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UNIDADE 1

VOCÊ NO ENSINO SUPERIOR

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

PLANO DE ESTUDOS

A partir do estudo desta unidade, você será capaz de:

• ter clareza sobre a origem das Instituições de Ensino Superior no Brasil;

• entender quais os pilares que regem a formação através de uma
Universidade;

• ter o entendimento sobre alguns aspectos regulatórios do Ensino Superior
no Brasil;

• observar de que maneira as universidades contribuem para o
desenvolvimento social de um país.

Esta unidade está dividida em cinco tópicos, sendo que ao final de cada
um deles você encontrará atividades que o auxiliarão na apropriação dos
conhecimentos.

TÓPICO 1 – RESGATE HISTÓRICO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

TÓPICO 2 – INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

TÓPICO 3 – AS IES NO ENSINO, NA PESQUISA E NA EXTENSÃO

TÓPICO 4 – VOCÊ NO ENSINO SUPERIOR E OS DIFERENTES TIPOS DE
TRABALHOS ACADÊMICOS

TÓPICO 5 – CENÁRIO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

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TÓPICO 1
UNIDADE 1

RESGATE HISTÓRICO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

1 INTRODUÇÃO

A chegada da família real portuguesa ao Brasil está associada às primeiras
escolas de Ensino Superior no país, que foram fundadas em 1808. Assim, foram
criadas as escolas de Cirurgia e Anatomia em Salvador (hoje Faculdade de
Medicina da Universidade Federal da Bahia), a de Anatomia e Cirurgia, no Rio
de Janeiro (atual Faculdade de Medicina da UFRJ) e a Academia da Guarda
Marinha, também no Rio (MARTINS, 2002). De acordo com o mesmo autor,
após um período de dois anos, foi fundada a Academia Real Militar (atual Escola
Nacional de Engenharia da UFRJ).

Posteriormente, foi ofertado o curso de Agricultura, em 1814, e implantada
a Real Academia de Pintura e Escultura. Porém, até a proclamação da República,
em 1889, seguia o modelo de formação dos profissionais liberais em faculdades
isoladas, e visava assegurar um diploma profissional com direito a ocupar postos
privilegiados no mercado de trabalho restrito, além de garantir prestígio social.
Ressalte-se que o caráter não universitário do ensino não constituía demérito para
a formação superior, uma vez que o nível dos docentes deveria se equiparar ao da
Universidade de Coimbra, e os cursos eram de longa duração (MARTINS, 2002).

Nos anos de 1990, houve grande avanço em relação à procura pelo ensino
superior, principalmente na rede privada de ensino, no que tange ao número de
vagas em expansão. O que precisamos refletir é que nem todas as instituições estão
preocupadas em oferecer cursos de boa qualidade e de caráter investigativo que
incentive a pesquisa. No entanto, sabe-se que para realizar uma investigação, de
qualquer natureza, faz-se necessário preparo efetivo do corpo docente, assim como a
escolha dos rumos da pesquisa e também de métodos e técnicas a serem utilizados.

Estudar esses caminhos, as possibilidades mais utilizadas em sua área,
explorar possibilidades, analisar caminhos trilhados por outras pesquisas, enfim,
tudo isso amplia o olhar do pesquisador. Não se trata de copiar. É nessa exploração
que o investigador começa a delinear possibilidades e lapidar interesse que, a
princípio, pode ser somente uma curiosidade, um tema de interesse, um assunto
que o provoca de alguma forma. Dentro deste contexto, o Brasil deveria ser ponta
de lança para aprofundar essas possibilidades e inserir os seus cientistas, não
apenas nas salas de aula, mas também nas empresas, pensando soluções em
tecnologia e inovação, como acontece em outros países. A presente unidade
tem essa pretensão: apresentar alguns delineamentos possíveis ao surgimento do
Ensino Superior no Brasil, e o que ampara nossa educação.

UNIDADE 1 | VOCÊ NO ENSINO SUPERIOR

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Conforme observado na introdução, no Brasil, as pesquisas são
realizadas, essencialmente, nas Universidades e Centros de Pesquisa. Estamos
tão acostumados a pensar dessa forma – pesquisa se faz na universidade –
que podemos considerar que sempre foi assim, que as universidades sempre
existiram e que somente nesses espaços realizamos pesquisa associada ao
ensino. Claro, isso deve existir, e faz parte do tripé do ensino universitário,
como veremos à frente (EBERT; CAMPREGHER, 2017). Há a necessidade em
realocar o pesquisador também na indústria ou na empresa, onde poderá pensar
em inovação, com novos processos, produtos e tecnologias. E para desfazer
esse modelo característico, precisamos voltar e olhar um pouco a história do
surgimento das universidades no Brasil.

O que entendemos hoje como Universidade é uma construção. Foi sendo
materializada e, ainda, em nosso país, foi sendo inspirada pelo surgimento de
universidades em outras partes do mundo. Precisaremos voltar até a criação
das primeiras “universidades, nos séculos XII e XIII, na Idade Média, como a
Universidade de Bolonha, criada em 1088, a Universidade de Humboldt em
Berlim, fundada em 1810, a Universidade de Oxforf, fundada em 1214, e a
Universidade de Paris, criada em 1215” (PAULA, 2009, p. 71). Nesta origem,
podemos ver forte relação com a Igreja, submetidas aos regulamentos e
disciplina religiosa.

O surgimento das primeiras universidades, na virada dos séculos
XII e XIII, é um momento capital da história cultural do Ocidente
medieval [...]. Pode-se compreender que ela comportou, em relação à
época precedente, elementos de continuidade e elementos de ruptura.
Os primeiros devem ser buscados na localização urbana, no conteúdo
dos ensinamentos, no papel social atribuído aos homens de saber.
Os elementos de ruptura foram inicialmente de ordem institucional.
Mesmo que se imponham aproximações entre o sistema universitário
e outras formas contemporâneas de vida associativa e comunitária
(confrarias, profissões, comunas), este sistema era, no entanto, no
domínio das instituições educativas, totalmente novo e original, [...]
o agrupamento dos mestres e/ou dos estudantes em comunidades
autônomas reconhecidas e protegidas pelas mais altas autoridades
leigas e religiosas daquele tempo permitiu tanto progressos
consideráveis no domínio dos métodos de trabalho intelectual e
da difusão dos conhecimentos quanto uma inserção muito mais
eficiente das pessoas de saber na sociedade da época (VERGER, 2001,
p. 189-190, grifos nossos).

A proximidade com o poder oportunizava que os intelectuais tivessem
uma vida de atuação política e cultural dentro das cidades. Com isso,
ganhavam espaço para desenvolver o pensamento em relação aos saberes
sagrados ou filosóficos.

2 A ESSÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR

TÓPICO 1 | RESGATE HISTÓRICO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

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IMPORTANT
E

O francês René Descartes, nascido em 31 de março de 1596, teve papel
fundamental na estruturação de métodos. O pensamento científico pode ser, portanto,
relacionado a esse filósofo, que viu a necessidade de verificar, analisar, sintetizar e enumerar
aquilo que se pretende entender.

A ideia de universidade presente naquele período tinha cunho filosófico,
pensamento crítico e envolvimento com pesquisa, ou seja, estava alinhada
com a ideia de oferecer ensino superior, o que consequentemente geraria uma
aprendizagem superior. Esse entendimento de universidade estava associado à
ideia de atender à sociedade, ao contrário do que se percebe no contexto atual,
dissociado da ideia de atender ao mercado. Atualmente, a universidade brasileira
tem amadurecido – tanto na teoria quanto na prática, na realização de projetos
– na compreensão de seu papel na sociedade brasileira. Amparada em muitas
discussões oportunizadas por teorias e por experiências, hoje compreende-se
que há um elo entre ensino-pesquisa-extensão. Por meio dessas três atividades, a
universidade amplia sua inserção social.

Caso as instituições de ensino centrassem suas atividades somente na
pesquisa, esqueceriam que a própria pesquisa necessita da sociedade para ser
realizada. Como poderá ser