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Centro Universitário UNA Profº Fernando Alves ESTUDO DE CASO UMA ENTREVISTA INESPERADA Antônio Carlos Rodrigues Sei que escrevi há poucos dias sobre a postura adequada em uma entrevista de emprego. Mas depois disso, testemunhei ma situação tão inusitada, quanto instrutiva e faço questão de dividir com todos vocês. Eu estava com hora marcada com o diretor de uma empresa de recrutamento e seleção, já que lá eu ministraria alguns cursos na área de desenvolvimento pessoal. Eram 14h15 e o horário marcado 14h30. Estava aguardando na recepção junto a alguns candidatos a emprego e não pude deixar de observar o comportamento daqueles que estavam provavelmente prestes e ser entrevistados e por isso mesmo me chamavam a atenção. Na recepção, além da recepcionista e eu, havia mais três pessoas: um rapaz e duas moças. A que estava sentada a minha direita, roia as unhas de modo frenético, denunciando seu estado visivelmente alterado. A que estava na poltrona a minha frente folheava as revistas de forma muito ávida e embora parecesse concentrada no que estava lendo, percebia-se que estava ao mesmo tempo com um olhar distante e levemente preocupado. O rapaz a minha esquerda estava calmo e parecia seguro de si. Eu estava aguardando a chegada da pessoa com quem tinha ido falar. Durante este intervalo, o silêncio era interrompido apenas pelo atendimento da recepcionista a nossa frente. Em dado momento, uma moça veio de uma das salas e ficou ali conversando por alguns momentos com a recepcionista que pediu que ela ficasse em seu lugar por alguns minutinhos atendendo ao telefone, pois ela voltaria logo. A moça prontamente confirmou que não teria problema. A recepcionista se ausentou deixando a outra moça em seu lugar. Poucos segundo depois entrou um rapaz com seus 28 a 30 anos, muito agitado e visivelmente apressado. Embora a moça estivesse no meio de um telefonema, o rapaz insistia que ela interrompesse para que ele pudesse ser atendido: - Eu tenho entrevista com a Sra. Ana Paula... falava ele nervoso e apressado. A moça por sua vez, afirmava com a cabeça e gestos para que ele aguardasse apenas um momento enquanto ela terminava aquele atendimento telefônico. O rapaz afirmou desta vez mais enérgico: - A Sra não entendeu? Eu tenho uma entrevista com a Sra. Ana Paula, marcada para as 14h00 e já são 14h20, preciso ser anunciado agora!... Ela interrompeu o telefonema e afirmou com calma, mas muito segura: - Sem, eu sei... Só mais um momento. O ar de inquietação foi substituído por irritação. Mas, ele não tinha alternativas a não ser esperar, mesmo que impacientemente. Ela, após terminar o telefonema afirmou: - Eu estava a sua espera. O Sr é engenheiro Luís, não é isso? Meu nome é Ana Paula. - Ah! você, a senhora é a Psicóloga? - Isso mesmo. Se pudesse reproduzir aqui a expressão deste rapaz para vocês, diria que ele ficou literalmente “gelado”, alterando completamente sua postura que ia de perplexo a arrependido. Logo depois se desmanchou em pedidos de desculpas que pareciam pouco sinceras naquele momento. O rapaz já estava em processo de entrevista e não sabia. Enquanto acreditava estar tratando com a telefonista, ficou a vontade para se mostrar franco e ser até grosseiro. Quando soube estar tratando com a psicóloga responsável pela sua avaliação, teve que alterar radicalmente seu comportamento. O problema é que talvez fosse tarde.