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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO 
CAMPUS DIADEMA 
CURSO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS 
 
 
 LARISSA CRUZ VIEIRA - 113.371 
LARISSA MORELLI SOFFO - 113.426 
STELLA HOFFMAN CÂMARA – 113.463 
VICTORIA DE SOUZA ALVES – 113.465 
 
 
 RELATÓRIO DE CAMPO 
 
Relatório apresentado como parte dos 
requisitos da Unidade Curricular Solos e 
Paisagens no curso de Ciências Ambientais. 
Docente: Prof. Dra. Sheila Furquim 
 
 
 
 
 
DIADEMA 
2017 
 
 
SUMÁRIO 
1 
1. Introdução……………………………………………………………………………...2 
2. Materiais e Métodos………………………………………………………………….12 
2.1. Localização da Área de estudo…………………………………………………..12 
2.2. Materiais…………………………………………………………………………14 
2.3. Métodos……………....……..…………………………………………...............14 
2.3.1. Cor……………….......………………………………………………………...14 
2.3.2. Estrutura do Solo…………………...………………………………………….16 
2.3.3. Textura ………………...,...................................................................................19 
2.3.4. Consistência……………...…………...…………...…………...……………....20 
2.3.5. Raízes ……………...…………...…………...…………...…………...………..22 
2.3.6. Fatores biológicos………………………..…………...…………...…………...23 
2.3.7. Transição entre os horizontes ………………...…………...…………...………23 
3. Resultados……………………………………………………………………………23 
3.1. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Perfil 1 - Argissolo 
Vermelho-amarelo…………………….…………...…………...…………...,.............24 
3.2. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Neossolo 
Quartzarênico…………...…………...…………...…………...…………...…………27 
3.3. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Perfil 3 - Latossolo 
Vermelho………………..…………...…………...…………...…………...…………30 
4. Discussão dos Resultados…………………………………………………………....32 
5. Conclusão…………………………………………………………………………....37 
Referências…………………………………………………………………….……….39 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
1. Introdução 
 
 Solo pode ser definido como material mineral ou orgânico inconsolidado 
imediatamente abaixo da superfície e que serve como meio natural para o crescimento de 
plantas terrestres, habitat para diversos organismos, recicla restos orgânicos propiciando a 
liberação de nutrientes, regula parte do ciclo hidrológico de bacias hidrográficas, purifica a 
água e é meio para construções de engenharia. Este material, durante o tempo, sofre influência 
de fatores pedogenéticos e ambientais, como clima, pressão e temperatura e, também, de macro 
e microrganismos, e é condicionado pelo relevo do local em que se encontra. O solo possui 
componentes principais, sendo eles a parte sólida (partículas reativas como argilominerais, 
óxidos e materiais orgânicos) e o ar e a água, que compõe a solução do solo (parte líquida), 
onde os íons chegam pelo intemperismo químico das rochas, pela decomposição do material 
orgânico e de fontes artificiais (como a utilização de fertilizantes inorgânicos e orgânicos) 
(Furquim, 2017; Lepsch, 2011). 
 O material de origem - rochas sob o solo - é a matéria bruta que origina a fração mineral 
do solo, portanto, quanto menos desenvolvido for o solo, mais parecido com a rocha de origem 
ele será. As propriedades físicas da rocha influenciam o grau de desenvolvimento do solo, 
incluindo fatores ambientais externos. Os solos podem também possuir variações não 
semelhantes à rocha embaixo deles. Desta forma, a classificação dos solos é realizada de acordo 
com o seu material de origem de duas maneiras: solos autóctones, idênticos à rocha sobre a 
qual foram desenvolvidos; e solos alóctones, diferentes da rocha sobre a qual se desenvolveram 
(Furquim, 2017; Lepsch, 2011). 
É possível catalogar os materiais de origem em quatro grupos distintos: materiais 
derivados de rochas originadas da consolidação de material vulcânico (magma), pelo 
metamorfismo deste ou de rochas sedimentares, onde as claras são ácidas, ricas em quartzo, 
como granito e gnaisses; e as escuras são básicas, pobres em sílicas como basalto; materiais 
derivados de rochas sedimentares consolidadas, como arenitos, ardósias, siltitos, argilitos e 
rochas calcárias, formando-se a partir da deposição e solidificação de sedimentos derivados de 
rochas ígneas e metamórficas; sedimentos inconsolidados mais recentes, de idade quaternária, 
tais como aluviões recentes, eólicos, colúvios e depósitos orgânicos; sedimentos 
inconsolidados mais antigos (quaternário e terciário) pseudo autóctones (pedissedimentos). O 
material de origem influencia na química do solo (Lepsch, 2011). 
O solo possui uma distinção em relação ao seu material de origem devida à ação de 
processos pedogenéticos: adição, que é todo o tipo de adição vinda do exterior, como água, 
3 
matéria orgânica, poeiras, aluviões, colúvios; perda (remoção), processos que removem 
matéria tanto da superfície quanto do interior, como por exemplo a erosão pela água ou vento 
que removem partículas sólidas e cátions adsorvidos no solos; translocação, deslocamento, 
selecionamento e mescla dentro ou sobre o solo, podendo resultar em maior ou menor 
diferenciação dos horizontes, envolvendo pequenas distâncias; e transformação, quando os 
constituintes do solos são alterados química ou fisicamente. Todos esses processos ocorrem 
sobre a matéria, nas condições ambiente de temperatura e pressão. O solo tem como limite 
superior da biosfera, limite interior a passagem gradual com a rocha ou manto de alteração e 
como limite lateral a passagem de um tipo de solo para outro (Lepsch, 2011). 
 Na imagem 1 estão esquematizados os fatores e processos pedogenéticos, ilustrando as 
relações entre estes, os processos e as propriedades. No topo estão expostos os principais 
fatores que formam o solo: clima, organismos, relevo, material de origem e o tempo (Lepsch, 
2011). 
Figura 1 - Esquema dos processos pedogenéticos mostrando relações entre fatores, 
processos de formação do solo e suas propriedades. 
 
Fonte: Elaboração própria adaptada de Lepsch, 2011. 
 
Os fatores de formação são controlados por vários fatores ambientais, sendo os cinco 
principais: clima, organismo, material de origem, relevo e a idade da superfície do 
terreno/tempo (Lepsch, 2011). 
Os organismos, como animais, microrganismos, vegetais superiores e o homem 
influenciam no processo de formação do solo. Os vegetais atuam de forma mais direta, pois a 
pressão exercida do no seu crescimento e a matéria orgânica que geram aceleram o processo 
4 
de intemperismo. A matéria orgânica se diferencia de acordo com a vegetação, gerando 
produtos húmicos diversos que acabam influenciando diretamente no processo de translocação 
nos perfis. As plantas influenciam também no processo de erosão, principalmente pelo 
crescimento de raízes, sejam elas de ocorrências naturais ou antrópicas (paisagísticas). Os 
animais, ao se movimentarem pelos solos, geram um processo de aeração, movimentando a 
própria matéria; esse processo é conhecido como bioturbação. Os seus dejetos também 
influenciam no processo de decomposição. O ser humano atua na formação do solo quando 
remove um tipo de vegetação, deixando o solo exposto à processos erosivos, ou até mesmo 
com a adição de corretivos, fertilizantes, resíduos urbanos e industriais. Além disso há um 
intenso uso do solo com técnicas de manejo para produção de alimentos (agropecuária) 
(Lepsch, 2011; Furquim, 2017). 
O clima é o principal fator que influencia a formação do solo, pois dependendo das 
condições climáticas, o intemperismo de rochas iguais pode formar tipos de solos distintos ou 
rochas distintas formarem solos semelhantes. Como o processo de intemperismo é mais 
favorecido em regiões com clima úmidas e quentes, devido a maior concentração de água e 
atividade dos microrganismos,os processos pedogenéticos são intensificados. Com a 
aceleração das reações biogeoquímicas pela alta temperatura, os minerais primários são mais 
intemperizados, isso ocasiona na presença de argilominerais do tipo 1:1, óxidos de ferro e 
alumínio, empobrecendo o solo dos cátions básicos, pois são mais móveis que outros cátions, 
por exemplo o alumínio, dessa maneira esses solos acabam possuindo um caráter ácido e sendo 
menos férteis para uso agrícola. Observando um cenário com características opostas como 
climas áridos e muito frio a atuação da água e dos microrganismos nesses solos será menor, 
possuindo mais argilominerais 2:1 e cátions básicos, porém a formação do solo será mais lenta, 
diminuindo significativamente suas profundidades (Lepsch, 2011; Furquim 2017). 
O tempo possui ligação direta com a espessura e desenvolvimento do solo. Conforme 
o tempo passa ocorre uma diferenciação do solum com os horizontes. Ao momento que a rocha 
é recém-exposta, ou o sedimento recém-depositado e entram em contato com a atmosfera, 
inicia-se o processo de intemperismo dos minerais primários que constituem a rocha originando 
formas mais estáveis, mantendo o equilíbrio nas novas condições ambientais (Figura 2). 
Quando os solos atingem o estado de equilíbrio, começam a tornar-se espessos, com horizontes 
bem definidos, refletindo as condições climáticas (Lepsch, 2011). 
 
 
5 
Figura 2 - Depois que a rocha é exposta na superfície (tempo zero), o solo começa a se 
formar, podendo passar, com o tempo, por vários estágios de desenvolvimento. 
 
Fonte: Lepsch, 2000. 
 
 
O relevo indica as diferenças perceptíveis no solo, essas diferenças são resultadas da 
desigualdade de distribuição pluviométrica, da energia solar, das temperaturas e da erosão no 
terreno. No momento da precipitação, as regiões localizadas em áreas mais baixas acabam 
acumulando mais água em relação às áreas mais altas. Nas áreas mais altas o processo de erosão 
se intensifica, devido aos fluxos superficiais acentuados, causando uma distinção nos solos 
originados nesses dois locais. Se determinada áreas possuem uma drenagem ruim o solo irá 
evoluir apenas por ação das reações químicas de redução que irão favorecer a solubilização dos 
óxidos de ferro e o acúmulo de matéria orgânico. O oposto ocorre em áreas com boa drenagem, 
já que o intemperismo químico é favorecido, a oxidação é acelerada e o solo torna-se mais 
desenvolvido. Exemplificando, em terrenos planos a formação do solo mais profundos tem 
relação também com os processos de morfogênese e pedogênese, mas em regiões montanhosas 
quando o solo começa a ser formado a água atua removendo-o, a velocidade de formação é 
igual ou menor que a de remoção, diminuindo a profundidade desses solos. A distribuição da 
energia solar recebida, principalmente em faces diferentes das montanhas, também é capaz de 
influenciar na formação do solo, portanto a face que recebe mais energia tende a ser mais seca 
e quente acaba tendo solos mais rasos e menos desenvolvidos que a face que recebe mais água 
e é mais fria (Lepsch, 2011). 
Os solos brasileiros possuem características muito variadas, pois existe uma ampla 
combinação de fatores climáticos, geomorfológicos, biológicos e geológicos, dada a grande 
extensão do país. As regiões podem possuir solos semelhantes ou muitos destoantes. No Brasil, 
a classificação dos solos é feita pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), 
sendo elaborado a partir dos níveis de hierarquia que relacionam os táxons (ordens, subordens 
e grande grupos). O primeiro nível, a ordem, que engloba 13 categorias: Organossolos, 
6 
Neossolos, Vertissolos, Espodossolos, Planossolos, Gleissolos, Latossolos, Chernossolos, 
Cambissolos, Plintossolos, Luvissolos, Nitossolos, Argissolos (Furquim, 2017). 
Os climas variam de equatoriais super úmidos aos tropicais semiáridos e subtropicais 
úmidos, sendo acompanhados de vegetação nativas. O Brasil também possui várias formações 
geológicas, ígneas, metamórficas e sedimentares sustentando vários tipos de relevos. 
Na região sudeste encontra-se uma grande variedade de solos, pois é uma zona de 
transição entre as regiões de clima semi árido e úmido, também pela diversidade de relevo, 
vegetação e material de origem. Existem quatro grandes regiões: região semiárida; faixa 
litorânea; área montanhosa, planaltos e serras; planaltos de origem sedimentar. A região 
semiárida possui nas áreas rebaixadas principalmente os Luvissolos Crômicos e os Argissolos 
Vermelhos Eutróficos, sendo pouco profundos, ricos em nutrientes e frequentemente 
apresentam uma camada de pedras e cascalhos à superfície. Em áreas com relevo mais elevado 
existem Neossolo Litólicos. Na faixa litorânea, nas areias da orla costeira, encontram-se 
Neossolo Quartzarênicos e Espodossolos, alternando com Gleissolos e Planossolos, nos deltas 
dos rios ocorrem Neossolos Flúvicos, na região das estreitas faixas de tabuleiros são mais 
comuns os Latossolos e Argissolos Amarelos. Nas áreas montanhosas predominam os 
Argissolos e Latossolos Vermelho-Amarelo, nas áreas serranas ocorre o predomínio de 
Neossolos Litólicos e Cambissolos. Na área geológica sedimentar, a presença é maior de 
Latossolos e Neossolos Quartzarênicos, já nas famosas terras roxas existem Latossolos e 
Nitossolos, também existindo solos mais férteis com horizonte B argilosos, chamados 
Argissolos Vermelho-Amarelo Eutróficos (Lepsch, 2011). 
A acidificação possui máxima expressão em regiões tropicais, pois a alta pluviosidade 
e temperatura favorecem as reações químicas do intemperismo. Nesse processo os cátions 
básicos são removidos dos pontos de troca e lixiviados para o lençol freático. Sendo assim, os 
solos brasileiros são predominantemente mais ácidos e pobres em cátions básicos, por sofrerem 
muito intemperismo devido à hidrólise total ou parcial pela ação da água das chuvas. A solução 
do solo contém mais íons hidrogênio (H+) do que hidroxilas (OH-). 
A saída de campo da unidade curricular Solos e Paisagens ocorrida no dia 10 de 
novembro de 2017 levou a classe para os municípios de São Pedro e Piracicaba, localizados no 
estado de São Paulo, a fim de descrever perfis de solo a partir da observação e da aplicação das 
técnicas descritas no Manual de Descrição de Solos no Campo (Santos et al., 2005) para 
identificá-los em classes específicas. 
7 
As formações geológicas que perpassam o percurso (saída de Diadema em direção à 
cidade de São Pedro pela Rodovia dos Bandeirantes) (Figura 3) são Planalto Atlântico, 
Depressão Periférica e Cuestas Basálticas (Figura 4). 
 
Figura 3 - Caminho percorrido na saída de campo. 
 
Fonte: Google Maps, 2017. 
 
Figura 4 - Divisão Geomorfológica do Estado de São Paulo 
 
 
Fonte: Almeida, 1964 
 
A Divisão Geomorfológica do Estado de São Paulo é feita da seguinte maneira 
(Almeida, 1964): 
8 
I - Planalto Atlântico: 700 - 1500 m; Período Pré-cambriano com presença de rochas 
ígneas, metamórficas. Presença de morros e morrotes de grande amplitude, topos estreitos, 
vertentes de alta declividade e possui muitas planícies aluvionares. 
II - Planície Costeira: Faixa litorânea onde predominam processos de sedimentação, 
além de escarpas da Serra do Mar. 
III - Depressão Periférica (Jundiaí): Zona rebaixada 400-600m; colinas de topos 
amplos, rochas sedimentares da Bacia do Paraná e vertentes mais declivosas. 
IV - Cuestas Basálticas (São Pedro): 900 - 1000m; Relevo assimétrico, lado da 
escarpa de alta declividade, lado vertente suave; presença de basalto confere resistência para a 
altitude apesar de serem bastante erodidos. 
V - Planalto Ocidental: 300 - 700m; Planalto arenítico-basáltico, com feição regular,não muito acidentado, sofrendo processos erosivos. 
 Em campo foram estudados 3 tipos de solos diferentes: Argissolo Vermelho-Amarelo, 
Neossolo Quartzarênico e Latossolo Vermelho (Figura 5). 
 
Figura 5 - Mapa pedológico do Estado de São Paulo 
 
Fonte: Instituto Agronômico, 2015. 
 
Os Argissolos são solos minerais que possuem uma nítida diferenciação entre os seus 
horizontes, possuindo especialmente um aumento, muitas vezes abrupto, do teor de argila de 
acordo com a profundidade. Podem ser arenosos, com textura média ou argilosos no horizonte 
mais superficial. Suas cores são mais fortes, podendo ser amarelas, brunadas ou avermelhadas, 
9 
aumentando a coesão, plasticidade e pegajosidade de acordo com a profundidade, por causa do 
maior teor de argila. Sua fertilidade irá variar de acordo com o material de origem. Possui 
também uma maior retenção de água nos horizontes abaixo da superfície, sendo possíveis 
reservatórios de água para as plantas. Os Argissolos Vermelhos e Vermelho-amarelo de textura 
arenosa/arenosa média, são encontrados por todo o estado de São Paulo, originados de diversos 
materiais. Esses solos são capazes de suportar vegetação de florestas, ocorrendo em condições 
de relevo desde relativamente suaves a mais ondulados, apresentando baixa susceptibilidade à 
erosão (EMBRAPA, 2017). 
Os Neossolos são solos “novos” com pouco desenvolvimento pedogenético, 
caracterizados ou por serem rasos ou pelo predomínio de areias quartzosas ou pela presença de 
camadas distintas herdadas dos materiais de origem. Possuem quatro categorias: Neossolos 
Litólicos ou Neossolos Regolíticos, com baixa profundidade; Neossolos Quartzarênicos, com 
baixa retenção de água; Neossolos Flúvicos, de elevada susceptibilidade à inundação. No 
estado de São Paulo são encontrados dois Neossolos distintos, o Quartzarênico e o Litólico. O 
Neossolo Quartzarênico, estudado neste trabalho, associado à vegetação de cerrado ou floresta 
estacional, em São Paulo, são desenvolvidos dos arenitos da Depressão Periférica e nas 
Cuestas. Eles ocorrem em relevos suaves, com baixa coesão, possuindo uma alta 
susceptibilidade à erosão. Em associação com sua elevada permeabilidade e muito baixa na 
retenção de água e de nutrientes, são considerados solos frágeis e tendem a nunca se 
desenvolverem por serem facilmente carreados (EMBRAPA, 2017). 
Os Latossolos são solos minerais, homogêneos, com pouca diferenciação entre os 
horizontes, possuindo uma cor quase que homogênea de acordo com a sua profundidade. São 
profundos, bem drenados e com baixa capacidade de troca de cátions, com textura média ou 
mais fina, argilosa ou muito argilosa, sendo predominantemente pouco férteis. Os Latossolos 
Vermelhos de textura argilosa ou muito argilosa, estudados neste trabalho, possuem um caráter 
férrico, e no estado de São Paulo podem ser encontrados em regiões de Cuestas, Depressão 
Periférica e no oeste do estado, nas calhas de drenagem de alguns rios, como Paranapanema e 
Tietê, desenvolvidos de rochas básicas (EMBRAPA, 2017). 
Para a análise de um solo, uma característica muito relevante é a morfologia, que é a 
descrição do solo em seu ambiente natural de acordo com propriedades detectadas pelos 
sentidos do tato e da visão. Com base na morfologia, diferenciamos os tipos de solo (Furquim, 
2017). 
A morfologia de um solo é atribuída com base em alguns parâmetros, conforme o 
Manual de Descrição e Coleta de Solo da EMBRAPA/SiBCS. Os parâmetros utilizados para 
10 
realizar uma análise de solo são: Cor, Estrutura, Consistência, Textura, Porosidade, presença 
de Raízes e Transição para o Horizonte Subjacente. Cada horizonte que compõe um solo possui 
morfologia diferente dos demais, e com a análise de cada horizonte individualmente, é possível 
obter uma visão geral de determinado solo em estudo (Furquim, 2017). 
 A Cor é um parâmetro de fácil visualização, mas deve ser atribuída conforme padrões 
estabelecidos na Carta de Munsell. As cores padronizadas neste documento são compostas de 
3 variáveis: o Matiz, o Valor e o Croma. Alguns fatores, entretanto, podem alterar a cor de uma 
amostra, como por exemplo a presença de água, que a escurece, a presença de Fe3+ ou Fe2+ e 
a presença de certos minerais (Furquim, 2017). 
 A Estrutura é o modo como as partículas de areia, silte e argila estão arranjadas em 
agregados ou torrões. Ela é atribuída a um solo com base em 3 fatores: Tipo, Tamanho e Grau 
de Desenvolvimento dos torrões (Furquim, 2017). 
 A Consistência diz respeito à propriedade do solo de ser deformado quando submetido 
a algum tipo de força ou pressão, dependendo da quantidade de água presente na amostra. Por 
isso, é uma propriedade que deve ser atribuída em 3 condições do solo: Seco, Úmido e 
Molhado. A Consistência Seca demonstra a resistência à ruptura do solo quando ele está seco, 
e pode ser de 6 tipos: Solto, Macio, Ligeiramente Duro, Duro, Muito Duro e Extremamente 
Duro. A Consistência Úmida demonstra a resistência à ruptura quando o solo possui um 
conteúdo de água, mas não está saturado, correspondendo a um padrão de friabilidade 
(capacidade de esfarelar) do solo quando comprimido entre o polegar e o indicador, também 
dividida em 6 tipos: Solto, Muito Friável, Friável, Firme, Muito Firme e Extremamente Firme. 
A Consistência Molhada demonstra a resistência do solo à ruptura quando ele se encontra 
saturado em água quanto à pegajosidade e plasticidade (capacidade do solo de ser moldado 
quando a ele, molhado, é aplicada alguma força). Quanto à pegajosidade, são 4 tipos: Não 
Pegajoso, Ligeiramente Pegajoso, Pegajoso e Muito Pegajoso. Quanto à plasticidade, também 
são 4 tipos: Não Plástico, Ligeiramente Plástico, Plástico e Muito Plástico (Furquim, 2017). 
A Textura diz respeito à proporção de areia, silte e argila no solo. As partículas com 
tamanho de 0,05 a 2 mm são areia, podendo ser Muito Fina, Fina, Média, Grossa e Muito 
Grossa; as com tamanho de 0,002 a 0,05mm são silte, podendo ser Fino e Grosso; e as menores 
que 0,002mm são argila. Os tipos de Textura são: Muito Argilosa (60% ou mais de argila), 
Argilosa (35% ou mais de argila), Arenosa (70% ou mais de areia e 15% ou menos de argila), 
Média (menos de 35% de argila e mais de 15% de areia) e Siltosa (65% ou mais de silte). 
11 
Conhecer a textura de um solo permite inferir a retenção de água neste solo e como ela se 
movimenta nele, além da capacidade de erosão deste solo (Furquim, 2017). 
A Porosidade indica o espaço existente entre os agregados e as partículas que compõem 
o solo. Os poros são classificados quanto ao tamanho e à quantidade. Os tamanhos são Muito 
Pequenos, Pequenos, Médios, Grandes e Muito Grandes. Com relação à quantidade, podem ser 
nenhum poro visível, poucos poros, poros comuns ou muitos poros (Furquim, 2017). 
Quanto às Raízes, foi observada a quantidade (se estivessem presentes) e o diâmetro 
dominante. Quanto à Transição para o Horizonte Subjacente, foi observado o grau ou nitidez e 
a forma ou topografia. 
 Sendo assim, a saída de campo teve como objetivo observar na prática os conceitos 
aprendidos em sala de aula e aplicar os métodos de identificação e classificação vistos 
anteriormente em laboratório para descrever e caracterizar perfis de solo a partir da 
interpretação dos dados obtidos. Os perfis estudados foram: Argissolo Vermelho-Amarelo, 
Neossolo Quartzarênico e Latossolo Vermelho. 
 
2. Materiais e Métodos 
 
2.1. Localização da Área de Estudo 
 
 O Argissolo Vermelho-Amarelo (Imagem 7) (L1) foi localizado nas coordenadas S 
22°44’24.6’’; W 047°43’19.5’’. O Neossolo (Imagem 8) (L2), nas coordenadas S 22º33’53.9’’; 
W 047º54’10.3’’. O Latossolo Vermelho-Amarelo (Imagem 9) (L3) S22°43'38.773''W47º33'6.829'' (Figura 6) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 - Localização das três áreas estudadas 
12 
 
Fonte: Google Earth, 2017. 
 
Figura 7 - Argissolo Vermelho - Amarelo; Figura 8 - Neossolo Quartzarênico; Figura 9 - 
Latossolo Vermelho 
 
Fonte: Acervo pessoal. 
 
2.2. Materiais 
 
● Enxada; 
● Trena; 
● Faca sem corte; 
● Bisnaga d’água; 
13 
● Carta de Munsell; 
● Manual de Descrição de Solos em Campo; 
● Sistema de Posicionamento Global (GPS); 
● Câmera fotográfica. 
 
 2.3. Métodos 
 
Para realizar os procedimentos em campo e caracterizar a morfologia dos 3 perfis de 
solo e de cada um dos seus horizontes que foram medidos com o auxílio de uma trena, 
utilizamos da visão e do tato, além das ferramentas citadas. Observou-se a cor, estrutura, 
consistência e a textura (SANTOS, 2005). 
Primeiramente, limpamos o solo a ser analisado com o auxílio de uma enxada. Assim 
que alcançamos a homogeneidade visual necessária, identificamos os horizontes visualmente, 
pela diferença de cores e, também, pela diferenciação textural com a ponta da faca, pela 
resistência que o horizonte apresentava ao ser perfurado, cada horizonte respondia à pressão de 
forma diferente, o que auxiliou na delimitação dos mesmos. 
 
2.3.1. Cor 
 
Para que pudéssemos identificar a cor de cada horizonte, foi necessário comparar um 
agregado retirado da amostra com as cores encontradas na escala padronizada da Carta de cores 
de Munsell. Neste procedimento foram anotadas as três variáveis: matiz, croma e valor de cada 
uma das análises para a classificação das cores a partir do seu nome (Figura 10). 
Figura 10 - Exemplo de uma página da carta de cores de Munsell para solos. Cada 
página corresponde a um matiz. 
 
Fonte: Santos, 2005. 
 
14 
O matiz é o nome da cor pura tendo como base o comprimento de onda dominante, no 
sistema de Munsell existem 10 matrizes fundamentais: 
1. Vermelho (R) 
2. Vermelho – Amarelo (YR) 
3. Amarelo (Y) 
4. Amarelo – Verde (GY) 
5. Verde (G) 
6. Verde – Azul (BG) 
7. Azul (B) 
8. Azul – Púrpura (PB) 
9. Púrpura (P) 
10. Púrpura – Vermelho (RP) 
 
Cada um desses matizes fundamentais são subdivididos em outras 4 categorias que são 
variações dessas cores (Tabela 1): 
 
Tabela 1 - Subdivisões das matrizes fundamentais. 
Vermelho 
(R) 
Vermelho - Amarelo 
(YR) 
Amarelo (Y) 
2.5R 2.5YR 2.5Y 
5R 5YR 5Y 
7.5R 7.5YR 7.5Y 
10R 10YR 10Y 
Fonte: Furquim, 2017. 
 
A segunda variável é o valor (value) que determina a tonalidade do matiz através da 
combinação entre branco e preto. A terceira e última é o croma (chroma) que determina pureza 
relativa e a saturação (SANTOS, 2005). 
A identificação das cores foi feita apenas para a cor seca, anotando-se primeiro o matiz, 
depois o valor e por fim o croma. 
15 
A partir do encontro dessas variáveis é possível determinar também pela cor do 
horizonte se ele possui concentração de matéria orgânica e ferro, quantidade de minerais claros 
e o seu grau de umidade. 
 
 
2.3.2. Estrutura do solo 
 
Os arranjos das partículas de silte, argila e areia são em agregados ou torrões. Esses 
agregados são ligados por substâncias orgânicas, óxidos de ferro e alumínio, carbonatos e 
argilominerais. As estruturas são catalogadas em cinco tipos: granular, laminar, blocos 
angulares ou subangulares, colunar ou prismática (Figura 11) (Santos, 2005) (Furquim, 2017). 
Figura 11 - Tipos de estrutura: a) laminar, ba) prismática, bb) colunar, ca) blocos 
angulares, cb) blocos subangulares e d) granular 
 
Fonte: Santos, 2005. 
O grau de desenvolvimento da estrutura determina as condições de coesão dentro e fora 
dos agregados (Santos, 2005); 
a) Sem estrutura ou peds: grãos simples – não coerente; maciça-coerente; 
b) Com estrutura: 
1. Fraca: as unidades são poucos frequentes em relação à terra solta; 
2. Moderada: as unidades estruturais são bem definidas e há pouco material solto. 
3. Forte: as unidades estruturais são separadas com facilidade e quase não se observa 
material de solo solta; 
Ao identificar a estrutura dos torrões e agregados é possível classificá-los de acordo 
com o seu tamanho (Figura 12) (Lepsch, 2011): 
 
16 
Figura 12 - Classificação dos tamanhos das estruturas 
 
Fonte: Lepsch, 2011. 
 
Em campo o tamanhos das estruturas foram definidos com o auxílio do Manual de 
descrição e coleta do solo no campo (Figuras 13 e 14): 
 
Figura 13 - Classificação dos tamanhos das estruturas colunar, prismática, blocos 
angulares e subangulares. 
 
Fonte: Santos, 2005. 
 
 
 
 
Figura 14 - Classificação do tamanho das estruturas granular e laminar. 
17 
 
Fonte: Santos, 2005. 
 
2.3.3. Textura 
 
Proporção de ar entre as partículas de diferentes tamanhos que compõe o solo 
(FURQUIM, 2017). As classes gerais são: 
1. Textura muito argilosa: 60% de argila 
2. Textura argilosa: 35% de argila 
3. Textura arenosa: 70% de areia, 15% de argila; 
4. Textura média: 35% de argila, 15% de areia; 
5. Textura siltosa: 65% de silte; 
 
Para determinar a textura foi necessário colocar um pouco de água em uma pequena 
amostra de cada horizonte, sem encharcá-la. Depois é preciso manipular a amostra com o 
auxílio de uma faca cega até que os agregados se dissolvam e a umidade se iguale em toda ela. 
Então, molda-se a amostra até formar um cilindro entre as mãos com a mesma espessura em 
seu todo. 
 
 
 
 
Figura 15 - Determinação da consistência molhada 
18 
 
Fonte: Acervo pessoal 
 
 Para determinar a textura: 
1. Cilindro não se forma: textura arenosa 
2. Cilindro de forma com dificuldade: textura arenosa 
3. Cilindro se forma: dobrar o cilindro para formar um U. Se dobrar sem rachar: 
muito argilosa (muito plástica e muito pegajosa); argilosa (plástica e pegajosa); 
siltosa (plástica e não pegajosa/sedosa, como talco); cilindro racha em maior ou 
menor grau: siltosa (plástica e não pegajosa; sedosa, como talco); textura média 
(ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa). 
A textura determina a retenção, movimento e disponibilidade de água; erodibilidade do 
solo; disponibilidade de nutrientes (FURQUIM, 2017). 
 
2.3.4. Consistência 
 
Essa característica é dada pela força de adesão e coesão que estão presentes nas 
partículas de solos e outras partículas ali existentes, o grau de umidade (amostra seca, úmida e 
molhada). Para analisar os torrões deve ser posicionado entre o dedo indicador e polegar e uma 
força ser aplicada até o seu desmanche (Figura 15) (FURQUIM, 2017). 
 
 
 
 
 
 
Figura 15 - Representação esquemática da tomada da consistência do solo. 
19 
 
Fonte: Santos, 2005. 
· Na sua consistência seca: 
1. Solto: não coerente entre o polegar e o indicador; 
2. Macio: quebra-se em material pulverizado sob pressão muito leve; 
3. Duro: dificilmente quebra entre o indicador e o polegar; 
4. Extremamente dura: a massa do solo é extremamente resistente. 
 
· Na sua consistência úmida: 
1. Solto: não coerente; 
2. Muito friável: rompe-se entre os dedos sob pressão muito leve; 
3. Friável: rompe-se entre os dedos sob pressão fraca; 
4. Firme: rompe-se sob pressão moderada entre o indicador e o polegar; 
5. Muito firma: rompe-se sob forte pressão, dificilmente esmagável entre o 
indicador e o polegar; 
6. Extremamente firme: rompe-se sob pressão muito forte, não é esmagada entre 
o polegar e o indicador. 
 
·Na sua consistência molhada: 
Essa medida corresponde a plasticidade e pegajosidade de uma massa de solo 
manipulada 
· Plasticidade: propriedade do solo de ser moldado sob ação de uma força (Figura 16): 
1. Não plástica: não pode ser moldado ou forma-se um fio frágil; 
2. Ligeiramente plástico: forma-se um fio, que se rompe facilmente; 
3. Plástico: forma-se um fio, que se rompe sob pressão moderada; 
4. Muito plástico: forma-se um fio, que se rompe sob muita pressão; 
 
 
Figura 16 - Representação esquemática da caracterização da plasticidade. 
20 
 
Fonte: Santos, 2005. 
 
· Pegajosidade: propriedade do solo de aderir outros objetos, entre o indicador e o 
polegar (Figura 17): 
1. Não pegajosa: sem aderência entre os dedos 
2. Ligeiramente pegajosa: solo adere a ambos os dedos, mas desprende-se de um 
deles facilmente. 
3. Pegajosa: solo adere a ambos os dedos e tende a alongar-se um pouco e romper-
se ao afastar os dedos 
4. Muito pegajoso: solo adere fortemente a ambos os dedos e alonga-se muito 
quando afastados. 
 
Figura 17 - Representação esquemática da caracterização de pegajosidade. 
 
 Fonte: Santos, 2005. 
 
2.3.5. Raízes 
 
A quantidade de raízes foi determinada de acordo com o diâmetro das raízes 
predominantes em cada horizonte, conforme: 
1. Muito finas (Ø < 1 mm); 
2. Finas (1 < Ø 2 mm); 
3. Médias (2 < Ø 5 mm); 
4. Muito grossas (Ø > 10 mm). 
21 
 Para tal, é preciso coletar pedaços de raízes nos diferentes horizontes a fim de compará-
las com os diâmetros apresentados no Manual de Campo utilizado. 
 
2.3.6. Fatores biológicos 
 
Em cada horizonte dos 3 perfis estudados foi observada a ação de organismos, como a 
presença de minhocas, cupins, formigas e outros tipos detritívoros, sendo anotado o local de 
máxima atividade e distribuição pelos horizontes. 
 
2.3.7. Transição entre os horizontes 
 
 A diferenciação entre os horizontes é feita relacionando os parâmetros de variação de 
cor, textura e estrutura. Confere-se na observação visual e tátil com o auxílio de faca cega e o 
exercício de pressão com a faca ao longo do perfil. Faz-se também uma linha central entre os 
horizontes adjacentes para compará-los quanto às suas semelhança e diferenças. A 
caracterização da transição dos horizontes é importante, pois indica a sua susceptibilidade à 
erosão, continuidade do sistema poroso, desenvolvimento do sistema radicular e práticas de 
controle da erosão. O grau de transição é indicado pelo grau (nitidez) e a topografia (cm) entre 
os horizontes do perfil, a partir de qual ponto pode ser observado um maior contraste entre as 
propriedades como cor, textura, estrutura. 
1. Abrupta: < 2,5 
2. Cara: 2,5 - 7,5 
3. Gradual: 7,5 - 12,5 
4. Difusa > 12,5 
 
Também é necessário indicar a forma de continuidade dos limites entre as camadas: 
1. Plana: paralela à superfície, com pouca ou nenhuma irregularidade; 
2. Ondulada: Sinuosa, com desníveis em relação a um plano horizontal mais largo 
que profungos; 
3. Irregular: com desníveis em relação a um plano horizontal mais profundo que 
largos; 
4. Descontínua: parte de um horizonte estão parcial ou completamente 
desconectadas de outras do mesmo horizonte. 
 
22 
3. Resultados 
 
As descrições a seguir foram feitas de acordo com o Manual de Descrição e Coleta de 
Solo no Campo (Embrapa, 2005). Primeiramente é realizada a descrição geral do perfil em 
tabela e, logo em seguida, são apresentadas as características obtidas em campo para cada 
horizonte analisado e identificado. 
 
3.1. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Perfil 1 - Argissolo 
Vermelho-amarelo 
 
Tabela 2 - Descrição geral do Perfil Argissolo Vermelho-Amarelo 
Perfil 1 Descrição geral 
Data 11/11/2017 
Classificação Argissolo Vermelho - Amarelo, com textura 
areno-argilosa, com relevo levemente 
declinado 
Localização Município de Piracicaba, Rodovia Samuel 
de Castro Alves, no Estado de São Paulo 
Coordenadas S 22°44’24,6’’; W 047°43’19.5’’ 
Situação, declividade e cobertura vegetal 
sobre o perfil 
Coletada em encosta de um pasto, e 
presença de capim para pastagem. 
Altitude (metros) 547 m 
Litologia Rochas cristalinas, ígneas e metamórficas 
Formação geológica Formação Serra Geral 
Período Pré-cambriano 
Material originário Rochas ígneas ou metamórficas 
Pedregosidade Pedregosa 
Rochosidade Não possui 
Relevo local Plano 
Relevo regional Suavemente ondulado a montanhoso 
Erosão Hídrica: muito suscetível (formação possível 
23 
de pipes) 
Drenagem Infiltração muito boa até horizonte B 
Vegetação primária Mata Atlântica 
Uso atual Pastagem 
Clima Quente e temperado 
Descrito e coletado por Larissa Cruz, Larissa Morelli, Stella 
Hoffman e Victoria Alves 
Fonte: Elaboração própria. 
 
A figura 18 abaixo representa a diferenciação de perfis realizada em campo. 
 
Figura 18 - Perfil de Argissolo Vermelho-amarelo 
 
Fonte: elaboração própria. 
Características obtidas por horizonte: 
A - 0 - 15 cm, Bruno-Avermelhado-Escuro (5YR, 3/2), areno-argiloso, estrutura 
granular de grau fraco com grãos muito pequenos, macio, muito friável, ligeiramente 
plástica e não pegajosa,; 
AE - 0 - 40 cm, Bruno (7.5YR, 4/3), arenoso, macio, muito friável, ligeiramente plástica 
e não pegajosa, sem estrutura, com grãos simples e não coerentes; 
E - 40 - 48 cm, Bruno (7.5YR, 5/4), arenoso, macio, friável, ligeiramente plástica e 
ligeiramente pegajosa, sem estrutura, com grãos simples e não coerentes; 
24 
EB - 48 - 60 cm, Bruno-Muito-Claro-Acinzentado (10YR, 7/4), arenoso, macio, muito 
friável, ligeiramente plástica e não pegajosa, sem estrutura, com grãos simples e não 
coerentes; 
B - 60 - 91 cm, Vermelho-Amarelado (5YR, 4/4), argiloso, extremamente dura, 
extremamente firme, plástica e muito pegajosa, estrutura em blocos angulares muito 
grandes. 
Tabela 3 - Resultados obtidos em campo para Perfil Argissolo Vermelho-Amarelo 
Perfil 1 Horizonte 
A 
Horizonte 
AE 
Horizonte 
 E 
Horizonte 
EB 
Horizonte 
B 
 
Cor 
 5YR, 3/2 7.5YR, 4/3 7.5YR, 5/4 10YR, 7/4 5YR, 4/4 
Inglês Dark reddish 
brown 
Brown Brown Very pale 
brown 
Yellowish Red 
 
Tradução Bruno-
Avermelhado-
Escuro 
 
Bruno Bruno Bruno-
Muito-Claro-
Acinzentado 
Vermelho-
Amarelado 
Fonte: elaboração própria. 
 
As raízes foram encontradas por quase todo o perfil estudado, porém foram mais 
frequentes no horizonte A, comuns no AE, poucas nos horizontes E e EB, e raras no horizonte 
B. O seu diâmetro varia entre muito finas (Ø < 1 mm) e finas (1 < Ø 2 mm). 
A atividade biológica foi extremamente presente nos horizontes A e AE, frequentes no 
horizonte E, e poucas nos horizontes EB e B. 
A transição entre os horizontes é abrupta de E para B e as linhas que separam os 
horizontes são onduladas. 
 
3.2. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Neossolo Quartzarênico 
Tabela 4 - Descrição geral do Neossolo Quartzarênico 
Perfil 2 Descrição geral 
Data 11/11/2017 
25 
Classificação Neossolo Quartzarênico 
Localização Município de São Pedro, Rua Águas de São 
Pedro, no Estado de São Paulo. 
Coordenadas S 22º33’53,9’’; W 047º54’10,3’’ 
Situação, declividade e cobertura vegetal 
sobre o perfil 
Coletado em uma encosta de estrada, 
presença de capim sem corte, claramente 
situado sob terra de aterro 
Altitude 550 metros 
Litologia Rochas sedimentares 
Formação geológica Formação Pirambóia 
Período MezosóicoMaterial originário Arenito 
Pedregosidade Não possui 
Rochosidade Não possui 
Relevo local Plano 
Relevo regional Plano, próximo às Cuestas de Botucatu 
Erosão Hídrica: Facilmente erodido 
Drenagem Alta 
Vegetação primária Mata Atlântica 
Uso atual Sem uso, beira de estrada 
Clima Quente e temperado 
Descrito e coletado por Larissa Cruz, Larissa Morelli, Stella 
Hoffman e Victoria Alves 
Fonte: elaboração própria. 
A figura 19 abaixo representa a diferenciação de perfis realizada em campo. 
 
 
 
 
 
 
26 
Figura 19 - Perfil de Neossolo Quartzarênico 
 
Fonte: elaboração própria. 
 
 
Características obtidas por horizonte: 
A - 0 - 7 cm, Bruno-Avermelhado (2.5YR, 4/4). arenoso, muito pequeno, estrutura 
granular com grau fraco, solto, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
AC - 7 - 15 cm Bruno-Avermelhado (2.5YR, 4/4), arenoso, muito pequeno, estrutura 
granular com grau fraco, solta, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
CA - 15 - 27 cm, Vermelho-Amarelado (5YR, 4/6), arenoso, muito pequeno, grau 
simples e não coerente, macio, friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
C1 - 27 - 42 cm, Bruno (7.5YR, 4/4), arenoso, muito pequeno, graus simples não 
coerentes, solta, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
C2 - 42 - 63 cm, Bruno Forte (7.5YR, 4/6), arenoso, muito pequeno, estrutura granular 
com grau fraco, solta, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
C3 - 63 - 83 cm, Vermelho-Amarelado (5YR, 4/6), arenosa, muito pequeno, estrutura 
granular com grau fraca, solta, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa; 
C4 - 82 - 93, Bruno (7.5YR, 4/4), arenosa, muito pequeno, estrutura granular com grau 
fraco, solta, muito friável, ligeiramente plástica e não pegajosa. 
 
 
27 
Tabela 5 - Cores obtidas em cada horizonte do Perfil 2 - Neossolo Quartzarênico 
Perfil 2 A AC CA C1 C2 C3 C4 
 
Cor 
 
 2.5YR, 4/4 2.5YR,4/4 5YR, 4/6 7.5YR, 4/4 7.5YR, 4/6 5YR, 4/6 7.5YR,4/4 
 Inglês Reddish 
Brown 
Reddish 
Brown 
Yellowish 
Red 
Brown Strong 
Brown 
Yellowis
h Red 
Brown 
Traduçã
o 
Bruno-
Avermelha
do 
Bruno-
Avermelh
ado 
 
Vermelho
-
Amarelad
o 
Bruno 
 
Bruno 
Forte 
Vermelho
-
Amarelad
o 
Bruno 
 
Fonte: elaboração própria. 
 
As raízes foram encontradas por quase todos os horizontes, devido ao perfil ter sido 
feito logo após a remoção de vegetação existente no local, porém ocorreu uma maior 
concentração nos horizontes A e AC o diâmetro predominante foi finas (1 < Ø 2 mm). 
A atividade biológica esteve presente em todo o perfil, ocorrendo principalmente a 
presença de formigas de diversos tamanhos. 
A transição entre os horizontes é plana e gradual. 
 
3.3. Descrição morfológica dos resultados encontrados no Perfil 3 - Latossolo 
Vermelho 
Tabela 6 - Descrição Geral do Latossolo Vermelho 
Perfil 3 Descrição geral 
Data 11/11/2017 
Classificação Latossolo Vermelho 
Localização Município de Piracicaba, Rodovia Luiz 
Queiroz, no Estado de São Paulo 
Coordenadas S22°43'38.773'' W47º33'6.829'’ 
Situação, declividade e cobertura vegetal 
sobre o perfil 
Descrito e coletado em um barranco de corte 
de estrada, com vegetação de matas 
28 
Altitude 530 metros 
Litologia Rochas cristalinas, ígneas e metamórficas 
Formação geológica Formação Serra Geral 
Período Mesozóica Cretáceo 
Material originário Basalto 
Pedregosidade Pedregosa 
Rochosidade Não possui 
Relevo local Plano 
Relevo regional Plano 
Erosão Hídrica: superficial baixa 
Drenagem Alta 
Vegetação primária Mata Atlântica 
Uso atual Sem uso 
Clima Quente e temperado 
Descrito e coletado por Larissa Cruz, Larissa Morelli, Stella 
Hoffman e Victoria Alves 
Fonte: Elaboração própria 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
A figura 20 abaixo representa a diferenciação de perfis realizada em campo. 
 
Figura 20 - Perfil de Latossolo Vermelho 
 
Fonte: elaboração própria. 
Características obtidas por horizonte: 
A1 - 0 - 17 cm, Vermelho-Escuro-Acinzentado (10YR, 3/4), argilosa, subangular, com 
grau fraco, muito grande, ligeiramente dura, muito friável, muito plástica e muito 
pegajosa. 
Bw - 17 - 98 cm, Vermelho escuro (2/5YR, 3/6), muito argilosa, angular, grau fraco, 
muito grande, ligeiramente dura, muito friável, muito plástica e muito pegajosa. 
 
Tabela 7 - Resultados obtidos em campo para Perfil Latossolo Vermelho 
Perfil 3 Horizonte A Horizonte Bw 
 
 
Cor 
 10YR, 3/4 2/5YR, 3/6 
Inglês Dusty Red Dark Red 
Tradução Vermelho-Escuro-Acinzentado Vermelho escuro 
Fonte: elaboração própria. 
 
30 
As raízes desse perfil foram encontradas nos dois horizontes, porém sendo mais comum 
no horizonte A, possuindo o diâmetro na classificação muito finas (Ø < 1 mm). 
A atividade biológica esteve presente nos dois horizontes, sendo observada uma grande 
quantidade de formigas no horizonte A e alguns insetos voadores; no horizonte Bw a presença 
foi mais rara. 
A transição entre os horizontes é difusa e plana. 
 
4. Discussão dos resultados 
 
 Os Argissolos são o segundo tipo de solo mais extenso do Brasil (ficam atrás apenas 
dos latossolos. Ao contrário da típica homogeneidade do Latossolo, o Argissolo, que abrange 
cerca de 19,8% do território brasileiro. Solos bem intemperizados e apresentam um horizonte 
B com acúmulo de argila. São definidos por possuírem um horizonte B textural imediatamente 
abaixo do A ou E. Possui caracteristicas bem heterogêneas: muito profundos ou muito rasos, 
com alta ou baixa saturação de bases, arenosos ou argilosos em superfícies e as transições de 
textura podem ser graduais ou abruptas (dobrando os teores de argila em distâncias verticais 
relativamente pequenas) entre os horizontes E e B com espessura mediana (0,5 a 1,5). As 
estruturas dos seus agregados podem varias de blocos subangulares moderado a fortemente 
desenvolvidos, apresentando revestimento de argila (cerosidade). O relevo de origem pode ser 
muito variável, desde montanhoso ao suave ondulado. 
Esses solos são quimicamente pobre, devido a sua heterogeneidade apresentando 
grande variação no domínio de partículas de argila com alta capacidade de troca, tendo o 
predomínio de argilominerais 2:1 e matéria orgânica na sua composição, ou domínio de argila 
com baixa capacidade de troca, existem na composição argilominerais 1:1 e óxidos. Devido a 
alta concentração de alumínio trivalente adsorvido nesses solos ocorre também um caráter 
álico, indicando uma saturação desse cátion maior ou igual a 50%. 
 O Argissolo possui quatro subordens que são definidas pela sua cor: Argissolos 
Vermelhos, Argissolos Vermelho- Amarelo, Argissolo Amarelo e Argissolo Acinzentado. 
 Os Argissolos Vermelho-Amarelo podem ser: alíticos, com baixa fertilidade, teores 
muito elevado de alumínio, isso afeta diretamente no desenvolvimento das raízes, atividade de 
argila igual ou maior do que 20 Cmolc/kg de argila; alumínicos, o teores extremamente elevados 
de alumínio, afetando as raízes, atividade de argila melhor que 20 Cmolc/kg; Ta Distrófico 
(baixa saturação por bases no complexo de troca, domínio de H+ e Al3+) alta atividade de 
31 
argila e baixa fertilidade, carência de macronutrientes, muito lixiviado; Distróficos, baixa 
fertilidade; Eutrófico, (alta saturação por bases no complexo de troca) alta fertilidade, por 
possuir os macronutrientes necessários para a plantas e pouco lixiviado (EMBRAPA, 2017). 
 O Argissolo Vermelho-Amareloestudado está localizado no município de Piracicaba. 
O afloramento estudado tem como origem rochas areníticas da Formação Serra Geral. O local 
possui clima temperado e úmido, com temperaturas médias ao longo do ano de 20,8ºC e 
pluviosidade de 1255 mm. Pela concentração de chuva elevada no local pode-se inferir que 
existe grande atuação do intemperismo, principal responsável pelos processos pedogéneticos, 
princalmente no horizonte B. Devido a existência de um horizonte de perda de argila alguns 
processos atuando nesses solos são mais acentuados, como a Eluviação: processo de saída de 
argila de um horizonte superior para a formação de um horizonte B. A Iluviação atuando na 
recuperação ou acúmulo da matéria movida no processo de eluviação. O processo de 
podzolização predomina, pois ocorre a translocação de argila e de compostos organo-minerais 
de horizontes mais superficiais para o Horizonte Bt (Furquim, 2017). 
No perfil de Argissolo estudado é possível determinar um horizonte A com muita 
matéria orgânica devido a sua coloração, possuindo também muito atividade biológica com a 
existência de formigueiros. Durante a observação dos outros horizontes, foi notado a 
diminuição do tom acinzentado amarronzado dos horizontes mais superficiais, e crescente no 
tom mais avermelhado nos horizontes subjacentes. Ao realizar o teste de textura na ponta da 
faca foi possível notar um aumento abrupto da resistência, indicando um aumento na argila no 
horizonte B em relação aos horizontes superiores. Existe presença de argila e caulinita nesse 
perfil. A caulinita é um tipo de argilomineral 1:1, dessa forma é possível inferir a existência de 
cargas variáveis, que possuem a capacidade de aumentar ou diminuir com o pH do meio, tendo 
disponibilidade de cargas negativas ou positivas na superfície externa. Porém esse solo também 
possui a presença de óxidos de ferro, sendo eles sólidos ativos que favorecem a presença de 
cargas positivas no solo, com o domínio dessas cargas, durante o processo de lixiviação é 
possível uma troca entre com o H+ e o cátion adsorvido, podendo gerar um aumento da 
concentração de H+, causando uma diminuição do pH, tornando-o ácido. 
 O Argissolo possui alguns pontos positivos: possui boa irrigação, pois tem alta 
velocidade de infiltração da água nos horizontes A e E devido ao alto teor de argila encontrada 
no horizonte B, ou seja, torna-se um bom retentor de água. Os seus pontos negativos estão na 
sua idade, que por terem sido muito intemperizados acabam por possuir baixa fertilidade e alta 
susceptibilidade de erosão, que é facilmente perceptível pela presença de pipes no local, assim 
32 
como a comparação da análise do perfil de um ano para outro, que ficou mais exposto durante 
esse tempo. 
Sendo assim, para que se possa utilizar esse tipo de solo, as técnicas a serem utilizadas 
devem ser: calagem, que é feita através da aplicação do calcário para elevar os teores de cálcio 
e magnésio e neutralizar o alumínio trivalente, que é tóxico para as plantas, virando a correção 
do pH. A adubação, visando recuperar a fertilidade, repondo a carência de macronutrientes 
essenciais para as plantas, que pode ser feita por meio de adubos, fertilizante ou biofertilizantes, 
esse processo pode ser mineral ou orgânico. O processo de subsolagem, que quebra a estrutura 
superficial do solo que encontra-se compactado, podendo ser mecânica ou manual, ou através 
da introdução de minhocas, visando a facilitação do desenvolvimento das raízes nas camadas 
mais profundas. Outra técnica que pode ser utilizada é a drenagem, que busca remover o 
acúmulo de água dos horizontes com o auxílio de tubos e canais. Com a utilização de algumas 
dessas técnicas o solo torna-se propício para a agricultura. 
 Os Neossolos são solos novos. Ocupam no Brasil cerca de 14,7% do território. São 
pouquíssimo desenvolvidos e não possuem horizonte B, estando o horizonte A geralmente 
sobre o C. Não possuem horizontes subsuperficiais com evidente atuação de processos 
pedogéneticos. Estes solos podem ser rasos ou profundos (Furquim, 2017). São compostos por 
material mineral ou orgânico pouco espessos, sendo a visualização dos horizontes bastante 
dificultada. Este tipo de solo apresenta semelhança com o material de origem e, dada sua baixa 
evolução, não é possível reconhecer um horizonte diagnóstico. Podem apresentar alta ou baixa 
saturação por bases, sendo eutróficos ou distróficos, respectivamente. A permeabilidade varia, 
podendo ir de alta a baixa. O material de origem pode variar, sendo desde sedimentos aluviais 
a decomposição de rochas cristalinas (EMBRAPA, 2017). 
Os Neossolos eutróficos espessos e em áreas planas possuem grande potencial agrícola, 
enquanto que os distróficos ou ácidos precisam de adubação ou calagem para correção da 
acidez para que sejam produtivos em relação à atividade agrícola. Neossolos arenosos também 
não são muito produtivos, pois possuem baixa retenção de água. Em relevos com muitas 
declividades, os Neossolos são limitados ao uso agrícola pois são muito suscetíveis a processos 
erosivos (EMBRAPA, 2017). 
Os Neossolos Quartzarênicos ocorrem em relevos planos ou ondulados suaves, e 
apresentam textura arenosa e horizonte A um pouco mais escuro que os demais horizontes. 
Não sofrem muita erosão dado o tipo de relevo em que ocorrem, mas podem sofrer erosão 
devida à textura arenosa. Essa textura também prejudica a retenção de água, o que favorece a 
lixiviação, resultando em teores de nutrientes muito baixos (EMBRAPA, 2017). São solos 
33 
profundos, que ocorrem sobre arenitos e quartzitos (Furquim, 2017), sendo solos originados de 
depósitos arenosos e constituídos de grãos de quartzo, e praticamente não possuem minerais 
primários tornando-os pouco resistentes ao intemperismo (EMBRAPA, 2017). 
O Neossolo Quartzarênico estudado no município de São Pedro/SP era localizado bem 
próximo às Cuestas Basálticas. Neste município, o clima é quente e temperado, com 
temperatura média anual de 20.6°C e 1298 mm de pluviosidade média anual. Este solo pertence 
à Formação Pirambóia, na Unidade Litoestratigráfica da Bacia do Paraná, sendo esta formação 
composta por arenitos. Portanto, este solo ocorre sobre arenito. A visualização dos horizontes 
foi muito difícil, pois pela caracterização visual, os horizontes são semelhantes. Assim, a 
identificação foi feita a partir de furos feitos com a faca sem corte. A mudança textural não é 
abrupta, já que todos os horizontes são arenosos. Apresenta raízes finas a médias, já que não é 
um tipo de solo muito nutritivo para plantas de grande porte com raízes robustas. A atividade 
biológica é mais limitada ao horizonte A e ao horizonte subjacente. Como solo arenoso, possui 
baixa CTC (capacidade de troca catiônica), o que implica num solo mais ácido e, portanto, 
menos fértil. Dada a textura arenosa, também perde muita água e sofre com processos de 
lixiviação, se tornando um solo pobre em nutrientes (EMBRAPA, 2017). Dadas essas 
características de acidez e pobreza em nutrientes, para que Neossolo Quartzarênico se torne 
produtivo do ponto de vista agrícola, ele deverá receber irrigação para resolver o problema com 
a água, adubagem (N, P, K) e calagem para resolver os problemas com a falta de nutrientes e 
com a acidez (EMBRAPA, 2017). 
 Os Latossolos são o tipo de solo com mais abundância na distribuição pelo Brasil, cerca 
de 38,5%, 300 milhões de hectares, sendo um quarto dos Latossolos do mundo. São 
classificados em quatro tipos: Brunos, Amarelos, Vermelho Amarelo e Vermelho. A subordem 
Vermelha é muito encontrada em regiões de cerrado, tendo duas classes de Latossolos 
Roxo/Eutroférrico (terras roxas) e o Latossolo Vermelho-Escuro, a terra roxa a exceção de altafertilizada encontrada nos Latossolos. 
É um solo muito bem intemperizado e desenvolvido, possui pequena diferenciação 
entre os seus horizontes, não tendo horizonte de perda. São extremamente homogêneos e a sua 
diferenciação de cor e textura são pouco nítidas, possuem classificação pelo SiBCS como solos 
que possuem o horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer horizonte diagnóstico 
superficial, com exceção do horizonte hístico. Tem o desenvolvimento em regiões tropicais 
quentes e úmidas e os processos de dessilicatização e bioturbação estão relacionados com o seu 
desenvolvimento. O processo de latossolização ocorre quando existem condições extremas de 
intemperismo, altas temperaturas e altos índices de precipitação. A hidrólise acaba atuando de 
34 
forma direta na ruptura de mineral pela entrada de íons H+ na estrutura cristalina, liberando 
íons, Na+, Ca2+ e K+, por exemplo, que antes estavam presos nos minerais primários, as 
rochas de origem. 
Os perfis típicos de Latossolo apresentam um horizonte A pouco espesso, com uma 
transição difusa para o Bw latossólico muito mais espesso, com no mínimo de 50 cm, que pode 
ser considerado friável, com alta porosidade e coloração extremamente avermelhada, 
alaranjada e amarelada. Sua textura pode variar de médio a muito argilosa, composta por 
agregados subangulares, fracamente desenvolvidos que se desfazem facilmente em “pó de 
café”. Devido a sua compactação, é promovida uma alta porosidade, por conter espaços grandes 
entre seus poros. Pelo processo de intemperismo, minerais primários são transformados com a 
conseqüente remoção de sílica e bases no perfil, representando a gênese conhecida como 
latossolização, típica da classe dos Latossolos. 
Devido a grande atuação da lixiviação, latossolos são solos ácidos, com pH menores de 
5,0, que apresentam baixa capacidade de troca de cátions, sempre menor que 17 cmolc/kg, com 
saturação de bases muito baixa, como Ca2+, K+, Mg+ e Na+, os minerais facilmente 
intemperizáveis, como a fração de silte, encontram-se em menor concentração ou são 
inexistentes. Em sua fração de areia é predominante o quartzo, na argila a caulinita revestida 
com quantidades variáveis de óxidos de ferro e/ou alumínio, esses são os produtos residuais, 
pois são menos solúveis na atuação do intemperismo. As argilas cauliníticas revestidas em 
óxidos de ferro são grandes pela coloração e a microagregação, ou seja, possui microagregados 
que não deformam facilmente tornando-o resistente à erosão. 
 O local de desenvolvimento do Latossolo Vermelho estudado foi a Depressão Periférica 
existente no Estado de São Paulo, no município de Piracicaba, SP, possuindo um relevo 
ligeiramente plano a ondulado, aumentando a susceptibilidade à infiltração de água. O local 
possui clima temperado e úmido, com temperaturas médias ao longo do ano de 20,8ºC e 
pluviosidade de 1255 mm. Pela alta concentração de chuva no local pode-se inferir que existe 
grande atuação do intemperismo, responsável pelos processos pedogéneticos, princalmente no 
horizonte B. Na região de Piracicaba o afloramento estudado tem como origem rochas 
basálticas, na cuesta basáltica de Botucatu, na Formação da Serra Geral. 
 Muitos dos Latossolos são pobres nos nutrientes para os vegetais, sendo a concentração 
de raízes encontradas baixa, comum no horizonte mais superficial e finas, pois apresentam 
uma predominância de Al3+ e H+ adsorvidos no solo e de cargas positivas devido à presença 
de óxidos de ferro, principalmente hematita e goethita, tais fatores aumentam o pH, tornando 
35 
inviáveis para o desenvolvimento da maioria das plantas e microrganismos. Como é um solo 
de ampla distribuição no Brasil, e com uma fertilidade física acentuada, devido ao seu poder 
de fixação da vegetação, profundidade, boa infiltração da água, possui baixa declividade, por 
isso é menos suscetível ao processo de erosão. O fato de serem friáveis e de fácil preparo, são 
pontos positivos para utilização agrícola, porém devido às características químicas citadas 
anteriormente, torna-se necessária a aplicação de tecnologias para a correção da acidez do solo, 
como rocha calcária moída e adubação, por possuir uma baixa capacidade de troca catiônica as 
quantidades de calcário necessárias para a correção da sua acidez são baixas, pois o alumínio 
é trocado pelo cálcio e magnésio. Outra técnica de manejo que pode ser utilizada para os 
latossolo é mantê-los cobertos durante o período de chuva, para que o processo de 
intemperismo não atue retirando todo os cátions básicos que foram introduzidos pelas outras 
técnicas de manejo citadas acima. 
. 
5. Conclusão 
 
 O trabalho de campo contribuiu para a aplicação das técnicas de análises morfológicas 
aprendidas em aula como cor, textura, estrutura, consistência, concentração de raízes e fatores 
biológicos, compreendendo também os processos pedogéneticos atuantes nos solos. 
Estudando três solos brasileiros de ampla distribuição pelo território: Argissolo 
Vermelho-Amarelo, Neossolo Quartzarênico e Latossolo Vermelho, foi possível determinar 
suas características químicas e físicas, a atuação do relevo, da litoestratigrafia e geomorfologia 
que influenciam na formação desses tipos de solos. Por serem solos com predominância de 
caráter ácido, concentração de argila e óxidos de ferro, com atuação da lixiviação e erosão, 
pudemos inferir as melhores técnicas de manejo para cada tipo de solo, quais usos seriam mais 
proveitosos e quais cuidados tomar para que eles se tornem produtivos. Além disso, adquirimos 
conhecimento sobre um fator muito importante nos ambientes, que é o solo. Estes 
conhecimentos podem ser aplicados na agricultura e em vários ramos da engenharia. 
 Finalmente, é possível concluir que a saída de campo aqui relatada, bem como a UC 
Solos e Paisagens em sua totalidade, é de vital importância dentro do Curso de Ciências 
Ambientais, pois é por meio dela que entendemos diversos processos pedogenéticos e 
geológicos e, futuramente, em trabalhos ligados à consultoria e Estudo de Impacto Ambiental, 
o conteúdo desta UC nos ajudará a exercer o ofício de cientista ambiental. 
 
Referências 
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37 
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