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Reabil INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO EM SAÚDE Instrumentos de Medição em Saúde 2 Autores: Elisabeth Da Conceição Vilar Gregório Sousa – Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação Mário Joaquim do Carmo Pereira Pinto – Diretor Clínico da Unidade de Convalescença da Santa casa de Misericórdia de Tarouca; Mestre em Medicina Geral e Familiar Sandra Cristiana de Sá Nogueira Coutinho – Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação Instrumentos de Medição em Saúde 3 “De tudo. Ficaram 3 coisas: A certeza de que estamos sempre recomeçando… A certeza de que precisamos continuar… A certeza de sermos interrompidos antes de terminar… Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo… Da queda, um passo de dança, Do medo, uma escada, Do sonho, uma ponte, Da procura, um encontro.” (Fernando Pessoa, em A Vida) Instrumentos de Medição em Saúde 4 AGRADECIMENTO Para todos aqueles que, de alguma forma acreditaram em nós………. Instrumentos de Medição em Saúde 5 LISTA DE ABREVIATURAS/ SIGLAS ABVD – Atividades Básicas de Vida Diária AGI – Avaliação Geriátrica Integral AIVD – Atividades Instrumentais de Vida Diária AVD – Atividades de Vida Diária BDI – Beck Depression Inventory CAM – Confusion Assessment Method CDR – Clinical Dementia Scale CF – Capacidade Funcional CIF – Classificação Internacional da Funcionalidade DA – Doença de Alzheimer DCL – Défice Cognitivo Ligeiro Drtª – Direita EB – Escala de Barthel EBM – Escala de Barthel Modificada EK – Egen Klassifikation Esqª – Esquerda EUA – Estados Unidos da América Ex. – Exemplo F – Feminino FMUP – Faculdade de Medicina da Universidade do Porto GDS – Geriatric Depression Scale IAF – Instrumento Avaliação Familiar IASP – International Association for Study of Pain Instrumentos de Medição em Saúde 6 IDB – Inventário Depressivo de Beck ICIDH – Classificação Internacional do Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens M – Masculino MBI – Maslasch Burnout Inventory MEEM – Mini Exame do Estado Mental de Folstein MIF – Medida de Independência Funcional MMSE – Mini Mental State Examination MOCA – Montreal Cognitive Assessment MRC – Medical Research Council NIHSS – National Institute of Health Stroke NPI – Neuropsychiatric Inventory PII – Plano Individual de Intervenção TII – Triagem Integral do Idoso RNCCI – Rede Nacional Cuidados Continuados Integrados SUDRM – Sistema Uniforme de Dados para Reabilitação Médica TUG – Timed Up and Go UP – Úlcera de Pressão WHO – World Health Organization Instrumentos de Medição em Saúde 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figuras Figura 1 – Escala de Faces Figura 2 – Exemplo de Genograma Familiar Figura 3 – Teste de Romberg Figura 4 – Teste do relógio Figura 5 – Teste de reconhecimento de figuras Figura 6 –Exemplo de Psicofigura de Mitchel Figura 7 – Exemplo do Ciclo de Vida Familiar de Duvall Figura 8 – Exemplo de Linha de Vida de Medalie Figura 9 – Exemplo do Círculo Familiar de Thower Quadros Quadro 1 – Escala visual analógica Quadro 2 – Escala numérica Quadro 3 – Escala de Abbey Quadro 4 – Escala de Doloplus Quadro 5 – Escala de Katz (Duarte, Andrade e Lebrão, 2007) Quadro 6 – Escala de Katz (Brito, 2000) Quadro 7 – Escala de Katz modificado (Freitas e Col, 2002) Quadro 8 – Escala de Katz (Sequeira, 2007) Quadro 9 – Escala de Lawton e Brody (Azeredo e Matos, 2003) Quadro 10 – Escala de Lawton e Brody (Sequeira, 2007) Quadro 11 – Medida de Independência Funcional Quadro 12 – Escala de Pfeiffer Quadro 13 – Escala de Barthel (1989) Instrumentos de Medição em Saúde 8 Quadro 14 – Escala de Barthel modificada Quadro 15 – Escala de EK Quadro 16 – Escala de avaliação – Medical Reseach Council Quadro 17 – Escala de avaliação – Espasticidade de Ashworth Quadro 18 – Escala de coma de Glasgow Quadro 19 – Escala NIHSS Quadro 20 – Escala Modificada de Rankin Quadro 21 – Escala de equilíbrio de Tinetti Quadro 22 – Escala de Tinetti para a valorização da marcha Quadro 23 – Escala de Berg Quadro 24 – Escala de Heindrich II Quadro 25 – Escala de Morse Quadro 26 – Escala de Norton Quadro 27 – Escala de Braden Quadro 28 – Classificação de Shulman Quadro 29 – Escala de Depressão Geriátrica Quadro 30 – Escala de Blessed Quadro 31 – Inventário Neuropsiquiátrico de Cummings Quadro 32 – Escala de avaliação de Delirium Quadro 33 – Lista de palavras de CERAD Quadro 34 – Escala isquémica de Hachinski Quadro 35 – Montreal Cognitive Assessment Quadro 36 – Escala de sobrecarga do cuidador Quadro 37 – Escala de risco de Segovia – Dreyer Quadro 38 – Exemplo de Apgar Familiar Quadro 39 – Escala Triagem Nutricional Quadro 40 – Mini Nutritional Assessment Instrumentos de Medição em Saúde 9 ÍNDICE NOTA INTRODUTÓRIA ................................................................................................... 12 1 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DOR ...................................................... 16 1.1 ESCALA VISUAL ANALÓGICA ........................................................................... 18 1.2 ESCALA NUMÉRICA DA DOR ............................................................................. 20 1.3 ESCALA DE FACES DA DOR ................................................................................ 21 1.4 ESCALA DE ABBEY ............................................................................................... 22 1.5 ESCALA DE DOLOPLUS ........................................................................................ 24 2 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL .............................................. 29 2.1 ESCALA DE KATZ .................................................................................................. 30 2.2 ESCALA DE LAWTON – BRODY ......................................................................... 35 2.3 MEDIDA DE INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL (MIF) ......................................... 38 2.4 ESCALA DE PFEIFFER ........................................................................................... 40 2.5 ESCALA DE BARTHEL .......................................................................................... 42 2.6 ESCALA EK .............................................................................................................. 47 3. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FORÇA /TONUS MUSCULAR .......... 50 3.1 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE FORÇA MUSCULAR– COUNCIL ................... 52 3.2 ESCALA DE ESPASTICIDADE DE ASHWORTH (modificada) .......................... 52 4. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA ......................................... 56 4.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW ..................................................................... 57 4.2 NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH STROCK SCALE (NIHSS) ..................... 59 4.3 ESCALA DE RANKIN MODIFICADA .................................................................. 63 Instrumentos de Medição em Saúde 10 5. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO/ MARCHA/ QUEDAS 67 5.1 ESCALA DE EQUILÍBRIO / MARCHA DE TINETTI .......................................... 68 5.2 ESCALA DE TINETTI PARA A VALORIZAÇÃO DA MARCHA ...................... 70 5.3 ESCALA DE EQUILÍBRIO DE BERG .................................................................... 71 5.4 ESCALA DE HENDRICH II .................................................................................... 79 5.5 ESCALA DE MORSE ............................................................................................... 81 5.6 TIMED UP AND GO ................................................................................................ 82 5.7 GET UP AND GO ..................................................................................................... 84 5.8 TESTE DE ROMBERG (Lord, Sherrington e Menz,2001) ...................................... 86 6. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO .................... 89 6.1 ESCALA DE NORTON ............................................................................................ 90 6.2 ESCALA DE BRADEN ............................................................................................ 93 7. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO COGNITIVA ................................................ 98 7.1 MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – MEEM .................................................. 99 7.2 TESTE DO RELÓGIO ............................................................................................ 102 7.3 ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA DE YESSAVAGE ........................... 104 7.4 ESCALA DE BLESSED ......................................................................................... 106 7.5 CLINICAL DEMENTIA SCALE (CDR) ............................................................... 108 7.6 INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO DE CUMMINGS ................................. 110 7.7 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DELIRIUM CONFUSION ASSESSMENT METHOD (CAM) .......................................................................................................... 113 7.8 TESTE DE FLUÊNCIA VERBAL (categoria animais) .......................................... 115 7.9 TESTE DE RECONHECIMENTO DE FIGURAS ................................................. 117 7.10 LISTA DE PALAVRAS DE CERAD ................................................................... 119 7.11 ESCALA ISQUÉMICA DE HACHINSKI ........................................................... 121 7.12 INVENTÁRIO DEPRESSIVO DE BECK ............................................................ 122 7.13 MONTREAL COGNITIVE ASSESSMENT (MOCA) ........................................ 127 Instrumentos de Medição em Saúde 11 8. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO CUIDADOR ........................................ 131 8.1 INVENTÁRIO DE BURNOUT DE MASLASCH (MBI) ...................................... 132 8.2 ESCALA DE SOBRECARGA DO CUIDADOR (ENTREVISTA DE ZARIT) ... 135 9.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR .................................................. 139 9.1 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA FAMILIAR ................ 141 9.1.1 Genograma familiar........................................................................................... 141 9.1.2 Psicofigura de Mitchel ...................................................................................... 143 9.1.3 Ciclo de Vida Familiar de Duvall ..................................................................... 144 9.1.4 Linha de Vida de Medalie ................................................................................. 144 9.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO FAMILIAR ............................ 145 9.2.1 Escala de Risco de Segovia – Dreyer ................................................................ 146 9.2.2 Escala de Risco de Garcia - Gonzalez ............................................................... 146 9.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE FAMILIAR .... 147 9.3.1 Apgar familiar de Smilkstein ............................................................................ 147 9.3.2 Círculo Familiar de Thrower ............................................................................. 148 10.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ........................................ 150 10.1TRIAGEM NUTRICIONAL SUBJETIVA ............................................................ 151 10.2 MINI NUTRITIONAL ASSESSMENT ................................................................ 152 CONCLUSÃO .................................................................................................................. 155 Instrumentos de Medição em Saúde 12 NOTA INTRODUTÓRIA A prestação de cuidados de saúde a pessoas idosas tem como base o modelo de um processo de trabalho baseado numa equipa transdisciplinar cujo objetivo principal é identificar os seus défices e reabilitar as funções perdidas no sentido de promover a autonomia e a independência. O trabalho em equipa passa pela Avaliação Geriátrica Integral (AGI), que consiste numa atividade dinâmica e contínua, abrangente a todos os profissionais da equipa, médico, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, doente, cuidador e outros. A construção deste processo de trabalho parece ser decisivo para romper com a fragmentação do saber e com a estrutura centrada no médico como gestor do processo, no qual os problemas possam ser solucionados a partir do saber dos diversos profissionais que compõem a equipa, com base em decisões consensuais com respeito por cada área específica do conhecimento. A operacionalização do processo de trabalho passa pela participação de toda a equipa desde o primeiro contato até à elaboração do plano individual de intervenção (PII). Este primeiro contato ou Triagem Integral do Idoso (TII) tem como objetivo a avaliação geriátrica integral (AGI) nas áreas clínica, funcional, cognitiva e social, identificando os défices que possam gerar perda de autonomia e independência. A TII é uma avaliação de todos os profissionais da equipa, utilizando-se habitualmente instrumentos, escalas e índices de avaliação. A utilização de escalas de avaliação é uma tentativa sistematizada de medir, de forma objetiva, os níveis nos quais um indivíduo é capaz de desempenhar determinadas atividades ou funções em diferentes áreas. Segundo Duarte, Andrade & Lebrão, (2007), estas representam uma forma de avaliar se uma pessoa é ou não capaz de, independentemente, desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si e do meio que a envolve e, caso não seja, verificar se necessita de ajuda e, se essa necessidade é parcial (em maior ou menor grau) ou total em termos de avaliação. Instrumentos de Medição em Saúde 13 De uma maneira geral, a avaliação de uma pessoa idosa tem como finalidade conhecer as habilidades para executar as atividades de vida diária de uma forma autónoma e independente. Independentemente da idade, a dependência pode alterar a estruturafamiliar, a relação entre os seus elementos, o bem-estar da pessoa doente e os seus familiares. Os instrumentos de avaliação podem ser classificados de acordo com o que se pretende medir: a funcionalidade, a cognição, a dor, a família, a nutrição, o risco de feridas e o risco social. Podem, também, ser classificados por observação direta com o doente, na informação e no desempenho do cuidador. A avaliação geriátrica integral (AGI) é um processo diagnóstico multidimensional, frequentemente multidisciplinar ou transdisciplinar e, deve ser, preferencialmente, realizada de forma organizada e sistemática. É um método que aborda o idoso de uma forma global, integral e abrangente nas áreas médicas e clínicas, funcional, cognitiva e social. A sua origem remonta os 30 anos do século passado pela Dra Marjori Warren, no Reino Unido. Aborda a visão holística e global do indivíduo e difere do exame clínico tradicional por integrar conceitos relacionados com o ambiente, com a qualidade de vida, com a capacidade funcional, cognitiva e social, fundamentais para o diagnóstico de situação global de saúde, tendo como objetivo criar um plano de cuidados que envolva a família e o cuidador. O roteiro da AGI inicia-se com a identificação da pessoa, depois a avaliação clínica dos órgãos e sistemas, enfatizando os órgãos dos sentidos, a dor e a funcionalidade através da avaliação das AVD, da mobilidade, do equilíbrio, da postura, da marcha e do risco de queda. Segue-se a avaliação cognitiva: o humor, a memória, a linguagem, a fala e a comunicação. Continuamos com a avaliação nutricional, avaliação da medicação, da iatrogenia, da avaliação sócio-familiar, a avaliação ambiental do idoso e a sua adaptação às próprias limitações. Não podemos acabar sem avaliar o cuidador. O objectivo da AGI é a identificação multidisciplinar dos problemas de saúde e desenhar um plano individual de intervenção e reabilitação adequado às suas incapacidades. Nesta avaliação são usadas escalas que apresentam uma importância inquestionável e indispensável no dia-a-dia de trabalho dos profissionais integrados na equipa de saúde. Instrumentos de Medição em Saúde 14 Este modelo transdisciplinar pode e deve ser aplicado nos hospitais, nas urgências, nos centros de saúde, no ambulatório, em unidades geriátricas, em lares, centros de dia, em casas de repouso, no domicílio, centros de reabilitação e, principalmente, nas unidades da RNCCI, onde já funcionam e estão largamente difundidas. Vários estudos confirmam os benefícios e a sua utilidade porque melhoram a precisão diagnóstica, melhoram o estado funcional e mental, diminuem a taxa de mortalidade e morbilidade, diminuem as taxas de internamento hospitalar e em instituições, melhoram a comunicação entre os profissionais de saúde, permitem avaliar o estado nutricional, identificam o declínio funcional, a fragilidade, a imobilidade, identificam as populações de risco, permitem avaliar a necessidade de investimentos em saúde, planeiam ações e políticas de saúde e também tem grande utilidade na investigação em saúde. Divulgar as escalas de avaliação é um dever e uma obrigação para os profissionais de saúde, família/cuidador e é o principal objetivo deste livro, fornecer aos profissionais de saúde um conjunto de ferramentas necessárias e indispensáveis para precisar o diagnóstico, avaliar e acompanhar o idoso, doente ou não doente. Trata-se de um processo estruturado e dinâmico (continuado no tempo e adaptado à situação da pessoa integrada no seu ecossistema), transdisciplinar e multidimensional (área clínica, mental, funcional e social). É recomendável a aplicação sistemática da AGI na população com mais de 65 anos. Esta aplicação deve ser individualizada e deve incluir um plano de intervenção individual promovido pela equipa de saúde, incluindo necessariamente a família e o cuidador. Propusemo-nos elaborar um documento para utilização rápida e muito prático, que concatenasse todos os índices e escalas, que fossem usados no dia-a-dia dos profissionais de saúde, de forma que a facilitar o diagnóstico e o tratamento dos problemas de saúde apresentados pelos nossos doentes. É, também, nossa opinião que as escalas sejam de grande utilidade para a investigação, para facilitar a comunicação entre os diversos profissionais de saúde, para quantificar o grau de deterioração do doente, para avaliar o prognóstico, para avaliar a qualidade de cuidados e servem como guia para tomada de decisões. Assim, apresentamos o resultado de um trabalho simples que reflete a nossa opinião baseada na informação de muitos autores que consultamos e esperamos que seja do vosso agrado, principalmente, como objetivo final, ser útil todos os dias. Instrumentos de Medição em Saúde 15 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DOR Instrumentos de Medição em Saúde 16 1 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DOR A dor é uma experiência universal, subjetiva, individual e é influenciada por vários fatores (físicos, sociais, culturais, emocionais e outros). A sua quantificação é sempre um desafio científico. A dor é definida segundo a IASP (International Association for Study of Pain), como uma experiência subjetiva desagradável, sensitiva e emocional, associada com lesão real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão, sendo vivenciada por quase todas as pessoas, além de ser, geralmente, o motivo que as leva a procurar o sistema de saúde (Carvalho, 1999). Para Melzack (in Cailliet, 1999), a dor era considerada como sendo uma resposta análoga ao estímulo que evocava, ou seja, desapareceria quando se removesse o estímulo. Contudo, estímulos repetidos durante um determinado período de tempo modificam, diminuem ou eliminam a relação entre o tempo e o estímulo, passando a resposta a depender de outros fatores. Da mesma forma, Sousa e Silva (2005) consideram a dor como um fenómeno psicofisiológico complexo e não somente um simples sinal neurofisiológico, como era vista. Segundo esses autores, pesquisas demonstraram que o grau de dor registada pode estar relacionado a sintomas fisiológicos específicos combinados com uma ou mais variáveis psicológicas. O controlo eficaz da dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito dos doentes que dela padecem e um passo fundamental para a efetiva humanização das Unidades de Saúde. O sucesso da estratégia terapêutica analgésica planeada depende da monitorização da dor em todas as suas vertentes. A avaliação e registo da intensidade da dor, pelos profissionais de saúde, tem que ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos sinais vitais, de modo a otimizar a terapêutica, dar segurança à equipa prestadora de cuidados de saúde e melhorar a qualidade de vida do doente. Para uma correta avaliação da intensidade da dor é necessária a utilização de uma linguagem comum entre o profissional de saúde e o doente, que se traduz por uma padronização da escala a utilizar e pelo ensino prévio à sua utilização. Instrumentos de Medição em Saúde 17 É, fundamental que o profissional de saúde assegure que o doente compreenda, corretamente o significado e utilização da escala utilizada. Considera-se que, os serviços de saúde devem obedecer à Circular Normativa nº 9/DGCD de 14/06/2003, “ A Dor como 5º sinal vital”, tendo como norma de boa prática: • Registo sistemático da intensidade da dor; • Utilização de uma das escalas validadas internacionalmente: “Escala VisualAnalógica”, “Escala Numérica”, “Escala Qualitativa” ou “Escala de Faces”; • Inclusão na folha de registo dos sinais e sintomas vitais, de espaço próprio para registo da intensidade da dor; • Intensidade da dor é sempre a referida pelo doente; • Utilizar sempre a mesma escala para o mesmo doente; • O doente tem sempre razão na sua interpretação de dor, independentemente do familiar e do cuidador; • As escalas propostas aplicam-se a doentes conscientes e colaborantes, com idade superior a 3 anos; • Em doentes inconscientes e não colaborantes pode ser usada a escala de Abbey ou a escala de Doloplus. Estas escalas só são usadas para avaliação da dor crónica em pessoas que não podem comunicar. São, muitas vezes usadas na avaliação de dor na pessoa idosa quando apresenta diminuição ou deterioração das capacidades sensoriais e percetivas causadas pelo envelhecimento, na demência e nas alterações do comportamento. • As escalas usadas no recém-nascido não podem ser aqui referidas por estarem fora do âmbito do projeto. Platão disse que “A dor é uma emoção que mora no cérebro”, no ano 375 a.C. Passados séculos esta frase ainda é válida quando nos dedicamos ao estudo da dor. Numa investigação efetuada pelo Dr. Castro Lopes, da Faculdade de Medicina do Porto, numa amostra de 6 mil pessoas refere que 30% sofrem de dor crónica e que 14 destes apresentam dor moderada a forte. Instrumentos de Medição em Saúde 18 Segundo o Dr. José Romão, a dor deve ter uma abordagem biopsicosocial, porque abrange todos os aspetos relacionados com a dor: físicos e psicológicos (crenças, fatores sociais e culturais). A abordagem da dor pela equipa de saúde, em particular pelos médicos e enfermeiros, deve ser sistemática e contínua, em cada contato com o doente, requerendo para isso uma formação específica de base e formação contínua das equipas. Enquanto que o Dr. Ramiro Veríssimo, da FMUP, chama a atenção para a diferença entre dor e sofrimento e para a necessidade de ter em conta estas 2 dimensões na abordagem do doente com dor, o Dr. Daniel Moura, da FMUP, entende que não é só necessário combater a dor, é necessário eliminá-la. 1.1 ESCALA VISUAL ANALÓGICA A Escala Visual Analógica consiste numa linha horizontal, ou vertical, com 10 centímetros de comprimento, que tem assinalada numa extremidade a classificação “Sem Dor” e, na outra a classificação “Dor Máxima”. O doente terá que fazer uma cruz, ou um traço perpendicular à linha, no ponto que representa a intensidade da sua dor. Há, por isso, uma equivalência entre a intensidade da dor e a posição assinalada na linha recta. De acordo com Huskisson (in Sousa e Silva, 2005) este instrumento tem sido considerado sensível, simples, reproduzível e universal, ou seja, pode ser compreendido em distintas situações onde há diferenças culturais ou de linguagem do avaliador, clínico ou examinador. Entretanto, Collins (1997) menciona um estudo em que foi verificado, que uma marca acima de 3 cm numa escala de 10 cm poderia incluir 85% de indivíduos que classificaram a sua dor como moderada numa escala de categorias de 4 pontos e 98% de indivíduos que registaram dor severa e, para Sousa e Silva, isto indica que, uma estimativa acima de 3 cm é razoavelmente fidedigna para incluir doentes com dor severa mas, ela também pode abarcar doentes com dor moderada ou menos. Instrumentos de Medição em Saúde 19 Uma outra observação feita por Sousa e Silva diz respeito a posição (horizontal ou vertical) da linha dessa escala. Doentes com dor lombar têm interpretado a linha vertical com sua coluna cervical e, então colocam uma marca na linha para descrever a localização de sua dor, ao invés de indicar a intensidade da dor percebida. No entanto, esses autores também referem que há uma crescente evidência da fidedignidade e validade deste método. Mede-se, posteriormente e em centímetros, a distância entre o início da linha, que corresponde a zero e o local assinalado, obtendo-se, assim, uma classificação numérica que será assinalada na folha de registo. Quadro nº 1: Escala visual analógica Referências bibliográficas Collins, S. L.; Moore, R. A.; Mcquay, H. J. (1997) The visual analogue pain intensity scale What is moderate pain in millimeters? Pain, 72, 95-97. Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº 9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista DOR, 6(1), 469-513. Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 2008. I S B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 – 9. http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site .pdf. SEM DOR------------------------------------------------------------------------------------DOR MÁXIMA Instrumentos de Medição em Saúde 20 1.2 ESCALA NUMÉRICA DA DOR A escala numérica da dor, título original Pain Numerical Rating Scale foi elaborada a partir de outras escalas em língua inglesa e posteriormente validada e implementada a nível internacional. Tem como população alvo pessoas com idade igual ou superior a 6 anos, ou a partir do momento em que adquiram a noção de grandeza numérica e saibam contar. O objetivo da escala é avaliar em cada indivíduo a relação que existe entre a intensidade da dor que o mesmo perceciona num determinado momento e uma classificação numérica de 11 valores, que varia entre 0 "Sem Dor" e 10, considerada como o nível de "Dor Máxima". Não foram encontrados dados sobre o processo de validação e adaptação desta escala para a população portuguesa. No entanto, o uso da mesma é referenciado na Circular Normativa nº 9 da Direcção Geral da Saúde (2003), onde refere que a mensuração da intensidade da dor é feita tendo em conta as seguintes escalas validadas internacionalmente: "Escala Visual Analógica" (convertida em escala numérica para efeitos de registo), "Escala Numérica", "Escala Qualitativa" ou "Escala de Faces". Também segundo o Guia Orientador de Boa Prática sobre a Dor, da Ordem dos Enfermeiros (2008), surge referenciada a Escala Numérica da Dor como um dos instrumentos principais para a avaliação da dor nos indivíduos. A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas sucessivamente de 0 a 10. Esta régua pode apresentar-se ao doente na horizontal ou na vertical. Pretende-se que o doente faça a equivalência entre a intensidade da sua dor e uma classificação numérica, sendo que a 0 corresponde a classificação “Sem Dor” e a 10 a classificação “Dor Máxima” (Dor de intensidade máxima imaginável). Sendo um dos deveres dos profissionais de saúde o controlo eficaz da dor, a fim de minimizar as suas consequências e garantir o conforto e bem-estar da pessoa, a avaliação e registo da intensidade da dor deve ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos restantes sinais vitais, de modo a otimizar a terapêutica administrada e melhorar a qualidade de vida do doente. Instrumentos de Medição em Saúde 21 Quadro nº 2: Escala numérica 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Sem Dor Dor MáximaReferências bibliográficas Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, 2003.Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista DOR, 6(1), 469-513. Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 2008. I S B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 – 9. http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site .pdf. 1.3 ESCALA DE FACES DA DOR A Escala de Faces da dor, título original Wong Baker Faces Pain Scale, foi elaborada em 1988 por Wong e Baker. Tem como população alvo todos os indivíduos com idade igual ou superior a 3 anos, com capacidade para poder associar as expressões mímicas presentes na escala com a dor que vivência no momento. Na utilização da escala é solicitado à pessoa que classifique a intensidade da sua dor de acordo com a mímica representada em cada face desenhada, sendo que à expressão de felicidade corresponde a classificação "Sem Dor" e à expressão de máxima tristeza corresponde a classificação "Dor Máxima", tendo ao todo 6 expressões faciais. O instrumento de medida referido foi elaborado a partir de outras escalas em língua inglesa e posteriormente validado e implementado a nível internacional. Não foram encontrados dados sobre o processo de validação e adaptação desta escala para a população portuguesa. Instrumentos de Medição em Saúde 22 No entanto, o uso da mesma é referenciado na Circular Normativa nº 9 da Direcção Geral da Saúde, onde refere que a mensuração da intensidade da dor é feita tendo em conta as seguintes escalas validadas internacionalmente: "Escala Visual Analógica" (convertida em escala numérica para efeitos de registo), "Escala Numérica", "Escala Qualitativa" ou "Escala de Faces". Também segundo o Guia Orientador de Boas Práticas sobre a Dor, da Ordem dos Enfermeiros, surge referenciada a Escala de Faces da Dor como um dos instrumentos principais para a avaliação da dor nos indivíduos. Figura nº 1: Escala de Faces Referências bibliográficas Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, 2003. Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista DOR, 6(1), 469-513. Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 2008.I S B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site .pdf. 1.4 ESCALA DE ABBEY A escala de dor abadia, versão original Abbey Pain Scale é para ser usada como parte de um plano global de gestão da dor. É um instrumento concebido para auxiliar na avaliação da dor em doentes institucionalizados que não são capazes de articular claramente as suas necessidades. Instrumentos de Medição em Saúde 23 A escala não faz distinção entre angústia e dor. Portanto, é essencial medir a eficácia das intervenções para aliviar a dor. A avaliação da dor nos doentes que não podem comunicar, seja por alterações do estado de consciência, seja por alterações cognitivas deve, necessariamente ser efectuada e tratada. No idoso, a prevalência da dor de acordo com vários estudos consultados, varia entre 27% e 84%. A maioria das vezes o diagnóstico da dor está comprometido negativamente pela dificuldade que os doentes desta fase etária, tem em saber expressar o seu sofrimento perante a dor. Perante esta dificuldade foram criadas escalas para que o profissional de saúde possa usar num doente que perdeu a capacidade de comunicar com o seu meio ambiente. Como usar a escala: Observar o doente e colocar as questões com a pontuação de 1 - 6 Quadro nº 3: Escala de Abbey Q1. Vocalização Por exemplo, choramingando, gemendo, gritando Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q1 Q2. Expressão facial Por exemplo, olhar tenso, carrancudo, fazendo caretas, olhando assustado Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q2 Q3. Mudança na linguagem do corpo Por exemplo, remexendo, balançando, defesa, afastar-se Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q3 Q4. Mudança de comportamento Por exemplo, aumento da confusão, recusa alimentar, alteração do padrão comportamental Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q4 Q5. Mudanças fisiológicas Por exemplo, temperatura, pulso e HTA, rubor, palidez e sudorese Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q5 Q6. As alterações físicas Por exemplo, laceração da pele, áreas de pressão, artrite, contraturas, lesões prévias Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 Q6 Pontuação da dor total Instrumentos de Medição em Saúde 24 Assinale a escala correspondente a dor total: 0 -2 Sem dor 3-7 Leve 8-13 Moderada >=14 Grave Assinale o tipo de dor: Crónica Aguda Agudização Referências bibliográficas Abbey, J; De Bellis, A; Piller, N; Esterman, A; Giles, L; Parker, D e Lowcay, B. Financiado pela JH & Gunn JD Medical Research Foundation 1998 – 2002. Abbey, JA, Piller, N., DeBellis, A, Esterman, A., Parker, D., Giles, L. & Lowcay, B. (2004). O Abbey Escala de dor. Um indicador numérico de 1 minuto para as pessoas com demência em estágio avançado. International Journal, Paliativos de Enfermagem, 10 (1), 6-13. Angelotti, G.; Sardá, J.J. (2005) Avaliação Psicológica da Dor. In: Figueiró, J.A.; Van Iersel, T., Timmerman, D. & Mullie, A. (2006). Introdução de uma escala de dor para os doentes de cuidados paliativos com comprometimento cognitivo. International Journal of Palliative Nursing, 12 (2), 54- 59. 1.5 ESCALA DE DOLOPLUS A escala de Doloplus foi traduzida, adaptada e validada para a realidade portuguesa por Hirondina Marques Guarda, no âmbito da dissertação de Mestrado em Cuidados Paliativos em Fevereiro de 2006. A sua utilização necessita de uma aprendizagem; como, para qualquer novo instrumento, será sensato experimentá-la antes de a difundir. O tempo de execução da escala diminui com a experiência (alguns minutosno máximo). Deve ser utilizada por uma equipa multidisciplinar e é preferível que a sua execução seja efetuada por vários cuidadores (médico, enfermeiro). É, de especial importância, na equipa de visitação domiciliária onde devemos envolver a família e o cuidador. Não é necessário obter uma resposta para todos os itens da escala, em particular face a um doente desconhecido, relativamente ao qual não se possuem ainda todos os dados, nomeadamente no plano psico-social. Instrumentos de Medição em Saúde 25 Do mesmo modo, em caso de coma, a execução será baseada essencialmente nos itens somáticos. Os comportamentos passivos são menos percetíveis mas, tão presentes e importantes como os comportamentos ativos; por exemplo, as perturbações do comportamento podem-se exprimir de um modo hiperativo, tal como a agressividade pouco habitual, mas também como modo de afastamento. A cotação de um item isolado não tem significado; é a pontuação global que se tem que considerar. Se ela se concentra nos últimos itens, a existência de dor é pouco provável. A reavaliação será efetuada duas vezes ao dia até à diminuição da dor e posteriormente o seu espaçamento será estabelecido em função das situações. Deve-se estabelecer uma atualização das pontuações, fazendo-a aparecer na folha de tratamento (ao mesmo nível que a temperatura ou a tensão arterial) será um argumento primordial na perceção do sintoma e na implementação do tratamento. A dor é uma sensação e uma emoção subjetiva e pessoal. A comparação das pontuações entre doentes não faz, portanto, qualquer sentido. Só tem interesse apenas a evolução das pontuações de um determinado doente. Admite-se, atualmente, que uma pontuação superior ou igual a 5/30 é sinal de dor. Contudo, para as pontuações próximas deste limiar, é necessário dar o benefício da dúvida ao doente. Se o comportamento observado se modificar com a toma de analgésicos, confirma-se a existência de dor. A escala efetua a cotação da dor, e não da depressão, da dependência ou das funções cognitivas. Existem numerosos instrumentos adaptados a cada situação, e é primordial compreender que se procura determinar as alterações de comportamento ligadas a uma eventual dor. Assim, para os itens 6 e 7, não se procede à avaliação da dependência ou da autonomia, mas sim da dor. Não se deve recorrer sistematicamente à escala doloplus. Quando a pessoa idosa é comunicante e cooperante será mais lógico utilizar instrumentos de auto-avaliação. Quando a dor é evidente, será mais urgente tratá-la do que avaliá-la. No entanto, à mínima dúvida, a hetero-avaliação evitará qualquer subavaliação. Instrumentos de Medição em Saúde 26 Quadro nº 4: Escala de Doloplus Repercussão somática 1. Queixas somáticas Ausência de queixas 0 0 0 0 Queixas apenas quando há solicitação 1 1 1 1 Queixas espontâneas ocasionais 2 2 2 2 Queixas espontâneas contínuas 3 3 3 3 2. Posições antálgicas em repouso Ausência de posição antálgica 0 0 0 0 O individuo evita certas posições de forma ocasional 1 1 1 1 Posição antálgica permanente e eficaz 2 2 2 2 Posição antálgica permanente ineficaz 3 3 3 3 3. Protecção de zonas dolorosas Ausência de protecção 0 0 0 0 Protecção quando há solicitação, não impedindo o prosseguimento do exame e dos cuidados 1 1 1 1 Protecção quando há solicitação, impedindo qualquer exame ou cuidados 2 2 2 2 Protecção em repouso na ausência de qualquer solicitação 3 3 3 3 4. Expressão facial Mímica habitual 0 0 0 0 Mímica que parece exprimir dor quando há solicitação 1 1 1 1 Mímica que parece exprimir dor na ausência de qualquer solicitação 2 2 2 2 Mímica inexpressiva em permanência e de forma não habitual (átona, rígida, olhar vazio) 3 3 3 3 5. Sono Sono habitual 0 0 0 0 Dificuldade em adormecer 1 1 1 1 Despertar frequente (agitação motora) 2 2 2 2 Insónia com repercussão nas fases de despertar 3 3 3 3 Repercussão psicomotora 6. Higiene e/ou vestir Capacidades habituais conservadas 0 0 0 0 Capacidades habituais pouco diminuídas (com precaução mas completa) 1 1 1 1 Capacidades habituais muito diminuídas, higiene e/ou vestir difíceis e parciais 2 2 2 2 Higiene e/ou vestir impossíveis; o doente exprime a sua oposição a qualquer tentativa 3 3 3 3 7. Movimento Capacidades habituais conservadas 0 0 0 0 Capacidades habituais activas limitadas (o doente evita certos movimentos, diminui o seu perímetro de marcha) 1 1 1 1 Capacidades habituais activas e passivas limitadas (mesmo ajudado, o doente diminui os seus movimentos) 2 2 2 2 Movimento impossível; qualquer mobilização suscita oposição 3 3 3 3 Repercussão psicossocial 8. Comunicação Sem alteração 0 0 0 0 Intensificada (o individuo chama a atenção do modo não habitual) 1 1 1 1 Diminuída (o individuo isola-se) 2 2 2 2 Ausência ou recusa de qualquer comunicação 3 3 3 3 Instrumentos de Medição em Saúde 27 9. Vida social Participação habitual nas diferentes atividades (refeições, atividades recreativas, ateliers terapêuticos) 0 0 0 0 Participação nas diferentes atividades apenas quando há solicitação 1 1 1 1 Recusa parcial de participação nas diferentes atividades 2 2 2 2 Recusa de qualquer tipo de vida social 3 3 3 3 10. Alterações do comportamento Comportamento habitual 0 0 0 0 Alterações do comportamento quando há solicitação e repetidas 1 1 1 1 Alterações do comportamento quando há solicitação e permanentes 2 2 2 2 Alterações do comportamento permanentes (sem qualquer solicitação) 3 3 3 3 PONTUAÇÃO Referências bibliográficas Angelotti, G.; Pimenta, C.A de M (org.). Dor e Saúde Mental. São Paulo: Atheneu. Carvalho, M. M. M. J. Prefácio. In: Carvalho, M. M. M. J. (Org.) (1999) Dor: Um estudo multidisciplinar. São Paulo: Summus, p. 7-8. Estudo de validação da escala de Doloplus, Faculdade de Medicina de Lisboa, Tese de Mestrado em Cuidados Paliativos, Fevereiro 2006 – Hirondina Guarda. Frutuoso, J. T. (2006) Mensuração de Aspectos Psicológicos Presentes em Portadores de Dor Crônica Relacionada ao Trabalho. 2006. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Pimenta, C. I. Fundamentos teóricos da dor e de sua avaliação. In: Carvalho, M. M. J. (Org). Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo: Summus, 1999. p. 31-46. Potter, Patrícia; Perry, Anne - Fundamentos de enfermagem: conceitos e procedimentos. 5ªed. Loures: Lusociância, 2006. ISBN: 972-8930-24-0. Instrumentos de Medição em Saúde 28 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL Instrumentos de Medição em Saúde 29 2 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL A capacidade funcional (CF) é definida pela ausência de dificuldades no desempenho de certos gestos e de certas atividades da vida diária. Os conceitos fazem parte de um sistema de Classificação Internacional de Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens (ICIDH) da World Hearth Organization (WHO). A capacidade funcional é definida para um idoso com a capacidade de poder viver independente, sendo essa capacidade caracterizada pela possibilidade de realizar as suas atividades físicas e mentais necessárias para manutenção das suas atividades básicas, como: tomar banho, vestir-se, realizarhigiene pessoal, transferir-se, alimentar-se, continência, preparar refeições, ter o controlo financeiro, tomar medicamentos, fazer compras, arrumar a casa, usar o telefone, caminhar a uma certa distância, etc (RAMOS, 2003), ou seja, ser autónomo. A avaliação da capacidade funcional dos idosos permite aos membros da equipa multidisciplinar uma visão mais precisa quanto à gravidade da doença, à morbilidade e o impacto destas na qualidade de vida. Assim, entende-se como avaliação funcional, a designação dada para uma função específica, a capacidade de se auto cuidar e à execução das atividades de vida diária. Está relacionada com os aspetos práticos das atividades de cuidado pessoal e do grau de manutenção da capacidade para o desempenho das atividades básicas e mais complexas do quotidiano (VIANA, 2007). Um dos recursos utilizados para verificar os níveis de independência ou dependência dos idosos para realizar as tarefas do quotidiano é por meio da Medida de Independência Funcional (MIF). A avaliação funcional pode ser definida como uma tentativa sistematizada de medir, de forma objetiva, os níveis nos quais uma pessoa é capaz de desempenhar determinadas atividades ou funções em diferentes áreas, utilizando habilidades para o desempenho das tarefas da vida diária, para a realização de interações sociais, e outras. Instrumentos de Medição em Saúde 30 De modo geral, representa uma maneira de medir se uma pessoa é ou não capaz, de forma independente, desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si próprio e do seu meio ambiente e, em caso contrário, verificar se essa necessidade de ajuda é parcial (em maior ou menor grau) ou total. Com base nessa definição, o conceito de função pode ser definido como a capacidade que o indivíduo idoso possa adquirir para se adaptar às necessidades do dia-a-dia, e apesar de possuir uma limitação física, mental e/ou social. 2.1 ESCALA DE KATZ O conceito de atividades de vida diária é talvez um dos únicos conceitos em que se há consenso em geral (SHIGUEMOTO, 2007). Entre as clássicas AVD propostas por Sidney Katz, incluem-se a capacidade para alimentar-se, transferir-se, vestir-se, continência, banho e uso de sanitário, denominadas pelos seus colaboradores como atividades básicas da vida diária (PASCHOAL, 1996; DIOGO, 2000). A independência na realização das AVD é de grande importância na vida das pessoas pois envolve questões de natureza emocional, física e social. Independentemente da faixa etária, a dependência pode alterar a dinâmica familiar, os papéis desenvolvidos pelos seus elementos, interferindo nas relações e no bem-estar da pessoa dependente e dos seus familiares (DIOGO, 2000). A primeira apreciação teórica e de padronização foi feita por um grupo de Cleveland, Ohio, EUA, liderado por Sidney Katz. Este demonstrou que a sequência de recuperação de seis atividades básicas da vida diária entre idosos incapacitados (alimentar-se, continência, transferir-se, uso de sanitário, vestir-se e tomar banho) assemelhava-se à sequência de desenvolvimento dessas mesmas funções no processo de crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor da criança, bem como a padrões de comportamento de membros de sociedades primitivas (PASCHOAL, 1996). Instrumentos de Medição em Saúde 31 A escala de Independência nas Atividades da Vida Diária (AVD), desenvolvido por Sidney Katz em 1963, é um dos instrumentos mais antigos e tem como objetivo avaliar a capacidade funcional do idoso em relação as atividades básicas de vida diária (ABVD). Em termos de avaliação global e tendo em conta as seis funções que a seguir se descrevem, são considerados em cada um dos oito grupos: Quadro nº 5: Escala de Katz (Duarte, Andrade & Lebrão, 2007). Grau Alimentação Continência Mobilidade Casa de Banho Vestir Banho Total Independente Dependente A Independente em todas as atividades B Independente em todas as atividades menos uma C Independente para todas excepto banho e outra função adicional D Independente para todas excepto banho, vestir, e outra função adicional E Independente para todas excepto banho, vestir, uso de casa de banho e outra função adicional F Independente para todas excepto banho, vestir, uso de casa de banho, transferências e outra função adicional G Dependente nas seis funções H Dependente de duas ou mais funções, mas não classificadas nos grupos C, D, E ou F Em Portugal, são feitas várias referências à sua utilização. Pode ser utilizada no formato Likert, pontuando-se cada item de 0 a 3, sendo que a pontuação 0 representa independência completa; 1 está relacionado com necessidade de supervisão; 2 com necessidade de ajuda e 3 com dependência de outrem; das quais destacamos Brito (2000), Freitas e col, (2002) e Sequeira (2007). Instrumentos de Medição em Saúde 32 Quadro nº 6: Escala de Katz (Brito, 2000) 1. Banho (com esponja em duche ou banheira) Independente: necessita de ajuda para lavar-se em uma só parte do corpo (como as costas ou uma extremidade incapacitada) ou toma banho completamente sem ajuda 2 Dependente: necessita de ajuda para lavar-se em mais de uma parte do corpo ou necessita de ajuda para sair ou entrar na banheira ou não se lava sozinho 1 2. Vestir-se Independente: vai buscar a roupa de armários e gavetas, veste a roupa, coloca adornos; utiliza auxiliares mecânicos; exclui-se o apertar dos sapatos 2 Dependente: não se veste só ou veste-se parcialmente 1 3. Utilização do W.C. Independente: vai ao W.C, entrando e saindo sozinho do mesmo; limpa os órgãos genitais (pode usar ou não suportes mecânicos); compõe a sua roupa 2 Dependente: usa urinol ou precisa de ajuda para utilizar o W.C 1 4. Mobilidade Independente: entra e sai da cama, senta-se ou levanta-se da cadeira, de forma independente (pode usar ou não suportes mecânicos) 2 Dependente: precisa de ajuda para utilizar a cama e/ou a cadeira; não utiliza uma ou mais destas deslocações 1 5 . Continência Independente: controle completo da micção e da defecação 2 Dependente: incontinência urinária ou fecal, parcial ou total; controle total ou parcial, mediante enemas, sondas ou o uso regular de urinóis 1 6 . Alimentação Independente: leva a comida do prato ou equivalente até à boca (exclui-se da avaliação o cortar da carne e a preparação dos alimentos, como barrar com manteiga um pão) 2 Dependente: necessita de ajuda para o ato de se alimentar, tendo em conta o anteriormente referido; não come em absoluto ou recebe alimentação parenteral 1 Instrumentos de Medição em Saúde 33 Quadro nº: 7 Escala de Katz modificado (Freitas e col, 2002) FUNÇÃO INDEPENDÊNCIA Faz sozinho, totalmente, habitualmente e corretamente atividade considerada (0) DEPENDÊNCIA PARCIAL COMPLETA Faz parcialmente ou não corretamente a atividade ou com pouca dificuldade O idoso não faz a atividade considerada (3) Ajuda não humana (1) Ajuda humana (2) BANHO Usa adequadamente chuveiro, sabão e/ou esponja Independente para entrar e sair do banheiro. Necessidade de ajuda através do uso de órtotese ou algum apoio material para o banho. Necessidade de ajuda humana para lavar algumas partes do corpo (costas ou pernas) ou supervisão Recebe assistênciano banho para mais de uma parte do corpo (ou não se lava) VESTIR-SE Apanha a roupa do armário ou gaveta, veste-se e consegue despir-se. Exclui- se calçados. Independente para pegar a roupa e se vestir Necessidade de apoio de algum objeto para se vestir. Necessidade de ajuda humana para pegar a roupa. Dependência total para vestir-se. USO DO BANHEIRO Locomove-se até o banheiro, despe-se e limpa-se e arruma a roupa. Independente para ir ao banheiro e se limpar. Necessidade de ajuda através do uso de órtese ou marreco, comadre e urinol para a higiene Necessidade de ajuda humana para ir ao banheiro ou se limpar. Não vai ao banheiro para o processo de eliminação TRANSFERIR-SE Locomove-se da cama para a cadeira e vice-versa Independente para entrar ou sair do leito, sentar e levantar da cadeira. Necessidade de ajuda através do uso de órtese ou de algum apoio material para realizar a transferência Necessidade de ajuda humana parcial para entrar e sair do leito, sentar e levantar da cadeira. Não sai da cama. Restrito ao leito CONTROLE ESFINCTE- RIANO (Considerar o escore mais alto) Micção Independência para controlar a micção Necessidade de ajuda através do uso regular de urinol, comadre ou marreco para controle da micção e defecação. Necessidade de ajuda humana para controle da micção ) ou usa fralda noturna somente (supervisão) Dependência total através do uso constante de cateteres ou fraldas Evacuação Independência para controlar os movimentos intestinais Necessidade de ajuda através do uso regular de urinol, comadre ou marreco para controle da defecação. Necessidade de ajuda humana para controle da defecação (supervisão) ou usa fralda noturna somente. Dependência total através do uso constante de fraldas ALIMENTAR-SE Consegue apanhar a comida do prato ou equivalente e levar à boca Independente para pegar o alimento e levá-lo até a boca. Necessidade de ajuda através do uso de adaptadores para a alimentação Alimenta-se sozinho exceto pela assistência para cortar a carne e passar manteiga no pão. Dependência total para a alimentação. Instrumentos de Medição em Saúde 34 Quadro nº 8: Escala de Katz (Sequeira, 2007) katz Independente Independente com supervisão Independente com ajuda Dependente Controlo de esfíncteres 4 3 2 1 Banho 4 3 2 1 Utilização da casa de banho 4 3 2 1 Mobilidade 4 3 2 1 Vestir/Despir 4 3 2 1 Alimentação 4 3 2 1 Os critérios para classificação de independência ou dependência apresentados por Sequeira (2007) são semelhantes aos referidos por Brito (2000). Referências bibliográficas Diogo, M.J.D`E.; O papel da enfermeira na reabilitação do idoso. Revista Latino-Americana de Enfermagem. v.8, n.1, p. 75-81, 2000. Duarte, Y.A.O.; Andrade, C.L.; Lebrão, M.L. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Revista da Escola de Enfermagem – USP. Duarte, C.P.; Santos, C.L.; Gonçalves, A.K. A concepção de pessoas de meia idade sobre saúde, envelhecimento e atividade física como motivação para comportamentos ativos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.23, n.3, p.35-48, 2002. v.2, n.41, p.317-25, 2007. Freitas, E.V.; Miranda, R.D.; Parâmetros Clínicos do Envelhecimento e Avaliação Geriátrica Ampla. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. 1573 p. cap.93, p. 900-909. Guimarães, L.H.C.T.; et al. Avaliação da capacidade funcional de idosos em tratamento fisioterapêutico. Revista Neurociências, v.12, n.3, p.130-133, 2004. Sequeira, C.; Cuidar de idosos com dependência física e mental, Lidel, 2010 Instrumentos de Medição em Saúde 35 2.2 ESCALA DE LAWTON – BRODY A escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária (Lawton & Brody, 1969), versão portuguesa de Araújo, Pais Ribeiro, Oliveira, Pinto, & Martins, 2008) avalia a funcionalidade instrumental. Trata-se de uma medida genérica do nível de independência da pessoa idosa que avalia tarefas adaptativas ou necessárias para a vida independente na comunidade, tais como: usar o telefone, fazer compras, preparação da alimentação, lida da casa, lavagem da roupa, uso de transportes, preparação da medicação e gestão do dinheiro, mediante a atribuição de uma pontuação segundo a capacidade do sujeito avaliado para realizar essas atividades. A escala permite classificar as pessoas em dependentes e independentes e a sua pontuação, de máxima independência é oito e a maior dependência é zero. Lawton e Brody, em 1969 desenvolveram uma escala que pretendia medir a incapacidade e servir para planear e avaliar intervenções em idosos. Este instrumento avalia o nível de independência da pessoa idosa no que se refere à realização das atividades instrumentais (AIVD) que compreendem oito tarefas como usar telefone, fazer compras, preparação das refeições, lida da casa, lavagem da roupa, uso de transportes, preparar medicação e gerir o dinheiro, mediante a atribuição de uma pontuação segundo a capacidade da pessoa avaliada para realizar essas atividades (Araújo, et al., 2008; Sequeira, 2007). Azeredo & Matos, 2003 converteram a escala em três grupos na mesma proporção em que apresenta cada item e consideraram os seguintes pontos de corte: 0-5 significa dependência grave ou total; de 6-11 dependência moderada; de 12-16 ligeira dependência ou independente. Instrumentos de Medição em Saúde 36 Quadro nº 9: Escala de Lawton e Brody (Azeredo e Matos, 2003) Atividades Instrumentais Sem qualquer ajuda Necessita de ajuda Totalmente incapaz É capaz de usar o telefone? É capaz de ir para lugares além da distância da marcha? É capaz de ir as compras? É capaz de prepara as refeições? É capaz de fazer a lida da casa? É capaz de fazer pequenos trabalhos domésticos? É capaz de tratar da roupa? É capaz de tomar a medicação? É capaz de fazer a gestão do próprio dinheiro? Total Parcial Total Informador: Próprio Familiar Vizinho Outro Registo Sequeira (2007) apresenta uma versão diferente com a seguinte pontuação: cada item apresenta 3, 4 ou 5 níveis diferentes de dependência, pelo que cada actividade é pontuada de 1 a 3, de 1 a 4 ou de 1 a 5 em que a maior pontuação corresponde a um maior grau de dependência. O Índice varia entre 8 e 30 pontos de acordo com os seguintes pontos de corte: 8 pontos – Independente; 9 a 20 pontos - Moderadamente dependente, necessita de uma certa ajuda; > 20 pontos - Severamente dependente, necessita de muita ajuda. Instrumentos de Medição em Saúde 37 Quadro nº 10: Escala de Lawton e Brody (Sequeira, 2007) Referências bibliográficas Araújo, F., Pais-Ribeiro, J., Oliveira. A., Pinto, C., & Martins, T. (2008). Validação da escala de Lawton e Brody numa amostra de idosos não institucionalizados. In I. Leal, J.Pais-Ribeiro, I. Silva & S. Marques (Eds.), Actas do 7º Congresso Nacional dePsicologia da Saúde (pp. 217-220). Lisboa: ISPA. Cromwell DA, Eagar K, RG Poulos. O desempenho de atividades instrumentais da vida diária em escala de triagem para cognitivas comprometimento em idosos residentes na comunidade. J Clin Epidemiol. 2003; 56 (2) :131-137. Lawton MP, Brody EM. Avaliação de pessoas idosas: atividades de auto-manutenção e instrumentais da vida diária. Gerontologista. 1969; 9 (3) :179-186. Matsudo, S. M. Avaliação do idoso: física e funcional. Londrina: Midiograf; 2000. Polidor Research Institute. Atividades Instrumentais de Vida Diária Escala (AIVD). Disponívelem:http://www.abramsoncenter.org/PRI/documents/IADL.pdf. Sequeira, C.; Cuidar de idosos com dependência física e mental, Lidel, 2010 Instrumentos de Medição em Saúde 38 2.3 MEDIDA DE INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL (MIF) A Medida de Independência Funcional (MIF) foi desenvolvida na década de 1980 por um grupo norte-americano organizado pela Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação no Congresso Americano de Medicina de Reabilitação. A MIF faz parte do Sistema Uniforme de Dados para Reabilitação Médica (SUDRM), sendo largamente utilizada e aceite como uma medida de avaliação funcional internacional. O principal objetivo foi criar um instrumento capaz de medir o grau de dependência de cuidados de terceiros do doente portador de deficiência necessita para realização de tarefas motoras e cognitivas. A revisão da literatura aponta que a MIF é utilizada principalmente em lesões neurológicas (como os acidentes vasculares cerebrais e lesões medulares) e também pode ser utilizada em crianças. A forma de se obter informações advém da observação do desempenho do doente, e/ou nas informações fornecidas pelo doente/familiar/cuidador/equipa. Tem como vantagem o fato de não compreender somente as atividades motoras, mas também as cognitivas e também a capacidade de comunicação. A escala avalia 18 categorias pontuadas de 1 a 7 e classificadas quanto ao nível de dependência para a realização de tarefas. As categorias são agrupadas em seis dimensões: auto cuidado (alimentação, higiene pessoal, banho, vestir metade superior, vestir metade inferior, uso do wc), controle de esfíncteres, transferências (leito, cadeira, cadeira de rodas, uso de sanita, tomar banho), locomoção (marcha, cadeira de rodas, escadas), comunicação (compreensão, expressão) e cognição social (interação social, resolução de problemas, memória). Cada dimensão é analisada pela soma de suas categorias referentes; quanto menor a pontuação, maior é o grau de dependência. Somando-se os pontos das dimensões da MIF, obtém-se um score total mínimo de 18 e o máximo de 126 pontos, que caracterizam os níveis de dependência. Instrumentos de Medição em Saúde 39 Quadro nº 11: Medida de Independência Funcional (MIF) Cuidados Pessoais ADMISSÃO ALTA A. Alimentação B. Cuidados com a aparência C. Banhos D. Vestir parte superior do corpo E. Vestir parte inferior do corpo F. Asseio Controle de esfíncteres G. Controle Vesical H. Controle esfíncter anal Mobilidade Transferência: I. Cama, cadeira, cadeira de rodas J. Banheiro K. Banheira, Chuveiro Locomoção L. Caminhar, cadeira de rodas M. Escada Comunicação N. Compreensão O. Expressão Cognição Social P. Interacção social Q. Solução de problemas R. Memória MIF TOTAL NOTA. Não deixe espaços em branco, anote 1 se o utente não puder ser examinado devido a riscos. N I V E I S 7 Independência Total (Imediata, com Segurança) 6 Independência Total (Aparelhada) Sem assistência Dependência Modificada 5 Supervisão 4 Assistência Mínima (Capacidade = 75%) 3 Assistência Moderada (Capacidade = 50%) Dependência completa 2 Assistência Máxima (Capacidade =25%) Com assistência Instrumentos de Medição em Saúde 40 Referências bibliográficas Barnes M. Spasticity: a rehabilitation challenge in the elderly. Gerontology 2001; 47:295-9. Barnes MP, Kent RM, Smlyen JK, Mc Mullen KM. Spasticity in multiple sclerosis Neurorehabil Neural Repair 2003;17: 1766-70. Braun RM, Botte MJ. Treatment of shoulder deformity in acquired spasticity. Clin Orthop Relat Res 1999;368:54-65. Mayer N. Clinicophysiologic concepts of spsaticity and motor dysfunction in adults with an upper motoneuron lesion. In: spasticity: etiology, evaluation, management and role of botulinum toxin.We move. September 2002. Meythaler JM. Concept of spastic hypertonia. Phys Med Rehabil Clin Nam 2001;12:725-32. 2.4 ESCALA DE PFEIFFER A escala de Pfeiffer é constituída por itens relacionados com a capacidade que o indivíduo tem para realizar AIVD (atividades instrumentais de vida diária) e funções cognitivas/sociais como fazer compras, preparar alimentação, manter-se em dia com a atualidade, prestar atenção em programas de rádio, TV e de os discutir. Esta escala é constituída por dez itens relacionados coma capacidade da pessoa para realizar AIVD e funções cognitivas/sociais, evidenciando a funcionalidade por meio do grau de independência para a realização das atividades instrumentais de vida diária. O score mínimo é 0 e o máximo é 30. Quanto maior a pontuação, maior é a dependência do doente, sendo considerado o ponto de corte a partir de um score de 3 (Cassis et al., 2007). De acordo com Jacinto (2008) scores iguais ou superiores a 5 possuem boa especificidade e sensibilidade para o diagnóstico de alterações da cognição com declínio funcional. Na pesquisa bibliográfica que efetuamos não foram encontrados dados sobre o seu processo de validação e adaptação para a realidade portuguesa. Instrumentos de Medição em Saúde 41 Quadro nº12: Escala de Pfeiffer Referências bibliográficas Almeida, A. C.; Miranda, M.; Rodrigues, M. & Monteiro, R. (2005). Transição do doente dependente para a família. Revista Sinais Vitais. Nº 62. Coimbra, pp. 26-31. Antunes, M. C. P. (2008). Educação, Saúde e Desenvolvimento. Coimbra: Almedina. Arantes, P. (2003). Perspectiva Holística do Idoso: Uma Visão Necessária. Revista Sinais Vitais. Nº 48. Coimbra, pp. 62-66. Pfeiffer RI, Kurosaki TT, Harrah CH, Chance Jr., JM, Blades, S. Medição de atividades funcionais em idosos na comunidade, Journal of Gerontology 1982, 37 (3) :323-329. http://www.ciape.org.br/matdidatico/edgar/Livro_Aval_Mult_Idoso.doc Instrumentos de Medição em Saúde 42 2.5 ESCALA DE BARTHEL A escala de Barthel, versão original de Dorothea Barthel e Florence Mahoney (1965), avalia o nível de independência do indivíduo para a realização de 10 atividades básicas de vida diária (ABVD): comer, higiene pessoal, uso da sanita, tomar banho, vestir/despir, controlo de esfincteres, deambular, transferência da cadeira para a cama, subir e descer escadas. Na versão original a pontuação da escala varia de 0-100 (com intervalos de 5 pontos). A pontuação mínima de zero corresponde a máxima dependência para todas as atividades de vida diária avaliadas, e a máxima de 100 equivale a independência total para as mesmas AVD avaliadas. Desde a sua publicação (Mahoney e Barthel, 1965) que a EB (Escala de Barthel)tem sido amplamente utilizada com o objetivo de «quantificar» e monitorizar a (in)dependência dos indivíduos para a realização das ABVD (Paixão e Reichenheim, 2005; Sulter, Steen e Keyser, 1999). Neste uso alargado do instrumento têm sido desenvolvidas algumas versões que se distinguem da original por aumentarem ou diminuírem as atividades avaliadas ou ainda por alterarem o sistema de pontuação. A versão desenvolvida por Wade e Collin, 1988 propõe uma pontuação dos itens em (0,1,2 ou 3), obtendo um score total da escala entre 0 (totalmente dependente) e 20 (totalmente independente) em oposição à versão original (0-100). No sentido de facilitar a interpretação da escala, alguns autores (Azeredo e Matos, 2003; Duncan, Jorgensen e Wade, 2000; Hu et al., 1989; Imaginário, 2002) têm proposto a subdivisão do scores total do EB em diferentes categorias (habitualmente quatro ou cinco), embora defiram nos pontos de corte cut-off, o que dificulta a posterior comparação dos resultados. Instrumentos de Medição em Saúde 43 Atualmente, a EB continua a ser amplamente utilizada, essencialmente em contexto hospitalar, unidades de convalescença, centros de reabilitação e nos cuidados primários de saúde, estando representada no SAM e vários autores consideram-no o instrumento mais adequado para avaliar a incapacidade para a realização das AVD (Vilarmau, Diestre e Guirao, 2000; Sabartés et al. 2003; Duncan, Jorgensen e Wade, 2000). A fácil aplicação e interpretação, baixo custo de aplicação, o poder ser repetido periodicamente (o que permite monitorizações longitudinais), o consumir pouco tempo no seu preenchimento são, algumas das características que fazem desta medida construída sobre bases empíricas, uma das mais utilizadas na clínica e na investigação para avaliar o grau de dependência dos idosos para realizar dez atividades básicas do seu quotidiano. Numa sociedade em que a população idosa tem vindo a crescer de uma forma exponencial, a avaliação do grau de autonomia deste grupo populacional é extremamente importante, quer na avaliação do estado de saúde, quer na planificação dos cuidados tendo em conta as suas necessidades específicas. Esta escala foi validada para a realidade portuguesa por Ricardo Manuel Pereira Loução, José Pascoalinho Pereira e Carlos Colaço. Este processo consistiu na verificação da validade de conteúdo (painel de 8 peritos) da validade simultânea/concorrente, da validade longitudinal/sensibilidade à mudança e da fidedignidade inter observador. Neste sentido, a escala de Barthel surge como um instrumento válido e fácil de aplicar na prática clínica. Neste contexto emerge como mais significativo a avaliação dos itens do que o resultado global, porque permite identificar onde estão as incapacidades. Instrumentos de Medição em Saúde 44 Quadro nº13: Escala de Barthel (1989) Alimentação Independente 10 Necessita de ajuda ou dieta modificada 5 Totalmente dependente 0 Vestir/Despir Independente 10 Necessita de ajuda 5 Dependente 0 Banho Independente 5 Necessita de ajuda 0 Higiene pessoal Independente 5 Necessita de ajuda 0 Controlo anal Continente 10 Acidente ocasional 5 Incontinente (ou necessita de clister) 0 Controlo vesical Continente 10 Acidente ocasional 5 Incontinente (ou algaliado) 0 Utilização da sanita Independente 10 Necessita de alguma ajuda 5 Totalmente dependente 0 Transferência Independente 15 Necessita de alguma ajuda 10 Necessita de muita ajuda 5 Totalmente dependente 0 Mobilidade Independente 15 Ajuda 10 Independente em cadeira de rodas 5 Imóvel ou < 0 Subir / descer escadas Independente 10 Necessita de ajuda 5 Incapaz 0 Total Cada atividade apresenta entre 2 a 4 níveis de dependência, em que 0 corresponde à dependência total e a independência pode ser pontuada com 5, 10 ou 15 pontos de acordo com os níveis de dependência. (Sequeira 2007). 0-20 Dependência Total 21-60 Dependência Grave 61-90 Dependência Moderada 91-99 Dependência Ligeira 100 Independência Instrumentos de Medição em Saúde 45 Segundo este apresenta uma versão da escala de Barthel com uma leitura dos itens ligeiramente diferente da acima referida mas avaliando conteúdo semelhante. No entanto, os pontos de corte, referidos por este autor são diferentes dos descritos acima: 90 a 100 independente; 60 a 90 dependência ligeira; 40 a 55 dependência moderada; 20 a 35 dependência grave; <20 dependência total. Quadro nº 14: Escala de Barthel Modificada CATEGORIA 1: HIGIENE PESSOAL 1. O doente e incapaz de realizar higiene pessoal sendo dependente em todos os aspectos. 2. Doente necessita de assistência em todos os passos da higiene pessoal. 3. Alguma assistência e necessária em um ou mais passos da higiene pessoal. 4. Doente e capaz de conduzir a própria higiene, mas requer mínima assistência antes e/ou depois da tarefa. 5. Doente pode lavar as mãos e face, limpar os dentes e barbear, pentear ou maquiar-se. CATEGORIA 2: BANHO 1. Totalmente dependente para banhar-se. 2. Requer assistência em todos os aspectos do banho. 3. Requer assistência para transferir-se, lavar-se e/ou secar-se; incluindo a inabilidade em completar a tarefa pela condição ou doença. 4. Requer supervisão por segurança no ajuste da temperatura da água ou na transferência. 5. O doente deve ser capaz de realizar todas as etapas do banho, mesmo que necessite de equipamentos, mas não necessita que alguém esteja presente. CATEGORIA 3: ALIMENTACAO 1. Dependente em todos os aspectos e necessita ser alimentado. 2. Pode manipular os utensílios para comer, usualmente a colher, porém necessita de assistência constante durante a refeição. 3. Capaz de comer com supervisão. Requer assistência em tarefas associadas, como colocar leite e açúcar no chá, adicionar sal e pimenta, passar manteiga, virar o prato ou montar a mesa. 4. Independência para se alimentar um prato previamente montado, sendo a assistência necessária para, por exemplo, cortar carne, abrir uma garrafa ou um frasco. Não é necessária a presença de outra pessoa. 5. O doente pode se alimentar de um prato ou bandeja quando alguém coloca os alimentos ao seu alcance. Mesmo tendo necessidade de algum equipamento de apoio, é capaz de cortar carne, serve-se de temperos, passar manteiga,etc. CATEGORIA 4: USO DE SANITÁRIO 1. Totalmente dependente no uso vaso sanitário. 2. Necessita de assistência no uso do vaso sanitário 3. Pode necessitar de assistência para se despir ou vestir, para transferir-se para o vaso sanitário ou para lavar as mãos. 4. Por razões de segurança, pode necessitar de supervisão no uso do sanitário. Um penico pode ser usado a noite, mas será necessária assistência para seu esvaziamento ou limpeza. 5. O doente é capaz de se dirigir e sair do sanitário, vestir-se ou despir-se, cuida-se para não se sujar e pode utilizar papel higiénico sem necessidade de ajuda. Caso necessário, ele pode utilizar uma comadre ou penico, mas deve ser capaz de os esvaziar e limpar; CATEGORIA 5: SUBIR ESCADAS 1. O doente é incapaz de subir escadas. 2. Requer assistência em todos os aspectos relacionados a subir escadas, incluindo assistência com os dispositivos auxiliares. 3. O doente é capaz de subir e descer, porém não consegue carregar os dispositivos, necessitando de supervisão e assistência. 4. Geralmente, não necessita de assistência. Em alguns momentos,requer supervisão por segurança. 5. O doente é capaz de subir e descer, com segurança, um lance de escadas sem supervisão ou assistência mesmo quando utiliza os dispositivos. CATEGORIA 6: VESTUARIO 1. O doente é dependente em todos os aspectos do vestir e incapaz de participar das atividades. 2. O doente é capaz de ter algum grau de participação, mas é dependente em todos os aspectos relacionados ao vestuário 3. Necessita assistência para se vestir ou se despir. 4. Necessita assistência mínima para abotoar, prender o soutien, fechar o zipper, amarrar sapatos, etc. 5. O doente é capaz de vestir-se, despir-se , amarrar os sapatos, abotoar e colocar um colete ou órtese, caso eles sejam prescritos. CATEGORIA 7: CONTROLE ESFINCTERIANO (BEXIGA) 1. O doente apresenta incontinência urinária. 2. O doente necessita de auxílio para assumir a posição apropriada e para fazer as manobras de esvaziamento. 3. O doente pode assumir a posição apropriada, mas não consegue realizar as manobras de esvaziamento ou limpar-se sem assistência e tem frequentes acidentes. Requer assistência com as fraldas e outros cuidados. 4. O doente pode necessitar de supervisão com o uso do supositório e tem acidentes ocasionais. 5. O doente tem controle urinário, sem acidentes. Pode usar supositório quando necessário. CATEGORIA 8: CONTROLE ESFINCTERIANO (INTESTINO) Instrumentos de Medição em Saúde 46 1. O doente não tem controle de esfíncteres ou utiliza o cateterismo. 2. O doente tem incontinência, mas é capaz de assistir na aplicação de auxílios externos ou internos. 3. O doente fica geralmente seco ao dia, porém não à noite e necessita dos equipamentos para o esvaziamento. 4. O doente geralmente fica seco durante o dia e a noite, porém tem acidentes ocasionais ou necessita de assistência com os equipamentos de esvaziamento. 5. O doente tem controle de esfíncteres durante o dia e a noite e/ou é independente para realiza esvaziamento. CATEGORIA 9: DEAMBULACAO 1. Totalmente dependente para deambular. 2. Necessita da presença constante de uma ou mais pessoas durante a deambulação. 3. Requer assistência de uma pessoa para alcançar ou manipular os dispositivos auxiliares. 4. O doente é independente para deambular, porém necessita de auxilio para andar 50 metros ou supervisão em situações perigosas. 5. O doente é capaz de colocar os braces, assumir a posição ortostática, sentar e colocar os equipamentos na posição para o uso. O doente pode ser capaz de usar todos os tipos de dispositivos e andar 50 metros sem auxilio ou supervisão. Não pontue esta categoria caso o doente utilize cadeira de rodas CATEGORIA 10: TRANSFERENCIAS CADEIRA/CAMA 1. Incapaz de participar da transferência. São necessárias duas pessoas para transferir o doente com ou sem auxílio mecânico. 2. Capaz de participar, porém necessita de máxima assistência de outra pessoa em todos os aspectos da transferência. 3. Requer assistência de oura pessoa para transferir-se. 4. Requer a presença de outra pessoa, supervisionando, como medida de segurança. 5. O doente pode, com segurança, aproximar-se da cama com a cadeira de rodas, freiar, retirar o apoio dos pés, mover-se para a cama, deitar, sentar ao lado da cama, mudar a cadeira de rodas de posição, e voltar novamente para cadeia com segurança. O doente deve ser independente em todas as fases da transferência. Interpretação do Resultado 75 a 51 pontos - dependência moderada 100 pontos – totalmente independente 50 a 26 pontos – dependência grave 99 a 76 pontos – dependência ligeira 25 e menos pontos – dependência total Esta escala de Barthel Modificada (EBM) foi validada para a realidade portuguesa por Paulo Alexandre Teixeira Lima, José Pascoalinho Pereira e Carlos Colaço em 1995 e 1998. Referências bibliográficas Araújo, F., Pais-Ribeiro, J., Oliveira, A., & Pinto, C. (2007). Validação do Índice de Barthel numa amostra de idosos não institucionalizados. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 25 (2), 59-66. Azeredo, Z.; matos, E. — Grau de dependência em doentes que sofreram AVC. Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa. Série III. 8 : 4 (2003) 199-204. Caneda, M. A. et al. — Confiabilidade de escalas de comprometimento neurológico em doentes com acidente vascular cerebral. Arquivos de Neuropsiquiatria. 64: 3-A (2006) 690-697 Diestre, G.; Vilarmau, M. T. — Evolución de la capacidad funcional y características de los doentes ingresados en la unidad de convalecencia y rehabilitación (UCR). Rev. Mult. Gerontol. 10 : 1 (2000) 26-32. Freitas, EV. Et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabaara Koogan, pp. 615, 2002. Mahoney, F. I., Barthel, D. W. — Functional evaluation: the Barthel Index. Maryland State Medical Journal. 14 (1965) 61-65. Instrumentos de Medição em Saúde 47 2.6 ESCALA EK A escala EK, Egen Klassifikation (do dinamarquês: "nossa própria classificação"), foi desenvolvida na Dinamarca visando quantificar o grau de limitação funcional de doentes com DMD em fase avançada da doença, tendo sido validada para a língua portuguesa (Brasil) por Martinez et al., (2006). Esta escala foi obtida por meio de correspondência com o Dr. Bent Juhl, da Universidade de Aarhus, autor de trabalho prévio empregando a referida escala. Inicialmente desenvolvida em dinamarquês, ela foi fornecida aos pesquisadores numa versão em inglês, a qual também foi publicada em periódico internacional. A versão obtida foi traduzida para o português falado no Brasil pelos próprios autores, os quais chegaram a uma versão final de consenso. Na pesquisa bibliográfica efetuada não foram encontrados dados sobre o seu processo de validação e adaptação para a realidade portuguesa. Esta escala apresenta-se dividida em dez categorias, em que cada uma apresenta quatro alternativas que fornecem pontuações parciais entre 0 e 3. A pontuação total é obtida pela soma das pontuações parciais e varia entre 0 e 30. Quanto maior o grau de comprometimento funcional, maior a pontuação obtida. Esta escala mostrou grande correlação com medidas de força muscular periférica, intensidade das contraturas musculares, anos de uso de cadeira de rodas e capacidade vital forçada. Instrumentos de Medição em Saúde 48 Quadro nº 15: Escala EK Referências bibliográficas Chakkalakal JV, Thompson J, Parks RJ, Jasamin BJ. Molecular, cellular, and pharmacological therapies for Duchenne/Becker muscular dystrophies. FASEB J, 2005;19:880-91. Dubowitz V.Current and future therapy in muscular dystrophy; need for a common language between basic scientists and clinicians. Neuromuscul Disord 2004;14:951-5. Diogo MJD. Avaliação funcional de idosos com amputação de membros inferiores atendidos em um hospital universitário. Rev Latinoam Enfermagem 2003;11:59-65. Zonta MB, Almeida SM, Carvalho MTM, Werneck LC. Functional assessment of patients with AIDS disease. Braz J Infect Dis 2003;7:301-6. Instrumentos de Medição em Saúde 49 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FORÇA /TONUS MUSCULAR Instrumentos de Medição em Saúde 50 3. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FORÇA /TONUS MUSCULAR Muitos dos sistemas de controlo homeostático do organismo têm como base fisiológica uma sequência de estímulo-resposta, o reflexo. Embora, em muitos reflexos o indivíduo tenha consciência do estímulo e/ou da resposta, noutros,nomeadamente nos que regulam o meio interno, não existe qualquer consciência por parte do indivíduo. Em sentido estrito, um reflexo é uma resposta involuntária, não premeditada, e não aprendida a um determinado estímulo. Existem também diversas respostas que parecem ser automáticas e estereotipadas, mas que são, de facto o resultado da aprendizagem e da prática. Por exemplo, um condutor experimentado executa simultaneamente uma grande variedade de procedimentos: para o condutor, a maior parte destes movimentos é automática e não premeditada; no entanto, estes apenas ocorrem porque foi empreendido um grande esforço consciente na sua aprendizagem. Estes reflexos designam-se por reflexos aprendidos ou adquiridos. O tónus muscular é definido como o grau de resistência ao alongamento passivo (DAVIDOFF, 1992) e apresenta componentes distintos, como a inércia da extremidade, as propriedades mecânico-elásticas dos tecidos conjuntivo e muscular e o reflexo miotático (SMITH, WEISS e LEHMKUHL, 1997; TEIXEIRA, OLNEY e BROWNWER, 1998). É controlado pelos motoneurônios gama, que inervam as fibras intrafusais dos fusos musculares (DAVIDOFF,1992). As fibras do motoneurônio gama provocam encurtamento das fibras intrafusais que, por sua vez provocam alongamento das porções equatoriais do fuso, resultando num aumento de atividade das fibras aferentes. Avalia-se clinicamente por dois métodos: palpação e mobilização passiva. A palpação dos músculos permite registar as suas propriedades físicas. É, no entanto, um processo muito grosseiro. A mobilização passiva, por sua vez, é um método mais adequado para a avaliação do tónus muscular. Nos indivíduos normais, a resistência à mobilização passiva é moderada. Em certas condições patológicas o tónus muscular aumenta (Hipertonia) e noutras diminui (Hipotonia). Instrumentos de Medição em Saúde 51 Há dois tipos de hipertonia de grande importância clínica: a espasticidade e a rigidez. A espasticidade observa-se nas lesões piramidais (lesão do neurónio Cortico-Espinhal) e caracteriza-se pelo facto de, pouco depois de iniciarmos o movimento a resistência aumentar rapidamente, cedendo pouco depois - reflexo da navalha de mola. Tem uma distribuição eletiva: atinge preferencialmente os músculos anti-gravíticos (nos membros superiores os músculos flexores e nos membros inferiores os músculos extensores), não afetando normalmente os músculos axiais. A rigidez, por sua vez, encontra-se nas afeções extra-piramidais. Oferece à mobilização passiva uma resistência uniforme durante todo o movimento. Ao contrário do que acontece na espasticidade, a rigidez atinge por igual todos os músculos esqueléticos incluindo os flexores e os extensores do tronco. Na hipotonia a resistência aos movimentos passivos está diminuída e a amplitude dos movimentos aumentada. De realçar que, nos indivíduos asténicos e nas crianças existe uma hipotonia fisiológica. Relativamente à força muscular utiliza-se na prática clínica a escala de Council. Para a avaliação da força muscular dos membros superiores dispomos de várias manobras. Na prova dos braços estendidos pede-se ao doente para estender os braços até ao nível dos ombros, com os olhos encerrados, com as mãos abertas, com os dedos separados e com as palmas voltadas para cima. Espera-se aproximadamente um minuto. Numa lesão distal a mão começa a cair enquanto o ombro se mantém. Numa lesão global, todo o braço cai. A prova do aperto de mão, por seu turno, avalia a força distal. Nos membros inferiores a avaliação da força muscular compreende a prova de Barré, a prova de Mingazini, a força de dorsiflexão do pé, de flexão plantar do pé e de dorsiflexão do hálux. Na prova de Barré, com o doente em decúbito ventral, pede-se que levante as pernas (a partir do joelho) de modo a fazerem com a cama um ângulo de cerca de 45° durante 15-20 segundos. Dá-nos uma ideia do déficit distal. Na prova de Mingazini, estando o doente em decúbito dorsal, pede-se para fletir as coxas a 90°sobre a bacia e para fletir as pernas a 90° sobre as coxas durante 15-20 segundos. Dá-nos uma ideia do déficit global. A força de dorsiflexão do pé, de flexão plantar do pé e de dorsiflexão do hálux contribui para a avaliação da força muscular distal dos membros inferiores. Instrumentos de Medição em Saúde 52 3.1 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE FORÇA MUSCULAR – COUNCIL A escala Medical Research Council (MRC) foi desenvolvida originalmente e utilizada durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de graduar a força muscular. Quadro nº 16: Escala de avaliação Medical Research Council (MRC Scale, 1943) Não apresenta movimento muscular nem articular. Não se observa contracção muscular – paralisia total 0 Não usa o músculo para mover a articulação: percebem-se apenas pequenas contracções musculares, mas sem movimento 1 Amplitude completa de movimento, mas sem vencer a gravidade 2 Amplitude completa do movimento, vence a gravidade, mas não uma resistência mínima adicional 3 Amplitude completa do movimento, vence a gravidade, com alguma resistência adicional 4 Amplitude normal e completa dos movimentos – força normal 5 Referências bibliográficas Bérard, C. et al. The MFM Collaborative Study Group. A motor function measure scale for neuromuscular diseases: construction and validation study. Neuromuscul Disord, v. 15, n. 7, 463-70, 2005. MacDonald CM. Physical activity, health impairments, and disability in neuromuscular disease. Journal of American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation 2002; 81(11):108-120. Sumner CJ. Therapeutics development for spinal muscular atrophy. NeuroRX 2006; 3:235-245. 3.2 ESCALA DE ESPASTICIDADE DE ASHWORTH (modificada) A espasticidade é uma alteração motora caracterizada por hipertonia e hiper-reflexia, secundárias a um aumento da resposta do reflexo de estiramento, diretamente proporcional à velocidade de estiramento muscular. Instrumentos de Medição em Saúde 53 A espasticidade é um dos distúrbios motores mais frequentes e incapacitantes observados nos indivíduos com lesão do sistema nervoso central, que compromete o neurônio motor superior ao longo da via córtico-retículo bulbo-espinal, afetando milhões de pessoas em todo mundo. O quadro clínico da espasticidade é caracterizado por aumento do tônus muscular e exacerbação dos reflexos tendinosos profundos. Esta hipertonia muscular manifesta-se por um aumento da resistência do músculo ao estiramento, sinal do canivete, com predomínio de sua distribuição na musculatura antigravitacional. A hiper-reflexia caracteriza-se pelo aumento quantitativo da resposta do músculo estimulado, à diminuição do limiar de estimulação e ao aumento da área reflexógena. A descarga repetitiva deste reflexo exacerbado origina o clônus. Na avaliação da espasticidade são utilizados indicadores quantitativos e qualitativos. Estes são utilizados para identificar a intensidade e sua influência no desempenho da função, sendo úteis na indicação de intervenções terapêuticas e análise dos resultados. A Escala Modificada de Ashworth é a escala mais amplamente utilizada na avaliação da espasticidade. A sua aceitação deve-se à sua confiabilidade e reprodutibilidade interobservador. É uma escala ordinal que varia de 0 a 4, abaixo descrita: Quadro nº 17: Escala de Espasticidade de Ashworth (modificada) GRAU OBSERVAÇÕES CLÍNICAS 0 Tonus muscular normal 1 Ligeiro aumento do tonus muscular, manifestado por tensão momentânea ou resistência mínima,no final da amplitude de movimento articular quando a região afetada é mobilizada em flexão ou extensão; 1+ Ligeiro aumento do tonus muscular, manifestado por tensão abrupta, seguida de resistência mínima em menos da metade da amplitude de movimento restante; 2 Aumento mais acentuado do tonus muscular, durante a maioria da amplitude do movimento mas a região afetada é mobilizada facilmente; 3 Aumento considerável do tonus muscular, o movimento passivo é difícil; 4 Partes afetadas rígidas na flexão ou na extensão; Instrumentos de Medição em Saúde 54 Referências bibliográficas Barnes M. Spasticity: a rehabilitation challenge in the elderly. Gerontology 2001; 47:295-9. Bohannon RW, Smith MB. 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O exame neurológico é fundamental e determinante na prevenção de incapacidades e perda de autonomia. A qualidade da sua realização, na rotina dos serviços, no diagnóstico e na avaliação do plano individual de intervenção (PII) deve ser promovida e é um critério usado para a qualificação dos profissionais e para a avaliação de desempenho dos serviços de saúde. O exame neurológico completo exige tempo, paciência do examinador e do doente, assim como habilidade para a realização de técnicas adequadas e deve ser dividido em 6 partes: • Exame do equilíbrio e da marcha; • Exame da motricidade; • Exame da sensibilidade; • Exame das funções neurovegetativas; • Exame dos pares craneanos; • Exame neuropsicológico; A avaliação neurológica do doente deve-se, em grande parte, à aplicação de instrumentos de medição, traduzindo resultados objetivos e/ou subjetivos de extrema importância que irão ajudar no diagnóstico e no processo de reabilitação. Pretendemos que, de uma maneira simples, se possa efetuar uma avaliação neurológica atualizada e padronizada, usando testes e escalas, que permitem uma avaliação, um registo e uma transmissão de informação útil para benefício do doente, apresentando um baixo custo operacional. Instrumentos de Medição em Saúde 57 O ponto de partida da avaliação é o exame neurológico sumário e simplificado que inclui procedimentos mínimos de avaliação da face, tronco, membros superiores e inferiores. Salientamos que, o exame neurológico deve fazer parte da rotina, no atendimento do idoso e pode ser realizado por qualquer profissional da equipa de saúde devidamente capacitado para tal. A avaliação da evolução do estado neurológico do doente e a pesquisa de complicações baseia-se em parâmetros clínicos. Assim, o exame neurológico deve ser efetuado e repetido, tantas vezes quantas as necessárias, usando escalas de avaliação que permitam identificar os deficits neurológicos a diferentes níveis (consciência, linguagem) e fazer uma análise comparativa entre a pontuação obtida nas observações anteriores. 4.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW A Escala de Coma de Glasgow, título original Glasgow Coma Scale de B. Jennett e G. Teasdle 1974 (ECG), destina-se, de modo genérico, à avaliação do nível de consciência (ou grau de profundidade de coma). Os seus autores, inicialmente, objetivavam que este instrumento de avaliação fosse utilizado para estudar o nível de consciência de pessoas com traumatismo craniano grave e medir a função das pessoas em estado de coma. Apesar do seu lançamento em 1974, está descrito que, a escala ainda sofre algumas modificações, tendo sido aprovada internacionalmente para a avaliação da disfunção neurológica por parte de médicos e enfermeiros. A avaliação é realizada com base na observação do comportamento, traduzindo-se num valor numérico que varia entre 3 a 15 pontos. A pontuação máxima (15 pontos) indica um indivíduo neuro fisiologicamente sem alterações do nível da consciência e a pontuação mínima é representativa do indivíduo que apresenta ausência de respostas a estímulos externos. Instrumentos de Medição em Saúde 58 Quadro nº18: Escala de coma de Glasgow ESCALA DE COMA DE GLASGOW PONTUAÇÃO Abertura dos olhos Espontânea 4 Ao comando verbal 3 À dor 2 Fechados 1 Resposta motora Obedece a comandos 6 Localiza a dor 5 Flexão retirada à dor 4 Flexão anormal à dor 3 Extensão à dor 2 Não mexe 1 Resposta verbal Orientada 5 Confusa 4 Palavras inapropriadas 3 Sons incompreensíveis 2 Nenhuma 1 PONTUAÇÃO (O+M+V) 3 a 15 Referências bibliográficas Direcção Geral de Saúde - Unidades de AVC: recomendações para o seu desenvolvimento. Lisboa: 2001. ISBN:972-9425-97- 3.Ahttp://www.srsdocs.com/parcerias/publicacoes/referenciacao_hospitalar/unidades_avc.pdf Muniz, E. et al - Utilização da Escala de Coma de Glasgow e Escala de Coma de Jouvet para avaliação do nível de consciência. Revista da Escola de enfermagem da Universidade de São Paulo. ISSN 1980-220x. Vol. 31, n. 2, pp. 287-303 (Agosto 1997). Acedido em http://www.ee.usp.br/reeusp/upload/pdf/417.pdf Roza, Bartira de Aguiar -- História da Escala de Coma de Glasgow. Revista Einstein. ISSN 1679-4508. Vol. 2, n. 3, pp. 129-130 (Junho, 2004). http://www.einstein.br/biblioteca/artigos/Vol2Num2/Assessment%20of%20coma.pdf, Urden, Linda; Stacy, Kathleen; e Lough, Mary - Enfermagem de Cuidados Intensivos. 5ª Edição, Lusodidacta. Loures, 2005. ISBN 978-989-8075-08-6 Instrumentos de Medição em Saúde 59 4.2 NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH STROCK SCALE (NIHSS) O NIHSS é uma escala de défice neurológico que foi desenhada em 1989, por um grupo de neurologistas, para utilização em ensaios clínicos de terapêutica em AVC isquémico agudo. Esta escala foi desenhada em 1989 para avaliar diferenças no efeito de intervenções em ensaios clínicos, mas devido a sua excelente fiabilidade e elevada validade, evidenciada por vários estudos, rapidamente ultrapassou estas fronteiras e está a ser usada cada vez mais na assistência a doentes com AVC agudo como um instrumento de avaliação inicial e de programação de necessidades de cuidado após a fase aguda. Recentemente foi recomendada a sua utilização na avaliação de AVC agudo pelo Stroke Council da American Heart Association. O NIHSS é uma escala de 15 itens que fornece uma medida quantitativa dos principais componentes de um exame neurológico padrão. Esta escalaavalia nível de consciência (3 itens), movimentos oculares, campos visuais, paralisia facial, força dos quatro membros, coordenação motora, função sensitiva, linguagem, disartria e extinção/hemi-inatenção. O score varia de 0 a 42, com valores mais altos reflectindo maior défice neurológico. O NIHSS faz parte do grupo das escalas consensualmente aceites como as mais validas e fiáveis. A fiabilidade inter-observador desta escala e alta e a fiabilidade intra-observador e excelente, embora estes valores tenham sido calculados em investigadores submetidos a treino formal e certificados. Vários autores tem analisado a estrutura do NIHSS e as características dos vários itens relativamente a sua fiabilidade, sensibilidade a mudança clínica e impacto sobre o resultado. A fiabilidade dos itens é variável, sendo bastante baixa em alguns deles (ataxia dos membros inferiores, parésia facial, disartria, nível de consciência, ordens de nível de consciência e défice sensitivo). Alguns dos itens são pouco sensíveis a mudança clínica do doente (paralisia facial, disartria). Outros itens (ataxia, nível de consciência, parésia facial) parecem não contribuir de um modo significativo para uma estrutura interna constituída por dois factores principais (função do hemisfério direito e função do hemisfério esquerdo). Instrumentos de Medição em Saúde 60 Alguns itens parecem não ser relevantes para o resultado funcional a médio ou longo prazo. Numa versão modificada do NIHSS, publicada em 2001, os itens com pior reprodutibilidade, menos sensíveis a mudança clínica e redundantes (nível de consciência, parésia facial, ataxia e disartria) foram removidos, e a graduação do défice sensitivo foi reduzida para presente ou ausente, para aumentar a fiabilidade deste item. Contudo, Brott et al, no estudo original em que a escala foi publicada, chamavam a atenção para que ganhos em fiabilidade devem ser ponderados contra perda de fidedignidade da escala, na medida em que ela se torna menos compreensiva, com menor capacidade de traduzir a larga variedade de síndromes isquémicos clínicos, podendo, com isso, perder validade. Uma das vantagens do NIHSS é esta escala ser aplicável a todos os subtipos de AVC, incluindo os da circulação posterior. Quadro nº 19 – Escala NIHSS Instrumentos de Medição em Saúde 61 Instrumentos de Medição em Saúde 62 Instrumentos de Medição em Saúde 63 Referências bibliográficas Appelros P, Terent A. Characteristics of the National Institute of Health Stroke Scale: results from a population-based stroke cohort at baseline and after one year. Cerebrovasc Dis 2004; 17:21-27. Correia M, Silva MR, Matos I, Magalhaes R, Lopes JC, Ferro JM, Silva C. Prospective community-based study of stroke in Northern Portugal: incidence and case fatality in rural and urban populations. Stroke 2004; 35:2048-2053. Goldstein, L. B.; Bertels, C.; Davis, J. N. Interrater reability of the NIH stroke scale. Archives of Neurology, n. 46. 1989 Kent DM, Selker HP, Ruthazer R, Bluhmki E, Hacke W. The Stroke-Thrombolytic Predictive Instrument: a predictive instrument for intravenous thrombolysis in acute ischemic stroke. Stroke 2006; 37:2957-2962. Kwakkel G, Kollen B, Twisk J. Impact of time on improvement of outcome after stroke. Stroke 2006; 37:2348-2353. Rodrigues M, Noronha MM, Vieira-Dias M, Lourenco S, Santos-Bento M, Fernandes H, Reis F, Machado Candido J. Stroke in Europe: Where is Portugal? POP-Basis 2000 study. Cerebrovasc Dis 2002; 13 (suppl 4), 72 (Abstract). World Health Organization. Neurological disorders: public health challenges. WHO 2006. 4.3 ESCALA DE RANKIN MODIFICADA A Escala de Rankin Modificada (ERM), versão original elaborada em 1957 e a versão modificada publicada em 1988, tentam medir o estado funcional, incorporando os componentes de funções do corpo e limitações, a atividade e a participação, presentes na “The International Classification of Functioning, Disability and Health” da Organização Mundial de Saúde e, não apenas as atividades básicas de vida diária, como a escala de Barthel. A escala de Rankin é um instrumento de mensuração da incapacidade (disability) que tem sido amplamente utilizado na avaliação da recuperação neurológica e como prognóstico em estudos clínicos para o tratamento do AVC. Existem evidências amplas de sua validação, confiabilidade e sensibilidade para sua utilização neste contexto clínico. Desenvolvida por Dr. John Rankin em Glasgow, Escócia, foi inicialmente publicada em 1957, contendo 5 itens, desde “sem incapacidade” até “incapacidade severa”. A versão atual da escala modificada de Rankin publicada em 1988 consiste de 6 categorias que vão do 0 a 5, sendo que, eventualmente, agrega-se o score 6 (óbito) em estudos clínicos. Instrumentos de Medição em Saúde 64 Basicamente, a escala avalia a capacidade do indivíduo em realizar as atividades de vida diária. A escala é, essencialmente baseada na incapacidade global (em particular a incapacidade física) e na necessidade de assistência para realizar atividades instrumentais e básicas da vida diária com ênfase no comprometimento motor. Ela pode ser aplicada por qualquer profissional da área da saúde, possuindo moderada confiabilidade entre observadores. É uma das escalas mais utilizadas para avaliação de resultado em AVC. A escala é dividida categoricamente em 7 graus diferentes: Quadro nº 20: Escala modificada de Rankin 0 Ausência de sintomas 1 Sintomas não incapacitantes (capaz de realizar todas as tarefas habituais), 2 Incapacidade ligeira (incapaz de realizar algumas tarefas que realizava anteriormente, mas independente nas atividades de vida diária), 3 Incapacidade moderada (sintomas que restringem significativamente o estilo de vida e/ou impedem uma independência completa nas atividades de vida diária), 4 Incapacidade moderadamente grave (sintomas que tornam o doente claramente dependente, embora nao necessitando de ajuda em todas as atividades de vida diária), 5 Incapacidade grave (totalmente dependente, requerendo cuidados de terceiros) 6 Morte. A variação de 1 ponto nesta escala é considerada clinicamente significativa, devido a grande amplitude de cada categoria. A escala de Rankin modificada é uma medida de síntese, de base ampla, de défice e limitações a atividade e participação, faltando-lhe especificidade. É, esta característica de falta de especificidade que torna possível que, embora tenha sido desenvolvida para avaliação de resultado em AVC, possa também ser aplicado a todos os doentes, em qualquer contexto, nomeadamente, na avaliação da incapacidade antes do AVC. A escala de Rankin modificada, devido a ter um menor “efeito de tecto” que a escala de Barthel, é um instrumento mais adequado para diferenciar doentes com incapacidade ligeira a moderada. A sua validade e reprodutibilidade estão bem documentadas. No entanto, a sua simplicidade como escala de 6 pontos pode afetar a sua reprodutibilidade, sendo necessária aderência estrita a regras para o evitar. Na avaliação de incapacidade pré- AVC, sempre que necessário, por falta de colaboração do doente,são obtidas informações de familiares ou do cuidador. Instrumentos de Medição em Saúde 65 As principais deficiências da escala residem na sua susceptibilidade ao efeito negativo das co-morbilidades (doença cardiovascular, diabetes, artrite, cirurgia, etc.), dos fatores socioeconómicos e do estado geral de saúde na função física e cognitiva do doente; fatores que podem ter um impacto direto na pontuação da ERM. Os doentes agrupados como score 0 e 1 são classificados como independentes, não tiveram nenhuma sequela ou estas foram consideradas mínimas; os classificados como 2 e 3 são os que possuem alguma sequela, porém por meio de adaptações conseguem fazer as atividades prévias e andam sem ajuda. Os doentes classificados como 4 e 5 não conseguem andar sem ajuda e podem estar limitados à cama, com necessidade de cuidador 24 horas. O óbito é classificado como score 6. Referências bibliográficas Banks JL, Marotta CA. Outcomes validity and reliability of the modified Rankin scale: implications for stroke clinical trials: a literature review and synthesis. Stroke. 2007; 38(3):1091-6. Kasner SE. Clinical interpretation and use of stroke scales. Lancet Neurol. 2006 Jul;5(7):603-12. Quinn TJ, Lees KR, Hardemark HG, Dawson J, Walters MR. Initial experience of a digital training resource for modified Rankin scale assessment in clinical trials. Stroke. 2007 Aug; 38(8):2257-61. Wilson JTL, Hareendran A, Hendry A, Potter J, Bone I, Muir KW. Reliability of the modified Rankin Scale across multiple raters: benefits of a structured interview. Stroke. 2005; 36: 777–781. Instrumentos de Medição em Saúde 66 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO/MARCHA/QUEDAS Instrumentos de Medição em Saúde 67 5. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO/ MARCHA/ QUEDAS A instabilidade e quedas são um dos grandes síndromes geriátricos. Corresponde a um evento frequente e limitante, devendo ser considerado um marcador importante de fragilidade, de institucionalização, de declínio da saúde dos idosos e promotor de morbilidade e morte. Trata-se de um problema grave e evitável. De acordo, com os dados epidemiológicos atuais, 30% dos idosos sofrem, pelo menos, de uma queda por ano e este valor sobe para 40% na faixa etária acima dos 80 anos. 80% das quedas tem lugar no espaço físico da sua residência situado no seu quarto até à casa de banho. Os custos com as quedas são muito elevados e, por exemplo, nos EUA, em 1994 a despesa rondou os 20,2 milhões de dólares e prevê-se, que no ano 2020, essa despesa seja de 32 milhões de dólares. As quedas são causadoras do aumento dos custos com a saúde, de aumentarem a probabilidade da perda da capacidade funcional, da restrição das AVD e da mobilidade, de aumentarem a fragilidade e a dependência, de aumentarem a possibilidade de institucionalização, da perda da confiança e da autonomia, do medo de cair e da morte. Perante este cenário, é imperativo a criação de programas de prevenção de quedas, baseados na redução dos fatores de risco intrínsecos e ambientais, dirigidos a idosos vulneráveis que apresentem história de quedas e instabilidade, aqueles que apresentam alterações sensoriais e de equilíbrio, aos doentes com doença neuro-muscular aos serviços de urgência, aos serviços de pediatria e obstetrícia e a todos os adultos que apresentem história de quedas recorrentes. O equilíbrio corporal é definido como a manutenção de uma postura particular do corpo com um mínimo de oscilação (equilíbrio estático) ou a manutenção da postura durante o desempenho de uma habilidade motora que tenda a perturbar a orientação do corpo (equilíbrio dinâmico), (Lima, Figueiredo & Guerra, 2007). Instrumentos de Medição em Saúde 68 Têm sido desenvolvidos vários instrumentos a fim de avaliar o equilíbrio, procurando definir parâmetros para identificar o risco de queda em idosos. Este desenvolvimento de instrumentos confiáveis e validados tem-se demonstrado relevante não só para a investigação, mas também para a prática clínica. 5.1 ESCALA DE EQUILÍBRIO / MARCHA DE TINETTI Esta escala foi criada em 1986 por Tinetti, Williams e Mayewski (Abreu et al., 2008). Classifica aspetos da marcha como a velocidade, a distância do passo, a simetria e o equilíbrio em pé, o girar e também as mudanças com os olhos fechados (Silva et al 2007). É uma escala que não requer equipamento sofisticado e é confiável para detectar mudanças significativas durante a marcha. A utilização deste instrumento de avaliação tem importantes implicações na qualidade de vida dos idosos, uma vez que possibilita ações preventivas, assistenciais e de reabilitação. É composta por 16 itens em que 9 são para o equilíbrio do corpo e 7 para a marcha (Silva et al., 2007). A cada item pode ser atribuído o valor de zero ou um, (zero é considerado não satisfatório e um é considerado satisfatório) (Santos, 2007). A pontuação total é de 28 pontos e é obtida através da soma das pontuações do equilíbrio do corpo (16 pontos) e da marcha (12 pontos). Um score inferior a 19 pontos, indica risco cinco vezes maior de queda (Lojudice, 2005, p.21; Silva et al., 2007). A pontuação total é de 28 pontos e é obtida através da soma das pontuações do equilíbrio do corpo (16 pontos) e da marcha (12 pontos) (Silva et al., 2007). Um score acima de 24 pontos significa baixo risco de queda, entre 19 e 24 pontos significa risco moderado de queda e, abaixo de 19 pontos significa alto risco de queda (Mata, Barros & Lima, 2008). Estudos recentes têm demonstrado que esta escala altamente preditiva de queda (Santos, 2007). Apesar de, para a língua portuguesa (Brasil) existirem diversas referências a estudos com este instrumento, para a realidade portuguesa, embora hajam estudos publicados com a sua utilização, não encontrámos referências na pesquisa bibliográfica efetuada para os respetivos estudos de adaptação. Instrumentos de Medição em Saúde 69 Quadro nº 21: Escala de Equilíbrio de Tinetti Equilíbrio sentado Escorrega Equilibrado 0 ( ) 1 ( ) Levantando Incapaz Usa os braços Sem os braços 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Tentativas de levantar Incapaz Mais de uma tentativa Única tentativa 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Assim que levanta (primeiros 5 segundos) Desequilibrado Estável, mas usa suporte Estável sem suporte 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Equilíbrio em pé Desequilibrado Suporte ou base de sustentação> 12 Sem suporte e base estreita 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Teste dos três tempos Começa a cair Agarra ou balança (braços) Equilibrado 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Olhos fechados (mesma posição do item 6) Desequilibrado, instável Equilibrado 0 ( ) 1 ( ) Girando 360º Passos descontínuos Passos contínuos Instável (desequilibrado) Estável (equilibrado) 0 ( ) 1 ( ) 0 ( ) 1 ( ) Sentando Inseguro (erra a distância, cai na cadeira) Usa os braços ou movimentação abrupta Seguro, movimentação suave 0 ( ) 1 ( ) 2 ( ) Referências bibliográficas Barnett A, Smith B, Lord SR, Williams M, Baumand A (2003). Community-based group exercise improves balance and reduces falls in at-risk older people: a randomized controlled trial. Age Ageing 32: 407-414.Instituto Nacional de Estatística (2002). O envelhecimento em Portugal: situação demográfica e sócio- económica recente das pessoas idosas. Serviço de Estudos sobre a população do Departamento de Estatísticas Censitárias e da população. Pinho, A., et al - Identificação dos factores predisponentes ao declínio funcional da população idosa. ESSFisioOnline. ISSN. Volume 2, N.º4 (2006). Acedido em http://www.ess.ips.pt/EssFisiOnline/vol2n4/pdfs/dec_funcional.pdf Tinetti ME, Richman D, Powell L (1990). Falls efficacy as a measure of fear of falling. J Gerontol 45(6): P239-43. Tinetti ME, Mendes de Leon CF, Doucette JT, Baker DI (1994). Fear of falling and fall-related efficacy in relationship to functioning among community-living elders. J Gerontol 49(3): M140-7. Tinetti ME, Williams CS (1998). The effect of falls and falls and fall infuries on functioning in community- dwelling older persons. J Gerontol 53(2): 112-119. Instrumentos de Medição em Saúde 70 5.2 ESCALA DE TINETTI PARA A VALORIZAÇÃO DA MARCHA Instruções: O doente permanece de pé com o examinador, caminha num corredor ou sala (uns 8 metros), primeiro a ritmo normal, e em seguida, mais rápido mas seguro. Quadro nº 22: Escala de Tinetti para a valorização da marcha Iniciação da marcha: (0) Qualquer hesitação ou múltiplas tentativas para iniciar) (1) Sem hesitação Comprimento e altura do passo a) A perna drtª em balanceio: (0) não passa o membro esqº (1) passa o membro esqº (0) pé drtº não se afasta completamente do solo com o passo (1) pé drtº afasta-se totalmente do solo b) Perna esqª em balanceio: (0) Não passa o membro drtº (1) Passa o membro drtº (0) Pé esqº não se afasta totalmente do solo (1) Pé esqº afasta totalmente do solo Simetria do passo (0) Passo drtº e esqº desiguais (1) Passos parecem iguais Continuidade do passo (0) Parada ou descontinuidade entre os passos (1) Passos parecem contínuos Desvio da linha recta (distância aprox. 3 m *30 cm) (0) Desvio marcado (1) Desvio leve e moderado, ou usa dispositivos auxílio (2) Caminha em linha recta sem dispositivos Tronco (0) Oscilação marcada ou usa dispositivos (1) Sem oscilação, mas com flexão de joelhos ou dor lombar, ou afasta os braços quando anda (2) Sem oscilação, sem flexão, sem dispositivos Base de apoio (0) Calcanhares afastados (1) Calcanhares quase a tocarem-se Score total: ---------/28 pontos CLASSIFICAÇÃO DO RISCO DE QUEDA Inferior a 19 pontos: Alto Risco de Queda Entre 19 e 24 pontos: Risco Moderado de Queda Superior a 24 pontos: Alto Risco de Queda Instrumentos de Medição em Saúde 71 Referências bibliográficas Brouwer BJ, Walker C, Rydahl SJ, Culham EG (2003). Reducing fear of falling in seniors through education and activity programs: a randomized trial. J Am Geriatr Soc 51(6): 829-34. Carter ND, Kannus P, Khan KM (2001). Exercise in the prevention of falls in older people. Sports Med 31(6): 427-438. Carvalho J, Santos C, Mota J (2005). Actividade física e aptidão física de idosos institucionalizados e não- institucionalizados. Arquivos de Fisiatria e Doenças Osteo-articulares 46: 35-43. Edelberg HK (2001). Falls and function. How to prevent falls and injuries in patients with impaired mobility. Geriatrics 56: 41-45. Melo C (2003). Adaptação cultural e validação para a população portuguesa da Falls Efficacy Scale (FES). Trabalho apresentado no âmbito da apresentação de provas públicas para Professora Coordenadora da Escola Superior e Tecnologia da Saúde do Porto (ESTES-Porto), não publicado, ESTESPorto. Petiz EM (2002) A actividade física, equilíbrio e quedas. Um estudo em idosos institucionalizados. Tese de Mestrado, não publicada, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto. Tinetti ME (1986). Performance-Oriented Assessment of Mobility Problems in the elderly patients. JAGS 34: 119-126. 5.3 ESCALA DE EQUILÍBRIO DE BERG A escala de equilíbrio de Berg, autores K. Berg, S. Wood-Dauphinee, J. Williams e D. Gayton (1992) tem como objetivo avaliar o equilíbrio em idosos e monitorizar, ao longo do tempo, as mudanças relativas a esta capacidade. Esta escala encontra-se validada para a realidade portuguesa por Anabela Capucho, Margarida Gouveia, Estela Mosca, António Manuel Fernandes Lopes e José Pascoalinho Pereira. A população alvo deste instrumento é indivíduos idosos, indivíduos com AVC, indivíduos com doença de Parkinson e indivíduos com outras patologias que condicionem deficits de equilíbrio. O processo de adaptação cultural e linguística deste instrumento constou da tradução, por um indivíduo bilingue e do reforço e verificação da tradução da escala por um painel de cinco profissionais de saúde. Foi efectuado pré-teste (n=5). Instrumentos de Medição em Saúde 72 O processo de validação consistiu na verificação da validade de conteúdo (painel de 4 e 5 peritos), da validade simultânea/concorrente (n=20, r=0,93 [0,42]; e n=33, Kendall=0,574 a 0,530 [0,000]), da validade longitudinal/sensibilidade à mudança (n=20 e n=33) e da fidedignidade inter observador (n=20, r=0,94 [0,42]; e n=33, Kendall=0,88 a 0,82 [0,000]). A escala de equilíbrio de Berg tem tido larga utilização para avaliar o equilíbrio na população acima dos 65 anos. É composta por 14 itens envolvendo tarefas funcionais específicas em diferentes bases de apoio. As tarefas envolvem o equilíbrio estático e dinâmico tal como, alcançar, girar, transferir, permanecer de pé e levantar. Cada item apresenta uma escala ordinal de 5 alternativas que recebem uma pontuação entre 0 e 4, em função do desempenho do doente, obtendo um score total de 56 pontos. O score desta escala é baseado na habilidade para executar as tarefas em tempo e de forma independente e engloba 3 dimensões: manutenção de posição, ajuste postural e movimentos voluntários. Quadro nº 23: Escala de equilíbrio de Berg DESCRIÇÃO DOS ITENS (Pontuação de 0 a 4) 1. Sentado para em pé 2. Em pé sem apoio 3. Sentado sem apoio 4. Em pé para sentado 5. Transferências 6. Em pé com os olhos fechados 7. Em pé com os pés juntos 8. Reclinar à frente com os braços estendidos 9. Apanhar objecto do chão 10. Virando-se para olhar para trás 11. Girando 360 graus 12. Colocar os pés alternadamente sobre um banco 13. Em pé com um pé em frente ao outro 14. Em pé apoiado em um dos pés TOTAL: 56-54 : 3 a 4% risco Queda 54 – 46: 6 a 8% risco Queda <36: perto dos 100% Instrumentos de Medição em Saúde 73 Instruções Gerais Faça a demonstração de cada tarefa e/ou dê instruções exatamente como indicado. Ao dar pontuação registe a categoria de resposta mais baixa referente a cada item. Na maioria dos itens é pedido ao doente que mantenha uma determinada posição por um tempo específico. Serão progressivamente descontados mais pontos se os requisitos de tempo ou distância não forem satisfeitos, se o desempenho do doente justificar supervisão, ou se o doente tocar algum suporte externo ou receber ajuda do examinador. Deverá ser explicado ao doente a necessidade de manter o equilíbrio enquanto executa as tarefas. Cabe ao doente decidir qual a perna em que se deverá apoiar enquanto está em pé ou aque distância chegar. Uma má escolha irá influenciar de forma desfavorável o desempenho e pontuação do doente. Nos itens 1,3, e 4 deverá ser utilizada uma cadeira com braços. O equipamento necessário para realizar os testes é um cronómetro ou um relógio com ponteiros dos segundos e uma régua ou outro indicador de 2,5 e 10 polegadas (5, 12 e 25 cm). As cadeiras utilizadas durante a prova deverão ser de uma altura moderada. No item # 12 pode ser utilizado tanto um degrau como um banco. 1. Da posição de sentado para a posição de pé Instruções: Por favor levante-se. Tente não usar as mãos para se apoiar. ( ) 4 consegue levantar-se sem usar as mãos e manter-se estável de forma autónoma ( ) 3 consegue levantar-se de forma autónoma, recorrendo às mãos ( ) 2 consegue levantar-se, recorrendo às mãos, depois de várias tentativas ( ) 1 necessita de alguma ajuda para se levantar ou para se manter estável ( ) 0 necessita de ajuda moderada ou de muita ajuda para se levantar 2. Ficar em pé sem apoio Instruções: Por favor mantenha-se em pé sem se apoiar durante dois minutos. ( ) 4 consegue manter-se em pé em segurança durante dois minutos ( ) 3 consegue manter-se em pé durante dois minutos com supervisão Instrumentos de Medição em Saúde 74 ( ) 2 consegue manter-se me pé sem apoio durante 30 segundos ( ) 1 necessita de várias tentativas para se manter em pé sem apoio durante 30 segundos ( ) 0 não consegue manter-se em pé durante 30 segundos sem ajuda Se o doente conseguir manter-se em pé durante 2 minutos sem se apoiar deverá registar-se total pontuação no item #3. Prosseguir para o item #4. 3. Sentar-se com as costa desapoiadas mas com os pés apoiados no chão ou num banco Instruções: Por favor sente-se com os braços cruzados durante dois minutos. ( ) 4 mantém-se sentado em segurança e de forma estável durante dois minutos ( ) 3 mantém-se sentado durante dois minutos com supervisão ( ) 2 mantém-se sentado durante 30 segundos ( ) 1 mantém-se sentado durante 10 segundos ( ) 0 não consegue manter-se sentado sem apoio durante 10 segundos 4. Da posição de pé para a posição de sentado Instruções: Por favor sente-se. ( ) 4 senta-se em segurança recorrendo muito pouco às mãos ( ) 3 ao sentar-se recorre às mãos ( ) 2 encosta as pernas à cadeira para controlar a descida ( ) 1 senta-se de forma autónoma mas sem controlar a descida ( ) 0 precisa de ajuda para se sentar 5. Transferência Instruções: Coloque a(s) cadeira(s) de forma a realizar transferências “tipo pivot”. Podem ser utilizadas duas cadeiras (uma com e outra sem braços)ou uma cama e uma cadeira com braços. ( ) 4 consegue transferir-se em segurança recorrendo pouco às mãos ( ) 3 consegue transferir-se em segurança necessitando de forma clara do apoio das mãos ( ) 2 consegue transferir-se com a ajuda de indicações verbais e/ou supervisão ( ) 1 necessita de ajuda de uma pessoa ( )0 necessita de duas pessoas para ajudar ou supervisionar de modo transferir-se em segurança, equilíbrio e qualidade de vida Instrumentos de Medição em Saúde 75 6. Ficar em pé sem apoio e de olhos fechados Instruções: Por favor feche os olhos e fique imóvel durante 10 segundos. ( ) 4 consegue manter-se em pé com segurança durante 10 segundos ( ) 3 consegue manter-se em pé durante 10 segundos com supervisão ( ) 2 consegue manter-se em pé durante 3 segundos ( ) 1 não consegue manter os olhos fechados durante 3 segundos, mas mantém-se em pé de forma estável ( ) 0 necessita de ajuda para não cair 7. Manter-se em pé sem apoio e com os pés juntos Instruções: Junte os pés e mantenha-se em pé sem se apoiar. ( ) 4 consegue manter os pés juntos de forma autónoma e manter-se em pé em segurança durante 1 minuto ( ) 3 consegue manter os pés juntos de forma autónoma e manter-se em pé durante 1 minuto com supervisão ( ) 2 consegue manter os pés juntos de forma autónoma mas não consegue manter a posição durante 30 segundos ( )1 necessita de ajuda para chegar à posição mas consegue manter-se em pé com os pés juntos durante 15 segundos ( )0 necessita de ajuda para chegar à posição mas não consegue mantê-la durante 15 segundos 8. Inclinar-se para a frente com o braço estendido para a frente ao mesmo tempo que se mantém em pé Instruções: Levante o braço num ângulo de 90º. Estique os dedos e incline-se para a frente o mais que puder. (O examinador deverá colocar uma régua junto da ponta dos dedos do doente que deverá ter o braço num ângulo de 90º. Os dedos não deverão tocar a régua à medida que o doente se inclina para a frente. A medida a registar refere-se à distância que os dedos conseguem alcançar quando o doente está o mais inclinado possível para a frente. Sempre que possível deverá ser pedido ao doente que estenda ambos os braços para a frente de forma a evitar a rotação do tronco.) ( ) 4 consegue inclinar-se >25 cm para a frente de forma confiante (10 polegadas) ( ) 3 consegue inclinar-se >12 cm para a frente em segurança (5 polegadas) Instrumentos de Medição em Saúde 76 ( ) 2 consegue inclinar-se >5 cm para a frente em segurança (2 polegadas) ( ) 1 inclina-se para a frente mas necessita de supervisão ( ) 0 perde o equilíbrio ao tentar / necessita de apoio externo 9. Apanhar um objecto do chão a partir de uma posição de pé Instruções: Apanhe o sapato ou chinelo que está colocado à frente dos seus pés. ( ) 4 consegue apanhar o chinelo com facilidade e em segurança ( ) 3 consegue apanhar o chinelo mas necessita de supervisão ( )2 não consegue apanhar mas chega a uma distância de 2-5 cm (1-2 polegadas) do chinelo e mantém o equilíbrio de forma autónoma ( ) 1 não consegue apanhar o chinelo e necessita de supervisão enquanto tenta ( ) 0 não consegue tentar / necessita de ajuda para evitar perder o equilíbrio ou cair 10. Virar-se para olhar sobre os ombros direito e esquerdo enquanto está em pé Instruções: Vire-se para olhar directamente para trás de si sobre o ombro esquerdo. Repetir para o lado direito. O examinador poderá escolher um objecto para o doente olhar que esteja exactamente atrás do doente de modo a encorajar uma melhor rotação. ( ) 4 olha para trás para ambos os lados e transfere bem o peso ( ) 3 olha para trás apenas de um lado, revela menos capacidade de transferir o peso, equilíbrio e qualidade de vida ( ) 2 apenas se vira de lado mas mantém o equilíbrio ( ) 1 necessita de supervisão quando se vira ( ) 0 necessita de ajuda para evitar perder o equilíbrio ou cair 11. Dar uma volta de 360º Instruções: Dê uma volta completa sobre si próprio. Pausa. Em seguida faça o mesmo na direcção oposta. ( ) 4 consegue dar uma volta de 360º em segurança em 4 segundos ou menos ( ) 3 consegue dar uma volta de 360º em segurança apenas para um lado em 4 segundos ou menos ( ) 2 consegue dar uma volta de 360º em segurança mas de forma lenta ( ) 1 necessita de supervisão atenta ou de indicações verbais ( ) 0 necessita de ajuda enquanto dá a volta Instrumentos de Medição em Saúde 77 12. Colocar alternadamente os pés num degrau ou banco enquanto se mantém em pé sem apoio Instruções: Coloque os pés de forma alternada no degrau/banco. Prossiga até que cada um dos pés tenha tocado no degrau/banco quatro vezes. ( ) 4 consegue ficar em pé de forma autónoma e em segurança e completar 8 degraus em 20 segundos ( )3 consegue manter-se em pé de forma autónoma e completar 8 degraus>20 segundos ( ) 2 consegue completar 4 degraus sem ajuda mas com supervisão ( ) 1 consegue completar >2 degraus mas necessita de alguma ajuda ( ) 0 necessita de ajuda para evitar cair / não consegue tentar 13. Ficar em pé sem apoio com um pé à frente Instruções: (Demonstrar ao doente) Colocar um pé exactamente à frente do outro. Se sentir que não consegue colocar o pé exactamente à frente, tente dar um passo suficientemente largo de forma a que o calcanhar do pé mais avançado esteja à frente dos dedos do outro pé. (Para marcar 3 pontos o cumprimento da passada deverá exceder o cumprimento do outro pé e a amplitude da postura do doente deverá aproximar-se da amplitude da sua passada normal.) ( ) 4 consegue colocar um pé exactamente à frente do outro de forma autónoma e manter a posição durante 30 segundos ( ) 3 consegue colocar um pé à frente do outro de forma autónoma e manter a posição durante 30 segundos ( ) 2 consegue dar um pequeno passo de forma autónoma e manter a posição durante 30 segundos ( ) 1 necessita de ajuda para dar um passo mas consegue manter a posição durante 15 segundos ( ) 0 perde o equilíbrio ao dar um passo ou ao ficar em pé Instrumentos de Medição em Saúde 78 14. Ficar em pé sobre uma perna Instruções: Fique em pé sobre uma perna sem se segurar pelo maior tempo possível. ( ) 4 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição >10 segundos ( )3 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição durante 5-10 segundos ( )2 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição = ou > 3 segundos ( )1 tenta levantar a perna sem conseguir manter a posição durante 3 segundos mas continua a manter-se de pé de forma autónoma ( ) 0 não consegue tentar ou necessita de ajuda para não cair ( ) Pontuação Total (Máximo = 56) Referências bibliográficas Bittar, R. S. M. et al. Síndrome do desequilíbrio no idoso. Pró-fono - Revista Atual Científica, v. 14, n. 1, p. 119-128, 2002. Conradsson, M. et al. Berg balance scale:intrarater test-retest reliability among older people dependent in activities of daily living and living in residential care facilities. Phys.Ther., v. 87, n. 9, p. 1155-1563, Set. 2007. Faria, J. C. et al. Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e mobilidade de idosos. Acta Fsiatrica, v. 10, n. 3, p. 133-137, jan. 2003. Miyamoto, S. T. Brazilian version of the Berg balance scale. Braz. Med. Biol. Res., Ribeirão Preto, v. 37, n. 9, p. 1411-1421, abr. 2004. Paixão JR., C. M.; Heckmann, M. Distúrbios da postura, marcha e quedas. In: Freitas, E. V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 950-960. Instrumentos de Medição em Saúde 79 5.4 ESCALA DE HENDRICH II A escala de Hendrich II é uma escala para avaliar o risco de quedas e foi traduzida por Nilza Caldevilla e a sua adaptação transcultural encontra-se para validação. Quadro nº 24: Escala de Hendrich II FACTORES DE RISCO PONTO S RESULTADO 8.Confusão/desorientação/impulsividade 4 9.Depressão sintomática 2 10.Eliminação alterada 1 11.Tonturas/vertigens 1 12.Género (masculino) 1 13.Anti-epilépticos prescritos/administrados (ácido valproico-valprolim), (carbamazepina-tegretol), (fenitoína- hidantina), (fenobarbital-luminal, luminaletas, bialminal), (gabapentina, gabamox, neurontin), (lamotrigina-lamictal), (topiramato-topamax), (valproato de sódio-depakine de sódio, diplexil) e outros 2 14.Benzodiazepinas prescritas/administradas (alprazolam), (clonazepan-rivotril), (clorazepato dipotássico-medipax, tranxene), (diazepam, bialzepam, metamidol, valium), (flurazepam- morfex), (lorazepam, lorenin, ansilor), (midazolam-dormicum), (oxazepam-serenal), (triazolam-halcion) e outros 1 Teste “Levantar e andar” (Assinalar apenas uma opção) Caso não seja possível avaliar registar o facto no processo com indicação de data e hora 15.1.Capaz de se levantar num movimento único – sem perda de equilíbrio ao andar 0 15.2.Ergue-se á primeira tentativa 1 15.3.Ergue-se após várias tentativas 3 15.4.Incapaz de se levantar sem ajuda durante o teste 4 RESULTADO FINAL Um resultado de 5 ou mais = risco elevado de queda Instrumentos de Medição em Saúde 80 A todos os factores de risco é atribuída uma pontuação (ver pontos), que devem ser assinalados na coluna RESULTADO. Caso não se verifique o factor de risco, assinalar ZERO na coluna RESULTADO. Factor de risco Definição Confusão/ Desorientação/ impulsividade Desorientação quanto á data, local e/ou pessoa. Incapacidade de reter ou receber instruções. Apresenta dificuldades de discernimento a nível pessoal ou de segurança: alterações/perturbações momentâneas no que toca a atenção, cognição, actividade psicomotora, nível de consciência e/ou ciclos de sono/vigília. Este poderá ser um estado neurológico progressivo, induzido por medicação ou de origem comportamental. Doentes com quadro de AVC (hemisfério esquerdo) poderão apresentar um comportamento impulsivo e imprevisível em resultado de lesões cerebrais. Depressão sintomática Avaliação de Enfermagem conclui que o doente aparenta estar deprimido, desanimado, melancólico, não interage convenientemente e/ou chora, mostra-se alheado, ou o próprio doente indica que se sente deprimido. Constata-se uma perda geral de interesse pela vida. Diagnóstico clínico de depressão – se a depressão se encontrar sob controlo terapêutico (via medicamentosa e/ou terapia) NÂO são contabilizados pontos. Eliminação alterada Eliminação alterada relativamente ao padrão clínico, como incontinência, nictúria, polaquiúria, incontinência de urgência ou de esforço, diarreia ou eliminação intestinal motivada pelo uso de catárticos. Se cateter urinário NÂO são contabilizados pontos. Quando o cateter for removido, poderá existir um período de elevado risco até que se restabeleça a eliminação normal. Tonturas/vertigens O doente refere tonturas e/ou vertigens. Poderá registar-se uma trajectória oscilatória do corpo quando o doente se levanta (movimento circular ao erguer-se). Isto é muitas vezes observado no idoso, com dificuldades ao nível da marcha e do equilíbrio, podendo ocorrer em resultado de efeitos secundários da medicação. Género (masculino) Homem – o factor “Sou capaz sozinho” e/ou “Não quero a ajuda de uma enfermeira” Anti-epilépticos prescritos/ administrados (ácido valproico-valprolim), (carbamazepina-tegretol), (fenitoína-hidantina), (fenobarbital- luminal, luminaletas, bialminal), (gabapentina, gabamox, neurontin), (lamotrigina-lamictal), (topiramato-topamax), (valproato de sódio-depakine de sódio, diplexil) e outros Benzodiazepinas prescritas /administradas (alprazolam), (clonazepan-rivotril), (clorazepato dipotássico-medipax, tranxene), (diazepam, bialzepam, metamidol, valium), (flurazepam-morfex), (lorazepam, lorenin, ansilor), (midazolam- dormicum), (oxazepam-serenal), (triazolam-halcion) e outros Teste “Levantar e andar” (Assinalar apenas uma opção) Caso não seja possível avaliar registar o facto no processo com indicação de data e hora Com o doente sentado numa cadeira (preferencialmente) ou lateralmente na cama, colocar as palmas das mãos sobre as coxas e pedir que se levante sem ajuda, atribuindo uma pontuação de acordo com as orientações abaixo, assinalando apenas uma opção. - Se o doente nãopuder realizar este teste (caso de prescrição de repouso, pontuar todos os factores de risco anteriores e se obtiver um resultado de 5 ou mais (sem o teste de “Levantar e andar”) e estiver em condições de TENTAR levantar-se, deverá ser considerado como “ risco elevado de queda”. - Se não estiver em condições de se levantar, mas possuir pontos de risco, deverá ser considerado como de “ risco elevado de queda pendente”, sendo colocado sob as directrizes de prevenção de quedas assim que estiver em condições de TENTAR levantar-se. - Se o doente estiver em estado comatoso ou em coma induzido (medicamentoso) e não seja possível efectuar a avaliação do risco de queda, documentar como “impossibilidade de avaliar o risco de queda devido a ….” E registar no processo. Assim que o estado do doente se alterar, a avaliação do risco deverá ser realizada conforme descrito. Capaz de se levantar num movimento único – sem perda de equilíbrio ao andar Ergue-se á primeira tentativa Ergue-se após várias tentativas Referências bibliográficas Hendrich AL. An effective unit-based fall prevention plan. J Nurs Qual Ass 1988; 3: 28 – 36. Hendrich, A., Nyhuis, A., Kippenbrock, T. e S oja, M.E (1995). Hospital Falls: Development of a predictive model for clinical practice. Apllied Nursing Research, 8(3), 129-139. Instrumentos de Medição em Saúde 81 5.5 ESCALA DE MORSE A Escala de queda de Morse é um método rápido e simples de avaliar a probabilidade de um doente ter uma queda. Esta escala é constituída por seis variáveis que são rápidos e fáceis de marcar, e tem sido demonstrado que têm validade preditiva e confiabilidade. Esta escala é largamente utilizada nos hospitais e unidades de cuidados continuados. Quadro nº 25: Escala de Morse NÍVEL DE RISCO SCORE BAIXO 0 - 24 MÉDIO 25 - 50 ALTO >50 Referências bibliográficas Tromp AM et al teste de triagem Queda de risco: um estudo prospectivo sobre preditores de quedas em idosos residentes na comunidade. Journal of Clinical Epidemiology 2001, 54:837-844. Morse JM, Tylko SJ. Dixon HA. (1987). Characteristics of the fall- Prone Patient. The Gerontologist, 27(4), 516. Morse JM: Preventing Patient Falls. London: Sage Publications, 1995. Morse, JM. (1997). Preventing patients falls. Thousand Oaks, California: SAGE Publications, Inc. PONTOS SCORE 1. História de Quedas nos últimos três meses Não 0 Sim 25 2. Diagnóstico Secundário Não 0 Sim 15 3. Ajuda na mobilização Acamado/Repouso leito 0 Bengala/Andarilho/Canadiana 15 Aparelho/Equipamento 30 4. Terapia endovenosa Não 0 Sim 20 5. Marcha Normal/Acamado/Cadeira de rodas 0 Lenta 10 Alterada/cambaleante 20 6. Estado Mental Orientado 0 Desorientado/Confuso 15 TOTAL Instrumentos de Medição em Saúde 82 5.6 TIMED UP AND GO O teste Timed “Up and Go” (TUG), nos estudos efetuados tem sido apontado como o mais adequado para a avaliação da mobilidade e função motora segundo a Classificação internacional de Funcionalidade (CIF). Este teste é extremamente importante. O TUG pode ser aplicado com frequência na clínica diária, inclusivamente em hemiplégicos, por ser de fácil, simples e rápida aplicação e para a sua realização não necessita de nenhum equipamento sofisticado, apenas uma cadeira e um cronómetro e, apresenta propriedades psicométricas adequadas ao ser utilizado nesses indivíduos. A validade apresenta valores de sensibilidade e especificidade de 87%. Por todos esses motivos, esse teste é considerado um dos mais importantes para avaliar a mobilidade desses indivíduos e é habitualmente recomendado e utilizado no contexto clínico. Em 1991, quando propuseram o TUG, Podsiadlo e Richardson (49) reafirmaram a grande utilidade prática e clínica do "Get-up and Go”, por se tratar de um teste rápido e prático, e ressaltaram a importância do mesmo, não apenas como uma medida de equilíbrio dinâmico, mas, principalmente, para usar como uma medida útil para a avaliação da mobilidade funcional. Estes autores apontaram limitações na escala criada por Mathias et al. (1986) (57), principalmente com relação às categorias intermediárias, e propuseram o uso do tempo, em segundos, como forma de pontuar a habilidade da mobilidade básica dos indivíduos, criando, assim, o TUG. A sua confiabilidade e validade foram investigadas em uma amostra de idosos, variando de indivíduos ativos e saudáveis a indivíduos com diagnóstico de AVC, doença de Parkinson, osteoartrite, e apresentaram-se adequadas. Testes e medidas padronizados, válidos e confiáveis são essenciais para sistematizar e dar credibilidade científica às profissões, pois: • Fundamentam o processo de avaliação e universalizam os procedimentos adotados nesse processo; Instrumentos de Medição em Saúde 83 • Permitem a comunicação entre os diferentes profissionais; • Possibilitam a documentação objetiva da eficácia do tratamento; • Fundamentam o raciocínio clínico relacionado ao complexo processo de funcionalidade e incapacidade humana. Como medidas de validade em adultos mais velhos que tomam mais de 14 segundos para completar o TUG têm um alto risco para cair. Este corte é diferente de Podsiadlo e Richardson, que é de 30 segundos. Medidas de mobilidade em pessoas que são capazes de caminhar por conta própria (dispositivo de assistência permitida): A pessoa pode usar o seu calçado normal e pode usar qualquer dispositivo de assistência que normalmente usa. 1. Ter a pessoa se sentar na cadeira com as costas para a cadeira e os braços descansando sobre os descansos de braço. 2. Peça que a pessoa se levantar de uma cadeira normal e andar uma distância de 10 pés (3m). 3. Ter a pessoa virar-se, caminhar de volta para a cadeira e sentar-se novamente. O tempo começa a contar quando a pessoa se começa a levantar da cadeira e termina quando ele ou ela volta para a cadeira e senta-se. Classificação: <10 Livremente móvel <20 Na sua maioria independentes 20-29 Mobilidade variável > 20 Pessoas com mobilidade condicionada Instrumentos de Medição em Saúde 84 Referências bibliográficas Lundlin-Olsson, L., Nyberg, L., & Gustafson, Y. (1998). Atenção, fragilidade, e cai: o efeito de uma tarefa manual sobre mobilty básica. Jornal da sociedade americana da geriatria, 46, 758-761. Podsiadlo D, Richardson S. The Time "Up & Go":. Um teste de mobilidade funcional básica para Frail Terceira Idade Journal of the Geriatrics americano Society 1991; 39 (2): 142-148. Saskatoon Cataratas Consórcio de Prevenção, Falls Triagem e Encaminhamento Algorithm, TUG, Saskatoon Prevenção de Quedas consórcio, Junho de 2005 Shumway Cozinhe A, S Brauer, Woollacott M. Prevendo a probabilidade de quedas em adultos mais velhos Community Dwelling, usando o Timed Up & Go Test. Fisioterapia 2000 Vol. 80 (9): 896903 5.7 GET UP AND GO O teste "Get-up and Go” tem como objetivo avaliar clinicamente alterações do equilíbrio dinâmico de idosos durante o desempenho de uma tarefa que contemplasse situações críticas para a ocorrência de quedas nessa população: o levantar-se de uma cadeira, o andar, o girar 180º e o sentar-se na cadeira. Para isso, o avaliador deveria pontuar, segundo asua perceção do desempenho do indivíduo nessas atividades realizadas em sequência, o risco de quedas numa escala de 1 a 5, variando de ausência de evidência de estar em risco de queda durante o teste (pontuação 1) a elevado risco de queda (pontuação 5). Pedimos ao doente para realizar a seguinte série de manobras: 1. Sente-se confortavelmente em uma cadeira (de encosto direito). 2. Levante-se da cadeira. 3. Fique parado momentaneamente. 4. Uma caminhada de curta distância (cerca de 3 metros). 5. Vire-se. 6. Caminhe de volta para a cadeira. 7. Vire-se. 8. Sente-se na cadeira. Instrumentos de Medição em Saúde 85 Classificação: <10 seg - mobilidade normal <20 seg - Na sua maioria independentes 20-29 seg - Mobilidade variável > 20 seg - Pessoas com mobilidade condicionada Pontuação: Observe os movimentos do doente para qualquer desvio a partir de uma certeza, normal performance. Use a seguinte escala: 1. Normal (o doente não deu provas de estar em risco de queda durante o teste ou em qualquer outro momento). 2. Ligeiramente anormal 3. Levemente anormal 4. Moderadamente anormal 5. Gravemente anormal (o doente apareceu em risco de cair durante o teste). Graus intermediários refletem a presença de qualquer um dos seguintes como indicadores da possibilidade de queda: indevida hesitação lentidão, movimentos anormais dos membros tronco ou superior, cambaleando, tropeçando. Um doente com uma pontuação de 3 ou mais no teste Get-up and Go está em risco de queda. Referências bibliográficas Lundlin-Olsson, L., Nyberg, L., & Gustafson, Y. (1998). Atenção, fragilidade, e cai: o efeito de uma tarefa manual sobre mobilty básica. Jornal da sociedade americana da geriatria, 46, 758-761. Mathias S, Nayak USL, Isaacs B. Balance em doentes idosos: o "get-up and go" teste. Arch Phys Med Rehabil. 1986; 67:387-389. Podsiadlo D, Richardson S. The Time "Up & Go":. Um teste de mobilidade funcional básica para Frail Terceira Idade Journal of the Geriatrics americano Society 1991; 39 (2): 142148. Saskatoon Cataratas Consórcio de Prevenção, Falls Triagem e Encaminhamento Algorithm, TUG, Saskatoon Prevenção de Quedas consórcio, Junho de 2005 Shumway Cozinhe A, S Brauer, Woollacott M. Prevendo a probabilidade de quedas em adultos mais velhos CommunityDwelling Usando o Timed Up & Go Test. Fisioterapia 2000 Vol. 80 (9): 896903. Instrumentos de Medição em Saúde 86 5.8 TESTE DE ROMBERG (Lord, Sherrington e Menz,2001) O doente é colocado em posição ortostática, com os calcanhares unidos e pontas dos pés separados em 30°, cabeça reta, braços ao longo do corpo na posição anatômica, olhos fechados (para inibir a visão) durante um minuto. O exame é considerado alterado se houver queda. Quando o teste traz dúvidas, podemos sensibilizá-lo através de algumas manobras: • Manobra de Jendrassik: mãos em oposição e cotovelos na horizontal. • Romberg-Barre: colocando-se em pé um diante do outro, em linha reta, diminuindo a base de sustentação. • Oscilar cabeça no plano horizontal, de olhos fechados. A manobra de Romberg-Barré sensibiliza o látero-pulsão, mas dificulta a observação da ântero ou retropulsão, que podem ser melhor observados no Romberg clássico.Nas afecções centrais, a queda ocorre geralmente para frente ou para trás (Rombergclássico) enquanto nos distúrbios do sistema proprioceptivo, não há lado preferencial para a queda. Nas cerebelopatias o doente procura manter a base alargada (abasia), caindo ao aproximar os pés, mesmo de olhos abertos. Classicamente, quando há queda com lateralização para direita ou esquerda pede-se ao doente para girar a cabeça primeiro para a direita e depois para a esquerda para observar se há alteração na direção da queda, dependendo da posição do labirinto posterior. Isto caracteriza um Romberg Vestibular. Neste teste, é solicitado que o indivíduo permaneça em pé, em distintas posições, com os olhos abertos e fechados, por um período de 30 segundos. Os sujeitos que apresentarem pequenas oscilações sem queda (chamado de Romberg ausente) tem uma condição de equilíbrio normal, a possibilidade de queda ou queda propriamente dita revelam uma condição de equilíbrio deficitário (Romberg presente). Estão presentes na figura abaixo algumas possíveis variações deste teste: Instrumentos de Medição em Saúde 87 Figura nº 3: Teste de Romberg 1. Pés separados confortavelmente; 2. Pés juntos; 3. Pés semi calcanhar-dedo; 4. Pés em posição calcanhar-dedo. Referências bibliográficas Rosenberg ML, Gizzi; Neuro-Otologic History. Otolaryngologic Clinics of North America, Vol.33 Number 3, 2000. Goebel JA; Management Options for Acute Versus Chronic Vertigo. Otolaryngologic Clinics Of North America, Vol 33 Number 3, 2000. Walker MF, Zee DS; Bedside Vestibular Examination. Otolaryngologic Clinics Of North America, Vol 33 Number 3, 2000. Instrumentos de Medição em Saúde 88 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO RISCO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO Instrumentos de Medição em Saúde 89 6. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO As úlceras de pressão (UP) existem desde a antiguidade, mantendo-se as causas do seu aparecimento presentes, sendo que apenas houve alterações na forma como se tenta explicar o seu aparecimento (Ferreira e tal., 2007). A ferida representa uma interrupção da integridade cutânea e funções tecidulares, sendo possível classificá-la de acordo com a sua etiologia, quantidade de exsudado, dimensões, coloração, tipo de tecido, odor, entre outras. Dependendo da idade da pessoa e das características da ferida, vai existir um impacto nas diversas dimensões individuais, nomeadamente a nível físico, psicológico, qualidade de vida e rede familiar e social, principalmente em situações de isolamento. É necessário que ocorra uma avaliação para que o tratamento seja o mais adequado possível. A melhor atitude a adotar face a esta problemática é a sua prevenção, uma vez que a maioria são evitáveis com cuidados e material adequados. Para permitir uma melhor qualidade de vida aos doentes com UP, temos que melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem, havendo uma atuação precoce por parte da equipa multidisciplinar, nunca esquecendo o ensino à família e ao cuidador. Para que tal aconteça, torna-se necessário o desenvolvimento de ferramentas práticas, precisas, fáceis de utilização e com um único objetivo – prevenir e/ou evitar o aparecimento de úlceras de pressão, identificando os doentes em risco. Há que sintetizar as principais medidas preventivas a implementar num doente com risco de desenvolver úlceras à entrada de qualquer serviço de internamento. Existe o Acrónimo impressão, validado por Gouveia e Miguéns em 2009, que surge como uma ferramenta preventiva e, é através dele que, os profissionais de saúde se devem lembrar de quais as medidas a implementar, sem se tornar rígido na sua forma mas prático na sua implementação. Com a sua forma simples de utilização, será possível diminuir a incidência de úlceras de pressão, aumentando a qualidade de cuidados e a satisfação dos doentes e prestadores de cuidados. Instrumentos de Medição em Saúde 90 As medidas a implementar são: • Implementação de uma escala de avaliaçãode risco; • Manter a pele limpa e hidratada; • Proteção de zonas de pressão e fricção; • Posicionamentos frequentes e adequados ao grau de risco; • Ensinos ao doente e família; • Superfícies de alívio de pressão na cama e cadeira; • Sensibilidade afetada, atenção redobrada; • Avaliação nutricional; • Observação diária da pele; Existem vários instrumentos de avaliação que permitem avaliar o grau de predisposição dos nossos doentes para o desenvolvimento de úlceras de pressão, para que haja um critério uniformizado. 6.1 ESCALA DE NORTON A escala de avaliação do risco de úlcera de pressão de Norton, título original Norton Scale foi desenvolvida por Doreen Norton em1962, sendo aperfeiçoada em 1975. Quando construída tinha como população alvo sobretudo os idosos internados num hospital. A escala de Norton avalia parâmetros que se dividem em cinco dimensões, e que se subdividem em quatro itens cada: • Estado físico: pode ser avaliado como bom, médio, mau ou péssimo; • Estado mental: pode ser avaliado como consciente, apático, confuso ou inconsciente; • Actividade: pode ser avaliado como independente, caminha com ajuda, levanta para a cadeira ou péssimo; • Mobilidade: pode ser avaliado como autónomo, limitado, muito limitado ou imobilizado; Instrumentos de Medição em Saúde 91 • Incontinência: pode ser avaliado como, sem incontinência, às vezes, urinária/fecal, urinária e fecal. Para evitar ambiguidades na adaptação da escala para aplicação na população portuguesa foram clarificados cada um dos itens. A escala pode ter como pontuação final mínima de 5 e máxima de 20. Quanto mais baixa for a pontuação, maior será o risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. Segundo Dealey, quando a pontuação apresentar um valor inferior ou igual a 14 significa que a pessoa apresenta risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. Na pesquisa bibliográfica que efetuámos, tudo indica que até 2008, ano em que foi apresentado um estudo de avaliação do grau de risco de úlceras de pressão, foi utilizada a escala de Norton no XI Congresso Nacional de Medicina Intensiva, facto pelo qual resolvemos colocá-la no nosso livro, apesar de não termos encontrados dados sobre o seu processo de validação e adaptação para a população portuguesa. Muito possivelmente, pensamos que esta escala possa cair no desuso uma vez que, tendo surgido a escala de Braden e, tendo sido realizados estudos de comparação entre ambas, a escala de Norton apresente uma sensibilidade igual à de Braden, porém uma especificidade inferior. Instrumentos de Medição em Saúde 92 Estado Físico Estado Mental Grau de Dependência Mobilidade Incontinência BOM – 4 CONSCIENTE – 4 Escala Glasgow – 15 INDEPENDENTE – 4 Na totalidade das AVD (s) TOTAL – 4 SEM INCONTINÊNCIA – 4 DEBIL – 3 Características: Pele Sensível Edema Moderado Deformação Óssea CONFUSO/ DESORIENTADO – 3 Características: Discurso Incoerente Desorientação tempo e/ ou espaço Pouco Comunicativo CAMINHA C/AJUDA – 3 Características: De outra pessoa Andarilho Canadianas Trapézio LIMITADO – 3 Características: Diminuição da Força dos MS’S Diminuição da Força dos MI’S INCONTINÊNCIA – 3 Características: Ocasional Sudorese MAU – 2 Características: Diminuição da sensibilidade Obesidade Alterações da temperatura Patologias associadas PROSTAÇÃO – 2 Características: Afásico Sonolento DESLOCA-SE EM CADEIRA DE RODAS - 2 MUITO LIMITADO – 2 Características: Hemiparésia Hemiplegia INCONTINÊNCIA – 2 Características: Urinária Perda de líquido ascítico Perda de líquidos orgânicos MUITO MAU -1 Características: Choque Desnutrição Desidratação Anasarca COMA -1 Características: Reactivo a estímulos dolorosos Não reactivo ACAMADO -1 IMÓVEL – 1 Características: Tetraplégico Paraplégico Anquilosado INCONTINÊNCIA – 1 Características: Fecal Urinária Quadro nº 26: Escala de Norton TOTAL PONTUAÇÃO MEDIDAS Sem Risco = 20 Sem medidas Pouco Risco = 13-20 Levantes se não RAL Hidratação da pele Hidratação oral Risco Moderado = 8-12 Posicionamento a cada 3 horas Levantes se não RAL Massagem de conforto a cada posicionamento Descarga das proeminências ósseas Nutrição adequada + Hidratação oral Alto Risco ≤ Posicionamento a cada 2 horas Levantes se não RAL Massagem de conforto a cada posicionamento Descarga das proeminências ósseas Nutrição adequada + Hidratação oral Instrumentos de Medição em Saúde 93 Referências bibliográficas Baranoski, Sharon - O essencial sobre o tratamento de feridas: princípios práticos. Loures: Lusodidacta, 2006. ISBN: 972-8930-03-8. Flanacian, Madeleine- Uma Estrutura Prática Para a Determinação de Ferimentos, Nursing, Lisboa, N.º 131, Março de 1999, pag. 11-18 Ferreira, Pedro Lopes; et al - Risco de Desenvolvimento de Úlceras de Pressão: Implementaço Nacional da Escala de Braden. Loures: Lusociência, 2007. .ISBN 978-972-8930-37-0. Fontes Ribeiro et al- Feridas e Úlceras Cutâneas, Formasau, Formação e saúde Lda, Coimbra, 1999 Jeffree, Pauline e Scott Kenneth- Feridas Fechadas, Nursing, Lisboa Prevenção e tratamento das úlceras de pressão- SubGrupo Hospitalar Capuchos/Desterro, Ed. Drª Eleine Pina, 2ª edição, Outubro 1999 ROBINSON, Hércules- Úlceras Varicosas, Método de Ligaduras de Compressão em Três Camadas, Nursing, Lisboa, Nº 131, Março 1999, pag. 18-2 6.2 ESCALA DE BRADEN A escala de avaliação do risco de úlcera de pressão de Braden, título original Braden scale for predicting pressure sore risk foi elaborada em 1987, tendo sido alvo de vários testes em diversos países do mundo após esta data. A Escala de Braden foi criada em 1987 por Barbara Braden e Nancy Bergstrom. Foi traduzida para a língua portuguesa e validada para a população portuguesa em Janeiro de 2001, por Ferreira et al., validada para a realidade portuguesa por Margato, Carlos; Miguéns, Cristina; Ferreira, Pedro; Gouveia, João; Furtado, Kátia (2001). A escala de Braden é constituída por seis dimensões que se subdividem em alguns itens. As dimensões são as seguintes: • Perceção sensorial: subdividida em quatro itens (completamente limitada, muito limitada, ligeiramente limitada, nenhum limitação); Instrumentos de Medição em Saúde 94 • Humidade: subdividida em quatro itens (constantemente húmida, pele muito húmida, pele ocasionalmente húmida, pele raramente húmida); • Atividade: subdividida em quatro itens (acamado, sentado, anda ocasionalmente, anda frequentemente); ligeiramente limitada, nenhuma limitação); • Nutrição: subdividida em quatro itens (muito pobre, provavelmente inadequada, adequada, excelente); • Fricção e forças de deslizamento: subdividida em três itens (problema, problema potencial, nenhum problema); A pontuação final após aplicação da escala pode ser no mínimo 6 e no máximo 23, sendo que, quanto mais baixa a pontuação obtida na aplicação da escala, maior o risco de úlcera de pressão. Pelas autoras da escala foi também estabelecido um ponto de corte que faz a divisão das pontuações que apresentam risco e, das que, por outro ladonão apresentam qualquer risco. Esse é igual a 16, ou seja, quando avaliada na escala de Braden uma pontuação igual ou inferior a 16 a pessoa apresenta alto risco de uma úlcera de pressão, enquanto que uma pontuação final superior ou igual a 17 significa um baixo risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. Todas as dimensões contribuem para o desenvolvimento de UP, não devendo nenhuma delas ser avaliada preferencialmente em relação a qualquer outra. As dimensões estão ponderadas de 1 a 4, excepto a última que se encontra ponderada de 1 a 3. O score pode variar entre 6 (valor de mais alto risco) e 23 (valor de mais baixo risco), pelo que quanto maior for a pontuação, menor o risco e vice-versa. Instrumentos de Medição em Saúde 95 Quadro nº 27: Escala de Braden Instrumentos de Medição em Saúde 96 Referências bibliográficas Braden. B. J. Risk assessment in pressure ulcer prevention. In: KRASNER. D.: KANE, D. Chronic wound care. 2.ed. Wayne, Health Management Publications. 1997. cap.5. p.29-36. Braden. B. J.. Bergstrom, N. Clinical utility of the Braden scale for predicting pressure sore risk. Decubitus, v.2, n.3, p.44-51,1989. Copeland-Fields. L. D.: Hoshiko, B. R. Clinical validation of Braden and Bergstrom's conceptual schema of pressure sore risk factors. Rehabil. Nurs.. v. 14, n.5, p.257-60, 1989. Ferreira PL; Miguéns C; Gouveia J; Furtado K. Escala de Braden, um instrumento para a qualidade de cuidados – Relatório de projecto. IQS – Instituto da Qualidade em Saúde, 2006. Gaif - Grupo Associativo de Investigação em Feridas gaif.net/ Young, T. Classificação das úlceras de pressão. Revista Nursing,Portugal, p. 21-25, 1996. Tese de Mestrado - Wana Paranho - EEUSP - Validação da Escala de Braden para a Língua Portuguesa. Instrumentos de Medição em Saúde 97 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO COGNITIVA Instrumentos de Medição em Saúde 98 7. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO COGNITIVA A avaliação do doente geriátrico deve ser elaborada segundo o aspeto físico, biológico e fisiopatológico. O idoso está frequentemente exposto, para além do processo de envelhecimento fisiológico, à diminuição da reserva funcional e da homeostasia, a múltiplos problemas que vão condicionar a sua independência e de autonomia. A avaliação integral do idoso (AGI) deve ser efetuada segundo a Dra Margorie Warnen, nos anos 40 do passado século, tendo em conta o conjunto das 4 áreas da saúde: clínica, funcional, mental e social, com o objetivo da equipa de saúde desenhar um PII de atuação preventiva, terapêutica e reabilitadora, cujo objetivo final é atingir o maior grau de independência e autonomia, ou seja, melhorar a qualidade de vida. A avaliação cognitiva reveste-se de uma importância determinante na saúde das pessoas com mais de 65 anos. Para além da importância epidemiológica que tem este grande síndrome geriátrico, as alterações cognitivas são promotoras de grande consumo de cuidados e de aumento da despesa pública. Habitualmente, as áreas de avaliação mental são: cognitiva, afetiva e comportamental, que correspondem aos 3 D’s da cognição: demência, depressão e delírio. Esta avalição pode ser realizada de forma não-estruturada através da observação direta e da entrevista com o doente e cuidador e, de forma estruturada através de testes, escalas, índices e de vários questionários. Podemos usar na avaliação cognitiva testes de diagnóstico (teste do relógio, Pffeifer, Blessed e outros), testes de avalição (MMS, por exemplo), testes de deterioração global (DRS), testes de graduação e classificação (CDR de Hughes; GDS de Reisberg) e baterias de exames neuropsicológicos (CERAD e CAMDEX). Instrumentos de Medição em Saúde 99 A seguir, apresentamos várias escalas e testes que são usadas com frequência na clínica diária. De muitas que foram pesquisadas, escolheram-se aquelas que, na literatura consultada tem maior representatividade, maior validade e maior utilidade. 7.1 MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – MEEM (Mini Mental State) O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), versão original de M. F. Folstein; S. E. Folstein e P. R. Mchugh (1975) é um dos testes mais empregados e mais estudados em todo o mundo. Usado isoladamente ou incorporado a instrumentos mais amplos, permite a avaliação da função cognitiva e rastreamento de quadros demenciais. Tem sido utilizado em ambientes clínicos, para a deteção de declínio cognitivo, para o seguimento de quadros demenciais e na resposta ao tratamento. Em pesquisa, tem sido utilizado em estudos populacionais e na avaliação de resposta a drogas de experimentação. Faz parte de várias baterias de testes neuropsicológicos, tais como o The Consortium to Establish a Registry for Alzheimer´s Disease (CERAD), o Cambridge Examination for Mental Disorders of the Elderly (CAMDEX-R) e o A Structured Interview for the Diagnosis of Dementia (SIDAM). A sua utilização pode ser isolada ou associada a outros instrumentos mais amplos, permitindo a avaliação da função cognitiva e o rastreio de quadros demenciais. Tem sido aplicado em ambientes clínicos, para a deteção de declínios cognitivos, para o acompanhamento de quadros demenciados e para a monitorização da resposta ao tratamento (Lourenço e Veras, 2006). Esta escala avalia vários aspetos da função cognitiva: orientação, memória imediata, capacidade de concentração, linguagem, atenção e cálculo, evocação, interpretação e execução de ordens, leitura e a praxia construtiva. Tem como limitação a influência da escolaridade e as alterações auditivas e visuais. Instrumentos de Medição em Saúde 100 A validação deste instrumento foi efetuado por Guerreiro, M., Silva, R. L., Botelho, Leitão, Caldas, A. C. & Garcia, C. (1993) em “Adaptação Portuguesa da Mini-Mental State Examination – MMSE”, Lisboa: Laboratório de Estudos de Linguagem do Centro de Estudos Egas Moniz. Em 2004 foi publicado este estudo na Revista Sinopse (ROSAS e tal, 2005; Pinho e tal, 2006). O score mínimo é de 0 pontos que corresponde a um maior grau de comprometimento cognitivo e o score máximo é de 30 pontos correspondendo a uma menor capacidade cognitiva. Embora a avaliação qualitativa e o score quantitativo do teste sejam fundamentais, também são subjetivos pois é importante avaliar o grau de dificuldade do doente, o planeamento e as reações emocionais. É um teste de fácil aplicação e que é possível ser realizado por um enfermeiro, ainda que se proceda a uma avaliação dos dados por um neurologista. Uma vez que este mini exame necessita da participação ativa da pessoa, é necessário informá-la antes de o efetuar e pedir o seu consentimento. Neste sentido, é lógico que o profissional que o execute tenha capacidades no âmbito da comunicação e relação de ajuda de modo a que a pessoa se sinta mais à vontade e menos intimidada. Como uma possível limitação deste teste, partindo do princípio que será realizado à população idosa, uma vez que permite avaliar a presença/ausência de demência, quando se solicita para escrever uma frase, não nos podemos esquecer que muita da populaçãoportuguesa é analfabeta, estando assim este item anulado ou afetado. Teste: Orientação 5 ( ) Em que ano, mês, estação do ano estamos? 5 ( ) Onde estamos: estado, país, cidade, hospital? Registos 3 ( ) Nomeie 3 objectos: diga palavra por palavra, devagar; peça ao doente que repita as três palavras. Dê um ponto para cada resposta correcta. Então repita todas novamente, para que ele aprenda. Atenção e Cálculo 5 ( ) Peça ao doente que conte de trás para frente, começando do nº 100, de 7 em 7. Pare depois da 5ª resposta. Alternativamente peça para soletrar "mundo" ao contrário. Instrumentos de Medição em Saúde 101 Memória 3 ( ) Peça que ele repita as três palavras. Dê um ponto para cada resposta correcta. Linguagem 9 ( ) Mostre um lápis e um relógio, peça-lhe que os nomeie (2 pontos). - Peça que repita o seguinte: "nem sim, nem não, nem porque" (1 ponto). - Dê as 3 seguintes ordens: "Pegue esta folha de papel com a mão direita, passe a folha para a mão esquerda, coloque a folha no chão" (3 pontos). - "Leia e faça o que está escrito": "FECHE OS OLHOS" (1 ponto). "Escreva uma frase" (1 ponto). "Copie este desenho" (1 ponto). Referências bibliográficas Chaves, Márcia Lorena Fagundes - Testes de avaliação cognitiva: Mini-exame do Estado Mental. Acedido em http://www.cadastro.abneuro.org/site/arquivos_cont/8.pdf 29/09/08; Guerreiro M, et al. Mini-Mental State – MMS. Laboratorio de Estudos da Linguagem do Centro de Estudos Egas Moniz, Hospital de Santa Maria, 1993. Lourenço, A. Roberto et al - Mini-Exame do Estado Mental: Características psicométricas em idosos ambulatoriais. Revista de Saúde Pública. Vol. 40, N.º 4 (2006). Acedido em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S00389102006000500023&script=sci_arttext&tlng=pt 29/09/08; Pinho, A., et al - Identificação dos factores predisponentes ao declínio funcional da população idosa. ESSFisioOnline. ISSN. Volume 2, N.º4 (2006). Acedido em http://www.ess.ips.pt/EssFisiOnline/ vol2n4/pdfs/dec_funcional.pdf, 30/09/08; Rosas, M.J., et al - Estimulação cerebral profunda na doença de Parkinson: resultados nos primeiros 24 doentes tratados no Hospital São João de 2002 a 2005. Revista Sinapse. ISSN 1645-281X. Volume 5, N.º2 (2005). Acedido em http://www.cefaleias-spc.com/sinapse/ Sinapse_Vol5_N2_Nov05.pdf, 30/09/08; Sequeira, Larissa de Souza - Estudo da Memória de trabalho em adultos e idosos normais - Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro (2006). Acedido em http://coralx.ufsm.br/tede/tde_busca/ arquivo.php?codArquivo=1044 29/09/08; Instrumentos de Medição em Saúde 102 7.2 TESTE DO RELÓGIO O teste do relógio “Clock Drawing Test” é um teste que tem como objetivo o rastreio de alterações cognitivas através das habilidades visuo espaciais. É, frequentemente utilizado, por ser de aplicação rápida, pela sua simplicidade e os resultados serem facilmente compreensíveis e ser extremamente eficaz na avaliação das alterações cognitivas, concretamente das alterações praxias. Apesar de não terem sido encontrados estudos que demonstrem a aplicabilidade do teste em Portugal, acreditamos que este será válido como indicador da função cognitiva da sua população-alvo, dado que em alguns estudos portugueses na área da doença de Alzheimer faz-se referência ao teste. Muitas das manifestações demenciais são universais, ou seja, transversais à cultura inerente a cada país, pelo que se julga que a sua aplicabilidade também será universal. O teste do relógio será uma mais-valia para a prestação de cuidados, pois dada a sua franca acessibilidade, aplicabilidade e interpretação dos resultados, poderá ser visto como uma forma de rastrear possíveis alterações das funções cognitivas. Contudo, há que referir que os resultado obtidos poderão sofrer uma influência negativa resultante da idade avançada da pessoa e/ou baixo nível de escolaridade. Aplicação do teste: Consiste em solicitar ao doente que desenhe os números do relógio, marcando determinada hora (11:10), sem mencionar a necessidade de ponteiros. O círculo pode ou não ser oferecido previamente. O teste é considerado completo quando o doente desenha todos os números do relógio, espacialmente bem distribuídos, e os ponteiros marcando 11:10. O teste não é cronometrado e pode ser repetido quantas vezes forem necessárias. “Este círculo é um relógio. Desenhe todos números marcando 11 horas e 10 minutos.” Instrumentos de Medição em Saúde 103 Interpretação do teste: O teste do relógio é de fácil aplicação e sofre menor influência do grau de alfabetização, aumentando a fidedignidade do teste em doentes com baixo nível de escolaridade. Avalia diversas funções cognitivas: Memória semântica; Função executiva (planejamento); Linguagem (compreensão do comando); Praxia; Função visuo-espacial Portanto, é considerado um bom teste de rastreio. Uilizamos a classificação de Shulman, onde são definidos os seguintes resultados: Quadro nº 28: Classificação de Shulman 0 Inabilidade absoluta de representar o relógio; 1 O desenho tem algo a ver com o relógio mas com desorganização visuo-espacial grave; 2 Desorganização visuo-espacial moderada que leva a uma marcação de hora incorreta, perseveração, confusão esquerda- direita, números faltando, números repetidos, sem ponteiros, com ponteiro em excesso; 3 Distribuição visuo-espacial correta com marcação errada da hora; 4 Pequenos erros espaciais com dígitos e hora corretos; 5 Relógio perfeito, sem erros A interpretação do teste é eminentemente qualitativa. Consideramos o teste bastante alterado quando o resultados é 0,1 ou 2. Figura nº 4: Teste do Relógio Instrumentos de Medição em Saúde 104 Referências bibliográficas American Psychiatric Association. DSM-IV – TR. Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais. Lisboa: Climepsi; 2002. Ávila R, Miotto EC. Funções executivas no envelhecimento normal e na doença de Alzheimer. J Bras Psiq. 2003;52(1):53-61. Hubbard, E. J. et al. Clock drawing performance in cognitively normal elderly. Archives of Clinical Neuropsychology, v. 23, p. 295-327, 2008. Lourenço RA, Ribeiro-Filho ST, Moreira IFH, Paradela EMPS, Miranda AS. The clock drawing test: utility in elderly with low education level. In: Annual Meeting Abstract Book, Las Vegas, USA. J Am Geriatr Soc. 2004 Apr;52(4):S58-S58. 7.3 ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA DE YESSAVAGE A Escala Geriátrica de Depressão - Geriatric Depression Scale (GDS), traduzida, aferida e adaptada à população portuguesa por Veríssimo (1988), na "Avaliação diagnóstica dos Síndromes Demenciais", proposta no serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital S. João do Porto. Esta escala construída inicialmente por Brink, Yessavage, Lum, Heersema, Adey e Rose, em 1982 é, segundo os autores, o único instrumento que se conhece que terá sido elaborado com o objetivo de ser utilizado, especificamente, para pessoas idosas. Para além disso, elimina a confusão, geralmente presente em outros instrumentos de avaliação da depressão, entre indicadores somáticos da depressão e manifestações físicas normais da velhice (Ballesteros, 1992 cit in Fernandes, 2000). Trata-se de uma escala de hetero-avaliação, composta por vinte e oito itens, com duasalternativas de resposta (sim ou não), consoante o modo como o idoso se sentiu ultimamente. Veríssimo (1998), cit. in Fernandes (2000) sugere que, para a quantificação dos resultados se proceda à seguinte classificação: valores de 0-10 pontos - idosos normais; pontuações iguais ou superiores a 11 são indicativas de depressão em severidade crescente; uma pontuação média de 23 é indicadora de idosos gravemente deprimidos. Instrumentos de Medição em Saúde 105 Item Perguntas a Efectuar Sim/Não 1 Está satisfeita com a vida Não 2 Tem renunciado a muitas das suas actividades e passatempos Sim 3 Sente a vida vazia Sim 4 Chateia-se com facilidade Sim 5 Anda alegre e optimista a maior parte do seu tempo Não 6 Sente que lhe vai acontecer algum mal Sim 7 Está feliz a maior parte do tempo Não 8 Sente-se com frequência indecisa, só e sem ninguém Sim 9 Prefere ficar em casa ou sair e fazer coisas divertidas Sim 10 Tem ideia que agora tem mais transtornos de memoria que dantes Sim 11 Acha que é bom estar vivo Não 12 Acha difícil começar um novo projecto Sim 13 Sente-se com muita energia Não 14 Sente-se angustiado e desesperado Sim 15 Sente que a maior parte das pessoas estão numa situação financeira melhor que a sua Sim De acordo com Barroso (2008), a GDS tem boas medidas de consistência interna (alfa= 0,94) e confiabilidade (0,94), de igual modo sugere estabilidade no re-teste de 8 dias (r= 0,85). Apresenta uma boa validade de critério (correlação com outros instrumentos que avaliam depressão entre 0,83 e 0,84). A GDS possui uma versão longa e uma curta, composta de 30 e 15 questões, respetivamente. Ambas são validadas na avaliação geriátrica global. A GDS-15 é uma versão reduzida da escala original, elaborada a partir dos itens que mais fortemente se correlacionavam com o diagnóstico de depressão. Estes itens, em conjunto, mostraram boa precisão diagnóstica com sensibilidade, especificidade e confiabilidade adequadas. É um teste para deteção de sintomas depressivos no idoso, com 15 perguntas negativas/afirmativas onde o resultado de 5 ou mais pontos diagnostica depressão, sendo que o score igual ou maior que 11 caracteriza uma depressão grave. Quadro nº 29: Escala de depressão geriátrica Avaliação Dar 1 ponto por cada pergunta respondida de acordo com o estipulado Pontuação 0 – 5 Normal 6 – 9 Depressão leve >10 Depressão estabelecida Instrumentos de Medição em Saúde 106 Referências bibliográficas Almeida, O. P., & Almeida, S. A. (1999). Confiabilidade da versão brasileira da Escala de Depressão em Geriatria (GDS) versão reduzida. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 57,421-426. Conn DK. An approach to detecting and screening depression. Geriatr Ageing. 2005;8(Suppl 8):3-7. Demétrio FT. Depressão e doenças clínicas. SNC em foco. 2005;1(Suppl 1):12-9. Frank MH, Rodrigues NL. Depressão, ansiedade, outros distúrbios afetivos e suicídio. In: Freitas EV, Py L, Neri AL, et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara; 2006. p. 376-87. Scazufca M, Cerqueira A, Menezes PR, et al. Investigações epidemiológicas sobre demência nos países em desenvolvimento. Rev Saúde Pública. 2002;36:235-9. Tourigny-Rivard MF, Buchanan D, Cappeliez P, et al.The assessment and treatment of depression. Toronto: Canadian Coalition for Seniors Mental Health; 2006. 7.4 ESCALA DE BLESSED A escala de Blessed (Blessed et al., 1988) é um dos mais antigos e conhecidos instrumentos empregados para avaliação e quantificação de alterações funcionais e emocionais em doentes com demência. Esta escala de demência procura avaliar mudanças no desempenho das atividades de vida diária, nos hábitos, na personalidade, nos interesses e motivações do doente. O score mínimo que pode ser obtido é igual a 0, que indica não haver comprometimento emocional ou funcional. A pontuação máxima é de 28 pontos indicam um comprometimento grave. Instrumentos de Medição em Saúde 107 Quadro nº 30: Escala de Blessed MUDANÇAS NA EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES DIÁRIAS. TOTAL PARCIAL NENHUMA Incapacidade de: Realizar tarefas domésticas 1 1/2 0 Usar pequenas somas de dinheiro 1 1/2 0 Lembrar pequenas listas (ex.: listas de compras, etc.) 1 1/2 0 Orientar-se dentro de casa 1 1/2 0 Orientar-se em ruas conhecidas 1 1/2 0 Reconhecer o ambiente onde vive (ex.: reconhecer se está em casa ou numa clínica, reconhecer familiares, médicos, etc.) 1 1/2 0 Lembrar-se de fatos recentes (ex.: visitas de familiares ou amigos etc.) 1 1/2 0 Tendência a relembrar o passado 1 1/2 - MUDANÇAS NOS HÁBITOS - - - Alimenta-se: - - - Adequadamente, com os talheres certos 0 - - Inadequadamente, somente com a colher 2 - - Apenas sólidos (biscoitos, sanduíches) 2 - - Apenas com ajuda integral 3 - - Vestir: - - - Sem ajuda 0 - - Comete falhas ocasionais (no abotoamento, etc) 1 - - Erros frequentes na sequência de vestir-se 2 - - Incapacidade de vestir-se 3 - - Controle de esfíncteres: - - - Normal 0 - - Incontinência urinária ocasional 1 - - Incontinência urinária frequente 2 - - Dupla incontinência 3 - - MUDANÇAS NA PERSONALIDADE E CONDUTA - - - Sem mudanças 0 - - Retraimento crescente 1 - - Egocentrismo aumentado 1 - - Perda de interesse pelos sentimentos dos outros 1 - - Afetividade embotada 0 - - Labilidade emocional 1 - - Riso inapropriado 1 - - Resposta emocional diminuída 1 - - Indiscrições sexuais (recente) 1 - - Diminuição da iniciativa ou apatia progressiva 1 - - Hiperatividade não justificada 1 - - Total Até 4 pontos........................................normal 4 a 9 pontos......................................suspeita 9 e + pontos....................................demência Instrumentos de Medição em Saúde 108 Referências bibliográficas Blessed G, Tomlinson BE e Roth M. The association between quantitative measures of dementia and senile change in cerebral grey matter of elderly subjects. Brit. J. Psychiatry 114: 797, 1968. Blessed G, Tomlinson BE, Roth M. Blessed-Roth dementia scale (DS). Psychopharmacol. Bull. 24:705, 1988. Bustamante, S. E. et al. Instrumentos combinados na avaliação de demência em idosos. Arq Neuropsiquiatr, v. 61, n. 3A, p. 601-606, 2003. Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. 7.5 CLINICAL DEMENTIA SCALE (CDR) A escala clínica de demência, versão original por C. P. Hughes; L. Berg; W. L. Danziger; L. A. Coben; R. L. Martin (1979) foi publicada pela Washington University School of Medicine, EUA. Existe alguma disparidade dos dados obtidos face à data do desenvolvimento desta escala, que apontam para o ano de 1979. Foi adaptada por J. Morris em 1993 e desenvolvida como um instrumento de avaliação global, tendo como objetivo principal a avaliação da gravidade do quadro demencial, através da análise do défice cognitivo da pessoa. Avalia a função cognitiva, permitindo verificar o impacto do défice cognitivo sobre a realização das AVD. Esta escala de avaliação cognitiva envolve 6 categorias: memória, orientação, julgamento e resolução de problemas; relações comunitárias; atividades no lar ou de lazer; auto cuidados. A CDR contém 5 graus de comprometimentodo desempenho da pessoa: nenhum o; questionável 0,5; leve 1; moderado 2; grave 3, em cada uma das categorias mencionadas atrás. Esta escala foi validada para a Língua Portuguesa, através de estudos efetuados no Brasil por Montano e Ramos (2005), que utilizaram outros testes neuropsicológicos, tais como, memória de lista de palavras e evocação, teste de categorias de fluência verbal e teste do relógio (TDR), para validar a sua utilização. Instrumentos de Medição em Saúde 109 Crê-se que; em Portugal é possível que esta escala não esteja validada, pois não foram encontrados fontes ou documentos que comprovassem a validação da mesma. Contudo, na Revista Sinapse, publicada pela Sociedade Portuguesa de Neurologia, encontram-se estudos, como o de Nunes e al (2004), que assumem a aplicação do teste designando-o de “Escala clínica de Demência”, em Portugal (Nunes e tal, 2004). Quadro nº 31: Escala clínica de demência Clinical Dementia Rating (CDR) Função Nenhum 0 Questionável 0,5 Leve 1 Moderado 2 Grave 3 Memória Não há perda de memória ou esquecimento leve e inconstante Esquecimento leve mas consistente. Esquecimento “benigno”. Lembrança parcial dos eventos. Perda moderada da memória para eventos recentes, interferindo com as atividades do cotidiano. Perda grave da memória. Apenas material altamente conhecido continua preservado. Informações novas são rapidamente perdidas. Perda grave da memória. Apenas resquícios de memória estão presentes. Orientação Completamente orientado Completamente orientado, exceto pela presença de discretas dificuldades nas relações temporais Dificuldade moderada nas relações temporais. Orientado no espaço. Pode apresentar desorientação geográfica. Dificuldade grave nas relações temporais. Usualmente desorientado no tempo e freqüentemente no espaço. Orientado somente quanto à pessoa. Julgamento e resolução de problemas Resolve problemas do dia-a-dia e lida bem com negócios e finanças. Julgamento é bom em relação ao seu perfomance anterior Comprometimento discreto na capacidade de resolução de problemas, similaridades e diferenças Dificuldade moderada na resolução de problemas, similaridades e diferenças. Julgamento social usualmente mantido Comprometimento grave na resolução de problemas, similaridades e diferenças. Julgamento social usualmente comprometido. Completamente incapaz de emitir julgamento e resolver problemas. AVDI’s comunitárias Independente para os níveis usuais de trabalho, compras e participação em grupos sociais e voluntários Compromentimento leve Incapaz de funcionar independente, embora ainda consiga realizar algumas. Apresenta-se normal no contato casual. Completamente incapaz de funcionar adequadamente fora do domicílio, apesar de não aparentar. Completamente incapaz de funcionar adequadamente fora do domicílio. Aparenta estar muito comprometido para tais funções. AVDI’s domiciliare s (tarefas doméstica s) Vida doméstica, hobbies e interesses intelectuais preservados Compromentimento leve Comprometimento leve mas já estabelecido. Incapaz de realizar tarefas, hobbies ou atividades mais difíceis. Apenas tarefas simples estão preservadas. Interesses bastante restritos. Completamente incapaz AVD’s básicas Independente no auto-cuidado Necessita de ajuda Requer assistência para vestir- se, higiene pessoal e cuidado pessoal Requer assistência completa no cuidado pessoal. Presença de incontinência. Instrumentos de Medição em Saúde 110 Referências bibliográficas Brucki SMD, Nitrini R, Caramelli P, et al. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arq Neuro-Psiquiatr. 2003;61:777-81. Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. Montaño, M. B.; Ramos, L. R. - Validade da versão em português da Clinical Dementia Rating. Revista de Saúde Pública. ISSN 0034-8910.Volume 39, N.º6 (2005). Acedido em http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v39n6/26985.pdf. Morris, M. D. - The Clinical Dementia Rating (CDR): current version and scoring rules [transcript in www.adrc.wustl.edu/ adrc]. Acedido em http://alzheimer.wustl.edu/cdr/PDFs/CDR_OverviewTranscript- Revised.pdf. Rockwood K, Strang D, MacKnight C, et. al. Interrater reliability of the Clinical Dementia Rating in a Sinapse. ISSN 1645-281X. Volume 4, N.º1 (2004). Schafer KA, Tr a c t e n b e rg RE, Sano M, et al. Reliability of monitoring the clinical dementia rating in multicenter clinical trials. Alzheimer Dis Assoc Disord 2004;18:219-222. h t t p : / / a l z h e i m e r. w u s t l . e d u / a d r c 2 / E d u c a t i o n / C D R / d o w n l o a d s e l e c t i o n p a g e . h t m Tr a c t e n b e rg RE, Schafer K, Morris JC. Interobserver disagreements on Clinical Dementia Rating Assessment: interpretation and implications for Training. Alzheimer Dis Assoc Disord 2001;15:155-161. multicenter trial. J Am Geriatr Soc 2000;48:558-559. 7.6 INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO DE CUMMINGS O Inventário Neuropsiquiátrico-NPI (Cummings,1994) foi desenvolvido para apontar a severidade e frequência das principais alterações comportamentais próprias dos quadros demenciais como: apatia, euforia, ansiedade, agitação, depressão, desinibição, irritabilidade, alucinações, delírios, comportamento motor aberrante e alterações do sono e apetite. O inventário neuropsiquiátrico de Cummings é um instrumento útil para caracterizar a psicopatologia das síndromes demenciais, investigar a neurobiologia dos distúrbios com manifestações neuropsiquiátricas, distinguir entre diferentes síndromes demenciais e avaliar a eficácia do tratamento. O Inventário Neuropsiquiátrico é um questionário de 12 itens que possibilita determinar a presença de sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais, sua frequência e intensidade. Instrumentos de Medição em Saúde 111 A pontuação, de 0 a 144, é calculada pela multiplicação da frequência pela intensidade dos sintomas (delírios, alucinações, agitação psicomotora, depressão, ansiedade, euforia, apatia, desinibição, irritabilidade, comportamento motor aberrante, comportamentos noturnos e alterações alimentares). Quanto maior a pontuação, maior a intensidade e frequência dos mesmos. O INP avalia transtornos neuropsiquiátricos comummente encontrados nas demências. O cuidador deve responder inicialmente a uma pergunta rastreio e, em caso de resultado positivo, avalia-se a frequência e a intensidade de cada item. O score total para cada domínio é calculado pela equação frequência X intensidade. Por fim, a soma total dos itens fornece um score total da escala (Camozzato et al., 2008). Cummings et al. (1994) não estabeleceram um ponto de corte ou um score que corresponda a um quadro de episódio depressivo maior (escala de disforia), episódio maníaco (escala de euforia) ou distúrbio de ansiedade (escala de ansiedade), por se tratar de um diagnóstico que deve ser feito baseado em dados clínicos e informações complementares fornecidos pelo INP. Também advertem que a presença de delírio e/ou alucinações são anormais, e que scores de depressão acima de 6, desinibição acima de 4 e irritabilidade acima de 2, não estão presentes na população normal (saudável). Pontuação presente nasdemais escalas – agitação, euforia, apatia e comportamento motor aberrante – não são comuns em sujeitos normais e podem ser considerados como evidência de alteração. Instrumentos de Medição em Saúde 112 Quadro nº 31: Inventário neuropsiquiátrico de Cummings O resultado psicométrico do NPI é muito elevado para a avaliação dos sintomas não cognitivos nos doentes com demência e, permite realizar uma avaliação ao longo do tempo, da eficácia dos tratamentos, segundo os critérios apresentados. Referências bibliográficas Cummings, J. L. The neuropsychiatric inventory: Assessing psychopatology in dementia patients. Neurology, Minessota, v. 48, p. 510-516, 1997. Cummings JL, Mega M, Gray K, Rosenberg-Thompson S, Carusi DA, Gornbein J. The neuropsychiatric inventory: comprehensive assessment of psychopathology in dementia – NPI. Neurology 1994;44:2308-14. Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO (NPI – CUMMINGS) Intensidade: 1 = leve; 2 = moderado; 3 = grave; Freqüência: 1 = ocasionalmente, menos de uma vez por semana; 2 = pouco freqüentemente, cerca de uma vez por semana; 3 = freqüentemente, várias vezes por semana, mas não todo dia; 4 = Muito freqüentemente, uma ou mais vezes por dia ou continuamente SINTOMATOLOGIA NÃO SIM INTENSIDADE FREQÜÊNCIA 1 2 3 1 2 3 4 Deliríos: persecutório, de furto ou infidelidade. Alucinações: visuais/ auditivas/ tácteis/ olfactivas Agitação, inquietação, agressividade Disforia/Depressão: baixa de humor, tristeza Ansiedade Euforia/Jubilo: grande alegria Apatia: comportamento passivo, falta de iniciativa, Desinibição Irritabilidade/Labilidade emocional Actividade motora aberrante: perambulação,... FREQUÊNCIA GRAVIDADE 0 – Ausente 1 – Ocasionalmente 2 – Poucas Vezes 3 – Frequente 4 – Muito Frequente 1 – Leve 2 – Moderado 3 – Grave Instrumentos de Medição em Saúde 113 7.7 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DELIRIUM CONFUSION ASSESSMENT METHOD (CAM) Esta escala é uima escala de avaliação de delirium. Diagnostica-se delirium se os itens 1 e 2 estiverem presentes, associadamente à presença dos itens 3 ou 4. Outras alterações (itens 5 a 9) também podem estar presentes. O início agudo e curso flutuante dos sintomas deve ser considerado presente, quando eles se iniciaram num período inferior a 4 semanas. Para avaliar o distúrbio de atenção, solicita- se ao doente que fique atendo à entrevista, faz-se perguntas de ordem pessoal e familiar (nome, escolaridade, estado civil, filhos, atividades diárias) e solicita-se a realização de tarefas simples (levantar o braço e apertar a mão). São portadores de distúrbio de atenção aqueles doentes que não conseguem acompanhar o fluxo da conversação, que se distraem facilmente e para os quais é necessário fazer diversas vezes a mesma pergunta até que ela seja respondida. O pensamento desorganizado é avaliado ao questionar-se o doente do porquê de ter vindo ao hospital, se é portador ou se se está a tratar de qualquer doença. Considera-se o pensamento desorganizado quando o doente apresenta um discurso incoerente, com conversação dispersiva ou irrelevante, com fluxo de ideias pouco claras ou ilógicas e com mudanças imprevisíveis no assunto. Quanto ao nível de consciência, observa-se se o doente está alerta, sonolento ou hiperalerta. Na avaliação da orientação, o doente é questionado a respeito do local onde se encontra (cidade, hospital, enfermaria) e qual período do dia (manhã, tarde, noite). A memória é avaliada pela capacidade de memorizar três palavras que lhe são ditas, e que serão repetidas após alguns momentos. Instrumentos de Medição em Saúde 114 Questiona-se: a respeito do que foi feito no hospital e a respeito da rotina (coleta de exames, realização de radiografia, se o doente almoçou ou jantou); distúrbios da perceção (os doentes são questionados quanto a ouvirem vozes ou se vêm coisas); agitação ou retardo psicomotor é definido pela observação direta de quem está a examinar o doente; alteração no ciclo sono-vigília também é considerado presente pela observação direta do examinador, corroborado pelo relato dos cuidadores (familiares ou equipa de enfermagem). Quadro nº 32: Escala de avaliação de delirium 1) Início agudo Há evidência de uma mudança aguda no estado mental de base do doente? 2) Distúrbio da atenção A) O doente teve dificuldade em focalizar sua atenção, por exemplo, distraiu-se facilmente ou teve dificuldade em acompanhar o que estava sendo dito? B) Se presente ou anormal, esse comportamento variou durante a entrevista, isto é, tendeu a surgir e desaparecer ou aumentar e diminuir de gravidade? C) Se presente ou anormal, descreva o comportamento: 3) Pensamento desorganizado O pensamento do doente era desorganizado ou incoerente, com a conversação dispersiva ou irrelevante, fluxo de idéias pouco claro ou ilógico, ou mudança imprevisível de assunto? 4) Alteração do nível de consciência Em geral, como classificaria o nível de consciência do doente? Alerta (normal), vigilante (hiperalerta, hipersensível a estímulos ambientais, assustando-se facilmente), letárgico (sonolento, facilmente acordável), estupor (dificuldade para despertar), coma, incerto. 5) Desorientação O doente ficou desorientado durante a entrevista, por exemplo, pensando que estava em outro lugar que não o hospital, que estava no leito errado, ou tendo noção errada da hora do dia? 6) Distúrbio (prejuízo) da memória O doente apresentou problemas de memória durante a entrevista, como incapacidade de se lembrar de eventos do hospital, ou dificuldade para se lembrar de instruções? 7) Distúrbios de perceção O doente apresentou sinais de distúrbios de perceção, por exemplo, alucinações, ilusões ou interpretações errôneas (pensando que algum objeto fixo se movimentava)? 8A) Agitação psicomotora Durante a entrevista, o doente apresentou aumento anormal da atividade motora, como agitação, beliscar de cobertas, tamborilar com os dedos ou mudança súbita e frequente de posição? 8B) Retardo psicomotor Durante a entrevista, o doente apresentou diminuição anormal da atividade motora, como letargia, olhar fixo no vazio, permanência na mesma posição por longo tempo, ou lentidão exagerada de movimentos? 9) Alteração do ciclo sono-vigília O doente apresentou sinais de alteração do ciclo sono-vigília, como sonolência diurna excessiva e insônia noturna? Referências bibliográficas BritishGeriatricSociety. Delirium Guidelines Document:http://www.bgs.org.uk/publications/publications.htm Britton A, Russell R. Multidisciplinary Team Interventions for Delirium in Patients with Chronic Cognitive Impairment (Cochrane Review). In: The Cochrane Library Issue 2, 2003. Oxford: Update Software. Demência e Transtorno Cognitivo em Idosos Organizadores: Cássio M. C. Botttino, Jerson Laks, Sérgio L. Blay Editora Guanabara Koogan – 2006 Fabbri R. Validity and reability of the portuguese version of Confusion Assessment Method (CAM) for the dection of delirium in the elderly. Arq Neuropsiquiatr 2001;59:175-9. Instrumentos de Medição em Saúde 115 7.8 TESTE DE FLUÊNCIA VERBAL (categoria animais) O teste de fluência verbal faz parte dos testes básicos aplicados na avaliação de clientes com suspeita de disfunçãocognitiva. É um teste simples, requerendo somente o uso de um timing. O uso de avaliações da linguagem é comum na prática dos profissionais que lidam com reabilitação cognitiva. O teste de fluência verbal é usado de forma pontual ou faz parte de baterias, como o CERAD, tendo em vista a fácil aplicação e a sensibilidade ao que se propõe avaliar. Os testes de fluência mais citados na literatura é o teste de fluência de animais e o F.A.S. Embora, ambas sejam avaliações de linguagem, elas não são equivalentes. A fluência de animais tem sido mais pesquisada e a literatura especializada sugere que esse teste sofre influência da idade e do grau de escolaridade, não havendo interferência de outras variáveis como género e depressão. Este teste mede a produção verbal, a memória semântica e a linguagem (conhecimento geral sobre o mundo, dos fatos, das palavras, sem relação com o momento do seu aprendizado). Consiste na avaliação de categorias semânticas pré-definidas como, por exemplo, animais e frutas. É, extremamente simples e é dado o comando “Fale todos os animais que conseguir lembrar; vale qualquer tipo de bicho”. Um minuto é contado a partir do final do comando e o score corresponde ao número de animais lembrados nesse período. Quando são lembrados animais cuja denominação de género é semelhante (por exemplo: gato e gata), um deles não é pontuado; mas quando a denominação é diferente (por exemplo: cavalo e égua), ambos são pontuados. É pontuada a denominação genérica de subcategorias de animais (por exemplo: peixe ou pássaro), mas, apenas quando não seguida por exemplos da classe, quando não é considerada a denominação de classe e são contados os exemplos. Assim, a sequência “gato, cavalo, peixe, vaca” receberia 4 pontos, e a sequência “gato, gata, peixe, tubarão, baleia” receberia 3 pontos. Instrumentos de Medição em Saúde 116 Aplicação do teste: Solicita-se ao doente que enumere o máximo de animais (“bichos”) e frutas em 1 minuto cronometrado. “Você deve falar todos os nomes de animais que se lembrar, no menor tempo possível. Qualquer animal vale: insectos, pássaros, peixes e animais de quatro patas. Quantos mais você falar, melhor. Pode começar”. (Considere “boi e vaca” como dois animais mas “gato e gata” como um só. Se disser passarinho, cobra, lagarto” conte como três animais; se disser “passarinho, canário e peixe”, conte como dois. Ou seja: a classe vale como nome se não houver outros nomes da mesma classe). Anote o número de animais lembrados em 1 minuto: __ Interpretação do teste: A fluência verbal para animais e frutas é útil na avaliação da: Linguagem; Memória semântica; Função executiva. Referências bibliográficas Bottino C et al. Validade e confiabilidade da versão brasileira do CAMDEX. Arq Neuropsiquiatr 2001 59. Nitrini R. Diagnóstico de demência; avaliação clínica, neuropsicológica e através da tomografia computadorizada por emissão de fóton único. Tese de Livre-Docência. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993. Roth M, Tym BK, Mountjoy CQ et al. CAMDEX: a standardized instrument for the diagnosis of mental disorders in the elderly with special reference to the early detection of dementia. B J Psychiatry 1986 149: 698-709.8. Strauss; Sherman; Spreen. A Compendium os Neuropsychological Tests. 2006 Instrumentos de Medição em Saúde 117 7.9 TESTE DE RECONHECIMENTO DE FIGURAS O teste de figura é também de simples aplicação e depende pouco do nível de escolaridade. Aplicação do teste: São apresentadas 10 figuras e pergunte: “Que figuras são estas? O score é dado pelo número de figuras corretamente identificadas mesmo que não tenham sido adequadamente nomeadas (perceção visual e nomeação). Se não tiver identificado alguma figura, explique o que representa. Em seguida, esconda a folha e pergunte: “Que figuras são estas?” O score é dado pelo número de respostas certas (memória incidental). Mostre novamente as figuras durante 30 segundos dizendo: “Olhe bem e procure memorizar estas figuras” . Esconda as figuras e pergunte: “que figuras acabei de lhe mostrar?”(memória Imediata). Mostre novamente a folha que contém as figuras durante 30 segundos dizendo: “Olhe bem e procure guardar na memória”. Marque o tempo no relógio e após 5 minutos, pergunte: “Quais as figuras desenhadas que lhe mostrei há 5 minutos? O score é dado pelo número de respostas corretas (Recordação de 5 minutos). Interpretação do teste: A maioria dos indivíduos normais nomeia adequadamente pelo menos 9 das 10 figuras, lembra-se de 5 ou mais figuras no teste de memória incidental e de pelo menos 6 no primeiro teste de memória imediata; no teste de memória tardia (após cinco minutos), indivíduos normais recordam-se de pelo menos 5 figuras; indivíduos normais usualmente reconhecem 9 das figuras previamente vistas entre as 20, quando o teste acrescenta mais 20 figuras para serem identificadas. Instrumentos de Medição em Saúde 118 Perceção Visual e Nomeação Mostre a folha contendo as 10 figuras e pergunte: “que figuras são estas?” Perceção visual correta: ........................................................................... ..( 9 ) Nomeação correta: .....................................................................................( 9 ) Memória Incidental:..............................................................................( 5 ) Memória Imediata:............................................................................... ( 6 ) Recordação após 5 minutos....................................................................... ( 5 ) O teste avalia basicamente: Memória semântica e episódica (recordação de 5 minutos); Linguagem; Perceção (gnosia). Figura nº 5: Teste de reconhecimento de figuras Referências bibliográficas American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-IV-TR. Porto Alegre: Artmed, 2003. Nitrini R. et al. Testes neuropsicológicos de aplicação simples para o diagnóstico de demência. Arq Neuropsiquiatr, v. 52, p.457-465, 1994 Roth, M; Tym, E; Mountjoy, C. Q. CAMDEX-R: the Cambridge examination for mental disorders of the elderly – revised. Cambridge: University Press, 1998. Instrumentos de Medição em Saúde 119 7.10 LISTA DE PALAVRAS DE CERAD Em 1986, o Consortium to Establish a Registry for Alzheimer’s Disease (CERAD) foi financiado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, na cidade de Washington - Estados Unidos, com o objetivo de uniformizar os vários estudos clínicos da DA e para compartilhar as informações coletadas pelos inúmeros médicos e pesquisadores que estudavam essa doença. O CERAD foi criado em resposta a essa necessidade de padronização. Como um pré requisito para a formação de um registro nacional, um grande número de universidades e centros de pesquisa por todos os Estados Unidos se uniram para formar o CERAD. Dentre os objetivos iniciais do CERAD temos: a padronização dos dados clínicos, neuropsicológicos, neuropatológicos e avaliações de neuroimagem da DA; identificação das várias características e observação do curso natural da DA. Aplicação do teste: São apresentadas, uma a uma, dez palavras não relacionadas para serem lidas, em voz alta pelo doente (ou profissional de saúde, caso a leitura esteja prejudicada),a um ritmo de uma palavra a cada 20 segundos. Terminada a leitura é feita a evocação, por um período máximo de 90 segundos. O procedimento é repetido, com as palavras em outra ordem, mais duas vezes (memória da lista de palavras). Após algum tempo, é feita a evocação da lista de palavras, por um período máximo de 90 segundos (evocação da lista de palavras). É importante utilizar algum fator de distração antes da evocação da lista de palavras. Instrumentos de Medição em Saúde 120 Quadro nº 33: Lista de palavras de Cerad Lista de Palavras para Fixação e Recordação 1a tentativa Ordem 2a tentativa Ordem 3a tentativa Ordem Manteiga Praia Cabana Braço Braço Bilhete Praia Cabana Poste Carta Manteiga Rainha Rainha Poste Motor Cabana Motor Carta Poste Erva Erva Bilhete Rainha Braço Erva Bilhete Manteiga Motor Carta Praia Score Interpretação do teste: A pontuação é obtida pela soma das palavras evocadas nas três tentativas, com um score máximo de 30 pontos. A Memória da Lista de Palavras e a Evocação da Lista de Palavras avaliam basicamente a memória episódica e a capacidade de aprendizagem (curva de aprendizagem). Ambas as funções estão precocemente acometidas da Doença de Alzheimer. Referências bibliográficas Bertolucci P.H.F. et al. Desempenho da população brasileira na bateria neuropsicológica do Consortion to Establish a Registry for Alzheimer´s Disease (CERAD). Rev Psiq Clin, v.25, p.80-83, 1998 Morris J.C. et al. The Consortion to Establish a Registry for Alzheimer´sDisease (CERAD). Neurology, v.39, p.1159-1165, 1989; Welsh K, Butters N, Hughes J et al. Detection of abnormal memory decline in n-did cases of Alzheimer's disease using CERAD neuropsychological measures. Arch. Neurol. 48:278, 1991. Instrumentos de Medição em Saúde 121 ESCALA ISQUÊMICA DE HACHINSKI Original Modificada por Loeb Início súbito 2 1 Antecedentes de AVC 2 2 Sintomas neurológicos focais 2 2 Sinais neurológicos focais 2 2 Áreas hipodensas na neuroimagem * Únicas * 2 Múltiplas * 3 Deterioração cognitiva em degraus 1 Evolução flutuante 2 * Confusão mental noturna 1 * Preservação relativa da personalidade 1 * Depressão 1 * Queixas somáticas 1 * Incontinência emocional 1 * História de hipertensão 1 * Evidência de aterosclerose associada 1 * SCORE Sugestivo de Demência Vascular 7 5 Sugestivo de Demência de Alzheimer 4 2 7.11 ESCALA ISQUÉMICA DE HACHINSKI Esta escala é usada para o diagnóstico diferencial das demências. É usada para confirmar o diagnóstico de demência de origem vascular. O score com uma pontuação superior a 7 indica uma maior probabilidade de ser de etiologia vascular, demência vascular, entre 4 e 7 são casos limítrofes e demência mista, e menor de 4 aponta para o diagnóstico de demência degenerativa como, por exemplo, a doença de Alzheimer. Quadro nº 34: Escala isquémica de Hachinski Referências bibliográficas Hachinski VC, Illiff LD, Zihlka E et al. Cerebral blood flow in dementia Arch. Neurol. 32:632, 1975. Hachinski, V. C.; Lassen, N. A.; Marshall, J. Multi-infarct dementia. A cause of deterioration in the elderly. Lancet, Ii: 207-210, 1974. Instrumentos de Medição em Saúde 122 7.12 INVENTÁRIO DEPRESSIVO DE BECK O Inventário Depressivo de Beck (IDB), título original Beck Depression Inventory (BDI), autores Aaron T. Beck, Ward, Mendelson, Mock, e Erbaugh, (1961) é uma escala que avalia a gravidade da depressão diferenciando todos os elementos de uma população depressiva de populações não depressivas. O IDB foi validado para a realidade portuguesa por A.Vaz Serra e J. Abreu (1973) mantendo uma estrutura semelhante à do inventário original. Este inventário inclui 21 itens que são sintomas e são apresentados com afirmações de doentes psiquiátricos. Consiste numa entrevista com 4 a 6 questões que são colocadas pelo clínico para cada um dos 21 sintomas. Os 21 itens valorizam os sintomas cognitivos da depressão, nomeadamente os seguintes: estado de ânimo triste, pessimismo, incapacidade de decisão, sentimento e fracasso, insatisfação, sentimento de culpabilidade, sentimento ou desejo de auto-punição, ódio a si mesmo, auto-acusação, desejo de suicídio, crise de choro, irritabilidade, afastamento social, distorção da imagem corporal, incapacidade de trabalhar, perturbação do sono, fatigabilidade, perda de apetite e peso, hipocondria, diminuição da libido. O resultado final consiste na soma de notas de cada grupo sintomático, permitindo identificar um quadro depressivo inexistente ou existente e, neste caso, entre leve, moderado ou grave. Instruções : Não demore ou pense muito para responder. Sua resposta imediata para cada item provavelmente será mais precisa para avaliá-lo do que uma resposta onde você gaste muito tempo pensando e refletindo. Instrumentos de Medição em Saúde 123 Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. Leia todas as afirmações, em cada grupo, antes de fazer a sua escolha: 1. 0 Não me sinto triste 1 Sinto-me triste 2 Estou sempre triste e não consigo sair disto. 3 Estou tão triste ou infeliz que não consigo suportar. 2. 0 Não estou especialmente desanimado quanto ao futuro. 1 Sinto-me desanimado quanto ao futuro. 2 Acho que nada tenho a esperar. 3 Acho o futuro sem esperança e tenho a impressão de que as coisas não podem melhorar. 3. 0 Não me sinto um fracasso. 1 Acho que fracassei mais do que uma pessoa comum. 2 Quando olho para trás, na minha vida, tudo o que posso ver é um monte de fracassos. 3 Acho que, como pessoa, sou um completo fracasso. 4. 0 Tenho tanto prazer em tudo como antes. 1 Não sinto mais prazer nas coisas como antes. 2 Não encontro um prazer real em mais nada. 3 Estou insatisfeito ou aborrecido com tudo. 5. 0 Não me sinto especialmente culpado. 1 Sinto-me culpado grande parte do tempo. 2 Sinto-me culpado na maior parte do tempo. 3 Sinto-me sempre culpado. Instrumentos de Medição em Saúde 124 6. 0 Não acho que esteja sendo punido. 1 Acho que posso ser punido. 2 Creio que serei punido. 3 Acho que estou sendo punido. 7. 0 Não me sinto dececionado comigo mesmo. 1 Estou dececionado comigo mesmo. 2 Estou enojado de mim. 3 Odeio-me. 8. 0 Não me sinto, de qualquer modo, pior que os outros. 1 Sou crítico em relação a mim por minhas fraquezas ou erros. 2 Culpo-me sempre por minhas falhas. 3 Culpo-me por tudo de mau que acontece. 9. 0 Não tenho quaisquer ideias de me matar. 1 Tenho ideias de me matar, mas não as executaria. 2 Gostaria de me matar 3 Matar-me-ia se tivesse oportunidade. 10. 0 Não choro mais do que o habitual. 1 Choro mais agora do que costumava. 2 Agora choro o tempo todo. 3 Costumava ser capaz de chorar, mas agora não consigo, mesmo que o queira. 11. 0 Não sou mais irritado agora do que já fui. 1 Fico aborrecido ou irritado mais facilmentedo que costumava. 2 Atualmente sinto-me irritado o tempo todo. 3 Não me irrito mais com as coisas que me costumavam irritar. Instrumentos de Medição em Saúde 125 12. 0 Não perdi o interesse pelas outras pessoas. 1 Estou menos interessado pelas outras pessoas do que costumava estar. 2 Perdi a maior parte do meu interesse pelas outras pessoas. 3 Perdi todo o meu interesse pelas outras pessoas. 13. 0 Tomo decisões tão bem quanto antes. 1 Adio as tomadas de decisões mais do que costumava. 2 Tenho mais dificuldade em tomar decisões do que antes. 3 Não consigo mais tomar decisões. 14. 0 Não acho que minha aparência esteja pior do que costumava ser. 1 Estou preocupado por estar parecendo velho ou sem atrativos. 2 Acho que há mudanças permanentes na minha aparência que me fazem parecer sem atrativos. 3 Acredito que pareço feio. 15. 0 Posso trabalhar tão bem quanto antes. 1 Preciso de um esforço extra para fazer alguma coisa. 2 Tenho que me esforçar muito para fazer alguma coisa. 3 Não consigo mais fazer trabalho algum. 16. 0 Consigo dormir tão bem como o habitual. 1 Não durmo tão bem quanto costumava. 2 Acordo uma a duas horas mais cedo que habitualmente e tenho dificuldade em voltar a dormir 3 Acordo várias horas mais cedo do que costumava e não consigo voltar a dormir. 17. 0 Não fico mais cansado do que o habitual. 1 Fico mais cansado do que o habitual. 2 Sinto-me cansado ao fazer qualquer coisa. Instrumentos de Medição em Saúde 126 3 Estou cansado demais para fazer qualquer coisa. 18. 0 Meu apetite não está pior do que o habitual. 1 Meu apetite não é tão bom quanto costumava ser. 2 Meu apetite está muito pior agora. 3 Não tenho mais nenhum apetite. 19. 0 Não tenho perdido muito peso, se é que perdi algum recentemente.. 1 Perdi mais de dois quilos e meio. 2 Perdi mais de cinco quilos. 3 Perdi mais de sete quilos. Estou tentando perder peso de propósito, comendo menos: Sim ( ) Não ( ) 20. 0 Não estou mais preocupado com minha saúdo que o habitual. 1 Estou preocupado com problemas físicos, tais como dores, indisposição do estômago ou obstipação. 2 Estou muito preocupado com problemas físicos e é difícil pensar em outra coisa. 3 Estou tão preocupado com meus problemas físicos que não consigo pensar em qualquer coisa. 21. 0 Não notei qualquer mudança recente no meu interesse por sexo. 1 Estou menos interessado por sexo do que costumava estar. 2 Estou muito menos interessado em sexo atualmente. 3 Perdi completamente o interesse por sexo. Referências bibliográficas Beck, A., Ward, C., Mendelson, M., Mock, J., e Erbaugh, J.(1961). An inventory for measure depression. Archives of General Psychiatry, 4, 561-571. Diegas, M., e Cardoso, M. (1986). Escalas de auto avaliação de depressão (Beck e Zung).Estudos de correlação. Psiquiatria Clínica, 7 (2), 141-145. Instrumentos de Medição em Saúde 127 Mcintyre, T., e Araújo-Soares, V. (1999). Inventário de depressão de Beck: Estudo de validade numa amostra de doentes com dor crónica. In. A. Soares, S., Araújo e S. Caíres (Org.s). Avaliação psicológica: formas e contextos (pp.245-255). Braga: APPORT. Ribeiro, J. L.P. – Avaliação em Psicologia da Saúde (2007). Vaz Serra, A., e Abreu, J.(1973). Aferição dos quadros clínicos depressivos: I.- Ensaio de aplicação do “Inventário Depressivo de Beck” a uma amostra portuguesa de doentes deprimidos. Coimbra médica, XX (VI), 623-644. 7.13 MONTREAL COGNITIVE ASSESSMENT (MOCA) O Montreal Cognitive Assessment (MOCA) foi criado por Z. Nasreddine, 2004 e é um instrumento de rastreio cognitivo mais sensível que o Mini-Mental State Examination (MMSE) aos estádios mais ligeiros de declínio, nomeadamente ao défice cognitivo ligeiro (DCL), que frequentemente progride para demência. O Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é uma entidade clínica intermédia entre as alterações cognitivas do envelhecimento e as primeiras manifestações clínicas da demência. Esta conceção reúne o consenso da maioria dos investigadores e encontra sustentação empírica em numerosos estudos (e.g., Gauthier e colaboradores, 2006; Petersen & O´Brien, 2006; Cargin e colaboradores, 2005; Winblad e colaboradores, 2004; Petersen, 2003/2004, 2007). Instrumentos de Medição em Saúde 128 Quadro nº 35: Escala Montreal Cognitive Assessment Instrumentos de Medição em Saúde 129 Referências bibliográficas Duro, D. (2008). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Características psicométricas e capacidade diagnóstica num contexto de consulta de memória. Tese de Mestrado não publicada, Curso de Psicologia, Universidade de Coimbra. Coimbra.Duro, D., Simões, M. R., Ponciano, E., & Santana, I. (2009). Validation studies of the portuguese experimental version of Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Confirmatory factor analysis. Journal of Neurology. Published online 25 November 2009 in Springer (http://www.springer.com). doi: 10.1007/s0 Freitas, S., Simões, M. R., & Santana, I. (2008a, Junho). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudos de validação numa amostra da população normal. Trabalho apresentado na 22ª Reunião do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência. Luso, Portugal. Freitas, S., Simões, M. R., & Santana, I. (2008b, Junho). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudo de validação numa amostra da população normal. Trabalho apresentado no XIII Congresso Multidisciplinar - Psicologia e Educação: Tendências Actuais. Coimbra, Portugal.Freitas, S., Pinto, P., Duro, D., Santiago, B., Simões, M. R., & Santana, I. (2009, Junho). Avaliação Cognitiva Breve: Comparação da capacidade discriminativa do MoCA e do MMSE no espectro da Doença de Alzheimer. Trabalho apresentado na 23ª Reunião do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência. Luso, Portugal. Koski, L., Xie, H., & Finch, L. (2009). Measuring cognition in a geriatric outpatient clinic: Rash analysis of the Montreal Cognitive Assessment. Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology, 22(3), 151-160.Martins, M. (2007). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudos de validação em grupos com Défice Cognitivo Ligeiro e Demência. Tese de Mestrado não publicada, Universidade de Coimbra. Coimbra. Instrumentos de Medição em Saúde 130 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO CUIDADOR Instrumentos de Medição em Saúde 131 8. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO CUIDADOR O conceito de continuação de cuidados e de cuidados continuados veio trazer à discussão pública o papel do cuidador na prestação de cuidados de saúde ao idoso com limitação funcional ou cognitiva. Parece ser universal a importância do cuidador englobado na equipa de saúde. O doente, doente e cuidador são atualmente tema de investigação em saúde. É, de tal maneira importante o papel do cuidador que há expectativas de experiênciasda criação de serviços nos cuidados primários de saúde que criem programas de formação e avaliem física e emocionalmente o cuidador. Este atua, na maioria das vezes de uma forma inesperada e não programada, com limitações dos conhecimentos acerca da doença e do doente, criando condições propícias à ansiedade e ao stress. Habitualmente, os cuidadores em 90% dos casos são familiares, mulheres e residem com o idoso doente, dedicando grande parte do seu horário a cuidar e a tratar, não são recompensados economicamente, colocando em causa o seu trabalho fora de casa. Desenvolve a sua ação dirigida às necessidades do doente, desenvolve tarefas complexas, com necessidade de conhecimentos específicos de acordo com cada caso e requer formação, capacitação e acompanhamento de profissionais da equipa de saúde. É importante o diagnóstico da relação cuidador/idoso, da natureza das necessidades e dos valores sociais, culturais e psicológicos. É o conforto das respostas físicas, psicológicas e afetivas ao trabalho do cuidador que vão provocar impacto (objetivo e subjetivo) sobre o cuidador (Caregiver Burden) que poderá provocar burnout e colocar em risco o exercício do papel do cuidador com consequências nefastas para o doente (negligência e maus tratos). Instrumentos de Medição em Saúde 132 8.1 INVENTÁRIO DE BURNOUT DE MASLASCH (MBI) O inventário de Maslach para avaliação de Burnout, título original Maslach Burnout Inventory (M.B.I.) foi elaborado por C. Maslach, S. Jackson em 1986. É um instrumento de auto-avaliação mais utilizado em todo o mundo e avalia o desgaste do profissional ou cuidador. Foi validado e adaptado em 1999 por Bárbara Teixeira Melo, António Rui Gomes e José Fernando A.Cruz. Burnout entende-se como o prolongamento do stress ocupacional de longa duração. É caracterizado pelo sentimento do profissional de que esgotou os seus recursos para lidar com as exigências impostas pela situação profissional ou ocupacional. A versão atual é formada por 22 questões sob a forma de Likert (afirmações), em que a cada um destes itens são atribuídos graus de intensidade que vão desde: 1. Nunca; 2. Algumas vezes por ano; 3. Uma vez por mês; 4. Algumas vezes por mês; 5. Uma vez por semana; 6. Algumas vezes por semanas; 7. Todos os dias. O preenchimento deste questionário leva em média 10 a 15 minutos. É composto por 3 escalas: a “Exaustão Emocional”, a “Despersonalização” e a “Realização Pessoal”: • “Exaustão Emocional” é composta por 9 itens, que traduzem sentimentos de estar emocionalmente exausto e esgotado com o trabalho; • “Despersonalização” é formada por 5 itens, que descrevem respostas impessoais; Instrumentos de Medição em Saúde 133 • “Realização Pessoal” que é constituída por 8 itens, descrevendo sentimentos ao nível da capacidade e sucesso alcançados no trabalho com doentes. Um nível baixo de Burnout reproduz-se em scores baixos nas escalas de exaustão emocional e despersonalização e em scores elevados na realização pessoal. Um nível médio de Burnout é representado por valores médios nos scores das três escalas. Por último, um nível alto de Burnout traduz-se em scores altos para as escalas de exaustão emocional e despersonalização e em scores baixos na realização pessoal, ou seja para a cotação das três dimensões do teste estão estipulados os intervalos rácios que correspondem a atribuições qualitativas. O processo de adaptação e validação do MBI para português veio trazer algumas alterações ao instrumento original. Assim sendo, o Inventário de Burnout de Maslach possui 18 itens. À semelhança do instrumento original, também eles se subdividem em 8 itens relativos à exaustão emocional, visando analisar os sentimentos de sobrecarga emocional e incapacidade de conferir resposta às exigências: • Item 1 "Sinto-me emocionalmente insatisfeito(a) com o meu trabalho "; • Item 3 "Sinto-me fatigado(a) quando me levanto de manhã e tenho de enfrentar outro dia de trabalho"; • Item 6 "Trabalhar com pessoas todo o dia constitui realmente uma pressão para mim"; • Item 8 "Sinto-me esgotado(a) com o meu trabalho"; • Item 13 "Sinto-me frustrado(a) com o meu emprego"; • Item 14 "Sinto que estou a trabalhar demasiado no meu emprego"; • Item 16 "Trabalhar directamente com pessoas gera-me demasiado stress"; • Item 20 "Sinto-me como se estivesse no limite das minhas capacidades"; 4 itens relativos à Despersonalização, que visam avaliar as respostas impessoais/negativas dirigidas às pessoas aos cuidados do profissional em consideração: • Item 5 "Sinto que trato alguns clientes como se fossem objectos impessoais"; • Item 10 "Tornei-me mais cruel com as pessoas desde que comecei a exercer esta profissão"; Instrumentos de Medição em Saúde 134 • Item 15 "Não me interessa realmente o que acontece a alguns dos meus clientes"; • Item 22 "Sinto que os clientes me culpam por alguns dos seus problemas"; 6 Itens relativos à Realização pessoal, com o objetivo de avaliar os sentimentos de proficiência e bem-estar em relação ao trabalho: • Item 4 "Posso facilmente compreender como é que os meus clientes se sentem em relação às coisas"; • Item 7 "Lido de forma eficaz com os problemas dos meus clientes"; • Item 9 "Sinto que estou a influenciar positivamente a vida de outras pessoas através do meu trabalho"; • Item 17 "Sou capaz de criar facilmente um ambiente relaxado com os meus clientes"; • Item 19 "Neste emprego consegui muitas coisas que valeram a pena"; • Item 21 "No meu trabalho lido muito calmamente com os problemas emocionais" Também estes itens são respondidos numa escala de Likert de 0 a 6 . De acordo com os autores da validação do MBI, à escala da adaptação portuguesa da MBI, valores acima de 2,6 na dimensão da exaustão emocional, de 1,8 na despersonalização, assim como valores inferiores a 3,5 na dimensão da realização pessoal, são indicadores de elevados níveis de Burnout. Referências bibliográficas Maslach Burnout Inventory Manual (2nd Ed.). Palo Alto, Ca: Consulting Psychologists Press, 1996. Melo, B., Gomes, R., e Cruz, J.(1999). Desenvolvimento e adaptação de um instrumento de avaliação psicológica do Burnout para os profissionais de psicologia. In A. Soares, S. Araújo e S. Caires (Org.s). Avaliação psicológica: formas e contextos (pp.596-603). Braga: APPORT. Instrumentos de Medição em Saúde 135 8.2 ESCALA DE SOBRECARGA DO CUIDADOR (ENTREVISTA DE ZARIT) A sobrecarga do cuidador Caregiver Burden Interview (Zarit et col., 1980) traduzida por Taub et al. (2004) foi analisada através da versão brasileira da Escala Burden Interview (Zarit). A escala foi traduzida para o português por Marcia Scazufca, que estudou consistência interna e a validade deste insturmento em cuidadores de indivíduos com doenças mentais (Scazufca, 2002). Surgem dados preliminares sobre a validação da Escala Burden Interview (Zarit e col, 1985), em Portugal por Gonçalves Pereira, M. (2006) in Resumos da 20ª Reunião do Grupo de Estudos do Envelhecimento Cerebral e Demências; Tomar. Em 2004, Taub et al. realizaram um estudo para avaliar a confiabilidade da versão brasileira em familiares de doentes com demência, instrumento padronizado, válido e confiável para ser utilizado como uma medida da sobrecarga dos cuidadores. ABurden Interview é uma entrevista de 22 perguntas que avalia o impacto de doenças mentais e físicas nos cuidadores informais. Varia de 0 a 88. Maior pontuação indica aumento na sobrecarga, com respostas que variam de zero (nunca) a quatro (quase sempre), a escala reflete a perceção do cuidador quanto à saúde, vida pessoal e social, situação financeira, bem-estar pessoal e de relações interpessoais. Por fim, o cuidador deve avaliar o quanto ele se sente sobrecarregado devido ao cuidado com seu familiar. Segundo Scazufca (2002), não há um instrumento considerado como padrão-ouro para a avaliação da sobrecarga. Em seu estudo, foram incluídos 82 cuidadores de doentes idosos com depressão de leve a grave. O score médio da Zarit total foi de 31,1 (DP=15,7; os escores variaram entre 7 e 73 pontos). Schreiner et al. (2006) sugerem que um ponto de corte entre 24 a 26 pontos possui validade preditiva significativa para identificar cuidadores em risco de depressão. Instrumentos de Medição em Saúde 136 Quadro nº 36: Escala de sobrecarga do cuidador (entrevistade Zarit) Item Perguntas a fazer Pontuação 1 Você sente que seu familiar pede mais ajuda do que você realmente precisa? 2 Você acha que por causa do tempo dedicado a sua família não tem mais tempo para você? 3 Você se sente tenso quando se trata de cuidar de sua família e também atender outras responsabilidades? 4 Você se sente envergonhado pelo comportamento de sua família? 5 Você sente raiva quando você está em torno de seu familiar? 6 Você acha que a situação atual afeta negativamente seu relacionamento com amigos e outros membros da família? 7 Você tem medo para o futuro que aguarda a sua família? 8 Você sente que sua família está consigo? 9 Você está sobrecarregado quando você tem que estar com sua família? 10 Você sente a sua saúde tem sofrido para cuidar de sua família? 11 Você sente que a vida não é privada por causa de sua família? 12 Você acha que sua vida social tem sido afetada por ter de cuidar de seu familiar? 13 Você se sente desconfortável em casa convidando amigos por causa de seu familiar? 14 Você acha que sua família espera que você para cuidar dele, como se a única pessoa que pode dizer? 15 Acho que você não tem dinheiro suficiente para cuidar de sua família também suas outras despesas? 16 Você sente que será incapaz de cuidar de seu familiar muito mais tempo? 17 Você sente que perderam o controle sobre sua vida desde a doença do seu familiar se manifestou? 18 Gostaria de confiar o cuidado de sua família para os outros? 19 Você não tem certeza sobre o que fazer com sua família? 20 Você acha que deve fazer mais do que ele faz para sua família? 21 Acho que eles cuidar de sua família melhor do que você faz? 22 Em geral: Você se sente muito sobrecarregado por ter que cuidar de seu familiar? Instrumentos de Medição em Saúde 137 Cada item é avaliado da seguinte forma: Frequência Pontuação Nunca 0 Raramente 1 Às vezes 2 Algumas vezes 3 Quase sempre 4 Pontuação máxima de 88 pontos. Não existem normas ou pontos de corte. No entanto, é geralmente considerada indicativa de “ sobretaxa não” uma pontuação abaixo de 46, e “sobrecarga intensa” uma pontuação maior que 56. Referências bibliográficas Cerqueira ATAR, Oliveira NILO. Programa de apoio a cuidadores: uma ação terapêutica e preventiva na atenção à saúde dos idosos – Psicologia USP 2002;13(1):133-50. Chan DC, Kasper JD, Black BS, Rabins PV. Presence of behavioral and psychological symptoms predicts nursing home placement in community-dwelling elders with cognitive impairment in univariate but not multivariate analysis. The Journals of Gerontology 2003;58: 548–554. Scazufca M. Brazilian version of the burden Interview scale for the assessment of burden of care in carers of people with mental illnesses. Revista Brasileira de Psiquiatria 2002;24:12-17. Taub A. Dementia caregiver burden: reliability of the Brazilian version of the Zarit caregiver burden interview. Cad Saude Publica 2004 20: 372-6. Zarit SH, Todd PA, Zarit JM. Subjective burden of husbands and Wives as Caregivers: a longitudinal study. The Gerontologist 1986; 26(3):260-6. Instrumentos de Medição em Saúde 138 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR Instrumentos de Medição em Saúde 139 9.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR A avaliação da família constitui um processo importante na gestão dos Cuidados Primários de Saúde, para o planeamento e implementação de programas e ações de saúde na família. A família compreende o conceito de um sistema social e atualmente é uma unidade básica de desenvolvimento de experiências, das realizações e fracassos do ser humano. A sua organização e estrutura alteram-se com as alterações das sociedades e são sede de uma variedade complexa de relações entre os seus elementos. As mudanças no padrão de comportamento de um elemento da família vão afetar todos os outros elementos. Nesta perspetiva, as famílias seguem ciclos comportamentais que são influenciados por sistemas de defesa, de crenças, de atitudes, de preconceitos, de convicções e expectativas (Minuchim, 1974). A família funciona como um sistema em constante transformação, mas que se pode alterar em patologia, quando este sistema se alterar para um padrão rígido. A família é a célula da sociedade e representa um grupo de pessoas, não necessariamente ligadas por laços de sangue ou pelo casamento com o compromisso de coabitar e de cuidar umas das outras ao longo do tempo. Não se pode falar de família sem o conceito de cuidar e tratar. A família funciona como um organismo vivo, com vários órgãos e sistemas capazes de interagir necessariamente entre si. Implica o conceito de interação e dependência, sugerindo que, se um dos órgãos que compõem a família claudica, pode claudicar toda a família. A família também nasce, cresce, desenvolve-se e desaparece, para dar lugar a outra. Neste conceito evolutivo e dinâmico, a família pode sofrer de doenças, que importa prevenir ou tratar. Também pode sofrer de disfunção ou de alteração da sua funcionalidade, que se não recuperar pode vir a sofrer também de dependências e limitações. Por esta razão o conceito de recuperação familiar é tão importante no dia-a-dia na prestação de cuidados de saúde à população. Instrumentos de Medição em Saúde 140 A recuperação funcional do organismo familiar de um ou mais dos seus elementos (órgãos do sistema) é fundamental para que a família, qualquer que seja a sua tipologia, constitua uma comunidade em equilíbrio. Atualmente, a família tem passado por diversas mudanças e o conceito de família moderno tem vindo a alterar-se, com entrada de novos elementos e na saída de outros para construir outras famílias. As diferentes gerações avançam no tempo através de um ciclo vital definido por eventos definidores de etapas e de tarefas de socialização. Tratar e cuidar de um doente implica tratar e cuidar da família. A maioria das vezes o cuidador do doente que presta cuidados, vem do seio da família, com todas as implicações daí resultantes. A prestação de cuidados passa sempre pelo conceito de equipa transdisciplinar de saúde onde a família e o cuidador estão inseridos por direito próprio. O papel da família e do cuidadortorna-se precioso e incontrolável, na visitação domiciliária. A equipa de saúde deve sentir necessidade de conhecer a estrutura familiar, a cultura existente e efetuar uma abordagem ao mundo interior da família e das suas relações internas e externas. A avaliação da família reveste-se de uma importância maior, quando encontramos problemas emocionais e de comportamento, disfunção sexual ou conjugal, nas transições do ciclo de vida familiar, nos lutos e ausências, na insuficiência do modelo biomédico convencional; quando encontramos o efeito mimético dos sintomas, numa 1ª consulta com a família; quando há grandes utilizadores de cuidados, nas dificuldades, no apoio de doentes crónicos, em casos de doenças relacionadas com estilos de vida e, principalmente, na disfunção familiar. Podemos dividir os instrumentos de avaliação familiar (IAF) em dois tipos: • Instrumentos de avaliação de estrutura familiar; • Instrumentos de avaliação da funcionalidade familiar; • Instrumentos de avaliação de risco familiar. Instrumentos de Medição em Saúde 141 Genograma Afonso 1899 Rosinda 1912 1984 EAM 1996 AVC, HTA Anemia Hercília 1933 HTA Demência Fernanda 1954 Tabagismo Sofia 1969 Anemia HTA Paulo 1981 Heroína EV Salomé 1972 Anemia Bernardo 1976 Adília 1948 HTA Rosário 1937 Anemia Viúva 29 A João 1960 1974 Afogamento 1930 1970 Assunção 1940 HTA Angor Anemia Depressão António 1945 C2H5OH Matilde 1970 Anemia Carlos 1976 Depressão 1935 Daniel 1911 C2H5OH 1983 CA gástrico Ermelinda 1917 HTA DM Gonartrose Laura 1950 DM Francisco 1983 Obesidade Martinho 1941 DM CA pele Norberto 1943 C2H5OH I II III IV 9.1 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA FAMILIAR 9.1.1 Genograma familiar É um instrumento de avaliação que sumariza dados familiares permitindo uma rápida perceção da estrutura familiar e dos seus problemas. As categorias de interpretação do genograma, segundo McGoldrick e al., 1995, podem dividir-se em estrutura familiar na qual sabemos qual a tipologia e as configurações não usuais, tais como, consaguinidade e casamentos múltiplos; fase do ciclo de vida familiar; repetições transgeracionais de padrões; experiências de vida/problemas de saúde; padrões relacionais da família; equilíbrio e desequilíbrio familiar. Figura nº 6: Exemplo de Genograma familiar Instrumentos de Medição em Saúde 142 Legenda Homem Mulher Falecido Casamento e ano Separação e ano Divórcio e ano União de facto 1985 1991 1991 1991 1985 1991 Gémeos 1899 1984 Adopção Aborto esp.º Aborto induzido Agregado familiar Legenda: Regras na construção do Genograma: • Cada indivíduo - Quadrado (M) ou círculo (F); • Marido representado à esquerda e esposa à direita; • Elementos das famílias por idade decrescente; • Laços familiares representados por linhas; • Representação de pelo menos 3 gerações da família; • Nome, datas de nascimento, falecimento, separação, divórcio, abortamento e adopção; • Data e legenda; • Registo dos problemas biopsicosociais relevantes; Instrumentos de Medição em Saúde 143 Psicofigura: Simbologia Relação conflituosa Relação distante Relação escassa Relação boa Relação excelente Relação de domínio 9.1.2 Psicofigura de Mitchel É a representação gráfica da qualidade das relações pessoais intrafamiliares. Sendo um complemento do genograma é elaborado por linhas de significado convencionado que unem os elementos da família representados no genograma. Permite rápida perceção da funcionalidade das relações na família. Pode ser realizada pelo doente ou pelo profissional de saúde. Figura nº 7: Exemplo de Psicofigura de Mitchel Legenda: Instrumentos de Medição em Saúde 144 Ciclo de Vida Familiar de Duvall I IV III V VII II VI VIII Fase I: Do casamento ao nascimento do 1.º filho Fase II: Filho mais velho até aos 3 anos Fase III: Filho mais velho entre os 4 e os 6 anos Fase IV: Filho mais velho entre os 7 e os 13 anos Fase V: Filho mais velho entre 14 e 20 anos Fase VI: Da saída do primeiro à do último filho Fase VII: Da saída do último filho à reforma Fase VIII: Da reforma à morte dos cônjuges 2 2,5 3,5 7 7 6,5 15 16 Períodos de duração média, em anos, de cada fase do Ciclo de Vida Familiar (Glick & Keffler, 1980, in Wlliams, 1994) 9.1.3 Ciclo de Vida Familiar de Duvall É um instrumento descritivo da evolução esperada na estrutura das famílias nucleares centrado no crescimento, educação e autonomização dos filhos. Associa cada fase a tarefas que devem ser cumpridas considerando as transições de fase, períodos de potencial reajustamento ou crise. Permite a prestação de cuidados antecipatórios. Figura nº 8: Exemplo de Ciclo de vida familiar de Duvall 9.1.4 Linha de Vida de Medalie São as ocorrências que sucedem a um indivíduo num determinado período da sua vida, representado por uma linha, havendo uma correlação cronológica dos acontecimentos vitais e problemas de saúde. Instrumentos de Medição em Saúde 145 Etapa/ Crise Problemas 1988 1991 1993 1998 1999 2000 Histerectomia e Ooforectomia bilat. Menopausa aos 32 A Início trabalho de promoção de vendas Casamento do filho Nascimento 1ª neta 1996 Cirurgia cicatriz abdominal Artrite Reumatóide DM secundária Cefaleias Baixa Gastrite do antro Sínd. Depressivo Cuidadora de mãe semi-acamada (AVC) Podalgias Prótese joelho D Consulta Reumatologia Consultas Reumatol. Ortopedia Consulta Neurologia Consulta Psiquiatria HTA Linha de Vida de Medalie Figura nº 9: Exemplo Linha de Vida de Medalie 9.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO FAMILIAR São um conjunto de itens na família que poderão traduzir um aumento do risco familiar de disfunção. São úteis como instrumentos de rastreio de um conjunto de famílias para selecionar as vulneráveis, às quais estará indicado aplicar instrumentos mais sensíveis de avaliação familiar. Em alguns casos podem ser utilizadas sem a presença dos elementos da família. Instrumentos de Medição em Saúde 146 9.2.1 Escala de Risco de Segovia – Dreyer Quadro nº 37: Escala de risco de Segovia - Dreyer Factores de risco - 1 ponto Factores de risco - 2 pontos Morbilidade crónica Invalidez Hospitalizações frequentes Mãe analfabeta Mãe solteira Chefe da família desempregada Ausência temporária de um dos pais Chefe de família c/emprego precário Morte de pai ou de mãe Alcoolismo Droga Desnutrição Ausência de um dos pais Pais analfabetos Apgar familiar < 4 Filho com grande deficiência Chefe de família preso Filho com carências afectivas graves Alto risco:> 6 pontos Médio risco:> 3 pontos 9.2.2 Escala de Risco de Garcia - GonzalezFACTORES DE RISCO 1 PONTO • Famílias compostas por pais jovens e filhos pequenos que moram todos num quarto alugado; • Famílias cuja dinâmica de relação esteja alterada e em que, pelo menos, metade dos seus filhos estejam sujeitos a insucesso escolar; • Famílias que solicitam cuidados em excesso do CS; • Famílias cujos membros partilhem em maioria um factor de risco comum (fumadores, obesos ou alcoólicos); • Famílias nas quais um membro seja centro da atenção dos outros e que, por isso, altere as relações intra-familiares (deficiente, pai alcoólico, etc.); • Famílias, que, pelos seus antecedentes, estejam sujeitas a um risco mais elevado de padecer de determinado tipo de doenças embora essas não estejam presentes na actualidade. Alto risco: > 4 pontos Médio risco: >2 pontos Instrumentos de Medição em Saúde 147 9.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE FAMILIAR 9.3.1 Apgar familiar de Smilkstein O Apgar Familiar permite avaliar a perceção que o indivíduo tem do funcionamento da sua família. Reflete o grau de satisfação em múltiplos aspetos relacionados com a experiência vivencial no seio familiar e a forma como esta promove o crescimento pessoal do indivíduo em causa. Quadro nº 38: Exemplo de Apgar familiar Instrumentos de Medição em Saúde 148 Círculo Familiar de Thrower: Exemplo ANTÓNIO ASSUNÇÃO CARLOS ERMELINDA CANÁRIO MATILDE 9.3.2 Círculo Familiar de Thrower É a representação gráfica do valor que tem, para o indivíduo as pessoas (familiares, amigos) e ainda alguns objetos e seres que lhe são próximos. O profissional de saúde desenha um círculo grande que representa a família e pede ao indivíduo para desenhar círculos menores, dentro ou fora do círculo, que representam a sua própria pessoa e os diferentes membros da família e, se necessário, outros objetos que tenham importância vital no sistema. Figura nº 10: Exemplo de Círculo familiar de Thrower Referências bibliográficas Agostinho M, Rebelo L. Família: do conceito aos métodos de avaliação. Rev Port Clin Geral 1988; 32: 6-18. Geyman GP. Family Practice- Foundation of Changing Health Care. New York, Appleton Century Crofts,1980. Segovia-Dreyer IE. Estudo piloto do uso de três fichas familiares diferentes num centro de Medicina Familiar. II Jornadas Internacionais de Medicina Familiar das Américas, Espanha e Portugal. Panamá,1984. Smilkstein G. Assessment of family function. In: Taylor RB. ed. Family Medicine. New York: Springer, 1983: 74-84. Sociedade Europeia de Clínica Geral/ Medicina Familiar (WONCA Europa). A Definição Europeia de Medicina Geral e Familiar. Lisboa, Edições Especiais APMCG, 2002. Thrower SM, Bruce WE, Walton RF. The Family Circle Method for integrating family systems concepts in Family Medicine. J Fam Pract 1982; 15(3): 451-7. Instrumentos de Medição em Saúde 149 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Instrumentos de Medição em Saúde 150 10.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL O envelhecimento cronológico difere do biológico. O processo de envelhecimento acarreta alterações orgânicas, fisiológicas, psíquicas, sociais, comportamentais e funcionais. A interação de fatores genéticos e ambientais é determinante na qualidade do envelhecimento, sendo muito provável que a nutrição exerça um papel preponderante no processo degenerativo do envelhecimento. A resposta desta interação se dá em um conjunto de alterações que incluem as secreções, os órgãos dos sentidos, a digestão, o apetite, a absorção e o metabolismo, a falta de dentes ou próteses inadequadas e o uso prolongado de medicamentos que fazem com que os alimentos ingeridos, muitas vezes de forma seletiva, sejam pouco ou quase nada aproveitados pelo organismo. Do ponto de vista nutricional as mudanças na composição corporal mais evidentes são: a redução do teor de água corporal, redução da massa corporal livre de gordura (massa muscular e óssea) e modificações na distribuição da gordura corporal (massa gorda): a gordura subcutânea dos membros tende a diminuir ao passo que a gordura intra-abdominal aumenta. A avaliação do estado nutricional deve contemplar informações referentes a fatores de risco (desequilíbrio entre necessidades nutricionais e consumo alimentar, presença de patologias infecciosas, fatores sociais tais como isolamento, solidão e perda de status social, pobreza, presença concomitante de patologias crônicas não transmissíveis, a ingesta habitual de bebida alcoólica e o uso do tabaco); a antropometria e os exames bioquímicos. (GUIGOZ et al., 1994) Assim como o sobre peso e a obesidade, o baixo peso é bom indicador prognóstico para diferentes patologias e relaciona-se com importante aumento no risco de morbilidade e de mortalidade. A perda de peso ou mudanças na composição corporal, relatada ou verificada pelo doente, deve ser considerada, pois a perda de peso de 10% ou mais, em um período de seis meses, é um provável indicador de problemas de saúde do doente, associada à depleção do seu estado nutricional. Instrumentos de Medição em Saúde 151 10.1TRIAGEM NUTRICIONAL SUBJETIVA Esta escala de avaliação nutricional foi criada por Lipschitz em 1994. Quadro nº 39: Escala triagem nutricional SINAIS PONTUAÇÃO Tem doença ou condição que faz mudar o tipo e/ou quantidade de alimento que consome? 2 Consome menos de duas refeições ao dia ? 3 Consome ao menos 2 porções ao dia de frutas, hortaliças, e 1 porção de leite e substitutos ao dia? 2 Bebe 3 ou mais copos de cerveja, ou 1 dose aguardente ou outra bebida alcoólica diariamente? 2 Tem problema nos dentes ou na boca que dificultam a sua alimentação? 2 É frequente faltar dinheiro para comprar alimentos que precisa? 4 Come sozinho na maioria das refeições? 1 Toma mais de três remédios diferentes por dia? 1 Teve perda ou ganho de peso de 5 kg nos últimos 6 meses 2 Não é fisicamente capaz para fazer compras, cozinhar e/ou se alimentar sozinho? 2 TOTAL PONTUAÇÃO E A CONDIÇÃO NUTRICIONAL: 0 a 2 pontos SEM RISCO NUTRICIONAL. Reavaliar em 6 meses 3 a 5 pontos RISCO NUTRICIONAL MODERADO. Reavaliar em 3 meses 6 ou mais pontos ALTO RISCO NUTRICIONAL. Encaminhar idoso para médico e/ou nutricionista e/ou assistente social Peso (KG)…….. Estatura (M)…….. Altura do joelho (cm)……. Índice de massa corporal ( P : E2)…….. Referências bibliográficas http://www.ciape.org.br/matdidatico/edgar/Livro_Aval_Mult_Idoso.doc Instrumentos de Medição em Saúde 152 10.2 MINI NUTRITIONAL ASSESSMENT A MNA® é uma ferramenta de controle e avaliação que pode ser utilizada para identificar doentes idosos com risco de desnutrição. O Guia do Usuário o ajudará a completar o MNA® de forma detalhada e consistente. Explica cada questão e como atribuir e interpretar o score. A MNA® fornece um método simples e rápido de identificação de doentes idosos que apresentam risco de desnutrição ou que já estão desnutridos. Identifica o risco de desnutrição antes da ocorrência de mudanças de peso ou dos níveis de proteína sérica. O MNA® pode ser preenchido periodicamente no ambiente comunitário e hospitalar,ou em locais de cuidados de longo prazo. O MNA® foi desenvolvido pela Nestlé e por geriatras de reputação internacional, sendo uma das poucas ferramentas de controle validadas para os idosos. Tem sido bem validada em estudos internacionais nos mais diversos ambientes, e estabelece uma correlação entre morbilidade e mortalidade. Instruções para preencher o MNA® Antes de começar o MNA®, pede-se preencher as informações sobre o doente no início do formulário: • Nome • Sexo • Idade • Peso (kg) – Para se obter um peso acurado, remover os sapatos e roupas pesadas. Usar uma balança calibrada e confiável; • Altura (cm) – Medir a altura sem sapatos, utilizando um estadiômetro (equipamento para medir altura) e, se o doente estiver acamado, pela altura do joelho ao calcanhar, ou semienvergadura (ver anexos 4 e 5). Converter polegadas para Deve-se completar o controle preenchendo as caixas com os números apropriados. Em seguida, somar todos os números para determinar o score total. Se o score for 11 ou menos, continuar com a avaliação para determinar o score do Indicador de Desnutrição. Instrumentos de Medição em Saúde 153 Quadro nº 40: Mini Nutritional Assessment Instrumentos de Medição em Saúde 154 Referências bibliográficas Guigoz Y. Vellas B and Garry PJ. 1994. Mini Nutritional Assessment: A practical assessment tool for grading the nutritional state of elderly patients. Facts and Research in Gerontology. Supplement # 2:15-59. Malone A. Anthropometric Assessment. In Charney 8. P, Malone E, eds. ADA, Pocket Guide to Nutrition Assessment., Chicago, IL: American Dietetic Association; 2004:142-152. Ramos, Lr. Epidemiologia do Envelhecimento. in: Freitas, EV; Py, L; Neri, AL; Cançado, FAX; Gorzoni, ML; Rocha, SM (ed). Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002. Cap 7, p. 72-78. Rubenstein LZ, Harker J, Guigoz Y and Vellas B. Comprehensive Geriatric Assessment (CGA) and the MNA: An Overview of CGA, Nutritional Assessment, and Development of a Shortened Version of the MNA. In: “Mini Nutritional Assessment (MNA): Research and Practice in the Elderly”. Vellas B, Garry PJ and Guigoz Y, editors. Nestlé Nutrition Workshop Series. Clinical & Performance Programme, vol. 1. Karger, Bâle, in press. Instrumentos de Medição em Saúde 155 CONCLUSÃO Este manual pretende ser um documento didático para ser utilizado pelos profissionais que constituem a equipa transdisciplinar de saúde e tornar a sua ação mais eficaz na prestação de cuidados às pessoas idosas. Há que contar com a sensibilidade de toda a equipa no acompanhamento do doente, que deverá ser mobilizada, para melhor conhecer e promover habilidades, bem como adquirir novas funções para que possa realizar as suas atividades com eficiência. A utilização sistemática de instrumentos de avaliação geriátrica facilita a determinação do perfil do idoso e da possibilidade de serem tomadas medidas preventivas atinentes à melhoria da sua qualidade de vida. O envelhecimento constitui um processo, influenciado por fatores demográficos, culturais, psíquicos, sociais e económicos, muitas vezes com interpretações subjetivas que importa objetivar. Esta necessidade de objetivar a funcionalidade, a dependência, a mobilidade, o risco de quedas, a capacidade cognitiva, a marcha e outras funções, leva-nos a lançar mão a ferramentas que qualifique e quantifique essas funções. O uso de escalas na avaliação integral do idoso pode: • Melhorar a exatidão diagnóstica e identificação de problemas de saúde; • Estabelecer objetivos claros e assegurar um plano objetivo de cuidados; • Conhecer os problemas reais do doente que nos permita fornecer um prognóstico ao longo do tempo; • Assegurar uma utilização racional dos serviços; • Adequar a habitação e evitar a institucionalização. Para além disso, as escalas ainda: • Detetam a deterioração precoce e a incapacidade ainda não diagnosticada; • Permitem quantificar o grau de deterioração; • Ajudam a documentar o nível ótimo de cuidados; • Permitem avaliar a qualidade de cuidados; Instrumentos de Medição em Saúde 156 • Facilitam a transmissão de informação; • São úteis, indiscutivelmente, na investigação, na docência e no planeamento. Importante e decisivo é adequar a ferramenta a cada situação em particular; para isso é necessário conhecer bem a escala, a sua validade (sensibilidade e especificidade), a sua reprodutividade e sua aceitabilidade. O uso das escalas deve ser amplamente divulgado e estas usadas com mais frequência, sempre que a situação clínica do idoso o exigir. Nos cuidados continuados e nos cuidados domiciliários as escalas são partes integrantes do diagnóstico da prestação de cuidados. A evidência resultante de vários estudos de meta análise e de revisão bibliográfica leva-nos a concluir que: • As escalas de avaliação mostram-se sensíveis e complementares entre si, para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento do idoso, com ou sem patologia. • As escalas tem valor para prevenir e atrasar as alterações causadas pelo envelhecimento e promover melhor qualidade de vida. • Os idosos de alto risco podem beneficiar de avaliação integral, da aplicação de escalas e da intervenção da equipa transdisciplinar. • O objetivo da aplicação das escalas é detetar sinais e sintomas de fragilidade e de incapacidades, quantificar e qualificar os idosos de alto risco para adequar atividades preventivas, terapêuticas e de reabilitação. • As escalas são úteis para avaliar a oportunidade de referenciação hospitalar e institucionalização, para estabelecer um plano de intervenção individual e para avaliação e acompanhamento da recuperação funcional e cognitiva. • Recomenda-se a aplicação de escalas de avaliação cognitiva nos doentes com suspeita de demência, alterações do comportamento, perdas de memória e de deterioração funcional. Não há dúvidas que, do ponto de vista clínico, os testes e as escalas aqui referidas, desde que bem utilizadas, dentro do contexto clínico do doente, irão reduzir em muito a necessidade do recurso a exames complementares de diagnóstico mais dispendiosos. Instrumentos de Medição em Saúde 157 Por vezes, em consequência do uso de um manual, criam-se rotinas do ponto de vista científico, que dificultam a inovação. Não pretendemos que isso aconteça. A promoção do pensamento colateral leva-nos a ultrapassar esta contingência. Esperamos que, este documento seja avaliado por todos aqueles que o venham a ler ou a usar no seu dia-a-dia, adaptando-o à sua realidade e a cada serviço, de forma que venha a ser enriquecido e melhorado. Instrumentos de Medição em Saúde 158PENSAMENTO FINAL “A vida não é um corredor reto e tranquilo, que nós percorremos livre e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída. Porém, se tivermos fé, uma porta sempre será aberta, para nós, não talvez aquela sobre a qual nós mesmo nunca pensamos, mas aquela que definitivamente se revelará boa para nós.” A. J. Cronin