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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220 
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OS: 0151/11/16-Gil 
CONCURSO: AGEPEN 
 
SUMÁRIO: 
1 Direitos e Garantias Fundamentais................................................................................01 
 Direitos e deveres individuais e coletivos 
2 Administração Pública.....................................................................................................32 
3 Defesa do Estado e das Instituições Democráticas.........................................................38 
4 CF Atualizada até a EC 93...............................................................................................43 
 
1 – Direitos e Garantias Fundamentais 
TEORIA 
1. BREVE EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
A história dos direitos fundamentais está diretamente 
ligada ao aparecimento do constitucionalismo no final do 
século XVIII, que, entretanto, herdou da idade média as 
ideias de contenção do poder do Estado em favor do 
cidadão, tendo como ponto ápice a célebre Magna Carta, 
escrita na Inglaterra, em 1215, pela qual o Rei João Sem 
Terra reconhecia alguns direitos dos nobres, limitando o 
poder do monarca. 
Com a Revolução Francesa, em 1789, se acentuaram os 
movimentos e documentos escritos que buscavam garantir 
aos cidadãos os seus direitos elementares em face da 
atuação do poder público. Destaque-se a denominada 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, 
produto daquela revolução ocorrida em território francês. 
Pouco antes disso, porém, outro documento entrava para a 
história, como resultado da revolução Americana, a 
Declaração de Virgínia, elaborada em 1776, estabelecendo 
os direitos fundamentais do povo norte-americano, tais 
como a liberdade, a igualdade, eleição de representantes, 
dentre outros. 
Em 1948, logo após a 2
a
 Guerra Mundial, a Organização das 
Nações Unidas fazia editar a Declaração Universal dos 
Direitos do Homem, estendendo para praticamente todo o 
mundo o respeito e a proteção aos direitos fundamentais 
do ser humano. 
Paulo Bonavides, comentando sobre a importância das 
declarações dos direitos do homem, enaltecendo aquela 
nascida na França, em mais uma lição magistral, ensina 
que: “Constatou-se então com irrecusável veracidade que 
as declarações antecedentes de ingleses e americanos 
podiam talvez ganhar em concretude, mas perdiam em 
espaço de abrangência, porquanto se dirigiam a uma 
camada social privilegiada (os barões feudais), quando 
muito a um povo ou a uma sociedade que se libertava 
politicamente, conforme era o caso das antigas colônias 
americanas, ao passo que a Declaração francesa de 1789 
tinha por destinatário o gênero humano. Por isso mesmo, e 
pelas condições da época, foi a mais abstrata de todas as 
formulações solenes já feitas acerca da liberdade”. 
 
2.0. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E GARANTIA. 
Muitos doutrinadores diferem “Direitos” de “Garantias” 
Fundamentais. Essa distinção, no direito brasileiro, foi feita 
por Rui Barbosa, ao separar as disposições declaratórias, e 
as garantias, disposições assecuratórias. Em outras 
palavras, o direito é o “bem” protegido pela norma e a 
garantia é o mecanismo criado pela norma para defender o 
direito. Em contrapartida, Sampaio Dória, defende a tese 
de que as Garantias também são Direitos. 
Os direitos e garantias fundamentais, consagrados na 
constituição federal, não são ilimitados, absolutos, uma vez 
que encontram seus limites nos demais direitos igualmente 
consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou 
convivência das liberdades públicas). 
Na lição de Canotilho, os direitos fundamentais exercem a 
função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no 
plano jurídico-político, funcionam como normas de 
competência negativa para os Poderes Públicos, proibindo-
os de atentarem contra a esfera individual da pessoa; b) no 
plano jurídico-subjetivo, implicam o poder de exercer 
positivamente os direitos fundamentais (liberdade 
positiva), e de exigir omissões dos poderes públicos. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Os direitos e garantias individuais não têm 
caráter absoluto. Não há, no sistema constitucional 
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter 
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse 
público ou exigências derivadas do princípio de convivência 
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a 
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas 
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde 
que respeitados os termos estabelecidos pela própria 
Constituição. (...). (STF MS 23.452, 12/05/00). 
 
3.0. CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS 
FUNDAMENTAIS. 
A doutrina, baseada na ordem histórica cronológica em que 
passam a ser institucionalmente reconhecidos, classifica os 
direitos fundamentais em dimensões (gerações). Em 
primeira análise, Paulo Bonavides, os classificou em: 
Direitos de primeira dimensão: são os direitos civis e 
políticos, e compreendem as liberdades clássicas 
(liberdade, propriedade, vida, segurança). São direitos do 
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222 
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OS: 0151/11/16-Gil 
indivíduo perante o Estado, são limites impostos à atuação 
do Estado, resguardando direitos considerados 
indispensáveis a cada pessoa humana. Significa uma 
prestação negativa, um não fazer do Estado, em prol do 
cidadão. 
Direitos de segunda dimensão: correspondem aos direitos 
sociais, que são direitos de conteúdo econômico e cultural 
que visam melhorar as condições de vida e de trabalho da 
população. Significa uma prestação positiva, um fazer do 
Estado em prol dos menos favorecidos pela ordem social e 
econômica. Esses direitos nasceram em razão de lutas de 
uma nova classe social, os trabalhadores. 
Direitos de terceira dimensão: corresponde aos direitos 
difusos e coletivos, são os direitos de solidariedade e 
fraternidade, considerados transindividuais, os direitos de 
pessoas coletivamente consideradas. São direitos coletivos, 
como a proteção ao meio ambiente, à qualidade de vida 
saudável, ao progresso, à paz, à autodeterminação dos 
povos e a defesa do consumidor, da infância e da 
juventude. 
Note-se que há um comparativo desses direitos ao lema da 
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. 
Em outra oportunidade, o mencionado autor cita ainda os 
direitos de quarta dimensão: “São direitos da quarta 
geração o direito à democracia, o direito à informação e o 
direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da 
sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima 
universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no 
plano de todas as relações de convivência”. 
Embora alguns doutrinadores afirmem que o direito à paz 
esteja inserido entre os direitos de terceira dimensão, 
Paulo Bonavides o desloca para a quinta dimensão, em 
virtude de suas características próprias e independentes, 
pois estaria em um “patamar superior”, merecendo 
visibilidade superior aos demais direitos fundamentais. E 
para tanto, afirma expressamente que “A dignidade jurídica 
da paz deriva do reconhecimento universal que se lhe deve 
enquanto pressuposto qualitativo da convivência humana, 
elemento de conservação da espécie, reino de segurança 
dos direitos”. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Enquanto os direitos de primeira geração(direitos civis e políticos) — que compreendem as 
liberdades clássicas, negativas ou formais — realçam o 
princípio da liberdade e os direitos de segunda geração 
(direitos econômicos, sociais e culturais) — que se 
identifica com as liberdades positivas, reais ou concretas — 
acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira 
geração, que materializam poderes de titularidade coletiva 
atribuídos genericamente a todas as formações sociais, 
consagram o princípio da solidariedade e constituem um 
momento importante no processo de desenvolvimento, 
expansão e reconhecimento dos direitos humanos, 
caracterizados, enquanto valores fundamentais 
indisponíveis, nota de uma essencial inexauribilidade. (...) 
(STF MS 22.164, 17/11/95). 
 
4.0. EFICÁCIA VERTICAL E HORIZONTAL DOS DIREITOS 
FUNDAMENTAIS (EFICÁCIA PRIVADA OU EXTERNA). 
Quando se fala da relação entre particulares, vê-se que 
existe eficácia horizontal dos direitos fundamentais, mas 
quando se está diante da relação entre particular e Estado, 
passa a existir eficácia vertical dos direitos fundamentais. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) Eficácia dos direitos fundamentais nas 
relações privadas. As violações a direitos fundamentais não 
ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e 
o Estado, mas igualmente nas relações travadas entre 
pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os 
direitos fundamentais assegurados pela Constituição 
vinculam diretamente não apenas os poderes públicos, 
estando direcionados também à proteção dos particulares 
em face dos poderes privados. Os princípios constitucionais 
como limites à autonomia privada das associações. (...). 
(STF RE 201.819, 27/10/06). 
 
5.0. EFICÁCIA “IRRADIANTE” DOS DIREITOS 
FUNDAMENTAIS. 
Dimensão subjetiva – é a visão clássica dos Direitos 
Fundamentais. Consiste em enxergá-los como um direito da 
pessoa em face do Estado, o qual deve exercer um papel 
negativo (abstenção de intervir para que não viole os 
direitos previstos, notadamente os direitos e garantias 
individuais) ou positivo (prestações que o Estado faz para as 
pessoas de forma a garantir condições mais dignas de 
sobrevivência, notadamente os direitos sociais). 
Dimensão objetiva – A dimensão objetiva dos direitos 
fundamentais tem como consequência a eficácia irradiante 
dos direitos para o legislativo na função de legislar, para o 
executivo na função de administrar e para o Judiciário na 
função jurisdicional. É a nova visão, onde os Direitos 
Fundamentais devem ser enxergados não só sob a ótica dos 
“direitos das pessoas frente ao Estado”, mas como 
enunciados que contém alta carga valorativa. Valores, 
princípios, regras que norteiam a aplicação do 
ordenamento jurídico e assumem um papel central no 
constitucionalismo. Nesse aspecto, a visão objetiva cumpre 
com o papel de: estruturar, regulamentar, concretizar, 
estruturar, impor o cumprimento das normas o mais rápido 
possível (visto que os direitos fundamentais têm aplicação 
imediata); em suma, devem ser observados pelas normas 
jurídicas futuras. Importante lembrar que esses direitos 
podem ser condicionados uns em relação aos outros (caso, 
de sigilo de dados, por exemplo), preservando-se os 
núcleos essenciais de cada um. 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
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6.0. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. 
As características dos direitos fundamentais é um tema 
doutrinário, assim dá ensejo a muitas discussões jurídicas. 
Há um rol enumerativo das características, mas nunca 
deixando de existir divergências entre as teses dogmáticas 
apresentadas. Com fundamento nas doutrinas 
constitucionalistas e nos reconhecimentos jurisprudenciais, 
as características mais importantes no que tange aos 
direitos e garantias fundamentais são: universalidade, 
indivisibilidade, interdependência, interrelacionaridade, 
imprescritibilidade, complementaridade, individualidade, 
inviolabilidade, indisponibilidade, inalienabilidade, 
historicidade, irrenunciabilidade, vedação ao retrocesso, 
efetividade e limitabilidade. 
1. Universalidade: os direitos e garantias fundamentais 
vinculam-se ao princípio da liberdade, conduzido pela 
dignidade da pessoa humana, os mesmos devem ser 
destinados a todos os indivíduos, independente da 
raça, credo, nacionalidade, convicção política, a 
coletividade jurídica em geral. 
2. Indivisibilidade: os direitos compõem um único 
conjunto, uma totalidade, pois não são analisados de 
maneira isolada, separada. O desrespeito a um deles 
constitui a violação de todos. 
3. Interdependência: os direitos fundamentais são 
intrinsecamente relacionados, pois para atingirem 
suas principais finalidades possuem intersecções. 
4. Interrelacionaridade: a evolução da proteção nacional 
e internacional dos direitos fundamentais assegurou 
maior abrangência a inviolabilidade dos direitos e 
garantias fundamentais no âmbito regional e mundial. 
Dita característica concede a pessoa a opção da 
proteção da inviolabilidade do seu direito 
fundamental, a global ou regional. 
5. Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se 
perdem com o tempo, não prescrevem, apesar de 
existir exceções a essa regra. 
6. Inalienabilidade: os direitos são intransferíveis, 
inegociáveis e indisponíveis, sem cunho patrimonial. 
Tal inalienabilidade resulta da dignidade da pessoa 
humana. 
7. Historicidade: os direitos fundamentais nasceram de 
uma única evolução e desenvolvimento histórico e 
cultural. Como afirmava o saudoso professor 
Norberto Bobbio: “os direitos do homem, por mais 
fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou 
seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizadas 
por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos 
poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de 
uma vez e nem de uma vez por todas. (...) o que 
parece fundamental numa época histórica e numa 
determinada civilização não é fundamental em outras 
épocas e em outras cultuas.” 
8. Irrenunciabilidade: parte da premissa de que os 
direitos fundamentais não podem ser renunciados 
pelo seu titular, que não pode fazer com eles o que 
quiser, uma vez que os mesmos possuem uma eficácia 
objetiva no sentido de que não importa apenas ao 
sujeito ativo, mas interessam a toda coletividade. 
Entretanto, a suprema Corte Constitucional (STF) vem 
admitindo a renúncia, ainda que excepcional, de 
certos direitos. 
9. Vedação ao retrocesso: os direitos fundamentais uma 
vez estabelecidos não se admite o retrocesso visando 
a sua limitação ou diminuição, existindo parte da 
doutrina afirmando que tais direitos constituem uma 
limitação metajurídica ao poder constituinte 
originário, atuando como critério de aferição da 
legitimidade do conteúdo constitucional. A referida 
característica impede a revogação de normas 
garantidoras de direitos fundamentais e impede a 
implementação de políticas públicas de 
enfraquecimento de direitos fundamentais. 
A exegese constitucional assegurada a proteção do 
núcleo essencial e intangível dos direitos 
fundamentais, tendo origem no próprio Estado 
Democrático de Direito que se define pela proteção 
extremada da dignidade do Homem e plena eficácia 
das normas implementadas, sendo que os direitos 
sociais já realizados e efetivados pela legislação devem 
ser tidos como constitucionalmente garantido, tendo 
como consequência a invalidade das medidas que 
visam anular ou cancelar o núcleo dos direitos 
fundamentais, devendo as mesmas ser consideradas 
inconstitucionais. 
10. Efetividade: o Estado deve exercer o papel de garantira máxima efetividade dos direitos fundamentais. 
11. Limitabilidade ou relatividade: reza que nenhum 
direito fundamental poderá ser considerado absoluto, 
mas devem ser interpretados e aplicados levando-se 
em consideração os limites fáticos e jurídicos 
existentes, especialmente quando estão diante de 
outros direitos fundamentais. Conforme ressalta Paulo 
Gustavo Gonet Branco: “(...) os direitos fundamentais 
podem ser objeto de limitações, não sendo, pois, 
absolutos. (...) Até o elementar direito à vida tem 
limitação explícita no inciso XLVII, a, do art. 5º, em 
que se contempla a pena de morte em caso de guerra 
formalmente declarada.” 
Ademais, as limitações aos direitos fundamentais não 
são ilimitadas, só podendo ser limitado o estritamente 
necessário, uma vez que com os preceitos 
constitucionais devem respeitar os princípios da 
razoabilidade e proporcionalidade. Segundo Konrad 
Hesse: “A limitação de direitos fundamentais deve, 
por conseguinte, ser adequada para produzir a 
proteção do bem jurídico, por cujo motivo ela é 
efetuada. Ela deve ser necessária para isso, o que não 
é o caso, quando um meio mais ameno bastaria. Ela 
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| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão 
 
 
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deve, finalmente, ser proporcional em sentido 
restrito, isto é, guardar relação adequada com o peso 
e o significado do direito fundamental.” 
12. Inviolabilidade: impõe a observância dos direitos 
fundamentais por normas infraconstitucionais ou por 
atos das autoridades públicas.. 
13. Complementaridade: os direitos fundamentais 
constitucionais se complementam e não há hierarquia 
entre eles. 
14. Concorrência: podem ser exercidos cumuladamente 
por um mesmo sujeito ativo. 
15. Aplicação imediata (eficácia direta, imediata e 
vinculante): com base no artigo 5º, §1º da 
Constituição Federal que diz: “As normas definidoras 
dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação 
imediata”, assevera que cabe aos poderes públicos 
(Judiciário, Legislativo e Executivo) promover o avanço 
desses direitos. 
Para o professor José Afonso da Silva, afirmar que as 
normas tem “aplicação imediata” significa que as 
normas são aplicáveis até onde possam, até onde as 
instituições ofereçam condições para seu 
atendimento. "Aplicabilidade", por outro lado, é um 
conceito desenvolvido pelo referido professor que se 
refere ao fato de as normas já poderem ser aplicadas 
às situações quando da promulgação da Constituição. 
Assim, todas as normas são aplicáveis, mas nem todas 
têm aplicação imediata. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA: OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÃO TÊM 
CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional 
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter 
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse 
público ou exigências derivadas do princípio de convivência 
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a 
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas 
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde 
que respeitados os termos estabelecidos pela própria 
Constituição. O estatuto constitucional das liberdades 
públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão 
sujeitas - e considerado o substrato ético que as informa - 
permite que sobre elas incidam limitações de ordem 
jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade 
do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência 
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou 
garantia pode ser exercido em detrimento da ordem 
pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de 
terceiros. (STF RMS 23.452/RJ, Relator Ministro Celso de 
Mello, DJ de 12.05.2000). 
EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO 
OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO 
EAO INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE 
DIREITOS PRESTACIONAIS. - O princípio da 
proibição do retrocesso impede, em tema de direitos 
fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas 
as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação 
social em que ele vive. - A cláusula que veda 
o retrocesso em matéria de direitos a prestações positivas 
do Estado (como o direito à educação, o direito à saúde ou 
o direito à segurança pública, v.g.) traduz, no processo de 
efetivação desses direitos fundamentais individuais ou 
coletivos, obstáculo a que os níveis de concretização de tais 
prerrogativas, uma vez atingidos, venham a ser 
ulteriormente reduzidos ou suprimidos pelo Estado. 
Doutrina. Em consequência desse princípio, o Estado, após 
haver reconhecido os direitos prestacionais, assume o 
dever não só de torná-los efetivos, mas, também, se obriga, 
sob pena de transgressão ao texto constitucional, a 
preservá-los, abstendo-se de frustrar - mediante supressão 
total ou parcial - os direitos sociais já concretizados. (...) 
(STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, 
Segunda Turma, julgado em 23/08/2011, DJe-177 DIVULG 
14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT VOL-02587-01 PP-
00125). 
DIREITOS. DESTINATÁRIOS. PRINCÍPIOS DA 
ISONOMIA. 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito 
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
Os destinatários dos direitos e deveres ora mencionados 
são os brasileiros e estrangeiros residentes no país, 
devendo a expressão “residentes no país” ser interpretada 
no sentido de que tais direitos só serão assegurados dentro 
do território brasileiro, não excluindo o estrangeiro em 
trânsito pelo território nacional, segundo entendimento 
defendido pela doutrina e pela jurisprudência pátria. 
Tais direitos são extensíveis às pessoas jurídicas, no que 
couber, bem como ao próprio Estado. 
No que se refere ao direito à vida, a norma constitucional 
protege não só a vida extrauterina, mas a vida intrauterina. 
O princípio da Igualdade ou princípio da isonomia está 
previsto no caput desse artigo, prescrevendo que toda 
pessoa tem o direito de tratamento idêntico pela lei, em 
concordância com os critérios albergados pelo 
ordenamento jurídico. Entretanto, deve-se buscar não 
somente a igualdade formal, direcionada ao legislador, mas 
a igualdade real ou material ou substancial, direcionada ao 
operador do direito, ao intérprete. Parte-se da premissa de 
que a verdadeira igualdade está em tratar igualmente os 
iguais e desigualmente os desiguais. 
O referido princípio não veda o tratamento diferenciado 
estabelecido pela lei, proíbe as diferenças arbitrárias, as 
discriminações absurdas, já que o tratamento desigual aos 
desiguais é uma questão de justiça, sendo justificável pelo 
objetivo que se pretende atingir pela lei, conforme a 
súmula 683 do STF que reza: “O limite de idade para a 
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inscrição em concurso só se legitima em face do art. 7º, 
XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela 
natureza do cargo a ser preenchido”. Entretanto somente 
serão possíveis tais distinções se estiverem previstas em lei. 
Vale destacar as discriminações positivas (affirmative 
actions), proveniente do direito norte americano, que cuida 
em estabelecer medidas de compensação para reduzir as 
desigualdades sociais. É neste escólio que traz a lição do 
Ministrodo Supremo Tribunal Federal, Joaquim B. Barbosa 
Gomes, que ensina: As ações afirmativas 'consistem em 
políticas públicas (e também privadas) voltadas à 
concretização do princípio constitucional da igualdade 
material e à neutralização dos efeitos da discriminação 
racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de 
compleição física. Impostas ou sugeridas pelo Estado, por 
seus entes vinculados e até mesmo por entidades 
puramente privadas, elas visam a combater não somente as 
manifestações flagrantes de discriminação de fundo 
cultural, estrutural, enraizada na sociedade'. 
A discriminação reversa deve-se revestir de uma índole 
compensatória e não meramente garantir uma repartição 
de bens, sem levar em conta o uso da liberdade das 
pessoas e o esforço e mérito de cada um. Avaliadas sob o 
teste do princípio da proporcionalidade, as medidas de 
discriminação reversa devem ser adequadas para superar 
os obstáculos que o preconceito gerou para o grupo. Para 
isso devem-se dirigir a propiciar condições de acesso a bens 
e serviços que a discriminação vedou. Devem ter em mira o 
restabelecimento de uma igualdade de oportunidades tão 
efetiva quanto possível. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula Vinculante nº 37 - Não cabe ao Poder Judiciário, 
que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de 
servidores públicos sob o fundamento de isonomia. 
EMENTA. (...) O súdito estrangeiro, mesmo o não 
domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar 
o remédio constitucional do "habeas corpus", em ordem a 
tornar efetivo, nas hipóteses de persecução penal, o direito 
subjetivo, de que também é titular, à observância e ao 
integral respeito, por parte do Estado, das prerrogativas 
que compõem e dão significado à cláusula do devido 
processo legal. - A condição jurídica de não-nacional do 
Brasil e a circunstância de o réu estrangeiro não possuir 
domicílio em nosso país não legitimam a adoção, contra tal 
acusado, de qualquer tratamento arbitrário ou 
discriminatório. (...). (STF HC 94.404/SP. Min. Rel. Celso de 
Mello. DJ 18.06.2010). 
EMENTA (...) Inexistência de ofensas ao direito à vida e da 
dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-
tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os 
fins a que se destinam) significa a celebração solidária da 
vida e alento aos que se acham à margem do exercício 
concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver 
com dignidade (Ministro Celso de Mello). (...) A 
potencialidade de algo para se tornar pessoa humana já é 
meritória o bastante para acobertá-la, infra 
constitucionalmente, contra tentativas levianas ou frívolas 
de obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três 
realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o 
feto é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde 
não existir pessoa humana embrionária, mas embrião de 
pessoa humana. O embrião referido na Lei de 
Biossegurança ("in vitro" apenas) não é uma vida a caminho 
de outra vida virginalmente nova, porquanto lhe faltam 
possibilidades de ganhar as primeiras terminações 
nervosas, sem as quais o ser humano não tem factibilidade 
como projeto de vida autônoma e irrepetível. (...) Ação 
direta de inconstitucionalidade julgada totalmente 
improcedente. (STF ADI 3510/DF, Rel. Min. AYRES BRITTO. 
29/05/2008). 
EMENTA. (...). Na espécie, aduziu inescapável o confronto 
entre, de um lado, os interesses legítimos da mulher em ver 
respeitada sua dignidade e, de outro, os de parte da 
sociedade que desejasse proteger todos os que a 
integrariam, independentemente da condição física ou 
viabilidade de sobrevivência. (...) Afirmou que, conforme a 
Resolução 1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina 
(CFM), os exames complementares a serem observados 
para a constatação de morte encefálica deveriam 
demonstrar, de modo inequívoco, a ausência de atividade 
elétrica cerebral ou metabólica deste órgão ou, ainda, 
inexistência de perfusão sanguínea nele. Elucidou que, por 
essa razão, o CFM, mediante a Resolução 1.752/2004, 
consignara serem os anencéfalos natimortos cerebrais. 
Desse modo, eles jamais se tornariam pessoa. Nessa senda, 
sintetizou que não se cuidaria de vida em potencial, porém, 
seguramente, de morte. (...). Exprimiu, pois, que a 
anencefalia mostrar-se-ia incompatível com a vida 
extrauterina, ao passo que a deficiência, não. (...) Observou 
que seria improcedente a alegação de direito à vida dos 
anencéfalos, haja vista que estes seriam termos antitéticos. 
(...). Destarte, a interrupção de gestação de feto 
anencefálico não configuraria crime contra a vida, 
porquanto se revelaria conduta atípica. (...). Por derradeiro, 
versou que atuar com sapiência e justiça, calcados na 
Constituição e desprovidos de qualquer dogma ou 
paradigma moral e religioso, determinaria garantir o direito 
da mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de 
tornar-se ré em possível ação por crime de aborto. (STF 
ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-4-
2012, Plenário). 
EMENTA. (...). Sabemos, tal como já decidiu o STF (RTJ 
136/444, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello), que o princípio 
da isonomia – cuja observância vincula todas as 
manifestações do Poder Público – deve ser considerado, 
em sua precípua função de obstar discriminações e de 
extinguir privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: a) o 
da igualdade na lei e b) o da igualdade perante a lei. A 
igualdade na lei – que opera numa fase de generalidade 
puramente abstrata – constitui exigência destinada ao 
legislador, que, no processo de formação do ato legislativo, 
nele não poderá incluir fatores de discriminação 
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OS: 0151/11/16-Gil 
responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. (...) A 
igualdade perante a lei, de outro lado, pressupondo lei já 
elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes 
estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão 
subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou 
discriminatório. A eventual inobservância desse postulado 
pelo legislador, em qualquer das dimensões referidas, 
imporá, ao ato estatal por ele elaborado e produzido, a eiva 
de inconstitucionalidade. (STF AI 360.461 AgR, Rel. Min. 
Celso de Mello, 2ª T, DJ de 28-3-2008). 
EMENTA. (...). No mérito, asseverou-se que a norma 
adversada erigira a educação à condição de direito social, 
dever do Estado e uma de suas políticas públicas 
prioritárias. (...) Rechaçaram-se, de igual modo, as 
alegações de afronta aos princípios da igualdade, da 
isonomia, da não discriminação e do devido processo legal 
ao argumento de que não se afiguraria legítimo, no 
ordenamento, que vagas no ensino superior fossem 
reservadas com base na condição socioeconômica do aluno 
ou em critério racial ou de suas condições especiais. 
Salientou-se que a igualdade seria valor que teria, no 
combate aos fatores de desigualdade, o seu modo próprio 
de realização. Além disso, a distinção em favor dos 
estudantes que tivessem cursado o ensino médio em 
escolas públicas e os egressos de escolas privadas 
contemplados com bolsa integral constituiria discrímen a 
compensar anterior e factual inferioridade. (...). (STF ADI 
3.330, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 3-5-2012, 
Plenário). 
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, 
nos termos desta Constituição; 
Somente poderá existir tratamento diferenciado entre os 
dois sexos quando a finalidade pretendida for atenuar os 
desníveis, constantes na constituição e nas leis 
infraconstitucionais. Exemplos: art. 7º, XVIII e XIX, 40, III, 
143, §§ 1º e 2º, 202,I e II. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). No mérito, prevaleceu o voto proferido pelo 
Min. Ayres Britto, relator, que dava interpretação conforme 
a Constituição ao art. 1.723 do CC para dele excluir 
qualquer significado que impeça o reconhecimento da 
união contínua, pública e duradoura entre pessoas do 
mesmo sexo como entidade familiar, entendida esta como 
sinônimo perfeito de família. Asseverou que esse 
reconhecimento deveria ser feito segundo as mesmas 
regras e com idênticas consequências da união estável 
heteroafetiva. (...). (STF ADI 4.277/DF, rel. Min. Ayres Britto, 
DJ 5.5.2011). (ADPF 132). 
EMENTA. (...) No mérito, rememorou-se posicionamento da 
Corte que, ao julgar o HC 106.212/MS (DJE de 13-6-2011), 
declarara a constitucionalidade do art. 41 da Lei Maria da 
Penha (...). Reiterou-se a ideia de que a aludida lei viera à 
baila para conferir efetividade ao art. 226, § 8º, da CF. 
Consignou-se que o dispositivo legal em comento 
coadunar-se-ia com o princípio da igualdade e atenderia à 
ordem jurídico-constitucional, no que concerne ao 
necessário combate ao desprezo às famílias, considerada a 
mulher como sua célula básica. Aplicou-se o mesmo 
raciocínio ao afirmar-se a constitucionalidade do art. 1º da 
aludida lei (...). Asseverou-se que, ao criar mecanismos 
específicos para coibir e prevenir a violência doméstica 
contra a mulher e estabelecer medidas especiais de 
proteção, assistência e punição, tomando como base o 
gênero da vítima, o legislador teria utilizado meio 
adequado e necessário para fomentar o fim traçado pelo 
referido preceito constitucional. Aduziu-se não ser 
desproporcional ou ilegítimo o uso do sexo como critério 
de diferenciação, visto que a mulher seria eminentemente 
vulnerável no tocante a constrangimentos físicos, morais e 
psicológicos sofridos em âmbito privado. Frisou-se que, na 
seara internacional, a Lei Maria da Penha seria harmônica 
com o que disposto no art. 7º, item c, da Convenção de 
Belém do Pará (...) e com outros tratados ratificados pelo 
país. Sob o enfoque constitucional, consignou-se que a 
norma seria corolário da incidência do princípio da 
proibição de proteção insuficiente dos direitos 
fundamentais. Sublinhou-se que a lei em comento 
representaria movimento legislativo claro no sentido de 
assegurar às mulheres agredidas o acesso efetivo à 
reparação, à proteção e à justiça. (...). (STF ADC 19, Rel. 
Min. Marco Aurélio, julgamento em 9-2-2012, Plenário). 
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei; 
Consagração do princípio da legalidade. Tal princípio visa 
combater o poder arbitrário do Estado, pois somente 
mediante espécies normativas elaboradas segundo as 
regras do processo legislativo pátrio podem-se criar 
obrigações para os indivíduos. O princípio da legalidade se 
difere do princípio da reserva legal nesse ponto, pois este 
consiste em dizer que a regulamentação de determinada 
matéria há de fazer-se necessariamente pelo poder 
legislativo, aparecendo na constituição sob a forma: “nos 
termos da lei” ou “na forma da lei” e aquele é a submissão 
e o respeito à lei. 
A Constituição Federal estabelece essa reserva de lei, de 
modo absoluto ou relativo. Assim, temos a reserva legal 
absoluta quando a norma constitucional exige para sua 
integral regulamentação a edição de lei formal, entendida 
como ato normativo emanado do Congresso Nacional 
elaborado de acordo com o devido processo legislativo 
constitucional. Por outro lado, temos a reserva legal 
relativa quando a Constituição Federal, apesar de exigir 
edição de lei formal, permite que este fixe tão somente 
parâmetros de atuação para o órgão administrativo, que 
poderá complementa-la por ato infralegal, sempre, porém, 
respeitados os limites ou requisitos estabelecidos pela 
legislação. 
Existe ainda a reserva legal simples e a qualificada. A 
reserva legal simples ocorre no caso de a Constituição 
Federal estabelecer, em seus artigos, que determinado 
assunto seja objeto de lei ("na forma da lei", "nos termos 
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OS: 0151/11/16-Gil 
da lei"). A lei não pode limitar o conteúdo da Constituição 
ou suprimi-lo, ou seja, há limites implícitos na lei que será 
elaborada. A reserva legal qualificada ocorre no caso de, 
além de estabelecer qual assunto será objeto de lei, o 
dispositivo da Constituição estabelece as condições ou fins 
que devem ser objeto da norma ("para fins de"). Como 
exemplos pode se indicar os incisos VII e XII, ambos do 
presente artigo. 
Vale ressaltar que a Administração Pública é regida pela 
legalidade estrita, pois não pode atuar contra a lei, nem na 
ausência da lei. 
Dispositivos correspondentes – artigo 5º, XXIX e artigo 37, 
“caput”, todos da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula Vinculante nº 44 - Só por lei se pode sujeitar a 
exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo 
público. 
EMENTA. (...). A reserva de lei em sentido formal qualifica-
se como instrumento constitucional de preservação da 
integridade de direitos e garantias fundamentais. O 
princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação 
constitucional ao poder do Estado, cuja competência 
regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente 
idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou 
criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar 
obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em 
domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de 
atuação material da lei em sentido formal. (STF ACO 1.048-
QO, 31/10/07). 
LIBERDADE DE EXPRESSÃO 
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado 
o anonimato; 
Segundo o ilustre Alexandre de Morais, “a proteção 
constitucional abrange não só o direito de expressão oral 
ou por escrito, mas também o direito de ouvir, assistir e 
ler”. 
A vedação do anonimato é ampla, inclui todos os meios de 
comunicação. 
Dispositivos correspondentes – art. 5º, V, IX e XIV, e art. 
220, “caput” e §2º, todos da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Programas humorísticos, charges e modo 
caricatural de pôr em circulação ideias, opiniões, frases e 
quadros espirituosos compõem as atividades de ‘imprensa’, 
sinônimo perfeito de ‘informação jornalística’ (§ 1º do art. 
220). Nessa medida, gozam da plenitude de liberdade que é 
assegurada pela Constituição à imprensa. Dando-se que o 
exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura 
ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer 
pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico, 
irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades 
e aparelhos de Estado. Respondendo, penal e civilmente, 
pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de 
resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, V. A 
crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência 
com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível 
de censura. Isso porque é da essência das atividades de 
imprensa operar como formadora de opinião pública, lócus 
do pensamento crítico e necessário contraponto à versão 
oficial das coisas, conforme decisão majoritária do STF na 
ADPF 130. Decisão a que se pode agregar a ideia de que a 
locução ‘humor jornalístico’ enlaça pensamento crítico, 
informação e criação artística. (...). (STF ADI 4.451-MC - 
REF, rel. min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 24-8-2012). 
EMENTA: (...). Por entender que o exercício dos direitos 
fundamentais de reunião e de livre manifestação do 
pensamento devem ser garantidos a todas as pessoas,o 
Plenário julgou procedente pedido formulado em ação de 
descumprimento de preceito fundamental para dar, ao art. 
287 do CP, com efeito vinculante, interpretação conforme a 
Constituição, de forma a excluir qualquer exegese que 
possa ensejar a criminalização da defesa da legalização das 
drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica, 
inclusive através de manifestações e eventos públicos. (...) 
Ressaltou-se existirem graves consequências resultantes da 
censura à liberdade de expressão e de reunião, realizada 
por agentes estatais em cumprimento de ordens emanadas 
do Judiciário. Frisou-se que, diante do quadro de incertezas 
hermenêuticas em torno da aludida norma, a revelar 
efetiva e relevante controvérsia constitucional, os cidadãos 
estariam preocupados em externar, de modo livre e 
responsável, as convicções que desejariam transmitir à 
coletividade por meio da pacífica utilização dos espaços 
públicos. (STF ADPF 187/DF, rel. Min. Celso de Mello, DJ 
15.6.2011). 
EMENTA. (...). Não é proibindo, recolhendo obras ou 
impedindo sua circulação, calando-se a palavra e 
amordaçando a história que se consegue cumprir a 
Constituição. (...). A norma infraconstitucional não pode 
amesquinhar preceitos constitucionais, impondo restrições 
ao exercício de liberdades”. (...). O que não me parece 
constitucionalmente admissível é o esquartejamento das 
liberdades de todos pela censura de uns, especialmente no 
caso de obras biográficas que dizem respeito não apenas ao 
biografado, mas que diz respeito a toda coletividade pela 
sua natureza de referenciabilidade do que precisa ser 
aproveitado. (...). (STF ADI 4815, Min. Rel. Cármem Lúcia, DJ 
10/06/2015). 
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao 
agravo, além da indenização por dano material, moral ou 
à imagem; 
O direito de resposta aplica-se em relação às ofensas, 
configurem ou não infrações penais, tendo como requisito 
a proporcionalidade, devendo o desagravo ter o mesmo 
destaque, a mesma duração e o mesmo tamanho que a 
notícia geradora da lesão. A responsabilidade pela 
divulgação do direito de resposta é do órgão de 
comunicação. O dano pode ser material (danos sofridos e 
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lucros cessantes), moral (à intimidade da pessoa) e à 
imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações 
externas). 
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, 
científica e de comunicação, independentemente de 
censura ou licença; 
XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e 
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao 
exercício profissional; 
LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA 
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, 
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e 
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e 
as suas liturgias; 
A Constituição de 1824, em seu artigo 179, V, já assegurava 
os direitos religiosos, desde que respeitasse a do Estado, 
nos seguintes termos: 
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos 
Cidadãos Brasileiros, que tem por base a liberdade, a segurança 
individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do 
Império, pela maneira seguinte. 
(...). 
V. Ninguém pode ser perseguido por motivo de Religião, uma vez 
que respeite a do Estado, e não ofenda a Moral Publica. 
(...)”. 
A partir da Constituição Federal de 1891, estabeleceu-se o 
Estado Laico ou Leigo, que não adota qualquer religião 
como oficial. Como ensina José Afonso da Silva, “na 
liberdade de crença entra a liberdade de escolha de 
religião, a liberdade de aderir à qualquer seita religiosa, a 
liberdade (ou o direito) de mudar de religião, mas também 
compreende a liberdade de não aderir à religião alguma, 
assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser 
ateu e de exprimir o agnosticismo”. 
Bom lembrar que o livre exercício dos cultos é assegurado 
enquanto não forem contrários à ordem, tranquilidade e 
sossego públicos, bem como compatíveis aos bons 
costumes. E a liberdade religiosa não é absoluta, uma vez 
que não será permitido a qualquer religião ou culto atos 
atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e 
criminal. 
Artigos correspondentes: art. 210, §1º e art. 215, §2º, 
ambos da CF/88. 
PREÂMBULO 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em 
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado 
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos 
direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o 
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça 
como valores supremos de uma sociedade fraterna, 
pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social 
e comprometida, na ordem interna e internacional, com a 
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a 
proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. 
Segundo posicionamento jurisprudencial, o Preâmbulo não 
constitui norma central, não se trata de norma de 
reprodução obrigatória na Constituição do Estado, já que 
não tem força normativa. 
Entretanto, o Preâmbulo faz parte da estrutura da 
Constituição Federal, que se divide em Preâmbulo, texto 
permanente e texto temporário (Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias – ADCT). 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA: CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. 
NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. - Normas 
centrais da Constituição Federal: essas normas são de 
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro, 
mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a 
ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). 
II. Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. 
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de 
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo 
força normativa. III. - Ação direta de inconstitucionalidade 
julgada improcedente. (ADI 2.076/AC. Rel. Min. Carlos 
Velloso, DJ 08.08.2003). 
VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
Hospitais, asilos (públicos e privados), presídios e quartéis 
são locais de internação coletiva. 
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de 
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, 
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a 
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação 
alternativa, fixada em lei; 
A escusa de consciência e de crença aplica-se às obrigações 
legais de forma genérica e não somente ao serviço militar 
obrigatório, embora esse seja o exemplo mais indicado 
pelos doutrinadores quando enfocam o assunto. 
O artigo 143 da Constituição Federal, prescreve: 
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei. 
§ 1º - às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir 
serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, 
alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o 
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, 
para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. 
 
O serviço alternativo no caso de descumprimento do 
serviço militar obrigatório por imperativo de consciência é 
estabelecido pela lei nº 8.239/91. 
Caso não seja cumprida a prestação alternativa, ocorrerá a 
privação dos direitos políticos, nos termos do artigo 15, IV, 
da CF/88: 
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
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Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou 
suspensão só se dará nos casos de: 
... 
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação 
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; 
(...). 
INVIOLABILIDADES 
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e 
a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização 
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
Princípio da exclusividade. A intimidade, como exigência 
moral da personalidade para que em determinadas 
situações seja o indivíduo deixado em paz, constituindo um 
direito de controlar a indiscrição alheia nos assuntos 
privados que só a ele interessa, tem como um de seus 
fundamentos o princípio da exclusividade, formulado por 
Hannah Arendt com base em Kant. 
Os conceitos de intimidade e vida privada são interligados, 
mas podem ser diferenciados. A intimidade da pessoa diz 
respeito às relações subjetivas e de trato íntimo, relações 
familiares e de amizade e a vida privada refere-se a todos 
os relacionamentos da pessoa, inclusive os objetivos, tais 
como os comerciais, de trabalho, de estudo, etc. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 227 do STJ – A pessoa jurídica pode sofrer dano 
moral. 
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela 
podendo penetrar sem consentimento do Morador, salvo 
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar 
socorro, ou durante o dia, por determinação judicial; 
A expressão casa tem um alcance muito amplo, não sendo 
limitada pelos conceitos de direito privado, como já 
pacificou o STF, considerando casa todo local delimitado e 
separado que alguém utiliza com exclusividade, mesmo que 
para fins profissionais, não importando a relação jurídica de 
seus habitantes com aquele prédio ou terreno. O Código 
Penal Brasileiro conceitua “casa” em seu artigo 150. 
Para José Afonso da Silva dia é o período das 6:00h às 
18:00h e para Celso de Mello deve ser levado em conta o 
critério físico-astronômico, como o intervalo de tempo 
situado entre a aurora e o crepúsculo. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) Busca e apreensão em aposentos ocupados 
de habitação coletiva (como quartos de hotel) - subsunção 
desse espaço privado, desde que ocupado, ao conceito de 
"casa" - consequente necessidade, em tal hipótese, de 
mandado judicial, ressalvadas as exceções previstas no 
próprio texto constitucional. - para os fins da proteção 
jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da constituição da 
república, o conceito normativo de "casa" revela-se 
abrangente e, por estender-se a qualquer aposento de 
habitação coletiva, desde que ocupado (CP, art. 150, § 4º, 
II), compreende, observada essa específica limitação 
espacial, os quartos de hotel. (...). (STF RHC 90.376/RJ, Rel. 
Min. Celso de Mello. DJ 18.05.2007). 
EMENTA. (...). Cuidando-se de crime de natureza 
permanente, a prisão do traficante, em sua residência, 
durante o período noturno, não constitui prova ilícita. (STF 
HC 84.772, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 19-10-
2004, Segunda Turma, DJ de 12-11-2004.) No mesmo 
sentido: HC 70.909, Rel. Min. Paulo Brossard, julgamento 
em 11-10-1994, Plenário, DJ de 25-11-1994. 
EMENTAS: (…).7. PROVA. Criminal. Escuta ambiental. 
Captação e interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos 
ou acústicos. Meio probatório legalmente admitido. Fatos 
que configurariam crimes praticados por quadrilha ou 
bando ou organização criminosa. Autorização judicial 
circunstanciada. Previsão normativa expressa do 
procedimento. Preliminar repelida. Inteligência dos arts. 1º 
e 2º, IV, da Lei nº 9.034/95, com a redação da Lei nº 
10.217/95. Para fins de persecução criminal de ilícitos 
praticados por quadrilha, bando, organização ou associação 
criminosa de qualquer tipo, são permitidos a captação e a 
interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos e 
acústicos, bem como seu registro e análise, mediante 
circunstanciada autorização judicial. 8. PROVA. Criminal. 
Escuta ambiental e exploração de local. Captação de sinais 
óticos e acústicos. Escritório de advocacia. Ingresso da 
autoridade policial, no período noturno, para instalação de 
equipamento. Medidas autorizadas por decisão judicial. 
Invasão de domicílio. Não caracterização. Suspeita grave da 
prática de crime por advogado, no escritório, sob pretexto 
de exercício da profissão. Situação não acobertada pela 
inviolabilidade constitucional. Inteligência do art. 5º, X e XI, 
da CF, art. 150, § 4º, III, do CP, e art. 7º, II, da Lei nº 
8.906/94. Preliminar rejeitada. Votos vencidos. Não opera a 
inviolabilidade do escritório de advocacia, quando o próprio 
advogado seja suspeito da prática de crime, sobretudo 
concebido e consumado no âmbito desse local de trabalho, 
sob pretexto de exercício da profissão. (…). (STF - Inq: 2424 
RJ, Relator: Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 
26/11/2008, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-055 
DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010). 
EMENTA: (...) A entrada forçada em domicílio sem 
mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, 
quando amparada em fundadas razões, devidamente 
justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa 
ocorre situação de flagrante delito, sob pena de 
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da 
autoridade, e de nulidade dos atos praticados. (...) (STF RE 
603616, Rel. Min. Gilmar Ferreira Mendes, J. 05.11.2015). 
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das 
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações 
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas 
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de 
investigação criminal ou instrução processual penal; 
Vê-se que não houve previsão de quebra do sigilo das 
correspondências e nem de dados (bancários, fiscais ou 
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telefônicos) mediante lei, haja vista que a exceção 
constitucional expressa refere-se somente à interceptação 
telefônica, entretanto entende-se que nenhuma liberdade 
individual é absoluta, sendo possível, respeitados alguns 
parâmetros, a interceptação das correspondências e 
comunicações telegráficas e de dados sempre que as 
liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como 
instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas. 
O preceito que garante o sigilo de dados engloba o uso de 
informações decorrentes da informática e a quebra do 
sigilo dos dados telefônicos consiste na apreensão do 
histórico de conta telefônica (extrato telefônico). 
Além de admitir que as comissões parlamentares de 
inquérito possam determinar a quebra do sigilo das 
comunicações de dados, recentemente o Plenário do 
Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade 
do artigo 6º da lei complementar nº 105/2001, no Recurso 
Extraordinário nº 601314, para reconhecer o direito da 
Receita Federal de obter dados bancários, sem necessidade 
de recorrer ao poder judiciário. 
Interceptação telefônica é a captação feita por um terceiro 
de uma comunicação telefônica alheia, sem o 
conhecimento dos comunicadores. Escuta telefônica é a 
captação realizada por um terceiro de uma comunicação 
telefônica alheia, mas com o conhecimento de um dos 
comunicadores. A gravação telefônica é a que ocorre entre 
dois interlocutores, onde um deles capta a conversa sem o 
conhecimento do outro e sem intervenção de terceiro. 
A lei 9.296/96 emergiu no ordenamento jurídico 
infraconstitucionala fim de regulamentar a parte final do 
artigo em comento. 
Artigos correspondentes: arts. 5, LVI, 136, I, “b” e “c” e 139, 
III, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) A administração penitenciária, com 
fundamento em razões de segurança pública, de disciplina 
prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode, 
sempre excepcionalmente, proceder à interceptação da 
correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a 
cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não 
pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas 
ilícitas (...). (STF HC 70.814/SP). 
EMENTA. (...) O Tribunal já firmou entendimento de que as 
Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de 
poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a 
partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta 
de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...) 
Causa provável ensejadora da quebra dos sigilos fiscal, 
bancário e telefônico. Segurança denegada. (STF MS 
24217/DF, rel Min Maurício Corrêa, 18/10/2002). 
EMENTA. Mandado de Segurança. Tribunal de Contas da 
União. Banco Central do Brasil. Operações financeiras. 
Sigilo. 1. A Lei Complementar nº 105, de 10/1/01, não 
conferiu ao Tribunal de Contas da União poderes para 
determinar a quebra do sigilo bancário de dados constantes 
do Banco Central do Brasil. O legislador conferiu esses 
poderes ao Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo 
Federal (art. 4º), bem como às Comissões Parlamentares de 
Inquérito, após prévia aprovação do pedido pelo Plenário 
da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do 
plenário de suas respectivas comissões parlamentares de 
inquérito (§§ 1º e 2º do art. 4º). (...). (STF MS 22.801/DF. 
Rel. Min Menezes Direito. DJ 13.03.2008). 
EMENTA (...) SÉTIMA PRELIMINAR. DADOS DE EMPRÉSTIMO 
FORNECIDOS PELO BANCO CENTRAL. PEDIDO DIRETO DO 
MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA. 
REQUISIÇÃO FEITA PELA CPMI DOS CORREIOS. POSTERIOR 
AUTORIZAÇÃO DE COMPARTILHAMENTO COM O 
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INSTRUÇÃO DO INQUÉRITO. 
LEGALIDADE. (...). (STF Inq. 2.245/MG. Rel. Min. Joaquim, 
Barbosa, DJ 09.11.2007). 
EMENTA. Prova emprestada. Penal. Interceptação 
telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e 
produção para fim de investigação criminal. Suspeita de 
delitos cometidos por autoridades e agentes públicos. 
Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento 
administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos 
eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à 
colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa 
a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, XII, da CF e do 
art. 1º da Lei federal 9.296/1996. (...) Dados obtidos em 
interceptação de comunicações telefônicas e em escutas 
ambientais, judicialmente autorizadas para produção de 
prova em investigação criminal ou em instrução processual 
penal, podem ser usados em procedimento administrativo 
disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em 
relação às quais foram colhidos, ou contra outros 
servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à 
colheita dessa prova. (STF Inq 2.424 QO. Rel. Min Cezar 
Peluso. DJ 24.08.2007). 
EMENTA. (...). Suposta ilegalidade decorrente do fato de os 
policiais, após a prisão em flagrante do corréu, terem 
realizado a análise dos últimos registros telefônicos dos 
dois aparelhos celulares apreendidos. Não ocorrência. Não 
se confundem comunicação telefônica e registros 
telefônicos, que recebem, inclusive, proteção jurídica 
distinta. Não se pode interpretar a cláusula do art. 5º, XII, 
da CF, no sentido de proteção aos dados enquanto registro, 
depósito registral. A proteção constitucional é da 
comunicação de dados, e não dos dados. Art. 6º do CPP: 
dever da autoridade policial de proceder à coleta do 
material comprobatório da prática da infração penal. Ao 
proceder à pesquisa na agenda eletrônica dos aparelhos 
devidamente apreendidos, meio material indireto de prova, 
a autoridade policial, cumprindo o seu mister, buscou, 
unicamente, colher elementos de informação hábeis a 
esclarecer a autoria e a materialidade do delito (dessa 
análise logrou encontrar ligações entre o executor do 
homicídio e o ora paciente). (...). (STF HC 91.867, rel. min. 
Gilmar Mendes, 2ª T, DJ de 20-9-2012). 
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EMENTA. (....) O presente caso versa sobre a gravação de 
conversa telefônica por um interlocutor sem o 
conhecimento de outro, isto é, a denominada “gravação 
telefônica” ou “gravação clandestina”. Entendimento do 
STF no sentido da licitude da prova, desde que não haja 
causa legal específica de sigilo nem reserva de conversação. 
Repercussão geral da matéria (RE 583.397/RJ). 3. Ordem 
denegada. (STF HC 91613, Relator Min. GILMAR MENDES, 
2ª T, DJ 17-09-2012). 
EMENTA: (...). O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não 
ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade 
em relação aos cidadãos, por meio do princípio da 
capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos 
objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária 
para a fiscal. (...). (STF RE 601314, Rel. Min. EDSON 
FACHIN, Plenário, Julgamento em 24.02.2016). 
LIBERDADE DE PROFISSÃO 
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou 
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei 
estabelecer; 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) A reserva legal estabelecida pelo art. 5º, XIII, 
não confere ao legislador o poder de restringir o exercício 
da liberdade profissional a ponto de atingir o seu próprio 
núcleo essencial. (...) O jornalismo é uma profissão 
diferenciada por sua estreita vinculação ao pleno exercício 
das liberdades de expressão e de informação. (...) O 
jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são 
atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e 
não podem ser pensadas e tratadas de forma separada. 
Isso implica, logicamente, que a interpretação do art. 5º, 
inciso XIII, da Constituição, na hipótese da profissão de 
jornalista, se faça, impreterivelmente, em conjunto com os 
preceitos do art. 5º, incisos IV, IX, XIV, e do art. 220 da 
Constituição, que asseguram as liberdades de expressão, de 
informação e de comunicação em geral. (...)A exigência de 
diploma de curso superior para a prática do jornalismo - o 
qual, em sua essência, é o desenvolvimento profissional das 
liberdades de expressão e de informação - não está 
autorizada pela ordem constitucional, pois constitui uma 
restrição, um impedimento, uma verdadeira supressão do 
pleno, incondicionado e efetivo exercício da liberdade 
jornalística, expressamente proibido pelo art. 220, § 1º, da 
Constituição. (...). (STF RE 511.961/SP, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, DJ 13.11.2009). 
EMENTA. (...). A atividade de músico não depende de 
registro ou licença de entidade de classe para o seu 
exercício. Essa é a conclusão do Plenário ao negar 
provimento a recurso extraordinário, afetado pela 2ª 
Turma, em que a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho 
Regional de Santa Catarina alegava que o livre exercício de 
qualquer profissão ou trabalho estaria constitucionalmente 
condicionado às qualificações específicas de cada profissão 
e que, no caso dos músicos, a Lei 3.857/60 estabeleceria 
essas restrições — v. Informativos 406 e 568. Aduziu-se que 
as restrições feitas ao exercício de qualquer profissão ou 
atividade profissional deveriam obedecer ao princípio da 
mínima intervenção – a qual se pautaria pela razoabilidade 
e pela proporcionalidade. Ressaltou-se que a liberdade de 
exercícioprofissional, contida no art. 5º, XIII, da CF, seria 
quase absoluta e que qualquer restrição a ela só se 
justificaria se houvesse necessidade de proteção a um 
interesse público, a exemplo de atividades para as quais 
fosse requerido conhecimento específico, técnico, ou 
ainda, habilidade já demonstrada. (STF RE 414426/SC, rel. 
Min. Ellen Gracie, 1º.8.2011). 
LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO 
XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo 
de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele 
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; 
Artigo correspondente: art. 139, I, da CF/88. 
LIBERDADE DE REUNIÃO 
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, 
em locais abertos ao público, independentemente de 
autorização, desde que não frustrem outra reunião 
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo 
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; 
O direito a reunião é uma manifestação coletiva da 
liberdade de expressão, tendo como requisitos: pluralidade 
de participantes, temporariedade, finalidade pacífica, 
ausência de armas, lugares abertos ao público e 
comunicação prévia. 
Haverá restrição ao direito de reunião na hipótese de 
decretação do estado de defesa e suspensão no caso de 
decretação do estado de sítio (art. 136, §1º, I, “a” e art. 
139, IV, ambos da CF). São limitações circunstanciais. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Por entender caracterizada a ofensa ao art. 
5º, XVI, da CF, que assegura a todos o direito de reunião 
pacífica, sem armas, em locais abertos ao público, 
independentemente de autorização, o Tribunal julgou 
procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo 
Partido dos Trabalhadores - PT e outros para declarar a 
inconstitucionalidade do Decreto distrital 20.098/99, que 
veda a realização de manifestação pública, com a utilização 
de carros, aparelhos e objetos sonoros na Praça dos Três 
Poderes, na Esplanada dos Ministérios e na Praça do Buriti 
e vias adjacentes. (STF ADI 1969/DF, 28.6.2007). 
LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO 
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, 
vedada a de caráter paramilitar; 
O direito de associação só alcança as associações criadas 
para fins lícitos, com ou sem personalidade jurídica. O 
caráter paramilitar é verificado quando a associação 
destina-se ao treinamento do uso de material bélico, com 
as seguintes características: organização hierárquica e 
respeito ao princípio da obediência. 
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 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). Com efeito, a liberdade de associação não se 
confunde com o direito de reunião, possuindo, em relação 
a este, plena autonomia jurídica (...). Diria, até, que, sob a 
égide da vigente Carta Política, intensificou-se o grau de 
proteção jurídica em torno da liberdade de associação, na 
medida em que, ao contrário do que dispunha a Carta 
anterior, nem mesmo durante a vigência do estado de sítio 
se torna lícito suspender o exercício concreto dessa 
prerrogativa. (...) Revela-se importante assinalar, neste 
ponto, que a liberdade de associação tem uma dimensão 
positiva, pois assegura a qualquer pessoa (física ou jurídica) 
o direito de associar-se e de formar associações. Também 
possui uma dimensão negativa, pois garante, a qualquer 
pessoa, o direito de não se associar, nem de ser compelida 
a filiar-se ou a desfiliar-se de determinada entidade. Essa 
importante prerrogativa constitucional também possui 
função inibitória, projetando-se sobre o próprio Estado, na 
medida em que se veda, claramente, ao Poder Público, a 
possibilidade de interferir na intimidade das associações e, 
até mesmo, de dissolvê-las, compulsoriamente, a não ser 
mediante regular processo judicial. (STF ADI 3.045, de 
1º./6/2007). 
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a 
interferência estatal em seu funcionamento; 
As associações aqui referidas devem ser entendidas em 
sentido amplo, incluindo os partidos políticos e as 
associações sindicais (art. 8º, I), as quais devem ser criadas 
na forma da lei, sem necessidade de autorização do poder 
público, nem possibilidade de interferência deste em seu 
funcionamento, considerando que a interferência arbitrária 
do poder público no exercício desse direito pode acarretar 
responsabilidade penal, político-administrativa e civil. 
Importante diferenciar os institutos, pois a associação não 
tem fins lucrativos, o patrimônio é constituído pela 
contribuição dos membros para alcançar fins educacionais, 
religiosos, culturais etc. Já a cooperativa, sociedade ou 
empresa constituída por membro de determinado grupo 
econômico ou social, objetiva desempenhar, em beneficio 
comum, determinada atividade econômica. 
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente 
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão 
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em 
julgado; 
Fica subentendido que qualquer ato normativo editado 
pelo poder Executivo ou pelo poder Legislativo, no sentido 
de dissolução compulsória, será inconstitucional, uma vez 
que a Lei Maior limita a atuação ao Poder Judiciário 
(cláusula de reserva do Poder Judiciário), autorizando-o à 
dissolução somente quando a finalidade buscada pela 
associação for ilícita, valendo ressaltar que no caso da 
medida mais drástica, ou seja, no caso da dissolução, a 
decisão judicial exige o trânsito em julgado. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA (...). Cabe enfatizar, neste ponto, que as normas 
inscritas no art. 5º, incisos XVII a XXI da atual Constituição 
Federal protegem as associações, inclusive as sociedades, 
da atuação eventualmente arbitrária do legislador e do 
administrador, eis que somente o Poder Judiciário, por 
meio de processo regular, poderá decretar a suspensão ou 
a dissolução compulsória das associações. Mesmo a 
atuação judicial encontra uma limitação constitucional: 
apenas as associações que persigam fins ilícitos poderão ser 
compulsoriamente dissolvidas ou suspensas. “Atos 
emanados do Executivo ou do Legislativo, que provoquem a 
compulsória suspensão ou dissolução de associações, 
mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais. 
(STF ADI 3.045, 1º./6/07). 
XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a 
permanecer associado; 
 
XXI – as entidades associativas, quando expressamente 
autorizadas, têm legitimidade para representar seus 
filiados judicial ou extrajudicialmente; 
Aqui consta a grande diferença entre associações e 
sindicatos, pois a estes cabe a defesa dos direitos e 
interesses coletivos e individuais da categoria (art. 8º, III), 
enquanto que aquelas possuem finalidades sociológicas. 
O dispositivo diz respeito à representação processual, que 
por sua vez difere da substituição processual (legitimidade 
ativa extraordinária). Aquela ocorre numa situação onde o 
representante atua em nome do representado, caso em 
que se faz necessário à autorização. A substituição 
processual o legitimado atua em seu nome próprio para 
defesa de direito alheio, não sendo necessária autorização. 
Vale dizer que no caso de impetração de mandado de 
segurança coletivo (art. 5º, LXX), a associação prescinde de 
autorização, uma vez que atua como substituto processual. 
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de 
que entidade de classe não tem legitimidade para 
promover interpelação judicial em defesa da honra de seus 
associados, por se tratar de um direito personalíssimo de 
quem, concretamente, seviu atingido pelas afirmações 
tidas por ofensivas (PET nº 1.249/DF-AgR, Pleno, Relator o 
Ministro Celso de Mello, DJ de 9/4/99). 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). A representação prevista no inciso XXI do 
artigo 5º da Constituição Federal surge regular quando 
autorizada a entidade associativa a agir judicial ou 
extrajudicialmente mediante deliberação em assembleia. 
Descabe exigir instrumentos de mandatos subscritos pelos 
associados. (...). (STF RE 192.305, 21/5/01). 
Súmula 629 do STF - A impetração de mandado de 
segurança coletivo por entidade de classe em favor dos 
associados independe da autorização destes. 
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS 
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DIREITO DE PROPRIEDADE 
XXII – é garantido o direito de propriedade; 
O direito de propriedade é garantia individual e relativa. 
XXIII – a propriedade atenderá a função social; 
O conceito de função social consta nos artigos 182, §2º e 
186, da CF/88. 
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou 
por interesse social, mediante justa e prévia indenização 
em dinheiro, ressalvada os casos previstos nesta 
Constituição; 
As exceções estão previstas nos artigos 182, §4º, 184 e 243, 
todos da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). A expropriação de glebas a que se refere o 
art. 243 da CF há de abranger toda a propriedade e não 
apenas a área efetivamente cultivada (...). (STF RE 
543.974/MG, 26.3.2009). 
XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade 
competente poderá usar de propriedade particular, 
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver 
dano; 
Trata-se de Requisição Administrativa, desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública. 
A indenização é posterior porque deverá ser paga somente 
se houver dano, o qual será devido até na hipótese do 
artigo 139, VII, da CF/88, ou seja, durante o Estado de Sítio. 
XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, 
desde que trabalhada pela família, não será objeto de 
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua 
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de 
financiar o seu desenvolvimento; 
Frise-se que o benefício da impenhorabilidade aqui 
concedida diz respeito exclusivamente aos débitos 
decorrentes da própria propriedade produtiva, devendo 
dita pequena propriedade rural ser trabalhada pela família, 
requisito este essencial para o reconhecimento do instituto. 
A título de informação, o Estatuto da Terra, lei nº 4.504/64, 
tenta definir "propriedade familiar" e usa como referência 
de área, o módulo rural. 
XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de 
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, 
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
Propriedade intelectual, que compreende os direitos 
autorais, também conhecidos como direito de cópia 
(copyright) e os direitos à propriedade industrial, marcas e 
patentes, descritos no inciso XXIX, do presente artigo. 
Registre-se que a lei dos direitos autorais é a lei no. 
9.610/98. 
XXVIII – são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras 
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, 
inclusive nas atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico 
das obras que criarem ou de que participarem aos 
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações 
sindicais e associativas; 
O texto contém três garantias: a das participações 
individuais em obras coletivas, que são as produzidas em 
colaboração por diversos autores, a das reproduções da 
imagem e voz humanas e a de fiscalização do 
aproveitamento econômico das obras. 
XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais 
privilégio temporário para sua utilização, bem como 
proteção às criações industriais, à propriedade das 
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos 
distintivos, tendo em vista o interesse social e o 
desenvolvimento tecnológico e econômico do País; 
São asseguradas duas garantias: privilégio temporário de 
utilização aos autores de inventos e a proteção às criações 
industriais, à propriedade das marcas, nomes de empresas 
e outros signos distintivos. 
O autor de inventos é aquele que fez uma descoberta ou 
criou coisa nova, industrializável, que produz resultado no 
mercado. A Lei 9.279/96 dispõe sobre essa matéria e prevê 
o direito de obter a patente. Essa mesma lei protege à 
marca registrada no Brasil, bem como a marca 
notoriamente conhecida, independentemente de estar ou 
não registrada no Brasil, conhecidas por marcas notórias. 
DIREITO DE SUCESSÕES 
XXX – é garantido o direito de herança; 
Para José Afonso da Silva “herança” significa a 
universalidade de bens transmitida pelo finado aos seus 
sucessores, segundo a ordem das vocações hereditárias. 
XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País 
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge 
ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais 
favorável a lei pessoal do de cujus; 
A regra só se aplica aos bens de estrangeiros situados no 
Brasil porque a lei brasileira não tem eficácia 
extraterritorial. 
Segundo Celso de Mello, o legislador constituinte utilizou o 
critério do jus domicilii, aplicando a lei brasileira, 
combinado com o critério do jus patriae, quando a lei 
estrangeira, pessoal do de cujus, for mais favorável ao 
cônjuge ou filhos brasileiros. E se o morto era domiciliado 
no exterior, aplicar-se-á a lei brasileira se for mais benéfica 
ao cônjuge ou filhos brasileiros, no que diz respeito aos 
bens situados no Brasil (critério forum rei sitae). 
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OS: 0151/11/16-Gil 
O presente dispositivo também abrange os netos 
brasileiros, desde que sejam herdeiros, pois a finalidade do 
legislador constitucional é a proteção dos descendentes 
brasileiros convocados à herança. O adjetivo “brasileiros”, 
ora empregado, qualifica cônjuges e filhos e a conjunção 
“ou” tem sentido tanto aditivo como alternativo. 
DIREITO DE INFORMAÇÃO 
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse particular, ou de interesse 
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob 
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo 
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; 
É garantia de natureza administrativa, que decorre do 
princípio da publicidade dos atos da Administração Pública. 
Porém essa garantia não é absoluta, já que o Poder Público 
pode recusar-se a fornecer a informação quando esta for 
imprescindível à segurança do Estado e da sociedade, nos 
termos da lei nº 12.527/2011. Ressalte-se, ainda a criação 
da comissão da verdade, instituída pela lei 12.528/2011. 
Importante dizer que quando houver negativa 
administrativa sobre informações pessoais a ação 
constitucional cabível poderá ser o habeas data, mas 
quando o direito denegado for informações de interesse 
coletivo ou geral, a ação constitucional cabível a espécie 
será o mandado de segurança (art. 5º, LXIX e LXXII). 
Dispositivo correspondente: art. 5º, XIV, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse 
do representado, ter acessoamplo aos elementos de prova 
que, já documentados em procedimento investigatório 
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, 
digam respeito ao exercício do direito de defesa. 
EMENTA. (...). Direito à informação de atos estatais, neles 
embutida a folha de pagamento de órgãos e entidades 
públicas. (...) Caso em que a situação específica dos 
servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII 
do art. 5º da Constituição. Sua remuneração bruta, cargos e 
funções por eles titularizados, órgãos de sua formal 
lotação, tudo é constitutivo de informação de interesse 
coletivo ou geral. Expondo-se, portanto, a divulgação 
oficial. Sem que a intimidade deles, vida privada e 
segurança pessoal e familiar se encaixem nas exceções de 
que trata a parte derradeira do mesmo dispositivo 
constitucional (inciso XXXIII do art. 5º), pois o fato é que 
não estão em jogo nem a segurança do Estado nem do 
conjunto da sociedade. Não cabe, no caso, falar de 
intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto da 
divulgação em causa dizem respeito a agentes públicos 
enquanto agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da 
própria Constituição, agentes estatais agindo ‘nessa 
qualidade’ (§ 6º do art. 37). E quanto à segurança física ou 
corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente, 
claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com 
a divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um 
tipo de risco pessoal e familiar que se atenua com a 
proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI 
de cada servidor. No mais, é o preço que se paga pela 
opção por uma carreira pública no seio de um Estado 
republicano. (...) A negativa de prevalência do princípio da 
publicidade administrativa implicaria, no caso, inadmissível 
situação de grave lesão à ordem pública. (...). (STF SS 3.902-
AgR - segundo, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 3-10-
2011). 
DIREITO DE PETIÇÃO E DE CERTIDÃO 
XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do 
pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de 
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para 
defesa de direitos e esclarecimento de situação de 
interesse pessoal; 
O direito de petição tem sua origem na Carta Magna de 
1215, no right of petition, na Inglaterra, firmando–se no Bill 
of Rights de 1689, mas se fortaleceu na Constituição 
Francesa de 1791. 
Garantia de índole administrativa que não se confunde com 
o direito de ação, por isso não tem o peticionário de 
demonstrar lesão ou ameaça de lesão a interesse, pessoal 
ou particular. Visa defender direito, noticiar ilegalidade ou 
abuso de autoridade, constituindo uma prerrogativa 
democrática, de caráter essencialmente informal (apesar 
da forma escrita), independentemente do pagamento de 
taxas e está desvinculado da comprovação da existência de 
qualquer lesão a interesses próprios do solicitante. 
O direito de certidão é consagrado como garantia 
constitucional de natureza individual, exercido na seara 
administrativa. Tem como objetivo o esclarecimento de 
situações pretéritas pessoais, onde o Estado se obriga a 
prestá-lo sob pena de responsabilidade política, civil e 
criminal, ressalvados as hipóteses constitucionais de sigilo. 
Negado o direito, caberá mandado de segurança (art. 5º, 
LXIX). 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). O direito de petição, presente em todas as 
Constituições brasileiras, qualifica-se como importante 
prerrogativa de caráter democrático. Trata-se de 
instrumento jurídico-constitucional posto a disposição de 
qualquer interessado— mesmo daqueles destituídos de 
personalidade jurídica —, com a explícita finalidade de 
viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de 
direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal 
quanto de significação coletiva. (STF ADI 1.247-MC, 
08/09/95) 
EMENTA. (...). O direito à certidão traduz prerrogativa 
jurídica, de extração constitucional, destinada a viabilizar, 
em favor do indivíduo ou de uma determinada coletividade 
(como a dos segurados do sistema de previdência social), a 
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OS: 0151/11/16-Gil 
defesa (individual ou coletiva) de direitos ou o 
esclarecimento de situações. A injusta recusa estatal em 
fornecer certidões, não obstante presentes os pressupostos 
legitimadores dessa pretensão, autorizará a utilização de 
instrumentos processuais adequados, como o mandado de 
segurança ou a própria ação civil pública. (...). (STF RE 
472.489 – AgR, 29/8/08). 
PRINCÍPIOS E REGRAS APLICÁVEIS AO DIREITO E AO 
PROCESSO 
XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito; 
Princípio do livre acesso ao judiciário ou princípio da 
inafastabilidade de jurisdição, ou ainda princípio da 
ubiquidade da justiça. É o direito de obter a tutela judicial, 
é o direito de ação, desde que preenchidas às condições da 
ação e dos pressupostos processuais legalmente 
estabelecidos (legitimidade, interesse de agir e pedido 
possível). Ademais inexiste a obrigatoriedade de 
esgotamento da instância administrativa para que a parte 
possa acessar o Judiciário, tendo como exceção as lides 
desportivas, constante no art. 217, parágrafo 1º, que reza: 
Art. 217. (...). 
§1º. O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina 
e às competições desportivas após esgotarem-se as 
instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. 
Em razão do referido princípio não se admite no sistema 
constitucional pátrio a chamada jurisdição condicionada ou 
instância administrativa de curso forçado. 
Saliente-se também que existem situações que não serão 
apreciadas pelo poder judiciário, como, via de regra, os 
atos interna corporis (de competência privativa das casas 
legislativas) e o mérito administrativo. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 667 do STF - Viola a garantia constitucional de 
acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite 
sobre o valor da causa. 
Súmula Vinculante 21 - É inconstitucional a exigência de 
depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para 
admissibilidade de recurso administrativo. 
Súmula Vinculante 28 - É inconstitucional a exigência de 
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação 
judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de 
crédito tributário. 
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato 
jurídico perfeito e a coisa julgada; 
Princípio da Segurança Jurídica ou irretroatividade da lei, 
que difere do princípio da retroatividade da lei penal, 
constante no inciso XL deste artigo. 
O direito denomina-se adquirido quando consolidada sua 
integração ao patrimônio do respectivo titular, conforme a 
lei vigente. O ato jurídico perfeito é aquele que reuniu 
todos os seus elementos constitutivos exigidos pela lei. 
Coisa julgada é a decisão judicial irrecorrível. 
Ressalte-se o posicionamento adotado pelo STF sobre a 
impossibilidade de alegar direito adquirido em face de 
norma constitucional originária, criação ou aumento de 
tributos e mudança de regime jurídico do servidor público. 
É importante frisar que o STF chancela a teoria da 
Retroatividade Mínima (temperada ou mitigada), onde as 
novas normas constitucionais se aplicam de imediato, 
alcançando, sem limitações, os efeitos futuros de fatos 
passados, salvo disposição expressa em contrário 
(retroatividade média ou máxima), valendo salientar que a 
retroatividade mínima não se aplica as Constituições 
Estaduais nem as normasinfraconstitucionais, pois estas se 
submetem à regra da irretroatividade, fundamentada no 
art. 5º, XXXVI da CF/88. A retroatividade máxima ou 
restitutória da norma aplica-se aos fatos consumados e a 
retroatividade média aplica-se as prestações vencidas, mas 
ainda não adimplidas. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...). A supremacia jurídica das normas inscritas na 
Carta Federal não permite, ressalvadas as eventuais 
exceções proclamadas no próprio texto constitucional, que 
contra elas seja invocado o direito adquirido. (...). (STF ADI 
248. Min. Rel. Celso de Mello, DJ 08.04.1994). 
EMENTA. (...). 1. O Supremo Tribunal Federal pacificou a 
sua jurisprudência sobre a constitucionalidade do instituto 
da estabilidade financeira e sobre a ausência de direito 
adquirido a regime jurídico. (...). 3. Recurso extraordinário 
ao qual se nega provimento. (STF RE 563965/RN. Min. Rel. 
Cármem Lúcia, DJ 19.02.2009). 
EMENTA. (...) No ordenamento jurídico vigente, não há 
norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição 
jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público o 
efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair 
ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e 
pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou 
ulterior, os submeta à incidência de contribuição 
previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso 
ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como 
efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe 
imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à 
tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a 
modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, 
direito adquirido com o aposentamento. (…). (STF ADI 
3.105/DF, 18/02/2005). 
EMENTA: Pensões especiais vinculadas a salario mínimo. 
Aplicação imediata a elas da vedação da parte final do 
inciso IV do artigo 7º. da Constituição de 1988. - Já se 
firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que os 
dispositivos constitucionais têm vigência imediata, 
alcançando os efeitos futuros de fatos passados 
(retroatividade mínima). Salvo disposição expressa em 
contrario - e a Constituição pode fazê-lo -, eles não 
alcançam os fatos consumados no passado nem as 
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prestações anteriormente vencidas e não pagas 
(retroatividades máxima e média). Recurso extraordinário 
conhecido e provido. (STF RE 140.499/GO, Rel. Min. 
Moreira Alves, DJ 09.09.1994). 
XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
Princípio do Juiz ou do Juízo Natural. 
Nelson Nery Júnior assevera que “a garantia do juiz natural 
é tridimensional. Significa que: 1) não haverá juízo ou 
tribunal ad hoc, isto é, tribunal de exceção; 2) todos têm 
direito de submeter-se a julgamento (civil e penal) por juiz 
competente, pré-constituído na forma da lei; 3) o juiz 
competente tem de ser imparcial”. 
Dispositivo correspondente: art. 5°, LIII, da CF/88. 
LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão 
pela autoridade competente; 
Quanto ao princípio do Promotor Natural, defende parte da 
doutrina a sua existência com base nesse inciso, entretanto 
o STF não tem esse entendimento. 
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal 
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 
Com o advento do Pacto de Roma de 1998, surge o Tribunal 
Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, aprovado pelo 
Brasil em 2002 (DL 112). O TPI é um tribunal permanente 
com competência para investigar, processar e julgar 
indivíduos acusados das mais graves violações do direito 
internacional humanitário. Desde os chamados crimes de 
guerra, passando pelos crimes contra a humanidade e o 
genocídio. 
A Jurisdição do TPI submete-se ao princípio da 
complementaridade, ou seja, haverá julgamento perante o 
TPI em situações excepcionais gravíssimas, em que o Estado 
soberano se mostre incapaz de processar os crimes 
indicados no Estatuto de Roma. 
Os pontos mais polêmicos giram em torno dos artigos 77 e 
89 do Estatuto. O artigo 77 prevê a pena de prisão perpétua 
quando justificada pela ‘‘extrema gravidade do crime e as 
circunstâncias pessoais do condenado’’ e o artigo 89, por 
sua vez, prescreve a entrega do acusado ao tribunal pelo 
estado em cujo território se encontre sem estabelecer 
qualquer exceção. O estado deverá, pois, entregar seus 
próprios nacionais se assim determinar o tribunal, porque o 
artigo 120 do Estatuto dispõe expressamente que ‘‘não se 
admitirão reservas ao presente Estatuto’’. 
XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a 
organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos 
contra a vida; 
Garantias do Tribunal do Júri. 
Comentando as garantias desse tribunal popular, vê-se que 
a plenitude da defesa, embora já assegurada no inciso LV, 
foi ratificada, que o sigilo das votações significa que a 
liberdade de convicção e opinião dos jurados deverá ser 
sempre resguardada, que os Veredictos, as decisões dos 
jurados não poderão ser substituídas por outras, mas tal 
garantia não exclui a possibilidade de serem revistas 
mediante recursos e que tem competência para os crimes 
dolosos contra a vida. 
A Constituição Federal prevê regra mínima e inafastável de 
competência para o Tribunal do Júri, porém não impede 
que outros crimes sejam processados e julgados pelo Júri, 
podendo a norma infraconstitucional lhe atribuir outras 
competências, como os crimes conexos. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula Vinculante nº 45 - A competência constitucional do 
Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de 
função estabelecido exclusivamente pela Constituição 
estadual. (antiga Súmula 721 do STF). 
Súmula 603 do STF - A competência para o processo e 
julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal 
do júri. 
EMENTA. (...) A soberania dos veredictos do tribunal do júri 
não é absoluta, submetendo-se ao controle do juízo ad 
quem, tal como disciplina o art. 593, III, d, do Código de 
Processo Penal. (...). (HC 88.707, 17-10-08). 
XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem 
pena sem prévia cominação legal; 
Princípio da Reserva Legal e da Anterioridade. 
Em face do princípio da reserva legal, lê-se: “não há crime 
sem lei que o defina e não há pena sem cominação legal”, 
entendendo ser indispensável uma descrição específica da 
conduta tida como lesiva ao bem juridicamente protegido. 
Em sentido formal, a reserva legal cuida-se de que a 
matéria deve resultar de lei aprovada pelo Congresso 
Nacional. 
Quanto ao princípio da anterioridade, diz-se: não há crime 
sem lei “anterior” que o defina e não há pena sem “prévia” 
cominação legal (nullun crimem, nulla poena sine praevia 
lege). 
XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
Princípio da retroatividade da lei penal mais favorável ao 
réu (lex mitior). A regra é a irretroatividade In Pejus, pois a 
lei nova desfavorável ao réu (lex gravior) não retroage para 
atingir delitos praticados antes do início da sua vigência. 
Quando se trata de lei mais benéfica para o réu, a 
retroatividade existe, inclusive com relação à eficácia da 
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coisa julgada, aplicando-se também durante o processo de 
execução da pena. 
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos 
direitos e liberdades fundamentais; 
 
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens 
sem o devido processo legal; 
Princípio do Devido Processo Legal (due process of law), 
que decorre do princípio da Presunção da Inocência e tem 
como corolários a ampla defesa e o contraditório, quer 
dizer que deve ser dado ao indivíduo paridade de condições 
em face do Estado, quando este restringir a liberdade ou o 
direito aos bens constitucionais tutelados, além do conceito 
material de proteção ao direito de liberdade do indivíduo. 
O Supremo Tribunal Federal já declarou que o princípio da 
proporcionalidade e da razoabilidade tem nesse princípio 
sua sede material (devido processo legal em sentido 
substantivo). 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) O princípio da proporcionalidade - que extrai 
a sua justificação dogmática de diversas cláusulas 
constitucionais, notadamente daquela que veicula a 
garantia do substantive due process of law - acha-se 
vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder 
Público no exercício de suas funções, qualificando-se como 
parâmetro de aferição da própria constitucionalidade 
material dos atos estatais. (...). (STF ADI 1.407 MC/DF, 
24/11/2000). 
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, 
e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório 
e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. 
Por contraditório se entende a garantia que é dada ao réu 
de conhecer o direito alegado pela outra parte litigante, 
pois para todo ato produzido por uma parte caberá igual 
direito a outra parte para contraditar. A ampla defesa se 
divide em defesa técnica e autodefesa (direito de audiência 
e direito de presença/participação). 
Segundo o ilustre doutrinador Leo Van Holthe, aplicam-se o 
contraditório e a ampla defesa tanto nos procedimentos 
civil, quanto militares, processos administrativos, 
disciplinares, além de quaisquer outros procedimentos que 
envolvam a aplicação de sanções administrativas. 
Entretanto, nos procedimentos administrativos meramente 
investigatórios, que não envolvem a aplicação de 
penalidades, mas apenas apuram fatos para um posterior 
processo administrativo ou judicial, não há que se falar em 
contraditório e ampla defesa. 
O duplo grau de jurisdição, princípio que obriga a existência 
de revisão por Tribunal Superior da matéria já julgada por 
uma instância inferior. Entretanto, a obediência a este 
princípio afasta a possibilidade de julgamentos feitos por 
uma única instância. Após várias discussões sobre a 
matéria, pela doutrina e jurisprudência, o STF firmou 
entendimento de que o duplo grau de jurisdição não é 
garantia constitucional. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula vinculante 5 - A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não 
ofende a constituição. 
EMENTA. (...) A ausência de Advogado no interrogatório 
judicial do acusado não infirma a validade jurídica desse ato 
processual. O interrogatório judicial - que constitui ato 
pessoal do magistrado processante - não esta sujeito ao 
princípio do contraditório. Precedente: HC 68.929-9, rel. 
Min. CELSO DE MELLO. - A investigação policial, em razão 
de sua própria natureza, não se efetiva sob o crivo do 
contraditório, eis que e somente em juízo que se torna 
plenamente exigível o dever estatal de observância do 
postulado da bilateralidade dos atos processuais e da 
instrução criminal. A inaplicabilidade da garantia do 
contraditório ao inquérito policial tem sido reconhecida 
pela jurisprudência do STF. A prerrogativa inafastável da 
ampla defesa traduz elemento essencial e exclusivo da 
persecução penal em juízo. (...). (STF HC 69372/SP - Rel. 
Min. CELSO DE MELLO, 07-05-1993). 
EMENTA. (...) A estrita reverência aos princípios do 
contraditório e da ampla defesa só é exigida, como 
requisito essencial de validez, assim no processo 
administrativo disciplinar, como na sindicância especial que 
lhe faz as vezes como procedimento ordenado à aplicação 
daquelas duas penas mais brandas, que são a advertência e 
a suspensão por prazo não superior a trinta dias. Nunca, na 
sindicância que funcione apenas como investigação 
preliminar tendente a coligir, de maneira inquisitorial, 
elementos bastantes à imputação de falta ao servidor, em 
processo disciplinar subsequente. (STF MS 22.791. rel. 
Ministro Cezar Peluso, 13/11/2003). 
EMENTA. (...) Ainda que não se empreste dignidade 
constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de 
garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos 
Humanos, cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data 
posterior à promulgação Código de Processo Penal. VI - A 
incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra 
prevista em tratado internacional tem o condão de 
modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. VII - 
Ordem concedida. (STF HC 88.420/PR, 17.04.2007). 
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos; 
Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios 
ilícitos. 
As provas ilegais se dividem em provas ilícitas, as que 
infringem às normas do direito material e as ilegítimas que 
desrespeitam o direito processual. 
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LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória; 
O princípio da presunção da inocência ou da não-
culpabilidade tutela o direito do individuo de ser 
considerado inocente até o trânsito em julgado da 
sentença, cabendo ao Estado o dever de provar o contrário. 
Desse princípio advém o princípio do in dubio pro reo, 
segundo o qual, havendo dúvida na interpretação da lei ou 
na indicação do fato, será adotada aquela que for mais 
favorável ao réu. 
O Supremo Tribunal Federal, em julgamento recente e 
histórico, julgou o HC 126.292 e mudou a jurisprudência 
da Corte, afirmando que é possível a execução da pena 
depois de decisão condenatória confirmada em segunda 
instância. 
Dispositivo correspondente – art. 5º, LXVI, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) Viola o princípio constitucional da presunção 
da inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição 
Federal, a exclusão de candidato de concurso público que 
responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em 
julgado da sentença condenatória. (STF RE 559.135-AgR, 
13-6-08). 
LVIII – o civilmente identificado não será submetido à 
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em 
lei; 
A identificação exigida como excludente de identificação 
criminal é a oficial e regularmente emitida pelos órgãos 
estatais, ou, ainda, aquela cuja lei conceda equiparação 
com a cédula de identificação – RG, tais como, a carteira 
profissional válida, a carteira nacional de habilitação. 
A Lei 12.037/2009 estabelece hipóteses em que é 
necessária a identificação criminal, independentemente da 
identificação civil. 
LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, se esta não for intentada no prazo legal; 
Ação penal pública é privativa do Ministério Público, nos 
termos do art. 129, I, da CF/88, no entanto havendo inércia 
do Ministério Público, seja pelo não oferecimento da 
denúncia, ou pelo não requerimento de arquivamento do 
inquérito policial,ou mesmo pela falta de requisição de 
novas diligências no prazo legal, será admitida ação privada 
subsidiária da pública, que será intentada pelo ofendido ou 
seu representante. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) A admissibilidade da ação penal privada 
subsidiária da pública pressupõe, nos termos do art. art. 5º, 
LIX, da CF (...), a inércia do Ministério Público em adotar, no 
prazo legal (CPP, art. 46), uma das seguintes providências: 
oferecer a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito 
policial ou requisitar novas diligências. (STF HC 74.276, 3-9-
96). 
LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse 
social o exigirem; 
Princípio da Publicidade. 
Dispositivo correspondente: art. 93, IX, da CF/88. 
LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e 
gratuita aos que comprovem insuficiência de recursos; 
Dispositivo correspondente: art. 134, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (…) Ao contrário do que ocorre relativamente às 
pessoas naturais, não basta a pessoa jurídica asseverar a 
insuficiência de recursos, devendo comprovar, isto sim, o 
fato de se encontrar em situação inviabilizadora da 
assunção dos ônus decorrentes do ingresso em juízo. (STF 
Rcl 1.905 ED-AgR, 20/09/02). 
LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro 
judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo 
fixado na sentença; 
 
LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres, 
na forma da lei: 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito. 
Embora a Constituição só reconheça a gratuidade aos 
reconhecidamente pobres na forma da lei, a lei 
infraconstitucional nº 9.534/97 previu a gratuidade dos 
serviços para todos. 
LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios 
que garantam a celeridade de sua tramitação; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 
Princípio da razoável duração do processo e Princípio da 
Celeridade. 
Como mecanismos de celeridade e desburocratização 
podem ser citados: a vedação de férias coletivas nos juízos 
e tribunais de segundo grau, à proporcionalidade do 
número de juízes à efetiva demanda judicial e à respectiva 
população, a distribuição imediata dos processos, em todos 
os graus de jurisdição, a possibilidade de delegação aos 
servidores do Judiciário, para a prática de atos de mero 
expediente sem caráter decisório, a necessidade de 
demonstração de repercussão geral das questões 
constitucionais discutidas no caso para fins de 
conhecimento do recurso extraordinário, a instalação da 
justiça itinerante, as súmulas vinculantes do Supremo 
Tribunal federal. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) O excesso de prazo, quando exclusivamente 
imputável ao aparelho judiciário — não derivando, 
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portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente 
atribuível ao réu — traduz situação anômala que 
compromete a efetividade do processo, pois, além de 
tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do 
cidadão, frustra um direito básico que assiste a qualquer 
pessoa: o direito à resolução do litígio, sem dilações 
indevidas (CF, art. 5º, LXXVIII) e com todas as garantias 
reconhecidas pelo ordenamento constitucional, inclusive a 
de não sofrer o arbítrio da coerção estatal representado 
pela privação cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou 
superior àquele estabelecido em lei. (STF HC 85,237, 29-4-
05). 
CRIMES INAFIANCÁVEIS, IMPRESCRITÍVEIS E 
INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA E ANISTIA 
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da 
lei; 
A lei 7.716/89 define os crimes resultantes de preconceito 
de raça ou de cor. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros 
‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e 
discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei 
7.716/89, artigo 20, na redação dada pela Lei 8.081/90) 
constitui crime de racismo sujeito às cláusulas de 
inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, artigo 5º, XLII). 
Aplicação do princípio da prescritibilidade geral dos crimes: 
se os judeus não são uma raça, segue-se que contra eles 
não pode haver discriminação capaz de ensejar a exceção 
constitucional de imprescritibilidade. Inconsistência da 
premissa. (...). (STF HC 82.424, 19/03/04). 
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis 
de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos 
como crimes hediondos, por ele respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se 
omitirem; 
Conceituado graça, indulto e anistia, tem-se que é ato de 
clemência do poder executivo, extinguindo ou diminuindo a 
pena dada ao condenado (art. 84, XII). Chama-se graça se o 
perdão for individual e indulto se for coletivo. Já a anistia 
difere formalmente da graça e do indulto porque aquela é 
um perdão concedido por lei, portanto deve submeter-se 
ao congresso nacional (art. 48, VIII). 
A prática da tortura está definida na lei 9.459/97. As 
normas que tratam do crime de tráfico ilícito de drogas 
constam na lei 11.343/2006 e sobre o terrorismo, aplica-se 
a lei 13.260/2016. 
A definição de crimes hediondos consta no artigo 1º da lei 
8.072/90. 
 
 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (…). O art. 5º, XLIII, da Constituição, que proíbe a 
graça, gênero do qual o indulto é espécie, nos crimes 
hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII, 
da Lei Maior. O decreto presidencial que concede o indulto 
configura ato de governo, caracterizado pela ampla 
discricionariedade. (…). (STF HC 90.364, 30-11-07). 
EMENTA. (...). A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão 
política assumida naquele momento – o momento da 
transição conciliada de 1979. A Lei 6.683 é uma lei-medida, 
não uma regra para o futuro, dotada de abstração e 
generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade 
no momento em que foi conquistada. A Lei 6.683/1979 
precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e 
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou 
Degradantes – adotada pela Assembleia Geral em 10-12-
1984, vigorando desde 26-6-1987 – e a Lei 9.455, de 7-4-
1997, que define o crime de tortura; e o preceito veiculado 
pelo art. 5º, XLIII, da Constituição – que declara 
insuscetíveis de graça e anistia a prática da tortura, entre 
outros crimes – não alcança, por impossibilidade lógica, 
anistias anteriormente a sua vigência consumadas. A 
Constituição não afeta leis-medida que a tenham 
precedido. (...). (STF ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau, 
Plenário, DJ de 6-8-2010). 
XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação 
de grupos armados, civis e militares, contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático; 
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PENAS 
XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, 
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do 
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos 
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor 
do patrimônio transferido; 
Princípio da pessoalidade da pena ou intransmissibilidade 
da pena ou personificação da pena ou responsabilidade 
pessoal. A pena não passará da pessoa do condenado, 
considerando que a morte é uma das hipóteses legais de 
extinção da punibilidade ou da execução da pena. 
Entretanto,no que tange a obrigação de reparar o dano e o 
perdimento de bens, as sanções de natureza patrimonial 
podem alcançar o patrimônio dos sucessores, mas somente 
até o limite do valor recebido pela herança do de cujus. 
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, 
entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda dos bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
Princípio da individualização da pena. 
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O rol das penas ora descritas é exemplificativo ou 
enumerativo (numerus apertus), ou seja, o legislador 
infraconstitucional pode adotar outras penas além das que 
estão previstas no presente inciso, desde que não sejam as 
vedadas por esta constituição, as quais estão 
exaustivamente indicadas no inciso seguinte. 
XLVII – não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos 
termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
Provas proibidas. 
Essa previsão é taxativa (numerus clausus), exaustiva. 
Ressalte-se que existe previsão infraconstitucional de 
aplicação de pena de morte para determinados crimes 
militares indicados no Código Militar (Decreto-lei 
n.1.001/69). 
Sobre o banimento ou desterro, vale dizer que é a retirada 
de um nacional de seu país, em virtude da prática de 
determinado fato no território nacional, entendendo-se 
como nacional o brasileiro nato e o naturalizado. 
XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos 
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o 
sexo do apenado; 
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade 
física e moral; 
III – ninguém será submetido à tortura ou tratamento 
desumano ou degradante; 
Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula vinculante nº 11 - Só é lícito o uso de algemas em 
casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de 
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do 
preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por 
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e 
penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão 
ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da 
responsabilidade civil do Estado. 
L – às presidiárias serão asseguradas às condições para 
que possam permanecer com seus filhos durante o 
período de amamentação; 
REGRAS DE EXTRADIÇÃO 
LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o 
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes 
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da 
lei; 
Extradição, segundo Hildebrando Accioly, “é o ato pelo o 
qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um 
delito ou já condenado como criminoso, à Justiça do outro, 
que o reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo”. 
A extradição não se confunde com expulsão e deportação. 
A expulsão decorre de atentado à segurança nacional, 
ordem política ou social, ou nocividade aos interesses 
nacionais. A deportação tem relação com a legalidade, é a 
saída compulsória do estrangeiro que entrou ou permanece 
irregularmente no país por não cumprimento dos requisitos 
legais. 
Só existe deportação ou expulsão de estrangeiro. Inclusive, 
com referência a expulsão, quando o brasileiro, nato ou 
naturalizado atenta contra à segurança nacional, ordem 
política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais 
será processado e julgado pela justiça brasileira. 
Há extradição ativa e passiva, mas o STF somente tem 
competência para julgar a extradição passiva (art. 102, I, 
"g"). A solicitação da extradição para ser aceita pelo Brasil 
deverá também preencher alguns requisitos 
infraconstitucionais, dentre eles, a existência de tratado 
internacional ou promessa de reciprocidade entre os países 
e a dupla tipicidade, ou seja, a conduta tem que ser crime 
no Brasil e no país solicitante. 
LII – não será concedida extradição de estrangeiro por 
crime político ou de opinião; 
O caráter político do crime deverá ser analisado pelo STF, 
pois inexiste prévia definição constitucional ou legal sobre a 
matéria. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 1 do STF - É vedada a expulsão de estrangeiro 
casado com brasileira, ou que tenha filho brasileiro, 
dependente de economia paterna. 
Súmula 421 do STF - Não impede a extradição a 
circunstância de ser o extraditando casado com brasileira 
ou ter filho brasileiro. 
EMENTA. Extradição e prisão perpétua: necessidade de 
prévia comutação, em pena temporária (máximo de 30 
anos), da pena de prisão perpétua — Revisão da 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em obediência 
à Declaração Constitucional de Direitos (CF, art. 5º, XLVII, 
b). A extradição somente será deferida pelo Supremo 
Tribunal Federal, tratando-se de fatos delituosos puníveis 
com prisão perpétua, se o Estado requerente assumir, 
formalmente, quanto a ela, perante o Governo brasileiro, o 
compromisso de comutá-la em pena não superior à 
duração máxima admitida na lei penal do Brasil (CP, art. 
75), eis que os pedidos extradicionais - considerado o que 
dispõe o art. 5º, XLVII, b da Constituição da República, que 
veda as sanções penais de caráter perpétuo - estão 
necessariamente sujeitos à autoridade hierárquico-
normativa da Lei Fundamental brasileira. Doutrina. Novo 
entendimento derivado da revisão, pelo Supremo Tribunal 
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Federal, de sua jurisprudência em tema de extradição 
passiva. (…). (STF Ext 855, 1º/7/05). 
EMENTA. (...) Não configura crime político, para fim de 
obstar a acolhimento de pedido de extradição, homicídio 
praticado por membro de organização revolucionária 
clandestina, em plena normalidade institucional de Estado 
Democrático de direito, sem nenhum propósito político 
imediato ou conotação de reação legítima a regime 
opressivo. (...) Decretada a extradição pelo Supremo 
Tribunal Federal, deve o Presidente da República observar 
os termos do Tratado celebrado com o Estado requerente, 
quanto à entrega do extraditando. (STF Ext. 1.085. Rel. Min 
Cezar Peluso. DJ. 16.04.2010). 
EMENTA. (...) Revela-se essencial, para a exata aferição do 
respeito ao postulado da dupla incriminação, que os fatos 
atribuídos ao extraditando - não obstante a incoincidência 
de sua designação formal - revistam-se de tipicidade penal 
e sejam igualmente puníveis tanto pelo ordenamento 
jurídico domestico quanto pelo sistema de direito positivo 
do Estado requerente. (...). (STF Ext 669/EUA, 29/03/1996). 
EMENTA. (...) A Constituição da República, presentes tais 
vetores interpretativos (CF, art. 4º, VIII, e art. 5º, XLIII), não 
autoriza que se outorgue, às práticas delituosas de caráter 
terrorista, o mesmo tratamento benigno dispensado ao 
autor de crimes políticos ou de opinião, impedindo, desse 
modo, que se venha a estabelecer, em torno do terrorista, 
um inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao 
poder extradicional do Estado brasileiro, notadamente se 
se tiver em consideração a relevantíssima circunstância de 
que a Assembleia Nacional Constituinte formulou um claro 
e inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos 
delituosos revestidos de índoleterrorista, a estes não 
reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha 
impregnada a prática da criminalidade política. (...) A 
cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da 
Constituição da República - que veda a extradição de 
estrangeiros por crime político ou de opinião - não se 
estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos de 
natureza terrorista, considerado o frontal repúdio que a 
ordem constitucional brasileira dispensa ao terrorismo e ao 
terrorista (...). (STF Ext. 855/Chile, 01/07/2005). 
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PRISÕES 
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por 
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária 
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou 
crime propriamente militar, definidos em lei; 
Prisão em flagrante, nos termos do código de processo 
penal, poderá ser decretada por qualquer do povo e deverá 
ser decretada pelas autoridades competentes. Já a prisão 
decorrente de ordem judicial é cláusula de reserva do 
judiciário. Deve-se ainda distinguir a prisão processual 
(prisão temporária, preventiva, em flagrante delito), a qual 
se dá antes do trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória e, a prisão penal, onde o condenado deverá 
cumprir a pena estabelecida na sentença. 
Existem exceções a presente regra, tais como: prisões 
militares, expressas no próprio texto do artigo, a prisão 
durante o estado de defesa e o estado de sítio (arts. 136, § 
1º e 139 da CF/88) e a prisão do Presidente da República, 
dos deputados federais e estaduais e dos senadores (arts. 
86, § 3º e 53, § 2º, todos da CF/88). 
LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se 
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz 
competente e à família do preso ou à pessoa por ele 
indicada; 
São obrigatórias as duas comunicações a partir da prisão. 
Uma, ao juiz competente, o qual vai justamente avaliar a 
legalidade da prisão, considerando o que consta nos incisos 
LXI e LXV desse dispositivo. Outra, ou à pessoa que o preso 
indicar ou a alguém da família, se for possível identificá-la. 
Também será necessária a comunicação à Defensoria 
Pública da prisão do indivíduo que não indique advogado 
particular, em observância a parte final do inciso LXII, desse 
mesmo artigo, nos termos do código de processo penal. 
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os 
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a 
assistência da família e de advogado; 
Direito ao silêncio. O preso deverá ser obrigatoriamente 
informado sobre seu direito constitucional de permanecer 
em silêncio e que o exercício desse direito não enseja 
confissão do crime. 
O direito a não autoincriminação, como citam os 
professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, parte de 
umas das premissas do direito penal, de que ninguém é 
obrigado a produzir provas contra si mesmo, será exercido 
tanto na fase de inquérito policial como perante a justiça, 
inclusive diante das comissões parlamentares de inquérito. 
LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis 
por sua prisão ou por interrogatório policial; 
As autoridades policiais ficam obrigadas a apresentar ao 
preso todas as alternativas necessárias à identificação do 
policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou. 
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela 
autoridade judiciária; 
Prisão ilegal é aquela que não obedece aos requisitos da lei, 
como, por exemplo, a da pessoa que foi presa, mas não foi 
pegue em flagrante, nem por ordem judicial escrita e 
fundamentada, ou a prisão de menor de idade. Essa prisão, 
por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado, 
deverá ser relaxada por ordem de autoridade judiciária. 
LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido 
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem 
fiança; 
A liberdade provisória é o direito de a pessoa responder ao 
processo em liberdade, que se dá até o trânsito em julgado 
da sentença penal condenatória, tendo como fundamento 
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o princípio da presunção da inocência. Surge quando a lei 
permite que o réu fique solto durante o processo, pois na 
fase da execução da pena, após o trânsito em julgado da 
sentença que condena a privação da liberdade, a prisão não 
admite tal benefício. 
LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do 
responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável, de obrigação alimentícia e a do depositário 
infiel; 
Em regra, não haverá prisão civil por dívida. Só há duas 
exceções à regra nos termos da Constituição Federal 
vigente. Na primeira, poderá ser presa a pessoa que for 
devedora de pensão alimentícia de forma voluntária e 
inescusável (sem desculpa, sem justificativa). A segunda 
exceção, que tem como protagonista o depositário infiel, 
surgiu do contrato de depósito, oriundo do direito privado, 
ocorrendo quando o depositante entrega um bem móvel ao 
depositário, o qual deverá devolver o objeto quando 
reclamado, tornando-se depositário fiel do bem. Se no 
momento em que o depositante for requisitar o bem, o 
mesmo não estiver na posse do depositário, este se torna 
depositário infiel, podendo sofrer prisão civil. 
O Supremo Tribunal Federal passou a determinar que a 
prisão civil por dívida seja aplicável apenas ao responsável 
pelo não pagamento “voluntário e inescusável" de 
obrigação alimentícia. O Tribunal entendeu que a segunda 
parte do dispositivo constitucional, que versa sobre o 
assunto, ainda precisa de lei para a definição de rito 
processual e prazos, uma vez que a Lei nº 8.866/94 foi 
derrogada pela Convenção Americana de Direitos Humanos 
(norma Supralegal) 
Dispositivo correspondente: art. 5º, §3º, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel. 
Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva. 
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão 
constitucional e das normas subalternas. Interpretação do 
art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7, 
da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de 
San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento 
conjunto do RE nº 349.703 e dos HCs nº 87.585 e nº 92.566. 
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja 
a modalidade do depósito. (STF - RE: 466343 SP , Relator: 
Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 03/12/2008, 
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-104 DIVULG 04-06-
2009 PUBLIC 05-06-2009). 
Súmula Vinculante 25 - É ilícita a prisão civil de depositário 
infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. 
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do 
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos 
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às 
emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004). 
Os tratados internacionais são celebrados pelo Presidente 
da República (art. 84, VIII) e referendados pelo Congresso 
Nacional (art. 49, I, da CF/88). Aprovado por decreto 
legislativo, o tratado segue para o Presidente da República 
para que seja promulgado por decreto. 
Depois da mudança trazida pela emenda constitucional nº 
45, de 08/12/2004, tais tratados podem ser aprovados com 
quórum qualificado (três quintos dos membros de ambas as 
casas do congresso nacional, em dois turnos de discussão e 
votação), quando tratarem de direitos humanos, sendo 
equivalentes às emendas constitucionais ou podem ser 
aprovados por maioria dos votos, em um só turno de 
discussãoe votação, em cada casa do Congresso Nacional, 
quando não tratarem de direitos humanos, sendo 
equivalentes a um lei ordinária. 
O STF no julgamento do RE 466.343/SP fez referência aos 
tratados internacionais sobre direitos humanos subscritos 
pelo Brasil, portanto já incorporados ao ordenamento 
jurídico antes de promulgação da emenda constitucional nº 
45, que são materialmente compatíveis, mas não 
formalmente compatíveis com a mudança, chamando-os de 
normas supralegais. 
Já aprovado pelo Congresso Nacional, nos moldes do 
presente parágrafo, tem-se o Decreto Legislativo 
186/09.07.2009, que referendou a Convenção sobre os 
Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo 
Facultativo. 
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS 
HABEAS CORPUS 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém 
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação 
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso 
de poder; 
É a primeira garantia de direitos fundamentais, concedida 
na Carta Magna de 1215, pelo monarca inglês João Sem 
Terra. Alcançou status constitucional na Constituição 
Federal de 1891 (Primeira Constituição Republicana) e está 
regulamentado no Código de Processo Penal. 
É uma ação constitucional de natureza mandamental (writ) 
e de procedimento especial, isento de custas e que visa 
cessar violência (habeas corpus repressivo) ou ameaça na 
liberdade de locomoção (habeas corpus preventivo), por 
ilegalidade ou abuso de poder. 
A legitimidade para ajuizamento de habeas corpus é um 
atributo de personalidade, não se exigindo a capacidade de 
estar em juízo, nem a capacidade postulatória, sendo uma 
verdadeira ação penal popular. E sendo assim, qualquer do 
povo, nacional ou estrangeiro, independentemente de 
capacidade civil, política, de idade, sexo, estado mental, 
pode fazer uso do habeas corpus em benefício próprio. Não 
há impedimento para que dele se utilize pessoa menor de 
idade, insana mental, mesmo sem estarem representados 
ou assistidos por outrem. O analfabeto, também, desde 
que alguém assine a petição a rogo, poderá ajuizar a ação 
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de habeas corpus. O que não pode haver é a impetração 
apócrifa, ou seja, habeas corpus sem assinatura. 
Deve-se esclarecer que essa garantia poderá ser usada em 
benefício alheio, mediante habeas corpus de terceiro. E 
aqui as pessoas jurídicas podem constar no polo ativo da 
ação mandamental, embora não possam ser pacientes, já 
que estes só podem ser pessoas físicas, segundo 
posicionamento da Corte Suprema. Na mesma situação, 
segundo o artigo 654, §2º do CPC, o magistrado pode 
conceder a liberdade de ofício, porém não pode ser 
impetrante num habeas corpus de terceiro. 
Diferentemente do mandado de segurança, qualquer 
pessoa pode ser sujeito passivo na relação de habeas 
corpus, autoridade pública ou particular, sendo necessário 
que o constrangimento exercido decorra de função por ele 
ocupada. Assim, o diretor de hospital ou colégio que 
impeça a saída por débito. 
O Habeas corpus é gratuito nos termos do inciso LXXVII, 
que reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e 
Habeas Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao 
exercício da cidadania”. 
Decreto Lei 3.689/41 (CPP): 
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se 
achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua 
liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. 
(…). 
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer 
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério 
Público. 
(…). 
§ 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de 
ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo 
verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer 
coação ilegal. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 693 do STF - não cabe habeas corpus contra decisão 
condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em 
curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a 
única cominada. 
EMENTA: I. Habeas corpus: cabimento. 1. Assente a 
jurisprudência do STF no sentido da idoneidade do habeas 
corpus para impugnar autorização judicial de quebra de 
sigilos, se destinada a fazer prova em procedimento penal. 
(...). (STF HC 84869/SP. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. DJ 
19.08.2005). 
EMENTA (...) Impõe-se reconhecer, desde logo, a 
possibilidade de as entidades sindicais impetrarem ordem 
de habeas corpus em favor de terceiros, notadamente em 
benefício de seus dirigentes e filiados, quando em risco o 
exercício da liberdade de locomoção física. Assiste-lhes, na 
realidade, nesse tema, plena legitimidade ativa ad causam. 
(...). (STF HC 76606/CE, 05/02/1998). 
EMENTA. (...) Versando o processo sobre a ação 
constitucional de habeas corpus, tem-se a possibilidade de 
acompanhamento pelo leigo, que pode interpor recurso, 
sem a exigência de a peça mostrar-se subscrita por 
profissional da advocacia. (STF HC 84716/MG, 26/11/2004). 
EMENTA. "Habeas corpus". O sentido da restrição dele 
quanto às punições disciplinares militares (artigo 142, PAR. 
2, da Constituição Federal). - Não tendo sido interposto o 
recurso ordinário cabível contra o indeferimento liminar do 
"habeas corpus" impetrado perante o Superior Tribunal de 
Justiça (artigo 102, II, "a", da Constituição Federal), 
conhece-se do presente "writ" como substitutivo desse 
recurso. - O entendimento relativo ao PAR. 2º do artigo 153 
da Emenda Constitucional n. 1/69, segundo o qual o 
princípio, de que nas transgressões disciplinares não cabia 
"habeas corpus", não impedia que se examinasse, nele, a 
ocorrência dos quatro pressupostos de legalidade dessas 
transgressões (a hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado 
a função e a pena susceptível de ser aplicada 
disciplinarmente), continua valido para o disposto no PAR. 
2º do ARTIGO 142 da atual Constituição que e apenas mais 
restritivo QUANTO AO âmbito dessas transgressões 
disciplinares, pois a LIMITA AS DE natureza militar. (...). (STF 
HC 70.648/RJ. Rel. Min. Moreira Alves, DJ 04.03.1994). 
EMENTA. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - DEFINIÇÃO. A 
competência para o julgamento do habeas corpus é 
definida pelos envolvidos - paciente e impetrante. 
COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - ATO DE TURMA 
RECURSAL. Estando os integrantes das turmas recursais dos 
juizados especiais submetidos, nos crimes comuns e nos de 
responsabilidade, à jurisdição do tribunal de justiça ou do 
tribunal regional federal, incumbe a cada qual, conforme o 
caso, julgar os habeas impetrados contra ato que tenham 
praticado. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - LIMINAR. 
Uma vez ocorrida a declinação da competência, cumpre 
preservar o quadro decisório decorrente do deferimento de 
medida acauteladora, ficando a manutenção, ou não, a 
critério do órgão competente. (STF HC 86.834/SP, Rel. Min. 
Marco Aurélio, DJ 09.03.2009). 
Súmula 690 do STF – compete originariamente ao supremo 
tribunal federal o julgamento de "habeas corpus" contra 
decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. 
Súmula Superada. 
EMENTA. (...). É inquestionável o direito de súditos 
estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação de 
'habeas corpus', eis que esse remédio constitucional - por 
qualificar-se como verdadeira ação popular - pode ser 
utilizado por qualquer pessoa, independentemente da 
condição jurídica resultante de sua origem nacional.- A 
petição com que impetrado o 'habeas corpus' deve ser 
redigida em português, sob pena de não-conhecimento do 
'writ' constitucional (CPC, art. 156, c/c o CPP, art. 3º),eis 
que o conteúdo dessa peça processual deve ser acessível a 
todos, sendo irrelevante, para esse efeito, que o juiz da 
causa conheça, eventualmente, o idioma estrangeiro 
utilizado pelo impetrante. (…). (STF - HC: 88646 SC , Relator: 
Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 05/05/2006, 
Data de Publicação: DJ 11/05/2006). 
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24 
 
OS: 0151/11/16-Gil 
HABEAS DATA 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações 
relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros 
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de 
caráter público; 
b) para retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo 
por processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
Presente apenas na CF/88 e regulado pela lei 9.507/97. 
Ação constitucional de caráter civil, gratuita, de conteúdo e 
rito sumário. Ação personalíssima, de forma a não admitir o 
pedido de terceiros. O extinto Tribunal Federal de Recursos, 
cujos membros formam atualmente a composição do STJ, 
em sessão plenária, admitiu a legitimação para o habeas 
data para os herdeiros do morto ou seu cônjuge supérstite, 
salientando, porém, tratar-se de decisão. 
Possui como objeto a proteção ao direito de informação 
pessoal, com tripla finalidade: conhecimento, correção e 
justificação. 
A legitimidade ativa poderá ser exercida por pessoa física e 
jurídica e não existe possibilidade de haver habeas data 
preventivo, uma vez que a jurisprudência do STF firmou-se 
no sentido da necessidade da negativa da via administrativa 
para justificar o ajuizamento do habeas data, 
entendimento corroborado pela Lei 9.507/97, que em seu 
artigo 8º, parágrafo único. 
O presente writ poderá ser impetrado em desfavor de 
entidade governamental ou não governamental, mas de 
caráter público, que possuam informações referentes à 
pessoa do impetrante. 
Quanto à alegada ressalva prevista no artigo 5º, XXXIII, da 
CF/88, o sigilo da defesa nacional, apesar da divergência 
doutrinária, o já mencionado Tribunal Federal de Recursos 
pacificou entendimento de que valerá a alegação do sigilo 
em nome da segurança do Estado. 
O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, nos autos 
do Recurso Extraordinário nº 673.707/MG, julgado em 
17.05.2015, assentando a tese de que o habeas data é a 
garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo 
próprio contribuinte, dos dados concernentes ao 
pagamento de tributos constantes de sistemas 
informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da 
administração fazendária dos entes estatais. 
O Habeas data é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que 
reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e Habeas 
Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício da 
cidadania”. 
Lei 9.507/97: 
Art. 7° Conceder-se-á habeas data: 
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à 
pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados 
de entidades governamentais ou de caráter público; 
II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por 
processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de 
contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável 
e que esteja sob pendência judicial ou amigável. 
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos 
arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em 
duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão 
reproduzidos por cópia na segunda. 
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: 
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de 
dez dias sem decisão; 
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 
quinze dias, sem decisão; ou 
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 
4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) O habeas data tem finalidade específica: 
assegurar o conhecimento de informações relativas à 
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos 
de dados de entidades governamentais ou de caráter 
público, ou para a retificação de dados, quando não se 
prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou 
administrativo (CF, art. 5º, LXXII, a e b). No caso, visa a 
segurança ao fornecimento ao impetrante da identidade 
dos autores de agressões e denúncias que lhe foram feitas. 
A segurança, em tal caso, é meio adequado. (STF RMS 
24.617,10-6-05). 
AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS DATA. ART. 5º, LXXII, DA 
CF. ART. 7º, III, DA LEI 9.507/97. PEDIDO DE VISTA DE 
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INIDONEIDADE DO MEIO. 
RECURSO IMPROVIDO. 1. O habeas data, previsto no art. 
5º, LXXII, da Constituição Federal, tem como finalidade 
assegurar o conhecimento de informações constantes de 
registros ou banco de dados e ensejar sua retificação, ou de 
possibilitar a anotação de explicações nos assentamentos 
do interessado (art. 7º, III, da Lei 9.507/97). 2. A ação de 
habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo 
contra abuso no registro e/ou revelação de dados pessoais 
falsos ou equivocados. 3. O habeas data não se revela meio 
idôneo para se obter vista de processo administrativo. 4. 
Recurso improvido. (STF - HD: 90 DF , Relator: Min. ELLEN 
GRACIE, Data de Julgamento: 18/02/2010, Tribunal Pleno, 
Data de Publicação: DJe-050 DIVULG 18-03-2010 PUBLIC 
19-03-2010). 
HABEAS DATA. CONCURSO PÚBLICO. ACESSO A 
INFORMAÇÕESSOBRE OS CRITÉRIOS UTILIZADOS NA 
CORREÇÃO DE PROVA DISCURSIVA. IMPROPRIEDADE DA 
VIA ELEITA.1. A Lei n. 9.507/97 é suficientemente clara ao 
expor, no art. 7º, as hipóteses em que se justifica o 
manuseio do habeas data, não estando ali prevista, nem 
sequer implicitamente, a possibilidade de utilização da via 
com o propósito de revolver os critérios utilizados por 
instituição de ensino na correção de prova discursiva 
realizada com vista ao preenchimento de cargos na 
Administração Pública. 2. Agravo regimental não-provido. 
(STJ AgRg no HD .127/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE 
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OS: 0151/11/16-Gil 
NORONHA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/06/2006, DJ 
14/08/2006). 
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. 
HABEAS DATA. ARTIGO 5º, LXXII, CRFB/88. LEI Nº 9.507/97. 
ACESSO ÀS INFORMAÇÕES CONSTANTES DE SISTEMAS 
INFORMATIZADOS DE CONTROLE DE PAGAMENTOS DE 
TRIBUTOS. SISTEMA DE CONTA CORRENTE DA SECRETARIA 
DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL-SINCOR. DIREITO 
SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE. RECURSO A QUE SE DÁ 
PROVIMENTO. 1. O habeas data, posto instrumento de 
tutela de direitos fundamentais, encerra amplo espectro, 
rejeitando-se visão reducionista da garantia constitucional 
inaugurada pela carta pós-positivista de 1988. 2. A tese 
fixada na presente repercussão geral é a seguinte: “O 
Habeas Data é garantia constitucional adequada para a 
obtenção dos dados concernentes ao pagamento de 
tributos do próprio contribuinte constantes dos sistemas 
informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da 
administração fazendária dos entes estatais.” 3. O Sistema 
de Conta Corrente da Secretaria da Receita Federal do 
Brasil, conhecido também como SINCOR, registra os dados 
de apoio à arrecadação federal ao armazenar os débitos e 
créditos tributários existentes acerca dos contribuintes. 4. 
O caráterpúblico de todo registro ou banco de dados 
contendo informações que sejam ou que possam ser 
transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo 
do órgão ou entidade produtora ou depositária das 
informações é inequívoco (art. 1º, Lei nº 9.507/97). 5. O 
registro de dados deve ser entendido em seu sentido mais 
amplo, abrangendo tudo que diga respeito ao interessado, 
seja de modo direto ou indireto. (…) Registro de dados deve 
ser entendido em seu sentido mais amplo, abrangendo 
tudo que diga respeito ao interessado, seja de modo direto 
ou indireto, causando-lhe dano ao seu direito de 
privacidade.(...) in José Joaquim Gomes Canotilho, Gilmar 
Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio Luiz Streck. 
Comentários à Constituição. Editora Saraiva, 1ª Edição, 
2013, p.487. 6. A legitimatio ad causam para interpretação 
de Habeas Data estende-se às pessoas físicas e jurídicas, 
nacionais e estrangeiras, porquanto garantia constitucional 
aos direitos individuais ou coletivas. 7. Aos contribuintes foi 
assegurado constitucionalmente o direito de conhecer as 
informações que lhes digam respeito em bancos de dados 
públicos ou de caráter público, em razão da necessidade de 
preservar o status de seu nome, planejamento empresarial, 
estratégia de investimento e, em especial, a recuperação 
de tributos pagos indevidamente, verbis: Art. 5º. LXXII. 
Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento 
de informações relativas à pessoa do impetrante, 
constantes de registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público, considerado como 
um writ, uma garantia, um remédio constitucional à 
disposição dos cidadãos para que possam implementar 
direitos subjetivos que estão sendo obstaculados. 8. As 
informações fiscais conexas ao próprio contribuinte, se 
forem sigilosas, não importa em que grau, devem ser 
protegidas da sociedade em geral, segundo os termos da lei 
ou da constituição, mas não de quem a elas se referem, por 
força da consagração do direito à informação do art. 5º, 
inciso XXXIII, da Carta Magna, que traz como única ressalva 
o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado, o que não se aplica no caso sub examine, verbis: 
Art. 5º. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos 
públicos informações de seu interesse particular, ou de 
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo 
da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas 
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e 
do Estado. 9. In casu, o recorrente requereu à Secretaria da 
Receita Federal do Brasil os extratos atinentes às anotações 
constantes do Sistema de Conta-Corrente de Pessoa 
Jurídica-SINCOR, o Sistema Conta-Corrente de Pessoa 
Jurídica-CONTACORPJ, como de quaisquer dos sistemas 
informatizados de apoio à arrecadação federal, no que 
tange aos pagamentos de tributos federais, informações 
que não estão acobertadas pelo sigilo legal ou 
constitucional, posto que requerida pelo próprio 
contribuinte, sobre dados próprios. 10. Ex positis, DOU 
PROVIMENTO ao recurso extraordinário. (STF HD RE N. 
673.707-MG, RELATOR: MIN. LUIZ FUX, Plenário, DJ 
17.05.2015). 
MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus 
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou 
abuso de poder for autoridade pública ou agente de 
pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder 
Público; 
Possui status constitucional desde a Constituição Federal de 
1934, mas foi retirado na Constituição de 1937 e retornou 
na Constituição de 1946 e é regulado pela lei 12.016/2009 
que revogou a lei 1.533/51. 
Ação constitucional de natureza civil, que protege o direito 
líquido e certo, qualquer que seja a natureza (civil ou 
penal). Direito líquido e certo é fato incontestável, que 
necessita de comprovação, é aquele capaz de ser provado 
por documentação inequívoca, onde a autoridade judicial 
possa julgar de plano, sem necessitar de instrução 
probatória. 
O presente writ poderá ser impetrado quando houver lesão 
(mandado de segurança repressivo) ou ameaça de lesão 
(mandado de segurança preventivo), por ato ou omissão de 
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no 
exercício de atribuições do Poder Público, salientando-se 
que os atos vinculados e os atos discricionários estão 
sujeitos à ação mandamental. 
Possuem legitimidade para constar no polo ativo 
(legitimidade ordinária) as pessoas físicas e jurídicas, órgãos 
públicos despersonalizados (mesa da câmara dos 
deputados, mesa do senado federal) e as universalidades 
reconhecidas em lei (massa falida, condomínio). Quanto à 
legitimidade passiva, além do texto constitucional que diz: 
"... quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de 
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica 
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OS: 0151/11/16-Gil 
no exercício de atribuições do Poder Público.", deve-se 
observar a regra do artigo 1º, parágrafo 1º da legislação 
específica. 
A Constituição da República não prevê a gratuidade do 
“mandamus”, mas a lei estabelece prazo decadencial para 
sua impetração, que tem prazo legal de 120 dias contados 
da ciência do ato impugnado, ressaltando que do mesmo 
cabe desistência. 
Destaque-se o caráter subsidiário do mandado de 
segurança, considerando o próprio dispositivo 
constitucional quando diz “... para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data...”. 
Caráter esse que a lei estendeu a outras situações, como se 
vê no artigo 5º da lei 12.016/2009. 
Lei 12016/09: 
Artigo 1º (...): 
§1º. Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os 
representantes ou órgãos de partidos políticos e os 
administradores de entidades autárquicas, bem como os 
dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício 
de atribuições de poder público, somente no que disser respeito a 
essas atribuições. 
§2º. Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão 
comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, 
de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço 
público. 
(…). 
Art. 5º. Não se concederá mandado de segurança quando se 
tratar: 
I – de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito 
suspensivo, independentemente de caução; 
II – de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito 
suspensivo; 
III – de decisão judicial transitada em julgado. 
(…). 
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-
á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo 
interessado, do ato impugnado. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 333 do STJ - Cabe mandado de segurança contra 
ato praticado em licitação promovida por sociedade de 
economia mista ou empresa pública. 
Súmula 101 do STF – O mandado de segurança não 
substitui ação popular. 
Súmula 266 do STF – Não cabe Mandado de Segurança 
contra Lei em tese. 
Súmula 267 do STF – Não cabe Mandado de Segurança 
contra ato passível de correção e de recurso. 
Súmula 268 do STF – Não cabe mandado de segurança 
contra decisão judicial com trânsito em julgado. 
Súmula 269 do STF – O mandado de segurança não é 
substituto de ação de cobrança. 
Súmula 429 do STF – A existência de recurso administrativo 
com efeito suspensivo não impede o uso de Mandado de 
Segurança contra omissão da autoridade. 
Súmula 625 do STF – Controvérsia sobre matéria de direito 
não impede concessão de mandado de segurança. 
Súmula 632 do STF – É constitucional leique fixa o prazo de 
decadência para a impetração de mandado de segurança. 
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser 
impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso 
Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo 
menos um ano, em defesa dos interesses de seus 
membros ou associados; 
Remédio constitucional que surgiu somente na CF/88 e 
atualmente regulado pela lei 12.016/2009. 
Tem como objeto a proteção aos direitos coletivos lato 
sensu, compreendendo os direitos coletivos, 
transindividuais e individuais homogêneos. 
Direito Coletivos são aqueles indivisíveis de que seja titular 
grupo, categoria ou classe de pessoas determinadas (não 
individualizadas). Tem como exemplo a impetração de 
mandado de segurança pela Ordem dos Advogados do 
Brasil em defesa de direitos da classe. 
Direitos Difusos são aqueles indivisíveis de titularidade 
indeterminada, pessoas ligadas por uma circunstância de 
fato, tais como direito ao meio ambiente saudável ou 
direito à publicidade não enganosa. O que os difere dos 
direitos coletivos é a determinabilidade e a relação 
existente do grupo, categoria ou classe anterior à lesão. 
Interesses individuais homogêneos são aqueles de natureza 
divisível, cujos titulares são pessoas determinadas. Por 
exemplo, os consumidores que reinvidicam os direitos ao 
fabricante de veículos vendidos com peças defeituosas, 
apesar de cada um deles, individualmente, poder pleitear 
judicialmente a reparação dos danos. 
Outra distinção entre o presente mandamus e o mandado 
de segurança individual diz respeito a legitimidade ativa, 
conhecida doutrinariamente por legitimidade 
extraordinária, uma vez que os legitimados expressos no 
dispositivo agem como substituto processual e não como 
representantes. 
Do partido político com representação no Congresso 
Nacional exige-se, no mínimo, um parlamentar, em 
qualquer das Casas Legislativas, filiado a determinado 
partido político. Da organização sindical, entidade de classe 
ou associação, são exigidos três requisitos: legalmente 
constituídas, em funcionamento há pelo menos um ano e 
pertinência temática. Entretanto vale dizer que a 
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jurisprudência da Corte Suprema dispensou aos sindicatos 
o requisito de funcionamento há pelo menos um ano. 
Outra peculiaridade interessante é a possibilidade de 
impetração do mandado de segurança coletivo mesmo 
quando for impetrado o mandado de segurança individual, 
segundo o artigo 22, parágrafo 1º da lei 12.016/2009. 
Lei 12.016/09: 
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por 
partido político com representação no Congresso Nacional, na 
defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou 
à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de 
classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento 
há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e 
certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou 
associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes 
às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. 
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de 
segurança coletivo podem ser: 
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os 
transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo 
ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária 
por uma relação jurídica básica; 
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta 
Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação 
específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros 
do impetrante. 
Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa 
julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria 
substituídos pelo impetrante. 
§ 1
o
 O mandado de segurança coletivo não induz litispendência 
para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não 
beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a 
desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) 
dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança 
coletiva. 
§ 2
o
 No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser 
concedida após a audiência do representante judicial da pessoa 
jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 
72 (setenta e duas) horas. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 629 do STF - A impetração de mandado de 
segurança coletivo por entidade de classe em favor dos 
associados independe da autorização destes. 
Súmula 630 do STF - A entidade de classe tem legitimidade 
para o mandado de segurança ainda quando a pretensão 
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva 
categoria. 
EMENTA: LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA A 
IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO 
INDEPENDENTEMENTE DA COMPROVAÇÃO DE UM ANO DE 
CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO. Acórdão que, 
interpretando desse modo a norma do art. 5º, LXX, da CF, 
não merece censura. Recurso não conhecido. (STF RE 
198.919/DF, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 15.06.1999). 
 
 
MANDADO DE INJUNÇÃO 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a 
falta da norma regulamentadora torne inviável o exercício 
dos direitos e liberdades constitucionais e das 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à 
cidadania; 
Ação constitucional de natureza civil e procedimento 
especial, novidade da atual Constituição e regulada pela lei 
nº 13.300/2016. 
A impossibilidade do exercício dos direitos e liberdades 
"constitucionais" e as prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania, por falta da 
norma regulamentadora, é o que legitima a impetração do 
mandado de injunção. Assim, tem como objeto uma norma 
de eficácia limitada, norma constitucional que prescinde de 
lei infraconstitucional para possuir plena aplicabilidade. 
Há a possibilidade de impetração de mandado de injunção 
contra omissão absoluta do legislador, uma lacuna da lei, 
ou contra omissão parcial, quando a lei existe, mas não foi 
capaz de regular a completude do direito estabelecido. 
No polo ativo pode constar pessoa física ou jurídica ou 
estrangeira e no polo passivo os órgãos ou autoridades 
públicas que possuem competência para legislar no caso 
concreto (arts. 102, I, “q” e 105, I, “h”, ambos da CF/88). 
Quanto aos efeitos da decisão em sede de mandado de 
injunção, a teoria não-concretista predominou, por muito 
tempo, no âmbito do Supremo tribunal Federal. Entendia a 
Suprema Corte que ao Poder Judiciário caberia apenas o 
reconhecimento formal da inércia legislativa e a 
consequente comunicação ao órgão competente para a 
elaboração da norma regulamentadora necessária ao 
exercício do direito constitucional inviabilizado, sem que o 
legislativo se vinculasse a referida decisão, considerando 
que a adoção de posição diversa ofenderia a separação dos 
Poderes. Posteriormente, a teoria concretista geral foi 
adotada em algumas decisões prolatadas pelo Supremo 
Tribunal Federal (MI 670, 708 e 712), que estabelecia, 
diante da ausência de norma regulamentadora, ao Poder 
Judiciário o suprimento da lacuna. Assim, o poder 
Judiciário, mediante decisão, regularia a omissão em 
caráter geral, com efeitos erga omnes, concedendo a 
viabilizar do exercício do direito constitucional ao 
impetrante e estendendo os efeitos a todos aqueles que 
estivessem na mesma situação. Atualmente, o Órgão de 
Superposiçãotem aplicado a teoria concretista individual, 
permitindo ao Poder Judiciário, diante da lacuna deixada 
pelo Poder Legislativo, editar norma para o caso específico, 
viabilizando o exercício do direito somente ao impetrante, 
uma vez que a decisão tem efeitos inter partes (MI795). Já a 
teoria concretista intermediária, ou mista traduz-se na 
fusão da teoria não-concretista com a teoria concretista 
individual, ou seja, o Poder Judiciário, primeiramente, 
limita-se a declarar a omissão ao órgão responsável pela 
elaboração da norma regulamentadora, fixando-lhe prazo 
para suprimento da lacuna e posteriormente, com a 
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expiração do prazo, estaria autorizado a suprir a lacuna para 
o caso concreto, isto é, somente para o impetrante (MI 
232). 
Lei 13.300/2016. 
Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a 
falta total ou parcial de norma regulamentadora torne 
inviável o exercício dos direitos e liberdades 
constitucionais e das prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania. 
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação 
quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão 
legislador competente. 
Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como 
impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se 
afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das 
prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o 
Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar 
a norma regulamentadora. 
Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será 
deferida a injunção para: 
I - determinar prazo razoável para que o impetrado 
promova a edição da norma regulamentadora; 
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício 
dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas 
reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá 
o interessado promover ação própria visando a exercê-los, 
caso não seja suprida a mora legislativa no prazo 
determinado. 
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se 
refere o inciso I do caput quando comprovado que o 
impetrado deixou de atender, em mandado de injunção 
anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. 
Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes 
e produzirá efeitos até o advento da norma 
regulamentadora. 
§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga 
omnes à decisão, quando isso for inerente ou 
indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da 
prerrogativa objeto da impetração. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão 
ser estendidos aos casos análogos por decisão 
monocrática do relator. 
§ 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova 
não impede a renovação da impetração fundada em 
outros elementos probatórios. 
Art. 11. A norma regulamentadora superveniente 
produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por 
decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da 
norma editada lhes for mais favorável. 
Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a 
norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso 
em que o processo será extinto sem resolução de mérito. 
Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser 
promovido: 
I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for 
especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, 
do regime democrático ou dos interesses sociais ou 
individuais indisponíveis; 
II - por partido político com representação no Congresso 
Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades 
e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a 
finalidade partidária; 
III - por organização sindical, entidade de classe ou 
associação legalmente constituída e em funcionamento há 
pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de 
direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade 
ou de parte de seus membros ou associados, na forma de 
seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, 
dispensada, para tanto, autorização especial; 
IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for 
especialmente relevante para a promoção dos direitos 
humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos 
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da 
Constituição Federal. 
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as 
prerrogativas protegidos por mandado de injunção 
coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma 
coletividade indeterminada de pessoas ou determinada 
por grupo, classe ou categoria. 
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará 
coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da 
coletividade, do grupo, da classe ou da categoria 
substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto 
nos §§ 1º e 2º do art. 9º. 
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não 
induz litispendência em relação aos individuais, mas os 
efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que 
não requerer a desistência da demanda individual no 
prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada 
da impetração coletiva. 
 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) No julgamento do MI no 107/DF, Rel. Min. 
Moreira Alves, DJ 21.9.1990, o Plenário do STF consolidou 
entendimento que conferiu ao mandado de injunção os 
seguintes elementos operacionais: I) os direitos 
constitucionalmente garantidos por meio de mandado de 
injunção apresentam-se como direitos à expedição de um 
ato normativo, os quais, via de regra, não poderiam ser 
diretamente satisfeitos por meio de provimento 
jurisdicional do STF; II) a decisão judicial que declara a 
existência de uma omissão inconstitucional constata, 
igualmente, a mora do órgão ou poder legiferante, insta-o a 
editar a norma requerida; III) a omissão inconstitucional 
tanto pode referir-se a uma omissão total do legislador 
quanto a uma omissão parcial; IV) a decisão proferida em 
sede do controle abstrato de normas acerca da existência, 
ou não, de omissão é dotada de eficácia erga omnes, e não 
apresenta diferença significativa em relação a atos 
decisórios proferidos no contexto de mandado de injunção; 
IV) o STF possui competência constitucional para, na ação 
de mandado de injunção, determinar a suspensão de 
processos administrativos ou judiciais, com o intuito de 
assegurar ao interessado a possibilidade de ser 
contemplado por norma mais benéfica, ou que lhe assegure 
o direito constitucional invocado; V) por fim, esse plexo de 
poderes institucionais legitima que o STF determine a 
edição de outras medidas que garantam a posição do 
impetrante até a oportuna expedição de normas pelo 
legislador. (...). (STF MI 670/ES, 31.10.08). 
EMENTA. (...) 2. A Constituição do Brasil reconhece 
expressamente possam os servidores públicos civis exercer 
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o direito de greve --- artigo 37, inciso VII. A Lei n. 7.783/89 
dispõe sobre o exercício do direito de greve dos 
trabalhadores em geral, afirmado pelo artigo 9º da 
Constituição do Brasil. Ato normativo de início inaplicável 
aos servidores públicos civis. 3. O preceito veiculado pelo 
artigo 37, inciso VII, da CB/88 exige a edição de ato 
normativo que integre sua eficácia. Reclama-se, para fins 
de plena incidência do preceito, atuação legislativa que dê 
concreção ao comando positivado no texto da Constituição.4. Reconhecimento, por esta Corte, em diversas 
oportunidades, de omissão do Congresso Nacional no que 
respeita ao dever, que lhe incumbe, de dar concreção ao 
preceito constitucional. Precedentes. 5. Diante de mora 
legislativa, cumpre ao Supremo Tribunal Federal decidir no 
sentido de suprir omissão dessa ordem. Esta Corte não se 
presta, quando se trate da apreciação de mandados de 
injunção, a emitir decisões desnutridas de eficácia. 6. A 
greve, poder de fato, é a arma mais eficaz de que dispõem 
os trabalhadores visando à conquista de melhores 
condições de vida. Sua auto aplicabilidade é inquestionável; 
trata-se de direito fundamental de caráter instrumental. 
(...) 16. Mandado de injunção julgado procedente, para 
remover o obstáculo decorrente da omissão legislativa e, 
supletivamente, tornar viável o exercício do direito 
consagrado no artigo 37, VII, da Constituição do Brasil (...). 
(STF MI 712, Min. Eros Grau. 31/10/2008). 
EMENTA (...) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o MI n. 
712, afirmou entendimento no sentido de que a Lei n. 
7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve 
dos trabalhadores em geral, é ato normativo de início 
inaplicável aos servidores públicos civis, mas ao Poder 
Judiciário dar concreção ao artigo 37, inciso VII, da 
Constituição do Brasil, suprindo omissões do Poder 
Legislativo. (...) A força normativa da Constituição é 
desprendida da totalidade, totalidade normativa, que a 
Constituição é. Os servidores públicos são, seguramente, 
titulares do direito de greve. Essa é a regra. Ocorre, 
contudo, que entre os serviços públicos há alguns que a 
coesão social impõe sejam prestados plenamente, em sua 
totalidade. Atividades das quais dependam a manutenção 
da ordem pública e a segurança pública, a administração da 
Justiça --- onde as carreiras de Estado, cujos membros 
exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação 
tributária --- e a saúde pública não estão inseridos no 
elenco dos servidores alcançados por esse direito. (...). (STF 
Rcl. 6568/SP. Rel. Min. Eros Grau. 25.09.2009). 
EMENTA. Mandado de injunção. - Legitimidade ativa da 
requerente para impetrar mandado de injunção por falta 
de regulamentação do disposto no par. 7. do artigo 195 da 
Constituição Federal. - Ocorrência, no caso, em face do 
disposto no artigo 59 do ADCT, de mora, por parte do 
Congresso, na regulamentação daquele preceito 
constitucional. Mandado de injunção conhecido, em parte, 
e, nessa parte, deferido para declarar-se o estado de mora 
em que se encontra o Congresso Nacional, a fim de que, no 
prazo de seis meses, adote ele as providencias legislativas 
que se impõem para o cumprimento da obrigação de 
legislar decorrente do artigo 195, par. 7., da Constituição, 
sob pena de, vencido esse prazo sem que essa obrigação se 
cumpra, passar o requerente a gozar da imunidade 
requerida. (STF MI 232-1/RJ, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ 
27.03.1992). 
EMENTA: Mandado de injunção. Aposentadoria especial do 
servidor público. Artigo 40, § 4º, da Constituição da 
República. Ausência de lei complementar a disciplinar a 
matéria. Necessidade de integração legislativa. 1. Servidor 
público. Investigador da polícia civil do Estado de São Paulo. 
Alegado exercício de atividade sob condições de 
periculosidade e insalubridade. 2. Reconhecida a omissão 
legislativa em razão da ausência de lei complementar a 
definir as condições para o implemento da aposentadoria 
especial. 3. Mandado de injunção conhecido e concedido 
para comunicar a mora à autoridade competente e 
determinar a aplicação, no que couber, do art. 57 da Lei n. 
8.213/91." (MI 795, Relatora Ministra Cármen Lúcia, 
Tribunal Pleno, julgamento em 15.4.2009, DJe de 
22.5.2009) 
Súmula Vinculante nº 33 - Aplicam-se ao servidor público, 
no que couber, as regras do regime geral da previdência 
social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 
40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de 
lei complementar específica. 
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE 
INJUNÇÃO. SUPERAÇÃO DA MORA LEGISLATIVA. PERDA DO 
OBJETO. 1. A jurisprudência desta Corte se firmou no 
sentido de que a edição do diploma reclamado pela 
Constituição leva à perda de objeto do mandado de 
injunção. 2. “Excede os limites da via eleita a pretensão de 
sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito à 
edição da lei regulamentadora” (MI 634-AgR, Rel. Min. 
Sepúlveda Pertence). 3. Agravo regimental improvido. (MI 
3709 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal 
Pleno, julgado em 11/12/2014, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015). 
AÇÃO POPULAR 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor 
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio 
público ou de entidade de que o Estado participe, à 
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da 
sucumbência; 
Ganhou status constitucional na CF de 1934, mas deixou de 
constar na CF de 1937, só voltando a partir da CF de 1946. 
Foi regulada pela lei 4.717/65. 
A ação pode ser preventiva ou repressiva contra ato lesivo 
ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 
Quem tem legitimidade ativa para interpor uma ação 
popular é somente o cidadão, inclusive o menor de dezoito 
anos, conforme expresso no texto do inciso, o que impede 
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o estrangeiro de ser impetrante. Entretanto, a de se levar 
em conta que o português equiparado terá os meus 
direitos do brasileiro naturalizado em decorrência do 
princípio da reciprocidade, portanto, mesmo sendo 
estrangeiro, poderá impetrar uma ação popular. Também 
não são legitimados as pessoas jurídicas e os apátridas (os 
que não exercem seus direitos políticos sejam porque 
perderam ou porque não os adquiriram). 
O Ministério Público não possui legitimação para a ação 
popular, porém poderá prosseguir com a ação popular 
quando houver desistência do autor ou o mesmo der 
motivo à absolvição da instância, nos termos do artigo 9º 
da lei 4.717/1965 que diz: “Se o autor desistir da ação ou 
der motivo à absolvição da instância, serão publicados 
editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, 
ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao 
Representante do Ministério Público, dentro do prazo de 
90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o 
prosseguimento da ação”. 
A legitimidade para responder a ação popular cabe às 
pessoas cujo patrimônio se pretende proteger: União, 
Distrito Federal, Estado, Município, autarquias, empresas 
públicas, fundações públicas, sociedade de economia mista, 
fundações de direito provado federais, estaduais, distritais, 
municipais, serviços sociais autônomos, quaisquer pessoas 
jurídicas subvencionadas pelos cofres públicos, aqueles que 
causaram, por ato ou por omissão, ou que ameaçaram 
causar lesão aos bens tutelados pela ação popular: 
autoridades públicas, funcionários e administradores, 
avaliadores e os beneficiários diretos do ato ou da omissão. 
A presente ação é desconstitutiva condenatória, pois visa 
tanto à anulação do ato impugnado quanto à condenação 
dos responsáveis e beneficiários em perdas e danos. 
Não se confunde com a Ação Civil Pública, prevista no 
artigo 129, II, da CF/88. 
Lei 4.717/65: 
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da 
instância, serão publicados editais nos prazos e condições 
previstos no art.7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer 
cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, 
dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, 
promover o prosseguimento da ação. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula 365 do STF - Pessoa Jurídica não tem legitimidade 
para propor ação popular. 
EMENTA. (...) Ainda quando se trate de ação popular, não 
basta a legitimidade "ad causam" e "ad processum", mas há 
necessidade, também, da observância da capacidade de 
postular em juízo. (...). (STF RE 87.052/GO. Rel. Min. 
Moreira Alves. DJ 28.04.1978). 
EMENTA. (...) A competência para julgar ação popular 
contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do 
Presidente da República, é, via de regra, do juízo 
competente de primeiro grau. Precedentes. Julgado o feito 
na primeira instância, se ficar configurado o impedimento 
de mais da metade dos desembargadores para apreciar o 
recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a 
competência do Supremo Tribunal Federal, com base na 
letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 102 da 
Constituição Federal (...). (STF AO 859-QO, 1º-8-03). 
 
REGRAS DE APLICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 
§1º As normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata; 
Na verdade, segundo a dogmática doutrinária, todas as 
normas constitucionais tem eficácia jurídica, que é 
imediata, direta e vinculante, haja vista que passa a 
produzir efeitos desde a sua vigência. Entretanto, não se 
deve confundir eficácia jurídica das normas com 
aplicabilidade das normas, considerando que a norma 
poderá possuir aplicabilidade mediata e indireta, quando, 
por exemplo, necessitam de uma norma infraconstitucional 
para produzir todos os efeitos (norma de eficácia limitada). 
Ressalte-se que mesmo essas normas possuem o mínimo 
de aplicabilidade quando revogam as normas que lhes são 
contrárias, ou limitam o legislador e o aplicador do direito, 
impedindo-os de negar o direito, além de conceder 
legitimidade às pessoas de exigir o direito previsto, 
inclusive através do mandado de injunção. 
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição 
não excluem outros decorrentes do regime e dos 
princípios por ela adotados, ou de tratados internacionais 
em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
Esse dispositivo garante que os direitos e garantias constam 
em toda a Constituição Federal, de forma expressa e 
implícita, através de regras e princípios, inclusive em 
tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Os 
direitos fundamentais são uma categoria aberta, uma vez 
que outros direitos e garantias podem ser estabelecidos na 
constituição federal e nas leis infraconstitucionais. 
Dispositivo correspondente: art. 60, §4º, IV, da CF/88. 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. (...) O rol de direitos e garantias individuais, 
protegidos pela cláusula pétrea, art. 60, § 4º, IV, previstos 
no art. 5º da Constituição não é exaustivo, há outros 
dispositivos na Lei Maior, isto sem considerar a regra básica 
do § 2º do art. 5º, segundo o qual “os direitos e garantias 
expressos nesta Constituição não excluem outros 
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados...” 
Houve o agasalho, portanto, de direitos e garantias 
explícitos e de direitos e garantias implícitos (...). (STF ADI 
939-07/DF). 
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QUADRO DOS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS 
REMÉDIOS 
CONSTIT. 
CABIMENTO OBJETO LEGIT. ATIVA LEGIT. ASSIVA ESPÉCIES CARACTERÍSTICAS 
Habeas 
Corpus (art. 5º, 
LXVIII) 
 
Na CF/1891 - 
Surgiu com 
status const. 
Sempre que alguém 
sofrer ou se achar 
ameaçado de sofrer 
violência ou coação 
em sua liberdade de 
locomoção, por 
ilegalidade ou abuso 
de poder. 
Liberdade de ir 
e vir e de 
permanecer em 
tempo de paz 
Impetrante: qualquer 
pessoa em sua 
própria defesa ou em 
favor de terceiro 
(paciente); pode ser 
pessoa física ou 
pessoa jurídica em 
favor de pessoa 
física, brasileira ou 
estrangeira. 
Impetrado: 
autoridade pública 
ou particular. 
Preventivo - 
poderá obter 
um salvo-
conduto; 
Liberatório ou 
repressivo - 
poderá obter 
alvará de 
soltura 
- Não é necessário 
advogado; 
- É gratuito; 
 
Mandado de 
Segurança 
(art. 5º, LXIX). 
 
Surgiu na 
CF/1934, mas 
foi retirado na 
CF/1937 e só 
voltou a partir 
da CF/1946. 
É conferido aos 
indivíduos, para que 
eles se defendam de 
atos ilegais ou atos 
praticados por abuso 
de poder. 
Direito líquido e 
certo não 
amparado por 
HC ou HD. 
Pessoa física 
(brasileira ou 
estrangeira) ou 
jurídica. 
Autoridade coatora: 
agente público 
investido no poder 
de decisão (não 
confundir com mero 
executor) 
Preventivo - 
ameaça a 
violação de 
direito líquido e 
certo do 
impetrante; 
Repressivo - 
ilegalidade ou 
abuso de poder 
já praticados. 
-Regulado pela lei 
12.016/09; 
-é uma ação subsidiária. 
Mandado de 
Segurança 
Coletivo 
(art. 5º, LXX). 
 
Surgiu na 
CF/1988. 
Busca a preservação 
ou a reparação de 
interesses 
transindividuais. 
Defesa de 
direitos 
coletivos e 
difusos 
Partido político com 
representação 
política no 
Congresso e 
organização sindical, 
entidade de classe 
ou associação em 
funcionamento há 
pelo menos 1 ano. 
Autoridade coatora: 
agente público 
investido no poder 
de decisão (não 
confundir com mero 
executor) 
------- 
- É necessária a existência 
de pelo menos um único 
parlamentar na Câmara ou 
no Senado, filiado a um 
partido; 
- o STF tem entendido que 
a organização sindical não 
necessita do requisito de 
um ano de funcionamento. 
Mandado de 
Injunção 
(art. 5º, LXXI). 
 
Surgiu na 
CF/1988. 
Falta de norma 
reguladora de uma 
previsão 
constitucional que 
inviabiliza o exercício 
dos direitos e 
liberdades 
constitucionais 
Combater a 
síndrome da 
inefetividade 
das normas 
constitucio-
nais. 
Pessoa física 
(brasileira ou 
estrangeira) ou 
jurídica. 
Pessoa jurídica de 
direito público (entes 
estatais) ou 
Presidente da 
República quando a 
iniciativa de lei for 
privativa dele 
------ 
- Regulado pela Lei N
o
 
13.300/2016 
Habeas Data 
(art. 5º, LXXI). 
 
Surgiu na 
CF/1988. 
Registro e 
informações 
governamentais ou 
de caráter público 
Obtenção de 
informação ou 
eventual 
retificação de 
dados 
Pessoa física 
(brasileira ou 
estrangeira) ou 
jurídica. 
Entidades 
governamentais e 
pessoas jurídicas 
que prestam 
serviços para o 
público ou de 
interesse público 
------- 
-É gratuito; 
-Ação personalíssima (Em 
regra, não admite pedido 
de terceiros); 
-É necessário que o 
impetrante tenha requerido 
na via administrativa e 
tenha sido negado (tem 
que mostrar a prova da 
recusa. Lei nº. 9.507/97) 
Ação Popular 
(art. 5º, LXIII). 
Surgiu na 
CF/1934, mas 
foi retirado na 
CF/1937 e só 
voltou a partir 
da CF/1946. 
Invalidar o ato e 
condenar os 
responsáveis e 
beneficiários por 
perdas e danos 
Ilegalidade ou 
lesão ao 
patrimônio 
público, à 
moralidade 
administrativa e 
etc. 
Cidadão (tem que tertítulo de eleitor e está 
no gozo dos direitos 
eleitorais ativos) 
Poder Público, seus 
agentes e eventuais 
beneficiários. 
Preventiva 
Repressiva 
É isenta de custas e do 
ônus da sucumbência, se 
agir de boa fé. 
 
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2 – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
CAPÍTULO VII 
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Seção I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Segundo Alexandre de Morais a administração pública 
pode ser definida objetivamente como a atividade concreta 
e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos 
interesses coletivos e subjetivamente como o conjunto de 
órgãos e de pessoas jurídicas as quais a lei atribui o 
exercício da função administrativa do Estado. 
A administração federal compreende a administração 
direta, que é responsável imediata pelas atividades 
administrativas do Estado e a administração indireta, que 
compreende as autarquias, empresas públicas, sociedades 
de economia mista e fundações públicas, todas com 
personalidade jurídica própria. 
A característica determinante da administração direta é a 
sua composição, pois os órgãos públicos integram as 
pessoas federativas (União, Estados-membros, Distrito 
Federal e Municípios) e estão ligados diretamente ao poder 
executivo federal, estadual, distrital ou municipal. Além 
disso, não possuem personalidade jurídica própria, 
patrimônio e autonomia administrativa, uma vez que seus 
orçamentos são subordinados às esferas das quais fazem 
parte. Ex: ministérios do governo federal, as secretárias dos 
estados federativos e dos municípios. 
A administração indireta é caracterizada por entidades que 
possuem personalidade jurídica própria, possuindo 
portanto, patrimônio, autonomia administrativa e 
orçamento específico para seus fins e de responsabilidade 
de gestão. (art. 37, XIX, da CF/88). 
As autarquias são serviços autônomos, instituídas por lei e 
portadoras de personalidade jurídica própria, bem como 
patrimônio e receita. Seu objetivo é executar atividades 
típicas da Administração Pública, que por motivo de 
otimização da funcionalidade, requerem uma 
descentralização da gestão administrativa e financeira. Ex: 
O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a Agência 
Nacional de Saúde (ANS) e a Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA). 
As empresas públicas são entidades dotadas de 
personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio e 
capital exclusivo da União, criadas para a exploração de 
atividade econômicas que o Governo seja levado a exercer 
por força de contingência ou de conveniência 
administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas 
admitidas em direito. Ex: Caixa Econômica Federal. 
As sociedades de economia mista, que são entidades 
dotadas de personalidade jurídica de direito privado, com 
criação autorizada por lei para a exploração de atividade 
econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações 
com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a 
entidade da Administração Indireta. São portanto, 
controladas pelo Poder Público. Ex: Banco do Brasil e a 
Petrobras. 
As fundações públicas possuem personalidade jurídica de 
direito público, que não visam lucro e são criadas para o 
desenvolvimento de atividades que não exijam execução 
por órgãos ou entidades de direito público. Também 
possuem autonomia administrativa, patrimônio próprio 
gerido pelos respectivos órgãos de direção e tem em sua 
fonte de financiamento os recursos da União e demais 
fontes. Ex: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE) e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI). 
As duas premissas da administração pública ou os pilares do 
regime jurídico-administrativo são: sobrepor a vontade da 
lei à vontade do particular, no intuito de privilegiar o 
interesse público em relação ao interesse individual, ou 
seja, princípio da supremacia do interesse público e o 
princípio da indisponibilidade, onde são vedados ao 
administrador quaisquer atos que impliquem renúncia a 
direitos da Administração ou que injustificadamente 
onerem a sociedade. 
Quanto aos princípios expressos, temos: a legalidade 
administrativa, que só permite a prática do que for 
permitido pela lei, ao contrário da legalidade do particular, 
que permite a prática de tudo aquilo que não for vedado ou 
proibido, a impessoalidade (chamado de finalidade por José 
Afonso da Silva), significa que o ato será praticado a bem do 
interesse público, coletivo, a moralidade aqui indicada não 
se trata da moral comum, mas da moral jurídica, entendida 
como o conjunto de regras de boa administração, a 
publicidade, princípio instrumental dos demais, o qual 
permite que qualquer cidadão possa verificar se estão 
sendo obedecidos os princípios da administração, somente 
podendo ser excepcionada quando o interesse público o 
exigir e por fim, a eficiência, princípio acrescentado pela 
emenda 19, significa a busca de qualidade, de 
produtividade, de resultado, nas decisões e condutas 
administrativas. 
Esse modelo de Administração Pública que prestigia 
resultados identifica-se com a noção de administração 
gerencial. 
Dispositivos correspondentes: 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
Súmula Vinculante nº 34 
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis 
aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos 
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em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
O ilustre J. Cretella Jr. define cargo público como “uma 
incumbência que o Estado atribui a uma pessoa física, que é 
o agente público”. A função pública consiste no conjunto de 
deveres e atribuições cometidas precariamente a 
determinada categoria profissional ou a determinados 
servidores, para a execução de serviços públicos eventuais, 
que se for exercida sob contrato regido pela CLT, será 
emprego público, como no caso das sociedades de 
economia mista ou empresas públicas. 
Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos 
brasileiros, natos e naturalizados, aos portugueses 
equiparados que preencham os requisitos legais e aos 
estrangeiros, na forma da lei, sendo vedado qualquer 
discriminação abusiva. 
Ressalte-se que cabe privativamente ao Presidente da 
República a iniciativa dos projetos de lei que disponham 
sobre a criação de cargos, funções ouempregos públicos na 
administração direta e autárquica (art. 61, § 1º., II, a). 
*** Outro ponto importante é a possibilidade de limitação 
do acesso a cargos, empregos e funções públicas em face da 
fixação de limite de idade, desde que compatível com a 
atribuição a ser desenvolvida, entendimento jurisprudencial 
firmado pelo STF na súmula 683, que diz: “O limite de idade 
para a inscrição em concurso público só se legitima em face 
do art. 7º., XXX, da Constituição, quando possa ser 
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser 
preenchido”. 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de 
aprovação prévia em concurso público de provas ou de 
provas e títulos, de acordo com a natureza e a 
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em 
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão 
declarado em lei de livre nomeação e exoneração; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
As exceções só existirão com expressa previsão 
constitucional, sob pena de nulidade. Assim, apesar do 
regime de pessoal das entidades paraestatais ser o mesmo 
dos empregados das empresas privadas, a obrigatoriedade 
do concurso público subsiste, até mesmo para as empresas 
que exerçam atividades econômicas, salvo para os cargos 
ou funções de confiança. 
O princípio da obrigatoriedade do concurso público aplica-
se integralmente também para o ingresso na atividade 
notarial e de registro (art. 236, § 3º., da CF). 
A única exceção ao princípio supra aludido é a delegação do 
exercício de funções de confiança a pessoas que não 
pertençam aos quadros da Administração, desde que essas 
funções não sejam de direção, chefia e assessoramento. 
Súmula 16 do STF - Funcionário nomeado por concurso tem 
direito a posse. 
Importante!!!! No que diz respeito a discricionariedade da 
banca examinadora em concursos públicos, é proibido ao 
Poder Judiciário interferir na esfera da Administração para 
valorar os critérios adotados por ela, sendo substituto da 
banca examinadora, podendo o judiciário rever os abusos, o 
desrespeito aos princípios constitucionais da administração 
pública. 
 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
EMENTA. 1. O Plenário desproveu recurso extraordinário 
interposto de acórdão do STJ que, ao reconhecer o direito 
subjetivo à nomeação de candidato aprovado em concurso 
público no limite do número de vagas definido no edital, 
determinara que ela fosse realizada. Entendeu-se, em 
síntese, que a Administração Pública estaria vinculada às 
normas do edital e que seria, inclusive, obrigada a 
preencher as vagas previstas para o certame dentro do 
prazo de validade do concurso. Acrescentou-se que essa 
obrigação só poderia ser afastada diante de excepcional 
justificativa, o que não ocorrera no caso. Após retrospecto 
acerca da evolução jurisprudencial do tema na Corte, 
destacou-se recente posicionamento no sentido de haver 
direito subjetivo à nomeação, caso as vagas estejam 
previstas em edital. Anotou-se não ser admitida a 
obrigatoriedade de a Administração Pública nomear 
candidato aprovado fora do número de vagas previstas, 
simplesmente pelo surgimento de nova vaga, seja por nova 
lei, seja decorrente de vacância. Observou-se que também 
haveria orientação no sentido de que, durante o prazo de 
validade de concurso público, não se permitiria que 
candidatos aprovados em novo certame ocupassem vagas 
surgidas ao longo do período, em detrimento daqueles 
classificados em evento anterior. Reputou-se que a linha de 
raciocínio acerca do tema levaria à conclusão de que o 
dever de boa-fé da Administração Pública exigiria respeito 
incondicional às regras do edital, inclusive quanto à 
previsão das vagas do concurso público. Afirmou-se que, de 
igual maneira, dever-se-ia garantir o respeito à segurança 
jurídica, sob a forma do princípio de proteção à confiança. O 
Min. Ricardo Lewandowski ressalvou inexistir direito líquido 
e certo. Ademais, enfatizou o dever de motivação por parte 
do Estado, se os aprovados dentro do número de vagas 
deixarem de ser nomeados. O Min. Ayres Britto, por sua 
vez, afirmou que o direito líquido e certo apenas surgiria na 
hipótese de candidato preterido, ou de ausência de 
nomeação desmotivada. 2. Explicou-se que, quando a 
Administração Pública torna público um edital de concurso, 
ela impreterivelmente geraria uma expectativa quanto ao 
seu comportamento segundo as regras previstas no edital. 
Assim, aqueles cidadãos que decidissem se inscrever para 
participar do certame depositariam sua confiança no 
Estado, que deveria atuar de forma responsável quanto às 
normas editalícias e observar o princípio da segurança 
jurídica como guia de comportamento. Ressaltou-se que a 
Constituição, em seu art. 37, IV, garantiria prioridade aos 
candidatos aprovados em concurso. Asseverou-se que, 
dentro do prazo de validade do certame, a Administração 
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poderia escolher o momento no qual realizada a nomeação, 
mas não dispor sobre ela própria, a qual, de acordo com o 
edital, passaria a constituir um direito do concursando 
aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao Poder 
Público. Em seguida, explicitou-se que esse direito à 
nomeação surgiria, portanto, quando realizadas as 
seguintes condições fáticas e jurídicas: a) previsão em edital 
de número específico de vagas a serem preenchidas pelos 
candidatos aprovados em concurso público; b) realização de 
certame conforme as regras do edital; c) homologação do 
concurso e proclamação dos aprovados dentro do número 
de vagas previsto, em ordem de classificação, por ato 
inequívoco e público da autoridade competente. Reputou-
se que esse direito seriapúblico subjetivo em face do 
Estado, fundado em alguns princípios informadores da 
organização do Poder Público no Estado Democrático de 
Direito, como o democrático de participação política, o 
republicano e o da igualdade. Dessa maneira, observou-se 
que a acessibilidade aos cargos públicos constituiria direito 
fundamental expressivo da cidadania, e limitaria a 
discricionariedade do Poder Público quanto à realização e 
gestão dos concursos públicos. A Min. Cármen Lúcia repisou 
que o princípio da confiança seria ligado ao da moralidade 
administrativa e que, nesse sentido, a Administração 
nãopossuiria poder discricionário absoluto. 3. Ressalvou-se 
a necessidade de se levar em conta situações 
excepcionalíssimas, a justificar soluções diferenciadas, 
devidamente motivadas de acordo com o interesse público. 
Essas situações deveriam ser dotadas das seguintes 
características: a) superveniência, ou seja, vinculadas a 
fatos posteriores à publicação do edital; b) 
imprevisibilidade, isto é, determinadas por circunstâncias 
extraordinárias; c) gravidade, de modo a implicar 
onerosidade excessiva, dificuldade ou mesmo 
impossibilidade de cumprimento efetivo das regras 
editalícias; d) necessidade, traduzida na ausência de outros 
meios, menos gravosos, de se lidar com as circunstâncias. 
Asseverou-se a importância de que a recusa de nomear 
candidato aprovado dentro do número de vagas seja 
devidamente motivada e, dessa forma, passível de controle 
pelo Poder Judiciário. Por fim, reafirmou-se a jurisprudência 
da Corte segundo a qual não se configuraria preterição 
quando a Administração realizasse nomeações em 
observância a decisão judicial. Ratificou-se, de igual modo, a 
presunção de existência de disponibilidade orçamentária 
quando houver preterição na ordem classificatória, inclusive 
da decorrente de contratação temporária. Salientou-se, 
além disso,que o pedido de nomeação e posse em cargo 
público para o qual o candidato fora aprovado, em concurso 
público, dentro do número de vagas, não se confundiria 
com o pagamento de vencimentos, consequência lógica da 
investidura do cargo. (STF RE 598099/MS, rel. Min. Gilmar 
Mendes, 10.8.2011). 
III - o prazo de validade do concurso público será de até 
dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; 
Significa dizer que o prazo de validade dos concursos 
públicos é de até dois anos e pode ser prorrogado uma 
única vez por igual período. Entende-se por prazo de 
validade o período durante o qual a Administração poderá 
nomear ou contratar os aprovados para o provimento ou 
preenchimento do cargo ou emprego público a que se 
destinava o concurso, valendo ressaltar que o dispositivo foi 
repetido pelo art. 12 da lei 8.112/1990. 
Em julgados recentes, contrariando o entendimento 
pretérito, o STF tem se referido à existência de um direito 
subjetivo à nomeação quando o candidato é classificado 
dentro do número de vagas previsto no edital (exemplo: 
RMS 24119, rel. Min. Maurício Corrêa, Segunda Turma, 
30.04.2002). 
O prazo de validade é contado da homologação do 
concurso. 
É oportuno frisar que o parágrafo 2º. do art. 37 da CF/88 
estabelece que o desrespeito ao prazo de validade do 
concurso implicará a nulidade do ato e a punição da 
autoridade responsável, nos termos da lei. 
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de 
convocação, aquele aprovado em concurso público de 
provas ou de provas e títulos será convocado com 
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou 
emprego, na carreira; 
A CF não veda a abertura de concurso público para 
determinado cargo ou emprego enquanto ainda esteja 
dentro do prazo de validade de um concurso anterior 
realizado pela mesma Administração. A Lei Maior 
estabelece apenas prioridade para a nomeação de 
aprovados no concurso anterior ainda dentro do prazo de 
validade. 
Conforme súmula 15 do STF, o desrespeito a ordem de 
classificação acarretará a nulidade do ato, pois durante o 
prazo previsto no edital de convocação, aquele aprovado 
em concurso público de provas e títulos, será convocado 
com prioridade sobre novos concursados. Findo o prazo, 
extingue-se o direito, podendo inclusive ser aberto novo 
concurso. 
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por 
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em 
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira 
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em 
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998). 
Esse inciso já fora comentado durante a explanação feita no 
inciso II, cujo entendimento é corroborado pro José Afonso 
da Silva, que afirma: “recomenda-se que os cargos em 
comissão e as funções de confiança sejam exercidos 
preferencialmente, por servidores ocupantes de cargo de 
carreira técnica ou profissional, nos casos e condições 
previstos em lei (artigo 37, V)”. 
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre 
associação sindical; 
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Frise-se que aos Militares são vedadas, em sede 
constitucional, a sindicalização e a greve, nos termos do 
artigo 142, IV, da CF. 
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos 
limites definidos em lei específica; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
Esse dispositivo não é autoaplicável, pois deverá ser 
exercido nos termos e limites definidos em lei ordinária 
específica, salientando que ao empregado público se aplica 
o direito de greve do trabalhador celetista assegurado no 
artigo 9º. da CF. 
A lei regulamentadora mencionada no dispositivo até hoje 
não foi editada, porém o STF, em face da inércia do 
Congresso Nacional, determinou a aplicação temporária ao 
setor público, no que couber, da lei de greve vigente no 
setor privado, lei 7.783/89, até que seja aditada a lei 
específica de que trata o presente artigo. (MI 670 e 708, rel. 
Min. Gilmar Mendes, 25.10.2007; MI 712, rel. Min. Eros 
Grau, 25.10.2007). 
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos 
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e 
definirá os critérios de sua admissão; 
A lei no. 7.853/89 (Disciplina a Coordenadoria Nacional para 
a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde e 
institui a tutela jurisprudencial de interesses coletivos e 
difusos das pessoas portadoras de deficiência) e o Decreto 
no. 914/93 (disciplina a política nacional para a integração 
da pessoa portadora de deficiência), são as normas 
infraconstitucionais editadas pelo legislador. 
A lei 8.112/1990, em seu artigo 5º., parágrafo 2º., reservou 
às pessoas portadoras de deficiência até 20% (vinte por 
cento) das vagas oferecidas no concurso para provimento 
de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a 
deficiência de que são portadoras. 
O STF entende que na hipótese de a divisão resultar em 
número fracionado, impõe-se o arredondamento. 
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo 
determinado para atender a necessidade temporária de 
excepcional interesse público; 
São requisitos obrigatórios: excepcional interesse público, 
temporariedade da contratação e expressa previsão legal, a 
qual deverá ser editada pela entidade contratadora. Na 
esfera federal, o assunto foi regulado pela lei no. 
8.745/1993. O pessoal contratado com base nessa lei não 
pode ser considerado estatutário, nem celetista, pois 
exercem função pública remunerada por determinado 
órgão ou entidade da Administração. 
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de 
que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou 
alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa 
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na 
mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
Diz José Afonso da Silva que a expressão “espécies 
remuneratórias” é usada como gênero que compreende o 
subsídio, o vencimento (singular), os vencimentos (plural) e 
a remuneração. 
O subsídio é uma modalidade de remuneração fixado em 
parcela única, de aplicação obrigatória para os agentes 
políticos (Chefes dos Executivos, Parlamentares, Ministros 
de Estado, Secretários Estaduais e Municipais, membros da 
magistratura e do Ministério Público, Ministros do TCU e 
etc), para determinados servidores públicos (das carreiras 
pertencentes à AGU, DP, PGFN, PGE/DF e os servidores da 
PF, PRF, PC, PM e Corpos de Bombeiros Militares) e 
facultativa para os servidores públicos de carreira, desde 
que assim disponha a lei. 
Vencimentos ou remuneração é modalidade remuneratória 
dos agentes públicos submetidos ao regime estatutário. 
Salário é a contraprestação pecuniária paga aos 
empregados públicos, admitidos sob o regime jurídico 
trabalhista, sujeitos à CLT. 
O Princípio da periodicidade garante ao funcionalismo 
público, no mínimo, uma revisão geral anual obrigatória. 
A lei específica é de iniciativa privativa do Presidente da 
República, na forma do parágrafo 1º. do artigo 61, quando 
se tratar de servidores federais e de iniciativa do 
Governador e Prefeito quando se tratar, respectivamente, 
de servidores estaduais e municipais. 
A revisão geral expressa no dispositivo trata-se de mera 
reposição de perdas inflacionárias e não de aumento de 
remuneração. 
Embora haja divergência doutrinária, a maior parte da 
doutrina entende que a revisão anualé extensiva também 
aos servidores públicos militares, na mesma data e sem 
distinções de índices. 
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos 
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra 
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou 
não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em 
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, 
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do 
Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio 
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o 
subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do 
Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do 
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em 
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no 
âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos 
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membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos 
Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003). 
A Constituição Federal estabeleceu um teto único, que é o 
subsídio mensal dos ministros do STF, só que para os 
servidores e agentes políticos da União o teto é um só: o 
subsídio dos ministros do STF. Também para os servidores e 
agentes políticos dos Municípios o teto é único: o subsídio 
do prefeito, mas para os agentes públicos dos Estados e do 
DF são três tetos: no âmbito do poder executivo, o teto é o 
subsídio mensal do governador, no âmbito do Poder 
Legislativo, o subsídio dos deputados estaduais e distritais e 
no âmbito do Poder Judiciário, o subsídio dos 
desembargadores do Tribunal de Justiça, mas estes mesmos 
sujeitos a 90,25% do subsídio mensal dos ministros do STF, 
incluindo-se nesse limite os agentes políticos que exercem 
funções essenciais à Justiça. 
O STF julgou inconstitucional o estabelecimento de limites 
diferentes de remuneração para os magistrados estaduais e 
federais, excluindo a submissão dos membros da 
magistratura estadual ao subteto de remuneração prevista 
no parágrafo 12 do artigo 37, da Carta Magna (ADI – MC no. 
3854/DF, Rel Min. Cezar Peluso, 28.02.2007). 
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do 
Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos 
pelo Poder Executivo; 
A aplicação da isonomia tem como referência os cargos do 
Executivo, isto é, os servidores dos três Poderes têm direito 
à paridade isonômica de vencimentos, mas a parificação se 
faz com cargos iguais ou assemelhados do Poder Executivo. 
Essa isonomia entre servidores de Poderes diversos é o que 
se chama “paridade de vencimentos”, que toma por base os 
fixados para os servidores do Poder Executivo. 
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer 
espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de 
pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998). 
Isonomia é igualdade de espécies remuneratórias entre 
cargos de atribuições iguais ou assemelhadas. Paridade é 
um tipo especial de isonomia, é igualdade de vencimentos 
atribuídos a cargos de atribuições iguais ou assemelhados 
pertencentes a quadro de Poderes diferentes. Equiparação 
é a comparação de cargos de denominação e atribuições 
diversas, considerando-os iguais para fins de se lhes conferir 
os mesmos vencimentos. A equiparação quer tratamento 
igual para situações desiguais. Vinculação é relação de 
comparação vertical, diferente da equiparação, que é 
relação horizontal. 
O dispositivo veda a vinculação ou equiparação de 
quaisquer espécies remuneratórias para efeito de 
remuneração de pessoal de serviço público, quando, na 
verdade, o que se veda é a vinculação ou equiparação de 
cargos, empregos ou funções para efeitos de remuneração. 
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor 
público não serão computados nem acumulados para fins 
de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
É a vedação ao efeito repicão, isto é, que uma mesma 
vantagem seja repetivamente computada sobre as demais 
vantagens, alcançando, inclusive, os proventos dos 
aposentados. 
XV – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos 
e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o 
disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998). 
De fato só os vencimentos podem ser irredutíveis. A 
remuneração, em sentido próprio, não, pois um de seus 
componentes é necessariamente variável, mas qualquer 
que seja, sobre todas as suas parcelas somadas incidirá o 
imposto sobre a renda. 
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de 
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso 
XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998). 
a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998). 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998). 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais 
de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001). 
 
XVII – a proibição de acumular estende-se a empregos e 
funções e abrange autarquias, fundações, empresas 
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, 
e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo 
poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998). 
Igualmente é vedada a percepção simultânea de proventos 
da aposentadoria com a remuneração de cargo, função ou 
emprego público, ressalvados os cargos acumuláveis, os 
cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei 
de livre nomeação e exoneração, sempre respeitado o teto 
do artigo 37, XI. (parágrafo 10, do artigo 37, da CF). 
XVIII – a administração fazendária e seus servidores fiscais 
terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, 
precedência sobre os demais setores administrativos, na 
forma da lei; 
Embora seja um dispositivo pendente de regulamentação 
por parte do legislador ordinário, da regra nele prevista 
decorre que nenhum setor da Administração poderá obstar 
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ou dificultar o desempenho das funções dos servidores 
fiscais fazendários. 
XIX – somente por lei específica poderá ser criada 
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, 
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à 
lei complementar, neste último caso, definir as áreas de 
sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
19, de 1998). 
 
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a 
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no 
inciso anterior, assim como a participação de qualquer 
delas em empresa privada; 
São entidades Paraestatais. Empresa pública é toda 
empresaem sentido econômico que se encontra no setor 
público da economia. Entidades autárquicas são pessoas 
jurídicas estatais autônomas, criadas por lei e 
exclusivamente administrativas, são entes descentralizados 
com funções administrativas ou de gestão de serviços 
públicos específicos. Sociedade de economia mista é uma 
sociedade anônima cujas ações pertencem em parte a entes 
particulares, em parte ao Estado, que por esse motivo se 
encontram associados à exploração de atividade econômica 
com a finalidade de lucro. 
Exige-se a edição de lei ordinária específica para a criação 
de autarquias, no entanto para as empresas públicas, 
sociedades de economia mista e fundações essa exigência 
foi substituída por dois requisitos: edição de lei ordinária 
específica autorizando a instituição e edição de lei 
complementar para definir a área de atuação, devendo esse 
requisito ser interpretado juntamente com o artigo 173 da 
CF. 
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as 
obras, serviços, compras e alienações serão contratados 
mediante processo de licitação pública que assegure 
igualdade de condições a todos os concorrentes, com 
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, 
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da 
lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação 
técnica e econômica indispensáveis à garantia do 
cumprimento das obrigações. 
A competência para legislar sobre normas gerais de licitação 
é exclusiva da União, nos termos do artigo 22, XXVII. 
Enquanto os particulares gozam de ampla liberdade na 
contratação de obras e serviços, a Administração Pública, 
em todos os seus níveis, para realizá-la, precisa observar um 
procedimento legal, em regra. 
Nesse dispositivo prevê as entidades abrangidas pela regra 
da obrigatoriedade licitatória, quais sejam, todas as da 
administração direta, autarquias e fundações da União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios e nos termos do 
artigo 173, § 1º., III, as sociedades de economia mista e 
empresas públicas. 
O legislador constituinte admitiu a possibilidade de 
existirem casos em que a licitação poderá deixar de ser 
realizada, autorizando a administração pública a celebrar 
contratações diretas. Tais situações configuram exceções à 
regra geral, sendo a hipótese de dispensa e inexigibilidade. 
Para que a administração Pública dispense o procedimento 
licitatório, exige-se a explicitação dos motivos, que 
comprovem, além da especialização dos serviços 
contratados, a absoluta necessidade desses serviços. 
Ocorrerá a inexigibilidade quando houver impossibilidade 
jurídica de competição entre diversos contratantes, seja 
pela específica natureza do negócio, seja pelos objetivos 
visados pela administração pública. 
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais 
ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de 
carreiras específicas, terão recursos prioritários para a 
realização de suas atividades e atuarão de forma 
integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros 
e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). 
Observe-se que a parte do dispositivo que menciona o 
compartilhamento de cadastros e de informações fiscais 
incluem as informações protegidas por sigilo fiscal, impondo 
um verdadeiro poder-dever aos fiscos das diversas pessoas 
políticas. 
§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter 
educativo, informativo ou de orientação social, dela não 
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que 
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou 
servidores públicos. 
A própria Constituição Federal dar uma consequência 
expressa ao princípio da impessoalidade quando proíbe que 
conste nome, símbolos ou imagens que caracterizem 
promoção pessoal de autoridades e servidores públicos em 
publicidades de atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos, o que explica a 
responsabilidade da administração para com terceiros. 
§ 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III 
implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade 
responsável, nos termos da lei. 
 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário 
na administração pública direta e indireta, regulando 
especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços 
públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços 
de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, 
externa e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
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II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a 
informações sobre atos de governo, observado o disposto 
no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
III - a disciplina da representação contra o exercício 
negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na 
administração pública. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
Direito que depende de regulamentação por parte do 
legislador ordinário para proporcionar ao usuário dos 
serviços públicos instrumentos para exigir seus direitos, 
além das hipóteses aqui previstas. 
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a 
suspensão dos direitos políticos, a perda da função 
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao 
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo 
da ação penal cabível. 
Lei 8.429/92. Probidade administrativa é o dever que tem o 
agente de servir à Administração com honestidade, 
exercendo suas funções sem usufruir do poder que lhe é 
conferido em proveito próprio ou de terceiro que deseje 
favorecer. 
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para 
ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, 
que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas 
ações de ressarcimento. 
 
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviços públicos responderão 
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem 
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa. 
A Teoria do Risco Administrativo é a regra dotada pela 
presente Constituição, sendo sua responsabilidade objetiva, 
a qual exige a existência dos seguintes elementos: 
ocorrência do dano, ação ou omissão administrativa e 
ausência de causa excludente da responsabilidade estatal 
(caso fortuito, força maior e culpa exclusiva da vítima). 
A responsabilidade civil do Poder Público se sujeita ao prazo 
qüinqüenal, ou seja, prescreve em cinco anos, contados da 
ocorrência do ato ou fato, em virtude do art. 178, parágrafo 
10, inciso VI do Código Civil e do Decreto no. 20.910/32, a 
ação para haver indenização por responsabilidade civil do 
Estado.. 
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao 
ocupante de cargo ou emprego da administração direta e 
indireta que possibilite o acesso a informações 
privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos 
órgãos e entidades da administração direta e indireta 
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado 
entre seus administradores e o poder público, que tenha 
por objeto a fixação de metas de desempenho para o 
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluídopela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - o prazo de duração do contrato; 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, 
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; 
III - a remuneração do pessoal. 
Concretizando o princípio da eficiência, a Constituição criou 
uma forma de contrato diferido, chamado pela doutrina de 
contrato de gestão ou acordo-programa, realizado entre o 
Estado e seus colaboradores para prossecução dos 
interesses públicos, tendo como objetivo principal o 
estabelecimento de determinadas metas a serem 
alcançadas pelas entidades, que devem obter, em 
contrapartida, algum benefício outorgado pelo Poder 
Público. Deve ter prazo determinado e está sujeito ao 
controle de resultado. 
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas 
e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, 
que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de 
pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
 
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de 
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 
com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, 
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta 
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão 
declarados em lei de livre nomeação e 
exoneração.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
1998) 
Cabe enfatizar que escapam desta proibição de acumulação 
os proventos relativos a cargos que seriam acumuláveis, se 
o servidor estivesse em atividade, os proventos 
provenientes de cargos em comissão e proventos recebidos 
em decorrência de aposentadoria obtida sob o regime geral 
da previdência, valendo salientar que o artigo 11 da EC no. 
20/99 criou uma regra de transição excluindo desta vedação 
aqueles que, já sendo aposentados, houvessem, até a data 
da publicação da referida emenda, ingressado novamente 
no serviço público mediante concurso público, contanto 
que respeitado o teto constitucional expresso no art. 37, XI. 
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites 
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste 
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em 
lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste 
artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal 
fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas 
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio 
mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de 
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Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco 
centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto 
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e 
Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
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3 – DEFESA DO ESTADO E DAS 
INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS 
TÍTULO V 
Da Defesa do Estado e Das Instituições Democráticas 
CAPÍTULO I 
DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO 
Seção I 
DO ESTADO DE DEFESA 
Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o 
Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, 
decretar estado de defesa para preservar ou prontamente 
restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem 
pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente 
instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de 
grandes proporções na natureza. 
§ 1º - O decreto que instituir o estado de defesa 
determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas 
a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, 
as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: 
I - restrições aos direitos de: 
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; 
b) sigilo de correspondência; 
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; 
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, 
na hipótese de calamidade pública, respondendo a União 
pelos danos e custos decorrentes. 
§ 2º - O tempo de duração do estado de defesa não será 
superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, 
por igual período, se persistirem as razões que justificaram 
a sua decretação. 
§ 3º - Na vigência do estado de defesa: 
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo 
executor da medida, será por este comunicada 
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não 
for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de 
delito à autoridade policial; 
II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela 
autoridade, do estado físico e mental do detido no 
momento de sua autuação; 
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá 
ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo 
Poder Judiciário; 
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. 
§ 4º - Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o 
Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas, 
submeterá o ato com a respectiva justificação ao 
Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta. 
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§ 5º - Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco dias. 
§ 6º - O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo continuar 
funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. 
§ 7º - Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa. 
 
 
Seção II 
DO ESTADO DE SÍTIO 
 
Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o 
Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, 
solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar 
o estado de sítio nos casos de: 
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência 
de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada 
durante o estado de defesa; 
II - declaração de estadode guerra ou resposta a agressão 
armada estrangeira. 
Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar 
autorização para decretar o estado de sítio ou sua 
prorrogação, relatará os motivos determinantes do 
pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria 
absoluta. 
Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua 
duração, as normas necessárias a sua execução e as 
garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois 
de publicado, o Presidente da República designará o 
executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. 
§ 1º - O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá 
ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de 
cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser 
decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a 
agressão armada estrangeira. 
§ 2º - Solicitada autorização para decretar o estado de sítio 
durante o recesso parlamentar, o Presidente do Senado 
Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o 
Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a 
fim de apreciar o ato. 
§ 3º - O Congresso Nacional permanecerá em 
funcionamento até o término das medidas coercitivas. 
Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com 
fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas contra 
as pessoas as seguintes medidas: 
I - obrigação de permanência em localidade determinada; 
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou 
condenados por crimes comuns; 
III - restrições relativas à inviolabilidade da 
correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação 
de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e 
televisão, na forma da lei; 
IV - suspensão da liberdade de reunião; 
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V - busca e apreensão em domicílio; 
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; 
VII - requisição de bens. 
Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a 
difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados 
em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela 
respectiva Mesa. 
 
Seção III 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 140. A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes 
partidários, designará Comissão composta de cinco de 
seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução 
das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado 
de sítio. 
Art. 141. Cessado o estado de defesa ou o estado de sítio, 
cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da 
responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus 
executores ou agentes. 
Parágrafo único. Logo que cesse o estado de defesa ou o 
estado de sítio, as medidas aplicadas em sua vigência 
serão relatadas pelo Presidente da República, em 
mensagem ao Congresso Nacional, com especificação e 
justificação das providências adotadas, com relação 
nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas. 
 
CAPÍTULO III 
DA SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e 
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação 
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio, através dos seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V- polícias militares e corpos de bombeiros militares; 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão 
permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se a: 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social 
ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União 
ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, 
assim como outras infrações cuja prática tenha 
repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; 
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e 
drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo 
da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas 
respectivas áreas de competência; 
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e 
de fronteiras; 
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia 
judiciária da União. 
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, 
organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento 
ostensivo das rodovias federais. 
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, 
organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento 
ostensivo das ferrovias federais. 
§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de 
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as 
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações 
penais, exceto as militares. 
§ 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a 
preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros 
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a 
execução de atividades de defesa civil. 
§ 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, 
forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, 
juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. 
§ 7º - A lei disciplinará a organização e o funcionamento 
dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de 
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. 
§ 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais 
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, 
conforme dispuser a lei. 
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes 
dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma 
do § 4º do art. 39. 
 
 Jurisprudência relacionada ao tema: 
1) EMENTA. (...) O Pleno desta Corte pacificou 
jurisprudência no sentido de que os Estados-membros 
devem obediência às regras de iniciativa legislativa 
reservada, fixadas constitucionalmente. A gestão da 
segurança pública, como parte integrante da Administração 
Pública, é atribuição privativa do Governador de Estado (...). 
(STF ADI 2.819, Rel. Min. Eros Grau, DJ 02/12/05). 
 
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2) Súmula 647 do STF – Compete privativamente à União 
legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e 
militar do Distrito Federal. 
3) EMENTA. (...). Polícias estaduais: regra constitucional 
local que subordina diretamente ao Governador a Polícia 
Civil e a Polícia Militar do Estado: inconstitucionalidade na 
medida em que, invadindo a autonomia dos Estados para 
dispor sobre sua organização administrativa, impõe dar a 
cada uma das duas corporações policiais a hierarquia de 
Secretarias e aos seus dirigentes o status de secretários. 
(STF ADI 132, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 30/05/03). 
4) EMENTA: (...) 1. Os Estados-membros têm competência 
para organizar a sua Justiça, com observância do modelo 
federal (CF, artigo 125). 2. A Constituição Estadual não pode 
conferir competência originária ao Tribunal de Justiça para 
processar e julgar os Procuradores do Estado e da 
Assembleia Legislativa, os Defensores Públicos e os 
Delegados de Polícia, por crimes comuns e de 
responsabilidade, visto que não gozam da mesma 
prerrogativa os servidores públicos que desempenham 
funções similares na esfera federal. Medida cautelar 
deferida. (STF ADIMC 2.587/GO, Rel. Min. Maurício Corrêa, 
pleno, DJ 06.09.2002). 
5) EMENTA. (...). “Os Estados-membros, assim como o 
Distrito Federal, devem seguir o modelo federal. O art. 144 
da Constituição aponta os órgãos incumbidos do exercício 
da segurança pública. Entre eles não está o Departamento 
de Trânsito. Resta pois vedada aos Estados-membros a 
possibilidade de estender o rol, que esta Corte já firmou ser 
numerus clausus, para alcançar o Departamento de 
Trânsito.” (STF ADI 1.182, voto do Rel. Min. Eros Grau, 
julgamento em 24-11-2005, Plenário, DJ de 10-3-2006. Vide: 
ADI 2.827, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 16-9-
2010, Plenário, DJE de 6-4-2011). 
6) EMENTA. (...). “Incompatibilidade, com o disposto no art. 
144 da CF, da norma do art. 180 da Carta Estadual do Rio de 
Janeiro, na parte em que inclui no conceito de segurança 
pública a vigilância dos estabelecimentos penais e, entre os 
órgãos encarregados dessa atividade, a ali denominada 
‘Polícia Penitenciária’.” (STF ADI 236, Rel. Min. Octavio 
Gallotti, julgamento em 7-5-1992, Plenário, DJ de 1º-6-
2001. No mesmo sentido: ADI 3.916, Rel. Min. Eros Grau, 
julgamento em 3-2-2010, Plenário, DJE de 14-5-2010. Vide: 
ADI 2.827, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 16-9-
2010, Plenário, DJE de 6-4-2011). 
7) EMENTA. (...). “Polícia Militar: atribuição de 
‘radiopatrulha aérea’: constitucionalidade. O âmbito 
material da polícia aeroportuária, privativa da União, não se 
confunde com o do policiamento ostensivo do espaço 
aéreo, que – respeitados os limites das áreas constitucionais 
das Polícias Federal e Aeronáutica Militar – se inclui no 
poder residual da Polícia dos Estados.” (STF ADI 132, Rel. 
Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 30-4-2003, 
Plenário, DJ de 30-5-2003.) 
8) EMENTA. (...) “Crime praticado contra os interesses da 
União Federal. A investigação feita pela Polícia estadual, 
incompetente para o procedimento, do âmbito criminal da 
Justiça Federal de segundo grau, se arquivada, não pode 
obstar a apuração dos fatos pela Polícia Federal, que 
desempenha, também, as funções de polícia judiciária para 
a Justiça da União, quer em primeiro grau, quer nos 
tribunais de segundo grau e superiores e no STF.” (STF RHC 
77.251, Rel. Min. Néri da Silveira, julgamento em 23-6-
1998, Segunda Turma, DJ de 6-4-2001.) 
9) EMENTA. (...). "Investigação – Atribuição – Polícia Civil e 
Polícia Militar. A simples circunstância de ter-se o 
envolvimento de policiais militares nas investigações não 
desloca a atribuição do inquérito para a Polícia Militar. 
Tratando-se de fatos estranhos à atividade militar, incumbe 
a atuação à Polícia Civil. Crime – Natureza. Narrando a 
denúncia o cometimento de crimes não ligados à atividade 
militar – como é exemplo o de quadrilha visando à prática 
de homicídio, de tráfico de drogas e de roubo –, descabe 
cogitar da configuração de delito de natureza militar." (STF 
HC 89.102, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-6-
200, Primeira Turma, DJ de 14-9-2007). 
10) EMENTA. (...). “Busca e apreensão. Tráfico de drogas. 
Ordem judicial. Cumprimento pela Polícia Militar. Ante o 
disposto no art. 144 da CF, a circunstância de haver atuado 
a Polícia Militar não contamina o flagrante e a busca e 
apreensão realizadas.” (STF HC 91.481, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgamento em 19-8-2008, Primeira Turma, DJE de 
24-10-2008. No mesmo sentido: RE 404.593, Rel. Min. 
Cezar Peluso, julgamento em 18-8-2009, Segunda Turma, 
DJE de 23-10-2009). 
11) EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. 
DECRETO N. 1.557/2003 DO ESTADO DO PARANÁ, QUE 
ATRIBUI A SUBTENENTES OU SARGENTOS COMBATENTES O 
ATENDIMENTO NAS DELEGACIAS DE POLÍCIA, NOS 
MUNICÍPIOS QUE NÃO DISPÕEM DE SERVIDOR DE CARREIRA 
PARA O DESEMPENHO DAS FUNÇÕES DE DELEGADO DE 
POLÍCIA. DESVIO DE FUNÇÃO. OFENSA AO ART. 144, CAPUT, 
INC. IV E V E §§ 4º E 5º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 
AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. (STF ADI 3.614/PR, 
rel. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, 23/11/2007). 
12) EMENTA. (...). Em face do artigo 144, caput, inciso V e 
parágrafo 5º, da Constituição, sendo a segurança pública, 
dever do Estado e direito de todos, exercida para a 
preservação da ordem pública e da incolumidade das 
pessoas e do patrimônio, através, entre outras, da polícia 
militar, essa atividade do Estado só pode ser sustentada 
pelos impostos, e não por taxa, se for solicitada por 
particular para a sua segurança ou para a de terceiros, a 
título preventivo, ainda quando essa necessidade decorra 
de evento aberto ao público. Ademais, o fato gerador da 
taxa em questão não caracteriza sequer taxa em razão do 
exercício do poder de polícia, mas taxa pela utilização, 
efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e 
divisíveis, o que, em exame compatível com pedido de 
liminar, não é admissível em se tratando de segurança 
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pública. (STF ADI 1.942-MC, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 
22/10/99). 
13) EMENTA: (...). Taxa de incêndio. Constitucionalidade. 
(...) É legítima a cobrança da Taxa cobrada em razão da 
prevenção de incêndios, porquanto instituída como 
contraprestação a serviço essencial, específico e divisível. 
(STF AI 677.891-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
julgamento em 17-3-2009, Primeira Turma, DJE de 17-4-
2009. Vide: RE 206.777, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento 
em 25-2-1999, Plenário, DJ de 30-4-1999). 
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4 – CF Atualizada até a EC 93 
 
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 
1988 
PREÂMBULO 
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em 
Assembléia Nacional Constituinte para instituir um EstadoDemocrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos 
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, 
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores 
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem 
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, 
na ordem interna e internacional, com a solução pacífica 
das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a 
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO 
BRASIL. 
TÍTULO I 
Dos Princípios Fundamentais 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união 
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, 
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o 
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, 
nos termos desta Constituição. 
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos 
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República 
Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, 
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 
discriminação. 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas 
relações internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
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OS: 0151/11/16-Gil 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a 
integração econômica, política, social e cultural dos povos 
da América Latina, visando à formação de uma comunidade 
latino-americana de nações. 
TÍTULO II 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
CAPÍTULO I 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, 
nos termos seguintes: 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, 
nos termos desta Constituição; 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma 
coisa senão em virtude de lei; 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento 
desumano ou degradante; 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o 
anonimato; 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao 
agravo, além da indenização por dano material, moral ou à 
imagem; 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, 
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e 
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a 
suas liturgias; 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença 
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as 
invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e 
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, 
científica e de comunicação, independentemente de 
censura ou licença; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização 
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela 
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo 
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar 
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; 
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das 
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações 
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas 
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de 
investigação criminal ou instrução processual penal; 
 XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou 
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei 
estabelecer; 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e 
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao 
exercício profissional; 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de 
paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele 
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em 
locais abertos ao público, independentemente de 
autorização, desde que não frustrem outra reunião 
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo 
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, 
vedada a de caráter paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a 
interferência estatal em seu funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente 
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão 
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em 
julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a 
permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente 
autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados 
judicial ou extrajudicialmente; 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
 XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou 
por interesse social, mediante justa e prévia indenização em 
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade 
competente poderá usar de propriedade particular, 
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver 
dano; 
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, 
desde que trabalhada pela família, não será objeto de 
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua 
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de 
financiar o seu desenvolvimento; 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de 
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, 
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas 
e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas 
atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico 
das obras que criarem ou de que participarem aos 
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações 
sindicais e associativas; 
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XXIX - a leiassegurará aos autores de inventos industriais 
privilégio temporário para sua utilização, bem como 
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, 
aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo 
em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico 
e econômico do País; 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País 
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou 
dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais 
favorável a lei pessoal do "de cujus"; 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do 
consumidor; 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse particular, ou de interesse 
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob 
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo 
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do 
pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de 
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para 
defesa de direitos e esclarecimento de situações de 
interesse pessoal; 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito; 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato 
jurídico perfeito e a coisa julgada; 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a 
organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos 
contra a vida; 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem 
pena sem prévia cominação legal; 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos 
direitos e liberdades fundamentais; 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; 
 XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis 
de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos 
como crimes hediondos, por eles respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se 
omitirem; 
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de 
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem 
constitucional e o Estado Democrático; 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, 
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do 
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos 
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor 
do patrimônio transferido; 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, 
entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos 
do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos 
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o 
sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade 
física e moral; 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que 
possam permanecer com seus filhos durante o período de 
amamentação; 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o 
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da 
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime 
político ou de opinião; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens 
sem o devido processo legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e 
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e 
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos; 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória; 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a 
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em 
lei; (Regulamento). 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, 
se esta não for intentada no prazo legal; 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse 
social o exigirem; 
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LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por 
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária 
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou 
crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre 
serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à 
família do preso ou à pessoa por ele indicada; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os 
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a 
assistência da família e de advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis 
por sua prisão ou por seu interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela 
autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, 
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem 
fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do 
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável 
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém 
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação 
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso 
de poder; 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por habeas 
corpus ou habeas data, quando o responsável pela 
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do 
Poder Público; 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado 
por: 
a) partido político com representação no Congresso 
Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 
um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou 
associados; 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a 
falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício 
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas 
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas 
à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos 
de dados de entidades governamentais ou de caráter 
público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo 
por processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação 
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público 
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico 
e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,isento 
de custas judiciais e do ônus da sucumbência; 
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e 
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, 
assim como o que ficar preso além do tempo fixado na 
sentença; 
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na 
forma da lei: 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas 
data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da 
cidadania. 
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios que 
garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata. 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição 
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios 
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a 
República Federativa do Brasil seja parte. 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, 
de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo) 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal 
Internacional a cuja criação tenha manifestado 
adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004) 
CAPÍTULO II 
DOS DIREITOS SOCIAIS 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a 
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a 
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e 
à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
90, de 15.09.2015). 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, 
além de outros que visem à melhoria de sua condição 
social: 
I - relação de emprego protegida contra despedida 
arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei 
complementar, que preverá indenização compensatória, 
dentre outros direitos; 
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego 
involuntário; 
III - fundo de garantia do tempo de serviço; 
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, 
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de 
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sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, 
lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, 
com reajustes periódicos que lhe preservem o poder 
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; 
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade 
do trabalho; 
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em 
convenção ou acordo coletivo; 
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os 
que percebem remuneração variável; 
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração 
integral ou no valor da aposentadoria; 
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; 
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime 
sua retenção dolosa; 
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da 
remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão 
da empresa, conforme definido em lei; 
XII - salário-família pago em razão do dependente do 
trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas 
diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a 
compensação de horários e a redução da jornada, mediante 
acordo ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei 
nº 5.452, de 1943) 
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em 
turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação 
coletiva; 
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos 
domingos; 
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no 
mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 
5.452, art. 59 § 1º) 
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, 
um terço a mais do que o salário normal; 
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do 
salário, com a duração de cento e vinte dias; 
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei; 
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante 
incentivos específicos, nos termos da lei; 
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo 
no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; 
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de 
normas de saúde, higiene e segurança; 
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, 
insalubres ou perigosas, na forma da lei; 
XXIV - aposentadoria; 
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o 
nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-
escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, 
de 2006) 
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos 
de trabalho; 
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei; 
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do 
empregador, sem excluir a indenização a que este está 
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; 
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de 
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os 
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos 
após a extinção do contrato de trabalho;(Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000) 
a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 28, de 25/05/2000) 
b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 28, de 25/05/2000) 
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de 
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, 
idade, cor ou estado civil; 
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a 
salário e critérios de admissão do trabalhador portador de 
deficiência; 
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, 
técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; 
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou 
insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a 
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, 
a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 1998) 
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com 
vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. 
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos 
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos 
IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, 
XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições 
estabelecidas em lei e observada a simplificação do 
cumprimento das obrigações tributárias, principais e 
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas 
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e 
XXVIII, bem como a sua integração à previdência 
social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, 
de 2013) 
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, 
observado o seguinte: 
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a 
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão 
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a 
intervenção na organização sindical; 
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, 
em qualquer grau, representativade categoria profissional 
ou econômica, na mesma base territorial, que será definida 
pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não 
podendo ser inferior à área de um Município; 
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses 
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões 
judiciais ou administrativas; 
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IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se 
tratando de categoria profissional, será descontada em 
folha, para custeio do sistema confederativo da 
representação sindical respectiva, independentemente da 
contribuição prevista em lei; 
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a 
sindicato; 
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas 
negociações coletivas de trabalho; 
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado 
nas organizações sindicais; 
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a 
partir do registro da candidatura a cargo de direção ou 
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até 
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta 
grave nos termos da lei. 
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à 
organização de sindicatos rurais e de colônias de 
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. 
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos 
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e 
sobre os interesses que devam por meio dele defender. 
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e 
disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da 
comunidade. 
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às 
penas da lei. 
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e 
empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que 
seus interesses profissionais ou previdenciários sejam 
objeto de discussão e deliberação. 
 Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é 
assegurada a eleição de um representante destes com a 
finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento 
direto com os empregadores. 
CAPÍTULO III 
DA NACIONALIDADE 
Art. 12. São brasileiros: 
I - natos: 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que 
de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço 
de seu país; 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe 
brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da 
República Federativa do Brasil; 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe 
brasileira, desde que sejam registrados em repartição 
brasileira competente ou venham a residir na República 
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois 
de atingida a maioridade, pela nacionalidade 
brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, 
de 2007) 
II - naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade 
brasileira, exigidas aos originários de países de língua 
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e 
idoneidade moral; 
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na 
República Federativa do Brasil há mais de quinze anos 
ininterruptos e sem condenação penal, desde que 
requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, 
se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão 
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos 
previstos nesta Constituição. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros 
natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta 
Constituição. 
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: 
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; 
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; 
III - de Presidente do Senado Federal; 
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
V - da carreira diplomática; 
VI - de oficial das Forças Armadas. 
VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 23, de 1999) 
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro 
que: 
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, 
em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; 
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação 
dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei 
estrangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de 
Revisão nº 3, de 1994) 
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, 
ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como 
condição para permanência em seu território ou para o 
exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República 
Federativa do Brasil. 
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a 
bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. 
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão 
ter símbolos próprios. 
CAPÍTULO IV 
DOS DIREITOS POLÍTICOS 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio 
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para 
todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
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III - iniciativa popular. 
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são: 
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; 
II - facultativos para: 
a) os analfabetos; 
b) os maiores de setenta anos; 
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. 
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, 
durante o período do serviço militar obrigatório, os 
conscritos. 
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: 
I - a nacionalidade brasileira; 
II - o pleno exercício dos direitos políticos; 
III - o alistamento eleitoral; 
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; 
V - a filiação partidária; Regulamento 
VI - a idade mínima de: 
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da 
República e Senador; 
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de 
Estado e do Distrito Federal; 
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado 
Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; 
d) dezoito anos para Vereador. 
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. 
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado 
e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver 
sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão 
ser reeleitos para um único período subseqüente.(Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997) 
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da 
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal 
e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos 
até seis meses antes do pleito. 
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o 
cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o 
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, 
de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, 
de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis 
mesesanteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato 
eletivo e candidato à reeleição. 
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes 
condições: 
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-
se da atividade; 
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado 
pela autoridade superior e, se eleito, passará 
automaticamente, no ato da diplomação, para a 
inatividade. 
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de 
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de 
proteger a probidade administrativa, a moralidade para 
exercício de mandato considerada vida pregressa do 
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições 
contra a influência do poder econômico ou o abuso do 
exercício de função, cargo ou emprego na administração 
direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 4, de 1994) 
§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a 
Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da 
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder 
econômico, corrupção ou fraude. 
§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em 
segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se 
temerária ou de manifesta má-fé. 
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda 
ou suspensão só se dará nos casos de: 
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada 
em julgado; 
II - incapacidade civil absoluta; 
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto 
durarem seus efeitos; 
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou 
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; 
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. 
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em 
vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição 
que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993) 
CAPÍTULO V 
DOS PARTIDOS POLÍTICOS 
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de 
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o 
regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos 
fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes 
preceitos: Regulamento 
I - caráter nacional; 
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de 
entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a 
estes; 
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; 
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para 
definir sua estrutura interna, organização e funcionamento 
e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas 
coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação 
entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, 
distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer 
normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 52, de 2006) 
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade 
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no 
Tribunal Superior Eleitoral. 
§ 3º Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo 
partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma 
da lei. 
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§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de 
organização paramilitar. 
TÍTULO III 
Da Organização do Estado 
CAPÍTULO I 
DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA 
Art. 18. A organização político-administrativa da República 
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos 
termos desta Constituição. 
§ 1º Brasília é a Capital Federal. 
§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, 
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de 
origem serão reguladas em lei complementar. 
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se 
ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou 
formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante 
aprovação da população diretamente interessada, através 
de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei 
complementar. 
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o 
desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, 
dentro do período determinado por Lei Complementar 
Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante 
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após 
divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, 
apresentados e publicados na forma da lei. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 15, de 1996) 
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e 
aos Municípios: 
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, 
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou 
seus representantes relações de dependência ou aliança, 
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse 
público; 
II - recusar fé aos documentos públicos; 
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre 
si. 
CAPÍTULO II 
DA UNIÃO 
Art. 20. São bens da União: 
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a 
ser atribuídos; 
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das 
fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias 
federais de comunicação e à preservação ambiental, 
definidas em lei; 
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos 
de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam 
de limites com outros países, ou se estendam a território 
estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos 
marginais e as praias fluviais; 
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com 
outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as 
costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de 
Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço 
público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 
26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 
2005) 
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona 
econômica exclusiva; 
VI - o mar territorial; 
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; 
VIII - os potenciais de energia hidráulica; 
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios 
arqueológicos e pré-históricos; 
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao 
Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da 
administração direta da União, participação no resultado da 
exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos 
para fins de geração de energia elétrica e de outros 
recursos minerais no respectivo território, plataforma 
continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou 
compensação financeira por essa exploração. 
§ 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de 
largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como 
faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa 
do território nacional, e sua ocupação e utilização serão 
reguladas em lei. 
Art. 21. Compete à União: 
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de 
organizações internacionais; 
II - declarar a guerra e celebrar a paz; 
III - assegurar a defesa nacional; 
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que 
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou 
nele permaneçam temporariamente; 
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a 
intervenção federal; 
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de 
materialbélico; 
VII - emitir moeda; 
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as 
operações de natureza financeira, especialmente as de 
crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e 
de previdência privada; 
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de 
ordenação do território e de desenvolvimento econômico e 
social; 
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; 
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, 
concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, 
nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos 
serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos 
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institucionais; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 8, de 15/08/95:) 
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, 
concessão ou permissão: 
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e 
imagens; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, 
de 15/08/95:) 
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o 
aproveitamento energético dos cursos de água, em 
articulação com os Estados onde se situam os potenciais 
hidroenergéticos; 
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura 
aeroportuária; 
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre 
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que 
transponham os limites de Estado ou Território; 
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e 
internacional de passageiros; 
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; 
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério 
Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria 
Pública dos Territórios; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 69, de 2012) (Produção de efeito) 
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o 
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como 
prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a 
execução de serviços públicos, por meio de fundo 
próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, 
geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional; 
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de 
diversões públicas e de programas de rádio e televisão; 
XVII - conceder anistia; 
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as 
calamidades públicas, especialmente as secas e as 
inundações; 
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de 
recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos 
de seu uso; (Regulamento) 
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, 
inclusive habitação, saneamento básico e transportes 
urbanos; 
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema 
nacional de viação; 
XXII - executar os serviços de polícia marítima, 
aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de 
qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a 
pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a 
industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus 
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: 
a) toda atividade nuclear em território nacional somente 
será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do 
Congresso Nacional; 
b) sob regime de permissão, são autorizadas a 
comercialização e a utilização de radioisótopos para a 
pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006) 
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, 
comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida 
igual ou inferior a duas horas; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 49, de 2006) 
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe 
da existência de culpa; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 49, de 2006) 
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho; 
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício 
da atividade de garimpagem, em forma associativa. 
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, 
agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; 
II - desapropriação; 
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo 
e em tempo de guerra; 
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e 
radiodifusão; 
V - serviço postal; 
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos 
metais; 
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de 
valores; 
VIII - comércio exterior e interestadual; 
IX - diretrizes da política nacional de transportes; 
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, 
aérea e aeroespacial; 
XI - trânsito e transporte; 
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; 
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização; 
XIV - populações indígenas; 
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão 
de estrangeiros; 
XVI - organização do sistema nacional de emprego e 
condições para o exercício de profissões; 
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do 
Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública 
dos Territórios, bem como organização administrativa 
destes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, 
de 2012) (Produção de efeito) 
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia 
nacionais; 
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da 
poupança popular; 
XX - sistemas de consórcios e sorteios; 
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XXI - normas gerais de organização, efetivos, material 
bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias 
militares e corpos de bombeiros militares; 
XXII - competência da polícia federal e das polícias 
rodoviária e ferroviária federais; 
XXIII - seguridade social; 
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional; 
XXV - registros públicos; 
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; 
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas 
as modalidades, para as administrações públicas diretas, 
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, 
e para as empresas públicas e sociedades de economia 
mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa 
marítima, defesa civil e mobilização nacional; 
XXIX - propaganda comercial. 
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os 
Estados a legislar sobre questões específicas das matérias 
relacionadas neste artigo. 
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios: 
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das 
instituições democráticas e conservar o patrimônio público; 
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e 
garantia das pessoas portadoras de deficiência; 
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de 
valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as 
paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de 
obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico 
ou cultural; 
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, 
à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) 
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em 
qualquer de suas formas; 
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; 
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o 
abastecimento alimentar; 
IX - promover programas de construção de moradias e a 
melhoria das condições habitacionais e de saneamento 
básico; 
X - combater as causas da pobreza e os fatores de 
marginalização, promovendo a integração social dos setores 
desfavorecidos; 
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de 
direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e 
minerais em seus territórios; 
XII - estabelecer e implantar política de educação para a 
segurança do trânsito. 
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para 
a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do 
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito 
nacional.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, 
de 2006) 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal 
legislar concorrentemente sobre: 
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e 
urbanístico; 
II - orçamento; 
III - juntas comerciais; 
IV - custas dos serviços forenses; 
V - produção e consumo; 
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, 
defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio 
ambiente e controle da poluição; 
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, 
turístico e paisagístico; 
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao 
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, 
histórico, turístico e paisagístico; 
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, 
pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) 
X - criação, funcionamento e processo do juizado de 
pequenas causas; 
XI - procedimentos em matéria processual; 
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; 
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; 
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras 
de deficiência; 
XV - proteção à infância e à juventude; 
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias 
civis. 
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da 
União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. 
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas 
gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. 
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados 
exercerão a competência legislativa plena, para atender a 
suas peculiaridades. 
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais 
suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. 
CAPÍTULO III 
DOS ESTADOS FEDERADOS 
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas 
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios 
desta Constituição. 
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não 
lhes sejam vedadas por esta Constituição. 
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§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante 
concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da 
lei, vedada a edição de medida provisória para a sua 
regulamentação. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 5, de 1995) 
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, 
instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e 
microrregiões, constituídas por agrupamentos de 
municípios limítrofes, para integrar a organização, o 
planejamento e a execução de funções públicas de 
interesse comum. 
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: 
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, 
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na 
forma da lei, as decorrentes de obras da União; 
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem 
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, 
Municípios ou terceiros; 
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; 
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da 
União. 
Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa 
corresponderá ao triplo da representação do Estado na 
Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e 
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados 
Federais acima de doze. 
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados 
Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição 
sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, 
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e 
incorporação às Forças Armadas. 
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei 
de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão de, no 
máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, 
em espécie, para os Deputados Federais, observado o que 
dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 
2º, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
§ 3º Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu 
regimento interno, polícia e serviços administrativos de sua 
secretaria, e prover os respectivos cargos. 
§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo 
legislativo estadual. 
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de 
Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no 
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no 
último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, 
do ano anterior ao do término do mandato de seus 
antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do 
ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no 
art. 77. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, 
de1997) 
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro 
cargo ou função na administração pública direta ou indireta, 
ressalvada a posse em virtude de concurso público e 
observado o disposto no art. 38, I, IV e V.(Renumerado do 
parágrafo único, pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos 
Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da 
Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 
37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
CAPÍTULO IV 
Dos Municípios 
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em 
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e 
aprovada por dois terços dos membros da Câmara 
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios 
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do 
respectivo Estado e os seguintes preceitos: 
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, 
para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e 
simultâneo realizado em todo o País; 
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no 
primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término 
do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do 
art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil 
eleitores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, 
de1997) 
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro 
do ano subseqüente ao da eleição; 
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será 
observado o limite máximo de: (Redação dada pela EmendaConstitucional nº 58, de 2009) (Produção de efeito) (Vide 
ADIN 4307) 
a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 
(quinze mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 
(quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil) 
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
58, de 2009) 
c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 
30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta 
mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 58, de 2009) 
d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 
50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta 
mil) habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, 
de 2009) 
e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 
80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e 
vinte mil) habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional 
nº 58, de 2009) 
f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 
120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000 
(cento sessenta mil) habitantes; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
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g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 
160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000 
(trezentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 
300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000 
(quatrocentos e cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 
450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até 
600.000 (seiscentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 
600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000 
(setecentos cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 
750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até 
900.000 (novecentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 
900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 (um 
milhão e cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 58, de 2009) 
m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 
1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até 
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; (Incluída 
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até 
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) 
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de 
2009) 
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) 
habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) 
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de 
2009) 
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 
1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até 
1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; (Incluída 
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de 
até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) 
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de 
2009) 
r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e 
de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até 
4.000.000 (quatro milhões) de habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até 
5.000.000 (cinco milhões) de habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até 
6.000.000 (seis milhões) de habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais 
de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até 
7.000.000 (sete milhões) de habitantes; (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de 
mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até 
8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e (Incluída pela 
Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de 
mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; (Incluída 
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009) 
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários 
Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, 
observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 
153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda 
constitucional nº 19, de 1998) 
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas 
Câmaras Municipais em cada legislatura para a 
subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, 
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei 
Orgânica e os seguintes limites máximos: (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) 
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio 
máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do 
subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 25, de 2000) 
b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil 
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores 
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados 
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 
2000) 
c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil 
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores 
corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos 
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 25, de 2000) 
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil 
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores 
corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos 
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 25, de 2000) 
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil 
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores 
corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos 
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 25, de 2000) 
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f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o 
subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e 
cinco por cento do subsídio dos Deputados 
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 
2000) 
VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores 
não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento dareceita do Município; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 1, de 1992) 
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, 
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição 
do Município; (Renumerado do inciso VI, pela Emenda 
Constitucional nº 1, de 1992) 
IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da 
vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta 
Constituição para os membros do Congresso Nacional e na 
Constituição do respectivo Estado para os membros da 
Assembléia Legislativa; (Renumerado do inciso VII, pela 
Emenda Constitucional nº 1, de 1992) 
X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de 
Justiça; (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda 
Constitucional nº 1, de 1992) 
XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da 
Câmara Municipal; (Renumerado do inciso IX, pela Emenda 
Constitucional nº 1, de 1992) 
XII - cooperação das associações representativas no 
planejamento municipal; (Renumerado do inciso X, pela 
Emenda Constitucional nº 1, de 1992) 
XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse 
específico do Município, da cidade ou de bairros, através de 
manifestação de, pelo menos, cinco por cento do 
eleitorado; (Renumerado do inciso XI, pela Emenda 
Constitucional nº 1, de 1992) 
XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, 
parágrafo único. (Renumerado do inciso XII, pela Emenda 
Constitucional nº 1, de 1992) 
Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo 
Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e 
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os 
seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita 
tributária e das transferências previstas no § 5
o
 do art. 153 
e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício 
anterior: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 
2000) 
I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de 
até 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela 
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 
2009) (Produção de efeito) 
II - 6% (seis por cento) para Municípios com população 
entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) 
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição 
Constitucional nº 58, de 2009) 
III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população 
entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos 
mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição 
Constitucional nº 58, de 2009) 
IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para 
Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e 
um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Redação 
dada pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de 
2009) 
V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população 
entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito 
milhões) de habitantes; (Incluído pela Emenda Constituição 
Constitucional nº 58, de 2009) 
VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para 
Municípios com população acima de 8.000.001 (oito 
milhões e um) habitantes. (Incluído pela Emenda 
Constituição Constitucional nº 58, de 2009) 
§ 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por 
cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o 
gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 25, de 2000) 
§ 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito 
Municipal: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 
2000) 
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste 
artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) 
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; 
ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) 
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei 
Orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, 
de 2000) 
§ 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da 
Câmara Municipal o desrespeito ao § 1
o
 deste 
artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) 
Art. 30. Compete aos Municípios: 
I - legislar sobre assuntos de interesse local; 
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que 
couber; 
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, 
bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da 
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos 
prazos fixados em lei; 
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a 
legislação estadual; 
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de 
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse 
local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter 
essencial; 
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União 
e do Estado, programas de educação infantil e de ensino 
fundamental; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
53, de 2006) 
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da 
União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da 
população; 
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VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento 
territorial, mediante planejamento e controle do uso, do 
parcelamento e da ocupação do solo urbano; 
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural 
local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e 
estadual. 
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder 
Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos 
sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, 
na forma da lei. 
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido 
com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do 
Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos 
Municípios, onde houver. 
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente 
sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só 
deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos 
membros da Câmara Municipal. 
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta 
dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, 
para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a 
legitimidade, nos termos da lei. 
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos 
de Contas Municipais. 
CAPÍTULO V 
DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS 
Seção I 
DO DISTRITO FEDERAL 
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em 
Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois 
turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por 
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, 
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. 
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências 
legislativas reservadas aos Estados e Municípios. 
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, 
observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais 
coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, 
para mandato de igual duração. 
§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-
se o disposto no art. 27. 
§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do 
Distrito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de 
bombeiros militar. 
Seção II 
DOS TERRITÓRIOS 
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e 
judiciária dos Territórios. 
§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos 
quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV 
deste Título. 
§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas 
ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de 
Contas da União. 
§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cemmil 
habitantes, além do Governador nomeado na forma desta 
Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e 
segunda instância, membros do Ministério Público e 
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições 
para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa. 
CAPÍTULO VI 
DA INTERVENÇÃO 
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito 
Federal, exceto para: 
I - manter a integridade nacional; 
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da 
Federação em outra; 
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; 
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas 
unidades da Federação; 
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que: 
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de 
dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; 
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias 
fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos 
em lei; 
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão 
judicial; 
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios 
constitucionais: 
a) forma republicana, sistema representativo e regime 
democrático; 
b) direitos da pessoa humana; 
c) autonomia municipal; 
d) prestação de contas da administração pública, direta e 
indireta. 
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de 
impostos estaduais, compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção e desenvolvimento do 
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) 
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a 
União nos Municípios localizados em Território Federal, 
exceto quando: 
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois 
anos consecutivos, a dívida fundada; 
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; 
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita 
municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e 
nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 29, de 2000) 
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação 
para assegurar a observância de princípios indicados na 
Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de 
ordem ou de decisão judicial. 
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá: 
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I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo 
ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de 
requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for 
exercida contra o Poder Judiciário; 
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, 
de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior 
Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; 
III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de 
representação do Procurador-Geral da República, na 
hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de 
lei federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
45, de 2004) 
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a 
amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se 
couber, nomeará o interventor, será submetido à 
apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia 
Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. 
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a 
Assembléia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, 
no mesmo prazo de vinte e quatro horas. 
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, 
dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela 
Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a 
execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao 
restabelecimento da normalidade. 
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades 
afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo 
impedimento legal. 
CAPÍTULO VII 
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Seção I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos 
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em 
lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de 
aprovação prévia em concurso público de provas ou de 
provas e títulos, de acordo com a natureza e a 
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em 
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão 
declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois 
anos, prorrogável uma vez, por igual período; 
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de 
convocação, aquele aprovado em concurso público de 
provas ou de provas e títulos será convocado com 
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou 
emprego, na carreira; 
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por 
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em 
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira 
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em 
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e 
assessoramento; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à 
livre associação sindical; 
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos 
limites definidos em lei específica; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos 
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e 
definirá os critérios de sua admissão; 
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo 
determinado para atender a necessidade temporária de 
excepcional interesse público; 
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de 
que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou 
alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa 
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na 
mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento) 
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, 
funções e empregos públicos da administração direta, 
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos 
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos 
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra 
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou 
não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra 
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em 
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, 
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do 
Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio 
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o 
subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do 
Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do 
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e 
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, 
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do 
Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do 
Ministério Público, aos Procuradores e aos DefensoresPúblicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 
19.12.2003) 
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do 
Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo 
Poder Executivo; 
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer 
espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de 
pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
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XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor 
público não serão computados nem acumulados para fins 
de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e 
empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto 
nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 
153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de 
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso 
XI: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais 
de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001) 
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e 
funções e abrange autarquias, fundações, empresas 
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e 
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo 
poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais 
terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, 
precedência sobre os demais setores administrativos, na 
forma da lei; 
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia 
e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade 
de economia mista e de fundação, cabendo à lei 
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua 
atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a 
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso 
anterior, assim como a participação de qualquer delas em 
empresa privada; 
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as 
obras, serviços, compras e alienações serão contratados 
mediante processo de licitação pública que assegure 
igualdade de condições a todos os concorrentes, com 
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, 
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da 
lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação 
técnica e econômica indispensáveis à garantia do 
cumprimento das obrigações. (Regulamento) 
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais 
ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de 
carreiras específicas, terão recursos prioritários para a 
realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, 
inclusive com o compartilhamento de cadastros e de 
informações fiscais, na forma da lei ou convênio. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter 
educativo, informativo ou de orientação social, dela não 
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que 
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou 
servidores públicos. 
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III 
implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade 
responsável, nos termos da lei. 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário 
na administração pública direta e indireta, regulando 
especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços 
públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços 
de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa 
e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a 
informações sobre atos de governo, observado o disposto 
no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
III - a disciplina da representação contra o exercício 
negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na 
administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 19, de 1998) 
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a 
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, 
a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na 
forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação 
penal cabível. 
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos 
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que 
causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações 
de ressarcimento. 
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos 
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a 
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa. 
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao 
ocupante de cargo ou emprego da administração direta e 
indireta que possibilite o acesso a informações 
privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos 
órgãos e entidades da administração direta e indireta 
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre 
seus administradores e o poder público, que tenha por 
objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou 
entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
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I - o prazo de duração do contrato; 
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, 
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; 
III - a remuneração do pessoal." 
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e 
às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que 
receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de 
pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de 
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 
com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, 
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta 
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão 
declarados em lei de livre nomeação e 
exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
1998) 
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites 
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste 
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em 
lei.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
 § 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste 
artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, 
em seu âmbito, mediante emenda às respectivas 
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio 
mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de 
Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco 
centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do 
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto 
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e 
Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, 
autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, 
aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou 
distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; 
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do 
cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela 
sua remuneração; 
III - investido no mandato de Vereador, havendo 
compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu 
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração 
do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será 
aplicada a norma do inciso anterior; 
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o 
exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será 
contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção 
por merecimento; 
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de 
afastamento, os valores serão determinados como se no 
exercício estivesse. 
Seção II 
DOS SERVIDORES PÚBLICOS 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, 
regime jurídico único e planos de carreira para os servidores 
da administração pública direta, das autarquias e das 
fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4) 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios instituirão conselho de política de administração 
e remuneração de pessoal, integrado por servidores 
designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-
4) 
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais 
componentes do sistema remuneratório 
observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
19, de 1998) 
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade 
dos cargos componentes de cada carreira; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão 
escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento 
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos 
cursos um dos requisitos para a promoção na carreira, 
facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos 
entre os entes federados. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o 
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, 
XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer 
requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do 
cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os 
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais 
serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em 
parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, 
adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra 
espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o 
disposto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a 
menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, 
em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário 
publicarão anualmente os valores do subsídio e da 
remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
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§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios disciplinará a aplicação de recursos 
orçamentários provenientes da economia com despesas 
correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para 
aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e 
produtividade, treinamento e desenvolvimento, 
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço 
público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de 
produtividade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em 
carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas 
suas autarquias e fundações, é assegurado regime de 
previdência de caráter contributivo e solidário, mediante 
contribuição do respectivo ente público, dos servidores 
ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios 
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto 
neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
41, 19.12.2003) 
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência 
de que trata este artigo serão aposentados, calculados os 
seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 
3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 
19.12.2003) 
I - por invalidez permanente, sendo os proventos 
proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se 
decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou 
doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da 
lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 
19.12.2003) 
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao 
tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou 
aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei 
complementar; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 88, de 2015) 
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo 
de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco 
anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, 
observadas as seguintes condições: (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, 
se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de 
contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta 
anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao 
tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por 
ocasião de sua concessão, não poderão exceder a 
remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em 
que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência 
para a concessão da pensão. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por 
ocasião da suaconcessão, serão consideradas as 
remunerações utilizadas como base para as contribuições 
do servidor aos regimes de previdência de que tratam este 
artigo e o art. 201, na forma da lei. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios 
diferenciados para a concessão de aposentadoria aos 
abrangidos pelo regime de que trata este artigo, 
ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, 
os casos de servidores: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
I portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
II que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais 
que prejudiquem a saúde ou a integridade física. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) 
§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição 
serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no 
§ 1º, III, "a", para o professor que comprove exclusivamente 
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na 
educação infantil e no ensino fundamental e 
médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, 
de 15/12/98) 
§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos 
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a 
percepção de mais de uma aposentadoria à conta do 
regime de previdência previsto neste artigo. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão 
por morte, que será igual: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, 
até o limite máximo estabelecido para os benefícios do 
regime geral de previdência social de que trata o art. 201, 
acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este 
limite, caso aposentado à data do óbito; ou (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no 
cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite 
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de 
previdência social de que trata o art. 201, acrescido de 
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso 
em atividade na data do óbito. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para 
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, 
conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou 
municipal será contado para efeito de aposentadoria e o 
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tempo de serviço correspondente para efeito de 
disponibilidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, 
de 15/12/98) 
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de 
contagem de tempo de contribuição fictício. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total 
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes 
da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como 
de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime 
geral de previdência social, e ao montante resultante da 
adição de proventos de inatividade com remuneração de 
cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em 
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, 
e de cargo eletivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
20, de 15/12/98) 
§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de 
previdência dos servidores públicos titulares de cargo 
efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios 
fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em 
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração 
bem como de outro cargo temporário ou de emprego 
público, aplica-se o regime geral de previdência 
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 
15/12/98) 
§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, desde que instituam regime de previdência 
complementar para os seus respectivos servidores titulares 
de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das 
aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime 
de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para 
os benefícios do regime geral de previdência social de que 
trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, 
de 15/12/98) 
§ 15. O regime de previdência complementar de que 
trata o § 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo 
Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus 
parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades 
fechadas de previdência complementar, de natureza 
pública, que oferecerão aos respectivos participantes 
planos de benefícios somente na modalidade de 
contribuição definida. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o 
disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor 
que tiver ingressado no serviço público até a data da 
publicação do ato de instituição do correspondente regime 
de previdência complementar. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 20, de 15/12/98) 
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o 
cálculo do benefício previsto no § 3° serão devidamente 
atualizados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de 
aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que 
trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido 
para os benefícios do regime geral de previdência social de 
que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido 
para os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
§ 19. O servidor de que trata este artigo que tenha 
completado as exigências para aposentadoria voluntária 
estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em 
atividade fará jus a um abono de permanência equivalente 
ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as 
exigências para aposentadoria compulsória contidas no § 
1º, II. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 
19.12.2003) 
§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio 
de previdência social para os servidores titulares de cargos 
efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo 
regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 
142, § 3º, X. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 
19.12.2003) 
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá 
apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e 
de pensão que superem o dobro do limite máximo 
estabelecido para os benefícios do regime geral de 
previdência social de que trata o art. 201 desta 
Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for 
portador de doença incapacitante. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 47, de 2005) 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os 
servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em 
virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
I - em virtude de sentença judicialtransitada em 
julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
II - mediante processo administrativo em que lhe seja 
assegurada ampla defesa; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de 
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada 
ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor 
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da 
vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem 
direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto 
em disponibilidade com remuneração proporcional ao 
tempo de serviço. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o 
servidor estável ficará em disponibilidade, com 
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu 
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adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é 
obrigatória a avaliação especial de desempenho por 
comissão instituída para essa finalidade. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Seção III 
DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS 
TERRITÓRIOS 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) 
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de 
Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na 
hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 18, de 1998) 
§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em 
lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 
142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor 
sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as 
patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos 
governadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 20, de 15/12/98) 
§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Territórios aplica-se o que for fixado em lei 
específica do respectivo ente estatal. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) 
Seção IV 
DAS REGIÕES 
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá 
articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico 
e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das 
desigualdades regionais. 
§ 1º - Lei complementar disporá sobre: 
I - as condições para integração de regiões em 
desenvolvimento; 
II - a composição dos organismos regionais que executarão, 
na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos 
nacionais de desenvolvimento econômico e social, 
aprovados juntamente com estes. 
§ 2º - Os incentivos regionais compreenderão, além de 
outros, na forma da lei: 
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de 
custos e preços de responsabilidade do Poder Público; 
II - juros favorecidos para financiamento de atividades 
prioritárias; 
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de 
tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; 
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social 
dos rios e das massas de água represadas ou represáveis 
nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas. 
§ 3º - Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União 
incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará com 
os pequenos e médios proprietários rurais para o 
estabelecimento, em suas glebas, de fontes de água e de 
pequena irrigação. 
TÍTULO IV 
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) 
CAPÍTULO I 
DO PODER LEGISLATIVO 
SEÇÃO I 
DO CONGRESSO NACIONAL 
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso 
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do 
Senado Federal. 
Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro 
anos. 
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de 
representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, 
em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal. 
§ 1º O número total de Deputados, bem como a 
representação por Estado e pelo Distrito Federal, será 
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à 
população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano 
anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades 
da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta 
Deputados. 
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados. 
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos 
Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio 
majoritário. 
§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três 
Senadores, com mandato de oito anos. 
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal 
será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, 
por um e dois terços. 
§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes. 
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as 
deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão 
tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta 
de seus membros. 
Seção II 
DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL 
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do 
Presidente da República, não exigida esta para o 
especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as 
matérias de competência da União, especialmente sobre: 
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas; 
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento 
anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de 
curso forçado; 
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas; 
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de 
desenvolvimento; 
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e 
bens do domínio da União; 
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VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas 
de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas 
Assembléias Legislativas; 
VII - transferência temporária da sede do Governo Federal; 
VIII - concessão de anistia; 
IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério 
Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e 
organização judiciária e do Ministério Público do Distrito 
Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, 
de 2012) (Produção de efeito) 
X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos 
e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, 
VI, b; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da 
administração pública; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
XII - telecomunicações e radiodifusão; 
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições 
financeiras e suas operações; 
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida 
mobiliária federal. 
XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal 
Federal, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º; 150, II; 
153, III; e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 41, 19.12.2003)Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos 
internacionais que acarretem encargos ou compromissos 
gravosos ao patrimônio nacional; 
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a 
celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem 
pelo território nacional ou nele permaneçam 
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei 
complementar; 
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República 
a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a 
quinze dias; 
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, 
autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma 
dessas medidas; 
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que 
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de 
delegação legislativa; 
VI - mudar temporariamente sua sede; 
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os 
Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente 
da República e dos Ministros de Estado, observado o que 
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, 
I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 
1998) 
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente 
da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos 
planos de governo; 
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de 
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da 
administração indireta; 
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa 
em face da atribuição normativa dos outros Poderes; 
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de 
concessão de emissoras de rádio e televisão; 
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de 
Contas da União; 
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a 
atividades nucleares; 
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; 
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o 
aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de 
riquezas minerais; 
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de 
terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos 
hectares. 
Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou 
qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de 
Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente 
subordinados à Presidência da República para prestarem, 
pessoalmente, informações sobre assunto previamente 
determinado, importando crime de responsabilidade a 
ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) 
§ 1º Os Ministros de Estado poderão comparecer ao 
Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a qualquer de 
suas Comissões, por sua iniciativa e mediante 
entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto 
de relevância de seu Ministério. 
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado 
Federal poderão encaminhar pedidos escritos de 
informações a Ministros de Estado ou a qualquer das 
pessoas referidas no caput deste artigo, importando em 
crime de responsabilidade a recusa, ou o não - 
atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a 
prestação de informações falsas. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994) 
Seção III 
DA CÂMARA DOS DEPUTADOS 
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados: 
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a 
instauração de processo contra o Presidente e o Vice-
Presidente da República e os Ministros de Estado; 
II - proceder à tomada de contas do Presidente da 
República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional 
dentro de sessenta dias após a abertura da sessão 
legislativa; 
III - elaborar seu regimento interno; 
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IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, 
criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e 
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da 
respectiva remuneração, observados os parâmetros 
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos 
do art. 89, VII. 
Seção IV 
DO SENADO FEDERAL 
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: 
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da 
República nos crimes de responsabilidade, bem como os 
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do 
Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza 
conexos com aqueles; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 23, de 02/09/99) 
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal 
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do 
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-
Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes 
de responsabilidade; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição 
pública, a escolha de: 
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição; 
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo 
Presidente da República; 
c) Governador de Território; 
d) Presidente e diretores do banco central; 
e) Procurador-Geral da República; 
f) titulares de outros cargos que a lei determinar; 
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição 
em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão 
diplomática de caráter permanente; 
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de 
interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos 
Territórios e dos Municípios; 
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites 
globais para o montante da dívida consolidada da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
VII - dispor sobre limites globais e condições para as 
operações de crédito externo e interno da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas 
autarquias e demais entidades controladas pelo Poder 
Público federal; 
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de 
garantia da União em operações de crédito externo e 
interno; 
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante 
da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios; 
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei 
declarada inconstitucional por decisão definitiva do 
Supremo Tribunal Federal; 
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a 
exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República 
antes do término de seu mandato; 
XII - elaborar seu regimento interno; 
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, 
criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e 
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da 
respectiva remuneração, observados os parâmetros 
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos 
do art. 89, VII. 
XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema 
Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, 
e o desempenho das administrações tributárias da União, 
dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, 
funcionarácomo Presidente o do Supremo Tribunal Federal, 
limitando-se a condenação, que somente será proferida por 
dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, 
com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função 
pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis. 
Seção V 
DOS DEPUTADOS E DOS SENADORES 
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e 
penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e 
votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 
2001) 
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do 
diploma, serão submetidos a julgamento perante o 
Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 35, de 2001) 
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do 
Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em 
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão 
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, 
para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva 
sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 35, de 2001) 
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, 
por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal 
Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de 
partido político nela representado e pelo voto da maioria de 
seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o 
andamento da ação. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 35, de 2001) 
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa 
respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias 
do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 
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§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, 
enquanto durar o mandato. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 35, de 2001) 
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a 
testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em 
razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que 
lhes confiaram ou deles receberam informações.(Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e 
Senadores, embora militares e ainda que em tempo de 
guerra, dependerá de prévia licença da Casa 
respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
35, de 2001) 
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão 
durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas 
mediante o voto de dois terços dos membros da Casa 
respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do 
Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a 
execução da medida. (Incluído pela Emenda Constitucional 
nº 35, de 2001) 
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: 
I - desde a expedição do diploma: 
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito 
público, autarquia, empresa pública, sociedade de 
economia mista ou empresa concessionária de serviço 
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas 
uniformes; 
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego 
remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad 
nutum", nas entidades constantes da alínea anterior; 
II - desde a posse: 
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa 
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa 
jurídica de direito público, ou nela exercer função 
remunerada; 
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad 
nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a"; 
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das 
entidades a que se refere o inciso I, "a"; 
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público 
eletivo. 
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador: 
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no 
artigo anterior; 
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o 
decoro parlamentar; 
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à 
terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, 
salvo licença ou missão por esta autorizada; 
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; 
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos 
nesta Constituição; 
VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada 
em julgado. 
§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos 
casos definidos no regimento interno, o abuso das 
prerrogativas asseguradas a membro do Congresso 
Nacional ou a percepção de vantagens indevidas. 
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será 
decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado 
Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da 
respectiva Mesa ou de partido político representado no 
Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013) 
§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será 
declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou 
mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de 
partido político representado no Congresso Nacional, 
assegurada ampla defesa. 
§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que 
vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste 
artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais 
de que tratam os §§ 2º e 3º. (Incluído pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 6, de 1994) 
Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador: 
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de 
Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de 
Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão 
diplomática temporária; 
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, 
ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, 
desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento 
e vinte dias por sessão legislativa. 
§ 1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de 
investidura em funções previstas neste artigo ou de licença 
superior a cento e vinte dias. 
§ 2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á 
eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses 
para o término do mandato. 
§ 3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá 
optar pela remuneração do mandato. 
Seção VI 
DAS REUNIÕES 
Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na 
Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de 
agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 50, de 2006) 
§ 1º As reuniões marcadas para essas datas serão 
transferidas para o primeiro dia útil subseqüente, quando 
recaírem em sábados, domingos ou feriados. 
§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a 
aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. 
§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a 
Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em 
sessão conjunta para: 
I - inaugurar a sessão legislativa; 
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de 
serviços comuns às duas Casas; 
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III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-
Presidente da República; 
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar. 
§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões 
preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano 
da legislatura, paraa posse de seus membros e eleição das 
respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a 
recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente 
subseqüente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
50, de 2006) 
§ 5º A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo 
Presidente do Senado Federal, e os demais cargos serão 
exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos 
equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado 
Federal. 
§ 6º A convocação extraordinária do Congresso Nacional 
far-se-á: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, 
de 2006) 
I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de 
decretação de estado de defesa ou de intervenção federal, 
de pedido de autorização para a decretação de estado de 
sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do 
Vice-Presidente- Presidente da República; 
II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou a 
requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas, 
em caso de urgência ou interesse público relevante, em 
todas as hipóteses deste inciso com a aprovação da maioria 
absoluta de cada uma das Casas do Congresso 
Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50, 
de 2006) 
§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso 
Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual foi 
convocado, ressalvada a hipótese do § 8º deste artigo, 
vedado o pagamento de parcela indenizatória, em razão da 
convocação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
50, de 2006) 
§ 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de 
convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão 
elas automaticamente incluídas na pauta da 
convocação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
Seção VII 
DAS COMISSÕES 
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões 
permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as 
atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de 
que resultar sua criação. 
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é 
assegurada, tanto quanto possível, a representação 
proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que 
participam da respectiva Casa. 
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua 
competência, cabe: 
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do 
regimento, a competência do Plenário, salvo se houver 
recurso de um décimo dos membros da Casa; 
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade 
civil; 
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações 
sobre assuntos inerentes a suas atribuições; 
IV - receber petições, reclamações, representações ou 
queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das 
autoridades ou entidades públicas; 
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou 
cidadão; 
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, 
regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir 
parecer. 
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão 
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, 
além de outros previstos nos regimentos das respectivas 
Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo 
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante 
requerimento de um terço de seus membros, para a 
apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo 
suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério 
Público, para que promova a responsabilidade civil ou 
criminal dos infratores. 
§ 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão 
representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas 
na última sessão ordinária do período legislativo, com 
atribuições definidas no regimento comum, cuja 
composição reproduzirá, quanto possível, a 
proporcionalidade da representação partidária. 
Seção VIII 
DO PROCESSO LEGISLATIVO 
Subseção I 
Disposição Geral 
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de: 
I - emendas à Constituição; 
II - leis complementares; 
III - leis ordinárias; 
IV - leis delegadas; 
V - medidas provisórias; 
VI - decretos legislativos; 
VII - resoluções. 
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a 
elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. 
Subseção II 
Da Emenda à Constituição 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante 
proposta: 
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos 
Deputados ou do Senado Federal; 
II - do Presidente da República; 
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III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das 
unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, 
pela maioria relativa de seus membros. 
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência 
de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado 
de sítio. 
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do 
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se 
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos 
respectivos membros. 
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas 
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o 
respectivo número de ordem. 
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda 
tendente a abolir: 
I - a forma federativa de Estado; 
II - o voto direto, secreto, universal e periódico; 
III - a separação dos Poderes; 
IV - os direitos e garantias individuais. 
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada 
ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova 
proposta na mesma sessão legislativa. 
Subseção III 
Das Leis 
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias 
cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos 
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, 
ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, 
aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República 
e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta 
Constituição. 
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República 
as leis que: 
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; 
II - disponham sobre: 
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na 
administração direta e autárquica ou aumento de sua 
remuneração; 
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária 
e orçamentária, serviços públicos e pessoal da 
administração dos Territórios; 
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime 
jurídico, provimento de cargos, estabilidade e 
aposentadoria; (Redação dada pela Emenda Constitucional 
nº 18, de 1998) 
d) organização do Ministério Público e da Defensoria 
Pública da União, bem como normas gerais para a 
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; 
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da 
administração pública, observado o disposto no art. 84, 
VI; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, 
provimento de cargos, promoções, estabilidade, 
remuneração, reforma e transferência para a 
reserva. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de 
1998) 
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela 
apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei 
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado 
nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com 
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada 
um deles. 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da 
República poderá adotar medidas provisórias, com força de 
lei, devendo submetê-las de imediato ao CongressoNacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, 
de 2001) 
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre 
matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos 
políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
b) direito penal, processual penal e processual 
civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a 
carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e 
créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto 
no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 
32, de 2001) 
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança 
popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo 
Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do 
Presidente da República. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou 
majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, 
II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro 
seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia 
daquele em que foi editada.(Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 
11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem 
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, 
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o 
Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as 
relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
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§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da 
publicação da medida provisória, suspendendo-se durante 
os períodos de recesso do Congresso Nacional.(Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso 
Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá 
de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos 
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, 
de 2001) 
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até 
quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará 
em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma 
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até 
que se ultime a votação, todas as demais deliberações 
legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a 
vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta 
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação 
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.(Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na 
Câmara dos Deputados. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores 
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir 
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, 
pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso 
Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de 
medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha 
perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 
3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de 
medida provisória, as relações jurídicas constituídas e 
decorrentes de atos praticados durante sua vigência 
conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 32, de 2001) 
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o 
texto original da medida provisória, esta manter-se-á 
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado 
o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 
2001) 
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: 
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da 
República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; 
II - nos projetos sobre organização dos serviços 
administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado 
Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público. 
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de 
iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal 
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara 
dos Deputados. 
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência 
para apreciação de projetos de sua iniciativa. 
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o 
Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição, 
cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, 
sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da 
respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo 
constitucional determinado, até que se ultime a 
votação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, 
de 2001) 
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela 
Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias, 
observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior. 
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso 
do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de 
código. 
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto 
pela outra, em um só turno de discussão e votação, e 
enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o 
aprovar, ou arquivado, se o rejeitar. 
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa 
iniciadora. 
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação 
enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, 
aquiescendo, o sancionará. 
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no 
todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse 
público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze 
dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, 
dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado 
Federal os motivos do veto. 
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de 
artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. 
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do 
Presidente da República importará sanção. 
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de 
trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser 
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e 
Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
76, de 2013) 
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para 
promulgação, ao Presidente da República. 
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 
4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão 
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua 
votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
32, de 2001) 
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito 
horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 
5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o 
fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado 
fazê-lo. 
Art. 67. A matéria constantede projeto de lei rejeitado 
somente poderá constituir objeto de novo projeto, na 
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria 
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absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso 
Nacional. 
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente 
da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso 
Nacional. 
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência 
exclusiva do Congresso Nacional, os de competência 
privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a 
matéria reservada à lei complementar, nem a legislação 
sobre: 
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a 
carreira e a garantia de seus membros; 
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e 
eleitorais; 
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e 
orçamentos. 
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma 
de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu 
conteúdo e os termos de seu exercício. 
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo 
Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada 
qualquer emenda. 
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por 
maioria absoluta. 
Seção IX 
DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E 
ORÇAMENTÁRIA 
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial da União e das entidades da 
administração direta e indireta, quanto à legalidade, 
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e 
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso 
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de 
controle interno de cada Poder. 
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou 
jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, 
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos 
ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, 
assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, 
será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, 
ao qual compete: 
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente 
da República, mediante parecer prévio que deverá ser 
elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; 
II - julgar as contas dos administradores e demais 
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da 
administração direta e indireta, incluídas as fundações e 
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público 
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, 
extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao 
erário público; 
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de 
admissão de pessoal, a qualquer título, na administração 
direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e 
mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações 
para cargo de provimento em comissão, bem como a das 
concessões de aposentadorias, reformas e pensões, 
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o 
fundamento legal do ato concessório; 
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos 
Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de 
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, 
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas 
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo 
e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II; 
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas 
supranacionais de cujo capital social a União participe, de 
forma direta ou indireta, nos termos do tratado 
constitutivo; 
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados 
pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros 
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a 
Município; 
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso 
Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das 
respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, 
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre 
resultados de auditorias e inspeções realizadas; 
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de 
despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas 
em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa 
proporcional ao dano causado ao erário; 
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as 
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se 
verificada ilegalidade; 
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, 
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao 
Senado Federal; 
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades 
ou abusos apurados. 
§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado 
diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de 
imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. 
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no 
prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no 
parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. 
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de 
débito ou multa terão eficácia de título executivo. 
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, 
trimestral e anualmente, relatório de suas atividades. 
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 
166, §1º, diante de indícios de despesas não autorizadas, 
ainda que sob a forma de investimentos não programados 
ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à 
autoridade governamental responsável que, no prazo de 
cinco dias, preste os esclarecimentos necessários. 
§ 1º Não prestados os esclarecimentos, ou considerados 
estes insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal 
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pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de 
trinta dias. 
§ 2º Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, 
se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave 
lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional 
sua sustação. 
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove 
Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de 
pessoal e jurisdição em todo o território nacional, 
exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 
96. . 
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão 
nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes 
requisitos: 
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos 
de idade; 
II - idoneidade moral e reputação ilibada; 
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, 
econômicos e financeiros ou de administração pública; 
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva 
atividade profissional que exija os conhecimentos 
mencionados no inciso anterior. 
§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão 
escolhidos: 
I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação 
do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre 
auditores e membros do Ministério Público junto ao 
Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo 
os critérios de antigüidade e merecimento; 
II - dois terços pelo Congresso Nacional. 
§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as 
mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, 
vencimentos e

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