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A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 1 Aula 01 Prezados, alunos! Sejam bem-vindos ao curso de “Administração Pública” para AFRFB. Gostaria de agradecer a confiança de vocês no nosso trabalho e espero que o curso atenda às expectativas de todos, ajudando-os a conquistar essa vaga de aud- itor. Nesta primeira aula veremos o seguinte conteúdo: Aula 01 – 28/02: 2. Modelos teóricos de Administração Pública: gerencial. 5. Evolução dos modelos/paradigmas de gestão: a nova gestão pública. 10. Gestão Pública empreendedora Vimos na aula passada os modelos patrimonialista e burocrático, veremos agora o gerencial. Boa Aula! Sumário 1. CRISE DO ESTADO ............................................................................................... 2 1.1. ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL . ............................................................................. 3 1.2. CRISE DO ESTADO CONTEMPORÂNEO . ........................................................................ 5 1.3. NEOLIBERALISMO . ............................................................................................... 7 1.4. NEOINSTITUCIONALISMO ECONÔMICO . ....................................................................... 9 1.5. ESTADO REGULADOR . ......................................................................................... 12 2. ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL ............................................................................ 14 2.1. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO GERENCIAL . ............................................................. 17 2.2. EVOLUÇÃO DA NOVA GESTÃO PÚBLICA . .................................................................... 23 2.3. GESTÃO PÚBLICA EMPREENDEDORA . ....................................................................... 29 3. PONTOS IMPORTANTES DA AULA ....................................................................... 38 4. QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................... 39 4.1. QUESTÕES DE OUTRAS BANCAS . ............................................................................ 60 4.2. LISTA DAS QUESTÕES . ....................................................................................... 70 4.3. GABARITO . ..................................................................................................... 82 5. LEITURA SUGERIDA ........................................................................................... 82 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 2 11.. CCrriissee ddoo EEssttaaddoo No final da aula demonstrativa, estudamos um pouco da crise da burocracia, e vimos que ela estava diretamente relacionada com a crise do Estado de Bem- Estar Social. Vamos estudar agora um pouco da crise do Estado no final do Século XX e algumas das teorias que influenciaram o desenvolvimento da administração gerencial A burocracia nasceu dentro do Estado Liberal, inclusive como uma forma de impor limites legais à arbitrariedade do soberano. Porém, ao longo do tempo, há uma tendência da burocracia em se apropriar de uma série de fun- ções, ampliando a atuação nos diversos setores econômicos e sociais. Por con- seguinte, do liberalismo, a burocracia chega no Estado de Bem-Estar Social e Keynesiano, cuja premissa básica é a necessidade de intervenção estatal. Isso está inclusive num texto do Max Weber, segundo o qual o “espírito” normal da burocracia racional, em termos gerais, é o seguinte: 1) Formalismo, reclamado por todos os interessados na proteção de oportunidades pessoais de vida, de qualquer espécie – porque de outro modo, a consequência seria arbitrariedade e porque o formalismo é a tendência que exige menos esforço. Em contradição aparente – e parcialmente efetiva – a esta tendência desta classe de interesses está; 2) A tendência dos funcionários a uma execução materialmente utilitarista de suas tarefas administrativas, a serviço dos dominados a serem satisfeitos. Esse utilitarismo material costuma manifestar-se na tendência a exigir os correspondentes regulamentos. Essa tendência à racionalidade material encontra apoio em todos aqueles dominados que não pertencem à camada, mencionada no item anterior, dos interessados em proteção em relação a oportunidades apropriadas. A problemática daí derivada faz parte da teoria da democracia. De um lado (item 1) a burocracia surge para proteger os direitos estabele- cidos: direito de propriedade, de liberdade, à vida, etc. Ela surgia para forçar o governante a agir somente segundo a lei, sem arbitrariedade. Contudo, do outro lado (item 2), a burocracia tende a buscar o melhor resultado de suas ações para a sociedade, proporcionar mudanças que melhorem a qualid- ade de vida da população (o que é chamado de utilitarismo). Para isso, eles exigem os respectivos regulamentos, ou seja, que as leis prevejam formas de o governo atuar para o benefício coletivo, decorrendo daí os direitos sociais. É o velho conflito entre liberalismo e estado de bem-estar. Vamos ver um pouco dessa evolução do Estado ao longo do Século XX. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 3 11..11.. EEssttaaddoo ddee BBeemm--EEssttaarr SSoocciiaall Considera-se que o Estado de Bem-Estar Social teve início na década de 1940, na Inglaterra. Contudo, isso não significa que antes disso não houvesse ne- nhum tipo de política social, ou então que o liberalismo permaneceu ileso até essa data. Desde a metade do Século XIX já podem ser observadas diversas iniciativas de alguns países no sentido de o Estado ter uma participação maior no provimento de serviços sociais. A Lei dos Pobres da Inglaterra, por exem- plo, foi promulgada em 1843. Porém, as políticas sociais do Século XIX se ca- racterizavam pela contradição entre os direitos civis e políticos, de um lado, e os sociais, de outro. Aquele que recebesse ajuda estatal perdia sua cidadania. Os anos 1920 e 1930 assinalam um grande passo para a constituição do cha- mado Welfare State. As duas guerras mundiais proporcionaram uma maciça intervenção do Estado, e a crise de 1929, que teve graves consequências para o emprego e a renda, provocou em todo o mundo ocidental um forte aumento das despesas públicas. Os Estados se viram no meio de uma grave crise eco- nômica com um número cada vez maior de pessoas atingindo os níveis da pobreza e da indigência e, como respostas à crise, foram postas em prática as ideias econômicas de John Maynard Keynes, que defendia um papel mais in- terventor do Estado na economia de forma a estimular a demanda e, por con- sequência, o crescimento econômico. Mas, então, o que diferencia as políticas adotadas pela Inglaterra na década de 1940 das anteriores para que consideremos o início do Estado de Bem-Estar Social apenas neste período? Segundo o “Dicionário de Política”, de Norberto Bobbio, o simples compromisso do Estado na prestação de serviços sociais não configuraria o Estado de Bem-Estar Social; é preciso que estes serviços sociais sejam considerados um direito da população, e não benevolência estatal. Essa escolha inglesa de conceber as políticas sociais como um direito, e não apenas como um assistencialismo, está representada no texto de uma de suasleis, que é considerado o princípio fundamental do Estado de Bem-Estar: Independentemente de sua renda, todos os cidadãos, como tais, têm direito de ser protegidos – com pagamento em dinheiro ou com serviços – contra situações de dependência de longa duração (velhice, invalidez) ou de curta (doença, desemprego, maternidade). Vamos ver umas questões: 1. (ESAF/STN/2005) O princípio fundamental do Estado de Bem-Estar Social é o da proteção universal, ou seja, independentemente da renda, todos os cidadãos, como tais, têm o direito de ser protegidos contra situações de dependência ou vulnerabili- dade de curta ou longa duração. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 4 2. (ESAF/APO-MPOG/2001) Independentemente de sua renda, todos os cidadãos têm o direito de serem protegidos contra situações de dependência de longa e de cur- ta duração. As duas questões são certas. Assim, o princípio básico do estado do bem-estar social é que TODO cidadão, seja rico, seja pobre (todo cidadãos, todo mundo, lembrem-se), tem o direito a um conjunto de bens e serviços que devem ter seu fornecimento garantido diretamente pelo Estado. a) E no Brasil? É polêmica a existência ou não de um Estado de Bem-Estar na história brasilei- ra. Segundo Fábio Guedes Gomes: Pode-se dizer que na história brasileira, mesmo considerando suas especifi- cidades, não se constituiu um sistema de seguridade social próximo do mo- delo que ficou conhecido como welfare state. Talvez seja mais coerente considerar que, durante todo o processo histórico de formação e estrutura- ção das formas do Estado moderno no Brasil, não se tenha implementado mais do que apenas algumas políticas de bem-estar social. Já Sônia Draibe afirma que: Entre os anos 30 e 60, construiu-se e consolidou-se institucionalmente, no Brasil, o Estado social. É útil, desde logo, explicitar a concepção de Welfare com a qual estamos trabalhando e que se apoia na literatura anteriormente citada. Por Welfare State estamos entendendo, no âmbito do Estado Capita- lista, uma particular forma de regulação social que se expressa pela trans- formação das relações entre o Estado e a Economia, entre o Estado e a Sociedade, a um dado momento do desenvolvimento econômico. Vamos ver uma questão da ESAF 3. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) O Brasil se tornou um Estado de Bem-Estar ao inserir direitos sociais na Constituição de 1988. A questão é errada, ou seja, seguiram a primeira linha de Guedes. As políticas sociais no Brasil surgiram no Governo de Getúlio Vargas, mas elas eram voltadas apenas para os trabalhadores urbanos de carteira de trabalho assinada, ou seja, não eram universais. Alguns autores chamam isso de cida- dania regulada, em que o Estado define que somente alguns grupos são cida- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 5 dãos. Durante a maior parte do Século XX o país esteve voltado para o desen- volvimentismo, dentro da lógica expressa por Delfim Netto, Ministro da Fazen- da da Ditadura: “é preciso primeiro deixar o bolo crescer para depois dividir”. O problema é que cresceu, mas não foi dividido. A CF88 até tentou implantar no Brasil uma modelo de seguridade social próxi- mo ao Welfare State. No entanto, os elementos da crise econômica e o curso da reforma do Estado, que vinha caminhando numa perspectiva neoliberal, criaram obstáculos à aplicação dos preceitos da nova Constituição. 11..22.. CCrriissee ddoo EEssttaaddoo CCoonntteemmppoorrâânneeoo O período do pós-Segunda Guerra Mundial foi de prosperidade para o capita- lismo mundial. Os países cresciam a taxas elevadas, financiados pela abundân- cia do capital externo a baixo custo. Eric Hobsbawn usou a expressão “era dourada do capitalismo” para designar esse período, em que não só os países capitalistas desenvolvidos, mas o bloco socialista e parte do Terceiro Mundo alcançaram altíssimas taxas de crescimento. A principal receita para o contínuo sucesso durante trinta anos foi a existência de um amplo consenso social a respeito do papel do Estado, o qual procurava garantir prosperidade econômica e bem-estar social. Essa conjuntura permitiu que o Estado de Bem-Estar Social se desenvolvesse, disponibilizando recursos para que os governos implementassem amplas políticas de assistência social. Na medida em que o Estado ampliava sua atuação, também cresciam as de- mandas da sociedade por mais serviços. O aumento da intervenção do governo a partir da segunda metade do século XX ocorreu simultaneamente a uma perda de sua autoridade do Estado, principalmente na década de 60. A maior escolarização da população, que também tinha mais acesso aos meios de comunicação de massa, fez com que as pessoas adotassem uma postura reivindicatória, desafiando as autoridades em todas as instituições e em todos os setores. Vamos ver uma questão: 4. (ESAF/EPPGG/2002) O crescimento do Estado de Bem-Estar leva a um aumento da autonomia do Estado em relação às diversas forças políticas e atores sociais internos. A questão é errada. Na medida em que cresce o Estado de Bem-estar Social, mais o poder público se compromete em oferecer uma série de benefícios soci- ais para a população. Também crescem as exigências da sociedade por mais A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 6 políticas sociais. Assim, não há uma maior autonomia, pelo contrário, o Estado se vê no meio de um número maior de pressões. Esse movimento alcançou seu ápice em maio de 1968, quando uma série de protestos teve origem na França e se alastrou pelo mundo todo. Os estudantes franceses entraram numa verdadeira batalha contra a polícia, defendendo uma transformação profunda nas relações entre raças, sexos e gerações. Para piorar, a década de 1970 foi marcada por duas crises do petróleo. Como protesto à ajuda dos EUA a Israel na guerra do Yom Kippur, em 1973, os paí- ses árabes produtores de petróleo, membros da OPEP, decidiram elevar consi- deravelmente o preço do barril do petróleo, que chegou a triplicar em menos de três meses. Já em 1979 a revolução islâmica no Irã provocou uma segunda onda de aumentos. Essas crises fizeram com que as taxas de juros dos financi- amentos externos subissem para a estratosfera, interrompendo o desenvolvi- mento econômico dos países, que entraram em crise fiscal. De um lado, assistimos ao crescimento das demandas da sociedade por mais políticas sociais. De outro, reduziam os recursos disponíveis para que tais polí- ticas fossem implementadas. Por isso que muitos autores a crise tem origem numa sobrecarga de demandas, em que o sistema político não tem condições de suprir às exigências dos grupos sociais, gerando crise de governabilidade, Conceito que estudaremos na próxima aula. A governabilidade refere-se à capacidade de governar, dentro de um aspecto político. Assim, um governo tem governabilidade quando consegue aprovar suas leis no Legislativo; quando a sociedade aceita ser governada por ele, ou seja, ele possui legitimidade; quando as instituições, como o legislativo, o Ju- diciário, o Ministério Público, conseguem exercer suas atribuições. Um governo sem governabilidade está em constante pressão, as pessoas desejam derrubá- lo, ocorrem constantes tentativasde golpe de Estado, ou seja, há instabilidade política. Já a governança é vista como uma capacidade gerencial e financeira de im- plementar políticas públicas, ou seja, estaria mais relacionada com a gestão. Um governo que consegue oferecer políticas de qualidade e com eficiência, gerando resultados para a sociedade, é um governo que possui governança. Recentemente tal conceito vem ganhando novos contornos, referindo-se a atuação conjunta do Estado com o mercado e o terceiro setor, dentro das chamadas redes de políticas públicas. Quanto o Estado entra em crise fiscal, ele não consegue atender as demandas crescentes da população. Temos então uma sobrecarga de demandas. Ao mesmo tempo a sociedade aumentava seu caráter questionador, reduzindo a autoridade estatal. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 7 Para oferecer as políticas que a sociedade exigia, com poucos recursos, a ad- ministração pública precisava ser eficiente, o que a burocracia não era. Com toda a insatisfação da sociedade em relação ao modelo burocrático, começam a surgir as teorias em busca de uma administração gerencial. Ao mesmo tem- po, a crise fiscal demonstra que o Estado de bem-estar social era inviável, o que provocou o aparecimento das teorias neoliberais. Para Bresser Pereira: A administração pública gerencial é frequentemente identificada com as ideias neoliberais por outra razão. As técnicas de gerenciamento são quase sempre introduzidas ao mesmo tempo em que se implantam programas de ajuste estrutural que visam enfrentar a crise fiscal do Estado. Essa insatisfação da sociedade irá levar ao poder governos conservadores co- mo o de Ronald Reagan, nos EUA, e de Margareth Thatcher, na Inglaterra, no início dos anos 1980, que irão adotar reformas segundo os princípios do Con- senso de Washington e do Neoliberalismo. O primeiro consiste num conjunto de medidas formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras. Tais medidas passaram a ser receitadas pelo FMI aos países em desenvolvimento. Eram 10 regras básicas: 10 Regras Básicas do Consenso de Washington ��� Disciplina fiscal ��� Redução dos gastos públicos ��� Reforma tributária ��� Juros de mercado ��� Câmbio de mercado ��� Abertura comercial ��� Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições ��� Privatização das estatais ��� Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas) ��� Direito à propriedade intelectual 11..33.. NNeeoolliibbeerraalliissmmoo O neoliberalismo defende a absoluta liberdade de mercado, um Estado Mínimo. Suas principais ideias eram: ��� Desregulamentação dos mercados de trabalho e de bens e serviços; A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 8 ��� Questionamento do papel do Estado como aparato protetor das economias nacionais e a pressão de grupos econômicos dominantes no sentido de diminuir a atuação estatal; ��� Abertura econômica e financeira para o exterior; ��� Privatização das empresas estatais; ��� Crença de que os imperativos de mercado são suficientes para promover o desenvolvimento econômico e social. O pressuposto neoliberal que permeava o programa de reformas orientadas para o mercado é que, uma vez alcançadas a estabilidade e a eficiência, o crescimento viria naturalmente. Uma vez desregulamentada e privatizada a economia, criando-se com isso condições para a competição, os mercados surgirão e seu funcionamento fará com que os recursos sejam realocados entre setores e atividades. O exemplo mais emblemático de implantação do neoliberal- ismo é o governo de Margareth Thatcher, na Inglaterra. Ele procurou implantar de forma sistemática toda a receita neo- liberal. As práticas adotadas incluíram elevação das taxas de juros, redução de impostos sobre os altos rendimentos, abol- ição de controle sobre fluxos financeiros, desemprego em massa e sufocamento dos movimentos sindicais e grevistas. Nos EUA, por outro lado, o modelo foi implantado apenas parcialmente, não houve a mesma preocupação com o déficit público. O governo de Ronald Re- agan caracterizou-se por uma política keynesiana disfarçada, com aumento de gastos, que foram transferidos do setor social para o militar, constituindo um tipo de keynesianismo militarista. Este princípio foi defendido nas reformas do Estado para defender da redução das atividades do Estado, com a transferência delas para a iniciativa privada. Defende-se um Estado Mínimo que é aquele que executa apenas as atividades essenciais à segurança dos indivíduos. Um dos fundamentos das reformas do Estado promovidas no final do Século XX é o Principio da Subsidiariedade, que afirma que as responsabilidades devem caber primeiro às comunidades menores e só serem assumidas pelas mais amplas quando necessário, de forma subsidiário. Assim, quem deve primeiro resolver seus problemas é a família, depois o Estado. Dentro deste, primeiro o município, depois os governos estaduais e por fim a União. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 9 11..44.. NNeeooiinnssttiittuucciioonnaalliissmmoo EEccoonnôômmiiccoo Trata-se uma escola de pensamento que emergiu ao longo das décadas de 1970 e 1980, tendo como principal foco de análise as instituições. Durante boa parte do Século XX prevaleceu a Teoria da Escolha Racional, segundo a qual as pessoas tomam decisões buscando maximizar o próprio interesse, as decisões seriam sempre as mais racionais possíveis. O neoinstitucionalismo busca anali- sar como as instituições interferem nas decisões. Ele faz parte das diversas correntes de pensamento econômico liberal, afirmando que as instituições são necessárias apenas quando geram benefícios para a sociedade, mas devem ser vistas como uma segunda opção (Second Best), um mal necessário. Vamos ver uma questão: 5. (ESAF/TCU/2002) Teorias no âmbito do neoinstitucionalismo econômico, entre as quais a teoria da agência e a teoria da escolha pública, formam, juntamente com abor- dagens contemporâneas de gestão, a base conceitual do New Public Managment. Esta questão é certa. O New Public Managment (Nova Gestão Pública) é uma forma de se referir à administração gerencial, como veremos mais a frente. A Teoria da Escolha Pública (TEP) é o estudo dos processos de decisão política numa democracia, utilizando o instrumental analítico da economia, fundamentalmente os conceitos de comportamento racional e autointeresse que definem o homo economicus. Diferentemente das escolhas privadas feitas pelos indivíduos sobre bens e serviços de uso privado, a Escolha Pública refere- se às decisões coletivas sobre bens públicos. Todavia, essas decisões coletivas são tomadas por indivíduos, integrantes de um grupo ou organismo coletivo, que afetam a todos os integrantes da coletividade. Segundo a TEP, políticos e burocratas, da mesma forma que empresários e consumidores, são atores racionais e estão motivados pelo interesse próprio, que no caso dos políticos consiste em atingir o poder e/ou manter-se nele. Isso resulta muitas vezes no fracasso das políticas públicas em satisfazer de forma eficaz ao conjunto da sociedade ou mesmo à maioria da população através de políticas em prol do bem comum.A conclusão da TEP é que existem falhas na ação dos governos, da mesma forma que existem falhas de mercado, apon- tando a ineficiência da administração pública, ausência de incentivos, proble- mas com obtenção de informação acerca das preferências dos cidadãos, rigidez institucional, permeabilidade à ação de lobbies, etc. Além da racionalidade e do interesse próprio, um terceiro elemento fundamen- tal é o conjunto de regras e instituições políticas. Segundo a perspectiva da A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 10 TEP, a escolha de políticas públicas dos governos é resultante de opções moti- vadas por preferências individuais, feitas sob determinadas regras e procedi- mentos de decisão coletiva. Em face de tais regras, cada participante escolhe sua estratégia segundo o critério de maior utilidade individual. As instituições interferem nas decisões racionais dos atores públicos, limitando sua racionalidade (em relação à do mercado). Nessa perspectiva, o governo é uma instituição econômica em busca de maximização de votos e que afeta o desempenho econômico porque interfere no provimento de bens públicos. Os burocratas, por exemplo, são vistos como maximizadores do próprio inte- resse, que normalmente é a busca de poder. E poder na administração pública possui uma grande relação com o orçamento, ou seja, quanto maior o orça- mento do órgão, maior seria o seu poder. Assim, ao invés dos recursos serem alocados de forma eficiente, seriam aloca- dos com base em critérios políticos que não representam o interesse da socie- dade. Os órgãos tenderiam a gastar cada vez mais, sem nenhuma relação com os resultados que deveria alcançar. A Teoria da Escolha Pública implica uma visão crítica da burocracia, como do- tada de uma tendência auto-orientada, e prescreve um ostensivo controle polí- tico sobre a burocracia para controlar custos, questionar e criticar resultados, quebrar monopólios e introduzir competição. Outra corrente importante do neoinstitucionalismo é a Teoria da Agência, segundo a qual as relações contratuais, quer explícitas ou implícitas, delimitam a figura de um sujeito ativo que recebe o nome genérico de principal, e de um sujeito passivo chamado agente. O principal é quem contrata e o agente é o contratado. A Teoria da Agência enfoca as transações sociais entre atores nas esferas tradicionais do Estado e do mercado como relações contratuais. A suposição básica existente na relação principal-agente é de que o agente agirá em favor do principal e que por isso receberá alguma recompensa. O agente, ou contratado, deverá desempenhar certas funções, de acordo com os critérios do principal, ou contratante. No entanto, em muitos casos o principal tem certa dificuldade em saber se o agente está realmente cumprindo com suas obrigações de forma satisfatória. Aqui entra a assimetria de informação. O agente dispõe de um conjunto de possíveis comportamentos a adotar, suas ações afetam o bem-estar entre as partes e dificilmente são observáveis pelo principal. Decorrentes da assimetria de informações surgem outros dois problemas: A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 11 ��� Seleção adversa: quando são selecionados os agentes com maior risco. Se a indústria de seguros de vida praticar um preço baseado na média de risco das pessoas, saíra perdendo porque quem terá maior propensão a fazer seguros serão as pessoas com maior risco. Por isso que são praticados preços de acordo com o risco de cada um. ��� Risco moral: uma das partes envolvidas em um contrato não dispõe de condições ou mecanismos para monitorar as ações e as atitudes da outra parte envolvida, que pode ter um comportamento de risco. Muitas pessoas com plano de saúde passam a usar os serviços médicos numa proporção bem maior do que quando não tinham o plano. Devido a esses problemas, o principal incorre em custos adicionais para ter que monitorar a atuação do agente. Por exemplo, quando uma empresa con- trata um pessoa para distribuir panfletos na rua, não sabe se essa pessoa irá realmente entregá-los ou jogá-los no lixo. Assim, é preciso monitorar a ação desse agente. O caráter contratual deve ser reforçado mediante incentivos. O ideal, para o principal, é um sistema de incentivos em que o agente só pode ganhar mais por meio de esforços que aumentam os benefícios do principal. Essa teoria irá influenciar significativamente a administração gerencial, prin- cipalmente no que se refere à gestão por resultados, a ideia de que devem ser estabelecidos instrumentos de contratualização, que representa a ampli- ação da autonomia na gestão dos meios para cobrar o alcance dos fins, ou seja, dos resultados. Ao invés de controlar os processos, os meios, busca-se dar incentivos para que o gestor público alcance os resultados desejados. Vamos ver mais uma questão: 6. (CESPE/SENADO/2002) No domínio da ciência política, as aplicações de modelos e abordagens de public choice sugerem que as escolhas públicas não podem ser otimi- zadas, uma vez que as instituições que as processam interferem na sua racionalidade. A questão é certa. O Public Choice é a Teoria da Escolha Pública. Uma vez que as instituições interferem na racionalidade, e como os políticos e burocratas são motivados pelo próprio interesse, o melhor é que o Estado seja melhor. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 12 11..55.. EEssttaaddoo RReegguullaaddoorr Apesar de, na década de 1980, as primeiras reformas gerenciais terem sido marcadas pelo ideário neoliberal, percebeu-se que o ajuste estrutural não era suficiente para que houvesse a retomada do crescimento. Ocorreram ganhos positivos, como o fato da balança de pagamentos voltar a um relativo controle, por toda a parte caíram as taxas de inflação, os países recuperaram pelo me- nos alguma credibilidade. Porém, o crescimento econômico não foi retomado e as políticas sociais foram reduzidas, deixando desassistida parte da população. A partir daí as reformas gerenciais entendem que o Estado Mínimo não é algo concreto a ser buscado. Bresser considerava irrealista a ideia de um Estado Mínimo. Vamos ver outra passagem do autor: O pressuposto neoliberal que estava por trás das reformas - o pressuposto de que o ideal era um Estado mínimo, ao qual caberia apenas garantir os di- reitos de propriedade, deixando ao mercado a total coordenação da economia - provou ser irrealista. Em primeiro lugar porque, apesar do predomínio ideo- lógico alcançado pelo credo neoconservador, em país algum - desenvolvido ou em desenvolvimento - este Estado mínimo tem legitimidade política. Não há sequer apoio político para um Estado que apenas acrescente às suas fun- ções as de prover a educação, dar atenção à saúde e às políticas sociais compensatórias: os cidadãos continuam a exigir mais do Estado. Portanto, apesar de, no início, as reformas gerenciais terem sim como objetivo o Estado Mínimo, afirmar que as reformas gerenciais defendem isso já não é mais válido. Nesta nova visão, ao abandonar funções empresariais, relaciona- das à produção de bens e serviços, o Estado estaria se capacitando para ter uma atuação mais seletiva e, portanto, mais eficaz. O novo papel regulatório do Estado faz partedo resultado de um programa de reformas que, a despeito de ser orientado para o mercado, objetiva a recuperação da capacidade de intervenção estatal. A aplicação prática da teoria resultou numa série de medidas com o objetivo de retirar do Estado o papel de produtor, de executor. Ao se retirar da produ- ção e prestação de serviços, ao Estado caberia proteger, de forma instituciona- lizada, investidores e consumidores. Investidores desejam um sistema regulatório estável e previsível para que o processo de acumulação de capital da companhia possa se materializar; consumidores desejam ser protegidos da prática de preços abusivos, em setores onde existem monopólios naturais. Para o governo, estabelecer e definir mecanismos de revisão e controle do preço justo dos serviços monopolistas é a grande questão. O preço justo per- mite ao governo cobrar do investidor a realização dos investimentos necessá- rios à continuidade e qualidade da oferta de serviços, ao tempo em que fornece as bases da justificação do mesmo perante os consumidores. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 13 Essa nova visão do Estado também está presente no Plano Diretor: A reforma do Estado deve ser entendida dentro do contexto da redefinição do papel do Estado, que deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvi- mento econômico e social pela via da produção de bens e serviços, para for- talecer-se na função de promotor e regulador desse desenvolvimento. A partir deste princípio, o Plano defendeu estratégias diferentes para os seto- res de organização do Estado. Fora o núcleo estratégico e as atividades exclu- sivas, que deveriam permanecer estatais, no setor de serviços não exclusivos e no de produção de bens e serviços para o mercado deveria haver uma forma de transferência para a iniciativa privada: no primeiro caso a publicização e, no segundo, a privatização. Um dos traços marcantes desta mudança foi a criação das agências regulado- ras. O nascimento dessas agências está diretamente relacionado com o pro- cesso de privatização de serviços públicos ocorrido na década passada. O Estado deixou de exercer determinadas tarefas, que foram repassadas para a iniciativa privada, mas não pôde apenas esquecer tais setores. É preciso fisca- lizá-los e regulá-los. Para tanto, instituiu as agências reguladoras. Estudare- mos melhor essas mudanças que ocorreram no Brasil na Aula 03. Um ponto que vocês devem tomar cuidado é com relação à regulação. Muito se fala que o Estado assume o papel de regulador, ele deixa de executar os servi- ços diretamente e passa a regular a atividade privada. Assistimos nas últimas décadas ao surgimento de várias agências reguladoras. Porém, vamos ver uma questão que gera muitas dúvidas nos alunos: 7. (FCC/TCE AM/2008) Em decorrência da aplicação do princípio da subsidiariedade, várias tendências em relação ao Estado podem ser apontadas, dentre elas, III. Desregulação dos serviços públicos. Essa afirmação é certa. Muitos marcam errado por causa da ideia do Estado Regulador, a mudança no papel do Estado com as reformas. Porém, o termo “regulação” aqui tem um caráter mais amplo. É preciso tomar MUITO CUI- DADO com uma confusão que é feita a respeito do com o aumento ou não da regulação nesse período pós-crise do Estado. Na teoria econômica, a regulação vem sendo caracterizada como a intervenção estatal com objetivo de corrigir falhas de mercado. Segundo Vinicius de Carva- lho, regulação é o “conjunto de regras que visa à correção das deficiências do mercado através do estabelecimento de regras e da manutenção ou restabele- cimento do funcionamento equilibrado de um sistema”. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 14 Philip Selznick conceitua regulação como “o controle contínuo e focado exerci- do por uma agência pública sobre atividades valorizadas pela sociedade”. É uma definição ampla, que considera regulação toda atuação do Estado sobre determinada atividade. Marcos Juruena Villela Souto afirma que a regulação busca compatibilizar a eficiência econômica com a satisfação do consumidor, “protegendo-o contra os altos preços e baixa qualidade dos bens e serviços”. A partir disso, o autor diferencia três aspectos sob os quais a regulação deve ser analisada: a regula- ção de monopólios, minimizando as forças de mercado por controle sobre os preços e a qualidade do serviço; regulação para a competição, com o objetivo de viabilizar a sua existência e continuidade; e regulação social, assegurando prestação de serviços públicos de caráter universal e a proteção ambiental. Assim, se olharmos para o que estava ocorrendo no período das reformas do Estado, percebemos que estava havendo uma redução das atividades estatais, ou seja, estava havendo uma desregulação. Vinícius de Carvalho afirma que a ideia de desregulação tem um caráter gené- rico de redução do intervencionismo estatal, que pode se dar de várias formas em função das políticas públicas econômicas. Abrangendo, assim, a alienação da propriedade dos meios de produção públicos, a cessão de sua gestão, a abertura de setores, até então vedados à iniciativa privada, a liberação dos regimes legais da atividade privada e a colaboração de entidades privadas na execução de tarefas públicas. Di Pietro ensina que a desregulação constitui a diminuição do regramento da atividade privada, com o intuito de diminuir a intervenção do Estado na vida do cidadão. Do ponto de vista da desregulação econômica, apresentam-se outros conceitos como: desmonopolização, desestatização, privatização e a própria concessão de serviços públicos. 22.. AAddmmiinniissttrraaççããoo GGeerreenncciiaall As reformas que buscavam implantar a administração gerencial ficaram conhe- cidas como a Nova Gestão Pública. Segundo Humberto Falcão Martins: O NPM é um conjunto de argumentos e filosofias administrativas aceitas em determinados contextos e propostas como novo paradigma de gestão públi- ca a partir da emergência dos temas crise e reforma do estado nos anos 80. O termo foi originalmente lançado como recurso estruturador da discussão acadêmica sobre as transformações transcorridas na gestão e organização executiva de governos a partir dos anos 80. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 15 A Nova Gestão Pública em si não representa um novo paradigma, mas um campo de discussão profissional e de políticas públicas de abrangência in- ternacional sobre assuntos que dizem respeito à gestão pública. Portanto, seu caráter é mais de análise do que prescritivo, ou seja, é mais de estudo do que aconteceu do que afirmação de como deveria ser. As reformas gerenciais estiveram longe de constituir um corpo homogêneo, existiram os mais diversos tipos de reformas, com diferenças significativas em cada país. Porém, podemos dividir as reformas em dois modelos principais: ��� Westminster: teve origem na Nova Zelândia na década de 1970 e rapidamente se espalhou por outras democracias parlamentaristas como Austrália, Canadá e, principalmente, o Reino Unido. ��� Reinventando o Governo: próprio dos EUA, surge com o empreen- dedorismo governamental, outro item do edital e que estudaremos nesta aula. Os dois modelos compartilham de uma mesma filosofiabásica, voltada para a gestão por resultados, aumento da eficiência, descentralização, utilização de técnicas da iniciativa privada e aumento da accountability, que estudaremos na próxima aula. São as diferenças institucionais e políticas entre o parlament- arismo do modelo Westminster e o sistema federativo nos EUA que dão as variações entre os modelos. Vamos ver uma questão da ESAF: 8. (ESAF/APO-MPOG/2005) O mangerialism, apesar de ter sido criado nos EUA – “berço das grandes inovações da administração privada”, obteve maior sucesso na Grã-Bretanha, onde encontrou um sistema político mais favorável a sua aplicação. Essa questão foi tirada do texto do Fernando Luiz Abrucio: "O impacto do mo- delo gerencial na Administração Pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente". Disponível em: www.enap.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1614 Segundo Fernando Luiz Abrúcio: O presidente Ronald Reagan e a primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher elegeram-se com um programa de governo muito parecido, inclusi- ve no que se refere à reforma administrativa. Ambos propunham, inicialmen- te, a implantação de um modelo gerencial puro, com ênfase no corte de custos e no aumento da eficiência. Thatcher foi, em grande medida, bem su- cedida em seu programa de reformular o aparato burocrático. Reagan não. Por quê? A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 16 O autor aponta duas razões para a menor força do gerencialismo nos EUA: ��� Tensão existente entre aumentar a flexibilidade e, ao mesmo tempo, procurar manter as salvaguardas políticas contra a patronagem; ��� O governo nos Estados Unidos é extremamente descentralizado Nos Estados Unidos sempre houve uma maior preocupação com o uso da má- quina pública para interesses pessoais, ou seja, patrimonialismo. Eles ficaram mais preocupados em aumentar a autonomia dos gestores, pois acreditavam que poderia resultar em perda de controle. De outro lado, o fato de os EUA ser uma federação dificultou a implementação da reforma nos diversos níveis de governo, pois os estados e municípios con- tam com autonomia e não precisam obedecer às determinações do governo federal. Já na Inglaterra, a centralização é muito maior, tanto que Thatcher ficou conhecida como a “Dama de Ferro”. Assim, ela conseguiu empurrar a reforma “goela abaixo” no país. Ainda segundo Abrúcio: Isto não quer dizer que o managerialism não tenha força nos EUA. Aliás, foi lá que nasceu o chamado Public Management, que nunca se tornou hegemônico, mas algumas das suas técnicas gerenciais estão sendo util- izadas pragmaticamente há muito tempo, quando servem aos interesses da comunidade. Portanto, o autor afirma que o managerialism, ou gerencialismo, teve origem nos EUA. Só tomem cuidado, pois o modelo deles era diferente dos demais países. Segundo George Frederickson e Kevin Smith: Nenhuma dúvida de que a moderna administração pública é em grande parte um produto Americano do Século XX. Mas especialistas em adminis- tração comparada há muito tempo argumentam contra a exportabilidade da administração pública Americana. Muito do ímpeto por trás da chamada Nova Gestão Pública, ou New Managerialism, vem da Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia. Vamos estudar agora os princípios da administração gerencial, que fazem parte dos dois modelos, depois estudaremos a evolução da Nova Gestão Pública, primeiro pelo modelo Westminster e as suas três fases: gerencialismo puro, consumerismo e Public Service Orientation, que ocorreram basicamente no Reino Unido; então veremos o empreendedorismo governamental dos EUA. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 17 22..11.. PPrriinnccííppiiooss ddaa AAddmmiinniissttrraaççããoo GGeerreenncciiaall Bresser Pereira enumera algumas características da administração gerencial: É orientada para o cidadão e para a obtenção de resultados; pressupõe que os políticos e os funcionários públicos são merecedores de um grau real ainda que limitado de confiança; como estratégia, serve-se da descentralização e do incentivo à criatividade e à inovação; o instrumento mediante o qual se faz o controle sobre os órgãos descentralizados é o contrato de gestão. Podemos observar alguns princípios básicos que foram sendo adotados por esta nova filosofia: Princípios da Administração Gerencial ��� Descentralização administrativa, através da delegação de autoridade para os administradores públicos; ��� Descentralização do ponto de vista político, transferindo recursos e atribuições para os níveis políticos regionais e locais. ��� Organizações com poucos níveis hierárquicos ao invés de piramidal, ��� Pressuposto da confiança limitada e não da desconfiança total; ��� Controle por resultados ao invés do controle rígido dos processos; ��� Administração voltada para o atendimento do cidadão, ao invés de autorreferida. Vamos ver os princípios: a) Descentralização Nos princípios acima, temos dois tipos de descentralização: a política e a administrativa. Maria Sylvia Zanella di Pietro diferencia estas duas formas de descentralização da seguinte forma: ��� Descentralização Política: ocorre quando o ente descentralizado exerce atribuições próprias que não decorrem do ente central; é a situação dos Estados-membros da federação e, no Brasil, também dos Municípios. Cada um desses entes locais detém competência legislativa própria que não decorre da União nem a ela se subordina. ��� Descentralização Administrativa: ocorre quando as atribuições que os entes descentralizados exercem só têm valor jurídico que lhes empresta o ente central. A titularidade do serviço continua com o ente central. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 18 Podemos falar ainda numa terceira dimensão de descentralização – a social, que corresponde a maior participação da sociedade na gestão pública. Trata-se de transferência de parcelas de poder, competências e funções da administra- ção pública para a sociedade civil. A descentralização é entendida como a transferência do poder decisório. Na política, é transferido para os entes federados, como estados e municípios; na administrativa, é transferido para os níveis hierárquicos inferiores; na social, é transferido para a população. Segundo Maria da Glória Gohn, a participação, pelas características e função, é sinônimo de descentralização. Esta forma de descentralização também estava presente nas reformas gerenciais. A descentralização política permite que haja uma maior descentralização soci- al. É nas comunidades que as pessoas podem participar das decisões do Esta- do. As pessoas não irão se deslocar para Brasília para participar. E a descentralização política faz com que as decisões estejam no próprio municí- pio, mais próximas das pessoas, que podem controlar tais decisões de forma mais eficaz. Um exemplo disso é o orçamento participativo, que é uma experi- ência bem sucedida justamente nos municípios, já que permite uma maior participação das pessoas. Outro exemplo são os co0nselhos gestores munici- pais, criados para permitir que as pessoas possam participar das decisões refe- rentes às políticas públicas. No entanto, háum ponto polêmico aqui. Alguns autores consideram que a maior participação social seria um movimento contrário as reformas gerenciais, principalmente autores que associam estas reformas ao neoliberalismo. Segundo Ana Paula Paes de Paula, as últimas décadas foram marcadas pela luta dos brasileiros por processo de redemocratização do país, buscando re- formar o Estado e construir um modelo de gestão pública capaz de torná-lo mais aberto às necessidades dos cidadãos brasileiros, mais voltado para o inte- resse público e mais eficiente na coordenação da economia e dos serviços pú- blicos. Ao analisar esse contexto histórico, a autora identifica dois projetos políticos em desenvolvimento e disputa. Segundo a autora, a administração gerencial é participativa no nível do discur- so, mas centralizadora no que se refere ao processo decisório, à organização das instituições políticas e à construção de canais de participação popular. Nas questões, se falarem que a administração gerencial tem como princípio a participação popular, será correto. Contudo, se mencionarem a administração societal, significa que estão adotando uma linha mais à esquerda, que conside- ra a administração gerencial fechada. Vamos ver uma questão: A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 19 9. (CESPE/MDS/2006) O modelo de administração pública societal incorpora aos mo- delos burocráticos e gerenciais tradicionalmente fechados práticas que ampliam a re- lação Estado-sociedade, como a instituição de conselhos gestores de políticas públicas e o orçamento participativo. Questão certa. Em alguns casos as bancas falam na Administração Societal, em outros falam que a gerencial é participativa. Tomem cuidado. b) Confiança Limitada e Controle por resultados, a posteriori A administração burocrática concentrava-se no processo legalmente definido, buscava definir procedimentos para contratação de pessoal, para compra de bens e serviços; a administração pública gerencial orienta-se pelos resultados. A burocracia concentra-se nos processos, sem considerar a alta ineficiência envolvida, porque acredita que este seja o modo mais seguro de evitar o nepo- tismo e a corrupção. Os controles são preventivos, vêm a priori. Entende, além disso, que punir os desvios é sempre difícil, se não impossível; prefere, pois, prevenir, estabelecendo estritos controles legais. A administração pública gerencial, por sua vez, assume que se deve combater o nepotismo e a corrupção, mas que, para isto, não são necessários procedi- mentos rígidos. Podem ter sido necessários quando dominavam os valores patrimonialistas; mas não o são hoje, quando já existe uma rejeição universal a que se confundam os patrimônios público e privado. Por outro lado, emergi- ram novas modalidades de apropriação da res publica pelo setor privado, que não podem ser evitadas pelo recurso aos métodos burocráticos. Rent-seeking é quase sempre um modo mais sutil e sofisticado de privatizar o Estado e exige que se usem novas contra-estratégias. Segundo Bresser Pereira: Para que se proceda ao controle dos resultados, descentralizadamente, em uma administração pública, é preciso que políticos e funcionários públicos mereçam pelo menos um certo grau de confiança. Confiança limitada, permanentemente controlada por resultados, mas ainda assim suficiente para permitir a delegação, para que o gestor público possa ter liberdade de escolher os meios mais apropriados ao cumprimento das metas acordadas, ao invés de fixar metas e procedimentos em lei. Na administração burocrá- tica, esta confiança não existe. A gestão por resultados se caracteriza pela maior autonomia do gestor público na escolha dos meios em troca de uma responsabilização por resultados. Bres- ser fala em "confiança limitada" porque a administração gerencial substitui a desconfiança total da administração burocrática. A administração confia no A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 20 servidor, deixa escolher os meios, mas controla os resultados. Não é uma con- fiança ilimitada. Vamos ver uma questão: 10. (CESPE/TCU/2008) O controle dos resultados de forma descentralizada, na admi- nistração pública, depende de um grau de confiança limitado nos agentes públicos, que, mesmo com estrito monitoramento permanente, devem ter delegação de compe- tência suficiente para escolher os meios mais apropriados ao cumprimento das metas prefixadas. A questão é certa. A gestão por resultados caracteriza-se pela maior autono- mia do gestor público na escolha dos meios em troca de uma responsabilização por resultados. A questão fala em "confiança limitada nos agentes públicos" porque a administração gerencial substitui a desconfiança total da administra- ção burocrática pela confiança limitada. A administração confia no servidor, deixa que ele escolha os meios, mas controla os resultados. c) Administração voltada para o atendimento do cidadão Enquanto a administração pública burocrática é autorreferida, a administração pública gerencial é orientada para o cidadão. Como observa Barzelay: Uma agência burocrática se concentra em suas próprias necessidades e perspectivas; uma agência orientada para o consumidor concentra-se nas necessidades e perspectivas do consumidor. A burocracia moderna surgiu no século XIX, quando ainda era preciso afirmar o poder do Estado em oposição a poderes feudais ou regionais. O Estado Nacio- nal nasceu na Europa, nas monarquias absolutas, nas quais a burocracia pa- trimonialista desempenhava um papel central. As burocracias capitalistas modernas são uma evolução da burocracia patrimonialista, que se auto- diferenciaram ao fazerem uma distinção clara entre patrimônio público e pa- trimônio privado, mas que, ainda assim, se mantiveram próximas da matriz inicial em tudo quanto dissesse respeito à afirmação do poder do Estado. Além de promover seus próprios interesses, interessam-se, primariamente, em afirmar o poder do Estado sobre os cidadãos. Em contraste, o gerencialismo assume que o poder não está sob ameaça grave, e o serviço público não preci- sa ser autorreferido, mas se orientar pela ideia de "serviço ao cidadão". Caio Marini também enumera alguns princípios da Nova Gestão Pública. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 21 d) Focalização da ação do Estado no cidadão: Significa o resgate da esfera pública como instrumento do exercício da cidada- nia. O Estado deve ser entendido como o fórum onde o cidadão exerce a cida- dania; todo e qualquer esforço de reforma, portanto, deve ter como objetivos melhorar a qualidade da prestação do serviço público na perspectiva de quem o usa e possibilitar o aprendizado social de cidadania. A interpretação mais radical deste princípio fez com que as relações entre Estado e sociedade fos- sem reduzidas à relação entre fornecedor e cliente. Nem sempre o cidadão é cliente. Há várias relações entre Estado e cidadão. A exploração pelo Estado de atividades como, por exemplo, a loteria esportiva, pode ser caracterizada como do tipo cliente-fornecedor. Já os prisioneiros não podem ser tratados como clientes; nesse caso, a sociedade é o cliente. Na cobrança de impostos, a relação com o cidadão não é de cliente, é de súdito,pois vale aí o exercício do poder extroverso, o poder de coerção que o Estado tem para arbitrar valores desses impostos e obrigar o cidadão a pagá-los. Pode até haver um bom atendimento para o contribuinte, mas a visão extremada nessa relação cliente/fornecedor pode desvirtuar o papel do Estado. e) Reorientação dos mecanismos de controle por resultados: Significa evoluir de uma lógica baseada tão somente no controle da legalidade e do cumprimento do rito burocrático para uma nova abordagem centrada no alcance de objetivos. Os mecanismos de controle, na perspectiva burocrática atual, representam um entrave à ação eficiente e inovadora; em vez de aju- dar, representam um obstáculo à ação. Na medida do possível, deverá aconte- cer uma evolução natural dos controles a priori para controles a posteriori baseados em indicadores de resultados. f) Flexibilidade administrativa Não se trata de outorgar autonomia pela autonomia, mas, sim, a autonomia necessária para o alcance dos resultados. Isto exigirá a delimitação dos espa- ços de atuação da administração pública, a partir do fortalecimento dos papéis de formulação de políticas e regulação, gerando, como consequência, um tra- tamento sob medida da questão, já que o grau de flexibilidade depende da natureza da atividade a ser exercida. Hoje, notadamente na administração indireta, ocorre uma realidade no mínimo curiosa, a da autonomia invertida: as instituições são bastante autônomas para decidirem sobre os seus fins, mas quase nada no que diz respeito aos meios. Veremos na Aula 03 a evolução da administração pública no Brasil, e dentro dela o Decreto-Lei n.º 200 de 1967. Embora houvesse uma nítida e bem inten- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 22 cionada preocupação com a flexibilidade – autonomia para os órgãos da admi- nistração indireta –, era como se a flexibilidade fosse um fim em si mesmo. A premissa era: autarquias, fundações e empresas públicas gozando de maior autonomia seriam mais eficazes. Porém, do ponto de vista prático, como não houve uma preocupação com o controle dos resultados, a flexibilidade teve seu uso desvirtuado. É certo que muitas instituições conseguiram melhorar seu desempenho, mas houve, em muitos casos, usos indevidos da flexibilidade (por exemplo: para contratação de pessoal e para compras de bens e serviços para órgãos da ad- ministração direta). A flexibilidade não pode ser de uso extensivo e generaliza- do, deve ser “sob medida”. Nem todos os órgãos necessitam da mesma flexibilidade, e ela tem que estar vinculada ao alcance dos resultados. O con- trato de gestão pode ser um útil instrumento de vinculação da flexibilidade a resultados. A flexibilidade não deve ser colocada nos fins, deixando que as organizações estabeleçam seus objetivos, mas sim nos meios. g) Controle social Significa desenhar mecanismos de prestação social de contas e avaliação de desempenho próximos da ação. Se o objetivo é o resgate da cidadania e a reorientação para resultados, este controle não pode se limitar apenas à di- mensão interna, com base em quem presta o serviço. Tem que ser na perspec- tiva de quem usa ou se beneficia da prestação dos serviços públicos. O controle social se trata de um controle por parte da população sobre as deci- sões governamentais. Ele significa fiscalização, mas principalmente participa- ção nas decisões do Estado. Este controle pode ocorrer por meio de instrumentos institucionalizados, como os conselhos gestores e as ações popu- lares; ou não institucionalizados, como sites na internet que divulguem os can- didatos com problemas na justiça, ONGs de defesa do consumidor, etc. h) Valorização do servidor Este princípio representa, na verdade, a âncora do processo de construção coletiva do novo paradigma, orientado para o cidadão e realizado pelo conjun- to dos servidores de forma participativa. Implantar uma nova gestão pública não significa mudar sistemas, organizações e legislação; muito mais do que isso, significa criar as condições objetivas de desenvolvimento das pessoas que conduzirão e realizarão as reformas. Nesse sentido, valorizar o servidor quer dizer estimular sua capacidade empreendedora, sua criatividade, destacando o espírito público de sua missão e o seu comportamento ético. Vamos ver uma questão: A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 23 11. (CESPE/TCE-AC/2006) Na administração pública gerencial, a estratégia volta-se pa- ra a definição dos objetivos que o administrador público deve atingir em sua unidade, para a garantia da autonomia na gestão de recursos humanos, materiais e financeiros e para o controle e a cobrança a posteriori de resultados. Esta questão foi tirada do Plano Diretor. Pessoal, é muito importante vocês lerem o Plano Diretor, não só porque a reforma de 1995 é cobrada, mas tam- bém porque ele traça um grande histórico da administração pública no Brasil e no mundo, e muitas questões são tiradas do seu texto. Vamos ver o que ele diz sobre a administração gerencial: Na administração pública gerencial a estratégia volta-se (1) para a definição precisa dos objetivos que o administrador público deverá atingir em sua unidade, (2) para a garantia de autonomia do administrador na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados à dispo- sição para que possa atingir os objetivos contratados, e (3) para o controle ou cobrança a posteriori dos resultados. Adicionalmente, pratica-se a com- petição administrada no interior do próprio Estado, quando há a possibilida- de de estabelecer concorrência entre unidades internas. No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a redução dos níveis hierár- quicos tornam-se essenciais. Em suma, afirma-se que a administração pú- blica deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil e deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins). Se a administração gerencial muda o foco do controle para o resultado, primei- ro é preciso ter os objetivos, as metas que devem ser alcançadas. Por isso que deve haver uma definição clara dos objetivos. Não dá para cobrar o que não está definido. Além disso, para que o administrador seja cobrado, é preciso que ele tenha liberdade de ação, por isso é importante a autonomia. 22..22.. EEvvoolluuççããoo ddaa NNoovvaa GGeessttããoo PPúúbblliiccaa O MPM evoluiu por meio de três modelos: o gerencialismo puro, o consume- rism e o public service orientation. Abrúcio elaborou o quadro a seguir, em ele faz uma pequena comparação quanto aos principais objetivos de cada visão e quanto a sua relação com a sociedade, ou melhor, com seu “público-alvo”. Gerencialismo Puro Consumerism Public Service Orientation Economia / eficiência Efetividade / qualidade Accountability / equidade Contribuintes Clientes / consumidores Cidadãos A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 24 As teorias estão apresentadas da esquerda para a direita, em ordem cronológi- ca de criação. Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que a divisão entre as teorias foi estabelecida apenas para facilitar a comparação entre elas. Na reali- dade, há um grau razoável de intercâmbio entreas teorias, principalmente no caso das duas últimas. Entretanto, como ponto de partida para a discussão, essa classificação propor- ciona duas importantes constatações. A primeira é que há uma mudança subs- tancial ao longo do tempo, desde o managerialism até o PSO. A constatação mais importante, no entanto, é que, embora haja diferenças entre as teorias, elas não são mutuamente excludentes. Ao contrário, percebe-se que pode haver uma incorporação dos aspectos positivos de cada teoria. Esses modelos puderam ser observados de forma mais clara principalmente na Inglaterra. Nos demais países não foram observadas essas três fases de forma tão clara. O gerencialismo nos EUA avançou bem menos que no Reino Unido, e lá ganhou mais força o movimento do empreendedorismo governamental, que veremos ainda nesta aula. a) Gerencialismo Puro O Managerialism inglês teve como primeiro momento o “gerencialismo puro”. Como vimos acima, no início, as reformas gerenciais eram bastante próximas das ideias neoliberais. Esta corrente teve como principais objetivos reduzir os gastos públicos e aumentar sua produtividade. O fato é que, no início do NPM, as modificações na burocracia estavam vinculadas a um projeto de reforma do Estado que se caracterizava como um movimento de retração da máquina governamental a um número menor de atividades. A palavra de ordem da primeira-ministra inglesa, Margareth Thatcher, era “rolling back the state”, o que na prática significou privatização, desregulamentação, devolução de ativi- dades governamentais à iniciativa privada ou à comunidade e constantes ten- tativas de reduzir os gastos públicos. Foi, portanto, sob o signo da questão financeira que se implantou o modelo gerencial puro na Grã-Bretanha. O managerialism seria usado no setor público para diminuir gastos em uma era de escassez e para aumentar a eficiência governamental. Em suma, o gerencialismo puro tinha como eixo central o con- ceito de produtividade. Segundo Caio Marini: O primeiro modelo é o gerencialismo puro, que corresponde à primeira etapa da experiência no Reino Unido e também nos Estados Unidos, onde a perspec- tiva central é o foco na economia e na eficiência; é o “fazer mais com menos”, o que significa olhar o cidadão como contribuinte, que não quer desperdício, ao contrário, quer ver o recurso arrecadado ser aplicado eficientemente. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 25 Um dos fatores que levaram à crise do Estado de Bem-Estar foi a crise de governabilidade, que se instaurou em virtude de o Estado não conseguir atender às demandas da sociedade. Prejudicando ainda mais a crise fiscal, ocorreram as revoltas dos taxpayers, ou contribuintes, que não enxergavam uma relação direta entre o acréscimo de recursos governamentais e a melhoria dos serviços públicos. Podemos perceber que o gerencialismo puro, como uma resposta a esta crise, vem defender que o Estado considere o cidadão como contribuinte e gaste seus recursos com eficiência, com consciência de custos. Segundo Ewan Ferlie, a experiência britânica pós-1979 é dominada por uma série de iniciativas de reforma, observadas em várias unidades operacionais diferentes, conduzidas pelos escalões superiores e sustentada por um longo período de tempo. Há várias importantes mudanças visíveis, algumas contra- ditórias, mas que incluem as seguintes e abrangentes características: ��� Privatização em larga escala na esfera econômica; ��� Utilização de padrões de gestão semelhantes aos adotados pelas empresas privadas; ��� Ênfase no “fazer mais com menos”, na eficiência; ��� Ênfase na “administração para a mudança”, buscando mudar a cultura do setor público. O primeiro passo do modelo gerencial puro foi cortar custos e pessoal. Depois, buscou modificar as engrenagens do modelo weberiano. A burocracia tradi- cional é definida como uma organização com estrutura rígida e extremamente centralizada, que se preocupa demais com regulamentos e procedimentos, além de avaliar o desempenho apenas com base na observância de normas. Em oposição a essa visão, o governo Thatcher propunha: ��� Clara definição das responsabilidades de cada funcionário das agências governamentais; ��� Clara definição dos objetivos governamentais, analisados em sua substância, e não como processo administrativo; ��� Maior consciência acerca do valor dos recursos públicos (Value Money), procurando maximizar a relação financeira entre os recursos iniciais e os gastos realizados, incorporando o valor da eficiência. Passou-se a adotar uma gestão por resultados, conferindo maior autonomia às agências governamentais e descentralizando a estrutura administrativa. O problema foi que, ao dar muita importância para a estratégia de eficiência, o gerencialismo puro acabou relegando a um segundo plano outros valores im A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 26 portantes na atuação da administração pública. Por exemplo, ao enfocar ape- nas a eficiência governamental, não se atribui à avaliação da efetividade dos serviços públicos a devida importância. O gerencialismo puro se preocupava em demasia com a eficiência sem se pre- ocupar com a efetividade, olhava apenas para a relação custo e produção, sem olhar para o real impacto da ação governamental na sociedade. Podemos reconhecer, no entanto, que o modelo gerencial puro obteve alguns êxitos. O principal deles está ligado à ênfase na questão financeira, que de fato tornou a burocracia mais consciente acerca dos custos das políticas públicas. A discussão em torno do modelo gerencial tornou-se mais complexa e ganhou novos rumos a partir da metade da década de 1980. A mais importante mu- dança foi a tentativa de se constituir de serviços públicos voltados para os anseios dos clientes/consumidores. b) Consumerism As maiores críticas ao gerencialismo puro não buscavam o retorno ao modelo burocrático, mas sim a incorporação de novos significados. Primeiro, introdu- zindo o conceito de qualidade no serviço público. Com o conceito de efetivida- de, recupera-se a noção de que o governo deve, acima de tudo, prestar bons serviços. É a ótica da qualidade que começa a ser incorporada. O consumerism introduziu a perspectiva da qualidade como uma estratégia voltada para a satisfação do consumidor, através de medidas que visavam tornar o poder público mais leve, ágil e competitivo: descentralização adminis- trativa, criação de opções de atendimento, como incentivo à competição entre organizações públicas e adoção de um novo modelo contratual. Para Marini: O outro, nesta linha evolutiva, recebeu a denominação de consumerismo a partir do foco na flexibilidade de gestão, na qualidade dos serviços e na prio- ridade às demandas do consumidor: é o “fazer melhor”. Note-se que, en- quanto a primeira perspectiva quer recuperar a eficiência perdida, a segunda quer incrementar a qualidade dos serviços, olhando o cidadão como cliente. A estratégia voltada à satisfação dos consumidores é reforçada pelo governo britânico através da adoção de três medidas que fazem parte de uma estraté- gia para tornar o poder público mais leve, ágil e competitivo, desmontando assim o antigo modelo burocrático. A primeira dessas medidas é a descentrali- zação. Ocorreu uma significativa delegação de autoridade, partindo do princí- pio de quanto mais próximo estiver o serviço público do consumidor, mais fiscalizado pela população ele o será.A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 27 A descentralização, no entanto, não basta para aumentar o poder do consumi- dor. É preciso que haja opções caso determinada política pública não esteja funcionando a contento. Neste sentido, procura-se incrementar a competição entre as organizações do setor público, a segunda medida. Quando não há competição entre os serviços, existe uma situação de monopólio e, portanto, os consumidores não têm alternativa de escolha. A terceira medida é a adoção de um novo modelo contratual para os serviços públicos. A contratualização é uma forma de gestão por resultados, em que é concedida maior autonomia para os administradores públicos em troca de res- ponsabilização por resultados. A criação de relações contratuais origina-se de três pressupostos. O primeiro é de que numa situação de falta de recursos, como a atual, a melhor forma de aumentar a qualidade é introduzir relações contratuais de competição e de controle. O segundo, quase como consequência do primeiro, é de que a forma contratual evita a situação de monopólio. Por fim, o último pressuposto refere-se à maior possibilidade que os consumidores têm de controlar e avaliar o andamento dos serviços públicos a partir de um marco contratual. Embora tenha avançado muito com relação ao modelo gerencial puro, o con- sumerism recebeu várias críticas, particularmente no terreno em que mais transformou os conceitos, isto é, na relação entre o governo como prestador de serviços públicos e a população. A crítica mais geral é direcionada ao conceito de consumidor de serviços públi- cos. Em primeiro lugar, com relação à diferença que existe entre o consumidor de bens no mercado e o “consumidor” dos serviços públicos. É mais complexa a relação do prestador de serviço público com a sociedade, já que ela não obe- dece ao puro modelo de decisão de compra vigente no mercado. Aliás, há de- terminados serviços públicos cujo caráter é compulsório, isto é, não existe a possibilidade de escolha, como provam a utilização em determinados momen- tos dos hospitais e dos serviços policiais. c) Public Service Orientation (PSO) Toda a reflexão realizada pelos teóricos do PSO leva aos temas do republica- nismo e da democracia, utilizando-se de conceitos como accountability, trans- parência, participação política, equidade e justiça, questões praticamente ausentes do debate sobre o modelo gerencial. O ponto que aqui distingue o PSO das outras correntes é o conceito de cida- dão. Pois, enquanto o cidadão é um conceito com conotação coletiva — pensar na cidadania como um conjunto de cidadãos com direitos e deveres —, o termo consumidor (ou cliente) tem um referencial individual, vinculado à tradição A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 28 liberal, a mesma que dá, na maioria das vezes, maior importância à proteção dos direitos do indivíduo do que à participação política, ou então maior valor ao mercado do que à esfera pública. Segundo Caio Marini: O terceiro, o Public Service Oriented (PSO), está baseado na noção de equi- dade, de resgate do conceito de esfera pública e de ampliação do dever so- cial de prestação de contas (accountability). Essa nova visão, ainda que não completamente delimitada do ponto de vista conceitual, introduz duas im- portantes inovações: uma no campo da descentralização, valorizando-a co- mo meio de implementação de políticas públicas; outra a partir da mudança do conceito de cidadão, que evolui de uma referência individual de mero consumidor de serviços, no segundo modelo, para uma conotação mais co- letiva, incluindo seus deveres e direitos. Desse modo, mais do que “fazer mais com menos” e “fazer melhor”, o fundamental é “fazer o que deve ser feito”. Isto implica um processo de concertação nacional que aproxima e compromete todos os segmentos (Estado, sociedade, setor privado, etc.) na construção do projeto nacional. Para vários autores, o conceito de consumidor deve ser substituído pelo de cidadão. Isto porque o conceito de cidadão é mais amplo do que o de cliente, uma vez que a cidadania implica direitos e deveres e não só liberdade de esco- lher os serviços públicos. Na verdade, a cidadania está relacionada com o valor de accountability, que requer uma participação ativa na escolha dos dirigentes, no momento da elaboração das políticas e na avaliação dos serviços públicos. O consumidor é, no mais das vezes, um cidadão passivo. O conceito de consumidor também não responde adequadamente ao problema da equidade, valor fundamental na administração pública. A equidade é um conceito que nasceu ligado à noção de “justiça”. Ela difere da igualdade porque defende que pessoas desiguais devem ser tratadas de forma desigual, além do tratamento igualitário perante a lei. O conceito de accountability não possui tradução para o português. Estudare- mo-lo na próxima aula, mas vamos ver os pontos básicos. Podemos dizer que o conceito de accountability abrange pelo menos três aspectos: Elementos do Conceito de Accountability ��� Obrigação em prestar contas ��� Responsabilização pelos atos e resultados ��� Responsividade A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 29 O termo accountability abrange a relação entre o administrador público, encar- regado da gerência dos bens da coletividade, e a sociedade civil. Como ele administra bens de terceiros, deve prestar contas desta administração. O segundo aspecto é a responsabilização do administrador público pelos seus atos e resultados alcançados. Portanto, o administrador público deve respon- der não só em termos de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, mas também em termos de eficiência. A responsividade refere-se à sensibilidade dos representantes à vontade dos representados; ou, dito de outra forma, à disposição dos governos de adota- rem as políticas preferidas por seus governados. 22..33.. GGeessttããoo PPúúbblliiccaa EEmmpprreeeennddeeddoorraa David Osborne e Ted Gaebler lançaram em 1989 o livro “Reinventando o Go- verno: Como o espírito empreendedor está transformando o setor público”. Nele os autores analisam diversas iniciativas de administrações públicas, prin- cipalmente municipais, dos EUA que demonstraram que o Estado poderia eli- minar a burocracia, superando a crise que se instalara em todo o mundo. Bill Clinton utiliza-o como livro de cabeceira e buscou aplicar muitos de seus prin- cípios, e o empreendedorismo governamental passou a ganhar força no país. Uma coisa importante em relação ao conceito de governo empreendedor é não confundir com governo empresário. O verdadeiro significado da palavra em- preendedor é bem mais amplo. Segundo os autores, ela foi usada inicialmente por volta do ano 1800, para se referir àquele que “movimenta recursos econômicos de um setor de menor produtividade para um outro de maior pro- dutividade e melhor rendimento”. Em outras palavras, o empreendedor em- prega recursos de novas formas, para maximizar a produtividade e a eficiência. Esta definição se aplica igualmente ao setor privado, ao setor público e ao se- tor voluntário. Superintendentes e diretores escolares dinâmicos usam recur- sos de novas formas para maximizar a produtividade e a eficiência das escolas.Os gerentes de aeroportos inventivos fazem o mesmo. Quando queremos iden- tificar instituições do setor público que sejam empreendedoras, olhamos para as que usam constantemente seus recursos de novos modos, para aumentar sua eficiência e sua efetividade. A partir desta noção de que empreendedor não é a mesma coisa que empresá- rio, os autores defendem que não se pode “governar como quem administra uma empresa”. Os autores afirmam que o governo é uma instituição funda- mentalmente diferente da empresa. Os empresários são motivados pela busca A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 30 do lucro; as autoridades governamentais se orientam pelo desejo de serem reeleitas. As empresas recebem dos clientes a maior parte dos seus recursos; os governos são custeados pelos contribuintes. As empresas trabalham em regime de competição; os governos usam habitualmente o monopólio. Analisando diversas iniciativas inovadoras de administrações públicas america- nas, os autores identificaram alguns traços comuns a todos esses esforços. A partir deles, enumeraram os 10 princípios do governo empreendedor. Princípios do Governo Empreendedor 1. Preferência às alternativas de produção externa de bens e serviços: terceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc.; 2. Gestão participativa de programas e projetos com clientes; 3. Estímulo à competição interna e externa; 4. Desregulamentação interna, simplificação organizacional e clarificação de papeis e missões; 5. Avaliação e financiamentos baseados em resultados; 6. Imagem do cliente como consumidor: com direito a escolhas, pesquisas de preferências e atitudes, treinamento de atendimento e formulários de sugestões; 7. Criação de centros de resultados financeiros, promovendo ação pública rentável; 8. Antevisão estratégica de serviços; 9. Descentralização e desconcentração: controle hierárquico versus autoridade, desenvolvimento de equipes (team building), gestão participativa, cooperação trabalhadores-gerentes, círculos de controle de qualidade e programas de desenvolvimento gerencial; e 10. Atingimento das finalidades governamentais através da reestruturação do mercado. I. Governo catalisador: navegando em vez de remar Segundo o Dicionário Houaiss, catalisar significa: Desencadear pela própria presença ou existência (um processo); estimular, incentivar; Diz-se de ou o que estimula ou dinamiza. Os autores afirmavam que os governos deveriam navegar, que significa dar rumo ao navio. Os governos não seriam bons remadores, ou seja, a execução dos serviços deveria ficar com a iniciativa privada. Ao Estado caberia regular e A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 31 incentivar os atores privados, direcionando seus investimentos para as áreas mais necessárias e rentáveis. Cabe ao governo modelar a sociedade, dar o rumo a ela, definir a política a ser seguida, manejar, o máximo que puder, instituições econômicas e sociais, enfim, regular e cumprir a função regulatória. Catalisando a sociedade, o go- verno amplia sua ação. Isso não significa que ele executa mais, mas que ele consegue chegar onde ele estava ausente quando queria fazer tudo sozinho. No entanto, é importante fazer uma observação. O fato dos autores defende- rem que o Estado não deve remar, isso não quer dizer que eles se enquadrem no managerialism. A discussão de Osborne e Gaebler começa subvertendo o ideal que impulsionou o gerencialismo na Grã-Bretanha no início da década. Em vez de propor o “rolling back the state” thatcheriano, os autores propõem uma redefinição da atividade governamental. Nosso problema fundamental é o fato de termos o tipo inadequado de go- verno. Não necessitamos de mais ou menos governo: precisamos de melhor governo. Para sermos mais precisos, precisamos de uma melhor atividade governamental. O intuito da noção de navegar ao invés de remar não é tornar o Estado míni- mo, mas redirecionar a atividade governamental. Inclusive, os autores rene- gam o conceitual privatista, típico do neoliberalismo. “A privatização é uma resposta, não a resposta”, afirmam Osborne e Gaebler. II. O governo pertence à comunidade: dando responsabilidade ao cidadão, em vez de servi-lo Segundo os autores: A transferência de responsabilidades da burocracia para as comunidades deve ser incentivada, pois estas são mais flexíveis e estão mais próximas dos problemas. A reforma do sistema significa, ao mesmo tempo, a introdução de métodos voltados para a produção qualitativa de serviços públicos com a prioridade dada aos clientes e cidadãos como razões últimas do setor público, o que quer dizer não só que eles devem ser bem atendidos, mas que devem ser também chamados a participar do governo, definindo os destinos de suas comunidades. A maioria dos exemplos do livro de Osborne e Gaebler mostra que a melhor resposta para tornar melhor um serviço público é chamar a comunidade a par- ticipar de sua gestão, seja fiscalizando, seja trabalhando voluntariamente na prestação de serviços — constituindo-se numa resposta adequada tanto para a A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 32 questão da eficiência como para o problema da transparência. Portanto, a modernização do setor público deve caminhar pari passu com o aumento da accountability. Quando a reciclagem de materiais se tornou uma prioridade, Seattle, a cidade com a melhor experiência nessa atividade, creditava parte de seu sucesso ao trabalho de voluntários de quarteirão, que ajudavam os vizinhos a ver como essa tarefa podia ser mais bem executada. A maior parte das iniciativas no campo da habitação popular recorria a companhias de desenvolvimento comunitário, cooperativas de moradores, etc. No campo da educação, os pais come-çaram a afirmar seu controle sobre as escolas. III. Governo Competitivo: competição na prestação de serviços Outro traço dos governos empreendedores é a promoção da competição. A competição seria uma forma de melhorar a qualidade do governo, uma vez que garante o controle dos serviços públicos pela população. Competição, para os autores, não é um conceito que só tem validade no contexto do setor privado. O ambiente competitivo, na verdade, serve para acabar com o monopólio — que tanto pode reinar no setor público como no privado — e encorajar a inovação organizacional. Segundo pesquisa feita nos Estados Unidos, os serviços realizados diretamente pelo setor público são de 30 a 95% mais caros do que os terceirizados. Isso não acontece por que o governo seja pior do que a iniciativa privada, acontece porque a iniciativa privada trabalha sob o regime da competição. O princípio da competição nos serviços públicos tem como meta a competição não apenas entre os setores público e privado, como, por exemplo, entre uma empresa estatal e uma concessionária na área de limpeza pública, mas dentro de cada um desses dois setores que operam na jurisdição de um dado governo. A questão não é público versus privado, mas competição versus monopólio. Assim, podemos ter os seguintes tipos de competição: ��� Público versus privado; ��� Privado versus privado; ��� Público versus público. Os autores afirmam que não defendem a promoçãoda competição entre indi- víduos. Os prêmios em salário concedidos a professores a título de mérito, por exemplo, não fazem outra coisa senão jogar professores contra professores, além de minar o espírito de corpo da classe. Porém, prêmios por mérito para A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 33 uma determinada escola pode ser algo diferente. A competição entre equipes, entre organizações, é construtiva e encoraja a criatividade. IV. Governo orientado por missões Segundo Osborne e Gaebler: Nunca diga as pessoas como fazer as coisas. Diga-lhes apenas o que elas façam e ficará surpreso com sua engenhosidade. A maioria das organizações públicas é orientada não por suas missões, mas por suas regras e sua previsão orçamentária. Estabelecem uma regra para tudo que eventualmente possa sair errado, com uma linha adicional para cada subcategoria de gastos em cada unidade, de cada departamento. É como se uma cola poderosa unisse todas as burocracias públicas. É como uma superco- la: vem em duas bisnagas diferentes. Em uma bisnaga, as regras; na outra, as contas separadas. Misture tudo e o resultado será cimento. O que acontece no setor público é um esforço concentrado no sentido de des- motivar o funcionário, impedindo-o de usar seu intelecto e dizendo-lhe exata- mente o que fazer, quando fazer e como fazer. Governos de mentalidade empreendedora dispensam as duas bisnagas. Li- vram-se do velho livro de regulamentos e abandonam as contas. Definem as missões fundamentais e, só então, estabelecem um orçamento e conjunto de critérios que deixem os funcionários livres para perseguir a missão proposta. V. Governo de Resultados: financiando resultados, e não recursos Governos tradicionalmente burocráticos concentram-se excessivamente sobre as entradas, os recursos, e não sobre as saídas, os resultados. Continuam financiando escolas com base no número de alunos matriculados; a assistência social em função do número de atendimentos; e os departamentos de polícia com base nas estimativas próprias de pessoal necessário para combater o cri- me. Presta-se muito pouca atenção aos resultados. Pouco importa como as crianças se saem nas escolas, ou quantas pessoas finalmente conseguem se empregar e deixar de receber o seguro-desemprego, ou em quanto tenham baixado os índices de criminalidade. Na realidade, escolas, instituições de as- sistência social e departamentos de polícia ganham mais dinheiro à medida que fracassam, ou seja, quando as crianças vão mal, o desemprego aumenta e a taxa de criminalidade sobe. Por não mensurar os resultados, os governos burocráticos raramente logram grandes conquistas. Com tão pouca informação sobre os resultados, recom- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 34 pensam seus funcionários com base em outros critérios: o tempo de serviço, o volume de recursos e de pessoal que administram, além de sua hierarquia. Sendo assim, esses funcionários tratam de manter seus empregados de qual- quer maneira, construindo, assim, seus impérios, tentando conseguir orçamen- tos maiores, supervisionar mais funcionários e ter mais autoridade. A discussão em torno da avaliação de resultados na obra de Osborne e Gaebler toma um rumo diferenciado daquele proposto pelo gerencialismo puro. Para os dois autores, a avaliação da eficiência não pode ser dissociada da avaliação da efetividade. Pois, se a eficiência mede o custo do que foi produzido, a efetivi- dade mede a qualidade dos resultados. Desta maneira, Quando medimos a eficiência, podemos saber quanto nos custa alcançar uma produção determinada; ao medir a efetividade, sabemos se nosso in- vestimento valeu a pena. Nada mais tolo do que fazer com eficiência o que não deveria continuar a ser feito. Osborne e Gaebler tentam definir a relação entre eficiência e efetividade a partir dos objetivos do governo. E concluem: Não há dúvida de que o público quer um governo mais eficiente, mas ele deseja ainda mais um governo efetivo. VI. Governos e seus clientes: atendendo às necessidades do cliente e não da burocracia Segundo os autores: A qualidade é determinada, exclusivamente, pelos clientes. Pouca gente no governo usa o termo cliente. A maioria das organizações públi- cas nem mesmo sabe quem são seus clientes. Governos democráticos existem para servir aos cidadãos. As empresas existem para gerar lucro. No entanto, quem mais se empenha para servir ao povo, de maneira até obsessiva, são as empresas. A maioria dos governos é absolutamente cega aos clientes, ao pas- so que o McDonald's está totalmente voltado para eles. Por que é assim? Para os autores é por que os órgãos públicos, via de regra, não obtêm seus recursos diretamente dos clientes; as empresas sim. Se uma empresa satisfaz seus clientes, as vendas aumentam. Os órgãos públicos rece- bem a maior parte dos seus recursos do Legislativo e a maioria de seus “clien- tes” é cativa e tem poucas alternativas para os serviços oferecidos por seus governos. Assim, os administradores públicos passam a ignorá-los. Os clien- tes-alvo, a quem o administrador público tenta satisfazer, são o Legislativo e o Executivo, pois são eles que fornecem os recursos. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 35 Como os ocupantes de cargos eletivos são governados por seu eleitorado – na maioria das vezes grupos de interesse, financiadores de campanhas – os ór- gãos do governo fazem o possível para agradar os grupos de interesse. Os verdadeiros clientes do Ministério dos Transportes não têm sido os motoristas nem a massa de usuários de transporte público, mas sim os construtores, as empreiteiras. Segundo os autores, a única e melhor maneira de fazer com que os prestado- res de serviços públicos respondam às necessidades de seus clientes é colocar os recursos nas mãos dos clientes e deixá-los escolher. Se não for dada aos clientes a oportunidade de escolher entre diferentes prestadores de serviços – escolas, programas de treinamento, concessionárias de veículos – permanece- rão eternamente dependentes da boa-vontade de terceiros. VII. Governo empreendedor: gerando receitas ao invés de despesas Segundo os autores: A crise dos impostos chegou para ficar. Para garantir receitas futuras, preci- samos criar novas fontes de receitas. Nos governos burocráticos, os sistemas orçamentários levam as pessoas a gastar dinheiro, sem qualquer preocupação de produzi-lo. Na maioria dos go- vernos, poucas pessoas fora dos departamentos financeiros sequer pensam sobre receitas. Ninguém se preocupa com o lucro. A palavra lucro é vista pelos governos tradicionais como um verdadeiro pecado. Os governos empreendedores, terrivelmente pressionados pela crise fiscal da década de 1980, concentram-se na busca de receitas não tributárias. Passa- ram a mensurar o nível de retorno de cada investimento. Não se quer dizer, com isso, que a maioria dos serviços públicos deva ser vendida visando ao lucro. Ao contrário! Mas muitos serviços beneficiam indivíduos isolados. Talvez a forma mais segura de se arrecadar recursos sem cobrar impostos seja simplesmente cobrar taxas daqueles que se utilizam de serviços públicos. As taxas sobre a utilização de serviços nem sempre são apropriadas,logicamente. Para funcionarem, são necessárias três condições: o serviço deve ser, funda- mentalmente, “um bem privado”, prestando benefício individual a seus benefi- ciários; deve ser possível excluir dos beneficiários aqueles que não pagam pelos serviços; e deve ser possível recolher as taxas de maneira eficiente. Os bens coletivos que beneficiam a sociedade de maneira geral não podem ter seus custos totalmente repassados aos seus beneficiários. Uma outra característica reconhecida nos governos empreendedores é uma certa perspectiva de investimento, ou seja, o hábito de mensurar os retornos A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 36 dos gastos como se fossem investimentos. A estratégia não visa ganhar di- nheiro, mas poupá-lo. Através da avaliação de retorno de seus investimentos, é possível entender quando um gasto lhes permitirá poupar dinheiro. As empresas prestam bastante atenção às duas colunas do balancete: receitas e despesas; créditos e débitos. Não se importam, em demasia, com cada colu- na isoladamente. Gastarão o que for necessário para maximizar seu retorno. Os governos, entretanto, olham apenas para a coluna dos gastos. Ao ignorar o retorno, concentram-se pura e tão-somente na minimização dos custos. Com frequência, deixam de dar a devida atenção a investimentos vultosos que po- deriam gerar um retorno significativo. Ignoram o investimento mínimo exigido na assistência médica às gestantes, para depois gastar somas absurdas com bebês prematuros. VIII. Governo preventivo: a prevenção em lugar da cura Os governos burocráticos tradicionais se concentram na prestação de serviços destinados a enfrentar problemas. Contra a doença, custeiam serviços médi- cos; e para combater o crime, aumentam o aparato policial; para lutar contra os incêndios, adquirem mais carros de bombeiros. O modelo burocrático trouxe consigo uma preocupação com a prestação do serviço – a preocupação em remar. Gastam somas consideráveis tratando os sintomas, atuando apenas quando os problemas se transformam em crises, enquanto faltam estratégias para a prevenção desses problemas. A burocracia é cega em relação ao futuro. Numa era em que as mudanças ocorrem com assustadora rapidez, a cegueira com relação ao futuro é uma falha mortal. Os governos empreendedores pas- saram a atuar de forma completamente diferente, fazendo da prevenção um tema central de sua administração. Alguns governos estão tentando não apenas prevenir problemas, como tam- bém tentar antecipar o futuro. Diz-se que há três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que observam as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo. O mesmo se pode dizer dos governos; infelizmente a maioria está na terceira categoria. IX. Governo descentralizado Há 50 anos, as organizações centralizadas eram indispensáveis. As tecnologias de informação eram primitivas, a comunicação entre localidades diferentes difícil e a mão de obra disponível relativamente pouco instruída. Não havia alternativa, senão a de juntar todos os profissionais em uma mesma organiza- ção. Havia tempo de sobra para que a informação subisse lentamente toda a A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 37 cadeia de comando e depois descesse, pelo mesmo percurso, sob a forma de decisões. Hoje em dia, entretanto, a informação é praticamente sem limites. A comuni- cação entre as mais recônditas localidades é instantânea. Muitos funcionários públicos têm boa formação acadêmica, e as condições mudam à velocidade da luz. Não se pode desperdiçar tempo com o lento fluxo de informações hierar- quia acima, ou de ordens hierárquicas abaixo. X. Governo orientado para o mercado Nos EUA, os governos sempre usaram, em algumas medidas, os mecanismos do mercado para alcançar seus objetivos, como, por exemplo, facilitando de- terminados empréstimos pelos bancos, isentando de impostos determinados setores, etc. Mas, ao serem confrontados com um problema, os funcionários governamentais reagem, instintivamente, procurando um programa adminis- trativo. Acreditam que sua função é administrar e não estruturar o mercado. Os governos precisam aprender a navegar, e estruturar o mercado talvez seja o melhor método de navegação, criando incentivos para que, com suas pró- prias decisões, as pessoas se movimentem na direção escolhida pela comuni- dade. Os governos não têm a capacidade de resolver todos os problemas sozinhos, nem mesmo uma significativa parcela deles. Por isso, devem utilizar as decisões dos agentes privados como uma forma de alavancagem na presta- ção de serviços, de modo a alcançar metas coletivas. Trata-se de um método clássico de atividade governamental empreendedora: implica um governo ati- vo, mas não burocrático. Não querem dizer que os mecanismos de mercado sempre funcionem. Muitos bens coletivos fornecidos pelo governo – de parques à segurança pública – não são negociados no mercado. E há muitos mercados com falhas fundamentais. No entanto, os mecanismos de mercado têm muitas vantagens com relação aos sistemas administrativos: os mercados são descentralizados, normalmente competitivos, delegam a escolha aos interessados, e vinculam os recursos dire- tamente aos resultados. Os mercados também reagem com velocidade às mu- danças rápidas e sua reestruturação permite aos governos alcançar a escala necessária para resolver os problemas mais sérios. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 38 33.. PPoonnttooss IImmppoorrttaanntteess ddaa AAuullaa ��� O Estado de Bem-Estar entrou em crise a partir da década de 1970, com as duas crises do petróleo. A crise fiscal pressionou os governos a buscarem eficiência. Contudo, a administração era burocrática, ineficiente, cara, autorreferida. ��� A administração pública gerencial é frequentemente identificada com as ideias neoliberais porque as técnicas de gerenciamento são quase sempre introduzidas ao mesmo tempo em que se realiza um ajuste estrutural para combater o déficit fiscal. Contudo, a administração gerencial não é defensora do Estado Mínimo. Defende um Estado menor, que não executa os serviços públicos, mas mantém o a sua regulação e fomento. ��� O princípio da subsidiariedade defende que a responsabilidade deve ficar preferencialmente os entes menores. Isso significa que a sociedade é que deve ficar responsável pela execução dos serviços, cabendo ao Estado atuar quando ela não dispor de condições, num caráter subsidiário. ��� A administração gerencial representa um rompimento com a administração burocrática, mas não nega todos os seus princípios, mantendo a racionalidade, a impessoalidade, a divisão do trabalho, o sistema estruturado e universal de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho, o treinamento sistemático. ��� O gerencialismo puro representa o primeiro momento da Nova Gestão pública, caracterizado pela visão de que o Estado lida com contribuintes que querem ver seus recursos gastos com eficiência. Já no c onsumerism, o Estado vê as pessoas também como clientes, que querem qualidade nos serviços públicos. Por fim o Public Service Orientation acrescenta a noção de cidadão, que exigem accountability e equidade. ��� Osprincípios da administração gerencial são: descentralização administrativa, descentralização política, organizações horizontalizadas, pressuposto da confiança limitada, controle por resultados, a posteriori, administração voltada para o atendimento do cidadão, ao invés de autorreferida. ��� Governo c atalisador é aquele que navega ao invés de remar, ou seja, aquele que regula, que direciona o país para as diretrizes desejadas, e que transfere a execução para a iniciativa privada. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 39 44.. QQuueessttõõeess CCoommeennttaaddaass 1. (ESAF/CGU/2012) No marco da vertente societal da administração pú- blica, conforme Ana Paes de Paula, a ampliação da participação dos atores sociais na definição da agenda política orienta-se por uma série de caracte- rísticas. Das relacionadas abaixo, indique a incorreta. a) Nessa vertente, trabalha-se com instrumentos para exercer um maior controle social sobre as ações estatais e a diminuição do monopólio do Esta- do na definição e implementação das ações públicas. b) De acordo com essa vertente, a reforma de Estado não é somente uma questão administrativa e gerencial, mas também um projeto político. c) Nessa vertente, distingue-se o que pertence ao domínio da gestão e ao domínio da política. d) Nessa vertente, as decisões são políticas, mas precisam levar em conta variáveis técnicas. e) Essa vertente busca assegurar a democracia através da prestação de serviços públicos orientados para o “cidadão-cliente” e controlados pela sociedade. Segundo Ana Paula Paes de Paula, acerca da administração pública societal: Uma concepção começou a se tornar predominante no âmbito desse campo, a saber: a implementação de um projeto político que procura ampliar a par- ticipação dos atores sociais na definição da agenda política, criando instru- mentos para possibilitar um maior controle social sobre as ações estatais e desmonopolizando a formulação e a implementação das ações públicas. A letra “A” é certa. Essa visão alternativa tenta ir além dos problemas administrativos e geren- ciais, pois considera a reforma um projeto político e de desenvolvimento nacional. A letra “B” é certa. Uma vez que há uma tradição de delegar à burocracia estatal a decisão e a implementação das políticas públicas, quando se insere a participação popu- lar é fundamental discutir o que pertence ao domínio da gestão e ao domí- nio da política: as decisões são políticas, mas precisam levar em consideração variáveis técnicas; a implementação é gerencial, mas envolve administração de conflitos e interesses que pertencem à esfera política. As letras “C” e “D” são certas. A letra “E” é errada, traz um aspecto da administração gerencial. Gabarito: E. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 40 2. (ESAF/ISS-RJ/2010) Em um contexto de gestão empreendedora, é in- correto afirmar que a administração fiscal deve: a) coletar tributos visando atender, com maior eficácia, o bem comum. b) adotar princípios de gestão de negócios, como a proatividade e o controle por objetivos e metas. c) ser gerenciada como uma empresa que visa maximizar o lucro, aqui me- dido sob a forma de arrecadação. d) submeter seus resultados a avaliações feitas pela sociedade. e) incorporar novas tecnologias, facilitando e estimulando a troca de informações com o cidadão-cliente. A letra “A” é certa, o empreendedorismo governamental defende a maior eficácia na gestão pública. Eles dão atenção principalmente para a efetividade. A discussão em torno da avaliação de resultados na obra de Osborne e Gaebler toma um rumo diferenciado daquele proposto pelo gerencialismo puro. Para os dois autores, a avaliação da eficiência não pode ser dissociada da avaliação da efetividade. Pois, se a eficiência mede o custo do que foi produzido, a efetivi- dade mede a qualidade dos resultados. Desta maneira, Quando medimos a eficiência, podemos saber quanto nos custa alcançar uma produção determinada; ao medir a efetividade, sabemos se nosso in- vestimento valeu a pena. Nada mais tolo do que fazer com eficiência o que não deveria continuar a ser feito. Osborne e Gaebler tentam definir a relação entre eficiência e efetividade a partir dos objetivos do governo. E concluem: Não há dúvida de que o público quer um governo mais eficiente, mas ele deseja ainda mais um governo efetivo. A letra “B” é certa. Os autores defendem que a gestão pública é diferente da gestão privada, mas isto não significa que as técnicas desta não sejam aplicá- veis naquela, pelo contrário, em muitos casos devem ser adotadas. A pró- atividade é outro princípio do governo empreendedor. Segundo os autores, os governos burocráticos tradicionais se concentram na prestação de serviços destinados a enfrentar problemas. Contra a doença, custeiam serviços médicos; e para combater o crime, aumentam o aparato policial; para lutar contra os incêndios, adquirem mais carros de bombeiros. O modelo burocrático trouxe consigo uma preocupação com a prestação do ser- viço – a preocupação em remar. Gastam somas consideráveis tratando os sin- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 41 tomas, atuando apenas quando os problemas se transformam em crises, en- quanto faltam estratégias para a prevenção desses problemas. Numa era em que as mudanças ocorrem com assustadora rapidez, a cegueira com relação ao futuro é uma falha mortal. Os governos empreendedores pas- saram a atuar de forma completamente diferente, fazendo da prevenção um tema central de sua administração. A letra “C” é errada, os governos não podem ser gerenciados como uma empresa. Segundo os autores: O governo é uma instituição fundamentalmente diferente da empresa. Os empresários são movidos pela busca do lucro; as autoridades governamen- tais se orientam pelo desejo de serem reeleitas. As empresas recebem dos clientes a maior parte dos seus recursos; os governos são custeados pelos contribuintes. As empresas normalmente trabalham em regime de competi- ção; os governos usam habitualmente o sistema do monopólio. A letra “D” é certa, o empreendedorismo adota a perspectiva do cliente na administração pública. Segundo os autores: A qualidade é determinada, exclusivamente, pelos clientes. Pouca gente no governo usa o termo cliente. A maioria das organizações públi- cas nem mesmo sabe quem são seus clientes. Governos democráticos existem para servir aos cidadãos. As empresas existem para gerar lucro. No entanto, quem mais se empenha para servir ao povo, de maneira até obsessiva, são as empresas. A maioria dos governos é absolutamente cega aos clientes, ao pas- so que o McDonald's está totalmente voltado para eles. Por que é assim? Para os autores é por que os órgãos públicos, via de regra, não obtêm seus recursos diretamente dos clientes; as empresas sim. Se uma empresa satisfaz seus clientes, as vendas aumentam. Os órgãos públicos rece- bem a maior parte dos seus recursos do Legislativo e a maioria de seus “clien- tes” é cativa e tem poucas alternativas para os serviços oferecidos por seus governos. Assim, os administradores públicos passam a ignorá-los. Os clien- tes-alvo, a quem o administrador público tenta satisfazer,são o Legislativo e o Executivo, pois são eles que fornecem os recursos. A letra “E” é certa, o setor público deve sim adotar novas tecnologias, tra- zendo técnicas da gestão privada e utilizar a tecnologia da informação em be- nefício da sociedade. Gabarito: C. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 42 3. (ESAF/AFT/2010) As seguintes afirmações espelham entendimentos corretos sobre a Nova Gestão Pública (NGP), exceto: a) a NGP é um movimento cuja origem remonta às mudanças havidas nas administrações públicas de alguns países a partir da década de 1970, princi- palmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. b) o consumerismo consiste em uma reorientação do gerencialismo puro, mais voltada à racionalização e tendo como ponto central a satisfação das necessidades dos cidadãos, consumidores de serviços públicos. c) a NGP nasceu gerencialista nos anos 1980, tendo sido fortemente inspira- da nas reformas minimalistas e na proposta de aplicação da tecnologia de gestão empresarial ao Estado. d) nos anos 1990, o Public Service Oriented resgatou os conceitos de trans- parência, dever social de prestação de contas, participação política, equidade e justiça, introduzindo novas ideias ao modelo gerencial puro. e) desde o início, a experiência brasileira em NGP aponta para uma forte retomada do estado do bem-estar social e do desenvolvimentismo burocrático, ideal reforçado pela recente crise do mercado financeiro internacional. Essa é uma das tantas questões “Ctrl+C & Ctrl+V” da ESAF. Dessa vez dos textos: “Desempenho Global da Fundação Oswaldo Cruz; um instrumento de auto-avaliação”, de Gerson Rosenberg; e “Administração para o desenvolvi- mento: a relevância em busca da disciplina”, de Humberto Falcão Martins, disponíveis em: http://aplicativos.planejamento.gov.br/pq- me- nu.nsf/79511ede8ce1c61783256c05006db100/6c36a6ec011e1fc183256c0900 631e64/$FILE/capateserru.doc http://hfmartins.sites.uol.com.br/Publicacoes/admparaodesenvolvimento.pdf O consumerismo consiste em uma reorientação do gerencialismo puro, mais voltada à racionalização e tendo como ponto central a satisfação das neces- sidades dos cidadãos, consumidores de serviços públicos. A ênfase do mo- delo é a estratégia de qualidade, cujos resultados dependem de medidas tais como: a descentralização, o estímulo à competitividade, a flexibilização dos modelos contratuais e seu direcionamento para a qualidade. (Letra “B” certa). A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 43 A NGP nasceu gerencialista nos anos 80, fortemente inspirada nas reformas minimalistas, e propondo a aplicação de tecnologia de gestão empresarial ao Estado, a partir das experiências paradigmáticas. (Letra “C” certa). Por último, aparece nos anos 90 o “Public Service Oriented” resgatando os conceitos: transparência, dever social de prestação de contas, participação política, equidade e justiça. Essa nova visão introduz novas ideias ao mode- lo gerencial puro, que são: valorização da descentralização como meio de implementação de políticas públicas; mudança do conceito de cidadão pas- sando de mero consumidor para uma conotação mais coletiva de cidadania que inclui direitos e deveres; e competição entre agências públicas como princípio de cooperação para obter um melhor resultado global. (Letra “D” certa). A letra “A” é certa porque os precursores da Nova Gestão Pública foram realmente os EUA e a Inglaterra. A letra “E” é errada porque a NGP é con- trário do que se afirma: ela critica o Estado de Bem-Estar e a burocracia. Gabarito: E. 4. (ESAF/AFT/2010) A aplicação do empreendedorismo, no âmbito da Administração Pública, implica saber que: a) normas rígidas e exaustivas são o melhor suporte para a tomada de decisão em ambientes complexos sob constante mudança. b) não se deve estimular a competição entre entidades prestadoras de serviços públicos semelhantes. c) a administração por resultados perde espaço para a supervisão hierár- quica e para a realização de auditorias de gestão. d) quanto maior a autonomia conferida a servidores públicos, novas formas de controle ou responsabilização devem ser adotadas. e) tal como ocorre na iniciativa privada, incentivos econômicos são o principal fator motivacional de gerentes e chefes. O empreendedorismo governamental possui 10 princípios: 1. Preferência às alternativas de produção externa de bens e serviços: terceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc.; 2. Gestão participativa de programas e projetos com clientes; 3. Estímulo à competição interna e externa; (Letra “B” errada). A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 44 4. Desregulamentação interna, simplificação organizacional e clarificação de papéis e missões; (Letra “A” errada) 5. Avaliação e financiamentos baseados em resultados; (Letra “C” errada). 6. Imagem do cliente como consumidor: com direito a escolhas, pesquisas de preferências e atitudes, treinamento de atendimento e formulários de sugestões; 7. Criação de centros de resultados financeiros, promovendo ação pública rentável; 8. Antevisão estratégica de serviços; 9. Descentralização e desconcentração: controle hierárquico versus autorid- ade, desenvolvimento de equipes (team building), gestão participativa, cooperação trabalhadores-gerentes, círculos de controle de qualidade e programas de desenvolvimento gerencial; e (Letra “D” certa) 10. Atingimento das finalidades governamentais através da reestruturação do mercado. Segundo Osborne e Gaebler, criadores do conceito, o governo é uma institu- ição fundamentalmente diferente da empresa: ��� Os empresários são motivados pela busca do lucro; as autoridades governamentais se orientam pelo desejo de serem reeleitas (Letra “E” errada). ��� As empresas recebem dos clientes a maior parte dos seus recursos; os governos são custeados pelos contribuintes. ��� As empresas trabalham em regime de competição; os governos usam habitualmente o sistema de monopólio. Gabarito: D. 5. (ESAF/AFRFB/2009) No âmbito da administração pública, o empreen- dedorismo pressupõe a incorporação dos seguintes comportamentos, exceto: a) participação dos cidadãos nos momentos de tomada de decisão. b) substituição do foco no controle dos inputs pelo controle dos outputs e seus impactos. c) criação de mecanismos de competição dentro das organizações públicas e entre organizações públicas e privadas. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 45 d) adoção de uma postura reativa, em detrimento da proativa, e elaboração de planejamento estratégico, de modo a antever problemas potenciais. e) aumento de ganhos por meio de aplicações financeiras e ampliação da prestação de serviços remunerados. Olhando novamente os 10 princípios do empreendedorismo governamental, a letra “A” é certa, está no princípio 2. A letra “B” é certa, está no princípio 5. Inputs são entradas e outputs são saídas. Assim, deixa de haver um controle sobre as entradas, osmeios, para se controlar os resultados. A letra “C” é certa, está no princípio 3. Vimos que podemos ter os seguintes tipos de competição: � Público versus privado; � Privado versus privado; � Público versus público. A letra “D” é errada, está no princípio 8. Vimos que Osborne e Gaebler defendem o governo preventivo, a prevenção no lugar da cura. A letra “E” é certa, está no princípio 7. Gabarito: D. 6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Acerca do modelo de administração pública gerencial, é correto afirmar que: a) admite o nepotismo como forma alternativa de captação de recursos humanos. b) sua principal diferença em relação à administração burocrática reside na forma de controle, que deixa de se basear nos processos para se concentrar nos resultados. c) nega todos os princípios da administração pública patrimonialista e da administração pública burocrática. d) é orientada, predominantemente, pelo poder racional-legal. e) caracteriza-se pela profissionalização, ideia de carreira, hierarquia funcional, impessoalidade e formalismo. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 46 A letra “A” é errada porque a administração gerencial não admite o nepotis- mo. A letra “B” é certa porque a principal diferença da administração gerencial para a burocracia é o foco do controle: resultados, a posteriori, ao invés de processos, a priori. A letra “C” é errada. Vimos que, apesar de representar um rompimento em relação ao modelo burocrático, a administração gerencial não nega todos os seus princípios, como a impessoalidade, a divisão do trabalho, etc. A letra “D” foi dada como errada, mas discordo. Entendo que a administra- ção gerencial também se insere na dominação racional-legal. Ou então não vivemos mais em um mundo em que a legitimidade tem origem nas leis, em que os governantes são escolhidos com base em procedimentos legais racio- nalmente estabelecidos? Seria então que tipo de dominação: carismática ou tradicional? Mas eles deram a alternativa como errada. A letra “E” é errada. Segundo o Plano Diretor: Administração Pública Burocrática - Surge na segunda metade do século XIX, na época do Estado liberal, como forma de combater a corrupção e o nepotismo patrimonialista. Constituem princípios orientadores do seu de- senvolvimento a profissionalização, a ideia de carreira, a hierarquia funcio- nal, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional legal. São características da administração burocrática. Gabarito: B. 7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Podendo ser identificada como uma pers- pectiva inovadora de compreensão, análise e abordagem dos problemas da administração pública, com base no empirismo e na aplicação de valores de eficácia e eficiência em seu funcionamento, a Nova Gestão Pública propõe um modelo administrativo dotado das seguintes características, exceto: a) direcionamento estratégico. b) limitação da estabilidade de servidores e regimes temporários de empre- go. c) maior foco nos procedimentos e menor foco nos produtos e resultados. d) desempenho crescente e pagamento por desempenho-produtividade. e) transparência e cobrança de resultados (accountability). A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 47 Essa questão tirada do texto: “Gestão de recursos públicos: orientação para resultados e accountability”, de Humberto Falcão Martins. Disponível em: http://www.direitodoestado.com/revista/RERE-3-SETEMBRO-2005-HUMBERTO%20MARTINS.pdf Segundo o autor, de maneira geral, propõe uma gestão pública dotada das seguintes características: ��� Caráter estratégico ou orientado por resultado do processo decisório; ��� Descentralização; ��� Flexibilidade; ��� Desempenho crescente e pagamento por desempenho/produtividade; ��� Competitividade interna e externa; ��� Direcionamento estratégico; ��� Transparência e cobrança de resultados (accountability); ��� Padrões diferenciados de delegação e discricionariedade decisória; ��� Separação da política de sua gestão; ��� Desenvolvimento de habilidades gerenciais; ��� Terceirização; ��� Limitação da estabilidade de servidores e regimes temporários de emprego; ��� Estruturas diferencia- das. A resposta é a letra “C”, pois o NPM defende justamente o inverso: maior foco nos resultados. Gabarito: C. 8. (ESAF/ANA/2009) Em nosso país, sobre o modelo composto pelos pro- cessos participativos de gestão pública, também conhecido por ‘administração pública societal’, é correto afirmar: a) enfatiza a eficiência administrativa e se baseia no ajuste estrutural, nas recomendações dos organismos multilaterais internacionais e no movimento gerencialista. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 48 b) tem por origem o movimento internacional pela reforma do Estado, que se iniciou nos anos 1980 e se baseia, principalmente, nas experiências ingle- sa e estadunidense. c) é participativo no nível do discurso, mas centralizador no que se refere ao processo decisório, à organização das instituições políticas e à construção de canais de participação popular. d) enfatiza a adaptação das recomendações gerencialistas para o setor pú- blico. e) não apresenta uma proposta para a organização do aparelho do Estado, limitando-se a enfatizar iniciativas locais de organização e de gestão pública. Vimos que há uma polêmica acerca do fato de a administração gerencial ser participativa ou não. Segundo algumas questões, a administração gerencial é participativa. Contudo, há uma corrente que afirma que é participativa apenas no discurso. Vimos que eles falam da administração pública societal. Essa questão foi tirada de Ana Paula Paes de Paula, do livro “Por uma nova gestão pública”. A autora elaborou uma tabela comparativa entre os modelos. Variável Gerencial Societal Origem Movimento internacional pela reforma do Estado, que se iniciou nos anos 1980 e se baseia princi- palmente nos modelos inglês e estadunidense. Movimentos sociais brasilei- ros que tiveram início nos anos 1960 e desdobramen- tos nas três décadas seguin- tes. Projeto Político Enfatiza a eficiência administrati- va e se baseia no ajuste estrutu- ral, nas recomendações dos organismos multilaterais interna- cionais e no movimento gerencia- lista. Enfatiza a participação popu- lar e procura estruturar um projeto político que repense o modelo de desenvolvimen- to brasileiro, a estrutura do aparelho do Estado e o paradigma de gestão. Dimensões estruturais enfatizadas na gestão Dimensões econômico-financeira e institucional-administrativa. Dimensão sócio-política. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 49 Organização adminis- trativa do aparelho do Estado Separação entre as atividades exclusivas e não-exclusivas do Estado nos três níveis governa- mentais. Não tem uma proposta para a organização do aparelho do Estado e enfatiza iniciati- vas locais de organização e gestão pública. Aberturadas institui- ções políticas à partici- pação popular Participativa no nível do discurso, mas centralizador no que se refe- re ao processo decisório, à orga- nização das instituições políticas e à construção de canais de partici- pação popular. Participativo no nível das instituições, enfatizando a elaboração de estruturas e canais que viabilizem a participação popular. Abordagem de gestão Gerencialismo: enfatiza a adapta- ção das recomendações gerencia- listas para o setor público. Gestão social: enfatiza a elaboração de experiências de gestão focalizadas nas demandas do público-alvo, incluindo questões culturais e participativas. As quatro primeiras alternativas se referem à administração gerencial. A letra “E” está na variável “Organização administrativa do aparelho do Estado”. Gabarito: E. 9. (ESAF/EPPGG-MPOG/2008) Qual dos itens abaixo não representa ade- quadamente as características do movimento conhecido como New Public Management - NPM. a) Foco no incremento da produtividade – propondo mecanismos para que o governo faça “mais com menos”. b) Reafirmação do papel do estado como o principal facilitador das soluções referentes aos problemas decorrentes da globalização, mudanças tecnológi- cas e climáticas, transformações demográficas. c) Analogia com os mercados – incentivo à competição como forma de con- trolar as patologias da burocracia no setor público. d) Defesa da descentralização do poder decisório. e) Foco na satisfação do cliente, entendido como sendo o usuário do serviço público. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 50 Essa ficou fácil. O que não se coaduna com o NPM é a reafirmação do papel do Estado como facilitador das soluções dos problemas. De acordo com o princípio da subsidiariedade, sempre que possível é a própria sociedade que deve ter o papel de encontrar as soluções, o Estado só atua quando a sociedade não tem capacidade, com um caráter subsidiário. Gabarito: B. 10. (ESAF/APO-MPOG/2008) A partir da década de 1980 teve início, em pa- íses da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a reforma administrativa gerencial, apoiada nos princípios da nova gestão pública, que depois se estendeu a vários outros países, inclusive o Brasil. Desde então, constituiu-se um quadro teórico e um conjunto de ins- trumentos de gestão que, dentro do contexto democrático, visam moderni- zar o Estado e implantar o modelo gerencial de administração pública, tendo como característica central a orientação para o cidadão. Assinale, entre os enunciados abaixo, o único que não é um pressuposto da administração pú- blica gerencial, voltada para o cidadão. a) Fortalecimento e multiplicação dos mecanismos de controle interno, ex- terno e societal, a fim de proporcionar aos gestores o feedback essencial ao aprendizado institucional e ao aprimoramento dos serviços públicos. b) Fomento às condições e instrumentos de gestão necessários à mudança: instrumentos de troca de experiências, de difusão da informação, de evolu- ção cultural e de capacitação, avaliações dos resultados, dos processos e da opinião do público, etc. c) Prevalência do diálogo e da transparência e o engajamento: o modelo re- quer uma relação de responsabilidade, apoiada na transparência e acordo entre os atores para resolver os problemas que se impõem. d) As missões e objetivos das organizações passam a se basear em “contra- tos” negociados com a sociedade, de modo que os serviços públicos tornam seus critérios de gestão mais claros e precisos, atrelando os recursos huma- nos, financeiros e logísticos às demandas dos cidadãos. e) Admissão das especificidades dos serviços públicos, como a participação, a influência do processo político, a legitimidade das decisões e a defesa do interesse público. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 51 Essa questão foi tirada do texto: “Administração pública voltada para o cida- dão: quadro teórico-conceitual”, de Marcelo James Vasconcelos Coutinho, dis- ponível em: http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/Terceiros-Papers/00- Coutinho51(3).pdf Na administração gerencial não há multiplicação e fortalecimento dos meca- nismos de controle. Ocorre justamente o contrário. Por isso a letra “A” é er- rada. Segue o trecho do texto de onde eles tiraram as alternativas: Em primeiro lugar, a nova administração voltada para o cidadão admite as especificidades dos serviços públicos, como a participação, a influência do processo político, a legitimidade das decisões e a defesa do interesse públi- co. As discussões levaram ao reconhecimento dos méritos tanto da adminis- tração privada quanto da pública, mesmo que as qualidades de eficiência e eficácia na gestão não tenham sido ainda completamente alcançadas no se- tor público (A letra “E” é certa). Em segundo lugar, a nova administração pública torna as missões e objeti- vos das organizações baseados em contratos, colocando o cidadão-usuário no centro das preocupações das agências e departamentos do Estado. Isso significa que é a partir de “contratos” negociados com a sociedade que os serviços públicos tornam seus critérios de gestão mais claros e precisos, atrelando os recursos humanos, financeiros e logísticos às demandas dos cidadãos (A letra “D” é certa). Outro pressuposto da administração pública voltada para o cidadão é o de fomentar as condições e instrumentos de gestão necessários à mudança. Instrumentos de troca de experiências, de difusão da informação, de evolu- ção cultural e de capacitação, entre outros, são fundamentais para pôr em prática os conceitos adotados pelo novo modelo administrativo. As avalia- ções dos resultados, dos processos e da opinião do público também são im- prescindíveis para saber se os serviços estão satisfazendo os usuários (A letra “B” é certa). Finalmente, o quarto pressuposto da nova administração pública voltada para o cidadão é fazer prevalecer o diálogo, a transparência e o engajamen- to. Assim, esse modelo, para dar certo, supõe que seja adotada uma rela- ção de responsabilidade, apoiada na transparência e acordo entre os atores para resolver os problemas que se impõem. Para isso, é preciso coragem, comprometimento e muita vontade de transformar o estado de coisas, em favor da melhoria dos serviços públicos (A letra “C” é certa). Gabarito: A. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 52 11. (ESAF/PSS/2008) O movimento denominado New Public Management (NPM), que vem sendo traduzido como Nova Gestão Pública, Nova Gerência Pública (NGP) ou, ainda, Nova Administração Pública (NAP), segundo Barze- lay, é, antes de tudo, (...) um diálogo profissional sobre a estrutura, a ges- tão e o controle da administração pública envolvendo a comunidade acadêmica e funcionários. Sobre as diversas visões da administração pública gerencial, são corretos todos os enunciados, exceto: a) o modelo gerencial puro tem como perspectiva central o foco na econo- mia e na eficiência: é o “fazer mais com menos”, ou seja, a maximização dos resultados a serem obtidos com a aplicação dos recursos públicos. b) o modelo gerencial público implica o fortalecimento do conceito de cons- ciência de custos, jáque o cidadão, como contribuinte, quer ver o recurso arrecadado ser aplicado eficientemente. c) o “Public Service Oriented” (PSO) está baseado na noção de equidade e cidadania, de resgate do conceito de esfera pública e de ampliação do dever social de prestação de contas (accountability). d) o “consumerism” introduziu uma importante inovação no campo da ges- tão: a descentralização, valorizada como meio de implementação de políticas públicas com qualidade. e) o “consumerism” tem como foco a flexibilidade de gestão, a qualidade dos serviços e a prioridade às demandas do consumidor: é o “fazer melhor”, olhando o cidadão como cliente. Esta questão foi tirada de texto Caio Marini. Vimos que o gerencialismo puro privilegiava a eficiência, que tinha como principais objetivos reduzir os gastos públicos e aumentar sua produtividade. A letra “A” é certa. A letra “B” é certa. Segundo Caio Marini: O primeiro modelo é o gerencialismo puro, que corresponde à primeira eta- pa da experiência no Reino Unido e também nos Estados Unidos, onde a perspectiva central é o foco na economia e na eficiência; é o “fazer mais com menos”, o que significa olhar o cidadão como contribuinte, que não quer desperdício, ao contrário, quer ver o recurso arrecadado ser aplicado eficientemente. A letra “C” é certa, pois já vimos que o PSO está ligado à ideia de accounta- bility, equidade, justiça, cidadania. Segundo Caio Marini: O terceiro, o Public Service Oriented (PSO), está baseado na noção de equi- dade, de resgate do conceito de esfera pública e de ampliação do dever so- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 53 cial de prestação de contas (accountability). Essa nova visão, ainda que não completamente delimitada do ponto de vista conceitual, introduz duas im- portantes inovações: uma no campo da descentralização, valorizando-a co- mo meio de implementação de políticas públicas; outra a partir da mudança do conceito de cidadão, que evolui de uma referência individual de mero consumidor de serviços, no segundo modelo, para uma conotação mais co- letiva, incluindo seus deveres e direitos. Desse modo, mais do que “fazer mais com menos” e “fazer melhor”, o fundamental é “fazer o que deve ser feito”. Isto implica um processo de concertação nacional que aproxima e compromete todos os segmentos (Estado, sociedade, setor privado, etc.) na construção do projeto nacional. Podemos ver neste trecho também que a letra “D” está errada, já que é o PSO que vê a descentralização como meio de implementação de políticas pú- blicas com qualidade. A letra “E” é certa. Segundo Caio Marini: O outro, nesta linha evolutiva, recebeu a denominação de consumerismo a partir do foco na flexibilidade de gestão, na qualidade dos serviços e na pri- oridade às demandas do consumidor: é o “fazer melhor”. Note-se que, en- quanto a primeira perspectiva quer recuperar a eficiência perdida, a segunda quer incrementar a qualidade dos serviços, olhando o cidadão co- mo cliente. Gabarito: D. 12. (ESAF/PSS/2008) A despeito do debate sobre a nova gestão pública não estar encerrado, a análise permite identificar algumas características co- muns. Entre elas não se inclui: a) flexibilidade administrativa, que permita às instituições e às pessoas defi- nirem seus objetivos e assim se tornarem responsáveis por produzir os re- sultados pactuados. b) reorientação dos mecanismos de controle para resultados, evoluindo do controle da legalidade e do cumprimento do rito burocrático para uma nova abordagem centrada no alcance de objetivos. c) controle social, o que quer dizer desenhar mecanismos de prestação soci- al de contas e avaliação de desempenho próximos da ação. d) valorização do servidor, que representa a âncora do processo de constru- ção coletiva do novo paradigma realizado pelo conjunto dos servidores de forma participativa. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 54 e) focalização da ação do Estado no cidadão, o que significa superar o Estado auto-referido e resgatar da esfera pública como instrumento do exercício da cidadania. Esta questão também foi tirada do texto de Caio Marini. Vimos na parte teórica, que o autor afirma a Nova Gestão Pública pode ser analisada a partir do exame de alguns de seus princípios básicos, entre eles: 1. Focalização da ação do Estado no cidadão: O Estado deve ser enten- dido como o fórum onde o cidadão exerce a cidadania; todo e qualquer esforço de reforma, portanto, deve ter como objetivos melhorar a qualidade da prestação do serviço público na perspectiva de quem o usa e possibilitar o aprendizado social de cidadania. A letra “E” é correta. 2. Reorientação dos mecanismos de controle por resultados: Significa evoluir de uma lógica baseada tão somente no controle da legalidade e do cumprimento do rito burocrático para uma nova abordagem centrada no alcance de objetivos. A letra “B” está correta. 3. Flexibilidade administrativa que permita a instituições e pessoas alcançarem seus objetivos: A flexibilidade não deve ser colocada nos fins, deixando que as organizações estabeleçam seus objetivos, mas sim nos meios. A letra “A” é errada. 4. Controle social: O que quer dizer desenhar mecanismos de prestação social de contas e avaliação de desempenho próximos da ação. Se o objet- ivo é o resgate da cidadania e a reorientação para resultados, este controle não pode se limitar apenas à dimensão interna, com base em quem presta o serviço. Tem que ser na perspectiva de quem usa ou se beneficia da prestação dos serviços públicos. A letra “C” é correta. 5. Valorização do servidor: Este princípio representa, na verdade, a âncora do processo de construção coletiva do novo paradigma, orientado para o cidadão e realizado pelo conjunto dos servidores de forma participativa. Nesse sentido, valorizar o servidor quer dizer estimular sua capacidade empreendedora, sua criatividade, destacando o espírito público de sua mis- são e o seu comportamento ético, visando ao resgate da autoestima e ao estabelecimento de relações profissionais de trabalho. A letra “D” é certa. Gabarito: A. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 55 13. (ESAF/CGU/2008) O movimento que incorporou à gestão pública carac- terísticas como a competição na prestação de serviços, a perspectiva em- preendedora, a descentralização, o foco em resultados e a orientação para o mercado é denominado: a) Patrimonialista. b) Governança Corporativa. c) Reinventando o Governo. d) Administração Pública Societal. e) Pós-Burocrático. O livro “Reinventando o Governo: Como o espírito empreendedor está trans- formando o setor público”, de David Osborne e Ted Gaebler, é a base dos es- tudos acerca do empreendedorismo governamental. Os autores analisaram como algumas iniciativas inovadoras de administrações públicas municipais americanas estavam contribuindo para que estas cidades superassem a crise fiscal do Estado. Gabarito: C. 14. (ESAF/EPPGG-MPOG/2005) Entre os dilemas do modelo pós- burocrático, marque com (V) a assertiva verdadeira e com (F) a assertiva falsa e ao final assinale a opção correta. ( ) A relação entre a lógica fiscal e a lógica gerencial pode ser conflitante, visto queexiste um trade off entre autonomia gerencial, exercida por meca- nismos contratuais, e o controle fiscal rígido que inibe a administração por objetivos. ( ) A descentralização, apesar de possibilitar a melhora da democratização e da eficiência do sistema, pode agravar as diferenças regionais produzindo uma segregação entre regiões pobres e ricas, prejudicando a equidade dos serviços públicos. ( ) A separação entre formulação de políticas públicas e sua implementação pode prejudicar o accountability, pois fica mais difícil identificar o responsá- vel pela prestação global dos serviços públicos. Indique a alternativa correta. a) V, F, V b) F, V, V A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 56 c) V, V, F d) F, F, V e) V, V, V Abrucio afirma que, na atual era de escassez de recursos por que passa o Es- tado, duas lógicas antagônicas aparecem como alternativas. Uma é a fiscal, preocupada em controlar os inputs do sistema para evitar o aumento dos cus- tos. Outra é a gerencial, que busca aumentar a eficiência e a efetividade, de tal forma que sua lógica se baseia em atingir os objetivos, ou seja, obter me- lhores outputs. A primeira lógica praticamente só se preocupa com o quanto se gasta nos serviços públicos, atuando apenas no curto prazo, enquanto a se- gunda pretende tornar mais produtiva a ação da burocracia, o que implica pro- fissionalização dos funcionários, processo cujo retorno, sobretudo financeiro, somente ocorre no médio e longo prazos. A primeira afirmação é certa. A descentralização de autonomia e poder para os governos locais pode apre- sentar certos riscos. Quando o processo de descentralização é conduzido de forma desordenada, pode acarretar o agravamento das desigualdades regio- nais, uma vez que as localidades menos desenvolvidas, atuando de forma mais autônoma, sem auxílio externo, encontrarão sérias dificuldades para solucionar os problemas já existentes. Enquanto localidades em estágio de desenvolvi- mento mais avançado poderão se tornar ainda mais dinâmicas. A segunda afirmação é certa. A centralização das atribuições e especialmente das receitas favorece a adoção de políticas redistributivas. A tentativa de implementar políticas redistributivas em termos individuais por governos locais podem acabar se tornando ineficien- te em função da mobilidade de pessoas e recursos, esta mobilidade é bem menor se considerarmos um âmbito mais amplo para a política. A última afirmação fala de accountability. Muitos alunos se confundem nesta questão com a segregação de funções, que é um princípio que proporciona um maior controle, por isso aumentaria a accountability. O que acontece é que a separação das atividades de formulação e implementação das políticas públicas torna maior a necessidade de controle. Quando apenas um órgão formula e executa, a accountability é maior, já as responsabilidades estão concentradas na mão de um número menor de pessoas. Já a descentralização dilui as res- ponsabilidades na mão de um número maior de pessoas, o que reduz a ac- countability, a capacidade de se responsabilizar os diversos agentes envolvidos. Além disso, o governo tem que controlar recursos que são transfe- ridos para diversas entidades da iniciativa privada, o que é mais difícil do que o controle sobre órgãos subordinados. A terceira afirmação é certa. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 57 Gabarito: E. 15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2005) A descentralização foi tema presente nas reformas britânica e norte-americana, que buscaram estruturar um modelo pós-burocrático de administração pública. Julgue as sentenças relativas aos objetivos da descentralização nos diferentes modelos. I. O objetivo da descentralização no public service orientation estava em es- tabelecer uma interface entre os cidadãos e a administração pública de mo- do a fazer valer os direitos democráticos de participação, equidade e justiça. II. O consumerism fazia uso da descentralização não só administrativa, mas também política, que tinha entre seus objetivos a delegação de autoridade, para aproximar os usuários dos serviços públicos de modo a facilitar sua fis- calização. III. A descentralização não fazia parte do escopo de reforma do gerencialis- mo puro, visto que sua principal preocupação estava na diminuição de cus- tos do setor público e, sendo a descentralização um processo dispendioso, não foi utilizada nesse modelo. IV. A tradição de descentralização em estados federativos, nos EUA, favore- ceu a implementação do managerialism, resultando em um sucesso maior que no governo centralizado de Margareth Thatcher, na Grã-Bretanha. Estão corretas: a) As afirmativas I, III e IV. b) As afirmativas I e II. c) As afirmativas I e IV. d) As afirmativas II e IV. e) As afirmativas III e IV. O PSO incorporou aos modelos anteriores a noção de que o Estado não traba- lha apenas com consumidores, mas com cidadãos, por isso fortaleceu princí- pios como accountability, equidade, participação. A afirmação I é correta. A afirmação II é correta, pois o consumerism tinha como estratégia tanto a descentralização administrativa quanto política, apesar de o Abrucio colocar que não houve uma verdadeira descentralização política. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 58 A afirmação III é errada porque o gerencialismo puro também fazia uso da descentralização. Comentando o managerialism na Inglaterra, Abrucio afirma que: A descentralização administrativa constituiu-se em uma outra opção organi- zacional importante. Seu objetivo precípuo foi aumentar a autonomia das agências e dos departamentos. É importante notar que a descentralização era concebida a partir de uma definição clara dos objetivos de cada agência, os quais deveriam ser cumpridos sob a vigilância e controle do Poder Cen- tral. Desta forma, apesar da propaganda governamental favorável à des- centralização, o que acontecia era uma desconcentração de poderes. A afirmação IV é errada porque o gerencialismo foi implantado de forma mais exitosa na Inglaterra, devido à centralização de seu governo, enquanto a autonomia dos entes federados nos EUA dificultou sua implantação. Gabarito: B. 16. (ESAF/APO-MPOG/2005) Julgue as sentenças a respeito de certos mo- delos da administração pública gerencial: I. O mangerialism, apesar de ter sido criado nos EUA – “berço das grandes inovações da administração privada”, obteve maior sucesso na Grã- Bretanha, onde encontrou um sistema político mais favorável a sua aplica- ção. II. O public service orientation procurou incorporar temas do republicanismo e da democracia, expressos principalmente em um ideal de participação polí- tica, transparência, justiça e accountabillity – elementos quase inexistentes no mangerialism e consumerism. III. Um dos objetivos do consumerism era o de introduzir a perspectiva de qualidade na administração pública, utilizando-se de uma delegação e des- centralização política com o objetivo de possibilitar a fiscalização dos servi- ços públicos pela sociedade. IV.O programa Citizen’s Chart, desenvolvido na Inglaterra, tinha como estra- tégia seu direcionamento às necessidades do público demandante, podendo ser considerado um modelopuro de gerencialismo britânico. Estão corretas: a) apenas as afirmativas I e II. b) apenas as afirmativas I, II e III. c) apenas as afirmativas II, III e IV. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 59 d) apenas as afirmativas II e IV. e) apenas as afirmativas III e IV. A afirmação I é correta. Já a vimos na aula. Segundo Bresser: O enfoque gerencial sobre a administração pública emergiu com vigor na Grã-Bretanha e nos EUA depois de Governos conservadores terem assumido o poder em 1979 (Governo Thatcher) e em 1980 (Governo Reagan), o que levou alguns analistas a verem, neste enfoque, uma visão intrinsecamente conservadora. Na verdade, só na Grã-Bretanha o gerencialismo foi aplicado ao serviço público imediatamente após a posse do novo Governo, e levou a uma reforma administrativa profunda e bem-sucedida. A afirmação II é correta. Segundo Abrucio: Toda a reflexão realizada pelos teóricos do PSO leva aos temas do republi- canismo e da democracia, utilizando-se de conceitos como accountability, transparência, participação política equidade e justiça, questões pratica- mente ausentes do debate sobre o modelo gerencial. Vimos que no consumerism uma das estratégias é a descentralização. Na Grã- Bretanha ocorreu uma descentralização administrativa (desconcentração) e não uma verdadeira descentralização política. Não obstante, tem ocorrido uma significativa delegação de autoridade, partindo do princípio de quanto mais próximo estiver o serviço público do consumidor, mais fiscalizado pela popula- ção ele o será. A afirmação III é correta, mesmo não tendo ocorrido uma verdadeira descentralização política, já que um dos objetivos era sim permitir que o cidadão tivesse uma maior participação. Segundo Abrucio: O programa do governo inglês mais importante no sentido de priorizar o consumidor é, sem dúvida, o Citizen’s Charter. Baseado no princípio de que os serviços públicos devem estar mais direcionados às necessidades defini- das pelo público diretamente afetado, o Citizen’s Charter consiste na im- plantação de programas de avaliação de desempenho organizacional de acordo com dados recolhidos juntos aos consumidores. A importância do programa aumenta na medida em que ele tem sido uma das referências da atual gestão do primeiro-ministro John Major, que, na defesa do Citizen’s Charter, disse que os “serviços públicos têm o dever especial de responder às necessidades dos seus consumidores e clientes”. A afirmação IV é errada porque o Citizen’s Chart não era um programa de gerencialismo puro, mas sim do consumerism. Gabarito: B. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 60 44..11.. QQuueessttõõeess ddee OOuuttrraass BBaannccaass 17. (FCC/MPE-AP/2012) As chamadas organizações públicas enfrentam limi- tes para a atuação empreendedora e pontos de resistência à ação inovadora que, na maioria das vezes, impõe-se de fora para dentro e por pessoas es- tranhas ao ambiente organizacional. Nesse sentido, o empreendedorismo, como meio de atuação do gestor público, depara-se com fatores que devem ser combatidos para alcançar patamares mais altos de qualidade na presta- ção de serviços públicos. Os fatores que devem ser combatidos são: (A) hierarquia excessiva, paternalismo, burocracia e inflexibilidade. (B) crescimento da área pública, terceirização em áreas meio, patrimonia- lismo e baixa adesão ao e-gov. (C) hierarquia excessiva, patamares elevados de gratificação por resultados, patrimonialismo e inflexibilidade. (D) crescimento da área pública, descontinuidade, burocracia e flexibilidade. (E) hierarquia excessiva, crescimento da área pública, patrimonialismo e baixa adesão ao e-gov. Segundo o texto “Intraempreendedorismo e a inovação na gestão pública fede- ral”, disponível em: http://www.enap.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=3598 As chamadas organizações públicas ou sociais enfrentam limites para a atu- ação empreendedora e pontos de resistência à ação inovadora que, na mai- oria das vezes, se impõe de fora para dentro e por pessoas estranhas ao ambiente organizacional ou, simplesmente, elas ocorrem em razão de crises ou catástrofes. De forma geral, o empreendedorismo é comum tanto no universo das orga- nizações públicas quanto no das privadas. As organizações públicas são se- melhantes às demais; no entanto, possuem características próprias (rotinas, hierarquia excessiva, descontinuidade, paternalismo etc) que constituem verdadeiros obstáculos às inovações e mudanças e que se opõem ao empreendedorismo. Vimos que o empreendedorismo enquadra-se como um dos modelos de refor- ma gerencial, por isso ele defende também princípios como descentralização, flexibilidade, autonomia, redução de níveis hierárquicos e horizontalização das estruturas organizacionais. A letra “A” é a resposta porque traz tudo que é contrário ao defendido pelo empreendedorismo. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 61 Na letra “B”, o empreendedorismo não combate a terceirização das áreas meio, pelo contrário, defende esse tipo de ação. Na letra “C”, ele não combate a remuneração com base em resultados. Na letra “D”, ele não combate a flexibilidade. Na letra “E”, ele até combate todos esses itens sim, mas não é o que está no texto. Gabarito: A. 18. (FCC/TRE-CE/2012) Na chamada Nova Gestão Pública há três principais vertentes, ou correntes conceituais importantes, as quais possuem vários traços em comum como, por exemplo, uma ênfase significativa nos resulta- dos da ação governamental, ou seja, um deslocamento do foco nos proces- sos para enfatizar os resultados. Uma delas tem sido denominada como um "neotaylorismo", isto é, uma proposta calcada na busca da produtividade e na implantação do modelo de gestão da empresa privada no setor público, outra busca a flexibilização da gestão pública, em que se observa a passa- gem da lógica do planejamento para a lógica da estratégia e nesta são leva- das em conta as relações entre os atores envolvidos em cada política, de modo a montar cenários que permitam a flexibilidade necessária para even- tuais alterações nos programas governamentais. A terceira utiliza-se de con- ceitos como accountability, transparência, participação política, equidade e justiça, em que é preciso que no processo de aprendizado social na esfera pública se consiga criar uma nova cultura cívica, que congregue políticos, funcionários e cidadãos. Esta última corrente é conhecida como (A) Balanced Scorecard − BSC. (B) Activity Based Management − ABM. (C) Consumerísmo. (D) Gerencialísmo Puro. (E) Public Service Orientation − PSO. A primeira é o gerencialismo puro, a segunda o consumerism e a terceira o PSO, fala em accountability, transparência, equidade, etc. Segundo Fernando Luiz Abrucio, no texto que está na leitura sugerida: Esta “despolitização” da administração pública, aliada à ênfase no conceito de eficiência governamental, fez com que Christopher Pollitt (1990), um dos mai- A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINASProf. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 62 ores críticos do modelo gerencial inglês, classificasse o managerialism como um “neotaylorismo”, isto é, uma proposta calcada na busca da produtividade e na implantação do modelo de gestão da empresa privada no setor público. No caminho da flexibilização da gestão pública, também podemos citar a pas- sagem da lógica do planejamento para a lógica da estratégia (CROZIER, 1992: 93). Na primeira, prevalece o conceito de plano, o qual estabelece, a partir de uma racionalidade técnica, o melhor programa a ser cumprido. Já na lógica de estratégia, são levadas em conta as relações entre os atores envolvidos em cada política, de modo a montar cenários que permitam a flexibilidade neces- sária para eventuais alterações nos programas governamentais. Toda a reflexão realizada pelos teóricos do PSO leva aos temas do republica- nismo e da democracia, utilizando-se de conceitos como accountability, trans- parência, participação política eqüidade e justiça, questões praticamente ausentes do debate sobre o modelo gerencial. É interessante notar, contudo, que o “objeto” que gerou a corrente do PSO foi “criado” pelo modelo gerencial. Trata-se da problemática da descentralização, a partir da qual foram formula- dos quase todos os conceitos do PSO. Gabarito: E. 19. (FCC/TRE-SP/2012) Na concepção pós-burocrática de administração, de forma semelhante à iniciativa privada, a gestão pública busca a) o lucro em suas atividades para que possa obter recursos para satisfazer o interesse dos cidadãos enquanto consumidores. b) satisfazer os interesses de indivíduos e grupos que consomem seus pro- dutos e (ou) serviços. c) conquistar clientes para comprar seus produtos e serviços, já que não po- de depender mais de impostos e taxas. d) analisar e melhorar continuamente seus processos para alcançar eficiên- cia e qualidade na prestação de serviços e produção de bens. e) realizar os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade como fins éticos da atividade empresarial. A letra “A” é errada, a gestão pública busca o interesse público, e não o lucro. A letra “B” é errada, a gestão pública não busca satisfazer interesses específi- cos, mas da sociedade como um todo. Ela busca a satisfação do consumidor, mas não de interesses. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 63 A letra “C” é errada, ela até deve buscar outras formas de receitas que não impostos, como defende o empreendedorismo, mas esse não é o objetivo da gestão pública. A letra “D” é certa, ao incorporar técnicas da gestão privada na administração publica, o modelo pós-burocrático busca tornar seus processos mais eficientes e de maior qualidade. A letra “E” é errada, ele não se volta para a atividade empresarial. Gabarito: D. 20. (FCC/TCE-PR/2011) Sobre a Nova Gestão Pública e a identificação de seu modus operandi, considere as afirmativas abaixo: I. A profissionalização da administração, em qualquer esfera do Estado, com a aplicação de modelos de gestão estritamente na forma e no conteúdo, co- mo os utilizados na esfera privada. II. Uma descentralização do Estado, com a passagem de funções, transfe- rência de atividades e responsabilidades para outros níveis de governo, che- gando até o âmbito municipal. III. O enfoque privilegiado nos processos organizacionais, superando o enfo- que centrado em funções e departamentos. IV. O fortalecimento da visão empreendedora, explicada pelo necessário personalismo na condução de ações para obtenção de resultados. V. A parceria público-privada é desenvolvida com a descentralização de ser- viços públicos não essenciais para a sociedade civil organizada. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I, IV e V. (B) I, III e V. (C) II, III e IV. (D) II e III. (E) II, IV e V. A primeira afirmação é errada, os modelos de gestão não são idênticos aos da iniciativa privada. Apesar de terem sido incorporados conceitos e ferramentas típicas das empresas, a administração pública tem suas particularidades e re- quer adaptações quando são importados modelos do setor privado. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 64 A segunda afirmação é certa, o NPM defende a descentralização política, para esferas de governo locais. A terceira afirmação é certa, privilegia-se o enfoque sistêmico das organiza- ções, em que o aspecto mais relevante refere-se aos resultados gerados pelos processos de trabalho. A quarta afirmação é errada, não há personalismo, isso é patrimonialismo. A quinta afirmação é errada, pois as parcerias envolvem também serviços es- senciais, como os relacionados ao serviços não-exclusivos previstos no Plano Diretor e que veremos na Aula 03, os serviços sociais como saúde, educação, assistência social. Temos ainda os serviços públicos concedidos, como manu- tenção de estradas, construção e administração de presídios, arrendamento de terminais portuários, etc. Gabarito: D. 21. (FGV/FIOCRUZ/2010) Com relação às características básicas da Admi- nistração Pública Gerencial, assinale a afirmativa incorreta. a) É orientada para o cidadão e para a obtenção dos resultados. b) Pressupõe que os políticos e os funcionários públicos são merecedores de grau limitado de confiança. c) Concentra-se no processo. d) Serve-se, como estratégia, da descentralização e do incentivo à criativi- dade e à inovação. e) Utiliza o contrato de gestão como instrumento de controle dos gestores públicos. Segundo Bresser Pereira, a administração gerencial: É orientada para o cidadão e para a obtenção de resultados; pressupõe que os políticos e os funcionários públicos são merecedores de um grau real ainda que limitado de confiança; como estratégia, serve-se da descentralização e do incentivo à criatividade e à inovação; o instrumento mediante o qual se faz o controle sobre os órgãos descentralizados é o contrato de gestão. A letra “C” é errada porque a administração gerencial concentra-se nos resul- tados, e não no processo. Gabarito: C. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 65 22. (MINHA AUTORIA) Acerca da gestão pública empreendedora, assinale a opção incorreta: a) Baseia-se na prescrição de técnicas originariamente empresariais, tais como reengenharia, gestão da qualidade total, redimensionamento, etc., à gestão de organizações públicas. b) Dá preferência a alternativas de produção externa de bens e serviços: terceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc. c) Defende o atingimento das finalidades governamentais através da rees- truturação pelo Estado. d) Constitui uma alternativa crítica ao modelo liberal de administração públi- ca minimalista, porque prega um Estado atuante, uma administração pública ativista, cujo alcance é, todavia, inspirado por critérios de eficiência empre- sarial. e) Prescreve um setor público como empreendedor seletivo, baseado nos critérios empresariais, até mesmo competitivos dentre si e com o setor privado. Esta questão eu copiei do texto “Burocracia e a revolução gerencial — a persis- tência da dicotomia entre política e administração”, de Humberto Falcão Mar- tins, disponível em: http://www.enap.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=2753Nesse texto, o empreendedorismo governamental é abordado numa parte pe- quena, de duas páginas, mas ainda assim importante. A letra “A” é certa. Segundo Martins: Um terceiro modelo de administração pública alcançou, de uma forma incisi- va, lugar central nas discussões acadêmica e política no campo da adminis- tração pública nos anos 90. O empreendedorismo público baseia-se na prescrição de técnicas originariamente empresariais, tais como reengenharia, gestão da qualidade total, redimensionamento, etc., à gestão de organiza- ções públicas. Abordagens originariamente empresariais, inclusive qualidade e reengenharia, são recomendadas ao ambiente da administração pública ba- seadas no argumento de que há pressões crescentes para o aprimoramento dos serviços e a redução de despesas, mediante restrições orçamentárias Ele fala em terceiro modelo porque no texto está sendo feita uma comparação do empreendedorismo com o modelo ortodoxo (muito próximo ao weberiano) e com a concepção liberal. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 66 A letra “B” é certa. Por um lado, o empreendedorismo defende a redução das atividades estatais. Martins enumera os dez princípios dessa escola, entre os quais: 1) preferência a alternativas de produção externa de bens e serviços: ter- ceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc.; Assim, o empreendedorismo se aproxima da visão liberal no sentido de buscar a execução dos serviços fora do Estado, como está no princípio 10. 10) atingimento das finalidades governamentais através da reestruturação do mercado. A letra “C” é errada porque a reestruturação é pelo mercado, e não pelo Esta- do. Segundo Osborne e Gaebler, os governos não têm a capacidade de resol- ver todos os problemas sozinhos, nem mesmo uma significativa parcela deles. Por isso, devem utilizar as decisões dos agentes privados como uma forma de alavancagem na prestação de serviços, de modo a alcançar metas coletivas. Trata-se de um método clássico de atividade governamental empreendedora: implica um governo ativo, mas não burocrático. Porém, apesar dessa aproximação com o liberalismo, temos que tomar cuida- do, pois os dois modelos apresentam divergências. A letra “D” é certa. Por um lado, esta visão de Estado empreendedor se constitui uma alternati- va crítica ao modelo liberal de administração pública minimalista, porque prega um Estado atuante, uma administração pública ativista, cujo alcance é, todavia, inspirado por critérios de eficiência empresarial. Por outro lado, o paradigma do empreendedorismo público se coloca como uma alternativa crítica ao modelo burocrático ortodoxo, porque prescreve, em larga e irres- trita escala, métodos e técnicas de administração de empresas. No âmbito micro-organizacional, propõe a adoção de tecnologia gerencial de ponta. Portanto, apesar de defender a execução das atividades fora do Estado, este não deixa de atuar, a administração pública ainda deve ser ativa, “empreende- dora”, no sentido de que deve buscar fomentar a iniciativa privada para que esta também invista. A letra “E” é certa, segundo Martins: No âmbito macroorganizacional, prescreve um setor público como empre- endedor seletivo, baseado nos critérios empresariais, até mesmo competiti- vos dentre si e com o setor privado Uma coisa importante em relação ao conceito de governo empreendedor é não confundir com governo empresário. O verdadeiro significado da palavra em- preendedor é bem mais amplo. Segundo os autores, ela foi usada inicialmente por volta do ano 1800, para se referir àquele que “movimenta recursos A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 67 econômicos de um setor de menor produtividade para um outro de maior pro- dutividade e melhor rendimento”. Em outras palavras, o empreendedor em- prega recursos de novas formas, para maximizar a produtividade e a eficiên- eficiência. Gabarito: C. 23. (FGV/SEFAZ-RJ/2009) Com relação às formas de propriedades previstas pelo modelo gerencial de administração pública, analise as afirmativas a se- guir: I. O modelo gerencial prevê a propriedade privada. II. O modelo gerencial prevê a propriedade pública estatal. III. O modelo gerencial prevê a propriedade pública não-estatal. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente a afirmativa III estiver correta. d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. Segundo o Plano Diretor: Outra distinção importante é a relacionada às formas de propriedade. Ainda que vulgarmente se considerem apenas duas formas, a PROPRIEDADE ESTA- TAL e a PROPRIEDADE PRIVADA, existe no capitalismo contemporâneo uma terceira forma, intermediária, extremamente relevante: a PROPRIEDADE PÚ- BLICA NÃO-ESTATAL, constituída pelas organizações sem fins lucrativos, que não são propriedade de nenhum indivíduo ou grupo e estão orientadas dire- tamente para o atendimento do interesse público. O tipo de propriedade mais indicado variará de acordo com o setor do aparelho do Estado. Veremos melhor a relação entre os setores do aparelho do Estado e os tipos de propriedade na Aula 03, quando estudarmos o Plano Diretor. Gabarito: E. 24. (FGV/SEFAZ-RJ/2009) A abordagem da administração pública gerencial surgiu na segunda metade do século XX como uma resposta à insatisfação A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 68 em diversos setores com relação à administra ção pública burocrática. Nesse sentido, a administração pública gerencial: I. é principalmente orientada para os processos; II. é principalmente orientada pelo princípio da descentralização administra- tiva; III. é principalmente voltada para o controle de desempenho; IV. é auto-referente. Analise os itens acima e assinale: (A) se apenas os itens II e III estiverem corretos. (B) se apenas os itens I e IV estiverem corretos. (C) se apenas os itens I e II estiverem corretos. (D) se apenas os itens III e IV estiverem corretos. (E) se todos os itens estiverem corretos. A primeira afirmação é errada, pois a administração gerencial é orientada para resultados. A segunda afirmação é certa, a descentralização administrativa, assim como a política, é um dos princípios da administração gerencial. A terceira afirmação é certa, o controle é de resultados, ou seja, é de desem- penho, e não de legalidade. A quarta afirmação é errada, a burocracia que é auto-referida, a administração gerencial tem como princípio a participação social. Gabarito: A. 25. (UFPA/2008) Os autores do livro “Reinventando o Governo”, David Os- borne e Ted Gaebler, enfatizam que a conduta burocrática não está intrinse- camente ligada à gestão pública, e nem a conduta empreendedora é um componente intrínseco do setor privado. Nesse sentido, o governo empreen- dedor assume a função principal de (A) privilegiar procedimentos de controle dos gastos públicos. (B) buscar atrair o setor privado para a execução de algumas atividades tra- dicionais do setor público. (C) inibir uma possível competição entre agências públicas e empresas do setor privado.A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 69 (D) definir e sinalizar, adequadamente, os rumos aos agentes econômi- cosociais e estimular a ação das forças da concorrência. (E) introduzir uma gestão flexível e maior clareza nas atribuições. A letra “A” é errada porque é um aspecto burocrático. A letra “B” é errada. Ela até traz um princípio do governo empreendedor, que é o de privilegiar o mercado na execução dos serviços públicos. Porém, não cabe apenas ao Estado transferir as atividades para o setor privado, não é essa sua função principal. Um dos princípios mais importantes do empreendedorismo governamental é o do “Governo Catalisador: navegando ao invés de remar”. Segundo o Dicionário Houaiss, catalisar significa: Desencadear pela própria presença ou existência (um processo); estim- ular, incentivar; Diz-se de ou o que estimula ou dinamiza. Assim, governo catalisador é aquele que estimula, que faz com que as coisas aconteçam, que incentiva os diversos setores da sociedade a buscarem um objetivo comum. Quando eles falam em “navegar ao invés de remar”, querem dizer que cabe ao Estado dar o rumo, direcionar, pegar o timão e levar o barco pelo caminho correto. Não cabe ao governo remar, executar ele mesmo os serviços. Portanto, cabe ao governo modelar a sociedade, dar o rumo a ela, definir a política a ser seguida, manejar, o máximo que puder, institu- ições econômicas e sociais, enfim, regular e cumprir a função regulatória. É justamente essa função que está na letra “D”, que é certa. A letra “C” é errada porque um dos princípios do governo empreendedor é justamente o estímulo da competição, em diversos níveis: � Público versus privado; � Privado versus privado; � Público versus público. A letra “E” é errada. Também traz algo que a gestão pública empreendedora defende a flexibilidade, mas também não é o principal argumento deles. Essa função está mais ligada ao gerencialismo do que ao empreendedorismo. Gabarito: D. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 70 44..22.. LLiissttaa ddaass QQuueessttõõeess 1. (ESAF/CGU/2012) No marco da vertente societal da administração públi- ca, conforme Ana Paes de Paula, a ampliação da participação dos atores sociais na definição da agenda política orienta-se por uma série de características. Das relacionadas abaixo, indique a incorreta. a) Nessa vertente, trabalha-se com instrumentos para exercer um maior con- trole social sobre as ações estatais e a diminuição do monopólio do Estado na definição e implementação das ações públicas. b) De acordo com essa vertente, a reforma de Estado não é somente uma questão administrativa e gerencial, mas também um projeto político. c) Nessa vertente, distingue-se o que pertence ao domínio da gestão e ao do- mínio da política. d) Nessa vertente, as decisões são políticas, mas precisam levar em conta variáveis técnicas. e) Essa vertente busca assegurar a democracia através da prestação de servi- ços públicos orientados para o “cidadão-cliente” e controlados pela sociedade. 2. (ESAF/ISS-RJ/2010) Em um contexto de gestão empreendedora, é incor- reto afirmar que a administração fiscal deve: a) coletar tributos visando atender, com maior eficácia, o bem comum. b) adotar princípios de gestão de negócios, como a proatividade e o controle por objetivos e metas. c) ser gerenciada como uma empresa que visa maximizar o lucro, aqui medido sob a forma de arrecadação. d) submeter seus resultados a avaliações feitas pela sociedade. e) incorporar novas tecnologias, facilitando e estimulando a troca de informa- ções com o cidadão-cliente. 3. (ESAF/AFT/2010) As seguintes afirmações espelham entendimentos corre- tos sobre a Nova Gestão Pública (NGP), exceto: a) a NGP é um movimento cuja origem remonta às mudanças havidas nas administrações públicas de alguns países a partir da década de 1970, princi- palmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 71 b) o consumerismo consiste em uma reorientação do gerencialismo puro, mais voltada à racionalização e tendo como ponto central a satisfação das necessi- dades dos cidadãos, consumidores de serviços públicos. c) a NGP nasceu gerencialista nos anos 1980, tendo sido fortemente inspirada nas reformas minimalistas e na proposta de aplicação da tecnologia de gestão empresarial ao Estado. d) nos anos 1990, o Public Service Oriented resgatou os conceitos de transpa- rência, dever social de prestação de contas, participação política, equidade e justiça, introduzindo novas ideias ao modelo gerencial puro. e) desde o início, a experiência brasileira em NGP aponta para uma forte reto- mada do estado do bem-estar social e do desenvolvimentismo burocrático, ideal reforçado pela recente crise do mercado financeiro internacional. 4. (ESAF/AFT/2010) A aplicação do empreendedorismo, no âmbito da Admi- nistração Pública, implica saber que: a) normas rígidas e exaustivas são o melhor suporte para a tomada de decisão em ambientes complexos sob constante mudança. b) não se deve estimular a competição entre entidades prestadoras de serviços públicos semelhantes. c) a administração por resultados perde espaço para a supervisão hierárquica e para a realização de auditorias de gestão. d) quanto maior a autonomia conferida a servidores públicos, novas formas de controle ou responsabilização devem ser adotadas. e) tal como ocorre na iniciativa privada, incentivos econômicos são o principal fator motivacional de gerentes e chefes. 5. (ESAF/AFRFB/2009) No âmbito da administração pública, o empreendedo- rismo pressupõe a incorporação dos seguintes comportamentos, exceto: a) participação dos cidadãos nos momentos de tomada de decisão. b) substituição do foco no controle dos inputs pelo controle dos outputs e seus impactos. c) criação de mecanismos de competição dentro das organizações públicas e entre organizações públicas e privadas. d) adoção de uma postura reativa, em detrimento da proativa, e elaboração de planejamento estratégico, de modo a antever problemas potenciais. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 72 e) aumento de ganhos por meio de aplicações financeiras e ampliação da pres- tação de serviços remunerados. 6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Acerca do modelo de administração pública gerencial, é correto afirmar que: a) admite o nepotismo como forma alternativa de captação de recursos huma- nos. b) sua principal diferença em relação à administração burocrática reside na forma de controle, que deixa de se basear nos processos para se concentrar nos resultados. c) nega todos os princípios da administração pública patrimonialista e da ad- ministração pública burocrática. d) é orientada, predominantemente, pelo poder racional-legal. e) caracteriza-se pela profissionalização, ideia de carreira, hierarquia funcional, impessoalidade e formalismo. 7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Podendo ser identificada como uma perspecti- va inovadora de compreensão,análise e abordagem dos problemas da admi- nistração pública, com base no empirismo e na aplicação de valores de eficácia e eficiência em seu funcionamento, a Nova Gestão Pública propõe um modelo administrativo dotado das seguintes características, exceto: a) direcionamento estratégico. b) limitação da estabilidade de servidores e regimes temporários de emprego. c) maior foco nos procedimentos e menor foco nos produtos e resultados. d) desempenho crescente e pagamento por desempenho-produtividade. e) transparência e cobrança de resultados (accountability). 8. (ESAF/ANA/2009) Em nosso país, sobre o modelo composto pelos proces- sos participativos de gestão pública, também conhecido por ‘administração pública societal’, é correto afirmar: a) enfatiza a eficiência administrativa e se baseia no ajuste estrutural, nas recomendações dos organismos multilaterais internacionais e no movimento gerencialista. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 73 b) tem por origem o movimento internacional pela reforma do Estado, que se iniciou nos anos 1980 e se baseia, principalmente, nas experiências inglesa e estadunidense. c) é participativo no nível do discurso, mas centralizador no que se refere ao processo decisório, à organização das instituições políticas e à construção de canais de participação popular. d) enfatiza a adaptação das recomendações gerencialistas para o setor público. e) não apresenta uma proposta para a organização do aparelho do Estado, limitando-se a enfatizar iniciativas locais de organização e de gestão pública. 9. (ESAF/EPPGG-MPOG/2008) Qual dos itens abaixo não representa adequa- damente as características do movimento conhecido como New Public Mana- gement - NPM. a) Foco no incremento da produtividade – propondo mecanismos para que o governo faça “mais com menos”. b) Reafirmação do papel do estado como o principal facilitador das soluções referentes aos problemas decorrentes da globalização, mudanças tecnológicas e climáticas, transformações demográficas. c) Analogia com os mercados – incentivo à competição como forma de contro- lar as patologias da burocracia no setor público. d) Defesa da descentralização do poder decisório. e) Foco na satisfação do cliente, entendido como sendo o usuário do serviço público. 10. (ESAF/APO-MPOG/2008) A partir da década de 1980 teve início, em países da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a reforma administrativa gerencial, apoiada nos princípios da nova gestão públi- ca, que depois se estendeu a vários outros países, inclusive o Brasil. Desde então, constituiu-se um quadro teórico e um conjunto de instrumentos de ges- tão que, dentro do contexto democrático, visam modernizar o Estado e implan- tar o modelo gerencial de administração pública, tendo como característica central a orientação para o cidadão. Assinale, entre os enunciados abaixo, o único que não é um pressuposto da administração pública gerencial, voltada para o cidadão. a) Fortalecimento e multiplicação dos mecanismos de controle interno, externo e societal, a fim de proporcionar aos gestores o feedback essencial ao aprendi- zado institucional e ao aprimoramento dos serviços públicos. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 74 b) Fomento às condições e instrumentos de gestão necessários à mudança: instrumentos de troca de experiências, de difusão da informação, de evolução cultural e de capacitação, avaliações dos resultados, dos processos e da opini- ão do público, etc. c) Prevalência do diálogo e da transparência e o engajamento: o modelo re- quer uma relação de responsabilidade, apoiada na transparência e acordo en- tre os atores para resolver os problemas que se impõem. d) As missões e objetivos das organizações passam a se basear em “contratos” negociados com a sociedade, de modo que os serviços públicos tornam seus critérios de gestão mais claros e precisos, atrelando os recursos humanos, financeiros e logísticos às demandas dos cidadãos. e) Admissão das especificidades dos serviços públicos, como a participação, a influência do processo político, a legitimidade das decisões e a defesa do inte- resse público. 11. (ESAF/PSS/2008) O movimento denominado New Public Management (NPM), que vem sendo traduzido como Nova Gestão Pública, Nova Gerência Pública (NGP) ou, ainda, Nova Administração Pública (NAP), segundo Barzelay, é, antes de tudo, (...) um diálogo profissional sobre a estrutura, a gestão e o controle da administração pública envolvendo a comunidade acadêmica e fun- cionários. Sobre as diversas visões da administração pública gerencial, são corretos todos os enunciados, exceto: a) o modelo gerencial puro tem como perspectiva central o foco na economia e na eficiência: é o “fazer mais com menos”, ou seja, a maximização dos resul- tados a serem obtidos com a aplicação dos recursos públicos. b) o modelo gerencial público implica o fortalecimento do conceito de consciên- cia de custos, já que o cidadão, como contribuinte, quer ver o recurso arreca- dado ser aplicado eficientemente. c) o “Public Service Oriented” (PSO) está baseado na noção de equidade e cidadania, de resgate do conceito de esfera pública e de ampliação do dever social de prestação de contas (accountability). d) o “consumerism” introduziu uma importante inovação no campo da gestão: a descentralização, valorizada como meio de implementação de políticas públi- cas com qualidade. e) o “consumerism” tem como foco a flexibilidade de gestão, a qualidade dos serviços e a prioridade às demandas do consumidor: é o “fazer melhor”, olhando o cidadão como cliente. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 75 12. (ESAF/PSS/2008) A despeito do debate sobre a nova gestão pública não estar encerrado, a análise permite identificar algumas características comuns. Entre elas não se inclui: a) flexibilidade administrativa, que permita às instituições e às pessoas defini- rem seus objetivos e assim se tornarem responsáveis por produzir os resulta- dos pactuados. b) reorientação dos mecanismos de controle para resultados, evoluindo do controle da legalidade e do cumprimento do rito burocrático para uma nova abordagem centrada no alcance de objetivos. c) controle social, o que quer dizer desenhar mecanismos de prestação social de contas e avaliação de desempenho próximos da ação. d) valorização do servidor, que representa a âncora do processo de construção coletiva do novo paradigma realizado pelo conjunto dos servidores de forma participativa. e) focalização da ação do Estado no cidadão, o que significa superar o Estado auto-referido e resgatar da esfera pública como instrumento do exercício da cidadania. 13. (ESAF/CGU/2008) O movimento que incorporou à gestão pública caracte- rísticas como a competição na prestação de serviços, a perspectiva empreen- dedora, a descentralização, o foco em resultados e a orientação para o mercado é denominado: a) Patrimonialista. b) Governança Corporativa. c) Reinventando o Governo. d) Administração Pública Societal. e) Pós-Burocrático. 14. (ESAF/EPPGG-MPOG/2005) Entre os dilemas do modelo pós-burocrático, marque com (V) a assertiva verdadeirae com (F) a assertiva falsa e ao final assinale a opção correta. ( ) A relação entre a lógica fiscal e a lógica gerencial pode ser conflitante, visto que existe um trade off entre autonomia gerencial, exercida por mecanismos contratuais, e o controle fiscal rígido que inibe a administração por objetivos. ( ) A descentralização, apesar de possibilitar a melhora da democratização e da eficiência do sistema, pode agravar as diferenças regionais produzindo uma A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 76 segregação entre regiões pobres e ricas, prejudicando a equidade dos serviços públicos. ( ) A separação entre formulação de políticas públicas e sua imple- mentação pode prejudicar o accountability, pois fica mais difícil identificar o responsável pela prestação global dos serviços públicos. Indique a alternativa correta. a) V, F, V b) F, V, V c) V, V, F d) F, F, V e) V, V, V 15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2005) A descentralização foi tema presente nas re formas britânica e norte-americana, que buscaram estruturar um modelo pós burocrático de administração pública. Julgue as sentenças relativas aos objeti vos da descentralização nos diferentes modelos. I. O objetivo da descentralização no public service orientation estava em esta belecer uma interface entre os cidadãos e a administração pública de modo a fazer valer os direitos democráticos de participação, equidade e justiça. II. O consumerism fazia uso da descentralização não só administrativa, mas também política, que tinha entre seus objetivos a delegação de autoridade, para aproximar os usuários dos serviços públicos de modo a facilitar sua fisca lização. III. A descentralização não fazia parte do escopo de reforma do gerencialismo puro, visto que sua principal preocupação estava na diminuição de custos do setor público e, sendo a descentralização um processo dispendioso, não foi utilizada nesse modelo. IV. A tradição de descentralização em estados federativos, nos EUA, favoreceu a implementação do managerialism, resultando em um sucesso maior que no governo centralizado de Margareth Thatcher, na Grã- Bretanha. Estão corretas: a) As afirmativas I, III e IV. b) As afirmativas I e II. c) As afirmativas I e IV. d) As afirmativas II e IV. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 77 e) As afirmativas III e IV. 16. (ESAF/APO-MPOG/2005) Julgue as sentenças a respeito de certos modelos da administração pública gerencial: I. O mangerialism, apesar de ter sido criado nos EUA – “berço das grandes inovações da administração privada”, obteve maior sucesso na Grã-Bretanha, onde encontrou um sistema político mais favorável a sua aplicação. II. O public service orientation procurou incorporar temas do republicanismo e da democracia, expressos principalmente em um ideal de participação política, transparência, justiça e accountabillity – elementos quase inexistentes no mangerialism e consumerism. III. Um dos objetivos do consumerism era o de introduzir a perspectiva de qualidade na administração pública, utilizando-se de uma delegação e descen- tralização política com o objetivo de possibilitar a fiscalização dos serviços pú- blicos pela sociedade. IV.O programa Citizen’s Chart, desenvolvido na Inglaterra, tinha como estraté- gia seu direcionamento às necessidades do público demandante, podendo ser considerado um modelo puro de gerencialismo britânico. Estão corretas: a) apenas as afirmativas I e II. b) apenas as afirmativas I, II e III. c) apenas as afirmativas II, III e IV. d) apenas as afirmativas II e IV. e) apenas as afirmativas III e IV. 17. (FCC/MPE-AP/2012) As chamadas organizações públicas enfrentam limites para a atuação empreendedora e pontos de resistência à ação inovadora que, na maioria das vezes, impõe-se de fora para dentro e por pessoas estranhas ao ambiente organizacional. Nesse sentido, o empreendedorismo, como meio de atuação do gestor público, depara-se com fatores que devem ser combati- dos para alcançar patamares mais altos de qualidade na prestação de serviços públicos. Os fatores que devem ser combatidos são: (A) hierarquia excessiva, paternalismo, burocracia e inflexibilidade. (B) crescimento da área pública, terceirização em áreas meio, patrimonialismo e baixa adesão ao e-gov. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 78 (C) hierarquia excessiva, patamares elevados de gratificação por resultados, patrimonialismo e inflexibilidade. (D) crescimento da área pública, descontinuidade, burocracia e flexibilidade. (E) hierarquia excessiva, crescimento da área pública, patrimonialismo e baixa adesão ao e-gov. 18. (FCC/TRE-CE/2012) Na chamada Nova Gestão Pública há três principais vertentes, ou correntes conceituais importantes, as quais possuem vários tra- ços em comum como, por exemplo, uma ênfase significativa nos resultados da ação governamental, ou seja, um deslocamento do foco nos processos para enfatizar os resultados. Uma delas tem sido denominada como um "neotaylo- rismo", isto é, uma proposta calcada na busca da produtividade e na implanta- ção do modelo de gestão da empresa privada no setor público, outra busca a flexibilização da gestão pública, em que se observa a passagem da lógica do planejamento para a lógica da estratégia e nesta são levadas em conta as re- lações entre os atores envolvidos em cada política, de modo a montar cenários que permitam a flexibilidade necessária para eventuais alterações nos progra- mas governamentais. A terceira utiliza-se de conceitos como accountability, transparência, participação política, equidade e justiça, em que é preciso que no processo de aprendizado social na esfera pública se consiga criar uma nova cultura cívica, que congregue políticos, funcionários e cidadãos. Esta última corrente é conhecida como (A) Balanced Scorecard − BSC. (B) Activity Based Management − ABM. (C) Consumerísmo. (D) Gerencialísmo Puro. (E) Public Service Orientation − PSO. 19. (FCC/TRE-SP/2012) Na concepção pós-burocrática de administração, de forma semelhante à iniciativa privada, a gestão pública busca a) o lucro em suas atividades para que possa obter recursos para satisfazer o interesse dos cidadãos enquanto consumidores. b) satisfazer os interesses de indivíduos e grupos que consomem seus produ- tos e (ou) serviços. c) conquistar clientes para comprar seus produtos e serviços, já que não pode depender mais de impostos e taxas. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 79 d) analisar e melhorar continuamente seus processos para alcançar eficiência e qualidade na prestação de serviços e produção de bens. e) realizar os princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade como fins éticos da atividade empresarial. 20. (FCC/TCE-PR/2011) Sobre a Nova Gestão Pública e a identificação de seu modus operandi, considere as afirmativas abaixo: I. A profissionalização da administração, em qualquer esfera do Estado, com a aplicação de modelosde gestão estritamente na forma e no conteúdo, como os utilizados na esfera privada. II. Uma descentralização do Estado, com a passagem de funções, transferência de atividades e responsabilidades para outros níveis de governo, chegando até o âmbito municipal. III. O enfoque privilegiado nos processos organizacionais, superando o enfoque centrado em funções e departamentos. IV. O fortalecimento da visão empreendedora, explicada pelo necessário per- sonalismo na condução de ações para obtenção de resultados. V. A parceria público-privada é desenvolvida com a descentralização de servi- ços públicos não essenciais para a sociedade civil organizada. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I, IV e V. (B) I, III e V. (C) II, III e IV. (D) II e III. (E) II, IV e V. 21. (FGV/FIOCRUZ/2010) Com relação às características básicas da Adminis- tração Pública Gerencial, assinale a afirmativa incorreta. a) É orientada para o cidadão e para a obtenção dos resultados. b) Pressupõe que os políticos e os funcionários públicos são merecedores de grau limitado de confiança. c) Concentra-se no processo. d) Serve-se, como estratégia, da descentralização e do incentivo à criatividade e à inovação. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 80 e) Utiliza o contrato de gestão como instrumento de controle dos gestores pú- blicos. 22. (MINHA AUTORIA) Acerca da gestão pública empreendedora, assinale a opção incorreta: a) Baseia-se na prescrição de técnicas originariamente empresariais, tais como reengenharia, gestão da qualidade total, redimensionamento, etc., à gestão de organizações públicas. b) Dá preferência a alternativas de produção externa de bens e serviços: ter- ceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc. c) Defende o atingimento das finalidades governamentais através da reestrutu- ração pelo Estado. d) Constitui uma alternativa crítica ao modelo liberal de administração pública minimalista, porque prega um Estado atuante, uma administração pública ati- vista, cujo alcance é, todavia, inspirado por critérios de eficiência empresarial. e) Prescreve um setor público como empreendedor seletivo, baseado nos crité- rios empresariais, até mesmo competitivos dentre si e com o setor privado. 23. (FGV/SEFAZ-RJ/2009) Com relação às formas de propriedades previstas pelo modelo gerencial de administração pública, analise as afirmativas a se- guir: I. O modelo gerencial prevê a propriedade privada. II. O modelo gerencial prevê a propriedade pública estatal. III. O modelo gerencial prevê a propriedade pública não-estatal. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente a afirmativa III estiver correta. d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 24. (FGV/SEFAZ-RJ/2009) A abordagem da administração pública gerencial surgiu na segunda metade do século XX como uma resposta à insatisfação em A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 81 diversos setores com relação à administra ção pública burocrática. Nesse sen- tido, a administração pública gerencial: I. é principalmente orientada para os processos; II. é principalmente orientada pelo princípio da descentralização administrati- va; III. é principalmente voltada para o controle de desempenho; IV. é auto-referente. Analise os itens acima e assinale: (A) se apenas os itens II e III estiverem corretos. (B) se apenas os itens I e IV estiverem corretos. (C) se apenas os itens I e II estiverem corretos. (D) se apenas os itens III e IV estiverem corretos. (E) se todos os itens estiverem corretos. 25. (UFPA/2008) Os autores do livro “Reinventando o Governo”, David Osbor- ne e Ted Gaebler, enfatizam que a conduta burocrática não está intrinseca- mente ligada à gestão pública, e nem a conduta empreendedora é um componente intrínseco do setor privado. Nesse sentido, o governo empreende- dor assume a função principal de (A) privilegiar procedimentos de controle dos gastos públicos. (B) buscar atrair o setor privado para a execução de algumas atividades tradi- cionais do setor público. (C) inibir uma possível competição entre agências públicas e empresas do se- tor privado. (D) definir e sinalizar, adequadamente, os rumos aos agentes econômico- sociais e estimular a ação das forças da concorrência. (E) introduzir uma gestão flexível e maior clareza nas atribuições. A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 A n a C l a u d i a C a r d o s o 9 3 6 8 0 0 8 2 9 9 1 CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – AFRFB PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Prof. Rafael Encinas www.pontodosconcursos.com.br 82 44..33.. GGaabbaarriittoo 1. E 2. C 3. E 4. D 5. D 6. B 7. C 8. E 9. B 10. A 11. D 12. A 13. C 14. E 15. B 16. B 17. A 18. E 19. D 20. D 21. C 22. C 23. E 24. A 25. D 55.. LLeeiittuurraa SSuuggeerriiddaa ABRUCIO, Fernando Luiz. O impacto do modelo gerencial na Administração Pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente. www.enap.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=1614 “Gestão pública: o debate contemporâneo”. Caio Marini http://www.institutopublix.com.br/caio/wp- content/uploads/2008/12/Flem_Cadernos_7_DCGP0803.pdf