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Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

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avaliar e legitimar, em consonância com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, uma dada experiência de inculturação ou o que deve modificado nas celebrações litúrgicas de acordo com as tradições e da mentalidade do povo (CCDDS, 30, 62-66). 
 
 	 
CAPÍTULO III: A PESSOA HUMANA À LUZ DA FÉ CRISTÃ 
3.1. Conceito 
A pessoa humana é uma criatura de Deus, justificada por Jesus Cristo e prometida à divinização. 
A visão cristã do ser humano supõe uma estrutura própria de quem crê, espera e ama. 
Crer, esperar e amar são 3 operações reunidas que têm uma significação religiosa e designam a verdadeira relação ao Deus verdadeiro, o Deus de Jesus Cristo. 
Ora a relação dos homens a Deus é sempre de ordem activa, da classe do fazer e introduz sempre uma dinâmica. 
Esta visão do ser humano, não deve ser confundida com outras maneiras de abordar a questão do homem. Trata-se do que o cristianismo confessa e compreende do comportamento humano quando ele considera que a maneira de ser homem não é sem relação a Deus. O cristianismo confessa que a condição humana é, como tal, vocação a crer, esperar e amar. 
3.1.1. O protótipo do ser humano é Jesus Cristo 
a) ECCE HOMO – Eis o Homem 
O cristianismo aprende a olhar a Jesus Cristo e descobrir quem é o ser humano e o que está chamado a ser. É agora e aqui que em Jesus Cristo aprendemos o que significa “tornar-se homem”. 
Quando nós dizemos de Jesus “Eis O Homem” confessamos e afirmamos que Ele é aquele em quem o sentido tem sentido, o homem novo que dá à humanidade sua razão de ser. 
Jesus Cristo é alguém que pertenceu à história dos homens, que pertenceu a nossa história, que é um dos nossos. Porquê Jesus? 
A resposta é que na história humana Jesus é o único homem, o único verdadeiro, que foi sempre verdadeiro com a sua humanidade. Jesus foi desde a sua encarnação – do princípio ao fim de sua vida – totalmente homem e verdadeiro com a sua humanidade. Jesus não brincou com a nossa humanidade, não fez de contas que era homem; ele foi até ao fim, até as consequências do seu ser 
Homem. 
No seu caminho de humanidade Jesus é aquele em quem se manifesta a graça da criação que consiste em ser Filho de Deus, vivendo a dependência a Deus e a autonomia da responsabilidade pessoal. 
Ele reconhece e aceita a sua condição de filho e não quer de modo algum tomar o lugar do Pai. 
É analisando o comportamento de Jesus que nós chegaremos a conhecer nele o HOMEM: “EIS O HOMEM”. O justo sem pecado – o homem, o verdadeiro sem pecado, aquele que soube guardar a todo custo a sua relação filial absolutamente plena de humanidade – a excepção que confirma a regra porque todos os homens são pecadores. Ele é o único de entre todos, Ele é o único por todos, ele não é o solitário mas o solidário. 
b) O Homem, é Jesus Tentado 
(Uma leitura de Lc 4,1-13) 
Podemos afirmar que Jesus Cristo é protótipo do Homem justamente no momento em que é tentado. O texto de Lucas deixa claro que Jesus é tentado na sua qualidade de «filho» e que as tentações sugerem que um «filho» pode encontrar a sua felicidade abandonando a sua condição de filho, alguém dependente do seu progenitor, e tomando a condição de «Pai». As três tentações apresentam três falsos apelos que levam ao uso de um poder sobre as coisas, sobre os outros e sobre Deus. Tal poder só é possível quando a pessoa deixa de ocupar o seu lugar na sua relação com as coisas, com os outros e com Deus. 
Jesus permanece homem, permanece filho na sua relação com Deus e nos mostra que ser homem é ocupar o seu lugar na criação sem jamais se cansar de ser filho e de se relacionar correctamente de modo a compor com o universo e com os outros. 
Na primeira tentação S. Lucas coloca em evidência que ser humano é respeitar uma estrutura antropológica que diz que ninguém é humano sozinho. O ser humano faz-se por via da relação saudável com os outros. Não se pode ser só. Ao falar do pão, o texto sublinha: 
	3.1.2. 	O Laço biológico da vida humana 
O homem tem necessidade de pão para viver mas ele pode também morrer quando come demais (excesso de pão). 
 
	3.1.3. 	O Laço social como lugar cultural 
O pão é um alimento transformado e não bruto, por isso evoca a realidade do homem em sociedade e sempre em cultura. O homem é um animal bio-cultural. 
3.1.4. O Laço social como laço ético 
O pão evoca uma situação política, onde a justiça impõe o dar a cada um o necessário para viver e subsistir a justiça social. As necessidades que fazem o homem são as mesmas que fazem a história: comer, beber, vestir – condições de justiça elementar (Cfr. Mt 25 e Karl Marx). 
3.1.5. O Laço social como laço simbólico e laço religioso 
A nossa relação a Deus passa sempre pela relação aos outros. O laço religioso é interno ao laço social. Ele permite uma abertura ilimitada ao outro. Nesta resposta de Jesus há uma espécie de lei, princípio: 
NÃO ...SEM; NÃO há laço religioso SEM laço biológico-social; NÃO há justiça para mim SEM justiça para meu irmão. 
A segunda tentação deixa um recado sobre a relação humana e humanizadora entre as pessoas. Quando o tentador diz que viver é dominar os outros, é exercer violência sobre os outros, é ser totalitário, dominando e subjugando, Jesus responde que ser homem é aceitar que viver é entrar em comunhão, é estar ao serviço da comunhão e da paz enquanto renúncia á dominação e á violência. 
A terceira tentação sugere que ser plenamente humano é viver sem Deus, é recusar assumir as limitações humanas, é recusar a morte. Jesus diz-nos que ser homem é consentir a viver como homens que conhecem a dor, o sofrimento e a morte. 
 
3.2. O homem é um ser com dignidade 
3.2.1. Conceito da Dignidade 
A dignidade da pessoa humana radica na noção de criação a imagem e semelhança de Deus. Perante Deus, cada indivíduo representa a dignidade de género humano. A motivação mais profunda da dignidade da pessoa humana está na revelação oferecida pelo Verbo encarnado. Jesus veio revelar que o pai ama todos os homens independentemente das suas condições sociais (Mt. 16,26; Lc 12,23). Por isso a igreja ensina que: O homem imagem vivente de Deus vale por si mesmo, não por aquilo que sabe, produz ou que possui. É a sua dignidade de pessoa que confere valor aos bens que ele usa para se exprimir e realizar-se. [8: .CEI=CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA, La Verita vi fara Liberi, Catechismo degli adulti; Ed.Città del Vaticano Roma 1995, pp 486. Cf: Gn. 2,9 «Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a àrvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal».Cf. Gn. 3,9-13 «Iahweh Deus chamou o homem: onde estás?... Respondeu o homem, tive medo porque estou nu, e me escondi, Ele retorquiu e quem te fez saber que estás nu? O homem respondeu, a mulher que puseste junto de mim…Deus disse a mulher que fizeste? A mulher respondeu a serpente me seduziu e eu comi». ]
O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes (Gs. nº 17). 
3.3. O homem é um ser de Consciência 
3.3.1. Conceito 
A consciência é o núcleo mais secreto e o santuário da pessoa. Ela não é uma função, mas é a estrutura do ser humano e pode ser identificada com a essência do ser humano. Ela revela, de modo admirável, a lei do imperativo categórico, que se cumpre pelo amor a Deus e ao próximo (GS, 16).“Na intimidade da sua consciência, a pessoa humana descobre uma lei que ela não impõe a si mesma, mas a qual se vê obrigada a obedecer. Chamado a amar o bem e a evitar o mal, a voz da consciência pode, quando necessário, falar-lhe ao coração mais especificamente: faz isto, evita aquilo. Isto porque o homem tem no seu coração uma lei escrita por Deus. Obedecer a ela constitui a verdadeira dignidade da pessoa, que será julgada de acordo com tal lei (Cfr. Rm. 2,15-16). [9: O imperative categórico foi formulado por Kant quando diz “age de modo a que a

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