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PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS Pós- Graduandos: Fernanda de Oliveira Tavares Laura Adriane de Moraes Pinto Michel Lincoln Domingues Disciplina: Caracterização de Materiais. Profa. Dra. Silvia Luciana Favaro Rosa. Maringá – PR 2016 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA 1. MATERIAIS E MÉTODOS 1.1. Ensaio de Tração O ensaio de tração seguiu a norma ASTM D638. Para o ensaio utilizou-se a máquina de testes EMIC (DL10000), com célula de carga de 5.000N (Figura 1) e velocidade do ensaio de 30 mm por minuto com corpos de prova de polietileno reforçado com 60% de casca de arroz. Figura 1. Equipamento utilizado no ensaio de tração. A tensão aplicada pode ser determinada a partir dos dados de força, deformação e área por meio da Eq. 1. 𝜎 = 𝐹 𝐴 (1) Onde: σ = tensão. F= força aplicada ao corpo de prova. A= área da seção transversal do material. Já a deformação específica é obtida a partir da relação entre o comprimento inicial e final do corpo de prova (Eq. 2). 𝐷𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜(𝜀) = 𝑙𝑓−𝑙𝑜 𝑙𝑜 (2) Assim: ε= deformação específica do material, lf= comprimento final do corpo de prova, lo= corresponde ao comprimento inicial do corpo de prova. A partir do gráfico de tensão em função da deformação específica, é possível conhecer diversos parâmetros relacionados ao material em estudo, como por exemplo, o módulo de elasticidade, resiliência, tenacidade, tensão máxima aplicada, tensão de ruptura, ductilidade do material e limite de escoamento. O módulo de elasticidade pode ser calculado pela lei de Hooke conforme apresentado (Eq. 3): 𝜎 = 𝐸. 𝜀 (3) Em que: σ= tensão aplicada, E= módulo de elasticidade ou módulo de Young, ε= deformação específica do material. O limite de escoamento está associado à deformação irrecuperável do material. Quando não se observa nitidamente o fenômeno de escoamento, a tensão de escoamento corresponde à tensão necessária para promover uma deformação permanente no material que pode variar para cada tipo de material conforme apresentado na Tabela 1. Tabela 1. Padrão para definição do limite de escoamento para diferentes tipos de materiais. Material Parâmetro Metais e ligas em geral n=0,2% (𝜀 = 0,002) Cobre e suas ligas n=0,5% (𝜀 = 0,005) Ligas metálicas duras n=0,1% (𝜀 = 0,001) Cerâmicos n=0,1% (𝜀 = 0,001) Polímeros n=0,5% (𝜀 = 0,005) A resiliência pode ser obtida através da integral da área referente à deformação elástica do material, já a tenacidade refere-se à área pertinente à deformação elástica e plástica do material. Uma ilustração gráfica para estas medidas pode ser observada na Figura 2. Figura 2. Ilustração gráfica dos módulos de resiliência (a) e tenacidade (b) para os materiais. A ductilidade pode ser calculada em termos de alongamento, conforme apresentado na Eq. 4. % 𝑎𝑙𝑜𝑛𝑔𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 = 𝑙𝑓−𝑙𝑜 𝑙𝑜 ∗ 100 (4) Em que: lf= comprimento final do corpo de prova, lo= comprimento inicial do corpo de prova antes do ensaio. 1.2. Ensaio de Dureza Rockwell C Para o ensaio de dureza Rockwell C, utilizou-se um durômetro digital acoplado com penetrador cônico com ponta de diamante com ângulo interno médio de 120° ± 0,1°. (Figura 3). Figura 3. Durômetro digital. A leitura da dureza das amostras foi realizada em triplicata. Primeiramente fez-se a leitura de corpos de prova de dureza conhecida e posteriormente, na superfície de estudo. Os ensaios foram realizados na escala vermelha, onde o valor é atribuído diretamente na escala previamente determinada. O número de dureza é sempre citado com o símbolo HR, seguido da escala utilizada. O valor da Dureza Rockwell C é um número arbitrário proporcional à profundidade de penetração. 1.3. Ensaio de Impacto Izod Para o ensaio de impacto Izod foram utilizados corpos de prova de polietileno reforçado com 20% de casca de arroz. Os ensaios de impacto seguiram a norma ASTM D256. Inicialmente os corpos de prova tiveram sua espessura medida com o auxílio de um paquímetro e em seguida foram entalhados com recorte de 1,4 mm de profundidade na forma de V (45°). Para o procedimento de entalhe, foi utilizado um entalhador manual CEAST (Figura 4). Os ensaios foram realizados em um Resil Impactor Júnior Tester CEAST (Figura 5). Figura 4. Entalhador manual. Figura 5. Resil Impactor Júnior Tester CEAST. Quando um ensaio de impacto (Figura 5) é realizado, a energia lida na escala do equipamento não corresponde exatamente à energia absorvida pelo corpo de prova ensaiado. Este fato é devido as forças que realizam trabalho oposto a força gravitacional, como por exemplo, a existência do ar, devendo-se descontar essa parcela de energia referente às perdas na efetivamente da energia absorvida pela resistência à quebra do corpo de prova. 𝛽𝑚á𝑥 = 𝑎𝑟𝑐 𝑐𝑜𝑠 [1 − ( 𝑎 𝑅 ) ∗ (1 − 𝐸𝑎 𝐸𝑚 )] (5) Em que: βmáx= é o ângulo máximo atingido pelo pêndulo sem um corpo de prova, Ea= é a primeira energia livre sem o corpo de prova, Em= é a energia nominal do pêndulo. Quando o corpo de prova é posicionado, a equação é representada pela equação 6 em que Es é a energia registrada pela máquina de ensaio. 𝛽 = 𝑎𝑟𝑐 𝑐𝑜𝑠 [1 − ( 𝑎 𝑅 ) ∗ (1 − 𝐸𝑠 𝐸𝑚 )] (6) A correção de energia, Et, é expressa por: 𝐸𝑡 = ( 𝐸𝑎− 𝐸𝑏 2 𝛽𝑚á𝑥 ) ∗ 𝛽 + 𝐸𝑏 2 (7) Em que: Eb= é a energia associada à segunda queda sem corpo de prova (no caso de mostrador analógico, realiza-se a segunda oscilação sem zerar o ponteiro da primeira oscilação). Para o cálculo de resistência ao impacto real do corpo de prova, Is, tem-se: 𝐼𝑠 = 𝐸𝑠 − 𝐸𝑡 𝑡 (8) Em que: t= é a espessura do corpo de prova. Para o simples cálculo de resistência ao impacto sem correção, Isn, se desprezam as energias de perdas tal que: 𝐼𝑠𝑛 = 𝐸𝑠 𝑡 (9) Para efeitos de cálculo, a resistência do ar foi considerada a partir da liberação do pêndulo em oscilação livre sem o corpo de prova por duas vezes. Este valor foi descontado na equação. A fixação do corpo de prova no equipamento de ensaio de impacto foi feita conforme o método Izod, onde a face do entalhe se encontra voltada para o martelo. 2. RESULTADOS E DISCUSSÃO 2.1. Ensaios de Tração As dimensões dos corpos de prova (Figura 6) utilizados no ensaio de Tração estão apresentadas na Tabela 2. Figura 6. Corpos de provas utilizados no ensaio de tração. (*A amostra 3 fraturou durante o manuseio. Dessa forma, a mesma foi retirada dos cálculos posteriores). Tabela 2. Dimensões das amostras para o ensaio de tração. Amostras (a) Altura (mm) (b) Largura (mm) (c) Espessura (mm) 1 65 11,90 3,21 2 65 11,95 3,20 3 65 12,10 3,20 4 65 12,20 3,20 5 65 12,20 3,20 Figura 7. Gráficos tensão versus deformação específica. A partir dos gráficos de tensão-deformaçãoconforme apresentado na Figura 7, foram calculados os parâmetros de limite de resistência à tração, resiliência, tenacidade, módulo de elasticidade, ductilidade e limite de escoamento. Módulo de Elasticidade Para o cálculo do módulo de elasticidade é necessário se delimitar a parte elástica da curva de tensão-deformação, sendo representada no gráfico por meio da relação linear entre tensão-deformação, em que a inclinação da reta corresponde ao modulo de elasticidade do material. Nos gráficos contidos na Figura 8 é apresentada a região utilizada para o cálculo do módulo de elasticidade. Figura 8. Gráficos do módulo elástico dos materiais em estudo. (A) material 1; (B) material 2; (C) material 4 e (D) material 5. Os valores dos módulos de elasticidade obtidos por meio dos cálculos referentes à cada material estão apresentados na Tabela 3. Tabela 3. Módulo de elasticidade dos materiais. Amostra 1 2 4 5 Módulo de elasticidade calculado (Mpa) 397,39 423,89 268,61 320,71 Limite de escoamento É de extrema importância conhecer o nível de tensão no qual inicia-se a deformação plástica, ou seja, quando ocorrerá o fenômeno de escoamento. Para os diversos tipos de materiais que apresentam transição gradual de deformação elástica para deformação plástica, o ponto de escoamento pode ser determinado como aquele onde ocorrerá o afastamento da linearidade na curva tensão-deformação, representando assim, o início da deformação plástica. Por convenção, estabeleceu-se a construção de uma linha reta paralela a porção elástica da curva em alguma deformação pré especificada. A interseção dessa linha com a curva tensão deformação, conforme essa se inclina na região plástica é definida como limite de escoamento. A avaliação do limite de escoamento neste trabalho foi delimitada com base em uma reta distante 0,005 do valor inicial de deformação específica, sendo o último valor numérico referente à deformação elástica do material. Os resultados encontram-se apresentados na Tabela 4. Tabela 4. Deformação dos compósitos por meio do ensaio de tração. Amostra 1 2 4 5 Limite de escoamento (N/mm2) 9,99 7,37 11,23 10,53 Ductilidade Os valores de ductilidade em termos de alongamento foram avaliados considerando o último ponto dos respectivos gráficos e o comprimento inicial do material (65 mm). Como os dados estão dispostos em medida de deformação específica, é necessário apenas verificar o último ponto da curva de tensão-deformação antes da ruptura do material, conforme apresentado na Eq.4. Os resultados de deformação para as amostras encontram-se apresentados na Tabela 5. Tabela 5. Deformação dos compósitos por meio do ensaio de tração. Amostra 1 2 4 5 Deformação (%) 3,97 2,91 5,24 4,56 Os materiais frágeis são considerados, de maneira aproximada, como aqueles que possuem uma deformação de fratura menor que 5%, enquanto matérias dúcteis apresentam deformação superior. Desta forma, os materiais 1, 2 e 5 apresentaram comportamento frágil. O comportamento frágil observado para amostra 4 não se repetiu, apresentando perfil dúctil de acordo com o cálculo realizado. Tal fato, pode estar associado à uma desuniformidade em relação as fibras disposta no material de estudo, sendo necessário testes específicos de caracterização de materiais para verificação e confirmação do resultado obtido. Uma porcentagem menor de fibras ou até mesmo uma pequena mudança na orientação das destas, podem ser o motivo da alteração das propriedades verificadas em tal amostra. Limite de resistência à tração O limite de resistência a tração é obtido por meio do ensaio de tração, sendo este a máxima tensão que um material pode suportar ao ser esticado ou puxado antes do rompimento. Os valores de limite de resistência à tração dos materiais estudados encontram- se na Tabela 6. Tabela 6. Tensão máxima e tensão de ruptura para o ensaio de tração. Amostra 1 2 4 5 Limite de resistência à tração (MPa) 13,79 14,56 13,20 13,44 Resiliência Os valores de resiliência foram obtidos por meio da área referente ao comportamento elástico da curva de tensão-deformação. Os resultados obtidos por meio do ensaio realizado encontram-se dispostos na Tabela 7. Tabela 7. Valores de resiliência das amostras estudadas. Amostra 1 2 4 5 Resiliência (J/mm3) 0,13 0,06 0,23 0,17 Tenacidade A tenacidade foi calculada a partir dos ensaios de tração, sendo representada pela área sobre a curva de tensão versus deformação até o ponto de fratura, conforme apresentado na Tabela 8. Tabela 8. Valores de tenacidade dos materiais estudados. Amostra 1 2 4 5 Tenacidade (J/mm3) 0,31 0,19 0,35 0,33 Para que um material seja tenaz, ele precisa exibir tanto resistência quanto ductilidade. Devido ao material em estudo ser um material experimental não comercial (Polietileno reforçado com aproximadamente 60% de fibra de arroz), a comparação das propriedades mecânicas deste foram comparadas à dados encontrados na literatura conforme pesquisa de Fávaro e colaboradores (2009), em que os valores médios encontrados para o material ensaiado (polietileno reforçado com 60% de casca de arroz), do polietileno de alta densidade puro e do polietileno reciclado reforçado com 60% de fibra de casca de arroz, encontram-se apresentados na Tabela 9. Tabela 9. Valores médios dos parâmetros no material em estudo. Parâmetros Material em estudo PEAD Puro PE/60C Resiliência (J/mm3) 0,15 Tenacidade (J/mm3) 0,30 Módulo de elasticidade (N/mm2) 352,65 ~450 ~ 620 Limite de escoamento (N/mm2) 9,78 Limite de resistência à tração (N/mm2) 13,75 ~21 ~14,9 Ductilidade (%) 4,17 Ao se comparar os valores médios obtidos para polietileno reforçado com 60% de casca de arroz aos valores descritos na literatura, podemos notar uma divergência no Módulo de Elasticidade encontrado para as amostras deste estudo. Este diferença pode ser devido a um erro de medição, já que o módulo de elasticidade calculado por nossa equipe se baseou na delimitação da parte elástica da curva de tensão-deformação. Se o alongamento registrado durante o ensaio estiver incorreto (devido aos primeiros instantes do ensaio, uma vez que um mal encaixe do corpo de prova na máquina de tração, registra um deslocamento inexistente na realidade), os valores da deformação específica também apresentam erros que refletiram no Módulo de Elasticidade. Já em relação ao limite de resistência à tração, os valores obtidos neste estudo encontram-se próximos ao valor encontrado na literatura. 2.2. Dureza Os valores teóricos e experimentais coletados estão representados na Tabela 10. Tabela 10. Valores obtidos com o ensaio de Rockwell C Amostra Medida HR1 Medida HR 2 Medida HR 3 Média Valor teórico Padrão I 19,6 20,3 20,1 20,0 21,2 Padrão II 41,7 42,3 42,2 42,1 43,3 Padrão III 60,9 61,2 61 61,0 62,1 Amostra 19,3 19,3 19,3 19,1 - Com os valores médios experimentais e teóricos referentes aos padrões I, II e III, plotou-se o gráfico dureza teórica versus dureza experimental, em que ao se fazer o uso da equação da reta, obteve-se o valor real da amostra estudada. O valor real calculado a partir da equação da reta para a amostra foi de 20,3 HRC, sendo o erro experimental calculado em relação ao valor teórico, de 6%. 2.3. Impacto Inicialmente o pêndulo foi liberado em oscilação livre para considerar a resistência do ar, registrando como valores de impacto de 0,032 J e 0,032 J, respectivamente. Estes valores foram descontados nos valoresde impacto das amostras avaliadas. A Tabela 11 apresenta os resultados da energia absorvida (J) pelos corpos-de-prova ensaiados, as resistência ao impacto não corrigida (RInc) bem como a resistência ao impacto corrigida dos compósitos (RIc). Tabela 11. Valores de energia e resistência ao impacto obtidos no ensaio de impacto. Amostra Espessura (mm) Energia (J) RInc (J/m) RIc (J/m) 1 3,31 0,144 43,50 34,20 2 3,23 0,176 54,49 45,04 3 3,22 0,228 70,81 61,45 4 3,22 0,142 44,10 34,53 Valor médio 3,24 0,172 53,16 43,75 Com o valor médio da resistência ao impacto sem correção (53,16 ± 12,7 J/m) e a resistência ao impacto corrigida (43,75 ± 12,8 J/m) foi possível observar que a correção da resistência ao impacto resultou num decréscimo de 17,7%. O alto desvio padrão encontrado se deve a amostra 4, que apresentou valor de resistência bem acima das outras amostras. Se considerarmos que o material da amostra 4 é igual ao das outras amostras, a diferença encontrada no valor da resistência ao impacto provavelmente pode estar relacionada a erros de operação e manuseio durante o ensaio. Um mal posicionamento da amostra na máquina ou mal dimensionamento do entalhe, podem causar modificações na análise. Um provável erro durante o entalhe da amostra pode ter ocorrido, uma vez que entalhes de menor profundida podem propiciar o aumento da resistência de impacto durante o ensaio. 3. CONCLUSÃO Quanto aos resultados obtidos, acreditamos que apesar destes serem condizentes, a diferença das médias pode estar associadas tanto as variações das propriedades dos materiais compósitos somadas aos erros experimentais; tais como, erro de medições durante os ensaios mecânicos devido à má calibração dos equipamentos utilizados, erro na preparação das amostras e/ou a falta de um ambiente controlado (variação de temperatura, umidade, etc), possíveis falhas humanas no desenvolvimento do ensaio devido por ao mal encaixe do corpo de prova, manuseio dos equipamentos; entre outros fatores. A realização dos ensaios para determinação das propriedades mecânicas dos materiais contribui não apenas para a ampliação dos conceitos apresentados em sala, como também para o entendimento prático e forma de aplicação desses conceitos. 4. REFERÊNCIAS ASTM D638-14, Standard Test Method for Tensile Properties of Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, 2014. ASTM D256-10e1, Standard Test Methods for Determining the Izod Pendulum Impact Resistance of Plastics, ASTM International, West Conshohocken, PA, 2010. CALLISTER, W. D. J. Ciência e engenharia dos materiais Uma introdução, 8 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. FÁVARO, S. L.; NETO, A. G. V. C.; GANZERLLI, T. A.; SUGUINO, B. S.; RADOVANOVIC, E. Análise química, morfológica e mecânica de compósitos de polietileno pós-consumo reforçados com casca de arroz. Anais do 10º Congresso Brasileiro de Polímeros – Foz do Iguaçu, PR – Outubro, 2009.