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Técnica Radiográfica Periapical da Bissetriz: Radiografias periapicais são aquelas que mostram, na imagem radiográfica os elementos dentários por completo (coroa e raiz), suas áreas apicais e periapicais por completo e parte das estruturas adjacentes. Indicações: - Avaliação de raízes (dilacerações, comprimento, forma); - Avaliação de regiões apicais e periapicais (reabsorções apicais, lesões apicais); - Avaliação dos canais radiculares: (presença de corpos estranhos, presença e qualidade de tratamentos endodônticos, diagnóstico de canais atrésicos); - Avaliação pós-traumática de dentes: (fraturas, reabsorções); - Avaliação de dentes decíduos: (graus de rizólise dos decíduos, grau de rizogênese de decíduos e permanentes, diagnóstico de agenesias dentáras); Avaliação pós operatória de implantes dentários. Técnicas para obtenção das radiografias periapicais: -Técnica do Paralelismo, onde o filme radiográfico é mantido em posição paralela ao longo eixo dos dentes por meio de posicionadores; e o feixe de raios X incide perpendicular ao longo eixo dos dentes e do filme; - Técnica da Bissetriz, também chamada Técnica da Isometria, Técnica de Cieszynski ou Técnica do Cilindro Curto. Semelhante à Técnica do Paralelismo, o filme é mantido dentro da boca, por isto é uma técnica intrabucal, porém, não são empregados posicionadores de filme. Desta forma, a técnica exige maiores cuidados em relação a certos fatores que interferem na imagem radiográfica que será obtida. Os fatores que precisam de maior atenção no momento da execução da Técnica da Bissetriz em relação à Técnica do Paralelismo são: Posicionamento correto do paciente (posição da cadeira odontológica e da cabeça do paciente); Apreensão e manutenção do filme radiográfico na boca; Ajuste da área de incidência dos raios X. A Técnica radiográfica Periapical da Bissetriz foi preconizada CIESZYNSKI - cirurgião-dentista polonês (1907) que se baseou no teorema geométrico que estabelece que “dois triângulos são iguais quando eles têm dois ângulos iguais e um lado comum.” A linha que divide os triângulos se chama “Bissetriz”. Bissetriz A Técnica da Bissetriz está indicada para exame radiográfico de áreas radiculares, apicais e periapicais, quando a Técnica do Paralelismo não puder ser empregada. Existem situações que impossibilitam a Técnica do Paralelismo entre elas: - Falta de posicionadores de filmes radiográficos; - Limitações do paciente. Imaginemos um paciente com abertura bucal limitada por alguma patologia ou situação clínica, onde não conseguiremos espaço para colocação do posicionador de filme. Bem como crianças pouco colaboradoras, pacientes com necessidades especiais ou mesmo durante tratamentos endodônticos, onde o posicionador fica inviável de ser empregado. Nestes casos, será feita a Técnica da Bissetriz. A Técnica Periapical da Bissetriz, está baseada no Teorema de Cieszynski, que preconiza: que: Feixe de raios X deverá incidir perpendicular à bissetriz imaginária formada entre: longo eixo do dente longo eixo do filme Feixe de raios X Bissetriz imaginária Filme O filme radiográfico é mantido nesta posição sem o emprego de posicionadores. Por isto, a Técnica da Bissetriz exige do operador, maior conhecimento de anatomia dos dentes e maxilares, já que há necessidade de se saber a inclinação do longo eixo dos diferentes grupos de dentes. Devido a isto, os cuidados devem ser redobrados, a fim de que a imagem radiográfica reproduza com a maior fidelidade possível, a estrutura que foi radiografada. Os maiores cuidados na Técnica da Bissetriz são: 1- Posicionamento correto do paciente; 2- Correta apreensão e manutenção do filme radiográfico na boca; 3- Ajuste da área de incidência dos raios X. 1- Posicionamento correto do paciente: Paciente deverá ficar sentado na cadeira odontológica com o encosto na vertical; Plano sagital mediano do paciente deverá estar perpendicular à horizontal (ao solo); Para radiografar dentes da maxila: Linha tragus/asa do nariz do paciente deve ficar paralela à horizontal (ao solo); Para radiografar dentes da mandíbula: Linha tragus/comissura labial do paciente deve ficar paralela à horizontal (ao solo). Para isto, a cabeça deverá ficar ligeiramente inclinada para trás. 2- Posicionamento, apreensão e manutenção do filme radiográfico na boca: Face sensível do filme (ativa) deverá ficar voltada para a fonte de raios X; Picote voltado para oclusal ou incisal; Direcionar o longo eixo do filme de modo horizontal ou vertical, de acordo com a região a ser radiografada (incisivos e caninos: longo eixo na vertical; e molares e pré-molares, longo eixo na horizontal); Centralizar no filme a área a ser radiografada; Filme deve ultrapassar superfícies oclusais ou incisais de 3-5mm; Apreensão e manutenção do filme radiográfico na boca: Para maxila: Paciente apóia suavemente o polegar da mão do lado oposto a ser radiografado contra o filme que estará posicionado na região do palato; e mantém os demais dedos espalmados apoiados na face. Para mandíbula: O filme será mantido na região das faces linguais dos dentes com o apoio do dedo indicador do paciente, da mão do lado oposto a ser radiografado e os demais dedos ficam fechados. Ajuste da área de incidência dos raios X: é obtido pela movimentação do cilindro do cabeçote do aparelho. Este ajuste pode ser no sentido de baixo para cima , ou da direita para esquerda. Estes ajustes permitem obter as diferentes angulações do feixe de raios X, que são: Angulação vertical, quando o movimento do cilindro do cabeçote do aparelho ajusta o direcionamento do feixe de raios X em relação à linha de oclusão ou plano oclusal, sendo ângulos positivos (ex: 20°) para exames da maxila, e ângulos negativos (ex: -30°), para exames da mandíbula. A correta angulação vertical tem por finalidade evitar alongamentos ou encurtamentos das imagens radiográficas. Angulação horizontal, quando os ângulos estão relacionados ao plano sagital mediano e são obtidos movimentando-se o cilindro do aparelho de raios X horizontalmente. Este direcionamento deverá ser feito de modos a que haja paralelismo entre o feixe de raios X e as faces proximais dos dentes, evitando-se a sobreposição de imagens. Seguem abaixo as áreas de incidência, angulações verticais e horizontais para cada região na Técnica da Bissetriz Para radiografar dentes da maxila Região Âng. Vert. Âng. Horiz. Incidência Incisivos +50º a +55º 0º Ápice nasal Canino +45º a +50º 60º a 75º Asa do nariz Pré-molares +30º a +40º 70º a 80º Encontro linha que desce do centro da pupila com linha tragus-asa do nariz Molares +20º a +30º 80º a 90º Encontro linha que desce 1cm atrás da comissura palpebral externa com a linha tragus-asa do nariz Para radiografar dentes da mandíbula Região Âng. Vert. Âng. Horiz. Incidência Incisivos -15º a -20º 0º Sulco mentolabial Canino -10º a -15º 45º a 50º Encontro linha que desce da asa do nariz com linha que passa 2cm acima borda da mandíbula Pré-molares -5º a -10º 70º a 80º Encontro linha que desce do centro da pupila com linha que passa 0,5cm acima da base mandibular Molares 0º a -5º 80º a 90º Encontro linha que desce 1cm atrás da comissura palpebral externa com a linha que passa 0,5cm acima da base mandibular Para o exame periapical completo, empregamos 14 radiografias que são nomeadas de acordo com a região. Assim, cada uma deve mostrar, no mínimo as seguintes estruturas: Na Maxila: Região de Incisivos: Incisivos Centrais e Incisivos Laterais; Região de Canino; Canino centralizado no filme; Região de Pré-Molares: metade distal do Canino + Pré-Molares; Região de Molares:metade distal do 2º Pré-Molar + todos os Molares permanentes+ algo do tuber da maxila. Na Mandíbula: Região de Incisivos: Incisivos Centrais e Incisivos Laterais; Região de Canino; Canino centralizado no filme; Região de Pré-Molares: metade distal do Canino + Pré-Molares; Região de Molares: metade distal do 2º Pré-Molar + todos os Molares permanentes. Obs: Nem sempre será possível visualizar terceiros molares na radiografia periapical desta região. Às vezes, poderá ser necessário uma radiografia adicional ou outro exame complementar.