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Relatório Parcial da Etapa 1
PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS
Secretaria Municipal de Infraestrutura
Plano Diretor de Drenagem Urbana do Município de Manaus
Outubro/2011
Tomo 01
 
 
PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS 
SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA - SEMINF 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DE MANAUS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MINUTA 
Volume 09 – Tomo 01 
Relatório Parcial da Etapa 01 
608008-70-PC-710-RT-0002_REV00 
 
Outubro/2011 
 
 
PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS 
SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA - SEMINF 
 
 
 
 
 
 
PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DE MANAUS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MINUTA 
Volume 09 – Tomo 01 
Relatório Parcial da Etapa 01 
608008-70-PC-710-RT-0002_REV00 
 
Outubro/2011 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha Catalográfica 
Município de Manaus, Secretaria Municipal de Infraestrutura, Plano Diretor de 
Drenagem Urbana de Manaus – 2011. 
 
Manaus: Concremat Engenharia, 2011 
 
V.09, T.01/02 
 
Conteúdo: 27 V. 
 
Relatório Parcial da Etapa 01. 
 
1. Planejamento. 2. Plano Diretor de Drenagem Urbana. 3. Manaus. 
 
I. Concremat Engenharia, II. Secretaria Municipal de Infraestrutura, III. Prefeitura de Manaus 
CDU 556:711.4 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 I 
 
 
 
SUMÁRIO 
TOMO 01 
APRESENTAÇÃO .............................................................................................................. IV 
LISTA DE FIGURAS............................................................................................................. V 
LISTA DE QUADROS ........................................................................................................ VII 
LISTA DE TABELAS .......................................................................................................... VIII 
LISTA DE ANEXOS ............................................................................................................. IX 
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ..................................................................................... X 
1 ASPECTOS GERAIS ...................................................................................................... 1 
1.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO .................................................................................. 3 
1.2 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO TRABALHO ................................................................ 4 
1.3 RESUMO DESTE RELATÓRIO .......................................................................................................... 4 
2 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS BÁSICOS ...................................................... 5 
2.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA ÁREA DE ESTUDO ................................................................................ 5 
2.1.1 Uso do solo ...................................................................................................................... 16 
2.1.2 Tipo de solo ...................................................................................................................... 28 
2.1.3 Relevo da área em estudo ............................................................................................... 36 
2.1.4 Delimitação das sub-bacias de drenagem ....................................................................... 38 
2.1.5 Declividades na área de estudo ....................................................................................... 39 
2.2 CARACTERÍSTICAS DAS CONDIÇÕES HIDROLÓGICAS ......................................................................... 39 
2.2.1 Disponibilidade de dados hidrológicos ............................................................................ 39 
2.2.2 Disponibilidade de dados fluviométricos na área urbana ............................................... 40 
2.2.3 Regime fluvial e análise de frequência dos níveis d’água do rio Negro em Manaus ...... 41 
3 DESCRIÇÃO DA INFRAESTRUTURA URBANA INSTALADA EM MANAUS ...................... 47 
3.1 INFRAESTRUTURA RELACIONADA A ÁGUAS PLUVIAIS ........................................................................ 47 
3.1.1 Bacia Hidrográfica do Igarapé do Educandos ................................................................. 50 
3.1.2 Bacia Hidrográfica do Igarapé do São Raimundo............................................................ 60 
3.2 DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DAS REDES DE DRENAGEM ......................................................... 65 
3.3 SANEAMENTO BÁSICO NO MUNICÍPIO DE MANAUS ........................................................................ 67 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 II 
 
 
3.3.1 Abastecimento de Água .................................................................................................. 67 
3.3.2 Esgotamento Sanitário .................................................................................................... 69 
3.3.3 Resíduos Sólidos Urbanos ................................................................................................ 70 
4 PLANO DE LEVANTAMENTO CADASTRAL COMPLEMENTAR ...................................... 71 
4.1 DISCRETIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO EM BACIAS HIDROGRÁFICAS DE DRENAGEM ................................ 71 
4.2 CADASTROS EXISTENTES E PRIORIZAÇÃO DO LEVANTAMENTO ........................................................... 73 
4.3 DIRETRIZES PARA A REALIZAÇÃO DOS LEVANTAMENTOS ................................................................... 74 
4.4 PRODUTOS DO LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO ............................................................................. 76 
4.5 CRONOGRAMA DE TRABALHO ..................................................................................................... 77 
5 CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL ........................................................................... 78 
5.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 78 
5.2 LEGISLAÇÃO ............................................................................................................................. 78 
5.2.1 Legislação Federal relacionada ....................................................................................... 78 
5.2.2 Lei Estadual 2.212/01 ...................................................................................................... 85 
5.2.3 Legislação Municipal de Manaus .................................................................................... 90 
5.2.4 Leis de urbanismo em nível federal ................................................................................. 92 
5.2.5 Estatuto da Cidade e as normas municipais urbanísticas ............................................... 94 
5.3 SOBRE A ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL DE MANAUS ................................................................... 105 
5.3.1 Secretaria Municipal de Infraestrutura ......................................................................... 113 
5.3.2 Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) ........................ 130 
5.3.3 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA .. 136 
5.4 INSTITUIÇÕES RELACIONADAS AOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO ... 
 ........................................................................................................................................... 138 
5.4.1 Águas do Amazonas ......................................................................................................139 
5.4.2 Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas - ARSAM 
 ....................................................................................................................................... 143 
5.5 INSTITUIÇÕES RELACIONADAS AOS SERVIÇOS DE COLETA, RECICLAGEM E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS 
SÓLIDOS ........................................................................................................................................... 147 
6 EQUIPE TÉCNICA .................................................................................................... 158 
6.1 EQUIPE CHAVE ....................................................................................................................... 158 
6.2 EQUIPE DE APOIO ................................................................................................................... 158 
7 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 159 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 III 
 
 
TOMO 02 
8 ANEXOS ................................................................................................................. 163 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 IV 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
O Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus, objeto do Contrato nº 015/2011, 
firmado entre o Município de Manaus, por intermédio da Secretaria Municipal de 
Infraestrutura – SEMINF, e a Concremat Engenharia e Tecnologia S. A., tem como finalidades 
principais, entre outras: 1) a definição de diretrizes institucionais visando estabelecer 
condições de sustentabilidade para as políticas de drenagem urbana; 2) a caracterização das 
condições de funcionamento hidráulico das tubulações, galerias, canais a céu aberto, canais 
naturais, dispositivos de captação e conexão entre redes e de dissipação de energia, bueiros 
e pontes; e 3) as proposições, em nível de gestão, de obras de curto, médio e longo prazos 
necessárias ao equacionamento dos problemas encontrados na drenagem urbana de 
Manaus. 
Este Relatório corresponde ao Volume 09, que apresenta o Relatório Parcial da Etapa 
1, contemplando a consolidação da etapa inicial dos estudos que, ao final, irão compor o 
Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus. 
O Relatório Parcial da Etapa 1 apresenta a descrição das atividades técnicas 
desenvolvidas na fase de levantamento e tratamento das informações, visando à 
caracterização da área de estudo. 
 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 V 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
Figura 2.1. Mapa de Manaus – Final do Século XIX. ................................................................. 10 
Figura 2.2. “Invasões” em área urbana de Manaus. ................................................................ 13 
Figura 2.3. Recorte da imagem de satélite do centro de Manaus (Fonte: Google Earth). ...... 20 
Figura 2.4. Recorte da imagem de satélite da Av. André Araújo (Fonte: Google Earth). ........ 21 
Figura 2.5. Recorte da imagem de satélite da Av. Tefé (Fonte: Google Earth). ....................... 21 
Figura 2.6. Recorte da imagem de satélite do Igarapé do Educandos (Fonte: Google Earth). 22 
Figura 2.7. Construções do tipo palafita em áreas de inexistência de saneamento básico. 
(Fonte: SOS Rios do Brasil) ....................................................................................................... 23 
Figura 2.8. Crescimento Populacional de Manaus (Fonte: Dados do IBGE - Censos 1970, 1980, 
1991, 2000 e 2010). .................................................................................................................. 25 
Figura 2.9. Pseudo Curva Hipsométrica da área urbana de Manaus. ...................................... 38 
Figura 2.10. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus (FONTE: CPRM, 
2010). ........................................................................................................................................ 42 
Figura 2.11.Períodos de cheia (em percentagem) no rio Negro em Manaus. ......................... 44 
Figura 2.12 Histórico das chuvas em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). ..................................... 44 
Figura 2.13 Curva de monitoramento das cheias (FONTE: CPRM, 2010). ............................... 46 
Figura 3.1. Principais bacias hidrográficas de Manaus. ............................................................ 49 
Figura 3.2. Bacia hidrográfica do Educandos. .......................................................................... 50 
Figura 3.3. Igarapé do Quarenta em obras de ampliação da capacidade. ............................... 52 
Figura 3.4. Nascente do Igarapé Manaus e o uso que se faz nela. .......................................... 53 
Figura 3.5. Igarapé Manaus: a) trecho final e b) em estado natural. ....................................... 53 
Figura 3.6. Igarapé do Cachoeirinha: trecho final em fase de conclusão das obras. ............... 55 
Figura 3.7. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em 
obras. ........................................................................................................................................ 56 
Figura 3.8. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em 
obras. ........................................................................................................................................ 57 
Figura 3.9. Igarapé do Cajual: a) situação natural e b) trecho de jusante, em obras. ............. 57 
Figura 3.10. Igarapé da Liberdade: a) rip-rap e b) leito natural e palafitas. ............................ 58 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VI 
 
 
Figura 3.11. Igarapé Magalhães Barata: desmoronamento da sacaria. ................................... 59 
Figura 3.12. Galerias no centro de Manaus construída pelos ingleses. ................................... 59 
Figura 3.13. Bacia hidrográfica do Igarapé São Raimundo. ...................................................... 61 
Figura 3.14. Igarapé do Mindú, trecho entre a rua Coronel Teixeira e Bairro Novo Aleixo. ... 62 
Figura 3.15. Bacia do Igarapé Bindá (parcial). .......................................................................... 63 
Figura 3.16. Igarapé Sapolândia: vista geral. ............................................................................ 64 
Figura 3.17. Igarapé São Raimundo: a) estuário e b) alagação. ............................................... 65 
Figura 5.1. Organograma da Prefeitura de Manaus (FONTE: site da SEADM). ...................... 108 
Figura 5.2. Organograma da SEMINF. .................................................................................... 116 
Figura 5.3. Organograma da SEMMAS. .................................................................................. 134 
Figura 5.4. Organograma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Fonte: www.ibama.gov.br). ............................................................................... 137 
Figura 5.5. Fluxograma dos órgãos envolvidos nos serviços concedidos. ............................. 139 
Figura 5.6. Organograma da Semulsp (FONTE: site PMM). ................................................... 151 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VII 
 
 
LISTA DE QUADROS 
Quadro 2.1. Relação de IDHM de bairros e comunidades de Manaus. ...................................14 
Quadro 2.2. Conversão entre os tipos de solos da Classificação Brasileira e os tipos de Solos 
definidos pelos grupos do SCS (Adaptado de Sartori et al., 2006)........................................... 34 
Quadro 5.1. Legislação Federal relacionada aos recursos hídricos e drenagem urbana. ........ 79 
Quadro 5.2. Finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder 
Executivo Municipal................................................................................................................ 109 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VIII 
 
 
LISTA DE TABELAS 
Tabela 2.1. Evolução da população de Manaus de 1991-2000 por zona do município. .......... 25 
Tabela 2.2. Domicílios com acesso aos bens e serviços básicos. ............................................. 27 
Tabela 2.3. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus. ............................. 41 
Tabela 2.4. Estação fluviométrica do Porto de Manaus - características históricas. ............... 43 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 IX 
 
 
LISTA DE ANEXOS 
Anexo 1. Banco de dados digital (CD-ROM). .......................................................................... 164 
Anexo 2. Mapa de localização de Manaus. ............................................................................ 165 
Anexo 3. Mapa de bairros de Manaus. .................................................................................. 167 
Anexo 4. Imagens de satélite da área urbana de Manaus. .................................................... 169 
Anexo 5. Mapas de uso do solo na área urbana de Manaus. ................................................ 173 
Anexo 6. Mapa da população residente em Manaus, segundo Censo 2010 (IBGE). ............. 175 
Anexo 7. Zonas administrativas de Manaus. .......................................................................... 177 
Anexo 8. Mapas de densidade populacional e habitacional de Manaus, segundo Censo 2010 
(IBGE). ..................................................................................................................................... 179 
Anexo 9. Mapa de solos ocorrentes em Manaus. .................................................................. 182 
Anexo 10. Mapa de textura dos solos ocorrentes em Manaus.............................................. 184 
Anexo 11. Modelo Numérico do Terreno (MNT) de Manaus. ............................................... 186 
Anexo 12. Relevo de Manaus. ................................................................................................ 188 
Anexo 13. Delimitação das bacias hidrográficas de Manaus e hidrografia principal. ............ 190 
Anexo 14. Mapa de declividades de Manaus. ........................................................................ 192 
Anexo 15. Dados horários da estação automática de Manaus. ............................................. 194 
Anexo 16. Mapa de prioridades para o levantamento cadastral. .......................................... 207 
Anexo 17. Modelo de ficha para levantamento de seções transversais. ............................... 209 
Anexo 18. Distritos de obras de Manaus................................................................................ 211 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 X 
 
 
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS 
ANA Agência Nacional de Águas 
ARSAM Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas 
CN Curve Number 
DTO Departamento Técnico Operacional 
IDF Intensidade – Duração – Frequência 
INMET Instituto Nacional de Meteorologia 
Implurb Instituto Municipal de Planejamento Urbano 
NSF National Sanitation Foundation 
PDDU Plano Diretor de Drenagem Urbana 
PMM Prefeitura Municipal de Manaus 
RA Relatório de Andamento 
SCS Soil Conservation Service 
SEINF Secretaria Estadual de Infraestrutura 
SEMEF Secretaria Municipal de Finanças e Controle Interno 
SEMINF Secretaria Municipal de Infraestrutura 
SEMMAS Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade 
SEMSA Secretaria Municipal de Saúde 
SEMULSP Secretaria Municipal de Limpeza Pública 
SIVAM Sistema de Vigilância da Amazônia 
SIG Sistema de Informações Geográficas 
UGPI Unidade de Gerenciamento do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de 
Manaus 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 1 
 
 
1 ASPECTOS GERAIS 
 
A rápida expansão das áreas urbanizadas devido ao crescimento da população nas 
cidades brasileiras trouxe significativos impactos na drenagem, consequência da 
precariedade da infraestrutura de controle e gerenciamento das águas urbanas. Com a 
urbanização, há o incremento da impermeabilização e uma parcela de água que infiltrava no 
solo passa a compor o escoamento superficial. Isso se reflete no aumento dos volumes 
escoados e das vazões de pico, ao mesmo tempo em que o tempo de concentração é 
reduzido, o que faz com que os hidrogramas de cheias se tornem mais críticos. Estas 
alterações provocam um incremento na frequência e gravidade das inundações, ao mesmo 
tempo em que ocorre a deterioração da qualidade da água. 
A prática tradicional em projetos de drenagem urbana para evitar alagamentos na 
cidade tem sido a de soluções localizadas, buscando a rápida evacuação das águas para 
longe dos centros de geração do escoamento. Essa prática mostra-se insuficiente, além de 
apresentar altos custos. O projeto de drenagem é realizado, na maioria das vezes, 
procurando resolver um problema pontual, não identificando os impactos que essa solução 
pode gerar nas regiões a jusante. Muitas vezes, uma alternativa pode ser aparentemente 
razoável quando pensada e planejada isoladamente, mas inviável ou ineficiente quando o 
conjunto da bacia é considerado. As soluções localizadas resolvem o problema da cheia em 
uma área, mas o transferem para jusante, exigindo, assim, o redimensionamento da rede de 
drenagem de jusante e resultando em custos cada vez mais elevados devido às dimensões 
das novas estruturas. 
Para resolver este problema, novas soluções têm sido pensadas e estudadas, 
procurando favorecer o controle na fonte, através de uma abordagem compensatória, ou 
ambientalista. As soluções compensatórias de drenagem, agindo em conjunto com as 
estruturas convencionais, buscam compensar os efeitos da urbanização. Dessa forma, os 
princípios de controle passam a priorizar o planejamento do conjunto da bacia, evitando a 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 2 
 
 
transferência dos impactos para jusante, através da utilização de dispositivos de infiltração, 
detenção e retenção. 
A adoção de medidas de controle ou técnicas compensatórias vem sendo proposta 
de forma significativa nos Planos Diretores de Drenagem Urbana. Estes são instrumentos de 
planejamento que visam regulamentar a ocupação do solo em uma área urbana, indicando 
medidas estruturais e não estruturais relacionadas ao sistema de drenagem. Têm como 
finalidade mitigar os problemas causados pelas inundações, buscando equilibrar o 
desenvolvimento com as condições ambientais das cidades, e integrando-se aos planos de 
esgotamento sanitário, resíduos sólidos e, principalmente, ao Plano Diretor de 
Desenvolvimento Urbano do Município. Apresentam medidas para remediar os problemas 
na drenagem já existentes em decorrência da urbanização, bem como para prevenção da 
ocorrência de enchentese inundações em áreas que futuramente venham a ser urbanizadas. 
O Plano Diretor de Drenagem Urbana faz isso através da criação de mecanismos de 
gestão da infraestrutura urbana relacionada com o escoamento das águas pluviais e dos rios 
na área urbana. Busca planejar a distribuição da água no tempo e no espaço, com base na 
tendência de ocupação urbana, compatibilizando esse desenvolvimento e a infraestrutura 
para evitar prejuízos econômicos e ambientais. Também procura controlar a ocupação de 
áreas de risco de inundação através de restrições nas áreas de alto risco, além de propiciar 
as condições para convivência com as enchentes nas áreas de baixo risco. 
Este Relatório apresenta a consolidação da Etapa 1, que envolve as atividades de 
levantamento e tratamento de dados e informações físicas, hidrológicas e hidráulicas com 
vistas à caracterização das bacias elementares (sub-bacias) que consistem nas unidades 
básicas de planejamento do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus (PDDU de 
Manaus). 
Inicialmente, são descritas as características principais do contrato, a área de 
abrangência dos trabalhos, os objetivos e o escopo dos estudos, bem como o conteúdo do 
presente Relatório. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 3 
 
 
1.1 Principais Características do Contrato 
O Relatório que segue está de acordo com os ditames da Proposta Técnica 
apresentada pela CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S.A., em atendimento ao Edital 
de Concorrência Nº 038/2010-CL-SEMINF/PM promovido pela Secretaria Municipal de 
Infraestrutura – SEMINF para execução dos serviços de Elaboração do Plano Diretor de 
Drenagem Urbana de Manaus, e do Plano de Trabalho Consolidado. O contrato do serviço 
que rege a referida concorrência foi protocolado como Contrato Nº 015/2011 entre as 
partes mencionadas. 
As atividades básicas para a elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana de 
Manaus serão desenvolvidas ao longo de três etapas específicas, assim designadas: 
Etapa 1: na qual serão realizados os serviços de campo, levantamento de dados, 
análise de estudos e projetos existentes; 
Etapa 2: onde serão realizados os estudos hidrológicos e hidráulicos básicos, 
incluindo diagnóstico da situação atual das redes de drenagem diante da atual urbanização, 
e o prognóstico das condições das redes de drenagem para as condições futuras de 
urbanização; 
Etapa 3: durante a qual serão realizados paralelamente: 
 Detalhamento das medidas estruturais, ou seja, os estudos de concepção em 
nível de gestão dos sistemas de drenagem para as condições futuras de 
urbanização e; 
 Análise das medidas não estruturais e de melhorias da gestão da 
infraestrutura urbana relacionada com as águas pluviais. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 4 
 
 
1.2 Identificação da Área de Abrangência do Trabalho 
A área do presente estudo corresponde às bacias de drenagem urbana de Manaus, 
estabelecida com base na observação do material cartográfico disponível para a região de 
interesse do estudo, referenciada às informações obtidas com a coleta e sistematização de 
dados existentes. Assim, a área de abrangência foi definida a partir do cruzamento da 
mancha urbana e bairros, fornecidos pela SEMINF, com as bacias hidrográficas elementares 
da cidade de Manaus, delimitadas neste trabalho. 
 
1.3 Resumo deste Relatório 
O presente Relatório Parcial da Etapa 1, RP-1, tem por finalidade apresentar à 
Secretaria Municipal Infraestrutura – SEMINF resultados consolidados das atividades 
relativas ao Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus, face à programação constante 
no cronograma atualizado dos trabalhos. 
Contempla a caracterização regional da área urbana de Manaus, área de trabalho do 
presente estudo, consolidada através de mapas de uso do solo e de tipo de solo, dentre 
outros, e da identificação de características hidráulica-hidrológicas das bacias e seus 
principais corpos hídricos. Contém ainda os estudos de caracterização hidrológica dos 
principais cursos d’água no contexto da área urbana de Manaus, que subsidiarão etapas 
posteriores do presente Plano Diretor de Drenagem. Apresenta também uma descrição da 
infraestrutura existente na cidade de Teresina com interface ou interferência no sistema de 
drenagem, bem como uma caracterização institucional dos órgãos correlatos. 
O presente Relatório RP-1 consiste no segundo dos Relatórios de Produto previstos 
no escopo dos serviços para elaboração do PDDU de Manaus e, tal como seu nome indica, 
apresenta resultados consolidados das atividades técnicas desenvolvidas durante a primeira 
etapa de execução do Plano. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 5 
 
 
2 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS BÁSICOS 
 
Este item apresenta os dados básicos necessários à elaboração do PDDU que dizem 
respeito às características físicas, institucionais e hidráulicas das bacias hidrográficas. 
As informações foram coletadas, qualificadas, tratadas, consolidadas, 
georreferenciadas (quando necessário) e incorporadas a uma base de dados. Quando 
possível, e de acordo com a relevância das informações, foram incorporadas a um Sistema 
de Informações Geográficas (SIG) em formato compatível com ArcGIS 10.0, possibilitando, 
adicionalmente, a elaboração de mapas temáticos. 
O banco de dados contendo todas as informações levantadas na Etapa 1 do PDDU e 
que serão utilizadas ao longo de todo o desenvolvimento do Plano constam no Anexo 1, em 
formato digital (CD-ROM). 
As características levantadas envolvem dados e informações acerca de: i) uso do solo, 
ii) tipo de solo, iii) topografia, iv) condições de drenagem, v) infraestrutura, vi) instituições. 
A seguir são apresentadas as características físicas relativas à área de estudo. Os 
aspectos relativos à infraestrutura e informações institucionais são apresentados em 
capítulos específicos na sequência deste relatório. 
 
2.1 Características físicas da área de estudo 
O município de Manaus, capital do Estado do Amazonas, localiza-se na região norte 
do país, a 3.950 quilômetros da Capital Federal. Pertence à mesorregião do Centro 
Amazonense e à microrregião homônima. É a 7ª maior cidade do Brasil, com 
aproximadamente 1.800.000 habitantes. 
Manaus destaca-se como metrópole da Região Norte do Brasil. É considerada a maior 
cidade da Amazônia, o que garante à Capital do Amazonas, a representatividade de 10,89% 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 6 
 
 
de toda a população da região Norte e 49,9% de toda a população do Estado. Manaus, ainda 
é responsável por 98% da economia do Estado do Amazonas, enquanto este responde por 
55% da economia da Região Norte (PREFEITURA DE MANAUS, s/d). 
Manaus tem parte de sua porção urbana localizada entre as coordenadas de latitude 
Sul 3°6’ e Longitude Oeste 60°1’. Ocupa uma área aproximada de 11.401 km², dos quais 
412,2 km² ( 3,6% do total) são considerados área urbana, e o restante, área rural (ver mapa 
de localização de Manaus no Anexo 2). 
A cidade concentra-se assentada sobre um baixo planalto que se desenvolve na 
barranca da margem esquerda do rio Negro, na confluência deste com o rio Solimões, 
havendo a formação do rio Amazonas. 
A área urbana de Manaus tem seus limites Sul, Oeste e Leste definidos pela 
hidrografia regional do rio Negro, do igarapé Tarumã-Açú e do rio Puraquequara 
respectivamente, abrangendo cinco bacias hidrográficas integrantes da bacia do rio Negro, a 
saber: Educandos,São Raimundo, Tarumã, Puraquequara e Rio Negro, totalizando 
aproximadamente 412,2 km² de superfície e 70 km de igarapés. 
Seu clima é equatorial úmido, com temperatura média anual de 26,7ºC, com 
variações médias de 23,3ºC a 31,4ºC. A umidade relativa do ar fica em torno de 80% e a 
média de precipitação anual é de 2.286mm. O clima da região possui duas épocas distintas: 
chuvosa (inverno) de dezembro a maio, período em que a temperatura é mais amena e 
chove quase diariamente, e seca ou menos chuvosa (verão) de junho a novembro, com 
períodos de sol intenso e temperatura elevada, em torno de 38ºC, chegando a atingir, no 
mês de setembro, cerca de 40ºC. 
O fuso horário de Manaus é de uma hora a menos em relação a Brasília e quatro 
horas a menos em relação ao meridiano de Greenwich. 
A origem da cidade de Manaus data do século XVII, quando os portugueses passaram 
a explorar a região amazônica em busca de escravos indígenas. Na segunda metade daquele 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 7 
 
 
século fundaram, na enseada do Tarumã, a primeira povoação do rio Negro, onde se 
agrupavam índios das mais diversas nações amazônicas. 
Posteriormente se estabeleceram à margem esquerda do rio Negro, próximo à 
confluência como rio Amazonas e ali instalaram um destacamento de soldados que 
protegiam e promoviam o tráfico de escravos indígenas na região, chamado de 
destacamento de Resgate. 
Em torno de 1669, ergueram no local um forte batizado com o nome de fortaleza da 
Barra de São José do Rio Negro, com a finalidade de afirmar o domínio da coroa portuguesa 
contra os holandeses e espanhóis. 
Com estes grupos indígenas e alguns brancos, iniciou-se o povoamento do lugar, que 
recebeu diferentes denominações, sendo comuns os termos Fortaleza do Rio Negro, 
Fortaleza da Barra, Lugar da Barra, Barra do Rio Negro, Barra e Vila da Barra. Vale mencionar 
que barra é a designação que na época os portugueses denominavam a foz de um rio. 
Até o final do século XVIII, o Lugar da Barra não passava de um obscuro povoado da 
capitania de São José do Rio Negro, cuja capital funcionava, desde 1758, na vila de Barcelos. 
Ao se iniciar o século XIX, a região do Amazonas estava mergulhada no marasmo e 
decadência. Em 1808 a capital da capitania foi transferida para o Lugar da Barra. Na época a 
população local estava calculada em 3.000 habitantes. 
Em 1833 o território do governo paraense foi dividido em três comarcas, 
denominado-as de Grão Pará, Baixo Amazonas e Alto Amazonas. Extinguia-se a capitania do 
Rio Negro, sendo substituída pela comarca do Alto Amazonas, enquanto que o Lugar da 
Barra foi promovido à condição de vila, assumindo a denominação de Vila de Manáos e 
mantendo a posição de capital da nova comarca. 
Em 1848, a Vila de Manáos foi promovida a cidade, passando a denominar-se cidade 
da Barra do Rio Negro, e, em 5 de setembro de 1850, a comarca do Alto Amazonas foi 
elevada à categoria de província, contando com uma população estimada de 5.000 a 6.000 
habitantes. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 8 
 
 
Sob estas novas condições, iniciava-se a segunda metade do século XIX, com algumas 
mudanças significativas na cidade, e a região passou a despertar um crescente interesse 
internacional, atraindo grande número de viajantes: pesquisadores, cronistas, cientistas e 
aventureiros. 
Em 1856 o nome da cidade de Barra do Rio Negro foi mudado para cidade de 
Manáos, que significa “mãe dos deuses”, homenagem à tribo indígena que predominava na 
região. 
Cronistas da época já relatavam que Manaus era um pequeno aglomerado de casas, 
metade das quais prestes a cair em ruínas. Contudo ressaltavam que a localização da cidade, 
na junção dos rios Negro e Amazonas, fora uma das mais felizes escolhas, pois apesar de 
insignificante naquela época, mais tarde, sem dúvida, seria um grande centro de comércio e 
navegação. 
Ao iniciar o período republicano no Brasil, Manaus era a capital provincial localizada 
na região mais distante do Governo e para chegar a ela era necessário empreender longas e 
nem sempre cômodas viagens fluviais, contando na época com população entre 8.000 e 
9.000 habitantes. 
O ciclo da borracha iniciou-se nos idos de 1840, após a descoberta do processo de 
vulcanização da borracha por Charles Goodyear em 1839, e perdurou até seu ocaso em 
1920, sendo o auge do desenvolvimento econômico entre os anos de 1880 a 1920. 
A borracha é uma goma elástica de origem vegetal, produzida pela seringueira, uma 
árvore de clima tropical que foi cientificamente denominada de Hevea brasiliensis. Os 
seringais nativos da Amazônia eram praticamente os únicos produtores de borracha e, à 
medida que este material se valorizava no mercado internacional, o Brasil tornava-se o 
detentor do monopólio do produto. O látex proveniente da Amazônia era o de melhor 
qualidade na época e propiciou um curto, porém significativo, período de crescimento e 
prosperidade. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 9 
 
 
Em 1827 a produção de borracha era de aproximadamente 31 toneladas por ano e 
em 1860 já alcançava a 2.673 toneladas por ano. 
Sem dúvida, a comercialização da goma elástica foi a principal fonte de riqueza, 
possibilitando mudanças radicais em muitos segmentos da sociedade amazônica a partir da 
última década do século XIX, tendo sido o grande atrativo para o imenso contingente de 
trabalhadores que se dirigiu para a região, em especial os nordestinos, quando violenta seca 
atingiu o Nordeste em 1877. 
O número de cearenses que se dirigiu para a região foi considerável e, em 1883, era 
calculado em 60.000 pessoas. 
A partir da administração do engenheiro Eduardo Ribeiro, em 1892, iniciava-se uma 
das mais transformadoras fases da história de Amazonas e de Manaus em particular. Em 
poucos anos, conseguiu realizar grande parte dos planos traçados, transformando 
radicalmente a visualidade da pequena vila, tornando-a uma moderna e graciosa cidade. 
Enquanto a maioria das cidades brasileiras vivia de uma maneira quase rural, Manaus 
foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada, a segunda a possuir energia elétrica, e foi 
uma das poucas cidades brasileiras a ter vivenciado a “belle époque”, sendo conhecida como 
Paris das Selvas ou Paris Tropical. 
O movimento comercial era intenso e a vida cultural tornava-se diversificada à 
medida que se equipavam os novos espaços. Na época a exportação da borracha 
representava 28% do total da exportação brasileira. Em 1910 o valor da borracha atingiu seu 
preço máximo e a exportação do produto representou 40% do total da exportação do país. 
A cidade passou a contar com serviços públicos de bondes elétricos, telefonia, água, 
esgotamento sanitário, drenagem pluvial e um porto flutuante, cada vez mais ativo. 
Geralmente os serviços urbanos eram entregues a empresas estrangeiras, em sua 
maioria de origem inglesa, como a Manáos Electric Lighting, a Amazon Telegraph, a Manáos 
Railway Company e Manáos Improvements Limited, que dispunham de material e técnicos 
especializados para dirigir os serviços e utilizar mão de obra local. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 10 
 
 
A malha urbana estendeu-se, principalmente nos sentidos norte e leste, 
ultrapassando os limites naturais dos igarapés de Manáos e do Bittencourt, avançando até o 
igarapé da Cachoeirinha, sendo ao norte delimitado pelo Boulevard Amazonas. 
A planta da cidade de 1893, apresentada na Figura 2.1, mostra que omodelo 
urbanístico adotado foi baseado no traçado do tabuleiro de xadrez, composto por largas 
ruas e avenida que se entrecortam em ângulo reto; várias praças estavam demarcadas 
enquanto os igarapés da parte primitiva da cidade praticamente desapareceram, tendo sido 
canalizados e sobre os mesmos foram construídas grandes avenidas. 
 
 
Figura 2.1. Mapa de Manaus – Final do Século XIX. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 11 
 
 
Dentre as grandes obras da época destacam-se o Teatro Amazonas, o Palácio da 
Justiça, o Instituto Benjamim Constant, o Palácio do Palácio Rio Negro, o edifício da 
Alfândega, a Biblioteca Pública, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o reservatório do 
Mocó, além da Avenida Eduardo Ribeiro, Ponte Romana e Ponte Benjamim Constant, todos 
construídos com material vindo do exterior. 
O império da borracha teve uma duração muito efêmera. No Amazonas as rendas 
dependiam única e exclusivamente da rústica e artesanal indústria extrativa da borracha. 
A origem da crise data da década de setenta do século XIX, quando milhares de 
sementes de seringueiras foram levadas para Londres por Henry Wickham, que depois de 
germinadas no Jardim Botânico de Kew, foram transportadas e plantadas no Ceilão e em 
Singapura, onde planejavam seringais de maneira racional, favorecendo o crescimento das 
plantas e facilitando a coleta do látex. 
Em 1909 a produção de borracha na Malásia era de 3.685 toneladas por ano e apenas 
10 anos mais tarde atingia a marca de 381.860 toneladas, enquanto a produção brasileira na 
ocasião era 35.000 toneladas por ano. 
A decadência do Império da Borracha trouxe como consequência o retorno a Manaus 
dos “soldados da borracha”, legiões enormes de homens miseráveis, famintos, desnutridos e 
doentes que viviam nos grandes seringais falidos. Manaus não possuía infraestrutura e o 
planejamento urbano necessários para receber os novos habitantes, os quais, na falta de 
opção de habitação, procuraram as margens do rio Negro, principalmente no bairro de São 
Raimundo. 
A falência do interior do Estado continuou alimentando, de forma lenta e gradual, o 
aumento populacional da cidade de Manaus que não tinha como oferecer grandes 
oportunidades aos imigrantes, e começaram a se localizar em uma nova ocupação, dessa vez 
sobre o rio Negro, em forma de casas flutuantes, localizadas na foz do igarapé do Educandos 
e se espalhando até as imediações do Mercado Municipal. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 12 
 
 
Diferentemente do período áureo da borracha, a urbanização da cidade passou a ser 
caótica e descontrolada. 
A ocupação dos flutuantes penetrou o igarapé do Educandos e ganhou as margens do 
mesmo, na forma de novas palafitas, transformando-se em um verdadeiro filão habitacional 
sem nenhum controle das autoridades. 
Após 50 anos de obscurantismo econômico, foi criada em 1957, pela Lei 3.173, a 
Zona Franca de Manaus, com o objetivo de desenvolver a região com uma área de livre 
comércio de importação. Contudo, apenas 10 anos mais tarde iria ser realidade após ser 
reformulado pelo Governo Federal pelo Decreto lei nº 288, quando foram criados incentivos 
fiscais que propiciaram o desenvolvimento do denominado Pólo Industrial de Manaus. 
No início os produtos eram importados pela Zona Franca e as lojas se encarregavam 
da comercialização e a cidade se beneficiava da economia de mercado fechado no restante 
do país, ocorrendo um grande surto de desenvolvimento. 
O setor hoteleiro se ampliou e em 1972 as primeiras fábricas instaladas no Pólo 
Industrial iniciaram a operação montando televisores, rádios, relógios, bicicletas, motos, 
dentre outros produtos. 
Em 1973 iniciou-se a construção do Aeroporto Internacional Eduardo Ribeiro, 
inaugurado em 1976, que veio viabilizar e apressar o desenvolvimento econômico. 
Com a chegada da Zona Franca, a população de Manaus cresceu exponencialmente 
passando de 173.703 habitantes, em 1960, para 1.405.835 habitantes em 2000 e 1.802.525 
habitantes em 2010 de acordo com o censo demográfico do IBGE, sendo a oitava cidade 
mais populosa do Brasil, tornando-se Manaus praticamente uma cidade-estado visto que 
abarca 54% da população do Estado do Amazonas e respondendo por mais de 80% da 
economia. 
Conforme bem assinalado no texto dos Termos de Referência do presente concurso, 
“embora desde 02/05/1975 existisse o Plano Diretor Integrado da Cidade de Manaus (Lei 
Municipal n.º 1.213), legislação satisfatória tanto do ponto de vista técnico como e 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 13 
 
 
principalmente sócio econômico, esta ocupação do sítio urbano da cidade realizou-se de 
uma maneira caótica e até mesmo desordenada, já que a execução de obras de 
infraestrutura que suportassem um nível tão elevado de crescimento urbano, para atender a 
magnitude da demanda, não era implementada em razão da escassez de recursos ou da 
existência de outras prioridades. Dessa maneira, centenas de invasões se sucederam tanto 
em terrenos do patrimônio público como de particulares e principalmente às margens e 
sobre os igarapés, em um adensamento prejudicial para todos os que habitam na cidade, 
tornando-a, consequentemente, cada vez mais poluída e mais deteriorada”. 
O processo de ocupação do solo mediante “invasões” provoca uma horizontalização 
da cidade, dificultando ainda mais ao administrador público prover a necessária 
infraestrutura à população, conforme se visualiza na Figura 2.2. 
 
 
Figura 2.2. “Invasões” em área urbana de Manaus. 
 
Disto resulta, em parte, os baixos índices de IDHM – Índice de Desenvolvimento 
Humano Municipal em grande parte dos bairros da cidade, conforme se apresenta no 
Quadro 2.1 a seguir. Este índice sintetiza o nível de sucesso atingido pela sociedade no 
atendimento a três necessidades básicas e universais do ser humano: acesso ao 
conhecimento – dimensão educação; direito a uma vida longa e saudável – dimensão 
longevidade e, direito a um padrão de vida digno – dimensão renda. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 14 
 
 
Quadro 2.1. Relação de IDHM de bairros e comunidades de Manaus. 
BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO 
IDHM, 
2000 
IDHM-
RENDA 
2000 
IDHM- 
LONGEVIDADE 
2000 
IDHM-
EDUCAÇÃ
O 2000 
SÃO JOSÉ - Grande Vitória 3.10 0,66 0,53 0,651 0,798 
ZONA RURAL 7.1 B 0,666 0,546 0,709 0,742 
JORGE TEIXEIRA - Santa Inês, Brasileirinho 3.6 0,667 0,524 0,651 0,827 
COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO / PURAQUEQUARA 3.2 0,67 0,526 0,651 0,833 
JORGE TEIXEIRA - Val Paraíso, Chico Mendes 3.8 0,676 0,516 0,651 0,862 
CIDADE NOVA - Alfredo Nascimento 6.2 0,68 0,553 0,671 0,818 
TARUMÃ 4.11 B 0,687 0,546 0,709 0,806 
TANCREDO NEVES - Parte Baixa 3.14 0,689 0,542 0,671 0,855 
DISTRITO INDUSTRIAL / MAUAZINHO - CEASA 3.5 0,69 0,558 0,651 0,863 
SANTA ETELVINA 6.11 0,692 0,556 0,671 0,849 
JORGE TEIXEIRA - João Paulo 3.7 0,695 0,555 0,653 0,878 
CIDADE NOVA - Nossa Senhora de Fátima, 
Cidade de Deus 
6.6 0,696 0,551 0,684 0,855 
MONTE DAS OLIVEIRAS 6.9 0,7 0,554 0,689 0,858 
COLÔNIA TERRA NOVA 6.8 0,708 0,559 0,688 0,878 
JORGE TEIXEIRA - Jorge Teixeira I e III 3.9 0,711 0,56 0,698 0,875 
ZUMBI 3.16 0,714 0,573 0,685 0,884 
COMPENSA - Vila Marinho 4.3 0,715 0,566 0,694 0,886 
COMPENSA - Compensa II 4.2 0,719 0,587 0,692 0,879 
TANCREDO NEVES - Parte Alta 3.15 0,719 0,562 0,698 0,896 
IGARAPÉ DO QUARENTA 1.8 0,721 0,61 0,672 0,881 
CIDADE NOVA - Novo Aleixo, Amazonino 
Mendes6.3 0,725 0,584 0,699 0,893 
NOVO ISRAEL / COLÔNIA SANTO ANTÔNIO 6.10 0,725 0,604 0,689 0,882 
SÃO JOSÉ - São José II 3.13 0,726 0,583 0,7 0,897 
EDUCANDOS / COLÔNIA OLIVEIRA MACHADO 1.5 0,727 0,627 0,675 0,877 
ARMANDO MENDES 3.1 0,73 0,599 0,698 0,894 
REDENÇÃO - Ig. dos Franceses / DA PAZ - Ig. dos 
Franceses 
5.6 0,733 0,616 0,695 0,888 
CIDADE NOVA - Monte Sinai, Mundo Novo 6.1.1 0,735 0,614 0,692 0,9 
CIDADE NOVA - Riacho Doce, Campo Dourado 6.1.2 0,738 0,614 0,692 0,909 
COMPENSA - Compensa I 4.1 0,738 0,626 0,692 0,895 
FLORES - Parque das Nações 2.4.2 0,74 0,651 0,688 0,879 
PARQUE 10 - Bairro União 2.4.1 0,741 0,651 0,688 0,884 
SÃO JOSÉ - São José I 3.12 0,741 0,635 0,685 0,902 
SÃO JOSÉ - São José III e IV 3.18 0,742 0,626 0,688 0,913 
PETRÓPOLIS - Ig. da Cachoeirinha 1.12 0,744 0,625 0,702 0,904 
SÃO JOSÉ - Zezão, Conjunto João Bosco 3.11 0,745 0,627 0,685 0,921 
REDENÇÃO 5.7 0,748 0,64 0,687 0,916 
COROADO - Coroado I e II 3.4 0,75 0,666 0,695 0,89 
LÍRIO DO VALE / SANTO AGOSTINHO 4.4 0,753 0,65 0,691 0,917 
CACHOEIRINHA - Ig. Cachoeirinha / SÃO FCO. - 
Ig. Cachoeirinha 
1.6 0,756 0,665 0,687 0,916 
SANTA LUZIA / MORRO DA LIBERDADE 1.13 0,757 0,654 0,688 0,929 
JAPIIM - Ig. da Freira, Japiinlândia, Ig. D 1.10 0,764 0,664 0,725 0,903 
NOVA ESPERANÇA 4.5 0,765 0,679 0,704 0,911 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 15 
 
 
BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO 
IDHM, 
2000 
IDHM-
RENDA 
2000 
IDHM- 
LONGEVIDADE 
2000 
IDHM-
EDUCAÇÃ
O 2000 
PETRÓPOLIS - Vale do Amanhecer / JAPIIM - 
Morrinho 
1.14 0,765 0,654 0,709 0,932 
ALVORADA - Alvorada I 5.2 0,766 0,672 0,726 0,901 
SÃO RAIMUNDO / GLÓRIA 4.9 0,767 0,685 0,704 0,912 
ALVORADA - Alvorada II e III 5.3 0,768 0,672 0,726 0,907 
IGARAPÉ MESTRE CHICO, Viaduto Josué Claúdio 
de Souza 
1.7 0,774 0,692 0,706 0,925 
VILA DA PRATA / SÃO JORGE - Jardim dos Barés 4.10 0,778 0,689 0,711 0,935 
SANTO ANTÔNIO 4.7 0,783 0,708 0,719 0,924 
COROADO - Ouro Verde, UFAM 3.3 0,786 0,701 0,725 0,934 
CIDADE NOVA - Colônia Japonesa, Núcleo 15-16 6.4 0,79 0,699 0,725 0,946 
BETÂNIA / SÃO LÁZARO / CRESPO / VILA BURITI 1.1 0,792 0,713 0,755 0,907 
CHAPADA – HEMOAM 2.1.2 0,795 0,714 0,744 0,927 
ALEIXO - Garajão e Cidade Alta 2.1.1 0,796 0,714 0,744 0,932 
NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vila Amazonas 2.1.4 0,796 0,714 0,744 0,931 
SÃO JORGE - Ig. Cachoeira Grande 4.8 0,798 0,738 0,727 0,931 
SÃO GERALDO / NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS 
- Pq. Amazonense 
2.1.3 0,799 0,714 0,744 0,938 
CIDADE NOVA - Conjunto Mundo Novo 6.5.1 0,804 0,743 0,705 0,963 
CIDADE NOVA – Manoa 6.5.2 0,805 0,743 0,705 0,967 
CIDADE NOVA - Conjunto Canaranas, Renato I e 
II 
6.5.3 0,806 0,743 0,705 0,971 
CIDADE NOVA – Núcleos 6.7 0,806 0,717 0,758 0,943 
PRESIDENTE VARGAS 1.4.2 0,809 0,742 0,758 0,927 
CENTRO - Ig. Manaus, Ig. Bitencourt, Ig. 
Castelhana 
1.4.1 0,814 0,742 0,758 0,943 
PETRÓPOLIS - Entorno do Batalhão da PM / 
RAIZ 
1.11 0,823 0,751 0,769 0,948 
CACHOEIRINHA - Terminal 2 / SÃO FRANCISCO - 
Av. Paraíba 
1.2 0,83 0,778 0,769 0,944 
ALVORADA - Franceses / DA PAZ - Ajuricaba 5.1 0,844 0,811 0,769 0,953 
FLORES - Torquato Tapajós 2.3.1 0,868 0,84 0,786 0,979 
FLORES - São Judas Tadeu 2.3.2 0,871 0,84 0,786 0,987 
JAPIIM - Japiim I e II 1.9.1 0,875 0,829 0,812 0,985 
PETRÓPOLIS - Jardim Petrópolis 1.9.2 0,878 0,829 0,812 0,994 
DA PAZ - Santos Dumont / REDENÇÃO - Hiléia 5.5.2 0,885 0,853 0,812 0,989 
PLANALTO 5.5.1 0,885 0,853 0,812 0,99 
DOM PEDRO 5.4 0,887 0,866 0,814 0,98 
CENTRO - Centro Antigo / NOSSA SENHORA 
APARECIDA 
1.3.1 0,888 0,877 0,817 0,971 
PRAÇA 14 - Av. Major Gabriel / CENTRO - 
Boulevard 
1.3.2 0,888 0,877 0,817 0,972 
SÃO JORGE - Av. São Jorge / PONTA NEGRA - Av. 
Ponta Negra 
4.6 0,888 0,87 0,821 0,972 
PARQUE 10 - Castelo Branco / CHAPADA - 
Conjuntos 
2.6 0,907 0,911 0,821 0,989 
SÃO JOSÉ - Área do SESI / COROADO - 
Acariquara 
3.17 A 0,912 0,917 0,841 0,979 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 16 
 
 
BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO 
IDHM, 
2000 
IDHM-
RENDA 
2000 
IDHM- 
LONGEVIDADE 
2000 
IDHM-
EDUCAÇÃ
O 2000 
ALEIXO - Efigênio Sales / PARQUE 10 - Pq. 
Mindu, Shangrilá 
2.2 A 0,915 0,917 0,841 0,988 
NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / 
ADRIANÓPOLIS 
2.5.1 0,941 0,977 0,857 0,987 
FLORES - Parque das Laranjeiras 2.5.2 0,943 0,977 0,857 0,994 
MANAUS 
 
0,774 0,703 0,711 0,909 
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus, 2006. 
 
A localização e abrangência espacial dos bairros da cidade de Manaus são observados 
no mapa de bairros apresentado no Anexo 3. 
 
2.1.1 Uso do solo 
A impermeabilização do solo tem profundo impacto no volume de escoamento 
superficial gerado durante os eventos de chuva. Dessa forma, foram coletadas informações 
sobre o tipo de ocupação e o grau de urbanização das bacias. 
Para a determinação das características de ocupação do solo foram analisados dados 
sobre a densidade habitacional atualizada, de acordo com o banco de dados do IBGE, as 
imagens de satélite de alta resolução, planos diretores, estado atual e projeções sobre uso e 
ocupação do solo, plano de transportes urbano, projeções demográficas, etc., além de visitas 
à área de estudo. 
Dentre as opções de imagens de satélite existentes, optou-se por, inicialmente, fazer 
uma análise dos satélites CBERS CCD, CBERS HRC, LANDSAT 5, LANDSAT 7 e IRS P6, além 
daquelas imagens existentes nos banco de dados do Google Earth e Microsoft Bings Maps. 
Os critérios de escolha das imagens para caracterização da área foram: serem atuais 
(antiguidade menor que 5 anos) para caracterizar o uso atual do solo, ter boa visibilidade da 
localidade especificada e não apresentar nuvens em quantidade que possa prejudicar a 
execução do trabalho proposto. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 17 
 
 
Ainda foram procuradas imagens referentes à seca de Outubro de 2005 e à cheia de 
Maio/Junho de 2009, eventos bastante interessantes para análises de solo. Entretanto, as 
imagens disponíveis não apresentavam boa visibilidade pela presença de nuvens sobre a 
cidade. As imagens dos satélites escolhidos apresentam as características descritas a seguir. 
O satélite CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) surgiu em 1988 de 
uma parceria inédita entre Brasil e China no setor técnico-científico espacial, ingressando o 
Brasil no seleto grupo de países detentores da tecnologia de sensoriamento remoto. O 
sensor CCD (Câmera Imageadora de Alta Resolução) Demora 26 dias para passar novamente 
pelo mesmo ponto de observação, fornecendo imagens em uma faixa de 120 km de largura, 
com uma resolução de 20 m a partir de cinco bandas, sendo elas: 
• Banda 1: 0,51 – 0,73 µm (pancromática); 
• Banda 2: 0,45 – 0,52 µm (azul); 
• Banda 3: 0,52 – 0,59 µm (verde); 
• Banda 4: 0,63 – 0,69 µm (vermelho); 
• Banda 5: 0,77 – 0,89 µm (infravermelho próximo). 
Já o satélite CBERS com sensor HRC (Câmera Pancromática de Alta Resolução) produz 
imagens de uma faixa de 27 km de largura com uma resolução de 2,7 m, o que permite a 
observação com grande detalhamento dos objetos da superfície. Possui uma única banda: 
0,50 - 0,80 µm (pancromática), com resolução temporal de 130 dias. 
Outro satélite é o LANDSAT 5 (Land Remote Sensing Satellite), lançado em 1984 pela 
NASA (National Aeronautics and Space Administration) e funciona em órbita equatorial a 
705 km de altitude produz imagens da superfície terrestre com 185 Km de largura noterreno, resolução espacial de 30 metros, resolução temporal de 16 dias e 7 bandas 
espectrais, sendo elas: 
• Banda 1: 0,450 – 0,520 m (azul); 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 18 
 
 
• Banda 2: 0,520 – 0,600 m (verde); 
• Banda 3: 0,630 – 0,690 m (vermelho); 
• Banda 4: 0,760 – 0,900 m (infravermelho próximo); 
• Banda 5: 1,550 – 1,750 m (infravermelho médio); 
• Banda 6: 10,400 – 12,500 m (infravermelho termal); 
• Banda 7: 2,080 – 2,350 m (infravermelho médio). 
O LANDSAT 7, lançado em 1999, é o mais recente satélite do programa Landsat e, 
comparado ao LANDSAT 5, destaca-se pela adição de uma banda espectral (banda 
pancromática) com resolução de 15 m perfeitamente registrada com as demais bandas, 
melhorias nas características geométricas e radiométricas e o aumento da resolução espacial 
da banda termal, sendo a cobertura do planeta completa em 16 dias Totalizam-se 8 bandas: 
• Banda 1: 0.450 - 0.515 m (azul); 
• Banda 2: 0.525 - 0.605 m (verde); 
• Banda 3: 0.630 - 0.690 m (vermelho); 
• Banda 4: 0.750 - 0.900 m (infravermelho próximo); 
• Banda 5: 1.550 - 1.750 m (infravermelho médio); 
• Banda 6: 10.400 - 12.500 m (infravermelho termal); 
• Banda 7: 2.090 - 
• Banda 8: 0.520 - 0.900 m (pancromática). 
Por sua vez, o satélite IRS (Indian Remote Sensing Satellite) P6 (ResourceSat), LISS 3, é 
um satélite indiano que se caracteriza por resolução de 23,5 m, recobrindo até 141 por 141 
km, com tempo de retorno ao mesmo ponto a cada 24 dias. Possui quatro bandas: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 19 
 
 
• Banda 2: 0,52 – 0,59 m (verde); 
• Banda 3: 0,62 – 0,68 m (vermelho); 
• Banda 4: 0,77 – 0,86 m (NIR - Near Infrared); 
• Banda 5: 1,55 – 1,70 m (SWIR – Shortwave Infrared). 
A partir da análise das imagens disponíveis, e após uma primeira observação, 
selecionaram-se os dados oriundos dos satélites CBERS 2B sensor HRC de 26 de agosto de 
2008, CBERS 2B sensor CCD imagens de 7 e 23 de setembro de 2009, Imagem do satélite 
LANDSAT 5 de 27 de outubro de 2010, LANDSAT 5 de 24 de março de 2011 e IRS_P6 de 9 de 
dezembro de 2010, por disponibilizarem as melhores representações diante das 
necessidades deste trabalho. 
Estas imagens se entravam em uma versão preliminar, portanto com o auxílio do 
Google Earth, procedeu-se ao georreferenciamento das imagens de satélite com o 
arruamento da cidade de Manaus. Após, realizou-se a composição colorida das bandas para 
melhor visualização dos resultados. No Anexo 4 podem ser encontradas as imagens 
finalmente escolhidas, em função da sua qualidade. 
A etapa seguinte foi a classificação das imagens obtidas, em que se realizou o 
mapeamento das áreas a partir de seus comportamentos espectrais, ou seja, pixel a pixel, o 
programa verificou a probabilidade de pertencimento à uma certa classe através da 
classificação por máxima verossimilhança. O resultado da classificação, que consiste em 
mapas de uso do solo, é apresentado no Anexo 5. 
Na análise das imagens se observa uma grande heterogeneidade na ocupação do 
território, embora a cidade se caracterize por apresentar uma grande densidade de 
vegetação ao longo de toda a sua extensão. Na área do Centro de Manaus (Figura 2.3), em 
semelhança ao que ocorre em outras cidades, percebe-se a existência de construções dos 
mais diversos tipos. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 20 
 
 
Foram identificadas quadras inteiras e pequenas glebas desocupadas em regiões do 
tecido urbano. Ainda em regiões tais como ao longo da Av. André Araújo (Figura 2.4), há 
construções com jardins e pátios, possuindo, portanto, uma impermeabilização 
relativamente baixa. No entanto, em áreas como em torno da Av. Tefé (Figura 2.5), as 
construções estão praticamente coladas umas às outras, indicando uma taxa de ocupação da 
área bastante elevada e, consequentemente, alta impermeabilização. 
 
 
Figura 2.3. Recorte da imagem de satélite do centro de Manaus (Fonte: Google Earth). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 21 
 
 
 
Figura 2.4. Recorte da imagem de satélite da Av. André Araújo (Fonte: Google Earth). 
 
 
Figura 2.5. Recorte da imagem de satélite da Av. Tefé (Fonte: Google Earth). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 22 
 
 
 
Também se observa que há uma ocupação e invasão de áreas ribeirinhas protegidas 
por legislação federal e sob fiscalização do IBAMA. Conforme o Código Florestal, a 
exploração econômica de áreas de preservação depende de prévia autorização do Poder 
Executivo Federal, quando for necessária a execução de obras, planos, atividades ou 
projetos de utilidade pública ou interesse social, além de inexistência de alternativa técnica 
e locacional ao empreendimento proposto. Verifica-se uma intensa ocupação de áreas 
ribeirinhas principalmente no Igarapé do Educandos, como pode ser observado na imagem 
da Figura 2.6, embora, através do PROSAMIM, a situação esteja sendo revertida e a 
ocupação tenda a ser mais organizada, e com menores taxas de impermeabilização. 
 
Figura 2.6. Recorte da imagem de satélite do Igarapé do Educandos (Fonte: Google Earth). 
 
Uma das características marcantes da cidade de Manaus é a elevada incidência de 
construções tipo ‘palafitas’. Moradia característica da população de baixo poder aquisitivo, 
concentrando-se geralmente em áreas de baixo valor imobiliário, e pelas suas condições, 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 23 
 
 
traduzem um decadente saneamento básico (Figura 2.7). Como resultado dessa intensa 
urbanização, muitos bairros em Manaus têm se destacado por diversos problemas devido à 
alta concentração de lixo, proliferação de vírus e parasitas, agentes transmissores 
patológicos, entre outros. 
 
 
Figura 2.7. Construções do tipo palafita em áreas de inexistência de saneamento básico. 
(Fonte: SOS Rios do Brasil) 
 
As causas da decadente situação é resultado do elevado crescimento populacional 
urbano, causando uma elevada pressão sobre o ambiente físico e acarretando 
consequências como a poluição do solo, águas, atmosfera, aglomerações com altos índices 
de ocupação informal, carentes de infra-estrutura e serviços, caracterizando assim 
precariedade na salubridade populacional. 
Em Manaus, cerca de 300 mil pessoas ocupam áreas próximas aos Igarapés, 
construindo suas moradias nas faixas marginais dos cursos d’água protegidas por 
preservação ambiental permanente. Fato que torna-se um dos principais vetores de pressão 
sobre o meio ambiente (MESQUITA RODRIGUES et al., 2009). 
Um estudo realizado por Mesquita Rodrigues et al (2009), avaliando a ocupação do 
solo urbano na cidade de Manaus ao longo do Igarapé do Bindá, revelou que às margens da 
nascente ocorre uma contínua pressão antrópica devido ao intenso processo de urbanização 
local. Já nas regiões que compreendem o segmento no limite da área verde com a 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 24 
 
 
comunidade Mundo Novo, constata-se que o solo está sendo ocupado por assentamentos 
urbanos precários: favelas, ocupação de margens de igarapés, palafitas e assemelhados. Essa 
ocupação irregular de áreas de preservação ambiental, justamente com um déficit crescente 
da infraestrutura de recolhimento e destinação de esgotos sanitários e a insuficiênciano 
sistema de coleta dos resíduos sólidos nas áreas de ocupação irregular, são apenas alguns 
dos avanços que vem comprometendo a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente. 
Para entender melhor a ocupação da região será analisada na continuação a evolução 
da urbanização. 
O crescimento populacional de Manaus fez com que a cidade saltasse da nona para a 
sétima posição no ranking das grandes cidades brasileiras, explicado pelas oportunidades de 
emprego e novos negócios na zona urbana em desenvolvimento. 
A população passou de 1.405.835, em 2000, para 1.802.525, em 2010 caracterizando 
um crescimento de aproximadamente 22% (Figura 2.8). Foi a cidade grande que mais 
cresceu, de acordo com o Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). O mapa do Anexo 6 apresenta a distribuição da população residente em 
Manaus, por setor censitário. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 25 
 
 
 
Figura 2.8. Crescimento Populacional de Manaus (Fonte: Dados do IBGE - Censos 1970, 
1980, 1991, 2000 e 2010). 
 
Os dados constantes no Atlas do Desenvolvimento Humano de Manaus possibilitam 
conhecer os números relacionados a essa expansão urbana (Tabela 2.1) e identificar as áreas 
que apresentam deficiências de equipamentos públicos 
 
Tabela 2.1. Evolução da população de Manaus de 1991-2000 por zona do município. 
Zona 
População 
residente na 
área rural, 
1991 
População 
residente na 
área rural, 2000 
População 
residente na 
área urbana, 
1991 
População 
residente na 
área urbana, 
2000 
Taxa de 
crescimento 
anual da 
população 
total 
Zona Centro 
Oeste 
0 0 125.910 141.022 1,28 
Zona Centro 
Sul 
0 0 91.957 123.987 3,41 
Zona Leste 0 0 175.495 340.453 7,71 
Zona Norte 0 0 113.675 282.083 10,73 
Zona Oeste 0 0 194.918 214.075 1,06 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 26 
 
 
Zona Rural 4.916 9.067 1.103 2.275 7,36 
Zona Sul 0 0 303.434 292.873 -0,40 
MANAUS 4.916 9.067 1.006.585 1.396.768 3,76 
(Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus) 
 
Assim, segundo SOUZA AGUINAGA (2007), da análise dos dados se infere que o 
crescimento da população, na década de 90, ocorreu tanto na área rural quanto na área 
urbana, sendo que nesta última os maiores índices de crescimento são os das zonas Norte e 
Leste da cidade. O crescimento concomitante da zona urbana e rural nos remete, por outro 
lado, a constatação de que ainda é significativo o fluxo de pessoas, de outros municípios do 
estado e/ou de outros estados para Manaus, cuja taxa de crescimento anual chega a 3,76, 
muitas vezes maior do que a taxa de crescimento nacional, que de 1991 a 1996 foi de 0,64, e 
de 1996 a 2000 ficou em 0,50%. 
O crescimento da população urbana resulta na ocupação de novas áreas. A questão 
do uso e ocupação do solo, por sua vez, notadamente uma ocupação desordenada, 
repercute diretamente sobre o ciclo hidrológico. 
Segundo Tucci (1993), a impermeabilização dos solos gera as seguintes alterações: 1) 
redução da infiltração do solo; 2) o volume que deixa de infiltrar fica na superfície, 
“aumentando o escoamento superficial”, ocorrendo, ainda, a redução do tempo de 
deslocamento por conta da construção dos condutos pluviais para o escoamento superficial; 
3) com a redução da infiltração o aquífero tende a diminuir o nível do lençol freático por 
falta de alimentação, reduzindo o escoamento subterrâneo; 4) por conta da supressão da 
cobertura florestal, ocorre uma redução da evapotranspiração, uma vez que a superfície 
urbana não retém água como a cobertura vegetal e não permite a evapotranspiração das 
folhagens e do solo. 
Um estudo divulgado pelo Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM (apud SOUZA 
AGUINAGA, 2007), informa que já foram desmatados 22% da área urbana de Manaus; 
equivalente a 28 mil, de um total de 44 mil hectares. Para uma das coordenadoras da 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 27 
 
 
Pesquisa, as imagens demonstram claramente a rapidez com que cresce a cidade, com um 
aumento dos desmatamentos de áreas verdes. 
O crescimento desordenado das cidades traz, ainda, outros problemas graves para a 
proteção das águas superficiais e subterrâneas, uma vez que, dificilmente, a expansão 
urbana se faz acompanhar da infraestrutura básica de saneamento, que inclui 
abastecimento e sistema de esgotamento sanitário, o que pode vir a constituir fontes de 
poluição para as águas. Os números referentes ao acesso da população à água encanada e 
instalação sanitária são apresentados a seguir (Tabela 2.2). 
 
Tabela 2.2. Domicílios com acesso aos bens e serviços básicos. 
Zona 
Percentual de 
domicílios 
sem água 
encanada, 
1991 
Percentual de 
domicílios sem 
água encanada, 
2000 
Percentual de 
domicílios sem 
instalação 
sanitária, 1991 
Percentual de 
domicílios sem 
instalação 
sanitária, 2000 
Zona Centro Oeste 7,64 6,70 4,22 1,22 
Zona Centro Sul 3,87 12,35 1,88 2,80 
Zona Leste 42,55 44,50 11,71 8,59 
Zona Norte 50,49 41,78 11,37 8,51 
Zona Oeste 4,15 7,18 4,46 2,25 
Zona Rural 66,82 78,79 19,85 10,87 
Zona Sul 7,82 7,06 4,57 1,58 
MANAUS 17,81 24,00 6,33 4,89 
(Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus) 
 
Para compreensão espacial das informações apresentadas na Tabela 2.2, encontra-se 
no Anexo 7 um mapa contendo a delimitação das zonas administrativas de Manaus. Os 
dados demonstram que as zonas Norte e Leste da cidade são aquelas que apresentam as 
maiores deficiências no acesso aos serviços públicos de abastecimento e esgotamento 
sanitário. A falta de água encanada nessas duas zonas urbanas, que são as mais populosas da 
cidade, faz com que seus habitantes busquem nas águas subterrâneas a alternativa para o 
problema do abastecimento. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 28 
 
 
O Anexo 8 apresenta os mapas de densidade populacional e habitacional por setor 
censitário de Manaus, de acordo com o censo de 2010. Essas informações são importantes 
para a determinação do grau de impermeabilidade do atual cenário de urbanização, cujos 
resultados serão analisados em relatórios posteriores. 
 
2.1.2 Tipo de solo 
A caracterização dos solos da região foi realizada primeiramente de acordo com o 
Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, uma vez que, pela ampla divulgação, é mais 
facilmente compreensível. Posteriormente, os solos serão apresentados de acordo com o 
grupo hidrológico da metodologia do SCS que será, finalmente, a classificação utilizada para 
a incorporação do tipo de solo às simulações. 
2.1.2.1 Solos de acordo com a classificação brasileira 
A classificação brasileira de solos, em constante atualização, é chamada de SiBCS 
(Sistema Brasileiro de Classificação de Solos) e foi desenvolvida pela Embrapa, sendo a mais 
recente publicada em 1999, com importante atualização em 2005. 
No caso de Manaus, apoiado na Folha SA.20 Manaus (Brasil, 1978) e em informações 
repassadas pela SEMINF, são apresentados os tipos de solos de acordo com as associações 
mais comuns encontradas. 
Entre as unidades de solo na região predominam o Latossolo Amarelo, o Podzólico 
Vermelho-Amarelo e o Gleissolo, todos de textura média. Já na área de estudo, o Latossolo 
Amarelo ocorre em toda a extensão urbana do município (conforme pode ser observado no 
mapa do Anexo 9), notadamente numa faixa paralela ao rio Solimões e na confluência com o 
rio Negro. Esse tipo de solo é caracterizadopor possuir baixos teores de Fe+3 e é tipicamente 
caolinítico e goethítico. A cor predominantemente amarelada é decorrente da alta 
concentração do mineral goethita. Possui alta saturação em alumínio. Apresenta textura 
muito argilosa (RODRIGUES et al., 1971) e é atualmente classificado segundo EMBRAPA 
(1999), como distrófico, álico, caulinítico e ácido. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 29 
 
 
O solo na região é bem desenvolvido, com nível muito baixo de fertilidade natural e 
acidez muito forte associada a percentuais representativos de alumínio. Apresenta elevado 
grau de floculação (RODRIGUES et al., 1971), que se deve ao alto conteúdo de argila desse 
solo, originado a partir do argilito, bem como uma avançada intemperização. 
O cultivo intensivo do solo e o seu preparo em condições inadequadas alteraram suas 
características físicas em graus variáveis, devido a um preparo mecanizado realizado muitas 
vezes de forma indiscriminada. Tal prática, associada às precipitações intensas que ocorrem 
nessa região, na época de preparo do solo e no crescimento inicial das plantas, constituem 
fatores responsáveis pela degradação da estrutura e formação de camadas compactadas. 
O Podzólico Vermelho-Amarelo está associado a situações de relevo mais 
movimentado, no qual os processos erosivos são mais acentuados. Os solos são mais rasos, 
com fertilidade natural muito baixa, fortemente ácidos e com altos teores de ferro e 
alumínio. São predominantes na região noroeste, ocupando uma pequena área do 
município. Os gleissolos são representativos na porção oeste, nas ilhas que se formam ao 
longo do rio Solimões. São solos minerais, hidromórficos, apresentando horizontes A 
(mineral) ou H (orgânico), seguido de um horizonte chamado horizonte glei. 
Outros solos também se fazem presentes ao longo da extensão do município, porém 
em menores proporções, como os Plintossolos, Podzol Hidromórficos e os Solos Aluviais. 
Podzólico Vermelho-Amarelo (Alissolos) 
Esta classe compreende solos com horizonte B textural, não hidromórficos, com 
argila de atividade baixa, devido ao material do solo ser constituído por sesquióxidos, argilas 
do grupo 1:1 (caulinitas), quartzo e outros materiais resistentes ao intemperismo e 
saturação de bases (V%) baixa, isto é, inferior a 50%. 
São solos, em geral, fortemente ácidos e de baixa fertilidade natural. Apresentam 
perfis bem diferenciados, com sequência de horizontes A, Bt e C, e com horizonte Bt, 
frequentemente, mostrando, nas superfícies dos elementos estruturais, película de 
materiais coloidais (cerosidade) quando o solo é de textura argilosa. São, comumente, 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 30 
 
 
profundos a muito profundos, com a espessura do A + Bt oscilando entre 115 e 250 cm, 
exceto nos solos rasos, em áreas reduzidas. Possuem textura arenosa média ou, mais 
raramente, argilosa no horizonte A, e média ou argilosa, no horizonte Bt, com relação 
textural em torno de 1,5 (textura argilosa) e de 3,0 a 10,0 nos de caráter abrúptico ou 
abrúptico plinthico, os quais possuem características morfológicas bem distintas (coloração 
variegada ou com mosqueado abundante) e drenagem moderada e/ou imperfeita. 
A estrutura é de moderada a forte, pequena a grande, granular, de consistência 
ligeiramente duro a muito duro, quando seco, e friável, quando úmido, nos solos com 
horizonte A moderado, enquanto nos solos com A fraco, a estrutura apresenta-se maciça, 
pouco ou muito coesa, ou em grãos simples, ou, ainda, fraca a muito fraca, pequena, 
granular ou blocos subangulares, cuja consistência varia de solto a ligeiramente duro, 
quando seco, e solto a muito friável, quando úmido. 
O horizonte B apresenta coloração (úmido), mais frequente, vermelho-amarelado, 
vermelho, bruno-forte e bruno-amarelado. A estrutura é fraca ou moderada, pequena ou 
muito pequena, blocos subangulares, ocorrendo maciça em alguns solos com plinthite. 
É frequente a presença de cerosidade (pouca a abundante; fraca a forte) e a 
consistência macio a muito duro (seco) e muito friável a firme (úmido). Ocorrem sob relevo 
plano e suave ondulado e vegetação de caatingas hipo e hiperxerófila e transição 
floresta/caatinga. O relevo varia de plano a montanhoso. 
A vegetação é bastante diversificada, encontrando-se as caatingas hipo e 
hiperxerófilas, as florestas subperenifólia, subcaducifólia e a transição floresta/caatinga, com 
um certo predomínio das caatingas hipo e hiperxerófilas. A maior limitação ao uso agrícola 
destes solos decorre de sua baixa fertilidade natural e forte acidez, necessitando, desse 
modo, do uso de fertilizantes, com a correção prévia da acidez. Em grande parte são 
favorecidos pelo relevo (predominantemente, plano e suave ondulado) que proporciona 
totais condições ao uso de máquinas agrícolas. 
Latossolos Amarelos 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 31 
 
 
No antigo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, os Latossolos Amarelos e os 
Vermelho-Amarelos do Cerrado estavam agrupados sob um único nome: Latossolo 
Vermelho-Amarelo. O novo Sistema dividiu-os em duas classes. O nome Latossolo Vermelho-
Amarelo (LVA) ficou reservado para os latossolos que possuem cor laranjada, com matiz 
Munsell entre 2,5YR e 5YR. Os Latossolos Amarelos (LA) ficaram sendo os solos que possuem 
cor nitidamente amarela, mais que 5YR. O matiz amarelado é causado por um mineral 
chamado goethita, um óxido de ferro. LA ocupa praticamente toda a região do município, 
ocupando a totalidade da área urbana. 
O teor de óxidos de ferro extraídos pelo ataque sulfúrico é geralmente menor que 
em outros latossolos. Isso acontece porque o material de origem era pobre em ferro ou 
porque o ferro foi removido do solo pela água de percolação. Os LA e LVA podem apresentar 
todo o tipo de textura, desde média até muito argilosa. Graças à cor amarela, é 
relativamente fácil separar os horizontes. Embora os LA e LVA geralmente tenham vários 
metros de profundidade, eles não são tão profundos quantos os Latossolos Vermelhos. 
Outra característica interessante é a presença, em alguns LA, de nódulos e concreções 
avermelhadas. Alguns pedólogos dizem que isso indica que os LA já foram mais vermelhos, 
ou seja, no passado eles tinham características semelhantes aos Latossolos Vermelhos. 
 
Solos Aluviais (Neossolo Flúvico) 
Localizam-se no extremo Sul da cidade de Manaus. Solos minerais não hidromórficos, 
pouco evoluídos, formados em depósitos aluviais recentes, nas margens de cursos d’água. 
Devido a sua origem das mais diversas fontes, esses solos são muito heterogêneos 
quanto à textura e demais propriedades físicas e químicas, que podem variar em um mesmo 
perfil entre as diferentes camadas. 
Os maiores problemas ao desenvolvimento de atividade agrícola nesses solos 
decorrem dos riscos de inundação por cheias periódicas ou por acumulação de água de 
chuvas na época de intensa pluviosidade. De uma maneira geral, os solos aluviais são 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 32 
 
 
considerados de grande potencialidade agrícola, por ocorrerem em locais de relevo plano, 
favorecendo a prática de mecanização agrícola intensiva. 
Gleissolo 
São solos minerais, hidromórficos, apresentando horizontes A (mineral) ou H 
(orgânico), seguido de um horizonte de cor cinzento-olivácea, esverdeado ou azulado, 
chamado horizonte glei, resultado de modificações sofridas pelos óxidos de ferro existentes 
no solo (redução) em condiçõesde encharcamento durante o ano todo ou parte dele. O 
horizonte glei pode começar a 40 cm da superfície. São solos mal drenados, podendo 
apresentar textura bastante variável ao longo do perfil. 
Podem apresentar tanto argila de baixa atividade, quanto de alta atividade, são solos 
pobres ou ricos em bases ou com teores de alumínio elevado. Como estão localizados em 
baixadas, próximas às drenagens, suas características são influenciadas pela contribuição de 
partículas provenientes dos solos das posições mais altas e da água de drenagem, uma vez 
que são formados em áreas de recepção ou trânsito de produtos transportados. 
Plintossolo 
Solos minerais hidromórficos ou com séria restrição de drenagem, tendo como 
característica a expressiva plintização dentro de 40 cm da superfície, ou a maiores 
profundidades quando subsequente a horizonte E, ou abaixo de horizontes com muitos 
mosqueados de cores de redução, ou de horizontes petroplínticos. 
São solos imperfeitamente ou mal drenados, tendo horizonte plíntico de coloração 
variegada. O horizonte plíntico quando submetido a ciclos de umidecimento e secagem, 
desidrata-se irreversivelmente, e tornando-se extremamente duro quando seco. 
Apresentam uma grande diversificação em textura, tendo-se constatado desde solos 
arenosos até argilosos. 
São solos normalmente com argila de atividade baixa e menos frequentemente com 
atividade alta. Quanto à saturação de bases e alumínio, verifica-se uma grande diversidade, 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 33 
 
 
ocorrendo solos distróficos e eutróficos e também álicos. Originam-se basicamente de 
sedimentos Quaternários. 
Podzol Hidromórfico 
Compreende solos minerais com horizonte B espódico precedido de horizonte E 
álbico ou, raramente, em sequência ao A. 
A quase totalidade desses solos no Brasil é de textura arenosa e de extrema pobreza, 
tendo, portanto, as limitações inerentes a solos com essas características, ou seja, baixa 
fixação de fósforo e de nutrientes, lixiviação acentuada de nitratos, elevada permeabilidade, 
ressecamento rápido, alta taxa de decomposição da matéria orgânica e virtual ausência de 
reservas em nutrientes. 
Apresentam problemas de drenagem. Nesse caso, praticamente não são usados para 
agricultura, sendo a maior parte das suas áreas cobertas com vegetação natural. 
Em áreas tropicais, a derrubada da vegetação nativa para implantação de pastagens 
cultivadas afetou fortemente as características químicas do solo (TEIXEIRA & BASTOS, 1989; 
MARTINS et al., 1990a) com aumento no nível de bases trocáveis do solo, do pH e 
diminuição do alumínio. 
 
2.1.2.2 Solos de acordo com o grupo hidrológico da metodologia do SCS (CN) 
Para sua posterior utilização nas simulações, os tipos de solos encontrados na cidade 
devem ser classificados segundo o grupo hidrológico ao qual pertencem na metodologia 
desenvolvida pelo Soil Conservation Service. O modelo SCS (1964) determina o escoamento 
superficial a partir de uma equação empírica que requer como entrada a precipitação 
(observada ou de projeto) e um coeficiente relacionado às características da bacia, 
conhecido como curva número (CN). Esse coeficiente representa o escoamento superficial 
potencial das características do tipo e uso do solo na bacia (SHARMA & SINGH, 1992). Assim, 
o valor do parâmetro CN a ser utilizado nas simulações depende do tipo de solo, das 
características de ocupação do solo e do estado de umidade do solo no início do evento. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 34 
 
 
Assim, como o método da curva número foi idealizado para bacias com poucos ou sem 
dados, os tipos de solos foram agrupados em grupos hidrológicos de solo (GHS) onde se 
distinguem quatro grupos conforme mostrado a seguir (MOCKUS, 1972 apud SARTORI et al., 
2006): 
Solo A – solos que produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração. Solos 
arenosos com pouco silte e argila, ambos profundos e excessivamente drenados (taxa 
mínima de infiltração maior que 7,62 mm/h); 
Solo B – solos menos permeáveis do que o anterior, solos arenosos menos profundos 
do que o tipo A e com permeabilidade superior a media (taxa mínima de infiltração entre 
3,81 – 7,62 mm/h); 
Solo C – solos que geram escoamento superficial acima da média e com capacidade 
de infiltração abaixo da média, contendo percentagem considerável de argila e pouco 
profundo (taxa mínima de infiltração entre 1,27 – 3,81 mm/h); 
Solo D – solos contendo argilas expansivas e pouco profundas com muito baixa 
capacidade infiltração, gerando a maior proporção de escoamento superficial (taxa mínima 
de infiltração menor que 1,27 mm/h). 
Uma vez que os tipos de solos são diferentes, e a Classificação Brasileira de Solos é 
muito mais abrangente que a do SCS, resulta a necessidade de estabelecer uma relação 
entre as duas metodologias. O agrupamento desses tipos de solo segundo os quatro grupos 
hidrológicos apresentados na metodologia do SCS foi realizado seguindo a conversão 
proposta por Sartori et al. (2006) que é apresentada no Quadro 2.2. 
 
Quadro 2.2. Conversão entre os tipos de solos da Classificação Brasileira e os tipos de Solos 
definidos pelos grupos do SCS (Adaptado de Sartori et al., 2006). 
TIPO DE SOLO - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA TIPO DE SOLO HIDROLÓGICO - SCS 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 35 
 
 
TIPO DE SOLO - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA TIPO DE SOLO HIDROLÓGICO - SCS 
LATOSSOLO AMARELO, LATOSSOLO VERMELHO 
AMARELO, LATOSSOLO VERMELHO, ambos de textura 
argilosa ou muito argilosa e com alta macroporosidade; 
LATOSSOLO AMARELO E LATOSSOLO VERMELHO 
AMARELO, ambos de textura média, mas com horizonte 
superficial não arenoso. 
Grupo Hidrológico A 
LATOSSOLO AMARELO e LATOSSOLO VERMELHO 
AMARELO, ambos de textura média, mas com horizonte 
superficial de textura arenosa; LATOSSOLO BRUNO; 
NITOSSSOLO VERMELHO; NEOSSOLO QUARTZARÊNICO; 
ARGISSOLO VERMELHO ou VERMELHO AMARELO de 
textura arenosa/média, média/argilosa, argilosa/argilosa 
ou argilosa/muito argilosa que não apresentam mudança 
textural abrupta. 
Grupo Hidrológico B 
ARGISSOLO pouco profundo, mas não apresentando 
mudança textural abrupta ou ARGISSOLO VERMELHO, 
ARGISSOLO VERMELHO AMARELO e ARGISSOLO 
AMARELO, ambos profundos e apresentando mudança 
textural abrupta; CAMBISSOLO de textura média e 
CAMBISSOLO HÁPLICO ou HÚMICO, mas com 
características físicas semelhantes aos LATOSSOLOS 
(latossólico); ESPODOSSOLO FERROCÁRBICO; NEOSSOLO 
FLÚVICO. 
Grupo Hidrológico C 
NEOSSOLO LITÓLICO; ORGANOSSOLO; GLEISSOLO; 
CHERNOSSOLO; PLANOSSOLO; VERTISSOLO; ALISSOLO; 
LUVISSOLO; PLINTOSSOLO; SOLOS DE MANGUE; 
AFLORAMENTOS DE ROCHA; Demais CAMBISSOLOS que 
não se enquadram no Grupo C; ARGISSOLO VERMELHO 
AMARELO e ARGISSOLO AMARELO, ambos pouco 
profundos e associados à mudança textural abrupta. 
Grupo Hidrológico D 
 
De acordo com a classificação sugerida por Sartori et al. (2006), observa-se que a 
totalidade do tipo de solo ocorrente na área em estudo está enquadrada no grupo A ou B, 
que correspondem aos solos com baixa capacidade de geração de escoamento superficial, 
ou seja, com capacidade de infiltração entre acima da média e alta. No entanto, quando 
observada a classificação textural do solo (mapa mostrado no Anexo 10) se verifica que os 
solos localizados a leste de Manaus se encaixam na denominação muito argilosos (ou seja, 
grupo hidrológico D) e no oeste, são argilosos, ou seja, do grupo hidrológico C. Esta 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIOPARCIAL DA ETAPA 1 36 
 
 
diferença com os resultados de Sartori carece de maiores informações para definir a 
questão. 
Um estudo das taxas de infiltração em Manaus (ANDRADE FILHO et al., 2011) revelou 
diferenças no volume infiltrado conforme o tipo de uso do solo, características morfológicas 
do solo, teor de matéria orgânica e declividade do terreno. A maior quantidade de volume 
infiltrado ocorre na superfície onde há predominância de cobertura vegetal com taxas típicas 
do solo A e B, e em locais onde acontece encrostamento, as taxas são típicas de solo D. 
O encrostamento é típico dos latossolos, assim que eles perdem a sua cobertura 
vegetal. O encrostamento é resultante de processos complexos e dinâmicos nos quais as 
partículas do solo são rearranjadas e consolidadas em uma estrutura superficial coesa, cuja 
espessura pode variar de 0,1 mm até valores superiores a 50 mm (VALENTIN & BRESSON, 
1992). Apesar de sua espessura relativamente pequena, suas propriedades físicas são 
restritivas à passagem da água para dentro do perfil do solo diminuindo a infiltração em até 
70%. Desta forma, a classificação do tipo de solo segundo seu grupo hidrológico dependerá 
também do uso do solo e será analisada no relatório de determinação dos parâmetros 
hidrológicos. 
 
2.1.3 Relevo da área em estudo 
O relevo topográfico interfere nas características das cheias que ocorrem nas bacias 
urbanas, uma vez que a velocidade do escoamento depende diretamente das declividades. 
No Anexo 11, observa-se o Modelo Numérico do Terreno de Manaus, obtido a partir 
de imagens do programa Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM) com resolução de 90 m, 
considerada adequada para esta análise de características. 
No referido mapa, observa-se que Manaus caracteriza-se por ser constituída de 
planícies, baixos planaltos e terras firmes, com uma altitude média inferior a 100 metros. As 
planícies são constituídas por sedimentos recentes da Era Antropozóica; tornam-se bastante 
visíveis nas proximidades dos rios. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 37 
 
 
Apesar da sua pouca altitude, as maiores cotas no perímetro urbano concentram-se 
no bairro Cidade Nova, atingindo cotas em torno dos 90m. Ao longo da Rua Kako Caminha, 
no bairro N. Sra. das Graças, na porção nordeste do bairro Petrópolis, e no bairro São José 
Operário, as médias giram em torno de 70m em relação ao nível dos mares. Nas demais 
regiões, o relevo oscila em torno de 30 a 50m de altitude. 
A área em estudo está composta por 26 bacias, cuja maior cota concentra-se na 
fronteira entre as bacias Tarumã e Puraquequara, atingindo valores em torno dos 110 m. 
A visualização do relevo pode ser feita no mapa encontrado no Anexo 12 deste 
relatório. No entanto, para melhor explicar o relevo, é utilizada uma pseudo curva 
hipsométrica. A curva hipsométrica é a descrição da relação entre a área de contribuição e a 
altitude. Nela é possível observar as variações das cotas dentro de uma bacia hidrográfica 
sendo utilizada para caracterizar o relevo de bacias hidrográficas. Neste caso foi construída 
uma curva hipsométrica, não para uma bacia hidrográfica, mas para a área urbana de 
Manaus (Figura 2.9). Na curva (cota x área em %) é possível identificar que as maiores cotas 
na cidade são da ordem de 100 m e as menores estão limitadas com as cotas da água na 
faixa de 25m. Na curva não se observa um patamar ou concentração destas cotas (ou seja, 
uma área plana), o que significa um relevo moderado. 
Com estes condicionantes, as águas que descem rapidamente na região de cabeceira 
se encontram na região baixa onde a capacidade de escoamento é muito baixa formando 
assim os igarapés, que são abundantes na cidade. 
As informações sobre topografia poderão ser ainda complementadas com 
informações dos levantamentos topográficos e do cadastro da rede pluvial, e com 
informações de topografia fornecidas pela Prefeitura. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 38 
 
 
 
Figura 2.9. Pseudo Curva Hipsométrica da área urbana de Manaus. 
 
2.1.4 Delimitação das sub-bacias de drenagem 
Em função do relevo e da hidrografia de Manaus são identificadas 22 sub-bacias de 
escoamento das águas pluviais, conforme apresentadas no mapa do Anexo 13. Estas bacias 
contribuem ao rio Negro/Amazonas através de diversos igarapés. Por sua vez, as sub-bacias 
possuem inúmeros pequenos afluentes, que muitas vezes se encontram descaracterizados e 
escondidos pela ocupação urbana, em especial abaixo de palafitas, os quais são os corpos 
receptores dos escoamentos gerados sobre ruas, avenidas ou conduzidos no interior das 
galerias existentes. 
Estas sub-bacias serão utilizadas para apresentação de resultados deste PDDU sendo 
consideradas as unidades de gerenciamento da drenagem urbana. As unidades foram 
definidas levando em consideração a relação entre as características físicas, os recursos 
hídricos e os aspectos políticos e socioeconômicos. No desenvolvimento deste trabalho, as 
sub-bacias são consideradas as bacias elementares de estudo. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 39 
 
 
2.1.5 Declividades na área de estudo 
As declividades medem a inclinação da superfície do solo em relação à horizontal. 
Elas são importantes para avaliar a velocidade do escoamento, o risco de erosão, dentre 
outros aspectos. Quanto maior o valor da porcentagem, maior o ângulo de inclinação do 
terreno. 
No Anexo 14 observa-se o mapa de declividades de Manaus, obtido a partir da 
topografia gerada obtida das informações do Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM), 
com resolução considerada adequada para esta análise. 
 
2.2 Características das condições hidrológicas 
O objetivo deste item é apresentar uma breve caracterização das condições 
hidrológicas dos principais cursos d’água que cortam a área urbana de Manaus, centrando 
na disponibilidade de informações. Neste sentido, cabe lembrar que estas informações serão 
subsídios para estudos detalhados e aprofundados no Relatório Técnico 2 (RT-2), integrante 
da Etapa 2 do presente Plano. 
2.2.1 Disponibilidade de dados hidrológicos 
Foram feitas pesquisas da disponibilidade de dados fluviométricos nos diversos 
órgãos federais e estaduais. Os dados pluviométricos e cotas de níveis do cheia do Rio Negro 
foram adquiridos através dos órgãos competentes tais como a ANA – Agência Nacional 
Águas, CPRM – Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, INMET - Instituto Nacional de 
Meteorologia, e Porto de Manaus. Entre os dados obtidos vale mencionar: 
Agência Nacional de Águas – ANA 
• Estação 00359005 - Dados pluviométricos diários; 
• Estação 15030000 - Dados de nível e vazão média diária do rio Negro; 
• Estação 15040000 - Dados de nível e vazão média diária do rio Negro. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 40 
 
 
Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais - CPRM 
• Estação 00359005 - Dados de pluviógrafo e pluviômetro diários brutos; 
• Cotas diárias do rio Negro no Porto de Manaus. 
Porto de Manaus 
• Cotas máximas e mínimas mensais. 
Instituto Nacional de Meteorologia – INMET 
• Dados pluviométricos e pluviográficos. 
Com relação aos dados pluviográficos horários da estação automática de 
monitoramento de Manaus, de A101, embora estes não sejam disponibilizados de forma 
gratuita, julgando ser importantes informações para a atualização da equação Intensidade-
Duração-Frequência a ser adotada para a elaboração dos estudos de concepçãodeste Plano, 
foram adquiridos através de solicitação encaminhada ao 1º Distrito de Meteorologia 
(1ºDISME/AM/AC/RR) – Seção de Observação Meteorológica Aplicada (SEOMA). 
Para isso, foram selecionados dos registros diários da estação pluviométrica de 
Manaus aqueles eventos com pluviosidade igual ou superior a 30 mm, entre os anos de 2004 
e 2010. No entanto, em vista das falhas de operação da estação automática, foram 
conseguidos registros de oito eventos intensos em 2004, quatro em 2005, oito em 2006, oito 
em 2007, sete em 2008 e seis em 2010. O relatório contendo os dados horários adquiridos é 
apresentado no Anexo 15. 
 
2.2.2 Disponibilidade de dados fluviométricos na área urbana 
Os dados fluviométricos existentes dentro da cidade são muito escassos se 
restringindo a séries históricas limitadas, como no caso do Igarapé do Quarenta. Neste caso, 
as informações disponíveis incluem a variação do nível da água e medições de vazão líquida, 
e foram realizadas em uma seção do Igarapé do Quarenta, localizada na área do Conjunto 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 41 
 
 
Manaus 2000 - Estação Igarapé do Quarenta, Código 14990099/ANA, localizada nas 
coordenadas 03°06’54”S e 59°58’13” W. 
No entanto, a série histórica disponível, por ser uma amostra muito pequena de 
dados, não possibilita qualquer tipo de conclusão científica sobre o regime de vazões locais, 
embora novas séries estejam sendo ainda prospectadas. 
 
2.2.3 Regime fluvial e análise de frequência dos níveis d’água do rio Negro em Manaus 
As cheias fluviais, com ressalvas para o fato de que possam apresentar maior ou 
menor amplitude, são fenômenos perfeitamente normais dentro da dinâmica dos rios em 
geral. No caso específico das cheias que ocorrem na orla de Manaus, ao longo do rio Negro e 
seu entorno, são devidas, em sua maior parte, às contribuições do rio Solimões e dos seus 
afluentes da margem direita e, em menor grau, aos tributários da margem esquerda. 
Essas cheias apresentam um longo tempo de percurso, devido ao gigantesco 
tamanho da bacia hidrográfica e a pequena declividade observada nos leitos dos seus 
principais corpos d’águas. Isto facilita a sua previsibilidade com vários dias de antecedência. 
A própria frequência de cheias de magnitudes consideradas potencialmente danosas, 
que se situa em torno de onze anos, pode ser creditada também, a vastidão da bacia 
hidrográfica e a sua pequena declividade (Tabela 2.3 e Figura 2.10). O tempo médio de 
subida das águas é de cerca de sete/oito meses. 
 
Tabela 2.3. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus. 
N° de 
ordem 
Ano 
Evolução do processo Pico da 
Cheia 
Tempo de 
retorno (ano) Início Fim N° de dias 
1 2009 30/10/2008 1/7/2009 244 29,77 108,0 
2 1953 31/10/1952 9/6/1953 221 29,67 54,0 
3 1976 30/11/1975 14/6/1976 197 29,61 36,0 
4 1989 15/10/1988 3/7/1989 261 29,42 27,0 
5 1922 2/11/1921 17/6/1922 227 29,35 21,6 
6 1999 23/6/1999 23/6/1999 236 29,30 18,0 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 42 
 
 
N° de 
ordem 
Ano 
Evolução do processo Pico da 
Cheia 
Tempo de 
retorno (ano) Início Fim N° de dias 
7 1909 30/10/1908 14/6/1909 226 29,17 15,4 
8 1971 14/11/1970 24/6/1971 222 29,12 13,5 
9 1975 11/12/1974 23/6/1975 194 29,11 12,0 
10 1994 29/10/1993 26/6/1994 240 29,05 10,8 
56 2010 5/12/2009 11/6/2010 188 27,96 1,9 
Fonte: CPRM, 2010 
 
A média histórica dos níveis d’água máximos do rio Negro em Manaus (médias das 
máximas) é 27,81 m, com desvio padrão de 1,13 m. As características históricas da estação 
fluviométrica Porto de Manaus, onde são feitas as observações desde 15/09/1902, estão 
mostradas na Tabela 2.4. 
 
 
Figura 2.10. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus (FONTE: CPRM, 
2010). 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 43 
 
 
Tabela 2.4. Estação fluviométrica do Porto de Manaus - características históricas. 
Parâmetros característicos Cheia (m) 
Máxima absoluta (julho de 2009) 29,77 
Mínima absoluta (outubro de 1963) 13,64 
Média das mínimas 17,58 
Média das médias 23,37 
Média das médias 27,81 
 
É interessante notar que as cotas apresentadas nos acompanhamentos de cheias, 
bem como na série histórica da Estação do Porto de Manaus, não são absolutas (referidas ao 
zero de Imbituba). Um trabalho de transporte de cotas, a partir de um datum do IBGE, 
situado atrás da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (a igreja matriz de Manaus), efetuado 
por técnicos da CPRM e USGS mostrou uma diferença a maior de 4,335 m. Nestes termos, a 
cota absoluta do pico da cheia ocorrida em 1953, a maior do século XX, foi de 25,36 m (29,69 
m - 4,335 m) e, consequentemente, da máxima registrada em 2009, foi de 25,435m. 
Quando se compara o regime de cheia do rio Negro com a chuva na bacia se observa 
que os níveis máximos do rio Negro ocorrem no trimestre Maio a Julho (Figura 2.11), 
enquanto as precipitações críticas acontecem no trimestre Fevereiro-Abril (Figura 2.12). 
Assim, quando o rio Negro está em seu nível máximo em Julho, coincidentemente, as 
precipitações são mínimas, enquanto que no mês de Abril as precipitações são máximas. Em 
Abril os níveis do Negro estão em fase crescente de aumento, quando provocam maiores 
remansos durante as cheias decorrentes das fortes chuvas de Abril nos igarapés. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 44 
 
 
 
Figura 2.11.Períodos de cheia (em percentagem) no rio Negro em Manaus. 
 
 
Figura 2.12 Histórico das chuvas em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 45 
 
 
A partir da análise dos dados anteriores, pode-se verificar que as inundações em 
Manaus têm duas origens principais: 
• Na região dos igarapés, (particularmente próximo da foz), são decorrentes das 
cheias do rio Negro/Solimões, nas proximidades de Manaus; 
• As inundações ocasionais, a montante do ponto mencionado no item anterior, 
decorrem de chuvas torrenciais que caem na bacia hidrográfica. É claro que essas 
precipitações afetam todas as áreas baixas da bacia. 
Visando o estabelecimento de ações preventivas contra os alagamentos, 
possibilitando a retirada das pessoas residentes em áreas críticas, o Serviço Geológico do 
Brasil (CPRM) desde 1989 vem desenvolvendo o Programa Alerta de Cheias. Consiste na 
previsão do nível máximo da cota do rio Negro, a partir de estudos estatísticos comparativos 
do comportamento do mesmo, ao longo do histórico de 102 anos de observações. No 
desenvolvimento deste trabalho são emitidos relatórios à Defesa Civil, Prefeitura e Governo 
do Estado, sobre o comportamento da subida do nível da cota do rio Negro com 
antecedência de meses (Figura 2.13). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 46 
 
 
 
Figura 2.13 Curva de monitoramento das cheias (FONTE: CPRM, 2010). 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 47 
 
 
3 DESCRIÇÃO DA INFRAESTRUTURA URBANA INSTALADA 
EM MANAUS 
3.1 Infraestrutura relacionada a águas pluviais 
Todo o sítio urbano é entrecortado por uma rede de drenagem fortemente 
controlada por estruturas neotectônicas. Em particular, a área urbana de Manaus tem seus 
limites Sul, Oeste e Leste definidos pela hidrografia regional do rio Negro, doigarapé 
Tarumã-Açú e do rio Puraquequara respectivamente, conforme se visualiza na Figura 3.1, 
abrangendo cinco bacias hidrográficas integrantes da bacia do rio Negro, a saber: 
Educandos, São Raimundo, Tarumã, Puraquequara e Rio Negro, totalizando 
aproximadamente 412,2 km² de superfície e 70 km de igarapés. 
As áreas de contribuição de cada bacia hidrográfica dentro do limite urbano são 
aproximadamente as seguintes: 
- Educandos 44,6 km² 
- São Raimundo 114,8 km² 
- Tarumã 169,3 km² 
- Puraquequara 39,6 km² 
- Rio Negro 43,9 km² 
Duas delas encontram-se integralmente na área urbana: a bacia hidrográfica do 
igarapé de São Raimundo e bacia hidrográfica do igarapé do Educandos e as demais três 
bacias hidrográficas têm parte de sua área fora do perímetro urbano. 
O igarapé do Tarumã-Açu, que em seu trecho inferior corresponde ao limite ocidental 
da área urbana, apresenta diversos afluentes de sua margem esquerda nascendo na Reserva 
Ducke e percorrendo as Zonas Norte e Oeste de Manaus. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 48 
 
 
O rio Puraquequara, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, também tem 
parte de sua bacia hidrográfica localizada dentro de área ocupada e de áreas consideradas 
como de uso agrícola. Este curso d’água, que em seu trecho inferior corresponde ao limite 
oriental da Área Urbana, ainda mantém muitas de suas características naturais, mas já 
começa a sentir os efeitos da expansão da cidade sobre suas fronteiras orientais. 
Inquestionavelmente as bacias hidrográficas do igarapé do Educandos e do igarapé 
do São Raimundo são as mais relevantes para o presente estudo visto abrigarem mais de 
80% da população urbana e são detalhadas a seguir. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 49 
 
 
 
Figura 3.1. Principais bacias hidrográficas de Manaus. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 50 
 
 
3.1.1 Bacia Hidrográfica do Igarapé do Educandos 
A bacia hidrográfica do Igarapé do Educandos, localizada na porção sudeste da 
cidade, engloba parte do centro da cidade e os bairros Praça 14 de Janeiro, Cachoeirinha, 
São Francisco, Petrópolis, Raiz, Adrianópolis, Japiim, Coroados, Educandos, Colônia Oliveira 
Machado, Santa Luzia, Morro da Liberdade, São Lázaro, Betânia, Crespo, Armando Mendes, 
Zumbi dos Palmares e cerca de 80% do Distrito Industrial de Manaus, abrangendo uma área 
aproximada de 44,6km², tendo como principal formador o igarapé do Quarenta (Figura 3.2). 
 
 
Figura 3.2. Bacia hidrográfica do Educandos. 
 
Pela margem direita os principais igarapés afluentes são: Manaus, Bittencourt, 
Mestre Chico, Cachoeirinha, Nações, Raiz, Freira, Japiim e 31 de Março. 
Pela margem esquerda os principais igarapés afluentes são: Cajual, Liberdade, 
Betânia, Vovó, Buriti, Semp e Javari. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 51 
 
 
Destes, apenas os igarapés Japiim, 31 de Março, Buriti, Semp e Javari não são 
objetos, por ora, de intervenção do programa Prosamim, do Governo Estadual, cujos 
objetivos específicos interagem com as necessidades de drenagem de Manaus e são: (i) 
reduzir os riscos de inundações por meio da recuperação e preservação das condições 
naturais dos cursos de água localizados na área urbana da cidade; (ii) viabilizar a 
recuperação da qualidade dos cursos de água por meio da eliminação das descargas de 
águas residuárias sem tratamento e da melhoria pela elevação do nível de cobertura de 
coleta de resíduos sólidos, ampliando as facilidades de acesso; (iii) assegurar a 
sustentabilidade das melhorias ambientais, com a consolidação do sistema de gestão e (iv) 
promover a participação efetiva da comunidade no estabelecimento de condições 
necessárias para a sustentabilidade das ações incluídas no Programa, cujos projetos básicos 
e executivos da parte do programa financiado pelo BID – Banco Interamericano de 
Desenvolvimento estão sendo elaborados pela Concremat. 
A seguir se apresenta uma sucinta descrição da situação dos mesmos: 
 - Igarapé do Quarenta – possui área de drenagem de 38km² e extensão de 12km, 
sendo formado pela contribuição de dois tributários principais: O primeiro deles tem 
algumas nascentes que minam suas águas em fontes encravadas no bairro de Zumbi dos 
Palmares. Esta área se encontra totalmente ocupada por população de baixa renda, 
instalada sem nenhum planejamento de serviços urbanos. No local algumas nascentes 
persistem nos pequenos quintais das humildes habitações. O outro formador do Quarenta 
nasce em área de Proteção Ambiental sob a responsabilidade da Escola Agrotécnica Federal 
do Amazonas. A confluência dos dois formadores ocorre um pouco a montante do 
cruzamento do Igarapé do Quarenta com a Grande Circular (Avenida Autaz Mirim). O trecho 
inicial que atravessa a APA da Escola Agrotécnica é o único trecho onde o córrego formador 
do igarapé do Quarenta se mantém praticamente na sua condição natural em uma extensão 
de aproximadamente 1 km. Do trecho entre a rua Maués e a avenida Rodrigo Otávio estão 
sendo realizadas obras de ampliação de sua capacidade (Figura 3.3) no âmbito do Programa 
Prosamim, através de retificação e alargamento em seção trapezoidal, com fundo em 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 52 
 
 
concreto e paredes laterais em concreto e grama. A base neste trecho varia de 13,5m a 
25,0m e a crista de 25,0m a 45,0m. 
 
 
Figura 3.3. Igarapé do Quarenta em obras de ampliação da capacidade. 
 
- Igarapé Manaus – O igarapé Manaus tem suas nascentes entre a rua Barcelos e a 
avenida Ayrão (Figura 3.4). A partir da rua Barcelos segue no sentido preferencial sul em 
direção ao igarapé do Educandos, onde desemboca, recebendo em seu curso o igarapé 
Bittencourt, a aproximadamente 200m da foz. A extensão total do igarapé Manaus é de 
2.300m com área de drenagem de 1,25km2. Desde a foz no igarapé até a avenida Manaus 
Moderna, em um trecho de 80m é canalizado através de uma galeria de concreto de 4,30m 
de largura por 3,0m de altura. A partir daí, em uma extensão de 730m até a rua Ipixuna, 
limite onde é marcante a influência das cheias do rio Negro, atravessa o Parque Jefferson 
Perez e o Parque Manaus em seção trapezoidal, com fundo em concreto e paredes laterais 
em colchão reno/gabião/grama (Figura 3.5-a). Segue para montante até a avenida Tarumã 
em galeria de concreto de 2,5mx2,5m, ladeado pelas Unidades Habitacionais 01, 02 e 03 
construídas pelo Prosamim. Da avenida Tarumã até a nascente ainda se encontra em seu 
estado natural (Figura 3.5-b), com a presença do igarapé muito próximo às habitações, 
servindo de depósito de lixo e escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização 
neste trecho deve ser executado até o ano 2012 através de construção de galeria de 
concreto de 2,0m x 1,50m. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 53 
 
 
 
 
Figura 3.4. Nascente do Igarapé Manaus e o uso que se faz nela. 
 
 
Figura 3.5. Igarapé Manaus: a) trecho final e b) em estado natural. 
 
- Igarapé Bittencourt – O igarapé Bittencourt tem suas nascentes entre a rua Ipixuna 
e a rua Ramos Ferreira, seguindo no sentido preferencial sul em direção ao igarapé do 
Manaus, onde desemboca. A extensão total do igarapé Bittencourt é de 870m com área de 
drenagem de 0,25km2. Desde a foz no igarapé Manaus até a rua Ajuricaba, em uma extensãode 420m, atravessa o Parque Jefferson Perez e o Parque Bittencourt em seção trapezoidal, 
com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama. Segue para 
montante até a rua Ipixuna, em uma extensão de 200m em galeria de concreto de 
1,50mx1,50m, ladeado pelas obras da futura sede da UGPI – unidade de gerenciamento do 
Prosamim. Da Avenida Ipixuna até a nascente ainda se encontra em seu estado natural, com 
a) b) 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 54 
 
 
a presença do igarapé muito próximo às habitações, servindo de depósito de lixo e 
escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização neste trecho deve ser executado 
até o ano 2012 através da construção de galeria circular de concreto armado de 1,2m de 
diâmetro. 
- Igarapé Mestre Chico – O igarapé Mestre Chico tem suas nascentes próximas à rua 
Marciano Armond seguindo no sentido preferencial sul em direção ao igarapé do Educandos, 
onde desemboca. A extensão total do igarapé Mestre Chico é de 2.430m com área de 
drenagem de 2,27km2. Desde a foz no igarapé até a avenida Manaus Moderna, em um 
trecho de 110m é canalizado através de uma galeria dupla de concreto de 3,0m de largura 
por 3,0m de altura. A partir daí, em uma extensão de 410m até a rua Ipixuna, limite onde é 
marcante a influência das cheias do rio Negro, atravessa o Parque Mestre Chico em seção 
trapezoidal, com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama. 
Segue para montante até a rua Ramos Ferreira em galeria dupla de concreto de 2,5mx2,0m 
e extensão de 380m, ladeado pela Unidade Habitacional 04 em construção pelo Prosamim. 
Da Rua Ramos Ferreira até a nascente ainda se encontra em seu estado natural, com a 
presença do igarapé muito próximo às habitações, servindo de depósito de lixo e 
escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização neste trecho deve ser executado 
até o ano 2012 através de 460m de galeria dupla de concreto de 2,5mx2,0m, seguida de 
560m de galeria dupla de concreto de 2,0mx2,0m e mais 290m de galeria simples de 
concreto de 2,0mx2,0m e 220m de 2,0mx1,5m. 
- Igarapé Cachoeirinha – O igarapé Cachoeirinha tem sua nascente no bairro 
Petrópolis, nas imediações do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, seguindo 
inicialmente 2.500 metros no sentido nordeste e depois mais 2.200 metros para o sul, em 
direção ao igarapé do Quarenta, onde desemboca, abrangendo uma área de drenagem de 
5,62km2. Atravessa área totalmente urbanizada, por vezes por debaixo de edificações. Desde 
a foz no igarapé até a avenida Codajás, em um trecho de 3.400m o igarapé foi retificado em 
seção trapezoidal (Figura 3.6), com fundo em concreto e paredes laterais em colchão 
reno/gabião/grama. Segue para montante para montante, da avenida Codajás até a rua Cel. 
Ferreira de Araújo com seção trapezoidal de concreto/grama. A partir deste ponto até av. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 55 
 
 
Paulo VI apresenta seção retangular em gabião com fundo em colchão reno. Daí em diante 
segue em tubulação de concreto até sua nascente. 
 
 
Figura 3.6. Igarapé do Cachoeirinha: trecho final em fase de conclusão das obras. 
 
- Igarapé da Freira – O igarapé da Freira se inicia nas proximidades do beco 1º de 
Maio, no bairro do Japiim, seguindo no sentido preferencial sul em direção ao seu 
desemboque no igarapé do Quarenta. A extensão total é de 1.550m com área de drenagem 
de 1,27km2. Desde a nascente até a travessa S-04 tem seu traçado assentado sob 
edificações. A partir daí até a avenida Tefé está canalizado com gabiões e se encontra em 
bom estado de conservação (Figura 3.7-a), necessitando apenas de limpeza. Da avenida Tefé 
até a sua foz, está sendo canalizado com galeria de concreto, de 2,5x1,5m, em uma extensão 
de 240m através do Programa Prosamim (Figura 3.7-b). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 56 
 
 
 
Figura 3.7. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em 
obras. 
 
- Igarapé das Nações – O igarapé das Nações é um pequeno fundo de vale, com área 
de drenagem de 0,4km2 e 500 metros de extensão, na sua totalidade passando por debaixo 
de edificações e desembocando no igarapé do Quarenta, imediatamente a montante da 
ponte da avenida Costa e Silva. O seu trecho final, com extensão de 100 metros será 
canalizado dentro do programa Prosamim. 
 - Igarapé da Raiz - A bacia hidrográfica do igarapé da Raiz se inicia nas proximidades 
da rua Benjamim Constant, no bairro Petrópolis e possui uma área de drenagem de 1,05km2. 
Desde o seu início até a rua João de Mendonça tem seu traçado assentado sob edificações. A 
partir daí até a descarga no igarapé do Quarenta está canalizado com gabiões e se encontra 
em razoável estado de conservação, necessitando basicamente de limpeza (Figura 3.8-a), 
exceto em seu tramo final, em uma extensão de aproximadamente 100m, que deverá ser 
retificado através do Programa Prosamim (Figura 3.8-b). 
 
a) b) 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 57 
 
 
 
Figura 3.8. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em 
obras. 
 
- Igarapé do Cajual – A bacia hidrográfica do igarapé do Cajual se inicia nas 
imediações da Vila Militar no Bairro Morro da Liberdade e possui área de drenagem de 
0,32km2. O igarapé se encontra canalizado com tubulação de 1200mm de diâmetro até a 
avenida São Pedro, quando se espraia e passa por intensa área de palafitas até o 
desemboque no igarapé Educandos (Figura 3.9-a). A partir da avenida São Pedro, em uma 
extensão de 480 metros, será canalizado através de galeria com dimensões de 2,0mx2,0m 
(Figura 3.9-b), ladeado pelas Unidades Habitacionais do Cajual, a serem construídas pelo 
Prosamim cujas obras estão previstas para acontecer até 2012. 
 
 
Figura 3.9. Igarapé do Cajual: a) situação natural e b) trecho de jusante, em obras. 
a) b) 
a) b) 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 58 
 
 
- Igarapé da Liberdade – A bacia hidrográfica do igarapé da Liberdade tem área de 
drenagem de 5,6km2. O trecho canalizado do igarapé se estende desde a rua São Vicente até 
a Avenida Adalberto Vale em canal de gabião e rip-rap. A partir daí até o igarapé do 
Quarenta, onde desemboca, encontra-se parcialmente em rip-rap ladeado de edificações 
(Figura 3.10-a) e parcialmente espraiado (Figura 3.10-b) sob uma miríade de palafitas. Neste 
trecho será canalizado através de galeria de concreto armado, com dimensões de 
3,0mx3,0m e extensão de 400metros, cujas obras estão previstas para acontecer até 2013. 
 
 
Figura 3.10. Igarapé da Liberdade: a) rip-rap e b) leito natural e palafitas. 
 
- Igarapé da Betânia – A bacia hidrográfica do igarapé da Betânia, que engloba o 
trecho do igarapé Magalhães Barata, possui área de drenagem total de 1,67km2. A cerca de 
aproximadamente 10 anos atrás o igarapé foi canalizado através da construção de gabiões e 
rip rap, desde a rua 31 de Março até a sua foz. O problema de alagações nesta área após 
estas obras foi inicialmente minorado, mas nunca deixou de existir. Recentemente, na 
gestão anterior, a prefeitura assentou colchões de terra em ambos os lados do igarapé, em 
pequeno trecho a montante da rua 31 de Março, para evitar a derrubada das palafitas pela 
força das águas. Do lado direito, no sentido do fluxo, estes colchões de areia desmoronaram 
e atualmente causam um obstáculoa mais no fluxo da água (Figura 3.11). No trecho desde a 
avenida Adalberto Vale até o desemboque no igarapé do Quarenta, o igarapé Betânia será 
a) b) 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 59 
 
 
canalizado através de canal retangular de concreto armado com base de 3,5 metros e altura 
variável, em uma extensão de 100 metros. 
 
 
Figura 3.11. Igarapé Magalhães Barata: desmoronamento da sacaria. 
 
- Igarapés do Centro da Cidade – Os igarapés do Centro da Cidade foram canalizados 
pelos ingleses no final do século XIX e início do século XX e não há cadastro dos mesmos. De 
maneira geral foram construídos na forma de abóbodas em alvenaria e/ou pedras (Figura 
3.12). Nesta área central existem poucos dispositivos de interceptação de fluxo (bocas de 
lobo e bocas de leão), razão de alagações em período chuvoso. 
 
 
Figura 3.12. Galerias no centro de Manaus construída pelos ingleses. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 60 
 
 
3.1.2 Bacia Hidrográfica do Igarapé do São Raimundo 
A bacia hidrográfica do igarapé do São Raimundo engloba os bairros de: Adrianópolis 
(Centro Sul), Aleixo (Centro Sul), Alvorada (Centro Oeste), N. Sra. Aparecida (Sul), Centro, 
Chapada (Centro Sul), Cidade Nova (Norte), Colônia Santo Antonio (Norte), Compensa 
(Norte), Coroado (Leste), da Paz (Centro Oeste), Dom Pedro I (Centro Oeste), Gloria (Norte), 
Flores (Centro Sul), Jorge Teixeira (Leste), N. Sra. das Graças (Centro Sul), Nova Esperança 
(Norte), Novo Israel (Norte), Parque 10 de Novembro (Centro Sul), Presidente Vargas (Sul), 
Redenção (Centro Oeste), Santo Agostinho (Norte), São Geraldo (Centro Sul), São Jorge 
(Norte), São José (Leste), São Raimundo (Norte), Tancredo Neves (Leste) e Vila da Prata 
(Norte). 
Está totalmente inserida na área urbana de Manaus, percorrendo vários bairros 
(Figura 3.13). A área da bacia abrange uma área aproximada de 114,8 km² e é entrecortada 
por uma vasta rede de drenagem, sendo que os maiores tributários são os igarapés Mindú, 
Franceses, Cachoeira Grande, Hiléia, Bindá, Goiabinha, Aleixo e Franco que se descrevem 
sucintamente a seguir: 
- Igarapé do Mindú – principal tributário do S. Raimundo tem uma de suas nascentes 
localizada no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste, próximo ao Jardim Botânico da Reserva 
Ducke. Com cerca 17Km de extensão, é o principal tributário da bacia do São Raimundo, 
cruzando a cidade no sentido nordeste/sudoeste, recebendo significativa carga poluidora 
por contribuição dos esgotos domésticos, lixos entre outros ao longo do caminho e 
delimitando inúmeros bairros, como Jorge Teixeira, Tancredo Neves, Cidade Nova, Aleixo, 
Parque 10 de Novembro, N. S. das Graças e S. Geraldo (Figura 3.14). Face à sua grande 
extensão e área de abrangência, o Igarapé do Mindú apresenta, em seus diversos trechos, 
todos os problemas que os demais igarapés da cidade, ou seja: assoreamento, erosão, 
grande quantidade de resíduos sólidos, descargas de esgotos, trechos de alagação, 
construções nas margens e falta de manutenção. 
- Igarapé dos Franceses – localizado na Zona Centro-oeste, é um dos principais 
contribuintes da bacia. Drena os bairros de Alvorada I, Alvorada II, D. Pedro I e D. Pedro II; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 61 
 
 
após um percurso de aproximadamente 9,7 km, desemboca na margem esquerda do igarapé 
Cachoeira Grande, recebendo no seu trajeto o igarapé do Bindá. 
 
 
Figura 3.13. Bacia hidrográfica do Igarapé São Raimundo. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 62 
 
 
 
Figura 3.14. Igarapé do Mindú, trecho entre a rua Coronel Teixeira e Bairro Novo Aleixo. 
 
- Igarapé do Bindá – nasce na Zona Norte e percorre os bairros de Cidade Nova, 
Parque Dez e União e deságua na margem esquerda do igarapé dos Franceses após um 
percurso de aproximadamente 8,2 km, onde se identificou uma predominância de ocupação 
residencial, contrastando entre residências de luxo e assentamentos urbanos precários que 
ocupam de forma desordenada as margens do igarapé (Figura 3.15). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 63 
 
 
 
Figura 3.15. Bacia do Igarapé Bindá (parcial). 
 
- Igarapé Sapolândia – Nasce no bairro de Alvorada e percorre pelo bairro Dom Pedro 
na zona Centro-Oeste. Foi objeto de obras do Prosamim, em um trecho de 2.060m, onde 
foram construídos 1.000 metros de canal aberto revestido nas margens, em concreto e 
grama, além de 1.060 metros de canal do tipo “bolsacreto” (Figura 3.16). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 64 
 
 
 
Figura 3.16. Igarapé Sapolândia: vista geral. 
 
- Igarapé do Franco – Percorre pelos bairros Ponta Negra, Santo Agostinho, 
Compensa, Vila da Prata e Santo Antonio na Zona Oeste de Manaus, com descarga final no 
igarapé São Raimundo, após trajeto de 5,5 Km. Encontra-se totalmente canalizado no seu 
trecho final de 1.200m, em seção trapezoidal de concreto e grama, desde a avenida Kako 
Caminha até a avenida Brasil 
 - Igarapé Cachoeira Grande – é formado pela união do igarapé do Mindu e Igarapé 
dos Franceses, é divisor entre as Zonas Oeste e Centro Sul e deságua no igarapé São 
Raimundo e possui extensão total de 5,2km. 
 - Igarapé São Raimundo – É formado pela confluência dos igarapés Cachoeira Grande 
e Franco e após 1,9 km desemboca no rio Negro. Neste trecho, o rio alarga-se de tal forma 
que nos períodos de cheia do rio Negro forma um grande estuário (Figura 3.17-a) com os 
consequentes problemas de alagação (Figura 3.17-b). Sua margem direita percorre os 
bairros Santo Antônio, Glória e São Raimundo e sua margem esquerda percorre os bairros de 
Presidente Vargas, Aparecida e Centro. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 65 
 
 
 
Figura 3.17. Igarapé São Raimundo: a) estuário e b) alagação. 
 
3.2 Diagnóstico da situação atual das redes de drenagem 
Conforme mencionado anteriormente, o longo período de estagnação econômica de 
Manaus, seguido de um crescimento explosivo e desordenado, aliado à incapacidade dos 
órgãos públicos de prover a requerida infraestrutura e fiscalização de ocupação do solo, 
levou a população a ocupar tanto as margens e os próprios igarapés com edificações 
inapropriadas como também, através de invasões, ampliar os limites urbanizados da cidade. 
O aumento da área impermeabilizada com o consequente aumento da vazão 
superficial, conforme já explicitado conjugado com o mau hábito da população em lançar os 
resíduos sólidos nas ruas e corpos d’água traz toda sorte de problemas para a cidade. 
De maneira geral, a cidade sofre de problemas de alagações devido a: 
- Insuficiente capacidade das galerias, bueiros e igarapés, devido ao aumento da área 
de drenagem impermeabilizada e consequente aumento da vazão para drenagem; 
- Restrição de capacidade e entupimentos dos dispositivos de drenagem e dos cursos 
d’água devido aos resíduos sólidos lançados nas ruas e nos corpos d’água pela população. 
Em média a Semulsp – Secretaria Municipal de Limpeza Pública retira dos igarapés da ordem 
de 30 toneladas de lixo por dia, chegando-se a registrar 400 toneladas em operação especial 
(mutirão); 
a) b) 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 66 
 
 
- Ausência de dispositivosde captação de águas pluviais superficiais (bocas de lobo e 
bocas de leão); 
- Construção de edificações em áreas inundáveis. Neste aspecto cabe acrescentar 
que o Decreto Municipal nº 93 de 28 de agosto de 1969 proíbe a construção às margens dos 
igarapés e de outros cursos d’água abaixo da cota 30, em referência ao datum do porto de 
Manaus, contudo esta diretriz durante décadas nunca foi respeitada; 
- Construção de edificações sobre igarapés canalizados; 
- Assoreamento e erosão; 
- Lançamento de águas residuárias; 
- Falta de manutenção. 
Quando se fala em saneamento básico chama atenção à complexidade que envolve 
as enchentes na Região Norte merecendo destaque o município de Manaus que no ano de 
2009 passou pela maior enchente então registrada desde 1953. De acordo com dados do 
Programa Nacional de Saneamento Básico (2000) o município possuía de 80% a 100% de 
ruas pavimentas, sendo que destas, no máximo 25% não possuíam sistema de drenagem 
urbana (IBGE PNSB, 2000). Os dados revelam uma ampla cobertura asfáltica conjugada com 
ampla rede de drenagem urbana para o ano de 2000, entretanto, hoje, em razão da 
explosão demográfica dos últimos anos e da proliferação de área de ocupação irregulares, 
estima-se que esta de drenagem seja inferior, fato este que associado às alterações 
climáticas globais, a topografia da região e a disposição inadequada dos resíduos sólidos vem 
contribuir para os índices de alagamentos em vários pontos da cidade, causando reflexos 
diretos na depreciação da qualidade sanitária e comprometendo a saúde pública do 
município. 
Este item será analisado em detalhe quando da descrição de cada sub-bacia de 
drenagem em relatórios posteriores. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 67 
 
 
3.3 Saneamento básico no município de Manaus 
Conforme a Lei 11.445/07, a drenagem pluvial urbana é apenas um dos quatro 
serviços integrantes do Saneamento Básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, 
coleta e disposição de resíduos sólidos e drenagem pluvial. Desta forma, será analisado a 
seguir o panorama histórico e atual dos outros elementos do saneamento básico na cidade, 
seguindo a Gil & Silva (2009). 
3.3.1 Abastecimento de Água 
Em breve síntese histórica pode-se perceber que a cidade de Manaus começa a 
mudar sua estrutura física a partir de meados de 1872 com a exploração da borracha, visto 
que nas décadas de 1870 e 1890 foram feitos grandes investimentos públicos dentre os 
quais a implementação do sistema de abastecimento de água, a partir da usina hidrelétrica 
de Cachoeira Grande (1888), instalada no igarapé da Cachoeira Grande, cujas águas 
armazenadas no lago formado pela barragem eram bombeadas e se destinavam a caixa 
elevada de reservação, situada na praça dos Remédios. 
O reservatório de Castelhana foi posteriormente incorporado ao sistema de 
distribuição de águas, sendo a única estrutura do sistema de distribuição de águas desta 
época a fazer parte do cenário atual de Manaus, provavelmente em razão de ter sido 
tombado pelo patrimônio estadual, através do Decreto 11.187 de 16 de junho de 1988. 
Em meados de 1913 a concessionária responsável pelos serviços de saneamento 
básico, Manáos Improvements Limited Company, após adotar a decisão de interromper o 
fornecimento de água para a população inadimplente, envolve-se em um conflito que 
acabou por determinar o fechamento da empresa e o encampamento do patrimômio pelo 
Governo Estadual. Merece destaque o fato de, à época, Manaus contar com uma estação de 
tratamento de esgoto, localizada na rua Isabel, nº 52, atualmente Centro de Artes Chaminé 
(GARCIA, 2005). 
Mais recentemente, Manaus despontou-se novamente como pólo de atração de 
migrantes através da Zona Franca de Manaus, que nos últimos trinta anos foi responsável 
por grande fluxo migratório oriundo do interior do Estado, da Região Nordeste e de outras 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 68 
 
 
regiões do país; ocasionando crescimento populacional de mais de 500%, que saltou de 300 
mil habitantes na década de 1970 para cerca de 1 milhão e 400 mil, na virada do século XXI 
(PROJETO GEO CIDADES, 2002). Juntamente com esta explosão desenfreada do crescimento, 
aumentaram na mesma proporção os problemas de cunho sócio-ambiental, que podem ser 
verificados através do comprometimento dos serviços de saneamento básico no município. 
Cabe lembrar que, nestes últimos 30 anos, a cidade de Manaus, de acordo com o 
Projeto Geo Cidades (2002) “acumulou um passivo sócio-ambiental de iguais proporções, 
que provocou a redução da qualidade de vida da maior parte da população, com reflexos 
diretos nas condições de saúde, higiene e moradia”. 
Em que pese a atuação das recentes Administrações Municipais em programas de 
lotes urbanizados, de paisagismo dos logradouros públicos, de saneamento dos igarapés e 
de educação ambiental, a cidade vem sofrendo com o agravamento dos problemas 
ambientais, sobretudo no que diz respeito ao crescimento populacional, à ocupação 
desordenada do solo, à destruição das coberturas vegetais, à poluição dos corpos d’água e à 
deficiência de saneamento básico. 
Na atualidade, o serviço público de coleta e distribuição de água encontra-se 
estruturado em três sistemas: 
1) sistema principal, com produção e tratamento de água a partir de duas estações 
de tratamento de água situadas na Ponta do Ismael (Compensa), e por uma estação de 
tratamento localizada no Bairro do Mauazinho (Distrito Industrial), todas as captações são 
efetuadas diretamente do rio Negro; 
2) sistemas isolados, com produção e tratamento de águas provenientes de lençóis 
subterrâneos, provendo redes de abastecimento independentes, em bairros da periferia, 
conjuntos habitacionais, loteamentos e prédios de apartamentos, nos quais o Sistema 
Principal não tem capacidade de atendimento; e, 
3) sistemas mistos, em áreas atendidas pelo Sistema Principal, cuja vazão é 
complementada através de poços artesianos (PROJETO GEO CIDADES, 2002). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 69 
 
 
3.3.2 Esgotamento Sanitário 
Na outra ponta do sistema, encontra-se o não menos problemático sistema de 
esgotamento sanitário de Manaus, que como visto acima data de meados de 1.913. Dados 
da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000) indicam que cerca de 10.646 economias 
residenciais tinham seus esgotos coletados, compreendendo um volume total diário 
coletado de 12.400m³, entretanto o mesmo estudo informa que à época Manaus não 
contava com nenhum sistema de tratamento de esgotos (IBGE PNSB, 2000). 
O sistema de esgotos de Manaus é formado por rede coletora, coletores-tronco, 
estações elevatórias, Estação de Pré-Condicionamento (EPC), localizada no bairro do 
Educandos e um emissário subfluvial que tem início nessa estação. A rede de coleta 
existente está dispersa ou agrupada em diferentes pontos da cidade, não conformando um 
sistema contínuo. 
Nas áreas onde não existe rede coletora, são utilizadas fossas e sumidouros nas 
residências e fossa/filtros anaeróbios nos conjuntos habitacionais. Em toda a cidade, mesmo 
em áreas próximas ao centro, ocorrem lançamentos de efluentes domésticos nas ruas e nos 
vários igarapés que cruzam Manaus. 
Existem nove estações elevatórias em operação, não considerando as demais 
estações elevatórias existentes em conjuntos habitacionais e loteamentos, que não 
contribuem para a Estação de Pré- Condicionamento de Educandos. Dessas estações 
elevatórias, sete estão localizadas em Educandos e duas nocentro da cidade. Para cada 
estação elevatória corresponde uma bacia de drenagem. Após o tratamento na EPC do 
Educandos, os efluentes são lançados no rio Negro, através de emissário subfluvial, com 
percurso seguindo pelo fundo do Igarapé do Educandos até o local da disposição final. 
Embora o Distrito Industrial disponha de sistema de esgotamento próprio, 
constituído por rede coletora, três elevatórias, linha de recalque e coletor-tronco, muitas 
indústrias estão lançando seus esgotos nas redes de drenagem e nos cursos d’água, 
principalmente no Igarapé do Quarenta (PROJETO GEO CIDADES, 2002). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 70 
 
 
A disposição destes esgotos industriais carregados muitas vezes de metais pesados, 
em razão do Pólo Industrial de Manaus, só vem agravar as condições sanitárias do município. 
3.3.3 Resíduos Sólidos Urbanos 
A complexa rede de saneamento básico de Manaus enfrenta, ainda, problemas 
relacionados à gestão dos resíduos sólidos sendo que de acordo com o Projeto Geo Cidades 
(2002), Manaus tem a maior parte de seu lixo coletado direta ou indiretamente, mas um 
volume significativo é queimado ou lançado em terrenos baldios e corpos d’água, 
constituindo um dos principais problemas ambientais da cidade. 
A ausência de gestão integrada dos resíduos sólidos, no município de Manaus e de 
alguns municípios do entorno de Manaus, relaciona-se à negligência do Poder Público, aos 
custos elevados de uma gestão adequada e a falta de participação efetiva dos diversos 
atores da sociedade (NORTE, 2007). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 71 
 
 
4 PLANO DE LEVANTAMENTO CADASTRAL COMPLEMENTAR 
 
O Plano de Levantamento Cadastral Complementar (PLCC) tem como objetivo guiar a 
realização dos serviços de levantamento cadastral previstos no escopo deste PDDU. 
O PLCC aborda os seguintes aspectos: 
– Discretização da área de estudo em bacias hidrográficas de drenagem, as quais 
serão utilizadas ao longo do PDDU de Manaus como unidades de planejamento; 
– Identificação dos trechos e setores cujo cadastro deverá ser complementado; 
– Priorização das áreas mais relevantes no contexto do PDDU, cujas redes devem ser 
cadastradas, com base em critérios técnicos, econômicos e temporais da execução; 
Cabe mencionar que os trechos a ser levantados são os sugeridos, cabendo à 
Prefeitura de Manaus se pronunciar até o inicio dos trabalhos de topografia, quanto à 
escolha de locais diferentes. 
 
4.1 Discretização da área de estudo em bacias hidrográficas de drenagem 
As 26 bacias hidrográficas de Manaus (apresentadas no Anexo 13) foram divididas em 
113 unidades de estudo e planejamento (mostradas no mapa no Anexo 16), de acordo com 
os seguintes critérios: 
 áreas máximas preferentemente de 5 a 10 km2 (para sub-bacias densamente 
urbanizadas ou ainda rurais, respectivamente) dentro da área do estudo; 
 características dos condutos de drenagem; 
 condições topográficas e de tipo de solo; 
 características de ocupação do solo, 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 72 
 
 
 ocorrência de seções que poderão ser utilizadas para amortecimento ou controle de 
cheias; 
 existência de reservatórios naturais e/ou artificiais, lagos, etc. que possam ou não ser 
utilizados futuramente para amortecimento de cheias; 
 pontos críticos conhecidos, como locais que alagam ou estruturas como pontes que 
provoquem restrições ao escoamento; 
 existência de postos fluviométricos; 
 pontos significativos de lançamentos de esgotos na rede de drenagem e 
interferências com outras estruturas, equipamentos urbanos e edificações; 
 limites municipais. 
 
De maneira geral, será realizada uma abordagem diferenciada por sub-bacia, 
buscando considerar as particularidades de cada local. Assim, em função das restrições da 
quantidade de topografia possível de ser realizada e da grande extensão das bacias na área 
de estudo, poderá acontecer que em algumas bacias de cabeceiras, praticamente sem 
urbanização, as áreas excedam os valores de áreas máximas sugeridos no edital. Mesmo se 
aplica a aquelas sub-bacias fora da área de estudo, mas que por questões de continuidade (a 
água não obedece a fronteiras políticas), precisam ser representadas. 
A divisão em sub-bacias é realizada de forma a permitir a correta representação das 
características hidráulicas dos cursos d’água e redes de drenagem. Neste processo estão 
sendo considerados os divisores de água naturais, no caso das bacias hidrográficas onde os 
sistemas de drenagem ainda não estão instalados, e os divisores de água artificiais, 
introduzidos por meio da construção das redes de drenagem. Portanto, é 
fundamentalmente importante a finalização dos levantamentos topográficos e cadastrais, de 
forma a identificar a existência de transposições de bacias hidrográficas, entre outras. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 73 
 
 
Eventualmente na etapa de simulação, as sub-bacias de Manaus poderão ser divididas em 
unidades menores para uma melhor representação no modelo matemático. 
Para a delimitação de bacias e sub-bacias, foram utilizadas informações do Modelo 
Numérico do Terreno de Manaus, obtido a partir de imagens do programa Shuttle Radar 
Topographic Mission (SRTM) com resolução de 90 m, considerada adequada para esta 
análise. 
O processo de delimitação de sub-bacias foi iniciado pelas cabeceiras dos igarapés e 
córregos que originam cada bacia urbana. Ainda, essas sub-bacias representam as áreas que 
serão modeladas em forma concentrada, gerando os hidrogramas que representarão as 
condições de contorno de montante da modelagem hidráulica-hidrodinâmica onde 
corresponda. 
 
4.2 Cadastros existentes e priorização do levantamento 
Foram obtidos junto à SEMINF e ainda no banco de dados da própria Concremat uma 
série de cadastros relacionados com o Sistema de Drenagem Urbana de Manaus. 
No entanto, observou-se a falta de continuidade nas informações existentes. Uma 
vez que a modelagem procurará observar o comportamento do sistema de drenagem é 
necessária a avaliação conjunta de todo o sistema, e trechos isolados não se constituem 
informação suficiente para esta tarefa. 
Assim, as informações existentes foram consideradas como informações auxiliares, e 
contando com esta informação, junto com informação de topografia e os cadastros de 
alagamentos, foram identificados no mapa apresentado em anexo (Anexo 16) os trechos e 
setores cujo cadastro deverá ser complementado. 
Os trechos estão indicados em ordem de importância quanto à simulação, levando 
em conta a limitação de equipes de topografia conforme o contrato. Assim sendo, os 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 74 
 
 
levantamentos deverão iniciar pelos trechos de prioridade alta e média, sempre e quando 
seja viável por questões de acessibilidade e segurança. 
 
4.3 Diretrizes para a realização dos levantamentos 
O objetivo do levantamento é o de fornecer informação sobre os cursos d'água 
naturais e condutos de redes de macrodrenagem e microdrenagem (riachos, canais, galerias, 
valas, tubulações, poços de visita, bocas de lobo, etc.) segundo corresponda. Na 
continuação, se mencionam um conjunto de regras a serem seguidas no levantamento, que 
deverão adaptar-se a cada situação particular encontrada no campo. 
Quando for realizada a execução de um levantamento, deve ser prevista a 
recomposiçãode passeios e vias públicas que por ventura forem danificados quando os 
poços de visita (PVs) forem abertos, bem como a substituição de tampas eventualmente 
danadas durante a realização dos serviços conforme previsto no contrato. 
No caso de riachos, canais naturais, canais artificiais e valas, deverão ser obtidas 
seções transversais a cada 100 m, ou sempre que ocorrerem mudanças bruscas de seção ou 
outras interferências (pontes, bueiros, chegadas de afluentes ou redes de macrodrenagem, 
cruzamento com redes de água e esgoto, mudanças de declividades, etc.). 
Os dados obtidos serão entregues conforme indicado detalhadamente no item 
Produtos de levantamento. Resumidamente, deverá ser entregue uma representação em 
planta georreferenciada da localização das estruturas, sempre que possível indicando as 
suas características dentro da própria planta (cota, diâmetro, etc.). 
Quando se tratarem de seções naturais ou complexas, as informações deverão ser 
apresentadas conforme o modelo do Anexo 17. Conforme este modelo, no item seção, deve 
ser apresentado um gráfico representativo da seção transversal da estrutura, relacionando 
as dimensões com suas respectivas cotas. Uma fotografia também deve ser incluída, com 
representação da seção transversal analisada. Devem constar, também, informações a 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 75 
 
 
respeito da localização, pontos notáveis, tipo de estrutura, tipo de revestimento, descrição, 
eventuais patologias, condições, etc. 
Quando se tratar de tubulações, deverão ser especificados diâmetros, cotas de 
tampa e de fundo nos PVs. 
No decorrer dos levantamentos de campo, como já mencionado, deverão ser feitas 
observações quanto ao estado de conservação das estruturas, anotando-se a eventual 
ocorrência de patologias, bem como quanto à ocorrência de assoreamento. No caso de 
estruturas a céu aberto, deverá ser, dentro do possível, levantada a planície de inundação, 
de forma a estimar volumes armazenados nestes locais e que, com uma possível melhora 
das condições de escoamento no local, eventualmente possam gerar problemas a jusante. 
Também poderão ser identificadas todas as bocas coletoras (boca de lobo, ralo de 
sarjeta, ralo combinado, etc.), com especificação de tipo, dimensões, coordenadas e trecho 
de galeria a qual estão ligadas. 
Para os maiores igarapés deverão ser levantadas seções transversais 
aproximadamente a cada quilômetro, sempre e quando não existam singularidades 
intermediárias. 
Todos os levantamentos deverão ser executados com estações totais ou GPS 
Geodésico, dotadas de coletoras internas de dados. As poligonais serão amarradas à Rede 
Oficial do Município, tanto do ponto de vista altimétrico, quanto planimétrico, sendo 
adotados, sempre que possível, diferentes marcos como pontos de chegada e partida. 
As poligonais serão executadas de acordo com a classe IIPA da NBR nº 13.133 – 
Execução de Levantamento Topográfico. Todos os levantamentos deverão consolidados em 
relatórios técnicos, contendo as informações cadastrais levantadas por bacia hidrográfica e 
sub-bacia de drenagem. 
Serão entregues, sempre que possível, os produtos especificados nos itens a seguir. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 76 
 
 
4.4 Produtos do Levantamento Topográfico 
Dentre os produtos, espera-se: 
 Planta de situação dos trechos da rede de drenagem pluvial e localização de todos os 
dispositivos de drenagem levantados, sobre base cartográfica do município. 
 Cópia da caderneta de campo bruta com códigos dos pontos, distâncias e atributos; 
 Listagem dos pontos irradiados com coordenadas (x e y), altitudes (z) e atributos 
(entende-se como atributo a identificação do ponto levantado). Deve ser 
confeccionado um banco de dados com informações em formato ASCII, ou 
compatível com Microsoft Excel versão 2003 ou superior; 
 Plantas e desenhos, em cópia impressa e digital, com todas as informações 
necessárias e suficientes para perfeita caracterização das redes levantadas 
(diâmetro, cotas, declividades, nome da via, etc.). As seções levantadas serão 
relacionadas aos trechos de canais/galerias, contendo diâmetro, extensão e 
indicação de sentido do fluxo. 
 Fotografias da rede de drenagem, com identificação da sua localização e data. 
 Identificadores dos marcos planimétricos e referências de níveis implantados; 
 Vértices de origem; 
 RN de origem; 
 Memorial técnico; 
 Listas de coordenadas e altitudes dos marcos planimétricos e referências de nível 
implantadas. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 77 
 
 
4.5 Cronograma de trabalho 
As atividades a serem desenvolvidas durante o levantamento cadastral 
complementar correspondem a 08 equipes x mês, previstas inicialmente para atuarem da 
seguinte forma: 2 equipes trabalhando por 4 meses. 
A atuação das equipes de levantamento estará condicionada à existência de 
condições climáticas e de acessibilidade e segurança favoráveis. Lembrando que, por se 
tratar de uma atividade crítica, atrasos nesta etapa podem ocasionar paralisações em parte 
do trabalho previsto para etapas posteriores. 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 78 
 
 
5 CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL 
5.1 Introdução 
O presente capítulo apresenta a caracterização institucional simplificada da 
Prefeitura Municipal de Manaus com foco naqueles órgãos/secretarias que se relacionam à 
drenagem urbana. 
Ressalte-se que a análise detalhada da questão institucional (diagnóstico) será 
realizada por ocasião da proposição das medidas não estruturais de controle da drenagem 
urbana, cabendo ao presente relatório contemplar o inventário preliminar com vistas a 
identificar ou caracterizar tais instituições. 
A caracterização institucional foi realizada com base na análise das informações 
disponíveis, em particular da legislação municipal obtida do sítio da Prefeitura de Manaus. 
 
5.2 Legislação 
5.2.1 Legislação Federal relacionada 
No Quadro 5.1 se encontra um resumo da principal legislação federal pertinente ao 
tema e, a seguir, são comentadas algumas delas, seguindo a Souza Aguinaga (2007). 
A Lei 9.433/97 veio regulamentar o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, 
instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e criando o Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos. Além de estabelecer um novo modelo de gestão para 
os recursos hídricos, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, que traz como um de 
seus fundamentos o reconhecimento da água como um recurso natural limitado dotada de 
valor econômico (art. 1º, II) e de domínio público (art. 1º, I). 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 79 
 
 
Quadro 5.1. Legislação Federal relacionada aos recursos hídricos e drenagem urbana. 
INSTRUMENTO No. DATA EMENTA 
DECRETO 24.643 10.07.1934 
Código de água: classificação, usos e 
gerenciamento dos recursos hídricos. 
 
5.10.1988 
(Texto consolidado 
até a Emenda nº 
66 de 13/07/2010) 
Constituição Federal. Domínio público da água; 
Gestão de inundações e secas pelo governo 
federal; Institui o domínio das águas entre 
Estados e Federação; Estabelece que os 
serviços de água e saneamento são de 
atribuição do município; Domínio estadual 
para as águas subterrâneas 
LEI 9.433 9.01.1997 
Política Nacional de recursos hídricos; 
Objetivos; Sistemas de gestão; Instrumentosde planejamento 
LEI 9.984 17.07.2000 
Cria a ANA Agência Nacional de Recursos 
Hídricos, que implementa a Política Nacional 
de Recursos Hídricos 
LEI 11.445 5.01.2007 
Estabelece as diretrizes nacionais para o 
saneamento básico e para a política federal de 
saneamento básico 
DECRETO 7.217 21.06.2010 
Regulamenta a Lei no 11.445, de 5 de janeiro 
de 2007, que estabelece diretrizes nacionais 
para o saneamento básico, e dá outras 
providências. 
LEI 12.305 2.08.2010 
Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(PNRS). 
 
 
A Lei 9.433/97 constitui um marco legal que incorpora uma nova percepção da água, 
não mais como um recurso infinito, mas de um bem natural que, apesar de renovável, tem 
sofrido em uma escala crescente, de intensidade e velocidades, a depleção da sua qualidade 
e quantidade. Nesta legislação, em concordância com os princípios de Dublin, se atribui à 
água de um valor econômico que deve considerar o preço da conservação, da recuperação e 
da melhoria do recurso. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 80 
 
 
O modelo de gestão instituído pela Lei 9.433/97 (modelo econômico) deve realizar-se 
de forma descentralizada e com a participação dos usuários, das comunidades e do Poder 
Público (art. 1º, VI), e terá na bacia hidrográfica a unidade territorial para implementação da 
política e atuação do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos (art. 1º, V). 
A Lei 9.433/97, apesar de instituir a bacia hidrográfica como unidade de territorial de 
gestão da Política Nacional de Recursos Hídricos, não trouxe nenhuma definição de bacia 
hidrográfica. Do exposto, verifica-se que a norma federal não foi muito precisa ao disciplinar 
sua unidade básica de planejamento, visto que considerado o conceito técnico de bacia 
hidrográfica as águas subterrâneas não se incluiriam nesta. 
Depois de tratar das suas diretrizes gerais, a lei apresenta, no art. 5º, os instrumentos 
da Política Nacional de Recursos Hídricos, sendo eles: I) os planos de recursos hídricos; II) o 
enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água; 
III) a outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos; IV) a cobrança pelo uso dos recursos 
hídricos; V) a compensação a Municípios e o Sistema de Informações sobre Recursos 
Hídricos. 
O Sistema Nacional de Gerenciamento é constituído pelo Conselho Nacional de 
Recursos Hídricos (CNRH), pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelos Conselhos de 
Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal, pelos Comitês de Bacias Hidrográficas, 
pelos órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais, cujas 
competências se relacionem com a gestão dos recursos hídricos e pelas Agências de Água 
(art. 33). Ao Conselho Nacional dos Recursos Hídricos – CNRH compete, entre outras coisas, 
promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos 
nacional, regional, estaduais e dos setores dos usuários e arbitrar em última instância 
administrativa os conflitos existentes entre Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, além 
de estabelecer diretrizes complementares para a implementação da Política Nacional de 
Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos (art. 35). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 81 
 
 
A Agência Nacional de Águas – ANA1, segundo a Lei nº 9.984/00, cabe supervisionar, 
controlar e avaliar as ações e atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal 
pertinente aos recursos hídricos; disciplinar em caráter normativo, a implementação, a 
operacionalização, o controle e avaliação dos instrumentos da Política Nacional de Recursos 
Hídricos, entre outras atribuições (art. 4º). Destaca-se que ao lado da administração do 
sistema nacional de gestão, compete a ANA a gestão dos recursos hídricos de domínio da 
União (art. 4º, V). 
As atribuições dos comitês2 de bacia hidrográfica são: arbitrar em primeira instância 
administrativa os conflitos relacionados aos recursos hídricos, aprovar e acompanhar a 
implementação do Plano de Recursos Hídricos da bacia, propor ao conselho nacional e aos 
conselhos estaduais de recursos hídricos as acumulações, derivações, captações e 
lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de 
direito de uso, além de estabelecer mecanismos de cobrança pelo uso dos recursos hídricos 
e sugerir os valores a serem adotados (art. 38, da Lei nº 9.433/97). 
A Agência de Água irá exercer a função de secretaria executiva do respectivo, ou 
respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica3 sendo responsável, entre outras coisas, por 
manter o balanço de disponibilidade de recursos hídricos atualizado em sua área de atuação, 
manter o cadastro dos usuários de recursos hídricos, efetuar, mediante delegação do 
outorgante, a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, gerir o Sistema de Informações sobre 
recursos hídricos em sua área de atuação.4 
Uma questão importante a ser analisada, diz respeito à abrangência de algumas 
disposições da Lei 9.433/97 quanto à gestão dos recursos. Como destacado, a competência 
para legislar sobre águas é privativa da União, cabendo aos Estados somente a edição de 
 
1
 A Agência Nacional de Águas – ANA é uma autarquia sob regime especial, com autonomia administrativa e 
financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de implementar, em sua esfera de 
atribuições, a Política Nacional de Recursos Hídricos, integrando o Sistema Nacional de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos (art. 3º da Lei nº 9.984/00). 
2
 Os comitês de bacia hidrográfica são órgãos colegiados que podem abranger a totalidade de uma bacia, uma 
sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia ou tributário desse tributário, ou ainda, 
um grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas (art. 49 da Lei nº 9.433/97). 
3
 Art. 41 da Lei nº 9.433/97. 
4
 Art. 44 da Lei nº 9.433/97. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 82 
 
 
normas administrativas, ou seja, de gestão. A lei federal, portanto, cabe somente dispor 
sobre a estrutura administrativa de seus organismos, sendo "[...] inconstitucionais suas 
determinações referentes aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos [...]" (POMPEU, 
2006). 
O Art. 50 dispõe sobre as penalidades no caso de infrações de qualquer disposição 
legal ou regulamentar referente à execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou 
utilização de recursos hídricos de domínio ou administração da União, prevendo no inciso IV 
o embargo definitivo, com revogação de outorga, se for o caso, para repor, in continenti, no 
seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos arts. 58 e 59 do 
Código de Águas, ou tamponar os poços de extração de águas subterrâneas. 
Como afirma Graf (2003) optou-se, no Brasil, "por um sistema que congrega 
centralização legislativa e gestão descentralizada e participativa, que pressupõe uma 
articulação eficiente entre todos os integrantes desse sistema." Isso implica na necessidade 
de pertinência entre as leis estaduais de recursos hídricos e a Lei federal 9.433/97. 
Ratifica-se, nesse sentido, que todas as normas estaduais tratam somente do aspecto 
administrativo, de gestão dos recursos hídricos (mesmo que sob a forma de lei), tendo em 
vista a competência privativa da União para legislar sobre direito de águas, como visto 
anteriormente.Embora exista legislação de Saneamento Básico (Lei 11.445), no Brasil, não existem 
experiências relacionadas com o controle das águas pluviais. Assim, segundo Tucci (2010), 
uma proposta a considerar se baseia na regulamentação da lei de recursos hídricos e mais 
recentemente, no Plano Nacional de Saneamento, que estão tentando suprir esta 
necessidade. 
A lei de recursos hídricos No 9.433, na seção de outorga, art.12 estabelece que fica 
sujeita a outorga : 
“III - lançamento em corpo d’água de esgotos e demais resíduos...” e “V - outros usos 
que alterem a quantidade e qualidade da água em corpos de água.” 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 83 
 
 
A regulamentação da lei de outorga compete ao Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos conferidas pelo artigo 13, lei Nº 9433, de 8 de janeiro de 1997, e pelo artigo 1º do 
Decreto Nº 2612, de 3 de junho de 1998. Em resolução No 16 de 8 de maio de 2001, o 
referido Conselho definiu as bases da outorga. No artigo 12 estabelece que a outorga deva 
observar os Planos de Recursos Hídricos. No artigo 15 estabelece que a outorga “para 
lançamento de efluentes será dada em quantidade de água necessária para a diluição de 
carga poluente, que pode variar ao longo do prazo de outorga, com base nos padrões de 
qualidade da água correspondente à classe de enquadramento do corpo receptor e/ou 
critérios específicos definidos no correspondente Plano de Recursos Hídricos ou pelos órgãos 
competentes.” 
No artigo 12, inciso V da Lei 9.433 e na resolução do Conselho artigo 4º, inciso V, é 
explicitado que a outorga é necessária para “outros usos e/ou interferências, que alterem o 
regime, a quantidade ou a qualidade de água existente em um corpo de água.” 
Desta forma, observa-se que a legislação de recursos hídricos permite a introdução 
da regulação do controle dos efluentes de áreas urbana através da outorga, na medida em 
que o escoamento destas áreas comprovadamente altera a quantidade e a qualidade. Esta 
regulação pode ser realizada através de uma resolução do Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos. 
Adicionalmente, a recente legislação de Saneamento (Lei Nº 11.445, de 5 de janeiro 
de 2007) prevê que os serviços prestados pelas cidades devem atender a legislação de 
recursos hídricos (art. 4º, parágrafo único) “a utilização de recursos hídricos na prestação de 
serviços públicos de saneamento básico, inclusive para disposição e diluição de esgotos e 
outros resíduos é sujeita a outorga de direito de uso, nos termos da Lei Nº 9433, de 8 de 
janeiro de 1997, de seus regulamentos e das legislações estaduais.” 
Os objetivos do controle externo à cidade referente são: 
 De garantir a disponibilidade hídrica com qualidade; 
 De manter a qualidade da água dos rios a jusante dentro da classe do rio; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 84 
 
 
 Evitar impactos devido à inundação da drenagem urbana e das áreas 
ribeirinhas. 
Os dois primeiros objetivos estão claramente definidos dentro dos condicionantes de 
outorga na medida em que as áreas urbanas produzem alterações na qualidade da água e, 
portanto o conjunto da cidade que contribui para o(s) rio(s) a jusante necessita de outorga. 
Quanto aos impactos quantitativos, devido à urbanização (alteração do pico e volume), 
também estão dentro das atribuições da outorga na medida em que as áreas urbanas 
“alteram a quantidade e qualidade da água”. No entanto, não ficaria claro o uso do 
mecanismo de outorga como indução ao processo de controle das inundações urbanas 
ribeirinhas. 
Considerando que a Constituição prevê que o governo federal deve atuar na 
prevenção de cheias e secas, como também estabelece como atribuição na lei No 9.984 de 
17 de julho de 2000, art. 3º, inciso X: 
“planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e 
inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, em 
articulação com o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil, em apoio aos Estados e 
Municípios.” 
É possível estabelecer a normatização da outorga através do Conselho Nacional de 
Recursos Hídricos, como mecanismo de controle externo a cidade para induzir aos 
municípios ao desenvolvimento das ações dentro do seu território de competência. 
Alguns dos elementos fundamentais para definição desta regulamentação são: 
 A proposta de resolução deve conter os parâmetros básicos necessários a 
outorga dos efluentes urbanos como um todo e não somente da drenagem 
urbana, já que os impactos devido ao esgotamento sanitário, drenagem urbana 
e resíduos sólidos, não são separáveis; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 85 
 
 
 Não é possível exigir a outorga de todas as cidades do país no curto prazo, pois 
inviabilizaria todas as ações efetivas e não existiriam recursos para 
financiamento para desenvolvimento do planejamento e controle simultâneo; 
 As regras da outorga devem estabelecer procedimentos e metas de resultado 
no planejamento das ações, de acordo com a classe do rio. 
Para resolver o primeiro item acima, a resolução deve solicitar um Plano Saneamento 
Ambiental Municipal: Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário, Drenagem Urbana e 
Resíduos Sólidos, e definir as normas as quais os municípios devem atender para ter sua 
outorga obtida. Estas normas devem ser desenvolvidas e serão as bases para o 
desenvolvimento dos Planos de Saneamento Ambiental. Para resolver o segundo item é 
proposto o uso de prazos de acordo com o tamanho das cidades. São dadas outorgas 
provisórias e renováveis de acordo com os prazos e cumprimento dos mesmos. O terceiro 
item acima é resolvido, estabelecendo-se metas associadas à outorga dos efluentes de 
acordo com metas do Programa. 
5.2.2 Lei Estadual 2.212/01 
O Estado do Amazonas, por meio da Lei 2.212/01, institui a Política Estadual de 
Recursos Hídricos e o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos e 
estabeleceu entre as diretrizes gerais de ação da Política Estadual de Recursos Hídricos a 
articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo. 
A Lei estadual, de 28.12.01, possui 79 artigos e está dividida em quatro títulos 
(AGUINAGA SOUZA, 2007): I) da Política Estadual de Recursos Hídricos; II) do Sistema 
Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos; III) das infrações e penalidades e IV) das 
disposições gerais e transitórias. 
O capítulo I dispõe sobre os fundamentos da Política Estadual de Recursos Hídricos, 
que são os mesmos da Lei federal 9.433/97. Além dos três5 objetivos da Política Nacional 
 
5
 Art. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I - assegurar à atual e às futuras gerações a 
necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; II - a utilização 
racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 86 
 
 
previstos em seu art. 2º a lei estadual enumera mais sete objetivos,6 voltados para a 
produção e divulgação de conhecimentos e tecnologias sobre a matéria (VI e IX), que 
assegurem a qualidade e quantidade das águas (IV, V e VIII), a articulação entre os entes 
federados (X) e promoção do desenvolvimento econômico com proteção do meio ambiente 
(IX). 
Dentre as diretrizes gerais de ação da Política Estadual de Recursos Hídricos, 
previstas no art. 3º: a descentralizaçãoda gestão das águas, mediante o gerenciamento por 
bacia hidrográfica, sem dissociação dos aspectos quantitativos e qualitativos e das fases 
meteórica, superficial e subterrânea do ciclo hidrológico, assegurada a participação do poder 
publico, dos usuários e da comunidade (VIII) e a execução do mapeamento hidrológico do 
Estado do Amazonas, visando ao conhecimento do potencial hídrico subterrâneo e, em 
particular, dos ambientes favoráveis a formação de reservatórios mineralizados (XIV). Além 
disso, a lei prevê de forma expressa a articulação do Estado com a União, para o 
gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum (art. 4º). 
O art. 5º apresenta um elenco variado de instrumentos para a Política Estadual de 
Recursos Hídricos, além da outorga dos direitos de uso, da cobrança e do enquadramento de 
corpos de água em classes, a lei estadual traz o Plano Estadual de Recursos Hídricos, os 
Planos de Bacia Hidrográfica, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos, o Sistema Estadual de 
Informações sobre Recursos Hídricos, o Zoneamento Ecológico-Econômico e o Plano 
Ambiental do Estado do Amazonas. 
 
sustentável; III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes 
do uso inadequado dos recursos naturais. 
6
São outros objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos: IV – garantir a boa qualidade das águas, em 
acordo com os seus usos múltiplos; V – assegurar o florestamento e o reflorestamento das nascentes e 
margens de cursos hídricos; VI – estimular a capacidade regional em ciência e tecnologia para o efetivo 
gerenciamento dos recursos hídricos; VII – disciplinar a utilização racional das águas superficiais e 
subterrâneas; VIII – difundir conhecimentos, visando a conscientizar a sociedade sobre a importância 
estratégica dos recursos hídricos e sua utilização racional; IX – viabilizar a articulação entre União, o Estado, os 
Municípios, a sociedade civil e o setor privado, visando à integração de esforços para implementação da 
proteção, conservação, preservação e recuperação dos recursos hídricos e XI – compatibilizar o 
desenvolvimento econômico e social com a proteção do meio ambiente. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 87 
 
 
O Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos é composto pelo I- 
Conselho Estadual de Recursos Hídricos; II- os Comitês de Bacia Hidrográfica; III- Secretaria 
de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e IV- Instituto de Proteção 
Ambiental do Amazonas – IPAAM (art. 62).7 
Com as modificações introduzidas pela Lei 2.940/04, a política e a gestão dos 
recursos hídricos do Estado do Amazonas passou a ser de responsabilidade da Secretaria de 
Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS e do Instituto de Proteção 
Ambiental do Amazonas – IPAAM (art. 66, "caput"), sendo aquele o órgão coordenador da 
Política de Recursos hídricos (§1º), e este o órgão executivo do Sistema Estadual de Recursos 
Hídricos (§2º). 
Assim, algumas das atividades que eram conferidas ao IPAAM pela Lei nº 2.712/01 
passaram, com as alterações da Lei nº 2.940/04, a ser de competência da SDS, sendo 
acrescentadas, ainda, outras atribuições tanto para a Secretaria quanto para o Instituto. 
Diferentemente do Sistema Nacional, o Sistema de Gerenciamento Estadual de 
Recursos Hídricos não prevê a figura da Agência de Água (art. 43 da Lei 9.433/97), que na lei 
federal exerce a função de secretaria executiva do Comitê de Bacia Hidrográfica. Na 
estrutura administrativa estadual as atribuições das Agências de Água são dividias entre a 
SDS e o IPAAM. O que se infere das disposições da lei estadual é que existe uma 
concentração das principais atividades de gestão nas mãos dos entes estaduais,8 e que 
destoa dos fundamentos da Política Nacional de Recursos Hídricos.9 
Segundo o artigo 66 da Lei 2.212/01 (alterado pela Lei nº 2.940/04), compete a 
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS, entre outras: 
 
7
 A Lei nº 2.940/04 alterou algumas disposições da Lei 2.712/01. Uma dessas alterações se deu na constituição 
do Sistema Estadual de Recursos Hídricos – SERH, que passou a incluir a Secretaria de Estado de Meio 
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e excluiu os órgãos dos poderes públicos federal, estadual e 
municipais cujas competências se relacionassem com a gestão de recursos hídricos, previstos anteriormente no 
inciso IV. 
8
 Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS e Instituto de Proteção 
Ambiental do Amazonas – IPAAM, 
9
 
9
 Segundo o Art. 1º, da Lei 9.433/97 a Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes 
fundamentos: [...] IV – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do 
Poder Público dos usuários e da comunidade. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 88 
 
 
representar e operacionalizar o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos no âmbito 
de suas relações frente aos órgãos, entidades e instituições públicas ou privadas, nacionais 
ou internacionais (II); gerir o sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos e 
manter cadastro de uso e usuário das águas, considerando os aspectos de derivação, 
consumo e diluição do efluente, com a cooperação dos Comitês de Bacia Hidrografia (V); 
promover a capacitação de recursos humanos para o planejamento e gerenciamento de 
recursos hídricos da bacia hidrográfica (XVIII). 
O § 2º do art. 66 dispõe sobre a competência do IPAAM estabelecendo, dentre outras 
atribuições: outorgar e suspender o direito do uso de água, mediante procedimentos 
próprios (I); o estabelecimento, com base em proposição dos Comitês de Bacia Hidrográfica, 
as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, referidos no inciso II 
do art. 23 da lei estadual (II); a aplicação de penalidades por infrações previstas na lei, em 
seu regulamento e nas normas deles decorrentes, inclusive as originárias de representação 
formal, subscritas por unidades executivas descentralizadas (III); implantação, operação e 
manutenção de estações medidoras de dados hidrometereológicos, em acordo com critérios 
definidos nos Planos de Bacia Hidrográfica ou no Plano Estadual de Recursos Hídricos (VII); 
controle, proteção e recuperação dos recursos hídricos nas bacias hidrográficas do Estado 
(VIII);o exercício do controle do uso da água, bem como proceder à correção de atividades 
degradantes dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos do Estado (X); implantação e 
operacionalização do sistema de cobrança pelo uso da água (XIII); analise emissão de 
parecer sobre os projetos e obras a serem financiadas com recursos gerados pela cobrança 
do uso de recursos hídricos, dentro do limite previsto para este fim, disponível na subconta 
correspondente, e encaminhá-los à instituição financeira responsável pela administração 
desses recursos (XVIII). 
Assim, segundo a organização administrativa prevista na lei estadual, a 
responsabilidade pelas atribuições enumeradas acima, em cada um dos Comitês de Bacias 
Hidrográficas que vier a se constituir no Estado do Amazonas, será do Instituto de Proteção 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 89 
 
 
Ambiental do Amazonas – IPAAM, que também é o órgão executor da Política Estadual de 
Meio Ambiente10.Verifica-se, por outro lado, que a lei faz referência no art. 67, inciso XI, as Secretarias 
Executivas dos Comitês de Bacia Hidrográfica, apesar de não incluí-las entre os órgãos que 
compõem a estrutura administrativa estadual (art. 62) e nem especificar suas atribuições, 
além daquela prevista no respectivo dispositivo que é de efetuar, mediante delegação do 
outorgante, a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são 
colegiados consultivos e de deliberação circunscrita à área de abrangência da bacia 
hidrográfica, conforme delimitação aprovada por ato do Chefe do Poder Executivo.11 
Por conta da falta de implementação12 da Política Estadual de Recursos Hídricos, 
embora já passado seis anos de sua edição, enquanto não estiverem aprovados os Planos de 
Bacia Hidrográfica, as ações e medidas necessárias ao controle do uso dos recursos hídricos 
da bacia hidrográfica correspondente caberão ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos 
(art. 76 da Lei nº 2.212/01), que somente em agosto de 2005 teve seu Regimento13 interno 
aprovado. 
Em que pese a insipiência da implementação da Política Estadual de Recursos 
Hídricos, que só a partir de sua regulamentação poderá verdadeiramente ganhar 
efetividade, a análise da articulação da gestão das águas e do solo apresenta-se relevante na 
medida em que constituindo uma das diretrizes implicitamente prevista da norma estadual, 
devendo, portanto, pautar a atuação administrativa, mesmo que realizada no presente 
momento pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. 
Além disso, as questões analisadas podem vir a contribuir para que a norma de 
regulamentação da Política Estadual contenha previsões específicas que viabilizem a 
 
10
 <http:www.ipaan.br> acesso em:01/05/07. 
11
 Art. 67 da Lei nº 2.212/01. 
12
 A Lei nº 2.212/01 ainda não foi regulamentada, o que inviabiliza a implementação efetiva da Política Estadual 
de Recursos Hídricos. 
13
 O Regimento do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH-AM foi aprovado pela Deliberação 
Normativa CERH – AM nº 1/2005, de 16 de agosto de 2005. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 90 
 
 
articulação entre a gestão das águas e a do solo, resultando em maior eficiência na 
conservação do recurso. 
5.2.3 Legislação Municipal de Manaus 
A principal regulamentação relacionada às águas pluviais urbanas em Manaus está 
relacionada à Lei n° 1.192, de 31 de dezembro de 2007, que cria o Programa de Tratamento 
e Uso Racional das Águas nas edificações – PRO-ÁGUAS, o qual tem como objetivo instituir 
medidas que induzam à preservação, tratamento e uso racional dos recursos hídricos nas 
edificações, inclusive com a utilização de fontes alternativas para captação de águas. Embora 
o objetivo principal do PRO-ÁGUAS, conforme delineado acima, não seja o controle de águas 
pluviais, em seu artigo 17 ficou estabelecida a obrigatoriedade de implantação de 
reservatórios que retardem o escoamento das águas pluviais para rede de drenagem Nos 
novos empreendimentos ou ampliações, que tenham área impermeabilizada superior a 
quinhentos metros quadrados. Além disso, no parágrafo 2° do mesmo artigo, a legislação 
estabelece a possibilidade de incentivos para empreendimentos já instalados que 
implantarem, espontaneamente, o reservatório de águas pluviais. Tais incentivos são os 
previstos no artigo 81 do Código Ambiental do Município de Manaus, instituído pela Lei nº 
605 de 24 de julho de 2001. 
No contexto municipal, destaca-se ainda a Lei n° 948, de 10 de março 2006, que 
estabelece normas para a identificação, catalogação e preservação de nascentes d’água no 
Município de Manaus. 
Além disso, foi encontrado o Projeto de Lei Nº 019/2008, de autoria do Ver. Mario 
Bastos (PRP) que dispõe sobre o Programa de Recuperação e Preservação da Permeabilidade 
do Solo no Município de Manaus - PREPES. 
O Programa de Recuperação e Preservação da Permeabilidade do Solo - PREPES tem 
como objetivo estabelecer medidas destinadas a diminuir o montante de áreas de solo 
impermeabilizado em Manaus, contribuindo assim para: 
I- diminuição do volume de água escoado pelo sistema de drenagem; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 91 
 
 
II- diminuição do risco de enchentes; 
III- diminuição dos gastos gerados pela sobrecarga da rede captação de águas 
pluviais; 
IV- aumentar a infiltração das águas pluviais no solo, possibilitando um melhor 
reabastecimento dos aquíferos; 
V- melhoria na drenagem urbana; 
VI- diminuição de sedimentos que adentram a rede de captação de águas pluviais, 
devido à diminuição da vazão; 
VII- melhoria na qualidade da água pluvial coletada que, com a diminuição da vazão, 
transportará menor quantidade de poluentes; 
VIII- diminuição das "Ilhas de Calor"; 
IX- melhoria na qualidade de vida da população; 
X- diminuição de gastos em saúde devidos a doenças de veiculação hídrica. 
Assim, este projeto de Lei vem ao encontro das idéias preconizadas neste PDDU e 
que serão mais bem detalhadas no RT-5. 
O projeto prevê ainda, no Art. 3º que as suas disposições serão observadas: I- na 
aprovação de loteamentos ou condomínios; II- na aprovação de construção de novas 
edificações; III- na aprovação de reformas; IV- na aprovação de estacionamentos; V- nos 
projetos para construção de calçadas; VI- em edificações públicas e privadas. 
Sugere como medidas voltadas a recuperação e preservação da permeabilidade do 
solo: I-implantação de "Calçadas Verdes"; II- utilização de "pisos drenantes”, pisos de 
concreto intertravado ou "ladrilho hidráulico" nos passeios públicos, estacionamentos 
descobertos, ruas de pouco movimento de veículos e vias de circulação de pedestres em 
áreas de lazer, praças e pátios de estabelecimentos de ensino; III- pavimentação de vias 
públicas com a utilização preferencial de materiais porosos; IV- pavimentação das vias 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 92 
 
 
públicas, sempre que possível, com a utilização de materiais resultantes do beneficiamento 
de resíduos da construção civil ou da reciclagem de pneus. 
Outra questão a ser abordada quando de um Plano Diretor de Drenagem Urbana tem 
a ver com a modificação de critérios construtivos, e consequentemente, da política urbana. 
Uma vez que a geração de vazões em uma área urbana é diretamente proporcional à 
percentagem de áreas impermeáveis, que, por sua vez, dependem das políticas construtivas 
e de urbanismo. 
5.2.4 Leis de urbanismo em nível federal 
A Constituição Federal de 1988 trata sobre a Política Urbana nos artigos 182 e 183, 
capítulo II, do título VII, que trata da Ordem Econômica e Financeira. Assim, de acordo com 
Souza Aguinaga (2007), observa-se que o fenômeno urbano está estreitamente vinculado à 
política de ocupação e povoamento da Colônia e aos ciclos econômicos brasileiros (SILVA, 
2000); além de se constituir no espaço onde se concentram as atividades administrativas, 
econômico e sócio culturais, o que poderia justificar sua posição nesse título. Em outro 
sentido, dentre os princípios inseridos na política urbana está o da função social da 
propriedade urbana, que só é cumprida quando atende as exigências fundamentais de 
ordenação da cidade expressas no plano diretor(CAMMAROSANO, 2003). 
O objetivo da política de desenvolvimento urbano é ordenar o pleno 
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes. 14 
Na percepção urbanística, um centro populacional só adquirecaracterística de 
cidade15 quando apresenta dois elementos essenciais: 1) unidades edilícias, entendidas 
como "o conjunto de edificações em que os membros da coletividade moram ou 
desenvolvem suas atividades produtivas, comerciais, industriais ou intelectuais"; e os 2) 
equipamentos públicos, que compreendem os "bens públicos e sociais para servir as 
unidades edilícias e destinados à satisfação das necessidades de que os habitantes não 
 
14
 Art. 182, "caput", da Constituição Federal de 1988. 
15
 O conceito de cidade, no Brasil, está atrelado ao aspecto jurídico-político. Desse modo, um centro urbano 
somente chega ao status de cidade quando seu território se transforma em Município. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 93 
 
 
podem prover-se diretamente e por sua própria conta (estadas, ruas, praças, parques, 
jardins, [...], etc.)” (SILVA, 2000). 
A política urbana, portanto, se destinará a adequação e o planejamento do conjunto 
de edificações utilizado pelos membros da coletividade em suas atividades, bem como a 
promoção dos equipamentos e serviços públicos que devem atender a essas edificações. 
De natureza essencialmente estatal, a política de desenvolvimento urbano é uma 
atividade de responsabilidade do Poder Público municipal. O direito à cidade e as suas 
funções sociais pertence a todos, sendo que a gestão democrática constitui uma importante 
diretriz dessa.16 O plano diretor, obrigatório para as cidades com mais de vinte mil 
habitantes, constitui o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão 
urbana.17 
O art. 21, XX, da Constituição Federal de 1988 declara competir a União instituir as 
diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e 
transporte urbano. A competência da União, portanto, se limita ao estabelecimento das 
linhas gerais em âmbito urbanístico, pois a adaptação e adequação dessa norma a realidade 
local é competência municipal, nos termos do art. 30 da Constituição, que confere ao ente 
municipal a competência para legislar sobre assuntos de interesse local (I) e para 
suplementar a legislação federal e a estadual no que couber (II). 
O art. 24 da Carta federal, por sua vez, prevê a competência da União, dos Estados e 
do Distrito Federal para legislar, concorrentemente, sobre direito urbanístico. Embora o 
município não tenha sido incluído, as disposições do art. 30, acima comentadas, suprem 
qualquer dúvida a esse respeito. 
Em síntese, se pode concluir que, em matéria urbanística, caberá a União estabelecer 
as normas gerais, aos Estados às normas de interesses regionais e, por fim, aos municípios, 
nos termos do art. 30 da CF, estabelecer as normas de interesse local. 
 
16
 Art. 2º, II, da Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade). 
17
 Art. 182, § 1º da CF. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 94 
 
 
No plano material, o art. 182 da CF estabelece a competência do Poder Público 
municipal para a execução da política de desenvolvimento urbano. O art. 30 (VIII), no mesmo 
sentido, diz ser competência municipal a promoção, no que couber, do ordenamento 
territorial mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do 
solo urbano. Segundo SILVA (2000, p.57), "o solo qualifica-se como urbano quando ordenado 
para cumprir destino urbanístico, especialmente a edificabilidade e o assentamento de 
sistema viário." Assim, é do município a responsabilidade de garantir o ordenamento 
territorial e, consequentemente, que a propriedade urbana cumpra sua função social. 
 
5.2.5 Estatuto da Cidade e as normas municipais urbanísticas 
Foi por meio da edição da Lei federal nº 10.257/01, conhecida como o Estatuto da 
Cidade, que a União estabeleceu as normas gerais em matéria urbanística. O Estatuto da 
Cidade, portanto, apresenta as diretrizes gerais para a fixação da política urbana, 
oferecendo, ainda, os instrumentos necessários para garantir o atendimento desses 
postulados, regulando o exercício do direito de propriedade e dispondo sobre institutos 
jurídicos e administrativos destinados a viabilizar a ação estatal em matéria urbanística 
(MOREIRA, 2003). 
Entre as diretrizes gerais previstas na Lei nº 10. 257/01 temos a ordenação e o 
controle do uso do solo, de forma a evitar, entre outras coisas, a poluição e a degradação 
ambiental (VI, "g"); e a proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural, 
construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico (XII). 
Previsões essas que se reportam diretamente ao meio ambiente. 
Para a consecução da política urbana, o Estatuto disponibiliza uma variedade de 
instrumentos18, previstos no art. 4º, que podem ser classificados em quatro grandes grupos: 
 
18
 Art. 4
o
 Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos: I – planos nacionais, regionais e 
estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; II – planejamento das regiões 
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões; III – planejamento municipal, em especial: a) plano 
diretor; b) disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo; c) zoneamento ambiental; d) plano 
plurianual; e) diretrizes orçamentárias e orçamento anual; f) gestão orçamentária participativa; g) planos, 
programas e projetos setoriais; h) planos de desenvolvimento econômico e social; IV – institutos tributários e 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 95 
 
 
de planejamento (I, II, III); institutos tributários e financeiros (IV), institutos jurídicos e 
políticos (V) e instrumentos Ambientais (VI). 
Dentre os instrumentos de planejamento, o plano diretor, a disciplina do 
parcelamento, uso e ocupação do solo e o zoneamento ambiental, apresentam-se como 
planos fundamentalmente físicos, ou seja, destinados à disciplina dos espaços urbanos. Em 
vista disso, se destacam na articulação com a gestão das águas urbanas. 
Feitas essas considerações, a seguir são analisados os três instrumentos urbanísticos 
anteriormente identificados – plano diretor, disciplina de ordenamento, uso e ocupação do 
solo e zoneamento ambiental. Inicialmente serão abordadas as características gerais e 
objetivos de cada instrumento e, posteriormente, será feita a análise da possibilidade e 
forma de sua articulação com a gestão das águas urbanas. 
5.2.5.1 Plano Diretor Urbanístico 
Indiscutivelmente, o Plano Diretor constitui um dos principais, senão o principal, 
instrumento de planejamento urbano.19 Seu objetivo está na organização dos espaços 
habitáveis em toda área do Município (urbana e rural), devendo ser elaborado de maneira 
participativa e de forma a garantir a função social da propriedade (DALLARI & FERRAZ, 
2003). 
Para Silva (2000) o Plano Diretor "[...] constitui um plano geral e global que tem, 
portanto, por função sistematizar o desenvolvimento físico, econômico e social do território 
municipal, visando ao bem-estar da comunidade local." Os planos urbanísticos são 
aprovados por lei, tendo em vista o princípio da legalidade, que não admite a criação de 
 
financeiros: a) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana - IPTU;b) contribuição de melhoria; c) 
incentivos e benefícios fiscais e financeiros; V– institutos jurídicos e políticos: a) desapropriação; b) servidão 
administrativa; c) limitações administrativas; d) tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano; e) instituição 
de unidades de conservação; f) instituição de zonas especiais de interesse social; g) concessão de direito real de 
uso; h) concessão de uso especial para fins de moradia; i) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; 
j) usucapião especial de imóvel urbano; l) direito de superfície; m) direito de preempção; n) outorga onerosa do 
direito de construir e de alteração de uso; o) transferência do direito de construir; p) operações urbanas 
consorciadas; q) regularização fundiária; r) assistência técnica e jurídica gratuita para as comunidades e grupos 
sociais menos favorecidos; s) referendo popular e plebiscito; VI – estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e 
estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV). 
19
 Art. 181, § 1º da Constituição Federal de 1988. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 96 
 
 
obrigação ou imposição de constrangimento senão em virtude de lei (art. 5º, II, CF). Assim, a 
Constituição Federal20 exige a aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal, cuja 
competência para elaboração é do Executivo municipal, que é obrigatório para os municípios 
para os municípios com mais de 20 mil habitantes. 
Segundo o Estatuto da Cidade,21 o Plano Diretor é obrigatório também para os 
municípios que fazem parte de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, nos 
municípios que são de especial interesse turístico, ou onde o Poder Público pretenda utilizar 
os instrumentos previstos no § 4º do art. 182 da Constituição Federal,22 ou ainda naquelas 
cidades que venham a ser influenciadas por empreendimentos ou atividades de impacto 
ambiental significativo, de âmbito regional ou nacional. 
O conteúdo do Plano Diretor reporta-se fundamentalmente ao aspecto físico, com a 
ordenação do território municipal, devendo equacionar duas questões: a) Os problemas de 
localizações, referente aos equipamentos públicos e b) o problema das divisões em zonas, 
referente aos equipamentos privados. Em vista disso o plano terá de conter disposições 
referentes a três sistemas gerais – vias, zoneamentos e espaços verdes. Além disso, o plano 
terá de projetar, em longo prazo, a necessidade de solo para fins residenciais, para as vias e 
ruas, espaços de lazer, de forma a atender a crescente demanda, segundo previsões. O 
conteúdo do plano diretor cuida dos objetivos e diretrizes básicas do planejamento 
territorial, definindo as áreas urbanas, as urbanizáveis e as de expansão, dispondo, ainda, 
sobre as normas fundamentais de uso do solo, parcelamento, zoneamento e sistema de 
circulação (SILVA, 2000). 
 
20
 Art. 182, § 1º. 
21
 Art. 41, incisos I, II, III, IV e V da Lei 10.257/01. 
22
 Segundo o art. 182 "A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, 
conforme diretrizes gerais fixadas em lê, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções 
sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes - §4º É facultado ao Poder Público municipal, 
mediante lei especifica para área incluída no plano diretor, exigir nos termos da lei federal, do proprietário do 
solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob 
pena sucessivamente de: I – parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial 
e territorial urbana progressivo no tempo; III – desapropriação com pagamento mediante títulos da divida 
publica de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de até dez anos, em parcelas 
anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e dos juros legais." 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 97 
 
 
O plano diretor poderá trazer em si todos os elementos para a sua aplicação e 
eficácia imediata, ou pode deixar disposições específicas para leis especiais,23 sendo certo, 
no entanto, que apresenta eficácia "[....] nos limites de suas determinações, importando 
efeitos desde logo vinculantes para os órgãos públicos e para os particulares que ficam 
sujeitos as suas normas."(SILVA, 2000) Com isso, são nulos os atos administrativos 
municipais que lhes sejam contrários, e as limitações a propriedade privada operam desde 
logo. 
Considerando os aspectos acima analisados, o plano diretor afigura-se como um 
importante instrumento de articulação da gestão do solo com a gestão das águas urbanas, 
uma vez que pode direcionar a ocupação do solo municipal de forma evitar e/ou minorar os 
impactos na qualidade e quantidade das águas pluviais e dos mananciais. 
Assim, de acordo com a estrutura de cada região o município poderá estabelecer os 
usos mais adequados com vista à proteção e conservação das águas urbanas, destinando 
atividades de maior impacto para regiões menos frágeis e resguardando aquelas áreas de 
grande importância, como as áreas de recarga dos aquíferos. 
A ordenação do território no município de Manaus é disciplinada pela Lei nº 671, de 
04 de novembro de 2002. A referida norma regulamenta o Plano Diretor Urbano e 
Ambiental - PDU, estabelecendo as diretrizes para o desenvolvimento da cidade, e dando 
outras providências relativas ao planejamento e gestão do território do município. Essa 
norma busca relacionar os aspectos urbanístico e ambiental ao dispor sobre o ordenamento 
territorial, dedicando ainda um capítulo específico à promoção da economia.24 O conteúdo 
da Lei nº 671/02, portanto, não se limita apenas aos aspectos puramente urbanísticos,25 
dispondo sobre questões ambientais, tanto naturais quanto culturais, e de promoção 
econômica. 
 
23
 Como, por exemplo, do parcelamento do solo, edificações, zoneamento ambiental etc. 
24
 Capítulo III, Título II, da Lei municipal nº 671/02. 
25
 Uso e ocupação do solo urbano, sistemas de circulação, definição das áreas urbanas, urbanizáveis e de 
expansão urbana. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 98 
 
 
A lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (Lei municipal n° 671/02) está 
dividida em duas partes. A primeira trata do desenvolvimento do município, onde 
encontramos os princípios, as estratégias de desenvolvimento, a macroestruturação e a 
estruturação do município. Pode-se dizer que essa primeira parte traz uma visão prospectiva 
e apresenta os instrumentos26 para a sua consecução. 
A segunda parte da Lei nº 671/02 institui o Sistema Municipal de Planejamento 
Urbano,27 incumbido de viabilizar o planejamento e a gestão urbana em Manaus, de acordo 
com a estratégia de gestão democrática.28 Cabe ao Instituto Municipal de Planejamento 
Urbano – IMPLURB, entre outras coisas, gerir o sistema municipal de planejamento 
urbano.29 
Dentre as estratégias de desenvolvimento previstas no Plano Diretor e Urbano de 
Manaus a serem utilizadas pelo Sistema Municipal de Planejamento urbano tem-se: a 
qualificação ambiental do território e o uso e ocupação do solo urbano. 
A estratégia de qualificação ambiental e cultural do território busca tutelar e valorizar 
o patrimônio cultural e natural de todo o município de Manaus, de forma a priorizar a 
resolução dos conflitos e a mitigação de processos de degradação ambiental decorrentes de 
usos incompatíveis e das deficiências de saneamento.30 No aspecto de qualificação 
ambiental se identificam diversas passagens relacionadas à gestão das águas. Dentre os 
objetivos específicos traçadospela estratégia de qualificação ambiental, por exemplo, se 
encontra a promoção da integridade das águas superficiais e subterrâneas do território do 
Município, que deverá se realizar através da ação articulada com as políticas estadual e 
federal de gerenciamento dos recursos hídricos.31 
 
26
 Os instrumentos estão previstos no titulo IV, capítulos II, III, IV, V do Plano Diretor Urbano e Ambiental de 
Manaus. 
27
 O Sistema Municipal de Planejamento Urbano é composto pelos órgãos da Administração direta e indireta, 
conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Comissão Técnica de Planejamento e controle urbano 
(art.131 da Lei municipal nº 671/02). 
28
 Art. 129 da Lei municipal nº 671/02. 
29
 Art. 133 da Lei municipal nº 671/02. 
30
 Art. 7º, "caput", da Lei municipal nº 671/02. 
31
 Art. 7º, III, da Lei municipal nº 671/02. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 99 
 
 
A previsão expressa de articulação entre as ações de qualificação ambiental e a 
gestão dos recursos hídricos abre campo para uma ação mais direcionada do município no 
que tange a proteção das águas urbanas, que deverá ser realizada, no entanto, sempre no 
âmbito de competência municipal que, no caso, se dará na perspectiva urbanística e 
ambiental. Ainda neste capítulo da legislação municipal existe a previsão de programas de 
proteção para áreas de fragilidade ambiental e impróprias para ocupação,32 que constituem 
importantes instrumentos de prevenção. 
Dentro do gerenciamento ambiental e cultural integrado, inserido da estratégia de 
qualificação ambiental, está previsto o Programa de Gestão dos Recursos Hídricos em que 
são estabelecidas ações voltadas para a consolidação do sistema de esgotamento sanitário, 
de controle da qualidade da água de abastecimento público e promoção e articulação intra e 
interinstitucional com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento integrado 
de atividades de monitoramento.33 As ações na gestão de recursos hídricos realizadas pelo 
município, portanto, são as relacionadas ao saneamento e abastecimento que são de 
competência municipal. 
A estratégia de uso e ocupação do solo urbano propõe a ordenação e regulação do 
uso do solo de forma a garantir a qualidade de vida da população, com a reconfiguração da 
paisagem urbana e valorização da paisagem não-urbana.34 Um dos objetivos específicos 
dessa estratégia é o controle da expansão urbana horizontal da cidade, com o objetivo de 
preservação dos ambientes naturais do Município e a otimização dos serviços e 
equipamentos públicos.35 
Os títulos III e IV da Lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental, referentes ao temas da 
macroestrutura36do município e estruturação37 do espaço urbano, respectivamente, 
 
32
 Art. 10, "a", da Lei municipal nº 671/02. 
33
 Art. 15, III, da Lei municipal nº 671/02. 
34
 At. 24 da Lei municipal nº 671/02. 
35
 Art. 24, I, da Lei municipal nº 671/02. 
36
 A macroestruturação do município visa garantir a ocupação equilibrada do território municipal e o 
desenvolvimento não predatório das atividades. Para fins de planejamento integram o território do Município 
de Manaus as seguintes Macroáreas: I- as unidades de conservação localizadas integralmente fora da área 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 100 
 
 
apresentam disposições de grande importância para a proteção das águas urbanas. No 
primeiro destaca-se a previsão de instrumentos complementares voltados para a 
macroestruturação do município, figurando entre eles o Zoneamento Ambiental instituído 
como o instrumento básico para a qualificação ambiental em todo território de Manaus. No 
segundo se identifica entre as diretrizes para estruturação do espaço urbano uma que faz 
referência expressa às águas urbanas, e que prevê a proteção das áreas de fragilidade 
ambiental e impróprias a ocupação, sobretudo os fundos de vale e áreas de recarga de 
lençóis de águas subterrâneas. 
Complementam o Plano Diretor de Manaus as Leis Complementares 672/2002; 
673/2002 e 674/2002, todas elas de 04 de novembro de 2002. A Lei N° 672 indica as normas 
de Uso e Ocupação do Solo no Município de Manaus e outras providências. Já a Lei N° 673, 
estabelece o Código de Obras e Edificações do Município de Manaus 
O Código de Obras apresenta definição de normas e procedimentos para a 
elaboração de projetos, licenciamento, execução, utilização e manutenção das obras e 
edificações, públicas ou privadas, em todo o território municipal. 
Finalmente, a Lei N° 674, estabelece o procedimento para Licenciamento e 
Fiscalização de Atividades em Estabelecimentos e Logradouros, que integra o Conjunto de 
Posturas do Município de Manaus (Código Sanitário, Código Ambiental, Código de Obras e 
Edificações e outros instrumentos e normas, de competência do Município, relacionados à 
polícia administrativa) e outras providências: normas gerais de polícia administrativa, de 
competência do Município de Manaus, para condicionar e restringir o uso de bens, 
atividades e direitos individuais em benefício da coletividade. 
 
urbana e área de transição e as unidades de conservação localizadas na área urbana e na área de transição; II – 
as áreas de interesse agroflorestal e III- a área urbana e a área de transição. 
37
 A efetivação da Estruturação do Espaço Urbano objetiva a qualidade de vida da população e a valorização 
dos recursos ambientais de Manaus, bem como a otimização dos benefícios gerados pela cidade. Para sua 
efetivação a área urbana é dividida pelo seu modelo espacial em Macrounidades Urbanas e Corredores 
Urbanos e a Área de Transição é dividida em Unidades Espaciais de Transição. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 101 
 
 
Assim percebe-se que as normas de uso e ocupação do solo e parcelamento urbano 
estão incluídas entre os instrumentos de regulação da Estruturação do Espaço urbano38 e, tal 
qual o Zoneamento Ambiental,39 são tratadas em lei municipal específica. 
5.2.5.2 Zoneamento Ambiental 
O Zoneamento Ambiental constitui um dos instrumentos da Política Nacional de 
Meio Ambiente, instituída pela Lei federal 6.938/81 (art. 9º inc. II), que com o Estatuto da 
Cidade (Lei nº 10.257/01) tornou-se, também, um instrumento da Política de 
desenvolvimento urbano (SILVA, 2007). Em sentido amplo, pode ser entendido como um 
instrumento destinado à divisão do território para regular o uso da propriedade e dos 
recursos naturais. 
Segundo Silva (2007) o zoneamento surgiu no direito brasileiro de forma setorial, 
estabelecendo diretrizes para determinadas políticas públicas, tais como a agrária e a 
industrial. No entanto, evolui podendo na atualidade ser compreendido como um 
instrumento mais amplo de ordenamento territorial do país, com vistas à gestão ambiental 
integrada. 
O zoneamento ambiental, assim, pode ser entendido como um conjunto de 
procedimentos de natureza geoeconômica, visando a integração sistêmica e interdisciplinar 
da análise ambiental de um determinado espaço, visando à disciplina dos diferentes usos do 
solo, de modo a definir a melhor forma de gestão dos recursos naturais e ambientais 
identificados na determinada área (MILARÉ, 2001). 
O emprego do zoneamento ecológico pode se dar de maneira mais ou menos ampla. 
Utilizado de forma menos ampla ou restritiva sedireciona a repartição do território no 
interior e no entorno dos espaços territorialmente protegidos. Quando utilizado de forma 
abrangente assumi características de uma "política pública transversal" (SILVA, 2007), com 
fins ao ordenamento territorial nacional de forma sustentável, na condição de zoneamento 
ecológico econômico (BENATTI, 2006). 
 
38
 Art. 62 Lei municipal nº 671/02. 
39
 Art. 52 e 138 da Lei municipal nº 671/02. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 102 
 
 
Enquanto o zoneamento ambiental realiza-se a partir da perspectiva do uso do solo e 
dos recursos naturais, incluindo aí as áreas de proteção ambiental e as áreas verdes, o 
zoneamento urbano volta-se para regular os usos do território em determinadas áreas do 
município, procurando conciliar as diversas atividades humanas com um espaço particular 
(CARVALHO & BRAGA, 2001). 
O zoneamento ambiental é previsto no Plano Diretor Urbano Ambiental de Manaus – 
PDU (Lei nº 671/02) como o instrumento básico da estratégia de qualificação ambiental do 
território municipal,40 e consiste na "definição de áreas do território do Município, de modo 
a regular atividades bem como indicar ações para a proteção e melhoria da qualidade do 
ambiente, considerando as características e atributos da área."41 
Segundo o PDU, e nos termos previstos do Código Ambiental de Manaus (Lei nº 
605/01), 42 o zoneamento ambiental deverá: (i) delimitar os diferentes compartimentos 
naturais do Município; (ii) as condições de proteção destes compartimentos e (iii) 
estabelecer as diretrizes e condições para a elaboração e implantação do Zoneamento 
Agroecológico municipal. 
Além de elaborar as diretrizes e condições do Zoneamento Agroecológico, cabe ao 
zoneamento ambiental municipal definir o aproveitamento econômico das áreas43 de 
interesse agroflorestal, mineral e turístico de Manaus, que deverá respeitar as diretrizes 
estabelecidas no Zoneamento Estadual Econômico Ecológico.44 
Nessa perspectiva, o zoneamento ambiental representa uma grande possibilidade na 
articulação com a gestão das águas urbanas, pois, além de permitir a proteção das áreas de 
fragilidade ambiental e promover a implantação e conservação de áreas verdes, que são 
importantíssimas para o processo de infiltração das águas, pode localizar as atividades 
 
40
 Art. 52. 
41
 Art. 28 do Código Ambiental de Manaus (Lei nº 605/01). 
42
 Além de prever as zonas ambientais do Município o Código Ambiental de Manaus determina que o zoneamento 
ambiental será definido por lei e incorporado ao Plano Diretor Urbano – PDU. 
43
 As áreas de interesse agroflorestal, mineral e turístico são as áreas do Município não abrangidas por áreas de 
preservação permanente ou por unidades de conservação, destinadas a um aproveitamento sustentável pelo 
desenvolvimento de atividades agrícolas, florestais, minerais e turísticas (Art. 45, da Lei nº 671/02). 
44
 Art. 45, do Plano Diretor Urbano Ambiental. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 103 
 
 
econômicas considerando as condições hídricas, permitindo que o uso do território se 
realize em bases sustentáveis. 
O zoneamento ambiental ao dispor sobre as diretrizes e condições para a elaboração 
do zoneamento ecológico econômico, bem como das áreas de interesse agroflorestal, 
mineral e turístico do município de Manaus, tem na bacia hidrográfica outra importante 
forma de articulação. Assim, a possibilidade do zoneamento ambiental ser realizado a partir 
da bacia hidrográfica facilita o planejamento e as intervenções num determinado espaço, 
realizando o previsto no art. 7º , III , da PDU 45 e com resultados mais favoráveis à proteção 
das águas urbanas. 
5.2.5.3 Legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo 
A disciplina de parcelamento do solo estabelece, como o próprio nome diz, as 
normas de divisão do espaço urbano, que devem observar as dimensões e os índices 
urbanísticos previstos no plano diretor ou lei municipal, para as áreas correspondentes. 
Tal disciplina, para fins urbanos, é dada pela Lei Federal Nº 6.766/79, no caso dos 
municípios não possuírem legislação própria de parcelamento. Caso contrário, podem 
aplicar sua própria legislação, desde que não seja menos exigente que a norma federal. O 
parcelamento pode se dar por loteamento ou desmembramento. 
O loteamento consiste na subdivisão das glebas em lotes destinados a edificação, 
com a abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, 
modificação ou ampliação das vias existentes. O desmembramento ocorre quando há 
subdivisão das glebas em lotes destinados a edificação, com o aproveitamento do sistema 
viário existente, desde que não implique a abertura de novas vias e logradouros públicos, 
nem prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes.46 
No Município de Manaus a Lei nº 846/05 (regulamenta o parcelamento do solo 
urbano no Município de Manaus) prevê que o parcelamento nas áreas de especial interesse 
 
45
 São objetivos específicos da estratégia de qualificação ambiental e cultural do território: "a promoção da 
integridade das águas superficiais e subterrâneas do território do Município, através de ação articulada com as 
políticas estadual e federal de gerenciamento dos recursos hídricos." 
46
 Art 2º, §§ 1 e 2º da Lei 6.766/79. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 104 
 
 
social47 poderão ser adotados padrões inferiores ao mínimo legal quanto à destinação de 
áreas públicas para equipamentos públicos48 e comunitários, e no dimensionamento dos 
lotes e quadras. Assim, nessas áreas as exigências urbanísticas serão atenuadas, de forma a 
promoção da regularização urbanística e fundiária. 
As zonas ou áreas de proteção ambiental, definidas no Código Ambiental de Manaus 
ou legislação ambiental complementar, entretanto, não poderão ser declaradas áreas de 
especial interesse social. As edificações localizadas em áreas de risco, por outro lado, estarão 
sujeitas a relocação quando não for possível a correção dos riscos para garantir a segurança 
da população residente no local ou na vizinhança.49 
Quando não se tratar de áreas de especial interesse social o parcelamento do solo 
deverá ser realizado de acordo com as disposições da Lei municipal 665/02. O parcelamento 
do solo para fins urbanos, segundo a mencionada lei, só será permitido nas terras localizadas 
na área urbana e na área de transição do município, definidas pelo Plano Diretor Urbano e 
Ambiental e delimitadas pela lei de perímetro urbano, ou ainda nas zonas de urbanização 
específicas delimitas naquela lei.50 
Ao lado da lei de parcelamento do solo urbano temos as normas de uso e ocupação 
do solo, instituídas pela Lei municipal 672/02. As normas de uso e ocupação do solo fundam-
se na utilização do potencial de adensamento das áreas urbanas,51 considerando os aspectos 
da preservação das áreas de proteção e de fragilidades ambientais, incluindo as nascentes, 
as margens dos cursos d águas, as unidades de conservação, os fragmentos florestais e as 
 
47
 As áreas de especial interesse social são aquelas destinadas à regularização fundiária e urbanística e a 
implantação de políticas e programas para a promoção de habitação de interesse social, na área urbana do 
município de Manaus, na forma do art. 105 da Lei nº 671/02 (Plano Diretor Urbano e Ambientalde Manaus, 
que são especificadas e definidas pelas seguintes condições: (i) de serem áreas ocupadas por população de 
baixa renda que apresentam irregularidades urbanísticas e/ou fundiárias; (ii) áreas destinas a promoção da 
habitação de interesse social, inseridas em programas municipal, estadual ou federal e (iii) áreas destinadas ao 
reassentamento de população de baixa renda que tenha sua moradia em situação de risco devidamente 
identificada pelo órgão publico competente (art. 106, da Lei nº 671/02). 
48
 Edificações ou obras necessárias ao provimento dos serviços públicos de abastecimento de água potável, 
energia elétrica pública e domiciliar, recolhimento e tratamento de desgostos e escoamento das águas pluviais, 
de acordo com a demanda prevista para o loteamento. 
49
 Art. 106, §2º da Lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (Lei nº 671/02). 
50
 Art. 3º da Lei 665/02 (Regulamenta o parcelamento do solo urbano no Município de Manaus). 
51
 Art. 1º da Lei nº 672/02. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 105 
 
 
áreas de fundo de vales; a capacidade de infraestrutura urbana instalada; as condições de 
saneamento básico e a acessibilidade à área central de negócios.52 
Trata-se, portanto, de norma voltada para o melhor aproveitamento do espaço 
urbano, de forma a otimizar o uso dos equipamentos públicos já instalados, bem como das 
atividades a serem estimuladas nas determinadas Unidades de Estruturação Urbana – UES.53 
Assim, enquanto as normas de parcelamento prendem-se a disciplina do espaço 
urbano no aspecto propriamente físico, quanto às metragens, recuos, formas de divisões e 
ocupações do espaço, entre outros, a norma de uso e ocupação volta-se para o aspecto 
espacial, da densidade da ocupação e uso do espaço, ambas, no entanto, com significativas 
repercussões na gestão das águas subterrâneas. 
Além das normas de uso e ocupação estabelecerem como parâmetros a preservação 
das áreas de proteção e fragilidade ambiental podem, por meio de estratégias de uso e 
ocupação, exercer o controle dos usos e atividades, dimensionando com base naquelas em 
cada UES a demanda e, consequentemente, a proteção dos recursos hídricos na área 
urbana. 
 
5.3 Sobre a Organização Institucional de Manaus 
Uma das questões importantes quanto à organização institucional de Manaus diz 
respeito a sua Estrutura Administrativa. A estrutura Administrativa atual da Prefeitura de 
Manaus foi estabelecida pela Lei Nº 1.314, de 04 de março de 2009, que dispõe sobre a 
reorganização administrativa da Prefeitura e dá outras providências, em substituição ao 
expressado na Lei nº 936, de 20 de janeiro de 2006. 
Na mencionada Lei, a Administração do Poder Executivo do município de Manaus 
ficou assim reorganizada: 
 
52
 Art. 1º, I, II, III, IV da Lei nº 672/02. 
53
 Para fins de planejamento, gestão e aplicação das normas do solo cada uma das Macrounidades de 
Planejamento previstas no Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus foram divididas em Unidades de 
Estruturação Urbana - UES. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 106 
 
 
I - Administração Direta: 
a) Órgão Colegiado: 
1. Conselho Municipal de Gestão Estratégica. 
b) Órgão de Assessoramento e Assistência Direta: 
1. Procuradoria Geral do Município; 
2. Gabinete Civil 
3. Secretaria Municipal de Governo; 
4. Gabinete Militar; 
5. Secretaria Municipal de Comunicação; 
6. Secretaria Municipal de Projetos Especiais e Gestão Tecnológica; 
7. Secretaria Municipal de Assuntos Federativos; 
8. Gabinete do Vice-Prefeito. 
c) Órgão de Gestão Institucional: 
1. Secretaria Municipal de Finanças e Controle Interno; 
2. Secretaria Municipal de Planejamento; 
3. Secretaria Municipal de Administração. 
d) Órgão De Execução de Políticas e Serviços Públicos: 
1. Secretaria Municipal de Saúde; 
2. Secretaria Municipal de Educação; 
3. Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos; 
4. Secretaria Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 107 
 
 
5. Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade; 
6. Secretaria Municipal de Desporto, Lazer e Juventude; 
7. Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento; 
8. Secretaria Municipal de Limpeza Urbana; 
9. Secretaria Municipal de Infraestrutura. 
II - Administração Indireta: 
a) Autarquias: 
1. Instituto Municipal de Planejamento Urbano; 
2. Instituto Municipal de Trânsito e Transporte Urbano. 
III - Administração Fundacional: 
a) Fundação de Apoio ao Idoso "Doutor Thomas"; 
b) Fundação Escola de Serviço Público Municipal; 
c) Fundação Municipal de Cultura e Turismo. 
IV - Serviços Sociais Autônomos: 
a) Fundo Único de Previdência do Município de Manaus - Manausprev; 
b) Serviço De Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município De Manaus - 
Manausmed. 
Na Figura 5.1 se encontra o organograma da Prefeitura Municipal de Manaus 
conforme explicitado acima. 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 108 
 
 
 
Figura 5.1. Organograma da Prefeitura de Manaus (FONTE: site da SEADM). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 109 
 
 
Ficou ainda estabelecido que os serviços afetos aos órgãos da Administração Direta e 
às entidades das Administrações Indireta e Fundacional da Prefeitura de Manaus, bem 
como, e a juízo do Prefeito Municipal, as atividades de caráter estratégico, serão realizados 
com a adoção do modelo de Gestão de Resultados, implementados por meio de projetos e 
ações especificas mediante compromisso firmado em termo próprio, responsabilizando-se o 
gestor ou o titular de cargo comissionado pelo estrito cumprimento em determinado prazo, 
sob pena de quebra de confiança, ressalvados os motivos de força maior, a juízo do Chefe do 
Executivo. 
Foi ainda fixado em 18 (dezoito) o quantitativo dos cargos de Secretário Municipal, 
destinados à direção dos órgãos mencionados acima, e em 27 (vinte e sete) o número de 
subsecretários. 
As finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder 
Executivo Municipal foram definidos assim (Quadro 5.2): 
 
Quadro 5.2. Finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder 
Executivo Municipal. 
N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 
1 
 
CONSELHO MUNICIPAL DE 
GESTÃO ESTRATÉGICO 
 
Proposição de diretrizes para a formulação e implementação da 
Política Municipal de gestão Estratégica para o Desenvolvimento 
Institucional, definido os instrumentos de sua avaliação. 
2 
 
PROCURADORIA GERAL 
DO MUNICÍPIO 
 
Cumprimento das competências dispostas na Lei Orgânica do 
Município e na legislação específica; execução de outras atividades 
previstas em Lei e regulamentos ou resultantes de outorga ou 
delegação do Prefeito Municipal. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 110 
 
 
N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 
3 GABINETE CIVIL 
Assistência direta e assessoramento ao Prefeito no desempenho de 
suas atribuições junto às autoridades em geral, em especial os 
Parlamentares, ÓRGÃOS e entidades da Administração Municipal, 
dos Governos Estadual e Federal e de outros Esta dos e Municípios; 
coordenação do Cerimonial Público e das atividades de integração 
dasações do Poder Executivo; supervisão da correspondência 
oficial do Prefeito e da organização do seu acervo documental 
privado; organização e administração do processo legislativo a 
cargo do Prefeito Municipal, inclusive para exame da 
compatibilidade das propostas com as diretrizes do Governo 
Municipal; supervisão das atividades administrativas da Sede da 
Prefeitura; articulação entre a Instituição e o servidor municipal, 
em especial para capacitá-lo ao recebimento de reclamações e 
sugestões de melhoria dos serviços; ações em defesa do 
consumidor; edição do Diário Oficial do Município. 
4 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE GOVERNO 
Assistência direta e assessoramento ao Prefeito no desempenho de 
suas atribuições, mediante a proposição de diretrizes de 
reorganização administrativa para a consolidação do 
Desenvolvimento Institucional e o cumprimento das deliberações 
do Conselho Municipal de Gestão Estratégica, com a geração e o 
monitoramento de indicadores de desempenho e instrumentos 
avaliadores; auxílio à instituição e reorganização de Sistemas e 
verificação do seu pleno e efetivo funcionamento; estabelecimento 
de normas para a padronização de atos administrativos; análise 
prévia, com o concurso da Procuradoria Geral do Município, da 
legalidade de contratos, convênios e ajustes em geral no âmbito da 
Administração do Município. 
5 GABINETE MILITAR 
Planejamento, coordenação e execução das ações de segurança 
pessoal do Prefeito, do Vice-Prefeito e respectivas famílias, bem 
como das autoridades e visitantes da sede da Prefeitura Municipal; 
segurança institucional dos imóveis ocupados pela Administração 
Municipal e das residências oficiais do Prefeito e do Vice-Prefeito; 
coordenação da Guarda Municipal Metropolitana; formulação e 
articulação da Política Municipal de Defesa Civil compatibilizando-a 
com as atividades sistêmicas em níveis estadual e federal. 
6 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE COMUNICAÇÃO 
Planejamento e implementação da Política de Comunicação Social 
do Município, mediante a coordenação e o controle das ações de 
comunicação no âmbito da Administração Municipal; divulgação 
das ações municipais de governo e promoção da publicidade 
institucional da Prefeitura, em articulação com os diversos meio de 
comunicação. 
7 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE PROJETOS ESPECIAIS E 
GESTÃO TECNOLÓGICA 
Formulação e implementação de políticas de capta ção de recursos 
nacionais e internacionais, desencadeando ações fortalecedoras 
voltadas ao desenvolvimento socioeconômico municipal dentro de 
um processo de consolidação de cadeias produtivas na cidade de 
Manaus; formulação e articulação da política de gestão tecnológica 
no âmbito da Administração Municipal. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 111 
 
 
N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 
8 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE ASSUNTOS 
FEDERATIVOS 
Representação institucional da Prefeitura de Ma naus na Capital 
Federal nas relações que visem o desenvolvimento econômico do 
Município junto a ÓRGÃOS governamentais e agências de 
desenvolvi mento, nacionais e internacionais; assessoramento a 
investidores nacionais e estrangeiros; apoio material e logístico a 
servidores em missão de interesse dos ÓRGÃOS e entidades do 
Poder Executivo. 
9 
 
GABINETE DO VICE-
PREFEITO 
 
Assistência direta e assessoramento ao Vice-Prefeito no seu 
relacionamento com as autoridades, em especial parlamentares, 
com o público em geral ÓRGÃOS e entidades da Administração 
Municipal,dos Governos Estadual e Federal e de outros Estados e 
Municípios; supervisão da correspondência oficial do Vice-Prefeito 
e da organização do seu acervo documental privado. 
10 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE FINANÇAS E CONTROLE 
INTERNO 
 
Organização, gerenciamento e disciplina dos processos de 
arrecadação, orçamento, execução financeira e contabilidade 
pública; elaboração do Balanço Geral do Município, com a 
proposição de medidas objetivando a consolidação das 
informações financeiras e contábeis dos diversos setores do Poder 
Executivo; coordenação geral, orientação normativa, supervisão 
técnica e realização de atividades inerentes ao Controle Interno no 
âmbito da Administração Municipal. 
11 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE PLANEJAMENTO 
 
Formulação e implementação do Sistema de Planeja mento do 
Poder Executivo, com a geração, guarda dos os prazos legais, dos 
seus instrumentos; formulação de política de incentivos fiscais para 
o fortalecimento da economia do Município; realização de estudos 
e pesquisas de acompanhamentos da conjuntura socioeconômica 
para subsidiar a formulação de políticas públicas municipais. 
12 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE ADMINISTRAÇÃO 
 
Planejamento,coordenação e supervisão da execução das 
atividades relativas modernização administrativa, a gestão de 
pessoal, patrimônio, recursos logísticos e transportes no âmbito do 
Poder Executivo, provendo e garantindo o perfeito 
desenvolvimento dos serviços municipais e assegurando a perfeita 
integração dos Sistemas; organização, catalogação e guarda do 
acervo documental da Prefeitura de Manaus; administração do 
Arquivo Público Municipal. 
13 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE SAÚDE 
 
Planejamento, orientação normativa, coordenação e controle da 
execução da Política Municipal de Saúde pelos ÓRGÃOS e 
instituições públicas e privadas, no âmbito municipal, integrantes 
do Sistema Único de Saúde; promoção de políticas de 
desenvolvimento da Saúde no âmbito municipal, me diante a 
execução de ações integradas de atenção à Saúde individual e 
coletiva, de vigilância em Saúde, de controle de endemias e de 
qualificação e valorização dos servidores do setor. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 112 
 
 
N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 
14 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE EDUCAÇÃO 
 
Formulação, supervisão, coordenação, e avaliação da Política 
Municipal de Educação, em conformidade com a Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional; planejamento, coordenação, controle 
e execução de atividades com vistas a prover os re cursos 
necessários, métodos e profissionais para oferecer à sociedade 
serviços educacionais de elevado padrão de qualidade, adequados 
às diversas faixas etárias e níveis Educação Infantil e Ensino 
Fundamental, garantindo dignidade e qualidade de vida aos 
cidadãos do Município. 
15 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E 
DIREITOS HUMANOS 
 
Formulação, coordenação e execução da Política Municipal de 
Assistência Social, respeitados os princípios e diretrizes da Lei 
Orgânica Nacional específica de modo a promover o 
desenvolvimento humano no Município, tendo como meta a 
melhoria de qualidade de vida das camadas mais necessita das da 
população, com ênfase aos segmentos da criança, da mulher, do 
idoso e de portadores de necessidades especiais, garantido-lhes o 
pleno exercício dos direitos humanos. 
16 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DO TRABALHO E 
DESENVOLVIMENTO 
SOCIAL 
 
Planejamento, coordenação, articulação e implementação das 
políticas de desenvolvimento social e do trabalho, articulação e 
mobilização das ações governamentais voltadas para a promoção 
da cidadania, emprego e renda, em especial a qualificação 
profissional, a cultura empreendedora e a garantia da manutenção 
dos direitos humanos, em interação com as instituições públicas e 
privadas entidades do terceiro setor e outros segmentos da 
sociedade. 
17 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DO MEIO AMBIENTE E 
SUSTENTABILIDADE 
 
Formulação e implementação da Política Municipal do Meio 
Ambiente em consonância com as diretrizes estabelecidas pela 
Política Nacional do setor proposição e avaliação de políticae 
normas, de finição de estratégias,objetivando a preservação, o 
ordenamento e a qualidade de vida, visando as segurar condições 
ao desenvolvimento sócioeconô mico, dentro, das diretrizes do 
Desenvolvimento Sustentável no Município de Manaus. 
18 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE DESPORTO, LAZER E 
JUVENTUDE 
 
Formulação de políticas, proposição de diretrizes e coordenação da 
implementação de ações públicas, diretamente ou em parceria 
com entidades públicas e privadas, de programas, projetos e 
atividades voltadas para o atendimento aos jovens e para o 
desporto e lazer da população; coordenação da implementação de 
ações municipais voltadas à aquisição de conhecimento e à 
descoberta de aptidões e competências pelos jovens, que possam 
constituir a base do seu desenvolvimento e facilitar sua integração 
na sociedade; apoio a iniciativas da sociedade civil que visem ao 
fortalecimento da auto-organização dos jovens, em suas diversas 
formas de manifestação. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 113 
 
 
N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 
19 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE PRODUÇÃO E 
ABASTECIMENTO 
Planejamento, coordenação e execução de ações, no âmbito 
municipal, relativas a produção, abasteci mento, vigilância, defesa 
sanitária e inspeção de produtos de origem animal ou vegetal; 
fortaleci mento, desenvolvimento e estimulo a mecanismos para a 
comercialização de produtos agropecuários, de pesca e da 
aquicultura, incentivando a produção da agricultura familiar e a 
organização de cooperativismo e associativismo no âmbito 
municipal. 
20 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE LIMPEZA URBANA 
Formulação e implementação da política de limpeza pública através 
de métodos de coleta convencional e seletiva nas áreas de atuação 
municipal e sua destinação final; manutenção de jardins, 
logradouros e cemitérios, preservando a saúde coletiva e de meio 
ambiente. 
21 
 
SECRETARIA MUNICIPAL 
DE INFRAESTRUTURA 
Desenvolvimento dos planos estratégicos para implementação das 
políticas de infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento 
básico, drenagem, abastecimento d’água, obras públicas e 
urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismo de 
implantação, acompanhamento e avaliação; pro moção da 
articulação nas suas áreas de atuação entre ÓRGÃOS e entidades 
municipais, estaduais, federais e privadas; acompanhamento, 
fiscalização e recebimento de obras e serviços de engenharia de 
interesse das Administrações Direta, Indireta e Fundacional. 
 
Com a finalidade de contextualizar neste Plano, algumas das instituições 
mencionadas serão analisadas com maior detalhe. 
5.3.1 Secretaria Municipal de Infraestrutura 
Com atuação direta na área de drenagem urbana foi criada, pelo Decreto Municipal 
Nº 0147, de 05 de junho de 2009, a Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF, em 
substituição da extinta Secretaria Municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação – 
SEMOSBH, por sua vez objeto da Lei n.º 936, de 20 de janeiro de 2006. 
A SEMINF é responsável pelo desenvolvimento da estratégia para implementação de 
infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento básico, drenagem, obras públicas e 
urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismos de implantação, 
acompanhamento e avaliação. Nos termos específicos da Lei nº 1.314, de 04 de março de 
2009, a Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF integra a Administração Direta da 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 114 
 
 
Prefeitura de Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o 
cumprimento das seguintes finalidades: 
I – desenvolvimento dos planos estratégicos para implementação das políticas de 
infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento básico, drenagem, abastecimento 
d’água, obras públicas e urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismos 
de implantação, acompanhamento e avaliação; 
II – promoção da articulação nas suas áreas de atuação entre órgãos e entidades 
municipais, estaduais, federais e privadas; 
III – acompanhamento, fiscalização e recebimento de obras e serviços de engenharia de 
interesse das Administrações Direta, Indireta e Fundacional. 
Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à SEMINF: 
I – planejamento, coordenação, articulação e implementação das políticas de 
infraestrutura do Município de Manaus; 
II – execução direta, com recursos próprios ou em cooperação com a União, o Estado ou 
a iniciativa privada, de obras de: 
a) abertura, pavimentação e conservação de vias; 
b) drenagem pluvial e saneamento básico; 
c) construção de estradas e parques; 
d) conservação de estradas; 
e) construção e conservação de estradas vicinais; 
f) edificação e conservação de prédios públicos municipais; 
III – implementação da política de desenvolvimento urbano do Município, dentro das 
suas competências; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 115 
 
 
IV – supervisão e fiscalização das atividades relativas ao desenvolvimento, 
acompanhamento e execução de projetos de infraestrutura urbana, mediante 
interdições, embargos e realização de demolições administrativas, quando necessárias, 
de acordo com as etapas previstas na legislação urbana vigente; 
V – elaboração de planos diretores e modelos de gestão compatíveis com as ações de 
desenvolvimento, programadas no âmbito das unidades de drenagem, esgotamento 
sanitário, abastecimento d’água, habitação e obras públicas; 
VI – desenvolvimento de planos estratégicos para implementação das políticas de 
infraestrutura, com o estabelecimento de prioridades e a definição de mecanismos de 
implantação, acompanhamento e avaliação; 
VII – definição da política de saneamento para o Município de Manaus, em especial água 
e esgoto, considerados os indicadores sociais; 
VIII – promoção da integração das ações programadas para a área de habitação, pelos 
Governos federal e estadual e pelas comunidades, e monitoramento das questões 
relacionadas ao déficit habitacional, que permitam a definição correta de prioridades, 
critérios e integração setorial e a construção de unidades habitacionais, decorrentes de 
políticas estabelecidas pelo Município. 
A SEMINF é dirigida por um secretário municipal, com o auxílio de um subsecretário 
de obras públicas e de um subsecretário de serviços básicos, a SEMINF tem a seguinte 
estrutura operacional: 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 116 
 
 
 
Figura 5.2. Organograma da SEMINF. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 117 
 
 
I – ÓRGÃOS VINCULADOS 
a) Unidade de Gerenciamento do Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão 
Sócio-Ambiental de Manaus 
b) Unidade Executora do Programa de Infraestrutura Urbana e Ambiental de Manaus 
(UEP) 
c) Comissão de Licitação 
II – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO 
a) Gabinete do Secretário 
b) Assessoria Técnica 
III – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO 
a) Departamento Administrativo e Financeiro 
1. Divisão de Transportes 
2. Divisão de Patrimônio, Material e Serviços 
3. Divisão de Informática 
4. Gerência de Finanças 
5. Gerência de Pessoal 
IV – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES FINALÍSTICAS 
a) SUBSECRETARIA DE OBRAS PÚBLICAS 
1. Departamento Técnico-Operacional 
1.1 Divisão de Projetos Públicos 
1.2 Divisão de Acompanhamento de Obras Públicas 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIOPARCIAL DA ETAPA 1 118 
 
 
1.3 Divisão de Programas Habitacionais 
1.4 Divisão de Orçamento e Apoio Técnico 
b) SUBSECRETARIA DE SERVIÇOS BÁSICOS 
1. Departamento de Manutenção de Infraestrutura Urbana 
1.1 Divisões Distritais – São José, Jorge Teixeira, Cidade de Deus, Morro da Liberdade, 
Santa Etelvina, Coroado, Petrópolis, Alvorada, Novo Israel, Cidade Nova, Colônia Antônio 
Aleixo, Compensa, Central 
1.2 Divisão de Obras Civis 
1.3 Divisão de Acompanhamento de Serviços Básicos 
1.4 Divisão de Dragagem e Drenagem 
1.4.1 Gerência de Artefatos de Concreto 
As unidades da estrutura operacional da SEMINF mencionadas acima têm como 
principais competências: 
I – UNIDADE DE GERENCIAMENTO DO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO URBANO 
E INCLUSÃO SÓCIO-AMBIENTAL DE MANAUS: cumprimento das competências dispostas na 
legislação e atos específicos. 
II – UNIDADE EXECUTORA DO PROGRAMA DE INFRAESTRUTURA URBANA E 
AMBIENTAL DE MANAUS: cumprimento das competências dispostas na legislação e atos 
específicos. 
III – COMISSÃO DE LICITAÇÃO: cumprimento das competências dispostas na 
legislação e atos específicos. 
IV – GABINETE DO SECRETÁRIO: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 119 
 
 
a) coordenação da representação social e política do Secretário Municipal e dos 
Subsecretários; 
b) assistência ao titular da Pasta em suas atribuições técnicas e administrativas, 
mediante controle da agenda; 
c) coordenação do fluxo de informações, divulgando as ordens do Secretário e as 
relações públicas de interesse da Secretaria; 
d) recebimento e distribuição das correspondências enviadas; 
e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
V – ASSESSORIA TÉCNICA: 
a) assessoramento técnico especializado a todas as unidades da Secretaria, podendo 
este abranger as áreas jurídica, tecnológica, de comunicação, de planejamento, de 
acompanhamento de convênios, além de outras, de acordo com as especificidades 
funcionais que atendam as necessidades da Secretaria, demandadas pelo 
Secretário; 
b) elaboração de pareceres, laudos técnicos e notas técnicas, de acordo com a área 
funcional; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VI – DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO: 
a) coordenação, programação, monitoramento e avaliação das atividades financeiras, 
contábeis e de execução orçamentária de programas, projetos, convênios, contratos e 
acordos de cooperação técnica entre as diversas áreas da Secretaria; 
b) acompanhamento da elaboração do Plano Plurianual e do Orçamento Anual de 
acordo com a legislação vigente, em conjunto com os órgãos próprios da Prefeitura; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 120 
 
 
c) acompanhamento da prestação de contas anual e da inserção mensal de 
informações no sistema de Auditoria de Contas Públicas – ACP/Captura, ao Tribunal de 
Contas do Amazonas – TCE/AM; 
d) planejamento, orientação e fiscalização dos processos de manutenção e aquisição 
de material e serviços, assim como o controle dos bens patrimoniais necessários ao 
funcionamento da Secretaria; 
e) coordenação da gestão de pessoal; 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VII – DIVISÃO DE TRANSPORTES: 
a) administração dos processos relativos ao controle, manutenção e reparo de 
veículos pertencentes à Secretaria; 
b) execução e manutenção dos serviços mecânicos de máquinas, equipamentos e 
veículos pesados da Secretaria; 
c) planejamento e controle diário do estoque e consumo de combustível; 
d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VIII – DIVISÃO DE PATRIMÔNIO, MATERIAL E SERVIÇOS: 
a) programação, execução e supervisão das atividades relativas almoxarifado e 
patrimônio da Secretaria; 
b) execução, orientação e fiscalização dos serviços de manutenção, conservação, 
segurança e limpeza nas dependências da Secretaria; 
c) acompanhamento e controle da transferência de bens móveis, assim como a 
elaboração do inventário anual de bens móveis da Secretaria; 
d) execução das atividades relacionadas ao recebimento, conferência, classificação, 
controle, guarda e distribuição de material; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 121 
 
 
e) zelo pelo armazenamento, organização, fornecimento, reposição, segurança e 
preservação do estoque de material, procedendo ao controle físico e financeiro; 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
IX – DIVISÃO DE INFORMÁTICA: 
a) desenvolvimento e atualização dos programas e sistemas em conjunto com o 
órgão próprio da Prefeitura, visando o atendimento das necessidades da Secretaria relativas 
à informática; 
b) análise da viabilidade técnica e funcional para a elaboração de projetos referentes 
à contratação de serviços de informática e aquisição de equipamentos tecnológicos, 
encaminhando-os à unidade administrativa competente; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
X – DEPARTAMENTO TÉCNICO-OPERACIONAL: 
a) planejamento e coordenação da elaboração de Projetos de intervenção de 
arquitetura e desenho urbano, visando abertura, pavimentação e conservação de vias, 
drenagem pluvial, saneamento básico, construção e conservação de estradas, construção de 
parques, jardins, hortos florestais, construção e conservação de estradas vicinais, 
implantação de Programas habitacionais, edificação e conservação de prédios públicos 
municipais; 
b) coordenação da elaboração de orçamentos de custos de projetos para serem 
licitados e de pareceres técnicos quanto a projetos de obras e serviços executados; 
c) planejamento e coordenação das atividades do arquivo técnico, dados de 
referência e documentação; 
d) planejamento e coordenação do desenvolvimento de projetos de intervenção de 
arquitetura e de desenho urbano, na área de atuação da Secretaria; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 122 
 
 
e) coordenação da elaboração e emissão de pareceres técnicos quanto a projetos de 
obras e serviços executados pela SEMINF; 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XI – DIVISÃO DE PROJETOS PÚBLICOS: 
a) elaboração de projetos de intervenção de arquitetura e de desenho urbano, 
visando abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial, saneamento 
básico, construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins, hortos 
florestais, construção e conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de 
prédios públicos municipais; 
b) elaboração e emissão de pareceres técnicos quanto a projetos de obras e serviços 
executados; 
c) articulação com órgãos e entidades municipais, de outras esferas do Governo e de 
iniciativa privada com o objetivo de obter as informações necessárias ao desenvolvimento 
dos projetos de arquitetura, de instalações e desenho urbano de acordo com as normas 
vigentes, bem como compatibilizá-los com as ações programadas e em curso; 
d) supervisão da elaboração, acompanhamento e avaliação dos planos, programas e 
Termo de Referência, necessários à formulação dos projetos; 
e) promoção de mecanismos que assegurem a correta implantação dos projetos 
especiais, de arquitetura e desenho urbano, de acordo com objetivos propostos e requisitos 
técnicos indicados; 
f) estabelecimento de medidas visando os ajustes necessários nos projetos na fase de 
implantação do mesmo; 
g) exercício de outrascompetências correlatas, em razão de sua natureza; 
XII – DIVISÃO DE ACOMPANHAMENTO DE OBRAS PÚBLICAS: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 123 
 
 
a) gestão da fiscalização dos serviços técnicos concernentes a abertura, 
pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial, saneamento básico, construção e 
conservação de estradas, construção de parques, jardins, hortos florestais, construção e 
conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de prédios públicos municipais; 
b) controle das faturas inerentes às obras e comprovação do recebimento definitivo e 
provisório das mesmas; 
c) emissão de ordens de serviços, laudos, pareceres técnicos, atestado de capacidade 
técnica, de visita; 
d) promoção do exame e controle da execução das camadas de pavimento segundo 
projeto aprovado e normas pré-estabelecidas; 
e) fornecimento aos contratados dos meios necessários à execução das obras, 
fiscalizando o fiel cumprimento das normas e especificações em vigor para os serviços de 
manutenção e conservação; 
f) lavratura e expedição de autos de infração, notificação, termo de embargo, 
interdição, termo de apreensão aos infratores, em assuntos relacionados a infraestrutura 
urbana, conforme recomendação existentes nos processos administrativos específicos; 
g) fiscalização das intervenções de infraestrutura em áreas públicas nos loteamentos 
aprovados; 
h) promoção da demolição administrativa total ou parcial de obra irregular, 
observando o cumprimento das normas urbanísticas vigentes; 
i) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XIII – DIVISÃO DE PROGRAMAS HABITACIONAIS: 
a) elaboração, coordenação, implantação, acompanhamento e avaliação de 
programas e projetos habitacionais do Município, conforme diretrizes e políticas do Governo 
Municipal, 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 124 
 
 
b) cadastramento de fontes de recursos para o desenvolvimento de programas 
habitacionais e de assentamentos; 
c) coordenação com os órgãos municipais afins, de medidas e esforços, visando 
efetividade das ações de urbanização, remanejamento e outras formas de melhoria das 
condições habitacionais da população de baixa renda; 
d) compatibilização dos diversos programas habitacionais, de interesse social, para 
erradicação de condições subumanas de moradia; 
e) pesquisas junto a órgãos e entidades afins, de tecnologias alternativas de 
construção civil, buscando sua adequação e compatibilização a realidade cultural e 
econômica do Município; 
f) articulação com órgãos estaduais afins para a otimização dos recursos e esforços a 
efetivação dos programas habitacionais; 
g) articulação com entidades públicas e privadas de fomento, visando a identificação 
de formas de viabilização social e financeira dos programas habitacionais; 
h) sugestão de construção de habitações individuais ou coletivas ao alcance do poder 
aquisitivo de famílias de escassos recursos econômicos; 
i) realização de estudos e projetos com o intuito de eliminar, das áreas urbanas, as 
construções e habitações insalubres ou perigosas; 
j) formulação de planos gerais para a construção, higienização, reparação e 
ampliação de habitações populares, usando técnica de esforço próprio e de ajuda mútua e 
estimulação da execução de obras de urbanização, saneamento urbano e serviço comum 
necessário; 
k) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XIV – DIVISÃO DE ORÇAMENTO E APOIO TÉCNICO: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 125 
 
 
a) elaboração de orçamento de projetos, com as respectivas composições de custos 
de serviços de engenharia e arquitetura; 
b) realização de cotações de preços dos insumos utilizados nos orçamentos de obras; 
c) execução de atividades de documentação e dados (referência e processamento), 
apoio documental e informacional à Secretaria; 
d) informatização dos registros existentes no arquivo técnico, em articulação com a 
Divisão de Informática, visando a criação de sistema de controle de informações técnicas, no 
âmbito da Administração Pública Municipal, na área de atuação da SEMINF; 
e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XV – DEPARTAMENTO DE MANUTENÇÃO DE INFRAESTRUTURA URBANA: 
a) coordenação, supervisão e acompanhamento da execução das atividades de 
abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial e saneamento básico, 
construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins e hortos florestais, 
construção e conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de prédios públicos 
municipais; 
b) coordenação da manutenção e conservação do sistema de micro e macro 
drenagem, mantendo seu controle cadastral; 
c) coordenação de todas as atividades realizadas pelas Divisões Distritais; 
d) análise dos assuntos relacionados a prestadores de serviços de obras civis e 
atividades relacionadas à prestação de serviços de locação de equipamentos leves e 
pesados; 
e) coordenação de atividades de pavimentação, terraplanagem, dragagem, 
drenagem, artefatos de concreto e material betuminoso. 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 126 
 
 
XVI – DIVISÕES DISTRITAIS – SÃO JOSÉ, JORGE TEIXEIRA, CIDADE DE DEUS, MORRO 
DA LIBERDADE, SANTA ETELVINA, COROADO, PETRÓPOLIS, ALVORADA, NOVO ISRAEL, 
CIDADE NOVA, COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO, COMPENSA, CENTRAL: 
a) planejamento da execução dos serviços, tendo por base as condições climáticas, 
recursos financeiros disponíveis e prioridades estabelecidas pela Secretaria; 
b) colaboração com serviços de pesquisa e dimensionamento dos pavimentos; 
c) elaboração de estudos e projetos de pavimentação das vias a cargo da Secretaria; 
d) supervisão, acompanhamento e fiscalização dos serviços de manutenção e 
conservação da cidade, em articulação com as unidades administrativas específicas da 
Secretaria, fazendo cumprir as respectivas normas, especificações e cronograma; 
e) fiscalização da execução e controle da qualidade do concreto asfáltico e demais 
pavimentos fornecidos por terceiros; 
f) apresentação mensal de relatório técnico, para auxílio na elaboração de planos e 
programas relacionados com a implantação, pavimentação e conservação de vias; 
g) promoção das avaliações, medições e respectivos cálculos dos serviços 
executados; 
h) indicação do tipo de pavimentação a ser adotado, em cada via, ou a sua 
modificação, com base em estudos técnicos e econômicos; 
i) estudos sobre os revestimentos determinando a causa do desgaste e 
envelhecimento, bem como o custo e época de reposição; 
j) coordenação, orientação e controle da manutenção da rede viária municipal para 
sua conservação; 
k) elaboração e proposição de normas, instruções e especificações técnicas dos 
materiais para os serviços de sua competência; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 127 
 
 
l) estudo, execução e atualização das composições e tabelas de preços dos serviços 
de pavimentação; 
m) distribuição, controle e mensuração da utilização e do tráfego de máquinas, 
equipamentos, caçambas e caminhões, inclusive os alugados; 
n) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. 
As divisões distritais e respectivas áreas de abrangência são mostradas no mapa 
apresentado no Anexo 18. 
Conforme apurações,destes distritos, o Central é sem dúvida o mais bem 
estruturado e equipado, com capacidade de realizar obras de médio e grande porte, dando 
apoio às demais regionais neste aspecto, tendo gerência de drenagem, asfalto, obras 
diversas, etc. 
Ainda assim, a quantidade de equipamentos e pessoal é reduzida para o vulto de 
obras requeridas. As demais regionais executam principalmente serviços de desobstrução e 
pequenas manutenções. 
Para as obras de dragagens, a Regional Central conta com 3 escavadeiras hidráulicas 
e 3 caçambas de médio porte. Para as obras de drenagem dispõe de: 4 retro-escavadeiras, 4 
caçambas pequenas, 1 munk, 4 kombis, 1 pá-escavadeira, 1 caminhão de hidrojateamento. 
Grande parte da areia retirada nesta atividade é transporta para o distrito para posterior 
utilização nos serviços de reaterro de valas, principalmente no inverno, quando não tem 
argila em condições satisfatórias de uso. 
A equipe do distrito central também executa serviços de manutenção nas estruturas 
da macrodrenagem, alem de contenções por rip-rap. Os serviços de manutenção são 
realizados na maioria dos casos de forma manual. Existe apenas um equipamento de 
desobstrução por hidrojateamento. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 128 
 
 
Os serviços que ultrapassam as fronteiras dos distritos operacionais são de 
responsabilidade do distrito onde foi gerada a Ordem de Serviço, incluindo todos os custos 
de recomposição. 
XVII – DIVISÃO DE OBRAS CIVIS: 
a) manutenção e conservação de obras civis públicas, executadas na cidade; 
b) recuperação, ampliação ou melhoramento dos prédios municipais e obras 
comunitárias; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XVIII – DIVISÃO DE ACOMPANHAMENTO DE SERVIÇOS BÁSICOS: 
a) planejamento da aplicação dos materiais e serviços desta Secretaria; 
b) controle e apropriação de horas de máquinas e equipamentos utilizados nesta 
Secretaria; 
c) emissão de relatório técnico-mensal, para auxílio na elaboração de planejamento 
para aplicação de materiais no âmbito da SEMINF; 
d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XIX – DIVISÃO DE DRAGAGEM E DRENAGEM: 
a) execução de atividades de dragagem; 
b) emissão de pareceres técnicos quanto aos serviços executados; 
c) desenvolvimento de detalhes de projetos de micro e macro drenagem; 
d) desenvolvimento de projetos de ampliação ou reforma da rede de drenagem; 
e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. 
Além das atribuições insertas no artigo 86 e seus incisos da Lei Orgânica do Município 
de Manaus, ao Secretário Municipal de Infraestrutura é atribuído: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 129 
 
 
I – exercer as funções estratégicas de planejamento, orientação, coordenação, 
controle e revisão no âmbito de sua atuação, de modo a oferecer condições de tramitação 
mais rápida de processos na esfera administrativa e decisória; 
II – propor, para aprovação do Chefe do Poder Executivo, projetos, programas e 
planos de metas da Secretaria; 
III – estabelecer o Plano Anual de Trabalho da Pasta e as diretrizes para a Proposta 
Orçamentária do exercício seguinte; 
IV – elaborar a Proposta Orçamentária Anual do órgão, observadas as diretrizes e 
orientações governamentais; 
V – ordenar as despesas da Secretaria, podendo delegar tal atribuição, através de ato 
específico; 
VI – deliberar sobre assuntos da área administrativa e de gestão econômico-
financeira no âmbito do órgão; 
VII – propor aos órgãos competentes a alienação de bens patrimoniais e de material 
inservível sob administração da Secretaria; 
VIII – promover, por ato próprio a designação de servidores para as Funções 
Gratificadas do órgão, com a denominação do Setor e as atribuições do Titular; 
IX – assinar, com vistas à consecução dos objetivos do órgão e respeitada a legislação 
aplicável, convênios, contratos e demais ajustes com pessoas físicas ou jurídicas, nacionais 
ou estrangeiras. 
X – aprovar o Manual de Organização da Secretaria Municipal de Infraestrutura. 
São atribuições dos Subsecretários auxiliarem diretamente o Secretário no 
desempenho de suas atribuições, através da supervisão das atividades dos servidores e 
órgãos que lhe são subordinados; planejamento, coordenação e avaliação dos planos e 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 130 
 
 
programas em suas áreas de competência e substituí-lo, conforme designação, em seus 
impedimentos e afastamentos legais. 
 
5.3.2 Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) 
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) foi fundada em 1979. Funcionava na sede da 
Secretaria Municipal de Limpeza Pública, à qual era subordinada. Em 1989, foi implantada 
definitivamente a Secretaria de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), por força do decreto 
que instituiu a Lei Municipal no. 2.021, de 12 de julho. A Secretaria continuou funcionando 
na sede da Limpeza Publica e, em 1990, transferiu-se para o antigo balneário do Parque Dez 
de Novembro. 
Através da Lei Municipal n° 175, de 10 de março de 1993, teve sua estrutura e 
nomenclatura alteradas e passou a se chamar Sedema, órgão vinculado ao Sistema Nacional 
do Meio Ambiente – SISNAMA, com a finalidade principal de formular e executar a Política 
Municipal de Meio Ambiente, em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Lei no. 
6.938, de 31 de agosto de 1981, e alterações posteriores, que estabelecem a Política 
Nacional do Meio Ambiente. Em 2005, passou a se chamar Secretaria Municipal de Meio 
Ambiente (Semma) e teve a sede transferida para a Avenida André Araújo, 1.500, bairro 
Aleixo. A partir de 2009, passou teve a nomenclatura modificada para Secretaria Municipal 
de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). 
Nos termos da Lei n.o 1.314, de 04 de março de 2009, a Secretaria Municipal de Meio 
Ambiente e Sustentabilidade – SEMMAS integra a Administração Direta da Prefeitura de 
Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o cumprimento das 
seguintes finalidades: 
I – formulação e implementação da Política Municipal do Meio Ambiente em 
consonância com as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional do setor proposição e 
avaliação de políticas e normas, definição de estratégias, objetivando a preservação, o 
ordenamento e a qualidade de vida, visando assegurar condições ao desenvolvimento sócio-
econômico, dentro das diretrizes do Desenvolvimento Sustentável do Município de Manaus. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 131 
 
 
Parágrafo Único: Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à 
SEMMAS: 
I – planejamento da implementação da Política do Meio Ambiente e Sustentabilidade 
através de ações administrativas; 
II – elaboração de Planos Diretores e modelos de gestão compatíveis com as ações de 
desenvolvimento programados para o meio ambiente; 
III – coordenação das ações dos órgãos que compõem o Sistema Municipal de Meio 
Ambiente – SIMMA; 
IV – gestão Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente – FMDMA, 
relativamente aos aspectos técnicos, administrativos e financeiros; 
V – recomendação, quando necessária, ao Conselho Municipal de Meio Ambiente – 
COMDEMA normas, critérios, parâmetros, padrões, limites, índices e métodos para o uso 
dos recursos ambientais do Município; 
VI – apoio técnico, administrativo e financeiro ao Conselho Municipal de Meio 
Ambiente; 
VII – desenvolvimento,com a participação dos órgãos e entidades do SIMMA, o 
zoneamento ambiental; 
VIII – manifesto, mediante estudos e pareceres técnicos, sobre questões de interesse 
ambiental para a população; 
IX – execução de medidas administrativas que resultem na iniciativa dos órgãos 
legitimados para sugestão de medidas judiciais cabíveis no intuito de coibir, punir e 
responsabilizar os agentes potencialmente ou definitivamente poluidores e/ou 
degradadores do meio ambiente; 
X – autuação, em caráter permanente, na recuperação de áreas e recursos 
ambientais poluídos ou degradados; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 132 
 
 
XI – controle e fiscalização das condições de uso de balneários, parques, áreas de 
recreação e logradouros de uso público; 
XII – licenciamento de obras, edificações, reformas e loteamentos, no âmbito de sua 
atuação; 
XIII – fiscalização e controle preventivo de serviços com potencial de impacto ou 
passíveis de gerar comprometimento do meio ambiente; 
XIV – monitoramento tecnológico dos recursos ambientais apoiados no uso da 
tecnologia da informação e geotecnologias; 
XV – elaboração de planos, programas e projetos de proteção, recuperação, 
conservação, preservação e melhoria da qualidade ambiental do Município, bem como a 
aplicação da legislação que regula a matéria; 
XVI – apresentação de propostas para a criação e gerenciamento das unidades de 
conservação municipais, implementando os planos de manejo; 
XVII – manutenção das condições ambientais nas unidades de conservação e 
fragmentos florestais urbanos, sob sua responsabilidade, bem como nas áreas verdes; 
XVIII – articulação com as esferas federal, estadual, municipal e organizações 
nãogovernamentais para a execução coordenada e 
obtenção de financiamentos para implantação de programas relativos à preservação, 
conservação e recuperação dos recursos ambientais; 
XIX – apoio às ações das organizações da sociedade civil que tenham a questão 
ambiental entre seus objetivos; 
XX – promoção e apoio à educação ambiental; 
 
O organograma da Semmas é mostrado na Figura 5.3. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 133 
 
 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 134 
 
 
 
Figura 5.3. Organograma da SEMMAS. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 135 
 
 
De acordo com o organograma e a Lei de Criação, é dirigida por um Secretário 
Municipal, com o auxílio de um Subsecretário, e possui a seguinte estrutura operacional: 
I – ÓRGÃOS COLEGIADOS 
a) Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente 
II – ÓRGÃOS VINCULADOS 
a) Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente 
III – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO 
a) Assessoria Jurídica 
b) Assessoria Técnica 
c) Gabinete do Secretário 
IV – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO 
a) Departamento Administrativo e Financeiro 
1. Divisão de Administração e Finanças 
V – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES 
FINALÍSTICAS 
a) Departamento de Qualidade e Controle Ambiental 
1. Divisão de Licenciamento, Monitoramento e Fiscalização Ambiental 
b) Departamento de Arborização, Paisagismo, Gestão Territorial Ambiental e Áreas 
Protegidas 
1. Divisão de Parques, Praças e Jardins 
2. Divisão de Áreas Protegidas 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 136 
 
 
3. Divisão de Dados e Projetos Ambientais 
 
5.3.3 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA 
Embora o Ibama seja um órgão que não pertença à Prefeitura de Manaus, em vista 
de sua atuação sobre áreas de preservação, como as margens de rios, por exemplo, será 
destacada neste estudo. 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) 
é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, autonomia 
administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, conforme art. 2º da 
Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989. Este órgão tem como finalidade: 
I - exercer o poder de polícia ambiental; 
II - executar ações das políticas nacionais de meio ambiente, referentes às atribuições 
federais, relativas ao licenciamento ambiental, ao controle da qualidade ambiental, à 
autorização de uso dos recursos naturais e à fiscalização, monitoramento e controle 
ambiental, observadas as diretrizes emanadas do Ministério do Meio Ambiente; e 
III - executar as ações supletivas de competência da União, de conformidade com a 
legislação ambiental vigente (Redação dada pela Lei nº 11.516, de 28 de agosto de 2007). 
O Ibama, com sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional, é 
administrado por um presidente e por cinco diretores. 
Sua estrutura organizacional compõe-se de: Presidência; Diretoria de Planejamento, 
Administração e Logística; Diretoria de Qualidade Ambiental; Diretoria de Licenciamento 
Ambiental; Diretoria de Proteção Ambiental; Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade 
e Florestas; Auditoria; Corregedoria; Procuradoria Federal Especializada; Superintendências; 
Gerências Executivas; Escritórios Regionais; e Centros Especializados. O organograma desta 
instituição é apresentado na Figura 5.4. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 137 
 
 
 
Figura 5.4. Organograma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (Fonte: www.ibama.gov.br). 
 
Cabe ao Ibama as seguintes atribuições: 
- propor e editar normas e padrões de qualidade ambiental; 
- o zoneamento e a avaliação de impactos ambientais; 
- o licenciamento ambiental, nas atribuições federais; 
- a implementação do Cadastro Técnico Federal; 
- a fiscalização ambiental e a aplicação de penalidades administrativas; 
- a geração e disseminação de informações relativas ao meio ambiente; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 138 
 
 
- o monitoramento ambiental, principalmente no que diz respeito à prevenção e 
controle de desmatamentos, queimadas e incêndios florestais; 
- o apoio às emergências ambientais; 
- a execução de programas de educação ambiental; 
- a elaboração do sistema de informação e o estabelecimento de critérios para a 
gestão do uso dos recursos faunísticos, pesqueiros e florestais; dentre outros. 
Para o desempenho de suas funções, o Ibama em diversas situações atua em 
articulação com os órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios integrantes do Sisnama e com a sociedade 
civil organizada, para a consecução de seus objetivos, em consonância com as diretrizes da 
política nacional de meio ambiente. 
 
5.4 Instituições Relacionadas aos Serviços de Abastecimento de Água e 
Esgotamento Sanitário 
Atualmente, o serviço de abastecimento de água e esgotamento sanitário funciona 
em Manaus como uma concessão, na qual a Agência Reguladora dos Serviços Públicos do 
Estado do Amazonas (ARSAM) é a encarregada da regulação do serviço (Figura 5.5). 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 139 
 
 
 
Figura 5.5. Fluxograma dos órgãos envolvidos nos serviços concedidos. 
 
5.4.1 Águas do Amazonas 
A Águas do Amazonas, que completou 10 anos de atuação em saneamento, no dia 4 
de julhode 2011, presta serviços como captação, tratamento e distribuição de água e 
tratamento e coleta de esgoto, no perímetro urbano de Manaus, capital do Estado do 
Amazonas. 
A história da empresa começou em um leilão público realizado em 29 de junho de 
2000, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, a empresa francesa Suez foi a 
vencedora do leilão da Manaus Saneamento, subsidiária integral da Companhia de 
Saneamento do Amazonas (Cosama). A empresa passou a se chamar Águas do Amazonas, a 
partir do dia 11 de agosto de 2000. 
Sete anos depois, quando a Suez optou por atuar em saneamento somente na 
Europa, a Águas do Amazonas passou a fazer parte do grupo nacional Solví - Soluções para a 
Vida - holding que controla empresas dos segmentos de resíduos, saneamento, engenharia e 
valorização energética, que atua em todas as regiões do País e até no Peru. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 140 
 
 
A Águas do Amazonas, na condição de empresa privada no setor de saneamento, foi 
responsável por melhoria significativa da qualidade da água de Manaus, um dos problemas 
crônicos da capital amazonense. "A água manauense, hoje, atende a todas as determinações 
estabelecidas pela Portaria 518, do Ministério da Saúde", destaca Arlindo Sales Pinto, Diretor 
de relações institucionais da concessionária. 
Outras ações da empresa incluem a criação de um rigoroso centro de controle da 
qualidade da água distribuída e a modernização e automatização de suas unidades, bem 
como a ampliação dos sistemas de abastecimento de água - atendendo a mais de 96% da 
população amazonense. 
Segundo o Diretor da empresa, a atuação da Águas do Amazonas possibilitou a 
recuperação de todas as estações de tratamento de esgoto sanitário que se encontravam 
desativadas. Hoje, todo o esgoto coletado é tratado. Além disso, a empresa ampliou e 
modernizou seus canais de relacionamento com o público, como o Serviço de Atendimento 
ao Cliente (SAC) e o Pronto Atendimento ao Consumidor (PAC). Por meio do site - 
www.aguasdoamazonas.com.br -, a concessionária conta com uma agência virtual, em que o 
cliente tem à sua disposição os serviços de consulta de débitos, impressão de 2a via da 
fatura, histórico do seu consumo e mecanismo para solicitar alteração do local de entrega e 
da data de vencimento de sua conta. 
No campo do abastecimento de água, estão sendo desenvolvidas e finalizadas duas 
grandes obras. A primeira, que será concluída em 2010, é a expansão da rede de 
abastecimento de água na cidade de Manaus (Plano de Expansão). 
Com esse projeto, firmado em parceria com a prefeitura municipal, já foi possível 
implantar mais de 650 km de uma nova rede de abastecimento de água, para atender, 
especialmente, às zonas Norte e Leste da cidade. De acordo com Alindo Sales Pinto, "essa 
regiões eram as mais carentes de serviços de abastecimento de água". A expansão 
beneficiou mais de 850 mil habitantes dessas áreas, sendo que 600 mil tinham 
abastecimento precário (agora aperfeiçoado) e outras 250 mil não possuíam serviço de 
abastecimento de água (agora disponibilizado). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 141 
 
 
A concessionária investiu R$ 120 milhões no Plano de Expansão, o que garantiu, além 
da extensão da rede, as seguintes obras e medidas: 
- Complexo de produção de água da Ponta do Ismael - Aumento da produção de 5 
m3/s para 7 m3/s, com acréscimo de 40% na produção atual. 
- Complexo de produção de água do Mauazinho - Reabilitação da estação de 
tratamento de água. 
- Poços profundos - Construção de poços tubulares profundos nos sistemas isolados - 
acréscimo de 2.000 m3/h. 
- Adutoras - Construção de 38 km de redes de adução, com diâmetros entre 0,40 m e 
1,20 m. 
- Reservatórios - Construção de 11 novos reservatórios com capacidade de 
armazenagem de 55 mil m3 de água. 
- Elevatórias - Construção e reabilitação de 26 elevatórias de recalque de água. 
Em função dessas obras, ainda segundo a empresa, foi alcançada a meta de 
atendimento a 96% da população de Manaus, com a disponibilização de rede de 
abastecimento de água. A base de atendimento da Águas do Amazonas hoje é de 425 mil 
clientes. Do projeto de expansão, falta apenas a conclusão dos testes pré-operacionais e das 
ligações domiciliares. Com isso, o município dará um passo importante para a 
universalização do abastecimento de água na cidade de Manaus. 
Ainda no que diz respeito ao abastecimento de água, destaca-se outro projeto que 
está sendo desenvolvido e que visa a ampliar por mais 30 anos a longevidade da 
infraestrutura do abastecimento de água na capital amazonense. Trata-se do Sistema da 
Ponta das Lajes (zona Leste), que engloba a captação de água bruta de 2,5 m³/s, extraída do 
Rio Negro, 38 km de novas adutoras com diâmetros de 600 mm a 1.800 mm, cinco grandes 
novos reservatórios de 5 mil m³ e mais 70 km de novos anéis de distribuição de água. "De 
acordo com o Diretor da Concessionária, combinados, os dois projetos promoverão, em 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 142 
 
 
médio e longo prazo, maior confiabilidade no sistema público de abastecimento de água em 
Manaus. 
O principal destaque, no setor de esgotamento sanitário, foi a revitalização de 30 
estações de tratamento de esgoto e de outras 30 estações elevatórias, no período de 2007 a 
2010. Elas se encontravam desativadas e em desuso há décadas. Somente em 2010, para a 
finalização da recuperação das estações de tratamento de esgoto, a Águas do Amazonas 
investiu R$ 8 milhões. Com isso, todo o esgoto coletado pela Águas do Amazonas é tratado. 
Paralelamente, vem sendo desenvolvido em Manaus, desde 2005, o projeto de 
reordenação urbana nas margens dos igarapés. Trata-se do Programa Social e Ambiental dos 
Igarapés de Manaus (Prosamim), uma iniciativa do governo do Amazonas realizado nas áreas 
das bacias Manaus - Mestre Chico - Bittencourt, que além da recuperação urbanística, prevê 
implantação de novas redes coletoras de esgoto, ao longo de toda a sua extensão, que é de 
70 km. 
Hoje, o principal foco da concessionária está voltado para o combate de alguns 
problemas que também se tornaram crônicos em Manaus: as fraudes, furtos e desperdício 
de água. São fatores que desequilibram o sistema de abastecimento de água e provocando o 
desabastecimento de diversos bairros, a despeito cobertura de 96% da capital. 
As 425 mil ligações (habitações) de água demandam aproximadamente 4,2 m3/s. A 
Águas do Amazonas produz e distribui 7 m3/s, o que representa quase o dobro da 
necessidade real de consumo. 
De acordo com levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil, a empresa privada de 
saneamento da capital amazonense investiu cerca de R$ 700 milhões, nos últimos dez anos. 
A extensão da rede de abastecimento de água aumentou em 1.900 km entre 2000 e 2010, 
tendo passado de 1.600 km para 3.500 km (equivalente à distância, em linha reta, entre 
Manaus e Porto Alegre). 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 143 
 
 
No entanto, mesmo com expressiva cobertura, a cidade ainda sofre com a falta de 
água por causa do desperdício excessivo e da prática de furtos e fraudes nas redes públicas 
primárias e secundárias de grandes diâmetros e nos ramais prediais. 
Mais de 75 mil habitações, em Manaus, praticam fraudes e furtos em ramais prediais. 
Outras 25 mil, que estão inseridas na condição de invasões ou de ocupações irregulares, 
furtam água diretamente da rede pública. São 100mil famílias que consomem água sem 
pagar pelo serviço. 
 
5.4.2 Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas - 
ARSAM 
As Agências Reguladoras são autarquias instituídas para regular de forma 
independente os serviços essenciais à sociedade, objetivando a harmonia dos interesses do 
usuário e dos delegatários, zelando pelo equilíbrio econômico e financeiro dos contratos e 
pela qualidade do serviço que regula. 
A ARSAM - Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do 
Amazonas é uma autarquia de regime especial, criada pela Lei Estadual nº 2.568/99 de 25 de 
novembro de 1999, que exerce suas atribuições conforme as políticas e diretrizes 
estabelecidas pelo Estado. Pode atuar também em âmbito municipal ou federal nos casos 
em que receber delegação por meio de convênios para cooperar tecnicamente com 
entidades ou órgãos que estejam relacionados aos serviços públicos essenciais. Tem como 
principal objetivo a garantia da qualidade dos serviços públicos concedidos através do 
acompanhamento e fiscalização desses serviços, avaliando e fazendo cumprir as metas e 
padrões estabelecidos na legislação e contratos celebrados. 
Como Agência multisetorial, a ARSAM tem atuado, no âmbito de sua competência, 
nas áreas de saneamento e transporte rodoviário intermunicipal, estando ainda em trâmite 
a regulamentação do transporte aquaviário, atividade que futuramente será regulada pela 
Agência. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 144 
 
 
5.4.2.1 Diretrizes e atribuições 
 Exercer o poder de polícia em relação à prestação dos serviços públicos, na forma da 
legislação, normas e regulamentos pertinentes, fazendo cumprir as disposições 
regulamentares e as cláusulas contratuais correspondentes; 
 Acompanhar e fiscalizar a prestação dos serviços, avaliando o cumprimento das 
metas e padrões estabelecidos, impondo medidas corretivas e sanções, quando for o 
caso; 
 Fixar normas e instruções para a melhoria da prestação de serviços, redução dos seus 
custos, segurança de suas instalações e atendimento aos usuários, observados os 
limites na legislação e nos instrumentos de delegação; 
 Acompanhar o desempenho econômico - financeiro da execução dos serviços, 
procedendo à análise e aprovação das revisões e dos reajustes tarifários para a 
manutenção do equilíbrio da prestação dos serviços; 
 Atender às reclamações dos usuários, citando e criando informações e providências 
do prestador de serviços, bem como acompanhando e comunicando as soluções 
adotadas; 
 Mediar os conflitos de interesse entre o concessionário e o poder concedente e entre 
os usuários e o prestador de serviços, adotando, no seu âmbito de competência, as 
decisões que julgarem adequadas para a resolução desses conflitos; 
 Realizar ou recomendar ao poder concedente a intervenção na concessão dos 
serviços ou a sua extinção, nos casos previstos na lei e na forma prevista em contrato 
de concessão ou convênio; 
 Apoiar o Governo do Estado e os Governos Municipais com os quais tenha convênio, 
na formulação de políticas e de planos de ações, bem como em outras atividades que 
afetem os serviços públicos concedidos ou permitidos; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 145 
 
 
 Manter atualizados sistemas de informação sobre os serviços regulados, visando 
apoiar e subsidiar estudos e decisões sobre o setor; 
 Analisar e emitir pareceres sobre propostas de legislação e normas que digam 
respeito à regulação e controle dos serviços públicos sob sua responsabilidade; 
 Elaborar o seu regulamento interno estabelecendo procedimentos para a realização 
de audiências e consultas públicas, encaminhamento de reclamações, elaboração e 
aplicação de regras éticas, expedição de resoluções e instruções, emissão de decisões 
administrativas e respectivos procedimentos recursais; 
 Expedir editais de licitação, objetivando outorga de concessão e permissão dos 
serviços públicos do Estado do Amazonas com autorização prévia do Chefe do Poder 
Executivo; 
 Encaminhar propostas de concessão, permissão ou de autorização dos serviços 
públicos no Estado do Amazonas, bem como propor alteração das condições e das 
áreas, a extinção ou adiantamento dos respectivos contratos ou termos, diretamente 
ao Chefe do Poder Executivo. 
5.4.2.2 Fonte de recursos 
A ARSAM tem como fonte de recursos: 
 Recolhimento das taxas de serviços de regulação e controle dos serviços público 
concedidos; 
 Remuneração pelos serviços técnicos prestados, indenizações, encargos financeiros e 
quaisquer outros decorrentes de questões próprias das áreas de suas atuações; 
 Rendimentos provenientes de bens, depósitos e Investimentos; 
 Produtos das alienações de bens do seu patrimônio; 
 Recursos oriundos do Poder Público Estadual 
 Doações. 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 146 
 
 
5.4.2.3 Convênio firmado com a Prefeitura de Manaus 
A ARSAM funciona como reguladora do serviço de água e esgoto de Manaus através 
de um termo de convênio para fins de regulação, controle e fiscalização da prestação dos 
serviços concedidos de água e esgoto sanitário assinados entre a Prefeitura e a ARSAM em 
20 de março de 2000. 
O convenio foi realizado com base no: 
a) art. 30, inciso V, da Constituição Federal, que estabelece como competência dos 
Municípios a organização e prestação, diretamente ou mediante regime de concessão ou 
permissão, dos serviços de interesse local, incluído o de abastecimento de água e esgoto 
sanitário; 
b) o art. 29, inciso I, da Lei Federal 8.987, de 13/02/95, incube ao Poder Concedente 
regulamentar o serviço concedido e fiscalizar permanentemente a sua prestação; 
c) os serviços de regulamentação, controle e fiscalização da prestação dos serviços de 
água e esgotamento sanitário, na forma do inciso VII do art. 3° da Lei nº. 513, de 16 de 
dezembro de 1999, combinado com os arts. 194 e 80, XIII, da Lei Orgânica do Município de 
Manaus, podem ser delegados, mediante convênio, à Agência Estadual Reguladora de 
Serviços Públicos; 
d) nos termos do § 1º do art . 2º ; da Lei estadual nº. 2.568, de 25 de novembro de 
1999, a Agência Estadual Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do 
Amazonas – ARSAM pode celebrar convênio com os municípios do Estado do Amazonas para 
exercício das atividades de regulação, controle e fiscalização dos serviços públicos de que os 
mesmos são titulares em suas respectivas áreas de atuação; 
e) o art. 116 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, estabelece a prerrogativa de 
celebração de convênios por órgãos e entidades da administração pública; 
f) conquanto o processo de desestatização e reestruração da Companhia de 
Saneamento do Amazonas – COSAMA, nos termos da Lei estadual no. 2.466, de 16 de 
outubro de 1997 e da Lei estadual no. 2.524, de 30 de dezembro de 1998, tenha gerado a 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 147 
 
 
constituição e a possibilidade jurídica de privatização da Manaus Saneamento S/A, nada 
impede que a continuação da prestação de serviços públicos de abastecimento de água e 
esgoto sanitário seja executada por essa subsidiária integral, sucessora concessionária da 
Companhia de Saneamento do Amazonas S/A. 
Cabe ainda verificar se os termos do convênio se ajustem às condicionantes incluídas 
na Lei 11.445. 
No convênio celebrado entre a Prefeitura de Manaus e a ARSAM ficou estabelecido 
que a fiscalização e o controle deveriam abrangeras ações da Concessionária nas áreas 
administrativas, contábil, comercial, técnica, econômica e financeira, podendo a ARSAM 
estabelecer diretrizes de procedimento ou sustar ações que considere incompatíveis com as 
exigências na prestação do serviço adequado, desde que autorizado pelo poder concedente. 
Estabeleceu-se também que a ARSAM elaboraria relatórios, no mínimo a cada 12 
(doze) meses, a contar da data da assinatura do referido convênio, nos quais deveria relatar 
todas as observações relativas aos serviços prestados pela Concessionária. 
Ficou ainda estabelecido que o mencionado convênio vigoraria enquanto persistirem 
as razões que motivaram sua celebração, podendo, todavia, ser denunciado por iniciativa de 
qualquer dos partícipes, mediante fundadas razões de interesse público, com aviso prévio 
por escrito, dado com antecedência de, no mínimo, 90 ( noventa ) dias. 
 
5.5 Instituições relacionadas aos serviços de coleta, reciclagem e disposição final 
de resíduos sólidos 
A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) é a responsável pela 
formulação e implementação da política de limpeza pública urbana do município de Manaus, 
garantindo à população o acesso aos serviços de limpeza urbana em condições adequadas. 
Para isso utiliza os métodos de coleta convencional, coleta seletiva, limpeza periódica de 
bairros, limpeza de igarapés, varrição diurna e varrição noturna, destinação final do lixo em 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 148 
 
 
aterro sanitário e programas de conscientização e educação ambiental aplicados em escolas, 
prédios públicos, empresas privadas, praças ao ar livre, etc. 
Cabe também à Semulsp a produção de mudas e plantas que são utilizadas no 
paisagismo dos logradouros públicos de Manaus. Essa atividade é desenvolvida em função 
da produção de adubo resultante da abertura de células do aterro sanitário. Nessa mesma 
direção, a Semulsp atua realizando a manutenção de todos os jardins de praças, canteiros 
centrais e outros logradouros da cidade, além de oferecer à população serviços de poda e 
corte de árvores (mediante autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente 
Sustentável – Semmas). 
Outra tarefa da Semulsp é organizar, fiscalizar, manter e cuidar de todos os 
cemitérios de Manaus, com os serviços permanentes de limpeza, jardinagem e orientação 
aos concessionários, entre outros. 
O Regimento Interno da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos –
Semulsp, que rege suas atribuições, organograma e atividades, foi estabelecido na Portaria 
Nº. 086/2009 – SEMULSP/GS. 
Nos termos da Lei nº 1.314, de 04 de março de 2009, a Secretaria Municipal de 
Limpeza e Serviços Públicos – Semulsp integra a Administração Direta da Prefeitura de 
Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o cumprimento das 
seguintes finalidades: 
I – formulação e implementação da política de limpeza pública através de métodos 
de coleta convencional e seletiva nas áreas de atuação municipal e sua destinação final; 
II – manutenção de jardins, logradouros e cemitérios, preservando a saúde coletiva e 
de meio ambiente. 
Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à Semulsp: 
I – formulação, administração e execução da Política de Limpeza Pública; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 149 
 
 
II – coordenação, execução e controle dos serviços que competem às unidades 
administrativas obrigadas ao cumprimento de ações finalísticas; 
III – orientação e fiscalização, nos termos da legislação, normas e regulamentos 
pertinentes a implantação e execução dos planos de gerenciamento, dos resíduos dos 
serviços de saúde e dos resíduos da construção civil 
IV – manutenção de registros sumarizados que permitam a obtenção de dados de 
eficiência operacional, econômica, financeira, sanitária e ambiental dos serviços municipais 
de limpeza urbana, com vistas à autorização por tomadores de decisão e, principalmente, 
para avaliação do desempenho de seus serviços frente aos potenciais impactos gerados 
pelos resíduos sólidos urbanos; 
V – formulação, planejamento, administração e execução da política de implantação, 
administração e manutenção de cemitérios e necrópoles; 
VI – formulação, planejamento, administração e execução da política de implantação, 
administração e manutenção de praças e jardins; 
VII – promoção de ações educativas, didáticas e informativas, que evidenciem a 
importância da limpeza urbana na contribuição ao bem-estar, à saúde e à preservação do 
meio ambiente, assim como da importância da participação, atribuição e responsabilidade 
da comunidade na conservação e manutenção da higiene dos espaços públicos. 
A Semulsp é dirigida por um Secretário Municipal, com o auxílio de um Subsecretário, 
e tem a seguinte estrutura operacional (Figura 5.6): 
I – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO 
a) Gabinete do Secretário 
b) Assessoria Técnica 
II – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO 
a) Divisão de Administração e Finanças 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 150 
 
 
1. Gerência de Patrimônio, Material e Serviços 
2. Gerência de Informática 
3. Gerência de Serviço Social e Ambulatorial 
III – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES FINALÍSTICAS 
a) Departamento de Limpeza Pública 
1. Divisão de Fiscalização Diurno 
2. Divisão de Fiscalização Noturno 
3. Gerência de Limpeza de Igarapés 
4. Gerência de Manutenção da Limpeza Pública 
b) Divisão de Aterro Sanitário 
1. Gerência de Balança 
c) Departamento de Cemitérios 
1. Gerência de Apoio aos Cemitérios 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 151 
 
 
 
Figura 5.6. Organograma da Semulsp (FONTE: site PMM). 
 
Constituem-se como principais competências das unidades da estrutura operacional 
da Semulsp: 
I – GABINETE DO SECRETÁRIO: 
a) coordenação da representação social e política do Secretário Municipal e dos 
Subsecretários; 
b) assistência ao titular da Pasta em suas atribuições técnicas e administrativas, 
mediante controle da agenda; 
c) coordenação do fluxo de informações, divulgando as ordens do Secretário e as 
relações públicas de interesse da Secretaria; 
d) recebimento e distribuição das correspondências enviadas; 
e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
II – ASSESSORIA TÉCNICA: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 152 
 
 
a) assessoramento técnico especializado a todas as unidades da Secretaria, podendo 
este abranger as áreas jurídica, tecnológica, de comunicação, de planejamento, além de 
outras, de acordo com as especificidades funcionais que atendam as necessidades da 
Secretaria, demandadas pelo Secretário; 
b) elaboração de pareceres, laudos técnicos e notas técnicas, de acordo com a área 
funcional; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
III – DIVISÃO DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: 
a) direção da vida funcional do servidor, concernente a seus direitos, deveres e 
penalidades disciplinares, recrutamento, capacitações, movimentação e remuneração; 
b) execução de atividades necessárias ao pagamento dos servidores, inclusive no que 
diz respeito ao recolhimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias; 
c) análise da viabilidade financeira dos projetos relativos à informática para 
contratação de serviços e aquisição de equipamentos tecnológicos; 
d) execução orçamentária, extra-orçamentáriae alterações no orçamento, em 
articulação com a unidade administrativa competente; 
e) prestação de contas de projetos, convênios, contratos, parcerias e acordos de 
cooperação técnica e outros ajustes firmados pela Secretaria; 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
IV – GERÊNCIA DE PATRIMÔNIO, MATERIAL E 
SERVIÇOS: 
a) programação, execução e supervisão das atividades relativas a compras, 
almoxarifado, patrimônio, protocolo, transporte e serviços gerais da Secretaria; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 153 
 
 
b) execução, orientação e fiscalização dos serviços de manutenção, conservação, 
segurança e limpeza nas dependências da Secretaria; 
c) acompanhamento e controle da transferência de bens móveis, além da elaboração 
do inventário anual de bens móveis da Secretaria; 
d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
V – GERÊNCIA DE INFORMÁTICA: 
a) desenvolvimento e atualização dos programas e sistemas em conjunto com o 
órgão próprio da Prefeitura, visando o atendimento das necessidades da Secretaria relativas 
à informática; 
b) análise da viabilidade técnica e funcional para a elaboração de projetos referentes 
à contratação de serviços de informática e aquisição de equipamentos tecnológicos, 
encaminhando-os à unidade administrativa competente; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VI – GERÊNCIA DE SERVIÇO SOCIAL E 
AMBULATORIAL: 
a) triagem social dos funcionários da Secretaria para suprir as demandas familiares; 
b) sugestão de campanhas de saúde no trabalho para os servidores; 
c) acompanhamento dos servidores, caso haja necessidade, ao pronto atendimento 
médico e/ou maternidade; 
d) auxílio aos servidores nos encaminhamentos médicos; 
e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VII – DEPARTAMENTO DE LIMPEZA PÚBLICA: 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 154 
 
 
a) planejamento, coordenação, controle e execução de atividades técnicas, 
administrativas, de coleta, varrição, limpezas especiais, além da fiscalização do Regulamento 
de Limpeza Urbana (RLU), que será parte integrante do Plano de Gerenciamento Integrado 
de Resíduos Sólidos (PGIRS); 
b) apoio às unidades administrativas competentes para conscientização da população 
quanto aos aspectos nocivos e impactos provocados pelos resíduos sólidos; 
c) elaboração e desenvolvimento de campanhas educativas sobre a importância de 
limpeza pública para a conservação do meio ambiente; 
d) integração com os catadores de resíduos sólidos, visando à sua inserção 
socioeconômica; 
e) acompanhamento dos pareceres da Comissão de Julgamento dos Autos de 
infração; 
f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
VIII – DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO DIURNO: 
a) acompanhamento e fiscalização no período diurno das atividades de coleta de lixo 
domiciliar, remoções manuais e mecanizadas e as demais modalidades operacionais 
executadas no âmbito dos contratos de concessão da execução de serviços de limpeza 
urbana, autuando e notificando os eventuais infratores das normas regulamentadas; 
b) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
IX – DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO NOTURNO: 
a) acompanhamento e fiscalização no período noturno das atividades de coleta de 
lixo domiciliar, remoções manuais e mecanizadas e as demais modalidades operacionais 
executadas no âmbito dos contratos de concessão da execução de serviços de limpeza 
urbana, autuando e notificando os eventuais infratores das normas regulamentadas; 
b) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 155 
 
 
X – GERÊNCIA DE LIMPEZA DE IGARAPÉS: 
a) remoção de resíduos sólidos dos leitos dos rios e igarapés; 
b) supervisão do recolhimento dos resíduos sólidos; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XI – GERÊNCIA DE MANUTENÇÃO DA LIMPEZA PÚBLICA: 
a) execução dos serviços de varrição dos diversos logradouros públicos; 
b) programação, execução e coordenação das atividades das equipes de capinação, 
pintura, poda e varrição, nos turnos diurno e noturno; 
c) limpeza dos espaços de suas respectivas destinações específicas, utilizando-se de 
material próprio; 
d) envio para a unidade administrativa competente o relatório semanal e mensal 
informando a quantidade de usuário; 
e) conservação e manutenção das áreas verdes, praças, gramados e canteiros, bem 
como implantação de jardins e 
cobertura vegetal em praças; 
f) elaboração de projetos de paisagismo e monitoramento dos que encontram-se em 
execução; 
g) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XII – DIVISÃO DE ATERRO SANITÁRIO: 
a) Coordenação e controle do recebimento e pesagem dos resíduos coletados, 
procedendo também a fiscalização dos serviços prestados por concessionária no interior do 
aterro; 
 
 
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b) coordenação e execução das atividades relacionadas com a destinação final de 
resíduos sólidos urbanos do aterro sanitário; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XIII – GERÊNCIA DE BALANÇA: 
a) registro, controle e elaboração de relatórios referentes ao peso e horário de 
entrada dos veículos com os respectivos resíduos; 
b) exame do tipo de resíduo, bem como o encaminhamento ao seu destino; 
c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XIV – DEPARTAMENTO DE CEMITÉRIOS: 
a) planejamento, coordenação e execução de serviços que envolvam atividades dos 
cemitérios Municipais; 
b) promoção de melhorias quanto à humanização e à urbanização no espaço dos 
cemitérios; 
c) conservação do patrimônio histórico dos cemitérios, controlando obras e serviços 
prestados nesse ambiente; 
d) execução de atividades administrativas, de modo a permitir o perfeito 
funcionamento das demais unidades que compõem sua estrutura organizacional; 
e) sugestão, orientação e controle do cumprimento das normas relativas à 
administração dos cemitérios e também dos administradores; 
f) fornecimento do material necessário para o desenvolvimento dos serviços e obras 
de todos os cemitérios; 
g) depósito semanal das taxas de sepultamento, registro de entrada e saída de ossos 
junto às funerárias, bem como o controle mensal da arrecadação desta unidade 
administrativa; 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 157 
 
 
h) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; 
XV – GERÊNCIA DE APOIO AOS CEMITÉRIOS: 
a) análise, verificação e repasse das licenças relacionadas às obras nos cemitérios 
para a aprovação do dirigente da unidade administrativa competente; 
b) atualização e manutenção dos registros de sepultamento, concessão de sepulturas 
de inumações, exumações e translado; 
c) atendimento ao público em geral e às funerárias; 
d) emissão de certificado de concessão de sepulturas; 
i) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. 
Para entender a estrutura atual, ainda devem ser consideradas as seguintes Leis: Nº 
1.411, de 20 de janeiro de 2010, e Nº 1.404, de 18 de janeiro de 2010. 
Conforme a Lei Nº 1.411, de 20 de janeiro de 2010, que dispõe sobre a organização 
do Sistema de LimpezaUrbana do Município de Manaus, foi autorizado ao Poder Público 
delegar a execução dos serviços públicos mediante concessão ou permissão. Ainda, esta Lei 
institui a Taxa de Resíduos Sólidos Domiciliares (TRSD), a Taxa de Resíduos Sólidos de 
Serviços de Saúde (TRSS) e dá outras providências. 
Outra Lei, de Nº 1.404, de 18 de janeiro de 2010, dispõe sobre a implantação de 
coleta seletiva de lixo em shopping centers e centros comerciais no município de Manaus e 
dá outras providências. 
Assim nos termos das leis anteriores, parte dos serviços da Semulsp foi delegada às 
empresas Enterpa Engenharia Ltda. e Tumpex Empresa Amazonense de Coleta de Lixo Ltda. 
Maiores detalhes sobre operação e funcionamento do sistema serão abordados em 
relatórios posteriores. 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 158 
 
 
6 EQUIPE TÉCNICA 
6.1 Equipe Chave 
Nome Especialidade Cargo 
Antonio C. I. D´Elia Especialista em Drenagem Urbana Diretor do Projeto 
Celso Silveira Queiroz Especialista em Drenagem Urbana Coordenador Geral 
Maria Angélica G. Cardoso Meteorologista Consultor 
Daniel G. Allasia Piccilli Especialista em Eng. Hidráulica Consultor 
Martinho Rottmann Especialista em Geologia Consultor 
Fernando Bidegain Especialista em Planejamento 
Regional e Meio Ambiente 
Consultor 
Alexandre Cabral Especialista em Direito 
Administrativo 
Consultor 
Renato Barbosa Lima Neto Especialista em Geoprocessamento 
e Foto-interpretação 
Consultor 
Ari Caraver Especialista em Saneamento Engenheiro Residente 
 
6.2 Equipe de Apoio 
Nome Especialidade 
Lidiane Souza Gonçalves Especialista em Recursos Hídricos e Saneamento 
Sidneya Pereira de Amorim Engenheira Civil 
Marcia M. Ferreira de Alencar Geógrafa – Técnica em Geoprocessamento 
Wagner José L. Correa Técnico Projetista 
 
 
 
 
 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 159 
 
 
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	608008-70-PC-710-RT-0002_REV00_TOMO01

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