PSF e campanhas
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PSF e campanhas


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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
REGIONAL CATALÃO
CURSO DE PSICOLOGIA
ÉRICA CASTRO MORAIS
HANIELLY CRISTINNY MENDES CARVALHO
INVESTIGAÇÃO E MÉTODOS EM PSICOLOGIA: PROCESSOS CLÍNICOS
CATALÃO (GO)
2015
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
REGIONAL CATALÃO
CURSO DE PSICOLOGIA
TRABALHO DE CAMPO: PSF E CAMPANHAS
Trabalho avaliativo da disciplina de Investigação e Métodos em Psicologia: Processos Clínicos, ministrada pela professora Dra. Renata Wirthmann Gonçalves Ferreira, no curso de Psicologia da Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão. 
CATALÃO (GO)
2015
1. INTRODUÇÃO
	Este relatório tem como objetivo apresentar o trabalho de campo realizado durante o primeiro semestre de 2015. Nossa principal preocupação é apresentar aos leitores as instituições que visitamos, bem como relatar as entrevistas realizadas com uma profissional da Psicologia atuante na Estratégia de Saúde da Família e com outros profissionais que atuam nessa estratégia, mas que não contam com a presença de um psicólogo.
	Antes de apresentar os resultados obtidos e as nossas considerações sobre essa atuação, propomos discutir teoricamente o que é um PSF, quais as campanhas que ele realiza quais suas políticas para o profissional da psicologia, enfim, apresentar um pouco de seu contexto teórico. Depois, apresentaremos os relatos das entrevistas mesclados com um pouco da teoria.
Para a realização deste trabalho nos orientamos, principalmente, pelo Guia Prático do PSF, elaborado pelo Ministério da Saúde no ano de 2001. E, o que podemos adiantar como conclusão, é que a política do PSF ainda não prevê a inclusão do profissional da Psicologia em sua estrutura. 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O Programa de Saúde da Família (PSF) caracteriza-se como estratégia que possibilita a integração e promove a organização das atividades em uma área definida territorialmente com o propósito de enfrentar e resolver os problemas identificados. Ele pode ser designado também como Unidade de Saúde da Família (USF) e Estratégia de Saúde da Família (ESF). Alguns profissionais, como a psicóloga entrevistada, preferem a designação ESF, já que programa refere-se a um trabalho com começo e fim e a estratégia é um trabalho contínuo. 
De acordo com artigos lidos, o governo nem sempre visou o bem-estar da população. Foi somente em 1988, com a promulgação da nova Constituição Brasileira que se estabeleceu o lema: \u201cSaúde é direito de todos e dever do Estado\u201d. Ou seja, todo brasileiro tem garantido por lei o acesso às ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde. Nesse processo, foi idealizado o Sistema Único de Saúde (SUS) que tem por base os princípios doutrinários da universalidade, equidade e integralidade.	Segundo alguns autores, como Rosa e Labate (2005) e De França e Viana (2006), apoiados na cartilha do Ministério da Saúde (2001), o PSF teve início quando o Ministério da Saúde formula em 1991 o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) com a finalidade de contribuir para a redução das mortalidades infantil e materna. A partir dessa experiência de bons resultados acumulada no Ceará com o PACS, o Ministério da Saúde percebeu a importância dos agentes nos serviços básicos de saúde nos municípios e começou a enfocar a família como unidade de ação programática de saúde, não mais enfocando somente o indivíduo, mas introduzindo a noção de cobertura por família.
Assim, de acordo com Oliveira et al (2007), o Programa de Saúde da Família, foi implementado em 1994 no Brasil, no governo de Itamar Franco (1992-94), representando uma estratégia de reorganização da atenção básica com vistas a resgatar os princípios de equidade, universalidade e integralidade do SUS e garantir o acesso da população de risco a ações em saúde. Em 1994, foi implantado o PSF nos vinte e seis Estados mais o Distrito Federal, contando, para isso, com o grupo inicial de duas mil e quinhentas equipes a beneficiar dois milhões de famílias. A implantação deste programa no Brasil levou em conta o desenvolvimento de tal modelo de assistência no Canadá, Cuba, Suécia e Inglaterra, que serviram de referência para a formulação do programa brasileiro.
Segundo Rosa e Labate (2005), este programa surgiu como uma proposta de mudança do modelo centrado no médico e no hospital para um modelo centrado no usuário (família) e na equipe. O modelo que tínhamos antes era muito tecnicista, dava mais atenção à cura do que à prevenção das doenças e, não atendia mais à emergência das mudanças do mundo moderno e, nem às necessidades de saúde das pessoas. Assim, o PSF se apresentou como uma nova maneira de trabalhar a saúde, tendo a família como centro de atenção e não somente o indivíduo doente. Seu objetivo, portanto, é tratar o indivíduo como sujeito dentro da sua comunidade sócio-econômica e cultural. Essa nova visão de assistência à saúde não espera a população chegar para ser atendida, pois age preventivamente sobre ela.
O Guia Prático do PSF (2001), formulado pelo Ministério da Saúde, traz que no modelo tradicional, a função dos centros de saúde, ou postos de saúde, se caracteriza pela passividade. Sem vínculo efetivo com as pessoas, sem responsabilidade maior com a saúde da comunidade, essas unidades se limitam a abrir suas portas e a esperar que cheguem as crianças para serem vacinadas ou pacientes para serem encaminhados a hospitais.
Já a USF trabalha dentro de uma nova lógica, com maior capacidade de ação para atender às necessidades de saúde da população de sua área de abrangência. A função da USF é prestar assistência contínua à comunidade, acompanhando integralmente a saúde da criança, do adulto, da mulher, dos idosos, enfim, de todas as pessoas que vivem no território sob sua responsabilidade. Assim, 
\u201cO programa Saúde da Família faz parte de uma estratégia desenvolvida para promover mudanças no atual modelo de assistência à saúde do País, que dá mais atenção à cura do que à prevenção das doenças [...] os profissionais de saúde vão estar em contato com a comunidade, para orientar cada família a evitar doenças, fazer seu tratamento, quando for o caso, e ajudar a construir um ambiente saudável; [...] com isso, será possível humanizar o atendimento e, ao mesmo tempo, criar uma relação de confiança entre as equipes de saúde e a população\u201d (Brasil, 1994, p. 01).
	A USF integra o sistema local de saúde e faz parte da rede municipal de saúde. Para sua implantação, os municípios devem analisar bem a situação da área onde vai funcionar cada USF. Ainda sob referências do Guia Prático do PSF (2001), a implantação do PSF, na maioria das cidades começa nas áreas de maior risco ou mais carentes de atenção básica à saúde. Essas áreas normalmente ficam na periferia, distantes do centro da cidade, onde não costumam chegar os serviços de saúde. As pessoas dessa área costumam ser pouco informadas sobre cuidados básicos com a saúde. Às vezes essas periferias não contam nem com rede de saneamento básico. Por razões desse tipo é que a maioria das prefeituras escolhe a periferia para começar a implantação do PSF. 
	Em relação aos grandes centros urbanos, Escoronel et al (2007) trazem que a implementação do PSF tem sido lenta, pois deparou-se com questões de maior complexidade relacionadas à concentração demográfica, ao elevado grau de exclusão no acesso aos serviços de saúde, a agravos de saúde característicos das grandes cidades e metrópoles e a uma oferta consolidada em uma rede assistencial desarticulada e mal distribuída. 
	O Guia Prático do PSF (2001) traz ainda que, ao ser implementada em um município, a Unidade de Saúde da Família requer a existência de tecnologia e equipamentos que permitam a solução dos problemas de saúde mais comuns numa comunidade. Em sua estrutura mínima, a USF deve ter: uma sala de recepção; um local para os arquivos e registros; um local para cuidados básicos de enfermagem, como curativos e outros pequenos procedimentos; uma sala de vacinação, de acordo com as