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Fisioterapia na Doença de Parkinson A Doença de Parkinson está entre as doenças degenerativas do SNC mais presentes no cenário mundial. Sua causa ainda é desconhecida, mas ela afeta a zona compacta da substância negra e a produção de dopamina, que é responsável pela condução dos sinais nervosos para o corpo. De caráter progressivo, ela afeta de 1 a 2% da população acima de 65 anos. A levodopa é, ainda, o medicamento mais eficaz no tratamento da sintomatologia da DP, já que não há algo que interrompa a progressividade da doença, porém traz vários efeitos colaterais como as flutuações, o “wearingoff”, o fenômeno “on-off ”, as discinesias e os distúrbios mentais. Ainda relacionado ao tratamento, há a possibilidade do tratamento cirúrgico, onde são realizados lesões no núcleo pálido interno ou do tálamo ventro-lateral, para impedir que a rigidez e os tremores aconteçam, lembrando que só é realizada em última opção, já que é uma cirurgia muito delicada. A fonoaudiologia e a fisioterapia ajudam muito na qualidade de vida desses pacientes, proporcionando, principalmente a fisioterapia, uma diminuição dos agaves desses sintomas. A fisioterapia atua como tratamento complementar, junto ao farmacológico. A atuação vai desde exercícios motores, treinamento de marcha, treinamento das atividades diárias, terapia de relaxamento até exercícios de respiração. Para haver um melhor aproveitamento do tratamento é necessário que haja uma avaliação minuciosa do estágio em que o paciente se encontra. A terapia utilizada por meio de estímulos visuais, auditivos e somato-sensitivos, ajudam numa diminuição da sintomatologia e numa melhor qualidade de vida, possibilitando, assim, que esse paciente tenha mais controle sobre suas AVDs e qualidade de vida. Sendo indispensável para conseguir bons resultados no tratamento. As escalas são muito utilizadas para o acompanhamento da evolução da DP. A “Unified Parkinson’s Disease Rating Scale”- UPDRS (Escala Unificada para avaliar a DP) é a mais utilizada internacionalmente, e a mais completa, pois avalia distúrbios de humor, comportamento e mental, as atividades de vida diária, a parte motora e as complicações do tratamento, mencionadas anteriormente. A pontuação varia de 0 a 154, sendo que enquanto mais alta a pontuação maior o nível de gravidade da doença. O The Timed Up and Go Test –TGUP (Teste de tempo para levantar e andar) é utilizado na avaliação do equilíbrio em pessoas mais idosas. Sua meta é quantificar a habilidade da passagem do paciente da posição sentado para a de pé, caminhar em linha reta, realizar a volta em 180 graus, voltar à posição inicial e novamente sentar-se. O Parkinson Disease Questionnaire – PDQ-39 (Questionário para a DP) analisa a mobilidade, AVD, bem estar emocional, estigma, suporte social, cognição, comunicação e desconforto corporal. São 39 questões, onde a pontuação varia de 0 a 100, sendo o 100 o nível máximo do problema. O Short-Form – SF-36 (Questionário genérico de avaliação de qualidade de vida) não é específico para nenhuma doença, e é muito utilizada em pacientes com DP. Mede a capacidade funcional, o aspecto físico, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Possui 36 itens e a pontuação varia de 0 a 100, sendo enquanto mais alto, melhor o estado de saúde. Vários estudos foram feitos aos longos dos anos para mostrar como a fisioterapia atua no paciente portador de Doença de Parkinson. Foram mostrados nos estudos que as terapias podem ser em grupo ou individual. Quase todas focam em atividades como andar, subir escadas, pegar objetos, preensão, “hobbies”, praticar esportes, atividades sociais, etc. A fisioterapia na DP foi fundamentada primeira por Morris em 2000 30. Descreveu estratégias específicas para melhorar atividades como marcha transferências, atividades manuais, evitar quedas e manter a capacidade física. Depois de ter sido feito vários estudos, chegou-se no objetivo principal dos exercícios, segundo fisioterapeutas, que é melhorar e facilitar as AVD. Em quatro as áreas trabalhadas: marcha, equilíbrio, postura e transferências. A maioria do tratamento fisioterápico, observado nos estudos, era feito no domicílio sendo 88% com tratamento e o restante em grupo. O tratamento consistia de exercícios ativos para melhorar a marcha, equilíbrio, transferências, mobilidade, capacidade cardiovascular e relaxamento. A maioria dos pacientes (96%) confirmou que o tratamento ajudaria a aliviar seus problemas. Diante de tudo isso, fica claro que a fisioterapia é de grande importância no tratamento da DP. Sabendo que ela ajuda a amenizar os danos que o quadro da doença, trás para os seus portadores. Ajuda no aumento da amplitude do movimento, no equilíbrio, marcha e sem contar que faz toda diferença no dia dia do paciente, já que ele aprenderá a enfrentar suas limitações. Uma vez iniciado o tratamento, é importante relaxar a musculatura do paciente, diminuindo assim a rigidez, provocado pelo seu quadro clinico. Mas tudo isso deve ser um trabalho em conjunto, entre paciente, fisioterapeuta e família, para assim chegar no objetivo que é a melhor qualidade de vida para pacientes com DP. Os principais estudos relacionados a reabilitação física em pacientes com Doença de Parkinson (DP) foram selecionados por Smidt et al. (2005), os quais concluíram que para tal patologia havia indicações de exercícios fisioterápicos; também por De Goede et al. (2001), que, por meio de uma revisão, constataram os benefícios dos exercícios físicos na marcha, nas Atividades de Vida Diária (AVD) e Qualidade de Vida (QV),mas não nos sinais neurológicos. Também levantaram o questionamento se a aplicação de exercícios físicos na Doença de Parkinson reduziria doses dos medicamentos usados; Kwakkel et al. (2007) concluíram que houve melhora na postura, balanço, marcha, atividades relacionadas à marcha, contudo os sintomas que haviam sido treinados mais intensamente foram os que maios obtiveram bons resultados. Sugeriram também que fosse feito o uso de medicamentos durante o exercício, incluir paciente graves nos estudos, utilizar na realização dos exercícios estímulos rítmicos, acrescentar outros tipos importantes da QV a serem treinados, exercícios físicos intensos e por um período de tempo limitado, seguido de períodos mais longos de exercícios de baixa intensidade e frequência e novos tipos de treinamentos para reforçar o benefício dos exercícios fisioterápicos na DP; Keus et al. (2007) traçaram as principais recomendações para a reabilitação fisioterápica na DP; Para Keus et al. (2009) são necessários novos estudos para recomendação da prática diária da reabilitação fisioterápica na DP no sentido de aumentar o nível de evidência e alguns parâmetros devem ser considerados, como o recrutamento dos pacientes com DP, informação sobre fisioterapia, entre outros. Os pacientes com Parkinson não podem sempre frequentar um local para que possam ser realizados os exercícios, esse deslocamento muitas vezes é difícil por causa dos problemas que a doença trás, pois eles têm problemas de marcha, por conta da idade que na maioria das vezes é avançada e também dos custos que são altos. Então muitas vezes o fisioterapeuta ira realizar seu atendimento na casa do paciente com Parkinson. Foram realizados vários estudos com dois grupos de pacientes, o primeiro grupo realizava seus exercícios no hospital, já o segundo grupo era atendido em sua casa. Primeiro passaram um período sem realizar exercícios, na reavaliação foi visto uma pequena melhora. Depois começaram os exercícios e após algumas semanas já foram vista mais melhoras, mas quem mais se destacou foi o grupo atendido em casa. Outra experiência foi feita agora com um grupo atendido em casa e o outro não realizava exercícios, esses exercícios tinha o objetivo de melhorar os movimentos, o equilíbrio, a marcha e a destreza manual. O grupo submetido a exercícios domiciliares apresentou melhora, nos vários parâmetros analisados, eles estavam mais motivados. O grupo que não fez exercíciospiorou seu quadro neurológico no período estudado. Então com esses estudos foi observado que os exercícios realizados em casa traziam mais benefícios aos pacientes do que os realizados em outros locais, pois em casa eram oferecidos, tratamento individual e especializado para o paciente, eles tinham comodidade, praticidade e se sentirão bem, além da economia de tempo e recursos ao paciente, facilidade para adaptar o ambiente domiciliar com as novas necessidades do paciente, e o paciente se sentia bem melhor longe do ambiente hospitalar, acelerando sua recuperação. Então assim, podemos dizer que os exercícios fisioterápicos são muito eficientes para os pacientes com Parkinson, então se passou a focalizar mais os sintomas principais desta doença, como a marcha, o equilíbrio, o congelamento e as atividades da vida diária. Os enfermos então melhor adaptados estarão ao ambiente e conviveriam com uma doença crônica, degenerativa e progressiva.