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OFICINA LITERÁRIA
AULA 10 – MINHAS LEITURAS II
1a Questão
Os versos a seguir são do poeta, cronista e compositor Vinícius de Moraes e fazem parte do poema "A um
passarinho". Vinícius pertenceu à geração de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Jorge de Lima
e Murilo Mendes, todos de grande destaque na poesia brasileira a partir da década de 1930. Para que vieste/
Na minha janela/ Meter o nariz?/ Se foi por um verso/ Não sou mais poeta/ Ando tão feliz! Neste versos, o
eu lírico encontra-se:
feliz e decidido, o eu lírico renuncia ao posto de poeta, visto que condiciona a atividade de escrever
versos ao estado de tristeza.
reflexivo e repleto de indagações existenciais que se dirigem à natureza, no caso, ao passarinho.
agressivo e irritado com o incômodo causado pelo canto feliz do passarinho, uma vez que o eu
lírico está indeciso quanto a ser ou não ser poeta.
animado, disposto a criar versos, pois associa a inspiração poética ao estado de felicidade.
interrogativo, com muitas dúvidas a respeito da felicidade e escolhe o passarinho como o seu
interlocutor privilegiado.
2a Questão
Leia, abaixo, o poema de Carlos Drummond de Andrade e assinale a única alternativa
que reflete o sentimento do Eu lírico.
Os Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem. (Carlos Drummond de Andrade
- http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/inocentes-do-leblon/)
Crítica ao tráfico
Crítica ao contrabando
Crítica ao tráfico de mulheres
Crítica à elite
Crítica à censura
3a Questão
Embora a letra de música não seja um gênero literário, é um gênero textual
que dialoga, estreitamente, com a literatura. Tanto quanto um poema, a letra
de música pode exercer a função de veículo de denúncias sociais. Sendo
assim, após a leitura do texto apresentado, marque a alternativa que revela o
questionamento apresentado no refrão.
Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha
Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
http://letras.mus.br/cazuza/7246/
O refrão revela, através de palavras como negócio e sócio, que se trata
de um país próspero e gerenciador de boas relações.
O refrão apresenta a imagem de um país em evolução financeira, pois
gerencia muitos negócios.
O refrão, através da frase "Brasil! Mostra tua cara", revela uma tentativa
de busca da identidade nacional.
O refrão apresenta, através da frase "Confia em mim", um sentimento de
confiança, de esperança de dias melhores.
O refrão apresenta um conformismo do povo diante do cenário social
apresentado.
4a Questão
Considere o poema, de Manuel Bandeira:
Nova poética
Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido: Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um
caminhão, salpica-lhe o paletó de uma nódoa de lama.
É a vida.
O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leito satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que
envelheceram sem maldade.
Sobre o poema, não se pode afirmar:
Manuel Bandeira ironiza a poesia que se ocupa de um mundo tão amplo, rico e plural como o mundo
dos homens.
O quinto verso, muito longo, sujeito de roupa de brim branco engomadinha sugere a típica figura do
cidadão que aceita a vida sem qualquer questionamento, cuja roupa atende às convenções sociais.
A vida no poema, objetiva retirar o leitor acomodado de sua passividade, fazer com que o indivíduo
apático e insípido passe a sentir na própria pele a marca da vida.
O poeta aponta, ironicamente, a existência da poesia sem a marca suja da vida, ou seja, a poesia
orvalho, cujos assuntos poéticos são os amores cor-de-rosa escritos em versos certinhos e rimados.
O papel do caminhão é sórdido como o do poeta: é a vida que fica impressa no brim branco do
passante; é a vida que deve ser impressa no branco do papel.
5a Questão
Belo belo
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
(Manuel Bandeira)
O título do poema remete a um outro poema de Bandeira, que aparece no livro Lira dos cinquent¿anos. No
texto sob análise observa-se que o eu lírico:
Está satisfeito com o que tem, porque deseja tudo aquilo de que dispõe.
Está insatisfeito, pois tem o que não quer. E não tem aquilo que quer.
Está pleno com as mulheres que teve. De cada uma delas, deseja o todo.
Está satisfeito, pois seus desejos se harmonizam com a realidade de tal forma que o eu lírico não
tem desejos.
Está insatisfeito, embora tenha tudo o que deseja.
6a Questão
O samba-enredo, de 1993 da escola de samba Salgueiro, revela a dura
realidade do nordestino que sai de sua terra para as grandes cidades em
busca de melhores condições de vida. A partir desta reflexão e da leitura da
letra apresentada abaixo, escolha a alternativa correta.
Lá vou eu, lá vou eu lá vou eu
Me levo pelo mar da sedução (sedução)
Sou mais um aventureiro
Rumo ao Rio de Janeiro, adeus adeus,
Adeus Belém do Pará
Um dia volto, meu pai
Não chore, pois vou sorrir
Felicidade, o velho Ita Vai partir
Oi no balanço das ondas, eu vou
No mar eu jogo a saudade, amor
O tempo traz esperança e ansiedade
Vou navegando em busca da felicidade
Em cada porto que passo
Eu vejo e retrato em fantasias
Cultura, folclore e hábitos
Com isso refaço minha alegria
Chego ao Rio de Janeiro
Terra do samba, da mulata e futebol
Vou vivendo o dia a dia
Embalado na magia
Do seu Carnaval, explode
Explode Coração
Na maior felicidade
É lindo o meu Salgueiro
Contagiando sacudindo essa cidade
A letra de música, assim como o poema, apresenta pouca
subjetividade.
A letra de música, assim como o poema, funciona como um veículo que
promove a denúncia de aspectos sociais.
A letra de música, assim como o poema, tiram o leitor da realidade, não
promovendo, por isso, reflexão.
Não existe relação entre literatura e música.
A letra de música não dialoga com o gênero lírico.
7a Questão
Considere o poema, de Mauro Mota:
Arte poética
Elabora o poema como a fruta
elabora os gomos, a fruta
elabora o suco, a fruta elabora a casca,
elabora a cor e sobre- tudo elabora a semente.Marque a alternativa que não corresponde a uma possível leitura do poema:
Em elaborar, está presente a noção de que arte poética é fruto de uma obra, de um trabalho cuja
matéria-prima é a palavra.
A primeira palavra do poema já nos introduz a ideia clara de que o fazer poético é um trabalho.
A apresentação da teoria poética do autor é feita por meio de uma comparação entre o poeta, que faz
o poema, e a fruta, que faz o fruto.
Nos dois últimos versos, cor e semente se referem apenas ao poema.
No primeiro verso, o verbo elaborar está no imperativo e o sujeito, na segunda pessoa do
singular, tu; isso mostra que o poema é dirigido a alguém, a quem o poeta expõe sua concepção de
poesia.
8a Questão
A música e a literatura caminham de mãos dadas. A letra de música é um
gênero textual que apresenta lirismo. Assinale a alternativa que justifica
essa afirmação.
A letra de música, assim como o poema, revela sempre um
descontentamento com o mundo que nos cerca.
A letra de música, assim como o poema, revela o homem numa
condição distante da realidade.
Na letra de música e no poema, existe um olhar singular, uma forma
única de sentir o mundo.
A letra de música, assim como o poema, gera o sonho, pois apresenta
alto grau de subjetividade.
A letra de música, assim como o poema, afasta o leitor da realidade.
1a Questão
Leia o poema de Vinícius de Moraes:
A rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada
(Vinicius de Moraes. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998, p.381.)
Com base no poema acima, assinale a única assertiva que poderia explicar o nome do poema e a
comparação que é feita?
Compara o cogumelo da explosão atômica com uma rosa aberta.
Compara meninas cegas com pessoas que não enxergam a realidade.
Compara as crianças vítimas de abuso e o silêncio.
Compara o álcool com a cirrose hepática.
Compara todos os excluídos com uma rosa sem perfume.
2a Questão
Leia atentamente a letra de canção A deusa da minha rua, composição de
Jorge Faraj e Newton Teixeira, interpretada por Nelson Gonçalves, abaixo
transcrita, e depois escolha a opção que contem uma afirmação incorreta.
"A deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua / Costuma se embriagar / Nos
seus olhos eu suponho / Que o sol, num dourado sonho / Vai claridade buscar. /
Minha rua é sem graça / Mas quando por ela passa / Seu vulto que me seduz / A
ruazinha modesta / É uma paisagem de festa / É uma cascata de luz. / Na rua
uma poça d'água / Espelho da minha mágoa / Transporta o céu / Para o chão /
Tal qual o chão de minha vida / A minh'alma comovida / O meu pobre coração. /
Espelho da minha mágoa / Meus olhos / São poças d'água / Sonhando com seu
olhar / Ela é tão rica e eu tão pobre / Eu sou plebeu / Ela é nobre / Não vale a
pena sonhar."
a ruazinha modesta é o cenário do amor impossível e do sofrimento do eu
lírico.
a figura feminina aparece idealizada na letra da canção.
o eu lírico está consciente da impossibilidade da realização do amor e por
isso sofre.
o amor encontra na diferença de classes sociais um obstáculo.
o amor consegue superar todas as barreiras e convenções sociais.
3a Questão
O Poema de Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade começa com a famosa
estrofe: "Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos!
ser gauche na vida." O termo gauche pode ser interpretado como desajeitado, o que
indica:
o desencontro entre o eu lírico e o mundo.
o encontro entre o eu lírico e o mundo.
a visão crítica do eu lírico em relação ao mundo.
a revolta do eu lírico com o mundo.
a resignação do eu lírico diante do sofrimento do mundo.
4a Questão
Os versos abaixo pertencem à canção Brigitte Bardot, do cantor e compositor Zeca Baleiro.
a saudade
é um trem de metrô
subterrâneo obscuro
escuro claro
é um trem de metrô
a saudade
é prego parafuso
quanto mais aperta
tanto mais difícil arrancar
a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido.
Podemos afirmar que:
A relação entre poesia lírica e música é recente, remonta ao século XX.
A poesia lírica foi substituída pela letra das canções no século XXI.
Música e literatura não possuem relações entre si.
A poesia lírica nasceu identificada com a música, mas depois dissociou-se desta por completo.
A letra de algumas canções são também poemas, como vemos em Brigitte Bardot, canção repleta
de metáforas sobre a saudade.
5a Questão
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Este poema de Manuel Bandeira permite-nos afirmar que:
A poesia lírica rejeita temas perturbadores como este expresso
no poema ¿O bicho¿.
A poesia lírica dedica-se apenas a temas amorosos.
A poesia lírica pode tratar do tema que desejar. A sua marca é o
olhar subjetivo do poeta sobre qualquer realidade.
A poesia lírica dedica-se somente a temas sociais.
A poesia lírica dedica-se exclusivamente a temas de denúncia
social.
6a Questão
O texto que segue é um poema escrito em 1930, de Ricardo Reis, heterônimo do poeta do Modernismo
português Fernando Pessoa.
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa,
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
Desses versos, é possível extrair o tema da:
Existência humana e de seus ciclos.
Mudança de estação do ano.
Inveja da juventude.
Relação amorosa.
Competição entre pessoas de gerações diferentes.
7a Questão
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) pertence à elite dos poetas brasileiros mais importante do
século XX. Dentre os muitos temas trabalhados pelo poeta, o sentimento da cidade e as reflexões sobre o
espaço urbano estão muito presentes não só na sua produção poética, como na sua produção narrativa. A
transcrição que segue é parte de um poema extenso intitulado "Edifício Esplendor".
Na areia da praia/ Oscar risca o projeto./ Salta o edifício/ da areia da praia./ No cimento, nem traço/ da
pena dos homens./ As famílias se fecham/ em células estanques./ O elevador sem ternura/ expele, absorve/
num ranger monótono/ substância humana./ Entretanto há muito/ se acabaram os homens./ Ficaram
apenas/ tristes moradores./ [...].
Neste versos de Carlos Drummond de Andrade, é possível afirmar que:
a maneira de o homem morar nas cidades não alterou a sua substância, pelo contrário, o poema
mostra que o edifício é uma extensão harmônica da própria natureza. Esta ideia expressa-se, por
exemplo, na menção de que o edifício salta da praia.
as células estanques são os apartamentos do edifício que protegem e acolhem os moradores. É
possível comparar o nascimento do prédio e as demais descrições com a delicadeza e a ternura de um
organismo vivo, representado, por exemplo, pela atividadedo elevador.
a visão otimista e humanizadora do progresso urbano realiza-se por meio da figura concreta do
edifício, que é símbolo da imponência das cidades.
o desenvolvimento da cidade não impacta a maneira de estar no mundo do homem. Na última estrofe
transcrita, a expressão tristes moradores recupera rigorosamente o sentido do substantivo homens,
usado na mesma estrofe, evidenciando a manutenção da condição humana pós-urbanização.
a areia e o cimento constituem duas imagens que reforçam a oposição entre a natureza e o
desenvolvimento da cidade. No contexto do poema, a areia da praia e o cimento do edifício funcionam
como uma antítese. A areia é sensível ao riscado do homem, já o cimento é duro e indiferente à pena
dos homens.
8a Questão
Considere o poema de Gullar transcrito abaixo e marque a alternativa que não está
em conformidade com o que diz o poema.
Meu povo, meu poema
Meu povo e meu poema crescem juntos
como cresce no fruto
a árvore nova.
No povo meu poema vai nascendo
como no canavial
nasce verde o açúcar.
No povo meu poema está maduro
como o sol
na garganta do futuro.
Meu povo em meu poema
se reflete
como a espiga se funde em terra fértil.
Ao povo seu poema aqui devolvo
menos como quem canta
do que planta.
Na primeira das cinco estrofes, povo e poema possuem crescimento simultâneo;
sua forma de crescer é igual à da árvore que, em forma de semente, de vida
potencial, repousa no interior do fruto.
A intenção do autor é clara: colocar a palavra povo no início de cada estrofe, com
a mesma função sintática, ou seja, objeto indireto.
No título se anuncia o ritmo inicial de cada uma das cinco estrofes do texto, em
cujo primeiro verso surge sempre o substantivo povo.
Partindo da palavra povo, o poema se constituirá a fim de retornar ao seu ponto
de origem.
A segunda e a terceira estrofes apresentam um movimento, em que o povo
agora é o próprio espaço onde rebenta o poema, é a própria terra nutriente que
concebe e alimenta o broto.
1a Questão
A partir da leitura da primeira estrofe de Poema de sete faces, de Carlos
Drummond de Andrade, identifique o significado que o eu lírico dá ao
terceiro verso.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. De Alguma
poesia (1930)http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm1.html
O eu lírico define a condição de poeta como algo promissor.
O eu lírico revela o poeta como um predestinado ao sucesso.
O eu lírico revela o poeta como um desajustado social.
O eu lírico afirma que ser poeta é estar no centro dos interesses sociais.
O eu lírico define a profissão de poeta com algo diferente e sujeito à
inquietações e a um caminho difícil de ser trilhado.
2a Questão
Na primeira estrofe da letra da canção Que país é esse? de Renato Russo
encontramos os seguintes versos: "Nas favelas, no senado / Sujeira pra todo
lado / Ninguém respeita a constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação
/ Que país é esse? / Que país é esse? / Que país é esse? / Que país é esse?". O
texto manifesta preocupação com a situação do país e uma visão crítica dos
problemas enfrentados. Pode-se perceber a ironia com que o texto fala do futuro
da nação, que se encontra ameaçado:
pela falta de instrução do povo.
pelo fanatismo religioso.
pela corrupção generalizada.
pela ideologia dominante.
pelo sectarismo político.
3a Questão
Leia o poema Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, e responda o que se pede:
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
Acerca do poema seria inválido afirmar:
Sentimento do mundo pode ser entendido também como um poema sobre o próprio fazer literário
(minhas lembranças escorrem), onde os poemas ("escravos") surgem como armas.
O poeta inicia o poema indicando suas limitações e impotência perante o mundo, nos versos, tenho
apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo.
O eu-lírico do poema, apesar de nos revelar que a realidade sempre nos espanta, visto que é dura e
desafiante, faz um apelo para que se deixe de sonhar.
O poeta revela, neste poema, uma visão de mundo extremamente pessimista, com um amanhecer
mais noite que a noite.
Os versos da terceira estrofe, indica que apesar da ajuda incompleta dos companheiros de vida
(Camaradas), o poeta não consegue decifrar os códigos existenciais e perde, humilde, desculpas.
4a Questão
José Régio (1901-1969) é um dos autores mais importantes da segunda geração do Modernismo português,
o Presencismo, e um dos fundadores da revista Presença, que dá nome ao movimento. Leia o soneto
"Narciso" e, em seguida, responda a questão.
Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,/ Dobrado em dois sobre o meu próprio poço.../ Ah, que terrível face
e que arcabouço/ Este meu corpo lânguido escondia!/ Ó boca tumular, cerrada e fria,/ Cujo silêncio esfíngico
bem ouço!/ Ó lindos olhos sôfregos, de moço,/ Numa fronte a suar melancolia!/ Assim me desejei nestas
imagens./ Meus poemas requintados e selvagens,/ O meu Desejo os sulca de vermelho:/ Que eu vivo à
espera dessa noite estranha,/ Noite de amor em que me goze e tenha,/ ...Lá no fundo do poço em que me
espelho!
De acordo com o soneto de José Régio, considere as afirmativas a seguir.
I - ao contrário de Narciso, personagem mitológico condenado a nunca conhecer a sua face externa sob o
risco de morrer, o poema de José Régio explicita que o eu lírico busca conhecer a sua face interna. Há uma
nítida preocupação com a autoanálise.
II - o eu lírico se decepciona com o que encontra ao dobrar-se sobre o seu próprio poço. A sugestão é de
que o poço tem pouca água, pois o seu reflexo é visto muito lá no fundo. O eu lírico acha terrível o que
encontra, sofre e deseja de se reconciliar consigo mesmo. Passa a viver à espera do momento, da noite
estranha, em que possa, finalmente, como Narciso, seduzir-se com o que vê, ou seja, gostar de si mesmo,
ideia reforçada pelos versos do segundo terceto.
III - o eu lírico, assim como Narciso, contempla a sua própria face e expressa fascinação, encantamento e
prazer com o que encontra. Deseja ficar consigo próprio no fundo do poço em que se espelha, evidenciando
egocentrismo e autossuficiência.
Assinale a alternativa correta.
As afirmativas I e III são corretas.
As afirmativas I e II são corretas.
Todas as alternativas são corretas.
Somente a afirmativa I é correta.
Somente a afirmativa II é correta.
5a Questão
Na música Que País é Esse?, de Renato Russo, há um posicionamento diante de questões políticas
e sociais que moviam o Brasil dos anos 80. O que significa o refrão apresentado?
Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
http://letras.mus.br/legiao-urbana/46973/
Trata-se de um questionamento que nasce de um sentimento de indignação.É uma tentativa de
conduzir à reflexão aquele que ouve ou lê.
Trata-se de um grito de libertação.
Trata-se de uma proposta para transformar o cenário político nacional
Trata-se de uma dúvida diante de aspectos sociais.
Trata-se de um recurso para mostrar o inconformismo do leitor.
6a Questão
Leia atentamente a letra de canção abaixo e depois escolha a opção correta.
"Quando eu digo que deixei de te amar / É porque eu te amo / Quando eu digo
que não quero mais você / É porque eu te quero / Eu tenho medo de te dar meu
coração / E confessar que eu estou em tuas mãos / Mas não posso imaginar / O
que vai ser de mim / Se eu te perder um dia / Eu me afasto e me defendo de
você / Mas depois me entrego / Faço tipo, falo coisas que eu não sou / Mas
depois eu nego /Mas a verdade / É que eu sou louco por você / E tenho medo de
pensar em te perder Eu preciso aceitar que não dá mais / Pra separar as nossas
vidas // E nessa loucura de dizer que não te quero / Vou negando as aparências
/ Disfarçando as evidências / Mas pra que viver fingindo / Se eu não posso
enganar meu coração? / Eu sei que te amo! / Chega de mentiras / De negar o
meu desejo / Eu te quero mais que tudo / Eu preciso do seu beijo / Eu entrego a
minha vida / Pra você fazer o que quiser de mim / Só quero ouvir você dizer que
sim! // Diz que é verdade, que tem saudade / Que ainda você pensa muito em
mim / Diz que é verdade, que tem saudade / Que ainda você quer viver pra
mim." (Evidências. Composição: Jose Augusto / Paulo Sérgio
Valle. Intérpretes: Chitãozinho & Xororó.)
a letra da canção expressa o caráter contraditório e enigmático do
sentimento amoroso.
na letra da canção, o amor é caracterizado como algo sublime e acima
do plano mundano.
na letra da canção, eu lírico interessa-se exclusivamente pelo prazer
pessoal, ignorando o desejo do outro.
na letra da canção, as convicções morais e religiosas do eu lírico
impedem a realização do amor.
na letra da canção, o amor é relacionado à sexualidade de forma
explícita e crua.
7a Questão
Da relação de Machado de Assis com a realidade que o cercava resultou um fino espírito crítico, cuja acidez
incide sobre a figura humana e a sociedade como um todo.
O casamento do diabo
Satã teve um dia a idéia
De casar. Que original!
Queria mulher não feia,
Virgem corpo, alma leal.
(...)
Casar era a sua dita;
Correu por terra e por mar,
Encontrou mulher bonita
E tratou de a requestar.
(...)
Ele quis, ela queria,
Puseram mão sobre mão,
E na melhor harmonia
Verificou-se a união.
(...)
Passou-se um ano, e ao diabo,
Não lhe cresceram por fim,
Nem as unhas, nem o rabo...
Mas as pontas, essas sim.
Toma um conselho de amigo,
Não te cases, Belzebu;
Que a mulher, com ser humana
É mais fina do que tu.
Em O casamento do diabo, um dos raros momentos em que o autor escreve em verso, Machado
dialoga com a realidade tendo como tema:
a religião
a relação homem e mulher
a riqueza e a pobreza
a diferença social
a vida e a morte
8a Questão
Leia atentamente a letra de canção Suíte do Pescador, de Dorival
Caymmi, abaixo transcrita, e depois escolha a opção correta.
"Minha jangada vai sair pro mar/ Vou trabalhar, meu bem querer/ Se Deus quiser
quando eu voltar do mar/ Um peixe bom eu vou trazer/ Meus companheiros
também vão voltar/ E a Deus do céu vamos agradecer/ Adeus, adeus/ Pescador
não se esqueça de mim/ Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem/ Pra não ter
tempo ruim/ Vou fazer sua caminha macia/ Perfumada com alecrim."
na letra da canção em questão, o eu lírico encontra-se integrado ao mar,
constituindo para ele a fonte de sua subsistência.
na letra da canção em questão, o mar é fonte de angústia e apreensão
para o eu lírico.
o mar constitui uma figura empregada exclusivamente na literatura
erudita.
na letra da canção em questão, ter que ir para o mar representa uma
punição para o eu lírico.
para o eu lírico, o mar constitui um lugar de privação material e
provação espiritual.