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SOCIEDADES COMERCIAIS

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SOCIEDADES COMERCIAIS 
 
O novo Código Civil, instituído pela Lei n° 10.406/02, entrou em vigor em 11 de janeiro 
de 2003, tendo revogado a Lei n° 3.017/1916 (Código Civil de 1916) e a Parte Primeira 
da Lei n° 556/1850 (Código Comercial de 1850), trazendo diversas inovações que 
regram a vida e os negócios desenvolvidos por pessoas e empresas. 
De acordo com o artigo 981, considera-se contrato de sociedade aquele mediante o 
qual as pessoas reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o 
exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, os resultados. 
A sociedade pode ser empresária, se tiver por objeto a atividade econômica 
organizada para a produção ou circulação de bens e serviços ou simples, nos demais 
casos. 
O Novo Código Civil introduziu importante alteração no que diz respeito à sociedade 
entre marido e mulher. O art. 977 do Novo Código Civil faculta aos cônjuges contratar 
sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não sejam casados no regime da 
comunhão universal de bens ou no da separação obrigatória. Os cônjuges casados 
pelo regime de comunhão universal de bens não podem constituir sociedade porque 
não existe pluralidade de patrimônio. Em se tratando de cônjuges casados pelo regime 
de separação obrigatória de bens, a vedação à constituição de sociedade decorre do 
efeito patrimonial deste, que é a união de patrimônios destacados, previamente 
vedados pela lei, no caso deste regime de casamento. 
Sob o Novo Código o empresário casado pode, qualquer que seja o regime de bens, 
sem necessidade de obter outorga conjugal, alienar ou gravar de ônus real imóveis 
que pertençam ao patrimônio da empresa (art. 978). 
As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, 
terão o prazo de um ano, a partir de 11.01.2003, para se adaptarem às disposições do 
Novo Código. Igual prazo é concedido aos empresários (art. 2.031 do Novo Código 
Civil). Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das 
pessoas jurídicas, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, 
regem-se desde logo por este Código (art. 2.033). 
Este trabalho aborda o Novo Código Cível, notadamente aos novos conceitos relativos 
às sociedades. 
Sociedade Não Personificada 
Embora estabeleça o Novo Código Civil que a personalidade jurídica da sociedade 
começa com o registro de seus atos constitutivos, possui dispositivos que regem o que 
denomina de sociedade não personificada, denominação sob a qual acolheu a 
sociedade em comum (antiga sociedade de fato) e sociedade por conta de 
participação. 
Portanto, considera-se sociedade não personificada aquela cujo ato constitutivo ainda 
não foi registrado no órgão competente, ou seja, aquela que não possui personalidade 
jurídica. 
Excetuam-se deste conceito, as sociedades anônimas e as sociedades em comandita 
por ações, uma vez que, de acordo com a legislação de regência, não podem 
funcionar sem que sejam arquivados e publicados os seus atos constitutivos (art. 982). 
As sociedades não personificadas se subdividem em sociedade em comum e 
sociedade em conta de participação. 
Sociedade em Comum 
A sociedade em comum, embora não tenha, ainda, seus atos constitutivos registrados, 
é uma sociedade de fato, cuja existência é comprovada, independente de ter ou não 
contrato escrito. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito 
podem provar a existência da sociedade em comum, mas os terceiros podem prová-la 
de qualquer forma (artigos 986 e 990). 
O novo Código Civil, em seus artigos 986 a 990, regula a relação entre os sócios da 
sociedade em comum e entre estes e terceiros, definindo que a responsabilidade dos 
sócios é solidária e ilimitada. 
Sociedade em Conta de Participação 
A sociedade em conta de participação é outro tipo de sociedade não personificada, 
diferenciando-se da sociedade em comum, uma vez que está dispensada do 
arquivamento de seus atos constitutivos no registro competente. Esta sociedade não 
possui patrimônio próprio e nem personalidade jurídica, sendo formada para realizar 
negócios de curta duração, extinguindo-se após sua concretização. 
A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer 
formalidade e pode provar-se por todos os meios em direito admitidos. O contrato 
social produz efeitos somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu 
instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade 
(artigos 991 a 996). 
SOCIEDADE PERSONIFICADA 
Considera-se sociedade personificada aquela que possui personalidade jurídica, 
obtida mediante registro de seus atos constitutivos no órgão competente. 
As sociedades personificadas se subdividem em sociedade empresária e sociedade 
simples. 
Sociedade Empresária 
É definida como sociedade empresária àquela que tem por objeto o exercício de 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços, ou seja, considera-se sociedade empresária a antiga sociedade comercial. 
Antes de iniciar a atividade econômica, o empresário individual ou a sociedade 
empresária, que a ela for se dedicar deverá inscrever-se no Registro Público de 
Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais (artigos 967, 968 e 1.150 do 
Código Civil), tendo como elemento essencial o nome empresarial. 
 
Tipos Jurídicos 
A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos seguintes tipos jurídicos: 
a) sociedade em nome coletivo; 
b) sociedade em comandita simples; 
c) sociedade limitada; 
d) sociedade anônima; 
e) sociedade em comandita por ações. 
Sociedade em Nome Coletivo 
Exceto pelo fato de poder exercer atividade empresária, este tipo de sociedade é 
praticamente idêntico ao da sociedade simples. Nesta sociedade somente podem 
participar pessoas físicas, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, 
pelas obrigações sociais. 
Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato 
constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de 
cada um. 
Sociedade em Comandita Simples 
Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias, a saber: 
a) os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais; e 
b) os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. 
As sociedades por comandita simples são regidas supletivamente pelas normas da 
sociedade em nome coletivo, cabendo aos sócios comanditados os mesmos direitos e 
obrigações dos sócios em nome coletivo. Sem prejuízo da faculdade de participar das 
deliberações da sociedade e de fiscalizar suas operações, não pode o comanditário 
praticar nenhum ato de gestão nem ter o nome da firma social, sob pena de ficar 
sujeito a responsabilidade de sócio comanditado. Neste caso, o contrato deve 
discriminar os comanditados e os comanditários. 
Sociedade Limitada 
Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas 
quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. 
Este tipo de sociedade passa a ter um regime consolidado em apenas um diploma 
legal, pois, a sociedade ente denominada de sociedade por quotas de 
responsabilidade limitada, tinha seu regime jurídico determinado pelo Decreto n° 
3.708/19, revogado, e subsidiariamente pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei n° 
6.404/76). 
A aplicação subsidiária da lei das sociedades anônimas continua sendo possível, 
desde que haja previsão expressa no contrato social. 
Sociedade Anônima 
Na sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em ações, obrigando-se 
cada sócio ou acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou 
adquirir. A sociedade anônima rege-se por lei especial