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Portos e Obras Hidráulicas I Dimensionamento Hidráulico Bueiros Bueiros - Definição Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), os bueiros são obras destinadas a permitir a passagem livre das águas que acorrem as estradas e através destas, permitindo a continuidade do escoamento natural. Os bueiros são compostos de bocas e corpo. O Corpo é a parte situada sob os cortes e aterros. Já as bocas constituem os dispositivos de admissão e lançamento, a montante e a jusante, e são compostas de soleira, muro de testa e alas. Os bueiros são obras utilizadas em bacias de pequeno e médio porte. São denominados obras de arte correntes. Bueiros - Classificação Os bueiros (B) podem ser classificados de acordo com a suas(eus): Bueiros - Classificação Os bueiros (B) podem ser classificados de acordo com a suas(eus): Bueiros - Classificação Os bueiros (B) podem ser classificados de acordo com a suas(eus): Bueiros - Classificação Bueiros – Condições de Funcionamento “Os bueiros são estruturas bastante simples pelos seus componentes porém de dimensionamento complexo”. O seu funcionamento hidráulico pode ser de três formas distintas: Canal (escoamento livre) Orifício (carga hidráulica a montante) Conduto Forçado (submergência das extremidades) Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como canal • Extremidades montante e jusante de um bueiro não se encontram submersas, ou seja, existe uma superfície livre ao longo de todo o conduto, diz-se que ele está funcionando como canal (BAPTISTA, M); • Condição de não submergência da entrada do bueiro, indica que a vazão afluente é igual ou inferior à vazão admissível na obra, é verificada usualmente para profundidades a montante (Hm) até 20% superior à dimensão vertical do bueiro (D ou H). Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como canal • Na prática, a determinação do regime de funcionamento pode ser efetuada através da simples comparação da declividade de assentamento do bueiro com a declividade crítica, sendo que estas podem ser obtidas pelas seguintes expressões: • Bueiros tubulares: Ic=32,82 n² 3 D • Bueiros celulares: 𝐼𝑐= 2,6𝑛² 3 𝐻 3 + 4𝐻 𝐵 4/3 • Assim, quando o bueiro, funcionando como canal, está (ou será) implantado com declividade inferior à crítica, o regime de escoamento será subcrítico, sendo, então, seu controle hidráulico localizado a jusante. Para os bueiros implantados com declividades iguais ou superiores à crítica, seu funcionamento se dará no regime torrencial, sendo seu controle de montante. Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como canal (Regime Subcrítico) • Especificamente para bueiros tubulares podem ser obtidas as expressões que seguem abaixo, para a vazão admissível e a velocidade correspondente. Saliente-se que nestas expressões já está incluída uma folga de 20%, ou seja, o bueiro trabalha com uma profundidade de fluxo de 80% de diâmetro: 𝑄𝑎𝑑𝑚= 0,305 𝑛 𝐷8/3 𝐼1/2 e 𝑈 = 0,452 𝑛 𝐷2/3 𝐼1/2 • Da mesma maneira, para bueiros celulares, obtêm-se as seguintes expressões para a vazão e velocidade, estando também já incluída uma folga de 20%: 𝑄𝑎𝑑𝑚 = (0,8𝐵𝐻)5 (𝐵+1,6𝐻)² 1/3 𝐼1/2 𝑛 e 𝑈 = 𝑄𝑎𝑑𝑚 0,8𝐵𝐻 Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como canal (Regime Supercrítico) • Para os bueiros supercríticos, o dimensionamento deverá ser efetuado limitando-se a vazão admissível à vazão correspondente ao regime critico, com altura característica da energia específica igual ao seu diâmetro ou altura. Assim, para bueiros tubulares obtêm-se as seguintes expressões, que implicitamente já incluem uma folga no dimensionamento: 𝑄𝑎𝑑𝑚 = 1,533𝐷 5/2 e 𝑈 = 2,56 𝐷 • Para bueiros celulares supercríticos obtêm-se as seguintes expressões: 𝑄𝑎𝑑𝑚 = 1,705𝐵𝐻 3/2 e 𝑈 = 2,56 𝐻 Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como orifício • O funcionamento hidráulico nestas condições é definido pelas expressões da Teoria dos Orifícios. Assim, a vazão transportada passa a ser uma função da altura de carga, podendo ser calculada pela seguinte expressão geral: 𝑄 = 𝐶𝑑 𝐴 2𝑔ℎ • Expressões para bueiros tubulares: 𝑄𝑎𝑑𝑚 = 2,192𝐷 2ℎ1/2 e 𝑈 = 2,79ℎ1/2 • Expressões para bueiros celulares: 𝑄𝑎𝑑𝑚=2,79𝐵𝐻ℎ 1/2 e U=2,79ℎ1/2 Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como conduto forçado • O dimensionamento hidráulico, para as condições de escoamento com entrada afogada, consiste em determinar a altura de carga correspondente à vazão afluente para uma dada dimensão do bueiro. Esta altura de carga deve ser compatível com as condições locais de implantação da obra, como será discutido posteriormente. 𝐻𝑚 = 𝐻𝐽 − 𝐼𝐿 + ∆H • Determinação das perdas ao longo do bueiro ∆𝐻 = 𝐶𝑒 𝑈² 2𝑔 + 𝐶𝑠 𝑈² 2𝑔 + 𝑛²𝑈²𝐿 𝑅ℎ4/3 ∆𝐻 = 𝐶𝑒 + 𝐶𝑠 + 2𝑔𝑛²𝐿 𝑅ℎ4/3 𝑈² 2𝑔 Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Bueiros – Condições de Funcionamento Funcionando como conduto forçado Tipo de estrutura de entrada Bueiros em concreto Bueiros metálicos “Bolsa” saliente, com ou sem muro e alas. 0,2 - “Ponta” saliente, com ou sem muro e alas. 0,5 - Saliente, sem muro e alas. - 0,9 Saliente, com muro e alas. - 0,5 Muro de testa, final do tubo arredondado. 0,2 - Tubo biselado. 0,7 0,7 Seção terminal conformada com aterro. 0,5 0,5 Muro de testa, sem alas. - 0,2 – 0,5 Fonte: BAPTISTA, M. Fundamentos de Engenharia Hidráulica, 2014. Coeficientes de perda de carga na saída de bueiros tubulares variam entre 0,3 a 1, sendo usualmente adotado o valor 1. Bueiros Tipo de estrutura de entrada Com bolsa saliente Fonte: https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjExrT4oMzaAhVBHZAKHbbVADkQjRx6BAgAEA U&url=https%3A%2F%2Fbr.depositphotos.com%2Fstock-photos%2F%25C3%25A1guas- pluviais.html&psig=AOvVaw3HEh22MzFtlhp0hEad77Da&ust=1524430640930843 Bueiros Tipo de estrutura de entrada Fonte: https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwj9g9OYoszaAhVBhJAKHU6hDM UQjRx6BAgAEAU&url=https%3A%2F%2Fwww.slideshare.net%2FClaudioLuiss%2Festradas- 63898374&psig=AOvVaw1zlbdr23xktJKmM4wdtjw4&ust=1524431008967772 Observação: ✓No dimensionamento de bueiros, procura-se evitar que o mesmo trabalhe afogado. A vazão de projeto é, normalmente, aquela esperada para um certo período de retorno sem causar afogamento à vazões na entrada. Um vez escolhido o diâmetro do bueiro, verifica-se se mesmo é capaz de dar escoamento vazões maiores (maiores tempo de retorno) mas com afogamento na entrada. ✓Declividade neutra – declividade a linha de energia com o bueiro trabalhando a seção plena, ou seja, altura d’água dentro do bueiro coincide com a geratriz superior do bueiro. Se a declividade natural for maior que a declividade neutra, bueiro funciona com conduto livre, caso contrário o bueiro funcionará como conduto forçado. ✓Diz-se que a entrada é afogada quando o nível d’água nesta seção for ≥ 1,2 vezes o diâmetro de entrada. Para nível de água menor que 1,2.D entra ar no bueiro e a superfície livre ou superfície de escoamento fica submetido á pressão atmosférica. Neste caso a declividade do bueiro e o atrito da água com as paredes é que determinarão as condições de escoamento no bueiro (conduto livre). BueirosObservação: ✓ Para Linhas múltiplas, usualmente adota-se uma redução da capacidade de vazão de 5% para cada linha adicional, em função das condições de entrada mais desfavoráveis. Assim, admite-se que para um bueiro duplo sua capacidade de vazão total seja de 95% da soma das capacidades de vazão de cada tubo; Para bueiros triplos de 90%. (Baptista 2014) ✓ Para bueiros em concreto deverá ser respeitado o limite máximo para velocidade de escoamento de 4 m/s; para bueiros metálicos a velocidade máxima admissível deve ser limitada a 6 m/s. Para ambos os casos deverá ser verificada a compatibilidade da velocidade admissível nos terrenos a jusante da obra, prevendo-se eventualmente a implantação de estruturas dissipadoras de energia. (Baptista 2014). Bueiros Exercícios 1 - Verificar a condição hidráulica de funcionamento de um BDTC Φ 1,20 m, implantado com uma declividade de 0,30%, sob uma altura de aterro de 4,2 m para uma vazão afluente de 8 m³/s (n=0,015). 2 – Um talvegue é transposto por um BSTC Φ 0,80 m (n=0,015), assentado com declividade de 0,4% sob um aterro com altura de 2 m. Sabendo-se que a vazão afluente á obra é de 1,81 m³/s e que a jusante não existe possibilidade de afogamento, pede-se: a) Avaliar as condições de funcionamento e suficiência da obra, indicando seu aproveitamento ou complementação; b) Em caso de insuficiência, redimensionar uma nova obra para funcionamento sem carga hidráulica a montante, sabendo-se que se dispõe de tubos de concreto Φ 0,80 Exercícios 3 – Um bueiro funcionando como conduto forçado é instalado com declividade de 0,05 m/m. Foi projetado para uma descarga de 7,5 m³/s quando a altura máxima de água acima da geratriz inferior, na entrada foi de 4,8 m. Calcular o diâmetro do tubo de aço corrugado (n=0,024) que deverá ser usado sendo L=12 m. Considere saída livre e Ce=0,5. 4 – Determinar a capacidade de vazão de um bueiro de 1 m de diâmetro, entrada em aresta viva, de concreto (n=0,015) comprimento de 40 metros, sendo a carga sobre a geratriz inferior na seção de montante iguala 2 m. A saída é livre e declividade de 0,05 m/m. 5 – Determine a largura de um bueiro retangular para funcionar como conduto livre (regime supercrítico), dispondo de uma carga a montante igual a 1,2 metros para transportar 3,3 m³/s. Assuma que o coeficiente de perda na entrada Ce=0,15 e despreze a velocidade de chegada. Exercícios 6 – Supondo-se que o bueiro do exercício 2 se encontra com a saída submersa com 1,00 m de lâmina d'água, analise suas condições de funcionamento, admitindo-se que ele esteja implantado com entrada a montante conformada com o aterro e apresente um comprimento de 50 m.