Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1
Índice 
A Unidade de Terapia Intensiva _____________________________________ 02 
O Paciente com Problemas Cardíacos ________________________________ 14 
O Paciente com Problemas Respiratórios _____________________________28
Paciente com Problemas Neurológicos ________________________________45 
O Paciente Vítima de Trauma ______________________________________ 50 
O Paciente com Problemas Renais __________________________________ 58 
O Paciente com Problemas Gastrointestinais _________________________ 61 
Nutrição Enteral e Parenteral _____________________________________ 65 
O Paciente Grande Queimado ______________________________________ 71 
Principais Medicações Utilizadas em UTI ____________________________ 82 
Bibliografia _____________________________________________________ 91 
 
2
Unidade de Terapia Intensiva - 
Adulto 
A UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 
Os Serviços de Tratamento Intensivo têm por objetivo prestar atendimento a pacientes graves e de risco 
que exijam assistência médica e de enfermagem ininterruptas, além de equipamento e recursos humanos 
especializados. 
Toda Unidade de Tratamento Intensivo deve funcionar atendendo a um parâmetro de qualidade que 
assegure a cada paciente: direito à sobrevida, assim como a garantia, dentro dos recursos tecnológicos 
existentes, da manutenção da estabilidade de seus parâmetros vitais; direito a uma assistência 
humanizada; uma exposição mínima aos riscos decorrentes dos métodos propedêuticos e do próprio 
tratamento em relação aos benefícios obtidos; monitoramento permanente da evolução do tratamento 
assim como de seus efeitos adversos. 
Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que constitui-se de um conjunto de 
elementos funcionalmente agrupados, destinado ao atendimento de pacientes graves ou de risco que 
exijam assistência médica e de enfermagem ininterruptas, além de equipamento e recursos humanos 
especializados. 
Os Serviços de Tratamento Intensivo dividem-se de acordo com a faixa etária dos pacientes atendidos, 
nas seguintes modalidades: 
Neonatal - destinado ao atendimento de pacientes com idade de 0 a 28 dias. 
Pediátrico - destinado ao atendimento de pacientes com idade de 29 dias a 
18 anos incompletos. 
Adulto - destinado ao atendimento de pacientes com idade acima de 14 anos. 
- Pacientes na faixa etária de 14 a 18 anos incompletos podem ser atendidos nos Serviços de Tratamento 
Intensivo Adulto ou Pediátrico, de acordo com o manual de rotinas do Serviço. 
Denomina-se UTI Especializada aquela destinada ao atendimento de pacientes em uma especialidade 
médica ou selecionados por grupos de patologias, podendo compreender: cardiológica, coronariana, 
neurológica, respiratória, trauma, queimados, dentre outras. 
Denomina-se Centro de Tratamento Intensivo (CTI) o agrupamento, numa mesma área física, de duas ou 
mais UTI's, incluindo-se, quando existentes, as Unidades de Tratamento Semi-Intensivo. 
Estrutura Física 
Projetar uma UTI ou modificar uma unidade existente, exige conhecimento das 
normas dos agentes reguladores, experiência dos profissionais de terapia intensiva, que estão 
familiarizados com as necessidades específicas da população de pacientes. O projeto deve ser abordado 
pôr um grupo multidisciplinar composto de médico, enfermeiro, arquiteto, administrador hospitalar e 
engenheiros. Esse grupo deve avaliar a demanda 
esperada da UTI baseado na avaliação dos pontos de fornecimento de seus pacientes, nos critérios de 
admissão e alta, e na taxa esperada de ocupação. É necessário análise dos recursos médicos, pessoal de 
suporte(enfermagem, fisioterapia, nutricionista, psicólogo e assistente social) e pela disponibilidade dos 
serviços de apoio (laboratório, radiologia, farmácia e outros ). 
Localização dentro do ambiente hospitalar 
Cada UTI deve ser uma área geográfica distinta dentro do hospital, quando possível, com acesso 
controlado, sem trânsito para outros departamentos. Sua localização deve ter acesso direto e ser próxima 
de elevador, serviço de emergência, centro cirúrgico, sala recuperação pós-anestésica, unidades 
intermediárias de terapia e serviço de laboratório e radiologia. 
Forma da Unidade 
A disposição dos leitos de UTI podem ser em área comum (tipo vigilância), quartos fechados ou mista. 
A área comum proporciona observação contínua do paciente, é indicada a 
separação dos leitos por divisórias laváveis que proporcionam uma relativa privacidade dos pacientes. 
As unidades com leitos dispostos em quartos fechados, devem ser dotadas de painéis de vidro para 
facilitar a observação dos pacientes. Nesta forma de unidade é necessário uma central de monitorização 
no posto de enfermagem, com transmissão de onda eletrocardiografica e freqüência cardíaca. 
3
Unidades com quartos fechados proporcionam maior privacidade aos pacientes, redução do nível de ruído 
e possibilidade de isolamento dos pacientes infectados e imunossuprimidos. 
Salas de isolamento são recomendáveis e cada instalação de saúde, deve-se 
considerar a necessidade de salas de isolamento com pressão positiva e negativa nestas salas. Esta 
necessidade vai depender principalmente da população de pacientes e dos requisitos do Ministério da 
Saúde. 
Independente da forma escolhida para a Unidade de Terapia Intensiva, esta deve obedecer aos seguintes 
critérios: 
- Os pacientes devem ficar localizados de modo que a visualização direta ou indireta, seja possível 
durante todo o tempo, permitindo a monitorização do estado dos pacientes, sob as circunstâncias de rotina 
e de emergência. O projeto preferencial é aquele que permite uma linha direta de visão, entre o paciente e 
o posto de enfermagem. a área de cada leito deve permitir ampla circulação e fácil manejo da 
aparelhagem. Os leitos devem ficar tanto quanto possíveis isolados uns dos outros. As unidade deve ter 
aberturas amplas de vidro ou janelas isolantes para o exterior, para evitar claustrofobia. a aparelhagem de 
ar condicionado deve ter funcionamento perfeito e suas saídas não devem canalizar ar sobre os leitos; 
todos os leitos devem possuir 11 tomadas/leito de energia elétrica , em 110 / 220 volts, localizadas 0,9 m 
acima do piso e devem estar conjugadas com o gerador de emergência do hospital; todos os leitos devem 
contar no mínimo com 1 saída de canalização à vácuo, 2 de ar comprimido e 2 saídas de oxigênio; 9,0 m² 
por leito com distância de 1 m entre paredes e leito, exceto cabeceira, de 2 m entre leitos e pé do leito = 
1,2 m (o espaço destinado a circulação da unidade pode estar incluído nesta distância). Os sinais dos 
sistemas de chamada dos pacientes, os alarmes dos equipamentos de monitorização e telefones se somam 
à sobrecarga auditiva nas U.T.Is. O Conselho Internacional de Ruído, tem recomendado que o nível de 
ruídos nas áreas de terapia aguda dos hospitais não ultrapassem 45dB(A) durante o dia, 40dB(A) durante 
a noite e 20dB(A) durante a madrugada. Tem-se observado que o nível de ruído na maioria dos hospitais 
está entre 50 e 70dB(A) e, em alguns casos ocasionais, acima desta faixa. 
Pôr estas razões, devem ser utilizados pisos que absorvam os sons, levando-se em consideração os 
aspectos de manter o controle das infecções hospitalares, da manutenção e movimentação dos 
equipamentos. As paredes e os tetos devem ser construídos de materiais com alta capacidade de absorção 
acústica. Atenuadores e defletores nos tetos podem ajudar a reduzir a reverberação dos sons. As aberturas 
das portas devem ser defasadas para reduzir a transmissão dos sons. 
- O posto de enfermagem deve ser centralizado, no mínimo um para cada doze leitos e prover uma área 
confortável, de tamanho suficiente para acomodar todas as funções da equipe de trabalho, com dimensões 
mínimas de 8m2. O posto de enfermagem deve estar instalado de forma a permitir observação visual 
direta ou eletrônica dos leitos ou berços. No caso de observação visualpor meio eletrônico, deverá dispor 
de uma central de monitores. Cada posto deve ser servido pôr uma área de serviços destinada ao preparo 
de medicação, com dimensão mínima de 8m2 e ser localizada anexo ao posto de enfermagem. Deve haver 
iluminação adequada de teto para tarefas específicas, energia de emergência, instalação de água fria, 
balcão, lavabo, um sistema funcional de estocagem de medicamentos, materiais e soluções e um relógio 
de parede deve estar presente. Espaço adequado para terminais de computador e impressoras é essencial 
quando forem utilizados sistemas informatizados. Deve ser previsto espaço adequado para se colocar os 
gráficos de registros médicos e de enfermagem. Os formulários de registro médicos e impressos devem 
estar armazenados em prateleiras ou armários de modo que possam ser facilmente acessados pôr todas as 
pessoas que requeiram o seu uso. 
- Lavatórios exclusivos para uso da equipe de assistência, obedecendo à proporção de 1 lavatório para 
cada 5 leitos/berços ou incubadoras. Os lavatórios devem ser dotados de torneiras com dispositivos 
automáticos que permitam a interrupção do fluxo de água sem o uso das mãos. Devem dispor, ainda, de 
sabão, antisséptico e papel toalha ou jato de ar quente para secagem das mãos. 
- Todas as áreas onde estão localizados leitos de UTI devem dispor de iluminação natural e relógio 
posicionado de forma a que possa ser observado pelo paciente. 
- Sala de utensílios limpos e sujos devem ser separadas e que não estejam 
interligadas. Os pisos devem ser cobertos com materiais sem emendas ou junções, para facilitar a 
limpeza. A sala de utensílios limpos é utilizada para armazenar suprimentos limpos e esterilizados, 
podendo também acondicionar roupas limpas. 
Prateleiras e armários para armazenagem devem estar em locais acima do solo, facilitando a limpeza do 
piso. A sala de materiais sujos (expurgo), deve ser localizada fora da área de circulação da unidade. Pode 
4
ter uma pia e um tanque, ambos com torneiras misturadoras de água fria e quente para desinfecção e 
preparo de materiais. 
Deve ser projetada para abrigar roupa suja antes de encaminhar ao destino, dispor de mecanismos para 
descartar itens contaminados com substâncias e fluidos corporais. 
Recipientes especiais devem ser providenciados para descartar agulhas e outros objetos perfurocortantes. 
Para desinfecção dos materiais não descartáveis é necessário dois recipientes com tampa, um para 
materiais de borracha e vidro e outro para materiais de inox, ou uma máquina processadora. 
- Banheiro de pacientes localizado na área de internação da unidade (geral) ou anexo ao quarto 
(isolamento). Todos os banheiros e sanitários de pacientes internados devem ter duchas higiênicas e 
chuveiro. 
- Copa de pacientes: local destinado ao serviço de nutrição e dietética, sendo 
receptora e distribuidora das dietas dos pacientes da unidade. Deve ter pia, geladeira e lixo específico para 
desprezar restos de alimentos. 
- Sala de serviços gerais: sala destinada a guarda de materiais e soluções utilizadas na limpeza e 
desinfecção da Unidade. Deve ser provida de tanque e prateleiras suspensas. 
- Armazenamento de equipamentos: uma área para guardar os equipamentos que não estão em uso ativo, 
deve ser planejada. A localização deve ser de fácil acesso e espaço adequado para pronta localização e 
remoção do equipamento desejado. Deve ser previsto tomadas elétricas aterradas em número suficiente 
para permitir a recarga dos equipamentos operados a bateria. 
- Laboratório: todas as U.T.Is. devem ter serviço de laboratório clínico disponível vinte e quatro horas 
pôr dia. Quando o laboratório central do hospital não puder atender as necessidades da UTI, um 
laboratório satélite dentro da, ou adjacente à UTI deve ser capaz de fornecer os testes químicos e 
hematológicos mínimos, incluindo análises de gases do sangue arterial. 
- Sala de Reuniões: área distinta ou separada próxima de cada U.T.I. ou de cada grupo de U.T.Is., deve 
ser projetada para observar e armazenar as radiografias, estudar e discutir os casos dos pacientes. Um 
negatoscópio ou carrossel de tamanho adequado deve estar presente para permitir a observação 
simultânea de uma série de radiografias. 
- Área de Descanso dos Funcionários: uma sala de descanso deve ser prevista em cada U.T.I. ou 
grupamento de U.T.Is, para prover um local privado, confortável e com ambiente descontraído. Devem 
existir sanitários masculinos e femininos dotados de chuveiro e armários. Uma copa com instalações 
adequadas para armazenamento e preparo de alimentos, incluindo uma geladeira, um fogão elétrico e ou 
forno microondas. A sala de descanso precisa estar ligada à U.T.I. pôr um sistema de intercomunicação.
- Conforto Médico: deve ser próximo à área de internação, de fácil acesso, com instalações sanitárias e 
chuveiro. A sala deve ser ligada à U.T.I. pôr telefone e ou sistema de intercomunicação. 
- Sala de estudos: uma sala de estudos para equipe multidisciplinar da U.T.I. deve ser planejada para 
educação continuada, ensino dos funcionários ou aulas multidisciplinares sobre terapia dos pacientes. 
Deve estar previsto recursos audiovisual, equipamentos informatizados interativos para auto aprendizado 
e referências médicas, enfermagem e outros. 
- Recepção da U.T.I.: cada U.T.I. ou agrupamento de U.T.Is. deve ter uma área para controlar o acesso de 
visitantes. Sua localização deve ser planejada de modo que os visitantes se identifiquem antes de entrar. 
Pôr ser uma unidade de acesso restrito é desejável que a entrada para os profissionais de saúde, seja 
separada dos visitantes e um sistema de intercomunicação com as áreas da U.T.I. efetivo. 
- Sala de espera de visitantes: área indispensável, deve ser localizada próximo de cada U.T.I. ou 
agrupamento de U.T.Is., destinada aos familiares de pacientes, enquanto aguardam informações ou são 
preparados para visita na unidade. O acesso de visitantes deve ser controlado pela recepção. Um 
bebedouro e sanitários devem ser localizados dentro da área ou próximo a ela. São desejáveis para este 
ambiente cores vivas, carpete, janelas, iluminação indireta e suave. Deve ser previsto telefones públicos, 
sofás, cadeiras retas e reclináveis, terminais de circuito interno de TV e materiais educativos. A sala de 
5
espera pode ser compartilhada com setores afins do hospital, desde que seja dimensionada de forma a 
atender à demanda das unidades a que se destina. 
- Rota de transporte de pacientes: os corredores utilizados para transportar os pacientes devem ser 
separados dos utilizados pelos visitantes. O transporte dos pacientes deve ser rápido e a privacidade 
preservada. Quando necessário o uso de elevadores, deve ser previsto um tamanho superdimensionado e 
separado do acesso público. 
- Corredores de suprimento e serviço: para suprir cada U.T.I. deve ser planejado um corredor com 2,4 
metros, portas com abertura no mínimo 0,9 metros, permitindo fácil acesso. A circulação exclusiva para 
itens sujos e limpos é medida dispensável. O transporte de material contaminado pode ser através de 
quaisquer ambientes e cruzar com material esterilizado ou paciente, sem risco algum, se acondicionado 
em carros fechados, com tampa e técnica adequada. O revestimento do piso deve ser resistente a trabalho 
pesado e permitir que equipamentos com rodas se movam sem dificuldades. 
- Secretaria administrativa: é uma área recomendável, adjacente à U.T.I., para pessoal da administração 
médica e de enfermagem. Espaços adicionais para secretarias podem ser alocados para pessoal de 
desenvolvimento, especialistas clínicos e serviço social, quando aplicável. A habilidade de colocar estes 
profissionais nas proximidades de uma U.T.I. pode facilitar a abordagem do gerenciamento dos pacientes 
pôr um grupo amplo e integrado. 
- Prevenindo o stress do paciente: no projeto da U.T.I. um ambienteque minimize o stress do paciente e 
dos funcionários deve ser planejado, incluindo iluminação natural e vista externa. As janelas são aspectos 
importantes de orientação sensorial e o maior número possível das salas deve ter janelas para indicação de 
dia/noite. Para controlar o nível de iluminação pode utilizar cortinas, toldos externos, vidros pintados ou 
reflexivos. Outros recursos para melhorar a orientação sensorial dos pacientes podem incluir a provisão 
de calendário, relógio, rádio, televisão e ramal telefônico. A instalação de T.V. deve ficar fora do alcance 
dos pacientes e operados pôr controle remoto. As considerações de conforto devem incluir métodos para 
estabelecer a privacidade dos pacientes. O uso de persianas, cortinas, biombos e portas controlam o 
contato do paciente com a área ao redor. Uma poltrona deve estar disponível a beira do leito para visita de 
familiares. A escolha das cores das paredes proporciona descanso e propicia ambiente tranqüilo. 
MODELOS DE PLANTAS FÍSICAS PARA UTI 
6
Número de Leitos 
Os leitos necessários para fornecer uma cobertura segura e adequada para pacientes gravemente doentes 
num hospital, dependem da população do hospital, quantidade de cirurgias, grau do compromisso de 
cuidados intensivos pela administração do hospital, pelos médicos e enfermeiros, e dos recursos 
institucionais. 
Um método empírico freqüentemente relatado é que um hospital geral deveria destinar 10% da 
capacidade de leitos para UTI. 
Uma UTI deve existir com no mínimo cinco leitos, em hospitais com capacidade para cem ou mais leitos. 
A instalação com menos de cinco leitos torna-se impraticável e extremamente onerosa, com rendimento 
insatisfatório em termos de atendimento. 
O ideal considerado do ponto de vista funcional, são oito a doze leitos pôr unidade. 
Caso se indique maior número de leitos, esta deve ser dividida em subunidades. Esta divisão proporciona 
maior eficiência de atendimento da equipe de trabalho. 
Recursos Materiais 
A escolha dos materiais e equipamentos para a unidade está ligada às 
características da mesma. Há uma necessidade real em se estabelecer adequação entre equipamento a ser 
utilizado e as práticas desenvolvidas na unidade. Os profissionais que ali atuam devem estar cientes de 
que o equipamento sempre assessora o pessoal que atua junto ao paciente, jamais o substituindo. Daí a 
necessidade de que tal equipamento seja adequado àqueles que utilizam. 
Alguns pontos devem ser ressaltados, orientando a escolha do equipamento: 
- que seja de fácil operacionalidade, eficiente e de utilidade comprovada; 
- que tenha assistência técnica contínua e eficaz; 
- que atinja as finalidades da unidade, oferecendo segurança na assistência ao 
7
paciente; 
Um programa deve ser estabelecido para a manutenção preventiva de todo o equipamento, através de uma 
inspeção regular, de acordo com as especificações do fabricante. 
Para caracterizar a UTI como área confinada, todo o seu equipamento deve ser próprio e não ser 
deslocado para outras unidades do hospital. As finalidades do 
equipamento só serão atingidas se estiver em condições de utilização imediata. 
De acordo com a Portaria nº 466,do Ministério da Saúde, de 04 de junho de 1998 os seguintes critérios 
devem ser seguidos: 
- Para cada paciente internado na UTI, deve existir uma cama Fawler com grades laterais e rodízios e/ou 
um berço aquecido ou incubadora, de acordo com a modalidade de UTI e faixa etária dos pacientes 
atendidos. 
- Toda Unidade de Tratamento Intensivo deve estar provida, no mínimo, dos materiais e equipamentos 
especificados da Tabela I, atendendo à quantificação nela prevista. 
TABELA I: Materiais e Equipamentos obrigatórios na UTI e respectiva quantificação
Tipo de Material ou Equipamento Quantificação 
1. Carro ressuscitador com monitor/desfribilador 
sincronizado e 
material para entubação endotraqueal (carro de 
parada) 
2. Negatoscópio 
3. Aspirador portátil 
4. Glicosímetro ou hemoglucoteste 
5. Ventilômetro/vacuômetro 
6. Marcapasso provisório (eletrodo e gerador) 
7. Geladeira para conservação de medicamentos 
8. Recipiente para aquecimento (banho-maria). 
9. Máscara de venturi, com diferentes 
concentrações 
10. Maca de transporte com grades laterais e 
suporte para 
Soluções parenterais 
11. Bandejas equipadas para: 
a) Curativos 
b) Diálise peritoneal 
c) Drenagem torácica 
d) Flebotomia 
Uma unidade do material equipamento 
para cada UTI Neonatal, Pediátrica ou 
Adulto 
12. Urodensímetro 
13. Hemogasômetro 
14. Cilindro de oxigênio com capacidade mínima 
de 115 pés cúbicos 
(3,0-3,2 m3), provido de válvulas de segurança e 
manômetro, 
devidamente acondicionados 
15. Ar comprimido 
16. Eletrocardiógrafo portátil 
17. Aparelho de raios-x móvel 
18. Oftalmoscópio 
Uma unidade do material/ equipamento 
disponível para a UTI Neonatal, 
Pediátrica ou Adulto ou, quando 
existente, para todo o Centro de 
Tratamento Intensivo. 
19. Respirador com blender Uma unidade do material/
equipamento para cada leito, 
berço ou incubadora de UTI 
Adulto, Pediátrica 
20. Monitor de beira de leito com visoscópio 
21. Adaptador para monitor (cardioscópio e 
oximetria de pulso) 
22. Máscara de oxigênio de diferentes tamanho 
23. Termômetro 
24. Tensiômetro 
25. Estetoscópio 
Uma unidade do material equipamento 
para cada leito berço ou incubadora de 
UTI Adulto, Pediátrica ou Neonatal 
8
26. Ressuscitador manual (ambú) 
27. Bomba de infusão 
28. Suporte para frascos de drenagem 
29. Balança 
30. Capacete para oxigênioterapia/oxitenda 
Uma unidade do material/ equipamento 
para cada leito berço ou incubadora de 
UTI Pediátrica e Neonatal. 
31. Kit de CPAP nasal com umidificador aquecido Uma unidade do material/ equipamento 
para cada 2 leitos, berços ou 
incubadoras de UTI Pediátrica. 
32. Aparelho de fototerapia Uma unidade do material/ 
equipamento para cada 3 
incubadoras de UTI Neonatal 
33. Respirador com blender Uma unidade do material equipamento 
para cada 3 incubadoras de UTI 
Neonatal 
 
- Quando o hospital dispuser de apenas uma UTI, seja Adulto, Pediátrica ou Neonatal, o Hemogasômetro, 
o Cilindro de Oxigênio e Ar Comprimido não precisam ser exclusivos da Unidade, podendo ser 
disponibilizados de outros setores do hospital, desde que se mantenham de fácil acesso. 
- Todos os equipamentos em uso na UTI devem apresentar-se limpos, desinfetados e/ou esterilizados, 
conforme necessidade de uso, em plenas condições de funcionamento e com todos os alarmes ligados e 
regulados. 
- A rotina de manutenção preventiva dos equipamentos deve obedecer à periodicidade e procedimentos 
indicados pelos fabricantes, visando garantir o seu funcionamento dentro dos padrões estabelecidos. 
- As intervenções realizadas nos equipamentos tais como instalação, manutenção, troca de componentes e 
calibração devem ser acompanhadas e ou executadas pelo responsável técnico pela manutenção, 
documentadas e arquivadas. 
- Havendo terceirização do serviço de manutenção dos equipamentos, deve ser estabelecido um contrato 
formal, celebrado entre a UTI/hospital e esse serviço, que assegure além da manutenção, o tempo mínimo 
de inatividade dos equipamentos. 
- Toda UTI deve dispor de medicamentos essenciais para as suas necessidades, conservados em condições 
adequadas de segurança, organização, fácil acesso e ontrole de prazo de validade, constando, no mínimo, 
de: 
a) anticonvulsivantes; 
b) drogas inotrópicas positivas e vasoativas; 
c) analgésicos opióides e não opióides; 
d) sedativos; 
e) bloqueadores neuromusculares. 
Além de medicamentos com as seguintes indicações: 
f) Para reanimação cardíaca e arritmias; 
g) Para anafilaxia; 
h) Para controle de vias aéreas; 
i) Para controle de psicose aguda. 
Recursos HumanosToda UTI deve, em suas 24 horas de funcionamento, dispor de: 
a) Um Médico Plantonista para cada 10 leitos ou fração, responsável pelo tendimento na UTI e na Semi-
Intensiva, quando existente; 
b) Um Enfermeiro para cada turno de trabalho; 
c) Um Auxiliar de Enfermagem para cada 2 leitos de UTI Adulto ou Pediátrico e 
um Auxiliar de Enfermagem para cada paciente de UTI Neonatal; 
d) Um Fisioterapeuta; 
e) Um Auxiliar de Serviços Diversos/Secretária; 
f) Um funcionário exclusivo para serviços de limpeza. 
Os Plantonistas da UTI que não apresentarem título de especialista em Medicina ntensiva devem possuir, 
no mínimo, estágio ou experiência profissional comprovada pela ssociação de Medicina Intensiva 
Brasileira (AMIB) de, pelo menos, um ano na área. 
PROCEDIMENTOS 
9
Toda UTI deve estabelecer, por escrito, um manual de rotinas de procedimentos, assinada pelo 
Responsável Técnico (RT) e Chefia de Enfermagem, elaborada em conjunto com os setores afins do 
hospital (CCIH, Farmácia, Serviço de Manutenção, dentre outros), e que contemple, no mínimo, os 
seguintes tópicos: 
a) Procedimentos médicos; 
b) Procedimentos de enfermagem; 
c) Processamento de artigos e superfícies; 
d) Controle de manutenção dos equipamentos; 
e) Procedimentos de biossegurança; 
f) Transporte intra-hospitalar. 
O manual de procedimentos, deve ser compatível com os requisitos técnicos e 
exigências previstas no Regulamento Técnico, Portaria nº 466,do Ministério da Saúde e demais 
instrumentos legais pertinentes, assim como, com a literatura biomédica internacional atualizada. 
O manual de procedimentos deve ser extensivo à Unidade de Tratamento Semi- 
Intensivo, quando existente no hospital, assim como ao Serviço de Tratamento Intensivo 
Móvel. 
Toda UTI deve manter um prontuário para cada paciente, com todas as 
informações sobre o tratamento e sua evolução, contendo os resultados dos exames realizados 
permanentemente anexados a este. Os prontuários devem estar adequadamente preenchidos, de forma 
clara e precisa, atualizados, assinados, carimbados e datados pelo médico responsável por cada 
atendimento. 
Os prontuários dos pacientes devem estar acessíveis para auditoria, assim como, para consulta dos 
pacientes ou responsáveis, desde que asseguradas as condições de sigilo previstas no Código de Ética 
Médica, e de Direito, previstos no Código de Defesa do Consumidor. 
Fica assegurado o acesso diário de visitantes e familiares aos pacientes 
internados, conforme rotina e horário estabelecidos pelo Responsável Técnico e Chefia de Enfermagem. 
INDICAÇÕES PARA ADMISSÃO E ALTA 
As indicações para admissão e alta da Unidade de Tratamento Intensivo e Unidade de Tratamento Semi-
Intensivo são atribuições exclusivas do Médico Intensivista. 
Terá indicação para admissão em Unidade de Tratamento Intensivo: 
a) Paciente grave ou de risco, com probabilidade de sobrevida e recuperação. 
b) Paciente em morte cerebral, por tratar-se de potencial doador de órgãos. 
Deve ter alta da UTI todo paciente, tão logo cessadas as causas que justificaram sua internação, podendo, 
à critério do Intensivista, ser encaminhado para a Unidade de Tratamento Semi-Intensivo. 
Serão admitidos na Unidade de Tratamento Semi-Intensivo pacientes oriundos da UTI e/ou de outras 
unidades do hospital, a critério do Médico Intensivista. 
Orientações para Visitantes e Acompanhantes 
Há mais de uma década e meia, o relacionamento com o paciente sob tratamento hospitalar vem sendo 
valorizado, o visitante passou a ser considerado como parte contribuinte na recuperação do doente. No 
entanto, sendo o hospital um lugar insalubre, pelas atividades exercidas e pela clientela, há necessidades 
de informações claras para a proteção de ambos, pacientes e visitantes, quanto a possíveis contaminações. 
Preconiza – se que tais informações devem ser efetuadas por escrito (em folheto impresso), em linguajar 
claro, sendo que sejam ressaltados alguns pontos sobre a visita. 
1. Visitantes com qualquer tipo de doença infecciosa, tipo gastroenterites, respiratórias ou outras, bem 
como portadores de febre, dermatites, abscessos, não devem visitar pacientes. 
Quando a visita é imprescindível, o visitante deverá fazer uso de avental, máscara e realizar a anti –
sepsia rigorosa das mãos antes e após a visita. 
2. Todo visitante deve ser supervisionado na lavagem das mãos prévia e posteriormente à visita. 
3. Para visitas a pacientes imunossuprimidos (transplantados, quimioterapia e outras drogas) ou 
imunodeprimidos (doenças que diminuam a resistência orgânica, pós – operatório de grandes cirurgias), 
bem como unidades de alto risco como UTIs, Hematologia, Berçário de Alto Risco, Hemodiálise entre 
outros, o visitante deverá obedecer rigorosamente ao protocolo daquelas unidades de internação. 
4. Crianças não podem ser visitantes hospitalares a não ser em situações justificáveis. 
Esta avaliação deverá ser feita pela enfermeira. Médico, ou psicólogo e a criança ter acompanhante 
pessoa responsável e orientada para as informações da rotina. 
Cuidados de lavagem das mãos antes e após a visita devem ser observadas 
rigorosamente (enfatizada pela idade e pelo fato de colocar a mão na boca). 
5. A restrição do número de visitantes por paciente está indicada para evitar a 
10
superlotação dentro das unidades de internamento, o que dificulta a orientação e supervisão adequadas. O 
visitante não deve trazer alimentos ao paciente; quando permitido, deverão ser entregues à enfermagem 
(acondicionados em embalagens fechadas), em condições que favoreçam sua conservação e consumo o 
mais breve possível. 
6. Rotineiramente, não são permitidas sacolas trazidas pelos visitantes, evitando que sejam colocadas no 
chão, sobre a cama, ou mesa de refeições. 
7. O visitante não deverá utilizar a cama do paciente ou qualquer outra (sentar, deitar), evitando dessa 
maneira, carregar microorganismos tanto para o leito hospitalar quanto para sua roupa. 
8. Em relação à plantas e flores, recomenda – se sua colocação do lado de fora dos quartos dos pacientes; 
proibição nas unidades de terapia intensiva, centros cirúrgicos e outras áreas onde existam pacientes de 
maior risco e grande concentração de procedimentos invasivos. 
Obs.: a ampliação do horário de visitas, facilitação de comunicação com o meio 
exterior, conservação de objetos pessoais (principalmente infantis), fotografias, objetos religiosos, 
permitirá que o paciente sinta – se como em um local privativo. No entanto esta atitude deverá ser 
avaliada em conjunto interdisciplinar. 
Modelo de Informativo para Visitas em UTI Geral 
O que é a UTI Geral? 
A UTI Geral é uma Unidade de Tratamento Intensivo para vários tipos de 
pacientes: pacientes com doenças graves, politraumatizados, em pós operatório de cirurgias especiais ou 
procedimentos, com potencial risco de vida nas próximas horas. Em outras palavras, é um lugar onde o 
paciente é cuidado todos os minutos, 24 horas por dia. 
Um lugar onde vários equipamentos (máquinas), muitas vezes são necessários para ajudar a manter a vida 
ou prevenir complicações mortais. É um local onde todos os esforços são feitos, por uma equipe de 
pessoas especializadas e treinadas, para que o paciente melhore. É um lugar onde se luta pela vida. 
Quem é o médico do paciente na UTI? 
Quando um paciente é internado no Hospital, ele tem um ou mais médicos 
responsáveis por ele. Os médicos da UTI cuidam – no quando estiver em estado crítico, sempre em 
conjunto com o médico (ou médicos) por quem foi internado. 
Como um paciente é tratado na UTI geral? 
É tratado por médicos e enfermagem especializados em pacientes que utilizam 
equipamentos, muitos medicamentos e monitoragens de diversos tipos. Com controles laboratoriais, Raio 
X, Ecografias, Tomografias, Arteriografias, Endoscopia Digestiva e Broncoscopia realizados mais 
amiúde e quando necessários. Dietas alimentares especiais, e muito mais. Sãoaspirados de suas secreções 
broncopulmonares, trocados curativos, mudados de lado (decúbito), limpados e higienizados de suas 
secreções, dia e noite. E, principalmente tratados como seres humanos. 
Quem pode entrar na UTI Geral? 
Somente os parentes mais próximos. Pais, filhos, marido e mulher. Por que tão 
poucos? Porque um hospital deve manter rigoroso controle de infecção, dessa forma, a circulação na UTI 
Geral é limitada. Por que as informações dadas a uma mesma pessoa não tem sempre a mesma verdade? 
Diferentes parentes ouvem de maneiras diferentes. 
Recomenda-se que crianças (menores de 12 anos) não entrem na UTI enquanto o parente não estiver 
lúcido. Deve entrar 2 parentes até a porta da UTI, porém um só entra na UTI, a não ser que o visitante 
seja idoso ou menor de idade e necessite de amparo.
Podem entrar religiosos (identificados na Capelania) para confortar e orar pelos pacientes, se solicitado 
pelas famílias. 
Quando visitar seu paciente na UTI Geral? 
Horário: ex: 9:00 hora (todos os dias). Dois parentes podem aguardar orientação para entrar. A critério da 
equipe multidisciplinar ou mesmo por normas hospitalares, poderá ser permitido outra visita no horário da 
tarde, ex: 18:00 horas. O tempo de permanência da visita deverá ser no máximo de 30 minutos, salvo 
exceções quanto às intercorrências possíveis de acontecer, onde deverá ser suspensa a visita. 
O que pode ser levado para a UTI Geral? 
Objetos pessoais, jóias, dinheiro, etc., não podem permanecer com o paciente na UTI. Se seu paciente 
portava alguma coisa de valor, procure se informar durante o dia com a enfermeira – chefe ou o setor de 
internação. 
11
Algumas coisas são pessoais como escova de dentes, tipo de pasta dental, 
desodorantes, sabonetes e poderão ser levados para o paciente. Mesmo que seu paciente esteja 
desacordado (em coma) terá seus dentes escovados, banho,etc. 
O que fazer quando estiver visitando? 
Deve–se colocar o avental e lavar as mãos ao entrar na UTI Geral. O seu parente poderá estar com a 
resistência do organismo prejudicada pela doença e alguns germes que você leva consigo podem 
complicar seu estado de saúde. Deve – se lavar as mãos após visitar seu parente, pois ele pode estar com 
alguns germes que estão em tratamento, mas você não. Você poderá segurar a mão do seu parente e 
conversar com ele, mesmo que esteja desacordado. 
Como receber notícias de um paciente internado na UTI Geral? 
Nunca pelo telefone. Sempre pessoalmente no horário de visitas. Se houver piora do quadro clínico do 
paciente, na maioria das vezes, os familiares são comunicados via telefone (vir para o hospital, etc) ou as 
informações são fornecidas no horário de visitas. 
Quando seu parente é internado na UTI Geral, o médico desta unidade lhe dará informações a respeito da 
gravidade da doença e de como visitá – lo. Outras informações diárias serão dadas pessoalmente pelo 
médico da UTI e pela enfermeira chefe aos familiares, no horário de visitas. Os médicos ou o Serviço 
Social poderão entrar em contato com os parenytes em caso de piora do estado de saúde do paciente. 
Formulários - Impressos - Manual de Normas, Rotinas e Procedimentos 
Formulários e impressos especiais devem ser planejados, segundo as características da unidade, a fim de 
conter de maneira regular os registros de um período de 24 horas. Alguns procedimentos são aplicáveis à 
maioria dos pacientes e podem ser estabelecidos como rotina. 
Entende–se por Manual de Enfermagem o instrumento que reúne, de forma 
sistematizada, normas, rotinas, procedimentos e outras informações necessárias para a execução das ações 
de enfermagem. 
Os Manuais podem ser elaborados à partir de duas situações: quando na fase de organização e 
programação das atividades de um serviço e quando este já está em funcionamento e requer a atualização 
de normas e procedimentos. Em ambas a situações, a metodologia a ser aplicada é a mesma. 
As etapas para a elaboração de um manual de enfermagem podem ser sintetizadas em: 
- Diagnóstico da situação: é feito com base no levantamento e na análise das
informações do serviço de enfermagem. A estrutura organizacional onde o serviço está inserido, a 
filosofia norteadora das ações, os objetivos que devem ser alcançados em função da clientela, as ações de 
enfermagem que devem ser desenvolvidas e por quem, os recursos humanos e materiais disponíveis, o 
sistema de informação existente e os problemas enfrentados na prestação da assistência de enfermagem. 
- Determinação dos assuntos: a análise das informações coletadas define que instrumentos o manual 
deve conter e qual o conteúdo desses instrumentos. Nesta fase será decidido se para um determinado 
assunto será melhor a elaboração de um procedimento ou de uma rotina, de acordo com a situação 
analisada. 
- Estruturação e confecção dos instrumentos: a estruturação envolve a 
ordenação (seqüência lógica, agrupamentos) e apresentação dos assuntos (numeração, linguagem, 
disposição na folha).Após essas definições de estrutura, cabe definir quem vai escrever os instrumentos, 
preferencialmente o grupo de enfermeiros que atua ou atuará no setor; independente de quem irá escrever, 
é importante que o conteúdo seja analisado pela pessoa diretamente envolvida na situação. 
- Implantação: quando elaborado com a participação de toda a equipe, torna – se mais fácil, pois as 
informações nele contidas representam o consenso do grupo que o colocará em prática. Caso não tenha 
havido a participação da maioria dos funcionários, faz – se necessário o preparo do grupo para a sua 
implantação, esclarecendo principalmente seus objetivos, conteúdo e resultados. O manual deverá estar 
acessível aos usuários, e orientações deverão ser dadas quanto ao manuseio do mesmo. 
- Avaliação: o manual deve ser utilizado e, para isto, suas informações devem sofrer constantes 
avaliações e reformulações. Um manual desatualizado provavelmente se tornará desacreditado. A 
atualização pode ser programada para períodos previstos ou quando surgirem mudanças, desde que todos 
os usuários sejam previamente. 
Conteúdo do Manual 
O conteúdo do manual é determinado pela necessidade de informação existente na unidade onde será 
implantado. 
O manual de enfermagem poderá conter: 
- o regulamento do hospital; 
12
- o regimento do serviço de enfermagem; 
- a filosofia do serviço de enfermagem; 
- a estrutura administrativa da organização e do serviço de enfermagem; 
- a planta física da unidade; 
- a descrição das funções que cada elemento da equipe deve realizar; 
- a descrição de cuidados de enfermagem de acordo com os diagnósticos ou agravos à saúde da clientela;
- as normas, rotinas e procedimentos relacionadas ao pessoal, à assistência que deverá ser prestada, ao 
material, etc.; 
- os roteiros para a realização de atividades de enfermagem; 
- a descrição e funcionamento de equipamentos; 
- a previsão de materiais de consumo e permanente; 
- o quadro de pessoal da unidade; 
- as orientações específicas para o preparo dos elementos da equipe de enfermagem; 
- os impressos utilizados na unidade e orientações para o seu preenchimento; 
- as orientações sobre os direitos e deveres dos elementos da equipe de enfermagem; 
- outros instrumentos que deverão ser consultados. 
Estas informações podem estar contidas em um único manual ou em instrumentos diferentes, dependendo 
das características e finalidades. 
HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO EM UTI 
Humanização é concebido como: atendimento das necessidades 
biopsicossocioespirituais do indivíduo tanto no contexto do trabalhador quanto no do usuário 
(cliente/paciente). Nessa perspectiva, cada um deve ser compreendido e aceito como ser único e integral 
e, portanto, com necessidades e expectativas particulares. Na atenção à saúde, as ações voltadas à 
humanização do cliente devem ser manifestadas nos âmbitos organizacional, ambiental, tecnológico, nas 
inter-relações,nas atividades terapêuticas em si e em outros. Mezzomo (2001) afirma: “Hospital 
‘Humanizado’, é aquele em que em sua estrutura física, tecnológica, humana e administrativa valoriza e 
respeita a pessoa, colocando-se a serviço da mesma, garantindo-lhe um atendimento de elevada 
qualidade”. 
Knobel (1998), em abordagem a respeito das Condutas no Paciente Grave, enuncia: “A humanização é 
um antigo conceito que renasce para valorizar as características do gênero humano. Para que seja 
verdadeiramente recuperado, é necessária uma equipe consciente dos desafios a serem enfrentados e dos 
próprios limites a serem transpostos”. Relata, ainda, que as especificidades de uma UTI fazem com que os 
trabalhadores desse serviço atuem de maneira impessoal, o que carece de atenção. A complexidade 
tecnológica (máquinas/equipamentos), a fragmentação do cuidado, as deficiências estruturais do sistema 
de saúde como um todo, e a falta de filosofias de trabalho e de ensino voltada à humanização de maneira 
efetiva. 
No cuidado à saúde, em nosso país, a humanização do cliente pode ser percebida na Constituição Federal 
(Brasil, 1988) que garante a todos o acesso à assistência à saúde de forma resolutiva, igualitária e integral. 
A Carta dos Direitos do Paciente (Fórum Permanente das Patologias Clínicas, 1995) e pela Comissão 
Conjunta para Acreditação de Hospitais para a América Latina e o 
Caribe e mais recentemente, o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar - PNHAH - 
proposto pelo Ministério da Saúde em 2001, são documentos que determinam o modo e o campo de 
atuação das instituições e dos profissionais de saúde rumo à humanização dos seus usuários. Também 
contamos com o Serviço de Proteção ao Consumidor (Procon) e o Instituto Brasileiro de Defesa do 
Consumidor (Idec). Um fato 
que merece destaque é a existência crescente dos Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC), também no 
interior das empresas de saúde. No processo de humanização do cliente pela enfermagem, Santana e Silva 
(2000) referem: “Decididamente, não há regras, nem fórmulas que o tornem viável, porque ele depende 
fundamentalmente da conscientização da sua importância”. Como alternativas de otimização, sugerem 
mais investimentos na formação de recursos humanos e na compreensão do paciente como ser único e 
indivisível. 
Apesar de a literatura ressaltar a necessidade da humanização dos usuários dos serviços de saúde, pouco 
se sabe a respeito da implementação e dos resultados de medidas que visem minimizar a impessoalidade 
do cliente. Na enfermagem, embora de forma indireta, a humanização do paciente foi enfocada no Século 
XIX por Florence Nightingale (1989). 
Em seu livro de título Notas Sobre Enfermagem, em vários momentos, ela sugere maneiras para o melhor 
restabelecimento dos pacientes através da adoção de medidas ambientais proporcionadas pelas 
enfermeiras. Através dos seus escritos, percebemos que naquela época, ainda que o foco principal da 
assistência fosse o ambiente, a humanização já estava implícita na atuação da enfermagem Hoje, passados 
13
mais de um século, a questão da humanização ainda consiste num desafio para a profissão que precisa se 
adequar às demandas tecnológicas, econômicas e sociais todos elas com forte tendência à desumanização. 
Sabemos que a revolução industrial e o ambiente socioeconômico sempre influenciaram no modo de 
atuação da enfermagem, entretanto questões relacionadas à ética, ao respeito e ao reconhecimento da 
individualidade dos outros, são princípios que devem prevalecer na vida das pessoas e na profissão, 
independentemente da origem, da época e do local. 
O Paciente e suas Necessidades Básicas 
As influências internas e externas a que está constantemente submetido o paciente na UTI podem levá–lo 
a uma condição de estresse, na qual o indivíduo perde a capacidade natural de adaptação. Este fato 
constitui uma ameaça à manutenção da sua homeostase e interfere grandemente nas satisfação das suas 
necessidades básicas. 
As necessidades básicas são aquelas relacionadas com a sobrevivência física, psíquica e espiritual 
(necessidades psicobiológicas, psicossociais, e psicoespirituais. MASLOW in GOMES,1988) 
Muitas dessas necessidades estão afetadas no paciente de UTI. O paciente gravemente enfermo tem uma 
grande dependência em relação à satisfação dessas necessidades e, como todo ser humano que se vê 
dependente, responde a este fato de uma forma característica, individual. Ele se torna concentrado em si 
mesmo, seus interesses e sua atenção se limitam ao momento presente, sua preocupação primária é o 
funcionamento do seu corpo. 
As necessidades de segurança física se acentuam, ainda, pelo fato de se sentir ameaçado por falhas 
mecânicas e, talvez, por falhas humanas. Em relação à necessidade de se comunicar, acontece 
freqüentemente que o paciente de UTI está impossibilitado de fazê–lo verbalmente ou mesmo através da 
escrita, por motivos como entubação, afasia ou efeitos de drogas. O fato de não poder se expressar 
convenientemente muitas vezes o faz adotar os mais variados comportamentos, desde a passividada e a 
indiferença até a agressividade. 
Sua ansiedade cresce quando vê seu corpo exposto, manuseado pela equipe, que, no afã de atendê-lo 
pronta e eficazmente, se esquece de lhe dar explicação prévia ou de atuar com maior cuidado. E atingido 
em sua auto – estima quando se vê subjugado por todos que se aproximam do seu leito e que, sem 
pedirem seu consentimento, executam suas tarefas, introduzindo – lhes sondas e cateteres, expondo seu 
corpo sem considerarem seu pudor. 
O Paciente e a Família Frente ao Ambiente da UTI/ Humanizando as Relações de Atendimento 
O envolvimento da família no processo de recuperação do paciente na UTI vem ocorrendo cada vez mais; 
o que era apenas um horário restrito de visita vem se tornando um espaço da presença da família, com 
horários flexíveis de visita e/ou presença permanente de um acompanhante. Cabe à equipe identificar as 
situações em que o paciente será beneficiado com isso e propor a permanência do acompanhante. 
Por lei, crianças e jovens com até 18 anos têm direito a acompanhante, devendo os estabelecimentos de 
atendimento à saúde proporcionar condições para permanência em tempo integral de um dos pais ou 
responsáveis. Tais direitos são concedidos também aos pacientes com mais de 65 anos. Cabe lembrar que 
a permanência do acompanhante tem como principal objetivo apoiar emocionalmente o paciente, 
auxiliando em sua recuperação. 
Mostrar o ambiente da UTI e seus equipamentos, explicando de uma maneira 
simplificada seu funcionamento e a sua finalidade, é uma medida que gera segurança na família, pois esta 
passa a inteirar – se do ambiente, que deixa de ser frio e desconhecido para ela. 
Os equipamentos que serão ou possam vir a ser utilizados no paciente são outro aspecto relevante a ser 
abordado com os familiares. Estar presente à beira do leito no primeiro contato familiar com o paciente na 
UTI auxilia no esclarecimento do que é e para que serve cada aparelho; não se deve esquecer de explicar 
os alarmes existentes e qual a sua finalidade, pois muitas vezes este é um fato que causa ansiedade na 
família, por não saber do que se trata. 
A elaboração de um manual que mostra esses aspectos técnicos torna prática e objetiva esta abordagem, 
mas não exclui a presença e a orientação fornecida pelo profissional. O manual, se elaborado deve ser 
composto numa linguagem simples e objetiva, com ilustrações que facilitem a identificação dos 
aparelhos; deve abordar os aparelhos que provavelmente serão utilizados, a importância de lavar as mãos 
antes e após a visita no contato com o paciente, os profissionais que atuam na UTI e como ocorre o 
sistema de informações. 
Enfim, o enfermeiro deve estar apto a receber o paciente e sua família, promovendo um vínculo efetivo 
que vise uma assistência individualizada e de qualidade, minimizandoa dor e o sofrimento de todos 
durante sua permanência na UTI. Promover uma interação efetiva com a família do paciente na UTI é um 
passo fundamental na recuperação da saúde deste; passo difícil de ser estabelecido na íntegra, pois 
envolve treino, consciência e vontade. 
14
ASSISTÊNCIA AO PACIENTE 
O Paciente com Problemas Cardíacos 
Aterosclerose Coronariana 
Condição patológica das artérias coronarianas, caracterizada pelo acúmulo de 
substâncias lipídicas e tecido fibroso na parede vascular, levando a alterações na estrutura e função 
arteriais e redução do fluxo sangüíneo para o miocárdio. 
Fisiopatologia da ATEROSCLEROSE 
A aterosclerose tem início quando o ateroma de colesterol gorduroso, que se 
assemelha à acúmulos cinza – perolados de tecido, se deposita na camada íntima das grandes artérias. 
Esses depósitos interferem na absorção de nutrientes pelas células endoteliais que compõem o 
revestimento interno vascular, além de obstruírem o fluxo sangüíneo, por se protaírem para dentro da luz 
do vaso. Nas áreas envolvidas o endotélio torna- se necrótico e, depois, fibroso, comprometendo assim 
ainda mais a luz e impedindo o fluxo de sangue. Nestes locais onde o lúmen está reduzido e a parede 
áspera, existe uma grande tendência à formação de coágulos. 
Dentre os mecanismos prováveis da formação de ateromas estão a formação de trombos na superfície da 
placa, seguida de organização fibrosa do trombo, hemorragia no interior da placa e acúmulo lipídico 
contínuo. Se o revestimento fibroso da placa romper, os restos lipídicos serão levados pela corrente 
sangüínea provocando a obstrução das artérias e capilares distalmente. 
A estrutura anatômica das artérias coronárias se torna particularmente 
suscetíveis aos mecanismos da aterosclerose. Para suprir o coração, elas se torcem, fazem voltas, criando 
assim ângulos e recessos propícios ao desenvolvimento dos ateromas 
Fatores de Risco para Aterosclerose 
Fatores de risco IRREVERSÍVEIS 
•História familiar 
•Idade avançada 
•Sexo – ocorre com maior freqüência em homens 
•Raça- maior incidência em negros 
•Geografia – maior incidência em regiões industrializadas 
Fatores de risco REVERSSÍVEIS 
•Hiperlipidemia 
•Hipertensão Arterial 
•Tabagismo 
•Hiperglicemia (diabetes melitos) 
•Obesidade 
•Sedentarismo 
•Stress 
Angina de Peito 
Angina de peito é a síndrome clínica caracterizada por crises de dor ou sensação de pressão na região 
anterior do tórax. A causa é o fornecimento insuficiente de sangue para as coronárias, resultando no 
suprimento inadequado de oxigênio para o miocárdio.
Alguns fatores podem provocar dor anginosa (1) esforço físico, provocando uma crise devido ao aumento 
das necessidades miocárdicas de oxigênio;(2) exposição ao frio, causando vasoconstrição e elevação da 
pressão sangüínea, com aumento da necessidade de oxigênio;(3) ingestão de refeição copiosa;(4) 
situações de stresse que levem à liberação de adrenalina 
Tipos de angina 
*Angina Estável 
Previsível, consistente, ocorre ao esforço e é aliviada pelo repouso. 
*Angina Instável 
Aumento progressivo na freqüência, intensidade e duração das crises. 
15
Infarto 
Infarto Agudo do Miocárdio – IAM é o processo pelo qual o tecido miocárdico é 
destruído em regiões do coração desprovidas de um suprimento sangüíneo suficiente, em redução no 
fluxo sangüíneo coronariano. 
A causa dessa diminuição no fluxo sanguíneo é o estreitamento repentino de uma artéria coronária pela 
aterosclerose, ou pela obstrução total de uma coronária por êmbolo ou trombo. A redução do fluxo 
sanguíneo coronariano também pode ser resultante de um choque ou hemorragia. Em todos os casos, há 
um desequilíbrio grave entre o consumo e a demanda de oxigênio pelo miocárdio 
Manifestações Clínicas 
O principal sintoma inicial é dor torácica persistente, caracterizada pelo início súbito, geralmente sobre a 
região inferior do esterno e abdome superior. A dor pode agravar continuamente, até se tornar quase 
insuportável. Ela é uma dor violenta e constritiva, que pode irradiar – se para os ombros e braços, 
geralmente do lado esquerdo. 
Ao contrário da dor da angina, ela começa espontaneamente , persiste por horas ou dias e não é aliviada 
pelo repouso ou pela nitroglicerina. Em alguns casos a dor pode irradiar–se para mandíbula e pescoço. 
Muitas vezes a dor acompanha – se de taquipnéia, palidez, sudorese fria e pegajosa, lipotímia ou confusão 
mental, náuseas e vômitos. O paciente com diabetes melito pode não sentir dor grave com o infarto do 
miocárdio. A neuropatia que acompanha o diabetes interfere com os neurorreceptores, atenuando assim a 
sensibilidade dolorosa. 
Avaliação diagnóstica 
Pode dizer se um indivíduo tem doença da artéria coronária fazendo a revisão dos seus sintomas, do 
exame físico e dos testes diagnósticos. Estes últimos 
podem incluir exames, como o eletrocardiograma, o teste de esforço - a realização de uma atividade, 
como andar de bicicleta ou na esteira rolante - que exigem diversos níveis de esforço. Durante todo o teste 
são registrados a pressão arterial e o ECG. Este teste pode ser, ainda, combinado com um radioisótopo ou 
um ecocardiograma para o médico obter mais informações. Quando a pessoa não pode realizar estes 
exercícios, alguns medicamentos podem ser usados para "estressar" o coração (chamado de teste de 
esforço farmacológico); ou da coronariografia (um catéter introduzido na artéria através do braço ou da 
perna do paciente, guiado até o coração, permitindo a injeção de contraste nas artérias coronarianas e nos 
ventrículos, sendo filmado todo o processo. Os médicos alertam que o resultado destes testes e de outros 
são usados para avaliar a extensão da doença, os efeitos provocados por ela no coração para o seu melhor 
tratamento. 
Tratamento 
Os objetivos principais são: prevenção e tratamento das arritmias cardíacas e limitação da área necrosada 
com preservação da área isquêmica, alternando a história natural da enfermidade. Assim o indivíduo com 
diagnóstico comprovado ou forte suspeita de IAM deve ser internado em UTI, onde: 
- É obrigatória a monitorização do rítmo e da freqüencia cardíaca; 
- O paciente deve manter repouso no leito por 48 horas; 
- Aliviar a dor e a ansiedade é um procedimento básico (a presença de dor e de ansiedade aumentam a 
atividade do sistema nervoso simpático, podendo elevar a pressão arterial, induzir ao aparecimento de 
arritmias e promover o aumento de consumo de oxigênio pelo miocárdio já isquêmico e, com isso, levar à 
extensão da necrose); 
- Especial atenção deve ser dada às funções intestinais; 
- Deve – se manter o paciente sob dieta hipossódica – cerca de 1.500 calorias; 
- Deve – se manter o paciente com via venosa permeável; 
- Deve – se administrar anticoagulantes e soluções polarizantes, conforme prescrição 
médica; 
- Deve – se oferecer apoio psicológico ao paciente;
- Há evidências de indicações para coronariografia;
- Entre os recentes avanços terapêuticos do IAM, destaca – se a possilbilidade de reperfusão precoce, com 
a finalidade de preservar o miocárdio isquêmico, com especial destaque para a trombólise coronária e 
para a angioplastia de salvamento (por exemplo a streptoquinase). 
-Complicações 
-Ruptura cardíaca; 
-Congestão pulmonar; 
16
-Choque cardiogênico; 
-Aneurisma ventricular; 
-Comunicações interventriculares; 
-Insuficiência mitral; 
-Edema agudo de pulmão; 
-Pericardite; 
-Arritmias; 
Eletrocardiograma 
DEFINIÇÃO 
O eletrocardiograma (ECG) é uma representação da atividade elétrica do coração, refletida pelas 
alterações do potencial elétrico na superfície da pele. 
O ECG é registrado como um traçado sobre uma fita de papel milimetrado, onde os espaços entre as 
linhas verticais representam a amplitude e distam entre si 1 milímetro. Cada 10 milímetros corresponde a 
1 milivolt (mV). A distância entre as linhas horizontais medem o tempo,e cada 1 milímetro corresponde a 
0,04 segundos ou 400 milisegundos. 
OBJETIVOS DO ECG 
O ECG é particularmente útil na avaliação das condições que interferem com as funções cardíacas 
normais, como distúrbios da freqüência ou ritmo, anormalidades da condução, crescimento das câmaras 
cardíacas, presença de um infarto do miocárdio e desequilíbrios eletrolíticos. 
PRINCÍPIOS BÁSICOS 
A informação registrada no ECG representa impulsos elétricos do coração. Os impulsos elétricos 
representam várias etapas da estimulação cardíaca. 
Quando se estimula o músculo cardíaco eletricamente , ele se contrai. 
No estado de repouso as células do coração estão POLARIZADAS, o interior das células se acha 
NEGATIVAMENTE carregado. Quando se estimula as células a contrairem-se, se tornam 
POSITIVAMENTE carregadas, denominando – se DESPOLARIZAÇÃO.
Assim uma onda progressiva de estimulação (despolarização) atravessa o coração, produzindo contração 
do miocárdio. O estímulo elétrico de despolarização causa contração progressiva das células miocárdicas, 
quando então a onda de cargas positivas progride para o interior das células. A onda de despolarização ( o 
interior das células se torna positivo ) e a repolarização ( as células voltam a ser negativas ) 
O impulso elétrico ao se difundir nos átrios, forma a primeira onda positiva - onda P. 
Depois da onda P, registra - se um segmento sem ondas, porque a atividade 
elétrica é de pequena magnitude - segmento PR, que representa a despolarização do tecido específico ( 
região do nódulo AV e feixe de His ). Em seguida ,vemos uma onda negativa - onda Q; uma onda 
positiva alta - onda R e outra negativa - onda S. Forma – se o complexo QRS que representa a 
estimulação elétrica dos ventrículos e não a contração mecânica das câmaras ventriculares. 
Em seguida há repouso elétrico do coração quando se inscreve outro segmento sem ondas - segmento ST. 
Finalmente, inicia - se o fenômeno espontâneo e mais lento da repolarização ventricular, representado por 
uma deflexão positiva, onda T. Muitas vezes observa - se outra onda positiva - onda U, que aparece 
principalmente, quando a freqüência cardíaca é baixa. 
REGISTRO DO TRAÇADO ELETROCARDIOGRÁFICO 
Para se registrar o traçado eletrocardiográfico, algumas precauções devem ser 
observadas: 
- O paciente deve estar, preferentemente, deitado e em absoluto repouso - relaxado; 
- Os eletrodos dos membros deverão ser conectados aos punhos e ao terço inferior das pernas. Todavia, 
porém podem ser colocados desde a raiz da coxa até o dorso do pé, ou desde o ombro até o dorso da mão, 
pois que na prática se pode considerar que um eletrodo explorador colocado além de 12 cm do coração 
capta sempre o mesmo potencial; 
- Entre a pele e o eletrodo explorador deve ser colocado um bom condutor de 
eletricidade: certas pastas (gel condutor ), álcool ou mesmo água; 
- As crianças pela sua natural inquietação, podem ou devem ser sedadas. 
COMO OBTER O ECG 
O ECG consiste em 12 derivações. A informação sobre a atividade elétrica do coração é obtida colocando 
- se eletrodos sobre a superfície da pele, em posições anatômicas convencionadas. As diversas posições 
dos eletrodos que podem ser monitorizadas são denominadas derivações. Para um ECG completo com 12 
derivações, o coração é analisado em cada uma das 12 posições anatômicas diferentes.O sistema é 
composto de 4 eletrodos periféricos, um em cada braço e cada perna e 6 precordiais, constituindo as 
derivações standarts ( D1, D2, D3 ) e 3 variáveis ( aVR , aVL e aVF ). 
Colocação dos eletrodos nos membros: 
17
COR POSIÇÃO 
VERMELHO Braço direito 
AMARELO Braço esquerdo 
PRETO Perna direita 
VERDE Perna esquerda 
AZUL Precordiais 
Reanimação cardiopulmonar-cerebral (Suporte Avançado de Vida em 
Cardiologia) 
• Conceito de PCR (parada cardiorrespiratória) 
É a interrupção súbita da atividade mecânica ventricular, útil e suficiente, e da 
respiração. 
•A ressuscitação cerebral é o objetivo mais importante 
As pessoas envolvidas no atendimento devem restabelecer o batimento cardíaco,como primeiro passo em 
direção a este objetivo. Ressuscitação cerebral – retorno do paciente para o nível de função neurológica 
pré – parada – representa o objetivo principal. 
A probabilidade de sobrevida diminui acentuadamente a cada minuto da 
ressuscitação cardiopulmonar. 
A parada cardiorrespiratória constitui emergência médica extrema, pois ao instalar–se cessa o aporte de 
oxigênio ao organismo, e a anóxia tecidual conseqüente exige o início imediato das manobras de 
reanimação. As repercussões da anóxia são diferentes nos vários tecidos e exercem seu efeito nocivo mais 
rapidamente no miocárdio e no cérebro. Qualquer que seja a causa precipitante da parada 
cardiorrespiratória, o paciente perde a consciência em 10 segundos. Nos 2 a 4 minutos subseqüentes 
ocorre no cérebro a depleção da adenosina trifosfato. Este tempo representa portanto o limite entre a vida 
e a morte do paciente ou produção de graves seqüelas neurológicas se o paciente se recuperar. 
•A causa 
A equipe de terapia intensiva deve identificar as condições que levaram à parada cardíaca tão 
urgentemente quanto possível. Uma vez que estas condições tenham sido identificadas, deve -se iniciar 
rapidamente a terapia apropriada. 
Várias são as causas de PCR: IAM (infarto agudo do miocárdio), 
arritmias, distúrbios metabólicos, trauma, drogas, quase afogamento, 
hipotermia, hipóxia... 
- Modalidades de parada cardíaca: 
ASSISTOLIA: é a cessação de qualquer atividade elétrica ou mecânica dos ventrículos. 
No eletrocardiograma (ECG) caracteriza – se pela ausência de qualquer atividade elétrica ventricular 
observada em, pelo menos, duas derivações . 
FIBRILAÇÃO VENTRICULAR (FV): é a contração incoordenada do miocárdio em conseqüência da 
atividade caótica de diferentes grupos de fibras miocárdicas, resultando na ineficiência total do coração 
em manter um rendimento de volume adequado. No ECG, ocorre a ausência de complexos ventriculares 
individualizados que são submetidos por ondas irregulares em ziguezague, com amplitude e durações 
variáveis. 
TAQUICARDIA VENTRICULAR SEM PULSO: é a sucessão rápida de batimentos ectópicos 
ventriculares que podem levar à acentuada deterioração hemodinâmica, chegando mesmo a ausência de 
pulso arterial palpável, quando, então, é considerada uma modalidade de parada cardíaca, devendo ser 
tratada com o mesmo vigor da FV. O ECG caracteriza – se pela repetição de complexos QRS alargados, 
não precedidos de onda P e, se estas estiverem presentes, não guardam relação com os complexos 
ventriculares. Podem ocorrer capturas isoladas de alguns complexos QRS. Em geral os ciclos 
ventriculares têm sucessão a intervalos regulares. 
ATIVIDADE ELÉTRICA SEM PULSO (AESP):é caracterizada pela ausência de pulso detectável na 
presença de algum tipo de atividade elétrica, com exclusão da TV ou FV. A AESP incorpora dissociação 
eletromecânica ( DEM ) e um grupo heterogêneo de ritmos, que inclui : pseudo DEM, ritmo 
ideoventricular, ritmo de escape ventricular, ritmo ideoventricular pós desfibrilação e rimos 
bradissistólicos. Ao ECG, caracteriza – se pela 
presença de complexos QRS largos e bizarros que não produzem resposta de contração miocárdica 
eficiente e detectável. 
SUPORTE BÁSICO DE VIDA 
É constituído por um conjunto de procedimentos de emergência que pode ser executado por profissionais 
da área de saúde ou por leigos treinados, constituindo no reconhecimento de obstrução das vias aéreas, de 
18
parada respiratória e de parada cardíaca e na aplicação da RCP (recuperação cárdio – pulmonar) através 
da seqüência ABC: 
- abertura das vias aéreas (desobstrução); 
- boca a boca (respiração); 
- circulação artificial (compressão torácica externa). 
SUPORTE AVANÇADO DE VIDA 
Consiste na ressuscitação com uso de equipamento adicional ao usado no suporte básico ou ABC. Inclui 
desfibrilação e monitorização,marcapasso, equipamentos e técnicas para obtenção das vias aéreas e 
ventilação, obtenção de via venosa, administração de medicamentos e cuidados pós – ressuscitação. Deve 
ser realizado por médico ou pessoal treinado e amparado pela lei. 
ABCD PRIMÁRIO ( SUPORTE BÁSICO ) 
Ações preliminares: 
Estas são realizadas imediatamente antes do "A" (Airway) do ABCD primário 
-“Acessar responsividade”:Paciente deitado- inconsciente, não responsivo". Sempre assuma que uma 
pessoa teve uma parada cardíaca ou respiratória, ou ambas, até prova em contrário. Estabeleça não 
responsividade de como o tradicional " grite e sacuda ": sacuda gentilmente a pessoa e grite, "você está 
bem? " mas para a pessoa com possível trauma o" sacudir "pode agravar lesões traumáticas e "toque e fale 
"é a melhor abordagem. Estas técnicas distinguem a pessoa que está dormindo ou que está com o sensório 
deprimido, daquele que está, clinicamente comatosa.
-“Chame rápido”: por ajuda. Uma vez que a responsividade é verificada, deve-se, imediatamente chamar 
por ajuda. Aquele que responde a esta chamada deve ser solicitado a ativar a equipe de intensivistas 
(médicos e equipe de enfermagem). As pessoas devem ter o senso de urgência para retornar ao paciente a 
fim de abrir e verificar se ocorreu ou não obstrução das vias 
-“Posição apropriada da vítima”: decúbito dorsal horizontal, preferencialmente em superfície firme. 
Algumas camas hospitalares necessitam de suporte firme entre a caixa torácica e o colchão, para que o 
tórax do paciente permaneça estável durante o procedimento de reanimação. Esses suportes devem ser 
guardados junto ao carrinho de emergência. 
- “Posição apropriada do socorrista”: A posição mais eficiente para um é ao nível do tórax da vítima. 
Preferencialmente sobre uma escadinha ou suporte para que possa posicionar–se num nível mais alto que 
a vítima. 
A Avaliação Primária 
Airway (vias aéreas): abra as vias aéreas 
Breathing (respiração): realize ventilações com pressão positiva 
Circulation (circulação): faça compressões torácicas 
Desfibrilation (desfibrilação): choque FV/ TV sem pulso 
O ABCD PRIMÁRIO: DETALHES DE EXECUÇÃO 
(A) ABRIR VIAS AÉREAS. Como um primeiro passo, a boca deve ser aberta e as vias aéreas superiores 
inspecionadas para objetos estranhos, vômito ou sangue. Se presentes estes devem ser removidos com as 
mãos enluvadas ou virando o paciente de lado. Nas pessoas inconscientes, em decúbito dorsal, o 
relaxamento muscular faz com que a base da língua entre em contato com a parede posterior da faringe e 
obstrua as vias aéreas superiores, a epiglote também pode fechar a glote. Como a língua está fixada na 
mandíbula, sua projeção para frente vai tracioná–la, desobstruindo a via aérea. A manobra recomendada é 
a extensão da cabeça associada à tração anterior da
mandíbula. 
- Coloque uma das mãos na testa, pressionando – a para trás; 
- Coloque os dedos indicador e médio da outra mão sob o mento, elevando-; 
- Estenda a cabeça e tracione a mandíbula para frente. 
Além da manobra de inclinação da cabeça – elevação do queixo da RCP básica, toda a equipe deve 
aprender a técnica de elevação da mandíbula para abertura das vias aéreas. Na elevação da mandíbula, o 
socorrista permanece junto à cabeça do paciente e agarra os arcos da mandíbula com a ponta dos dedos, 
enquanto as mãos são colocadas nos lados da face do paciente. A mandíbula é levantada para frente. 
AVALIAR A AUSÊNCIA DE RESPIRAÇÃO 
Diagnóstico de parada respiratória 
O acesso do deslocamento de ar é feito rapidamente, quando o socorrista abre as vias aéreas com a 
manobra de inclinação da cabeça – elevação do queixo e “olhando, ouvindo e sentindo” por um 
movimento de ar. 
19
Para se avaliar a presença de respiração espontânea, o socorrista deve colocar o seu ouvido próximo à 
boca e ao nariz da vítima enquanto mantêm pérvias as vias aéreas. 
A atenção do socorrista deve se concentrar: ver eventuais movimentos respiratórios do tórax; ouvir ruídos 
respiratórios; sentir o fluxo de ar exalado sobre a sua face. Na ausência destes sinais indicativos, conclui – 
se que a vítima está apnéica. Esta avaliação deve ser feita no máximo em 5 segundos. O socorrista pode 
notar que a vítima reassumiu a respiração com a manobra de abertura das vias aéreas. A manutenção 
contínua das vias aéreas pode ser a única ação requerida neste momento. 
CONFIRMAÇÃO DA AUSÊNCIA DE PULSO 
Diagnóstico de Parada Cardíaca 
Uma vez estabelecida a ausência de respiração, o socorrista deve, 
prontamente checar a presença de pulso na artéria carótida ou femural no lado próximo de si. A 
checagem de pulso deve durar 5 a 10 segundos, porque o pulso pode estar presente, mas difícil de 
detectar se estiver lento, irregular, fraco, ou rápido. 
Neste ponto, o socorrista confirmou uma parada cardíaca “completa”. Frente a uma vítima que está 
inconsciente, não responsiva, sem respiração e sem pulso, o socorrista deve iniciar compressões torácicas 
e ventilação artificial, imediatamente. 
(B) VENTILAR O PACIENTE 
1.VENTILAÇÃO AMBÚ/KT5- BOCA : A máscara de ambú deve ser adequada ao tamanho do 
paciente, e bem adaptada a face do mesmo evitando que ocorra escapes de fluxo, o que diminuiria o 
volume corrente. Deve ser conectada à fonte de oxigênio. A ventilação ambú – boca sendo tecnicamente 
bem realizada é muito efetiva. A distensão gástrica pode e deve ser prevenida (provoca regurgitação e 
broncoaspiração) evitando grandes volumes de ar e fluxo respiratório muito rápido, o que provocaria 
abertura do esôfago, permitindo entrada de ar no estômago.
Aplique duas ventilações durante 2 a 4 segundos. Mantenha apropriada inclinação da cabeça para 
permitir exalação de ar. Dê um tempo adequado ( 1 a 2 segundos por ventilação ) para permitir a 
exalação do ar. 
Neste momento, o socorrista deve fazer várias observações importantes. 
Primeiro, o ar da primeira respiração entrou? O tórax levantou? Pôde o socorrista ouvir o som do ar 
escapar durante a exalação passiva? Se o ar não entrou facilmente e o tórax não levantou, deve-se tomar 
algumas medidas para corrigir o que pode estar obstruindo as vias aéreas. Nesta situação, a melhor 
conduta é repetir, rapidamente a manobra de inclinação da cabeça – elevação do queixo, e tentar 
novamente. Se permanecer sem sucesso, o indivíduo tem, por definição, vias aéreas obstruídas. Lembre –
se que o próximo passo, compressões torácicas com o tórax fechado, será completamente ineficaz se o 
paciente não puder ser ventilado com sucesso. 
A freqüência ideal das ventilações é de 12 a 15 por minuto. 
(C)REALIZAR COMPRESSÕES TORÁCICAS COM O TÓRAX FECHADO 
Com o paciente e o socorrista adequadamente posicionados, este último desliza os dedos indicador e 
médio pelo rebordo costal, até o entalhe onde as costelas encontram o osso esterno (ângulo de Charpy). 
Com o dedo médio neste entalhe, o indicador é colocado ao seu lado na extremidade inferior do esterno. 
A região hipotênar da outra mão é colocada no esterno ao lado do indicador. A primeira mão é removida 
do entalhe é colocada sobre a mão no esterno, de tal maneira que ambas estejam paralelas. Os dedos 
podem ficar entrelaçados, mas afastados do gradeado costal, evitando fraturas de costelas. 
Os braços do socorrista devem permanecer em extensão, com as articulações dos cotovelos fixas, 
transmitindo ao esterno da vítima a pressão exercida pelo peso dos seus ombros e tronco, reduzindo a 
fadiga. A pressão aplicada deve ser suficiente para deprimir o esterno de 3,5 a 5 cm no adulto. 
A compressão deve ser regular e rítmica, seguindo – se imediatamente o relaxamento de igual duração, 
aliviando totalmente a pressão, permitindo ao tórax retornar a sua posição normal, sem, entretanto, retirar 
as mãos. 
A seqüência destas manobras deve ser ininterrupta. A respiração artificial e a compressão torácica externa 
devem ser associadas, para uma reanimação efetiva. A freqüência das compressõesdeve ser de 80 a 
100/min no adulto. As compressões torácicas devem ser alternadas com as ventilações na seguinte 
proporção: 
Alternância deve ser de 30 compressões para cada 2 ventilações (30: 2) 
(D) DESFIBRILAR FV E TV SE IDENTIFICADA 
20
O “pedido por ajuda” após detectar a não responsividade, deve resultar na chegada de alguém portando 
um desfibrilador. Tão logo o desfibrilador chegue, o socorrista deve adaptar o dispositivo e “caçar 
FV/TV”. 
Numerosos estudos clínicos e epidemiológicos têm confirmado, repetidamente, 
duas observações: 
- Quase todo adulto (acima de 90 % na maioria dos estudos) que sobrevive à parada cardíaca não 
traumática foi ressuscitado de FV. 
- O sucesso da desfibrilação é extremamente tempo dependente. 
- O propósito da desfibrilação 
Desfibrilação não faz o coração “pegar no tranco”. O propósito do choque é 
produzir uma assistolia temporária. O choque tenta despolarizar completamente o miocárdio e dar uma 
oportunidade para os centros de marcapasso natural de o coração assumirem a atividade normal. Durante 
a assistolia cardíaca, a ritmicidade assumirá se existirem suficientes estoques de fosfato de alta energia no 
miocárdio. A fibrilação miocárdica consome estes estoques a uma taxa maior do que o ritmo cardíaco 
normal. 
Assim, a desfibrilação precoce – antes que a fibrilação consuma os estoques de energia torna - se crítica. 
A Avaliação Secundária 
Airway (vias aéreas): execute intubação endotraqueal 
Breathing (respiração): avalie elevação bilateral do tórax e ventilação 
Circulation (circulação): obtenha acesso venoso, determine o ritmo, dê medicações apropriadas 
Differential Diagnosis (diagnóstico diferencial) : procure por , encontre e trate causa reversíveis.
O ABCD SECUNDÁRIO: DETALHES DA EXECUÇÃO 
Do ponto de vista simplístico, o ABCD secundário traduz–se por “intube, obtenha um acesso venoso, e 
tente lembrar qual droga vai com cada ritmo”. As avaliações e ações da avaliação secundária devem ser 
realizadas, quase simultaneamente. O papel dos membros da equipe deve ser definido antes que as 
paradas ocorram. Com planejamento adequado, o líder nem mesmo terá que pedir às pessoas para garantir 
as vias aéreas com intubação endotraqueal, ou obter acesso venoso através de uma via antecubital de bom 
calibre. Um problema poderá surgir se as pessoas que podem realizar estas tarefas 
avançadas não estiverem disponíveis. Neste caso, o líder da equipe deve realizar o passo seguinte, o mais 
importante. Enquanto as vias aéreas e as ventilações são sempre as maiores prioridades, pode não ser 
necessário apressar a intubação endotraqueal, se acessórios de ventilação no invasivos podem fornecer 
ventilação e oxigenação adequadas. 
(A) AIRWAY – VIAS AÉREAS 
- Verifique se alguém está realizando os preparativos para a intubação endotraqueal (pegando um tubo de 
tamanho apropriado, checando o laringoscópio, preparando um meio de aspiração). A intubação 
endotraqueal fornece um controle definitivo das vias aéreas – não há substituto equivalente. 
- Pressão cricóide contínua pode ser necessária para prevenir a aspiração do conteúdo gástrico. 
- Cheque se o aspirador está pronto para ser usado.
(B)BREATHING (RESPIRAÇÃO) 
- Cheque as ventilações através da máscara facial ou através do tubo endotraqueal por elevação do tórax 
- Cheque se o paciente tem sons respiratórios: ausculte 1º sobre o epigástrio, 2º a linha axilar média à 
esquerda e 3º à direita. 
- Solicite uma radiografia portátil de tórax após a intubação, o que irá confirmar a posição do tubo e 
fornecer informações sobre as condições pulmonares.
(C) CIRCULATION – CIRCULAÇÃO 
- A veia antecubital deve ser o primeiro alvo do acesso venoso.. 
- Solução salina normal ao invés de soro glicosado a 5% é atualmente recomendada como o fluido IV 
ideal. 
- Lembre–se que os socorristas podem administrar as seguintes medicações pelo tubo endotraqueal: 
E - L – A (epinefrina, lidocaína, atropina). 
- Esteja preparado para administrar um bolus de 20 a 30 ml de fluido IV e elevar o 
braço do paciente após cada medicação IV. Isto irá apressar a chegada da medicação 
na circulação central. 
(D) DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
- A questão crítica que deve ser apresentada e respondida é “o que causou a parada?” 
- O propósito do diagnóstico diferencial é identificar causas reversíveis – causas que tenham terapia 
específica. 
21
- Examine o ritmo. Qual é o ritmo? O que poderia ter causado este ritmo? Cada ritmo de parada tem 
muitas causas possíveis: FV/ TV, assistolia, AESP ( atividade elétrica sem pulso ), bradicardias muito 
sintomáticas ou taquicardias. 
- A única possibilidade de ressuscitar com sucesso uma pessoa pode estar baseada em procurar, achar e 
tratar causas reversíveis. 
- Siga estes mesmos processos para pacientes com paradas cardíacas refratárias que não respondem às 
intervenções iniciais. Por exemplo, ritmo de conversão pós – choque em FV/TV podem revelar uma 
bradicardia de base, quando então pode se associar atropina, ou pode ser uma taquicardia transitória, caso 
em que um � - bloqueador de ação rápida pode ser usado. 
- Siga este mesmo processo no período peri – parada para qualquer emergência cardiorrespiratória grave. 
POSSÍVEIS CAUSAS DE ASSISTOLIA 
5Hs 
Hipóxia 
Hipovolemia 
Hipotermia 
Hipercalemia/Hipocalemia 
Hidrogênio - Acidose prévia 
1T 
Tóxicos 
POSSÍVEIS CAUSAS DE AESP 
5Hs 
Hipóxia 
Hipovolemia 
Hipotermia 
Hipercalemia/Hipocalemia 
Hidrogênio - Acidose prévia 
5Ts 
Tromboembolismo pulmonar 
Tamponamento cardíaco 
Tóxicos 
Trombose coronariana - IAM 
Tensão no tórax – Pneumotórax 
FATORES ASSOCIADOS A PIOR PROGNÓSTICO NA PCR: 
A. Pré – Parada cardiorrespiratória: várias condições clínicas presentes no período pré - parada são 
associados à prognóstico desfavorável. São exemplos: pacientes situados nos extremos da faixa etária, 
hipotensão arterial prolongada ( PA sistólica <100mmHg ), uremia ( uréia > 100 mmHg ), cirrose, 
pneumonia, neoplasia, septicemia, grave distúrbio hidroeletrolítico e ácido- básico. 
B. Durante a ressuscitação :1. mecanismo inicial da PCR.2. tempo de permanência na PCR> 30 min. A 
assistolia e dissociação eletromecânica são mecanismos de parada associados com baixa probabilidade de 
sobrevivência. Taquicardia ventricular e fibrilação ventricular apresentam evolução mais satisfatória, 
exigindo manobras de reanimação mais prolongadas. O tempo de permanência em PCR é inversamente 
proporcional à chance de sobrevivência em curto prazo. 
C. Pós – recuperação: 1. instabilidade hemodinâmica persistente. 2.coma após 
24 horas. 3. PCR recorrente. O estado de consciência no período pós ressuscitação mostra significativa 
relação com o prognóstico dos pacientes. A possibilidade de sobrevivência diminui progressivamente 
quanto maior for o tempo de permanência em coma após a ressuscitação. A instabilidade hemodinâmica ( 
Hipotensão persistente e arritmia recorrente ) e PCR repetidas , associam – se a prognóstico muito 
desfavorável. 
AÇÕES CRÍTICAS NO PERÍODO PÓS – RESSUSCITAÇÃO 
Avaliar e tratar seguindo os ABCDs 
1. Vias Aéreas 
- assegurar as vias aéreas; 
- verificar a colocação do tubo endotraqueal através do exame físico (murmúrio vesicular bilateral e 
ausculta epigástrica), indicadores de CO2 inspirado, aspiração do tubo endotraqueal e radiografia de 
tórax. 
2.Respiração 
- administrar O2 
22
- verificar potenciais complicações da ressuscitação, como pneumotórax, fraturas de costelas, fraturas de 
esterno e colocação inadequada do tubo endotraqueal. 
2. Respiração 
- administrar O2 
- ventilar com pressão positiva através máscara – ambú / KT5 ou ventilação mecânica 
- verificar a movimentação do tórax bilateralmente 
- verificar a oximetria de pulso; solicitar gasometria arterial 
- a não ser que o paciente assuma imediatamente respiração espontânea, ele necessitará de ventilação 
mecânica, o que habitualmenteirá requerer paralisação e sedação; 
- verificar potenciais complicações da ressuscitação, como pneumotórax, fraturas de costelas, fraturas de 
esterno e colocação inadequada do tubo endotraqueal. 
3. Circulação 
- acessar sinais vitais 
- acesso venoso, usar solução fisiológica; a administração de glicose é reservada a pacientes com 
hipoglicemia documentada; 
- instalar monitor eletrocardiográfico, oxímetro de pulso; 
- monitorar débito urinário; 
- se o ritmo da parada for FV ou TV e nenhum antiarrítimico tiver sido administrado, deve ser dado um 
bolus de Lidocaína, seguido de doses habituais de manutenção, salvo contra 
– indicações, como ritmo de escape ventricular; 
- se algum agente antiarrítimico foi usado com sucesso na reanimação, ele deve ser utilizado como 
manutenção, em infusão contínua; 
- pensar em terapia trombolítica para pacientes com evidências de IAM no ECG de 12 derivações pós – 
ressuscitação, considerando que o tempo de ressuscitação não tenha sido prolongado, que não tenha sido 
puncionada veia central e que não estejam presentes outras contra – indicações. 
4. Diagnóstico Diferencial 
- diagnosticar a causa que precipitou a parada (IAM, arritmias primárias, distúrbios eletrolíticos); 
- diagnosticar complicações (fratura de costela, hemopneumotórax, tamponamento pericárdio, trauma 
intra – abdominal, mau posicionamento do tubo endotraqueal); 
- solicitar radiografia de tórax 
- revisar a história com ênfase no período imediatamente pré – parada e as medicações em uso; 
- realizar exame físico; 
- solicitar ECG de 12 derivações; 
- solicitar dosagem de eletrólitos, incluindo magnésio e cálcio e enzimas cardíacas. 
OUTRAS AÇÕES 
- Trocar os dispositivos de acesso venoso que tenham sido colocados sem assepsia adequada ou que não 
possam ser mantidos adequadamente; 
- Colocar sonda nasogástrica; 
- Colocar cateter de Foley; 
- Tratar agressivamente distúrbios eletrolíticos identificados, particularmente 
relacionados ao potássio, cálcio, sódio e magnésio;
- Preparar o paciente para transporte para UTI com O2, monitorização de ECG, 
suprimento completo de equipamentos para ressuscitação e com pessoal treinado em número suficiente. 
Manter ventilação mecânica e oxigenação juntamente a monitorização de ECG e medidas de pressão 
arterial. 
QUANDO INTERROMPER A REANIMAÇÃO? 
A decisão de interromper as manobras de reanimação é muito difícil, pois não existe maneira absoluta de 
se certificar do diagnóstico de morte cerebral durante a reanimação. Nesta conduta, leva – se em 
consideração o estado cardiovascular do paciente, e a presença de sinais que caracterizam manobras 
efetivas, tais como: bom nível de consciência, presença de respiração espontânea, de movimentos 
musculares e de reação das pupilas. No entanto, pupilas fixas e dilatadas, inconsciência profunda, 
ausência de respiração e de movimentos musculares durante 30 minutos, são sinais que sugerem morte 
cerebral e a reanimação pode ser abandonada. 
FARMACOLOGIA NA PARADA CÁRDIO – RESPIRATÓRIA 
Os objetivos: 
Devemos pensar em farmacologia, em termos de indicação e categoria de ação, e sempre lembrar os 
objetivos principais: 
- corrigir hipoxemia; 
23
- estabelecer circulação espontânea com uma pressão sanguínea adequada; 
- promover função cardíaca ótima; 
- prevenir ou controlar arritmias importantes; 
- aliviar a dor; 
- corrigir a acidose; 
- tratar a insuficiência cardíaca congestiva. 
EPINEFRINA ( adrenalina ) 
Mecanismo de ação: 
É uma catecolamina natural com atividade adrenérgica, tanto � como � agonista. Ela produz as seguintes 
respostas vasculares: 
- � da resistência vascular sistêmica; 
- � das pressões sistólicas e diastólicas; 
- � da atividade elétrica do miocárdio; 
- � do fluxo coronário e cerebral; 
- �da força contrátil do miocárdio; 
- � da necessidade miocárdica de O2 
- � da automaticidade. 
O efeito benéfico primário da epinefrina na parada cardíaca é a vaso constrição, que leva à melhora da 
pressão e perfusão coronária e cerebral. 
A epinefrina produz uma redistribuição favorável do fluxo sanguíneo da periferia para a circulação 
central durante a PCR. 
Indicações: 
Na PCR em FV ou TV sem pulso, que não responde aos choques elétricos iniciais, assistolia e AESP. A 
infusão pode também ser usada para tratar pacientes com bradicardia profundamente sintomática. 
Dosagem: 
1 mg IV em bolus ( repetir a cada 3 a 5 minutos ), em seguida , 20 ml de soro 
fisiológico, e eleve o braço para garantir a disponibilidade da droga à circulação central. 
* Se não pudermos obter via venosa imediata, podemos utilizar a via traqueobrônquica de 2,0 a 2,5 vezes 
a dose IV periférica, seguida de 10 ml de soro fisiológico, hiperventilação e continuação da RCP. 
A epinefrina pode também ser usada como um agente pressor e cronotrópico (para � a pressão e a FC ) 
para pacientes que não estão em parada cardíaca ( por ex. no choque séptico ou na bradicardia sintomática 
) , embora não seja o 1º agente a ser usado. 
A dose de 1 mg de epinefrina ( 1 ml da solução 1: 1000 ) é adicionada à 500 ml de 
solução salina normal ou de glicose à 5% e administrada por infusão contínua. A dose 
inicial para adultos é 1 ml / min, titulada para atingir a resposta hemodinâmica desejada ( 
2 a 10 ml / min ). 
VASOPRESSINA 
Indicações: 
- Pode ser usada como um vasopressor alternativo à adrenalina no tratamento da FV refratária ao choque. 
- Pose ser útil no suporte hemodinâmico de pacientes em choque por vasodilatação (p.ex. choque séptico). 
- Na parada cardíaca tem como efeito aumentar a perfusão coronariana 
Precauções/Contra – indicações: 
- Vasoconstrictor periférico potente. O aumento da resistência vascular periférico pode provocar isquemia 
cardíaca e angina. 
- Não recomendado para pacientes conscientes portadores de doença arterial 
coronariana. 
Dosagem no adulto: 
- Dose na parada cardíaca: 40 U EV em bolus (dose única) 
ATROPINA 
Mecanismo de ação: 
O sulfato de atropina é uma droga parassimpaticolítica que aumenta tanto a 
automaticidade do nó sinusal como a condução atrioventricular (AV) por ação vagolítica direta. 
Indicações: 
No miocárdio doente, a elevação do tônus parassimpático pode precipitar distúrbiosde condução ou 
assistolia. A atropina é indicada como terapêutica inicial para os pacientes com bradicardia sintomática, 
incluindo aqueles com FC dentro da faixa “fisiológica”, nas quais uma taquicardia sinusal seria mais 
apropriado. 
Dosagem: 
24
A atropina é administrada IV na dose de 0,5 a 1,0 mg. A dose pode ser repetida a intervalos de 5 minutos 
até que a resposta desejada seja alcançada ( isto é, um � na FC, usualmente até 60 bpm ou superior, ou 
melhora dos sinais e sintomas). Doses repetidas de atropina devem ser evitadas quando possível, 
especialmente em pacientes com doença cardíaca isquêmica. Quando o uso da atropina é essencial nos 
pacientes com doença arterial coronariana, a dose total deve ser restrita a 2 a 3 mg ( máximo de 0,03 a 
0,04 mg / Kg ), se possível para evitar os efeitos prejudiciais da taquicardia induzida pela atropina no 
consumo de O2 pelo miocárdio. 
* A administração endotraqueal de atropina pode ser usada em pacientes sem 
acesso venoso, a dose recomendada é de 1,0 a 2,0 mg diluídos para um total que não exceda 10 ml de 
solução aquosa ou salina normal. 
BICARBONATO DE SÓDIO 
A RCP padrão gera somente 25 a 30 % de débito cardíaco normal, resultando em limitada perfusão 
orgânica e baixa disponibilidade de O2. Ao nível dos tecidos, o acúmulo de CO2 reflete o balanço entre a 
produção local de CO2, a dissociação do bicarbonato endógeno (tamponando a produção anaeróbica de 
íons hidrogênio) , e o clearence reduzido de CO2, devido ao baixo fluxo. A contínua liberação de CO2 
pelo metabolismo anaeróbico dos tecidos isquêmicos, a diminuição do transporte de CO2 dos tecidos 
hipoperfundidos para os pulmões e o reduzido fluxo sanguíneo pulmonar,com resultante redução da 
eliminação de CO2 levam a um acúmulo de CO2 nas veias pré-pulmonares e nos tecidos. Durante a RCP 
ocorrem redução da PCO2 expirada (CO2 no final da expiração) e acidemia venosa hipercárbica ( 
refletindo a acidose tecidual ), freqüentemente, associado a alcalemia arterial hipocárbica. A acidemia 
venosa na presença de alcalemia arterial tem sido denominada paradoxo veno – arterial. 
Mecanismo de ação: 
O bicarbonato de sódio ( NaHCO3 ) é o agente tampão mais amplamente usado na clínica. O NaHCO3 se 
dissocia em íons sódio e bicarbonato. Na presença de íons hidrogênio, o bicarbonato é convertido em 
ácido carbônico e, portanto, em CO2, que é transportado para os pulmões para ser excretado. A formação 
de CO2 facilmente excretável permite ao NaHCO3 funcionar como um eficiente tampão, como se segue: 
H + HCO3 � H2CO3 � H2 + CO2 
Em condições normais de ventilação e perfusão, o CO2 gerado pelo NaHCO3 é eliminado pelos pulmões 
e íons hidrogênio em excesso são, efetivamente, neutralizados. 
Entretanto com o transporte de CO2 dos tecidos para os pulmões e a remoção do CO2 pelos pulmões 
estão reduzidos durante a RCP, o CO2 gerado pala ação tamponante do NaHCO3 pode não ser 
adequadamente eliminado. Por sua livre difusibilidade através das membranas, o CO2 que permanece ao 
nível dos tecidos, pode induzir acidose hipercárbica paradoxal tecidual e intracelular, o que pode resultar 
em redução da contratilidade miocárdica e da possibilidade de ressuscitação. 
O ponto mais importante sobre a utilização do NaHCO3 durante a RCP é sua 
aparente incapacidade em aumentar o sucesso da desfibrilação ou aumentar as taxas de sobrevivência 
após parada cardíaca de curta duração. 
Indicações: 
Em certas circunstâncias, como acidose metabólica preexistente, hipercalemia ou intoxicação com 
tricíclicos ou fenobarbital, o bicarbonato é benéfico. Se a terapêutica com tampão for considerada 
necessária, esta deve ser executada rapidamente. Após a RCP com sucesso, a administração de 
bicarbonato de sódio pode ajudar a tamponar o excesso de ácido observado com o restabelecimento da 
respiração espontânea. 
Dosagem: 
Deve – se dar 1mEq / Kg IV em bolus como dose inicial. Posteriormente dá- se 
metade desta dose a cada 10 minutos. Se a análise dos gases sanguíneos for disponível e suficientemente 
rápida para que o resultado reflita o estado ácido – básico naquele momento, a terapia com bicarbonato 
pode ser guiada pelo cálculo do déficit de base ou pela concentração de bicarbonato. 
O bicarbonato de sódio pode ser administrado por infusão contínua, quando o 
objetivo terapêutico é a conexão gradual da acidose ou a alcalinização sanguínea. Para administrar uma 
solução de bicarbonato de sódio, utilizar uma solução de bicarbonato de sódio a 5% (297,5 mEq / 500 
ml). A velocidade de infusão deve ser guiada pela monitorização dos gases sanguíneos arteriais. 
CLORETO DE CÁLCIO 
Mecanismo de ação: 
Os íons cálcio aumentam a força de contração do miocárdio. Em resposta à 
estimulação elétrica do músculo, os íons cálcio entram no sarcoplasma a partir do espaço extracelular. Os 
íons cálcio contidos no retículo sarcoplasmático são rapidamente transferidos para os locais de interação 
entre os filamentos de miosina e actina do sarcômero, para iniciar o encurtamento da miofrila. Assim, o 
25
cálcio aumenta a função contrátil do miocárdio. Os efeitos inotrópicos do cálcio são modulados por sua 
ação na resistência vascular sistêmica. O cálcio pode também aumentar como diminuir a resistência 
vascular sistêmica. Em corações normais, os efeitos inotrópico positivo e vasoconstrictor produzem 
aumento previsível de pressão arterial. 
Indicações: 
Embora os íons cálcio desempenhem um papel importante na contratilidade 
miocárdica e na formação do impulso, estudos retrospectivos e prospectivos em situações de parada 
cardíaca não demonstram benefício do uso do cálcio na presença de hipercalemia, hipocalemia, (p. ex., 
após múltiplas transfusões sanguíneas ), ou toxicidade por bloqueadores de canal de cálcio, o cálcio 
provavelmente é útil, caso contrário , ou cálcio não deve ser usado. 
Dosagem: 
- Hipercalemia e intoxicação por bloqueador de canal de cálcio: dar 8 a 16 mg / Kg de solução a 10%, 
repetir s/n. 
Precauções: 
Se o coração está batendo, a administração rápida de cálcio pode causar 
lentificação da FC. Em pacientes usando digital, deve ser usado com cautela, porque o cálcio aumenta a 
irritabilidade ventricular e pode precipitar intoxicação digitálica. Na presença de bicarbonato de sódio, os 
sais de cálcio precipitarão como carbonatos. 
Portanto, estas drogas não podem ser administradas juntas. Cálcio pode produzir vasoespasmo nas 
artérias coronárias e cerebrais. 
SULFATO DE MAGNÉSIO 
Mecanismo de ação : 
Ele é essencial para o funcionamento da bomba de sódio e potássio. Age como um bloqueador de canal de 
cálcio fisiológico e bloqueia a transmissão neuromuscular. Como a hipomagnesia pode precipitar FV 
refratária e dificultar a reposição de potássio intracelular, ela deve ser corrigida quando presente. 
Indicações: 
A suplementação do magnésio pode reduzir a incidência de arritmias ventriculares pós infarto. Magnésio 
é considerado o tratamento de escolha de pacientes com torsades de pointes. As evidências de que o 
magnésio IV reduz as complicações associadas ao IAM continuam a se acumular. 
Dosagem: 
Para administração aguda durante TV, 1 ou 2 g de sulfato de magnésio ( 2 a 4 ml de solução à 50 % ) são 
diluídos em 10 ml de SG 5% e administrados em 1 a 2 minutos; na FV, o magnésio deve ser dado IV em 
bolus. Quando o magnésio é administrado, deve 
– se estar atento ao aparecimento de hipotensão, clinicamente significativa ou assistolia. 
Precauções: 
A toxicidade é rara, mas efeitos colaterais secundários à administração muito rápida incluem rubor, 
sudorese, bradicardia leve e hipotensão. A hipermagnesia pode causar depressão de reflexos, paralisia 
flácida, colapso circulatório, paralisia respiratória e diarréia. 
AGENTES ANTIARRÍTMICOS 
As arritmias resultam de formação alterada do impulso (automaticidade), condução anormal do impulso 
(reentrada), ritmos de escape, ou uma combinação destes mecanismos. Durante a isquemia do miocárdio, 
qualquer um ou todos os mecanismos podem existir. 
LIDOCAÍNA 
Mecanismo de ação: 
A lidocaína suprime as arritmias ventriculares através da redução da 
automaticidade. Além disso, suas propriedades anestésicas locais ajudam a suprimir ectopias ventriculares 
pós-infarto do miocárdio por redução da inclinação da fase zero do potencial de ação. 
Durante a isquemia aguda do miocárdio, o limiar para indução de FV é reduzido (menos energia é 
necessária e, portanto, a fibrilação ocorre com maior facilidade ). Em alguns estudos, a lidocaína tem 
demonstrado elevar o limiar de fibrilação, e redução à tendência a desenvolver FV. 
A lidocaína usualmente não afeta a contratilidade miocárdica, pressão arterial, 
arritmogênese atrial ou condução intraventricular e pode facilitar a condução AV. 
Indicações: 
A lidocaína é o primeiro antiarrítmico a ser usado no tratamento da taquicardia 
ventricular (TV) e fibrilação ventricular (FV). É recomendada para TV sem pulso e FV, que é refratária 
ao choque elétrico e epinefrina. Após a TV ou FV ter sido interrompida a lidocaína deve ser para 
pacientes com fatores de risco significantes para arritmias 
26
ventriculares malignas (hipocalemia, isquemia miocárdica ou disfunção ventricular esquerda importante) 
para prevenir FV recorrente. A lidocaína é uma droga de escolha para as taquicardias de complexo 
alargado de origem desconhecida. 
Dosagem: 
Para a FV refratária e Tv sem pulso, uma dose inicial de 1,0 a 1,5 mg / Kg é 
sugerida para todos os pacientes. Vítimas de parada cardíaca podem necessitar de um único bolus de 
lidocaína. A concentração plasmática de lidocaína deve se manter dentro de níveis terapêuticospor um 
longo período devido ao reduzido clearence da droga, secundário ao fluxo diminuído durante a RCP. 
Devido ao baixo fluxo sanguíneo e ao tempo de circulação prolongado observado durante a RCP, 
somente a administração em bolus de lidocaína deve ser utilizada no tratamento de pacientes em parada 
cardíaca. Após a restauração da circulação espontânea, a lidocaína deve ser administrada por infusão IV 
contínua, numa velocidade de 30 a 60 mg / Kg / minuto (2 a 4 ml / min). A necessidade de bolus 
adicionais de lidocaína deve ser guiada pela resposta clínica ou pela concentração plasmática de 
lidocaína. 
Em parada cardíaca, a lidocaína pode ser administrada via tubo endotraqueal. 
Utilize 2 a 2,5 vezes a dose IV para obter níveis sanguíneos comparáveis aos da administração IV. 
Para prevenir níveis sub – terapêuticos de lidocaína após o bolus inicial, um 
segundo bolus de 0,5 a 0,75 mg / Kg podem ser dados a cada 5 a 10 minutos até uma dose total de 3 mg / 
Kg. 
A lidocaína sofre metabolização hepática dependente do fluxo sanguíneo. Embora a dose de ataque de 
lidocaína não necessite ser reduzida, a dose de manutenção deve ser reduzida de 50 % na presença de 
diminuição do fluxo sanguíneo hepático (IAM, ICC, ou choque circulatório) porque o clearence corpóreo 
total da lidocaína está reduzido. A dose de manutenção também precisa ser reduzida de 50 % nos 
pacientes com mais de 70 anos, pois eles tem um volume de distribuição reduzido. 
As doses de manutenção após 12 a 24 horas devem ser baseadas no peso 
corpóreo ideal ( não atual ) e nos níveis séricos de lidocaína para evitar toxicidade. 
Precauções: 
Doses excessivas de lidocaína podem produzir alterações neurológicas, depressão do miocárdio e 
depressão circulatória. Indicadores de toxicidade neurológica induzida por lidocaína incluem sonolência, 
desorientação, diminuição da capacidade auditiva, 
parestesia e contrações musculares. Alguns pacientes podem se tornar muito agitado. Os efeitos tóxicos 
mais graves incluem convulsões focais e tipo grande mal. O tratamento consiste na suspensão da 
lidocaína e se necessária administração de anticonvulsivantes. 
Altas doses de lidocaína podem induzir bloqueio cardíaco, deprimir a descarga 
espontânea do nó sinusal ou alterar a condução AV. 
AMIODARONA 
Indicações: 
Utilizada para uma ampla variedade de taquiarritmias ventriculares e 
supraventriculares e para o controle da freqüência com pacientes com arritmias atriais rápidas, em 
pacientes com disfunção de VE, nos quais a digoxina tenha sido ineficaz. 
Recomendado para: 
- Tratamento da FV/TV sem pulso refratário ao choque. 
- Tratamento da TV polimórficas e da taquicardia de complexo largo de origem 
desconhecida. 
- Controle da TV hemodinamicamente estável quando a cardioversão tenha falhado. 
Particularmente útil na disfunção do VE. 
- Como adjunto à cardiversão elétrica na TPSV ( Taquicardia Paroxística Supra 
Ventricular). 
- Aceitável na terminação da taquicardia atrial ectópica ou multifocal em pacientes com função de VE 
preservada. 
- Pode ser útil para o controle de freqüência no tratamento da fibrilação atrial ou flutter quando outros 
tratamentos forem ineficazes. 
Precauções: 
- Pode produzir vasodilatação e hipotensão. 
- Pode apresentar efeitos inotrópicos negativos. Pode prolongar o intervalo QT. Usar com cautela se 
houver insuficiência renal. 
Dosagem no Adulto: 
- Parada cardíaca: 300 mg EV em bolus. Considere repetir a dose de 150 mg EV em bolus após 3 a 5 
minutos (dose acumulativa máxima: 2,2 g EV / 24h) 
27
Efeitos eletrofisiológicos: 
O mecanismo iônico principal pelo qual a amiodarona exerce seu efeito 
antiarrítmico é uma diminuição da condut6ancia para o potássio que provoca uma prolongação da 
duração de potencial de ação e o período refratário de todo o tecido cardíaco (incluindo o nó sinusal, o 
átrio, o nó atrioventricular (AV), o sistema His –Purkinje e o ventrículo), sem afetar significativamente o 
potencial transmembrana diastólica. Afeta em menor grau a condutância para a saída de sódio e cálcio, 
com escasso efeito sobre a amplitude do potencial de ação e a velocidade de despolarização. 
Diminui o automatismo do nó sinusal e o automatismo do nó AV, prolonga a condução AV e diminui o 
automatismo das fibras de condução espontânea do sistema de Purkinje. 
Também produz antagonismo não competitivo dos receptores alfa e beta – adrenérgicos. 
O Paciente com Problemas Respiratórios 
Seja qual for a patologia que leve o paciente à Unidade de Terapia 
Intensiva, ele estará sujeito à insuficiência no sistema respiratório. Isto se comprova pelo alto índice, nas 
Unidades de Terapia Intensiva, de pacientes com insuficiência respiratória como causa primária da 
internação, ou secundária em pacientes já internados devido a outras afecções. 
28
Insuficiência Respiratória 
A insuficiência existe quando um paciente não é capaz de manter as tensões de seus gases sangüíneos 
dentro dos limites normais. 
Diz – se que ela está presente quando a tensão arterial de dióxido de 
carbono (PaCO2) excede 50mmHg, ou a tensão arterial de oxigênio (PaO2) éinferior a 60mmHg, no caso 
do paciente estiver respirando ar atmosférico. 
O tipo de insuficiência respiratória encontrada em UTI tem evolução 
relativamente rápida, ao contrário da deterioração gradual das doenças respiratórias crônicas. Ela resulta 
da incapacidade progressiva do sistema respiratório remover dióxido de carbono do sangue venoso e de 
adicionar oxigênio a ele, por um período que varia desde alguns momentos até alguns dias. 
A IRA (insuficiência respiratória aguda) aparece em indivíduos cujo pulmão era estrutural e 
funcionalmente normal antes do início da presença da doença. Suas causas são variadas e sempre 
resultam em uma ventilação inadequada. 
O comprometimento de qualquer estrutura envolvida na manutenção da função respiratória do pulmão 
poderá causar insuficiência respiratória. 
Os processos pulmonares agudos, crônico ou conseqüentes a cirurgias produzem uma seqüência de 
alterações fisiológicas, como: 
- alteração na ventilação/perfusão, pelo aumento do espaço morto alveolar ou 
aumento do shunt fisiológico (atelectasia, pneumonia, embolia, bronquite, asma). 
- Alterações mecânicas: diminuição da complacência ou aumento da resistência das vias aéreas 
(pneumotórax, falência de centro respiratório, miastenia grave, tétano, curarização residual). 
As complicações pós – operatórias, geralmente de instalação súbita, são causa de morte em grande 
número dos pacientes na UTI. Porém, se diagnosticadas e tratadas cuidadosamente, o processo pode ser 
revertido sem causar danos ao paciente. 
As principais causas são: 
Alguns fatores podem ser considerados como predisponentes à insuficiência 
respiratória: obesidade, idade avançada e exacerbação da doença pulmonar crônica (enfisema, bronquite 
crônica). Estas causas primárias são agravadas pelo uso de drogas anestésicas, por lesão da caixa torácica 
ou distensão abdominal, levando a alterações ventilatórias. Além disso, a dor e a imobilização contribuem 
muito para a instalação do processo de atelectasia.
Outras causas de complicações pós – operatórias são: 
- Dificuldade de tossir ou respirar profundamente, por debilidade, dor ou medo que haja deiscência na 
sutura; 
- Aumento da secreção e diminuição da atividade ciliar; 
- Infecção; 
- Aspiração do conteúdo gástrico ou oral. 
Diagnóstico 
O diagnóstico de IRA é laboratorial. Clinicamente o único dado seguro é a 
apnéia. Das manifestações clínicas atribuíveis à hipoxemia, lembram–se 
basicamente as causadas por ação sobre o SNC e alterações cardiovasculares: 
- Em relação ao SNC: retardamento do raciocínio e instabilidade motora; 
depressão do SNC, coma e morte; 
- Em relação às alterações cardiovasculares: taquicardia e hipertensão; 
bradicardia, depressão miocárdica e choque posteriormente. 
Tratamento 
O sucesso depende, entre outrosfatores, da precocidade do diagnóstico e do rápido início de medidas de 
suporte e correção: 
- Sempre que possível colher uma amostra de sangue arterial, antes do início do tratamento, para 
avaliação dos gases arteriais e outros exames necessários; 
- Raio X do tórax é procedimento rotineiro; 
- Monitorização hemodinâmica. 
O tratamento compreende um conjunto de medidas simultâneas: 
- Oxigenoterapia – deve ser instituída de imediato, administrando- se oxigênio 
inicialmente em concentração de 30 a 40 %, umidificado e, sempre que possível, aquecido a 37º C, 
utilizando – se a máscara facial, ou o cateter nasal, ou o respirador mecânico; 
- Redução do trabalho respiratório - inúmeros pacientes com IRA apresentam 
trabalho respiratório aumentado, com consumo de O2 e produção de CO2 elevados, predispondo à 
exaustão respiratória, o que requer: 
 Correção de posição no leito; 
 Tratamento da dor, distensão abdominal; 
29
 Tratamento do broncoespasmo; 
 Fisioterapia respiratória. 
- Ventilação alveolar adequada – meta final de todas as medidas tomadas no 
tratamento de IRA, visto que ela que promove oxigenação e eliminação do gás carbônico, que requer um 
destes procedimentos 
� Cânula orofaríngea; 
� Intubação orotraqueal 
� Traqueostomia 
� Ventilação mecânica 
- Tratamento dos distúrbios concomitantes, que consiste em tratar as alterações do equilíbrio 
hidroeletrolítico e ácido – básico, reposição sangüínea. 
Abordagem de vias aéreas 
Cânula orofaríngea - Guedel 
É um método rápido e prático de se manter a via aérea aberta, podendo ser utilizado temporariamente em 
conjunto com ventilação com máscara, enquanto se aguarda um método definitivo, como por exemplo a 
intubação endotraqueal. 
A cânula de Guedel tem forma semicircular, geralmente é de material plástico e descartável e, quando 
apropriadamente colocada, desloca a língua da parede posterior da faringe, mantendo a via respiratória 
aberta. Pode também ser utilizada no paciente com tubo traqueal, evitando que o reflexo de morder cause 
dano ao tubo. 
No paciente adulto recomenda-se os seguintes tamanhos: adulto grande: 
100mm (Guedel nº 5); adulto médio: 90mm (Guedel nº 4); adulto pequeno: 80mm (Guedel nº 3). Antes 
de colocar a cânula, as secreções e os coágulos de sangue presentes na boca e faringe devem ser 
removidos por aspiração, assim como as próteses dentárias móveis. A melhor maneira de inserir a cânula 
é com sua parte côncava voltada para cima e, quando metade já estiver introduzida, faz-se uma rotação de 
180º e termina-se a introdução. A depressão da língua com uma espátula facilita o procedimento. Se a 
colocação for incorreta, pode ocorrer deslocamento da língua até a faringe e obstrução da via respiratória. 
Para evitar ferimentos no paciente, o reanimador deve se assegurar que os lábios e a língua não se 
encontrem entre a cânula e os dentes. 
Cânula nasofaríngea 
Tem forma tubular em semicírculo, é feita de material plástico e geralmente é descartável. Seu uso é 
indicado quando a cânula orofaríngea não pode ser inserida (trauma grave ao redor da boca, trismo, etc). 
O tratamento da cânula é considerado pelo seu diâmetro interno, em 
milímetros, são sugeridos os seguintes tamanhos: adulto grande: 8mm; adulto 
médio: 7mm; adulto pequeno: 6mm. 
A técnica de inserção consiste em lubrificar a cânula e passá-la suavemente pela narina; se houver 
resistência à passagem, tenta-se pela outra narina. O uso de vasoconstritores de mucosa nasal pode 
prevenir sangramento durante a inserção. 
A complicação mais grave é o posicionamento da porção distal no esôfago, 
causando distensão gástrica e ventilação pulmonar inefetiva. É importante manter a cabeça estendida, 
com elevação do mento, tanto na passagem da cânula nasofaríngea como da orofaríngea. A elevação do 
tórax durante a ventilação é a melhor prova de que a seleção e a inserção da cânula foram efetivas. 
Intubação endotraqueal 
- Vantagens: é o método ideal para o controle da via respiratória durante a 
ressuscitação. Ao isolar a via respiratória, previne-se a aspiração de conteúdo 
gástrico e de corpos estranhos; permite o uso de ventilação com pressões altas, sem perigo de distensão 
gástrica, facilitando a ventilação e a oxigenação alveolar; atua como via de acesso para a administração de 
medicamentos (epinefrina, atropina e lidocaína), que serão absorvidas através do epitélio pulmonar. 
- Acessórios - laringoscópio: existem dois tipos de lâmina (curva e reta), 
dependendo a escolha da experiência prévia do ressuscitador; tubo endotraqueal: é um tubo de material 
plástico no qual se acopla um intermediário que permite conecção com os diferentes tipos de acessórios 
de ventilação. Os de maior tamanho, para uso em adultos, apresentam em sua porção distal um balonete 
inflável, que obstrui a traquéia, impedindo aspiração de conteúdo gástrico. Tal balonete deve sempre ser 
testado antes da introdução do tubo. Os tubos têm vários tamanhos e sua numeração indica o diâmetro 
interno . Como regra geral, utilizamos tubos de 7,5 a 8,0mm para mulheres e de 8,0 a 9,0mm para 
homens. Devem ser evitados tubos de borracha (rígidos), preferindo-se tubos de material inerte 
(poliestireno); guia de intubação: fio metálico com ponta romba protegida que 
propicia a orientação do tubo flexível no momento da intubação; seringa de 5 a 
10mL para insuflar o balonete distal; material para aspiração. 
30
Técnica de intubação 
Monta-se e testa-se o laringoscópio, escolhe-se o tamanho do tubo e testa-se 
balonete. Antes da inserção o tubo deve ser lubrificado, entretanto, se tal 
procedimento for retardar a entubação não deve ser realizado. A seguir, posicionase a cabeça de tal 
maneira que a boca, faringe e a traquéia estejam alinhadas. Tal posição é conseguida com a extensão da 
cabeça, devendo-se, no entanto evitar a hiperextensão. A boca é aberta com os dedos da mão direita. O 
laringoscópio é seguro com a mão esquerda e a lâmina inserida no lado direito da boca, deslocando a 
língua para a esquerda. Move-se então a lâmina em direção à linha média e avança-se para a base da 
língua. Simultaneamente o lábio inferior é retirado do contato com a lâmina com o indicador direito. 
Deve-se evitar pressão sobre os lábios e os dentes. Quando se utiliza a lâmina curva, a ponta da lâmina é 
introduzida em direção a valécula (espaço entre a base da língua e a superfície faríngea da epiglote). 
Quando a lâmina reta é utilizada, a ponta deve ser localizada sob aepiglote. A abertura da glote é 
conseguida exercendo-se tração do laringoscópio para cima com uma angulação de 30 a 45º. Não se deve 
fazer movimento de báscula com o laringoscópio, utilizando os dentes superiores como ponto de apoio. 
O tubo é então introduzido através do canto direito da boca e, sob visão direta, 
através das cordas vocais. A pessoa que realiza o procedimento deve visibilizar a ponta do tubo ao nível 
das cordas vocais e introduzi-lo 1 a 2,5cm adiante na 
traquéia. Para a maioria dos adultos isto corresponderá a marcação de profundidade da cânula ao nível 
dos dentes entre 19 e 23. O tubo é então inflado com quantidade de ar suficiente para ocluir a via aérea 
(geralmente 10 a 20mL). A posição do tubo deve ser confirmada simultaneamente com as primeiras 
respirações manuais, através da ausculta do epigástrio e observando a movimentação da parede torácica.
Quando houver dúvida, deve-se interromper a ventilação, retirar o tubo e efetuar nova tentativa após o 
paciente ter sido ventilado com outra técnica. Confirmando-se a localização adequada do tubo, promove-
se ventilação com 10 a 15mL/kg numa freqüência de 10 a 12 respirações por minuto (uma respiração cada 
5 a 6s). Cadarespiração deve ser realizada num período de 2s com oxigênio a 100%. A introduçãodo tubo 
dentro de um dos brônquios principais é a complicação mais freqüente. O tórax deve ser auscultado, 
checando a presença de ruídos respiratórios bilateralmente.Assim que possível, realizar radiografia de 
tórax para confirmar se a localização está adequada. 
Recomendações sobre a intubação traqueal 
- Após a intubação traqueal deve se seguir imediatamente a ventilação com a 
unidade bolsa-válvula e oxigênio a 100%; a intubação deverá ser feita pela pessoa da equipe de 
ressuscitação com maior experiência, e dentro de um período de tempo de no máximo 30s. Se a intubação 
não for possível dentro desse período, será necessário proceder à ventilação com a unidade bolsa válvula-
máscara antes de se tentar novamente; em crianças, em razão do alto risco de distensão gástrica, a 
intubação deverá ser feita imediatamente; em gravidez no seu 3º trimestre, também em razão do alto risco 
de aspiração do conteúdo gástrico durante uma parada cardíaca, é necessário intubar imediatamente; 
durante a intubação, uma 2ª pessoa deve aplicar pressão sobre a cricóide, para evitar regurgitação de 
conteúdo gástrico. 
Acessórios alternativos para obtenção e manutenção da permeabilidade das vias aéreas 
Obturador esofágico (OE) ou esofágico-gástrico (EOG) 
- Consiste em tubo com fundo cego (OE) ou com orifício que permite drenagem do conteúdo gástrico 
(OEG), com balonete inflável de grande volume, que são 
introduzidos e inflados no esôfago, para prevenir a regurgitação do conteúdo 
esofágico e gástrico durante a ventilação. Seu uso tem sido proposto nas situações em que é inviável a 
intubação endotraqueal. São introduzidos às cegas no esôfago, e a ventilação executada através de 
máscara facial ou do próprio tubo, já que apresentam orifícios laterais acima do balão inflado que 
permitam passagem de ar para a via aérea. Apresentam a desvantagem de ventilação inadequada quando a 
máscara não está bem acoplada e podem causar complicações quando é intubada a traquéia. Estão em 
desuso atualmente; 
Tubo combinado esôfago-gástrico (combitubo) 
- É um tubo de duplo lúmem com um balão proximal maior para oclusão da 
orofaringe e outro menor distal que oclui a traquéia ou o esôfago, e que pode ser inserido sem 
visibilização da via aérea. Um dos lúmens apresenta fundo cego e orifícios laterais e o outro é pérvio. 
Após sua inserção insufla-se o balão maior e, em seguida, o menor. A seguir, ventila-se pela extremidade 
distal (azul) e observa-se se há ventilação adequada. Caso não haja, ventila-se pela outra extremidade. Os 
estudos realizados têm mostrado efetividade na ventilação, porém maior experiência deve ser acumulada 
antes de ser recomendado amplamente. Além disso, exige treinamento do ressuscitador e pode apresentar 
complicações. 
31
Máscara laríngea 
- Consiste de um tubo semelhante ao endotraqueal com uma pequena máscara e com balão inflável 
circunferencial para serem posicionados na faringe posterior, selando a região da base da língua e a 
abertura faríngea. Seu uso requer treinamento e habilidade consideráveis. Nenhum estudo avaliou sua 
efetividade em situações de emergência. Estudos recentes têm demonstrado sua segurança quando 
utilizado por paramédicos. 
Obtenção de via aérea transtraqueal 
Cateter transtraqueal - A ventilação com cateter transtraqueal é um procedimento de emergência para 
prover oxigenação quando a obstrução da via aérea não pode ser aliviada por outros métodos. A técnica 
consiste na inserção de cateter através de punção por agulha da membrana cricotireoídea. 
Cricotireotomia - Esta técnica permite rápida penetração na via aérea para 
ventilação temporária, quando da impossibilidade das técnicas previamente citadas. 
Consiste na colocação de cânula plástica calibrosa números 12 a 14 para adultos e 16 a 18 para crianças, 
através da membrana cricotireoídea. A cânula é conectada a oxigênio com volume de 15L/min com 
conecção em Y ou tubo de borracha, contendo um orifício lateral entre a fonte de oxigênio e a cânula que 
está na membrana cricotireoídea. A insuflação intermitente pode ser conseguida fazendo-se o oxigênio 
entrar na via aérea por 1s e interrompendo sua entrada por 4s, através da 
oclusão ou não do orifício lateral da fonte de oxigênio ou de um braço do Y. Tanto nesta técnica como 
com o cateter transtraqueal, o paciente pode ser oxigenado adequadamente por 30 a 45min. Como 
conseqüência da exalação inadequada, o dióxido de carbono acumula e limita o uso desta técnica, 
especialmente em paciente com trauma de crânio. Pode também ocorrer barotrauma. 
Traqueotomia 
- Abertura cirúrgica da traquéia e inserção de tubo de traqueotomia. Deve ser 
realizada por profissional habilitado, em condições adequadas em sala cirúrgica e após ter sido assegurada 
permeabilidade da via aérea por tubo endotraqueal, cateter laríngeo ou cricotireotomia. Não é considerado 
procedimento adequado para situações de obstrução de via aérea ou parada cardíaca. 
Administração suplementar de oxigênio 
Cateter nasal 
- É um sistema de baixo fluxo de O2que não fornece quantidade suficiente de 
oxigênio porque há grande mistura com ar ambiente. A concentração de O2 
fornecida com fluxo de 1 a 6L/min, em paciente com volume corrente normal, varia de 24 a 44%. 
Máscara facial 
- Este sistema propicia concentrações de O2 de 40 a 60% quando conectada a uma fonte de O2 de 8 a 
10L/min. Está indicada nos pacientes com respiração espontânea e hipoxemia. 
Máscara Venturi 
- Este tipo de máscara propicia um alto fluxo de O2 com uma concentração fixa. A concentração de 
oxigênio é ajustada através de mudanças no tamanho do orifício de entrada de O2. Podem ser oferecidas 
as seguintes ações inspiradas de O2: 24%, 28%, 35% e 40%. Está indicada nos pacientes com ventilação 
espontânea que necessitam O2 suplementar. 
Técnicas de ventilação 
Ventilação boca a máscara 
- É superior à técnica boca a boca porque se pode aumentar a concentração de oxigênio. Outra enorme 
vantagem é que se diminui ou elimina-se o contato direto entre o reanimador e o paciente, com menor 
possibilidade de se adquirirem infecções através de secreções ou sangue provenientes da vítima. Este tipo 
de aparelho deve estar disponível para todo o pessoal paramédico que trabalha com emergências médicas. 
Freqüentemente, utiliza-se uma máscara de plástico com uma entrada de oxigênio e uma válvula 
unidirecional. A válvula permite a passagem de fases ventilatórias até o paciente, mas faz com que os 
gases exalados sejam desviados para fora do sistema, sem entrar em contato com a parte proximal, onde 
se dá a ventilação. A parte proximal, que contém a válvula, pode ser removida, permitindo que a máscara 
possa ser utilizada com a unidade bolsa-válvula. A máscara tem uma cinta elástica que pode ser ajustada 
ao redor da cabeça da vítima, permitindo que a unidade se mantenha no lugar, quando se faz a ventilação 
por um reanimador. A técnica para a ventilação boca a máscara consiste em o tubo conectado à entrada de 
oxigênio na máscara, com um fluxo de 10 a 12L/min, com a via respiratória aberta, estendendo-se a 
cabeça para trás. Coloca-se a máscara sobre o rosto do paciente, cobrindo a boca e o nariz; com os dedos 
polegares e as partes tenares das mãos, faz-se tração na mandíbula, eliminando-se, assim, a obstrução da 
via respiratória produzida pela língua e pela epiglote. Procede-se então às ventilações, observando-se se 
está havendo elevação da parte anterior do tórax. 
32
Ventilação com unidade bolsa-válvula-máscara 
- Ambu - Recomenda-se que durante a ressuscitação seja usada uma unidade que contenha bolsa 
acessória, que atue como reservatório para o acúmulo de oxigênio a 100%. Esta bolsa acessória se 
mantém com suficiente volume quando o fluxo de oxigênio é de 12L/min. Durante a ventilação, o 
oxigênio ministrado mistura-se com ar, resultando numa concentração <100%. Pode ser utilizada com 
cânulas oro ou nasofaríngea ou com sonda traqueal, sendo neste último caso a forma mais efetiva de 
ventilação. É importante que seja de limpeza e esterilização fáceis, e que esteja disponível em váriostamanhos para uso em adultos e crianças. A técnica de utilização consiste no seguinte: o reanimador, 
depois de aspirar a boca e a faringe do paciente, estende a cabeça e insere a cânula faríngea, mantendo a 
via respiratória aberta. A máscara é colocada no rosto do paciente, cobrindo a boca e o nariz; com os 
dedos, polegar e indicador, da mão esquerda, o reanimador trata de manter uma adaptação adequada entre 
o rosto e a máscara e com os três dedos restantes manter a tração para cima da mandíbula. A bolsa é 
comprimida com a outra mão, observando- se a expansão do tórax durante cada ventilação. 
Tecnicamente, é difícil prover volumes ventilatórios adequados, sobretudo se o reanimador tem mãos 
pequenas, o que dificulta a adaptação hermética e a compressão adequada da bolsa. Uma técnica mais 
efetiva requer dois reanimadores: um, utilizando ambas as mãos, mantendo a cabeça estendida e a 
máscara firmemente ao redor da boca e nariz do paciente, enquanto o outro usa suas duas mãos para 
comprimir a bolsa. Deve-se ofertar 10 a 15mL/kg num período de 2s. 
Ventilação com o uso de ventiladores 
- Os aparelhos de ventilação mecânica podem ser classificados, de acordo com os seus mecanismos de 
ciclagem em: ventiladores ciclados a pressão, a tempo e a volume. Entre os ciclados a pressão, os mais 
conhecidos são o Bird Mark 7 e Bird Mark 8, também encontrados em modelos tipo “emergência” 
portáteis. Estes aparelhos não são apropriados para serem utilizados durante a compressão torácica 
externa, pois a compressão do osso esterno aciona, prematuramente, a interrupção do ciclo de insuflação, 
resultando em ventilação inadequada. Os ventiladores automáticos, ciclados a tempo e acionados 
manualmente, são aceitáveis em adultos para a ventilação artificial, mesmo que sejam intercalados à 
compressão torácica externa, se forem capazes de fornecer um fluxo instantâneo de 100L/min de oxigênio 
a 100%. Devem possuir válvula de segurança que se abra à pressão inspiratória aproximada de 50cm de 
água. Podem ser utilizados com máscara facial, cânula endotraqueal, obturador de esôfago ou cânula de 
traqueotomia, estando o acionador manual acessível ao socorrista, mesmo com as mãos ocupadas em 
segurar a máscara facial (caso utilizada) e manter as vias aéreas pérvias. Deve-se ter em mente que, 
quando utilizados com máscaras faciais, levam freqüentemente à distenção gástrica, sendo preferível o 
uso de cânulas endotraqueais e não devendo ser utilizados em pacientes pediátricos. Os ventiladores 
ciclados a volume são os mais indicados para a ressuscitação, se forem intercalados com compressas 
torácicas, principalmente quando acoplados a massageadores pneumáticos. 
Ventilação Mecânica 
A ventilação mecânica é uma forma de tratamento ventilatório artificial utilizada em unidades de 
cuidados intensivos para promover a oxigenação e a ventilação do paciente portador de insuficiência 
respiratória de qualquer etiologia, pelo tempo que for necessário para a reversão do quadro. O uso clínico 
de ventiladores mecânicos iniciou-se com os ventiladores a pressão negativa. 
Posteriormente, as dificuldades de ventilar pacientes críticos, a necessidade de proporcionar um sistema 
mais seguro e mais flexível na ventilação mecânica, que permitisse, inclusive, uma interface maior com o 
paciente e suas necessidades, levaram ao desenvolvimento de aparelhos mais sofisticados, como os 
aparelhos a pressão positiva. 
A partir de 1980, houve a introdução da nova geração de ventiladores 
mecânicos, cujas unidades são controladas por microprocessadores. Estas unidades permitem uma grande 
diversidade na metodologia do fornecimento de gases e proporcionam extensa capacidade de 
monitorização paciente/equipamento. 
A ventilação mecânica é um procedimento usual em terapia intensiva e a 
abordagem adequada dos métodos ventilatórios é fundamental para a recuperação de pacientes críticos. A 
utilização de protocolos visando à manutenção do rigor técnico no controle das rotinas relacionadas à 
técnica pode, sem dúvida, atuar na prevenção das complicações, na diminuição dos custos e no sucesso do 
desmame. 
Principais complicações relacionadas ao uso de ventiladores mecânicos 
Apesar dos inúmeros benefícios, a utilização de ventilação mecânica pode 
acarretar complicações. A instituição de ventilação mecânica em qualquer paciente altera a mecânica 
pulmonar e a função respiratória, podendo, além de afetar outros órgãos, causar grande morbidade ou 
mortalidade. 
Buscando-se prevenir complicações e acidentes, os profissionais devem 
33
conhecer os aspectos anatômicos fundamentais das estruturas envolvidas, a 
fisiologia de tais estruturas e as alterações patológicas. 
Entre as principais complicações e intercorrências, destacam-se as seguintes: 
Diminuição do débito cardíaco 
A ventilação mecânica sob pressão positiva aumenta a pressão intratorácica 
média e, desta forma, reduz o retorno venoso e a pré-carga ventricular direita, 
principalmente com a utilização da PEEP. A distensão pulmonar, pela ventilação mecânica, associada ou 
não à PEEP, também aumenta a resistência vascular pulmonar (RVP). Ressalte-se que ambos os efeitos 
diminuem o débito cardíaco, principalmente em pacientes hipovolêmicos. 
Alcalose respiratória aguda 
É uma das ocorrências mais comuns. Pode prejudicar a perfusão cerebral, 
predispor à arritmia cardíaca, além de ser razão freqüente para insucesso do 
desmame. Comumente secundária à dispnéia, dor ou agitação, a hiperventilação alveolar também pode 
resultar de uma regulagem inadequada do ventilador e ser corrigida por ajustes da freqüência respiratória, 
do volume corrente, de acordo com as necessidades do paciente. 
Elevação da pressão intracraniana 
A ventilação com pressão positiva na presença de pressão intracraniana (PIC) 
elevada pode prejudicar o fluxo sangüíneo cerebral, principalmente quando se 
utilizam altos níveis de PEEP, devido à diminuição do retorno venoso do território cerebral e o 
conseqüente aumento da PIC. 
Meteorismo (distensão gástrica maciça) 
Pacientes sob ventilação mecânica, principalmente aqueles com baixa 
complacência pulmão-tórax, podem desenvolver distensão gasosa gástrica e/ou intestinal. Isto, 
presumivelmente, ocorre quando o vazamento do gás ao redor do tubo endotraqueal ultrapassa a 
resistência do esfíncter esofágico inferior. Este problema pode ser resolvido ou aliviado pela introdução 
de uma sonda nasogástrica ou ajustando-se a pressão do balonete. 
Pneumonia 
O desenvolvimento da pneumonia associada à ventilação mecânica requer 
uma fonte de microrganismos infectantes, geralmente os bacilos Gram-negativos, e a transmissão destes 
microrganismos para os hospedeiros. Nos hospedeiros, os microrganismos colonizam as vias respiratórias 
superiores gastrointestinais superiores, ou ambas. Sabe-se que estes microrganismos penetram nas vias 
respiratórias inferiores em conseqüência da aspiração de pequenas quantidades de conteúdo hipofaríngeo. 
A maioria dos ventiladores atuais de UTI utiliza umidificadores que não 
aerossolizam bactérias, ao contrário dos nebulizadores. Entretanto, os nebulizadores de pequeno volume, 
utilizados para a administração de broncodilatadores ou outras medicações, podem ser fontes de infecção 
quando não são manuseados, esterilizados ou trocados adequadamente. 
O condensado que se acumula no circuito expiratório é contaminado por 
microrganismos das vias respiratórias do paciente e, se não for manuseado 
adequadamente, pode servir como fonte de infecção nosocomial. Outra importante fonte de disseminação 
infecciosa, na unidade de terapia intensiva, são as mãos dos médicos, enfermeiras e outras pessoas da 
equipe de saúde; esta fonte pode ser bastante reduzida pelo hábito de lavar as mãos e pela utilização 
adequada de luvas. 
Atelectasia 
As causas de atelectasia relacionadas à ventilação mecânica estão 
associadas à intubação seletiva, presença derolhas de secreção no tubo traqueal ou nas vias aéreas e 
hipoventilação alveolar. 
Barotrauma 
As situações como pneumotórax, pneumomediastino e enfisema subcutâneo 
traduzem a situação de ar extra-alveolar. A existência de pressões ou de volumes correntes muito 
elevados foi correlacionada ao barotrauma nos pacientes em ventilação mecânica. 
Fístula broncopleural 
O escape broncopleural persistente de ar, ou fístula broncopleural (FBP), 
34
durante a ventilação mecânica, pode ser conseqüente à ruptura alveolar espontânea ou à laceração direta 
da pleura visceral. A colocação de um sistema de sucção conectado ao dreno de tórax aumenta o 
gradiente de pressão através do sistema e pode prolongar o vazamento, principalmente se o pulmão não se 
expandir completamente. 
É desconhecida a freqüência de desenvolvimento de FBP como complicação 
direta da ventilação mecânica. Um estudo demostrando a heterogeneidade do 
padrão de comprometimento pulmonar na síndrome da angústia respiratória do 
adulto (SARA) reforça a antiga noção de que o barotrauma pode ser mais uma 
manifestação da doença do que de seu tratamento, principalmente quando ocorre tardiamente na evolução 
da síndrome e quando existe sepse associada. 
Complicações relacionadas com o uso de tubos orotraqueais (TOT) ou de 
traqueostomias (TQT) extubação acidental 
Além da má fixação do tubo, outros fatores que levam à extubação acidental 
são os quadros de agitação psicomotora e as mudanças de decúbito. Verifica-se que os pacientes com 
intubação orotraqueal são os mais propensos à extubação acidental. 
Lesões de pele/ou lábios 
Estas ulcerações ocorrem devido ao modo de fixação do tubo, ao tipo de 
material utilizado (esparadrapos) e à falta de mobilização da cânula em intervalos de tempos regulares. 
Lesões traqueais 
Estas lesões podem ser provocadas por fatores como a alta pressão do cuff 
ou o tracionamento dos TOT ou TQT. Pressões elevadas do balonete levam à 
diminuição de atividade do epitélio ciliado, isquemia, necrose até fístulas traqueais. 
Equipamentos de assistência ventilatória 
Embora a maior parte da assistência de enfermagem esteja centrada no 
cuidado direto ao paciente, vale ressaltar que também é de responsabilidade desta equipe o cuidado com 
os materiais utilizados nos circuitos respiratórios. Este cuidado engloba a desinfecção dos mesmos, pois a 
intubação e a ventilação mecânica aumentam ainda mais o risco de infecção, por agredirem as defesas de 
primeira linha do paciente. A seguir, as rotinas preconizadas pelo Center for Disease Control and 
Prevention (CDC) e as do Ministério da Saúde para o controle de infecção hospitalar, no que se refere a 
limpeza, desinfecção e esterilização destes equipamentos: proceder ao máximo desmonte do circuito, de 
forma que a maioria dos seus componentes possa ser submersa em água e detergente enzimático, 
permitindo limpeza mecânica adequada. Deixar estes materiais nesta solução para a retirada da matéria 
orgânica existente, de acordo com a indicação do fabricante, inclusive no que diz respeito à troca da 
solução e ao tempo de exposição indicado; 
fazer escovação manual ou através de máquina automática de lavar, em central de material, para remover 
resíduos das superfícies internas e externas das diferentes partes; enxaguá-los com água corrente, secá-los 
com compressa limpa; encaminhálos 
para processamento de desinfecção ou esterilização de acordo com as rotinas da instituição. 
Desinfecção de alto nível por meio químico líquido 
Glutaraldeído a 2%: 
- Indicado para artigos semicríticos e críticos termossensíveis. 
- A solução germicida deve ser colocada em recipiente plástico opaco. Os 
materiais devem ficar totalmente imersos. 
- O tempo de exposição é de 30 minutos. 
- O enxágüe deve ser com água estéril para prevenir contaminação com 
microrganismos resistentes que existem na água. 
- A secagem dos artigos submetidos ao processo deve ser realizada com 
compressa limpa e seca ou ar comprimido. 
- O material deve ser acondicionado em invólucro de papel grau cirúrgico ou em recipientes limpos, 
desinfetados, secos e fechados. 
Esterilização por meio químico líquido 
Glutaraldeído a 2%: 
O processo é o mesmo já descrito anteriormente, porém o que varia, neste 
35
caso, é o tempo de exposição do material em solução, que passa a ser de oito a 10 horas, dependendo do 
produto utilizado. 
Esterilização por meio físico 
Autoclaves. 
- Submeter o artigo a máquina esterilizadora. 
- Observar e registrar temperatura e pressão. 
- Monitorar tempo de exposição conforme orientação do fabricante, se 
esterilização por gravidade, por alto vácuo ou vácuo e vapor. 
Esterilização por meio químico gasoso 
Óxido de Etileno 
É o éter mais simples, com alta reatividade, que apresenta-se como gás 
incolor.Utilizado para esterilização de artigos termossensíveis (portaria 
interministerial — Ministério da Saúde e do Trabalho nº 4, Diário Oficial, 31/7/91, Brasília). 
Plasma de Peróxido de Hidrogênio — STERRAD 
É o quarto estado da matéria procedendo à inativação rápida de 
microrganismos e remoção de resíduos prejudiciais. É indicado para a esterilização de instrumentos 
sensíveis ao calor e à umidade. O tempo total necessário para este processo é ligeiramente superior a uma 
hora. 
Limpeza do Ventilador 
Em relação ao aparelho propriamente dito, este deve sofrer limpeza diária 
com água e sabão ou fricção com álcool a 70% por 30 segundos ou de acordo com a orientação do 
fabricante. Devemos, também, lembrar que a enfermagem deve estar atenta a qualquer tipo de pane ou 
disfunções do aparelho, visto que podem proporcional sérias complicações para o paciente. 
Assistência de enfermagem na ventilação mecânica invasiva 
A equipe de enfermagem, ao prestar assistência ao paciente sob ventilação 
mecânica, deve sempre ter presente que este é o elemento mais importante na 
situação assistencial e que todos os membros da equipe devem trabalhar de forma eficiente e integrada. A 
atuação da enfermagem na ventilação mecânica é intensa, extensa e complexa. Na tentativa de se propor 
um eixo norteador da prática de enfermagem na ventilação mecânica, é importante que a enfermagem 
saiba relacionar e executar os cuidados descritos a seguir: 
- Vigilância constante 
- Controle de sinais vitais e monitorização cardiovascular 
- Monitorização de trocas gasosas e padrão respiratório 
- Observação dos sinais neurológicos 
- Aspiração de secreções pulmonares 
- Observação dos sinais de hiperinsuflação 
- Higiene oral, troca de fixação do TOT/TQT, mobilização do TOT 
- Controle da pressão do balonete 
- Monitorização do balanço hidroeletrolítico e peso corporal 
- Controle nutricional 
- Umidificação e aquecimento do gás inalado 
- Observação do circuito do ventilador 
- Observação dos alarmes do ventilador 
- Nível de sedação do paciente e de bloqueio neuromuscular 
- Observação do sincronismo entre o paciente e a máquina 
- Orientação de exercícios 
- Preenchimento dos formulários de controle 
- Apoio emocional ao paciente 
- Controle de infecção 
- Desmame 
Vigilância constante 
O paciente nunca deve ser deixado sozinho e deve estar localizado de forma 
a ser visualizado continuamente, pois alterações súbitas podem ocorrer, levando à necessidade de ser 
reavaliada a modalidade respiratória à qual o mesmo está sendo submetido. A vigilância contínua inclui a 
36
necessidade de observação globalizada, constante e rápida, por parte de toda a equipe, observando-se os 
seguintes aspectos: 
- Nível de consciência 
- Coloração da pele 
- Grau de distensão de veias das regiões cervical e supraclaviculares 
- Padrão respiratório: expansão torácica, simetria, uso de musculatura acessória 
- Batimentos de asa de nariz 
- Avaliação abdominal: ausculta, palpação, percussão e movimentação 
- Sinais vitais 
- Eliminações: vômitos, diurese, evacuações, drenagenspor sondas, sudorese 
- Pressão venosa central (PVC) 
- Sinais de retenção hídrica 
- Circuitos respiratórios: posicionamento, escape de ar, acotovelamento e 
tracionamento do circuito 
- Avaliação dos sinais vitais e monitorização cardiovascular 
Controle dos Sinais Vitais e Monitorização cardiovascular 
Os dados vitais refletem o estado geral do paciente, e qualquer anormalidade na ventilação mecânica 
refletirá nas suas funções básicas, como freqüência
respiratória, temperatura, pressão arterial, pulso, pressão intracraniana e pressão arterial média, que 
devem ser periodicamente controladas pela enfermagem. 
Pacientes sob ventilação mecânica com altas pressões terão as pressões 
intratorácica e intracardíaca elevadas durante a inspiração, refletindo, desta forma, na pressão venosa 
central (PVC), na pressão arterial pulmonar (PAP) e no débito cardíaco (DC). 
Para a verificação da PVC nos pacientes que se encontram sob ventilação 
mecânica, não é necessária a desconexão do circuito nem a alteração do ângulo da cabeceira, pois os 
parâmetros sofrem mínima alteração nos resultados, desde que tenha sido usado este critério no momento 
da instalação da coluna da PVC em relação ao ponto zero. Esta orientação deve ser uniforme para todos 
os horários de verificação. 
Dentre as alterações relacionadas às conseqüências da ventilação poderiam 
ser citados a bradicardia associada ao baixo débito cardíaco (que pode indicar fluxo inadequado nas 
coronárias) e o aumento da freqüência respiratória (que pode indicar hipoxemia). 
A ventilação inadequada ou a presença de hipoxemia pode desencadear, no 
paciente, desorientação, hipertensão ou hipotensão e arritmias, principalmente 
taquicardia ou bradicardia repetitivas. 
A enfermagem deve ser capaz de reconhecer e diferenciar os sinais e 
sintomas de hipoxemia e a manifestação de angústia respiratória. Na hipoxemia, especialmente em se 
tratando de insuficiência aguda, observam-se cianose, bradicardia e hipotensão arterial; na angústia 
respiratória, sudorese, taquicardia, hipertensão, agitação, com o paciente "competindo" com o ventilador. 
Monitorização de trocas gasosas e padrão respiratório 
Compete ao enfermeiro: 
- observar o padrão respiratório do paciente, a expansão e as deformidades na 
parede torácica, na tentativa de detectar precocemente situações como 
pneumotórax e barotrauma, entre outras patologias que diminuem a 
expansibilidade torácica; 
- observar e controlar a dor torácica, pois esta pode provocar hipoventilação e 
diminuição da expansão pulmonar, levando à hipóxia;
- monitorizar as trocas gasosas através da gasometria arterial e da capnografia e oximetria de pulso. 
Na capnografia: 
- monitorizar valores de PetCO2 de 25 a 30 mmHg, pois valores maiores sugerem insuficiência de troca 
gasosa; 
- evitar obstrução do capilar do capnógrafo por muco de condensação, pois com isto ocorre tempo de 
resposta mais longo, indicando valores baixos de PetCO2; 
- evitar condensação de vapor de água no circuito do ventilador para que as 
leituras não sejam falsamente elevadas; 
- manter o sensor próximo ao tubo orotraqueal; 
- calibrar o equipamento de 12 em 12 horas, para maior fidedignidade da leitura. 
37
Na oximetria de pulso: 
- monitorizar constantemente a saturação de oxigênio que deve ser mantida igual a (ou maior do que) 
95%; 
- escolher o local adequado de acordo com o tipo do sensor (digital ou auricular); 
- manter oximetria fidedigna, observando as condições que podem interferir na 
leitura: sensor em local inadequado, luminosidade, movimentação ou tremores do paciente, 
vasoconstrição, hipotermia, uso de esmalte, hiperbilirrubinemia, 
hiperpigmentação da pele do paciente, hipotensão; 
- observar constantemente se o sensor está conectado ao paciente; 
- avaliar o grau de perfusão periférica (cianose), descrevendo se leve, moderada ou intensa; 
- realizar o rodízio do local do sensor; 
- observar sinais vitais, pois taquicardia e taquipnéia são parâmetros indicativos de hipóxia; 
- proceder à ausculta pulmonar, observando ruídos adventícios. 
Em razão da não-ventilação dos pulmões, a conduta de emergência 
recomendada é a pronta desconexão do paciente do ventilador e a instalação da ventilação manual com 
ressuscitador, desde que não seja em decorrência de alteração da complacência pulmonar ou por aumento 
na resistência de vias aéreas. 
Observação dos sinais neurológicos 
A evolução do nível de consciência, os sinais oculares como miose, midríase, 
fotomotricidade e simetria, o reflexo córneo-palpebral, as respostas neuromusculares aos estímulos 
dolorosos, os reflexos da tosse e os movimentos respiratórios devem ser constantes e criteriosamente 
observados. 
As alterações do nível de consciência, tais como agitação, inquietação ou 
depressão, podem ser sinais de hipoventilação provocada pela retenção de gás 
carbônico e diminuição da perfusão cerebral relacionada com o aumento da pressão intratorácica. 
Aspiração das secreções pulmonares 
A obstrução das vias aéreas por aumento de secreções estimula a tosse, 
gerando pressão intrapulmonar aumentada, à qual se apoiará a pressão 
preestabelecida do ventilador, diminuindo o volume corrente. 
Portanto, a enfermagem deve: 
- aspirar secreções sempre que necessário, utilizando técnica asséptica, 
acompanhada pela oximetria de pulso, respeitando o tempo de aspiração, a 
escolha do calibre da sonda, a seqüência no ato de aspirar e a oxigenação prévia a 100%, de acordo com o 
protocolo de cada serviço; 
- proceder à ausculta pulmonar antes e após aspiração; 
- investigar áreas de resistência ou obstrução do tubo endotraqueal; 
- caso a obstrução seja devida ao acúmulo de secreções, tentar desobstruir 
injetando água destilada estéril/soro fisiológico de acordo com protocolo do 
serviço e aspirar em seguida; 
- observar e registrar: características da secreção: tipo, cor e odor pois são 
elementos indicativos de infecção pulmonar ou fístula traqueoesofágica; secreção espessa em grande 
quantidade quase sempre indica má aspiração e má umidificação. 
- Em pacientes neonatais, o tempo da aspiração não deverá ultrapassar 10 
segundos. A aspiração prolongada causando oclusão do tubo traqueal é uma das causas de barotrauma. É 
preferível fazer aspiração de curta duração, observando sempre o nível de saturação pelo oxímetro de 
pulso. Vale salientar que, quanto mais próximo o sensor do oxímetro estiver da área pulmonar, mais 
fidedigna será a leitura. 
- Os neonatos em uso de pronga nasal deverão ser submetidos periodicamente (a cada duas horas) a 
instilação com soro fisiológico e, logo após, à aspiração das narinas, para que as mesmas estejam sempre 
desobstruídas. 
Obs.: Existem dois sistemas de aspiração, sendo um aberto e outro fechado. No sistema aberto, são 
utilizadas sondas flexíveis, tipo nelaton ou tubo de PVC 
siliconizado. No sistema fechado são utilizadas sondas mais rígidas e longas. 
Estudos comparando os dois sistemas, apesar do pequeno número de pacientes envolvidos até hoje, não 
demonstram diferença em relação ao nível de contaminação do cateter e/ou pneumonia. 
Observar sinais de hiperinsuflação 
Observar programação do ventilador quanto ao volume corrente 
38
predeterminado. Observar a quantidade de oxigênio oferecida (FIO2). 
Higiene oral, fixação, mobilização do TOT e troca de TQT 
- A higiene oral deve ser realizada de quatro em quatro horas com solução antiséptica. 
- A troca do posicionamento e a fixação do TOT implicam, preferencialmente, a 
presença de dois profissionais, com a finalidade de evitar o risco de extubação 
acidental ou de mobilização do TOT da posição correta, que pode provocar 
intubação seletiva. 
- A troca da fixação faz-se necessária, tendo em vista a limpeza do e a prevenção de escara na rima bucal 
e região auricular. Deve ser feita diariamente e sempre que necessário. 
- A fixação do TOT deve ser preferencialmentecentralizada, pois, desta forma, 
diminui o risco de erosão da comissura labial. 
- A troca da posição do TOT deve ser feita, no mínimo, a cada 12 horas, evitandose,assim, lesões em 
língua e lábios. 
- É interessante marcar a altura do TOT ao nível da comissura labial, 
reposicionando-o, se necessário. 
- Evitar tracionamento do TOT/TQT para que não ocorram lesões traqueais com a mobilização do balão 
cuff insuflado. 
- Evitar manipulação excessiva da cabeça, atentar para reflexo exacerbado da 
deglutição, tosse e agitação psicomotora. 
- Em caso de TQT, realizar palpação em região cervical e torácica, pois, nas 
primeiras 48 a 72 horas, pode haver formação de enfisema subcutâneo, 
hemorragias e lesões cervicais pela fixação inadequada. 
- Não se recomenda a troca periódica do TQT, exceto na existência de problemas mecânicos que possam 
interferir na ventilação. 
- Nos pacientes neonatais, o tubo traqueal deverá ser introduzido, sempre que 
possível, por via nasal, pois isto facilita a fixação. Esta fixação deverá ser trocada diariamente pelo 
enfermeiro ou quando se fizer necessário, anotando o número correspondente do tubo em relação à asa do 
nariz e colocando esta numeração de forma visível no leito do paciente. Quando for processada a fixação, 
deve-se proteger a pele do paciente com tintura de benjoim e colocar fita hipoalergênica antes de fixar o 
tubo com esparadrapo comum, pois evita-se, assim, a escarificação da pele ao retirá-lo, evitando também 
mais uma porta de entrada aos microrganismos. O tubo deverá ser ajustado confortavelmente dentro da 
narina, sem que haja pressão excessiva sobre a asa do nariz, para evitar necrose. 
Controle da pressão do balonete 
Um dos mais importantes riscos da intubação traqueal prolongada é a lesão da laringe e da traquéia. O 
balonete insuflado pode acarretar necrose da mesma ou, ainda, fístula traqueoesofágica. Na tentativa de 
minimizar esta ocorrência, algumas medidas podem ser tomadas pela enfermagem, tais como: 
- insuflar o balonete com volume de ar suficiente para impedir escape de ar e 
movimentação do tubo na traquéia. 
- A insuflação do cuff deve ser verificada, no mínimo, a cada 12 horas. Em casos de escape de ar, o 
balonete pode estar danificado ou furado, devendo ser providenciada imediatamente a troca do mesmo; 
- manter e conferir a pressão no interior do balonete, que deve ser inferior a 25 
mmHg; 
- atentar para sinais e sintomas de extubação inadvertida, que incluem: 
vocalização, disparo do alarme de pressão baixa, alterações na ausculta 
respiratória e distensão gástrica; 
- atentar continuamente para sinais e sintomas de tubo traqueal mal posicionado, que incluem: dispnéia, 
desvio da traquéia, agitação, mudanças unilaterais na ausculta, esforço respiratório aumentado, expansão 
torácica assimétrica e evidência radiológica da extremidade distal do tubo endotraqueal a menos de 2 cm 
ou a mais de 8 cm acima da carina. 
Monitorização do balanço hidroeletrolítico e peso corporal 
Na tentativa de estabelecer um controle, é importante pesar o paciente 
sempre que possível. O peso é demonstrativo do balanço hídrico do paciente. É comum encontrar ganho 
de peso no paciente em ventilação mecânica. 
Deve-se estar atento aos níveis de potássio, cálcio, magnésio, sódio e fósforo, 
pois estes eletrólitos influenciam diretamente na estabilidade hemodinâmica e na força da musculatura 
respiratória. 
Controle do nível nutricional 
39
Como a ingestão nutricional está limitada pela intubação, atenção extra deve 
ser dada a ela para garantir uma nutrição enteral e parenteral adequada. 
A associação entre o estado nutricional e a função pulmonar está bem 
estabelecida, na medida em que a nutrição inadequada diminui a massa muscular do diafragma, reduzindo 
o desempenho da função pulmonar e aumentando os requisitos de ventilação mecânica. 
À enfermagem cabe: 
- manter a cabeceira elevada a 45º (graus), se não houver contra-indicação; 
- obedecer rigorosamente aos horários de administração das dietas, garantindo a sua ingestão de forma 
adequada; 
- cuidados especiais aos balonetes das cânulas devem ser observados neste 
momento, certificando-se da insuflação dos mesmos durante a administração das dietas. 
Umidificação e aquecimento do gás inalado 
Gás seco é altamente prejudicial para as vias aéreas, pois causa 
ressecamento e inflamação da mucosa. 
Nos ventiladores que usam água, a água dos umidificadores deverá ser 
trocada diariamente, e sempre que for preciso para manter o nível adequado. É 
importante ressaltar que o nível da água não deve ser complementado, e sim 
completamente substituído. A água dos ventiladores pode tornar-se um meio de cultura para 
microrganismos resistentes. A adequação do nível da água no 
umidificador é necessária para não ocorrer ressecamento ou hiperidratação das secreções. 
Deve-se estar atento à temperatura de aquecedores e alarmes. A temperatura 
do vapor úmido, ao chegar à cânula, deve ser em torno de 30 - 32ºC, pois é a 
temperatura fisiológica protetora da mucosa ciliada e de outras estruturas. 
No caso de utilização de filtros de barreira, a escolha é feita com base no 
peso corporal do paciente e no tipo de secreção, estando contra-indicados para o caso de secreção espessa 
e hipersecreção. Estes filtros devem ser trocados a cada 24 horas e sempre que necessário. 
Observação do circuito do ventilador 
À enfermagem cabe: 
- esvaziar a água condensada no circuito, sempre que necessário; ela aumenta a resistência, a PEEP e a 
contaminação; 
- evitar adaptações nos circuitos; elas podem promover o escape aéreo, o que 
sugere inadequação na quantidade e no fluxo oferecido ao paciente, causando 
hipoventilação; 
- trocar os circuitos dos ventiladores sempre que necessário. 
Observação dos alarmes do ventilador 
Para avaliação e conduta adequadas, nos casos de disfunção do ventilador, é 
importante determinar o motivo do disparo dos vários alarmes existentes nos 
ventiladores mecânicos, bem como conhecer os parâmetros utilizados. 
Nível de sedação do paciente e utilização de bloqueadores neuromusculares 
Os pacientes em uso de ventilação mecânica geralmente utilizam 
bloqueadores neuromusculares e sedativos, e a enfermagem deve: 
- observar e controlar o fluxo da droga prescrita; 
- avaliar a eficácia da terapêutica implementada (evidenciada por um sincronismo paciente x ventilador); 
- atentar para possíveis efeitos colaterais, tais como tremores, taquicardia e 
hipertensão ou hipotensão arterial. 
Observação do sincronismo entre o paciente e a máquina 
A falta de sincronismo pode ocorrer em algumas situações, como o paciente 
ventilado em modo controlado ou assistido sem uma adequada sedação. 
Erro de programação de fluxo no aparelho. 
Orientação de exercícios 
- Orientar a execução de movimentos no leito. 
- Realizar mudança de decúbito, propiciando melhor ventilação alveolar e 
facilitando as trocas gasosas. 
Comunicação e apoio emocional ao paciente 
É muito importante que seja estabelecida uma comunicação efetiva entre a 
equipe de enfermagem e o paciente. O mesmo deve ser esclarecido quanto a todas as dúvidas que possam 
surgir, inclusive as relacionadas à sua localização no tempo e no espaço; além disso, deve ser explicada, 
40
sempre que possível, a função dos equipamentos de monitorização, do tubo orotraqueal (TOT) e do 
ventilador. Isto é extremamente importante, pois os pacientes mais orientados tendem a ser mais 
colaborativos, o que influencia a sua adaptação à ventilação mecânica. 
Deve ser permitido ao paciente expressar-se, através de gestos ou da escrita. 
Para isto, a equipe deve prover meios alternativos de comunicação, seja com o uso de gestos, cartões ou 
lápis e papel. 
O profissional da equipe de enfermagem deve transmitir conforto e segurança 
ao paciente, comunicando-se com ele, mesmo se ele estiver inconsciente. 
Controle de infecção no paciente emventilação mecânica 
O paciente entubado perde suas barreiras naturais de defesa das vias aéreas 
superiores. Além disso, a equipe de saúde, através das suas mãos e do 
equipamento respiratório, constitui a maior fonte de contaminação exógena. 
Cuidados de enfermagem: 
- lavar as mãos; 
- utilizar corretamente as precauções básicas de barreira; 
- utilizar técnicas corretas de aspiração traqueal;
- providenciar esterilização adequada dos circuitos respiratórios; 
- proteger a extremidade distal do circuito respiratório ao desconectar do paciente; 
- fazer acompanhamento do resultado de culturas. 
Preenchimento de Formulários de controle 
Anotar, registrar, prescrever são funções importantes do enfermeiro. 
No registro devem constar: 
- modalidade ventilatória; 
- valores de oxicapnografia; 
- PEEP e auto-PEEP; 
- número de dias de intubação. 
Desmame 
Deve ser iniciado quando atendidas as exigências de estabilidade clínica, 
hemodinâmica, funcional respiratória e gasométrica.
À enfermagem cabe: 
- observar o nível de consciência e colaboração do paciente; 
- avaliar valores de oxicapnografia e hemogasometria; 
- padrão respiratório. 
Cuidados na extubação 
- Suspender dieta enteral 
- Manter cabeceira elevada a 45º 
- Fazer aspiração na seqüência traqueo-naso-oral antes da retirada do TOT/TQT 
- Após retirada do TOT/TQT, observar padrão respiratório e oximetria de pulso 
- Fazer acompanhamento hemogasométrico 
- Fazer instalação de oxigenoterapia de acordo com prescrição médica 
- Fazer verificação e registro, de 15 em 15 minutos, da FR, FC e SaO2 nas duas primeiras horas após a 
extubação traqueal 
Assistência de enfermagem em ventilação não - mecânica 
- Este tipo de ventilação é realizado sem a necessidade de instituição de intubação endotraqueal, podendo 
ser por pressão positiva ou negativa. 
- A aplicação desta técnica utiliza máscaras faciais e bocais específicos. 
- As indicações mais freqüentes envolvem os pacientes portadores de insuficiência respiratória restritiva e 
DPOC. 
- Os cuidados de enfermagem ainda são incipientes com relação a esta técnica, destacando-se os seguintes 
aspectos:orientar o paciente quanto ao 
procedimento, que pode ser incômodo; atentar para as lesões de pele devido à 
fixação da máscara facial; observar o escape durante a aplicação do método; 
acompanhar padrão respiratório e oximetria de pulso; verificar o procedimento de desinfecção e 
esterilização do equipamento utilizado. 
Métodos de Ventilação Mecânica 
41
Conceito 
Como métodos essenciais de ventilação mecânica devemos entender todo e 
qualquer método de suporte ventilatório capaz de prover, com o menor dano e custo possível, a melhor 
ventilação e oxigenação capazes de suprir a demanda do paciente. 
Métodos atualmente aceitos 
Os métodos de suporte ventilatório mais praticados na rotina assistencial e, 
por isso, considerados convencionais, são os seguintes: 
- ventilação com pressão positiva intermitente, assistida e/ou controlada, ciclada a volume ou pressão 
(IPPV); 
- ventilação a pressão controlada (PCV); 
- ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV); 
- ventilação com suporte pressórico (PSV); 
- pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP);
- associações: SIMV + PSV, PSV + CPAP, SIMV + CPAP.
Assim, temos como técnicas essenciais de suporte ventilatório aquelas que 
têm demonstrado melhorar a condução das insuficiências respiratórias, 
principalmente na SARA, isto é, as técnicas de suporte ventilatório total ou parcial, com respiradores de 
pressão positiva ciclados a tempo, pressão, volume ou fluxo, PEEP, CPAP, SIMV, suas associações, 
PCV, VAPSV (ventilação com suporte 
pressórico e volume garantido).Técnicas que ainda não se tornaram 
convencionais, mas tem seguidores e indicações, também devem ser consideradas como recursos de 
suporte ventilatório. Entre elas estão a hipercapnia permissiva, a relação I:E invertida, a ventilação com 
jatos de alta freqüência e a ventilação com liberação de pressão em vias aéreas. 
Ciclagem dos ventiladores de pressão positiva 
São classificados em quatro modalidades de acordo com o término da 
inspiração. 
Ciclados A Tempo 
A inspiração termina após um tempo inspiratório predeterminado. A 
quantidade de gás ofertada e a pressão das vias aéreas vão variar, a cada 
respiração, dependendo das modificações da mecânica pulmonar. São ventiladores também utilizados em 
domicílio. A ventilação a pressão controlada (PCV) é diferente neste modo, pois o fluxo desacelerado 
proporciona uma pressão constante durante a inspiração, reduzindo os riscos de barotrauma. Isso 
possibilita aumentar o tempo inspiratório, permitindo inverter a relação I:E. 
Ciclados A Pressão 
A inspiração cessa quando é alcançada a pressão máxima predeterminada. 
Os volumes oferecidos variarão de acordo com as mudanças da mecânica 
pulmonar. A ventilação-minuto não é garantida. 
Ciclados A Volume 
A inspiração termina após se completar um volume corrente predeterminado. 
Ciclados A Fluxo 
A inspiração termina quando determinado fluxo é alcançado. A ventilação por 
pressão de suporte é um exemplo. Neste caso, uma pressão predeterminada em via aérea é aplicada ao 
paciente, o respirador cicla assim que o fluxo inspiratório diminui e alcança um percentual 
predeterminado de seu valor de pico (normalmente 25%). 
VENTILAÇÃO CICLADA A VOLUME 
Ventilação Controlada 
Na ventilação controlada, o volume-minuto é completamente dependente da 
freqüência e do volume corrente do respirador. Nenhum esforço respiratório do 
paciente irá contribuir para o volume-minuto. 
Entre suas indicações estão os pacientes que não conseguem realizar 
esforço respiratório (traumatismo raquimedular, depressão do SNC por drogas, 
bloqueio neuromuscular). A combinação de ventilação controlada e bloqueio 
neuromuscular possibilita a redução do consumo de oxigênio, sendo freqüentemente empregada em 
pacientes com SARA. Adicionalmente, esta combinação, especialmente quando associada à hipercapnia 
permissiva, é utilizada para a redução do volutrauma em pacientes com SARA e, também, para a 
diminuição do barotrauma em asmáticos difíceis de ventilar. 
Ventilação Assisto-Controlada 
42
No modo assisto-controlado, o ventilador “percebe” o esforço inspiratório do 
paciente e “responde” oferecendo-lhe um volume corrente predeterminado. Esse esforço inspiratório deve 
ser o necessário para vencer o limiar de sensibilidade da válvula de demanda do ventilador, 
desencadeando, a partir daí, a liberação do volume corrente. Assim, o paciente “trabalha” para ciclar o 
respirador e realizar a inspiração. Na presença de auto-PEEP aumenta-se o trabalho respiratório 
proporcional à quantidade de auto-PEEP presente. Um modo controlado de back-up de freqüência é 
necessário para prevenir hipoventilação. 
Ventilação Mandatória Intermitente (Imv, Simv) 
Na ventilação mandatória intermitente (IMV-SIMV), o grau de suporte 
ventilatório é determinado pela freqüência do IMV. A intervalos regulares, o 
respirador libera um volume previamente determinado. Fora destes ciclos, o paciente respira 
espontaneamente através do circuito do ventilador, portanto, com freqüência e volume corrente que 
variarão de acordo com a necessidade e capacidade individuais. A SIMV representa a sincronização com 
o movimento inspiratório; essa modificação, entretanto, cria a necessidade de uma modalidade de 
“disparo”, seja uma válvula de demanda ou um mecanismo de flow-by. Ambas as situações aumentam o 
trabalho respiratório. São vantagens do SIMV em relação à ventilação assisto-controlada: 
— melhor sincronismo com o ventilador; 
— menor necessidade de sedação; 
— menor tendência a alcalose respiratória; 
— menor pressão média de vias aéreas, com redução dos riscos de barotrauma e comprometimento 
hemodinâmico, especialmente na vigência de PEEP; 
— manutenção da resistência muscular possibilitada pela respiraçãoespontânea. 
Ventilação Ciclada à fluxo (pressão de suporte) 
Modalidade ciclada a fluxo, em que, uma vez disparada pela válvula de 
demanda, uma pressão predeterminada é mantida até que caia o fluxo inspiratório do paciente, 
habitualmente 25% do seu valor máximo. Tende a ser muito confortável, uma vez que o paciente detém o 
controle sobre o ciclo respiratório. 
Pode ser adicionada ao suporte ventilatório total ou parcial (SIMV), vencendo a 
resistência do tubo e do circuito durante a respiração espontânea. 
A resistência ao tubo endotraqueal é função do diâmetro do tubo e do fluxo 
inspiratório. Valores superiores a 10 cmH2O podem ser necessários para vencer esta resistência, 
particularmente naqueles tubos de menor calibre (7 mm ou inferior) ou em pacientes com DPOC. Sua 
aplicação possibilita o aumento do volume corrente e a redução da freqüência respiratória. 
O suporte ventilatório total exige altos valores de pressão de suporte (27 ± 5 
cmH2O). Valores baixos aumentam o risco de colabamento alveolar. A monitorização cuidadosa é 
necessária, uma vez que nem volume corrente ou minuto são garantidos por esta modalidade. A PSV 
pode ser mal tolerada em pacientes com alta resistência de vias aéreas. O seu uso em pacientes com 
DPOC não diminui a auto- PEEP, a qual, por aumentar o trabalho respiratório, pode inviabilizar o uso de 
PSV nestes pacientes. 
Assim como ocorre na ventilação A/C e SIMV, pode ocorrer assincronia 
durante o uso de PSV na modalidade total de assistência ventilatória. No momento, a PSV não constitui 
uma modalidade adequada para a abordagem da insuficiência respiratória aguda, entretanto, esforços têm 
sido feitos para contornar estes problemas, para que a PSV possa ser utilizada em maior escala no futuro 
(ventilação assistida proporcional e PSV com volume garantido). 
 
PEEP 
Define-se como sendo a manutenção da pressão alveolar acima da pressão 
atmosférica ao final da expiração. 
PARÂMETROS PROGRAMÁVEIS 
Concentração De Oxigênio No Ar Inspirado (Fio2) 
É recomendável que se inicie a ventilação mecânica com FIO2 = 1,0, 
procurando-se reduzir progressivamente este valor a concentrações mais seguras, objetivando uma FIO2 
< 0,5. O ideal é manter uma FIO2 suficiente para obter uma SaO2 > 90 %, sem expor o paciente ao risco 
de toxicidade pelo oxigênio. Entretanto, em casos graves de SARA, com o objetivo de evitar altas 
concentrações de oxigênio, pode ser tolerada uma SaO2 > 85%. 
Freqüência Respiratória 
A freqüência respiratória deve ser ajustada de acordo com a PaCO2 e pH 
43
desejados, e dependerá do modo de ventilação escolhido, da taxa metabólica, do nível de ventilação 
espontânea e do espaço morto. Em geral, recomenda-se a freqüência respiratória de 8-12 ipm, para a 
maioria dos pacientes estáveis. Deve-se ficar atento para o desenvolvimento de auto-PEEP com altas 
freqüências respiratórias, geralmente acima de 20 ipm. 
Volume Corrente 
Na ventilação mecânica volume controlado, o volume corrente (VT) é mantido 
constante, sendo o fator de ciclagem do respirador. Um VT inicial de 10-12 ml/kg (baseando-se no peso 
ideal) é, geralmente, adequado. Ajustes subseqüentes devem ser considerados, baseando-se inicialmente 
na pressão parcial de gás carbônico no sangue arterial (PaCO2). E, como já citado anteriormente, na 
SARA é recomendado o uso de VT de 5 a 8 ml/kg. 
A necessidade de ajustar o VT para se obter uma determinada PaCO2 deve-se 
às variações na produção do CO2 pelo paciente, principalmente, no volume do 
espaço morto. O espaço morto anatômico, durante a ventilação mecânica, é 
acrescido dos volumes da cânula traqueal, do circuito do respirador e do volume que se perde na 
distensão do circuito. Estes volumes variam entre os diferentes circuitos e podem levar à necessidade de 
ajustes no VT. 
Além disso, durante a ventilação mecânica, pode-se aumentar o espaço morto fisiológico, principalmente 
com grandes volumes correntes, em função da diminuição do retorno venoso e da hiperdistensão alveolar, 
com compressão de capilares pulmonares. 
Em algumas situações específicas, a normalização da PaCO2 não é o 
parâmetro para se ajustar o volume corrente. Em pacientes obstrutivos (asma e 
DPOC), volumes correntes menores podem ser necessários para evitar a 
hiperdistensão pulmonar, com conseqüente geração de auto-PEEP. 
Especificamente nos pacientes com DPOC com retenção crônica de CO2, o 
VT ajustado deve manter os níveis elevados de CO2 para que não se alterem os mecanismos de retenção 
de bicarbonato. A normalização da PaCO2 nesses 
pacientes promoverá a diminuição dos níveis de bicarbonato, sendo causa de 
acidose respiratória e dificuldade de retirada do suporte ventilatório, quando se 
tentar o desmame. Dessa forma, deve-se estar atento aos valores do pH arterial. 
Em pacientes com complacência pulmonar diminuída (principalmente na 
SARA), ao se ajustar o volume corrente, deve-se evitar a hiperdistensão alveolar. 
Embora haja controvérsias, a manutenção da pressão de platô abaixo de 35 cmH2O (ou 40 cmH2O em 
pacientes obesos, com ascite ou distensão abdominal, ou em outras condições de diminuição da 
complacência da parede torácica) constitui medida segura para se evitar esta hiperdistensão. Estas 
particularidades na escolha do volume corrente serão discutidas mais detalhadamente neste Consenso. 
Fluxo Inspiratório 
A importância da escolha do pico de fluxo inspiratório é diferente entre os 
ciclos assistidos e os ciclos controlados. 
Nos ciclos controlados, a escolha do pico de fluxo determinará a velocidade 
com que o volume corrente será ofertado, determinando, conseqüentemente, a 
relação inspiração/expiração, para aquela freqüência respiratória, e o pico de 
pressão nas vias aéreas. Sendo assim, para um dado ajuste de volume corrente e freqüência respiratória, 
um maior pico de fluxo se correlaciona com o menor tempo inspiratório e maior pico de pressão nas vias 
aéreas. Nos ciclos controlados, um pico de fluxo entre 40 e 60 l/min é, em geral, suficiente, procurando-se 
manter a PIP < 40 cmH2O. 
Durante os ciclos assistidos, na escolha do pico de fluxo inspiratório, deve-se 
considerar também a demanda ventilatória do paciente. Um fluxo inspiratório 
insuficiente determina desconforto e maior trabalho respiratório para o paciente, em função da 
manutenção do esforço inspiratório ao longo da inspiração. Em função disso, o pico de fluxo inspiratório, 
nos ciclos controlados, necessitará ser maior, em geral entre 60 e 90 l/min. Outra possibilidade de evitar 
um maior trabalho respiratório pelo paciente, nos ciclos assistidos, é a combinação de um fluxo de 
demanda à modalidade volume controlada (VAPSV). 
Ondas De Fluxo 
Os ventiladores, na modalidade volume controlado, podem ofertar o fluxo 
inspiratório em quatro formas (onda de fluxo): quadrada (ou constante), sinusoidal, acelerada, 
desacelerada. As ondas de fluxo de padrão acelerado ou sinusoidal são menos utilizadas, não trazendo 
44
vantagens em relação às demais. Entre as duas ondas de fluxo mais freqüentemente usadas, a quadrada e a 
desacelerada, concentram-se os principais estudos. 
Em relação ao fluxo quadrado, o desacelerado apresenta menor pico de 
pressão nas vias aéreas e melhor distribuição da ventilação (diminuição do espaço morto fisiológico) 
quando o tempo inspiratório é mais prolongado. Não existem trabalhos que demonstrem, de forma 
definitiva, a superioridade de uma destas ondas de fluxo, desde que ajustadas para o mesmo volume 
corrente, a mesma relação entre tempo inspiratório e tempo total, e o mesmo fluxo médio. 
Relação Inspiração: Expiração — I:E 
A relação I:E, durante respiração espontânea normal, é de 1:1,5 a 1:2 com 
tempo inspiratório de 0,8 a 1,2 s. Durante a ventilação mecânica, ela dependerá do volume corrente, da 
freqüência respiratória, do fluxo inspiratório e da pausa inspiratória. 
Em pacientes com obstrução do fluxo expiratório ehiperinsuflação, 
recomenda-se uma relação I:E < 1:3, objetivando aumento no tempo de exalação. 
Em pacientes hipoxêmicos, relações I:E mais próximas de 1:1 aumentam o 
tempo de troca alvéolo-capilar, trazendo, conseqüentemente, melhora na 
oxigenação. 
Uma relação I:E > 1:1 pode predispor ao desenvolvimento de auto-PEEP, 
embora possa melhorar a troca gasosa na hipoxemia refratária. Nos pacientes com síndrome hipoxêmica 
grave, podemos chegar a relações I:E = 3:1. 
Sensibilidade 
A sensibilidade deve ser compreendida como o esforço despendido pelo 
paciente para disparar uma nova inspiração assistida pelo ventilador. 
O sistema de disparo por pressão é encontrado na maioria dos ventiladores, sendo recomendado o valor 
de -0,5 a -2,0 cmH2O. O sistema de disparo a fluxo pode ser encontrado em ventiladores mais novos, e 
parece proporcionar melhor interação com o paciente. 
O Paciente com Problemas Neurológicos 
CLASSIFIÇÃO DOS GRAUS DE COMA 
COMA LEVE - Grau I 
* sonolento 
* orientado 
* segue ordem verbal, há verbalização 
* perguntas produzem respostas verbais 
COMA MODERADO- Grau II 
* torpor 
* nível de consciência deprimido, capaz de obedecer simples comandos 
verbais 
* estímulos dolorosos produzem piscar ou abertura das pálpebras 
* pode estar alerta com déficit neurológico focal 
COMA PROFUNDO- Grau III 
* coma 
* dor produz resposta motoras elementares 
* inconsciente- incapaz de obedecer comando verbais
* pode apresentar respostas motoras anormais ( decorticação 
descerebração) 
COMA DEPASSÉ – Grau IV 
* coma irreversível 
45
* funções vegetativas não se mantêm espontâneamente
* morte cerebral 
* EEG isoelétrico 
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA 
A observação cuidadosa, a comparação com exames prévios, as 
intervenções de enfermagem podem ajudar a evitar danos neurológicos e seqüelas 
graves ao paciente. 
A avaliação neurológica deve constar do exame periódico de: 
1. Nível de consciência (Glasgow) 
2. Pupilas 
3. Atividade Motora 
4. Ritmo respiratório 
Objetivos: 
- Padronizar a linguagem da equipe em relação à avaliação do nível de 
consciência 
- Facilitar a comunicação oral e escrita das informações 
- Estabelecer um sistema sólido para acompanhar a evolução do nível de 
consciência do paciente. 
A Escala de Glasgow engloba três tipos de reposta de comportamento que são 
utilizadas para avaliar o nível de consciência do indivíduo 
- abertura ocular 
- resposta verbal 
- resposta motora 
• Escore máximo de 15 pontos- indica indivíduo neurofisiologicamente normal 
• Escore mínimo de 03 pontos- pode indicar morte cerebral 
Avaliação das Pupilas
Tamanho e reatividade à luz. Sua avaliação é de grande importância 
pois sua alteração pode representar comprometimento de estruturas nervosas. 
Tamanho: 1 a 8/9 mm 
Normal adulto:3 a 4 mm 
5 a 6 mm: médio fixa 
7 a 8 mm: midríase máxima 
1 / 2 mm: miose máxima 
PUPILAS REATIVIDADE À LUZ NÍVEL DE LESÃO
Midriáticas Ausente Morte cerebral 
Nervo óculo – motor 
Mióticas Presente Diencéfalo 
Intoxicação por atropina 
Puntiformes Difícil avaliação Distúrbio metabólico 
Médio – fixas Ausente Mesencéfalo 
Midríase unilateral Ausente lado - midríase Hematoma cerebral 
Atividade Motora 
Detectar déficits motores e posturas anormais. O local e tipo de déficit motor 
permitem o diagnóstico topográfico da lesão. Os termos paresia e plegia referem –se respectivamente a 
déficits motores parciais e totais. 
 Ritmo respiratório 
A característica da respiração deve ser observada, uma vez que diferentes 
níveis de lesão nervosa causam rítmos respiratórios diversos. 
HIPERTENSÃO INTRACRANIANA (HIC) 
O crânio é um compartimento rígido que contém tecido cerebral, sangue, 
líquor;o volume e a pressão entre estes 3 componentes devem estar em equilíbrio. O encéfalo possui 
mecanismos de ajuste capaz de reduzir o volume para manter a perfusão cerebral através do aumento da 
reabsorção de líquor e diminuição do volume sanguíneo. 
46
A hipertensão intracraniana é uma entidade importante que constitui causa 
comum de morte por problemas neurológicos. 
Causas: 
- edema cerebral 
- hipertensão arterial 
- ruptura de aneurisma � edema � hipertensão intracraniana 
- TU cerebral 
- TCE 
� PIC � � diâmetro dos vasos � � fluxo de sangue� anóxia �� pCO2 � �
volume de sangue � � PIC � isquemia cerebral
Sintomas: cefaléia, vômito, edema de papila, hipertensão arterial 
Sintomas de complicações da HIC: 
-bradicardia 
-perda do equilíbrio 
-irritabilidade 
-letargia 
-hipertermia 
-desorientação 
-alterações motoras 
-convulsões 
-reflexos diminuídos 
-alteração da visão 
-distúrbios respiratórios 
- COMA : troca respiratória inadequada 
reflexos ausentes 
pupilas dilatadas 
coma depassé 
Métodos Diagnósticos: 
1. Reconhecimento do quadro clínico 
2. Rx crânio 
3. TC 
4. EEG 
5. Ressonância magnética 
TCE (TRAUMA CRÂNIO ENCEFÁLICO) 
Qualquer agressão que acarrete lesão anatômica ou comprometimento 
funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo. 
Tipos: 
1. Couro cabeludo: escoriações, lacerações, hematomas 
2. Osso: fratura linear, com afundamento, base de crânio 
3. Espaço extradural: hematoma, calota óssea e dura máter 
4. Espaço subdural: hematoma agudo ou crônico 
5. Espaço subaracnóide: hemorragia 
6. Encéfalo: laceração, contusão, lesão axonial difusa, edema, Swelling 
Sintomas: 
* Alteração do nível de consciência: 
- agitação psicomotora 
- letargia 
- confusão 
- torpor mental 
- coma 
* alteração das pupilas 
- anisocoria 
- midríase 
* início súbito de déficit neurológico 
* alterações dos sinais vitais 
* cefaléia, vômito, vertigem 
* convulsões 
47
Métodos diagnósticos 
1. O exame físico, anamnese, avaliação neurológica constituem a base 
2. RX de crânio, cervical, torácico 
3. TC é útil na avaliação dos tecidos moles 
4. Angiografia cerebral 
5. Ressonância magnética 
Tratamento 
A terapia inicial é dirigida para a manutenção da homeostasia cerebral e 
prevenção da lesão secundária. 
1. Consiste na estabilização das funções cardiovasculares e respiratória, para 
manter a perfusão cerebral adequada 
2. A hemorragia deve ser estancada 
3. A hipotermia corrigida 
4. A gasometria mantida em níveis normais 
À medida que ocorre edema cerebral ou se forma uma coleção sanguínea 
(hematoma) levando à HIC, o tratamento deve ser mais agressivo. 
1. monitorização da pressão intracraniana 
2. manutenção adequada da oxigenação 
3. administração de solução hiperosmolar (Manitol) 
4. assistência ventilatória (hiperventilação) - �pCO para 20 a 30 mmHg 
5. controlar balanço hidroeletrolítico e exames laboratoriais 
6. intervenção neuro – cirúrgica (drenagem de hematoma, desbridamento, correção de afundamentos) 
7. prevenção de convulsões (Hidantal) 
Cuidados de Enfermagem 
1. Manter repouso no leito com cabeceira elevada (30 e 45º) e pescoço reto.(Facilitar o retorno venoso; 
melhorar a expansão pulmonar e melhorar a permeabilidade das vias aéreas,� congestão pulmonar, 
contribuindo para a � da HIC. 
2. Manter vias aéreas livres e oxigenação adequada para propiciar boa oferta de O2 para os tecidos 
cerebrais, evitando a hipóxia e hipercapnia (vasodilatação – contribuindo para o� da PIC), piora do 
quadro neurológico. 
3. Avaliar quadro neurológico constantemente através da Escala de Glasgow, 
pupilas, atividade motora, rítmo respiratório- para controlar o nível de consciência, a evolução do quadro 
para detectar o agravamento em tempo hábil para que sejam tomadas as providências necessárias. 
4. Controlar os SSVV 
5. Controlar o balanço hidroeletrolítico e exames laboratoriais 
6. Manter cuidados com SNG e SVD 
7. Observar presença de convulsões (intensidade, freqüência) 
8. Evitar a sedação do paciente, pois o sedativo dificulta a avaliação neurológica. 
TUMOR CEREBRAL 
Lesão localizada que ocupa espaço intracerebral e tende a causar � da PIC.Tipos: 
- gliomas (neoplasias malígnas) 
- adenoma pituitário 
- angioma: massa composta de vasos anormais 
- neuroma: turmo de nervo craniano VII 
Sintomas: 
Mesmos da HIC: cefaléia, vômito, náuseas, irritabilidade, edema de papila, 
alteração na personalidade, déficit motor, alterações visuais, convulsões. 
Diagnósticos: 
-RX crânio 
-TC 
-Angiografia cerebral 
Tratamento: 
-Cirúrgico 
48
-Radioterapia 
-Quimioterapia 
-Corticosteróides 
ANEURISMA CEREBRAL 
Dilatação anormal da parede de uma ou mais artérias. 
Causas: 
- defeito da parede vascular, arteriosclerose, doença vascular hipertensiva, idade avançada, trauma de 
crânio. 
Sintomas: 
-cefaléia intensa, perda da consciência, rigidez cervical, distúrbios visuais, déficit motor, coma, morte 
súbita. 
Métodos Diagnósticos: 
-TC: tamanho e local 
-Punção lombar: líquor (LCR) hemorrágico 
-Angiografia cerebral: local, tamanho e vasos contíguos 
Tratamento: 
-Repouso absoluto no leito, com sedação para evitar stress 
-Controle rigoroso da PA 
-Administrar analgésicos (cefaléia) 
-Emolientes fecais (diminuir esforços para evacuar)
-Correção cirúrgica 
Cuidados: 
Antes da Cirurgia 
-Orientar ou manter repouso absoluto no leito com grades laterais 
-Manter monitorização neurológica 
-Controlar SSVV (principalmente � PA) 
-Administrar analgésicos e sedativos e laxantes c.p.m. 
-Observar crise convulsiva, queixas de cefaléia, náuseas, vômitos 
-Oferecer dieta laxante e observar frequencia e aspecto das evacuações 
-Orientar inspirações profundas 
-Manter ambiente calmo e orientar os familiares quanto a preocupações externas. 
Pós – Operatório 
- Manter repouso no leito com cabeceira elevada a 30 ou 45º- pescoço reto 
- Manter vias aéreas livres e oxigenação adequada 
- Fazer avaliação neurológica constante 
- Observar sangramento e manter cuidados com a ferida operatória 
- Controlar SSVV 
- Manter monitorização cardíaca 
- Fazer balanço hidroeletrolítico 
- Avaliar resultados de exames laboratoriais 
- Aplicar compressa gelada sobre os olhos para evitar edema periorbital 
- Manter cuidados com SVD e controlar volume urinário 
- Manter cuidados com SNG 
- Observar presença de convulsão/agitação psicomotora 
- Mudar decúbito frequentemente, sentar fora do leito assim que for possível 
- Manter posicionamento correto dos membros para evitar deformidades 
- Fazer exercícios ativos e passivos nos membros 
AVC (Acidente Vascular Cerebral) 
Perda súbita da função cerebral devido a interrupção do fluxo sanguíneo em 
determinada parte do cérebro. 
AVCI: - embolos 
- trombos 
AVCH: - ruptura de aneurisma 
- crise hipertensiva 
- distúrbio de coagulação 
49
Sintomas: vertigem, vômito, alterações visuais, escotomas, déficit motor, déficit de comunicação (afasia, 
disfasia, disartria),alteração do nível de consciência (letargia, sonolência, torpor) . 
Métodos Diagnósticos: 
-Exame físico: histórico de HA, DM, cardiopatia 
-AVCI: -Líquor (LCR): punção: normal, leve � protéico 
- TC: local e a extensão 
- EEG: área localizada com sinais de sofrimento cerebral 
-AVCH: - LCR hemorrágico e hipertensão 
- TC: hematoma intra - parenquimatoso 
- EEG: pouco usado 
- Angiografia: causa da hemorragia (verificar quanto� a extensão, � o 
problema) 
Tratamento: 
AVCI: 
- controle da PA 
- cuidado com o desiquilíbrio metabólico e hidratação 
- corrigir causas 
AVCH 
- repouso absoluto e evitar esforços 
- controle da PA 
- se for aneurisma, correção cirúrgica 
O Paciente Vítima de Trauma 
TRAUMA CRANIO ENCEFÁLICO 
Exame Físico 
O exame físico inicial, na fase aguda, deve ser rápido e objetivo. É importante 
lembrar que pacientes com TCE são politraumatizados, sendo freqüente a 
associação com traumatismos torácicos, abdominais e fraturas. Hipóxia, hipotensão, hipo ou 
hiperglicemia, efeito de drogas narcóticas, e lesões instáveis da coluna vertebral devem ser procurados e 
convenientemente tratados. 
O exame da pele da cabeça deve ser feito com cuidado. Fraturas no crânio 
devem ser procuradas. Fraturas da base do crânio podem ser suspeitadas pela 
presença de sangue no tímpano e pela drenagem de líquido cefalorraquideano pelo ouvido ou nariz. 
O propósito do exame neurológico inicial é determinar as funções dos 
hemisférios cerebrais e do tronco encefálico. Os exames subseqüentes são 
importantes para verificar a evolução do paciente, se está havendo melhora ou 
deterioração do seu quadro clínico. Escalas neurológicas foram desenhadas para permitir quantificar o 
exame neurológico. A escala de coma de Glasgow é uma medida semiquantitativa do grau de 
envolvimento cerebral, que também orienta o prognóstico. Entretanto, não é válida para pacientes em 
choque ou intoxicados. A presença de traumatismo dos olhos e da medula espinhal dificulta a avaliação. 
A escala consiste em pontuar os achados do exame neurológico, avaliando a resposta verbal, a abertura 
dos olhos, e a resposta motora. 
O exame neurológico deve incluir, ainda, avaliação dos nervos cranianos e 
exame de fundo de olho (para verificar a presença de edema de papila presente no edema cerebral ou na 
hipertensão intracraniana). Os reflexos pupilares e os movimentos oculares devem, também, ser 
avaliados. 
50
Exames Complementares 
Radiografia de crânio nas incidências ântero-posterior e lateral. As fraturas da 
convexidade são geralmente bem visíveis, mas as fraturas da base podem ser vistas em menos de 10% dos 
casos. 
A tomografia computadorizada de crânio pode demonstrar fraturas, 
hematomas intra e extra-cerebrais, áreas de contusão, edema cerebral, hidrocefalia, e sinais de herniação 
cerebral. 
A ressonância magnética permite verificar a presença de lesões de difícil 
visualização à tomografia computadorizada, como hematomas subdurais, além de definir melhor a 
presença de edema. Entretanto é exame prolongado, o que dificulta a sua realização de rotina em 
pacientes com TCE. 
A angiografia cerebral é indicada para avaliar lesões vasculares no pescoço 
ou na base do crânio. 
RM e TC podem detectar hematomas intracranianos operáveis, devem ser 
obtidos em todos os pacientes cujo estado de inconsciência seja observado por > 2h e para aqueles com 
alguma anormalidade neurológica focal. Se estes testes não estiverem disponíveis, deve-se encaminhar o 
paciente para um hospital mais equipado. Mapeamentos radioativos e EEG são de utilidade quase nula 
para Dx na situação imediata ao pós-trauma. A medida contínua da PIC é amplamente utilizada para 
monitorar o progresso do paciente com trauma grave de crânio 
Tratamento 
Manejo imediato – Lesões múltiplas são prováveis em acidentes de trânsito, 
são de menor número quando devidas a situações com armas de fogo ou lesões cranianas localizadas. No 
local do acidente, deve-se assegurar uma via aérea e o sangramento agudo deve ser controlado, a vítima 
deve ser movida em bloco, com um cuidado particular em evitar o deslocamento de vértebras ou outros 
ossos, poupando a medula espinhal e vasos sangüíneos. Pode-se utilizar de talas para conter todo o corpo 
durante o transporte para o hospital. Morfina e outros depressivos são contra-indicados durante o manejo 
inicial. 
No hospital, uma vez assegurada a via aérea (traqueostomia em lesões graves) e após o estabelecimento 
de uma linha EV, sangramento interno e outras complicações emergenciais são avaliadas e tratadas. 
Hipóxia pode agravar rapidamente a lesão cerebral e necessita de assistência respiratória. É feito uma 
avaliação cuidadosa do estado de consciência, padrão respiratório, tamanho de pupila e reação à luz, 
atividade oculomotora e atividade motora das extremidades. A graduação inicial e as respostas 
subseqüentes através da Escala de Coma de Glasgow, fornecem uma medida aproximada da gravidade da 
lesão e uma estimativa do prognóstico. Os achados neurológicos bem como PS, pulso e temperatura 
devem ser registradospelo menos 1 vez por hora, visto que a deterioração demanda atenção imediata. 
Uma vez obtidos os dados primordiais e que o paciente esteja estabilizado, imagens do crânio devem ser 
efetuados. 
Os pacientes devem ser protegidos contra a perda de calor, hiponatremia, 
desequilíbrio fluídico e obstrução de vias aéreas. Os pacientes com concussão 
devem ser conservados sob supervisão no hospital ou em casa se neurologicamente intactos, por pelo 
menos 24h para que sejam observados para complicações. 
SÍNDROMES NEUROLÓGICAS APÓS TCE 
Após resolução das urgências clínicas e neurológicas que ocorrem nas fases 
iniciais do atendimento a pessoas que sofreram TCE, inicia-se um longo processo de recuperação que tem 
características peculiares e que pode esbarrar com complicações muitas vezes inevitáveis relacionadas ao 
traumatismo. 
Epilepsia 
A epilepsia é uma das complicações mais comuns do TCE. Cerca de 5% dos 
pacientes desenvolvem crises epilépticas recorrentes. Esta freqüência varia de 
acordo com diversos aspectos relacionados ao tipo de lesão cerebral, costumando ser mais alta em lesões 
mais graves. Elas incidem mais na primeira semana, quando são chamadas crises precoces ou da fase 
aguda. Quando ocorrem após a primeira semana, são chamadas de tardias. Dos pacientes que apresentam 
crises no período tardio, 50% costumam tê-las dentro do primeiro ano após o TCE, 25% dentro de 4 anos, 
e o restante nos anos subseqüentes. O tratamento não difere das demais epilepsias (drogas antiepilépticas 
habituais). Em alguns casos não é possível controlar as crises com medicamentos. 
51
Alterações Motoras 
Quando a lesão está localizada na área responsável pelo início do movimento 
voluntário (trato piramidal) os músculos são espásticos (têm tônus aumentado) e os reflexos tendinosos 
são exacerbados. Os pacientes com envolvimento das pernas, dos braços, do tronco e do pescoço 
(envolvimento total) têm tetraplegia espástica e são mais dependentes da ajuda de outras pessoas para 
alimentação, higiene e locomoção. Havendo recuperação cerebral, mesmo pacientes com tetraplegia 
espástica grave, nas semanas que se sucedem ao acidente, podem apresentar melhora gradativa do quadro 
motor chegando a readquirir independência total. Na hemiplegia espástica observa-se alterações do 
movimento em um lado do corpo, como por exemplo, perna e braço à esquerda. Este tipo de 
envolvimento tem prognóstico motor melhor. Na monoplegia, condição mais rara, somente um membro 
está envolvido. 
Quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o 
movimento (trato extra-piramidal), surgem movimentos involuntários (fora de 
controle) e os movimentos voluntários são prejudicados. A freqüência de 
movimentos involuntários como seqüela de TCE não é bem conhecida. 
A ataxia está relacionada com lesões cerebelares ou das vias cerebelares e 
manifesta-se por déficit de equilíbrio e incoordenação. O cerebelo pode sofrer lesão direta, e neste caso, 
geralmente observa-se dificuldade de coordenação localizada. 
A ataxia generalizada costuma estar relacionada com anóxia cerebral ocorrida 
durante os períodos iniciais após o acidente. Muitos pacientes com tetraplegia 
espástica nas fases mais agudas do trauma evoluem para um quadro atáxico com o passar do tempo. 
Hidrocefalia 
A hidrocefalia (aumento do volume de líquido céfalo-raquiano nas cavidades 
cerebrais) manifesta-se com piora do quadro neurológico, dor de cabeça, vômitos, confusão mental e 
sonolência. Mais tardiamente, observa-se dificuldade de raciocínio, apatia e lentificação psicomotora. Em 
alguns casos pode ocorrer hidrocefalia com pressão normal, decorrente de redução da capacidade de 
absorção do líquido céfalo-raquiano, que é continuamente produzido. O tratamento da hidrocefalia, 
quando necessário, consiste em medicações que reduzem a produção de líquido céfalo-raquiano ou 
cirurgias que aumentam sua drenagem. 
Disfunção Autonômica 
Em pacientes com TCE grave podem ocorrer episódios súbitos de sudorese, 
hipertensão arterial, taquicardia, febre e extensão dos membros. Estas crises são ocasionadas por 
destruição de algumas conexões entre o córtex cerebral e o hipotálamo e geralmente são desencadeadas 
por estímulos dolorosos, incluindo distensão da bexiga ou dos intestinos. O tratamento consiste em evitar 
esses estímulos. Algumas drogas podem ser úteis no alívio dessas crises. 
Lesão de Nervos Cranianos 
O TCE pode envolver alguns dos nervos cranianos. O nervo olfatório pode ser 
lesado em cerca de 5% dos pacientes, acarretando anosmia (perda do olfato). 
Metade destes pacientes se recuperam totalmente. A recuperação geralmente 
ocorre dentro de 2 meses, podendo haver uma fase de percepção distorcida dos cheiros. Não há 
tratamento específico. O nervo óptico, que transmite a visão do olho até o cérebro, costuma ser afetado 
em 1 a 2% dos pacientes, ocasionando perda visual parcial ou total. A cegueira é reversível em menos da 
metade dos casos. A lesão dos nervos responsáveis pela movimentação dos olhos (nervos 3, 4 e 6, 
também chamados oculomotor, troclear e abducente), ocorre nas freqüências respectivas de 3%, <1% e 
5% dos casos. O que se observa é um desalinhamento dos olhos (estrabismo) que ocasiona visão dupla. 
Estas alterações podem desaparecer dentro de um período de 1 ano. Não se observando recuperação 
dentro este prazo, pode ser feita correção cirúrgica. O nervo trigêmio, responsável principalmente pela 
sensibilidade da face, pode ser envolvido em alguns casos, ocasionando dormência e dor facial. Os nervos 
7 (facial, cuja principal função é movimentar os músculos da face) e 8 (responsável pela audição e 
equilíbrio) podem ser envolvidos quando há fratura da parte petrosa do osso temporal. Como nos outros 
casos, estas alterações também podem ser reversíveis. 
Alterações Cognitivas e Neuropsicológicas 
O grau de envolvimento cognitivo (capacidade de adquirir conhecimento) 
pode abranger desde pacientes sem nenhuma resposta até pacientes nos quais as dificuldades só podem 
ser identificadas através de testes específicos. 
Por causa das relações entre o cérebro e os ossos do crânio, as regiões 
52
cerebrais mais freqüentemente lesadas após TCE são os lobos frontais e temporais. 
Em virtude disso, as dificuldades mais comumente observadas são aquelas 
relacionadas a funções desempenhadas por estas regiões do cérebro (memória, planejamento, funções 
executivas e comportamento). No entanto, qualquer área do cérebro pode ser comprometida e como 
conseqüência, qualquer tipo de alteração neuropsicológica pode ser observada, tais como dificuldade na 
linguagem, leitura, escrita, percepção espacial e reconhecimento do corpo. As deficiências cognitivas e 
neuropsicológicas costumam ter recuperação significativa nos primeiros 6 a 12 meses. Após este período 
os sinais de melhora surgem bem mais lentamente e o período de recuperação pode prolongar-se por 
meses ou anos. Em crianças, a recuperação costuma ser mais significativa e prolonga-se por mais tempo 
do que no adulto. 
Alterações de Comportamento 
Alterações de comportamento como apatia, desinibição, impulsividade, 
agressividade, perseveração, irritabilidade, ansiedade, distúrbio do sono, psicose e depressão podem estar 
presentes. Assim como nas alterações cognitivas e neuropsicológicas, as alterações comportamentais 
podem se tornar mais leves e desaparecerem com o passar do tempo. Nos casos mais graves o tratamento 
requer abordagem psicológica e medicamentosa. 
Outras Complicações 
Após um traumatismo cranioencefálico podem acontecer complicações 
neuroendócrinas decorrentes de alterações do controle hormonal do organismo, que depende, 
principalmente, do cérebro. Podem ocorrer situações como diabetes insipidus (o principal sintoma é 
eliminar grandes quantidades de urina), alterações relacionadas com a regulação hipotalâmica (como por 
exemplo hiperfagia) e transtornosmenstruais. Outra alteração freqüentemente observada é a formação de 
osso em locais indevidos como quadril, cotovelo e ombro (ossificação heterotópica). 
A incontinência urinária é, geralmente, secundária a desinibição, mas por vezes tem como causa uma 
bexiga hiperreflexa (que apresenta contrações anormais). Disfagia (dificuldade de deglutição), muitas 
vezes reversível, pode estar presente nos pacientes com envolvimento mais grave. 
Prognóstico 
O prognóstico, ou previsão do grau de recuperação dos pacientes, é bastante 
variável. Talvez, o principal fator prognóstico seja a gravidade do trauma. A 
gravidade tem sido aferida de diversas formas, como a duração da amnésia pós traumática, o período de 
tempo transcorrido até que o paciente comece a responder a comandos verbais e o comprometimento do 
nível de consciência nas horas que sucedem o acidente. O parâmetro mais usado é a aferição da gravidade 
e duração do comprometimento da consciência após o TCE, que é feita através da Escala de Coma de 
Glasgow. Essa escala atribui pontos ao desempenho do paciente na abertura dos olhos, nas respostas 
verbais e nas respostas motoras, atingindo um total que pode variar entre 3 pontos (nenhuma resposta) e 
15 pontos (resposta normal) (Tabela1). Baseado nessa escala, pacientes com pontuação inicial entre 3 a 8 
são classificados como graves, aqueles com pontuação entre 9 a 12 como moderados e os demais como 
leves. Algumas vezes pacientes com TCE leve ou moderado apresentam lesões focais detectadas através 
do exame neurológico ou radiológico, o que torna o prognóstico pior. Com base nessa classificação de 
gravidade do TCE, é possível se fazer algumas considerações em termos de prognóstico: o TCE grave 
geralmente cursa com mortalidade na fase inicial de mais de 50% e dentre os sobreviventes, 30% tem 
uma recuperação regular ou boa após 6 meses. O TCE moderado tem mortalidade de menos de 10% e 
muitos pacientes ficam apenas com seqüelas leves. O TCE leve raramente resulta em morte e o paciente 
geralmente é capaz de retomar uma vida normal. 
A avaliação do prognóstico não é precisa, sendo freqüente os casos de 
recuperação melhor ou pior do que o previsto. Além da Escala de Coma de 
Glasgow, outros fatores tem sido relacionados a um melhor prognóstico: idade <40 anos, TCE único, 
duração do estado de coma <2 semanas, amnésia pós-traumática 
<2 semanas, ausência de lesões intracerebrais expansivas, ausência de hipertensão intracraniana, ausência 
de isquemia ou hipóxia cerebral, ausência de atrofia cerebral e reabilitação precoce. 
Não há dúvida quanto à capacidade de recuperação cerebral após as lesões 
sofridas em virtude de traumatismo. Os mecanismos dessa recuperação é que não são completamente 
conhecidos. Existem algumas teorias a respeito. Uma vez que o paciente tem seu quadro clínico e 
neurológico estabilizado após o TCE, o cérebro passa a ter condições ‘ideais’ de funcionamento, que 
independe de modificações intrínsecas. Os mecanismos através dos quais o cérebro passa a recuperar 
funções podem ser, entre outros, os seguintes: áreas não lesadas podem exercer funções de áreas lesadas, 
conexões perdidas podem se restabelecer e pode haver 
53
reorganização dos neurotransmissores. Muito se tem pesquisado sobre este tema e 
espera-se que haja cada vez mais recursos a oferecer às pessoas que sofreram 
traumatismo cranioencefálico. 
Lesão de Medula Espinhal 
A perda da função neurológica após a lesão medular pode ser breve devido à 
concussão ou mais duradoura devido à compressão da medula espinhal em 
contusão ou hemorragia, bem como pode ser permanente se devido à laceração ou transecção. Em 
concussão, o _ edematoso rápido da medula, com _ na pressão intradural pode resultar em vários dias de 
disfunção grave; seguido por uma melhora espontânea, mas pode permanecer disfunção residual. A 
hemorragia usualmente é confinada à substância cinzenta cervical central (hematomielia). O resultado 
inclui sinais de lesão de neurônio motor inferior (fraqueza muscular e atrofia, fasciculações, (reflexos do 
tendão) que usualmente são permanentes. A fraqueza motora é mais proximal que distal e acompanhada 
por prejuízo seletivo das sensações de dor e temperatura. A hemorragia subaracnóide, subdural ou 
extradural também pode ocorrer. Lacerações ou transecções inevitavelmente deixam disfunções 
permanentes. 
Sintomas, sinais e diagnósticos 
Uma lesão medular transversa aguda causa imediatamente paralisia flácida, 
perda de todas as sensações e atividade reflexa (incluindo funções autonômicas), abaixo do nível da lesão 
(choque espinhal). A paralisia flácida evolui gradualmente em horas ou dias para paraplegia espástica 
devido à exacerbação dos reflexos extensores normais. Posteriormente, se a medula lombossacral estiver 
intacta, aparecem espasmos musculares flexores e extensores, reflexos profundos do tendão e retorno dos 
reflexos autonômicos. 
Lesões menos completas causam perda sensorial e motora parcial. O 
movimento voluntário se torna desordenado. A perda sensorial depende do trato afetado: postura, 
vibração e trato epicrítico, se das medulas posteriores; dor, temperatura e tato profundo, se dos tratos 
espinotalâmicos. Hemisecção da medula resulta em paralisia espástica ipsilateral e perda do senso 
postural e perda contralateral das sensações de dor e temperatura (Sd. Brown-Séquard). 
Os indícios clínicos identificam o nível da lesão medular. As lesões _ de C-5, 
se sérias, causam paralisia respiratória e freqüentemente são fatais. Lesões em C-4 e C-5 ou acima 
causam quadriplegia completa; com uma lesão entre C-5 e C-6, os braços podem abduzir e fletir. Lesão 
entre C-6 e C-7 paralisa as pernas, punho e 
mãos, mas permite o movimento dos ombros e flexão dos cotovelos. Lesões 
transversas acima de T-1 causa pupila miótica; lesões em C-8 a T-1 causam Sd. 
Horner (miose, ptose, anidrose facial). As lesões entre T-11-T-12 afetam os 
músculos acima e abaixo do joelho; lesões em T-12-L-1 causam paralisia abaixo do joelho. Trauma da 
cauda eqüina causa paresia hipo ou arreflexia das extremidades e usualmente dor e hiperestesia na 
distribuição da raiz nervosa. Danos às 3ª, 4ª e 5ª raízes sacrais ou cone medular em L-1 causam perda 
completa do controle da bexiga e intestino. 
Prognóstico 
Processos neurais degenerativos ou graves na medula não têm recuperação 
e o dano é permanente, enquanto o tecido nervoso comprimido recupera a sua 
função. O retorno de um movimento ou sensação durante a 1° semana após a lesão é o prenúncio de uma 
recuperação favorável; qualquer disfunção remanescente após 6 meses provavelmente será permanente. 
Lesão grave de medula _ de C-5 freqüentemente é fatal. Lesões de cauda 
eqüina raramente são completas e perda sensorial ou motora tendem a ser parciais, mas os arcos reflexos 
controlando a micção, atividade sexual no homem e função intestinal estão no cone medular e se forem 
destruídos mesmo a micção reflexa não pode ser estabelecida. Lesão da cauda eqüina em qualquer ponto 
da coluna lombar ou sacral pode causar impotência permanente e perda do controle esfincteriano para 
bexiga, intestino ou ambos, assim como em qualquer lesão medular permanente em um nível mais alto. 
Tratamento 
Manejo imediato – Para proteger a medula de um dano maior, as vítimas de 
acidentes com suspeita de um lesão vertebral, especialmente cervical, devem ser manuseados com muito 
cuidado. Até que a extensão seja conhecida, todas as lesões vertebrais devem ser tratadas como 
potencialmente instáveis. A extensão ou flexão da coluna pode contundir ou transeccionar a medula se 
um disco intervertebral estiver rompido ou se houver fratura da medula. 
A remoção de vítimas de acidentes em que o carro foi danificado pode 
54
apresentar um risco de quadriplegia ou mesmo óbito devido a dano na medula 
cervical. O paciente deve ser movido em bloco e transportado em uma prancha ou porta chatae firme 
com contenção cuidadosa para estabilizar sua posição sem pressão excessiva; o alinhamento adequado da 
coluna por tração é crítico. 
Aqueles com lesão da coluna torácica ou lombar são transportados em prono 
ou supino; aqueles com lesão de coluna cervical são passíveis de apresentar 
dificuldades respiratórias e são transportados em supino, com atenção para abertura das vias aéreas e 
qualquer possível constrição em torno do tórax. Triagens recentes, bem controladas, indicam que terapia 
massiva com corticosteróides, iniciada dentro de 12h após a lesão da coluna vertebral, melhora 
significativamente os resultados. 
Quando a coluna estiver estável, as lesões serão tratadas pelo repouso e 
relaxantes musculares até que a dor e o edema tenham cedido. As lesões instáveis devem ser imobilizadas 
até que o osso e os tecidos moles estejam curados, com tração para assegurar um alinhamento apropriado. 
Ocasionalmente, é necessário 
cirurgia com fixação interna. Não está esclarecido se a descompressão cirúrgica influencia 
favoravelmente as lesões traumáticas de medula. 
O cuidado da enfermagem inclui a prevenção de infecções pulmonar e urinária, 
movendo o paciente paralisado a cada 2h e outras medidas para prevenir escaras. 
Exercícios e medidas de reabilitação devem começar assim que possível. 
 
Trauma renal: 
Incidência 
Nos grandes centros de trauma urbanos, os rins são lesados em menos de 
5% de todos os casos de trauma. Trauma renal compreende cerca de metade de todos os traumas 
geniturinários. Como na maioria dos centros de trauma, o tipo contuso é o mais comum, as lesões renais 
contusas, dessa forma, ocorrem em freqüência nove vezes maior que as lesões penetrantes. Ambos os rins 
têm igual disposição para trauma. 
Indicações para estudos por imagens: 
1. Trauma contuso e hematúria macroscópica. A hematúria macroscópica é o 
indicador mais confiável para lesão urológica grave. O grau de hematúria, contudo, não se correlaciona 
com o grau de lesão. De fato, a avulsão do pedículo renal ou a trombose aguda de artérias renais 
segmentares pode ocorrer na ausência de hematúria, enquanto as contusões renais podem apresentar 
hematúria macroscópica. 
2. Trauma contuso, hematúria microscópica e choque. Hematúria microscópica 
significativa significa mais de cinco hemácias por campo de grande aumento na 
primeira amostra urinada ou cateterizada. Choque é a presença de pressão arterial sistólica < 90 mmHg 
durante o transporte ou na chegada ao pronto-socorro. Os pacientes com trauma contuso e micro-
hematúria e sem choque têm lesões renais menores em quase todos os casos. Miller e McAninch, com 
base em achados de mais de 2 mil lesões com trauma renal contuso, determinaram que, em menos de 
0,2% dos casos, passará despercebida uma lesão renal grau 2 ou mais severa. 
Esses pacientes são vítimas de politraumatismo e, dessa forma, durante a 
investigação de outras lesões intra-abdominais, a maioria das lesões renais maiores não-percebidas serão 
detectadas. Quando os pacientes submetidos a imagens para lesões intra-abdominais associadas são 
incluídos, apenas 0,03% das lesões renais significativas não foram identificadas. 
3. Lesão maior por desaceleração. O rim primariamente flutua em um leito de tecido adiposo contido no 
envoltório da fáscia de Gerota. O rim está fixado em apenas dois pontos, o ureter e o pedículo vascular. 
Por causa da pequena fixação, o rim pode ser facilmente luxado por aceleração ou desaceleração súbita. A 
luxação do rim pode resultar em laceração do sistema coletor na junção ureteropélvica (JUP) ou laceração 
da íntima da artéria renal, resultando em oclusão vascular parcial a completa. Tais lesões podem ocorrer 
com desaceleração maior, como em acidentes frontais com veículos ou quedas de grandes alturas ou 
ainda por flexão-extensão acentuada, como em casos de atropelamento. Os pacientes pediátricos são 
particularmente propensos a esse mecanismo de lesão. Em geral, todas as lesões por desaceleração rápida 
justificam estudos renais por imagens mesmo na ausência de hematúria. 
4. Hematúria micro ou macroscópica depois de trauma penetrante em flanco, dorso ou abdômen ou ainda 
trajeto de projétil alinhado com o rim. 
5. Trauma em paciente pediátrico que apresente hematúria micro ou macroscópica significativa. Em 
comparação com os adultos, o rim de uma criança é relativamente muito maior para seu tamanho 
corporal. Os rins também não são bem protegidos, sendo o tecido adiposo perirrenal geralmente escasso e 
as costelas mais baixas incompletamente ossificadas. Portanto, as crianças são particularmente propensas 
a lesões. No entanto, a maioria das lesões renais contusas não precisa de tratamento ativo. A hipotensão 
55
não costuma ser preditor confiável de lesão renal significativa, pois as crianças podem manter pressão 
arterial normal apesar de perda de sangue excessiva. Tradicionalmente, todas as crianças com qualquer 
grau de hematúria 
microscópica depois de trauma contuso são submetidas a exames de imagens 
renais. Morey et al., em metaanálise de todas as séries relatadas de crianças com hematúria e suspeita de 
lesão renal, contudo, observou que apenas 2% (11 de 548) dos pacientes com hematúria microscópica 
insignificante (< 50 hemácias por campo de grande aumento) tinham lesão renal significativa. Além 
disso, esses 11 pacientes tinham todos outras lesões significativas que precisaram de imagens abdominais 
e, dessa forma, renais. Concluíram que, em crianças em condições estáveis com hematúria macroscópica 
ou microscópica significativa (mais de 50 hemácias por campo de grande aumento) ou com trauma 
multissistêmico moderado a severo (independente do grau de hematúria), surge a suspeita de lesão renal 
significativa e, 
portanto, devem ser feitos exames por imagens. Os pacientes que inicialmente não são submetidos a 
imagens renais e que tenham hematúria persistente ou piorada também devem ser submetidos aos exames 
imagenológicos. Embora possam ocorrer lesões do pedículo renal sem hematúria, é provável que se 
associem a politraumatismo severo que requeira, de qualquer modo, imagens abdominais. Para suspeita 
de lesão renal, a tomografia computadorizada é o melhor estudo para estadiamento de uma lesão de órgão 
sólido. 
6. Lesões associadas sugerindo lesão renal subjacente. Trauma contuso e equimose no flanco, fraturas de 
vértebra ou processo transverso vertebral lombar, fraturas de costela inferior (11ª ou 12ª) e mecanismo 
severo de lesão. Outra indicação para exame por imagem é a lesão penetrante no flanco em que os pontos 
de entrada e saída (ou densidade radiopaca) estejam no trajeto do rim, independentemente do grau de 
hematúria. 
Problemas especiais 
Fraturas da bacia 
As fraturas da bacia são comuns em trauma contuso e costumam ser 
complicadas por hemorragia maciça e lesão urológica. 
A investigação deve consistir em: 
1) Palpar a borda pélvica procurando um desnível; 
2) Palpar as asas do ilíaco; 
3) Examinar o reto pesquisando a posição da próstata e a presença de sangue retal ou laceração do 
períneo. No sexo feminino, também é importante um exame vaginal. As lacerações uretrais femininas 
ocorrem mais comumente com uma laceração vaginal anterior. As lacerações vaginais posteriores, 
comumente, se associam a lacerações retais; 
4) Análise da urina para pesquisa de hematúria; 
5) Raios X da bacia. 
A hipotensão em paciente com fraturas da bacia representa problema difícil. 
Na vasta maioria dos casos, isso se deve a sangramento no ponto de fratura, em partes moles adjacentes 
ou à lesão vascular – principalmente venosa. O 
sangramento é controlado pela estabilização das fraturas (fixação pélvica externa), especialmente no 
paciente instável, com fechamento dos espaços em tecidos retroperitoneais. Se o sangramento persistir e 
tiverem sido excluídas outras fontes (tórax e abdômen), deverá ser considerada a angiografia com 
embolização.A conduta em fraturas pélvicas inclui: 
1) Ressuscitação; 
2) Transfusão; 
3) Angiografia (tem demonstrado muito sucesso na identificação e 
controle de hemorragia arterial pélvica); 
4) Fixação externa (a oposição de elementos ósseos controla a 
hemorragia venosa); 
5) Tamponamento externo. 
Tópicos especiais 
Trauma abdominal penetrante 
Como aproximadamente 98% dos ferimentos por arma de fogo que penetram no abdômen produzem 
lesão intra-abdominal significativa, todos esses ferimentos requerem exploração abdominal. O trajeto 
imprevisível, tombos e efeitos explosivos dos projéteis aumentam o potencial de ferimento na cavidade 
abdominal. 
Exceto na ocorrência rara de ferimentos tangenciais de baixa velocidade da 
56
parede abdominal, a conduta não-cirúrgica em ferimento abdominal por arma de fogo é um erro. 
Com mísseis de alta velocidade, mesmo ferimentos tangenciais podem causar lesão intra-abdominal. 
Ferimentos cortantes têm um potencial de lesão muito mais baixo que aqueles por arma de fogo, ficando a 
lesão confinada ao trajeto da arma. 
A laparotomia de rotina tem resultado em taxa de 65% a 75% de laparotomias 
não-terapêuticas para tais lesões; dessa forma, justifica-se a seletividade. Tal 
seletividade, contudo, não é apropriada na presença de hipotensão e taquicardia, evisceração do intestino 
ou do omento, sinal de Blumberg positivo, eliminação de sangue pelo reto, hematêmese, hematúria ou 
ruptura evidente da bexiga à cistografia, massa abdominal, evidência radiológica de ar livre ou de uma 
ruptura do diafragma ou de múltiplos ferimentos cortantes. 
Esses pacientes devem ser submetidos à exploração cirúrgica. A presença de 
um objeto empalado no ferimento cortante é indicação controversa para laparotomia. 
Alguns indicam a remoção de faca empalada no pronto-socorro e usam outros sinais e testes para 
determinar a necessidade de laparotomia. 
A maioria dos cirurgiões considera isso um erro e acha obrigatória a remoção 
durante a laparotomia, a fim de avaliar a lesão de vasos potencialmente tamponados pela lâmina. Quando 
nenhuma das condições descritas estiver presente, então deverá ser realizada a exploração local do 
ferimento. Se for demonstrada penetração na fáscia, então o próximo passo deverá ser LPD, laparoscopia 
ou laparotomia, na busca de penetração peritoneal. 
Trauma abdominal contuso 
Não se justificam atrasos pela busca de mais estudos diagnósticos em 
paciente com evidência clara de lesões intra-abdominais depois de trauma 
abdominal contuso e eles podem levar a complicações ou à morte prevenível. 
Quando estiverem presentes tais indicações claras, indica-se a laparotomia 
imediata. Os pacientes sem indicações de laparotomia devem ser submetidos à 
LPD, CT ou laparoscopia, se houver sinais físicos equívocos, intoxicação ou um traumatismo craniano 
que comprometa o exame. 
Uma armadilha letal em potencial é a falta de investigação abdominal préoperatória em paciente que 
requeira anestesia geral para procedimentos cirúrgicos não-abdominais prolongados. Tais pacientes 
devem ser submetidos à lavagem peritoneal, TC ou laparoscopia, pois o exame físico não consegue ser 
feito no intraoperatório e não é confiável por algumas horas depois da anestesia, o que pode resultar em 
um episódio de hipotensão inexplicada no intra-operatório, causada por lesão abdominal não-percebida. 
A LPD pode ser realizada de maneira aberta, semiaberta ou fechada. A 
técnica fechada associa-se a uma taxa de morbidade inaceitavelmente alta (até 8%), incluindo víscera oca 
perfurada e lesão vascular importante. Isso excede a taxa de complicações da laparotomia negativa. São 
vistas taxas de morbidade muito mais baixas com as outras técnicas de LPD. A lavagem está contra-
indicada em pacientes que requeiram laparotomia imediatamente. Uma contagem de hemácias de 
100.000/mm3 é considerada positiva em LPD, enquanto os resultados de 50.000 a 100.000 são 
considerados equívocos. Uma contagem de leucócitos na lavagem acima de 500/mm3 ou os achados de 
fibras alimentares ou vegetais indicam resultados positivos (a contagem de leucócitos parece não ter valor 
no período imediato, com menos de quatro horas após o trauma). 
57
O Paciente com Problemas Renais 
CAUSAS DA INSUFICIÊNCIA RENAL 
PRÉ-RENAIS - redução do fluxo sg e � da filtração. Como resultado  isquemia. 
Ex: choque, hipotensão, hipovolemia, septicemia. 
INTRA-RENAIS - provocam necrose tubular e interrupção da função renal. 
Ex: ag. nefrotóxicos (mercúrio, chumbo, antibióticos), glomerulonefrite, pielonefrite, 
nefropatia diabética. 
PÓS-RENAIS - bloqueio mecânico c/ interrupção fluxo. 
Ex: cálculos, tumores, hipertrofia, estenose, torção. 
Insuficiência Renal Crônica (IRC) 
1ª fase 
Modesto comprometimento / paciente assintomático 
2ª fase 
Redução 75% função renal / � uréia plasmatica/ anemia 
3ª fase 
Anemia/azotemia intensa (acúmulo de produtos nitrogenados) 
4ª fase 
Terminal (síndrome urêmica) 
FISIOPATOLOGIA (IRC) 
Deterioração progressiva, irreversível da função renal, na qual a capacidade 
do organismo de manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico falha, resultando em uremia. 
UREMIA: retenção de uréia e de outros produtos nitrogenados no sangue. 
FISIOPATOLOGIA: à medida que a FUNÇÃO RENAL diminui, os produtos finais do metabolismo 
protéico acumulam-se no sangue. 
A diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG) pode ser detectada pela 
coleta de urina de 24 hs para a depuração de creatinina. 
58
DIMINUIÇÃO DA TFG � DIMINUIÇÃO DA DEPURAÇÃO DE CREATININA�
AUMENTO DA CREATININA SÉRICA� DIMINUIÇÃO DA TAXA DE FILTRAÇÃO 
GLOMERULAR � RETENÇÃO DE ÁGUA E SÓDIO 
Sinais e sintomas: edema, ganho de peso, ICC, HA 
HA: - retenção de sódio e água 
- ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona 
TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR� ACIDOSE METABÓLICA (pH baixo) 
Resulta da diminuição da capacidade do rim em excretar íons ácidos (H+) e 
incapacidade em secretar amônia e reabsorver bicarbonato de sódio. 
Sinais e sintomas: 
 confusão mental, 
 respiração tipo Kussmaul (hiperventilação - aumento na freqüência e na 
profundidade) 
 náuseas e vômitos, 
 hipotensão, 
 choque. 
GLOMÉRULOS INCAPAZES DE FILTRAR �ANEMIA: 
- produção inadequada de eritropoetina; 
- redução de vida média das hemácias; 
- deficiências nutricionais; 
- tendência a sangramento (TGI); 
- perdas pela hemodiálise. 
Sinais e sintomas: fadiga, dispnéia. 
DESEQUILÍBRIO DE CÁLCIO E FÓSFORO 
- fósforo sérico (HIPERFOSFATEMIA): nível sérico de P > 4,5 mg/dl 
Valor normal PO4  2,5 a 4,5 mg/dL 
Sinais e sintomas: desenvolvimento de hiperparatireoidismo e calcificações (vasos sanguíneos, 
articulações, rins) 
- cálcio sérico (HIPOCALCEMIA): nível sérico de Ca < 8,5 mg/dl 
Valor normal Ca  8,5 a 10,5 mg/Dl 
Sinais e sintomas: tetania (sensação de formigamento nas mãos, ao redor da boca e pés) e convulsão. 
urêmica): 
Sinais e sintomas: dores ósseas 
COMPLICAÇÕES DA IRC 
SINTOMAS URÊMICOS (toxinas urêmicas) 
- CARDIOVASCULARES: hipertensão, edema com cacifo, atrito pericárdico, 
ingurgitamento das veias do pescoço. 
- TEGUMENTARES: pele cor cinza-bronze, seca e descamativa, prurido, equimoses, unhas finas e 
quebradiças, cabelo fino e áspero, gelo urêmico ou neve urêmica na pele. 
- PULMONARES: crepitações, dispnéia, respiração tipo Kussmaul, odor de amônia. 
- GASTROINTESTINAIS: ulcerações na boca, sangramento do TGI, anorexia, 
náuseas, vômitos, constipação ou diarréia. 
- NEUROLÓGICOS: fraqueza, confusão mental, 
desorientação, convulsão. 
- MÚSCULOESQUELÉTICOS: cãibras musculares, 
perda da força muscular, fraturas ósseas, queda plantar. 
- REPRODUTORES: amenorréia, atrofia testicular. 
TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RENAL 
OBJETIVOS: reter a função renal e manter a homeostasia 
 Anti-hipertensivo; 
 Eritropoetina; 
 Suplemento de ferro, cálcio, fósforo; 
 Antiácidos com base-alumínio; Nutrição adequada; 
 Diálise. 
59
TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RENAL 
DIÁLISE - “... é um processo onde a composição dos solutos de uma solução A é alterada pela exposição 
da solução A a uma segunda solução B, através de uma membrana semipermeável” 
MECANISMOS: 
- difusão - movimento molecular aleatório 
- ultrafiltração - água impulsionada por força hidrostática ou osmótica (é empurrada 
através da membrana) 
CONTINUOUS AMBULATORIAL PERITONEAL DYALISIS (CAPD) e 
HEMODIÁLISE 
C.A.P.D. 
- catéter de Tenchoff 
- peritônio usado como filtro 
- 4 trocas diárias (6/6 hs) 
COMPLICAÇÕES: 
Peritonite; 
Desidratação; 
obstrução cateter; 
 tunilite; 
constipação/diarréia; 
náuseas/vômitos; 
ar na cavidade peritoneal; 
vazamento do dialisato. 
HEMODIÁLISE 
- punção, catéter duplo lúmen, fístula artério-venosa (FAV); 
- sangue é filtrado (em média três vezes p/ semana). 
COMPLICAÇÕES: 
- hipotensão (choque); 
- sangramento (hemólise). 
VANTAGENS DA C.A.P.D. 
Maior independência; 
Dieta livre; 
Não necessita punção; 
Maior bem-estar; 
Menor estresse corporal; 
Controle da pressão sanguínea; 
Visita mensal ao centro de diálise. 
VANTAGENS DA HEMODIÁLISE 
- Segurança em um centro de diálise; 
- Não necessita ter o material em casa; 
- Contato freqüente com outros pacientes renais; 
- Não necessita acesso externo. 
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM FÍSTULA ARTÉRIO-VENOSA (FAV) 
- OBSERVAR FRÊMITO (vibração sonora); 
- SINAIS INFLAMATÓRIOS; 
- SINAIS HEMORRAGIA; 
- NÃO AFERIR PA; 
- EVITAR PUNCIONAR MEMBRO DA FAV; 
- NÃO APLICAR GARROTE NO MEMBRO DA FAV. 
ORIENTAÇÕES AO PACIENTE: 
60
- NÃO USAR ROUPAS APERTADAS NO MEMBRO; 
- NÃO SE DEITAR SOBRE O MEMBRO DA FAV. 
MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA INSUF. RENAL 
- REPOSIÇÃO HÍDRICA ANTES/DURANTE/APÓS GRANDES 
CIRURGIAS; 
- TRATAMENTO IMEDIATO DO CHOQUE; 
- TRATAMENTO IMEDIATO DA HIPERTENSÃO; 
- HIDRATAÇÃO APÓS EXAMES CONTRASTADOS; 
- EVITAR INFECÇÕES / SEPTICEMIA. 
O Paciente com Problemas Gastrointestinais 
RESPOSTAS FISIOLÓGICAS ÀS DISFUNÇÕES GASTRINTESTINAIS 
1. Halitose: mau hálito, pode indicar um processo periodôntico ou infecção oral; 
2. Disfagia: dificuldade de engolir, pode resultar de um problema mecânico 
(neoplasia, cirurgia) ou ocorrer secundariamente a um dano neurológico (AVC); 
3. Odinofagia: deglutição dolorosa (infecção ou doença); 
4. Pirose: sensação de queimação na área médio esternal, causada pelo refluxo dos conteúdos gástricos 
para o esôfago; 
5. Dispepsia: sensação de desconforto durante o processo digestivo; 
dys = mal pepsia = digestão 
6. Anorexia: perda de apetite; 
7. Náuseas: sensação de desconforto gástrico caracterizada por vontade de 
vomitar; 
8. Vômitos: expulsão dos conteúdos gástricos, em geral após uma sensação de 
náuseas; 
9. Câimbras abdominais: contração muscular espasmódica involuntária que causa desconforto e dor: 
10. Distensão abdominal: expansão do abdome notada por observação, percussão ou palpação (aumento 
da quantidade de ar ou líquidos ou presença de massa abdominal); 
11. Má absorção: incapacidade de absorver nutrientes secundária a um distúrbio GI; 
12. Dor: sensação de desconforto que varia em gravidade; 
13. Diarréia: expulsão excessiva de fezes aquosas em grande vol. ou c/ freqüência 
14. Constipação: freqüência diminuída de evacuação fecal, levando à impactação intestinal; a consistência 
das fezes é mais comumente seca e dura, entretanto ela pode ser mole e formada se estiverem presentes 
distúrbios de motilidade; 
15. Sons intestinais alterados: os sons intestinais ouvidos na ausculta indicam a passagem de ar e líquidos 
no trato GI, a faixa de freqüência normal é de 
61
aproximadamente 5 a 25 por minuto; os sons intestinais podem estar diminuídos ou ausentes após uma 
cirurgia abdm., ou ser hiperativos ou de som agudo (borborigmos) como resultado de hipermotilidade do 
trato GI; 
16. Melena: fezes escuras indicando a presença de sangue (sangramento ou 
hemorragia); 
17. Perda de peso: sintoma comum geral// indicando ingestão inadequada ou má absorção. 
ÚLCERA PÉPTICA 
Definição: é mais comumente uma condição crônica caracterizada por uma 
ulceração da mucosa gástrica, duodenal ou, menos freqüentemente, do esôfago e jejuno. Pode ser também 
uma resposta aguda a um estresse medicamentoso ou cirúrgico (úlcera de estresse). 
Processo Fisiopatológico: 
a. Úlceras gástricas: em resposta ao dano à mucosa gástrica, é liberada a
histamina, resultando em uma produção aumentada de HCl, aumentando 
também o potencial de dano. Podem ocorrer também hematêmese e melena 
secundáriamente à erosão da úlcera. Outras complicações: obstrução pilórica e 
perfuração. 
b. Úlceras duodenais: um aumento da taxa de secreção gástrica, seja relacionado a um aumento do 
número de células parietais ou secundário à estimulação vagal, afeta a liberação gástrica. Um aumento da 
velocidade de esvaziamento gástrico reduz os efeitos tamponantes do alimento. A secreção gástrica 
subseqüente causa irritação duodenal e ulceração. A alta secreção de ácido gástrico é indicada por níveis 
baixos de pH no duodeno. As complicações incluem: hemorragia, obstrução ou perfuração. 
Manifestações: eructação, distensão gástrica, dispepsia, náuseas, vômitos, dor (geralmente descrita como 
queimação), geralmente entre as refeições ou à noite. Às vezes a dor pode estar associada à ingestão de 
certos alimentos ou medicamentos (condimentos, frituras, álcool, AAS, etc). 
Intervenções de enfermagem: 
• Instruir o paciente em relação a ingesta alimentar (evitar alimentos estimulantes da secreção de ácido 
gástrico como cafeína, cola, frituras, condimentos, álcool); 
• Reduzir o estresse; 
• Evitar o tabagismo; 
• Explicar as complicações (sangramento, ulceração, perfuração, obstrução). 
Tratamento: medicamentoso (inibidor da acidez gástrica como: lansoprazol, 
omeprazol, pantoprazol) + antimicrobianos, alimentar, cirúrgico (antrectomia, 
vagotomia, piloroplastia, gastrectomia) 
ENTERITE REGIONAL (Doença de Crohn) 
Definição: doença intestinal inflamatória crônica q/ afeta áreas segmentais de toda a parede do trato GI. 
São mais comumente notados dentro do íleo terminal, os vasos linfáticos e o sistema mesentérico também 
podem estar envolvidos. Similar à colite ulcerativa, ela é caracterizada por surtos repetidos de 
exacerbação e remissão de graus variáveis de gravidade. Não existe cura conhecida para esta doença. 
Manifestações: diarréia (três a cinco vezes ao dia) em geral sem sangue, pode ocorrer esteatorréia, dor 
abdominal (semelhante a da apendicite), a dor também pode ser do tipo cólica e preceder um movimento 
intestinal. Além disso pode ocorrer: fraqueza, mal-estar, alterações nutricionais, perda de peso, febre com 
leucocitose (abcesso ou fístula). 
Intervenções de enfermagem: 
• Administrar medicamentos corticosteróides, antidiarréicos, antiespasmódicos; 
• Terapia dietética (restrição alimentar, nutrição parenteral); 
• Suplementação vitamínica (Vit. B12, ácido fólico); 
• Observar condições hídricas e nutricionais; 
• Controlar a freqüência, volume, aspecto e consistência das fezes; 
• Orientar paciente; 
• Controle de peso 
Tratamento: 
• Alimentação parenteral durante a exacerbação; 
62
• Inibição do processo inflamatório (corticosteróides); antimicrobiano (Flagyl), 
agentes antidiarréicos. 
• Tratamento cirúrgico para as complicações como obstrução, fístulas, fissuras 
perianais, abcessos, hemorragia, perfuração (colectomia parcial, ressecção 
intestinal). 
PANCREATITE 
Definição: inflamação do pâncreas que pode ser aguda ou crônica. 
Manifestações: Durante os ataques agudos, o processo de autodigestão causa uma dor extremamente 
incapacitante no quadrante superior esquerdo. Nas situações crônicas, este tipo de dor (menos grave), 
pode estar presente após as refeições (a dor pode se irradiar para as costas). Pode ocorrer ainda febre,leucocitose, náuseas e vômitos, níveis de amilase sérica altos (indicador 
característico da pancreatite). À medida que a doença progride é deixado menos tecido pancreático 
funcional; à medida que as enzimas são liberadas, o líquido é perdido e podem ocorrer subseqüente 
hipotensão e choque. 
Intervenções de enfermagem: 
• Repouso pancreático: jejum absoluto (evitar a autodigestão) e repouso no leito; 
• Reposição de volume parenteral; 
• Tratar a hiperglicemia caso ocorra; 
• Monitorar sinais vitais (hipotensão, taquicardia, taquipnéia). 
Tratamento: medicamentos (analgésicos, insulina, antibióticos), repouso, jejum 
(repouso do trato GI e diminuição das secreções pancreáticas), cirurgia (drenagem de abcessos, 
pancreatectomia por tecido necrosado). 
AFECÇÕES HEPÁTICAS 
Processo Fisiopatológico: 
1. Doenças infecciosas e inflamatórias: distúrbios que resultam de vírus 
(hepatite), bactérias ou protozoários (abcesso hepático) com inflamação 
(colecistite) e destruição das células hepáticas. 
2. Doença degenerativa crônica: cirrose. 
3. Trauma hepático: qualquer tipo de lesão que cause dano ao fígado (laceração por quedas, trauma por 
arma branca ou arma de fogo, acidentes). 
4. Câncer hepático: podem ocorrer no fígado como lesões primárias ou como 
lesões metastáticas. 
RESPOSTAS FISIOLÓGICAS À DISFUNÇÃO HEPÁTICA E BILIAR 
1. Prurido: coceira, pele irritada; 
2. Fadiga: cansaço, sensação de exaustão resultando em capacidade física e 
mental diminuída; 
3. Varizes: as varizes se relacionam a um processo hemorrágico do esôfago, que é causado pela formação 
de circulação colateral secundária à hipertensão porta; as veias colaterais se dilatam e tornam-se 
distendidas, causando áreas ulcerativas que sofrem hemorragia; 
4. Anorexia: perda de apetite; 
5. Ascite: acúmulo de líquido com alta concentração de albumina dentro da 
cavidade peitoneal. Normalmente em pacientes com cirrose, hipertensão porta e malignidades; 
6. Cabeça de medusa: veias colaterais que ocorrem no abdome como resultado de hipertensão porta; 
7. Esplenomegalia: aumento do baço q/ resulta do aumento de pressão na veia esplênica; evidente em 
pacientes com hipertensão porta; 
8. Encefalopatia hepática: sintoma neurológico resultante de um acúmulo de 
amônia, podendo ser aguda ou crônica; os sintomas podem variar desde 
pequenas perturbações mentais até um enfraquecimento dos processos mentais e alterações 
neuromusculares; 
9. Icterícia: amarelamento da pele, branco dos olhos e membranas mucosas; 
ocorre quando o valor total de bilirrubina sobe acima de 2,5 mg/dL. Os tipos 
incluem: 
63
• Icterícia hepatocelular: se desenvolve qdo o fígado é incapaz de metabolizar a bilirrubina; isto resulta 
em níveis excessivos de bilirrubina circulante; 
• Icterícia obstrutiva: se desenvolvem qdo os canais e dutos biliares hepáticos 
ficam obstruídos e há um bloqueio do processo normal de excreção da bile e 
bilirrubina (obstrução por cálculo ou tumor); 
• Icterícia hemolítica: ocorre como resultado de degradação excessiva de 
hemácias. 
CIRROSE HEPÁTICA 
Definição: doença inflamatória crônica irreversível, caracterizada por intensa 
degeneração e destruição dos hepatócitos, resultando em um padrão lobular 
desorganizado de regeneração. 
Manifestações: 
Cirrose de Laennec: diminuição de absorção de Vit. K (anomalias de sangramento), depleção dos 
estoques de glicogênio (hipoglicemia), diminuição de albumina sérica com aumento da pressão 
hidrostática (edema e ascite), diminuição do metabolismo de bilirrubina (hiperbilirrubinemia e icterícia), 
hipertensão porta (obstrução da circulação porta), varizes esofagianas (hipertensão porta), encefalopatia, 
leucopenia (aumento de infecções), distúrbios hematológicos (trombocitopenia, anemia, esplenomegalia e 
coagulação intravascular disseminada), elevação do hormônio antidiurético (ADH) no soro e urina dos 
pacientes cirróticos com ascite (pode resultar em hiponatremia por retenção de água). 
Complicações: 
• Varizes esofagianas: as varizes esofagianas estão aumentadas e veias 
tortuosas situadas no esôfago inferior. Esta condição está associada à cirrose 
hepática e/ou ao câncer hepático. A causa das varizes esofagianas é a 
hipertensão porta (pressão elevada dentro do sistema venoso porta causada por aumento da resistência ou 
obstrução do fluxo sanguíneo / o aumento da pressão na veia porta causa a formação de veias colaterais 
entre as veias porta e sistêmica, onde a pressão é menor, possibilitando q/ o sangue contorne as áreas 
obstruídas; as veias colaterais surgem no esôfago, abdome e reto, causando varizes, ascite e hemorróidas) 
• hiponatremia e retenção de água 
• coagulopatias 
• encefalopatia hepática
Intervenções de enfermagem: 
• Avaliar sinais de sangramento (evitar situações q/ provoquem sangramento); 
• Monitorizar sinais vitais (congestão pulmonar, ICC, encefalopatia); 
• Monitorizar exames laboratoriais (plaquetas, tempo de protrombina, enzimas 
hepáticas); 
• Monitorizar ingestas / excretas; 
• Peso diário; 
• Circunferência abdominal; 
• Avaliar desequilíbrio hidroeletrolítico; 
• Avaliar integridade da pele (edema, prurido); 
• Manter cabeceira elevada (30o ou Fowler); 
• Observar sinais de encefalopatia ( letargia, confusão mental, mudanças na 
personalidade, alterações motoras, depressão, irritabilidade); 
• Educação à saúde: dieta hipogordurosa, hipossódica, evitar ingesta de bebidas 
alcoólicas, repouso adequado, sangramento, ascite, dispnéia, aumento ou 
diminuição de peso, etc.; 
• Orientação à família quanto ao prognóstico. 
Tratamento: 
• Correção das deficiências nutritivas; 
• Tratamento da retenção hídrica (repouso, medicamentos diuréticos, paracentese 
abdominal, adm. de albumina. para manter a pressão osmótica) 
64
NUTRIÇÃO ENTERAL 
A nutrição enteral (NE) por sonda é o método de escolha para oferecer 
suporte nutricional a pacientes que têm trato gastrointestinal funcionante, mas não conseguem manter 
ingestão oral adequada. 
Regulamento técnico para a nutrição enteral 
A Portaria No 337 de 14 de abril de 1999 define os requisitos mínimos 
exigidos e descreve as boas práticas na nutrição enteral. 
• Responsabilidade do Enfermeiro: 
“O Enfermeiro é responsável pela conservação após o recebimento da NE e 
pela sua administração.” 
“O Enfermeiro é responsável pela administração da NE e prescrição dos 
cuidados de enfermagem em nível hospitalar, ambulatorial e domiciliar.” 
“A administração deve ser executada de forma a garantir ao paciente uma 
terapia segura e que permita a máxima eficácia...” 
“É responsabilidade do Enfermeiro estabelecer o acesso enteral por via 
oro/nasogástrica ou transpilórica, para administração da NE, conforme procedimento preestabelecido”. 
“O Enfermeiro deve assegurar que todas as ocorrências e dados referentes 
ao paciente e à TNE sejam registrados de forma correta, garantido a disponibilidade de informações 
necessárias à avaliação do paciente e eficácia do tratamento”. 
Preparo e orientação do paciente/ família 
O paciente e a família devem ser orientados quanto à terapia, seus riscos e 
benefícios. A equipe de enfermagem desenvolve um papel importante fornecendo suporte emocional 
direcionado a minimizar receios e apreensões, bem como favorecer a participação do paciente e da 
família. 
Vias de acesso 
“O enfermeiro deve participar da escolha da via de administração da NE em 
65
consonância com o médico responsável” (Portaria MS/SVS no 337-4/99), considerando as condições 
clinicas do paciente. As sondas, introduzidas em geral por via nasal, podem ser posicionadas no 
estômago, duodeno ou jejuno. Para alimentação por longo prazo (mais de 6 semanas) ou em caso de 
alteração mecânica do trato digestivo alto, indica-se a realização de uma estomia (gastrostomia ou 
jejunostomia). 
Sondagem nasoenteral 
Para NE, utilizam-se sondas finas e flexíveis, de poliuretano ou silicone,denominadas sondas enterais ou de Doobhoff. Conforme a portaria MS/SVS no 337 de 14/04/1999, a 
passagem da sonda enteral e a verificação da sua posição são da responsabilidade do enfermeiro. A 
escolha da posição da sonda deve levar em consideração, entre outros fatores, o risco de aspiração 
pulmonar e o nível de atividade do paciente. O acesso gástrico é mais fácil, permite a infusão de volumes 
maiores e, conseqüentemente, maior espaçamento das infusões, além de melhorar a tolerância de 
fórmulas hipertônicas e oferecer proteção da mucosa gástrica. Com o acesso jejunal, os riscos de 
aspiração pulmonar e de saída acidental da sonda são menores, e a nutrição pode ser mais precoce. 
Descrição da técnica 
Material: 
- sonda nasoenteral de poliuretano tamanho 8 a 12 F; 
- mandril (se necessário); 
- luvas de procedimento não estéril; 
- gazes; 
- seringa 20 ml; 
- fita adesiva não alergênica (tipo micropore); 
- lidocaína geléia a 2% . 
Procedimentos: 
1) Lavar as mãos; 
2) Reunir o material e levá-lo próximo ao leito do paciente; 
3) Explicar o procedimento e sua finalidade ao paciente, solicitando sua 
colaboração; 
4) Colocar o paciente em decúbito elevado (maior que 450); 
5) Calçar luvas; 
6) Medir a distância do lóbulo da orelha até a ponta do nariz e deste até o apêndice 
xifóide. Para o posicionamento intestinal, acrescentar, conforme a compleição 
do paciente, de 15 a 25 cm e marcar; 
7) Injetar água no interior da sonda (se necessário); 
8) Introduzir o mandril na sonda (se necessário); 
9) Lubrificar a ponta da sonda com lidocaína geléia a 2%; 
10) Examinar as fossas nasais em busca de possível obstrução e escolher a narina 
mais permeável; 
11) Introduzir a sonda, sem forçar, e ao chegar à orofaringe, solicitar ao paciente 
que mantenha o pescoço em flexão; 
12) Solicitar ao paciente que inspire profundamente e degluta várias vezes; 
13) Introduzir a sonda até a delimitação; 
14) Retirar o fio guia com cuidado; 
15) Verificar a localização gástrica da sonda, realizando os testes descritos abaixo. 
Fechar a sonda; 
16) Retirar as luvas; 
17) Fixar a sonda: 
- Caso deseje localização gástrica, fixe firmemente a sonda com a fita 
adesiva, 
- Para localização em duodeno ou jejuno, fixar a sonda mantendo uma alça 
de mais ou menos 10 cm para permitir a migração da extremidade distal 
da sonda; recomenda-se administrar medicação antiemética, conforme 
prescrição médica, solicitando que o paciente permaneça em decúbito 
lateral direito durante duas a três horas, para favorecer essa migração. 
18) Deixar o paciente confortável e a unidade em ordem; 
19) Lavar as mãos; 
20) Anotar. 
66
Observações: 
1) Em caso de retirada acidental da sonda, a mesma poderá ser repassada depois de lavada com água e 
sabão, utilizando uma seringa para lavagem interna.
Verificar a integridade, desprezando a sonda caso apresente sinais como rigidez, rachaduras, furos ou 
secreções aderidas. 
2) Se o paciente apresentar tosse durante a introdução da sonda, retirá-la até a 
nasofaringe, tentando nova passagem a seguir. 
3) Se o paciente estiver cansado, interromper o procedimento por alguns minutos. 
4) As sondas de calibre menor “enrolam-se” facilmente na boca do paciente, o que dificulta o 
procedimento. 
5) A sonda enteral deverá ser desprezada ao final da terapia. 
Manutenção da sonda enteral 
1) Fixar a sonda com adesivo não alergênico após ter desengordurado a pele na testa, bochecha ou nariz 
sem tracionar a asa do nariz (fazer alça frouxa para prevenir tensão e deslocamento). Essa fixação deve 
ser trocada quando 
necessário, modificando a posição da alça da sonda e da fixação em caso de 
irritação ou lesão cutânea. 
2) Realizar higiene das narinas com cotonetes embebidos de água, soro fisiológico ou loção de ácidos 
graxos essenciais (AGE). 
3) Manter a sonda permeável, lavando-a com aproximadamente 20ml de água, ao término de cada dieta, 
após administração de medicamentos ou aspiração de suco gástrico. Em caso de administração contínua 
da NE, “lavar” a sonda de 6 em 6 horas, aproximadamente. Utilizar o frasco de água fervida, 
encaminhado, para cada paciente, pela DND. 
4) Em caso de obstrução injetar água sob pressão, em seringa de 20ml, lembrando que a pressão excessiva 
pode provocar rachadura na sonda. 
Administração da NE 
Sistema de administração 
- Cada frasco deve ser administrado em 60 a 90 minutos, utilizando o equipo próprio, de cor azul, trocado 
a cada 24 horas e fornecido diariamente pela DND. 
- Quando se deseja uma infusão muito lenta, a administração da NE pode ser 
“contínua”, ou seja, sem que haja um intervalo de tempo entre dois frascos. Poderá ser utilizada uma 
bomba de infusão, com equipo sem filtro, trocado a cada 24 horas. 
- Armazenar o frasco de NE na geladeira de medicamentos quando a sua instalação for postergada. Em 
nenhum caso a NE poderá permanecer em temperatura ambiente no posto de enfermagem. A validade da 
dieta, após a manipulação, é de 24 horas, se adequadamente conservada em geladeira. 
- O paciente acamado deverá ser mantido em decúbito elevado 
(Fowler, 30-450) durante toda infusão da dieta e 30 minutos após. 
Instalação 
1) Antes de instalar a NE, verificar: 
- Aspecto da dieta, detectando alterações como a presença de elementos estranhos, e integridade do 
frasco; 
- Rótulo: nome do paciente, leito, data de manipulação, volume e tipo de dieta, confirmando com a 
prescrição médica; 
- Horário de administração, colocado pelo enfermeiro na folha de prescrição. 
2) Elevar a cabeceira do leito ou sentar o paciente. 
3) Lavar as mãos. 
4) Conectar o equipo ao frasco. 
5) Confirmar sempre a localização digestiva da sonda, conforme descrito na 
técnica de sondagem nasoenteral. 
6) No caso de sonda em posição gástrica, mensurar o volume do conteúdo gástrico (resíduo gástrico) e se 
este for superior a 50% do volume a ser infundido (estase gástrica), suspender a NE neste horário. Caso 
a estase gástrica persistir em duas checagens sucessivas, a NE deverá ser interrompida e o médico 
responsável pelo paciente comunicado. 
Técnica: aspirar o líquido gástrico com seringa de 20 ml, colocá-lo em copo 
descartável, calculando o volume. Logo após reinfundi-lo no trato 
gastrointestinal. Injetar 20 ml de água na sonda, pois o pH ácido do suco 
67
gástrico pode causar desnaturação protéica, levando à obstrução. 
7) Regular o fluxo para administrar o frasco de NE em 60 a 90 minutos. 
8) Checar a instalação da dieta na prescrição, anotando o volume. Anotar o volume do aspirado gástrico. 
9) Hidratar o paciente, após as alimentações, conforme prescrição médica, 
anotando o volume de água administrado. 
- Interromper a administração da dieta ao realizar aspiração orotraqueal do 
paciente ou submetê-lo a procedimentos fisioterápicos e em caso de vômitos 
ou regurgitações. 
NUTRIÇÃO PARENTERAL 
Regulamento Técnico para a Nutrição Parenteral 
A Portaria No 272 de 8 de abril de 1998 define os requisitos mínimos exigidos 
e as boas práticas na NP. 
• Responsabilidade do Enfermeiro 
- Orientar o paciente, a família ou o responsável legal, quanto à utilização e controle da TN; 
- Preparar o paciente, o material e o local para a inserção do cateter intravenoso; 
- Prescrever os cuidados de enfermagem na TN; 
- Proceder ou assegurar a punção venosa periférica, incluindo a inserção periférica central (PICC); 
- Assegurar a manutenção das vias de administração;
- Receber a Nutrição Parenteral da Farmácia e assegurar a sua conservação até a sua completa 
administração; 
- Proceder a inspeção visual da Nutrição Parenteral antes de sua administração; 
- Avaliar e assegurar a instalação da Nutrição Parenteral observando as informações contidas no rótulo, 
confrontando-as com a prescrição médica; 
- Avaliar e assegurar a administração da Nutrição Parenteral, observando os princípios de assepsia; 
- Assegurar a infusão do volume prescrito,através do controle rigoroso do 
gotejamento, de preferência com uso de bomba de infusão; 
- Detectar, registrar e comunicar à Equipe Multiprofissional de Terapia Parenteral e ao médico 
responsável pelo paciente as intercorrencias de qualquer ordem técnica e/ou administrativa; 
- Garantir o registro claro e preciso de informações relacionadas à administração e à evolução do 
paciente, quanto ao: peso, sinais vitais, balanço hídrico, glicosuria e glicemia, entre outros; 
- Efetuar e/ou supervisionar a troca do curativo do catéter venoso, com base em procedimentos 
preestabelecidos; 
- Participar e promover atividades de treinamento operacional e de educação 
continuada, garantindo a atualização de seus colaboradores; 
- Elaborar, padronizar procedimentos de enfermagem relacionados a TN; 
- Zelar pelo perfeito funcionamento das bombas de infusão; 
- Assegurar que qualquer outra droga e /ou nutriente prescritos, não sejam 
infundidos na mesma via de administração da Nutrição Parenteral, sem a 
autorização formal da Equipe Multiprofissional de Terapia Parenteral. 
Fórmulas Parenterais 
Nutrição Parenteral Central 
A nutrição parenteral central (NPC) é classicamente indicada quando há 
contra-indicação absoluta para o uso do trato gastrointestinal. Os nutrientes devem ser fornecidos em 
quantidades adequadas às necessidades do paciente. Em geral, uma combinação de glicose a 50%, de 
aminoácidos a 10% e de lipídios, à qual são acrescentadas vitaminas, eletrólitos, minerais e 
oligoelementos. A concentração elevada de glicose e aminoácidos torna a solução hiperosmolar; por este 
motivo deve ser infundida através de uma veia central onde é rapidamente diluída. 
Nutrição Parenteral Periférica 
As veias periféricas não toleram soluções hiperosmolares. As fórmulas para 
nutrição parenteral periférica não podem ter osmolaridade maior de 800 mOsm/l. 
Conseqüentemente, a concentração de glicose será menor do que na NPC, 
tornando o aporte calórico insuficiente para atender as necessidades energéticas. A nutrição parenteral 
periférica é indicada para manutenção nutricional por curto prazo ou como complemento para pacientes 
que não podem receber todo o aporte nutricional necessário pelo trato gastrointestinal. 
68
Acesso venoso na NP 
Cateteres centrais 
O acesso venoso central é, geralmente, obtido pela introdução percutânea de 
um cateter na veia subclávia ou jugular interna. Cateteres centrais de inserção 
periférica também podem ser utilizados. A extremidade distal do cateter deve ser posicionada na veia 
cava superior. 
Cateteres de longa permanência, tunelizados ou de implante total, podem ser 
utilizados em alguns casos, para terapia nutricional domiciliar e prevista para durar mais de dois meses. 
Cuidados para a inserção dos cateteres centrais 
Os cateteres venosos centrais devem ser inseridos de acordo com as normas 
de assepsia como segue: 
- Degermação das mãos do operador com solução de clorexidina ou PVPI 
degermantes, anti-sepsia do local de inserção do cateter com PVPI alcoólico e, 
se necessário, remoção do excesso com álcool 70%; 
- Utilização de luvas, aventais e campos estéreis; 
- Utilização de gorro, máscara e óculos de proteção; 
- Palpar o local de inserção após anti-sepsia somente com luvas estéreis; 
- Evitar a inserção por procedimentos de dissecção vascular, caso necessário 
utilizar cateter de poliuretano de 70cm; 14G, de 62ml/min p/ adulto; 
- Realizar a inserção de preferência na sala de procedimentos, caso não seja 
possível, fechar a porta do quarto e reduzir o fluxo de pessoas. 
Manutenção do cateter 
1) Antes de iniciar a Nutrição Parenteral, confirmar a localização do cateter (RX); 
2) Sempre que possível, o acesso venoso é realizado com cateter de lume único. 
Este deve ser utilizado exclusivamente para a NP. O cateter não deverá ser 
manipulado para outros fins, como coleta de sangue, infusão de medicação, 
monitorização de PVC; 
3) Em caso de cateter multilume, designar o lume distal exclusivamente para a NP; 
4) Não há recomendação de substituição rotineira dos cateteres venosos centrais como medida de 
minimizar riscos de infecção; 
5) Realizar curativo oclusivo, trocado a cada 24 horas, conforme técnica em anexo; avaliar o local de 
inserção, anotando e comunicando qualquer sinal de infecção; 
6) Clampear o cateter durante as trocas de equipo, evitando entrada de ar na 
circulação. 
Prevenção de flebite na nutrição parenteral periférica 
1) Usar cateter venoso periférico curto de poliuretano ou teflon; 
2) O cateter deve ser exclusivo para NPP; 
3) Trocar o cateter em caso de sinais de flebite e no mínimo a cada 72 h em adultos (para crianças não há 
recomendações de tempo de troca); 
4) Utilizar veias de grosso calibre, localizadas no braço e antebraço; 
5) Realizar rodízio de braços nas trocas dos acessos; 
6) Observar a osmolaridade da solução, caso seja maior que 800 miliosmóis / litro, há necessidade de 
infusão em via central. 
Administração da NP 
1) Antes de iniciar a NPC, confirmar a localização do cateter (RX); 
2) Verificar a integridade da embalagem; observar a solução quanto à 
transparência, homogeneidade, ausência de corpos estranhos e temperatura; 
conferir o rótulo (nome do paciente, composição, data e hora de 
manipulação/validade); 
3) Lavar as mãos e usar luvas de procedimentos ao manipular o cateter, 
principalmente a conexão do sistema; 
4) O equipo deve ser trocado a cada bolsa, o tempo máximo de uso sendo de 24 horas; 
5) Proceder à anti-sepsia das conexões com álcool a 70o 
6) Utilizar bomba de infusão, administrando a solução em 24 horas e evitando 
alterações da velocidade de infusão. Anotar o horário de instalação e o volume 
instalado; 
7) Controlar rigorosamente o volume infundido; 
8) Evitar a desconexão do cateter durante a infusão da NP; 
69
9) Durante encaminhamentos de pacientes com NP para procedimentos, retirar a bomba de infusão, 
mantendo o controle rigoroso do gotejamento pela pinça 
rolete e orientando a equipe que recebe o paciente;
10) Em caso de encaminhamento para cirurgia, suspender a NP, instalar S.G.10%; 
11) Em caso de interrupção brusca da NP, instalar SG a 10%, na mesma velocidade de infusão, durante 
oito horas, para evitar a ocorrência de hipoglicemia. 
Assistência ao paciente recebendo NP 
Preparo e orientação do paciente/ família 
Orientar o paciente e sua família quanto à terapia, mantendo-os informados 
sobre a sua evolução. Monitorização do paciente 
As complicações da NP, resumidas no quadro a seguir, são relacionadas ao 
cateter venoso, à homeostase metabólica e a alterações do trato gastrointestinal. 
Estas complicações são potencialmente letais e devem ser prevenidas, 
reconhecidas e corrigidas. 
Complicações da nutrição parenteral 
- Complicações do cateter 
- relacionadas à punção - Pneumotórax, hemotórax, quilotórax, embolia gasosa, punção arterial, trauma 
nervoso. 
- mecânicas - Mau posicionamento do cateter, oclusão, ruptura, embolização, flebite, trombose. 
- infecciosas - Colonização do cateter, infecção relacionada à inserção, infecção do túnel, infecção 
sanguínea relacionada ao cateter. 
Complicações metabólicas - Hiperglicemia, hipoglicemia, distúrbios hidroeletrolíticos, retenção de CO2, 
azotemia prérenal, distúrbios ácido-básicos. 
Complicações gastrointestinais - Gastrite e ulceração, disfunção hepática, 
atrofia da mucosa intestinal. 
1) Observar sinais e sintomas de complicações; registrar as ocorrências na 
evolução de enfermagem; comunicar o médico responsáve; 
2) Controlar os dados vitais conforme rotina da enfermaria; 
3) Realizar glicemia capilar a cada 6 horas nas primeiras 48 horas, espaçando este controle para 12 horas 
em caso de estabilidade, ou conforme prescrição; 
4) Controlar diurese e realizar balanço hídrico diariamente; 
5) Pesar o paciente semanalmente, no mínimo, nas mesmas condições; 
6) Os eletrólitos (Na, K,Cl) devem ser monitorizados diariamente e, após 
estabilização, semanalmente ou conforme prescrição médica. Outros exames 
incluem: cálcio , fósforo, magnésio, proteínas totais e frações, uréia, exames de 
função hepática, hemoglobina, balanço nitrogenado, etc, conforme prescrição 
médica; 
7) Observar sonolência, agitação, cianose, dispnéia; 
8) Observar condições de pele e mucosa. 
- Em caso de bacteremia com suspeita de contaminação da NPT/NPP, seguir as seguintes 
recomendações: 
a) Suspender imediatamente a infusão; 
b) Colher uma amostra da NP por punção, no dispositivo apropriado da 
bolsa ainda suspensa no suporte de soro; colocar num frasco de 
hemocultura, identificado como sendo a solução de NP; 
c) Colher uma amostra de sangue periférico para hemocultura; 
d) Enviar imediatamente os frascos para o laboratório de microbiologia. A 
bolsa poderá ser desprezada; 
e) Comunicar a farmácia e a CCIH.
70
O PACIENTE GRANDE QUEIMADO 
ETIOLOGIA, EPIDEMIOLOGIA E MEDIDAS PREVENTIVAS 
As causas mais freqüentes das queimaduras são as chamas de fogo, o 
contato com água fervente ou outros líquidos quentes e o contato com objetos 
aquecidos. Menos comuns são as queimaduras provocadas pela corrente elétrica, transformada em calor 
ao contato com o corpo. Queimadura química é denominação imprópria dada às lesões cáusticas 
provocadas por agentes químicos, em que o dano tecidual nem sempre resulta da produção de calor. 
As queimaduras em crianças, na maioria dos casos, acontecem no ambiente 
doméstico e são provocadas pelo derramamento de líquidos quentes sobre o corpo, como água fervente na 
cozinha, água quente de banho, bebidas e outros líquidos quentes, como óleo de cozinha. Nesses casos 
costumam ser mais superficiais, porém mais extensas. Ainda é causa comum de queimaduras, no Brasil, a 
chama de fogo pela manipulação de álcool etílico líquido, responsável pela maioria dos casos em 
adolescentes e pela segunda maior causa em crianças atendidas em hospital de referência em urgência de 
Minas Gerais e por 40% das queimaduras de crianças entre sete e 11 anos de idade em um hospital-escola
no Estado de São Paulo. 
Ao contrário, os adultos queimam-se com mais freqüência com a chama de 
fogo e principalmente no ambiente profissional. As queimaduras resultantes, 
portanto, costumam ser mais profundas e, usualmente, acompanham-se dos danos causados pela inalação 
de fumaça. 
As queimaduras por contato com objetos quentes, tais como fornos, 
tostadores, grelhas e aquecedores, são mais comuns em indivíduos em crise 
convulsiva, alcoolizados ou sob efeito de drogas ilícitas, assim como idosos durante episódios de perda da 
consciência. Também tendem a ser mais profundas devido ao contato prolongado com a fonte térmica. As 
injúrias elétricas podem ser causadas pela passagem da corrente elétrica através do corpo ou pela 
71
exposição ao calor gerado pelo arco de corrente de alta tensão. No primeiro caso, além do dano térmico, 
há risco de alteração na condução elétrica cardíaca, que deve ser devidamente monitorada. 
Anualmente no Reino Unido 250 mil pessoas sofrem queimaduras, 175 mil são atendidas em unidades de 
emergência, 13 mil são hospitalizadas, 1.000 
necessitam medidas de ressuscitação hidroeletrolítica, e 300 evoluem para óbito. 
Entretanto, os números são muito mais alarmantes nos países em desenvolvimento, por exemplo, o Nepal, 
onde a mortalidade pode atingir 17 vezes o índice britânico. 
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, no Brasil acontecem um 
milhão de casos de queimaduras a cada ano, 200 mil são atendidos em serviços de emergência, e 40 mil 
demandam hospitalização. As queimaduras estão entre as principais causas externas de morte registradas 
no Brasil, perdendo apenas para 
outras causas violentas, que incluem acidentes de transporte e homicídios. Estudo conduzido no Distrito 
Federal demonstrou taxa de mortalidade de 6,2% entre os queimados internados em hospital de 
emergência. 
Em resposta a recentes ataques e ameaças terroristas, particularmente nos 
Estados Unidos, têm-se desenvolvido sistemas estratégicos e logísticos, que 
englobam equipes bem treinadas para prestar atendimento de massa em eventos catastróficos, incluindo 
as vítimas de queimaduras. 
Partindo do pressuposto de que 90% das queimaduras poderiam ser evitadas, 
medidas preventivas se impõem para diminuir sua incidência e dependem de 
educação e legislação. 
As medidas educativas de prevenção consistem em orientar desde cedo as 
crianças a evitar situações de risco para queimaduras no ambiente doméstico, em incluir nos currículos 
escolares o ensino de prevenção de acidentes, entre eles as queimaduras, além de campanhas preventivas 
gerais voltadas para toda a população. Campanhas educativas particulares, para serem mais eficazes, 
devem basear-se em dados epidemiológicos confiáveis que identifiquem causas específicas de 
queimaduras e respectivas populações de risco, às quais devem ser periodicamente dirigidas. 
As normas legislativas contêm basicamente as medidas compulsórias de 
instalação de equipamentos de prevenção de incêndio em prédios públicos e 
privados, assim como equipamentos específicos de segurança no trabalho. No 
nosso meio, uma medida legal de extrema importância foi a proibição da 
comercialização do álcool etílico líquido, mediante resolução da Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária, mas que ainda tem esbarrado com a resistência dos produtores, que por meio de liminares 
obtidas na Justiça insistem em manter a distribuição do produto no comércio em geral. 
Lamentavelmente todas as estratégias de prevenção implementadas ainda 
não foram capazes de produzir o esperado impacto no dramático quadro 
epidemiológico das queimaduras. 
FISIOPATOLOGIA DAS QUEIMADURAS 
A queimadura compromete a integridade funcional da pele, responsável pela 
homeostase hidroeletrolítica, controle da temperatura interna, flexibilidade e 
lubrificação da superfície corporal. Portando, a magnitude do comprometimento 
dessas funções depende da extensão e profundidade da queimadura. 
A injúria térmica provoca no organismo uma resposta local, traduzida por 
necrose de coagulação tecidual e progressiva trombose dos vasos adjacentes num período de 12 a 48 
horas. A ferida da queimadura a princípio é estéril, porém o tecido necrótico rapidamente se torna 
colonizado por bactérias endógenas e exógenas, produtoras de proteases, que levam à liqüefação e 
separação da escara, dando lugar ao tecido de granulação responsável pela cicatrização da ferida, que se 
caracteriza por alta capacidade de retração e fibrose nas queimaduras de terceiro grau. 
Nas grandes queimaduras, além da resposta local, o dano térmico 
desencadeia ainda uma reação sistêmica do organismo, em conseqüência da 
liberação de mediadores pelo tecido lesado. Ocorre extenso dano à integridade 
capilar, com perda acelerada de fluidos, seja pela evaporação através da ferida ou pela seqüestração nos 
interstícios, que é agravada por subprodutos da colonização bacteriana. Além disso, nas queimaduras 
extensas, superiores a 40% da área corporal, o sistema imune é incapaz de delimitar a infecção, que, 
sistematizando-se, torna rara a sobrevida nesses casos. Essa resposta sistêmica manifesta-se por febre, 
circulação sangüínea hiperdinâmica e ritmo metabólico acelerado, com aumento do catabolismo 
muscular, decorrente de alteração da função hipotalâmica (aumento da secreção de glucagon, cortisol e 
catecolaminas), da deficiência da barreira gastrointestinal (passagem de bactérias e seus subprodutos para 
a circulação sistêmica), da contaminação bacteriana da área queimada (liberação sistêmica de bactérias e 
72
subprodutos), da perda de calor (evaporação através da ferida levando à hipotermia) e da perda de fluidos 
(desequilíbrio hidroeletrolítico). 
AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS 
São múltiplos os fatores envolvidos nas queimaduras quedevem ser 
observados em sua avaliação. A profundidade, extensão e localização da 
queimadura, a idade da vítima, a existência de doenças prévias, a concomitância de condições agravantes 
e a inalação de fumaça têm de ser considerados na avaliação do queimado. O ambiente da avaliação deve 
manter-se aquecido, devendo a pele ser descoberta e examinada em partes, de modo a minimizar a perda 
de líquido por evaporação. 
Profundidade 
Depende da intensidade do agente térmico, se gerador ou transmissor de 
calor, e do tempo de contato com o tecido. É o fator determinante do resultado 
estético e funcional da queimadura e pode ser avaliada em graus. 
Extensão 
Os riscos gerais do queimado nas primeiras horas dependem 
fundamentalmente da extensão da área queimada, sendo maior a repercussão 
sistêmica, devido à perda das funções da pele, quanto maior for a área afetada. A extensão é calculada em 
porcentagem da superfície corporal total (SC), sendo consideradas apenas as áreas queimadas com 
profundidade de segundo e terceiro graus. 
Um método prático para calcular a área queimada toma como medida de 
referência a palma da mão da vítima, considerando-se que a superfície palmar, 
incluindo os dedos unidos e estendidos, corresponde aproximadamente a 1% de sua superfície corporal. 
Excluindo os dedos, a superfície palmar representa 0,5% da SC, independente da idade. Embora 
grosseiro, esse método é bastante útil para determinar de imediato se a área, principalmente nas 
queimaduras irregulares, ultrapassa 15% da SC do adulto e 10% da SC da criança, situação em que se 
deve instituir a reidratação de urgência. No entanto, para uma avaliação mais precisa da extensão da 
queimadura, o método mais empregado é a regra dos noves de Wallace, de fácil memorização. Esse 
método deve ser ajustado para crianças 
menores de 10 anos de idade . Método mais acurado para avaliar a área da 
queimadura utiliza o diagrama de Lund & Browder, que pondera as variações da forma do corpo 
conforme a idade. É, portanto, mais adequado para crianças, mas tem de estar disponível, impresso na 
ficha da vítima, dada a dificuldade de ser memorizado. 
Esquema Da Regra Dos Nove 
73
Localização das queimaduras 
Em razão dos riscos estéticos e funcionais, são desfavoráveis as 
queimaduras que comprometem face, pescoço e mãos. Além disso, aquelas 
localizadas em face e pescoço costumam estar mais freqüentemente associadas à inalação de fumaça, 
assim como podem causar edema considerável, prejudicando a permeabilidade das vias respiratórias e 
levando à insuficiência respiratória. Por outro lado, as queimaduras próximas a orifícios naturais 
apresentam maior risco de contaminação séptica. 
Idade do paciente queimado 
Deve ser considerada na avaliação da gravidade das queimaduras. Idosos e 
crianças costumam ter repercussão sistêmica mais crítica, os primeiros pela maior dificuldade de 
adaptação do organismo, e os últimos pela desproporção da superfície corporal em relação ao peso. 
Nessas faixas etárias as complicações são, portanto, mais comuns e mais graves. 
Doenças e condições associadas 
São condições que pioram o prognóstico os traumas concomitantes, 
principalmente neurológicos, ortopédicos e abdominais, ou mesmo politraumatismos, assim como a 
presença de doenças preexistentes, tais como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, hipertensão 
arterial, diabete e etilismo. Também tendem a evoluir com pior prognóstico as vítimas alcoolizadas ou 
sob efeito de drogas ilícitas. Essas situações devem ser consideradas e adequadamente abordadas. Nesses 
casos a 
recuperação das alterações decorrentes da queimadura fica substancialmente 
prejudicada. 
Inalação de produtos de combustão 
Além dos danos provocados pela inalação de gases tóxicos, como monóxido 
de carbono, os produtos de combustão são irritantes e causam inflamação com 
edema da mucosa traqueobrônquica, que se manifesta por rouquidão, estridor, 
dispnéia, broncoespasmo e escarro cinzento. Essas lesões costumam ser graves, pioram muito o 
prognóstico e são responsáveis por elevar a mortalidade dos queimados. 
PRIMEIROS CUIDADOS 
Os primeiros cuidados adequados dispensados à vítima de queimadura 
constituem determinante fundamental no êxito final do tratamento, contribuindo 
decisivamente para a redução da morbidade e da mortalidade. Para isso é 
importante educar a população em geral e treinar grupos populacionais de risco para agir corretamente 
diante de um caso de queimadura. Nesse sentido, nos programas de educação para a saúde deve-se incluir 
o ensino de procedimentos de primeiros socorros ao queimado. 
74
Remoção da fonte de calor 
Como primeira medida a ser tomada deve-se remover a fonte de calor, 
afastando a vítima da chama ou retirando o objeto quente. Se as vestes estiverem em chamas a vítima 
deve rolar-se no solo e nunca correr ou ser envolvida em cobertores, que podem ativar as chamas. As 
vestes devem ser retiradas, desde que não aderidas à pele; do contrário só devem ser removidas sob 
anestesia no momento do debridamento da ferida. Em casos de queimaduras elétricas, deve-se 
providenciar a interrupção da corrente antes do contato com a vítima ou, se isso não for possível, tentar 
afastá-la com objeto isolante, como madeira seca. 
Resfriamento da área queimada 
Em seguida deve-se providenciar o resfriamento da área queimada com água 
corrente fria de torneira ou ducha. Nunca deve ser feito com água gelada ou outros produtos refrescantes, 
como creme dental ou hidratantes. Além de promover a limpeza da ferida, removendo agentes nocivos, a 
água fria é capaz de interromper a progressão do calor, limitando o aprofundamento da lesão, se realizado 
nos primeiros segundos ou minutos, de aliviar a dor, mesmo se aplicado após alguns minutos, assim como 
pode reduzir o edema. 
Portanto o resfriamento com água corrente deve ser instituído o mais 
precocemente possível, durante cerca de 10 minutos, podendo chegar a 20 minutos, caso seja necessário. 
Porém deve ser mais breve quanto mais extensa for a queimadura, devido ao risco de hipotermia, não 
sendo recomendável em queimaduras superiores a 15% da SC. Após o resfriamento, a área queimada, se 
menor do que 5% da SC, pode ser protegida com gazes, compressas ou toalhas de algodão, úmidas, em 
seguida coberta por plástico ou outro material impermeável, e por fim o paciente deve ser envolvido com 
manta ou cobertor. Aqui cabe a lembrança: "resfriar a queimadura mas aquecer o paciente" 
ABORDAGEM MÉDICA 
Queimaduras de primeiro grau 
Nesses casos o atendimento é ambulatorial e consiste apenas em controlar a 
dor e nos cuidados locais da área queimada. A analgesia pode ser feita via oral com cloridrato de tramadol 
50mg/dose para adultos e 2mg/kg/dose para crianças, a cada quatro ou seis horas. Outra alternativa para 
adultos é o paracetamol/fosfato de codeína na dose de 500mg/30mg a cada quatro ou seis horas. 
Compressas de água fria também auxiliam no alívio da dor, podendo ainda ser empregado corticosteróide 
tópico em loção ou creme, para reduzir a inflamação. É importante recomendar a fotoproteção de modo a 
evitar discromias residuais. 
Queimaduras de segundo e terceiro graus 
Ao mesmo tempo em que se examina a vítima, colhe-se a história detalhada 
da queimadura, procurando identificar possíveis injúrias concomitantes, inalação de fumaça e tratamento 
prévio instituído. Se possível, uma breve história médica pregressa deve ser tomada, incluindo doenças, 
medicamentos, alergias e vacinações. Deve ser mantida a calma durante todo o atendimento ao queimado, 
sendo importante não se deixar impressionar pelo aspecto chocante da queimadura, que pode desviar a 
atenção do profissional, deixando passar despercebidas lesões muitas vezes mais graves, como traumas 
neurológicos, ortopédicos e viscerais. Se a 
história do acidente sugerir trauma com envolvimento da coluna vertebral, especialcuidado deve ser 
dispensado a sua avaliação e devida estabilização. Sempre que atingem face e pescoço são consideradas 
queimaduras graves, porque podem comprometer a permeabilidade das vias respiratórias. Nos casos de 
queimaduras elétricas deve sempre ser lembrado o risco de parada cardiorrespiratória, devido a arritmias 
cardíacas. Feita a avaliação da queimadura e das condições respiratórias e 
circulatórias, torna-se imperativa a distinção entre uma queimadura benigna e uma queimadura grave. 
Queimadura benigna 
• Ausência de insuficiência respiratória instalada;
• Ausência de risco de insuficiência respiratória futura (queimaduras de face e 
pescoço); 
• Queimadura de segundo ou terceiro grau inferior a 10% SC (crianças) e 15% 
SC (adultos). 
Embora no caso de queimadura benigna o paciente raramente corra risco de 
vida, há situações que indicam sua remoção para atendimento em nível hospitalar, por exigir cuidado 
especializado, como no caso de lesões de terceiro grau superiores a 1% da SC e de lesões de mãos, ou por 
oferecer maior risco devido às condições da vítima, como faixa etária crítica (idosos e crianças) e doenças 
associadas (diabete, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e insuficiência renal, entre outras). 
75
Do contrário, o atendimento ambulatorial consiste em analgesia imediata, por 
via endovenosa, com meperidina na dose de 100mg diluída em 20ml de água 
destilada, administrada por 30 minutos, ou cloridrato de tramadol, na dose de 
100mg. Posteriormente o controle da dor pode ser mantido por via oral, na dose de 50mg a cada quatro ou 
seis horas. 
Controlada a dor pode-se então proceder a excisão das bolhas grandes, 
deixando intactas as pequenas, e o debridamento dos tecidos desvitalizados, 
realizando uma limpeza profunda da ferida com clorexidina diluída ou 
iodopolivinilpirrolidona (PVPI) e enxaguando-se com água ou solução fisiológica. A PVPI deve ser 
deixada por cinco minutos para que ocorra a liberação do iodo, que tem propriedade antimicrobiana. 
Nesse caso deve ser evitado o enxágüe com solução fisiológica, que pode inativar parcialmente a PVPI. 
Em seguida faz-se o curativo, aplicando de preferência gaze vaselinada estéril, cobrindo com ataduras de 
gaze e enfaixando-se com bandagem de crepom sem compressão excessiva. A sulfadiazina de prata deve 
ser evitada a princípio, pois pode dificultar a avaliação da área queimada, que pode progredir nas 
primeiras 48 horas. 
Não se deve esquecer de verificar o estado da proteção antitetânica. Se 
seguramente imunizado (no mínimo três doses), só há necessidade do reforço se a última dose foi há mais 
de cinco anos. No caso de imunização desconhecida ou incompleta, deve-se fazer reforço com toxóide 
tetânico e aplicar 250mg de gamaglobulina hiperimune para tétano. 
Queimadura grave 
• Insuficiência respiratória instalada ou potencial (face e pescoço); 
• Queimaduras de segundo ou terceiro grau superiores a 10% SC (crianças) e 
15% SC (adultos). 
Nesses casos toda e qualquer medicação deverá ser administrada 
exclusivamente por via endovenosa, exceto o reforço de toxóide tetânico, se 
necessário, que será intramuscular. Deve-se, portanto, providenciar imediatamente um acesso venoso 
superficial com catéter de polietileno agulhado. O atendimento à vítima de queimadura grave 
obrigatoriamente deve ser prestado em ambiente hospitalar e compreende quatro estádios em ordem 
cronológica:5 1. controle da função respiratória (permeabilidade das vias aéreas); 2. reidratação parenteral 
e vigilância do estado hemodinâmico; 3. tratamento analgésico; 4. acondicionamento 
do queimado para o transporte à Unidade de Queimados. 
1. Controle da função respiratória 
Para a manutenção do controle da função respiratória deve-se instituir 
oxigenioterapia por catéter nasal, administrando-se oxigênio umidificado de três a cinco litros por minuto. 
A intubação impõe-se em presença de insuficiência 
respiratória aguda, sendo altamente recomendável em casos de inalação de fumaça, queimaduras faciais 
extensas e em queimaduras circulares do pescoço, situações em que pode sobrevir edema tardio com 
obstrução das vias respiratórias, tornando a intubação difícil e às vezes até impossível mais tarde. 
2. Controle hemodinâmico 
Nos queimados graves há perdas plasmáticas consideráveis, e a demora na 
reposição expõe a vítima a grande risco de desenvolver choque hipovolêmico. 
Portanto, há urgência na reidratação parenteral em queimaduras de segundo e 
terceiro graus superiores a 10% SC em crianças e a 15% SC em adultos, ou seja, maiores do que 10 e 15 
palmas da mão da vítima, respectivamente. Para facilitar o cálculo da reposição hidroeletrolítica utiliza-se 
a fórmula de Parkland: 
Volume diário (ml) = 2 a 4 x peso (kg) x área queimada (% SC). 
Como exemplo, um paciente de 50 kg com 20% da SC de área queimada 
deverá receber de 2000-4000ml nas primeiras 24 horas, contadas a partir do 
momento da queimadura. Essa regra é válida para área queimada de até 50% SC, que é o volume máximo 
permitido. Utiliza-se de preferência o ringer-lactato isotônico, reservando-se o hipertônico para casos de 
choque hipovolêmico e em queimaduras superiores a 40% SC. Metade do volume calculado deve ser 
administrado nas primeiras oito horas, e o restante nas 16 horas subseqüentes. A partir daí o volume deve 
ser orientado pelas variáveis hemodinâmicas. Deve ser instalada uma sonda vesical com medição do fluxo 
urinário, que deve ser mantido num mínimo de 30- 
50ml/h para adultos e 0,5-1ml/kg/h para crianças, embora o ideal seja de 2ml/kg/h para ambos. Além 
disso devem ser monitoradas a freqüência cardíaca e a freqüência respiratória, e controlada a pressão 
arterial. 
76
3. Controle da dor 
Devem ser empregados os agonistas morfínicos, como a meperidina na dose 
de 100mg para adultos ou 2mg/kg/dose para crianças, via endovenosa, diluída em 20ml de água destilada 
ou solução fisiológica, administrada por 30 minutos. 
Posteriormente, quando necessário, pode ser mantida, se possível por via oral, na dose de 50mg a cada 
quatro ou seis horas. Nos casos refratários podem ser associados benzodiazepínicos. 
4. Acondicionamento para transporte 
Caso se faça necessário transportar o paciente para uma Unidade de 
Queimados, deve ser instalada uma sonda gástrica e providenciada a proteção da ferida com campo estéril 
e proteção térmica do paciente com cobertores, de modo a evitar a hipotermia. 
Na Unidade de Queimados o cuidado intensivo tem por objetivo primordial limitar a progressão da 
repercussão sistêmica das queimaduras graves, prevenindo o desenvolvimento de falência orgânica, 
sobretudo respiratória, cardíaca, renal e cerebral. Além disso, devem ser mantidos o suporte nutricional e 
o controle de infecção, principal causa de mortalidade, uma vez ultrapassado o período de ressuscitação. 
Com a melhora nos índices de sobrevida dos grandes queimados, crescentes 
progressos vêm sendo alcançados no campo da reconstrução das áreas destruídas, da reabilitação 
funcional e psicológica, e da reintegração social das vítimas de queimaduras. 
PACIENTE EM MORTE CEREBRAL; DOAÇÃO DE ÓRGÃOS 
Determinação da Morte Encefálica 
A Morte Encefálica (ME) é estabelecida pela perda definitiva e irreversível das 
funções do encéfalo por uma causa conhecida, comprovada e capaz de provocar o quadro clínico. Só 
existe ME após a perda definitiva e irreversível de todas as funções do tronco cerebral. 
O diagnóstico de ME é um diagnóstico de certeza absoluta. A determinação 
da ME deverá ser realizada de forma padronizada, com uma especificidade de 100% (nenhum falso 
diagnóstico de ME). Qualquer dúvida na determinação de ME, impossibilita o seu diagnóstico. 
Para o diagnóstico de ME é essencial que todas as seguintes condições 
sejam observadas: 
1) Pré-requisitos – diagnosticar a presença e a causa da lesão encefálica 
responsável pelo quadro atual e a sua irreversibilidade,excluindo possíveis causas reversíveis que 
simulem o mesmo quadro; 
2) Exame Clínico - determinar a ausência de função do tronco cerebral em todos os seus níveis; 
3) Teste de Apnéia - confirmar a ausência de movimentos respiratórios após 
estimulação máxima dos centros respiratórios com hipercapnia de 55 mmHg; 
4) Exames Complementares - determinar a ausência de função do encéfalo através da realização de 
exames complementares ou como uma complementação ao exame clínico, nos casos em que parte dele 
não possa ser realizado; 
5) Repetição do Exame Clínico - confirmar a persistência da ausência de função do tronco cerebral após 
um período mínimo de observação. 
Pré-requisitos 
A - Presença de lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de provocar o quadro 
clínico 
Diagnóstico inequívoco da lesão causadora do coma deve ser estabelecido pela avaliação clínica e 
confirmada por exames de neuroimagem ou outros métodos diagnósticos, respeitadas as suas limitações e 
margens de erro. A incerteza da presença ou da causa de uma lesão irreversível impossibilita a 
determinação da ME. 
Uma período mínimo de observação em ambiente hospitalar de 6 horas, após o 
estabelecimento da lesão irreversível e do coma, deverá ser respeitado; 
B - Ausência de distúrbio hidroeletrolítico, ácido-básico / endócrino e 
intoxicação exógena severos e não corrigidos 
Na presença ou na suspeita de alguma destas condições, a determinação da ME não poderá ser realizada 
até a sua correção; 
77
C - Ausência de hipotermia severa 
A temperatura corporal (retal ou oral) deverá ser 32º C. Os procedimentos para 
determinação da ME deverão ser realizados em todos os pacientes com coma não responsivo e apnéia, 
que preencham os pré-requisitos acima especificados, independentemente da condição de doador ou não 
de órgãos. 
Exame clínico 
A - Coma profundo (aperceptivo) 
Estado de inconsciência permanente com ausência de resposta supraespinhal à qualquer estimulação, 
particularmente dolorosa intensa em região supraorbitária, esternal, mamilos e nos quatro membros. A 
presença de atitude de descerebração ou decorticação impossibilita o diagnóstico de ME. 
Poderá ser observado, espontâneamente ou durante a estimulação, a presença de reflexos tendinosos 
profundos, movimentos de membros, atitude em opistótono ou flexão do tronco, adução/elevação dos 
ombros, sudorese, rubor ou taquicardia. A presença desses sinais clínicos significa apenas a persistência 
de atividade medular e não impossibilita a determinação de ME. 
B - Ausência de reflexos de tronco cerebral 
1. ausência do reflexo fotomotor - as pupilas deverão estar fixas e sem resposta à estimulação luminosa 
intensa (lanterna), podendo ter contorno irregular ou diâmetros variáveis; 
2. ausência do reflexo córneo-palpebral - ausência de resposta de piscamento à estimulação direta do 
canto inferior lateral da córnea com cotonete; 
3. ausência do reflexo oculocefalógiro - ausência de desvio do(s) olho(s) durante a movimentação rápida 
da cabeça no sentido lateral ou vertical. Não realizar em pacientes com lesão de coluna cervical (suspeita 
ou confirmada); 
4. ausência do reflexo vestibulo-calórico - ausência de desvio do(s) olho(s) 
durante 1 minuto de observação, após irrigação do conduto auditivo externo com 50 a 100 ml de água fria 
(5º C), com a cabeça colocada em posição supina e a 30º. O intervalo mínimo entre os testes dos dois 
lados deve ser de 5 minutos. Realizar otoscopia prévia para constatar a ausência de perfuração timpânica 
ou de oclusão do conduto auditivo externo por cerume; 
5. ausência de reflexo de tosse - ausência de tosse ou bradicardia reflexa à 
estimulação traqueal com uma cânula de aspiração. 
Teste de apnéia 
A realização do teste de apnéia é obrigatória na determinação da ME e a sua 
não realização por qualquer motivo, inviabiliza esta determinação. A apnéia é 
definida pela ausência de movimentos respiratórios espontâneos, após a 
estimulação máxima do centro respiratório pela hipercapnia (PaCO2 55 mmHg). A metodologia 
apresentada permite a obtenção desta estimulação máxima, sem a ocorrência de hipóxia concomitante. 
A - Pré-requisitos 
1. temperatura corporal 36,5º C; 
2. pressão arterial sistólica 90 mmHg (com ou sem drogas vasopressoras); 
3. PaO2 normal (ideal 200 mmHg obtido após ventilação com FiO2 100% por, no mínimo, 10 min); 
4. PaCO2 normal (ideal 40 mmHg pela diminuição da ventilação-minuto). 
B - Técnica 
1. colher gasometria arterial inicial; 
2. desconectar a respiração mecânica; 
3. instalar oxímetro digital e cateter intratraqueal, ao nível da carina, com fluxo de O2 de 6 litros/min; 
4. observar a presença de qualquer movimento respiratório por 8 a 10 minutos; 
5. colher gasometria arterial final; 
5. reconectar a respiração mecânica. 
C - Interrupção do teste 
Caso ocorra hipotensão (PA < 90 mmHg), hipoxemia significativa ou arritmia 
cardíaca, deverá ser colhido uma gasometria arterial e reconectado o respirador, interrompendo-se o teste. 
D - Interpretação dos resultados 
1. teste positivo (presença de apnéia) - PaCO2 final 55 mmHg, sem movimentos 
78
respiratórios; 
2. teste inconclusivo - PaCO2 final < 55 mmHg, sem movimentos respiratórios. 
Necessário repetição, com um período proporcionalmente maior de desconexão do 
respirador; 
3. teste negativo (ausência de apnéia) presença de movimentos respiratórios, 
mesmo débeis, com qualquer valor de PaCO2. 
E - Formas alternativas de realização do Teste de Apnéia 
Em alguns pacientes, as condições respiratórias não permitem a obtenção de 
uma elevada e persistente PaO2 sem concomitante hipóxia. 
1. elevação artificial da concentração de CO2 no respirador, a uma taxa de 1L/min, até atingir PaCO2 55 
mmHg (geralmente 2 minutos), seguido de desconexão do respirador por 3 minutos; 
2. ventilação intermitente volume mandatória (SIMV1) a 1 ciclo por minuto com O2 a 100%, até atingir 
PaCO2 55 mmHg (geralmente 20 minutos), seguido de 
desconexão do respirador por 3 minutos. 
É essencial estrito controle da PaCO2, preferencialmente, com uso de 
capnógrafo, para evitar uma acidose severa e rápida com arritmia cardíaca. O 
restante do procedimento e a interpretação são idênticas às do teste rotineiro. 
Exames complementares 
O diagnóstico de ME é fundamentado na ausência de atividade de tronco 
cerebral e firmado pela ausência de reflexos de tronco encefálico ao exame clínico e de movimentos 
respiratórios no teste de apnéia. A realização de exames complementares visa a obtenção de uma 
confirmação documental de lesão encefálica ou complementar o exame clínico, nos casos em que parte 
dele não possa ser realizado. A Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.480/97, de 22 de agosto 
de 1997, torna obrigatório a realização de 1 exame complementar durante a determinação da Morte 
Encefálica. Esta resolução não especifica o tipo de exame a ser realizado ou a metodologia a ser aplicada, 
cabendo ao médico escolher o exame complementar que fundamentará a determinação da ME. Os 
principais exames, passíveis de execução em nosso meio são os seguintes: 
A - Arteriografia cerebral - constatar a ausência de perfusão sangüínea cerebral pela não visualização de 
fluxo de contraste intracraniano acima do Polígono de Willis, 30 segundos após injeção, sob pressão, de 
contraste iodado, por cateterismo seletivo das artérias carótidas internas e vertebrais. 
B - Eletrencefalograma - constatar a presença de inatividade elétrica cerebral ou silêncio elétrico 
cerebral (ausência de atividade elétrica cerebral superior a 2 V) com eletrencefalograma realizado 
obrigatoriamente conforme as normas técnicas da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica, 
publicadas nos Arquivos de Neuropsiquiatria 1998; 56(3-B):697-702, interpretado por 
eletrencefalografista experiente. Durante o registro, a temperatura corporal deverá ser superior a 32º C e a 
pressãoarterial 90 mmHg. 
C - Cintilografia Cerebral - constatar a ausência de perfusão cerebral. 
D- Outros exames - Ultrassonografia por Doppler Transcraniano ou monitorização de pressão 
intracraniana com ausência de sinais de pulsação intracraniana. 
Todos estes testes confirmatórios estão sujeitos a resultados falso-positivos e 
falso-negativos, devendo ser realizados utilizando critérios técnicos específicos para determinação da ME. 
A interpretação dos achados deverá ser efetuada apenas por profissional experimentado nesta situação. 
Pela maior eficácia e facilidade de execução em nosso meio, são recomendados o eletrencefalograma, a 
arteriografia cerebral de 4 vasos e a 
cintilografia cerebral. A presença de perfusão sangüínea ou de atividade elétrica cerebral ou de 
metabolismo intracraniano significa a existência de atividade hemisférica cerebral residual. 
Em situações de ME, a repetição destes exames após horas ou dias 
constatará inexoravelmente a ausência desta atividade. 
Quando o resultado do exame complementar não mostrar-se compatível com 
ME, ele deverá ser repetido até que o seu resultado seja confirmatório, ou, não 
poderá ser determinada a ME, independentemente do resultado de outros exames complementares 
realizados para o mesmo fim. 
O tipo de exame a ser empregado varia conforme a faixa etária do paciente, 
devendo ser observada a seguinte tabela: 
Faixa Etária Exame Complementar a Realizar 
7 dias a 2 meses (RN à termo) - 2 EEGs com intervalo mínimo de 48 horas 
3 a 12 meses - 2 EEGs com intervalo mínimo de 24 horas 
13 a 24 meses - 2 EEGs com intervalo mínimo de 12 horas ou 
79
Arteriografia ou Cintilografia 
> 24 meses 
Arteriografia ou Cintilografia 
Repetição do exame clínico (2º exame) 
A repetição do exame clínico (2º exame) deverá ser efetuada utilizando a 
mesma técnica do 1º exame, por um outro médico. Não é necessário a repetição do teste de apnéia quando 
o resultado for positivo. 
O intervalo mínimo de tempo a ser observado entre o 1º e o 2º exame clínico 
é de 6 horas nos pacientes com idade superior a 2 anos de idade. Nas demais faixas etárias este intervalo é 
variado, devendo ser observado: 
Faixa Etária Intervalo Mínimo (horas) 
7 dias até 2 meses (RN à termo) - 48 horas 
3 a 12 meses - 24 horas 
13 a 24 meses - 12 horas 
24 meses - 6 horas 
Equipe médica 
A equipe médica que realiza a determinação da ME deverá ser constituída 
por, no mínimo, 2 médicos experientes no atendimento de pacientes em coma 
profundo com lesão cerebral. Idealmente, um deles deverá ser intensivista, que 
realizará o 1º exame clínico e o teste de apnéia, e o outro, um neurologista, 
neurocirurgião ou neuropediatra, com título de especialista registrado no Conselho Regional de Medicina 
(CRM), que realizará o 2º exame clínico, após rever os resultados das etapas anteriores e o laudo do 
exame complementar. 
Nenhum destes profissionais poderá pertencer às equipes de transplante de 
órgãos ou de atendimento de pacientes pós-transplante. 
A Comissão de Ética Médica de cada hospital deverá indicar, respeitando 
estas limitações, os profissionais habilitados a realizar a determinação da ME e a elaborar o laudo dos 
exames complementares obrigatórios. Esta listagem deverá ser encaminhada ao CRM e à Central de 
Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO). 
Comunicação com familiares ou responsável legal 
Os familiares do paciente ou seus responsáveis legais deverão ser 
adequadamente esclarecidos, de forma clara e inequívoca, sobre a situação crítica do paciente, o 
significado da ME, o modo de determiná-la e os resultados de cada uma das etapas de determinação da 
ME. Este esclarecimento é de responsabilidade do médico assistente do paciente ou, na sua 
impossibilidade, da equipe de determinação da ME. 
O médico assistente deverá ainda comunicar aos familiares ou responsável 
legal o direito de indicar, se necessário, um médico de sua confiança para 
acompanhar os procedimentos da 2ª etapa de determinação da ME, que deverá comparecer nos horários 
estabelecidos pela equipe de determinação da ME e registrar o seu parecer no Termo de Determinação de 
Morte Encefálica. Os contatos com o médico escolhido serão de responsabilidade dos familiares ou 
responsável legal. 
A decisão quanto à doação de órgãos ou suspensão da respiração mecânica 
ou de outros cuidados terapêuticos, somente deverá ser solicitada aos familiares ou responsáveis legais do 
paciente após comprovação da ME e notificação desta situação aos mesmos. 
Conduta após a determinação da ME 
A equipe médica que determinou a ME deverá preencher o Termo de 
Declaração de Morte Encefálica (DME) (Anexo 1) ao término de cada uma das 
etapas e comunicá-la ao médico responsável pelo paciente. 
A declaração deverá ser preenchida em 3 vias. A 1ª via deverá ser arquivada 
no prontuário do paciente, junto com o(s) laudo(s) do(s) exame(s) complementar(es) utilizados na sua 
determinação (Resolução CFM 1.480/97). A 2ª via deverá ser encaminhada à Central de Notificação, 
Captação e Distribuição de Órgãos – CNCDO (Lei 9.434/97, Art. 13). A 3ª via deverá ser encaminhada 
ao Instituto Médico Legal, em casos de morte violenta. 
A Declaração de Óbito (DO) deverá ser preenchida pelo médico legista nos 
casos de morte violenta confirmada ou suspeitada (acidente, suicídio ou homicídio). 
80
Nas demais situações, caberá ao médico responsável pelo paciente preenchê-la. A data e a hora da morte, 
a ser registrada na DO, deverá ser a da conclusão da 2ª etapa de determinação da ME, registrada no DME. 
A notificação obrigatória à Central de Notificação, Captação e Distribuição de 
Órgãos deverá ser realizada ao constatar-se uma provável ME (após a realização do 1º exame clínico e do 
teste de apnéia). 
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS 
Quem Pode se Beneficiar de um Transplante 
- Principais Indicações 
CORAÇÃO: portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etioologias (Doença 
de Chagas, isquêmica, reumática, idiopática, miocardites); 
PULMÃO: portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema; 
FÍGADO: portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas, 
RIM: portadores de insuficiência renal crônica por nefrite, hipertensão, diabetes e outras doenças renais; 
PÂNCREAS: diabéticos que tornam insulina (diabetes tipol) em geral, quando estão com doença renal 
associada; 
CÓRNEAS: portadores de ceratocone, ceratopatia bolhosa, infecção ou trauma de córnea; 
MEDULA ÓSSEA: portadores de leucemia, linfoma e aplasia de medula; 
OSSO: pacientes com perda óssea por certas tumores ósseos ou trauma 
PELE: pacientes com grandes queimaduras. 
Manutenção do Doador com Morte Encefálica 
a. Garantia de acessos vasculares 
b. Tratamento de hipotensão com: 
· Reposição volêmica vigorosa (cristalóides e colóides); 
· Uso de dopamina (10 mg/kg/min) ou outra droga vasoativa. 
c. Ventilação: 
· Volume inspiratório de 10 ml/kg de peso; 
· PEEP: 5 cm de H2O; 
· Gasometria arterial periódica. 
d. Controle de hipotemia com: 
· Focos de luz próximo ao tórax/abdome; 
· Infusão e ventilação aquecidas (37 – 40° C); 
· Cobertor térmico, se possível. 
e. Outros cuidados: 
· Reposição de eletrólitos de acordo com a necessidade – hipernotremia (hipocaemia é o mais freqüênte); 
· Reposição de bicarbonato de sódio em acidose metabólica; 
· Correção de hiperglicemia com insulina regular, por via subcutâneo ou intravenosa; 
· Uso regular de antibióticos profiláticos e terapêuticos; 
· Transfusão de sangue quanto Hb < 10 g/dl; 
· Proteção ocular com gase umedecida. 
81
PRINCIPAIS MEDICAÇÕES UTILIZADAS EM UTI. 
SEDAÇÃO 
Em terapia intensiva, os principais objetivos da sedação incluem reduzir a 
resistência à ventilação mecânica, tratamento de distúrbios psiquiátricos ou 
problemas relacionados à abstinência de substâncias de abuso, restauração da 
temperatura corpórea, redução da ansiedade, facilitação do sonoe redução do 
metabolismo. Em casos de traumatismo craniano, o objetivo da sedação pode incluir a indução do coma, a 
fim de promover o “silêncio elétrico” (EEC burst supression, do inglês) do cérebro, reduzindo sua 
necessidade metabólica. Tal procedimento pode estar associado ou não à indução de hipotermia para 
controlar as necessidades metabólicas neuronais. O agente sedativo ideal deve possuir propriedades ideais 
como mínimo efeito depressor dos sistemas respiratório e cardiovascular, não interferência no 
metabolismo de outras drogas, e possuir vias de eliminação independentes dos mecanismos renal, 
hepático ou pulmonar, resultando em uma meia-vida de eliminação curta, sem metabólitos ativos. 
A sedação pode ser definida entre um simples estado de cooperação, com 
orientação espaço temporal e tranqüilidade ou apenas resposta ao comando, 
82
podendo incluir ou não a hipnose. Para se avaliar o grau de sedação, empregam-se inúmeras escalas, 
sendo a mais utilizada aquela proposta por Ramsay. A escala de Ramsay é utilizada como referência para 
validação de novas técnicas. 
Recentemente, foi introduzida a análise do índice biespectral do 
eletroencefalograma corno monitor da profundidade anestésica. Esta técnica guarda uma boa correlação 
com a escala de Ramsay. A avaliação da sedação ainda se baseia fundamentalmente na observação 
clínica. Entre os agentes farmacológicos disponíveis para a sedação, os opióides são drogas que, além do 
seu efeito analgésico, promovem sedação importante e são empregados em pacientes requerendo 
ventilação mecânica, pois inibem a ventilação, bem como o reflexo de tosse. São empregados em 
associação com os benzodiazepínicos ou com o 
propofol. O uso prolongado induz à ocorrência de tolerância. Os mais comumente empregados são o 
fentanil, alfentanil, sufentanil e a morfina. O uso concomitante 
de opióidesreduz a necessidade de outros hipnóticos. 
Os benzodiazepínicos (BZD) são as drogas mais amplamente utilizadas na 
UTI. Os BZD possuem excelentes qualidades sedativas hipnóticas e ansiolíticas, associadas à ação 
anticonvulsivante e relaxante muscular. A amnésia constitui-se num efeito colateral desses compostos. 
Em relação ao sistema cardiovascular, possuem alguns efeitos benéficos, relacionados à redução tanto da 
pré quanto da pós-carga, devido à discreta ação simpatolítica. Os BZD diminuem o consumo de oxigênio 
miocárdico, porém, quando associados a doses elevadas de opióides podem produzir uma importante 
depressão miocárdica, sobretudo nos pacientes que apresentam má função ventricular. 
Os BZD produzem redução do fluxo sanguíneo cerebral (FSC), de maneira 
acopladaà redução do consumo de oxigênio cerebral. Destamaneira, esses 
compostos são úteis na redução da pressão intracraniana, à condição que 
hipotensão seja evitada de maneira a garantir uma pressão adequada de perfusão cerebral (PPC = PAM - 
PIC). Em pacientes 
ventilando espontaneamente, principalmente em idosos e pneumopatas, os BZD reduzem a resposta 
ventilatória reflexa induzida pela hipoxemia e hipercapnia. 
Os dois principais BZD disponíveis para administração intravenosa no Brasil 
são o midazolam (Dormonid ®) e o diazeparn (Valium ®). Ambos são 
dependentes do mecanismo de glicuronidação hepática para serem metabolizados e, portanto, seus efeitos 
são prolongados nos pacientes com insuficiência hepática. 
O metabolismo do diazepam gera o n-desmetil diazepam que, como o próprio 
composto original, possui uma meia-vida de eliminação prolongada (> 20 horas). O efeito do diazepam é 
tão mais prolongado quanto for a duração da sedação. O midazolain possui uma meia—vida de 
eliminação de duas (2) a quatro (4) horas e não possui metabólitos ativos, portanto encontra um perfil 
mais adaptado à infusão contínua, por períodos curtos ou prolongados. Devido à extensa ligação protéica 
(96%), os efeitos sedativos podem ser importantes em pacientes hipoproteinêmicos e hipoalbuminêmicos, 
devido à maior fração de droga livre no plasma. 
O flumazenil (Lanexat®) é o antagonista competitivo dos receptores 
diazepínicos. Em UTI, pode ser empregado em doses crescentes de 0.3 mg, até uma dose total de 2 mg, 
em intervalos de um (1) minuto. O flumazenil permite antagonizar os efeitos hipnóticos e sedativos dos 
BZD, e os efeitos adversos paradoxais, como a agitação. Além disso, o flumazenil permite o diagnóstico 
e o tratamento de uma intoxicação por BZD ou pode ser auxiliar no diagnóstico etiológico do coma. Está 
contra-indicado em pacientes alérgicos aos BZD, em pacientes em uso crônico de BZD ou naqueles que 
os utilizam para controle da epilepsia. Devido à meia-vida de eliminação ser mais curta do que a dos 
BZD, existe o risco de ressedação. A reversão dos efeitos dos BZD pode promover elevação da PIC e 
descompensação cardiovascular. 
O propofol (Diprivan ®) é uma droga anestésica, capaz de induzir desde a 
sedação até uma hipnose profunda. Em razão do seu metabolismo elevado, possui curta meia-vida de 
eliminação. No entanto, após uma infusão prolongada (de duração média de oitenta e cinco (85) horas) 
ocorre um aumento na meia-vida de eliminação que não compromete o despertar dos pacientes, sendo que 
as concentrações plasmáticas se reduzem em 50 %, após dez (10) minutos da interrupção da infusão. Em 
comparação com o midazolam, o propofol está associado com mais rápida recuperação dos efeitos 
clínicos e eletroencefalográficos. As condições clínicas são semelhantes, quando se associam a opióides 
do tipo propofol ou midazoIam. Pode ser utilizado no traumatismo craniano, desde de que mantida a 
PPC (> 60 mmHg), para uma redução da PIC inferior a 10 mmHg. Após cirurgia cardíaca, mostra-se 
interessante na sedação por curta duração para manutenção da assistência ventilatória. No entanto, uma 
redução de 1 5 a 20 % da pressão arterial média pode ser observada após urna dose em 
“bolus”, variando entre 0.24 e 1 mg/kg. A freqüência cardíaca pode ser reduzida devido à inibição do 
barorreflexo, condição vantajosa nos pacientes coronariopatas. 
83
Outras indicações para o uso do propofol incluem a redução do espasmo tetânico, broncodilatação, em 
pacientes pneumopatas, tratamento do estado de mal epiléptico, refratário a outras medicações, redução 
de náuseas e vômitos e do prurido, e cardioversão. O propofol é uma droga de aplicação segura nos 
pacientes susceptíveis à hipertermia maligna. 
O pancurônio (Pavulon ®) é o curare mais empregado em UTI. É um curare de duração de ação entre 
quarenta e cinco e sessenta (45-60) minutos e 
dependente de mecanismos renais (70%) e hepáticos (30%) para sua eliminação, acumulando-se nos 
pacientes com insuficiência renal ou hepática, quando administrado em doses mais elevadas. Possui um 
efeito vagolítico que determina hipertensão e taquicardia. 
O atracúrio (Tracrium ®) é um curare de duração intermediária, ao redor de 
vinte (20) minutos. E eliminado por hidrólise espontânea plasmática, independente dos mecanismos 
renais e hepáticos. Os efeitos cumulativos estão praticamente ausentes e, por isso, está aconselhado para 
utilização sob infusão contínua. Pode liberar histamina, principalmente quando administrado rapidamente. 
O vecurônio (Norcuron ®) é um curare de duração intermediária (trinta (30) 
minutos) análogo ao pancurônio, porém com menos efeitos sobre o sistema 
cardiovascular. É primariamente metabolizado pelo fígado, e dependente dos rins para a excreção. A 
dosagem deve ser reduzida na insuficiência hepática e renal. 
Adapta-se à infusão contínua, embora produza um metabólito ativo que possui 
metade da potência do composto original. 
O bloqueio neuromuscular pode ser antagonizado (exceto no caso da 
succinilcolina) por drogas anticolinesterásicas. Em nosso meio, o agente mais 
empregado é a neostigmina (Prostigmine ®) na dosagem de 0.05 mg/kg. A 
administração concomitante de atropina (0.01 mg/kg) é preconizada com a finalidade de atenuar a 
estimulaçãosobre os receptores periféricos muscarínicos, reduzindo, principalmente, a intensa 
bradicardia, determinada por estes agentes. A intensidade do bloqueio neuromuscular pode ser 
monitorizada através da estimulação do nervo periférico e as dosagens podem ser, assim, ajustadas para 
uma intensidade mínima de depressão da atividade muscular. 
O bloqueio neuromuscular, por tempo prolongado, pode induzir a uma 
disfunção neuromuscular, caracterizada por fraqueza muscular generalizada, 
tetraparesia, arreflexia, progredindo até a paralisia flácida, persistente por dias ou meses. Em alguns 
pacientes, uma associação entre curare e corticoterapia, em altas dosagens (mal asmático, transplantado 
hepático) foi observada. Deve ser diferenciada da polineuropatia da UTI, que ocorre por ocasião da sepse, 
na ausência da administração de qualquer curare. Cabe ainda lembrar que inúmeras drogas potencializam 
o efeito dos curares, tais como os aminoglicosídeos, tetraciclinas, anestésicos locais, fenitoína, 
propranolol, trimetafam, glicosídeos cardíacos, cloroquina, catecolaminas e diuréticos. 
Drogas Vasoativas 
Comumente empregadas nos pacientes graves,as drogas vasoativas são de 
uso corriqueiro nas unidades de terapia intensiva e o conhecimento exato da sua farmacocinética e 
farmacodinâmica é de vital importância para o intensivista, pois daí decorre o sucesso ou mesmo o 
insucesso de sua utilização. O termo droga vasoativa é atribuído às substâncias que apresentam efeitos 
vasculares periféricos, pulmonares ou cardíacos, sejam eles diretos ou indiretos, atuando em pequenas 
doses e com respostas dose dependente de efeito rápido e curto, através de receptores situados no 
endotélio vascular. Então, na maioria das vezes, é necessário o uso da monitorização hemodinâmica, 
invasiva, quando da utilização dessas substâncias, 
pois suas potentes ações determinam mudanças drásticas tanto em parâmetros circulatórios como 
respiratórios, podendo, do seu uso inadequado, advirem efeitos colaterais indesejáveis, graves e 
deletérios, que obrigam sua suspensão. 
As drogas vasoativas mais empregadas são as catecolaminas, também 
denominadas aminas vasoativas ou drogas simpatomiméticas. Dentre elas, 
destacam- se a noradrenalina (NA), a adrenalina, a dopamina, a dopexamina, a 
dobutamina e o isoproterenol. Dispomos, também, da amrinone e dos 
vasodilatadores (nitroprussiato de sódio, nitratos, clorpromazina, prazozin, captopril, enalapril e 
bloqueadores de cálcio). 
AGENTES SIMPATOMIMÉTICOS 
As catecolaminas (adrenalina, noradrenalina, dopexamina, dopamina, 
isoproterenol e dobutamina) e drogas não catecolaminas (metaraminol, fenilefrina e metoxamina) são os 
agentes simpatomiméticos mais utilizados em terapia intensiva. As catecolaminas exibem efeitos de 
acordo com a dose utilizada, podendo estimular receptores alfa, beta e dopa. Essa drogas são, então, 
84
classificadas em alfa adrenérgicas, beta adrenérgicas e dopaminérgicas ou mistas, de acordo com o 
predomínio de receptores sensibilizados. 
Dopamina 
Indicações 
As indicações principais da Dopamina estão relacionadas aos estados de 
baixo débito com volemia controlada ou aumentada (efeito beta adrenérgico). Pelo fato de essa droga 
vasoativa possuir, em baixas doses, um efeito vasodilatador renal, é também indicada em situações nas 
quais os parâmetros hemodinâmicos estejam estáveis, porém com oligúria persistente (efeito 
dopaminérgico). Ela pode, também, ser utilizada em condições de choque com resistência periférica, 
diminuída (efeito alfa adrenérgico). 
Doses 
A diluição padrão é de cinco (5) ampolas em 200 ml de solução (ringer 
simples ou lactato), soro fisiológico (SF 0,9%), soro glicosado (SG 5%) sendo 
somente incompatível com soluções alcalinas. Essa diluição apresentará uma 
concentração final da droga de 1 mg/mL. A dopamina é disponível na forma de 
cloridrato de dopamina em ampolas com 50 e 200 mg da droga. Deve ser utilizada sempre diluída e 
podemos usá-la de 2,5 a 20 mg/kg/min. A dose deve ser administrada de acordo com o efeito desejado e 
individualizada para cada paciente. 
Cuidados 
Deve ser utilizada somente para uso endovenoso com o cuidado de não 
haver extravasamento tissular, o que poderá acarretar uma intensa vasoconstrição local, com necrose 
tecidual. Os efeitos colaterais da dopamina incluem: náuseas, vômitos, arritmias (supraventriculares 4% e 
ventriculares 1 a 1,5%) e agravamento da vasoconstrição pulmonar. Parece não haver uma interação 
medicamentosa, importante, com outras drogas, podendo ser associada a corticóides, catecolaminas e 
diuréticos. 
Dobutamina 
A dobutamina é uma droga simpatomimética sintética, com ação 
predominantemente beta 1 agonista, tendo sido desenvolvida em 1978, depois que a molécula da 
catecolamina foi modificada, na procura de uma droga que tivesse atividade inotrópica. Trata-se de uma 
substância derivada da fenilalanina, agindo através da estimulação direta nos receptores beta 1 e, 
indiretamente, nos demais receptores, través da liberação de NA que, por sua vez, também estimula 
receptores beta 1. Possui inúmerosefeitos, pois estimula todos os tipos de receptores,sendo estes dose 
dependentes . Por ser uma molécula polar, não atravessa a barreira hematoencefálica, não apresentando, 
assim,ação no sistema nervoso central (SNC). Possui vida média de 1,7 minutos, sendo metabolizada e 
inativada diretamente pela catecol-o-metil transferase (COMT) e monoamina oxidase 
(MAO), e parte transformada em noradrenalina e adrenalina. Os seus metabólitos são eliminados por via 
renal. 
O uso de drogas vasoativas em terapia intensiva letiva, com pequeno efeito 
vascular periférico. Esta droga vasoativa possui baixa afinidade por receptores beta 2 e é quase 
desprovida de efeitos alfa adrenérgicos. Ao contrário da dopamina, a ação farmacológica da dobutamina 
não depende das reservas liberáveis de noradrenalina(8). A dobutamina perde seu efeito hemodinâmico 
durante infusão prolongada, presumivelmente por causa da diminuição da atividade dos receptores 
adrenérgicos (“down regulation”), mas mantém o seu efeito hemodinâmico melhor que a dopamina, uma 
vez que esta depleta as reservas de noradrenalina do miocárdio. A dobutamina possui vida média de dois 
(2) minutos, seu início de ação é rápido, não havendo, então, necessidade de dose de ataque. A sua 
excreção é renal(11). Além disso, a dobutamina apresenta poucos efeitos sobre a FC, aumenta a 
contratilidade miocárdica e o índice cardíaco, não agindo sobre a resistência vascular, periférica, em 
doses médias. 
Indicações 
A droga é utilizada para melhorar a função ventricular e o desempenho 
cardíaco, em pacientes nos quais a disfunção ventricular acarreta diminuição no volume sistólico e no DC 
como, por exemplo, choque cardiogênico e insuficiência cardíaca, congestiva. O VO2 do miocárdio, sob 
o uso da dobutamina, é menor do que sob a ação de outras catecolaminas. A estimulação dos 
betarreceptores provoca leve queda da pressão arterial (PA) por vasodilatação periférica. Há também 
aumento da velocidade de condução atrioventricular, o que limita seu uso na vigência de fluter ou 
fibrilação atrial(13). 
85
Doses 
A dobutamina é disponível na forma de hidrocloridrato de dobutamina, em 
ampolas de 20 ml, com 250 mg da droga. Dilui-se uma (1) ampola (250 mg) em 230 ml de solução 
(exceto soluções alcalinas). A concentração final será de 1mg/ml. Sua utilização é sempre diluída, 
endovenosamente, em infusão contínua, em doses de 3 a 15 mg/kg/min, que deverá ser individualizada 
para cada paciente de acordo com o efeito hemodinâmico que se espera obter. O início da ação ocorre em 
dois (2) minutos, com efeito máximo em dez (10) minutos. 
Efeitos colaterais 
Os efeitos colaterais da dobutamina incluem: arritmias, dores de cabeça, 
ansiedade, tremores, aumentos ou reduções excessivas da PA. 
Noradrenalina (NA) 
A noradrenalina (NA) é o neurotransmissordo sistema nervoso simpático e 
precursor da adrenalina. A NA possui atividade tanto no receptor alfa, como beta 1 adrenérgico, com 
pouca ação sobre receptores beta 2. Dependendo da dose utilizada, obtém-se aumento do volume 
sistólico, diminuição reflexa da FC e importante vasoconstrição periférica, com aumento da PA. A 
contratilidade e o trabalho cardíaco também aumentam se o aumento da pós-carga for tolerado pelo 
ventrículo. A noradrenalina é também um potente vasoconstritor visceral e renal, o que limita sua 
utilização clínica. É também vasoconstritora sobre a rede vascular, sistêmica e pulmonar, e deve ser usada 
com prudência, em pacientes com hipertensão pulmonar. 
Indicações 
A noradrenalina é uma droga de eleição no choque séptico, cuja finalidade é 
elevar a PA em pacientes hipotensos, que não responderam à ressuscitação por volume e a outros 
inotrópicos menos potentes. Além disso, essa potente droga vasoativa é quase sempre utilizada durante as 
manobras da ressuscitação cardiopulmonar (RCP), como droga vasoconstritora. A droga é rapidamente 
eliminada do plasma após a sua administração intravenosa, com vida média de dois (2) a dois e meio (2,5) 
minutos, embora haja grande variação individual. A sua degradação é hepática e a eliminação renal. 
Doses 
Utilizam-se, normalmente, cinco (5) ampolas (2 mg) diluídas em 250 ml de 
qualquer solução rotineira (exceto em soluções alcalinas), cuja concentração final será de 0,04 mg/ml. A 
droga é disponível sob a forma de bitartarato de 
noradrenalina, sendo que a infusão endovenosa, contínua é, geralmente, iniciada em doses de 0,05 a 0,1 
mg/kg/min, até que o efeito hemodinâmico desejado seja alcançado e não haja efeitos colaterais 
importantes. As doses administradas podem atingir um máximo de 1,5 a 2 mg/kg/min. 
Durante as manobras de RCP, podem-se usar doses de 0,1 a 0,2 mg/kg, 
endovenosas ou intratraqueais, diluídas em 10 ml de água destilada. 
Cuidados 
As infusões de NA devem ser administradas preferivelmente através de uma 
veia central, a PA deve ser monitorizada a cada quinze (15) minutos, principalmente durante o ajuste da 
dose. A função renal também deve ser monitorizada através de dosagens de uréia, creatinina e volume de 
diurese. Cuidados com necrose e escaras, no local da injeção intravenosa, devem ser prevenidos, 
evitando-se o extravasamento da droga. A infusão deve ser efetuada em veia de grosso calibre e a 
localização desta deve ser alterada, no mínimo, a cada doze (12) horas. A droga deve ser evitada em 
grávidas pelo seu efeito contrátil sobre o útero gravídico. A administração de altas concentrações também 
pode precipitar hipotensão acentuada, infarto do miocárdio ou hemorragia cerebral. 
O uso da noradrenalina, em altas doses e por tempo prolongado, pode 
provocar graves lesões renais, cutâneas e mesmo cardíacas devido à 
vasoconstrição excessiva. No choque cardiogênico, o seu uso é limitado devido ao aumento do VO2 e 
aumento do trabalho cardíaco, provocado pelo incremento da pós-carga no miocárdio isquêmico (15). 
Adrenalina 
A adrenalina é um hormônio endógeno, largamente produzido pela suprarenal 
e liberado em resposta ao estresse. Essa droga vasoativa é um potente 
estimulador alfa e beta adrenérgico, com notáveis ações sobre o miocárdio, 
músculos vasculares e outros músculos lisos, cujo efeito vasopressor é muito 
86
conhecido. O mecanismo da elevação da PA, causado pela adrenalina, é devido a uma ação direta no 
miocárdio, com aumento da contração ventricular (inotropismo positivo), um aumento da freqüência 
cardíaca (cronotropismo positivo) e uma vasoconstrição em muitos leitos vasculares (arteríolas da pele, 
rins e vênulas). Seus efeitos são diferentes, quando a droga é 
administrada por infusão intravenosa ou injeção subcutânea, sendo que a absorção por esta via é mais 
lenta devido à ação vasoconstritora, local, causada pela adrenalina. 
No miocárdio, a adrenalina exerce uma ação direta sobre receptores beta 1 
do músculo, células do marcapasso e tecido condutor. A FC e o ritmo quase sempre são alterados. A 
sístole torna-se mais curta e potente. Aumentam o débito e o trabalho cardíacos, bem como o VO2 do 
miocárdio. O período refratário do músculo ventricular, por sua vez, diminui, predispondo- o ao 
aparecimento de arritmias. Na musculatura lisa, sua ação predominante é de relaxamento através da 
ativação de receptores alfa e beta adrenérgicos. A droga exerce, também, importantes efeitos na 
musculatura brônquica (broncodilatação) pela interação com receptores beta 2 do músculo liso, bronquial, 
combinada à inibição da degranulação de mastócitos. Esse efeito é determinado largamente pela 
quantidade de adrenalina circulante, visto que 
a inervação simpática do músculo liso, brônquico é escassa. A droga também eleva as concentrações de 
glicose (aumento da neoglicogênese e inibição da secreçãode insulina) e do lactato sérico. Pode, também, 
provocar hipopotassemia e aumento dos níveis de ácidos graxos livres. A absorção da adrenalina, quando 
administrada por via subcutânea, é lenta. Todavia, é mais rápida, quando usada por via intravenosa ou 
intramuscular. As ações se restringem ao trato respiratório, quando a droga é nebulizada, podendo, 
entretanto, ocorrerem reações sistêmicas, acompanhadas de arritmias. A sua metabolização é hepática, 
sendo que sua vida média é de, aproximadamente, três (3) minutos. 
Indicações 
As principais indicações da adrenalina incluem estados de choque circulatório 
que não respondem às outras catecolaminas menos potentes, em particular no 
choque cardiogênico, quando de uso combinado com agentes redutores da pós 
carga. Recomenda-se esta droga no tratamento de brocoespamos severos, na dose de 0,01 mg/kg até 0,3 
mg, a cada vinte (20) minutos. Endovenosamente, é indicada no tratamento da anafilaxia e, durante as 
manobras de ressuscitação cardiopulmonar, é o agente farmacológico de efeito vasoconstritor mais eficaz. 
Doses 
A adrenalina é disponível numa variedade de formulações para as diferentes 
indicações clínicas e vias de administração. A droga é instável, em solução alcalina, e é oxidada, quando 
exposta ao ar ou à luz. A sua apresentação mais comumente encontrada são ampolas de 1 ml, com 1 mg 
da droga (1:1000). Em infusão contínua, costuma-se diluir a droga em SF 0,9% ou SG 5%. Utilizam-se 
cinco (5) ampolas (5 mg) em 250 ml de solução, cuja concentração será de 20 mg/ml. O início da 
administração é efetuado com doses de 0,05 a 0,1 mg/kg/min, que podem ser aumentadas, 
progressivamente, até que se obtenha o efeito hemodinâmico desejado. Doses maiores que 2 mg/kg/min 
devem ser evitadas. Durante as manobras de RCP, as doses padronizadas são de 0,5 a 1 mg (endovenoso 
ou endotraqueal, diluídas em 10-20 ml de água destilada) repetidas a cada cinco a dez (5-10) minutos. 
Cuidados 
A adrenalina deve ser administrada com o auxílio de bombas de infusão, 
preferivelmente, através de uma veia central (de grosso calibre), uma vez que o 
extravasamento da droga pode provocar lesões cutâneas importantes. Além disso, há as reações 
desagradáveis como tremor, ansiedade, tensão, cefaléia, vertigem, dificuldade respiratória, hipertensão 
grave, hemorragia cerebral, arritmias (principalmente ventriculares) e angina pectoris. 
VASODILATADORES 
A falência circulatória aguda possui muitas etiologias, porém os mecanismos 
determinantes são: a diminuição do volume circulante, a diminuição do DC e a 
diminuição da resistência vascular periférica. O uso de drogas com ação 
vasodilatadora é útil nos casos em que a reposição volêmica adequada e a 
otimização do DC com os agentes inotrópicos, não reverteram a condição de baixo débito, persistente. 
Isso acontece, principalmente, nos casos de choque 
cardiogênico pós IAM, nos quais existe um aumento nas pressões de enchimento ventricular, associadas a 
incremento na resistência vascular, periférica (pós-carga). 
Nitroprussiatode sódio 
87
O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador misto, com efeitos sobre os 
territórios arterial e venoso. Age diretamente na musculatura lisa, vascular, através da interação com 
grupos intracelulares de sulfidrila, inibição do transporte de cálcio e alteração dos nucleotídeos cíclicos, 
intracelulares. Não apresenta efeito direto sobre as fibras musculares cardíacas, sendo seu incremento no 
DC devido à ação vasodilatadora. O nitroprussiato de sódio promove uma redução no VO2 do miocárdio. 
O fluxo sangüíneo renal e a taxa de filtração glomerular são mantidos e a secreção de renina, pelo 
organismo, é aumentada. A droga promove, então, diminuição da resistência periférica, total, diminuição 
da PA, pouca alteração da FC e diminuição da resistência vascular, pulmonar, sendo rapidamente 
metabolizada e convertida em tiocianato através de reação catalisada pela rodonase no fígado. 
Indicações 
Indicado no tratamento das emergências hipertensivas e como droga auxiliar 
nos estados de choque circulatório, com pressões de enchimento ventricular e 
resistência periférica aumentadas (situações em que se desejam reduções a curto prazo da pré-carga e/ou 
pós-carga cardíacas). 
Doses 
O nitroprussiato de sódio é utilizado em infusão endovenosa, contínua e, 
exclusivamente, em doses que variam de 1 a 5 mg/kg/min. As doses necessárias para se obter uma 
resposta adequada devem ser tituladas e são variáveis, dependentes da idade do paciente e do grau de 
hipotensão desejado. A duração da terapêutica não deve exceder três (3) a quatro (4) dias. Dispõe-se, para 
utilização, de ampolas com 50 mg da droga, normalmente diluídas em 2 ml de solvente e adicionadas a 
250 ml de SG 5%, com concentração final de 200 mg/ml. Como existe uma sensibilidade da substância à 
luz, apenas soluções recentes (no máximo seis (6) horas após o preparo) devem ser utilizadas, e o frasco, 
assim como o equipo, devem ser envoltos com material opaco. 
Efeitos colaterais 
As intoxicações pelo cianeto e tiocianato podem ocorrer, quando se usam 
doses superiores a 5 mg/kg/min, por tempo prolongado. Parece que a toxicidade desses metabólitos é 
proporcional à velocidade de infusão e não à quantidade total de nitroprussiato de sódio, administrada. A 
intoxicação pelo cianeto leva ao bloqueio da respiração aeróbica, celular, promovendo acidose 
metabólica, sendo, no entanto, um evento de ocorrência rara. Constituem-se sinais de intoxicação 
aumento na resistência periférica, total, cujo resultado será o aumento da pressão arterial e a redução do 
DC. O VO2 do miocárdio aumenta proporcionalmente à tensão na parede ventricular. A pressão de 
enchimento ventricular, aumentada, predispõe à hipertensão pulmonar com grande risco de 
desenvolvimento de edema agudo de pulmão. Dessa forma, com a diminuição simultânea da pressão de 
enchimento ventricular esquerdo, da resistência periférica total (com redistribuição do fluxo sangüíneo de 
áreas não essenciais para áreas nobres) e da impedância ao esvaziamento ventricular esquerdo, o uso de 
vasodilatadores está indicado, ocasionando uma melhor performance cardíaca, com incremento no débito. 
Conseqüentemente, a pressão capilar, pulmonar seria reduzida com benefícios 
imediatos. O uso de vasodilatadores não altera significativamente a freqüência 
cardíaca, visto que há um aumento do volume sistólico, em resposta à queda da resistência vascular, 
sistêmica, induzida por essas drogas. Os vasodilatadores podem ser classificados, genericamente, de 
acordo com seu sítio de ação em venodilatadores (nitratos e nitroglicerina), arteriolodilatadores 
(hidralazina) e de ação mista (nitroprussiato de sódio, prazozin, inibidores da ECA e clorpromazina). 
Particularmente, o vasodilatador mais utilizado em terapia intensiva é o nitroprussiato de sódio. 
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM APLICADA À UTI 
Conforme a resolução COFEN-272/2002, a Sistematização da Assistência de 
Enfermagem trata-se de uma atividade privativa do enfermeiro, onde são utilizados métodos e estratégias 
embasadas cientificamente, na busca de identificar situações de saúde e doença, promovendo ações que 
possam contribuir para a promoção, 
prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade. 
Sua ação tem como finalidade à organização do cuidado, norteando os demais 
atendentes de enfermagem, facilitando o processo e, conseqüentemente, 
promovendo uma assistência mais individualizada, humanizada e eficaz. 
O Processo de Enfermagem é o instrumento de trabalho da enfermagem, ou 
seja, parte integrante do processo de trabalho em saúde que deve ser compreendido no conjunto das 
práticas sociais e internamente nos seus diferentes momentos. Sua divisão em etapas é artificial, pois o 
processo só pode ser desenvolvido integralmente com suas fases inter-relacionadas e recorrentes devido 
88
às mudanças contínuas que ocorrem com o paciente, sendo que o que assegura a individualização dos 
cuidados é a interação entre enfermeiro e o cliente, a família e os outros profissionais da equipe de saúde 
(HORTA, 1979). 
Alfaro-Lefevre (2005) define que o processo de enfermagem é um método sistemático de prestação de 
cuidados humanizados, que enfoca a obtenção de resultados desejados de uma maneira rentável. É 
sistematizada por consistir de cinco passos: investigação, diagnósticos, planejamento, implementação e 
avaliação. 
Segundo Gomes (1988) para o atendimento ao paciente crítico foi a criação de um serviço no hospital que 
fosse de encontro às suas necessidades, proporcionando recursos para o cuidado intensivo aliando o 
conhecimento da doença e a precisão de equipamentos ao desenvolvimento de métodos assistenciais e a 
uma vigilância contínua. Para que o atendimento ao paciente crítico tenha sucesso e equipe deve ter 
capacidade de avaliar as mudanças que se esperam nas condições clínicas e práticas terapêuticas. Uma 
atuação sistematizada é sempre mais eficiente e reduz ao mínimo as frustrações experimentadas nas ações 
improvisadas. 
De acordo com (HORTA, 1979), a operacionalização do processo de 
enfermagem ocorre por meio de seis fases inter-relacionadas sendo: o histórico de enfermagem, o 
diagnostico de enfermagem, o plano de enfermagem; a evolução de enfermagem; o prognóstico. 
Histórico de Enfermagem 
O histórico de enfermagem é o levantamento dos dados subjetivos 
(entrevista) e dos dados objetivos (exame físico) do paciente, para identificar seus problemas, tornando 
possível o desenvolvimento de todos as outras fases do processo de enfermagem. Sendo que seu 
preenchimento é uma atividade específica do enfermeiro, não podendo ser delegada a outros profissionais 
(Horta, 1979). 
A coleta de dados é fundamental no processo de enfermagem, pois é, nesta 
fase que as habilidades, as opiniões e, sobretudo, o conhecimento do profissional enfermeiro 
influenciarão nas decisões a serem tornadas na elaboração do plano de cuidados. 
Todo o planejamento do processo de assistência depende da objetividade, 
fidedignidade e abrangência com que os dados iniciais são coletados. 
A entrevista é um processo intencional elaborado para permitir que a enfermeira e o paciente forneçam e 
obtenham informações. Para tanto, exige a capacidade de comunicação e interação ente os envolvidos, 
além de um planejamento prévio quanto local adequado, equipamento e impressos. 
Para realização do exame físico o enfermeiro realizará as seguintes técnica: 
inspeção, ausculta, palpação e percussão, de forma criteriosa, efetuando o levantamento de dados sobre o 
estado de saúdo do paciente e anotações das anormalidades encontradas para validar as informações 
obtidas no histórico. 
Mediante o crescente interesse dos enfermeiros em aplicar o processo de 
enfermagem em todas as suas fases, o exame físico tem ocupado lugar de 
destaque, por permitir que os enfermeiros conheçam as necessidades física, 
fisiológicase psicológicas, permitindo a identificação dos diagnósticos de 
enfermagem. 
O exame físico não é considerado trabalho difícil, embora requeira 
conhecimento, experiência e treinamento na interpretação dos sinais encontrados a fim de direcionar o 
processo de decisão do enfermeiro. 
Diagnóstico de Enfermagem 
O Diagnóstico de Enfermagem (DE) é caracterizado pelo julgamento clínico 
de todas as informações obtidas. Tais julgamentos servem como base para que seja possível a formulação 
destes. Então, encontram-se os problemas possíveis e/ou os problemas já estabelecidos, identificados no 
cliente (necessidades de enfermagem) e seu grau de dependência. 
“O enfermeiro após ter analisado os dados colhidos no histórico e exame 
físico, identificará os problemas de enfermagem, as necessidades básicas afetadas e o grau de 
dependência, fazendo julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família e comunidade...” 
(Resolução COFEN-272/2002). Esta é a definição de Diagnóstico de Enfermagem conforme o Conselho 
Federal de Enfermagem. 
Os DE são definidos pela Associação Norte-Americana de Enfermagem 
(NANDA) como julgamentos clínicos que refletem respostas do indivíduo da família ou da comunidade a 
problemas de saúde/processo da vida reais ou imaginários. 
89
Neles são discutidos alterações fisiológicas, psicológicas e sociológicas na saúde do indivíduo, onde se 
abre um leque para que sejam desenvolvidas intervenções que o enfermeiro pode iniciar 
independentemente, evitando, reduzindo ou resolvendo estas alterações. 
Desde 1973, a Associação Norte-Americana de Enfermagem tem organizado, 
bianualmente, conferências nacionais sobre a classificação os DE. 
O processo de DE inclui três elementos principais: análise e interpretação de 
dados, identificação de problemas do paciente e formulação dos Diagnósticos. O problema específico é 
descrito como o Diagnóstico de Enfermagem 
Os DE são as determinações de problemas atuais ou potenciais de saúde, 
para o qual o profissional de enfermagem está licenciado e tem competência de tratar. A determinação do 
diagnóstico deve incluir o problema e sua causa. 
O D.E constituem a base para a seleção de intervenções de enfermagem 
para que se chegue aos resultados pelos quais a enfermeira é responsável. Seus benefícios são variados, 
sendo o principal a promoção da assistência de 
enfermagem de qualidade. Além disso, o paciente se beneficia com a 
individualização do cuidado, “... que resulta na determinação apropriada de 
objetivos, seleção de prioridades, seleção de intervenções e estabelecimento de critérios de resultados”. 
Enquanto um instrumento de trabalho, o DE proporciona ao enfermeiro um 
plano de ação, que o aproxima de seu objeto de trabalho através de ações 
anteriormente refletidas, embasado nos problemas detectados no paciente e, 
portanto, a produtividade espelha a sensível melhora no processo de trabalho 
através da qualidade das ações. 
Cabe lembrar que o DE também fornece critérios mensuráveis para a 
avaliação da assistência prestada; dá suporte e direção ao cuidado; facilita a 
pesquisa e o ensino; delimita as funções independentes de enfermagem; estimula o cliente a participar de 
seu tratamento e do plano terapêutico; e contribui para a expansão de um corpo de conhecimentos 
próprios para a enfermagem. 
Os D.E são divididos quanto o estado de saúde, em Reais ou de Risco. 
Aqueles possuem especificidades que são observadas por se manifestarem em um indivíduo, compondo 
as características definidoras de tal diagnóstico. As 
características definidoras são o conjunto de sinais e sintomas que asseguram a presença de um 
determinado diagnóstico. São consideradas críticas aquelas que, sozinhas, são suficientes para confirmar 
o diagnóstico São fatores existentes de fato, presentes no momento de avaliação. Possuem também fatores 
relacionados que se mostram como os causadores de tais características definidoras, podendo ser 
“...antecedentes a, associados com, relacionados a, contribuintes para ou 
estimuladores” 
Para D.E de Risco, são associados fatores de risco, que representam 
elementos de qualquer natureza, que agem aumentando a vulnerabilidade do 
indivíduo para o desenvolvimento do diagnóstico identificado. Especialmente como estado de exposição a 
fatores que aumentam as chances de lesão ou perda. 
 Plano Assistencial 
O plano assistencial é a determinação global da assistência de enfermagem 
que o paciente deve receber mediante o diagnóstico estabelecido. Esta fase 
consiste em definir prioridades, estabelecer objetivos e determinar as intervenções específicas de 
enfermagem. 
O enfermeiro de ter suas ações planejadas, coordenadas para fornecer a 
direção, a continuidade e a qualidade do cuidado prestado ao paciente, facilitando a atuação sistematizada 
e qualificada entre enfermeiros e demais pessoas prestadoras de cuidados. 
Para a elaboração do plano de cuidados de enfermagem um dos fatores mais 
importantes é a garantia da individualidade do paciente. O enfermeiro ao elaborar um plano de cuidados 
deve considerar que o paciente é uma pessoa única, com problemas distintos e necessidades específicas.
Prescrição de Enfermagem 
Esta fase caracteriza-se pela implementação do plano assistencial, 
direcionando e coordenando a assistência de enfermagem ao paciente de uma 
forma individualizada e contínua, objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e 
manutenção da saúde. 
A prescrição de enfermagem é a implementação do plano assistencial pelo 
roteiro diário que coordena a ação da equipe de enfermagem na execução dos 
90
cuidados adequados ao atendimento das necessidades básicas e específicas do ser humano. 
As prescrições englobam também as atividades diárias essenciais que não 
podem der executadas pelo paciente. A credibilidade sobre a prática de enfermagem repousa 
principalmente sobre as atividades de enfermagem resultantes de diagnósticos. Quando um diagnóstico é 
feito, a enfermeira tem a obrigação ética e legal de prestar um tratamento. 
Cabe ao enfermeiro identificar os problemas de enfermagem e determinar o 
cuidado de enfermagem, de todas as ações do enfermeiro e de sua equipe, para promover, manter e 
recuperar a saúde do cliente. 
Evolução 
Evolução de Enfermagem, é caracterizada pelo relato diário das mudanças 
sucessivas ocorridas com o paciente, podendo-se dessa forma avaliar a assistência implementada. 
A evolução de ser clara, sucinta, evitar a mera repetição das observações já 
anotadas na avaliação dos cuidados especificados no plano de cuidado. A evolução exerce um verdadeiro 
controle a qualidade e a quantidade do atendimento, fornecendo dados para a supervisão da equipe de 
enfermagem. 
Prognóstico 
Prognóstico de Enfermagem é definido como a estimativa da capacidade do 
paciente em atender suas necessidades básicas alteradas com vista ao plano de assistência implementado e 
a sua evolução diária. O prognóstico é também um meio de avaliação do processo aplicado, mede todas as 
fases e chega a uma conclusão. 
É importante lembrar que os passos do processo de enfermagem são interrelacionados e sobrepostos, 
ocorrem simultaneamente. 
Para (Alfaro-Lefevre, 2005), “... ser competente no uso do processo de 
enfermagem exige uma ampla base de conhecimento de enfermagem, pensamento crítico, poderosa 
habilidades interpessoais e técnicas e uma capacidade e um desejo de cuidar”. 
Bibliografia 
- Apostila de Enfermagem da Escola El Shadday 
- SANTOS,C.R.,TOLEDO,N.N.,SILVA,S.C. Humanização em UTI: paciente – 
equipe de Enfermagem – família.Nursing, 17 ( 2 ): 26-29,1999. 
- URIZZI, F. Vivência de familiares de pacientes internados em Terapia Intensiva: 
o outro lado da internação. Dissertação (Mestrado em enfermagem). Universidade de 
São Paulo. Escola de enfermagem de Ribeirão Preto, 2005. 139f. 
- MOSACHI, Nelson. O HOSPITAL: MANUAL DO AMBIENTE HOSPITALAR. 
2ed. Curitiba:Os Autores, 2005

Mais conteúdos dessa disciplina