Prévia do material em texto
ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO E PERFURATIVO MORFOFUNCIONAL RADIOLOGIA ETAPA 5 ABDOME AGUDO Quadro clínico abdominal caracterizado por dor de início súbito ou de evolução progressiva, que necessita de definição diagnóstica e de conduta terapêutica imediata. ABDOME AGUDO A adequada abordagem clínica e laboratorial dos quadros de abdome agudo é fundamental, porém cada vez mais a rapidez e a eficácia na avaliação diagnóstica por imagem têm impacto direto na redução da morbimortalidade. A indicação de cada método de estudo, bem como o planejamento dos exames, deve ser feita direcionada à suspeita clínica, de modo a otimizar a sensibilidade dos exames. MÉTODOS DE IMAGEM NO ABDOME AGUDO ROTINA RADIOGRÁFICA - RAGIOGRAFIA DE TÓRAX - RADIOGRAFIA DE ABDOME EM DECÚBITO DORSAL E ORTOSTÁTICA ULTRASSONOGRAFIA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA (TC) tem papel central na avaliação da dor abdominal aguda no adulto. Exceções incluem a suspeita clínica de colecistite aguda, ou alterações de origem ginecológica, casos em que se deve optar inicialmente pela ULTRASSOGRAFIA (US). Em crianças ou pacientes magros, pode-se iniciar a investigação através da US, para reduzir a exposição à radiação. As RADIOGRAFIAS DE ABDOME tem baixa sensibilidade, podendo ser realizadas na suspeita de perfuração ou em alguns casos de obstrução intestinal. ROTINA RADIOGRÁFICA RADIOGRAFIA DE TÓRAX auxilia na: Exclusão de patologias torácicas concomitantes Exclusão de patologias torácicas exclusivas Visualização das cúpulas frênicas (pneumoperitônio) RADIOGRAFIA DE TÓRAX RADIOGRAFIA DE ABDOME O que é normal? Gás no estômago e cólons Gás no intestino delgado Alguns níveis hidroaéreos RADIOGRAFIA DE ABDOME EXAME PADRÃO: radiografias em decúbito dorsal e ortostática RADIOGRAFIA DE ABDOME ALTERNATIVA PARA O PACIENTE QUE NÃO PODE FICAR DE PÉ OU SENTADO É A RADIOGRAFIA EM DECÚBITO LATERAL COM RAIOS HORIZONTAIS O PROPÓSITO FUNDAMENTAL DA RAGIOGRAFIA COM RAIOS HORIZONTAIS É DETECTAR NÍVEIS HIDROAÉREOS OU AR LIVRE NO ABDOME DECÚBITO LATERAL COM RAIOS HORIZONTAIS DECÚBITO LATERAL COM RAIOS HORIZONTAIS PNEUMOPERITÔNIO TIPOS DE ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO VASCULAR OBSTRUTIVO PERFURATIVO ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO DOR ABDOMINAL DECORRENTE DE UM PROCESSO INFLAMATÓRIO E/OU INFECCIOSO LOCALIZADO NA CAVIDADE ABDOMINAL. EXISTEM VÁRIAS CAUSAS DE ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO, SENDO AS MAIS HABITUAIS: APENDICITE AGUDA COLECISTITE AGUDA PANCREATITE AGUDA DIVERTICULITE POR DOENÇA DIVERTICULAR DOS COLONS. ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO ABORDAGEM POR SINTOMAS: DOR Hipocôndrio direito Hipocôndrio esquerdo Flanco direito Flanco esquerdo Fossa ilíaca direita Fossa ilíaca esquerda DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL EM RELAÇÃO AO SÍTIO DOLOROSO HIPOCÔNDRIO/FLANCO DIREITO Colecistite aguda Pielonefrite aguda/infarto renal Litíase renal e ureteral Pancreatite aguda DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL EM RELAÇÃO AO SÍTIO DOLOROSO FOSSA ILÍACA DIREITA Apendicite aguda Abscesso tubo-ovariano Corpo lúteo hemorrágico Torção anexial Colite isquêmica Apendagite epiplóica DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL EM RELAÇÃO AO SÍTIO DOLOROSO HIPOCÔNDRIO/FLANCO ESQUERDO Cólica nefrética Pielonefrite / infarto renal Abscesso / infarto esplênico Pancreatite caudal Diverticulite aguda Aneurisma esplênico DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL EM RELAÇÃO AO SÍTIO DOLOROSO FOSSA ILÍACA ESQUERDA Diverticulite aguda Abscesso tubo-ovariano Corpo lúteo hemorrágico Torção anexial Colite isquêmica Apendagite epiplóica APENDICITE AGUDA ETIOLOGIA: obstrução do lúmen do apêndice vermiforme por: hiperplasia linfóide (60%) fecalito (33%) corpo estranho (4%) estenose, tumor, parasita, doença de Crohn (25%) INCIDÊNCIA: 2ª e 3ª décadas de vida APENDICITE AGUDA SINAIS E SINTOMAS: CLÁSSICOS inclui febre, náuseas, vômitos, dor em fossa ilíaca direita e leucocitose. Porém estão ausentes em 20 a 30% dos casos. COMPLICAÇÕES: perfuração abscesso trombose de veias mesentéricas (pileflebite) – rara APENDICITE AGUDA Na maior parte dos casos o diagnóstico é clínico e com exames laboratoriais de baixa complexidade. US é o método radiológico mais utilizado no Brasil. TC na avaliação de pacientes obesos, casos atípicos e discrepância entre os achados do US e a evolução clínica. Tem maior sensibilidade e especificidade do que o US. SINAIS RADIOGRÁFICOS Apendicolito: 10 a 30% casos Alça sentinela: alça hipotônica com nível líquido na fossa ilíaca direita SINAIS ULTRASSONOGRÁFICOS E TOMOGRÁFICOS Espessamento parietal com aumento do diâmetro transverso apendicular, superior a 7-8 mm, não redutível à compressão com o transdutor. Obliteração da gordura periapendicular ao US e CT. Presença de apendicolito. Presença de coleção periapendicular que sugere perfuração. Nos casos perfurados e com abscessos intracavitários, a visualização do apêndice pode não ser mais possível. APENDICITE COM APENDICOLITO ULTRASSONOGRAFIA APENDICITE AGUDA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA APENDICITE AGUDA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA APÊNDICE NORMAL RETROCECAL APENDICITE RETROCECAL TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA APENDICITE AGUDA COM APENDICOLITO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA COLECISTITE AGUDA ETIOLOGIA: - obstrutiva na grande maioria dos casos - alitiásica em 15% dos casos SINTOMAS: - dor em hipocôndrio direito (sinal de Murphy) - náuseas, vômitos - febre MÉTODO DE IMAGEM DE ESCOLHA ULTRASSONOGRAFIA PRINCIPAIS SINAIS ULTRASSONOGRÁFICOS Vesícula biliar distendida (diâmetro transverso > 4,0 cm) Espessamento das paredes vesiculares (> 0,4 cm) Cálculos vesiculares podem estar presentes (calculosa) ou não (acalculosa), sendo a colecistite acalculosa (alitiásica) associada a história de pacientes acamados em graves condições médicas, em jejum prolongado (nutrição parenteral), grandes queimados e pacientes com SIDA. PRINCIPAIS SINAIS ULTRASSONOGRÁFICOS Líquido livre entre as camadas da parede vesicular. Líquido perivesicular. Sinal de Murphy ultrassonográfico (dor à compressão do ponto de Murphy pelo transdutor). Nos casos de perfuração a vesícula pode se apresentar contraída e circundada por coleção. Imagens gasosas intramurais nas paredes ou intraluminais na vesícula (colecistite enfisematosa). ULTRASSONOGRAFIA VESÍCULA BILIAR NORMAL VESÍCULA BILIAR COM ESPESSAMENTO PARIETAL ULTRASSONOGRAFIA VESÍCULA BILIAR NORMAL CÁLCULO BILIAR COLECISTITE AGUDA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Além da distensão vesicular e do espessamento parietal, pode demostrar densificação dos planos gordurosos, devido à extensão do processo inflamatório aos tecidos perivesiculares. COLECISTOPATIA CALCULOSA COLECISTITE AGUDA LITIÁSICA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA COLECISTITE AGUDA ALITIÁSICA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA COLECISTITE AGUDA/LÍQUIDO LIVRE COLEÇÃO PERIVESICULAR/PERFURAÇÃO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA COLECISTITE AGUDA ENFISEMATOSA IMAGENS GASOSAS NAS PAREDES DA VESÍCULA BILIAR E INTRAVESICULAR PANCREATITE AGUDA DEFINIÇAO CLÍNICA: pelo menos 2 das 3 características Dor abdominal sugestiva de pancreatite – dor epigástrica irradiando para as costas. O início da dor é considerado o início do quadro de pancreatite. Aumento da amilase e lipase três ou mais vezes que o normal. Achados característicos nas imagens: TC, RM ou US. Pancreatite aguda é dividida em duas fases: Primeira ou precoce: dentro de 1 semana após o início da doença Segunda ou tardia: após a primeira semana após o início da doença PANCREATITE AGUDA CAUSAS MAIS COMUNS: - colelitíase - etilismo - hipertrigliceridemia - drogas - autoimune - trauma MÉTODOS DE IMAGEM NA PANCREATITE AGUDA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Verifica se há necrose Caracteriza coleções líquidas Achados extrapancreáticos: colelitíase, dilatações biliares RESSONÂNCIAMAGNÉTICA Pacientes com contra-indicações ao uso do meio de contraste da Tomografia Computadorizada ULTRASSONOGRAFIA Colelitíase e em paciente com insuficiência renal que impeça o uso do meio de contraste no CT e RM TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA É O MÉTODO DE ESCOLHA Auxilia na avaliação das complicações e monitoramento de resposta ao tratamento. Complicações são melhores avaliadas após 72 horas após o início do quadro. Pensar em complicações quando há mudanças drásticas do quadro clínico como febre, redução do hematócrito ou sepse. ACHADOS TOMOGRÁFICOS Aumento focal (pancreatite focal) ou difuso do pâncreas. Cálculos biliares podem estar presentes. Densificação dos planos gordurosos peripancreáticos. Coleções líquidas intrapancreáticas e peripancreáticas. Realce do parênquima pode ser heterogêneo ao meio de contraste, mostrando áreas de necrose. Abscessos e pseudocistos. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA PÂNCREAS NORMAL PANCREATITE AGUDA PANCREATITE AGUDA/LÍQUIDO PERIPANCREÁTICO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA PANCREATITE FOCAL COLEÇÕES INTRA E PERIPANCREÁTICAS TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA PSEUDOCISTOS PANCREÁTICOS SÃO COMPLICAÇÕES DA PANCREATITE AGUDA Originam de coleções líquidas que sofrem transição para os pseudocistos em cerca de 4 semanas. Antes de 4 semanas: coleção líquida mal delimitada, sem formação de paredes. Após 4 semanas: coleções líquidas circunscritas, geralmente redondas ou ovais, com paredes bem definidas e com realce capsular. Podem infectar passando a ter componente purulento heterogêneo, às vezes com gás dentro do pseudocisto. PSEUDOCISTOS PANCREÁTICOS TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA PSEUDOCISTOS PANCREÁTICOS TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULOSE COLÔNICA (DOENÇA DIVERTICULAR DOS COLONS) Divertículos colônicos ocorrem pela herniação da mucosa e submucosa através da muscular própria em pequenas aberturas da parede intestinal para penetração de vasos sanguíneos nutrícios. A pressão aumentada na luz intestinal contribui para a formação dos divertículos. DIVERTICULITE Corresponde à inflamação dos divertículos. 10 a 20% dos pacientes com diverticulose irão evoluir com complicações da doença. Local mais comum: colon sigmoide. Quadro clínico: dor em fossa ilíaca esquerda, febre e leucocitose. Complicações: fístulas (perfurações) e abscessos. DIVERTICULOSE e DIVERTICULITE ACHADOS TOMOGRÁFICOS Espessamento parietal do colon ou do próprio divertículo. Densificação da gordura mesentérica pericolônica. Espessamento das fáscias retroperitoneais. Habitualmente são vistos divertículos nos demais segmentos colônicos. Líquido peritoneal livre. Nos casos de perfuração: coleções pericolônicas, peritoneais e pneumoperitônio. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE AGUDA Alta sensibilidade e especificidade. Método rápido. Demonstra a extensão extraluminal da doença. Identifica diagnósticos alternativos como apendicite, apendagite, cálculo urinário, entre outros. DOENÇA DIVERTICULAR DOS COLONS DIVERTICULITE DO COLON SIGMÓIDE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE INCIPIENTE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE COM COLEÇÕES TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE E ABSCESSOS TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE E FÍSTULA VÉSICO-COLÔNICA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA APENDICITE AGUDA APENDICITE EPIPLÓICA DIVERTICULITE versus CARCINOMA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA ABDOME AGUDO PERFURATIVO É a terceira causa de abdome agudo depois do inflamatório e obstrutivo. Quadro clínico: dor súbita intensa e difusa, com defesa abdominal e irritação peritoneal. CAUSAS MAIS FREQUENTES DE ABDOME AGUDO PERFURATIVO ÚLCERA PÉPTICA NEOPLASIA PERFURADA DIVERTICULITE PERFURAÇÃO POR CORPO ESTRANHO HÉRNIA ESTRANGULADA ISQUEMIA INTESTINAL DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL GRAVE SINAIS RADIOLÓGICOS PNEUMOPERITÔNIO E RETROPNEUMOPERITÔNIO DENSIFICAÇÃO DOS PLANOS ADIPOSOS COLEÇÕES LÍQUIDAS EXTRAVASAMENTO DO MEIO DE CONTRASTE ADMINISTRADO POR VIA ORAL PNEUMOPERITÔNIO GÁS LIVRE INTRA-ABDOMINAL PRINCIPAL SINAL RADIOLÓGICO: gás livre no quadrante superior direito do abdome PNEUMOPERITÔNIO RADIOGRAFIAS SIMPLES PNEUMOPERITÔNIO E PNEUMOTÓRAX EM CRIANÇA RADIOGRAFIAS SIMPLES PNEUMOPERITÔNIO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA JANELAS INTERMEDIÁRIAS RETROPNEUMOPERITÔNIO RADIOGRAFIA SIMPLES TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA RETROPNEUMOPERITÔNIO JANELAS DIFERENTES NA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA RETROPNEUMOPERITÔNIO PNEUMOMEDIASTINO ENFISEMA DE SUBCUTÂNEO EXTRAVASAMENTO DO MEIO DE CONTRASTE ORAL TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA ÚLCERA PÉPTICA Uma das principais causas de abdome agudo perfurativo. É mais frequente no duodeno do que estômago. É doença de adulto, porém pode ocorrer em crianças e adolescentes. ÚLCERA PÉPTICA Inicia como uma ruptura focal da mucosa, que penetra através da muscular da mucosa e pode comprometer todas as camadas da parede, com eventual perfuração. Geralmente causada pelo uso de aspirinas e anti-inflamatórios não hormonais. As úlceras podem ser gigantes (maiores de 3 a 4 cm), com maior risco de sangramento ou perfuração. ÚLCERA PÉPTICA PERFURADA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DIVERTICULITE COM PERFURAÇÃO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA CORPO ESTRANHO A ingesta de corpo estranho pode ocorrer no grupo pediátrico, sendo qualquer objeto pequeno. Em adultos geralmente está relacionado ao uso de próteses dentárias que prejudicam a sensibilidade do palato à pequenos objetos porventura existentes nos alimentos ingeridos. Pode ocorrer também em pessoas com deficiência mental, viciados em drogas, alcóolatras crônicos e naqueles indivíduos acostumados à ingestão rápida de alimentos. São ingeridos mais frequentemente ossos de aves e peixes e palitos de dente. CORPO ESTRANHO RADIOGRAFIAS SIMPLES CORPO ESTRANHO RADIOGRAFIAS SIMPLES CORPO ESTRANHO COM PERFURAÇÃO TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA