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Questão 1/2 - Literatura Clássica – Nota 100 Considere a seguinte passagem de texto: “‘Poesia’ no contexto da República tem a ver com as composições dos grandes poetas da tradição, e, sobretudo, com a poesia mimética, seja ela épica ou trágica. Antecipa-se de certo modo aqui o que será explicitamente enunciado na Poética de Aristóteles, isto é, que nem tudo o que é exposto em verso deve ser considerado como poesia” Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: VILLELA-PETIT, Maria da Penha. Platão e a poesia na República. Kriterion, Belo Horizonte, n. 107, jun. 2003, p. 51-71, p. 52. Até a contemporaneidade, a obra República, do filósofo Platão, segue sendo lida como uma das obras centrais para os estudos literários, sobretudo para a problematização do lugar da literatura para a constituição do indivíduo e a sua relação com o discurso extradiegético. A partir da passagem de texto acima e da leitura dos conteúdos do texto-base Como anistiar o poeta exilado por Sócrates?, aponte as principais razões que motivaram o personagem Sócrates a querer expulsar os poetas da cidade. Nota: 50.0 Gabarito: Para a resposta ser considerada correta, espera-se que o aluno discorra objetivamente sobre como Platão, na República, reconstrói ficcionalmente a figura de Sócrates para denegrir a poesia e rebaixá-la a um lugar de cópia da cópia. Para alicerçar tal reflexão, o aluno poderá basear-se no seguinte trecho do textobase: “Mas o Sócrates da República não denegriu a poesia apenas por seu caráter mimético, capaz de produzir falsidades e sofismas. As razões que levaram Sócrates a expulsar os poetas da cidade que se quer conservar justa vão além do problema de conteúdo falso das representações miméticas: vão alcançar o caráter sedutor da obra de arte (o valor propriamente estético) e também a sua capacidade de produzir sentimentos (o poder patético). Para o Sócrates da República, a beleza sensível da obra de arte serve para atrair pelo prazer o jovem incauto para as garras maléficas da falsidade e dos sentimentos fracos. Especialmente as artes dramáticas amoleceriam os sentimentos dos jovens, desvirtuando-lhes o caráter: a comédia torna-os propensos ao despudor, enquanto a tragédia lhes incute as fraquezas do terror e da compaixão” (texto-base Como anistiar o poeta exilado por Sócrates?, p. 21). Resposta: Para Sócrates nem homens perversos e cobarde, me parece, que fazem ao contrário do que a pouco dissemos, que falam mal e troçam uns dos outros e dizem coisas vergonhosas, tanto quando estão embriagados como sóbrios, e toda a espécie de erro que tais pessoas cometem, em palavras e ações, contra si mesmo e contra os outros. A filosofia de Sócrates se distancia daquela desenvolvida pelos pré-Sócrates, pois agora, a filosofia chega aos homens, ou seja, o principal objetivo da reflexão filosófica é encontrar a felicidade que está na verdade e a verdade só pode ser alcançada por meio da reflexão filosófica. Segundo Sócrates, o homem comete erros não por maldade, mais por ignorância, pois desconhece o que seja, de fato, o bem, o mal, a coragem, etc. Questão 2/2 - Literatura Clássica Leia o seguinte fragmento de texto: “A forma dramática e não puramente narrativa de realização do mito na tragédia, além da necessária presença de verossimilhança, proporciona uma experiência de contemplação da vida ao mesmo tempo que de atravessamento radical por causa da identificação que ali deve ocorrer inevitavelmente. Para que isso se dê, o mito deve ser escolhido a dedo, o herói deve ser trabalhado para ser alguém digno de apreço”. Após esta avaliação, caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: BOCAYUVA, Izabela. Sobre a catarse na tragédia grega. Anais de Filosofia Clássica, São Paulo, v. 2, n. 3, 2008, p. 46-52, p. 47. Considerando o fragmento de texto e os conteúdos do texto-base Como anistiar o poeta exilado por Sócrates?, explique a ideia de catarse desenvolvida por Aristóteles. Nota: 50.0 Gabarito: Para a resposta ser considerada correta, espera-se que o aluno explique objetivamente do que se trata a catarse na tragédia grega. Para tanto, o aluno poderá subtrair informações do seguinte trecho do texto-base: “A ‘kátharsis’ aparece frequentemente no vocabulário religioso e, posteriormente, no vocabulário medicinal grego. Aristóteles mesmo usa o termo menos na teoria da arte, contando apenas com as obras que nos restaram, e muito mais em contextos de descrição de fisiologia biológica, em que não apenas refere-se a uma técnica medicinal, mas também à poda das vinhas, ao crescimento de cabelos e chifres nos animais ou ao fluxo menstrual das mulheres, entre outros. O mais interessante, no que toca a teoria da Arte, é que a função catártica das músicas opera na transformação das emoções humanas, tais como o terror, a compaixão, e outras que tais. E Aristóteles percebe que a provocação e a transformação das emoções humanas nas obras poéticas é algo tanto ou até mais importante que a expressão de valores e conteúdos morais. Não fora isto, e a catarse das emoções não seria considerada como a finalidade mesma da tragédia. O que quis dizer exatamente Aristóteles ao escrever que a tragédia, mediante a piedade e o medo, produz uma catarse: uma ‘purgação’, ou ‘purificação’? Trata-se de uma extirpação ou erradicação, de uma moderação ou suavização, ou de uma clarificação das próprias emoções? As teorias sobre o tema são muitas, e não cabe discuti-las aqui, mas na perspectiva de uma resposta àquele desafio platônico, vemos que Aristóteles consegue justificar a utilidade moral de produzir terror e piedade como um certo tratamento homeopático que, pela representação de situações terríveis e a provocação das respectivas emoções no espectador, não o enfraquece como a um covarde compassivo, mas o torna mais puro, mais forte. Assim fica redimida a tragédia.” (texto-base Como anistiar o poeta exilado por Sócrates?, p. 25-26). Resposta: Para Aristóteles a ideia de catarse se desenvolve de uma forma dramática e não puramente narrativa de realização do mito na tragédia, proporcionando uma experiência verossimilhança de contemplação da vida ao mesmo tempo de atravessamento radical por causa da identificação que ali deve ocorrer inevitavelmente. O mito deve ser escolhido a dedo, o herói dever ser trabalhado para ser alguém digno de apreço. Na perspectiva Aristóteles, a poesia também é imitação, mais em um sentido diferente daquele proposto por Platão.