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UNIDADE DE ENSINO SUPERIOR DO CENTRO MARANHENSE – UNICENTRO CURSO: BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESA Jullyana Ferreira da Silva João Victor Oliveira Arruda Mariane Borges Linhares da Silva Natália Ferreira da Silva Thanya Martins FICHAMENTO DA OBRA “O HORIZONTE PERDIDO” DE JAMES HILTON Barra do Corda – MA 2018 Jullyana Ferreira da Silva João Victor Oliveira Arruda Mariane Borges Linhares da Silva Natália Ferreira da Silva Thanya Martins FICHAMENTO DA OBRA “O HORIZONTE PERDIDO” DE JAMES HILTON Fichamento apresentado à Unidade de Ensino Superior do Centro Maranhense como instrumento avaliativo da Disciplina Introdução a Sociologia do Curso Bacharel em Administração de Empresas. Professor: Cláudio José de Sousa Barra do Corda – MA 2018 FICHAMENTO RESUMO Referência: JAMES, Hilton. O Horizonte Perdido. 1.ed. São Paulo: Claridade, 2002. RESUMO Capitulo I Em meio de uma guerra em uma pequena cidade no irã, Baskul ouve um ataque. Mandaram aviões da capital de uma pequena província Peshawar para evacuar apenas os cidadãos brancos, deixando o resto da população para traz. Na falta de transporte um marajá disponibiliza um de seus aviões para quatro passageiros. Dentre os acontecimentos, passavam nos jornais contanto o porquê de estarem naquele avião: Miss Roberta Brinklow, da Missão do Oriente; Henry D. Barnad, cidadão americano; O capitão Charles Mallinson, vice cônsul; E Hugh Conway, cônsul de S. M. Britânica se destacara, com apenas 31 anos, com pouco tempo em Baskul visando trazer paz mas considerando tais eventos não ocorreu como planejava. Cansado por ter trabalhado demais na evacuação e destruindo documentos, dia e noite, teve seu ponto alto quando entrou no avião podendo assim descansar. Era um homem que sabia apreciar certos confortos como recompensa por um dia cheio. Mallinson foi o primeiro a perceber que estavam em uma rota diferente. Avisando assim seu companheiro de trabalho. Mas Conway dissera que confiava no piloto. Acostumado e sem pressa a chegar em qualquer lugar não se preocupou se estava indo em outra direção, devagar ou voando em tal altura. Sentiram o avião descendo rapidamente, logo Conway olhou e viu se em outro lugar que não era seu destino. Todos sentiram os balanços do avião caindo com uma rapidez que ninguém conseguia se segurar. Aterrissaram em meio aos penhascos, ao verem o piloto saia para cumprimentar os selvagens que ali estavam e viram que não era o piloto que lhes apresentaram ficando cada vez mais sem saber o que ocorria. Enxiam o tanque do avião pronto para continuar a viagem seguiram caminho ao oriente. Com medo e apenas um ideia, tinham sido raptados e logo estaria sendo resgatado. Bernad e Mallinson trocaram ironias sobre seus países, o consul exausto não se intrometera em tal discussão caindo assim de sono. Entre seus cochilos ouvira elogios de seus companheiros. Pensara na guerra passada em que participou sem tantas emoções. E via de como não era tão corajoso ao ponto de arriscar sua vida. Acordando Conway falou primeiramente com Miss Roberta, por achar que não estava sendo incluída nas conversas dos rapazes e pelo fato de não gostarem de missionárias, puxou conversa tentando acalma-la e lhe oferecia ajuda para o que precisasse. Viu que ela era uma mulher forte, mas do que parecera. Ainda sem saber aonde estavam indo ao certo, em altura que apenas viam nevoa adentro, localizavam o sentido que estavam indo apenas pelo o sol. Conway se questionava se estavam perto do destino pois sabia que o tanque já estava pela metade pois passaram o dia viajando, mas não duvidava da capacidade do piloto por tais episódios já ocorridos. E se sentia sossegado sem precisar opinar ou ajuda em nada, mesmo com incertezas do que estava por vim. E sabia que o resto dos outros não se viam assim, pois cada um tinha suas vidas e estavam preocupados com o que poderia passar se. Mallinson era o mais instável, gritando e supondo que Conway poderia invadir a cabine do piloto para tomar seu lugar. Ele acaba indo tentar conversar mas acaba com a pistola apontada pra se. Discutem ainda sobre fazer o sequestrador recuar ou dá apenas informações mas Bernard os interrompem chamando os pra fumar um charuto para se acalmarem. Com todos mais sossegados, Conway diz a Mallinson que entendia sua impaciência. Porque não tinha mais disposição para discutir, ainda estava esgotado pois não descansara o suficiente. Sabia que fazia o possível pra prestar um bom trabalho naquilo que fazia, ele gostava. Se mostrava um homem passivo fazendo assim passar serenidade, confiança. Olhou para os companheiros viu todos sem forças, dormindo. Sentiu mal estar e se voltou a olhar pela janela visando uma paisagem, no horizonte o céu colorido refletindo nas montanhas cobertas por gelo, na qual ficou impressionado, pois não tinha visto nada que se comparasse. Capitulo II Após todos acordarem poderão concluir que já estavam em um lugar desconhecido por todos. Mesmo assim tentaram identificá-lo e ainda se surpreendiam, com a habilidade do piloto por conseguir passar pelas montanhas de grande altura, todos menos Mallinson que achara que aquilo não era mais um sequestro mas sim apenas um louco. Mas todos se sentiam confiantes que conseguiriam passar por tal passagem, cada um com fé em quem acreditavam Barnard no piloto e Miss Roberta em Deus. Conway se matinha alheio a qualquer uma das opiniões. Enquanto pensava que era confortador acreditar em tais coisas. Em meio de seus devaneios olhando para as montanhas viu uma luz brilhar fazendo surgir um sentimento dentro de sua alma mais forte que sua indiferença. Expectativa. Mallinson continuava a incomodar, insistindo que o piloto era insano e que deveria fazer alguma coisa. Barnard disse-lhe que não participaria de modo algum. Conway não se debateu para prolongar a conversa. Com o efeito do ar rarefeito já causando efeitos sobre todos, deixando Mallinson ainda mais resmungão. Por outro lado, Conway estava se sentindo leve, sem motivação e emoção para qualquer coisa. Com tudo admirava o lugar onde estava. Ao anoitecer os outros se entristecem por perceberem que iriam continuar a voar na esperança de chegar ao seu destino seja qual ele for. Todos conversam sobre teorias de onde estão e o porquê de estarem indo pra Tibete. Até Miss Roberta opina por dizer que o piloto é louco e que é sua primeira vez em um avião. Dormiram todos e acordaram ao mesmo tempo com turbulência, com cada um se jogando contra janelas, teto e assentos. Viram que estava aterrissando, e apens sentiram e ouviram os choques. Assim pousaram com dificuldades, ouve silencio do qual não entendiam. Mallinson cheio de coragem foi procurar de respostas do piloto e atrás dele veio Conway para lhe impedir. Chegando lá viram o homem desmaiado. Levaram ele para dentro do avião, Conway examinou vira que estava fraco, Miss Roberta lhe oferece um frasco de conhaque e dissera que havia o por causa de alguma necessidade pois não bebia. Lhe derramaram um pouco do liquido na boca do homem, esperando alguma reação. Em um surto Mallinson começa a rir e dizer que eram todos idiotas por tentaram ainda ajudar o homem que estava quase morto. Conway responde rispidamente a ele dizendo que a uma possibilidade do piloto não morrer e que ajudaria a viver, logo após mandou ficar quieto e calado. Se via em uma situação não mais em uma excitante e perigosa mas sim prova de vida ou morte, que poderia acabar em morte. Passou a noite acordado, pensando em toda a situação, sem atordoar mais os outros, imaginava que passaram das cordilheiras do Himalaia, já alcançando terra em Tibete. Se via preocupado com a localização deserta e montanhosa. Mas não perdia a oportunidade de apreciar a beleza do lugar. Onde se perguntara como fariam para sair dali, sem transporte. Ou ao menos se manter, isolados, sem comida, roupas pralhe aquecerem estavam na neve. E todos instáveis com a altitude, menos Miss Roberta, a qual lhe chamava atenção por se manter tranquila em todo o ocorrido. Passou se a noite longa e devagar, amanhecendo levaram o piloto para fora para ajudar a voltar a si. Com um certo tempo acordou e começou falar rapidamente uma língua que apenas Conway consiga entender, perdendo o folego finalmente parou. Conway explicou aos companheiros o que havia conversado com o homem que havia dado poucas informações que lhe interessavam, que estavam mesmo em Tibete. Pouco havia se entendido a língua chinesa a qual tinha falado mas falou de um mosteiro de lamas, onde teria abrigo e comida. Shangri-Lá. Localizado em um desfiladeiro. Mallinson sempre o primeiro, se ópios a ir pois considerava uma armadilha. Conway deu uma explicação bem convincente, que não durariam muito tempo sem mantimentos. Miss Roberta e Barnard concordaram em ir em busca a Shangri-Lá. Ao olharem para o montanha que estavam prestes a subir avistaram homens descendo as, considerando que vinham do Mosteiro. Capítulo III Conway sempre foi um grande observador, por mais que as “faculdades” estivessem ativas, esperava que as pessoas fossem a procura dele, mas nem por isso deixava de realizar suas atividades, sempre cumpria, pois, tinha muita confiança em sua própria capacidade. O grupo de passageiros havia visto uma certa quantidade de homens passando, Conway não tinha como imaginar de onde aquele pessoal todo iria ir, pensou logo em adiantar o comprimento, pois parecia que eles gostavam de um longo ritual de saudações, curvou-se e para sua surpresa apareceu um homem com uma vestimenta azul descendo a liteira, ele logo adiantou a mão. O oriental foi se apresentando, Conway explicou como havia chegado lá com os seus companheiros de viajem, depois de uma breve conversa, o chinês ofereceu lhe como guia. Mallison imediatamente questionou a possível chegada ao seu destino e assim deram início a uma longa caminhada, passaram por tantas experiências que acharam fora do comum vivenciar tudo aquilo, aguentaram chuvas, rajadas de ventos e uma grande quantidade de neve. Durante a trajetória os homens desenrolaram uma corda, Barnard desconfiado pensou o pior e os guias mostraram que não era nada sinistro, que aquilo era um tipo ligação para o grupo para fazer escalada, Mallison não se agradando da situação retrucou perguntando o que ele e os companheiros fariam quando chegasse em Shangri-Lá. Ao logo do caminho lembraram do que aconteceu em Baskaul, da tortura que o revolucionários faziam com os prisioneiros, pressionavam para arrancar algum tipo de informação, Conway tirou a conclusão que era sorte tudo aquilo que eles estavam vivenciando, comparado ao que passou na guerra, até que finalmente chegam e veem um clima completamente diferente que já viram com uma cor alegre, um ar que se dizia fino, lugar tão tranquilo e anestesiante. Eis que surge resplandecente e majestosa aos olhos de todos, como uma miragem que se torna real, Shangri-La. Capítulo IV Shangri-Lá, lugar que todos não imaginava, um bem-estar físico e uma agilidade mental que se misturava trazendo lhe paz, muito além do que todos imaginava. Uma cultura original que não possuía nenhuma contaminação do mundo exterior, esse contágio se referia aos cinemas, sinais luminosos etc. Tinha um criado nativo que era o camareiro, responsável por tratar da limpeza, tão agradável que Conway sentiu uma sensação de estar em casa. Viveu dez anos na China, os anos que lhe pareceu mais feliz. Era mais uma atmosfera chinesa do que a Tibetana, ele sentia uma paz no corpo e no espirito, parecia-lhe que tinha ingerido droga. Em relação as origens raciais, entre eles tinham de várias nações, sendo a maioria Tibetanos e Chineses. Miss Brinklow achava um prazer observar o choque de mentalidades diferentes, ela não estava para contemporização. O vinho tornou mais tranquilo, deixando mais vivacidade. Nas últimas palavras de Malisson dita em nervosismo, como se esperasse alguma coisa, antes mesmo de terminar. Não conseguindo arrancar nada de Tchang a não ser frases calma. Conway falou que era o momento de fazer os preparativos para retornarem, Tchang deu um sorriso meio amarelo que deixou transparecer levemente um aperto. Tchang ofereceu ajuda e disse que no momento certo ajudaria a encontrar pessoas que estivessem dispostas a fazer a longa excursão de volta e deixar seus lares para trás. Apesar de saber que isso seria muito difícil. Conway olhando para cima, ele contemplava a pirâmide de Karakal que iluminada pela esplendorosa lua dava a impressão de poder pegar com a mão. Passava uma tranquilidade e serenidade como se tocasse o seu espírito profundamente. Nem de longe lembrava o furacão da noite anterior, nem uma leve brisa passava sobre o vale, apenas tendo a resplandecente pirâmide como um farol a vigia-lo. Uma parte do seu ser insistia em ver algo de estranho nesse lugar, apesar de serem convidados, sentia como se estivessem aprisionados, principalmente porque na noite anterior Tchang estava com uma expressão nada tranquilizadora no rosto. De todos ali era o mais preparado como oficial britânico acostumado com missões ao redor do mundo enfrentando as mais inusitadas situações, revoluções violentas e estrangeiros hostis. Sendo condecorado em muitas dessas missões em diversos países do mundo. De quando em quando recebem algumas encomendas do mundo exterior, e essas pessoas retornam a suas origens, um plano estava começando a se formar para uma eventual retirada. Esperavam algo para os próximos dois meses e esperavam empregar como carregadores esses indivíduos. Mallison quando irado agia como uma criança sem papas na língua e falava o que lhe viesse à cabeça sorte que Tchang com sua educação polida de um chinês tradicional, havia se retirado a pouco e não ouviu as intempéries de Mallison e escapou do pior. Capítulo V Após discutirem sobre sua estadia no mosteiro tibetano, sentiram-se ameaçados a estar ali durante dois meses, pois não haveria condições de sair dali. Mallinson logo se irritou ao perceber a profundeza do problema, debochou de Conway e por fim acabou aceitando por falta de opção. Já Conway não via problema em continuar, parecia gostar da ideia, pois sabia que não tinha nada a perder, e assim concordou o restante do grupo. Conway ficou feliz ao perceber que todos se adaptaram à nova perspectiva, com exceção de Mallinson, que não concordou com a ideia, pois tinha os pais e a noiva que o esperavam na Inglaterra. Após tantas e outras discussões, Mallinson acalmara-se e ouvia as propostas de Conway, cujas eram manter a harmonia e evitar aborrecimentos uns com os outros, pois apesar de o mosteiro ser um lugar grande e também pouco lotado, parecia que poderiam sempre se encontrar. Bernard sentia-se satisfeito em estar ali, pois o lugar se mostrava bastante avantajado em termos de riqueza, logo desconfiou, pois notou que nenhum dos membros do mosteiro trabalha para conseguir renda o suficiente para manter o local. Questionou-se se extraíam algum minério. Mallinson, a continuar a implicância por não estar satisfeito, disse: - Tudo aqui é misterioso, que o diabo os leve! -, em seguida pensou se poderiam ter panelas de dinheiro enterradas, comparando-os com os jesuítas. Mas este não era assunto de o preocupar, ele só queria estar longe dali. Quando o chinês Tchang apareceu, fez-se de conta de que ainda se achava em bons termos com todos, e os quatro “exilados” aceitaram o convênio. O chinês logo se ofereceu a mostrar mais coisas no mosteiro caso quisessem conhecer. Conway não possuía preconceitos de raça nem de cor, às vezes, por pura afetação fingia quando estava em algum clube ou viajava em carro de primeira classe, dar mais valor à “brancura”. Conway era exímio em se furtar a aborrecimentos, sem contar que o mesmo já tivera muitos amigos chineses e jamais lhe ocorreria a ideia de tratá-loscomo inferiores. Ao conversar com Tchang, fazia-o com bastante isenção de ânimo para ver nele um velho cavalheiro maneiroso, que talvez não fosse de inteiro crédito, mas que era dotado de grande inteligência. Mallinson continuava a implicar, forçava-se a ver o chinês através das grades de uma prisão imaginária; Miss Brinklow mostrava-se sempre viva e alegre, como sempre fazia ao tratar com os pagãos na sua cegueira, ao passo que bonomia mordaz de Bernard era da espécie que ele teria usado como mordomo. O passeio pelos domínios de Shangri-Lá parecia interessante, passeios por salas e pátios que tomaram a tarde inteira e ainda assim acabaram deixando para trás muitos aposentos no qual Tchang não se ofereceu para entrar com eles. Após o imenso passeio, Bernard e Miss Brinklow só confirmaram suas teorias de que os lamas eram realmente ricos, e Mallinson, com toda a sua implicância não sentia-se menos fatigado do que em outras excursões de turismo. Somente Conway se encantava cada vez mais pelo local. Acabou notando também peças valiosas, tesouros, azulejos e cerâmicas que só milionários possuíam, mas não era apenas isso que o fazia gostar do lugar, Conway sentia uma grandiosa harmonia que o fazia querer estar ali. Capítulo VI Bernard procurava de toda forma satisfazer-se com o lugar, até pensava consigo mesmo: - Há gente que tem se acostumado com lugares piores do que este! -, havia se passado somente uma semana em Shangri-Lá, este era, sem dúvidas, uma das muitas lições que estavam aprendendo, e graças a Tchang o tédio não era maior, pois lhes ensinou como acertar com a rotina cotidiana do lugar. Conway encontrava muita coisa em que se interessar, esquecendo-se dos problemas que impusera a si mesmo. Durante os dias tépidos de sol dedicou-se à biblioteca e à sala de música, confirmando-se nele a impressão de que a cultura dos lamas era deveras excepcional. As condições de estadia eram muito menos dignas de confiança que outras informações ao alcance deles. O fato de nem sempre lhes ser satisfeita a curiosidade tinha por efeito obscurecer a quantidade realmente grande de dados que Tchang estava sempre disposto a fornecer. Por exemplo, não se faria nenhum segredo em torno dos usos e costumes da população do vale, e Conway, que estava interessado em conhecê-los, obteve informações que dariam para compor uma boa tese de formatura. Como estudante de política, interessava-lhe principalmente a forma por que era governado o vale. Miss Brinklow encontrava satisfação no estudo do tibetano, Mallinson impacientava-se e resmungava, e Bernard persistia numa equanimidade que não deixaria de ser notável, ainda que fosse apenas simulada, e Mallinson inquietava-se com o bom do sujeito, diz ele: - Está começando a mexer-me com os nervos! -. Mallinson temia que Bernard, ao acomodar-se no mosteiro, comprometesse a vida do grupo. Conway discutia com Mallinson sobre seus colegas no mosteiro, acreditava que cada um tinha um propósito ali, ou pelo menos achava. Miss Brinklow, por exemplo, acreditada que estava sendo chamada por Deus em uma missão de evangelizar os pagãos do Tibete; Bernard precisava de uma cura de repouso e de um refúgio, e por fim, Conway apenas gostara do lugar, esse era seu simples motivo para querer continuar ali. Em seus passeios noturnos e solitários que se tornara habitual, Conway sentia extraordinário bem-estar físico e mental. Era pura verdade: Ele gostava de Shangri-Lá. CAPÍTULO VII Conway mostrava uma aparência de calma, porém, no fundo, sentia uma ansiedade crescente enquanto acompanhava Tchang pelos pátios desertos. Caso tivessem algum sentido as palavras do chinês, devia estar às prestes de uma revelação. Breve iria saber se a sua teoria, ainda incompleta, era menos absurda do que parecia. Não restava dúvida de que a entrevista prometia ser interessante. Notou que Tchang o estava conduzindo através de salas que ainda não tinha visto, todas elas encantadoras à luz fosca das lanternas. Em seguida, uma escada de caracol os levou a uma porta em que o chinês bateu. Foi aberta por um tibetano, com tal presteza que Conway suspeitou estivesse o homem atrás dela, esperando-os. Essa parte do mosteiro, pertencente a um andar superior, não revelava menos bom gosto que o resto do edifício, mas o que mais a caracterizava era a atmosfera quente e seca ao extremo, como se todas as janelas se achassem hermeticamente fechadas e algum aparelho de aquecimento interno estivesse funcionando a toda pressão. A falta de ar aumentava à medida que avançavam, até que por fim Tchang se deteve diante de uma porta que, a julgar pela sensação física, bem poderia dar acesso a um banho turco. Tendo aberto a porta para que Conway entrasse, fechou-a depois tão silenciosamente que a sua retirada foi quase imperceptível. Foi então distinguindo, pouco a pouco, uma sala baixa, revestida de cortinas escuras e mobiliada simplesmente de mesa e cadeiras. Conway notou com curiosidade a sua própria percepção intensa de tudo aquilo e perguntou consigo se seria digna de crédito, ou simples reação ao ambiente penumbroso e quente. Deu alguns passos à frente e estacou. Notou que havia uma pessoa sentada em uma cadeira, era um velhinho vestido à chinesa, e as amplas pregas da túnica lhe envolviam frouxamente o corpo exíguo e emaciado. A voz era agradavelmente acariciadora e tocada de uma melancolia suave que encheu Conway de estranha beatitude. . . embora o cético que havia nele estivesse novamente inclinado a atribuí-la à temperatura do aposento. O superior começou a conversar com Conway em um perfeito inglês, logo depois trouxeram chá, Conway levou a taça aos lábios e provou. O sabor era tênue, sutil e recôndito, o fantasma de um perfume a pairar sobre a língua feitos com ervas de Shangri-Lá, e logo depois o Superior começou a falar sobre quatro frades capuchinhos em busca dos remanescentes da seita nestoriana, que porventura ainda existissem no interior do continente. Viajaram muitos meses na direção de sudoeste, passando por Lanchow e pelo Koho-Nor, lutando com dificuldades, . Três deles morreram em caminho, e o quarto não estava longe de seguir a mesma sorte quando, por acaso, deu com o desfiladeiro que até hoje é, praticamente, a única via de acesso ao vale da Lua Azul. Aqui, com grande alegria e surpresa, encontrou uma população amável e próspera que se apressou a aplicar o que sempre considerou a nossa antiga tradição: a hospitalidade com os estranhos. Chamava-se Perrault e era natural do Luxemburgo. Antes de se dedicar às missões no Extremo Oriente havia estudado em Paris, Bolonha e outras universidades, e era uma espécie de erudito. Era robusto; durante seus primeiros anos aqui, trabalhou como qualquer outro homem, cultivando o seu jardim e aprendendo com os habitantes do vale ao mesmo tempo que lhes ensinava. Descobriu jazidas de ouro no vale, mas não o tentaram; interessava-se muito mais pelas plantas e ervas do lugar. Era humilde e de nenhum modo fanático. Era já entrado em anos o povo do vale e os próprios monges não tinham apreensões: amavam-no e obedeciam-lhe, e à medida que passavam os anos iam aprendendo a venerá-lo. Costumava enviar relatórios periódicos ao bispo de Pequim, mas muitos não chegaram até ele, e como presumia que os mensageiros tivessem sucumbido aos perigos da viagem, Perrault foi-se tornando avesso a que eles arriscassem suas vidas e nos meados do século cessou de todo a prática. Algumas de suas primeiras mensagens, entretanto, deviam ter chegado ao destino, e sem dúvida surgiram suspeitas acerca da sua atividade, pois no ano de 1769 um desconhecido trouxe uma carta escrita doze anos antes e chamando Perrault a Roma. Se o chamado chegasse sem atraso, encontrá-lo-ia já um ancião de mais de setenta anos; sucedeu assim que, com a demora, contava oitenta e nove quando o recebeu. Não era possível pensar numa longa viagem por montanhas e planaltos, de modo que Perrault permaneceu em Shangri-Lá, não propriamente desobedecendo às ordens superiores, mas porquelhe era materialmente impossível atendê-las. Com a idade de noventa e oito anos iniciou o estudo dos escritos budistas que seus predecessores tinham deixado em Shangri-Lá, e era intenção sua dedicar o resto da vida à composição de um livro atacando o budismo do ponto de vista da ortodoxia. Chegou a terminar o trabalho, mas o ataque foi muito suave, pois nesse tempo já havia atingido a conta redonda dum século, idade em que até as mais profundas animosidades estão sujeitas a extinguir-se. A vida de Perrault por esse tempo tornara-se uma serena espera do fim. Estava demasiado velho para adoecer ou para mostrar-se rabujento; somente o sono eterno poderia reivindicá-lo agora, e ele não tinha medo. O povo do vale, com a sua bondade, fornecia-lhe alimento e roupa, e a biblioteca lhe dava ocupação. Mas o fato é que quando morreu o último monge, em 1794, Perrault ainda vivia. O Lama Superior de Shangri-Lá contou varias outras historias ate que então o Superior lhe perguntou: — E, depois de ter ouvido esta minha longa e curiosas histórias, não adivinha também outra coisa? Sentiu-se Conway aturdido enquanto procurava uma resposta. A sala era agora um remoinho de sombras, tendo no centro aquele ancião benevolente. Escutara a narrativa com uma atenção que o impedira, talvez, de perceber tudo o que ela implicava. Agora que procurava uma expressão adequada, mergulhava em assombro e a certeza que se ia concretizando no seu espírito relutava em manifestar-se por palavras. — Parece impossível — balbuciou. — E contudo, não posso deixar de pensar nisso. . . é espantoso, extraordinário... de todo incrível. . . e todavia não está absolutamente fora da minha capacidade de acreditar. . . — O que, meu filho? E Conway respondeu, sacudido por uma emoção para a qual não encontrava nenhum motivo e que não procurava ocultar: — Que o senhor ainda está vivo, Padre Perrault! CAPÍTULO VIII Seguiu-se um silêncio obrigatório, em razão de ter o Lama Superior pedido mais chá. Conway não estranhou isto, pois devia ser considerável a fadiga causada por tão longa narrativa. Ele próprio se sentia grato por esse intervalo de repouso. Compreendia que ele era desejável sob todos os pontos de vista, inclusive o artístico; os sorvos de chá, com o seu acompanhamento de cortesias convencionalmente improvisadas, preenchiam a mesma função da cadência na música. Esta reflexão fez surgir (a não ser que se tratasse de mera coincidência) um curioso exemplo dos poderes telepáticos do Lama Superior, pois este começou imediatamente a falar de música, dizendo alegrar-se com o fato de os gostos musicais de Conway não ficarem de todo insatisfeitos em Shangri-Lá. Respondeu Conway com adequada polidez e mencionou a sua surpresa por ver que a comunidade possuía tão rica coleção de compositores europeus. O elogio foi agradecido entre vagarosos sorvos de chá. Prosseguiu a troca de comentários até que vieram tirar a mesa. Já então se achava Conway em estado de observar calmamente, ate que Conway fez varias perguntas sobre o futuro deles em Shangri-la e o Lama Superior lhe respondeu todas as perguntas e começou a contar outra historia dizendo que não são impostores nem charlatães. Não damos nem podemos dar garantias de êxito. Alguns dos nossos visitantes não obtêm nenhum beneficio com sua permanência aqui. Outros somente alcançam o que se pode chamar uma idade normalmente avançada e morrem em conseqüência de algum mal insignificante. Descobrimos que, de um modo geral, os tibetanos, por estarem habituados tanto à altitude como a outras condições, são muito menos sensíveis do que os indivíduos de outras raças. É uma gente encantadora, e admitimos muitos deles, mas duvido que ultrapassem, a não ser bem poucos, a idade de cem anos. Chegará o momento em que o saberão, como o senhor, mas para bem deles mesmos não convém precipitar esse momento. Conversaram muito ate que o Superior de Shangri-la se levantou e foi em bora. Conway nunca soube direito de que modo se despediu. Estava mergulhado num sonho, do qual não saiu senão muito tempo depois. Lembrava-se do ar gelado da noite após o calor daqueles aposentos, e da presença de Tchang, silenciosa serenidade, quando atravessaram juntos os pátios iluminados pela luz das estrelas. Jamais Shangri-Lá oferecera aos seus olhos uma beleza tão intensa. Apenas adivinhado, jazia o vale além da borda do penhasco, e sua imagem era a de um lago profundo cuja tranqüilidade se casava à paz de seus próprios pensamentos. Porque Conway já se curara do assombro. A longa conversação, com suas várias fases, o deixara vazio de tudo, exceto de uma satisfação que era tanto do intelecto como do sentimento, e não menos do espírito que de ambos. Até suas dúvidas já não eram atormentadoras, mas, ao contrário, faziam parte de uma sutil harmonia. Tchang não falava, nem ele. Era muito tarde e estava satisfeito por saber que seus companheiros tinham ido dormir.