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Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 1 Engenharia de Software e Engenharia de Requisitos Profª Elisamara de Oliveira Profº Marcelo de Freitas Pintaud Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 2 Apresentação 3 Software e Engenharia de Software 4 Antecedentes Históricos da Engenharia de Software 4 Definições e Conceitos de Software e Engenharia de Software 6 O Produto Software 9 Aplicações do Software 10 Mitos do Software 12 Exercícios do Capítulo 1 15 Processo de Software 16 Conceitos Básicos de Processo de Software 16 Padrões, Avaliação e Tecnologias de Processo 18 Exercícios do Capítulo 2 20 Modelos de Processo 21 Ciclo de Vida e Modelos de Processo 21 Modelos Prescritivos de Processo 24 Modelo em Cascata 24 Modelos Evolucionários de Processo 25 Prototipação 25 Modelo Espiral 26 Modelo de Desenvolvimento Concorrente 28 Modelos Incrementais de Processo 29 Modelo Incremental 29 Desenvolvimento Baseado em Componentes 32 Modelo de Métodos Formais 33 Processo Unificado 34 Desenvolvimento Ágil 37 Exercícios do Capítulo 3 41 Engenharia de Requisitos 44 Requisitos e Engenharia de Requisitos 44 Objetivos e Classificação dos Requisitos 45 Requisitos de Produto 45 Requisitos Organizacionais 45 Requisitos Externos 46 Tarefas da Engenharia de Requisitos 49 Exercícios do Capítulo 4 - Parte 1 49 Elicitação de Requisitos 53 Técnicas de Coleta de Requisitos 55 Considerações sobre as Técnicas de Coleta de Requisitos 59 Exercícios do Capítulo 4 - Parte 2 60 Considerações Finais 62 Respostas Comentadas dos Exercícios 63 Capítulo 1 63 Capítulo 2 65 Capítulo 3 66 Sumário Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 3 Capítulo 4 – Parte 1 68 Capítulo 4 – Parte 2 68 Glossário de Siglas 71 Referências Bibliográficas 72 Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 4 Apresentação Atualmente o software está presente, explicitamente ou mesmo sem se fazer notar, em diversos aspectos da vida, inclusive nos sistemas críticos que afetam nossa saúde e nosso bem estar. Diferentemente de outras áreas da Engenharia, novas aplicações de software aparecem a cada dia e isso torna a área de desenvolvi- mento de software um desafio constante, necessitando de pessoas treinadas, capacitadas e em constante evolução para desempenhar adequadamente as funções necessárias para a produção de software de quali- dade. As dificuldades em se obter software de qualidade, obedecendo a prazos, custos e escopo estabelecidos, se mostram presentes desde os primórdios da área de computação. Devido a isso, uma base sólida sobre a teoria e a prática da Engenharia de Software é essencial para sabermos como construir bons softwares e avaliarmos os riscos e as oportunidades que ele pode trazer para o bom desempenho dos negócios. A Engenharia de Software trilhou um longo caminho desde quando o termo foi usado pela primeira vez. Convidamos você, caro aluno, a percorrer esse caminho. Ao longo dessa disciplina, iremos destacar aspectos- -chaves da Engenharia de Software, abordando, dentre outras, as seguintes questões: • Qual a necessidade de uma disciplina de Engenharia para o desenvolvimento de software? • O que se entende por Engenharia de Software? • O que se entende por software de computador? • Por que lutamos para construir sistemas de alta qualidade? • Como podemos categorizar os domínios de aplicação para o software? • Que mitos ainda existem sobre software? • O que é um processo de software? • Que modelos de processo podem ser aplicados ao desenvolvimento de software? • Quais os pontos fortes e fracos de cada modelo de processo? • Por que é tão complicado estabelecer os requisitos de um sistema? • Quais técnicas podem nos auxiliar no estabelecimento dos requisitos? Quando essas questões forem respondidas, você, caro aluno, estará melhor preparado para entender os conceitos de gestão e os aspectos técnicos da atividade de Engenharia de Software que serão abordados nas disciplinas subsequentes do nosso curso. Marcelo Pintaud Elisamara de Oliveira Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 5 Software e Engenharia de Software Caro aluno, neste capítulo abordaremos os antecedentes históricos da engenharia de software, falaremos sobre os principais conceitos de software e da engenharia de software, sobre a crise do software, mostraremos as diferenças entre os produtos “software” x ‘hardware”, exemplifi- caremos algumas das principais aplicações do software e o alertaremos sobre o que é mito e realidade na área de desenvolvimento. Antecedentes Históricos da Engenharia de Software Caros alunos, para entendermos melhor os concei- tos fundamentais que envolvem a área de Engenha- ria de Software, vamos fazer um breve histórico dos principais fatos que ocorreram no mundo da tecnolo- gia que justificaram a criação deste ramo da compu- tação. É interessante vocês notarem que há algumas décadas atrás, não se tinha ideia da importância que os computadores e, em especial, o software (progra- mas de computadores), iriam ter e como iriam afetar profundamente a vida de todos nós. A denominação da “Engenharia de Software” sur- giu em 1968, em uma conferência organizada para discutir a chamada “crise do software”. Mas, para sermos mais precisos, o termo foi criado no início da década de 1960, tendo sido utilizado oficialmente em 1968 nesta conferência, a NATO Conference on Sof- tware Engineering (Conferência da OTAN sobre En- genharia de Software), que aconteceu na cidade de Garmisch, Alemanha. Nesta ocasião, todos estavam preocupados em contornar os efeitos da crise do software e buscar maneiras de dar um tratamento de engenharia, ou seja, mais sistemático e controlado, ao desenvolvimento de sistemas de software comple- xos. Um sistema de software complexo é caracterizado por um conjunto de componentes de software (es- truturas de dados, métodos, técnicas) encapsulados na forma de procedimentos, funções, módulos, obje- tos ou agentes, interconectados entre si, compondo a arquitetura do software, que deverão ser executa- dos em sistemas computacionais. Fonte: http://profcarolinadgs.webnode.com.br/unip/engenharia- de-software/ Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 6 A Crise do Software A “crise do software” foi um termo criado para descrever as dificuldades enfrentadas no desenvolvimento de software no final da década de 1960. A complexidade dos problemas, a ausência de técnicas bem estabelecidas e a crescente demanda por novas aplicações começavam a se tornar um problema sério. Essa crise teve como origem a introdução de computadores “mais poderosos”. O advento deste hardware com mais recursos tornava viáveis softwares bem maiores e mais complexos que os sistemas existentes. A experiência inicial de construção desses sistemas mostrou que uma abordagem informal de desenvolvimento de software não era suficiente. Projetos importantes sofriam atrasos (às vezes, de alguns anos). Os custos eram muito maiores do que os ini- cialmente projetados. As soluções de software não eram confiáveis. Os programas eram de difícil manutenção. Novas técnicas e novos métodos eram necessários para controlar a complexidade inerente aos grandes sistemas de software. Desta forma, como o principal objetivo dessa conferência foi estabelecer práticas mais maduras para o processo de desenvolvimento de software, é considerado como o evento que deu origem à disciplina de En- genharia de Software. Duas décadas depois, em 1986, Alfred Spector, presidente da Transarc Corporation, foi co-autor de um artigo comparando a construção de pontes ao desenvolvimento de software. Sua premissa era de que “As pontes normalmente eram construídas no tempo planejado, no orçamento e nunca caíam. Por outro lado,os softwares nunca ficavam prontos dentro do prazo e do orçamento, e, além disso, quase sempre apresenta- vam problemas.” Uma década mais tarde, em 1995, a organização The Standish Group (1995) publicou um estudo anali- sando as estatísticas sobre sucesso e fracasso dos projetos de desenvolvimento de software: o Chaos Report. Neste estudo foi revelado que: • quase 84% dos projetos de software eram mal-sucedidos, sejam por serem cancelados ou apresenta- rem falhas críticas (dentre elas conclusão fora do tempo previsto, fora do orçamento previsto ou com menos funcionalidades do que o planejado) • 31.1% dos projetos eram cancelados antes de serem concluídos • 52.7% dos projetos apresentavam custo real 189% maior que o estimado e o tempo de conclusão 222% maior que o previsto • 16.2% dos projetos eram concluídos dentro de prazo, custo e escopo estimados • estimou-se que, naquele ano, as agências governamentais e companhias privadas americanas teriam gasto US$ 81 bilhões apenas em projetos cancelados, e mais US$ 59 bilhões em projetos concluídos fora do tempo previsto. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 7 O Standish Group continuou publicando regularmente seu relatório nos anos seguintes e, apesar de 35% dos projetos de software iniciados em 2006 terem obtido sucesso, ainda é assustador saber que dois terços de todos eles fracassam. Vejam as estatísticas de 2004: Observando estes números, fica claro que de 1960 até hoje, mais de 50 anos de experiência no desen- volvimento de software não bastaram para melhorar efetivamente a qualidade do software, a despeito da evolução ocorrida na área de Engenharia de Software e do ferramental disponível. Grady Booch, um dos criadores da UML – Unified Modeling Language, resumiu assim a história: “uma doença que dure tanto tempo quanto esta, franca- mente, deveria ser chamada de normalidade”. [BOO- CH et al, 2006]. Definições e Conceitos de Software e Engenharia de Software Engenharia de Software é uma disciplina da enge- nharia que se ocupa de todos os aspectos da produ- ção de software, desde os estágios iniciais de especi- ficação do sistema até a manutenção desse sistema, depois que ele entrou em operação. Seu principal ob- jetivo é fornecer uma estrutura metodológica para a construção de software com alta qualidade. Para que isso seja conseguido é necessário: • aplicar teorias, métodos e ferramentas nas si- tuações apropriadas nas diversas etapas do de- senvolvimento • trabalhar de acordo com as restrições organiza- cionais e financeiras procurando soluções que estejam dentro dessas restrições • gerenciar os projetos de software para que o resultado final esteja dentro do escopo, custo e prazos planejados • adotar uma abordagem sistemática e organiza- da (maneira mais eficaz de produzir software de alta qualidade) Apesar da sua indiscutível importância, caro, alu- no, as técnicas e métodos da Engenharia de Softwa- re são, atualmente, amplamente, mas não universal- mente, utilizadas. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 8 Mas não podemos falar da Engenharia de Sof- tware, sem antes, entendermos o software e seus fundamentos. Assim, os conceitos de software são apresentados aqui como uma referência inicial para o estudo do software, propriamente dito, e de seus processos de desenvolvimento. Comecemos pelo significado léxico da palavra sof- tware e seu significado nos dicionários: Software (palavra inglesa, de soft, mole + ware, mercadoria); [Informática]. Conjunto de programas, processos e regras, e, eventualmente, de documen- tação, relativos ao funcionamento de um conjunto de tratamento da informação (por oposição a hardware). (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, http:// www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=software, 2011) Software é uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecio- namento ou modificação de um dado/informação ou acontecimento. Software também é o nome dado ao comportamento exibido por essa seqüência de instru- ções quando executada em um computador ou máqui- na semelhante além de um produto desenvolvido pela Engenharia de software, e inclui não só o programa de computador propriamente dito, mas também manuais e especificações. Para fins contábeis e financeiros, o Software é considerado um bem de capital. (Wikipe- dia, http://pt.wikipedia.org/wiki/Software, 2011) Pressman (2010) conceitua o software como: “(1) Instruções (programas de computador) que, quando executadas, produzem a função e o desempenho desejados; (2) Estruturas de dados que possibilitam que os programas manipulem adequadamente a informação; (3) Documentos que descrevem a operação e o uso dos progra- mas”. As normas de gestão de qualidade e garantia da qualidade apresentam definições de software e seus componentes e processos. De acordo com a norma NBR ISO 9000-3, que é uma interpretação da norma de garantia de qualidade ISO 9001 para aplicação aos produtos de software, temos as seguintes definições: Software: Criação intelectual compreendendo os programas, procedimentos, regras e qual- quer documentação correlata à operação de um sistema de processamento de dados. Produto de software: Conjunto completo de programas de computador, procedimentos e documentação correlata, assim como dados designados para entrega a um usuário. Item de software: Qualquer parte identificá- vel de um produto de software em etapa inter- mediária ou na etapa final de desenvolvimento. Desenvolvimento: Todas as atividades a se- rem realizadas para a criação de um produto de software. Fase: Segmento definido do trabalho. Como podemos observar, o conjunto de conceitos apresentados deixa claro que o software é um pro- duto que exige uma visão ampla, contemplando toda sua complexidade, não podendo o controle da qua- lidade ser uma atividade secundária, devendo estar presente desde o início de seu desenvolvimento até a análise final de entrega. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 9 Comparar o software com produtos de hardware auxilia na compreensão das diferenças existentes en- tre eles e enfatiza as características inerentes a um software. O processo de desenvolvimento do softwa- re apresenta diferenças fundamentais em relação ao hardware [PRESSMAN, 2010]: • O processo criativo do hardware gera algo físi- co (por exemplo, placas de circuitos). O desen- volvimento de software resulta em um elemen- to pertencente a um sistema lógico, intangível; • O software geralmente é desenvolvido sob me- dida, ao contrário do hardware, no qual o pro- jetista tem acesso a componentes existentes que executam tarefas definidas. O projetista do software nem sempre terá acesso a módulos prontos para utilização e quando o faz, pode elevar o risco do produto devido a questões de segurança; • Os custos do software estão concentrados no desenvolvimento e não no processo de manu- fatura. Isto significa que não pode ser gerido como projeto de manufatura; • Ao longo do tempo, o produto de software não se desgasta, mas se deteriora em função da introdução de erros oriundos de atividades de manutenção ou evoluções implícitas no proces- so que devem ser reconsideradas no modelo original. Desta forma, o software sofre deterioração oca- sionada por diversos fatores sendo uma caracterís- tica peculiar do produto. Segundo Pressman (2010), no caso do hardware, temos um alto índice de fa- lhas no início do seu ciclo de vida ocasionadas por defeitos de fabricação e projeto. Posteriormente os defeitos são corrigidos dando estabilidade nas falhas ou mantendo-a em um nível muito baixo e supor- tável para a estrutura. Já no final do ciclo de vida do produto podem surgir problemas relacionados ao envelhecimento,acúmulo de poeira, vibração, abuso, temperaturas extremas, entre outros. Este processo pode ser visto no gráfico apresentado na figura 1. Diferentemente da curva teórica de falhas do har- dware, a de software leva em conta que o software não sofre processos de envelhecimento como o har- dware, pois o software não é algo físico.No início do ciclo de vida do software, teremos problemas (bugs) que serão ajustados no decorrer do desenvolvimento e se estabilizarão gerando uma tendência de acha- tamento da curva. Notemos que esta é apenas uma teoria, já que a curva real do índice de falhas de um software considera o processo de manutenção e mu- danças. Durante o processo de refinamento do pro- duto ou mudanças aumenta-se, consideravelmente, a probabilidade de inserção de novos erros, gerando picos na curva de falhas. As sucessivas alterações do software tendem a introduzir mais erros antes da es- tabilização dos erros de alterações anteriores, oca- sionando a tendência crescente do índice de falhas, conforme pode ser visto na figura 2. Figura 1 - Curva de falhas do hardware Fonte: [PRESSMAN, 2010] Figura 2 - Curva de falhas do software Fonte: [PRESSMAN, 2010] Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 10 Isso nos remete a uma realidade bastante complicada em relação ao software: ele é um produto que quanto mais se conserta, pior fica. Um software em constante manutenção pode ser tornar uma espécie de “colcha de retalhos”, gerando pontos de falhas diversos, difíceis de se identificar e de se ajustar. O melhor modelo é o desenvolvimento de um novo produto após o tempo de vida útil do mesmo, considerando-se as novas necessidades e tecnologias disponíveis. Quando o hardware é projetado e construído, faz- -se uso de catálogos de componentes digitais. Cada circuito integrado tem um código de componente, uma função definida e validada, uma interface bem delineada e um conjunto padrão de integração. De- pois que cada componente é selecionado, ele pode ser requisitado do estoque e utilizado em diferentes projetos de hardware com alta confiabilidade. No mundo do software, isso é algo que está ape- nas começando a ser utilizado numa escala mais ampla, apesar de existirem alguns casos antigos de “reuso”, como as bibliotecas de subrotinas científi- cas. Atualmente, a visão de reuso foi ampliada para abranger não apenas algoritmos consagrados, mas também estruturas de dados, interfaces gráficas e diferentes classes e componentes orientados a ob- jetos. O Produto Software Na realidade atual, o software assume um duplo papel: ele é o produto e, ao mesmo tempo, o veículo para entrega do produto. Esta afirmação é do conhe- cido autor Roger Pressman (Pressman, 2010), que explica que o software, como produto, permite que o potencial de processamento do hardware do com- putador ou da rede de computadores seja utilizado, pois transforma informações em um amplo espectro de aplicações, das mais simples às mais complexas. Como veículo usado para entrega do produto, o sof- tware trabalha como elemento essencial para o con- trole do computador e seus recursos (como o sistema operacional), para a comunicação e transmissão da informação (redes) e para a criação e controle de outros programas (ferramentas e ambientes de de- senvolvimento). A importância do software na nossa sociedade continua a crescer. Ele entrega o produto mais importante da nossa época: a informação. O programador solitário de antigamente foi subs- tituído por uma equipe de especialistas de software, com cada um se concentrando numa parte da tecno- logia necessária para produzir uma aplicação comple- xa. Mas, os mesmos questionamentos feitos ao “pro- gramador solitário” continuam sendo feitos quando modernos sistemas baseados em computador estão sendo construídos: • Por que se leva tanto tempo para concluir um software? • Por que os custos de desenvolvimento são tão altos? • Por que não podemos achar todos os erros an- tes de entregar o software aos clientes? • Por que continuamos a ter dificuldade em ava- liar o seu progresso enquanto o software é de- senvolvido? Essas perguntas são manifestações da preocupa- ção sobre o software e a maneira pela qual ele é Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 11 desenvolvido. E, como vimos, questões como estas levaram à criação e adoção da Engenharia de Sof- tware. Assim, caro aluno, o desenvolvimento de software deve ser feito cercando todo o processo de bastante cuidado. Numa abordagem mais madura do proces- so de desenvolvimento, podemos considerar diversos fatores, dentre os quais podemos citar: • Há similaridades e diferenças entre os projetos de software, assim os modelos definidos não são aplicáveis a todos os projetos; • Existe uma estreita relação entre o processo de desenvolvimento e manutenção, e o produ- to de software, sendo a escolha do processo fundamental para o alcance das características desejadas do produto; • Para uma boa visibilidade do processo é essen- cial o estabelecimento de critérios de medição apoiados em objetivos e modelos apropriados; • O software é um processo experimental, no qual o aprendizado com realimentação para o processo de desenvolvimento e manutenção dos produtos é atividade natural; • Avaliação e realimentação repetitiva são neces- sárias para o aprendizado e inclusão de melho- rias, além do controle individual de projetos; • Gerir, registrar e distribuir corretamente as ex- periências (ou cases) permitirá a construção de uma competência de software na organização; • Uma variedade de experiências em relação ao processo, produto, recursos, defeitos e mode- los de qualidade podem formar uma base de experiências atualizável; • O processo de desenvolvimento e manutenção de software deve considerar a reutilização de experiências com definições de quando, como e onde reutilizar; • As experiências podem ser armazenadas e dis- ponibilizadas de formas variadas e integradas em repositórios de informações relacionando a similaridade de projetos, produtos, característi- cas, fenômenos e outros. Aplicações do Software O software pode ser aplicado em qualquer situa- ção para a qual um conjunto previamente especia- lizado de procedimentos (um algoritmo) tenha sido definido. Exemplos de áreas de aplicações de software são: • Software de sistema: coleção de programas para servir outros programas (compiladores, editores, utilitários para gestão de arquivos, componentes de sistemas operacionais, etc). Estes tipos de programas se caracterizam por manterem uma interação intensa com o har- dware. • Software de tempo real: monitora, analisa e controla eventos do mundo real à medida em que eles ocorrem. É o software que geren- cia os recursos de um sistema computacional, com o objetivo de garantir que todos os even- tos sejam atendidos dentro de suas restrições de tempo e sejam gerenciados da forma mais eficiente possível. Exemplos: sistema de radar aeroespacial, teclado que gera inputs de teclas pressionadas para um sistema microprocessa- do, sensor de temperatura que gera um input para um microcontrolador, sistema de controle de voos, dentre outros. • Software comercial: maior área de aplicação de software. Estão na categoria de software de aplicação que resolvem necessidades específi- cas do negócio, como controle de reservas de Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 12 voos, sistemas de pagamento, de controle de estoque, etc. • Software científico e de engenharia: ca- racterizado por algoritmos que “processam nú- meros” e realizam operações matemáticas e cálculos mais complexos (astronomia, análise automotiva de tensões, manufatura automati- zada, previsão de tempo, simuladores, etc). • Softwareembutido: produtos “inteligentes”. São programas armazenados em ROMs – Read Only Memories, como controle de teclado para um forno de microondas, funções digitais em um automóvel – controle de combustível, mos- tradores do painel, sistemas de frenagem, etc. Estes programas são chamados de firmware, que são programas gravados no hardware que controlam as funções dos dispositivos eletrôni- cos. • Software para web: as páginas da web recu- peradas por um browser constituem software que incorpora instruções executáveis na forma de scripts, permitindo a inclusão de elemen- tos dinâmicos, animações, acesso a banco de dados e diversas características que fazem as páginas HTML estáticas de antigamente pare- cerem apenas folhas de um livro em papel. • Software para computadores pessoais: esse mercado “explodiu” nos últimos anos, en- globando uma enorme lista de aplicativos para os desktops e notebooks, como processadores de texto, planilhas, aplicações gráficas, aplica- ções multimídia, etc. • Software para inteligência artificial: faz uso de algoritmos não numéricos para resolver problemas complexos, como sistemas de reco- nhecimento de padrões (de imagem e de voz), redes neurais artificiais, sistemas de controle de robôs, etc. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 13 Mitos do Software Muitas crenças ou mitos foram criados acerca de acontecimentos ligados ao processo de desenvolvi- mento de software, desde os primeiros programas. Mas são informações, muitas vezes, traiçoeiras. Os mitos podem parecer verdadeiros, trazer informa- ções sobre fatos razoáveis e muitas vezes serem di- vulgados por pessoas que “entendem do assunto”. Hoje os profissionais que conhecem a Engenharia de Software reconhecem os mitos pelo o que eles são na realidade: afirmações enganosas que já causaram prejuízo a diversos profissionais. Para que você, caro aluno, não seja enganado pe- los mitos, pois eles ainda estão presentes em nosso meio, vamos apresentá-los a você nesta seção, com base na abordagem de Pressman (2010). Mitos Administrativos ou Gerenciais Gerentes estão frequentemente sob pressão para manter o orçamento, cumprir prazos e aumentar a qualidade. Devido a isso, é comum agarrarem-se a mitos que diminuem (temporariamente) essa pres- são. • Mito: Já temos o manual repleto de padrões e proce- dimentos para a construção do software. Isso não oferecerá ao meu pessoal tudo o que eles precisam saber? • Realidade: - O manual existe. Mas é usado? - Os profissionais sabem da sua existência? - Ele reflete as práticas mais modernas de enge- nharia de software? - É completo? - Está voltado p/ melhorar o prazo de entrega fo- cado na qualidade? Na maioria dos casos a resposta é “não”. • Mito: Meu pessoal tem ferramentas de software de última geração; afinal de contas lhes compra- mos os mais novos computadores. • Realidade: É necessário mais do que computadores de última geração para fazer um desenvolvimen- to de software de alta qualidade. Ferramentas Case são mais importantes. Contudo, a maioria dos desenvolvedores não as usam ainda, ou subutilizam-nas. • Mito: Se nós estamos atrasados nos prazos, podemos adicionar mais programadores e tirar o atraso. • Realidade: Desenvolvimento de software não é um pro- cesso mecânico. Quando novas pessoas são adicionadas, pessoas que estavam trabalhan- do devem gastar tempo educando os novatos. Pessoas podem ser adicionadas, mas de um modo planejado e bem coordenado. • Mito: Se decidirmos terceirizar um projeto vamos po- der relaxar e deixar que a empresa o elabore. • Realidade: Se uma organização não sabe como gerir e controlar seus projetos de software, terceirizá- -los certamente trará outros problemas, talvez maiores. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 14 Mitos do Cliente Um cliente que encomenda um software pode ser uma pessoa na mesa vizinha, um grupo técnico em outra sala, o departamento de promoção/vendas ou uma empresa que encomendou software sob contra- to. O cliente acredita em mitos de software, geral- mente porque os gerentes e profissionais de software fazem pouco para corrigir essa desinformação. Mitos levam a falsas expectativas (pelo cliente) e à insatis- fação com o desenvolvedor. • Mito: Uma declaração geral dos objetivos é suficiente para se começar a escrever programas – pode- mos preencher os detalhes mais tarde. • Realidade: Uma definição inicial ruim é a principal causa de falhas nos esforços de software. É essen- cial uma descrição formal do domínio da infor- mação, função, comportamento, performance, interface, restrições de projeto e critérios de validação. Necessária intensa comunicação en- tre cliente e desenvolvedor. • Mito: Os requisitos de projeto modificam-se continu- amente, mas as mudanças podem ser facilmen- te acomodadas, porque o software é flexível. • Realidade: É verdade que os requisitos de software mu- dam, mas o impacto das mudanças varia de acordo com o momento na qual ela ocorre. Em termos de custos, na fase de definição (x1), na fase de desenvolvimento (1,5 a 6x) e na fase de manutenção (60 a 100x). Deve ser dada muita atenção às definições iniciais. Mitos do Profissional Os mitos que ainda têm crédito entre os profissio- nais de software sobreviveram a mais de 50 anos de cultura de programação. No início a programação era vista como uma forma de arte. • Mito: Assim que escrevermos o programa e o colo- carmos em funcionamento nosso trabalho es- tará completo. • Realidade: Estudos mostram que, entre 60% a 80%, de todo o esforço gasto em um programa serão despendidos depois dele ter sido entregue, pela primeira vez, para o usuário. • Mito: Enquanto não tiver o programa “funcionando”, eu não terei realmente nenhuma maneira de avaliar sua qualidade. • Realidade: Um dos mecanismos mais efetivos para garan- tia de qualidade do software pode ser aplicado desde o seu início – a Revisão Técnica Formal (um filtro de qualidade). • Mito: A única coisa a ser entregue em um projeto bem-sucedido é o programa funcionando. • Realidade: O programa executável é uma das partes da configuração do software. A documentação é um fator importante também (alicerce para o desenvolvimento e guia para a manutenção). • Mito: A engenharia de software vai nos fazer criar documentação volumosa e desnecessária que certamente nos atrasará. • Realidade: A engenharia de software não se relaciona à criação de documentos. Refere-se à criação de qualidade. Melhor qualidade leva à redução de Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 15 retrabalho. E menor retrabalho resulta em tem- pos de entrega mais rápidos. Conclusão sobre os Mitos: Profissionais de software devem reconhecer a fa- lácia dos mitos. O reconhecimento das realidades do software é o primeiro passo em direção à formulação de soluções práticas e eficientes para a Engenharia de Software. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 16 Exercícios do Capítulo 1 1) Qual das questões abaixo não é mais uma das grandes preocupações de um engenheiro de software? a) Por que normalmente se gasta tanto tempo para desenvolver software? b) Por que, via de regra, software custa tão caro? c) Por que quase sempre não se consegue remover todos os erros do software antes da sua entrega? d) Por que hardware é tão caro? 2) Software é um produto que pode ser manufaturado usando as mesmas tecnologias usadas para outros artefatos de engenharia. a) Verdadeiro b) Falso 3) Software deteriora-se ao invés de se desgastar porque: a) Software “sofre” quando exposto a ambientes “hostis” b) Defeitos são mais prováveis de surgir quando o software é usado várias vezes c) Mudançasfrequentes aumentam a probabilidade de se introduzir erros no software d) Componentes de reposição de sofware são difíceis de se encontrar no mercado 4) Atividades “guarda-chuva” de engenharia de software são aplicadas somente durante as fases iniciais do desenvolvimento de software: a) Verdadeiro b) Falso 5) O que caracterizou a chamada “crise do software”? 6) Conforme vimos, Engenharia de Software é uma disciplina da Engenharia que se ocupa de todos os aspectos da produção de software. Seu principal objetivo é fornecer uma estrutura metodológica para a construção de software com alta qualidade. O que é ne- cessário para que isso aconteça? 7) Normalmente, para o leigo, software se constitui no “código fonte + código executá- vel”. Vimos que para a Engenharia de Software, o conceito de software é algo mais abrangente. Como Pressman conceitua software? 8) O processo de desenvolvimento do software apresenta diferenças fundamentais em relação ao hardware. Cite algumas dessas diferenças. 9) Faça um esboço das curvas de taxa de falhas do hardware e do software. Explique as diferenças entre as curvas. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 17 Processo de Software Caro aluno, neste capítulo descreveremos o que é um processo de software, mostraremos as camadas em que a Engenharia de Software se divide, descreveremos os padrões de processo, a avaliação e as ferramentas que apoiam o processo. Conceitos Básicos de Processo de Software Caro aluno, todo projeto de software inicia-se a partir de alguma necessidade do negócio. Assim que esta necessidade é identificada, esta costuma ser ex- pressa de forma informal, através de uma conversa. Mas esta informalidade deve parar por aí. Até mesmo a especificação da necessidade do cliente é abrangida pelos métodos e técnicas da Engenharia de Software. E este é um processo bastante complexo. Então va- mos começar a entendê-lo, conhecendo exatamente do que se trata um “processo de software”. Para que as necessidades da empresa ou de um cliente possa se transformar numa solução de sof- tware, todo o diálogo e a interação entre usuários, projetistas, ferramentas de desenvolvimento e tecno- logias devem ser transformados num processo. Assim, processo de software é um arcabouço (framework) das tarefas requeridas para se construir um software de alta qualidade. Mas, caro aluno, você pode estar se perguntan- do: processo e engenharia de software são a mesma coisa? A resposta é “sim” e “não”. Processo de software define a abordagem que é adotada quando o softwa- re é elaborado. A Engenharia de Software engloba também as tecnologias que constituem um processo, como métodos, técnicas e ferramentas de desenvol- vimento. Assim, a Engenharia de Software engloba os processos de software. Podemos definir Engenharia de Software como um processo que envolve a criação e a utilização de sólidos princípios de engenharia a fim de obter sof- tware com as características: D de alta qualidade D produzido de maneira econômica D que seja confiável D que trabalhe eficientemente em máquinas reais D que seja entregue no prazo D que satisfaça o cliente A Engenharia de Software é uma tecnologia em camadas, apoiada fundamentalmente num compro- misso organizacional com a qualidade, como mostra a figura 3. Nesta abordagem, podemos observar que o alicerce da Engenharia de Software é a camada de processo, que funciona como um adesivo que man- tém unidas as camadas ligadas à tecnologia. Figura 3 Engenharia de Software: uma tecnologia em camadas O processo forma uma base para o controle gerencial de projetos de software e estabelece o contexto no qual os métodos e as técnicas são aplicados, os produtos do trabalho são produzidos, os marcos são estabelecidos, a qualidade é assegurada e as modificações adequadamente geridas. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 18 Os métodos fornecem as técnicas de “como fazer” a construção de software. Abrangem um amplo con- junto de tarefas que incluem comunicação, análise de requisitos, modelagem de projeto, construção de pro- gramas, testes e manutenção. As ferramentas fornecem apoio automatizado ou semi-automatizado para o processo e seus métodos. Para que a Engenharia de Software possa ser apli- cada como uma abordagem disciplinada para o de- senvolvimento, operação e manutenção de um sof- tware, um processo deve ser definido. De uma forma geral, um processo é caracterizado por fases: 1. Fase de Definição 2. Fase de Desenvolvimento 3. Fase de Manutenção 1. Fase de Definição: esta fase se concentra no “quê” o sistema de software irá realizar, isto é, identifica: • que informação deve ser processada • que função e desempenho são desejados • que comportamento deve ser esperado do sis- tema • que interfaces devem ser estabelecidas • que restrições de projeto existem • que critérios de validação são necessários Nessa fase, os requisitos-chave do sistema e do software são identificados. Esta fase engloba 3 im- portantes etapas: i. Engenharia de sistemas ou de informação ii. Planejamento do projeto iii. Análise de requisitos 2. Fase de Desenvolvimento: esta fase foca- liza “como” o desenvolvimento será realizado, isto é , define: • como os dados devem ser estruturados • como as funções devem ser implementadas • como os detalhes procedimentais devem ser implementados • como as interfaces devem ser caracterizadas • como o projeto deve ser traduzido em uma lin- guagem de programação • como o teste vai ser realizado Nesta fase, 3 etapas técnicas específicas ocorre- rão: i. Projeto do Software ii. Geração de Código iii. Teste de Software 3. Fase de Manutenção: esta fase tem como alvo as modificações e manutenções que o software sofrerá. Quatro tipos de modificações são encontra- das durante essa fase: • Manutenção Corretiva: modifica o software para corrigir defeitos • Manutenção Adaptativa: modifica o software para acomodar mudanças no seu ambiente ex- terno (processador, sistema operacional, etc) • Manutenção de Aperfeiçoamento: aprimora o software além dos requisitos funcionais origi- nais (cliente/usuário reconhece e solicita fun- cionalidades adicionais que trarão benefícios, à medida que o software é usado). • Manutenção Preventiva: faz modificações nos programas de modo que eles possam ser mais facilmente corrigidos, adaptados e melhorados. Estas 3 fases são complementadas por ativida- des “guarda-chuva”: D Controle e Rastreamento do Projeto D Gestão de Riscos D Revisões Técnicas Formais D Garantia de Qualidade D Gestão de Configuração de Software D Produção e Preparação de Produtos do Traba- lho (documentos) D Gestão de Reusabilidade D Medição Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 19 Essas atividades são aplicadas ao longo do pro- cesso de software. Padrões, Avaliação e Tecnologias de Processo De acordo com Pressman (2010), um processo de software pode ser definido como uma coleção de pa- drões que definem um conjunto de atividades, ações, tarefas de trabalho e produtos de trabalho necessá- rios para o desenvolvimento de software de compu- tador. Em termos gerais, um padrão de processo nos fornece um gabarito que permite que sejam listadas as características mais importantes do processo de software. Mas é interessante notar, caro aluno, que uma equipe de desenvolvimento pode construir, pela combinação de padrões, um processo que melhor sa- tisfaça às necessidades do projeto. Descrever um padrão de projeto é uma tarefa mui- to importante, pois permite se identificar particulari- dades que facilitem a comparação entre os padrões, auxiliando na decisão de escolha por um padrão es- pecífico. Gamma et al (1994) propõemum gabarito para esta definição, dividido em seções, como apre- sentado a seguir: • Nome do padrão e Classificação: o nome é muito importante para um padrão, pois deve indicar a essência do padrão em poucas pala- vras. • Intenção do padrão: descreve o que o pa- drão faz, qual a sua intenção e qual problema o padrão se propõe a resolver. • Também conhecido como: um outro nome pelo qual o padrão é conhecido, caso exista. • Motivação: um exemplo de problema de pro- jeto e como a utilização do padrão resolve este problema. • Aplicabilidade: condições em que o padrão pode ser aplicado, exemplo de situação em que o padrão é aplicado e como identificar essas situações. • Estrutura: uma representação gráfica das classes no padrão utilizando uma linguagem de modelagem, em que possam ser representados os relacionamentos entre os objetos e sequên- cias de requisições. • Participantes: apresenta as classes e objetos que fazem parte do padrão e quais as suas res- ponsabilidades. • Colaborações: como os participantes colabo- ram para atender as suas responsabilidades. • Consequências: descreve como o padrão al- cança seus objetivos, quais as decisões e re- sultados de usar o padrão e que aspectos da estrutura do sistema podem ser variados inde- pendentemente. • Implementação: que detalhes de implemen- tação devem ser observados se o padrão for implementado. Deve ser observado se existem detalhes específicos para uma determinada lin- guagem. • Exemplo de código: um exemplo de código que mostre como o padrão deve ser implemen- tado em alguma linguagem. • Usos conhecidos: exemplos do padrão en- contrados em sistemas reais. • Padrões relacionados: padrões que se as- semelham a este padrão e quais as diferenças. Apresenta também outros padrões que podem ser utilizados em conjunto. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 20 A existência ou a simples escolha de um processo de software não garante que o software será entregue no prazo, que ele atenda as necessidades do projeto e possua as características técnicas que garantirão sua qualidade no longo prazo. Os padrões de processo precisam estar ligados de forma sólida às práticas da Engenharia de Software. Além disso, o processo em si deve ser avaliado para garantir que ele satisfaça a um conjunto de critérios essenciais para o desenvolvimento bem sucedido. O relacionamento entre o processo de software e os métodos aplicados para sua avaliação e melhoria é mostrado na figura 4. Figura 4 Processo de Software, Avaliação e Melhoria de Processo Como vimos, os modelos de processo podem e devem ser adaptados para o uso de uma determina- da equipe de projeto de software. Para que se possa conseguir isso, foram desenvolvidas diversas ferra- mentas de tecnologia de processo de forma a ajudar as organizações a analisar o processo que utiliza, or- ganizar as tarefas de trabalho, controlar e monitorar o progresso do desenvolvimento e ainda gerenciar sua qualidade técnica. Os componentes da equipe de desenvolvimento podem utilizar as ferramentas para desenvolver um checklist das tarefas de trabalho a seu cargo. As fer- ramentas de tecnologia de processo também podem ser utilizadas para coordenar e gerenciar o uso de outras ferramentas de engenharia de software apoia- das por computador adequadas às diversas tarefas de trabalho. Como vimos neste capítulo, a Engenharia de Sof- tware é uma disciplina que integra processo, métodos e ferramentas para o desenvolvimento de projetos de software. Há diversos modelos de processo, mas todos possuem algumas características em comum, definindo um conjunto de atividades de arcabouço, uma coleção de tarefas para que se consiga realizar as atividades, produtos de trabalho produzidos nas tarefas e um con- junto de atividades guarda-chuva que apóiam as ativi- dades de todo o processo. Vimos, também, que padrões de processo podem ser utilizados para definir as características de um pro- cesso. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 21 Exercícios do Capítulo 2 1) Processos de software podem ser construídos de modelos pré-existentes objetivando se adequar às necessidades de um determinado projeto a) Verdadeiro b) Falso 2) A essência da prática da engenharia de software pode ser resumida em compreender o problema, planejar a solução, executar o plano e examinar o resultado. a) Verdadeiro b) Falso 3) Qual dos itens listados abaixo não se constitui numa das camadas da engenharia de software? a) Processo b) Manufatura c) Métodos d) Ferramentas 4) Cite que tipos de manutenção um software pode sofrer. 5) As atividades “guarda-chuva” dão “cobertura” para as fases envolvidas na produção de software. Cite algumas dessas atividades. 6) Há uma ilusão por parte de alguns desenvolvedores que basta selecionar um modelo de processo e aplicá-lo para se obter software de qualidade, dentro do prazo e custos estabelecidos. Comente sobre esse “mito”. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 22 Modelos de Processo Caro aluno, neste capítulo definiremos o que é ciclo de vida de software, quais suas principais etapas e descreveremos os principais modelos de processo de software: Modelo em Cascata, Mo- delos Evolucionários (Modelo de Prototipagem, Modelo Espiral e Modelo Concorrente), Modelos Incrementais (Modelo RAD e Modelo Incremental), Modelo Baseado em Componentes, Modelo de Métodos Formais, Processo Unificado e Métodos Ágeis de Desenvolvimento. Ciclo de Vida e Modelos de Processo O ciclo de vida de um software descreve as fases pelas quais o software passa desde a sua concepção até a descontinuidade de seu uso. O conceito de ciclo de vida de um software é muitas vezes confundido com o de modelo de processo, mas são conceitos bem diferentes, como veremos a seguir. Existem várias propostas e denominações para as fases do ciclo de vida de um software. Nesta nossa abordagem, vamos trabalhar com 4 fases, que são as mais típicas em diversos ciclos de vida, de acordo com a proposta de Leite (2007). Cada fase inclui um conjunto de atividades ou disciplinas que devem ser realizadas pelas pelos envolvidos no processo de de- senvolvimento. Essas fases são: 1. Fase de Definição 2. Fase de Desenvolvimento 3. Fase de Operação 4. Fase de Retirada 1. Fase de Definição A fase de definição do software ocorre em con- junto com outras atividades como a BPM – Business Process Modeling ou Modelagem de Processos de Negócios e Análise de Sistemas. Nestas atividades, diversos profissionais fazem o levantamento da situ- ação atual em busca da identificação de problemas, para que possam elaborar propostas de solução de sistemas computacionais que os resolvam. Dentre as propostas apresentadas, deve-se fazer um Estudo de Viabilidade, incluindo a Análise de Custo-Benefício, para se decidir qual solução será a escolhida. O resultado desta atividade deve incluir a decisão se o sistema será adquirido ou desenvolvido, indi- cando informações sobre necessidades de hardware, ferramentas de software, pessoal, procedimentos, in- formação e documentação. Caso haja uma decisão pelo desenvolvimento do sistema, no escopo da Engenharia de Software, tor- na-se essencial elaborar o documento de Proposta de Desenvolvimento de Software, que pode ser a base de um Contrato de Desenvolvimento. Nesta fase, os profissionais devem realizar uma tarefa de extrema importância, que é fazer o levan- tamento dos Requisitos de Software e Modelos de Domínio. Os requisitos são fundamentais para que o engenheiro de software possa elaborar um Plano de Desenvolvimento de Software, indicando em deta- lhes os recursos necessários (humanos e materiais), bem como as estimativas de prazos e custos (crono- grama e orçamento).Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 23 2. Fase de Desenvolvimento A fase de desenvolvimento ou de produção do sof- tware inclui todas as atividades que têm por objetivo a construção do produto. Esta fase inclui as ativida- des de projeto, implementação, verificação e valida- ção do software. D Projeto A atividade de projeto compreende todo o es- forço de concepção e modelagem que tem por objetivo descrever como o software será imple- mentado. O projeto inclui: o Projeto conceitual: envolve a elaboração das ideias e conceitos básicos que determinam os elementos fundamentais do software a ser de- senvolvido. o Projeto da interface com o usuário: envolve a elaboração das formas como o usuário vai interagir para realizar suas tarefas, a escolha dos objetos de interfaces (botões, menus, cai- xas de texto, etc.), o layout de janelas e telas, dentre outros; a interface deve garantir uma usabilidade satisfatória do software e é um fa- tor fundamental de sucesso do software. o Projeto da arquitetura do software: se refere à elaboração de uma visão macroscópica do sof- tware em relação aos componentes que intera- gem entre si. São exemplos de visões arquite- tônicas, a visão conceitual, visão de módulos, visão de código e visão de execução. o Projeto dos algoritmos e estruturas de dados: objetiva determinar, de maneira independente da linguagem de programação a ser adotada, as soluções algorítmicas e as estruturas de da- dos associados. D Implementação A implementação envolve as atividades de co- dificação, compilação, integração e testes. A codificação visa traduzir o projeto num progra- ma utilizando linguagens e ferramentas ade- quadas. A codificação deve refletir a estrutura e o comportamento descrito no projeto da arqui- tetura do software. Os testes podem ser inicia- dos durante a fase de implementação. A depu- ração de erros ocorre durante a programação utilizando técnicas e ferramentas adequadas. É fundamental que se adote um controle e ge- renciamento de versões para que se tenha total controle de tudo o que está sendo codificado. D Verificação e Validação São atividades que se destinam a mostrar que o sistema está de acordo com a especificação e que ele atende às expectativas de clientes e usuários. A validação visa assegurar que o pro- grama está fazendo o que foi definido na sua especificação. A verificação visa certificar se o programa está correto, isto é, se não possui erros de execução e está fazendo de forma cor- reta suas funcionalidades. Existem diferentes formas de verificação e validação. Os testes de correção, desempenho, confiabilidade, robus- tez, usabilidade, dentre outros, podem ser usa- dos para avaliar diversos fatores de qualidade a partir da execução do software. 3. Fase de Operação A fase de operação envolve diferentes tipos de ati- vidades: • Distribuição e entrega • Instalação e configuração • Utilização • Manutenção Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 24 A distribuição e entrega pode ser feita diretamente pelo desenvolvedor (em caso de software personali- zado) ou em um pacote a ser vendido em prateleiras de lojas ou para ser baixado pela internet. O processo de instalação e configuração, normal- mente, pode ser feito com a ajuda de software de instalação disponibilizados pelos fabricantes dos am- bientes operacionais. A utilização é a efetiva entrada em operação do software. A qualidade da utilização reflete a usa- bilidade do software. A manutenção normalmente ocorre de forma cor- retiva, adaptativa, de aperfeiçoamento e evolutiva. As manutenções podem ser relativas à resolução de problemas referentes à qualidade do software (fa- lhas, baixo desempenho, baixa usabilidade, falta de confiabilidade, etc.), à produção de novas versões do software de forma a atender aos novos requisi- tos dos clientes, ou adaptar-se às novas tecnologias que surgem (hardware, plataformas operacionais, novas linguagens e paradigmas, etc). Mudanças no domínio de aplicação implicam em novos requisitos e incorporação de novas funcionalidades. Surgimento de novas tecnologias de software e hardware e mu- danças para uma plataforma mais avançada também requerem evolução. 4. Fase de retirada A fase de retirada ou desuso de um software é um grande desafio para os tempos atuais. Há diversos sistemas que estão em funcionamento em empre- sas, que possuem ótimos níveis de confiabilidade e de correção. No entanto, estes sistesmas precisam evoluir para novas plataformas operacionais ou para permitirem a incorporação de novos requisitos e fun- cionalidades. A retirada desses sistemas legados em uma empresa é sempre uma decisão difícil: como se desfazer daquilo que é confiável e ao qual os funcio- nários estão acostumados, após anos de treinamento e utilização? Nestes casos, processos de reengenharia podem ser aplicados para viabilizar a transição ou a migra- ção de um software legado para um novo software de forma a proporcionar uma retirada mais suave. Para resolver problemas reais, um engenheiro de software deve incorporar uma estratégia de desen- volvimento que abrange as camadas de processo, métodos e ferramentas e as fases genéricas da En- genharia de Software. Essa estratégia é definida como Modelo de Processo. O modelo de processo é escolhido com base: • na natureza do projeto e da aplicação a ser desenvolvida • nos métodos e ferramentas a serem utilizados • nos controles e produtos que precisam ser en- tregues Alguns Modelos de Processo incluem: • Modelo em Cascata • Modelo de Prototipação • Modelo RAD • Modelo Incremental • Modelo Espiral • Modelo de Desenvolvimento Baseado em Com- ponentes • Modelo de Desenvolvimento Concorrente • Modelo de Métodos Formais • Modelos de Processos Ágeis No que se segue estes modelos serão agrupados em categorias e detalhados, de forma que você, caro aluno, possa conhecer suas características, potencia- lidades, limitações e aplicações mais adequadas. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 25 Modelos Prescritivos de Processo Processos prescritivos são uma categoria que en- globa os processos que possuem pontos observáveis que a cada passo podem ser verificados e classifica- dos como válidos ou sujeitos a ajustes. Enquanto um modelo descritivo retrata como um processo é executado, um modelo prescritivo retrata como um processo deveria ser executado. Assim, um modelo prescritivo é uma recomendação que pode ser adaptada ou melhorada pela empresa/equipe de software que for adotá-la. Os instrumentos prescritivos do processo de pla- nejamento estratégico explicitam o que deve ser fei- to pela organização para se direcionar o esforço de desenvolvimento de software. Um modelo prescritivo de processo atua como complemento com conjun- tos explícitos de tarefas explícitas para o desenvolvi- mento. Cada modelo prescritivo de processo também prescreve um fluxo de trabalho ou maneira como os elementos se inter-relacionam. Há vários modelos que são classificados nesta ca- tegoria: • Modelo em Cascata • Modelos Evolucionários o Modelo de Prototipagem o Modelo Espiral o Modelo Concorrente • Modelos Incrementais o Modelo RAD o Modelo Incremental • Modelo Baseado em Componentes • Modelo de Métodos Formais • Processo Unificado Modelo em Cascata No modelo em cascata, também conhecido como ciclo de vida clássico, o processo de desenvolvimento de software é visto como uma abordagem sistemática e sequencial que começa com a especificação dos requisitos do cliente e progride seguindo as etapas de planejamento, modelagem, construção e implantação do sistema, conforme ilustra a figura 5, culminando na manutenção progressiva do produto entregue. Figura 5 Modelo em CascataEste modelo é o paradigma mais antigo da Enge- nharia de Software e é bastante criticado em função dos problemas encontrados nos projetos em que é aplicado. A realidade tem mostrado que num projeto raramente se segue o fluxo sequencial que o modelo propõe, gerando problemas futuros que oneram os custos e prazos. Uma das causas mais comuns deste problema é a dificuldade do cliente em declarar cla- ramente todas as suas necessidades e expectativas, ou seja, de definir todos os requisitos inicialmente. O foco incorreto ou não claro pode gerar uma distorção que reflete diretamente na percepção de qualidade por parte do próprio cliente. Isso pode levar a en- tregas parciais do produto, o que exige que o cliente tenha muita paciência durante os aceites parciais que são formalizados em um Documento de Encerramen- to do Projeto com observações no campo Restrições “Entrega Parcial de Projeto”, que contém detalhes Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 26 quanto à aceitação condicional do projeto por parte do cliente. Os trabalhos de desenvolvimento de software atu- ais seguem ritmos muito rápidos, sujeitos a diversas modificações, o que torna o modelo em cascata ina- dequado para estes tipos de projeto. Mas, cumpre ressaltar, caro aluno, que embora o Modelo em Cas- cata ou Ciclo de Vida Clássico tenha fragilidades, ele é significativamente melhor do que uma abordagem casual para o desenvolvimento de software. Modelos Evolucionários de Processo São modelos que consideram a natureza evolutiva do software. Os modelos evolucionários são iterati- vos. São implementados de forma a permitir o desen- volvimento de versões cada vez mais completas do software. Suas características incluem: • São usados quando o deadline (limite de tem- po) não é adequado para o desenvolvimento do software, ou seja, a data de término não é realística (por exemplo, prazos reduzidos de mercado face à competitividade). • Uma versão limitada pode ser introduzida para atender a essa competitividade e às pressões do negócio. • São liberados produtos “core” (“núcleo dos pro- dutos”) ao longo do desenvolvimento. • Os detalhes e extensões do projeto são defini- dos ao longo do desenvolvimento. Os modelos que são agrupados nesta categoria são: Prototipação, Modelo Espiral e Modelo Concor- rente, que são apresentados no que se segue. Prototipação É um modelo de processo que possibilita que o desenvolvedor crie um modelo do software que deve ser construído. Idealmente, o modelo (protótipo) ser- ve como um mecanismo para identificar os requisitos de software. É apropriado para quando o cliente defi- niu um conjunto de objetivos gerais para o software, mas não identificou requisitos de entrada, processa- mento e saída com detalhes. Envolve o desenvolvimento de uma versão inicial do sistema baseada no atendimento dos requisitos ainda pouco definidos. Este processo permite a des- coberta de falhas difíceis de serem encontradas na comunicação verbal, servindo de apoio à fase de levantamento de requisitos prevenindo as possíveis falhas no sistema. O objetivo principal de um protótipo é simular a aparência e funcionalidade do software permitindo que os clientes, analistas, desenvolvedores e geren- tes compreendam plenamente os requisitos do siste- ma interagindo, avaliando, alterando e aprovando as características mais relevantes que o produto deva ter. A figura 6 ilustra este processo. Figura 6 Modelo de Prototipação Certamente a redução de custos no desenvolvi- mento é um dos grandes ganhos de da prototipação, pois envolve diretamente o usuário final permitindo um desenvolvimento mais próximo dos desejos do cliente priorizando a facilidade de uso. Assim, pode- -se obter um nível de satisfação maior em função do menor número de erros ou falhas de desenvolvi- mento comuns na passagem de informação entre o analista (que fez o levantamento de requisitos) e o desenvolvedor (equipe de desenvolvimento). Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 27 Um dos riscos envolvidos neste modelo é o descomprometimento com a análise do produto, visto que os envolvi- dos podem se apoiar totalmente no modelo prototipado gerando uma expectativa muitas vezes irrealista de desem- penho, em função do protótipo ser muito mais enxuto do que o produto final e estar em ambiente controlado. Além disso, o cliente não sabe que o software que ele vê não considerou, durante o desenvolvimento, a qualidade global e a manutenibilidade a longo prazo. Ele pode, também, não aceitar facilmente a ideia de que a versão final do software está sendo construída e tentar forçar a utilização do protótipo como produto final. Outro risco deste modelo é que o desenvolvedor frequentemente faz uma implementação comprometida (utili- zando partes de programas existentes, geradores de relatórios, geradores de janelas) com o objetivo de produzir rapidamente um protótipo executável. Depois de um tempo ele se familiariza com essas escolhas, e pode se esque- cer que elas não são apropriadas para o produto final. Ainda que possam ocorrer problemas, a prototipação é um modelo eficiente. A chave para seu sucesso é definirem-se as regras do jogo logo no começo. O cliente e o desenvolvedor devem ambos concordar que o protótipo seja construído para servir como um mecanismo a fim de se definir os requisitos do projeto. A figura 7 traz uma outra visão deste processo. Modelo Espiral Desenvolvido para abranger as melhores características do Modelo em Cascata e da Prototipação, acres- centando, ao mesmo tempo, um novo elemento: a análise de riscos. Figura 7 Outra visão do Modelo de Prototipação Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 28 O modelo em espiral foi desenvolvido por Barry Boehm (1988) em seu artigo intitulado “A Spiral Model of Software Development and Enhancement”. Este modelo foi o primeiro a explicar o porquê do modo iterativo e elencar suas vantagens. As iterações têm uma duração típica de seis meses a dois anos. Cada fase inicia-se com um objetivo esperado e termina como uma revisão pelo cliente do progresso (que deve ser interna) e assim por diante. Esforços de análise e engenharia são aplicados em cada fase do projeto, tendo sempre o foco no objetivo do projeto. A figura 8 ilustra este processo. As principais características deste modelo são: • Engloba a natureza iterativa da Prototipação com os aspectos sistemáticos e controlados do Modelo em Cascata. • Fornece potencial para o desenvolvimento rápi- do de versões incrementais do software. • O processo se inicia com a equipe de desen- volvimento movendo-se em volta da espiral, no sentido horário, a partir do centro. • O primeiro circuito em torno da espiral pode resultar na especificação do produto. • Nas primeiras iterações, a versão incremental pode ser um modelo em papel ou um protóti- po. • Nas iterações mais adiantadas são produzidas versões incrementais mais completas e melho- radas. É uma abordagem realística para o desenvolvi- mento de software de grande porte. Como o softwa- re evolui na medida em que o processo avança, o cliente e o desenvolvedor entendem melhor e rea- gem aos riscos em cada nível evolucionário. Para pe- quenos projetos, os conceitos de desenvolvimento de software ágil tornam-se uma alternativa mais viável. Como vantagens deste modelo, podemos citar as estimativas realísticas dadas à identificação de pro- Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 29 blemas importantes logo no início do processo, ver- satilidade para lidar com mudanças (quando inevi- táveis), desenvolvimento antecipado por parte dos engenheiros de software que têm visibilidade das necessidades por fases, Usa prototipagem (em qual- quer estágio de evolução do produto)como mecanis- mo de redução de risco. No entanto, o uso do modelo Espiral exige con- siderável experiência na determinação de riscos e depende dessa experiência para ter sucesso. Além disso, pode ser difícil convencer os clientes que uma abordagem “evolutiva” é controlável. Modelo de Desenvolvimento Concorrente De acordo com Pressman (2010), o modelo de Desenvolvimento Concorrente, também chamado de Engenharia Concorrente, pode ser representado, es- quematicamente, como uma série de atividades de arcabouço, ações e tarefas da Engenharia de Softwa- re e seus estados associados. Um exemplo do uso deste modelo pode ver visto na figura 9. A figura traz a atividade “Modelagem” do modelo Espiral (veja figura 8), espelhada no modelo Concorrente. Figura 9 Transições de Estado no Modelo de Desenvolvimento Concorrente No modelo Concorrente, uma atividade pode estar em qualquer um dos estados apresentados na figu- ra (em desenvolvimento, sob inspeção, aguardando modificações, etc) a qualquer tempo. O modelo defi- ne uma série de eventos que vão disparar transições de um estado para outro, para cada uma das ativida- des, ações ou tarefas da Engenharia de Software. Por exemplo, suponha que durante os estágios da etapa de projeto, descobre-se uma inconsistência no mo- delo de análise. Isso geraria o evento “correção no modelo de análise”, que, por sua vez, implicaria na passagem da atividade de análise do estado “pronto” para o estado “aguardando modificações” De forma geral, as principais características deste modelo são: • Todas as atividades ocorrem em paralelo, mas estão em diferentes estados. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 30 • O modelo define uma série de eventos que vão disparar transições de estado para estado, para cada uma das atividades. • Em vez de usar uma sequência como o modelo em cascata, ele define uma rede de atividades. • Eventos gerados dentro de uma certa atividade ou em algum outro lugar da rede de atividades disparam transições entre estados de uma ati- vidade • Pode ser aplicado a todo tipo de desenvolvi- mento de software e fornece uma visão exata de como está o estado do projeto. • Em vários projetos pode existir uma simultanei- dade (concorrência) entre as várias atividades de desenvolvimento e de gestão de projetos. • É representado como uma série de grandes atividades técnicas, tarefas e seus estados as- sociados (fornece um panorama preciso do es- tado atual do projeto). O software moderno é caracterizado por modifica- ções contínuas, prazos muito curtos e por uma ne- cessidade premente de satisfazer o usuário ou cliente. Os modelos evolucionários de processo foram criados com o objetivo de resolver estes problemas, mas tam- bém têm suas fragilidades. Uma delas é que a proto- tipagem pode trazer problemas para o planejamento do projeto em função do número impreciso de ciclos necessários para se concluir o produto. Outra se refere ao foco dado à flexibilidade e extensibilidade ao invés da alta qualidade. Se o foco for centrado na qualidade, o projeto pode resultar em atraso, o que pode compro- meter a competitividade do empreendimento. Modelos Incrementais de Processo Caro aluno, há diversas situações em que os re- quisitos iniciais do software estão razoavelmente bem definidos, mas o escopo global do processo de desenvolvimento claramente elimina uma aborda- gem puramente linear ou sequencial. Adicionalmente pode haver a necessidade de se fornecer rapidamente um conjunto limitado de funcionalidades do software aos usuários e depois refinar, melhorar e expandir aquela funcionalidade em versões mais avançadas do software. Nestes casos, os modelos de processo que produzem software em incrementos são os mais indicados. Os processos incrementais que discutiremos aqui incluem o Modelo Incremental e o Modelo RAD – Ra- pid Application Development (Desenvolvimento Rápi- do de Aplicação). Modelo Incremental O modelo incremental combina elementos do mo- delo em cascata, mas aplicados de forma interativa. O modelo de processo incremental é interativo como a prototipagem, mas diferentemente da prototipa- gem, o incremental tem como objetivo apresentar um produto operacional a cada incremento realizado. Este processo pode ser visto na figura 10. Esse modelo é muito útil quando a empresa não possui mão de obra disponível, num dado período, para uma implementação completa, dentro do prazo estipulado. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 31 De uma forma geral, o Modelo Incremental apre- senta as características: • Combina elementos do Modelo em Cascata (aplicado repetitivamente) com a filosofia itera- tiva da Prototipação. • Aplica sequências lineares de uma forma racio- nal à medida que o tempo passa. • Cada sequência linear produz um incremento do software e pode gerar uma entrega parcial do produto. • Os primeiros incrementos são versões simplifi- cadas do produto final. • O primeiro incremento é chamado de “núcleo do produto” (core). Um exemplo clássico de aplicação do Modelo In- cremental é no desenvolvimento de um processador de texto. Para este projeto as etapas incrementais podem ser assim definidas: [1] Primeiro Incremento: poderia efetuar as fun- ções de controle de versões de arquivos, edi- ção e produção de documentos Figura 10 Modelo de Processo Incremental [2] Segundo Incremento: adicionaria capacidade de edição e de produção de documentos mais sofisticadas [3] Terceiro Incremento: incluiria a verificação sintática e gramatical [4] Quarto Incremento: adicionaria a capacidade avançada de disposição de página Note que todo o processo pode se repetir até que um produto completo seja produzido. Modelo RAD - Rapid Application Develop- ment O modelo RAD - Rapid Application Development (Desenvolvimento Rápido de Aplicação) é uma adap- tação do modelo em Cascata, mas que enfatiza um desenvolvimento extremamente rápido. A “alta ve- locidade” é conseguida através de uma abordagem de construção baseada em componentes, ou seja, o sistema é modularizado. Se os requisitos forem bem definidos e o objetivo do projeto for restrito, a equipe pode criar um siste- ma plenamente funcional em pouco tempo. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 32 O RAD enquadra-se no modelo de atividades de arcabouço do Modelo em Cascata: • Especificação: atividade em que se entende o problema de negócio, as características das informações e é realizado o levantamento de requisitos. • Planejamento: atividade essencial. Várias equipes trabalham em paralelo em diferentes funções. • Modelagem: estabelece representações de projeto que servem como base para a atividade de constru- ção. Abrange três fases: o Modelagem de negócio o Modelagem de dados o Modelagem de processo • Construção: faz uso de componentes de software preexistentes e geração de códigos. • Implantação: estabelece a base para iterações subsequentes, se necessárias. A figura 10 apresenta a representação esquemática do modelo RAD em relação ao modelo sequencial tradiconal. Figura 11 Modelo RAD x Modelo Tradicional Fonte: http://www.etondigital.com/services/rapid-application-development/ As situações de desenvolvimento mais adequadas para se utilizar o Modelo RAD incluem: • Projetos em que os requisitos estão bem defini- dos, o objetivo do sistema é restrito e se deseja criar um “sistema plenamente funcional” den- tro de períodos muito curtos (por exemplo, de 60 a 90 dias, como a figura 11 sugere) • Projetos em que há fortes restrições de tempo impostas pelo cliente . • Aplicações que podem ser modularizadas de forma que cada função principal possa ser completada em menos de 3 meses. • Projetos em que cada função principal possaser alocada para uma equipe distinta e depois integradas para formar o todo do produto. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 33 Mas, a utilização do modelo RAD também pode implicar em problemas. Para projetos grandes, mas mensuráveis, o RAD requer um número elevado de recursos humanos que sejam suficientes para criar um número adequado de equipes. Além disso, o RAD requer um comprometimento entre desenvolvedores e clientes para que as atividades possam ser realiza- das rapidamente e o sistema seja concluído em um tempo curto. Se o comprometimento for abandonado por qualquer das partes, o projeto falhará. O uso do RAD também não é apropriado quando os riscos téc- nicos são grandes (por exemplo, quando a aplicação faz uso de uma nova tecnologia). Desenvolvimento Baseado em Componentes O Desenvolvimento Baseado em Componentes ou CBD- Component-based Development, também é co- nhecido como Component-based Software Enginee- ring (CBSE) ou simplesmente como Componente de Software. Hoje em dia é muito comum que os desen- volvedores utilizem componentes de software que são encontrados em bibliotecas de uso gratuito ou mesmo disponíveis para compra. Estes componentes são conhecidos como COTS– Commercial-Off-The- -Shelf, ou software comercial de prateleira. Geral- mente estes componentes oferecem funcionalidades com interfaces bem definidas que podem ser facil- mente integrados no software sendo desenvolvido. O método de Desenvolvimento Baseado em Com- ponentes incorpora as características de construção de componentes de biblioteca ao Modelo Espiral. De natureza evolucionária, adota uma abordagem iterativa para a criação de software. Assim, o mo- delo constrói aplicações a partir de componentes de software previamente preparados. As atividades de modelagem e construção começam com a identifica- ção de componentes candidatos. Esses componen- tes podem ser projetados como módulos de software convencional ou como classes ou pacotes de classes orientadas a objeto. No paradigma orientado a objetos uma classe encapsula dados e algoritmos, que também podem ser utilizados para manipular os dados. Através des- ta abordagem, uma biblioteca de classes pode ser construída com as classes identificadas no desenvol- vimento do software e a partir de então toda iteração da espiral deverá verificar o conteúdo da biblioteca que pode ser reutilizado. A figura 12 ilustra este pro- cesso. Figura 12 Modelo do Desenvolvimento Baseado em Componentes Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 34 O modelo de Desenvolvimento Baseado em Componentes leva ao reuso de software, e a reusabilidade fornece aos engenheiros vários benefícios. Com base nesta reusabilidade, estudos relatam uma redução de 70% no prazo do ciclo de desenvolvimento e de 84% no custo dos projetos desenvolvidos neste modelo de processo, com índices de produtividade em torno de 26.2, superior ao índice pa- drão de 16.9 da indústria. [PRESSMAN, 2006]. O reuso de software se refere à utilização de software existente para o desenvolvimento de um novo sof- tware. A decisão quanto à utilização de componentes reutilizáveis envolve comparações entre o investimento necessário para a sua aquisição e os gastos para o desenvolvimento de uma solução customizada. Devem ser estimados os custos e benefícios líquidos no investimento em reuso de software e serem avaliados os ganhos com a adoção do reuso. Muitos métodos para o reuso estão em prática no mercado atual, sendo sua escolha determinada pela sua adequação ao modelo de negócio ou às tecnologias utilizadas. O RiSE - Reuse in Software Engineering, por exemplo, é um esforço em direção a um efetivo framework de métodos, processos, ferramentas e boas práticas relacionados ao reuso de software que compreende aspectos técnicos e não técnicos. O CRUISE - Component Reuse in Software Engineering, no formato de livro on line e livre com foco em reuso de software, é um dos primeiros esforços em mapear o reuso de software que cita as áreas chave, de- senvolvimento baseado em componentes, reengenharia, ferramentas, qualidade de componentes de software, métricas para reuso, repositórios, engenharia de domínio, linhas de produtos, entre outros aspectos. O RAD - Rapid Application Development, visto anteriormente, é um modelo de processo de desenvolvimen- to de software iterativo e incremental que enfatiza um ciclo de desenvolvimento extremamente curto (entre 60 e 90 dias) tendo um foco considerável no reuso para se atingir um prazo tão justo tornando-o uma técnica de quarta geração que reutiliza componentes de programas existentes ou cria componentes reutilizáveis. Modelo de Métodos Formais Os métodos formais são técnicas baseadas em for- malismos matemáticos que podem ser usados para a especificação, desenvolvimento e verificação de sis- temas de software. Seu uso para o desenvolvimento de software é motivado pela base que fornecem ga- rantindo confiabilidade e robustez a um projeto, uma vez que executam análises matemáticas apropriadas. No entanto, o alto custo do uso de métodos formais restringe o seu uso ao desenvolvimento de sistemas de alta integridade, no qual há alta probabilidade das falhas conduzirem à perda de vidas ou sérios preju- ízos (como nas missões espaciais e no controle de vôos, por exemplo). Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 35 No modelo de Métodos Formais, também conhe- cido como Engenharia de Software Cleanroom (Sala Limpa), uma questão fundamental é garantir que o software é realmente uma solução para o problema proposto. Para realizar tal tarefa, deve-se primeiro construir um modelo da solução (especificação) uti- lizando uma linguagem formal. Tendo este modelo formal como base, o método permite: • realizar provas matemáticas que garantem que este modelo possui as propriedades requisita- das (verificação); • analisar se a solução proposta é aceitável do ponto de vista de desempenho, indicando quais as melhores estratégias para implementação a serem seguidas; • validar o modelo através de simulações; • realizar o desenvolvimento do software poden- do-se provar que a implementação está correta (geração de código correto). Dentre os vários métodos de especificação formal existentes, destacam-se o método Z, que já foi uti- lizado em várias aplicações práticas, e o método de gramáticas de grafos, por possuir uma linguagem vi- sual de representação e descrever com naturalidade fenômenos de sistemas concorrentes. De uma maneira mais abrangente, podemos ca- racterizar assim o modelo de Métodos Formais: • Permite especificar, desenvolver e verificar um software através de uma rigorosa notação ma- temática. • Fornece um mecanismo para eliminar muitos problemas encontrados nos outros modelos, como por exemplo, ambiguidade, incomple- tude e inconsistência, que podem ser desco- bertos e corrigidos mais facilmente através de análise matemática. • Promete o desenvolvimento de software livre de defeitos. • Consome muito tempo de desenvolvimento e é muito caro. Como poucos desenvolvedores possuem o conhe- cimento necessário para utilizá-lo, são requeridos muitos cursos e treinamentos. É difícil usar tais mo- delos matemáticos formais como meio de comuni- cação com a maioria dos clientes. Assim, como já dissemos, sua área de aplicação é muito restrita, abrangendo, principalmente, aplicações críticas. Links Interessantes Caro aluno, Para mais informações sobre os Métodos Formais, consulte o link: http://www.tiosam.org/enciclopedia/index. asp?q=Métodos_formais Para entender como funciona o controle de tráfego aéreo (projeto crítico), assista ao filme: http://youtu.be/7wsrs3a-y3M Processo Unificado O Processo Unificado (PU) ou Unified Process(UP) surgiu como um processo para o desenvolvimento de software visando à construção de sistemas orienta- dos a objetos (o RUP – Rational Unified Process é um refinamento do Processo Unificado). É um processo iterativo e adaptativo de desenvolvimento e vem ga- nhando cada vez mais adeptos devido à maneira or- ganizada e consistente que oferece na condução de um projeto. O PU utiliza uma abordagem evolucionária paro o desenvolvimento de software. O ciclo de vida iterati- vo é baseado em refinamentos e incrementos suces- sivos a fim de convergir para um sistema adequado. Em cada iteração, procura-se incrementar um pouco mais o produto, baseando-se na experiência obtida nas iterações anteriores e no feedback do usuário. Cada iteração pode ser considerada um miniprojeto de duração fixa, sendo que cada um destes inclui suas próprias atividades de análise de requisitos, projeto, implementação e testes. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 36 O PU foi modelado usando o Software Process Engineering Model (SPEM) que é um padrão para modelagem de processos baseado em UML- Unified Modeling Language. O processo tem duas estrutu- ras, ou duas dimensões, a saber: - Estrutura dinâmica - representa a dimensão do tempo no processo. - Estrutura estática - descreve como elementos do processo são agrupados em disciplinas. A estrutura que representa o tempo é denomina- da fase e a estrutura que representa os elementos do processo são as disciplinas, conforme mostra a figura 13. Fases Uma fase é definida como a dimensão de tem- po entre duas maiores marcas (major milestones) de processos, durante a qual um conjunto bem definido de objetivos é encontrado, artefatos são completa- dos e a decisão é tomada no sentido de ir para a próxima fase ou não. “Maiores marcas” podem ser definidas como eventos de grandes sistemas organi- zados no final de cada fase de desenvolvimento para fornecer visibilidade aos seus problemas, sincronizar o gerenciamento com as perspectivas de engenharia e verificar se os objetivos de cada fase foram obti- dos. Este conceito está intimamente relacionado ao risco que deve ser considerado na medida em que o sistema estiver evoluindo. Para cada fase os maiores milestones buscam identificar e antecipar os riscos. Figura 13 Fonte: http://isosoftware.blogspot.com/2010/02/processo-unificado-pu-unified-process.html Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 37 O Processo Unificado organiza suas iterações em quatro fases principais: [1] Concepção ou Iniciação: o objetivo desta fase é levantar, de forma genérica e pouco pre- cisa, o escopo do projeto. Não deve existir aqui a pretensão de especificar de forma detalhada os requisitos, a ideia é ter uma visão inicial do problema, estimar de forma vaga o esforço e os prazos e determinar se o projeto é viável e merece uma análise mais profunda. [2] Elaboração: na fase de elaboração todos (ou a grande maioria dos requisitos) são levan- tados em detalhes. Numa primeira iteração um ou dois requisitos, os de maior risco e valor ar- quitetural, são especificados em detalhes. Es- tes são implementados e servem como base de avaliação junto ao usuário e desenvolvedores para o planejamento da próxima iteração. Em cada nova iteração na fase de elaboração pode haver um seminário de requisitos, onde requi- sitos antigos são melhor esclarecidos e novos são detalhados. Ao fim desta fase, deseja-se que 90% dos requisitos tenham sido levanta- dos em detalhes, o núcleo do sistema tenha sido implementado com alta qualidade, os prin- cipais riscos tenham sido tratados e haja condi- ções para se fazer estimativas mais realistas. [3] Construção: implementação iterativa dos elementos restantes de menor risco e mais fá- ceis e preparação para a implantação. [4] Transição: testes finais e implantação. Disciplinas Uma disciplina é uma coleção de atividades rela- cionadas que estão ligadas à maior área de interesse dentro do processo em geral. Cada disciplina possui, resumidamente, os seguintes objetivos específicos: D Modelagem de Negócios: entender a estru- tura e a dinâmica da organização para a qual o produto será desenvolvido; identificar pro- blemas correntes na organização e possíveis aperfeiçoamentos; assegurar que o cliente, o usuário final e os desenvolvedores possuam a mesma compreensão da empresa; produzir os requisitos de sistemas necessários para supor- tar os objetivos da organização. D Requisitos: estabelecer e manter o consen- timento entre clientes e stakeholders sobre o que o sistema deve fazer; fornecer uma melhor compreensão dos requisitos aos desenvolvedo- res; definir os limites do sistema; fornecer as bases para o planejamento das iterações, esti- mativas de custo e tempo de desenvolvimento; definir as interfaces do sistema baseado nas necessidades e objetivos dos usuários. D Análise e Design: transformar os requisitos dentro de um projeto do que será o sistema; desenvolver uma arquitetura robusta para o sistema; adaptar o projeto para ajustá-lo ao ambiente de implementação. D Implementação: preparar a organização do código em termos de implementação de subsis- temas, organizados em camadas; implementar classes e objetos em termos de seus compo- nentes; testar os componentes desenvolvidos como unidades; integrar os resultados obtidos por implementadores individuais (ou equipes) em um sistema executável. D Teste: verificar a interação entre os objetos; verificar a integração de todos os componentes de software; verificar se todos os requisitos fo- ram implementados corretamente; verificar os defeitos e assegurar que eles foram tratados antes da entrega do produto. D Implantação: descrever as atividades asso- ciadas à verificação para que o produto esteja disponível ao usuário final. D Gerenciamento de Configuração e Mu- dança: identificar itens de configuração; res- tringir alterações para aqueles itens; auditar as alterações neles feitas; definir e gerenciar as alterações daqueles itens. D Gerenciamento de Projeto: fornecer uma estrutura para gerenciamento de projeto de software; fornecer um guia prático para plane- Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 38 jamento, recrutamento, execução e monitora- mento de projeto; fornecer uma estrutura para o gerenciamento de riscos. D Ambiente: identificar as atividades necessá- rias para configurar o processo para o projeto; descrever as atividades requeridas para desen- volver as guias mestras no suporte ao projeto; fornecer para a organização de desenvolvimen- to de software, o ambiente de processos e fer- ramentas que suportarão a equipe de desen- volvimento. De uma maneira geral, podemos assim caracteri- zar o Processo Unificado: • é um framework genérico de um processo de desenvolvimento; • é baseado em componentes; • utiliza toda a definição da UML; • é dirigido pelos use cases, centrado na arquite- tura, iterativo e incremental (conceitos-chave). O Processo Unificado foi criado para ser um processo ágil de desenvolvimento e propõe uma abordagem realística para a condução de um projeto. Ao contrário do modelo em cascata, em que cada etapa do ciclo de vida deve ser realizada integral e sequencialmente, no PU as atividades são repetidas quantas vezes forem preciso, em ciclos organizados. Não há um plano detalhado para todo um projeto. Há um plano de alto nível (chamado Plano de Fases) que estima a data de término do projeto e outros marcos de referência principais, mas ele não detalha os passos de granularidade fina para se atingir tais marcos. Um plano detalhado (chamado Plano de Iterações) somente planeja a iteração a ser feita em seguida. O planejamento detalhado é feito de forma adaptativa, de iteração para iteração.Os membros da Aliança Ágil, declararam assim os princípios da metodologia em seu manifesto: “Estamos descobrindo maneiras melhores de de- senvolver software fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a fazê-lo. Através desse trabalho, passamos a valorizar: • Indivíduos e interação entre eles mais que pro- cessos e ferramentas; • Software em funcionamento mais que documen- tação abrangente; • Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos; • Responder a mudanças mais que seguir um pla- no. Ou seja, mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda.” Desenvolvimento Ágil As definições modernas de desenvolvimento de software ágil evoluíram a partir de meados de 1990 como parte de uma reação contra métodos caracte- rizados por uma regulamentação complexa e rígida e contra a regimentação e sequenciamento usados no modelo em cascata. O objetivo era desburocrati- zar os procedimentos que tornavam as etapas dos processos lentas, o que era contrário ao modo de trabalho usual dos engenheiros de software. Inicialmente, os métodos ágeis foram denomina- dos de “métodos leves”. Em 2001, Kent Beck e 16 ou- tros notáveis profissionais da área de Engenharia de Software se reuniram, adotaram o nome métodos ágeis, e publicaram o Manifesto Ágil, documento que reúne os princípios e práticas desta metodolo- gia de desenvolvimento. Esses veteranos formaram a Agile Alliance ou Aliança Ágil, uma organização não lucrativa que promove e fomenta o desenvolvimento ágil. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 39 Os principais modelos baseados na concepção de Desenvolvimento Ágil incluem o Scrum, criado em 1986, o ASD- Adaptive Software Development, o FDD- Feature Driven Development, o DSDM - Dyna- mic Systems Development Method de 1995, o Crys- tal e a XP – eXtreme Programming ou Programação Extrema, criados em 1996. O Desenvolvimento Ágil de Software - Agile Sof- tware Development, envolve uma metodologia que visa minimizar os riscos por meio de desenvolvimen- tos em curtos períodos ou iterações, como mostra a figura 14. A iteração típica envolve o desenvolvimento em fases curtas, de 1 a 4 semanas, envolvendo todas as tarefas necessárias para implantar uma funciona- lidade. Considerando-se o período curto de cada ite- ração, a comunicação mantida entre os stakeholders é em tempo real sendo, preferencialmente, tratada por meio verbal (embora documentada), ou “face-a- -face”, visando minimizar entendimentos parciais ou errôneos. Para tanto é necessário estabelecer-se um local físico (uma sala) onde toda a equipe necessária ficará focada no projeto. Figura 14 – Etapas do Desenvolvimento Ágil Fonte: http://www.sstecnologia.com.br/ Alguns críticos do processo ágil afirmam que o maior risco deste tipo de abordagem é a baixa qualidade ou mesmo inexistência de documentação do projeto devido à interação humana “face-a-face” que, se por um lado traz agilidade na comunicação, por outro traz a informalidade nas definições. Assim sendo, é necessário um bom acompanhamento do gestor do projeto para garantir a qualidade dos trabalhos independente do processo utilizado. De uma forma geral, os processos ágeis atendem aos projetos de software que, normalmente, apresen- tam: • Dificuldade em prever com antecedência quais requisitos vão persistir e quais serão modificados, bem como prever quais prioridades dos clientes sofrerão mudanças ao longo do projeto; • Intercalação das etapas de projeto e construção, que vão sendo realizadas juntas de modo que os modelos de projeto vão sendo comprovados na medida em que são criados; • Análise, projeto, construção e testes não são tão previsíveis, do ponto de vista do planejamento, como seria desejado. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 40 Caro aluno, em defesa dos métodos ágeis e fazendo uma crítica ao chamado “desenvolvimento tradicio- nal”, encontramos a seguinte comparação na pesquisa que fizemos na internet: Fonte: http://icarovinicius.com.br/blog/tag/metodologias-ageis/ A metodologia ágil vem gerando grande debate, fazendo muitos desenvolvedores apaixonados e muitos outros críticos ferrenhos. Mas temos que manter a imparcialidade profissional e questionarmos o que real- mente tem que ser observado, como: • Qual é a melhor forma de se alcançar a agilidade nos processos e práticas do desenvolvimento de sof- tware? • Como construir softwares que satisfaçam às necessidades do cliente e possua características de qua- lidade que permitam sua extensão e ampliação para satisfazer as necessidades do cliente no longo prazo? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 41 Leia o artigo “Desenvolvimento Ágil Funciona?” Publicado na revista INFO Exame Online de 30/06/2009 http://info.abril.com.br/noticias/ti/desenvolvimento-agil-funciona-30062009-3.shl Scrum e Extreme Programming são algumas metodologias ágeis que estão em voga no momento. Elas refletem o espírito deste manifesto ágil? Com a nossa cultura de fast food, de querer achar uma receita mágica para tudo, o mundo ágil ganhou força dentro de um certo nicho de desenvolvimento. A gente ouve falar muito hoje de Scrum, de Extreme Programming, mas se usam essas ferramentas apenas como ferramentas. Isso não funciona. Tem gente que até discute se o pico recente de Scrum não foi mais negativo que positivo, porque muita gente está aplicando e não atinge os resultados, simplesmente porque usa o raciocínio antigo com ferramentas novas. Os valores não foram entendidos. Scrum é um template. Ele te diz que você tem esse papel chamado product owner, você tem este tempo chamado sprint, tem essa atividade chamada scrum diário, e essas coisas chamadas retrospectiva e backlog. Ele te dá nomes e elementos que você aplica. Mas não é só aplicar e ponto. Isso é só o começo. A grande mensagem da forma ágil de pensar é que o procedimento não é importante. É irrelevante se eu chamo o meu tempo de trabalho de sprint ou o dono do projeto de product owner. É absolutamente irrelevante, se eu não entendi os valores que são entregar valor ao cliente, criar uma organização de aprendizado, acreditar nas pessoas e dar suporte a elas. Esses princípios é que são importantes, mas não são explícitos. Em vez disso eu tenho papéis, cargos e atividades. Não se explicam os porquês e não entendendo os porquês você vai fazer exatamente a mesma coisa, mas em vez de chamar o sujeito de gerente de projeto você vai chamá-lo de product owner. Mas nada mudou. Para saber mais sobre Desenvolvimento Ágil: Exemplo de Desenvolvimento Ágil SCRUM http://www.devin.com.br/modelo-scrum/ Coletânea de artigos sobre Desenvolvimento Ágil http://www.fernandocosta.com.br/category/desenvolvimento-agil/ Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 42 Exercícios do Capítulo 3 1) Em relação ao modelo Em Cascata podemos afirmar que é: a) Uma abordagem razoável quando os requisitos estão bem estabelecidos b) Uma boa abordagem quando se tem pressa em entregar o software c) A melhor abordagem para se usar quando se tem uma grande equipe de desenvolvimento d) Um modelo ultrapassado que raramente é utilizado atualmente 2) Quais são as 5 atividades gerais da Engenharia de Software, também caracterizadas no modelo Em Cascata? a) Especificação, gerenciamento de risco, medida, produção, revisão b) Análise, projeto, implementação, testes, manutenção c) Especificação, planejamento, modelagem, construção, implantação (entrega) d) Análise, planejamento, projeto, programação, análise de risco 3) Podemos dizer que o modelo incremental é: a) Uma abordagem razoável quando os requisitos estão bem estabelecidos b) Uma boa abordagem quando um produto de trabalho “núcleo” é requerido rapidamente c) A melhor abordagem para se usar quando se tem uma grande equipe de desenvolvimentod) Um modelo revolucionário que normalmente não é utilizado para desenvolver produtos comerciais 4) Podemos afirmar que modelos de processo evolucionários: a) São iterativos por natureza b) Podem facilmente acomodar mudanças de requisitos c) Quase sempre não produzem produtos descartáveis d) Todas as alternativas anteriores estão corretas 5) O modelo de prototipagem é: a) Uma abordagem razoável quando os requisitos estão bem definidos b) A melhor abordagem para usar em projetos com grandes equipes de desenvolvimento c) Uma abordagem razoável quando o cliente não consegue definir os requisitos claramente d) Um modelo de alto risco que raramente produz software de qualidade 6) O modelo espiral de desenvolvimento de software: a) Finaliza com a entrega do software b) É mais caótico que o modelo incremental c) Inclui avaliação de riscos a cada iteração d) Todas as afirmativas anteriores estão corretas Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 43 7) O modelo de desenvolvimento concorrente: a) É outro nome para engenharia concorrente b) Define eventos que podem desencadear transições de estados dentro de cada fase de desenvolvi- mento c) Somente é usado para desenvolver sistemas distribuídos d) É usado sempre que um grande número de solicitações de alteração de requisitos é previsto e) Somente a e b são verdadeiras 8) Podemos dizer que o modelo de desenvolvimento baseado em componentes: a) Somente é apropriado para projetos ligados a hardware b) Não é capaz de suportar o desenvolvimento de componentes reusáveis c) Depende da tecnologia de objetos como suporte d) Não se mostra “rentável” quando quantificado por métricas de software 9) O modelo de métodos formais faz uso de métodos matemáticos para: a) Definir a especificação de requisitos b) Desenvolver sistemas livres de defeitos c) Verificar a corretude de sistemas baseados em computador d) Todas as alternativas anteriores são corretas 10) Qual dos nomes abaixo não representa uma das fases do modelo de processo unifica- do? a) Fase de iniciação b) Fase de validação c) Fase de elaboração d) Fase de construção 11) O que se entende por “ciclo de vida”? 12) Qual a diferença entre um modelo descritivo e um modelo prescritivo de processo? 13) O que caracteriza os modelos evolucionários de processo? 14) Em que situações os modelos incrementais são mais indicados? 15) Cite uma das principais diferenças entre o Modelo Incremental e o Modelo de Proto- tipagem. 16) Cite quais são as duas dimensões do Processo Unificado. 17) Quais são as fases e as disciplinas do Processo Unificado? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 44 18) Quais são as principais características do Processo Unificado? 19) Quais são os princípios das metodologias ágeis? 20) Nos modelos de processos ágeis o único produto de trabalho gerado é o programa de trabalho. a) Verdadeiro b) Falso Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 45 Engenharia de Requisitos Caro aluno, neste capítulo definiremos o que são requisitos de software e a sua importância dentro da Engenharia de Requisitos. Todas as etapas, conceitos e definições ligadas à ER serão apresentadas. Requisitos e Engenharia de Requisitos Caro aluno, a Engenharia de Requisitos (ER) pode ser vista como uma sub-área da Engenharia de Sof- tware, cujo principal objetivo é a obtenção de uma especificação correta e completa dos requisitos de um sistema de software. A Engenharia de Requisitos tem se tornado cada vez mais necessária para resolver os problemas en- contrados nas organizações com relação à definição de sistemas. De acordo com estudos realizados pelas empresas GTE, TRW e IBM (na década de 1970), foi mostrado que o custo relativo de um erro localizado durante a análise de requisitos seria 0.1, um erro localizado na fase de implementação seria 1 (10 ve- zes mais), na fase de testes seu custo relativo subiria para 2 (20 vezes mais), terminando com um custo relativo de 20 (200 vezes mais) na fase final de ma- nutenção. Apesar de este estudo ser antigo, os dados atuais ainda o confirmam, como pode ser visto na figura 15. Na figura 15, a fase de Análise, corresponde à análise de requisitos. Como pode ser visto, o custo aumenta com o tempo de descoberta do erro e os erros mais caros são aqueles cometidos na Análise de Requisitos. Muitas vezes estes erros são desco- bertos pelo próprio cliente, mesmo antes da entrega do produto, quando ele participa ativamente. Assim, os requisitos deficientes são considerados uma das maiores causas de falhas nos projetos de software. Mas, afinal, o que são os requisitos? Figura 15 - Custo do Erro em Software Fonte: https://www.mar.mil.br/sdms/0050-apresentacao.ppt De acordo com o IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, requisito é: Uma condição ou capacidade que um usuário ne- cessita para resolver um problema ou alcançar um ob- jetivo. Uma condição ou capacidade que deve ser satisfei- ta por um sistema para satisfazer um contrato ou um padrão. De acordo com Sommerville: Os requisitos para um sistema de software estabe- lecem o que o sistema deve fazer e definem restrições sobre sua operação e implementação. De acordo com o dicionário, requisito é: Condição necessária para a obtenção de certo obje- tivo, ou para o preenchimento de certo fim. De acordo com Pressman (2010) Na perspectiva do processo de software, a Engenharia de Requisitos é uma ação de engenharia de software que começa durante a atividade de Especificação e continua du- rante a atividade de modelagem. Para que o processo de desenvolvimento de sof- tware seja bem sucedido é fundamental que haja uma compreensão completa dos requisitos de sof- Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 46 tware. Tanto o desenvolvedor como o cliente desem- penham um papel ativo na análise e especificação dos requisitos. O desenvolvedor age como indagador, consultor e solucionador de problemas e o cliente tenta traduzir os conceitos relativos ao desempenho do software que ele tem concebido apenas em sua mente, tarefa que é, às vezes, bastante complicada e nebulosa, em detalhes concretos. Objetivos e Classificação dos Requisitos Os requisitos têm por objetivo: • Estabelecer e manter concordância com os clientes e outros envolvidos sobre o que o sis- tema deve fazer; • Oferecer aos desenvolvedores uma compreen- são melhor do sistema a ser desenvolvido; • Delimitar o sistema; • Planejar o desenvolvimento do sistema; • Fornecer uma base para estimar o custo e o tempo de desenvolvimento do sistema. De acordo com Sommerville (2007), os requisitos são classificados como funcionais, não funcionais, de domínio, do usuário e do sistema. Mas algumas des- tas classes ainda apresentam uma subclassificação. Uma breve descrição destas categorias é apresenta- da no que se segue. 1. Requisitos Funcionais São requisitos que descrevem a funcionalidade (funções que o sistema deve realizar) ou os serviços que se espera que o sistema faça. Exemplos de re- quisitos funcionais: cadastro de cliente; emissão de nota fiscal; consulta ao estoque; geração de pedido. 2. Requisitos Não-Funcionais São requisitos que não dizem respeito diretamen- te à funcionalidade do sistema, mas expressam pro- priedades do sistema e/ou restrições sobre os servi- ços ou funções por ele providas. Sua classificação é mostrada na figura 16. Podem ser categorizados em: Requisitos de Produto São requisitos que especificam o comportamento do produto, como por exemplo: • Requisitos de Facilidade de Uso ou de Usabi- lidade: referem-se ao esforço para utilizar ou aprender a utilizar o produto. Estão relaciona- dos com a interação do usuário junto ao siste- ma. • Requisitos de Confiabilidade:referem-se à fre- quência de ocorrência de falhas e recuperabili- dade em caso de falha, como: tempo médio de falhas; probabilidade de indisponibilidade; taxa de ocorrência de falhas; tempo de reinício após falha; percentual de eventos causando falhas; probabilidade de corrupção de dados após fa- lha. • Requisitos de Eficiência: referem-se ao desem- penho do sistema e estão associados à eficiên- cia, uso de recursos e tempo de resposta da aplicação, como: transações processadas/segun- do; tempo de resposta do usuário/evento, en- tre outros. • Requisitos de Portabilidade: são relativos à ca- pacidade de transferir o produto para outros ambientes Requisitos Organizacionais São requisitos derivados das políticas organizacio- nais do cliente e do desenvolvedor, como por exem- plo: • Requisitos de Implementação: ligados às re- gras de codificação e restrições de software e hardware usados para desenvolver ou executar o sistema • Requisitos de Padrões: referem-se à definição da linguagem de programação e às normas que Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 47 devem ser seguidas pelo sistema ou no proces- so de desenvolvimento • Requisitos de entrega: referem-se ao modo como será implantada a solução como configu- rações necessárias e ordem de instalação dos pacotes Requisitos Externos São requisitos procedentes de fatores externos ao sistema e ao seu processo de desenvolvimento, como por exemplo: • Requisitos Éticos • Requisitos Legais (como política de privacidade e direitos autorais) • Requisitos de Interoperabilidade Exemplos: o sistema não deverá revelar aos ope- radores nenhuma informação pessoal sobre os clien- tes, além de seus nomes e o número de referência (legislação de privacidade); em razão das restrições referentes aos direitos autorais, alguns documentos devem ser excluídos imediatamente ao serem forne- cidos. 3. Requisitos de Domínio São requisitos derivados do domínio da aplicação do sistema. Ao invés de serem obtidos a partir das necessidades específicas dos usuários do sistema, eles podem se transformar em novos requisitos fun- cionais, ou serem regras de negócios específica do domínio do problema. Por exemplo: D Utilização de uma interface padrão utilizando a norma Z39.50; D Disponibilização de arquivos somente para lei- tura devido aos direitos autorais; 4. Requisitos do Usuário São os requisitos funcionais e não funcionais do sistema sob o ponto de vista do usuário. Em geral apresentam problemas como falta de clareza, confusão e fusão, ou seja, requisitos diferentes escritos como um único requisito. 5. Requisitos do Sistema São descrições mais detalhadas dos requisitos do usuário. São a base para que os engenheiros de sof- tware possam fazer o projeto do sistema. Servem como base para um contrato destinado à implementação do sistema. Figura 16 – Classificação dos requisitos não-funcionais Fonte: http://evertongomede.blogspot.com/2010/09/taxonomiados-requisitos-nao-funcionais.html Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 48 • Stakeholders (Influenciadores/Envolvidos) São as partes interessadas no projeto, ou seja, são pessoas e organizações envolvidas no pro- jeto ou que possuem interesses que podem ser afetados pelo projeto, podendo exercer influên- cia sobre os resultados do projeto. • Baseline Conjunto de artefatos de software que servem de base para o seu desenvolvimento. • DERS - Documento de Especificação de Re- quisitos de Software De acordo com o IEEE este documento deve ser completo e não ambíguo, sendo responsável por auxiliar os clientes de software a descrever com precisão o que eles desejam obter, e desenvol- vedores de software a entender exatamente o que o cliente deseja. Para os clientes, desenvol- vedores e outros indivíduos ligados ao projeto, um bom DERS deve prover diversos benefícios, tais como: • Estabelecer a base de acordo entre os clientes e a empresa fornecedora sobre o que o software irá fazer; • Reduzir o esforço de desenvolvimento; • Prover uma base para estimativas de custo e prazos; • Prover uma base para validação e verifica- ção do produto; • Facilitar a manutenção do produto de sof- tware final. Um DERS conta com alguns padrões indicados para sua elaboração. O IEEE elaborou um docu- mento que contém padrões e práticas recomen- dadas para a criação do DERS chamado IEEE Recommended Practice for Software Require- ments Specification - Práticas Recomendadas para a Especificação de Requisitos de Softwa- re. Este documento está disponível em: http:// www6.conestogac.on.ca/~set/courses/year1/ sef/documents/IEEE830-1998Standard.pdf A Engenharia de Requisitos reúne as primeiras ati- vidades a serem realizadas nos diversos modelos de processo de software. Seu objetivo é definir o que deve ser feito e não a forma como será implementa- do o sistema. Serve como ponte entre o projeto e a construção do software e define as bases do contrato entre o desenvolvedor e o cliente. Realiza a aquisi- ção, o refinamento e a verificação das necessida- des do sistema. A meta é sistematizar o processo de definição dos requisitos, obtendo uma especificação correta e completa do sistema para elaboração do DERS. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 49 A Engenharia de Requisitos possibilita que: • O engenheiro de sistemas: D especifique a função e o desempenho do sof- tware D indique a interface do software com outros ele- mentos do sistema D estabeleça quais são as restrições de projeto que o software deve enfrentar. • O engenheiro de software: D aprimore a alocação de software e construa mo- delos do processo, dos dados e dos domínios comportamentais que serão tratados pelo sof- tware • O projetista de software: D tenha uma representação da informação e da função que pode ser traduzida em projeto pro- cedimental, arquitetônico e de dados • O desenvolvedor e o cliente: D definam os critérios para avaliar a qualidade logo que o software seja construído. O analista ou engenheiro de de requisitos possui um papel fundamental na Engenharia de Requisitos. Geralmente possui um perfil que inclui capacidade de: • compreender conceitos abstratos, reorganizá- -los em divisões lógicas e sintetizar “soluções” baseadas em cada divisão • absorver fatos pertinentes de fontes conflitan- tes ou confusas • entender os ambientes operacionais do cliente e aplicar soluções de hardware e/ou software aos ambientes do cliente • comunicar-se bem nas formas escrita e verbal O analista ou engenheiro de requisitos executa ou coordena as tarefas associadas à análise de requisi- tos de software. O analista deve estabelecer a co- municação com a atividade de análise. Ele estabelece o contato com os stakeholders, quais sejam, pessoas da administração e da equipe técnica da organização do cliente e a equipe de desenvolvimento do softwa- re. A meta do analista é identificar os elementos bási- cos dos problemas da organização, conforme perce- bidos pelo cliente. O analista deve ser capaz de criar modelos do sistema objetivando compreender me- lhor o fluxo de dados e de controle, o processamento funcional e a operação comportamental do sistema a ser construído. Este modelo servirá como base para o projeto de software e para a criação de sua espe- cificação. O analista geralmente é o responsável pelo desenvolvimento de uma Especificação de Requisitos de Software e participa de todas as revisões. O perfil dos stakeholders, ou pessoas envolvidas na definição dos requisitos, pode ser assim definido: Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 50 Exercícios do Capítulo 4 - Parte 1 Leia a descrição dosistema automático de emissão de passagens. “Um sistema automático de emissão de passagens vende passagens de ônibus. Os usuários escolhem seu destino e apresentam um cartão de crédito e um número de identificação pessoal. A passagem é emitida e o custo dessa passagem é incluído em sua conta do cartão de crédito. Quando o usuário pres- siona o botão para iniciar, uma tela de menu com os possíveis destinos é ativada, juntamente com uma mensagem para que o usuário selecione o destino. Uma vez selecionado um destino, pede-se que os usuários insiram o cartão de crédito. A validação do cartão é checada e o usuário, então, deve fornecer um número de identificação pessoal. Quando a transação de crédito é validada, a passagem é emitida.” Responda: a) Aponte as ambiguidades e omissões. b) Descreva os requisitos funcionais. c) Descreva os requisitos não-funcionais. d) Identifique os Stakeholders. Tarefas da Engenharia de Requisitos A Engenharia de Requisitos fornece um mecanis- mo adequado para entender o que o cliente deseja, analisar as suas necessidades, negociar uma solução adequada ao seu problema, validar a especificação e administrar os requisitos à medida que eles são transformados em um sistema em operação. Para isso, o processo de ER é realizado por meio de 7 eta- pas distintas, que serão explicadas no que se segue, com base em Pressman (2006). 1. Concepção ou Estudo de Viabilidade do Sistema O estudo de viabilidade é um estudo breve, dire- cionado, que se destina a responder a algumas per- guntas: D O sistema contribui para os objetivos gerais da empresa? D O sistema pode ser implementado com a utili- zação de tecnologia atual dentro das restrições de custo e prazo? D O sistema pode ser integrado com outros siste- mas já em operação? D Após responder essas questões é necessário questionar as fontes de informação (stakehol- ders). Para isso, são recomendadas algumas perguntas, como: D Como a empresa se comportaria, se esse siste- ma não fosse implementado? D Quais são os problemas com os processos atu- ais e como um novo sistema ajudaria a diminuir esses problemas? D Que contribuição direta o sistema trará para os objetivos da empresa? D As informações podem ser transferidas para outros sistemas e também podem ser recebi- das a partir deles? D O sistema requer tecnologia que não tenha sido utilizada anteriormente na empresa? D O que precisa e o que não precisa ser compatí- vel com a empresa? D Quem vai usar o sistema? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 51 Após obter essas respostas, deve-se preparar um relatório de viabilidade. 2. Levantamento dos Requisitos Após os estudos iniciais de viabilidade, o próximo passo é o levantamento dos requisitos. Nesta etapa deve-se descobrir mais informações sobre o domínio da aplicação, que serviços o sistema deve oferecer, desempenho exigido, dentre outros. O levantamento de requisitos pode envolver diferentes tipos de pes- soas da empresa, os stakeholders. Frequentemente os clientes não sabem na realidade o que querem do sistema computacional, a não ser em termos muito gerais. Costumam expressar os requisitos utilizando seus próprios termos e com o conhecimento implícito de sua área de atuação. Diferentes stakeholders têm em mente diferentes requisitos e podem expressá-los de maneiras distintas. Além disso, fatores políticos podem influenciar os requisitos do sistema. O am- biente econômico e de negócios, no qual a análise de requisitos ocorre, é dinâmico, ou seja, inevitavel- mente, o ambiente se modifica durante o projeto. Como consequência, a importância dos requisitos es- pecíficos pode mudar. Assim, novos requisitos podem surgir por parte dos novos stakeholders, que não ha- viam sido consultados inicialmente. 3. Análise de Requisitos As informações obtidas do cliente durante a con- cepção e o levantamento são expandidas e refina- das durante a análise (ou elaboração) de requisitos. Esta atividade da ER tem por objetivo desenvolver um modelo técnico refinado das funções, caracterís- ticas e restrições do software. É guiada pela criação e refinamento de cenários do usuário que descrevem como o usuário final (e outros atores) vão interagir com o sistema. As etapas de Levantamento e Análise de Re- quisitos são conhecidas em conjunto como Elicita- ção de Requisitos e envolvem: D Compreensão do domínio: Os analistas devem desenvolver sua compreensão do domínio da aplicação. Por exemplo, se for um sistema para uma loja, o analista deverá descobrir como ope- ram as lojas de varejo. D Coleta de requisitos: É o processo de interagir com os stakeholders do sistema para descobrir seus requisitos. Certamente a compreensão do domínio se desenvolve mais durante essa ativi- dade. D Classificação: Essa atividade considera o conjun- to não estruturado dos requisitos e os organiza em grupos coerentes. D Resolução de conflitos: Quando múltiplos stakeholders estão envolvidos, os requisitos podem apresentar conflitos. Essa atividade se ocupa em encontrar e solucionar esses possíveis conflitos. D Definição das prioridades: Em qualquer conjun- to de requisitos, alguns serão mais importantes do que outros. Esse estágio envolve a interação com os stakeholders, para descobrir os requisi- tos mais importantes. D Verificação de requisitos: Os requisitos são verifi- cados, a fim de se descobrir se eles são comple- tos e consistentes e se estão em concordância com o que os stakeholders realmente desejam do sistema. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 52 4. Negociação dos Requisitos A negociação categoriza e organiza os requisitos em subconjuntos relacionados. Neste passo as se- guintes perguntas devem ser respondidas: D Cada requisito está consistente com o objetivo global do sistema? D Todos os requisitos foram especificados no ní- vel de abstração adequado? D O requisito é realmente necessário ou repre- senta uma característica adicional que pode não ser essencial para o objetivo do sistema? D Cada requisito é limitado e não-ambíguo? D Cada requisito tem atribuição? (Será utilizado por alguém) D Algum requisito conflita com outros requisitos? D Cada requisito é realizável no ambiente técni- co? D Cada requisito pode ser testado, quando esti- ver implementado? D Qual é a prioridade desse requisito? 5. Especificação dos Requisitos Especificação de Requisitos, geralmente é um do- cumento escrito, que contém o detalhamento do sis- tema, os requisitos funcionais e não-funcionais e os modelos do sistema que podem ser representados através de diagramas como IDEF0 (Integration Defi- nition for Function Modeling), diagramas de casos de uso da UML (Unified Modeling Language), diagramas de classes preliminar, diagramas de sequência e pro- totipação. 6. Validação dos Requisitos A validação de requisitos examina a especificação de requisitos para garantir que todos os requisitos do sistema tenham sido identificados e detalhados, que as inconsistências, omissões e erros tenham sido detectados e corrigidos e que as prioridades tenham sido estabelecidas. Tem a função de mostrar que os requisitos realmente definem o sistema que o cliente deseja. São realizadas diversas verificações, como: D Verificações de validade: Um usuário pode pen- sar que um sistema é necessário para realizar certas funções, mas mais estudos e análises podem identificar funções adicionais ou dife- rentes necessárias. D Verificações de consistência: Os requisitos em um documento não devem ser conflitantes, ou seja, não devem existir restrições contraditó- rias ou descrições diferentes para uma mesma função do sistema. D Verificações de completeza: O documento de requisitos (DERS) deve incluir requisitos quedefinam todas as funções e restrições exigidas pelo usuário do sistema. D Verificações de realismo: Utilizando o conhe- cimento da tecnologia existente, os requisitos devem ser verificados, a fim de assegurar que eles realmente podem ser implementados. Es- sas verificações devem também levar em conta o orçamento e os prazos para o desenvolvi- mento do sistema. D Facilidade de verificação: Para reduzir o poten- cial de divergências entre cliente e desenvolve- dor, os requisitos do sistema devem sempre ser escritos de modo que possam ser verificados. Isso significa que um conjunto de verificações pode ser projetado para mostrar que o sistema entregue cumpre com esses requisitos. D O requisito é realmente passível de ser testado, como foi definido? D O requisito pode ser adequadamente compreendido pelos compradores ou usuários finais do sistema? D A origem do requisito é claramente defi- nida? D O requisito é adaptável? D Ele pode ser modificado sem que isso provoque efeitos em grande escala em outros requisitos do sistema? Um dos mecanismos de validação de requisitos é a RTF- Revisão Técnica Formal (Capítulo 26, item Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 53 26.4.1. Pressman, 2006). Em uma RTF com esse pro- pósito, a equipe de desenvolvimento deve conduzir o cliente pelos requisitos do sistema, explicando as implicações de cada requisito. A equipe de revisão deve verificar cada requisito, em termo de sua con- sistência e verificar os requisitos como um todo sob o ponto de vista de sua completeza. A RTF é uma atividade que garante a qualidade do software. 7. Gestão de Requisitos Gestão de Requisitos é um conjunto de atividades que ajuda a equipe de projeto a identificar, controlar e rastrear requisitos e modificações de requisitos a qualquer momento no desenvolvimento do sistema. Para auxiliar na gestão de requisitos tabelas de ras- treamento são criadas com o objetivo de verificar as relações entre requisitos e o impacto da mudança de requisitos. Os requisitos mudam e há uma série de razões para isso, como: os problemas podem ser muito intricados, as especificações podem ficar in- completas, o aumento do entendimento do sistema ocorre ao longo do projeto, como há vários usuários, há várias visões, quem paga pelo sistema geralmen- te é diferente de quem o usa, a empresa e o ambien- te se modificam e, na medida em que os usuários se familiarizam com o sistema, novos requisitos surgem. A gestão de requisitos precisa de apoio automatizado como ferramentas CASE - Computer Aided Software Engineering para: D Armazenamento de requisitos: os requisitos devem ser mantidos em um depósito de dados seguro, gerenciado, que seja acessível por to- dos os envolvidos no processo de engenharia de requisitos. D Gerenciamento de mudanças: esse processo pode ser simplificado se o apoio de ferramen- tas estiver disponível. D Gerenciamento de facilidade de rastreamento: o apoio de ferramentas para a rastreabilidade permite que sejam descobertos requisitos rela- cionados. Com base na animação que você acabou de as- sistir, caro aluno, as dicas que podemos lhe dar para quando você estiver tentando descobrir o que o seu cliente quer do seu novo software são: • Em primeiro lugar evite perguntar ao cliente o que ele quer que o novo sistema faça • Entenda, primeiro, como são atualmente os processos do seu cliente • Pergunte ao cliente quais processos que ele sabe que funcionam bem no sistema atual. Faça o cliente explicar porque ele acha que fun- cionam bem. Faça o mesmo com os processos que existem e funcionam mal. • Descubra quais são os processos atuais que existem, mas que ninguém usa e porque não são usados. • Baseado nessas informações, desenvolva uma lista ou um protótipo do que você acredita que o cliente precisa. Quanto mais claramente esse protótipo puder ser compreendido pelo cliente melhor. Por exemplo, se for um cliente da área técnica você poderá lhe mostrar os casos de uso ou usar diagramas mais técnicos. Se for um cliente de negócio, você vai precisar de algo mais visual, então faça desenhos ou crie uma animação… • Faça o cliente analisar o seu protótipo ou sua lista, mesmo que seja difícil para ele. Procure estar sempre “cara-a-cara” com seu cliente en- quanto ele estiver fazendo a análise. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 54 • Assinale os requisitos que o cliente concorda e aqueles que ele discorda. Baseado nessas in- formações descubra se ainda existem pontos do processo que você não entendeu correta- mente. • Faça um novo protótipo ou uma nova lista. A partir daqui o processo se repete até que o cliente concorde com a maioria dos requisitos do sistema. Ter 100% de concordância não é fácil, mas deve haver uma sensação de com- prometimento e de entendimento entre você e seu cliente após este processo. Elicitação de Requisitos De acordo com o PMBoK – Project Management Body of Knowledge, um guia que reúne o conjunto de Melhores Práticas em Gerenciamento de Projetos produzido pelo PMI - Project Management Institute (2008), o processo de elicitação de requisitos envol- ve: • Coleta Processo de definir e documentar as funções e funcionalidades do projeto e do produto neces- sárias para atender às necessidades e expecta- tivas dos stakeholders. O sucesso do projeto é diretamente influenciado pela atenção na co- leta e gerenciamento dos requisitos do projeto e do produto. Os requisitos incluem as neces- sidades quantificadas e documentadas e as expectativas do patrocinador, cliente e demais stakeholders. Estes requisitos precisam ser ob- tidos, analisados e registrados com detalhes suficientes para serem medidos uma vez que a execução do projeto se inicie. Coletar os requi- sitos reúne as atividades de definir e gerenciar as expectativas do cliente. • Entrevistas Uma entrevista é um meio que pode ser formal ou informal de se descobrir informações dos stakeholders por meio de conversas diretas. Normalmente é feita por meio de perguntas preparadas ou espontâneas e do registro das respostas. São frequentemente conduzidas in- dividualmente, mas podem envolver múltiplos entrevistadores e/ou entrevistados. Entrevistar participantes experientes, stakeholders e espe- cialistas no assunto do projeto pode auxiliar na identificação e definição das características e funções das entregas desejadas. • Documentação Os componentes da documentação podem in- cluir, mas não estão limitados a: D A necessidade do negócio ou oportuni- dade a ser aproveitada, descrevendo as limitações da situação atual e por que o projeto foi empreendido D Objetivos do negócio e do projeto para permitir rastreamento D Requisitos funcionais descrevendo pro- cessos de negócio, informações e intera- ção com o produto de forma apropriada a ser documentada textualmente D Requisitos não funcionais, tais como nível de serviço, desempenho, cuidados, segu- rança, atendimento a leis e regulamen- tos, etc D Impactos em outras áreas organizacio- nais D Impactos em outras entidades internas ou externas à organização A figura 17 ilustra o fluxo ao qual é submetida uma análise de requisitos toda vez que o cliente ma- nifesta uma (nova) necessidade. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 55 Figura 17 – Fluxo da análise de requisitos Fonte: http://blogbohm.com/2010/10/18/analise-de-requisitos-como-ferramenta-de-planejamento/ Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 56 Para que este processo ocorra com sucesso, os requisitos devem ser claros, completos, sem ambiguidade, implementáveis, consistentes e testáveis como mostra a tabela 1. Os requisitos que não apresentem estas qualidades são problemáticos: eles devem ser revistos e renegociadoscom os clientes e usuários. Não ambíguo todo requisito tem apenas uma interpretação possível. Correto todo requisito representa algo requerido ao sistema/funcionalidade a ser construído. Completo contém tudo o que o software deve fazer e atender em todas as situações possíveis. Compreensível todas as pessoas podem facilmente compreender o significado de todos os requisitos com um mínimo de explicação. Verificável atendem ao conjunto de técnicas que podem ser usadas para verificar que todo requi-sito está implementado pelo sistema. Internamente Consis- tente não há requisitos conflitantes entre si. Externamente Consis- tente não há requisitos conflitantes com outra documentação de projeto já definida. Realizável possibilita que um projeto seja implementado corretamente com todos os requisitos declarados. Conciso é tão pequeno quanto possível, sem afetar qualquer outra qualidade que deva atender. Rastreável é escrito de modo que facilite o “referenciamento” de cada requisito individualmente. Modificável sua estrutura e estilo são tais que qualquer mudança pode ser feita facilmente, com-pletamente e consistentemente. Anotado por Importân- cia Relativa permite que se possa facilmente determinar qual requisito é mais importante para os clientes. Anotado por Estabilida- de Relativa permite que se possa facilmente determinar qual requisito é mais suscetível à mudan- ça. Organizado permite que se possa facilmente localizar informações e relacionamentos lógicos entre seções adjacentes. Técnicas de Coleta de Requisitos A coleta ou extração de requisitos é feita através de técnicas. Nesta etapa, os requisitos são documen- tados à medida em que são coletados e deste pro- cesso resulta um documento preliminar dos requis- tos do sistema. No que se segue serão apresentadas as principais técnicas utilizadas. Entrevistas Refere-se a uma série de encontros com os clien- tes ou usuários que explicam o seu trabalho, am- biente em que atuam, necessidades, dentre outros assuntos pertinenetes. Requer, do analista de re- quisitos, habilidades sociais como saber ouvir, saber inferir, saber dirimir conflitos. Estas habilidades são estendidas à equipe de desenvolvimento. Os 4 pas- sos de uma entrevista são: [1] Planejamento da Entrevista: D Deve-se decidir quem será entrevistado. D Preparar os entrevistados (agendar data e hora, comentar sobre o assunto). D Preparar a lista de questões de diversos tipos: o Abertas: “Explique como esse relatório é produzido.” o Fechadas: “Quantos relatórios desse tipo são gerados?” o Sequenciais: “Por quê?” “Dê um exemplo. ” deve-se preocupar em dar continuidade a uma questão. o Preparar mais de uma questão para um tópico a fim de confirmar a resposta e deixá-la mais completa. [2] Condução da Entrevista: D Pirâmide: Começa com questões fechadas e ex- pande para questões abertas dirigidas. É uma Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 57 abordagem importante quando o entrevistado parece relutante em falar do assunto. D Funil: Começa obtendo detalhes e dá continui- dade obtendo respostas diretas. Muitas ques- tões fechadas e sequenciais tornam-se desne- cessárias. D Diamante: Combina as duas abordagens ante- riores. A entrevista fica menos cansativa, pois varia o tipo de questão. Na entrevista não de- ve-se induzir respostas, como “O relatório de- veria ser gerado semanalmente?” [3] Finalização da Entrevista: Deve-se reservar um tempo, o menor possí- vel, que seja adequado para sumarizar as in- formações recebidas. O analista deve explicar os próximos passos ao cliente e apresentar a importância da entrevista, agradecendo o en- trevistado. [4] Análise de Resultados: Deve-se produzir um documento da entrevis- ta e descobrir ambiguidades, conflitos e omis- sões. As informações devem ser consolidadas e documentadas. Mas a técnica de entrevista apresenta diversos problemas: • Observação: pessoas diferentes se con- centram em diferentes aspectos e podem “ver” coisas diferentes. • Interpretação: o entrevistador e o entre- vistado podem estar interpretando pala- vras comuns de maneira diferente, tais como “pequena quantidade de dados” ou “caracteres especiais”. • Ambiguidades: há ambigüidades ineren- tes à maioria das formas de comunica- ção, especialmente em linguagem natu- ral. • Conflitos: entrevistador e entrevistado podem ter opiniões conflitantes sobre um determinado problema e a tendência é registrar o ponto de vista do entrevista- dor. Questionários É uma forma rápida de se obter dados de uma grande quantidade de usuários que podem estar em lugares geograficamente distintos. Os tipos de dados que podem ser coletados através de questionários são: D Dados sobre a utilização do sistema atual D Problemas e dificuldades que os usuários en- frentam em seu trabalho D Expectativa dos usuários em relação ao novo sistema As questões devem ser claras e objetivas. Deve-se preparar mais de uma questão para um tópico a fim de confirmar a resposta e deixá-la mais completa. Os tipos de questões que compõem os questioná- rios são: • Abertas-dirigidas: Antecipam o tipo de resposta. Devem ser utilizadas quando não é possível ou não deve-se criar alternativas. Por exemplo: “Por que você acha que os manuais do usuário do sistema financeiro não funcio- nam?” • Fechadas: Utilizadas quando é possível lis- tar as possíveis alternativas. Por exemplo: “Os dados sobre vendas são entregues com que frequência? Alternativas: diariamente, sema- nalmente, quinzenalmente, mensalmente, tri- mestralmente”. Na elaboração do questionário, os seguintes cui- dados devem ser tomados: D Questões mais importantes devem vir primeiro. D Questões com conteúdo semelhante e relacio- nadas devem estar próximas. D Questões que podem gerar controvérsias de- vem ser deixadas para depois. Brainstorming É uma técnica básica para geração de ideias. De- vem ser realizadas uma ou várias reuniões que per- Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 58 mitam que as pessoas sugiram e explorem ideias sem que sejam criticadas ou julgadas. Deve existir um lí- der responsável por conduzir a reunião sem restringi- -la. É especialmente útil no começo do processo de extração de requisitos. Mas apresenta uma desvan- tagem, já que não é uma técnica não muito estrutu- rada, pode não produzir a mesma qualidade ou nível de detalhe que se consegue com outras técnicas. O brainstorming (ou tempestade cerebral) basicamente é dividido em duas etapas: [1] Geração das ideias: São as reuniões que tem como objetivo for- necer ideias, sem discussões sobre o mérito delas. Existem 4 regras: D É proibido criticar ideias. D Ideias não convencionais ou estranhas são encorajadas. D Número de ideias geradas deve ser bem grande. D Os participantes devem ser encorajados a enriquecer as ideias dos outros parti- cipantes. [2] Consolidação das ideias: As ideias geradas são discutidas, revisadas, orga- nizadas, avaliadas, consolidadas, descartadas e prio- rizadas. JAD - Joint Application Development Técnica utilizada para promover a cooperação, o entendimento e o trabalho em grupo entre usuários e desenvolvedores. É baseada em quatro princípios: 1. Dinâmica em grupo: utilização de sessões de grupo (encontros de usuários e desenvolvedo- res). 2. Uso de técnicas visuais: utilização de data- -show, projetor, vídeos, etc. 3. Manutenção do processo organizado e racio- nal: controle da sessão através de um líder que tem o objetivo final de identificar um conjunto preliminar de requisitos. 4. Utilização de documentação padrão: criação de um documento com os requisitos identificados. Geralmente existem seis papéis (responsabilida- des) divididas entre a equipe de desenvolvimento e usuários,que são: líder da sessão, engenheiro de requisitos, executor, representantes dos usuários, representantes de produtos de software e especia- listas. 5W1H A técnica 5W1H é mundialmente difundida e uti- lizada em diversos tipos de situações, sendo muito útil na coleta de requisitos. Vamos ver o que são os 5 Ws e o único H, assim como algumas perguntas comumente aplicadas nestas fases. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 59 • Who (Quem) – refere-se às responsabilidades D Quem é o cliente / usuário do sistema? D Quem executa? D Quem gerencia? D Quem fornece? D Quem participa das decisões? • What (O Que) – refere-se às etapas D Quais são as entradas do sistema? D Quais são as saídas? D Quais são os indicadores? D Quais são as metas? D Quais são os recursos? D Quais são os problemas? D Quais são os métodos / tecnologias em- pregados? D Que informações ou insumos são neces- sários para o trabalho? Quem as forne- cem? D Quais são as regras que determinam como o trabalho será feito? D Há alguma coisa que possa parar, atrasar ou impedir o processo? D Há espera para completar o processo? D Quais são as exceções? D Quais são as alternativas, caso o sistema não funcione conforme as expectativas? D Qual ação é tomada quando uma etapa falha? • When (Quando) – refere-se ao tempo D Quando é planejado o processo? D Quando é executado? D Quando é avaliado? D Quanto tempo leva o processo? D Com que frequência a atividade é execu- tada? • Where (Onde) refere-se aos locais D Onde é planejado o processo? D Onde é executado? D Onde é avaliado? • Why (Porque) – refere-se às justificativas D Porque / para que esse processo existe? D Quais são os fatores que determinam quando um produto é aceitável? • How (Como) – refere-se aos métodos D Como é planejado o processo? D Como é executado? D Como é avaliado? D Como as informações são registradas e disseminadas? D Como é avaliada a satisfação do cliente? D Como são as medidas específicas asso- ciadas ao sistema, caso existam? PIECES - Performance, Informação, Economia, Controle, Eficiência, Serviços Quando o desenvolvedor inexperiente apresenta dificuldades em determinar como começar e o que perguntar para extrair os requisitos do cliente, é interessante utilizar a técnica PIECES, pois ela aju- da a resolver esse problema. A técnica fornece um conjunto de categorias de problemas que ajudam o engenheiro de requisitos a estruturar o processo de extração de requisitos. Em cada categoria existem várias questões que o desenvolvedor deve explorar com os usuários. Pode ser adaptada para domínios de aplicação específicos. As seis categorias de questões são: 1) Performance: reflete o que usuário espera 2) Informação (e dados): refere-se ao tipo de acesso às informações: relatórios, funções on- -line; inclui a quantidade de informação ofere- cida pelo software: na medida certa, no tempo propício e em forma utilizável 3) Economia: relaciona-se ao custo de usar um produto de software: processadores, armaze- nagem, conexões de rede, etc 4) Controle: inclui as restrições de acesso ao sis- tema, acesso a algumas informações e habili- dade de monitorar o comportamento do siste- ma 5) Eficiência: procura evitar coletar o mesmo dado mais de uma vez e armazená-lo em espa- ços múltiplos 6) Serviços: refere-se a que tipo de serviços os usuários necessitam que o software realize Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 60 Prototipação Técnica que tem como objetivo extrair, entender e validar os requisitos. É baseada no conceito do processo de desenvolvimento de software de proto- tipação, já estudado anteriormente. Um protótipo do produto pode ser construído. Através do protótipo, os usuários podem descobrir quais são as suas reais necessidades. É benéfica somente se protótipo puder ser construído de forma mais rápida que o sistema real. É especialmente útil para superar dificuldades de comunicação de necessidades por parte dos usu- ários. Considerações sobre as Técnicas de Coleta de Requisitos Caro aluno, as técnicas apresentadas visam su- perar as dificuldades inerentes ao processo de ex- tração dos requisitos. Nenhuma técnica é suficiente por si só. Você, como desenvolvedor, deve escolher um conjunto de técnicas que melhor se adaptem ao produto a ser desenvolvido. Mas podemos elencar al- guns procedimentos gerais que podem fazer parte de qualquer processo de extração de requisitos e ajudá- -lo neste processo: D Você deve perguntar e identificar as pessoas apropriadas para responder quais são os requi- sitos D Você deve observar o comportamento dos usu- ários de um produto existente e inferir suas ne- cessidades a partir de seu comportamento D Você deve discutir com os usuários suas neces- sidades e junto com eles formular um entendi- mento comum dos requisitos D É importante você negociar com os usuários, a partir de um conjunto-padrão de requisitos, quais serão incluídos, excluídos ou modificados D Você deve estudar e identificar os problemas, isso ajuda a identificar os requisitos que podem melhorar o produto Na geração do documento preliminar dos requisitos extraídos em qualquer técnica, pode-se utilizar Modelo de Caso de Uso da UML para se ter uma ideia geral do escopo do produto de software. Geralmente esse não é o modelo final, mas serve como subsídio para a próxima etapa da Engenharia de Requisitos referente à análise e negociação de requisitos. Coleção de artigos sobre Engenharia de Requisitos http://analiserequisitos.blogspot.com/ Estudo de caso na área médica: http://www.sc ie lo.br/sc ie lo.php?pid=S0103- -17592009000400014&script=sci_arttext Manual em Português sobre Certificação PMI em Ge- renciamento de Projetos PMBok: http://www.pmi.org/~/media/PDF/Certifications/PT_ PMP_Handbook_Full_Portuguese.ashx Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 61 Exercícios do Capítulo 4 - Parte 2 1) Stakeholder é qualquer pessoa que vá comprar o software em desenvolvimento. a) Verdadeiro b) Falso 2) É relativamente comum para diferentes usuários propor requisitos conflitantes, cada qual argumentando que sua versão é a mais adequada ou melhor. a) Verdadeiro b) Falso 3) Na validação de requisitos, o modelo de requisitos é revisto para assegurar sua viabili- dade técnica. a) Verdadeiro b) Falso 4) Faça a associação e assinale a resposta correta sobre a técnica PIECES: i-Performance ii-Informação iii-Economia iv-Controle v-Eficiência vi-Serviços A- relaciona-se ao custo de usar um produto de software: processadores, armazenagem, cone- xões de rede, etc B- inclui as restrições de acesso ao sistema, acesso a algumas informações e habilidade de mo- nitorar o comportamento do sistema C- reflete o que usuário espera D- refere-se a que tipo de serviços os usuários necessitam que o software realize E- refere-se ao tipo de acesso às informações: relatórios, funções on-line; inclui a quantidade de informação oferecida pelo software: na medida certa, no tempo propício e em forma utilizável F- procura evitar coletar o mesmo dado mais de uma vez e armazená-lo em espaços múltiplos a) i-C ii-E iii-A iv-B v-F vi-D b) i-F ii-C iii-A iv-E v-D vi-B c) i-E ii-D iii-B iv-F v-C vi-A d) i-A ii-E iii-F iv-C v-B vi-D 5) Qual é o principal objetivo da Engenharia de Requisitos? 6) Qual a definição de requisitos segundo o IEEE? 7) Defina Requisitos Funcionais e Requisitos Não-Funcionais. 8) O que se entende por stakeholder? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 62 9) Quais os benefícios que se espera de um documento de especificação de requisitos? 10) Um dos principais pontos a se considerar em qualquer projeto é o chamado estudo de viabilidade.Para projetos de software não é diferente. Relacione as principais ques- tões que se deve considerar no estudo de viabilidade de um projeto de software. 11) Cite algumas técnicas de levantamento de requisitos estudadas na disciplina. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 63 Considerações Finais Caro aluno, essa disciplina introduziu muitos aspectos essenciais para a prática da Engenharia de Softwa- re. Vimos que o processo de desenvolvimento de software envolve atividades, recursos e produtos. Vimos que um modelo de processo é útil para orientar o comportamento quando você estiver trabalhan- do em grupo. Modelos de processo detalhados nos dizem como coordenar e colaborar com nossos colegas, enquanto se projeta e se contrói um sistema. Os modelos também mostram a cada membro da equipe quais atividades ocorrem, quando e por quem elas são realizadas, de modo a tornar clara a divisão de tarefas. Vimos que os requisitos podem ser modificados até mesmo enquanto analisamos o problema e desenvol- vemos a solução. E que a solução deve estar bem documentada e ser flexível, devendo-se documentar as suposições e os algoritmos utilizados, de tal modo que seja fácil mudá-los posteriormente. Possivelmente, caro aluno, você fará grande parte do seu trabalho como membro de uma equipe de desenvolvimento maior. Como vimos nessa disciplina, o desenvolvimento de software envolve análise de requisitos, projeto, implementação, teste, gerência de configuração, garantia da qualidade, dentre outras atividades. Você e outras pessoas de sua equipe podem desempenhar vários papéis, e o sucesso do projeto depende em larga escala da comunicação e coordenação entre os membros da equipe. Vimos também que você pode ajudar no sucesso de seu projeto, selecionando um processo de desen- volvimento apropriado ao tamanho da equipe, ao nível de risco do projeto e ao domínio do aplicativo, bem como utilizando ferramentas bem integradas que apóiem o tipo de comunicação necessária ao seu projeto. No andamento do nosso curso, vários aspectos fundamentais estudados nesta disciplina serão abordados em maiores detalhes, proporcionando a você, caro aluno, um entendimento e um conhecimento maior dos conceitos, métodos, técnicas e ferramentas da Engenharia de Software que auxiliam na obtenção de um produto de qualidade, respeitando os prazos, custos e escopo estabelecidos. Prof. Marcelo Pintaud e Profa. Elisamara Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 64 Respostas Comentadas dos Exercícios Capítulo 1 1) Qual das questões abaixo não é mais uma das grandes preocupações de um engenheiro de software? d) Por que hardware é tão caro? 2) Software é um produto que pode ser manufaturado usando as mesmas tecnologias usadas para outros artefatos de engenharia. b) Falso 3) Software deteriora-se ao invés de se desgastar porque: c) Mudanças frequentes aumentam a probabilidade de introduzir erros no software 4) Atividades “guarda-chuva” de engenharia de software são aplicadas somente durante as fases iniciais do desenvolvimento de software: b) Falso 5) O que caracterizou a chamada “crise do software”? A “crise do software” foi um termo criado para descrever as dificuldades enfrentadas no desenvolvimento de software no final da década de 1960. A complexidade dos problemas, a ausência de técnicas bem estabe- lecidas e a crescente demanda por novas aplicações começavam a se tornar um problema sério. Essa crise teve como origem a introdução de computadores “mais poderosos”. Mas a caracterização da crise teve como ponto fundamental o fato de que os softwares eram entregues fora do prazo, com custos mais elevados do que os projetados inicialmente e com uma qualidade aquém do esperado. 6) Conforme vimos, Engenharia de Software é uma disciplina da Engenharia que se ocupa de todos os aspectos da produção de software. Seu principal objetivo é fornecer uma estrutura metodológica para a construção de software com alta qualidade. O que é necessário para que isso aconteça? D aplicar teorias, métodos e ferramentas nas situações apropriadas nas diversas etapas do desenvolvi- mento D trabalhar de acordo com as restrições organizacionais e financeiras procurando soluções que estejam dentro dessas restrições D gerenciar os projetos de software para que o resultado final esteja dentro do escopo, custo e prazos planejados D adotar uma abordagem sistemática e organizada (maneira mais eficaz de produzir software de alta qualidade) 7) Normalmente, para o leigo, software se constitui no “código fonte + código executável”. Vimos que para a Engenharia de Software, o conceito de software é algo mais abrangente. Como Pressman conceitua software? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 65 “Instruções (programas de computador) que, quando executadas, produzem a função e o desempenho desejados; (2) Estruturas de dados que possibilitam que os programas manipulem adequadamente a infor- mação; (3) Documentos que descrevem a operação e o uso dos programas”. 8) O processo de desenvolvimento do software apresenta diferenças fundamentais em rela- ção ao hardware. Cite algumas dessas diferenças. D O processo criativo do hardware gera algo físico (por exemplo, placas de circuitos). O desenvolvimento de software resulta em um elemento pertencente a um sistema lógico, intangível; D O software geralmente é desenvolvido sob medida, ao contrário do hardware, no qual o projetista tem acesso a componentes existentes que executam tarefas definidas. D O projetista do software nem sempre terá acesso a módulos prontos para utilização e quando o faz, pode elevar o risco do produto devido a questões de segurança; D Os custos do software estão concentrados no desenvolvimento e não no processo de manufatura. Isto significa que não pode ser gerido como projeto de manufatura; D Ao longo do tempo, o produto de software não se desgasta, mas se deteriora em função da introdução de erros oriundos de atividades de manutenção ou evoluções implícitas no processo que devem ser reconsideradas no modelo original. 9) Faça um esboço das curvas de taxa de falhas do hardware e do software. Explique as dife- renças entre as curvas. Hardware: Software: Diferenças: no caso do hardware, há um alto índice de falhas no início do seu ciclo de vida originadas de defeitos de fabricação e projeto; depois os defeitos são corrigidos dando estabilidade nas falhas; no final do ciclo de vida do produto podem surgir problemas relacionados ao desgaste do uso. Diferentemente da curva teórica de falhas do hardware, o software não sofre processos de envelhecimento como o hardware, pois o software não é algo físico. No início do ciclo de vida do software, há problemas que serão ajustados no decorrer do desenvolvimento e se estabilizarão gerando uma tendência de achatamento da curva; durante o processo de refinamento do produto ou mudanças aumenta-se a probabilidade de inserção de novos erros, gerando picos na curva de falhas; as sucessivas alterações do software tendem a introduzir mais erros antes da estabilização dos erros de alterações anteriores, ocasionando a tendência crescente do índice de falhas. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 66 Capítulo 2 1) Processos de software podem ser construídos de modelos pré-existentes objetivando se adequar às necessidades de um determinado projeto a) Verdadeiro 2) A essência da prática da engenharia de software pode ser resumida em compreender o problema, planejar a solução, executar o plano e examinar o resultado. a) Verdadeiro 3) Qual dos itens listados abaixo não se constitui numa das camadas da engenharia de sof- tware? b) Manufatura 4) Cite que tipos de manutenção um software pode sofrer. D Manutenção Corretiva: modifica osoftware para corrigir defeitos D Manutenção Adaptativa: modifica o software para acomodar mudanças no seu ambiente externo (processador, sistema operacional, etc) D Manutenção de Aperfeiçoamento: aprimora o software além dos requisitos funcionais originais (cliente/ usuário reconhece e solicita funcionalidades adicionais que trarão benefícios, à medida que o software é usado). D Manutenção Preventiva: faz modificações nos programas de modo que eles possam ser mais facilmente corrigidos, adaptados e melhorados. 5) As atividades “guarda-chuva” dão “cobertura” para as fases envolvidas na produção de software. Cite algumas dessas atividades. D Controle e Rastreamento do Projeto D Gestão de Riscos D Revisões Técnicas Formais D Garantia de Qualidade D Gestão de Configuração de Software D Produção e Preparação de Produtos do Trabalho (documentos) D Gestão de Reusabilidade D Medição 6) Há uma ilusão por parte de alguns desenvolvedores que basta selecionar um modelo de processo e aplicá-lo para se obter software de qualidade, dentro do prazo e custos estabeleci- dos. Comente sobre esse “mito”. A existência ou a simples escolha de um processo de software não garante que o software será entregue no prazo, que ele atenda as necessidades do projeto e possua as características técnicas que garantirão sua qualidade no longo prazo. Os padrões de processo precisam estar ligados de forma sólida às práticas da Engenharia de Software. Além disso, o processo em si deve ser avaliado para garantir que ele satisfaça a um conjunto de critérios essenciais para o desenvolvimento bem sucedido. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 67 Capítulo 3 1) Em relação ao modelo Em Cascata podemos afirmar que é: a) Uma abordagem razoável quando os requisitos estão bem estabelecidos 2) Quais são as 5 atividades gerais da Engenharia de Software, também caracterizadas no modelo Em Cascata? c) Especificação, planejamento, modelagem, construção, implantação (entrega) 3) Podemos dizer que o modelo incremental é: b) Uma boa abordagem quando um produto de trabalho “núcleo” é requerido rapidamente 4) Podemos afirmar que modelos de processo evolucionários: d) Todas as alternativas anteriores estão corretas 5) O modelo de prototipagem é: c) Uma abordagem razoável quando o cliente não consegue definir os requisitos claramente 6) O modelo espiral de desenvolvimento de software: c) Inclui avaliação de riscos a cada iteração 7) O modelo de desenvolvimento concorrente: e) Somente a e b são verdadeiras 8) Podemos dizer que o modelo de desenvolvimento baseado em componentes: c) Depende da tecnologia de objetos como suporte 9) O modelo de métodos formais faz uso de métodos matemáticos para: d) Todas as alternativas anteriores são corretas 10) Qual dos nomes abaixo não representa uma das fases do modelo de processo unificado? b) Fase de validação 11) O que se entende por “ciclo de vida”? Ciclo de vida de um software descreve as fases pelas quais o software passa desde a sua concepção até a descontinuidade de seu uso. 12) Qual a diferença entre um modelo descritivo e um modelo prescritivo de processo? Enquanto um modelo descritivo retrata como um processo é executado, um modelo prescritivo retrata como um processo deveria ser executado. Assim, um modelo prescritivo é uma recomendação que pode ser adaptada ou melhorada pela empresa/equipe de software que for adotá-la. 13) O que caracteriza os modelos evolucionários de processo? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 68 São modelos que consideram a natureza evolutiva do software. Os modelos evolucionários são iterativos. São implementados de forma a permitir o desenvolvimento de versões cada vez mais completas do software. Suas características incluem: D São usados quando o deadline (limite de tempo) não é adequado para o desenvolvimento do software, ou seja, a data de término não é realística (por exemplo, prazos reduzidos de mercado face à compe- titividade). D Uma versão limitada pode ser introduzida para atender a essa competitividade e às pressões do negó- cio. D São liberados produtos “core” (“núcleo dos produtos”) ao longo do desenvolvimento. D Os detalhes e extensões do projeto são definidos ao longo do desenvolvimento. 14) Em que situações os modelos incrementais são mais indicados? Em situações em que os requisitos iniciais do software estão razoavelmente bem definidos, mas o escopo global do processo de desenvolvimento claramente elimina uma abordagem puramente linear ou sequencial. Adicionalmente pode haver a necessidade de se fornecer rapidamente um conjunto limitado de funcionalida- des do software aos usuários e depois refinar, melhorar e expandir aquela funcionalidade em versões mais avançadas do software. Nestes casos, os modelos de processo que produzem software em incrementos são os mais indicados. 15) Cite uma das principais diferenças entre o Modelo Incremental e o Modelo de Prototipa- gem. O modelo de processo incremental é interativo como a prototipagem, mas diferentemente da prototipa- gem, o incremental tem como objetivo apresentar um produto operacional a cada incremento realizado. 16) Cite quais são as duas dimensões do Processo Unificado. - Estrutura dinâmica - representa a dimensão do tempo no processo. - Estrutura estática - descreve como elementos do processo são agrupados em disciplinas. 17) Quais são as fases e as disciplinas do Processo Unificado? Fases : Concepção ou Iniciação, Elaboração, Construção, Transição Disciplinas: Modelagem de Negócios, Requisitos, Análise e Design, Implementação, Teste, Implantação, Gerenciamento de Configuração e Mudança, Gerenciamento de Projeto, Ambiente 18) Quais são as principais características do Processo Unificado? D é um framework genérico de um processo de desenvolvimento; D é baseado em componentes; D utiliza toda a definição da UML; D é dirigido pelos use cases, centrado na arquitetura, iterativo e incremental (conceitos-chave). 19) Quais são os princípios das metodologias ágeis? D Valorizar indivíduos (e a interação entre eles) mais que processos e ferramentas; D Valorizar o software em funcionamento mais do que documentação abrangente; D Valorizar a colaboração com o cliente mais do que negociação de contratos; D Valorizar responder a mudanças mais que seguir um plano. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 69 20) Nos modelos de processos ágeis o único produto de trabalho gerado é o programa de trabalho. b) Falso Capítulo 4 – Parte 1 a) Aponte as ambiguidades e omissões. D O texto está mal formulado. D É dito duas vezes que o usuário deve apresentar um cartão de crédito e um número de identificação. D Também é dito primeiro que "o cartão deve ser apresentado" e posteriormente que "o usuário insira um cartão de crédito". "Apresentar", "inserir", o que se quer dizer com isso? D Mesma coisa para o número de identificação, sendo que não fica claro o que quer se dizer com as pa- lavras "apresentar" e "fornecer". D Inicialmente é dito que o usuário escolhe seu destino, mas não diz como isso é feito. Posteriormente, é dito que o usuário pressiona o botão iniciar e uma tela de menu apresentada com possíveis destinos. D Um usuário pode comprar várias passagens para o mesmo destino ao mesmo tempo ou deve comprar uma de cada vez? D Um usuário pode cancelar uma compra? D O sistema acusará caso um cartão inválido seja inserido? b) Descreva os requisitos funcionais. D O sistema emitirá passagens de ônibus D O usuário poderá escolher seu destino através de um menu D O sistema incluirá o preço da passagem no cartão de crédito do usuário c) Descreva os requisitos não-funcionais (e de interface). D Deverá haver um botão para iniciar D Uma mensagem deve ser apresentada solicitando que o usuário selecione o destinoD Uma mensagem será apresentada solicitando que o usuário insira o cartáo de crédito d) Identifique os stakeholders. D Usuários D Desenvolvedores D outros stakeholders podem ser supostos, mas não estão identificados no texto Capítulo 4 – Parte 2 1) Stakeholder é qualquer pessoa que vá comprar o software em desenvolvimento. a) Falso Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 70 2) É relativamente comum para diferentes usuários propor requisitos conflitantes, cada qual argumentando que sua versão é a mais adequada ou melhor. a) Verdadeiro 3) Na validação de requisitos, o modelo de requisitos é revisto para assegurar sua viabilidade técnica. b) Falso 4) Faça a associação e assinale a resposta correta sobre a técnica PIECES: a) i-C ii-E iii-A iv-Bv-F vi-D 5) Qual é o principal objetivo da Engenharia de Requisitos? O principal objetivo da ER é a obtenção de uma especificação correta e completa dos requisitos de um sistema de software. 6) Qual a definição de requisitos segundo o IEEE? Uma condição ou capacidade que um usuário necessita para resolver um problema ou alcançar um obje- tivo. Uma condição ou capacidade que deve ser satisfeita por um sistema para satisfazer um contrato ou um padrão. 7) Defina Requisitos Funcionais e Requisitos Não-Funcionais. Requisitos Funcionais: São requisitos que descrevem a funcionalidade (funções que o sistema deve reali- zar) ou os serviços que se espera que o sistema faça. Exemplos de requisitos funcionais: cadastro de cliente; emissão de nota fiscal; consulta ao estoque; geração de pedido. Requisitos Não-Funcionais: São requisitos que não dizem respeito diretamente à funcionalidade do siste- ma, mas expressam propriedades do sistema e/ou restrições sobre os serviços ou funções por ele providas. 8) O que se entende por stakeholder? São as partes interessadas no projeto, ou seja, são pessoas e organizações envolvidas no projeto ou que possuem interesses que podem ser afetados pelo projeto, podendo exercer influência sobre os resultados do projeto. 9) Quais os benefícios que se espera de um documento de especificação de requisitos? D Que estabeleça a base de acordo entre os clientes e a empresa fornecedora sobre o que o software irá fazer; D Que reduza o esforço de desenvolvimento; D Que forneça uma base para estimativas de custo e prazos; D Que forneça uma base para validação e verificação do produto; D Que facilite a manutenção do produto de software final. 10) Um dos principais pontos a se considerar em qualquer projeto é o chamado estudo de viabilidade. Para projetos de software não é diferente. Relacione as principais questões que se deve considerar no estudo de viabilidade de um projeto de software. O estudo de viabilidade é um estudo breve, direcionado, que se destina a responder a algumas perguntas: D O sistema contribui para os objetivos gerais da empresa? Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 71 D O sistema pode ser implementado com a utilização de tecnologia atual dentro das restrições de custo e prazo? D O sistema pode ser integrado com outros sistemas já em operação? Após responder essas questões é necessário questionar as fontes de informação (stakeholders). Para isso, são recomendadas algumas perguntas, como: D Como a empresa se comportaria, se esse sistema não fosse implementado? D Quais são os problemas com os processos atuais e como um novo sistema ajudaria a diminuir esses problemas? D Que contribuição direta o sistema trará para os objetivos da empresa? D As informações podem ser transferidas para outros sistemas e também podem ser recebidas a partir deles? D O sistema requer tecnologia que não tenha sido utilizada anteriormente na empresa? D O que precisa e o que não precisa ser compatível com a empresa? D Quem vai usar o sistema? 11) Cite algumas técnicas de levantamento de requisitos estudadas na disciplina. Entrevistas, Prototipação, JAD, Brainstorming, PIECES. Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 72 Glossário de Siglas ASD - Adaptive Software Development (Desenvolvimento de Software Adaptativo) BPM – Business Process Modeling (Modelagem de Processos de Negócio) CASE - Computer-Aided Software Engineering (Engenharia de Software Auxiliada por Computador) CBD - Component-based Development (Desenvolvimento Baseado em Componentes) CBSE - Component-based Software Engineering (Engenharia de Software Baseada em Componentes) COTS– commercial-off-the-shelf (software comercial de prateleira) CRUISE - Component Reuse in Software Engineering (Reuso de Componentes em Engenharia de Software) DERS - Documento de Especificação de Requisitos de Software DSDM - Dynamic Systems Development Method (Método de Desenvolvimento de Sistemas Dinâmico) FDD- Feature Driven Development (Desenvolvimento Dirigido por Característica) IDEF0 - Integration Definition for Function Modeling (Definição Integrada para Modelagem de Função) IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos) JAD - Joint Application Development (ou Design)(Desenvolvimento de Aplicações em Equipe) PMI - Project Management Institute (Instituto de Gerenciamento de Projetos) PMBoK – Project Management Body of Knowledge. (Conjunto de Melhores Práticas em Gerenciamento de Projetos) UML – Unified Modeling Language (Linguagem de Modelagem Unificada) RAD – Rapid Application Development (Desenvolvimento Rápido de Aplicação). RiSE - Reuse in Software Engineering (Reuso em Engenharia de Software) ROM – Read Only Memory (Memória Somente de Leitura) RTF- Revisão Técnica Formal XP – eXtreme Programming (Programação Extrema) Engenharia de Softwares e Engenharia de Requisitos 73 ANDRADE, Adriana; ROSSETTI, José P. Gover- nança Corporativa. São Paulo: Atlas, 2007. BLAHA, Michael. Modelagem e projetos base- ados em objetos com UML. Rio de Janeiro: Else- vier, 2006. BOEHM, Barry W. A Spiral Model of Software Development and Enhancement. Computer, vol. 21, no. 5. May, 1988. p. 61-72. BOOCH, G., RUMBAUGH, J., JACOBSON, I. UML – guia do usuário. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006. BLOOGS, Wendy. Mastering UML com Rational Rose 2002: A Bíblia. Rio de Janeiro: Alta Books, 2002. CRUZ, Márcia; GONSALES, Samuel. 2010. 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