Apostila Sistemas de Classificação
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Apostila Sistemas de Classificação


DisciplinaMorfologia e Sistemática Vegetal65 materiais1.811 seguidores
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Sistemas de Classificação
Um sistema de classificação é uma maneira particular de delimitar e organizar grupos taxonômicos.
Normalmente costuma-se dividir a história dos sistemas de classificação em um certo número de períodos ,cada um deles distinguido por uma base filosófica ou um princípio comum ,e freqüentemente separados uns dos outros por eventos notáveis que mudaram o pensamento cientifico da época e influenciaram conseqüentemente o desenvolvimento da taxonomia ,como os trabalhos de LINNAEUS (1753),DARWIN (1859), a redescoberta da genética Mendeliana (1900)e o surgimento da taxonomia numérica (1957).
Embora estes, e alguns outros, seja marcos realmente notável, nenhum deles assinalou efetivamente o final do período de um período e o início de outro, porque o desenvolvimento taxonômico foi, no total, relativamente gradual, e a moderna taxonomia surgiu de diversas origens que não puderam ser tratadas em uma seqüência linear, já que em cada época dominada por um determinado pensamento particular, sempre ocorreram outras linhas de pensamento ou escolas paralelas.
Por conveniência, as fases do desenvolvimento da história da taxonomia serão apresentadas em períodos distintos, mas é preciso ter em mente as considerações mencionadas.
1. Fase pré-científica
O início do conhecimento das plantas
O interesse vital do homem pelas plantas como fonte de alimento remota ás origens da sociedade humana. Desde esta época o homem adquiriu, por experiência, uma familiaridade com as plantas de seu meio ambiente que eram boas para comer ou úteis de alguma outra maneira. Este tipo de conhecimento é considerado pré-científico já que não havia, nas linguagens primitivas destes povos, nenhuma palavra para definir o conceito planta, os registros que estas sociedades primitivas deixaram para a posteridade são apenas pinturas ou gravações representando, nem sempre com muita fidelidade, plantas nativas de importância nutricional ou medicinal.
Evidências do que poderia ser considerado como um indício de conhecimento pré-sistemático (ou pré-científico) das plantas surgiram apenas no período posterior ao descobrimento e a prática da agricultura, em torno de 10.000 A.C., e também pelo interesse crescente pelas propriedades medicinais, reais ou supostas, que conseqüentemente levaram á necessidade de reconhecer e registrar as plantas medicinais em questão .Tratados sobre plantas medicinais foram preparados pelos chineses,egípcios,assírios e astecas, renomados por seu conhecimento destas plantas,e que construíram a base dos estudos medicinais.Estes tratados foram compilados em sânscrito (antiga língua clássica da Índia, a mais velha da família Indo-Europa) ,e, devido ao pouco conhecimento que se tem desta língua,as informações contidas nestes tratados permanecem pouco conhecidas até hoje.
Origem da Botânica como ciência 
2. Fase pré-exploratória (Valentine & Love)
Envolvendo coleção e subseqüente classificação de pequeno nº de espécimes de herbário
Classificação pré - Darwinianas 
2.1 - Sistemas Artificiais
O verdadeiro estudo científico das plantas, no sentido em que o termo é aceito hoje em dia, começou, em parte, como conseqüência do grande movimento intelectual que nasceu no 6º século A.C. na Ásia menor e se espalhou pela Grécia, culminando em Atenas com os ensinamentos de Aristóteles.
Os primeiros sistemas de classificação eram, pelo menos em parte, artificiais, isto é, eles eram baseados em algumas poucas características (hábito e importância para o homem) escolhidas com a finalidade de classificar ou identificar, geralmente sem se preocupar com afinidades.
2.1.1Sistemas baseados no Hábito 
Antigos 300 A.C. até cerca de 1.500D.C
THEOPHRASTUS (400-285 A. C.) - Aluno de Aristóteles é considerado o \u201cpai da Botânica\u201d. Seu trabalho reflete a filosofia e os métodos de Aristóteles, e especialmente da divisão Lógica (divisão em classes, não no sentido como conhecemos hoje. Sua divisão foi em classes de tamanho) e as regras da Dicotomia (ou do meio excluído - um determinado objeto é A ou não é A). Ele foi o primeiro a delinear uma classificação para as plantas (480 A.C.) de uma forma lógica, baseada principalmente no hábito, usando os caracteres (classes de tamanho) mais óbvios da macromorfologia (árvores, arbustos, subarbustos e ervas). THEOPHARASTUS foi um bom morfologista, reconhecendo diferenças entre a posição súpera ou ínfera do ovário, entre a s pétalas fundidas e livres, tipos de frutos, e inflorescências determinadas e indeterminadas. Entretanto ele não usou estas características para estabelecer relações entre as plantas, e seu sistema foi totalmente artificial. Diversos nomes usados por THEOPHARASTUS em DE HISTORIA PLANTARUM foram mais tarde adotadas por LINNAEUS no GENERA PLANTARUM e são ainda hoje usados. 
DIOSCORIDES (1º século A.C.) - Também grego foi médico do exercito romano e, portanto interessado nas propriedades medicinais das plantas (pode ser considerado como o primeiro herbalista). Reconheceu cerca de 600 espécies e alguns grupos mais ou menos semelhantes às famílias naturais (algumas Labiatae e Umbelliferae). Ocupou posição histórica importante na Botânica apenas porque seu livro DE MATERIA MEDICA, embora escrito de forma menos ordenada do que de Theophrastus, tornou-se a principal obra de referência e conhecimento botânico durante mais de um milênio, no período conhecido como a \u201cEra das Trevas\u201d na Europa.( ± 200 a 1483 D.C.).
ALBERTUS MAGNUS (1193-1230) - Aceitou a classificação de Theophrastus, e foi o primeiro a reconhecer, com base na estrutura do lenho, as diferenças entre mono e dicotiledôneas.
2.1.2 - Os Herbalistas- 1.500 até cerca de 1580
Com o declínio das civilizações Grega e Romana, pouco progresso significativo foi feito na área da Botânica, e novos livros eram muito raros e mesmo assim amplamente baseados naqueles dos antigos gregos. Uma vez que a medicina medieval necessitava utilizar a obra dos primeiros herbalistas, várias ilustrações de Discórides foram copiadas e recopiadas pelos botânicos herbalistas medievais até tornarem quase totalmente diferentes das plantas originais, e assim tais ilustrações perderam a utilidade para identificações, mas o conhecimento das plantas medicinais foi levado adiante pela tradição (período das trevas). Durante a idade média, foi o interesse pelo uso de plantas medicinais que manteve a Botânica viva, e nesta época Herbalismo era virtualmente sinônimo de Botânica, e as plantas eram estudadas apenas em relação ao seu valor para o homem, particularmente como remédio e alimento. Com o Renascimento, muitos herbalistas do século XVI tiveram a colaboração de artistas que voltaram a desenhar plantas vivas. Assim muitos herbários como o de BRUNFELS (1530), L.FUCHS (1542), P.MATTIOLI (1544), W.TURNER (1551), entre outros, tornaram-se muito populares, mesmo quando seus autores copiavam o texto de Dióscorides, por apresentarem excelentes ilustrações. A invenção da imprensa na Europa permitiu que novos livros fossem produzidos em grande escala.
Em relação à classificação, os herbalistas fizeram muito pouco . A motivação destes botânicos era totalmente médica e comercial; os sistemas por si não eram o objetivo principal. Havia um \u201crespeito místico\u201d pelos escritos dos antigos. As poucas classificações propostas eram baseadas totalmente no hábito, como a de THEOPHRASTUS e MATTHIAS DE L'OBEL, que fez um sistema também baseado na forma de crescimento, considerando as plantas bulbosas ou rizomatosas, com folhas estreitas (monocotiledôneas) formas mais simples do que aquelas com hábito herbáceo, arbustivo ou arbóreo (dicotiledôneas), consideradas mais perfeitas.
Os primeiros Taxonomistas
Período de transição-1580 até cerca de 1760
2.1.2 - Sistemas Mecânicos
Uso de uma ou poucas características selecionadas para agrupar os taxa
Em torno do século XVII, as plantas começaram a ser o foco das atenções de muitos cientistas mais por seu interesse intrínseco do que por seu valor medicinal ou nutritivo. O objetivo principal