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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
 
ESCOLA POLITÉCNICA DA USP 
 
 
 
 
 
 
 
PECE – PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA 
 
EAD – ENSINO E APRENDIZADO À DISTÂNCIA 
 
 
 
 
eST-202 / STR-202 
HIGIENE DO TRABALHO – PARTE B 
 
 
 
ALUNO 
 
 
 
SÃO PAULO, 2014 
 
 EPUSP/PECE 
 
 
DIRETOR DA EPUSP 
JOSÉ ROBERTO CASTILHO PIQUEIRA 
 
COORDENADOR GERAL DO PECE 
LUCAS ANTÔNIO MOSCATO 
 
CCD – COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA / LACASEMIN 
SÉRGIO MÉDICI DE ESTON 
 
VICE - COORDENADOR DO CURSO À DISTÂNCIA / LACASEMIN 
WILSON SHIGUEMASA IRAMINA 
 
PP – PROFESSORES PRESENCIAIS 
IRLON ÂNGELO DA CUNHA 
JOAQUIM G. PEREIRA 
JOSÉ POSSEBON 
MÁRIO LUIZ FANTAZZINI 
SÉRGIO COLACIOPPO 
 
CPD – CONVERSORES PRESENCIAL PARA DISTÂNCIA 
DANIEL UENO DE CASTRO PRADO GARCIA 
DANIELLE VALERIE YAMAUTI 
FLÁVIA DE LIMA FERNANDES 
RODRIGO BRESSIANINI 
 
FILMAGEM E EDIÇÃO 
FELIPE THADEU BONUCCI 
KARLA CARVALHO 
MATEUS DELAI RODRIGUES LIMA 
 
IMAD – INSTRUTORES MULTIMÍDIA À DISTÂNCIA 
DIEGO DIEGUES FRANCISCA 
FELIPE BAFFI DE CARVALHO 
MATEUS DELAI RODRIGUES LIMA 
PEDRO MARGUTTI DE ALMEIDA 
 
CIMEAD – CONSULTORIA EM INFORMÁTICA, MULTIMÍDIA E EAD 
CARLOS CÉSAR TANAKA 
JORGE MÉDICI DE ESTON 
SHINTARO FURUMOTO 
 
GESTÃO TÉCNICA / LACASEMIN 
MARIA RENATA MACHADO STELLIN 
 
GESTÃO ADMINISTRATIVA 
NEUSA GRASSI DE FRANCESCO 
VICENTE TUCCI FILHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, sem a 
prévia autorização de todos aqueles que possuem os direitos autorais sobre este documento.” 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
i 
SUMÁRIO 
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS ................................................. 1 
1.1. CONCEITUAÇÃO .................................................................................................. 2 
1.2. CLASSIFICAÇÃO E CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................ 2 
1.3. TESTES ................................................................................................................. 5 
CAPÍTULO 2. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO 
RUÍDO .............................................................................................................................. 6 
2.1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 7 
2.2. GRANDEZAS, UNIDADES E EMBASAMENTO TEÓRICO INICIAL ...................... 7 
2.2.1. SOM ................................................................................................................ 7 
2.2.2. NÍVEL DE PRESSÃO SONORA – DECIBEL .................................................. 8 
2.2.3. GRANDEZAS E DEFINIÇÕES ASSOCIADAS AO SOM/ RUÍDO ...................11 
2.2.4. "COMBINANDO" VALORES EM DECIBEL ...................................................11 
2.2.5. AUDIBILIDADE / SENSAÇÃO SONORA .......................................................13 
2.2.6. RESPOSTAS DINÂMICAS .............................................................................14 
2.2.7. VALOR EFICAZ (RMS) ..................................................................................14 
2.2.8. DETERMINAÇÃO DE NÍVEL DE RUÍDO DE FONTE EM PRESENÇA DE 
RUÍDO DE FUNDO. .................................................................................................15 
2.3. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RUÍDO .................................16 
2.3.1. ASPECTOS TÉCNICO-LEGAIS .....................................................................16 
2.3.2. DOSE DE RUÍDO. ..........................................................................................17 
2.3.3. NÍVEL MÉDIO (LAVG) ...................................................................................20 
2.3.4. DOSIMETRIA DE RUÍDO ...............................................................................20 
2.4. EXERCÍCIOS ........................................................................................................21 
2.5. NORMA BRASILEIRA NBR 10151 – CONTEXTO E APLICAÇÃO .......................26 
2.5.1. EFEITOS ........................................................................................................26 
2.5.2. ASPECTOS LEGAIS ......................................................................................27 
2.5.3. PRINCIPAIS ASPECTOS DA NBR 10151(3) ...................................................30 
2.5.3.1. Procedimentos de medição ....................................................................30 
2.5.3.2 Correções para ruídos com características especiais ..............................31 
2.5.3.3. Avaliação do ruído ...................................................................................31 
2.5.3.4. Determinação do nível de c’ritério de avaliação – NCA ...........................32 
2.5.3.5. Conteúdo necessário para o relatório de ensaio ......................................32 
2.6. ATENUAÇÃO DE PROTETORES AURICULARES ..............................................33 
2.6.1. O MÉTODO DO RC/NRR ...............................................................................33 
2.6.2. O MÉTODO DO RC/NRR - QUAL O DBC A USAR? .....................................34 
2.6.3. CORREÇÕES PARA O USO REAL DOS PROTETORES .............................35 
2.6.4. USO DO DBA AO INVÉS DO DBC ................................................................35 
2.6.5. O NRRSF .......................................................................................................36 
2.6.6. CÁLCULO DE ATENUAÇÃO AO RUÍDO .......................................................36 
2.6.6.1. Cálculo do tempo real de uso do Protetor Auricular .................................36 
2.7. ESCLARECIMENTOS E DÚVIDAS SOBRE O AGENTE RUÍDO ..........................41 
2.7.1. PARA COMEÇO DE CONVERSA ..................................................................41 
2.7.1.1. O que é som? ..........................................................................................41 
2.7.1.2. O que é ruído? ........................................................................................41 
2.7.1.3. Qual a origem do dB? ..............................................................................41 
2.7.1.4. E o dBA? .................................................................................................42 
2.7.1.5. Por que não posso somar níveis em dB? ................................................42 
2.7.2. MEDINDO O NÍVEL DE PRESSÃO SONORA ...............................................42 
2.7.2.1. Como é possível medir ultrassom? ..........................................................42 
2.7.2.2. É válido realizar média aritmética de vários valores em dB? ...................43 
2.7.2.3. Quais os cuidados ao medir níveis de ruído muito altos? ........................43 
2.7.2.4. Como fazer medições com chuva? ..........................................................43 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
ii 
2.7.3. CALIBRAÇÃO E AFERIÇÃO ..........................................................................43 
2.7.3.1. Com que frequência devo calibrar meu medidor de ruído? ......................43 
2.7.3.2. Como verificar se o calibrador está ok? ...................................................44 
2.7.3.3. Posso intercambiar calibradores de ruído entre diferentes aparelhos? ....44 
2.7.3.4. Por que os calibradores têm frequência de 1.000Hz? .............................44 
2.7.3.5. Por que os calibradores têm diferentes níveis de calibração? .................44 
2.7.4. FAZENDOA DOSIMETRIA ............................................................................45 
2.7.4.1. Devo tirar o dosímetro do trabalhador na hora do almoço? .....................45 
2.7.4.2. Como ajustar um dosímetro recém adquirido? ........................................45 
2.7.5. ATENUAÇÃO DE PROTETORES ..................................................................45 
2.7.5.1. Posso usar um microfone miniatura dentro do protetor auricular para 
medir a atenuação real do ruído? .........................................................................45 
2.7.5.2. Posso usar uma cabine audiométrica e calcular a atenuação de um 
protetor de inserção, fazendo o teste com e sem o EPI? .....................................46 
2.7.6. DÚVIDAS INICIAIS ........................................................................................46 
2.7.6.1. Qual a diferença entre Lavg e Leq? .........................................................46 
2.7.6.2. Posso usar sem medo o nível de ruído extrapolado para 8 horas fornecido 
pelo dosímetro? ...................................................................................................46 
2.7.6.3. Afinal, qual é melhor, q=3 ou q=5? ..........................................................47 
2.7.6.4. Posso transformar uma leitura em dBC para dBA? .................................47 
2.7.7. ALGUMAS CURIOSIDADES ..........................................................................47 
2.7.7.1. Por que os sons e ruídos de baixa frequência se ouvem em toda a parte?
 .............................................................................................................................47 
2.7.7.2. Quanto eu ganho em redução do ruído me afastando da fonte? .............48 
2.7.7.3. Como seria uma boa parede para isolar ruído? .......................................48 
2.8. TESTES ................................................................................................................49 
2.9. EXERCÍCIOS ........................................................................................................51 
CAPÍTULO 3. EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ÀS VIBRAÇÕES MECÂNICAS ...............52 
3.1. PRÉ-REQUISITOS ...............................................................................................53 
3.2. EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ÀS VIBRAÇÕES – OCORRÊNCIAS .....................53 
3.3. CLASSIFICAÇÃO DAS VIBRAÇÕES TRANSMITIDAS ........................................53 
3.4. CRITÉRIO LEGAL ................................................................................................53 
3.5. MODELO MECÂNICO SIMPLIFICADO DO CORPO HUMANO (RESSONÂNCIAS)
 ....................................................................................................................................54 
3.6. SELEÇÃO DE PARÂMETROS .............................................................................55 
3.7. VIBRAÇÕES LOCALIZADAS – EFEITOS DA EXPOSIÇÃO .................................56 
3.8. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO TRANSMITIDA ÀS MÃOS .............56 
3.9. ISO 5349: 1986 - PRINCIPAIS ASPECTOS ..........................................................57 
3.9.1. MÉTODO DE MEDIÇÃO: ...............................................................................57 
3.9.2. CARACTERIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO: ...................................58 
3.10. MONTAGEM DO SISTEMA DE MEDIÇÃO, TIPOS E CARACTERÍSTICAS DE 
ACELERÔMETROS. ...................................................................................................67 
3.11. UTILIZAÇÃO DE ADAPTADORES .....................................................................68 
3.11.1. RESTRIÇÕES E CUIDADOS .......................................................................68 
3.11.2. MEDIÇÃO TRIAXIAL (ISO 5349-2:2001).....................................................71 
3.11.2.1. CASO 1 – Vibração nos eixos são semelhantes ....................................71 
3.11.2.2. CASO 2 – Vibração predominante em determinado eixo, quando os 
eixos não dominantes possuírem cada um, valor inferior a 30% em relação ao 
eixo dominante .....................................................................................................71 
3.12. VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO ....................................................................74 
3.12.1. ISO 2631/1:1985 - ASPECTOS GERAIS .....................................................74 
3.12.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS LIMITES DA ACGIH ..................................80 
3.12.3. EXEMPLOS, APLICAÇÃO DOS LIMITES, DISCUSSÃO .............................82 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
iii 
3.13. NORMA INTERNACIONAL ISO 2631-1: 1997 ...................................................83 
3.13.1. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO ISO 2631-1: 1997 ..........................................84 
3.13.2. PONDERAÇÃO EM FREQUÊNCIA E AVALIAÇÃO DA VIBRAÇÃO 
RELATIVOS À SAÚDE ............................................................................................86 
3.13.3. ISO 2631-1:1997 - GUIA PARA OS EFEITOS DA VIBRAÇÃO À SAÚDE 
(CARÁTER INFORMATIVO). ...................................................................................86 
3.14. VIBRAÇÕES - PROGRAMA DE CONTROLE DE RISCOS (PCRV) ...................90 
3.14.1. PCRV DENTRO DA ESTRUTURA DO PPRA ..............................................90 
3.14.2. ANTECIPAÇÃO............................................................................................91 
3.14.3. RECONHECIMENTO ...................................................................................91 
3.15. TESTES ..............................................................................................................92 
3.16. EXERCÍCIOS ......................................................................................................94 
CAPÍTULO 4. ILUMINAÇÃO ......................................................................................... 105 
4.1. A CIÊNCIA DA ILUMINAÇÃO ............................................................................. 106 
4.1.1. A NATUREZA FÍSICA DA LUZ ..................................................................... 106 
4.1.2. GERAÇÃO, PROPAGAÇÃO E PERCEPÇÃO DA LUZ ................................ 108 
4.1.3. INCANDESCÊNCIA E LUMINESCÊNCIA .................................................... 108 
4.1.4. REFLEXÃO, TRANSMISSÃO E ABSORÇÃO .............................................. 110 
4.1.5. REFLEXÃO LUMINOSA ............................................................................... 110 
4.1.6. TRANSMISSÃO LUMINOSA ........................................................................ 110 
4.1.6.1. Transparência e Translucidez................................................................ 110 
4.1.6.2. Difusão .................................................................................................. 111 
4.1.6.3. Transmissão Seletiva ............................................................................ 113 
4.1.6.4. Espalhamento Retroativo ...................................................................... 113 
4.1.6.5. Transmitância e Transmissividade ........................................................ 113 
4.1.7. REFRAÇÃO ................................................................................................. 114 
4.1.8. ABSORÇÃO ................................................................................................. 118 
4.1.9. CURVA ESPECTRAL DE EFICIÊNCIA LUMINOSA .................................... 118 
4.1.9.1. Cores ..................................................................................................... 119 
4.1.9.2. Brilho ..................................................................................................... 119 
4.1.10. GRANDEZASE UNIDADES FOTOMÉTRICAS ......................................... 122 
4.1.11. FLUXO RADIANTE .................................................................................... 124 
4.1.12. FLUXO LUMINOSO ................................................................................... 124 
4.1.13. EFICÁCIA LUMINOSA ............................................................................... 124 
4.1.14. EFICIÊNCIA GLOBAL DE UMA LÂMPADA ............................................... 125 
4.1.15. INTENSIDADE LUMINOSA DE FONTE PONTUAL ................................... 126 
4.1.15.1. Ângulo sólido ....................................................................................... 126 
4.1.15.2. Intensidade luminosa ........................................................................... 126 
4.1.16. ILUMINÂNCIA DE UMA SUPERFÍCIE ....................................................... 128 
4.1.16.1. Iluminância média ................................................................................ 128 
4.1.16.2. Iluminância num ponto ......................................................................... 129 
4.1.16.3. Medição da iluminância ....................................................................... 131 
4.1.17. LUMINÂNCIA E PERCEPÇÃO DE BRILHO ............................................... 131 
4.1.17.1. Variação apenas da intensidade luminosa ........................................... 133 
4.1.17.2. Variação apenas da área ..................................................................... 133 
4.1.17.3. Variação apenas da distância de observação ...................................... 133 
4.1.17.4. Variação apenas da direção de observação ........................................ 133 
4.1.18. REFLETÂNCIA........................................................................................... 134 
4.1.19. MÉTODO PONTO A PONTO PARA CÁLCULO DA ILUMINÂNCIA ........... 135 
4.1.20. SÍNTESE DAS GRANDEZAS FOTOMÉTRICAS ........................................ 137 
4.2. A NATUREZA DO PROBLEMA .......................................................................... 138 
4.2.1. GERENCIAMENTO MODERNO, ILUMINAÇÃO, SEGURANÇA E 
PRODUTIVIDADE .................................................................................................. 138 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
iv 
4.2.2. ILUMINAÇÃO E PRODUTIVIDADE ............................................................. 139 
4.2.2.1. Pesquisas de laboratório ....................................................................... 139 
4.2.2.2. Pesquisas em minas subterrâneas ........................................................ 139 
4.2.3. ILUMINAÇÃO E ACIDENTES ...................................................................... 139 
4.2.3.1. Dados gerais da indústria ...................................................................... 139 
4.2.3.2. Dados da mineração ............................................................................. 139 
4.2.4. ILUMINAÇÃO E SAÚDE OCUPACIONAL .................................................... 140 
4.2.4.1. Consequências de uma Iluminação Inadequada ................................... 141 
4.2.4.2. Riscos Associados ................................................................................ 141 
4.3. EXEMPLOS OCUPACIONAIS ............................................................................ 142 
4.4. NORMAS TÉCNICAS E LIMITES DE TOLERÂNCIA .......................................... 145 
4.4.1. TERMOS TÉCNICOS DE ILUMINAÇÃO ...................................................... 145 
4.4.2. ILUMINAÇÃO DE AMBIENTES DE TRABALHO INTERNOS ...................... 146 
4.4.2.1. Iluminância na área de tarefa e no entorno imediato ............................. 148 
4.4.2.2. Controle de ofuscamento ....................................................................... 150 
4.4.2.3. Reprodução de cor mínima ................................................................... 152 
4.4.2.4. Avaliação em Áreas Externas ................................................................ 153 
4.4.2.5. Limites de tolerância .............................................................................. 153 
4.6. AÇÕES CORRETIVAS ....................................................................................... 156 
4.7. CASOS REAIS .................................................................................................... 157 
4.8. TÓPICOS AVANÇADOS – PROJETO DE ILUMINAÇÃO EM SUBSOLO ........... 158 
4.8.1. OBJETIVOS DE UM PROJETO MINEIRO DE ILUMINAÇÃO ...................... 158 
4.8.1.1. Aumento da visibilidade dos riscos ........................................................ 159 
4.8.1.2. Aumento da resposta visual ao campo periférico................................... 159 
4.8.1.3. Mobilidade ............................................................................................. 160 
4.8.1.4. Refletância e contraste .......................................................................... 160 
4.8.1.5. Riscos elétricos ..................................................................................... 160 
4.8.1.6. Ofuscamento ......................................................................................... 160 
4.8.2. PROJETO PELO MÉTODO PONTO A PONTO ........................................... 161 
4.9. TESTES .............................................................................................................. 163 
CAPÍTULO 5. PRESSÕES ............................................................................................ 166 
5.1. PRESSÕES ANORMAIS .................................................................................... 167 
5.2. EFEITOS DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA NO ORGANISMO ............................. 167 
5.2.1. BAROTRAUMA ............................................................................................ 168 
5.2.2. EMBOLIA TRAUMÁTICA PELO AR ............................................................. 168 
5.2.3. EMBRIAGUÊS DAS PROFUNDIDADES ..................................................... 168 
5.3. MEDIDAS DE CONTROLE ................................................................................. 169 
5.3.1. COMPRESSÃO ........................................................................................... 169 
5.3.2. DESCOMPRESSÃO .................................................................................... 171 
5.3.3. CÂMARA DE COMPRESSÃO. ..................................................................... 171 
5.4 RESUMO DAS MEDIDAS DE CONTROLE PARA TRABALHO SOB AR 
COMPRIMIDO EM TUBULÕES PNEUMÁTICOS E TÚNEIS PRESSURIZADOS 176 
5.4.1. RELATIVAS AO AMBIENTE ...................................................................... 176 
5.4.2. RELATIVAS AO PESSOAL: ....................................................................... 176 
5.5 CORRELAÇÃO ENTRE A ALTITUDE, A PRESSÃO ATMOSFÉRICA E A 
PRESSÃO PARCIAL DO OXIGÊNIO ......................................................................... 176 
5.6 EFEITOS DA ALTITUDE NO ORGANISMO: ....................................................... 177 
5.6.1. A CURTO PRAZO: ....................................................................................... 177 
5.6.2. A MÉDIO PRAZO ......................................................................................... 177 
5.6.3. A LONGO PRAZO ........................................................................................ 177 
5.8 MEDICINA HIPERBÁRICA E OXIGENIOTERAPIA HIPERBÁRICA (O2HB) ........ 179 
5.9 TESTES ............................................................................................................... 182 
CAPÍTULO 6. RADIAÇÕES IONIZANTES ....................................................................184 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
v 
6.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 185 
6.1.1. O ÁTOMO .................................................................................................... 185 
6.1.2. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO ......................................................................... 186 
6.1.3. RADIAÇÃO IONIZANTE ............................................................................... 186 
6.1.4. A RADIOATIVIDADE .................................................................................... 187 
6.1.5. FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE ......................................................... 188 
6.2. CLASSIFICAÇÃO DAS RADIAÇÕES IONIZANTES ........................................... 189 
6.2.1. RADIAÇÕES DIRETAMENTE IONIZANTES ................................................ 189 
6.2.1.1. Partículas Alfa ....................................................................................... 189 
6.2.1.2. Partículas Beta ...................................................................................... 191 
6.2.2. RADIAÇÕES INDIRETAMENTE IONIZANTES ............................................ 192 
6.2.2.1. Raios Gama .......................................................................................... 192 
6.2.2.2. Raios X .................................................................................................. 196 
6.3. GRANDEZAS E UNIDADES ............................................................................... 197 
6.3.1. ATIVIDADE .................................................................................................. 197 
6.3.2. MEIA-VIDA FÍSICA ...................................................................................... 198 
6.3.3. DOSE DE EXPOSIÇÃO ............................................................................... 199 
6.3.4. DOSE ABSORVIDA ..................................................................................... 199 
6.3.5. DOSE EQUIVALENTE OU DOSE DE EFEITO ............................................ 200 
6.4. DETECTORES DE RADIAÇÃO IONIZANTE ...................................................... 201 
6.4.1. CÂMARA DE IONIZAÇÃO ........................................................................... 201 
6.4.2. DETECTOR GEIGER MÜLLER ................................................................... 201 
6.4.3. DETECTOR DE CINTILAÇÃO ..................................................................... 201 
6.4.4. CANETA DOSIMÉTRICA ............................................................................. 202 
6.4.5. FILME DOSIMÉTRICO................................................................................. 202 
6.4.6. DOSÍMETRO TERMOLUMINESCENTE ...................................................... 202 
6.5. EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO IONIZANTE ........................................ 203 
6.5.1. AÇÃO DIRETA E INDIRETA DA RADIAÇÃO ............................................... 204 
6.5.2. RADIOSSENSIBILIDADE ............................................................................. 204 
6.5.3. SÍNDROME AGUDA DAS RADIAÇÕES ...................................................... 205 
6.5.4. OUTROS EFEITOS AGUDOS ..................................................................... 206 
6.5.5. EFEITOS TARDIOS ..................................................................................... 206 
6.5.6. ACIDENTES COM FONTES RADIOATIVAS ............................................... 207 
6.6. LIMITES PARA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE ................................... 209 
6.6.1. DIRETRIZES BÁSICAS DE RADIOPROTEÇÃO – CNEN NE 3.01 .............. 209 
6.7. CONTROLE DA EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE .................................. 211 
6.7.1. RADIAÇÃO EXTERNA ................................................................................. 211 
6.7.1.1. Tempo: .................................................................................................. 211 
6.7.1.2. Distância: .............................................................................................. 211 
6.7.1.3. Blindagem: ............................................................................................ 217 
6.7.2. RADIAÇÃO INTERNA .................................................................................. 220 
6.8. CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA ........................................................................ 221 
6.9. DESCONTAMINAÇÃO........................................................................................ 223 
6.10. TESTES ............................................................................................................ 225 
6.11. EXERCÍCIOS .................................................................................................... 227 
CAPÍTULO 7. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES ........................................................... 229 
7.1. A CIÊNCIA DA RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE .................................................... 230 
7.1.1. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ....................................................................... 230 
7.1.2. RADIAÇÃO VISÍVEL .................................................................................... 231 
7.1.3. LASER ......................................................................................................... 231 
7.1.4. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ................................................................... 231 
7.1.5. MICROONDAS ............................................................................................ 232 
7.1.6. ONDAS DE RÁDIO ...................................................................................... 232 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
vi 
7.1.7. ONDAS DE FREQUÊNCIA EXTRA BAIXA (ELF) ........................................ 232 
7.1.8 RADIAÇÃO SOLAR ...................................................................................... 233 
7.2. A NATUREZA DO PROBLEMA .......................................................................... 235 
7.2.1. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ....................................................................... 235 
7.2.2. RADIAÇÃO VISÍVEL .................................................................................... 235 
7.2.3. LASER ......................................................................................................... 236 
7.2.4. TERMINAIS DE VÍDEO ................................................................................ 237 
7.2.5. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ................................................................... 237 
7.2.6. MICROONDAS ............................................................................................ 237 
7.2.7. ONDAS DE RADIO ...................................................................................... 238 
7.2.8. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTRA BAIXA (ELF) .................................. 238 
7.3. EXEMPLOS REAIS ............................................................................................. 239 
7.3.1. O PROBLEMA DOS CAMPOS MAGNÉTICOS ............................................ 239 
7.3.2. CAMPOS MAGNÉTICOS E LEUCEMIA ...................................................... 239 
7.4. LIMITES ADMISSÍVEIS ...................................................................................... 241 
7.4.1. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ....................................................................... 241 
7.4.2. RADIAÇÃO VISÍVEL .................................................................................... 241 
7.4.3. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA................................................................... 241 
7.4.4. MICROONDAS E ONDAS DE RÁDIO .......................................................... 241 
7.4.5. RADIAÇÃO DE FREQUÊNCIA MUITO BAIXA (ELF) ................................... 242 
7.5. METODOLOGIA DE MEDIÇÃO .......................................................................... 242 
7.5.1. RADIÔMETROS........................................................................................... 242 
7.5.2. FOTÔMETROS ............................................................................................ 242 
7.5.3. MÉTODOS MISTOS .................................................................................... 243 
7.6. AÇÕES CORRETIVAS ....................................................................................... 243 
7.6.1. RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA ....................................................................... 243 
7.6.2. RADIAÇÃO VISÍVEL .................................................................................... 244 
7.6.2.1. Terminais de Vídeo ............................................................................... 244 
7.6.2.2. Lasers ................................................................................................... 244 
7.6.3. RADIAÇÃO INFRAVERMELHA ................................................................... 245 
7.6.4. MICROONDAS ............................................................................................ 245 
7.6.5. RADIOFREQUÊNCIAS ................................................................................ 245 
7.6.6. FREQUÊNCIAS EXTREMAMENTE BAIXAS ............................................... 245 
7.7. CASOS REAIS .................................................................................................... 245 
7.7.1. LÂMPADAS DE VAPOR DANIFICADAS ...................................................... 245 
7.8. TESTES .............................................................................................................. 247 
CAPÌTULO 8. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO CALOR................... 249 
8.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 250 
8.2. MECANISMOS DE TROCAS TÉRMICAS ........................................................... 250 
8.3. REAÇÕES DO ORGANISMO AO CALOR .......................................................... 251 
8.4. CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE ENFERMIDADES - OMS/75 ............... 253 
8.4.1. GOLPE DE CALOR (HIPERTERMIA OU CHOQUE TÉRMICO) .................. 253 
8.4.2. SÍNCOPE PELO CALOR (EXAUSTÃO PELO CALOR) ............................... 254 
8.4.3. PROSTRAÇÃO TÉRMICA POR DESIDRATAÇÃO ...................................... 254 
8.4.4. PROSTRAÇÃO TÉRMICA PELO DECRÉSCIMO DO TEOR SALINO ......... 255 
8.4.5. CÃIBRAS DE CALOR .................................................................................. 255 
8.4.6. ENFERMIDADES DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS................................ 255 
8.4.7. EDEMA PELO CALOR ................................................................................. 255 
8.4.8. OUTROS EFEITOS À SAÚDE ..................................................................... 255 
8.5. ACLIMATIZAÇÃO ............................................................................................... 256 
8.6. CONFORTO TÉRMICO ...................................................................................... 257 
8.6.1 VELOCIDADE DO AR ................................................................................... 257 
8.6.2. UMIDADE RELATIVA DO AR ...................................................................... 258 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
vii 
8.7. ÍNDICES DE AVALIAÇÃO TÉRMICA .................................................................. 259 
8.7.1. TEMPERATURA EFETIVA (TE) ................................................................... 260 
8.7.2 ÍNDICE DE SOBRECARGA TÉRMICA (IST) DE BELDING E HATCH .......... 262 
8.7.3. ÍNDICE DE BULBO ÚMIDO - TERMÔMETRO DE GLOBO (IBUTG) ........... 265 
8.8. NORMA REGULAMENTADORA Nº.15 - ANEXO Nº. 3 ...................................... 266 
8.9. REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE COM DESCANSO EM OUTRO 
LOCAL. ...................................................................................................................... 266 
8.10. TEMPERATURA DE GLOBO ÚMIDO (TGU) .................................................... 269 
8.11. LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O TRABALHO EM AMBIENTES QUENTES
 .................................................................................................................................. 270 
8.12. A EXPOSIÇÃO AOS AMBIENTES FRIOS ........................................................ 270 
8.13. MEDIDAS DE CONTROLE (SOBRECARGA TÉRMICA) .................................. 275 
8.13.1. MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE ..................................................... 275 
8.13.2. MEDIDAS RELATIVAS AO TRABALHADOR ............................................. 275 
8.14. TESTES ............................................................................................................ 280 
8.15. EXERCÍCIOS .................................................................................................... 283 
CAPÍTULO 9. FRIO ....................................................................................................... 292 
9.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 293 
9.1.1. TEMPERATURA DO NÚCLEO DO CORPO ................................................ 293 
9.1.2. TAXA DE RESFRIAMENTO PELO VENTO ................................................. 293 
9.2. FISIOPATOLOGIA DO FRIO .............................................................................. 294 
9.3. EFEITOS BIOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO AO FRIO .......................................... 296 
9.3.1. LESÕES NÃO-CONGELANTES .................................................................. 296 
9.3.1.1. Hipotermia ............................................................................................. 296 
9.3.1.2. Geladura ou Queimadura do Frio .......................................................... 297 
9.3.1.3. Síndrome de Imersão (“Pés de Imersão” ou “Pés de Trincheira”) .......... 297 
9.3.2. LESÕES CONGELANTES ........................................................................... 298 
9.3.2.1. Congelamento (“Frostbite”) .................................................................... 298 
9.4. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO AO FRIO..................................... 298 
9.5. TESTES .............................................................................................................. 302 
9.6. EXERCÍCIOS ...................................................................................................... 304 
CAPÍTULO 10. INTRODUÇÃO À HIGIENE E TOXICOLOGIA OCUPACIONAL .......... 306 
10.1. PRINCÍPIOS GERAIS ....................................................................................... 307 
10.2. O RELACIONAMENTO HIGIENE - TOXICOLOGIA - MEDICINA ..................... 309 
10.3. O HIGIENISTA OCUPACIONAL ....................................................................... 310 
10.4. A HIGIENE E TOXICOLOGIA OCUPACIONAL E A SAÚDE PÚBLICA ............. 312 
10.5. A ATUAÇÃO DO HIGIENISTA OCUPACIONAL ............................................... 313 
10.5.1. ANTECIPAÇÃO OU PREVISÃO DE RISCOS ............................................ 313 
10.5.2. RECONHECIMENTO DE RISCOS ............................................................. 313 
10.5.3. AVALIAÇÃO DE RISCOS ..........................................................................314 
10.5.4. CONTROLE DE RISCOS ........................................................................... 314 
10.6. TESTES ............................................................................................................ 316 
CAPÍTULO 11. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A AGENTES QUÍMICOS 318 
11.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 319 
11.2. AS DENOMINAÇÕES ....................................................................................... 320 
11.2.1. LIMITES DE TOLERÂNCIA ........................................................................ 320 
11.2.2. NÍVEIS ACEITÁVEIS DE EXPOSIÇÃO ...................................................... 321 
11.2.3. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ............................................... 321 
11.2.4. NÍVEIS DE EXPOSIÇÃO PERMITIDOS ..................................................... 321 
11.2.5. CONCENTRAÇÕES MÁXIMAS ACEITÁVEIS ........................................... 321 
11.2.6. NÍVEIS DE EXPOSIÇÃO RECOMENDADOS ............................................ 321 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
viii 
11.2.7. GUIA DE NÍVEIS DE EXPOSIÇÃO AMBIENTAL EM LOCAIS DE 
TRABALHO ............................................................................................................ 321 
11.2.8. VALORES LIMITES LIMIARES .................................................................. 321 
11.2.9. VALOR DE REFERÊNCIA TECNOLÓGICO .............................................. 322 
11.3. CRITÉRIOS PARA ESTABELECER PADRÕES ............................................... 324 
11.3.1. PROIBITIVO ............................................................................................... 324 
11.3.2. PERMISSOR .............................................................................................. 324 
11.3.3. RESTRITIVO .............................................................................................. 324 
11.3.4. ESPECULATIVO ........................................................................................ 324 
11.3.5. PROGNOSTICADOR ................................................................................. 325 
11.4. INTERAÇÕES ENTRE SUBSTÂNCIAS. ........................................................... 325 
11.4.1. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, ADITIVA E AMBIENTAL ......................... 326 
11.4.2. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, SINERGÉTICA E AMBIENTAL ............... 326 
11.4.3. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, ANTAGÔNICA E AMBIENTAL ................ 327 
11.4.4. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, ADITIVA NO ORGANISMO .................... 327 
11.4.5. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, SINERGÉTICA NO ORGANISMO .......... 327 
11.4.6. INTERAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA, ANTAGÔNICA NO ORGANISMO ........... 327 
11.4.7. INTERAÇÃO BIOLÓGICA E ADITIVA ........................................................ 327 
11.4.8. INTERAÇÃO BIOLÓGICA, SINERGÉTICA OU ANTAGÔNICA ................. 328 
11.5. RELAÇÕES DOSE-EFEITO E DOSE-RESPOSTA ........................................... 328 
11.5.1. DIMENSÕES DA DOSE ............................................................................. 328 
11.5.2. DIMENSÕES DO EFEITO .......................................................................... 329 
11.5.3. RELAÇÃO DOSE-EFEITO ......................................................................... 330 
11.5.4. RELAÇÃO DOSE-RESPOSTA ................................................................... 331 
11.6. CONCENTRAÇÃO MÉDIA E CONCENTRAÇÃO MÁXIMA (TETO).................. 333 
11.7. LIMITES DE EXPOSIÇÃO SEGUNDO A ACGIH .............................................. 335 
11.7.1. LIMITE DE EXPOSIÇÃO DE CURTO PERÍODO ....................................... 337 
11.8. OUTROS ÍNDICES ........................................................................................... 339 
11.8.1. LIMIAR OLFATIVO ..................................................................................... 339 
11.8.2. IDLH ........................................................................................................... 340 
11.8.3. NÍVEL DE AÇÃO ........................................................................................ 341 
11.8.4. RISCO RELATIVO ..................................................................................... 342 
11.8.5. LIMITES PARA EXPOSIÇÃO SIMULTÂNEA A SUBSTÂNCIAS COM 
MESMO EFEITO. ................................................................................................... 343 
11.9. LIMITES SEGUNDO A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ......................................... 344 
11.9.1. O ANEXO 11 DA NR-15 ............................................................................. 345 
11.9.2. O ANEXO 12 DA NR-15 ............................................................................. 348 
11.9.3. O ANEXO 13 DA NR-15 ............................................................................. 348 
11.10. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL PARA MULHERES .................... 349 
11.11. LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL E HÁBITO DE FUMAR ............... 351 
11.12. A DETERMINAÇÃO DE UM LIMITE E ADAPTAÇÃO PARA SITUAÇÕES NÃO 
USUAIS. .................................................................................................................... 352 
11.13. A EXTRAPOLAÇÃO DE VALORES PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA ..... 353 
11.14. TESTES .......................................................................................................... 355 
CAPÍTULO 12. RECONHECIMENTO DOS FATORES INTERVENIENTES NA 
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ...................................................................................... 358 
12.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 359 
12.2. OBJETIVOS DE UMA AVALIAÇÃO. ................................................................. 360 
12.3. ALGUNS CONCEITOS ..................................................................................... 361 
12.3.1. AMOSTRAGEM ......................................................................................... 361 
12.3.2. COLETA DE AMOSTRAS .......................................................................... 361 
12.3.3. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL......................................... 361 
12.3.4. MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL ................................................................ 362 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
ix 
12.3.5. MONITORIZAÇÃO BIOLÓGICA ................................................................. 362 
12.4. IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE E RECONHECIMENTO DO RISCO. ............... 362 
12.5. CONHECIMENTO DOS LOCAIS DE TRABALHO E ATIVIDADES A SEREM 
AVALIADAS. .............................................................................................................. 363 
12.5.1. ÁREA ......................................................................................................... 363 
12.5.2. NÚMERO DE EXPOSTOS ......................................................................... 363 
12.5.2.1. Funções, tarefas ou atividades ............................................................ 363 
12.5.2.2. Turnos, turmas e horários de trabalho ................................................. 363 
12.5.2.3. Movimentação de materiais e de pessoal ............................................ 364 
12.5.3. FREQUÊNCIA E DURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO .......................................... 364 
12.5.4. RITMO DE TRABALHO E PRODUÇÃO ..................................................... 364 
12.5.5. VENTILAÇÃO E CONDIÇÕES CLIMÁTICAS .............................................364 
12.5.6. FATORES INTERVENIENTES NA COLETA DE AMOSTRAS ................... 365 
12.6. TESTES ............................................................................................................ 366 
CAPÍTULO 13. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ................................. 368 
13.1. DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE AMOSTRAGEM....................................... 369 
13.1.1. MÉTODO EMPREGADO. .......................................................................... 369 
13.1.2. EQUIPAMENTOS PARA COLETA. ............................................................ 369 
13.1.3. PESSOAL NECESSÁRIO PARA REALIZAR E ACOMPANHAR AS 
COLETAS DE AMOSTRAS ................................................................................... 370 
13.1.4. AMOSTRAS PESSOAIS E EM PONTOS FIXOS. ...................................... 370 
13.1.5. AVALIAÇÕES DE FUNCIONÁRIOS E DE FUNÇÕES ............................... 371 
13.1.6. GRUPOS HOMOGÊNEOS DE RISCO (GHR) ........................................... 371 
13.1.7. NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS A SEREM AMOSTRADOS EM CADA GHR
 ............................................................................................................................... 371 
13.1.8. NÚMERO DE AMOSTRAS A SEREM COLETADAS EM CADA 
FUNCIONÁRIO E TEMPO DE COLETA DE CADA AMOSTRA ............................. 372 
13.1.9. DIAS E HORÁRIOS DAS COLETAS DE AMOSTRAS ............................... 375 
13.1.10. CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE DE AMOSTRAS .............................. 375 
13.2. COLETA DE AMOSTRAS ................................................................................. 375 
13.2.1. COLETA DE UM VOLUME DA ATMOSFERA ............................................ 376 
13.2.2. COLETA COM ANÁLISE INSTANTÂNEA .................................................. 377 
13.2.2.1. Papéis reativos .................................................................................... 377 
13.2.2.2. Tubos indicadores ............................................................................... 377 
13.2.2.3. Instrumentos de leitura direta .............................................................. 377 
13.2.3. COLETA DO CONTAMINANTE ................................................................. 377 
13.3. ANÁLISE DO MATERIAL COLETADO ............................................................. 378 
13.4. CÁLCULOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA ESTIMATIVA DA 
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ................................................................................... 378 
13.4.1. MÉDIA PONDERADA PELO TEMPO (MPT) .............................................. 379 
CONCENTRAÇÃO .................................................................................................... 380 
13.4.2. ESTIMATIVA DE MÉDIAS PARA UM GHR ................................................ 380 
13.4.3. COMPARAÇÃO COM OS LIMITES DE EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ..... 382 
13.4.3.1. Cálculo dos Índices de Exposição ....................................................... 382 
13.4.3.2. Comparação dos valores e médias obtidas em uma avaliação ............ 383 
13.4.4. ESTIMATIVA DA PROBABILIDADE DE ULTRAPASSAR O LIMITE DE 
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ............................................................................... 383 
13.4.4.1. Estimativa segundo o NIOSH .............................................................. 384 
METAL ....................................................................................................................... 385 
13.4.4.2. Estimativa segundo o INRS. ................................................................ 386 
13.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 388 
13.6. TESTES ............................................................................................................ 389 
ANEXO A ...................................................................................................................... 392 
 
SUMÁRIO 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
x 
PRINCIPAIS ASPECTOS DA NBR 10152:1987 – NÍVEIS DE RUÍDO PARA 
CONFORTO ACÚSTICO ........................................................................................... 392 
ANEXO B ...................................................................................................................... 396 
NORMA I.S.O 5349 (1986) ...................................................................................... 396 
ANEXO C ...................................................................................................................... 400 
PRESSÕES ANORMAIS - PORTARIA Nº 5 DE 09-02-83 ........................................ 400 
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 401 
 
 Capítulo 1. Introdução aos Agentes Físicos 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
1 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO AOS AGENTES FÍSICOS 
Prof. MÁRIO LUIZ FANTAZZINI 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Conceituar e apresentar a classificação dos agentes físicos e do espectro 
eletromagnético. 
 
Ao final deste módulo o aluno deverá estar apto a: 
 
 Identificar, na classificação geral dos agentes físicos, o domínio de cada agente 
físico na faixa espectral de sua família; 
 Reconhecer fontes potenciais dos agentes físicos do capítulo; 
 Aplicar os limites de exposição correspondentes; 
 Aplicar a legislação ocupacional pertinente; 
 Enunciar as principais características de cada agente; e 
 Enunciar as medidas gerais de controle relativas a cada agente. 
 
 Capítulo 1. Introdução aos Agentes Físicos 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
2 
1.1. CONCEITUAÇÃO 
Em última análise, todos os agentes físicos representam formas de energia, 
dispersas no ambiente por sua geração inerente associada a sistemas ou equipamentos, 
ou ainda por desvios ou vazamentos dos mesmos (controláveis ou não), que venham a 
interagir com o homem em seu trabalho. 
O organismo está exposto a ondas de natureza mecânica (ruído, ultrassom e 
infrassom), forças ou esforços (vibrações mecânicas), interações elétricas, magnéticas e 
eletromagnéticas (ionizantes e não ionizantes), partículas subatômicas (ionizantes), 
interações térmicas diretas (calor e frio), variações de pressão. A ACGIH estende a 
consideração de agentes físicos aos esforços repetitivos e levantamento de pesos. Já no 
campo da ergonomia, esta grande família não tem fim, pois pesquisadores continuam 
evidenciando partículas formadoras de partículas subatômicas (embora provavelmente 
sem risco de exposição ocupacional). 
 
1.2. CLASSIFICAÇÃO E CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
A classificação tradicional dos agentes físicos é: 
 
 Ruído (ondas de pressão, mecânicas); 
 Interações Térmicas; 
 Calor; 
 Frio; 
 Vibrações; 
 Pressões Anormais; 
 Radiações Eletromagnéticas; 
 Ionizantes; 
 Radiação ou partículas alfa, beta; 
 Radiação gama; 
 Raios X; 
 Nêutrons; 
 Não Ionizantes; 
 Radiofrequência e Microondas; 
 Radiação Infravermelha; 
 Radiação Visível (LUZ); 
 Radiação Ultravioleta; 
 LASER e MASER; 
 
Devemos agregar ainda, complementando as famílias: 
 
 Infrassom, Ultrassom (ondas de pressão, mecânicas); 
 Campos magnéticos estáticos; 
 Campos elétricos estáticos; 
 
Uma classificação sucinta do espectro eletromagnético é dada na figura 1.1., como 
aparece no livreto de limitesde exposição da ACGIH (v. referências). 
Todos os agentes serão detalhados nos assuntos subsequentes, mas uma exceção 
deve ser feita quanto às pressões anormais, pois não são em verdade do ofício da 
higiene ocupacional. Essas exposições ocorrem em ambientes hipo e hiperbáricos 
(sendo mais frequentes e graves os do último caso). Os ambientes hiperbáricos são 
 
 Capítulo 1. Introdução aos Agentes Físicos 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
3 
aqueles representados por trabalhos em tubulões ou caixões pneumáticos, ou ainda no 
mergulho subaquático. Pressões da ordem dos 4 kgf/cm2 (primeiros casos) até dezenas 
de kgf/cm2 (no mergulho profundo) submetem o organismo a riscos de doenças 
específicas e acidentes descompressivos (com risco de fatalidades). Todavia, não são 
do ofício da higiene no sentido que não existe o processo de reconhecimento, avaliação 
e controle do agente na forma tradicional. As variações de pressão são impostas pelo 
processo, e o controle dos tempos e gradientes de pressão (compressivamente e 
descompressivamente falando) são a chave do controle, além da grande supervisão 
médica necessária. São portanto, medidas de controle operacional, administrativo e 
médico que predominam, e a ação sobre o agente é bastante relativizada. São em 
verdade um caso à parte nos agentes físicos. 
Vale ainda comentar que em muitos “membros” das famílias das radiações existe 
conhecimento ainda por se consolidar, e áreas polêmicas quanto a efeitos nocivos como 
as linhas transmissão de alta tensão, os telefones celulares e suas antenas radio-base. 
Também há zonas de penumbra nos casos das reais potencialidades carcinogênicas 
dessas radiações não ionizantes. 
Finalmente, vale lembrar que muitos dos membros dessas famílias não apresentam 
qualquer estímulo sensorial por ocasião da exposição, o que torna seu reconhecimento 
difícil, aliado ao fato de muitos equipamentos industriais não apresentarem informações 
“explícitas” sobre sua possível emissão. 
 
 Capítulo 1. Introdução aos Agentes Físicos 
 
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Figura 1.1. O Espectro Eletromagnético e os TLVs relacionados 
 
 
 Capítulo 1. Introdução aos Agentes Físicos 
 
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1.3. TESTES 
1. Qual dessas é uma Radiação Eletromagnética Ionizante? 
a) Radiação Infravermelha. 
b) Radiação Ultravioleta. 
c) Radiação gama. 
d) Laser. 
e) Microondas. 
2. Qual a afirmação incorreta com relação às pressões anormais? 
a) não fazem parte do ofício da higiene ocupacional. 
b) a chave do controle são os tempos e o gradiente de pressão. 
c) as variações de pressão são impostas pelo processo. 
d) um exemplo de ambiente hiperbárico é o mergulho aquático. 
e) são mais graves em ambientes hipobáricos. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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CAPÍTULO 2. AVALIAÇÃO E CONTROLE DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO 
RUÍDO 
Prof. MÁRIO LUIZ FANTAZZINI 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Proporcionar um conhecimento teórico sobre a avaliação e controle da exposição 
ocupacional ao ruído, além de apresentar os aspectos legais da poluição sonora gerada 
pelo homem no ambiente. 
 
Ao final deste módulo, o aluno deverá estar apto a identificar: 
 
 Os aspectos gerais relacionados à exposição ao ruído, seus efeitos e inserção no 
contexto atual; 
 Os principais dispositivos legais onde a norma NBR 10151:2000 está inserida, sua 
abrangência, conteúdo básico e parâmetros utilizados; 
 Os requisitos básicos sobre instrumental utilizado na medição do ruído, visando o 
conforto acústico; 
 O conteúdo básico e aplicação da NBR 10152; 
 A caracterização das exposições ocupacionais e seu relacionamento técnico – 
legal. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.1. INTRODUÇÃO 
O ruído é um dos principais agentes físicos presentes nos ambientes de trabalho, 
em diversos tipos de instalações ou atividades profissionais. Por sua enorme ocorrência e 
visto que os efeitos à saúde dos indivíduos expostos são consideráveis, é um dos 
maiores focos de atenção dos higienistas e profissionais voltados para a segurança e 
saúde do trabalhador. 
 
2.2. GRANDEZAS, UNIDADES E EMBASAMENTO TEÓRICO INICIAL 
2.2.1. SOM 
Por definição, o som é uma variação da pressão atmosférica capaz de sensibilizar 
nossos ouvidos. 
 
Figura 2.1. Representação da variação da pressão atmosférica 
 
Esta variação de pressão pode ser representada sob a forma de ondas senoidais, 
com as seguintes grandezas associadas: 
 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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 P 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A 
 
 
 d 
 
 
 
 
  
 
 
 
 
 
Figura 2.2. Grandezas das ondas senoidais 
 
 
2.2.2. NÍVEL DE PRESSÃO SONORA – DECIBEL 
Como os sons podem abarcar uma gama muito grande de variação de pressão 
sonora (faixa dinâmica), que vai de 20 Pa até 200 Pa (Pa = Pascal), seria pouco prática 
a construção de instrumentos para a indicação direta da pressão sonora. Quando a 
grandeza varia muito na faixa de valores usuais, usa-se um artifício. 
Para contornar este problema, utiliza-se uma escala logarítmica de relação de 
grandezas, o decibel (dB). 
O decibel não é uma unidade em si, e sim uma relação adimensional definida pela 
seguinte equação: 
 
 
 L = 20.log
oP
P
 
Sendo: 
 
L = nível de pressão sonora (dB) 
Po = pressão sonora de referência, por convenção, 20 Pa 
P= Pressão sonora encontrada no ambiente (Pa) 
d = distância 
A= amplitude da onda 
comprimento da onda 
Período =Tempo de um ciclo 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Para pensar: 
Quantos dB seriam indicados para uma pressão sonora de 20 Pa? (limiar 
aproximado da audição). 
Quantos seriam lidos para uma pressão sonora de 200 Pa? (limiar de audição 
acompanhada de dor). 
 
Notar: Ao se utilizar o dB fala-se "nível de pressão sonora". Rigorosamente 
falando, dever-se-ia sempre indicar o valor de referência (20 Pa). Por exemplo, 90 dB 
re 20 Pa. Isto não é realmente feito, pois a referência é universal no caso das avaliações 
de ruído. 
Outros "dB" - O uso do dB se estende a toda grandeza que varia muito, como 
potências elétricas e eletromagnéticas. Mesmo na acústica, há referências diferentes, por 
exemplo, no caso da audiometria. 
A seguir é apresentada uma ilustração comparativa entre situações práticas de 
ruído e os níveis em dB. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da ExposiçãoOcupacional ao Ruído 
 
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Figura 2.3. Situações práticas de ruído e os níveis em dB. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.2.3. GRANDEZAS E DEFINIÇÕES ASSOCIADAS AO SOM/ RUÍDO 
 Amplitude (A) – é o valor máximo, considerado a partir de um ponto de 
equilíbrio, atingido pela pressão sonora. A intensidade da pressão sonora é a 
determinante do “volume” que se ouve; 
 Comprimento de Onda () – é a distância percorrida para que a oscilação repita 
a situação imediatamente anterior em amplitude e fase, ou seja, repita o ciclo; 
 Período (T) – é o tempo gasto para se completar um ciclo de oscilação. 
Invertendo-se este parâmetro (1/T), se obtém a frequência (f); 
 Frequência (f) – é o número de vezes que a oscilação é repetida numa unidade 
de tempo. É dada em Hertz (Hz) ou ciclos por segundos (CPS). As frequências 
baixas são representadas por sons graves, enquanto que as frequências altas 
são representadas por sons agudos; 
 Tom Puro: é o som que possui apenas uma frequência. Por exemplo: Diapasão, 
gerador de áudio; 
 Ruído: É um conjunto de tons não coordenados. As frequências componentes 
não guardam relação harmônica entre si. São sons “não gratos” que nos 
causam incômodo, desconforto. Um espectro de ruído industrial pode conter 
praticamente todas as frequências audíveis. 
 
2.2.4. "COMBINANDO" VALORES EM DECIBEL 
Como o decibel não é linear, não pode ser somado ou subtraído algebricamente. 
Para se somar dois níveis de ruído em dB, o caminho natural seria transformar cada um 
em Pascal, através da fórmula já representada, então somar-se-iam algebricamente e, ao 
final, o resultado seria transformado de Pascal para dB. Este método não é prático, 
apesar de correto. A fórmula genérica para a combinação de "n" níveis em dB é: 
Ln= 10 log (
 
n
1i
10
Li
10
) 
Para uma maior agilidade na combinação de níveis em dB, utiliza-se a tabela 2.1. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Tabela 2.1. Diferença entre níveis e a quantidade a ser adicionada ao maior nível. 
Diferença entre níveis (dB) Quantidade a ser adicionada 
ao maior nível (dB) 
0,0 3,0 
0,2 2,9 
0,4 2,8 
0,6 2,7 
0,8 2,6 
1,0 2,5 
1,5 2,3 
2,0 2,1 
2,5 2,0 
3,0 1,8 
3,5 1,6 
4,0 1,5 
4,5 1,3 
5,0 1,2 
5,5 1,1 
6,0 1,0 
6,5 0,9 
7,0 0,8 
7,5 0,7 
8,0 0,6 
9,0 0,5 
10,0 0,4 
11,0 0,3 
13,0 0,2 
15,0 0,1 
 
Nota: para diferenças superiores a 15, considerar um acréscimo igual a zero, ou seja, 
prevalece apenas o maior nível. 
 
Quadro 2.1. 
Combinação de níveis em dB 
Combine: 
95 & 95= 98 dB 
95 & 90= 96,2 dB 
95 & 85= 95,4 dB 
95 & 75= 95 dB 
 
Aspectos Práticos: 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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 Cada 3 dB a mais ou a menos no nível significam o dobro ou a metade da 
potência sonora; 
 Fontes mais de 10 dB abaixo de outras (num certo ponto de medição) são 
praticamente desprezíveis; 
 A fonte mais intensa é a que "manda" no ruído total em um certo ponto. 
 
2.2.5. AUDIBILIDADE / SENSAÇÃO SONORA 
Tendo em vista que o parâmetro estudado é a pressão sonora, que é uma variação 
de pressão no meio de propagação, deve ser observado que variações de pressão como 
a da pressão atmosférica são muito lentas para serem detectadas pelo ouvido humano. 
Porém, se essas variações se processam mais rapidamente – no mínimo 20 vezes por 
segundo (20 Hz) – elas podem ser ouvidas. 
O ouvido humano responde a uma larga faixa de frequências (faixa audível), que 
vai de 16-20 Hz a 16-20 kHz. Fora desta faixa o ouvido humano é insensível ao som 
correspondente. Estudos demonstram que o ouvido humano não responde linearmente 
às diversas frequências, ou seja, para certas faixas de frequências ele é mais ou menos 
sensível. 
Um dos estudos mais importantes que revelaram tal não-linearidade foi a 
experiência realizada por Fletcher e Munson nos anos 30, que resultaram nas curvas 
isoaudíveis. 
Para compensar essa peculiaridade do ouvido humano, foram introduzidos nos 
medidores de nível sonoro filtros eletrônicos com a finalidade de aproximar a resposta do 
instrumento à resposta do ouvido humano. São chamadas “Curvas de Ponderação ou de 
Compensação” (A,B,C). Vide ilustração a seguir. 
 
Frequência do som (Hz) 
Figura 2.4. Curvas de Ponderação ou de Compensação 
V
a
lo
r 
a
 s
e
r 
c
o
m
p
e
n
s
a
d
o
 
(d
B
) 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Destas curvas, a curva “A” é a que melhor correlaciona Nível Sonoro com 
Probabilidade de Dano Auditivo. Portanto é a comumente utilizada em avaliação de ruído 
industrial. 
Observar: o dB "compensado" funciona como uma avaliação "subjetiva" ou 
do risco ao homem; o dB (linear) é uma avaliação objetiva do ruído no ambiente e é 
importante para se conhecer uma fonte de ruído. 
 
2.2.6. RESPOSTAS DINÂMICAS 
Os medidores de ruído dispõem de padrões para as velocidades de respostas, de 
acordo com o tipo de ruído a ser medido e os objetivos da avaliação. A diferença entre 
tais respostas está no tempo de integração do sinal, ou constante de tempo. 
 
 “Slow” – resposta lenta – avaliação ocupacional de ruídos contínuos ou 
intermitentes, avaliação de fontes não estáveis; 
 “Fast” – resposta rápida – avaliação ocupacional legal de ruído de impacto (com 
ponderação dB (C)), calibração; 
 “Impulse” – resposta de impulso – para avaliação ocupacional legal de ruído de 
impacto (com ponderação linear). 
 
2.2.7. VALOR EFICAZ (RMS) 
Na representação gráfica em onda senoidal, os valores máximos e mínimos 
atingidos pela mesma são os valores de pico. Tomando-se toda a amplitude (positiva e 
negativa) da onda, temos o valor pico a pico. No caso da avaliação de ruído, o que 
interessa é o valor eficaz desta onda, uma vez que o valor médio entre semiciclo positivo 
e negativo seria zero. O valor eficaz é uma média quadrática (“root mean square” – 
RMS). 
 
Figura 2.5. Representação dos valores de pico e do valor eficaz. 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Para uma senóide, o valor RMS é 0,707 do valor de pico. O valor de pico, 1,414 
vezes o RMS (raiz de 2). Em dB, o valor de pico está 3 dB acima do valor RMS. Estas 
relações só valem para sons senoidais (tons puros). Para um ruído qualquer, a relação 
deve ser medida (não pode ser prevista). Notar ainda: Os aparelhos de medição 
convencional sempre estão medindo o valor RMS corrente. Este valor pode apresentar 
máximos (dependendo da fonte de ruído) e mínimos. Esse máximos não devem ser 
chamados de "picos", pois ovalor de pico é uma designação específica, o maior valor da 
pressão sonora ocorrido no intervalo de medição (há medidores especiais para isso). 
 
2.2.8. DETERMINAÇÃO DE NÍVEL DE RUÍDO DE FONTE EM PRESENÇA DE 
RUÍDO DE FUNDO. 
Ruído de Fundo: é o ruído de todas as fontes secundárias, ou seja, quando 
estamos estudando o ruído de uma determinada fonte num ambiente, o ruído emitido 
pelas demais é considerado ruído de fundo. 
A maneira natural de se realizar tal determinação seria desativar as demais fontes, 
ou seja, eliminar todo o ruído de fundo e fazer a medição apenas da fonte de interesse. 
Contudo, tal procedimento nem sempre é simples ou viável, na prática. Sendo assim, 
pode ser utilizado o conceito da "subtração" de dB, através da qual se determina o nível 
da fonte a partir do conhecimento do “decréscimo” global advindo da desativação da 
fonte de interesse. São utilizadas as terminologias e o gráfico abaixo: 
 
Ls+n= ruído total (fonte e fundo) Exemplo: Ls+n=60 dB e Ln=53 dB 
Ln= ruído de fundo Ls+n-Ln=7 dB - L=1 dB 
Ls= ruído da fonte Ls=Ls+n-L = 60-1 = 59dB 
Ls = Ls+n - L 
 
 
Figura 2.6. Decréscimo global advindo da desativação da fonte de interesse. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Aspectos práticos: 
 Se desligada a fonte, o ruído total se altera pouco, ela é pouco importante; 
 Se desligada a fonte, o ruído total cai muito, a fonte é quem "manda" no ruído 
total (naquele ponto de medição). 
 
2.3. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RUÍDO 
2.3.1. ASPECTOS TÉCNICO-LEGAIS 
De acordo com a Legislação Brasileira, através da Portaria 3214/78 do Ministério do 
Trabalho - NR 15, Anexo 1, os Limites de Tolerância para exposição a ruído contínuo ou 
intermitente são representados por níveis máximos permitidos, segundo o tempo diário 
de exposição, ou, alternativamente, por tempos máximos de exposição diária em função 
dos níveis de ruído existentes. Estes níveis serão medidos em dB(A), resposta lenta. A 
Tabela 2 da NR 15 da supracitada Portaria é reproduzida a seguir: 
 
Tabela 2.2. NR 15 - Limites de Tolerância para Ruído contínuo ou Intermitente. 
Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 horas e 30 minutos 
90 4 horas 
91 3 horas e 30 minutos 
92 3 horas 
93 2 horas e 40 minutos 
94 2 horas e 15 minutos 
95 2 horas 
96 1 hora e 45 minutos 
98 1 hora e 15 minutos 
100 1 hora 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 08 minutos 
115 * 07 minutos 
* As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 
dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.3.2. DOSE DE RUÍDO. 
Os limites de tolerância fixam tempos máximos de exposição para determinados 
níveis de ruído. Porém, sabe-se que praticamente não existem tarefas profissionais nas 
quais o indivíduo é exposto a um único e perfeitamente constante nível de ruído durante 
a jornada. O que ocorre são exposições por tempos variados a níveis de ruído variados. 
Para quantificar tais exposições utiliza-se o conceito da DOSE, resultando em uma 
ponderação para cada diferentes situações acústicas, de acordo com o tempo de 
exposição e o tempo máximo permitido, de forma cumulativa na jornada. 
Calcula-se a dose de ruído da seguinte maneira: 
D = Te1 / Tp1 + Te2/Tp2 + ..... Tei / Tpi + ...... + Ten /Tpn 
Onde: 
D= dose de ruído 
Tei= tempo de exposição a um determinado nível (i) 
Tpi= tempo de exposição permitido pela legislação para o mesmo nível (i) 
 
Com o cálculo da dose, é possível determinar a exposição do indivíduo em toda a 
jornada de trabalho, de forma cumulativa. 
Se o valor da dose for menor ou igual à unidade (1), ou 100%, a exposição é 
admissível. Se o valor da dose for maior que 1 ou 100%, a exposição ultrapassou o limite, 
não sendo admissível. Exposições inaceitáveis denotam risco potencial de surdez 
ocupacional e exigem medidas de controle. 
 
Aspectos práticos. 
 A dose de ruído diária é o verdadeiro limite de tolerância (técnico e legal); 
 A dose diária não pode ultrapassar a unidade ou 100%, seja qual for o tamanho 
da jornada; 
 A dose de ruído é proporcional ao tempo: sob as mesmas condições de 
exposição, o dobro do tempo significa o dobro da dose, etc. ; 
 Quanto mais alto o nível de um certo ruído e quanto maior o tempo de 
exposição a esse nível, maior sua importância na dose diária; 
 Devemos reduzir os tempos de exposição aos níveis mais elevados, para 
assegurar boas reduções nas doses diárias; 
 Toda exposição desnecessária ao ruído deve ser evitada. 
 
Deve ser ressaltado que em casos de avaliação de doses em tempos inferiores aos 
da jornada, o valor da dose pode ser obtido através de extrapolação linear simples (regra 
de três), como no exemplo: 
 
Tempo de avaliação = 6h 30 min; dose obtida = 87 % p/ jornada de 8 horas: 
 
6,5 87 
8,0 DJ DJ = 
6,5
87x8
 = 107% 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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 Todavia, essa extrapolação pressupõe que a amostra feita foi representativa. 
Quadro 2.2. 
Numa determinada indústria, a exposição o operador de campo A é a seguinte: 
 
Nível de ruído junto à zona auditiva tempo de exposição diária 
 
 85 dB(A) 6 horas 
 90 dB(A) 2 horas 
 
A exposição ultrapassa o limite de tolerância? Demonstre 
 
 
Resposta: 
D = 6/8 + 2/4 = 1,25 
1,25 > 1 LIMITE EXCEDIDO 
 
 
 
 
Nota 2.1. 
Na mesma empresa, o operador B possui o seguinte perfil de exposição: 
 
Nível de ruído junto à zona auditiva tempo de exposição diária 
 85 dB(A) 4 horas 
 95 dB(A) 1 hora 
 68 dB(A) 1 hora 
 90 dB(A) 2 horas 
 
A exposição ultrapassa o limite de tolerância? 
 
Resposta: 
D= 4/8 + ½ + 2/4 = 1,5 OU 150% 
EXCEDE 
NOTA: SÓ ENTRAM NA DOSE VALORES IGUAIS OU SUPERIORES A 80 dBa. 
 
 
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Nota 2.2. 
a) O mecânico de manutenção possui o seguinte perfil de exposição: 
 
Nível de ruído junto à zona auditiva Tempo de exposição diária 
 100 dB(A) 1 hora 
 95 dB(A) 0,5 horas 
 85 dB(A) 6 horas 
 75 dB(A) 0,5 horas 
 
Qual sua dose de ruído ? 
 
 
 
 
Resposta: 
D=1/1 + 0,5/2 + 6/8 = 2 ou 200% 
 
 
 
 
b) Na mesma empresa, porém em outro setor, há um operador de extrusora 
que se expõe a um nível único de 90 dB(A) por toda sua jornada de 8 horas. Qual 
sua dose? 
 
 
 
Resposta: 
 
D = 8/4 = 2 OU 200% 
 
 
 
 
 
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 2.3.3. NÍVEL MÉDIO (LAVG) 
É o nível ponderado sobre o período de medição, que pode ser considerado como 
nível de pressão sonora contínuo, em regime permanente, que produziria a mesma dose 
de exposição que o ruído real, flutuante, no mesmo período de tempo. No caso dos 
limites de tolerância NR-15, a fórmula simplificada de cálculo é: 
Lavg = 80+16,61 log (0,16 CD/TM) 
Sendo: 
TM= (tempo de amostragem (horas decimais)) 
CD= contagem da dose (porcentagem) 
 
2.3.4. DOSIMETRIA DE RUÍDO 
Dificilmente na prática se observam exposições a poucos níveis discretos e bem 
diferenciados, facilitando o cálculo manual da dose. O que se observará frequentemente 
é uma exposição a níveis de ruído que oscilam muito rapidamente, com difícil obtenção 
de dados relativos aos tempos de exposição correspondentes. Para se obter uma dose 
representativa, torna-se necessário o uso de um dosímetro. 
Em suma, o dosímetro é um instrumento que será instalado em determinado 
indivíduo e fará o trabalho de obtenção da dose (integração no tempo), acompanhando 
todas as situações de exposição experimentadas pelo mesmo, informando em seu 
"display" o valor da dose acumulado ao final da jornada, bem como vários outros 
parâmetros, tais como Nível Médio (Lavg), Nível Máximo etc. 
 
 
 
 
 
Figura 2.7. Dosímetro de Ruído. Figura 2.8. Funcionário com dosímetro de 
ruído instalado no bolso, e microfone fixado 
junto à zona auditiva. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.4. EXERCÍCIOS 
 
1) A fórmula do tempo permitido a um certo nível de ruído (Anexo 1 da NR 15) é 
dada por: 
 
Tempo permitido = 16 / 2(L-80)/5 
 
Calcule os tempos permitidos para os níveis de 80 e 84dBA, não presentes na 
tabela. 
 
 
Resposta: 
Para um nivel de 80 dB(A), temos que: 
tempo permitido = 16 / {2 elevado a [(80-80)/5]} = 16 horas 
 
Para um nivel de 84 dB(A), temos que: 
tempo permitido = 16 / {2 elevado a [(84-80)/5]} = 9,1896 horas 
9,1896 horas = 9 horas e 0,1896*60 = 11 minutos. 
Ou seja 9 horas e 11 minutos. 
 
 
 
2) Se um trabalhador fica exposto por 5 horas a 86 dBA, qual o tempo máximo que 
poderá ficar exposto a 97 dBA* , sem exceder a dose diária? Se sua jornada é de 8 
horas, a dose seria ultrapassada? 
 
Resposta: 
D = 5/7 + x/1,25 = 1 >>>> x=0,36 h ou 21 min 
*Obs: deve ser aproximado para 98 dBA para ter maior segurança. 
COMO A DOSE FOI ATINGIDA (1) ÀS 5H 21MIN DE JORNADA, SE A 
JORNADA TOTAL É DE 8 HORAS A DOSE SERÁ ULTRAPASSADA. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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3) Qual o nível médio de exposição que um trabalhador está submetido se a 
dosimetria de jornada é de 344% e sua jornada é de 6 horas? 
 
 
Resposta: 
Lavg = 80 + 16,61 Log (0,16 . CD/TM) 
Lavg = 80 + 16,61 Log (0,16 . 344 / 6) = ~ 96 .dBA 
 
4) Qual o nível médio permissível para uma exposição que respeite o limite de 
tolerância, em uma jornada de 6 horas? E de 7 horas? E de 4 horas? Quais as 
doses máximas permitidas nesses casos? O que se conclui? 
 
 
Resposta: 
6h - 87 dBA 
7h - 86 dBA 
4h - 90 dBA 
EM TODOS OS CASOS A DOSE MÁXIMA PERMISSÍVEL É DE 100 % 
PARA QUE O NÍVEL MÉDIO SEJA REPRESENTATIVO DA EXPOSIÇÃO, É 
NECESSÁRIO CONHECER A DURAÇÃO DA JORNADA. 
NO CASO DA DOSE, NÃO É NECESSÁRIO, POIS A DOSE É UM INDICADOR 
ABSOLUTO. 
5) Se em um dado ponto o ruído de fundo é de 82 dBA, qual o máximo valor de 
uma nova fonte a ser colocada nesse ponto, sem que se exceda o nível 
permissível para 8 horas diárias? 
 
 
Resposta: 
8 HORAS DIÁRIAS = 85 .dBA >>>>> QUE SERÁ A COMBINAÇÃO DE UM 
NÍVEL DE 82 COM OUTRO DE ? 82! 82 “+” 82” = 85. 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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23 
6) Um tom puro de 100 Hz é medido por um medidor nos circuitos A, B,C e linear. 
Que valores serão lidos? 
 
Resposta: 
LINEAR - VALOR REAL (OBJETIVO) 
C - MESMO VALOR 
B - -5 .dB 
A - -20 .dB 
VEJA AS CURVAS DE COMPENSAÇÃO. 
 
7) O mesmo vai ser feito para um tom puro de 1000 Hz. Que valores serão lidos? 
 
Resposta: 
TODOS OS VALORES SERÃO IGUAIS 
 
 
8) Se você fabricasse um calibrador de ruído de tom puro, que frequência 
selecionaria ? 
 
Resposta: 
1000 Hz PARA PODER CALIBRAR EM TODAS AS ESCALAS. 
 
 
9) A fórmula da intensidade sonora em um dado ponto, para uma fonte pontual em 
espaço aberto, é I = W/4r2 , onde W é a potência sonora da fonte e r a distância da 
fonte ao ponto em que se deseja a intensidade. Se a distância à fonte é dobrada, qual a 
nova intensidade? Se dB=10 log I/Io, em quantos dB se reduziu a intensidade? Se a 
relação entre a pressão sonora e a intensidade é I = k p2, onde k é constante, qual a 
variação no nível de pressão sonora, em dB? Se a potência sonora dobrar, como fica o 
novo nível de pressão sonora? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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24 
Resposta: 
 
d2 = 2d1 
W: única fonte de potência sonora 
24 d
W
I


, 
2
1
1
4 d
W
I


, 
2
2
2
4 d
W
I


 
Logo: 
2
1
22
1
2
1
2
4
4
44)2(4 d
W
I
d
W
d
W
I  
, ou seja: 
4
1
2
I
I 
 
A nova intensidade será um quarto da intensidade inicial. 
Sendo : 
0
1
1 log10
I
I
dB 
, 
4
1
2
I
I 
 
Então: 
62log202log10
4
log10log102 11
2
1
0
1
0
2  dBdBdB
I
I
I
I
dB 
O que indica queda de 6dB(A) a cada dobro de distância da fonte. 
Sendo: 
2kpI 
, 
2
11 kpI 
, 
2
22 kpI 
, 
4
1
2
I
I 
 
Então: 
244
1
2
2
112
2
p
p
k
kp
k
I
k
I
p 
 
A pressão sonora será a metade da pressão inicial. 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Sendo: 
0
1
1 log10
I
I
dB 
, 
2
11 kpI 
, 
2
22 kpI 
 
Então: 
0
1
1
2
0
1
12
0
2
1
1 log20log10log10
p
p
dB
p
p
dB
kp
kp
dB 














 
0
1
2
2
0
1
22
0
2
2
2
2
log20
2
log10log10p
p
dB
p
p
dB
kp
kp
dB 














 
62log20 112  dBdBdB
 
 
Ainda que a potência sonora dobre, triplique ou quadruplique, o resultado é o 
mesmo (a cada dobro de distância, o nível de pressão sonora cai 6dB), pois o 
que interfere na atenuação desse ruído é a distância da fonte emissora ao 
ponto em estudo. 
 
 Para este exercício, foram usadas as seguintes propriedades dos 
logarítimos: 
1) 
)*log(loglog BABA 
 
2) 
)/log(loglog BABA 
 
3) 
AA loglog 1 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.5. NORMA BRASILEIRA NBR 10151 – CONTEXTO E APLICAÇÃO 
2.5.1. EFEITOS 
Poluição sonora é um dos maiores causadores de estresse na vida moderna e um 
dos problemas urbanos contemporâneos mais graves. É a terceira maior poluição 
ambiental segundo a OMS. 
O início do estresse auditivo é observado para exposições a níveis de pressão 
sonora a partir de 55 dB(10). 
Em condições de silêncio, o sono apresenta uma qualidade maior. Na medida em 
que o ruído aumenta, o organismo, mesmo dormindo, começa a manifestar gradualmente 
seu alerta. A partir do valor médio de 35 dB(A) verificam-se mudanças nas reações 
vegetativas, no eletroencefalograma e na estrutura do sono, ficando o mesmo mais 
superficial. Quando o ruído de fundo atinge 65 dB(A), os reflexos protetores do ouvido 
médio parecem entrar em ação, anulando em parte a audição e propiciando insegurança 
pela perda da vigília. Este aspecto é evidenciado por uma reação de maior latência para 
dormir. Devido a isto, provavelmente a 75 dB(A) de ruído de fundo a qualidade do sono 
se recupera parcialmente, porém é inferior àquela observada a níveis mais silenciosos. A 
poluição sonora reduz significantemente a qualidade absoluta do sono, implicando na 
diminuição do desempenho físico, mental, psicológico e perda provável da alerta 
auditivo(9). 
No estado de vigília, um ruído com nível equivalente de até 50 dB(A) pode 
perturbar, mas é adaptável. A partir de 55 dB(A) pode provocar estresse leve, gerar 
dependência e desconforto. O estresse degradativo do organismo começa por volta de 
65 dB(A) com desequilíbrio bioquímico, aumentando certos riscos (infarte, derrame 
cerebral, infecções, etc.)(9) 
Exposições ao ruído podem aumentar a pressão sanguínea, o ritmo cardíaco e as 
contrações musculares. São capazes de interromper a digestão, as contrações do 
estômago, o fluxo da saliva e dos sucos gástricos. Induzem uma maior produção de 
adrenalina e outros hormônios, aumentando, no sangue, o fluxo de ácidos graxos e 
glicose. Exposições prolongadas e habituais ao ruído intenso podem produzir mudanças 
fisiológicas mais duradouras e até mesmo permanentes, incluindo desordens 
cardiovasculares, de ouvido-nariz-garganta e em menor grau, alterações sensíveis na 
secreção de hormônios, nas funções gástricas, físicas e cerebrais(5). 
Em trabalhadores com casos de estresse crônico (permanente), tem sido 
constatado efeitos psicológicos, distúrbios neurovegetativos, náuseas, cefaléias, 
irritabilidade, instabilidade emocional, redução da libido, nervosismo, ansiedade, 
hipertensão, perda de apetite, sonolência, insônia, aumento de prevalência de úlceras, 
consumo de tranquilizantes, perturbações labirínticas, fadiga, aumento do número de 
acidentes, de consultas médicas e do absenteísmo(5).
 
Em certos tipos de atividades de longa duração que requerem muita atenção e se 
desenvolvem de forma contínua, um nível acima de 90 dB afeta desfavoravelmente a 
produtividade e a qualidade do produto. Estima-se que um indivíduo normal precisa 
gastar aproximadamente 20% de energia extra para realizar uma tarefa sob efeito de um 
ruído intenso considerado perturbador. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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27 
A surdez ocupacional induzida pelo ruído depende de características ligadas ao 
homem (susceptibilidade individual), ao meio, ao agente (tipo de ruído, frequências, 
duração, pausas, etc.) e ao tempo de exposição. A ocorrência da surdez profissional está 
relacionada à exposição ao ruído intenso e durante um longo período, estando os dois 
fatores interligados. As perdas auditivas causadas pelo ruído excessivo podem ser 
divididas em três tipos: 
a) Trauma Acústico - perda auditiva de ocorrência repentina, causada pela 
perfuração do tímpano acompanhada ou não da desarticulação dos ossículos 
do ouvido médio, ocorrida geralmente após a exposição a ruído de impacto de 
grande intensidade (tiro, explosão, etc.) com grandes deslocamentos de ar. 
b) Surdez temporária - também denominada de mudança temporária do limiar 
auditivo, ocorre após uma exposição a um ruído intenso, por um curto período 
de tempo. 
c) Surdez permanente - A exposição repetida dia após dia, a um ruído excessivo, 
podendo levar o indivíduo a uma surdez permanente. 
2.5.2. ASPECTOS LEGAIS 
A Poluição Sonora é ocasionada pelo excesso de ruído gerado pela circulação de 
veículos, comércio, industrias, aeroportos, e sua má localização. A necessidade de 
criação de um programa que estabelecesse normas, métodos e ações para controlar o 
ruído excessivo e seus reflexos sobre a saúde e bem estar da população em geral, levou 
o governo federal a criar o Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição 
Sonora - Silêncio, instituído pelo CONAMA por meio das Resoluções 01/90 e 02/90, sob 
a coordenação do IBAMA. Os objetivos do programa são(4)(6): 
 Capacitação técnica e logística de pessoal nos órgãos de meio ambiente 
estaduais e municipais em todo o país; 
 Divulgação, junto à população, de matéria educativa e conscientizadora dos 
efeitos prejudiciais e introdução do tema "Poluição Sonora" nos currículos 
escolares de 2º grau; 
 Incentivo à fabricação e uso de máquinas e equipamentos com níveis mais 
baixos de ruído operacional; 
 O estabelecimento de convênios, contratos e atividades afins com órgãos e 
entidades que possam contribuir para o desenvolvimento do Programa. 
Merece também destaque a criação do Selo Ruído(6) cujo objetivo é fornecer ao 
consumidor informações sobre o ruído emitido por eletrodomésticos, brinquedos, 
máquinas e motores, a fim de permitir a seleção de produtos mais silenciosos, e 
incentivar a sua fabricação. 
A seguir, relacionamos as legislações federais que versam sobre o tema: 
 Resolução CONAMA nº 1/90 - Estabelece critérios, padrões, diretrizes e normas 
reguladoras da poluição sonora; 
 Resolução CONAMA nº 2/90 - Estabelece normas, métodos e ações para 
controlar o ruído excessivo que possa interferir na saúde e bem-estar da 
população; 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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 Resolução CONAMA nº 1/93 – Estabelece para os veículos automotores 
nacionais e importados, exceto motocicletas, motonetas ciclomotores, bicicletas 
com motor auxiliar e veículos assemelhados, limites máximos de ruído com 
veículos em aceleração e na condição parado; 
 Resolução CONAMA nº 2/93 - Estabelece para motocicletas, motonetas, 
triciclos, ciclomotores, bicicletas com motor auxiliar e veículos assemelhados, 
nacionais ou importados, limites máximos de ruído com o veículoem aceleração 
e na condição parado; 
 Resolução CONAMA nº 8/93 - Estabelece a compatibilização dos cronogramas 
de implantação dos limites de emissão dos gases de escapamento com os de 
ruído dos veículos pesados no ciclo Diesel, estabelecidos na Resolução 
CONAMA nº 1/93; 
 Resolução CONAMA nº 20/94 - Institui o Selo Ruído como forma de indicação 
do nível de potência sonora medida em decibel, dB(A), de uso obrigatório a 
partir desta Resolução para aparelhos eletrodomésticos, que venham a ser 
produzidos, importados e que gerem ruído no seu funcionamento; 
 Resolução CONAMA nº 17/95 - Ratifica os limites máximos de ruído e o 
cronograma para seu atendimento determinados no artigo 2º da Resolução 
CONAMA nº 08/93, excetuada a exigência estabelecida para a data de 1º de 
janeiro de 1996. 
Além das Legislações Federais sobre tema, existem diversos instrumentos Legais 
nos âmbitos estaduais e municipais. Particularmente no estado de São Paulo, 
destacamos o programa criado pela Prefeitura de São Paulo. A multiplicidade de 
estabelecimentos geradores de poluição sonora motivou a Administração Municipal a 
controlar e disciplinar esse tipo de atividade, adotando medidas para preservar o sossego 
público e garantir a qualidade de vida por meio da proteção do meio ambiente. A ação 
fiscalizadora como meio de controle e combate à poluição sonora originou o PROGRAMA 
SILÊNCIO URBANO – PSIU. 
Esse programa foi criado pelo Decreto 34.569 de 06 de outubro de 1994 e 
reestruturado pelo Decreto 35.928 de 06 de março de 1996. Sua finalidade principal é 
coibir a emissão excessiva de ruídos produzidos em quaisquer atividades comerciais 
exercidas em ambiente confinado e que possa causar incômodo e interferir na saúde e 
no bem estar dos munícipes, de acordo com as disposições da Lei 11.501/94 alterada 
pela Lei 11.986/96. Iniciando suas atividades ligada à Secretaria Municipal do Meio 
Ambiente, a coordenação do programa passou a ser feita pela Secretaria Municipal de 
Abastecimento (SEMAB), em 29 de fevereiro de 1996, através do Decreto 35.919. 
O PSIU recebe uma grande quantidade de reclamações por mês. Os responsáveis 
pelos estabelecimentos denunciados são oficiados e posteriormente intimados a 
comparecer a SEMAB, para serem orientados a sanar as irregularidades constatadas. 
Persistindo as reclamações, o estabelecimento será vistoriado e, confirmado o problema, 
sofrerá as penalidades previstas pela lei. 
Se forem constatadas durante uma vistoria a emissão excessiva de ruído e a falta 
de licença de funcionamento, o estabelecimento será multado. A persistência da 
irregularidade ocasionará nova multa e o fechamento administrativo. O PSIU exerce 
controle e fiscalização em locais confinados, cobertos ou não, que possam emitir ruídos 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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29 
excessivos, de maneira constante e permanente. Desse modo, pode-se receber 
denúncias de estabelecimentos como: templos religiosos, salas de reuniões, oficinas, 
bares, padarias, boates, salões de festas, restaurantes, pizzarias, casas de espetáculos, 
indústrias e de todo o local sujeito à licença de funcionamento, que possa produzir 
barulho. 
Particularmente em relação às Legislações Federais destacamos três tópicos 
contidos na RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 08 de março de 1990: 
I - A emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades industriais, 
comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, obedecerá, no 
interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes 
estabelecidos nesta Resolução. 
II - São prejudiciais à saúde e ao sossego público, para os fins do item anterior os 
ruídos com níveis superiores aos considerados aceitáveis pela norma NBR 10151 – 
Acústica - Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, visando o conforto da 
comunidade. 
III - Na execução dos projetos de construção ou de reformas de edificações para 
atividades heterogêneas, o nível de som produzido por uma delas não poderá ultrapassar 
os níveis estabelecidos pela NBR 10152 – Níveis de Ruído para conforto acústico. 
Os itens apresentados anteriormente citam as referências normativas que contêm 
as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades, 
especificando método para a medição do ruído e a fixação dos níveis de ruído 
considerados compatíveis com o conforto acústico em ambientes diversos. 
A Norma Regulamentadora NR-17 do Ministério do Trabalho e Emprego(8) (MTE) 
que trata sobre “ERGONOMIA” também dispõe sobre conforto acústico. Nela, são 
apresentadas recomendações para níveis de conforto acústico, sendo referendada a 
norma NBR 10152. A seguir apresentamos um excerto da NR-17 com tais 
recomendações. 
Item 17.5.2. da NR-17 - Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que 
exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, 
laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros, 
são recomendadas as seguintes condições de conforto: 
a) Níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira 
registrada no INMETRO; 
b) Índice de temperatura efetiva entre 20ºC (vinte) e 23ºC (vinte e três graus 
centígrados); 
c) Velocidade do ar não superior a 0,75m/s; 
d) Umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento. 
Item 17.5.2.1. da NR-17 - Para as atividades que possuam as características 
definidas no sub item 17.5.2, mas não apresentam equivalência ou correlação com 
aquelas relacionadas na NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto 
será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 dB. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
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Para os trabalhadores expostos ao ruído, ultrapassadas as condições de conforto 
acústico, a exposição ocupacional ao ruído pode ser considerada como atividade 
insalubre podendo ocasionar perda auditiva. 
A Legislação Brasileira considera como insalubres as atividades ou operações que 
impliquem em exposições a níveis de ruído contínuo ou intermitente por tempos 
superiores aos limites de tolerância fixados pela Norma Regulamentadora NR-15(7), 
anexo I, da Portaria nº 3214 de 08/06/1978, da SSMT/MTE (Ministério do Trabalho e 
Emprego). 
2.5.3. PRINCIPAIS ASPECTOS DA NBR 10151(3) 
Obs: esta foi substituida pela ABNT NBR 10151:2000 Versão Corrigida: 2003. 
O método de avaliação envolve as medições do nível de pressão sonora 
equivalente (LAeq), em decibéis ponderados segundo a curva “A”. Esta curva tem por 
objetivo adequar a resposta do medidor em relação a resposta em frequência do ouvido 
humano. 
Define: nível de pressão sonora equivalente (LAeq), nível de ruído ambiente (Lra), 
ruído com caráter impulsivo, ruído com componentes tonais. 
EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO: medidor e calibrador - mínimo tipo 2 – com 
certificado de calibração pela Rede Brasileira de Calibração (RBC) ou INMETRO. 
As avaliações de nível de pressão sonora devem ser feitas em dB(A). Quando 
forem necessárias medidas para correção ou redução do nível sonoro, segundo a NBR 
10152/1987(1), serão feitas medições complementares com análises de frequências 
(espectros em bandas de oitava). 
2.5.3.1. Procedimentos de medição 
Medição no exterior das edificações que contêm a fonte: 
 Deve-se tomar as precauçõestécnicas para evitar a influência do vento e 
demais condições climáticas, quando relevantes; 
 as medições devem ser efetuadas em pontos afastados aproximadamente 
1,2 m do piso e a pelo menos 2 m do limite da propriedade e de superfícies 
refletoras, como muros, paredes etc.; 
 Na ocorrência de reclamações as medições devem ser efetuadas nas 
condições e locais indicados pelo reclamante; 
 Caso o reclamante indique algum ponto de medição que não atenda às 
condições anteriores, o valor medido neste ponto também deve constar no 
relatório. 
Para medições no interior de edificações: 
 As medições devem ser efetuadas a uma distância de no mínimo 1m de 
quaisquer superfícies (parede, teto, piso e móveis) – mínimo 3 medições (média 
aritmética) em 3 posições distintas, sempre que possível afastadas entre si em 
pelo menos 0,5 m; 
 As medições devem ser efetuadas nas condições normais de utilização do 
ambiente (janelas abertas ou fechadas conforme indicação do reclamante). 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
31 
 Caso o reclamante indique algum ponto de medição que não atenda às 
condições anteriores, o valor medido neste ponto também deve constar no 
relatório. 
 
2.5.3.2 Correções para ruídos com características especiais 
O nível corrigido Lc para ruído sem caráter impulsivo e sem componentes tonais é 
determinado pelo nível de pressão sonora equivalente (LAeq). Caso o equipamento não 
execute medição automática do LAeq (ex.: medidor de leitura instantânea), o mesmo deve 
ser determinado considerando o seguinte cálculo: 
Onde: 
Li = NPS dB(A), lido em “fast” a cada 5 s 
n é nº total de leituras 
 Quando o ruído for impulsivo ou de impacto - Lc = máx LA medido em “fast”, 
acrescido de 5 dB(A); 
 Quando o ruído contiver componentes tonais - Lc = LAeq + 5 dB(A); 
 Quando o ruído contiver ruído impulsivo + componentes tonais - Lc = maior 
nível dos casos anteriores. 
2.5.3.3. Avaliação do ruído 
O limite máximo para o conforto é o Nível Critério de Avaliação (NCA), apresentado 
na tabela 1 da norma, reproduzido a seguir: 
Tabela 2.3. NCA Para Ambientes Externos (NCA ext.) 
TIPOS DE ÁREAS DIURNO NOTURNO 
Áreas de sítios e fazendas; 40 35 
Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de 
escolas; 
50 45 
Área mista, predominantemente residencial; 55 50 
Área mista, com vocação comercial e administrativa; 60 55 
Área mista, com vocação recreacional; 65 55 
Área mista, predominantemente industrial; 70 60 
Os limites de horário para período diurno e noturno da tabela podem ser definidos 
pelas autoridades de acordo com os hábitos da população. Porém, o período noturno não 
deve começar depois das 22h e não deve terminar antes das 7h (domingo ou feriado até 
às 9 h). 
 
n
i
L
eqA
i
n
L
1
1010
1
log10
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
___________________________________________________________________________________ 
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32 
2.5.3.4. Determinação do nível de c’ritério de avaliação – NCA 
NCA PARA AMBIENTES INTERNOS - NCA int. 
NCA int. = NCA ext. – 10 dB(A) [janela aberta] 
NCA int. = NCA ext. – 15 dB(A) [janela fechada]Se o nível de ruído ambiente Lra 
for superior ao valor da tabela 1 para a área e horário em questão, o NCA assume o valor 
do Lra. 
2.5.3.5. Conteúdo necessário para o relatório de ensaio 
 Marca, tipo ou classe e número de série de todos os equipamentos de medição 
utilizados; 
 Data e número do último certificado de calibração de cada equipamento de 
medição; 
 Desenho esquemático e/ou descrição detalhada dos pontos da medição, horário 
e duração das medições do ruído; 
 Nível de pressão sonora corrigido; 
 Nível de ruído ambiente; 
 Valor do nível de critério de avaliação (NCA) aplicado para a área e o horário da 
medição; 
 Referência a essa Norma. 
Exemplo 
Motivada pela reclamação de um morador, uma empresa vizinha avaliou os níveis 
de ruído segundo os procedimentos da NBR 10151:2000 - Versão Corrigida 2003 - no 
interior da habitação nos pontos indicados pelo reclamante. Os níveis medidos e demais 
informações estão apresentados na tabela 2.4. Comparar os resultados com os critérios 
técnico-legais vigentes, relacionados com o conforto da comunidade. 
 
Tabela 2.4. Dados Obtidos 
Situação(1) Descrição(2) 
 
Hora Leq(3) 
dB(A) 
1 
Sala de estar do reclamante (janela 
aberta). 
14:10 43,8 
2 
Sala de estar do reclamante (janela 
fechada). 
22:20 37,5 
3 Quarto (janela aberta). 15:00 41,3 
4 Quarto (janela fechada). 22:30 35,6 
(1) - Situação considerada. A classificação do zoneamento do local onde se encontra a habitação é área 
mista, com vocação comercial e administrativa. 
(2) - Descrição do local de medição. 
(3) - Nível equivalente, em dB(A), para o respectivo ponto de medição, tanto no período diurno 
como noturno. O ruído apresenta características tonais. 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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Considerando-se as informações obtidas, a análise foi resumida na tabela 2.5. 
O critério técnico-legal vigente é da NBR 10151:2000 - Versão Corrigida 2003. Como o 
ruído apresenta características especiais (componentes tonais), o nível equivalente 
medido Leq foi acrescido de 5 dB(A) de forma a compor o nível corrigido LC. 
 O nível de critério de avaliação NCA foi determinado considerando-se o período 
(diurno ou noturno), a condição do local avaliado (janela aberta ou fechada) e a 
classificação do zoneamento (tipo de área), que neste caso corresponde a uma área 
mista, com vocação comercial e administrativa. 
NCAint,(diurno) = 60 – 10 = 50 dB(A) 
NCAint,(noturno) = 55 – 15 = 40 dB(A) 
Como nada foi mencionado, pressupõe-se que o nível de ruído ambiente é inferior 
ao NCA considerado para a área, horário e condição em questão. 
 
Tabela 2.5. Comparação com o Critério 
 
Situação 
 
 Descrição 
 
 
Hora / 
Período 
 Leq 
dB(A) 
Lc 
dB(A) 
NCA 
INTERNO 
dB(A) 
1 
Sala de estar do 
reclamante (janela 
aberta) 
14:10/ 
diurno 
43,8 48,5 50 
2 
Sala de estar do 
reclamante (janela 
fechada) 
22:20/ 
noturno 
37,5 42,5 40 
3 Quarto (janela aberta) 
15:00/ 
diurno 
41,3 46,3 50 
4 Quarto (janela fechada) 
22:30/ 
noturno 
35,6 40,6 40 
 
Comparando-se os níveis corrigidos com o nível de critério de avaliação NCA, 
verificamos que para o período noturno o critério foi superado, sendo procedente a 
reclamação. 
 
2.6. ATENUAÇÃO DE PROTETORES AURICULARES 
2.6.1. O MÉTODO DO RC/NRR 
Este é o método base, que serve para entender as variações que atualmente 
existem. É um método de número único, desenvolvido para ser de uso prático (o tempo 
não atestou isso, como vamos ver). O NIOSH suprimiu a medição espectral, 
anteriormente utilizada no método original. No lugar do espectro do ruído, colocou um 
espectro rosa e um estimador astuto, a diferença C-A, que o corrige tecnicamente, ao 
calcular o NRR, de forma que o ruído real é superestimado em risco, com um nível de 
confiança de 98%. Também foi estabelecido o mesmo nível de confiança (98%) em 
relação aos dados de atenuação do protetor, deduzindo-se dois desvios padrão.Digo 
isto para que se conheça a segurança embutida neste número, que integra os dados do 
protetor e prevê o enfrentamento do pior espectro (percentil 98 em "dificuldade de 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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atenuação"). Feito isto, com uma elegância e prestidigitação científica notáveis, a conta 
do usuário fica simples: ele deve subtrair o NRR do ruído ambiental avaliado em dBC, 
obtendo o nível que atinge o ouvido em dBA. 
 
dBC - NRR = dBA (ouvido) 
 
Observe que tem que ser o dBC, pois o método prevê assim. No próximo tópico, 
vamos discutir qual seria este dBC, que passa a ser o indicador do espectro, e que vai 
ser usado na fórmula. 
 
Para Pensar: 
Quais os conceitos relativos aos "dB" compensados? O que é dBA? O que é 
dBC? Volte ao primeiro módulo, se necessário. 
 
Para Pensar: 
O que se busca é um nível atenuado menor que 85 dBA, para jornadas de 8h. E se 
a jornada for de 12 horas, qual será esse nível? 
 
2.6.2. O MÉTODO DO RC/NRR - QUAL O DBC A USAR? 
Vimos que o trabalho do técnico fica simples: ele deve subtrair o NRR do ruído 
ambiental avaliado em dBC, obtendo o nível que atinge o ouvido em dBA. 
 
dBC - NRR = dBA (ouvido) 
 
É importante discutirmos este dBC que será utilizado na fórmula. Ele deve 
representar a exposição do trabalhador que está sendo protegido. Uma representação fiel 
da exposição, sobretudo quando os níveis são muito variáveis, só é possível com 
dosimetria. Da dosimetria, obtém-se o nível médio da jornada. Porém, esse nível deve 
ser obtido na curva de compensação C, e não A, como se trabalha usualmente. 
Observe-se, portanto, que o dosímetro deverá operar em circuito C. Os dosímetros 
atuais permitem isso, e não é por outro motivo que possuem o circuito C. Se não for 
possível fazer uma dosimetria C, deve-se eleger um nível em dBC que represente a 
jornada. Neste caso, não há alternativa a não ser a escolha do máximo nível dBC da 
jornada, ou seja, da máxima fonte em dBC das situações de exposição. Esta é uma 
consideração a favor da segurança, mas também certamente excessivamente 
coservadora em muitos casos, pois o tempo de permanência sob tal nível pode ser 
mínimo. Do exposto, a melhor opção será a dosimetria C, obtendo-se o nível médio 
Lavg (C). Nossa próxima discussão deve abordar os descontos a serem aplicados ao 
NRR, de forma que seu valor reflita adequadamente as situações de uso real. Isto porque 
o NRR é obtido em condições ideais de laboratório, dificilmente reprodutiveis no dia-a-dia 
das empresas. 
 
Para Pensar: 
Qual o conceito de nível médio (Lavg)?O que o diferencia do Nível Equivalente 
(Leq)? 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.6.3. CORREÇÕES PARA O USO REAL DOS PROTETORES 
Nas partes anteriores definimos que vamos nos limitar aos métodos de número 
único, e vimos o método NIOSH no.2, do Rc ou NRR, que chamaremos também de 
NRR tradicional. Discutimos as possibilidades de consideração do dBC ambiental a ser 
usado na fórmula. Mas, falta ainda considerar as correções a serem feitas quanto ao 
uso real. Isso se deve ao fato de o NRR ser obtido em laboratório, em condições muito 
especiais, e que diferem dramaticamente da realidade de campo. Vejamos: no 
laboratório, os protetores são novos, são colocados por pessoas experientes no perfeito 
ajuste do protetor e orientados / supervisionados por experts dos fabricantes; além disso, 
não há nenhuma interferência negativa dos protetores com outros EPIs . No campo, os 
protetores não são novos, são colocados de forma deficiente, recebem interferências de 
outros EPIs na sua perfeita vedação acústica, e ainda mais: não são usados todo o 
tempo. Para este último caso, há maneiras de considerar os tempos de não uso do 
protetor. Para os outros desvios há fatores de correção que são recomendados pelo 
NIOSH, e que diferem de acordo com o tipo de protetor: 25% de desconto para protetores 
circum-auriculares, 50% de desconto para os protetores de inserção de espuma de 
expansão lenta e 70% de desconto para os protetores de inserção pré-moldados 
(polímeros de forma fixa). Estes descontos devem ser aplicados ao NRR nominal (de 
fábrica) antes de serem usados na equação básica do método nº2. 
 
2.6.4. USO DO DBA AO INVÉS DO DBC 
Tudo o que foi falado até agora, e parte dos valores ambientais do ruído em dBC, 
fazem parte do método do NRR. Mas devido à "sonora" pressão, bastante 
compreensível, de técnicos da área para o uso do dBA ambiental (que todos já possuem 
- é o nível médio das dosimetrias), foi desenvolvida uma alternativa com o uso do dBA 
ambiental. Note-se que no método básico, é a diferença C-A (valor dBC - dBA) 
"representa"o ruído. Sem o dBC, perde-se o indicador e para isso, admite-se que se vai 
enfrentar um ruído muito desfavorável, o que quer dizer, com grande conteúdo de baixas 
frequências. O NIOSH admitiu uma diferença C - A = 7, para representar esse ruído. Na 
fórmula básica, no lugar do dBC teríamos dBA + 7, ou, alternativamente, o NRR seria 
descontado em 7. Por isso, ao usarmos diretamente o dBA ambiental é preciso fazer 
uma subtração de 7 no NRR. Se chamarmos esse NRR para uso do dBA de NRRa, 
então: 
 
NRRa = NRR - 7 
 
Feito isto, o restante das considerações, descontos e fórmulas vistas ficam válidos, 
mas, pelo conceito da correção (ela se aplicaria ao dBA, "levando-o" a um dBC de pior 
caso), observe que é necessário ANTES corrigir o NRR e depois aplicar o (-7). 
 
Para Pensar: 
Por que C-A é um indicador do espectro do ruído? Podemos identificar a 
frequência de um tom puro, com as leituras A e C? 
 
 
 
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2.6.5. O NRRSF 
O que temos falado até agora diz respeito ao NRR que chamaremos de 
"tradicional". Isto, para se contrapor ao NRRsf, que é uma proposta relativamente nova, 
mas já posta em prática inclusive no país. Vários fabricantes já possuem seus protetores 
ensaiados para esse fim, e sabem quais são os NRRsf dos mesmos. Nós vimos que 
devem ser feitos descontos nas atenuações dos NRR "tradicionais", devido às grandes 
diferenças de performance entre o laboratório e o campo. Ora, os pesquisadores 
verificaram que, se os ensaios de laboratórios fossem feitos com sujeitos "ingênuos" 
quanto à proteção auditiva, que apenas leriam as instruções das embalagens, colocando 
então os protetores para fazer o teste, então os dados obtidos se aproximariam do 
desempenho (real) de campo. Trata-se da Norma ANSI S 12. 6 / 97 B. O NRRsf é 
calculado a partir desses dados de atenuação, com algumas peculiaridades, quais 
sejam: o nível de proteção estatístico é de 84% (contra 98% no método tradicional) e 
subtrai-se diretamente do dBA, com correção de 5 ao invés de 7, já embutida no 
número. Portanto: 
dBA - NRRsf = dBA (ouvido) 
Não é necessário fazer nenhuma outra correção, com exceção da devida ao tempo 
de uso real. 
2.6.6. CÁLCULO DE ATENUAÇÃO AO RUÍDO 
Há então 3 métodos apresentados para cálculo de atenuação, com variantes: 
 NRR tradicional, a partir do dBC ambiental, em Lavg; 
- variante: dBC máximo da jornada no lugar do Lavg (C); 
 NRR tradicional, ajustado para uso do dBA ambiental (NRRa = NRR - 7), sendo 
o dBA usualmente o Lavg(A); 
- variante : dBA máximo da jornada; 
 NRRsf , obrigatoriamente a partir do dBA ambiental (seja Lavg(A) ou máximo 
dBA da jornada). 
 
Os dois primeiros casos devem sofrer correções para o uso real, conforme já 
falado. 
Todos os casos devem ter correção para tempo real de uso, se o protetor não for 
utilizado 100 % do tempo. Não foi abordado aqui o método "longo", ou de análise 
espectral, ou o chamado método NIOSH no.1. Todos os 4 métodos (longo, NRR, NRRa, 
NRRsf) são utilizáveis para fins previdenciários, como descrito na nova IN 78 do INSS. 
 
2.6.6.1. Cálculo do tempo real de uso do Protetor Auricular 
Esta correção deve ser feita sempre que o tempo real de uso de um protetor não 
for 100% da jornada. É importante observar que o simples fato de retirar o protetor por 
alguns minutos degrada imediatamente o NRR previsto, reduzindo-o a apenas 3 a 5, se o 
protetor for utilizado apenas 50% do tempo. Para se levar em conta esta degradação, 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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usa-se a tabela a seguir. A tabela 2.6 é uma aproximação razoável das equações 
envolvidas, e de uso mais prático. 
 
Tabela 2.6. Correção do tempo real de uso do Protetor Auricular 
50 75 87,5 94 98 99 99,5 100 (nominal)
NRR
-20 -15 -11 -7 -3 -2 -1 25
-15 -11 -7 -4 -2 -1 -1 20
-11 -7 -4 -2 -1 -1 0 15
-7 -4 -2 -1 -1 0 0 10
240 120 60 30 10 5 2,5 0 (nominal)
Tempo de uso em porcentagem de jornada de 8h
Tempo de não uso em minutos por jornada de 8 horas
Valor a ser descontado
 
 
Exemplo: Um protetor com NRR=25 retirado por 10 minutos é corrigido em -3, ou 
seja, seu valor efetivo será 25-3=22. Para valores intermediários, usar o NRR 
imediatamente superior. 
Esta correção deve ser aplicada após as correções do NIOSH segundo cada tipo 
de protetor, em função das condições de uso real. No caso do NRRsf, não há tais 
correções, mas apenas do tempo de uso (esta correção), se for o caso. 
 
Para Pensar: 
Os maiores valores de NRR tradicional estão ao redor dos 30. Como sempre, pelo 
menos uma correção de 0,7 vai existir, os maiores valores necessários na tabela estão 
entre 20 e 25. OK! 
Se tenho valores intermediários aos da tabela, tanto em termos de NRR como em 
termos de tempo real de uso (tempo de não uso diário), qual a abordagem a favor da 
segurança? 
 Finalizando, segue um roteiro para os casos de uso do NRR tradicional, para todos 
os tipos de protetores, levando em conta os descontos recomendados pelo NIOSH e a 
correção para o tempo real de uso. Notar que o NRR vai sendo gradualmente corrigido 
(NRR*, NRR**, NRR***), segundo o tipo de protetor, o dado ambiental utilizado e o tempo 
real de uso. 
 
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Tabela 2.7. Roteiro para cálculo de atenuação 
PASSO O QUE FAZER COMO FAZER 
1. IDENTIFIQUE O NRR DO 
PROTETOR. 
VERIFICAR EMBALAGEM, 
ESPECIFICAÇÕES OU O C. A. 
2. IDENTIFIQUE A FORMA EM QUE 
FOI AVALIADO O RUÍDO 
AMBIENTAL. 
VERIFIQUE OS DADOS FORNECIDOS DE 
AVALIAÇÃO. 
3. CORRIGIR O NRR OBTENDO O 
NRR* (CORREÇÃO DE USO 
REAL). 
SIGA. 
4. IDENTIFIQUE O TIPO DE 
PROTETOR. 
VERIFICAR PROTETOR, SIGA. 
5. O PROTETOR É CIRCUM 
AURICULAR. 
PASSO 15. 
6. O PROTETOR É DE ESPUMA DE 
EXPANSÃO LENTA. 
PASSO 16. 
7. O PROTETOR É DE POLÍMERO 
(PLÁSTICO) MOLDADO. 
PASSO 17. 
8. CORRIGIR O NRR* OBTENDO O 
NRR** (CORREÇÃO DE TEMPO 
REAL DE USO). 
SIGA. 
9. USE A TABELA DE CORREÇÃO.  ENTRE NA LINHA DO NRR* OU 
IMEDIATAMENTE SUPERIOR. 
 ENTRE NA COLUNA DO TEMPO DE 
NÃO USO EM MINUTOS OU 
IMEDIATAMENTE SUPERIOR. 
 OBTENHA A PERDA P = NO 
ENCONTRO DA LINHA COM A COLUNA 
NA TABELA DADA NA PARTE 6 
DESTA SÉRIE. 
 NRR** = NRR* - (VALOR P) NOTAR 
QUE P JÁ É NEGATIVO NA TABELA, 
USAR O VALOR ABSOLUTO. 
10. A MEDIÇÃO FOI FEITA EM dBC. Vá para o passo 12. 
11. A MEDIÇÃO FOI FEITA EM dBA. Vá para o passo 13. 
12. OBTENHA O VALOR QUE ATINGE 
O OUVIDO. 
dBA = dBC - NRR** 
13. OBTENHA O NRR*** (CORREÇÃO 
PELO USO DO dBA). 
NRR*** = NRR** - 7 
SIGA. 
14. OBTENHA O VALOR QUE ATINGE 
O OUVIDO. 
dBA = dBA - NRR*** 
15. OBTER O NRR* NRR* = NRR x 0,75 VÁ PARA O PASSO 8. 
16. OBTER O NRR* NRR* = NRR x 0,50 VÁ PARA O PASSO 8. 
17. OBTER O NRR* NRR* = NRR x 0,30 VÁ PARA O PASSO 8. 
 
 
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Para Pensar: 
Complete este roteiro introduzindo o NRR sf. Adicione as linhas necessárias, sem 
perder a lógica da tabela. Teste o resultado. 
 
O NRR pode reconhecer e atenuar de forma diferente ruídos diferentes? 
Caso 1 
 serra circular; 
 100 dBA, 97 dBC; 
 NRR = 20; 
 dBA = dBC-NRR; 
 dBA = 97-20=77dBA; 
 redução em dBA= 100-77 = 23 dBA; 
 
Caso 2 
 grande motor diesel; 
 100 dBA, 103 dBC; 
 NRR= 20; 
 dBA = dBC – NRR; 
 dBA=103-20=83dBA; 
 redução em dBA= 100-83 = 17 dBA; 
 
O NRR NÃO PRECISA SER CALCULADO, MAS PODE SER CALCULADO A 
PARTIR DOS DADOS DE ATENUAÇÃO POR FREQUÊNCIA DE UM PROTETOR. 
 
 
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Tabela 2.8. Exemplo de cálculo de NRR de protetores auriculares: 
PROTETOR: 3M, tipo inserção, modelo 1110 
Frequências centrais de banda de oitava 
(Hz); 
125 250 500 1000 2000 4000 8000 
a) Níveis de banda de oitava em dB(A), 
de um ruído rosa arbitrário de 100 dB 
por banda; 
83,9 91,4 96,8 
 
100,0 101,2 101,0 98,9 
b) Atenuações médias; 25,9 34,4 39,7 36,3 38,5 42,9 45,4 
c) Desvios padrão (x2); 8,0 9,6 10,4 6,4 6,2 5,1 7,6 
d) Níveis em dB(A), por banda de 
oitava, “após” o protetor auditivo 
d = a - b + c; 
66,0 66,6 67,5 70,1 68,9 63,2 61,1 
e) Nível global, após o protetor; 75,7 
f) NRR = 107,9* - e - 3,0** (dB) *** 29,2 
PROTETOR: 3M, tipo inserção, modelo 1210 
Frequências centrais de banda de oitava 
(Hz); 
125 250 500 1000 2000 4000 8000 
a) Níveis de banda de oitava em dB(A), de 
um ruído rosa arbitrário de 100 dB por 
banda; 
83,9 91,4 96,8 
 
100,0 101,2 101,0 98,9 
b) Atenuações médias; 30,8 31,8 31,7 32,7 34,3 41,8 45,7 
c) Desvios padrão (x2); 7,2 8,6 5,4 6,2 8,6 8,9 10,7 
d) Níveis em dB(A), por banda de oitava, 
“após” o protetor auditivo d = a - b + c; 
60,3 68,2 70,5 73,5 75,5 68,1 63,9 
e) Nível global, após o protetor; 
79,3 
f) NRR = 107,9* - e - 3,0** (dB) *** 
25,6 
 
 
 
Nota 2.3. 
 
PROTETOR: 3M, tipo concha, modelo 1440 
Frequências centrais de banda de oitava 
(Hz); 
125 250 500 1000 2000 4000 8000 
a) Níveis de banda de oitava em dB(A), de 
um ruído rosa arbitrário de 100 dB por 
banda; 
83,9 91,4 96,8 
 
100,0 101,2 101,0 98,9 
b) Atenuações médias; 15,5 21,8 28,1 29,6 30,5 37,0 40,0 
c) Desvios padrão (x2); 4,4 4,4 5,4 3,4 4,0 4,8 6,0 
d) Níveis em dB(A), por banda de oitava,“após” o protetor auditivo d = a - b + c; 
 
e) Nível global, após o protetor; 
81,4 
f) NRR = 107,9* - e - 3,0** (dB) *** 
23,5 
 
 
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2.7. ESCLARECIMENTOS E DÚVIDAS SOBRE O AGENTE RUÍDO 
2.7.1. PARA COMEÇO DE CONVERSA 
2.7.1.1. O que é som? 
O som, como entendido subjetivamente pelas pessoas, é algo que promove a 
sensação de escutar. Entretanto, fisicamente falando, são as alterações de pressão no 
ambiente (as quais são detectadas pelo sistema auditivo) que produzem o estímulo para 
a audição. São ondas mecânicas (para diferenciarmos das ondas eletromagnéticas), que 
se deslocam “à velocidade do som”, e são capazes de ser refletidas, absorvidas, 
transmitidas em outros meios que não o ar. Som é uma categoria genérica, mas 
podemos distinguir vários tipos de “sons”. O som mais simples, uma onda que se 
constitui em uma única frequência, é chamado de “tom puro”. Este som é raro no dia-a-
dia das pessoas, que está povoado de sons complexos (compostos de várias 
frequências). O som complexo mais estruturado é o som musical que é composto de 
várias frequências, entendidas como uma frequência fundamental (a “nota” musical 
emitida), acompanhada de várias outras, múltiplas de números inteiros da mesma, cada 
qual com sua intensidade e que, no seu conjunto, fornece a sensação de “timbre” 
daquele som (por isso sabemos que alguém está tocando um piano e não um trombone, 
apesar de ser a mesma nota musical). É importante observar que para a pessoa , a 
sensação é de que existe um só “som”, pois o ouvido não consegue analisar e discriminar 
cada frequência, dando ao ouvinte a consciência de cada uma. É uma sensação global 
que associa à “nota” musical recebida um timbre muito característico. Apesar de não 
conseguirmos identificar as frequências formadoras de um som complexo, possuímos 
uma excelente memória de timbres. Sabemos, por exemplo, identificar quem fala ao 
telefone, mesmo em ligações ruins; sabemos quando alguém está mexendo na nossa 
gaveta da cômoda, ou quando fecharam a porta do banheiro ou da área de serviço, pois 
temos esses timbres na memória. 
2.7.1.2. O que é ruído? 
 O ruído é também um conjunto de frequências emitidas simultaneamente, porém, 
neste caso, não existe qualquer relação específica entre elas. Em um dado ruído, podem 
estar presentes (e frequentemente estão) todas as frequências audíveis. Assim, um ruído 
é um “pacote” de frequências, sem relação direta entre as mesmas, que pode cobrir toda 
a gama audível, cada um com uma amplitude (pressão sonora) individualizada. Por isso, 
não faz sentido falar-se em “frequência” como um ruído, pois não é uma só, mas um 
“espectro” de um ruído. Como a energia se distribui pelas frequências, o somatório nos 
dá a sensação global de intensidade subjetiva do mesmo. Apesar disso, podemos falar 
em ruídos onde predominam altas ou baixas frequências, e podemos intuir isso, pois as 
altas frequências dão uma sensação maior de “estridência” e intolerabilidade do que em 
baixas. 
2.7.1.3. Qual a origem do dB? 
O dB, ou decibel, é o décimo do bel (B), uma unidade adimensional que exprime 
uma relação. Essa relação é feita contra um valor de referência arbitrário. Pode-se usar o 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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decibel para qualquer grandeza que varie muito, como é o caso da pressão sonora. A 
pressão sonora causada pela decolagem de um jato é aproximadamente 10 milhões de 
vezes maior do que a menor pressão audível. Para não lidarmos com números enormes, 
adota-se a escala em decibéis. Quem dá um valor em decibéis deve dizer qual a 
grandeza (nível de pressão sonora) e qual o valor de referência (caso da pressão 
sonora, 20 micropascais), o que é frequentemente omitido, pois é universalmente 
definido. 
2.7.1.4. E o dBA? 
O dBA é uma sigla que indica que foi feita uma determinação da pressão sonora 
em decibéis, e que o aparelho aplicou uma correção de medição segundo um padrão, 
chamado curva A de compressão (isto também é universalmente padronizado). Ou seja, 
o aparelho processou sua medição compensando-a segundo a curva A e, portanto, o 
valor passa a ser um dB diferente, o dBA. Quando não há “sobrenome” no dB, infere-se 
que não houve compensação nenhuma, e a leitura é dita “linear”. A curva A é uma curva 
padronizada que busca compensar a leitura originalmente “imparcial” ou linear do 
aparelho por uma que tenha relação com a audição humana. São feitas correções nas 
frequências, de forma a simular a resposta do ouvido humano. Apesar de inicialmente 
aplicar-se a sons de baixa intensidade, hoje ela é universalmente aceita para essa 
compensação, independentemente da intensidade do ruído. A medição em dBA é 
mundialmente considerada na avaliação de ruído contínuo e intermitente. 
2.7.1.5. Por que não posso somar níveis em dB? 
Porque o dB vem de uma operação logarítmica que é feita com a pressão sonora e, 
portanto, somar dB não é somar a pressão sonora. O que tem de ser somado é a 
pressão sonora, e por isso há relações específicas ou tabeladas para se fazer isso. 
Também não faz sentido somar ruídos medidos em pontos diferentes. Somente podemos 
somar essas “ondas”, se elas forem referidas a um mesmo ponto de medição. Lembrar-
se de que o ruído é um fenômeno ondulatório sempre vai ajudá-lo na compreensão de 
todos os fenômenos envolvidos. 
 
2.7.2. MEDINDO O NÍVEL DE PRESSÃO SONORA 
2.7.2.1. Como é possível medir ultrassom? 
O ultrassom é a porção do espectro de ondas de pressão que fica acima da faixa 
audível ao ser humano, ou seja, além dos 20.000 Hz. A demanda por uma avaliação de 
ultra-som se explica, pois admite-se que pode causar perda auditiva, mesmo que não 
escutemos, e existem equipamentos industriais que emitem ultrassom. Para avaliar 
adequadamente o ultrassom, é necessário que o seu microfone “responda” até a faixa 
desejada (aproximadamente 100KHz), assim como o seu aparelho que vai fazer a leitura. 
Equipamentos comuns de avaliação de ruído não são capazes disso, pois por motivos 
econômicos a resposta de frequência está limitada à faixa audível. Alguns equipamentos 
dos tipos I e 0, entretanto, têm resposta até a faixa ultrassônica, bastando que se acople 
um microfone capaz. Verifique, portanto, o seu equipamento . Há critérios para exposição 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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ao ultrassom na ACGIH, cujos TLVs são traduzidos no Brasil pela ABHO (Associação 
Brasileira de Higienistas Ocupacionais). 
 
2.7.2.2. É válido realizar média aritmética de vários valores em dB? 
Aqui a questão tem vários ângulos. Se eu tenho vários valores de uma situação, 
num mesmo ponto de medição, que servem como diferentes “amostras” de uma 
realidade, posso desejar fazer uma média dos mesmos. Não se discute aqui a questão 
temporal dos valores, se são igualmente espaçados, aleatório, instantâneos ou valores 
integrados no tempo. Admitamos que são todas amostras válidas da situação. A média 
então faz sentido, mas, como o dB é obtido a partir de uma operação logarítmica, eu não 
posso fazer uma média aritmética simples, e a média correta seria, também logarítmica 
(emtermos numéricos, porém, a média aritmética é uma razoável aproximação da média 
logarítmica se os valores não variarem muito, ou seja, menos de 6 dB de diferença entre 
o maior e o menor). Uma outra questão é você ter várias leituras, de diferentes pontos de 
uma área. Neste caso, não faz muito sentido tirar uma média, de qualquer natureza, pois 
os valores se referem a pontos de medição diferentes no espaço. Eu não recomendaria 
essa prática. 
 
2.7.2.3. Quais os cuidados ao medir níveis de ruído muito altos? 
Neste caso também convém verificar antecipadamente se o microfone e o medidor 
podem manipular vários níveis de pressão sonora muito elevados (acima de 130 dB). 
Numa avaliação em aeroportos, ou no jateamento de água a extra-alta pressão e alguns 
outros equipamentos, pode-se ultrapassar esses valores. Isto está definido no manual 
dos equipamentos, e os limites não devem ser ultrapassados. No caso do equipamento, 
haverá distorção e leituras erradas; no caso do microfone pode haver deslocamento de 
sensibilidade, ou dano físico com perda total. Não esqueça de se proteger muito bem ao 
fazer as avaliações (dupla proteção, além de limitação no tempo de exposição). 
 
2.7.2.4. Como fazer medições com chuva? 
O trabalho sob chuva pode danificar o aparelho (embora seja fácil protegê-lo), mas 
quem estará sob maior risco será o microfone. Se a chuva for leve, o protetor de espuma 
ortofônica que acompanha o aparelho pode ser uma proteção temporária. Não se admite 
outro tipo de proteção sobre o microfone, sem conhecer seu efeito, pois pode alterar 
(atenuar) as frequências mais altas do espectro do ruído medido. Os microfones tipo 
eletreto pré-polarizado podem se perder, pois, havendo condensação ou gotículas entre o 
diafragma e a base, ele se descarregará irremediavelmente. Para instalações de ruído 
ambiental “ao tempo”, há microfones especiais. Para muita chuva com equipamentos 
comuns, o melhor é não medir. 
2.7.3. CALIBRAÇÃO E AFERIÇÃO 
2.7.3.1. Com que frequência devo calibrar meu medidor de ruído? 
Em avaliações de ruído, os instrumentos devem ser calibrados necessariamente 
antes e depois do conjunto de medições. O normal é que isto ocorra ao início e ao final 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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da jornada de avaliações. Entretanto, se durante o trabalho ocorrerem fatos que 
justifiquem uma recalibração, como choques mecânicos, campos eletromagnéticos muito 
intensos, extremo calor ou frio, a calibração deve ser refeita. Conheça também os limites 
de trabalho de seu medidor, que se encontram no manual de instruções. A calibração 
deve ser acústica, e não apenas a calibração eletrônica interna que alguns equipamentos 
possuem. 
2.7.3.2. Como verificar se o calibrador está ok? 
Os calibradores devem ser aferidos (verificados), em termos gerais, numa base 
anual. Outras periodicidades podem ser aceitas, em casos específicos e para fins 
internos (critério da empresa). Há também exigências normativas (NBR 10151), no caso 
de avaliação de ruído para comunidades, por exemplo, que deverão ser seguidas. O seu 
calibrador de equipamentos é um padrão secundário (local), e deve ser verificado 
comparando-o a um padrão primário (em laboratórios adequados). Se houve variação, o 
novo valor de referência será indicado para uso daí em diante. É também importante 
lembrar que isso pode ocorrer a qualquer tempo, se houver desconfiança (choques 
mecânicos, campos eletromagnéticos muito intensos e extremos de frio e calor). 
 
2.7.3.3. Posso intercambiar calibradores de ruído entre diferentes aparelhos? 
Não, pois o calibrador acústico possui um volume (internamente) entre a face do 
microfone e o atuador acústico que faz parte da calibração. Este volume pode variar entre 
diferentes marcas de produtos, o que pode dar calibrações erradas entre equipamentos 
de marcas diferentes. Dentro de uma mesma marca, não deve haver problemas entre os 
diferentes modelos, mas ainda assim é bom consultar o manual para verificar se o 
modelo de calibrador é o recomendado. O uso de uma triangulação (medidor, calibrador 
certo e calibrador “alienígena” para se verificar o valor corrigido no uso espúrio) é 
tolerável em emergências, mas não é um procedimento técnico normalizado e, portanto, 
inaceitável em trabalhos de responsabilidade técnica. 
 
2.7.3.4. Por que os calibradores têm frequência de 1.000Hz? 
A frequência de 1.000 Hz para calibração de medidores ocupacionais é preferida, 
pois para ela todas as respostas padrão das curvas de compensação coincidem 
(correção de 0 dB). Ou seja, a leitura nas escalas A, B ou C serão a mesma, assim como 
a leitura linear (sem correção). Se o calibrador não tivesse 1.000 Hz, deveria ser 
declarado um fator de correção para o calibrador, de acordo com a curva que estivesse 
sendo usada na calibração, o que, convenhamos, seria meio desajeitado e sujeito a 
erros. 
 
2.7.3.5. Por que os calibradores têm diferentes níveis de calibração? 
Há calibradores que apresentam níveis adicionais aos típicos 94 dB, como 114 dB e 
124 dB. Não há razão especial para que existam obrigatoriamente vários níveis de 
calibração num calibrador, mas se existirem, há uma implicação prática. Ao calibrarmos o 
medidor em ambientes muito ruidosos (acima de 100 dBA), o ruído ambiente pode 
“vazar” para dentro da câmara de calibração, introduzindo erros. Nesse caso, 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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calibradores com nível de calibração típico de 94 dB não podem ser utilizados nesses 
ambientes (o avaliador deveria buscar uma sala tranquila na planta). Se possuirmos 
níveis de calibração mais elevados, esse efeito será atenuado ou eliminado, evitando 
essa preocupação. 
 
2.7.4. FAZENDO A DOSIMETRIA 
2.7.4.1. Devo tirar o dosímetro do trabalhador na hora do almoço? 
Eis aí uma questão que não tem uma resposta definitiva. Se o almoço ocorre em 
refeitório, e o trabalhador tem sua jornada de 8h na área produtiva, efetivamente o 
almoço não faz parte da jornada, sendo o caso de retirar o dosímetro ou colocá-lo em 
“pausa”. Há pessoas que argumentam que o trabalhador está na empresa, e sua 
exposição é global, devendo-se deixar o dosímetro. É importante observar que essa 
postura em favor da segurança é enganosa, pois em um refeitório, “silencioso”, isto é, 
abaixo do limiar de integração do aparelho, em nada ocasionará à dose diária, com o 
inconveniente sério de reduzir o nível médio que, então, ficará diluído em 9h e não em 
8h. Se o nível médio (Lavg) for o parâmetro de avaliação, estaremos agindo contra o 
trabalhador. 
Todavia, se o almoço faz parte da jornada, por acordos coletivos, por exemplo, e 
ainda mais se a refeição é feita na área industrial (“quentinha”), com certeza o dosímetro 
deve ficar instalado e operante. 
 
2.7.4.2. Como ajustar um dosímetro recém adquirido? 
Um dosímetro recém adquirido deve ser ajustado para que opere de acordo com a 
legislação e critérios técnicos do país. O fabricante fará seu aparelho para se adaptar à 
maior quantidade possível de ambientes legais, pois ele quer vender. Mas, nem sempre o 
aparelho é fornecido levando-se em conta o ajuste adequado do país (não espere 
necessariamente que o seu fornecedor tenha feito isso de forma adequada). Portanto, o 
que temos de ajustar será: fator de duplicação (fator q), que deverá ser 5 (isto é a baseda tabela da NR-15 – a cada 5 dBA, dobra-se ou divide-se por 2 o tempo permitido de 
exposição); o nível de critério (valor que fornecerá 100% de dose em jornadas de 8 
horas), que deverá ser de 85 dBA; e por fim, o nível de limiar de integração, que é a linha 
de corte entre os níveis que serão ou não considerados na dose diária, que deverá ser de 
80 dBA. Neste último caso, isto não está previsto na NR-15, mas é um critério técnico 
consolidado e suportado por várias entidades internacionalmente consagradas, como a 
ACGIH, a OSHA e o NIOSH. A Fundacentro também ressalta essa provisão em suas 
normas sobre ruído, desde 1985. 
 
2.7.5. ATENUAÇÃO DE PROTETORES 
2.7.5.1. Posso usar um microfone miniatura dentro do protetor auricular para medir 
a atenuação real do ruído? 
Não se pode considerar este procedimento um processo válido para fins técnicos. 
Ele pode dar uma ideia, apenas, da diferença entre o ruído externo e o interno, naquele 
momento e naquelas circunstâncias. Como o procedimento não existe na forma 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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normalizada, trata-se apenas de uma amostra, não comparável com outras avaliações 
padronizadas. O grande risco é querer tirar conclusões com esse número obtido. Os 
dados de atenuação de protetores devem ser obtidos em laboratório, com metodologias 
normalizadas, e o seu uso é igualmente disciplinado por métodos conhecidos. 
 
2.7.5.2. Posso usar uma cabine audiométrica e calcular a atenuação de um protetor 
de inserção, fazendo o teste com e sem o EPI? 
Este caso é similar ao anterior. Não há validade técnica, pois este não é um 
procedimento normalizado. Existe ainda o risco do fone audiométrico tocar o protetor de 
inserção, dando um “curto-circuito” acústico e falseando ainda mais o experimento. Não 
se recomenda esse procedimento; mais especificamente, não se recomenda usar a 
atenuação obtida desta forma improvisada para nenhum fim técnico legal. O dado 
fornece apenas uma ideia grosseira da atenuação que deve ser verificada 
adequadamente com metodologia normalizada e em laboratórios específicos para tal. 
 
2.7.6. DÚVIDAS INICIAIS 
2.7.6.1. Qual a diferença entre Lavg e Leq? 
O Leq é um nível obtido ao longo de um período, que é um equivalente energético 
médio da história do nível real ocorrido. Por isso ele é “equivalente”. A exposição ao nível 
real, variável, no período, é energeticamente igual à exposição ao Leq, no mesmo 
período. O Leq é obtido de medidores integradores, ou de dosímetros que estejam 
operando com q=3 (lembramos aqui que a provisão de q=3 representa o princípio de 
igual energia, pois a cada 3 dB, dobra-se ou divide-se por 2 a potência sonora). Já o Lavg 
é um nível médio (avg é abreviação de average, média em inglês) que é obtido a partir da 
dose de ruído (para qualquer fator q diferente de 3 de um dosímetro). O Lavg é o nível 
constante que produziria a mesma dose no mesmo período em que o nível real variou. 
Ele é obtido a partir da dose de ruído medida e do tempo de operação. No nosso caso 
(ver a questão de ajuste de um dosímetro), como trabalhamos com q=5, todo nível obtido 
será um nível médio (Lavg), mas nunca equivalente, no sentido energético. Os dois 
valores serão como regra diferentes. Observe também que textos antigos, assim como 
manuais de equipamentos, podem não fazer essa distinção adequadamente. 
 
2.7.6.2. Posso usar sem medo o nível de ruído extrapolado para 8 horas fornecido 
pelo dosímetro? 
Quando a dosimetria não pode abraçar toda a jornada, então o que temos é uma 
amostra. Se a amostra for representativa (e aqui contam o conhecimento da tarefa e a 
experiência do higienista), então, os dados da amostra podem ser extrapolados para toda 
a jornada em um procedimento tecnicamente válido. Todavia, os aparelhos fazem isso, 
automaticamente, desde os primeiros minutos de operação do dosímetro. Esse número 
não está validado por nenhuma observação profissional, e é apenas um parâmetro 
calculado pelas rotinas internas do aparelho. Em outras palavras, o dosímetro não 
substitui o higienista, e a dose extrapolada da jornada, a partir da amostra, pode não 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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fazer sentido, se não for validada pela observação e conhecimento do que ocorreu em 
campo. 
 
2.7.6.3. Afinal, qual é melhor, q=3 ou q=5? 
Não se trata de ser melhor, mas de respeitar um princípio básico ocupacional: se a 
energia dobrar, o tempo de exposição deve ser a metade, ou seja, o princípio de igual 
energia. Isso significa que, seja qual for o nível de exposição, o trabalhador receberia a 
mesma energia limite, pois é a energia que causa dano. O fator que respeita o princípio 
de igual energia é o de q=3. Isto significa dar proteção adequada, dentro das premissas 
de igual energia e dos valores-limite de exposição que forem definidos. Já o valor de q=5 
é uma consideração que vem dos anos 60, foi baseada em algumas evidências que mais 
tarde não se mostraram as mais adequadas, mas foi usado mundialmente por longo 
tempo. Já foi abandonado na Europa há muitos anos, e as entidades técnicas da área, 
notadamente a ACGIH (e no Brasil a Fundacentro) já recomendam que se passe para 
q=3. 
 
2.7.6.4. Posso transformar uma leitura em dBC para dBA? 
É comum que se imagine que haveria uma forma de “transformar” leituras obtidas 
por um tipo de compensação para outro, mas isso é impossível sem que se conheça 
detalhadamente o espectro do ruído. Conhecendo-se o espectro, podem ser feitos 
cálculos para obter qualquer tipo de leitura compensada, pois essas compensações são 
padronizadas. Você pode pensar que elas são padronizadas, deve haver um jeito de 
fazer o processo inverso, obter a leitura não compensada (linear) e depois compensar 
para a outra curva desejada... Por que não é assim? Porque, depois de compensado, não 
há como “restaurar” o espectro original. Uma leitura em dBA já inclui o somatório da 
contribuição de todas as frequências audíveis, devidamente ponderadas no ato de medir, 
para aproximar a audição humana. O aparelho não explicita o espectro do ruído, apenas 
o mede obedecendo a curva de compensação e integra a energia total, que é expressa 
em dBA. Para se conhecer o espectro, é necessária uma avaliação por faixas de 
frequência, com filtros especiais, explicitando o “conteúdo” do ruído. 
 
2.7.7. ALGUMAS CURIOSIDADES 
2.7.7.1. Por que os sons e ruídos de baixa frequência se ouvem em toda a parte? 
Primeiro, é preciso lembrar que além da frequência, uma onda sonora tem uma 
dimensão física, ao seu comprimento de onda. É difícil visualizar isso, mas fazendo um 
paralelo com as ondas mecânicas na água, vejam que o surfista prefere a onda “grande”, 
mas que demora para passar. Ela tem uma frequência baixa, mas ocupa uma dimensão 
grande que o interessa. Não é apenas “maior”, mas mais longa. As baixas frequências 
possuem grandes comprimentos de onda (estamos falando de sons mais “graves” do 
espectro – um tom puro de 20 Hz tem um comprimento de onda de 17 metros). As ondas 
de baixa frequência não conhecem obstáculos, pois para ser um obstáculo respeitável, 
ele deve ser da ordem de grandeza do comprimento de onda. Por isso, os ruídos de 
baixa frequência se propagam a longas distâncias, pois não se encontram realmente 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído___________________________________________________________________________________ 
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obstáculos, e são esses que se escutam em toda a planta e mesmo nos vizinhos, na 
comunidade, gerando queixas. Além disso, o ar absorverá menos os sons de baixa 
frequência, pois há menos movimentação das moléculas do ar, onde ocorre a dissipação 
da energia da onda. 
 
2.7.7.2. Quanto eu ganho em redução do ruído me afastando da fonte? 
Em um ambiente aberto, cada vez que dobramos nossa distância inicial à fonte 
sonora, o nível cairá 6 dB. Daí se percebe que é bom negócio afastar-se das fontes, além 
de envolver geralmente um baixo custo, ou até gratuitamente (medidas administrativas 
para afastar “expostos” de fontes intensas). 
 
2.7.7.3. Como seria uma boa parede para isolar ruído? 
No sentido estrito de isolamento, ou seja, uma partição entre dois ambientes, a 
redução será tanto maior quanto mais “massuda” for a parede (quantos quilos ela pesa 
por metro quadrado). O isolamento também será melhor para espectros de alta 
frequência do que para as baixas frequências (é sempre mais difícil lidar com baixas 
frequências, como já vimos). Por isso, concreto é melhor que alvenaria, alvenaria é 
melhor que blocos, blocos são melhores que gesso, gesso é melhor que divisória 
simples, divisória é melhor que uma cortina de pano... 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.8. TESTES 
1. Considere as afirmações abaixo sobre o som: 
I – Som é uma variação da pressão atmosférica capaz de sensibilizar nossos 
ouvidos; 
II – O decibel é utilizado devido à grande variação na faixa de valores usuais; 
III – O som é sempre um ruído; 
IV – Ruídos são sons que nos causam desconforto. 
Agora selecione a melhor alternativa: 
a) Apenas II é falsa 
b) Apenas III é falsa 
c) Apenas I e II são verdadeiras 
d) Apenas I e IV são verdadeiras 
e) Todas são verdadeiras 
2. Qual a alternativa correta com relação ao decibel (dB) 
a) É uma escala log normal de relação de grandezas. 
b) Não é uma unidade, mas sim uma relação adimensional. 
c) Só pode ser utilizado para sons. 
d) O limiar de dor é atingido com 60 dB. 
e) Pode ser somado algebricamente. 
3. Para uma jornada de trabalho de 8 horas, qual o valor máximo em dB que o 
trabalhador pode estar exposto continuamente, de acordo com as normas 
brasileiras? 
a) 70 
b) 75 
c) 80 
d) 85 
e) 90 
4. Qual a alternativa correta com relação às medições do nível de pressão sonora, 
segundo a NBR 10151:2000 Versão Corrigida:2003? 
a) As medições no interior e exterior de edificações possuem os mesmos 
procedimentos. 
b) Os pontos de medição podem estar a qualquer distância do piso. 
c) Caso o reclamante indique algum ponto de medição que não atenda às 
condições “padrão”, o valor medido neste ponto deve ser excluído do relatório. 
d) A influência do vento é sempre considerada desprezível. 
e) Na ocorrência de reclamações as medições devem ser efetuadas nas condições 
e locais indicados pelo reclamante. 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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5. Qual a equação que define a relação adimensional: 
a) L= 10.log(P/P0) 
b) L= 15.log(P/P0) 
c) L= 20.log(P/P0) 
d) L= 30.log(P/P0) 
e) n.d.a 
6. Qual é a larga faixa de frequência que o ouvido humano responde (faixa audível): 
a) 16-20Hz a 16-20kHz 
b) 16-20Hz a 16-20MHz 
c) 16-20kHz a 16-20MHz 
d) 16-20MHz a 16-20GHz 
7. Qual é o nível de início do estresse auditivo: 
a) 50 dB 
b) 55 dB 
c) 70 dB 
d) 85 dB 
e) n.d.a 
8. A somatória de dois valores iguais, considerando 65dB, vamos obter? 
a) 67,5 dB 
b) 69 dB 
c) 68 dB 
d) 66,5 dB 
e) n.d.a 
9. Em um ambiente aberto, cada vez que dobramos nossa distância inicial à fonte 
sonora, o nível cairá? 
a) 4 dB 
b) 3 dB 
c) 5 dB 
d) 6 dB 
e) n.d.a 
 
 
Capítulo 2. Avaliação e Controle da Exposição Ocupacional ao Ruído 
 
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2.9. EXERCÍCIOS 
1) Para um protetor com NRR=29, tipo espuma de expansão lenta, que não é 
usado por 30 minutos na jornada, qual o NRR corrigido (uso real e tempo real de 
uso)? 
 
 
 
Resposta: 12,5 
 
 
2) Qual a exposição final de uma situação com Lavg(C)= 102, usando-se um 
protetor circum-auricular com NRR= 21 e uso de 100% do tempo da jornada? 
 
 
 
Resposta: 86,25 dB(A) 
 
 
3) A dosimetria de uma exposição, para fins de insalubridade, é de 193% e jornada 
de trabalho é de 6 horas. Usa-se um protetor de polímero (forma fixa) de NRR=14, 
por todo o tempo de jornada. Qual o nível atenuado? 
 
 
 
Resposta: O método não evidencia proteção 
 
 
4) O NRRsf de um protetor é 14,5. A dosimetria convencional é 300%. Qual o nível 
atenuado? 
 
 
 
Resposta: 78,4 dB(A) 
 
 
5) Qual o máximo dBC para o qual um protetor de espuma de expansão lenta com 
NRR=28, dará poroteção, se usado 100% do tempo? Considerar jornada de 8 
horas. 
 
 
 
 Resposta: 99 dB(C) 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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CAPÍTULO 3. EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ÀS VIBRAÇÕES MECÂNICAS 
Prof. IRLON DE ÂNGELO DA CUNHA 
 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Apresentar os principais problemas causados pelas vibrações mecânicas no corpo 
humano, objetivando uma avaliação deste agente de risco para que se possa tomar 
eventuais medidas preventivas. 
 
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a identificar: 
 
 Os principais parâmetros mecânicos e termos utilizados na avaliação deste agente 
de risco; 
 Os principais efeitos à saúde e as relações dose-resposta apresentadas nos 
critérios internacionais; 
 Os conteúdos básicos, a aplicação e reflexos do critério legal, normas e critérios 
internacionais: ISO 5349:1986, ISO 5349-1:2001, ISO 5349-2:2001, ISO 2631-
1:1985, ISO 2631-1:1997, Limites da ACGIH, Diretivas Européias; 
 As características gerais e montagem do instrumental e acessórios utilizados na 
medição da vibração em campo, a utilização de adaptadores e suas implicações; 
 Os elementos mínimos de um programa de controle dos riscos devidos à 
exposição às vibrações e sua interação com o PPRA (Programa de Prevenção de 
Riscos Ambientais – NR 9). 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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3.1. PRÉ-REQUISITOS 
Para participação neste módulo, o aluno deverá ter conhecimentos prévios sobre 
relações logarítmicas, operação com decibéis, análise de frequência, curvas e filtros de 
ponderação e sua aplicação. Neste sentido, é fundamental que o aluno tenha participado 
previamente do módulo que trata sobre a exposição ocupacional ao ruído. 
3.2. EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL ÀS VIBRAÇÕES – OCORRÊNCIAS 
Trabalho com máquinas pesadas: tratores; caminhões; máquinas de 
terraplanagem; grandes compressores; ônibus; aeronaves e outros. 
Operações com ferramentas manuais vibratórias: marteletes, britadores,rebitadeiras, compactadores, politrizes, motosserras, lixadeiras e outras. 
3.3. CLASSIFICAÇÃO DAS VIBRAÇÕES TRANSMITIDAS 
Vibrações de corpo inteiro: são vibrações transmitidas ao corpo com o indivíduo na 
posição sentado (reclinado ou não), em pé ou deitado. 
Vibrações localizadas: são vibrações que atingem certas regiões do corpo 
principalmente mãos, braços e ombros. 
 
3.4. CRITÉRIO LEGAL 
A Legislação Brasileira prevê através da Norma Regulamentadora NR-15 - Anexo 
8, com redação dada pela portaria n.º 12 de 1983, que as atividades e operações que 
exponham os trabalhadores sem proteção adequada às vibrações localizadas ou de 
corpo inteiro serão caracterizadas como insalubres através de perícia realizada no local 
de trabalho. A perícia visando a comprovação ou não da exposição deve tomar por base 
os limites de exposição definidos pela Organização Internacional para a Normalização em 
suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349, ou suas substitutas. Em relação ao laudo 
pericial, a legislação determina que os seguintes itens deverão constar obrigatoriamente: 
 Critério adotado; 
 Instrumental utilizado; 
 A metodologia de avaliação; 
 A descrição das condições de trabalho e do tempo de exposição às vibrações; 
 Resultado da avaliação quantitativa; 
 As medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade quando 
houver. 
A insalubridade quando constatada no caso da vibração, está classificada como 
grau médio, assegurando ao trabalhador a percepção de adicional incidente equivalente 
a 20% (vinte por cento) sobre o salário mínimo da região. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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54 
3.5. MODELO MECÂNICO SIMPLIFICADO DO CORPO HUMANO (RESSONÂNCIAS) 
Os efeitos da vibração no homem dependem, entre outros aspectos das 
frequências que compõe a vibração. A figura 3.1 fornece as faixas de ressonâncias 
típicas em função de determinadas partes ou estruturas do corpo humano. É interessante 
observar que de forma geral as baixas frequências são mais prejudiciais. Os medidores 
de vibração deverão, portanto, possuir filtros de ponderação que levem em conta essas 
características. 
 
 
 
Figura 3.1. Modelo simplificado do corpo humano [Fonte: Bruel & Kjaer, 1988] 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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55 
3.6. SELEÇÃO DE PARÂMETROS 
Os principais parâmetros utilizados na determinação da vibração são apresentados 
na figura 3.2 a seguir e estão matematicamente relacionados entre si. 
 
 
 
Figura 3.2. Parâmetros para apresentação da vibração [Fonte: Bruel & Kjaer, 1988] 
 
O parâmetro de maior interesse a ser utilizado na questão ocupacional é a 
aceleração. Além da aceleração expressa em m/s2, a vibração pode também ser 
representada pelo nível de aceleração, expresso em dB, calculado conforme expressão 
abaixo: 
 
La = 20 log [a/a ref.] (dB) 
a  aceleração medida em m/s2 
aref.  valor de referência = 10–6 m/s2 
 
O fator de crista FC obtido a partir da razão Vpico/Vrms fornece um referencial 
sobre o comportamento do sinal. Para valores de FC elevados, ou seja, com a ocorrência 
de picos significativos, pode ser necessária a utilização de métodos e procedimentos 
específicos na medição e avaliação da exposição. Esses métodos e procedimentos estão 
descritos nos critérios técnicos apresentados ao longo do curso. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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56 
3.7. VIBRAÇÕES LOCALIZADAS – EFEITOS DA EXPOSIÇÃO 
Os principais efeitos devido à exposição à vibração no sistema mão-braço podem 
ser de ordem vascular, neurológica, ósteoarticular e muscular. A evolução da doença 
nos seus diversos estágios em função da exposição diária, ao longo de meses, pode ser 
observada por meio da descrição realizada por Taylor e Pelmear conforme resumo a 
seguir: 
 Formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são 
usualmente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em 
outras atividades. São os primeiros sintomas da síndrome; 
 Mais tarde, o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de dedos, 
confinados primeiramente às pontas, entretanto, com a continuidade da 
exposição os ataques podem se estender à base do dedo; 
 Frio frequente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos com o 
mecanismo de disparo como: a temperatura central do corpo, a taxa metabólica, 
o tônus vascular (especialmente cedo pela manhã ) e estado emocional; 
 Os ataques de branqueamento duram usualmente de 15 a 60 minutos, nos 
casos avançados podem durar 1 ou 2 horas . A recuperação se inicia com um 
rubor, uma hiperemia reativa, usualmente vista na palma, avançando do pulso 
para os dedos; 
 Nos casos avançados, devido aos repetidos ataques isquêmicos, o tato e a 
sensibilidade à temperatura ficam comprometidos. Há perda de destreza e 
incapacidade para a realização de trabalhos finos; 
 Prosseguindo a exposição, o número de ataques de branqueamento se reduz, 
sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos; 
 Finalmente, pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos 
(acrocianose). 
3.8. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO TRANSMITIDA ÀS MÃOS 
A severidade da vibração transmitida às mãos nas condições de trabalho é 
influenciada pelos seguintes fatores: 
 Espectro de frequências da vibração; 
 Magnitude do sinal de vibração; 
 Duração da exposição diária e tempo total de exposição à vibração; 
 Configuração da exposição (contínua, com pausas, tempos relativos), e método 
de trabalho; 
 Magnitude e direção das forças aplicadas pelo operador ao segurar a 
ferramenta ou peça; 
 Posicionamento das mãos, braços e corpo durante a operação; 
 Tipo e condição do equipamento, ferramenta ou peça; 
 Área e localização das partes das mãos que estão expostas à vibração. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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57 
3.9. ISO 5349: 1986 - PRINCIPAIS ASPECTOS 
A norma ISO 5349 (1986) intitulada “Guia para medição e análise da exposição 
humana à vibração transmitida às mãos” fornece procedimentos gerais para avaliação 
dos níveis de vibração periódica ou aleatória em mãos e braços. Não especifica limites 
seguros em termos da aceleração e exposição diária, nem os riscos de danos à saúde 
para as diferentes operações e ferramentas existentes. Os principais aspectos 
considerados na norma estão relacionados a seguir: 
3.9.1. MÉTODO DE MEDIÇÃO: 
 Consiste na medição da aceleração em bandas de terças de oitava ou da 
aceleração ponderada em frequência equivalente em energia, transmitida às 
mãos na direção dos três eixos ortogonais definidos pela norma. As frequências 
consideradas nas medições devem abranger pelo menos a faixa de 5 a 1500 
Hz, a fim de cobrir as bandas de terças de oitava com frequências centrais de 8 
a 1000 Hz; 
 O acelerômetro deve ser montado no ponto (ou próximo) onde a energia é 
transmitida às mãos. Se a mão está em contato com a superfície vibrante o 
transdutor pode ser montado diretamente nessa estrutura, se existirmaterial 
resiliente entre a mão e a estrutura é permitida a utilização de uma adaptação 
para montagem do transdutor. Cuidados devem ser tomados para evitar 
influências significativas na vibração medida; 
 A vibração deve ser medida nos três eixos ortogonais (figura 3.3). Qualquer 
análise efetuada deve ter por base o maior valor obtido em relação a esses 
eixos; 
 A magnitude da vibração deve ser expressa pela aceleração eficaz (r.m.s) ou 
em dB ( a ref = 10-6 m/s2); 
 Para sinais contendo altos picos de aceleração, precauções devem ser tomadas 
para evitar erros devido a sobrecargas em partes do sistema de medição. Deve-
se utilizar transdutores pequenos e leves. Para reduzir a interferência causada 
por sinais com altos picos de aceleração pode ser necessário o uso de filtro 
mecânico; 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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58 
 
 
Figura 3.3. Sistemas de coordenadas para mãos e braços (ISO 5349:1986) 
 
 Normas adicionais devem ser consultadas para medição da vibração em 
ferramentas e processos específicos; 
 O registro da exposição à vibração deve considerar as pressões de preensão e 
forças estáticas usualmente empregadas na aplicação da ferramenta e no 
acoplamento da mão com o equipamento; 
 Para subsidiar as estimativas do tempo total de exposição diária devem ser 
tomadas amostras representativas das diversas condições de operação, suas 
durações e intermitências. As condições e tempos de exposição devem ser 
registrados, bem como as posturas das mãos e braços, ângulos do pulso, 
cotovelos e ombros relacionados aos procedimentos de operação ou condições 
individuais. 
3.9.2. CARACTERIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO À VIBRAÇÃO: 
 A análise da exposição à vibração está baseada na exposição diária. Para 
facilitar as comparações entre diferentes durações de exposição, a exposição 
diária é expressa em termos da aceleração ponderada em frequência 
equivalente em energia para um período de 4 horas. Se a exposição diária total 
à vibração for diferente de 4 h, deve ser determinada a aceleração equivalente 
em energia correspondente a um período de 4 h, conforme equação que segue: 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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59 
 


0
2/12 }{ )]([)(
,
4
1
)4(,
dttaa
whTeqwh
 (3.1) 
Onde: 
)4(, )( eqwha é a aceleração equivalente em energia para um período de 4 
horas. 
)(, ta wh corresponde ao valor instantâneo da aceleração ponderada. 
 = duração total da jornada diária em horas. 
T4 = 4 horas. 
 
Para conversão da aceleração equivalente medida em períodos diferentes de 4 
horas na aceleração equivalente em energia (4h) pode ser utilizada a seguinte equação: 
 
)(,
2/1
4
)4(,
)()( )(
TeqwhT
T
eqwh
aa 
 (3.2) 
Onde: 
)(, )( Teqwha
 é a aceleração equivalente em energia ponderada correspondente 
ao período de T horas. 
 
Se a exposição diária total for composta por diversas exposições parciais em razão 
da atividade/operação executada, a aceleração total pode ser obtida pela expressão: 
 
2/1
1
2
)(,)(, }{ ])([)( 1 

n
i
iiteqwhTeqwh
taa
T
(3.3) 
Onde: 
)(, )( iteqwha
é a aceleração equivalente ponderada correspondente à i-ésima 
componente de duração ti em horas. 
T é a duração total de todas as exposições 


n
ii
itT
 (3.4) 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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60 
 A norma, em seu anexo A, apresenta uma relação dose-resposta (figura 3.4) 
que possibilita calcular o período de exposição (na faixa de 1 a 25 anos) 
requerido antes da ocorrência de várias incidências (10 a 50%) de 
branqueamento dos dedos, decorrentes da exposição à vibração, 
correspondente a energia equivalente em 4 h para magnitudes na faixa de 
2 a 50 m/s2. Esta relação dose-resposta, baseia-se em aproximadamente 40 
estudos, com exposições de até 25 anos. Exposições habituais, cotidianas, 
trabalho durante todo o dia com somente um tipo de ferramenta ou em um 
processo industrial no qual a vibração é transmitida as mãos; 
 A aceleração medida pode ser apresentada em termos da componente 
ponderada em frequência ou valores em faixas de oitava ou terças de oitava 
(recomendada para fins de pesquisa); 
 O anexo B da norma contém recomendações preventivas de ordem médica, 
métodos de controle de engenharia, ações de caráter administrativo e 
treinamento do operador. Os anexos A e B não constituem partes oficiais da 
norma; 
 Os dados medidos em faixas de oitava ou terças de oitava podem ser 
convertidos em aceleração ponderada para fins de utilização da relação dose-
resposta. O valor da aceleração ponderada pode ser calculado a partir da 
expressão: 
 



n
j
jhjwh aKa
1
2
,, )(
 (3.5) 
Onde: 
Kj - é o fator de ponderação correspondente a j-iésima banda de oitava ou terça 
de oitava dada. Os valores de Kj são apresentados na tabela 3.1. 
jha ,
 - é a aceleração medida na j-iésima banda de oitava ou terça de oitava 
n - corresponde ao número de bandas que está sendo utilizado. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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61 
Tabela 3.1. Valores de Kj para conversão de medições em bandas de terças de oitava ou 
em oitava (frequências centrais em negrito) para valores ponderados. 
FREQUÊNCIA 
(Hz) 
FATOR DE PONDERAÇÃO 
(Kj) 
6,3 1,0 
8,0 1,0 
10,0 1,0 
12,5 1,0 
16 1,0 
20 0,8 
25 0,63 
31,5 0,5 
40 0,4 
50 0,3 
63 0,25 
80 0,2 
100 0,16 
125 0,125 
160 0,1 
200 0,08 
250 0,063 
315 0,05 
400 0,04 
500 0,03 
630 0,025 
800 0,02 
1000 0,016 
1250 0,0125 
 [FONTE: ISO 5349:1986] 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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62 
 
 
 [ FONTE: ISO 5349: 1986 ] 
Figura 3.4. Tempo de exposição para incidência de branqueamento nos dedos para 
diferentes percentis do grupo da população exposta a vibração nos três eixos de 
coordenadas. 
 
A relação dose-resposta pode ser aproximada pela relação: 
)4,(,
2
1
9,5
heqwh
E a
C
T

 (3.6) 
Onde: 
TE = tempo de exposição em anos. 
C = percentil de pessoas susceptíveis de serem afetadas. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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63 
 
Quadro 3.1. 
Determine )(, )( Teqwha , )4(, )( eqwha , sabendo-se que a exposição diária de um 
operador à vibração é composta pelas seguintes acelerações e tempos respectivos: 
0,9 m/s2 por 1h; 4,7 m/s2 por 3h; 6,1 m/s2 por 2 h. 
 
Resposta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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64 
 
Quadro 3.2. 
O ciclo de exposição um trabalhador à vibração foi determinado. Sabendo-se 
que o mesmo é representativo e a exposição diária total é de 6 horas, faça uma 
análise da exposição considerando os limites da ACGIH. 
Ciclo determinado 
Aceleração [m/s2] 2,1 3,9 4,2 1,3 7,1 
Tempo [min] 15 12 8 15 10 
 
Resposta: 
Exposição diária: 6 horas. 
Tempo total de exposição: 60 minutos (15+12+8+15+10). 
A cada 60 minutos (uma hora) o trabalhador sofre essa exposição; portanto 
6 vezes no turno (6 repetições). 
Então, a cada uma hora o trabalhador fica exposto às acelerações da tabela 
acima. 
Sendo o ciclo apresentado representativo da exposição do operador, 
verificamos que para uma exposição total de 6h, os tempos no ciclo devem 
ser multiplicados por 6 (seis repetições) logo: 
 
 
Neste caso, a aceleração equivalente determinada no ciclo é a mesma no 
final das seis horas, uma vez que o ciclo é representativo. 
Segundo a ACGIH, para tempo um total de contato diário da vibração com a 
mão, seja continuamente ou intermitentemente, entre 4 a 8 horas, o valor 
da componente de aceleração dominante, rms, ponderada, não deve 
ultrapassar o valor de 4 m/s2. Neste caso o limite não foi atingido (3,9 m/s2). 
 
Nesse exercício, por coincidência, as repetições tem o mesmo número das 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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65 
horas de exposição (seis). 
Se a 
Exposição diária: 6 horas. 
Tempo total de exposição: 30 minutos (15 + 15) 
Em 6 horas de exposição teríamos então 12 repetições, resultando em: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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66 
 
Nota 3.1. 
Um operador executa o mesmo tipo de operação (acabamento em pequenas 
peças forjadas), utilizando-se de uma esmerilhadeira orbital pneumática, ao longo da 
jornada. A vibração medida no eixo com maior aceleração apontou um valor de 2,2 
m/s2. Os tempos efetivos de uso da ferramenta estão indicados quadro que segue. 
Pede-se : )(, )( Teqwha , )4(, )( eqwha , tempo de exposição para incidência de 
branqueamento nos dedos considerando o melhor percentil, segundo norma ISO 
5349:1986. 
 
Período de operação 
(h:mim) 
8:15 às 
8:45h 
9:30 às 
10:15h 
10:45 às 
11:15h 
14:00 às 
14:40h 
16:00 às 
16:35h 
 
Resposta: 
O tempo total de utilização da ferramenta corresponde a soma: 
T = 30mim + 45min+30min+40mim+35min = 180 mim 
horasTcomsm
Teqwh
a 32/2,2
)(,
)(  
2/9,1)( 2,22/1
4
3
)4(,
)( sma
eqwh
 
 
 
Segundo relação dose-resposta da ISO, o tempo aproximado em anos (TE) 
para incidência de branqueamento nos dedos considerando o percentil que 
garante maior proteção à população exposta (90% →C=10) pode ser determinado 
pela expressão: 
)4,(,
2
1
9,5
heqwh
E a
C
T


  
anosTE 8,15
9,1
109,5 2
1



 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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67 
3.10. MONTAGEM DO SISTEMA DE MEDIÇÃO, TIPOS E CARACTERÍSTICAS DE 
ACELERÔMETROS. 
 
 
 
[Fonte: Bruel & Kjaer, 1982] 
Figura 3.5. Montagem dos Acelerômetros 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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68 
3.11. UTILIZAÇÃO DE ADAPTADORES 
3.11.1. RESTRIÇÕES E CUIDADOS 
A montagem dos acelerômetros de forma fixa nas ferramentas, mediante a 
utilização de braçadeiras, cola, ou prisioneiros (“parafusos”) pode ser inviável em 
algumas situações, devido às características dessas ferramentas, ou pela presença de 
materiais resilientes na superfície das manoplas de apoio. Nestes casos é permitida a 
utilização de adaptadores (figura 3.6) 
Esses adaptadores possuem respostas em frequência específicas (figura 3.7) que 
podem limitar a sua aplicação. Como exemplo, citamos o adaptador para mãos (item b 
da figura 3.6) que possui uma resposta em frequência mais restrita em relação ao 
adaptador para manopla (item a e c da figura 3.6), não sendo recomenda a sua utilização 
em ferramentas de percussão. 
Atualmente vários fabricantes disponibilizam adaptadores no mercado, o higienista 
deve estar atento às suas aplicações, características e limitações de acordo com as 
recomendações fornecidas pelos mesmos. 
 
 
 
 
[FONTE: Bruel & Kjaer, 1989] 
Figura 3.6. Adaptadores - montagem 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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69 
 
[FONTE: Bruel & Kjaer, 1989] 
Figura 3.7. Adaptadores – Eixos e Resposta em Frequência 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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70 
Em 2001 a Organização Internacional para Normatização publicou a revisão da ISO 
5349:1986 em duas partes: ISO 5349-1:2001 e ISO 5349-2:2001. A seguir são 
apresentadas as principais modificações. 
 
 
Figura 3.8. Relação Dose-resposta ISO 5249:2001(E) – caráter informativo 
 
   06,188,31  ADy
 
 
 
222
hwzhwyhwxhv aaaa 8
)8( TaA hw 


n
i
ihwi TaA
1
2
8
1)8(
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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71 
3.11.2. MEDIÇÃO TRIAXIAL (ISO 5349-2:2001) 
3.11.2.1. CASO 1 – Vibração nos eixos são semelhantes 
Exemplo: quando a orientação da peça de trabalho está continuamente mudando 
de posição nas mãos do operador (ex.:operação com esmeril de pedestal - 
pequenos componentes), a medição em um único eixo pode ser suficiente para 
fornecer uma estimativa da exposição à vibração representativa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.11.2.2. CASO 2 – Vibração predominante em determinado eixo, quando os eixos 
não dominantes possuírem cada um, valor inferior a 30% em relação ao eixo 
dominante 
Exemplo: Medições em britadores durante a perfuração de asfalto apontam uma 
vibração dominante no eixo vertical, nos demais eixos os valores são inferiores a 
30% em relação ao eixo dominante. 
 
 
2
dominante,
2
dominante,
2
dominante, )3,0()3,0( hwhwhwhv aaaa 
antedohwantedohwantedohw aaa min,min,
2
min, 1,1086,118,1 
2
,
2
,
2
,
222
measuredhwmeasuredhwmeasuredhwhwzhwyhwxhv aaaaaaa 
measuredhwmeasuredhwmeasuredhw aaa ,,
2
, 7,173,13 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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72 
 
Nota 3.2. 
Um auxiliar de produção utiliza constantemente ao longo de sua jornada um 
esmeril de pedestal para fazer o acabamento ao redor de pequenas peças metálicas. 
A peça trabalhada muda de posição continuamente nas suas mãos. A vibração 
medida em um único eixo resultante de diversas medições produziu uma aceleração 
equivalente de 3,7 m/s2. O tempo total diário de operação é de 4,5 horas. Quais 
conclusões podem ser obtidas, considerando-se a relação dose-resposta apresentada 
pela ISO 5349:2001? 
 
Resposta: 
 
Neste caso, pela ISO 5349:2001, a medição em um único eixo pode ser 
suficiente para fornecer uma estimativa da exposição à vibração representativa 
da aceleração resultante (total): 
 
22
,
222 /3,6)5,4(/3,67,1 smAsmaaaaa measuredhwhwzhwyhwxhv 
 
 
Obtenção de A(8) onde: 
 
0
8
T
TaA hv
 
  2/7,4
8
5,43,68 smA 
 
Segundo o anexo C (caráter informativo) da norma citada, a relação entre a 
exposição diária à vibração A(8) capaz de produzir episódios de branqueamento 
em 10 % dos indivíduos expostos após um dado número de anos (Dy) pode ser 
obtido pela expressão: 
   06,188,31  ADy 
 
  ...1659,62,67,48,31 06,1   anosDy
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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73 
 
Nota 3.3. 
Durante operações de perfuração de asfalto com britadores foi medida a vibração 
dominante no eixo vertical. A aceleração equivalente ponderada, rms representativa da 
exposição do operador em estudo foi de 25,8 m/s2. O tempo total diário de operação é de 
5 horas. Considerando-se a relação dose-resposta apresentada pela ISO 5349:2001, 
qual o tempo estimado capaz de produzir episódios de branqueamento em 10 % dos 
indivíduos expostos?. 
 
Resposta: 
 
Para esse tipo de ferramenta, pela ISO 5349:2001, a medição no eixo mais 
significativo pode ser utilizada na estimativa da aceleração resultante (total) 
conforme expressão seguinte: 
 2dominante,
2
dominante,
2
dominante, )3,0()3,0( hwhwhwhv aaaa
22
, /4,28)5(/4,281,1 smAsma measuredhw 
 
 
Obtenção de A(8) onde: 
 
0
8
T
TaA hv
 
  2/5,22
8
54,288 smA 
 
 
Segundo o anexo C (caráter informativo) da norma citada, a relação entre a 
exposição diária à vibração A(8) capaz de produzir episódios de branqueamento 
em 10 % dos indivíduos expostos após um dado número de anos (Dy) pode ser 
obtido pela expressão: 
   06,188,31  ADy
 
 
Neste caso o tempo estimado é de aproximadamente 1,2 anos 
  anosDy 2,15,228,31
06,1


 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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74 
3.12. VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO 
Efeitos em grupos expostos a condições severas: 
 Problemas na região dorsal e lombar; 
 Gastrointestinais; 
 Sistema reprodutivo; 
 Desordens nos sistema visual e vestibular; 
 Problemas nos discos intervertebrais; 
 Degenerações da coluna vertebral. 
 
Vibrações superiores a 10 m/s2 são preocupantes, valores da ordem de 100 m/s2 
podem causar danos, ex: sangramentos internos. 
3.12.1. ISO 2631/1:1985 - ASPECTOS GERAIS 
 Faixa de frequência - 1 a 80 Hz; 
 Tpos de limite: 
 Peservação do conforto - " conforto reduzido "; 
 Preservação da eficiência - "Proficiência reduzida por fadiga"; 
 Preservação da saúde e segurança - "Limite de exposição". 
 Sistema de coordenadas (tri-ortogonal) com centro no coração; 
 Limites distintos para os eixos Z e X, Y; 
 Região de maior sensibilidade para o eixo Z - 4 a 8 Hz; 
 Região de maior sensibilidade para os eixos X, Y - 1a 2 Hz; 
 Avaliação de frequências discretas (singular/múltiplas) e Vibração aleatória; 
 Medição em faixas de 1/3 de oitavas; 
 Aceleração medida em m/s
2
, rms; 
 Fator de crista (FC) > 6  o método recomendado para avaliação da vibração 
subestima o movimento. O período mínimo para avaliação do FC é de 1 min. 
( FC=Vp/Vrms ), onde: Vp = valor de pico, Vrms = Valor eficaz; 
 Os limites de exposição correspondem aproximadamente a metade do limiar de 
dor ou tolerância voluntária de pacientes saudáveis através de pesquisas 
realizadas em laboratório para pessoas do sexo masculino; 
 Não se recomenda que os limites de exposição sejam excedidos sem 
justificativa e precauções especiais; 
 Ao se desejar um número único para quantificação da vibração em um único 
eixo, o método ponderado pode ser utilizado, pois, simplifica medições nas 
situações em que a análise espectral é difícil ou inconveniente, no entanto, 
recomenda-se registrar a composição em frequência dos movimentos avaliados; 
 Se ocorrerem vibrações em mais de uma direção simultaneamente, os 
correspondentes limites aplicar-se-ão separadamente a cada componente 
vetorial nos três eixos; 
 Se dois ou três componentes vetoriais apresentarem magnitudes similares 
quando as componentes ax e ay forem multiplicadas por 1.4, o efeito no 
conforto e desempenho, ocasionado pelo movimento combinado pode ser maior 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
75 
do que qualquer componente singular. Para avaliar o efeito de tal movimento 
deve-se calcular; 
 
a = [ (1,4 axw)
2 + (1,4 ayw)
2
 + a
2
zw ]
½ (3.7) 
 
 Esse vetor resultante pode ser utilizado para comparação com o vetor resultante 
de outros movimentos; 
 Avaliações quanto ao conforto e performance podem ser feitas através da 
comparação de "a" com a vibração obtida no eixo z (azw); 
 Os limites se referem ao ponto de entrada da energia no corpo humano, as 
medições serão feitas o mais próximo possível de tal ponto ou área. Havendo 
material resiliente entre a estrutura do assento e o operador, é permissível 
interpor suportes rígidos para fixação do transdutor, como por exemplo, folhas 
metálicas finas adequadamente conformadas; 
 Ajuste/calibração do equipamento de medição; 
 A comparação do valor ponderado "single number" com o critério de exposição 
é uma aproximação. No entanto, para a maioria dos casos práticos a diferença 
entre o método ponderado e o detalhado (1/3 oit.) é pequena; 
 Se os níveis ponderados forem inadmissíveis pelo método ponderado (análise 
do efeito super-conservativa), o método detalhado é recomendado; 
 Para exposições cujos níveis de vibrações variam no tempo, ou são 
descontínuas, deve-se conhecer a história temporal; 
 Exposições diárias interruptas  o efeito da exposição pode ser atenuado no 
entanto, os limites não podem ser alterados no presente momento. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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76 
 
[FONTE: ISO 2631-1: 1985] Figura 3.9. Eixos de coordenadas (biodinâmico) 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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77 
 
Figura 3.10. Limites de exposição eixo Z – Norma ISO 2631-1:1985 
 
 Obs: Para 8 e 6 horas os limites de exposição correspondem 
respectivamente a 0,63 m/s2 e 0,77 m/s2 na faixa mais sensível (4 a 8 Hz) 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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78 
 
Nota 3.4. 
Um motorista dirige um caminhão durante 8 horas por dia. A vibração medida no 
assento, aceleração equivalente, ponderada, rms, representativa da exposição, medida 
no eixo longitudinal foi de 0,70 m/s2. A exposição está acima do limite estabelecido pela 
ISO 2631:1985? 
 
Resposta: 
 
Pela ISO 2631:1985 (figura 3.10) a comparação com o limite pode ser feita de 
duas formas: 
 
a) Pela medição da vibração em bandas de terças de oitava e comparando-se o 
valor medido em cada faixa com o limite de exposição para aquela frequência 
obtido em tabela da norma ou na curva correspondente (figura 3.10). Para 
qualquer frequência cujo valor medido ultrapassar o valor da curva, o limite de 
exposição estará excedido; 
b) Pela medição da aceleração ponderada em frequência e comparando-se o valor 
medido com a faixa mais sensível da curva, eixo Z (de 4 a 8 Hz). No exemplo 
acima o operador está exposto a uma aceleração de 0,70 m/s2 e o limite de 
exposição para 8 horas é de 0,63 m/s2, estando portanto superado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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79 
 
Figura 3.11 - Limites de exposição eixo XY – Norma ISO 2631-1:1985 
 
Obs: Para 8 e 6 horas os limites de exposição correspondem respectivamente 
a 0,45 m/s2 e 0,54 m/s2 na faixa mais sensível (1 a 2 Hz). 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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80 
 
Nota 3.5. 
A vibração junto ao assento de um operador de empilhadeira foi medida. O 
tempo efetivo diário de operação é de 6 horas. Quais conclusões podem ser obtidas 
em relação ao limite de exposição? A aceleração equivalente, ponderada, rms, 
medida em cada eixo é: awx = 0,22, awy = 0,21, awz = 0,50 
 
Resposta: 
 
Pela ISO 2631:1985 os limites não foram superados uma vez que as 
acelerações medidas estão abaixo dos respectivos limites de exposição: 
awx = 0,22 m/s2 < LE,X = 0,54 m/s2; 
awy = 0,21 < LE,Y = 0,54 m/s2 e 
awz = 0,50 < LE,Z = 0,77 m/s2 
 
 
 
3.12.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS LIMITES DA ACGIH 
 Para cada ponto de medição, obtém-se a aceleração rms contínua e simultânea 
nos três eixos, registrando-se pelo menos um minuto, junto às coordenadas 
biodinâmicas. 
 Utilização de acelerômetro de assento (disco de borracha rígida - SAE, J 1013). 
 É necessário efetuar, para cada eixo, uma análise espectral (Fourier) em 
bandas de terço de oitavas (1 a 80 Hz) para comparação com os limites para 
cada faixa de frequência relativas às figuras 3.10 e 3.11. Neste caso, as 
acelerações consideradas como limite pela ACGIH correspodem ao limite de 
redução da proficiência por fadiga da ISO 2631:1985 (ou seja, 50% do limite de 
exposição das referidas figuras) . 
 A aceleração ponderada total para cada eixo pode ser calculada pela expressão 
abaixo: 
 Se a aceleração nos eixos de vibração tem magnitudes similares, quando 
determinada pela expressão anterior, o movimento combinado dos três eixos 
pode ser maior que qualquer um dos componentes e possivelmente afetaria o 
desempenho do operador do veículo. 
 
2
, eixofeixofeixow AWA
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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81 
 A aceleração global ponderada pode ser determinada pela expressão que 
segue, e comparada ao valor de 0,5 m/s2 recomendado pela Comissão Européia 
(CE) como nível de ação para uma jornada diária de 8 horas: 
 
 Se durante a jornada de trabalho ocorrerem múltiplas vibrações de choque de 
curta duração e grande amplitude, FC>6 o TLV pode não oferecer proteção. 
Outros métodos de cálculo que incluem o conceito da quarta potência podem 
ser desejáveis nessas circunstâncias. 
 
Tabela 3.2. ACGIH 2002 – Fatores relativos de ponderação para faixa de frequência de 
máxima sensibilidade de aceleração* para as curvas de resposta 1 e 2. 
( adaptado da ISO 2631) 
 Fatores de ponderação para 
Frequência (Hz) Vibrações longitudinais 
Vibrações transversais 
(X,Y) 
1,0 0,50 1,00 
1,25 0,56 1,00 
1,6 0,63 1,00 
2,0 0,71 1,00 
2,5 0,80 0,80 
3,15 0,90 0,63 
4,0 1,00 0,50 
5,0 1,00 0,40 
6,3 1,00 0,315 
8,0 1,00 0,25 
10 0,80 0,20 
12,5 0,63 0,16 
16,0 0,50 0,125 
20,0 0,40 0,10 
25,0 0,315 0,08 
31,5 0,25 0,063 
40,0 0,20 0,05 
50,0 0,16 0,04 
63,0 0,125 0,0315 
80,0 0,10 0,025 
*4 a 8 Hz para eixo Z e de 1 a 2 Hz para o eixo X e Y 
222
, )()4,1()4,1( zwywxwtw AAAA 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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82 
3.12.3. EXEMPLOS, APLICAÇÃO DOS LIMITES, DISCUSSÃO 
Tabela 3.3. ISO 2631/85; ACGIH; ISO 2631/97; Diretivas CE 
VEÍCULO OU MÁQUINA 
EIXOS Sum Lim. Exp. 
X Y Z (x,y,z) 8 h 6h 
(m.s2) 
1 Colhedora de cana. 0,18 0,20 0,45 0,58 Eixo Z Eixo Z 
2 Empilhadeira. 0,22 0,21 0,50 0,65 0,63 0,77 
3 Empilhadeira. 0,00 0,00 0,90 0,90 
4 Pá carregadeira. 0,51 0,50 0,85 1,31 
5 Skidder (arraste de eucaliptos). 0,80 0,86 0,84 1,85 
Eixo X,Y 
Eixo 
X,Y 
6 TIMCo –TB 820E (corte e arraste de 
árvores). 0,34 0,35 0,36 0,77 0,45 0,54 
7 TIMCo –TB 820E (predominância de 
arraste). 0,40 0,41 0,42 0,90 
8 Harvester (Corte, desgalhamento e 
traçamento). 0,35 0,29 0,32 0,71 
9 Slingshot (Corte, desgalhamento e 
traçamento). 0,45 0,20 0,25 0,73 
10 Forwarder (carregamento). 0,28 0,63 0,32 1,02 
11 Escavadeira. 0,40 0,20 0,40 0,74 
12 Pá carregadeira. 0,20 0,30 0,50 0,71 
13 Trator escavadeira – pá carregadeira. 0,40 0,30 0,40 0,81 
14 Caminhão caçamba 1. 0,20 0,40 0,70 0,94 
15 Caminhão caçamba 2. 0,30 0,50 0,90 1,22 
16 Ônibus 1. 0,20 0,14 0,60 0,69 
17 Ônibus 2. 0,17 0,30 0,95 1,07 
18 Ônibus 3. - - 0,60 0,60 
19 Trem. - - 0,50 0,50 
20 Trator. - - 0,75 0,75 
21 Motocicleta. - - 1,00 1,00 
22 Carregadeira. - - 1,20 1,20 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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Diretivas da CE 
 H/A WB 
 A(8) 
[m/s2] 
 A(8) 
[m/s2] 
VDV 
[m/s1,75] 
Nível de ação 2,5 0,5 9,1 
Limite de 
exposição 
5 
 
1,15 21 
 
 
3.13. NORMA INTERNACIONAL ISO 2631-1: 1997 
VIBRAÇÃO MECÂNICA E CHOQUE – AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO HUMANA À 
VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO 
PARTE 1: REQUISITOS GERAIS 
Segunda edição : 1997- 05 - 01 
 
Principais mudanças: 
 
 A segunda edição cancela e substitui a primeira edição ISO 2631-1:1985 e ISO 
2631-3:1985, e se subdivide em: 
 Parte1: Requisitos gerais Parte2: Vibração contínua e induzida por choque em edificações (1 a 80Hz) 
 Para fins de simplificação, a ISO 2631-1:1985 assumiu a mesma dependência 
em relação a duração da exposição para os diferentes efeitos no homem 
(saúde, proficiência no trabalho e conforto). Esta forma de dependência não foi 
sustentada pelas pesquisas em laboratório e consequentemente foi removida. 
Os limites de exposição não foram incluídos e o conceito de "proficiência 
reduzida pela fadiga" foi excluído; 
 A faixa de frequência foi estendida abaixo de 1Hz sendo que a avaliação está 
baseada na aceleração r.m.s ponderada em frequência preferencialmente ao 
método detalhado: 
 
0,5 Hz a 80 Hz para Saúde, conforto e percepção 
 
0,1 Hz a 0,5Hz para o mal do movimento (Cinetose) 
 
 “Apesar das mudanças substanciais, melhorias e refinamentos nesta parte da 
ISO 2631, a maioria dos relatórios ou pesquisas indicam que as orientações e 
os limites de exposição recomendados na ISO 2631-1: 1985 eram seguros 
e preveniam efeitos indesejáveis. Esta revisão não deve afetar a integridade e 
continuidade dos dados existentes, deve propiciar a obtenção melhores dados 
como base para as diversas relações de dose-resposta”. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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84 
 
 [FONTE: ISO 2631-1: 1997] 
Figura 3.12. Eixos basicentricos do corpo humano 
 
3.13.1. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO ISO 2631-1: 1997 
Método básico de avaliação (rms): normalmente suficiente para FC < 9. 
 
2
1
0
21










  dttaTa
T
ww (3.8) 
MÉTODOS ALTERNATIVOS PARA FC > 9, ou quando existem choques 
ocasionais que possam gerar dúvidas quanto a aplicabilidade do método básico: 
a) Método “Running” r.m.s – leva em consideração choques ocasionais e 
transientes, pela aplicação de uma constante de integração no tempo curta. A 
magnitude da vibração é definida como máximo valor da vibração transiente 
(MTVV). 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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85 
  
2
1
2
0
0
0
1
)(













 

t
t
ww dttata (3.9) 
 
aw (t) - aceleração ponderada instantânea 
to - tempo de observação instantâneo 
t - tempo (variável de integração) 

 - tempo de integração média “running” 
MTVV = máx [ aw (to) ], isto é, o máximo valor lido de aw (to) durante o período de 
medição (T). Recomenda-se utilizar 

= 1 s na medição do MTVV (o que corresponde a 
uma constante de tempo de integração em “slow” nos medidores de nível sonoro). 
 
b) Método da dose de vibração - quarta potência 
Mais sensível a picos do que o método básico, expresso em m/s 1,75 ou rad/s 1,75. 
 
  
4
1
0
4










 
T
w dttaVDV (3.10) 
 
aw (t) - aceleração ponderada instantânea 
 
T - duração da medição 
 
Para exposição à vibração em dois ou mais períodos, i, de diferentes magnitudes: 
 
4
1
4










 
i
itotal VDVVDV
 (3.11) 
 Experiências sugerem que os métodos adicionais de avaliação serão 
importantes no julgamento dos efeitos da vibração no homem quando as razões 
a seguir são excedidas: 
 
( MTVV / aw ) = 1,5 ( VDV / awT 1/4 ) = 1,75 
 
 Para certos tipos de vibração, especialmente aquelas contendo choques 
ocasionais, o método básico pode subestimar a severidade com relação ao 
desconforto mesmo quando FC < 9. Em caso de dúvida utilizar os métodos 
adicionais. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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86 
3.13.2. PONDERAÇÃO EM FREQUÊNCIA E AVALIAÇÃO DA VIBRAÇÃO 
RELATIVOS À SAÚDE 
As duas principais ponderações em frequência relacionadas à saúde são Wk para a 
direção z e Wd para as direções x e y. 
A aceleração ponderada em frequência (rms) deve ser determinada para cada eixo 
(x, y e z) da vibração translacional na superfície que suporta o indivíduo. 
A avaliação do efeito da vibração à saúde deve ser feita independentemente para 
cada eixo. A análise da vibração deve ser feita considerando-se a maior componente de 
aceleração ponderada em frequência medida nos diversos eixos do assento. 
Quando a vibração em dois ou mais eixos for comparável, o vetor resultante é 
algumas vezes utilizado para estimar o risco à saúde. As ponderações em frequência 
devem ser aplicadas para os indivíduos sentados, com os fatores de multiplicação K 
conforme indicado: 
Eixo x – Wd, K =1,4 
Eixo y – Wd, K =1,4 
Eixo z – Wk, K =1 
3.13.3. ISO 2631-1:1997 - GUIA PARA OS EFEITOS DA VIBRAÇÃO À SAÚDE 
(CARÁTER INFORMATIVO). 
 
(FONTE: Modificado do Anexo B da ISO 2631-1:1997) 
Figura 3.13. Guia à saúde - zonas de precaução 
 Recomendações baseadas principalmente para exposições na faixa de 4 h a 8 
h, pessoas sentadas - Eixo z. Durações mais curtas devem ser tratadas com 
extrema precaução. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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87 
 Região A - os efeitos à saúde não têm sido claramente documentados e/ou 
observados objetivamente. 
 Região B - precaução em relação aos riscos potenciais à saúde. 
 Região C - os riscos à saúde são prováveis. 
 
O guia fornecido da norma está baseado principalmente em dados disponíveis de 
pesquisas relacionadas à exposição humana à vibração no eixo z em indivíduos 
sentados. A experiência na aplicação dessa parte da norma é limitada para os eixos x e y 
(pessoas sentadas) e para todos os eixos nas posições em pé, deitada ou reclinada. 
Quando a exposição à vibração consistir de dois ou mais períodos de exposição a 
diferentes magnitudes e durações, a magnitude da vibração equivalente em energia 
correspondente à duração total da exposição pode ser avaliada de acordo com a 
seguinte expressão: 
 
2
1
2
,














i
iiw
w
T
Ta
a 
 (3.12) 
 
onde: 
,wa
= magnitude da vibração equivalente (aceleração rms em m/s2 ) 
iwa ,
= magnitude da vibração (aceleração rms em m/s2 ) para a duração da exposição 
Ti 
 
Alguns estudos indicam uma magnitude de vibração diferente dada pela expressão: 
 
4
1
4
,














i
iiw
w
T
Ta
a  (3.13) 
 
Essas duas magnitudes equivalentes têm sido utilizadas no guia para saúde de 
acordo com a figura 3.11. Em alguns estudos têm-se utilizado valores de dose da 
vibração estimativos: 
4
1
4,1 TaeVDV w
 (3.14) 
 
wa
 - corresponde a aceleração ponderada em frequência rms; 
T - corresponde a duração da exposição em segundos. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às VibraçõesMecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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88 
 
Nota 3.6. 
Um operador de uma pá carregadeira executa suas atividades durante um tempo 
médio diário de 5 horas. As acelerações equivalentes medidas junto ao assento, rms, 
ponderadas segundo a ISO 2631:1997 foram: 
awx = 0,22 m/s2 , awy = 0,21 m/s2, awz = 0,65 m/s2 
 
Quais conclusões podem ser formuladas à partir dos dados fornecidos, tendo em 
conta a relação dose-resposta da norma citada. 
 
Resposta: 
 
Considerando-se o anexo B da referida norma, verificamos que para o eixos x, 
y, o guia cita que existe experiência limitada na aplicação das zonas de precaução 
para pessoas sentadas. Entrando com os valores de aceleração medidos no gráfico, 
observamos que a exposição recai na região A onde os efeitos à saúde não têm 
sido claramente documentados e/ou observados objetivamente. 
Entrando com o valor da aceleração para o eixo z, observamos que a 
exposição recai na Região B, ou seja, precaução em relação aos riscos potenciais à 
saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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89 
 
Nota 3.7. 
A utilização de um Harvester no processamento de árvores (corte, desgalhamento e 
traçamento) expõe o operador à vibração de corpo inteiro. A aceleração equivalente, rms, 
ponderada segundo a ACGIH/2002 medida em cada eixo, junto ao assento da máquina é 
fornecida. Considerando-se o critério da ACGIH, quais considerações podem ser emitidas 
em relação ao desempenho do operador, sabendo-se que o tempo total de operação 
diária é de 6 horas. 
awx = 0,35 m/s2 , awy = 0,30 m/s2, awz = 0,32 m/s2 
 
Resposta: 
 
Considerando-se o critério da ACGIH 2002, se a aceleração nos eixos de 
vibração tem magnitudes similares, o movimento combinado dos três eixos pode 
ser maior que qualquer um dos componentes e possivelmente afetaria o 
desempenho do operador do veículo. 
Ainda, segundo a ACGIH, a aceleração global ponderada pode ser 
determinada pela expressão que segue, e comparada ao valor de 0,5 m/s2 
recomendado pela Comissão Européia (CE) como nível de ação para uma jornada 
diária de 8 horas. 
2222222
, /72,0)32,0()30,04,1()35,04,1()()4,1()4,1( smAAAA zwywxwtw 
 
 
Obtenção de Awt(8): 
 
0
8
T
TaA wtwt 
 
  2/62,0
8
672,08 smAwt 
 
 
Neste caso a aceleração encontrada supera o nível de ação proposto pela CE 
(0,5 m/s2). É oportuno ressaltar que CE considera na análise da exposição a ISO 
2631-1:1997, estamos, portanto, falando de diferentes ponderações para WB. 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
90 
3.14. VIBRAÇÕES - PROGRAMA DE CONTROLE DE RISCOS (PCRV) 
Componentes mínimos a serem observados: 
 
1. Monitoramento dos níveis de vibração; 
2. Controle de Engenharia e administrativo; 
3. Avaliação e controle médico; 
4. Treinamento e motivação; 
5. Manutenção de registros; 
6. Acompanhamento e reavaliação do programa. 
 Analogia PCA x PCRV; 
 Prevenção requer comprometimento, organização e educação de diversos 
grupos: administradores, médicos, engenheiros, trabalhadores expostos e 
demais envolvidos. 
 
3.14.1. PCRV DENTRO DA ESTRUTURA DO PPRA 
1. Planejamento anual com o estabelecimento de metas, prioridades e cronograma 
para cada componente do PCRV. 
A definição de quais componentes serão priorizados inicialmente depende da 
análise de alguns aspectos tais como: 
 Priorização do agente vibrações dentro do PPRA face aos demais riscos 
existentes; 
 N.º de trabalhadores atingidos; 
 Danos existentes x PCMSO; 
 Recursos e informações técnicas disponíveis. 
 
2. Estratégia e metodologia de ação a ser adotada no desenvolvimento de cada 
componente do PCRV observando-se alguns pontos como: 
 Definição de responsabilidades; 
 Serviços especializados e consultoria. 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
91 
3.14.2. ANTECIPAÇÃO 
 Aquisição de equipamentos, ferramentas e acessórios novos - especificação do 
produto - avaliar possibilidades de escolha; 
 Seleção de produtos que produzem níveis de vibração mais baixos (Produtos x 
Especificação catálogos) -- Compromisso Custo x Benefício - análise curto e 
longo prazo - seleção de empunhaduras antivibratórias , etc. 
 Adequação da ferramenta à tarefa (ISO 5349 - considerando-se as ferramentas 
disponíveis para a execução da mesma tarefa avaliar a possibilidade de seleção 
dos equipamentos mais adequados que impliquem em menor tempo de trabalho 
ou menores níveis de vibração); 
 Tarefas ou processos de trabalho novos - implantação de procedimentos de 
trabalho que minimizem a condição de exposição. 
 Aspectos relativos à implantação de procedimentos de Manutenção (novos 
processos) voltados à redução dos níveis de vibração ( Ex.: Lixadeiras ); 
3.14.3. RECONHECIMENTO 
 Determinação do n.º de trabalhadores expostos; 
 Descrição das atividades executadas; 
 Determinação dos tempos e características de exposição para cada situação 
encontrada, pausas existentes e tempo de exposição diário total; 
 Determinação do tipo, classificação e características dos equipamentos 
utilizados pelos operadores. 
3.14.4. AVALIAÇÃO 
 Qualitativa com base no tipo de equipamento utilizado; procedimentos de 
trabalho; níveis típicos (literatura); medições/informações anteriores. 
 Determinação do nível de vibração aeq8 /aeq4 para caracterização da exposição e 
adoção de medidas preventivas e de controle. 
 Monitoramento  Avaliação sistemática e repetitiva (NR-9.3.7). 
 Obtenção de parâmetros para avaliação da extensão e gravidade do problema. 
 Priorização de ações de controle (Engenharia, Administrativo e Médico) e 
verificação da eficiência das medidas adotadas. 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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92 
3.15. TESTES 
1. Considere as afirmações abaixo sobre vibração: 
I – As vibrações podem causar problemas de ordem vascular e neurológica, dentre 
outras; 
II – Os primeiros sintomas da síndrome são o branqueamento dos dedos; 
III – A exposição por tempos elevados pode causar a necrose da pele, chamada de 
acrocianose; 
IV – Os efeitos da vibração no homem dependem apenas da frequência que a 
compõe. 
Qual a alternativa correta? 
a) Apenas I e II são verdadeiras 
b) Apenas IV é falsa 
c) Apenas I e III são verdadeiras 
d) Apenas II e IV são verdadeiras 
e) Todas são verdadeiras 
 
2. Qual dessas condições médicas não influencia na utilização de equipamentos 
vibratórios? 
a) Desordem do sistema nervoso periférico 
b) Doenças anteriores que causem deformidades dos ossos e juntas 
c) Doença primária de Raynaud 
d) Problemas de circulação sanguínea 
e) Problemas respiratórios 
 
3. Para um período de 6 horas, quanto deve ser o maior valor da componente de 
aceleração dominante, ponderada em frequência, r.m.s? 
a) 1m/s2 
b) 2 m/s2 
c) 4 m/s2 
d) 8 m/s2e) 12 m/s2 
 
4. Segundo o HAVS, quais são os sintomas quando o sistema de classificação 
atinge grau “Severo”? 
a) Ataques ocasionais afetando somente a ponta de um ou mais dedos 
b) Ataques frequentes afetando todas as falanges da maioria dos dedos 
c) Ataques ocasionais afetando as falanges distal e média de um ou mais dedos 
d) Mudanças tróficas da pele na ponta dos dedos 
e) Necrose da pele, chamada de acrocianose 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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93 
5. Quanto às vibrações de corpo inteiro, quando a exposição é severa, qual desses 
efeitos não é causado pela vibração? 
a) Sistema reprodutivo 
b) Problemas renais 
c) Problemas gastrointestinais 
d) Problemas no sistema visual 
e) Problemas nos discos intervertebrais 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
94 
3.16. EXERCÍCIOS 
1) Determine 
)(,
)(
Teqwh
a
,
)4(,
)(
eqwh
a
, sabendo-se que a exposição diária de um 
operador à vibração em mãos e braços é composta pelas seguintes acelerações e 
tempos respectivos: 1,1 m/s2 por 1,5 h; 3,7 m/s2 por 3h; 5,1 m/s2 por 2 h. 
 
 
Resposta: 
2/1
1
2
)(,)(, }{ ])([)( 1 


n
i
iteqwhTeqwh taa iT
 
2
222
)5,6(, /8,3
235,1
21,537,35,11,1
)( sma eqwh 



 
)(,
2/1
4
)4(,
)()( )(
TeqwhT
T
eqwh
aa 
 (T4 = 4horas) 
2/8,48,)( 32/1
4
5,6
)4(,
)( sma
eqwh
 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
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95 
2) Um operador executa o mesmo tipo de operação (acabamento em pequenas 
peças forjadas), utilizando-se de uma lixadeira ao longo da jornada. A vibração 
medida no eixo com maior aceleração apontou um valor de 4,2 m/s2. Os tempo 
efetivo total de uso da ferramenta durante a jornada é de 5,5 horas. Pede-se : 
)(,
)(
Teqwh
a
,
)4(,
)(
eqwh
a
, tempo de exposição para incidência de branqueamento 
nos dedos considerando o melhor percentil, segundo norma ISO 5349:1986. 
 
 
 
Resposta: 
 
Considerando-se o valor de 4,2 m/s2, equivalente, representativo da exposição 
temos: 
2
)(, m/s 4,2)( Teqwha
 
)(,
2/1
4
)4(,
)()( )(
TeqwhT
T
eqwh
aa 
 (T4 = 4horas) 
2/9,42,)( 42/1
4
5,5
)4(,
)( sma
eqwh
 
 
Segundo relação dose-resposta da ISO, o tempo aproximado em anos (TE) 
para incidência de branqueamento nos dedos considerando o percentil que 
garante maior proteção à população exposta (90% →C=10) pode ser 
determinado pela expressão: 
 
)4,(,
2
1
9,5
heqwh
E a
C
T


  
anosTE 1,6
9,4
109,5 2
1



 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
96 
3) O ciclo de exposição de um trabalhador à vibração foi determinado. Sabendo-se 
que o mesmo é representativo e a exposição diária total é de 6 horas, faça uma 
analise da exposição considerando os limites da ACGIH. 
 
Ciclo determinado: 
 
Aceleração ponderada equivalente no eixo 
mais significativo em [m/s2] 
2,1 3,9 4,2 1,3 7,1 
 Tempo em [min] 10 8 2 4 6 
 
 
 
Resposta: 
 
Sendo o ciclo apresentado representativo da exposição do operador, 
verificamos que para uma exposição total de 6h, os tempos no ciclo devem 
ser multiplicados por 6 (seis repetições) logo: 
 
2/1
1
2
)(,)(, }{ ])([)( 1 


n
i
iteqwhTeqwh taa iT
 
2
22222
)5,0(, /1,4
30
61,743,122,489,3101,2
)( sma eqwh 


 
 
Neste caso, a aceleração equivalente determinada no ciclo é a mesma no final 
das seis horas, uma vez que o ciclo é representativo 
Segundo a ACGIH, para tempo um total de contato diário da vibração com a 
mão, seja continuamente ou intermitentemente, entre 4 a 8 horas, o valor da 
componente de aceleração dominante, rms, ponderada, não deve ultrapassar 
o valor de 4 m/s2. Neste caso o limite foi ultrapassado (4,1 m/s2). 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
97 
4) Ao se avaliar a exposição de um “marteleteiro”, verificou-se que a vibração 
medida no eixo mais significativo apresentou uma aceleração ponderada 
equivalente rms de 12,9 m/s2 . Discuta a exposição sabendo que o mesmo opera o 
martelete em média 4,5 horas por dia. Considerar os critérios legais, NR15; NR9 e 
demais critérios ISO 5349:1986; ISO 5349:2001 e ACGIH. 
 
 
Resolução: 
 
Pela NR15, a comprovação ou não da exposição deve tomar por base os 
limites de exposição definidos pela Organização Internacional para a 
Normalização em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349, ou suas substitutas. 
Considerando-se a ISO 5349:1986 e a relação dose-resposta apresentada por 
esta, conclui-se que o tempo aproximado em anos (TE) para incidência de 
branqueamento nos dedos considerando o percentil 10 está em torno de 2,2 
anos. 
 
anos
C
Tsma
heqwh
E aeqwh
2,2
7,13
109,59,5
/7,13)(
2
1
2
1
9,12
2/1
4
5,4
)4(,
)4,(,
2)(  
 
Pela ACGIH, o valor da componente de aceleração dominante, rms, 
ponderada, não deve ultrapassar o valor de 4 m/s2. Neste caso o limite foi 
superado (12,9 m/s2). Considerando-se a NR-9, deverão ser adotadas medidas 
necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle do 
risco. 
 
Segundo a ISO 5349:2001, para esse tipo de ferramenta a medição no eixo 
mais significativo pode ser utilizada na estimativa da aceleração resultante 
(total) conforme expressão seguinte: 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
98 
 
22 /2,14)5,4(/2,149,12*1,1 smAsm 
 
Obtenção de A(8) onde: 
 
0
8
T
TaA hv
 
  2/6,10
8
5,42,148 smA 
 
 
Segundo o anexo C (caráter informativo) da norma citada, a relação entre a 
exposição diária à vibração A(8) capaz de produzir episódios de 
branqueamento em 10% dos indivíduos expostos após um dado número de 
anos (Dy) pode ser obtido pela expressão: 
   06,188,31  ADy 
Neste caso o tempo estimado é de aproximadamente 2,6 anos. 
 
 2dominante,
2
dominante,
2
dominante, )3,0()3,0( hwhwhwhv aaaa
antedohwantedohwantedohw aaa min,min,
2
min, 1,1086,118,1 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
99 
5) A vibração transmitida às mãos de um trabalhador durante a operação com uma 
lixadeira produziu os dados apresentados no gráfico a seguir. Efetue a análise da 
exposição ocupacional do operador, considerando: a relação dose-resposta da ISO 
5349: (1986), os limites de exposição da ACGIH,a ISO 5349:2001 e as diretivas da 
CE. 
 
 
Obs: A vibração nos demais eixos corresponde a 55% e 66% da aceleração medida 
no eixo predominante. 
 
Resolução: 
Para aplicação da relação dose resposta da ISO 5349: (1986), determinamos a 
aceleração equivalente para 4 horas relativa a maior componente. 
 
2
222
)5(, /7,4
5
10,220,620,4
)( sma eqwh 


 
)(,
2/1
4
)4(,
)()( )(
TeqwhT
T
eqwh
aa 
 (T4 = 4horas) 
2/3,5)( 7,42/1
4
5
)4(,
)( sma
eqwh
 
 
 O tempo aproximado em anos (TE) para incidência de branqueamento nos 
dedos considerando-se o percentil 10 é determinado conforme segue: 
 
anos
C
T
heqwh
E a
7,5
3,5
109,59,5 2
1
2
1
)4,(,





 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
100 
 
Pela ACGIH, o valor da componente de aceleração dominante, rms, 
ponderada, não deve ultrapassar o valor de 4 m/s2.Neste caso o limite foi 
superado (4,7 m/s2). 
 
 
Para aplicação da ISO 5349:2001, deve-se determinar a aceleração total: 
 
   222222 66,07,455,07,47,4  hwzhwyhwxhv aaaa
 
 
2/2,6)5( smA 
 
 
Para comparação com a relação dose resposta determina-se A(8): 
 
  222
1
/9,4/2,6
8
5)8( smsmA 
 
 
Segundo o anexo C (caráter informativo) da norma citada, a relação entre a 
exposição diária à vibração A(8) capaz de produzir episódios de 
branqueamento em 10% dos indivíduos expostos após um dado número de 
anos (Dy) pode ser obtido pela expressão: 
   06,188,31  ADy 
Neste caso o tempo estimado é de aproximadamente 5,9 anos 
 
A aceleraçao A(8) obtida embora não tenha superado o limite de 
exposição conforme diretiva da Comunidade Européia (5 m/s2) 
superou o nível de ação (2,5 m/s2). 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
101 
6) Um trabalhador utiliza as seguintes ferramentas em sequência: nº 1 por 1h, nº 2 
por 0,5h e nº 3 por 1h. Determine )(, )( Teqwha , )4(, )( eqwha considerando o eixo 
preponderante e a aceleração resultante. Faça as considerações que julgar 
necessário. 
 
FERRAMENTA 
 EIXOS 
 X Y Z 
 (m.s2) 
 1 Martelete de percussão. 1,8 4,5 8,4 
 2 Esmeril de pedestal. 2,4 4,8 4,5 
 3 Motosserra 254XP emp. frontal (operação de corte). 2,0 2,1 2,2 
 
Resolução: 
Para o eixos X,Y e Z as acelerações resultantes )(, )( Teqwha e )4(, )( eqwha serão: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observamos que o eixo preponderante segundo as coordenadas 
consideradas é o eixo Z. 
Projetando para 8 horas para fins de aplicação da ISO 5349:2001 
 
 
22
2
1
/0,4/2,7
8
5,2)8( smsmA 




 
7) A Promotoria de Acidentes do Trabalho determinou que a empresa Beta 
avaliasse a necessidade de aplicação de medidas preventivas e de controle do 
  2/0,38,35,0
4
5,2
)4(
2
/8,3
5,2
121,25,028,4125,4
)5,2( )()( smeqsmeq yy aa 

   2/6,12
5,0
4
5,2
)4(
2
/2
5,2
120,25,024,2128,1
)5,2( )()( smeqsmeq xx aa 

   2/6,48,55,0
4
5,2
)4(
2
/8,5
5,2
122,25,025,4124,8
)5,2( )()( smeqsmeq zz aa 


      2222222)5,2( /2,78,58,30,2 smaaaa hwzhwyhwxhv 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
102 
risco devido exposição de um operador à vibração em mãos e braços. Você é o 
assistente técnico da empresa. Quais são os critérios técnico-legais a serem 
utilizados na avaliação e na caracterização do risco. Justifique. 
 
Resposta: 
Para avaliação e caracterização do risco, a Legislação Brasileira prevê através 
da Norma Regulamentadora NR-15 - Anexo 8, com redação dada pela portaria n.º 12 
de 1983, que as atividades e operações que exponham os trabalhadores sem 
proteção adequada às vibrações localizadas ou de corpo inteiro serão 
caracterizadas como insalubres através de perícia realizada no local de trabalho. A 
perícia visando a comprovação ou não da exposição deve tomar por base os 
limites de exposição definidos pela Organização Internacional para a Normalização 
em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349, ou suas substitutas. 
As edições atualizadas das normas citadas são respectivamente a ISO 
2631:1997 e ISO 5349:2001 (Partes 1 e 2). 
Para fins de prevenção e controle dos riscos, encontramos embasamento 
Legal na NR-9 que determina a adoção de medidas necessárias suficientes para a 
eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que os 
resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem 
os valores dos limites previstos na NR 15 ou, na ausência destes os valores limites 
de exposição ocupacional adotados pela American Conference of Governmental 
Industrial Higyenists-ACGIH, ou aqueles que venham a ser estabelecidos em 
negociação coletiva de trabalho desde que mais rigorosos do que os critérios 
técnico-legais estabelecidos; ou quando através do controle médico da saúde, ficar 
caracterizado o nexo causal entre danos observados na saúde dos trabalhadores e 
a situação de trabalho a que eles ficam expostos. 
 
 
 
 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
103 
8) A vibração junto ao assento de um operador de empilhadeira foi medida, 
segundo critério da ISO 2631:1985. O tempo efetivo diário de operação é de 5,5 
horas. Quais conclusões podem ser obtidas em relação ao limite de exposição? A 
aceleração equivalente, ponderada, rms, medida em cada eixo é fornecida: 
awx = 0,32, awy = 0,41, awz = 0,60 
 
Resposta: 
 
Considerando-se os níveis de vibração e o tempo total de exposição, os 
limites de exposição não foram superados segundo os critérios da norma 
citada, apresentados na tabela que segue. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lim. Exposição. 
8 h 6h 
Eixo Z Eixo Z 
0,63 0,77 
Eixo X,Y 
Eixo 
X,Y 
0,45 0,54 
 
Capítulo 3. Exposição Ocupacional às Vibrações Mecânicas 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
104 
9) Um operador de uma pá carregadeira executa suas atividades durante um tempo 
médio diário de 5 horas. A acelerações equivalentes medidas junto ao assento, 
rms, ponderadas segundo a ISO 2631:1997 foram: 
 
awx = 0,20 m/s2 , awy = 0,32 m/s2, awz = 0,55 m/s2 
 
Quais conclusões podem ser formuladas à partir dos dados fornecidos, tendo em 
conta a relação dose-resposta da norma citada? 
 
Resposta: 
 
Considerando-se o anexo B da referida norma, verificamos que para o eixos x 
e y, o guia cita que existe experiência limitada na aplicação das zonas de 
precaução para pessoas sentadas. Entrando com os valores de aceleração 
medidos no gráfico, observamos que a exposição recai na região A onde os 
efeitos à saúde não têm sido claramente documentados e/ou observados 
objetivamente. Entrando com o valor da aceleração para o eixo z, observamos 
que a exposição recai próxima à interface entreas regiões A e B, portanto, 
dentro da área de precaução em relação aos riscos potenciais à saúde. 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
105 
 
 
 
CAPÍTULO 4. ILUMINAÇÃO 
Prof. Prof. SÉRGIO MÉDICI DE ESTON 
JOAQUIM GOMES PEREIRA 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
 
Neste capítulo são analisados problemas associados a projetos de iluminação. 
À medida que a ciência e a tecnologia evoluem, novos problemas ocupacionais são 
criados. Como exemplo temos os problemas associados a forno de micro-ondas, a 
terminais de vídeo ou a apontadores de laser. Não existem ainda evidências indicando 
que estes problemas são significativos, mas os cientistas continuam a pesquisar as 
possibilidades. Novos tipos de lâmpadas são continuamente comercializadas e a 
adequação do ambiente de trabalho tem que ser preservada. 
 
Após este capítulo você deverá: 
 Entender como o espectro eletromagnético contém a faixa de radiação visível; 
 Entender os principais problemas associados à iluminação deficiente; 
 Conhecer as principais unidades fotométricas; 
 Saber que unidades devem ser medidas de acordo com as normas. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1. A CIÊNCIA DA ILUMINAÇÃO 
4.1.1. A NATUREZA FÍSICA DA LUZ 
A energia pode se apresentar de muitas formas, como elétrica, magnética, térmica, 
química, mecânica (cinética e potencial), atômica, etc. Quando apresenta componentes 
elétricos e magnéticos é denominada de energia eletromagnética. 
Quando uma forma de energia tem um caráter cíclico, se propagando no espaço 
em todas as direções a partir de um ponto chamado fonte, ela é dita radiante. Uma 
visualização do conceito de radiante pode ser a de ondas na água a partir de uma pedra 
nela jogada. A luz é uma forma de energia eletromagnética radiante que nos permite 
"ver", ou seja, que sensibiliza o olho humano. Portanto, trataremos aqui da energia 
radiante visível ou luz. 
A luz pode ser caracterizada por diversos parâmetros e os mais importantes são o 
comprimento de onda e a frequência: 
a) comprimento de onda (): é a distância percorrida espacialmente enquanto um 
ciclo se repete. 
b) frequência (f): é dada pelo número de ciclos na unidade de tempo, normalmente 
num segundo. O inverso da frequência é o período (T) que representa o tempo para que 
um ciclo se repita. O período pode ser definido como a "distância temporal" percorrida 
para que um ciclo se complete. 
Sendo  a distância percorrida pela onda durante um ciclo, e f o número de ciclos 
por segundo, então o produto (·f) representa a distância percorrida pela onda em um 
segundo. Ou seja, a velocidade de propagação da onda é dada por: 
v =  x f (4.1) 
No vácuo a velocidade de propagação da onda é aproximadamente de 300.000 
km/s, e para o ar é um pouco menor. Ela é uma característica do meio de propagação e o 
produto (·f) pode ser obtido por um número infinito de valores para elementos do par. O 
conjunto destes pares define o chamado espectro de energia eletromagnética radiante ou 
espectro de radiação eletromagnética. Este espectro é apresentado na Figura 4.1, 
tendo o nome espectro se originado dos trabalhos de J.C. Maxwell. 
Atualmente a luz é analisada como um fenômeno de caráter dual, ou seja, algumas 
vezes é mais conveniente se utilizar a teoria ondulatória e outras vezes é mais 
conveniente se empregar a teoria corpuscular. Isaac Newton favorecia a teoria 
corpuscular por entre outras coisas, observar a formação de sombras com contornos 
delineados pela propagação retilínea dos raios luminosos. 
Huygens, Fresnel, Maxwell e Hertz desenvolveram a teoria ondulatória, pois certos 
fenômenos, como a difração ou a interferência luminosa, só podiam ser explicados a 
partir de um caráter ondulatório. A difração, por exemplo, é a curvatura de uma onda 
luminosa em torno da borda de um objeto. 
Posteriormente se retornou a aspectos da teoria corpuscular porque a teoria 
eletromagnética clássica não explicava fenômenos como o efeito fotoelétrico ou o efeito 
Compton. O efeito fotoelétrico (emissão de elétrons quando se incide luz num condutor) 
foi explicado por Einstein em 1905 a partir de uma ideia de Planck. Ele postulou que a 
energia de um feixe luminoso não era distribuída espacialmente nos campos 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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107 
eletromagnéticos da onda, mas era discretizada e concentrada em "corpúsculos" 
denominados de "fótons”. 
Também o efeito Compton favorece aspectos da teoria corpuscular, porque no 
choque entre um elétron e um fóton, eles se comportam de certo modo como corpos 
materiais, conservando-se a energia cinética e o momento linear. Em resumo, fenômenos 
de propagação são mais bem explicados pela teoria ondulatória, enquanto que a 
interação luz-matéria é mais bem entendida usando-se conceitos corpusculares. 
As propriedades ondulatórias são mais facilmente identificáveis quanto "mais 
compridas" as ondas, ou seja, quanto mais além do vermelho visível se estiver, mais 
notável se torna o aspecto ondulatório. Por outro lado, quanto mais nos deslocamos do 
ultravioleta para os raios cósmicos mais notáveis são os aspectos corpusculares das 
radiações. 
 
 
 
Figura 4.1. Espectro de radiação eletromagnética. Um nm corresponde a 10
-9
 m. A 
frequência vai de 10
24
 Hz para os raios cósmicos até cerca de 1 Hz para transmissões de 
potência. A luz visível compreende apenas a pequena faixa de 380 a 780 nm. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.2. GERAÇÃO, PROPAGAÇÃO E PERCEPÇÃO DA LUZ 
A radiação eletromagnética surge como subproduto de qualquer processo onde 
uma carga elétrica é acelerada, e alguns destes processos, ocorrentes na escala 
atômico-molecular, dão origem à radiação visível. 
Todo corpo visível é fonte primária ou secundária de luz; no primeiro caso a luz é 
por ele gerada por um processo físico-químico ou nuclear, e no segundo caso o corpo 
iluminado reflete parte da luz nele incidente. 
Durante a propagação da luz da fonte até o olho humano ela pode ser alterada de 
vários modos. Quando ela encontra a superfície de um objeto ela pode ser refletida, 
absorvida ou transmitida. Luz transmitida é aquela que atravessa um objeto, o qual é dito 
transparente ou translúcido conforme deixe imagens serem transmitidas com ou sem 
distorção. Luz refletida é aquela que não penetra no objeto, retornando ao meio de onde 
proveio a partir da superfície do objeto. Luz absorvida é aquela que não é nem 
transmitida nem refletida, sendo transformada em outra forma de energia como calor. 
Na realidade, da luz incidente num objeto parte é refletida, parte é absorvida e parte 
pode ser transmitida. A divisão de cada uma destas partes pela quantidade de luz 
incidente define 3 quocientes denominados de refletância (r), transmitância (t) e 
absorbância (a), relacionados entre si por: 
r + t + a = 1 (4.2) 
Alguns objetos têm transmitância nula, mas nenhum objeto real apresenta qualquer 
um destes parâmetros como unitários. A absorbância atua no sentido de sempre diminuir 
a quantidade de energia luminosa que sai da superfície. 
Quando a luz atingeo olho humano o processo de percepção visual é 
desencadeado e pode ser interpretado com base em dois parâmetros da luz: 
comprimento de onda e nível energético. A composição de diversos comprimentos de 
onda é interpretada como cor, enquanto que a combinação de comprimentos de onda e 
níveis energéticos é interpretada como brilho. 
 
4.1.3. INCANDESCÊNCIA E LUMINESCÊNCIA 
A emissão primária de luz pode ocorrer por incandescência ou luminescência. A 
incandescência está associada à radiação térmica de um corpo "quente". Todo corpo 
acima de zero Kelvin emite radiações, e para sólidos e líquidos até cerca de 300°C a 
energia irradiada está quase toda na região do infravermelho. Assim para temperaturas 
normais, a pequeníssima parte da radiação localizada na faixa do visível não causa 
sensação visual. Sólidos e líquidos acima de cerca de 300°C apresentam o fenômeno da 
incandescência, surgindo um espectro contínuo de emissão que apresenta uma infinita 
sucessão de radiações monocromáticas de comprimento de onda se iniciando em zero. A 
Tabela 4.1 apresenta algumas das ordens de grandeza das temperaturas associadas a 
fontes incandescentes. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Tabela 4.1. Temperaturas de fontes incandescentes. 
Fonte Temperatura (°C) 
sol  5 700 
arco voltaico  5 000 
lâmpada de filamento: 
- tungstênio 
- carvão 
 
 3 000 
 1 800 
 
A luminescência é a emissão de luz por processo que não seja a irradiação térmica. 
Certos gases e vapores emitem radiação visível a temperaturas normais devido a um 
processo de excitação. A excitação pode ser causada por raios X, por raios gama, por 
raios ultravioletas, por atrito superficial, por partículas eletrizadas, ou pela colocação de 
um sal volátil numa chama. 
Neste processo de excitação, o espectro se apresenta apenas com algumas linhas 
ou raias verticais paralelas que estão associadas a determinados comprimentos de onda. 
Os comprimentos de onda das raias são característicos do elemento que as produzem. 
Por exemplo, o hidrogênio sempre fornece o mesmo conjunto de raias nas mesmas 
posições. Às vezes, as raias se acumulam numa pequena faixa obtendo-se então um 
espectro de faixas ou bandas. 
Existem várias formas de luminescência tais como: 
a) Fotoluminescência: excitação devida a raios X ou gama. 
b) Bioluminescência: excitação associada com a oxidação da luciferina na presença 
da enzima luciferase. Como exemplo temos os vaga-lumes (pirilampos), certos 
cogumelos e certos seres do mar. Ela pode ser também devida a oxidação de certas 
substâncias ocasionada por choque mecânico. Este é o caso de certos micro-organismos 
marinhos que em número de milhões secretam certa substância que se oxida nas ondas, 
causando uma sensação de faiscamento das águas. 
c) Triboluminescência: a excitação está associada ao atrito, como na formação de 
clarões ao se partir um cristal de açúcar ou na clivagem de certas micas. 
d) Quimioluminescência: causada por reação química como a oxidação do fósforo 
ao ar livre. 
e) cátodo-luminescência: causada por choque de partículas alfa ou elétrons, como 
nos oscilógrafos ou tubos de televisão. 
A luminescência é subdividida em fluorescência e fosforescência. Na 
fluorescência a luz cessa logo ao ser o agente interrompido, e na fosforescência a 
emissão continua por um dado tempo após cessar a causa. Exemplo típico são certos 
mostradores de relógio e tomadas que fosforescem no escuro, enquanto que a 
fluorescência de raios X é uma das mais importantes técnicas de caracterização 
mineralógica da atualidade, uma especialidade importante dentro de um projeto de 
empreendimento de mineração. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.4. REFLEXÃO, TRANSMISSÃO E ABSORÇÃO 
Certos fenômenos como a reflexão ou a transmissão podem ser estudados 
supondo-se que a luz se propague em linha reta em um meio homogêneo. Tem-se na 
realidade um problema de geometria e daí deriva o nome de ótica geométrica. Neste 
campo se estuda, por exemplo, a posição e a amplificação de imagens pelas lentes ou a 
reflexão por espelhos. 
Fenômenos como a difração e a interferência não conseguem ser analisados pela 
ótica geométrica, exigindo conceitos como amplitude e diferença de fase. Neste caso se 
tem o campo da ótica física. 
 
4.1.5. REFLEXÃO LUMINOSA 
Objetos iluminados podem refletir de vários modos a luz, dependendo de fatores 
como a textura da superfície ou das camadas do objeto próximas à superfície. Os 
desenhos da Figura 4.2 ilustram algumas das possibilidades de distribuição espacial da 
luz refletida. A difusão perfeita é traduzida do inglês "matte diffuse", enquanto que a 
difusão com espalhamento provém de "diffuse-spread". O termo "specular and spread" foi 
traduzido por especular com espalhamento. 
Na reflexão especular a luz tem raios incidente e refletido definidos pela igualdade 
dos ângulos de incidência (i) e reflexão (r). 
Na reflexão perfeitamente difusa a luz incidente é espalhada em todas as 
direções pelas asperezas da superfície. Uma superfície deste tipo tende a parecer 
igualmente brilhante qualquer que seja o ângulo de observação, tal qual uma parede 
pintada com tinta lisa ou a neve fofa. 
A superfície do carvão é em essência um refletor difuso porque reflete a luz 
incidente de modo uniforme numa ampla faixa de direções. Todavia tem-se um acréscimo 
relativo da energia luminosa refletida no ângulo de reflexão especular. No controle da 
emissão luminosa de lâmpadas e luminárias se utilizam os princípios da reflexão 
especular. 
 
4.1.6. TRANSMISSÃO LUMINOSA 
A transmissão de luz através de um meio é afetada por diversas propriedades deste 
meio as quais dão origem a distintos fenômenos. Dentre estes pode-se citar a 
transparência, a translucidez, a difusão, a transmissão seletiva, o espalhamento 
retroativo, a refração, a dispersão e a absorção. 
 
4.1.6.1. Transparência e Translucidez 
Um material transparente transmite a luz sem espalhamento, de modo que se pode 
observar em detalhe os pormenores de objetos locados em qualquer lado do material. 
Um material translúcido transmite luz com um certo grau de espalhamento, de modo que 
não se observa nitidamente o contorno de objetos, os quais aparecem "borrados" e com 
contorno impreciso. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.6.2. Difusão 
O fluxo luminoso pode ser controlado direcionalmente por meio de materiais com a 
propriedade de gerar um certo grau de espalhamento. Esta difusão pode ser obtida de 
vários modos tais como o riscamento da superfície, a incorporação no material de 
partículas difusoras, pela aplicação de um revestimento superficial, etc. 
O objetivo da difusão é fazer com que a fonte luminosa pareça maior e menos 
brilhante, sendo uma técnica importante para a redução do ofuscamento e melhoria do 
conforto visual. Estes aspectos são importantes na mineração principalmente nas minas 
com camadas pouco espessas (galerias estreitas e com pequena altura), onde as 
lâmpadas são colocadas na altura dos olhos dos mineiros. 
Para 2 lâmpadas incandescentes comuns, uma com bulbo de vidro limpo e outra 
com bulbo fosco, a de bulbo fosco faz com que a lâmpada pareça maior, reduzindo a 
percepção do brilho por unidade deárea. Em termos de ordem de grandeza média, o 
bulbo de vidro limpo tem um brilho por unidade de área cerca de sete vezes maior. 
A difusão sempre implica numa diminuição da energia transmitida e, portanto, numa 
diminuição da eficiência da instalação luminosa. Técnicas de projeto de luminárias 
permitem a redução desta perda através do fenômeno da inter-reflexão. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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112 
 
Figura 4.2. Tipos básicos de reflexão superficial. As superfícies difusoras não são lisas, mas 
"ásperas", e podem ser usadas para melhorar problemas de ofuscamento. No caso de difusão 
perfeita temos no espaço uma esfera que no desenho bidimensional está representada por uma 
circunferência. Fatores como textura e comprimento de onda influenciam a refletância. 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.6.3. Transmissão Seletiva 
Muitos meios transmitem certos comprimentos de onda enquanto refletem ou 
absorvem outros. Esta propriedade pode ser usada para se obter uma luz de composição 
desejada, pois estes materiais mudam a cor da luz sem praticamente alterar a sua 
distribuição. A transmissividade seletiva é usada em certos faróis que usam o chamado 
refletor dicroico, o qual reflete para frente o feixe luminoso e transmite para trás 
comprimentos de onda da região do infravermelho. Isto minimiza o efeito do aquecimento 
causado por estes comprimentos de onda em pessoas e objetos. 
 
4.1.6.4. Espalhamento Retroativo 
Este é um fator importante quando se tem atmosferas com poeira ou neblina, e as 
partículas do ar refletem a luz de volta ao observador, diminuindo a visibilidade. Este é o 
caso, por exemplo, de dirigir em forte nevoeiro, quando se recomenda usar faróis baixos 
e luz de composição preponderantemente amarela (pois o fenômeno é menos intenso 
para este comprimento de onda). Em minas subterrâneas de carvão e sal, se os sistemas 
de ventilação e de aspersão de água não forem muito eficientes, durante a operação dos 
mineradores contínuos a visibilidade se reduz drasticamente quase a zero. 
 
4.1.6.5. Transmitância e Transmissividade 
A transmissão da luz através da atmosfera nunca é feita com transmitância (t) 
unitária, mesmo nas melhores condições de claridade e visibilidade. Este parâmetro é 
importante nos casos de neblina, névoa, poeira em suspensão, "fog" e "smog", 
principalmente se as distâncias de transmissão forem grandes. O quociente entre a 
transmitância e distância denomina-se de transmissividade (tu) ou transmitância 
unitária: 
tu = t / d (4.3) 
Numa atmosfera limpa a transmissividade é de cerca de 0,96 /km, ou seja, apenas 
96% da luz atinge o observador locado a 1 km de distância. Para um observador locado a 
2 km apenas 92,2% da luz o atinge. 
Nos caso de neblina ou "fog", mesmo leves, a transmissividade se reduz 
drasticamente caindo para valores da ordem de 0,4 /km. Assim um observador locado a 2 
km recebe apenas 16% da luz emitida pela fonte e um situado a 3 km recebe apenas 6%. 
Na mineração subterrânea o conceito de transmissividade tem aplicação nas 
análises de transmissão de sinais (seleção de dispositivos visuais indicadores de 
funcionamento, por exemplo, de ventiladores, e junto a locais de geração de muito pó 
como nas frentes em extração continua). Neste último caso, as distâncias são pequenas, 
mas se não se tiver cuidado, a quantidade de poeira será enorme. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.7. REFRAÇÃO 
A velocidade da luz no vácuo é uma constante e independe do comprimento de 
onda considerado. Em qualquer outro meio, a velocidade é diferente (menor) que no 
vácuo e varia com o comprimento de onda considerado. Deste modo, em qualquer meio 
que não o vácuo, raios luminosos monocromáticos violeta e vermelho terão velocidades 
distintas, fenômeno conhecido como dispersão. O quociente entre as velocidades no 
vácuo (c) e num meio qualquer (v) define, para um dado comprimento de onda, o índice 
de refração do meio (n

): 
 
n

 = c / v (4.4) 
 
Não havendo explícita especificação do comprimento de onda considerado 
assume-se o da luz amarela de comprimento 589 nm. A Tabela 4.2 apresenta valores do 
índice de refração relativos ao vácuo e para comprimento de onda de 589 nm. Os valores 
desta tabela são para sólidos e líquidos, e alguns valores para gases e vapores são os 
seguintes (1 atmosfera): 
 
Tabela 4.2. Índices de refração para alguns sólidos, líquidos e gases. 
Sólidos Líquidos Gases 
gelo (- 8°C) 1,31 CO2 (- 15°C) 1,195 hidrogênio (0°C) 1,32 
fluorita 1,433 9 N2 (- 190°C) 1,205 vapor de água (0°C) - 2,500 
silvinita 1,490 4 O2 (- 181°C) 1,221 ar seco (15°C) 2,765 
vidro "crown" 1,517 1 álcool (20°C) 1,329 
sal 1,544 0 água: 
80°C 
40°C 
0°C 
 
1,332 0 
1,330 7 
1,333 8 
 
quartzo 1,544 2 olho humano: 
humor aquoso 
humor vítreo 
 
1,330 
1,337 
 
cristal de rocha 1,544 3 
vidro de bário 1,568 1 
vidro "crown" 
de bário 
1,574 1 
vidro "flint" leve 1, 580 3 
bissulfeto de 
carbono 
1,629 0 
vidro 
"flint"denso 
1,655 5 
calcita 1,658 4 
diamante 2,423 0 
rutílio (*) 2,7 
(*) dióxido de titânio cristalino sintético 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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115 
Quando uma luz monocromática atinge a interface de dois meios que apresentam 
índices de refração diferentes, uma parte é refletida e outra parte é refratada, penetrando 
no segundo meio. A Figura 4.3 mostra os raios incidentes, refletidos e refratados e as leis 
da ótica aplicáveis a cada um deles. Para o raio refratado é válida a lei de Snell dada por: 
 
  sennsenn (4.5) 
 
Na expressão (4.6) n e n' são os índices de refração para os meios origem e 
destino, respectivamente, e como eles derivam do quociente entre velocidades no meio e 
no vácuo, podemos escrever: 
 
v
c
n 
 e 
v
c
n


 → 




 sen
sen
v
v
 (4.6) 
 
Num dado meio luzes monocromáticas diferentes terão velocidades de propagação 
diferentes, ou seja, terão diferentes índices de refração. Esta diferença de índices de 
refração faz com que raios de diferentes cores apresentem diferentes ângulos de 
refração. 
Muitos feixes luminosos são constituídos de raios com comprimentos de onda que 
se estendem por todo o espectro visível. Quando um raio de luz branca, composto da 
mistura de todos os comprimentos de onda visíveis, incide num prisma de quartzo os 
raios refratados de cada comprimento seguirão ângulos diferentes. Assim, um feixe de 
raios policromáticos paralelos será dispersado num cone de raios de cores distintas. Este 
fenômeno é denominado de dispersão luminosa. Como o desvio angular causado pelo 
prisma aumenta com o índice de refração (lei de Snell), a luz violeta é a mais desviada e 
a luz vermelha a menos. As demais cores ocupam posições intermediárias entre estas 
cores extremas. A Figura 4.4 ilustra dispersão de um feixe policromático num prisma de 
quartzo. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Figura 4.3. Refração da luz na interface de dois meios com índices de refração 
n
 e 
n
. 
 
Ao sair do prisma, a luz branca se espalha num leque e dizemos que ela se 
dispersou num espectro. Esta dispersão pode ser quantificada por dois parâmetros, a 
dispersão angular e o desvio. A dispersão angular é dada pela separação angular entre 
os raios vermelho e violeta, enquanto que o desvio médio de todo o feixe com relação à 
direção de incidência pode ser medido pelo desvio da luz amarela. Assim, o desvio do 
espectro é controlado pelo índice de refração da luz amarela enquanto que a "abertura" 
do feixe depende da diferença entre os índices de refração do vermelho e do violeta. A 
Tabela 4.3 apresenta alguns índices de refração para vários comprimentos de onda e 
vários tipos de vidro. 
Os parâmetros desvio e dispersão são importantes no estudo de certas 
propriedades como o brilho e a "luminosidade" de certas gemas e cristais. O diamante e 
os cristais de Murano, Itália, apresentam brilho especial em parte devido às suas altas 
dispersões. Na Tabela 4.3. podemos observar que o vidro "flint" apresenta razoável 
dispersão e desvio, mas a fluorita, por exemplo, os tem pequenos. Isto é, a fluorita tem 
pequeno desvio para a luz amarela e pequena diferença de índices de refração entre o 
violeta e o vermelho. 
A velocidade da luz em um gás é aproximadamente igual à no vácuo, e a dispersão 
é muito pequena. Para o ar em condições normais tem-se: 
 
 Luz vermelha (656 nm) ---- n = 1,000 295 7 
 Luz violeta (436 nm) -------- n = 1,000 291 4 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Portanto, na maioria das aplicações o índice de refração do ar é considerado como 
unitário para todos os comprimentos de onda. 
A refração está associada aos problemas de iluminação de 2 modos: 
 Lentes podem ser projetadas para controlar a distribuição da luz, através da 
curvatura das mesmas; 
 O olho humano obtém uma imagem em foco na retina através do princípio da 
refração. 
 
 
 
Figura 4.4. Dispersão de feixe policromático devido aos diferentes índices de refração. 
 
Tabela 4.3. Índices de refração para várias cores e vidros (*). 
cor  (nm) "crown" 
leve 
"flint" 
médio 
"crown" 
de boro (**) 
"flint" 
denso 
dissulfito de 
carbono 
vermelho 656,3 1,514 6 1,622 4 1,521 9 1,650 0 1,618 2 
amarelo 589,3 1,517 1 1,627 2 1,524 3 1,655 5 1,627 6 
azul 486,1 1,523 3 1,638 5 1,529 7 1,669 1 1,652 3 
violeta 396,9 1,532 5 1,662 5 1,659 2 1,694 0 1,699 4 
(*) vidros compõe-se de variadas proporções de SiO2 (48 a 67%), Na2O, PbO e BaO. 
(**) borossilicato contendo SiO2, K2O, B2O3, BaO e Na2O. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.1.8. ABSORÇÃO 
Quando um objeto absorve certos comprimentos de onda permitindo que outros 
sejam refletidos ou transmitidos, diz-se que ele apresenta propriedades absorventes 
seletivas. A absorção seletiva altera a composição de comprimentos de onda da luz 
refletida (ou transmitida), e esta alteração é percebida como cor do objeto. Um objeto 
visto como vermelho quando iluminado por luz branca contém moléculas (pigmentos) que 
absorvem comprimentos de onda da região verde-azul do espectro, ao mesmo tempo em 
que refletem comprimentos de onda da região do vermelho. 
Se um objeto que praticamente só reflete luz da região do vermelho for iluminado 
por uma luz composta basicamente por comprimentos da região do verde-azul do 
espectro, ele surgirá "sem cor", sem "brilho" e muito escuro. Isto demonstra que o olho 
humano só percebe cores que já existiam na luz incidente. A percepção de cor é um 
processo subtrativo, isto é, a mistura de cores na luz refletida é um subconjunto da 
mistura de cores da luz incidente. 
As propriedades de absorção são úteis na seleção de fontes de luz onde a 
discriminação de cores é importante como nos códigos de sinalização para fiações e 
tubulações, e zonas especiais de tráfego. 
No garimpo subterrâneo de esmeraldas de Campos Verdes, Goiás, foi feita 
uma tentativa de minimização de furto de pedras nas frentes de lavra em subsolo 
empregando-se na iluminação das galerias apenas lâmpadas que não emitiam 
comprimento de onda da região do verde. Deste modo, ficava muito difícil se 
distinguir as gemas brutas da rocha encaixante talco-xisto. As gemas, que eram 
esverdeadas, apresentavam então cor cinza semelhante ao xisto. 
 
4.1.9. CURVA ESPECTRAL DE EFICIÊNCIA LUMINOSA 
O olho humano não "vê" luz se propagando no espaço, mas tão somente fontes 
luminosas ou objetos que refletem luz. Por isso é que o céu é escuro à noite apesar da 
luz solar estar se propagando até a lua. 
O olho "sente" a luz que o penetra, a processa e a interpreta com relação ao objeto 
sendo visto. Estes processos se baseiam na focalização da imagem do objeto na retina, 
ocorrendo uma decodificação das informações trazidas pela luz. Estas informações 
incluem dados de coloração, de brilho e de relações espaciais. Portanto, é a luz refletida 
que indica o que é visto, tendo importância nos projetos onde se avalia um ambiente para 
determinar quanta luz é refletida e como esta é distribuída. 
Salas de escritório de cores claras tem uma boa parte da luz usada para fins 
de leitura ou visualização decorrente de inter-reflexões. Admitamos que a 
refletância média das paredes de um escritório seja da ordem de 90%. Minas de sal 
podem ter refletância das paredes da ordem de 40 a 50%, minas metálicas da 
ordem de 15% e minas de carvão da ordem de 5%. Portanto, uma boa iluminação 
de uma sala, se transportada para uma galeria de mina de carvão, seria totalmente 
insuficiente. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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119 
4.1.9.1. Cores 
Cores são os nomes especiais dados a determinados comprimentos de onda ou a 
várias combinações destes. Percebe-se que comprimentos de onda da faixa entre 380 e 
400 nm caracterizam a cor violeta, enquanto que a faixa ao redor de 600 nm caracteriza a 
cor amarela. 
Quando se tem uma mistura de comprimentos de onda de todo o espectro visível a 
luz se apresenta como branca, enquanto que o preto não é uma cor, mas a ausência total 
de luz (refletida ou emitida). O sol e certas lâmpadas produzem misturas mais ou menos 
"balanceadas" de todo o espectro visível e, portanto emitem uma luz "natural". Outras 
proporções relativas de comprimentos de onda produzem diversos tipos de luz 
denominadas de “cores brancas". 
Certas combinações de comprimentos de onda podem ser percebidas pelo olho 
como de uma dada cor, sendo na realidade uma composição de apropriados 
comprimentos de onda. Por exemplo, a mistura de amarelo e azul é percebida como 
sendo a cor verde. 
 
4.1.9.2. Brilho 
A percepção do "brilho" de um objeto depende entre outras coisas de 2 
características da luz, a energia luminosa e a mistura de comprimentos de onda. Para um 
dado comprimento de onda, quanto maior a energia atingindo o olho, maior a sensação 
de brilho. 
Todavia o olho humano não responde igualmente a todos os comprimentos de onda 
do espectro visível, e isto é ilustrado na Figura 4.5. A curva representa a resposta do olho 
aos brilhos relativos de vários comprimentos de onda, referenciadosao comprimento de 
555 nm (luz verde, para o qual o olho é mais sensível). Esta curva é denominada de 
curva espectral de eficiência luminosa, sendo uma curva média obtida 
experimentalmente a partir das curvas individuais de muitas pessoas. 
A curva espectral de eficiência luminosa surge nas definições das principais 
unidades fotométricas, sendo incorporada em instrumentos que medem estas grandezas. 
Estes instrumentos possuem sistemas de filtros internos que selecionam comprimentos 
de onda de modo a reproduzir esta curva. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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120 
 
Figura 4.5. Curva espectral de eficiência luminosa para fluxos radiantes monocromáticos e sua 
percepção pelo olho humano. O valor de máxima eficiência do olho (f=1) corresponde à luz verde 
amarelada de 555 nm. 
 
A curva espectral é utilizada na construção de instrumentos fotométricos, ou 
seja, instrumentos que efetuam medições incorporando a percepção subjetiva de brilho 
dada pela curva espectral. Deste modo, eles procuram "imitar" o processo de percepção 
do olho humano quando este avalia o brilho de uma superfície. 
 Por outro lado instrumentos que medem apenas a energia radiante, sem incorporar 
qualquer subjetividade do olho humano, são ditos radiométricos. Estes fornecem 
resultados em watts ou unidades equivalentes. A Figura 4.6 ilustra a diferença essencial 
entre instrumentos radiométricos e fotométricos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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121 
Figura A 
 
Figura B 
 
Figura 4.6. Medidas radiométricas (energia radiante) e medidas fotométricas (energia luminosa). 
Instrumentos fotométricos levam em consideração a curva espectral de eficiência luminosa, de 
modo que a luz de comprimento de onda de 550 nm (Figura A) origina, neste exemplo, uma 
medida fotométrica de intensidade cerca de 10 vezes maior que a de 650 nm (Figura B). Todavia, 
ambos os feixes transportam a mesma energia radiante, medida em watts. 
 
Consideremos dois raios monocromáticos de comprimentos de onda 550 e 650 nm, 
e que transportem a mesma energia radiante (medida, por exemplo, em watts). De 
acordo com a curva espectral da Figura 4.6 os fatores de brilho relativo (f) seriam 
respectivamente da ordem de 1 e 0,1, indicando que o raio de 550 nm fornecerá um 
brilho relativo cerca de 10 vezes maior que o raio de comprimento 650 nm. O olho 
humano perceberá esta diferença de brilho quando observar um objeto iluminado 
separadamente por cada um destes raios. 
Devido ao fato de que a luz verde de 555 nm ser aquela de maior sensibilidade do 
olho humano, é aquele em que o olho trabalha mais "descansado". Por este motivo, 
muitos objetos como lousas de sala de aula passaram da cor preta para a cor verde. 
Além disso, o verde é considerado como repousante. Durante um certo tempo as minas 
carboníferas inglesas utilizaram lâmpadas verdes em subsolo, mas esta prática não é 
mais utilizada face à outras dificuldades derivadas deste procedimento. 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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122 
4.1.10. GRANDEZAS E UNIDADES FOTOMÉTRICAS 
Fontes luminosas comuns se caracterizam por transformar a energia elétrica 
recebida em energia eletromagnética radiante. A emissão da energia radiante depende 
da temperatura e da natureza da superfície emitente, e se observa que apenas uma parte 
da potência elétrica recebida (Pel) se transforma em fluxo eletromagnético radiante(Φr) 
como ilustra a Figura 4.7. 
 
Pel (W) r

(W)
 
Figura 4.7. Transformação de potência elétrica em energia radiante. 
 
As perdas incluem calor por convecção e radiação, absorção, etc. O rendimento é 
dado por: 
 
 = r / Pel (4.7) 
 
Verifica-se também experimentalmente que apenas uma parte do fluxo radiante (r) 
sensibiliza o olho humano, mais precisamente a estreita faixa de comprimentos de onda 
entre 380 e 780 nm. 
Unidades como o watt são usadas quando se quer quantificar a energia associada 
às grandezas potência elétrica ou fluxo radiante, tendo-se então as "intensidades" das 
fontes como emissoras de radiação eletromagnética. Como se deseja comparar as 
"intensidades relativas" das fontes como emissoras de luz visível, em projetos de 
iluminação o foco está em comparar fluxos luminosos e não fluxos radiantes. A Figura 4.8 
ilustra a relação entre a energia radiante e sua parte que sensibiliza o olho humano. 
A experiência mostra que quantidades iguais de fluxos radiantes de diversos 
comprimentos de onda não produzem iguais percepções de brilho visual. Além disso, 
quantidades iguais de fluxos luminosos monocromáticos de cores distintas também não 
produzem a mesma percepção visual de brilho. Estas observações são sintetizadas na 
curva espectral de eficiência luminosa a qual reflete o fato de que para um grande 
número de pessoas a vista é mais sensível à luz verde de comprimento de onda de 555 
nm. Os limites desta curva experimental é que definem a faixa de comprimentos de onda 
que sensibilizam o olho humano, estimada entre 380 e 780 nm. Estes limites do espectro 
visível não são rígidos, e com iluminação reduzida a vista se torna mais sensível a 
comprimentos de onda mais curtos; nestes casos a percepção do maior brilho se situa na 
faixa de 500 a 550 nm. 
O decaimento da percepção do brilho para cores diferentes do verde é rápido, e a 
610 nm o brilho relativo é de apenas 50%. Isto é, se olharmos uma superfície onde 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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123 
incidem fluxos iguais de energia radiante, medidos em watts, e de comprimentos de onda 
de 555 e 610 nm, para o segundo parecerá que se tem apenas metade do brilho do 
primeiro. 
Para um mesmo observador, uma lâmpada emitindo um milésimo de watt de luz 
verde parece brilhante, ao passo que uma emitindo um milésimo de watt de luz azul 
parece pálida. A relação na curva espectral é da ordem de 1 para 0,05, ou seja, a luz azul 
parece vinte vezes menos brilhante. Lâmpadas que emitem apenas radiações com 
comprimentos de onda menores que 380 nm ou maiores que 780 nm não apresentam 
"brilho" e parecem negras. 
 
 (lm)
e
l
r (W)
fluxo radiante
perdas
fluxo luminoso
unid. fotométricaunid. radiométrica
 
Figura 4.8. Uma parte do fluxo radiante (r) corresponde ao fluxo luminoso l, o qual é 
capaz de sensibilizar o olho e cuja unidade é o lúmem (e não o watt). 
 
Dos exemplos acima se percebe que o watt não é adequado para quantificar fluxo 
luminoso, e o que se precisa é de uma unidade que exprima a capacidade da radiação 
provocar sensações visuais subjetivas de brilho. O instrumento básico de medida é o olho 
humano e a ciência que estuda e compara quantidades de luz e seus efeitos na 
iluminação de objetos, tendo por base as sensações visuais, chama-se fotometria. 
Os sistemas de unidades fotométricas são muito particulares, porque aplicam uma 
função de ponderação humana às medidas físicas de energia. Ou seja, eles ponderam as 
energias medidas com a curva espectral de eficiência luminosa. Esta é uma diferença 
essencial entre unidades radiométricas e fotométricas; as primeiras são usadaspara 
radiações não visíveis e não incluem esta ponderação humana. 
As principais grandezas consideradas em projetos de iluminação são: potência 
elétrica (Pel), fluxo radiante (Φr), fluxo luminoso (Φl), eficácia luminosa (e), intensidade 
luminosa (I), iluminância (E), luminância (L) e refletância (r). 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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124 
4.1.11. FLUXO RADIANTE 
É a potência transportada por todas as radiações de um feixe eletromagnético 
independentemente de efeitos visuais. Ou seja, é a energia transportada na unidade de 
tempo por todos os comprimentos de onda do feixe. Sua unidade é o watt. Este fluxo 
contém radiações visíveis e não visíveis. 
 
4.1.12. FLUXO LUMINOSO 
É a potência transportada medida conforme a sensação visual que pode produzir. 
Sua unidade no sistema internacional é o lúmem (lm), que representa a energia na 
unidade de tempo tanto quanto outras unidades como o watt, o cavalo-vapor, a caloria 
por segundo, etc. Definido o lúmem e utilizando-se considerações geométricas é possível 
se definir as demais unidades que quantificam a distribuição da luz no espaço e sobre 
objetos. 
Com um instrumento como um fotômetro de cintilação, pode-se comparar a 
sensação subjetiva de brilho causada pela fonte padrão com a sensação provocada pela 
luz de qualquer cor. Se o olho fosse igualmente sensível a todo o espectro 
eletromagnético, então o fluxo luminoso Φl seria igual ao fluxo radiante Φr e ambos 
seriam medidos em watts. Mas o olho só é sensível a uma pequena faixa de radiações 
(entre 380 e 780 nm), e mesmo dentro desta faixa a sensibilidade varia como indicado 
pela curva espectral de eficiência luminosa. No pico da curva espectral (luz verde com  
= 555 nm) obtém-se que 1 watt de fluxo radiante monocromático corresponde a 685 
lúmens de fluxo luminoso. Para fluxos radiantes monocromáticos de outras cores 
(portanto não mais no pico da curva espectral), 1 watt de fluxo radiante corresponde a 
menos que 685 lúmens de fluxo luminoso. 
 
 
4.1.13. EFICÁCIA LUMINOSA 
A partir da curva espectral de eficiência luminosa define-se a noção de eficácia 
luminosa (e), dada pelo quociente: 
 
e = l / r (4.8) 
 
Como l é dado em lúmens e r em watts, a eficácia é dada em lúmens por watt. A 
máxima eficácia de 685 lm/W ocorre para a luz verde de comprimento de onda de 555 
nm; para qualquer outra cor a eficácia é menor que 685 lm/W. Para radiações 
monocromáticas fora do pico da curva espectral a eficácia luminosa é obtida através do 
fator de luminosidade (f). Este fator corresponde a ordenada da curva espectral e, 
portanto: 
 
e = {f x 685} (com 0<f<1) (4.9) 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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125 
Quadro 4.1. 
Exemplo de eficácia luminosa para luz amarela. 
 
Resposta: 
Para a luz de vapor de sódio com comprimento de onda de 589,3 nm (Tabela 4.3), 
temos para f o valor de 0,765. Logo a eficácia luminosa desta luz amarela será de: 
e = (0,765)(685) = 524 lm/W. Ou seja, cada watt de potência radiante desta luz 
conterá 524 lúmens de energia luminosa. Já para a radiação amarela de 
comprimento de onda de 600 nm um feixe de 5 watts desta luz conterá os seguintes 
lúmens: 
 da curva espectral: f = 0,5 
 
 
 
 
 
4.1.14. EFICIÊNCIA GLOBAL DE UMA LÂMPADA 
A eficiência de transformação da potência elétrica em potência radiante, 
simbolizada por , e a eficiência do fluxo radiante em produzir sensação visual, expressa 
pela eficácia e, permitem as relações: 
 = r / Pel (4.10) 
e = l / r (4.11) 
A eficácia luminosa exprime uma propriedade de um fluxo radiante, e podemos 
definir a eficiência global de uma fonte luminosa (por exemplo, uma lâmpada) por: 
g = l / Pel (4.12) 
 
Portanto: 
g = (e x r) / Pel = ( f x 685 x r ) / Pel 
g = f x 685 x (  x Pel ) / Pel 
Finalmente: g = f x  x 685 (lm/W) (4.13) 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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126 
Devido às perdas por calor (expressas por ) e a produção de radiações não 
visíveis (expressas por e), a eficiência luminosa global das lâmpadas é bem inferior a 685 
lm/W. Para lâmpadas fluorescentes brancas g é da ordem de 50 lm/W, e para 
incandescentes brancas é da ordem de 20 lm/W. 
 
 
4.1.15. INTENSIDADE LUMINOSA DE FONTE PONTUAL 
A intensidade luminosa é uma grandeza usada para se descrever como o fluxo 
luminoso, emitido por uma fonte pontual, se distribui no espaço que a rodeia. A definição 
formal é: a intensidade luminosa de uma fonte pontual, numa dada direção, é a 
quantidade de fluxo luminoso que ela irradia por unidade de ângulo sólido na 
direção considerada. Esta definição envolve o conceito de ângulo sólido definido a 
seguir. 
 
4.1.15.1. Ângulo sólido 
O ângulo sólido  é medido em esterorradianos, dados pelo quociente entre a 
área S e o raio da esfera ao quadrado: 
 
  =  S / R 2 (4.14) 
 
Portanto o ângulo sólido de um esterorradiano é aquele cuja área na superfície da 
esfera é igual ao raio ao quadrado. Como a superfície da esfera é de 4 vezes o raio ao 
quadrado, o espaço todo ao redor do centro contém um ângulo sólido de 4 
esterorradianos. 
 
4.1.15.2. Intensidade luminosa 
Matematicamente a intensidade luminosa de uma fonte pontual é dada pelo 
quociente: 
 
I = dl / d (4.15) 
 
onde: 
dl = fluxo luminoso, em lúmens; 
d = ângulo sólido, em esterorradianos; 
I = intensidade luminosa em candelas (lúmens por esterorradianos) na direção do ângulo 
sólido considerado. 
 
Como não existem na realidade fontes pontuais, uma fonte real pode ser tratada 
como pontual quando sua maior secção transversal for igual ou inferior a 1/20 da 
distância da qual ela é observada. Aproximações mais grosseiras são feitas para a 
relação 1/10. Assim, uma chama de vela de 2 cm pode ser considerada pontual a mais 
de 40 cm. Para fontes não pontuais (extensas) existe o conceito equivalente de 
luminância que será visto mais adiante. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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127 
A maioria das fontes não emite quantidades iguais de fluxo luminoso por unidade 
de ângulo sólido em todas as direções do espaço. Por exemplo, uma lâmpada 
incandescente não emite fluxo na direção da sua base. 
Para uma fonte luminosa pontual de intensidade A candelas em todas as 
direções, o fluxo luminoso que ela emite para todo o espaço que a rodeia é 
expresso por: 
 
 l =  I d = (4) A lúmens 
 
O fluxo luminoso dado em lúmens representa a quantidade de energia luminosa 
transportada na unidade de tempo, e pode ser visualizado através de linhas de fluxo 
luminoso. Do exposto fica claro que a intensidade luminosa de uma fonte pontual é uma 
grandeza direcional, com a direção sendo definida pelo "eixo" do ângulo sólido. A 
intensidade média é calculada pela expressão: 
 
Im = l /  (4.16) 
 
É uma intensidade média para todo o ângulo sólido e uma área sobre uma esfera 
centrada na fonte pontual. À medida que o ângulo sólido é subdividido em ângulos 
menores a variação da intensidade com a direção pode ser melhor avaliada.No limite a 
intensidade numa certa direção é dada por: 
 
I = dl / d (4.17) 
 
Para áreas infinitesimais dA que não estejam sobre a superfície de uma esfera, ou 
seja para áreas infinitesimais cujas normais não contenham o vértice do ângulo sólido, 
temos a seguinte expressão para o ângulo sólido: 
 
d  = dAproj / R
2 (4.18) 
 
Em (4.18) dAproj representa a projeção da área dA na direção normal ao raio como 
mostra a figura 4.9. 
Os conceitos de ângulo sólido e intensidade luminosa tem aplicação direta nos 
problemas de iluminação mineira quando se consideram questões como níveis mínimos 
de iluminação em subsolo. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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128 
Figura 4.9. Ângulo sólido para área infinitesimal não esférica. 
 
4.1.16. ILUMINÂNCIA DE UMA SUPERFÍCIE 
4.1.16.1. Iluminância média 
Quando um fluxo luminoso incide numa superfície dizemos que ela está iluminada. 
O quanto ela está iluminada é dado pelo conceito de iluminância, que é a quantidade de 
fluxo luminoso que atinge a superfície. Matematicamente temos: 
 
E = l /  S (4.19) 
 
onde: 
E = iluminância média na superfície S, dado em lm/m2 ou lux, símbolo lx; 
l = fluxo luminoso total incidindo na superfície. 
 
A Figura 4.10 ilustra um fluxo luminoso atingindo uma superfície, e notamos que 
neste conceito não há não há nada que distinga os raios luminosos quanto a origem ou 
direção. Além disso, o fluxo total pode ser de mais de uma fonte, valendo o princípio da 
superposição. 
 
Raios luminosos de várias direções 
raios luminosos de várias direções
 
Figura 4.10. Fluxo luminoso total atingindo a área S. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Quadro 4.2. 
Exemplo de iluminância média para determinada área. 
 
Resposta: 
O conceito de iluminância independe do comprimento de onda da luz incidente e 
da sua direção. Assim um fluxo de 5 lm de luz verde ( = 550 nm) e um fluxo de 15 
lm de luz vermelha ( = 700 nm), ambos incidindo com ângulos diferentes numa 
área de 10 m2, produzem uma iluminância média nesta área de: 
 E (média) =  ( l ) / S = ( 5 + 15 ) / 10 = 2 lm/m
2 = 2 lux 
 
 
 
 
 
4.1.16.2. Iluminância num ponto 
A iluminância num ponto (P) é obtida tomando-se uma pequena área ao redor do 
ponto considerado e levando-se a expressão 4.19 ao limite: 
 
 E(P) = lim (l / S) = dl / dS (4.20) 
 S  0 
 
Se todos os pontos de uma área forem igualmente iluminados, a área é dita sob 
iluminância uniforme e escrevemos: 
 
E = E(P) = E (4.21) 
 
Desde que o fluxo luminoso seja caracterizado em lúmens a iluminância independe 
do comprimento de onda da luz incidente. Todavia se o feixe luminoso for caracterizado 
pela sua energia radiante, então a inclusão do fator de luminosidade implica numa 
diferenciação de iluminância originada da curva espectral de eficiência luminosa. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Quadro 4.3. 
Exemplo de iluminância para um ponto. 
 
Resposta: 
Consideremos uma parede branca na qual incide a luz de dois faróis com 
luzes de cores distintas, cada um colocando na superfície uma densidade uniforme 
de fluxo radiante de 50 W/m2. Os faróis iluminam regiões diferentes da parede com 
as cores amarelo (fator de luminosidade 0,765 6) e vermelho (fator de luminosidade 
0,077 2). As iluminâncias produzidas por cada cor seriam distintas e se teriam os 
seguintes valores: 
E = Δɸl /ΔS com Δɸl = e x Δɸr = f x 685 x Δɸr 
Logo: 
E (amarela) = 0,765 6 x (685 lm/W) x (50 W/m2) = 26 221,8 lm/m2 = 26 222 lux 
E (vermelha) = 0,077 2 x (685 lm/W) x (50 W/m2) = 2 644,1 lm/m2 = 2 644 lux 
Ou seja, a região iluminada pelo feixe amarelo tem iluminância cerca de dez 
vezes maior. Se os dois faróis incidissem simultaneamente na mesma região 
teríamos: 
E (total) = 26 222 + 2 644 = 28 866 lux 
 
 
 
A iluminância se refere, portanto a uma densidade superficial de fluxo luminoso, 
distinguindo-se de uma densidade superficial de fluxo radiante por meio do fator de 
luminosidade. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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131 
 
4.1.16.3. Medição da iluminância 
A iluminância média é uma grandeza de fácil medição e isto é um fato interessante 
por várias razões: 
 A iluminância pode ser convertida para outras grandezas mais difíceis de serem 
medidas diretamente, como a intensidade luminosa; 
 Muitas normas são especificadas em termos de níveis de iluminância, o que 
permite uma boa descrição da distribuição da luz, facilita os cálculos de projeto 
e permite fácil checagem no local. É por isso que muitos países adotam este 
parâmetro nas suas normas de iluminação de minas. 
 
Todavia especificações em termos de níveis de iluminância, feitas em função da 
utilização de objetos e ambientes, não consideram como as superfícies refletem a luz e é 
a luz refletida que determina o que é visto. 
Ao se fotografar minas subterrâneas com a mesma câmera fotográfica e 
"flash", e, portanto, tendo-se aproximadamente as mesmas iluminâncias, os 
resultados podem ser muito distintos em função da refletância das superfícies. 
Três resultados bem diferentes ocorreriam numa mina de sal (como a Taquari-
Vassouras da Vale em Aracaju), numa mina de calcário (como a mina do Baltar em 
Sorocaba) e numa mina de carvão (como a do Trevo em Santa Catarina). 
A medida da iluminância é feita por instrumentos contendo células fotrônicas ou 
fotoelétricas, as quais contém materiais sensíveis à luz e que transformam a energia 
luminosa incidente em energia elétrica. Quando o fluxo radiante incide na superfície da 
célula ela produz uma corrente, porém a relação entre correntes produzidas por fluxos 
radiantes de diversos comprimentos de onda não é, infelizmente, a mesma que a relação 
das sensações subjetivas de brilho causadas no olho humano. 
A maioria das células fotrônicas responde ao fluxo infravermelho, gerando uma 
corrente que obviamente não é proporcional ao fluxo luminoso (pois este inexiste nesta 
faixa do espectro). Todavia colocando-se à frente da célula filtros que absorvam 
adequadamente os diferentes comprimentos de onda, pode-se fazer com que a curva de 
resposta da célula concorde razoavelmente com a curva de percepção do olho humano. 
Neste caso, a corrente gerada pode ser tomada como uma medida do fluxo luminoso que 
nela incide, e se a célula for uniformemente iluminada, a corrente gerada é proporcional 
ao fluxo luminoso incidente por unidade de área. 
 
4.1.17. LUMINÂNCIA E PERCEPÇÃO DE BRILHO 
Uma fonte puntiforme é caracterizada por sua intensidade luminosa (I), e para a 
maioria dos projetos pode-se considerar como aproximadamente puntiformes elementos 
como velas, lampiões e lâmpadas incandescentes. Com o advento de bulbos foscos, de 
quebra-luzes difusores, de lâmpadas fluorescentes e de iluminação indireta, a maioria 
das fontes deixou de poder ser considerada puntiforme. O conceito de intensidade 
luminosa de uma fonte pontual é então estendido para o conceito de luminânciade uma 
superfície. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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132 
A luminância média de uma superfície, simbolizada por L, é definida como o 
quociente entre a intensidade luminosa e a área projetada da superfície de onde vem a 
luz como mostra a Figura 4.11. 
 
L = I / Aproj = I / A cos  (4.22) 
 
 
Figura 4.11. Conceito de luminância de uma superfície de área A na direção do observador O. 
Fontes extensas são caracterizadas por sua luminância, sejam elas fontes primárias ou 
secundárias de luz. 
 
A partir dos parâmetros geométricos associados à definição de luminância 
podemos concluir que: 
a) A luminância é uma grandeza direcional; variando-se o ponto de observação a 
luminância varia tanto em função do ângulo  como também porque a superfície pode 
emitir diferentes quantidades de luz para distintas direções; 
b) A luminância independe do motivo pelo qual a luz sai da superfície; podendo-se 
ter uma área emitente como a superfície de uma lâmpada, uma área refletora como um 
talude ou mesmo áreas transmissoras como as superfícies de lentes e luminárias; 
c) Quanto maior a área mais se aplica o conceito de luminância média; quanto 
menor a área mais se tende para o valor da luminância pontual; 
d) No sistema internacional de unidades a luminância é expressa em candelas por 
metro quadrado (cd/m2) ou nit (nt). 
Ao ser lida, esta página se encontra praticamente sob iluminância uniforme, e 
como as letras impressas refletem menos luz elas parecem menos brilhantes que o 
papel branco. Portanto, apesar da iluminância ser uniforme, a luminância desta 
página não o é. 
Em geral a luminância de uma superfície depende da direção da qual é observada, 
existindo superfícies perfeitamente difusas para as quais a luminância é a mesma de 
qualquer ponto que seja observada. Para estas superfícies, denominadas de difusores 
perfeitos ou superfícies Lambertianas, a luminância pode ser expressa em outra unidade 
que não cd/m2. Como exemplos de ótimas superfícies difusoras temos a neve nova e 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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133 
muito fofa, uma parede pintada com tinta branca e o óxido de magnésio. Para estas 
superffícies, podemos fazer a aproximação de difusor perfeito, pois sua luminância é 
praticamente a mesma qualquer que seja a direção de observação. 
O conceito de luminância é importante em projetos de iluminação porque é uma 
grandeza física que se correlaciona com a percepção subjetiva de "brilho". A simplicidade 
da equação 4.22. encobre uma série de considerações importantes que podem não ser 
percebidas a primeira vista. Vamos analisá-la com maior detalhe, variando isoladamente 
os seguintes fatores: a intensidade I, a área A, a distância de observação e a direção de 
observação. 
 
4.1.17.1. Variação apenas da intensidade luminosa 
Seja uma lâmpada incandescente para a qual se tenha um controlador da sua 
intensidade luminosa; à medida que se diminui a intensidade diminui também a sensação 
de brilho que se percebe nas superfícies e pela equação 4.22 também diminui a 
luminância já que diminui o numerador. 
 
4.1.17.2. Variação apenas da área 
Sejam dez velas iguais, distribuídas de dois modos distintos: numa área em 10x10 
cm2 e numa área de 1 m2. Se as observarmos de uma distância fixa (como 30 m), em 
ambos os casos temos a mesma intensidade porque a quantidade total de lúmens 
emitidos é aproximadamente igual. Todavia, a sensação de brilho é maior para a área 
menor e a equação 4.22 indica esta maior luminância devido ao denominador da 
equação ser menor. 
 
4.1.17.3. Variação apenas da distância de observação 
Observemos uma parede de 6 m2 às distâncias de 5 e 10 m; ao nos afastarmos da 
parede ela parecerá menor, mas não sua luminância, pois a percepção de brilho 
permanece inalterada. Isto é expresso na equação 4.22 pela inexistência do fator 
distância. 
 
4.1.17.4. Variação apenas da direção de observação 
Nem sempre as superfícies emissoras (ou refletoras ou transmissoras) distribuem 
seu fluxo uniformemente pelo espaço, de modo que a intensidade pode variar com a 
direção de observação. Além disso, a área projetada varia com o ângulo de observação. 
Por causa desta dupla influência não se pode tirar conclusões gerais, podendo-se apenas 
afirmar que a direção de observação é um parâmetro influente que deve ser estudado em 
cada caso particular. 
Das considerações anteriores pode-se perceber que existe uma correlação entre 
luminância e percepção de brilho, mas que esta correlação não é absoluta. Ela é válida 
apenas quando se tem as mesmas condições de observação visuais, o que pode ser 
ilustrado do seguinte modo. Se olharmos para vários objetos sob um mesmo nível de 
iluminação de fundo, poderemos ordená-los segundo nossa percepção de brilho. Esta 
ordenação coincidiria com aquela que seria obtida se medíssemos experimentalmente as 
luminâncias. Por outro lado, se observarmos uma lanterna de capacete mineiro numa 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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134 
galeria escura (sem iluminação de rede) e a céu aberto num dia claro, ela não parecerá 
tão brilhante na superfície, mas sua luminância é a mesma nos dois locais. O que 
acontece é que os estados de adaptação do olho humano aos níveis de iluminação em 
subsolo e a céu aberto são distintos, ocorrendo, portanto uma alteração da correlação 
entre percepção de brilho e luminância. 
 
 
4.1.18. REFLETÂNCIA 
A refletância é uma medida da eficiência de uma superfície em devolver a luz 
incidente; se for nula toda a luz é absorvida e se for unitária toda luz é refletida. 
 Um espelho praticamente reflete toda a luz incidente e sua refletância pode 
ser considerada para fins práticos como unitária. O chamado corpo negro perfeito 
(radiador integral) absorve toda a radiação que nele incide e tem então uma 
refletância nula. Uma boa aproximação deste corpo negro pode ser obtida com um 
orifício numa caixa pintada de preto por dentro, pois praticamente toda luz que 
entra pelo orifício não sai mais. 
Bons projetos de iluminação mineira requerem o conhecimento da refletância do 
ambiente porque nós "vemos é através da luz refletida", e em geral, nas minas a maior 
parte da luz incidente é absorvida. A quantificação da luz refletida torna possível que se 
compense as perdas por absorção, e esta compensação pode ser efetuada pelo sistema 
de iluminação ou pela alteração da superfície refletora. 
Didaticamente podemos classificar a reflexão superficial em seis tipos principais: 
especular, especular com difusão preferencial, especular com difusão perfeita, difusão 
com componente especular e difusão com espalhamento. 
Os diagramas da Figura 4.2 são muito simplificados, pois ilustram apenas um raio 
incidente, enquanto que na realidade poderíamos ter um cone de luz incidente ou ela 
poderia provir de todas as direções. Além disso, poderíamos estar medindo toda a luz 
refletida, ou uma parte dela numa dada direção ou ainda apenas um feixe de raios. 
Na literatura não há concordância absoluta quanto aos tipos de reflexão 
encontradas em minas subterrâneas. Trotter (1982) afirma que na maioria das minas 
secas as superfícies são difusoras com componente especular, enquanto que para 
superfícies poeirentas e pulverulentas a reflexão se aproximaria da difusãoperfeita. Já 
Crooks e Peay afirmam que a maioria das rochas e minerais quando secos são difusores 
perfeitos; quando úmidos a maior parte se tornaria difusora com espalhamento e uma 
pequena parte se tornaria difuso-especular. Esta última seria potencialmente a mais 
provável causadora de ofuscamento, e, portanto a umidade é um fator gerador de 
ofuscamento em minas principalmente se as superfícies estiverem bem úmidas e 
intensamente iluminadas. 
A tabela 4.4 contém dados de refletância levantados por Trotter, podendo-se 
observar que a refletância do carvão é bem baixa estando em geral na faixa de 3 a 6%. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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135 
Tabela 4.4. Refletâncias obtidas em minas de carvão canadenses, próximas a 
Sidney, Nova Escócia. 
Mina Método de lavra Refletância d.p. (*) Condições gerais 
Prince 
parede 1-E 
frente ampla e 
frente curta, em 
recuo 
0, 058 0,005 superfície seca, limpa, 
áspera, acamamento não 
visível 
 
# 26 
frente ampla em 
avanço 
0,042 0,011 superfície seca, limpa, lisa, 
acamamento bem visível, e 
definido 
Lingam frente ampla em 
avanço 
0,035 0,011 superfície seca ou úmida, 
limpa, pó variável 
Prince 
parede 2-E 
frente ampla e 
curta, em recuo 
0,043 0,009 superfície úmida, 
empoeirada, áspera, 
acamamento não visível 
(*) desvio padrão 
 
4.1.19. MÉTODO PONTO A PONTO PARA CÁLCULO DA ILUMINÂNCIA 
Neste método se estima iluminamento ou a iluminância no chamado plano de 
trabalho a partir das distribuições de fluxo das diversas fontes e das leis que relacionam a 
propagação e o reflexão deste fluxo. 
O método ponto a ponto se baseia nas leis do cosseno e do inverso do quadrado 
da distância, que convenientemente agrupadas dão origem à chamada lei do cosseno ao 
cubo. 
A lei básica da iluminância é expressa por: 
 
E(p) = I / RP2 (4.23) 
 
Onde: 
E(P) = iluminância no ponto P considerado, contido num plano perpendicular com relação 
a reta definida por P e a fonte pontual, em lux; 
I = fluxo luminoso da fonte na direção do ponto P, em lúmens (lm); 
RP = distância entre a fonte pontual e o ponto P, em m. 
 
Esta lei é aplicável para fontes pontuais, com luz atingindo diretamente o ponto 
considerado e não havendo absorção atmosférica. Ela serve como boa aproximação 
quando se tem ar limpo, as refletâncias das superfícies são bem baixas, as medidas são 
efetuadas a uma certa distância da fonte e as lâmpadas possam ser aproximadas por 
fontes pontuais. Como em geral os valores medidos são relativos a um plano horizontal 
de trabalho e a luz o atinge obliquamente, deve-se introduzir a correção expressa pela lei 
do cosseno. A fórmula (4.23) se torna: 
 
E(P,) = I () cos  / RP2 (4.24) 
Onde: 
E(P,) = iluminância no ponto P do plano de trabalho inclinado de com relação a 
direção unindo a fonte ao ponto P, em lux; 
= ângulo entre a normal ao plano de trabalho e a direção fonte-ponto P. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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136 
A medida da distância Rp nem sempre é fácil e numa via de altura h pode ser mais 
conveniente se medir distâncias horizontais. A Figura 4.24 (apresentada e explicada mais 
detalhadamente no item 4.8.2.) exemplifica uma fonte luminosa colocada na linha do teto 
de uma galeria de mina. 
Da geometria temos: 
 
h / RP = cos  ou RP2 = h2 / cos2     (4.25) 
 
Introduzindo (4.25) em (4.24) obtemos: 
 
E(P,) = {I () cos3  / h2 (4.26) 
 
A expressão (4.26) representa a chamada lei do cosseno ao cubo. 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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137 
4.1.20. SÍNTESE DAS GRANDEZAS FOTOMÉTRICAS 
 
*adaptado de Fantazzini – apostila curso Pece 2001 
Figura 4.12. Parâmetros Fotométricos 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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138 
4.2. A NATUREZA DO PROBLEMA 
4.2.1. GERENCIAMENTO MODERNO, ILUMINAÇÃO, SEGURANÇA E 
PRODUTIVIDADE 
A Engenharia Ambiental aplicada à mineração subterrânea tem tido cada vez mais 
importância não só nos aspectos ligados à segurança, higiene e saúde ocupacional, mas 
também nas análises de custos e produtividade. É hoje importante componente de 
qualquer projeto de mineração, tanto no aspecto de planejamento como de 
gerenciamento, e sob esta ótica se insere num amplo programa gerencial de controle de 
perdas e danos (atualmente já aplicado em algumas minas subterrâneas brasileiras). 
De acordo com a literatura mais recente a engenharia ambiental em minas engloba 
uma variada gama de tópicos que podem ser didaticamente agrupados em agentes e 
medidas de controle. Dentre os agentes temos os físicos, os químicos, os biológicos e os 
ergonômicos. Dentre as técnicas de controle e mitigação destacam-se os equipamentos 
de proteção individual (EPI) e a ventilação forçada (geral diluidora ou local exaustora). 
Dentre os agentes físicos a iluminação é de capital importância nas minas 
subterrâneas, principalmente nos aspectos de segurança operacional. Além disso, 
recentes pesquisas têm demonstrado sua relação direta com frequência e severidade de 
acidentes bem como com a eficiência e a produtividade. 
Apesar da relação entre nível de iluminação, segurança do ambiente de trabalho e 
produtividade ser intuitiva, a demonstração de que a boa iluminação favorece os outros 
dois aspectos não é simples. Estudos realizados em diversas indústrias demonstraram 
que a melhoria da iluminação proporciona aumento da produtividade e da qualidade do 
trabalho, já existindo na literatura material demonstrativo desta correlação para testes 
laboratoriais controlados e para ambientes industriais onde se possa manter constantes 
as demais variáveis exceto a iluminação. 
Estudos quantitativos conclusivos sobre as relações iluminação-produtividade e 
iluminação-segurança em mineração são difíceis, porque é necessário efetuar estudos 
similares aos feitos para escolas, escritórios, estradas e indústrias. Todavia, no ambiente 
mineiro existem muitos fatores inter-relacionados, como as condições geológicas, as 
espessuras das camadas e a emissão de gases, que variam continuamente e que são 
virtualmente impossíveis de isolar ou controlar. No caso específico de minas 
subterrâneas, muitas dificuldades complicam a execução de testes e a análise dos 
resultados, podendo-se citar entre outros: 
 A impraticabilidade de instalações permanentes, devido a evolução da lavra, 
aos contínuos desmontes e aos custos de instalação e manutenção; 
 A ausência de uma definição legal exata do que seja uma boa iluminação 
mineira; 
 A agressividade do ambiente mineiro, com baixa refletância das superfícies e 
diminuição da transmissão devido a poeiras e fumaças. 
 
Assim fica muito difícil avaliar o efeito isolado de um único fator como o nível de 
iluminação, e quantificar os ganhos em termos de prevenção de acidentes ou fatalidades. 
Contudo, as análises consistentemente indicam um aumento da segurança e ou da 
produtividade nas seções melhor iluminadas da mina, e o corpo de evidências diretas e 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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139 
indiretas cada vez justifica mais a melhoria da iluminação em subsolo de modo a se ter 
fontes de rede além das individuais de capacete e dos faróis dos veículos. 
 
4.2.2. ILUMINAÇÃO E PRODUTIVIDADE 
4.2.2.1. Pesquisas de laboratório 
Engenheiros civis e arquitetos têm uma vasta literatura disponível sobre os níveis 
ótimos de iluminação em escritórios e indústrias, o que não ocorre com os engenheiros 
de minas. Todavia, estudos em minas demonstraram um claro aumento da produtividade 
nos realces e seções iluminados em comparação com os não iluminados. 
 
4.2.2.2. Pesquisas em minas subterrâneas 
Para minas de carvão na Hungria estudos efetuados durante 2 meses por Halmos 
(1968) mostraram que as seções que continham iluminação geral de rede (além daquela 
dos capacetes) apresentaram produtividade de 5 a 26% maior com relação às seções 
não iluminadas. Num estudo anual efetuado numa mina americana de carvão constatou-
se que um realce-teste com iluminação geral apresentara um nível de produção 
(toneladas por homem-turno) 17% superior com relação ao realce com o segundo nível 
de produção. 
Levantamentos efetuados em 1979 por um comitê formado pela "United Mine 
Workers of America" (UMWA), pela "Betuminous Coal Operators Association" (BCOA) e 
pela "Mining Safety and Health Administration" (MSHA) forneceram respostas favoráveis 
dos trabalhadores das minas lavradas por câmaras e pilares com relação às novas 
normas de iluminação. Observações restritivas foram feitas apenas para as camadas 
com espessuras inferiores a 107 cm devido a problemas de ofuscamento visual. 
Portanto, a satisfação dos trabalhadores com a iluminação em subsolo é uma das 
componentes que favorecem o aumento da produtividade. 
O aspecto melhoria da produtividade é importante para que as empresas percebam 
os benefícios da boa iluminação, a qual aumenta também a disponibilidade e 
desempenho dos equipamentos. 
 
4.2.3. ILUMINAÇÃO E ACIDENTES 
4.2.3.1. Dados gerais da indústria 
Para situações de trabalho em fábricas ou tráfego em estradas, existem muitas 
evidências diretas documentadas demonstrando que o aumento da visibilidade diminui o 
número de acidentes. Na mineração as evidências são menos diretas e precisas porque 
a iluminação é apenas um dos fatores que contribui para a situação de risco e para a 
ocorrência do acidente. 
4.2.3.2. Dados da mineração 
Minas são locais de trabalho de alto risco devido a uma série de fatores e a 
iluminação é apenas um dos componentes da situação de risco. Em subsolo há pouca luz 
para destacar todas as informações, e o cérebro não interpreta corretamente os sinais 
visuais, demorando a processar imagens e para reagir em face de situações de perigo. 
Estas características são ainda mais importantes quando estão associadas a locais onde 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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140 
se têm equipamentos móveis tais como jumbos de perfuração, pás carregadoras, 
caminhões, correias transportadoras e vagonetas. 
Estudos quantitativos conclusivos sobre as relações iluminação-produtividade e 
iluminação-segurança em mineração são difíceis, porque é necessário efetuar estudos 
similares aos feitos para escolas, escritórios, estradas e indústrias. Todavia no ambiente 
mineiro existem muitos fatores inter-relacionados, como as condições geológicas, as 
espessuras das camadas e a emissão de gases, que variam continuamente e que são 
virtualmente impossíveis de isolar ou controlar. 
Fica assim muito difícil avaliar o efeito isolado de um único fator como o nível de 
iluminância, e quantificar os ganhos em termos de prevenção de acidentes ou 
fatalidades. Contudo as análises consistentemente indicam um aumento da segurança e 
ou da produtividade nas seções melhor iluminadas da mina. 
Estudo do "National Safety Council" dos Estados Unidos revelou que a iluminação 
insuficiente era a causa de 5% dos acidentes nas indústrias, e que em 20% dos casos a 
pouca iluminação e a fadiga visual eram componentes da situação de risco potencial. Em 
minas, onde se tem um dos mais perigosos ambientes de trabalho, é de se esperar que 
estas porcentagens sejam até maiores. 
Estudos conduzidos por Halmos em minas húngaras de linhito demonstraram uma 
diminuição de 60% dos acidentes para seções com iluminação de rede, enquanto que o 
aumento do nível de iluminância de 20 para 250 lux diminuíra o número de acidentes em 
42%. Mishra e Dixit (1978) concluíram que 35% de todos os acidentes menores ocorridos 
em minas de carvão indianas podiam ser atribuídos a má iluminação. 
Estudos efetuados durante 2 anos numa mina de carvão de West Virginia indicaram 
não ter ocorrido nenhum acidente grave em uma seção iluminada, enquanto tinham 
ocorrido 10 acidentes em 5 seções sem iluminação geral. 
 
4.2.4. ILUMINAÇÃO E SAÚDE OCUPACIONAL 
Estima-se que na virada do século a temida e incurável doença visual nistagmus 
atingia cerca de 70% dos carvoeiros da Europa e Reino Unido, mas ela desapareceu com 
a utilização sistemática das lâmpadas de capacete e de novos métodos de lavra. 
Atualmente as pesquisas se direcionam para a relação entre níveis de iluminação e 
a ausência (ou excesso) de alguma faixa espectral, como por exemplo, a radiação 
ultravioleta em lâmpadas fluorescentes, e também para as relações entre quantidade de 
luz e ritmos corporais. Análises têm sido feitas correlacionando ausência de luz, baixa 
moral e depressão psíquica ("mid-winter blues"), enfocando-se o papel da glândula pineal 
cujas secreções controlam os órgãos hormonais e a qual é afetada pela qualidade e 
quantidade de luz. 
A relação entre luminosidade e ritmos corporais está associada ao ritmo térmico do 
corpo, o qual se repete a cada 24 horas e tende a ter o pico de temperatura coincidente 
com os momentos de máxima luminosidade. Alterando-se o período de máxima 
luminosidade, o corpo gradualmente altera seu ritmo termal para que os picos de luz e de 
temperatura coincidam. Este aspecto é importante para o trabalho em minas porque o 
pico térmico ocorre para o momento de máxima ativação e desempenho do corpo, sendo 
prejudicial a alternância de turno diurno e noturno para as equipes de trabalho. É 
preferível que as equipes trabalhem continuamente num mesmo horário sem a 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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141 
alternância a cada semana, pois este é mais ou menos o período que o corpo leva para 
se adaptar a mudança de horário. 
As avaliações de iluminação têm por objetivo quantificar a iluminância nos postos 
de trabalho, visando sua posterior comparação com os valores mínimos estabelecidos 
pela legislação brasileira, bem como fornecer recomendações gerais, para se obter a 
adequação das condições de iluminação às atividades desenvolvidas nesses locais. 
Existem duas formas básicas de iluminação: 
 Natural – quando existe o aproveitamento direto (incidência) ou indireto 
(reflexão / dispersão) da luz solar; 
 Artificial – quando é utilizado um sistema (em geral elétrico) de iluminação, 
podendo ser de dois tipos: 
 Geral – para se obter o aclaramento de todo um recinto ou ambiente; 
 Suplementar ou Adicional – para se reforçar o aclaramento de determinada 
superfície ou tarefa. 
4.2.4.1. Consequências de uma Iluminação Inadequada 
A iluminação não é, a exemplo de outros parâmetros levantados em higiene 
ocupacional, propriamente um “agente agressivo”, do pontode vista de limites de 
tolerância e doenças ocupacionais. Assim mesmo, quando a mesma está inadequada, e, 
na maioria das vezes a inadequação se refere à deficiência da iluminação, podemos 
perceber algumas consequências, tais como: 
 Maior fadiga visual e geral; 
 Maior risco de acidentes; 
 Menor produtividade / qualidade; 
 Ambiente psicologicamente negativo. 
4.2.4.2. Riscos Associados 
Além das consequências diretas mencionadas acima, podemos verificar alguns 
riscos associados aos aspectos de iluminação, como: 
 Maior probabilidade de acidentes, quando ocorre uma variação brusca da 
iluminância; 
 Efeito Estroboscópico, que é um fenômeno que pode resultar da combinação 
de: 
 
máquinas com partes girantes ou com movimento alternado 
+ 
fonte piscante (60 Hz) não percebida (ex. lâmpada fluorescente) 
 
Isto pode resultar numa falsa impressão de que a máquina está parada, com pouco 
movimento, ou até com movimento contrário ao esperado, podendo causar acidentes. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.3. EXEMPLOS OCUPACIONAIS 
Em 1992, acumularam-se reclamações de alunos e bibliotecárias de um 
Departamento da Escola Politécnica. As dificuldades se referiam a leitura e até mesmo 
identificação de nomes nas estantes e lombadas de livros. Medidas efetuadas indicaram 
níveis de iluminância (ou iluminamento) de 20 a 50 lux ! 
A solução aplicada envolveu dobrar o número de lâmpadas, usar fluorescentes e 
reduzir à metade a altura das lâmpadas, porque estavam muito altas. Os níveis de 
iluminância se elevaram para cerca de 450 lux. 
 
Na mineração subterrânea, uma iluminação apropriada também é essencial. As 
Figuras apresentadas a seguir mostram a falta de iluminação adequada na mina de 
manganês e ferro de Urucum (Mato Grosso). 
 
 
 
Figura 4.13. Placas superiores ilegíveis 
 Fonte: arquivo pessoal 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
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Figura 4.14. Dificuldade de análise de qualidade da rocha no teto 
Fonte: arquivo pessoal 
 
 
Figura 4.15. Dificuldade de analisar mineralizações 
 Fonte: arquivo pessoal 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Figura 4.16. Dificuldade de leitura de placas 
 Fonte: arquivo pessoal 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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145 
4.4. NORMAS TÉCNICAS E LIMITES DE TOLERÂNCIA 
4.4.1. TERMOS TÉCNICOS DE ILUMINAÇÃO 
Nas atividades de avaliação da iluminação, para evitar avaliações inexpressivas 
(tão poucos pontos que não se conclui o estudo) ou exageradas (muitos pontos sem 
importância), é importante ter-se em mente os conceitos de tarefa visual e campo de 
trabalho. 
Entende-se por campo de trabalho, toda a região do espaço onde, para qualquer 
superfície aí situada, exigem-se condições de iluminação apropriadas à tarefa visual a 
ser realizada. 
Sendo assim, os pontos que realmente interessam ser avaliados em um estudo de 
iluminação são aqueles onde são realizadas as tarefas visuais principais/ habituais. 
Há também outros termos importantes definidos e empregados na Norma ABNT 
NBR ISO/CIE 8995-1:2013 que são fundamentais para uma adequada avaliação de 
iluminação de locais de trabalho internos, como: 
 Área da tarefa: a área parcial em um local de trabalho no qual a tarefa visual está 
localizada e é realizada. Esta superfície de referência pode ser horizontal, vertical 
ou inclinada (Figura 4.17). 
 Entorno imediato: uma zona de no mínimo 0,5 m de largura ao redor da área da 
tarefa dentro do campo de visão. 
 Ângulo de corte: ângulo medido a partir do plano horizontal, abaixo do qual a(s) 
lâmpadas é (são) protegida(s) da visão direta do observador pela luminária 
(Figura 4.18). 
 Plano de trabalho: superfície de referência definida como o plano onde trabalho 
é habitualmente realizado. 
 
 
 
Figura 4.17. Área da tarefa (amarelo) compreendendo a superfície de trabalho 
(tampo cinza) e o espaço do usuário (rosa) 
 Fonte: ABNT, 2013 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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Figura 4.18. Ângulo de corte 
 Fonte: ABNT, 2013 
 
 
4.4.2. ILUMINAÇÃO DE AMBIENTES DE TRABALHO INTERNOS 
 Em 21 de março de 2013 foi publicada a nova norma brasileira para elaboração de 
projetos luminotécnicos de locais de trabalho internos, a norma ABNT NBR ISO/CIE 
8995-1:2013 Iluminação de ambientes de trabalho Parte 1:Interior, substituindo e 
cancelando a ABNT NBR 5413:1992 e a ABNT NBR 5382:1985. 
 Segundo a nova norma uma boa iluminação requer igual atenção para a quantidade 
e qualidade da iluminação e enfatiza que embora seja necessária a provisão de uma 
iluminância suficiente em uma tarefa, a visibilidade em muitos exemplos depende da 
forma pela qual a luz é fornecida, das características da cor da fonte de luz e da 
superfície em conjunto com o nível de ofuscamento do sistema. 
 Os principais parâmetros que contribuem para o ambiente luminoso são: a 
distribuição da luminância, a iluminância, o ofuscamento, a direcionalidade da luz, os 
aspectos da cor da luz e superfícies, a cintilação, a luz natural e a manutenção do 
sistema de iluminação. 
 Diferente da norma NBR 5413, a NBR ISO 8995-1 leva em consideração não 
apenas a iluminância, mas também o limite referente ao desconforto por ofuscamento e o 
índice de reprodução de cor mínimo da fonte para garantir o desempenho de diferentes 
tarefas visuais de maneira eficiente, com conforto e segurança durante todo o período de 
trabalho em vários locais de trabalho. 
 A norma apresenta para diferentes tipos de ambiente, tarefa ou atividade, tabelas 
com valores recomendados para os seguintes parâmetros quantificáveis de iluminância, 
desconforto referente ao ofuscamento e reprodução de cor (explicados detalhadamente 
nos próximos itens): iluminância mantida (Ēm) na área de tarefa e também no entorno 
imediato, índice limite de ofuscamento unificado (UGRL – limiting unified glare rating) e 
índice geral de reprodução de cor (Ra). 
 Caso um ambiente em particular, tarefa ou atividade não conste da norma, 
recomenda-se que sejam adotados valores listados de uma situação similar. 
 Abaixo são apresentadas como exemplo, algumas tabelas da norma NBR ISO 
8995-1 com requisitos de iluminação recomendados para determinados ambientes e 
atividades: 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
___________________________________________________________________________________ 
eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
147 
Tabela 4.5. Especificação de iluminância, limitação de ofuscamento e qualidade da cor 
para áreas gerais de edificação, edificações na agricultura e padarias (págs. 12 e 13 da 
norma NBR ISO/CIE 8995-1:2013) 
Tipo de ambiente, tarefa ou atividade 
Ēm 
lux 
UGRL Ra Observações 
1. Áreas gerais da edificação 
Saguão de entrada 100 22 60 
Sala de espera 200 22 80 
Areas de circulação e corredores 100 28 40 
Nas entradas e saídas 
estabeleceruma zona de 
transição a fim de evitar 
mudanças bruscas 
Escadas, escadas rolantes e esteiras 
rolantes 
150 25 40 
Rampas de carregamento 150 25 40 
Refeitório / Cantinas 200 22 80 
Salas de descanso 100 22 80 
Salas para exercícios físicos 300 22 80 
Vestiários, banheiros, toaletes 200 25 80 
Enfermaria 500 19 80 
Salas para atendimento médico 500 16 90 Tcp no mínimo 4 000 K 
Estufas, sala dos disjuntores 200 25 60 
Correios, quadros de distribuição 500 19 80 
Depósito, estoques, câmara fria 100 25 60 
200 lux se forem 
continuamente ocupadas 
Expedição 300 25 60 
Estação de controle 150 22 60 
200 lux se forem 
continuamente ocupadas 
2. Edificações na agricultura 
Carregamento e operação de 
mercadorias, equipamentos de 
manuseio e máquinas 
200 25 80 
Estábulo 50 28 40 
Cercado para animais doentes, baias 
para parto de animais 
200 25 80 
Preparação dos alimentos, leiteira, 
lavagem de utensílios 
200 25 80 
3. Padarias 
Preparação e fornada 300 22 80 
Acabamento, decoração 500 22 80 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
148 
Tabela 4.6. Especificação de iluminância, limitação de ofuscamento e qualidade da cor 
para atividades relacionadas à indústria têxtil e à construção de veículos (pág. 18 da 
norma NBR ISO/CIE 8995-1:2013) 
Tipo de ambiente, tarefa ou atividade 
Ēm 
lux 
UGRL Ra Observações 
19. Indústria têxtil 
Locais de trabalho e zonas de banhos, 
abertura de fardos 
200 25 60 
Cardar, lavar, passar, extrair, pentear, 
dimensionar, cortar a carda, pré-fiação, 
juta, fiação de linho 
300 22 80 
Fiação, encordoar, bobinar, enrolar, 
urdir, tecer, trançar, trabalhar em malha 
500 22 80 
Prevenir contra os 
efeitos estroboscópicos. 
Costurar, trabalho fino em malha, 
prendendo os pontos 
750 22 90 
Projeto manual, desenhos de padrões 750 22 90 Tcp no mínimo 4 000 K. 
Acabamento, tingimento 500 22 80 
Sala de secagem 100 28 60 
Estampagem automática 500 25 80 
Extrair, selecionar, aparar 1 000 19 80 
Inspeção de cor, controle do tecido 1 000 16 90 Tcp no mínimo 4 000 K. 
Reparo invisível 1 500 19 90 Tcp no mínimo 4 000 K. 
Fabricação de chapéu 500 22 80 
20. Construção de veículos 
Trabalhos no chassi e montagem 500 22 80 
Pintura, câmara de pulverização, 
câmara de polimento 
750 22 80 
Pintura: retoque, inspeção 1 000 16 90 Tcp no mínimo 4 000 K. 
Fabricação de estofamento 
(manuseamento) 
1 000 19 80 
Inspeção final 1 000 19 80 
 
 
4.4.2.1. Iluminância na área de tarefa e no entorno imediato 
 A iluminância mantida (Ēm) é definida pela NBR ISO 8995-1 como sendo o valor 
mínimo no qual a iluminância média da superfície especificada deverá ser mantida. A 
iluminância média determinada para cada tarefa não deve estar abaixo dos valores 
estabelecidos pela norma independentemente da idade e condições da instalação. 
No entanto, se na área da tarefa as condições visuais forem diferentes das 
assumidas como normais, os valores de iluminância mantida podem ser ajustados em 
pelo menos um nível na escala da iluminância. 
A norma recomenda a adoção da seguinte escala das iluminâncias: 
20 - 30 - 50 - 75 - 100 - 150 - 200 - 300 - 500 - 750 - 1000 - 1500 - 2000 - 3000 - 5000 lux 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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149 
Observa-se que um fator de aproximadamente 1,5 representa a menor diferença 
significativa no efeito subjetivo da iluminância. Em condições normais de iluminação 
cerca de 20 lux de iluminância é exigida para diferenciar as características da face 
humana e é o menor valor considerado na escala das iluminâncias. 
A iluminância mantida necessária deve ser aumentada na área da tarefa quando: 
o Contrastes excepcionalmente baixos estão presentes na tarefa; 
o O trabalho visual é crítico; 
o A correção dos erros é onerosa; 
o É da maior importância a exatidão ou a alta produtividade; 
o A capacidade de visão dos trabalhadores está abaixo do normal. 
 
A iluminância mantida necessária poderá ser reduzida na área da tarefa quando: 
o Os detalhes são de um tamanho extraordinariamente grande ou de alto 
contraste; 
o A tarefa é realizada por um tempo excepcionalmente curto. 
Em áreas onde um trabalho contínuo é realizado, a iluminância mantida mínima 
deve ser de 200 lux. 
 
Segundo a norma a iluminância mantida no entorno imediato deve estar 
relacionada com a iluminância na área de tarefa, já que mudanças drásticas nas 
iluminâncias ao redor da área de tarefa podem levar a um esforço visual estressante e ao 
desconforto. 
Dependendo dos valores de iluminância mantida na área de tarefa os valores de 
iluminância mantida nas áreas do entorno imediato não deverão ser inferiores aos 
estabelecidos na tabela abaixo: 
 
Tabela 4.7. Valores recomendados de iluminância mantida nas áreas do entorno 
imediato 
Iluminância da tarefa 
(lux) 
Iluminância do entorno 
imediato 
(lux) 
≥ 750 500 
500 300 
300 200 
≤ 200 
Mesma iluminância da área de 
tarefa 
 
 Tanto a área da tarefa quanto o entorno imediato devem ser iluminados o mais 
uniformemente possível. A norma NBR ISO 8995-1 recomenda que seja verificada a 
uniformidade da iluminância, ou seja, a razão entre o valor mínimo e o valor médio da 
iluminância. A uniformidade da iluminância na área da tarefa não deve ser inferior a 0,7 e 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
150 
no entorno imediato não deve ser menor que 0,5 (Figura 4.19). 
 
 
 
Figura 4.19. Uniformidade da iluminância na área da tarefa e no entorno imediato 
Fonte: ABNT, 2013 
 
 
4.4.2.2. Controle de ofuscamento 
Um dos fatores mais significativos da NBR ISO 8995-1 é o controle do nível de 
desconforto por ofuscamento. 
O ofuscamento pode ser entendido como a sensação visual produzida por áreas 
brilhantes dentro do campo de visão. É causado por luminâncias excessivas ou 
contrastes no campo de visão, podendo prejudicar a visualização dos objetos, causar 
perda de concentração, erros mais frequentes, fadiga visual e até mesmo acidentes. O 
ofuscamento pode ser classificado como direto ou refletido. 
O ofuscamento direto, por sua vez, pode ser qualificado como desconfortável ou 
inabilitador. O ofuscamento desconfortável normalmente surge diretamente de luminárias 
brilhantes ou janelas no interior de locais de trabalho. Já o ofuscamento inabilitador é 
mais comum na iluminação externa, mas também pode decorrer de iluminação pontual 
ou fontes brilhantes intensas, como por exemplo uma janela em um espaço relativamente 
pouco iluminado. 
O ofuscamento refletido é aquele causado por reflexões em superfícies 
especulares, também sendo conhecido como reflexão veladora. 
O ofuscamento direto (desconfortável ou inabilitador) pode ser evitado, por 
exemplo, através da proteção contra visão direta das lâmpadas ou por um escurecimento 
nas janelas por anteparos, como brises e persianas. 
Dependendo da luminância da lâmpada empregada, a norma NBR ISO 8995-1 
recomenda os seguintes ângulos de corte mínimo para proteção de sua visualização 
direta (Tabela 4.8.): 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
___________________________________________________________________________________eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
151 
 
Tabela 4.8. Ângulos de corte mínimo 
Luminância da lâmpada 
kcd/m2 
Ângulo de corte mínimo 
1 a 20 10° 
20 a 50 
Por exemplo lampadas fluorescentes (alta potência) e 
lampadas fuorescentes compactas 
15° 
50 a 500 
Por exemplo lâmpadas de descarga de alta pressão e 
lampadas incadescentes com bulbo revestido por dentro 
20° 
≥ 500 
Por exemplo lâmpadas de descarga de alta pressão e 
lampadas incadescentes com bulbos transparentes 
30° 
 
Já o ofuscamento refletido pode ser evitado ou reduzido através das seguintes 
medidas: 
 Posicionar as luminárias adequadamente (evitando colocar luminárias na zona 
prejudicada); 
 Utilizar acabamento superficial com materiais pouco reflexivos; 
 Limitar a luminância das luminárias; 
 Ampliar a área luminosa da luminária; 
 Evitar pontos brilhantes no teto e nas superfícies da parede. 
 
Para controlar o ofuscamento desconfortável e inabilitador, a CIE (Comission 
Internacionalle de L´Eclairage ou International Electrotechnical Commission) definiu o 
índice de ofuscamento unificado (UGR, unified glare rating), como o nível de 
desconforto por ofuscamento e índice limite de ofuscamento unificado (UGRL, limiting 
unified glare rating) como valor máximo permitido do nível de ofuscamento unificado de 
projeto para uma determinada instalação de iluminação. 
Desta forma, a norma especifica diferentes índices limites de ofuscamento unificado 
(UGRL) dependendo do tipo de ambiente, tarefa ou atividade, como exemplificado nas 
Tabelas 4.5. e 4.6.. Observa-se também que os valores tabelados de UGRL são adotados 
na escala apresentada abaixo, na qual 13 representa o ofuscamento desconfortável 
menos perceptível e cada passo na escala representa uma mudança significativa no 
efeito do ofuscamento. 
 
13 – 16 – 19 – 22 – 25 – 28 
 
Além das características fotométricas das luminárias no ambiente instalado (como o 
fluxo luminoso), os valores de UGR do ambiente dependem também das características 
de refletâncias do ambiente (teto, parede e piso), da proporção das dimensões do 
ambiente e do espaçamento das luminárias. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
152 
Portanto para determinar o UGR de um determinado ambiente, deve-se consultar o 
fabricante das luminárias, que fornecerá tabelas que apresentam os valores calculados 
de índice de ofuscamento unificado referentes às luminárias selecionadas em salas com 
dimensões e acabamento de suas superfícies pré-definidos, ou seja, salas-padrão. O 
layout e o acabamento das superfícies da instalação em questão devem ser então 
comparados com os especificados nas tabelas para a correta leitura do UGR do 
ambiente. Este método é o “método tabular”. 
Outra opção é avaliar o UGR do ambiente com os dados fotométricos das 
luminárias e do ambiente, a partir de softwares de cálculo luminotécnico. Dessa forma, é 
possível verificar se o projeto atende às recomendações de limitação do ofuscamento da 
NBR ISO 8995-1. 
 
4.4.2.3. Reprodução de cor mínima 
As qualidades da cor de uma lâmpada próxima à cor branca são caracterizadas por 
dois atributos que devem ser considerados separadamente: 
 A aparência de cor da própria lâmpada; 
 Sua capacidade de reprodução de cor, que afeta a aparência da cor de objetos e 
das pessoas iluminadas pela lâmpada. 
 
A “aparência da cor” de uma lâmpada refere-se à cor aparente (cromaticidade da 
lâmpada) da luz que ela emite e pode ser descrita pela sua temperatura de cor correlata 
(Tcp). 
Já a reprodução de cor é bastante importante para o desempenho visual e para a 
sensação de conforto e bem-estar, uma vez que afeta a aparência do ambiente, das 
pessoas e dos objetos. A cor da pele humana por exemplo, deve ser reproduzida de 
forma correta e natural, de modo que as pessoas tenham uma aparência atrativa e 
saudável. 
Para fornecer uma indicação objetiva das propriedades de reprodução de cor de uma 
fonte de luz foi introduzido índice geral de reprodução de cor (Ra), também conhecido 
como IRC no Brasil e CRI internacionalmente. O valor máximo de Ra é 100. Este valor 
diminui com a redução da qualidade de reprodução de cor. 
Não se recomenda a utilização de lâmpadas com Ra inferior a 80 em interiores onde 
pessoas trabalham ou permanecem por longos períodos. Pode haver exceções para a 
iluminação de montagem alta (como por exemplo galpões industriais) e para iluminação 
externa. 
A norma NBR ISO 8995-1 recomenda valores mínimos do índice geral de reprodução 
de cor para diferentes tipos de ambientes internos, tarefas ou atividades (Tabelas 4.5. e 
4.6.). 
Os índices de reprodução de cor para as lâmpadas utilizadas num dado projeto são 
fornecidas pelos fabricantes de lâmpadas e não deverão ser inferiores aos valores Ra 
estabelecidos pela norma para a tarefa em questão. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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eST– 202 - Higiene do Trabalho – Parte B / PECE, 2o ciclo de 2014. 
153 
4.4.2.4. Avaliação em Áreas Externas 
Para o caso das áreas externas, não coberto pela NBR ISO 8995-1, pode-se utilizar 
critérios nacionais específicos (p.ex., normas para pátios ferroviários) porém limitados à 
abrangência, ou critérios internacionais, como por exemplo a norma API - RP 540, do 
“American Petroleum Institute”. Veja alguns exemplos de valores a seguir: 
Tabela 4.9. API – RP 540 – Valores mínimos de iluminância para ambientes externos 
AMBIENTE LUX 
Corredores e escadas. 15 
Equipamentos em área externa. 55 
Bombas, válvulas, manifolds. 35 
Trocadores de calor. 35 
Plataformas de operação. 35 
Plataformas simples. 25 
Diais e painéis. 55 
Obs.: valores arredondados a maior, para múltiplos de 5 
 
4.4.2.5. Limites de tolerância 
A legislação brasileira (portaria 3214, NR 17) dispõe sobre condições ambientais de 
trabalho no item 17.5.3, do qual seguem trechos de importância quanto a aspectos de 
iluminação de locais de trabalho. 
 
17.5.3 – Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou 
artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade. 
17.5.3.1 – A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa. 
17.5.3.2 – A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a 
evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. 
17.5.3.3 – Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho 
são os valores de iluminância estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no 
INMETRO. 
Observação: Apesar de não ter mudado o texto da NR 17, a ABNT em 2013 publicou a 
nova norma NBR ISO/CIE 8995-1:2013 (vide item .4.2. ILUMINAÇÃO DE AMBIENTES 
DE TRABALHO INTERNOS). 
 
17.5.3.4 – A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser 
feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com 
fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de 
incidência. 
17.5.3.5 – Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 
17.5.3.4, este será um plano horizontal a 0,75 m do piso. 
 
No artigo 2o, parágrafo único, da Portaria que alterou a NR 17 (Portaria 3435 de 
19/06/90) foram revogados o subitem 15.1.2, o anexo no4 e o item 4 do Quadro de Graus 
de Insalubridade, todos da Norma Regulamentadora no 15. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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154 
4.5. MEDIÇÕES 
Para a determinação dos valores de iluminância, deve ser adotada a metodologia 
definida na NBR ISO 8995-1, segundo a qual a altura de referência para medição da 
iluminância deve ser de 0,75 m acima do piso e em pontos específicos em áreas 
pertinentes. Para medições repetidas devem ser utilizados os mesmos pontos. 
As medições devem ser feitas por amostragem, visando recolher dados de alguns 
pontos de tarefas visuais, para avaliar a eficiência e adequação do sistema de 
iluminação, não sendo necessário o levantamento de todos os pontos existentes. 
A norma recomenda, portanto, a adoção de malhas de medição, que dependem do 
tamanho e forma da superfície de referência (área da tarefa, local de trabalho ou 
arredores), da geometria do sistema de iluminação, da distribuição da intensidade 
luminosa das luminárias utilizadas, da precisão requerida e das quantidades fotométricas 
a serem avaliadas. 
Para salas e zonas de salas, nas quais a relação do comprimento pela largura é de 
0,5 a 2, o tamanho de malha recomendado, por exemplo, é apresentado na Tabela 4.10. 
 
Tabela 4.10. Tamanhos de malha 
Ambiente 
Maior dimensão da zona ou sala 
D 
Tamanho da malha 
P 
Área da tarefa Aproximadamente 1 m 0,2 m 
Salas/zonas de salas 
pequenas 
Aproximadamente 5 m 0,6 m 
Salas médias Aproximadamente 10 m 1 m 
Salas grandes Aproximadamente 50 m 3 m 
NOTA Recomenda-se que o tamanho de grade não seja excedido. 
 
O tamanho da malha é dado pela equação a seguir: 
 
p = 0,2 x 5 log10 d (4.27) 
 
Onde: 
p = tamanho da malha expresso em metros (m); 
d = maior dimensão da superfície de referência, expressa em metros (m). 
 
O número de pontos de medição (n) é então estabelecido pelo número inteiro mais 
próximo da relação d para p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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155 
A Figura 4.20. a seguir também apresenta uma forma de se determinar facilmente o 
tamanho da malha e o número dos pontos adequado. 
 
 
 
Figura 4.20. Tamanho da malha em função das dimensões do plano de referência 
 Fonte: ABNT, 2013 
 
Basicamente o método se baseia na subdivisão das superfícies de referência em 
pequenos quadrados (malha) com os pontos de medição de iluminância (ou seu cálculo, 
no caso de elaboração de projeto) em seu centro. A média aritmética de todos os pontos 
medidas determinará a iluminância média. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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156 
INSTRUMENTAL NECESSÁRIO 
O equipamento utilizado para as avaliações de iluminância deve ser um luxímetro. 
Como existe no mercado uma grande diversidade de marcas e modelos de luxímetros, é 
previsível que a qualidade e a adequabilidade também variem. A seguir, são relacionados 
os recursos / características mínimos que um luxímetro deve possuir para permitir uma 
medição adequada e representativa. 
 
 
 
Figura 4.21. Exemplos de luxímetros com fotocélula independente – A fotocélula deve 
ser independente do corpo do luxímetro, com cabo de extensão de, no mínimo, um 
metro, visando minimizar a interferência (sombras e reflexos) do usuário no campo visual 
a ser medido. 
 
 
4.6. AÇÕES CORRETIVAS 
Para se buscar uma iluminação adequada e eficaz, não devemos estar somente 
fixados no aspecto de maior número de lâmpadas ou maior potência. A adequação irá 
resultar da combinação dos seguintes fatores: 
 
Tipo de Lâmpada: 
 Reprodução de cores; 
 Aplicações especiais; 
 Carga térmica; 
 Eficiência luminosa. 
 
Tipo de luminária: 
 Difusão; 
 Diretividade; 
 Ofuscamento/reflexos. 
 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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157 
Quantidade de luminárias: 
 Valor adequado de iluminância. 
 
Distribuição: 
 Homogeneidade; 
 Contrastes; 
 Sombras. 
 
Manutenção: 
 Reposição; 
 Limpeza. 
 
Cores: 
 Refletância; 
 Ambiente. 
 
4.7. CASOS REAIS 
Abaixo podemos ver a iluminação de algumas minas subterrâneas na África do Sul 
e na Suíça. 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.22. Vias subterrâneas de mina de ouro na RSA (Republic of South Africa) 
com paredes caiadas para aumento da luminância 
 Fonte: arquivo pessoal 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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158 
 
 
 
Figura 4.23. Mina subterrânea de sal na Suiça, com paredes caiadas 
Fonte: arquivo pessoal 
 
4.8. TÓPICOS AVANÇADOS – PROJETO DE ILUMINAÇÃO EM SUBSOLO 
Um projeto de iluminação de mina deve se preocupar com os aspectos de 
segurança, produtividade e saúde ocupacional. Deve ser orientado ao ambiente mineiro e 
suas características peculiares, procurando tirar partido das suas características. 
Dentre as muitas características de minas subterrâneas, as mais influentes num 
projeto de iluminação e que devem ser consideradas são: 
 Mobilidade - as frentes de lavra se deslocam continuamente e, portanto também 
os sistemas de iluminação devem ser móveis; 
 Refletância e contraste - as paredes normalmente são más refletoras e o nível 
de contraste é baixo, dificultando a visão de riscos; 
 Natureza do ambiente - o ambiente é muito agressivo, com gases, poeiras, 
umidade, choques mecânicos, além de ser confinado no sentido de espaços 
reduzidos; 
 Riscos elétricos - algumas minas apresentam gases explosivos; 
 Ofuscamento - as lâmpadas são colocadas próximas ao campo de visão, 
porque o espaço é reduzido, podendo causar problemas de ofuscamento. 
 
4.8.1. OBJETIVOS DE UM PROJETO MINEIRO DE ILUMINAÇÃO 
Os principais objetivos da iluminação industrial são o aumento da produtividade e 
da segurança. Além disso, uma boa iluminação também deve oferecer outras vantagens, 
tais como: 
 Fisiológicas: facilitar a visão, poupar a vista, suavizar o trabalho, diminuir a 
fadiga; 
 Psicológicas: favorece o bem estar, inspirar trabalho ordeiro e confiança, elevar 
o moral; 
 Técnicas: possibilitar tarefas de precisão, melhorar a qualidade e a quantidade 
da produção, diminuir riscos e acidentes. 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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159 
Mas o que é uma boa iluminação? Uma boa iluminação deve apresentar: 
a) Uma iluminância uniforme, de modo que a distribuição de luz proporcione a 
aparência correta dos objetos e permita sua identificação sem falseamento de formas e 
cores. 
b) Ausência de ofuscamento e sombras duras; o ofuscamento causado por fluxo 
excessivo nos olhos é um dos mais graves defeitos de iluminação. Numa mina é em geral 
causado por lâmpadas descobertas na altura dos olhos. 
 
Complicadores de um projeto de iluminação em mina subterrânea incluem as rudes 
condições ambientais encontradas tais como: 
 Existência de poeira, que diminui a transmissão atmosférica e suja as 
luminárias; 
 Atuação da umidade e das altas temperaturas favorecendo a corrosão; 
 Ocorrênciade choques mecânicos devido a mobilidade dos equipamentos, 
máquinas e pessoal; 
 Existência de gases e poeiras explosivas; 
 Geometria e dimensões das aberturas que favorecem situações de 
ofuscamento; 
 Baixas refletâncias das superfícies das paredes, pisos e tetos. 
 
Em subsolo alguns parâmetros podem ser alterados enquanto outros não, e é difícil 
a comparação entre os valores de projeto e os reais porque simplesmente não existem 
medidas fotométricas precisas numa mina. Cálculos muito precisos não tem, portanto 
sentido e é comum que para se enquadrar um ambiente em alguma norma se utilize 
adotar uma margem de segurança de 100% em vez dos valores comuns de 10 a 20%. 
Por causa disso um bom projeto de iluminação de mina pode ser feito com uma 
calculadora não sendo necessário nem justificável recorrer-se aos sofisticados programas 
existentes no mercado. 
O ambiente de trabalho subterrâneo é de alto risco e a iluminação mineira deve ter 
alguns objetivos inerentes a sua própria natureza, tais como. 
 
4.8.1.1. Aumento da visibilidade dos riscos 
Nas minas subterrâneas e em especial nas de carvão, os baixos contrastes e 
baixos níveis de iluminância tornam difícil a identificação visual de riscos. Um dos 
objetivos da iluminação em subsolo é, portanto aumentar a visibilidade de objetos de 
risco como cabos, ferramentas mal localizadas, madeiramento, blocos de rocha 
descalçados, bocas de chutes ou chaminés no piso, etc. 
 
4.8.1.2. Aumento da resposta visual ao campo periférico 
Tendo-se apenas lâmpadas individuais de capacete, é difícil se observar 
movimentos de pessoas, equipamentos e blocos de rocha ocorrentes no campo visual 
periférico (locado fora do facho principal da lâmpada de capacete). A boa iluminação 
permite que se perceba sutis movimentos em qualquer ponto do campo visual normal. 
Isto leva a se detectar os riscos mais cedo, tendo-se um tempo maior de reação. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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160 
 
4.8.1.3. Mobilidade 
Um projeto comum de iluminação é orientado para uma área específica onde 
equipamentos de iluminação podem ser instalados permanentemente. Numa mina a face 
avança continuamente, e várias faces podem estar sendo lavradas ao mesmo tempo por 
um mesmo equipamento. Existem, portanto duas opções de projeto: colocação de fontes 
de luz nos equipamentos ou instalação de sistemas semipermanentes em cada face 
ativa. 
 
4.8.1.4. Refletância e contraste 
Sob igual iluminância o "brilho" de uma superfície depende de sua refletância, e na 
maioria das aplicações tem-se superfícies que refletem uma alta porcentagem da luz 
incidente. Numa mina de carvão quase todas as superfícies têm baixíssima refletividade, 
da ordem de 4%, e para se ter um dado nível de brilho superficial as fontes subterrâneas 
de luz deveriam gerar de 10 a 20 vezes mais energia luminosa. Ressaltemos que uma 
baixa refletividade favorece a eliminação de reflexos secundários e sob este aspecto, tem 
um lado positivo. Minas metálicas de sulfetos também tem refletâncias muito baixas, e 
qualquer mina subterrânea tem refletância das paredes muito menor do que aquelas 
normais de paredes claras de escritórios. 
Outro parâmetro importante a ser considerado é o contraste entre os níveis de 
iluminância do objeto e do ambiente de fundo contra o qual se observam os detalhes. 
Refletividade e contraste requerem fontes de luz de alta energia luminosa e isto pode 
causar problemas de ofuscamento, de modo que cada projeto deverá procurar o seu 
ponto de equilíbrio. 
 
4.8.1.5. Riscos elétricos 
Toda vez que se instala mais equipamento elétrico numa máquina ou numa 
abertura subterrânea, aumenta-se a possibilidade de ocorrer uma falha elétrica, um 
choque ou uma explosão (se a atmosfera contiver por exemplo metano). 
 
4.8.1.6. Ofuscamento 
Sistemas de iluminação em subsolo tem muitas vezes sua eficiência ameaçada por 
problemas de ofuscamento, originário em fatores como: necessidade de sistemas de alta 
potência luminosa (face às baixas refletividades); alto contraste entre a fonte de luz e o 
fundo de baixa refletividade; colocação de lâmpadas na linha de visão dos trabalhadores. 
Este último fator pode ser causado por restrições geométricas (forma e tamanho das 
galerias, localização dos suportes), ou por necessidades de iluminância mínima para 
certas tarefas. 
As maiores dificuldades na execução de um projeto mineiro de iluminação estão 
associadas à: 
 Dificuldades de instalação (tetos podem conter blocos soltos); 
 Variações de voltagem (comuns em minas face aos grandes equipamentos); 
 Padronização imperfeita das lâmpadas; 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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161 
 Alteração da inclinação e orientação das luminárias (devido a choques com 
máquinas e ferramentas); 
 Alteração dos fatores de manutenção (devido ao estado de conservação); 
 Absorção atmosférica (devido ao pó em suspensão); 
 Variações da produção luminosa com o tempo. 
 
Um fator importante nos projetos mineiros é o empoeiramento das luminárias com o 
decorrer do tempo e que pode reduzir em mais de 50% o fluxo útil emitido. 
A influência da poeira é introduzida no projeto por meio de um fator de manutenção 
(FM), um número empírico variável de mina para mina e mesmo dentro de uma mesma 
mina. Minas de carvão são muito empoeiradas e a presença de água transforma o pó em 
lama. A velocidade do fluxo de ar é importante porque pode impedir que a poeira se 
deposite em camadas. O fator de manutenção varia também em função da frequência de 
limpeza das luminárias, que pode variar desde mensal até apenas quando o bulbo 
queima. Os fatores de manutenção variam desde 0,9 a 0,3 (para os casos mais 
desfavoráveis). 
Numa mina com atmosfera limpa, a absorção varia entre 2 a 5% mas em algumas 
situações críticas ela pode ser bem maior. Bons sistemas de ventilação mantêm a 
atmosfera razoavelmente limpa, mas após detonações ou no encontro de correntes de ar 
quente úmido com ar frio pode-se ter altos níveis de fumaça ou neblina. Nestas 
situações, pode-se assumir um fator absorção (FA) que pode atingir valores de dezenas 
de porcento e baixar o fator de manutenção para valores de 0,5. 
 
4.8.2. PROJETO PELO MÉTODO PONTO A PONTO 
Um projeto de iluminação em subsolo pode ser executado pelo método ponto a 
ponto ou pelo método dos lúmens, que são simples e práticos. Outros métodos mais 
sofisticados não se justificam na lavra em subsolo. 
No método ponto a ponto são estimadas a iluminância e a luminância no plano de 
trabalho, a partir das distribuições de fluxo de fontes variadas e leis que relacionam sua 
propagação e reflexão. 
Conforme visto no item 4.1.19., o método é baseado na lei do cosseno ao cubo. As 
expressões analíticas mais usadas para pisos de galerias horizontais são: 
 
E(P, ) = FM x FA x {I() cos3 () } / h2 (4.28) 
 
L(P) = FM x ( FA /  ) x {I() cos3 () } / h2 (4.29) 
onde: 
 
E(P, ) = iluminância no ponto P do piso da galeria, com ângulo  com relação à lâmpada 
do teto, dada em lux;  fica definido pelas retas vertical pela lâmpada e a que une a 
lâmpada ao ponto P do piso. 
FM = fator de manutenção, a ser estimado para cada mina e região desta, adimensional. 
FA = fator de absorção atmosférica devido a partículas no ar da mina, entre 0,9 e 1. 
I() = intensidade luminosa da lâmpada na direção dada pelo ângulo , expressa em 
candelas. Constados dados da lâmpada fornecidos pelo fabricante. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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h = altura média da galeria. 
 = constante de valor 3,14. 
 
A Figura 4.24 ilustra a utilização das fórmulas básicas do método ponto a ponto 
para um projeto de iluminação em subsolo. 
 
 
Figura 4.24. Método ponto a ponto aplicado à galeria de mina 
 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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4.9. TESTES 
1. Considere as informações abaixo sobre a luz: 
I – Os parâmetros mais importantes para se caracterizar a luz são seu comprimento 
de onda e sua frequência; 
II – A luz é uma forma de energia eletromagnética pontual; 
III – Atualmente utilizamos apenas a teoria ondulatória para analisar a luz; 
IV – Quanto maior a frequência, os aspectos corpusculares são mais notáveis. 
Qual a alternativa correta? 
a) Apenas II é falsa 
b) Apenas I é verdadeira 
c) Apenas I e IV são verdadeiras 
d) I, II e III são verdadeiras 
e) Apenas I e III são falsas 
2. Qual informação é incorreta sobre o comportamento da luz? 
a) A soma da refletância, absorbância e transmitância sempre deve ser igual a “1” 
b) Todo corpo acima de zero Kelvin emite radiações 
c) A velocidade de propagação da luz no vácuo é independente do comprimento de 
onda 
d) Não existem objetos que possuam algum dos quocientes (r,t,a) com valor nulo 
e) Um material transparente sempre transmite a luz sem espalhamento 
3. Qual a cor em que o olho é mais sensível, ou seja, apresenta maior eficiência? 
a) Vermelho 
b) Amarelo 
c) Azul 
d) Preto 
e) Verde 
4. A faixa de comprimento de onda que sensibiliza o olho humano é estimada em: 
a) 160 a 590 nm 
b) 380 a 780 nm 
c) 580 a 1200 nm 
d) 1080 a 2380 nm 
e) 1500 a 3000 nm 
5. A definição de refletância é: 
a) Uma medida da eficiência de uma superfície em devolver a luz refletida 
b) Uma medida do quanto a luz vai ser desviada após sua reflexão 
c) O maior valor que a superfície pode refratar 
d) Uma medida da eficiência de uma superfície em devolver a luz incidente 
e) n.d.a. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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6. Analise as informações abaixo sobre a importância da iluminação: 
I – Uma maior iluminação pode aumentar a produtividade, disponibilidade e 
desempenho dos equipamentos; 
II – Na mineração as evidências de diminuição de acidentes são menos diretas e 
precisas porque a iluminação é apenas um dos fatores que contribui para a 
situação de risco; 
III - É preferível que as equipes trabalhem continuamente num mesmo horário sem 
a alternância a cada semana, pois este é mais ou menos o período que o corpo 
leva para se adaptar a mudança de horário. 
Qual a alternativa correta? 
a) Apenas III é incorreta 
b) Apenas II é verdadeira 
c) Apenas I e III são verdadeiras 
d) Apenas II e III são verdadeiras 
e) Todas as afirmações são verdadeiras 
7. No vácuo a velocidade de propagação da onda é aproximadamente ? 
a) 300 000 km/s 
b) 250 000, km/s 
c) 350 000 km/s 
d) 400 000 km/s 
e) n.d.a. 
8. Podemos denominar comprimento de onda como: 
a) Número de ciclos na unidade de tempo, normalmente num segundo 
b) A distância percorrida espacialmente enquanto um ciclo se repete 
c) A velocidade de propagação da onda em um dado momento do ciclo 
d) A distância percorrida espacialmente enquanto dois ciclo se repetem 
e) n.d.a. 
9. Assinale a alternativa incorreta 
Existem várias formas de luminescência tais como: 
a) Fotoluminescência: excitação devida a raios X ou gama. 
b) Bioluminescência: excitação associada com a oxidação da luciferina na presença 
da enzima luciferase. 
c) Triboluminescência: a excitação está associada por choque de particulas, como 
na formação de clarões ao se partir um cristal de açúcar ou na clivagem de certas 
micas. 
d) Quimioluminescência: causada por reação química como a oxidação do fósforo 
ao ar livre. 
e) Cátodo-luminescência: causada por choque de partículas alfa ou elétrons, como 
nos oscilógrafos ou tubos de televisão. 
 
Capítulo 4. Iluminação 
 
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165 
10. Assinale a alternativa incorreta 
A partir dos parâmetros geométricos associados à definição de luminância 
podemos concluir que: 
a) a luminância é uma grandeza direcional; variando-se o ponto de observação a 
luminância varia tanto em função do ângulo  como também porque a superfície 
pode emitir diferentes quantidades de luz para distintas direções; 
b) a luminância independe do motivo pelo qual a luz sai da superfície; podendo-se 
ter uma área emitente como a superfície de uma lâmpada, uma área refletora como 
um talude ou mesmo áreas transmissoras como as superfícies de lentes e 
luminárias; 
c) quanto maior a área mais se aplica o conceito de luminância média; quanto 
menor a área mais se tende para o valor da luminância pontual; 
d) no sistema internacional de unidades a luminância é expressa em candelas por 
metro (cd/m) ou nit (nt). 
e) n.d.a. 
11. A iluminação não é, a exemplo de outros parâmetros levantados em higiene 
ocupacional, propriamente um “agente agressivo”, do ponto de vista de limites de 
tolerância e doenças ocupacionais. Assim mesmo, quando a mesma está 
inadequada, e, na maioria das vezes a inadequação se refere à deficiência da 
iluminação, podemos perceber algumas consequências, tais como: 
I - Maior fadiga visual e geral; 
II - Maior risco de acidentes; 
III - Maior produtividade / qualidade; 
IV - Ambiente psicologicamente negativo. 
a) Apenas a II é verdadeira. 
b) Apenas a III é falso. 
c) Aenas a II e IV são verdadeiras. 
d) Apenas a I e II são falsas. 
e) Todas são verdadeiras. 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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CAPÍTULO 5. PRESSÕES 
Prof. JOSÉ POSSEBON 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Neste capítulo serão abordados os principais conceitos referentes às pressões 
anormais e seus efeitos no organismo humano. 
 
Ao terminar este capítulo você deverá estar apto a: 
 Listar as três principais leis dos gases relacionadas às pressões; 
 Conhecer as principais patologias associadas; 
 Entender os mecanismos de compressão e descompressão; e 
 Enumerar as medidas de controle relativas ao ambiente e ao pessoal. 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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167 
5.1. PRESSÕES ANORMAIS 
No desenvolvimento de suas atividades, os trabalhadores são influenciados pela 
pressão atmosférica em seu ambiente de trabalho. Em grande parte das atividades a 
pressão de trabalho é a atmosférica ou próxima dela, pois no Brasil não temos muitos 
locais de altitudes elevadas, no entanto algumas atividades expõem os trabalhadores a 
pressões acima da normal em trabalhos de mergulho e em tubulões pressurizados. 
5.2. EFEITOS DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA NO ORGANISMO 
Como o corpo é constituído de muitas cavidades pneumáticas e o sangue é uma 
solução que se presta para o transporte de gases, sofre muito com as variações de 
pressão, que alteram o volume dos gases, bem como a solubilidadedos gases no 
sangue. Essas alterações são regidas pelas leis dos gases. 
 
Tabela 5.1. Leis dos Gases 
 
 LEI DE BOYLE 
 
A uma temperatura constante, o volume de um gás é inversamente 
proporcional à sua pressão. 
 
 
 LEI DE DALTON 
 
A pressão total de uma mistura gasosa é igual à soma das pressões 
parciais dos componentes. 
 
 
 LEI DE HENRY 
 
A quantidade de um gás que se dissolve em um líquido, a uma 
determinada temperatura, é proporcional à pressão parcial do gás. 
 
 
Com o aumento da pressão do ar, aumenta também a solubilidade dos gases no 
sangue, fazendo com que mais nitrogênio e oxigênio se dissolvam no sangue, alterando 
o equilíbrio dessa solução. Com a diminuição da pressão diminui também a solubilidade 
dos gases no sangue. No caso dessas variações, o sangue atinge o seu equilíbrio em 
poucos minutos, no entanto o tecido adiposo pode levar horas para liberar o nitrogênio 
dissolvido. Daí a necessidade de se aumentar ou diminuir a pressão vagarosamente e 
em estágios que são função da pressão e do período que o trabalhador ficou nessa 
pressão. 
Essas variações de pressão resultam em alguns tipos de doenças. 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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5.2.1. BAROTRAUMA 
É um acidente que decorre da incapacidade de se equilibrar a pressão no interior 
das cavidades pneumáticas do organismo com a pressão ambiente em variação. 
Tabela 5.2. Relação Profundidade e Volume Pulmonar 
PROFUNDIDADE (metros) VOLUME PULMONAR (litros) 
0 6 
10 3 
30 1,5 
>30 Barotrauma Pulmonar 
 
 
5.2.2. EMBOLIA TRAUMÁTICA PELO AR 
No caso de um mergulhador ter que subir rapidamente em uma situação de 
emergência, tendo respirado ar comprimido no fundo, o ar retido nos pulmões aumenta 
de volume, podendo romper os alvéolos, provocando a penetração do ar na corrente 
sanguínea. Esse acidente não ocorre no mergulho livre. 
5.2.3. EMBRIAGUÊS DAS PROFUNDIDADES 
A embriaguês das profundidades é provocada pela impregnação difusa do sistema 
nervoso central por elementos de uma mistura gasosa respirada além de uma certa 
profundidade, com manifestações psíquicas, sensitivas e motoras. 
A 30 metros de profundidade começam a aparecer os sinais de embriaguês, a 60 
metros, com ar comprimido as tarefas são prejudicadas por esse problema. A 90 metros, 
poucas pessoas conseguem executar as tarefas programadas. 
Existe uma proporcionalidade entre a profundidade e a intensidade dos sintomas, 
justificando a chamada “Lei Martini” a cada 100 pés de profundidade, correspondem aos 
efeitos de uma dose de Martini. 
No caso da Compressão, diversos riscos atingem os trabalhadores como: irritação 
dos pulmões quando a pressão atinge o nível de 5 atmosferas; narcose pelo nitrogênio 
com início em 4 atmosferas e até produzir perda da consciência a 10 atmosferas. 
Na descompressão diversos problemas podem ocorrer como: 
 Ruptura dos alvéolos pela expansão brusca do ar nos pulmões; 
 Com a descompressão muito rápida, a quantidade de nitrogênio liberada do 
sangue pode se dar numa velocidade maior que a capacidade do sangue de 
transportá-la para os pulmões, podendo ocorrer fortes dores em várias partes do 
corpo. 
 Dores abdominais ocorrem pela expansão dos gases nos intestinos; 
 Dor de dente provocada pela expansão dos gases presos entre o dente e uma 
obturação; 
 Inconsciência, tonturas e paralisia no caso de atingir o sistema nervoso central. 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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5.3. MEDIDAS DE CONTROLE 
O anexo 6 da NR-15 da portaria 3214 do Ministério do Trabalho estabelece critérios 
para o planejamento das compressões e descompressões, o limite superior de pressão 
que é de 3,4 kgf/cm2 e o período máximo de trabalho para cada faixa de pressão 
conforme a tabela: 
Tabela 5.3. Relação da Pressão e o Período máximo de trabalho 
PRESSÃO DE TRABALHO 
(kgf/cm2) 
PERÍODO MÁXIMO 
(horas) 
0 a 1,0 8 
1,1 a 2,5 6 
2,6 a 3,4 4 
 
Este anexo também fornece as tabelas de descompressão para os mais variados 
período de trabalho em função da pressão. 
5.3.1. COMPRESSÃO 
No caso da compressão deve-se elevar a pressão de 0,3 kgf/cm2 no primeiro 
minuto, fazendo-se a seguir a observação dos sintomas e efeitos nos trabalhadores. A 
partir daí, com uma taxa de no máximo 0,7 kgf/cm2 por minuto aumenta-se a pressão até 
o valor de trabalho. No caso de algum problema em qualquer etapa da compressão, ela 
deve imediatamente interrompida. 
 
Quadro 5.1. 
Um trabalhador vai realizar um trabalho em um tubulão a uma pressão de 2,0 
kgf/cm2 durante duas horas. Determinar os procedimentos para a etapa de compressão e 
de descompressão. 
 
Resolução: 
1) ETAPA DE COMPRESSÃO 
Iniciamos a compressão do tubulão de forma que em um minuto tenhamos 0,3 
kgf/cm2. Após atingir esse valor, mantemos a pressão por um certo tempo para 
fazer uma avaliação das condições do trabalhador. Se ele não apresentar nenhum 
sintoma nem queixa, continuamos a compressão a uma velocidade não superior a 
0,7 kgf/cm2 por minuto, até atingirmos a pressão de trabalho (2,0 kgf/cm2). 
 
Após duas horas de trabalho, iniciaremos os procedimentos para a etapa da 
descompressão. 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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2) ETAPA DE DESCOMPRESSÃO 
Selecionamos a tabela de descompressão para o período de 1:30 e 2,0 horas e 
para 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A tabela indica um procedimento de descompressão em três estágios: 
No primeiro estágio a pressão deve baixar de 2,0kgf/cm2 até 0,6 kgf/cm2 a uma 
velocidade de 0,4 kgf/cm2, em um tempo de 3 minutos e 30 segundos. A seguir 
mantemos essa pressão (0,6kgf/cm2) por cinco minutos. Após esse tempo de 
parada, reduzimos a pressão de 0,6 para 0,4kgf/cm2, portanto num tempo de 30 
segundos e nesse segundo estágio, mantemos a pressão por 25 minutos. Para se 
atingir o terceiro estágio, baixamos a pressão até 0,2 kgf/cm2 em um tempo de 30 
segundos e mantemos a pressão por 40 minutos. Cumprido o último estágio serão 
necessários mais 30 segundos para se atingir a pressão atmosférica normal. 
O tempo total de descompressão foi de 75 minutos. 
Esse trabalhador deverá ficar na empresa pelo menos por mais duas horas 
após o término da tarefa, para observações e acompanhamento de seu estado 
físico. 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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5.3.2. DESCOMPRESSÃO 
No caso da descompressão, além da pressão de trabalho é necessário também o 
tempo de permanência nessa pressão. Na descompressão a pressão será reduzida a 
uma taxa não superior a 0,4 kgf/cm2 por minuto até o primeiro estágio, definido na tabela 
a ser utilizada. A seguir se mantém a pressão por um tempo de parada indicado na 
tabela. 
5.3.3. CÂMARA DE COMPRESSÃO. 
Deve-se controlar a temperatura e o nível dos contaminantes, que sob pressões 
maiores são mais facilmente absorvidos pelo organismo. O anexo 6 estabelece alguns 
limites de concentração conforme a tabela: 
Tabela 5.4. Contaminante e seu Limite de Tolerância 
 
 
 
 
 
 
Onde: ppm/v (partes por milhão em volume) 
 PT = Pressão de Trabalho 
 LIE= Limite Inferior de Explosividade 
O controle da temperatura deve ser feito através de um sistema de refrigeração do 
ar e durante a permanência dos trabalhadores no interior do tubulão, e o limite de 
tolerância é dado pelo TGU (Temperatura de Globo Úmido) de 27 graus centígrados, 
medidos através do termômetro de Globo Úmido (Botsball). A taxa de ventilação deve 
ser de pelo menos de 30 pés cúbicos/minuto/homem. 
No caso de pressões elevadas recomenda-se substituir a mistura 
Oxigênio/Nitrogênio por mistura Oxigênio/Hélio, pois o Hélio não apresenta os 
inconvenientes dos efeitos anestésicos do Nitrogênio. 
O anexo 6 exige a sinalização dos locais de trabalho sob pressão, através de uma 
placa de identificação, com 4 cm de altura e 6 cm de largura, em alumínio de 2 mm, com 
os dizeres: 
CONTAMINANTE LIMITE DE TOLERÂNCIA 
Monóxido de Carbono. 20 ppm/v 
Dióxido de Carbono. 2.500 ppm/v 
Óleo/Material Particulado. 5 mg/m3 (PT<2 kgf/cm2) 
3 mg/m3 (PT>2 kgf/cm2) 
Metano. 10% do LIE 
Oxigênio. mais de 20% 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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 (frente) (verso) 
 
EM CASO DE INCONSCIÊNCIA OU MAL DE 
CAUSA INDETERMINADA TELEFONAR 
IMEDIATAMENTE PARA O N_________ E 
ENCAMINHAR O PORTADOR DESTE PARA 
____________. 
 _______________________________ 
 NOME DA COMPANHIA 
 _______________________________ 
 LOCAL E ANO 
 ________________________________ 
 NOME DO TRABALHADOR 
 
 ATENÇÃO: TRABALHO EM AR COMPRIMIDO 
 
Figura 5.1. Sinalização exigida nos locais de trabalho sob pressão 
 
Quadro 5.2. 
Em um trabalho em tubulão pressurizado, em uma pressão de 1,8 kgf/cm2 
durante 3 horas, o início da compressão se deu por volta das 13 horas, sendo o 
período de trabalho das 8 às 17 horas. Programar as etapas de compressão, trabalho 
e descompressão. 
 
 
Resposta: 
O primeiro trabalho será selecionarmos a tabela adequada: 
Pegaremos a tabela para período de trabalho de 3 a 4 horas, que é mais 
conservativa do que a tabela de 2:30 a 3 horas. 
 
COMPRESSÃO 
0,7 kgf/cm2/minuto de 1,8 a 0(2,5 mais 1 minuto para verificação das 
condições a 0,3kgf/cm2) 
Tempo total de compressão: 3,5 minutos 
 
DESCOMPRESSÃO 
Para a pressão de 1,8 kgf/cm2, teremos quatro estágios de descompressão: 
0,8 kgf/cm durante 5 minutos 
0,6 kg/ cm durante 15 minutos 
0,4 kg/ cm durante 30 minutos 
0,2 kg/ cm durante 45 minutos 
 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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Portanto na descompressão teríamos 95 minutos mais o período entre 
estágios(1,8kg/ cm2 dividido por 0,4kgf/cm2/minuto que é de 4,5 minutos) 
Tempo total de descompressão igual a 99 minutos e meio, 
aproximadamente 100 minutos 
 
Tempo total de trabalho: 403,5 minutos sendo: 
 Compressão: 3,5 minutos 
 Trabalho: 180 minutos 
 Descompressão: 100 minutos 
 Descanso após descompressão: 120 minutos (para verificação do estado 
de saúde) 
 
RESPOSTA: Se a compressão começou às 13hs, com 6horas e 43,5 
minutos, o trabalhador sairá do canteiro de obras às 19:44 hs, e receberá 2:44 hs 
de hora extra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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174 
 
Nota 5.1. 
Em um trabalho em tubulão pressurizado programado para duas horas, após 
uma hora, a temperatura de globo úmido resultou em 28 oC. Que providências você 
tomaria? 
 
Resposta: 
Como a TGU (Temperatura de Globo Úmido) máxima é de 27oC, a primeira 
providência é parar as atividades para diminuir o Metabolismo de trabalho. 
A seguir verificar o sistema de troca de ar se está adequado e se estiver, e 
não for possível modificar as condições ambientais, iniciar o estágio de 
descompressão parando todas as atividades no tubulão, pois os trabalhadores 
provavelmente estiveram sujeitos à sobrecarga térmica. Na programação de 
novas compressões, fazer uma inspeção geral em todo o sistema para evitar 
problemas com sobrecargas térmicas. 
 
 
 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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175 
 
Nota 5.2. 
Programe as etapas de compressão, trabalho e descompressão em tubulão 
pressurizado, por 1:30 hs, a uma pressão de 1,6 kgf/cm2. 
 
Reposta: 
A primeira tarefa é selecionar a tabela de descompressão adequada. 
Tabela para 1:30 a 2horas, pressões de 1 a 2,0 kgf/cm2 
A 1,60 kg/m2 teremos dois estágios de compressão e as atividades seriam 
desenvolvidas da seguinte forma: 
 Estágio de compressão até 0,3 kgf/cm2 com parada p/verificação. 
 Estágio de compressão com 0,7kgf/cm2 /min até 1,6 kgf/cm2 
 Etapa de trabalho de 1:30hs 
 Etapa de descompressão(0,4kgf/cm2/min.) até 0,4kgf/cm2 
 Parada de 10 minutos(1o estágio) 
 Descompressão até 0,2 kgf/cm2 
 Parada de 30 minutos(2o estágio) 
 Descompressão até 0 kgf/cm2 
 Etapa de observação e acompanhamento médico: 120 minutos. 
 
Tempo total:257 minutos(4:17h): 
 Estágio de compressão (0,7kgf/cm2/min de 0 a 1,6kgf/cm2 mais 1 
minuto de verificação) = 3,28 minutos (aproximadamente 3 minutos) 
 Etapa de trabalho: 90 minutos 
 Etapa de descompressão(0,4kgf/cm2/min) = 4 minutos 
 Estágios de descompressão = 40 minutos 
 Etapa de observação médica = 120 minutos 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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176 
5.4 RESUMO DAS MEDIDAS DE CONTROLE PARA TRABALHO SOB AR 
COMPRIMIDO EM TUBULÕES PNEUMÁTICOS E TÚNEIS PRESSURIZADOS 
 
5.4.1. RELATIVAS AO AMBIENTE 
1) Ventilação contínua de, no mínimo, 30 pés3/min/homem. 
2) TGU 

 27ºC. 
3) Sistema de telefonia ou similar para comunicação com o 
exterior. 
4) A qualidade do ar deverá ser mantida dentro dos padrões 
de pureza. 
5) Pressão máxima = 3,4 kgf/cm2 
(Exceto emergência e tratamento médico). 
 
5.4.2. RELATIVAS AO PESSOAL: 
1) Uma compressão a cada 24 horas. 
2) 18 anos 

 idade 

 45 anos. 
3) Exame médico obrigatório, pré-admissional e periódico. 
4) Uso obrigatório de plaqueta de identificação. 
5) Inspeção médica antes da jornada de trabalho. 
6) Proibido o trabalho para alcoolizados, ingestão de bebidas alcólicas e fumo 
nos ambientes de trabalho. 
7) Deve haver instalações para assistência médica, 
recuperação, alimentação e higiene. 
8) Cada trabalhador deve possuir atestado de aptidão ao 
trabalho, válido por 6 meses. 
9) Após descompressão o trabalhador deve permanecer, no 
mínimo, 2 horas no canteiro de obras sob observação médica. 
10) Folha de registro de compressão e descompressão. 
 
5.5 CORRELAÇÃO ENTRE A ALTITUDE, A PRESSÃO ATMOSFÉRICA E A 
PRESSÃO PARCIAL DO OXIGÊNIO 
 
Tabela 5.5 Correlação entre a altitude, a pressão atmosférica e a pressão parcial do 
oxigênio. 
Altitude (m) Pressão Atmosférica 
(mmHg) 
P02 (mmHg) 
0(nível do mar) 760 159,2 
1.000 674 141,2 
2.000 596 124,9 
3.000 526 96,9 
4.000 462 96,9 
9.000 231 48,4Capítulo 5. Pressões 
 
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5.6 EFEITOS DA ALTITUDE NO ORGANISMO: 
5.6.1. A CURTO PRAZO: 
a) Hiperventilação (taquipnéia) estimulada pela baixa PO2 que diminui o % de 
saturação da hemoglobina; 
b) Maior eliminação de CO2 que baixa a PCO2 e aumenta o pH provocando a 
alcalose respiratória; 
c) Tonturas, vertigens e enjôo. 
 
5.6.2. A MÉDIO PRAZO 
a) Excreção de HCO3- pela urina para baixar o pH até o normal; 
b) Perda de H2O que provoca desidratação e diminui o volume plasmático; 
c) Hemoconcentração - aproximação das hemácias para facilitar o transporte de O2 
por um processo difusional. 
 
5.6.3. A LONGO PRAZO 
a) Secreção de eritropoietina pelo rim estimulando a medula óssea a fazer 
eritropoiese (reposição dos eritrócitos); 
b) Aumento de volume sanguíneo - recuperação da capacidade de transporte de 
O2 com o sangue com mais hemácias que o normal à nível do mar. 
A aclimatização de dá em duas semanas para uma altitude de até 2.100metros e a 
cada 600 metros a mais, aumenta mais uma semana. 
Após a aclimatização há um aumento do volume sanguíneo e do número de 
hemácias aumentando a capacidade de transporte de O2. Entretanto, a massa muscular 
e o peso corporal diminuem devido à desidratação e supressão do apetite que provocam 
o catabolismo protéico. 
Pela menor oferta de oxigênio, diminui também a capacidade oxidativa. 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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5.7 TRABALHOS SUBMERSOS 
 
Os trabalhos submersos como a atividade de soldagem em plataforma marítimas, 
expõem os trabalhadores à pressões especificadas pela profundidade da área de 
trabalho. Após um certo tempo de trabalho pressurizado, se for necessária a 
descompressão, esta se dará conforme as tabelas do anexo 6 da NR-15. Após a 
realização das tarefas, o mergulhador deverá subir a uma velocidade não maior que 
0,33m/s, isto é 3 segundos para cada metro de subida. As tabelas de descompressão 
para atividades submersas têm 6 colunas com as seguintes características: 
 
• 1ª Coluna - Profundidade máxima atingida durante o mergulho em metros. 
Quando a profundidade é um valor intermediário na tabela, devemos considerar 
aquele imediatamente superior. 
• 2ª Coluna - Indica o tempo de permanecia no fundo contado em minutos. O 
tempo de fundo é contado no instante em que se deixa a superfície para descida, 
até o momento em que se deixa o fundo para retornar à superfície. 
• 3ª Coluna - Tempo de subida até a primeira etapa da descompressão, em 
minutos e segundos. 
• 4ª Coluna - Indica os tempos em minutos de permanência em cada etapa da 
descompressão. A falta de indicação significa que não precisa de parada àquela 
profundidade. 
• 5ª Coluna - Indica o tempo em minutos e segundos, para chegar a superfície 
após deixar o fundo. Este tempo é a soma dos tempos das etapas de 
descompressão, do deslocamento entre o fundo e a primeira etapa, dos 
deslocamentos entre etapas e entre a última etapa e a superfície. 
• 6ª Coluna - Indica os grupos de repetição que deverá ser utilizado nos cálculos da 
descompressão de um eventual mergulho repetitivo. Está relacionado à 
quantidade de tecido hipersaturados de N2 após cada mergulho. 
 
Exemplo: 
 
Profundidade: 24 m 
Tempo de Fundo: 120 min 
 
1. O Mergulhador deverá subir de 24 m de profundidade para 6 metros com tempo 
mínimo de 1 min. 
2. Permanecer nesta profundidade por 17 min. 
3. Subir até 3 metros em 10 seg. 
4. Permanecer na profundidade de 3m por 56 min. 
Subir até a superfície em 10 seg. 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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179 
 
 
 
Tabela com tempo a ser somado ao tempo de trabalho para o cálculo dos estágios de 
descompressão em mergulhos repetitivos(intervalo menor que 12 horas entre os 
mergulhos) 
 
 
5.8 MEDICINA HIPERBÁRICA E OXIGENIOTERAPIA HIPERBÁRICA (O2HB) 
A Medicina Hiperbárica é uma especialidade médica que se dedica ao estudo, à 
prevenção e ao tratamento das doenças e lesões decorrentes do mergulho e do trabalho 
em ambientes pressurizados (como na construção de túneis e pontes em áreas 
alagadas). Sua origem remonta à 1841 na França, quando Triger, um engenheiro de 
mineração francês fez a primeira descrição dos sintomas de doença descompressiva em 
operários de uma mina de carvão. Em 1854, os médicos franceses Pol e Watelle 
observaram que a recompressão aliviava os sintomas da doença descompressiva. 
A Oxigenioterapia Hiperbárica (O2HB) é uma modalidade de tratamento médico, do 
âmbito da Medicina Hiperbárica, na qual o paciente ventila ("respira") oxigênio puro (à 
100%) à uma pressão ambiente maior que a pressão atmosférica normal, para a 
supressão ou controle de condições patológicas específicas. 
Este procedimento é realizado em um equipamento especial chamado câmara 
hiperbárica. 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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O uso terapêutico do oxigênio hiperbárico teve início em 1937 quando Behnke e 
Shaw o utilizaram para tratamento de doenças descompressivas. Em 1955 surgiram dois 
trabalhos pioneiros que tornaram-se referências clássicas da oxigenioterapia hiperbárica: 
High-Pressure Oxygen and Radiotherapy, publicado no The Lancet por I.Churchill-
Davidson e; 
Life without Blood, publicado no J.Cardiovasc.Surg. pelo cirurgião cardiovascular 
holandês Ite Boerema, considerado o "pai" da Medicina Hiperbárica moderna. 
Desde então, a O2HB vem sendo utilizada, seja como tratamento principal, seja 
como terapêutica coadjuvante, em várias patologias refratárias às abordagens 
convencionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.2. 
 
 
INDICAÇÕES DE OHB CONFORME RESOLUÇÃO CFM 1.457/95 
 
O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução 1.457/95, indicou a 
Oxigenoterapia Hiperbárica para um conjunto de doenças refratárias aos tratamentos 
tradicionais. A respiração em uma atmosfera pressurizada de oxigênio, faz com que a 
quantidade de oxigênio no organismo aumente, facilitando o processo de cicatrização, 
que em outras técnicas tradicionais seria muito lento. 
Dentre essas doenças temos: 
 
1. Doença descompressiva 
2. Embolia traumática pelo ar 
3. Embolia gasosa 
4. Envenenamento por CO ou inalação de fumaça 
5. Envenenamento por gás cianídrico / sulfídrico 
6. Gangrena gasosa 
7. Síndrome de Fournier 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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8. Outras infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, fasciites, miosites (inclui 
infecção de sítio cirúrgico) 
9. Isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, 
reimplantação de extremidades amputadas e outras 
10. Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas: 
(aracnídeos, ofídios e insetos) 
11. Queimaduras térmicas e elétricas 
12. Lesões refratárias: úlceras de pele, pés diabéticos, escaras de decúbito, úlceras por 
vasculite autoimune e deiscência de suturas 
13. Lesões por radiação: radiodermite, osteoradionecrose e lesões actínicas de mucosa 
14. Retalhosou enxertos comprometidos ou de risco 
15. Osteomielites 
16. Anemia aguda nos casos de impossibilidade de transfusão sanguínea 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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5.9 TESTES 
1. Qual a afirmação incorreta com relação às pressões? 
a) A pressão total de uma mistura gasosa é igual à soma das pressões parciais dos 
componentes. 
b) A uma temperatura constante, o volume de um gás é inversamente proporcional à sua 
pressão. 
c) Quando há variação de pressão, o tecido adiposo atinge o seu equilíbrio em poucos 
minutos, no entanto o sangue pode levar horas para liberar o nitrogênio dissolvido. 
d) Na maior parte das atividades a pressão de trabalho é próxima à atmosférica 
e) Com o aumento da pressão do ar, aumenta também a solubilidade dos gases no 
sangue. 
2. Qual das doenças abaixo não é causada por variação de pressão? 
a) Embolia traumática pelo ar. 
b) Embriaguês das profundidades. 
c) Pneumonia. 
d) Barotrauma. 
e) Duas alternativas estão corretas. 
3. Qual a lei que a uma temperatura constante, o volume de um gás é inversamente 
proporcional à sua pressão. 
a) Lei de Dalton. 
b) Lei de Henry. 
c) Lei de Boyle. 
d) Lei de Newton. 
e) n.d.a 
4. Assinale a alternativa incorreta. 
Na descompressão diversos problemas podem ocorrer como: 
a) Ruptura dos alvéolos pela expansão brusca do ar nos pulmões; 
b) Com a descompressão muito rápida, a quantidade de oxigênio liberada do sangue 
pode se dar numa velocidade maior que a capacidade do sangue de transportá-la para os 
pulmões, podendo ocorrer fortes dores em várias partes do corpo. 
c) Dores abdominais ocorrem pela expansão dos gases nos intestinos; 
d) Dor de dente provocada pela expansão dos gases presos entre o dente e uma 
obturação; 
Inconsciência, tonturas e paralisia no caso de atingir o sistema nervoso central 
e) n.d.a 
5. Para pressões elevadas recomenda-se substituir a mistura Oxigênio/Nitrogênio por: 
a) Oxigênio/Hidrogênio. 
b) Oxigênio/Hélio. 
c) Oxigênio. 
d) Nitrogênio. 
e) n.d.a. 
 
 
 
 
Capítulo 5. Pressões 
 
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6. Na oxigenoterapia hiperbárica, o paciente respira em uma atmosfera de: 
 
a) Oxigênio 
b) Ar respirável comprimido 
c) Oxigênio comprimido 
d) Ar respirável 
e) n.d.a. 
 
 
Capítulo 6. Radiações Ionizantes 
 
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CAPÍTULO 6. RADIAÇÕES IONIZANTES 
Profa. SÔNIA REGINA P. SOUZA 
 
OBJETIVOS DO ESTUDO 
Possibilitar a compreensão dos aspectos principais da proteção radiológica. Neste 
capítulo serão apresentados os tipos de fontes de radiação ionizante, a classificação das 
radiações segundo a forma de interação com a matéria, as grandezas e unidades 
radiológicas, os efeitos biológicos, as normas básicas de proteção radiológica e os meios 
de detecção e controle das exposições. 
 
Ao término deste capítulo você deverá estar apto a: 
 Identificar as fontes de radiação ionizante; 
 Avaliar os riscos potenciais associados ao uso de fontes de radiação; 
 Determinar a atividade atual de uma fonte radioativa; 
 Quantificar a dose recebida em exposições externas a emissores gama; 
 Efetuar cálculos básicos para blindagem a fontes emissoras gama; 
 Reconhecer os diferentes equipamentos de avaliação de radiação ionizante e 
verificar sua adequação às necessidades específicas; 
 Conhecer os procedimentos recomendados para descontaminação pessoal. 
 
 
 
Capítulo 6. Radiações Ionizantes 
 
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185 
6.1. INTRODUÇÃO 
Desde os primórdios da humanidade o homem esteve exposto às radiações 
ionizantes proveniente do espaço exterior, do solo, da água, do ar e dos seres vivos. O 
crescente uso de fontes emissoras dessas radiações em atividades médico-hospitalares, 
industriais e de pesquisa, evidenciou o risco potencial da exposição humana a elas. A fim 
de melhor avaliar esse risco e proteger os indivíduos dos efeitos deletérios das radiações 
ionizantes, foram desenvolvidos instrumentos de detecção e procedimentos de controle 
da exposição. A Proteção Radiológica é a área do conhecimento que abrange os 
estudos sobre as diferentes formas de geração de radiação ionizante, os meios para 
detectá-las, a sua interação com sistemas biológicos e as técnicas para controlar a 
exposição humana a elas. 
6.1.1. O ÁTOMO 
Toda a matéria é formada por átomos, os quais são compostos por partículas 
positivas, negativas e neutras. As partículas negativas (elétrons), são encontradas 
girando ao redor de um núcleo, arranjadas em camadas, denominadas orbitais 
eletrônicos. No interior do núcleo, ligadas de forma bastante coesa, encontram-se as 
partículas positivas (prótons) e as partículas neutras (nêutrons). 
Se um átomo possuir mais elétrons do que prótons, ele terá uma carga elétrica total 
negativa. E se o número de prótons for maior a carga será positiva. Em geral, os átomos 
não apresentam carga elétrica (são neutros), o que significa que existe uma igual 
quantidade de prótons e de elétrons em sua constituição. 
As características macroscópicas ou observáveis dos átomos são determinadas por 
suas propriedades físico-químicas, dependentes do número de elétrons e de como eles 
estão distribuídos nas suas camadas eletrônicas. Em outras palavras, a forma como um 
átomo se apresenta (em temperatura e pressão ordinárias, se é um sólido, líquido ou 
gás), e como reage com outros átomos para formar moléculas, depende dos elétrons que 
possui orbitando ao redor do seu núcleo. Assim, átomos apresentando a mesma 
estrutura eletrônica, constituem-se em um elemento químico, pois apresentam 
propriedades físico-químicas idênticas. 
Para que um átomo não apresente carga elétrica, deve existir um igual número de 
prótons e de elétrons. Portanto o elemento químico é caracterizado também pelo total de 
prótons que possui no interior do seu núcleo. Assim sendo, se aumentamos ou 
diminuímos a quantidade de prótons em um núcleo temos átomos com características 
físico-químicas diferentes, ou seja, estamos transformando um elemento químico em 
outro totalmente diferente. 
No interior do núcleo também existem os nêutrons, os quais compõem, juntamente 
com os prótons, a massa do átomo. Uma variação na quantidade de nêutrons não altera 
o comportamento macroscópico do átomo, pois este depende unicamente da sua 
estrutura eletrônica ou em termos da constituição nuclear, da quantidade de prótons. 
Dessa maneira, átomos com quantidades diferentes de nêutrons mas com um número 
igual de prótons correspondem a um mesmo elemento químico, pois apresentam as 
mesmas características físico-químicas apesar de terem massas diferentes. Estes 
átomos são denominados isótopos, e é a mistura desses isótopos que compõe o 
elemento químico. Adicionalmente, quando alteramos a composição do núcleo, seja pela 
 
Capítulo 6. Radiações Ionizantes 
 
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186 
adição ou remoção de nêutrons, estamos apenas modificando a massa do átomo e não 
transformando um elemento químico em outro. 
6.1.2. IONIZAÇÃO E EXCITAÇÃO 
Como foi colocadono início, os elétrons são encontrados girando ao redor do 
núcleo, distribuídos não de uma forma aleatória, mas sim em camadas ou orbitais 
eletrônicos. Cada uma dessas camadas é ocupada por um número específico de 
elétrons, os quais são mantidos presos ou ligados com uma determinada quantidade de 
energia (energia de ligação). Esta energia de ligação varia com o inverso da distância do 
orbital ao núcleo. Desse modo quanto mais próximo do núcleo estão os elétrons, maior é 
a energia que os mantém ligados ao átomo, e mais fortemente presos eles estão. 
Em condições normais, o eletron ocupa o nível mais baixo de energia dentro da 
respectiva camada (estado fundamental), ou seja, aquele em que ele possui a menor 
energia, pois este confere maior estabilidade eletrônica ao átomo. Se por meios externos 
cedemos uma certa quantidade de energia ao elétron, este passará a executar uma 
órbita de raio maior (mais afastada do núcleo), e assim ocupando um nível superior 
(estado excitado) dentro da camada. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver 
energia passa a ocupar orbitais mais externos, é conhecido como excitação eletrônica. 
No caso acima, se a energia fornecida é superior a energia de ligação da camada, 
o elétron será levado a executar uma órbita com raio tão grande que este não fica mais 
sob a influência do campo elétrico do núcleo. Nesta condição o elétron é removido do 
átomo. Este processo físico, no qual o elétron ao absorver energia afasta-se da influência 
do campo elétrico nuclear a ponto de ser removido, é conhecido como ionização. O 
elétron livre e o átomo positivamente carregado resultantes são denominados par iônico. 
A quantidade de energia necessária para ionizar o elétron mais fracamente ligado ao 
átomo é chamada de potencial de ionização. 
6.1.3. RADIAÇÃO IONIZANTE 
A classificação de uma radiação como ionizante está relacionada à sua capacidade 
de produzir ionização em sistemas biológicos. O corpo humano é constituído 
basicamente por água, hidrogênio, oxigênio, carbono e nitrogênio, cujos potenciais de 
ionização situam-se entre 12 e 15 eV. Portanto a energia mínima transportada pela 
radiação, capaz de produzir ionização nesses sistemas é 12,4 eV. 
Dentro do espectro eletromagnético serão consideradas ionizantes as radiações 
com comprimentos de onda inferiores a 100 nm. Entretanto, não apenas as radiações 
eletromagnéticas apresentam esta propriedade, também radiações corpusculares, tais 
como prótons, elétrons e nêutrons, são capazes de produzir ionização. A energia 
corpuscular a ser transferida para o meio, ionizando-o, é a energia de movimento ou 
cinética, cuja magnitude é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade da 
partícula. Desse modo, qualquer partícula ordinária ao ser acelerada, fornecendo-lhe 
energia cinética superior a 12,4 eV, passará a ser ionizante, posto que será capaz de 
ionizar sistemas biológicos. 
 
Capítulo 6. Radiações Ionizantes 
 
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6.1.4. A RADIOATIVIDADE 
Se montarmos um gráfico da constituição nuclear dos átomos conhecidos (naturais 
e artificiais), representando no eixo vertical o número de nêutrons e no horizontal o de 
prótons, obteremos uma faixa larga e deslocada em direção ao eixo vertical. Ao 
observarmos atentamente esta faixa verificamos que no seu trecho central e abaixo de 
uma massa atômica correspondente a 190, estão localizados núcleos que não modificam 
a sua constituição interna (quantidade de prótons e nêutrons) com o decorrer do tempo, 
sendo por esta razão considerados estáveis. Por outro lado, os núcleos localizados nas 
bordas da faixa e no trecho acima de 190, apresentam uma variação na quantidade de 
prótons e nêutrons com o passar do tempo, e por isso são denominados instáveis. Em 
outras palavras, ou eles apresentam um excesso de partículas no seu interior, ou têm 
nêutrons demais ou nêutrons de menos para serem estáveis. 
Este estado de instabilidade representa um excesso de energia ou um gasto 
energético para o núcleo. Tendo-se em vista que todos os sistemas na Natureza buscam 
se rearranjar de tal forma que o seu gasto de energia seja mínimo, o núcleo atômico irá 
sofrer uma série de transformações espontâneas até atingir o estado que represente o de 
menor consumo energético (estado fundamental). Durante essas transformações o 
núcleo se libera do excesso de partículas e energia que possui, modificando assim a sua 
estrutura (desintegração) e diminuindo seu nível de energia (decaimento). 
A radioatividade é definida como o fenômeno físico de emissão espontânea de 
radiação ionizante por núcleos atômicos instáveis. Este fenômeno e as propriedades 
radioativas de um núcleo independem do estado físico ou químico em que este se 
apresenta. Tais propriedades dependem unicamente das características intrínsecas do 
núcleo, e não podem ser alteradas por quaisquer ações externas (aquecimento, 
congelamento, diluição, compressão, etc). 
O fenômeno da emissão de radiação ionizante pode ocorrer naturalmente ou ser 
induzido por meio do bombardeamento de núcleos estáveis com partículas carregadas, 
como no caso de aceleradores de partículas, ou nêutrons, como ocorre nos reatores 
nucleares. Os átomos naturalmente radioativos estão agrupados em séries, nas quais um 
elemento se transforma em outro, sucessivamente, até atingir a estabilidade nuclear. O 
primeiro elemento da séria é denominado pai e o último corresponde ao elemento 
estável. As quatro séries radioativas existentes na Natureza são o Tório, Netúnio, Urânio 
e Actínio, conforme ilustrado na tabela 6.1. 
Tabela 6.1. Séries radioativas naturais. 
SÉRIE PAI ISÓTOPO ESTÁVEL 
Tório 90Th232 82Pb208 
Netúnio 94Pu241 83Bi209 
Urânio 92U238 82Pb206 
Actínio 92Th235 82Pb207 
 
Capítulo 6. Radiações Ionizantes 
 
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6.1.5. FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE 
As radiações ionizantes podem ser geradas em equipamentos eletrônicos, emitidas 
por materiais radioativos ou como resultado de reações nucleares. Nos equipamentos 
eletrônicos a desaceleração de feixe de elétrons por um alvo resulta na emissão de 
radiação eletromagnética, conhecida como radiação de frenamento ou Raios X. A 
emissão dessa radiação, em níveis significantes do ponto de vista biológico, ocorre para 
da voltagem de operação superior a 15 kV e alvo com número atômico elevado (tal como 
chumbo ou tungstênio). Nessas condições são gerados raios X com energia superior a 5 
keV, e os dispositivos emissores incluem: equipamentos de Raios X, microscópios 
eletrônicos, soldagem com feixe de elétrons, retificadores e estabilizadores termiônicos 
de alta voltagem, tríodos de alta voltagem, magnetrons e tubos de raios catódicos. 
Os materiais radioativos podem se encontrados na forma sólida (particulada ou 
compacta), líquida ou gasosa. Dependendo da finalidade de uso, o material pode estar 
contido no interior de uma cápsula lacrada. Tal configuração impede a dispersão do 
material para o ambiente, não havendo o risco de contaminação radioativa, exceto nos 
casos em que o lacre é rompido ou a cápsula apresente falha. São exemplos de fontes 
seladas os medidores de densidade, gramatura, espessura, nível, massa e umidade, e os 
irradiadores para terapia de câncer e para ensaios não destrutivos. 
Quando o material se encontra na sua forma livre, a fonte é denominada não 
selada. Nestas condições o material radioativo pode difundir-se para o ambiente, 
havendo o risco de contaminação

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