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Parasitologia   Rey

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de sódio
(ou gluconato de sódio e
antimônio).
Na segunda linha estão:
Pentamidina, por via intra-
venosa.
Anfotericina B, para perfu-
são intravenosa.
Alopurinol, por via oral.
Controlar os efeitos colate-
rais dessas drogas.
Distribuição geográfica 
do calazar
Distribuição geográfica das áreas endêmicas de
leishmaníase visceral no mundo. Os pontos indicam a
existência de casos isolados. (OMS, 1984)
11
Epidemiologia do calazar no Brasil
A leishmaníase visceral é
encontrada sobretudo nas
zonas rurais, onde as casas
ficam situadas próximo das
matas.
Entre os ambientes geo-
gráficos que a sustentam
estão as terras firmes da
Amazônia, o litoral e as
planícies dos grandes rios do
Nordeste, vales úmidos e
sopé das serras do sertão,
assim como os vales bosco-
sos da Bahia e de Minas
Gerais.
As Lutzomyia longipalpis
que aí se criam são as
transmissoras da infecção.
12
Animais reservatórios do calazar
No Brasil, os cães são os
principais reservatórios da
doença, que tem caráter
endemo-epidêmico.
A foto (A) mostra um cão
calazarento (de Sobral, CE)
com áreas glabras e úlceras
disseminadas pela pele (rica
em leishmânias). As unhas lon-
gas indicam falta de atividade,
em fase avançada da doença.
Outros sintomas são diarréia
e caquexia.
Canídeos silvestres partici-
pam também da transmissão,
além de, eventualmente, outros
mamíferos.
No Nordeste, foi identifi-
cada a raposa (Lycalopex
vetulus) como um dos reser-
vatórios (foto B, segundo L. M.
Deane).
A
B
13
Controle da leishmaníase visceral
Requer estudos epidemiológicos prelimi-
nares sobre os fatores mais importantes do
problema:
• Conhecimento da área endêmica e da
incidência da doença na população.
• Estudo da fauna flebotômica local e sua
densidade no decurso do ano.
• Inquérito sorológico na população canina.
• Estudo sobre os eventuais reservatórios
silvestres.
• Reconhecimento geográfico e mapeamen-
to da área endêmica.
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Controle da leishmaníase visceral
• Combater os flebotomíneos
vetores da infecção, aplicando
inseticidas de ação residual
nas casas e nos anexos, bem
como nos abrigos de animais
domésticos.
• Tratar todos os doentes, inclu-
sive os assintomáticos.
• Eliminar os cães sorologica-
mente positivos e os cães
errantes.
• Manter um serviço permanente
de avaliação desse controle a
curto e a longo prazo.
Em seguida, planejar todas as
operações de controle e proceder
a sua efetivação:
Desinsetização
1515
Leituras complementaresLeituras complementares
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PARASITOLOGIA 
MÉDICA
PARASITOLOGIA 
MÉDICA
4 b. FLAGELADOS CAVITÁRIOS DAS 
VIAS DIGESTIVAS E GENITURINÁRIAS
4 b. FLAGELADOS CAVITÁRIOS DAS 
VIAS DIGESTIVAS E GENITURINÁRIAS
Complemento multimídia dos livros “Parasitologia” e “Bases da Parasitologia 
Médica”. Para a terminologia, consultar “Dicionário de termos técnicos de
Medicina e Saúde”, de
Luís Rey
Fundação Oswaldo Cruz
Instituto Oswaldo Cruz
Departamento de Medicina Tropical
Rio de Janeiro
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FLAGELADOS DAS VIAS 
DIGESTIVAS E 
GENITURINÁRIAS
FLAGELADOS DAS VIAS 
DIGESTIVAS E 
GENITURINÁRIAS
Tricomoníases e giardíase
18
Tricomoníases
Trichomonas vaginalis (A) é um
flagelado que pode encontrar-se na
vagina das mulheres, assim como na
uretra e na próstata dos homens,
sendo responsável por processos
inflamatórios - vaginites e uretrites -
de maior ou menor gravidade.
A cavidade oral pode estar
infectada por Trichomonas tenax (B)
e o duodeno por Pentatrichomonas
hominis (C), que não são patogê-
nicos.
A OMS calculou que, em 1997, ocorreram no mundo 170
milhões de novos casos de tricomoníase por T. vaginalis,
uma das mais freqüentes infecções por protozoários.
No Brasil, 20 a 40% das mulheres examinadas estão
infectadas.
19
Trichomonas vaginalis
Esse flagelado tem forma bastante
variável, pois mede 10 a 30 µm de
comprimento por 5 a 12 µm de largura,
e pode até emitir pseudópodes.
Possui 4 flagelos que partem do
extremo anterior, sendo envolvidos, na
base, por uma estrutura fibrosa, a
pelta (P), e um quinto, dirigido para
trás e ligado ao corpo celular por uma
membrana ondulante curta.
Além do núcleo, possui várias
estruturas formadas por microtúbulos,
a maior das quais é denominada
axóstilo (A) e atravessa como um eixo
todo o corpo celular.
Outras menores são a costa (C), que
segue a direção do flagelo recorrente e
é cercada de hidrogenossomos, e as
duas fibras parabasais (Pb) do
aparelho de Golgi (G).
Trichomonas vaginalis, 
desenho esquemático
P
A
C
Pb
G
20
Tricomoníase por T. vaginalis
A transmissão dá-se pelo
coito, mas também por
contágio com água de banho,
toalhas, roupas, fómites etc.
Os parasitos vivem como
microrganismos anaeróbios
sobre a mucosa das vias
geniturinárias do homem
(uretra, próstata e vesículas
seminais), mesmo quando
isso não se acompanhe de
manifestações clínicas.
Nas mulheres, a vagina
normal após a puberdade
tem pH entre 3,8 e 4,5 e
costuma ser resistente à
infecção.
Mas esta parece facilitada
por alterações do meio
vaginal, como:
- diminuição da quantidade
de glicogênio nas células
epiteliais;
- aumento da descamação
da mucosa;
- diminuição da acidez va-
ginal
- e modificações da flora
bacteriana.
Quando o pH se eleva
acima de 6, diminuem os
bacilos de Döderlein e os
tricômonas se implantam,
produzindo vaginite.
21
Patologia e clínica da tricomoníasePatologia e clínica da tricomoníase
Nos homens, a infecção costuma
ser assintomática; nas mulheres
também, se as lesões forem discretas.
Mas, nestas, em geral há erosão
das mucosas genitais e grande infil-
trado inflamatório, com predominância
de neutrófilos e eosinófilos.
A cervicite torna a inflamação mais
persistente.
Sua principal manifestação é um corrimento vaginal
abundante, branco e sem sangue, constituído por exsudato
inflamatório rico em células descamadas, piócitos e muco
(leucorréia). Aí se encontram os flagelados e bactérias.
A flora bacteriana associada pode modificar o aspecto do
corrimento quanto a cheiro, cor, viscosidade ou caráter
espumoso.
A irritação da pele do períneo chega a torná-lo inflamado
e edemaciado.
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Patologia e clínica da tricomoníase
Além da leucorréia,