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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
| APOSTILA 2016 – Profa. Malu Aragão
CURSO PRIME ALDEOTA – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208. 2222
CURSO PRIME CENTRO – Av. do Imperador, 1068 – Centro – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2220
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OS: 0151/11/16-Gil
CONCURSO: AGEPEN
SUMÁRIO:
1 Direitos e Garantias Fundamentais................................................................................01
Direitos e deveres individuais e coletivos
2 Administração Pública.....................................................................................................32
3 Defesa do Estado e das Instituições Democráticas.........................................................38
4 CF Atualizada até a EC 93...............................................................................................43
1 – Direitos e Garantias Fundamentais
TEORIA
1. BREVE EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.
A história dos direitos fundamentais está diretamente
ligada ao aparecimento do constitucionalismo no final do
século XVIII, que, entretanto, herdou da idade média as
ideias de contenção do poder do Estado em favor do
cidadão, tendo como ponto ápice a célebre Magna Carta,
escrita na Inglaterra, em 1215, pela qual o Rei João Sem
Terra reconhecia alguns direitos dos nobres, limitando o
poder do monarca.
Com a Revolução Francesa, em 1789, se acentuaram os
movimentos e documentos escritos que buscavam garantir
aos cidadãos os seus direitos elementares em face da
atuação do poder público. Destaque-se a denominada
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789,
produto daquela revolução ocorrida em território francês.
Pouco antes disso, porém, outro documento entrava para a
história, como resultado da revolução Americana, a
Declaração de Virgínia, elaborada em 1776, estabelecendo
os direitos fundamentais do povo norte-americano, tais
como a liberdade, a igualdade, eleição de representantes,
dentre outros.
Em 1948, logo após a 2
a
Guerra Mundial, a Organização das
Nações Unidas fazia editar a Declaração Universal dos
Direitos do Homem, estendendo para praticamente todo o
mundo o respeito e a proteção aos direitos fundamentais
do ser humano.
Paulo Bonavides, comentando sobre a importância das
declarações dos direitos do homem, enaltecendo aquela
nascida na França, em mais uma lição magistral, ensina
que: “Constatou-se então com irrecusável veracidade que
as declarações antecedentes de ingleses e americanos
podiam talvez ganhar em concretude, mas perdiam em
espaço de abrangência, porquanto se dirigiam a uma
camada social privilegiada (os barões feudais), quando
muito a um povo ou a uma sociedade que se libertava
politicamente, conforme era o caso das antigas colônias
americanas, ao passo que a Declaração francesa de 1789
tinha por destinatário o gênero humano. Por isso mesmo, e
pelas condições da época, foi a mais abstrata de todas as
formulações solenes já feitas acerca da liberdade”.
2.0. DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E GARANTIA.
Muitos doutrinadores diferem “Direitos” de “Garantias”
Fundamentais. Essa distinção, no direito brasileiro, foi feita
por Rui Barbosa, ao separar as disposições declaratórias, e
as garantias, disposições assecuratórias. Em outras
palavras, o direito é o “bem” protegido pela norma e a
garantia é o mecanismo criado pela norma para defender o
direito. Em contrapartida, Sampaio Dória, defende a tese
de que as Garantias também são Direitos.
Os direitos e garantias fundamentais, consagrados na
constituição federal, não são ilimitados, absolutos, uma vez
que encontram seus limites nos demais direitos igualmente
consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou
convivência das liberdades públicas).
Na lição de Canotilho, os direitos fundamentais exercem a
função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no
plano jurídico-político, funcionam como normas de
competência negativa para os Poderes Públicos, proibindo-
os de atentarem contra a esfera individual da pessoa; b) no
plano jurídico-subjetivo, implicam o poder de exercer
positivamente os direitos fundamentais (liberdade
positiva), e de exigir omissões dos poderes públicos.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Os direitos e garantias individuais não têm
caráter absoluto. Não há, no sistema constitucional
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse
público ou exigências derivadas do princípio de convivência
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde
que respeitados os termos estabelecidos pela própria
Constituição. (...). (STF MS 23.452, 12/05/00).
3.0. CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS.
A doutrina, baseada na ordem histórica cronológica em que
passam a ser institucionalmente reconhecidos, classifica os
direitos fundamentais em dimensões (gerações). Em
primeira análise, Paulo Bonavides, os classificou em:
Direitos de primeira dimensão: são os direitos civis e
políticos, e compreendem as liberdades clássicas
(liberdade, propriedade, vida, segurança). São direitos do
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indivíduo perante o Estado, são limites impostos à atuação
do Estado, resguardando direitos considerados
indispensáveis a cada pessoa humana. Significa uma
prestação negativa, um não fazer do Estado, em prol do
cidadão.
Direitos de segunda dimensão: correspondem aos direitos
sociais, que são direitos de conteúdo econômico e cultural
que visam melhorar as condições de vida e de trabalho da
população. Significa uma prestação positiva, um fazer do
Estado em prol dos menos favorecidos pela ordem social e
econômica. Esses direitos nasceram em razão de lutas de
uma nova classe social, os trabalhadores.
Direitos de terceira dimensão: corresponde aos direitos
difusos e coletivos, são os direitos de solidariedade e
fraternidade, considerados transindividuais, os direitos de
pessoas coletivamente consideradas. São direitos coletivos,
como a proteção ao meio ambiente, à qualidade de vida
saudável, ao progresso, à paz, à autodeterminação dos
povos e a defesa do consumidor, da infância e da
juventude.
Note-se que há um comparativo desses direitos ao lema da
Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
Em outra oportunidade, o mencionado autor cita ainda os
direitos de quarta dimensão: “São direitos da quarta
geração o direito à democracia, o direito à informação e o
direito ao pluralismo. Deles depende a concretização da
sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima
universalidade, para a qual parece o mundo inclinar-se no
plano de todas as relações de convivência”.
Embora alguns doutrinadores afirmem que o direito à paz
esteja inserido entre os direitos de terceira dimensão,
Paulo Bonavides o desloca para a quinta dimensão, em
virtude de suas características próprias e independentes,
pois estaria em um “patamar superior”, merecendo
visibilidade superior aos demais direitos fundamentais. E
para tanto, afirma expressamente que “A dignidade jurídica
da paz deriva do reconhecimento universal que se lhe deve
enquanto pressuposto qualitativo da convivência humana,
elemento de conservação da espécie, reino de segurança
dos direitos”.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Enquanto os direitos de primeira geração(direitos civis e políticos) — que compreendem as
liberdades clássicas, negativas ou formais — realçam o
princípio da liberdade e os direitos de segunda geração
(direitos econômicos, sociais e culturais) — que se
identifica com as liberdades positivas, reais ou concretas —
acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira
geração, que materializam poderes de titularidade coletiva
atribuídos genericamente a todas as formações sociais,
consagram o princípio da solidariedade e constituem um
momento importante no processo de desenvolvimento,
expansão e reconhecimento dos direitos humanos,
caracterizados, enquanto valores fundamentais
indisponíveis, nota de uma essencial inexauribilidade. (...)
(STF MS 22.164, 17/11/95).
4.0. EFICÁCIA VERTICAL E HORIZONTAL DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS (EFICÁCIA PRIVADA OU EXTERNA).
Quando se fala da relação entre particulares, vê-se que
existe eficácia horizontal dos direitos fundamentais, mas
quando se está diante da relação entre particular e Estado,
passa a existir eficácia vertical dos direitos fundamentais.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) Eficácia dos direitos fundamentais nas
relações privadas. As violações a direitos fundamentais não
ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e
o Estado, mas igualmente nas relações travadas entre
pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os
direitos fundamentais assegurados pela Constituição
vinculam diretamente não apenas os poderes públicos,
estando direcionados também à proteção dos particulares
em face dos poderes privados. Os princípios constitucionais
como limites à autonomia privada das associações. (...).
(STF RE 201.819, 27/10/06).
5.0. EFICÁCIA “IRRADIANTE” DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS.
Dimensão subjetiva – é a visão clássica dos Direitos
Fundamentais. Consiste em enxergá-los como um direito da
pessoa em face do Estado, o qual deve exercer um papel
negativo (abstenção de intervir para que não viole os
direitos previstos, notadamente os direitos e garantias
individuais) ou positivo (prestações que o Estado faz para as
pessoas de forma a garantir condições mais dignas de
sobrevivência, notadamente os direitos sociais).
Dimensão objetiva – A dimensão objetiva dos direitos
fundamentais tem como consequência a eficácia irradiante
dos direitos para o legislativo na função de legislar, para o
executivo na função de administrar e para o Judiciário na
função jurisdicional. É a nova visão, onde os Direitos
Fundamentais devem ser enxergados não só sob a ótica dos
“direitos das pessoas frente ao Estado”, mas como
enunciados que contém alta carga valorativa. Valores,
princípios, regras que norteiam a aplicação do
ordenamento jurídico e assumem um papel central no
constitucionalismo. Nesse aspecto, a visão objetiva cumpre
com o papel de: estruturar, regulamentar, concretizar,
estruturar, impor o cumprimento das normas o mais rápido
possível (visto que os direitos fundamentais têm aplicação
imediata); em suma, devem ser observados pelas normas
jurídicas futuras. Importante lembrar que esses direitos
podem ser condicionados uns em relação aos outros (caso,
de sigilo de dados, por exemplo), preservando-se os
núcleos essenciais de cada um.
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6.0. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.
As características dos direitos fundamentais é um tema
doutrinário, assim dá ensejo a muitas discussões jurídicas.
Há um rol enumerativo das características, mas nunca
deixando de existir divergências entre as teses dogmáticas
apresentadas. Com fundamento nas doutrinas
constitucionalistas e nos reconhecimentos jurisprudenciais,
as características mais importantes no que tange aos
direitos e garantias fundamentais são: universalidade,
indivisibilidade, interdependência, interrelacionaridade,
imprescritibilidade, complementaridade, individualidade,
inviolabilidade, indisponibilidade, inalienabilidade,
historicidade, irrenunciabilidade, vedação ao retrocesso,
efetividade e limitabilidade.
1. Universalidade: os direitos e garantias fundamentais
vinculam-se ao princípio da liberdade, conduzido pela
dignidade da pessoa humana, os mesmos devem ser
destinados a todos os indivíduos, independente da
raça, credo, nacionalidade, convicção política, a
coletividade jurídica em geral.
2. Indivisibilidade: os direitos compõem um único
conjunto, uma totalidade, pois não são analisados de
maneira isolada, separada. O desrespeito a um deles
constitui a violação de todos.
3. Interdependência: os direitos fundamentais são
intrinsecamente relacionados, pois para atingirem
suas principais finalidades possuem intersecções.
4. Interrelacionaridade: a evolução da proteção nacional
e internacional dos direitos fundamentais assegurou
maior abrangência a inviolabilidade dos direitos e
garantias fundamentais no âmbito regional e mundial.
Dita característica concede a pessoa a opção da
proteção da inviolabilidade do seu direito
fundamental, a global ou regional.
5. Imprescritibilidade: os direitos fundamentais não se
perdem com o tempo, não prescrevem, apesar de
existir exceções a essa regra.
6. Inalienabilidade: os direitos são intransferíveis,
inegociáveis e indisponíveis, sem cunho patrimonial.
Tal inalienabilidade resulta da dignidade da pessoa
humana.
7. Historicidade: os direitos fundamentais nasceram de
uma única evolução e desenvolvimento histórico e
cultural. Como afirmava o saudoso professor
Norberto Bobbio: “os direitos do homem, por mais
fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou
seja, nascidos em certas circunstâncias, caracterizadas
por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos
poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de
uma vez e nem de uma vez por todas. (...) o que
parece fundamental numa época histórica e numa
determinada civilização não é fundamental em outras
épocas e em outras cultuas.”
8. Irrenunciabilidade: parte da premissa de que os
direitos fundamentais não podem ser renunciados
pelo seu titular, que não pode fazer com eles o que
quiser, uma vez que os mesmos possuem uma eficácia
objetiva no sentido de que não importa apenas ao
sujeito ativo, mas interessam a toda coletividade.
Entretanto, a suprema Corte Constitucional (STF) vem
admitindo a renúncia, ainda que excepcional, de
certos direitos.
9. Vedação ao retrocesso: os direitos fundamentais uma
vez estabelecidos não se admite o retrocesso visando
a sua limitação ou diminuição, existindo parte da
doutrina afirmando que tais direitos constituem uma
limitação metajurídica ao poder constituinte
originário, atuando como critério de aferição da
legitimidade do conteúdo constitucional. A referida
característica impede a revogação de normas
garantidoras de direitos fundamentais e impede a
implementação de políticas públicas de
enfraquecimento de direitos fundamentais.
A exegese constitucional assegurada a proteção do
núcleo essencial e intangível dos direitos
fundamentais, tendo origem no próprio Estado
Democrático de Direito que se define pela proteção
extremada da dignidade do Homem e plena eficácia
das normas implementadas, sendo que os direitos
sociais já realizados e efetivados pela legislação devem
ser tidos como constitucionalmente garantido, tendo
como consequência a invalidade das medidas que
visam anular ou cancelar o núcleo dos direitos
fundamentais, devendo as mesmas ser consideradas
inconstitucionais.
10. Efetividade: o Estado deve exercer o papel de garantira máxima efetividade dos direitos fundamentais.
11. Limitabilidade ou relatividade: reza que nenhum
direito fundamental poderá ser considerado absoluto,
mas devem ser interpretados e aplicados levando-se
em consideração os limites fáticos e jurídicos
existentes, especialmente quando estão diante de
outros direitos fundamentais. Conforme ressalta Paulo
Gustavo Gonet Branco: “(...) os direitos fundamentais
podem ser objeto de limitações, não sendo, pois,
absolutos. (...) Até o elementar direito à vida tem
limitação explícita no inciso XLVII, a, do art. 5º, em
que se contempla a pena de morte em caso de guerra
formalmente declarada.”
Ademais, as limitações aos direitos fundamentais não
são ilimitadas, só podendo ser limitado o estritamente
necessário, uma vez que com os preceitos
constitucionais devem respeitar os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade. Segundo Konrad
Hesse: “A limitação de direitos fundamentais deve,
por conseguinte, ser adequada para produzir a
proteção do bem jurídico, por cujo motivo ela é
efetuada. Ela deve ser necessária para isso, o que não
é o caso, quando um meio mais ameno bastaria. Ela
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deve, finalmente, ser proporcional em sentido
restrito, isto é, guardar relação adequada com o peso
e o significado do direito fundamental.”
12. Inviolabilidade: impõe a observância dos direitos
fundamentais por normas infraconstitucionais ou por
atos das autoridades públicas..
13. Complementaridade: os direitos fundamentais
constitucionais se complementam e não há hierarquia
entre eles.
14. Concorrência: podem ser exercidos cumuladamente
por um mesmo sujeito ativo.
15. Aplicação imediata (eficácia direta, imediata e
vinculante): com base no artigo 5º, §1º da
Constituição Federal que diz: “As normas definidoras
dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata”, assevera que cabe aos poderes públicos
(Judiciário, Legislativo e Executivo) promover o avanço
desses direitos.
Para o professor José Afonso da Silva, afirmar que as
normas tem “aplicação imediata” significa que as
normas são aplicáveis até onde possam, até onde as
instituições ofereçam condições para seu
atendimento. "Aplicabilidade", por outro lado, é um
conceito desenvolvido pelo referido professor que se
refere ao fato de as normas já poderem ser aplicadas
às situações quando da promulgação da Constituição.
Assim, todas as normas são aplicáveis, mas nem todas
têm aplicação imediata.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA: OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS NÃO TÊM
CARÁTER ABSOLUTO. Não há, no sistema constitucional
brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter
absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse
público ou exigências derivadas do princípio de convivência
das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a
adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde
que respeitados os termos estabelecidos pela própria
Constituição. O estatuto constitucional das liberdades
públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão
sujeitas - e considerado o substrato ético que as informa -
permite que sobre elas incidam limitações de ordem
jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade
do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou
garantia pode ser exercido em detrimento da ordem
pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de
terceiros. (STF RMS 23.452/RJ, Relator Ministro Celso de
Mello, DJ de 12.05.2000).
EMENTA. A PROIBIÇÃO DO RETROCESSO SOCIAL COMO
OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRAÇÃO
EAO INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE
DIREITOS PRESTACIONAIS. - O princípio da
proibição do retrocesso impede, em tema de direitos
fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas
as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação
social em que ele vive. - A cláusula que veda
o retrocesso em matéria de direitos a prestações positivas
do Estado (como o direito à educação, o direito à saúde ou
o direito à segurança pública, v.g.) traduz, no processo de
efetivação desses direitos fundamentais individuais ou
coletivos, obstáculo a que os níveis de concretização de tais
prerrogativas, uma vez atingidos, venham a ser
ulteriormente reduzidos ou suprimidos pelo Estado.
Doutrina. Em consequência desse princípio, o Estado, após
haver reconhecido os direitos prestacionais, assume o
dever não só de torná-los efetivos, mas, também, se obriga,
sob pena de transgressão ao texto constitucional, a
preservá-los, abstendo-se de frustrar - mediante supressão
total ou parcial - os direitos sociais já concretizados. (...)
(STF ARE 639337 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,
Segunda Turma, julgado em 23/08/2011, DJe-177 DIVULG
14-09-2011 PUBLIC 15-09-2011 EMENT VOL-02587-01 PP-
00125).
DIREITOS. DESTINATÁRIOS. PRINCÍPIOS DA
ISONOMIA.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
Os destinatários dos direitos e deveres ora mencionados
são os brasileiros e estrangeiros residentes no país,
devendo a expressão “residentes no país” ser interpretada
no sentido de que tais direitos só serão assegurados dentro
do território brasileiro, não excluindo o estrangeiro em
trânsito pelo território nacional, segundo entendimento
defendido pela doutrina e pela jurisprudência pátria.
Tais direitos são extensíveis às pessoas jurídicas, no que
couber, bem como ao próprio Estado.
No que se refere ao direito à vida, a norma constitucional
protege não só a vida extrauterina, mas a vida intrauterina.
O princípio da Igualdade ou princípio da isonomia está
previsto no caput desse artigo, prescrevendo que toda
pessoa tem o direito de tratamento idêntico pela lei, em
concordância com os critérios albergados pelo
ordenamento jurídico. Entretanto, deve-se buscar não
somente a igualdade formal, direcionada ao legislador, mas
a igualdade real ou material ou substancial, direcionada ao
operador do direito, ao intérprete. Parte-se da premissa de
que a verdadeira igualdade está em tratar igualmente os
iguais e desigualmente os desiguais.
O referido princípio não veda o tratamento diferenciado
estabelecido pela lei, proíbe as diferenças arbitrárias, as
discriminações absurdas, já que o tratamento desigual aos
desiguais é uma questão de justiça, sendo justificável pelo
objetivo que se pretende atingir pela lei, conforme a
súmula 683 do STF que reza: “O limite de idade para a
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inscrição em concurso só se legitima em face do art. 7º,
XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela
natureza do cargo a ser preenchido”. Entretanto somente
serão possíveis tais distinções se estiverem previstas em lei.
Vale destacar as discriminações positivas (affirmative
actions), proveniente do direito norte americano, que cuida
em estabelecer medidas de compensação para reduzir as
desigualdades sociais. É neste escólio que traz a lição do
Ministrodo Supremo Tribunal Federal, Joaquim B. Barbosa
Gomes, que ensina: As ações afirmativas 'consistem em
políticas públicas (e também privadas) voltadas à
concretização do princípio constitucional da igualdade
material e à neutralização dos efeitos da discriminação
racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de
compleição física. Impostas ou sugeridas pelo Estado, por
seus entes vinculados e até mesmo por entidades
puramente privadas, elas visam a combater não somente as
manifestações flagrantes de discriminação de fundo
cultural, estrutural, enraizada na sociedade'.
A discriminação reversa deve-se revestir de uma índole
compensatória e não meramente garantir uma repartição
de bens, sem levar em conta o uso da liberdade das
pessoas e o esforço e mérito de cada um. Avaliadas sob o
teste do princípio da proporcionalidade, as medidas de
discriminação reversa devem ser adequadas para superar
os obstáculos que o preconceito gerou para o grupo. Para
isso devem-se dirigir a propiciar condições de acesso a bens
e serviços que a discriminação vedou. Devem ter em mira o
restabelecimento de uma igualdade de oportunidades tão
efetiva quanto possível.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula Vinculante nº 37 - Não cabe ao Poder Judiciário,
que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de
servidores públicos sob o fundamento de isonomia.
EMENTA. (...) O súdito estrangeiro, mesmo o não
domiciliado no Brasil, tem plena legitimidade para impetrar
o remédio constitucional do "habeas corpus", em ordem a
tornar efetivo, nas hipóteses de persecução penal, o direito
subjetivo, de que também é titular, à observância e ao
integral respeito, por parte do Estado, das prerrogativas
que compõem e dão significado à cláusula do devido
processo legal. - A condição jurídica de não-nacional do
Brasil e a circunstância de o réu estrangeiro não possuir
domicílio em nosso país não legitimam a adoção, contra tal
acusado, de qualquer tratamento arbitrário ou
discriminatório. (...). (STF HC 94.404/SP. Min. Rel. Celso de
Mello. DJ 18.06.2010).
EMENTA (...) Inexistência de ofensas ao direito à vida e da
dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células-
tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os
fins a que se destinam) significa a celebração solidária da
vida e alento aos que se acham à margem do exercício
concreto e inalienável dos direitos à felicidade e do viver
com dignidade (Ministro Celso de Mello). (...) A
potencialidade de algo para se tornar pessoa humana já é
meritória o bastante para acobertá-la, infra
constitucionalmente, contra tentativas levianas ou frívolas
de obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três
realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o
feto é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde
não existir pessoa humana embrionária, mas embrião de
pessoa humana. O embrião referido na Lei de
Biossegurança ("in vitro" apenas) não é uma vida a caminho
de outra vida virginalmente nova, porquanto lhe faltam
possibilidades de ganhar as primeiras terminações
nervosas, sem as quais o ser humano não tem factibilidade
como projeto de vida autônoma e irrepetível. (...) Ação
direta de inconstitucionalidade julgada totalmente
improcedente. (STF ADI 3510/DF, Rel. Min. AYRES BRITTO.
29/05/2008).
EMENTA. (...). Na espécie, aduziu inescapável o confronto
entre, de um lado, os interesses legítimos da mulher em ver
respeitada sua dignidade e, de outro, os de parte da
sociedade que desejasse proteger todos os que a
integrariam, independentemente da condição física ou
viabilidade de sobrevivência. (...) Afirmou que, conforme a
Resolução 1.480/1997 do Conselho Federal de Medicina
(CFM), os exames complementares a serem observados
para a constatação de morte encefálica deveriam
demonstrar, de modo inequívoco, a ausência de atividade
elétrica cerebral ou metabólica deste órgão ou, ainda,
inexistência de perfusão sanguínea nele. Elucidou que, por
essa razão, o CFM, mediante a Resolução 1.752/2004,
consignara serem os anencéfalos natimortos cerebrais.
Desse modo, eles jamais se tornariam pessoa. Nessa senda,
sintetizou que não se cuidaria de vida em potencial, porém,
seguramente, de morte. (...). Exprimiu, pois, que a
anencefalia mostrar-se-ia incompatível com a vida
extrauterina, ao passo que a deficiência, não. (...) Observou
que seria improcedente a alegação de direito à vida dos
anencéfalos, haja vista que estes seriam termos antitéticos.
(...). Destarte, a interrupção de gestação de feto
anencefálico não configuraria crime contra a vida,
porquanto se revelaria conduta atípica. (...). Por derradeiro,
versou que atuar com sapiência e justiça, calcados na
Constituição e desprovidos de qualquer dogma ou
paradigma moral e religioso, determinaria garantir o direito
da mulher de manifestar-se livremente, sem o temor de
tornar-se ré em possível ação por crime de aborto. (STF
ADPF 54, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-4-
2012, Plenário).
EMENTA. (...). Sabemos, tal como já decidiu o STF (RTJ
136/444, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello), que o princípio
da isonomia – cuja observância vincula todas as
manifestações do Poder Público – deve ser considerado,
em sua precípua função de obstar discriminações e de
extinguir privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: a) o
da igualdade na lei e b) o da igualdade perante a lei. A
igualdade na lei – que opera numa fase de generalidade
puramente abstrata – constitui exigência destinada ao
legislador, que, no processo de formação do ato legislativo,
nele não poderá incluir fatores de discriminação
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responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. (...) A
igualdade perante a lei, de outro lado, pressupondo lei já
elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes
estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão
subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou
discriminatório. A eventual inobservância desse postulado
pelo legislador, em qualquer das dimensões referidas,
imporá, ao ato estatal por ele elaborado e produzido, a eiva
de inconstitucionalidade. (STF AI 360.461 AgR, Rel. Min.
Celso de Mello, 2ª T, DJ de 28-3-2008).
EMENTA. (...). No mérito, asseverou-se que a norma
adversada erigira a educação à condição de direito social,
dever do Estado e uma de suas políticas públicas
prioritárias. (...) Rechaçaram-se, de igual modo, as
alegações de afronta aos princípios da igualdade, da
isonomia, da não discriminação e do devido processo legal
ao argumento de que não se afiguraria legítimo, no
ordenamento, que vagas no ensino superior fossem
reservadas com base na condição socioeconômica do aluno
ou em critério racial ou de suas condições especiais.
Salientou-se que a igualdade seria valor que teria, no
combate aos fatores de desigualdade, o seu modo próprio
de realização. Além disso, a distinção em favor dos
estudantes que tivessem cursado o ensino médio em
escolas públicas e os egressos de escolas privadas
contemplados com bolsa integral constituiria discrímen a
compensar anterior e factual inferioridade. (...). (STF ADI
3.330, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 3-5-2012,
Plenário).
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações,
nos termos desta Constituição;
Somente poderá existir tratamento diferenciado entre os
dois sexos quando a finalidade pretendida for atenuar os
desníveis, constantes na constituição e nas leis
infraconstitucionais. Exemplos: art. 7º, XVIII e XIX, 40, III,
143, §§ 1º e 2º, 202,I e II.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). No mérito, prevaleceu o voto proferido pelo
Min. Ayres Britto, relator, que dava interpretação conforme
a Constituição ao art. 1.723 do CC para dele excluir
qualquer significado que impeça o reconhecimento da
união contínua, pública e duradoura entre pessoas do
mesmo sexo como entidade familiar, entendida esta como
sinônimo perfeito de família. Asseverou que esse
reconhecimento deveria ser feito segundo as mesmas
regras e com idênticas consequências da união estável
heteroafetiva. (...). (STF ADI 4.277/DF, rel. Min. Ayres Britto,
DJ 5.5.2011). (ADPF 132).
EMENTA. (...) No mérito, rememorou-se posicionamento da
Corte que, ao julgar o HC 106.212/MS (DJE de 13-6-2011),
declarara a constitucionalidade do art. 41 da Lei Maria da
Penha (...). Reiterou-se a ideia de que a aludida lei viera à
baila para conferir efetividade ao art. 226, § 8º, da CF.
Consignou-se que o dispositivo legal em comento
coadunar-se-ia com o princípio da igualdade e atenderia à
ordem jurídico-constitucional, no que concerne ao
necessário combate ao desprezo às famílias, considerada a
mulher como sua célula básica. Aplicou-se o mesmo
raciocínio ao afirmar-se a constitucionalidade do art. 1º da
aludida lei (...). Asseverou-se que, ao criar mecanismos
específicos para coibir e prevenir a violência doméstica
contra a mulher e estabelecer medidas especiais de
proteção, assistência e punição, tomando como base o
gênero da vítima, o legislador teria utilizado meio
adequado e necessário para fomentar o fim traçado pelo
referido preceito constitucional. Aduziu-se não ser
desproporcional ou ilegítimo o uso do sexo como critério
de diferenciação, visto que a mulher seria eminentemente
vulnerável no tocante a constrangimentos físicos, morais e
psicológicos sofridos em âmbito privado. Frisou-se que, na
seara internacional, a Lei Maria da Penha seria harmônica
com o que disposto no art. 7º, item c, da Convenção de
Belém do Pará (...) e com outros tratados ratificados pelo
país. Sob o enfoque constitucional, consignou-se que a
norma seria corolário da incidência do princípio da
proibição de proteção insuficiente dos direitos
fundamentais. Sublinhou-se que a lei em comento
representaria movimento legislativo claro no sentido de
assegurar às mulheres agredidas o acesso efetivo à
reparação, à proteção e à justiça. (...). (STF ADC 19, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgamento em 9-2-2012, Plenário).
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei;
Consagração do princípio da legalidade. Tal princípio visa
combater o poder arbitrário do Estado, pois somente
mediante espécies normativas elaboradas segundo as
regras do processo legislativo pátrio podem-se criar
obrigações para os indivíduos. O princípio da legalidade se
difere do princípio da reserva legal nesse ponto, pois este
consiste em dizer que a regulamentação de determinada
matéria há de fazer-se necessariamente pelo poder
legislativo, aparecendo na constituição sob a forma: “nos
termos da lei” ou “na forma da lei” e aquele é a submissão
e o respeito à lei.
A Constituição Federal estabelece essa reserva de lei, de
modo absoluto ou relativo. Assim, temos a reserva legal
absoluta quando a norma constitucional exige para sua
integral regulamentação a edição de lei formal, entendida
como ato normativo emanado do Congresso Nacional
elaborado de acordo com o devido processo legislativo
constitucional. Por outro lado, temos a reserva legal
relativa quando a Constituição Federal, apesar de exigir
edição de lei formal, permite que este fixe tão somente
parâmetros de atuação para o órgão administrativo, que
poderá complementa-la por ato infralegal, sempre, porém,
respeitados os limites ou requisitos estabelecidos pela
legislação.
Existe ainda a reserva legal simples e a qualificada. A
reserva legal simples ocorre no caso de a Constituição
Federal estabelecer, em seus artigos, que determinado
assunto seja objeto de lei ("na forma da lei", "nos termos
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da lei"). A lei não pode limitar o conteúdo da Constituição
ou suprimi-lo, ou seja, há limites implícitos na lei que será
elaborada. A reserva legal qualificada ocorre no caso de,
além de estabelecer qual assunto será objeto de lei, o
dispositivo da Constituição estabelece as condições ou fins
que devem ser objeto da norma ("para fins de"). Como
exemplos pode se indicar os incisos VII e XII, ambos do
presente artigo.
Vale ressaltar que a Administração Pública é regida pela
legalidade estrita, pois não pode atuar contra a lei, nem na
ausência da lei.
Dispositivos correspondentes – artigo 5º, XXIX e artigo 37,
“caput”, todos da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula Vinculante nº 44 - Só por lei se pode sujeitar a
exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo
público.
EMENTA. (...). A reserva de lei em sentido formal qualifica-
se como instrumento constitucional de preservação da
integridade de direitos e garantias fundamentais. O
princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação
constitucional ao poder do Estado, cuja competência
regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente
idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou
criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar
obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em
domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de
atuação material da lei em sentido formal. (STF ACO 1.048-
QO, 31/10/07).
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado
o anonimato;
Segundo o ilustre Alexandre de Morais, “a proteção
constitucional abrange não só o direito de expressão oral
ou por escrito, mas também o direito de ouvir, assistir e
ler”.
A vedação do anonimato é ampla, inclui todos os meios de
comunicação.
Dispositivos correspondentes – art. 5º, V, IX e XIV, e art.
220, “caput” e §2º, todos da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Programas humorísticos, charges e modo
caricatural de pôr em circulação ideias, opiniões, frases e
quadros espirituosos compõem as atividades de ‘imprensa’,
sinônimo perfeito de ‘informação jornalística’ (§ 1º do art.
220). Nessa medida, gozam da plenitude de liberdade que é
assegurada pela Constituição à imprensa. Dando-se que o
exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura
ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer
pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico,
irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades
e aparelhos de Estado. Respondendo, penal e civilmente,
pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de
resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, V. A
crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência
com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível
de censura. Isso porque é da essência das atividades de
imprensa operar como formadora de opinião pública, lócus
do pensamento crítico e necessário contraponto à versão
oficial das coisas, conforme decisão majoritária do STF na
ADPF 130. Decisão a que se pode agregar a ideia de que a
locução ‘humor jornalístico’ enlaça pensamento crítico,
informação e criação artística. (...). (STF ADI 4.451-MC -
REF, rel. min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 24-8-2012).
EMENTA: (...). Por entender que o exercício dos direitos
fundamentais de reunião e de livre manifestação do
pensamento devem ser garantidos a todas as pessoas,o
Plenário julgou procedente pedido formulado em ação de
descumprimento de preceito fundamental para dar, ao art.
287 do CP, com efeito vinculante, interpretação conforme a
Constituição, de forma a excluir qualquer exegese que
possa ensejar a criminalização da defesa da legalização das
drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica,
inclusive através de manifestações e eventos públicos. (...)
Ressaltou-se existirem graves consequências resultantes da
censura à liberdade de expressão e de reunião, realizada
por agentes estatais em cumprimento de ordens emanadas
do Judiciário. Frisou-se que, diante do quadro de incertezas
hermenêuticas em torno da aludida norma, a revelar
efetiva e relevante controvérsia constitucional, os cidadãos
estariam preocupados em externar, de modo livre e
responsável, as convicções que desejariam transmitir à
coletividade por meio da pacífica utilização dos espaços
públicos. (STF ADPF 187/DF, rel. Min. Celso de Mello, DJ
15.6.2011).
EMENTA. (...). Não é proibindo, recolhendo obras ou
impedindo sua circulação, calando-se a palavra e
amordaçando a história que se consegue cumprir a
Constituição. (...). A norma infraconstitucional não pode
amesquinhar preceitos constitucionais, impondo restrições
ao exercício de liberdades”. (...). O que não me parece
constitucionalmente admissível é o esquartejamento das
liberdades de todos pela censura de uns, especialmente no
caso de obras biográficas que dizem respeito não apenas ao
biografado, mas que diz respeito a toda coletividade pela
sua natureza de referenciabilidade do que precisa ser
aproveitado. (...). (STF ADI 4815, Min. Rel. Cármem Lúcia, DJ
10/06/2015).
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao
agravo, além da indenização por dano material, moral ou
à imagem;
O direito de resposta aplica-se em relação às ofensas,
configurem ou não infrações penais, tendo como requisito
a proporcionalidade, devendo o desagravo ter o mesmo
destaque, a mesma duração e o mesmo tamanho que a
notícia geradora da lesão. A responsabilidade pela
divulgação do direito de resposta é do órgão de
comunicação. O dano pode ser material (danos sofridos e
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lucros cessantes), moral (à intimidade da pessoa) e à
imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações
externas).
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de
censura ou licença;
XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional;
LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença,
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e
as suas liturgias;
A Constituição de 1824, em seu artigo 179, V, já assegurava
os direitos religiosos, desde que respeitasse a do Estado,
nos seguintes termos:
Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos
Cidadãos Brasileiros, que tem por base a liberdade, a segurança
individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do
Império, pela maneira seguinte.
(...).
V. Ninguém pode ser perseguido por motivo de Religião, uma vez
que respeite a do Estado, e não ofenda a Moral Publica.
(...)”.
A partir da Constituição Federal de 1891, estabeleceu-se o
Estado Laico ou Leigo, que não adota qualquer religião
como oficial. Como ensina José Afonso da Silva, “na
liberdade de crença entra a liberdade de escolha de
religião, a liberdade de aderir à qualquer seita religiosa, a
liberdade (ou o direito) de mudar de religião, mas também
compreende a liberdade de não aderir à religião alguma,
assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser
ateu e de exprimir o agnosticismo”.
Bom lembrar que o livre exercício dos cultos é assegurado
enquanto não forem contrários à ordem, tranquilidade e
sossego públicos, bem como compatíveis aos bons
costumes. E a liberdade religiosa não é absoluta, uma vez
que não será permitido a qualquer religião ou culto atos
atentatórios à lei, sob pena de responsabilidade civil e
criminal.
Artigos correspondentes: art. 210, §1º e art. 215, §2º,
ambos da CF/88.
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos
direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça
como valores supremos de uma sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social
e comprometida, na ordem interna e internacional, com a
solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a
proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Segundo posicionamento jurisprudencial, o Preâmbulo não
constitui norma central, não se trata de norma de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado, já que
não tem força normativa.
Entretanto, o Preâmbulo faz parte da estrutura da
Constituição Federal, que se divide em Preâmbulo, texto
permanente e texto temporário (Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias – ADCT).
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA: CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO.
NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. - Normas
centrais da Constituição Federal: essas normas são de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro,
mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a
ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404).
II. Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central.
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo
força normativa. III. - Ação direta de inconstitucionalidade
julgada improcedente. (ADI 2.076/AC. Rel. Min. Carlos
Velloso, DJ 08.08.2003).
VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de
assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
Hospitais, asilos (públicos e privados), presídios e quartéis
são locais de internação coletiva.
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei;
A escusa de consciência e de crença aplica-se às obrigações
legais de forma genérica e não somente ao serviço militar
obrigatório, embora esse seja o exemplo mais indicado
pelos doutrinadores quando enfocam o assunto.
O artigo 143 da Constituição Federal, prescreve:
Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.
§ 1º - às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir
serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados,
alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política,
para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar.
O serviço alternativo no caso de descumprimento do
serviço militar obrigatório por imperativo de consciência é
estabelecido pela lei nº 8.239/91.
Caso não seja cumprida a prestação alternativa, ocorrerá a
privação dos direitos políticos, nos termos do artigo 15, IV,
da CF/88:
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Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou
suspensão só se dará nos casos de:
...
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação
alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
(...).
INVIOLABILIDADES
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e
a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Princípio da exclusividade. A intimidade, como exigência
moral da personalidade para que em determinadas
situações seja o indivíduo deixado em paz, constituindo um
direito de controlar a indiscrição alheia nos assuntos
privados que só a ele interessa, tem como um de seus
fundamentos o princípio da exclusividade, formulado por
Hannah Arendt com base em Kant.
Os conceitos de intimidade e vida privada são interligados,
mas podem ser diferenciados. A intimidade da pessoa diz
respeito às relações subjetivas e de trato íntimo, relações
familiares e de amizade e a vida privada refere-se a todos
os relacionamentos da pessoa, inclusive os objetivos, tais
como os comerciais, de trabalho, de estudo, etc.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 227 do STJ – A pessoa jurídica pode sofrer dano
moral.
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do Morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou durante o dia, por determinação judicial;
A expressão casa tem um alcance muito amplo, não sendo
limitada pelos conceitos de direito privado, como já
pacificou o STF, considerando casa todo local delimitado e
separado que alguém utiliza com exclusividade, mesmo que
para fins profissionais, não importando a relação jurídica de
seus habitantes com aquele prédio ou terreno. O Código
Penal Brasileiro conceitua “casa” em seu artigo 150.
Para José Afonso da Silva dia é o período das 6:00h às
18:00h e para Celso de Mello deve ser levado em conta o
critério físico-astronômico, como o intervalo de tempo
situado entre a aurora e o crepúsculo.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) Busca e apreensão em aposentos ocupados
de habitação coletiva (como quartos de hotel) - subsunção
desse espaço privado, desde que ocupado, ao conceito de
"casa" - consequente necessidade, em tal hipótese, de
mandado judicial, ressalvadas as exceções previstas no
próprio texto constitucional. - para os fins da proteção
jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da constituição da
república, o conceito normativo de "casa" revela-se
abrangente e, por estender-se a qualquer aposento de
habitação coletiva, desde que ocupado (CP, art. 150, § 4º,
II), compreende, observada essa específica limitação
espacial, os quartos de hotel. (...). (STF RHC 90.376/RJ, Rel.
Min. Celso de Mello. DJ 18.05.2007).
EMENTA. (...). Cuidando-se de crime de natureza
permanente, a prisão do traficante, em sua residência,
durante o período noturno, não constitui prova ilícita. (STF
HC 84.772, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 19-10-
2004, Segunda Turma, DJ de 12-11-2004.) No mesmo
sentido: HC 70.909, Rel. Min. Paulo Brossard, julgamento
em 11-10-1994, Plenário, DJ de 25-11-1994.
EMENTAS: (…).7. PROVA. Criminal. Escuta ambiental.
Captação e interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos
ou acústicos. Meio probatório legalmente admitido. Fatos
que configurariam crimes praticados por quadrilha ou
bando ou organização criminosa. Autorização judicial
circunstanciada. Previsão normativa expressa do
procedimento. Preliminar repelida. Inteligência dos arts. 1º
e 2º, IV, da Lei nº 9.034/95, com a redação da Lei nº
10.217/95. Para fins de persecução criminal de ilícitos
praticados por quadrilha, bando, organização ou associação
criminosa de qualquer tipo, são permitidos a captação e a
interceptação de sinais eletromagnéticos, óticos e
acústicos, bem como seu registro e análise, mediante
circunstanciada autorização judicial. 8. PROVA. Criminal.
Escuta ambiental e exploração de local. Captação de sinais
óticos e acústicos. Escritório de advocacia. Ingresso da
autoridade policial, no período noturno, para instalação de
equipamento. Medidas autorizadas por decisão judicial.
Invasão de domicílio. Não caracterização. Suspeita grave da
prática de crime por advogado, no escritório, sob pretexto
de exercício da profissão. Situação não acobertada pela
inviolabilidade constitucional. Inteligência do art. 5º, X e XI,
da CF, art. 150, § 4º, III, do CP, e art. 7º, II, da Lei nº
8.906/94. Preliminar rejeitada. Votos vencidos. Não opera a
inviolabilidade do escritório de advocacia, quando o próprio
advogado seja suspeito da prática de crime, sobretudo
concebido e consumado no âmbito desse local de trabalho,
sob pretexto de exercício da profissão. (…). (STF - Inq: 2424
RJ, Relator: Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento:
26/11/2008, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-055
DIVULG 25-03-2010 PUBLIC 26-03-2010).
EMENTA: (...) A entrada forçada em domicílio sem
mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno,
quando amparada em fundadas razões, devidamente
justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa
ocorre situação de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade, e de nulidade dos atos praticados. (...) (STF RE
603616, Rel. Min. Gilmar Ferreira Mendes, J. 05.11.2015).
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal;
Vê-se que não houve previsão de quebra do sigilo das
correspondências e nem de dados (bancários, fiscais ou
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OS: 0151/11/16-Gil
telefônicos) mediante lei, haja vista que a exceção
constitucional expressa refere-se somente à interceptação
telefônica, entretanto entende-se que nenhuma liberdade
individual é absoluta, sendo possível, respeitados alguns
parâmetros, a interceptação das correspondências e
comunicações telegráficas e de dados sempre que as
liberdades públicas estiverem sendo utilizadas como
instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas.
O preceito que garante o sigilo de dados engloba o uso de
informações decorrentes da informática e a quebra do
sigilo dos dados telefônicos consiste na apreensão do
histórico de conta telefônica (extrato telefônico).
Além de admitir que as comissões parlamentares de
inquérito possam determinar a quebra do sigilo das
comunicações de dados, recentemente o Plenário do
Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade
do artigo 6º da lei complementar nº 105/2001, no Recurso
Extraordinário nº 601314, para reconhecer o direito da
Receita Federal de obter dados bancários, sem necessidade
de recorrer ao poder judiciário.
Interceptação telefônica é a captação feita por um terceiro
de uma comunicação telefônica alheia, sem o
conhecimento dos comunicadores. Escuta telefônica é a
captação realizada por um terceiro de uma comunicação
telefônica alheia, mas com o conhecimento de um dos
comunicadores. A gravação telefônica é a que ocorre entre
dois interlocutores, onde um deles capta a conversa sem o
conhecimento do outro e sem intervenção de terceiro.
A lei 9.296/96 emergiu no ordenamento jurídico
infraconstitucionala fim de regulamentar a parte final do
artigo em comento.
Artigos correspondentes: arts. 5, LVI, 136, I, “b” e “c” e 139,
III, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) A administração penitenciária, com
fundamento em razões de segurança pública, de disciplina
prisional ou de preservação da ordem jurídica, pode,
sempre excepcionalmente, proceder à interceptação da
correspondência remetida pelos sentenciados, eis que a
cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não
pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas
ilícitas (...). (STF HC 70.814/SP).
EMENTA. (...) O Tribunal já firmou entendimento de que as
Comissões Parlamentares de Inquérito são dotadas de
poder investigatório, ficando assentado que devem elas, a
partir de meros indícios, demonstrar a existência concreta
de causa provável que legitime a quebra do sigilo. (...)
Causa provável ensejadora da quebra dos sigilos fiscal,
bancário e telefônico. Segurança denegada. (STF MS
24217/DF, rel Min Maurício Corrêa, 18/10/2002).
EMENTA. Mandado de Segurança. Tribunal de Contas da
União. Banco Central do Brasil. Operações financeiras.
Sigilo. 1. A Lei Complementar nº 105, de 10/1/01, não
conferiu ao Tribunal de Contas da União poderes para
determinar a quebra do sigilo bancário de dados constantes
do Banco Central do Brasil. O legislador conferiu esses
poderes ao Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo
Federal (art. 4º), bem como às Comissões Parlamentares de
Inquérito, após prévia aprovação do pedido pelo Plenário
da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do
plenário de suas respectivas comissões parlamentares de
inquérito (§§ 1º e 2º do art. 4º). (...). (STF MS 22.801/DF.
Rel. Min Menezes Direito. DJ 13.03.2008).
EMENTA (...) SÉTIMA PRELIMINAR. DADOS DE EMPRÉSTIMO
FORNECIDOS PELO BANCO CENTRAL. PEDIDO DIRETO DO
MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA.
REQUISIÇÃO FEITA PELA CPMI DOS CORREIOS. POSTERIOR
AUTORIZAÇÃO DE COMPARTILHAMENTO COM O
MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INSTRUÇÃO DO INQUÉRITO.
LEGALIDADE. (...). (STF Inq. 2.245/MG. Rel. Min. Joaquim,
Barbosa, DJ 09.11.2007).
EMENTA. Prova emprestada. Penal. Interceptação
telefônica. Escuta ambiental. Autorização judicial e
produção para fim de investigação criminal. Suspeita de
delitos cometidos por autoridades e agentes públicos.
Dados obtidos em inquérito policial. Uso em procedimento
administrativo disciplinar, contra outros servidores, cujos
eventuais ilícitos administrativos teriam despontado à
colheita dessa prova. Admissibilidade. Resposta afirmativa
a questão de ordem. Inteligência do art. 5º, XII, da CF e do
art. 1º da Lei federal 9.296/1996. (...) Dados obtidos em
interceptação de comunicações telefônicas e em escutas
ambientais, judicialmente autorizadas para produção de
prova em investigação criminal ou em instrução processual
penal, podem ser usados em procedimento administrativo
disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em
relação às quais foram colhidos, ou contra outros
servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à
colheita dessa prova. (STF Inq 2.424 QO. Rel. Min Cezar
Peluso. DJ 24.08.2007).
EMENTA. (...). Suposta ilegalidade decorrente do fato de os
policiais, após a prisão em flagrante do corréu, terem
realizado a análise dos últimos registros telefônicos dos
dois aparelhos celulares apreendidos. Não ocorrência. Não
se confundem comunicação telefônica e registros
telefônicos, que recebem, inclusive, proteção jurídica
distinta. Não se pode interpretar a cláusula do art. 5º, XII,
da CF, no sentido de proteção aos dados enquanto registro,
depósito registral. A proteção constitucional é da
comunicação de dados, e não dos dados. Art. 6º do CPP:
dever da autoridade policial de proceder à coleta do
material comprobatório da prática da infração penal. Ao
proceder à pesquisa na agenda eletrônica dos aparelhos
devidamente apreendidos, meio material indireto de prova,
a autoridade policial, cumprindo o seu mister, buscou,
unicamente, colher elementos de informação hábeis a
esclarecer a autoria e a materialidade do delito (dessa
análise logrou encontrar ligações entre o executor do
homicídio e o ora paciente). (...). (STF HC 91.867, rel. min.
Gilmar Mendes, 2ª T, DJ de 20-9-2012).
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OS: 0151/11/16-Gil
EMENTA. (....) O presente caso versa sobre a gravação de
conversa telefônica por um interlocutor sem o
conhecimento de outro, isto é, a denominada “gravação
telefônica” ou “gravação clandestina”. Entendimento do
STF no sentido da licitude da prova, desde que não haja
causa legal específica de sigilo nem reserva de conversação.
Repercussão geral da matéria (RE 583.397/RJ). 3. Ordem
denegada. (STF HC 91613, Relator Min. GILMAR MENDES,
2ª T, DJ 17-09-2012).
EMENTA: (...). O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não
ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade
em relação aos cidadãos, por meio do princípio da
capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos
objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária
para a fiscal. (...). (STF RE 601314, Rel. Min. EDSON
FACHIN, Plenário, Julgamento em 24.02.2016).
LIBERDADE DE PROFISSÃO
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer;
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) A reserva legal estabelecida pelo art. 5º, XIII,
não confere ao legislador o poder de restringir o exercício
da liberdade profissional a ponto de atingir o seu próprio
núcleo essencial. (...) O jornalismo é uma profissão
diferenciada por sua estreita vinculação ao pleno exercício
das liberdades de expressão e de informação. (...) O
jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são
atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e
não podem ser pensadas e tratadas de forma separada.
Isso implica, logicamente, que a interpretação do art. 5º,
inciso XIII, da Constituição, na hipótese da profissão de
jornalista, se faça, impreterivelmente, em conjunto com os
preceitos do art. 5º, incisos IV, IX, XIV, e do art. 220 da
Constituição, que asseguram as liberdades de expressão, de
informação e de comunicação em geral. (...)A exigência de
diploma de curso superior para a prática do jornalismo - o
qual, em sua essência, é o desenvolvimento profissional das
liberdades de expressão e de informação - não está
autorizada pela ordem constitucional, pois constitui uma
restrição, um impedimento, uma verdadeira supressão do
pleno, incondicionado e efetivo exercício da liberdade
jornalística, expressamente proibido pelo art. 220, § 1º, da
Constituição. (...). (STF RE 511.961/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, DJ 13.11.2009).
EMENTA. (...). A atividade de músico não depende de
registro ou licença de entidade de classe para o seu
exercício. Essa é a conclusão do Plenário ao negar
provimento a recurso extraordinário, afetado pela 2ª
Turma, em que a Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho
Regional de Santa Catarina alegava que o livre exercício de
qualquer profissão ou trabalho estaria constitucionalmente
condicionado às qualificações específicas de cada profissão
e que, no caso dos músicos, a Lei 3.857/60 estabeleceria
essas restrições — v. Informativos 406 e 568. Aduziu-se que
as restrições feitas ao exercício de qualquer profissão ou
atividade profissional deveriam obedecer ao princípio da
mínima intervenção – a qual se pautaria pela razoabilidade
e pela proporcionalidade. Ressaltou-se que a liberdade de
exercícioprofissional, contida no art. 5º, XIII, da CF, seria
quase absoluta e que qualquer restrição a ela só se
justificaria se houvesse necessidade de proteção a um
interesse público, a exemplo de atividades para as quais
fosse requerido conhecimento específico, técnico, ou
ainda, habilidade já demonstrada. (STF RE 414426/SC, rel.
Min. Ellen Gracie, 1º.8.2011).
LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO
XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo
de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
Artigo correspondente: art. 139, I, da CF/88.
LIBERDADE DE REUNIÃO
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas,
em locais abertos ao público, independentemente de
autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
O direito a reunião é uma manifestação coletiva da
liberdade de expressão, tendo como requisitos: pluralidade
de participantes, temporariedade, finalidade pacífica,
ausência de armas, lugares abertos ao público e
comunicação prévia.
Haverá restrição ao direito de reunião na hipótese de
decretação do estado de defesa e suspensão no caso de
decretação do estado de sítio (art. 136, §1º, I, “a” e art.
139, IV, ambos da CF). São limitações circunstanciais.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Por entender caracterizada a ofensa ao art.
5º, XVI, da CF, que assegura a todos o direito de reunião
pacífica, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, o Tribunal julgou
procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo
Partido dos Trabalhadores - PT e outros para declarar a
inconstitucionalidade do Decreto distrital 20.098/99, que
veda a realização de manifestação pública, com a utilização
de carros, aparelhos e objetos sonoros na Praça dos Três
Poderes, na Esplanada dos Ministérios e na Praça do Buriti
e vias adjacentes. (STF ADI 1969/DF, 28.6.2007).
LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos,
vedada a de caráter paramilitar;
O direito de associação só alcança as associações criadas
para fins lícitos, com ou sem personalidade jurídica. O
caráter paramilitar é verificado quando a associação
destina-se ao treinamento do uso de material bélico, com
as seguintes características: organização hierárquica e
respeito ao princípio da obediência.
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OS: 0151/11/16-Gil
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). Com efeito, a liberdade de associação não se
confunde com o direito de reunião, possuindo, em relação
a este, plena autonomia jurídica (...). Diria, até, que, sob a
égide da vigente Carta Política, intensificou-se o grau de
proteção jurídica em torno da liberdade de associação, na
medida em que, ao contrário do que dispunha a Carta
anterior, nem mesmo durante a vigência do estado de sítio
se torna lícito suspender o exercício concreto dessa
prerrogativa. (...) Revela-se importante assinalar, neste
ponto, que a liberdade de associação tem uma dimensão
positiva, pois assegura a qualquer pessoa (física ou jurídica)
o direito de associar-se e de formar associações. Também
possui uma dimensão negativa, pois garante, a qualquer
pessoa, o direito de não se associar, nem de ser compelida
a filiar-se ou a desfiliar-se de determinada entidade. Essa
importante prerrogativa constitucional também possui
função inibitória, projetando-se sobre o próprio Estado, na
medida em que se veda, claramente, ao Poder Público, a
possibilidade de interferir na intimidade das associações e,
até mesmo, de dissolvê-las, compulsoriamente, a não ser
mediante regular processo judicial. (STF ADI 3.045, de
1º./6/2007).
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
interferência estatal em seu funcionamento;
As associações aqui referidas devem ser entendidas em
sentido amplo, incluindo os partidos políticos e as
associações sindicais (art. 8º, I), as quais devem ser criadas
na forma da lei, sem necessidade de autorização do poder
público, nem possibilidade de interferência deste em seu
funcionamento, considerando que a interferência arbitrária
do poder público no exercício desse direito pode acarretar
responsabilidade penal, político-administrativa e civil.
Importante diferenciar os institutos, pois a associação não
tem fins lucrativos, o patrimônio é constituído pela
contribuição dos membros para alcançar fins educacionais,
religiosos, culturais etc. Já a cooperativa, sociedade ou
empresa constituída por membro de determinado grupo
econômico ou social, objetiva desempenhar, em beneficio
comum, determinada atividade econômica.
XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;
Fica subentendido que qualquer ato normativo editado
pelo poder Executivo ou pelo poder Legislativo, no sentido
de dissolução compulsória, será inconstitucional, uma vez
que a Lei Maior limita a atuação ao Poder Judiciário
(cláusula de reserva do Poder Judiciário), autorizando-o à
dissolução somente quando a finalidade buscada pela
associação for ilícita, valendo ressaltar que no caso da
medida mais drástica, ou seja, no caso da dissolução, a
decisão judicial exige o trânsito em julgado.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA (...). Cabe enfatizar, neste ponto, que as normas
inscritas no art. 5º, incisos XVII a XXI da atual Constituição
Federal protegem as associações, inclusive as sociedades,
da atuação eventualmente arbitrária do legislador e do
administrador, eis que somente o Poder Judiciário, por
meio de processo regular, poderá decretar a suspensão ou
a dissolução compulsória das associações. Mesmo a
atuação judicial encontra uma limitação constitucional:
apenas as associações que persigam fins ilícitos poderão ser
compulsoriamente dissolvidas ou suspensas. “Atos
emanados do Executivo ou do Legislativo, que provoquem a
compulsória suspensão ou dissolução de associações,
mesmo as que possuam fins ilícitos, serão inconstitucionais.
(STF ADI 3.045, 1º./6/07).
XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a
permanecer associado;
XXI – as entidades associativas, quando expressamente
autorizadas, têm legitimidade para representar seus
filiados judicial ou extrajudicialmente;
Aqui consta a grande diferença entre associações e
sindicatos, pois a estes cabe a defesa dos direitos e
interesses coletivos e individuais da categoria (art. 8º, III),
enquanto que aquelas possuem finalidades sociológicas.
O dispositivo diz respeito à representação processual, que
por sua vez difere da substituição processual (legitimidade
ativa extraordinária). Aquela ocorre numa situação onde o
representante atua em nome do representado, caso em
que se faz necessário à autorização. A substituição
processual o legitimado atua em seu nome próprio para
defesa de direito alheio, não sendo necessária autorização.
Vale dizer que no caso de impetração de mandado de
segurança coletivo (art. 5º, LXX), a associação prescinde de
autorização, uma vez que atua como substituto processual.
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de
que entidade de classe não tem legitimidade para
promover interpelação judicial em defesa da honra de seus
associados, por se tratar de um direito personalíssimo de
quem, concretamente, seviu atingido pelas afirmações
tidas por ofensivas (PET nº 1.249/DF-AgR, Pleno, Relator o
Ministro Celso de Mello, DJ de 9/4/99).
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). A representação prevista no inciso XXI do
artigo 5º da Constituição Federal surge regular quando
autorizada a entidade associativa a agir judicial ou
extrajudicialmente mediante deliberação em assembleia.
Descabe exigir instrumentos de mandatos subscritos pelos
associados. (...). (STF RE 192.305, 21/5/01).
Súmula 629 do STF - A impetração de mandado de
segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes.
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DIREITO DE PROPRIEDADE
XXII – é garantido o direito de propriedade;
O direito de propriedade é garantia individual e relativa.
XXIII – a propriedade atenderá a função social;
O conceito de função social consta nos artigos 182, §2º e
186, da CF/88.
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, mediante justa e prévia indenização
em dinheiro, ressalvada os casos previstos nesta
Constituição;
As exceções estão previstas nos artigos 182, §4º, 184 e 243,
todos da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). A expropriação de glebas a que se refere o
art. 243 da CF há de abranger toda a propriedade e não
apenas a área efetivamente cultivada (...). (STF RE
543.974/MG, 26.3.2009).
XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade
competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;
Trata-se de Requisição Administrativa, desapropriação por
necessidade ou utilidade pública.
A indenização é posterior porque deverá ser paga somente
se houver dano, o qual será devido até na hipótese do
artigo 139, VII, da CF/88, ou seja, durante o Estado de Sítio.
XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
desde que trabalhada pela família, não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
financiar o seu desenvolvimento;
Frise-se que o benefício da impenhorabilidade aqui
concedida diz respeito exclusivamente aos débitos
decorrentes da própria propriedade produtiva, devendo
dita pequena propriedade rural ser trabalhada pela família,
requisito este essencial para o reconhecimento do instituto.
A título de informação, o Estatuto da Terra, lei nº 4.504/64,
tenta definir "propriedade familiar" e usa como referência
de área, o módulo rural.
XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de
utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
Propriedade intelectual, que compreende os direitos
autorais, também conhecidos como direito de cópia
(copyright) e os direitos à propriedade industrial, marcas e
patentes, descritos no inciso XXIX, do presente artigo.
Registre-se que a lei dos direitos autorais é a lei no.
9.610/98.
XXVIII – são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas,
inclusive nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico
das obras que criarem ou de que participarem aos
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas;
O texto contém três garantias: a das participações
individuais em obras coletivas, que são as produzidas em
colaboração por diversos autores, a das reproduções da
imagem e voz humanas e a de fiscalização do
aproveitamento econômico das obras.
XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais
privilégio temporário para sua utilização, bem como
proteção às criações industriais, à propriedade das
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o
desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
São asseguradas duas garantias: privilégio temporário de
utilização aos autores de inventos e a proteção às criações
industriais, à propriedade das marcas, nomes de empresas
e outros signos distintivos.
O autor de inventos é aquele que fez uma descoberta ou
criou coisa nova, industrializável, que produz resultado no
mercado. A Lei 9.279/96 dispõe sobre essa matéria e prevê
o direito de obter a patente. Essa mesma lei protege à
marca registrada no Brasil, bem como a marca
notoriamente conhecida, independentemente de estar ou
não registrada no Brasil, conhecidas por marcas notórias.
DIREITO DE SUCESSÕES
XXX – é garantido o direito de herança;
Para José Afonso da Silva “herança” significa a
universalidade de bens transmitida pelo finado aos seus
sucessores, segundo a ordem das vocações hereditárias.
XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge
ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais
favorável a lei pessoal do de cujus;
A regra só se aplica aos bens de estrangeiros situados no
Brasil porque a lei brasileira não tem eficácia
extraterritorial.
Segundo Celso de Mello, o legislador constituinte utilizou o
critério do jus domicilii, aplicando a lei brasileira,
combinado com o critério do jus patriae, quando a lei
estrangeira, pessoal do de cujus, for mais favorável ao
cônjuge ou filhos brasileiros. E se o morto era domiciliado
no exterior, aplicar-se-á a lei brasileira se for mais benéfica
ao cônjuge ou filhos brasileiros, no que diz respeito aos
bens situados no Brasil (critério forum rei sitae).
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
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OS: 0151/11/16-Gil
O presente dispositivo também abrange os netos
brasileiros, desde que sejam herdeiros, pois a finalidade do
legislador constitucional é a proteção dos descendentes
brasileiros convocados à herança. O adjetivo “brasileiros”,
ora empregado, qualifica cônjuges e filhos e a conjunção
“ou” tem sentido tanto aditivo como alternativo.
DIREITO DE INFORMAÇÃO
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
É garantia de natureza administrativa, que decorre do
princípio da publicidade dos atos da Administração Pública.
Porém essa garantia não é absoluta, já que o Poder Público
pode recusar-se a fornecer a informação quando esta for
imprescindível à segurança do Estado e da sociedade, nos
termos da lei nº 12.527/2011. Ressalte-se, ainda a criação
da comissão da verdade, instituída pela lei 12.528/2011.
Importante dizer que quando houver negativa
administrativa sobre informações pessoais a ação
constitucional cabível poderá ser o habeas data, mas
quando o direito denegado for informações de interesse
coletivo ou geral, a ação constitucional cabível a espécie
será o mandado de segurança (art. 5º, LXIX e LXXII).
Dispositivo correspondente: art. 5º, XIV, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse
do representado, ter acessoamplo aos elementos de prova
que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa.
EMENTA. (...). Direito à informação de atos estatais, neles
embutida a folha de pagamento de órgãos e entidades
públicas. (...) Caso em que a situação específica dos
servidores públicos é regida pela 1ª parte do inciso XXXIII
do art. 5º da Constituição. Sua remuneração bruta, cargos e
funções por eles titularizados, órgãos de sua formal
lotação, tudo é constitutivo de informação de interesse
coletivo ou geral. Expondo-se, portanto, a divulgação
oficial. Sem que a intimidade deles, vida privada e
segurança pessoal e familiar se encaixem nas exceções de
que trata a parte derradeira do mesmo dispositivo
constitucional (inciso XXXIII do art. 5º), pois o fato é que
não estão em jogo nem a segurança do Estado nem do
conjunto da sociedade. Não cabe, no caso, falar de
intimidade ou de vida privada, pois os dados objeto da
divulgação em causa dizem respeito a agentes públicos
enquanto agentes públicos mesmos; ou, na linguagem da
própria Constituição, agentes estatais agindo ‘nessa
qualidade’ (§ 6º do art. 37). E quanto à segurança física ou
corporal dos servidores, seja pessoal, seja familiarmente,
claro que ela resultará um tanto ou quanto fragilizada com
a divulgação nominalizada dos dados em debate, mas é um
tipo de risco pessoal e familiar que se atenua com a
proibição de se revelar o endereço residencial, o CPF e a CI
de cada servidor. No mais, é o preço que se paga pela
opção por uma carreira pública no seio de um Estado
republicano. (...) A negativa de prevalência do princípio da
publicidade administrativa implicaria, no caso, inadmissível
situação de grave lesão à ordem pública. (...). (STF SS 3.902-
AgR - segundo, Rel. Min. Ayres Britto, Plenário, DJ de 3-10-
2011).
DIREITO DE PETIÇÃO E DE CERTIDÃO
XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para
defesa de direitos e esclarecimento de situação de
interesse pessoal;
O direito de petição tem sua origem na Carta Magna de
1215, no right of petition, na Inglaterra, firmando–se no Bill
of Rights de 1689, mas se fortaleceu na Constituição
Francesa de 1791.
Garantia de índole administrativa que não se confunde com
o direito de ação, por isso não tem o peticionário de
demonstrar lesão ou ameaça de lesão a interesse, pessoal
ou particular. Visa defender direito, noticiar ilegalidade ou
abuso de autoridade, constituindo uma prerrogativa
democrática, de caráter essencialmente informal (apesar
da forma escrita), independentemente do pagamento de
taxas e está desvinculado da comprovação da existência de
qualquer lesão a interesses próprios do solicitante.
O direito de certidão é consagrado como garantia
constitucional de natureza individual, exercido na seara
administrativa. Tem como objetivo o esclarecimento de
situações pretéritas pessoais, onde o Estado se obriga a
prestá-lo sob pena de responsabilidade política, civil e
criminal, ressalvados as hipóteses constitucionais de sigilo.
Negado o direito, caberá mandado de segurança (art. 5º,
LXIX).
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). O direito de petição, presente em todas as
Constituições brasileiras, qualifica-se como importante
prerrogativa de caráter democrático. Trata-se de
instrumento jurídico-constitucional posto a disposição de
qualquer interessado— mesmo daqueles destituídos de
personalidade jurídica —, com a explícita finalidade de
viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de
direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal
quanto de significação coletiva. (STF ADI 1.247-MC,
08/09/95)
EMENTA. (...). O direito à certidão traduz prerrogativa
jurídica, de extração constitucional, destinada a viabilizar,
em favor do indivíduo ou de uma determinada coletividade
(como a dos segurados do sistema de previdência social), a
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OS: 0151/11/16-Gil
defesa (individual ou coletiva) de direitos ou o
esclarecimento de situações. A injusta recusa estatal em
fornecer certidões, não obstante presentes os pressupostos
legitimadores dessa pretensão, autorizará a utilização de
instrumentos processuais adequados, como o mandado de
segurança ou a própria ação civil pública. (...). (STF RE
472.489 – AgR, 29/8/08).
PRINCÍPIOS E REGRAS APLICÁVEIS AO DIREITO E AO
PROCESSO
XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
lesão ou ameaça a direito;
Princípio do livre acesso ao judiciário ou princípio da
inafastabilidade de jurisdição, ou ainda princípio da
ubiquidade da justiça. É o direito de obter a tutela judicial,
é o direito de ação, desde que preenchidas às condições da
ação e dos pressupostos processuais legalmente
estabelecidos (legitimidade, interesse de agir e pedido
possível). Ademais inexiste a obrigatoriedade de
esgotamento da instância administrativa para que a parte
possa acessar o Judiciário, tendo como exceção as lides
desportivas, constante no art. 217, parágrafo 1º, que reza:
Art. 217. (...).
§1º. O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina
e às competições desportivas após esgotarem-se as
instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
Em razão do referido princípio não se admite no sistema
constitucional pátrio a chamada jurisdição condicionada ou
instância administrativa de curso forçado.
Saliente-se também que existem situações que não serão
apreciadas pelo poder judiciário, como, via de regra, os
atos interna corporis (de competência privativa das casas
legislativas) e o mérito administrativo.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 667 do STF - Viola a garantia constitucional de
acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite
sobre o valor da causa.
Súmula Vinculante 21 - É inconstitucional a exigência de
depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para
admissibilidade de recurso administrativo.
Súmula Vinculante 28 - É inconstitucional a exigência de
depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação
judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de
crédito tributário.
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada;
Princípio da Segurança Jurídica ou irretroatividade da lei,
que difere do princípio da retroatividade da lei penal,
constante no inciso XL deste artigo.
O direito denomina-se adquirido quando consolidada sua
integração ao patrimônio do respectivo titular, conforme a
lei vigente. O ato jurídico perfeito é aquele que reuniu
todos os seus elementos constitutivos exigidos pela lei.
Coisa julgada é a decisão judicial irrecorrível.
Ressalte-se o posicionamento adotado pelo STF sobre a
impossibilidade de alegar direito adquirido em face de
norma constitucional originária, criação ou aumento de
tributos e mudança de regime jurídico do servidor público.
É importante frisar que o STF chancela a teoria da
Retroatividade Mínima (temperada ou mitigada), onde as
novas normas constitucionais se aplicam de imediato,
alcançando, sem limitações, os efeitos futuros de fatos
passados, salvo disposição expressa em contrário
(retroatividade média ou máxima), valendo salientar que a
retroatividade mínima não se aplica as Constituições
Estaduais nem as normasinfraconstitucionais, pois estas se
submetem à regra da irretroatividade, fundamentada no
art. 5º, XXXVI da CF/88. A retroatividade máxima ou
restitutória da norma aplica-se aos fatos consumados e a
retroatividade média aplica-se as prestações vencidas, mas
ainda não adimplidas.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...). A supremacia jurídica das normas inscritas na
Carta Federal não permite, ressalvadas as eventuais
exceções proclamadas no próprio texto constitucional, que
contra elas seja invocado o direito adquirido. (...). (STF ADI
248. Min. Rel. Celso de Mello, DJ 08.04.1994).
EMENTA. (...). 1. O Supremo Tribunal Federal pacificou a
sua jurisprudência sobre a constitucionalidade do instituto
da estabilidade financeira e sobre a ausência de direito
adquirido a regime jurídico. (...). 3. Recurso extraordinário
ao qual se nega provimento. (STF RE 563965/RN. Min. Rel.
Cármem Lúcia, DJ 19.02.2009).
EMENTA. (...) No ordenamento jurídico vigente, não há
norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição
jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público o
efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair
ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e
pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou
ulterior, os submeta à incidência de contribuição
previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso
ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como
efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe
imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à
tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a
modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito,
direito adquirido com o aposentamento. (…). (STF ADI
3.105/DF, 18/02/2005).
EMENTA: Pensões especiais vinculadas a salario mínimo.
Aplicação imediata a elas da vedação da parte final do
inciso IV do artigo 7º. da Constituição de 1988. - Já se
firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que os
dispositivos constitucionais têm vigência imediata,
alcançando os efeitos futuros de fatos passados
(retroatividade mínima). Salvo disposição expressa em
contrario - e a Constituição pode fazê-lo -, eles não
alcançam os fatos consumados no passado nem as
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prestações anteriormente vencidas e não pagas
(retroatividades máxima e média). Recurso extraordinário
conhecido e provido. (STF RE 140.499/GO, Rel. Min.
Moreira Alves, DJ 09.09.1994).
XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;
Princípio do Juiz ou do Juízo Natural.
Nelson Nery Júnior assevera que “a garantia do juiz natural
é tridimensional. Significa que: 1) não haverá juízo ou
tribunal ad hoc, isto é, tribunal de exceção; 2) todos têm
direito de submeter-se a julgamento (civil e penal) por juiz
competente, pré-constituído na forma da lei; 3) o juiz
competente tem de ser imparcial”.
Dispositivo correspondente: art. 5°, LIII, da CF/88.
LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão
pela autoridade competente;
Quanto ao princípio do Promotor Natural, defende parte da
doutrina a sua existência com base nesse inciso, entretanto
o STF não tem esse entendimento.
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
Com o advento do Pacto de Roma de 1998, surge o Tribunal
Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, aprovado pelo
Brasil em 2002 (DL 112). O TPI é um tribunal permanente
com competência para investigar, processar e julgar
indivíduos acusados das mais graves violações do direito
internacional humanitário. Desde os chamados crimes de
guerra, passando pelos crimes contra a humanidade e o
genocídio.
A Jurisdição do TPI submete-se ao princípio da
complementaridade, ou seja, haverá julgamento perante o
TPI em situações excepcionais gravíssimas, em que o Estado
soberano se mostre incapaz de processar os crimes
indicados no Estatuto de Roma.
Os pontos mais polêmicos giram em torno dos artigos 77 e
89 do Estatuto. O artigo 77 prevê a pena de prisão perpétua
quando justificada pela ‘‘extrema gravidade do crime e as
circunstâncias pessoais do condenado’’ e o artigo 89, por
sua vez, prescreve a entrega do acusado ao tribunal pelo
estado em cujo território se encontre sem estabelecer
qualquer exceção. O estado deverá, pois, entregar seus
próprios nacionais se assim determinar o tribunal, porque o
artigo 120 do Estatuto dispõe expressamente que ‘‘não se
admitirão reservas ao presente Estatuto’’.
XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a
organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida;
Garantias do Tribunal do Júri.
Comentando as garantias desse tribunal popular, vê-se que
a plenitude da defesa, embora já assegurada no inciso LV,
foi ratificada, que o sigilo das votações significa que a
liberdade de convicção e opinião dos jurados deverá ser
sempre resguardada, que os Veredictos, as decisões dos
jurados não poderão ser substituídas por outras, mas tal
garantia não exclui a possibilidade de serem revistas
mediante recursos e que tem competência para os crimes
dolosos contra a vida.
A Constituição Federal prevê regra mínima e inafastável de
competência para o Tribunal do Júri, porém não impede
que outros crimes sejam processados e julgados pelo Júri,
podendo a norma infraconstitucional lhe atribuir outras
competências, como os crimes conexos.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula Vinculante nº 45 - A competência constitucional do
Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de
função estabelecido exclusivamente pela Constituição
estadual. (antiga Súmula 721 do STF).
Súmula 603 do STF - A competência para o processo e
julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal
do júri.
EMENTA. (...) A soberania dos veredictos do tribunal do júri
não é absoluta, submetendo-se ao controle do juízo ad
quem, tal como disciplina o art. 593, III, d, do Código de
Processo Penal. (...). (HC 88.707, 17-10-08).
XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem
pena sem prévia cominação legal;
Princípio da Reserva Legal e da Anterioridade.
Em face do princípio da reserva legal, lê-se: “não há crime
sem lei que o defina e não há pena sem cominação legal”,
entendendo ser indispensável uma descrição específica da
conduta tida como lesiva ao bem juridicamente protegido.
Em sentido formal, a reserva legal cuida-se de que a
matéria deve resultar de lei aprovada pelo Congresso
Nacional.
Quanto ao princípio da anterioridade, diz-se: não há crime
sem lei “anterior” que o defina e não há pena sem “prévia”
cominação legal (nullun crimem, nulla poena sine praevia
lege).
XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
Princípio da retroatividade da lei penal mais favorável ao
réu (lex mitior). A regra é a irretroatividade In Pejus, pois a
lei nova desfavorável ao réu (lex gravior) não retroage para
atingir delitos praticados antes do início da sua vigência.
Quando se trata de lei mais benéfica para o réu, a
retroatividade existe, inclusive com relação à eficácia da
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coisa julgada, aplicando-se também durante o processo de
execução da pena.
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos
direitos e liberdades fundamentais;
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens
sem o devido processo legal;
Princípio do Devido Processo Legal (due process of law),
que decorre do princípio da Presunção da Inocência e tem
como corolários a ampla defesa e o contraditório, quer
dizer que deve ser dado ao indivíduo paridade de condições
em face do Estado, quando este restringir a liberdade ou o
direito aos bens constitucionais tutelados, além do conceito
material de proteção ao direito de liberdade do indivíduo.
O Supremo Tribunal Federal já declarou que o princípio da
proporcionalidade e da razoabilidade tem nesse princípio
sua sede material (devido processo legal em sentido
substantivo).
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) O princípio da proporcionalidade - que extrai
a sua justificação dogmática de diversas cláusulas
constitucionais, notadamente daquela que veicula a
garantia do substantive due process of law - acha-se
vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder
Público no exercício de suas funções, qualificando-se como
parâmetro de aferição da própria constitucionalidade
material dos atos estatais. (...). (STF ADI 1.407 MC/DF,
24/11/2000).
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo,
e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório
e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa.
Por contraditório se entende a garantia que é dada ao réu
de conhecer o direito alegado pela outra parte litigante,
pois para todo ato produzido por uma parte caberá igual
direito a outra parte para contraditar. A ampla defesa se
divide em defesa técnica e autodefesa (direito de audiência
e direito de presença/participação).
Segundo o ilustre doutrinador Leo Van Holthe, aplicam-se o
contraditório e a ampla defesa tanto nos procedimentos
civil, quanto militares, processos administrativos,
disciplinares, além de quaisquer outros procedimentos que
envolvam a aplicação de sanções administrativas.
Entretanto, nos procedimentos administrativos meramente
investigatórios, que não envolvem a aplicação de
penalidades, mas apenas apuram fatos para um posterior
processo administrativo ou judicial, não há que se falar em
contraditório e ampla defesa.
O duplo grau de jurisdição, princípio que obriga a existência
de revisão por Tribunal Superior da matéria já julgada por
uma instância inferior. Entretanto, a obediência a este
princípio afasta a possibilidade de julgamentos feitos por
uma única instância. Após várias discussões sobre a
matéria, pela doutrina e jurisprudência, o STF firmou
entendimento de que o duplo grau de jurisdição não é
garantia constitucional.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula vinculante 5 - A falta de defesa técnica por
advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a constituição.
EMENTA. (...) A ausência de Advogado no interrogatório
judicial do acusado não infirma a validade jurídica desse ato
processual. O interrogatório judicial - que constitui ato
pessoal do magistrado processante - não esta sujeito ao
princípio do contraditório. Precedente: HC 68.929-9, rel.
Min. CELSO DE MELLO. - A investigação policial, em razão
de sua própria natureza, não se efetiva sob o crivo do
contraditório, eis que e somente em juízo que se torna
plenamente exigível o dever estatal de observância do
postulado da bilateralidade dos atos processuais e da
instrução criminal. A inaplicabilidade da garantia do
contraditório ao inquérito policial tem sido reconhecida
pela jurisprudência do STF. A prerrogativa inafastável da
ampla defesa traduz elemento essencial e exclusivo da
persecução penal em juízo. (...). (STF HC 69372/SP - Rel.
Min. CELSO DE MELLO, 07-05-1993).
EMENTA. (...) A estrita reverência aos princípios do
contraditório e da ampla defesa só é exigida, como
requisito essencial de validez, assim no processo
administrativo disciplinar, como na sindicância especial que
lhe faz as vezes como procedimento ordenado à aplicação
daquelas duas penas mais brandas, que são a advertência e
a suspensão por prazo não superior a trinta dias. Nunca, na
sindicância que funcione apenas como investigação
preliminar tendente a coligir, de maneira inquisitorial,
elementos bastantes à imputação de falta ao servidor, em
processo disciplinar subsequente. (STF MS 22.791. rel.
Ministro Cezar Peluso, 13/11/2003).
EMENTA. (...) Ainda que não se empreste dignidade
constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de
garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos
Humanos, cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data
posterior à promulgação Código de Processo Penal. VI - A
incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra
prevista em tratado internacional tem o condão de
modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. VII -
Ordem concedida. (STF HC 88.420/PR, 17.04.2007).
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos;
Princípio da inadmissibilidade das provas obtidas por meios
ilícitos.
As provas ilegais se dividem em provas ilícitas, as que
infringem às normas do direito material e as ilegítimas que
desrespeitam o direito processual.
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LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória;
O princípio da presunção da inocência ou da não-
culpabilidade tutela o direito do individuo de ser
considerado inocente até o trânsito em julgado da
sentença, cabendo ao Estado o dever de provar o contrário.
Desse princípio advém o princípio do in dubio pro reo,
segundo o qual, havendo dúvida na interpretação da lei ou
na indicação do fato, será adotada aquela que for mais
favorável ao réu.
O Supremo Tribunal Federal, em julgamento recente e
histórico, julgou o HC 126.292 e mudou a jurisprudência
da Corte, afirmando que é possível a execução da pena
depois de decisão condenatória confirmada em segunda
instância.
Dispositivo correspondente – art. 5º, LXVI, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) Viola o princípio constitucional da presunção
da inocência, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição
Federal, a exclusão de candidato de concurso público que
responde a inquérito ou ação penal sem trânsito em
julgado da sentença condenatória. (STF RE 559.135-AgR,
13-6-08).
LVIII – o civilmente identificado não será submetido à
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em
lei;
A identificação exigida como excludente de identificação
criminal é a oficial e regularmente emitida pelos órgãos
estatais, ou, ainda, aquela cuja lei conceda equiparação
com a cédula de identificação – RG, tais como, a carteira
profissional válida, a carteira nacional de habilitação.
A Lei 12.037/2009 estabelece hipóteses em que é
necessária a identificação criminal, independentemente da
identificação civil.
LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, se esta não for intentada no prazo legal;
Ação penal pública é privativa do Ministério Público, nos
termos do art. 129, I, da CF/88, no entanto havendo inércia
do Ministério Público, seja pelo não oferecimento da
denúncia, ou pelo não requerimento de arquivamento do
inquérito policial,ou mesmo pela falta de requisição de
novas diligências no prazo legal, será admitida ação privada
subsidiária da pública, que será intentada pelo ofendido ou
seu representante.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) A admissibilidade da ação penal privada
subsidiária da pública pressupõe, nos termos do art. art. 5º,
LIX, da CF (...), a inércia do Ministério Público em adotar, no
prazo legal (CPP, art. 46), uma das seguintes providências:
oferecer a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito
policial ou requisitar novas diligências. (STF HC 74.276, 3-9-
96).
LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
social o exigirem;
Princípio da Publicidade.
Dispositivo correspondente: art. 93, IX, da CF/88.
LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovem insuficiência de recursos;
Dispositivo correspondente: art. 134, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (…) Ao contrário do que ocorre relativamente às
pessoas naturais, não basta a pessoa jurídica asseverar a
insuficiência de recursos, devendo comprovar, isto sim, o
fato de se encontrar em situação inviabilizadora da
assunção dos ônus decorrentes do ingresso em juízo. (STF
Rcl 1.905 ED-AgR, 20/09/02).
LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro
judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo
fixado na sentença;
LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres,
na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito.
Embora a Constituição só reconheça a gratuidade aos
reconhecidamente pobres na forma da lei, a lei
infraconstitucional nº 9.534/97 previu a gratuidade dos
serviços para todos.
LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios
que garantam a celeridade de sua tramitação; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
Princípio da razoável duração do processo e Princípio da
Celeridade.
Como mecanismos de celeridade e desburocratização
podem ser citados: a vedação de férias coletivas nos juízos
e tribunais de segundo grau, à proporcionalidade do
número de juízes à efetiva demanda judicial e à respectiva
população, a distribuição imediata dos processos, em todos
os graus de jurisdição, a possibilidade de delegação aos
servidores do Judiciário, para a prática de atos de mero
expediente sem caráter decisório, a necessidade de
demonstração de repercussão geral das questões
constitucionais discutidas no caso para fins de
conhecimento do recurso extraordinário, a instalação da
justiça itinerante, as súmulas vinculantes do Supremo
Tribunal federal.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) O excesso de prazo, quando exclusivamente
imputável ao aparelho judiciário — não derivando,
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portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente
atribuível ao réu — traduz situação anômala que
compromete a efetividade do processo, pois, além de
tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do
cidadão, frustra um direito básico que assiste a qualquer
pessoa: o direito à resolução do litígio, sem dilações
indevidas (CF, art. 5º, LXXVIII) e com todas as garantias
reconhecidas pelo ordenamento constitucional, inclusive a
de não sofrer o arbítrio da coerção estatal representado
pela privação cautelar da liberdade por tempo irrazoável ou
superior àquele estabelecido em lei. (STF HC 85,237, 29-4-
05).
CRIMES INAFIANCÁVEIS, IMPRESCRITÍVEIS E
INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA E ANISTIA
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da
lei;
A lei 7.716/89 define os crimes resultantes de preconceito
de raça ou de cor.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros
‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e
discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei
7.716/89, artigo 20, na redação dada pela Lei 8.081/90)
constitui crime de racismo sujeito às cláusulas de
inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, artigo 5º, XLII).
Aplicação do princípio da prescritibilidade geral dos crimes:
se os judeus não são uma raça, segue-se que contra eles
não pode haver discriminação capaz de ensejar a exceção
constitucional de imprescritibilidade. Inconsistência da
premissa. (...). (STF HC 82.424, 19/03/04).
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis
de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por ele respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se
omitirem;
Conceituado graça, indulto e anistia, tem-se que é ato de
clemência do poder executivo, extinguindo ou diminuindo a
pena dada ao condenado (art. 84, XII). Chama-se graça se o
perdão for individual e indulto se for coletivo. Já a anistia
difere formalmente da graça e do indulto porque aquela é
um perdão concedido por lei, portanto deve submeter-se
ao congresso nacional (art. 48, VIII).
A prática da tortura está definida na lei 9.459/97. As
normas que tratam do crime de tráfico ilícito de drogas
constam na lei 11.343/2006 e sobre o terrorismo, aplica-se
a lei 13.260/2016.
A definição de crimes hediondos consta no artigo 1º da lei
8.072/90.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (…). O art. 5º, XLIII, da Constituição, que proíbe a
graça, gênero do qual o indulto é espécie, nos crimes
hediondos definidos em lei, não conflita com o art. 84, XII,
da Lei Maior. O decreto presidencial que concede o indulto
configura ato de governo, caracterizado pela ampla
discricionariedade. (…). (STF HC 90.364, 30-11-07).
EMENTA. (...). A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão
política assumida naquele momento – o momento da
transição conciliada de 1979. A Lei 6.683 é uma lei-medida,
não uma regra para o futuro, dotada de abstração e
generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade
no momento em que foi conquistada. A Lei 6.683/1979
precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e
Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes – adotada pela Assembleia Geral em 10-12-
1984, vigorando desde 26-6-1987 – e a Lei 9.455, de 7-4-
1997, que define o crime de tortura; e o preceito veiculado
pelo art. 5º, XLIII, da Constituição – que declara
insuscetíveis de graça e anistia a prática da tortura, entre
outros crimes – não alcança, por impossibilidade lógica,
anistias anteriormente a sua vigência consumadas. A
Constituição não afeta leis-medida que a tenham
precedido. (...). (STF ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau,
Plenário, DJ de 6-8-2010).
XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação
de grupos armados, civis e militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PENAS
XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
do patrimônio transferido;
Princípio da pessoalidade da pena ou intransmissibilidade
da pena ou personificação da pena ou responsabilidade
pessoal. A pena não passará da pessoa do condenado,
considerando que a morte é uma das hipóteses legais de
extinção da punibilidade ou da execução da pena.
Entretanto,no que tange a obrigação de reparar o dano e o
perdimento de bens, as sanções de natureza patrimonial
podem alcançar o patrimônio dos sucessores, mas somente
até o limite do valor recebido pela herança do de cujus.
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará,
entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda dos bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Princípio da individualização da pena.
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O rol das penas ora descritas é exemplificativo ou
enumerativo (numerus apertus), ou seja, o legislador
infraconstitucional pode adotar outras penas além das que
estão previstas no presente inciso, desde que não sejam as
vedadas por esta constituição, as quais estão
exaustivamente indicadas no inciso seguinte.
XLVII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos
termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Provas proibidas.
Essa previsão é taxativa (numerus clausus), exaustiva.
Ressalte-se que existe previsão infraconstitucional de
aplicação de pena de morte para determinados crimes
militares indicados no Código Militar (Decreto-lei
n.1.001/69).
Sobre o banimento ou desterro, vale dizer que é a retirada
de um nacional de seu país, em virtude da prática de
determinado fato no território nacional, entendendo-se
como nacional o brasileiro nato e o naturalizado.
XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o
sexo do apenado;
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade
física e moral;
III – ninguém será submetido à tortura ou tratamento
desumano ou degradante;
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula vinculante nº 11 - Só é lícito o uso de algemas em
casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do
preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e
penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.
L – às presidiárias serão asseguradas às condições para
que possam permanecer com seus filhos durante o
período de amamentação;
REGRAS DE EXTRADIÇÃO
LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da
lei;
Extradição, segundo Hildebrando Accioly, “é o ato pelo o
qual um Estado entrega um indivíduo, acusado de um
delito ou já condenado como criminoso, à Justiça do outro,
que o reclama, e que é competente para julgá-lo e puni-lo”.
A extradição não se confunde com expulsão e deportação.
A expulsão decorre de atentado à segurança nacional,
ordem política ou social, ou nocividade aos interesses
nacionais. A deportação tem relação com a legalidade, é a
saída compulsória do estrangeiro que entrou ou permanece
irregularmente no país por não cumprimento dos requisitos
legais.
Só existe deportação ou expulsão de estrangeiro. Inclusive,
com referência a expulsão, quando o brasileiro, nato ou
naturalizado atenta contra à segurança nacional, ordem
política ou social, ou nocividade aos interesses nacionais
será processado e julgado pela justiça brasileira.
Há extradição ativa e passiva, mas o STF somente tem
competência para julgar a extradição passiva (art. 102, I,
"g"). A solicitação da extradição para ser aceita pelo Brasil
deverá também preencher alguns requisitos
infraconstitucionais, dentre eles, a existência de tratado
internacional ou promessa de reciprocidade entre os países
e a dupla tipicidade, ou seja, a conduta tem que ser crime
no Brasil e no país solicitante.
LII – não será concedida extradição de estrangeiro por
crime político ou de opinião;
O caráter político do crime deverá ser analisado pelo STF,
pois inexiste prévia definição constitucional ou legal sobre a
matéria.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 1 do STF - É vedada a expulsão de estrangeiro
casado com brasileira, ou que tenha filho brasileiro,
dependente de economia paterna.
Súmula 421 do STF - Não impede a extradição a
circunstância de ser o extraditando casado com brasileira
ou ter filho brasileiro.
EMENTA. Extradição e prisão perpétua: necessidade de
prévia comutação, em pena temporária (máximo de 30
anos), da pena de prisão perpétua — Revisão da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em obediência
à Declaração Constitucional de Direitos (CF, art. 5º, XLVII,
b). A extradição somente será deferida pelo Supremo
Tribunal Federal, tratando-se de fatos delituosos puníveis
com prisão perpétua, se o Estado requerente assumir,
formalmente, quanto a ela, perante o Governo brasileiro, o
compromisso de comutá-la em pena não superior à
duração máxima admitida na lei penal do Brasil (CP, art.
75), eis que os pedidos extradicionais - considerado o que
dispõe o art. 5º, XLVII, b da Constituição da República, que
veda as sanções penais de caráter perpétuo - estão
necessariamente sujeitos à autoridade hierárquico-
normativa da Lei Fundamental brasileira. Doutrina. Novo
entendimento derivado da revisão, pelo Supremo Tribunal
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Federal, de sua jurisprudência em tema de extradição
passiva. (…). (STF Ext 855, 1º/7/05).
EMENTA. (...) Não configura crime político, para fim de
obstar a acolhimento de pedido de extradição, homicídio
praticado por membro de organização revolucionária
clandestina, em plena normalidade institucional de Estado
Democrático de direito, sem nenhum propósito político
imediato ou conotação de reação legítima a regime
opressivo. (...) Decretada a extradição pelo Supremo
Tribunal Federal, deve o Presidente da República observar
os termos do Tratado celebrado com o Estado requerente,
quanto à entrega do extraditando. (STF Ext. 1.085. Rel. Min
Cezar Peluso. DJ. 16.04.2010).
EMENTA. (...) Revela-se essencial, para a exata aferição do
respeito ao postulado da dupla incriminação, que os fatos
atribuídos ao extraditando - não obstante a incoincidência
de sua designação formal - revistam-se de tipicidade penal
e sejam igualmente puníveis tanto pelo ordenamento
jurídico domestico quanto pelo sistema de direito positivo
do Estado requerente. (...). (STF Ext 669/EUA, 29/03/1996).
EMENTA. (...) A Constituição da República, presentes tais
vetores interpretativos (CF, art. 4º, VIII, e art. 5º, XLIII), não
autoriza que se outorgue, às práticas delituosas de caráter
terrorista, o mesmo tratamento benigno dispensado ao
autor de crimes políticos ou de opinião, impedindo, desse
modo, que se venha a estabelecer, em torno do terrorista,
um inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao
poder extradicional do Estado brasileiro, notadamente se
se tiver em consideração a relevantíssima circunstância de
que a Assembleia Nacional Constituinte formulou um claro
e inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos
delituosos revestidos de índoleterrorista, a estes não
reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha
impregnada a prática da criminalidade política. (...) A
cláusula de proteção constante do art. 5º, LII da
Constituição da República - que veda a extradição de
estrangeiros por crime político ou de opinião - não se
estende, por tal razão, ao autor de atos delituosos de
natureza terrorista, considerado o frontal repúdio que a
ordem constitucional brasileira dispensa ao terrorismo e ao
terrorista (...). (STF Ext. 855/Chile, 01/07/2005).
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS PRISÕES
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou
crime propriamente militar, definidos em lei;
Prisão em flagrante, nos termos do código de processo
penal, poderá ser decretada por qualquer do povo e deverá
ser decretada pelas autoridades competentes. Já a prisão
decorrente de ordem judicial é cláusula de reserva do
judiciário. Deve-se ainda distinguir a prisão processual
(prisão temporária, preventiva, em flagrante delito), a qual
se dá antes do trânsito em julgado da sentença penal
condenatória e, a prisão penal, onde o condenado deverá
cumprir a pena estabelecida na sentença.
Existem exceções a presente regra, tais como: prisões
militares, expressas no próprio texto do artigo, a prisão
durante o estado de defesa e o estado de sítio (arts. 136, §
1º e 139 da CF/88) e a prisão do Presidente da República,
dos deputados federais e estaduais e dos senadores (arts.
86, § 3º e 53, § 2º, todos da CF/88).
LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele
indicada;
São obrigatórias as duas comunicações a partir da prisão.
Uma, ao juiz competente, o qual vai justamente avaliar a
legalidade da prisão, considerando o que consta nos incisos
LXI e LXV desse dispositivo. Outra, ou à pessoa que o preso
indicar ou a alguém da família, se for possível identificá-la.
Também será necessária a comunicação à Defensoria
Pública da prisão do indivíduo que não indique advogado
particular, em observância a parte final do inciso LXII, desse
mesmo artigo, nos termos do código de processo penal.
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
assistência da família e de advogado;
Direito ao silêncio. O preso deverá ser obrigatoriamente
informado sobre seu direito constitucional de permanecer
em silêncio e que o exercício desse direito não enseja
confissão do crime.
O direito a não autoincriminação, como citam os
professores Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, parte de
umas das premissas do direito penal, de que ninguém é
obrigado a produzir provas contra si mesmo, será exercido
tanto na fase de inquérito policial como perante a justiça,
inclusive diante das comissões parlamentares de inquérito.
LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis
por sua prisão ou por interrogatório policial;
As autoridades policiais ficam obrigadas a apresentar ao
preso todas as alternativas necessárias à identificação do
policial ou da equipe que o prendeu ou interrogou.
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
autoridade judiciária;
Prisão ilegal é aquela que não obedece aos requisitos da lei,
como, por exemplo, a da pessoa que foi presa, mas não foi
pegue em flagrante, nem por ordem judicial escrita e
fundamentada, ou a prisão de menor de idade. Essa prisão,
por mais que se tenha certeza de que o preso é o culpado,
deverá ser relaxada por ordem de autoridade judiciária.
LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança;
A liberdade provisória é o direito de a pessoa responder ao
processo em liberdade, que se dá até o trânsito em julgado
da sentença penal condenatória, tendo como fundamento
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o princípio da presunção da inocência. Surge quando a lei
permite que o réu fique solto durante o processo, pois na
fase da execução da pena, após o trânsito em julgado da
sentença que condena a privação da liberdade, a prisão não
admite tal benefício.
LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável, de obrigação alimentícia e a do depositário
infiel;
Em regra, não haverá prisão civil por dívida. Só há duas
exceções à regra nos termos da Constituição Federal
vigente. Na primeira, poderá ser presa a pessoa que for
devedora de pensão alimentícia de forma voluntária e
inescusável (sem desculpa, sem justificativa). A segunda
exceção, que tem como protagonista o depositário infiel,
surgiu do contrato de depósito, oriundo do direito privado,
ocorrendo quando o depositante entrega um bem móvel ao
depositário, o qual deverá devolver o objeto quando
reclamado, tornando-se depositário fiel do bem. Se no
momento em que o depositante for requisitar o bem, o
mesmo não estiver na posse do depositário, este se torna
depositário infiel, podendo sofrer prisão civil.
O Supremo Tribunal Federal passou a determinar que a
prisão civil por dívida seja aplicável apenas ao responsável
pelo não pagamento “voluntário e inescusável" de
obrigação alimentícia. O Tribunal entendeu que a segunda
parte do dispositivo constitucional, que versa sobre o
assunto, ainda precisa de lei para a definição de rito
processual e prazos, uma vez que a Lei nº 8.866/94 foi
derrogada pela Convenção Americana de Direitos Humanos
(norma Supralegal)
Dispositivo correspondente: art. 5º, §3º, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel.
Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva.
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão
constitucional e das normas subalternas. Interpretação do
art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7,
da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de
San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento
conjunto do RE nº 349.703 e dos HCs nº 87.585 e nº 92.566.
É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja
a modalidade do depósito. (STF - RE: 466343 SP , Relator:
Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 03/12/2008,
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-104 DIVULG 04-06-
2009 PUBLIC 05-06-2009).
Súmula Vinculante 25 - É ilícita a prisão civil de depositário
infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004).
Os tratados internacionais são celebrados pelo Presidente
da República (art. 84, VIII) e referendados pelo Congresso
Nacional (art. 49, I, da CF/88). Aprovado por decreto
legislativo, o tratado segue para o Presidente da República
para que seja promulgado por decreto.
Depois da mudança trazida pela emenda constitucional nº
45, de 08/12/2004, tais tratados podem ser aprovados com
quórum qualificado (três quintos dos membros de ambas as
casas do congresso nacional, em dois turnos de discussão e
votação), quando tratarem de direitos humanos, sendo
equivalentes às emendas constitucionais ou podem ser
aprovados por maioria dos votos, em um só turno de
discussãoe votação, em cada casa do Congresso Nacional,
quando não tratarem de direitos humanos, sendo
equivalentes a um lei ordinária.
O STF no julgamento do RE 466.343/SP fez referência aos
tratados internacionais sobre direitos humanos subscritos
pelo Brasil, portanto já incorporados ao ordenamento
jurídico antes de promulgação da emenda constitucional nº
45, que são materialmente compatíveis, mas não
formalmente compatíveis com a mudança, chamando-os de
normas supralegais.
Já aprovado pelo Congresso Nacional, nos moldes do
presente parágrafo, tem-se o Decreto Legislativo
186/09.07.2009, que referendou a Convenção sobre os
Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo
Facultativo.
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS
HABEAS CORPUS
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
de poder;
É a primeira garantia de direitos fundamentais, concedida
na Carta Magna de 1215, pelo monarca inglês João Sem
Terra. Alcançou status constitucional na Constituição
Federal de 1891 (Primeira Constituição Republicana) e está
regulamentado no Código de Processo Penal.
É uma ação constitucional de natureza mandamental (writ)
e de procedimento especial, isento de custas e que visa
cessar violência (habeas corpus repressivo) ou ameaça na
liberdade de locomoção (habeas corpus preventivo), por
ilegalidade ou abuso de poder.
A legitimidade para ajuizamento de habeas corpus é um
atributo de personalidade, não se exigindo a capacidade de
estar em juízo, nem a capacidade postulatória, sendo uma
verdadeira ação penal popular. E sendo assim, qualquer do
povo, nacional ou estrangeiro, independentemente de
capacidade civil, política, de idade, sexo, estado mental,
pode fazer uso do habeas corpus em benefício próprio. Não
há impedimento para que dele se utilize pessoa menor de
idade, insana mental, mesmo sem estarem representados
ou assistidos por outrem. O analfabeto, também, desde
que alguém assine a petição a rogo, poderá ajuizar a ação
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de habeas corpus. O que não pode haver é a impetração
apócrifa, ou seja, habeas corpus sem assinatura.
Deve-se esclarecer que essa garantia poderá ser usada em
benefício alheio, mediante habeas corpus de terceiro. E
aqui as pessoas jurídicas podem constar no polo ativo da
ação mandamental, embora não possam ser pacientes, já
que estes só podem ser pessoas físicas, segundo
posicionamento da Corte Suprema. Na mesma situação,
segundo o artigo 654, §2º do CPC, o magistrado pode
conceder a liberdade de ofício, porém não pode ser
impetrante num habeas corpus de terceiro.
Diferentemente do mandado de segurança, qualquer
pessoa pode ser sujeito passivo na relação de habeas
corpus, autoridade pública ou particular, sendo necessário
que o constrangimento exercido decorra de função por ele
ocupada. Assim, o diretor de hospital ou colégio que
impeça a saída por débito.
O Habeas corpus é gratuito nos termos do inciso LXXVII,
que reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e
Habeas Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao
exercício da cidadania”.
Decreto Lei 3.689/41 (CPP):
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se
achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua
liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.
(…).
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério
Público.
(…).
§ 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de
ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo
verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer
coação ilegal.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 693 do STF - não cabe habeas corpus contra decisão
condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em
curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a
única cominada.
EMENTA: I. Habeas corpus: cabimento. 1. Assente a
jurisprudência do STF no sentido da idoneidade do habeas
corpus para impugnar autorização judicial de quebra de
sigilos, se destinada a fazer prova em procedimento penal.
(...). (STF HC 84869/SP. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. DJ
19.08.2005).
EMENTA (...) Impõe-se reconhecer, desde logo, a
possibilidade de as entidades sindicais impetrarem ordem
de habeas corpus em favor de terceiros, notadamente em
benefício de seus dirigentes e filiados, quando em risco o
exercício da liberdade de locomoção física. Assiste-lhes, na
realidade, nesse tema, plena legitimidade ativa ad causam.
(...). (STF HC 76606/CE, 05/02/1998).
EMENTA. (...) Versando o processo sobre a ação
constitucional de habeas corpus, tem-se a possibilidade de
acompanhamento pelo leigo, que pode interpor recurso,
sem a exigência de a peça mostrar-se subscrita por
profissional da advocacia. (STF HC 84716/MG, 26/11/2004).
EMENTA. "Habeas corpus". O sentido da restrição dele
quanto às punições disciplinares militares (artigo 142, PAR.
2, da Constituição Federal). - Não tendo sido interposto o
recurso ordinário cabível contra o indeferimento liminar do
"habeas corpus" impetrado perante o Superior Tribunal de
Justiça (artigo 102, II, "a", da Constituição Federal),
conhece-se do presente "writ" como substitutivo desse
recurso. - O entendimento relativo ao PAR. 2º do artigo 153
da Emenda Constitucional n. 1/69, segundo o qual o
princípio, de que nas transgressões disciplinares não cabia
"habeas corpus", não impedia que se examinasse, nele, a
ocorrência dos quatro pressupostos de legalidade dessas
transgressões (a hierarquia, o poder disciplinar, o ato ligado
a função e a pena susceptível de ser aplicada
disciplinarmente), continua valido para o disposto no PAR.
2º do ARTIGO 142 da atual Constituição que e apenas mais
restritivo QUANTO AO âmbito dessas transgressões
disciplinares, pois a LIMITA AS DE natureza militar. (...). (STF
HC 70.648/RJ. Rel. Min. Moreira Alves, DJ 04.03.1994).
EMENTA. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - DEFINIÇÃO. A
competência para o julgamento do habeas corpus é
definida pelos envolvidos - paciente e impetrante.
COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - ATO DE TURMA
RECURSAL. Estando os integrantes das turmas recursais dos
juizados especiais submetidos, nos crimes comuns e nos de
responsabilidade, à jurisdição do tribunal de justiça ou do
tribunal regional federal, incumbe a cada qual, conforme o
caso, julgar os habeas impetrados contra ato que tenham
praticado. COMPETÊNCIA - HABEAS CORPUS - LIMINAR.
Uma vez ocorrida a declinação da competência, cumpre
preservar o quadro decisório decorrente do deferimento de
medida acauteladora, ficando a manutenção, ou não, a
critério do órgão competente. (STF HC 86.834/SP, Rel. Min.
Marco Aurélio, DJ 09.03.2009).
Súmula 690 do STF – compete originariamente ao supremo
tribunal federal o julgamento de "habeas corpus" contra
decisão de turma recursal de juizados especiais criminais.
Súmula Superada.
EMENTA. (...). É inquestionável o direito de súditos
estrangeiros ajuizarem, em causa própria, a ação de
'habeas corpus', eis que esse remédio constitucional - por
qualificar-se como verdadeira ação popular - pode ser
utilizado por qualquer pessoa, independentemente da
condição jurídica resultante de sua origem nacional.- A
petição com que impetrado o 'habeas corpus' deve ser
redigida em português, sob pena de não-conhecimento do
'writ' constitucional (CPC, art. 156, c/c o CPP, art. 3º),eis
que o conteúdo dessa peça processual deve ser acessível a
todos, sendo irrelevante, para esse efeito, que o juiz da
causa conheça, eventualmente, o idioma estrangeiro
utilizado pelo impetrante. (…). (STF - HC: 88646 SC , Relator:
Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 05/05/2006,
Data de Publicação: DJ 11/05/2006).
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HABEAS DATA
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações
relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de
caráter público;
b) para retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo
por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
Presente apenas na CF/88 e regulado pela lei 9.507/97.
Ação constitucional de caráter civil, gratuita, de conteúdo e
rito sumário. Ação personalíssima, de forma a não admitir o
pedido de terceiros. O extinto Tribunal Federal de Recursos,
cujos membros formam atualmente a composição do STJ,
em sessão plenária, admitiu a legitimação para o habeas
data para os herdeiros do morto ou seu cônjuge supérstite,
salientando, porém, tratar-se de decisão.
Possui como objeto a proteção ao direito de informação
pessoal, com tripla finalidade: conhecimento, correção e
justificação.
A legitimidade ativa poderá ser exercida por pessoa física e
jurídica e não existe possibilidade de haver habeas data
preventivo, uma vez que a jurisprudência do STF firmou-se
no sentido da necessidade da negativa da via administrativa
para justificar o ajuizamento do habeas data,
entendimento corroborado pela Lei 9.507/97, que em seu
artigo 8º, parágrafo único.
O presente writ poderá ser impetrado em desfavor de
entidade governamental ou não governamental, mas de
caráter público, que possuam informações referentes à
pessoa do impetrante.
Quanto à alegada ressalva prevista no artigo 5º, XXXIII, da
CF/88, o sigilo da defesa nacional, apesar da divergência
doutrinária, o já mencionado Tribunal Federal de Recursos
pacificou entendimento de que valerá a alegação do sigilo
em nome da segurança do Estado.
O Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, nos autos
do Recurso Extraordinário nº 673.707/MG, julgado em
17.05.2015, assentando a tese de que o habeas data é a
garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo
próprio contribuinte, dos dados concernentes ao
pagamento de tributos constantes de sistemas
informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
administração fazendária dos entes estatais.
O Habeas data é gratuito nos termos do inciso LXXVII, que
reza: “São gratuitas as ações de Habeas Corpus e Habeas
Data e, na forma da lei, os tatos necessários ao exercício da
cidadania”.
Lei 9.507/97:
Art. 7° Conceder-se-á habeas data:
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à
pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados
de entidades governamentais ou de caráter público;
II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por
processo sigiloso, judicial ou administrativo;
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de
contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável
e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos
arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em
duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão
reproduzidos por cópia na segunda.
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova:
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de
dez dias sem decisão;
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de
quinze dias, sem decisão; ou
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art.
4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) O habeas data tem finalidade específica:
assegurar o conhecimento de informações relativas à
pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
de dados de entidades governamentais ou de caráter
público, ou para a retificação de dados, quando não se
prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo (CF, art. 5º, LXXII, a e b). No caso, visa a
segurança ao fornecimento ao impetrante da identidade
dos autores de agressões e denúncias que lhe foram feitas.
A segurança, em tal caso, é meio adequado. (STF RMS
24.617,10-6-05).
AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS DATA. ART. 5º, LXXII, DA
CF. ART. 7º, III, DA LEI 9.507/97. PEDIDO DE VISTA DE
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INIDONEIDADE DO MEIO.
RECURSO IMPROVIDO. 1. O habeas data, previsto no art.
5º, LXXII, da Constituição Federal, tem como finalidade
assegurar o conhecimento de informações constantes de
registros ou banco de dados e ensejar sua retificação, ou de
possibilitar a anotação de explicações nos assentamentos
do interessado (art. 7º, III, da Lei 9.507/97). 2. A ação de
habeas data visa à proteção da privacidade do indivíduo
contra abuso no registro e/ou revelação de dados pessoais
falsos ou equivocados. 3. O habeas data não se revela meio
idôneo para se obter vista de processo administrativo. 4.
Recurso improvido. (STF - HD: 90 DF , Relator: Min. ELLEN
GRACIE, Data de Julgamento: 18/02/2010, Tribunal Pleno,
Data de Publicação: DJe-050 DIVULG 18-03-2010 PUBLIC
19-03-2010).
HABEAS DATA. CONCURSO PÚBLICO. ACESSO A
INFORMAÇÕESSOBRE OS CRITÉRIOS UTILIZADOS NA
CORREÇÃO DE PROVA DISCURSIVA. IMPROPRIEDADE DA
VIA ELEITA.1. A Lei n. 9.507/97 é suficientemente clara ao
expor, no art. 7º, as hipóteses em que se justifica o
manuseio do habeas data, não estando ali prevista, nem
sequer implicitamente, a possibilidade de utilização da via
com o propósito de revolver os critérios utilizados por
instituição de ensino na correção de prova discursiva
realizada com vista ao preenchimento de cargos na
Administração Pública. 2. Agravo regimental não-provido.
(STJ AgRg no HD .127/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE
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NORONHA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/06/2006, DJ
14/08/2006).
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO TRIBUTÁRIO.
HABEAS DATA. ARTIGO 5º, LXXII, CRFB/88. LEI Nº 9.507/97.
ACESSO ÀS INFORMAÇÕES CONSTANTES DE SISTEMAS
INFORMATIZADOS DE CONTROLE DE PAGAMENTOS DE
TRIBUTOS. SISTEMA DE CONTA CORRENTE DA SECRETARIA
DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL-SINCOR. DIREITO
SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE. RECURSO A QUE SE DÁ
PROVIMENTO. 1. O habeas data, posto instrumento de
tutela de direitos fundamentais, encerra amplo espectro,
rejeitando-se visão reducionista da garantia constitucional
inaugurada pela carta pós-positivista de 1988. 2. A tese
fixada na presente repercussão geral é a seguinte: “O
Habeas Data é garantia constitucional adequada para a
obtenção dos dados concernentes ao pagamento de
tributos do próprio contribuinte constantes dos sistemas
informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
administração fazendária dos entes estatais.” 3. O Sistema
de Conta Corrente da Secretaria da Receita Federal do
Brasil, conhecido também como SINCOR, registra os dados
de apoio à arrecadação federal ao armazenar os débitos e
créditos tributários existentes acerca dos contribuintes. 4.
O caráterpúblico de todo registro ou banco de dados
contendo informações que sejam ou que possam ser
transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo
do órgão ou entidade produtora ou depositária das
informações é inequívoco (art. 1º, Lei nº 9.507/97). 5. O
registro de dados deve ser entendido em seu sentido mais
amplo, abrangendo tudo que diga respeito ao interessado,
seja de modo direto ou indireto. (…) Registro de dados deve
ser entendido em seu sentido mais amplo, abrangendo
tudo que diga respeito ao interessado, seja de modo direto
ou indireto, causando-lhe dano ao seu direito de
privacidade.(...) in José Joaquim Gomes Canotilho, Gilmar
Ferreira Mendes, Ingo Wolfgang Sarlet e Lenio Luiz Streck.
Comentários à Constituição. Editora Saraiva, 1ª Edição,
2013, p.487. 6. A legitimatio ad causam para interpretação
de Habeas Data estende-se às pessoas físicas e jurídicas,
nacionais e estrangeiras, porquanto garantia constitucional
aos direitos individuais ou coletivas. 7. Aos contribuintes foi
assegurado constitucionalmente o direito de conhecer as
informações que lhes digam respeito em bancos de dados
públicos ou de caráter público, em razão da necessidade de
preservar o status de seu nome, planejamento empresarial,
estratégia de investimento e, em especial, a recuperação
de tributos pagos indevidamente, verbis: Art. 5º. LXXII.
Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento
de informações relativas à pessoa do impetrante,
constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público, considerado como
um writ, uma garantia, um remédio constitucional à
disposição dos cidadãos para que possam implementar
direitos subjetivos que estão sendo obstaculados. 8. As
informações fiscais conexas ao próprio contribuinte, se
forem sigilosas, não importa em que grau, devem ser
protegidas da sociedade em geral, segundo os termos da lei
ou da constituição, mas não de quem a elas se referem, por
força da consagração do direito à informação do art. 5º,
inciso XXXIII, da Carta Magna, que traz como única ressalva
o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado, o que não se aplica no caso sub examine, verbis:
Art. 5º. XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos
públicos informações de seu interesse particular, ou de
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo
da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado. 9. In casu, o recorrente requereu à Secretaria da
Receita Federal do Brasil os extratos atinentes às anotações
constantes do Sistema de Conta-Corrente de Pessoa
Jurídica-SINCOR, o Sistema Conta-Corrente de Pessoa
Jurídica-CONTACORPJ, como de quaisquer dos sistemas
informatizados de apoio à arrecadação federal, no que
tange aos pagamentos de tributos federais, informações
que não estão acobertadas pelo sigilo legal ou
constitucional, posto que requerida pelo próprio
contribuinte, sobre dados próprios. 10. Ex positis, DOU
PROVIMENTO ao recurso extraordinário. (STF HD RE N.
673.707-MG, RELATOR: MIN. LUIZ FUX, Plenário, DJ
17.05.2015).
MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus
ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de
pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público;
Possui status constitucional desde a Constituição Federal de
1934, mas foi retirado na Constituição de 1937 e retornou
na Constituição de 1946 e é regulado pela lei 12.016/2009
que revogou a lei 1.533/51.
Ação constitucional de natureza civil, que protege o direito
líquido e certo, qualquer que seja a natureza (civil ou
penal). Direito líquido e certo é fato incontestável, que
necessita de comprovação, é aquele capaz de ser provado
por documentação inequívoca, onde a autoridade judicial
possa julgar de plano, sem necessitar de instrução
probatória.
O presente writ poderá ser impetrado quando houver lesão
(mandado de segurança repressivo) ou ameaça de lesão
(mandado de segurança preventivo), por ato ou omissão de
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público, salientando-se
que os atos vinculados e os atos discricionários estão
sujeitos à ação mandamental.
Possuem legitimidade para constar no polo ativo
(legitimidade ordinária) as pessoas físicas e jurídicas, órgãos
públicos despersonalizados (mesa da câmara dos
deputados, mesa do senado federal) e as universalidades
reconhecidas em lei (massa falida, condomínio). Quanto à
legitimidade passiva, além do texto constitucional que diz:
"... quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica
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OS: 0151/11/16-Gil
no exercício de atribuições do Poder Público.", deve-se
observar a regra do artigo 1º, parágrafo 1º da legislação
específica.
A Constituição da República não prevê a gratuidade do
“mandamus”, mas a lei estabelece prazo decadencial para
sua impetração, que tem prazo legal de 120 dias contados
da ciência do ato impugnado, ressaltando que do mesmo
cabe desistência.
Destaque-se o caráter subsidiário do mandado de
segurança, considerando o próprio dispositivo
constitucional quando diz “... para proteger direito líquido e
certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data...”.
Caráter esse que a lei estendeu a outras situações, como se
vê no artigo 5º da lei 12.016/2009.
Lei 12016/09:
Artigo 1º (...):
§1º. Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os
representantes ou órgãos de partidos políticos e os
administradores de entidades autárquicas, bem como os
dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício
de atribuições de poder público, somente no que disser respeito a
essas atribuições.
§2º. Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão
comercial praticados pelos administradores de empresas públicas,
de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço
público.
(…).
Art. 5º. Não se concederá mandado de segurança quando se
tratar:
I – de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito
suspensivo, independentemente de caução;
II – de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito
suspensivo;
III – de decisão judicial transitada em julgado.
(…).
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-
á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo
interessado, do ato impugnado.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 333 do STJ - Cabe mandado de segurança contra
ato praticado em licitação promovida por sociedade de
economia mista ou empresa pública.
Súmula 101 do STF – O mandado de segurança não
substitui ação popular.
Súmula 266 do STF – Não cabe Mandado de Segurança
contra Lei em tese.
Súmula 267 do STF – Não cabe Mandado de Segurança
contra ato passível de correção e de recurso.
Súmula 268 do STF – Não cabe mandado de segurança
contra decisão judicial com trânsito em julgado.
Súmula 269 do STF – O mandado de segurança não é
substituto de ação de cobrança.
Súmula 429 do STF – A existência de recurso administrativo
com efeito suspensivo não impede o uso de Mandado de
Segurança contra omissão da autoridade.
Súmula 625 do STF – Controvérsia sobre matéria de direito
não impede concessão de mandado de segurança.
Súmula 632 do STF – É constitucional leique fixa o prazo de
decadência para a impetração de mandado de segurança.
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser
impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso
Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação
legalmente constituída e em funcionamento há pelo
menos um ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados;
Remédio constitucional que surgiu somente na CF/88 e
atualmente regulado pela lei 12.016/2009.
Tem como objeto a proteção aos direitos coletivos lato
sensu, compreendendo os direitos coletivos,
transindividuais e individuais homogêneos.
Direito Coletivos são aqueles indivisíveis de que seja titular
grupo, categoria ou classe de pessoas determinadas (não
individualizadas). Tem como exemplo a impetração de
mandado de segurança pela Ordem dos Advogados do
Brasil em defesa de direitos da classe.
Direitos Difusos são aqueles indivisíveis de titularidade
indeterminada, pessoas ligadas por uma circunstância de
fato, tais como direito ao meio ambiente saudável ou
direito à publicidade não enganosa. O que os difere dos
direitos coletivos é a determinabilidade e a relação
existente do grupo, categoria ou classe anterior à lesão.
Interesses individuais homogêneos são aqueles de natureza
divisível, cujos titulares são pessoas determinadas. Por
exemplo, os consumidores que reinvidicam os direitos ao
fabricante de veículos vendidos com peças defeituosas,
apesar de cada um deles, individualmente, poder pleitear
judicialmente a reparação dos danos.
Outra distinção entre o presente mandamus e o mandado
de segurança individual diz respeito a legitimidade ativa,
conhecida doutrinariamente por legitimidade
extraordinária, uma vez que os legitimados expressos no
dispositivo agem como substituto processual e não como
representantes.
Do partido político com representação no Congresso
Nacional exige-se, no mínimo, um parlamentar, em
qualquer das Casas Legislativas, filiado a determinado
partido político. Da organização sindical, entidade de classe
ou associação, são exigidos três requisitos: legalmente
constituídas, em funcionamento há pelo menos um ano e
pertinência temática. Entretanto vale dizer que a
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jurisprudência da Corte Suprema dispensou aos sindicatos
o requisito de funcionamento há pelo menos um ano.
Outra peculiaridade interessante é a possibilidade de
impetração do mandado de segurança coletivo mesmo
quando for impetrado o mandado de segurança individual,
segundo o artigo 22, parágrafo 1º da lei 12.016/2009.
Lei 12.016/09:
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por
partido político com representação no Congresso Nacional, na
defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou
à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de
classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento
há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e
certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou
associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes
às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial.
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de
segurança coletivo podem ser:
I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os
transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo
ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária
por uma relação jurídica básica;
II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta
Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação
específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros
do impetrante.
Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa
julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria
substituídos pelo impetrante.
§ 1
o
O mandado de segurança coletivo não induz litispendência
para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não
beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a
desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta)
dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança
coletiva.
§ 2
o
No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser
concedida após a audiência do representante judicial da pessoa
jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de
72 (setenta e duas) horas.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 629 do STF - A impetração de mandado de
segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes.
Súmula 630 do STF - A entidade de classe tem legitimidade
para o mandado de segurança ainda quando a pretensão
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva
categoria.
EMENTA: LEGITIMIDADE DO SINDICATO PARA A
IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO
INDEPENDENTEMENTE DA COMPROVAÇÃO DE UM ANO DE
CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO. Acórdão que,
interpretando desse modo a norma do art. 5º, LXX, da CF,
não merece censura. Recurso não conhecido. (STF RE
198.919/DF, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 15.06.1999).
MANDADO DE INJUNÇÃO
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta da norma regulamentadora torne inviável o exercício
dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania;
Ação constitucional de natureza civil e procedimento
especial, novidade da atual Constituição e regulada pela lei
nº 13.300/2016.
A impossibilidade do exercício dos direitos e liberdades
"constitucionais" e as prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania, por falta da
norma regulamentadora, é o que legitima a impetração do
mandado de injunção. Assim, tem como objeto uma norma
de eficácia limitada, norma constitucional que prescinde de
lei infraconstitucional para possuir plena aplicabilidade.
Há a possibilidade de impetração de mandado de injunção
contra omissão absoluta do legislador, uma lacuna da lei,
ou contra omissão parcial, quando a lei existe, mas não foi
capaz de regular a completude do direito estabelecido.
No polo ativo pode constar pessoa física ou jurídica ou
estrangeira e no polo passivo os órgãos ou autoridades
públicas que possuem competência para legislar no caso
concreto (arts. 102, I, “q” e 105, I, “h”, ambos da CF/88).
Quanto aos efeitos da decisão em sede de mandado de
injunção, a teoria não-concretista predominou, por muito
tempo, no âmbito do Supremo tribunal Federal. Entendia a
Suprema Corte que ao Poder Judiciário caberia apenas o
reconhecimento formal da inércia legislativa e a
consequente comunicação ao órgão competente para a
elaboração da norma regulamentadora necessária ao
exercício do direito constitucional inviabilizado, sem que o
legislativo se vinculasse a referida decisão, considerando
que a adoção de posição diversa ofenderia a separação dos
Poderes. Posteriormente, a teoria concretista geral foi
adotada em algumas decisões prolatadas pelo Supremo
Tribunal Federal (MI 670, 708 e 712), que estabelecia,
diante da ausência de norma regulamentadora, ao Poder
Judiciário o suprimento da lacuna. Assim, o poder
Judiciário, mediante decisão, regularia a omissão em
caráter geral, com efeitos erga omnes, concedendo a
viabilizar do exercício do direito constitucional ao
impetrante e estendendo os efeitos a todos aqueles que
estivessem na mesma situação. Atualmente, o Órgão de
Superposiçãotem aplicado a teoria concretista individual,
permitindo ao Poder Judiciário, diante da lacuna deixada
pelo Poder Legislativo, editar norma para o caso específico,
viabilizando o exercício do direito somente ao impetrante,
uma vez que a decisão tem efeitos inter partes (MI795). Já a
teoria concretista intermediária, ou mista traduz-se na
fusão da teoria não-concretista com a teoria concretista
individual, ou seja, o Poder Judiciário, primeiramente,
limita-se a declarar a omissão ao órgão responsável pela
elaboração da norma regulamentadora, fixando-lhe prazo
para suprimento da lacuna e posteriormente, com a
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expiração do prazo, estaria autorizado a suprir a lacuna para
o caso concreto, isto é, somente para o impetrante (MI
232).
Lei 13.300/2016.
Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta total ou parcial de norma regulamentadora torne
inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação
quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão
legislador competente.
Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como
impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se
afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das
prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o
Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar
a norma regulamentadora.
Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será
deferida a injunção para:
I - determinar prazo razoável para que o impetrado
promova a edição da norma regulamentadora;
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício
dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas
reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá
o interessado promover ação própria visando a exercê-los,
caso não seja suprida a mora legislativa no prazo
determinado.
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se
refere o inciso I do caput quando comprovado que o
impetrado deixou de atender, em mandado de injunção
anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma.
Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes
e produzirá efeitos até o advento da norma
regulamentadora.
§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga
omnes à decisão, quando isso for inerente ou
indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da
prerrogativa objeto da impetração.
§ 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão
ser estendidos aos casos análogos por decisão
monocrática do relator.
§ 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova
não impede a renovação da impetração fundada em
outros elementos probatórios.
Art. 11. A norma regulamentadora superveniente
produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por
decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da
norma editada lhes for mais favorável.
Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a
norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso
em que o processo será extinto sem resolução de mérito.
Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser
promovido:
I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for
especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica,
do regime democrático ou dos interesses sociais ou
individuais indisponíveis;
II - por partido político com representação no Congresso
Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades
e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a
finalidade partidária;
III - por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há
pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de
direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade
ou de parte de seus membros ou associados, na forma de
seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades,
dispensada, para tanto, autorização especial;
IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for
especialmente relevante para a promoção dos direitos
humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal.
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as
prerrogativas protegidos por mandado de injunção
coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma
coletividade indeterminada de pessoas ou determinada
por grupo, classe ou categoria.
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará
coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da
coletividade, do grupo, da classe ou da categoria
substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto
nos §§ 1º e 2º do art. 9º.
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não
induz litispendência em relação aos individuais, mas os
efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que
não requerer a desistência da demanda individual no
prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada
da impetração coletiva.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) No julgamento do MI no 107/DF, Rel. Min.
Moreira Alves, DJ 21.9.1990, o Plenário do STF consolidou
entendimento que conferiu ao mandado de injunção os
seguintes elementos operacionais: I) os direitos
constitucionalmente garantidos por meio de mandado de
injunção apresentam-se como direitos à expedição de um
ato normativo, os quais, via de regra, não poderiam ser
diretamente satisfeitos por meio de provimento
jurisdicional do STF; II) a decisão judicial que declara a
existência de uma omissão inconstitucional constata,
igualmente, a mora do órgão ou poder legiferante, insta-o a
editar a norma requerida; III) a omissão inconstitucional
tanto pode referir-se a uma omissão total do legislador
quanto a uma omissão parcial; IV) a decisão proferida em
sede do controle abstrato de normas acerca da existência,
ou não, de omissão é dotada de eficácia erga omnes, e não
apresenta diferença significativa em relação a atos
decisórios proferidos no contexto de mandado de injunção;
IV) o STF possui competência constitucional para, na ação
de mandado de injunção, determinar a suspensão de
processos administrativos ou judiciais, com o intuito de
assegurar ao interessado a possibilidade de ser
contemplado por norma mais benéfica, ou que lhe assegure
o direito constitucional invocado; V) por fim, esse plexo de
poderes institucionais legitima que o STF determine a
edição de outras medidas que garantam a posição do
impetrante até a oportuna expedição de normas pelo
legislador. (...). (STF MI 670/ES, 31.10.08).
EMENTA. (...) 2. A Constituição do Brasil reconhece
expressamente possam os servidores públicos civis exercer
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o direito de greve --- artigo 37, inciso VII. A Lei n. 7.783/89
dispõe sobre o exercício do direito de greve dos
trabalhadores em geral, afirmado pelo artigo 9º da
Constituição do Brasil. Ato normativo de início inaplicável
aos servidores públicos civis. 3. O preceito veiculado pelo
artigo 37, inciso VII, da CB/88 exige a edição de ato
normativo que integre sua eficácia. Reclama-se, para fins
de plena incidência do preceito, atuação legislativa que dê
concreção ao comando positivado no texto da Constituição.4. Reconhecimento, por esta Corte, em diversas
oportunidades, de omissão do Congresso Nacional no que
respeita ao dever, que lhe incumbe, de dar concreção ao
preceito constitucional. Precedentes. 5. Diante de mora
legislativa, cumpre ao Supremo Tribunal Federal decidir no
sentido de suprir omissão dessa ordem. Esta Corte não se
presta, quando se trate da apreciação de mandados de
injunção, a emitir decisões desnutridas de eficácia. 6. A
greve, poder de fato, é a arma mais eficaz de que dispõem
os trabalhadores visando à conquista de melhores
condições de vida. Sua auto aplicabilidade é inquestionável;
trata-se de direito fundamental de caráter instrumental.
(...) 16. Mandado de injunção julgado procedente, para
remover o obstáculo decorrente da omissão legislativa e,
supletivamente, tornar viável o exercício do direito
consagrado no artigo 37, VII, da Constituição do Brasil (...).
(STF MI 712, Min. Eros Grau. 31/10/2008).
EMENTA (...) O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o MI n.
712, afirmou entendimento no sentido de que a Lei n.
7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de greve
dos trabalhadores em geral, é ato normativo de início
inaplicável aos servidores públicos civis, mas ao Poder
Judiciário dar concreção ao artigo 37, inciso VII, da
Constituição do Brasil, suprindo omissões do Poder
Legislativo. (...) A força normativa da Constituição é
desprendida da totalidade, totalidade normativa, que a
Constituição é. Os servidores públicos são, seguramente,
titulares do direito de greve. Essa é a regra. Ocorre,
contudo, que entre os serviços públicos há alguns que a
coesão social impõe sejam prestados plenamente, em sua
totalidade. Atividades das quais dependam a manutenção
da ordem pública e a segurança pública, a administração da
Justiça --- onde as carreiras de Estado, cujos membros
exercem atividades indelegáveis, inclusive as de exação
tributária --- e a saúde pública não estão inseridos no
elenco dos servidores alcançados por esse direito. (...). (STF
Rcl. 6568/SP. Rel. Min. Eros Grau. 25.09.2009).
EMENTA. Mandado de injunção. - Legitimidade ativa da
requerente para impetrar mandado de injunção por falta
de regulamentação do disposto no par. 7. do artigo 195 da
Constituição Federal. - Ocorrência, no caso, em face do
disposto no artigo 59 do ADCT, de mora, por parte do
Congresso, na regulamentação daquele preceito
constitucional. Mandado de injunção conhecido, em parte,
e, nessa parte, deferido para declarar-se o estado de mora
em que se encontra o Congresso Nacional, a fim de que, no
prazo de seis meses, adote ele as providencias legislativas
que se impõem para o cumprimento da obrigação de
legislar decorrente do artigo 195, par. 7., da Constituição,
sob pena de, vencido esse prazo sem que essa obrigação se
cumpra, passar o requerente a gozar da imunidade
requerida. (STF MI 232-1/RJ, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ
27.03.1992).
EMENTA: Mandado de injunção. Aposentadoria especial do
servidor público. Artigo 40, § 4º, da Constituição da
República. Ausência de lei complementar a disciplinar a
matéria. Necessidade de integração legislativa. 1. Servidor
público. Investigador da polícia civil do Estado de São Paulo.
Alegado exercício de atividade sob condições de
periculosidade e insalubridade. 2. Reconhecida a omissão
legislativa em razão da ausência de lei complementar a
definir as condições para o implemento da aposentadoria
especial. 3. Mandado de injunção conhecido e concedido
para comunicar a mora à autoridade competente e
determinar a aplicação, no que couber, do art. 57 da Lei n.
8.213/91." (MI 795, Relatora Ministra Cármen Lúcia,
Tribunal Pleno, julgamento em 15.4.2009, DJe de
22.5.2009)
Súmula Vinculante nº 33 - Aplicam-se ao servidor público,
no que couber, as regras do regime geral da previdência
social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo
40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de
lei complementar específica.
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE
INJUNÇÃO. SUPERAÇÃO DA MORA LEGISLATIVA. PERDA DO
OBJETO. 1. A jurisprudência desta Corte se firmou no
sentido de que a edição do diploma reclamado pela
Constituição leva à perda de objeto do mandado de
injunção. 2. “Excede os limites da via eleita a pretensão de
sanar a alegada lacuna normativa do período pretérito à
edição da lei regulamentadora” (MI 634-AgR, Rel. Min.
Sepúlveda Pertence). 3. Agravo regimental improvido. (MI
3709 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Pleno, julgado em 11/12/2014, PROCESSO ELETRÔNICO
DJe-029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015).
AÇÃO POPULAR
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio
público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;
Ganhou status constitucional na CF de 1934, mas deixou de
constar na CF de 1937, só voltando a partir da CF de 1946.
Foi regulada pela lei 4.717/65.
A ação pode ser preventiva ou repressiva contra ato lesivo
ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
Quem tem legitimidade ativa para interpor uma ação
popular é somente o cidadão, inclusive o menor de dezoito
anos, conforme expresso no texto do inciso, o que impede
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o estrangeiro de ser impetrante. Entretanto, a de se levar
em conta que o português equiparado terá os meus
direitos do brasileiro naturalizado em decorrência do
princípio da reciprocidade, portanto, mesmo sendo
estrangeiro, poderá impetrar uma ação popular. Também
não são legitimados as pessoas jurídicas e os apátridas (os
que não exercem seus direitos políticos sejam porque
perderam ou porque não os adquiriram).
O Ministério Público não possui legitimação para a ação
popular, porém poderá prosseguir com a ação popular
quando houver desistência do autor ou o mesmo der
motivo à absolvição da instância, nos termos do artigo 9º
da lei 4.717/1965 que diz: “Se o autor desistir da ação ou
der motivo à absolvição da instância, serão publicados
editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II,
ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao
Representante do Ministério Público, dentro do prazo de
90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o
prosseguimento da ação”.
A legitimidade para responder a ação popular cabe às
pessoas cujo patrimônio se pretende proteger: União,
Distrito Federal, Estado, Município, autarquias, empresas
públicas, fundações públicas, sociedade de economia mista,
fundações de direito provado federais, estaduais, distritais,
municipais, serviços sociais autônomos, quaisquer pessoas
jurídicas subvencionadas pelos cofres públicos, aqueles que
causaram, por ato ou por omissão, ou que ameaçaram
causar lesão aos bens tutelados pela ação popular:
autoridades públicas, funcionários e administradores,
avaliadores e os beneficiários diretos do ato ou da omissão.
A presente ação é desconstitutiva condenatória, pois visa
tanto à anulação do ato impugnado quanto à condenação
dos responsáveis e beneficiários em perdas e danos.
Não se confunde com a Ação Civil Pública, prevista no
artigo 129, II, da CF/88.
Lei 4.717/65:
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da
instância, serão publicados editais nos prazos e condições
previstos no art.7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer
cidadão, bem como ao representante do Ministério Público,
dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita,
promover o prosseguimento da ação.
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula 365 do STF - Pessoa Jurídica não tem legitimidade
para propor ação popular.
EMENTA. (...) Ainda quando se trate de ação popular, não
basta a legitimidade "ad causam" e "ad processum", mas há
necessidade, também, da observância da capacidade de
postular em juízo. (...). (STF RE 87.052/GO. Rel. Min.
Moreira Alves. DJ 28.04.1978).
EMENTA. (...) A competência para julgar ação popular
contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do
Presidente da República, é, via de regra, do juízo
competente de primeiro grau. Precedentes. Julgado o feito
na primeira instância, se ficar configurado o impedimento
de mais da metade dos desembargadores para apreciar o
recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a
competência do Supremo Tribunal Federal, com base na
letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 102 da
Constituição Federal (...). (STF AO 859-QO, 1º-8-03).
REGRAS DE APLICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
§1º As normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata;
Na verdade, segundo a dogmática doutrinária, todas as
normas constitucionais tem eficácia jurídica, que é
imediata, direta e vinculante, haja vista que passa a
produzir efeitos desde a sua vigência. Entretanto, não se
deve confundir eficácia jurídica das normas com
aplicabilidade das normas, considerando que a norma
poderá possuir aplicabilidade mediata e indireta, quando,
por exemplo, necessitam de uma norma infraconstitucional
para produzir todos os efeitos (norma de eficácia limitada).
Ressalte-se que mesmo essas normas possuem o mínimo
de aplicabilidade quando revogam as normas que lhes são
contrárias, ou limitam o legislador e o aplicador do direito,
impedindo-os de negar o direito, além de conceder
legitimidade às pessoas de exigir o direito previsto,
inclusive através do mandado de injunção.
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição
não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados, ou de tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Esse dispositivo garante que os direitos e garantias constam
em toda a Constituição Federal, de forma expressa e
implícita, através de regras e princípios, inclusive em
tratados internacionais em que o Brasil seja parte. Os
direitos fundamentais são uma categoria aberta, uma vez
que outros direitos e garantias podem ser estabelecidos na
constituição federal e nas leis infraconstitucionais.
Dispositivo correspondente: art. 60, §4º, IV, da CF/88.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. (...) O rol de direitos e garantias individuais,
protegidos pela cláusula pétrea, art. 60, § 4º, IV, previstos
no art. 5º da Constituição não é exaustivo, há outros
dispositivos na Lei Maior, isto sem considerar a regra básica
do § 2º do art. 5º, segundo o qual “os direitos e garantias
expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados...”
Houve o agasalho, portanto, de direitos e garantias
explícitos e de direitos e garantias implícitos (...). (STF ADI
939-07/DF).
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QUADRO DOS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
REMÉDIOS
CONSTIT.
CABIMENTO OBJETO LEGIT. ATIVA LEGIT. ASSIVA ESPÉCIES CARACTERÍSTICAS
Habeas
Corpus (art. 5º,
LXVIII)
Na CF/1891 -
Surgiu com
status const.
Sempre que alguém
sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer
violência ou coação
em sua liberdade de
locomoção, por
ilegalidade ou abuso
de poder.
Liberdade de ir
e vir e de
permanecer em
tempo de paz
Impetrante: qualquer
pessoa em sua
própria defesa ou em
favor de terceiro
(paciente); pode ser
pessoa física ou
pessoa jurídica em
favor de pessoa
física, brasileira ou
estrangeira.
Impetrado:
autoridade pública
ou particular.
Preventivo -
poderá obter
um salvo-
conduto;
Liberatório ou
repressivo -
poderá obter
alvará de
soltura
- Não é necessário
advogado;
- É gratuito;
Mandado de
Segurança
(art. 5º, LXIX).
Surgiu na
CF/1934, mas
foi retirado na
CF/1937 e só
voltou a partir
da CF/1946.
É conferido aos
indivíduos, para que
eles se defendam de
atos ilegais ou atos
praticados por abuso
de poder.
Direito líquido e
certo não
amparado por
HC ou HD.
Pessoa física
(brasileira ou
estrangeira) ou
jurídica.
Autoridade coatora:
agente público
investido no poder
de decisão (não
confundir com mero
executor)
Preventivo -
ameaça a
violação de
direito líquido e
certo do
impetrante;
Repressivo -
ilegalidade ou
abuso de poder
já praticados.
-Regulado pela lei
12.016/09;
-é uma ação subsidiária.
Mandado de
Segurança
Coletivo
(art. 5º, LXX).
Surgiu na
CF/1988.
Busca a preservação
ou a reparação de
interesses
transindividuais.
Defesa de
direitos
coletivos e
difusos
Partido político com
representação
política no
Congresso e
organização sindical,
entidade de classe
ou associação em
funcionamento há
pelo menos 1 ano.
Autoridade coatora:
agente público
investido no poder
de decisão (não
confundir com mero
executor)
-------
- É necessária a existência
de pelo menos um único
parlamentar na Câmara ou
no Senado, filiado a um
partido;
- o STF tem entendido que
a organização sindical não
necessita do requisito de
um ano de funcionamento.
Mandado de
Injunção
(art. 5º, LXXI).
Surgiu na
CF/1988.
Falta de norma
reguladora de uma
previsão
constitucional que
inviabiliza o exercício
dos direitos e
liberdades
constitucionais
Combater a
síndrome da
inefetividade
das normas
constitucio-
nais.
Pessoa física
(brasileira ou
estrangeira) ou
jurídica.
Pessoa jurídica de
direito público (entes
estatais) ou
Presidente da
República quando a
iniciativa de lei for
privativa dele
------
- Regulado pela Lei N
o
13.300/2016
Habeas Data
(art. 5º, LXXI).
Surgiu na
CF/1988.
Registro e
informações
governamentais ou
de caráter público
Obtenção de
informação ou
eventual
retificação de
dados
Pessoa física
(brasileira ou
estrangeira) ou
jurídica.
Entidades
governamentais e
pessoas jurídicas
que prestam
serviços para o
público ou de
interesse público
-------
-É gratuito;
-Ação personalíssima (Em
regra, não admite pedido
de terceiros);
-É necessário que o
impetrante tenha requerido
na via administrativa e
tenha sido negado (tem
que mostrar a prova da
recusa. Lei nº. 9.507/97)
Ação Popular
(art. 5º, LXIII).
Surgiu na
CF/1934, mas
foi retirado na
CF/1937 e só
voltou a partir
da CF/1946.
Invalidar o ato e
condenar os
responsáveis e
beneficiários por
perdas e danos
Ilegalidade ou
lesão ao
patrimônio
público, à
moralidade
administrativa e
etc.
Cidadão (tem que tertítulo de eleitor e está
no gozo dos direitos
eleitorais ativos)
Poder Público, seus
agentes e eventuais
beneficiários.
Preventiva
Repressiva
É isenta de custas e do
ônus da sucumbência, se
agir de boa fé.
___________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
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2 – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO VII
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 37. A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Segundo Alexandre de Morais a administração pública
pode ser definida objetivamente como a atividade concreta
e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos
interesses coletivos e subjetivamente como o conjunto de
órgãos e de pessoas jurídicas as quais a lei atribui o
exercício da função administrativa do Estado.
A administração federal compreende a administração
direta, que é responsável imediata pelas atividades
administrativas do Estado e a administração indireta, que
compreende as autarquias, empresas públicas, sociedades
de economia mista e fundações públicas, todas com
personalidade jurídica própria.
A característica determinante da administração direta é a
sua composição, pois os órgãos públicos integram as
pessoas federativas (União, Estados-membros, Distrito
Federal e Municípios) e estão ligados diretamente ao poder
executivo federal, estadual, distrital ou municipal. Além
disso, não possuem personalidade jurídica própria,
patrimônio e autonomia administrativa, uma vez que seus
orçamentos são subordinados às esferas das quais fazem
parte. Ex: ministérios do governo federal, as secretárias dos
estados federativos e dos municípios.
A administração indireta é caracterizada por entidades que
possuem personalidade jurídica própria, possuindo
portanto, patrimônio, autonomia administrativa e
orçamento específico para seus fins e de responsabilidade
de gestão. (art. 37, XIX, da CF/88).
As autarquias são serviços autônomos, instituídas por lei e
portadoras de personalidade jurídica própria, bem como
patrimônio e receita. Seu objetivo é executar atividades
típicas da Administração Pública, que por motivo de
otimização da funcionalidade, requerem uma
descentralização da gestão administrativa e financeira. Ex:
O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a Agência
Nacional de Saúde (ANS) e a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA).
As empresas públicas são entidades dotadas de
personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio e
capital exclusivo da União, criadas para a exploração de
atividade econômicas que o Governo seja levado a exercer
por força de contingência ou de conveniência
administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas
admitidas em direito. Ex: Caixa Econômica Federal.
As sociedades de economia mista, que são entidades
dotadas de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei para a exploração de atividade
econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações
com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a
entidade da Administração Indireta. São portanto,
controladas pelo Poder Público. Ex: Banco do Brasil e a
Petrobras.
As fundações públicas possuem personalidade jurídica de
direito público, que não visam lucro e são criadas para o
desenvolvimento de atividades que não exijam execução
por órgãos ou entidades de direito público. Também
possuem autonomia administrativa, patrimônio próprio
gerido pelos respectivos órgãos de direção e tem em sua
fonte de financiamento os recursos da União e demais
fontes. Ex: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
As duas premissas da administração pública ou os pilares do
regime jurídico-administrativo são: sobrepor a vontade da
lei à vontade do particular, no intuito de privilegiar o
interesse público em relação ao interesse individual, ou
seja, princípio da supremacia do interesse público e o
princípio da indisponibilidade, onde são vedados ao
administrador quaisquer atos que impliquem renúncia a
direitos da Administração ou que injustificadamente
onerem a sociedade.
Quanto aos princípios expressos, temos: a legalidade
administrativa, que só permite a prática do que for
permitido pela lei, ao contrário da legalidade do particular,
que permite a prática de tudo aquilo que não for vedado ou
proibido, a impessoalidade (chamado de finalidade por José
Afonso da Silva), significa que o ato será praticado a bem do
interesse público, coletivo, a moralidade aqui indicada não
se trata da moral comum, mas da moral jurídica, entendida
como o conjunto de regras de boa administração, a
publicidade, princípio instrumental dos demais, o qual
permite que qualquer cidadão possa verificar se estão
sendo obedecidos os princípios da administração, somente
podendo ser excepcionada quando o interesse público o
exigir e por fim, a eficiência, princípio acrescentado pela
emenda 19, significa a busca de qualidade, de
produtividade, de resultado, nas decisões e condutas
administrativas.
Esse modelo de Administração Pública que prestigia
resultados identifica-se com a noção de administração
gerencial.
Dispositivos correspondentes:
Jurisprudência relacionada ao tema:
Súmula Vinculante nº 34
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis
aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos
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em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
O ilustre J. Cretella Jr. define cargo público como “uma
incumbência que o Estado atribui a uma pessoa física, que é
o agente público”. A função pública consiste no conjunto de
deveres e atribuições cometidas precariamente a
determinada categoria profissional ou a determinados
servidores, para a execução de serviços públicos eventuais,
que se for exercida sob contrato regido pela CLT, será
emprego público, como no caso das sociedades de
economia mista ou empresas públicas.
Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
brasileiros, natos e naturalizados, aos portugueses
equiparados que preencham os requisitos legais e aos
estrangeiros, na forma da lei, sendo vedado qualquer
discriminação abusiva.
Ressalte-se que cabe privativamente ao Presidente da
República a iniciativa dos projetos de lei que disponham
sobre a criação de cargos, funções ouempregos públicos na
administração direta e autárquica (art. 61, § 1º., II, a).
*** Outro ponto importante é a possibilidade de limitação
do acesso a cargos, empregos e funções públicas em face da
fixação de limite de idade, desde que compatível com a
atribuição a ser desenvolvida, entendimento jurisprudencial
firmado pelo STF na súmula 683, que diz: “O limite de idade
para a inscrição em concurso público só se legitima em face
do art. 7º., XXX, da Constituição, quando possa ser
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser
preenchido”.
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
As exceções só existirão com expressa previsão
constitucional, sob pena de nulidade. Assim, apesar do
regime de pessoal das entidades paraestatais ser o mesmo
dos empregados das empresas privadas, a obrigatoriedade
do concurso público subsiste, até mesmo para as empresas
que exerçam atividades econômicas, salvo para os cargos
ou funções de confiança.
O princípio da obrigatoriedade do concurso público aplica-
se integralmente também para o ingresso na atividade
notarial e de registro (art. 236, § 3º., da CF).
A única exceção ao princípio supra aludido é a delegação do
exercício de funções de confiança a pessoas que não
pertençam aos quadros da Administração, desde que essas
funções não sejam de direção, chefia e assessoramento.
Súmula 16 do STF - Funcionário nomeado por concurso tem
direito a posse.
Importante!!!! No que diz respeito a discricionariedade da
banca examinadora em concursos públicos, é proibido ao
Poder Judiciário interferir na esfera da Administração para
valorar os critérios adotados por ela, sendo substituto da
banca examinadora, podendo o judiciário rever os abusos, o
desrespeito aos princípios constitucionais da administração
pública.
Jurisprudência relacionada ao tema:
EMENTA. 1. O Plenário desproveu recurso extraordinário
interposto de acórdão do STJ que, ao reconhecer o direito
subjetivo à nomeação de candidato aprovado em concurso
público no limite do número de vagas definido no edital,
determinara que ela fosse realizada. Entendeu-se, em
síntese, que a Administração Pública estaria vinculada às
normas do edital e que seria, inclusive, obrigada a
preencher as vagas previstas para o certame dentro do
prazo de validade do concurso. Acrescentou-se que essa
obrigação só poderia ser afastada diante de excepcional
justificativa, o que não ocorrera no caso. Após retrospecto
acerca da evolução jurisprudencial do tema na Corte,
destacou-se recente posicionamento no sentido de haver
direito subjetivo à nomeação, caso as vagas estejam
previstas em edital. Anotou-se não ser admitida a
obrigatoriedade de a Administração Pública nomear
candidato aprovado fora do número de vagas previstas,
simplesmente pelo surgimento de nova vaga, seja por nova
lei, seja decorrente de vacância. Observou-se que também
haveria orientação no sentido de que, durante o prazo de
validade de concurso público, não se permitiria que
candidatos aprovados em novo certame ocupassem vagas
surgidas ao longo do período, em detrimento daqueles
classificados em evento anterior. Reputou-se que a linha de
raciocínio acerca do tema levaria à conclusão de que o
dever de boa-fé da Administração Pública exigiria respeito
incondicional às regras do edital, inclusive quanto à
previsão das vagas do concurso público. Afirmou-se que, de
igual maneira, dever-se-ia garantir o respeito à segurança
jurídica, sob a forma do princípio de proteção à confiança. O
Min. Ricardo Lewandowski ressalvou inexistir direito líquido
e certo. Ademais, enfatizou o dever de motivação por parte
do Estado, se os aprovados dentro do número de vagas
deixarem de ser nomeados. O Min. Ayres Britto, por sua
vez, afirmou que o direito líquido e certo apenas surgiria na
hipótese de candidato preterido, ou de ausência de
nomeação desmotivada. 2. Explicou-se que, quando a
Administração Pública torna público um edital de concurso,
ela impreterivelmente geraria uma expectativa quanto ao
seu comportamento segundo as regras previstas no edital.
Assim, aqueles cidadãos que decidissem se inscrever para
participar do certame depositariam sua confiança no
Estado, que deveria atuar de forma responsável quanto às
normas editalícias e observar o princípio da segurança
jurídica como guia de comportamento. Ressaltou-se que a
Constituição, em seu art. 37, IV, garantiria prioridade aos
candidatos aprovados em concurso. Asseverou-se que,
dentro do prazo de validade do certame, a Administração
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poderia escolher o momento no qual realizada a nomeação,
mas não dispor sobre ela própria, a qual, de acordo com o
edital, passaria a constituir um direito do concursando
aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao Poder
Público. Em seguida, explicitou-se que esse direito à
nomeação surgiria, portanto, quando realizadas as
seguintes condições fáticas e jurídicas: a) previsão em edital
de número específico de vagas a serem preenchidas pelos
candidatos aprovados em concurso público; b) realização de
certame conforme as regras do edital; c) homologação do
concurso e proclamação dos aprovados dentro do número
de vagas previsto, em ordem de classificação, por ato
inequívoco e público da autoridade competente. Reputou-
se que esse direito seriapúblico subjetivo em face do
Estado, fundado em alguns princípios informadores da
organização do Poder Público no Estado Democrático de
Direito, como o democrático de participação política, o
republicano e o da igualdade. Dessa maneira, observou-se
que a acessibilidade aos cargos públicos constituiria direito
fundamental expressivo da cidadania, e limitaria a
discricionariedade do Poder Público quanto à realização e
gestão dos concursos públicos. A Min. Cármen Lúcia repisou
que o princípio da confiança seria ligado ao da moralidade
administrativa e que, nesse sentido, a Administração
nãopossuiria poder discricionário absoluto. 3. Ressalvou-se
a necessidade de se levar em conta situações
excepcionalíssimas, a justificar soluções diferenciadas,
devidamente motivadas de acordo com o interesse público.
Essas situações deveriam ser dotadas das seguintes
características: a) superveniência, ou seja, vinculadas a
fatos posteriores à publicação do edital; b)
imprevisibilidade, isto é, determinadas por circunstâncias
extraordinárias; c) gravidade, de modo a implicar
onerosidade excessiva, dificuldade ou mesmo
impossibilidade de cumprimento efetivo das regras
editalícias; d) necessidade, traduzida na ausência de outros
meios, menos gravosos, de se lidar com as circunstâncias.
Asseverou-se a importância de que a recusa de nomear
candidato aprovado dentro do número de vagas seja
devidamente motivada e, dessa forma, passível de controle
pelo Poder Judiciário. Por fim, reafirmou-se a jurisprudência
da Corte segundo a qual não se configuraria preterição
quando a Administração realizasse nomeações em
observância a decisão judicial. Ratificou-se, de igual modo, a
presunção de existência de disponibilidade orçamentária
quando houver preterição na ordem classificatória, inclusive
da decorrente de contratação temporária. Salientou-se,
além disso,que o pedido de nomeação e posse em cargo
público para o qual o candidato fora aprovado, em concurso
público, dentro do número de vagas, não se confundiria
com o pagamento de vencimentos, consequência lógica da
investidura do cargo. (STF RE 598099/MS, rel. Min. Gilmar
Mendes, 10.8.2011).
III - o prazo de validade do concurso público será de até
dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
Significa dizer que o prazo de validade dos concursos
públicos é de até dois anos e pode ser prorrogado uma
única vez por igual período. Entende-se por prazo de
validade o período durante o qual a Administração poderá
nomear ou contratar os aprovados para o provimento ou
preenchimento do cargo ou emprego público a que se
destinava o concurso, valendo ressaltar que o dispositivo foi
repetido pelo art. 12 da lei 8.112/1990.
Em julgados recentes, contrariando o entendimento
pretérito, o STF tem se referido à existência de um direito
subjetivo à nomeação quando o candidato é classificado
dentro do número de vagas previsto no edital (exemplo:
RMS 24119, rel. Min. Maurício Corrêa, Segunda Turma,
30.04.2002).
O prazo de validade é contado da homologação do
concurso.
É oportuno frisar que o parágrafo 2º. do art. 37 da CF/88
estabelece que o desrespeito ao prazo de validade do
concurso implicará a nulidade do ato e a punição da
autoridade responsável, nos termos da lei.
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de
convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira;
A CF não veda a abertura de concurso público para
determinado cargo ou emprego enquanto ainda esteja
dentro do prazo de validade de um concurso anterior
realizado pela mesma Administração. A Lei Maior
estabelece apenas prioridade para a nomeação de
aprovados no concurso anterior ainda dentro do prazo de
validade.
Conforme súmula 15 do STF, o desrespeito a ordem de
classificação acarretará a nulidade do ato, pois durante o
prazo previsto no edital de convocação, aquele aprovado
em concurso público de provas e títulos, será convocado
com prioridade sobre novos concursados. Findo o prazo,
extingue-se o direito, podendo inclusive ser aberto novo
concurso.
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998).
Esse inciso já fora comentado durante a explanação feita no
inciso II, cujo entendimento é corroborado pro José Afonso
da Silva, que afirma: “recomenda-se que os cargos em
comissão e as funções de confiança sejam exercidos
preferencialmente, por servidores ocupantes de cargo de
carreira técnica ou profissional, nos casos e condições
previstos em lei (artigo 37, V)”.
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre
associação sindical;
DIREITO CONSTITUCIONAL PARA CONCURSOS
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Frise-se que aos Militares são vedadas, em sede
constitucional, a sindicalização e a greve, nos termos do
artigo 142, IV, da CF.
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos
limites definidos em lei específica; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
Esse dispositivo não é autoaplicável, pois deverá ser
exercido nos termos e limites definidos em lei ordinária
específica, salientando que ao empregado público se aplica
o direito de greve do trabalhador celetista assegurado no
artigo 9º. da CF.
A lei regulamentadora mencionada no dispositivo até hoje
não foi editada, porém o STF, em face da inércia do
Congresso Nacional, determinou a aplicação temporária ao
setor público, no que couber, da lei de greve vigente no
setor privado, lei 7.783/89, até que seja aditada a lei
específica de que trata o presente artigo. (MI 670 e 708, rel.
Min. Gilmar Mendes, 25.10.2007; MI 712, rel. Min. Eros
Grau, 25.10.2007).
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e
definirá os critérios de sua admissão;
A lei no. 7.853/89 (Disciplina a Coordenadoria Nacional para
a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde e
institui a tutela jurisprudencial de interesses coletivos e
difusos das pessoas portadoras de deficiência) e o Decreto
no. 914/93 (disciplina a política nacional para a integração
da pessoa portadora de deficiência), são as normas
infraconstitucionais editadas pelo legislador.
A lei 8.112/1990, em seu artigo 5º., parágrafo 2º., reservou
às pessoas portadoras de deficiência até 20% (vinte por
cento) das vagas oferecidas no concurso para provimento
de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a
deficiência de que são portadoras.
O STF entende que na hipótese de a divisão resultar em
número fracionado, impõe-se o arredondamento.
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público;
São requisitos obrigatórios: excepcional interesse público,
temporariedade da contratação e expressa previsão legal, a
qual deverá ser editada pela entidade contratadora. Na
esfera federal, o assunto foi regulado pela lei no.
8.745/1993. O pessoal contratado com base nessa lei não
pode ser considerado estatutário, nem celetista, pois
exercem função pública remunerada por determinado
órgão ou entidade da Administração.
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de
que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou
alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na
mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
Diz José Afonso da Silva que a expressão “espécies
remuneratórias” é usada como gênero que compreende o
subsídio, o vencimento (singular), os vencimentos (plural) e
a remuneração.
O subsídio é uma modalidade de remuneração fixado em
parcela única, de aplicação obrigatória para os agentes
políticos (Chefes dos Executivos, Parlamentares, Ministros
de Estado, Secretários Estaduais e Municipais, membros da
magistratura e do Ministério Público, Ministros do TCU e
etc), para determinados servidores públicos (das carreiras
pertencentes à AGU, DP, PGFN, PGE/DF e os servidores da
PF, PRF, PC, PM e Corpos de Bombeiros Militares) e
facultativa para os servidores públicos de carreira, desde
que assim disponha a lei.
Vencimentos ou remuneração é modalidade remuneratória
dos agentes públicos submetidos ao regime estatutário.
Salário é a contraprestação pecuniária paga aos
empregados públicos, admitidos sob o regime jurídico
trabalhista, sujeitos à CLT.
O Princípio da periodicidade garante ao funcionalismo
público, no mínimo, uma revisão geral anual obrigatória.
A lei específica é de iniciativa privativa do Presidente da
República, na forma do parágrafo 1º. do artigo 61, quando
se tratar de servidores federais e de iniciativa do
Governador e Prefeito quando se tratar, respectivamente,
de servidores estaduais e municipais.
A revisão geral expressa no dispositivo trata-se de mera
reposição de perdas inflacionárias e não de aumento de
remuneração.
Embora haja divergência doutrinária, a maior parte da
doutrina entende que a revisão anualé extensiva também
aos servidores públicos militares, na mesma data e sem
distinções de índices.
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos,
funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou
não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do
Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o
subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do
Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no
âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos
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membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos
Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003).
A Constituição Federal estabeleceu um teto único, que é o
subsídio mensal dos ministros do STF, só que para os
servidores e agentes políticos da União o teto é um só: o
subsídio dos ministros do STF. Também para os servidores e
agentes políticos dos Municípios o teto é único: o subsídio
do prefeito, mas para os agentes públicos dos Estados e do
DF são três tetos: no âmbito do poder executivo, o teto é o
subsídio mensal do governador, no âmbito do Poder
Legislativo, o subsídio dos deputados estaduais e distritais e
no âmbito do Poder Judiciário, o subsídio dos
desembargadores do Tribunal de Justiça, mas estes mesmos
sujeitos a 90,25% do subsídio mensal dos ministros do STF,
incluindo-se nesse limite os agentes políticos que exercem
funções essenciais à Justiça.
O STF julgou inconstitucional o estabelecimento de limites
diferentes de remuneração para os magistrados estaduais e
federais, excluindo a submissão dos membros da
magistratura estadual ao subteto de remuneração prevista
no parágrafo 12 do artigo 37, da Carta Magna (ADI – MC no.
3854/DF, Rel Min. Cezar Peluso, 28.02.2007).
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do
Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos
pelo Poder Executivo;
A aplicação da isonomia tem como referência os cargos do
Executivo, isto é, os servidores dos três Poderes têm direito
à paridade isonômica de vencimentos, mas a parificação se
faz com cargos iguais ou assemelhados do Poder Executivo.
Essa isonomia entre servidores de Poderes diversos é o que
se chama “paridade de vencimentos”, que toma por base os
fixados para os servidores do Poder Executivo.
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer
espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de
pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998).
Isonomia é igualdade de espécies remuneratórias entre
cargos de atribuições iguais ou assemelhadas. Paridade é
um tipo especial de isonomia, é igualdade de vencimentos
atribuídos a cargos de atribuições iguais ou assemelhados
pertencentes a quadro de Poderes diferentes. Equiparação
é a comparação de cargos de denominação e atribuições
diversas, considerando-os iguais para fins de se lhes conferir
os mesmos vencimentos. A equiparação quer tratamento
igual para situações desiguais. Vinculação é relação de
comparação vertical, diferente da equiparação, que é
relação horizontal.
O dispositivo veda a vinculação ou equiparação de
quaisquer espécies remuneratórias para efeito de
remuneração de pessoal de serviço público, quando, na
verdade, o que se veda é a vinculação ou equiparação de
cargos, empregos ou funções para efeitos de remuneração.
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor
público não serão computados nem acumulados para fins
de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
É a vedação ao efeito repicão, isto é, que uma mesma
vantagem seja repetivamente computada sobre as demais
vantagens, alcançando, inclusive, os proventos dos
aposentados.
XV – o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos
e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o
disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
De fato só os vencimentos podem ser irredutíveis. A
remuneração, em sentido próprio, não, pois um de seus
componentes é necessariamente variável, mas qualquer
que seja, sobre todas as suas parcelas somadas incidirá o
imposto sobre a renda.
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso
XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998).
a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998).
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou
científico; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998).
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais
de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001).
XVII – a proibição de acumular estende-se a empregos e
funções e abrange autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias,
e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998).
Igualmente é vedada a percepção simultânea de proventos
da aposentadoria com a remuneração de cargo, função ou
emprego público, ressalvados os cargos acumuláveis, os
cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei
de livre nomeação e exoneração, sempre respeitado o teto
do artigo 37, XI. (parágrafo 10, do artigo 37, da CF).
XVIII – a administração fazendária e seus servidores fiscais
terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
precedência sobre os demais setores administrativos, na
forma da lei;
Embora seja um dispositivo pendente de regulamentação
por parte do legislador ordinário, da regra nele prevista
decorre que nenhum setor da Administração poderá obstar
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ou dificultar o desempenho das funções dos servidores
fiscais fazendários.
XIX – somente por lei específica poderá ser criada
autarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à
lei complementar, neste último caso, definir as áreas de
sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998).
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no
inciso anterior, assim como a participação de qualquer
delas em empresa privada;
São entidades Paraestatais. Empresa pública é toda
empresaem sentido econômico que se encontra no setor
público da economia. Entidades autárquicas são pessoas
jurídicas estatais autônomas, criadas por lei e
exclusivamente administrativas, são entes descentralizados
com funções administrativas ou de gestão de serviços
públicos específicos. Sociedade de economia mista é uma
sociedade anônima cujas ações pertencem em parte a entes
particulares, em parte ao Estado, que por esse motivo se
encontram associados à exploração de atividade econômica
com a finalidade de lucro.
Exige-se a edição de lei ordinária específica para a criação
de autarquias, no entanto para as empresas públicas,
sociedades de economia mista e fundações essa exigência
foi substituída por dois requisitos: edição de lei ordinária
específica autorizando a instituição e edição de lei
complementar para definir a área de atuação, devendo esse
requisito ser interpretado juntamente com o artigo 173 da
CF.
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as
obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da
lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações.
A competência para legislar sobre normas gerais de licitação
é exclusiva da União, nos termos do artigo 22, XXVII.
Enquanto os particulares gozam de ampla liberdade na
contratação de obras e serviços, a Administração Pública,
em todos os seus níveis, para realizá-la, precisa observar um
procedimento legal, em regra.
Nesse dispositivo prevê as entidades abrangidas pela regra
da obrigatoriedade licitatória, quais sejam, todas as da
administração direta, autarquias e fundações da União,
Estados, Distrito Federal e Municípios e nos termos do
artigo 173, § 1º., III, as sociedades de economia mista e
empresas públicas.
O legislador constituinte admitiu a possibilidade de
existirem casos em que a licitação poderá deixar de ser
realizada, autorizando a administração pública a celebrar
contratações diretas. Tais situações configuram exceções à
regra geral, sendo a hipótese de dispensa e inexigibilidade.
Para que a administração Pública dispense o procedimento
licitatório, exige-se a explicitação dos motivos, que
comprovem, além da especialização dos serviços
contratados, a absoluta necessidade desses serviços.
Ocorrerá a inexigibilidade quando houver impossibilidade
jurídica de competição entre diversos contratantes, seja
pela específica natureza do negócio, seja pelos objetivos
visados pela administração pública.
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais
ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de
carreiras específicas, terão recursos prioritários para a
realização de suas atividades e atuarão de forma
integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros
e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003).
Observe-se que a parte do dispositivo que menciona o
compartilhamento de cadastros e de informações fiscais
incluem as informações protegidas por sigilo fiscal, impondo
um verdadeiro poder-dever aos fiscos das diversas pessoas
políticas.
§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos.
A própria Constituição Federal dar uma consequência
expressa ao princípio da impessoalidade quando proíbe que
conste nome, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades e servidores públicos em
publicidades de atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos, o que explica a
responsabilidade da administração para com terceiros.
§ 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III
implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade
responsável, nos termos da lei.
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário
na administração pública direta e indireta, regulando
especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços
públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços
de atendimento ao usuário e a avaliação periódica,
externa e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
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II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a
informações sobre atos de governo, observado o disposto
no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
III - a disciplina da representação contra o exercício
negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
Direito que depende de regulamentação por parte do
legislador ordinário para proporcionar ao usuário dos
serviços públicos instrumentos para exigir seus direitos,
além das hipóteses aqui previstas.
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a
suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo
da ação penal cabível.
Lei 8.429/92. Probidade administrativa é o dever que tem o
agente de servir à Administração com honestidade,
exercendo suas funções sem usufruir do poder que lhe é
conferido em proveito próprio ou de terceiro que deseje
favorecer.
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para
ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não,
que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas
ações de ressarcimento.
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.
A Teoria do Risco Administrativo é a regra dotada pela
presente Constituição, sendo sua responsabilidade objetiva,
a qual exige a existência dos seguintes elementos:
ocorrência do dano, ação ou omissão administrativa e
ausência de causa excludente da responsabilidade estatal
(caso fortuito, força maior e culpa exclusiva da vítima).
A responsabilidade civil do Poder Público se sujeita ao prazo
qüinqüenal, ou seja, prescreve em cinco anos, contados da
ocorrência do ato ou fato, em virtude do art. 178, parágrafo
10, inciso VI do Código Civil e do Decreto no. 20.910/32, a
ação para haver indenização por responsabilidade civil do
Estado..
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao
ocupante de cargo ou emprego da administração direta e
indireta que possibilite o acesso a informações
privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado
entre seus administradores e o poder público, que tenha
por objeto a fixação de metas de desempenho para o
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluídopela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho,
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
Concretizando o princípio da eficiência, a Constituição criou
uma forma de contrato diferido, chamado pela doutrina de
contrato de gestão ou acordo-programa, realizado entre o
Estado e seus colaboradores para prossecução dos
interesses públicos, tendo como objetivo principal o
estabelecimento de determinadas metas a serem
alcançadas pelas entidades, que devem obter, em
contrapartida, algum benefício outorgado pelo Poder
Público. Deve ter prazo determinado e está sujeito ao
controle de resultado.
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas
e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias,
que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de
pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142
com a remuneração de cargo, emprego ou função pública,
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão
declarados em lei de livre nomeação e
exoneração.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de
1998)
Cabe enfatizar que escapam desta proibição de acumulação
os proventos relativos a cargos que seriam acumuláveis, se
o servidor estivesse em atividade, os proventos
provenientes de cargos em comissão e proventos recebidos
em decorrência de aposentadoria obtida sob o regime geral
da previdência, valendo salientar que o artigo 11 da EC no.
20/99 criou uma regra de transição excluindo desta vedação
aqueles que, já sendo aposentados, houvessem, até a data
da publicação da referida emenda, ingressado novamente
no serviço público mediante concurso público, contanto
que respeitado o teto constitucional expresso no art. 37, XI.
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em
lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste
artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal
fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio
mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de
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Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e
Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
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3 – DEFESA DO ESTADO E DAS
INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
TÍTULO V
Da Defesa do Estado e Das Instituições Democráticas
CAPÍTULO I
DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO
Seção I
DO ESTADO DE DEFESA
Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o
Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional,
decretar estado de defesa para preservar ou prontamente
restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem
pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente
instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de
grandes proporções na natureza.
§ 1º - O decreto que instituir o estado de defesa
determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas
a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei,
as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes:
I - restrições aos direitos de:
a) reunião, ainda que exercida no seio das associações;
b) sigilo de correspondência;
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos,
na hipótese de calamidade pública, respondendo a União
pelos danos e custos decorrentes.
§ 2º - O tempo de duração do estado de defesa não será
superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez,
por igual período, se persistirem as razões que justificaram
a sua decretação.
§ 3º - Na vigência do estado de defesa:
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo
executor da medida, será por este comunicada
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não
for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de
delito à autoridade policial;
II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela
autoridade, do estado físico e mental do detido no
momento de sua autuação;
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá
ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo
Poder Judiciário;
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.
§ 4º - Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o
Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas,
submeterá o ato com a respectiva justificação ao
Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta.
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§ 5º - Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco dias.
§ 6º - O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo continuar
funcionando enquanto vigorar o estado de defesa.
§ 7º - Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa.
Seção II
DO ESTADO DE SÍTIO
Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o
Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional,
solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar
o estado de sítio nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência
de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada
durante o estado de defesa;
II - declaração de estadode guerra ou resposta a agressão
armada estrangeira.
Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar
autorização para decretar o estado de sítio ou sua
prorrogação, relatará os motivos determinantes do
pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria
absoluta.
Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua
duração, as normas necessárias a sua execução e as
garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois
de publicado, o Presidente da República designará o
executor das medidas específicas e as áreas abrangidas.
§ 1º - O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá
ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de
cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser
decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a
agressão armada estrangeira.
§ 2º - Solicitada autorização para decretar o estado de sítio
durante o recesso parlamentar, o Presidente do Senado
Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o
Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a
fim de apreciar o ato.
§ 3º - O Congresso Nacional permanecerá em
funcionamento até o término das medidas coercitivas.
Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com
fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas contra
as pessoas as seguintes medidas:
I - obrigação de permanência em localidade determinada;
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou
condenados por crimes comuns;
III - restrições relativas à inviolabilidade da
correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação
de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e
televisão, na forma da lei;
IV - suspensão da liberdade de reunião;
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V - busca e apreensão em domicílio;
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;
VII - requisição de bens.
Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a
difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados
em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela
respectiva Mesa.
Seção III
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 140. A Mesa do Congresso Nacional, ouvidos os líderes
partidários, designará Comissão composta de cinco de
seus membros para acompanhar e fiscalizar a execução
das medidas referentes ao estado de defesa e ao estado
de sítio.
Art. 141. Cessado o estado de defesa ou o estado de sítio,
cessarão também seus efeitos, sem prejuízo da
responsabilidade pelos ilícitos cometidos por seus
executores ou agentes.
Parágrafo único. Logo que cesse o estado de defesa ou o
estado de sítio, as medidas aplicadas em sua vigência
serão relatadas pelo Presidente da República, em
mensagem ao Congresso Nacional, com especificação e
justificação das providências adotadas, com relação
nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas.
CAPÍTULO III
DA SEGURANÇA PÚBLICA
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V- polícias militares e corpos de bombeiros militares;
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão
permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social
ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União
ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas,
assim como outras infrações cuja prática tenha
repercussão interestadual ou internacional e exija
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo
da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas
respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e
de fronteiras;
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia
judiciária da União.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das rodovias federais.
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das ferrovias federais.
§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares.
§ 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a
preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a
execução de atividades de defesa civil.
§ 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares,
forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se,
juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
§ 7º - A lei disciplinará a organização e o funcionamento
dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de
maneira a garantir a eficiência de suas atividades.
§ 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações,
conforme dispuser a lei.
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes
dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma
do § 4º do art. 39.
Jurisprudência relacionada ao tema:
1) EMENTA. (...) O Pleno desta Corte pacificou
jurisprudência no sentido de que os Estados-membros
devem obediência às regras de iniciativa legislativa
reservada, fixadas constitucionalmente. A gestão da
segurança pública, como parte integrante da Administração
Pública, é atribuição privativa do Governador de Estado (...).
(STF ADI 2.819, Rel. Min. Eros Grau, DJ 02/12/05).
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2) Súmula 647 do STF – Compete privativamente à União
legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e
militar do Distrito Federal.
3) EMENTA. (...). Polícias estaduais: regra constitucional
local que subordina diretamente ao Governador a Polícia
Civil e a Polícia Militar do Estado: inconstitucionalidade na
medida em que, invadindo a autonomia dos Estados para
dispor sobre sua organização administrativa, impõe dar a
cada uma das duas corporações policiais a hierarquia de
Secretarias e aos seus dirigentes o status de secretários.
(STF ADI 132, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 30/05/03).
4) EMENTA: (...) 1. Os Estados-membros têm competência
para organizar a sua Justiça, com observância do modelo
federal (CF, artigo 125). 2. A Constituição Estadual não pode
conferir competência originária ao Tribunal de Justiça para
processar e julgar os Procuradores do Estado e da
Assembleia Legislativa, os Defensores Públicos e os
Delegados de Polícia, por crimes comuns e de
responsabilidade, visto que não gozam da mesma
prerrogativa os servidores públicos que desempenham
funções similares na esfera federal. Medida cautelar
deferida. (STF ADIMC 2.587/GO, Rel. Min. Maurício Corrêa,
pleno, DJ 06.09.2002).
5) EMENTA. (...). “Os Estados-membros, assim como o
Distrito Federal, devem seguir o modelo federal. O art. 144
da Constituição aponta os órgãos incumbidos do exercício
da segurança pública. Entre eles não está o Departamento
de Trânsito. Resta pois vedada aos Estados-membros a
possibilidade de estender o rol, que esta Corte já firmou ser
numerus clausus, para alcançar o Departamento de
Trânsito.” (STF ADI 1.182, voto do Rel. Min. Eros Grau,
julgamento em 24-11-2005, Plenário, DJ de 10-3-2006. Vide:
ADI 2.827, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 16-9-
2010, Plenário, DJE de 6-4-2011).
6) EMENTA. (...). “Incompatibilidade, com o disposto no art.
144 da CF, da norma do art. 180 da Carta Estadual do Rio de
Janeiro, na parte em que inclui no conceito de segurança
pública a vigilância dos estabelecimentos penais e, entre os
órgãos encarregados dessa atividade, a ali denominada
‘Polícia Penitenciária’.” (STF ADI 236, Rel. Min. Octavio
Gallotti, julgamento em 7-5-1992, Plenário, DJ de 1º-6-
2001. No mesmo sentido: ADI 3.916, Rel. Min. Eros Grau,
julgamento em 3-2-2010, Plenário, DJE de 14-5-2010. Vide:
ADI 2.827, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 16-9-
2010, Plenário, DJE de 6-4-2011).
7) EMENTA. (...). “Polícia Militar: atribuição de
‘radiopatrulha aérea’: constitucionalidade. O âmbito
material da polícia aeroportuária, privativa da União, não se
confunde com o do policiamento ostensivo do espaço
aéreo, que – respeitados os limites das áreas constitucionais
das Polícias Federal e Aeronáutica Militar – se inclui no
poder residual da Polícia dos Estados.” (STF ADI 132, Rel.
Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 30-4-2003,
Plenário, DJ de 30-5-2003.)
8) EMENTA. (...) “Crime praticado contra os interesses da
União Federal. A investigação feita pela Polícia estadual,
incompetente para o procedimento, do âmbito criminal da
Justiça Federal de segundo grau, se arquivada, não pode
obstar a apuração dos fatos pela Polícia Federal, que
desempenha, também, as funções de polícia judiciária para
a Justiça da União, quer em primeiro grau, quer nos
tribunais de segundo grau e superiores e no STF.” (STF RHC
77.251, Rel. Min. Néri da Silveira, julgamento em 23-6-
1998, Segunda Turma, DJ de 6-4-2001.)
9) EMENTA. (...). "Investigação – Atribuição – Polícia Civil e
Polícia Militar. A simples circunstância de ter-se o
envolvimento de policiais militares nas investigações não
desloca a atribuição do inquérito para a Polícia Militar.
Tratando-se de fatos estranhos à atividade militar, incumbe
a atuação à Polícia Civil. Crime – Natureza. Narrando a
denúncia o cometimento de crimes não ligados à atividade
militar – como é exemplo o de quadrilha visando à prática
de homicídio, de tráfico de drogas e de roubo –, descabe
cogitar da configuração de delito de natureza militar." (STF
HC 89.102, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12-6-
200, Primeira Turma, DJ de 14-9-2007).
10) EMENTA. (...). “Busca e apreensão. Tráfico de drogas.
Ordem judicial. Cumprimento pela Polícia Militar. Ante o
disposto no art. 144 da CF, a circunstância de haver atuado
a Polícia Militar não contamina o flagrante e a busca e
apreensão realizadas.” (STF HC 91.481, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgamento em 19-8-2008, Primeira Turma, DJE de
24-10-2008. No mesmo sentido: RE 404.593, Rel. Min.
Cezar Peluso, julgamento em 18-8-2009, Segunda Turma,
DJE de 23-10-2009).
11) EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO.
DECRETO N. 1.557/2003 DO ESTADO DO PARANÁ, QUE
ATRIBUI A SUBTENENTES OU SARGENTOS COMBATENTES O
ATENDIMENTO NAS DELEGACIAS DE POLÍCIA, NOS
MUNICÍPIOS QUE NÃO DISPÕEM DE SERVIDOR DE CARREIRA
PARA O DESEMPENHO DAS FUNÇÕES DE DELEGADO DE
POLÍCIA. DESVIO DE FUNÇÃO. OFENSA AO ART. 144, CAPUT,
INC. IV E V E §§ 4º E 5º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
AÇÃO DIRETA JULGADA PROCEDENTE. (STF ADI 3.614/PR,
rel. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, 23/11/2007).
12) EMENTA. (...). Em face do artigo 144, caput, inciso V e
parágrafo 5º, da Constituição, sendo a segurança pública,
dever do Estado e direito de todos, exercida para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através, entre outras, da polícia
militar, essa atividade do Estado só pode ser sustentada
pelos impostos, e não por taxa, se for solicitada por
particular para a sua segurança ou para a de terceiros, a
título preventivo, ainda quando essa necessidade decorra
de evento aberto ao público. Ademais, o fato gerador da
taxa em questão não caracteriza sequer taxa em razão do
exercício do poder de polícia, mas taxa pela utilização,
efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e
divisíveis, o que, em exame compatível com pedido de
liminar, não é admissível em se tratando de segurança
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pública. (STF ADI 1.942-MC, Rel. Min. Moreira Alves, DJ
22/10/99).
13) EMENTA: (...). Taxa de incêndio. Constitucionalidade.
(...) É legítima a cobrança da Taxa cobrada em razão da
prevenção de incêndios, porquanto instituída como
contraprestação a serviço essencial, específico e divisível.
(STF AI 677.891-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgamento em 17-3-2009, Primeira Turma, DJE de 17-4-
2009. Vide: RE 206.777, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento
em 25-2-1999, Plenário, DJ de 30-4-1999).
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4 – CF Atualizada até a EC 93
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE
1988
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
Assembléia Nacional Constituinte para instituir um EstadoDemocrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar,
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida,
na ordem interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO
BRASIL.
TÍTULO I
Dos Princípios Fundamentais
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
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VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da
humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a
integração econômica, política, social e cultural dos povos
da América Latina, visando à formação de uma comunidade
latino-americana de nações.
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações,
nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao
agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença,
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a
suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de
assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as
invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de
censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo
em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal;
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de
paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em
locais abertos ao público, independentemente de
autorização, desde que não frustrem outra reunião
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos,
vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a
permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente
autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados
judicial ou extrajudicialmente;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade
competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
desde que trabalhada pela família, não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de
utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas
e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas
atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico
das obras que criarem ou de que participarem aos
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações
sindicais e associativas;
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XXIX - a leiassegurará aos autores de inventos industriais
privilégio temporário para sua utilização, bem como
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas,
aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo
em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico
e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou
dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais
favorável a lei pessoal do "de cujus";
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para
defesa de direitos e esclarecimento de situações de
interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário
lesão ou ameaça a direito;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a
organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem
pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos
direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis
de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se
omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará,
entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos
do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o
sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade
física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que
possam permanecer com seus filhos durante o período de
amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime
político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens
sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e
ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em
lei; (Regulamento).
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública,
se esta não for intentada no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
social o exigirem;
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LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por
ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou
crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre
serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à
família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis
por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido,
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do
responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável
de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação
em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
de poder;
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela
ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do
Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado
por:
a) partido político com representação no Congresso
Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos
um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou
associados;
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas
à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos
de dados de entidades governamentais ou de caráter
público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo
por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico
e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,isento
de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário,
assim como o que ficar preso além do tempo fixado na
sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na
forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas
data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da
cidadania.
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata.
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45,
de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo)
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal
Internacional a cuja criação tenha manifestado
adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e
à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
90, de 15.09.2015).
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
além de outros que visem à melhoria de sua condição
social:
I - relação de emprego protegida contra despedida
arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
complementar, que preverá indenização compensatória,
dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego
involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado,
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de
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sua família com moradia, alimentação, educação, saúde,
lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social,
com reajustes periódicos que lhe preservem o poder
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade
do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em
convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os
que percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração
integral ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
sua retenção dolosa;
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da
remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão
da empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do
trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas
diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a
compensação de horários e a redução da jornada, mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-Lei
nº 5.452, de 1943)
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em
turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação
coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos
domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del
5.452, art. 59 § 1º)
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos,
um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do
salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante
incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo
no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-
escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53,
de 2006)
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador, sem excluir a indenização a que este está
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos
após a extinção do contrato de trabalho;(Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 28, de 25/05/2000)
b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 28, de 25/05/2000)
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de
funções e de critério de admissão por motivo de sexo,
idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a
salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual,
técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou
insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz,
a partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 1998)
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com
vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos
IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV,
XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições
estabelecidas em lei e observada a simplificação do
cumprimento das obrigações tributárias, principais e
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas
peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e
XXVIII, bem como a sua integração à previdência
social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72,
de 2013)
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a
intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical,
em qualquer grau, representativade categoria profissional
ou econômica, na mesma base territorial, que será definida
pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não
podendo ser inferior à área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais ou administrativas;
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IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se
tratando de categoria profissional, será descontada em
folha, para custeio do sistema confederativo da
representação sindical respectiva, independentemente da
contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a
sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas
negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado
nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
partir do registro da candidatura a cargo de direção ou
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à
organização de sindicatos rurais e de colônias de
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e
sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e
disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da
comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às
penas da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e
empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que
seus interesses profissionais ou previdenciários sejam
objeto de discussão e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é
assegurada a eleição de um representante destes com a
finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento
direto com os empregadores.
CAPÍTULO III
DA NACIONALIDADE
Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que
de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço
de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe
brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da
República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe
brasileira, desde que sejam registrados em repartição
brasileira competente ou venham a residir na República
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois
de atingida a maioridade, pela nacionalidade
brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54,
de 2007)
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade
brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na
República Federativa do Brasil há mais de quinze anos
ininterruptos e sem condenação penal, desde que
requeiram a nacionalidade brasileira. (Redação dada pela
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País,
se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos
previstos nesta Constituição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros
natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
Constituição.
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 23, de 1999)
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro
que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial,
em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação
dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei
estrangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de
Revisão nº 3, de 1994)
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira,
ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o
exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República
Federativa do Brasil.
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a
bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
ter símbolos próprios.
CAPÍTULO IV
DOS DIREITOS POLÍTICOS
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para
todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
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III - iniciativa popular.
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e,
durante o período do serviço militar obrigatório, os
conscritos.
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária; Regulamento
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da
República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de
Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado
Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado
e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão
ser reeleitos para um único período subseqüente.(Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997)
§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal
e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos
até seis meses antes do pleito.
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o
cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República,
de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal,
de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis
mesesanteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição.
§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-
se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado
pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a
inatividade.
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para
exercício de mandato considerada vida pregressa do
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições
contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração
direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 4, de 1994)
§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a
Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder
econômico, corrupção ou fraude.
§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em
segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se
temerária ou de manifesta má-fé.
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda
ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada
em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em
vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição
que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993)
CAPÍTULO V
DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o
regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos
fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes
preceitos: Regulamento
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de
entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a
estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para
definir sua estrutura interna, organização e funcionamento
e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas
coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação
entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual,
distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer
normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 52, de 2006)
§ 2º Os partidos políticos, após adquirirem personalidade
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no
Tribunal Superior Eleitoral.
§ 3º Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo
partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma
da lei.
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§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de
organização paramilitar.
TÍTULO III
Da Organização do Estado
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
Art. 18. A organização político-administrativa da República
Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos
termos desta Constituição.
§ 1º Brasília é a Capital Federal.
§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de
origem serão reguladas em lei complementar.
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se
ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou
formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante
aprovação da população diretamente interessada, através
de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
complementar.
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o
desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual,
dentro do período determinado por Lei Complementar
Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 15, de 1996)
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los,
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou
seus representantes relações de dependência ou aliança,
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse
público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre
si.
CAPÍTULO II
DA UNIÃO
Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a
ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das
fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias
federais de comunicação e à preservação ambiental,
definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos
de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam
de limites com outros países, ou se estendam a território
estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos
marginais e as praias fluviais;
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com
outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as
costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de
Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço
público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art.
26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de
2005)
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona
econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios
arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da
administração direta da União, participação no resultado da
exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos
para fins de geração de energia elétrica e de outros
recursos minerais no respectivo território, plataforma
continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou
compensação financeira por essa exploração.
§ 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de
largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como
faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa
do território nacional, e sua ocupação e utilização serão
reguladas em lei.
Art. 21. Compete à União:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de
organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que
forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou
nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a
intervenção federal;
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de
materialbélico;
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as
operações de natureza financeira, especialmente as de
crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e
de previdência privada;
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de
ordenação do território e de desenvolvimento econômico e
social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização,
concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações,
nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos
serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos
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institucionais; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 8, de 15/08/95:)
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização,
concessão ou permissão:
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e
imagens; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8,
de 15/08/95:)
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o
aproveitamento energético dos cursos de água, em
articulação com os Estados onde se situam os potenciais
hidroenergéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura
aeroportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que
transponham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e
internacional de passageiros;
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério
Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria
Pública dos Territórios; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 69, de 2012) (Produção de efeito)
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o
corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como
prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a
execução de serviços públicos, por meio de fundo
próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística,
geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de
diversões públicas e de programas de rádio e televisão;
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as
calamidades públicas, especialmente as secas e as
inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de
recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos
de seu uso; (Regulamento)
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano,
inclusive habitação, saneamento básico e transportes
urbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema
nacional de viação;
XXII - executar os serviços de polícia marítima,
aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de
qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a
pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus
derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente
será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do
Congresso Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a
comercialização e a utilização de radioisótopos para a
pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção,
comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida
igual ou inferior a duas horas; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 49, de 2006)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe
da existência de culpa; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 49, de 2006)
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;
XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício
da atividade de garimpagem, em forma associativa.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
II - desapropriação;
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo
e em tempo de guerra;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e
radiodifusão;
V - serviço postal;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos
metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de
valores;
VIII - comércio exterior e interestadual;
IX - diretrizes da política nacional de transportes;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima,
aérea e aeroespacial;
XI - trânsito e transporte;
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão
de estrangeiros;
XVI - organização do sistema nacional de emprego e
condições para o exercício de profissões;
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do
Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública
dos Territórios, bem como organização administrativa
destes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69,
de 2012) (Produção de efeito)
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia
nacionais;
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da
poupança popular;
XX - sistemas de consórcios e sorteios;
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XXI - normas gerais de organização, efetivos, material
bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias
militares e corpos de bombeiros militares;
XXII - competência da polícia federal e das polícias
rodoviária e ferroviária federais;
XXIII - seguridade social;
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
XXV - registros públicos;
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas
as modalidades, para as administrações públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI,
e para as empresas públicas e sociedades de economia
mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa
marítima, defesa civil e mobilização nacional;
XXIX - propaganda comercial.
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os
Estados a legislar sobre questões específicas das matérias
relacionadas neste artigo.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
instituições democráticas e conservar o patrimônio público;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
garantia das pessoas portadoras de deficiência;
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de
valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as
paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de
obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico
ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação,
à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em
qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o
abastecimento alimentar;
IX - promover programas de construção de moradias e a
melhoria das condições habitacionais e de saneamento
básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de
marginalização, promovendo a integração social dos setores
desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e
minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a
segurança do trânsito.
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para
a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito
nacional.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53,
de 2006)
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal
legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e
urbanístico;
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza,
defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio
ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico,
turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia,
pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
X - criação, funcionamento e processo do juizado de
pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras
de deficiência;
XV - proteção à infância e à juventude;
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias
civis.
§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da
União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
§ 2º A competência da União para legislar sobre normas
gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.
§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a
suas peculiaridades.
§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais
suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.
CAPÍTULO III
DOS ESTADOS FEDERADOS
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
desta Constituição.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não
lhes sejam vedadas por esta Constituição.
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§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da
lei, vedada a edição de medida provisória para a sua
regulamentação. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 5, de 1995)
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar,
instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e
microrregiões, constituídas por agrupamentos de
municípios limítrofes, para integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de
interesse comum.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem
no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União,
Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da
União.
Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa
corresponderá ao triplo da representação do Estado na
Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e
seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados
Federais acima de doze.
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados
Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição
sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e
incorporação às Forças Armadas.
§ 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei
de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão de, no
máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido,
em espécie, para os Deputados Federais, observado o que
dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, §
2º, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 3º Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu
regimento interno, polícia e serviços administrativos de sua
secretaria, e prover os respectivos cargos.
§ 4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo
legislativo estadual.
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de
Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no
primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no
último domingo de outubro, em segundo turno, se houver,
do ano anterior ao do término do mandato de seus
antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do
ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no
art. 77. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16,
de1997)
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro
cargo ou função na administração pública direta ou indireta,
ressalvada a posse em virtude de concurso público e
observado o disposto no art. 38, I, IV e V.(Renumerado do
parágrafo único, pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos
Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da
Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts.
37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.(Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
CAPÍTULO IV
Dos Municípios
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em
dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços dos membros da Câmara
Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do
respectivo Estado e os seguintes preceitos:
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores,
para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e
simultâneo realizado em todo o País;
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no
primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término
do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do
art. 77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil
eleitores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16,
de1997)
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro
do ano subseqüente ao da eleição;
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será
observado o limite máximo de: (Redação dada pela EmendaConstitucional nº 58, de 2009) (Produção de efeito) (Vide
ADIN 4307)
a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000
(quinze mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000
(quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil)
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
58, de 2009)
c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de
30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta
mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 58, de 2009)
d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de
50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta
mil) habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58,
de 2009)
e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de
80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e
vinte mil) habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional
nº 58, de 2009)
f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de
120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000
(cento sessenta mil) habitantes; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
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g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de
160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000
(trezentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000
(quatrocentos e cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até
600.000 (seiscentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de
600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000
(setecentos cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até
900.000 (novecentos mil) habitantes; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de
900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 (um
milhão e cinquenta mil) habitantes; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 58, de 2009)
m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de
1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de
1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de
2009)
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de
1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil)
habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de
2009)
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de
1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até
1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais
de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de
até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil)
habitantes; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 58, de
2009)
r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais
de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e
de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais
de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até
4.000.000 (quatro milhões) de habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais
de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até
5.000.000 (cinco milhões) de habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais
de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até
6.000.000 (seis milhões) de habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais
de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até
7.000.000 (sete milhões) de habitantes; (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de
mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até
8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e (Incluída pela
Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de
mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 58, de 2009)
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários
Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal,
observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II,
153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda
constitucional nº 19, de 1998)
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas
Câmaras Municipais em cada legislatura para a
subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição,
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei
Orgânica e os seguintes limites máximos: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio
máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do
subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 25, de 2000)
b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)
c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 25, de 2000)
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 25, de 2000)
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos
Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 25, de 2000)
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f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o
subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e
cinco por cento do subsídio dos Deputados
Estaduais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)
VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores
não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento dareceita do Município; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 1, de 1992)
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões,
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição
do Município; (Renumerado do inciso VI, pela Emenda
Constitucional nº 1, de 1992)
IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da
vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta
Constituição para os membros do Congresso Nacional e na
Constituição do respectivo Estado para os membros da
Assembléia Legislativa; (Renumerado do inciso VII, pela
Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de
Justiça; (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda
Constitucional nº 1, de 1992)
XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da
Câmara Municipal; (Renumerado do inciso IX, pela Emenda
Constitucional nº 1, de 1992)
XII - cooperação das associações representativas no
planejamento municipal; (Renumerado do inciso X, pela
Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse
específico do Município, da cidade ou de bairros, através de
manifestação de, pelo menos, cinco por cento do
eleitorado; (Renumerado do inciso XI, pela Emenda
Constitucional nº 1, de 1992)
XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28,
parágrafo único. (Renumerado do inciso XII, pela Emenda
Constitucional nº 1, de 1992)
Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo
Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os
seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita
tributária e das transferências previstas no § 5
o
do art. 153
e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício
anterior: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)
I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de
até 100.000 (cem mil) habitantes; (Redação dada pela
Emenda Constituição Constitucional nº 58, de
2009) (Produção de efeito)
II - 6% (seis por cento) para Municípios com população
entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil)
habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição
Constitucional nº 58, de 2009)
III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população
entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos
mil) habitantes; (Redação dada pela Emenda Constituição
Constitucional nº 58, de 2009)
IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para
Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e
um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; (Redação
dada pela Emenda Constituição Constitucional nº 58, de
2009)
V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população
entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito
milhões) de habitantes; (Incluído pela Emenda Constituição
Constitucional nº 58, de 2009)
VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para
Municípios com população acima de 8.000.001 (oito
milhões e um) habitantes. (Incluído pela Emenda
Constituição Constitucional nº 58, de 2009)
§ 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por
cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o
gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
§ 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito
Municipal: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
2000)
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste
artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês;
ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei
Orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25,
de 2000)
§ 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da
Câmara Municipal o desrespeito ao § 1
o
deste
artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que
couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência,
bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos
prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a
legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de
concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse
local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter
essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União
e do Estado, programas de educação infantil e de ensino
fundamental; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
53, de 2006)
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da
União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da
população;
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VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento
territorial, mediante planejamento e controle do uso, do
parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural
local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e
estadual.
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder
Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos
sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal,
na forma da lei.
§ 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido
com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do
Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos
Municípios, onde houver.
§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente
sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só
deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos
membros da Câmara Municipal.
§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta
dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte,
para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a
legitimidade, nos termos da lei.
§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos
de Contas Municipais.
CAPÍTULO V
DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS
Seção I
DO DISTRITO FEDERAL
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em
Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois
turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por
dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências
legislativas reservadas aos Estados e Municípios.
§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador,
observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais
coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais,
para mandato de igual duração.
§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-
se o disposto no art. 27.
§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do
Distrito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de
bombeiros militar.
Seção II
DOS TERRITÓRIOS
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e
judiciária dos Territórios.
§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos
quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV
deste Título.
§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas
ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de
Contas da União.
§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cemmil
habitantes, além do Governador nomeado na forma desta
Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e
segunda instância, membros do Ministério Público e
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições
para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa.
CAPÍTULO VI
DA INTERVENÇÃO
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito
Federal, exceto para:
I - manter a integridade nacional;
II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da
Federação em outra;
III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas
unidades da Federação;
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de
dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias
fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos
em lei;
VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão
judicial;
VII - assegurar a observância dos seguintes princípios
constitucionais:
a) forma republicana, sistema representativo e regime
democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e
indireta.
e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de
impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do
ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a
União nos Municípios localizados em Território Federal,
exceto quando:
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois
anos consecutivos, a dívida fundada;
II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita
municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e
nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação
para assegurar a observância de princípios indicados na
Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de
ordem ou de decisão judicial.
Art. 36. A decretação da intervenção dependerá:
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I - no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo
ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de
requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for
exercida contra o Poder Judiciário;
II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária,
de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior
Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral;
III de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de
representação do Procurador-Geral da República, na
hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de
lei federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
45, de 2004)
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a
amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se
couber, nomeará o interventor, será submetido à
apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia
Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
§ 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a
Assembléia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária,
no mesmo prazo de vinte e quatro horas.
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV,
dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela
Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a
execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao
restabelecimento da normalidade.
§ 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades
afastadas de seus cargos a estes voltarão, salvo
impedimento legal.
CAPÍTULO VII
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 37. A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em
lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em
lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois
anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de
convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com
prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à
livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos
limites definidos em lei específica; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e
definirá os critérios de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de
que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou
alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na
mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos,
funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos
demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou
não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal,
aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do
Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio
mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o
subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do
Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie,
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do
Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do
Ministério Público, aos Procuradores e aos DefensoresPúblicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do
Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo
Poder Executivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer
espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de
pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
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XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor
público não serão computados nem acumulados para fins
de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e
empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto
nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II,
153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso
XI: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou
científico; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais
de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e
funções e abrange autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais
terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
precedência sobre os demais setores administrativos, na
forma da lei;
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia
e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade
de economia mista e de fundação, cabendo à lei
complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso
anterior, assim como a participação de qualquer delas em
empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as
obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure
igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da
lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações. (Regulamento)
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais
ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de
carreiras específicas, terão recursos prioritários para a
realização de suas atividades e atuarão de forma integrada,
inclusive com o compartilhamento de cadastros e de
informações fiscais, na forma da lei ou convênio. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
§ 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e
campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos.
§ 2º A não observância do disposto nos incisos II e III
implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade
responsável, nos termos da lei.
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário
na administração pública direta e indireta, regulando
especialmente: (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços
públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços
de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa
e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a
informações sobre atos de governo, observado o disposto
no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
III - a disciplina da representação contra o exercício
negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 19, de 1998)
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública,
a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na
forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
penal cabível.
§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que
causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações
de ressarcimento.
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao
ocupante de cargo ou emprego da administração direta e
indireta que possibilite o acesso a informações
privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre
seus administradores e o poder público, que tenha por
objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
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I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho,
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal."
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e
às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que
receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de
pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de
aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142
com a remuneração de cargo, emprego ou função pública,
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão
declarados em lei de livre nomeação e
exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de
1998)
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites
remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em
lei.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste
artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar,
em seu âmbito, mediante emenda às respectivas
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio
mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de
Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto
neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e
Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta,
autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo,
aplicam-se as seguintes disposições: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou
distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do
cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela
sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo
compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração
do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será
aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o
exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será
contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção
por merecimento;
V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de
afastamento, os valores serão determinados como se no
exercício estivesse.
Seção II
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios instituirão, no âmbito de sua competência,
regime jurídico único e planos de carreira para os servidores
da administração pública direta, das autarquias e das
fundações públicas. (Vide ADIN nº 2.135-4)
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios instituirão conselho de política de administração
e remuneração de pessoal, integrado por servidores
designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-
4)
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais
componentes do sistema remuneratório
observará: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade
dos cargos componentes de cada carreira; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
II - os requisitos para a investidura; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
III - as peculiaridades dos cargos. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão
escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos
cursos um dos requisitos para a promoção na carreira,
facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos
entre os entes federados. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII,
XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer
requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do
cargo o exigir. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais
serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em
parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação,
adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra
espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o
disposto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a
menor remuneração dos servidores públicos, obedecido,
em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.(Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
publicarão anualmente os valores do subsídio e da
remuneração dos cargos e empregos públicos. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
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§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios disciplinará a aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas
correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para
aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e
produtividade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço
público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de
produtividade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em
carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas
suas autarquias e fundações, é assegurado regime de
previdência de caráter contributivo e solidário, mediante
contribuição do respectivo ente público, dos servidores
ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto
neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
41, 19.12.2003)
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência
de que trata este artigo serão aposentados, calculados os
seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§
3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
I - por invalidez permanente, sendo os proventos
proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se
decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou
doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da
lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao
tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou
aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei
complementar; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 88, de 2015)
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo
de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco
anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria,
observadas as seguintes condições: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição,
se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de
contribuição, se mulher; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta
anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao
tempo de contribuição. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por
ocasião de sua concessão, não poderão exceder a
remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em
que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência
para a concessão da pensão. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por
ocasião da suaconcessão, serão consideradas as
remunerações utilizadas como base para as contribuições
do servidor aos regimes de previdência de que tratam este
artigo e o art. 201, na forma da lei. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios
diferenciados para a concessão de aposentadoria aos
abrangidos pelo regime de que trata este artigo,
ressalvados, nos termos definidos em leis complementares,
os casos de servidores: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
I portadores de deficiência; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
II que exerçam atividades de risco; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição
serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no
§ 1º, III, "a", para o professor que comprove exclusivamente
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
educação infantil e no ensino fundamental e
médio. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20,
de 15/12/98)
§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos
cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a
percepção de mais de uma aposentadoria à conta do
regime de previdência previsto neste artigo. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão
por morte, que será igual: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido,
até o limite máximo estabelecido para os benefícios do
regime geral de previdência social de que trata o art. 201,
acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este
limite, caso aposentado à data do óbito; ou (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no
cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de
previdência social de que trata o art. 201, acrescido de
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso
em atividade na data do óbito. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real,
conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou
municipal será contado para efeito de aposentadoria e o
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tempo de serviço correspondente para efeito de
disponibilidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20,
de 15/12/98)
§ 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de
contagem de tempo de contribuição fictício. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes
da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como
de outras atividades sujeitas a contribuição para o regime
geral de previdência social, e ao montante resultante da
adição de proventos de inatividade com remuneração de
cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração,
e de cargo eletivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
20, de 15/12/98)
§ 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de
previdência dos servidores públicos titulares de cargo
efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios
fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração
bem como de outro cargo temporário ou de emprego
público, aplica-se o regime geral de previdência
social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de
15/12/98)
§ 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, desde que instituam regime de previdência
complementar para os seus respectivos servidores titulares
de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das
aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime
de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para
os benefícios do regime geral de previdência social de que
trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20,
de 15/12/98)
§ 15. O regime de previdência complementar de que
trata o § 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo
Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus
parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades
fechadas de previdência complementar, de natureza
pública, que oferecerão aos respectivos participantes
planos de benefícios somente na modalidade de
contribuição definida. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o
disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor
que tiver ingressado no serviço público até a data da
publicação do ato de instituição do correspondente regime
de previdência complementar. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 20, de 15/12/98)
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o
cálculo do benefício previsto no § 3° serão devidamente
atualizados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de
aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que
trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de
que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido
para os servidores titulares de cargos efetivos. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 19. O servidor de que trata este artigo que tenha
completado as exigências para aposentadoria voluntária
estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em
atividade fará jus a um abono de permanência equivalente
ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as
exigências para aposentadoria compulsória contidas no §
1º, II. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio
de previdência social para os servidores titulares de cargos
efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo
regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art.
142, § 3º, X. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41,
19.12.2003)
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá
apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e
de pensão que superem o dobro do limite máximo
estabelecido para os benefícios do regime geral de
previdência social de que trata o art. 201 desta
Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for
portador de doença incapacitante. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 47, de 2005)
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os
servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em
virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicialtransitada em
julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
II - mediante processo administrativo em que lhe seja
assegurada ampla defesa; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
III - mediante procedimento de avaliação periódica de
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada
ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da
vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem
direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto
em disponibilidade com remuneração proporcional ao
tempo de serviço. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o
servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu
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adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é
obrigatória a avaliação especial de desempenho por
comissão instituída para essa finalidade. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Seção III
DOS MILITARES DOS ESTADOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS
TERRITÓRIOS
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)
Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de
Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na
hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 18, de 1998)
§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em
lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art.
142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor
sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as
patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos
governadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 20, de 15/12/98)
§ 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios aplica-se o que for fixado em lei
específica do respectivo ente estatal. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
Seção IV
DAS REGIÕES
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá
articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico
e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das
desigualdades regionais.
§ 1º - Lei complementar disporá sobre:
I - as condições para integração de regiões em
desenvolvimento;
II - a composição dos organismos regionais que executarão,
na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos
nacionais de desenvolvimento econômico e social,
aprovados juntamente com estes.
§ 2º - Os incentivos regionais compreenderão, além de
outros, na forma da lei:
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de
custos e preços de responsabilidade do Poder Público;
II - juros favorecidos para financiamento de atividades
prioritárias;
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de
tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social
dos rios e das massas de água represadas ou represáveis
nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas.
§ 3º - Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União
incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará com
os pequenos e médios proprietários rurais para o
estabelecimento, em suas glebas, de fontes de água e de
pequena irrigação.
TÍTULO IV
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)
CAPÍTULO I
DO PODER LEGISLATIVO
SEÇÃO I
DO CONGRESSO NACIONAL
Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal.
Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro
anos.
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de
representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional,
em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º O número total de Deputados, bem como a
representação por Estado e pelo Distrito Federal, será
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à
população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano
anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades
da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta
Deputados.
§ 2º Cada Território elegerá quatro Deputados.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos
Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio
majoritário.
§ 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três
Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal
será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente,
por um e dois terços.
§ 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes.
Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as
deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão
tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta
de seus membros.
Seção II
DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL
Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do
Presidente da República, não exigida esta para o
especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as
matérias de competência da União, especialmente sobre:
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento
anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de
curso forçado;
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de
desenvolvimento;
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e
bens do domínio da União;
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VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas
de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas
Assembléias Legislativas;
VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;
VIII - concessão de anistia;
IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério
Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e
organização judiciária e do Ministério Público do Distrito
Federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69,
de 2012) (Produção de efeito)
X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos
e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84,
VI, b; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
XII - telecomunicações e radiodifusão;
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições
financeiras e suas operações;
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida
mobiliária federal.
XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º; 150, II;
153, III; e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos
internacionais que acarretem encargos ou compromissos
gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a
celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem
pelo território nacional ou nele permaneçam
temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei
complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República
a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a
quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal,
autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma
dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os
Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, §
4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
VIII - fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente
da República e dos Ministros de Estado, observado o que
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º,
I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente
da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos
planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de
suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da
administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa
em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de
concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de
Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a
atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o
aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de
riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de
terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
hectares.
Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou
qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro de
Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente
subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente
determinado, importando crime de responsabilidade a
ausência sem justificação adequada. (Redação dada pela
Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994)
§ 1º Os Ministros de Estado poderão comparecer ao
Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a qualquer de
suas Comissões, por sua iniciativa e mediante
entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto
de relevância de seu Ministério.
§ 2º As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal poderão encaminhar pedidos escritos de
informações a Ministros de Estado ou a qualquer das
pessoas referidas no caput deste artigo, importando em
crime de responsabilidade a recusa, ou o não -
atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a
prestação de informações falsas. (Redação dada pela
Emenda Constitucional de Revisão nº 2, de 1994)
Seção III
DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados:
I - autorizar, por dois terços de seus membros, a
instauração de processo contra o Presidente e o Vice-
Presidente da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da
República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional
dentro de sessenta dias após a abertura da sessão
legislativa;
III - elaborar seu regimento interno;
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IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da
respectiva remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos
do art. 89, VII.
Seção IV
DO SENADO FEDERAL
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da
República nos crimes de responsabilidade, bem como os
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza
conexos com aqueles; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 23, de 02/09/99)
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do
Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-
Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes
de responsabilidade; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)
III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição
pública, a escolha de:
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo
Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição
em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão
diplomática de caráter permanente;
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de
interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites
globais para o montante da dívida consolidada da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - dispor sobre limites globais e condições para as
operações de crédito externo e interno da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas
autarquias e demais entidades controladas pelo Poder
Público federal;
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de
garantia da União em operações de crédito externo e
interno;
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante
da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios;
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei
declarada inconstitucional por decisão definitiva do
Supremo Tribunal Federal;
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a
exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República
antes do término de seu mandato;
XII - elaborar seu regimento interno;
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia,
criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e
funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da
respectiva remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos
do art. 89, VII.
XV - avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema
Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes,
e o desempenho das administrações tributárias da União,
dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II,
funcionarácomo Presidente o do Supremo Tribunal Federal,
limitando-se a condenação, que somente será proferida por
dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo,
com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função
pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.
Seção V
DOS DEPUTADOS E DOS SENADORES
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e
penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e
votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de
2001)
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do
diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do
Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão
remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva,
para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva
sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado,
por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal
Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de
partido político nela representado e pelo voto da maioria de
seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o
andamento da ação. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa
respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias
do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
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§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição,
enquanto durar o mandato. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a
testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em
razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que
lhes confiaram ou deles receberam informações.(Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e
Senadores, embora militares e ainda que em tempo de
guerra, dependerá de prévia licença da Casa
respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
35, de 2001)
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão
durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas
mediante o voto de dois terços dos membros da Casa
respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do
Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a
execução da medida. (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
I - desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito
público, autarquia, empresa pública, sociedade de
economia mista ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas
uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego
remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad
nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;
II - desde a posse:
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa
jurídica de direito público, ou nela exercer função
remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad
nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a";
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das
entidades a que se refere o inciso I, "a";
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público
eletivo.
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no
artigo anterior;
II - cujo procedimento for declarado incompatível com o
decoro parlamentar;
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à
terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer,
salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos
nesta Constituição;
VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada
em julgado.
§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos
casos definidos no regimento interno, o abuso das
prerrogativas asseguradas a membro do Congresso
Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será
decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado
Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da
respectiva Mesa ou de partido político representado no
Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 76, de 2013)
§ 3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será
declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou
mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de
partido político representado no Congresso Nacional,
assegurada ampla defesa.
§ 4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que
vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste
artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais
de que tratam os §§ 2º e 3º. (Incluído pela Emenda
Constitucional de Revisão nº 6, de 1994)
Art. 56. Não perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de
Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de
Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão
diplomática temporária;
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença,
ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular,
desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento
e vinte dias por sessão legislativa.
§ 1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de
investidura em funções previstas neste artigo ou de licença
superior a cento e vinte dias.
§ 2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á
eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses
para o término do mandato.
§ 3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá
optar pela remuneração do mandato.
Seção VI
DAS REUNIÕES
Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na
Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de
agosto a 22 de dezembro. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 50, de 2006)
§ 1º As reuniões marcadas para essas datas serão
transferidas para o primeiro dia útil subseqüente, quando
recaírem em sábados, domingos ou feriados.
§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a
aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias.
§ 3º Além de outros casos previstos nesta Constituição, a
Câmara dos Deputados e o Senado Federal reunir-se-ão em
sessão conjunta para:
I - inaugurar a sessão legislativa;
II - elaborar o regimento comum e regular a criação de
serviços comuns às duas Casas;
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III - receber o compromisso do Presidente e do Vice-
Presidente da República;
IV - conhecer do veto e sobre ele deliberar.
§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões
preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano
da legislatura, paraa posse de seus membros e eleição das
respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a
recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente
subseqüente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
50, de 2006)
§ 5º A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo
Presidente do Senado Federal, e os demais cargos serão
exercidos, alternadamente, pelos ocupantes de cargos
equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado
Federal.
§ 6º A convocação extraordinária do Congresso Nacional
far-se-á: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50,
de 2006)
I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de
decretação de estado de defesa ou de intervenção federal,
de pedido de autorização para a decretação de estado de
sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do
Vice-Presidente- Presidente da República;
II - pelo Presidente da República, pelos Presidentes da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou a
requerimento da maioria dos membros de ambas as Casas,
em caso de urgência ou interesse público relevante, em
todas as hipóteses deste inciso com a aprovação da maioria
absoluta de cada uma das Casas do Congresso
Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 50,
de 2006)
§ 7º Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso
Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual foi
convocado, ressalvada a hipótese do § 8º deste artigo,
vedado o pagamento de parcela indenizatória, em razão da
convocação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
50, de 2006)
§ 8º Havendo medidas provisórias em vigor na data de
convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão
elas automaticamente incluídas na pauta da
convocação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
Seção VII
DAS COMISSÕES
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões
permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as
atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de
que resultar sua criação.
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é
assegurada, tanto quanto possível, a representação
proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que
participam da respectiva Casa.
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua
competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do
regimento, a competência do Plenário, salvo se houver
recurso de um décimo dos membros da Casa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade
civil;
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações
sobre assuntos inerentes a suas atribuições;
IV - receber petições, reclamações, representações ou
queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das
autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou
cidadão;
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais,
regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir
parecer.
§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais,
além de outros previstos nos regimentos das respectivas
Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo
Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante
requerimento de um terço de seus membros, para a
apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo
suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério
Público, para que promova a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores.
§ 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão
representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas
na última sessão ordinária do período legislativo, com
atribuições definidas no regimento comum, cuja
composição reproduzirá, quanto possível, a
proporcionalidade da representação partidária.
Seção VIII
DO PROCESSO LEGISLATIVO
Subseção I
Disposição Geral
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a
elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
Subseção II
Da Emenda à Constituição
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante
proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
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III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das
unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas,
pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência
de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado
de sítio.
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
respectivos membros.
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o
respectivo número de ordem.
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda
tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada
ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.
Subseção III
Das Leis
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias
cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional,
ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal,
aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República
e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta
Constituição.
§ 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República
as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária
e orçamentária, serviços públicos e pessoal da
administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime
jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 18, de 1998)
d) organização do Ministério Público e da Defensoria
Pública da União, bem como normas gerais para a
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da
administração pública, observado o disposto no art. 84,
VI; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico,
provimento de cargos, promoções, estabilidade,
remuneração, reforma e transferência para a
reserva. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 18, de
1998)
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela
apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei
subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado
nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada
um deles.
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
República poderá adotar medidas provisórias, com força de
lei, devendo submetê-las de imediato ao CongressoNacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre
matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos
políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
b) direito penal, processual penal e processual
civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a
carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e
créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto
no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança
popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo
Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 2º Medida provisória que implique instituição ou
majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I,
II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro
seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia
daquele em que foi editada.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§
11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável,
nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o
Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as
relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
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§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da
publicação da medida provisória, suspendendo-se durante
os períodos de recesso do Congresso Nacional.(Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso
Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá
de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos
constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)
§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até
quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará
em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até
que se ultime a votação, todas as demais deliberações
legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a
vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.(Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na
Câmara dos Deputados. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada,
pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso
Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de
medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha
perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o §
3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de
medida provisória, as relações jurídicas constituídas e
decorrentes de atos praticados durante sua vigência
conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o
texto original da medida provisória, esta manter-se-á
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado
o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001)
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da
República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços
administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado
Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de
iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara
dos Deputados.
§ 1º O Presidente da República poderá solicitar urgência
para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o
Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição,
cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias,
sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas da
respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo
constitucional determinado, até que se ultime a
votação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)
§ 3º A apreciação das emendas do Senado Federal pela
Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias,
observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso
do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de
código.
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto
pela outra, em um só turno de discussão e votação, e
enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o
aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa
iniciadora.
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação
enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no
todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse
público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze
dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará,
dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado
Federal os motivos do veto.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de
artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do
Presidente da República importará sanção.
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de
trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e
Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
76, de 2013)
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para
promulgação, ao Presidente da República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no §
4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua
votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito
horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e §
5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o
fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado
fazê-lo.
Art. 67. A matéria constantede projeto de lei rejeitado
somente poderá constituir objeto de novo projeto, na
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria
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absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso
Nacional.
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente
da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso
Nacional.
§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência
exclusiva do Congresso Nacional, os de competência
privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a
matéria reservada à lei complementar, nem a legislação
sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a
carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e
eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e
orçamentos.
§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma
de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu
conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo
Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada
qualquer emenda.
Art. 69. As leis complementares serão aprovadas por
maioria absoluta.
Seção IX
DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E
ORÇAMENTÁRIA
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária,
operacional e patrimonial da União e das entidades da
administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de
controle interno de cada Poder.
Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde,
gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos
ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta,
assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional,
será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União,
ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente
da República, mediante parecer prévio que deverá ser
elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta, incluídas as fundações e
sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda,
extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao
erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de
admissão de pessoal, a qualquer título, na administração
direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações
para cargo de provimento em comissão, bem como a das
concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o
fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo
e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas
supranacionais de cujo capital social a União participe, de
forma direta ou indireta, nos termos do tratado
constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados
pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a
Município;
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso
Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das
respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre
resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de
despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas
em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as
providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se
verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado,
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao
Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades
ou abusos apurados.
§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado
diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de
imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no
prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no
parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de
débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional,
trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art.
166, §1º, diante de indícios de despesas não autorizadas,
ainda que sob a forma de investimentos não programados
ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à
autoridade governamental responsável que, no prazo de
cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
§ 1º Não prestados os esclarecimentos, ou considerados
estes insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal
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pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de
trinta dias.
§ 2º Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão,
se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave
lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional
sua sustação.
Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove
Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de
pessoal e jurisdição em todo o território nacional,
exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art.
96. .
§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes
requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos
de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis,
econômicos e financeiros ou de administração pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva
atividade profissional que exija os conhecimentos
mencionados no inciso anterior.
§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão
escolhidos:
I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação
do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre
auditores e membros do Ministério Público junto ao
Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo
os critérios de antigüidade e merecimento;
II - dois terços pelo Congresso Nacional.
§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as
mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,
vencimentos e