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77 55 CC AADD 00 11 UUNNIIDDAADDEE 22 SSIISSTTEEMM AASS EE CCOOMMPPOONNEENNTTEESS DDAASS CC AALLDDEEII RRAASS NN ee ss ttaa uunn ii ddaa dd ee ,, vvoo ccêê vvaa ii :: � Especificar os componentes das caldeiras. � Descrever sobre o sistema de água de alimentação. � Descrever sobre tiragem. � Descrever sobre trocadores de calor agregados à caldeira. � Especificar o sistema de óleo combustível das caldeiras marítimas. Você aluno já estudou a unidade 1 e resolveu os exercícios correspondentes a ela? Então, é hora de você refletir sobre as palavras de Sófocles: “É preciso aprender fazendo”. O “fazendo”, para o futuro operador de caldeiras, é muito mais do que o sentimento de compreender o que foi dito, é preciso fazer por si mesmo, muitas aplicações. Por isso, não perca o entusiasmo e siga em frente, passando a estudar os sistemas e componentes das caldeiras. 22 .. 11 EESS QQ UUEE MM AATT II ZZ AAÇÇ Ãà OO EE FFUU NN CC II OONN AAMM EE NN TT OO DD OO SS IISS TT EEMMAA DD EE ÁÁ GG UU AA DD EE AALL II MM EE NN TT AAÇÇ Ãà OO A figura 2.1, a seguir, ilustra o funcionamento básico do sistema água vapor numa caldeira aquatubular de circulação natural, que se constitui no tipo mais comum encontrado na indústria. Figura 2.1 – Diagrama de circuito simples de circulação natural. 76 Você pode observar que esse modelo básico é composto do tubulão superior, do tubulão inferior, e dos tubos ascendentes (risers) e descendentes (downcomers), além da fornalha (fonte térmica). O tubulão superior opera com água até seu nível médio (50%) e o tubulão inferior, afogado. Os tubos ascendentes encontram-se voltados para o lado da fonte de energia, enquanto os tubos descendentes estão na posição oposta, ou seja, não recebem parcela significativa de energia. Atento à figura, você pode concluir que a transferência de calor e formação de vapor se dará apenas nos tubos ascendentes, na face exposta à fonte de energia. Como conseqüência imediata, a densidade do fluido presente nesses tubos vai diminuir devido à presença do vapor. Isso provocará a existência de um diferencial de pressão hidrostática entre estes e os tubos descendentes, gerando um fluxo do lado descendente para o ascendente. Esse fenômeno físico gera a circulação de água, que permite a vazão do vapor gerado para cima em direção ao tubulão superior e da água dos tubos opostos para baixo. Ao chegar ao tubulão superior e encontrar a superfície livre, o vapor sairá do seio do líquido, separando-se e sendo acumulado. Enquanto isto, toda a água líquida obrigatoriamente passa pelo tubulão inferior. Conseqüentemente, todos os depósitos que, por ventura, possam se formar no interior da caldeira se acumularão nesse vaso. 22 .. 11 .. 11 SS ii ss tt ee mmaa aabb eerr tt oo O projeto e arranjo da instalação de alimentação de caldeiras dos navios de combate modernos sofreu grandes modificações em comparação com o antigo sistema aberto. Com o desenvolvimento das turbinas de alta velocidade e das caldeiras com superaquecedor controlado usando altas pressões e temperaturas, foi necessário melhorar o sistema de alimentação. A substituição do antigo sistema aberto de alimentação pelo atual sistema fechado foi motivada pelas seguintes razões principais: � necessidade de vácuo mais elevado: as turbinas modernas necessitam de vácuo mais elevado do que se pode obter com as bombas de ar comuns; � maior capacidade de carga: as instalações modernas de alta potência necessitam de mais água por minuto do que as bombas alternativas podem oferecer; � corrosão pelo oxigênio: esta é provavelmente a mais importante das razões, porque, com as elevadas pressões e temperaturas das instalações atuais, qualquer quantidade de ar presente pode produzir uma corrosão considerável. O ar deve ser retirado da água de alimentação, antes de sua entrada na caldeira. Sabemos que, no ponto de ebulição, a água não retém o ar; sabemos ainda, que podemos baixar a temperatura de ebulição, reduzindo a pressão. É possível, portanto, manter a água em ebulição em todo sistema. Entretanto, é preciso retirar o ar e impedir novo contato da água com a atmosfera. 77 77 CC AADD 00 11 Para executar essa tarefa, a maioria dos navios modernos dispõem do que se chama sistema fechado de alimentação sob pressão. Para entender o funcionamento e o propósito desse sistema, é necessário conhecer os tipos anteriormente usados. No tempo em que as caldeiras de tubos grossos eram usados, a questão do oxigênio dissolvido na água era de menor importância. Nas temperaturas relativamente baixas dos equipamentos antigos, o oxigênio não causava danos apreciáveis, de modo que se deixava a água de alimentação em contato com o ar. A figura 2.2 mostra um sistema aberto de alimentação. Figura 2.2 – Sistema aberto de alimentação. 22 .. 11 .. 22 SS ii ss tt ee mmaa ssee mmii -- ff eecc hh aa dd oo Dada a necessidade da água de alimentação possuir a menor quantidade possível de oxigênio do ar dissolvido, neste sistema, com o emprego da bomba do condensador , permitindo descarregar o condensado na rede de aspiração da bomba de alimentação, sem passar no tanque de alimentação, consegue-se parcialmente esse objetivo. Este sistema é 78 assim denominado porque a maior parte do condensado não entra em contato com a atmosfera. Pelo descrito, vemos que a diferença básica entre o sistema aberto e o semifechado reside nos empregos da bomba centrífuga do condensado e ejetores em substituição à bomba de ar. A figura 2.3 representa esquematicamente um sistema semifechado de alimentação. Figura 2.3 – Sistema semifechado de alimentação. 22 .. 11 .. 33 SS ii ss tt ee mmaa ffee cc hhaa dd oo O desenvolvimento das modernas caldeiras, com o emprego de economizadores e elevadas pressões de trabalho, trouxe como conseqüência a necessidade de um maior rigor no tratamento de desarejamento da água de alimentação. Essa necessidade foi uma das causas da criação do sistema fechado de alimentação. Nos atuais sistemas fechados, são dois os objetivos: 1 – reduzir ao mínimo possível a corrosão interna das caldeiras por meio de rigoroso desarejamento da água de alimentação; 2 – melhorar o rendimento da instalação pela manutenção de uma alta temperatura na água de alimentação e recuperação, tanto quanto possível, de todo o calor ainda utilizável. Para que a água entre na caldeira com um teor mínimo de ar dissolvido, é necessário: a) extrair o ar que se desprende do condensado no interior do condensador; b) evitar a contaminação da água de alimentação pelo ar atmosférico no seu trajeto entre o condensador e a caldeira. De um modo geral, em todas as partes da. instalação em que a pressão do vapor é inferior à atmosférica, existe um dispositivo (selo d'água) para evitar a entrada do ar. 77 99 CC AADD 00 11 Deve-se notar que, em uma instalação ideal, absolutamente sem absorção de ar pelo sistema, não haveria necessidade da bomba de ar ou ejetor de ar, bastaria uma bomba que removesse da bacia do condensador o liquido resultante da condensação. NNaass mmooddeerrnnaass iinnssttaallaaççõõeess,, ppaarraa sseerr aattiinnggiiddoo eessttee pprriimmeeiirroo oobbjjeettiivvoo ddoo ssiisstteemmaa ffeecchhaaddoo,, nneennhhuummaa áágguuaa ((ddrreennaaggeemm,, ssuupplleemmeennttoo,, ppuurrggaaççõõeess,, eettcc..)) ddeevvee sseerr iinnttrroodduuzziiddaa nnaa rreeddee ddee aalliimmeennttaaççããoo sseemm ppaassssaarr aanntteess ppeelloo ccoonnddeennssaaddoorr ppaarraa ssooffrreerr aa ssuuaa aaççããoo ddeessaarreejjaannttee.. Em um condensador do tipo comum, com bombas alternativas,não seria possível evitar o ingresso de ar no sistema. Isso é, entretanto, possível nos modernos condensadores, servidos por bombas rotativas com selo d'água em seus engachetamentos. São, além disso condensadores do tipo REGENERATIVO, isto é, fornecem o condensado a uma temperatura mais elevada do que a obtida com os tipos comuns, nos quais a temperatura da água na bacia do condensador é desnecessariamente muito inferior à correspondente ao vácuo reinante. Para melhorar o rendimento da instalação, será necessário: a) aquecer a água de alimentação gradativamente, até que seja atingida uma temperatura tão próxima quanto possível da correspondente à pressão de regime da caldeira; b) aproveitar o calor de baixa qualidade dos diversos drenos, purgações e descargas que, de outro modo, seria rejeitado para o mar. 22 .. 11 .. 44 SS ii ss tt ee mmaa ffee cc hhaa dd oo aa vváácc uuoo A figura 2.4 mostra esquematicamente um sistema fechado de alimentação. Figura 2.4 – Sistema fechado a vácuo de alimentação. 80 Nesse sistema, os gases do condensador são extraídos por meio de um ejetor de ar de dois estágios, que expele para a atmosfera todo o ar e faz retornar ao circuito o vapor d'água já liquefeito ainda existente nesses gases. A água do condensador é removida por meio de bomba de extração do conto centrífuga, e descarregada na superfície de um tanque, chamado tanque de isolado da atmosfera e ligado, pela sua parte superior, por meio de uma canalização de respiro, ao condensador. Isso faz com que o vácuo seja quase o mesmo nos dois aparelhos. Ao tanque de “compensação” vem ter a descarga de várias purgações quentes que mantém nesse tanque uma temperatura muito próxima à de saturação correspondente à pressão reinante. Existe, além disso, uma descarga de auxiliares para ser aberta no caso de as purgações não serem suficientes para manter no tanque a temperatura necessária. Dessa maneira, pela ação do vácuo e da temperatura, é mantida uma permanente ebulição no tanque, e assim todo o ar é expelido da água de alimentação. A existência da bomba de recalque se justifica pela necessidade de se ter na aspiração da bomba de alimentação uma pressão positiva, consideravelmente maior que a pressão correspondente à temperatura da água deslocada pelas bombas, visto que a altura de carga dada pela elevação do tanque de compensação não seria suficiente. Com o emprego das bombas de recalque, consegue-se que as bombas de alimentação desloquem a água praticamente a qualquer temperatura, sem perigo de que a água se vaporize e a bomba perca a aspiração. Para isso, a pressão na aspiração deve ser mantida com cerca de 0,5 kg/cm2 acima da pressão equivalente à temperatura da água. Desse modo, torna-se possível aquecer a água (muito acima de 80° C), antes de sua entrada na bomba de alimentação, isto é, empregando-se aquecedores de baixa pressão, preferíveis aos de alta pressão. AAss bboommbbaass ddee aalliimmeennttaaççããoo ddeessccaarrrreeggaamm aa áágguuaa nnaa vváállvvuullaa ddee rreetteennççããoo ddaa ccaallddeeiirraa,, aattrraavvééss ddooss eeccoonnoommiizzaaddoorreess,, oonnddee ssuuaa tteemmppeerraattuurraa ppooddee sseerr eelleevvaaddaa aattéé ààss pprrooxxiimmiiddaaddeess ddaa vvaappoorriizzaaççããoo ddaa áágguuaa,, ccoomm uummaa mmaarrggeemm aappeennaass ddee 2200°° CC aabbaaiixxoo ddaa tteemmppeerraattuurraa ddee ssaattuurraaççããoo ccoorrrreessppoonnddeennttee àà pprreessssããoo ddaa ccaallddeeiirraa.. 22 .. 11 .. 55 SS ii ss tt ee mmaa ffee cc hhaa dd oo àà pprree ssss ãã oo Os sistemas de alimentação semifechado e fechado a vácuo foram postos de lado pelo sistema fechado à pressão. A diferença básica entre o sistema fechado à pressão e os antigos sistemas reside no tanque desarejador (para maiores informações consulte item 2.4.1.1), que serve tanto de tanque de compensação quanto de aquecedor de água de alimentação. Nesse sistema de alimentação, não há contato do condensado com o ar atmosférico. Caracteriza-se essencialmente pela natureza do tanque de alimentação, que é ao mesmo tempo aquecedor e desarejador de água. 88 11 CC AADD 00 11 Somente as bombas de extração do condensado trabalham com vácuo na aspiração, isto é, aspiram dos condensadores onde a pressão é inferior à atmosférica. Depois da descarga destas, o sistema é todo sob pressão. No tanque desarejador e aquecedor, processa-se o aquecimento e desarejamento da água, utilizando-se o vapor da descarga das auxiliares, ou, quando necessário, vapor proveniente da rede auxiliar. No tanque, deverá ser mantida uma pressão que, no máximo, poderá atingir 1,4 kg/cm2. PERCURSO SOB VÁCUO – inicia-se nos poços dos condensadores e termina no flange de aspiração das bombas de extração do condensado. PERCURSO SOB PRESSÃO – começa no flange da descarga das bombas do condensado, e vai ter aos ejetos condensadores principais. SUPLEMENTO – O suplemento nesses navios pode ser feito por dois processos diferentes: a) introduzindo-se a água dos tanques de reserva nos condensadores (principal ou auxiliar); b) injetando-se a água no tanque de alimentação, por meio da bomba de alimentação de emergência. O primeiro processo é o que deve ser usado. E aproveitando o vácuo existente no condensador, que aspira água logo que sejam abertas as válvulas. Esse processo, além de dispensar qualquer tipo de bomba, faz prévio aquecimento e desarejamento da água antes de chegar ao tanque desarejador. O segundo só deve ser usado para encher o tanque quando se está utilizando a água dos reservas ou quando for impossível usar o primeiro método. 22 .. 11 .. 66 SS iiss tt eemm aa dd ee aa ll ii mmee nn tt aaçç ããoo :: NN //MM MMaa rraa úú Para facilitar a compreensão e visualizarmos de maneira prática a planta de vapor em uma embarcação, faremos referência ao sistema de água de alimentação encontrado no N/M Maraú, que pertenceu à PETROBRÁS. O sistema de alimentação das caldeiras do N/M Maraú possui duas bombas elétricas de alimentação principal, usadas durante a vaporização com elevada carga nas caldeiras, e uma bomba elétrica de alimentação auxiliar, usada quando a carga é baixa. Essa bomba destina-se ao enchimento inicial das caldeiras antes do acendimento e da elevação da pressão de vapor. Normalmente, as caldeiras dispõem de dois sistemas independentes de alimentação – Principal e auxiliar. Os sistemas possuem redes independentes e isolados por válvulas. As redes se unem na entrada do tubulão superior, formando uma única rede, que, ao passar para a parte interna do tubulão, é chamada de “tubo de alimentação”. 82 A rede segue internamente da parte superior do tubulão para a parte inferior, ficando abaixo das grades dos separadores de vapor. Na seção abaixo das grades, o tubo é perfurado permitindo a saída da água de alimentação. 22 .. 11 .. 66 .. 11 FF uunncc ii oo nnaa mmee nn tt oo ddooss ss ii ss tt ee mm aass ddee cc oo nndd ee nnss aa ddoo ee aa ll iimm eenn ttaa çç ãã oo Após termos enchido as caldeiras, colocaremos a caldeira nº 1, veja figura 2.5, temos que confirmar se: � o sistema de circulação de água salgada do condensador atmosférico está em funcionamento; � o ar de controle está disponível; � há bastante água destilada nos tanques de armazenamento; � há uma carga máxima de vapor na caldeira; � a válvula de controle (14V089) de água de alimentação está na posição de controle manual (Veja figura 2.6) PP rree pp aarraa çç ããoo dd oo SS ii ss ttee mmaa ppaa rraa aa OO pp eerraa çç ããoo 1 – Checar se as manobras, indicadas pelas linhas de cor laranja, estão feitas corretamente de acordo com as figuras 2.5 e 2.6; 2 – Colocarem operação a bomba de alimentação Auxiliar. Em condições de acendimento e de baixa carga, deve-se usar a bomba elétrica de alimentação auxiliar. a – Ligar a bomba no local. b – Abrir a válvula de descarga 14V072 da bomba auxiliar (veja figura 2.6). c – Abrir a válvula de suspiro de ar 14V037 do aquecedor da água de alimentação e deixá-la assim até todo o ar ter sido expulso (ver figura 2.5). O sistema de alimentação estará, então, em funcionamento, fornecendo água de alimentação à caldeira N° 1. d – Mudar a posição da válvula de controle 14V089 da água de alimentação para "AUTO" (ver figura 2.6). 88 33 CC AADD 00 11 Figura 2.5 – Sistema de condensado e alimentação do navio N/M Maraú – Parte A. 84 Figura 2.6 – Sistema de condensado e alimentação do navio N/M Maraú – Parte B. OO pp ee rraa ççãã oo ddaa ss BB oo mm bbaa ss dd ee AAll ii mm ee nn tt aaçç ãã oo PPrr ii nn cc ii pp aa ll Durante períodos de alta demanda de vapor em que se usa apenas a caldeira para suprir vapor, deve-se usar as bombas elétricas de alimentação principal. Uma bomba é posta em funcionamento, e a outra é preparada pra ficar de reserva (modo "Standby"). 1 – Supondo-se que a bomba de alimentação auxiliar esteja em funcionamento, e que a bomba de alimentação principal n° 1 deva ser colocada em operação, ficando a nº 2 em reserva (modo standby), deve-se fazer o seguinte: 88 55 CC AADD 00 11 a – assegurar-se de que a água salgada de resfriamento está sendo fornecida aos resfriadores dos mancais das bombas de alimentação; b – assegurar-se de que as válvulas das figuras 2.5 e 2.6 ocupam as posições abertas de modo que as manobras indicadas pelas linhas de cor laranja sejam possíveis. 2 – Controle manual local a – Assegurar-se de que as válvulas dos interruptores de pressão e dos manômetros da aspiração e da descarga estão abertas em ambas as bombas. b – Colocar na posição de manual local o seletor das bombas de alimentação principal, situado no console do C.C.M c – Ligar a bomba n° 1 com o painel de partida local. d – Quando a bomba de alimentação principal estiver funcionando corretamente, deve-se parar a bomba de alimentação auxiliar e fechar a válvula de descarga 14V072 e a de aspiração 14V065. OOppeerraaççããoo ddaass BBoommbbaass ddee AAlliimmeennttaaççããoo PPrriinncciippaall BBoommbbeeaannddoo aattrraavvééss ddoo AAqquueecceeddoorr Quando as caldeiras principais e o economizador são usados juntos, ou seja, na limpeza de tanques, é preciso ter as bombas de circulação das caldeiras ligadas e passar a água de alimentação através do aquecedor. NOTA: Os desenhos a seguir fazem referência ao sistema de água de alimentação. Para essa configuração, faz-se a seguinte manobra (seguir linha laranja e marrom nas figuras 2.7 e 2.8). 86 Figura 2.7 – Operação através do aquecedor (navio N/M Maraú) – Parte A. 88 77 CC AADD 00 11 Figura 2.8 – Operação através do aquecedor (navio N/M Maraú) – Parte B. 22 .. 22 II NNSS TT RRUU MMEE NN TT OOSS MMEE DD IIDD OORR EESS EE SSEE NNSS OO RREE SS DDEE NN ÍÍVV EELL O controle de nível do tubulão superior se faz necessário, levando-se em conta os seguintes fatores: � a elevação do nível irá provocar “inundação” dos equipamentos de separação de umidade, causando arraste excessivo; 88 � a queda do nível poderá provocar perda de sirculação em alguns tubos, causando seu superaquecimento; � durante um aumento brusco na demanda de vapor de uma caldeira, ocorre a chamada “expansão” – súbita elevação do nível do tubulão causada pela intensa formação de vapor na massa líquida, devida à queda instantânea de pressão no tubulão. Já ocorrendo o oposto, a chamada “contração”, ocorre durante uma queda brusca na demanda de vapor. 22 .. 22 .. 11 II nndd ii ccaa ççãã oo dd ee nn íí vvee ll Indicador de nível: é um instrumento que indica visualmente o nível de água interno do gerador de vapor. Usualmente, a indicação de nível de água do tubulão superior é feita através de visores de vidro laterais, conectados ao tubulão superior da caldeira. Um arranjo típico desse tipo de instalação está mostrado na figura 2.9. Figura 2.9 – Visor de vidro para indicação de nível do tubulão. O nível do tubulão, mostrado no visor de vidro, poderá ser visto à distância, utilizando-se espelhos ou circuitos fechados de televisão. Embora o visor de vidro seja usualmente utilizado para visualização do nível do tubulão superior, esta indicação apresenta erros, conforme mostrado na figura anterior. Nesse tipo de instalação, o vapor existente no visor e em suas conexões é resfriado pela perda de calor para a atmosfera, e o condensado formado circula através do visor de vidro. Esse resfriamento faz com que a água existente no visor fique mais fria que a água existente no tubulão superior. Assim, a densidade da água no visor de vidro será maior, e o nível necessário (que é mostrado no visor de vidro) para balancear a coluna de água existente no tubulão superior será menor que o nível real do tubulão. Em caldeiras industriais típicas, o nível mostrado no visor de vidro fica dois a sete centímetros abaixo do nível de água existente no tubulão superior. A magnitude desse erro depende da diferença de densidade (função da pressão de operação da caldeira), da tubulação existente entre o tubulão e o visor de vidro e sua respectiva isolação, e da temperatura ambiente. A figura 2.11 é um corte de uma caldeira onde se distingue o tambor da unidade ao qual está ligado um corpo de nível com respectivo indicador de vidro, registros de nível e tubo de descarga. 88 99 CC AADD 00 11 Na técnica de instrumentação, o indicador de nível é denominado Level Glass (LG). Os indicadores podem ser de vidro circular, figura 2.11 ou prismático. Figura 2.10 – Corte da caldeira com respectivo indicador de nível. Figura 2.11 – Indicador de nível com vidro circular. Figura 2.12 – Visor de nível simples. Figura 2.13 – Visor de vidro refletido. É um sistema composto de válvulas de comunicação, dreno e corpo do indicador. As válvulas de comunicação e dreno possuem sistema de acionamento à distância, protegendo o operador para o caso de avaria no indicador. A colocação do corpo de nível deve coincidir com o nível interno da caldeira, fazendo com que o nível indicado na metade do vidro corresponda ao nível normal de operação da unidade. 90 Um corpo de nível deve ser diariamente testado. 22 .. 22 .. 22 MMee dd iiçç ãã oo ddee nn íí vvee ll Existem várias formas disponíveis de medição de nível de água, A medição de nível em caldeiras geralmente é feita, utilizando-se transmissor de pressão diferencial. A figura 2.14 mostra uma instalação típica de medição de nível, com transmissor de pressão diferencial. Nesse tipo de instalação, a tomada de baixa pressão do instrumento (L) é conectada na parte superior do tubulão e a de alta (H), na parte inferior. Nesse caso, o transmissor de pressão diferencial deverá ser equipado com kit de supressão, uma vez que haverá uma coluna de líquido aplicada na tomada de baixa pressão do instrumento. Para se evitar variação na altura dessa coluna, normalmente se utiliza um pote de selagem ou tee, localizado na parte superior da tomada de baixa pressão do transmissor. Figura 2.14 – Medição de nível com transmissor de pressão diferencial. Em razão da turbulência existente no tubulão superior e da localização dos tubos ascendentes e descendentes, o nível medido em pontos diferentes do tubulão será de fato diferente. Assim, em casos em que é instalado mais de um dispositivode medição de nível, os instrumentos poderão mostrar valores diferentes se não estiverem conectados nas mesmas tomadas. Outro ponto a se considerar, em alguns casos específicos, é que as densidades do vapor e da água, na temperatura de saturação, variam em função das variações de pressão. Por isso, o sinal de nível enviado pelo transmissor de pressão diferencial só será correto quando a caldeira estiver operando nas condições utilizadas para obtenção dos dados de calibração do instrumento. Caso necessário, o sinal do transmissor de nível poderá ser corrigido continuamente, em função das variações de pressão, de forma a se obter a medição corrigida de nível, em todas as condições de pressão da caldeira. 99 11 CC AADD 00 11 Na figura 2.15, o sinal de pressão é caracterizado no PY, e em seguida é enviado ao LY, onde o sinal de nível é corrigido em função das variações de pressão que venham a ocorrer no tubulão. O sinal de nível, corrigido em função das variações de pressão, é, então, enviado ao controlador de nível. Figura 2.15 – Correção do nível do tubulão em função das variações na pressão do vapor. Esse tipo de correção só será utilizado em caldeiras de grande porte. 22 .. 33 SS IISS TTEEMM AA DD EE CC OO NN TTRR OO LLEE DD EE NN ÍÍVVEE LL Quando a alimentação da água é assegurada pelo operador, a alimentação se faz manualmente. Há, porém, uma série de inconvenientes na alimentação manual: 11)) aalliimmeennttaaççããoo ddeessccoonnttiinnuuaa;; 22)) iinnttrroodduuççããoo eexxcceessssiivvaa ddee áágguuaa ppoorr pprreeccaauuççããoo eexxaaggeerraaddaa ddoo ooppeerraaddoorr eelleevvaannddoo oo nníívveell iinntteerrnnoo ddaa áágguuaa nnaa ccaallddeeiirraa ee aauummeennttaannddoo oo aarrrraassttee ddee áágguuaa nnoo vvaappoorr ee ttoorrnnaannddoo aa pprreessssããoo iirrrreegguullaarr;; 33)) aa qquueeddaa ddee nníívveell aaqquuéémm ddooss lliimmiitteess ppeerrmmiittiiddooss àà sseegguurraannççaa ddaa ccaallddeeiirraa,, ppoorr ddeessccuuiiddooss ddoo ooppeerraaddoorr.. A alimentação automática elimina de vez todos esses inconvenientes. O sistema também fornece sinal para alarme de nível e para desarme da válvula de corte de óleo combustível e da turbobomba de alimentação. Os transmissores de nível deverão ser localizados de modo a minimizar os efeitos do jogo da embarcação, ou o sistema deverá ser provido de sistema de retardo (cerca de 5 segundos) para evitar o desarme da caldeira em conseqüência do balanço do navio. Por norma, as caldeiras deverão dispor de dois sistemas independentes de alarme de nível baixo. 92 VV oo ccêê ss aa bbii aa ?? HH áá ii nnúú mmee rr aass cc oo nncc ee ppçç õõ eess dd ee aapp aa rr ee ll hh ooss cc oo nn tt rr oo ll aa ddoo rr eess aa uu tt oomm áá tt ii cc ooss ddee nn íí vv ee ll ,, aa ss aabb ee rr .. 22 .. 33 .. 11 CC oo nn tt rr oo ll ee dd ee nn íí vvee ll cc oo mm ee ll ee tt rr oo dd ooss O princípio baseia-se na condutividade elétrica da água (figura 2.16). Introduzem-se três eletrodos de aço inoxidável, isolados do corpo da caldeira, na altura do nível de água interno de forma que um deles permaneça sempre mergulhado, o segundo comandanda o nível mínimo e o terceiro o nível máximo. Se o nível de água baixar aquém do segundo eletrodo, um sistema de comando amplificador liga a bomba de alimentação eletricamente. Quando o nível de água atingir o terceiro eletrodo, a bomba desliga-se e interrompe a alimentação. Na eventualidade de o sistema de comando que dá a ordem de ligar a bomba, para iniciar o alimentador, falhar, e o nível interno na caldeira continuar baixando, há o primeiro eletrodo de segurança. Basta o nível baixar aquém desse eletrodo, imediatamente ouve-se um alarme de advertência de falta de água solicitando providências. O processo de controle é extremamente exato e bom, exigindo, porém, manutenção perfeita para assegurar o bom isolamento dos eletrodos. Figura 2.16 – Controle de nível com eletrodos. 22 .. 33 .. 22 CC oo nn tt rr oo ll ee dd ee nn íí vvee ll cc oo mm bbóó ii aass É um sistema largamente difundido e existe uma série de concepções. A figura 2.17 apresenta dois sistemas, um dos quais denominamos magnetrol, de ótimo funcionamento. 99 33 CC AADD 00 11 Figura 2.17 – Magnetrol. 22 .. 33 .. 33 CC oo nn tt rr oo ll ee dd ee nn íí vvee ll tt ii pp oo ccoo pp ee ss O regulador Copes regula a admissão de água de alimentação numa caldeira. Inteiramente automático, esse regulador exige apenas a atenção que merece uma coluna de nível de água. É extremamente simples, sem peças escondidas ou complicadas. É de construção reforçada para suportar o serviço na sala das caldeiras. É absolutamente seguro. Sua provável duração é de 15 a 20 anos. O regulador é instalado fora da caldeira, sendo sempre fácil a sua inspeção. Além disso, o braço da válvula com o peso indica a abertura exata da válvula, de modo que o encarregado pode verificar rapidamente como o regulador está funcionando. A despesa de manutenção é irrisória (figura 2.18). Figura 2.18 – Controle de nível tipo COPES. O elemento atuante é um tubo de expansão termostático dentro do qual o nível de água sobe e desce, acompanhando o nível de água dentro da caldeira. A expansão ou a contração desse tubo depende da proporção entre vapor e água no tubo. O elemento de controle é constituído por uma válvula equilibrada com precisão e praticamente isenta de fricção. Normalmente, uma haste rígida liga o termostato à válvula. O tubo termostático é ligado à caldeira, comunicando-se com a câmara de vapor e com o nível inferior de água. No seu interior, portanto, há água e vapor. Em virtude da irradiação de 94 calor, a temperatura da água no tubo termostático fica inferior à temperatura do vapor. É esta diferença de temperatura que assegura o funcionamento do aparelho. À medida que desce o nível de água na caldeira, maior quantidade de vapor penetra no tubo. O tubo assim se aquece e é obrigado a se expandir. À medida que sobe o nível de água na caldeira, maior quantidade de água penetra no tubo e este, ficando mais frio, é obrigado a se contrair. Esse movimento de expansão e contração do tubo transforma todas as flutuações do nível de água em força de considerável potência para movimentar a válvula de controle de alimentação. Essa força é instantânea e exata, e a válvula também responde instantânea e exatamente. O nível normal de água na caldeira poderá ser elevado ou baixado à vontade, dentro de limites razoáveis, rápida e facilmente, sem necessidade de paralisar a caldeira. Uma porca de regulagem, Iocalizada na extremidade do tubo, pode ser girada para proporcionar o nível desejado com a caldeira em funcionamento. Um amortecedor protege o regulador contra esforços bruscos quando a válvula está fechada e o tubo de expansão está contraído. Em geral, é instalado na ligação entre o termostato e o braço da válvula. Trata-se de um sistema completamente mecânico e muito eficiente. Sua aplicação não tem limites de pressão e capacidade. Entretanto, presta-se mais para unidades geradoras com produção superior a 6 T de vapor por hora. Os aparelhos anteriores oferecem mais vantagens quanto a compacticidade e inversão. 22 .. 33 .. 44 CC oo nn tt rr oo ll ee dd ee nn íí vvee ll aa uu tt oo -- oopp ee rraa dd oo oo uu ttee rr mmoo hh ii ddrr ááuu ll ii cc oo A maioria das caldeiras de pequeno porte e de baixa pressão de operação é vendida totalmente montada, inclusive com o sistema de controle. O controle de nível normalmente empregado nestes casos é o controle de nível auto-operado. Um controlador desse tipo obtémtoda a energia necessária ao seu funcionamento do próprio meio controlado, ou seja, igualmente automático. Baseia-se no efeito da dilatação e contração de água colocada em contato com uma câmara onde oscila o nível de água. Figura 2.19 – Controle de nível auto-operado. 99 55 CC AADD 00 11 O controle de nível auto-operado, normalmente utilizado em caldeiras, está mostrado na figura 55. Esse sistema, conhecido como controle de nível termohidráulico, é acionado por um sistema hidráulico fechado. O sistema hidráulico consiste no espaço anular existente entre o tubo interno e o tubo externo do gerador, o tubo de conexão, o fole da válvula reguladora e a água necessária para encher todo o sistema. Figura 2.20 – Controle de nível termo hidráulico auto-operado. O tubo interno do gerador é conectado ao tubulão de vapor da caldeira; a extremidade inferior do tubo interno é conectada com a região contendo água e a extremidade superior com a região contendo vapor. O nível de água no tubo interno do gerador acompanha o nível do tubulão. Quando o nível do tubulão diminui, o vapor passa a ocupar uma parte maior do tubo interno, o calor adicional fornecido pelo aumento da quantidade de vapor no tubo interno do gerador faz com que a água do tubo externo "flasheie". O "flasheamento" da água faz com que aumente a pressão do sistema hidráulico e o fole da válvula reguladora se expanda. A expansão do fole aumenta a abertura da válvula reguladora e se admite mais água no tubulão. Se o nível subir, ocorrerá o inverso, pois a água ocupará uma parte maior do tubo interno do gerador. No controle de nível termo-hidráulico, a entrada de água é controlada em função do nível do tubulão, não em função da carga da caldeira. Conseqüentemente, o nível mantido em cargas altas será menor que o mantido em cargas baixas. O valor da variação do nível será função da extensão da variação da carga, do tamanho da válvula reguladora e da inclinação do gerador. Nesse tipo de controle, o nível será influenciado pelas variações da pressão do tubulão e da água de alimentação. Será influenciado, também, pela extensão dos efeitos de expansão e contração que venham a ocorrer no nível do tubulão. 96 Como esse tipo de malha tem muitas limitações, sua utilização é restrita a caldeiras de pequeno porte e de baixa pressão de operação. Nos casos de caldeiras de maior porte e de alta pressão de operação, são utilizadas malhas de controle de nível com acionamento pneumático ou eletrônico, com relativa complexidade funcional. 22 .. 44 FFUU NN CCII OO NN AAMM EE NN TT OO DD OO AAQQ UU EE CCEE DD OORR DDEE ÁÁ GG UU AA DD EE AALL II MM EE NN TT AAÇÇ Ãà OO O aquecimento da água de alimentação, próxima da temperatura de saturação, pode ser obtido, ou aproveitando-se o calor dos gases da combustão ao chegarem à base da chaminé, ou o vapor que em geral é descarregado pelas auxiliares (aquecimento de tanques de carga e aquecedores que contêm óleo combustível, óleo lubrificante e água doce). O denominado EEmm eemmbbaarrccaaççõõeess eemm qquuee aa pprrooppuullssããoo éé ggeerraaddoo ppoorr ttuurrbbiinnaass aa vvaappoorr,, hháá aaqquueecceeddoorreess qquuee rreeaapprroovveeiittaamm ooss vvaappoorreess eexxttrraaííddooss ddee vváárriiooss ppoonnttooss ddaa ccaarrccaaççaa ttuurrbbiinnaa ((ssaannggrriiaass)) ee ccoonndduuzziiddoo ppoorr ttuubbooss aattéé ooss cciilliinnddrrooss ddee aaççoo qquuee ffoorrmmaamm cc ddee vváárriiooss aaqquueecceeddoorreess ddaa áágguuaa ddee aalliimmeennttaaççããoo.. OO vvaappoorr eexxttrraaííddoo ddaa ttuurrbbiinnaa uuttiilliizzaaddoo ppaarraa aaqquueecceerr aa áágguuaa ddee aalliimmeennttaaççããoo qquuee fflluuii aattrraavvééss ddoo iinntteerriioorr ddooss ttuubbooss.. AAoo aaqquueecceerr aa áágguuaa ddee aalliimmeennttaaççããoo,, oo vvaappoorr ccoonnddeennssaa nnoo eexxtteerriioorr ddooss ttuubbooss.. ccoonnddeennssaaddoo ffoorrmmaaddoo éé ggeerraallmmeennttee ddrreennaaddoo ddoo aaqquueecceeddoorr ddee áágguuaa ddee aalliimmeennttaaççããoo ddee pprreessssããoo mmaaiiss aallttaa ppaarraa oo ddee pprreessssããoo mmaaiiss bbaaiixxaa,, ee aassssiimm ssuucceessssiivvaammeennttee ee ddee vvoollttaa ppaarraa oo ppooççoo qquueennttee ddoo ccoonnddeennssaaddoorr.. Os aquecedores de alimentação são aparelhos nos quais a água destinada à alimentação das caldeiras é aquecida ao contato direto ou indireto do vapor. Esses equipamentos às vezes não são instalados em unidades que operam a baixas pressões e utilizam combustíveis baratos ou residuais. Os aquecedores de contato direto são conhecidos como aquecedores de mistura ou do tipo aberto. Os de contato indireto são chamados de superfície ou do tipo fechado. As principais vantagens que decorrem do emprego dos aquecedores são as seguintes: � aumenta o rendimento termodinâmico do ciclo, minimizando o consumo de combustível (economia); � uniformiza a pressão no interior do tubulão superior; � evita possíveis tensões nos metais da própria estrutura da caldeira, pois a alimentação com água já aquecida atenuará esses inconvenientes; � o aquecimento tem uma ação desarejante, removendo considerável proporção de oxigênio livre na água, fator importante no processo da corrosão da caldeira. 99 77 CC AADD 00 11 Como vimos, os aquecedores podem ser aquecidos por: � vapor; � gases de combustão de algum equipamento. Exemplo: MCP e gás da própria caldeira. 22 .. 44 .. 11 AAqq uu ee cc ee dd oorr eess aa qq uu eecc ii dd ooss pp oo rr vvaa pp oorr Subdividem-se em: 22 .. 44 .. 11 .. 11 AAqq uueecc eedd oo rreess ddee mmii ss ttuu rraa oouu cc oo nn tt aa tt oo dd ii rr ee tt oo oouu tt ii pp oo aabb eerr tt oo Os aquecedores desse tipo são essencialmente de baixa pressão; ficam Iocalizados na aspiração da bomba de alimentação e, por isso, devem estar a uma certa altura acima da aspiração da bomba para que a carga hidrostática impeça a água de se vaporizar no corpo da bomba em virtude do vácuo formado, fazendo com que ela perca a aspiração. O princípio desses aquecedores é fazer a água de alimentação passar de cima para baixo através de diafragmas metálicos, entre os quais penetra o vapor de descarga, o qual se condensa e se mistura com a água. A temperatura máxima da água de alimentação é ligeiramente superior a 100°C. Um aquecedor muito empregado é o Weir, que, além de aquecer a água de alimentação, regula automaticamente a entrada desse liquido na caldeira. O aquecedor Weir (figura 2.21) é constituído de um vaso cilíndrico, disposto verticalmente. Ele tem internamente na sua parte central uma peça cilíndrica, convenientemente perfurada e fixada de modo a deixar entre ela e o corpo do aparelho o espaço destinado a receber o vapor de descarga das máquinas, admitido por uma válvula própria. Na parte superior dessa peça denominado misturador, encontra-se o difusor d’água, cônico e perfurado. A água chega ao aquecedor por cima, mandada por uma bomba especial, que a comprime convenientemente, forçando-a a abrir uma válvula, que se mantém fechada pela ação de uma mola; atravessando o difusor, a água se subdivide em pequenas gotas e apresenta ao vapor a maior superfície possível, aquecendo-se rapidamente em contado com ele. Figura 2.21 – Aquecedor Weir. 98 A pressão no aquecedor é menor do que a da água que aí penetra. Essa diferença de pressões e o aquecimento brusco da água determinam um desprendimento considerável do ar diluído na água, que uma vez libertado escapa-se para o condensador ou para a atmosfera passando por válvulas especiais, que a figura nos mostra na partesuperior do aparelho. No fundo do aquecedor encontra-se um flutuador, equilibrado por um contrapeso, fixado em uma alavanca que transmite, por meio de uma barra, os deslocamentos verticais do flutuador a uma válvula que regula a passagem do vapor destinado ao funcionamento da bomba de alimentação, cuja aspiração se faz no fundo do aparelho. O peso do flutuador está calculado para que o sistema esteja em equilíbrio quando o mesmo estiver mergulhado a meio. Se o nível desce, a válvula reduz ou interrompe a passagem do vapor, diminuindo a velocidade da bomba ou parando-a. Se o nível sobe, a bomba aumenta de velocidade. Com este arranjo o aquecedor funciona indiretamente como um regulador automático de alimentação. Se não houver perdas de água, o nível da caldeira será mantido constante desde que o do aquecedor o seja. Havendo perdas será feito o suplemento. AAqq uu ee cc ee dd oo rr eess DD eess aarr ee jjaa nn ttee ss Estes aquecedores constituem um desenvolvimento dos aquecedores de mistura nos quais a eliminação do oxigênio em dissolução é praticamente completa por trabalharem à temperatura de saturação correspondente à sua pressão. Embora de contato direto, este aquecedor não é mais, a rigor, do tipo aberto. Combinado com o aquecedor existe um pequeno condensador especial, situado na parte superior da carcaça, no qual o ar e gases são expelidos para a atmosfera através de um respiro. A água é aquecida de forma a atingir temperatura muito próxima, da correspondente à pressão de saturação do vapor existente no tanque. O vapor para aquecimento e desarejamento da água, necessário ao tanque, é proveniente da rede de descarga das auxiliares. O suplemento de alimentação e o condensado passam primeiro no condensador do tanque e deste vão ter à câmara inicial de aquecimento através de um grupo de válvulas tipo "Borrifo" que abrem pela pressão da água, vencendo a tensão das molas de que são equipadas. Desta câmara de aquecimento inicial; a água escoa por gravidade para a câmara de desarejamento, de onde é fortemente ejetada pelo vapor que entra, cai na câmara de depósito do tanque de onde é aspirada pela bomba de recalque. Vejamos agora o funcionamento do tanque. A entrada da água para o tanque é mostrada em A, na figura 2.22. A água passa no condensador do tanque através do feixe tubular, constituído de tubos em U de pequena espessura, que constituem a superfície de troca de calor entre o vapor existente na câmara do condensador e a água de alimentação. 99 99 CC AADD 00 11 Figura 2.22 – Aquecedor desarejante. A água absorvendo o calor contido no vapor, provoca sua condensação, e os gases, tal como oxigênio, não condensável nas condições de pressão e temperatura reinantes, são removidos, saindo pelo respiro com uma mínima perda de vapor. Do condensador, a água vai para a câmara B, das válvulas de "Borrifo", que vencendo a tensão das molas destas válvulas é finamente subdividida, e em forma de borrifo é descarregada para a câmara M em contacto direto com o vapor, onde se aquece até uma temperatura próxima da temperatura do vapor. Devido a este processo de aquecimento e escoamento direcional da água, nesta câmara, o oxigênio e outros gases não condensáveis, são libertados. A água em forma de borrifo cai então no cone coletor C, onde mais um estágio de aquecimento tem lugar em vista do efeito de camisa de vapor da câmara D. A água é drenada do cone coletor C para a câmara F, através da canalização D, donde pela ação de ejeção do vapor que passa em H, é arrastada, em agitação, para a câmara de mistura G, com movimento ascensional. 100 A mistura vapor e água, com alta velocidade impressa pela ação de ejeção do vapor, ao deixar a câmara G, pela abertura J, é defletida pelo diafragma K para a seção do tanque que serve como reservatório. Somente uma pequena parte do vapor se condensa na câmara de mistura G, visto a água, nesta câmara, estar virtualmente na temperatura de saturação de vapor. Isto contribui para que toda a massa do vapor em escoamento transmita suficiente velocidade à água, subdividindo-a em diminutas partículas, promovendo assim a remoção final do oxigênio e de outros gases não condensáveis. Em virtude da água deixar a câmara G pela abertura J, existe uma certa intermitência, que contribui para agitar a água, facilitando ainda a remoção de gases, antes da água ser defletida pelo diafragma K. O vapor, para continuar o seu curso ascendente, tem de passar pela lâmina d'água L, e em vista disto, arrasta consigo os gases não condensáveis, evitando assim, a sua acumulação acima da água desarejada, existente no reservatório do tanque. O vapor e os gases não condensáveis, em seu percurso para a parte superior do tanque,entram na câmara de "Borrifo" M quebrando a fina lâmina d'água N, onde o aquecimento e desarejamento ocorrem conforme já descrito. Parte do vapor é condensado depois de entrar na câmara M, e a parte restante não condensada, passa através da lâmina P para o condensador. No condensador então, nova condensação ocorre, e somente uma pequena parcela de vapor, escapa pelo respiro, com os gases não condensáveis. O vapor que se condensa, na câmara do condensador, volta à câmara M através do condutor de dreno Q. O nível d'água no tanque varia de acordo com o consumo de vapor exigido. Existindo no sistema de alimentação, a quantidade d'água necessária, o nível do tanque varia diretamente com a produção de vapor da caldeira, isto é, com grande produção de vapor, o tanque funcionará com nível alto, e em pequena produção, o nível será baixo. O nível de trabalho no tanque, depende inteiramente das oscilações da capacidade do sistema de alimentação, que por sua vez, é função das variações dos regimes de marcha. 22..44 ..11 ..22 AAqquueecc eeddoorreess ddee SSuuppeerr ff íí cc iiee oouu CCoonnttaa ttoo IInndd ii rree ttoo oouu TT iippoo FFeecc hhaaddoo Os aquecedores do tipo fechado podem ser de baixa ou de alta pressão. Qualquer que seja o tipo consiste em um aparelho no qual a água atravessando pelo interior de tubos ou serpentinas recebe, por condução, o calor do vapor que os envolve. Há entretanto diferenças fundamentais nos requisitos de resistência que se exigem para cada tipo, visto que, um deles vai suportar pressões insignificantes ao passo que o outro, colocado entre a descarga da bomba e a válvula de retenção, vai ser sujeito a uma pressão superior à da caldeira. 11 00 11 CC AADD 00 11 O desenvolvimento do emprego dos aquecedores de superfície foi originalmente conseqüência da contaminação, pelo óleo, do vapor das descargas, o qual não era portanto satisfatório para se misturar com a água de alimentação. O vapor de aquecimento deve transferir à água de alimentação, no aquecedor, apenas todo o seu calor latente. Para evitar que o vapor escoe livremente pela drenagem, sem deixar todo este calor aproveitável, deve ser mantido, na parte mais baixa do aquecedor, um selo de água. Este selo d'água pode ser obtido por meio de um purgador automático, ou mesmo por um indicador de nível e válvula para controlar a drenagem. Há uma grande diversidade de aquecedores do tipo fechado, com variantes em sua forma e detalhes de construção, mas podem ser grupados da seguinte maneira: a) Tubos retos; b) Tubos em U; c) Tubos em serpentina. Deve, entretanto, ser salientado que, tratando-se de aquecedores de alta pressão, há necessidade de que sejam construídos com grandes resistências e se tem observado muitas dificuldades em obter juntas estanques. Deve-se por isto manter as juntas em boas condições, e empregar somente material da melhor qualidade. NNooss aaqquueecceeddoorreess ddee ttuubbooss rreettooss,, eesstteess ssããoo ccrraavvaaddooss eemm eessppeellhhoossooppoossttooss:: oo qquuee aaccaarrrreettaa aa nneecceessssiiddaaddee ddee jjuunnttaa ddee eexxppaannssããoo nnoo ccoorrppoo ddoo aaqquueecceeddoorr ppaarraa ppeerrmmiittiirr aa ddiillaattaaççããoo.. EEsstteess aaqquueecceeddoorreess ssããoo ffiixxaaddooss ddee mmooddoo qquuee uumm ddooss eexxttrreemmooss ffiiqquuee lliivvrree.. AAqq uu ee cc ee dd oo rr eess ddee ttuu bb oo ss rree tt ooss A figura 2.23 mostra um aquecedor de tubos retos, de um só fluxo, devendo ser observado que a água percorre o interior dos tubos que são presos aos espelhos. Figura 2.23 – Aquecedor de tubo reto. 102 O vapor de aquecimento envolve os tubos, transmite o seu calor latente à água, condensa-se, e é drenado para os tanques de alimentação. Nos aquecedores de tubos retos é comum o emprego de retardadores, chapas de latão torcidas em espirai, que se estendem em toda a extensão do tubo; com este dispositivo consegue-se aumentar o tempo de percurso da água pelo interior dos tubos. Com o fim de melhorar o coeficiente de transmissão de calor usam-se aquecedores em que a água percorre o interior dos tubos (exemplo: 6 passes), mudando de sentido várias vezes. Os tubos, os espelhos e as carcaças possuem todo um projeto e materiais especiais para auxiliar ainda mais no incremento de temperatura da água de alimentação. AAqq uu ee cc ee dd oo rr eess ddee ttuu bb oo ss ee mm UU Neste tipo de aquecedor, do qual não será dado detalhes, os tubos são curvos de modo que as suas extremidades se prendem no mesmo espelho. Do lado do espelho existem dois compartimentos separados por um diafragma. Num deles ocorre a entrada da água de alimentação e no outro a canalização de saída. Os tubos podem se dilatar livremente, visto serem cravados em um só espelho. AAqq uu ee cc ee dd oo rr eess ddee ttuu bb oo ss ee mm ssee rrpp ee nn tt ii nnaa ss A figura 2.24 mostra um aquecedor de tubos em serpentina. As diversas serpentinas estão ligadas a dois coletores. Por um dos coletores (o inferior) entra a água de alimentação que passa através das serpentinas para o outro coletor, onde sai aquecida. Figura 2.24 – Aquecedor de tubos em serpentina. 11 00 33 CC AADD 00 11 O vapor de aquecimento entra pela parte superior da carcaça, envolve as serpentinas e é drenado na parte inferior. A carcaça do aquecedor é de chapa de aço e as serpentinas são de cobre. A principal vantagem desse aquecedor é dispensar o engaxetamento dos tubos (cuja estanqueidade em outros aquecedores é difícil manter). As serpentinas são ligadas aos coletores por meio de porcas especiais que comprimem as extremidades alargadas dos tubos. 22..44 ..22 CCaallddee ii rraass ddee rreeccuuppeerraaççããoo oouu eeccoonnoommiizz aaddoorreess O economizador é constituído de feixe tubulares, unindo suas extremidades a coletores de entrada e saída. A água de alimentação circula pelo interior dos tubos, absorve o calor dos gases de combustão de algum equipamento, exemplo: MCP, gás da própria caldeira. Existem grandes superfícies de troca térmica devido à baixa temperatura dos gases e ao seu baixo coeficiente de película. Para saber mais consulte o item 1.9.2. 22 .. 55 TT IIRR AAGG EE MM A operação continua de uma caldeira exige o adequado suprimento de ar para combustão. Tiragem é o processo que garante a introdução do ar na fornalha e a circulação dos gases da combustão através de todo gerador de vapor, até a saída para a atmosfera. O circuito, por vezes complexo, oferece apreciáveis resistências ao escoamento dos fluidos gasosos. A tiragem se obtém por métodos naturais, chaminés ou por processos mecânicos. A tiragem deve vencer todas as perdas de carga oferecidas pelo circuito, garantindo um fluxo contínuo dos gases da combustão pelos canais formados pelo invólucro do gerador, tubulações e chicanas. A tiragem é medida em milímetros de coluna de água. (mmH2O). É o valor da perda de carga que decide quais dos processos devem ser aplicados. Para compreendermos o conceito de tiragem, vamos nos basear em um modelo hipotético, composto de uma chaminé metálica, suportada sobre uma estrutura aérea, dispondo de uma resistência elétrica que mantém aquecido o ar contido no seu interior. 104 Figura 2.25 – Chaminé. Como a chaminé é aberta, a pressão interna no ponto A é igual à pressão externa no ponto A'. Assim: p(A) = p(A') A pressão no ponto B será igual à pressão no ponto A, mais o peso da coluna de ar quente, situada entre A e B. Digamos que essa coluna de ar quente corresponda a 10 mm H20. Assim: p(B) = 10300 + 10 = 10310 mm H2O A pressão no ponto B´ será igual à pressão no ponto A', mais o peso da coluna de ar frio, situada entre A’ e B'. O peso dessa coluna deverá corresponder a mais do que os 10 mm H2O da coluna AB, pois o ar frio é mais pesado que o ar quente. Digamos, então, que essa coluna de ar frio entre A’ e B’ corresponda a 15 mm H20. Assim: p(B') = 10300 + 15 = 10315 mm H2O Da mesma forma: p(C) = p(B) + peso da coluna BC ∴∴∴∴ p(C) = 10310 + 10 = 10320 mm H2O E também: p(C') = p(B') + peso da coluna B'C’ p(C') = 10315 + 15 = 10330 mm H2O Observamos que, em todos os pontos da chaminé, situados à mesma elevação, a pressão interna é sempre menor que a pressão externa. Assim, se abrirmos um pequeno orifício na chapa que tampa o fundo da chaminé, estaremos comunicando um ponto de maior pressão, p(C'), com um ponto de menor pressão, p(C), estabelecendo um fluxo de ar continuamente para dentro da chaminé. Assim sendo, chamamos TIRAGEM à diferença de pressão existente entre um ponto situado no interior de uma chaminé e um ponto externo a ela, situado na mesma cota. 11 00 55 CC AADD 00 11 22 .. 55 .. 11 CCll aass ss ii ff ii ccaa ççãã oo dd oo ss pp rroo cc eess ss ooss ddee tt ii rraa gg ee mm A classificação dos processos de tiragem é feita de acordo com o tipo de aparelho que assegura a tiragem. As caldeiras classificam-se da seguinte forma: a) tiragem natural; b) tiragem mecânica. E como já vimos, a perda de carga é que decide sobre a aplicação de cada um destes tipos. Caldeiras com perda de carga total até 35 mm H2O admitem a tiragem natural com o emprego de chaminés. Daí para frente utilizam-se meios mecânicos. 22 .. 55 .. 11 .. 11 TT ii rr aagg eemm nn aa tt uu rraa ll (( CChh aammii nn ééss )) As chaminés promovem a tiragem graças à diferença de pressões existente entre suas bases e seus topos, provocada pela diferença de temperatura dos gases. Nesse caso, o fluxo é causado somente pela diferença de densidade entre os gases quentes e o ar, conforme descrito acima (Figura 2.25). Assim, como os gases no interior da caldeira possuem menor densidade que o ar exterior, cria-se uma depressão na entrada da fornalha, responsável pelo suprimento de ar. Esta depressão cresce à medida que aumentam a temperatura dos gases e a altura da chaminé. O fluxo de ar se estabiliza quando há equilíbrio entre a depressão na entrada da fornalha e a perda de carga dos gases através da caldeira. A preocupação com a obtenção de maiores eficiências exige a instalação de superfícies adicionais de troca de calor, com conseqüente aumento da perda de carga, tornando-se antieconômico o emprego de caldeiras com tiragem natural, devido à altura de chaminé que necessária. A altura e o diâmetro das chaminés dependem: a) do volume dos gases da combustão; b) da velocidade dos gases. Adota-se 4 a 6 m/s; c) da perda de carga a vencer em todo o sistema, inclusive a da própria chaminé; d) da temperatura média dos gases da base e do topo; e) da pressão barométrica ou altitude dolocal. Os valores da pressão barométrica em função da altitude são dados na tabela a seguir: 106 Altitude (m) Pressão (mm C.A.) Pesos específicos do ar �� � � � ��� 3m kg 0 760 1.293 100 750 1.286 200 741 1.261 300 732 1.244 400 723 1.229 500 715 1.216 600 705 1.198 700 696 1.183 800 688 1.168 900 679 1.154 1000 671 1.138 Caldeiras em tiragem natural não podem receber queimadores de alta intensidade, devido ao alto ∆ p (diferencial de pressão) requerido no ar. A tiragem natural foi bastante utilizada no passado, quando a carência de tecnologia não permitia a construção de caldeiras mais eficientes. 22 .. 55 .. 11 .. 22 TT ii rr aagg eemm MM eecc ââ nn ii cc aa Quando as perdas de carga ultrapassam certos valores (acima de 35 mm H2O), torna-se anti-econômico o emprego de tiragem natural. Normalmente a tiragem mecânica é assegurada por meio de ventiladores. As concepções modernas dos geradores de vapor, mesmo pequenos, recorrem ao emprego dos ventiladores, devido ao aumento das velocidades dos gases, para obtenção de maiores coeficientes de transmissão de calor. A esses aumentos de velocidade correspondem perdas de carga de 100 até 300 mm H2O. A figura 2.26 mostra uma caldeira com capacidade de produzir apenas 1000 kg de vapor por hora. No entanto, o ventilador responsável pela tiragem tem pressão de 200 mm H 2O. 11 00 77 CC AADD 00 11 Figura 2.26 – Tiragem. Podemos dividir a tiragem mecânica em: � � TT ii rraa gg ee mm II nndd uuzz ii ddaa O impasse encontrado na tiragem natural pode ser resolvido pelo uso de um ventilador de tiragem induzida, colocado na saída da caldeira, o qual absorve todas as perdas de carga do sistema. Nota-se que o uso deste ventilador garante que a caldeira opere sempre com pressões negativas, isto é, abaixo da pressão atmosférica. Essa preocupação prende-se ao fato de que, havendo pressão negativa, qualquer vazamento do invólucro tende a infiltrar ar, enquanto a existência de pressão positiva provocaria o vazamento de gases para o exterior com corrosão do invólucro e contaminação da área. Por outro lado, à medida que cresce a perda de carga no circuito de gases, cresce a depressão na fornalha, aumentando a infiltração de ar, provocando altas perdas por elevação do excesso de ar. � � TT ii rraa gg ee mm FF oorr ççaa dd aa Consiste no uso de um ventilador, situado à montante da caldeira (figura 2.26), tendo-se, por conseguinte, pressão positiva na fornalha. Neste caso, qualquer vazamento de gás provoca condensação sobre o invólucro externo, causando corrosão, razão por que o emprego de tiragem forçada só é possível quando a fornalha possui construção estanque. As principais vantagens da tiragem forçada, em relação à tiragem induzida, são: � menor potência de acionamento do ventilador, já que trabalha com vazão e temperatura menores; � utilização de aço carbono comum na construção do ventilador, já que não há risco de corrosão. As vantagens decorrentes da redução da potência necessária, aliada à simplicidade de usar apenas um ventilador, geralmente, compensam nas instalações de pequeno e médio porte, as complicações decorrentes de uma construção estanque. 108 � � TT ii rraa gg ee mm BBaa llaa nn ccee aa ddaa Consiste em distribuir a energia necessária para vencer a perda de carga total dos circuitos de ar e de gases entre dois ventiladores (ventilador + exaustor), um situado antes e o outro situado após a caldeira, mantendo-se ligeiramente negativa a pressão na fornalha (Veja a figura 63). Esse tipo de tiragem toma-se atrativo, principalmente quando a caldeira possui pré- aquecedor de ar, o que eleva em muito a perda de carga no circuito, obrigando-nos a trabalhar com pressões elevadas na fornalha, caso optássemos por tiragem forçada; ou pressões muito negativas, caso optássemos por tiragem induzida. Figura 2.27 – Diagrama esquemático de uma caldeira com tiragem balanceada utilizando economizador e pré-aquecedor. 22 .. 66 DD AAMM PP EE RR SS A vazão de ar de um ventilador pode ser controlada, alterando-se a rotação do ventilador ou, no caso de ventilador que opera com velocidade constante, alterando-se uma das características do sistema de ventilação. Os sistemas de ventilação que operam com rotação variável são mais eficientes (controlam a vazão sem introduzir perda de carga no processo) e menos ruidosos, porém, em função do custo relativamente alto de implantação deste tipo de sistema, sua utilização tem se restringido a aplicações específicas / particulares. O alto custo de energia elétrica e a queda dos preços dos componentes eletrônicos, com conseqüente diminuição dos custos de implantação dos conversores de freqüência (variadores de velocidade dos motores elétricos), aumentaram a competitividade deste tipo de equipamento, viabilizando sua utilização em aplicações para controle da vazão do ar de combustão em caldeiras e diversos outros processos industriais. 11 00 99 CC AADD 00 11 Os sistemas de ventilação que operam com velocidade constante geralmente são baratos e simples, embora tendam a ser menos eficientes (controlam a vazão introduzindo perda de carga no processo), mais ruidosos e ter menos vida útil que os sistemas que operam com velocidade variável. Os sistemas com velocidade constante têm sido os mais utilizados em caldeiras. Neste caso, a vazão do ar pode ser controlada através de "DAMPERS" Iocalizados na saída ou na entrada do ventilador (figura 2.28). Figura 2.28 – Dampers. O damper de saída atua no ar de combustão, após sua passagem pelo ventilador, aumentando a resistência do sistema. Como resultado dessa atuação, ocorre um deslocamento do ponto de operação do ventilador ao longo de sua curva característica, fazendo com que o ventilador opere com maior pressão na sua descarga e haja menor volume de ar em sua saída. O damper de entrada atua no ar de combustão, antes de sua passagem pelo ventilador, fazendo uma rotação nesse ar, na mesma direção da rotação do ventilador. A adição dessa rotação afeta a característica do sistema, de forma semelhante às aplicações em que se varia a velocidade de rotação do ventilador. Como resultado dessa atuação, tem-se uma diminuição no volume de ar na saída do ventilador. Embora o damper de saída seja mais barato que o damper de entrada, este último é mais adequado para aplicações que tenham grandes variações de capacidade e é de manutenção mais fácil. Os dampers de entrada e de saída podem ser utilizados em conjunto, como forma de se obterem melhores características de controle. 110 22 .. 77 EE SS QQUU EEMM AATT II ZZ AAÇÇ Ãà OO EE FF UU NN CC II OO NN AAMM EE NN TT OO DD OO SS IISS TTEE MM AA DD EE ÓÓ LL EEOO CC OO MM BB UUSS TTÍÍ VVEE LL PP AARR AA CC AALL DD EE II RR AASS MM AARR ÍÍ TT II MM AASS Uma instalação moderna de máquinas, com caldeiras que queimam óleo combustível, possui uma aparelhagem completa para o serviço de óleo, tendo em vista sua armazenagem, condução e preparação para queima eficiente. Essa aparelhagem consta, além dos diversos tanques, de bombas, redes, válvulas, instrumentos de medida, aquecedores, filtros, purificadores e ralos, distribuídos pelos diversos sistemas a bordo. Se levarmos ainda em consideração as unidades de produção de petróleo Offshore, tais como FPSOs e plataformas, estas, além do óleo diesel, consomem gás natural proveniente da planta de produção, e possuem todo um arsenal de equipamentos e automação que possibilitam o controle de operação e segurança da instalação. Então, se for detectado vazamentode gás ou falha de operação não só no sistema da caldeira como também na planta de produção, o sistema de segurança da caldeira troca o consumo para o diesel, mantendo, assim, o equipamento operando. Neste trabalho, faremos referência ao sistema de óleo combustível encontrado no N/M Maraú, que pertenceu à PETROBRÁS. Lembramos que o princípio de funcionamento é similar em qualquer outra embarcação. Vamos supor que se tenha retirado o óleo combustível pesado do sistema antes de sua paralisação, e que todas as válvulas e machos estejam fechados. Consideraremos também que as bombas de queima de óleo combustível e o aquecedor de óleo combustível N° 1 devam ser postos em operação. 22 .. 77 .. 11 PPrree pp aarr aaçç ãã oo dd oo ss ii ss ttee mm aa pp aa rraa oo ppeerr aa ççãã oo cc oo mm óó llee oo dd ii eessee ll Verificar se: � Há óleo diesel no tanque de serviço de óleo diesel; � Há força elétrica para as bombas, válvulas solenóides, controles, etc. � Há ar comprimido para os controladores pneumáticos e as válvulas pneumáticas. Deve-se assegurar de que as válvulas adiante fiquem nas posições indicadas (abertas ou fechadas), possibilitando a manobra demonstrada pela linha azul. 11 11 11 CC AADD 00 11 Figura 2.29 – Sistema de óleo combustível da caldeira auxiliar (Parte A). 112 Figura 2.30 – Sistema de óleo combustível da caldeira auxiliar (Parte B) 11 11 33 CC AADD 00 11 Com a bomba de óleo combustível em funcionamento, deve-se regular a pressão de operação da válvula de controle 25V019 do retorno de óleo combustível (envolvida por um círculo laranja), a partir do controlador situado no painel de controle das caldeiras. 1 – Com o controlador na condição manual, ajustar o ponto de regulagem em 25 Kg/cm2. 2 – Mudar o controlador para a condição "AUTO". 22 .. 88 QQ UUEE IIMM AADD OO RR EE SS EE MMÉÉ TT OO DDOO SS DDEE AATT OO MM II ZZ AAÇÇ Ãà OO 22 .. 88 .. 11 QQ uu ee ii mm aa ddoo rree ss São equipamentos destinados a introduzir continuamente o combustível e o ar dentro da fornalha, conseguindo manter a combustão completa através de pequenos valores de excesso de ar. O queimador é formado principalmente de: � registro(s) de ar; � difusor ou impelidor; � maçarico(s). O maçarico é composto do corpo, com uma entrada para vapor-ar de atomização e a outra para o combustível. Na ponta do maçarico, temos o bico com a porca de aperto. Figura 2.31 – Queimador. O ar vindo da tiragem forçada é introduzido na fornalha e regulado pelos registros de ar. Parte desse ar passa através do difusor, onde adquire uma turbulência nas suas alhetas para facilitar a mistura ar/combustível. É necessário ter atenção por ocasião da troca de difusores pois temos difusores com fluxo para a direita ou para a esquerda. Podemos classificar o ar introduzido na fornalha como ar primário, que é misturado ao combustível antes da queima deste; e ar secundário, que o faz dentro da fornalha, completando a combustão e conformando a chama. Observar que a forma da chama é variada pelo volume de ar admitido no queimador, aumentando o comprimento da chama, à medida 114 que aumenta o volume do ar secundário. Os queimadores são projetados de tal maneira que devem dar uma forma à chama na fornalha de modo a evitar a incidência da mesma nos refratários, tubos e suportes. Quanto aos maçaricos, há diversos tipos, dos quais normalmente se usa, em caldeiras de refinarias ou unidades offshore de produção: � maçaricos para combustíveis gasosos; � maçaricos para combustíveis líquidos. O maçarico a gás é, em geral, um maçarico simples, porque o combustível é introduzido diretamente na fornalha, passando através de uma simples lança, sem qualquer “preparo”, isto é, sem necessidade de ser atomizado como combustíveis líquidos, por encontrar-se no estado gasoso. Estabelece-se apenas a proporção entre a mistura do combustível com o ar. Há dois tipos de maçaricos para combustíveis gasosos, os aspirantes (Premix) e os de queima direta. Nas caldeiras, usam-se os de queima direta com ar forçado, onde o gás é injetado diretamente na fornalha através de maçaricos com bicos que possuem furos de pequeno diâmetro. São queimadores com baixo nível de ruído. Normalmente, as chamas são longas, e requerem uma atenção maior quanto à sua operação, principalmente no que se refere a incidência de chama. Tanto em unidades offshore como na indústria são encontrados queimadores que utilizam o gás natural ou o óleo combustível ou ambos em conjunto. AA qquueeiimmaa ddee óólleeoo ccoommbbuussttíívveell oouu óólleeoo ddiieesseell ssee pprroocceessssaa nnaa ffaassee ggaassoossaa.. HHáá nneecceessssiiddaaddee ddee qquuee oo mmeessmmoo sseejjaa aattoommiizzaaddoo,, ffrraacciioonnaannddoo oo ccoommbbuussttíívveell eemm ggoottííccuullaass ffiinnaass ((1100 -- 1155 mmiiccrroonnss)) ffaacciilliittaannddoo aa vvaappoorriizzaaççããoo ccoomm oo ccaalloorr ddaa cchhaammaa ee oo ccoonnttaattoo ccoomm oo aarr ddee ccoommbbuussttããoo.. IImmppoorrttaannttee éé rreessssaallttaarr qquuee,, qquuaannttoo mmaaiiss ppeessaaddoo ffoorr oo óólleeoo ccoommbbuussttíívveell,, ttaannttoo mmeennoorr ddeevveerrããoo sseerr aass ggoottííccuullaass ppaarraa mmaanntteerr aa eeffiicciiêênncciiaa ddaa qquueeiimmaa.. 22 .. 88 .. 22 MMéé tt oo dd ooss ddee aa tt oo mmii zz aa ççãã oo A atomização pode ser: � mecânica. � a ar. � a vapor. Atomização mecânica: necessita de alta pressão e baixa viscosidade no bico do maçarico. Esta é um tipo de atomização obtido através de discos, copo rotativo, “sprays”. A atomização mecânica apresenta como desvantagem a necessidade de uma pressão de óleo mínima, o que resulta em uma faixa estreita de trabalho para o maçarico. A pressão máxima de trabalho do maçarico é calculada de modo que a chama não queime diretamente sobre o 11 11 55 CC AADD 00 11 fundo da fornalha. Já a pressão mínima deve ser aquela em que não haja risco de má pulverização e falha da chama com risco de apagamento da caldeira e retrocesso. A fim de melhorar a pulverização do óleo e aumentar o range (faixa de trabalho) de um maçarico, utilizaremos a atomização a vapor ou a ar. O ar é utilizado no início do acendimento da caldeira quando ainda não temos vapor disponível. O vapor apresenta as vantagens da temperatura que complementa o aquecimento do combustível e refrigera o bico do maçarico do calor na fornalha, reduzindo a quantidade de depósitos de carbono e mantendo o bico e pulverizadores limpos. Atomização a vapor – emprega o vapor como agente atomizador, necessita de menor pressão do óleo combustível e aceita trabalhar com óleos de maior viscosidade que na atomização mecânica. É necessário que o vapor atomizado esteja superaquecido e com uma pressão defasada do óleo, normalmente a uma pressão maior. A mistura do vapor com o óleo combustível ocorre através de uma câmara de mistura. A atomização a vapor, além de produzir partículas menores, mantém a temperatura do óleo na lança, ajudando a manter a viscosidade desejada. Atomização a ar – utiliza o ar como agente atomizador, o que é empregado em óleos combustíveis de baixa viscosidade. Os queimadores devem ter um bom desempenho, dentro de uma faixa de operação, para atender a grandes oscilações de vazão. A faixa operacional é expressa pela relação entre os pontos de vazão máxima e mínima do queimador. Os limites de vazão máximo e mínimo podem provocar afastamento da chama do bico do maçarico e retrocesso da chama, respectivamente. UUmm iimmppoorrttaannttee ccoommpplleemmeennttoo ddooss qquueeiimmaaddoorreessssããoo ooss bbllooccooss ddee rreeffrraattáárriioo,, qquuee cciirrccuullaamm nnaa ppaarrttee ppoosstteerriioorr ddoo qquueeiimmaaddoorr,, nnaa eennttrraaddaa ddaa ffoorrnnaallhhaa ddaa cchhaammaa.. AAss ddiimmeennssõõeess ddeessssaa rreeggiiããoo ddeevveemm sseerr vveerriiffiiccaaddaass ffrreeqquueenntteemmeennttee aattrraavvééss ddooss ppllaannooss ddoo eeqquuiippaammeennttoo.. EEsssseess bbllooccooss rreeffrraattáárriiooss aapprreesseennttaamm aass pprriinncciippaaiiss ffiinnaalliiddaaddeess:: 22 .. 88 .. 33 MMaa nn uu ttee nn ççãã oo ee mm uumm qq uuee iimm aa dd oo rr É necessária uma rotina de substituição e limpeza dos maçaricos, pois com o tempo de uso o bico do maçarico fica carbonizado, e a chama chega mesmo a falhar, por entupimento do bico. Durante a troca dos maçaricos, devemos calçar luvas de amianto, pois o maçarico sai quente do queimador. Na retirada do maçarico, temos no duto do queimador a queda de uma chapa que funciona como retenção, impedindo que a chama venha pelo duto. Por vezes, a retenção fica presa ou demora a cair, e a chama vem para fora, podendo queimar o rosto do operador desatento. 116 Durante a limpeza do bico, devemos ter atenção com o desgaste do orifício, pois com o tempo de uso devido à passagem de óleo, o orifício vai-se alargando, prejudicando a correta atomização. 22 .. 99 FF UUNN CC II OONN AAMM EE NN TT OO DD OO AAQQ UU EE CCEE DD OORR DDEE ÓÓ LL EE OO CC OO MMBB UUSSTT ÍÍ VVEE LL Os aquecedores são aparelhos nos quais é aquecido o óleo combustível à temperatura necessária para levá-lo à viscosidade em que deve ser pulverizado. Há vários tipos de aquecedores sendo geralmente usados no serviço os seguintes tipos: � Tubos retos; � Tubos curvos; � Tubos em U; � Tubos concêntricos; � Tubos concêntricos com alhetas; � Tubos serpentina. Eles são instalados na canalização de óleo combustível para as caldeiras na parte de descarga da bomba de serviço de óleo. A fonte de calor para o aquecimento do óleo é o vapor vivo. O vapor passa em volta dos tubos nos tipos de tubos retos, tubos em U e nos tubos em serpentina. O vapor passa pelo interior dos tubos internos e exteriormente dos tubos externos no tipo de tubos concêntricos. No tipo de tubos com alhetas o vapor passa através dos tubos internos que contém as alhetas existentes ao longo dos tubos e o óleo passa entre o tubo interno e externo, contornando as alhetas. Os tubos internos guarnecidos de alhetas são desmontáveis para limpeza mecânica. É preciso ter muito cuidado com o acúmulo de água no lado de vapor do aquecedor. Se for permitido que a água se acumule, resultará que a parte do tubo que a contiver, ficará inoperante, reduzindo desse modo a capacidade do aquecedor. Nos aquecedores fora de funcionamento (isolados), o acúmulo de água aumenta a corrosão, reduzindo desse modo a vida util do aparelho. Por esse motivo, é necessário que o aquecedor disponha dos indispensáveis acessórios de drenagem. Para impedir a perda de vapor, há na rede de drenagem um purgador automático. Os outros acessórios normalmente existentes, são os suspiros válvulas de escape, conexões para manômetros e termômetros, válvulas e canalização. 22 .. 1100 SS OOPP RR AADD OO RR EE SS DDEE FFUU LL II GGEE MM (( AAPP AARR EE LL HH OO SS DDEE RR AAMM OO NN AAGG EE MM )) Durante a operação normal da caldeira, verifica-se uma contínua formação de fuligem que se deposita nas superfícies dos tubos das caldeiras, resultante da queima de combustível. 11 11 77 CC AADD 00 11 A sua remoção se faz através de aparelhos denominados de ramonadores ou sopradores de fuligem. A palavra ramonagem é de origem francesa e significa “limpeza de chaminé” (ramonage). A fuligem atua como meio isolante, dificultando a troca de calor dos gases com a água e o vapor. A sua remoção periódica, tanto da zona de radiação como da zona de convecção, é condição importantíssima, não somente na performance da caldeira como na preservação de material desta, evitando a corrosão e a erosão. A freqüência periódica desta remoção depende das condições operacionais e da natureza do combustível. Os sopradores de fuligem podem ser classificados em: a) Manuais: são indicados para caldeiras flamatubulares. São constituídos por escovas de aço (figura 2.32). Abre-se a caldeira após esfriá-la e introduz-se a escova no interior dos tubos, removendo a fuligem. Figura 2.32 – Sopradores de fuligem estacionários. b) Limpadores de fuligem de esferas: também conhecido como “shot-cleaning” . A figura 69 apresenta uma das concepções. O limpador baseia-se na remoção da fuligem provocada pela queda de inúmeras esferas de aço. Projeta-se sobre o tubulão horizontal da caldeira inúmeras esferas intermitentemente. Estas esferas arrastam a fuligem para o separador inferior, onde depois de limpas são novamente encaminhadas para o distribuidor superior. Este sistema vem sendo aplicado mormente nos economizadores de tubos horizontais, assegurando uma perfeita limpeza do feixe. As esferas periodicamente devem ser substituídas porque sofrem grande desgaste. Figura 2.33 – Sopradores de fuligem estacionários. c) Estacionários e rotativos (para os tubos geradores): localizados nas zonas de convecção e outras áreas como os equipamentos recuperadores de calor, onde a temperatura dos gases sejam relativamente baixa. O jato de vapor dos ejetores limpam as superfícies de tubos, removendo a fuligem depositada. 118 Figura 2.34 – Sopradores de fuligem estacionários. Retráteis (para superaquecedores): localizados nas zonas de altas temperaturas de caldeiras, como na região dos superaquecedores de radiação. Os aparelhos devem girar lentamente em torno do seu eixo, separando com o seu jato a fuligem das paredes de tubos ao seu redor. São girados por acionamento elétrico ou turbina, atravessando a caldeira a uma velocidade que permita uma limpeza eficiente das superfícies dos tubos. Os retráteis, além da sua rotação, atuam com deslocamento longitudinal, introduzindo e extraindo o tubo soprador. Figura 2.35 – Sopradores de fuligem retráteis. Durante a ramonagem deve ser aumentada a velocidade dos gases dentro da fornalha, para permitir que a fuligem seja removida mais facilmente para a atmosfera. A caldeira deverá também estar com uma carga mínima, para evitar qualquer perturbação no percurso dos gases com o apagamento da chama ou ignição de mistura rica nos gases em algum ponto da caldeira. A seqüência operacional dos ramonadores deve obedecer ao fluxo de gases na caldeira e a sua operação poderá ser manual ou automática. Cuidados devem ser tomados durante a ramonagem com os aparelhos tipo retrátil, pois em caso de falha no movimento de acionamento, deixará a lança exposta no superaquecedor com evidente avaria. Por ocasião da ramonagem devemos ter atenção com o sentido do vento, pois o vento de popa certamente irá jogar fagulhas quentes no convés o que é extremamente perigoso. Normas de segurança existentes proíbem a ramonagem das caldeiras com os navios atracados nos terminais de petróleo e também normas de poluição a proíbem com o navio no porto, devido ao excesso de fumaça e fuligem provocadas pela ramonagem. Isto trazia sérias dificuldades aos navios durante as longas estadias no porto, devido ao acúmulo de fuligem nos pré-aquecedores de ar e superaquecedores. 11 11 99 CC AADD 00 11 É aplicado também material químico que ao contato com o calor, provoca pequena “explosão”, soltando as fuligens do tubo. É disponível em bastões com o nome comercial de “soot-release”. Devemos lembrar a implicação da ramonagem com a emissão de fumaçanegra. Todos os estados contam com uma legislação de proteção ao meio ambiente que contempla a emissão de fumaça negra. A título de exemplo, citamos no Capítulo 8, item 8.3.3, a Lei referente, do Estado do Rio de Janeiro. 22 .. 1111 FFUU NN CCII OO NN AAMM EE NN TT OO DD OOSS SS IISS TTEE MM AASS DD EE CC OO NN TTRR OO LL EE DDEE GG AASS EE SS DDEE CC OO MM BB UUSS TTÃà OO EE MMPP RREE GG AADD OO SS EE MM CC AALL DD EE II RR AASS A análise dos gases de combustão é a melhor maneira de se controlar a combustão com eficiência. Indica como está se comportando a combustão naquele momento, que porcentagem de O2, CO e CO2 contem os gases e quais as correções necessárias a serem feitas no processo da combustão. As análises podem ser feitas de duas maneiras: � análise de laboratório, e; � analisadores contínuos, foco de nosso estudo, são utilizados em controles automáticos de combustão; possuem tempo de resposta curta e a indicação é contínua. Serão descritos a seguir: 22 .. 1111 ..11 AAnn aa ll ii ss aa dd oorr eess ddee OO 22 Os analisadores de O2 são largamente empregados em controle de caldeiras, apresentam desvio insignificante (mais ou menos 0,1%), sendo considerados a melhor opção para um controle satisfatório da combustão. Atualmente, os analisadores de O2 mais usados são os analisadores paramagnéticos e os óxidos de zircônio. 22 .. 1111 ..11 ..11 AA nnaa ll ii ss aa ddoo rr eess ddee OO 22 pp aa rr aa mmaa gg nnéé tt ii cc ooss A maioria dos gases é ligeiramente diamagnética, isto é, não são afetados por um campo magnético. O oxigênio, entretanto, é um dos poucos gases paramagnéticos, podendo ser atraído por um campo. A força de atração magnética é inversamente proporcional a elevação da temperatura. 22 .. 1111 ..11 ..22 AA nnaa ll ii ss aa ddoo rr eess ddee OO 22 –– ÓÓ xx ii ddoo dd ee zz ii rr cc ôô nn ii oo O analisador foi projetado para ficar montado diretamente na unidade de combustão, junto ao duto de gases, permitindo manter as condições locais da amostra. O sistema recebe gás úmido e sujo, de alto ponto de orvalho. A unidade sensora é extremamente simples, consistindo de um tubo de amostragem onde o gás a ser analisado é aspirado por um ejetor, de operação pneumática, descarregado de volta ao duto de gases. Ligada a este trajeto do gás 120 a ser analisado está uma derivação dirigida para a célula eletroquímica de óxido de zircônio (ZrO), onde o gás é analisado. Uma vazão pequena, mas constante, de amostra passa por efeito de termo-convecção, por sobre a célula e retorna ao duto de gases. 22 .. 1111 ..22 AAnn aa ll ii ss aa dd oorr eess ddee CC OO ee CC OO 22 Baseiam-se, como princípio de funcionamento, na absorção dos raios infravermelhos por gases. Moléculas de gases compostas de duas ou mais espécie de átomos, tais como CO2, CO, SO2, etc, absorvem os raios infravermelhos cujo comprimento seja peculiar a eles. 22 .. 1111 ..33 OO ppaa cc íí mm ee tt rr oo Além dos analisadores de gases, pode ser avaliada também a qualidade da combustão pela formação de fuligem. Esta solução leva a controlar a combustão de maneira a se obter, constantemente o mínimo de excesso de ar possível. Isto acontece à entrada do domínio de aparição dos não queimados, domínio que pode não corresponder, obrigatoriamente, a um teor em oxigênio absolutamente definido. Existem dois princípios de medição da opacidade das fumaças: � por via direta; � por via indireta. AA –– PP oo rr vv ii aa dd ii rr ee ttaa :: − por atenuação de um feixe luminoso; − por difusão de um feixe luminoso sobre partículas em suspensão nas fumaças. BB –– PPoo rr vv ii aa ii nn ddii rree tt aa :: É aquele que utiliza um filtro de papel, do qual se mede o grau de escurecimento, depois de ser atravessado por um certo volume de fumaça à analisar. Este é o método do índice de escurecimento ou de “Bacharach”. Um opacímetro compreende, normalmente: − uma fonte luminosa de intensidade constante, emitindo um feixe luminoso paralelo; − um bolômetro que contém duas resistências em fio de tungstênio, colocadas em uma das ramificações de uma ponte Wheatstone, a outra ramificação sendo colocada em um receptor eletrônico ou instrumento local. Concentra-se sobre uma das resistências de tungstênio, a parte da energia luminosa emitida pela fonte e não absorvida pela opacidade relativa da fumaça que atravessa. A diferença de potencial provocada indicará o valor desta opacidade. 11 22 11 CC AADD 00 11 22 .. 1122 CC AARR AACC TT EE RR ÍÍ SS TTII CC AASS PPRR II NNCC II PP AAII SS DD OO TTUU BB UU LLÃà OO DDEE VV AAPP OO RR 22 .. 1122 ..11 DD iiss pp oo ss ii tt ii vvoo ss dd ee ssee pp aarr aaçç ãã oo dd ee vvaa pp oo rr Após a geração nos tubos, a mistura água-vapor é conduzida ao tubulão superior para ser separada. Esta separação influenciará diretamente na umidade residual presente no vapor que irá deixar o tubulão e seguir para o processo. Assim, não será obtido um superaquecimento muito eficiente de vapor com grande presença de água líquida no seio do vapor, obtendo-se temperatura final do vapor menor que a desejada. Como nas unidades industriais de grande porte, este vapor terá diversos usos, inclusive acionamento de turbinas, a temperatura e pressão do vapor são fatores fundamentais na operação adequada das mesmas. Além disto, a presença de umidade no vapor de admissão é indesejada e até danosa para estes equipamentos. Para garantir que os aspectos anteriores sejam contemplados quando da geração de vapor, a separação vapor-água no tubulão superior deverá ser realizada da maneira mais eficiente possível. Com este objetivo, o tubulão superior é dotado de dispositivos especialmente projetados para reduzir a presença de umidade no vapor. Estes acessórios são conhecidos como internos do tubulão (separadores de vapor) e atuam sobre o fluxo vapor-água das seguintes formas: − força da gravidade; − força inercial; − força centrífuga; − filtração; − lavagem. Os internos cujo funcionamento se baseia nas três primeiras formas são chamados de dispositivos primários de separação de vapor sendo próprios para uso em pressões de geração baixas e médias. Enquadram se neste caso, os ciclones, as chincanas, os labirintos entre outros. Veja figura 2.36. Os dispositivos de funcionamento baseados em filtração e lavagem são os dispositivos secundários de separação de vapor e tornam-se imprescindíveis quando da geração de vapor em altas pressões. A chamada “filtração” ocorre num conjunto de placas corrugadas ou grelhas (telas) num processo como uma peneiração. Figura 2.36 – Configurações de internos de tubulação. 122 A eficiência deste processo depende fundamentalmente da área e percurso do fluxo no acessório, do tempo de contato, e da velocidade do vapor nos elementos, que deve ser baixa. A lavagem do vapor é indicada para a redução da sílica volátil no vapor, sendo feito pela injeção de água ou condensado num “spray” antes da saída do vapor de um dos últimos dispositivos primários e antes deste abandonar o tubulão. Ao entrar em contato com a água com baixo teor de impurezas, cerca de 90% da sílica é condensada. 22 .. 1133 II NNSS TT RRUU MMEE NN TT OOSS MMEE DD IIDD OORR EESS DDEE PPRR EESSSS Ãà OO Vimos no capítulo 1 que pressão é a relação entre uma força e a superfície sobre a qual ela atua. Normalmente a pressão é medida em relação à Pressão Atmosférica existente no local e neste caso é chamada de Pressão Efetiva, Pressão Relativa ou Pressão Manométrica e pode ser positiva ou negativa. Existem duas categorias de medidores de pressão: a) Medidoresde Pressão Efetiva: chamados Manômetros e Vacuômetros; b) Medidores de Pressão Diferencial: como exemplo pode-se citar os Transmissores de Pressão. Classificação dos elementos de Pressão Os dispositivos usados nas tomadas de impulso de pressão podem ser classificados de acordo com seus princípios de funcionamento: Por equilíbrio de uma Pressão desconhecida contra uma força conhecida: Exemplo: Colunas de Líquido (tubo em U, etc.) − Por meio de deformação de um material elástico: − Tubo de Bourdon (em forma de C, espiral ou helicoidal); − Membrana; − Fole. O tipo mais usado é o Tubo de Bourdon. Figura 2.37 – Tubo Bourdon. 11 22 33 CC AADD 00 11 Como mostra a figura acima, o Tubo de Bourdon consta de um Tubo metálico de seção transversal eliptica, ou quase eliptica, tendo uma de suas extremidades em contato com a fonte de Pressão e a outra extremidade fechada e ligada a uma haste que comunica seu movimento a uma alavanca dentada e essa por sua vez, move-se em torno de um ponto fixo. Pela aplicação de Pressão na parte interna, o tubo de Bourdon tende a tomar a forma de um Tubo de seção circular, e então há uma distensão no sentido longitudinal, sendo que o ponteiro se move, por intermédio da alavanca dentada, indicando no mostrador o valor da Pressão. Um fator bastante importante nesses aparelhos é a elasticidade do material de que é feito o tubo. Geralmente emprega-se ligas de cobre e níquel por terem baixos coeficientes de dilatação térmica. O aço inoxidável também é utilizado, mas uma variação de temperatura de 50oC pode causar 2% de erro. Devido à elasticidade do material não ser ilimitada, esses aparelhos devem ser usados sempre dentro dos limites de pressão para os quais foram construídos, mas também não devem ser utilizados dentro de faixas muito menores do que as de suas limitações, pois isto acarretaria perda de sensibilidade do tubo. PPaarraa mmeeddiirr uummaa pprreessssããoo nnããoo ppuullssaannttee ddeevvee--ssee eessccoollhheerr uummaa ffaaiixxaa aaddeeqquuaaddaa ppaarraa qquuee oo ttuubboo ttrraabbaallhhee aattéé ddooiiss tteerrççooss ddoo lliimmiittee ssuuppeerriioorr.. EEnnttrreettaannttoo,, ppaarraa uummaa pprreessssããoo mmuuiittoo oosscciillaannttee,, aa pprreessssããoo ddee sseerrvviiççoo ddeevvee ppeerrmmaanneecceerr nnaa mmeettaaddee ddoo lliimmiittee ssuuppeerriioorr.. PPaarraa pprrootteeggeerr ooss ttuubbooss ddee ppuullssaaççõõeess eexxcceessssiivvaass,, eexxiisstteemm vváárriiooss ttiippooss ddee ""aammoorrtteecceeddoorreess"".. SSããoo rreessttrriiççõõeess eemm vváárriiaass ffoorrmmaass,, ttaaiiss ccoommoo VVáállvvuullaa aagguullhhaa,, ppiinnoo ppuullssaannttee,, ccaappiillaarr,, eettcc.. 22 .. 1144 FFUU NN CCII OO NN AAMM EE NN TT OO DD OO SS DDII SSPP OO SSII TT II VV OOSS DD EE SSEE GG UURR AANN ÇÇ AA As caldeiras exigem por motivo de segurança e economia, que algumas de suas variáveis operacionais permaneçam dentro de certos parâmetros definidos pelo projetista. Além disso, o vapor produzido deverá estar sendo enviado para o processo com determinada qualidade (pressão, temperatura, teor de impurezas) por exigência do próprio processo. Há casos em que o processo permite flutuações razoáveis na qualidade do vapor durante um tempo considerável sem ser afetado sensivelmente. Em outros, não se permite desvios dos parâmetros de controle sob pena de afetar a produção. Atualmente, todas as caldeiras possuem algum tipo de controle, que dependendo das exigências acima são mais ou menos sofisticados. Em função do tempo de resposta, do tipo construtivo, capacidade do combustível usado, da economia e flexibilidade operacional é escolhido o sistema de controle. Assim por exemplo, numa caldeira de tiragem balanceada há necessidade de controle da pressão da fornalha, de modo a mantê-la abaixo da pressão atmosférica; num outro caso de uma pequena caldeira não 124 há necessidade do controle da temperatura do vapor, podendo variar livremente com a carga. Os principais controles de um gerador de vapor são: � controle de nível do tubulão (consulte itens 2.2 e 2.3); � controle de combustão e pressão do vapor (consulte itens 2.11 e 2.13); � controle da temperatura do vapor. De acordo com os equipamentos instalados e tipo de combustível, as caldeiras possuem o seu sistema de segurança, sempre em vista de manter, a chama acesa e o nível de água normal no tubulão. Outros equipamentos de alarme existem para detectar falhas nos sistemas de controle, fuga de gases tóxicos ou inflamáveis para a praça de máquinas e avaria nas máquinas auxiliares da caldeira. De uma forma geral, encontramos os seguintes alarmes: � nível alto / baixo d’água no tubulão da caldeira; � temperatura alta / baixa do óleo combustível; � fumaça excessiva na chaminé; � pressão baixa do ar comprimido ou vapor de atomização; � falha sequencial dos maçaricos (falha de chama); � pressão alta / baixa de vapor superaquecido; � disparo da válvula de segurança do superaquecedor; � baixa pressão de óleo combustível ou gás natural no queimador. A caldeira é protegida pelo seu sistema de segurança com o objetivo de evitar avaria permanente no seu conjunto. O sistema de segurança aciona uma válvula de fechamento rápido na rede de óleo combustível, apagando a caldeira e evitando a queima dos tubos, explosão, incêndio, etc. O sistema de segurança é acionado nos seguintes casos: � nível de água baixo-baixo no tubulão superior; � falha do motor elétrico da ventilação de tiragem forçada; � pressão baixa-baixa do vapor de atomização; � Falha do sistema elétrico de controle; � pressão baixa-baixa de óleo combustível; � falha de chama do maçarico base. 11 22 55 CC AADD 00 11 VV oo ccêê ss aa bbii aa ?? EEmm uunniiddaaddeess OOFFFFSSHHOORREE ddee pprroodduuççããoo hháá aa vviiaabbiilliiddaaddee ttééccnniiccaa ddee uuttiilliizzaaççããoo ddoo ggááss nnaattuurraall,, pprroodduuzziiddoo ppeellooss ppooççooss ddee ppeettrróólleeoo ccoommoo ccoommbbuussttíívveell ppaarraa aa ccaallddeeiirraa.. CCoomm iissssoo aass mmeessmmaass ppaassssaarraamm aa tteerr ssiisstteemmaa ddee ddeetteeccççããoo ddee ggaasseess eemm uumm dduuttoo bblliinnddaaddoo ee ccoomm eexxaauussttããoo pprróópprriiaa,, ppoorr oonnddee ppaassssaamm aass lliinnhhaass ddee ggááss ppaarraa oo qquueeiimmaaddoorr.. OO ssiisstteemmaa ddee ddeetteeccççããoo ddooss ggaasseess,, ppoossssuuii aallaarrmmee ee aattuuaa nnoo ccoorrttee ddoo ssiisstteemmaa ddee ccoommbbuussttíívveell ((óólleeoo ee ggááss)) ddaa ccaallddeeiirraa.. 22 .. 1155 PPEE RR TTEE NN CCEESS AA AACC EE SS SS ÓÓ RRII OO SS DD OO SS GGEE RR AADD OO RR EE SS DDEE VV AAPP OO RR 22 .. 1155 ..11 GGEE NNEE RR AALL II DD AADD EE SS Você pode garantir a operação e controle dos geradores de vapor pela instalação de elementos e peças complementares as quais se denominam pertences e acessórios. Os pertences geralmente integram o conjunto da própria caldeira, sendo constituído praticamente por válvulas (2.15.2). Os acessórios são complementos auxiliares indispensáveis à operação da unidade geradora de vapor, a saber: − separadores de vapor (consulte 2.12.1); − eliminadores de fuligem (consulte item 2.10); − controladores automáticos de alimentação de água. 22 .. 1155 ..22 TT ii pp ooss ddee ppee rr ttee nn ccee ss 22 .. 1155 ..22 ..11 VV áá ll vv uu ll aa pp rr ii nncc ii pp aa ll dd ee ss aa íí ddaa dd ee vv aapp oo rr Essa válvula permite realizar a vazão de todo o vapor produzido pela caldeira. Namaior parte das aplicações, são válvulas do tipo globo (figura 2.38), por assegurarem controle mais perfeito da vazão. Fig 2.38 – Válvula globo principal de saída de vapor. 126 A válvula da figura 2.39, conhecida como gaveta, aplica-se em grandes unidades, sem responsabilidade sobre o controle da vazão. Figura 2.39 – Válvula globo principal de saída de vapor. 22 .. 1155 ..22 ..22 VV áá ll vv uu ll aa dd ee ss eegg uu rraa nnçç aa Essas válvulas evitam a contínua elevação da pressão no gerador de vapor. Válvulas de segurança corretamente dimensionadas devem: � abrir totalmente a uma pressão definida, evitando o desprendimento de vapor antecipadamente; � permanecer abertas enquanto não houver queda de pressão, ou seja, retorno de pressão para as condições de trabalho do gerador; � fechar instantaneamente e com perfeita vedação logo após a queda de pressão; � permanecer perfeitamente vedada para pressões inferiores à sua regulagem. Para assegurar esta performance, as válvulas de segurança devem ser submetidas a sistemáticas inspeções e perfeita manutenção. Podemos encontrar dois tipos de válvulas de segurança. Observe as figuras abaixo. Figura 2.40 – Válvula de segurança de contra-peso. 11 22 77 CC AADD 00 11 Figura 2.41 – Válvula de segurança de mola. Na figura 2.41 apresentada, a mola pode ser interna, dentro do castelo da válvula, ou externa, preferindo-se essa última disposição para serviços com fluidos corrosivos ou viscosos, para que o fluido não fique em contato com a mola. As válvulas de contrapeso são mais simples, porém não atendem aos requisitos enunciados anteriormente. Sua vedação não impede contínuos vazamentos. As válvulas de mola predominam nos dias de hoje. Há dois tipos de válvula de mola: � as de baixo custo; � as de alto custo. No primeiro tipo, a pressão do vapor, atuando sobre a área do disco de vedação, abre totalmente a válvula. No segundo tipo, ação da pressão abre parcialmente a válvula. O vapor, escapando, projeta-se sobre um disco provido de anel de regulagem, que provoca a mudança de direção do fluido. A força de reação do vapor completa a abertura da válvula. Essas válvulas são muito mais perfeitas, abrindo e fechando instantaneamente. Os fabricantes especificam as dimensões dessas válvulas desde que se forneçam a vazão e pressão do vapor. As válvulas de segurança exigem cuidados especiais desde a sua instalação. PP rr oocc eedd ii mmee nn tt oo ss ii mmpp oo rr ttaa nn ttee ss Na instalação deve-se: � evitar choques; � acertar o nível; � não tocar na regulagem original do fabricante. As válvulas de segurança devem ser instaladas sempre acima do nível do líquido, para que não sejam atravessadas por ele. As válvulas de segurança costumam ter uma alavanca externa, com a qual é possível fazer manualmente o disparo da válvula para teste. 128 Na operação: � não permitir acréscimos de pesos na válvula; � testar diariamente seu funcionamento; � eliminar vazamentos contínuos. De acordo com o projeto das caldeiras, as válvulas de segurança são instaladas no tubulão superior e no superaquecedor. AAss vváállvvuullaass ddee sseegguurraannççaa ddoo mmeeiioo nnaavvaall ssããoo iinnssttaallaaddaass sseemm vváállvvuullaa ddee bbllooqquueeiioo ee qquuaallqquueerr rreeppaarroo iimmpplliiccaa aappaaggaarr,, iissoollaarr ee bbaaiixxaarr aa pprreessssããoo ddaa ccaallddeeiirraa aa zzeerroo.. AAss vváállvvuullaass ddee sseegguurraannççaa ddaass ccaallddeeiirraass pprriinncciippaaiiss ssããoo iinnssppeecciioonnaaddaass ee tteessttaaddaass eemm ooffiicciinnaa aa ccaaddaa ddooiiss aannooss ee,, eemm iinntteerrvvaallooss ddee ttrrêêss mmeesseess,, aass vváállvvuullaass ssããoo tteessttaaddaass ccoomm ddiissppaarroo rreeaall ee oo tteessttee rreeggiissttrraaddoo eemm ddiiáárriioo ddee mmááqquuiinnaass.. 22 .. 1155 ..22 ..33 VV áá ll vv uu ll aa dd ee aa ll iimm ee nn tt aaçç ããoo Destinam-se a permitir ou interromper o suprimento de água no gerador de vapor. São do tipo globo com passagem reta. 22 .. 1155 ..22 ..44 VV áá ll vv uu ll aa dd ee rr ee tt eennçç ããoo Geralmente, a válvula de alimentação permanece totalmente aberta. A válvula de retenção, colocada logo após a anterior, impede o retorno da água sob pressão do interior da caldeira. As válvulas de retenção são válvulas que permitem a passagem do fluido em um único sentido. Elas se fecham automaticamente por diferença de pressões, exercidas pelo fluido em conseqüência do próprio escoamento, se houver tendência à inversão no sentido do fluxo. São portanto, válvulas de operação automática. As válvulas de retenção podem ser: válvulas de retenção portinhola (figura 2.42) e válvula de retenção de esfera (figura 2.43). Figura 2.42 – Válvula de retenção de portinhola e Válvula 11 22 99 CC AADD 00 11 Figura 2.43 – Válvula de retenção de esfera As válvulas de retenção de levantamento são semelhantes às válvulas globo, tendo tampão capaz de deslizar sobre a haste. Na posição aberta, funciona como válvula de retenção de levantamento (figura 2.44) e, na posição fechada, funciona como válvula de bloqueio. São usadas nas linhas de saída de caldeiras. O fechamento é feito por meio de um tampão, semelhante ao das válvulas globo, cuja haste desliza em um guia interno. O tampão é mantido suspenso, afastado da sede, por efeito da pressão do fluido sobre a sua face interior. É facil entender que, caso haja tendência à inversão do sentido de escoamento, a pressão do fluido sobre a face superior do tampão aperta-o contra a sede, interrompendo o fluxo. Figura 2.44 – Retenção de levantamento. 22 .. 1155 ..22 ..55 VVáá ll vv uu ll aa ddee dd eess cc aa rr gg aa Também conhecidas como válvulas de dreno, permitem uma espécie de purga intermitente da caldeira. Estão sempre ligadas às partes mais inferiores das caldeiras. O lodo e o material sólido em suspensão, geralmente acumulados no fundo dos coletores ou tambores inferiores das caldeiras, são projetados violentamente para fora da unidade quando se abrem essas válvulas. Há dois tipos de válvulas de descarga que se instalam em série: � válvula de descarga lenta, cuja função é assegurar perfeita vedação do sistema. É uma válvula de passagem reta tipo globo; 130 � a válvula de descarga rápida, que abre a seção plena instantaneamente, assegurando a vazão da água com violência capaz de arrastar os depósitos internos (figura 2.45). As dimensões dessas válvulas são padronizadas – 1 ½” – 2” até 2 ½” . As descargas intermitentes, geralmente são projetadas no esgoto. Figura 2.45 – Válvula de descarga. 22 .. 1155 ..22 ..66 VV áá ll vv uu ll aa dd ee vv aapp oo rr ddee ss ee rr vv ii çç oo É uma válvula do tipo globo, cuja secção corresponde a 10 % da válvula principal. Sua função á assegurar o suprimento de vapor para acionamento da própria caldeira, como sejam: � bombas de alimentação; � aquecimento de óleo; � injetores. 22 .. 1155 ..22 ..77 VV áá ll vv uu ll aa dd ee eess cc aapp ee ddee aa rr Outra válvula do tipo globo que controla a saída ou entrada de ar na caldeira, nos inícios e fins de operação. Apresentam dimensões de ¾ e 1”. 22 .. 1155 ..22 ..88 VV áá ll vv uu ll aa dd ee ii nn tt rr oodd uuçç ããoo dd ee pp rr oodd uu tt ooss qquu íímm ii cc ooss ee dd ee dd eess cc aa rrgg aa cc oonn tt íí nnuu aa São ambas do tipo globo agulha de fina regulagem. A primeira emprega-se, quando se procede o tratamento interno da água da caldeira,permitindo a vazão regulada de produtos químicos. A segunda assegura a descarga contínua da caldeira, a fim de manter a concentração de sólidos totais em solução na água, aquém dos limites máximos permitidos para evitar incrustações. 11 33 11 CC AADD 00 11 22 .. 1155 ..22 ..99 CC oo rrpp oo dd ee nn íí vv ee ll cc oo mm ii nndd ii cc aa ddoo rr Consulte o item 2.2.1. 22 .. 1155 ..22 ..11 00 MMaa nnôô mmee tt rroo Indica a pressão do gerador. Sua escala deve ter pelo menos duas vezes a pressão de trabalho do gerador. Liga-se ao corpo da caldeira, na câmara de vapor através de um sifão e rubinete de fechamento. O sifão mantém o manômetro afastado do contato da fase vapor, uma vez que conserva no seu interior água condensada praticamente fria. Esse processo evita o contato do manômetro com temperaturas elevadas. Os manômetros devem estar instalados em local de fácil visão na frente da caldeira e ser aferidos durante a manutenção da caldeira. O manômetro da pressão do vapor do tubulão deverá ser capaz de indicar corretamente até, pelo menos, 1,5 vezes a pressão de ajustagem das válvulas de segurança. Já a pressão de trabalho admissível deverá ser simplesmente marcada. Figura 2.46 – Manômetro. 22 .. 1155 ..33 TT ii pp ooss ddee aa cc eess ssóó rr ii oo ss 22 .. 1155 ..33 ..11 SS eepp aa rraa ddoo rr eess ddee vv aapp oo rr Consulte o item 2.12.1. 22..1155..33..22 EEll iimmiinnaaddoorreess ddee ffuull iiggeemm oouu ssoopprraaddoorreess ddee ffuull iiggeemm ((aappaarreellhhooss ddee rraammoonnaaggeemm)) Consulte o item 2.10. 22 .. 1155 ..33 ..33 CC oo nn tt rr oo ll ee aa uu tt oomm áá tt ii cc oo ddee aa ll iimm eenn ttaa çç ãã oo Consulte o item 2.3. 22 .. 1166 PP UURR GG AADD OO RR EE SS DD EE VV AAPP OO RR Os purgadores de vapor (“steam traps”) são dispositivos automáticos que separam e eliminam o condensado formado nas tubulações de vapor e nos aparelhos de aquecimento, 132 teoricamente sem deixar escapar o vapor. Por essa razão, esses aparelhos deveriam ser chamados, com mais propriedade, de “purgadores de condensado”. A maioria dos purgadores, além de removerem o condensado, eliminam também o ar e outros gases incondensáveis (CO2, por exemplo) que possam estar presentes, sendo os dispositivos de separação mais importantes e de emprego mais comum em tubulações industriais de vapor. São empregados em dois casos típicos: � para eliminação do condensado formado nas tubulações de vapor em geral (drenagem de tubulações de vapor); � para reter o vapor nos aparelhos de aquecimento a vapor (aquecedores a vapor, serpentinas de aquecimento, estufas, etc.), deixando sair apenas o condensado. É importante a distinção entre esses dois casos, porque o sistema de instalação do purgador, em um caso ou outro, é completamente diferente. Quando instalados com a finalidade de drenar linhas de vapor, os purgadores são colocados em uma derivação da tubulação. Essa derivação deve sair de uma bacia de acumulação denominada poço de condensado (drip-pocket), instalada na parte inferior da tubulação de vapor. O condensado deve sempre ser capaz de correr por gravidade para dentro do poço. A tubulação de entrada do purgador deve estar ligada diretamente ao fundo do poço. Os purgadores instalados com a finalidade de reter o vapor em um aparelho de aquecimento devem ser intercalados na própria tubulação de vapor e colocados o mais próximo possível da saída do aparelho. A finalidade desses purgadores é aumentar, ao máximo, o tempo de permanência do vapor dentro do aparelho para que possa ceder todo o seu calor latente, até sair do equipamento como condensado. Se não houvesse o purgador, o vapor circularia continuamente a alta velocidade e, para que a troca de calor fosse eficiente, o comprimento da trajetória do vapor dentro do aparelho (serpentina, feixe tubular, etc.) teria de ser enorme. Não havendo o purgador teríamos assim um consumo exagerado com desperdício de vapor e, consequentemente, um baixo rendimento global do sistema de aquecimento. A instalação do purgador representa sempre considerável economia de vapor e, portanto, de combustível e de dinheiro, desde que a sua seleção, projeto de instalação e acompanhamento de vida útil operacional sejam adequados. Por todas essas razões é obrigatória a colocação de purgadores de vapor na saída de qualquer aparelho de aquecimento a vapor. 22 .. 1166 ..11 PPrr ii nncc ii ppaa iiss tt ii pp oo ss dd ee pp uurrgg aa dd oo rree ss aa vvaa pp oorr 22 .. 1166 ..11 ..11 PP uu rrgg aadd oo rreess mm eecc ââ nn ii cc ooss � � PP uu rrgg aa dd oorr eess tt ii pp oo bb óó iiaa Esse purgador consiste em uma caixa com uma entrada de vapor e uma saída de condensado. A saída do condensado é fechada por uma válvula comandada por uma bóia; 11 33 33 CC AADD 00 11 quando há condensado, a bóia flutua, abrindo a saída do condensado, que é expulso pela própria pressão do vapor. É necessário que a força de flutuação da bóia seja suficiente, através de alavancas, para vencer a pressão do vapor que tende sempre a fechar a válvula. O purgador de bóia não permite a saída de ar e de outros gases. É, porém, praticamente insensível às flutuações de pressão e de vazão do vapor. Alguns purgadores de bóia modernos possuem uma válvula termostática na parte superior, pela qual o ar e os gases podem ser eliminados. Dependendo da quantidade de condensado, a descarga poderá ser contínua ou intermitente. Devido à possibilidade de terem descarga contínua, os purgadores de bóia são muito empregados para reter o vapor na saída de aparelhos de aquecimento. Os purgadores de bóia não podem trabalhar com pressões muito elevadas, que tenderiam a achatar a bóia. Dependendo da pressão, a caixa pode ser de ferro fundido ou aço fundido; as peças internas são quase sempre de aço inoxidável. Figura 2.47 – Purgador de bóia. � � PP uu rrgg aa dd oorr eess ddee pp aa nnee llaa iinn vvee rr tt iidd aa É um tipo de purgador muito usado para a drenagem de tubulações de vapor. Consiste em uma caixa com entrada de vapor e saída de condensado, dentro da qual existe uma panela com o fundo para cima, comandando a válvula que fecha a saída do condensado. Para o início da operação, o purgador deve estar previamente cheio de água. A panela fica, então, pousada no fundo, abrindo a válvula, por onde sai o excesso de água, impelida pelo vapor quando chega. Esse vapor é lançado dentro da panela, de onde vai sendo expulsa a água (que escapa pela saída), até que a quantidade de água dentro da panela, ficando pequena, faz com que a panela flutue, fechando a válvula de saída. O ar contido sai pelo pequeno furo existente no fundo da panela, por onde escapa também um pouco de vapor. O ar acumula-se no topo do purgador, e o vapor condensa-se por saturação do ambiente. Chegando mais condensado, ou condensando-se o vapor, a panela enche-se de água, perde flutuação e afunda, abrindo a válvula. A pressão do vapor faz, então, sair o ar acumulado e o condensado, até que, diminuindo a quantidade de condensado dentro da panela, a flutuação é restabelecida fechando-se a válvula e repetindo-se assim o ciclo. 134 NNoottee--ssee qquuee eessssee ppuurrggaaddoorr pprreecciissaa eessttaarr cchheeiioo ddee áágguuaa,, iissttoo éé,, eessccoorrvvaaddoo,, ppaarraa oo iinníícciioo ddoo ffuunncciioonnaammeennttoo.. SSee eessttiivveerr sseeccoo,, oo vvaappoorr eessccaappaarráá ccoonnttiinnuuaammeennttee aattéé qquuee oo ccoonnddeennssaaddoo,, aarrrraassttaaddoo,, ccoonnssiiggaa eenncchheerr oo ppuurrggaaddoorr ee ddaarr iinníícciioo aaoosscciiccllooss.. OObbsseerrvvaa--ssee ttaammbbéémm qquuee,, dduurraannttee ttooddoo oo cciicclloo,, oo ppuurrggaaddoorr tteemm sseemmpprree oo sseelloo ppaarraa iimmppeeddiirr oo eessccaappaammeennttoo ddoo vvaappoorr.. Empregam-se esses purgadores na drenagem de condensado para quaisquer valores da pressão e temperatura, quando o volume de ar a eliminar é moderado e não é necessário que a saída do condensado seja contínua ou instantânea. O corpo do purgador costuma ser de ferro fundido, de aço fundido ou forjado, conforme a pressão de trabalho. O mecanismo interno completo é sempre de aço inoxidável. Figura 2.48 – Purgador de panela invertida. 22 .. 1166 ..11 ..22 PP uu rrgg aadd oo rreess tt ee rrmm ooss tt áá tt ii cc ooss (( aagg eemm pp oo rr dd ii ff ee rree nnçç aa ddee tt eemm pp eerr aa tt uu rraa )) � � PP uu rrgg aa dd oorr eess ddee ee xx ppaa nnss ãã oo mm ee ttáá ll ii cc aa Funcionam pela diferença de temperatura que existe, na mesma pressão, entre o vapor e o condensado. VV aa nn ttaa gg eenn ss :: São pequenos e leves; removem ar com grande facilidade; suportam bem os golpes de aríete; podem trabalhar com qualquer pressão, vibrações e movimentos da tubulação; não perturbam o seu funcionamento. São utilizados para eliminar ar e outros gases que não podem ser condensáveis das linhas de vapor de grande diâmetro. 11 33 55 CC AADD 00 11 Figura 2.49 – Purgador de expansão metálica. � � PP uu rrgg aa dd oorr eess ddee ee xx ppaa nnss ãã oo bb aa ll aann cc eeaa dd aa (( dd ee ff oo llee )) É empregado em baixas pressões (até 3,5 mpa), principalmente quando existe grande volume de ar a eliminar. Não servem para trabalhar com vapor superaquecido. A descarga de condensado é intermitente, demorada, e a perda de vapor é relativamente grande. Figura 2.50 – Purgador de expansão balanceada. 22 .. 1166 ..11 ..33 PP uu rrgg aadd oo rreess EEss ppeecc ii aa ii ss � � PP uu rrgg aa dd oorr eess tteerr mm oo dd iinn ââ mmii cc ooss bb ii mm ee ttáá ll ii cc ooss Empregado para drenagem de linhas de vapor e para linhas de aquecimento. 136 Não deve ser usado quando a contrapressão do condensado for maior que 50% da pressão do vapor. Veremos, a seguir, o funcionamento do purgador termodinâmico bimetálico da linha BK 45 da empresa GESTRA (figuras 2.51 e 2.52). Figura 2.51 – Purgador termodinâmico bimetálico da linha BK 45 (GESTRA). O processo de abertura e fechamento são controlados pela interação entre os sensores de temperatura de aço inoxidável e o obturador escalonado. Durante a partida da instalação e com o aparecimento de condensado frio e ar, as placas de aço encontram-se na posição plana. A pressão de serviço pressiona o obturador no sentido de abertura permitindo que o purgador fique totalmente aberto. À medida que aumenta a temperatura do condensado, as placas de aço inoxidável começam a defletir pressionando o obturador no sentido do fechamento. A este processo térmico opõe-se a pressão de serviço e a pressão gerada pelo vapor de reevaporação. Este estado de equilíbrio entre as forças de fechamento, que dependem da temperatura, e as forças de abertura que dependem da pressão, determina a secção da passagem do condensado. Pouco antes de alcançar a temperatura de saturação, as placas de aço inoxidável estão tão defletidas que o obturador está praticamente fechado. Desta forma, desaparece a pressão no interior do obturador, diminuindo a qualidade de vapor de reevaporação e, conseqüentemente, permitindo o fechamento do regulador. As suas propriedades térmicas e a sua elasticidade estão adaptadas reciprocamente, de forma que as temperaturas de abertura e fechamento se situem sempre poucos graus abaixo da temperatura de saturação do vapor. Se, por determinadas razões, for necessário descarregar o condensado a uma temperatura inferior, o regulador pode ser ajustado manualmente. 11 33 77 CC AADD 00 11 Figura 2.52 – Funcionamento do purgador termodinâmico bimetálico BK 45. Características deste modelo: � não serve vapor vivo; � insensíveis a golpe de aríete; � funcionamento em qualquer posição com perfeita segurança de operação; � manutenção mínima de longa vida útil do regulador; � possibilidade de regulagem proporcionando um sub-arreferimento (aproveitamento do calor sensível); � indicado também para vapor superaquecido. 22 .. 1177 TTRR OO CC AADD OO RR EE SS DDEE CC AALL OO RR :: SSUUPP EERR AAQQ UU EE CC EE DD OO RR,, DD EESS SSUU PPEE RR AAQQ UU EE CC EE DD OO RR EE EE CCOO NN OO MM II ZZ AADD OO RR 22 .. 1177 ..11 SS uu ppee rraa qq uu eecc eedd oo rree ss Superaquecedores são aparelhos destinados a dar ao vapor saturado, proveniente de tubulão superior um acréscimo de calor sem aumentar-lhe a pressão. Grande é a variedade de tipos de superaquecedores, todos, porém, utilizam gases de combustão como fonte de calor para este acréscimo de energia. Existem duas razões que justificam o seu emprego: � Diminuição da umidade, o que evita a corrosão na instalação. � Aumento do grau de superaquecimento, o que aumenta o rendimento térmico da instalação. Grau de superaquecimento é a diferença entre a temperatura do vapor superaquecido e a temperatura do vapor saturado correspondente à pressão. A temperatura de superaquecimento varia com a carga da caldeira, já que a troca de calor não é acompanhada de mudança de fase como na vaporização. 138 O superaquecedor é protegido do impacto direto do calor da fornalha por uma série de tubos chamados cortina d'água (screen tubes), ficando localizado entre os tubos da cortina d'água e os tubos geradores. Figura 2.53 – Componentes principais de um gerador de vapor. � Seção de irradiação: são as paredes da câmara de combustão revestidas internamente por tubos de água. � Seção de convecção: feixe de tubos de água, recebendo calor por convecção forçada; pode ter um ou mais passagens de gases. Classificação dos superaquecedores, segundo a transferência de calor ocorrida no superaquecedor. � Convectivo: a superfície de superaquecimento é colocada atrás de uma cortina d’água, formada pelos tubos, de tal maneira que o fogo da fornalha não pode irradiar para a superfície do superaquecedor. Este tipo de superaquecedor retira o calor os gases, por convenção, quando eles passam na superfície de superaquecimento. Equipamentos de convecção aumentam a temperatura de superaquecimento com o aumento da carga da caldeira, pois os coeficientes de troca de calor tendem a aumentar com as maiores velocidades dos gases e também do vapor de dentro dos tubos. Figura 2.54 – Superaquecedor convectivo. 11 33 99 CC AADD 00 11 � Radiante: estão Iocalizados dentro da própria câmara de combustão, ou na saída desta, de maneira que receba calor por radiação da chama ou da grelha. Superaquecedores de radiação têm a temperatura de saída diminuída com o aumento da produção de vapor. Neste modelo, a temperatura da chama pouco varia para um mesmo combustível, e a superfície de troca está definida no projeto. Assim, quando do aumento de carga, a vazão do vapor pelo superaquecedor aumenta, absorvendo mais calor sem um acréscimo de fornecimento de energia correspondente, provocando a queda da temperatura final do vapor. Figura 2.55 – Superaquecedor radiante. Algumas caldeiras apresentam superaquecedores combinados (mistos, "combined”), que apresentam mais uniformidade à temperatura do vapor com qualquer vazão de vapor (carga) na caldeira. Em baixa carga, a velocidadedo vapor é mais baixa e, conseqüentemente, os coeficientes de transferência de calor também. Para manter a temperatura de saída do superaquecedor constante, projetaram-se unidades mistas com secções de radiação e convecção. Os superaquecedores podem ser classificados ainda quanto ao tipo construtivo como: � Pendente : é, como diz o nome, “dependurado” numa região da caldeira, sendo a construção usada para superaquecedores radiantes. Figura 2.56 – Superaquecedor pendente. 140 � Drenável: apresenta a vantagem de poder ser drenado do condensado acumulado em seu interior, quando da parada da caldeira, evitando uma possível avaria nos tubos durante o aquecimento inicial na partida da caldeira. Não devemos esquecer o acúmulo de água durante um período de paralisação. Esse tipo de construção é normalmente encontrada nos superaquecedores convectivos. Figura 2.57 – Superaquecedor drenável. 22 .. 1177 ..22 DD eess ss uu ppee rraa qq uuee cc eedd oo rree ss A função do dessuperaquecedor é dessuperaquecer o vapor superaquecido, roubando- lhe o grau de superaquecimento e com isso, aquece a água de alimentação. O tipo mais simples de dessuperaquecedor para auxiliares consiste em uma serpentina localizada no tubulão de vapor abaixo do nível d’água. O vapor entra superaquecido e cede á água da caldeira o calor do seu superaquecimento. Em realidade, o vapor ainda sai do dessuperaquecedor com algum superaquecimento, em geral 12° a 30°C, fato que não traz inconveniente, mas vantagens térmicas. Em alguns dessuperaquecedores, a quantidade de vapor que passa pelo interior das seções do dessuperaquecedor é controlada por uma válvula borboleta manobrada termostaticamente. Há dessuperaquecedores em que uma certa quantidade d’água de alimentação ou da caldeira é diretamente injetada no vapor para reduzir-lhe o superaquecimento, operação essa geralmente controlada termostaticamente. 22 .. 1177 ..33 EE ccoo nn oo mm iizz aa dd oorr eess Os economizadores se destinam a aquecer a água de alimentação antes de ser introduzida no interior da caldeira. O pré-aquecimento é feito através da troca de calor com os gases de combustão saindo da caldeira. O aproveitamento do calor sensível dos gases de combustão traz um aumento de eficiência térmica do equipamento. Economizadores são trocadores de calor gás-líquido. Devido ao baixo coeficiente de troca de calor por convecção no lado dos gases, geralmente os economizadores são compostos por tubos alhetados. Em relação a sua instalação, devem estar localizados após a última superfície de convenção do gerador de vapor. Podem ser fabricados integralmente á 11 44 11 CC AADD 00 11 caldeira, tendo os seus feixes tubulares como parte integrante do feixe tubular da caldeira, ou podem ser adicionados na parte exterior da mesma (independente), logo após a saída dos gases, nada tendo a ver com a caldeira propriamente dita (é um conjunto a parte). Ambos os modelos podem possuir tubos lisos ou alhetados. Economizadores são praticamente usados em médias e grandes instalações. O custo adicional comparado com o ganho de rendimento térmico não viabiliza a utilização em pequenas caldeiras, e que geralmente se utilizam de alimentação intermitente de água, impossibilitando, portanto, a operação em uso contínuo e simultâneo dos fluxos de água e produtos de combustão. CC oo nn ss iidd eerr aaçç õõ eess FF ii nn aa ii ss Se você compreendeu os tópicos até aqui abordados, terá facilidade em compreender também o próximo assunto: Caldeira de Recuperação, pois esta, evidentemente, também possui sistema de água e vapor, tiragem, instrumentos medidores, superaquecedor e válvulas. Boa aprendizagem! TT ee ss ttee ddee AAuu tt oo -- AAvvaa ll ii aa ççãã oo ddaa UU nn ii dd aadd ee 22 I) Assinale a opção correta. 2.1) A opção que não é condizente com as funções de uma válvula de segurança, corretamente dimensionada, é: a) abrir totalmente a uma pressão definida, evitando o desprendimento de vapor antecipadamente. b) permanecer aberta enquanto não houver queda de pressão, ou seja, retorno de pressão para as condições de trabalho da caldeira. c) fechar instantaneamente e com perfeita vedação logo após a queda de pressão. d) Permanecer perfeitamente vedada para pressões superiores à sua regulagem. 2.2) O elemento que protege o manômetro de uma caldeira, para que ele não tenha contato direto com o vapor, denomina-se: a) rubinete. b) sifão. c) selo. d) soquete. 2.3) Os sopradores de fuligem manuais são indicados para caldeira a) flamatubular. b) de baixa pressão. c) elétrica. d) Aquatubular. 142 2.4) A válvula de alimentação de uma caldeira, geralmente, deve permanecer a) totalmente fechada. b) aliviada, isto é, ligeiramente aberta. c) aberta a meio curso. d) totalmente aberta. 2.5) Para produtos corrosivos, a mola de uma válvula de segurança deve ser instalada a) no interior do castelo da válvula. b) no interior do corpo da válvula. c) externamente ao corpo da válvula. d) externamente ao castelo da válvula. 2.6) Qual aparelho da caldeira é destinado a dar ao vapor saturado, proveniente do tubulão superior, um acréscimo de calor, sem aumentar-lhe a pressão? a) dessuperaquecedor. b) atomizador. c) economizador d) superaquecedor. II) Responda as perguntas abaixo. 2.7) O que é tiragem? Defina. ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.8) Em que unidade a tiragem é medida? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.9) De que forma a tiragem é classificada? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.10) O que você entende por superfícies de aquecimento? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 11 44 33 CC AADD 00 11 2.11) Qual é o princípio de funcionamento dos Purgadores Termostáticos? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.12) Quais são as razões que justificam o emprego dos superaquecedores em uma caldeira de alta pressão? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.13) Qual é a função do dessuperaquecedor? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2.14) Quais são os tipos de tiragem mecânica? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.15) Qual é o princípio que permite a tiragem natural, através de uma chaminé? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.16) Qual é a finalidade dos aquecedores desarejantes? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ TT aa rree ff aa 2.1 Além da fornalha, quais são os elementos que constituem o sistema água-vapor, numa caldeira aquatubular de circulação natural? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 144 2.2 Qual é o princípio de funcionamento do sistema supracitado? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 2.3 Na técnica de instrumentação, como o indicador de nível de uma caldeira é denominado? ____________________________________________________________________________ Chave de Respostas das Tarefas e do Teste de Auto-Avaliação da Unidade 2 Tarefa 2.1 O modelo básico é composto do tubulão superior, do tubulão inferior e dos tubos ascendentes (risers) e descendentes (downcomers). 2.2 O tubulão superior opera com água até seu nível médio (50%) e o tubulão inferior, afogado. Os tubos ascendentes encontram-se voltados para o lado da fonte térmica (fornalha), enquanto os tubos descendentes estão na posição oposta, ou seja, não recebem parcela significativa de energia. De maneira que, a formação de vapor se dará apenas nos tubos ascendentes na face exposta à fonte de energia (vide figura 2.1). 2.3 Level glass (L.G.) Teste de Auto-Avaliação I) 2.1) d 2.2) b 2.3) a 2.4) d 2.5) d 2.6) d II) 2.7) Tiragem é o processo que garante a introdução do ar na fornalha e a circulação dos gases da combustão através de todo gerador de vapor, até a saída para a atmosfera. 2.8) Em milímetros de coluna de água (mm H2 O) 2.9) Tiragem natural e tiragem mecânica. 11 44 55 CC AADD 00 11 2.10) São superfícies da parte da caldeira, que contêm água e vapor, isto é, são superfícies geradoras de aquecimento. 2.11) Funcionam pela diferença de temperatura que existe entre o vapor e o condensado, numa mesma pressão. 2.12) Diminuição da umidade, o que evita a corrosão na instalação; aumento do grau de superaquecimento, o que aumenta o rendimento da instalação. 2.13) Roubar o grau de superaquecimento do vapor superaquecido e assim, se constituir em mais um estágio de aquecimento da água de alimentação. 2.14) Tiragem induzida, tiragem forçada e tiragem balanceada. 2.15) A chaminé promove a tiragem graças a diferença de pressão existente entre sua base e seu topo. 2.16) Eles desarejam a água de alimentação, isto é, eliminam o oxigênio livre da superfície dela, o que evita corrosão. Com isso, os desarejadores se constituem também, em estágio de aquecimento da água de alimentação. Com os conhecimentos adquiridos nas unidades 1 e 2 e considerando que você saiba definir ciclo (algo que evolui retornando à origem) chegou o momento de você estudar as particularidades de uma caldeira de recuperação. Mantenha sempre essa dedicação e entusiasmo. 146