Código Civil, deverá ser regida por leis especiais. 
d) admite-se a morte presumida sem decretação de ausência, em casos 
excepcionais (ex: naufrágio), para viabilizar o registro de óbito, resolver 
problemas jurídicos gerados com o desaparecimento e regular a sucessão 
causa mortis. 
e) a curatela é um instituto de interesse público, ou melhor, é um munus 
público, cometido por lei a alguém somente para administrar os bens de 
pessoa maior que, por si só, não está em condições de fazê-lo, em razão de 
enfermidade mental ou de prodigalidade. 
Comentários: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 70 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
B.14) Alternativa incorreta: letra "e". O erro da questão está na expressão 
"somente". O curador deve, além de administrar os bens do incapaz, também 
reger e defender esta pessoa. 
B.15) (FCC - Defensoria Pública do Estado do Ceará - 2009) A 
capacidade de fato... 
a) da pessoa natural inicia-se com o nascimento com vida, mas a lei põe a 
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
b) da pessoa moral inicia-se com o nascimento com vida, mas a lei põe a 
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
c) é relativa entre os dezesseis e vinte e um anos de idade e absoluta a partir 
de então. 
d) será absoluta a partir dos dezoito anos incompletos e não é perdida em 
razão do envelhecimento. 
e) não se apura exclusivamente com base no critério etário. 
Comentários: 
B.15) Alternativa correta: letra "e". A capacidade de fato realmente não é 
apurada exclusivamente com base no critério etário, ou seja, relativo à idade. 
Há outros fatores que também são levados em conta (arts. 3o e 4o do CC) 
como: a enfermidade ou deficiência mental, impossibilidade (mesmo que 
transitória) de expressar a vontade, alcoolismo ou vício em drogas, 
prodigalidade, etc. A letra "a" está errada, pois se refere à personalidade e 
consequentemente à capacidade de direito (e não de fato ou exercício). A letra 
"b" está errada, pois a pessoa moral é a pessoa jurídica, sendo que a 
personalidade desta tem início com a inscrição de seu ato constitutivo no 
respectivo registro (art. 45, CC), como veremos na próxima aula. A letra "c" 
está errada, pois a capacidade relativa é entre os 16 e 18 anos (e não 21 como 
na questão), A letra "d" está errada, pois a partir dos 18 anos completos (e 
não incompletos) a pessoa passa a ser absolutamente capaz. 
C) DOMICÍLIO 
C.01) (Analista Judiciário - TRF 1a Região - 2006 - FCC) Considere as 
seguintes assertivas a respeito do domicílio: 
I - Se a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, 
viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. 
II - O domicílio do marítimo é, em regra, a sede do comando a que se 
encontrar imediatamente subordinado. 
III - Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência 
habitual, o lugar onde residam seus ascendentes e, na falta deles, onde 
residam os descendentes. 
IV - Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o 
marítimo e o preso. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 71 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
De acordo com o Código Civil brasileiro, está CORRETO o que se afirma 
SOMENTE em: 
a) I e III. 
b) I e IV. 
c) I, II e III. 
d) I, III e IV. 
e) II, III e IV. 
Comentários: 
C.01) Alternativa correta: letra "b". Somente as alternativas I e IV estão 
corretas. A questão trata do Domicílio da Pessoa Física ou Natural, que é o 
lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. A 
afirmativa I está correta, pois o art. 71, CC determina que se uma pessoa 
natural tiver diversas residências, onde, alternadamente viva, considera-se 
domicílio qualquer uma delas. Conclui-se que nosso legislador adotou o 
princípio da pluralidade domiciliar. A afirmativa IV também está correta, pois 
prevê o art. 76, CC que têm domicílio necessário: o incapaz (seja absoluta ou 
relativamente), o servidor público,o militar, o marítimo e o preso. Completa o 
parágrafo único deste dispositivo afirmando: o domicílio do incapaz é o do seu 
representante ou assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer 
permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha 
ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente 
subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o 
lugar em que cumprir a sentença. A afirmativa II está errada, pois o domicílio 
do marítimo é o lugar onde o navio estiver matriculado (parte final do 
parágrafo único do art. 76, CC). A afirmativa III também está errada, pois 
quando uma pessoa não tem uma residência habitual seu domicílio é o lugar 
onde ela for encontrada (art. 73, CC) e não o lugar onde residem seus 
ascendentes ou descendentes. 
C.02) (Analista Judiciário - TRT 16a Região/MA - 2009 - FCC) Pessoa 
que seja possuidora de duas residências regulares. O seu domicílio 
poderá ser: 
a) a localidade em que por último passou a residir. 
b) o local de sua propriedade em que começou a residir em primeiro lugar. 
c) qualquer das residências. 
d) o local onde estiver residindo há mais tempo. 
e) somente se o imóvel for de sua propriedade. 
Comentários: 
C.2) Alternativa correta: letra "c". Qualquer delas, nos termos do art. 
71,CC. 
C.03) (Técnico Administrativo - TRF 1a Região - 2006) Maria é artista 
circense. Sua vida é viajar pelo Brasil fazendo espetáculos. 
Considerando que Maria nasceu no Rio de Janeiro, que seus pais 
residem em São Paulo e que seus filhos residem em Salvador, de 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 72 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
acordo com o Código Civil brasileiro, ter-se-á como domicílio civil de 
Maria: 
a) o lugar em que for encontrada. 
b) Rio de Janeiro ou Salvador. 
c) Rio de Janeiro, somente. 
d) Salvador, somente. 
e) São Paulo, somente. 
Comentários: 
C.03) Alternativa correta: letra "a". O conceito de domicílio surge da 
necessidade legal que se tem de fixar as pessoas em determinado ponto do 
território nacional. Por isso, mesmo que uma pessoa não tenha uma residência 
fixa habitual, não tenha um ponto central de negócios, o Código Civil aponta 
um domicílio para ela, sendo este o lugar onde ela for encontrada. Assim, o 
domicílio dos circenses, dos ciganos, etc. é o lugar onde eles forem 
encontrados, nos termos do art. 73, CC. 
C.04) (Advogado do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social - 2006) A respeito do domicílio, marque a 
afirmação CORRETA: 
a) o conceito de domicílio confunde-se com o de residência, nos inovadores 
termos do Código Civil de 2002. 
b) as pessoas jurídicas estatais - União, Estados e Municípios - não possuem 
um domicílio. 
c) como vigora em nosso sistema o princípio da unicidade de domicílio, é 
vedado ao particular possuir domicílio. 
d) havendo pluralidade de residências, cabe à autoridade pública indicar o 
domicílio da pessoa natural, a qual não terá direito de opção. 
e) é instituto caracterizado por um elemento objetivo, qual seja, o 
estabelecimento físico da pessoa e outro subjetivo, configurado pela intenção 
(animus) de permanência definitiva. 
Comentários: 
C.04) Alternativa correta: letra "e". O domicílio da pessoa natural é o lugar 
onde ela estabelece residência em um estabelecimento físico (elemento 
objetivo) com ânimo definitivo (elemento subjetivo) conforme o art. 70, CC. 
No entanto existem várias exceções a este princípio (arts. 71 a 73, CC). A letra 
"a" está errada, pois mesmo nos dias atuais o conceito de residência (lugar em 
que o indivíduo habita com a intenção de permanecer, mesmo que dele se 
ausente temporariamente, sendo uma situação de fato) é diferente do 
domicílio, que é uma situação jurídica. A alternativa "b" está errada, pois as 
Pessoas Jurídicas, inclusive as estatais (ou seja, as de Direito Público), 
possuem domicílio, sendo que o art. 75, CC aponta quais são estes domicílios. 
As alternativas "c" e "d" estão erradas, pois nossa legislação adotou o princípio 
da pluralidade domiciliar (art. 71, CC), quando a pessoa tiver mais de uma 
residência, sendo que será domicílio qualquer uma delas, a sua escolha. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 73 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
C.05) Assinale a alternativa CORRETA de acordo com as normas do 
Código Civil em vigor. Possui(em) domicílio necessário: 
a) o servidor público. 
b) apenas o preso e o militar. 
c) somente o marítimo, o militar e o incapaz. 
d) o militar da ativa ou da reserva. 
e) as pessoas casadas. 
Comentários: 
C.05) Alternativa correta: letra "a". Esta questão está prevista no art. 76, 
CC. A letra "b" está errada por causa da palavra 'apenas'; o mesmo se diga em 
relação à expressão 'somente' da alternativa "c". A letra "d" está errada, pois o 
militar da reserva (em outras palavras, o aposentado) não possui domicílio 
necessário. As pessoas casadas atualmente também não possuem domicílio 
casado (a título de curiosidade citamos que pelo Código anterior a mulher 
casada tinha domicílio necessário: era o de seu marido... mas isso já está 
totalmente ultrapassado). 
C.06) O domicílio, como consagrado pelo Código Civil, 
a) é único e consiste no local em que a pessoa estabelece residência com 
ânimo definitivo. 
b) é único e consiste no centro de ocupação habitual da pessoa natural. 
c) é considerado o local onde a pessoa exerce sua profissão. Se a pessoa 
exercer a profissão em locais diversos, deverá indicar um local específico 
para todas as relações correspondentes. 
d) pode ser plural, desde que a pessoa natural tenha diversas residências 
onde alternadamente viva. 
Comentários: 
C.06) Alternativa correta: letra "d". Já vimos que a lei brasileira prevê a 
possibilidade da pluralidade domiciliar (art. 71, CC). Observem que o parágrafo 
único do art. 72, CC não traz o dever de se indicar um local específico para as 
relações correspondentes. Daí estar a letra "c" errada. 
C.07) (OAB/MG 2007) Sobre domicílio, assinale a alternativa 
INCORRETA: 
a) o domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente. 
b) o domicílio do preso é o lugar onde foi processado. 
c) o domicílio do militar é o lugar onde servir. 
d) o domicílio do servidor público é o lugar em que exerce permanentemente 
suas funções. 
e) o domicílio do marítimo é o do lugar onde o navio estiver matriculado 
Comentários: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 74 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
C.07) Alternativa incorreta: letra "b". Na realidade o domicílio do preso é o 
local onde ele cumpre a sentença (e não onde foi processado), conforme o art. 
76, parágrafo único do CC. Notem que a lei menciona "sentença". Não está 
errado. No entanto, para ser mais técnico, é interessante deixar claro que 
sentença é a decisão do Juiz de primeiro grau. Se houver recurso desta 
sentença o processo será encaminhado para o Tribunal de Justiça. A decisão do 
Tribunal é chamada de Acórdão (e não sentença). Por isso costumo dizer que o 
domicílio do preso é o local onde cumpre a decisão (termo que abrange tanto a 
sentença como o acórdão) condenatória. 
C.08) (Procurador do Banco Central - 2005) Considera-se domicílio da 
Pessoa Natural, quanto às relações concernentes à profissão: 
a) somente o lugar em que a pessoa natural estabelecer a sua residência 
com ânimo definitivo. 
b) o lugar onde esta é exercida, e se exercitar a profissão em lugares 
diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe 
corresponderem. 
c) o lugar em que for encontrada em dia útil. 
d) somente um único lugar onde esta é exercida em caráter permanente e 
principal, desconsiderando-sequalquer outra localidade onde também a 
exerça, ainda que com habitualidade. 
e) apenas o lugar para o qual estiver inscrita em caráter permanente no 
órgão de classe correspondente, independentemente de exercê-la com 
habitualidade em outro local. 
Comentários: 
C.08) Alternativa correta: letra "b". De uma forma geral, domicílio da 
pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo 
definitivo (art. 70, CC). No entanto é também domicílio, quanto às relações 
concernentes à profissão, o lugar onde ela é exercida. Observem que se a 
pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada uma deles constituirá 
domicílio para as relações que lhe corresponderem (art. 72 e parágrafo único 
do CC). 
C.09) (Controladoria Geral da União - 2006) Os marítimos têm por 
domicílio o local onde estiver matriculado o navio. Tal domicílio é: 
a) voluntário geral. 
b) aparente. 
c) legal. 
d) ocasional. 
e) voluntário especial. 
Comentários: 
C.09) Alternativa correta: letra "c". A doutrina costuma classificar o 
domicílio em: a) voluntário (geral ou especial) e b) legal (ou necessário). O 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 75 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
art. 76, CC enumera as hipóteses de domicílio necessário. Entre eles está o 
domicílio dos marítimos (oficiais e tripulantes da marinha mercante). 
D) EMANCIPAÇÃO 
D.01) (TRF - Analista Judiciário - 2006 - 1a Região) Maria, Mariana e 
Mônica são menores de idade. Considerando-se que Maria contraiu 
matrimônio com João; Mariana exerceu emprego público transitório e 
Mônica colou grau em curso de ensino médio, cessou a incapacidade 
para os atos da vida civil para: 
a) Maria e Mônica. 
b) Maria e Mariana. 
c) Maria, Mariana e Mônica. 
d) Mônica. 
e) Maria. 
Comentários: 
D.01) Alternativa correta: letra "e" - A questão trata da emancipação da 
Pessoa Natural, prevista no art. 5°, CC: A menoridade cessa aos dezoito anos 
completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida 
civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela 
concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento 
público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do Juiz, 
ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo 
casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; IV - pela colação 
de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou 
comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. 
Somente no caso de Maria é que realmente houve a cessação da incapacidade 
para os atos da vida civil. Notem que Maria se casou e o casamento é uma 
modalidade de emancipação (inciso II). Mariana exerceu emprego público 
transitório, sendo que apenas o emprego público efetivo é causa de 
emancipação (inciso III). Já Mônica colou grau em curso de ensino médio. Mas 
apenas o curso superior é causa de emancipação (inciso IV). 
D.02) É considerado como uma das formas de emancipação: 
a) o contrato de trabalho. 
b) o ingresso em curso superior. 
c) o exercício do direito ao voto. 
d) o casamento. 
e) o consentimento do tutor mediante instrumento público. 
Comentários: 
D.02) Alternativa correta: letra "d". O art. 5°, parágrafo único do CC arrola 
as hipóteses de emancipação, sendo certo que o casamento é uma delas. Um 
contrato de trabalho (letra "a") por si só, não emancipa ninguém. Veja a 
"pegadinha" da letra "b": é a colação de grau em ensino superior que 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 76 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
emancipa uma pessoa natural. E não o seu ingresso em curso superior. Por 
isso que eu sempre digo que as questões não podem ser lidas de forma afoita. 
Tenha calma: leia o cabeçalho com atenção e a seguir todas as alternativas; vá 
eliminando as mais absurdas e somente ao final da leitura atenta de todas as 
alternativas assinale a que entenda como correta. Continuando: quanto ao 
exercício do direito de voto não há previsão legal relacionado com a 
capacidade civil; logo está errada. Finalmente deve ser esclarecido que o tutor 
não pode emancipar seu representado, pois desta forma ele estaria se livrando 
de uma obrigação legal (de um encargo, um munus). Neste caso a 
emancipação é feita pelo Juiz, se o menor tiver 16 anos, ouvido o tutor, 
depois de verificada a conveniência para o bem do menor. Assim quem 
emancipa é o Juiz e o tutor deve ser apenas consultado sobre a possibilidade. 
D.03) (Ordem dos Advogados do Brasil - Minas Gerais - 2007) A 
incapacidade cessará para os menores: 
a) pelo ingresso em curso de ensino superior. 
b) pela aprovação em concurso público. 
c) pela existência de relação de emprego, desde que, em função dela, o 
menor, com dezesseis anos completos, tenha economia própria. 
d) por sentença do Juiz, ouvidos os pais, ainda que o menor não tenha 
dezesseis anos completos. 
Comentários: 
D.03) Alternativa correta: letra "c". Trata-se da aplicação do art. 5o, 
parágrafo único inciso V do CC. A letra "a" está errada, pois a emancipação se 
dá com a colação (e não com o ingresso) em ensino superior; a letra "b" está 
errada, pois é pelo exercício de emprego público efetivo (e não pela simples 
aprovação em concurso); a letra "d" está errada, pois a emancipação será 
dada pelo Juiz ouvido o tutor (e não os pais) e desde que o menor tenha 16 
anos completos. 
D.04) Flávia, divorciada, com dezessete anos de idade, celebra um 
contrato de locação de um imóvel de sua propriedade, sem a 
assistência de seus pais. Pode-se afirmar que o contrato é: 
a) nulo em virtude da incapacidade de Flávia, já que com o divórcio a 
emancipação perdeu seus efeitos. 
b) anulável em virtude da incapacidade de Flávia, já que com o divórcio a 
emancipação perdeu seus efeitos. 
c) nulo, pois Flávia não atingiu a maioridade. 
d) válido, pois Flávia está emancipada. 
e) válido, pois em qualquer locação de imóvel basta a idade de dezesseis 
anos do locador para sua validade. 
Comentários: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 77 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
D.04) Alternativa correta: letra "d". Observem que apesar de ter 17 anos e 
ter celebrado um contrato sem a assistência de seus, Flávia é divorciada. Logo 
foi casada. E o casamento é uma forma de emancipação (art. 5o, parágrafo 
único, inciso II do CC) e o divórcio não faz com que se perca a emancipação. 
Logo o negócio é plenamente válido por ter sido realizado por pessoa 
emancipada. 
D.05) Assinale a alternativa INCORRETA: 
a) a incapacidade relativa, ao contrário da incapacidade absoluta, não afeta a 
aptidão para o gozo de direitos, uma vez que o exercício será sempre 
possível com a representação. 
b) a emancipação do menor pode ser obtida com a relação de emprego que 
proporcione economia própria, desde que tenha 16 anos completos. 
c) pode ser declarada a morte presumida, sem decretação da ausência se for 
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. 
d) a mulher pode casar-se com 16 anos, desde que com autorização dos pais 
ou responsáveis. 
e) os viciados em tóxicos e os alcoólatras são considerados como 
relativamente incapazes. 
Comentários: 
D.05) Alternativa incorreta: letra "a". A questão trata de temas variados 
desta aula. E observem que a questão pede que seja assinalada a alternativa 
incorreta. A letra "a", realmente está errada, pois a incapacidade relativa é 
suprida pela assistência e não pela representação. Além disso, tanto a 
incapacidade absoluta como a relativa (espécies de capacidade de fato ou 
exercício), não afetam a aptidão para o gozo de direitos(capacidade de 
direito). A alternativa "b" está correta, pois o artigo 5o, parágrafo único, inciso 
V do CC permite a emancipação pela existência de emprego, desde que tenha 
16 anos completos. A letra "c" também está correta, pois o art. 7o, CC permite 
a declaração de morte presumida sem decretação de ausência na hipótese 
narrada na questão. A letra "d" também está correta, pois tanto a mulher 
como o homem podem se casar aos 16 anos, necessitando, para tanto, de 
autorização dos pais. Trata-se de um dispositivo referente ao Direito de Família 
(art. 1.517, CC: O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, 
exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes legais, 
enquanto não atingida a maioridade civil). Acrescente-se que celebrado o 
casamento de uma pessoa com 16 anos ocorre a emancipação, cessando a 
incapacidade e ficando o menor habilitado para a prática de todos os atos na 
vida civil (arts. 5o e 1.511, CC). A letra "e" está correta, pois o art. 4o, inciso 
II, CC prevê que os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por 
deficiência mental, tenham o discernimento reduzido são relativamente 
incapazes. 
D.06) Assinale a alternativa CORRETA: 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 78 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
a) são considerados relativamente capazes os maiores de dezoito e menores 
de vinte e um anos. 
b) os absolutamente incapazes, desde que assistidos pelos pais, estão aptos 
a praticar os atos da vida civil. 
c) os pródigos são considerados absolutamente incapazes. 
d) para os menores a incapacidade poderá cessar com o casamento. 
e) o tutor pode emancipar o relativamente incapaz. 
Comentários: 
D.06) Alternativa correta: letra "d". O casamento é uma das hipóteses de 
emancipação, por isso é uma das causa em que a incapacidade poderá cessar. 
A letra "a" está errada, pois os relativamente capazes (embora este termo não 
esteja errado, é mais técnico usar a expressão "relativamente incapazes") são 
as pessoas maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. A letra "b" 
também está errada, pois os absolutamente incapazes devem ser 
representados (e não assistidos) por seus representantes legais. Os pródigos 
são considerados relativamente incapazes (letra "c" errada). Finalmente vimos 
que o tutor não pode emancipar o menor. Se este não tiver pais a 
emancipação deve ser concedida pelo Juiz, que irá apenas consultar o tutor a 
respeito (letra "e" errada). 
D.07) Assinale, considerando as normas do Código Civil em vigor, 
entre as alternativas seguintes, a CORRETA. 
a) a existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
provisória. 
b) a emancipação pode se dar com a concessão dos pais, com a sentença do 
Juiz, ouvido o tutor, nos casos em que não há poder familiar; com o 
casamento; com emprego público efetivo, com a colação de grau superior e 
com o estabelecimento civil ou comercial com economia própria. 
c) o embrião fecundado in vitro e não implantado no útero materno é sujeito 
de direito, equiparado ao nascituro, de acordo com a legislação em vigor. 
d) embora o nome de uma pessoa goze de proteção legal, o mesmo não se 
dá quanto ao pseudônimo utilizado em atividades lícitas. 
e) se dois indivíduos falecerem na mesma ocasião, ocorreu o instituto da 
comociência em que se presume que a pessoa mais velha morreu primeiro. 
Comentários: 
D.07) Alternativa correta: letra "b". A alternativa correta trata da leitura 
atenta do art. 5o e seu parágrafo único do CC, ou seja, as hipóteses de 
emancipação. No entanto a questão como um todo, pode ser considerada 
perigosa! A letra "a" está errada. Trata-se de um erro sutil, pois o art. 6o, CC 
fala em abertura da sucessão definitiva (e não provisória, como na questão). A 
letra "c" está incorreta, pois em que pese algumas posições doutrinárias 
divergentes, devemos nos ater ao que diz o texto de nosso Código Civil. O art. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 79 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
2o, CC prevê que a lei põe a salvo os direitos do nascituro, nada mencionando 
sobre embriões e a hipótese da fecundação in vitro. Portanto não há esta 
equiparação pela lei. Isto ainda pode mudar no futuro. Mas atualmente não há 
equiparação do embrião fecundado in vitro e ainda não implantado no útero 
materno com o nascituro propriamente dito. Além disso, o nascituro não é um 
sujeito de direitos, pois ainda não nasceu. A alternativa "d" também está 
incorreta, pois o art. 19, CC equipara o pseudônimo ao nome para fins de 
proteção civil, principalmente sendo a atividade lícita. A letra "e" está errada, 
pois o instituto é da comoriência (e não comociência). Além disso, a presunção 
(que é relativa, ou seja, admite prova em contrário) é de que ambos morreram 
simultaneamente (art. 8°, CC). 
D.08) A emancipação do menor estará CORRETA, se: 
a) o menor tiver 16 (dezesseis) anos completos, automaticamente. 
b) por concessão dos pais, ao menor de 16 (dezesseis) anos completos, por 
instrumento público, homologado judicialmente. 
c) o menor tiver 16 (dezesseis) anos completos, concedida por seus pais por 
instrumento público, independentemente de homologação judicial. 
d) o menor tiver 16 (dezesseis) anos completos, por sentença do Juiz, 
independentemente de ser ouvido o tutor. 
e) se o menor tiver 16 (dezesseis) anos completos qualquer um dos pais 
poderá emancipá-lo, mas em havendo um conflito de interesses entre ambos 
o juiz nomeará um tutor para a emancipação. 
Comentários: 
D.08) Alternativa correta: letra "c". A emancipação do menor de 18, mas 
maior de 16 anos se dará por concessão de ambos os pais (na falta de um o 
outro), por meio de instrumento público, independentemente de homologação 
judicial (alternativa "b" errada). Se houver um conflito entre os pais o próprio 
Juiz é quem decidirá pela emancipação (ou não) do menor, tendo-se em vista 
o que será melhor para o menor (alternativa "e" errada). Vejam que se o aluno 
for afoito, pode assinalar a alternativa "a" como correta, mas ela está 
incompleta, pois não basta somente ter 16 anos; alcançada esta idade não há 
emancipação automática. A letra "d" também está errada, pois se o menor não 
estiver sob o poder familiar por algum motivo, será nomeado um tutor; mas 
este não poderá emancipar o menor; a emancipação neste caso será feita pelo 
Juiz, através de uma sentença, sendo que no processo o tutor será apenas 
consultado sobre a possibilidade de emancipação. 
D.09) (Magistratura do Trabalho - 8a Região/PA - 2007) Diz a lei que 
são hipóteses em que cessa a incapacidade dos menores, EXCETO: 
a) pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação judicial. 
b) pelo casamento. 
c) pelo exercício de emprego público efetivo. 
Prof. Lauro Escobar www.pontodosconcursos.com.br 80 
CURSO DE DIREITO CIVIL PARA TRIBUNAIS 
PROFESSOR LAURO ESCOBAR 
d) pela colação de grau em curso de ensino superior. 
e) pela existência de relação de emprego, desde que, em função dela, o 
menor com quinze anos completos detenha economia própria. 
Comentários: 
D.09) Alternativa incorreta: letra "e". O art. 5o, parágrafo único, inciso V, 
CC determina que a emancipação, neste caso, se dá se o menor tiver dezesseis 
anos completos. As demais alternativas estão previstas no dispositivo citado. 
E) PESSOA JURÍDICA 
E.01) (ESAF - Fiscal de Rendas - Prefeitura do Rio de Janeiro ISS/RJ -
2010) Assinale a opção CORRETA. 
a) o registro da pessoa jurídica declarará o modo por que se administra e 
representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente. 
b) a capacidade de fato ou de exercício é inerente a

Mais conteúdos dessa disciplina