Capítulo 8 - Articulações e Movimento
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Capítulo 8 - Articulações e Movimento

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Fotografia de microscopia electrónica de varrimento de
um condrócito numa lacuna, rodeado por matriz

cartilagínea

Nós movemo-nos porque os múscu-
los puxam os ossos, mas o movi-

mento exigido ao esqueleto não se
pode dar se não houver, entre os os-

sos, articulações. Os seres humanos
pareceriam estátuas, sem articulações

que permitissem o movimento de um osso
em relação a outro. Nas máquinas, as partes

mais susceptíveis de se deteriorar são as que
exercem atrito umas sobre as outras quando os compo-

nentes das máquinas estão em movimento, sendo estas as partes que exigem
maiores cuidados de manutenção. As articulações móveis são os lugares do
corpo onde os ossos deslizam uns sobre os outros e, no entanto, temos tendência
a dar-lhes pouca atenção. Felizmente as nossas articulações auto-mantêm-se,
mas a lesão ou doença de uma articulação pode dificultar muito o movimento.
É então que nos damos conta de quão importantes são as articulações para um
funcionamento normal.

Uma articulação é um local onde dois ossos se reúnem. São habitual-
mente consideradas móveis, mas nem sempre é o caso. Muitas articulações
apenas permitem movimentos limitados e outras parecem imóveis. A estrutura
de uma determinada articulação relaciona-se directamente com o seu grau de
movimento. As sinfibroses e as sincondroses têm muito menos movimento do
que as articulações que contêm líquido e têm superfícies articulares lisas.

As articulações relacionam ossos ou áreas de ossificação adjacentes e o
movimento é importante para determinar o tipo de articulação que se desen-
volve. Se o movimento for restrito – mesmo numa articulação com elevada mo-
bilidade – em qualquer momento ao longo da vida, a articulação pode transfor-
mar-se numa articulação imóvel.

No princípio deste capítulo esquematiza-se a designação das articula-
ções (250); segue-se a sua classificação (250), a análise dos tipos de movi-
mento (256), uma descrição de articulações seleccionadas (261) e um resumo
dos efeitos do envelhecimento nas articulações (271).

8
C A P Í T U L O

Articulações
e Movimento

Pa
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e
2

S
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en
to

Parte 2 Suporte e Movimento250

mente organizado e o periósteo das superfícies interiores e exte-
riores dos ossos adjacentes prolonga-se sobre a articulação. As
duas camadas de periósteo e as fibras densas de tecido conjun-
tivo entre elas formam o ligamento sutural.

A parede craniana dos recém-nascidos tem áreas mem-
branosas no ponto de junção de vários ossos; estas chamam-se
fontanelas e estão claramente abertas, permitindo que o crânio
“dê de si” durante o trabalho de parto e permitindo o crescimento
da cabeça após o nascimento (figura 8.2).

Designação das Articulações
Objectivo
■ Descrever a forma como se designam as articulações.

As articulações são habitualmente designadas de acordo
com os ossos ou suas porções que nela se relacionam, por exem-
plo a articulação temporo-mandibular entre o osso temporal e a
mandíbula.

E X E R C Í C I O

Como se devem designar as articulações entre os metacárpicos e

as falanges?

Algumas articulações recebem o nome dos ossos que aí se
articulam, como a articulação escápulo-umeral (do ombro). Ou-
tras ainda recebem simplesmente nomes derivados do grego ou do
latim, equivalentes ao nome comum (como a do cotovelo).

1. Que critérios se utilizam para nomear as articulações?

Classificação das Articulações
Objectivo
■ Definir e descrever articulações fibrosas e cartilagíneas.
■ Descrever os acidentes gerais de uma articulação sinovial e

explicar o seu funcionamento.
■ Listar e dar exemplos de seis tipos de articulações sinoviais.

As articulações classificam-se estruturalmente como fibrosas,
cartilagíneas e sinoviais. Neste esquema, as articulações classifi-
cam-se de acordo com o tipo mais importante de tecido conjunti-
vo que mantém o contacto entre os ossos, e a existência ou não de
uma cápsula articular cheia de líquido. As articulações também se
podem classificar de acordo com a sua função, com base no grau de
mobilidade de cada uma. Fala-se então em sinartroses (imóveis),
anfiartroses (semi-móveis) e diartroses (que se movem livremente).
Esta classificação funcional é um pouco limitada e não a utilizamos
aqui. A classificação estrutural, com as suas várias divisões, permite
uma classificação mais precisa e é a que utilizamos.(*)

Articulações Fibrosas
As articulações fibrosas são constituídas por dois ossos, que se
encontram unidos por meio de tecido conjuntivo fibroso inter-
posto entre as superfícies articulares, não têm cavidade articular
e têm pouco ou nenhum movimento. As articulações deste gru-
po classificam-se ainda, com base na sua estrutura, em suturas,
sindesmoses ou gonfoses (quadro 8.1).

Suturas
Suturas são linhas de junção entre os ossos do crânio (figura 8.1).
Algumas são completamente imóveis nos adultos. As suturas ra-
ramente são lisas e os ossos que se articulam muitas vezes inter-
penetram-se (entrelaçado de tipo interdigital, que confere às su-
turas uma estabilidade considerável). O tecido entre os dois os-
sos (ligamento inter-ósseo) é tecido conjuntivo denso e regular-

Tipo e Estruturas
Exemplo Mantidas
da Articulação em Relação Movimento

Articulações Fibrosas e CartilagíneasQuadro 8.1

Articulações Fibrosas

Suturas

Sutura fronto-parietal
ou coronal

Sutura lambdática
Sutura sagital
Sutura escamosa

Não aderentes (sem
continuidade óssea)
ou sindesmoses

Membrana interóssea
rádio-cubital

Estilo-hioideia

Estilo-mandibular

Membrana interóssea
tíbio-peroneal

Gonfoses

Articulação alvéolo-
dentária

Articulações
Cartilagíneas

Sincondroses

Placa epifisária

Sincondrose esterno-
costal

Sincondrose esfeno-
occipital

Sínfises

Sínfises
intervertebrais

Sínfise manúbrio-
esternal

Sínfise púbica

Sínfise xifo-esternal

Frontal e parietal

Occipital e parietal
Entre os dois parietais
Parietal e escama do

temporal

Rádio e cúbito

Apófise estiloideia e
osso hióide

Apófise estiloideia e
mandíbula

Tíbia e perónio

Dentes e cavidades
alveolares

Entre a diáfise e a
epífise de um osso
longo

Parte anterior
cartilagínea da 1ª
costela; entre a
costela e o esterno

Esfenóide e occipital

Corpos de vértebras
adjacentes

Manúbrio e corpo do
esterno

Entre os dois coxais

Apêndice xifoideu e
corpo do esterno

Nenhum

Nenhum
Nenhum
Ligeiro

Ligeiro

Ligeiro

Ligeiro

Ligeiro

Ligeiro

Nenhum

Pouco

Nenhum

Pouco

Nenhum

Nenhum (excepto
durante o parto)

Nenhum

(*) Ver no fim do capítulo o resumo da classificação utilizada em Portugal (NR).

Capítulo 8 Articulações e Movimento 251

Os bordos ósseos das suturas são locais de contínuo cresci-
mento ósseo membranoso, e muitos suturas acabam por ossificar.
Por exemplo, a ossificação da sutura entre os dois frontais dá-se
pouco depois do nascimento, de tal forma que no crânio adulto
formam habitualmente um osso único. Na maioria dos adultos
normais as suturas coronal, sagital e lambdática não estão fun-
didas. No entanto, em algumas pessoas muito velhas, mesmo estas
suturas podem ossificar. Sinostose é o crescimento conjunto de
dois ossos substituindo a sua articulação, de modo a formar um
osso único. Este processo também se dá em certas outras articu-
lações, como as lâminas epifisárias.

E X E R C Í C I O

Qual o resultado de uma sinostose sutural que se dá prematura-

mente num crânio de criança antes de o cérebro ter atingido o seu

desenvolvimento pleno?

Sindesmoses
Sindesmose (apertar ou ligar) é um tipo de articulação fibrosa
em que os ossos estão mais afastados do que numa sutura e são
unidos por ligamentos. Numa sindesmose pode haver algum
movimento pela flexibilidade dos ligamentos, como é o caso da
sindesmose rádio-cubital, que mantém unidos o rádio e o cúbito
(figura