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Aula 03

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• Embora com posicionamentos divergentes, prevalece o 
entendimento de que as omissões que viabilizam o uso do 
mandado de injunção podem ser totais ou parciais9; 
Espécies de “normas frustradas” que podem ser usadas para 
embasar um MI: 
• Embora o mandado de injunção possa ser usado para suprir 
omissões totais ou parciais do poder público, somente pode ser 
impetrado o mandado quando essas omissões estiverem 
frustrando o alcance de objetivos que estão expostos em 
normas de status constitucional, e que sejam revestidas 
sob a forma de normas de eficácia limitada – sejam de 
princípio institutivo ou programático -, já que são essas 
categorias de normas constitucionais que dependem de 
normatização para que alcancem suas finalidades. 
• Baseado, no exposto, o STF já decidiu não haver possibilidade 
de ingressar mandado de injunção contra a falta de normas 
 
9
 MI 107/DF 
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para efetivar mandamentos da Convenção Americana de 
Direitos Humanos10. 
Espécies de “normas faltantes” para embasar um MI: 
• Embora o direito tutelado deva estar previsto necessariamente 
em uma norma constitucional e de eficácia limitada. A "norma 
faltante", que esteja frustrando o exercício de direitos 
constitucionais, pode ser tanto uma lei (maioria dos casos) 
como qualquer outro ato normativo cuja falta impeça a 
concretização dos efeitos da norma constitucional, como uma 
portaria, decreto, e etc. 
Liminar em mandado de injunção: 
• Segundo a doutrina e o posicionamento do STF, não cabe 
liminar em mandado de injunção, pois a decisão liminar 
acabaria por se confundir com o próprio mérito da demanda 
(assegurar o exercício do direito ou garantia que esteja sendo 
frustrado)11. 
Teoria concretista X teoria não-concretista: 
Até meados de 2007, o efeito das decisões de MI emanadas pelos 
tribunais se limitavam a declarar a mora do legislador, pelo princípio 
da independência dos poderes, não havia como obrigar tal autoridade 
a legislar e nem mesmo poderia o Judiciário agir como legislador e 
sanar a mora existente. Essa situação era o que chamamos de 
posição não concretista do Poder Judiciário. 
Porém, ao julgar os Mandados de Injunção 670, 708 e 712, sobre a 
falta de norma regulamentadora do direito de greve dos servidores 
públicos, o STF abandonou sua antiga posição e declarou: “enquanto 
não editada a lei especifica sobre o direito de greve dos servidores 
públicos, estes devem adotar a norma aplicável aos trabalhadores da 
iniciativa privada”. Assim, o STF passou a adotar a teoria concretista, 
pois sanou a mora existente e “ressuscitou” aquele que era chamado 
de “o remédio constitucional mais ineficaz”. 
Vamos esquematizar este importante assunto: 
Posição 
Não-
concretista 
 
O Judiciário se limita a declarar a mora do legislador 
 
10
 MS 22483-5/DF 
11
 STF - AC 124 AgR / PR – PARANÁ – Julgamento: 23/09/2004 
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Posição 
Concretista 
Geral 
O judiário desde já faz com que o direito 
possa ser exercido e de forma erga omnes 
Individual 
O judiciário 
decide de 
forma inter 
partes 
Intermediária 
O Judiciário 
assenta um 
prazo para 
que o 
Legislativo 
edite a norma 
faltante – 
quando usado 
foi de 120 
dias 
Direta 
O Judiciário 
desde logo faz 
com que a 
parte pedinte 
possa exercer 
o seu direito, 
geralmente 
usando-se de 
analogia a 
outras normas 
 
80. (CESPE/Analista - TRE-MT/2010) O mandado de injunção 
tem como objeto o não cumprimento de dever constitucional de 
legislar que, de alguma forma, afete direitos constitucionalmente 
assegurados, sendo pacífico, na jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal (STF), que ele só é cabível se a omissão tiver caráter 
absoluto ou total, e não parcial. 
Comentários: 
O erro foi dizer que só é cabível se a omissão tiver caráter absoluto 
ou total, e não parcial. Embora com posicionamentos divergentes, 
prevalece o entendimento de que as omissões que viabilizam o uso 
do mandado de injunção podem ser totais ou parciais. 
Gabarito: Errado. 
 
81. (CESPE/TCE-AC/2009) O mandado de injunção não é 
instrumento adequado à determinação de edição de portaria por 
órgão da administração direta. 
Comentários: 
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O mandado de injunção é utilizado sempre que uma norma 
regulamentadora esteja faltando, e esta falta esteja impedindo que a 
pessoa possa exercer os direitos e liberdades constitucionais e suas 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. A 
Constituição ao dispor sobre este mandado, falou em "norma 
regulamentadora", não importando, então, qual a natureza de tal 
norma. 
Gabarito: Errado. 
 
82. (CESPE/Analista - TCE-TO/2008) O STF passou a admitir a 
adoção de soluções normativas para a decisão judicial como 
alternativa legítima de tornar a proteção judicial efetiva por meio do 
mandado de injunção. 
Comentários: 
Atualmente (a partir de 2007) o STF vem adotando a posição 
concretista do mandado de injunção, ou seja, quando se entra em 
juízo com um mandado de injunção, a autoridade julgadora deverá 
decidir o caso concreto, fazendo com que desde já o impetrante 
consiga exercer o direito que está sendo impedido pela omissão 
normativa. O meio que mais tem sido utilizado para a solução dos 
problemas tem sido a adoção de diplomas normativos que regulam 
áreas similares para que "por analogia" regulamentem 
provisoriamente o tema. 
Gabarito: Correto. 
 
83. (CESPE/Procurador Municipal Natal/2008) Considerando a 
atual jurisprudência do STF quanto à decisão e aos efeitos do 
mandado de injunção, notadamente nos casos em que se discuta o 
direito de greve dos servidores públicos, é correto afirmar que, na 
decisão de um mandado de injunção, compete ao Poder Judiciário 
a) elaborar a norma regulamentadora faltante. 
b) proferir simples declaração de inconstitucionalidade por omissão, 
dando conhecimento ao órgão competente para a adoção das 
providências cabíveis. 
c) garantir o imediato exercício do direito fundamental afetado pela 
omissão do poder público. 
d) fixar prazo razoável para que o ente omisso supra a lacuna 
legislativa ou regulamentar, sob pena de responsabilização. 
Comentários: 
Letra A - Errado. Judiciário não é legislador, ele deve julgar, não 
legislar. Em que pese a sua atribuição atípica de poder legislar, fazer 
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seus regimentos e regulamentos, não poderá nunca elaborar uma 
norma cuja competência está estabelecida no âmbito do Poder 
Legislativo ou Executivo. 
Letra B - Errado, pois assim seria a não-concretista. 
Letra C- Perfeito, trata-se da concretista, sem entrar no mérito de ser 
geral ou individual. 
Letra D - Errado. Assim seria a posição concretista individual 
intermediária, que era adotada minoritariamente no supremo, onde o 
Min. Néri da Silveira defendia que se determinasse um prazo de 120 
dias para a regulamentação. 
Gabarito: Letra C. 
 
84. (CESPE/Advogado - IBRAM-DF/2009) O STF adota a 
posição de que o mandado de injunção não tem função concretista, 
porque não cabe