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1 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? Ricardo Resende – Direito do Trabalho Dicas gerais de preparação para o AFT 2009/2010 Caros colegas concurseiros, Diante do sucesso da 1ª versão do “Manual do Futuro AFT”, e tendo em vista a publicação do edital para o tão esperado concurso (AFT, lógico) no último dia 24 de dezembro, apresento a vocês a versão 2.0 do “Manual”, agora devidamente adaptada aos ditames do MTE e da ESAF. Saímos do campo do “achismo” e passamos à análise do “esafismo”. Reitero, por oportuno, que as considerações que faço adiante são apenas minhas opiniões, razão pela qual não pretendo debater e/ou justificar nada do que esteja escrito neste texto. Tenho dois objetivos ao escrevê-lo: a) ajudar no direcionamento do estudo de cada um de vocês; b) responder antecipadamente inúmeras dúvidas que certamente seriam (e já são) recorrentes, as quais me são direcionadas por e-mail, enchendo minha caixa de mensagens e demandando, para respostas individuais, um tempo precioso que poderá ser melhor utilizado na preparação das aulas que ainda faltam para concluir o Curso Completo de Direito do Trabalho a tempo do concurso. Como observado na 1ª versão, não pretendo, pelos motivos acima expostos, responder de forma individual tudo o que já foi dito aqui. Dessa forma, e-mails com tal conteúdo serão ignorados. 1. Análise sintética do edital: Para quem não tiver paciência para ler todo o texto, seguem algumas observações resumidas. São simplesmente as minhas constatações diante do edital. Lembro apenas que todo e qualquer juízo de valor se refere ao que eu penso. Se você não concorda, bom também, mas não precisa tentar me convencer porque não fará qualquer diferença. Este texto é pra quem quer a minha opinião, não é para ver quem está “certo”. Valorizo “a verdade de cada um”, sempre. 1.1. Sob o ponto de vista dos candidatos: 1.1.1. Vantagens em relação ao edital 2006 a) reequilíbrio dos pesos das matérias em geral, e de Direito do Trabalho e SST em especial; 2 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? b) redução considerável do programa de SST, com a cobrança apenas das NR’s efetivamente mais utilizadas na prática; c) provas discursivas, porque exploram o conhecimento de forma muito mais eficaz que as provas objetivas. Tem o problema da correção (relativa subjetividade), mas as provas discursivas praticamente inviabilizam o fator “sorte”. A única sorte que você pode ter em uma prova discursiva é pedirem um tema que você domine mais. Mas, ao menos de forma geral, a discursiva te obriga a saber como funciona aquele ramo do conhecimento, não bastando treinar exaustivamente questões de concursos anteriores. O conhecimento se sobrepõe ao condicionamento puro e simples. 1.1.2. Desvantagens em relação ao edital 2006 a) mínimo por matéria (40%), o que dificulta absurdamente a variação de estratégia de estudo; b) extinção do rol de súmulas do TST, o que obriga você a conhecer todas as súmulas referentes aos assuntos abordados no edital. E nem venham argumentar que só pode cair súmula se o edital assim prevê expressamente, pois isso não tem o menor cabimento; 1.2. Sob o ponto de vista da carreira da Auditoria-Fiscal do Trabalho: Aqui eu só consigo ver vantagens. Acredito que uma carreira se fortalece, dentre outras coisas, através do enrijecimento dos critérios de seleção e admissão. Se queremos que a Auditoria- Fiscal do Trabalho seja tratada como carreira de Estado, se queremos justificar o subsídio como forma de remuneração, e se queremos uma lei própria de regência (a Lei Orgânica do Fisco, que por mais que o pessoal da Receita não entenda compreende também os AFT’s), devemos tratar de aperfeiçoar a seleção dos integrantes desta carreira. Este movimento é observado atualmente em várias carreiras, das quais menciono, com exemplo, a AGU. Quando eu terminei a faculdade os concursos da AGU (tanto para Procurador Federal quanto para Advogado da União) eram apenas trampolins, uma fase para quem queria, na verdade, alcançar as carreiras da Magistratura e do MPT. De forma hábil, na minha opinião, a AGU tratou de mudar este quadro, valorizando a carreira ($$) e apertando as regras do concurso de admissão. Hoje eles têm um concurso muito parecido com o da Magistratura e do MPT, com provas orais inclusive. Dessa forma, acho que as alterações do edital do MTE 2009/2010 só farão bem à inspeção do trabalho. Eu mesmo afirmei, na 1ª versão deste “Manual”, que o concurso para AFT era muito mais fácil que o concurso da Receita (para AFRFB), tendo em vista que o nosso não cobrava um mínimo por prova. Agora não temos mais tal “facilidade”. Temos mínimo por prova, temos provas discursivas, e temos um quadro de provas que demonstra um bom equilíbrio entre as matérias, não tornando nenhuma dispensável, e nenhuma absolutamente decisiva individualmente, como ocorreu com SST no último concurso. Não temos mais loteria. Assim, espero tenhamos como colegas AFT’s, em breve, 234 candidatos extremamente bem preparados, os melhores dentre todos os concorrentes. Confesso que não esperava uma alteração tão substancial na “cara” do concurso, mas estou satisfeito com a mesma. Espero 3 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? que a ESAF possa fazer valer, na prática, a idéia, elaborando uma prova condizente com a grandeza desta carreira. 2. Estratégias de estudo daqui pra frente Aqui transcrevo o texto da 1ª versão, com as devidas alterações. Estratégia de estudo é um negócio complicado, pois é pessoal demais. Cada um tem uma maneira de ver as coisas e uma forma diferente de lidar com suas habilidades e com suas limitações. Acredito que a melhor forma de definir uma estratégia vencedora seja diagnosticando da forma mais realista possível este binômio habilidade/deficiência. Se você tem muita habilidade em alguma matéria, invista nela para “fechar a prova”. Se, por outro lado, tem muita dificuldade em determinada matéria (desde que não seja uma das principais, naturalmente), talvez seja inteligente deixá-la um pouco de lado para não perder tempo, observando, por óbvio, que você precisa obter no mínimo 40% em cada matéria. Também influi demais na estratégia de estudo a situação em que cada um se enquadra atualmente. Utilizando um método para mim muito eficaz que vi uma vez em um texto do Alex Meirelles, sujeito de bom gosto, grande vascaíno, tentarei emitir a minha opinião diante de diversas situações-tipo, logicamente as mais comuns. Por favor, não me mandem e-mail com o seu caso pedindo dicas individualizadas de preparação, senão não sobrará tempo de produzir nenhum material para ajudar vocês em Direito do Trabalho... E-mails com este teor não serão respondidos. Faça um esforço e tente enquadrar a sua história numa das situações-tipo apresentadas, e então adapte as dicas ao seu gosto. Hipótese 1: Você nunca estudou para concursos e quer tentar AFT Bom, o concurseiro sempre tem que começar um dia, não é mesmo?! Desde que você tenha em mente que suas chances neste concurso são reduzidas, beleza. Quando menos, você terá a oportunidade de se apaixonar por Direito do Trabalho... hehehe... Agora não vale a dica da versão 1 de cuidar apenas das matérias básicas, pois temos mínimo por matéria. Temos também as provas discursivas. Logo, se eu estivesse nessa situação estudaria Português, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, SST e Legislação Previdenciária e Direito Administrativo e Ética na Administração Pública. Quanto ao restante, torceria para fazer 40%. Sem estas cinco matérias você não terá chances na prova discursiva depois, então elassão absolutamente indispensáveis. Estudando as matérias básicas você terá, no mínimo, começado a edificar sua “carreira de concurseiro”, quem sabe podendo colher frutos em breve. Se passar para AFT, melhor ainda! Hipótese 2: Você já estuda há algum tempo para concursos, mas nunca viu Direito do Trabalho 4 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? Você tem boas chances, desde que organize bem o seu tempo. Se você tem uma boa base em Direito Constitucional e Direito Administrativo, tem facilidade em Português, e já viu as outras matérias coadjuvantes (Raciocínio Lógico, Administração Pública, Civil, Penal e Comercial) de forma a garantir o mínimo por prova, há tempo suficiente para o restante, dependendo, é claro, do seu tempo disponível para estudo. Aprenda Direito do Trabalho, leia as NR’s elencadas no edital, a Lei 8.213 e, se sobrar algum tempo, dê uma olhada no resto. Hipótese 3: Você já estuda há algum tempo para concursos, tem um bom conhecimento de Direito do Trabalho, e agora resolveu prestar para AFT Você tem meio caminho andado (ou mais). Se tiver uma boa base em Direito Administrativo, Direito Constitucional e Direito do Trabalho, terá tempo suficiente para estudar as NR’s, a Lei 8.213 e revisar as outras matérias, de forma a garantir o mínimo em cada uma. Hipótese 4: Você estava estudando para a Receita Federal, não foi bem, e agora quer tentar AFT Você já conhece a ESAF, já fez várias provas com o mesmíssimo conteúdo há poucos dias (sim, há várias matérias cujo conteúdo para AFT é idêntico ao cobrado para AFRFB), e provavelmente tem uma base sólida em Constitucional e Administrativo. Há tempo suficiente para aprender Direito do Trabalho e decorar as NR’s. Como você já estudou Economia, aprender Economia do Trabalho é mais fácil pra você. Programe-se bem que suas chances são muito boas. Hipótese 5: Você está estudando para AFT desde o último concurso Parabéns, você continua sendo um dos favoritos! Basta manter a concentração até o final da batalha e é provável que uma vaga seja sua. É hora de revisar o básico já estudado e partir para o que é específico. Com as NR’s delimitadas é muito mais fácil. A tarefa continua sendo decorá- las, mas você provavelmente já tem uma noção de cada uma delas. De novidade, só a Lei 8.213 e o mínimo por matéria, que agora exige eventuais correções de estratégia, de forma a estudar todas as matérias. 3. Estratégia básica para todos os candidatos Antes de tratar das matérias de forma individual, acho que vale mencionar o que eu faria, em qualquer destas situações citadas acima, ou seja, a estratégia básica que utilizaria como ponto de partida, com as adaptações cabíveis em cada caso específico. Para isso, vejamos a grade de matérias com o respectivo peso nos dois últimos concursos e no edital atual: 5 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? AFT 2003 Mínimos Matéria Peso Nº Questões Valor total % p/ disc. p/ prova total P1 Língua Portuguesa 1 20 20 6,6 8 30 180 Inglês E Espanhol 1 10 10 3,3 Ética na Administração Pública 1 10 10 3,3 Raciocínio Lógico-Quantitativo 1 10 10 3,3 Informática 1 10 10 3,3 P2 Direito Constitucional e Administrativo 2 20 40 13,3 60 Direito (Civil, Penal, Proc. Penal, Comercial) 2 20 40 13,3 Administração Pública 2 20 40 13,3 P3 Direito do Trabalho 2 40 80 26,6 60 Economia do Trab. e Sociologia do Trabalho 2 20 40 13,3 300 AFT 2006 Mínimos Matéria Peso Nº Questões Valor total % p/ disc. p/ prova total P1 Língua Portuguesa 1 20 20 5,5 8 30 216 Inglês OU Espanhol 1 10 10 2,7 Ética na Administração Pública 1 10 10 2,7 Raciocínio Lógico-Quantitativo 1 5 5 1,4 Informática 1 5 5 1,4 Administração Pública 1 10 10 2,7 P2 Direito do Trabalho 2 30 60 16,6 60 Direito Constitucional e Administrativo 2 15 30 8,3 Direito Civil, Comercial e Penal 2 15 30 8,3 P3 Segurança e Saúde no Trabalho 3 50 150 41,7 90 Economia do Trab. e Sociologia do Trabalho 3 10 30 8,3 360 6 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? AFT 2009 Mínimos Matéria Peso Nº Questões Valor total % p/ disc. p/ prova total P1 Língua Portuguesa 2 20 40 14,8 16 270 Inglês OU Espanhol 1 10 10 3,7 4 Raciocínio Lógico-Quantitativo 1 10 10 3,7 4 Administração Pública 1 10 10 3,7 4 Direito Constitucional 2 10 20 7,4 8 Economia do Trabalhoe Sociologia do Trabalho 2 10 20 7,4 8 P2 Direito Civil, Comercial e Penal 2 15 30 11,1 12 Direito do Trabalho 2 30 60 22,2 24 SST e Legislação Previdenciária 2 20 40 14,8 16 Direito Administrativo e Ética na Adm. Pública 2 15 30 11,1 12 270 P3 Discursiva 6 200 120 Observe que as matérias da prova discursiva (incluída a Língua Portuguesa, indispensável para quem deverá escrever com coesão, coerência e correção) representam 70,3% do total de pontos da “1ª fase” do concurso (provas objetivas). Considerando que você terá que garantir o mínimo de 40% por prova, já temos mais 11,88% (40% de [100 – 70,3]) que deverão ser assegurados. Logo, você tem 82,18% dos pontos só com as 5 básicas mais o mínimo em cada uma das outras. Lógico que você perderá pontos nas básicas, mas também é de se esperar que consiga pontos além do mínimo em várias das outras matérias. Como a nota de corte não costuma superar a casa dos 70% (imaginemos 75% como margem de segurança), você ainda terá algum espaço para definir a estratégia conforme suas habilidades individuais. Portanto, eu me preocuparia, em primeiro lugar, com Direito do Trabalho, SST e Lei 8213, Constitucional, Administrativo e Ética, e Língua Portuguesa. Depois garantiria os mínimos nas outras e garimparia pontos preciosos naquelas cujo estudo me dão algum prazer. Sobre as provas discursivas, preocupe-se com elas depois da 1ª fase. Por ora, eu apenas direcionaria a maioria do meu esforço para as cinco matérias que interessam também à 2ª fase. Não adianta me perguntarem “o que eu acho que pode cair na prova discursiva”, pois eu não tenho a mínima idéia. Como já mencionei, não sou vidente. E prova discursiva é novidade em concursos fiscais organizados pela ESAF, então pode vir qualquer coisa. Vamos esperar a prova da Receita para termos uma base qualquer. 7 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? 4. Matérias do concurso Bom, a partir de agora vou discorrer brevemente sobre cada uma das matérias. Advirto, entretanto, que as minhas impressões sobre as matérias (exceto Direito do Trabalho, claro) podem estar defasadas, tendo em vista que não mais as estudei para este tipo de concurso depois de 2003. No máximo folheei um livro ou outro. 1. Português Valor relativo: 14,8% do total (sim, quase o triplo do que valia no último concurso). Passou a ser muito importante na sua nota final! Português costuma ser o cartão de visitas da ESAF. Prova muito pesada, com textos longos e muitas vezes complexos. É para testar os nervos do candidato. Por isso é a primeira prova. Saí da P1 do meu concurso como se tivesse sido atropelado por um trator. Mas não há muito o que estudar. A prova é muito instrumental, sem cobrar aquela decoreba de regras de gramática. Isso é bom. Se você não tem muita afinidade com a língua portuguesa, pegue um livro de “questões ESAF” e não perca muito tempo com ele. Já ouvi boas referências sobre o livro do Décio Sena, mas não o conheço (aqui em casa tem, da minha esposa, mas nunca sequer o folheei). Um grandediferencial da prova de Português é que normalmente serve como critério de desempate. Logo, você pode ficar dois Estados mais longe de casa por conta de um mau desempenho em Português. :-P Agora a prova de Português tem importância também para a prova discursiva. 2. Inglês ou Espanhol Valor relativo: 3,7% do total (custo/benefício horrível) Como em 2006, a língua estrangeira é optativa (inglês OU espanhol). Vá para a prova com o que você já tem, exceto se acha não consegue sequer o mínimo. Dez questões com peso 1 não valem um grande investimento, a não ser que esteja sobrando muito tempo no seu dia. É a minha sincera opinião! 3. Ética na Administração Pública Valor relativo: 11,1%, junto com Direito Administrativo. São pontos importantes e a matéria é fácil de estudar. Além disso, pode cair na discursiva. Eu investiria! Nada mais justo que seja unificada ao programa de Direito Administrativo, pois como eu já havia comentado na 1ª versão do presente “Manual”, são matérias conexas. Eu fiz a 8 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? prova só com o que já conhecia da Lei 8112, mais uma leitura rápida das outras leis mencionadas no programa. Hoje a matéria ganhou importância porque pode ser cobrada na prova discursiva, então é bom estudar bem as leis mencionadas no edital. Não conheço nenhum livro desta matéria, mas sei que atualmente existem alguns no mercado. 4. Raciocínio Lógico Valor relativo: 3,7% do total (custo/benefício muito ruim, mas cuidado com o mínimo!) Se você está lendo este texto, é porque freqüenta o EVP. Se é assim, tem à sua disposição o melhor professor de Raciocínio Lógico do Brasil, que é, sem nenhuma dúvida, o Sérgio Carvalho. Não preciso dizer mais nada! Também é uma matéria que rende bons pontos na P1. São dez questões com peso 1, mas você deve tomar cuidado para garantir o mínimo. Guiem-se pela prova da Receita. 5. Administração Pública Valor relativo: 3,7% do total (custo/benefício muito ruim, e não é difícil conseguir o mínimo guiado só pelo bom senso). 10 questões de peso 1. Representa muito pouco do total. Deixaria para o final, não obstante seja uma matéria muito fácil de estudar. Estudei por apostila e acertei 18 em 20. Hoje em dia já tem um monte de livros da matéria. Não conheço nenhum, então não posso opinar. 6. Direito Constitucional e Direito Administrativo Valor relativo: 7,4% para Direito Constitucional e 11,1% para Direito Administrativo + Ética. Matérias fundamentais, inclusive para a discursiva. Aqui normalmente todos devem fazer boa pontuação, pois são as duas matérias comuns a todos os concursos. Então, nem pense em perder muitos pontos nestas matérias. São básicas para qualquer concurseiro. A prova de Direito Constitucional costuma explorar bastante a jurisprudência do STF, então é bom estudar por um livro que acompanhe de perto o posicionamento do Supremo. Dos livros que já li, os melhores são os “Descomplicados”. São muito bem atualizados e objetivos. O Prof. Sylvio Motta tem também um livro bacana de Direito Constitucional. O Pedro Lenza (Direito Constitucional) também é bom, mas acho que foge um pouquinho da proposta 9 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? da prova de AFT. Seria melhor, eu acho, para as primeiras fases das carreiras jurídicas. Há outros bons livros de Direito Administrativo, como o do Barchet, o do Cláudio José, etc. Aí é questão de gosto, porque boas obras é o que não falta. Procure aproveitar o estudo dessas matérias para iniciar a preparação para a discursiva. Tudo bem que você diga que se preocupará com a discursiva só depois da 1ª fase, mas não custa nada racionalizar seus estudos e cumprir os programas das matérias indicadas para a discursiva desde já. Assim, entre estudar Economia do Trabalho feito louco e estudar Constitucional e Administrativo, eu optaria pela segunda opção. 7. Direito Civil, Comercial e Penal Valor relativo: 11,1% (peso alto no total dos pontos, mas com um custo/benefício individual horrível: um programa imenso para fazer aproximadamente cinco questões de cada uma das matérias) Apesar de ter peso 2, os programas são imensos. Então, se você não tem formação jurídica, tem um problema para resolver. Não dá tempo de aprender tudo isso até o edital. Escolha um deles (ou dois, se você tiver muito tempo livre), e estude o que puder. Para quem nunca viu a matéria, talvez seja interessante procurar um livro “concurseiro” mesmo. Tem alguns no mercado, mas não os conheço. Procurem se informar com os professores destas matérias aqui no EVP. Para quem tem formação jurídica, acho que uma boa revisão (com resumos ou sinopses) é o bastante. Sobre o ponto específico de “Responsabilidade Civil no novo Código Civil e seu impacto no Direito do Trabalho”, há algumas considerações a respeito no Capítulo 10 do Curso Completo de Direito do Trabalho (aulas 101 em diante). A questão cobrada na prova da Receita, por exemplo, foi comentada em uma das aulas. Sobre o programa de Direito Penal, há alguns erros no edital, os quais devem ser corrigidos adiante, com uma retificação. Coisas da ESAF. Informem-se a respeito com o professor da matéria. 8. Economia e Sociologia do Trabalho Valor relativo: 7,4% do total (é razoavelmente importante, mas aprender Economia do Trabalho pra fazer apenas cinco questões é dose...) Nenhuma das duas tem material regular para estudo (livros). Então, vocês terão que aguardar as famosas “apostilas”, e/ou procurar algum curso específico isolado. Não conheço nenhum bom, nem apostila nem curso, mas na minha época as apostilas, mesmo ruins, eram suficientes. 10 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? Sociologia do Trabalho é, por assim dizer, a história do Direito do Trabalho. Para quem gosta de história, é prato cheio. Dá pra fazer a prova praticamente com interpretação de texto, pois os enunciados das questões trazem, geralmente, o indício da resposta. Quanto a Economia do Trabalho, aí o bicho pega, pois é muito chato estudar aquilo. E não tem livro “arrumadinho” como vocês têm na maioria das outras matérias. É “na unha” e nas apostilas “meia-boca” mesmo. Apesar de ser peso 2, são apenas 10 questões (provavelmente 5 de cada), então o custo/benefício é ruim. Eu estudaria muito pouco dessas duas matérias, porque, como mencionado, as questões de Sociologia normalmente são resolvidas por dedução. Quanto a Economia, se você nunca estudou Economia lhe digo que é brabo estudar tudo aquilo pra fazer apenas 5 questões. Eu arriscaria, mas lembre-se do mínimo por matéria... 9. Saúde e Segurança do Trabalhador – SST Valor relativo: 14,8%, somadas as eventuais questões de “legislação previdenciária”. Muito importante! Como disse no site um monte de vezes, nunca acreditei que neste próximo concurso a ênfase em SST fosse tão grande como foi no último (2006). Realmente não será, felizmente. Enquanto tivemos 41,7% da prova de 2006 para SST, agora em 2009 teremos apenas 14,8% da prova, e aí ainda está incluída a “Legislação Previdenciária”, que nada mais é que a Lei de Benefícios da Previdência (Lei nº 8.213). Modéstia à parte, aqui a minha previsão foi feliz, senão vejamos o seguinte trecho da versão 1 do Manual: “montaria um cronograma de estudos, conforme a estratégia individual montada, e incluiria SST na base de 15 a 20% do total dos pontos.” ;-) Não conheço nenhuma obra satisfatória desta matéria. Iria só pelas Normas Regulamentadoras – NR’s “secas” mesmo. Na versão 1 do Manual mencionei que não estudaria as tabelas/anexos das NR’s, e entãorecebi um monte de e-mails me interpelando a esse respeito, no sentido de que poderia cair questão(ões) versando sobre tais anexos/tabelas. Ora, claro que podem cair. Caíram na última prova inclusive, e não foi só uma questão. O que eu disse, e reitero, é que eu não os estudaria, mas isso por minha conta e risco. Se você consegue decorar tabelas, parabéns, vá em frente! Outra coisa: tenho lido nos fóruns o pessoal discutindo se devem estudar os textos das NR’s atualizados ou originais... Pode parecer absurdo, mas há dúvida quanto a isso. Atualizados, sem nenhuma dúvida. 11 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? A parte boa do estudo das NR’s é que tiraram um monte delas do programa, e deixaram somente as que são realmente utilizadas com mais freqüência no cotidiano da fiscalização. Alguém mencionou em um fórum que o fato de incluírem no programa os artigos 154/201 da CLT significaria que qualquer NR poderia ser cobrada na prova. Não posso concordar com o argumento, entretanto. Se assim fosse, a banca não arrolaria as demais. Mencionaria os artigos da CLT e regulamentações. Como enumerou as NR’s no programa, não podem cobrar além disso. 10. Legislação Previdenciária Valor relativo: 14,8%, junto com SST Embora muitos venham afirmando que teremos Direito Previdenciário para AFT, não vejo assim. O edital é claro: “Segurança e Saúde no Trabalho e Legislação Previdenciária”. A meu ver há uma grande diferença entre “Direito Previdenciário” e “Legislação Previdenciária”. Eu não estudaria doutrina, e sim a Lei nº 8.213 seca. Não vejo como estudar Direito Previdenciário sem a Lei de Custeio (8.212). Mas quem poderá lhes ajudar de forma mais segura e efetiva é o Prof. Hugo Góes. 11. Direito do Trabalho Valor relativo: 22,2% do total (finalmente as coisas voltaram aos seus devidos lugares!) Bom, nem preciso dizer o quanto acho esta matéria importante, né?! Sério gente, dá pra pensar num Fiscal do Trabalho que não saiba Direito do Trabalho? Para sorte de vocês, assim como D. Administrativo e D. Constitucional, há farto material de qualidade para estudo. Não acho nenhum livro impecável, mas há muitos livros corretos. Tenho o projeto pessoal de escrever um com o que acho essencial, mas tem me faltado tempo. Ao contrário do estudo para analista e técnico dos TRT’s, acho que o estudo de Direito do Trabalho para AFT não deve começar pela “lei seca”. Para fazer prova da ESAF você deve entender como funciona este ramo jurídico, isto é, conhecer seus princípios, sua estrutura. Então é interessante ler um livro, ainda que bem simplificado, a fim de conhecer este conjunto. Aí sim, depois é hora de dar uma passada pela CLT e pelas leis específicas (FGTS, portuários, domingos e feriados, etc). Muitos alunos me pedem referências sobre CLT’s comentadas. Particularmente não gosto delas para estudo. São úteis para operadores do direito, mas acho meio contraproducentes para concurseiro. Isso porque as referências são, no mais das vezes, descontextualizadas, de forma que você não encontra uma lógica nos autores. E, quando encontra, geralmente é uma lógica meio “patronal”... Quanto ao estudo da jurisprudência, normalmente as súmulas do TST eram mencionadas no programa. Dessa vez não foi assim, de forma que 12 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? todas as súmulas referentes aos assuntos elencados no edital podem ser cobradas na prova. Para saber quais são as súmulas mais importantes, acompanhe seus estudos por um livro qualquer, que certamente os verbetes de jurisprudência mais relevantes serão mencionados ao longo do estudo de cada ponto da matéria. As súmulas são importantíssimas para a prova. Se alguma alternativa trouxer o texto de uma súmula, não perca tempo, marque-a logo. A banca não rema contra a jurisprudência, simplesmente porque é mais fácil assim. Evita recursos e anulações. Cuidado com a retirada da “lei do estágio” do programa, pois a mesma pode perfeitamente ser cobrada no tópico “relação de trabalho e relação de emprego”. Eu estudaria esta lei, até porque é pequena. Além disso, fará parte do seu dia-a-dia como AFT. Outra alteração substancial em relação ao programa dos últimos concursos foi a exclusão do ponto sobre o “direito de greve”. Este eu entendo que não podem cobrar mesmo, pois não se enquadra em nenhum outro. Quanto à alteração de “trabalho do menor” para “Estatuto da Criança e do Adolescente”, cuidado que vários artigos, notadamente entre o 60 e o 69, não foram recepcionados pela CRFB (com a redação dada pela EC 20/1998). Ademais, acredito que somente os artigos relativos ao trabalho do menor interessem, por razões óbvias. A parte de Direito Internacional do Trabalho será tratada no Curso Completo de Direito do Trabalho da forma mais objetiva possível. As convenções da OIT podem ser baixadas em http://www.oit.org/ilolex/portug/docs/, no site da OIT Brasil (www.oit.org.br), no site do Sinait (http://www.sinait.org.br/Site2009/index.php?act=ratificadas), entre outros. Há pequenas divergências entre os textos baixados de sites diferentes, mas nada que prejudique o estudo. Os textos do site do Sinait são os textos ratificados, com os respectivos Decretos inclusive, então acho que não tem erro estudar por lá. Insalubridade e periculosidade saíram do programa de Direito do Trabalho, mas continuam no programa de SST (item 1, Capítulo V do Título II da CLT, arts. 154/201). Temos uma infinidade de livros adequados para estudo do Direito do Trabalho. Como cada dia um monte de gente pergunta sobre um diferente, farei uma resenha dos que eu conheço. Os não mencionados eu não conheço, então não posso opinar sobre eles. a) Direito do Trabalho – Renato Saraiva É talvez o livro mais indicado para concursos atualmente. É bem atualizado (comprei recentemente a edição de 2009 e ela trata de temas bem atuais, como, por exemplo, a base de cálculo do adicional de insalubridade) e sucinto. De leitura rápida, mas há alguma desconexão entre os assuntos. Não é o que se pode chamar de completo, 13 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? mas é objetivo e apresenta bom custo/benefício, considerando-se volume de informações, tempo de leitura e preço. b) Manual de Direito do Trabalho – Vicente Paulo & Marcelo Alexandrino Também é muito bem recomendado para este concurso. É um livro de concepção mais antiga que o do Renato Saraiva (em 2003 já estudei por ele a revisão para o meu concurso). Também não é completo, mas trata de alguns assuntos interessantes para AFT que outros sequer mencionam, como Seguro-Desemprego, PAT (que ainda que não caia no concurso é interessante conhecer o básico), entre outros. A grande falha deste livro, na minha opinião, é a cultura dos autores de não referenciarem o que escrevem. Assim, o leitor fica meio perdido quanto à fonte da informação, se confiável ou não. Mas, de forma geral, ainda considero um bom manual. c) Curso de Direito do Trabalho – Gustavo Filipe Barbosa Garcia É um livro bem novo, e um pouco “maior” que os dois primeiros. O autor foi AFT, então há algumas citações bem ligadas ao cotidiano da fiscalização, menção a Precedentes Administrativos do MTE, enfim, uma linguagem “caseira” em relação à fiscalização. Entretanto, não acho que isso tenha peso para o concurso em questão. Uso para consulta, mas não é meu livro de cabeceira. Acho o autor pouco preciso em alguns posicionamentos. d) Curso de Direito do Trabalho – José Cairo Júnior Não li todo ainda, mas pela extensão não me impressionou muito quanto ao conteúdo. Prefiro um dos dois primeiros(“a” ou “b”). e) Curso de Direito do Trabalho Aplicado – Homero Batista Mateus da Silva É um curso novo em vários volumes. Acho descabido para este concurso, até porque as questões discutidas são mais voltadas para os concursos da Magistratura. Uso para consulta, e assim mesmo raramente. 14 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? f) Direito do Trabalho – Vólia Bomfim Cassar É um livro ótimo, mas muito extenso para quem tem pouco tempo. Se você tem tempo de ler 1300 páginas sem prejuízo do estudo das outras matérias, dá para considerar a utilização deste livro. A vantagem, na minha opinião, é a ilustração de boa parte das situações com exemplos práticos. Mas não acho a consistência teórica impecável. É um livro do tamanho do Godinho, sem o brilhantismo do Godinho. Porém, a leitura é muito mais fácil que a do livro do Godinho. A referência a este livro é voltada para aqueles que já leram algo mais básico, como os dois primeiros (“a” e “b”), e agora querem aprofundar um pouco mais. g) Curso de Direito do Trabalho – Maurício Godinho Delgado Este é o meu livro de cabeceira! Mas não significa seja o que eu recomendo para AFT. É um livro muito pesado, muito extenso, muito caro e muito repetitivo. Mas é o melhor de todos! Hehehe... Bom, sou fã de carteirinha do Min. Godinho. Aprendi Direito do Trabalho com ele ainda na faculdade, quando ainda não existia o Curso de Direito do Trabalho, e sim algumas monografias do Godinho e alguns artigos em uma obra coletiva que eu adotei como manual na faculdade (“Curso de Direito do Trabalho – Estudos em Memória de Célio Goyatá”, coordenado pela Profª. Alice Monteiro de Barros). Aliás, é exatamente em razão da existência dessas monografias que o livro dele é repetitivo em vários assuntos. O seu “Curso de Direito do Trabalho” é, de certa forma, uma compilação dessas várias monografias, então ele acabou repetindo a introdução um monte de vezes. Prós do livro: consistência teórica inigualável; as bancas adoram o autor; ele representa o que há de moderno em Direito do Trabalho no Brasil que é aceito no mundo dos concursos. Contras do livro: leitura pesada; atualização deficiente (nada muito comprometedor, mas não é aquele livro que você compra a edição recém-lançada e lê ali uma decisão do TST do mês anterior); não trata de vários assuntos (é um livro mais conceitual, mais doutrinário mesmo, então não se propõe a esgotar os assuntos cobrados em concursos). h) Curso de Direito do Trabalho – Alice Monteiro de Barros É um livro interessante, pois trata de vários assuntos pontuais (bem específicos). Porém, o faz de forma também pontual, muitas vezes superficial. Não o utilizo muito atualmente. A Profª. Alice é imbatível quando se trata de contratos especiais de 15 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? trabalho, tema que desenvolve, inclusive, em um livro específico de grande valor, chamado “Contratos e Regulamentações Especiais de Trabalho”. i) Outros autores consagrados, como Amauri Mascaro do Nascimento, Sérgio Pinto Martins, Octávio Bueno Magano, Orlando Gomes, entre outros. Não recomendo, porque são livros mais adequados para a graduação. Não foram feitos para concurseiros e, dentre tantas opções interessantes, não faz sentido usar um desses. É o que eu acho. j) Livros de questões comentadas Não conheço nenhum que tenha me convencido. Tenho o do Fábio Goulart Villela e o da Maria da Graça Manhães Barreto. Acho que servem como revisão superficial, não mais que isso. Custo/benefício ruim. k) Livros de comentários às súmulas do TST Acho um exagero pra esse concurso, até porque as súmulas geralmente são cobradas de forma literal. Eu uso, para consulta, os “Comentários às Súmulas do TST”, do Francisco Antonio de Oliveira. Se você tiver dinheiro sobrando, pode até valer a pena. l) CLT + leis Você pode baixá-las gratuitamente no site do Planalto (www.planalto.gov.br; aba “legislação”). Há vários aplicativos gratuitos de conversão de arquivos em .pdf como, por exemplo, o “PDF Creator” (procure no Google ou em um site de downloads). A partir daí, basta encontrar a lei no “Planalto” e “imprimi-la como .pdf”, e estará pronto seu material de estudo. Se você quiser comprar a CLT, recomendo a da LTr, que é bem completinha. Uma observação, entretanto: a edição 2009 tem uns errinhos... � Bom, é isso quanto ao material. A escolha do seu “kit” é pessoal e intransferível. Depende do seu gosto, do seu tempo, do seu bolso, enfim, de tudo seu. Logo, não me peça pra escolher para você. O máximo que posso fazer é falar sobre as minhas escolhas, e isso está feito acima. Sobre cursos específicos, sejam eles on-line ou presenciais, nunca fiz nenhum para AFT, então não posso avaliá-los. Dêem uma olhada nos fóruns que tem muita informação de quem já fez. 16 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? 5. Cursos EVP específicos para AFT Não estou sabendo nada a respeito de cursos de outras matérias. Perguntem a respeito para os professores e/ou para o João Antonio. Quanto a Direito do Trabalho, não teremos especificamente um curso com nome de “preparatório para AFT”, mas teremos a conclusão do Curso Completo de Direito do Trabalho até a prova. Assim, você terá todo o conteúdo de Direito do Trabalho do edital AFT coberto, este é o meu compromisso. Se for necessário posso inclusive adiantar o conteúdo do programa de AFT e completar depois com assuntos que interessem a outras carreiras (como, por exemplo, “greve”). Dessa forma, meu compromisso com vocês é filmar aulas de todo o programa de Direito do Trabalho, dentro da proposta do Curso Completo. Não teremos aulas específicas de questões comentadas, nem aulas de SST, nem de Economia ou Sociologia do Trabalho. Não comigo. Quanto às aulas do Curso Completo já disponibilizado, há um post com a correspondência entre as aulas e os tópicos do edital. 6. Impressões sobre as vagas Como eu já esperava, o concurso veio mesmo nacional. Depois da grande confusão do último concurso (regionalizado), e com boas possibilidades de convocar mais 50% do número inicial de vagas, a lógica toda era mesmo de concurso nacional. As vagas oferecidas são teoricamente “menos atrativas” que as dos últimos concursos. Ao menos para quem é do sul/sudeste. Não sei grande coisa sobre essas lotações, exceto em relação às duas cidades do Rio Grande do Sul, que são bons locais para se trabalhar. Logo, não tenho o que comentar. Na hora de decidir fazer ou não o concurso em face das vagas oferecidas você deve levar em consideração sua vida, suas prioridades, suas necessidades, então eu não tenho como opinar a respeito. Como já disse outras vezes, essa história de “segurança” na atividade fiscal não é uma equação exata. Apenas como exemplo, e sem qualquer juízo de valor a respeito, com todas essas lotações fronteiriças e longínquas (em relação ao centro do país, frise-se), o único caso de AFT’s assassinados em decorrência de suas atividades foi registrado em Unaí, a apenas 610km de Belo Horizonte e 150km de Brasília. Há registros (esporádicos, felizmente) de violência em relação a fiscais (da Receita, estaduais, etc), peritos do INSS, policiais federais, entre outros servidores públicos, nas mais diferentes regiões do país. Para encerrar esta questão, repito o que eu já disse na 1ª versão do Manual: 17 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? Não somos queridos por boa parte da população, isto é um fato. Mas também não é uma coisa ostensiva, de forma que você saia de casa “com medo”.Se você não gosta nada de enfrentamento, acho que deve procurar outro cargo para disputar. Se convive bem com isso, tranqüilo. Bom, se quiserem saber “mais detalhes”, dêem uma olhada nos fóruns, pois há muita informação. Não tratarei mais desse assunto por e-mail. Quanto ao concurso de remoção, não comece a se preocupar com isso agora, pois muda demais de um concurso pro outro. As regras que valem agora provavelmente não valerão mais quando você tentar se remover. Assim, faça o concurso pensando nas vagas existentes, e em numa delas durante um bom tempo. Eu voltei para perto de casa em 11 meses, mas tem gente do meu concurso (posse em 2004) que ainda está longe até hoje. Depende muito de vários fatores, como a concorrência para os locais que te interessam, as vagas oferecidas, as novas chamadas durante o prazo de validade do concurso (tanto os 50% a mais como as vagas para preencher o lugar dos desistentes), a data do exercício. Quanto a este último fator, caso não seja marcada posse coletiva para a sua turma, corra para tomar posse e entrar em exercício o quanto antes, pois a data do início do exercício é o primeiro critério de classificação no concurso de remoção. 7. Remuneração Como não mudou nada desde a versão 1, não muda nada também nos meus comentários. Não vejo nenhum problema em tratar do tema com vocês aqui, a uma porque a remuneração dos servidores públicos federais é publicada periodicamente no site www.servidor.gov.br (confira em http://www.servidor.gov.br/publicacao/tabela_remuneracao/tab_remuneracao/tab_rem_09/ta b_48_2009.pdf), e a duas porque a remuneração será divulgada também no próprio edital do concurso. Atualmente, nos termos da Lei nº 11.890/2008, o subsídio do AFT nível A 1 (inicial) é de R$13.067,00. Isso líquido, sem desconto por dependente, dá R$8.980,30. Outro mito a ser quebrado: há sempre um monte de penduricalhos no salário de servidor, então no final das contas a remuneração é sempre bem maior. Não é! Ao menos no caso do Executivo Federal. Desde a EC 19 o servidor federal ficou só com o “basicão”, ainda mais agora, com o subsídio, cuja finalidade é exatamente esta. Não sei dizer como está a questão dos servidores que já “traziam” adicionais (anuênios, qüinqüênios, etc) de outros órgãos. Como eu não tenho nada disso, não obstante seja servidor público desde 1997, não sei como funciona. Além do subsídio, só verbas indenizatórias, que são duas: 18 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? Auxílio-alimentação: conhecido carinhosamente como “vale-coxinha”, alcança atualmente a importância de aproximadamente R$140,00 (aproximadamente porque varia conforme a cidade/região de lotação) por mês. O meu é R$143,99. Acho que é isso que está desequilibrando as contas da União! Indenização de transporte: conhecido como pezinho, no valor fixo de R$17,00 por dia que você tenha utilizado veículo próprio para fiscalizar. Não interessa se andou 1km ou 100km, o valor é fixo. Ah, ia me esquecendo, há também a Assistência Pré-Escolar para quem tem filho menor de 6 anos. R$66,75 per capita, e ainda incide IR. 8. Dicas gerais de estudo Bom, agora eu deixo de falar especificamente para os candidatos a AFT, tecendo considerações que considero válidas para todos os concurseiros. São pequenas dicas do que eu acho importante na preparação eficiente para concursos públicos. 1º) Não interessa quanto tempo diário você tem, mas é importante que estude todos os dias. É melhor estudar 1 hora todo dia que 10 horas no sábado e nada nos outros dias. Estudo é hábito e, além disso, os intervalos entre uma sessão de estudos e outra ajudam na fixação do conteúdo estudado; 2º) Organize seu tempo considerando sua disponibilidade em face das suas necessidades. Se você precisa aprender determinada matéria “do zero”, mas já tem base nas outras, dedique mais tempo a esta “nova”. Parece óbvio, mas muita gente reluta em fazer isso; 3º) Procure intercalar uma matéria da qual você goste (aquela que te dá algum prazer em estudar) com uma da qual você não goste. Caso contrário, você nunca estudará as matérias chatas, e elas também te exigem mínimo na prova (essa é específica para AFT... ;-)); 4º) Não vejo grande vantagem em utilizar ciclo de estudos (estudo de todas as matérias em sequência, com cronograma previamente definido, somente voltando à primeira quando você termina a última) ao invés de estudar as matérias por blocos (um capítulo ou um assunto de cada vez, por exemplo). Desde que você seja capaz de, honestamente, dividir seu tempo conforme sua estratégia de estudo, as duas modalidades são válidas (e qualquer outra que você adote, afinal). O ciclo de estudos é, em tese, mais disciplinador, e evita dispersão. Entretanto, de certa forma engessa o estudo, e muitas vezes te tira da matéria exatamente no momento em que você estava pegando o fio da meada. Acho que cada um deve estabelecer o que é mais eficaz no seu caso, conforme suas habilidades/dificuldades. Não há receita! 19 http://www.euvoupassar.com.br Eu Vou Passar – e você? 5º) As matérias são insuportáveis enquanto você não as compreende. Tudo que você sabe fazer passa a ser, no mínimo, interessante. Tenha em mente que o conhecimento é fascinante e que todas as áreas do mesmo igualmente o são. Basta descobrir a lógica do negócio e manter o coração e a mente abertos a novas descobertas. Também ajuda pensar que aquilo que você não gosta provavelmente poderá ser deixado de lado quando você passar. Mais um motivo para estudar logo e ficar livre de vez. Só não vale, por óbvio, para as matérias intrínsecas às atividades do cargo que você almeja, como, por exemplo, Direito do Trabalho para um AFT. 9. Considerações finais Aproveite cada minuto até o dia das provas. A hora é de acionar o “turbo” e se colocar com segurança entre os 234 melhores do país! Na minha época de concurseiro eu lia resumo até enquanto andava a pé na rua. Muitos deviam me achar maluco, mas quem ri por último ri melhor, a não ser que não tenha entendido a piada... :P Em uma programação de estudos com duração de dois anos, por exemplo, eu acho que o candidato deve manter ao menos uma atividade física regular, uma alimentação equilibrada, um convívio social regular, etc. Agora, com edital publicado, e a apenas 80 dias da prova, o momento exige imersão. Esqueça todo o resto, coma mais e “pior” se isso te acalma (pra mim faz um bem danado!), e escreva a sua história vencedora. Depois você faz uma dieta de desintoxicação com água de coco, volta pra academia, e fica tudo certo... ;-) Abraço e bons estudos! Ricardo Resende ricardoresende@euvoupassar.com.br