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19/08/2018 1 Agrometeorologia Prof. Dr. Glauco de Souza Rolim Depto de Ciências Exatas UNESP-Jaboticabal Temperatura do solo e do ar Aula 2: Introdução- Temperatura X Produtividade Potencial de produção de biomassa: Ligado à disponibilidade de radiação e temperatura (g C m-2 ano-1) 19/08/2018 2 Qual temperatura é importante ? Definição de Temperatura: 2) Atualmente: A temperatura é a medida da energia cinética de um sistema em equilíbrio térmico Gás (qto >T>P) Compostos químicos/ Moléculas no caso de moléculas ou compostos químicos, o aumento da energia pode promover a mudança de temperatura ou de estado (p.ex. a evaporação da água) Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C): Pai da Meteorologia 1) Antigos gregos: um material ou ambiente pode ser quente ou frio, sendo uma „condição‟ da matéria Introdução- Definição de Temperatura 19/08/2018 3 “Qual a relação entre radiação e temperatura ?” Transporte! é uma forma de medida de E (E cinética) Introdução- Temperatura X Radiação Condução Convecção Na natureza existem 3 processos de transporte de Energia: Radiação: Processo rápido de transporte de E por fótons Condução:Processo lento de troca de E, ocorrendo pelo contato entre as moléculas Convecção ou difusão turbulenta: a E é transportada pelo meio que está em movimento Radiação Solar (Qg) Condução (G) “Bolhas” de ar -50 -45 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 15 20 25 30 35 40 45 Temperatura do solo (oC) P ro fu nd id ad e do s ol o (c m ) 13h 19h 23h 5h 9h Condução (G) Temperatura X Radiação Aquecimento noturno (Fluxo de calor sensível, OL) Radiação: energia para aquecimento do solo (durante o dia) (Fator Determinante) 19/08/2018 4 O regime térmico de um solo é determinado pelo aquecimento da superfície pela radiação solar e transporte, por condução, de calor sensível para seu interior. Durante o dia, a superfície se aquece, gerando um fluxo de calor para o interior. À noite, o resfriamento da superfície, por emissão de radiação terrestre (ondas longas), inverte o sentido do fluxo, que agora passa a ser do interior do solo para a superfície. -50 -45 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 15 20 25 30 35 40 45 Temperatura do solo (oC) P ro fu nd id ad e do s ol o (c m ) 13h 19h 23h 5h 9h A variação da temperatura do solo ao longo do dia (temporal) e da profundidade (espacial) é estudada a partir da elaboração dos perfis de variação da temperatura, denominados de TAUTÓCRONAS Temperatura X Radiação Temperatura do solo x vida transporte de nutrientes Os processos físicos no solo como: decomposição de M.O. germinação de sementes, crescimento de raízes, ... Duplicam a cada 10°C de variação! (... Até 20-25°C!) (Campbell, 1985, Soil Physics with basic transport models for soil plant system, 1st ed., 155p. Elsevier, New York, 1985 19/08/2018 5 Fatores condicionantes da T solo Tipo de solo Relevo Tipo de Cobertura Capacidade térmica (volumétrica), calor específico Condutividade térmica Textura (arenosa <> argilosa), Matéria Orgânica F a to re s I n tr ín s e c o s F a to re s E x te rn o s Relacionados aos elementos meteorológicos: Irradiância solar global, Chuva, UMIDADE DO SOLO, Temperatura do ar, Nebulosidade, Vento, Evapotranspiração Calor específico (Cp) Temperatura do solo: Fatores Condicionantes Quanto E é necessário para aumentar em 1K a temperatura de 1 kg de solo Cp= Q/ (m.r.T) Q=m.c.DT ... Quanto maior o calor específico (Cp) maior a E necessária para aquecer a substância Material r (Densidade,kg m-3) Cp (J kg-1 K-1) Quartzo 2650 2,668 Água 1000 15,247 Ar 1,29 3,659 Solos Minerais (seco) 2650 2,897 Solos Orgânicos (seco) 1300 7,0137 19/08/2018 6 Capacidade volumétrica de calor (C, MJ m-3 K-1)= calor específico multiplicado pela densidade do solo Temperatura do solo: Fatores Condicionantes d=m/V= densidade (kg m-3) Cp = calor específico (MJ kg-1 K-1) (... O quanto de massa existe por volume (densidade)) ( ... Quanto E por 1 kg massa é necessário para aumentar em 1K a temp.) Unidades: C= kg. m-3 . MJ kg-1 K-1 (Quanto E é necessária para aumentar em 1K a temperatura de 1 m3 de solo) Exemplos: Solos pantanal C= 1,57 0,63 MJ m-3 K-1 Solos arenosos (seco) = 1,1 MJ m-3 K-1 Solos argilosos (seco) = 1,4 MJ m-3 K-1 Rocha= 2,1 MJ m-3 K-1 Água = 4,2 MJ m-3 K-1 Sellers (1965) (C dado em MJ m-3 °C-1) Propôs uma equação empírica: C= 1,92.Xm + 2,51.Xo + 4,18.Xa (0 Xn <1) Sendo: Fração (em %) Xm= de minerais Xo= de M.O. Xa= de água retida C= d. Cp 𝐶 = 𝑀𝐽 𝑚3. 𝐾 Tipo de Solo Temperatura do solo: Capacidade Térmica do solo X umidade Alvalá et al. (1996) Secamento do solo (diminuição de C) C mínimo Chuva de alta intensidade > C ! A capacidade Térmica do solo depende muito da umidade (do solo) 19/08/2018 7 Tipo de Solo De forma geral a temperatura do solo depende: Textura, estrutura, teor de matéria orgânica e umidade. Para solos secos: Solos arenosos: > amplitudes térmicas diárias nas camadas superficiais e menores em profundidade. Isso ocorre pelo fato dos solos arenosos terem maior porosidade, havendo um menor contato entre as partículas do solos (< Capacidade térmica), dificultando assim o processo de condução. Os solos argilosos, por sua vez, apresentam maior eficiência na condução de calor, tendo menor amplitude térmica diária. 0 10 20 30 40 50 60 70 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Hora Te m pe ra tu ra d o so lo ( o C ) Arenoso Argiloso Variação horária da temperatura de um solo arenoso e de outro argiloso, a 2 cm de profundidade. Observe a menor amplitude diária no solo argiloso, o que se deve ao fato deste solo ser mais eficiente em transportar calor para seu interior Temperatura do solo: Fatores Condicionantes Condutividade Térmica (K) 0 10 20 30 40 50 60 70 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Hora Te m pe ra tu ra d o so lo ( o C ) Arenoso Argiloso Temperatura do solo: Fatores Condicionantes Karenoso< Kargiloso 10X maior! Capacidade de transmitir E: (velocidade da E através de uma Camada de 1 m variando 1 K) Solo arenoso: C K camadas Superficiais do solo aquecidas! Solo argiloso: C K 𝐺 = −𝐾 𝜕𝑇 𝜕𝑍 Peterson (1969) Kminerais> Kágua > KMO Material Capacidade Vol. calor (MJ m-3 K-1) K (W m-2 K-1) Ar em movimento 0,00126 0,013 Ar parado 0,00126 0,025 Areia Seca 1,26 0,16 Solo úmido 1,68 1,68 Gelo 1,89 2,27 Água Parada 4,2 0,63 Água em movimento 4,2 0,21 19/08/2018 8 Filme água balão H2O: Alta capacidade Térmica e baixa Condutividade térmica ...a água é a bateria de energia do ambiente !!! Relevo Este é um fator topoclimático, que condiciona o terreno a diferentes exposições à radiação solar direta e, também, ao acúmulo de ar frio durante o inverno. Como visto na aula de fatores climáticos, os terrenos demeia-encosta voltados para o norte (no hemisfério Sul) recebem mais energia do que os voltados para o sul. Já nas baixadas ocorre um maior acúmulo de ar frio durante o inverno, o que acaba condicionando redução da temperatura do solo também nessa área. Ar frio Exposição e configuração do terreno Faces sul e sudoeste Face norte Temperatura do solo: Fatores Condicionantes 19/08/2018 9 Cobertura do Terreno Este é um fator microclimático. Solos sem cobertura (desnudos) ficam sujeitos a grandes variações térmicas diárias nas camadas superficiais. A cobertura com vegetação ou resíduos vegetais (“mulch”) modifica o balanço de radiação e de energia, pois a cobertura intercepta a radiação solar, impedindo que esta atinja o solo. Esse fator é importante no sistema de plantio direto e nos pomares, onde as plantas ficam bem espaçadas. Em períodos críticos (inverno) e em locais sujeitos a geadas, a cobertura do terreno é um fator agravante das geadas, pois impede que o solo armazene calor durante o dia e libere-o para a superfície à noite Sistema convencional solo exposto Sistema plantio-direto solo com mulch Mato na entrelinha do cafezal Temperatura do solo: Fatores Condicionantes Cobertura do Terreno Temperatura do solo: Fatores Condicionantes Seminários UFSM 19/08/2018 10 0 5 10 15 20 25 20 25 30 35 40 45 50 Temperatura do solo ( o C) P ro fu nd id ad e (c m ) 0t/ha(6h) 14t/ha(6h) 28t/ha(6h) 0t/ha(14h) 14t/ha(14h) 28t/ha(14h) A figura acima mostra a variação da temperatura do solo para dois horários do dia e até a profundidade de 20cm, para diferentes graus de cobertura com palha de café. Observe que o solo sem cobertura apresentou uma amplitude térmica (variação entre 6 e 14h) muito maior do que para o solo coberto com mulch. Os resultados confirmam que quanto maior a cobertura com mulch, maior o isolamento proporcionado. Efeito da Cobertura do solo (palha de café) Temperatura do solo: Fatores Condicionantes (Pereira et al. 2002) Temperatura do solo: Fatores Condicionantes T > 38°C Morte de plântulas (Lal et al. 1974) Silva et al. (2006), Ver. Bras Ciência do solo, Variação na temperatura do solo em 3 sistemas de manejo na cultura do Feijão Início do desenvolvimento das plantas Final do desenvolvimento 19/08/2018 11 Variação Temporal da Temperatura do Solo Diária Varia com a profundidade. Nas camadas mais superficiais, varia de acordo com a incidência de radiação solar, tendo o valor máximo entre 12 e 14h. Em profundidades maiores, as máximas tendem a ocorrer mais tarde, assim como as mínimas. Anual Também segue a disponibilidade de energia na superfície, com valores máximos no verão e mínimos no inverno. Em profundidade, ocorre um pequeno atraso nos valores máximos e mínimos. A figura ao lado ilustra a variação anual da temperatura do solo em duas profundidades. Observe que no verão a temperatura média mensal é maior na superfície. Já no inverno, isso se inverte. 15 17 19 21 23 25 27 29 Ja n F ev M ar A br M ai Ju n Ju l A go S et O ut N ov D ez T em p er at u ra d o s o lo (o C ) 2 cm 100 cm -50 -45 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 15 20 25 30 35 40 45 Temperatura do solo (oC) P ro fu nd id ad e do s ol o (c m ) 13h 19h 23h 5h 9h Temperatura do solo: variação temporal Medida da Temperatura do Solo São utilizados os geotermômetros, cujo elemento sensor é o mercúrio, cujo princípio de medida é a dilatação de um líquido. Além deles pode-se utilizar outros tipos de elementos sensores, como os termopares e os termistores. Geotermômetros instalados em gramado Geotermômetros instalados em solo desnudo Além dos geotermômetros padrões, existem outros tipos de geotermômetros de baixo custo, para uso em plantações. Sensor automático para medida da temp. do solo Termistor Geotermógrafo Temperatura do solo 19/08/2018 12 Temperatura do solo Como estimar a temperatura do solo? 𝑇𝑚𝑎𝑥 = 1,12 × 𝑄𝑔 + 20,89 Várias equações empíricas P.Ex. Tiba e Ghini (2006) 10 cm de profundidade 𝐴𝑚𝑝𝑙𝑖𝑡𝑢𝑑𝑒 𝑇é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑎 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑎 = 0,42 × 𝑇𝑚𝑎𝑥 − 7,52 Arroz irrigado (Sena, 2013) 𝑇5𝑐𝑚 = 0,6 × 𝑇𝑎𝑟 + 7,4 Temperatura do solo Como estimar a temperatura do solo? ]/)8([(sup) )/(),( DZTWSENeAmplitudeTT DZ mediatz T (z,t) = temperatura do solo na profundidade z(cm) no tempo t D = difusividade térmica do solo (m2 s-1) W = fator de calibração 𝑇𝑚𝑎𝑥 = 1,12 × 𝑄𝑔 + 20,89 19/08/2018 13 Temperatura do ar Radiação Líquida (Rn) Condução (G) Condução (G) Condução (H) Bolha de ar quente: Ecinética Pressão Densidade Peso SOBE C o n v e c ç ã o ( H ) Bolha de ar frio: Ecinética Pressão Densidade Peso DESCE Condução (H) Radiação (OL) (Pouca Conveção) “Bolhas” de ar Temperatura do ar 19/08/2018 14 A temperatura do ar é um dos efeitos mais importantes da radiação solar. O aquecimento da atmosfera próxima à superfície terrestre ocorre principalmente por transporte de calor, a partir do aquecimento da superfície pelos raios solares. O transporte de calor sensível (H) na atmosfera se dá por 2 processos: Condução Molecular Processo lento de troca de H, ocorrendo pelo contato entre as moléculas de ar. Assim, esse processo tem extensão espacial limitada, ficando restrito à camada limite superficial. Sup. quente Ar frio C o n d u ç ã o m o le c u la r d e c a lo r s e n s ív e l (H ) Temperatura do ar Difusão Turbulenta (Convecção) Processo rápido de troca de energia, em que parcelas de ar aquecidas pela superfície entram em movimento convectivo desordenado, transportanto calor (H), vapor (LE), etc, para camadas superiores da atmosfera. A figura acima é uma representação real do que se vê na figura ilustrativa do processo de convecção. O vermelho indica temperaturas maiores e o azul menores. Processos de convecção Temperatura do ar 19/08/2018 15 Fatores Determinantes da Temperatura do Ar Os fatores determinantes da temperatura do ar são aqueles associados às três escalas dos fenômenos atmosféricos: Fatores Macroclimáticos Relacionados à latitude, altitude, correntes oceânicas, continentalidade / oceanidade, massas de ar e frentes. Fatores Topoclimáticos Relacionados ao relevo, mais especificamente à configuração e exposição do terreno. Fatores Microclimáticos Relacionados à cobertura do terreno. Temperatura do ar 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Horas Tem per atu ra Temperatura Radiação Solar Temperatura do ar Padrão de Variação Horária Tmin Temperatura mínima: ocorre antes do nascer do sol Temperatura máxima: ocorre após o meio dia (13:30), devido A necessidade de aquecimento de toda A “massa” da atmosfera da região 19/08/2018 16 Variação Anual Também segue a disponibilidade de energia na superfície, com valores máximos no verão e mínimos no inverno. A variação diária normalmente observada da temperatura do ar pode sofrer variações, especialmente com a entrada de frentes frias ou diasnublados, quando a temperatura do ar varia muito pouco e pode ter padrão típico de variação totalmente modificado. Temperatura média mensal do ar - Piracicaba, SP 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N J M M J S N Te m pe ra tu ra m éd ia m en sa l ( C) 2001 2002 2003 2004 2005 dia típico dia com frente fria Jaboticabal-SP Temperatura do ar Medida da Temperatura do Ar O padrão para a medida da temperatura do ar visa homogeneizar as condições de medida, com relação ao topo e microclima, deixando essa variável dependente unicamente das condições macroclimáticas, o que possibilita a comparação entre locais. Assim, mede-se a temperatura do ar com os sensores instalados em um abrigo meteorológico, a 1,5 – 2,0 m de altura e em área plana e gramada. Abrigos meteorológicos utilizados em estações meteorológicas convencionais Abrigo meteorológico utilizado em estações meteorológicas automáticas Temperatura do ar 19/08/2018 17 Os sensores utilizados para a medida da temperatura do ar podem ser divididos conforme o princípio de medida Dilatação de líquido: Esses termômetros são utilizados em estações meteorológicas convencionais, onde ficam instalados dentro do abrigo meteorológico. Dois termômetros são destinados a medir as temperaturas máxima (Tmáx) e mínima (Tmín) e outros dois se destinam a medir a temperatura do bulbo seco (Ts) e do bulbo úmido (Tu), os quais formam o conjunto psicrométrico, a ser utilizado na aula de umidade do ar Tmáx Tmín Ts Tu Temperatura do ar Dilatação de sólido: são denominados de termômetros, cuja sensor é uma placa bimetálica, a qual se dilata e contrai com a variação de temperatura. O termógrafo é um tipo desse sensor. São utilizados em estações meteorológicas convencionais, onde ficam instalados dentro do abrigo meteorológico. Eles medem a temperatura do ar continuamente, com o registro sendo feito com uma pena sobre um diagrama (termograma). Arco metálico Pena registrando a temperatura em um diagrama (termograma) Termograma Temperatura do ar 19/08/2018 18 Pares termoelétricos: utilizam junções de dois metais diferentes. A diferença de temperatura entre as duas junções (uma no ambiente de medida e outra numa temperatura de referência) gera uma força eletromotriz proporcional. Na figura ao lado vemos sondas de termopar, nas quais uma junção é o sensor e a outra junção (de referência) se encontra conectada ao sistema de aquisição de dados. Sondas de Termopar Termistores: constituídos de material semi-condutor, com coeficiente térmico negativo (diminuição da resistência com o aumento da temperatura), permitindo seu acoplamento a sistemas de aquisição de dados. Ao lado vemos vários tipos de termistores e uma sonda de medida da temperatura do ar, cujo elemento sensor é um termistor. Esse sensor não exige a temperatura de referência. Termistores Sensor de temperatura Temperatura do ar Temperatura do ar Estimativa da Temperatura Média Mensal do Ar pelo método das coordenadas geográficas Caso não se disponha de dados médios mensais de temperatura do ar para um local. Esses podem ser estimados em função das coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude), devido à relação de dependência entre elas e a temperatura do ar: > Latitude < Temperatura média do ar > Altitude < Temperatura média do ar Longitude expressa a proximidade de oceanos (oceanidade) A estimativa da temperatura média normal de um local é de extrema utilidade para a agricultura, pois muitas vezes necessita-se dos dados de temperatura para o planejamento agrícola e a única forma de obtê-los é por meio de estimativas. A estimativa da Temperatura média mensal normal é obtida com o emprego de uma regressão linear múltipla: Tmed = a + b.ALT + c.LAT + d.LONG em que: ALT = altitude, em metros; LAT = latitude e LONG = longitude, ambas em minutos (graus x 60). As letras a, b, c e d, representam os coeficientes da equação, obtidos estatisticamente. 19/08/2018 19 Os coeficientes da equação variam de acordo com as características de cada local e também com a época do ano. Valores desses coeficientes estão disponíveis para vários estados brasileiros, porém aqui iremos apresentar apenas aqueles relativos ao estado de São Paulo, cujo modelo leva em consideração apenas a Altitude e a Latitude: Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano a 32,02 32,62 35,10 36,11 36,49 36,61 39,31 42,35 50,19 47,39 42,03 34,93 38,98 b -,0063 -,0060 -,0061 -,0058 -,0056 -,0051 -,0053 -,0055 -,0054 -,0059 -,0064 -,0063 -,0058 c -,0045 -,0044 -,0066 -,0088 -,0110 -,0124 -,0148 -,0156 -,0201 -,0169 -,0120 -,0064 -,0113 Obs: Esses coeficientes não são válidos para estimar a temperatura média no litoral do Estado de São Paulo e o coeficente „d‟ não é utilizado (d=0) Exemplos: Jan Tmed = 32,02 - 0,0063.1200 – 0,0045 (23*60) = 18,3oC Campos do Jordão (lat. = 23oS e alt = 1200m) Jul Jan Votuporanga (lat. = 20oS e alt = 400m) Jul Tmed = 39,31 - 0,0053.1200 – 0,0148 (23*60) = 12,5oC Tmed = 32,02 - 0,0063.400 – 0,0045 (20*60) = 24,1oC Tmed = 39,31 - 0,0053.400 – 0,0148 (20*60) = 19,4oC Tmed = a + b.ALT + c.LAT + d.LONG (ALT= altitude (m); LAT=latitude (em minutos! e valores positivos) Temperatura do ar Calcule a temperatura normal em Julho em Jaboticabal (21°15´S, 605 m) e em São Paulo (23°32‟S, 760 m) pelo método das coordenadas (geográficas) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano a 32,02 32,62 35,10 36,11 36,49 36,61 39,31 42,35 50,19 47,39 42,03 34,93 38,98 b -,0063 -,0060 -,0061 -,0058 -,0056 -,0051 -,0053 -,0055 -,0054 -,0059 -,0064 -,0063 -,0058 c -,0045 -,0044 -,0066 -,0088 -,0110 -,0124 -,0148 -,0156 -,0201 -,0169 -,0120 -,0064 -,0113 Obs: Esses coeficientes não são válidos para estimar a temperatura média no litoral do Estado de São Paulo e o coeficente „d‟ não é utilizado (d=0) Tmed = a + b.ALT + c.LAT + d.LONG (ALT= altitude (m); LAT=latitude (em minutos! e valores positivos) Resposta: Jaboticabal: 17,2 °C São Paulo: 14,34°C Exercício 19/08/2018 20 Importância Agronômica Os seres vivos, animais ou vegetais, requerem certas condições térmicas adequadas para seu pleno desenvolvimento, ou seja, para que seus processos metabólicos transcorram dentro da normalidade. Desenvolvimento vegetal Desenvolvimento de insetos/ doenças Produção animal Temperatura do ar Parei aqui 2017 Temperatura do ar e Produção Animal Os animais de sangue quente (homeotermos) necessitam que a temperatura do ar e, conseqüentemente, a temperatura corporal estejam entre certos limites para que seus processos fisiológicos não sejam afetados negativamente, repercutindo no seu rendimento e na produção de carne, leite, ovos, lã, etc. A manutenção das temperaturas a níveis adequados mantém os animais saudáveis, produtivos e com maior longevidade Variável Tar = 18oC Tar = 30oC Temperatura retal (oC) 38,6 39,9 Temperatura da pele (oC) 33,3 37,9 Freqüência respiratória (resp/min) 32,0 94,0 Consumo de água (L/dia) 58,0 75,0 Produção de leite (kg/dia) 18,4 15,7 Desempenho de vacas leiteiras Holandesas em diferentes condições térmicas. Adaptado de Müller (1989) Observa-se na tabela acima que no ambiente mais quente as vacas holandesas sofrem estresse ambiental, fazendo com que aumente a temperatura corporal. A resposta do animal é no sentido de aumentar a freqüência respiratóriae o consumo de água para eliminar calor corporal. Com isso, há um dispêndio de energia que resultará em redução de seu rendimento, representado pela produção de leite - cerca de 15% menor. 19/08/2018 21 As condições de conforte térmico para os animais são fundamentais para que esses expressem suas potencialidades. No diagrama abaixo, as diferentes zonas de conforto são apresentadas, juntamente com as condições da temperatura corporal e da produção de calor pelo metabolismo. Zona A – Zona de conforto térmico nessa zona a produção é máxima. Zona B – Zona sub-ótima por excesso de calor inicia-se os processos de vaso- dilatação, aumento da freqüência respiratória e do consumo de água, visando a eliminar calor e manter a temperatura corporal constante. Zona C – Zona fatal (Hipertermia) perda de calor é menor que a produção de calor pelo metabolismo corporal. A temperatura corporal aumenta até se atingir a temperatura letal, na qual o animal entra em coma e morre. Ganho/Perda de peso (kg/dia) de suínos submetidos a diferentes condições térmicas ambientais. Adaptado de Müller (1989). O exemplo a seguir ilustra as condições de ganho de peso de suínos submetidos a diferentes condições de conforto térmico ambiental. Observe que o ganho de peso diminui gradativamente com o aumento da temperatura até que passa a haver redução do peso, em decorrência dos processos descritos anteriormente, caracterizando condições das zonas B e C. Peso (kg) 21oC 27oC 32oC 38oC 45 0,91 0,89 0,64 0,18 90 1,01 0,76 0,40 -0,35 160 0,90 0,55 0,15 -0,15 19/08/2018 22 Ventiladores Ventiladores Abertura (lanternim) para saída do ar quente, por convecção Com relação às edificações para criação de animais, a temperatura e a umidade do ambiente são os principais elementos meteorológicos a interferir no conforto animal, sendo normalmente considerados em índices biometeorológicos de conforto. Um desses índices é o THI (Temperature-Humidity Index), o qual é muito útil para avaliação de ambientes quanto às condições de conforto para os animais homeotermos. Sistema Freestall Temperatura do solo E a planta ? Como a temperatura do solo influencia o desenvolvimento das plantas? Regra geral: “O mais importante é a temperatura dos tecidos meristemáticos (gemas). Quando os tecidos meristemáticos da planta estão dentro ou próximos do solo, a temperatura do solo é mais importante que a temperatura do ar. Quando os tecidos se distanciam do solo, a temperatura do ar se torna mais importante” Stone et al. (1999). Effect of soil temperature on phenology, canopy development, biomass and yield of maize in a cool-temperate climate Field Crops Research, p. 169-178,v. 63, 1999. Pressupõem-se, então, que em épocas ou locais mais frios os diferentes meristemas sofrem influência de diferentes origens De forma geral: Temperatura do solo afeta: data de emergência das plantas data de frutificação (plantas mais baixas) Desenvolvimento e maturação de tubérculos Desenvolvimento do sistema radicular ... Tempo! 19/08/2018 23 T a x a d iá ri a d e D e s e n v o lv im e n to Temperatura (ºc) 13 23 30 35 Temp. base Inferior Temp. Base Superior Zona de T Ótima Citros Relação: Temperatura do ar e desenvolvimento dos vegetais Como surgiu essa relação ? Relação: Temperatura do ar e desenvolvimento dos vegetais: Radiação x Temperatura 19/08/2018 24 Temperatura P ro d u ç ã o d e B io m a s s a horaha kgCO . 2 Respiração Tx de absorção de CO2 = Fotossíntese Bruta Fotossíntese Líquida = gastos com manutenção = usado para crescimento Temp. base inferior Temp. base superior Relação: Acúmulo de biomassa com a fotossíntese, respiração e temperatura Ponto de Compensação fotossintética Ponto de Saturação Fotossintética: F(variedade, densidade de plantio) Necessidades Térmicas dos cultivos Ótimas ABACATE 10 2800 ABACAXI 5 22-26 30 2300 ALFAFA 5 24-36 30 ALGODÃO 16 20-30 25 AMENDOIM 18 22-28 33 ARROZ 10 22-30 35 1985 BATATA 10 15-20 25 BANANA 8 25-30 35 BETERRABA AÇUCAREIRA 10 18-22 30 CANA-DE- AÇÚCAR 10 22-30 35 CÁRTAMO 10 20-30 35 CEBOLA 10 15-20 25 CITROS 13 23-30 35 ERVILHA 6 15-18 23 1225-1525 FEIJÃO 5 15-20 27 813 GIRASSOL 5 18-25 30 1715 MELANCIA 18 20-30 35 MILHO 10 24-30 35 800 OLIVA 15 20-25 35 PEPINO 8 710 PIMENTÃO 15 18-23 27 REPOLHO 10 15-20 24 SOJA 14 20-25 30 1340 SORGO 10 24-30 35 TOMATE 7 18-25 28 TRIGO 5 15-20 25 UVA 10 20-25 30 1550 Basal Inferior Basal Superior Ótimas Constante Térmica (ºC dia) Temperatura (ºC) Necessidades Térmicas dos cultivos 19/08/2018 25 Necessidades Térmicas dos cultivos: Diferentes Variedades Cultura Variedade/Cultivar Período/Sub-período Tb (oC) CT (oCd) Arroz IAC4440 Semeasura-Maturação 11,8 1985 Semeadura-Emergência 18,8 70 Emergência-Floração 12,8 1246 Floração-Maturação 12,5 402 Abacate Raça Antilhana Floração-Maturação 10,0 2800 Raça Guatemalense Floração-Maturação 10,0 3500 Híbridos Floração-Maturação 10,0 4200 Feijão Carioca 80 Emergência-Floração 3,0 813 Girassol Contisol 621 Semeadura-Maturação 4,0 1715 IAC-Anhady Semeadura-Maturação 5,0 1740 Milho Irrigado AG510 Semeadura-Flor.Masculino 10,0 800 BR201 Semeadura-Flor.Masculino 10,0 834 BR106 Semeadura-Flor.Masculino 10,0 851 DINA170 Semeadura-Flor.Masculino 10,0 884 Soja UFV-1 Semeadura-Maturação 14,0 1340 Paraná Semeadura-Maturação 14,0 1030 Viçoja Semeadura-Maturação 14,0 1230 Cafeeiro Mundo Novo Florescimento-Maturação 11,0 2642 Videira Niagara Rosada Poda-Maturação 10,0 1550 Itáli/Rubi Poda-Maturação 10,0 1990 Necessidades Térmicas dos cultivos Filocrono: definido como o intervalo de tempo entre o aparecimento de duas folhas sucessivas na haste principal (WILHELM; McMASTER, 1995), Unidade:°C dia-1 folha-1 Necessidades Térmicas dos cultivos Variedades °C dia-1 folha -1 IAC 822045 (precoce) 107,4 SP 711406 (média) 106,0 CB 4176 (Tardia) 109,9 Cana-de-açúcar Hanauer et al. (2011) 19/08/2018 26 Ex: Feijão necessito 813 GD para completar o ciclo (semeadura-colheita) Citros (Precoce) 2.500 ºC.dia (florescimento-colheita) Pragas: Cochonilha (Tb= 13,0 e IT=420 GD (ciclo)), .... Temperatura base inferior = 13°C 25°C 15°C 30°C 12°C.dia +2°C.dia +17°C.dia =31°C.dia (GD) (no caso em 8 dias) dia °C +0°C.dia 8°C Temperatura base superior = 32°C 10°C 11°C 7°C +0°C.dia +0°C.dia +0°C.dia GD: importante para planejamento de semeadura, colheita 35°C d1 d2 d3 d4 d5 d6 d7 d8 T e m p e ra tu ra M é d ia D iá ri a Índice Térmico ou Somatório de Graus dia (SGD) Princípio de utilização- Temperatura Necessidades Térmicas “especiais” das culturas O NHF varia entre espécies e variedades, e quanto mais exigente for a espécie/variedade maior o valor de NHF, como pode-se observar: Frutífera NHF < 7oC Maçã 250 a 1.700 h Amora Preta 100 a 1.000 h Kiwi 250 a 800 h Pêssego 0 a 950 h Figo 0 a 200 h Uva 0 a 1.300 h Cereja 500 a 1.400 h Pêra 200 a 1.500 h Ameixa 300 a 1.800 h Noz Pecã 300 a 1.000 h NHF: Número de horas de Frio 19/08/2018 27 Exercício: Dados: Milho Temp. Base (inferior) = 10ºC SGD- ciclo = 1000 GD SGD-florada = 750 GD1° data de plantio 01/01/1998 (T media = 23°C) 2° data de plantio 15/09/2008 (T media = 16°C) Considere todos os dias com temperaturas médias iguais e Responda: Qual a duração de cada período (plantio- florada e Plantio- colheita) para cada data de plantio ? SP RS RR (< acúmulos de GD) ciclos + demorados (> acúmulos de GD) ciclos + curtos Temperaturas Médias Mensais Clima 19/08/2018 28 Temperaturas Médias Mensais Regionais Tempo Temperaturas Médias Mensais Regionais 19/08/2018 29 Aplicações práticas do sistema dos Graus-dia Planejamento de Colheita: sabendo-se a data de semeadura, poda ou florescimento da cultura, determina-se a data provável de colheita. Local: Jundiaí, SP - Cultura: Uva Niagara rosada (CT = 1550oCd e Tb = 10oC) - Poda: 15/07 Mês Dias Tmed GDi SGD mês SGD ciclo Jul 16 17,1 7,1 113,6 113,6 Ago 31 18,6 8,6 266,6 380,2 Set 30 19,7 9,7 291,0 671,2 Out 31 21,3 11,3 350,3 1021,5 Nov 30 22,4 12,4 372,0 1393,5 Dez 13 23,0 13,0 169,0 1562,5 1550 GD – 1393,5 GD = 156,5 GD/ 13° 13 dias Portanto, a data de colheita se dará em 13/Dez Outros exemplos Aplicações práticas do sistema dos Graus-dia Planejamento de Semeadura/Poda: sabendo-se a data que se deseja realizar a colheita, determina-se a data recomendável de semeadura ou poda. Local: Ribeirão Preto, SP - Cultura: Soja Viçoja (CT = 1230oCd e Tb = 14oC) - Colheita: 15/03 Mês Dias Tmed GDi SGD mês SGD ciclo Mar 15 24,1 10,1 151,5 151,5 Fev 28 24,4 10,4 291,2 442,7 Jan 31 24,1 10,1 313,1 755,8 Dez 31 23,7 9,7 300,7 1056,5 Nov 18 23,7 9,7 174,6 1231,1 1230 GD – 1056,5 GD = 173,5 GD / 9,7 GD 18 dias Portanto, a data de semeadura deverá ser feita em 12/Nov Outros exemplos 19/08/2018 30 Aplicações práticas do sistema dos Graus-dia Escolha da melhor variedade para a região: sabendo-se que a duração ideal da fase semeadura-florescimento masculino do milho é de cerca de 60 dias, pode-se determinar qual o melhor híbrido a ser semeado na região para dada época de semeadura. Local: Gália, SP - Cultura: Milho - Híbridos: AG510 (CT = 800oCd e Tb = 10oC) e DINA170 (CT = 884oCd e Tb = 10oC) – Semeadura: 01/11 Mês Dias Tmed GDi SGD mês SGD ciclo Nov 29 23,5 13,5 391,5 391,5 Dez 31 23,8 13,8 427,8 819,3 Jan 5 24,5 14,5 72,5 891,8 Mês Dias Tmed GDi SGD mês SGD ciclo Nov 29 23,5 13,5 391,5 391,5 Dez 30 23,8 13,8 414,0 805,5 AG510 DINA170 800 – 391,5 = 408,5 / 13,8 30 dias Duração da fase = 59 dias 884 – 819,3 = 64,7 / 14,5 5 dias Duração da fase = 65 dias Portanto, o melhor híbrido é o AG510, com duração da fase de 59 dias, valor mais próximo dos 60 dias. Outros exemplos OVO ADULTO Ciclo de desenvolvimento da Cigarrinha A temperatura do ar afeta os insetos direta e indiretamente. Diretamente, influindo no seu desenvolvimento, já que a temperatura ambiente regula o metabolismo deles, existindo, assim, uma relação positiva entre temperatura e taxa de desenvolvimento dos insetos e uma relação negativa entre temperatura e duração do ciclo de desenvolvimento da praga. Indiretamente, porque a temperatura do ar afeta a disponibilidade de alimento, devido a seu efeito no crescimento e desenvolvimento dos vegetais. CONCEITO DE GRAUS-DIA Assim como para os vegetais, o conceito dos graus-dia também pode ser aplicado ao desenvolvimento dos insetos, já que todo inseto requer uma certa quantidade constante de energia, expressa em termos da temperatura do ar, para completar seu ciclo de desenvolvimento. Isso apenas não é válido para pragas que tem boa parte de seu ciclo no interior do solo, onde a temperatura varia pouco. Temperatura do ar e desenvolvimento de Insetos (Pragas) (=s doenças fúngicas) 19/08/2018 31 T a x a d e d e s e n v o lv im e n to Temperatura do ar (oC) Tb TB 30 34 26 10 40 Temperatura ótima TLetal TLetal Z o n a d e h ib e rn a ç ã o Z o n a d e e s ti v a ç ã o r e v e rs ív e l Como os insetos não produzem calor metabólico, eles dependem da temperatura do ambiente para regular suas taxas de desenvolvimento. Assim existem temperaturas basais inferior e superior, respectivamente, aquém e além das quais os insetos paralisam seu desenvolvimento. Isso explica porque é mais comum vermos revoadas de insetos no verão. Isso não ocorre no inverno. Abaixo da temperatura basal inferior têm-se a Zona de Hibernação. Acima da temperatura basal superior a Zona de Estivação Reversível. Além dessas zonas, atinge-se as temperaturas letais para os insetos. Como normalmente Tmed < Tótima, na prática assume-se que a relação entre a temperatura e o desenvolvimento dos insetos é praticamente linear. Portanto, no cálculo de GD leva-se em consideração apenas a temperatura média (Tmed) e a basal inferior da cultura (Tb): Caso Tb < Tmin GD = (Tmed – Tb) (oC*dia) Caso Tb Tmin GD = (Tmax – Tb)2 / 2*(Tmax – Tmin) (oC*dia) Caso Tb > Tmax GD = 0 Temperatura do ar e desenvolvimento de Insetos (Pragas) (=s doenças fúngicas) A determinação de Tb e de CT dos insetos requer experimentação em laboratório, onde determinada praga é submetida a diferentes condições térmicas. Mede-se então a duração do ciclo dessa praga, desde a estádio de Ovo até o estádio Adulto. Com isso, determina-se CT. A Tb será aquela em que o inseto não apresenta desenvolvimento. Aplicação do conceito dos Graus-dia para o desenvolvimento de insetos Tb e de CT para algumas pragas Praga Tb (oC) CT (oCd) Cochonilha 13,0 420 Broca do café 15,0 240 Mosca das frutas 13,5 250 As informações de Tb e CT possibilitam se determinar a duração do ciclo da praga e diferentes localidades e épocas, assim como o número de gerações da praga. Essas informações são de extrema importância no manejo integrado de pragas. Temperatura do ar e desenvolvimento de Insetos (Pragas) (=s doenças fúngicas) 19/08/2018 32 Aplicações práticas do sistema dos Graus-dia Determinação do número de gerações de uma praga em diferentes regiões: sabendo-se a Tmed anual das localidades abaixo, pode-se determinar a duração média do ciclo da praga ao longo do ano e com isso o número de gerações. Essa informação é fundamental e estratégica para a adoção de práticas de controle. Praga: Broca do Café (CT = 240oCd e Tb = 15oC) Locais: Ribeirão Preto, SP, Barra, BA e Maringá, PR Ribeirão Preto, SP (Tmed = 22,4oC) Ciclo = 240 / (22,4 – 15) = 32,4 dias Gerações = 365 / 32,4 = 11,25 Barra, BA (Tmed = 25,5oC) Ciclo = 240 / (25,5 – 15) = 22,9 dias Gerações = 365 / 22,9 = 15,94 Maringá, PR ( Tmed = 16,4oC) Ciclo = 240 / (16,4 – 15) = 171,4 dias Gerações = 365 / 171,4 = 2,1 Observa-se assim, que em Maringá o risco de ocorrência da praga é mínimo, enquanto que em Barra e em Ribeirão Preto estratégias de controle deverão ser adotadas. Temperatura do ar e desenvolvimento de Insetos (Pragas) (=s doenças fúngicas) Exercício 1) Calcule a data de colheita médio e duração do ciclo do cafeeiro Mundo Novo em Franca-SP e em Diamantina_MG, sabendo-se que a (1°) florada em média se dá aprox. 31 de agosto. Dados Tbase inferior =10,2°C e Constante térmica (entre florescimento e colheita) = 2887°C dia Período N° dias Temp. (°C) GD SGD/ mês SGD/ ciclo SET 30 20,7 OUT 31 21,5 NOV 30 21,5 DEZ 31 21,7 JAN 31 22,0 FEV 28 22,1MAR 31 21,7 ABR 30 20,1 MAI 31 18,1 JUN 30 17,0 JUL 31 16,9 AGO 31 18,9 Franca, SP (Dados Normais 1971-90) Diamantina, MG (Dados Normais 1971-90) Período N° dias Temp. (°C) GD SGD/ mês SGD/ ciclo SET 30 17,4 OUT 31 18,7 NOV 30 19,1 DEZ 31 19,3 JAN 31 22,0 FEV 28 20,5 MAR 31 19,9 ABR 30 18,5 MAI 31 17,1 JUN 30 16,0 JUL 31 15,3 AGO 31 16,5 19/08/2018 33 Exercício 1) Calcule a data de colheita médio e duração do ciclo do cafeeiro Mundo Novo em Franca-SP e em Diamantina_MG, sabendo-se que a (1°) florada em média se dá aprox. 31 de agosto. Dados Tbase inferior =10,2°C e Constante térmica (entre florescimento e colheita) = 2887°C dia Resposta Data de colheita: 22/maio Duração do ciclo: 264 dias Data de colheita: 17/agosto Duração do ciclo: 351 dias Exercício 2) Calcule a data de plantio e duração do ciclo de cana-de-açúcar em Jaboticabal. O produtor deseja colher em 2 épocas: A) 17/março, B) 5/out. Dados Tbase inferior = 14,0°C e Constante térmica (entre plantio e colheita) = 1700°C dia Perío do N° dias Temp . GD SGD/ mês SGD/ ciclo JAN 31 24,7 FEV 28 24,8 MAR 31 24,4 ABR 30 22,5 MAI 31 20,3 JUN 30 19,2 JUL 31 19,1 AGO 31 21,1 SET 30 22,7 OUT 31 23,6 NOV 30 23,9 DEZ 31 24,3 Jaboticabal, SP (Dados Normais 1971-90) Perío do N° dias Temp . GD SGD/ mês SGD/ ciclo JAN 31 24,7 FEV 28 24,8 MAR 31 24,4 ABR 30 22,5 MAI 31 20,3 JUN 30 19,2 JUL 31 19,1 AGO 31 21,1 SET 30 22,7 OUT 31 23,6 NOV 30 23,9 DEZ 31 24,3 CICLO A (colheita 17/MAR) CICLO B (colheita 5/OUT) 19/08/2018 34 Exercícios 2) Calcule a data de plantio e duração do ciclo de cana-de-açúcar em Jaboticabal. O produtor deseja colher em 2 épocas: A) 17/março, B) 5/out. Dados Tbase inferior = 14,0°C e Constante térmica (entre plantio e colheita) = 1700°C dia Resposta Data de plantio: (31-28=) 3/outubro Duração do ciclo: 165 dias Data de plantio: (28-21=) 7/fevereiro Duração do ciclo: 240 dias 31 Quase 2,5 meses de diferença !.. Exercícios 3) O NHF<7oC exigidos por uma variedade de pêssego é de 100h. Determine se essa variedade pode ser cultivada nas seguintes localidades do estado de São Paulo: São Roque (Tjul = 15,7oC); Franca (Tjul = 16,9oC); e Cunha (Tjul = 14,4oC). Apresente os cálculos do NHF para cada uma das localidades. Utilize as equações propostas por Pedro Júnior et al. (1979) 4) Para as mesmas localidades acima, determine o ciclo e o número de gerações da mosca das frutas no período de desenvolvimento dos frutos de pêssego (de setembro a dezembro). Dados T base= 13,5 °C, CT=250°C dia Temperatura Média Período São Roque Franca Cunha SET 18,4 20,7 17,4 OUT 19,5 21,5 18,6 NOV 20,8 21,5 19,3 DEZ 21,7 21,7 20,0 NHF<7oC = 401,9 – 21,5 Tjul NHF<13oC = 4482,9 – 231,2 Tjul Resposta: São Roque, NHF<7°C=64,3 horas Franca, NHF<7°C=38,5 horas Cunha , NHF<7°C=92,3 horas Portanto nenhum local está apto Para produção de pêssego (apesar de Cunha chegar perto...) Resposta Qual local apresenta maior favorabilidade à doença? Franca! 19/08/2018 35 Utilizando a equação 1 e os coeficiente da tabela abaixo, calcule a temperatura média mensal para o local de seu nascimento para todos os meses. Apresente o resultado num gráfico do EXCEL. Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano a 32,02 32,62 35,10 36,11 36,49 36,61 39,31 42,35 50,19 47,39 42,03 34,93 38,98 b -,0063 -,0060 -,0061 -,0058 -,0056 -,0051 -,0053 -,0055 -,0054 -,0059 -,0064 -,0063 -,0058 c -,0045 -,0044 -,0066 -,0088 -,0110 -,0124 -,0148 -,0156 -,0201 -,0169 -,0120 -,0064 -,0113 (equação 1) Tmed = a + b.ALT + c.LAT + d.LONG Tabela 1. Coeficientes a,b e c da equação 1. Obs: o coeficiente d=0 Exemplo de resultado Exercícios