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1 
AVALIAÇÃO ECONÔMICA DO USO 
DE MEDICAMENTOS 
FARMACOECONOMIA 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 “não é ético condicionar decisões clínicas a aspectos econômicos” 
 “a vida não tem preço” 
 “difícil aceitar que os recursos destinados à saúde são 
limitados, ou que tal limite não pode ampliar-se”; 
 “Hipócrates - fazer o melhor, custe o que custar” 
3 
Questões e incertezas 
 Como dividir recursos entre as diversas 
necessidades populacionais? 
 Como reduzir despesas sem comprometer a 
qualidade dos tratamentos? 
 Como atender as necessidades ainda 
insatisfeitas? 
 Como conciliar as exigências de cada paciente 
com as necessidades de toda a população? 
4 
 
POR QUE AVALIAÇÃO ECONÔMICA 
NA SAÚDE? 
5 
POR QUE AVALIAÇÃO ECONÔMICA? 
 
 
 
 
 
 É NECESSÁRIO DECIDIR SOBRE A MELHOR FORMA 
DE DISTRIBUIR ESTES RECURSOS 
OS RECURSOS SÃO SEMPRE LIMITADOS 
AS NECESSIDADES SÃO SEMPRE ILIMITADAS 
OS NOVOS PRODUTOS E TECNOLOGIAS TEM UM CUSTO ELEVADO 
6 
AVALIAÇÃO ECONÔMICA E A SAÚDE 
 GASTOS EM SAÚDE NOS EUA ($ bilhões) 
 
 
 
 
 
 
 IMPULSO À ENTRADA DO ESTUDO 
ECONÔMICO NA SAÚDE (1970s) 
 
(US Congress, Congressional Budget Office. Economic implications of rising health care 
costs. Washington, DC: Government Printing Office, 1992) 
1981 1993 2000
286 935
1.700
$ BILHÕES
1965 1981 1993 2000
5 13 15 18
% P I B
7 
Avaliação Econômica e Saúde 
 
 1970s - introdução da avaliação 
 econômica no campo sanitário; 
 
 1980s - maior difusão das técnicas de análise, 
impulsionada pela necessidade de 
estabelecer prioridades no gasto 
sanitário frente aos recursos limitados; 
 
 1990s – OMS: “Anos de Vida Ajustados por 
 Qualidade” 
8 
OS NOVOS MEDICAMENTOS SÃO PRODUTOS DE 
ALTA TECNOLOGIA. SÃO SOFISTICADOS, EFICAZES, 
MAIS SELETIVOS, MAIS SEGUROS. MAS... 
 NORMALMENTE SÃO MAIS CAROS 
 SÃO SUPERIORES ÀS OUTRAS ALTERNATIVAS? 
 SEUS CUSTOS SÃO COMPENSADOS? 
SÃO UM BOM INVESTIMENTO EM SAÚDE? 
FARMACOECONOMIA 
9 
 AVALIAÇÃO CLÍNICA AVALIAÇÃO ECONÔMICA 
EFICÁCIA 
SEGURANÇA 
QUALIDADE 
CUSTO 
AVALIAÇÃO FARMACOECONÔMICA 
10 
Identifica, mede e compara 
 
 
 
 
 
 
 
 
de produtos farmacêuticos e serviços. 
 
FARMACOECONOMIA 
CUSTOS 
CONSEQÜÊNCIAS 
 econômicas 
 clínicas 
 humanísticas 
11 
 
 
O custo adicional 
 compensa o 
 benefício 
 extra? 
ESCOLHA DA MELHOR OPÇÃO 
> EFETIVIDADE 
< EFETIVIDADE 
< CUSTO > CUSTO 
A 
> efetividade 
< custo 
C 
< efetividade 
> custo 
D 
< efetividade 
< custo 
 
B 
> efetividade 
> custo 
Inovações? 
 
 Canadá – 1147 medicamentos patenteados avaliados entre 1990 e 
2003 pelo órgão de regulação de preços de medicamentos (PMPRB) ↠ 
apenas 68 (5,9%) foram considerados realmente inovadores, com 
ganhos relevantes para o tratamento. 
 
 França – 359 medicamentos registrados na França entre os anos de 
1999 e 2004 ↠ nenhum foi considerado um grande avanço terapêutico 
(“bravo”), 3% “um avanço real”, 12% “oferece um avanço”, 26% 
“possivelmente útil”, 46% “não constituiu avanço” e 7% “não aceitável” 
 Em 2009, análise de 104 novos registros/novas indicações de 
fármacos já registrados ↠ apenas três fármacos (3%) com 
vantagem terapêutica sobre os fármacos já existentes, 19 (18%) 
apresentavam relação benefício-risco desfavorável 
 
A look back at 2009: one step forward, two steps back. 
Prescrire International 2010; 19(106):89-94. 
 
 
 12 
 A partir de 2004, a Anvisa, como Secretaria Executiva da 
Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos 
(CMED), passou a considerar o valor terapêutico dos novos 
medicamentos para apuração dos preços desses produtos, 
atividade realizada após a concessão do registro. 
 
As avaliações realizadas até 2009 
demonstraram que mais de 80% dos novos 
medicamentos não apresentavam vantagem 
terapêutica ante os medicamentos já 
existentes no país para a mesma indicação 
terapêutica. 
 
OPAS. O acesso aos medicamentos de alto custo nas Américas: contexto, desafios e perspectivas. 
Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde, Ministério das Relações 
Exteriores; 2009. (Medicamentos Essenciais, Acesso e Inovação – THR/EM, 1). 
 
13 
Inovações? 
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS 
CONTEXTO 
 A vida média de uma especialidade 
farmacêutica é de 14 anos, porém, a 
introdução de novos medicamentos que de 
fato representem ganhos terapêuticos 
significativos diminuiu sensivelmente 
passada a “fase de ouro” (décadas de 1950 a 
1970) da indústria farmacêutica 
 
 Produtos “me too”: 
mera continuidade de produtos anteriores que 
passaram por modificações cosméticas 
15 
Garantir a todos os usuários medicamentos 
essenciais, seguros, eficazes, com 
qualidade e menor custo 
Identificação dos Custos 
DIRETOS 
 aqueles pagamentos que implicam em uma retirada financeira real: 
 medicamentos, materiais, exames de monitoramento (clínicos, 
laboratoriais, imagem), diárias hospitalares, salários (horas trabalhadas 
dos profissionais envolvidos); consultas e aconselhamentos; atendimento 
no setor de emergência/ambulatorial/domiciliar. 
 
INDIRETOS 
 aqueles representados por ganhos não realizados: 
 perda de produtividade para o paciente e acompanhante não remunerado; 
perda de dias trabalhados; aposentadorias precoces. 
 
INTANGÍVEIS 
 dor, sofrimento, fadiga, ansiedade 
18 
19 
Identificação dos Efeitos 
BENEFÍCIO 
* Dias de hospitalização evitados, 
* Dias de trabalho que deixaram de ser perdidos 
*Materiais, mão-de-obra, equipamentos que puderam ser 
 redistribuídos 
EFETIVIDADE 
* Redução de colesterol 
* mm Hg de pressão arterial reduzidos 
* Vidas salvas 
* Anos de vida ganhos 
* Número de casos prevenidos 
* Tempo de sintomas 
UTILIDADE 
* Anos de Vida Ajustados por Qualidade (AVAC ou QUALY) 
 Ex.: um sistema de co-pagamento cobre 20% 
da aplicação de um determinado procedimento 
de custa R$ 1.000 
 Perspectiva do paciente: custo será de R$ 800 
 Perspectiva do pagador: custo será de R$ 200 
 Perspectiva para a sociedade: custo será de 
R$1.000 
 
 Em um estudo farmacoeconômico, a 
perspectiva da medida de custos deve ser 
explícita e dar satisfação sobre os custos que 
foram excluídos da análise. 
 
21 
De quem é a perspectiva da análise??? 
24 
 
 
ANÁLISES FARMACOECONÔMICAS 
TIPO DE 
ANÁLISE 
MEDIDA DOS 
CUSTOS 
MEDIDA DOS 
EFEITOS 
Custo-
Benefício 
 
 
 
Custo-
Efetividade 
 
 
 
 
Custo-Utilidade 
 
 
 
 QUALYs 
 
 
 
 
HAAJER-RUSKAMP, F.M. & DUKES, M.N.G. The economics aspects os drug use. In: DUKES, M.N.G. Drug Utilization 
Studies: methods and uses. Cap.7. WHO regional publications. European Series, n.45. 218pp, 1993. 
25 
PASSOS DE UMA AVALIAÇÃO ECONÔMICA 
DE MEDICAMENTOS 
 Objetivos do Estudo 
Análise da Perspectiva & Análise das Alternativas 
Medida dos Custos 
Tipo de Análise 
Minimização de Custos 
Custo - Benefício 
Custo - Efetividade 
Custo - Utilidade 
Análise dos Resultados 
(An. Incremental; An. de Sensibilidade) 
CONCLUSÕES 
Medida dos Efeitos 
26 
ACB - EXEMPLO 
R$ profilaxia antibiótica x R$ tratamento das infecções 
de sítio operatório ou urinárias decorrentes da 
contaminação durante histerectomia abdominal e vaginal 
 a profilaxia antibiótica reduziu os custos globaispara o hospital em US$ 100 (histerect. abdominal) a 
US$ 500 (vaginal). 
 
(MUÑOZ, E., CERCÓS LLETÍ, A.C. Farmacoeconomia: estudio de la eficacia en profilaxis 
antibiótica en ciruría. Análise de costes. Rev. OFIL 3(2):130-6, 1993). 
Análise Minimização de Custos 
 Quando se sabe que os resultados dos tratamentos são equivalentes; 
resultados de duas opções terapêuticas ou sanitárias são IGUAIS 
 
 opta-se pela mais BARATA 
 Exemplos: 
1) Antiinflamatórios, anieméticos, anti-hipertensivos, quando apresentam o 
mesmo perfil de resultados, reações adversas, cuidados profissionais. 
 
2) Custos da administração de um mesmo tratamento por vias diferentes. 
(PRZYBYLSKI, K.G. et al. A pharmacist-initiated program of intravenous 
to oral antibiotic conversion. Pharmacoterapy; 17(2):271-6,1997) 
 
3) Yinusa W, Onche II, Thanni LO. Short-term antibiotic prophylaxis in 
implant surgery: a comparison of three antibiotics. Niger Postgrad Med J. 
2007 Jun;14(2):90-3 
 
4) Kayihura V, Osman NB, Bugalho A, Bergström S. Choice of antibiotics for 
infection prophylaxis in emergency cesarean sections in low-income 
countries: a cost-benefit study in Mozambique.Obstet Gynecol Scand. 
2003 Jul;82(7):636-41. 
27 
28 
ANÁLISE CUSTO-BENEFÍCIO 
 
 
 
 
 
 dificuldade 
 potencial para discriminação 
custos 
e 
conseqüências 
 
29 
ACB - EXEMPLO 
 
 PROGRAMAS DE DETECÇÃO PRECOCE DE 
DOENÇAS 
 PROGRAMAS DE VACINAÇÃO EM MASSA 
 PROGRAMAS PREVENTIVOS 
ANÁLISE CUSTO-EFETIVIDADE 
 é a mais usada (+ 100 artigos/ano) 
30 
- 
31 
ACE - EXEMPLO 1 
 Profilaxia antiemética: 
 Ondansetrona (Zofran®) é até 15 vezes mais cara do 
que a Metoclopramida (Plasil®) (custo de 
aquisição). 
 Somando-se: custos da emese não controlada 
 
 
o custo da ondansetrona passa a ser de apenas 2 a 
3 vezes mais. 
 
(GRUNBERG, S.M.Cost-effective use of antiemetics. Oncology; 12(3 Suppl 4):38-
42, 1998) 
38 
ANÁLISE CUSTO-UTILIDADE 
 
 
 
 
 
 
 AVAQ = Anos de Vida Ganhos 
 x 
 Índice de Qualidade 
 Depende da realização de estudos 
 de Qualidade de Vida Relacionada à Saúde 
• combina dados de quantidade e qualidade de 
 vida em um mesmo resultado (AVAQ) 
 
• AVAQ integra mortalidade, morbidade e 
 preferências em um número compreensível 
 
39 
ACB x ACE X ACU 
 ACB 
 tem dificuldade de traduzir todos os custos e 
conseqüências em termos $ 
 Potencial para discriminação 
 
 ACE 
 Incapaz de incorporar simultaneamente múltiplos 
resultados de uma mesma intervenção ou comparar 
intervenções diferentes resultados. Não se preocupa com 
a qualidade ou preferência do resultado da intervenção 
terapêutica 
 
 ACU 
 Combina dados de quantidade e qualidade de vida em um 
mesmo resultado (AVAQ) 
42 
ACU - EXEMPLO 
cirurgia e quimioterapia 
adjuvante($13.000/paciente/ano) X 
cirurgia($6.000/paciente/ano) em pacientes com 
câncer coloretal. 
 
2,4 anos de vida foram ganhos com a cirurgia 
combinada com quimioterapia. 
 0,4 AVAC foram ganhos 
 
Custo Incr./ ano de vida ganho = 13.000 - 6.000 = $2.916 
 2,4 
 Custo Incremental / AVAC = 13.000 - 6.000 = $17.500 
 0,4 
(SMITH, R.D. et al. A cost-utility approach to the use of 5-fluorouracil and 
levamisole as adjuvant chemoterapy for Dukes’ C colonic carcinoma. Med. J. 
Aust.; 158:319-22, 1993) 
43 
ÁREAS DE APLICAÇÃO DA FARMACOECONOMIA 
 INDÚSTRIA FARMACÊUTICA 
ADMINISTRAÇÃO SANITÁRIA 
HOSPITAIS E SAÚDE PÚBLICA 
48 
HOSPITAIS 
 PROBLEMAS 
 Os medicamentos constituem uma parte 
importante e crescente do gasto hospitalar (até 
35% do item materiais) 
 
 Cada vez mais necessário avaliar a eficiência 
da farmacoterapia hospitalar 
49 
HOSPITAIS 
 ATUAÇÕES 
 GUIA FARMACOTERAPÊUTICO 
(OBRIGATÓRIO, COM OS CUSTOS-DIA DE 
TRATAMENTO) 
 
 PROTOCOLOS TERAPÊUTICOS 
 
 GESTÃO ADEQUADA DE COMPRAS 
 
 ESTUDOS DE UTILIZAÇÃO DE 
MEDICAMENTOS 
 
 NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO (ECONOMIA 
DE MEDICAÇÃO E TEMPO DE PESSOAL)

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