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Dicionario Financeiro_Completo

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se preze tem medo do risco que uma operação possa trazer. Não importa o tipo ou o volume. O fato é que, mesmo que mínimo, há sempre um risco para quem investe. Por isso, é importante que o investidor saiba que há formas de se proteger e diminuir a possibilidade de ser pego de surpresa por algum revés da economia. Uma das operações mais usadas e mais eficientes para proteção de investimento é o hedge. 
Numa tradução literal do inglês, “hedge” quer dizer “cerca”. Na prática, é uma forma de proteger uma aplicação contra as oscilações do mercado. “O hedge significa menos risco para a posição do investidor, seja ela qual for”,Apesar de ser muito usado em operações cambiais, o hedge é também muito comum na proteção de preço de commodities. “Principalmente as agrícolas, que têm fortes oscilações de preços”, 
O investidor que faz um hedge admite que está assumindo uma posição de risco e que pode não ganhar tudo aquilo que espera. “Mas, pelo menos, ele se protege e não perde tudo. Há operações tão arriscadas que o investidor pode até ser obrigado a colocar mais do que investiu”
Os operadores e analistas do mercado, em geral as pessoas mais acostumadas com esse tipo de operação, costumam usar a expressão “hedgiar” ou “fazer um hedge”. Isso significa que estão montando estratégias de proteção para diminuir o risco. As operações de hedge devem constar no regulamento dos fundos de investimentos. Portanto, se o investidor observar qualquer menção a esse tipo de operação, deve saber que o gestor do fundo está fazendo operações muito arriscadas e que está tomando providências para reduzir os riscos dessas operações. 
Em geral, as operações de hedge são realizadas na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Digamos que uma empresa tenha dívidas em dólar, e queira se prevenir de eventual alta da moeda norte-americana. Ela vai a BM&F e compra um contrato de dólar futuro, garantindo que, em determinada data, poderá comprar determinada quantia de dólares a determinada cotação. Se o dólar ultrapassar a cotação fixada, a empresa estará protegida, pois terá direito a comprar a moeda a um preço mais baixo. Operações como essa na BM&F, no entanto, têm um custo. Por isso, só são feitas por empresas ou bancos. 
Veja o exemplo de como fazer uma simples operação de hedge: 
Mas há alguns tipos de hedge que o pequeno investidor pode fazer, sem precisar recorrer a BM&F. Suponhamos que uma família vá fazer uma viagem ao exterior e debite a maioria de suas despesas em cartão de crédito. Como qualquer gasto no exterior é calculado em dólar pela administradora, o valor das contas virão indexadas à variação da cotação dessa moeda. Para se proteger de qualquer crise cambial, o investidor calcula em média quanto gastará em sua viagem e compra o mesmo valor em dólar ou simplesmente aplica o dinheiro num fundo cambial (atrelado ao dólar). Ao retornar da viagem, pode vender os dólares comprados e, com o equivalente em reais, pagar sua fatura. Assim, ele livra-se do risco de uma crise cambial, com desvalorização da moeda nacional, no nosso caso o Real. 
Veja agora como o produtor agrícola faz para “hedgiar” sua safra: 
Vamos dizer que um produtor de milho esteja planejando sua colheita para daqui a quatro meses. No entanto, ele não sabe a que preço vai estar o produto naquela época. Para evitar que perca muito, caso haja uma queda brusca de preço, ele compra uma opção de venda. Com isso, garante que vai vender o produto a determinado preço, em determinada data. Essa opção de venda protege o produtor contra as fortes oscilação do preço do produto no mercado. Mas, caso o preço do milho ultrapasse o preço fixado na opção de venda, o produtor não é obrigado a exercer a operação. Isso é uma forma de hedge.
Ibovespa Futuro
Fugir dos grandes riscos e obter excelentes ganhos. Esses são os principais objetivos de quem investe em ações. E é para diminuir a propensão a esse risco ou para especular os movimentos do mercado acionário, com o objetivo de obter maiores ganhos, que os investidores usam o Ibovespa Futuro. Este índice, que é negociado através de um contrato futuro (como é chamada a negociação) também influencia o pregão da Bovespa, já que reflete a projeção para o mercado à vista.
O Ibovespa Futuro, que é negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), foi criado para ser um hedge do investidor, mas, como se trata de algo sofisticado e envolve grandes quantias de dinheiro, deve ser usado com cautela. "O Ibovespa Futuro é muito usado por grandes bancos e tesourarias, pois demanda muito dinheiro, o que geralmente não está disponível para pessoa física
O cálculo do índice é feito através do valor real do Ibovespa, da data de vencimento do mercado e da projeção de taxa de juros para esta mesma data.
 Veja o exemplo:
Suponha que o Ibovespa se encontra com 16.200 pontos na terça-feira e a projeção de juros da BM&F para o dia 18 de abril, quarta-feira, que é a data do próximo vencimento, é de 2%. Deve-se multiplicar os 16.200 pontos por 2%, o que dá 16.524. Neste caso, há uma diferença de 324 em relação ao Ibovespa, valor que representa a relação "justa" entre o mercado à vista e o futuro. 
"O investidor deve observar com cuidado qualquer alteração nesta relação, pois isso pode indicar alguma nova tendência do mercado. Tanto alguma mudança no cenário de juros como no dólar ou nos mercados em geral", No decorrer do tempo, o mercado futuro tende a se aproximar do à vista, sendo que no dia do vencimento, ambos estarão no mesmo nível.
Caso a previsão da taxa seja baixa, a tendência é de que se venda papéis à vista e se compre futuros. Caso contrário, com uma taxa alta, adquire-se papéis na Bolsa e vende-se na BM&F. Assim, fazendo operações nos mercados à vista e futuro, diminui-se o risco que há por se aplicar em Bolsa e é possível obter maiores ganhos, através da especulação.
OIbovespa Futuro sente primeiro o resultado de notícias. "Se acontece um bombardeio no Iraque, por exemplo, o mercado futuro sente o reflexo primeiro e passa isto, posteriormente, para o mercado à vista. Além disso, o Ibovespa futuro reflete a taxa de juros vigente"
Ibovespa, IBX, IEE, ITEL e IGC: 
É um erro muito usual resumir a bolsa de valores de São Paulo ao seu índice “principal”, ou seja, quantificar o seu desempenho, exclusivamente, pelo resultado do Ibovespa. O que a mídia esquece, e os investidores devem ficar de olho, é que existem outras referências para se observar na hora de decidir investir ou não em determinados papéis. 
Os índices servem para orientar os investidores através de uma carteira, atualizada periodicamente (quadrimestralmente, na maior parte dos casos) e composta pelas ações que tiveram melhor desempenho nos últimos 12 meses. Para isso, cada índice segue critérios específicos. 
Os índices setoriais, por exemplo, são separados por área de atuação e servem para orientar o investidor, tanto numa queda abrupta como numa alta elevada na bolsa paulista. Através deles, é possível perceber de onde veio o impacto que atingiu o Ibovespa, ou seja, qual foi o setor que puxou o índice para cima ou para baixo. Os índices setoriais são: o IEE, que reúne empresas de energia elétrica, e o ITEL, que abrange as principais ações do setor de telecomunicações. 
Outro índice da bolsa paulista é o IGC (Índice de Governança Corporativa), que inclui empresas com políticas de valorização dos acionistas minoritário, ou seja, as do Novo Mercado e as classificadas nos níveis 1 e 2 de governança corporativa da Bovespa. 
“A bolsa caiu 3,5% no quadrimestre, enquanto ITEL caiu 19%”, As teles correspondem a cerca de 40% do Ibovespa e, por isso, o setor tem um grande peso nos péssimos resultados do índice nos últimos meses. 
O índice, que começou a valer no início de 2002, tenha vindo em um momento tão inoportuno. “O Itel pegou a bolsa num momento muito ruim. A Bovespa perdeu muita liquidez nos últimos cinco anos e isso faz com que muitas novidades, como os índices setorizados, não tenham espaço para serem utilizados. Antes desses volumes