Resumo de Falência
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Resumo de Falência


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FALÊNCIA
Conceito: é um processo de execução coletiva, ou um concurso de credores, no qual os bens do falido são arrecadados para uma venda judicial forçada, com a distribuição proporcional do resultado entre todos os credores.
Nesse sentido, a falência promove o afastamento do devedor de suas atividades, ou seja, o devedor deixa de gerir a atividade empresarial (o que não ocorre na recuperação judicial, LRF, art. 64, caput), visando preservar a utilização produtiva de bens e recursos, inclusive intangíveis, como a marca (LRF, art. 75, caput). A gestão do negócio ficará a cargo do administrador judicial nomeado pelo juiz.
Com a decretação da falência, acarreta-se o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios de responsabilidade ilimitada (LRF, art.77).
O juízo da falência é universal, ou seja, é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens e interesses do falido, salvo ações trabalhistas e fiscais (LRF, art.76). Assim, as ações serão distribuídas por dependência no juízo falimentar (LRF, art. 78, parágrafo único). Já as ações trabalhistas e fiscais irão tramitar perante as justiças especializadas, sendo que, em geral, após o trânsito em julgado, habilita-se o crédito decorrente destas respectivas ações no processo de falência.
Massa falida: é o acervo que compreende o ativo (bens e créditos) e o passivo (débitos) do falido, que passa a ser gerido e representado pelo administrador judicial.
Embora seja apenas uma universalidade de bens (universalidade de direito), e não uma pessoa jurídica, a massa falida tem capacidade de estar em juízo como autora ou ré de processos, sempre representada pelo administrador judicial, figura que \u201csubstitui o síndico na massa falida\u201d.
Pressupostos da falência: a doutrina aponta que são três os pressupostos da falência: o primeiro, denominado de pressuposto material subjetivo, consiste na qualidade de empresário do devedor; o segundo, denominado de pressuposto material objetivo, é consubstanciado na insolvência do devedor; e o terceiro, por fim, denominado de pressuposto formal, é a sentença que a decreta.
Classificação dos créditos (par conditio creditorum)
 Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
I \u2013 os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;
II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III \u2013 créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias;
 IV \u2013 créditos com privilégio especial, a saber:
a) os previstos no art. 964 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta Lei;
c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia;
d) aqueles em favor dos microempreendedores individuais e das microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006        (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
 V \u2013 créditos com privilégio geral, a saber:
a) os previstos no art. 965 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta Lei;
c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição contrária desta Lei;
VI \u2013 créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento;
c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII \u2013 as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
VIII \u2013 créditos subordinados, a saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.
§ 1o Para os fins do inciso II do caput deste artigo, será considerado como valor do bem objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada com sua venda, ou, no caso de alienação em bloco, o valor de avaliação do bem individualmente considerado.
§ 2o Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao recebimento de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade.
§ 3o As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as obrigações neles estipuladas se vencerem em virtude da falência.
§ 4o Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários.
Créditos extraconcursais: são aqueles que não estão compreendidos na classificação dos créditos da falência, pois se tratam de créditos da massa falida, não créditos do devedor falido. São créditos contraídos pela massa falida em seu próprio interesse e, consequentemente, no dos credores. Esses créditos extranconcursais são pagos com precedência aos citados anteriormente (LRF, art.84).
 Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I \u2013 remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência;
II \u2013 quantias fornecidas à massa pelos credores;
III \u2013 despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência;
IV \u2013 custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida;
V \u2013 obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.
Pedido de restituição: durante o processo falimentar, pode ocorrer de ser arrecadado (trazido pra o acervo da massa falida), pelo administrador judicial, algum bem de propriedade de outrem; o que pode incluir o fato de que esse bem arrecadado poderá pedir sua restituição/devolução (LRF, art.85, caput).
Ressalta-se o fato de que somente o proprietário pode pedir a restituição, por se tratar de um direito real de propriedade. Entretanto, não podemos perder de vista que o credor fiduciário também goza de tal prerrogativa.
Da mesma forma, quem vendeu para o devedor a crédito e entregou a coisa 15 dias anteriores ao requerimento de sua falência poderá pedir a restituição dessa coisa (LRF, art. 85, parágrafo único).
Fase pré-falencial
Os pressupostos para a instauração da execução concursal são os seguintes: Devedor empresário, insolvência e sentença declaratória de falência.
A situação de insolvência, que é o déficit entre o ativo ou patrimônio e o passivo ou as obrigações da empresa, pode ser presumida observando-se os direcionamentos dados pelo art. 94 da Lei de Recuperação e Falência, tais como:
I \u2013 Impontualidade injustificada
Aquele que sem relevante razão de direito não paga, no vencimento, obrigação líquida, materializada em título ou títulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários mínimos na data do pedido de falência.
O não pagamento deve estar correlacionado a uma ou mais obrigações líquidas, ou seja, certas quanto à existência e determinação de seus objetos, aqui entendidas, por aquelas representadas pelos títulos executivos judiciais ou extrajudiciais, como aqueles expressamente previstos no art. 784 do Código de Processo Civil.
Ademais, a impontualidade deve ser provada por meio do protesto do título, que servirá para constituir o devedor em mora. Todo título estará sujeito a protesto, inclusive a sentença judicial que é um título executivo judicial.
II \u2013 Execução frustrada