Aula 01 a 10 Mobilização Comunitária
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AULA 01
O Ser Humano com um Ser Social e a Dinâmica da Comunidade.
A Comunidade:
A Declaração Universal dos Direitos Humanos define Segurança Pública como direito fundamental do homem. A Constituição de 1988, em seu artigo 144, vai além ao afirmar que a segurança é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. 
Entendemos, então, que, de acordo com a Carta Magna, se temos direitos, também temos compromissos. 
Mobilização comunitária para assuntos de Segurança Pública:
Os seres humanos são seres sociais, políticos, são indivíduos que interagem com outros seres humanos.
Essa interação se dá na vida comunitária que desenvolvemos e aprendemos a agir, pensar e sentir como seres verdadeiramente humanos.
Existem mais de 90 definições para o termo Comunidade. A única concordância é que os seres humanos vivem em comunidade. Uma comunidade tem uma base territorial específica. Alguns veem a comunidade mais sob o prisma biológico do que sociocultural.
Comunidade têm os seguintes traços:
Afirmam que as comunidades possuem forte solidariedade social;
Asseguram que existe aproximação dos indivíduos em frequentes relacionamentos interpessoais;
Os indivíduos se unem para a discussão e as soluções de problemas comuns;
Existe o sentido de organização possibilitando uma vida social durável, pois a solidariedade forte aproxima as pessoas.
Capital Social:
Segundo Maria Celina D\u2019Araujo (2003), ao analisar a obra Comunidade e Democracia: 
A experiência na Itália Moderna, de 1993, de Robert Putnam, o Capital Social pode ser visto como uma ferramenta útil para auxiliar comunidade e governo a resolverem problemas socialmente relevantes.
O Banco Mundial, a partir de 1990, passou a distinguir quatro formas de capital:
Capital Natural:
Os recursos naturais de um país;
Capital Humano:
Definido pelos graus de saúde, educação e nutrição de um povo;
Capital Financeiro:
Produzido pela sociedade e expresso em infraestrutura, bens de capital, capital financeiro, imobiliário etc.
Capital Social:
Expressa a capacidade de uma sociedade de estabelecer laços de confiança interpessoal e redes de cooperação com vistas à produção de bens coletivos.
O capital social, então, se refere às instituições, relações e normas sociais que qualificam as relações interpessoais em determinada sociedade.
Nesta perspectiva, a coesão social é o fator crítico para a prosperidade econômica e para o desenvolvimento sustentado. 
O Capital Social é visto como a argamassa que mantém as instituições em contato entre si e as vincula ao cidadão visando à produção do bem comum.
Atenção:
Concepção de capital social traz à baila a capacidade de cooperar e de confiar para a produção do bem público. 
Conforme D\u2019Araujo (2003:57):
Capital Social não é um instrumento que opera solitariamente. Reflete uma maneira integrada de agir e de interagir que tem na confiança e na cooperação as moedas da boa sociedade. Não é substituto de nada, assim como não supõe que o mercado possa ser o substituto do mercado.
O conceito remete aos aspectos éticos da vida em comum, valoriza a cultura humana em suas diversas formas e, assim, não pode ser um mecanismo para impor um modelo de sociedade sobre a outra. 
Outra noção importante neste ponto é a de sociedade civil, ou seja, grupos organizados, formais ou informais, independentes do mercado e do Estado, com condições de promover ou facilitar a promoção dos diferentes interesses da sociedade.
De acordo com D\u2019Araujo (2003:45):
Capital Social, isto é, as relações informais e de confiança que fazem com que as pessoas ajam conjuntamente em busca de um bem comum, é fundamental para que novas e velhas organizações da sociedade civil possam prosperar e dar oportunidade de participação aos que ainda carecem de engajamento ou de proteção. (...) Aqui se faz presente a ideia de sinergia, a energia que vem da confluência positiva de vários fatores, no caso governo, organizações formais e informais (sociedade civil) e mercado. Não se trata de qualquer um deles substituir as fraquezas ou irresponsabilidades de ambos. Trata-se de cooperação que tem como principal alvo o bem-estar do indivíduo e o zelo pelo governo democrático e transparente.
As cidades como centros convergentes da vida comunitária:
Desde a Antiguidade as cidades apareceram como centros de convergência da vida social. Lugar das artes, da cultura, do comércio e da política, os centros urbanos foram ganhando características cosmopolitas, como Atenas e Roma que possuíam rede de esgotos, sistema viário, escolas públicas e policiamento ostensivo na área urbana. 
A vivência na cidade implica em viver coletivamente. O indivíduo nunca está só, pois é parte de um conjunto, elemento de um coletivo. Quem já viu um terminal de transportes percebe porque a aglomeração densa de pessoas, também chamada de \u201cmassa\u201d, tem seus movimentos permanentemente dirigidos. A regulação dos fluxos se apresenta no sinal de trânsito e na faixa de pedestres, nas filas de ônibus etc. Estes regulamentos e organizações estabelecem uma ordem definindo movimentos permitidos, bloqueando passagens proibidas.
Não importa o tamanho da cidade, sempre existe a necessidade de organizar a vida pública, emergindo um poder urbano, autoridade político-administrativa encarregada de sua gestão. Cidade significa uma maneira de organizar o território e uma relação política. Ser habitante de uma cidade, então, significa participar de alguma forma da vida pública, mesmo que, algumas vezes, a participação seja apenas pela submissão a regras e regulamentos.
Vimos que, como lugar da política e das transações econômicas, a cidade é lugar de convivência social. Contudo, a vida nos grandes centros urbanos também pode ser marcada pelo individualismo e pelo relacionamento comunitário enfraquecido.
 Sabemos que a proximidade física dos habitantes de uma cidade não garante que se conheçam e que se relacionem pessoalmente e proximamente. 
Alguns contatos são transitórios e fragmentados, servindo apenas como meios de se alcançar determinados objetivos. 
A proximidade sem relacionamentos afasta as pessoas e a ausência de uma sociedade integrada gera rotinas ordenadas, cujo controle é dado por regras de comportamentos impessoais e definidos claramente. 
Nas grandes cidades percebemos o anonimato e a ausência de identificação com fatores sociais comuns à vida cotidiana. A perda da identidade social pode causar vários prejuízos sociais, dentre eles, podemos destacar a alta criminalidade e a violência. 
É fundamental, então, que o respeito e o interesse individual e coletivo se tornem convergentes para o bem-estar, a tranquilidade pública e a Segurança Pública.
Em uma cidade encontramos o bairro como o principal núcleo urbano que se configura como o grande centro de confluência dos interesses comuns da comunidade. 
Por isso, é visto por autores, como Jorge Wilheim como a unidade urbana mais legítima da espacialidade de sua população.
É a dimensão de território ideal para a reivindicação coletiva. 
O bairro é uma unidade politicamente mais importante que a rua, onde as reivindicações se esgotam rapidamente. Ao mesmo tempo, em regiões administrativas maiores, surgem conflitos de prioridades entre os bairros. 
Deste modo, é no bairro que o indivíduo ganha valores coletivos e de cidadania que formam a sua identidade.  
Democracia:
	Etimologicamente democracia significa \u201cgoverno do povo\u201d ou \u201cgoverno da maioria\u201d, pois a palavra deriva da junção de dois termos gregos: demos e kratos. 
Heródoto (Halicarnasso 485-422 a.C.) afirmava que a democracia é uma forma de governo entre a monarquia ou governo de um só e a aristocracia ou governo de alguns. 
Para Aristóteles (Estagira 384-322 a.C.), a melhor organização da polis, ou cidade, era o resultado de uma mistura entre a democracia como governo da maioria e aristocracia como governo dos melhores, isto é, daqueles que se revelaram publicamente como bons condutores dos negócios da coletividade.
Em Atenas, a forma de articulação das relações políticas