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MITOCÔNDRIA: uma velha e conhecida organela, retorna ao cenário científico com toda força (1999) Keith Porter (1912-1997) George E. Palade, discurso Prêmio Nobel 1974 MITOCÔNDRIA: Uma história fascinante Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. http://micro.magnet.fsu.edu/primer/techniques/ fluorescence/gallery/cells/mdok/ mdokcellsexlarge15.html 3 Seus primeiros relatos começaram a partir de 1920: • 1924 e 1051: E. W. Cowdry e G. Bourne, microscopia óptica mostrando suas diferentes morfologias (filamentosa, em bastão ou arrendondada); • 1937: H. A. Krebs descreveu o CICLO DE KREBS ou CICLO DO ÁCIDO CÍTRICO e ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1953; • 1944: Albert Claude e Ernest Fullam publicam um trabalho mostrando micrografias eletrônicas de mitocôndrias isoladas; • 1948: Fritz Lipmann descobriu a existência da Coenzima A e junto com Krebs ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1953; • 1948 e 1949: descoberta da oxidação de ácidos graxos por Kennedy e Lenhinger e Schneider e Potter, e presença de vários intermediários do ciclo dos ácidos tricarboxílico; • 1951: Schneider e Hogeboom, por centrifugação diferencial demonstraram que a mitocôndria tem uma composição química bastante complexa. Christian de Duve também contribui para essa demonstração; • 1951: veio o conceito de que a oxidação dos ácidos graxos está diretamente relacionada com a fosforilação de nucleotídeos adenina; • Todos estes estudos colocaram a mitocôndria no centro do metabolismo energético. 4 Hanz Adolf Krebs Fritz Lipmann Keith Porter Alguns nomes importantes: 5 1974: Prêmo Nobel de Medicina por suas descobertas sobre a organização estrutural e funcional das células Albert Claude Christian de Duve George E. Palade 6 Primeiras imagens e modelos tridimensionais: Palade, J. Histochem Cytochem 1, 188, 1953 1953 7 Palade, Anat. Rec. 114, 427, 1952. 8 ü Modelo da organização celular mostrando a mitocôndria de Duve, J. Nat. Rev. GeneDcs, 8, 395, 2007. ü Distribuição e localização das mitocôndrias http://micro.magnet.fsu.edu/primer/techniques/fluorescence/gallery/cells/mdok/mdokcellsexlarge15.html http://probes.invitrogen.com/servlets/gallery/ q Por tomografia, a associação aos microtúbulos é bastante evidente: Hoog et al., 2007, Developmental Cell, 12, 349. São organelas altamente dinâmicas: TRANSPORTE E REMODELAMENTO. A membrana mitocondrial interna também é dinâmica Detmer & Chan, 2007, Nat. Rev. Mol. Cell Biol., 8, 870. movimento anterógrado movimento retrógrado morfologia condensada morfologia ortodoxa BAIXA ALTA citocromo c Estímulo apoptótico Junções cristais http://probes.invitrogen.com/servlets/gallery/ Westermann, 2008, J. Biol. Chem., 283, 13501. Molecular Biology of the Cell, Third EdiDon (© Garland Science 2002) FUSÃO FISSÃO mitocôndrias miofibrilas mitocôndrias lipídeos Attias & Cunha-e-Silva. Mitocôndria. Em, Biologia Celular I, vol. 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2004. AXONEMA MITOCÔNDRIAS Attias & Cunha-e-Silva. Mitocôndria. Em, Biologia Celular I, vol. 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2004. ü Morfologia Clássica membrana mitocondrial externa membrana mitocondrial interna crista espaço intermembranar matriz mitocondrial ü Morfologia Clássica Palade, 1952. Anat. Rec., 114, 427-451. Frey & Mannella, 2000. TIBS, 25, 319-324. espaço intermembranar ribossomo grânulo matriz ATP sintase membrana externa membrana interna cristas ü Microscopia eletrônica de transmissão e crio-tomografia: UMA NOVA VISÃO q Associação entre mitocôndria e retículo endoplasmático: Czordás et al., 2006, J. Cell Biol., 174, 915. Lebiedzinska et al., 2009, Int. J. Biochem. & Cell Biol., doi:10.1016/j.biocel.2009.02.017 ü Metodologia de isolamento Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. mitocôndrias purificadas intactas meio hiposmótico centrifugação Espaço intermembranar Vesículas de membrana externa Matriz + membrana interna rompimento 21 1 µm 0.6 µm 1.1 µm 0.7 µm 1.2 µm Claude & Fullam, J. Experimental Medicine, 81, 51, 1944. ü Membrana mitocondrial externa PORINAS Complexos transportadores TOM VDAC ü Espaço intermembranar Complexos enzimáticos de interconversão de nucleotídeos Composição bastante semelhante a do citoplasma Membrana mitocondrial externa Membrana mitocondrial interna (volta à matriz, para ser fosforilado) ATP ADP Complexos enzimáticos GDP GTP UDP UTP ATP ADP CITOPLASMA MATRIZ ü Interconversão de nucleotídeos ü Membrana mitocondrial interna Mais fluída e menos permeável Presença de CARDIOLIPINA Ausência de COLESTEROL Maior relação proteína/lipídeo da célula (70/30) Cadeia transportadora de elétrons ATP sintase Transportadores - TIM fosfatidilcolina cardiolipina membrana mitocondrial interna ü Matriz mitocondrial Altamente concentrada - COLÓIDE Composição iônica particular pH em torno de 8.0 Proteínas solúveis ü Ciclo de Krebs ü β-oxidação de ácidos graxos ü Piruvato desidrogenase Ácidos nucléicos ü DNA ü mRNA ü rRNA ü tRNA ü O genoma mitocondrial Figure 14-54 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) ü Coordenação entre o genoma mitocondrial e o genoma nuclear Figure 14-66 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) MMI MME DNA mitocondrial transcritos RNA RNA policistrônico S L RNA polimerase mitocondrial AAs tRNAs + AAs subunidades ribossomais proteínas mitocondriais solúveis proteínas sintetizadas nas mitocôndrias replicação do mtDNA enzimas para replicação proteínas ribossomais AAs-tRNA sintetases mitocondriais proteínas sintetizadas no citosol ð Proteínas translocadoras: os complexos TOM e TIM Figure 12-23 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) MMI MME citosol espaço intermembranar matriz mitocondrial receptores canal translocador Hsp70 mitocondrial COMPLEXO TOM COMPLEXO SAM COMPLEXO OXA COMPLEXO TIM 22 COMPLEXO TIM 23 Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. hsp70 citosólica hsp70 mitocondrial gradiente de H* TOM TIM23 TOM complexo TOM CITOSOL matriz mitocondrial proteína da MMI sequência sinal sítio de clivagem complexo TIM23 complexo OXA Figure 12-28b Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) SÍNTESE DE PROTEÍNA MITOCONDRIAL ð Estas regiões de contato podem ser visualizadas na mitocôndria do fungo Neurospora crassa por microscopia eletrônica de transmissão de alta voltagem. Nicastro et al. 2000. J. Struct. Biol., 129:48-56. ü De onde vem a energia??? Os combustíveis celulares Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. grânulos de glicogênio no citoplasma da célula do fígado enzimas específicas cobrem os grânulas de glicogênio cadeias ramificadas de glicose ð O acúmulo de gordura pelos adipócitos Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. ü A GLICOSE como substrato ð Cada molécula de glicose é metabolizada no citoplasma, numa via denominada de VIA GLICOLÍTICA. ð Rendimento: 2 piruvatos, 2 ATPs e 2 NADH.H+ Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. ð Na matriz mitocondrial, o piruvato é quebrado pela PIRUVATO DESIDROGENASEproduzindo duas moléculas de acetil CoA Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. PIRUVATO acetil CoA Produção de 1 GTP/piruvato ð Na β-oxidação dos ácidos graxos teremos então: ð Rendimento: pelo menos 5 acetil-CoA e vários NADH.H+ Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. ü O CICLO DE KREBS Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. NADH.H+ NADH.H+ NADH.H+ FADH2 ácido cítrico ü A cadeia respiratória ou cadeia transportadora de elétrons ü O gradiente eletroquímico de prótons: 2 componentes 1. Potencial de membrana – ΔΨ ou ΔV ESPAÇO INTERMEMBRANAR MATRIZ potencial de membrana força próton- motora 2. Gradiente de concentração de H+ - ΔpH ESPAÇO INTERMEMBRANAR MATRIZ força próton- motora gradiente de H+ Figure 14-13 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) ü A ATP sintase ð Também conhecida como F0F1 ATPase Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. Molecular Cell Biology, 4th edition, 2000. F1 F0 rotação 41 ð Organização da ATP sintase na membrama mitocondrial interna Figure 14-19 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) SÍNTESE DE ATP HIDRÓLISE DE ATP MATRIZ ð Ela pode atuar nos dois sentidos.... ü O processo quimiosmótico converge energia oxidada em ATP Transporte através da membrana Reações para síntese de ATP v Conversão de energia pelo processo de fosforilação oxidativa Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 2002. ü Como o gradiente de prótons dirige outros transportes através da membrana mitocondrial interna ð O trocador ATP/ ADP é conhecido como ANT – Adenine nucleotide transporter Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. ü Sumário do metabolismo mitocondrial que produz a maior parte da energia necessária para a fisiologia celular. O2 inner mitochondrial membrane 46 Os cloroplastos também apresentam uma história antiga: • Os primeiros estudos começaram em 1881, quando Englemann detectou oxigênio em cloroplastos isolados; • Em 1896, Ewart observou que cloroplastos isolados eram capazes de manter sua atividade por muitas horas; • 1927, 1929 e 1937 foram anos importantes para o isolamento e caracterização da composição química dos cloroplastos; • 1948: Descoberta do Ciclo de Calvin e a produção de gliceraldeído-3- fosfato nas reações de fixação do carbono. Em 1961, Melvin Calvin ganhou o Prêmio Nobel de Química; • A partir de 1950 surgiram os primeiros trabalhos de microscopia eletrônica de transmissão mostrando o cloroplasto. 47 Sager & Palade. J. Biophysic. and Biochem. Cytol, 3, 463, 1956 Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 1995. Figure 14-37 Molecular Biology of the Cell (© Garland Science 2008) Comparando com a mitocôndria: ü Membrana externa Altamente permeável Proteínas translocadoras (TOC) Semelhante à membrana do vacúolo endocítico ü Membrana interna Muito diferente da membrana mitocondrial interna Proteínas translocadoras (TIC) ü Estroma Corresponde à matriz mitocondrial Presença de DNA, RNA e ribossomos Síntese de fosfolipídeos (plastoglóbulos) e aminoácidos Armazena carboidratos sob a forma de amido Ciclo de fixação do carbono ü Membranas tilacóides Delimitam o ESPAÇO TILACÓIDE Formam os GRANA Presença de clorofila e carotenóides Cadeia transportadora de elétrons ATP sintase Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 1995. 53 Proteínas translocadoras: os complexos TOC e TIC 54 A fotossíntese compreende 2 fenômenos distintos. A. Reações de transferência de elétrons: nas membranas tilacóides; B. Reações de fixação do carbono: no estroma. Colocando algumas informações a mais para começarmos a entender melhor a fotossíntese. q A CLOROFILA. Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 1995. q OS FOTOSSISTEMAS. ü O complexo antena e o centro de reação fotoquímica. Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. q O transporte de elétrons e a síntese de ATP. Molecular Biology of the Cell, 3th edition, 1995. q Os H+ retornam ao estroma resultando na síntese de ATP. Attias & Cunha-e-Silva. Cloroplasto. Em, Biologia Celular I, vol. 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2007. q As reações de fixação do carbono ocorrem no estroma: ü Fixar um carbono significa inserir uma molécula de carbono inorgânica proveniente do CO2, em uma molécula orgânica. ü Esta importante reação é catalisada pela RUBISCO, a ribulose 1,5-bifosfato oxi-carboxilase + CO2 ribulose 1,5- bifosfato gliceraldeído 3- fosfato q O ciclo da fixação do carbono: Molecular Biology of the Cell, 4th edition, 2002. 3 CO2 + 9 ATP + 6 NADPH + H2O Gliceraldeído-3-fosfato + 8Pi + 9ADP + 6NADP+ q Resultado final do metabolismo na mitocôndria e no cloroplasto: Os produtos do metabolismo fotossintético são usados pela mitocôndria durante o processo de fosforilação oxidativa.