A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
81 pág.
Manual de Teologia Católica   Versão Atualizada

Pré-visualização | Página 11 de 20

tua acção possa ser elevada a lei universal”, ou por outra faz o bem e evita o mal ]
3.3.2. A consciência é uma faculdade moral. 
Para Peschke (Peschke, 1986, 275) a consciência é elemento que “manifesta aos homens as suas obrigações morais e os impele a cumpri-las”.A pessoa humana é receptora de normas que deve executar na intimidade da sua consciência onde descobre uma lei que lhe é imposta. É importante sublinhar a individualidade da pessoa humana na descoberta e execução da tal lei o que concorre para a explicação da responsabilidade pessoal do sujeito ao cometer qualquer acto humano. 
3.3.3. A Consciência pode ser recta ou errónea 
Quando a consciência se encontra de acordo com a norma moral objectiva chama-se consciência certa; no caso contrário chama-se consciência errónea. A existência de doutrinas e correntes filosóficas que deturpam a verdade sobre o ser humano, pode influenciar a rectidão de uma consciência. A formação errada da consciência designa-se ignorância invencível e o mal cometido por causa da ignorância invencível, é um mal, embora não possa ser imputado á pessoa que o comete. 
3.3.4. Consciência certa ou duvidosa 
A consciência é certa quando é capaz de formular um juízo moral sem medo de se enganar. Quando, porém, existe alguma possibilidade de se enganar no juízo que se emite, então está-se perante uma situação de consciência duvidosa. 
É importante ter presente que a certeza não coincide com a rectidão; isto aplicado a nossa reflexão, quer dizer que nem sempre a consciência certa é uma consciência recta. Por outro lado, a consciência duvidosa não coincide com consciência errónea: consciência recta tem a ver com a bondade moral do acto que se pratica. 
Quando alguém está perante uma consciência duvidosa deve suspender o juízo e recorrer à ajuda externa. 
3.3.5. A Primazia da Consciência 
A voz da consciência, por ser a voz de Deus, tem de ser seguida sempre, mesmo que a sua decisão pareça pouco clara. Na sua primazia a consciência é considerada como a norma subjectiva suprema e final da moralidade. Mas, porque o juízo prático da consciência depende da razão humana, que naturalmente não é infalível, pode acontecer que a consciência faça juízos errados. Isso quer dizer que a consciência, como juízo do acto, não está isenta de erro. Mas, mesmo quando ela erra, por ignorância invencível, a consciência não perde a sua dignidade (João Paulo II, 1993, 62). 
3.3.6. A Formação da consciência 
Há uma obrigação absoluta de obedecer a consciência. Por causa disso é importante a formação da consciência. A consciência é bem formada quando é recta e verídica, quer dizer, quando formula o seu juízo segundo o bem estabelecido pela sabedoria do criador. Para os crentes, a formação da sua consciência deve basear-se no ensino diligente da Sagrada Escritura e na doutrina da Igreja, pois, por Cristo, a Igreja Católica foi constituída mestra da verdade e, por isso, ela tem a missão de fazer conhecer e ensinar a verdade que é Cristo. Ademais, pela sua autoridade, ela declara e confirma os princípios morais que dimanam da natureza humana (Concílio Vaticano II, Dignitate Humanae,14). 
3.3.7. O Homem é um ser responsável e imputável 
A Responsabilidade é a capacidade que os seres humanos têm de responder pelos seus actos. Os seres humanos são considerados capazes de agir responsavelmente uma vez que são dotados de liberdade. [10: Designa-se por liberdade a faculdade de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, de praticar actos deliberados. ]
A responsabilidade implica, que o ser humano pode e deve responder pelos seus actos, que, por radicarem na sua liberdade, lhe são imputáveis. Ela é a característica do homem adulto e consciente. 
3.3.8. Imputabilidade 
A imputabilidade é dever de responder pelos seus actos. Concorrem para a imputabilidade as seguintes condições: 
Liberdade de acção 
Consciência do acto cometido 
Conhecimento crítico dos seus actos. 
3.3.9. Factores que afectam a imputabilidade 
a) A falta de conhecimento crítico por: 
 Ignorância, sobretudo a invencível. A ignorância vencível não exclui a imputabilidade mas pode diminuir o seu grau; 
 Erro,que consiste no conhecimento falso ou defeituoso que leva à uma avaliação equivocada ou errada da moralidade de uma determinada acção. 
 Distracção que é uma falta, momentânea, de conhecimento, de percepção ou de consciência. A não imputabilidade de uma acção depende do grau de distracção que acompanha essa acção. 
c) Factores que impedem o consentimento pleno da vontade: 
 As Paixões enquanto reacções instintivas, internas produzidas pelo bem ou pelo mal percebidos intuitivamente. Embora sejam factores necessários de integração da pessoa humana elas diminuem a imputabilidade porque impedem o funcionamento normal da razão e também a sua atenção; algumas paixões constituem um forte incentivo para acção e até podem diminuir ou destruir a vontade; 
 O Medo entendido como repressão da vontade por causa de um perigo iminente ou previsto, o qual pode ser grave ou ligeiro. Em geral o medo não elimina a imputabilidade, mas a diminui. Só não existe imputabilidade quando o medo endurece pois paralisa completamente a vontade; 
 Violência que é a força compulsiva física ou psíquica extrínseca à vontade. 
 Alguns hábitos, disposições inatas, e motivações inconscientes As disposições são inclinações de uma pessoa sobre uma determinada coisa, dependendo da história da pessoa (infância) e a situação hereditária. Por seu turno, o hábito é a segunda etapa em que há a repetição de uma acção, de maneira que ela fica estabelecida; se o hábito for positivo leva à virtude, e se for mau ao vício, que deve ser combatido. 
 As sugestões de massas (meios de comunicação e publicidade). 
 
3.4. O homem é susceptível ao pecado 3.4.1. Conceito do pecado. 
O conceito de “pecado” é eminentemente teológico e designa, no sentido estrito da palavra, um acto voluntário de ruptura com Deus. O ser humano não é geneticamente determinado e isso abre a possibilidade de se construir paulatinamente. Quando há uma recusa de viver segundo o melhor das suas possibilidades biológicas, psíquicas e amorosas há recusa da própria humanização e da humanização dos demais. 
Assim o pecado não é uma fatalidade. Não tem necessariamente que acontecer, ele é uma possibilidade inscrita no plano da criação – porque o homem é vocacionado a ser livre (à liberdade), consciente, responsável, único e irrepetível. A possibilidade de pecado é fundamental para que o projecto de Deus acerca do homem seja bom e o ser humano seja livre de suas decisões. 
3.4.2. O pecado Original 
Chama-se pecado original à condição natural ou inata, na qual todo o ser humano nasce. O ser humano nasce numa condição marcada pelo pecado, enquanto ruptura da relação com Deus. O pecado original procura designar uma espécie de estrutura condicionante do homem em sociedade, um modelo colectivo do “pecado”, de alienação humana, estado agravado incessantemente, pelos actos pecaminosos dos indivíduos de determinada comunidade ou sociedade. É estado natural do ser humano e não ruptura realizada (um acto) por uma colectividade em determinado momento de sua história. 
 
 	 
	FUNDAMENTOS DE TEOLOGIA CATÓLICA II 
	Informação 
	Disciplina 
	Decreto n.º 32/2010 de 30 de Agosto 
	Título da Disciplina 
	Fundamentos de Teologia Católica I e II 
	Código da Disciplina 
	FTC201 
	Tipo de Disciplina 
	Obrigatória 
	Nível da Disciplina 
	Licenciatura 
	Ano Académico 
	2º Ano 
	Semestre 
	Segundo 
	Número de créditos Académicos (horas) 
	3 Créditos/75horas 
(TC: 15 Horas; TA: 60 Horas) 
 
Objectivos/Competências da Unidade Curricular 
 
1.- Dar a conhecer a fé católica. 
2.- Oferecer conceitos para a compreensão da pessoa humana à luz da fé. 
3.- Transmitir o ensinamento da Igreja Católica, no campo Político-social e Cultural 
Pré – Requisitos 
 
De acordo com o Regulamento em vigor, nomeadamente o art.º 21.º, “na UCM não há precedências, isto é,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.