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Relatório Parcial da Etapa 1 PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS Secretaria Municipal de Infraestrutura Plano Diretor de Drenagem Urbana do Município de Manaus Outubro/2011 Tomo 01 PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA - SEMINF PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DE MANAUS MINUTA Volume 09 – Tomo 01 Relatório Parcial da Etapa 01 608008-70-PC-710-RT-0002_REV00 Outubro/2011 PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA - SEMINF PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DE MANAUS MINUTA Volume 09 – Tomo 01 Relatório Parcial da Etapa 01 608008-70-PC-710-RT-0002_REV00 Outubro/2011 Ficha Catalográfica Município de Manaus, Secretaria Municipal de Infraestrutura, Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus – 2011. Manaus: Concremat Engenharia, 2011 V.09, T.01/02 Conteúdo: 27 V. Relatório Parcial da Etapa 01. 1. Planejamento. 2. Plano Diretor de Drenagem Urbana. 3. Manaus. I. Concremat Engenharia, II. Secretaria Municipal de Infraestrutura, III. Prefeitura de Manaus CDU 556:711.4 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 I SUMÁRIO TOMO 01 APRESENTAÇÃO .............................................................................................................. IV LISTA DE FIGURAS............................................................................................................. V LISTA DE QUADROS ........................................................................................................ VII LISTA DE TABELAS .......................................................................................................... VIII LISTA DE ANEXOS ............................................................................................................. IX LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ..................................................................................... X 1 ASPECTOS GERAIS ...................................................................................................... 1 1.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO .................................................................................. 3 1.2 IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO TRABALHO ................................................................ 4 1.3 RESUMO DESTE RELATÓRIO .......................................................................................................... 4 2 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS BÁSICOS ...................................................... 5 2.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA ÁREA DE ESTUDO ................................................................................ 5 2.1.1 Uso do solo ...................................................................................................................... 16 2.1.2 Tipo de solo ...................................................................................................................... 28 2.1.3 Relevo da área em estudo ............................................................................................... 36 2.1.4 Delimitação das sub-bacias de drenagem ....................................................................... 38 2.1.5 Declividades na área de estudo ....................................................................................... 39 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS CONDIÇÕES HIDROLÓGICAS ......................................................................... 39 2.2.1 Disponibilidade de dados hidrológicos ............................................................................ 39 2.2.2 Disponibilidade de dados fluviométricos na área urbana ............................................... 40 2.2.3 Regime fluvial e análise de frequência dos níveis d’água do rio Negro em Manaus ...... 41 3 DESCRIÇÃO DA INFRAESTRUTURA URBANA INSTALADA EM MANAUS ...................... 47 3.1 INFRAESTRUTURA RELACIONADA A ÁGUAS PLUVIAIS ........................................................................ 47 3.1.1 Bacia Hidrográfica do Igarapé do Educandos ................................................................. 50 3.1.2 Bacia Hidrográfica do Igarapé do São Raimundo............................................................ 60 3.2 DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DAS REDES DE DRENAGEM ......................................................... 65 3.3 SANEAMENTO BÁSICO NO MUNICÍPIO DE MANAUS ........................................................................ 67 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 II 3.3.1 Abastecimento de Água .................................................................................................. 67 3.3.2 Esgotamento Sanitário .................................................................................................... 69 3.3.3 Resíduos Sólidos Urbanos ................................................................................................ 70 4 PLANO DE LEVANTAMENTO CADASTRAL COMPLEMENTAR ...................................... 71 4.1 DISCRETIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO EM BACIAS HIDROGRÁFICAS DE DRENAGEM ................................ 71 4.2 CADASTROS EXISTENTES E PRIORIZAÇÃO DO LEVANTAMENTO ........................................................... 73 4.3 DIRETRIZES PARA A REALIZAÇÃO DOS LEVANTAMENTOS ................................................................... 74 4.4 PRODUTOS DO LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO ............................................................................. 76 4.5 CRONOGRAMA DE TRABALHO ..................................................................................................... 77 5 CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL ........................................................................... 78 5.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 78 5.2 LEGISLAÇÃO ............................................................................................................................. 78 5.2.1 Legislação Federal relacionada ....................................................................................... 78 5.2.2 Lei Estadual 2.212/01 ...................................................................................................... 85 5.2.3 Legislação Municipal de Manaus .................................................................................... 90 5.2.4 Leis de urbanismo em nível federal ................................................................................. 92 5.2.5 Estatuto da Cidade e as normas municipais urbanísticas ............................................... 94 5.3 SOBRE A ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL DE MANAUS ................................................................... 105 5.3.1 Secretaria Municipal de Infraestrutura ......................................................................... 113 5.3.2 Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) ........................ 130 5.3.3 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA .. 136 5.4 INSTITUIÇÕES RELACIONADAS AOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO ... ........................................................................................................................................... 138 5.4.1 Águas do Amazonas ......................................................................................................139 5.4.2 Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas - ARSAM ....................................................................................................................................... 143 5.5 INSTITUIÇÕES RELACIONADAS AOS SERVIÇOS DE COLETA, RECICLAGEM E DISPOSIÇÃO FINAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................................................................................................... 147 6 EQUIPE TÉCNICA .................................................................................................... 158 6.1 EQUIPE CHAVE ....................................................................................................................... 158 6.2 EQUIPE DE APOIO ................................................................................................................... 158 7 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 159 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 III TOMO 02 8 ANEXOS ................................................................................................................. 163 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 IV APRESENTAÇÃO O Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus, objeto do Contrato nº 015/2011, firmado entre o Município de Manaus, por intermédio da Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF, e a Concremat Engenharia e Tecnologia S. A., tem como finalidades principais, entre outras: 1) a definição de diretrizes institucionais visando estabelecer condições de sustentabilidade para as políticas de drenagem urbana; 2) a caracterização das condições de funcionamento hidráulico das tubulações, galerias, canais a céu aberto, canais naturais, dispositivos de captação e conexão entre redes e de dissipação de energia, bueiros e pontes; e 3) as proposições, em nível de gestão, de obras de curto, médio e longo prazos necessárias ao equacionamento dos problemas encontrados na drenagem urbana de Manaus. Este Relatório corresponde ao Volume 09, que apresenta o Relatório Parcial da Etapa 1, contemplando a consolidação da etapa inicial dos estudos que, ao final, irão compor o Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus. O Relatório Parcial da Etapa 1 apresenta a descrição das atividades técnicas desenvolvidas na fase de levantamento e tratamento das informações, visando à caracterização da área de estudo. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 V LISTA DE FIGURAS Figura 2.1. Mapa de Manaus – Final do Século XIX. ................................................................. 10 Figura 2.2. “Invasões” em área urbana de Manaus. ................................................................ 13 Figura 2.3. Recorte da imagem de satélite do centro de Manaus (Fonte: Google Earth). ...... 20 Figura 2.4. Recorte da imagem de satélite da Av. André Araújo (Fonte: Google Earth). ........ 21 Figura 2.5. Recorte da imagem de satélite da Av. Tefé (Fonte: Google Earth). ....................... 21 Figura 2.6. Recorte da imagem de satélite do Igarapé do Educandos (Fonte: Google Earth). 22 Figura 2.7. Construções do tipo palafita em áreas de inexistência de saneamento básico. (Fonte: SOS Rios do Brasil) ....................................................................................................... 23 Figura 2.8. Crescimento Populacional de Manaus (Fonte: Dados do IBGE - Censos 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010). .................................................................................................................. 25 Figura 2.9. Pseudo Curva Hipsométrica da área urbana de Manaus. ...................................... 38 Figura 2.10. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). ........................................................................................................................................ 42 Figura 2.11.Períodos de cheia (em percentagem) no rio Negro em Manaus. ......................... 44 Figura 2.12 Histórico das chuvas em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). ..................................... 44 Figura 2.13 Curva de monitoramento das cheias (FONTE: CPRM, 2010). ............................... 46 Figura 3.1. Principais bacias hidrográficas de Manaus. ............................................................ 49 Figura 3.2. Bacia hidrográfica do Educandos. .......................................................................... 50 Figura 3.3. Igarapé do Quarenta em obras de ampliação da capacidade. ............................... 52 Figura 3.4. Nascente do Igarapé Manaus e o uso que se faz nela. .......................................... 53 Figura 3.5. Igarapé Manaus: a) trecho final e b) em estado natural. ....................................... 53 Figura 3.6. Igarapé do Cachoeirinha: trecho final em fase de conclusão das obras. ............... 55 Figura 3.7. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em obras. ........................................................................................................................................ 56 Figura 3.8. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em obras. ........................................................................................................................................ 57 Figura 3.9. Igarapé do Cajual: a) situação natural e b) trecho de jusante, em obras. ............. 57 Figura 3.10. Igarapé da Liberdade: a) rip-rap e b) leito natural e palafitas. ............................ 58 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VI Figura 3.11. Igarapé Magalhães Barata: desmoronamento da sacaria. ................................... 59 Figura 3.12. Galerias no centro de Manaus construída pelos ingleses. ................................... 59 Figura 3.13. Bacia hidrográfica do Igarapé São Raimundo. ...................................................... 61 Figura 3.14. Igarapé do Mindú, trecho entre a rua Coronel Teixeira e Bairro Novo Aleixo. ... 62 Figura 3.15. Bacia do Igarapé Bindá (parcial). .......................................................................... 63 Figura 3.16. Igarapé Sapolândia: vista geral. ............................................................................ 64 Figura 3.17. Igarapé São Raimundo: a) estuário e b) alagação. ............................................... 65 Figura 5.1. Organograma da Prefeitura de Manaus (FONTE: site da SEADM). ...................... 108 Figura 5.2. Organograma da SEMINF. .................................................................................... 116 Figura 5.3. Organograma da SEMMAS. .................................................................................. 134 Figura 5.4. Organograma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Fonte: www.ibama.gov.br). ............................................................................... 137 Figura 5.5. Fluxograma dos órgãos envolvidos nos serviços concedidos. ............................. 139 Figura 5.6. Organograma da Semulsp (FONTE: site PMM). ................................................... 151 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VII LISTA DE QUADROS Quadro 2.1. Relação de IDHM de bairros e comunidades de Manaus. ...................................14 Quadro 2.2. Conversão entre os tipos de solos da Classificação Brasileira e os tipos de Solos definidos pelos grupos do SCS (Adaptado de Sartori et al., 2006)........................................... 34 Quadro 5.1. Legislação Federal relacionada aos recursos hídricos e drenagem urbana. ........ 79 Quadro 5.2. Finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder Executivo Municipal................................................................................................................ 109 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 VIII LISTA DE TABELAS Tabela 2.1. Evolução da população de Manaus de 1991-2000 por zona do município. .......... 25 Tabela 2.2. Domicílios com acesso aos bens e serviços básicos. ............................................. 27 Tabela 2.3. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus. ............................. 41 Tabela 2.4. Estação fluviométrica do Porto de Manaus - características históricas. ............... 43 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 IX LISTA DE ANEXOS Anexo 1. Banco de dados digital (CD-ROM). .......................................................................... 164 Anexo 2. Mapa de localização de Manaus. ............................................................................ 165 Anexo 3. Mapa de bairros de Manaus. .................................................................................. 167 Anexo 4. Imagens de satélite da área urbana de Manaus. .................................................... 169 Anexo 5. Mapas de uso do solo na área urbana de Manaus. ................................................ 173 Anexo 6. Mapa da população residente em Manaus, segundo Censo 2010 (IBGE). ............. 175 Anexo 7. Zonas administrativas de Manaus. .......................................................................... 177 Anexo 8. Mapas de densidade populacional e habitacional de Manaus, segundo Censo 2010 (IBGE). ..................................................................................................................................... 179 Anexo 9. Mapa de solos ocorrentes em Manaus. .................................................................. 182 Anexo 10. Mapa de textura dos solos ocorrentes em Manaus.............................................. 184 Anexo 11. Modelo Numérico do Terreno (MNT) de Manaus. ............................................... 186 Anexo 12. Relevo de Manaus. ................................................................................................ 188 Anexo 13. Delimitação das bacias hidrográficas de Manaus e hidrografia principal. ............ 190 Anexo 14. Mapa de declividades de Manaus. ........................................................................ 192 Anexo 15. Dados horários da estação automática de Manaus. ............................................. 194 Anexo 16. Mapa de prioridades para o levantamento cadastral. .......................................... 207 Anexo 17. Modelo de ficha para levantamento de seções transversais. ............................... 209 Anexo 18. Distritos de obras de Manaus................................................................................ 211 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 X LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ANA Agência Nacional de Águas ARSAM Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas CN Curve Number DTO Departamento Técnico Operacional IDF Intensidade – Duração – Frequência INMET Instituto Nacional de Meteorologia Implurb Instituto Municipal de Planejamento Urbano NSF National Sanitation Foundation PDDU Plano Diretor de Drenagem Urbana PMM Prefeitura Municipal de Manaus RA Relatório de Andamento SCS Soil Conservation Service SEINF Secretaria Estadual de Infraestrutura SEMEF Secretaria Municipal de Finanças e Controle Interno SEMINF Secretaria Municipal de Infraestrutura SEMMAS Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade SEMSA Secretaria Municipal de Saúde SEMULSP Secretaria Municipal de Limpeza Pública SIVAM Sistema de Vigilância da Amazônia SIG Sistema de Informações Geográficas UGPI Unidade de Gerenciamento do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 1 1 ASPECTOS GERAIS A rápida expansão das áreas urbanizadas devido ao crescimento da população nas cidades brasileiras trouxe significativos impactos na drenagem, consequência da precariedade da infraestrutura de controle e gerenciamento das águas urbanas. Com a urbanização, há o incremento da impermeabilização e uma parcela de água que infiltrava no solo passa a compor o escoamento superficial. Isso se reflete no aumento dos volumes escoados e das vazões de pico, ao mesmo tempo em que o tempo de concentração é reduzido, o que faz com que os hidrogramas de cheias se tornem mais críticos. Estas alterações provocam um incremento na frequência e gravidade das inundações, ao mesmo tempo em que ocorre a deterioração da qualidade da água. A prática tradicional em projetos de drenagem urbana para evitar alagamentos na cidade tem sido a de soluções localizadas, buscando a rápida evacuação das águas para longe dos centros de geração do escoamento. Essa prática mostra-se insuficiente, além de apresentar altos custos. O projeto de drenagem é realizado, na maioria das vezes, procurando resolver um problema pontual, não identificando os impactos que essa solução pode gerar nas regiões a jusante. Muitas vezes, uma alternativa pode ser aparentemente razoável quando pensada e planejada isoladamente, mas inviável ou ineficiente quando o conjunto da bacia é considerado. As soluções localizadas resolvem o problema da cheia em uma área, mas o transferem para jusante, exigindo, assim, o redimensionamento da rede de drenagem de jusante e resultando em custos cada vez mais elevados devido às dimensões das novas estruturas. Para resolver este problema, novas soluções têm sido pensadas e estudadas, procurando favorecer o controle na fonte, através de uma abordagem compensatória, ou ambientalista. As soluções compensatórias de drenagem, agindo em conjunto com as estruturas convencionais, buscam compensar os efeitos da urbanização. Dessa forma, os princípios de controle passam a priorizar o planejamento do conjunto da bacia, evitando a PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 2 transferência dos impactos para jusante, através da utilização de dispositivos de infiltração, detenção e retenção. A adoção de medidas de controle ou técnicas compensatórias vem sendo proposta de forma significativa nos Planos Diretores de Drenagem Urbana. Estes são instrumentos de planejamento que visam regulamentar a ocupação do solo em uma área urbana, indicando medidas estruturais e não estruturais relacionadas ao sistema de drenagem. Têm como finalidade mitigar os problemas causados pelas inundações, buscando equilibrar o desenvolvimento com as condições ambientais das cidades, e integrando-se aos planos de esgotamento sanitário, resíduos sólidos e, principalmente, ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município. Apresentam medidas para remediar os problemas na drenagem já existentes em decorrência da urbanização, bem como para prevenção da ocorrência de enchentese inundações em áreas que futuramente venham a ser urbanizadas. O Plano Diretor de Drenagem Urbana faz isso através da criação de mecanismos de gestão da infraestrutura urbana relacionada com o escoamento das águas pluviais e dos rios na área urbana. Busca planejar a distribuição da água no tempo e no espaço, com base na tendência de ocupação urbana, compatibilizando esse desenvolvimento e a infraestrutura para evitar prejuízos econômicos e ambientais. Também procura controlar a ocupação de áreas de risco de inundação através de restrições nas áreas de alto risco, além de propiciar as condições para convivência com as enchentes nas áreas de baixo risco. Este Relatório apresenta a consolidação da Etapa 1, que envolve as atividades de levantamento e tratamento de dados e informações físicas, hidrológicas e hidráulicas com vistas à caracterização das bacias elementares (sub-bacias) que consistem nas unidades básicas de planejamento do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus (PDDU de Manaus). Inicialmente, são descritas as características principais do contrato, a área de abrangência dos trabalhos, os objetivos e o escopo dos estudos, bem como o conteúdo do presente Relatório. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 3 1.1 Principais Características do Contrato O Relatório que segue está de acordo com os ditames da Proposta Técnica apresentada pela CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S.A., em atendimento ao Edital de Concorrência Nº 038/2010-CL-SEMINF/PM promovido pela Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF para execução dos serviços de Elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus, e do Plano de Trabalho Consolidado. O contrato do serviço que rege a referida concorrência foi protocolado como Contrato Nº 015/2011 entre as partes mencionadas. As atividades básicas para a elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus serão desenvolvidas ao longo de três etapas específicas, assim designadas: Etapa 1: na qual serão realizados os serviços de campo, levantamento de dados, análise de estudos e projetos existentes; Etapa 2: onde serão realizados os estudos hidrológicos e hidráulicos básicos, incluindo diagnóstico da situação atual das redes de drenagem diante da atual urbanização, e o prognóstico das condições das redes de drenagem para as condições futuras de urbanização; Etapa 3: durante a qual serão realizados paralelamente: Detalhamento das medidas estruturais, ou seja, os estudos de concepção em nível de gestão dos sistemas de drenagem para as condições futuras de urbanização e; Análise das medidas não estruturais e de melhorias da gestão da infraestrutura urbana relacionada com as águas pluviais. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 4 1.2 Identificação da Área de Abrangência do Trabalho A área do presente estudo corresponde às bacias de drenagem urbana de Manaus, estabelecida com base na observação do material cartográfico disponível para a região de interesse do estudo, referenciada às informações obtidas com a coleta e sistematização de dados existentes. Assim, a área de abrangência foi definida a partir do cruzamento da mancha urbana e bairros, fornecidos pela SEMINF, com as bacias hidrográficas elementares da cidade de Manaus, delimitadas neste trabalho. 1.3 Resumo deste Relatório O presente Relatório Parcial da Etapa 1, RP-1, tem por finalidade apresentar à Secretaria Municipal Infraestrutura – SEMINF resultados consolidados das atividades relativas ao Plano Diretor de Drenagem Urbana de Manaus, face à programação constante no cronograma atualizado dos trabalhos. Contempla a caracterização regional da área urbana de Manaus, área de trabalho do presente estudo, consolidada através de mapas de uso do solo e de tipo de solo, dentre outros, e da identificação de características hidráulica-hidrológicas das bacias e seus principais corpos hídricos. Contém ainda os estudos de caracterização hidrológica dos principais cursos d’água no contexto da área urbana de Manaus, que subsidiarão etapas posteriores do presente Plano Diretor de Drenagem. Apresenta também uma descrição da infraestrutura existente na cidade de Teresina com interface ou interferência no sistema de drenagem, bem como uma caracterização institucional dos órgãos correlatos. O presente Relatório RP-1 consiste no segundo dos Relatórios de Produto previstos no escopo dos serviços para elaboração do PDDU de Manaus e, tal como seu nome indica, apresenta resultados consolidados das atividades técnicas desenvolvidas durante a primeira etapa de execução do Plano. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 5 2 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS BÁSICOS Este item apresenta os dados básicos necessários à elaboração do PDDU que dizem respeito às características físicas, institucionais e hidráulicas das bacias hidrográficas. As informações foram coletadas, qualificadas, tratadas, consolidadas, georreferenciadas (quando necessário) e incorporadas a uma base de dados. Quando possível, e de acordo com a relevância das informações, foram incorporadas a um Sistema de Informações Geográficas (SIG) em formato compatível com ArcGIS 10.0, possibilitando, adicionalmente, a elaboração de mapas temáticos. O banco de dados contendo todas as informações levantadas na Etapa 1 do PDDU e que serão utilizadas ao longo de todo o desenvolvimento do Plano constam no Anexo 1, em formato digital (CD-ROM). As características levantadas envolvem dados e informações acerca de: i) uso do solo, ii) tipo de solo, iii) topografia, iv) condições de drenagem, v) infraestrutura, vi) instituições. A seguir são apresentadas as características físicas relativas à área de estudo. Os aspectos relativos à infraestrutura e informações institucionais são apresentados em capítulos específicos na sequência deste relatório. 2.1 Características físicas da área de estudo O município de Manaus, capital do Estado do Amazonas, localiza-se na região norte do país, a 3.950 quilômetros da Capital Federal. Pertence à mesorregião do Centro Amazonense e à microrregião homônima. É a 7ª maior cidade do Brasil, com aproximadamente 1.800.000 habitantes. Manaus destaca-se como metrópole da Região Norte do Brasil. É considerada a maior cidade da Amazônia, o que garante à Capital do Amazonas, a representatividade de 10,89% PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 6 de toda a população da região Norte e 49,9% de toda a população do Estado. Manaus, ainda é responsável por 98% da economia do Estado do Amazonas, enquanto este responde por 55% da economia da Região Norte (PREFEITURA DE MANAUS, s/d). Manaus tem parte de sua porção urbana localizada entre as coordenadas de latitude Sul 3°6’ e Longitude Oeste 60°1’. Ocupa uma área aproximada de 11.401 km², dos quais 412,2 km² ( 3,6% do total) são considerados área urbana, e o restante, área rural (ver mapa de localização de Manaus no Anexo 2). A cidade concentra-se assentada sobre um baixo planalto que se desenvolve na barranca da margem esquerda do rio Negro, na confluência deste com o rio Solimões, havendo a formação do rio Amazonas. A área urbana de Manaus tem seus limites Sul, Oeste e Leste definidos pela hidrografia regional do rio Negro, do igarapé Tarumã-Açú e do rio Puraquequara respectivamente, abrangendo cinco bacias hidrográficas integrantes da bacia do rio Negro, a saber: Educandos,São Raimundo, Tarumã, Puraquequara e Rio Negro, totalizando aproximadamente 412,2 km² de superfície e 70 km de igarapés. Seu clima é equatorial úmido, com temperatura média anual de 26,7ºC, com variações médias de 23,3ºC a 31,4ºC. A umidade relativa do ar fica em torno de 80% e a média de precipitação anual é de 2.286mm. O clima da região possui duas épocas distintas: chuvosa (inverno) de dezembro a maio, período em que a temperatura é mais amena e chove quase diariamente, e seca ou menos chuvosa (verão) de junho a novembro, com períodos de sol intenso e temperatura elevada, em torno de 38ºC, chegando a atingir, no mês de setembro, cerca de 40ºC. O fuso horário de Manaus é de uma hora a menos em relação a Brasília e quatro horas a menos em relação ao meridiano de Greenwich. A origem da cidade de Manaus data do século XVII, quando os portugueses passaram a explorar a região amazônica em busca de escravos indígenas. Na segunda metade daquele PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 7 século fundaram, na enseada do Tarumã, a primeira povoação do rio Negro, onde se agrupavam índios das mais diversas nações amazônicas. Posteriormente se estabeleceram à margem esquerda do rio Negro, próximo à confluência como rio Amazonas e ali instalaram um destacamento de soldados que protegiam e promoviam o tráfico de escravos indígenas na região, chamado de destacamento de Resgate. Em torno de 1669, ergueram no local um forte batizado com o nome de fortaleza da Barra de São José do Rio Negro, com a finalidade de afirmar o domínio da coroa portuguesa contra os holandeses e espanhóis. Com estes grupos indígenas e alguns brancos, iniciou-se o povoamento do lugar, que recebeu diferentes denominações, sendo comuns os termos Fortaleza do Rio Negro, Fortaleza da Barra, Lugar da Barra, Barra do Rio Negro, Barra e Vila da Barra. Vale mencionar que barra é a designação que na época os portugueses denominavam a foz de um rio. Até o final do século XVIII, o Lugar da Barra não passava de um obscuro povoado da capitania de São José do Rio Negro, cuja capital funcionava, desde 1758, na vila de Barcelos. Ao se iniciar o século XIX, a região do Amazonas estava mergulhada no marasmo e decadência. Em 1808 a capital da capitania foi transferida para o Lugar da Barra. Na época a população local estava calculada em 3.000 habitantes. Em 1833 o território do governo paraense foi dividido em três comarcas, denominado-as de Grão Pará, Baixo Amazonas e Alto Amazonas. Extinguia-se a capitania do Rio Negro, sendo substituída pela comarca do Alto Amazonas, enquanto que o Lugar da Barra foi promovido à condição de vila, assumindo a denominação de Vila de Manáos e mantendo a posição de capital da nova comarca. Em 1848, a Vila de Manáos foi promovida a cidade, passando a denominar-se cidade da Barra do Rio Negro, e, em 5 de setembro de 1850, a comarca do Alto Amazonas foi elevada à categoria de província, contando com uma população estimada de 5.000 a 6.000 habitantes. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 8 Sob estas novas condições, iniciava-se a segunda metade do século XIX, com algumas mudanças significativas na cidade, e a região passou a despertar um crescente interesse internacional, atraindo grande número de viajantes: pesquisadores, cronistas, cientistas e aventureiros. Em 1856 o nome da cidade de Barra do Rio Negro foi mudado para cidade de Manáos, que significa “mãe dos deuses”, homenagem à tribo indígena que predominava na região. Cronistas da época já relatavam que Manaus era um pequeno aglomerado de casas, metade das quais prestes a cair em ruínas. Contudo ressaltavam que a localização da cidade, na junção dos rios Negro e Amazonas, fora uma das mais felizes escolhas, pois apesar de insignificante naquela época, mais tarde, sem dúvida, seria um grande centro de comércio e navegação. Ao iniciar o período republicano no Brasil, Manaus era a capital provincial localizada na região mais distante do Governo e para chegar a ela era necessário empreender longas e nem sempre cômodas viagens fluviais, contando na época com população entre 8.000 e 9.000 habitantes. O ciclo da borracha iniciou-se nos idos de 1840, após a descoberta do processo de vulcanização da borracha por Charles Goodyear em 1839, e perdurou até seu ocaso em 1920, sendo o auge do desenvolvimento econômico entre os anos de 1880 a 1920. A borracha é uma goma elástica de origem vegetal, produzida pela seringueira, uma árvore de clima tropical que foi cientificamente denominada de Hevea brasiliensis. Os seringais nativos da Amazônia eram praticamente os únicos produtores de borracha e, à medida que este material se valorizava no mercado internacional, o Brasil tornava-se o detentor do monopólio do produto. O látex proveniente da Amazônia era o de melhor qualidade na época e propiciou um curto, porém significativo, período de crescimento e prosperidade. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 9 Em 1827 a produção de borracha era de aproximadamente 31 toneladas por ano e em 1860 já alcançava a 2.673 toneladas por ano. Sem dúvida, a comercialização da goma elástica foi a principal fonte de riqueza, possibilitando mudanças radicais em muitos segmentos da sociedade amazônica a partir da última década do século XIX, tendo sido o grande atrativo para o imenso contingente de trabalhadores que se dirigiu para a região, em especial os nordestinos, quando violenta seca atingiu o Nordeste em 1877. O número de cearenses que se dirigiu para a região foi considerável e, em 1883, era calculado em 60.000 pessoas. A partir da administração do engenheiro Eduardo Ribeiro, em 1892, iniciava-se uma das mais transformadoras fases da história de Amazonas e de Manaus em particular. Em poucos anos, conseguiu realizar grande parte dos planos traçados, transformando radicalmente a visualidade da pequena vila, tornando-a uma moderna e graciosa cidade. Enquanto a maioria das cidades brasileiras vivia de uma maneira quase rural, Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada, a segunda a possuir energia elétrica, e foi uma das poucas cidades brasileiras a ter vivenciado a “belle époque”, sendo conhecida como Paris das Selvas ou Paris Tropical. O movimento comercial era intenso e a vida cultural tornava-se diversificada à medida que se equipavam os novos espaços. Na época a exportação da borracha representava 28% do total da exportação brasileira. Em 1910 o valor da borracha atingiu seu preço máximo e a exportação do produto representou 40% do total da exportação do país. A cidade passou a contar com serviços públicos de bondes elétricos, telefonia, água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e um porto flutuante, cada vez mais ativo. Geralmente os serviços urbanos eram entregues a empresas estrangeiras, em sua maioria de origem inglesa, como a Manáos Electric Lighting, a Amazon Telegraph, a Manáos Railway Company e Manáos Improvements Limited, que dispunham de material e técnicos especializados para dirigir os serviços e utilizar mão de obra local. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 10 A malha urbana estendeu-se, principalmente nos sentidos norte e leste, ultrapassando os limites naturais dos igarapés de Manáos e do Bittencourt, avançando até o igarapé da Cachoeirinha, sendo ao norte delimitado pelo Boulevard Amazonas. A planta da cidade de 1893, apresentada na Figura 2.1, mostra que omodelo urbanístico adotado foi baseado no traçado do tabuleiro de xadrez, composto por largas ruas e avenida que se entrecortam em ângulo reto; várias praças estavam demarcadas enquanto os igarapés da parte primitiva da cidade praticamente desapareceram, tendo sido canalizados e sobre os mesmos foram construídas grandes avenidas. Figura 2.1. Mapa de Manaus – Final do Século XIX. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 11 Dentre as grandes obras da época destacam-se o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Instituto Benjamim Constant, o Palácio do Palácio Rio Negro, o edifício da Alfândega, a Biblioteca Pública, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, o reservatório do Mocó, além da Avenida Eduardo Ribeiro, Ponte Romana e Ponte Benjamim Constant, todos construídos com material vindo do exterior. O império da borracha teve uma duração muito efêmera. No Amazonas as rendas dependiam única e exclusivamente da rústica e artesanal indústria extrativa da borracha. A origem da crise data da década de setenta do século XIX, quando milhares de sementes de seringueiras foram levadas para Londres por Henry Wickham, que depois de germinadas no Jardim Botânico de Kew, foram transportadas e plantadas no Ceilão e em Singapura, onde planejavam seringais de maneira racional, favorecendo o crescimento das plantas e facilitando a coleta do látex. Em 1909 a produção de borracha na Malásia era de 3.685 toneladas por ano e apenas 10 anos mais tarde atingia a marca de 381.860 toneladas, enquanto a produção brasileira na ocasião era 35.000 toneladas por ano. A decadência do Império da Borracha trouxe como consequência o retorno a Manaus dos “soldados da borracha”, legiões enormes de homens miseráveis, famintos, desnutridos e doentes que viviam nos grandes seringais falidos. Manaus não possuía infraestrutura e o planejamento urbano necessários para receber os novos habitantes, os quais, na falta de opção de habitação, procuraram as margens do rio Negro, principalmente no bairro de São Raimundo. A falência do interior do Estado continuou alimentando, de forma lenta e gradual, o aumento populacional da cidade de Manaus que não tinha como oferecer grandes oportunidades aos imigrantes, e começaram a se localizar em uma nova ocupação, dessa vez sobre o rio Negro, em forma de casas flutuantes, localizadas na foz do igarapé do Educandos e se espalhando até as imediações do Mercado Municipal. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 12 Diferentemente do período áureo da borracha, a urbanização da cidade passou a ser caótica e descontrolada. A ocupação dos flutuantes penetrou o igarapé do Educandos e ganhou as margens do mesmo, na forma de novas palafitas, transformando-se em um verdadeiro filão habitacional sem nenhum controle das autoridades. Após 50 anos de obscurantismo econômico, foi criada em 1957, pela Lei 3.173, a Zona Franca de Manaus, com o objetivo de desenvolver a região com uma área de livre comércio de importação. Contudo, apenas 10 anos mais tarde iria ser realidade após ser reformulado pelo Governo Federal pelo Decreto lei nº 288, quando foram criados incentivos fiscais que propiciaram o desenvolvimento do denominado Pólo Industrial de Manaus. No início os produtos eram importados pela Zona Franca e as lojas se encarregavam da comercialização e a cidade se beneficiava da economia de mercado fechado no restante do país, ocorrendo um grande surto de desenvolvimento. O setor hoteleiro se ampliou e em 1972 as primeiras fábricas instaladas no Pólo Industrial iniciaram a operação montando televisores, rádios, relógios, bicicletas, motos, dentre outros produtos. Em 1973 iniciou-se a construção do Aeroporto Internacional Eduardo Ribeiro, inaugurado em 1976, que veio viabilizar e apressar o desenvolvimento econômico. Com a chegada da Zona Franca, a população de Manaus cresceu exponencialmente passando de 173.703 habitantes, em 1960, para 1.405.835 habitantes em 2000 e 1.802.525 habitantes em 2010 de acordo com o censo demográfico do IBGE, sendo a oitava cidade mais populosa do Brasil, tornando-se Manaus praticamente uma cidade-estado visto que abarca 54% da população do Estado do Amazonas e respondendo por mais de 80% da economia. Conforme bem assinalado no texto dos Termos de Referência do presente concurso, “embora desde 02/05/1975 existisse o Plano Diretor Integrado da Cidade de Manaus (Lei Municipal n.º 1.213), legislação satisfatória tanto do ponto de vista técnico como e PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 13 principalmente sócio econômico, esta ocupação do sítio urbano da cidade realizou-se de uma maneira caótica e até mesmo desordenada, já que a execução de obras de infraestrutura que suportassem um nível tão elevado de crescimento urbano, para atender a magnitude da demanda, não era implementada em razão da escassez de recursos ou da existência de outras prioridades. Dessa maneira, centenas de invasões se sucederam tanto em terrenos do patrimônio público como de particulares e principalmente às margens e sobre os igarapés, em um adensamento prejudicial para todos os que habitam na cidade, tornando-a, consequentemente, cada vez mais poluída e mais deteriorada”. O processo de ocupação do solo mediante “invasões” provoca uma horizontalização da cidade, dificultando ainda mais ao administrador público prover a necessária infraestrutura à população, conforme se visualiza na Figura 2.2. Figura 2.2. “Invasões” em área urbana de Manaus. Disto resulta, em parte, os baixos índices de IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal em grande parte dos bairros da cidade, conforme se apresenta no Quadro 2.1 a seguir. Este índice sintetiza o nível de sucesso atingido pela sociedade no atendimento a três necessidades básicas e universais do ser humano: acesso ao conhecimento – dimensão educação; direito a uma vida longa e saudável – dimensão longevidade e, direito a um padrão de vida digno – dimensão renda. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 14 Quadro 2.1. Relação de IDHM de bairros e comunidades de Manaus. BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO IDHM, 2000 IDHM- RENDA 2000 IDHM- LONGEVIDADE 2000 IDHM- EDUCAÇÃ O 2000 SÃO JOSÉ - Grande Vitória 3.10 0,66 0,53 0,651 0,798 ZONA RURAL 7.1 B 0,666 0,546 0,709 0,742 JORGE TEIXEIRA - Santa Inês, Brasileirinho 3.6 0,667 0,524 0,651 0,827 COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO / PURAQUEQUARA 3.2 0,67 0,526 0,651 0,833 JORGE TEIXEIRA - Val Paraíso, Chico Mendes 3.8 0,676 0,516 0,651 0,862 CIDADE NOVA - Alfredo Nascimento 6.2 0,68 0,553 0,671 0,818 TARUMÃ 4.11 B 0,687 0,546 0,709 0,806 TANCREDO NEVES - Parte Baixa 3.14 0,689 0,542 0,671 0,855 DISTRITO INDUSTRIAL / MAUAZINHO - CEASA 3.5 0,69 0,558 0,651 0,863 SANTA ETELVINA 6.11 0,692 0,556 0,671 0,849 JORGE TEIXEIRA - João Paulo 3.7 0,695 0,555 0,653 0,878 CIDADE NOVA - Nossa Senhora de Fátima, Cidade de Deus 6.6 0,696 0,551 0,684 0,855 MONTE DAS OLIVEIRAS 6.9 0,7 0,554 0,689 0,858 COLÔNIA TERRA NOVA 6.8 0,708 0,559 0,688 0,878 JORGE TEIXEIRA - Jorge Teixeira I e III 3.9 0,711 0,56 0,698 0,875 ZUMBI 3.16 0,714 0,573 0,685 0,884 COMPENSA - Vila Marinho 4.3 0,715 0,566 0,694 0,886 COMPENSA - Compensa II 4.2 0,719 0,587 0,692 0,879 TANCREDO NEVES - Parte Alta 3.15 0,719 0,562 0,698 0,896 IGARAPÉ DO QUARENTA 1.8 0,721 0,61 0,672 0,881 CIDADE NOVA - Novo Aleixo, Amazonino Mendes6.3 0,725 0,584 0,699 0,893 NOVO ISRAEL / COLÔNIA SANTO ANTÔNIO 6.10 0,725 0,604 0,689 0,882 SÃO JOSÉ - São José II 3.13 0,726 0,583 0,7 0,897 EDUCANDOS / COLÔNIA OLIVEIRA MACHADO 1.5 0,727 0,627 0,675 0,877 ARMANDO MENDES 3.1 0,73 0,599 0,698 0,894 REDENÇÃO - Ig. dos Franceses / DA PAZ - Ig. dos Franceses 5.6 0,733 0,616 0,695 0,888 CIDADE NOVA - Monte Sinai, Mundo Novo 6.1.1 0,735 0,614 0,692 0,9 CIDADE NOVA - Riacho Doce, Campo Dourado 6.1.2 0,738 0,614 0,692 0,909 COMPENSA - Compensa I 4.1 0,738 0,626 0,692 0,895 FLORES - Parque das Nações 2.4.2 0,74 0,651 0,688 0,879 PARQUE 10 - Bairro União 2.4.1 0,741 0,651 0,688 0,884 SÃO JOSÉ - São José I 3.12 0,741 0,635 0,685 0,902 SÃO JOSÉ - São José III e IV 3.18 0,742 0,626 0,688 0,913 PETRÓPOLIS - Ig. da Cachoeirinha 1.12 0,744 0,625 0,702 0,904 SÃO JOSÉ - Zezão, Conjunto João Bosco 3.11 0,745 0,627 0,685 0,921 REDENÇÃO 5.7 0,748 0,64 0,687 0,916 COROADO - Coroado I e II 3.4 0,75 0,666 0,695 0,89 LÍRIO DO VALE / SANTO AGOSTINHO 4.4 0,753 0,65 0,691 0,917 CACHOEIRINHA - Ig. Cachoeirinha / SÃO FCO. - Ig. Cachoeirinha 1.6 0,756 0,665 0,687 0,916 SANTA LUZIA / MORRO DA LIBERDADE 1.13 0,757 0,654 0,688 0,929 JAPIIM - Ig. da Freira, Japiinlândia, Ig. D 1.10 0,764 0,664 0,725 0,903 NOVA ESPERANÇA 4.5 0,765 0,679 0,704 0,911 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 15 BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO IDHM, 2000 IDHM- RENDA 2000 IDHM- LONGEVIDADE 2000 IDHM- EDUCAÇÃ O 2000 PETRÓPOLIS - Vale do Amanhecer / JAPIIM - Morrinho 1.14 0,765 0,654 0,709 0,932 ALVORADA - Alvorada I 5.2 0,766 0,672 0,726 0,901 SÃO RAIMUNDO / GLÓRIA 4.9 0,767 0,685 0,704 0,912 ALVORADA - Alvorada II e III 5.3 0,768 0,672 0,726 0,907 IGARAPÉ MESTRE CHICO, Viaduto Josué Claúdio de Souza 1.7 0,774 0,692 0,706 0,925 VILA DA PRATA / SÃO JORGE - Jardim dos Barés 4.10 0,778 0,689 0,711 0,935 SANTO ANTÔNIO 4.7 0,783 0,708 0,719 0,924 COROADO - Ouro Verde, UFAM 3.3 0,786 0,701 0,725 0,934 CIDADE NOVA - Colônia Japonesa, Núcleo 15-16 6.4 0,79 0,699 0,725 0,946 BETÂNIA / SÃO LÁZARO / CRESPO / VILA BURITI 1.1 0,792 0,713 0,755 0,907 CHAPADA – HEMOAM 2.1.2 0,795 0,714 0,744 0,927 ALEIXO - Garajão e Cidade Alta 2.1.1 0,796 0,714 0,744 0,932 NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vila Amazonas 2.1.4 0,796 0,714 0,744 0,931 SÃO JORGE - Ig. Cachoeira Grande 4.8 0,798 0,738 0,727 0,931 SÃO GERALDO / NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Pq. Amazonense 2.1.3 0,799 0,714 0,744 0,938 CIDADE NOVA - Conjunto Mundo Novo 6.5.1 0,804 0,743 0,705 0,963 CIDADE NOVA – Manoa 6.5.2 0,805 0,743 0,705 0,967 CIDADE NOVA - Conjunto Canaranas, Renato I e II 6.5.3 0,806 0,743 0,705 0,971 CIDADE NOVA – Núcleos 6.7 0,806 0,717 0,758 0,943 PRESIDENTE VARGAS 1.4.2 0,809 0,742 0,758 0,927 CENTRO - Ig. Manaus, Ig. Bitencourt, Ig. Castelhana 1.4.1 0,814 0,742 0,758 0,943 PETRÓPOLIS - Entorno do Batalhão da PM / RAIZ 1.11 0,823 0,751 0,769 0,948 CACHOEIRINHA - Terminal 2 / SÃO FRANCISCO - Av. Paraíba 1.2 0,83 0,778 0,769 0,944 ALVORADA - Franceses / DA PAZ - Ajuricaba 5.1 0,844 0,811 0,769 0,953 FLORES - Torquato Tapajós 2.3.1 0,868 0,84 0,786 0,979 FLORES - São Judas Tadeu 2.3.2 0,871 0,84 0,786 0,987 JAPIIM - Japiim I e II 1.9.1 0,875 0,829 0,812 0,985 PETRÓPOLIS - Jardim Petrópolis 1.9.2 0,878 0,829 0,812 0,994 DA PAZ - Santos Dumont / REDENÇÃO - Hiléia 5.5.2 0,885 0,853 0,812 0,989 PLANALTO 5.5.1 0,885 0,853 0,812 0,99 DOM PEDRO 5.4 0,887 0,866 0,814 0,98 CENTRO - Centro Antigo / NOSSA SENHORA APARECIDA 1.3.1 0,888 0,877 0,817 0,971 PRAÇA 14 - Av. Major Gabriel / CENTRO - Boulevard 1.3.2 0,888 0,877 0,817 0,972 SÃO JORGE - Av. São Jorge / PONTA NEGRA - Av. Ponta Negra 4.6 0,888 0,87 0,821 0,972 PARQUE 10 - Castelo Branco / CHAPADA - Conjuntos 2.6 0,907 0,911 0,821 0,989 SÃO JOSÉ - Área do SESI / COROADO - Acariquara 3.17 A 0,912 0,917 0,841 0,979 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 16 BAIRROS E COMUNIDADES DE MANAUS CÓDIGO IDHM, 2000 IDHM- RENDA 2000 IDHM- LONGEVIDADE 2000 IDHM- EDUCAÇÃ O 2000 ALEIXO - Efigênio Sales / PARQUE 10 - Pq. Mindu, Shangrilá 2.2 A 0,915 0,917 0,841 0,988 NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Vieiralves / ADRIANÓPOLIS 2.5.1 0,941 0,977 0,857 0,987 FLORES - Parque das Laranjeiras 2.5.2 0,943 0,977 0,857 0,994 MANAUS 0,774 0,703 0,711 0,909 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus, 2006. A localização e abrangência espacial dos bairros da cidade de Manaus são observados no mapa de bairros apresentado no Anexo 3. 2.1.1 Uso do solo A impermeabilização do solo tem profundo impacto no volume de escoamento superficial gerado durante os eventos de chuva. Dessa forma, foram coletadas informações sobre o tipo de ocupação e o grau de urbanização das bacias. Para a determinação das características de ocupação do solo foram analisados dados sobre a densidade habitacional atualizada, de acordo com o banco de dados do IBGE, as imagens de satélite de alta resolução, planos diretores, estado atual e projeções sobre uso e ocupação do solo, plano de transportes urbano, projeções demográficas, etc., além de visitas à área de estudo. Dentre as opções de imagens de satélite existentes, optou-se por, inicialmente, fazer uma análise dos satélites CBERS CCD, CBERS HRC, LANDSAT 5, LANDSAT 7 e IRS P6, além daquelas imagens existentes nos banco de dados do Google Earth e Microsoft Bings Maps. Os critérios de escolha das imagens para caracterização da área foram: serem atuais (antiguidade menor que 5 anos) para caracterizar o uso atual do solo, ter boa visibilidade da localidade especificada e não apresentar nuvens em quantidade que possa prejudicar a execução do trabalho proposto. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 17 Ainda foram procuradas imagens referentes à seca de Outubro de 2005 e à cheia de Maio/Junho de 2009, eventos bastante interessantes para análises de solo. Entretanto, as imagens disponíveis não apresentavam boa visibilidade pela presença de nuvens sobre a cidade. As imagens dos satélites escolhidos apresentam as características descritas a seguir. O satélite CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) surgiu em 1988 de uma parceria inédita entre Brasil e China no setor técnico-científico espacial, ingressando o Brasil no seleto grupo de países detentores da tecnologia de sensoriamento remoto. O sensor CCD (Câmera Imageadora de Alta Resolução) Demora 26 dias para passar novamente pelo mesmo ponto de observação, fornecendo imagens em uma faixa de 120 km de largura, com uma resolução de 20 m a partir de cinco bandas, sendo elas: • Banda 1: 0,51 – 0,73 µm (pancromática); • Banda 2: 0,45 – 0,52 µm (azul); • Banda 3: 0,52 – 0,59 µm (verde); • Banda 4: 0,63 – 0,69 µm (vermelho); • Banda 5: 0,77 – 0,89 µm (infravermelho próximo). Já o satélite CBERS com sensor HRC (Câmera Pancromática de Alta Resolução) produz imagens de uma faixa de 27 km de largura com uma resolução de 2,7 m, o que permite a observação com grande detalhamento dos objetos da superfície. Possui uma única banda: 0,50 - 0,80 µm (pancromática), com resolução temporal de 130 dias. Outro satélite é o LANDSAT 5 (Land Remote Sensing Satellite), lançado em 1984 pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) e funciona em órbita equatorial a 705 km de altitude produz imagens da superfície terrestre com 185 Km de largura noterreno, resolução espacial de 30 metros, resolução temporal de 16 dias e 7 bandas espectrais, sendo elas: • Banda 1: 0,450 – 0,520 m (azul); PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 18 • Banda 2: 0,520 – 0,600 m (verde); • Banda 3: 0,630 – 0,690 m (vermelho); • Banda 4: 0,760 – 0,900 m (infravermelho próximo); • Banda 5: 1,550 – 1,750 m (infravermelho médio); • Banda 6: 10,400 – 12,500 m (infravermelho termal); • Banda 7: 2,080 – 2,350 m (infravermelho médio). O LANDSAT 7, lançado em 1999, é o mais recente satélite do programa Landsat e, comparado ao LANDSAT 5, destaca-se pela adição de uma banda espectral (banda pancromática) com resolução de 15 m perfeitamente registrada com as demais bandas, melhorias nas características geométricas e radiométricas e o aumento da resolução espacial da banda termal, sendo a cobertura do planeta completa em 16 dias Totalizam-se 8 bandas: • Banda 1: 0.450 - 0.515 m (azul); • Banda 2: 0.525 - 0.605 m (verde); • Banda 3: 0.630 - 0.690 m (vermelho); • Banda 4: 0.750 - 0.900 m (infravermelho próximo); • Banda 5: 1.550 - 1.750 m (infravermelho médio); • Banda 6: 10.400 - 12.500 m (infravermelho termal); • Banda 7: 2.090 - • Banda 8: 0.520 - 0.900 m (pancromática). Por sua vez, o satélite IRS (Indian Remote Sensing Satellite) P6 (ResourceSat), LISS 3, é um satélite indiano que se caracteriza por resolução de 23,5 m, recobrindo até 141 por 141 km, com tempo de retorno ao mesmo ponto a cada 24 dias. Possui quatro bandas: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 19 • Banda 2: 0,52 – 0,59 m (verde); • Banda 3: 0,62 – 0,68 m (vermelho); • Banda 4: 0,77 – 0,86 m (NIR - Near Infrared); • Banda 5: 1,55 – 1,70 m (SWIR – Shortwave Infrared). A partir da análise das imagens disponíveis, e após uma primeira observação, selecionaram-se os dados oriundos dos satélites CBERS 2B sensor HRC de 26 de agosto de 2008, CBERS 2B sensor CCD imagens de 7 e 23 de setembro de 2009, Imagem do satélite LANDSAT 5 de 27 de outubro de 2010, LANDSAT 5 de 24 de março de 2011 e IRS_P6 de 9 de dezembro de 2010, por disponibilizarem as melhores representações diante das necessidades deste trabalho. Estas imagens se entravam em uma versão preliminar, portanto com o auxílio do Google Earth, procedeu-se ao georreferenciamento das imagens de satélite com o arruamento da cidade de Manaus. Após, realizou-se a composição colorida das bandas para melhor visualização dos resultados. No Anexo 4 podem ser encontradas as imagens finalmente escolhidas, em função da sua qualidade. A etapa seguinte foi a classificação das imagens obtidas, em que se realizou o mapeamento das áreas a partir de seus comportamentos espectrais, ou seja, pixel a pixel, o programa verificou a probabilidade de pertencimento à uma certa classe através da classificação por máxima verossimilhança. O resultado da classificação, que consiste em mapas de uso do solo, é apresentado no Anexo 5. Na análise das imagens se observa uma grande heterogeneidade na ocupação do território, embora a cidade se caracterize por apresentar uma grande densidade de vegetação ao longo de toda a sua extensão. Na área do Centro de Manaus (Figura 2.3), em semelhança ao que ocorre em outras cidades, percebe-se a existência de construções dos mais diversos tipos. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 20 Foram identificadas quadras inteiras e pequenas glebas desocupadas em regiões do tecido urbano. Ainda em regiões tais como ao longo da Av. André Araújo (Figura 2.4), há construções com jardins e pátios, possuindo, portanto, uma impermeabilização relativamente baixa. No entanto, em áreas como em torno da Av. Tefé (Figura 2.5), as construções estão praticamente coladas umas às outras, indicando uma taxa de ocupação da área bastante elevada e, consequentemente, alta impermeabilização. Figura 2.3. Recorte da imagem de satélite do centro de Manaus (Fonte: Google Earth). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 21 Figura 2.4. Recorte da imagem de satélite da Av. André Araújo (Fonte: Google Earth). Figura 2.5. Recorte da imagem de satélite da Av. Tefé (Fonte: Google Earth). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 22 Também se observa que há uma ocupação e invasão de áreas ribeirinhas protegidas por legislação federal e sob fiscalização do IBAMA. Conforme o Código Florestal, a exploração econômica de áreas de preservação depende de prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária a execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, além de inexistência de alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto. Verifica-se uma intensa ocupação de áreas ribeirinhas principalmente no Igarapé do Educandos, como pode ser observado na imagem da Figura 2.6, embora, através do PROSAMIM, a situação esteja sendo revertida e a ocupação tenda a ser mais organizada, e com menores taxas de impermeabilização. Figura 2.6. Recorte da imagem de satélite do Igarapé do Educandos (Fonte: Google Earth). Uma das características marcantes da cidade de Manaus é a elevada incidência de construções tipo ‘palafitas’. Moradia característica da população de baixo poder aquisitivo, concentrando-se geralmente em áreas de baixo valor imobiliário, e pelas suas condições, PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 23 traduzem um decadente saneamento básico (Figura 2.7). Como resultado dessa intensa urbanização, muitos bairros em Manaus têm se destacado por diversos problemas devido à alta concentração de lixo, proliferação de vírus e parasitas, agentes transmissores patológicos, entre outros. Figura 2.7. Construções do tipo palafita em áreas de inexistência de saneamento básico. (Fonte: SOS Rios do Brasil) As causas da decadente situação é resultado do elevado crescimento populacional urbano, causando uma elevada pressão sobre o ambiente físico e acarretando consequências como a poluição do solo, águas, atmosfera, aglomerações com altos índices de ocupação informal, carentes de infra-estrutura e serviços, caracterizando assim precariedade na salubridade populacional. Em Manaus, cerca de 300 mil pessoas ocupam áreas próximas aos Igarapés, construindo suas moradias nas faixas marginais dos cursos d’água protegidas por preservação ambiental permanente. Fato que torna-se um dos principais vetores de pressão sobre o meio ambiente (MESQUITA RODRIGUES et al., 2009). Um estudo realizado por Mesquita Rodrigues et al (2009), avaliando a ocupação do solo urbano na cidade de Manaus ao longo do Igarapé do Bindá, revelou que às margens da nascente ocorre uma contínua pressão antrópica devido ao intenso processo de urbanização local. Já nas regiões que compreendem o segmento no limite da área verde com a PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 24 comunidade Mundo Novo, constata-se que o solo está sendo ocupado por assentamentos urbanos precários: favelas, ocupação de margens de igarapés, palafitas e assemelhados. Essa ocupação irregular de áreas de preservação ambiental, justamente com um déficit crescente da infraestrutura de recolhimento e destinação de esgotos sanitários e a insuficiênciano sistema de coleta dos resíduos sólidos nas áreas de ocupação irregular, são apenas alguns dos avanços que vem comprometendo a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente. Para entender melhor a ocupação da região será analisada na continuação a evolução da urbanização. O crescimento populacional de Manaus fez com que a cidade saltasse da nona para a sétima posição no ranking das grandes cidades brasileiras, explicado pelas oportunidades de emprego e novos negócios na zona urbana em desenvolvimento. A população passou de 1.405.835, em 2000, para 1.802.525, em 2010 caracterizando um crescimento de aproximadamente 22% (Figura 2.8). Foi a cidade grande que mais cresceu, de acordo com o Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mapa do Anexo 6 apresenta a distribuição da população residente em Manaus, por setor censitário. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 25 Figura 2.8. Crescimento Populacional de Manaus (Fonte: Dados do IBGE - Censos 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010). Os dados constantes no Atlas do Desenvolvimento Humano de Manaus possibilitam conhecer os números relacionados a essa expansão urbana (Tabela 2.1) e identificar as áreas que apresentam deficiências de equipamentos públicos Tabela 2.1. Evolução da população de Manaus de 1991-2000 por zona do município. Zona População residente na área rural, 1991 População residente na área rural, 2000 População residente na área urbana, 1991 População residente na área urbana, 2000 Taxa de crescimento anual da população total Zona Centro Oeste 0 0 125.910 141.022 1,28 Zona Centro Sul 0 0 91.957 123.987 3,41 Zona Leste 0 0 175.495 340.453 7,71 Zona Norte 0 0 113.675 282.083 10,73 Zona Oeste 0 0 194.918 214.075 1,06 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 26 Zona Rural 4.916 9.067 1.103 2.275 7,36 Zona Sul 0 0 303.434 292.873 -0,40 MANAUS 4.916 9.067 1.006.585 1.396.768 3,76 (Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus) Assim, segundo SOUZA AGUINAGA (2007), da análise dos dados se infere que o crescimento da população, na década de 90, ocorreu tanto na área rural quanto na área urbana, sendo que nesta última os maiores índices de crescimento são os das zonas Norte e Leste da cidade. O crescimento concomitante da zona urbana e rural nos remete, por outro lado, a constatação de que ainda é significativo o fluxo de pessoas, de outros municípios do estado e/ou de outros estados para Manaus, cuja taxa de crescimento anual chega a 3,76, muitas vezes maior do que a taxa de crescimento nacional, que de 1991 a 1996 foi de 0,64, e de 1996 a 2000 ficou em 0,50%. O crescimento da população urbana resulta na ocupação de novas áreas. A questão do uso e ocupação do solo, por sua vez, notadamente uma ocupação desordenada, repercute diretamente sobre o ciclo hidrológico. Segundo Tucci (1993), a impermeabilização dos solos gera as seguintes alterações: 1) redução da infiltração do solo; 2) o volume que deixa de infiltrar fica na superfície, “aumentando o escoamento superficial”, ocorrendo, ainda, a redução do tempo de deslocamento por conta da construção dos condutos pluviais para o escoamento superficial; 3) com a redução da infiltração o aquífero tende a diminuir o nível do lençol freático por falta de alimentação, reduzindo o escoamento subterrâneo; 4) por conta da supressão da cobertura florestal, ocorre uma redução da evapotranspiração, uma vez que a superfície urbana não retém água como a cobertura vegetal e não permite a evapotranspiração das folhagens e do solo. Um estudo divulgado pelo Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM (apud SOUZA AGUINAGA, 2007), informa que já foram desmatados 22% da área urbana de Manaus; equivalente a 28 mil, de um total de 44 mil hectares. Para uma das coordenadoras da PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 27 Pesquisa, as imagens demonstram claramente a rapidez com que cresce a cidade, com um aumento dos desmatamentos de áreas verdes. O crescimento desordenado das cidades traz, ainda, outros problemas graves para a proteção das águas superficiais e subterrâneas, uma vez que, dificilmente, a expansão urbana se faz acompanhar da infraestrutura básica de saneamento, que inclui abastecimento e sistema de esgotamento sanitário, o que pode vir a constituir fontes de poluição para as águas. Os números referentes ao acesso da população à água encanada e instalação sanitária são apresentados a seguir (Tabela 2.2). Tabela 2.2. Domicílios com acesso aos bens e serviços básicos. Zona Percentual de domicílios sem água encanada, 1991 Percentual de domicílios sem água encanada, 2000 Percentual de domicílios sem instalação sanitária, 1991 Percentual de domicílios sem instalação sanitária, 2000 Zona Centro Oeste 7,64 6,70 4,22 1,22 Zona Centro Sul 3,87 12,35 1,88 2,80 Zona Leste 42,55 44,50 11,71 8,59 Zona Norte 50,49 41,78 11,37 8,51 Zona Oeste 4,15 7,18 4,46 2,25 Zona Rural 66,82 78,79 19,85 10,87 Zona Sul 7,82 7,06 4,57 1,58 MANAUS 17,81 24,00 6,33 4,89 (Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus) Para compreensão espacial das informações apresentadas na Tabela 2.2, encontra-se no Anexo 7 um mapa contendo a delimitação das zonas administrativas de Manaus. Os dados demonstram que as zonas Norte e Leste da cidade são aquelas que apresentam as maiores deficiências no acesso aos serviços públicos de abastecimento e esgotamento sanitário. A falta de água encanada nessas duas zonas urbanas, que são as mais populosas da cidade, faz com que seus habitantes busquem nas águas subterrâneas a alternativa para o problema do abastecimento. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 28 O Anexo 8 apresenta os mapas de densidade populacional e habitacional por setor censitário de Manaus, de acordo com o censo de 2010. Essas informações são importantes para a determinação do grau de impermeabilidade do atual cenário de urbanização, cujos resultados serão analisados em relatórios posteriores. 2.1.2 Tipo de solo A caracterização dos solos da região foi realizada primeiramente de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, uma vez que, pela ampla divulgação, é mais facilmente compreensível. Posteriormente, os solos serão apresentados de acordo com o grupo hidrológico da metodologia do SCS que será, finalmente, a classificação utilizada para a incorporação do tipo de solo às simulações. 2.1.2.1 Solos de acordo com a classificação brasileira A classificação brasileira de solos, em constante atualização, é chamada de SiBCS (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos) e foi desenvolvida pela Embrapa, sendo a mais recente publicada em 1999, com importante atualização em 2005. No caso de Manaus, apoiado na Folha SA.20 Manaus (Brasil, 1978) e em informações repassadas pela SEMINF, são apresentados os tipos de solos de acordo com as associações mais comuns encontradas. Entre as unidades de solo na região predominam o Latossolo Amarelo, o Podzólico Vermelho-Amarelo e o Gleissolo, todos de textura média. Já na área de estudo, o Latossolo Amarelo ocorre em toda a extensão urbana do município (conforme pode ser observado no mapa do Anexo 9), notadamente numa faixa paralela ao rio Solimões e na confluência com o rio Negro. Esse tipo de solo é caracterizadopor possuir baixos teores de Fe+3 e é tipicamente caolinítico e goethítico. A cor predominantemente amarelada é decorrente da alta concentração do mineral goethita. Possui alta saturação em alumínio. Apresenta textura muito argilosa (RODRIGUES et al., 1971) e é atualmente classificado segundo EMBRAPA (1999), como distrófico, álico, caulinítico e ácido. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 29 O solo na região é bem desenvolvido, com nível muito baixo de fertilidade natural e acidez muito forte associada a percentuais representativos de alumínio. Apresenta elevado grau de floculação (RODRIGUES et al., 1971), que se deve ao alto conteúdo de argila desse solo, originado a partir do argilito, bem como uma avançada intemperização. O cultivo intensivo do solo e o seu preparo em condições inadequadas alteraram suas características físicas em graus variáveis, devido a um preparo mecanizado realizado muitas vezes de forma indiscriminada. Tal prática, associada às precipitações intensas que ocorrem nessa região, na época de preparo do solo e no crescimento inicial das plantas, constituem fatores responsáveis pela degradação da estrutura e formação de camadas compactadas. O Podzólico Vermelho-Amarelo está associado a situações de relevo mais movimentado, no qual os processos erosivos são mais acentuados. Os solos são mais rasos, com fertilidade natural muito baixa, fortemente ácidos e com altos teores de ferro e alumínio. São predominantes na região noroeste, ocupando uma pequena área do município. Os gleissolos são representativos na porção oeste, nas ilhas que se formam ao longo do rio Solimões. São solos minerais, hidromórficos, apresentando horizontes A (mineral) ou H (orgânico), seguido de um horizonte chamado horizonte glei. Outros solos também se fazem presentes ao longo da extensão do município, porém em menores proporções, como os Plintossolos, Podzol Hidromórficos e os Solos Aluviais. Podzólico Vermelho-Amarelo (Alissolos) Esta classe compreende solos com horizonte B textural, não hidromórficos, com argila de atividade baixa, devido ao material do solo ser constituído por sesquióxidos, argilas do grupo 1:1 (caulinitas), quartzo e outros materiais resistentes ao intemperismo e saturação de bases (V%) baixa, isto é, inferior a 50%. São solos, em geral, fortemente ácidos e de baixa fertilidade natural. Apresentam perfis bem diferenciados, com sequência de horizontes A, Bt e C, e com horizonte Bt, frequentemente, mostrando, nas superfícies dos elementos estruturais, película de materiais coloidais (cerosidade) quando o solo é de textura argilosa. São, comumente, PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 30 profundos a muito profundos, com a espessura do A + Bt oscilando entre 115 e 250 cm, exceto nos solos rasos, em áreas reduzidas. Possuem textura arenosa média ou, mais raramente, argilosa no horizonte A, e média ou argilosa, no horizonte Bt, com relação textural em torno de 1,5 (textura argilosa) e de 3,0 a 10,0 nos de caráter abrúptico ou abrúptico plinthico, os quais possuem características morfológicas bem distintas (coloração variegada ou com mosqueado abundante) e drenagem moderada e/ou imperfeita. A estrutura é de moderada a forte, pequena a grande, granular, de consistência ligeiramente duro a muito duro, quando seco, e friável, quando úmido, nos solos com horizonte A moderado, enquanto nos solos com A fraco, a estrutura apresenta-se maciça, pouco ou muito coesa, ou em grãos simples, ou, ainda, fraca a muito fraca, pequena, granular ou blocos subangulares, cuja consistência varia de solto a ligeiramente duro, quando seco, e solto a muito friável, quando úmido. O horizonte B apresenta coloração (úmido), mais frequente, vermelho-amarelado, vermelho, bruno-forte e bruno-amarelado. A estrutura é fraca ou moderada, pequena ou muito pequena, blocos subangulares, ocorrendo maciça em alguns solos com plinthite. É frequente a presença de cerosidade (pouca a abundante; fraca a forte) e a consistência macio a muito duro (seco) e muito friável a firme (úmido). Ocorrem sob relevo plano e suave ondulado e vegetação de caatingas hipo e hiperxerófila e transição floresta/caatinga. O relevo varia de plano a montanhoso. A vegetação é bastante diversificada, encontrando-se as caatingas hipo e hiperxerófilas, as florestas subperenifólia, subcaducifólia e a transição floresta/caatinga, com um certo predomínio das caatingas hipo e hiperxerófilas. A maior limitação ao uso agrícola destes solos decorre de sua baixa fertilidade natural e forte acidez, necessitando, desse modo, do uso de fertilizantes, com a correção prévia da acidez. Em grande parte são favorecidos pelo relevo (predominantemente, plano e suave ondulado) que proporciona totais condições ao uso de máquinas agrícolas. Latossolos Amarelos PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 31 No antigo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, os Latossolos Amarelos e os Vermelho-Amarelos do Cerrado estavam agrupados sob um único nome: Latossolo Vermelho-Amarelo. O novo Sistema dividiu-os em duas classes. O nome Latossolo Vermelho- Amarelo (LVA) ficou reservado para os latossolos que possuem cor laranjada, com matiz Munsell entre 2,5YR e 5YR. Os Latossolos Amarelos (LA) ficaram sendo os solos que possuem cor nitidamente amarela, mais que 5YR. O matiz amarelado é causado por um mineral chamado goethita, um óxido de ferro. LA ocupa praticamente toda a região do município, ocupando a totalidade da área urbana. O teor de óxidos de ferro extraídos pelo ataque sulfúrico é geralmente menor que em outros latossolos. Isso acontece porque o material de origem era pobre em ferro ou porque o ferro foi removido do solo pela água de percolação. Os LA e LVA podem apresentar todo o tipo de textura, desde média até muito argilosa. Graças à cor amarela, é relativamente fácil separar os horizontes. Embora os LA e LVA geralmente tenham vários metros de profundidade, eles não são tão profundos quantos os Latossolos Vermelhos. Outra característica interessante é a presença, em alguns LA, de nódulos e concreções avermelhadas. Alguns pedólogos dizem que isso indica que os LA já foram mais vermelhos, ou seja, no passado eles tinham características semelhantes aos Latossolos Vermelhos. Solos Aluviais (Neossolo Flúvico) Localizam-se no extremo Sul da cidade de Manaus. Solos minerais não hidromórficos, pouco evoluídos, formados em depósitos aluviais recentes, nas margens de cursos d’água. Devido a sua origem das mais diversas fontes, esses solos são muito heterogêneos quanto à textura e demais propriedades físicas e químicas, que podem variar em um mesmo perfil entre as diferentes camadas. Os maiores problemas ao desenvolvimento de atividade agrícola nesses solos decorrem dos riscos de inundação por cheias periódicas ou por acumulação de água de chuvas na época de intensa pluviosidade. De uma maneira geral, os solos aluviais são PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 32 considerados de grande potencialidade agrícola, por ocorrerem em locais de relevo plano, favorecendo a prática de mecanização agrícola intensiva. Gleissolo São solos minerais, hidromórficos, apresentando horizontes A (mineral) ou H (orgânico), seguido de um horizonte de cor cinzento-olivácea, esverdeado ou azulado, chamado horizonte glei, resultado de modificações sofridas pelos óxidos de ferro existentes no solo (redução) em condiçõesde encharcamento durante o ano todo ou parte dele. O horizonte glei pode começar a 40 cm da superfície. São solos mal drenados, podendo apresentar textura bastante variável ao longo do perfil. Podem apresentar tanto argila de baixa atividade, quanto de alta atividade, são solos pobres ou ricos em bases ou com teores de alumínio elevado. Como estão localizados em baixadas, próximas às drenagens, suas características são influenciadas pela contribuição de partículas provenientes dos solos das posições mais altas e da água de drenagem, uma vez que são formados em áreas de recepção ou trânsito de produtos transportados. Plintossolo Solos minerais hidromórficos ou com séria restrição de drenagem, tendo como característica a expressiva plintização dentro de 40 cm da superfície, ou a maiores profundidades quando subsequente a horizonte E, ou abaixo de horizontes com muitos mosqueados de cores de redução, ou de horizontes petroplínticos. São solos imperfeitamente ou mal drenados, tendo horizonte plíntico de coloração variegada. O horizonte plíntico quando submetido a ciclos de umidecimento e secagem, desidrata-se irreversivelmente, e tornando-se extremamente duro quando seco. Apresentam uma grande diversificação em textura, tendo-se constatado desde solos arenosos até argilosos. São solos normalmente com argila de atividade baixa e menos frequentemente com atividade alta. Quanto à saturação de bases e alumínio, verifica-se uma grande diversidade, PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 33 ocorrendo solos distróficos e eutróficos e também álicos. Originam-se basicamente de sedimentos Quaternários. Podzol Hidromórfico Compreende solos minerais com horizonte B espódico precedido de horizonte E álbico ou, raramente, em sequência ao A. A quase totalidade desses solos no Brasil é de textura arenosa e de extrema pobreza, tendo, portanto, as limitações inerentes a solos com essas características, ou seja, baixa fixação de fósforo e de nutrientes, lixiviação acentuada de nitratos, elevada permeabilidade, ressecamento rápido, alta taxa de decomposição da matéria orgânica e virtual ausência de reservas em nutrientes. Apresentam problemas de drenagem. Nesse caso, praticamente não são usados para agricultura, sendo a maior parte das suas áreas cobertas com vegetação natural. Em áreas tropicais, a derrubada da vegetação nativa para implantação de pastagens cultivadas afetou fortemente as características químicas do solo (TEIXEIRA & BASTOS, 1989; MARTINS et al., 1990a) com aumento no nível de bases trocáveis do solo, do pH e diminuição do alumínio. 2.1.2.2 Solos de acordo com o grupo hidrológico da metodologia do SCS (CN) Para sua posterior utilização nas simulações, os tipos de solos encontrados na cidade devem ser classificados segundo o grupo hidrológico ao qual pertencem na metodologia desenvolvida pelo Soil Conservation Service. O modelo SCS (1964) determina o escoamento superficial a partir de uma equação empírica que requer como entrada a precipitação (observada ou de projeto) e um coeficiente relacionado às características da bacia, conhecido como curva número (CN). Esse coeficiente representa o escoamento superficial potencial das características do tipo e uso do solo na bacia (SHARMA & SINGH, 1992). Assim, o valor do parâmetro CN a ser utilizado nas simulações depende do tipo de solo, das características de ocupação do solo e do estado de umidade do solo no início do evento. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 34 Assim, como o método da curva número foi idealizado para bacias com poucos ou sem dados, os tipos de solos foram agrupados em grupos hidrológicos de solo (GHS) onde se distinguem quatro grupos conforme mostrado a seguir (MOCKUS, 1972 apud SARTORI et al., 2006): Solo A – solos que produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração. Solos arenosos com pouco silte e argila, ambos profundos e excessivamente drenados (taxa mínima de infiltração maior que 7,62 mm/h); Solo B – solos menos permeáveis do que o anterior, solos arenosos menos profundos do que o tipo A e com permeabilidade superior a media (taxa mínima de infiltração entre 3,81 – 7,62 mm/h); Solo C – solos que geram escoamento superficial acima da média e com capacidade de infiltração abaixo da média, contendo percentagem considerável de argila e pouco profundo (taxa mínima de infiltração entre 1,27 – 3,81 mm/h); Solo D – solos contendo argilas expansivas e pouco profundas com muito baixa capacidade infiltração, gerando a maior proporção de escoamento superficial (taxa mínima de infiltração menor que 1,27 mm/h). Uma vez que os tipos de solos são diferentes, e a Classificação Brasileira de Solos é muito mais abrangente que a do SCS, resulta a necessidade de estabelecer uma relação entre as duas metodologias. O agrupamento desses tipos de solo segundo os quatro grupos hidrológicos apresentados na metodologia do SCS foi realizado seguindo a conversão proposta por Sartori et al. (2006) que é apresentada no Quadro 2.2. Quadro 2.2. Conversão entre os tipos de solos da Classificação Brasileira e os tipos de Solos definidos pelos grupos do SCS (Adaptado de Sartori et al., 2006). TIPO DE SOLO - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA TIPO DE SOLO HIDROLÓGICO - SCS PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 35 TIPO DE SOLO - CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA TIPO DE SOLO HIDROLÓGICO - SCS LATOSSOLO AMARELO, LATOSSOLO VERMELHO AMARELO, LATOSSOLO VERMELHO, ambos de textura argilosa ou muito argilosa e com alta macroporosidade; LATOSSOLO AMARELO E LATOSSOLO VERMELHO AMARELO, ambos de textura média, mas com horizonte superficial não arenoso. Grupo Hidrológico A LATOSSOLO AMARELO e LATOSSOLO VERMELHO AMARELO, ambos de textura média, mas com horizonte superficial de textura arenosa; LATOSSOLO BRUNO; NITOSSSOLO VERMELHO; NEOSSOLO QUARTZARÊNICO; ARGISSOLO VERMELHO ou VERMELHO AMARELO de textura arenosa/média, média/argilosa, argilosa/argilosa ou argilosa/muito argilosa que não apresentam mudança textural abrupta. Grupo Hidrológico B ARGISSOLO pouco profundo, mas não apresentando mudança textural abrupta ou ARGISSOLO VERMELHO, ARGISSOLO VERMELHO AMARELO e ARGISSOLO AMARELO, ambos profundos e apresentando mudança textural abrupta; CAMBISSOLO de textura média e CAMBISSOLO HÁPLICO ou HÚMICO, mas com características físicas semelhantes aos LATOSSOLOS (latossólico); ESPODOSSOLO FERROCÁRBICO; NEOSSOLO FLÚVICO. Grupo Hidrológico C NEOSSOLO LITÓLICO; ORGANOSSOLO; GLEISSOLO; CHERNOSSOLO; PLANOSSOLO; VERTISSOLO; ALISSOLO; LUVISSOLO; PLINTOSSOLO; SOLOS DE MANGUE; AFLORAMENTOS DE ROCHA; Demais CAMBISSOLOS que não se enquadram no Grupo C; ARGISSOLO VERMELHO AMARELO e ARGISSOLO AMARELO, ambos pouco profundos e associados à mudança textural abrupta. Grupo Hidrológico D De acordo com a classificação sugerida por Sartori et al. (2006), observa-se que a totalidade do tipo de solo ocorrente na área em estudo está enquadrada no grupo A ou B, que correspondem aos solos com baixa capacidade de geração de escoamento superficial, ou seja, com capacidade de infiltração entre acima da média e alta. No entanto, quando observada a classificação textural do solo (mapa mostrado no Anexo 10) se verifica que os solos localizados a leste de Manaus se encaixam na denominação muito argilosos (ou seja, grupo hidrológico D) e no oeste, são argilosos, ou seja, do grupo hidrológico C. Esta PDDU DE MANAUS – RELATÓRIOPARCIAL DA ETAPA 1 36 diferença com os resultados de Sartori carece de maiores informações para definir a questão. Um estudo das taxas de infiltração em Manaus (ANDRADE FILHO et al., 2011) revelou diferenças no volume infiltrado conforme o tipo de uso do solo, características morfológicas do solo, teor de matéria orgânica e declividade do terreno. A maior quantidade de volume infiltrado ocorre na superfície onde há predominância de cobertura vegetal com taxas típicas do solo A e B, e em locais onde acontece encrostamento, as taxas são típicas de solo D. O encrostamento é típico dos latossolos, assim que eles perdem a sua cobertura vegetal. O encrostamento é resultante de processos complexos e dinâmicos nos quais as partículas do solo são rearranjadas e consolidadas em uma estrutura superficial coesa, cuja espessura pode variar de 0,1 mm até valores superiores a 50 mm (VALENTIN & BRESSON, 1992). Apesar de sua espessura relativamente pequena, suas propriedades físicas são restritivas à passagem da água para dentro do perfil do solo diminuindo a infiltração em até 70%. Desta forma, a classificação do tipo de solo segundo seu grupo hidrológico dependerá também do uso do solo e será analisada no relatório de determinação dos parâmetros hidrológicos. 2.1.3 Relevo da área em estudo O relevo topográfico interfere nas características das cheias que ocorrem nas bacias urbanas, uma vez que a velocidade do escoamento depende diretamente das declividades. No Anexo 11, observa-se o Modelo Numérico do Terreno de Manaus, obtido a partir de imagens do programa Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM) com resolução de 90 m, considerada adequada para esta análise de características. No referido mapa, observa-se que Manaus caracteriza-se por ser constituída de planícies, baixos planaltos e terras firmes, com uma altitude média inferior a 100 metros. As planícies são constituídas por sedimentos recentes da Era Antropozóica; tornam-se bastante visíveis nas proximidades dos rios. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 37 Apesar da sua pouca altitude, as maiores cotas no perímetro urbano concentram-se no bairro Cidade Nova, atingindo cotas em torno dos 90m. Ao longo da Rua Kako Caminha, no bairro N. Sra. das Graças, na porção nordeste do bairro Petrópolis, e no bairro São José Operário, as médias giram em torno de 70m em relação ao nível dos mares. Nas demais regiões, o relevo oscila em torno de 30 a 50m de altitude. A área em estudo está composta por 26 bacias, cuja maior cota concentra-se na fronteira entre as bacias Tarumã e Puraquequara, atingindo valores em torno dos 110 m. A visualização do relevo pode ser feita no mapa encontrado no Anexo 12 deste relatório. No entanto, para melhor explicar o relevo, é utilizada uma pseudo curva hipsométrica. A curva hipsométrica é a descrição da relação entre a área de contribuição e a altitude. Nela é possível observar as variações das cotas dentro de uma bacia hidrográfica sendo utilizada para caracterizar o relevo de bacias hidrográficas. Neste caso foi construída uma curva hipsométrica, não para uma bacia hidrográfica, mas para a área urbana de Manaus (Figura 2.9). Na curva (cota x área em %) é possível identificar que as maiores cotas na cidade são da ordem de 100 m e as menores estão limitadas com as cotas da água na faixa de 25m. Na curva não se observa um patamar ou concentração destas cotas (ou seja, uma área plana), o que significa um relevo moderado. Com estes condicionantes, as águas que descem rapidamente na região de cabeceira se encontram na região baixa onde a capacidade de escoamento é muito baixa formando assim os igarapés, que são abundantes na cidade. As informações sobre topografia poderão ser ainda complementadas com informações dos levantamentos topográficos e do cadastro da rede pluvial, e com informações de topografia fornecidas pela Prefeitura. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 38 Figura 2.9. Pseudo Curva Hipsométrica da área urbana de Manaus. 2.1.4 Delimitação das sub-bacias de drenagem Em função do relevo e da hidrografia de Manaus são identificadas 22 sub-bacias de escoamento das águas pluviais, conforme apresentadas no mapa do Anexo 13. Estas bacias contribuem ao rio Negro/Amazonas através de diversos igarapés. Por sua vez, as sub-bacias possuem inúmeros pequenos afluentes, que muitas vezes se encontram descaracterizados e escondidos pela ocupação urbana, em especial abaixo de palafitas, os quais são os corpos receptores dos escoamentos gerados sobre ruas, avenidas ou conduzidos no interior das galerias existentes. Estas sub-bacias serão utilizadas para apresentação de resultados deste PDDU sendo consideradas as unidades de gerenciamento da drenagem urbana. As unidades foram definidas levando em consideração a relação entre as características físicas, os recursos hídricos e os aspectos políticos e socioeconômicos. No desenvolvimento deste trabalho, as sub-bacias são consideradas as bacias elementares de estudo. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 39 2.1.5 Declividades na área de estudo As declividades medem a inclinação da superfície do solo em relação à horizontal. Elas são importantes para avaliar a velocidade do escoamento, o risco de erosão, dentre outros aspectos. Quanto maior o valor da porcentagem, maior o ângulo de inclinação do terreno. No Anexo 14 observa-se o mapa de declividades de Manaus, obtido a partir da topografia gerada obtida das informações do Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM), com resolução considerada adequada para esta análise. 2.2 Características das condições hidrológicas O objetivo deste item é apresentar uma breve caracterização das condições hidrológicas dos principais cursos d’água que cortam a área urbana de Manaus, centrando na disponibilidade de informações. Neste sentido, cabe lembrar que estas informações serão subsídios para estudos detalhados e aprofundados no Relatório Técnico 2 (RT-2), integrante da Etapa 2 do presente Plano. 2.2.1 Disponibilidade de dados hidrológicos Foram feitas pesquisas da disponibilidade de dados fluviométricos nos diversos órgãos federais e estaduais. Os dados pluviométricos e cotas de níveis do cheia do Rio Negro foram adquiridos através dos órgãos competentes tais como a ANA – Agência Nacional Águas, CPRM – Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, INMET - Instituto Nacional de Meteorologia, e Porto de Manaus. Entre os dados obtidos vale mencionar: Agência Nacional de Águas – ANA • Estação 00359005 - Dados pluviométricos diários; • Estação 15030000 - Dados de nível e vazão média diária do rio Negro; • Estação 15040000 - Dados de nível e vazão média diária do rio Negro. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 40 Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais - CPRM • Estação 00359005 - Dados de pluviógrafo e pluviômetro diários brutos; • Cotas diárias do rio Negro no Porto de Manaus. Porto de Manaus • Cotas máximas e mínimas mensais. Instituto Nacional de Meteorologia – INMET • Dados pluviométricos e pluviográficos. Com relação aos dados pluviográficos horários da estação automática de monitoramento de Manaus, de A101, embora estes não sejam disponibilizados de forma gratuita, julgando ser importantes informações para a atualização da equação Intensidade- Duração-Frequência a ser adotada para a elaboração dos estudos de concepçãodeste Plano, foram adquiridos através de solicitação encaminhada ao 1º Distrito de Meteorologia (1ºDISME/AM/AC/RR) – Seção de Observação Meteorológica Aplicada (SEOMA). Para isso, foram selecionados dos registros diários da estação pluviométrica de Manaus aqueles eventos com pluviosidade igual ou superior a 30 mm, entre os anos de 2004 e 2010. No entanto, em vista das falhas de operação da estação automática, foram conseguidos registros de oito eventos intensos em 2004, quatro em 2005, oito em 2006, oito em 2007, sete em 2008 e seis em 2010. O relatório contendo os dados horários adquiridos é apresentado no Anexo 15. 2.2.2 Disponibilidade de dados fluviométricos na área urbana Os dados fluviométricos existentes dentro da cidade são muito escassos se restringindo a séries históricas limitadas, como no caso do Igarapé do Quarenta. Neste caso, as informações disponíveis incluem a variação do nível da água e medições de vazão líquida, e foram realizadas em uma seção do Igarapé do Quarenta, localizada na área do Conjunto PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 41 Manaus 2000 - Estação Igarapé do Quarenta, Código 14990099/ANA, localizada nas coordenadas 03°06’54”S e 59°58’13” W. No entanto, a série histórica disponível, por ser uma amostra muito pequena de dados, não possibilita qualquer tipo de conclusão científica sobre o regime de vazões locais, embora novas séries estejam sendo ainda prospectadas. 2.2.3 Regime fluvial e análise de frequência dos níveis d’água do rio Negro em Manaus As cheias fluviais, com ressalvas para o fato de que possam apresentar maior ou menor amplitude, são fenômenos perfeitamente normais dentro da dinâmica dos rios em geral. No caso específico das cheias que ocorrem na orla de Manaus, ao longo do rio Negro e seu entorno, são devidas, em sua maior parte, às contribuições do rio Solimões e dos seus afluentes da margem direita e, em menor grau, aos tributários da margem esquerda. Essas cheias apresentam um longo tempo de percurso, devido ao gigantesco tamanho da bacia hidrográfica e a pequena declividade observada nos leitos dos seus principais corpos d’águas. Isto facilita a sua previsibilidade com vários dias de antecedência. A própria frequência de cheias de magnitudes consideradas potencialmente danosas, que se situa em torno de onze anos, pode ser creditada também, a vastidão da bacia hidrográfica e a sua pequena declividade (Tabela 2.3 e Figura 2.10). O tempo médio de subida das águas é de cerca de sete/oito meses. Tabela 2.3. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus. N° de ordem Ano Evolução do processo Pico da Cheia Tempo de retorno (ano) Início Fim N° de dias 1 2009 30/10/2008 1/7/2009 244 29,77 108,0 2 1953 31/10/1952 9/6/1953 221 29,67 54,0 3 1976 30/11/1975 14/6/1976 197 29,61 36,0 4 1989 15/10/1988 3/7/1989 261 29,42 27,0 5 1922 2/11/1921 17/6/1922 227 29,35 21,6 6 1999 23/6/1999 23/6/1999 236 29,30 18,0 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 42 N° de ordem Ano Evolução do processo Pico da Cheia Tempo de retorno (ano) Início Fim N° de dias 7 1909 30/10/1908 14/6/1909 226 29,17 15,4 8 1971 14/11/1970 24/6/1971 222 29,12 13,5 9 1975 11/12/1974 23/6/1975 194 29,11 12,0 10 1994 29/10/1993 26/6/1994 240 29,05 10,8 56 2010 5/12/2009 11/6/2010 188 27,96 1,9 Fonte: CPRM, 2010 A média histórica dos níveis d’água máximos do rio Negro em Manaus (médias das máximas) é 27,81 m, com desvio padrão de 1,13 m. As características históricas da estação fluviométrica Porto de Manaus, onde são feitas as observações desde 15/09/1902, estão mostradas na Tabela 2.4. Figura 2.10. Histórico das cheias do sistema Negro/Solimões em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 43 Tabela 2.4. Estação fluviométrica do Porto de Manaus - características históricas. Parâmetros característicos Cheia (m) Máxima absoluta (julho de 2009) 29,77 Mínima absoluta (outubro de 1963) 13,64 Média das mínimas 17,58 Média das médias 23,37 Média das médias 27,81 É interessante notar que as cotas apresentadas nos acompanhamentos de cheias, bem como na série histórica da Estação do Porto de Manaus, não são absolutas (referidas ao zero de Imbituba). Um trabalho de transporte de cotas, a partir de um datum do IBGE, situado atrás da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (a igreja matriz de Manaus), efetuado por técnicos da CPRM e USGS mostrou uma diferença a maior de 4,335 m. Nestes termos, a cota absoluta do pico da cheia ocorrida em 1953, a maior do século XX, foi de 25,36 m (29,69 m - 4,335 m) e, consequentemente, da máxima registrada em 2009, foi de 25,435m. Quando se compara o regime de cheia do rio Negro com a chuva na bacia se observa que os níveis máximos do rio Negro ocorrem no trimestre Maio a Julho (Figura 2.11), enquanto as precipitações críticas acontecem no trimestre Fevereiro-Abril (Figura 2.12). Assim, quando o rio Negro está em seu nível máximo em Julho, coincidentemente, as precipitações são mínimas, enquanto que no mês de Abril as precipitações são máximas. Em Abril os níveis do Negro estão em fase crescente de aumento, quando provocam maiores remansos durante as cheias decorrentes das fortes chuvas de Abril nos igarapés. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 44 Figura 2.11.Períodos de cheia (em percentagem) no rio Negro em Manaus. Figura 2.12 Histórico das chuvas em Manaus (FONTE: CPRM, 2010). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 45 A partir da análise dos dados anteriores, pode-se verificar que as inundações em Manaus têm duas origens principais: • Na região dos igarapés, (particularmente próximo da foz), são decorrentes das cheias do rio Negro/Solimões, nas proximidades de Manaus; • As inundações ocasionais, a montante do ponto mencionado no item anterior, decorrem de chuvas torrenciais que caem na bacia hidrográfica. É claro que essas precipitações afetam todas as áreas baixas da bacia. Visando o estabelecimento de ações preventivas contra os alagamentos, possibilitando a retirada das pessoas residentes em áreas críticas, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) desde 1989 vem desenvolvendo o Programa Alerta de Cheias. Consiste na previsão do nível máximo da cota do rio Negro, a partir de estudos estatísticos comparativos do comportamento do mesmo, ao longo do histórico de 102 anos de observações. No desenvolvimento deste trabalho são emitidos relatórios à Defesa Civil, Prefeitura e Governo do Estado, sobre o comportamento da subida do nível da cota do rio Negro com antecedência de meses (Figura 2.13). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 46 Figura 2.13 Curva de monitoramento das cheias (FONTE: CPRM, 2010). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 47 3 DESCRIÇÃO DA INFRAESTRUTURA URBANA INSTALADA EM MANAUS 3.1 Infraestrutura relacionada a águas pluviais Todo o sítio urbano é entrecortado por uma rede de drenagem fortemente controlada por estruturas neotectônicas. Em particular, a área urbana de Manaus tem seus limites Sul, Oeste e Leste definidos pela hidrografia regional do rio Negro, doigarapé Tarumã-Açú e do rio Puraquequara respectivamente, conforme se visualiza na Figura 3.1, abrangendo cinco bacias hidrográficas integrantes da bacia do rio Negro, a saber: Educandos, São Raimundo, Tarumã, Puraquequara e Rio Negro, totalizando aproximadamente 412,2 km² de superfície e 70 km de igarapés. As áreas de contribuição de cada bacia hidrográfica dentro do limite urbano são aproximadamente as seguintes: - Educandos 44,6 km² - São Raimundo 114,8 km² - Tarumã 169,3 km² - Puraquequara 39,6 km² - Rio Negro 43,9 km² Duas delas encontram-se integralmente na área urbana: a bacia hidrográfica do igarapé de São Raimundo e bacia hidrográfica do igarapé do Educandos e as demais três bacias hidrográficas têm parte de sua área fora do perímetro urbano. O igarapé do Tarumã-Açu, que em seu trecho inferior corresponde ao limite ocidental da área urbana, apresenta diversos afluentes de sua margem esquerda nascendo na Reserva Ducke e percorrendo as Zonas Norte e Oeste de Manaus. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 48 O rio Puraquequara, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, também tem parte de sua bacia hidrográfica localizada dentro de área ocupada e de áreas consideradas como de uso agrícola. Este curso d’água, que em seu trecho inferior corresponde ao limite oriental da Área Urbana, ainda mantém muitas de suas características naturais, mas já começa a sentir os efeitos da expansão da cidade sobre suas fronteiras orientais. Inquestionavelmente as bacias hidrográficas do igarapé do Educandos e do igarapé do São Raimundo são as mais relevantes para o presente estudo visto abrigarem mais de 80% da população urbana e são detalhadas a seguir. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 49 Figura 3.1. Principais bacias hidrográficas de Manaus. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 50 3.1.1 Bacia Hidrográfica do Igarapé do Educandos A bacia hidrográfica do Igarapé do Educandos, localizada na porção sudeste da cidade, engloba parte do centro da cidade e os bairros Praça 14 de Janeiro, Cachoeirinha, São Francisco, Petrópolis, Raiz, Adrianópolis, Japiim, Coroados, Educandos, Colônia Oliveira Machado, Santa Luzia, Morro da Liberdade, São Lázaro, Betânia, Crespo, Armando Mendes, Zumbi dos Palmares e cerca de 80% do Distrito Industrial de Manaus, abrangendo uma área aproximada de 44,6km², tendo como principal formador o igarapé do Quarenta (Figura 3.2). Figura 3.2. Bacia hidrográfica do Educandos. Pela margem direita os principais igarapés afluentes são: Manaus, Bittencourt, Mestre Chico, Cachoeirinha, Nações, Raiz, Freira, Japiim e 31 de Março. Pela margem esquerda os principais igarapés afluentes são: Cajual, Liberdade, Betânia, Vovó, Buriti, Semp e Javari. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 51 Destes, apenas os igarapés Japiim, 31 de Março, Buriti, Semp e Javari não são objetos, por ora, de intervenção do programa Prosamim, do Governo Estadual, cujos objetivos específicos interagem com as necessidades de drenagem de Manaus e são: (i) reduzir os riscos de inundações por meio da recuperação e preservação das condições naturais dos cursos de água localizados na área urbana da cidade; (ii) viabilizar a recuperação da qualidade dos cursos de água por meio da eliminação das descargas de águas residuárias sem tratamento e da melhoria pela elevação do nível de cobertura de coleta de resíduos sólidos, ampliando as facilidades de acesso; (iii) assegurar a sustentabilidade das melhorias ambientais, com a consolidação do sistema de gestão e (iv) promover a participação efetiva da comunidade no estabelecimento de condições necessárias para a sustentabilidade das ações incluídas no Programa, cujos projetos básicos e executivos da parte do programa financiado pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento estão sendo elaborados pela Concremat. A seguir se apresenta uma sucinta descrição da situação dos mesmos: - Igarapé do Quarenta – possui área de drenagem de 38km² e extensão de 12km, sendo formado pela contribuição de dois tributários principais: O primeiro deles tem algumas nascentes que minam suas águas em fontes encravadas no bairro de Zumbi dos Palmares. Esta área se encontra totalmente ocupada por população de baixa renda, instalada sem nenhum planejamento de serviços urbanos. No local algumas nascentes persistem nos pequenos quintais das humildes habitações. O outro formador do Quarenta nasce em área de Proteção Ambiental sob a responsabilidade da Escola Agrotécnica Federal do Amazonas. A confluência dos dois formadores ocorre um pouco a montante do cruzamento do Igarapé do Quarenta com a Grande Circular (Avenida Autaz Mirim). O trecho inicial que atravessa a APA da Escola Agrotécnica é o único trecho onde o córrego formador do igarapé do Quarenta se mantém praticamente na sua condição natural em uma extensão de aproximadamente 1 km. Do trecho entre a rua Maués e a avenida Rodrigo Otávio estão sendo realizadas obras de ampliação de sua capacidade (Figura 3.3) no âmbito do Programa Prosamim, através de retificação e alargamento em seção trapezoidal, com fundo em PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 52 concreto e paredes laterais em concreto e grama. A base neste trecho varia de 13,5m a 25,0m e a crista de 25,0m a 45,0m. Figura 3.3. Igarapé do Quarenta em obras de ampliação da capacidade. - Igarapé Manaus – O igarapé Manaus tem suas nascentes entre a rua Barcelos e a avenida Ayrão (Figura 3.4). A partir da rua Barcelos segue no sentido preferencial sul em direção ao igarapé do Educandos, onde desemboca, recebendo em seu curso o igarapé Bittencourt, a aproximadamente 200m da foz. A extensão total do igarapé Manaus é de 2.300m com área de drenagem de 1,25km2. Desde a foz no igarapé até a avenida Manaus Moderna, em um trecho de 80m é canalizado através de uma galeria de concreto de 4,30m de largura por 3,0m de altura. A partir daí, em uma extensão de 730m até a rua Ipixuna, limite onde é marcante a influência das cheias do rio Negro, atravessa o Parque Jefferson Perez e o Parque Manaus em seção trapezoidal, com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama (Figura 3.5-a). Segue para montante até a avenida Tarumã em galeria de concreto de 2,5mx2,5m, ladeado pelas Unidades Habitacionais 01, 02 e 03 construídas pelo Prosamim. Da avenida Tarumã até a nascente ainda se encontra em seu estado natural (Figura 3.5-b), com a presença do igarapé muito próximo às habitações, servindo de depósito de lixo e escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização neste trecho deve ser executado até o ano 2012 através de construção de galeria de concreto de 2,0m x 1,50m. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 53 Figura 3.4. Nascente do Igarapé Manaus e o uso que se faz nela. Figura 3.5. Igarapé Manaus: a) trecho final e b) em estado natural. - Igarapé Bittencourt – O igarapé Bittencourt tem suas nascentes entre a rua Ipixuna e a rua Ramos Ferreira, seguindo no sentido preferencial sul em direção ao igarapé do Manaus, onde desemboca. A extensão total do igarapé Bittencourt é de 870m com área de drenagem de 0,25km2. Desde a foz no igarapé Manaus até a rua Ajuricaba, em uma extensãode 420m, atravessa o Parque Jefferson Perez e o Parque Bittencourt em seção trapezoidal, com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama. Segue para montante até a rua Ipixuna, em uma extensão de 200m em galeria de concreto de 1,50mx1,50m, ladeado pelas obras da futura sede da UGPI – unidade de gerenciamento do Prosamim. Da Avenida Ipixuna até a nascente ainda se encontra em seu estado natural, com a) b) PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 54 a presença do igarapé muito próximo às habitações, servindo de depósito de lixo e escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização neste trecho deve ser executado até o ano 2012 através da construção de galeria circular de concreto armado de 1,2m de diâmetro. - Igarapé Mestre Chico – O igarapé Mestre Chico tem suas nascentes próximas à rua Marciano Armond seguindo no sentido preferencial sul em direção ao igarapé do Educandos, onde desemboca. A extensão total do igarapé Mestre Chico é de 2.430m com área de drenagem de 2,27km2. Desde a foz no igarapé até a avenida Manaus Moderna, em um trecho de 110m é canalizado através de uma galeria dupla de concreto de 3,0m de largura por 3,0m de altura. A partir daí, em uma extensão de 410m até a rua Ipixuna, limite onde é marcante a influência das cheias do rio Negro, atravessa o Parque Mestre Chico em seção trapezoidal, com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama. Segue para montante até a rua Ramos Ferreira em galeria dupla de concreto de 2,5mx2,0m e extensão de 380m, ladeado pela Unidade Habitacional 04 em construção pelo Prosamim. Da Rua Ramos Ferreira até a nascente ainda se encontra em seu estado natural, com a presença do igarapé muito próximo às habitações, servindo de depósito de lixo e escoadouro de esgotos sanitários. O projeto de canalização neste trecho deve ser executado até o ano 2012 através de 460m de galeria dupla de concreto de 2,5mx2,0m, seguida de 560m de galeria dupla de concreto de 2,0mx2,0m e mais 290m de galeria simples de concreto de 2,0mx2,0m e 220m de 2,0mx1,5m. - Igarapé Cachoeirinha – O igarapé Cachoeirinha tem sua nascente no bairro Petrópolis, nas imediações do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, seguindo inicialmente 2.500 metros no sentido nordeste e depois mais 2.200 metros para o sul, em direção ao igarapé do Quarenta, onde desemboca, abrangendo uma área de drenagem de 5,62km2. Atravessa área totalmente urbanizada, por vezes por debaixo de edificações. Desde a foz no igarapé até a avenida Codajás, em um trecho de 3.400m o igarapé foi retificado em seção trapezoidal (Figura 3.6), com fundo em concreto e paredes laterais em colchão reno/gabião/grama. Segue para montante para montante, da avenida Codajás até a rua Cel. Ferreira de Araújo com seção trapezoidal de concreto/grama. A partir deste ponto até av. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 55 Paulo VI apresenta seção retangular em gabião com fundo em colchão reno. Daí em diante segue em tubulação de concreto até sua nascente. Figura 3.6. Igarapé do Cachoeirinha: trecho final em fase de conclusão das obras. - Igarapé da Freira – O igarapé da Freira se inicia nas proximidades do beco 1º de Maio, no bairro do Japiim, seguindo no sentido preferencial sul em direção ao seu desemboque no igarapé do Quarenta. A extensão total é de 1.550m com área de drenagem de 1,27km2. Desde a nascente até a travessa S-04 tem seu traçado assentado sob edificações. A partir daí até a avenida Tefé está canalizado com gabiões e se encontra em bom estado de conservação (Figura 3.7-a), necessitando apenas de limpeza. Da avenida Tefé até a sua foz, está sendo canalizado com galeria de concreto, de 2,5x1,5m, em uma extensão de 240m através do Programa Prosamim (Figura 3.7-b). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 56 Figura 3.7. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em obras. - Igarapé das Nações – O igarapé das Nações é um pequeno fundo de vale, com área de drenagem de 0,4km2 e 500 metros de extensão, na sua totalidade passando por debaixo de edificações e desembocando no igarapé do Quarenta, imediatamente a montante da ponte da avenida Costa e Silva. O seu trecho final, com extensão de 100 metros será canalizado dentro do programa Prosamim. - Igarapé da Raiz - A bacia hidrográfica do igarapé da Raiz se inicia nas proximidades da rua Benjamim Constant, no bairro Petrópolis e possui uma área de drenagem de 1,05km2. Desde o seu início até a rua João de Mendonça tem seu traçado assentado sob edificações. A partir daí até a descarga no igarapé do Quarenta está canalizado com gabiões e se encontra em razoável estado de conservação, necessitando basicamente de limpeza (Figura 3.8-a), exceto em seu tramo final, em uma extensão de aproximadamente 100m, que deverá ser retificado através do Programa Prosamim (Figura 3.8-b). a) b) PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 57 Figura 3.8. Igarapé da Freira: a) trecho de montante da av. Tefé e b) trecho a jusante, em obras. - Igarapé do Cajual – A bacia hidrográfica do igarapé do Cajual se inicia nas imediações da Vila Militar no Bairro Morro da Liberdade e possui área de drenagem de 0,32km2. O igarapé se encontra canalizado com tubulação de 1200mm de diâmetro até a avenida São Pedro, quando se espraia e passa por intensa área de palafitas até o desemboque no igarapé Educandos (Figura 3.9-a). A partir da avenida São Pedro, em uma extensão de 480 metros, será canalizado através de galeria com dimensões de 2,0mx2,0m (Figura 3.9-b), ladeado pelas Unidades Habitacionais do Cajual, a serem construídas pelo Prosamim cujas obras estão previstas para acontecer até 2012. Figura 3.9. Igarapé do Cajual: a) situação natural e b) trecho de jusante, em obras. a) b) a) b) PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 58 - Igarapé da Liberdade – A bacia hidrográfica do igarapé da Liberdade tem área de drenagem de 5,6km2. O trecho canalizado do igarapé se estende desde a rua São Vicente até a Avenida Adalberto Vale em canal de gabião e rip-rap. A partir daí até o igarapé do Quarenta, onde desemboca, encontra-se parcialmente em rip-rap ladeado de edificações (Figura 3.10-a) e parcialmente espraiado (Figura 3.10-b) sob uma miríade de palafitas. Neste trecho será canalizado através de galeria de concreto armado, com dimensões de 3,0mx3,0m e extensão de 400metros, cujas obras estão previstas para acontecer até 2013. Figura 3.10. Igarapé da Liberdade: a) rip-rap e b) leito natural e palafitas. - Igarapé da Betânia – A bacia hidrográfica do igarapé da Betânia, que engloba o trecho do igarapé Magalhães Barata, possui área de drenagem total de 1,67km2. A cerca de aproximadamente 10 anos atrás o igarapé foi canalizado através da construção de gabiões e rip rap, desde a rua 31 de Março até a sua foz. O problema de alagações nesta área após estas obras foi inicialmente minorado, mas nunca deixou de existir. Recentemente, na gestão anterior, a prefeitura assentou colchões de terra em ambos os lados do igarapé, em pequeno trecho a montante da rua 31 de Março, para evitar a derrubada das palafitas pela força das águas. Do lado direito, no sentido do fluxo, estes colchões de areia desmoronaram e atualmente causam um obstáculoa mais no fluxo da água (Figura 3.11). No trecho desde a avenida Adalberto Vale até o desemboque no igarapé do Quarenta, o igarapé Betânia será a) b) PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 59 canalizado através de canal retangular de concreto armado com base de 3,5 metros e altura variável, em uma extensão de 100 metros. Figura 3.11. Igarapé Magalhães Barata: desmoronamento da sacaria. - Igarapés do Centro da Cidade – Os igarapés do Centro da Cidade foram canalizados pelos ingleses no final do século XIX e início do século XX e não há cadastro dos mesmos. De maneira geral foram construídos na forma de abóbodas em alvenaria e/ou pedras (Figura 3.12). Nesta área central existem poucos dispositivos de interceptação de fluxo (bocas de lobo e bocas de leão), razão de alagações em período chuvoso. Figura 3.12. Galerias no centro de Manaus construída pelos ingleses. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 60 3.1.2 Bacia Hidrográfica do Igarapé do São Raimundo A bacia hidrográfica do igarapé do São Raimundo engloba os bairros de: Adrianópolis (Centro Sul), Aleixo (Centro Sul), Alvorada (Centro Oeste), N. Sra. Aparecida (Sul), Centro, Chapada (Centro Sul), Cidade Nova (Norte), Colônia Santo Antonio (Norte), Compensa (Norte), Coroado (Leste), da Paz (Centro Oeste), Dom Pedro I (Centro Oeste), Gloria (Norte), Flores (Centro Sul), Jorge Teixeira (Leste), N. Sra. das Graças (Centro Sul), Nova Esperança (Norte), Novo Israel (Norte), Parque 10 de Novembro (Centro Sul), Presidente Vargas (Sul), Redenção (Centro Oeste), Santo Agostinho (Norte), São Geraldo (Centro Sul), São Jorge (Norte), São José (Leste), São Raimundo (Norte), Tancredo Neves (Leste) e Vila da Prata (Norte). Está totalmente inserida na área urbana de Manaus, percorrendo vários bairros (Figura 3.13). A área da bacia abrange uma área aproximada de 114,8 km² e é entrecortada por uma vasta rede de drenagem, sendo que os maiores tributários são os igarapés Mindú, Franceses, Cachoeira Grande, Hiléia, Bindá, Goiabinha, Aleixo e Franco que se descrevem sucintamente a seguir: - Igarapé do Mindú – principal tributário do S. Raimundo tem uma de suas nascentes localizada no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste, próximo ao Jardim Botânico da Reserva Ducke. Com cerca 17Km de extensão, é o principal tributário da bacia do São Raimundo, cruzando a cidade no sentido nordeste/sudoeste, recebendo significativa carga poluidora por contribuição dos esgotos domésticos, lixos entre outros ao longo do caminho e delimitando inúmeros bairros, como Jorge Teixeira, Tancredo Neves, Cidade Nova, Aleixo, Parque 10 de Novembro, N. S. das Graças e S. Geraldo (Figura 3.14). Face à sua grande extensão e área de abrangência, o Igarapé do Mindú apresenta, em seus diversos trechos, todos os problemas que os demais igarapés da cidade, ou seja: assoreamento, erosão, grande quantidade de resíduos sólidos, descargas de esgotos, trechos de alagação, construções nas margens e falta de manutenção. - Igarapé dos Franceses – localizado na Zona Centro-oeste, é um dos principais contribuintes da bacia. Drena os bairros de Alvorada I, Alvorada II, D. Pedro I e D. Pedro II; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 61 após um percurso de aproximadamente 9,7 km, desemboca na margem esquerda do igarapé Cachoeira Grande, recebendo no seu trajeto o igarapé do Bindá. Figura 3.13. Bacia hidrográfica do Igarapé São Raimundo. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 62 Figura 3.14. Igarapé do Mindú, trecho entre a rua Coronel Teixeira e Bairro Novo Aleixo. - Igarapé do Bindá – nasce na Zona Norte e percorre os bairros de Cidade Nova, Parque Dez e União e deságua na margem esquerda do igarapé dos Franceses após um percurso de aproximadamente 8,2 km, onde se identificou uma predominância de ocupação residencial, contrastando entre residências de luxo e assentamentos urbanos precários que ocupam de forma desordenada as margens do igarapé (Figura 3.15). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 63 Figura 3.15. Bacia do Igarapé Bindá (parcial). - Igarapé Sapolândia – Nasce no bairro de Alvorada e percorre pelo bairro Dom Pedro na zona Centro-Oeste. Foi objeto de obras do Prosamim, em um trecho de 2.060m, onde foram construídos 1.000 metros de canal aberto revestido nas margens, em concreto e grama, além de 1.060 metros de canal do tipo “bolsacreto” (Figura 3.16). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 64 Figura 3.16. Igarapé Sapolândia: vista geral. - Igarapé do Franco – Percorre pelos bairros Ponta Negra, Santo Agostinho, Compensa, Vila da Prata e Santo Antonio na Zona Oeste de Manaus, com descarga final no igarapé São Raimundo, após trajeto de 5,5 Km. Encontra-se totalmente canalizado no seu trecho final de 1.200m, em seção trapezoidal de concreto e grama, desde a avenida Kako Caminha até a avenida Brasil - Igarapé Cachoeira Grande – é formado pela união do igarapé do Mindu e Igarapé dos Franceses, é divisor entre as Zonas Oeste e Centro Sul e deságua no igarapé São Raimundo e possui extensão total de 5,2km. - Igarapé São Raimundo – É formado pela confluência dos igarapés Cachoeira Grande e Franco e após 1,9 km desemboca no rio Negro. Neste trecho, o rio alarga-se de tal forma que nos períodos de cheia do rio Negro forma um grande estuário (Figura 3.17-a) com os consequentes problemas de alagação (Figura 3.17-b). Sua margem direita percorre os bairros Santo Antônio, Glória e São Raimundo e sua margem esquerda percorre os bairros de Presidente Vargas, Aparecida e Centro. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 65 Figura 3.17. Igarapé São Raimundo: a) estuário e b) alagação. 3.2 Diagnóstico da situação atual das redes de drenagem Conforme mencionado anteriormente, o longo período de estagnação econômica de Manaus, seguido de um crescimento explosivo e desordenado, aliado à incapacidade dos órgãos públicos de prover a requerida infraestrutura e fiscalização de ocupação do solo, levou a população a ocupar tanto as margens e os próprios igarapés com edificações inapropriadas como também, através de invasões, ampliar os limites urbanizados da cidade. O aumento da área impermeabilizada com o consequente aumento da vazão superficial, conforme já explicitado conjugado com o mau hábito da população em lançar os resíduos sólidos nas ruas e corpos d’água traz toda sorte de problemas para a cidade. De maneira geral, a cidade sofre de problemas de alagações devido a: - Insuficiente capacidade das galerias, bueiros e igarapés, devido ao aumento da área de drenagem impermeabilizada e consequente aumento da vazão para drenagem; - Restrição de capacidade e entupimentos dos dispositivos de drenagem e dos cursos d’água devido aos resíduos sólidos lançados nas ruas e nos corpos d’água pela população. Em média a Semulsp – Secretaria Municipal de Limpeza Pública retira dos igarapés da ordem de 30 toneladas de lixo por dia, chegando-se a registrar 400 toneladas em operação especial (mutirão); a) b) PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 66 - Ausência de dispositivosde captação de águas pluviais superficiais (bocas de lobo e bocas de leão); - Construção de edificações em áreas inundáveis. Neste aspecto cabe acrescentar que o Decreto Municipal nº 93 de 28 de agosto de 1969 proíbe a construção às margens dos igarapés e de outros cursos d’água abaixo da cota 30, em referência ao datum do porto de Manaus, contudo esta diretriz durante décadas nunca foi respeitada; - Construção de edificações sobre igarapés canalizados; - Assoreamento e erosão; - Lançamento de águas residuárias; - Falta de manutenção. Quando se fala em saneamento básico chama atenção à complexidade que envolve as enchentes na Região Norte merecendo destaque o município de Manaus que no ano de 2009 passou pela maior enchente então registrada desde 1953. De acordo com dados do Programa Nacional de Saneamento Básico (2000) o município possuía de 80% a 100% de ruas pavimentas, sendo que destas, no máximo 25% não possuíam sistema de drenagem urbana (IBGE PNSB, 2000). Os dados revelam uma ampla cobertura asfáltica conjugada com ampla rede de drenagem urbana para o ano de 2000, entretanto, hoje, em razão da explosão demográfica dos últimos anos e da proliferação de área de ocupação irregulares, estima-se que esta de drenagem seja inferior, fato este que associado às alterações climáticas globais, a topografia da região e a disposição inadequada dos resíduos sólidos vem contribuir para os índices de alagamentos em vários pontos da cidade, causando reflexos diretos na depreciação da qualidade sanitária e comprometendo a saúde pública do município. Este item será analisado em detalhe quando da descrição de cada sub-bacia de drenagem em relatórios posteriores. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 67 3.3 Saneamento básico no município de Manaus Conforme a Lei 11.445/07, a drenagem pluvial urbana é apenas um dos quatro serviços integrantes do Saneamento Básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta e disposição de resíduos sólidos e drenagem pluvial. Desta forma, será analisado a seguir o panorama histórico e atual dos outros elementos do saneamento básico na cidade, seguindo a Gil & Silva (2009). 3.3.1 Abastecimento de Água Em breve síntese histórica pode-se perceber que a cidade de Manaus começa a mudar sua estrutura física a partir de meados de 1872 com a exploração da borracha, visto que nas décadas de 1870 e 1890 foram feitos grandes investimentos públicos dentre os quais a implementação do sistema de abastecimento de água, a partir da usina hidrelétrica de Cachoeira Grande (1888), instalada no igarapé da Cachoeira Grande, cujas águas armazenadas no lago formado pela barragem eram bombeadas e se destinavam a caixa elevada de reservação, situada na praça dos Remédios. O reservatório de Castelhana foi posteriormente incorporado ao sistema de distribuição de águas, sendo a única estrutura do sistema de distribuição de águas desta época a fazer parte do cenário atual de Manaus, provavelmente em razão de ter sido tombado pelo patrimônio estadual, através do Decreto 11.187 de 16 de junho de 1988. Em meados de 1913 a concessionária responsável pelos serviços de saneamento básico, Manáos Improvements Limited Company, após adotar a decisão de interromper o fornecimento de água para a população inadimplente, envolve-se em um conflito que acabou por determinar o fechamento da empresa e o encampamento do patrimômio pelo Governo Estadual. Merece destaque o fato de, à época, Manaus contar com uma estação de tratamento de esgoto, localizada na rua Isabel, nº 52, atualmente Centro de Artes Chaminé (GARCIA, 2005). Mais recentemente, Manaus despontou-se novamente como pólo de atração de migrantes através da Zona Franca de Manaus, que nos últimos trinta anos foi responsável por grande fluxo migratório oriundo do interior do Estado, da Região Nordeste e de outras PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 68 regiões do país; ocasionando crescimento populacional de mais de 500%, que saltou de 300 mil habitantes na década de 1970 para cerca de 1 milhão e 400 mil, na virada do século XXI (PROJETO GEO CIDADES, 2002). Juntamente com esta explosão desenfreada do crescimento, aumentaram na mesma proporção os problemas de cunho sócio-ambiental, que podem ser verificados através do comprometimento dos serviços de saneamento básico no município. Cabe lembrar que, nestes últimos 30 anos, a cidade de Manaus, de acordo com o Projeto Geo Cidades (2002) “acumulou um passivo sócio-ambiental de iguais proporções, que provocou a redução da qualidade de vida da maior parte da população, com reflexos diretos nas condições de saúde, higiene e moradia”. Em que pese a atuação das recentes Administrações Municipais em programas de lotes urbanizados, de paisagismo dos logradouros públicos, de saneamento dos igarapés e de educação ambiental, a cidade vem sofrendo com o agravamento dos problemas ambientais, sobretudo no que diz respeito ao crescimento populacional, à ocupação desordenada do solo, à destruição das coberturas vegetais, à poluição dos corpos d’água e à deficiência de saneamento básico. Na atualidade, o serviço público de coleta e distribuição de água encontra-se estruturado em três sistemas: 1) sistema principal, com produção e tratamento de água a partir de duas estações de tratamento de água situadas na Ponta do Ismael (Compensa), e por uma estação de tratamento localizada no Bairro do Mauazinho (Distrito Industrial), todas as captações são efetuadas diretamente do rio Negro; 2) sistemas isolados, com produção e tratamento de águas provenientes de lençóis subterrâneos, provendo redes de abastecimento independentes, em bairros da periferia, conjuntos habitacionais, loteamentos e prédios de apartamentos, nos quais o Sistema Principal não tem capacidade de atendimento; e, 3) sistemas mistos, em áreas atendidas pelo Sistema Principal, cuja vazão é complementada através de poços artesianos (PROJETO GEO CIDADES, 2002). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 69 3.3.2 Esgotamento Sanitário Na outra ponta do sistema, encontra-se o não menos problemático sistema de esgotamento sanitário de Manaus, que como visto acima data de meados de 1.913. Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000) indicam que cerca de 10.646 economias residenciais tinham seus esgotos coletados, compreendendo um volume total diário coletado de 12.400m³, entretanto o mesmo estudo informa que à época Manaus não contava com nenhum sistema de tratamento de esgotos (IBGE PNSB, 2000). O sistema de esgotos de Manaus é formado por rede coletora, coletores-tronco, estações elevatórias, Estação de Pré-Condicionamento (EPC), localizada no bairro do Educandos e um emissário subfluvial que tem início nessa estação. A rede de coleta existente está dispersa ou agrupada em diferentes pontos da cidade, não conformando um sistema contínuo. Nas áreas onde não existe rede coletora, são utilizadas fossas e sumidouros nas residências e fossa/filtros anaeróbios nos conjuntos habitacionais. Em toda a cidade, mesmo em áreas próximas ao centro, ocorrem lançamentos de efluentes domésticos nas ruas e nos vários igarapés que cruzam Manaus. Existem nove estações elevatórias em operação, não considerando as demais estações elevatórias existentes em conjuntos habitacionais e loteamentos, que não contribuem para a Estação de Pré- Condicionamento de Educandos. Dessas estações elevatórias, sete estão localizadas em Educandos e duas nocentro da cidade. Para cada estação elevatória corresponde uma bacia de drenagem. Após o tratamento na EPC do Educandos, os efluentes são lançados no rio Negro, através de emissário subfluvial, com percurso seguindo pelo fundo do Igarapé do Educandos até o local da disposição final. Embora o Distrito Industrial disponha de sistema de esgotamento próprio, constituído por rede coletora, três elevatórias, linha de recalque e coletor-tronco, muitas indústrias estão lançando seus esgotos nas redes de drenagem e nos cursos d’água, principalmente no Igarapé do Quarenta (PROJETO GEO CIDADES, 2002). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 70 A disposição destes esgotos industriais carregados muitas vezes de metais pesados, em razão do Pólo Industrial de Manaus, só vem agravar as condições sanitárias do município. 3.3.3 Resíduos Sólidos Urbanos A complexa rede de saneamento básico de Manaus enfrenta, ainda, problemas relacionados à gestão dos resíduos sólidos sendo que de acordo com o Projeto Geo Cidades (2002), Manaus tem a maior parte de seu lixo coletado direta ou indiretamente, mas um volume significativo é queimado ou lançado em terrenos baldios e corpos d’água, constituindo um dos principais problemas ambientais da cidade. A ausência de gestão integrada dos resíduos sólidos, no município de Manaus e de alguns municípios do entorno de Manaus, relaciona-se à negligência do Poder Público, aos custos elevados de uma gestão adequada e a falta de participação efetiva dos diversos atores da sociedade (NORTE, 2007). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 71 4 PLANO DE LEVANTAMENTO CADASTRAL COMPLEMENTAR O Plano de Levantamento Cadastral Complementar (PLCC) tem como objetivo guiar a realização dos serviços de levantamento cadastral previstos no escopo deste PDDU. O PLCC aborda os seguintes aspectos: – Discretização da área de estudo em bacias hidrográficas de drenagem, as quais serão utilizadas ao longo do PDDU de Manaus como unidades de planejamento; – Identificação dos trechos e setores cujo cadastro deverá ser complementado; – Priorização das áreas mais relevantes no contexto do PDDU, cujas redes devem ser cadastradas, com base em critérios técnicos, econômicos e temporais da execução; Cabe mencionar que os trechos a ser levantados são os sugeridos, cabendo à Prefeitura de Manaus se pronunciar até o inicio dos trabalhos de topografia, quanto à escolha de locais diferentes. 4.1 Discretização da área de estudo em bacias hidrográficas de drenagem As 26 bacias hidrográficas de Manaus (apresentadas no Anexo 13) foram divididas em 113 unidades de estudo e planejamento (mostradas no mapa no Anexo 16), de acordo com os seguintes critérios: áreas máximas preferentemente de 5 a 10 km2 (para sub-bacias densamente urbanizadas ou ainda rurais, respectivamente) dentro da área do estudo; características dos condutos de drenagem; condições topográficas e de tipo de solo; características de ocupação do solo, PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 72 ocorrência de seções que poderão ser utilizadas para amortecimento ou controle de cheias; existência de reservatórios naturais e/ou artificiais, lagos, etc. que possam ou não ser utilizados futuramente para amortecimento de cheias; pontos críticos conhecidos, como locais que alagam ou estruturas como pontes que provoquem restrições ao escoamento; existência de postos fluviométricos; pontos significativos de lançamentos de esgotos na rede de drenagem e interferências com outras estruturas, equipamentos urbanos e edificações; limites municipais. De maneira geral, será realizada uma abordagem diferenciada por sub-bacia, buscando considerar as particularidades de cada local. Assim, em função das restrições da quantidade de topografia possível de ser realizada e da grande extensão das bacias na área de estudo, poderá acontecer que em algumas bacias de cabeceiras, praticamente sem urbanização, as áreas excedam os valores de áreas máximas sugeridos no edital. Mesmo se aplica a aquelas sub-bacias fora da área de estudo, mas que por questões de continuidade (a água não obedece a fronteiras políticas), precisam ser representadas. A divisão em sub-bacias é realizada de forma a permitir a correta representação das características hidráulicas dos cursos d’água e redes de drenagem. Neste processo estão sendo considerados os divisores de água naturais, no caso das bacias hidrográficas onde os sistemas de drenagem ainda não estão instalados, e os divisores de água artificiais, introduzidos por meio da construção das redes de drenagem. Portanto, é fundamentalmente importante a finalização dos levantamentos topográficos e cadastrais, de forma a identificar a existência de transposições de bacias hidrográficas, entre outras. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 73 Eventualmente na etapa de simulação, as sub-bacias de Manaus poderão ser divididas em unidades menores para uma melhor representação no modelo matemático. Para a delimitação de bacias e sub-bacias, foram utilizadas informações do Modelo Numérico do Terreno de Manaus, obtido a partir de imagens do programa Shuttle Radar Topographic Mission (SRTM) com resolução de 90 m, considerada adequada para esta análise. O processo de delimitação de sub-bacias foi iniciado pelas cabeceiras dos igarapés e córregos que originam cada bacia urbana. Ainda, essas sub-bacias representam as áreas que serão modeladas em forma concentrada, gerando os hidrogramas que representarão as condições de contorno de montante da modelagem hidráulica-hidrodinâmica onde corresponda. 4.2 Cadastros existentes e priorização do levantamento Foram obtidos junto à SEMINF e ainda no banco de dados da própria Concremat uma série de cadastros relacionados com o Sistema de Drenagem Urbana de Manaus. No entanto, observou-se a falta de continuidade nas informações existentes. Uma vez que a modelagem procurará observar o comportamento do sistema de drenagem é necessária a avaliação conjunta de todo o sistema, e trechos isolados não se constituem informação suficiente para esta tarefa. Assim, as informações existentes foram consideradas como informações auxiliares, e contando com esta informação, junto com informação de topografia e os cadastros de alagamentos, foram identificados no mapa apresentado em anexo (Anexo 16) os trechos e setores cujo cadastro deverá ser complementado. Os trechos estão indicados em ordem de importância quanto à simulação, levando em conta a limitação de equipes de topografia conforme o contrato. Assim sendo, os PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 74 levantamentos deverão iniciar pelos trechos de prioridade alta e média, sempre e quando seja viável por questões de acessibilidade e segurança. 4.3 Diretrizes para a realização dos levantamentos O objetivo do levantamento é o de fornecer informação sobre os cursos d'água naturais e condutos de redes de macrodrenagem e microdrenagem (riachos, canais, galerias, valas, tubulações, poços de visita, bocas de lobo, etc.) segundo corresponda. Na continuação, se mencionam um conjunto de regras a serem seguidas no levantamento, que deverão adaptar-se a cada situação particular encontrada no campo. Quando for realizada a execução de um levantamento, deve ser prevista a recomposiçãode passeios e vias públicas que por ventura forem danificados quando os poços de visita (PVs) forem abertos, bem como a substituição de tampas eventualmente danadas durante a realização dos serviços conforme previsto no contrato. No caso de riachos, canais naturais, canais artificiais e valas, deverão ser obtidas seções transversais a cada 100 m, ou sempre que ocorrerem mudanças bruscas de seção ou outras interferências (pontes, bueiros, chegadas de afluentes ou redes de macrodrenagem, cruzamento com redes de água e esgoto, mudanças de declividades, etc.). Os dados obtidos serão entregues conforme indicado detalhadamente no item Produtos de levantamento. Resumidamente, deverá ser entregue uma representação em planta georreferenciada da localização das estruturas, sempre que possível indicando as suas características dentro da própria planta (cota, diâmetro, etc.). Quando se tratarem de seções naturais ou complexas, as informações deverão ser apresentadas conforme o modelo do Anexo 17. Conforme este modelo, no item seção, deve ser apresentado um gráfico representativo da seção transversal da estrutura, relacionando as dimensões com suas respectivas cotas. Uma fotografia também deve ser incluída, com representação da seção transversal analisada. Devem constar, também, informações a PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 75 respeito da localização, pontos notáveis, tipo de estrutura, tipo de revestimento, descrição, eventuais patologias, condições, etc. Quando se tratar de tubulações, deverão ser especificados diâmetros, cotas de tampa e de fundo nos PVs. No decorrer dos levantamentos de campo, como já mencionado, deverão ser feitas observações quanto ao estado de conservação das estruturas, anotando-se a eventual ocorrência de patologias, bem como quanto à ocorrência de assoreamento. No caso de estruturas a céu aberto, deverá ser, dentro do possível, levantada a planície de inundação, de forma a estimar volumes armazenados nestes locais e que, com uma possível melhora das condições de escoamento no local, eventualmente possam gerar problemas a jusante. Também poderão ser identificadas todas as bocas coletoras (boca de lobo, ralo de sarjeta, ralo combinado, etc.), com especificação de tipo, dimensões, coordenadas e trecho de galeria a qual estão ligadas. Para os maiores igarapés deverão ser levantadas seções transversais aproximadamente a cada quilômetro, sempre e quando não existam singularidades intermediárias. Todos os levantamentos deverão ser executados com estações totais ou GPS Geodésico, dotadas de coletoras internas de dados. As poligonais serão amarradas à Rede Oficial do Município, tanto do ponto de vista altimétrico, quanto planimétrico, sendo adotados, sempre que possível, diferentes marcos como pontos de chegada e partida. As poligonais serão executadas de acordo com a classe IIPA da NBR nº 13.133 – Execução de Levantamento Topográfico. Todos os levantamentos deverão consolidados em relatórios técnicos, contendo as informações cadastrais levantadas por bacia hidrográfica e sub-bacia de drenagem. Serão entregues, sempre que possível, os produtos especificados nos itens a seguir. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 76 4.4 Produtos do Levantamento Topográfico Dentre os produtos, espera-se: Planta de situação dos trechos da rede de drenagem pluvial e localização de todos os dispositivos de drenagem levantados, sobre base cartográfica do município. Cópia da caderneta de campo bruta com códigos dos pontos, distâncias e atributos; Listagem dos pontos irradiados com coordenadas (x e y), altitudes (z) e atributos (entende-se como atributo a identificação do ponto levantado). Deve ser confeccionado um banco de dados com informações em formato ASCII, ou compatível com Microsoft Excel versão 2003 ou superior; Plantas e desenhos, em cópia impressa e digital, com todas as informações necessárias e suficientes para perfeita caracterização das redes levantadas (diâmetro, cotas, declividades, nome da via, etc.). As seções levantadas serão relacionadas aos trechos de canais/galerias, contendo diâmetro, extensão e indicação de sentido do fluxo. Fotografias da rede de drenagem, com identificação da sua localização e data. Identificadores dos marcos planimétricos e referências de níveis implantados; Vértices de origem; RN de origem; Memorial técnico; Listas de coordenadas e altitudes dos marcos planimétricos e referências de nível implantadas. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 77 4.5 Cronograma de trabalho As atividades a serem desenvolvidas durante o levantamento cadastral complementar correspondem a 08 equipes x mês, previstas inicialmente para atuarem da seguinte forma: 2 equipes trabalhando por 4 meses. A atuação das equipes de levantamento estará condicionada à existência de condições climáticas e de acessibilidade e segurança favoráveis. Lembrando que, por se tratar de uma atividade crítica, atrasos nesta etapa podem ocasionar paralisações em parte do trabalho previsto para etapas posteriores. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 78 5 CARACTERIZAÇÃO INSTITUCIONAL 5.1 Introdução O presente capítulo apresenta a caracterização institucional simplificada da Prefeitura Municipal de Manaus com foco naqueles órgãos/secretarias que se relacionam à drenagem urbana. Ressalte-se que a análise detalhada da questão institucional (diagnóstico) será realizada por ocasião da proposição das medidas não estruturais de controle da drenagem urbana, cabendo ao presente relatório contemplar o inventário preliminar com vistas a identificar ou caracterizar tais instituições. A caracterização institucional foi realizada com base na análise das informações disponíveis, em particular da legislação municipal obtida do sítio da Prefeitura de Manaus. 5.2 Legislação 5.2.1 Legislação Federal relacionada No Quadro 5.1 se encontra um resumo da principal legislação federal pertinente ao tema e, a seguir, são comentadas algumas delas, seguindo a Souza Aguinaga (2007). A Lei 9.433/97 veio regulamentar o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos e criando o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Além de estabelecer um novo modelo de gestão para os recursos hídricos, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, que traz como um de seus fundamentos o reconhecimento da água como um recurso natural limitado dotada de valor econômico (art. 1º, II) e de domínio público (art. 1º, I). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 79 Quadro 5.1. Legislação Federal relacionada aos recursos hídricos e drenagem urbana. INSTRUMENTO No. DATA EMENTA DECRETO 24.643 10.07.1934 Código de água: classificação, usos e gerenciamento dos recursos hídricos. 5.10.1988 (Texto consolidado até a Emenda nº 66 de 13/07/2010) Constituição Federal. Domínio público da água; Gestão de inundações e secas pelo governo federal; Institui o domínio das águas entre Estados e Federação; Estabelece que os serviços de água e saneamento são de atribuição do município; Domínio estadual para as águas subterrâneas LEI 9.433 9.01.1997 Política Nacional de recursos hídricos; Objetivos; Sistemas de gestão; Instrumentosde planejamento LEI 9.984 17.07.2000 Cria a ANA Agência Nacional de Recursos Hídricos, que implementa a Política Nacional de Recursos Hídricos LEI 11.445 5.01.2007 Estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico DECRETO 7.217 21.06.2010 Regulamenta a Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, e dá outras providências. LEI 12.305 2.08.2010 Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A Lei 9.433/97 constitui um marco legal que incorpora uma nova percepção da água, não mais como um recurso infinito, mas de um bem natural que, apesar de renovável, tem sofrido em uma escala crescente, de intensidade e velocidades, a depleção da sua qualidade e quantidade. Nesta legislação, em concordância com os princípios de Dublin, se atribui à água de um valor econômico que deve considerar o preço da conservação, da recuperação e da melhoria do recurso. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 80 O modelo de gestão instituído pela Lei 9.433/97 (modelo econômico) deve realizar-se de forma descentralizada e com a participação dos usuários, das comunidades e do Poder Público (art. 1º, VI), e terá na bacia hidrográfica a unidade territorial para implementação da política e atuação do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos (art. 1º, V). A Lei 9.433/97, apesar de instituir a bacia hidrográfica como unidade de territorial de gestão da Política Nacional de Recursos Hídricos, não trouxe nenhuma definição de bacia hidrográfica. Do exposto, verifica-se que a norma federal não foi muito precisa ao disciplinar sua unidade básica de planejamento, visto que considerado o conceito técnico de bacia hidrográfica as águas subterrâneas não se incluiriam nesta. Depois de tratar das suas diretrizes gerais, a lei apresenta, no art. 5º, os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, sendo eles: I) os planos de recursos hídricos; II) o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água; III) a outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos; IV) a cobrança pelo uso dos recursos hídricos; V) a compensação a Municípios e o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos. O Sistema Nacional de Gerenciamento é constituído pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelos Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal, pelos Comitês de Bacias Hidrográficas, pelos órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais, cujas competências se relacionem com a gestão dos recursos hídricos e pelas Agências de Água (art. 33). Ao Conselho Nacional dos Recursos Hídricos – CNRH compete, entre outras coisas, promover a articulação do planejamento de recursos hídricos com os planejamentos nacional, regional, estaduais e dos setores dos usuários e arbitrar em última instância administrativa os conflitos existentes entre Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, além de estabelecer diretrizes complementares para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (art. 35). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 81 A Agência Nacional de Águas – ANA1, segundo a Lei nº 9.984/00, cabe supervisionar, controlar e avaliar as ações e atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal pertinente aos recursos hídricos; disciplinar em caráter normativo, a implementação, a operacionalização, o controle e avaliação dos instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, entre outras atribuições (art. 4º). Destaca-se que ao lado da administração do sistema nacional de gestão, compete a ANA a gestão dos recursos hídricos de domínio da União (art. 4º, V). As atribuições dos comitês2 de bacia hidrográfica são: arbitrar em primeira instância administrativa os conflitos relacionados aos recursos hídricos, aprovar e acompanhar a implementação do Plano de Recursos Hídricos da bacia, propor ao conselho nacional e aos conselhos estaduais de recursos hídricos as acumulações, derivações, captações e lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direito de uso, além de estabelecer mecanismos de cobrança pelo uso dos recursos hídricos e sugerir os valores a serem adotados (art. 38, da Lei nº 9.433/97). A Agência de Água irá exercer a função de secretaria executiva do respectivo, ou respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica3 sendo responsável, entre outras coisas, por manter o balanço de disponibilidade de recursos hídricos atualizado em sua área de atuação, manter o cadastro dos usuários de recursos hídricos, efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, gerir o Sistema de Informações sobre recursos hídricos em sua área de atuação.4 Uma questão importante a ser analisada, diz respeito à abrangência de algumas disposições da Lei 9.433/97 quanto à gestão dos recursos. Como destacado, a competência para legislar sobre águas é privativa da União, cabendo aos Estados somente a edição de 1 A Agência Nacional de Águas – ANA é uma autarquia sob regime especial, com autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de implementar, em sua esfera de atribuições, a Política Nacional de Recursos Hídricos, integrando o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (art. 3º da Lei nº 9.984/00). 2 Os comitês de bacia hidrográfica são órgãos colegiados que podem abranger a totalidade de uma bacia, uma sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da bacia ou tributário desse tributário, ou ainda, um grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas (art. 49 da Lei nº 9.433/97). 3 Art. 41 da Lei nº 9.433/97. 4 Art. 44 da Lei nº 9.433/97. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 82 normas administrativas, ou seja, de gestão. A lei federal, portanto, cabe somente dispor sobre a estrutura administrativa de seus organismos, sendo "[...] inconstitucionais suas determinações referentes aos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos [...]" (POMPEU, 2006). O Art. 50 dispõe sobre as penalidades no caso de infrações de qualquer disposição legal ou regulamentar referente à execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos de domínio ou administração da União, prevendo no inciso IV o embargo definitivo, com revogação de outorga, se for o caso, para repor, in continenti, no seu antigo estado, os recursos hídricos, leitos e margens, nos termos dos arts. 58 e 59 do Código de Águas, ou tamponar os poços de extração de águas subterrâneas. Como afirma Graf (2003) optou-se, no Brasil, "por um sistema que congrega centralização legislativa e gestão descentralizada e participativa, que pressupõe uma articulação eficiente entre todos os integrantes desse sistema." Isso implica na necessidade de pertinência entre as leis estaduais de recursos hídricos e a Lei federal 9.433/97. Ratifica-se, nesse sentido, que todas as normas estaduais tratam somente do aspecto administrativo, de gestão dos recursos hídricos (mesmo que sob a forma de lei), tendo em vista a competência privativa da União para legislar sobre direito de águas, como visto anteriormente.Embora exista legislação de Saneamento Básico (Lei 11.445), no Brasil, não existem experiências relacionadas com o controle das águas pluviais. Assim, segundo Tucci (2010), uma proposta a considerar se baseia na regulamentação da lei de recursos hídricos e mais recentemente, no Plano Nacional de Saneamento, que estão tentando suprir esta necessidade. A lei de recursos hídricos No 9.433, na seção de outorga, art.12 estabelece que fica sujeita a outorga : “III - lançamento em corpo d’água de esgotos e demais resíduos...” e “V - outros usos que alterem a quantidade e qualidade da água em corpos de água.” PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 83 A regulamentação da lei de outorga compete ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos conferidas pelo artigo 13, lei Nº 9433, de 8 de janeiro de 1997, e pelo artigo 1º do Decreto Nº 2612, de 3 de junho de 1998. Em resolução No 16 de 8 de maio de 2001, o referido Conselho definiu as bases da outorga. No artigo 12 estabelece que a outorga deva observar os Planos de Recursos Hídricos. No artigo 15 estabelece que a outorga “para lançamento de efluentes será dada em quantidade de água necessária para a diluição de carga poluente, que pode variar ao longo do prazo de outorga, com base nos padrões de qualidade da água correspondente à classe de enquadramento do corpo receptor e/ou critérios específicos definidos no correspondente Plano de Recursos Hídricos ou pelos órgãos competentes.” No artigo 12, inciso V da Lei 9.433 e na resolução do Conselho artigo 4º, inciso V, é explicitado que a outorga é necessária para “outros usos e/ou interferências, que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade de água existente em um corpo de água.” Desta forma, observa-se que a legislação de recursos hídricos permite a introdução da regulação do controle dos efluentes de áreas urbana através da outorga, na medida em que o escoamento destas áreas comprovadamente altera a quantidade e a qualidade. Esta regulação pode ser realizada através de uma resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Adicionalmente, a recente legislação de Saneamento (Lei Nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007) prevê que os serviços prestados pelas cidades devem atender a legislação de recursos hídricos (art. 4º, parágrafo único) “a utilização de recursos hídricos na prestação de serviços públicos de saneamento básico, inclusive para disposição e diluição de esgotos e outros resíduos é sujeita a outorga de direito de uso, nos termos da Lei Nº 9433, de 8 de janeiro de 1997, de seus regulamentos e das legislações estaduais.” Os objetivos do controle externo à cidade referente são: De garantir a disponibilidade hídrica com qualidade; De manter a qualidade da água dos rios a jusante dentro da classe do rio; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 84 Evitar impactos devido à inundação da drenagem urbana e das áreas ribeirinhas. Os dois primeiros objetivos estão claramente definidos dentro dos condicionantes de outorga na medida em que as áreas urbanas produzem alterações na qualidade da água e, portanto o conjunto da cidade que contribui para o(s) rio(s) a jusante necessita de outorga. Quanto aos impactos quantitativos, devido à urbanização (alteração do pico e volume), também estão dentro das atribuições da outorga na medida em que as áreas urbanas “alteram a quantidade e qualidade da água”. No entanto, não ficaria claro o uso do mecanismo de outorga como indução ao processo de controle das inundações urbanas ribeirinhas. Considerando que a Constituição prevê que o governo federal deve atuar na prevenção de cheias e secas, como também estabelece como atribuição na lei No 9.984 de 17 de julho de 2000, art. 3º, inciso X: “planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, em articulação com o órgão central do Sistema Nacional de Defesa Civil, em apoio aos Estados e Municípios.” É possível estabelecer a normatização da outorga através do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, como mecanismo de controle externo a cidade para induzir aos municípios ao desenvolvimento das ações dentro do seu território de competência. Alguns dos elementos fundamentais para definição desta regulamentação são: A proposta de resolução deve conter os parâmetros básicos necessários a outorga dos efluentes urbanos como um todo e não somente da drenagem urbana, já que os impactos devido ao esgotamento sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos, não são separáveis; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 85 Não é possível exigir a outorga de todas as cidades do país no curto prazo, pois inviabilizaria todas as ações efetivas e não existiriam recursos para financiamento para desenvolvimento do planejamento e controle simultâneo; As regras da outorga devem estabelecer procedimentos e metas de resultado no planejamento das ações, de acordo com a classe do rio. Para resolver o primeiro item acima, a resolução deve solicitar um Plano Saneamento Ambiental Municipal: Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário, Drenagem Urbana e Resíduos Sólidos, e definir as normas as quais os municípios devem atender para ter sua outorga obtida. Estas normas devem ser desenvolvidas e serão as bases para o desenvolvimento dos Planos de Saneamento Ambiental. Para resolver o segundo item é proposto o uso de prazos de acordo com o tamanho das cidades. São dadas outorgas provisórias e renováveis de acordo com os prazos e cumprimento dos mesmos. O terceiro item acima é resolvido, estabelecendo-se metas associadas à outorga dos efluentes de acordo com metas do Programa. 5.2.2 Lei Estadual 2.212/01 O Estado do Amazonas, por meio da Lei 2.212/01, institui a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos e estabeleceu entre as diretrizes gerais de ação da Política Estadual de Recursos Hídricos a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo. A Lei estadual, de 28.12.01, possui 79 artigos e está dividida em quatro títulos (AGUINAGA SOUZA, 2007): I) da Política Estadual de Recursos Hídricos; II) do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos; III) das infrações e penalidades e IV) das disposições gerais e transitórias. O capítulo I dispõe sobre os fundamentos da Política Estadual de Recursos Hídricos, que são os mesmos da Lei federal 9.433/97. Além dos três5 objetivos da Política Nacional 5 Art. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos: I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; II - a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 86 previstos em seu art. 2º a lei estadual enumera mais sete objetivos,6 voltados para a produção e divulgação de conhecimentos e tecnologias sobre a matéria (VI e IX), que assegurem a qualidade e quantidade das águas (IV, V e VIII), a articulação entre os entes federados (X) e promoção do desenvolvimento econômico com proteção do meio ambiente (IX). Dentre as diretrizes gerais de ação da Política Estadual de Recursos Hídricos, previstas no art. 3º: a descentralizaçãoda gestão das águas, mediante o gerenciamento por bacia hidrográfica, sem dissociação dos aspectos quantitativos e qualitativos e das fases meteórica, superficial e subterrânea do ciclo hidrológico, assegurada a participação do poder publico, dos usuários e da comunidade (VIII) e a execução do mapeamento hidrológico do Estado do Amazonas, visando ao conhecimento do potencial hídrico subterrâneo e, em particular, dos ambientes favoráveis a formação de reservatórios mineralizados (XIV). Além disso, a lei prevê de forma expressa a articulação do Estado com a União, para o gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum (art. 4º). O art. 5º apresenta um elenco variado de instrumentos para a Política Estadual de Recursos Hídricos, além da outorga dos direitos de uso, da cobrança e do enquadramento de corpos de água em classes, a lei estadual traz o Plano Estadual de Recursos Hídricos, os Planos de Bacia Hidrográfica, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos, o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos, o Zoneamento Ecológico-Econômico e o Plano Ambiental do Estado do Amazonas. sustentável; III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. 6 São outros objetivos da Política Estadual de Recursos Hídricos: IV – garantir a boa qualidade das águas, em acordo com os seus usos múltiplos; V – assegurar o florestamento e o reflorestamento das nascentes e margens de cursos hídricos; VI – estimular a capacidade regional em ciência e tecnologia para o efetivo gerenciamento dos recursos hídricos; VII – disciplinar a utilização racional das águas superficiais e subterrâneas; VIII – difundir conhecimentos, visando a conscientizar a sociedade sobre a importância estratégica dos recursos hídricos e sua utilização racional; IX – viabilizar a articulação entre União, o Estado, os Municípios, a sociedade civil e o setor privado, visando à integração de esforços para implementação da proteção, conservação, preservação e recuperação dos recursos hídricos e XI – compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a proteção do meio ambiente. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 87 O Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos é composto pelo I- Conselho Estadual de Recursos Hídricos; II- os Comitês de Bacia Hidrográfica; III- Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e IV- Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM (art. 62).7 Com as modificações introduzidas pela Lei 2.940/04, a política e a gestão dos recursos hídricos do Estado do Amazonas passou a ser de responsabilidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM (art. 66, "caput"), sendo aquele o órgão coordenador da Política de Recursos hídricos (§1º), e este o órgão executivo do Sistema Estadual de Recursos Hídricos (§2º). Assim, algumas das atividades que eram conferidas ao IPAAM pela Lei nº 2.712/01 passaram, com as alterações da Lei nº 2.940/04, a ser de competência da SDS, sendo acrescentadas, ainda, outras atribuições tanto para a Secretaria quanto para o Instituto. Diferentemente do Sistema Nacional, o Sistema de Gerenciamento Estadual de Recursos Hídricos não prevê a figura da Agência de Água (art. 43 da Lei 9.433/97), que na lei federal exerce a função de secretaria executiva do Comitê de Bacia Hidrográfica. Na estrutura administrativa estadual as atribuições das Agências de Água são dividias entre a SDS e o IPAAM. O que se infere das disposições da lei estadual é que existe uma concentração das principais atividades de gestão nas mãos dos entes estaduais,8 e que destoa dos fundamentos da Política Nacional de Recursos Hídricos.9 Segundo o artigo 66 da Lei 2.212/01 (alterado pela Lei nº 2.940/04), compete a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS, entre outras: 7 A Lei nº 2.940/04 alterou algumas disposições da Lei 2.712/01. Uma dessas alterações se deu na constituição do Sistema Estadual de Recursos Hídricos – SERH, que passou a incluir a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e excluiu os órgãos dos poderes públicos federal, estadual e municipais cujas competências se relacionassem com a gestão de recursos hídricos, previstos anteriormente no inciso IV. 8 Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM, 9 9 Segundo o Art. 1º, da Lei 9.433/97 a Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos: [...] IV – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público dos usuários e da comunidade. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 88 representar e operacionalizar o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos no âmbito de suas relações frente aos órgãos, entidades e instituições públicas ou privadas, nacionais ou internacionais (II); gerir o sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos e manter cadastro de uso e usuário das águas, considerando os aspectos de derivação, consumo e diluição do efluente, com a cooperação dos Comitês de Bacia Hidrografia (V); promover a capacitação de recursos humanos para o planejamento e gerenciamento de recursos hídricos da bacia hidrográfica (XVIII). O § 2º do art. 66 dispõe sobre a competência do IPAAM estabelecendo, dentre outras atribuições: outorgar e suspender o direito do uso de água, mediante procedimentos próprios (I); o estabelecimento, com base em proposição dos Comitês de Bacia Hidrográfica, as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes, referidos no inciso II do art. 23 da lei estadual (II); a aplicação de penalidades por infrações previstas na lei, em seu regulamento e nas normas deles decorrentes, inclusive as originárias de representação formal, subscritas por unidades executivas descentralizadas (III); implantação, operação e manutenção de estações medidoras de dados hidrometereológicos, em acordo com critérios definidos nos Planos de Bacia Hidrográfica ou no Plano Estadual de Recursos Hídricos (VII); controle, proteção e recuperação dos recursos hídricos nas bacias hidrográficas do Estado (VIII);o exercício do controle do uso da água, bem como proceder à correção de atividades degradantes dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos do Estado (X); implantação e operacionalização do sistema de cobrança pelo uso da água (XIII); analise emissão de parecer sobre os projetos e obras a serem financiadas com recursos gerados pela cobrança do uso de recursos hídricos, dentro do limite previsto para este fim, disponível na subconta correspondente, e encaminhá-los à instituição financeira responsável pela administração desses recursos (XVIII). Assim, segundo a organização administrativa prevista na lei estadual, a responsabilidade pelas atribuições enumeradas acima, em cada um dos Comitês de Bacias Hidrográficas que vier a se constituir no Estado do Amazonas, será do Instituto de Proteção PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 89 Ambiental do Amazonas – IPAAM, que também é o órgão executor da Política Estadual de Meio Ambiente10.Verifica-se, por outro lado, que a lei faz referência no art. 67, inciso XI, as Secretarias Executivas dos Comitês de Bacia Hidrográfica, apesar de não incluí-las entre os órgãos que compõem a estrutura administrativa estadual (art. 62) e nem especificar suas atribuições, além daquela prevista no respectivo dispositivo que é de efetuar, mediante delegação do outorgante, a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Os Comitês de Bacia Hidrográfica são colegiados consultivos e de deliberação circunscrita à área de abrangência da bacia hidrográfica, conforme delimitação aprovada por ato do Chefe do Poder Executivo.11 Por conta da falta de implementação12 da Política Estadual de Recursos Hídricos, embora já passado seis anos de sua edição, enquanto não estiverem aprovados os Planos de Bacia Hidrográfica, as ações e medidas necessárias ao controle do uso dos recursos hídricos da bacia hidrográfica correspondente caberão ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (art. 76 da Lei nº 2.212/01), que somente em agosto de 2005 teve seu Regimento13 interno aprovado. Em que pese a insipiência da implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, que só a partir de sua regulamentação poderá verdadeiramente ganhar efetividade, a análise da articulação da gestão das águas e do solo apresenta-se relevante na medida em que constituindo uma das diretrizes implicitamente prevista da norma estadual, devendo, portanto, pautar a atuação administrativa, mesmo que realizada no presente momento pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Além disso, as questões analisadas podem vir a contribuir para que a norma de regulamentação da Política Estadual contenha previsões específicas que viabilizem a 10 <http:www.ipaan.br> acesso em:01/05/07. 11 Art. 67 da Lei nº 2.212/01. 12 A Lei nº 2.212/01 ainda não foi regulamentada, o que inviabiliza a implementação efetiva da Política Estadual de Recursos Hídricos. 13 O Regimento do Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH-AM foi aprovado pela Deliberação Normativa CERH – AM nº 1/2005, de 16 de agosto de 2005. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 90 articulação entre a gestão das águas e a do solo, resultando em maior eficiência na conservação do recurso. 5.2.3 Legislação Municipal de Manaus A principal regulamentação relacionada às águas pluviais urbanas em Manaus está relacionada à Lei n° 1.192, de 31 de dezembro de 2007, que cria o Programa de Tratamento e Uso Racional das Águas nas edificações – PRO-ÁGUAS, o qual tem como objetivo instituir medidas que induzam à preservação, tratamento e uso racional dos recursos hídricos nas edificações, inclusive com a utilização de fontes alternativas para captação de águas. Embora o objetivo principal do PRO-ÁGUAS, conforme delineado acima, não seja o controle de águas pluviais, em seu artigo 17 ficou estabelecida a obrigatoriedade de implantação de reservatórios que retardem o escoamento das águas pluviais para rede de drenagem Nos novos empreendimentos ou ampliações, que tenham área impermeabilizada superior a quinhentos metros quadrados. Além disso, no parágrafo 2° do mesmo artigo, a legislação estabelece a possibilidade de incentivos para empreendimentos já instalados que implantarem, espontaneamente, o reservatório de águas pluviais. Tais incentivos são os previstos no artigo 81 do Código Ambiental do Município de Manaus, instituído pela Lei nº 605 de 24 de julho de 2001. No contexto municipal, destaca-se ainda a Lei n° 948, de 10 de março 2006, que estabelece normas para a identificação, catalogação e preservação de nascentes d’água no Município de Manaus. Além disso, foi encontrado o Projeto de Lei Nº 019/2008, de autoria do Ver. Mario Bastos (PRP) que dispõe sobre o Programa de Recuperação e Preservação da Permeabilidade do Solo no Município de Manaus - PREPES. O Programa de Recuperação e Preservação da Permeabilidade do Solo - PREPES tem como objetivo estabelecer medidas destinadas a diminuir o montante de áreas de solo impermeabilizado em Manaus, contribuindo assim para: I- diminuição do volume de água escoado pelo sistema de drenagem; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 91 II- diminuição do risco de enchentes; III- diminuição dos gastos gerados pela sobrecarga da rede captação de águas pluviais; IV- aumentar a infiltração das águas pluviais no solo, possibilitando um melhor reabastecimento dos aquíferos; V- melhoria na drenagem urbana; VI- diminuição de sedimentos que adentram a rede de captação de águas pluviais, devido à diminuição da vazão; VII- melhoria na qualidade da água pluvial coletada que, com a diminuição da vazão, transportará menor quantidade de poluentes; VIII- diminuição das "Ilhas de Calor"; IX- melhoria na qualidade de vida da população; X- diminuição de gastos em saúde devidos a doenças de veiculação hídrica. Assim, este projeto de Lei vem ao encontro das idéias preconizadas neste PDDU e que serão mais bem detalhadas no RT-5. O projeto prevê ainda, no Art. 3º que as suas disposições serão observadas: I- na aprovação de loteamentos ou condomínios; II- na aprovação de construção de novas edificações; III- na aprovação de reformas; IV- na aprovação de estacionamentos; V- nos projetos para construção de calçadas; VI- em edificações públicas e privadas. Sugere como medidas voltadas a recuperação e preservação da permeabilidade do solo: I-implantação de "Calçadas Verdes"; II- utilização de "pisos drenantes”, pisos de concreto intertravado ou "ladrilho hidráulico" nos passeios públicos, estacionamentos descobertos, ruas de pouco movimento de veículos e vias de circulação de pedestres em áreas de lazer, praças e pátios de estabelecimentos de ensino; III- pavimentação de vias públicas com a utilização preferencial de materiais porosos; IV- pavimentação das vias PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 92 públicas, sempre que possível, com a utilização de materiais resultantes do beneficiamento de resíduos da construção civil ou da reciclagem de pneus. Outra questão a ser abordada quando de um Plano Diretor de Drenagem Urbana tem a ver com a modificação de critérios construtivos, e consequentemente, da política urbana. Uma vez que a geração de vazões em uma área urbana é diretamente proporcional à percentagem de áreas impermeáveis, que, por sua vez, dependem das políticas construtivas e de urbanismo. 5.2.4 Leis de urbanismo em nível federal A Constituição Federal de 1988 trata sobre a Política Urbana nos artigos 182 e 183, capítulo II, do título VII, que trata da Ordem Econômica e Financeira. Assim, de acordo com Souza Aguinaga (2007), observa-se que o fenômeno urbano está estreitamente vinculado à política de ocupação e povoamento da Colônia e aos ciclos econômicos brasileiros (SILVA, 2000); além de se constituir no espaço onde se concentram as atividades administrativas, econômico e sócio culturais, o que poderia justificar sua posição nesse título. Em outro sentido, dentre os princípios inseridos na política urbana está o da função social da propriedade urbana, que só é cumprida quando atende as exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor(CAMMAROSANO, 2003). O objetivo da política de desenvolvimento urbano é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes. 14 Na percepção urbanística, um centro populacional só adquirecaracterística de cidade15 quando apresenta dois elementos essenciais: 1) unidades edilícias, entendidas como "o conjunto de edificações em que os membros da coletividade moram ou desenvolvem suas atividades produtivas, comerciais, industriais ou intelectuais"; e os 2) equipamentos públicos, que compreendem os "bens públicos e sociais para servir as unidades edilícias e destinados à satisfação das necessidades de que os habitantes não 14 Art. 182, "caput", da Constituição Federal de 1988. 15 O conceito de cidade, no Brasil, está atrelado ao aspecto jurídico-político. Desse modo, um centro urbano somente chega ao status de cidade quando seu território se transforma em Município. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 93 podem prover-se diretamente e por sua própria conta (estadas, ruas, praças, parques, jardins, [...], etc.)” (SILVA, 2000). A política urbana, portanto, se destinará a adequação e o planejamento do conjunto de edificações utilizado pelos membros da coletividade em suas atividades, bem como a promoção dos equipamentos e serviços públicos que devem atender a essas edificações. De natureza essencialmente estatal, a política de desenvolvimento urbano é uma atividade de responsabilidade do Poder Público municipal. O direito à cidade e as suas funções sociais pertence a todos, sendo que a gestão democrática constitui uma importante diretriz dessa.16 O plano diretor, obrigatório para as cidades com mais de vinte mil habitantes, constitui o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.17 O art. 21, XX, da Constituição Federal de 1988 declara competir a União instituir as diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transporte urbano. A competência da União, portanto, se limita ao estabelecimento das linhas gerais em âmbito urbanístico, pois a adaptação e adequação dessa norma a realidade local é competência municipal, nos termos do art. 30 da Constituição, que confere ao ente municipal a competência para legislar sobre assuntos de interesse local (I) e para suplementar a legislação federal e a estadual no que couber (II). O art. 24 da Carta federal, por sua vez, prevê a competência da União, dos Estados e do Distrito Federal para legislar, concorrentemente, sobre direito urbanístico. Embora o município não tenha sido incluído, as disposições do art. 30, acima comentadas, suprem qualquer dúvida a esse respeito. Em síntese, se pode concluir que, em matéria urbanística, caberá a União estabelecer as normas gerais, aos Estados às normas de interesses regionais e, por fim, aos municípios, nos termos do art. 30 da CF, estabelecer as normas de interesse local. 16 Art. 2º, II, da Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade). 17 Art. 182, § 1º da CF. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 94 No plano material, o art. 182 da CF estabelece a competência do Poder Público municipal para a execução da política de desenvolvimento urbano. O art. 30 (VIII), no mesmo sentido, diz ser competência municipal a promoção, no que couber, do ordenamento territorial mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano. Segundo SILVA (2000, p.57), "o solo qualifica-se como urbano quando ordenado para cumprir destino urbanístico, especialmente a edificabilidade e o assentamento de sistema viário." Assim, é do município a responsabilidade de garantir o ordenamento territorial e, consequentemente, que a propriedade urbana cumpra sua função social. 5.2.5 Estatuto da Cidade e as normas municipais urbanísticas Foi por meio da edição da Lei federal nº 10.257/01, conhecida como o Estatuto da Cidade, que a União estabeleceu as normas gerais em matéria urbanística. O Estatuto da Cidade, portanto, apresenta as diretrizes gerais para a fixação da política urbana, oferecendo, ainda, os instrumentos necessários para garantir o atendimento desses postulados, regulando o exercício do direito de propriedade e dispondo sobre institutos jurídicos e administrativos destinados a viabilizar a ação estatal em matéria urbanística (MOREIRA, 2003). Entre as diretrizes gerais previstas na Lei nº 10. 257/01 temos a ordenação e o controle do uso do solo, de forma a evitar, entre outras coisas, a poluição e a degradação ambiental (VI, "g"); e a proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural, construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico (XII). Previsões essas que se reportam diretamente ao meio ambiente. Para a consecução da política urbana, o Estatuto disponibiliza uma variedade de instrumentos18, previstos no art. 4º, que podem ser classificados em quatro grandes grupos: 18 Art. 4 o Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos: I – planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; II – planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões; III – planejamento municipal, em especial: a) plano diretor; b) disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo; c) zoneamento ambiental; d) plano plurianual; e) diretrizes orçamentárias e orçamento anual; f) gestão orçamentária participativa; g) planos, programas e projetos setoriais; h) planos de desenvolvimento econômico e social; IV – institutos tributários e PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 95 de planejamento (I, II, III); institutos tributários e financeiros (IV), institutos jurídicos e políticos (V) e instrumentos Ambientais (VI). Dentre os instrumentos de planejamento, o plano diretor, a disciplina do parcelamento, uso e ocupação do solo e o zoneamento ambiental, apresentam-se como planos fundamentalmente físicos, ou seja, destinados à disciplina dos espaços urbanos. Em vista disso, se destacam na articulação com a gestão das águas urbanas. Feitas essas considerações, a seguir são analisados os três instrumentos urbanísticos anteriormente identificados – plano diretor, disciplina de ordenamento, uso e ocupação do solo e zoneamento ambiental. Inicialmente serão abordadas as características gerais e objetivos de cada instrumento e, posteriormente, será feita a análise da possibilidade e forma de sua articulação com a gestão das águas urbanas. 5.2.5.1 Plano Diretor Urbanístico Indiscutivelmente, o Plano Diretor constitui um dos principais, senão o principal, instrumento de planejamento urbano.19 Seu objetivo está na organização dos espaços habitáveis em toda área do Município (urbana e rural), devendo ser elaborado de maneira participativa e de forma a garantir a função social da propriedade (DALLARI & FERRAZ, 2003). Para Silva (2000) o Plano Diretor "[...] constitui um plano geral e global que tem, portanto, por função sistematizar o desenvolvimento físico, econômico e social do território municipal, visando ao bem-estar da comunidade local." Os planos urbanísticos são aprovados por lei, tendo em vista o princípio da legalidade, que não admite a criação de financeiros: a) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana - IPTU;b) contribuição de melhoria; c) incentivos e benefícios fiscais e financeiros; V– institutos jurídicos e políticos: a) desapropriação; b) servidão administrativa; c) limitações administrativas; d) tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano; e) instituição de unidades de conservação; f) instituição de zonas especiais de interesse social; g) concessão de direito real de uso; h) concessão de uso especial para fins de moradia; i) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; j) usucapião especial de imóvel urbano; l) direito de superfície; m) direito de preempção; n) outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso; o) transferência do direito de construir; p) operações urbanas consorciadas; q) regularização fundiária; r) assistência técnica e jurídica gratuita para as comunidades e grupos sociais menos favorecidos; s) referendo popular e plebiscito; VI – estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV). 19 Art. 181, § 1º da Constituição Federal de 1988. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 96 obrigação ou imposição de constrangimento senão em virtude de lei (art. 5º, II, CF). Assim, a Constituição Federal20 exige a aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal, cuja competência para elaboração é do Executivo municipal, que é obrigatório para os municípios para os municípios com mais de 20 mil habitantes. Segundo o Estatuto da Cidade,21 o Plano Diretor é obrigatório também para os municípios que fazem parte de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, nos municípios que são de especial interesse turístico, ou onde o Poder Público pretenda utilizar os instrumentos previstos no § 4º do art. 182 da Constituição Federal,22 ou ainda naquelas cidades que venham a ser influenciadas por empreendimentos ou atividades de impacto ambiental significativo, de âmbito regional ou nacional. O conteúdo do Plano Diretor reporta-se fundamentalmente ao aspecto físico, com a ordenação do território municipal, devendo equacionar duas questões: a) Os problemas de localizações, referente aos equipamentos públicos e b) o problema das divisões em zonas, referente aos equipamentos privados. Em vista disso o plano terá de conter disposições referentes a três sistemas gerais – vias, zoneamentos e espaços verdes. Além disso, o plano terá de projetar, em longo prazo, a necessidade de solo para fins residenciais, para as vias e ruas, espaços de lazer, de forma a atender a crescente demanda, segundo previsões. O conteúdo do plano diretor cuida dos objetivos e diretrizes básicas do planejamento territorial, definindo as áreas urbanas, as urbanizáveis e as de expansão, dispondo, ainda, sobre as normas fundamentais de uso do solo, parcelamento, zoneamento e sistema de circulação (SILVA, 2000). 20 Art. 182, § 1º. 21 Art. 41, incisos I, II, III, IV e V da Lei 10.257/01. 22 Segundo o art. 182 "A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lê, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes - §4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei especifica para área incluída no plano diretor, exigir nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena sucessivamente de: I – parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III – desapropriação com pagamento mediante títulos da divida publica de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e dos juros legais." PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 97 O plano diretor poderá trazer em si todos os elementos para a sua aplicação e eficácia imediata, ou pode deixar disposições específicas para leis especiais,23 sendo certo, no entanto, que apresenta eficácia "[....] nos limites de suas determinações, importando efeitos desde logo vinculantes para os órgãos públicos e para os particulares que ficam sujeitos as suas normas."(SILVA, 2000) Com isso, são nulos os atos administrativos municipais que lhes sejam contrários, e as limitações a propriedade privada operam desde logo. Considerando os aspectos acima analisados, o plano diretor afigura-se como um importante instrumento de articulação da gestão do solo com a gestão das águas urbanas, uma vez que pode direcionar a ocupação do solo municipal de forma evitar e/ou minorar os impactos na qualidade e quantidade das águas pluviais e dos mananciais. Assim, de acordo com a estrutura de cada região o município poderá estabelecer os usos mais adequados com vista à proteção e conservação das águas urbanas, destinando atividades de maior impacto para regiões menos frágeis e resguardando aquelas áreas de grande importância, como as áreas de recarga dos aquíferos. A ordenação do território no município de Manaus é disciplinada pela Lei nº 671, de 04 de novembro de 2002. A referida norma regulamenta o Plano Diretor Urbano e Ambiental - PDU, estabelecendo as diretrizes para o desenvolvimento da cidade, e dando outras providências relativas ao planejamento e gestão do território do município. Essa norma busca relacionar os aspectos urbanístico e ambiental ao dispor sobre o ordenamento territorial, dedicando ainda um capítulo específico à promoção da economia.24 O conteúdo da Lei nº 671/02, portanto, não se limita apenas aos aspectos puramente urbanísticos,25 dispondo sobre questões ambientais, tanto naturais quanto culturais, e de promoção econômica. 23 Como, por exemplo, do parcelamento do solo, edificações, zoneamento ambiental etc. 24 Capítulo III, Título II, da Lei municipal nº 671/02. 25 Uso e ocupação do solo urbano, sistemas de circulação, definição das áreas urbanas, urbanizáveis e de expansão urbana. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 98 A lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (Lei municipal n° 671/02) está dividida em duas partes. A primeira trata do desenvolvimento do município, onde encontramos os princípios, as estratégias de desenvolvimento, a macroestruturação e a estruturação do município. Pode-se dizer que essa primeira parte traz uma visão prospectiva e apresenta os instrumentos26 para a sua consecução. A segunda parte da Lei nº 671/02 institui o Sistema Municipal de Planejamento Urbano,27 incumbido de viabilizar o planejamento e a gestão urbana em Manaus, de acordo com a estratégia de gestão democrática.28 Cabe ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano – IMPLURB, entre outras coisas, gerir o sistema municipal de planejamento urbano.29 Dentre as estratégias de desenvolvimento previstas no Plano Diretor e Urbano de Manaus a serem utilizadas pelo Sistema Municipal de Planejamento urbano tem-se: a qualificação ambiental do território e o uso e ocupação do solo urbano. A estratégia de qualificação ambiental e cultural do território busca tutelar e valorizar o patrimônio cultural e natural de todo o município de Manaus, de forma a priorizar a resolução dos conflitos e a mitigação de processos de degradação ambiental decorrentes de usos incompatíveis e das deficiências de saneamento.30 No aspecto de qualificação ambiental se identificam diversas passagens relacionadas à gestão das águas. Dentre os objetivos específicos traçadospela estratégia de qualificação ambiental, por exemplo, se encontra a promoção da integridade das águas superficiais e subterrâneas do território do Município, que deverá se realizar através da ação articulada com as políticas estadual e federal de gerenciamento dos recursos hídricos.31 26 Os instrumentos estão previstos no titulo IV, capítulos II, III, IV, V do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus. 27 O Sistema Municipal de Planejamento Urbano é composto pelos órgãos da Administração direta e indireta, conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Comissão Técnica de Planejamento e controle urbano (art.131 da Lei municipal nº 671/02). 28 Art. 129 da Lei municipal nº 671/02. 29 Art. 133 da Lei municipal nº 671/02. 30 Art. 7º, "caput", da Lei municipal nº 671/02. 31 Art. 7º, III, da Lei municipal nº 671/02. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 99 A previsão expressa de articulação entre as ações de qualificação ambiental e a gestão dos recursos hídricos abre campo para uma ação mais direcionada do município no que tange a proteção das águas urbanas, que deverá ser realizada, no entanto, sempre no âmbito de competência municipal que, no caso, se dará na perspectiva urbanística e ambiental. Ainda neste capítulo da legislação municipal existe a previsão de programas de proteção para áreas de fragilidade ambiental e impróprias para ocupação,32 que constituem importantes instrumentos de prevenção. Dentro do gerenciamento ambiental e cultural integrado, inserido da estratégia de qualificação ambiental, está previsto o Programa de Gestão dos Recursos Hídricos em que são estabelecidas ações voltadas para a consolidação do sistema de esgotamento sanitário, de controle da qualidade da água de abastecimento público e promoção e articulação intra e interinstitucional com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento integrado de atividades de monitoramento.33 As ações na gestão de recursos hídricos realizadas pelo município, portanto, são as relacionadas ao saneamento e abastecimento que são de competência municipal. A estratégia de uso e ocupação do solo urbano propõe a ordenação e regulação do uso do solo de forma a garantir a qualidade de vida da população, com a reconfiguração da paisagem urbana e valorização da paisagem não-urbana.34 Um dos objetivos específicos dessa estratégia é o controle da expansão urbana horizontal da cidade, com o objetivo de preservação dos ambientes naturais do Município e a otimização dos serviços e equipamentos públicos.35 Os títulos III e IV da Lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental, referentes ao temas da macroestrutura36do município e estruturação37 do espaço urbano, respectivamente, 32 Art. 10, "a", da Lei municipal nº 671/02. 33 Art. 15, III, da Lei municipal nº 671/02. 34 At. 24 da Lei municipal nº 671/02. 35 Art. 24, I, da Lei municipal nº 671/02. 36 A macroestruturação do município visa garantir a ocupação equilibrada do território municipal e o desenvolvimento não predatório das atividades. Para fins de planejamento integram o território do Município de Manaus as seguintes Macroáreas: I- as unidades de conservação localizadas integralmente fora da área PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 100 apresentam disposições de grande importância para a proteção das águas urbanas. No primeiro destaca-se a previsão de instrumentos complementares voltados para a macroestruturação do município, figurando entre eles o Zoneamento Ambiental instituído como o instrumento básico para a qualificação ambiental em todo território de Manaus. No segundo se identifica entre as diretrizes para estruturação do espaço urbano uma que faz referência expressa às águas urbanas, e que prevê a proteção das áreas de fragilidade ambiental e impróprias a ocupação, sobretudo os fundos de vale e áreas de recarga de lençóis de águas subterrâneas. Complementam o Plano Diretor de Manaus as Leis Complementares 672/2002; 673/2002 e 674/2002, todas elas de 04 de novembro de 2002. A Lei N° 672 indica as normas de Uso e Ocupação do Solo no Município de Manaus e outras providências. Já a Lei N° 673, estabelece o Código de Obras e Edificações do Município de Manaus O Código de Obras apresenta definição de normas e procedimentos para a elaboração de projetos, licenciamento, execução, utilização e manutenção das obras e edificações, públicas ou privadas, em todo o território municipal. Finalmente, a Lei N° 674, estabelece o procedimento para Licenciamento e Fiscalização de Atividades em Estabelecimentos e Logradouros, que integra o Conjunto de Posturas do Município de Manaus (Código Sanitário, Código Ambiental, Código de Obras e Edificações e outros instrumentos e normas, de competência do Município, relacionados à polícia administrativa) e outras providências: normas gerais de polícia administrativa, de competência do Município de Manaus, para condicionar e restringir o uso de bens, atividades e direitos individuais em benefício da coletividade. urbana e área de transição e as unidades de conservação localizadas na área urbana e na área de transição; II – as áreas de interesse agroflorestal e III- a área urbana e a área de transição. 37 A efetivação da Estruturação do Espaço Urbano objetiva a qualidade de vida da população e a valorização dos recursos ambientais de Manaus, bem como a otimização dos benefícios gerados pela cidade. Para sua efetivação a área urbana é dividida pelo seu modelo espacial em Macrounidades Urbanas e Corredores Urbanos e a Área de Transição é dividida em Unidades Espaciais de Transição. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 101 Assim percebe-se que as normas de uso e ocupação do solo e parcelamento urbano estão incluídas entre os instrumentos de regulação da Estruturação do Espaço urbano38 e, tal qual o Zoneamento Ambiental,39 são tratadas em lei municipal específica. 5.2.5.2 Zoneamento Ambiental O Zoneamento Ambiental constitui um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, instituída pela Lei federal 6.938/81 (art. 9º inc. II), que com o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/01) tornou-se, também, um instrumento da Política de desenvolvimento urbano (SILVA, 2007). Em sentido amplo, pode ser entendido como um instrumento destinado à divisão do território para regular o uso da propriedade e dos recursos naturais. Segundo Silva (2007) o zoneamento surgiu no direito brasileiro de forma setorial, estabelecendo diretrizes para determinadas políticas públicas, tais como a agrária e a industrial. No entanto, evolui podendo na atualidade ser compreendido como um instrumento mais amplo de ordenamento territorial do país, com vistas à gestão ambiental integrada. O zoneamento ambiental, assim, pode ser entendido como um conjunto de procedimentos de natureza geoeconômica, visando a integração sistêmica e interdisciplinar da análise ambiental de um determinado espaço, visando à disciplina dos diferentes usos do solo, de modo a definir a melhor forma de gestão dos recursos naturais e ambientais identificados na determinada área (MILARÉ, 2001). O emprego do zoneamento ecológico pode se dar de maneira mais ou menos ampla. Utilizado de forma menos ampla ou restritiva sedireciona a repartição do território no interior e no entorno dos espaços territorialmente protegidos. Quando utilizado de forma abrangente assumi características de uma "política pública transversal" (SILVA, 2007), com fins ao ordenamento territorial nacional de forma sustentável, na condição de zoneamento ecológico econômico (BENATTI, 2006). 38 Art. 62 Lei municipal nº 671/02. 39 Art. 52 e 138 da Lei municipal nº 671/02. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 102 Enquanto o zoneamento ambiental realiza-se a partir da perspectiva do uso do solo e dos recursos naturais, incluindo aí as áreas de proteção ambiental e as áreas verdes, o zoneamento urbano volta-se para regular os usos do território em determinadas áreas do município, procurando conciliar as diversas atividades humanas com um espaço particular (CARVALHO & BRAGA, 2001). O zoneamento ambiental é previsto no Plano Diretor Urbano Ambiental de Manaus – PDU (Lei nº 671/02) como o instrumento básico da estratégia de qualificação ambiental do território municipal,40 e consiste na "definição de áreas do território do Município, de modo a regular atividades bem como indicar ações para a proteção e melhoria da qualidade do ambiente, considerando as características e atributos da área."41 Segundo o PDU, e nos termos previstos do Código Ambiental de Manaus (Lei nº 605/01), 42 o zoneamento ambiental deverá: (i) delimitar os diferentes compartimentos naturais do Município; (ii) as condições de proteção destes compartimentos e (iii) estabelecer as diretrizes e condições para a elaboração e implantação do Zoneamento Agroecológico municipal. Além de elaborar as diretrizes e condições do Zoneamento Agroecológico, cabe ao zoneamento ambiental municipal definir o aproveitamento econômico das áreas43 de interesse agroflorestal, mineral e turístico de Manaus, que deverá respeitar as diretrizes estabelecidas no Zoneamento Estadual Econômico Ecológico.44 Nessa perspectiva, o zoneamento ambiental representa uma grande possibilidade na articulação com a gestão das águas urbanas, pois, além de permitir a proteção das áreas de fragilidade ambiental e promover a implantação e conservação de áreas verdes, que são importantíssimas para o processo de infiltração das águas, pode localizar as atividades 40 Art. 52. 41 Art. 28 do Código Ambiental de Manaus (Lei nº 605/01). 42 Além de prever as zonas ambientais do Município o Código Ambiental de Manaus determina que o zoneamento ambiental será definido por lei e incorporado ao Plano Diretor Urbano – PDU. 43 As áreas de interesse agroflorestal, mineral e turístico são as áreas do Município não abrangidas por áreas de preservação permanente ou por unidades de conservação, destinadas a um aproveitamento sustentável pelo desenvolvimento de atividades agrícolas, florestais, minerais e turísticas (Art. 45, da Lei nº 671/02). 44 Art. 45, do Plano Diretor Urbano Ambiental. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 103 econômicas considerando as condições hídricas, permitindo que o uso do território se realize em bases sustentáveis. O zoneamento ambiental ao dispor sobre as diretrizes e condições para a elaboração do zoneamento ecológico econômico, bem como das áreas de interesse agroflorestal, mineral e turístico do município de Manaus, tem na bacia hidrográfica outra importante forma de articulação. Assim, a possibilidade do zoneamento ambiental ser realizado a partir da bacia hidrográfica facilita o planejamento e as intervenções num determinado espaço, realizando o previsto no art. 7º , III , da PDU 45 e com resultados mais favoráveis à proteção das águas urbanas. 5.2.5.3 Legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo A disciplina de parcelamento do solo estabelece, como o próprio nome diz, as normas de divisão do espaço urbano, que devem observar as dimensões e os índices urbanísticos previstos no plano diretor ou lei municipal, para as áreas correspondentes. Tal disciplina, para fins urbanos, é dada pela Lei Federal Nº 6.766/79, no caso dos municípios não possuírem legislação própria de parcelamento. Caso contrário, podem aplicar sua própria legislação, desde que não seja menos exigente que a norma federal. O parcelamento pode se dar por loteamento ou desmembramento. O loteamento consiste na subdivisão das glebas em lotes destinados a edificação, com a abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes. O desmembramento ocorre quando há subdivisão das glebas em lotes destinados a edificação, com o aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique a abertura de novas vias e logradouros públicos, nem prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes.46 No Município de Manaus a Lei nº 846/05 (regulamenta o parcelamento do solo urbano no Município de Manaus) prevê que o parcelamento nas áreas de especial interesse 45 São objetivos específicos da estratégia de qualificação ambiental e cultural do território: "a promoção da integridade das águas superficiais e subterrâneas do território do Município, através de ação articulada com as políticas estadual e federal de gerenciamento dos recursos hídricos." 46 Art 2º, §§ 1 e 2º da Lei 6.766/79. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 104 social47 poderão ser adotados padrões inferiores ao mínimo legal quanto à destinação de áreas públicas para equipamentos públicos48 e comunitários, e no dimensionamento dos lotes e quadras. Assim, nessas áreas as exigências urbanísticas serão atenuadas, de forma a promoção da regularização urbanística e fundiária. As zonas ou áreas de proteção ambiental, definidas no Código Ambiental de Manaus ou legislação ambiental complementar, entretanto, não poderão ser declaradas áreas de especial interesse social. As edificações localizadas em áreas de risco, por outro lado, estarão sujeitas a relocação quando não for possível a correção dos riscos para garantir a segurança da população residente no local ou na vizinhança.49 Quando não se tratar de áreas de especial interesse social o parcelamento do solo deverá ser realizado de acordo com as disposições da Lei municipal 665/02. O parcelamento do solo para fins urbanos, segundo a mencionada lei, só será permitido nas terras localizadas na área urbana e na área de transição do município, definidas pelo Plano Diretor Urbano e Ambiental e delimitadas pela lei de perímetro urbano, ou ainda nas zonas de urbanização específicas delimitas naquela lei.50 Ao lado da lei de parcelamento do solo urbano temos as normas de uso e ocupação do solo, instituídas pela Lei municipal 672/02. As normas de uso e ocupação do solo fundam- se na utilização do potencial de adensamento das áreas urbanas,51 considerando os aspectos da preservação das áreas de proteção e de fragilidades ambientais, incluindo as nascentes, as margens dos cursos d águas, as unidades de conservação, os fragmentos florestais e as 47 As áreas de especial interesse social são aquelas destinadas à regularização fundiária e urbanística e a implantação de políticas e programas para a promoção de habitação de interesse social, na área urbana do município de Manaus, na forma do art. 105 da Lei nº 671/02 (Plano Diretor Urbano e Ambientalde Manaus, que são especificadas e definidas pelas seguintes condições: (i) de serem áreas ocupadas por população de baixa renda que apresentam irregularidades urbanísticas e/ou fundiárias; (ii) áreas destinas a promoção da habitação de interesse social, inseridas em programas municipal, estadual ou federal e (iii) áreas destinadas ao reassentamento de população de baixa renda que tenha sua moradia em situação de risco devidamente identificada pelo órgão publico competente (art. 106, da Lei nº 671/02). 48 Edificações ou obras necessárias ao provimento dos serviços públicos de abastecimento de água potável, energia elétrica pública e domiciliar, recolhimento e tratamento de desgostos e escoamento das águas pluviais, de acordo com a demanda prevista para o loteamento. 49 Art. 106, §2º da Lei do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (Lei nº 671/02). 50 Art. 3º da Lei 665/02 (Regulamenta o parcelamento do solo urbano no Município de Manaus). 51 Art. 1º da Lei nº 672/02. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 105 áreas de fundo de vales; a capacidade de infraestrutura urbana instalada; as condições de saneamento básico e a acessibilidade à área central de negócios.52 Trata-se, portanto, de norma voltada para o melhor aproveitamento do espaço urbano, de forma a otimizar o uso dos equipamentos públicos já instalados, bem como das atividades a serem estimuladas nas determinadas Unidades de Estruturação Urbana – UES.53 Assim, enquanto as normas de parcelamento prendem-se a disciplina do espaço urbano no aspecto propriamente físico, quanto às metragens, recuos, formas de divisões e ocupações do espaço, entre outros, a norma de uso e ocupação volta-se para o aspecto espacial, da densidade da ocupação e uso do espaço, ambas, no entanto, com significativas repercussões na gestão das águas subterrâneas. Além das normas de uso e ocupação estabelecerem como parâmetros a preservação das áreas de proteção e fragilidade ambiental podem, por meio de estratégias de uso e ocupação, exercer o controle dos usos e atividades, dimensionando com base naquelas em cada UES a demanda e, consequentemente, a proteção dos recursos hídricos na área urbana. 5.3 Sobre a Organização Institucional de Manaus Uma das questões importantes quanto à organização institucional de Manaus diz respeito a sua Estrutura Administrativa. A estrutura Administrativa atual da Prefeitura de Manaus foi estabelecida pela Lei Nº 1.314, de 04 de março de 2009, que dispõe sobre a reorganização administrativa da Prefeitura e dá outras providências, em substituição ao expressado na Lei nº 936, de 20 de janeiro de 2006. Na mencionada Lei, a Administração do Poder Executivo do município de Manaus ficou assim reorganizada: 52 Art. 1º, I, II, III, IV da Lei nº 672/02. 53 Para fins de planejamento, gestão e aplicação das normas do solo cada uma das Macrounidades de Planejamento previstas no Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus foram divididas em Unidades de Estruturação Urbana - UES. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 106 I - Administração Direta: a) Órgão Colegiado: 1. Conselho Municipal de Gestão Estratégica. b) Órgão de Assessoramento e Assistência Direta: 1. Procuradoria Geral do Município; 2. Gabinete Civil 3. Secretaria Municipal de Governo; 4. Gabinete Militar; 5. Secretaria Municipal de Comunicação; 6. Secretaria Municipal de Projetos Especiais e Gestão Tecnológica; 7. Secretaria Municipal de Assuntos Federativos; 8. Gabinete do Vice-Prefeito. c) Órgão de Gestão Institucional: 1. Secretaria Municipal de Finanças e Controle Interno; 2. Secretaria Municipal de Planejamento; 3. Secretaria Municipal de Administração. d) Órgão De Execução de Políticas e Serviços Públicos: 1. Secretaria Municipal de Saúde; 2. Secretaria Municipal de Educação; 3. Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos; 4. Secretaria Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 107 5. Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade; 6. Secretaria Municipal de Desporto, Lazer e Juventude; 7. Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento; 8. Secretaria Municipal de Limpeza Urbana; 9. Secretaria Municipal de Infraestrutura. II - Administração Indireta: a) Autarquias: 1. Instituto Municipal de Planejamento Urbano; 2. Instituto Municipal de Trânsito e Transporte Urbano. III - Administração Fundacional: a) Fundação de Apoio ao Idoso "Doutor Thomas"; b) Fundação Escola de Serviço Público Municipal; c) Fundação Municipal de Cultura e Turismo. IV - Serviços Sociais Autônomos: a) Fundo Único de Previdência do Município de Manaus - Manausprev; b) Serviço De Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município De Manaus - Manausmed. Na Figura 5.1 se encontra o organograma da Prefeitura Municipal de Manaus conforme explicitado acima. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 108 Figura 5.1. Organograma da Prefeitura de Manaus (FONTE: site da SEADM). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 109 Ficou ainda estabelecido que os serviços afetos aos órgãos da Administração Direta e às entidades das Administrações Indireta e Fundacional da Prefeitura de Manaus, bem como, e a juízo do Prefeito Municipal, as atividades de caráter estratégico, serão realizados com a adoção do modelo de Gestão de Resultados, implementados por meio de projetos e ações especificas mediante compromisso firmado em termo próprio, responsabilizando-se o gestor ou o titular de cargo comissionado pelo estrito cumprimento em determinado prazo, sob pena de quebra de confiança, ressalvados os motivos de força maior, a juízo do Chefe do Executivo. Foi ainda fixado em 18 (dezoito) o quantitativo dos cargos de Secretário Municipal, destinados à direção dos órgãos mencionados acima, e em 27 (vinte e sete) o número de subsecretários. As finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder Executivo Municipal foram definidos assim (Quadro 5.2): Quadro 5.2. Finalidades e áreas de atuação dos órgãos da Administração Direta do Poder Executivo Municipal. N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 1 CONSELHO MUNICIPAL DE GESTÃO ESTRATÉGICO Proposição de diretrizes para a formulação e implementação da Política Municipal de gestão Estratégica para o Desenvolvimento Institucional, definido os instrumentos de sua avaliação. 2 PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Cumprimento das competências dispostas na Lei Orgânica do Município e na legislação específica; execução de outras atividades previstas em Lei e regulamentos ou resultantes de outorga ou delegação do Prefeito Municipal. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 110 N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 3 GABINETE CIVIL Assistência direta e assessoramento ao Prefeito no desempenho de suas atribuições junto às autoridades em geral, em especial os Parlamentares, ÓRGÃOS e entidades da Administração Municipal, dos Governos Estadual e Federal e de outros Esta dos e Municípios; coordenação do Cerimonial Público e das atividades de integração dasações do Poder Executivo; supervisão da correspondência oficial do Prefeito e da organização do seu acervo documental privado; organização e administração do processo legislativo a cargo do Prefeito Municipal, inclusive para exame da compatibilidade das propostas com as diretrizes do Governo Municipal; supervisão das atividades administrativas da Sede da Prefeitura; articulação entre a Instituição e o servidor municipal, em especial para capacitá-lo ao recebimento de reclamações e sugestões de melhoria dos serviços; ações em defesa do consumidor; edição do Diário Oficial do Município. 4 SECRETARIA MUNICIPAL DE GOVERNO Assistência direta e assessoramento ao Prefeito no desempenho de suas atribuições, mediante a proposição de diretrizes de reorganização administrativa para a consolidação do Desenvolvimento Institucional e o cumprimento das deliberações do Conselho Municipal de Gestão Estratégica, com a geração e o monitoramento de indicadores de desempenho e instrumentos avaliadores; auxílio à instituição e reorganização de Sistemas e verificação do seu pleno e efetivo funcionamento; estabelecimento de normas para a padronização de atos administrativos; análise prévia, com o concurso da Procuradoria Geral do Município, da legalidade de contratos, convênios e ajustes em geral no âmbito da Administração do Município. 5 GABINETE MILITAR Planejamento, coordenação e execução das ações de segurança pessoal do Prefeito, do Vice-Prefeito e respectivas famílias, bem como das autoridades e visitantes da sede da Prefeitura Municipal; segurança institucional dos imóveis ocupados pela Administração Municipal e das residências oficiais do Prefeito e do Vice-Prefeito; coordenação da Guarda Municipal Metropolitana; formulação e articulação da Política Municipal de Defesa Civil compatibilizando-a com as atividades sistêmicas em níveis estadual e federal. 6 SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO Planejamento e implementação da Política de Comunicação Social do Município, mediante a coordenação e o controle das ações de comunicação no âmbito da Administração Municipal; divulgação das ações municipais de governo e promoção da publicidade institucional da Prefeitura, em articulação com os diversos meio de comunicação. 7 SECRETARIA MUNICIPAL DE PROJETOS ESPECIAIS E GESTÃO TECNOLÓGICA Formulação e implementação de políticas de capta ção de recursos nacionais e internacionais, desencadeando ações fortalecedoras voltadas ao desenvolvimento socioeconômico municipal dentro de um processo de consolidação de cadeias produtivas na cidade de Manaus; formulação e articulação da política de gestão tecnológica no âmbito da Administração Municipal. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 111 N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 8 SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSUNTOS FEDERATIVOS Representação institucional da Prefeitura de Ma naus na Capital Federal nas relações que visem o desenvolvimento econômico do Município junto a ÓRGÃOS governamentais e agências de desenvolvi mento, nacionais e internacionais; assessoramento a investidores nacionais e estrangeiros; apoio material e logístico a servidores em missão de interesse dos ÓRGÃOS e entidades do Poder Executivo. 9 GABINETE DO VICE- PREFEITO Assistência direta e assessoramento ao Vice-Prefeito no seu relacionamento com as autoridades, em especial parlamentares, com o público em geral ÓRGÃOS e entidades da Administração Municipal,dos Governos Estadual e Federal e de outros Estados e Municípios; supervisão da correspondência oficial do Vice-Prefeito e da organização do seu acervo documental privado. 10 SECRETARIA MUNICIPAL DE FINANÇAS E CONTROLE INTERNO Organização, gerenciamento e disciplina dos processos de arrecadação, orçamento, execução financeira e contabilidade pública; elaboração do Balanço Geral do Município, com a proposição de medidas objetivando a consolidação das informações financeiras e contábeis dos diversos setores do Poder Executivo; coordenação geral, orientação normativa, supervisão técnica e realização de atividades inerentes ao Controle Interno no âmbito da Administração Municipal. 11 SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO Formulação e implementação do Sistema de Planeja mento do Poder Executivo, com a geração, guarda dos os prazos legais, dos seus instrumentos; formulação de política de incentivos fiscais para o fortalecimento da economia do Município; realização de estudos e pesquisas de acompanhamentos da conjuntura socioeconômica para subsidiar a formulação de políticas públicas municipais. 12 SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO Planejamento,coordenação e supervisão da execução das atividades relativas modernização administrativa, a gestão de pessoal, patrimônio, recursos logísticos e transportes no âmbito do Poder Executivo, provendo e garantindo o perfeito desenvolvimento dos serviços municipais e assegurando a perfeita integração dos Sistemas; organização, catalogação e guarda do acervo documental da Prefeitura de Manaus; administração do Arquivo Público Municipal. 13 SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE Planejamento, orientação normativa, coordenação e controle da execução da Política Municipal de Saúde pelos ÓRGÃOS e instituições públicas e privadas, no âmbito municipal, integrantes do Sistema Único de Saúde; promoção de políticas de desenvolvimento da Saúde no âmbito municipal, me diante a execução de ações integradas de atenção à Saúde individual e coletiva, de vigilância em Saúde, de controle de endemias e de qualificação e valorização dos servidores do setor. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 112 N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 14 SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Formulação, supervisão, coordenação, e avaliação da Política Municipal de Educação, em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; planejamento, coordenação, controle e execução de atividades com vistas a prover os re cursos necessários, métodos e profissionais para oferecer à sociedade serviços educacionais de elevado padrão de qualidade, adequados às diversas faixas etárias e níveis Educação Infantil e Ensino Fundamental, garantindo dignidade e qualidade de vida aos cidadãos do Município. 15 SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DIREITOS HUMANOS Formulação, coordenação e execução da Política Municipal de Assistência Social, respeitados os princípios e diretrizes da Lei Orgânica Nacional específica de modo a promover o desenvolvimento humano no Município, tendo como meta a melhoria de qualidade de vida das camadas mais necessita das da população, com ênfase aos segmentos da criança, da mulher, do idoso e de portadores de necessidades especiais, garantido-lhes o pleno exercício dos direitos humanos. 16 SECRETARIA MUNICIPAL DO TRABALHO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL Planejamento, coordenação, articulação e implementação das políticas de desenvolvimento social e do trabalho, articulação e mobilização das ações governamentais voltadas para a promoção da cidadania, emprego e renda, em especial a qualificação profissional, a cultura empreendedora e a garantia da manutenção dos direitos humanos, em interação com as instituições públicas e privadas entidades do terceiro setor e outros segmentos da sociedade. 17 SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE Formulação e implementação da Política Municipal do Meio Ambiente em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional do setor proposição e avaliação de políticae normas, de finição de estratégias,objetivando a preservação, o ordenamento e a qualidade de vida, visando as segurar condições ao desenvolvimento sócioeconô mico, dentro, das diretrizes do Desenvolvimento Sustentável no Município de Manaus. 18 SECRETARIA MUNICIPAL DE DESPORTO, LAZER E JUVENTUDE Formulação de políticas, proposição de diretrizes e coordenação da implementação de ações públicas, diretamente ou em parceria com entidades públicas e privadas, de programas, projetos e atividades voltadas para o atendimento aos jovens e para o desporto e lazer da população; coordenação da implementação de ações municipais voltadas à aquisição de conhecimento e à descoberta de aptidões e competências pelos jovens, que possam constituir a base do seu desenvolvimento e facilitar sua integração na sociedade; apoio a iniciativas da sociedade civil que visem ao fortalecimento da auto-organização dos jovens, em suas diversas formas de manifestação. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 113 N° ÓRGÃO FINALIDADES/ ÁREAS DE ATUAÇÃO 19 SECRETARIA MUNICIPAL DE PRODUÇÃO E ABASTECIMENTO Planejamento, coordenação e execução de ações, no âmbito municipal, relativas a produção, abasteci mento, vigilância, defesa sanitária e inspeção de produtos de origem animal ou vegetal; fortaleci mento, desenvolvimento e estimulo a mecanismos para a comercialização de produtos agropecuários, de pesca e da aquicultura, incentivando a produção da agricultura familiar e a organização de cooperativismo e associativismo no âmbito municipal. 20 SECRETARIA MUNICIPAL DE LIMPEZA URBANA Formulação e implementação da política de limpeza pública através de métodos de coleta convencional e seletiva nas áreas de atuação municipal e sua destinação final; manutenção de jardins, logradouros e cemitérios, preservando a saúde coletiva e de meio ambiente. 21 SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA Desenvolvimento dos planos estratégicos para implementação das políticas de infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento básico, drenagem, abastecimento d’água, obras públicas e urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismo de implantação, acompanhamento e avaliação; pro moção da articulação nas suas áreas de atuação entre ÓRGÃOS e entidades municipais, estaduais, federais e privadas; acompanhamento, fiscalização e recebimento de obras e serviços de engenharia de interesse das Administrações Direta, Indireta e Fundacional. Com a finalidade de contextualizar neste Plano, algumas das instituições mencionadas serão analisadas com maior detalhe. 5.3.1 Secretaria Municipal de Infraestrutura Com atuação direta na área de drenagem urbana foi criada, pelo Decreto Municipal Nº 0147, de 05 de junho de 2009, a Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF, em substituição da extinta Secretaria Municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação – SEMOSBH, por sua vez objeto da Lei n.º 936, de 20 de janeiro de 2006. A SEMINF é responsável pelo desenvolvimento da estratégia para implementação de infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento básico, drenagem, obras públicas e urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismos de implantação, acompanhamento e avaliação. Nos termos específicos da Lei nº 1.314, de 04 de março de 2009, a Secretaria Municipal de Infraestrutura – SEMINF integra a Administração Direta da PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 114 Prefeitura de Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o cumprimento das seguintes finalidades: I – desenvolvimento dos planos estratégicos para implementação das políticas de infraestrutura nas áreas de habitação, saneamento básico, drenagem, abastecimento d’água, obras públicas e urbanismo, estabelecendo prioridades e definindo mecanismos de implantação, acompanhamento e avaliação; II – promoção da articulação nas suas áreas de atuação entre órgãos e entidades municipais, estaduais, federais e privadas; III – acompanhamento, fiscalização e recebimento de obras e serviços de engenharia de interesse das Administrações Direta, Indireta e Fundacional. Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à SEMINF: I – planejamento, coordenação, articulação e implementação das políticas de infraestrutura do Município de Manaus; II – execução direta, com recursos próprios ou em cooperação com a União, o Estado ou a iniciativa privada, de obras de: a) abertura, pavimentação e conservação de vias; b) drenagem pluvial e saneamento básico; c) construção de estradas e parques; d) conservação de estradas; e) construção e conservação de estradas vicinais; f) edificação e conservação de prédios públicos municipais; III – implementação da política de desenvolvimento urbano do Município, dentro das suas competências; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 115 IV – supervisão e fiscalização das atividades relativas ao desenvolvimento, acompanhamento e execução de projetos de infraestrutura urbana, mediante interdições, embargos e realização de demolições administrativas, quando necessárias, de acordo com as etapas previstas na legislação urbana vigente; V – elaboração de planos diretores e modelos de gestão compatíveis com as ações de desenvolvimento, programadas no âmbito das unidades de drenagem, esgotamento sanitário, abastecimento d’água, habitação e obras públicas; VI – desenvolvimento de planos estratégicos para implementação das políticas de infraestrutura, com o estabelecimento de prioridades e a definição de mecanismos de implantação, acompanhamento e avaliação; VII – definição da política de saneamento para o Município de Manaus, em especial água e esgoto, considerados os indicadores sociais; VIII – promoção da integração das ações programadas para a área de habitação, pelos Governos federal e estadual e pelas comunidades, e monitoramento das questões relacionadas ao déficit habitacional, que permitam a definição correta de prioridades, critérios e integração setorial e a construção de unidades habitacionais, decorrentes de políticas estabelecidas pelo Município. A SEMINF é dirigida por um secretário municipal, com o auxílio de um subsecretário de obras públicas e de um subsecretário de serviços básicos, a SEMINF tem a seguinte estrutura operacional: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 116 Figura 5.2. Organograma da SEMINF. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 117 I – ÓRGÃOS VINCULADOS a) Unidade de Gerenciamento do Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Sócio-Ambiental de Manaus b) Unidade Executora do Programa de Infraestrutura Urbana e Ambiental de Manaus (UEP) c) Comissão de Licitação II – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO a) Gabinete do Secretário b) Assessoria Técnica III – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO a) Departamento Administrativo e Financeiro 1. Divisão de Transportes 2. Divisão de Patrimônio, Material e Serviços 3. Divisão de Informática 4. Gerência de Finanças 5. Gerência de Pessoal IV – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES FINALÍSTICAS a) SUBSECRETARIA DE OBRAS PÚBLICAS 1. Departamento Técnico-Operacional 1.1 Divisão de Projetos Públicos 1.2 Divisão de Acompanhamento de Obras Públicas PDDU DE MANAUS – RELATÓRIOPARCIAL DA ETAPA 1 118 1.3 Divisão de Programas Habitacionais 1.4 Divisão de Orçamento e Apoio Técnico b) SUBSECRETARIA DE SERVIÇOS BÁSICOS 1. Departamento de Manutenção de Infraestrutura Urbana 1.1 Divisões Distritais – São José, Jorge Teixeira, Cidade de Deus, Morro da Liberdade, Santa Etelvina, Coroado, Petrópolis, Alvorada, Novo Israel, Cidade Nova, Colônia Antônio Aleixo, Compensa, Central 1.2 Divisão de Obras Civis 1.3 Divisão de Acompanhamento de Serviços Básicos 1.4 Divisão de Dragagem e Drenagem 1.4.1 Gerência de Artefatos de Concreto As unidades da estrutura operacional da SEMINF mencionadas acima têm como principais competências: I – UNIDADE DE GERENCIAMENTO DO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO URBANO E INCLUSÃO SÓCIO-AMBIENTAL DE MANAUS: cumprimento das competências dispostas na legislação e atos específicos. II – UNIDADE EXECUTORA DO PROGRAMA DE INFRAESTRUTURA URBANA E AMBIENTAL DE MANAUS: cumprimento das competências dispostas na legislação e atos específicos. III – COMISSÃO DE LICITAÇÃO: cumprimento das competências dispostas na legislação e atos específicos. IV – GABINETE DO SECRETÁRIO: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 119 a) coordenação da representação social e política do Secretário Municipal e dos Subsecretários; b) assistência ao titular da Pasta em suas atribuições técnicas e administrativas, mediante controle da agenda; c) coordenação do fluxo de informações, divulgando as ordens do Secretário e as relações públicas de interesse da Secretaria; d) recebimento e distribuição das correspondências enviadas; e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; V – ASSESSORIA TÉCNICA: a) assessoramento técnico especializado a todas as unidades da Secretaria, podendo este abranger as áreas jurídica, tecnológica, de comunicação, de planejamento, de acompanhamento de convênios, além de outras, de acordo com as especificidades funcionais que atendam as necessidades da Secretaria, demandadas pelo Secretário; b) elaboração de pareceres, laudos técnicos e notas técnicas, de acordo com a área funcional; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VI – DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO: a) coordenação, programação, monitoramento e avaliação das atividades financeiras, contábeis e de execução orçamentária de programas, projetos, convênios, contratos e acordos de cooperação técnica entre as diversas áreas da Secretaria; b) acompanhamento da elaboração do Plano Plurianual e do Orçamento Anual de acordo com a legislação vigente, em conjunto com os órgãos próprios da Prefeitura; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 120 c) acompanhamento da prestação de contas anual e da inserção mensal de informações no sistema de Auditoria de Contas Públicas – ACP/Captura, ao Tribunal de Contas do Amazonas – TCE/AM; d) planejamento, orientação e fiscalização dos processos de manutenção e aquisição de material e serviços, assim como o controle dos bens patrimoniais necessários ao funcionamento da Secretaria; e) coordenação da gestão de pessoal; f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VII – DIVISÃO DE TRANSPORTES: a) administração dos processos relativos ao controle, manutenção e reparo de veículos pertencentes à Secretaria; b) execução e manutenção dos serviços mecânicos de máquinas, equipamentos e veículos pesados da Secretaria; c) planejamento e controle diário do estoque e consumo de combustível; d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VIII – DIVISÃO DE PATRIMÔNIO, MATERIAL E SERVIÇOS: a) programação, execução e supervisão das atividades relativas almoxarifado e patrimônio da Secretaria; b) execução, orientação e fiscalização dos serviços de manutenção, conservação, segurança e limpeza nas dependências da Secretaria; c) acompanhamento e controle da transferência de bens móveis, assim como a elaboração do inventário anual de bens móveis da Secretaria; d) execução das atividades relacionadas ao recebimento, conferência, classificação, controle, guarda e distribuição de material; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 121 e) zelo pelo armazenamento, organização, fornecimento, reposição, segurança e preservação do estoque de material, procedendo ao controle físico e financeiro; f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; IX – DIVISÃO DE INFORMÁTICA: a) desenvolvimento e atualização dos programas e sistemas em conjunto com o órgão próprio da Prefeitura, visando o atendimento das necessidades da Secretaria relativas à informática; b) análise da viabilidade técnica e funcional para a elaboração de projetos referentes à contratação de serviços de informática e aquisição de equipamentos tecnológicos, encaminhando-os à unidade administrativa competente; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; X – DEPARTAMENTO TÉCNICO-OPERACIONAL: a) planejamento e coordenação da elaboração de Projetos de intervenção de arquitetura e desenho urbano, visando abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial, saneamento básico, construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins, hortos florestais, construção e conservação de estradas vicinais, implantação de Programas habitacionais, edificação e conservação de prédios públicos municipais; b) coordenação da elaboração de orçamentos de custos de projetos para serem licitados e de pareceres técnicos quanto a projetos de obras e serviços executados; c) planejamento e coordenação das atividades do arquivo técnico, dados de referência e documentação; d) planejamento e coordenação do desenvolvimento de projetos de intervenção de arquitetura e de desenho urbano, na área de atuação da Secretaria; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 122 e) coordenação da elaboração e emissão de pareceres técnicos quanto a projetos de obras e serviços executados pela SEMINF; f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XI – DIVISÃO DE PROJETOS PÚBLICOS: a) elaboração de projetos de intervenção de arquitetura e de desenho urbano, visando abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial, saneamento básico, construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins, hortos florestais, construção e conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de prédios públicos municipais; b) elaboração e emissão de pareceres técnicos quanto a projetos de obras e serviços executados; c) articulação com órgãos e entidades municipais, de outras esferas do Governo e de iniciativa privada com o objetivo de obter as informações necessárias ao desenvolvimento dos projetos de arquitetura, de instalações e desenho urbano de acordo com as normas vigentes, bem como compatibilizá-los com as ações programadas e em curso; d) supervisão da elaboração, acompanhamento e avaliação dos planos, programas e Termo de Referência, necessários à formulação dos projetos; e) promoção de mecanismos que assegurem a correta implantação dos projetos especiais, de arquitetura e desenho urbano, de acordo com objetivos propostos e requisitos técnicos indicados; f) estabelecimento de medidas visando os ajustes necessários nos projetos na fase de implantação do mesmo; g) exercício de outrascompetências correlatas, em razão de sua natureza; XII – DIVISÃO DE ACOMPANHAMENTO DE OBRAS PÚBLICAS: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 123 a) gestão da fiscalização dos serviços técnicos concernentes a abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial, saneamento básico, construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins, hortos florestais, construção e conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de prédios públicos municipais; b) controle das faturas inerentes às obras e comprovação do recebimento definitivo e provisório das mesmas; c) emissão de ordens de serviços, laudos, pareceres técnicos, atestado de capacidade técnica, de visita; d) promoção do exame e controle da execução das camadas de pavimento segundo projeto aprovado e normas pré-estabelecidas; e) fornecimento aos contratados dos meios necessários à execução das obras, fiscalizando o fiel cumprimento das normas e especificações em vigor para os serviços de manutenção e conservação; f) lavratura e expedição de autos de infração, notificação, termo de embargo, interdição, termo de apreensão aos infratores, em assuntos relacionados a infraestrutura urbana, conforme recomendação existentes nos processos administrativos específicos; g) fiscalização das intervenções de infraestrutura em áreas públicas nos loteamentos aprovados; h) promoção da demolição administrativa total ou parcial de obra irregular, observando o cumprimento das normas urbanísticas vigentes; i) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XIII – DIVISÃO DE PROGRAMAS HABITACIONAIS: a) elaboração, coordenação, implantação, acompanhamento e avaliação de programas e projetos habitacionais do Município, conforme diretrizes e políticas do Governo Municipal, PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 124 b) cadastramento de fontes de recursos para o desenvolvimento de programas habitacionais e de assentamentos; c) coordenação com os órgãos municipais afins, de medidas e esforços, visando efetividade das ações de urbanização, remanejamento e outras formas de melhoria das condições habitacionais da população de baixa renda; d) compatibilização dos diversos programas habitacionais, de interesse social, para erradicação de condições subumanas de moradia; e) pesquisas junto a órgãos e entidades afins, de tecnologias alternativas de construção civil, buscando sua adequação e compatibilização a realidade cultural e econômica do Município; f) articulação com órgãos estaduais afins para a otimização dos recursos e esforços a efetivação dos programas habitacionais; g) articulação com entidades públicas e privadas de fomento, visando a identificação de formas de viabilização social e financeira dos programas habitacionais; h) sugestão de construção de habitações individuais ou coletivas ao alcance do poder aquisitivo de famílias de escassos recursos econômicos; i) realização de estudos e projetos com o intuito de eliminar, das áreas urbanas, as construções e habitações insalubres ou perigosas; j) formulação de planos gerais para a construção, higienização, reparação e ampliação de habitações populares, usando técnica de esforço próprio e de ajuda mútua e estimulação da execução de obras de urbanização, saneamento urbano e serviço comum necessário; k) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XIV – DIVISÃO DE ORÇAMENTO E APOIO TÉCNICO: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 125 a) elaboração de orçamento de projetos, com as respectivas composições de custos de serviços de engenharia e arquitetura; b) realização de cotações de preços dos insumos utilizados nos orçamentos de obras; c) execução de atividades de documentação e dados (referência e processamento), apoio documental e informacional à Secretaria; d) informatização dos registros existentes no arquivo técnico, em articulação com a Divisão de Informática, visando a criação de sistema de controle de informações técnicas, no âmbito da Administração Pública Municipal, na área de atuação da SEMINF; e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XV – DEPARTAMENTO DE MANUTENÇÃO DE INFRAESTRUTURA URBANA: a) coordenação, supervisão e acompanhamento da execução das atividades de abertura, pavimentação e conservação de vias, drenagem pluvial e saneamento básico, construção e conservação de estradas, construção de parques, jardins e hortos florestais, construção e conservação de estradas vicinais, edificação e conservação de prédios públicos municipais; b) coordenação da manutenção e conservação do sistema de micro e macro drenagem, mantendo seu controle cadastral; c) coordenação de todas as atividades realizadas pelas Divisões Distritais; d) análise dos assuntos relacionados a prestadores de serviços de obras civis e atividades relacionadas à prestação de serviços de locação de equipamentos leves e pesados; e) coordenação de atividades de pavimentação, terraplanagem, dragagem, drenagem, artefatos de concreto e material betuminoso. f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 126 XVI – DIVISÕES DISTRITAIS – SÃO JOSÉ, JORGE TEIXEIRA, CIDADE DE DEUS, MORRO DA LIBERDADE, SANTA ETELVINA, COROADO, PETRÓPOLIS, ALVORADA, NOVO ISRAEL, CIDADE NOVA, COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO, COMPENSA, CENTRAL: a) planejamento da execução dos serviços, tendo por base as condições climáticas, recursos financeiros disponíveis e prioridades estabelecidas pela Secretaria; b) colaboração com serviços de pesquisa e dimensionamento dos pavimentos; c) elaboração de estudos e projetos de pavimentação das vias a cargo da Secretaria; d) supervisão, acompanhamento e fiscalização dos serviços de manutenção e conservação da cidade, em articulação com as unidades administrativas específicas da Secretaria, fazendo cumprir as respectivas normas, especificações e cronograma; e) fiscalização da execução e controle da qualidade do concreto asfáltico e demais pavimentos fornecidos por terceiros; f) apresentação mensal de relatório técnico, para auxílio na elaboração de planos e programas relacionados com a implantação, pavimentação e conservação de vias; g) promoção das avaliações, medições e respectivos cálculos dos serviços executados; h) indicação do tipo de pavimentação a ser adotado, em cada via, ou a sua modificação, com base em estudos técnicos e econômicos; i) estudos sobre os revestimentos determinando a causa do desgaste e envelhecimento, bem como o custo e época de reposição; j) coordenação, orientação e controle da manutenção da rede viária municipal para sua conservação; k) elaboração e proposição de normas, instruções e especificações técnicas dos materiais para os serviços de sua competência; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 127 l) estudo, execução e atualização das composições e tabelas de preços dos serviços de pavimentação; m) distribuição, controle e mensuração da utilização e do tráfego de máquinas, equipamentos, caçambas e caminhões, inclusive os alugados; n) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. As divisões distritais e respectivas áreas de abrangência são mostradas no mapa apresentado no Anexo 18. Conforme apurações,destes distritos, o Central é sem dúvida o mais bem estruturado e equipado, com capacidade de realizar obras de médio e grande porte, dando apoio às demais regionais neste aspecto, tendo gerência de drenagem, asfalto, obras diversas, etc. Ainda assim, a quantidade de equipamentos e pessoal é reduzida para o vulto de obras requeridas. As demais regionais executam principalmente serviços de desobstrução e pequenas manutenções. Para as obras de dragagens, a Regional Central conta com 3 escavadeiras hidráulicas e 3 caçambas de médio porte. Para as obras de drenagem dispõe de: 4 retro-escavadeiras, 4 caçambas pequenas, 1 munk, 4 kombis, 1 pá-escavadeira, 1 caminhão de hidrojateamento. Grande parte da areia retirada nesta atividade é transporta para o distrito para posterior utilização nos serviços de reaterro de valas, principalmente no inverno, quando não tem argila em condições satisfatórias de uso. A equipe do distrito central também executa serviços de manutenção nas estruturas da macrodrenagem, alem de contenções por rip-rap. Os serviços de manutenção são realizados na maioria dos casos de forma manual. Existe apenas um equipamento de desobstrução por hidrojateamento. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 128 Os serviços que ultrapassam as fronteiras dos distritos operacionais são de responsabilidade do distrito onde foi gerada a Ordem de Serviço, incluindo todos os custos de recomposição. XVII – DIVISÃO DE OBRAS CIVIS: a) manutenção e conservação de obras civis públicas, executadas na cidade; b) recuperação, ampliação ou melhoramento dos prédios municipais e obras comunitárias; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XVIII – DIVISÃO DE ACOMPANHAMENTO DE SERVIÇOS BÁSICOS: a) planejamento da aplicação dos materiais e serviços desta Secretaria; b) controle e apropriação de horas de máquinas e equipamentos utilizados nesta Secretaria; c) emissão de relatório técnico-mensal, para auxílio na elaboração de planejamento para aplicação de materiais no âmbito da SEMINF; d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XIX – DIVISÃO DE DRAGAGEM E DRENAGEM: a) execução de atividades de dragagem; b) emissão de pareceres técnicos quanto aos serviços executados; c) desenvolvimento de detalhes de projetos de micro e macro drenagem; d) desenvolvimento de projetos de ampliação ou reforma da rede de drenagem; e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. Além das atribuições insertas no artigo 86 e seus incisos da Lei Orgânica do Município de Manaus, ao Secretário Municipal de Infraestrutura é atribuído: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 129 I – exercer as funções estratégicas de planejamento, orientação, coordenação, controle e revisão no âmbito de sua atuação, de modo a oferecer condições de tramitação mais rápida de processos na esfera administrativa e decisória; II – propor, para aprovação do Chefe do Poder Executivo, projetos, programas e planos de metas da Secretaria; III – estabelecer o Plano Anual de Trabalho da Pasta e as diretrizes para a Proposta Orçamentária do exercício seguinte; IV – elaborar a Proposta Orçamentária Anual do órgão, observadas as diretrizes e orientações governamentais; V – ordenar as despesas da Secretaria, podendo delegar tal atribuição, através de ato específico; VI – deliberar sobre assuntos da área administrativa e de gestão econômico- financeira no âmbito do órgão; VII – propor aos órgãos competentes a alienação de bens patrimoniais e de material inservível sob administração da Secretaria; VIII – promover, por ato próprio a designação de servidores para as Funções Gratificadas do órgão, com a denominação do Setor e as atribuições do Titular; IX – assinar, com vistas à consecução dos objetivos do órgão e respeitada a legislação aplicável, convênios, contratos e demais ajustes com pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras. X – aprovar o Manual de Organização da Secretaria Municipal de Infraestrutura. São atribuições dos Subsecretários auxiliarem diretamente o Secretário no desempenho de suas atribuições, através da supervisão das atividades dos servidores e órgãos que lhe são subordinados; planejamento, coordenação e avaliação dos planos e PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 130 programas em suas áreas de competência e substituí-lo, conforme designação, em seus impedimentos e afastamentos legais. 5.3.2 Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) foi fundada em 1979. Funcionava na sede da Secretaria Municipal de Limpeza Pública, à qual era subordinada. Em 1989, foi implantada definitivamente a Secretaria de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), por força do decreto que instituiu a Lei Municipal no. 2.021, de 12 de julho. A Secretaria continuou funcionando na sede da Limpeza Publica e, em 1990, transferiu-se para o antigo balneário do Parque Dez de Novembro. Através da Lei Municipal n° 175, de 10 de março de 1993, teve sua estrutura e nomenclatura alteradas e passou a se chamar Sedema, órgão vinculado ao Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, com a finalidade principal de formular e executar a Política Municipal de Meio Ambiente, em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981, e alterações posteriores, que estabelecem a Política Nacional do Meio Ambiente. Em 2005, passou a se chamar Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e teve a sede transferida para a Avenida André Araújo, 1.500, bairro Aleixo. A partir de 2009, passou teve a nomenclatura modificada para Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Nos termos da Lei n.o 1.314, de 04 de março de 2009, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMMAS integra a Administração Direta da Prefeitura de Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o cumprimento das seguintes finalidades: I – formulação e implementação da Política Municipal do Meio Ambiente em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional do setor proposição e avaliação de políticas e normas, definição de estratégias, objetivando a preservação, o ordenamento e a qualidade de vida, visando assegurar condições ao desenvolvimento sócio- econômico, dentro das diretrizes do Desenvolvimento Sustentável do Município de Manaus. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 131 Parágrafo Único: Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à SEMMAS: I – planejamento da implementação da Política do Meio Ambiente e Sustentabilidade através de ações administrativas; II – elaboração de Planos Diretores e modelos de gestão compatíveis com as ações de desenvolvimento programados para o meio ambiente; III – coordenação das ações dos órgãos que compõem o Sistema Municipal de Meio Ambiente – SIMMA; IV – gestão Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente – FMDMA, relativamente aos aspectos técnicos, administrativos e financeiros; V – recomendação, quando necessária, ao Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMDEMA normas, critérios, parâmetros, padrões, limites, índices e métodos para o uso dos recursos ambientais do Município; VI – apoio técnico, administrativo e financeiro ao Conselho Municipal de Meio Ambiente; VII – desenvolvimento,com a participação dos órgãos e entidades do SIMMA, o zoneamento ambiental; VIII – manifesto, mediante estudos e pareceres técnicos, sobre questões de interesse ambiental para a população; IX – execução de medidas administrativas que resultem na iniciativa dos órgãos legitimados para sugestão de medidas judiciais cabíveis no intuito de coibir, punir e responsabilizar os agentes potencialmente ou definitivamente poluidores e/ou degradadores do meio ambiente; X – autuação, em caráter permanente, na recuperação de áreas e recursos ambientais poluídos ou degradados; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 132 XI – controle e fiscalização das condições de uso de balneários, parques, áreas de recreação e logradouros de uso público; XII – licenciamento de obras, edificações, reformas e loteamentos, no âmbito de sua atuação; XIII – fiscalização e controle preventivo de serviços com potencial de impacto ou passíveis de gerar comprometimento do meio ambiente; XIV – monitoramento tecnológico dos recursos ambientais apoiados no uso da tecnologia da informação e geotecnologias; XV – elaboração de planos, programas e projetos de proteção, recuperação, conservação, preservação e melhoria da qualidade ambiental do Município, bem como a aplicação da legislação que regula a matéria; XVI – apresentação de propostas para a criação e gerenciamento das unidades de conservação municipais, implementando os planos de manejo; XVII – manutenção das condições ambientais nas unidades de conservação e fragmentos florestais urbanos, sob sua responsabilidade, bem como nas áreas verdes; XVIII – articulação com as esferas federal, estadual, municipal e organizações nãogovernamentais para a execução coordenada e obtenção de financiamentos para implantação de programas relativos à preservação, conservação e recuperação dos recursos ambientais; XIX – apoio às ações das organizações da sociedade civil que tenham a questão ambiental entre seus objetivos; XX – promoção e apoio à educação ambiental; O organograma da Semmas é mostrado na Figura 5.3. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 133 PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 134 Figura 5.3. Organograma da SEMMAS. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 135 De acordo com o organograma e a Lei de Criação, é dirigida por um Secretário Municipal, com o auxílio de um Subsecretário, e possui a seguinte estrutura operacional: I – ÓRGÃOS COLEGIADOS a) Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente II – ÓRGÃOS VINCULADOS a) Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente III – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO a) Assessoria Jurídica b) Assessoria Técnica c) Gabinete do Secretário IV – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO a) Departamento Administrativo e Financeiro 1. Divisão de Administração e Finanças V – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES FINALÍSTICAS a) Departamento de Qualidade e Controle Ambiental 1. Divisão de Licenciamento, Monitoramento e Fiscalização Ambiental b) Departamento de Arborização, Paisagismo, Gestão Territorial Ambiental e Áreas Protegidas 1. Divisão de Parques, Praças e Jardins 2. Divisão de Áreas Protegidas PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 136 3. Divisão de Dados e Projetos Ambientais 5.3.3 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA Embora o Ibama seja um órgão que não pertença à Prefeitura de Manaus, em vista de sua atuação sobre áreas de preservação, como as margens de rios, por exemplo, será destacada neste estudo. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, conforme art. 2º da Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989. Este órgão tem como finalidade: I - exercer o poder de polícia ambiental; II - executar ações das políticas nacionais de meio ambiente, referentes às atribuições federais, relativas ao licenciamento ambiental, ao controle da qualidade ambiental, à autorização de uso dos recursos naturais e à fiscalização, monitoramento e controle ambiental, observadas as diretrizes emanadas do Ministério do Meio Ambiente; e III - executar as ações supletivas de competência da União, de conformidade com a legislação ambiental vigente (Redação dada pela Lei nº 11.516, de 28 de agosto de 2007). O Ibama, com sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional, é administrado por um presidente e por cinco diretores. Sua estrutura organizacional compõe-se de: Presidência; Diretoria de Planejamento, Administração e Logística; Diretoria de Qualidade Ambiental; Diretoria de Licenciamento Ambiental; Diretoria de Proteção Ambiental; Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas; Auditoria; Corregedoria; Procuradoria Federal Especializada; Superintendências; Gerências Executivas; Escritórios Regionais; e Centros Especializados. O organograma desta instituição é apresentado na Figura 5.4. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 137 Figura 5.4. Organograma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Fonte: www.ibama.gov.br). Cabe ao Ibama as seguintes atribuições: - propor e editar normas e padrões de qualidade ambiental; - o zoneamento e a avaliação de impactos ambientais; - o licenciamento ambiental, nas atribuições federais; - a implementação do Cadastro Técnico Federal; - a fiscalização ambiental e a aplicação de penalidades administrativas; - a geração e disseminação de informações relativas ao meio ambiente; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 138 - o monitoramento ambiental, principalmente no que diz respeito à prevenção e controle de desmatamentos, queimadas e incêndios florestais; - o apoio às emergências ambientais; - a execução de programas de educação ambiental; - a elaboração do sistema de informação e o estabelecimento de critérios para a gestão do uso dos recursos faunísticos, pesqueiros e florestais; dentre outros. Para o desempenho de suas funções, o Ibama em diversas situações atua em articulação com os órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios integrantes do Sisnama e com a sociedade civil organizada, para a consecução de seus objetivos, em consonância com as diretrizes da política nacional de meio ambiente. 5.4 Instituições Relacionadas aos Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário Atualmente, o serviço de abastecimento de água e esgotamento sanitário funciona em Manaus como uma concessão, na qual a Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Amazonas (ARSAM) é a encarregada da regulação do serviço (Figura 5.5). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 139 Figura 5.5. Fluxograma dos órgãos envolvidos nos serviços concedidos. 5.4.1 Águas do Amazonas A Águas do Amazonas, que completou 10 anos de atuação em saneamento, no dia 4 de julhode 2011, presta serviços como captação, tratamento e distribuição de água e tratamento e coleta de esgoto, no perímetro urbano de Manaus, capital do Estado do Amazonas. A história da empresa começou em um leilão público realizado em 29 de junho de 2000, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, a empresa francesa Suez foi a vencedora do leilão da Manaus Saneamento, subsidiária integral da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama). A empresa passou a se chamar Águas do Amazonas, a partir do dia 11 de agosto de 2000. Sete anos depois, quando a Suez optou por atuar em saneamento somente na Europa, a Águas do Amazonas passou a fazer parte do grupo nacional Solví - Soluções para a Vida - holding que controla empresas dos segmentos de resíduos, saneamento, engenharia e valorização energética, que atua em todas as regiões do País e até no Peru. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 140 A Águas do Amazonas, na condição de empresa privada no setor de saneamento, foi responsável por melhoria significativa da qualidade da água de Manaus, um dos problemas crônicos da capital amazonense. "A água manauense, hoje, atende a todas as determinações estabelecidas pela Portaria 518, do Ministério da Saúde", destaca Arlindo Sales Pinto, Diretor de relações institucionais da concessionária. Outras ações da empresa incluem a criação de um rigoroso centro de controle da qualidade da água distribuída e a modernização e automatização de suas unidades, bem como a ampliação dos sistemas de abastecimento de água - atendendo a mais de 96% da população amazonense. Segundo o Diretor da empresa, a atuação da Águas do Amazonas possibilitou a recuperação de todas as estações de tratamento de esgoto sanitário que se encontravam desativadas. Hoje, todo o esgoto coletado é tratado. Além disso, a empresa ampliou e modernizou seus canais de relacionamento com o público, como o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e o Pronto Atendimento ao Consumidor (PAC). Por meio do site - www.aguasdoamazonas.com.br -, a concessionária conta com uma agência virtual, em que o cliente tem à sua disposição os serviços de consulta de débitos, impressão de 2a via da fatura, histórico do seu consumo e mecanismo para solicitar alteração do local de entrega e da data de vencimento de sua conta. No campo do abastecimento de água, estão sendo desenvolvidas e finalizadas duas grandes obras. A primeira, que será concluída em 2010, é a expansão da rede de abastecimento de água na cidade de Manaus (Plano de Expansão). Com esse projeto, firmado em parceria com a prefeitura municipal, já foi possível implantar mais de 650 km de uma nova rede de abastecimento de água, para atender, especialmente, às zonas Norte e Leste da cidade. De acordo com Alindo Sales Pinto, "essa regiões eram as mais carentes de serviços de abastecimento de água". A expansão beneficiou mais de 850 mil habitantes dessas áreas, sendo que 600 mil tinham abastecimento precário (agora aperfeiçoado) e outras 250 mil não possuíam serviço de abastecimento de água (agora disponibilizado). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 141 A concessionária investiu R$ 120 milhões no Plano de Expansão, o que garantiu, além da extensão da rede, as seguintes obras e medidas: - Complexo de produção de água da Ponta do Ismael - Aumento da produção de 5 m3/s para 7 m3/s, com acréscimo de 40% na produção atual. - Complexo de produção de água do Mauazinho - Reabilitação da estação de tratamento de água. - Poços profundos - Construção de poços tubulares profundos nos sistemas isolados - acréscimo de 2.000 m3/h. - Adutoras - Construção de 38 km de redes de adução, com diâmetros entre 0,40 m e 1,20 m. - Reservatórios - Construção de 11 novos reservatórios com capacidade de armazenagem de 55 mil m3 de água. - Elevatórias - Construção e reabilitação de 26 elevatórias de recalque de água. Em função dessas obras, ainda segundo a empresa, foi alcançada a meta de atendimento a 96% da população de Manaus, com a disponibilização de rede de abastecimento de água. A base de atendimento da Águas do Amazonas hoje é de 425 mil clientes. Do projeto de expansão, falta apenas a conclusão dos testes pré-operacionais e das ligações domiciliares. Com isso, o município dará um passo importante para a universalização do abastecimento de água na cidade de Manaus. Ainda no que diz respeito ao abastecimento de água, destaca-se outro projeto que está sendo desenvolvido e que visa a ampliar por mais 30 anos a longevidade da infraestrutura do abastecimento de água na capital amazonense. Trata-se do Sistema da Ponta das Lajes (zona Leste), que engloba a captação de água bruta de 2,5 m³/s, extraída do Rio Negro, 38 km de novas adutoras com diâmetros de 600 mm a 1.800 mm, cinco grandes novos reservatórios de 5 mil m³ e mais 70 km de novos anéis de distribuição de água. "De acordo com o Diretor da Concessionária, combinados, os dois projetos promoverão, em PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 142 médio e longo prazo, maior confiabilidade no sistema público de abastecimento de água em Manaus. O principal destaque, no setor de esgotamento sanitário, foi a revitalização de 30 estações de tratamento de esgoto e de outras 30 estações elevatórias, no período de 2007 a 2010. Elas se encontravam desativadas e em desuso há décadas. Somente em 2010, para a finalização da recuperação das estações de tratamento de esgoto, a Águas do Amazonas investiu R$ 8 milhões. Com isso, todo o esgoto coletado pela Águas do Amazonas é tratado. Paralelamente, vem sendo desenvolvido em Manaus, desde 2005, o projeto de reordenação urbana nas margens dos igarapés. Trata-se do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), uma iniciativa do governo do Amazonas realizado nas áreas das bacias Manaus - Mestre Chico - Bittencourt, que além da recuperação urbanística, prevê implantação de novas redes coletoras de esgoto, ao longo de toda a sua extensão, que é de 70 km. Hoje, o principal foco da concessionária está voltado para o combate de alguns problemas que também se tornaram crônicos em Manaus: as fraudes, furtos e desperdício de água. São fatores que desequilibram o sistema de abastecimento de água e provocando o desabastecimento de diversos bairros, a despeito cobertura de 96% da capital. As 425 mil ligações (habitações) de água demandam aproximadamente 4,2 m3/s. A Águas do Amazonas produz e distribui 7 m3/s, o que representa quase o dobro da necessidade real de consumo. De acordo com levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil, a empresa privada de saneamento da capital amazonense investiu cerca de R$ 700 milhões, nos últimos dez anos. A extensão da rede de abastecimento de água aumentou em 1.900 km entre 2000 e 2010, tendo passado de 1.600 km para 3.500 km (equivalente à distância, em linha reta, entre Manaus e Porto Alegre). PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 143 No entanto, mesmo com expressiva cobertura, a cidade ainda sofre com a falta de água por causa do desperdício excessivo e da prática de furtos e fraudes nas redes públicas primárias e secundárias de grandes diâmetros e nos ramais prediais. Mais de 75 mil habitações, em Manaus, praticam fraudes e furtos em ramais prediais. Outras 25 mil, que estão inseridas na condição de invasões ou de ocupações irregulares, furtam água diretamente da rede pública. São 100mil famílias que consomem água sem pagar pelo serviço. 5.4.2 Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas - ARSAM As Agências Reguladoras são autarquias instituídas para regular de forma independente os serviços essenciais à sociedade, objetivando a harmonia dos interesses do usuário e dos delegatários, zelando pelo equilíbrio econômico e financeiro dos contratos e pela qualidade do serviço que regula. A ARSAM - Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas é uma autarquia de regime especial, criada pela Lei Estadual nº 2.568/99 de 25 de novembro de 1999, que exerce suas atribuições conforme as políticas e diretrizes estabelecidas pelo Estado. Pode atuar também em âmbito municipal ou federal nos casos em que receber delegação por meio de convênios para cooperar tecnicamente com entidades ou órgãos que estejam relacionados aos serviços públicos essenciais. Tem como principal objetivo a garantia da qualidade dos serviços públicos concedidos através do acompanhamento e fiscalização desses serviços, avaliando e fazendo cumprir as metas e padrões estabelecidos na legislação e contratos celebrados. Como Agência multisetorial, a ARSAM tem atuado, no âmbito de sua competência, nas áreas de saneamento e transporte rodoviário intermunicipal, estando ainda em trâmite a regulamentação do transporte aquaviário, atividade que futuramente será regulada pela Agência. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 144 5.4.2.1 Diretrizes e atribuições Exercer o poder de polícia em relação à prestação dos serviços públicos, na forma da legislação, normas e regulamentos pertinentes, fazendo cumprir as disposições regulamentares e as cláusulas contratuais correspondentes; Acompanhar e fiscalizar a prestação dos serviços, avaliando o cumprimento das metas e padrões estabelecidos, impondo medidas corretivas e sanções, quando for o caso; Fixar normas e instruções para a melhoria da prestação de serviços, redução dos seus custos, segurança de suas instalações e atendimento aos usuários, observados os limites na legislação e nos instrumentos de delegação; Acompanhar o desempenho econômico - financeiro da execução dos serviços, procedendo à análise e aprovação das revisões e dos reajustes tarifários para a manutenção do equilíbrio da prestação dos serviços; Atender às reclamações dos usuários, citando e criando informações e providências do prestador de serviços, bem como acompanhando e comunicando as soluções adotadas; Mediar os conflitos de interesse entre o concessionário e o poder concedente e entre os usuários e o prestador de serviços, adotando, no seu âmbito de competência, as decisões que julgarem adequadas para a resolução desses conflitos; Realizar ou recomendar ao poder concedente a intervenção na concessão dos serviços ou a sua extinção, nos casos previstos na lei e na forma prevista em contrato de concessão ou convênio; Apoiar o Governo do Estado e os Governos Municipais com os quais tenha convênio, na formulação de políticas e de planos de ações, bem como em outras atividades que afetem os serviços públicos concedidos ou permitidos; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 145 Manter atualizados sistemas de informação sobre os serviços regulados, visando apoiar e subsidiar estudos e decisões sobre o setor; Analisar e emitir pareceres sobre propostas de legislação e normas que digam respeito à regulação e controle dos serviços públicos sob sua responsabilidade; Elaborar o seu regulamento interno estabelecendo procedimentos para a realização de audiências e consultas públicas, encaminhamento de reclamações, elaboração e aplicação de regras éticas, expedição de resoluções e instruções, emissão de decisões administrativas e respectivos procedimentos recursais; Expedir editais de licitação, objetivando outorga de concessão e permissão dos serviços públicos do Estado do Amazonas com autorização prévia do Chefe do Poder Executivo; Encaminhar propostas de concessão, permissão ou de autorização dos serviços públicos no Estado do Amazonas, bem como propor alteração das condições e das áreas, a extinção ou adiantamento dos respectivos contratos ou termos, diretamente ao Chefe do Poder Executivo. 5.4.2.2 Fonte de recursos A ARSAM tem como fonte de recursos: Recolhimento das taxas de serviços de regulação e controle dos serviços público concedidos; Remuneração pelos serviços técnicos prestados, indenizações, encargos financeiros e quaisquer outros decorrentes de questões próprias das áreas de suas atuações; Rendimentos provenientes de bens, depósitos e Investimentos; Produtos das alienações de bens do seu patrimônio; Recursos oriundos do Poder Público Estadual Doações. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 146 5.4.2.3 Convênio firmado com a Prefeitura de Manaus A ARSAM funciona como reguladora do serviço de água e esgoto de Manaus através de um termo de convênio para fins de regulação, controle e fiscalização da prestação dos serviços concedidos de água e esgoto sanitário assinados entre a Prefeitura e a ARSAM em 20 de março de 2000. O convenio foi realizado com base no: a) art. 30, inciso V, da Constituição Federal, que estabelece como competência dos Municípios a organização e prestação, diretamente ou mediante regime de concessão ou permissão, dos serviços de interesse local, incluído o de abastecimento de água e esgoto sanitário; b) o art. 29, inciso I, da Lei Federal 8.987, de 13/02/95, incube ao Poder Concedente regulamentar o serviço concedido e fiscalizar permanentemente a sua prestação; c) os serviços de regulamentação, controle e fiscalização da prestação dos serviços de água e esgotamento sanitário, na forma do inciso VII do art. 3° da Lei nº. 513, de 16 de dezembro de 1999, combinado com os arts. 194 e 80, XIII, da Lei Orgânica do Município de Manaus, podem ser delegados, mediante convênio, à Agência Estadual Reguladora de Serviços Públicos; d) nos termos do § 1º do art . 2º ; da Lei estadual nº. 2.568, de 25 de novembro de 1999, a Agência Estadual Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas – ARSAM pode celebrar convênio com os municípios do Estado do Amazonas para exercício das atividades de regulação, controle e fiscalização dos serviços públicos de que os mesmos são titulares em suas respectivas áreas de atuação; e) o art. 116 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, estabelece a prerrogativa de celebração de convênios por órgãos e entidades da administração pública; f) conquanto o processo de desestatização e reestruração da Companhia de Saneamento do Amazonas – COSAMA, nos termos da Lei estadual no. 2.466, de 16 de outubro de 1997 e da Lei estadual no. 2.524, de 30 de dezembro de 1998, tenha gerado a PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 147 constituição e a possibilidade jurídica de privatização da Manaus Saneamento S/A, nada impede que a continuação da prestação de serviços públicos de abastecimento de água e esgoto sanitário seja executada por essa subsidiária integral, sucessora concessionária da Companhia de Saneamento do Amazonas S/A. Cabe ainda verificar se os termos do convênio se ajustem às condicionantes incluídas na Lei 11.445. No convênio celebrado entre a Prefeitura de Manaus e a ARSAM ficou estabelecido que a fiscalização e o controle deveriam abrangeras ações da Concessionária nas áreas administrativas, contábil, comercial, técnica, econômica e financeira, podendo a ARSAM estabelecer diretrizes de procedimento ou sustar ações que considere incompatíveis com as exigências na prestação do serviço adequado, desde que autorizado pelo poder concedente. Estabeleceu-se também que a ARSAM elaboraria relatórios, no mínimo a cada 12 (doze) meses, a contar da data da assinatura do referido convênio, nos quais deveria relatar todas as observações relativas aos serviços prestados pela Concessionária. Ficou ainda estabelecido que o mencionado convênio vigoraria enquanto persistirem as razões que motivaram sua celebração, podendo, todavia, ser denunciado por iniciativa de qualquer dos partícipes, mediante fundadas razões de interesse público, com aviso prévio por escrito, dado com antecedência de, no mínimo, 90 ( noventa ) dias. 5.5 Instituições relacionadas aos serviços de coleta, reciclagem e disposição final de resíduos sólidos A Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp) é a responsável pela formulação e implementação da política de limpeza pública urbana do município de Manaus, garantindo à população o acesso aos serviços de limpeza urbana em condições adequadas. Para isso utiliza os métodos de coleta convencional, coleta seletiva, limpeza periódica de bairros, limpeza de igarapés, varrição diurna e varrição noturna, destinação final do lixo em PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 148 aterro sanitário e programas de conscientização e educação ambiental aplicados em escolas, prédios públicos, empresas privadas, praças ao ar livre, etc. Cabe também à Semulsp a produção de mudas e plantas que são utilizadas no paisagismo dos logradouros públicos de Manaus. Essa atividade é desenvolvida em função da produção de adubo resultante da abertura de células do aterro sanitário. Nessa mesma direção, a Semulsp atua realizando a manutenção de todos os jardins de praças, canteiros centrais e outros logradouros da cidade, além de oferecer à população serviços de poda e corte de árvores (mediante autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente Sustentável – Semmas). Outra tarefa da Semulsp é organizar, fiscalizar, manter e cuidar de todos os cemitérios de Manaus, com os serviços permanentes de limpeza, jardinagem e orientação aos concessionários, entre outros. O Regimento Interno da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos – Semulsp, que rege suas atribuições, organograma e atividades, foi estabelecido na Portaria Nº. 086/2009 – SEMULSP/GS. Nos termos da Lei nº 1.314, de 04 de março de 2009, a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos – Semulsp integra a Administração Direta da Prefeitura de Manaus, como órgão de execução de políticas e serviços públicos, para o cumprimento das seguintes finalidades: I – formulação e implementação da política de limpeza pública através de métodos de coleta convencional e seletiva nas áreas de atuação municipal e sua destinação final; II – manutenção de jardins, logradouros e cemitérios, preservando a saúde coletiva e de meio ambiente. Para o cumprimento de suas finalidades compete, ainda, à Semulsp: I – formulação, administração e execução da Política de Limpeza Pública; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 149 II – coordenação, execução e controle dos serviços que competem às unidades administrativas obrigadas ao cumprimento de ações finalísticas; III – orientação e fiscalização, nos termos da legislação, normas e regulamentos pertinentes a implantação e execução dos planos de gerenciamento, dos resíduos dos serviços de saúde e dos resíduos da construção civil IV – manutenção de registros sumarizados que permitam a obtenção de dados de eficiência operacional, econômica, financeira, sanitária e ambiental dos serviços municipais de limpeza urbana, com vistas à autorização por tomadores de decisão e, principalmente, para avaliação do desempenho de seus serviços frente aos potenciais impactos gerados pelos resíduos sólidos urbanos; V – formulação, planejamento, administração e execução da política de implantação, administração e manutenção de cemitérios e necrópoles; VI – formulação, planejamento, administração e execução da política de implantação, administração e manutenção de praças e jardins; VII – promoção de ações educativas, didáticas e informativas, que evidenciem a importância da limpeza urbana na contribuição ao bem-estar, à saúde e à preservação do meio ambiente, assim como da importância da participação, atribuição e responsabilidade da comunidade na conservação e manutenção da higiene dos espaços públicos. A Semulsp é dirigida por um Secretário Municipal, com o auxílio de um Subsecretário, e tem a seguinte estrutura operacional (Figura 5.6): I – ÓRGÃOS DE ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO a) Gabinete do Secretário b) Assessoria Técnica II – ÓRGÃOS DE APOIO À GESTÃO a) Divisão de Administração e Finanças PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 150 1. Gerência de Patrimônio, Material e Serviços 2. Gerência de Informática 3. Gerência de Serviço Social e Ambulatorial III – ÓRGÃOS DE ATIVIDADES FINALÍSTICAS a) Departamento de Limpeza Pública 1. Divisão de Fiscalização Diurno 2. Divisão de Fiscalização Noturno 3. Gerência de Limpeza de Igarapés 4. Gerência de Manutenção da Limpeza Pública b) Divisão de Aterro Sanitário 1. Gerência de Balança c) Departamento de Cemitérios 1. Gerência de Apoio aos Cemitérios PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 151 Figura 5.6. Organograma da Semulsp (FONTE: site PMM). Constituem-se como principais competências das unidades da estrutura operacional da Semulsp: I – GABINETE DO SECRETÁRIO: a) coordenação da representação social e política do Secretário Municipal e dos Subsecretários; b) assistência ao titular da Pasta em suas atribuições técnicas e administrativas, mediante controle da agenda; c) coordenação do fluxo de informações, divulgando as ordens do Secretário e as relações públicas de interesse da Secretaria; d) recebimento e distribuição das correspondências enviadas; e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; II – ASSESSORIA TÉCNICA: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 152 a) assessoramento técnico especializado a todas as unidades da Secretaria, podendo este abranger as áreas jurídica, tecnológica, de comunicação, de planejamento, além de outras, de acordo com as especificidades funcionais que atendam as necessidades da Secretaria, demandadas pelo Secretário; b) elaboração de pareceres, laudos técnicos e notas técnicas, de acordo com a área funcional; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; III – DIVISÃO DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS: a) direção da vida funcional do servidor, concernente a seus direitos, deveres e penalidades disciplinares, recrutamento, capacitações, movimentação e remuneração; b) execução de atividades necessárias ao pagamento dos servidores, inclusive no que diz respeito ao recolhimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias; c) análise da viabilidade financeira dos projetos relativos à informática para contratação de serviços e aquisição de equipamentos tecnológicos; d) execução orçamentária, extra-orçamentáriae alterações no orçamento, em articulação com a unidade administrativa competente; e) prestação de contas de projetos, convênios, contratos, parcerias e acordos de cooperação técnica e outros ajustes firmados pela Secretaria; f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; IV – GERÊNCIA DE PATRIMÔNIO, MATERIAL E SERVIÇOS: a) programação, execução e supervisão das atividades relativas a compras, almoxarifado, patrimônio, protocolo, transporte e serviços gerais da Secretaria; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 153 b) execução, orientação e fiscalização dos serviços de manutenção, conservação, segurança e limpeza nas dependências da Secretaria; c) acompanhamento e controle da transferência de bens móveis, além da elaboração do inventário anual de bens móveis da Secretaria; d) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; V – GERÊNCIA DE INFORMÁTICA: a) desenvolvimento e atualização dos programas e sistemas em conjunto com o órgão próprio da Prefeitura, visando o atendimento das necessidades da Secretaria relativas à informática; b) análise da viabilidade técnica e funcional para a elaboração de projetos referentes à contratação de serviços de informática e aquisição de equipamentos tecnológicos, encaminhando-os à unidade administrativa competente; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VI – GERÊNCIA DE SERVIÇO SOCIAL E AMBULATORIAL: a) triagem social dos funcionários da Secretaria para suprir as demandas familiares; b) sugestão de campanhas de saúde no trabalho para os servidores; c) acompanhamento dos servidores, caso haja necessidade, ao pronto atendimento médico e/ou maternidade; d) auxílio aos servidores nos encaminhamentos médicos; e) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VII – DEPARTAMENTO DE LIMPEZA PÚBLICA: PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 154 a) planejamento, coordenação, controle e execução de atividades técnicas, administrativas, de coleta, varrição, limpezas especiais, além da fiscalização do Regulamento de Limpeza Urbana (RLU), que será parte integrante do Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS); b) apoio às unidades administrativas competentes para conscientização da população quanto aos aspectos nocivos e impactos provocados pelos resíduos sólidos; c) elaboração e desenvolvimento de campanhas educativas sobre a importância de limpeza pública para a conservação do meio ambiente; d) integração com os catadores de resíduos sólidos, visando à sua inserção socioeconômica; e) acompanhamento dos pareceres da Comissão de Julgamento dos Autos de infração; f) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; VIII – DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO DIURNO: a) acompanhamento e fiscalização no período diurno das atividades de coleta de lixo domiciliar, remoções manuais e mecanizadas e as demais modalidades operacionais executadas no âmbito dos contratos de concessão da execução de serviços de limpeza urbana, autuando e notificando os eventuais infratores das normas regulamentadas; b) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; IX – DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO NOTURNO: a) acompanhamento e fiscalização no período noturno das atividades de coleta de lixo domiciliar, remoções manuais e mecanizadas e as demais modalidades operacionais executadas no âmbito dos contratos de concessão da execução de serviços de limpeza urbana, autuando e notificando os eventuais infratores das normas regulamentadas; b) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 155 X – GERÊNCIA DE LIMPEZA DE IGARAPÉS: a) remoção de resíduos sólidos dos leitos dos rios e igarapés; b) supervisão do recolhimento dos resíduos sólidos; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XI – GERÊNCIA DE MANUTENÇÃO DA LIMPEZA PÚBLICA: a) execução dos serviços de varrição dos diversos logradouros públicos; b) programação, execução e coordenação das atividades das equipes de capinação, pintura, poda e varrição, nos turnos diurno e noturno; c) limpeza dos espaços de suas respectivas destinações específicas, utilizando-se de material próprio; d) envio para a unidade administrativa competente o relatório semanal e mensal informando a quantidade de usuário; e) conservação e manutenção das áreas verdes, praças, gramados e canteiros, bem como implantação de jardins e cobertura vegetal em praças; f) elaboração de projetos de paisagismo e monitoramento dos que encontram-se em execução; g) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XII – DIVISÃO DE ATERRO SANITÁRIO: a) Coordenação e controle do recebimento e pesagem dos resíduos coletados, procedendo também a fiscalização dos serviços prestados por concessionária no interior do aterro; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 156 b) coordenação e execução das atividades relacionadas com a destinação final de resíduos sólidos urbanos do aterro sanitário; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XIII – GERÊNCIA DE BALANÇA: a) registro, controle e elaboração de relatórios referentes ao peso e horário de entrada dos veículos com os respectivos resíduos; b) exame do tipo de resíduo, bem como o encaminhamento ao seu destino; c) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XIV – DEPARTAMENTO DE CEMITÉRIOS: a) planejamento, coordenação e execução de serviços que envolvam atividades dos cemitérios Municipais; b) promoção de melhorias quanto à humanização e à urbanização no espaço dos cemitérios; c) conservação do patrimônio histórico dos cemitérios, controlando obras e serviços prestados nesse ambiente; d) execução de atividades administrativas, de modo a permitir o perfeito funcionamento das demais unidades que compõem sua estrutura organizacional; e) sugestão, orientação e controle do cumprimento das normas relativas à administração dos cemitérios e também dos administradores; f) fornecimento do material necessário para o desenvolvimento dos serviços e obras de todos os cemitérios; g) depósito semanal das taxas de sepultamento, registro de entrada e saída de ossos junto às funerárias, bem como o controle mensal da arrecadação desta unidade administrativa; PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 157 h) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza; XV – GERÊNCIA DE APOIO AOS CEMITÉRIOS: a) análise, verificação e repasse das licenças relacionadas às obras nos cemitérios para a aprovação do dirigente da unidade administrativa competente; b) atualização e manutenção dos registros de sepultamento, concessão de sepulturas de inumações, exumações e translado; c) atendimento ao público em geral e às funerárias; d) emissão de certificado de concessão de sepulturas; i) exercício de outras competências correlatas, em razão de sua natureza. Para entender a estrutura atual, ainda devem ser consideradas as seguintes Leis: Nº 1.411, de 20 de janeiro de 2010, e Nº 1.404, de 18 de janeiro de 2010. Conforme a Lei Nº 1.411, de 20 de janeiro de 2010, que dispõe sobre a organização do Sistema de LimpezaUrbana do Município de Manaus, foi autorizado ao Poder Público delegar a execução dos serviços públicos mediante concessão ou permissão. Ainda, esta Lei institui a Taxa de Resíduos Sólidos Domiciliares (TRSD), a Taxa de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde (TRSS) e dá outras providências. Outra Lei, de Nº 1.404, de 18 de janeiro de 2010, dispõe sobre a implantação de coleta seletiva de lixo em shopping centers e centros comerciais no município de Manaus e dá outras providências. Assim nos termos das leis anteriores, parte dos serviços da Semulsp foi delegada às empresas Enterpa Engenharia Ltda. e Tumpex Empresa Amazonense de Coleta de Lixo Ltda. Maiores detalhes sobre operação e funcionamento do sistema serão abordados em relatórios posteriores. PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 158 6 EQUIPE TÉCNICA 6.1 Equipe Chave Nome Especialidade Cargo Antonio C. I. D´Elia Especialista em Drenagem Urbana Diretor do Projeto Celso Silveira Queiroz Especialista em Drenagem Urbana Coordenador Geral Maria Angélica G. Cardoso Meteorologista Consultor Daniel G. Allasia Piccilli Especialista em Eng. Hidráulica Consultor Martinho Rottmann Especialista em Geologia Consultor Fernando Bidegain Especialista em Planejamento Regional e Meio Ambiente Consultor Alexandre Cabral Especialista em Direito Administrativo Consultor Renato Barbosa Lima Neto Especialista em Geoprocessamento e Foto-interpretação Consultor Ari Caraver Especialista em Saneamento Engenheiro Residente 6.2 Equipe de Apoio Nome Especialidade Lidiane Souza Gonçalves Especialista em Recursos Hídricos e Saneamento Sidneya Pereira de Amorim Engenheira Civil Marcia M. Ferreira de Alencar Geógrafa – Técnica em Geoprocessamento Wagner José L. Correa Técnico Projetista PDDU DE MANAUS – RELATÓRIO PARCIAL DA ETAPA 1 159 7 BIBLIOGRAFIA ANDRADE FILHO, V. S.; OLIVEIRA, J.A.; MOLINARI, D. C. Modificações na rede de drenagem de canais fluviais urbanos: as obras do Prosamim no igarapé Mestre Chico na cidade de Manaus, AM. Acta Geográfica, Boa Vista, v. 5, n. 9, jan./jun. de 2011. p.135-148, issn 1980- 5772 eissn 2177-4307. 2011. doi:10.5654/actageo2011.0509.0009. ANJOS, E. F. S.; SANTOS, D. G.; MASCARENHAS, A. C. M. (2000). Recursos hídricos no Brasil panorama atual nos estados brasileiros. In: 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Anais. 1 CD-ROM. ASHKAR, F.; BOBÉE, B. (1989). A discussion of statistical distributions and fitting techniques used in flood frequency analysis. Ninth Canadian Hydrotechnical Conference, St. Johns, Newfoundland, 8-10 June 1989. BENATTI, J. H. (2006). Posse agroecológica e manejo florestal. 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Relativo ao Licenciamento e Fiscalização de Atividades em Estabelecimentos e Logradouros, que integra o conjunto de Posturas do Município de Manaus, Estado do Amazonas, e dá outras providências. In: Plano Diretor do Município de Manaus. Câmara Municipal de Manaus, 2006. MANAUS. Lei nº 1.192, de 31 de dezembro de 2007. Cria, no município de Manaus, o Programa de Tratamento e Uso Racional das Águas nas edificações – PRO-ÁGUAS. MILARÉ, E. (2001). Direito do Ambiente: doutrina, prática, jurisprudência, glossário. 2.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001. MOREIRA, M. (2003). In: DALLARI, Adilson Abreu. FERRAZ, Sergio (coord.). Estatuto da cidade: comentários à Lei Federal 10.257/2001. 1.ed. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 30. PFAFSTETTER, O. (1957) Chuvas intensas no Brasil, Departamento Nacional de Obras e Saneamento, Rio de Janeiro, 419 p. POMPEU, C.T. (2006). Direito de águas no Brasil. São Paulo: Editora Revista dos tribunais, p.229. 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