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ESTÁCIO- CAMPUS SÃO LUIS DISCIPLINA: HIDROLOGIA PROFESSOR: UNIDADE 1. Recursos hídricos: Disponibilidade e demanda hídrica no Brasil e no mundo São Luís - 2018 INTRODUÇÃO A crescente demanda e a gestão inadequada da água, principalmente em localidades com disponibilidade limitada, têm ocasionado problemas que vão desde a poluição de mananciais até a formação de áreas de desertificação, que interferem diretamente na qualidade, na disponibilidade e no acesso à água. No Semiárido brasileiro há desigualdade na distribuição dos recursos hídricos e escassez crônica em diversas localidades. Isso ocorre devido aos períodos de estiagem que duram cerca de oito meses e boa parte da água subterrânea está fora dos padrões de potabilidade. Nesses casos é fundamental que haja estruturas descentralizadas de abastecimento a partir de diversas fontes para os distintos usos da água e adensamento máximo da oferta hídrica para a população poder realizar suas atividades cotidianas imprescindíveis e garantir sua saúde e segurança alimentar e nutricional. Considera-se demanda hídrica a quantidade de água captada, expressa em unidades de volume e que satisfaça aos diversos usos pela população. Em função de sua qualidade e quantidade, esses usos podem ser classificados como consuntivos e não consuntivos. O uso consuntivo ocorre quando parte da água captada é consumida no processo produtivo, não retornando ao curso de água. E o uso não consuntivo refere-se ao uso da água captada ou utilizada em determinada atividade é devolvida na mesma quantidade e qualidade, ou então a água é utilizada apenas como meio para determinada atividade. A ONU considera que o acesso básico ocorre quando uma família dispõe de, pelo menos, 20 litros per capita por dia e percorre uma distância inferior a 1 km para busca-la. Sob o ponto de vista da garantia de uma boa saúde, a Organização Mundial da Saúde aponta que o acesso diário mínimo é de 50 litros de água por pessoa/dia. No Brasil são estimados parâmetros médios de consumo de 200 a 270 litros por pessoa/dia para a projeção de sistemas de abastecimento urbano de água, com o objetivo de definir os investimentos necessários para o atendimento da demanda hídrica local. No meio rural estima-se que a demanda média esteja entre 70 e 100 litros per capita/dia. Com relação à produção de alimentos, os parâmetros de demanda variam de acordo com cada cultura e o tipo de irrigação utilizada. A posição do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) é clara quanto aos usos da água para essa atividade. A conclusão é que a agricultura irrigada é responsável por grande desperdício de água - seja devido ao uso de equipamentos mal dimensionados, com grandes perdas de água nos sistemas por falta de manutenção ou devido a turnos de rega que tendem a utilizar mais água que o necessário ou o uso de sistemas de irrigação inadequados para as condições climáticas. DESENVOLVIMENTO A água é um recurso natural renovável abundante, que ocupa aproximadamente 70% da superfície do nosso planeta. No entanto, 97% desta água é salgada e, portanto, imprópria para o consumo. Menos de 3% da água do planeta é doce, das quais 2.5% está presa em geleiras. Dos 0.5% de água restante no mundo, a maior parte está presa em aquíferos subterrâneos, dificultando o acesso humano. Somente 0,04% da água do planeta disponível na superfície, em rios, lagos, mangues, etc. como mostra a figura abaixo. Figura 01 - Distribuição da água no planeta (1) Além de ser um recurso limitado, a água doce disponível é distribuída de maneira desigual pelo mundo. 60% da água doce disponível está concentrada em 9 países: Brasil, Rússia, China, Canadá, Indonésia, EUA, Índia, Colômbia e Congo. Isto somado às diferenças na densidade populacional nas regiões do mundo, faz com que haja grandes variações de disponibilidade de água per capita, como mostra a figura a seguir. Fig. 02 - Índice de disponibilidade de água per capita (m³/pessoa/ano) (1) Ou seja, o planeta tem água em abundância, mas ela não está prontamente disponível, sua distribuição é desigual e assegurar o acesso à água de qualidade para todos os fins humanos implica em custos altos. Em consequência disto, estudos feitos pela Organização Das Nações Unidas (ONU) nos mostram que cerca de 10% das pessoas no mundo não têm acesso a uma quantidade mínima de água potável para consumo diário e grande parte do mundo já enfrenta problemas de escassez hídrica ou tem risco de enfrentar períodos de escassez. A figura a seguir mostra o panorama do risco de escassez de água no mundo, através de um índice que vai de baixo até altíssimo risco. Ela nos mostra que mesmo em países com recursos hídricos abundantes existem riscos de escassez, seja por efeitos climáticos ou por dificuldades logísticas para o fornecimento de água, como observamos na crise hídrica de São Paulo em 2016. Figura 03 - Consumo efetivo de água (1) O Brasil é um país privilegiado, por dispor de mais água doce do que qualquer outro país no mundo, no entanto, mesmo aqui já sentimos o efeito da escassez - historicamente durante as secas que assolam o nordeste, e mais recentemente no episódio de racionamento na cidade de São Paulo – entre outros exemplos. Cerca de 75% da água do Brasil está localizada nos rios da Bacia Amazônica, que é habitada por menos de 5% da população. A disponibilidade de água é menor aonde a maior parte da população se encontra, nas cidades costeiras, como Aracajú, Rio de Janeiro e São Paulo, criando regiões de médio e alto risco de escassez na costa brasileira. Para piorar a situação, o Brasil registra elevado desperdício nas redes de distribuição: dependendo do município, até 60% da água tratada para consumo se perde, especialmente por vazamentos nas tubulações. Usos da água no mundo e no Brasil A maior parte da água doce no mundo (cerca de 70%) é utilizada para irrigação e outros fins no setor de agricultura. A indústria utiliza cerca de 22% da água e o uso doméstico cerca de 8%. Em países industrializados, este quadro muda um pouco, com mais água para alocada na indústria e menos na agricultura. No Brasil, utilizamos 72% da água para a agricultura; 9% para a dessedentação animal (em setores como a pecuária); 6% na indústria; e 10% para fins domésticos, segundo relatório da Agência Nacional de Águas em 2015, conforme mostra a figura a seguir. Figura 04 - Índice de risco de escassez de água (1) Tratando especificamente da indústria, a água é um insumo fundamental para diversos fins: como matéria prima, na geração de vapor, em sistemas de refrigeração e climatização, para limpeza de áreas, fins sanitários, entre outros usos. CONCLUSÃO Assim, percebemos que o problema da água para o ser humano reside no fato de a sua maior parte não estar viável para consumo. Apesar disso, mesmo com o fato de a proporção de água potável disponível ser reduzida, ainda sim estamos falando de uma quantidade muito grande de água. No entanto, o seu mau uso vem reduzindo drasticamente a sua disponibilidade, seja através da péssima manutenção dos rios, seja pela sua poluição. Outro fato agravante é a má distribuição dessa água potável pelo mundo. Algumas regiões do Oriente Médio e da África, por exemplo, apresentam uma significativa crise quanto ao abastecimento de água, o que se agrava com a ausência de saneamento básico para boa parte da população. No caso do Brasil, há certo privilégio, pois somos o país que possui a maior disponibilidade de água potável, com cerca de 11% do total. Porém, trata-se de uma falsa abundância, pois também em nosso território essa água é mal distribuída. A sua maior parte encontra-se na região Norte do país, zona menos habitada e com solos pouco agricultáveis. As regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste dividem aquantidade restante, sendo que essa última é a que mais sofre com os problemas de escassez de água. Por esse motivo, além de se promover uma maior conscientização popular sobre o correto uso, armazenamento e preservação da água e de suas fontes naturais, é preciso também a realização de políticas públicas para garantir o seu acesso por toda a população, com ações de democratização estrutural, como o saneamento básico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS https://saveh.com.br/artigos/a-disponibilidade-de-agua-no-mundo-e-no-brasil/ Acessado em: 21 de Abril de 2018; (1) http://www4.planalto.gov.br/consea/comunicacao/artigos/2015/demanda-hidrica Acessado em: 20 de Abril de 2018; http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-distribuicao-agua-no-mundo.htm Acessado em: 21 de Abril de 2018;