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207Leonardo Avritzer | Fátima Anastasia [org.] Orçamento Público no Brasil Democrático Paulo Calmon O orçamento público é o documento que consolida as estimativas das receitas e des- pesas do governo. Nesse sentido, o orça- mento pode ser considerado como um plano que orienta as decisões do governo sobre mobilização e o destino a ser dado aos re- cursos a serem extraídos da sociedade. O orçamento público resolve um proble- ma recorrente no governo, isto é, a definição do perfil de alocação de seus recursos. Pro- blemas recorrentes no governo tendem a gerar soluções institucionalizadas. Esse pro- cesso institucionalizado de alocação de re- cursos públicos é chamado de “processo orçamentário”. Cabe enfatizar que além da fase de elaboração das estimativas de re- ceitas e despesas, o processo orçamentá- rio inclui também as fases de execução e avaliação da alocação desses recursos. O estudo da evolução dos processos orça- mentários não é tarefa simples. Ele vai além da análise centrada apenas na evolução das técnicas de gestão das finanças públicas. Isso porque o processo orçamentário revela muito sobre a natureza do Estado e do regime político existente. Algumas das perguntas mais interessantes desse estudo dizem res- peito à evolução das regras que regem as diferentes formas de organização desse pro- cesso. Esse conjunto de regras é também chamado de “estrutura de governança” do processo orçamentário. As características gerais da estrutura de governança do pro- cesso orçamentário são normalmente espe- cificadas na Constituição de um país, sendo posteriormente complementadas por um conjunto de normas adicionais. A estrutura de governança do processo orçamentário tem várias funções, das quais se destacam: a) a definição das arenas Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30207 M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce 208 decisórias; b) a certificação dos atores que participarão dessas arenas; e c) a estrutura- ção das normas e procedimentos que orien- tarão a negociação entre esses atores. Os processos orçamentários têm um papel muito importante na sociedade. Em última instância, eles geram decisões que irão definir os ganhadores e perdedores da ação do Estado. Não é por acaso que al- gumas das grandes revoluções na história tiveram, entre suas principais causas, o descontentamento com os tributos e o perfil do gasto público. Como bem afirmou Joseph Schumpeter, um dos grandes pensadores do século XX e pai da sociologia fiscal, O espírito de um povo, seu nível cultural, sua estrutura social, o resultado das suas políticas — tudo isso e muito mais está re- fletido em sua história fiscal, desnudada de todas as frases. Aquele que consegue ouvir sua mensagem é também capaz de discernir, com maior clareza, os trovões da história. Considere, por exemplo, as duas diferen- tes origens da palavra que usualmente é uti- lizada para denominar o “orçamento público” e como estas refletem, em grande medida, diferentes percepções do que deveria ser a estrutura de governança do processo orça- mentário. Na língua portuguesa, a palavra “orçar” é um termo originalmente relacionado à tentativa de direcionar uma embarcação, estimando onde se encontra a linha do vento. Nesse sentido, orçar é uma atividade voltada para a resolução de um problema técnico. No entanto, em grande parte dos países europeus o termo mais utilizado para se refe- rir ao orçamento público é a palavra budget. Trata-se de palavra com origem curiosa: budget era a pasta de couro que o Chanceler do Erário inglês levava ao Parlamento con- tendo a estimativa das receitas e despesas do Rei. O Parlamento então requeria que o Chanceler “abrisse sua pasta” (open the budget) revelando as intenções do Rei e sub- metendo-as ao crivo dos representantes elei- tos pelo povo. A prática de submeter o orçamento público ao Legislativo prevaleceu na Inglaterra desde o início do século 13. Ela se fundamentava no princípio de que sem representação não haveria taxação. Esse princípio se consolidou e passou a estabe- lecer um dos pilares dos sistemas políticos de vários outros países. O orçamento enten- dido como budget é fundamentalmente um ato de natureza política, refletindo a natureza e a dinâmica das instituições democráticas nesses países. E no Brasil? Que estrutura de governança é adotada no processo orçamentário brasi- leiro? Como essa estrutura evoluiu ao longo do tempo? Qual a relação entre a evolução do processo orçamentário e a trajetória da democracia representativa no país? O processo orçamentário no Brasil tem peculiaridades que estão diretamente rela- cionadas à sua estrutura social, econômica e política. Primeiramente, há que se consi- derar a evolução do Estado e como ela afe- tou a capacidade de programar e controlar as finanças do governo. Ao longo dos anos, o setor público brasileiro foi se tornando maior e mais complexo. Em função disso, os con- flitos dentro do Estado se multiplicaram e tornou-se cada vez mais difícil estabelecer mecanismos eficazes para a coordenação da ação pública. Apesar dos avanços nas tecnologias de gestão do setor público, a tarefa de elaborar e executar o orçamento é hoje muito mais difícil e complexa do que era há décadas. Em segundo lugar, mas igualmente im- portante, há que se considerar também as condições socioeconômicas do país. O Bra- sil é um país em desenvolvimento cujo pro- cesso de crescimento foi marcado pela geração de externalidades sociais importan- tes que aprofundaram um perfil desigual de distribuição de renda e riqueza, somado a uma trajetória da atividade produtiva caracte- rizada por períodos de grande instabilidade macroeconômica. Tais condições impõem ao governo uma enorme pressão. Há sempre a expectativa de que este seja capaz de preco- nizar e implementar ações que resolvam os problemas sociais e econômicos do país. Essas pressões afetam as condições de governa- bilidade democrática e criam constante incer- teza na gestão dos recursos públicos. Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30208 M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce 209Leonardo Avritzer | Fátima Anastasia [org.] Finalmente, pode-se examinar as parti- cularidades da trajetória do sistema político e como estas reverberaram na evolução da estrutura de governança do orçamento pú- blico. De maneira geral, pode-se constatar a existência de um movimento pendular nessa estrutura, cuja dinâmica é regida pela tenta- tiva de elevar a participação do Legislativo nas decisões sobre alocação de recursos e pelas frustrações que esse processo gerou, resultando em um movimento oposto, de centralização de poder no âmbito do Execu- tivo. No entanto, o que se constata é que esse movimento pendular afetou mais os aspectos instrumentais da estrutura de go- vernança do processo orçamentário do que sua substância. Em outras palavras, o processo de cons- trução da estrutura de governança do pro- cesso orçamentário tem ocorrido em dois níveis. Em um primeiro nível, que define a distribuição de poder decisório entre o Exe- cutivo e o Legislativo, há um movimento pen- dular que reflete a trajetória do sistema político brasileiro. Em um segundo nível, há restrições de caráter estrutural, associadas à dinâmica do Estado brasileiro e à evolu- ção da democracia no país. Nesse segundo nível manifesta-se, de forma consistente ao longo do tempo, a existência de um profundo hiato de capacidade no setor público, eviden- ciando as dificuldades enfrentadas pelo Es- tado brasileiro em mobilizar e programar recursos, assim como em coordenar, con- trolar e avaliar adequadamente suas ações no sentido de atender às expectativas e de- mandas da sociedade. Se considerarmos apenas o primeiro nível, isto é, o movimento pendular de concentração ou desconcentraçãodo poder decisório, nota-se que ele ocorre de maneira não harmô- nica. De forma muito sumária, poderíamos destacar os seguintes marcos principais nesse movimento: • A aprovação das Constituições de 1824 e 1891, que estruturam o processo orçamen- tário brasileiro, dando papel de destaque ao Legislativo, mas concedendo ao Ministério da Fazenda a iniciativa de elaborar a proposta orçamentária. • O veto presidencial à proposta orçamentá- ria aprovada pelo Legislativo em 1922, em função do uso abusivo das emendas parla- mentares, no episódio que marcaria o fim das chamadas “caudas orçamentárias” e se constitui na primeira tentativa de disciplinar sistematicamente a intervenção do Legislativo em matéria orçamentária. • A tentativa de concentrar o poder decisório nas mãos do Executivo ao longo do Estado Novo e a iniciativa frustrada de transferir a função de elaborar o orçamento do Ministé- rio da Fazenda para o DASP. • A recuperação da influência do Legislativo no período de vigência da Constituição de 1946 e as dificuldades de ordenar o proces- so orçamentário em função da sucessão de conflitos envolvendo partidos políticos, con- gressistas e burocratas. • A reforma orçamentária instaurada pela Constituição de 1967 e a Emenda 01/69, que preconizava um papel meramente cerimo- nial ao Legislativo, estabelecia a Comissão Mista de Orçamento, com poder terminativo para aprovar o orçamento e criava o orça- mento plurianual de investimentos (OPI). Pa- ralelamente, se transferiu para Secretaria de Planejamento da Presidência da República, hoje Ministério do Orçamento, Planejamento e Gestão a responsabilidade de elaborar a proposta orçamentária. De maneira geral, a centralização preco- nizada pela reforma orçamentária de 1967 teve pouco sucesso. Na verdade, as esti- mativas contidas na dobradinha formada pelo Orçamento Geral da União e pelo OPI se tornavam rapidamente obsoletas em fun- ção das altas taxas de inflação que prevale- ceram nos anos 70 e 80. Com isso, o orçamento era continuamente redesenhado ao longo do ano a partir de reestimativas da receita e da concessão de créditos suple- mentares. Além disso, o orçamento tinha abrangência muito limitada, ficando de fora uma série de despesas e receitas importan- tes para o governo. Em suma, a despeito da existência de um regime autoritário e, su- postamente, gerido de forma hierárquica, a capacidade do governo de programar suas Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30209 M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce 210 despesas era pequena e sujeita a diferentes tipos de manipulação e manobras. A Assembléia Constituinte de 1987 al- mejou modificar a estrutura de governança do processo orçamentário, com intuito de tornar esse processo mais transparente e democrático. Com esse intuito objetivou-se restaurar a influência do Legislativo nas de- cisões e deliberações sobre o orçamento público. Ao mesmo tempo, se intentou au- mentar a abrangência do orçamento, que passaria a incluir as receitas e despesas com a previdência social e os investimentos das empresas estatais. Por outro lado, mantive- ram-se vários dos elementos estabelecidos anteriormente, tais como uma Comissão Mista de Orçamento separada das demais comissões permanentes do Legislativo, que teve seus poderes ampliados. Embora tivesse perdido seu poder terminativo, a Comissão Mista de Orçamento passou a centralizar todas as decisões sobre matéria orçamen- tária, constituindo, na prática, quase como uma terceira casa no Congresso Nacional. Em termos de instrumentos, conforme já mencionado, a Lei Orçamentária Anual (LOA) teve seu escopo ampliado e o OPI foi subs- tituído pelo PPA (Lei do Plano Plurianual), que proporcionava uma perspectiva de médio prazo (quatro anos) sobre os investimentos governamentais. Esses instrumentos foram complementados pela Lei de Diretrizes Orça- mentárias (LDO). A função da LDO era fixar metas e prioridades da administração pú- blica federal, incluindo a meta para o supe- rávit primário e orientando a elaboração da LOA e do PPA. Havia grande esperança de que a nova estrutura de governança pudesse também inaugurar uma nova fase no processo orça- mentário. No entanto, a própria Assembléia Constituinte de 1987 reconheceu a necessi- dade da elaboração de uma lei complemen- tar, que complementasse e especificasse os vários dispositivos fixados na Constituição. Até o momento, tal lei ainda não foi subme- tida ao Congresso Nacional. Isso significa que a reforma orçamentária de 1988 perma- nece até hoje fundamentalmente incompleta. Em 2006 a estrutura de governança do processo orçamentário completará 18 anos de vigência. Ao atingir a maioridade, eviden- cia-se a frustração daqueles que esperavam que as reformas implementadas pela Cons- tituição de 1988 proporcionariam uma ma- neira mais eficiente e democrática de planejar, executar e avaliar os gastos gover- namentais. No entanto, ao longo desses anos foram inúmeros os escândalos envolvendo a má alocação de recursos públicos, muitos desses tendo atores no Legislativo como principais protagonistas. Esses escândalos têm afetado não apenas a imagem do Le- gislativo, mas a própria crença nas institui- ções democráticas. Portanto, é urgente e fundamental que se faça uma reflexão críti- ca sobre a atual estrutura de governança do processo orçamentário. Dentre as muitas questões que poderiam pautar essa refle- xão, cabe citar as seguintes: a) Como estabelecer mecanismos transpa- rentes e democráticos para negociação do ajuste fiscal, reduzindo a rigidez orçamen- tária hoje existente, manifesta em um gran- de número de vinculações e despesas mandatórias, mas ao mesmo tempo garan- tindo um perfil de gastos públicos que seja politicamente sustentável, economicamente coerente e justo do ponto de vista social? b) Como integrar melhor as funções de planejamento e orçamento, gerando uma programação de gastos que verdadeira- mente reflita as prioridades definidas no Congresso Nacional e que seja factível de ser implementada, tanto do ponto de vista da administração financeira, quanto do ponto de vista da análise e avaliação das políticas públicas? Como criar condições para o esta- belecimento de um orçamento impositivo, e não apenas autorizativo como existe hoje, mas que ao mesmo tempo gere um perfil de gastos coerente com os recursos dispo- níveis e as prioridades elegidas? c) Como fortalecer o controle e a avaliação da ação governamental, reduzindo a oportu- nidade de ocorrência de desvios ou o uso inapropriado dos recursos públicos, mas também evitando o surgimento de um estilo Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30210 M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce M Realce 211Leonardo Avritzer | Fátima Anastasia [org.] de auditoria ineficiente ou predatória, que consuma tempo e recursos disponíveis, mas que gere pouco impacto substantivo em termos de efetividade das políticas públicas? d) Como estruturar cronogramas, procedi- mentos, regras e arenas decisórias do pro- cesso orçamentário que viabilizem uma participação substantiva, e não apenas ceri- monial, do Congresso Nacional nas decisões? E, de semelhante forma, como estruturar canais de deliberação e participação direta da sociedade nas discussões e debates sobre os vários aspectos do orçamento público? e) Como estabelecer uma trajetória coerente e sustentável para criação de capacidade no setor público federal, estadual e municipal para elaboração, implementação e avaliação das ações preconizadas não apenas nos seus orçamentos? Como capacitar a sociedade para participar desse processo de uma forma construtiva? Tais questões exigirão mudanças que não poderão ser geradas apenas pela adaptação do processoorçamentário hoje existente. Elas requerem transformações estruturais, que estão diretamente associadas às mu- danças no sistema político do país. Portanto, as discussões sobre a reforma orçamentária e a reforma política deveriam caminhar lado a lado. Elas se complementam e se reforçam. O êxito ou o fracasso dessas reformas afetará, de maneira muito importante, os limites e as possibilidades da governabilidade democrá- tica do país. Referência SCHUMPETER, J.A. 1918. The crisis of the tax state. In: SWEDBERG, R.A. (Ed.). Joseph A. Schumpeter: the economics and sociology of capitalism. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1991. Sugestão de 10 textos para serem consultados sobre o tema AZEVEDO, Sergio; FERNANDES, Rodrigo. Orçamento Participativo: construindo a democracia. Rio de Janeiro: Revan, 2005. BEZERRA, Marcos Otavio. Em nome das bases: política, favor e dependência pessoal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1999. BIDERMAN, Ciro; ARVATE, Paulo. Economia do setor público no Brasil. São Paulo: Campus, 2005. FIGUEIREDO, Argelina; LIMONGI, Fernando. Executivo e Legislativo na nova ordem constitucional. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1999. GIACOMONI, James. Orçamento público. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2005. LOPREATO, Francisco Luiz. O colapso das finanças e a crise da fede- ração. São Paulo: UNESP, 2003. MONTEIRO, Jorge Vianna. Lições de economia constitucional brasi- leira. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004. OLIVEIRA, Fabrício Augusto. Autoritarismo e crise fiscal no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1995. REZENDE, Fernando; CUNHA, Armando. O orçamento público e a transição de poder. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004. SENADO FEDERAL. Planos e orçamentos públicos: conceitos, ele- mentos básicos e resumos dos projetos de leis do Plano Plurianual 2004-2007 e do Orçamento 2004. Editado pela Consultoria de Orça- mentos, Fiscalização e Controle – CONORF do Senado Federal. Obtida, por meio eletrônico, em 9 de Junho de 2006 no endereço: <http://www.senado.gov.br/sf/orcamento/sistema/CARTILHA2004.pdf.>. Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30211 M Realce M Realce M Realce 212 Autonomia/ Independência dos Bancos Centrais William Ricardo de Sá O estado-da-arte do debate normativo sobre o desenho e a implementação da política monetária indica como recomendável um alto grau de autonomia dos bancos cen- trais, por razões teóricas e pela evidência empírica disponível. Conceitualmente, a auto- ridade monetária é dita independente quando autônoma na definição de seus objetivos e instrumentos de atuação. Se sua liberdade é restrita à escolha desses instrumentos, trata-se de um banco central com autonomia operacional ou com independência de instru- mentos (Fischer, 1994; Maziero; Werlang, 2004). Como indicadores de independência ou autonomia são usualmente considerados os processos de indicação das diretorias dos bancos centrais e a eventual existência de mandatos para os seus membros, bem como o seu tempo de permanência no car- go. Também importam os objetivos e a for- mulação da política monetária, assim como as definições quanto à concessão de crédi- tos pelo banco. Mandatos mais longos e legalmente de- finidos — de modo a impedir ou dificultar a demissão dos seus diretores — sinalizam maior autonomia, assim como a eleição da defesa da estabilidade de preços como o objetivo exclusivo do Banco Central, que te- ria a palavra final quando este conflitasse com outras preferências do governo. Outros ob- jetivos ou a incapacidade de decidir entre prioridades concorrentes implicariam menor autoridade. Por fim, a maior restrição ao papel de emprestador do Banco Central o tornaria mais autônomo. Se o acesso aos seus recursos é restrito ao governo central, menos mal. Caso se estenda a outros níveis Reforma Política no Brasil_01_272.p65 01/08/06, 17:30212