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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
GRADUAÇÃO EM BIOMEDICINA 
 
CELSO RODRIGUES 
CHRISTIAN BRUNO 
EDUARDA RUTH 
IASMYM MELISSA 
IZABELLE ARANDAS 
KAMYLLA RAMOS 
LUCAS MATHEUS 
PEDRO TEODÓSIO 
REBECA ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
 
INFORTUNÍSTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Recife 
2016 
II 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO 
GRADUAÇÃO EM BIOMEDICINA 
 
CELSO RODRIGUES 
CHRISTIAN BRUNO 
EDUARDA RUTH 
IASMYM MELISSA 
IZABELLE ARANDAS 
KAMYLLA RAMOS 
LUCAS MATHEUS 
PEDRO TEODÓSIO 
REBECA ARAÚJO 
 
 
 
 
 
 
INFORTUNÍSTICA 
 
 
 
 
 
 Trabalho apresentado à professora Drª. 
Paloma Rodrigues Genú para composição de 
nota na disciplina Ética Profissional III 
ministrada aos alunos de Biomedicina na 
Universidade Federal de Pernambuco. 
 
 
 
 
 
 
 
Recife 
2016 
III 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1 
2 HISTÓRICO ........................................................................................................................ 2 
3 TEORIA DO RISCO ........................................................................................................... 3 
4 RISCOS PROFISSIONAIS ................................................................................................ 4 
4.1 Risco químico ....................................................................................................................... 4 
4.2 Risco Físico .......................................................................................................................... 4 
4.3 Risco Biológico .................................................................................................................... 5 
4.1 Risco Ergonômico ................................................................................................................ 5 
4.1 Risco de Acidente ................................................................................................................. 5 
5 ACIDENTE DE TRABALHO ............................................................................................ 6 
5.1 Existência de uma lesão pessoal ........................................................................................... 7 
5.2 Incapacidade para o trabalho ................................................................................................ 7 
5.3 Nexo de causalidade ............................................................................................................. 7 
5.4 Existência de condições de tempo e lugar ............................................................................ 7 
5.5 Ação direta do trabalho......................................................................................................... 8 
5.6 Ação indireta do trabalho ..................................................................................................... 8 
6 DOENÇAS PROFISSIONAIS ........................................................................................... 9 
7 O DOLO, A CULPA, AS CONCAUSAS E SUBMISSÃO AO TRATAMENTO ....... 10 
8 RISCOS OCUPACIONAIS DA EQUIPE DE SAÚDE .................................................. 11 
9 MEDICINA LEGAL E MEDICINA DO TRABALHO ................................................ 12 
10 BENEFÍCIOS .................................................................................................................... 12 
10.1 Auxílio-doença ................................................................................................................. 12 
10.2 Aposentadoria por invalidez ............................................................................................. 13 
10.3 Pensão por morte .............................................................................................................. 13 
10.4 Auxílio-acidente ............................................................................................................... 13 
10.5 Assistência médica ........................................................................................................... 13 
10.6 Reabilitação profissional .................................................................................................. 14 
10.7 Próteses e órteses .............................................................................................................. 14 
11 PREVENÇÃO DE ACIDENTES E HIGIENE DO TRABALHO ................................ 14 
11.1 Reconhecimento ............................................................................................................... 15 
11.2 Avaliação .......................................................................................................................... 15 
11.3 Controle ............................................................................................................................ 15 
12 PERÍCIA ............................................................................................................................ 16 
13 PREVIDÊNCIA SOCIAL ................................................................................................. 18 
14 CONCLUSÃO .................................................................................................................... 19 
15 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 20 
1 
 
1 INTRODUÇÃO 
Na execução de suas atividades, os trabalhadores envolvem-se diariamente com 
materiais diversos, próprios de seu local de trabalho, tais como máquinas, móveis, utensílios, 
ferramentas, e ainda com outros de sentido imaterial, tais como as rotinas de trabalho e os 
procedimentos diversos oriundos do poder diretivo patronal, expondo-se a vários riscos que 
podem lhe causar sérios danos. 
O mesmo trabalho que permite que a maioria das pessoas, destituídas de riqueza, 
tenham a oportunidade de, além de prover seu sustento próprio e o de sua família, melhorar a 
sua condição de vida, pode levar à deterioração da saúde física e mental do trabalhador, 
quando não chega ao extremo de comprometer sua própria vida. 
A proteção de riscos emergentes da infortunística laboral, composto pelos acidentes 
de trabalho e as doenças profissionais, só começou a ter acolhimento legal a partir da 
Revolução Industrial por força da crescente utilização de máquinas e da insalubridade dos 
locais de trabalho. 
Infortunística representa parte da Medicina Legal que estuda os acidentes do 
trabalho, as doenças profissionais e as doenças de trabalho. É o conjunto de conhecimentos 
que cuida do estudo teórico e prático, médico e jurídico, dos acidentes do trabalho e doenças 
profissionais, suas consequências e meios de preveni-los e repará-los. A infortunística está 
ligada às atividades produtivas dos povos, notadamente ao crescente desenvolvimento 
industrial. 
A evolução relativa ao regime jurídico do ressarcimento infortunístico tem tido 
progressos ao longo dos anos em inúmeros países, sendo certo, todavia, que em razão de 
marchas e contramarchas no Brasil, tal processo está longe de ter se aperfeiçoado em termos 
de eficiente reparação de direitos dos lesionados no trabalho. 
Profissionais da área de saúde, inclusive a laboratorial que envolve plenamente o 
biomédico há elevados riscos ocupacionais. Pouco se tem falado a respeito da infortunística 
relacionado aos biomédicos. Logo vale trazer o enfoque deste trabalho direcionando a área 
Biomédica. 
 
2 
 
2 HISTÓRICO 
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra do século XVIII, proporcionou o 
fenômeno da industrialização,operando uma grande mudança na ciência e na manufatura, 
assentando, definitivamente, as bases da era industrial em que vivemos. Foi a partir dela que 
surgiu o capitalismo, sistema de produção que continua vigente e predominante nos dias 
atuais. 
O sucesso da Revolução Industrial representou grandes avanços e a total ruptura com 
o passado, mas muitos destes ganhos se deu às custas da saúde, integridade física e mental e 
vida de trabalhadores. A rotina nas fábricas era marcada por inúmeros acidentes, condições de 
trabalho precárias e toda a forma de desrespeito ao trabalhador que laborava em jornadas 
extenuantes mediante uma remuneração que mal lhe permitia alimentar. 
Esta nova fase se desenvolveu sob o signo do Estado Liberal, caracterizado pelo 
individualismo, não intervenção estatal, busca incessante por lucros, abstração da questão 
social e grande desigualdade entre muitos que viviam na pobreza e um pequeno grupo que 
gozava dos ganhos auferidos com o novo sistema. 
Os longos anos marcados por este estado de coisas renderam, dentre outras 
conseqüências, um quadro de grandes mazelas para a maior parte da população. A fim de 
buscar reverter este contexto, os trabalhadores começaram a se unir e a reivindicar condições 
de vida mais dignas, em especial, aquelas ligadas ao meio ambiente do trabalho. 
Paralelamente os governos passaram a serem pressionados quanto às necessidades de 
intervenção na sociedade, passando o Estado a adotar uma postura mais ativa, buscando 
promover uma melhor distribuição de renda, assistência, acesso à saúde e educação, direitos 
trabalhistas e previdenciários. 
O homem agora passa a ser o centro das atenções e a promoção de sua dignidade 
ganha contornos de direito fundamental. “Os direitos à vida e à integridade psicofísica se 
sobrepõem ao direito de defesa ou ao direito de propriedade de que é titular o empresário, 
porque não resta dúvida de que a vida do trabalhador prevalece sobre qualquer interesse 
material ou econômico da empresa.” (SAAD, 2000, p.318). 
Entretanto, as estatísticas demonstram que os números dos acidentes do trabalho e 
das doenças ocupacionais ainda são elevados e a cada minuto inúmeros trabalhadores deixam 
de exercer o seu labor em face de infortúnios que poderiam ser evitados, pois, a maior parte 
desses acidentes são previsíveis e de fácil prevenção. 
3 
 
3 TEORIA DO RISCO 
A teoria anterior à do risco encontrava apoio no possível ressarcimento do dano 
oriundo do trabalho através dos conceitos de culpa subjetiva (aquilina e contratual) e de culpa 
objetiva pelo risco originado. 
A doutrina da culpa aquiliana defende a existência de uma culpa delituosa cujo 
responsável era o empregado. 
A doutrina da culpa contratual responsabilizava o patrão, o qual deveria cuidar da 
proteção do operário, dando a este toda proteção indispensável ao infortúnio. Como ao 
empregado cabia apresentar provas, o mais favorecido era o patrão. 
A doutrina da culpa objetiva do risco criado fundamenta-se no critério de que o risco 
depende da coisa e, por isso, a responsabilidade era toda do patrão. Cabia a este o ônus, pois 
sua máquina ou ferramenta criou o próprio risco. Na prática, devido ao inconveniente da 
prova, era o operário na maioria das vezes o responsável. 
Atualmente, é na conceituação do risco profissional que as legislações do acidente de 
trabalho se fundamentam. Essa doutrina defende o ponto de vista de que todo trabalho, por 
mais simples que seja, traz sempre um risco próprio independente de culpa do patrão ou do 
empregado. Tem, ainda, um sentido humanitário qual seja o de amparar o acidentado sem 
maiores interesses de caracterizar o culpado, levando em conta o aspecto social acarretado 
pela impossibilidade de o trabalhador manter-se financeiramente. 
O risco profissional é específico e inerte ao próprio trabalho, não se tendo a 
preocupação de apurar a culpabilidade do patrão, do operário, de terceiros ou de atribuí-los a 
causas estranhas. Considera-se o acidente, nessa condição como inevitável, havendo, por isso, 
interesses e prejuízos mútuos, onde perdem patrão e empregado, surgindo uma compensação 
final cujo equilíbrio é estabelecido por uma instituição responsável pela indenização. O patrão 
não paga pelo acidente, mas fica sem a mão de obra. O operário não deixa de ganhar; todavia, 
o que recebe não satisfaz plenamente suas necessidades. Um e outro anseiam pela volta mais 
breve ao trabalho. 
O risco profissional pode ser genérico, específico ou genérico agravado. O risco 
genérico é aquele que incide sobre todas as pessoas quaisquer que sejam suas atividades ou 
ocupações; o risco específico é aquele a que está sujeito determinado operário em função da 
própria natureza do trabalho que lhe cabe fazer; e o risco genérico agravado é aquele a que 
está sujeito o empregado, em virtudes de circunstâncias especiais do trabalho ou das 
condições em que este o realiza. 
4 
 
4 RISCOS PROFISSIONAIS 
Conforme a Portaria nº 05, de 17 de agosto de 1992, do Ministério do Trabalho e 
Emprego, a elaboração do mapa de riscos é obrigatória para empresas com grau de risco e 
número de empregados que exijam a constituição de uma Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes (CIPA). O mapa de riscos é a representação gráfica dos riscos de acidentes nos 
diversos locais de trabalho, inerentes ou não ao processo produtivo, devendo ser afixado em 
locais acessíveis e de fácil visualização no ambiente de trabalho, com a finalidade de informar 
e orientar todos os que ali atuam e outros que, eventualmente, transitem pelo local. No mapa 
de riscos, os círculos de cores e tamanhos diferentes mostram os locais e os fatores que podem 
gerar situações de perigo em função da presença de agentes físicos, químicos, biológicos, 
ergonômicos e de acidentes. 
De acordo com a Portaria nº 25, o mapa de riscos deve ser elaborado pela CIPA, com 
a participação dos trabalhadores envolvidos no processo produtivo e com a orientação do 
Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) do 
estabelecimento, quando houver. É considerada indispensável à colaboração das pessoas 
expostas ao risco. 
Os riscos no ambiente laboral podem ser classificados em cinco tipos, de acordo com 
a Portaria nº 3.214, do Ministério do Trabalho do Brasil, de 1978. Esta portaria contém uma 
série de normas regulamentadoras que consolidam a legislação trabalhista, relativas à 
segurança e medicina do trabalho. A classificação dos riscos na encontra-se na Norma 
Regulamentadora nº 5 (NR-5) e podem ser: 
4.1 Riscos Químicos 
Fazem parte do grupo I de fatores de risco, e no mapa de risco são identificados pela 
cor vermelha. Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos 
que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória, nas formas de poeiras, 
fumos gases, neblinas, névoas ou vapores, ou que seja, pela natureza da atividade, de 
exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por 
ingestão. 
4.2 Riscos Físicos 
Estão inclusos no grupo II de fatores de risco e são identificados pela cor verde. 
Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que possam estar 
expostos os trabalhadores, tais como: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes 
5 
 
e não-ionizantes, vibração, entre outros. 
4.3 Riscos Biológicos 
Inclusos no grupo III de fatores de risco e identificados pela cor marrom nos mapas 
de risco. Consideram-se como agentes de risco biológico as bactérias, vírus, fungos, parasitos, 
entre outros. 
Segundo a resolução n.º 1 de 1988 do Conselho Nacional de Saúde, Cap. X art. 64, 
os microrganismos podem entãoser classificados em grupos de risco que vão de 1 a 4 por 
ordem crescente: 
 Grupo 1: Possui baixo risco individual e coletivo. Exemplo: Bacillus cereus; 
 Grupo 2: Mostra risco individual moderado e risco coletivo limitado. Exemplo: 
Schistosoma mansoni; 
 Grupo 3: Tem risco individual elevado e risco coletivo baixo, podendo causar 
enfermidades graves aos profissionais do laboratório. Exemplo: Mycobacterium tuberculosis 
e HIV; 
 Grupo 4: Agrupa os agentes que causam doenças graves para o homem e 
representam um sério risco para os profissionais do laboratório e para a coletividade. 
Exemplo: Vírus Ebola, Lassa, Machup, Marburg. 
4.4 Riscos Ergonômicos 
Fazem parte do grupo IV e identificados pela cor amarela no mapa de risco. Risco 
ergonômico é qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas do 
trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômico: 
o levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura 
inadequada de trabalho. 
4.5 Riscos de Acidente 
Fazem parte do grupo V de fatores de risco, onde estão inclusos agentes mecânicos 
de risco e são identificados com a coloração azul. Entende-se por risco de acidentes qualquer 
fator que coloque o trabalhador em situação vulnerável e possa afetar sua integridade, e seu 
bem estar físico e psíquico. São exemplos de risco de acidente: as máquinas e equipamentos 
sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão, arranjo físico inadequado, 
armazenamento inadequado, entre outros. 
6 
 
Figura 4.1 – Legenda do Mapa de Risco 
 
Fonte: Google imagens. 
 
Figura 4.2 – Mapa de Risco de um Laboratório de Fermentação e Análise de Água 
 
Fonte: Google Imagens. 
 
5 ACIDENTE DE TRABALHO 
O regulamento dos Benefícios da Previdência Social, estabelecido pelo Decreto n.º 
3.048, de 6 de maio de 1999, define acidente de trabalho como aquele que ocorre pelo 
exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional 
Simbologia das cores 
No mapa de risco, os riscos 
são representados e indicados 
por círculos coloridos de três 
tamanhos diferentes, a saber: 
7 
 
ou doença que cause morte ou a perda ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade 
para o trabalho. 
Os elementos que caracterizam o acidente de trabalho são: existência de uma lesão 
pessoal, incapacidade para o trabalho, nexo de causalidade, e existência de certas condições 
de tempo e lugar. 
 
5.1 Existência de uma lesão pessoal 
A lesão pessoal de incapacidade temporária ou permanente ou a morte devem ter sua 
origem no trabalho e como causa produtora todas as modalidades de energia, as quais, 
incidindo sobre o corpo, redundam em: acidente-tipo, de forma abrupta, externa, violenta e 
involuntária, no exercício do trabalho; doenças profissionais, próprias e determinantes de 
certas atividades; ou doenças das condições de trabalho, circunstâncias especiais ou 
excepcionais em que o trabalho é realizado. 
5.2 Incapacidade para o trabalho 
A incapacidade para o trabalho é outro elemento caracterizador do acidente de 
trabalho. Essa incapacidade pode ser temporária ou permanente. Esta última parcial ou total. 
A incapacidade temporária é aquela que afasta o indivíduo do trabalho por um 
período inferior a um ano. A incapacidade parcial e permanente reduz a atividade laborativa 
por toda a vida, mesmo com a consolidação das lesões; a incapacidade total e permanente 
para o trabalho é a invalidez, que, teoricamente, reduz a atividade do indivíduo para qualquer 
atividade ou ocupação. 
E, finalmente, a morte, que se constitui, teórica e praticamente, na incapacidade total 
e definitiva, correspondendo ao dano maior que se pode sofrer em consequência do trabalho. 
5.3 Nexo de causalidade 
Há a necessidade de se estabelecer o nexo de causalidade no acidente de trabalho, 
vinculando a lesão ao próprio acidente. 
5.4 Existência de condições de tempo e lugar 
E, por fim, a existência de determinadas condições de tempo e lugar, comprovando 
que o acidente deu-se em horário e local convenientes. 
 
8 
 
Além disso, existem circunstâncias que interessam ao melhor entendimento da 
matéria, tais como: 
5.5 Ação direta do trabalho 
É o risco específico capaz de produzir no empregado uma lesão pessoal, pelo próprio 
trabalho ou através de seus instrumentos ou meio em que ele se pratica. É capaz de levar ao 
acidente-tipo, ás doenças profissionais e ás doenças produzidas em condições especiais em 
que o trabalho seja realizado. 
5.6 Ação indireta do trabalho 
São também considerados acidentes aqueles produzidos de forma indireta, no local e 
no horário de trabalho, como previsto no inciso V do parágrafo 1º, do artigo 2º da Lei 
6.367/76. 
 
O parágrafo 1º, do artigo 2º da Lei 6.367/76 diz que equiparam-se ao acidente do 
trabalho: 
I - a doença profissional ou do trabalho, assim entendida a inerente ou peculiar a 
determinado ramo de atividade e constante de relação organizada pelo Ministério da 
Previdência e Assistência Social (MPAS); 
II - o acidente que, ligado ao trabalho, embora não tenha sido a causa única, haja 
contribuído diretamente para a morte, ou a perda, ou redução da capacidade para o trabalho; 
III - o acidente sofrido pelo empregado no local e no horário do trabalho, em 
conseqüência de: a) ato de sabotagem ou de terrorismo praticado por terceiros, inclusive 
companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de 
disputa relacionada com o trabalho; c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de 
terceiro inclusive companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão; e) 
desabamento, inundação ou incêndio; f) outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. 
IV - a doença proveniente de contaminação acidental de pessoal de área médica, no 
exercício de sua atividade; 
V - o acidente sofrido pelo empregado ainda que fora do local e horário de trabalho: 
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) na 
prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar 
proveito; c) em viagem a serviço da empresa, seja qual for o meio de locomoção utilizado, 
9 
 
inclusive veículo de propriedade do empregado; d) no percurso da residência para o trabalho 
ou deste para aquela. 
Os empregados em empresas privadas, quando acidentados, devem ter seus acidentes 
comunicados em formulário próprio denominado Comunicação de Acidente de Trabalho 
(CAT), em 24 horas. Os empregados no serviço público, a prova do acidente será feita em 10 
dias, improrrogável quando as circunstâncias o exigirem, conforme recomenda o artigo 214 
da Lei n.º 8.112, de 11 de novembro de 1990, que trata do regime Jurídico dos Servidores 
Civis Públicos da União, das Autarquias, e das Fundações Públicas Federais. 
 
6 DOENÇAS PROFISSIONAIS 
Doença profissional é definida como qualquer doença inerente ao desempenho de 
determinados ramos da atividade laboral e relacionadas em ato do Ministério da Previdência 
Social. Caracterizam-se também essas doenças por apresentarem uma síndrome típica 
encontrada em outros trabalhadores de mesma situação, tendo como causa um fator 
conhecido. 
Como doença do trabalho, considera-se a enfermidade proveniente de certas 
condições especiais ou excepcionais em que o trabalho venha a ser realizado. Por isso elas são 
chamadas de doenças indiretamente profissionais. Têm de semelhança com as doenças 
profissionais o fato de serem lentas e graduais e de terem sua origem no desempenho de uma 
profissão. Todavia, diferem dessas por não apresentaremum risco especifico, por se 
instalarem devido a certas condições biológicas do individuo e pelo fato de o trabalho em si 
não ter uma significação fundamental na sua existência. Nem sempre a diferença é fácil entre 
essas doenças. 
Essas doenças profissionais e do trabalho estão também amparadas dentro dos 
acidentes de trabalho. 
Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do trabalho, a 
data do inicio da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da 
segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para esse efeito 
o que ocorrer primeiro. 
 
10 
 
7 O DOLO, A CULPA, AS CONCAUSAS E SUBMISSÃO AO TRATAMENTO 
O acidente provocado dolosamente, ou seja, por vontade livre e consciente, pelo 
empregado em si mesmo não se configura no âmbito do acidente de trabalho. No decreto de 
Lei n.º 7.036 de 10 de novembro de 1944, no artigo 7º, letra a, estatuía: “Não é acidente de 
trabalho: o que resultar do dolo do próprio acidentado, compreendida neste a desobediência a 
ordens expressas do empregador.”. 
Foram desenvolvidas três teorias a respeito do dolo: Teoria da Representação, Teoria 
da Vontade e a Teoria do Assentimento. 
 Teoria da Representação: para configuração do dolo basta a previsão do 
resultado. Essa teoria privilegia o momento intelectual, de ter agido com previsão do evento, 
não aceitando o aspecto volitivo, de querer ou assumir o risco de produzi-lo. Essa doutrina foi 
delineada por Frank e foi apoiada por Liszt, não pode ser aceita, por confundir dolo com 
Culpa consciente. 
 Teoria da Vontade: preconiza que para o dolo existir não basta a previsão do 
resultado, é necessário ainda o desejo de realizá-lo. Nessa doutrina o dolo pode ser definido 
como a vontade consciente de realizar o fato. A consciência exprime a idéia de previsão do 
resultado, à vontade, o desejo de concretizá-lo. 
 Teoria do Assentimento: complementa a teoria da vontade, acrescentando que 
existe Dolo quando o agente não quer propriamente o resultado, mas efetua a conduta 
prevendo e aceitando que ele ocorra, assumindo o risco de produzi-lo. 
A culpa pode ser definida como a voluntária omissão de diligência em calcular as 
consequências possíveis e previsíveis do próprio fato. A essência da culpa está toda nela 
prevista. A culpa de acidentados ou de terceiros não descaracteriza o acidente de trabalho, 
seja por imperícia, imprudência ou negligência. Aceitar a culpa do empregado seria negar o 
conceito indiscutível do risco profissional. 
As concausas, tanto as preexistentes como as supervenientes, não modificam o 
caráter de acidente de trabalho no que diz respeito ao amparo legal. É considerado como 
acidente de trabalho, aquele que mesmo que não tenha sido a causa única, haja contribuído 
diretamente para a morte, perda ou redução da capacidade para o trabalho. Mesmo existindo 
outras causas que agravem o quadro do acidentado, o resguardo da lei não é modificado. 
11 
 
A lei de Acidente do Trabalho obriga o empregador, além das indenizações a que 
está sujeito, em todos os casos e desde o momento do acidente, a prestar ao acidentado 
assistência médica, cirúrgica, farmacêutica, hospitalar e odontológica. Por outro lado, essa 
assistência deve ser aceita, salvo se o acidentado assumir o risco pelo que venha a acontecer. 
Certas recusas, quando justificadas, como, por exemplo, alguns tratamentos mais perigosos ou 
de ineficácia comprovada, não excluem o direito do acidentado, ou quando a recusa for 
motivada por estado mental grave. 
 
8 RISCOS OCUPACIONAIS DA EQUIPE DE SAÚDE 
Os profissionais de saúde, como os demais trabalhadores, estão sujeitos aos riscos 
profissionais genérico, específico e genérico agravado e, por isso, expostos ao acidente de 
trabalho, às doenças profissionais e às doenças do trabalho. 
Sendo assim, essas categorias de profissionais estão adstritas principalmente a cinco 
tipos de doenças profissionais e do trabalho: doenças infecciosas e parasitárias, dermatites por 
contato, enfermidades decorrentes de radiação ionizante, enfermidades por inalação de gases 
irrespiráveis, e enfermidades por vícios ergonômicos. 
As doenças profissionais ou do trabalho, embora de caráter insidioso, algumas delas, 
como as doenças infecciosas e parasitárias, podem ser caracterizadas como acidente de 
trabalho pela forma brusca de instalação. 
Dentre todas essas enfermidades infecciosas, a transmissão ocupacional do HIV e 
dos vírus das hepatites A e B, pelo seu caráter dramático e grave, exige não só a sua inclusão 
dentro do acidente-tipo, mas que se estabeleçam, a partir do próprio local de trabalho, rotinas 
e cuidados rigorosos para prevenir a infecção e, ao mesmo tempo, nos casos de acidente com 
o material contaminado, estabelecer o uso da profilaxia precoce. Por esta razão, os hospitais e 
ambulatórios devem manter em estoque esses medicamentos para o uso imediato. 
Recomenda-se que, na assistência de todos os pacientes onde se manipulam sangue, 
secreções, excreções, mucosa e pele não íntegra, faça-se o uso de Equipamentos de Proteção 
Individuais (EPIs) e os cuidados com materiais perfuro-cortantes, mesmo estéreis. 
Os acidentes de trabalho têm sido objeto de políticas de saúde e, em 28/04/04, o 
acidente de trabalho com exposição a material biológico tornou-se de notificação compulsória 
em rede de serviços sentinela, conforme definido na Portaria 777, do Ministério da Saúde. 
A notificação de acidente biológico no Brasil deve ser feita através do Sistema de 
12 
 
Notificação de Acidentes Biológicos (SINABIO), que sobrepõem a sua notificação ao 
Sistema de Vigilância de Acidentes de Trabalho (SIVAT) e obviamente aos Institutos de 
Previdência de acordo com o vínculo empregatício do trabalhador: Instituto Nacional do 
Seguro Social (INSS). 
 
9 MEDICINA LEGAL E MEDICINA DO TRABALHO 
A medicina legal é a parte da medicina que trata de assuntos médicos que haja 
interesse policial ou judiciário e está ligada tanto ao direito constituído (legislação em vigor) 
quando ao direito constituendo (legislação que vai ser elaborada). A medicina legal é 
importante, porque é através dela que se confecciona a prova material de vários delitos. 
A medicina do trabalho é uma especialidade médica, que tem como fundamento a 
preservação da saúde do trabalhador. O médico do trabalho avalia a capacidade do candidato 
à determinada ocupação e realiza reavaliações periódicas de sua saúde, dando ênfase aos 
riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores ficam expostos. 
Em conjunto, a medicina legal e a medicina do trabalho trabalham dando suporte 
uma a outra. A medicina do trabalho vai apresentar subsídios, como por exemplo, as doenças 
e acidentes mais freqüentes em determinadas profissões, e a medicina legal vai trabalhar na 
composição de provas com em cima dos dados fornecidos pela medicina do trabalho, como 
por exemplo, na constituição de nexo causal. Da mesma forma, ambas trabalham juntas no 
intuito de não haver injustiças quanto à penalizações ao empregado ou ao empregador. 
 
10 BENEFÍCIOS 
A vítima de acidente de trabalho ou seus dependentes gozam, independentemente do 
período de carência, dos seguintes benefícios: 
 
10.1 Auxílio-doença 
É devido ao acidentado que ficar incapacitado para o seu trabalho por mais de quinze 
dias consecutivos. Tratando-se de trabalhador avulso, esse auxílio ficará a cargo da 
previdência social, a contar do dia seguinte ao do acidente. Seu valor mensal é de 91% do 
salário-de-benefício do segurado, em vigor no dia do acidente, a contar do décimo sexto dia 
seguinte do afastamento do empregado em decorrência do infortúnio. Cumpre à empresa 
13pagar a remuneração integral dos primeiros quinze dias. 
10.2 Aposentadoria por invalidez 
Será devida ao acidentado que, estando em gozo ou não de auxílio-doença, for 
considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício da 
atividade que lhe garanta a subsistência. O valor da aposentadoria será igual a uma renda 
mensal calculada na forma do inciso II do artigo 39 do Regulamento de Benefícios, que 
atualmente é 100% do salário-de-benefício, e a aposentadoria será contada do dia imediato ao 
da cessação do auxílio-doença, ressalvando o disposto no §1º. Nos casos em que a invalidez 
do assegurado exigir assistência de outra pessoa, será acrescido 25%, mesmo que o valor da 
aposentadoria atinja o limite máximo legal. 
10.3 Pensão por morte 
Será devida aos dependentes de segurado falecido em conseqüências de acidente de 
trabalho, a contar da data do óbito. O valor mensal da pensão por morte será de 100% do 
valor da aposentadoria que o assegurado recebia ou daquele que teria direito se estivesse 
aposentado por invalidez na data do seu falecimento, qualquer que seja o número de 
dependentes. Havendo mais de um pensionista, a pensão será rateada entre todos, em partes 
iguais. Reverterá em favor dos demais a parte daquele cujo direito à pensão cessar. A extinção 
da cota-pensão será efetivada pela morte do pensionista, para o filho ou equiparado que 
completar 21 anos ou de forma permanente ou de forma permanente àquele que for 
considerado inválido. 
10.4 Auxílio-acidente 
Será concedido ao assegurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes do 
acidente do trabalho, resultar sequela definitiva que implique na redução da capacidade para o 
trabalho, e redução na capacidade de trabalho que exija maior esforço e de outra do mesmo 
nível de complexidade ou de nível inferior de complexidade, após a reabilitação. Esse auxílio 
será mensal e vitalício, correspondendo a 50% do salário-de-benefício que deu origem ao 
auxílio-doença. 
10.5 Assistência médica 
A partir do momento do acidente de trabalho, o trabalhador terá assistência médica 
completa e obrigatória através dos serviços de natureza cirúrgica, ambulatorial, hospitalar, 
14 
 
farmacêutica e odontológica, inclusive transporte para remoção. 
10.6 Reabilitação profissional 
O acidentado com redução da capacidade laborativa por acidente de trabalho, com 
possibilidades de recuperação, terá assistência médica que lhe proporcione uma reabilitação 
profissional. 
 
10.7 Próteses e órteses 
Com indicação de reabilitação profissional, o Regulamento do Seguro de Acidentes 
de Trabalho estatui uma forma de benefício através de auxílios materiais, como órteses, 
próteses, instrumentos de trabalho, medicamentos e custeio de transporte. 
 
11 PREVENÇÃO DE ACIDENTES E HIGIENE DO TRABALHO 
A higiene do trabalho tem como objetivo principal a relação entre o homem e o meio 
ambiente de trabalho, estabelecendo condições necessárias para o bom desenvolvimento e a 
prática de ações multidisciplinares de educação dos trabalhadores, no sentido de prevenir e 
controlar os riscos ambientais presentes nos locais de trabalho, obtendo-se melhor 
organização. 
Todo empregador é obrigado a proporcionar a seus empregados a máxima segurança 
e higiene no trabalho, zelando pelo cumprimento dos dispositivos legais a respeito, 
protegendo-os especialmente contra as imprudências que possam resultar do exercício 
habitual da profissão. Considera como parte integrante da Lei de Acidente do Trabalho as 
disposições referentes à Higiene e Segurança do Trabalho da Consolidação das Leis do 
Trabalho, sujeitos os empregadores às penalidades fixadas na Consolidação, independente da 
indenização legal. 
Os empregadores expedirão instruções especiais aos seus empregados, a título de 
“ordens de serviço”, que estes estarão obrigados a cumprir rigorosamente, para a fiel 
observância das disposições legais referentes à prevenção contra acidentes do trabalho. A 
recusa por parte do empregado em se submeter a essas instruções, constitui insubordinação 
para os efeitos da legislação em vigor. 
A lei estabelece sanção para o caso de resultar algum acidente de transgressão, por 
15 
 
parte do empregador, dos preceitos relativos à prevenção de acidentes e à higiene do trabalho. 
Considera também transgressão dos preceitos de prevenção de acidentes e higiene do 
trabalho, sujeitos igualmente a sanção: o emprego de máquinas ou instrumentos em mau 
estado de conservação; a execução de obras ou trabalhos com pessoal e material deficientes. 
Etapas de análise de prevenção de acidentes e de higiene do trabalho: 
11.1 Reconhecimento 
Esta etapa baseia-se no reconhecimento dos agentes ambientais que afetam a saúde 
dos trabalhadores, o que implica o conhecimento profundo dos produtos envolvidos no 
processo, métodos de trabalho, fluxo de processo, layout das instalações, número de 
trabalhadores expostos, entre outros pontos. Esta etapa compreende também o planejamento 
da abordagem do ambiente a ser estudado, seleção dos métodos de coleta, bem como dos 
equipamentos de avaliação. 
11.2 Avaliação 
Trata-se da fase em que se realiza a avaliação quantitativa e/ou qualitativa dos 
agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos postos de trabalho a serem avaliados. 
Exige-se conhecimento de avaliação, que consistem basicamente na calibração dos 
equipamentos, tempo de coleta, tipo de análise química a ser feita. Esta etapa abrange dois 
ramos de higiene do trabalho, quais sejam: 
 Higiene de campo: é a encarregada de realizar o estudo da situação higiênica 
no ambiente de trabalho (análise de postos de trabalho, detecção de contaminantes e tempo de 
estudar e recomendar medidas de controle para reduzir a intensidade dos agentes a níveis 
aceitáveis). 
 Higiene analítica: realiza as análises químicas das amostras coletadas, cálculo e 
interpretações de dados levantados no campo. Assim, por exemplo, uma amostra de poeira 
coletada deverá ser analisada no laboratório por difratometria de raios x para determinação de 
sílica livre cristalizada. 
11.3 Controle 
De acordo com os dados obtidos nas fases anteriores, esta se atém a propor e adotar 
16 
 
medidas que visam a eliminação ou minimização do risco presente no ambiente. O controle 
funda-se na adoção de medidas relativas ao ambiente e ao homem: 
 Medidas relativas ao ambiente: são medidas aplicadas na fonte ou trajetória, 
tais como substituição do produto tóxico, isolamento das partes poluentes, ventilação local 
exaustora, ventilação geral diluidora, limpeza dos locais de trabalho, entre outros. 
 Medidas relativas ao homem: compreendem, dentre outras, a limitação do 
tempo de exposição, equipamentos de proteção individual, educação e treinamento, exames 
médicos (pré-admissional, periódico e demissional). 
 
12 PERÍCIA 
A perícia funciona como uma adoção de regras técnicas com o intuito de revelar a 
verdade do fato que estiver sendo questionado na causa e que dependa de conhecimento 
especial. O perito é o técnico especializado designado pela justiça, afim de que, através de 
exames, vistorias e avaliações, emita um laudo pericial que contenha dados conclusivos 
quanto aos pontos questionados, a fim de solucionar problemas de infortunística. 
Somente quando procedido com finalidade especial, determinada pela autoridade 
dependente, todo laudo de perícia deverá conter, com fundamento no acidente de trabalho: 
 Esclarecimento da causa e natureza do acidente ou da doença profissional, 
concluindo pelo nexo de causa e efeito; 
 Distanciamento das possibilidades de simulação (alega-se situação inexistentes, 
fenômenos subjetivos, como dores, paralisias, surdez e cegueira,e fenômenos objetivos sem 
nexo de causa e efeito, como tumores e ferimentos) metassimulação (a conseqüência alegada 
é superior ao quadro real. Tem como sintoma mais referido a dor; desse modo, exige da 
perícia todo o cuidado para não rotular como inverídica uma situação real) e dissimulação 
(omite certas pertubações para conseguir melhores vantagens com a volta ao trabalho); 
 Avaliação do grau de incapacidade. Esta é definida como a impossibilidade 
temporária ou definitiva do desempenho das funções específicas de uma atividade ou 
ocupação, em conseqüência de alterações morfopsiquicofisiológicas provocadas por doença 
ou acidente, para o qual o examinado estava previamente habilitado e em exercício. A 
17 
 
incapacidade considera-se temporária quando se pode esperar recuperação dentro do prazo 
previsível, e definitiva aquela insusceptível de alteração em prazo previsível com os recursos 
da terapêutica e reabilitação disponíveis. 
Para a concessão de direitos ao auxílio-acidente, é necessário que o perito estabeleça, 
após a consolidação das lesões, se as formas de incapacidade produziram: 
 Redução na capacidade laborativa que exija maior esforço ou necessidade de 
adaptação para exercer a mesma atividade, independentemente de reabilitação profissional; 
 Redução na capacidade laborativa que impeça, por si só, o desempenho da 
atividade exercida à época do acidente, porém não o de outra do mesmo nível de 
complexidade, após reabilitação profissional; 
 Invalidez por incapacidade total e definitiva para o trabalho e insuscetível de 
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência. 
O acidente de trabalho sempre é avaliado pela Perícia Médica do INSS, que 
estabelecerá o grau da incapacidade, o nexo de causa e efeito entre o acidente e a lesão, a 
doença e o trabalho, e a causa mortis e o acidente. 
O auxílio-acidente corresponderá a 50% do salário de benefício que deu origem ao 
auxílio-doença do segurado, conforme a relação das situações que dão direito ao auxílio 
acidente, de que trata o artigo 104 do Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999, que 
regulamenta a Lei n.º 9.732, de 11 de dezembro de 1998. 
A prova pericial, portanto, é meio do juiz suprir a carência de conhecimentos 
técnicos de que se ressente para apuração de determinados fatos litigiosos. Mesmo assim, 
cabe ao juiz apreciar livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos 
autos, ainda que não alegados pelas partes (art. 131/CPC). Não está o julgador adstrito à 
conclusão do laudo pericial, embora possa adotá-lo quando coerente e bem fundamento, 
podendo formar sua convicção com base nos elementos e fatos comprovados no processo, 
indicando na sentença os motivos que formaram sua convicção. A perícia é, pois, mais um 
dos meios probatórios destinados a auxiliar o juiz na decisão da causa, não se prestando, 
contudo, para decisão isolada da questão judicial. 
 
18 
 
13 PREVIDÊNCIA SOCIAL 
A previdência social é uma instituição pública que tem como objetivo reconhecer e 
conceder direitos aos seus segurados. A renda transferida pela Previdência Social é utilizada 
para substituir a renda do trabalhador que contribuiu financeiramente durante toda a vida de 
trabalho, quando ele perde essa capacidade de trabalho. 
No Brasil, a previdência social é um direito social, previsto no art. 6º da Constituição 
Federal de 1988 entre os Direitos e Garantias Fundamentais, que garante renda não inferior ao 
salário mínimo ao trabalhador e a sua família nas seguintes situações, previstas no art. nº 201 
da Carta Magna: 
 I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; 
 II – proteção à maternidade, especialmente à gestante; 
 III – proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; 
 IV – salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de 
baixa renda; 
 V – pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou 
companheiro e dependentes. 
Seu objetivo é garantir proteção ao trabalhador e sua família, por meio de sistema 
público de política previdenciária solidária, inclusiva e sustentável, com a finalidade de 
promover o bem-estar social. 
19 
 
14 CONCLUSÃO 
Os acidentes de trabalho e doenças profissionais só começaram a ter revéz legal a 
partir da revolução industrial. Contudo os índices desses são elevados e a cada minuto 
inúmeros trabalhadores deixam de exercer o seu labor em face de infortúnios que poderiam 
ser evitados, pois, a maior parte desses acidentes são previsíveis e de fácil prevenção. 
Todo trabalho, por mais simples que seja, traz sempre um risco próprio independente 
de culpa do patrão ou do empregado. Portanto, deve-se ter um mapa de riscos, que é a 
representação gráfica dos riscos de acidentes nos diversos locais de trabalho, devendo ser 
afixado em locais acessíveis e de fácil visualização no ambiente de trabalho, com a finalidade 
de informar e orientar acerca de situações de perigo em função da presença de agentes físicos, 
químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. 
É necessário também que o profissional saiba que o acidente provocado dolosamente 
pelo empregado em si mesmo não se enquadra no acidente de trabalho. Para essa inspeção 
tem-se a perícia, e que se for realmente constatado o acidente, a lei de Acidente do Trabalho 
obriga o empregador, além das indenizações a que está sujeito, em todos os casos e desde o 
momento do acidente, a prestar ao acidentado assistência médica, cirúrgica, farmacêutica, 
hospitalar e odontológica. 
As doenças profissionais e do trabalho estão também amparadas dentro dos acidentes 
de trabalho. É caracterizada quando outros trabalhadores apresentarem uma síndrome típica, 
tendo como causa um fator conhecido e mútuo. Medidas de prevenção, controle dos riscos 
ambientais e higiene do trabalho devem ser presentes nos locais de trabalho. 
O profissional biomédico se passar pelo infortúnio de se acidentar, tem o direito de 
recorrer aos seus direitos de ser assegurado. A previdência social é uma instituição pública 
que tem como objetivo reconhecer e conceder direitos aos seus segurados. 
Em suma, os profissionais de laboratório, principalmente o biomédico, estão sujeitos 
a vários riscos, devido às técnicas onde são utilizados reagentes químicos, ao material 
biológico suspeito de contaminação, aos equipamentos, aos materiais perfurocortantes e entre 
outros. Por isso é necessário um compromisso com a capacitação adequada, pesquisas, 
estudos na área e, sobretudo, ações através de políticas de saúde que busquem a atenção à 
saúde. 
20 
 
15 REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Congresso. Senado. Decreto nº 77077, de 24 de janeiro de 1976. Consolidação das 
Leis da Previdência Social (clps). Brasília, DF, Disponível em: 
<http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=206225&tipoDocumento=D
EC&tipoTexto=PUB>. Acesso em: 14 out. 2016. 
 
BRASIL. Decreto nº 3048, de 06 de maio de 1999. Regulamento da Previdência Social. 
Brasília, DF, 12 maio 1999. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm>. Acesso em: 15 out. 2016. 
 
TRABALHO, Medicina do. Medicina do Trabalho. Disponível em: <http://medicina-do-
trabalho.info/>. Acesso em: 16 out. 2016. 
 
RIOS, André Ricardo de Oliveira. Conceito de Dolo. Disponível em: 
<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/anexos/11260-11260-1-PB.pdf>. Acesso em: 16 
out. 2016. 
 
BRAGA, Beatriz Nunes Lira. Direito Previdenciário e Infortunística. 2016. Disponível em: 
<http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,direito-previdenciario-e-
infortunistica,55081.html>. Acesso em: 15 out. 2016. 
 
DELWING, Eduardo Becker, Curso Técnico em Segurança do Trabalho, 
disponívelem:<http://www.cotemar.com.br/biblioteca/seguranca-do-trabalho/apostila-seguranca-do-trabalho-I.pdf> Acesso em 15 de outubro de 2016 
 
SOCIAL, Ministério da Previdência. Previdência Social. 2015. Disponível em: 
<http://www.previdencia.gov.br/perguntas-frequentes/previdencia-social/>. Acesso em: 15 
out. 2016. 
 
FRANÇA, Genival Veloso de. Infortunística. In: FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina 
Legal. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Cap. 6. p. 233-243. 
 
MOREIRA, Adriano Jannuzzi; MAGALHÃES, Aline Carneiro. A prevenção como forma de 
combater os infortúnios laborais e de promover a dignidade humana e o valor social do 
trabalho. Revista da Faculdade Mineira de Direito, Belo Horizonte, v. 15, n. 30, p.166-186, 
dez. 2012.

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