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AULA 02 A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA SOCIAL

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AULA 02 – A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA SOCIAL
Ao final desta aula, você será capaz de:
demonstrar que o pensamento científico é uma criação da sociedade ocidental;
identificar que a sociologia teve origem em fatos históricos como a revolução industrial inglesa e a revolução francesa;
caracterizar o pensamento de Auguste Comte e a sua Sociologia: Positivismo.
A ciência, como forma de conhecer, explicar e transformar o mundo é uma fenômeno cultural. Nossa sociedade, como você deve perceber em seu dia a dia, estima o conhecimento científico porque este comprova os fatos de forma metódica e sistemática. Nesta aula, veremos desde quando e porque isso acontece.
Vamos abordar, também, a Sociologia, ciência bastante nova quando comparada a outras. A Sociologia, apareceu como ciência autônoma no século 19 e, certamente, não surgiu a partir de mero capricho de pensadores que nada tinham a fazer. Vamos entender os motivos de seu surgimento e saber o que o chamado “Pai da Sociologia”, o intelectual francês Auguste Comte tem a ver com o lema da nossa bandeira: ORDEM E PROGRESSO.
O ser humano é um animal que produz mitos, religiões, ideologias, enfim, cultura. Na tentativa de entender as coisas ao nosso redor, produzimos uma vasta gama de conhecimentos como o filosófico, o religioso, o de senso comum etc.
A sociedade ocidental produziu uma forma específica de explicar o mundo, chamada de ciência, ou seja, uma forma racional, objetiva, sistemática, metódica e refutável de formulação das leis que regem os fenômenos.  
Na sociedade ocidental, a ciência é a principal forma de construção da realidade, considerada por muitos críticos como um novo mito por pretender ser a única promotora e critério de verdade.
 
 A Sociologia é considerada uma ciência nova, pois foi criada no século XIX, na França, por um pensador chamado Auguste Comte (1798-1857). 
Algumas transformações políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas desde meados do século XV contribuíram muito para a criação dessa ciência. A primeira delas foi o Renascimento.
O Renascimento é o momento classificado por muitos estudiosos como a ruptura entre o mundo medieval e o mundo moderno urbano, burguês e comercial. 
De acordo com Costa, existiam diversas visões do Renascimento.
1 - Existem pensadores que avaliaram positivamente aquele momento, ressaltando que as mudanças propiciaram o desenvolvimento do comércio, da navegação e dos contatos com outros povos, bem como o crescimento urbano e o recrudescimento da produção artística e literária. 
2 - Existem historiadores que perceberam aquela época como momento de grande turbulência social e política. As características marcantes do período foram a falta de unidade política e religiosa, os conflitos entre as nações que se formavam, as guerras intermináveis e as perseguições religiosas, na tentativa de conservar um mundo que agonizava.
3 - Havia, segundo Costa, um clima de fim de mundo visível nas obras artísticas da época, como na Divina Comédia de Dante Alighieri e no Juízo Final de Michelangelo. Para além dessas contradições, o fato é que, a partir de então, o homem ocidental passa a ter uma nova postura em relação à natureza e ao conhecimento. 
O fim do Teocentrismo e das explicações religiosas sobre os fatos possibilitou que aparecessem questões mais imediatistas e materiais, cujo foco principal era o homem. 
Ao abandonar as explicações sobrenaturais, os indivíduos passaram a utilizar a indagação racional e o método científico através da observação e experimentação. 
Foi no século XVI que ocorreu o movimento de Reforma Protestante.
De acordo com Quintaneiro, ao contestar a autoridade da Igreja como instância última na interpretação dos textos sagrados e na absolvição dos pecados, a Reforma colocou sobre o fiel essa responsabilidade e, instituindo o livre exame, fez da consciência individual o principal nexo com a divindade. 
Para Quintaneiro, “O espírito secular impregnou distintas esferas da atividade humana. Generalizou-se aos poucos a convicção de que o destino dos homens também depende de suas ações. Críticas à educação tradicional nas universidades católicas levaram à substituição do estudo da Teologia pelo da Matemática e da Química.” (2002, p. 13) 
No século XVII, surge o Racionalismo e fortalece a ideia de que o homem produz a história e não a Divina providência. Essa concepção fundamentava a ideia de que a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela é obra dos próprios indivíduos.
O pensamento filosófico desse século contribuiu para a popularização do pensamento científico. 
Segundo Francis Bacon, a Teologia perdeu o posto de norteadora do pensamento. 
A autoridade, que exatamente constituía um dos alicerces da teologia, deveria, em sua opinião, ceder lugar a uma dúvida metódica, a fim de possibilitar um conhecimento objetivo da realidade. 
Os pensadores desse período defenderam, assim, o emprego sistemático da razão e do livre exame da realidade.
Outro movimento que contribuiu para a criação da Sociologia foi o Iluminismo, que teve início no século XVIII entre os pensadores franceses e ideólogos da burguesia.
O Iluminismo foi um movimento que buscava modificar a sociedade, além de transformar os antigas formas de conhecimento que se baseavam na tradição e na autoridade.
Segundo MARTINS, “O objetivo dos iluministas, ao estudarem s instituições de sua época, era demonstrar que elas eram irracionais e injustas, que atentavam contra a natureza dos indivíduos e , nesse sentido, impediam a liberdade do homem. Concebiam o indivíduo como dotado de razão, possuindo uma perfeição inata e destinado à liberdade e à igualdade social. Se as instituições existentes constituíam em obstáculo à liberdade do indivíduo e à sua plena realização, elas, segundo eles, deveriam ser eliminadas”.
É em meio a esse cenário de efervescência intelectual, política e social que observamos dois eventos históricos importantes: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, também conhecidas como Revoluções Burguesas. 
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL - É um fenômeno histórico ocorrido na Inglaterra, por volta do meado do século XVIII, que trouxe profundas alterações no mundo do trabalho, desagregou a sociedade feudal, ao reordenar a sociedade rural e abolir a servidão, e consolidou a civilização capitalista. 
É nesse momento que nasce o proletariado, isto é, a classe dos trabalhadores livres assalariados, e se exacerbam os problemas urbanos.
REVOLUÇÃO FRANCESA - Pode ser vista como a luta política da burguesia contra as classes que dominavam o mundo feudal, ou seja, a monarquia absolutista e a Igreja Católica. 
A burguesia, que já tinha o poder econômico, queria um Estado que assegurasse sua autonomia em relação à Igreja e que protegesse e incentivasse a empresa capitalista.  
No século XIX, os pensadores burgueses já não mais desejavam que as ideias revolucionárias iluministas continuassem animando o homem comum, pois, como a burguesia havia chegado ao poder, deveria lutar para mantê-lo. 
Apesar da industrialização e urbanização crescentes na França, a situação do proletariado era extremamente precária, pois os trabalhadores viviam na miséria e estavam sempre ameaçados pelo desemprego, o que acabou intensificando as crises econômicas e a luta de classes naquela sociedade.
Aquele era o momento de abandonar os ideais iluministas e fundar uma nova ciência para “reorganizar” e “higienizar” a sociedade. 
Dito de outra forma, a Sociologia nasceu dos interesses burgueses em manter a ordem social e a estabilidade, ligando-se aos movimentos de reforma conservadora da sociedade. 
A preocupação passou a ser a de fazer com que os indivíduos aceitassem a ordem existente, deixando de lado a sua negação.
Auguste Comte é considerado o pai da Sociologia, também conhecida como Física Social. 
De acordo com Tomazi, Comte rompeu logo cedo