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INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO EM SAÚDE 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Autores: 
 
Elisabeth Da Conceição Vilar Gregório Sousa – Enfermeira Especialista em Enfermagem 
de Reabilitação 
Mário Joaquim do Carmo Pereira Pinto – Diretor Clínico da Unidade de Convalescença 
da Santa casa de Misericórdia de Tarouca; Mestre em Medicina Geral e Familiar 
Sandra Cristiana de Sá Nogueira Coutinho – Enfermeira Especialista em Enfermagem de 
Reabilitação 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 “De tudo. Ficaram 3 coisas: 
A certeza de que estamos sempre recomeçando… 
A certeza de que precisamos continuar… 
A certeza de sermos interrompidos antes de terminar… 
Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo… 
Da queda, um passo de dança, 
Do medo, uma escada, 
Do sonho, uma ponte, 
Da procura, um encontro.” 
 
 (Fernando Pessoa, em A Vida) 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AGRADECIMENTO 
 
 
 
Para todos aqueles que, de alguma forma acreditaram em nós………. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
5 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS/ SIGLAS 
 
ABVD – Atividades Básicas de Vida Diária 
AGI – Avaliação Geriátrica Integral 
AIVD – Atividades Instrumentais de Vida Diária 
AVD – Atividades de Vida Diária 
BDI – Beck Depression Inventory 
CAM – Confusion Assessment Method 
CDR – Clinical Dementia Scale 
CF – Capacidade Funcional 
CIF – Classificação Internacional da Funcionalidade 
DA – Doença de Alzheimer 
DCL – Défice Cognitivo Ligeiro 
Drtª – Direita 
EB – Escala de Barthel 
EBM – Escala de Barthel Modificada 
EK – Egen Klassifikation 
Esqª – Esquerda 
EUA – Estados Unidos da América 
Ex. – Exemplo 
F – Feminino 
FMUP – Faculdade de Medicina da Universidade do Porto 
GDS – Geriatric Depression Scale 
IAF – Instrumento Avaliação Familiar 
IASP – International Association for Study of Pain 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
6 
 
IDB – Inventário Depressivo de Beck 
ICIDH – Classificação Internacional do Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens 
M – Masculino 
MBI – Maslasch Burnout Inventory 
MEEM – Mini Exame do Estado Mental de Folstein 
MIF – Medida de Independência Funcional 
MMSE – Mini Mental State Examination 
MOCA – Montreal Cognitive Assessment 
MRC – Medical Research Council 
NIHSS – National Institute of Health Stroke 
NPI – Neuropsychiatric Inventory 
PII – Plano Individual de Intervenção 
TII – Triagem Integral do Idoso 
RNCCI – Rede Nacional Cuidados Continuados Integrados 
SUDRM – Sistema Uniforme de Dados para Reabilitação Médica 
TUG – Timed Up and Go 
UP – Úlcera de Pressão 
WHO – World Health Organization 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
7 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figuras 
Figura 1 – Escala de Faces 
Figura 2 – Exemplo de Genograma Familiar 
Figura 3 – Teste de Romberg 
Figura 4 – Teste do relógio 
Figura 5 – Teste de reconhecimento de figuras 
Figura 6 –Exemplo de Psicofigura de Mitchel 
Figura 7 – Exemplo do Ciclo de Vida Familiar de Duvall 
Figura 8 – Exemplo de Linha de Vida de Medalie 
Figura 9 – Exemplo do Círculo Familiar de Thower 
 
Quadros 
Quadro 1 – Escala visual analógica 
Quadro 2 – Escala numérica 
Quadro 3 – Escala de Abbey 
Quadro 4 – Escala de Doloplus 
Quadro 5 – Escala de Katz (Duarte, Andrade e Lebrão, 2007) 
Quadro 6 – Escala de Katz (Brito, 2000) 
Quadro 7 – Escala de Katz modificado (Freitas e Col, 2002) 
Quadro 8 – Escala de Katz (Sequeira, 2007) 
Quadro 9 – Escala de Lawton e Brody (Azeredo e Matos, 2003) 
Quadro 10 – Escala de Lawton e Brody (Sequeira, 2007) 
Quadro 11 – Medida de Independência Funcional 
Quadro 12 – Escala de Pfeiffer 
Quadro 13 – Escala de Barthel (1989) 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
8 
 
Quadro 14 – Escala de Barthel modificada 
Quadro 15 – Escala de EK 
Quadro 16 – Escala de avaliação – Medical Reseach Council 
Quadro 17 – Escala de avaliação – Espasticidade de Ashworth 
Quadro 18 – Escala de coma de Glasgow 
Quadro 19 – Escala NIHSS 
Quadro 20 – Escala Modificada de Rankin 
Quadro 21 – Escala de equilíbrio de Tinetti 
Quadro 22 – Escala de Tinetti para a valorização da marcha 
Quadro 23 – Escala de Berg 
Quadro 24 – Escala de Heindrich II 
Quadro 25 – Escala de Morse 
Quadro 26 – Escala de Norton 
Quadro 27 – Escala de Braden 
Quadro 28 – Classificação de Shulman 
Quadro 29 – Escala de Depressão Geriátrica 
Quadro 30 – Escala de Blessed 
Quadro 31 – Inventário Neuropsiquiátrico de Cummings 
Quadro 32 – Escala de avaliação de Delirium 
Quadro 33 – Lista de palavras de CERAD 
Quadro 34 – Escala isquémica de Hachinski 
Quadro 35 – Montreal Cognitive Assessment 
Quadro 36 – Escala de sobrecarga do cuidador 
Quadro 37 – Escala de risco de Segovia – Dreyer 
Quadro 38 – Exemplo de Apgar Familiar 
Quadro 39 – Escala Triagem Nutricional 
Quadro 40 – Mini Nutritional Assessment 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
9 
 
 
ÍNDICE 
 
NOTA INTRODUTÓRIA ................................................................................................... 12 
 
1 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DOR ...................................................... 16 
1.1 ESCALA VISUAL ANALÓGICA ........................................................................... 18 
1.2 ESCALA NUMÉRICA DA DOR ............................................................................. 20 
1.3 ESCALA DE FACES DA DOR ................................................................................ 21 
1.4 ESCALA DE ABBEY ............................................................................................... 22 
1.5 ESCALA DE DOLOPLUS ........................................................................................ 24 
 
2 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL .............................................. 29 
2.1 ESCALA DE KATZ .................................................................................................. 30 
2.2 ESCALA DE LAWTON – BRODY ......................................................................... 35 
2.3 MEDIDA DE INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL (MIF) ......................................... 38 
2.4 ESCALA DE PFEIFFER ........................................................................................... 40 
2.5 ESCALA DE BARTHEL .......................................................................................... 42 
2.6 ESCALA EK .............................................................................................................. 47 
 
3. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FORÇA /TONUS MUSCULAR .......... 50 
3.1 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE FORÇA MUSCULAR– COUNCIL ................... 52 
3.2 ESCALA DE ESPASTICIDADE DE ASHWORTH (modificada) .......................... 52 
 
4. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA ......................................... 56 
4.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW ..................................................................... 57 
4.2 NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH STROCK SCALE (NIHSS) ..................... 59 
4.3 ESCALA DE RANKIN MODIFICADA .................................................................. 63 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
10 
 
5. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO/ MARCHA/ QUEDAS 67 
5.1 ESCALA DE EQUILÍBRIO / MARCHA DE TINETTI .......................................... 68 
5.2 ESCALA DE TINETTI PARA A VALORIZAÇÃO DA MARCHA ...................... 70 
5.3 ESCALA DE EQUILÍBRIO DE BERG .................................................................... 71 
5.4 ESCALA DE HENDRICH II .................................................................................... 79 
5.5 ESCALA DE MORSE ............................................................................................... 81 
5.6 TIMED UP AND GO ................................................................................................ 82 
5.7 GET UP AND GO ..................................................................................................... 84 
5.8 TESTE DE ROMBERG (Lord, Sherrington e Menz,2001) ...................................... 86 
 
6. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO .................... 89 
6.1 ESCALA DE NORTON ............................................................................................ 90 
6.2 ESCALA DE BRADEN ............................................................................................ 93 
 
7. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO COGNITIVA ................................................ 98 
7.1 MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – MEEM .................................................. 99 
7.2 TESTE DO RELÓGIO ............................................................................................ 102 
7.3 ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA DE YESSAVAGE ........................... 104 
7.4 ESCALA DE BLESSED ......................................................................................... 106 
7.5 CLINICAL DEMENTIA SCALE (CDR) ............................................................... 108 
7.6 INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO DE CUMMINGS ................................. 110 
7.7 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DELIRIUM CONFUSION ASSESSMENT 
METHOD (CAM) .......................................................................................................... 113 
7.8 TESTE DE FLUÊNCIA VERBAL (categoria animais) .......................................... 115 
7.9 TESTE DE RECONHECIMENTO DE FIGURAS ................................................. 117 
7.10 LISTA DE PALAVRAS DE CERAD ................................................................... 119 
7.11 ESCALA ISQUÉMICA DE HACHINSKI ........................................................... 121 
7.12 INVENTÁRIO DEPRESSIVO DE BECK ............................................................ 122 
7.13 MONTREAL COGNITIVE ASSESSMENT (MOCA) ........................................ 127 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
11 
 
8. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO CUIDADOR ........................................ 131 
8.1 INVENTÁRIO DE BURNOUT DE MASLASCH (MBI) ...................................... 132 
8.2 ESCALA DE SOBRECARGA DO CUIDADOR (ENTREVISTA DE ZARIT) ... 135 
 
9.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR .................................................. 139 
9.1 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA FAMILIAR ................ 141 
9.1.1 Genograma familiar........................................................................................... 141 
9.1.2 Psicofigura de Mitchel ...................................................................................... 143 
9.1.3 Ciclo de Vida Familiar de Duvall ..................................................................... 144 
9.1.4 Linha de Vida de Medalie ................................................................................. 144 
9.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO FAMILIAR ............................ 145 
9.2.1 Escala de Risco de Segovia – Dreyer ................................................................ 146 
9.2.2 Escala de Risco de Garcia - Gonzalez ............................................................... 146 
9.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE FAMILIAR .... 147 
9.3.1 Apgar familiar de Smilkstein ............................................................................ 147 
9.3.2 Círculo Familiar de Thrower ............................................................................. 148 
 
10.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ........................................ 150 
10.1TRIAGEM NUTRICIONAL SUBJETIVA ............................................................ 151 
10.2 MINI NUTRITIONAL ASSESSMENT ................................................................ 152 
 
CONCLUSÃO .................................................................................................................. 155 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
12 
 
 
NOTA INTRODUTÓRIA 
 
A prestação de cuidados de saúde a pessoas idosas tem como base o modelo de um 
processo de trabalho baseado numa equipa transdisciplinar cujo objetivo principal é 
identificar os seus défices e reabilitar as funções perdidas no sentido de promover a 
autonomia e a independência. 
O trabalho em equipa passa pela Avaliação Geriátrica Integral (AGI), que consiste numa 
atividade dinâmica e contínua, abrangente a todos os profissionais da equipa, médico, 
enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, doente, cuidador e outros. A 
construção deste processo de trabalho parece ser decisivo para romper com a fragmentação 
do saber e com a estrutura centrada no médico como gestor do processo, no qual os 
problemas possam ser solucionados a partir do saber dos diversos profissionais que 
compõem a equipa, com base em decisões consensuais com respeito por cada área 
específica do conhecimento. 
A operacionalização do processo de trabalho passa pela participação de toda a equipa 
desde o primeiro contato até à elaboração do plano individual de intervenção (PII). 
Este primeiro contato ou Triagem Integral do Idoso (TII) tem como objetivo a avaliação 
geriátrica integral (AGI) nas áreas clínica, funcional, cognitiva e social, identificando os 
défices que possam gerar perda de autonomia e independência. A TII é uma avaliação de 
todos os profissionais da equipa, utilizando-se habitualmente instrumentos, escalas e 
índices de avaliação. 
A utilização de escalas de avaliação é uma tentativa sistematizada de medir, de forma 
objetiva, os níveis nos quais um indivíduo é capaz de desempenhar determinadas 
atividades ou funções em diferentes áreas. Segundo Duarte, Andrade & Lebrão, (2007), 
estas representam uma forma de avaliar se uma pessoa é ou não capaz de, 
independentemente, desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si e do meio que 
a envolve e, caso não seja, verificar se necessita de ajuda e, se essa necessidade é parcial 
(em maior ou menor grau) ou total em termos de avaliação. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
13 
 
De uma maneira geral, a avaliação de uma pessoa idosa tem como finalidade conhecer as 
habilidades para executar as atividades de vida diária de uma forma autónoma e 
independente. Independentemente da idade, a dependência pode alterar a estruturafamiliar, 
a relação entre os seus elementos, o bem-estar da pessoa doente e os seus familiares. 
 
Os instrumentos de avaliação podem ser classificados de acordo com o que se pretende 
medir: a funcionalidade, a cognição, a dor, a família, a nutrição, o risco de feridas e o risco 
social. Podem, também, ser classificados por observação direta com o doente, na 
informação e no desempenho do cuidador. 
 
A avaliação geriátrica integral (AGI) é um processo diagnóstico multidimensional, 
frequentemente multidisciplinar ou transdisciplinar e, deve ser, preferencialmente, 
realizada de forma organizada e sistemática. É um método que aborda o idoso de uma 
forma global, integral e abrangente nas áreas médicas e clínicas, funcional, cognitiva e 
social. A sua origem remonta os 30 anos do século passado pela Dra Marjori Warren, no 
Reino Unido. Aborda a visão holística e global do indivíduo e difere do exame clínico 
tradicional por integrar conceitos relacionados com o ambiente, com a qualidade de vida, 
com a capacidade funcional, cognitiva e social, fundamentais para o diagnóstico de 
situação global de saúde, tendo como objetivo criar um plano de cuidados que envolva a 
família e o cuidador. 
O roteiro da AGI inicia-se com a identificação da pessoa, depois a avaliação clínica dos 
órgãos e sistemas, enfatizando os órgãos dos sentidos, a dor e a funcionalidade através da 
avaliação das AVD, da mobilidade, do equilíbrio, da postura, da marcha e do risco de 
queda. Segue-se a avaliação cognitiva: o humor, a memória, a linguagem, a fala e a 
comunicação. Continuamos com a avaliação nutricional, avaliação da medicação, da 
iatrogenia, da avaliação sócio-familiar, a avaliação ambiental do idoso e a sua adaptação às 
próprias limitações. Não podemos acabar sem avaliar o cuidador. O objectivo da AGI é a 
identificação multidisciplinar dos problemas de saúde e desenhar um plano individual de 
intervenção e reabilitação adequado às suas incapacidades. Nesta avaliação são usadas 
escalas que apresentam uma importância inquestionável e indispensável no dia-a-dia de 
trabalho dos profissionais integrados na equipa de saúde. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
14 
 
Este modelo transdisciplinar pode e deve ser aplicado nos hospitais, nas urgências, nos 
centros de saúde, no ambulatório, em unidades geriátricas, em lares, centros de dia, em 
casas de repouso, no domicílio, centros de reabilitação e, principalmente, nas unidades da 
RNCCI, onde já funcionam e estão largamente difundidas. 
Vários estudos confirmam os benefícios e a sua utilidade porque melhoram a precisão 
diagnóstica, melhoram o estado funcional e mental, diminuem a taxa de mortalidade e 
morbilidade, diminuem as taxas de internamento hospitalar e em instituições, melhoram a 
comunicação entre os profissionais de saúde, permitem avaliar o estado nutricional, 
identificam o declínio funcional, a fragilidade, a imobilidade, identificam as populações de 
risco, permitem avaliar a necessidade de investimentos em saúde, planeiam ações e 
políticas de saúde e também tem grande utilidade na investigação em saúde. 
Divulgar as escalas de avaliação é um dever e uma obrigação para os profissionais de 
saúde, família/cuidador e é o principal objetivo deste livro, fornecer aos profissionais de 
saúde um conjunto de ferramentas necessárias e indispensáveis para precisar o diagnóstico, 
avaliar e acompanhar o idoso, doente ou não doente. Trata-se de um processo estruturado e 
dinâmico (continuado no tempo e adaptado à situação da pessoa integrada no seu 
ecossistema), transdisciplinar e multidimensional (área clínica, mental, funcional e social). 
É recomendável a aplicação sistemática da AGI na população com mais de 65 anos. Esta 
aplicação deve ser individualizada e deve incluir um plano de intervenção individual 
promovido pela equipa de saúde, incluindo necessariamente a família e o cuidador. 
Propusemo-nos elaborar um documento para utilização rápida e muito prático, que 
concatenasse todos os índices e escalas, que fossem usados no dia-a-dia dos profissionais 
de saúde, de forma que a facilitar o diagnóstico e o tratamento dos problemas de saúde 
apresentados pelos nossos doentes. É, também, nossa opinião que as escalas sejam de 
grande utilidade para a investigação, para facilitar a comunicação entre os diversos 
profissionais de saúde, para quantificar o grau de deterioração do doente, para avaliar o 
prognóstico, para avaliar a qualidade de cuidados e servem como guia para tomada de 
decisões. 
Assim, apresentamos o resultado de um trabalho simples que reflete a nossa opinião 
baseada na informação de muitos autores que consultamos e esperamos que seja do vosso 
agrado, principalmente, como objetivo final, ser útil todos os dias. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
DA DOR 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
16 
 
 
1 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DOR 
A dor é uma experiência universal, subjetiva, individual e é influenciada por vários fatores 
(físicos, sociais, culturais, emocionais e outros). A sua quantificação é sempre um desafio 
científico. A dor é definida segundo a IASP (International Association for Study of Pain), 
como uma experiência subjetiva desagradável, sensitiva e emocional, associada com lesão 
real ou potencial dos tecidos ou descrita em termos dessa lesão, sendo vivenciada por 
quase todas as pessoas, além de ser, geralmente, o motivo que as leva a procurar o sistema 
de saúde (Carvalho, 1999). 
Para Melzack (in Cailliet, 1999), a dor era considerada como sendo uma resposta análoga 
ao estímulo que evocava, ou seja, desapareceria quando se removesse o estímulo. Contudo, 
estímulos repetidos durante um determinado período de tempo modificam, diminuem ou 
eliminam a relação entre o tempo e o estímulo, passando a resposta a depender de outros 
fatores. Da mesma forma, Sousa e Silva (2005) consideram a dor como um fenómeno 
psicofisiológico complexo e não somente um simples sinal neurofisiológico, como era 
vista. Segundo esses autores, pesquisas demonstraram que o grau de dor registada pode 
estar relacionado a sintomas fisiológicos específicos combinados com uma ou mais 
variáveis psicológicas. 
 
O controlo eficaz da dor é um dever dos profissionais de saúde, um direito dos doentes que 
dela padecem e um passo fundamental para a efetiva humanização das Unidades de Saúde. 
O sucesso da estratégia terapêutica analgésica planeada depende da monitorização da dor 
em todas as suas vertentes. A avaliação e registo da intensidade da dor, pelos profissionais 
de saúde, tem que ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos sinais vitais, de 
modo a otimizar a terapêutica, dar segurança à equipa prestadora de cuidados de saúde e 
melhorar a qualidade de vida do doente. 
 
Para uma correta avaliação da intensidade da dor é necessária a utilização de uma 
linguagem comum entre o profissional de saúde e o doente, que se traduz por uma 
padronização da escala a utilizar e pelo ensino prévio à sua utilização. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
17 
 
É, fundamental que o profissional de saúde assegure que o doente compreenda, 
corretamente o significado e utilização da escala utilizada. 
 
Considera-se que, os serviços de saúde devem obedecer à Circular Normativa nº 9/DGCD 
de 14/06/2003, “ A Dor como 5º sinal vital”, tendo como norma de boa prática: 
 
• Registo sistemático da intensidade da dor; 
• Utilização de uma das escalas validadas internacionalmente: “Escala VisualAnalógica”, “Escala Numérica”, “Escala Qualitativa” ou “Escala de Faces”; 
• Inclusão na folha de registo dos sinais e sintomas vitais, de espaço próprio para 
registo da intensidade da dor; 
• Intensidade da dor é sempre a referida pelo doente; 
• Utilizar sempre a mesma escala para o mesmo doente; 
• O doente tem sempre razão na sua interpretação de dor, independentemente do 
familiar e do cuidador; 
• As escalas propostas aplicam-se a doentes conscientes e colaborantes, com idade 
 superior a 3 anos; 
• Em doentes inconscientes e não colaborantes pode ser usada a escala de Abbey ou a 
escala de Doloplus. Estas escalas só são usadas para avaliação da dor crónica em 
pessoas que não podem comunicar. São, muitas vezes usadas na avaliação de dor 
na pessoa idosa quando apresenta diminuição ou deterioração das capacidades 
sensoriais e percetivas causadas pelo envelhecimento, na demência e nas alterações 
do comportamento. 
• As escalas usadas no recém-nascido não podem ser aqui referidas por estarem fora 
do âmbito do projeto. 
 
Platão disse que “A dor é uma emoção que mora no cérebro”, no ano 375 a.C. Passados 
séculos esta frase ainda é válida quando nos dedicamos ao estudo da dor. 
Numa investigação efetuada pelo Dr. Castro Lopes, da Faculdade de Medicina do Porto, 
numa amostra de 6 mil pessoas refere que 30% sofrem de dor crónica e que 14 destes 
apresentam dor moderada a forte. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
18 
 
Segundo o Dr. José Romão, a dor deve ter uma abordagem biopsicosocial, porque abrange 
todos os aspetos relacionados com a dor: físicos e psicológicos (crenças, fatores sociais e 
culturais). A abordagem da dor pela equipa de saúde, em particular pelos médicos e 
enfermeiros, deve ser sistemática e contínua, em cada contato com o doente, requerendo 
para isso uma formação específica de base e formação contínua das equipas. Enquanto que 
o Dr. Ramiro Veríssimo, da FMUP, chama a atenção para a diferença entre dor e 
sofrimento e para a necessidade de ter em conta estas 2 dimensões na abordagem do doente 
com dor, o Dr. Daniel Moura, da FMUP, entende que não é só necessário combater a dor, é 
necessário eliminá-la. 
 
 
1.1 ESCALA VISUAL ANALÓGICA 
 
 
A Escala Visual Analógica consiste numa linha horizontal, ou vertical, com 10 centímetros 
de comprimento, que tem assinalada numa extremidade a classificação “Sem Dor” e, na 
outra a classificação “Dor Máxima”. O doente terá que fazer uma cruz, ou um traço 
perpendicular à linha, no ponto que representa a intensidade da sua dor. Há, por isso, uma 
equivalência entre a intensidade da dor e a posição assinalada na linha recta. 
De acordo com Huskisson (in Sousa e Silva, 2005) este instrumento tem sido considerado 
sensível, simples, reproduzível e universal, ou seja, pode ser compreendido em distintas 
situações onde há diferenças culturais ou de linguagem do avaliador, clínico ou 
examinador. 
Entretanto, Collins (1997) menciona um estudo em que foi verificado, que uma marca 
acima de 3 cm numa escala de 10 cm poderia incluir 85% de indivíduos que classificaram 
a sua dor como moderada numa escala de categorias de 4 pontos e 98% de indivíduos que 
registaram dor severa e, para Sousa e Silva, isto indica que, uma estimativa acima de 3 cm 
é razoavelmente fidedigna para incluir doentes com dor severa mas, ela também pode 
abarcar doentes com dor moderada ou menos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
19 
 
Uma outra observação feita por Sousa e Silva diz respeito a posição (horizontal ou vertical) 
da linha dessa escala. Doentes com dor lombar têm interpretado a linha vertical com sua 
coluna cervical e, então colocam uma marca na linha para descrever a localização de sua 
dor, ao invés de indicar a intensidade da dor percebida. No entanto, esses autores também 
referem que há uma crescente evidência da fidedignidade e validade deste método. 
Mede-se, posteriormente e em centímetros, a distância entre o início da linha, que 
corresponde a zero e o local assinalado, obtendo-se, assim, uma classificação numérica que 
será assinalada na folha de registo. 
 
 
 
Quadro nº 1: Escala visual analógica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Collins, S. L.; Moore, R. A.; Mcquay, H. J. (1997) The visual analogue pain intensity scale What is moderate 
pain in millimeters? Pain, 72, 95-97. 
Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº 9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, 
Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf 
Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista 
DOR, 6(1), 469-513. 
Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 
2008. I S B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 – 9. 
http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site
.pdf. 
 
 
 
 
 
 
 
 SEM DOR------------------------------------------------------------------------------------DOR MÁXIMA 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
20 
 
 
1.2 ESCALA NUMÉRICA DA DOR 
 
 
A escala numérica da dor, título original Pain Numerical Rating Scale foi elaborada a partir 
de outras escalas em língua inglesa e posteriormente validada e implementada a nível 
internacional. Tem como população alvo pessoas com idade igual ou superior a 6 anos, ou 
a partir do momento em que adquiram a noção de grandeza numérica e saibam contar. 
O objetivo da escala é avaliar em cada indivíduo a relação que existe entre a intensidade da 
dor que o mesmo perceciona num determinado momento e uma classificação numérica de 
11 valores, que varia entre 0 "Sem Dor" e 10, considerada como o nível de "Dor Máxima". 
 
Não foram encontrados dados sobre o processo de validação e adaptação desta escala para 
a população portuguesa. No entanto, o uso da mesma é referenciado na Circular Normativa 
nº 9 da Direcção Geral da Saúde (2003), onde refere que a mensuração da intensidade da 
dor é feita tendo em conta as seguintes escalas validadas internacionalmente: "Escala 
Visual Analógica" (convertida em escala numérica para efeitos de registo), "Escala 
Numérica", "Escala Qualitativa" ou "Escala de Faces". Também segundo o Guia 
Orientador de Boa Prática sobre a Dor, da Ordem dos Enfermeiros (2008), surge 
referenciada a Escala Numérica da Dor como um dos instrumentos principais para a 
avaliação da dor nos indivíduos. 
 
A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas 
sucessivamente de 0 a 10. Esta régua pode apresentar-se ao doente na horizontal ou na 
vertical. Pretende-se que o doente faça a equivalência entre a intensidade da sua dor e uma 
classificação numérica, sendo que a 0 corresponde a classificação “Sem Dor” e a 10 a 
classificação “Dor Máxima” (Dor de intensidade máxima imaginável). 
 
Sendo um dos deveres dos profissionais de saúde o controlo eficaz da dor, a fim de 
minimizar as suas consequências e garantir o conforto e bem-estar da pessoa, a avaliação e 
registo da intensidade da dor deve ser feita de forma contínua e regular, à semelhança dos 
restantes sinais vitais, de modo a otimizar a terapêutica administrada e melhorar a 
qualidade de vida do doente. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
21 
 
Quadro nº 2: Escala numérica 
 
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
 
Sem Dor Dor MáximaReferências bibliográficas 
Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, 
2003.Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf 
Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista 
DOR, 6(1), 469-513. 
Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 2008. I 
S B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 – 9. 
http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site
.pdf. 
 
 
 
1.3 ESCALA DE FACES DA DOR 
 
A Escala de Faces da dor, título original Wong Baker Faces Pain Scale, foi elaborada em 
1988 por Wong e Baker. Tem como população alvo todos os indivíduos com idade igual 
ou superior a 3 anos, com capacidade para poder associar as expressões mímicas presentes 
na escala com a dor que vivência no momento. 
 
Na utilização da escala é solicitado à pessoa que classifique a intensidade da sua dor de 
acordo com a mímica representada em cada face desenhada, sendo que à expressão de 
felicidade corresponde a classificação "Sem Dor" e à expressão de máxima tristeza 
corresponde a classificação "Dor Máxima", tendo ao todo 6 expressões faciais. 
O instrumento de medida referido foi elaborado a partir de outras escalas em língua inglesa 
e posteriormente validado e implementado a nível internacional. 
Não foram encontrados dados sobre o processo de validação e adaptação desta escala para 
a população portuguesa. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
22 
 
No entanto, o uso da mesma é referenciado na Circular Normativa nº 9 da Direcção Geral 
da Saúde, onde refere que a mensuração da intensidade da dor é feita tendo em conta as 
seguintes escalas validadas internacionalmente: "Escala Visual Analógica" (convertida em 
escala numérica para efeitos de registo), "Escala Numérica", "Escala Qualitativa" ou 
"Escala de Faces". Também segundo o Guia Orientador de Boas Práticas sobre a Dor, da 
Ordem dos Enfermeiros, surge referenciada a Escala de Faces da Dor como um dos 
instrumentos principais para a avaliação da dor nos indivíduos. 
 
 
Figura nº 1: Escala de Faces 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Direcção Geral de Saúde. Circular Normativa nº9 - A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da dor, 
2003. Disponível em - http://www.myos.pt/downloads/circular5sinalvital.pdf 
Sousa, F. F.; Silva, J. A. (2005) A métrica da dor (dormetria) : problemas teóricos e metodológicos. Revista 
DOR, 6(1), 469-513. 
Ordem dos enfermeiros - DOR: Guia Orientador de Boa Pratica. Edição da Ordem dos Enfermeiros, 2008.I S 
B N : 9 7 8 - 9 7 2 - 9 9 6 4 6 
http:www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/SedeAreaReservada/Junho2008/GuiaDor_site
.pdf. 
 
 
 
1.4 ESCALA DE ABBEY 
 
A escala de dor abadia, versão original Abbey Pain Scale é para ser usada como parte de 
um plano global de gestão da dor. É um instrumento concebido para auxiliar na avaliação 
da dor em doentes institucionalizados que não são capazes de articular claramente as suas 
necessidades. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
23 
 
A escala não faz distinção entre angústia e dor. Portanto, é essencial medir a eficácia das 
intervenções para aliviar a dor. A avaliação da dor nos doentes que não podem comunicar, 
seja por alterações do estado de consciência, seja por alterações cognitivas deve, 
necessariamente ser efectuada e tratada. 
 
No idoso, a prevalência da dor de acordo com vários estudos consultados, varia entre 27% 
e 84%. A maioria das vezes o diagnóstico da dor está comprometido negativamente pela 
dificuldade que os doentes desta fase etária, tem em saber expressar o seu sofrimento 
perante a dor. Perante esta dificuldade foram criadas escalas para que o profissional de 
saúde possa usar num doente que perdeu a capacidade de comunicar com o seu meio 
ambiente. 
 
Como usar a escala: 
Observar o doente e colocar as questões com a pontuação de 1 - 6 
 
Quadro nº 3: Escala de Abbey 
 
Q1. Vocalização 
 Por exemplo, choramingando, gemendo, gritando 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q1 
Q2. Expressão facial 
 Por exemplo, olhar tenso, carrancudo, fazendo caretas, olhando assustado 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q2 
Q3. Mudança na linguagem do corpo 
 Por exemplo, remexendo, balançando, defesa, afastar-se 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q3 
Q4. Mudança de comportamento 
Por exemplo, aumento da confusão, recusa alimentar, alteração do padrão comportamental 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q4 
Q5. Mudanças fisiológicas 
Por exemplo, temperatura, pulso e HTA, rubor, palidez e sudorese 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q5 
Q6. As alterações físicas 
Por exemplo, laceração da pele, áreas de pressão, artrite, contraturas, lesões prévias 
Ausente 0 Leve 1 Moderada 2 Grave 3 
 
Q6 
 
 Pontuação da dor total 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
24 
 
Assinale a escala correspondente a dor total: 
0 -2 
Sem dor 
3-7 
Leve 
8-13 
Moderada 
>=14 
Grave 
 
 
Assinale o tipo de dor: 
Crónica Aguda Agudização 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Abbey, J; De Bellis, A; Piller, N; Esterman, A; Giles, L; Parker, D e Lowcay, B. Financiado pela JH & Gunn 
JD Medical Research Foundation 1998 – 2002. 
Abbey, JA, Piller, N., DeBellis, A, Esterman, A., Parker, D., Giles, L. & Lowcay, B. (2004). O Abbey 
 Escala de dor. Um indicador numérico de 1 minuto para as pessoas com demência em estágio avançado. 
International Journal, Paliativos de Enfermagem, 10 (1), 6-13. 
Angelotti, G.; Sardá, J.J. (2005) Avaliação Psicológica da Dor. In: Figueiró, J.A.; 
 Van Iersel, T., Timmerman, D. & Mullie, A. (2006). Introdução de uma escala de dor para os doentes de 
cuidados paliativos com comprometimento cognitivo. International Journal of Palliative Nursing, 12 (2), 54-
59. 
 
 
 
1.5 ESCALA DE DOLOPLUS 
 
A escala de Doloplus foi traduzida, adaptada e validada para a realidade portuguesa por 
Hirondina Marques Guarda, no âmbito da dissertação de Mestrado em Cuidados Paliativos 
em Fevereiro de 2006. A sua utilização necessita de uma aprendizagem; como, para 
qualquer novo instrumento, será sensato experimentá-la antes de a difundir. O tempo de 
execução da escala diminui com a experiência (alguns minutosno máximo). 
 
Deve ser utilizada por uma equipa multidisciplinar e é preferível que a sua execução seja 
efetuada por vários cuidadores (médico, enfermeiro). É, de especial importância, na equipa 
de visitação domiciliária onde devemos envolver a família e o cuidador. 
Não é necessário obter uma resposta para todos os itens da escala, em particular face a um 
doente desconhecido, relativamente ao qual não se possuem ainda todos os dados, 
nomeadamente no plano psico-social. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
25 
 
Do mesmo modo, em caso de coma, a execução será baseada essencialmente nos itens 
somáticos. Os comportamentos passivos são menos percetíveis mas, tão presentes e 
importantes como os comportamentos ativos; por exemplo, as perturbações do 
comportamento podem-se exprimir de um modo hiperativo, tal como a agressividade 
pouco habitual, mas também como modo de afastamento. 
 
A cotação de um item isolado não tem significado; é a pontuação global que se tem que 
considerar. Se ela se concentra nos últimos itens, a existência de dor é pouco provável. A 
reavaliação será efetuada duas vezes ao dia até à diminuição da dor e posteriormente o seu 
espaçamento será estabelecido em função das situações. Deve-se estabelecer uma 
atualização das pontuações, fazendo-a aparecer na folha de tratamento (ao mesmo nível 
que a temperatura ou a tensão arterial) será um argumento primordial na perceção do 
sintoma e na implementação do tratamento. 
 
A dor é uma sensação e uma emoção subjetiva e pessoal. A comparação das pontuações 
entre doentes não faz, portanto, qualquer sentido. Só tem interesse apenas a evolução das 
pontuações de um determinado doente. Admite-se, atualmente, que uma pontuação 
superior ou igual a 5/30 é sinal de dor. Contudo, para as pontuações próximas deste limiar, 
é necessário dar o benefício da dúvida ao doente. Se o comportamento observado se 
modificar com a toma de analgésicos, confirma-se a existência de dor. 
 
A escala efetua a cotação da dor, e não da depressão, da dependência ou das funções 
cognitivas. Existem numerosos instrumentos adaptados a cada situação, e é primordial 
compreender que se procura determinar as alterações de comportamento ligadas a uma 
eventual dor. Assim, para os itens 6 e 7, não se procede à avaliação da dependência ou da 
autonomia, mas sim da dor. 
 
Não se deve recorrer sistematicamente à escala doloplus. Quando a pessoa idosa é 
comunicante e cooperante será mais lógico utilizar instrumentos de auto-avaliação. 
Quando a dor é evidente, será mais urgente tratá-la do que avaliá-la. 
No entanto, à mínima dúvida, a hetero-avaliação evitará qualquer subavaliação. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
26 
 
Quadro nº 4: Escala de Doloplus 
 
Repercussão somática 
1. Queixas somáticas 
Ausência de queixas 0 0 0 0 
Queixas apenas quando há solicitação 1 1 1 1 
Queixas espontâneas ocasionais 2 2 2 2 
Queixas espontâneas contínuas 3 3 3 3 
2. Posições antálgicas em repouso 
Ausência de posição antálgica 0 0 0 0 
O individuo evita certas posições de forma ocasional 1 1 1 1 
Posição antálgica permanente e eficaz 2 2 2 2 
Posição antálgica permanente ineficaz 3 3 3 3 
3. Protecção de zonas dolorosas 
Ausência de protecção 0 0 0 0 
Protecção quando há solicitação, não impedindo o prosseguimento do exame e dos cuidados 1 1 1 1 
Protecção quando há solicitação, impedindo qualquer exame ou cuidados 2 2 2 2 
Protecção em repouso na ausência de qualquer solicitação 3 3 3 3 
4. Expressão facial 
Mímica habitual 0 0 0 0 
Mímica que parece exprimir dor quando há solicitação 1 1 1 1 
Mímica que parece exprimir dor na ausência de qualquer solicitação 2 2 2 2 
Mímica inexpressiva em permanência e de forma não habitual (átona, rígida, olhar vazio) 3 3 3 3 
5. Sono 
Sono habitual 0 0 0 0 
Dificuldade em adormecer 1 1 1 1 
Despertar frequente (agitação motora) 2 2 2 2 
Insónia com repercussão nas fases de despertar 3 3 3 3 
Repercussão psicomotora 
6. Higiene e/ou vestir 
Capacidades habituais conservadas 0 0 0 0 
Capacidades habituais pouco diminuídas (com precaução mas completa) 1 1 1 1 
Capacidades habituais muito diminuídas, higiene e/ou vestir difíceis e parciais 2 2 2 2 
Higiene e/ou vestir impossíveis; o doente exprime a sua oposição a qualquer tentativa 3 3 3 3 
7. Movimento 
Capacidades habituais conservadas 0 0 0 0 
Capacidades habituais activas limitadas (o doente evita certos movimentos, diminui o seu 
perímetro de marcha) 
1 1 1 1 
Capacidades habituais activas e passivas limitadas (mesmo ajudado, o doente diminui os seus 
movimentos) 
2 2 2 2 
Movimento impossível; qualquer mobilização suscita oposição 3 3 3 3 
Repercussão psicossocial 
8. Comunicação 
Sem alteração 0 0 0 0 
Intensificada (o individuo chama a atenção do modo não habitual) 1 1 1 1 
Diminuída (o individuo isola-se) 2 2 2 2 
Ausência ou recusa de qualquer comunicação 3 3 3 3 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
27 
 
9. Vida social 
Participação habitual nas diferentes atividades (refeições, atividades recreativas, ateliers 
terapêuticos) 
0 0 0 0 
Participação nas diferentes atividades apenas quando há solicitação 1 1 1 1 
Recusa parcial de participação nas diferentes atividades 2 2 2 2 
Recusa de qualquer tipo de vida social 3 3 3 3 
10. Alterações do comportamento 
Comportamento habitual 0 0 0 0 
Alterações do comportamento quando há solicitação e repetidas 1 1 1 1 
Alterações do comportamento quando há solicitação e permanentes 2 2 2 2 
Alterações do comportamento permanentes (sem qualquer solicitação) 3 3 3 3 
 
 
PONTUAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Angelotti, G.; Pimenta, C.A de M (org.). Dor e Saúde Mental. São Paulo: Atheneu. 
Carvalho, M. M. M. J. Prefácio. In: Carvalho, M. M. M. J. (Org.) (1999) Dor: Um estudo multidisciplinar. 
São Paulo: Summus, p. 7-8. 
Estudo de validação da escala de Doloplus, Faculdade de Medicina de Lisboa, Tese de Mestrado em 
Cuidados Paliativos, Fevereiro 2006 – Hirondina Guarda. 
Frutuoso, J. T. (2006) Mensuração de Aspectos Psicológicos Presentes em Portadores de Dor Crônica 
Relacionada ao Trabalho. 2006. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de 
Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 
Pimenta, C. I. Fundamentos teóricos da dor e de sua avaliação. In: Carvalho, M. M. J. (Org). Dor: um estudo 
multidisciplinar. São Paulo: Summus, 1999. p. 31-46. 
Potter, Patrícia; Perry, Anne - Fundamentos de enfermagem: conceitos e procedimentos. 5ªed. 
Loures: Lusociância, 2006. ISBN: 972-8930-24-0. 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
28 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
FUNCIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
29 
 
 
2 - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL 
 
A capacidade funcional (CF) é definida pela ausência de dificuldades no desempenho de 
certos gestos e de certas atividades da vida diária. Os conceitos fazem parte de um sistema 
de Classificação Internacional de Comprometimento, Incapacidades e Desvantagens 
(ICIDH) da World Hearth Organization (WHO). 
 
A capacidade funcional é definida para um idoso com a capacidade de poder viver 
independente, sendo essa capacidade caracterizada pela possibilidade de realizar as suas 
atividades físicas e mentais necessárias para manutenção das suas atividades básicas, 
como: tomar banho, vestir-se, realizarhigiene pessoal, transferir-se, alimentar-se, 
continência, preparar refeições, ter o controlo financeiro, tomar medicamentos, fazer 
compras, arrumar a casa, usar o telefone, caminhar a uma certa distância, etc (RAMOS, 
2003), ou seja, ser autónomo. 
 
A avaliação da capacidade funcional dos idosos permite aos membros da equipa 
multidisciplinar uma visão mais precisa quanto à gravidade da doença, à morbilidade e o 
impacto destas na qualidade de vida. Assim, entende-se como avaliação funcional, a 
designação dada para uma função específica, a capacidade de se auto cuidar e à execução 
das atividades de vida diária. Está relacionada com os aspetos práticos das atividades de 
cuidado pessoal e do grau de manutenção da capacidade para o desempenho das atividades 
básicas e mais complexas do quotidiano (VIANA, 2007). Um dos recursos utilizados para 
verificar os níveis de independência ou dependência dos idosos para realizar as tarefas do 
quotidiano é por meio da Medida de Independência Funcional (MIF). 
 
A avaliação funcional pode ser definida como uma tentativa sistematizada de medir, de 
forma objetiva, os níveis nos quais uma pessoa é capaz de desempenhar determinadas 
atividades ou funções em diferentes áreas, utilizando habilidades para o desempenho das 
tarefas da vida diária, para a realização de interações sociais, e outras. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
30 
 
De modo geral, representa uma maneira de medir se uma pessoa é ou não capaz, de forma 
independente, desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si próprio e do seu 
meio ambiente e, em caso contrário, verificar se essa necessidade de ajuda é parcial (em 
maior ou menor grau) ou total. Com base nessa definição, o conceito de função pode ser 
definido como a capacidade que o indivíduo idoso possa adquirir para se adaptar às 
necessidades do dia-a-dia, e apesar de possuir uma limitação física, mental e/ou social. 
 
 
 
2.1 ESCALA DE KATZ 
 
O conceito de atividades de vida diária é talvez um dos únicos conceitos em que se há 
consenso em geral (SHIGUEMOTO, 2007). Entre as clássicas AVD propostas por Sidney 
Katz, incluem-se a capacidade para alimentar-se, transferir-se, vestir-se, continência, banho 
e uso de sanitário, denominadas pelos seus colaboradores como atividades básicas da vida 
diária (PASCHOAL, 1996; DIOGO, 2000). 
 
A independência na realização das AVD é de grande importância na vida das pessoas pois 
envolve questões de natureza emocional, física e social. 
 
Independentemente da faixa etária, a dependência pode alterar a dinâmica familiar, os 
papéis desenvolvidos pelos seus elementos, interferindo nas relações e no bem-estar da 
pessoa dependente e dos seus familiares (DIOGO, 2000). 
 
A primeira apreciação teórica e de padronização foi feita por um grupo de Cleveland, 
Ohio, EUA, liderado por Sidney Katz. Este demonstrou que a sequência de recuperação de 
seis atividades básicas da vida diária entre idosos incapacitados (alimentar-se, continência, 
transferir-se, uso de sanitário, vestir-se e tomar banho) assemelhava-se à sequência de 
desenvolvimento dessas mesmas funções no processo de crescimento e desenvolvimento 
neuropsicomotor da criança, bem como a padrões de comportamento de membros de 
sociedades primitivas (PASCHOAL, 1996). 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
31 
 
A escala de Independência nas Atividades da Vida Diária (AVD), desenvolvido por Sidney 
Katz em 1963, é um dos instrumentos mais antigos e tem como objetivo avaliar a 
capacidade funcional do idoso em relação as atividades básicas de vida diária (ABVD). 
Em termos de avaliação global e tendo em conta as seis funções que a seguir se descrevem, 
são considerados em cada um dos oito grupos: 
 
 
 Quadro nº 5: Escala de Katz (Duarte, Andrade & Lebrão, 2007). 
 
Grau Alimentação Continência Mobilidade 
Casa de 
Banho 
Vestir Banho Total 
Independente 
Dependente 
A Independente em todas as atividades 
B Independente em todas as atividades menos uma 
C Independente para todas excepto banho e outra função adicional 
D Independente para todas excepto banho, vestir, e outra função adicional 
E Independente para todas excepto banho, vestir, uso de casa de banho e outra função adicional 
F Independente para todas excepto banho, vestir, uso de casa de banho, transferências e outra função adicional 
G Dependente nas seis funções 
H Dependente de duas ou mais funções, mas não classificadas nos grupos C, D, E ou F 
 
 
 
Em Portugal, são feitas várias referências à sua utilização. Pode ser utilizada no formato 
Likert, pontuando-se cada item de 0 a 3, sendo que a pontuação 0 representa independência 
completa; 1 está relacionado com necessidade de supervisão; 2 com necessidade de ajuda e 
3 com dependência de outrem; das quais destacamos Brito (2000), Freitas e col, (2002) e 
Sequeira (2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
32 
 
Quadro nº 6: Escala de Katz (Brito, 2000) 
 
1. Banho (com esponja em duche ou banheira) 
Independente: necessita de ajuda para lavar-se em uma só parte do corpo (como as costas ou uma extremidade incapacitada) ou 
toma banho completamente sem ajuda 
2 
Dependente: necessita de ajuda para lavar-se em mais de uma parte do corpo ou necessita de ajuda para sair ou entrar na 
banheira ou não se lava sozinho 
1 
2. Vestir-se 
Independente: vai buscar a roupa de armários e gavetas, veste a roupa, coloca adornos; utiliza auxiliares mecânicos; exclui-se o 
apertar dos sapatos 
2 
Dependente: não se veste só ou veste-se parcialmente 1 
3. Utilização do W.C. 
Independente: vai ao W.C, entrando e saindo sozinho do mesmo; limpa os órgãos genitais (pode usar ou não suportes 
mecânicos); compõe a sua roupa 
2 
Dependente: usa urinol ou precisa de ajuda para utilizar o W.C 1 
4. Mobilidade 
Independente: entra e sai da cama, senta-se ou levanta-se da cadeira, de forma independente (pode usar ou não suportes 
mecânicos) 
2 
Dependente: precisa de ajuda para utilizar a cama e/ou a cadeira; não utiliza uma ou mais destas deslocações 1 
5 . Continência 
Independente: controle completo da micção e da defecação 2 
Dependente: incontinência urinária ou fecal, parcial ou total; controle total ou parcial, mediante enemas, sondas ou o uso regular 
de urinóis 
1 
6 . Alimentação 
Independente: leva a comida do prato ou equivalente até à boca (exclui-se da avaliação o cortar da carne e a preparação dos 
alimentos, como barrar com manteiga um pão) 
2 
Dependente: necessita de ajuda para o ato de se alimentar, tendo em conta o anteriormente referido; não come em absoluto ou 
recebe alimentação parenteral 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
33 
 
Quadro nº: 7 Escala de Katz modificado (Freitas e col, 2002) 
 
 
FUNÇÃO 
INDEPENDÊNCIA 
Faz sozinho, totalmente, 
habitualmente e corretamente 
atividade considerada 
 
(0) 
DEPENDÊNCIA 
PARCIAL COMPLETA 
Faz parcialmente ou não corretamente a 
atividade ou com pouca dificuldade 
O idoso não faz a 
atividade 
considerada 
(3) 
Ajuda não humana 
(1) 
Ajuda humana 
(2) 
BANHO 
Usa adequadamente chuveiro, sabão 
e/ou esponja 
Independente para entrar 
e sair do banheiro. 
 
Necessidade de 
ajuda através do uso 
de órtotese ou algum 
apoio material para o 
banho. 
Necessidade de 
ajuda humana para 
lavar algumas 
partes do corpo 
(costas ou pernas) 
ou supervisão 
Recebe 
assistênciano 
banho para mais 
de uma parte do 
corpo (ou não se 
lava) 
VESTIR-SE 
Apanha a roupa do armário ou gaveta, 
veste-se e consegue despir-se. Exclui-
se calçados. 
Independente para pegar a 
roupa e se vestir 
Necessidade de 
apoio de algum 
objeto para se vestir. 
Necessidade de 
ajuda humana para 
pegar a roupa. 
Dependência total 
para vestir-se. 
 
USO DO BANHEIRO Locomove-se 
até o banheiro, despe-se e limpa-se e 
arruma a roupa. 
Independente para ir ao 
banheiro e se limpar. 
 
Necessidade de ajuda 
através do uso de 
órtese ou marreco, 
comadre e urinol para 
a higiene 
Necessidade de 
ajuda humana para 
ir ao banheiro ou 
se limpar. 
 
Não vai ao 
banheiro para o 
processo de 
eliminação 
 
TRANSFERIR-SE 
Locomove-se da cama para a cadeira e 
vice-versa 
Independente para entrar ou 
sair do leito, sentar e levantar 
da cadeira. 
 
Necessidade de ajuda 
através do uso de 
órtese ou de algum 
apoio material para 
realizar a 
transferência 
Necessidade de 
ajuda humana 
parcial para entrar e 
sair do leito, sentar 
e levantar da 
cadeira. 
Não sai da cama. 
Restrito ao leito 
 
 
 
 
CONTROLE 
ESFINCTE-
RIANO 
(Considerar o 
escore mais alto) 
 
 
 
Micção 
Independência para 
controlar a micção 
 
Necessidade de ajuda 
através do uso regular 
de urinol, comadre ou 
marreco para controle 
da micção e defecação. 
Necessidade de 
ajuda humana para 
controle da micção 
) ou usa fralda 
noturna somente 
(supervisão) 
Dependência total 
através do uso 
constante de 
cateteres ou 
fraldas 
 
 
 
Evacuação 
Independência para 
controlar os movimentos 
intestinais 
 
Necessidade de ajuda 
através do uso regular 
de urinol, comadre ou 
marreco para controle 
da defecação. 
Necessidade de 
ajuda humana para 
controle da 
defecação 
(supervisão) ou usa 
fralda noturna 
somente. 
Dependência total 
através do uso 
constante de 
fraldas 
ALIMENTAR-SE 
Consegue apanhar a comida do prato 
ou equivalente e levar à boca 
Independente para pegar o 
alimento e levá-lo até a boca. 
 
Necessidade de ajuda 
através do uso de 
adaptadores para a 
alimentação 
 
Alimenta-se 
sozinho exceto pela 
assistência para 
cortar a carne e 
passar manteiga no 
pão. 
Dependência total 
para a 
alimentação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
34 
 
Quadro nº 8: Escala de Katz (Sequeira, 2007) 
 
katz Independente Independente 
com supervisão 
Independente 
com ajuda 
Dependente 
Controlo de esfíncteres 4 3 2 1 
Banho 4 3 2 1 
Utilização da casa de 
banho 
4 3 2 1 
Mobilidade 4 3 2 1 
Vestir/Despir 4 3 2 1 
Alimentação 4 3 2 1 
 
 
Os critérios para classificação de independência ou dependência apresentados por Sequeira 
(2007) são semelhantes aos referidos por Brito (2000). 
 
 
Referências bibliográficas 
Diogo, M.J.D`E.; O papel da enfermeira na reabilitação do idoso. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 
v.8, n.1, p. 75-81, 2000. 
Duarte, Y.A.O.; Andrade, C.L.; Lebrão, M.L. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. 
Revista da Escola de Enfermagem – USP. 
Duarte, C.P.; Santos, C.L.; Gonçalves, A.K. A concepção de pessoas de meia idade sobre saúde, 
envelhecimento e atividade física como motivação para comportamentos ativos. Revista Brasileira de 
Ciências do Esporte, v.23, n.3, p.35-48, 2002. v.2, n.41, p.317-25, 2007. 
Freitas, E.V.; Miranda, R.D.; Parâmetros Clínicos do Envelhecimento e Avaliação Geriátrica Ampla. In: 
FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. 
1573 p. cap.93, p. 900-909. 
Guimarães, L.H.C.T.; et al. Avaliação da capacidade funcional de idosos em tratamento fisioterapêutico. 
Revista Neurociências, v.12, n.3, p.130-133, 2004. 
Sequeira, C.; Cuidar de idosos com dependência física e mental, Lidel, 2010 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
35 
 
 
2.2 ESCALA DE LAWTON – BRODY 
 
A escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária (Lawton & Brody, 1969), versão 
portuguesa de Araújo, Pais Ribeiro, Oliveira, Pinto, & Martins, 2008) avalia a 
funcionalidade instrumental. 
Trata-se de uma medida genérica do nível de independência da pessoa idosa que avalia 
tarefas adaptativas ou necessárias para a vida independente na comunidade, tais como: usar 
o telefone, fazer compras, preparação da alimentação, lida da casa, lavagem da roupa, uso 
de transportes, preparação da medicação e gestão do dinheiro, mediante a atribuição de 
uma pontuação segundo a capacidade do sujeito avaliado para realizar essas atividades. A 
escala permite classificar as pessoas em dependentes e independentes e a sua pontuação, de 
máxima independência é oito e a maior dependência é zero. 
Lawton e Brody, em 1969 desenvolveram uma escala que pretendia medir a incapacidade e 
servir para planear e avaliar intervenções em idosos. Este instrumento avalia o nível de 
independência da pessoa idosa no que se refere à realização das atividades instrumentais 
(AIVD) que compreendem oito tarefas como usar telefone, fazer compras, preparação das 
refeições, lida da casa, lavagem da roupa, uso de transportes, preparar medicação e gerir o 
dinheiro, mediante a atribuição de uma pontuação segundo a capacidade da pessoa 
avaliada para realizar essas atividades (Araújo, et al., 2008; Sequeira, 2007). 
Azeredo & Matos, 2003 converteram a escala em três grupos na mesma proporção em que 
apresenta cada item e consideraram os seguintes pontos de corte: 0-5 significa dependência 
grave ou total; de 6-11 dependência moderada; de 12-16 ligeira dependência ou 
independente. 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
36 
 
Quadro nº 9: Escala de Lawton e Brody (Azeredo e Matos, 2003) 
Atividades Instrumentais Sem qualquer ajuda Necessita de ajuda Totalmente incapaz 
É capaz de usar o telefone? 
É capaz de ir para lugares além da distância da 
marcha? 
 
É capaz de ir as compras? 
É capaz de prepara as refeições? 
É capaz de fazer a lida da casa? 
É capaz de fazer pequenos trabalhos domésticos? 
É capaz de tratar da roupa? 
É capaz de tomar a medicação? 
É capaz de fazer a gestão do próprio dinheiro? 
Total Parcial 
Total 
Informador: Próprio Familiar Vizinho Outro Registo 
 
 
 
Sequeira (2007) apresenta uma versão diferente com a seguinte pontuação: cada item 
apresenta 3, 4 ou 5 níveis diferentes de dependência, pelo que cada actividade é pontuada 
de 1 a 3, de 1 a 4 ou de 1 a 5 em que a maior pontuação corresponde a um maior grau de 
dependência. 
O Índice varia entre 8 e 30 pontos de acordo com os seguintes pontos de corte: 8 pontos – 
Independente; 9 a 20 pontos - Moderadamente dependente, necessita de uma certa ajuda; 
 > 20 pontos - Severamente dependente, necessita de muita ajuda. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
37 
 
Quadro nº 10: Escala de Lawton e Brody (Sequeira, 2007) 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Araújo, F., Pais-Ribeiro, J., Oliveira. A., Pinto, C., & Martins, T. (2008). Validação da escala de Lawton e 
Brody numa amostra de idosos não institucionalizados. In I. Leal, J.Pais-Ribeiro, I. Silva & S. Marques 
(Eds.), Actas do 7º Congresso Nacional dePsicologia da Saúde (pp. 217-220). Lisboa: ISPA. 
Cromwell DA, Eagar K, RG Poulos. O desempenho de atividades instrumentais da vida diária em escala de 
triagem para cognitivas comprometimento em idosos residentes na comunidade. J Clin Epidemiol. 2003; 56 
(2) :131-137. 
Lawton MP, Brody EM. Avaliação de pessoas idosas: atividades de auto-manutenção e instrumentais da vida 
diária. Gerontologista. 1969; 9 (3) :179-186. 
Matsudo, S. M. Avaliação do idoso: física e funcional. Londrina: Midiograf; 2000. 
Polidor Research Institute. Atividades Instrumentais de Vida Diária Escala 
(AIVD). Disponívelem:http://www.abramsoncenter.org/PRI/documents/IADL.pdf. 
Sequeira, C.; Cuidar de idosos com dependência física e mental, Lidel, 2010 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
38 
 
 
2.3 MEDIDA DE INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL (MIF) 
 
A Medida de Independência Funcional (MIF) foi desenvolvida na década de 1980 por um 
grupo norte-americano organizado pela Academia Americana de Medicina Física e 
Reabilitação no Congresso Americano de Medicina de Reabilitação. A MIF faz parte do 
Sistema Uniforme de Dados para Reabilitação Médica (SUDRM), sendo largamente 
utilizada e aceite como uma medida de avaliação funcional internacional. O principal 
objetivo foi criar um instrumento capaz de medir o grau de dependência de cuidados de 
terceiros do doente portador de deficiência necessita para realização de tarefas motoras e 
cognitivas. 
A revisão da literatura aponta que a MIF é utilizada principalmente em lesões neurológicas 
(como os acidentes vasculares cerebrais e lesões medulares) e também pode ser utilizada 
em crianças. A forma de se obter informações advém da observação do desempenho do 
doente, e/ou nas informações fornecidas pelo doente/familiar/cuidador/equipa. Tem como 
vantagem o fato de não compreender somente as atividades motoras, mas também as 
cognitivas e também a capacidade de comunicação. 
A escala avalia 18 categorias pontuadas de 1 a 7 e classificadas quanto ao nível de 
dependência para a realização de tarefas. As categorias são agrupadas em seis dimensões: 
auto cuidado (alimentação, higiene pessoal, banho, vestir metade superior, vestir metade 
inferior, uso do wc), controle de esfíncteres, transferências (leito, cadeira, cadeira de rodas, 
uso de sanita, tomar banho), locomoção (marcha, cadeira de rodas, escadas), comunicação 
(compreensão, expressão) e cognição social (interação social, resolução de problemas, 
memória). 
Cada dimensão é analisada pela soma de suas categorias referentes; quanto menor a 
pontuação, maior é o grau de dependência. Somando-se os pontos das dimensões da MIF, 
obtém-se um score total mínimo de 18 e o máximo de 126 pontos, que caracterizam os 
níveis de dependência. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
39 
 
Quadro nº 11: Medida de Independência Funcional (MIF) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Cuidados Pessoais ADMISSÃO ALTA 
 
A. Alimentação 
B. Cuidados com a aparência 
C. Banhos 
D. Vestir parte superior do corpo 
E. Vestir parte inferior do corpo 
F. Asseio 
Controle de esfíncteres 
G. Controle Vesical 
H. Controle esfíncter anal 
Mobilidade 
Transferência: 
I. Cama, cadeira, cadeira de rodas 
J. Banheiro 
K. Banheira, Chuveiro 
Locomoção 
L. Caminhar, cadeira de rodas 
M. Escada 
Comunicação 
N. Compreensão 
O. Expressão 
Cognição Social 
P. Interacção social 
Q. Solução de problemas 
R. Memória 
MIF TOTAL 
 
NOTA. Não deixe espaços em branco, anote 1 se o utente não puder ser examinado devido a riscos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
N 
I 
V 
E 
I 
S 
 
7 Independência Total (Imediata, com Segurança) 
6 Independência Total (Aparelhada) 
 
Sem assistência 
 
 
Dependência Modificada 
5 Supervisão 
4 Assistência Mínima (Capacidade = 75%) 
3 Assistência Moderada (Capacidade = 50%) 
Dependência completa 
2 Assistência Máxima (Capacidade =25%) 
 
Com assistência 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
40 
 
Referências bibliográficas 
 
Barnes M. Spasticity: a rehabilitation challenge in the elderly. Gerontology 2001; 47:295-9. 
Barnes MP, Kent RM, Smlyen JK, Mc Mullen KM. Spasticity in multiple sclerosis Neurorehabil Neural 
Repair 2003;17: 1766-70. 
Braun RM, Botte MJ. Treatment of shoulder deformity in acquired spasticity. Clin Orthop Relat Res 
1999;368:54-65. 
Mayer N. Clinicophysiologic concepts of spsaticity and motor dysfunction in adults with an upper 
motoneuron lesion. In: spasticity: etiology, evaluation, management and role of botulinum toxin.We move. 
September 2002. 
Meythaler JM. Concept of spastic hypertonia. Phys Med Rehabil Clin Nam 2001;12:725-32. 
 
 
 
2.4 ESCALA DE PFEIFFER 
 
A escala de Pfeiffer é constituída por itens relacionados com a capacidade que o indivíduo 
tem para realizar AIVD (atividades instrumentais de vida diária) e funções 
cognitivas/sociais como fazer compras, preparar alimentação, manter-se em dia com a 
atualidade, prestar atenção em programas de rádio, TV e de os discutir. 
 
Esta escala é constituída por dez itens relacionados coma capacidade da pessoa para 
realizar AIVD e funções cognitivas/sociais, evidenciando a funcionalidade por meio do 
grau de independência para a realização das atividades instrumentais de vida diária. 
O score mínimo é 0 e o máximo é 30. Quanto maior a pontuação, maior é a dependência do 
doente, sendo considerado o ponto de corte a partir de um score de 3 (Cassis et al., 2007). 
 
De acordo com Jacinto (2008) scores iguais ou superiores a 5 possuem boa especificidade 
e sensibilidade para o diagnóstico de alterações da cognição com declínio funcional. 
 
Na pesquisa bibliográfica que efetuamos não foram encontrados dados sobre o seu 
processo de validação e adaptação para a realidade portuguesa. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
41 
 
Quadro nº12: Escala de Pfeiffer 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Almeida, A. C.; Miranda, M.; Rodrigues, M. & Monteiro, R. (2005). Transição do doente dependente para a 
família. Revista Sinais Vitais. Nº 62. Coimbra, pp. 26-31. 
Antunes, M. C. P. (2008). Educação, Saúde e Desenvolvimento. Coimbra: Almedina. 
Arantes, P. (2003). Perspectiva Holística do Idoso: Uma Visão Necessária. Revista Sinais Vitais. Nº 48. 
Coimbra, pp. 62-66. 
Pfeiffer RI, Kurosaki TT, Harrah CH, Chance Jr., JM, Blades, S. Medição de atividades funcionais em idosos 
na comunidade, Journal of Gerontology 1982, 37 (3) :323-329. 
http://www.ciape.org.br/matdidatico/edgar/Livro_Aval_Mult_Idoso.doc 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
42 
 
 
2.5 ESCALA DE BARTHEL 
 
A escala de Barthel, versão original de Dorothea Barthel e Florence Mahoney (1965), 
avalia o nível de independência do indivíduo para a realização de 10 atividades básicas de 
vida diária (ABVD): comer, higiene pessoal, uso da sanita, tomar banho, vestir/despir, 
controlo de esfincteres, deambular, transferência da cadeira para a cama, subir e descer 
escadas. 
 
Na versão original a pontuação da escala varia de 0-100 (com intervalos de 5 pontos). A 
pontuação mínima de zero corresponde a máxima dependência para todas as atividades de 
vida diária avaliadas, e a máxima de 100 equivale a independência total para as mesmas 
AVD avaliadas. 
 
Desde a sua publicação (Mahoney e Barthel, 1965) que a EB (Escala de Barthel)tem sido 
amplamente utilizada com o objetivo de «quantificar» e monitorizar a (in)dependência dos 
indivíduos para a realização das ABVD (Paixão e Reichenheim, 2005; Sulter, Steen e 
Keyser, 1999). Neste uso alargado do instrumento têm sido desenvolvidas algumas versões 
que se distinguem da original por aumentarem ou diminuírem as atividades avaliadas ou 
ainda por alterarem o sistema de pontuação. 
 
A versão desenvolvida por Wade e Collin, 1988 propõe uma pontuação dos itens em (0,1,2 
ou 3), obtendo um score total da escala entre 0 (totalmente dependente) e 20 (totalmente 
independente) em oposição à versão original (0-100). 
 
No sentido de facilitar a interpretação da escala, alguns autores (Azeredo e Matos, 2003; 
Duncan, Jorgensen e Wade, 2000; Hu et al., 1989; Imaginário, 2002) têm proposto a 
subdivisão do scores total do EB em diferentes categorias (habitualmente quatro ou cinco), 
embora defiram nos pontos de corte cut-off, o que dificulta a posterior comparação dos 
resultados. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
43 
 
Atualmente, a EB continua a ser amplamente utilizada, essencialmente em contexto 
hospitalar, unidades de convalescença, centros de reabilitação e nos cuidados primários de 
saúde, estando representada no SAM e vários autores consideram-no o instrumento mais 
adequado para avaliar a incapacidade para a realização das AVD (Vilarmau, Diestre e 
Guirao, 2000; Sabartés et al. 2003; Duncan, Jorgensen e Wade, 2000). 
 
A fácil aplicação e interpretação, baixo custo de aplicação, o poder ser repetido 
periodicamente (o que permite monitorizações longitudinais), o consumir pouco tempo no 
seu preenchimento são, algumas das características que fazem desta medida construída 
sobre bases empíricas, uma das mais utilizadas na clínica e na investigação para avaliar o 
grau de dependência dos idosos para realizar dez atividades básicas do seu quotidiano. 
 
Numa sociedade em que a população idosa tem vindo a crescer de uma forma exponencial, 
a avaliação do grau de autonomia deste grupo populacional é extremamente importante, 
quer na avaliação do estado de saúde, quer na planificação dos cuidados tendo em conta as 
suas necessidades específicas. 
 
Esta escala foi validada para a realidade portuguesa por Ricardo Manuel Pereira Loução, 
José Pascoalinho Pereira e Carlos Colaço. Este processo consistiu na verificação da 
validade de conteúdo (painel de 8 peritos) da validade simultânea/concorrente, da validade 
longitudinal/sensibilidade à mudança e da fidedignidade inter observador. Neste sentido, a 
escala de Barthel surge como um instrumento válido e fácil de aplicar na prática clínica. 
 
Neste contexto emerge como mais significativo a avaliação dos itens do que o resultado 
global, porque permite identificar onde estão as incapacidades. 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
44 
 
Quadro nº13: Escala de Barthel (1989) 
Alimentação 
Independente 10 
Necessita de ajuda ou dieta modificada 5 
Totalmente dependente 0 
Vestir/Despir 
Independente 10 
Necessita de ajuda 5 
Dependente 0 
Banho 
Independente 5 
Necessita de ajuda 0 
Higiene pessoal 
Independente 5 
Necessita de ajuda 0 
Controlo anal 
Continente 10 
Acidente ocasional 5 
 
Incontinente (ou necessita de clister) 
 
 
0 
Controlo vesical 
Continente 10 
Acidente ocasional 5 
Incontinente (ou algaliado) 0 
Utilização da sanita 
Independente 10 
Necessita de alguma ajuda 5 
Totalmente dependente 0 
Transferência 
Independente 15 
Necessita de alguma ajuda 10 
Necessita de muita ajuda 5 
Totalmente dependente 0 
Mobilidade 
Independente 15 
Ajuda 10 
Independente em cadeira de rodas 
 
5 
Imóvel ou < 0 
Subir / descer escadas 
Independente 10 
Necessita de ajuda 5 
Incapaz 0 
Total 
 
Cada atividade apresenta entre 2 a 4 níveis de dependência, em que 0 corresponde à 
dependência total e a independência pode ser pontuada com 5, 10 ou 15 pontos de acordo 
com os níveis de dependência. (Sequeira 2007). 
0-20 Dependência Total 
21-60 Dependência Grave 
61-90 Dependência Moderada 
91-99 Dependência Ligeira 
100 Independência 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
45 
 
Segundo este apresenta uma versão da escala de Barthel com uma leitura dos itens 
ligeiramente diferente da acima referida mas avaliando conteúdo semelhante. No entanto, 
os pontos de corte, referidos por este autor são diferentes dos descritos acima: 90 a 100 
independente; 60 a 90 dependência ligeira; 40 a 55 dependência moderada; 20 a 35 
dependência grave; <20 dependência total. 
Quadro nº 14: Escala de Barthel Modificada 
CATEGORIA 1: HIGIENE PESSOAL 
1. O doente e incapaz de realizar higiene pessoal sendo dependente em todos os aspectos. 
2. Doente necessita de assistência em todos os passos da higiene pessoal. 
3. Alguma assistência e necessária em um ou mais passos da higiene pessoal. 
4. Doente e capaz de conduzir a própria higiene, mas requer mínima assistência antes e/ou depois da tarefa. 
5. Doente pode lavar as mãos e face, limpar os dentes e barbear, pentear ou maquiar-se. 
CATEGORIA 2: BANHO 
1. Totalmente dependente para banhar-se. 
2. Requer assistência em todos os aspectos do banho. 
3. Requer assistência para transferir-se, lavar-se e/ou secar-se; incluindo a inabilidade em completar a tarefa pela condição ou doença. 
4. Requer supervisão por segurança no ajuste da temperatura da água ou na transferência. 
5. O doente deve ser capaz de realizar todas as etapas do banho, mesmo que necessite de equipamentos, mas não necessita que alguém 
esteja presente. 
 
CATEGORIA 3: ALIMENTACAO 
1. Dependente em todos os aspectos e necessita ser alimentado. 
2. Pode manipular os utensílios para comer, usualmente a colher, porém necessita de assistência constante durante a refeição. 
3. Capaz de comer com supervisão. Requer assistência em tarefas associadas, como colocar leite e açúcar no chá, adicionar sal e 
pimenta, passar manteiga, virar o prato ou montar a mesa. 
4. Independência para se alimentar um prato previamente montado, sendo a assistência necessária para, por exemplo, cortar carne, abrir 
uma garrafa ou um frasco. Não é necessária a presença de outra pessoa. 
5. O doente pode se alimentar de um prato ou bandeja quando alguém coloca os alimentos ao seu alcance. Mesmo tendo necessidade de 
algum equipamento de apoio, é capaz de cortar carne, serve-se de temperos, passar manteiga,etc. 
 
CATEGORIA 4: USO DE SANITÁRIO 
1. Totalmente dependente no uso vaso sanitário. 
2. Necessita de assistência no uso do vaso sanitário 
3. Pode necessitar de assistência para se despir ou vestir, para transferir-se para o vaso sanitário ou para lavar as mãos. 
4. Por razões de segurança, pode necessitar de supervisão no uso do sanitário. Um penico pode ser usado a noite, mas será necessária 
assistência para seu esvaziamento ou limpeza. 
5. O doente é capaz de se dirigir e sair do sanitário, vestir-se ou despir-se, cuida-se para não se sujar e pode utilizar papel 
higiénico sem necessidade de ajuda. Caso necessário, ele pode utilizar uma comadre ou penico, mas deve ser capaz de os esvaziar e 
limpar; 
 
CATEGORIA 5: SUBIR ESCADAS 
1. O doente é incapaz de subir escadas. 
2. Requer assistência em todos os aspectos relacionados a subir escadas, incluindo assistência com os dispositivos auxiliares. 
3. O doente é capaz de subir e descer, porém não consegue carregar os dispositivos, necessitando de supervisão e assistência. 
4. Geralmente, não necessita de assistência. Em alguns momentos,requer supervisão por segurança. 
5. O doente é capaz de subir e descer, com segurança, um lance de escadas sem supervisão ou assistência mesmo quando utiliza os 
dispositivos. 
 
CATEGORIA 6: VESTUARIO 
1. O doente é dependente em todos os aspectos do vestir e incapaz de participar das atividades. 
2. O doente é capaz de ter algum grau de participação, mas é dependente em todos os aspectos relacionados ao vestuário 
3. Necessita assistência para se vestir ou se despir. 
4. Necessita assistência mínima para abotoar, prender o soutien, fechar o zipper, amarrar sapatos, etc. 
5. O doente é capaz de vestir-se, despir-se , amarrar os sapatos, abotoar e colocar um colete ou órtese, caso eles sejam prescritos. 
 
CATEGORIA 7: CONTROLE ESFINCTERIANO (BEXIGA) 
1. O doente apresenta incontinência urinária. 
2. O doente necessita de auxílio para assumir a posição apropriada e para fazer as manobras de esvaziamento. 
3. O doente pode assumir a posição apropriada, mas não consegue realizar as manobras de esvaziamento ou limpar-se sem assistência e 
tem frequentes acidentes. Requer assistência com as fraldas e outros cuidados. 
4. O doente pode necessitar de supervisão com o uso do supositório e tem acidentes ocasionais. 
5. O doente tem controle urinário, sem acidentes. Pode usar supositório quando necessário. 
CATEGORIA 8: CONTROLE ESFINCTERIANO (INTESTINO) 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
46 
 
1. O doente não tem controle de esfíncteres ou utiliza o cateterismo. 
2. O doente tem incontinência, mas é capaz de assistir na aplicação de auxílios externos ou internos. 
3. O doente fica geralmente seco ao dia, porém não à noite e necessita dos equipamentos para o esvaziamento. 
4. O doente geralmente fica seco durante o dia e a noite, porém tem acidentes ocasionais ou necessita de assistência com os 
equipamentos de esvaziamento. 
5. O doente tem controle de esfíncteres durante o dia e a noite e/ou é independente para realiza esvaziamento. 
CATEGORIA 9: DEAMBULACAO 
1. Totalmente dependente para deambular. 
2. Necessita da presença constante de uma ou mais pessoas durante a deambulação. 
3. Requer assistência de uma pessoa para alcançar ou manipular os dispositivos auxiliares. 
4. O doente é independente para deambular, porém necessita de auxilio para andar 50 metros ou supervisão em situações perigosas. 
5. O doente é capaz de colocar os braces, assumir a posição ortostática, sentar e colocar os equipamentos na posição para o uso. 
O doente pode ser capaz de usar todos os tipos de dispositivos e andar 50 metros sem auxilio ou supervisão. 
Não pontue esta categoria caso o doente utilize cadeira de rodas 
CATEGORIA 10: TRANSFERENCIAS CADEIRA/CAMA 
1. Incapaz de participar da transferência. São necessárias duas pessoas para transferir o doente com ou sem auxílio mecânico. 
2. Capaz de participar, porém necessita de máxima assistência de outra pessoa em todos os aspectos da transferência. 
3. Requer assistência de oura pessoa para transferir-se. 
4. Requer a presença de outra pessoa, supervisionando, como medida de segurança. 
5. O doente pode, com segurança, aproximar-se da cama com a cadeira de rodas, freiar, retirar o apoio dos pés, mover-se para a cama, 
deitar, sentar ao lado da cama, mudar a cadeira de rodas de posição, e voltar novamente para cadeia com segurança. O doente deve ser 
independente em todas as fases da transferência. 
 
 
 
Interpretação do Resultado 75 a 51 pontos - dependência moderada 
100 pontos – totalmente independente 50 a 26 pontos – dependência grave 
99 a 76 pontos – dependência ligeira 
25 e menos pontos – dependência total 
 
 
Esta escala de Barthel Modificada (EBM) foi validada para a realidade portuguesa por 
Paulo Alexandre Teixeira Lima, José Pascoalinho Pereira e Carlos Colaço em 1995 e 1998. 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Araújo, F., Pais-Ribeiro, J., Oliveira, A., & Pinto, C. (2007). Validação do Índice de Barthel numa amostra 
de idosos não institucionalizados. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 25 (2), 59-66. 
Azeredo, Z.; matos, E. — Grau de dependência em doentes que sofreram AVC. Revista da Faculdade de 
Medicina de Lisboa. Série III. 8 : 4 (2003) 199-204. 
Caneda, M. A. et al. — Confiabilidade de escalas de comprometimento neurológico em doentes com 
acidente vascular cerebral. Arquivos de Neuropsiquiatria. 64: 3-A (2006) 690-697 
Diestre, G.; Vilarmau, M. T. — Evolución de la capacidad funcional y características de los doentes 
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14 (1965) 61-65. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
47 
 
 
2.6 ESCALA EK 
 
A escala EK, Egen Klassifikation (do dinamarquês: "nossa própria classificação"), foi 
desenvolvida na Dinamarca visando quantificar o grau de limitação funcional de doentes 
com DMD em fase avançada da doença, tendo sido validada para a língua portuguesa 
(Brasil) por Martinez et al., (2006). Esta escala foi obtida por meio de correspondência 
com o Dr. Bent Juhl, da Universidade de Aarhus, autor de trabalho prévio empregando a 
referida escala. 
Inicialmente desenvolvida em dinamarquês, ela foi fornecida aos pesquisadores numa 
versão em inglês, a qual também foi publicada em periódico internacional. A versão obtida 
foi traduzida para o português falado no Brasil pelos próprios autores, os quais chegaram a 
uma versão final de consenso. 
Na pesquisa bibliográfica efetuada não foram encontrados dados sobre o seu processo de 
validação e adaptação para a realidade portuguesa. 
Esta escala apresenta-se dividida em dez categorias, em que cada uma apresenta quatro 
alternativas que fornecem pontuações parciais entre 0 e 3. A pontuação total é obtida pela 
soma das pontuações parciais e varia entre 0 e 30. Quanto maior o grau de 
comprometimento funcional, maior a pontuação obtida. 
Esta escala mostrou grande correlação com medidas de força muscular periférica, 
intensidade das contraturas musculares, anos de uso de cadeira de rodas e capacidade vital 
forçada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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Quadro nº 15: Escala EK 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
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 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
49 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
DA FORÇA /TONUS MUSCULAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
50 
 
 
3. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FORÇA /TONUS 
MUSCULAR 
 
Muitos dos sistemas de controlo homeostático do organismo têm como base fisiológica 
uma sequência de estímulo-resposta, o reflexo. Embora, em muitos reflexos o indivíduo 
tenha consciência do estímulo e/ou da resposta, noutros,nomeadamente nos que regulam o 
meio interno, não existe qualquer consciência por parte do indivíduo. Em sentido estrito, 
um reflexo é uma resposta involuntária, não premeditada, e não aprendida a um 
determinado estímulo. Existem também diversas respostas que parecem ser automáticas e 
estereotipadas, mas que são, de facto o resultado da aprendizagem e da prática. Por 
exemplo, um condutor experimentado executa simultaneamente uma grande variedade de 
procedimentos: para o condutor, a maior parte destes movimentos é automática e não 
premeditada; no entanto, estes apenas ocorrem porque foi empreendido um grande esforço 
consciente na sua aprendizagem. Estes reflexos designam-se por reflexos aprendidos ou 
adquiridos. 
O tónus muscular é definido como o grau de resistência ao alongamento passivo 
(DAVIDOFF, 1992) e apresenta componentes distintos, como a inércia da extremidade, as 
propriedades mecânico-elásticas dos tecidos conjuntivo e muscular e o reflexo miotático 
(SMITH, WEISS e LEHMKUHL, 1997; TEIXEIRA, OLNEY e BROWNWER, 1998). É 
controlado pelos motoneurônios gama, que inervam as fibras intrafusais dos fusos 
musculares (DAVIDOFF,1992). As fibras do motoneurônio gama provocam encurtamento 
das fibras intrafusais que, por sua vez provocam alongamento das porções equatoriais do 
fuso, resultando num aumento de atividade das fibras aferentes. Avalia-se clinicamente 
por dois métodos: palpação e mobilização passiva. A palpação dos músculos permite 
registar as suas propriedades físicas. 
É, no entanto, um processo muito grosseiro. A mobilização passiva, por sua vez, é um 
método mais adequado para a avaliação do tónus muscular. Nos indivíduos normais, a 
resistência à mobilização passiva é moderada. Em certas condições patológicas o tónus 
muscular aumenta (Hipertonia) e noutras diminui (Hipotonia). 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
51 
 
Há dois tipos de hipertonia de grande importância clínica: a espasticidade e a rigidez. A 
espasticidade observa-se nas lesões piramidais (lesão do neurónio Cortico-Espinhal) e 
caracteriza-se pelo facto de, pouco depois de iniciarmos o movimento a resistência 
aumentar rapidamente, cedendo pouco depois - reflexo da navalha de mola. Tem uma 
distribuição eletiva: atinge preferencialmente os músculos anti-gravíticos (nos membros 
superiores os músculos flexores e nos membros inferiores os músculos extensores), não 
afetando normalmente os músculos axiais. A rigidez, por sua vez, encontra-se nas afeções 
extra-piramidais. Oferece à mobilização passiva uma resistência uniforme durante todo o 
movimento. Ao contrário do que acontece na espasticidade, a rigidez atinge por igual todos 
os músculos esqueléticos incluindo os flexores e os extensores do tronco. 
Na hipotonia a resistência aos movimentos passivos está diminuída e a amplitude dos 
movimentos aumentada. De realçar que, nos indivíduos asténicos e nas crianças existe uma 
hipotonia fisiológica. 
Relativamente à força muscular utiliza-se na prática clínica a escala de Council. Para a 
avaliação da força muscular dos membros superiores dispomos de várias manobras. Na 
prova dos braços estendidos pede-se ao doente para estender os braços até ao nível dos 
ombros, com os olhos encerrados, com as mãos abertas, com os dedos separados e com as 
palmas voltadas para cima. Espera-se aproximadamente um minuto. Numa lesão distal a 
mão começa a cair enquanto o ombro se mantém. 
Numa lesão global, todo o braço cai. A prova do aperto de mão, por seu turno, avalia a 
força distal. Nos membros inferiores a avaliação da força muscular compreende a prova de 
Barré, a prova de Mingazini, a força de dorsiflexão do pé, de flexão plantar do pé e de 
dorsiflexão do hálux. Na prova de Barré, com o doente em decúbito ventral, pede-se que 
levante as pernas (a partir do joelho) de modo a fazerem com a cama um ângulo de cerca 
de 45° durante 15-20 segundos. Dá-nos uma ideia do déficit distal. Na prova de Mingazini, 
estando o doente em decúbito dorsal, pede-se para fletir as coxas a 90°sobre a bacia e para 
fletir as pernas a 90° sobre as coxas durante 15-20 segundos. Dá-nos uma ideia do déficit 
global. A força de dorsiflexão do pé, de flexão plantar do pé e de dorsiflexão do hálux 
contribui para a avaliação da força muscular distal dos membros inferiores. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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3.1 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE FORÇA MUSCULAR – COUNCIL 
 
 A escala Medical Research Council (MRC) foi desenvolvida originalmente e utilizada 
durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de graduar a força muscular. 
 
Quadro nº 16: Escala de avaliação Medical Research Council (MRC Scale, 1943) 
 
Não apresenta movimento muscular nem articular. Não se observa contracção muscular – paralisia total 
 
0 
Não usa o músculo para mover a articulação: percebem-se apenas pequenas contracções musculares, mas sem movimento 1 
 
Amplitude completa de movimento, mas sem vencer a gravidade 
 
2 
 
Amplitude completa do movimento, vence a gravidade, mas não uma resistência mínima adicional 
 
3 
 
Amplitude completa do movimento, vence a gravidade, com alguma resistência adicional 
 
4 
 
Amplitude normal e completa dos movimentos – força normal 
 
5 
 
 
Referências bibliográficas 
Bérard, C. et al. The MFM Collaborative Study Group. A motor function measure scale for neuromuscular 
diseases: construction and validation study. Neuromuscul Disord, v. 15, n. 7, 463-70, 2005. 
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American Journal of Physical Medicine and Rehabilitation 2002; 81(11):108-120. 
Sumner CJ. Therapeutics development for spinal muscular atrophy. NeuroRX 2006; 3:235-245. 
 
 
3.2 ESCALA DE ESPASTICIDADE DE ASHWORTH (modificada) 
 
A espasticidade é uma alteração motora caracterizada por hipertonia e hiper-reflexia, 
secundárias a um aumento da resposta do reflexo de estiramento, diretamente proporcional 
à velocidade de estiramento muscular. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
53 
 
A espasticidade é um dos distúrbios motores mais frequentes e incapacitantes observados 
nos indivíduos com lesão do sistema nervoso central, que compromete o neurônio motor 
superior ao longo da via córtico-retículo bulbo-espinal, afetando milhões de pessoas em 
todo mundo. 
O quadro clínico da espasticidade é caracterizado por aumento do tônus muscular e 
exacerbação dos reflexos tendinosos profundos. Esta hipertonia muscular manifesta-se por 
um aumento da resistência do músculo ao estiramento, sinal do canivete, com predomínio 
de sua distribuição na musculatura antigravitacional. A hiper-reflexia caracteriza-se pelo 
aumento quantitativo da resposta do músculo estimulado, à diminuição do limiar de 
estimulação e ao aumento da área reflexógena. A descarga repetitiva deste reflexo 
exacerbado origina o clônus. 
Na avaliação da espasticidade são utilizados indicadores quantitativos e qualitativos. Estes 
são utilizados para identificar a intensidade e sua influência no desempenho da função, 
sendo úteis na indicação de intervenções terapêuticas e análise dos resultados. 
A Escala Modificada de Ashworth é a escala mais amplamente utilizada na avaliação da 
espasticidade. A sua aceitação deve-se à sua confiabilidade e reprodutibilidade 
interobservador. É uma escala ordinal que varia de 0 a 4, abaixo descrita: 
 
Quadro nº 17: Escala de Espasticidade de Ashworth (modificada) 
GRAU OBSERVAÇÕES CLÍNICAS 
0 Tonus muscular normal 
 
1 
Ligeiro aumento do tonus muscular, manifestado por tensão momentânea ou resistência mínima,no 
final da amplitude de movimento articular quando a região afetada é mobilizada em flexão ou extensão; 
 
1+ 
Ligeiro aumento do tonus muscular, manifestado por tensão abrupta, seguida de resistência mínima em 
menos da metade da amplitude de movimento restante; 
 
2 
Aumento mais acentuado do tonus muscular, durante a maioria da amplitude do movimento mas a 
região afetada é mobilizada facilmente; 
3 Aumento considerável do tonus muscular, o movimento passivo é difícil; 
4 Partes afetadas rígidas na flexão ou na extensão; 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
54 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Barnes M. Spasticity: a rehabilitation challenge in the elderly. Gerontology 2001; 47:295-9. 
Bohannon RW, Smith MB. Interrater reliability of a modified Ashworth scale of muscle spasticity. Phys Ther 
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Calderón - Gonzalez R, Calderón -Sepulveda RF. Tratamiento clínico (no quirúrgico) de la espasticidad e n 
la parálisis cerebral. Rev Neurol 2 0 0 2 ; 34:1-6. 
De Ruz AE, Sánchez Pólo MT, Valdazo Roro M, Diaz González P, Dorado JLT, Diaz MMS, et al. Estúdio 
de prevalência de la espasticidad em el doente com lesion medular. Rehab (Madr) 2002; 36:6-12. 
Meythaler JM. Concept of spastic hypertonia. Phys Med Rehabil Clin Nam 2001; 12: 725-32. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
NEUROLÓGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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4. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA 
 
A realização da avaliação neurológica, de forma sistemática e regular, pode identificar 
precocemente lesões neurológicas que, se tratadas adequadamente, podem evitar 
incapacidades duradoiras ou até deformidades. 
O exame neurológico é fundamental e determinante na prevenção de incapacidades e perda 
de autonomia. A qualidade da sua realização, na rotina dos serviços, no diagnóstico e na 
avaliação do plano individual de intervenção (PII) deve ser promovida e é um critério 
usado para a qualificação dos profissionais e para a avaliação de desempenho dos serviços 
de saúde. 
O exame neurológico completo exige tempo, paciência do examinador e do doente, assim 
como habilidade para a realização de técnicas adequadas e deve ser dividido em 6 partes: 
 
• Exame do equilíbrio e da marcha; 
• Exame da motricidade; 
• Exame da sensibilidade; 
• Exame das funções neurovegetativas; 
• Exame dos pares craneanos; 
• Exame neuropsicológico; 
 
A avaliação neurológica do doente deve-se, em grande parte, à aplicação de instrumentos 
de medição, traduzindo resultados objetivos e/ou subjetivos de extrema importância que 
irão ajudar no diagnóstico e no processo de reabilitação. 
 
Pretendemos que, de uma maneira simples, se possa efetuar uma avaliação neurológica 
atualizada e padronizada, usando testes e escalas, que permitem uma avaliação, um registo 
e uma transmissão de informação útil para benefício do doente, apresentando um baixo 
custo operacional. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
57 
 
O ponto de partida da avaliação é o exame neurológico sumário e simplificado que inclui 
procedimentos mínimos de avaliação da face, tronco, membros superiores e inferiores. 
Salientamos que, o exame neurológico deve fazer parte da rotina, no atendimento do idoso 
e pode ser realizado por qualquer profissional da equipa de saúde devidamente capacitado 
para tal. 
A avaliação da evolução do estado neurológico do doente e a pesquisa de complicações 
baseia-se em parâmetros clínicos. Assim, o exame neurológico deve ser efetuado e 
repetido, tantas vezes quantas as necessárias, usando escalas de avaliação que permitam 
identificar os deficits neurológicos a diferentes níveis (consciência, linguagem) e fazer uma 
análise comparativa entre a pontuação obtida nas observações anteriores. 
 
 
 
4.1 ESCALA DE COMA DE GLASGOW 
 
 
A Escala de Coma de Glasgow, título original Glasgow Coma Scale de B. Jennett e G. 
Teasdle 1974 (ECG), destina-se, de modo genérico, à avaliação do nível de consciência 
(ou grau de profundidade de coma). 
 
 Os seus autores, inicialmente, objetivavam que este instrumento de avaliação fosse 
utilizado para estudar o nível de consciência de pessoas com traumatismo 
craniano grave e medir a função das pessoas em estado de coma. Apesar do seu 
lançamento em 1974, está descrito que, a escala ainda sofre algumas modificações, tendo 
sido aprovada internacionalmente para a avaliação da disfunção neurológica por parte de 
médicos e enfermeiros. 
 
A avaliação é realizada com base na observação do comportamento, traduzindo-se num 
valor numérico que varia entre 3 a 15 pontos. A pontuação máxima (15 pontos) indica um 
indivíduo neuro fisiologicamente sem alterações do nível da consciência e a pontuação 
mínima é representativa do indivíduo que apresenta ausência de respostas a estímulos 
externos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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Quadro nº18: Escala de coma de Glasgow 
 
ESCALA DE COMA DE GLASGOW PONTUAÇÃO 
Abertura dos olhos Espontânea 4 
Ao comando verbal 3 
À dor 2 
Fechados 1 
Resposta motora Obedece a comandos 6 
Localiza a dor 5 
Flexão retirada à dor 4 
Flexão anormal à dor 3 
Extensão à dor 2 
Não mexe 1 
Resposta verbal Orientada 5 
Confusa 4 
Palavras inapropriadas 3 
Sons incompreensíveis 2 
Nenhuma 1 
PONTUAÇÃO (O+M+V) 3 a 15 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Direcção Geral de Saúde - Unidades de AVC: recomendações para o seu desenvolvimento. Lisboa: 2001. 
ISBN:972-9425-97-
3.Ahttp://www.srsdocs.com/parcerias/publicacoes/referenciacao_hospitalar/unidades_avc.pdf 
Muniz, E. et al - Utilização da Escala de Coma de Glasgow e Escala de Coma de Jouvet para avaliação do 
nível de consciência. Revista da Escola de enfermagem da Universidade de São Paulo. ISSN 1980-220x. Vol. 
31, n. 2, pp. 287-303 (Agosto 1997). Acedido em http://www.ee.usp.br/reeusp/upload/pdf/417.pdf 
Roza, Bartira de Aguiar -- História da Escala de Coma de Glasgow. Revista Einstein. ISSN 1679-4508. Vol. 
2, n. 3, pp. 129-130 (Junho, 2004). 
http://www.einstein.br/biblioteca/artigos/Vol2Num2/Assessment%20of%20coma.pdf, 
Urden, Linda; Stacy, Kathleen; e Lough, Mary - Enfermagem de Cuidados Intensivos. 5ª Edição, 
Lusodidacta. Loures, 2005. ISBN 978-989-8075-08-6 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
59 
 
 
4.2 NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH STROCK SCALE (NIHSS) 
 
O NIHSS é uma escala de défice neurológico que foi desenhada em 1989, por um grupo de 
neurologistas, para utilização em ensaios clínicos de terapêutica em AVC isquémico 
agudo. Esta escala foi desenhada em 1989 para avaliar diferenças no efeito de intervenções 
em ensaios clínicos, mas devido a sua excelente fiabilidade e elevada validade, evidenciada 
por vários estudos, rapidamente ultrapassou estas fronteiras e está a ser usada cada vez 
mais na assistência a doentes com AVC agudo como um instrumento de avaliação inicial e 
de programação de necessidades de cuidado após a fase aguda. 
Recentemente foi recomendada a sua utilização na avaliação de AVC agudo pelo Stroke 
Council da American Heart Association. 
 
O NIHSS é uma escala de 15 itens que fornece uma medida quantitativa dos principais 
componentes de um exame neurológico padrão. Esta escalaavalia nível de consciência (3 
itens), movimentos oculares, campos visuais, paralisia facial, força dos quatro membros, 
coordenação motora, função sensitiva, linguagem, disartria e extinção/hemi-inatenção. 
O score varia de 0 a 42, com valores mais altos reflectindo maior défice neurológico. 
 
O NIHSS faz parte do grupo das escalas consensualmente aceites como as mais validas e 
fiáveis. A fiabilidade inter-observador desta escala e alta e a fiabilidade intra-observador e 
excelente, embora estes valores tenham sido calculados em investigadores submetidos a 
treino formal e certificados. Vários autores tem analisado a estrutura do NIHSS e as 
características dos vários itens relativamente a sua fiabilidade, sensibilidade a mudança 
clínica e impacto sobre o resultado. 
 
A fiabilidade dos itens é variável, sendo bastante baixa em alguns deles (ataxia dos 
membros inferiores, parésia facial, disartria, nível de consciência, ordens de nível de 
consciência e défice sensitivo). Alguns dos itens são pouco sensíveis a mudança clínica do 
doente (paralisia facial, disartria). Outros itens (ataxia, nível de consciência, parésia facial) 
parecem não contribuir de um modo significativo para uma estrutura interna constituída 
por dois factores principais (função do hemisfério direito e função do hemisfério 
esquerdo). 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
60 
 
Alguns itens parecem não ser relevantes para o resultado funcional a médio ou longo 
prazo. Numa versão modificada do NIHSS, publicada em 2001, os itens com pior 
reprodutibilidade, menos sensíveis a mudança clínica e redundantes (nível de consciência, 
parésia facial, ataxia e disartria) foram removidos, e a graduação do défice sensitivo foi 
reduzida para presente ou ausente, para aumentar a fiabilidade deste item. 
 
Contudo, Brott et al, no estudo original em que a escala foi publicada, chamavam a atenção 
para que ganhos em fiabilidade devem ser ponderados contra perda de fidedignidade da 
escala, na medida em que ela se torna menos compreensiva, com menor capacidade de 
traduzir a larga variedade de síndromes isquémicos clínicos, podendo, com isso, perder 
validade. Uma das vantagens do NIHSS é esta escala ser aplicável a todos os subtipos de 
AVC, incluindo os da circulação posterior. 
Quadro nº 19 – Escala NIHSS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
63 
 
Referências bibliográficas 
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population-based stroke cohort at baseline and after one year. Cerebrovasc Dis 2004; 17:21-27. 
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study of stroke in Northern Portugal: incidence and case fatality in rural and urban populations. Stroke 2004; 
35:2048-2053. 
Goldstein, L. B.; Bertels, C.; Davis, J. N. Interrater reability of the NIH stroke scale. Archives of Neurology, 
n. 46. 1989 
Kent DM, Selker HP, Ruthazer R, Bluhmki E, Hacke W. The Stroke-Thrombolytic Predictive Instrument: a 
predictive instrument for intravenous thrombolysis in acute ischemic stroke. Stroke 2006; 37:2957-2962. 
Kwakkel G, Kollen B, Twisk J. Impact of time on improvement of outcome after stroke. Stroke 2006; 
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Rodrigues M, Noronha MM, Vieira-Dias M, Lourenco S, Santos-Bento M, Fernandes H, Reis F, Machado 
Candido J. Stroke in Europe: Where is Portugal? POP-Basis 2000 study. Cerebrovasc Dis 2002; 13 (suppl 4), 
72 (Abstract). 
World Health Organization. Neurological disorders: public health challenges. WHO 2006. 
 
 
4.3 ESCALA DE RANKIN MODIFICADA 
 
A Escala de Rankin Modificada (ERM), versão original elaborada em 1957 e a versão 
modificada publicada em 1988, tentam medir o estado funcional, incorporando os 
componentes de funções do corpo e limitações, a atividade e a participação, presentes na 
“The International Classification of Functioning, Disability and Health” da Organização 
Mundial de Saúde e, não apenas as atividades básicas de vida diária, como a escala de 
Barthel. A escala de Rankin é um instrumento de mensuração da incapacidade (disability) 
que tem sido amplamente utilizado na avaliação da recuperação neurológica e como 
prognóstico em estudos clínicos para o tratamento do AVC. 
 
Existem evidências amplas de sua validação, confiabilidade e sensibilidade para sua 
utilização neste contexto clínico. Desenvolvida por Dr. John Rankin em Glasgow, Escócia, 
foi inicialmente publicada em 1957, contendo 5 itens, desde “sem incapacidade” até 
“incapacidade severa”. A versão atual da escala modificada de Rankin publicada em 1988 
consiste de 6 categorias que vão do 0 a 5, sendo que, eventualmente, agrega-se o score 6 
(óbito) em estudos clínicos. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
64 
 
Basicamente, a escala avalia a capacidade do indivíduo em realizar as atividades de vida 
diária. A escala é, essencialmente baseada na incapacidade global (em particular a 
incapacidade física) e na necessidade de assistência para realizar atividades instrumentais e 
básicas da vida diária com ênfase no comprometimento motor. Ela pode ser aplicada por 
qualquer profissional da área da saúde, possuindo moderada confiabilidade entre 
observadores. É uma das escalas mais utilizadas para avaliação de resultado em AVC. 
A escala é dividida categoricamente em 7 graus diferentes: 
 
 
Quadro nº 20: Escala modificada de Rankin 
 
0 Ausência de sintomas 
1 Sintomas não incapacitantes (capaz de realizar todas as tarefas habituais), 
2 
Incapacidade ligeira (incapaz de realizar algumas tarefas que realizava anteriormente, mas independente nas atividades de vida 
diária), 
3 
Incapacidade moderada (sintomas que restringem significativamente o estilo de vida e/ou impedem uma independência completa 
nas atividades de vida diária), 
4 
Incapacidade moderadamente grave (sintomas que tornam o doente claramente dependente, embora nao necessitando de ajuda 
em todas as atividades de vida diária), 
5 Incapacidade grave (totalmente dependente, requerendo cuidados de terceiros) 
6 Morte. 
 
A variação de 1 ponto nesta escala é considerada clinicamente significativa, devido a 
grande amplitude de cada categoria. A escala de Rankin modificada é uma medida de 
síntese, de base ampla, de défice e limitações a atividade e participação, faltando-lhe 
especificidade. É, esta característica de falta de especificidade que torna possível que, 
embora tenha sido desenvolvida para avaliação de resultado em AVC, possa também ser 
aplicado a todos os doentes, em qualquer contexto, nomeadamente, na avaliação da 
incapacidade antes do AVC. 
 
A escala de Rankin modificada, devido a ter um menor “efeito de tecto” que a escala de 
Barthel, é um instrumento mais adequado para diferenciar doentes com incapacidade 
ligeira a moderada. A sua validade e reprodutibilidade estão bem documentadas. No 
entanto, a sua simplicidade como escala de 6 pontos pode afetar a sua reprodutibilidade, 
sendo necessária aderência estrita a regras para o evitar. Na avaliação de incapacidade pré-
AVC, sempre que necessário, por falta de colaboração do doente,são obtidas informações 
de familiares ou do cuidador. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
65 
 
As principais deficiências da escala residem na sua susceptibilidade ao efeito negativo das 
co-morbilidades (doença cardiovascular, diabetes, artrite, cirurgia, etc.), dos fatores 
socioeconómicos e do estado geral de saúde na função física e cognitiva do doente; fatores 
que podem ter um impacto direto na pontuação da ERM. 
 
Os doentes agrupados como score 0 e 1 são classificados como independentes, não tiveram 
nenhuma sequela ou estas foram consideradas mínimas; os classificados como 2 e 3 são os 
que possuem alguma sequela, porém por meio de adaptações conseguem fazer as 
atividades prévias e andam sem ajuda. Os doentes classificados como 4 e 5 não conseguem 
andar sem ajuda e podem estar limitados à cama, com necessidade de cuidador 24 horas. O 
óbito é classificado como score 6. 
 
 
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Wilson JTL, Hareendran A, Hendry A, Potter J, Bone I, Muir KW. Reliability of the modified Rankin Scale 
across multiple raters: benefits of a structured interview. Stroke. 2005; 36: 777–781. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
66 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
DO 
EQUILÍBRIO/MARCHA/QUEDAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
67 
 
 
5. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO/ MARCHA/ 
QUEDAS 
 
A instabilidade e quedas são um dos grandes síndromes geriátricos. Corresponde a um 
evento frequente e limitante, devendo ser considerado um marcador importante de 
fragilidade, de institucionalização, de declínio da saúde dos idosos e promotor de 
morbilidade e morte. Trata-se de um problema grave e evitável. De acordo, com os dados 
epidemiológicos atuais, 30% dos idosos sofrem, pelo menos, de uma queda por ano e este 
valor sobe para 40% na faixa etária acima dos 80 anos. 80% das quedas tem lugar no 
espaço físico da sua residência situado no seu quarto até à casa de banho. Os custos com as 
quedas são muito elevados e, por exemplo, nos EUA, em 1994 a despesa rondou os 20,2 
milhões de dólares e prevê-se, que no ano 2020, essa despesa seja de 32 milhões de 
dólares. 
 
As quedas são causadoras do aumento dos custos com a saúde, de aumentarem a 
probabilidade da perda da capacidade funcional, da restrição das AVD e da mobilidade, de 
aumentarem a fragilidade e a dependência, de aumentarem a possibilidade de 
institucionalização, da perda da confiança e da autonomia, do medo de cair e da morte. 
 
Perante este cenário, é imperativo a criação de programas de prevenção de quedas, 
baseados na redução dos fatores de risco intrínsecos e ambientais, dirigidos a idosos 
vulneráveis que apresentem história de quedas e instabilidade, aqueles que apresentam 
alterações sensoriais e de equilíbrio, aos doentes com doença neuro-muscular aos serviços 
de urgência, aos serviços de pediatria e obstetrícia e a todos os adultos que apresentem 
história de quedas recorrentes. 
 
O equilíbrio corporal é definido como a manutenção de uma postura particular do corpo 
com um mínimo de oscilação (equilíbrio estático) ou a manutenção da postura durante o 
desempenho de uma habilidade motora que tenda a perturbar a orientação do corpo 
(equilíbrio dinâmico), (Lima, Figueiredo & Guerra, 2007). 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
68 
 
Têm sido desenvolvidos vários instrumentos a fim de avaliar o equilíbrio, procurando 
definir parâmetros para identificar o risco de queda em idosos. Este desenvolvimento de 
instrumentos confiáveis e validados tem-se demonstrado relevante não só para a 
investigação, mas também para a prática clínica. 
 
 
5.1 ESCALA DE EQUILÍBRIO / MARCHA DE TINETTI 
 
Esta escala foi criada em 1986 por Tinetti, Williams e Mayewski (Abreu et al., 2008). 
Classifica aspetos da marcha como a velocidade, a distância do passo, a simetria e o 
equilíbrio em pé, o girar e também as mudanças com os olhos fechados (Silva et al 2007). 
É uma escala que não requer equipamento sofisticado e é confiável para detectar mudanças 
significativas durante a marcha. A utilização deste instrumento de avaliação tem 
importantes implicações na qualidade de vida dos idosos, uma vez que possibilita ações 
preventivas, assistenciais e de reabilitação. 
 
É composta por 16 itens em que 9 são para o equilíbrio do corpo e 7 para a marcha (Silva 
et al., 2007). A cada item pode ser atribuído o valor de zero ou um, (zero é considerado 
não satisfatório e um é considerado satisfatório) (Santos, 2007). A pontuação total é de 28 
pontos e é obtida através da soma das pontuações do equilíbrio do corpo (16 pontos) e da 
marcha (12 pontos). Um score inferior a 19 pontos, indica risco cinco vezes maior de 
queda (Lojudice, 2005, p.21; Silva et al., 2007). A pontuação total é de 28 pontos e é 
obtida através da soma das pontuações do equilíbrio do corpo (16 pontos) e da marcha (12 
pontos) (Silva et al., 2007). 
 
Um score acima de 24 pontos significa baixo risco de queda, entre 19 e 24 pontos significa 
risco moderado de queda e, abaixo de 19 pontos significa alto risco de queda (Mata, Barros 
& Lima, 2008). Estudos recentes têm demonstrado que esta escala altamente preditiva de 
queda (Santos, 2007). Apesar de, para a língua portuguesa (Brasil) existirem diversas 
referências a estudos com este instrumento, para a realidade portuguesa, embora hajam 
estudos publicados com a sua utilização, não encontrámos referências na pesquisa 
bibliográfica efetuada para os respetivos estudos de adaptação. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
69 
 
Quadro nº 21: Escala de Equilíbrio de Tinetti 
 
Equilíbrio sentado 
 
Escorrega 
Equilibrado 
0 ( ) 
1 ( ) 
Levantando 
Incapaz 
Usa os braços 
Sem os braços 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
Tentativas de levantar 
Incapaz 
Mais de uma tentativa 
Única tentativa 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
Assim que levanta (primeiros 5 segundos) 
Desequilibrado 
Estável, mas usa suporte 
Estável sem suporte 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
Equilíbrio em pé 
Desequilibrado 
Suporte ou base de sustentação> 12 
Sem suporte e base estreita 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
Teste dos três tempos 
Começa a cair 
Agarra ou balança (braços) 
Equilibrado 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
 
Olhos fechados (mesma posição do item 6) 
 
Desequilibrado, instável 
Equilibrado 
0 ( ) 
1 ( ) 
Girando 360º 
Passos descontínuos 
Passos contínuos 
Instável (desequilibrado) 
Estável (equilibrado) 
0 ( ) 
1 ( ) 
0 ( ) 
1 ( ) 
Sentando 
Inseguro (erra a distância, cai na cadeira) 
Usa os braços ou movimentação abrupta 
Seguro, movimentação suave 
0 ( ) 
1 ( ) 
2 ( ) 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Barnett A, Smith B, Lord SR, Williams M, Baumand A (2003). Community-based group exercise improves 
balance and reduces falls in at-risk older people: a randomized controlled trial. Age Ageing 32: 407-414.Instituto Nacional de Estatística (2002). O envelhecimento em Portugal: situação demográfica e sócio-
económica recente das pessoas idosas. Serviço de Estudos sobre a população do Departamento de Estatísticas 
Censitárias e da população. 
Pinho, A., et al - Identificação dos factores predisponentes ao declínio funcional da população idosa. 
ESSFisioOnline. ISSN. Volume 2, N.º4 (2006). 
Acedido em http://www.ess.ips.pt/EssFisiOnline/vol2n4/pdfs/dec_funcional.pdf 
Tinetti ME, Richman D, Powell L (1990). Falls efficacy as a measure of fear of falling. J Gerontol 45(6): 
P239-43. 
Tinetti ME, Mendes de Leon CF, Doucette JT, Baker DI (1994). Fear of falling and fall-related efficacy in 
relationship to functioning among community-living elders. J Gerontol 49(3): M140-7. 
Tinetti ME, Williams CS (1998). The effect of falls and falls and fall infuries on functioning in community-
dwelling older persons. J Gerontol 53(2): 112-119. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
70 
 
 
5.2 ESCALA DE TINETTI PARA A VALORIZAÇÃO DA MARCHA 
 
Instruções: 
O doente permanece de pé com o examinador, caminha num corredor ou sala (uns 8 
metros), primeiro a ritmo normal, e em seguida, mais rápido mas seguro. 
 
 
 
Quadro nº 22: Escala de Tinetti para a valorização da marcha 
 
Iniciação da marcha: 
 
(0) Qualquer hesitação ou múltiplas tentativas para iniciar) 
(1) Sem hesitação 
Comprimento e altura do passo 
a) A perna drtª em balanceio: 
(0) não passa o membro esqº 
(1) passa o membro esqº 
(0) pé drtº não se afasta completamente do solo com o passo 
(1) pé drtº afasta-se totalmente do solo 
b) Perna esqª em balanceio: 
(0) Não passa o membro drtº 
(1) Passa o membro drtº 
(0) Pé esqº não se afasta totalmente do solo 
(1) Pé esqº afasta totalmente do solo 
Simetria do passo 
(0) Passo drtº e esqº desiguais 
(1) Passos parecem iguais 
Continuidade do passo 
(0) Parada ou descontinuidade entre os passos 
(1) Passos parecem contínuos 
Desvio da linha recta (distância aprox. 3 
m *30 cm) 
(0) Desvio marcado 
(1) Desvio leve e moderado, ou usa dispositivos auxílio 
(2) Caminha em linha recta sem dispositivos 
Tronco 
(0) Oscilação marcada ou usa dispositivos 
(1) Sem oscilação, mas com flexão de joelhos ou dor lombar, ou afasta os braços 
quando anda 
(2) Sem oscilação, sem flexão, sem dispositivos 
Base de apoio 
(0) Calcanhares afastados 
(1) Calcanhares quase a tocarem-se 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Score total: ---------/28 pontos 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DO RISCO DE QUEDA 
Inferior a 19 pontos: Alto Risco de Queda 
Entre 19 e 24 pontos: Risco Moderado de Queda 
Superior a 24 pontos: Alto Risco de Queda 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
71 
 
Referências bibliográficas 
 
Brouwer BJ, Walker C, Rydahl SJ, Culham EG (2003). Reducing fear of falling in seniors through education 
and activity programs: a randomized trial. J Am Geriatr Soc 51(6): 829-34. 
Carter ND, Kannus P, Khan KM (2001). Exercise in the prevention of falls in older people. Sports Med 
31(6): 427-438. 
Carvalho J, Santos C, Mota J (2005). Actividade física e aptidão física de idosos institucionalizados e não-
institucionalizados. Arquivos de Fisiatria e Doenças Osteo-articulares 46: 35-43. 
Edelberg HK (2001). Falls and function. How to prevent falls and injuries in patients with impaired mobility. 
Geriatrics 56: 41-45. 
Melo C (2003). Adaptação cultural e validação para a população portuguesa da Falls Efficacy Scale (FES). 
Trabalho apresentado no âmbito da apresentação de provas públicas para Professora Coordenadora da Escola 
Superior e Tecnologia da Saúde do Porto (ESTES-Porto), não publicado, ESTESPorto. 
Petiz EM (2002) A actividade física, equilíbrio e quedas. Um estudo em idosos institucionalizados. Tese de 
Mestrado, não publicada, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto. 
Tinetti ME (1986). Performance-Oriented Assessment of Mobility Problems in the elderly patients. JAGS 34: 
119-126. 
 
 
 
 
 
5.3 ESCALA DE EQUILÍBRIO DE BERG 
 
A escala de equilíbrio de Berg, autores K. Berg, S. Wood-Dauphinee, J. Williams e D. 
Gayton (1992) tem como objetivo avaliar o equilíbrio em idosos e monitorizar, ao longo do 
tempo, as mudanças relativas a esta capacidade. Esta escala encontra-se validada para a 
realidade portuguesa por Anabela Capucho, Margarida Gouveia, Estela Mosca, António 
Manuel Fernandes Lopes e José Pascoalinho Pereira. 
 
A população alvo deste instrumento é indivíduos idosos, indivíduos com AVC, indivíduos 
com doença de Parkinson e indivíduos com outras patologias que condicionem deficits de 
equilíbrio. O processo de adaptação cultural e linguística deste instrumento constou da 
tradução, por um indivíduo bilingue e do reforço e verificação da tradução da escala por 
um painel de cinco profissionais de saúde. Foi efectuado pré-teste (n=5). 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
72 
 
O processo de validação consistiu na verificação da validade de conteúdo (painel de 4 e 5 
peritos), da validade simultânea/concorrente (n=20, r=0,93 [0,42]; e n=33, Kendall=0,574 
a 0,530 [0,000]), da validade longitudinal/sensibilidade à mudança (n=20 e n=33) e da 
fidedignidade inter observador (n=20, r=0,94 [0,42]; e n=33, Kendall=0,88 a 0,82 [0,000]). 
 
A escala de equilíbrio de Berg tem tido larga utilização para avaliar o equilíbrio na 
população acima dos 65 anos. É composta por 14 itens envolvendo tarefas funcionais 
específicas em diferentes bases de apoio. As tarefas envolvem o equilíbrio estático e 
dinâmico tal como, alcançar, girar, transferir, permanecer de pé e levantar. Cada item 
apresenta uma escala ordinal de 5 alternativas que recebem uma pontuação entre 0 e 4, em 
função do desempenho do doente, obtendo um score total de 56 pontos. 
O score desta escala é baseado na habilidade para executar as tarefas em tempo e de forma 
independente e engloba 3 dimensões: manutenção de posição, ajuste postural e 
movimentos voluntários. 
 
 
 
Quadro nº 23: Escala de equilíbrio de Berg 
 
DESCRIÇÃO DOS ITENS (Pontuação de 0 a 4) 
1. Sentado para em pé 
 
2. Em pé sem apoio 
 
3. Sentado sem apoio 
 
4. Em pé para sentado 
 
5. Transferências 
 
6. Em pé com os olhos fechados 
 
7. Em pé com os pés juntos 
 
8. Reclinar à frente com os braços estendidos 
 
9. Apanhar objecto do chão 
 
10. Virando-se para olhar para trás 
 
11. Girando 360 graus 
 
12. Colocar os pés alternadamente sobre um banco 
 
13. Em pé com um pé em frente ao outro 
 
14. Em pé apoiado em um dos pés 
 
 
 
 
 
 
 
 
 TOTAL: 
 
56-54 : 3 a 4% risco Queda 
54 – 46: 6 a 8% risco Queda 
<36: perto dos 100% 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
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Instruções Gerais 
Faça a demonstração de cada tarefa e/ou dê instruções exatamente como indicado. Ao dar 
pontuação registe a categoria de resposta mais baixa referente a cada item. 
 
Na maioria dos itens é pedido ao doente que mantenha uma determinada posição por um 
tempo específico. Serão progressivamente descontados mais pontos se os requisitos de 
tempo ou distância não forem satisfeitos, se o desempenho do doente justificar supervisão, 
ou se o doente tocar algum suporte externo ou receber ajuda do examinador. Deverá ser 
explicado ao doente a necessidade de manter o equilíbrio enquanto executa as tarefas. Cabe 
ao doente decidir qual a perna em que se deverá apoiar enquanto está em pé ou aque 
distância chegar. 
 
Uma má escolha irá influenciar de forma desfavorável o desempenho e pontuação do 
doente. 
 
Nos itens 1,3, e 4 deverá ser utilizada uma cadeira com braços. O equipamento necessário 
para realizar os testes é um cronómetro ou um relógio com ponteiros dos segundos e uma 
régua ou outro indicador de 2,5 e 10 polegadas (5, 12 e 25 cm). As cadeiras utilizadas 
durante a prova deverão ser de uma altura moderada. No item # 12 pode ser utilizado tanto 
um degrau como um banco. 
 
1. Da posição de sentado para a posição de pé 
Instruções: Por favor levante-se. Tente não usar as mãos para se apoiar. 
( ) 4 consegue levantar-se sem usar as mãos e manter-se estável de forma autónoma 
( ) 3 consegue levantar-se de forma autónoma, recorrendo às mãos 
( ) 2 consegue levantar-se, recorrendo às mãos, depois de várias tentativas 
( ) 1 necessita de alguma ajuda para se levantar ou para se manter estável 
( ) 0 necessita de ajuda moderada ou de muita ajuda para se levantar 
 
2. Ficar em pé sem apoio 
Instruções: Por favor mantenha-se em pé sem se apoiar durante dois minutos. 
( ) 4 consegue manter-se em pé em segurança durante dois minutos 
( ) 3 consegue manter-se em pé durante dois minutos com supervisão 
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74 
 
( ) 2 consegue manter-se me pé sem apoio durante 30 segundos 
( ) 1 necessita de várias tentativas para se manter em pé sem apoio durante 30 segundos 
( ) 0 não consegue manter-se em pé durante 30 segundos sem ajuda 
Se o doente conseguir manter-se em pé durante 2 minutos sem se apoiar deverá registar-se 
total pontuação no item #3. Prosseguir para o item #4. 
 
3. Sentar-se com as costa desapoiadas mas com os pés apoiados no chão ou num 
banco 
Instruções: Por favor sente-se com os braços cruzados durante dois minutos. 
( ) 4 mantém-se sentado em segurança e de forma estável durante dois minutos 
( ) 3 mantém-se sentado durante dois minutos com supervisão 
( ) 2 mantém-se sentado durante 30 segundos 
( ) 1 mantém-se sentado durante 10 segundos 
( ) 0 não consegue manter-se sentado sem apoio durante 10 segundos 
 
4. Da posição de pé para a posição de sentado 
Instruções: Por favor sente-se. 
( ) 4 senta-se em segurança recorrendo muito pouco às mãos 
( ) 3 ao sentar-se recorre às mãos 
( ) 2 encosta as pernas à cadeira para controlar a descida 
( ) 1 senta-se de forma autónoma mas sem controlar a descida 
( ) 0 precisa de ajuda para se sentar 
 
5. Transferência 
Instruções: Coloque a(s) cadeira(s) de forma a realizar transferências “tipo pivot”. Podem 
ser utilizadas duas cadeiras (uma com e outra sem braços)ou uma cama e uma cadeira com 
braços. 
( ) 4 consegue transferir-se em segurança recorrendo pouco às mãos 
( ) 3 consegue transferir-se em segurança necessitando de forma clara do apoio das mãos 
( ) 2 consegue transferir-se com a ajuda de indicações verbais e/ou supervisão 
( ) 1 necessita de ajuda de uma pessoa 
( )0 necessita de duas pessoas para ajudar ou supervisionar de modo transferir-se em 
segurança, equilíbrio e qualidade de vida 
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6. Ficar em pé sem apoio e de olhos fechados 
Instruções: Por favor feche os olhos e fique imóvel durante 10 segundos. 
( ) 4 consegue manter-se em pé com segurança durante 10 segundos 
( ) 3 consegue manter-se em pé durante 10 segundos com supervisão 
( ) 2 consegue manter-se em pé durante 3 segundos 
( ) 1 não consegue manter os olhos fechados durante 3 segundos, mas mantém-se em pé de 
forma estável 
( ) 0 necessita de ajuda para não cair 
 
7. Manter-se em pé sem apoio e com os pés juntos 
Instruções: Junte os pés e mantenha-se em pé sem se apoiar. 
( ) 4 consegue manter os pés juntos de forma autónoma e manter-se em pé em segurança 
durante 1 minuto 
( ) 3 consegue manter os pés juntos de forma autónoma e manter-se em pé durante 1 
minuto com supervisão 
( ) 2 consegue manter os pés juntos de forma autónoma mas não consegue manter a 
posição durante 30 segundos 
( )1 necessita de ajuda para chegar à posição mas consegue manter-se em pé com os pés 
juntos durante 15 segundos 
( )0 necessita de ajuda para chegar à posição mas não consegue mantê-la durante 15 
segundos 
 
8. Inclinar-se para a frente com o braço estendido para a frente ao mesmo tempo que 
se mantém em pé 
Instruções: Levante o braço num ângulo de 90º. Estique os dedos e incline-se para a frente 
o mais que puder. (O examinador deverá colocar uma régua junto da ponta dos dedos do 
doente que deverá ter o braço num ângulo de 90º. Os dedos não deverão tocar a régua à 
medida que o doente se inclina para a frente. A medida a registar refere-se à distância que 
os dedos conseguem alcançar quando o doente está o mais inclinado possível para a frente. 
Sempre que possível deverá ser pedido ao doente que estenda ambos os braços para a 
frente de forma a evitar a rotação do tronco.) 
( ) 4 consegue inclinar-se >25 cm para a frente de forma confiante (10 polegadas) 
( ) 3 consegue inclinar-se >12 cm para a frente em segurança (5 polegadas) 
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( ) 2 consegue inclinar-se >5 cm para a frente em segurança (2 polegadas) 
( ) 1 inclina-se para a frente mas necessita de supervisão 
( ) 0 perde o equilíbrio ao tentar / necessita de apoio externo 
 
9. Apanhar um objecto do chão a partir de uma posição de pé 
Instruções: Apanhe o sapato ou chinelo que está colocado à frente dos seus pés. 
( ) 4 consegue apanhar o chinelo com facilidade e em segurança 
( ) 3 consegue apanhar o chinelo mas necessita de supervisão 
( )2 não consegue apanhar mas chega a uma distância de 2-5 cm (1-2 polegadas) do chinelo 
e mantém o equilíbrio de forma autónoma 
( ) 1 não consegue apanhar o chinelo e necessita de supervisão enquanto tenta 
( ) 0 não consegue tentar / necessita de ajuda para evitar perder o equilíbrio ou cair 
 
10. Virar-se para olhar sobre os ombros direito e esquerdo enquanto está em pé 
Instruções: Vire-se para olhar directamente para trás de si sobre o ombro esquerdo. Repetir 
para o lado direito. O examinador poderá escolher um objecto para o doente olhar que 
esteja exactamente atrás do doente de modo a encorajar uma melhor rotação. 
( ) 4 olha para trás para ambos os lados e transfere bem o peso 
( ) 3 olha para trás apenas de um lado, revela menos capacidade de transferir o peso, 
equilíbrio e qualidade de vida 
 ( ) 2 apenas se vira de lado mas mantém o equilíbrio 
( ) 1 necessita de supervisão quando se vira 
( ) 0 necessita de ajuda para evitar perder o equilíbrio ou cair 
 
11. Dar uma volta de 360º 
Instruções: Dê uma volta completa sobre si próprio. Pausa. Em seguida faça o mesmo na 
direcção oposta. 
( ) 4 consegue dar uma volta de 360º em segurança em 4 segundos ou menos 
( ) 3 consegue dar uma volta de 360º em segurança apenas para um lado em 4 segundos ou 
menos 
( ) 2 consegue dar uma volta de 360º em segurança mas de forma lenta 
( ) 1 necessita de supervisão atenta ou de indicações verbais 
( ) 0 necessita de ajuda enquanto dá a volta 
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12. Colocar alternadamente os pés num degrau ou banco enquanto se mantém em pé 
sem apoio 
Instruções: Coloque os pés de forma alternada no degrau/banco. Prossiga até que cada um 
dos pés tenha tocado no degrau/banco quatro vezes. 
( ) 4 consegue ficar em pé de forma autónoma e em segurança e completar 8 degraus em 
20 segundos 
( )3 consegue manter-se em pé de forma autónoma e completar 8 degraus>20 segundos 
( ) 2 consegue completar 4 degraus sem ajuda mas com supervisão 
( ) 1 consegue completar >2 degraus mas necessita de alguma ajuda 
( ) 0 necessita de ajuda para evitar cair / não consegue tentar 
 
13. Ficar em pé sem apoio com um pé à frente 
Instruções: (Demonstrar ao doente) 
Colocar um pé exactamente à frente do outro. Se sentir que não consegue colocar o pé 
exactamente à frente, tente dar um passo suficientemente largo de forma a que o calcanhar 
do pé mais avançado esteja à frente dos dedos do outro pé. (Para marcar 3 pontos o 
cumprimento da passada deverá exceder o cumprimento do outro pé e a amplitude da 
postura do doente deverá aproximar-se da amplitude da sua passada normal.) 
( ) 4 consegue colocar um pé exactamente à frente do outro de forma autónoma e manter a 
posição durante 30 segundos 
( ) 3 consegue colocar um pé à frente do outro de forma autónoma e manter a posição 
durante 30 segundos 
( ) 2 consegue dar um pequeno passo de forma autónoma e manter a posição durante 30 
segundos 
( ) 1 necessita de ajuda para dar um passo mas consegue manter a posição durante 15 
segundos 
( ) 0 perde o equilíbrio ao dar um passo ou ao ficar em pé 
 
 
 
 
 
 
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14. Ficar em pé sobre uma perna 
Instruções: Fique em pé sobre uma perna sem se segurar pelo maior tempo possível. 
( ) 4 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição >10 segundos 
( )3 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição durante 5-10 
segundos 
( )2 consegue levantar uma perna de forma autónoma e manter a posição = ou > 3 
segundos 
( )1 tenta levantar a perna sem conseguir manter a posição durante 3 segundos mas 
continua a manter-se de pé de forma autónoma 
( ) 0 não consegue tentar ou necessita de ajuda para não cair 
 
( ) Pontuação Total (Máximo = 56) 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Bittar, R. S. M. et al. Síndrome do desequilíbrio no idoso. Pró-fono - Revista Atual Científica, v. 14, n. 1, p. 
119-128, 2002. 
Conradsson, M. et al. Berg balance scale:intrarater test-retest reliability among older people dependent in 
activities of daily living and living in residential care facilities. Phys.Ther., v. 87, n. 9, p. 1155-1563, Set. 
2007. 
Faria, J. C. et al. Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e 
mobilidade de idosos. Acta Fsiatrica, v. 10, n. 3, p. 133-137, jan. 2003. 
Miyamoto, S. T. Brazilian version of the Berg balance scale. Braz. Med. Biol. Res., Ribeirão Preto, v. 37, n. 
9, p. 1411-1421, abr. 2004. 
Paixão JR., C. M.; Heckmann, M. Distúrbios da postura, marcha e quedas. In: Freitas, E. V. et al. Tratado de 
geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 950-960. 
 
 
 
 
 
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79 
 
 
5.4 ESCALA DE HENDRICH II 
 
A escala de Hendrich II é uma escala para avaliar o risco de quedas e foi traduzida por 
Nilza Caldevilla e a sua adaptação transcultural encontra-se para validação. 
 
Quadro nº 24: Escala de Hendrich II 
FACTORES DE RISCO PONTO
S 
RESULTADO 
8.Confusão/desorientação/impulsividade 4 
9.Depressão sintomática 2 
10.Eliminação alterada 1 
11.Tonturas/vertigens 1 
12.Género (masculino) 1 
13.Anti-epilépticos prescritos/administrados 
(ácido valproico-valprolim), (carbamazepina-tegretol), (fenitoína-
hidantina), (fenobarbital-luminal, luminaletas, bialminal), (gabapentina, 
gabamox, neurontin), (lamotrigina-lamictal), (topiramato-topamax), 
(valproato de sódio-depakine de sódio, diplexil) e outros 
2 
14.Benzodiazepinas prescritas/administradas 
(alprazolam), (clonazepan-rivotril), (clorazepato dipotássico-medipax, 
tranxene), (diazepam, bialzepam, metamidol, valium), (flurazepam-
morfex), (lorazepam, lorenin, ansilor), (midazolam-dormicum), 
(oxazepam-serenal), (triazolam-halcion) e outros 
1 
Teste “Levantar e andar” 
(Assinalar apenas uma opção) 
Caso não seja possível avaliar registar o facto no processo com indicação de data e hora 
15.1.Capaz de se levantar num movimento único – sem perda de equilíbrio 
ao andar 
0 
15.2.Ergue-se á primeira tentativa 1 
15.3.Ergue-se após várias tentativas 3 
15.4.Incapaz de se levantar sem ajuda durante o teste 4 
RESULTADO FINAL 
Um resultado de 5 ou mais = risco elevado de queda 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
80 
 
A todos os factores de risco é atribuída uma pontuação (ver pontos), que devem ser assinalados na coluna RESULTADO. 
Caso não se verifique o factor de risco, assinalar ZERO na coluna RESULTADO. 
Factor de risco Definição 
Confusão/ 
Desorientação/ 
impulsividade 
Desorientação quanto á data, local e/ou pessoa. Incapacidade de reter ou receber instruções. 
Apresenta dificuldades de discernimento a nível pessoal ou de segurança: alterações/perturbações 
momentâneas no que toca a atenção, cognição, actividade psicomotora, nível de consciência e/ou 
ciclos de sono/vigília. Este poderá ser um estado neurológico progressivo, induzido por medicação 
ou de origem comportamental. Doentes com quadro de AVC (hemisfério esquerdo) poderão 
apresentar um comportamento impulsivo e imprevisível em resultado de lesões cerebrais. 
Depressão 
sintomática 
Avaliação de Enfermagem conclui que o doente aparenta estar deprimido, desanimado, 
melancólico, não interage convenientemente e/ou chora, mostra-se alheado, ou o próprio doente 
indica que se sente deprimido. Constata-se uma perda geral de interesse pela vida. Diagnóstico 
clínico de depressão – se a depressão se encontrar sob controlo terapêutico (via medicamentosa 
e/ou terapia) NÂO são contabilizados pontos. 
Eliminação alterada Eliminação alterada relativamente ao padrão clínico, como incontinência, nictúria, polaquiúria, 
incontinência de urgência ou de esforço, diarreia ou eliminação intestinal motivada pelo uso de 
catárticos. Se cateter urinário NÂO são contabilizados pontos. Quando o cateter for removido, 
poderá existir um período de elevado risco até que se restabeleça a eliminação normal. 
Tonturas/vertigens O doente refere tonturas e/ou vertigens. Poderá registar-se uma trajectória oscilatória do corpo 
quando o doente se levanta (movimento circular ao erguer-se). Isto é muitas vezes observado no 
idoso, com dificuldades ao nível da marcha e do equilíbrio, podendo ocorrer em resultado de 
efeitos secundários da medicação. 
Género (masculino) Homem – o factor “Sou capaz sozinho” e/ou “Não quero a ajuda de uma enfermeira” 
Anti-epilépticos 
prescritos/ 
administrados 
(ácido valproico-valprolim), (carbamazepina-tegretol), (fenitoína-hidantina), (fenobarbital-
luminal, luminaletas, bialminal), (gabapentina, gabamox, neurontin), (lamotrigina-lamictal), 
(topiramato-topamax), (valproato de sódio-depakine de sódio, diplexil) e outros 
Benzodiazepinas 
prescritas 
/administradas 
(alprazolam), (clonazepan-rivotril), (clorazepato dipotássico-medipax, tranxene), (diazepam, 
bialzepam, metamidol, valium), (flurazepam-morfex), (lorazepam, lorenin, ansilor), (midazolam-
dormicum), (oxazepam-serenal), (triazolam-halcion) e outros 
Teste “Levantar e andar” 
(Assinalar apenas uma opção) 
Caso não seja possível avaliar registar o facto no processo com indicação de data e hora 
Com o doente sentado numa cadeira (preferencialmente) ou lateralmente na cama, colocar as palmas das mãos sobre as 
coxas e pedir que se levante sem ajuda, atribuindo uma pontuação de acordo com as orientações abaixo, assinalando 
apenas uma opção. 
- Se o doente nãopuder realizar este teste (caso de prescrição de repouso, pontuar todos os factores de risco anteriores e se 
obtiver um resultado de 5 ou mais (sem o teste de “Levantar e andar”) e estiver em condições de TENTAR levantar-se, 
deverá ser considerado como “ risco elevado de queda”. 
- Se não estiver em condições de se levantar, mas possuir pontos de risco, deverá ser considerado como de “ risco elevado 
de queda pendente”, sendo colocado sob as directrizes de prevenção de quedas assim que estiver em condições de 
TENTAR levantar-se. 
- Se o doente estiver em estado comatoso ou em coma induzido (medicamentoso) e não seja possível efectuar a avaliação 
do risco de queda, documentar como “impossibilidade de avaliar o risco de queda devido a ….” E registar no processo. 
Assim que o estado do doente se alterar, a avaliação do risco deverá ser realizada conforme descrito. 
Capaz de se levantar num movimento único – sem perda de equilíbrio ao andar 
Ergue-se á primeira tentativa 
Ergue-se após várias tentativas 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Hendrich AL. An effective unit-based fall prevention plan. J Nurs Qual Ass 1988; 3: 28 – 36. 
Hendrich, A., Nyhuis, A., Kippenbrock, T. e S oja, M.E (1995). Hospital Falls: Development of a predictive 
model for clinical practice. Apllied Nursing Research, 8(3), 129-139. 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
81 
 
 
5.5 ESCALA DE MORSE 
 
A Escala de queda de Morse é um método rápido e simples de avaliar a probabilidade de 
um doente ter uma queda. Esta escala é constituída por seis variáveis que são rápidos e 
fáceis de marcar, e tem sido demonstrado que têm validade preditiva e confiabilidade. 
Esta escala é largamente utilizada nos hospitais e unidades de cuidados continuados. 
 
Quadro nº 25: Escala de Morse 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NÍVEL DE RISCO SCORE 
BAIXO 0 - 24 
MÉDIO 25 - 50 
ALTO >50 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Tromp AM et al teste de triagem Queda de risco: um estudo prospectivo sobre preditores de quedas em 
idosos residentes na comunidade. Journal of Clinical Epidemiology 2001, 54:837-844. 
Morse JM, Tylko SJ. Dixon HA. (1987). Characteristics of the fall- Prone Patient. The Gerontologist, 27(4), 
516. 
Morse JM: Preventing Patient Falls. London: Sage Publications, 1995. 
Morse, JM. (1997). Preventing patients falls. Thousand Oaks, California: SAGE Publications, Inc. 
 PONTOS SCORE 
1. História de Quedas nos 
últimos três meses 
Não 0 
 
Sim 25 
2. Diagnóstico Secundário Não 0 
 
Sim 15 
3. Ajuda na mobilização 
Acamado/Repouso leito 0 
Bengala/Andarilho/Canadiana 15 
Aparelho/Equipamento 30 
 
4. Terapia endovenosa Não 0 
 Sim 20 
5. Marcha 
Normal/Acamado/Cadeira de 
rodas 
 0 
Lenta 10 
Alterada/cambaleante 20 
 
6. Estado Mental 
Orientado 0 
Desorientado/Confuso 15 
 TOTAL 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
82 
 
 
5.6 TIMED UP AND GO 
 
O teste Timed “Up and Go” (TUG), nos estudos efetuados tem sido apontado como o mais 
adequado para a avaliação da mobilidade e função motora segundo a Classificação 
internacional de Funcionalidade (CIF). Este teste é extremamente importante. O TUG pode 
ser aplicado com frequência na clínica diária, inclusivamente em hemiplégicos, por ser de 
fácil, simples e rápida aplicação e para a sua realização não necessita de nenhum 
equipamento sofisticado, apenas uma cadeira e um cronómetro e, apresenta propriedades 
psicométricas adequadas ao ser utilizado nesses indivíduos. 
 
A validade apresenta valores de sensibilidade e especificidade de 87%. Por todos esses 
motivos, esse teste é considerado um dos mais importantes para avaliar a mobilidade 
desses indivíduos e é habitualmente recomendado e utilizado no contexto clínico. 
 
Em 1991, quando propuseram o TUG, Podsiadlo e Richardson (49) reafirmaram a grande 
utilidade prática e clínica do "Get-up and Go”, por se tratar de um teste rápido e prático, e 
ressaltaram a importância do mesmo, não apenas como uma medida de equilíbrio 
dinâmico, mas, principalmente, para usar como uma medida útil para a avaliação da 
mobilidade funcional. 
 
Estes autores apontaram limitações na escala criada por Mathias et al. (1986) (57), 
principalmente com relação às categorias intermediárias, e propuseram o uso do tempo, em 
segundos, como forma de pontuar a habilidade da mobilidade básica dos indivíduos, 
criando, assim, o TUG. 
A sua confiabilidade e validade foram investigadas em uma amostra de idosos, variando de 
indivíduos ativos e saudáveis a indivíduos com diagnóstico de AVC, doença de Parkinson, 
osteoartrite, e apresentaram-se adequadas. 
Testes e medidas padronizados, válidos e confiáveis são essenciais para sistematizar e dar 
credibilidade científica às profissões, pois: 
 
• Fundamentam o processo de avaliação e universalizam os procedimentos adotados 
nesse processo; 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
83 
 
• Permitem a comunicação entre os diferentes profissionais; 
• Possibilitam a documentação objetiva da eficácia do tratamento; 
• Fundamentam o raciocínio clínico relacionado ao complexo processo de 
funcionalidade e incapacidade humana. 
 
Como medidas de validade em adultos mais velhos que tomam mais de 14 segundos para 
completar o TUG têm um alto risco para cair. Este corte é diferente de Podsiadlo e 
Richardson, que é de 30 segundos. 
 
Medidas de mobilidade em pessoas que são capazes de caminhar por conta própria 
(dispositivo de assistência permitida): 
 
A pessoa pode usar o seu calçado normal e pode usar qualquer dispositivo de assistência 
que normalmente usa. 
 
1. Ter a pessoa se sentar na cadeira com as costas para a cadeira e os braços 
descansando sobre os descansos de braço. 
2. Peça que a pessoa se levantar de uma cadeira normal e andar uma distância de 10 
pés (3m). 
3. Ter a pessoa virar-se, caminhar de volta para a cadeira e sentar-se novamente. 
 
O tempo começa a contar quando a pessoa se começa a levantar da cadeira e termina 
quando ele ou ela volta para a cadeira e senta-se. 
 
 
Classificação: 
 
 <10 Livremente móvel 
 <20 Na sua maioria independentes 
 20-29 Mobilidade variável 
 > 20 Pessoas com mobilidade condicionada 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
84 
 
Referências bibliográficas 
Lundlin-Olsson, L., Nyberg, L., & Gustafson, Y. (1998). Atenção, fragilidade, e cai: o 
 efeito de uma tarefa manual sobre mobilty básica. Jornal da sociedade americana da geriatria, 46, 758-761. 
Podsiadlo D, Richardson S. The Time "Up & Go":. Um teste de mobilidade funcional básica para Frail 
Terceira Idade Journal of the Geriatrics americano Society 1991; 39 (2): 142-148. 
Saskatoon Cataratas Consórcio de Prevenção, Falls Triagem e Encaminhamento Algorithm, TUG, Saskatoon 
Prevenção de Quedas consórcio, Junho de 2005 
Shumway Cozinhe A, S Brauer, Woollacott M. Prevendo a probabilidade de quedas em adultos mais velhos 
Community Dwelling, usando o Timed Up & Go Test. Fisioterapia 2000 Vol. 80 (9): 896903 
 
 
 
 
 
5.7 GET UP AND GO 
 
O teste "Get-up and Go” tem como objetivo avaliar clinicamente alterações do equilíbrio 
dinâmico de idosos durante o desempenho de uma tarefa que contemplasse situações 
críticas para a ocorrência de quedas nessa população: o levantar-se de uma cadeira, o 
andar, o girar 180º e o sentar-se na cadeira. 
 
Para isso, o avaliador deveria pontuar, segundo asua perceção do desempenho do 
indivíduo nessas atividades realizadas em sequência, o risco de quedas numa escala de 1 a 
5, variando de ausência de evidência de estar em risco de queda durante o teste (pontuação 
1) a elevado risco de queda (pontuação 5). 
 
Pedimos ao doente para realizar a seguinte série de manobras: 
1. Sente-se confortavelmente em uma cadeira (de encosto direito). 
2. Levante-se da cadeira. 
3. Fique parado momentaneamente. 
4. Uma caminhada de curta distância (cerca de 3 metros). 
5. Vire-se. 
6. Caminhe de volta para a cadeira. 
7. Vire-se. 
8. Sente-se na cadeira. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
85 
 
Classificação: 
<10 seg - mobilidade normal 
<20 seg - Na sua maioria independentes 
20-29 seg - Mobilidade variável 
> 20 seg - Pessoas com mobilidade condicionada 
 
Pontuação: 
 Observe os movimentos do doente para qualquer desvio a partir de uma certeza, normal 
 performance. 
 
 Use a seguinte escala: 
1. Normal (o doente não deu provas de estar em risco de queda durante o teste ou em 
qualquer outro momento). 
2. Ligeiramente anormal 
3. Levemente anormal 
4. Moderadamente anormal 
5. Gravemente anormal (o doente apareceu em risco de cair durante o teste). 
 
Graus intermediários refletem a presença de qualquer um dos seguintes como indicadores 
da possibilidade de queda: indevida hesitação lentidão, movimentos anormais dos 
membros tronco ou superior, cambaleando, tropeçando. 
Um doente com uma pontuação de 3 ou mais no teste Get-up and Go está em risco de 
queda. 
 
Referências bibliográficas 
Lundlin-Olsson, L., Nyberg, L., & Gustafson, Y. (1998). Atenção, fragilidade, e cai: o efeito de uma tarefa 
manual sobre mobilty básica. Jornal da sociedade americana da geriatria, 46, 758-761. 
Mathias S, Nayak USL, Isaacs B. Balance em doentes idosos: o "get-up and go" teste. Arch Phys Med 
Rehabil. 1986; 67:387-389. 
Podsiadlo D, Richardson S. The Time "Up & Go":. Um teste de mobilidade funcional básica para Frail 
Terceira Idade Journal of the Geriatrics americano Society 1991; 39 (2): 142148. 
Saskatoon Cataratas Consórcio de Prevenção, Falls Triagem e Encaminhamento Algorithm, TUG, Saskatoon 
Prevenção de Quedas consórcio, Junho de 2005 
Shumway Cozinhe A, S Brauer, Woollacott M. Prevendo a probabilidade de quedas em adultos mais velhos 
CommunityDwelling Usando o Timed Up & Go Test. Fisioterapia 2000 Vol. 80 (9): 896903. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
86 
 
 
5.8 TESTE DE ROMBERG (Lord, Sherrington e Menz,2001) 
 
O doente é colocado em posição ortostática, com os calcanhares unidos e pontas dos pés 
separados em 30°, cabeça reta, braços ao longo do corpo na posição anatômica, olhos 
fechados (para inibir a visão) durante um minuto. O exame é considerado alterado se 
houver queda. 
Quando o teste traz dúvidas, podemos sensibilizá-lo através de algumas manobras: 
• Manobra de Jendrassik: mãos em oposição e cotovelos na horizontal. 
• Romberg-Barre: colocando-se em pé um diante do outro, em linha reta, diminuindo 
a base de sustentação. 
• Oscilar cabeça no plano horizontal, de olhos fechados. 
 
A manobra de Romberg-Barré sensibiliza o látero-pulsão, mas dificulta a observação da 
ântero ou retropulsão, que podem ser melhor observados no Romberg clássico.Nas 
afecções centrais, a queda ocorre geralmente para frente ou para trás (Rombergclássico) 
enquanto nos distúrbios do sistema proprioceptivo, não há lado preferencial para a queda. 
Nas cerebelopatias o doente procura manter a base alargada (abasia), caindo ao aproximar 
os pés, mesmo de olhos abertos. 
Classicamente, quando há queda com lateralização para direita ou esquerda pede-se ao 
doente para girar a cabeça primeiro para a direita e depois para a esquerda para observar se 
há alteração na direção da queda, dependendo da posição do labirinto posterior. Isto 
caracteriza um Romberg Vestibular. 
Neste teste, é solicitado que o indivíduo permaneça em pé, em distintas posições, com os 
olhos abertos e fechados, por um período de 30 segundos. Os sujeitos que apresentarem 
pequenas oscilações sem queda (chamado de Romberg ausente) tem uma condição de 
equilíbrio normal, a possibilidade de queda ou queda propriamente dita revelam uma 
condição de equilíbrio deficitário (Romberg presente). Estão presentes na figura abaixo 
algumas possíveis variações deste teste: 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
87 
 
Figura nº 3: Teste de Romberg 
 
 
1. Pés separados confortavelmente; 
2. Pés juntos; 
3. Pés semi calcanhar-dedo; 
4. Pés em posição calcanhar-dedo. 
 
 
Referências bibliográficas 
Rosenberg ML, Gizzi; Neuro-Otologic History. Otolaryngologic Clinics of North America, Vol.33 Number 
3, 2000. 
Goebel JA; Management Options for Acute Versus Chronic Vertigo. Otolaryngologic Clinics Of North 
America, Vol 33 Number 3, 2000. 
Walker MF, Zee DS; Bedside Vestibular Examination. Otolaryngologic Clinics Of North America, Vol 33 
Number 3, 2000. 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
88 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
DO RISCO DE ÚLCERAS DE 
PRESSÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
89 
 
 
6. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO 
 
As úlceras de pressão (UP) existem desde a antiguidade, mantendo-se as causas do seu 
aparecimento presentes, sendo que apenas houve alterações na forma como se tenta 
explicar o seu aparecimento (Ferreira e tal., 2007). 
A ferida representa uma interrupção da integridade cutânea e funções tecidulares, sendo 
possível classificá-la de acordo com a sua etiologia, quantidade de exsudado, dimensões, 
coloração, tipo de tecido, odor, entre outras. Dependendo da idade da pessoa e das 
características da ferida, vai existir um impacto nas diversas dimensões individuais, 
nomeadamente a nível físico, psicológico, qualidade de vida e rede familiar e social, 
principalmente em situações de isolamento. É necessário que ocorra uma avaliação para 
que o tratamento seja o mais adequado possível. 
A melhor atitude a adotar face a esta problemática é a sua prevenção, uma vez que a 
maioria são evitáveis com cuidados e material adequados. Para permitir uma melhor 
qualidade de vida aos doentes com UP, temos que melhorar a qualidade dos cuidados de 
enfermagem, havendo uma atuação precoce por parte da equipa multidisciplinar, nunca 
esquecendo o ensino à família e ao cuidador. 
Para que tal aconteça, torna-se necessário o desenvolvimento de ferramentas práticas, 
precisas, fáceis de utilização e com um único objetivo – prevenir e/ou evitar o 
aparecimento de úlceras de pressão, identificando os doentes em risco. Há que sintetizar as 
principais medidas preventivas a implementar num doente com risco de desenvolver 
úlceras à entrada de qualquer serviço de internamento. 
Existe o Acrónimo impressão, validado por Gouveia e Miguéns em 2009, que surge como 
uma ferramenta preventiva e, é através dele que, os profissionais de saúde se devem 
lembrar de quais as medidas a implementar, sem se tornar rígido na sua forma mas prático 
na sua implementação. Com a sua forma simples de utilização, será possível diminuir a 
incidência de úlceras de pressão, aumentando a qualidade de cuidados e a satisfação dos 
doentes e prestadores de cuidados. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
90 
 
As medidas a implementar são: 
• Implementação de uma escala de avaliaçãode risco; 
• Manter a pele limpa e hidratada; 
• Proteção de zonas de pressão e fricção; 
• Posicionamentos frequentes e adequados ao grau de risco; 
• Ensinos ao doente e família; 
• Superfícies de alívio de pressão na cama e cadeira; 
• Sensibilidade afetada, atenção redobrada; 
• Avaliação nutricional; 
• Observação diária da pele; 
Existem vários instrumentos de avaliação que permitem avaliar o grau de predisposição 
dos nossos doentes para o desenvolvimento de úlceras de pressão, para que haja um 
critério uniformizado. 
 
 
6.1 ESCALA DE NORTON 
 
A escala de avaliação do risco de úlcera de pressão de Norton, título original Norton Scale 
foi desenvolvida por Doreen Norton em1962, sendo aperfeiçoada em 1975. Quando 
construída tinha como população alvo sobretudo os idosos internados num hospital. 
 
A escala de Norton avalia parâmetros que se dividem em cinco dimensões, e que se 
subdividem em quatro itens cada: 
 
• Estado físico: pode ser avaliado como bom, médio, mau ou péssimo; 
• Estado mental: pode ser avaliado como consciente, apático, confuso ou 
inconsciente; 
• Actividade: pode ser avaliado como independente, caminha com ajuda, levanta para 
a cadeira ou péssimo; 
• Mobilidade: pode ser avaliado como autónomo, limitado, muito limitado ou 
imobilizado; 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
91 
 
• Incontinência: pode ser avaliado como, sem incontinência, às vezes, urinária/fecal, 
urinária e fecal. 
 
Para evitar ambiguidades na adaptação da escala para aplicação na população portuguesa 
foram clarificados cada um dos itens. 
 
A escala pode ter como pontuação final mínima de 5 e máxima de 20. Quanto mais baixa 
for a pontuação, maior será o risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. Segundo 
Dealey, quando a pontuação apresentar um valor inferior ou igual a 14 significa que a 
pessoa apresenta risco de desenvolvimento de úlcera de pressão. 
 
Na pesquisa bibliográfica que efetuámos, tudo indica que até 2008, ano em que foi 
apresentado um estudo de avaliação do grau de risco de úlceras de pressão, foi utilizada a 
escala de Norton no XI Congresso Nacional de Medicina Intensiva, facto pelo qual 
resolvemos colocá-la no nosso livro, apesar de não termos encontrados dados sobre o seu 
processo de validação e adaptação para a população portuguesa. 
 
Muito possivelmente, pensamos que esta escala possa cair no desuso uma vez que, tendo 
surgido a escala de Braden e, tendo sido realizados estudos de comparação entre ambas, a 
escala de Norton apresente uma sensibilidade igual à de Braden, porém uma especificidade 
inferior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
92 
 
Estado Físico Estado Mental
Grau de 
Dependência
Mobilidade Incontinência
BOM – 4
CONSCIENTE – 4
Escala Glasgow – 15
INDEPENDENTE – 4
Na totalidade das AVD (s)
TOTAL – 4 SEM INCONTINÊNCIA – 4
DEBIL – 3
Características:
 Pele Sensível
 Edema Moderado
 Deformação Óssea
CONFUSO/
DESORIENTADO – 3
Características:
 Discurso Incoerente
 Desorientação tempo e/
ou espaço
 Pouco Comunicativo
CAMINHA C/AJUDA – 3
Características:
 De outra pessoa
 Andarilho
 Canadianas
 Trapézio
LIMITADO – 3
Características:
 Diminuição da
Força dos MS’S
 Diminuição da
Força dos MI’S
INCONTINÊNCIA – 3
Características:
 Ocasional
 Sudorese
MAU – 2
Características:
 Diminuição da 
sensibilidade
 Obesidade
 Alterações da temperatura
 Patologias associadas
PROSTAÇÃO – 2
Características:
 Afásico
 Sonolento
DESLOCA-SE EM CADEIRA DE 
RODAS - 2
MUITO LIMITADO – 2
Características:
 Hemiparésia
 Hemiplegia
INCONTINÊNCIA – 2
Características:
 Urinária
 Perda de líquido ascítico
 Perda de líquidos
orgânicos
MUITO MAU -1
Características:
 Choque
 Desnutrição
 Desidratação
 Anasarca
COMA -1
Características:
 Reactivo a estímulos
dolorosos
 Não reactivo
ACAMADO -1
IMÓVEL – 1
Características:
 Tetraplégico
 Paraplégico
 Anquilosado
INCONTINÊNCIA – 1
Características:
 Fecal
 Urinária
Quadro nº 26: Escala de Norton 
 
 
 
 
 
 
 
 
TOTAL
PONTUAÇÃO MEDIDAS
Sem Risco = 20 Sem medidas
Pouco Risco = 13-20
Levantes se não RAL
Hidratação da pele
Hidratação oral
Risco Moderado = 8-12
Posicionamento a cada 3 horas
Levantes se não RAL
Massagem de conforto a cada 
posicionamento
Descarga das proeminências ósseas
Nutrição adequada + Hidratação oral
Alto Risco ≤ 
Posicionamento a cada 2 horas
Levantes se não RAL
Massagem de conforto a cada 
posicionamento
Descarga das proeminências ósseas
Nutrição adequada + Hidratação oral
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
93 
 
 
Referências bibliográficas 
Baranoski, Sharon - O essencial sobre o tratamento de feridas: princípios práticos. Loures: Lusodidacta, 
2006. ISBN: 972-8930-03-8. 
Flanacian, Madeleine- Uma Estrutura Prática Para a Determinação de Ferimentos, Nursing, Lisboa, N.º 131, 
Março de 1999, pag. 11-18 
Ferreira, Pedro Lopes; et al - Risco de Desenvolvimento de Úlceras de Pressão: Implementaço 
Nacional da Escala de Braden. Loures: Lusociência, 2007. .ISBN 978-972-8930-37-0. 
Fontes Ribeiro et al- Feridas e Úlceras Cutâneas, Formasau, Formação e saúde Lda, Coimbra, 1999 
Jeffree, Pauline e Scott Kenneth- Feridas Fechadas, Nursing, Lisboa 
Prevenção e tratamento das úlceras de pressão- SubGrupo Hospitalar Capuchos/Desterro, Ed. Drª Eleine 
Pina, 2ª edição, 
Outubro 1999 
ROBINSON, Hércules- Úlceras Varicosas, Método de Ligaduras de Compressão em Três Camadas, Nursing, 
Lisboa, Nº 131, Março 1999, pag. 18-2 
 
 
 
 
6.2 ESCALA DE BRADEN 
 
 
A escala de avaliação do risco de úlcera de pressão de Braden, título original Braden 
scale for predicting pressure sore risk foi elaborada em 1987, tendo sido alvo de 
vários testes em diversos países do mundo após esta data. A Escala de Braden foi 
criada em 1987 por Barbara Braden e Nancy Bergstrom. Foi traduzida para a língua 
portuguesa e validada para a população portuguesa em Janeiro de 2001, por Ferreira et al., 
validada para a realidade portuguesa por Margato, Carlos; Miguéns, Cristina; Ferreira, 
Pedro; Gouveia, João; Furtado, Kátia (2001). 
 
A escala de Braden é constituída por seis dimensões que se subdividem em alguns itens. 
As dimensões são as seguintes: 
 
• Perceção sensorial: subdividida em quatro itens (completamente limitada, muito 
limitada, ligeiramente limitada, nenhum limitação); 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
94 
 
 
• Humidade: subdividida em quatro itens (constantemente húmida, pele muito 
húmida, pele ocasionalmente húmida, pele raramente húmida); 
• Atividade: subdividida em quatro itens (acamado, sentado, anda ocasionalmente, 
anda frequentemente); ligeiramente limitada, nenhuma limitação); 
• Nutrição: subdividida em quatro itens (muito pobre, provavelmente inadequada, 
adequada, excelente); 
• Fricção e forças de deslizamento: subdividida em três itens (problema, problema 
potencial, nenhum problema); 
 
 
A pontuação final após aplicação da escala pode ser no mínimo 6 e no máximo 23, sendo 
que, quanto mais baixa a pontuação obtida na aplicação da escala, maior o risco de úlcera 
de pressão. Pelas autoras da escala foi também estabelecido um ponto de corte que faz a 
divisão das pontuações que apresentam risco e, das que, por outro ladonão 
apresentam qualquer risco. 
 
Esse é igual a 16, ou seja, quando avaliada na escala de Braden uma pontuação igual 
ou inferior a 16 a pessoa apresenta alto risco de uma úlcera de pressão, enquanto 
que uma pontuação final superior ou igual a 17 significa um baixo risco de 
desenvolvimento de úlcera de pressão. 
 
Todas as dimensões contribuem para o desenvolvimento de UP, não devendo nenhuma 
delas ser avaliada preferencialmente em relação a qualquer outra. As dimensões estão 
ponderadas de 1 a 4, excepto a última que se encontra ponderada de 1 a 3. O score pode 
variar entre 6 (valor de mais alto risco) e 23 (valor de mais baixo risco), pelo que quanto 
maior for a pontuação, menor o risco e vice-versa. 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
95 
 
 
Quadro nº 27: Escala de Braden 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
96 
 
 
Referências bibliográficas 
Braden. B. J. Risk assessment in pressure ulcer prevention. In: KRASNER. D.: KANE, D. Chronic wound 
care. 2.ed. Wayne, Health Management Publications. 1997. cap.5. p.29-36. 
Braden. B. J.. Bergstrom, N. Clinical utility of the Braden scale for predicting pressure sore risk. Decubitus, 
v.2, n.3, p.44-51,1989. 
Copeland-Fields. L. D.: Hoshiko, B. R. Clinical validation of Braden and Bergstrom's conceptual schema of 
pressure sore risk factors. Rehabil. Nurs.. v. 14, n.5, p.257-60, 1989. 
Ferreira PL; Miguéns C; Gouveia J; Furtado K. Escala de Braden, um instrumento para a qualidade de 
cuidados – Relatório de projecto. IQS – Instituto da Qualidade em Saúde, 2006. 
Gaif - Grupo Associativo de Investigação em Feridas gaif.net/ 
Young, T. Classificação das úlceras de pressão. Revista Nursing,Portugal, p. 21-25, 1996. Tese de Mestrado - 
Wana Paranho - EEUSP - Validação da Escala de Braden para a Língua Portuguesa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
97 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
COGNITIVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
98 
 
 
7. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO COGNITIVA 
 
 
A avaliação do doente geriátrico deve ser elaborada segundo o aspeto físico, biológico e 
fisiopatológico. O idoso está frequentemente exposto, para além do processo de 
envelhecimento fisiológico, à diminuição da reserva funcional e da homeostasia, a 
múltiplos problemas que vão condicionar a sua independência e de autonomia. 
 
A avaliação integral do idoso (AGI) deve ser efetuada segundo a Dra Margorie Warnen, 
nos anos 40 do passado século, tendo em conta o conjunto das 4 áreas da saúde: clínica, 
funcional, mental e social, com o objetivo da equipa de saúde desenhar um PII de atuação 
preventiva, terapêutica e reabilitadora, cujo objetivo final é atingir o maior grau de 
independência e autonomia, ou seja, melhorar a qualidade de vida. 
 
A avaliação cognitiva reveste-se de uma importância determinante na saúde das pessoas 
com mais de 65 anos. Para além da importância epidemiológica que tem este grande 
síndrome geriátrico, as alterações cognitivas são promotoras de grande consumo de 
cuidados e de aumento da despesa pública. 
 
Habitualmente, as áreas de avaliação mental são: cognitiva, afetiva e comportamental, que 
correspondem aos 3 D’s da cognição: demência, depressão e delírio. 
 
Esta avalição pode ser realizada de forma não-estruturada através da observação direta e da 
entrevista com o doente e cuidador e, de forma estruturada através de testes, escalas, 
índices e de vários questionários. 
 
Podemos usar na avaliação cognitiva testes de diagnóstico (teste do relógio, Pffeifer, 
Blessed e outros), testes de avalição (MMS, por exemplo), testes de deterioração global 
(DRS), testes de graduação e classificação (CDR de Hughes; GDS de Reisberg) e baterias 
de exames neuropsicológicos (CERAD e CAMDEX). 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
99 
 
A seguir, apresentamos várias escalas e testes que são usadas com frequência na clínica 
diária. De muitas que foram pesquisadas, escolheram-se aquelas que, na literatura 
consultada tem maior representatividade, maior validade e maior utilidade. 
 
 
 
7.1 MINI EXAME DO ESTADO MENTAL – MEEM 
(Mini Mental State) 
 
 
O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), versão original de M. F. Folstein; S. E. 
Folstein e P. R. Mchugh (1975) é um dos testes mais empregados e mais estudados em 
todo o mundo. Usado isoladamente ou incorporado a instrumentos mais amplos, permite a 
avaliação da função cognitiva e rastreamento de quadros demenciais. Tem sido utilizado 
em ambientes clínicos, para a deteção de declínio cognitivo, para o seguimento de quadros 
demenciais e na resposta ao tratamento. Em pesquisa, tem sido utilizado em estudos 
populacionais e na avaliação de resposta a drogas de experimentação. 
 
Faz parte de várias baterias de testes neuropsicológicos, tais como o The Consortium to 
Establish a Registry for Alzheimer´s Disease (CERAD), o Cambridge Examination for 
Mental Disorders of the Elderly (CAMDEX-R) e o A Structured Interview for the 
Diagnosis of Dementia (SIDAM). A sua utilização pode ser isolada ou associada a outros 
instrumentos mais amplos, permitindo a avaliação da função cognitiva e o rastreio de 
quadros demenciais. Tem sido aplicado em ambientes clínicos, para a deteção de declínios 
cognitivos, para o acompanhamento de quadros demenciados e para a monitorização da 
resposta ao tratamento (Lourenço e Veras, 2006). 
 
Esta escala avalia vários aspetos da função cognitiva: orientação, memória imediata, 
capacidade de concentração, linguagem, atenção e cálculo, evocação, interpretação e 
execução de ordens, leitura e a praxia construtiva. Tem como limitação a influência da 
escolaridade e as alterações auditivas e visuais. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
100 
 
A validação deste instrumento foi efetuado por Guerreiro, M., Silva, R. L., Botelho, Leitão, 
Caldas, A. C. & Garcia, C. (1993) em “Adaptação Portuguesa da Mini-Mental State 
Examination – MMSE”, Lisboa: Laboratório de Estudos de Linguagem do Centro de 
Estudos Egas Moniz. Em 2004 foi publicado este estudo na Revista Sinopse (ROSAS e tal, 
2005; Pinho e tal, 2006). 
 
O score mínimo é de 0 pontos que corresponde a um maior grau de comprometimento 
cognitivo e o score máximo é de 30 pontos correspondendo a uma menor capacidade 
cognitiva. Embora a avaliação qualitativa e o score quantitativo do teste sejam 
fundamentais, também são subjetivos pois é importante avaliar o grau de dificuldade do 
doente, o planeamento e as reações emocionais. É um teste de fácil aplicação e que é 
possível ser realizado por um enfermeiro, ainda que se proceda a uma avaliação dos dados 
por um neurologista. 
Uma vez que este mini exame necessita da participação ativa da pessoa, é necessário 
informá-la antes de o efetuar e pedir o seu consentimento. Neste sentido, é lógico que o 
profissional que o execute tenha capacidades no âmbito da comunicação e relação de 
ajuda de modo a que a pessoa se sinta mais à vontade e menos intimidada. 
Como uma possível limitação deste teste, partindo do princípio que será realizado à 
população idosa, uma vez que permite avaliar a presença/ausência de demência, quando se 
solicita para escrever uma frase, não nos podemos esquecer que muita da populaçãoportuguesa é analfabeta, estando assim este item anulado ou afetado. 
 
Teste: 
Orientação 
5 ( ) Em que ano, mês, estação do ano estamos? 
5 ( ) Onde estamos: estado, país, cidade, hospital? 
 
Registos 
 
3 ( ) Nomeie 3 objectos: diga palavra por palavra, devagar; peça ao doente que repita as três palavras. Dê 
um ponto para cada resposta correcta. Então repita todas novamente, para que ele aprenda. 
 
Atenção e Cálculo 
 
5 ( ) Peça ao doente que conte de trás para frente, começando do nº 100, de 7 em 7. Pare depois da 5ª 
resposta. Alternativamente peça para soletrar "mundo" ao contrário. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
101 
 
Memória 
 
3 ( ) Peça que ele repita as três palavras. Dê um ponto para cada resposta correcta. 
 
Linguagem 
 
9 ( ) Mostre um lápis e um relógio, peça-lhe que os nomeie (2 pontos). 
- Peça que repita o seguinte: 
 "nem sim, nem não, nem porque" (1 ponto). 
- Dê as 3 seguintes ordens: 
 "Pegue esta folha de papel com a mão 
 direita, passe a folha para a mão esquerda, 
 coloque a folha no chão" (3 pontos). 
- "Leia e faça o que está escrito": 
 "FECHE OS OLHOS" (1 ponto). 
 "Escreva uma frase" (1 ponto). 
 "Copie este desenho" (1 ponto). 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Chaves, Márcia Lorena Fagundes - Testes de avaliação cognitiva: Mini-exame do Estado Mental. Acedido 
em http://www.cadastro.abneuro.org/site/arquivos_cont/8.pdf 29/09/08; 
Guerreiro M, et al. Mini-Mental State – MMS. Laboratorio de Estudos da Linguagem do Centro de Estudos 
Egas Moniz, Hospital de Santa Maria, 1993. 
Lourenço, A. Roberto et al - Mini-Exame do Estado Mental: Características psicométricas em idosos 
ambulatoriais. Revista de Saúde Pública. Vol. 40, N.º 4 (2006). Acedido em 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S00389102006000500023&script=sci_arttext&tlng=pt 29/09/08; 
 Pinho, A., et al - Identificação dos factores predisponentes ao declínio funcional da população idosa. 
ESSFisioOnline. ISSN. Volume 2, N.º4 (2006). Acedido em http://www.ess.ips.pt/EssFisiOnline/ 
vol2n4/pdfs/dec_funcional.pdf, 30/09/08; 
Rosas, M.J., et al - Estimulação cerebral profunda na doença de Parkinson: resultados nos primeiros 24 
doentes tratados no Hospital São João de 2002 a 2005. Revista Sinapse. ISSN 1645-281X. Volume 5, N.º2 
(2005). Acedido em http://www.cefaleias-spc.com/sinapse/ Sinapse_Vol5_N2_Nov05.pdf, 30/09/08; 
Sequeira, Larissa de Souza - Estudo da Memória de trabalho em adultos e idosos normais - Dissertação de 
Mestrado. Rio de Janeiro (2006). Acedido em http://coralx.ufsm.br/tede/tde_busca/ 
arquivo.php?codArquivo=1044 29/09/08; 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
102 
 
 
7.2 TESTE DO RELÓGIO 
 
O teste do relógio “Clock Drawing Test” é um teste que tem como objetivo o rastreio de 
alterações cognitivas através das habilidades visuo espaciais. 
É, frequentemente utilizado, por ser de aplicação rápida, pela sua simplicidade e os 
resultados serem facilmente compreensíveis e ser extremamente eficaz na avaliação das 
alterações cognitivas, concretamente das alterações praxias. 
 
Apesar de não terem sido encontrados estudos que demonstrem a aplicabilidade 
do teste em Portugal, acreditamos que este será válido como indicador da função cognitiva 
da sua população-alvo, dado que em alguns estudos portugueses na área da doença de 
Alzheimer faz-se referência ao teste. Muitas das manifestações demenciais são universais, 
ou seja, transversais à cultura inerente a cada país, pelo que se julga que a sua 
aplicabilidade também será universal. 
 
O teste do relógio será uma mais-valia para a prestação de cuidados, pois dada a sua franca 
acessibilidade, aplicabilidade e interpretação dos resultados, poderá ser visto como uma 
forma de rastrear possíveis alterações das funções cognitivas. Contudo, há que referir que 
os resultado obtidos poderão sofrer uma influência negativa resultante da idade avançada 
da pessoa e/ou baixo nível de escolaridade. 
 
Aplicação do teste: 
Consiste em solicitar ao doente que desenhe os números do relógio, marcando determinada 
hora (11:10), sem mencionar a necessidade de ponteiros. O círculo pode ou não ser 
oferecido previamente. O teste é considerado completo quando o doente desenha todos os 
números do relógio, espacialmente bem distribuídos, e os ponteiros marcando 11:10. O 
teste não é cronometrado e pode ser repetido quantas vezes forem necessárias. 
“Este círculo é um relógio. Desenhe todos números marcando 11 horas e 10 minutos.” 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
103 
 
 
Interpretação do teste: 
 
O teste do relógio é de fácil aplicação e sofre menor influência do grau de alfabetização, 
aumentando a fidedignidade do teste em doentes com baixo nível de escolaridade. 
Avalia diversas funções cognitivas: 
Memória semântica; 
Função executiva (planejamento); 
Linguagem (compreensão do comando); 
Praxia; 
Função visuo-espacial 
Portanto, é considerado um bom teste de rastreio. 
Uilizamos a classificação de Shulman, onde são definidos os seguintes resultados: 
Quadro nº 28: Classificação de Shulman 
0 Inabilidade absoluta de representar o relógio; 
1 O desenho tem algo a ver com o relógio mas com desorganização visuo-espacial grave; 
2 
Desorganização visuo-espacial moderada que leva a uma marcação de hora incorreta, perseveração, confusão esquerda-
direita, números faltando, números repetidos, sem ponteiros, com ponteiro em excesso; 
3 Distribuição visuo-espacial correta com marcação errada da hora; 
4 Pequenos erros espaciais com dígitos e hora corretos; 
5 Relógio perfeito, sem erros 
 
A interpretação do teste é eminentemente qualitativa. Consideramos o teste bastante 
alterado quando o resultados é 0,1 ou 2. 
 
Figura nº 4: Teste do Relógio 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
104 
 
Referências bibliográficas 
American Psychiatric Association. DSM-IV – TR. Manual de diagnóstico e estatística das perturbações 
mentais. Lisboa: Climepsi; 2002. 
Ávila R, Miotto EC. Funções executivas no envelhecimento normal e na doença de Alzheimer. J Bras Psiq. 
2003;52(1):53-61. 
Hubbard, E. J. et al. Clock drawing performance in cognitively normal elderly. Archives of Clinical 
Neuropsychology, v. 23, p. 295-327, 2008. 
Lourenço RA, Ribeiro-Filho ST, Moreira IFH, Paradela EMPS, Miranda AS. The clock drawing test: utility 
in elderly with low education level. In: Annual Meeting Abstract Book, Las Vegas, USA. J Am Geriatr Soc. 
2004 Apr;52(4):S58-S58. 
 
 
 
 
7.3 ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA DE YESSAVAGE 
 
A Escala Geriátrica de Depressão - Geriatric Depression Scale (GDS), traduzida, aferida 
e adaptada à população portuguesa por Veríssimo (1988), na "Avaliação 
diagnóstica dos Síndromes Demenciais", proposta no serviço de neurologia e neurocirurgia 
do Hospital S. João do Porto. Esta escala construída inicialmente por Brink, 
Yessavage, Lum, Heersema, Adey e Rose, em 1982 é, segundo os autores, o único 
instrumento que se conhece que terá sido elaborado com o objetivo de ser utilizado, 
especificamente, para pessoas idosas. 
 
Para além disso, elimina a confusão, geralmente presente em outros instrumentos de 
avaliação da depressão, entre indicadores somáticos da depressão e manifestações físicas 
normais da velhice (Ballesteros, 1992 cit in Fernandes, 2000). Trata-se de uma escala de 
hetero-avaliação, composta por vinte e oito itens, com duasalternativas de resposta (sim ou 
não), consoante o modo como o idoso se sentiu ultimamente. 
Veríssimo (1998), cit. in Fernandes (2000) sugere que, para a quantificação dos resultados 
se proceda à seguinte classificação: valores de 0-10 pontos - idosos normais; pontuações 
iguais ou superiores a 11 são indicativas de depressão em severidade crescente; uma 
pontuação média de 23 é indicadora de idosos gravemente deprimidos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
105 
 
Item Perguntas a Efectuar Sim/Não
1 Está satisfeita com a vida Não
2 Tem renunciado a muitas das suas actividades e passatempos Sim
3 Sente a vida vazia Sim
4 Chateia-se com facilidade Sim
5 Anda alegre e optimista a maior parte do seu tempo Não
6 Sente que lhe vai acontecer algum mal Sim
7 Está feliz a maior parte do tempo Não
8 Sente-se com frequência indecisa, só e sem ninguém Sim
9 Prefere ficar em casa ou sair e fazer coisas divertidas Sim
10 Tem ideia que agora tem mais transtornos de memoria que dantes Sim
11 Acha que é bom estar vivo Não
12 Acha difícil começar um novo projecto Sim
13 Sente-se com muita energia Não
14 Sente-se angustiado e desesperado Sim
15 Sente que a maior parte das pessoas estão numa situação financeira 
melhor que a sua
Sim
De acordo com Barroso (2008), a GDS tem boas medidas de consistência interna (alfa= 
0,94) e confiabilidade (0,94), de igual modo sugere estabilidade no re-teste de 8 dias (r= 
0,85). Apresenta uma boa validade de critério (correlação com outros instrumentos 
que avaliam depressão entre 0,83 e 0,84). 
A GDS possui uma versão longa e uma curta, composta de 30 e 15 questões, 
respetivamente. Ambas são validadas na avaliação geriátrica global. 
A GDS-15 é uma versão reduzida da escala original, elaborada a partir dos itens que mais 
fortemente se correlacionavam com o diagnóstico de depressão. Estes itens, em conjunto, 
mostraram boa precisão diagnóstica com sensibilidade, especificidade e confiabilidade 
adequadas. É um teste para deteção de sintomas depressivos no idoso, com 15 perguntas 
negativas/afirmativas onde o resultado de 5 ou mais pontos diagnostica depressão, sendo 
que o score igual ou maior que 11 caracteriza uma depressão grave. 
 
Quadro nº 29: Escala de depressão geriátrica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Avaliação 
Dar 1 ponto por cada pergunta respondida de acordo com o estipulado 
Pontuação 
0 – 5 Normal 
6 – 9 Depressão leve 
>10 Depressão estabelecida 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
106 
 
Referências bibliográficas 
Almeida, O. P., & Almeida, S. A. (1999). Confiabilidade da versão brasileira da Escala de Depressão em 
Geriatria (GDS) versão reduzida. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 57,421-426. 
Conn DK. An approach to detecting and screening depression. Geriatr Ageing. 2005;8(Suppl 8):3-7. 
Demétrio FT. Depressão e doenças clínicas. SNC em foco. 2005;1(Suppl 1):12-9. 
Frank MH, Rodrigues NL. Depressão, ansiedade, outros distúrbios afetivos e suicídio. In: Freitas EV, Py L, 
Neri AL, et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara; 2006. p. 376-87. 
Scazufca M, Cerqueira A, Menezes PR, et al. Investigações epidemiológicas sobre demência nos países em 
desenvolvimento. Rev Saúde Pública. 2002;36:235-9. 
Tourigny-Rivard MF, Buchanan D, Cappeliez P, et al.The assessment and treatment of depression. Toronto: 
Canadian Coalition for Seniors Mental Health; 2006. 
 
 
 
 
7.4 ESCALA DE BLESSED 
 
A escala de Blessed (Blessed et al., 1988) é um dos mais antigos e conhecidos 
instrumentos empregados para avaliação e quantificação de alterações funcionais e 
emocionais em doentes com demência. 
 
Esta escala de demência procura avaliar mudanças no desempenho das atividades de vida 
diária, nos hábitos, na personalidade, nos interesses e motivações do doente. 
 
O score mínimo que pode ser obtido é igual a 0, que indica não haver comprometimento 
emocional ou funcional. A pontuação máxima é de 28 pontos indicam um 
comprometimento grave. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
107 
 
 
Quadro nº 30: Escala de Blessed 
MUDANÇAS NA EXECUÇÃO DAS 
ATIVIDADES DIÁRIAS. 
TOTAL PARCIAL NENHUMA 
Incapacidade de: 
Realizar tarefas domésticas 1 1/2 0 
Usar pequenas somas de dinheiro 1 1/2 0 
Lembrar pequenas listas (ex.: listas de compras, etc.) 1 1/2 0 
Orientar-se dentro de casa 1 1/2 0 
Orientar-se em ruas conhecidas 1 1/2 0 
Reconhecer o ambiente onde vive 
(ex.: reconhecer se está em casa ou numa clínica, 
reconhecer familiares, médicos, etc.) 
1 1/2 0 
Lembrar-se de fatos recentes 
(ex.: visitas de familiares ou amigos etc.) 
1 1/2 0 
Tendência a relembrar o passado 1 1/2 - 
MUDANÇAS NOS HÁBITOS - - - 
Alimenta-se: - - - 
Adequadamente, com os talheres certos 0 - - 
Inadequadamente, somente com a colher 2 - - 
Apenas sólidos (biscoitos, sanduíches) 2 - - 
Apenas com ajuda integral 3 - - 
Vestir: - - - 
Sem ajuda 0 - - 
Comete falhas ocasionais (no abotoamento, etc) 1 - - 
Erros frequentes na sequência de vestir-se 2 - - 
Incapacidade de vestir-se 3 - - 
Controle de esfíncteres: - - - 
Normal 0 - - 
Incontinência urinária ocasional 1 - - 
Incontinência urinária frequente 2 - - 
Dupla incontinência 3 - - 
MUDANÇAS NA PERSONALIDADE E 
CONDUTA 
- - - 
Sem mudanças 0 - - 
Retraimento crescente 1 - - 
Egocentrismo aumentado 1 - - 
Perda de interesse pelos sentimentos dos outros 1 - - 
Afetividade embotada 0 - - 
Labilidade emocional 1 - - 
Riso inapropriado 1 - - 
Resposta emocional diminuída 1 - - 
Indiscrições sexuais (recente) 1 - - 
Diminuição da iniciativa ou apatia progressiva 1 - - 
Hiperatividade não justificada 1 - - 
 
Total 
Até 4 pontos........................................normal 
4 a 9 pontos......................................suspeita 
9 e + pontos....................................demência 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
108 
 
Referências bibliográficas 
Blessed G, Tomlinson BE e Roth M. The association between quantitative measures of dementia and senile 
change in cerebral grey matter of elderly subjects. Brit. J. Psychiatry 114: 797, 1968. 
Blessed G, Tomlinson BE, Roth M. Blessed-Roth dementia scale (DS). 
Psychopharmacol. Bull. 24:705, 1988. 
Bustamante, S. E. et al. Instrumentos combinados na avaliação de demência em idosos. Arq Neuropsiquiatr, 
v. 61, n. 3A, p. 601-606, 2003. 
Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. 
Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. 
 
 
 
7.5 CLINICAL DEMENTIA SCALE (CDR) 
 
A escala clínica de demência, versão original por C. P. Hughes; L. Berg; W. L. Danziger; 
L. A. Coben; R. L. Martin (1979) foi publicada pela Washington University School of 
Medicine, EUA. 
Existe alguma disparidade dos dados obtidos face à data do desenvolvimento desta escala, 
que apontam para o ano de 1979. Foi adaptada por J. Morris em 1993 e desenvolvida como 
um instrumento de avaliação global, tendo como objetivo principal a avaliação da 
gravidade do quadro demencial, através da análise do défice cognitivo da pessoa. Avalia a 
função cognitiva, permitindo verificar o impacto do défice cognitivo sobre a realização das 
AVD. 
Esta escala de avaliação cognitiva envolve 6 categorias: memória, orientação, julgamento e 
resolução de problemas; relações comunitárias; atividades no lar ou de lazer; auto 
cuidados. A CDR contém 5 graus de comprometimentodo desempenho da pessoa: nenhum 
o; questionável 0,5; leve 1; moderado 2; grave 3, em cada uma das categorias mencionadas 
atrás. 
Esta escala foi validada para a Língua Portuguesa, através de estudos efetuados no Brasil 
por Montano e Ramos (2005), que utilizaram outros testes neuropsicológicos, tais como, 
memória de lista de palavras e evocação, teste de categorias de fluência verbal e teste do 
relógio (TDR), para validar a sua utilização. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
109 
 
Crê-se que; em Portugal é possível que esta escala não esteja validada, pois não foram 
encontrados fontes ou documentos que comprovassem a validação da mesma. Contudo, na 
Revista Sinapse, publicada pela Sociedade Portuguesa de Neurologia, encontram-se 
estudos, como o de Nunes e al (2004), que assumem a aplicação do teste designando-o de 
“Escala clínica de Demência”, em Portugal (Nunes e tal, 2004). 
 
Quadro nº 31: Escala clínica de demência 
 
Clinical Dementia Rating (CDR)
Função Nenhum
0
Questionável
0,5
Leve
1
Moderado
2
Grave
3
Memória Não há perda de 
memória ou 
esquecimento 
leve e 
inconstante
Esquecimento leve mas 
consistente. 
Esquecimento 
“benigno”. 
Lembrança 
parcial dos 
eventos.
Perda moderada da memória 
para eventos recentes, 
interferindo com as 
atividades do cotidiano.
Perda grave da memória. 
Apenas material 
altamente conhecido 
continua preservado. 
Informações novas são 
rapidamente perdidas.
Perda grave da 
memória. Apenas 
resquícios de 
memória estão 
presentes.
Orientação Completamente 
orientado
Completamente 
orientado, 
exceto pela 
presença de 
discretas 
dificuldades nas 
relações 
temporais
Dificuldade moderada nas 
relações temporais. 
Orientado no espaço. 
Pode apresentar 
desorientação geográfica.
Dificuldade grave nas relações 
temporais. Usualmente 
desorientado no tempo 
e freqüentemente no 
espaço.
Orientado somente 
quanto à pessoa.
Julgamento e 
resolução 
de 
problemas
Resolve problemas do 
dia-a-dia e lida 
bem com 
negócios e 
finanças. 
Julgamento é 
bom em relação 
ao seu 
perfomance 
anterior
Comprometimento 
discreto na 
capacidade de 
resolução de 
problemas, 
similaridades e 
diferenças
Dificuldade moderada na 
resolução de problemas, 
similaridades e 
diferenças. Julgamento 
social usualmente 
mantido
Comprometimento grave na 
resolução de 
problemas, 
similaridades e 
diferenças. Julgamento 
social usualmente 
comprometido.
Completamente incapaz 
de emitir 
julgamento e 
resolver 
problemas.
AVDI’s
comunitárias
Independente para os 
níveis usuais de 
trabalho, 
compras e 
participação em 
grupos sociais e 
voluntários
Compromentimento 
leve
Incapaz de funcionar 
independente, embora 
ainda consiga realizar 
algumas. Apresenta-se 
normal no contato 
casual.
Completamente incapaz de 
funcionar 
adequadamente fora do 
domicílio, apesar de 
não aparentar.
Completamente incapaz 
de funcionar 
adequadamente 
fora do domicílio. 
Aparenta estar 
muito 
comprometido 
para tais 
funções.
AVDI’s 
domiciliare
s (tarefas 
doméstica
s)
Vida doméstica, 
hobbies e 
interesses 
intelectuais 
preservados
Compromentimento 
leve
Comprometimento leve mas já 
estabelecido. Incapaz de 
realizar tarefas, hobbies 
ou atividades mais 
difíceis.
Apenas tarefas simples estão 
preservadas. Interesses 
bastante restritos.
Completamente incapaz
AVD’s básicas Independente no auto-cuidado Necessita de ajuda Requer assistência para vestir-
se, higiene pessoal e 
cuidado pessoal
Requer assistência 
completa no 
cuidado pessoal. 
Presença de 
incontinência.
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
110 
 
Referências bibliográficas 
Brucki SMD, Nitrini R, Caramelli P, et al. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. 
Arq Neuro-Psiquiatr. 2003;61:777-81. 
Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. 
Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. 
Montaño, M. B.; Ramos, L. R. - Validade da versão em português da Clinical Dementia Rating. Revista de 
Saúde Pública. ISSN 0034-8910.Volume 39, N.º6 (2005). Acedido em 
http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v39n6/26985.pdf. 
Morris, M. D. - The Clinical Dementia Rating (CDR): current version and scoring rules [transcript in 
www.adrc.wustl.edu/ adrc]. Acedido em http://alzheimer.wustl.edu/cdr/PDFs/CDR_OverviewTranscript-
Revised.pdf. 
Rockwood K, Strang D, MacKnight C, et. al. Interrater reliability of the Clinical Dementia Rating in a 
Sinapse. ISSN 1645-281X. Volume 4, N.º1 (2004). 
Schafer KA, Tr a c t e n b e rg RE, Sano M, et al. Reliability of monitoring the clinical dementia rating in 
multicenter clinical trials. Alzheimer Dis Assoc Disord 2004;18:219-222. h t t p : / / a l z h e i m e r. w u s t l . 
e d u / a d r c 2 / E d u c a t i o n / C D R / d o w n l o a d s e l e c t i o n p a g e . h t m 
Tr a c t e n b e rg RE, Schafer K, Morris JC. Interobserver disagreements on Clinical Dementia Rating 
Assessment: interpretation and implications for Training. Alzheimer Dis Assoc Disord 2001;15:155-161. 
multicenter trial. J Am Geriatr Soc 2000;48:558-559. 
 
 
 
 
7.6 INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO DE CUMMINGS 
 
O Inventário Neuropsiquiátrico-NPI (Cummings,1994) foi desenvolvido para apontar a 
severidade e frequência das principais alterações comportamentais próprias dos quadros 
demenciais como: apatia, euforia, ansiedade, agitação, depressão, desinibição, 
irritabilidade, alucinações, delírios, comportamento motor aberrante e alterações do sono e 
apetite. O inventário neuropsiquiátrico de Cummings é um instrumento útil para 
caracterizar a psicopatologia das síndromes demenciais, investigar a neurobiologia dos 
distúrbios com manifestações neuropsiquiátricas, distinguir entre diferentes síndromes 
demenciais e avaliar a eficácia do tratamento. 
 O Inventário Neuropsiquiátrico é um questionário de 12 itens que possibilita determinar a 
presença de sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais, sua frequência e intensidade. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
111 
 
A pontuação, de 0 a 144, é calculada pela multiplicação da frequência pela intensidade dos 
sintomas (delírios, alucinações, agitação psicomotora, depressão, ansiedade, euforia, 
apatia, desinibição, irritabilidade, comportamento motor aberrante, comportamentos 
noturnos e alterações alimentares). Quanto maior a pontuação, maior a intensidade e 
frequência dos mesmos. O INP avalia transtornos neuropsiquiátricos comummente 
encontrados nas demências. 
 
O cuidador deve responder inicialmente a uma pergunta rastreio e, em caso de resultado 
positivo, avalia-se a frequência e a intensidade de cada item. O score total para cada 
domínio é calculado pela equação frequência X intensidade. Por fim, a soma total dos itens 
fornece um score total da escala (Camozzato et al., 2008). 
 
Cummings et al. (1994) não estabeleceram um ponto de corte ou um score que corresponda 
a um quadro de episódio depressivo maior (escala de disforia), episódio maníaco (escala de 
euforia) ou distúrbio de ansiedade (escala de ansiedade), por se tratar de um diagnóstico 
que deve ser feito baseado em dados clínicos e informações complementares fornecidos 
pelo INP. Também advertem que a presença de delírio e/ou alucinações são anormais, e 
que scores de depressão acima de 6, desinibição acima de 4 e irritabilidade acima de 2, não 
estão presentes na população normal (saudável). Pontuação presente nasdemais escalas – 
agitação, euforia, apatia e comportamento motor aberrante – não são comuns em sujeitos 
normais e podem ser considerados como evidência de alteração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
112 
 
 
Quadro nº 31: Inventário neuropsiquiátrico de Cummings 
 
O resultado psicométrico do NPI é muito elevado para a avaliação dos sintomas não 
cognitivos nos doentes com demência e, permite realizar uma avaliação ao longo do 
tempo, da eficácia dos tratamentos, segundo os critérios apresentados. 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
Cummings, J. L. The neuropsychiatric inventory: Assessing psychopatology in dementia patients. Neurology, 
Minessota, v. 48, p. 510-516, 1997. 
Cummings JL, Mega M, Gray K, Rosenberg-Thompson S, Carusi DA, Gornbein J. The neuropsychiatric 
inventory: comprehensive assessment of psychopathology in dementia – NPI. Neurology 1994;44:2308-14. 
Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências (2003). Escalas e testes na Demência. 
Colaboração da UCB Pharma (Novartis Farma) – Produtos Farmacêuticos. 
INVENTÁRIO NEUROPSIQUIÁTRICO (NPI – CUMMINGS)
Intensidade:
1 = leve; 2 = moderado; 3 = grave;
Freqüência: 1 = ocasionalmente, menos de uma vez por semana;
2 = pouco freqüentemente, cerca de uma vez por semana;
3 = freqüentemente, várias vezes por semana, mas não todo dia;
4 = Muito freqüentemente, uma ou mais vezes por dia ou continuamente
SINTOMATOLOGIA NÃO SIM
INTENSIDADE FREQÜÊNCIA
1 2 3 1 2 3 4
Deliríos: persecutório, de furto ou infidelidade.
Alucinações: visuais/ auditivas/ tácteis/ olfactivas
Agitação, inquietação, agressividade
Disforia/Depressão: baixa de humor, tristeza
Ansiedade
Euforia/Jubilo: grande alegria
Apatia: comportamento passivo, falta de iniciativa,
Desinibição
Irritabilidade/Labilidade emocional
Actividade motora aberrante: perambulação,...
FREQUÊNCIA GRAVIDADE
0 – Ausente
1 – Ocasionalmente
2 – Poucas Vezes
3 – Frequente
4 – Muito Frequente
1 – Leve
2 – Moderado
3 – Grave
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
113 
 
 
7.7 ESCALA DE AVALIAÇÃO DE DELIRIUM CONFUSION ASSESSMENT 
METHOD (CAM) 
 
 
Esta escala é uima escala de avaliação de delirium. Diagnostica-se delirium se os itens 1 e 
2 estiverem presentes, associadamente à presença dos itens 3 ou 4. Outras alterações (itens 
5 a 9) também podem estar presentes. 
 
O início agudo e curso flutuante dos sintomas deve ser considerado presente, quando eles 
se iniciaram num período inferior a 4 semanas. Para avaliar o distúrbio de atenção, solicita-
se ao doente que fique atendo à entrevista, faz-se perguntas de ordem pessoal e familiar 
(nome, escolaridade, estado civil, filhos, atividades diárias) e solicita-se a realização de 
tarefas simples (levantar o braço e apertar a mão). 
São portadores de distúrbio de atenção aqueles doentes que não conseguem acompanhar o 
fluxo da conversação, que se distraem facilmente e para os quais é necessário fazer 
diversas vezes a mesma pergunta até que ela seja respondida. 
 
O pensamento desorganizado é avaliado ao questionar-se o doente do porquê de ter vindo 
ao hospital, se é portador ou se se está a tratar de qualquer doença. Considera-se o 
pensamento desorganizado quando o doente apresenta um discurso incoerente, com 
conversação dispersiva ou irrelevante, com fluxo de ideias pouco claras ou ilógicas e com 
mudanças imprevisíveis no assunto. 
 
Quanto ao nível de consciência, observa-se se o doente está alerta, sonolento ou 
hiperalerta. 
 
Na avaliação da orientação, o doente é questionado a respeito do local onde se encontra 
(cidade, hospital, enfermaria) e qual período do dia (manhã, tarde, noite). 
 
A memória é avaliada pela capacidade de memorizar três palavras que lhe são ditas, e que 
serão repetidas após alguns momentos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
114 
 
Questiona-se: a respeito do que foi feito no hospital e a respeito da rotina (coleta de 
exames, realização de radiografia, se o doente almoçou ou jantou); distúrbios da perceção 
(os doentes são questionados quanto a ouvirem vozes ou se vêm coisas); agitação ou 
retardo psicomotor é definido pela observação direta de quem está a examinar o doente; 
alteração no ciclo sono-vigília também é considerado presente pela observação direta do 
examinador, corroborado pelo relato dos cuidadores (familiares ou equipa de enfermagem). 
 
 
Quadro nº 32: Escala de avaliação de delirium 
 
1) Início agudo 
Há evidência de uma mudança aguda no estado mental de base do doente? 
2) Distúrbio da atenção 
A) O doente teve dificuldade em focalizar sua atenção, por exemplo, distraiu-se facilmente ou teve dificuldade em 
acompanhar o que estava sendo dito? 
B) Se presente ou anormal, esse comportamento variou durante a entrevista, isto é, tendeu a surgir e desaparecer ou aumentar 
e diminuir de gravidade? 
C) Se presente ou anormal, descreva o comportamento: 
3) Pensamento desorganizado 
O pensamento do doente era desorganizado ou incoerente, com a conversação dispersiva ou irrelevante, fluxo de idéias pouco 
claro ou ilógico, ou mudança imprevisível de assunto? 
4) Alteração do nível de consciência 
Em geral, como classificaria o nível de consciência do doente? Alerta (normal), vigilante (hiperalerta, hipersensível a 
estímulos ambientais, assustando-se facilmente), letárgico (sonolento, facilmente acordável), estupor (dificuldade para 
despertar), coma, incerto. 
5) Desorientação 
O doente ficou desorientado durante a entrevista, por exemplo, pensando que estava em outro lugar que não o hospital, que 
estava no leito errado, ou tendo noção errada da hora do dia? 
6) Distúrbio (prejuízo) da memória 
O doente apresentou problemas de memória durante a entrevista, como incapacidade de se lembrar de eventos do hospital, ou 
dificuldade para se lembrar de instruções? 
7) Distúrbios de perceção 
O doente apresentou sinais de distúrbios de perceção, por exemplo, alucinações, ilusões ou interpretações errôneas (pensando 
que algum objeto fixo se movimentava)? 
8A) Agitação psicomotora 
Durante a entrevista, o doente apresentou aumento anormal da atividade motora, como agitação, beliscar de cobertas, 
tamborilar com os dedos ou mudança súbita e frequente de posição? 
8B) Retardo psicomotor 
Durante a entrevista, o doente apresentou diminuição anormal da atividade motora, como letargia, olhar fixo no vazio, 
permanência na mesma posição por longo tempo, ou lentidão exagerada de movimentos? 
9) Alteração do ciclo sono-vigília 
O doente apresentou sinais de alteração do ciclo sono-vigília, como sonolência diurna excessiva e insônia noturna? 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
BritishGeriatricSociety. Delirium Guidelines Document:http://www.bgs.org.uk/publications/publications.htm 
Britton A, Russell R. Multidisciplinary Team Interventions for Delirium in Patients with Chronic Cognitive 
Impairment (Cochrane Review). In: The Cochrane Library Issue 2, 2003. Oxford: Update Software. 
Demência e Transtorno Cognitivo em Idosos Organizadores: Cássio M. C. Botttino, Jerson Laks, Sérgio L. 
Blay Editora Guanabara Koogan – 2006 
Fabbri R. Validity and reability of the portuguese version of Confusion Assessment Method (CAM) for the 
dection of delirium in the elderly. Arq Neuropsiquiatr 2001;59:175-9. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
115 
 
 
7.8 TESTE DE FLUÊNCIA VERBAL (categoria animais) 
 
O teste de fluência verbal faz parte dos testes básicos aplicados na avaliação de clientes 
com suspeita de disfunçãocognitiva. É um teste simples, requerendo somente o uso de um 
timing. 
O uso de avaliações da linguagem é comum na prática dos profissionais que lidam com 
reabilitação cognitiva. O teste de fluência verbal é usado de forma pontual ou faz parte de 
baterias, como o CERAD, tendo em vista a fácil aplicação e a sensibilidade ao que se 
propõe avaliar. 
Os testes de fluência mais citados na literatura é o teste de fluência de animais e o F.A.S. 
Embora, ambas sejam avaliações de linguagem, elas não são equivalentes. A fluência de 
animais tem sido mais pesquisada e a literatura especializada sugere que esse teste sofre 
influência da idade e do grau de escolaridade, não havendo interferência de outras 
variáveis como género e depressão. 
Este teste mede a produção verbal, a memória semântica e a linguagem (conhecimento 
geral sobre o mundo, dos fatos, das palavras, sem relação com o momento do seu 
aprendizado). Consiste na avaliação de categorias semânticas pré-definidas como, por 
exemplo, animais e frutas. 
É, extremamente simples e é dado o comando “Fale todos os animais que conseguir 
lembrar; vale qualquer tipo de bicho”. Um minuto é contado a partir do final do comando e 
o score corresponde ao número de animais lembrados nesse período. 
 
Quando são lembrados animais cuja denominação de género é semelhante (por exemplo: 
gato e gata), um deles não é pontuado; mas quando a denominação é diferente (por 
exemplo: cavalo e égua), ambos são pontuados. É pontuada a denominação genérica de 
subcategorias de animais (por exemplo: peixe ou pássaro), mas, apenas quando não 
seguida por exemplos da classe, quando não é considerada a denominação de classe e são 
contados os exemplos. Assim, a sequência “gato, cavalo, peixe, vaca” receberia 4 pontos, e 
a sequência “gato, gata, peixe, tubarão, baleia” receberia 3 pontos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
116 
 
Aplicação do teste: 
Solicita-se ao doente que enumere o máximo de animais (“bichos”) e frutas em 1 minuto 
cronometrado. 
“Você deve falar todos os nomes de animais que se lembrar, no menor tempo possível. 
Qualquer animal vale: insectos, pássaros, peixes e animais de quatro patas. Quantos mais 
você falar, melhor. Pode começar”. (Considere “boi e vaca” como dois animais mas 
“gato e gata” como um só. Se disser passarinho, cobra, lagarto” conte como três animais; 
se disser “passarinho, canário e peixe”, conte como dois. Ou seja: a classe vale como 
nome se não houver outros nomes da mesma classe). 
Anote o número de animais lembrados em 1 minuto: __ 
 
Interpretação do teste: 
 
A fluência verbal para animais e frutas é útil na avaliação da: 
Linguagem; 
Memória semântica; 
Função executiva. 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Bottino C et al. Validade e confiabilidade da versão brasileira do CAMDEX. Arq Neuropsiquiatr 2001 59. 
Nitrini R. Diagnóstico de demência; avaliação clínica, neuropsicológica e através da tomografia 
computadorizada por emissão de fóton único. Tese de Livre-Docência. Faculdade de Medicina da 
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993. 
Roth M, Tym BK, Mountjoy CQ et al. CAMDEX: a standardized instrument for the diagnosis of mental 
disorders in the elderly with special reference to the early detection of dementia. B J Psychiatry 1986 149: 
698-709.8. 
Strauss; Sherman; Spreen. A Compendium os Neuropsychological Tests. 2006 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
117 
 
 
7.9 TESTE DE RECONHECIMENTO DE FIGURAS 
 
O teste de figura é também de simples aplicação e depende pouco do nível de escolaridade. 
 
Aplicação do teste: 
São apresentadas 10 figuras e pergunte: “Que figuras são estas? O score é dado pelo 
número de figuras corretamente identificadas mesmo que não tenham sido adequadamente 
nomeadas (perceção visual e nomeação). 
Se não tiver identificado alguma figura, explique o que representa. 
Em seguida, esconda a folha e pergunte: “Que figuras são estas?” O score é dado pelo 
número de respostas certas (memória incidental). 
Mostre novamente as figuras durante 30 segundos dizendo: “Olhe bem e procure 
memorizar estas figuras” . Esconda as figuras e pergunte: “que figuras acabei de lhe 
mostrar?”(memória Imediata). 
Mostre novamente a folha que contém as figuras durante 30 segundos dizendo: “Olhe bem 
e procure guardar na memória”. Marque o tempo no relógio e após 5 minutos, pergunte: 
“Quais as figuras desenhadas que lhe mostrei há 5 minutos? O score é dado pelo número 
de respostas corretas (Recordação de 5 minutos). 
 
Interpretação do teste: 
 
A maioria dos indivíduos normais nomeia adequadamente pelo menos 9 das 10 figuras, 
lembra-se de 5 ou mais figuras no teste de memória incidental e de pelo menos 6 no 
primeiro teste de memória imediata; no teste de memória tardia (após cinco minutos), 
indivíduos normais recordam-se de pelo menos 5 figuras; indivíduos normais usualmente 
reconhecem 9 das figuras previamente vistas entre as 20, quando o teste acrescenta mais 20 
figuras para serem identificadas. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
118 
 
 Perceção Visual e Nomeação 
 
Mostre a folha contendo as 10 figuras e pergunte: “que figuras são estas?” 
Perceção visual correta: ........................................................................... ..( 9 ) 
Nomeação correta: .....................................................................................( 9 ) 
Memória Incidental:..............................................................................( 5 ) 
Memória Imediata:............................................................................... ( 6 ) 
Recordação após 5 minutos....................................................................... ( 5 ) 
 
O teste avalia basicamente: 
 Memória semântica e episódica (recordação de 5 minutos); 
 Linguagem; 
 Perceção (gnosia). 
 
Figura nº 5: Teste de reconhecimento de figuras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-IV-TR. 
Porto Alegre: Artmed, 2003. 
Nitrini R. et al. Testes neuropsicológicos de aplicação simples para o diagnóstico de demência. Arq 
Neuropsiquiatr, v. 52, p.457-465, 1994 
Roth, M; Tym, E; Mountjoy, C. Q. CAMDEX-R: the Cambridge examination for mental disorders of the 
elderly – revised. Cambridge: University Press, 1998. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
119 
 
 
7.10 LISTA DE PALAVRAS DE CERAD 
 
Em 1986, o Consortium to Establish a Registry for Alzheimer’s Disease (CERAD) foi 
financiado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, na cidade de Washington - Estados 
Unidos, com o objetivo de uniformizar os vários estudos clínicos da DA e para 
compartilhar as informações coletadas pelos inúmeros médicos e pesquisadores que 
estudavam essa doença. 
 
 O CERAD foi criado em resposta a essa necessidade de padronização. Como um pré 
requisito para a formação de um registro nacional, um grande número de universidades e 
centros de pesquisa por todos os Estados Unidos se uniram para formar o CERAD. 
 
Dentre os objetivos iniciais do CERAD temos: a padronização dos dados clínicos, 
neuropsicológicos, neuropatológicos e avaliações de neuroimagem da DA; identificação 
das várias características e observação do curso natural da DA. 
 
Aplicação do teste: 
São apresentadas, uma a uma, dez palavras não relacionadas para serem lidas, em voz alta 
pelo doente (ou profissional de saúde, caso a leitura esteja prejudicada),a um ritmo de uma 
palavra a cada 20 segundos. 
Terminada a leitura é feita a evocação, por um período máximo de 90 segundos. O 
procedimento é repetido, com as palavras em outra ordem, mais duas vezes (memória da 
lista de palavras). 
Após algum tempo, é feita a evocação da lista de palavras, por um período máximo de 90 
segundos (evocação da lista de palavras). É importante utilizar algum fator de distração 
antes da evocação da lista de palavras. 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
120 
 
Quadro nº 33: Lista de palavras de Cerad 
 
Lista de Palavras para Fixação e Recordação 
1a tentativa Ordem 2a tentativa Ordem 3a tentativa Ordem 
Manteiga Praia Cabana 
Braço Braço Bilhete 
Praia Cabana Poste 
Carta Manteiga Rainha 
Rainha Poste Motor 
Cabana Motor Carta 
Poste Erva Erva 
Bilhete Rainha Braço 
Erva Bilhete Manteiga 
Motor Carta Praia 
Score 
 
 
Interpretação do teste: 
 
A pontuação é obtida pela soma das palavras evocadas nas três tentativas, com um score 
máximo de 30 pontos. A Memória da Lista de Palavras e a Evocação da Lista de Palavras 
avaliam basicamente a memória episódica e a capacidade de aprendizagem (curva de 
aprendizagem). Ambas as funções estão precocemente acometidas da Doença de 
Alzheimer. 
 
Referências bibliográficas 
Bertolucci P.H.F. et al. Desempenho da população brasileira na bateria neuropsicológica do Consortion to 
Establish a Registry for Alzheimer´s Disease (CERAD). Rev Psiq Clin, v.25, p.80-83, 1998 
Morris J.C. et al. The Consortion to Establish a Registry for Alzheimer´sDisease (CERAD). Neurology, v.39, 
p.1159-1165, 1989; 
Welsh K, Butters N, Hughes J et al. Detection of abnormal memory decline 
in n-did cases of Alzheimer's disease using CERAD neuropsychological measures. Arch. Neurol. 48:278, 
1991. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
121 
 
ESCALA ISQUÊMICA DE HACHINSKI
Original Modificada por Loeb
Início súbito 2 1
Antecedentes de AVC 2 2
Sintomas neurológicos focais 2 2
Sinais neurológicos focais 2 2
Áreas hipodensas na neuroimagem *
Únicas * 2
Múltiplas * 3
Deterioração cognitiva em degraus 1
Evolução flutuante 2 *
Confusão mental noturna 1 *
Preservação relativa da personalidade 1 *
Depressão 1 *
Queixas somáticas 1 *
Incontinência emocional 1 *
História de hipertensão 1 *
Evidência de aterosclerose associada 1 *
SCORE
Sugestivo de Demência Vascular  7  5
Sugestivo de Demência de Alzheimer  4  2
 
7.11 ESCALA ISQUÉMICA DE HACHINSKI 
 
Esta escala é usada para o diagnóstico diferencial das demências. É usada para confirmar o 
diagnóstico de demência de origem vascular. 
O score com uma pontuação superior a 7 indica uma maior probabilidade de ser de 
etiologia vascular, demência vascular, entre 4 e 7 são casos limítrofes e demência mista, e 
menor de 4 aponta para o diagnóstico de demência degenerativa como, por exemplo, a 
doença de Alzheimer. 
 
Quadro nº 34: Escala isquémica de Hachinski 
 
 
Referências bibliográficas 
Hachinski VC, Illiff LD, Zihlka E et al. Cerebral blood flow in dementia Arch. 
Neurol. 32:632, 1975. 
Hachinski, V. C.; Lassen, N. A.; Marshall, J. Multi-infarct dementia. A cause of deterioration in the elderly. 
Lancet, Ii: 207-210, 1974. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
122 
 
 
7.12 INVENTÁRIO DEPRESSIVO DE BECK 
 
O Inventário Depressivo de Beck (IDB), título original Beck Depression Inventory (BDI), 
autores Aaron T. Beck, Ward, Mendelson, Mock, e Erbaugh, (1961) é uma escala que 
avalia a gravidade da depressão diferenciando todos os elementos de uma população 
depressiva de populações não depressivas. 
O IDB foi validado para a realidade portuguesa por A.Vaz Serra e J. Abreu (1973) 
mantendo uma estrutura semelhante à do inventário original. 
Este inventário inclui 21 itens que são sintomas e são apresentados com afirmações de 
doentes psiquiátricos. Consiste numa entrevista com 4 a 6 questões que são colocadas pelo 
clínico para cada um dos 21 sintomas. 
Os 21 itens valorizam os sintomas cognitivos da depressão, nomeadamente os seguintes: 
estado de ânimo triste, pessimismo, incapacidade de decisão, sentimento e fracasso, 
insatisfação, sentimento de culpabilidade, sentimento ou desejo de auto-punição, ódio a si 
mesmo, auto-acusação, desejo de suicídio, crise de choro, irritabilidade, afastamento 
social, distorção da imagem corporal, incapacidade de trabalhar, perturbação do sono, 
fatigabilidade, perda de apetite e peso, hipocondria, diminuição da libido. 
O resultado final consiste na soma de notas de cada grupo sintomático, permitindo 
identificar um quadro depressivo inexistente ou existente e, neste caso, entre leve, 
moderado ou grave. 
 
Instruções : 
Não demore ou pense muito para responder. Sua resposta imediata para cada item 
provavelmente será mais precisa para avaliá-lo do que uma resposta onde você gaste muito 
tempo pensando e refletindo. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
123 
 
Este questionário consiste em 21 grupos de afirmações. 
Leia todas as afirmações, em cada grupo, antes de fazer a sua escolha: 
 1. 0 Não me sinto triste 
 1 Sinto-me triste 
 2 Estou sempre triste e não consigo sair disto. 
 3 Estou tão triste ou infeliz que não consigo suportar. 
 
2. 0 Não estou especialmente desanimado quanto ao futuro. 
 1 Sinto-me desanimado quanto ao futuro. 
 2 Acho que nada tenho a esperar. 
 3 Acho o futuro sem esperança e tenho a impressão de que as coisas não podem 
 melhorar. 
 
3. 0 Não me sinto um fracasso. 
 1 Acho que fracassei mais do que uma pessoa comum. 
 2 Quando olho para trás, na minha vida, tudo o que posso ver é um monte de 
 fracassos. 
 3 Acho que, como pessoa, sou um completo fracasso. 
 
4. 0 Tenho tanto prazer em tudo como antes. 
 1 Não sinto mais prazer nas coisas como antes. 
 2 Não encontro um prazer real em mais nada. 
 3 Estou insatisfeito ou aborrecido com tudo. 
 
5. 0 Não me sinto especialmente culpado. 
 1 Sinto-me culpado grande parte do tempo. 
 2 Sinto-me culpado na maior parte do tempo. 
 3 Sinto-me sempre culpado. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
124 
 
6. 0 Não acho que esteja sendo punido. 
 1 Acho que posso ser punido. 
 2 Creio que serei punido. 
 3 Acho que estou sendo punido. 
 
7. 0 Não me sinto dececionado comigo mesmo. 
 1 Estou dececionado comigo mesmo. 
 2 Estou enojado de mim. 
 3 Odeio-me. 
 
8. 0 Não me sinto, de qualquer modo, pior que os outros. 
 1 Sou crítico em relação a mim por minhas fraquezas ou erros. 
 2 Culpo-me sempre por minhas falhas. 
 3 Culpo-me por tudo de mau que acontece. 
 
9. 0 Não tenho quaisquer ideias de me matar. 
 1 Tenho ideias de me matar, mas não as executaria. 
 2 Gostaria de me matar 
 3 Matar-me-ia se tivesse oportunidade. 
 
10. 0 Não choro mais do que o habitual. 
 1 Choro mais agora do que costumava. 
 2 Agora choro o tempo todo. 
 3 Costumava ser capaz de chorar, mas agora não consigo, mesmo que o queira. 
 
11. 0 Não sou mais irritado agora do que já fui. 
 1 Fico aborrecido ou irritado mais facilmentedo que costumava. 
 2 Atualmente sinto-me irritado o tempo todo. 
 3 Não me irrito mais com as coisas que me costumavam irritar. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
125 
 
 12. 0 Não perdi o interesse pelas outras pessoas. 
 1 Estou menos interessado pelas outras pessoas do que costumava estar. 
 2 Perdi a maior parte do meu interesse pelas outras pessoas. 
 3 Perdi todo o meu interesse pelas outras pessoas. 
 
13. 0 Tomo decisões tão bem quanto antes. 
 1 Adio as tomadas de decisões mais do que costumava. 
 2 Tenho mais dificuldade em tomar decisões do que antes. 
 3 Não consigo mais tomar decisões. 
 
14. 0 Não acho que minha aparência esteja pior do que costumava ser. 
 1 Estou preocupado por estar parecendo velho ou sem atrativos. 
 2 Acho que há mudanças permanentes na minha aparência que me fazem parecer 
 sem atrativos. 
 3 Acredito que pareço feio. 
 
15. 0 Posso trabalhar tão bem quanto antes. 
 1 Preciso de um esforço extra para fazer alguma coisa. 
 2 Tenho que me esforçar muito para fazer alguma coisa. 
 3 Não consigo mais fazer trabalho algum. 
 
16. 0 Consigo dormir tão bem como o habitual. 
 1 Não durmo tão bem quanto costumava. 
 2 Acordo uma a duas horas mais cedo que habitualmente e tenho dificuldade em 
 voltar a dormir 
 3 Acordo várias horas mais cedo do que costumava e não consigo voltar a dormir. 
 
17. 0 Não fico mais cansado do que o habitual. 
 1 Fico mais cansado do que o habitual. 
 2 Sinto-me cansado ao fazer qualquer coisa. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
126 
 
 3 Estou cansado demais para fazer qualquer coisa. 
 
18. 0 Meu apetite não está pior do que o habitual. 
 1 Meu apetite não é tão bom quanto costumava ser. 
 2 Meu apetite está muito pior agora. 
 3 Não tenho mais nenhum apetite. 
 
19. 0 Não tenho perdido muito peso, se é que perdi algum recentemente.. 
 1 Perdi mais de dois quilos e meio. 
 2 Perdi mais de cinco quilos. 
 3 Perdi mais de sete quilos. 
 Estou tentando perder peso de propósito, comendo menos: Sim ( ) Não ( ) 
 
20. 0 Não estou mais preocupado com minha saúdo que o habitual. 
 1 Estou preocupado com problemas físicos, tais como dores, indisposição do 
 estômago ou obstipação. 
 2 Estou muito preocupado com problemas físicos e é difícil pensar em outra coisa. 
 3 Estou tão preocupado com meus problemas físicos que não consigo pensar em 
 qualquer coisa. 
 
21. 0 Não notei qualquer mudança recente no meu interesse por sexo. 
 1 Estou menos interessado por sexo do que costumava estar. 
 2 Estou muito menos interessado em sexo atualmente. 
 3 Perdi completamente o interesse por sexo. 
 
Referências bibliográficas 
Beck, A., Ward, C., Mendelson, M., Mock, J., e Erbaugh, J.(1961). An inventory for measure depression. 
Archives of General Psychiatry, 4, 561-571. 
Diegas, M., e Cardoso, M. (1986). Escalas de auto avaliação de depressão (Beck e Zung).Estudos de 
correlação. Psiquiatria Clínica, 7 (2), 141-145. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
127 
 
Mcintyre, T., e Araújo-Soares, V. (1999). Inventário de depressão de Beck: Estudo de validade numa amostra 
de doentes com dor crónica. In. A. Soares, S., Araújo e S. Caíres (Org.s). Avaliação psicológica: formas e 
contextos (pp.245-255). Braga: APPORT. 
Ribeiro, J. L.P. – Avaliação em Psicologia da Saúde (2007). 
Vaz Serra, A., e Abreu, J.(1973). Aferição dos quadros clínicos depressivos: I.- Ensaio de aplicação do 
“Inventário Depressivo de Beck” a uma amostra portuguesa de doentes deprimidos. Coimbra médica, XX 
(VI), 623-644. 
 
 
 
7.13 MONTREAL COGNITIVE ASSESSMENT (MOCA) 
 
O Montreal Cognitive Assessment (MOCA) foi criado por Z. Nasreddine, 2004 e é um 
instrumento de rastreio cognitivo mais sensível que o Mini-Mental State 
Examination (MMSE) aos estádios mais ligeiros de declínio, nomeadamente ao défice 
cognitivo ligeiro (DCL), que frequentemente progride para demência. 
O Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) é uma entidade clínica intermédia entre as alterações 
cognitivas do envelhecimento e as primeiras manifestações clínicas da demência. Esta 
conceção reúne o consenso da maioria dos investigadores e encontra sustentação empírica 
em numerosos estudos (e.g., Gauthier e colaboradores, 2006; Petersen & O´Brien, 2006; 
Cargin e colaboradores, 2005; Winblad e colaboradores, 2004; Petersen, 2003/2004, 2007). 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
128 
 
Quadro nº 35: Escala Montreal Cognitive Assessment 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
129 
 
Referências bibliográficas 
Duro, D. (2008). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Características psicométricas e capacidade 
diagnóstica num contexto de consulta de memória. Tese de Mestrado não publicada, Curso de Psicologia, 
Universidade de Coimbra. Coimbra.Duro, D., Simões, M. R., Ponciano, E., & Santana, I. (2009). Validation 
studies of the portuguese experimental version of Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Confirmatory 
factor analysis. Journal of Neurology. Published online 25 November 2009 in Springer 
(http://www.springer.com). doi: 10.1007/s0 Freitas, S., Simões, M. R., & Santana, I. (2008a, 
Junho). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudos de validação numa amostra da população 
normal. Trabalho apresentado na 22ª Reunião do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência. 
Luso, Portugal. 
Freitas, S., Simões, M. R., & Santana, I. (2008b, Junho). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudo de 
validação numa amostra da população normal. Trabalho apresentado no XIII Congresso Multidisciplinar - 
Psicologia e Educação: Tendências Actuais. Coimbra, Portugal.Freitas, S., Pinto, P., Duro, D., Santiago, B., 
Simões, M. R., & Santana, I. (2009, Junho). Avaliação Cognitiva Breve: Comparação da capacidade 
discriminativa do MoCA e do MMSE no espectro da Doença de Alzheimer. Trabalho apresentado na 23ª 
Reunião do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência. Luso, Portugal. 
Koski, L., Xie, H., & Finch, L. (2009). Measuring cognition in a geriatric outpatient clinic: Rash analysis of 
the Montreal Cognitive Assessment. Journal of Geriatric Psychiatry and Neurology, 22(3), 151-160.Martins, 
M. (2007). Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Estudos de validação em grupos com Défice Cognitivo 
Ligeiro e Demência. Tese de Mestrado não publicada, Universidade de Coimbra. Coimbra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
130 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
DO CUIDADOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
131 
 
 
8. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DO CUIDADOR 
 
O conceito de continuação de cuidados e de cuidados continuados veio trazer à discussão 
pública o papel do cuidador na prestação de cuidados de saúde ao idoso com limitação 
funcional ou cognitiva. Parece ser universal a importância do cuidador englobado na 
equipa de saúde. 
O doente, doente e cuidador são atualmente tema de investigação em saúde. É, de tal 
maneira importante o papel do cuidador que há expectativas de experiênciasda criação de 
serviços nos cuidados primários de saúde que criem programas de formação e avaliem 
física e emocionalmente o cuidador. 
Este atua, na maioria das vezes de uma forma inesperada e não programada, com 
limitações dos conhecimentos acerca da doença e do doente, criando condições propícias à 
ansiedade e ao stress. 
Habitualmente, os cuidadores em 90% dos casos são familiares, mulheres e residem com o 
idoso doente, dedicando grande parte do seu horário a cuidar e a tratar, não são 
recompensados economicamente, colocando em causa o seu trabalho fora de casa. 
Desenvolve a sua ação dirigida às necessidades do doente, desenvolve tarefas complexas, 
com necessidade de conhecimentos específicos de acordo com cada caso e requer 
formação, capacitação e acompanhamento de profissionais da equipa de saúde. 
É importante o diagnóstico da relação cuidador/idoso, da natureza das necessidades e dos 
valores sociais, culturais e psicológicos. É o conforto das respostas físicas, psicológicas e 
afetivas ao trabalho do cuidador que vão provocar impacto (objetivo e subjetivo) sobre o 
cuidador (Caregiver Burden) que poderá provocar burnout e colocar em risco o exercício 
do papel do cuidador com consequências nefastas para o doente (negligência e maus 
tratos). 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
132 
 
 
8.1 INVENTÁRIO DE BURNOUT DE MASLASCH (MBI) 
 
O inventário de Maslach para avaliação de Burnout, título original Maslach Burnout 
Inventory (M.B.I.) foi elaborado por C. Maslach, S. Jackson em 1986. É um instrumento 
de auto-avaliação mais utilizado em todo o mundo e avalia o desgaste do profissional ou 
cuidador. Foi validado e adaptado em 1999 por Bárbara Teixeira Melo, António Rui 
Gomes e José Fernando A.Cruz. Burnout entende-se como o prolongamento do stress 
ocupacional de longa duração. É caracterizado pelo sentimento do profissional de que 
esgotou os seus recursos para lidar com as exigências impostas pela situação 
profissional ou ocupacional. 
 
A versão atual é formada por 22 questões sob a forma de Likert (afirmações), em que a 
cada um destes itens são atribuídos graus de intensidade que vão desde: 
1. Nunca; 
2. Algumas vezes por ano; 
3. Uma vez por mês; 
4. Algumas vezes por mês; 
5. Uma vez por semana; 
6. Algumas vezes por semanas; 
7. Todos os dias. 
 
O preenchimento deste questionário leva em média 10 a 15 minutos. 
É composto por 3 escalas: a “Exaustão Emocional”, a “Despersonalização” e a “Realização 
Pessoal”: 
• “Exaustão Emocional” é composta por 9 itens, que traduzem sentimentos de estar 
emocionalmente exausto e esgotado com o trabalho; 
• “Despersonalização” é formada por 5 itens, que descrevem respostas impessoais; 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
133 
 
• “Realização Pessoal” que é constituída por 8 itens, descrevendo sentimentos ao 
nível da capacidade e sucesso alcançados no trabalho com doentes. 
Um nível baixo de Burnout reproduz-se em scores baixos nas escalas de exaustão 
emocional e despersonalização e em scores elevados na realização pessoal. Um nível 
médio de Burnout é representado por valores médios nos scores das três escalas. 
Por último, um nível alto de Burnout traduz-se em scores altos para as escalas de exaustão 
emocional e despersonalização e em scores baixos na realização pessoal, ou seja para a 
cotação das três dimensões do teste estão estipulados os intervalos rácios que 
correspondem a atribuições qualitativas. 
O processo de adaptação e validação do MBI para português veio trazer algumas alterações 
ao instrumento original. Assim sendo, o Inventário de Burnout de Maslach possui 18 itens. 
À semelhança do instrumento original, também eles se subdividem em 8 itens relativos à 
exaustão emocional, visando analisar os sentimentos de sobrecarga emocional e 
incapacidade de conferir resposta às exigências: 
 
• Item 1 "Sinto-me emocionalmente insatisfeito(a) com o meu trabalho "; 
• Item 3 "Sinto-me fatigado(a) quando me levanto de manhã e tenho de enfrentar 
outro dia de trabalho"; 
• Item 6 "Trabalhar com pessoas todo o dia constitui realmente uma pressão para 
mim"; 
• Item 8 "Sinto-me esgotado(a) com o meu trabalho"; 
• Item 13 "Sinto-me frustrado(a) com o meu emprego"; 
• Item 14 "Sinto que estou a trabalhar demasiado no meu emprego"; 
• Item 16 "Trabalhar directamente com pessoas gera-me demasiado stress"; 
• Item 20 "Sinto-me como se estivesse no limite das minhas capacidades"; 
 
4 itens relativos à Despersonalização, que visam avaliar as respostas impessoais/negativas 
dirigidas às pessoas aos cuidados do profissional em consideração: 
• Item 5 "Sinto que trato alguns clientes como se fossem objectos impessoais"; 
• Item 10 "Tornei-me mais cruel com as pessoas desde que comecei a exercer 
esta profissão"; 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
134 
 
• Item 15 "Não me interessa realmente o que acontece a alguns dos meus clientes"; 
• Item 22 "Sinto que os clientes me culpam por alguns dos seus problemas"; 
 
6 Itens relativos à Realização pessoal, com o objetivo de avaliar os sentimentos de 
proficiência e bem-estar em relação ao trabalho: 
 
• Item 4 "Posso facilmente compreender como é que os meus clientes se sentem 
em relação às coisas"; 
• Item 7 "Lido de forma eficaz com os problemas dos meus clientes"; 
• Item 9 "Sinto que estou a influenciar positivamente a vida de outras pessoas através 
do meu trabalho"; 
• Item 17 "Sou capaz de criar facilmente um ambiente relaxado com os meus 
clientes"; 
• Item 19 "Neste emprego consegui muitas coisas que valeram a pena"; 
• Item 21 "No meu trabalho lido muito calmamente com os problemas emocionais" 
 
Também estes itens são respondidos numa escala de Likert de 0 a 6 . 
De acordo com os autores da validação do MBI, à escala da adaptação portuguesa da 
MBI, valores acima de 2,6 na dimensão da exaustão emocional, de 1,8 na 
despersonalização, assim como valores inferiores a 3,5 na dimensão da 
realização pessoal, são indicadores de elevados níveis de Burnout. 
 
 
Referências bibliográficas 
Maslach Burnout Inventory Manual (2nd Ed.). Palo Alto, Ca: Consulting Psychologists Press, 1996. 
Melo, B., Gomes, R., e Cruz, J.(1999). Desenvolvimento e adaptação de um instrumento de avaliação 
psicológica do Burnout para os profissionais de psicologia. In A. Soares, S. Araújo e S. Caires (Org.s). 
Avaliação psicológica: formas e contextos (pp.596-603). Braga: APPORT. 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
135 
 
 
8.2 ESCALA DE SOBRECARGA DO CUIDADOR (ENTREVISTA DE ZARIT) 
 
A sobrecarga do cuidador Caregiver Burden Interview (Zarit et col., 1980) traduzida por 
Taub et al. (2004) foi analisada através da versão brasileira da Escala Burden Interview 
(Zarit). A escala foi traduzida para o português por Marcia Scazufca, que estudou 
consistência interna e a validade deste insturmento em cuidadores de indivíduos com 
doenças mentais (Scazufca, 2002). 
 
Surgem dados preliminares sobre a validação da Escala Burden Interview (Zarit e col, 
1985), em Portugal por Gonçalves Pereira, M. (2006) in Resumos da 20ª Reunião do 
Grupo de Estudos do Envelhecimento Cerebral e Demências; Tomar. Em 2004, Taub et al. 
realizaram um estudo para avaliar a confiabilidade da versão brasileira em familiares de 
doentes com demência, instrumento padronizado, válido e confiável para ser utilizado 
como uma medida da sobrecarga dos cuidadores. 
 
ABurden Interview é uma entrevista de 22 perguntas que avalia o impacto de doenças 
mentais e físicas nos cuidadores informais. Varia de 0 a 88. Maior pontuação indica 
aumento na sobrecarga, com respostas que variam de zero (nunca) a quatro (quase 
sempre), a escala reflete a perceção do cuidador quanto à saúde, vida pessoal e social, 
situação financeira, bem-estar pessoal e de relações interpessoais. Por fim, o cuidador deve 
avaliar o quanto ele se sente sobrecarregado devido ao cuidado com seu familiar. Segundo 
Scazufca (2002), não há um instrumento considerado como padrão-ouro para a avaliação 
da sobrecarga. Em seu estudo, foram incluídos 82 cuidadores de doentes idosos com 
depressão de leve a grave. O score médio da Zarit total foi de 31,1 (DP=15,7; os escores 
variaram entre 7 e 73 pontos). Schreiner et al. (2006) sugerem que um ponto de corte entre 
24 a 26 pontos possui validade preditiva significativa para identificar cuidadores em risco 
de depressão. 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
136 
 
Quadro nº 36: Escala de sobrecarga do cuidador (entrevistade Zarit) 
Item Perguntas a fazer Pontuação 
1 Você sente que seu familiar pede mais ajuda do que você realmente precisa? 
 
2 Você acha que por causa do tempo dedicado a sua família não tem mais tempo para você? 
 
3 
Você se sente tenso quando se trata de cuidar de sua família e também atender outras 
responsabilidades? 
4 Você se sente envergonhado pelo comportamento de sua família? 
 
5 Você sente raiva quando você está em torno de seu familiar? 
 
6 
Você acha que a situação atual afeta negativamente seu relacionamento com amigos e outros membros 
da família? 
7 Você tem medo para o futuro que aguarda a sua família? 
 
8 Você sente que sua família está consigo? 
 
9 Você está sobrecarregado quando você tem que estar com sua família? 
 
10 Você sente a sua saúde tem sofrido para cuidar de sua família? 
 
11 Você sente que a vida não é privada por causa de sua família? 
 
12 Você acha que sua vida social tem sido afetada por ter de cuidar de seu familiar? 
 
13 Você se sente desconfortável em casa convidando amigos por causa de seu familiar? 
 
14 Você acha que sua família espera que você para cuidar dele, como se a única pessoa que pode dizer? 
 
15 Acho que você não tem dinheiro suficiente para cuidar de sua família também suas outras despesas? 
 
16 Você sente que será incapaz de cuidar de seu familiar muito mais tempo? 
 
17 Você sente que perderam o controle sobre sua vida desde a doença do seu familiar se manifestou? 
 
18 Gostaria de confiar o cuidado de sua família para os outros? 
 
19 Você não tem certeza sobre o que fazer com sua família? 
 
20 Você acha que deve fazer mais do que ele faz para sua família? 
 
21 Acho que eles cuidar de sua família melhor do que você faz? 
 
22 Em geral: Você se sente muito sobrecarregado por ter que cuidar de seu familiar? 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
137 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cada item é avaliado da seguinte forma: 
 
Frequência Pontuação 
Nunca 0 
Raramente 1 
Às vezes 2 
Algumas 
vezes 
3 
Quase sempre 4 
 
Pontuação máxima de 88 pontos. Não existem normas ou pontos de corte. No entanto, é 
geralmente considerada indicativa de “ sobretaxa não” uma pontuação abaixo de 46, e 
“sobrecarga intensa” uma pontuação maior que 56. 
 
 
Referências bibliográficas 
Cerqueira ATAR, Oliveira NILO. Programa de apoio a cuidadores: uma ação terapêutica e preventiva na 
atenção à saúde dos idosos – Psicologia USP 2002;13(1):133-50. 
Chan DC, Kasper JD, Black BS, Rabins PV. Presence of behavioral and psychological symptoms predicts 
nursing home placement in community-dwelling elders with cognitive impairment in univariate but not 
multivariate analysis. The Journals of Gerontology 2003;58: 548–554. 
Scazufca M. Brazilian version of the burden Interview scale for the assessment of burden of care in carers of 
people with mental illnesses. Revista Brasileira de Psiquiatria 2002;24:12-17. 
Taub A. Dementia caregiver burden: reliability of the Brazilian version of the Zarit caregiver burden 
interview. Cad Saude Publica 2004 20: 372-6. 
Zarit SH, Todd PA, Zarit JM. Subjective burden of husbands and Wives as Caregivers: a longitudinal study. 
The Gerontologist 1986; 26(3):260-6. 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
138 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
FAMILIAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
139 
 
 
9.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO FAMILIAR 
 
A avaliação da família constitui um processo importante na gestão dos Cuidados Primários 
de Saúde, para o planeamento e implementação de programas e ações de saúde na família. 
A família compreende o conceito de um sistema social e atualmente é uma unidade básica 
de desenvolvimento de experiências, das realizações e fracassos do ser humano. A sua 
organização e estrutura alteram-se com as alterações das sociedades e são sede de uma 
variedade complexa de relações entre os seus elementos. 
As mudanças no padrão de comportamento de um elemento da família vão afetar todos os 
outros elementos. Nesta perspetiva, as famílias seguem ciclos comportamentais que são 
influenciados por sistemas de defesa, de crenças, de atitudes, de preconceitos, de 
convicções e expectativas (Minuchim, 1974). 
A família funciona como um sistema em constante transformação, mas que se pode alterar 
em patologia, quando este sistema se alterar para um padrão rígido. 
A família é a célula da sociedade e representa um grupo de pessoas, não necessariamente 
ligadas por laços de sangue ou pelo casamento com o compromisso de coabitar e de cuidar 
umas das outras ao longo do tempo. Não se pode falar de família sem o conceito de cuidar 
e tratar. 
A família funciona como um organismo vivo, com vários órgãos e sistemas capazes de 
interagir necessariamente entre si. Implica o conceito de interação e dependência, 
sugerindo que, se um dos órgãos que compõem a família claudica, pode claudicar toda a 
família. A família também nasce, cresce, desenvolve-se e desaparece, para dar lugar a 
outra. 
Neste conceito evolutivo e dinâmico, a família pode sofrer de doenças, que importa 
prevenir ou tratar. Também pode sofrer de disfunção ou de alteração da sua 
funcionalidade, que se não recuperar pode vir a sofrer também de dependências e 
limitações. Por esta razão o conceito de recuperação familiar é tão importante no dia-a-dia 
na prestação de cuidados de saúde à população. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
140 
 
A recuperação funcional do organismo familiar de um ou mais dos seus elementos (órgãos 
do sistema) é fundamental para que a família, qualquer que seja a sua tipologia, constitua 
uma comunidade em equilíbrio. 
Atualmente, a família tem passado por diversas mudanças e o conceito de família moderno 
tem vindo a alterar-se, com entrada de novos elementos e na saída de outros para construir 
outras famílias. As diferentes gerações avançam no tempo através de um ciclo vital 
definido por eventos definidores de etapas e de tarefas de socialização. 
Tratar e cuidar de um doente implica tratar e cuidar da família. A maioria das vezes o 
cuidador do doente que presta cuidados, vem do seio da família, com todas as implicações 
daí resultantes. A prestação de cuidados passa sempre pelo conceito de equipa 
transdisciplinar de saúde onde a família e o cuidador estão inseridos por direito próprio. 
O papel da família e do cuidadortorna-se precioso e incontrolável, na visitação 
domiciliária. A equipa de saúde deve sentir necessidade de conhecer a estrutura familiar, a 
cultura existente e efetuar uma abordagem ao mundo interior da família e das suas relações 
internas e externas. 
A avaliação da família reveste-se de uma importância maior, quando encontramos 
problemas emocionais e de comportamento, disfunção sexual ou conjugal, nas transições 
do ciclo de vida familiar, nos lutos e ausências, na insuficiência do modelo biomédico 
convencional; quando encontramos o efeito mimético dos sintomas, numa 1ª consulta com 
a família; quando há grandes utilizadores de cuidados, nas dificuldades, no apoio de 
doentes crónicos, em casos de doenças relacionadas com estilos de vida e, principalmente, 
na disfunção familiar. 
Podemos dividir os instrumentos de avaliação familiar (IAF) em dois tipos: 
• Instrumentos de avaliação de estrutura familiar; 
• Instrumentos de avaliação da funcionalidade familiar; 
• Instrumentos de avaliação de risco familiar. 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
141 
 
Genograma
Afonso
1899
Rosinda
1912
1984
EAM
1996
AVC, HTA
Anemia
Hercília
1933
HTA
Demência
Fernanda
1954
Tabagismo
Sofia
1969
Anemia
HTA
Paulo
1981
Heroína EV
Salomé
1972
Anemia
Bernardo
1976
Adília
1948
HTA
Rosário
1937
Anemia
Viúva 29 A
João
1960
1974
Afogamento
1930
1970
Assunção
1940
HTA
Angor
Anemia
Depressão
António
1945
C2H5OH
Matilde
1970
Anemia
Carlos
1976
Depressão
1935
Daniel
1911
C2H5OH
1983
CA gástrico
Ermelinda
1917 HTA
DM
Gonartrose
Laura
1950
DM
Francisco
1983
Obesidade
Martinho
1941
DM
CA pele
Norberto
1943
C2H5OH
I
II
III
IV
 
9.1 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA FAMILIAR 
 
9.1.1 Genograma familiar 
 
É um instrumento de avaliação que sumariza dados familiares permitindo uma rápida 
perceção da estrutura familiar e dos seus problemas. 
As categorias de interpretação do genograma, segundo McGoldrick e al., 1995, podem 
dividir-se em estrutura familiar na qual sabemos qual a tipologia e as configurações não 
usuais, tais como, consaguinidade e casamentos múltiplos; fase do ciclo de vida familiar; 
repetições transgeracionais de padrões; experiências de vida/problemas de saúde; padrões 
relacionais da família; equilíbrio e desequilíbrio familiar. 
 
Figura nº 6: Exemplo de Genograma familiar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
142 
 
Legenda
Homem Mulher Falecido
Casamento e ano
Separação e ano
Divórcio e ano
União de facto
1985
1991
1991
1991
1985
1991
Gémeos
1899
1984
Adopção
Aborto 
esp.º
Aborto 
induzido
Agregado 
familiar
Legenda: 
 
 
 
 
 
 
 
Regras na construção do Genograma: 
• Cada indivíduo - Quadrado (M) ou círculo (F); 
• Marido representado à esquerda e esposa à direita; 
• Elementos das famílias por idade decrescente; 
• Laços familiares representados por linhas; 
• Representação de pelo menos 3 gerações da família; 
• Nome, datas de nascimento, falecimento, separação, divórcio, abortamento e 
adopção; 
• Data e legenda; 
• Registo dos problemas biopsicosociais relevantes; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
143 
 
Psicofigura: Simbologia
Relação conflituosa
Relação distante
Relação escassa
Relação boa
Relação excelente
Relação de domínio
 
9.1.2 Psicofigura de Mitchel 
 
É a representação gráfica da qualidade das relações pessoais intrafamiliares. Sendo um 
complemento do genograma é elaborado por linhas de significado convencionado que 
unem os elementos da família representados no genograma. 
Permite rápida perceção da funcionalidade das relações na família. Pode ser realizada pelo 
doente ou pelo profissional de saúde. 
 
Figura nº 7: Exemplo de Psicofigura de Mitchel 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Legenda: 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
144 
 
Ciclo de Vida Familiar de Duvall
I
IV
III
V
VII
II
VI
VIII
Fase I: Do casamento ao nascimento do 1.º filho
Fase II: Filho mais velho até aos 3 anos
Fase III: Filho mais velho entre os 4 e os 6 anos
Fase IV: Filho mais velho entre os 7 e os 13 anos
Fase V: Filho mais velho entre 14 e 20 anos
Fase VI: Da saída do primeiro à do último filho 
Fase VII: Da saída do último filho à reforma
Fase VIII: Da reforma à morte dos cônjuges
2 2,5
3,5
7
7
6,5
15
16
Períodos de duração média, em anos, de cada 
fase do Ciclo de Vida Familiar 
(Glick & Keffler, 1980, in Wlliams, 1994)
 
9.1.3 Ciclo de Vida Familiar de Duvall 
 
É um instrumento descritivo da evolução esperada na estrutura das famílias nucleares 
centrado no crescimento, educação e autonomização dos filhos. 
Associa cada fase a tarefas que devem ser cumpridas considerando as transições de fase, 
períodos de potencial reajustamento ou crise. 
Permite a prestação de cuidados antecipatórios. 
 
Figura nº 8: Exemplo de Ciclo de vida familiar de Duvall 
 
 
 
 9.1.4 Linha de Vida de Medalie 
 
São as ocorrências que sucedem a um indivíduo num determinado período da sua vida, 
representado por uma linha, havendo uma correlação cronológica dos acontecimentos 
vitais e problemas de saúde. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
145 
 
Etapa/ Crise
Problemas
1988 1991 1993 1998 1999 2000
Histerectomia e
Ooforectomia bilat.
Menopausa aos 32 A
Início trabalho de
promoção de vendas
Casamento do filho
Nascimento 1ª neta
1996
Cirurgia cicatriz 
abdominal
Artrite 
Reumatóide
DM secundária
Cefaleias
Baixa
Gastrite do antro
Sínd. Depressivo
Cuidadora de mãe 
semi-acamada (AVC)
Podalgias
Prótese 
joelho D
Consulta
Reumatologia
Consultas
Reumatol.
Ortopedia
Consulta
Neurologia
Consulta
Psiquiatria
HTA
Linha de Vida de Medalie
Figura nº 9: Exemplo Linha de Vida de Medalie 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9.2 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO FAMILIAR 
 
São um conjunto de itens na família que poderão traduzir um aumento do risco familiar de 
disfunção. 
São úteis como instrumentos de rastreio de um conjunto de famílias para selecionar as 
vulneráveis, às quais estará indicado aplicar instrumentos mais sensíveis de avaliação 
familiar. 
Em alguns casos podem ser utilizadas sem a presença dos elementos da família. 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
146 
 
9.2.1 Escala de Risco de Segovia – Dreyer 
 
 
 
Quadro nº 37: Escala de risco de Segovia - Dreyer 
Factores de risco - 1 ponto Factores de risco - 2 pontos 
 
Morbilidade crónica 
Invalidez 
Hospitalizações frequentes 
Mãe analfabeta 
Mãe solteira 
Chefe da família desempregada 
Ausência temporária de um dos pais 
Chefe de família c/emprego precário 
Morte de pai ou de mãe 
 
 
Alcoolismo 
Droga 
Desnutrição 
Ausência de um dos pais 
Pais analfabetos 
Apgar familiar < 4 
Filho com grande deficiência 
Chefe de família preso 
Filho com carências afectivas graves 
 
Alto risco:> 6 pontos 
Médio risco:> 3 pontos 
 
 
 
9.2.2 Escala de Risco de Garcia - GonzalezFACTORES DE RISCO 
1 PONTO 
• Famílias compostas por pais jovens e filhos pequenos que moram todos num 
quarto alugado; 
• Famílias cuja dinâmica de relação esteja alterada e em que, pelo menos, metade 
dos seus filhos estejam sujeitos a insucesso escolar; 
• Famílias que solicitam cuidados em excesso do CS; 
• Famílias cujos membros partilhem em maioria um factor de risco comum 
(fumadores, obesos ou alcoólicos); 
• Famílias nas quais um membro seja centro da atenção dos outros e que, por isso, 
altere as relações intra-familiares (deficiente, pai alcoólico, etc.); 
• Famílias, que, pelos seus antecedentes, estejam sujeitas a um risco mais elevado de 
padecer de determinado tipo de doenças embora essas não estejam presentes na 
actualidade. 
Alto risco: > 4 pontos 
Médio risco: >2 pontos 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
147 
 
 
9.3 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE FAMILIAR 
 
9.3.1 Apgar familiar de Smilkstein 
 
O Apgar Familiar permite avaliar a perceção que o indivíduo tem do funcionamento da sua 
família. Reflete o grau de satisfação em múltiplos aspetos relacionados com a experiência 
vivencial no seio familiar e a forma como esta promove o crescimento pessoal do 
indivíduo em causa. 
 
Quadro nº 38: Exemplo de Apgar familiar 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
148 
 
Círculo Familiar de Thrower: 
Exemplo
ANTÓNIO
ASSUNÇÃO
CARLOS
ERMELINDA
CANÁRIO
MATILDE
 
9.3.2 Círculo Familiar de Thrower 
 
É a representação gráfica do valor que tem, para o indivíduo as pessoas (familiares, 
amigos) e ainda alguns objetos e seres que lhe são próximos. 
O profissional de saúde desenha um círculo grande que representa a família e pede ao 
indivíduo para desenhar círculos menores, dentro ou fora do círculo, que representam a sua 
própria pessoa e os diferentes membros da família e, se necessário, outros objetos que 
tenham importância vital no sistema. 
 
Figura nº 10: Exemplo de Círculo familiar de Thrower 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
Agostinho M, Rebelo L. Família: do conceito aos métodos de avaliação. Rev Port Clin Geral 1988; 32: 6-18. 
Geyman GP. Family Practice- Foundation of Changing Health Care. New York, Appleton Century 
Crofts,1980. 
Segovia-Dreyer IE. Estudo piloto do uso de três fichas familiares diferentes num centro de Medicina 
Familiar. II Jornadas Internacionais de Medicina Familiar das Américas, Espanha e Portugal. Panamá,1984. 
Smilkstein G. Assessment of family function. In: Taylor RB. ed. Family Medicine. New York: Springer, 
1983: 74-84. 
Sociedade Europeia de Clínica Geral/ Medicina Familiar (WONCA Europa). A Definição Europeia de 
Medicina Geral e Familiar. Lisboa, Edições Especiais APMCG, 2002. 
Thrower SM, Bruce WE, Walton RF. The Family Circle Method for integrating family systems concepts in 
Family Medicine. J Fam Pract 1982; 15(3): 451-7. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
149 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
NUTRICIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
150 
 
 
10.INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NUTRICIONAL 
O envelhecimento cronológico difere do biológico. O processo de envelhecimento acarreta 
alterações orgânicas, fisiológicas, psíquicas, sociais, comportamentais e funcionais. A 
interação de fatores genéticos e ambientais é determinante na qualidade do 
envelhecimento, sendo muito provável que a nutrição exerça um papel preponderante no 
processo degenerativo do envelhecimento. 
 A resposta desta interação se dá em um conjunto de alterações que incluem as secreções, 
os órgãos dos sentidos, a digestão, o apetite, a absorção e o metabolismo, a falta de dentes 
ou próteses inadequadas e o uso prolongado de medicamentos que fazem com que os 
alimentos ingeridos, muitas vezes de forma seletiva, sejam pouco ou quase nada 
aproveitados pelo organismo. 
Do ponto de vista nutricional as mudanças na composição corporal mais evidentes são: a 
redução do teor de água corporal, redução da massa corporal livre de gordura (massa 
muscular e óssea) e modificações na distribuição da gordura corporal (massa gorda): a 
gordura subcutânea dos membros tende a diminuir ao passo que a gordura intra-abdominal 
aumenta. 
A avaliação do estado nutricional deve contemplar informações referentes a fatores de 
risco (desequilíbrio entre necessidades nutricionais e consumo alimentar, presença de 
patologias infecciosas, fatores sociais tais como isolamento, solidão e perda de status 
social, pobreza, presença concomitante de patologias crônicas não transmissíveis, a ingesta 
habitual de bebida alcoólica e o uso do tabaco); a antropometria e os exames bioquímicos. 
(GUIGOZ et al., 1994) 
Assim como o sobre peso e a obesidade, o baixo peso é bom indicador prognóstico para 
diferentes patologias e relaciona-se com importante aumento no risco de morbilidade e de 
mortalidade. A perda de peso ou mudanças na composição corporal, relatada ou verificada 
pelo doente, deve ser considerada, pois a perda de peso de 10% ou mais, em um período 
de seis meses, é um provável indicador de problemas de saúde do doente, associada à 
depleção do seu estado nutricional. 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
151 
 
 
10.1TRIAGEM NUTRICIONAL SUBJETIVA 
 
Esta escala de avaliação nutricional foi criada por Lipschitz em 1994. 
 
Quadro nº 39: Escala triagem nutricional 
 
SINAIS PONTUAÇÃO 
Tem doença ou condição que faz mudar o tipo e/ou quantidade de alimento que consome? 2 
Consome menos de duas refeições ao dia ? 3 
Consome ao menos 2 porções ao dia de frutas, hortaliças, e 1 porção de leite e substitutos ao dia? 2 
Bebe 3 ou mais copos de cerveja, ou 1 dose aguardente ou outra bebida alcoólica diariamente? 2 
Tem problema nos dentes ou na boca que dificultam a sua alimentação? 2 
É frequente faltar dinheiro para comprar alimentos que precisa? 4 
Come sozinho na maioria das refeições? 1 
Toma mais de três remédios diferentes por dia? 1 
Teve perda ou ganho de peso de 5 kg nos últimos 6 meses 2 
Não é fisicamente capaz para fazer compras, cozinhar e/ou se alimentar sozinho? 2 
TOTAL 
 
PONTUAÇÃO E A CONDIÇÃO NUTRICIONAL: 
0 a 2 pontos SEM RISCO NUTRICIONAL. Reavaliar em 6 meses 
3 a 5 pontos RISCO NUTRICIONAL MODERADO. Reavaliar em 3 meses 
6 ou mais pontos ALTO RISCO NUTRICIONAL. Encaminhar idoso para médico e/ou nutricionista e/ou assistente social 
 
Peso (KG)…….. Estatura (M)…….. Altura do joelho (cm)……. 
Índice de massa corporal ( P : E2)…….. 
 
 
Referências bibliográficas 
http://www.ciape.org.br/matdidatico/edgar/Livro_Aval_Mult_Idoso.doc 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
152 
 
 
10.2 MINI NUTRITIONAL ASSESSMENT 
 
A MNA® é uma ferramenta de controle e avaliação que pode ser utilizada para identificar 
doentes idosos com risco de desnutrição. O Guia do Usuário o ajudará a completar o 
MNA® de forma detalhada e consistente. Explica cada questão e como atribuir e 
interpretar o score. 
A MNA® fornece um método simples e rápido de identificação de doentes idosos que 
apresentam risco de desnutrição ou que já estão desnutridos. Identifica o risco de 
desnutrição antes da ocorrência de mudanças de peso ou dos níveis de proteína sérica. 
O MNA® pode ser preenchido periodicamente no ambiente comunitário e hospitalar,ou 
em locais de cuidados de longo prazo. 
O MNA® foi desenvolvido pela Nestlé e por geriatras de reputação internacional, sendo 
uma das poucas ferramentas de controle validadas para os idosos. Tem sido bem validada 
em estudos internacionais nos mais diversos ambientes, e estabelece uma correlação entre 
morbilidade e mortalidade. 
 Instruções para preencher o MNA® 
Antes de começar o MNA®, pede-se preencher as informações sobre o doente no início do 
formulário: 
• Nome 
• Sexo 
• Idade 
• Peso (kg) – Para se obter um peso acurado, remover os sapatos e roupas pesadas. 
Usar uma balança calibrada e confiável; 
• Altura (cm) – Medir a altura sem sapatos, utilizando um estadiômetro (equipamento 
para medir altura) e, se o doente estiver acamado, pela altura do joelho ao 
calcanhar, ou semienvergadura (ver anexos 4 e 5). Converter polegadas para 
Deve-se completar o controle preenchendo as caixas com os números apropriados. 
Em seguida, somar todos os números para determinar o score total. Se o score for 11 ou 
menos, continuar com a avaliação para determinar o score do Indicador de Desnutrição. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
153 
 
Quadro nº 40: Mini Nutritional Assessment 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
154 
 
Referências bibliográficas 
Guigoz Y. Vellas B and Garry PJ. 1994. Mini Nutritional Assessment: A practical assessment tool for 
grading the nutritional state of elderly patients. Facts and Research in Gerontology. Supplement # 2:15-59. 
Malone A. Anthropometric Assessment. In Charney 8. P, Malone E, eds. ADA, Pocket Guide to Nutrition 
Assessment., Chicago, IL: American Dietetic Association; 2004:142-152. 
Ramos, Lr. Epidemiologia do Envelhecimento. in: Freitas, EV; Py, L; Neri, AL; Cançado, FAX; Gorzoni, 
ML; Rocha, SM (ed). Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002. Cap 7, 
p. 72-78. 
Rubenstein LZ, Harker J, Guigoz Y and Vellas B. Comprehensive Geriatric Assessment (CGA) and the 
MNA: An Overview of CGA, Nutritional Assessment, and Development of a Shortened Version of the 
MNA. In: “Mini Nutritional Assessment (MNA): Research and Practice in the Elderly”. 
Vellas B, Garry PJ and Guigoz Y, editors. Nestlé Nutrition Workshop Series. Clinical & Performance 
Programme, vol. 1. Karger, Bâle, in press. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
155 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Este manual pretende ser um documento didático para ser utilizado pelos profissionais que 
constituem a equipa transdisciplinar de saúde e tornar a sua ação mais eficaz na prestação 
de cuidados às pessoas idosas. Há que contar com a sensibilidade de toda a equipa no 
acompanhamento do doente, que deverá ser mobilizada, para melhor conhecer e promover 
habilidades, bem como adquirir novas funções para que possa realizar as suas atividades 
com eficiência. 
A utilização sistemática de instrumentos de avaliação geriátrica facilita a determinação do 
perfil do idoso e da possibilidade de serem tomadas medidas preventivas atinentes à 
melhoria da sua qualidade de vida. 
O envelhecimento constitui um processo, influenciado por fatores demográficos, culturais, 
psíquicos, sociais e económicos, muitas vezes com interpretações subjetivas que importa 
objetivar. Esta necessidade de objetivar a funcionalidade, a dependência, a mobilidade, o 
risco de quedas, a capacidade cognitiva, a marcha e outras funções, leva-nos a lançar mão a 
ferramentas que qualifique e quantifique essas funções. 
O uso de escalas na avaliação integral do idoso pode: 
• Melhorar a exatidão diagnóstica e identificação de problemas de saúde; 
• Estabelecer objetivos claros e assegurar um plano objetivo de cuidados; 
• Conhecer os problemas reais do doente que nos permita fornecer um prognóstico ao 
longo do tempo; 
• Assegurar uma utilização racional dos serviços; 
• Adequar a habitação e evitar a institucionalização. 
Para além disso, as escalas ainda: 
• Detetam a deterioração precoce e a incapacidade ainda não diagnosticada; 
• Permitem quantificar o grau de deterioração; 
• Ajudam a documentar o nível ótimo de cuidados; 
• Permitem avaliar a qualidade de cuidados; 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
156 
 
• Facilitam a transmissão de informação; 
• São úteis, indiscutivelmente, na investigação, na docência e no planeamento. 
Importante e decisivo é adequar a ferramenta a cada situação em particular; para isso é 
necessário conhecer bem a escala, a sua validade (sensibilidade e especificidade), a sua 
reprodutividade e sua aceitabilidade. 
O uso das escalas deve ser amplamente divulgado e estas usadas com mais frequência, 
sempre que a situação clínica do idoso o exigir. Nos cuidados continuados e nos cuidados 
domiciliários as escalas são partes integrantes do diagnóstico da prestação de cuidados. 
A evidência resultante de vários estudos de meta análise e de revisão bibliográfica leva-nos 
a concluir que: 
• As escalas de avaliação mostram-se sensíveis e complementares entre si, para o 
diagnóstico, acompanhamento e tratamento do idoso, com ou sem patologia. 
• As escalas tem valor para prevenir e atrasar as alterações causadas pelo 
envelhecimento e promover melhor qualidade de vida. 
• Os idosos de alto risco podem beneficiar de avaliação integral, da aplicação de 
escalas e da intervenção da equipa transdisciplinar. 
• O objetivo da aplicação das escalas é detetar sinais e sintomas de fragilidade e de 
incapacidades, quantificar e qualificar os idosos de alto risco para adequar 
atividades preventivas, terapêuticas e de reabilitação. 
• As escalas são úteis para avaliar a oportunidade de referenciação hospitalar e 
institucionalização, para estabelecer um plano de intervenção individual e para 
avaliação e acompanhamento da recuperação funcional e cognitiva. 
• Recomenda-se a aplicação de escalas de avaliação cognitiva nos doentes com 
suspeita de demência, alterações do comportamento, perdas de memória e de 
deterioração funcional. 
Não há dúvidas que, do ponto de vista clínico, os testes e as escalas aqui referidas, desde 
que bem utilizadas, dentro do contexto clínico do doente, irão reduzir em muito a 
necessidade do recurso a exames complementares de diagnóstico mais dispendiosos. 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
157 
 
Por vezes, em consequência do uso de um manual, criam-se rotinas do ponto de vista 
científico, que dificultam a inovação. 
Não pretendemos que isso aconteça. A promoção do pensamento colateral leva-nos a 
ultrapassar esta contingência. 
Esperamos que, este documento seja avaliado por todos aqueles que o venham a ler ou a 
usar no seu dia-a-dia, adaptando-o à sua realidade e a cada serviço, de forma que venha a 
ser enriquecido e melhorado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Instrumentos de Medição em Saúde 
 
 
158PENSAMENTO FINAL 
 
“A vida não é um corredor reto e tranquilo, que nós percorremos livre e sem empecilhos, 
mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, 
perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída. 
Porém, se tivermos fé, uma porta sempre será aberta, para nós, não talvez aquela sobre a 
qual nós mesmo nunca pensamos, mas aquela que definitivamente se revelará boa para 
nós.” 
A. J. Cronin

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