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F A C U L D A D E M E T R O P O L I T A N A D E M A N A U S F A M E T R O P R O F . ª D R . L U C I A N E F A R I A S R I B A S A G O S T O - 2 0 1 8 CONCEPÇÃO DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Conteúdo Definição Partes de um sistema de abastecimento de água Normas para projetos de sistemas de abastecimento de água Estudo de concepção de sistema de abastecimento de água Concepção de sistemas de abastecimento de água Consumo de água Definição e objetivos Definição e objetivos Entende-se por concepção de sistema de abastecimento de água um conjunto de estudos e conclusões referentes ao estabelecimento de todas diretrizes, parâmetros e definições necessárias e suficientes para a caracterização completa do sistema a projetar. Definição e objetivos No conjunto de atividades que constitui a elaboração de um sistema de abastecimento de água, a concepção é elaborada na fase inicial do projeto. O estudo de concepção pode, às vezes, ser precedido de um diagnóstico técnico e ambiental da área em estudo ou, até mesmo, de um Plano Diretor da bacia hidrográfica. Definição e objetivos Basicamente, a concepção tem como objetivos: Identificação e quantificação de todos os fatores intervenientes com o sistema de abastecimento de água; Diagnóstico do sistema existente, considerando a situação atual e futura; Estabelecimento de todos os parâmetros básicos de projeto; Pré-dimensionamento das unidades dos sistemas, para as alternativas selecionadas; Escolha da alternativa mais adequada mediante comparação técnica econômica e ambiental, entre as alternativas; Estabelecimento das diretrizes gerais de projeto e estimativas das quantidades de servições que devem ser executados na fase de projeto. Partes de um sistema de abastecimento de água Partes de um sistema de abastecimento de água A concepção deverá estender-se aos diversos componentes do sistema de abastecimento de água e definidas a seguir: Manancial É o corpo de água superficial ou subterrâneo, de onde é retirada a água para o abastecimento. Deve fornecer vazão suficiente para atender a demanda de água no período de projeto, e a qualidade dessa água deve ser adequada sob o ponto de vista sanitário Captação Conjunto de estruturas e dispositivos, construídos ou montados junto ao manancial, para a retirada de água destinada ao sistema de abastecimento. Estação elevatória Conjunto de obras e equipamentos destinados a recalcar a água para a unidade seguinte. Em sistemas de abastecimento de água, geralmente há várias estações elevatórias, tanto para o recalque de água bruta, como para o recalque de água tratada. Também é comum a estação elevatória, tipo “booster”, que se destina a aumentar a pressão e/ou vazão em adutoras ou redes de distribuição de água. Adutora Canalização que se destina conduzir água entre as unidades que precedem a rede de distribuição. Não distribuem a água aos consumidores, mas podem existir as derivações que são sub-adutoras. Estação de tratamento de água Conjunto de unidades destinado a tratar a água de modo a adequar as suas características aos padrões de potabilidade. Reservatório É o elemento do sistema de distribuição de água destinado a regularizar as variações entre as vazões de adução e de distribuição e condicionar as pressões na rede de distribuição. Rede de distribuição Parte do sistema de abastecimento de água formada de tubulações e orgãos acessórios, destinada a colocar água potável à disposição dos consumidores, de forma contínua, em quantidade e pressão recomendada. Partes de um sistema de abastecimento de água A tabela 2.1 apresenta indicadores de custo de implantação de sistema convencional de abastecimento de água. Normas para projetos de sistemas de abastecimento de água Normas para projetos de sistemas de abastecimento de água As normas da ABNT para projetos de sistemas de abastecimento de água: Estudo de concepção de sistema de abastecimento de água Estudo de concepção de sistema de abastecimento de água Para o estudo de concepção de sistemas de abastecimento de água, é necessário o desenvolvimento de uma série de atividades, sendo as principais listadas a seguir: Caracterização da área de estudo Análise do sistema de abastecimento de água existente Levantamento dos estudos e planos existentes Estudos demográficos e de uso e ocupação do solo Critérios e parâmetros de projeto Demanda de água Estudo de mananciais Formulação de alterativas de concepção Pré-dimensionamento das unidades dos sistemas considerados para a escolha da alternativa Estimativa de custo das alternativas propostas Análise de alternativas propostas Concepção escolhida Características Físicas Uso e ocupação do solo Mapa de localização Principais vias e estradas de acesso Topografia, relevo e geologia Vegetação Bacia hidrografica Planos diretores municipais e regionais Identificação de áreas protegidas ambientalmente ou com restrições à ocupação Uso e ocupação atual do solo Caracterização da área de estudo Aspectos sociais e econômicos Sistemas de infra-estrutura e condições sanitárias Atividades econômicas Caracterização do mercado de trabalho e mão-de –obra disponível Distribuição da renda Indicadores sócio-econômicos Abastecimento de água Esgoto sanitário Resíduos sólidos urbanos, industriais, hospitalares e dos sistemas de saneamento: coleta, tratamento e disposição final; Licenciamento ambiental Sistema de drenagem Saúde Sistema viário Energia elétrica Caracterização da área de estudo Descrição do sistema existente Diagnóstico do sistema existente Identificação de todos os elementos do sistema existente com planta geral, croqui e descrição de todas as unidades. Devem ser descritas as características principais das unidades. Área atendida População atendida e nível de atendimento Regularidade de abastecimento por setor Consumo per capita e consumo por economia Numero de ligações e consumo por categoria Perdas de água no sistema Manejo de lodos e demais resíduos gerados nas unidades de tratamento Qualidade de água bruta e tratada Análise do sistema de abastecimento de água existente Levantamento dos estudos e planos existentes Identificação e análise crítica de todos os estudos, projetos e planos existentes que interfiram neste estudo, tendo em vista embasar os parâmetros, critérios e alternativas a serem propostas. Estudos demográficos e de uso e ocupação dos solo Dados censitários; Catalogação dos estudos populacionais existentes; Pesquisa de campo; Levantamento da evolução do uso do solo e zoneamento da cidade; Analise socio-economica do município, bem como o papel deste na região; Plano diretor da cidade, sua real utilização, atualização e diretrizes futuras; Projeto da população urbana baseada em métodos matemáticos, analiticos, comparativos, e outros (ano a ano); Analise e conclusão Critérios e parâmetros de projeto Os critérios e parâmetros de projetos a serem utilizados, listados a seguir, deverão ser considerados devidamente justificados: Consumo per capita Coeficiente de variação das vazões: K1, K2, K3 Coeficiente de demanda industrial Níveis de atendimento no período de projeto Alcancedo estudo Demanda de água Estudo de demanda Análise do consumo e sua distribuição nas categorias: residencial, comercial, pública, industrial e especial; Consumo per capita ou por economia, tendo como base os consumos medidos, efetuando a projeção da evolução desse parâmetro. Na falta dessa informação, adotar os dados de comunidades de características semelhantes; Consumo comercial, público, industrial e especial, tendo como base a pesquisa dos mesmos e efetuando suas projeções. Na falta dessa informação, adotar os dados de atividades similares Demanda de água Cálculo das demandas O calculo da demanda média, máxima diária e horária deve ser apresentado ano a ano, por setor de abastecimento e sazonalidade, e distribuido em: residencial, comercial, pública, industrial e especial. Manancial superficial Manancial subterrâneo Estudo de mananciais Estudo de mananciais Seleção de manancial Formulação de alternativas de concepção Captação Estação elevatória e linha de recalque Pré-dimensionamento das unidades dos sistemas considerados para a escolha da alternativa Adutoras Estação de tratamento de água Pré-dimensionamento das unidades dos sistemas considerados para a escolha da alternativa Reservatório Rede de distribuição Pré-dimensionamento das unidades dos sistemas considerados para a escolha da alternativa Estimativa de custo das alternativas propostas Análise de alternativas propostas Análise de alternativas propostas Concepção escolhida Concepções de sistemas de abastecimento de água Concepção de sistemas de abastecimento de água com captação em manancial superficial Captação em curso d´água Sistema simples de abastecimento de água, com captação em curso d´água e com reservatório apoiado a montante. Captação em curso d´água A concepção anterior incluindo o reservatorio elevado a montante. Captação em curso d´água Sistema de abastecimento de água que atende a zona baixa, através de um reservatório apoiado, e a zona alta, através de um reservatório elevado. Captação em represas e reservatórios Neste caso, a diferença em relação à captação em curso de água, consiste no fato de que a água é captada em represa, reservatório ou lago. Sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo (SABESP) Captação em Manancial de Serra A diferença fundamental nesse tipo de captação consiste no fato de que essa água, não passa por um tratamento convencional, podendo ser distribuída apenas com a aplicação de produtos químicos (cloro e flúor), ou passando por uma peneira estática para remoção de material em suspensão e aplicação de produtos químicos. Sistema de abastecimento de água de Peruíbe, litoral do Estado de São Paulo Captação em Manancial de Serra Neste sistema geralmente não há necessidade de estação elevatória junto à captação. Sistema de abastecimento de água de Peruíbe, litoral do Estado de São Paulo Concepção de sistemas de abastecimento de água com captação em manancial subterrâneo Captação através de caixas de tomada e drenos Captação através de poços horizontais Captação através de poços profundos Captação através de caixas de tomada e drenos Quando o aquífero é freático e o lençol aflora, como no caso de encostas formando minas de água, a captação poderá ser feita com caixas de tomada. Captação através de caixas de tomada e drenos E com drenos, quando o lençol aflora no terreno ou está à profundidade muito pequena. Essas alternativas são geralmente utilizadas para pequenas comunidades, sendo que, nesses casos, não há necessidade de uma ETA convencional e a água é clorada e distribuída aos consumidores. Captação através de poços horizontais A captação de água subterrânea poderá ser feita através de poços horizontais radiais, desde que as condições locais sejam favoráveis a esse tipo de alternativa. Captação através de poços horizontais Os poços horizontais são dotados de placas filtrantes periféricas que permitem apenas a passagem da água e de um pré-filtro que é injetado ao longo do seu comprimento, externamente às placas, no momento da sua execução. Captação através de poços horizontais A construção deste tipo de captação minimiza os impactos ambientais durante a sua implantação e mesmo durante a sua vida útil, visto que não ocorrerá a inundação de áreas resultantes da elevação do nível do rio. Captação através de poços horizontais Além disso, em termos qualitativos, a água captada por este tipo de estrutura poderá ser, provavelmente, distribuída diretamente para a população, sendo necessário efetuar apenas a cloração, a fluoretação e a correção do pH. Captação através de poços profundos Para abastecimento público, a água subterrânea apresenta-se como notável recurso em muitas regiões onde existem condições favoráveis para seu aproveitamento. Um número considerável de cidades brasileiras consome água obtida de poços, principalmente do tipo tubular profundo. Captação através de poços profundos As vantagens do aproveitamento de água subterrânea podem ser resumidas nos seguintes pontos: Possibilidade de ocorrência próxima ao consumo; Qualidade da água, geralmente satisfatória para fins potáveis; Relativa facilidade de extração da água. Captação através de poços profundos Quanto à qualidade, ás águas de lençóis subterrâneos apresentam geralmente características físicas compatíveis com os padrões de qualidade. Devido à ação de filtração lenta através de camadas permeáveis, apresentam-se com baixos teores de cor e turbidez, dispensando o tratamento (menos cloração). Também são isentas de bactérias normalmente encontradas em águas superficiais, a não ser que o lençol aproveitado esteja sendo atingido por uma fonte poluidora nas proximidades do ponto de captação. Captação através de poços profundos Captação através de poços profundos Afigura ao lado apresenta esquematicamente, os tipos de aquíferos e de poços, bem como as áreas de realimentação dos lençois. Captação através de poços profundos Observa-se que o rio é o ponto de descarga do lençol freático. O lençol artesiano descarrega-se num ponto baixo aonde o mesmo irá novamente aflorar à superfície (não apresentado na figura). Captação através de poços profundos Conforme se observa na figura ao lado, o poço perfurado em um aquífero freático – poço freático – terá o nível de água em seu interior coincidente com o nível do lençol. Captação através de poços profundos Em um poço que penetra num aquífero artesiano - poço artesiano – o nível de água em seu interior subirá acima da camada aquífera. Captação através de poços profundos Poderá, às vezes, atingir a boca do poço e produzir uma descarga contínua. Neste caso particular, o poço artesiano denomina-se jorrante ou surgente. Captação através de poços profundos A figura ao lado apresenta um esquema típico de captação de água em um poço profundo e o bombeamento para um reservatório de água. Captação através de poços profundos Em algumas regiões (como na cidade de Jales e Fernandópolis em São Paulo) a água subterrânea é captada através de poços profundos, com profundidade acima de 1000 m, a água extraída desses poços tem temperaturaa cerca de 55ºC. Para o resfriamento da água, a SABESP utiliza dois processo que se baseiam na troca de calor água-atmosfera por evaporação: Captação através de poços profundos Captação através de poços profundos Captação através de poços profundos Captação através de poços profundos Muitas cidade do interior do Estado de São Paulo captam água no manancial superfial e no manancial subterrâneo para o abastecimento, conforme figura ao lado. C L A S S I F I C A Ç Ã O D E C O N S U M I D O R E S D E Á G U A C O N S U M O P E R C A P I T A D E Á G U A F A T O R E S Q U E A F E T A M O C O N S U M O V A R I A Ç Õ E S N O C O N S U M O E S T U D O D A P O P U L A Ç Ã O V A Z Õ E S D E D I M E N S I O N A M E N T O D A S P A R T E S P R I N C I P A I S D E U M S I S T E M A Consumo de água Classificação de consumidores de água Água para uso doméstico Classificação de consumidores de água Água para uso doméstico Classificação de consumidores de água Água para uso doméstico Classificação de consumidores de água Água para uso doméstico Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Água para uso comercial Classificação de consumidores de água Consumo de água em padarias As padarias tem uma importancia significativa no consumo de água devido ao seu grande numero. A distribuição do consumo de água em 4 padarias é apresentada na figura ao lado. Consumo de água em padarias As padarias caracterizam-se por duas atividades distintas, panificação e confeitaria, com caracteristicas mais proximas de atividades industriais, e os serviços de lanchonetes, café e refeições rapidas, de classificação essencialmente comercial. Consumo de água em padarias O grande consumo de água nas padarias são as atividades comerciais, pois essas atividades estão realcionadas com as atividades de copa (lavagem de utensílios e preparação de refições) e uso de banheiros. Consumo de água em padarias A aplicação dos modelos de regressão para seleção de parâmetros indicou que os números de funcionários e existência ou não de lanchonetes, podem ser considerados suficientes para prever o consumo de água em estabelecimento do tipo padarias. Consumo de água em padarias Além disso, esses dois parâmetros são obtidos com facilidade, o que não acontece com outros diversos parâmetros estudados. Consumo de água em postos de gasolina A principal atividade de postos de gasolina é a venda de combustíveis, entretanto, quanto ao consumo de água, a atividade de lavagem de carros é o fator determinante. Consumo de água em postos de gasolina De modo geral, os postos de gasolina consomem água de duas formas: lavagem de carros e uso de banheiros pelos funcionários, na proporção aproximada de 70 a 80% para lavagem e 20 a 30% para banheiros. Consumo de água em postos de gasolina Quando o posto não lava carros, o consumo de água é pequeno. A figura ao lado apresenta o resultado das pesquisas em 136 postos e gasolina, onde estão apresentados os consumos de água em função do número de funcionários, números de bicos, galonagem e número de bombas. Consumo de água em postos de gasolina A partir da figura pode- se obter as taxas de consumo de água em função dos parâmetros pesquisados (tabela 3.7) Consumo de água em postos de gasolina O parâmetro de galonagem é o mais significativo, porém é o menos operacional devido à dificuldade de se obter informações sobre este parâmetro nos postos de gasolina, o mesmo acontece com o parâmetro número de funcionários, que também é significativo. Consumo de água em postos de gasolina Com relação aos parâmetros, número de bombas e bicos, não são tão significativos, entretanto são fáceis de serem obtidos. Consumo de água em postos de gasolina Uma outra forma de estimar o consumo de água em postos de gasolina, é através da equação (3.12) que foi ajustada através da curva de regressão, a partir de dados levantados em 82 postos. Consumo de água em shopping center A categoria shopping center é importante em cidades de grande porte, devido a sua quantidade, e também ao seu grande consumo unitário, pois o shopping é tratado como consumidor comercial individual, sendo frequentemente o maior consumidor de água da região em que se localiza. Consumo de água em shopping center A instalação de um estabelecimento do porte de um shopping sem uma estimativa adequada do consumo de água pode trazer problemas de subdimensionamento na rede e reservatórios de água, e sobrecarga do sistema de esgoto. Consumo de água em shopping center A figura ao lado apresenta a distribuição de consumo de shopping por categoria. A cobrança de água das lojas em shopping pode ser feita por medição do consumo de cada loja ou por meio de rateio do consumo total do shopping, utilizando parâmetros como área do estabelecimento, tipo de estabelecimento, etc. Consumo de água em shopping center Para shopping de grande porte da cidade de São Paulo, a divisão de consumo por categoria é apresentada na figura ao lado Consumo de água em shopping center Consumo de água em shopping center Consumo de água em shopping center Para estimativa do consumo de água da componente variavel, que é função da variação do público, observou-se que 35% das lojas apresentaram uma frequencia alta às três da tarde, e que no sábado o consumo é maior Consumo de água em hospitais Consumo de água em hospitais Consumo de água em hospitais Consumo de água em hospitais Consumo de água em hospitais