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Mobilidade do Ilíaco e Desequilíbrios no Quadril e Membros Inferiores JANAÍNA CINTAS MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Quando estudamos as estruturas da cintura pélvica, encontramos uma articulação extremamente estável: a sacroilíaca. Ela é formada pelas superfícies do ilíaco e do sacro e possui diversos ligamentos mantendo sua estabilidade. Apesar de ser tão estável, ela não é imóvel como muita gente parece imaginar. Na verdade, existe uma pequena mobilidade ilíaca. O problema é que, mesmo pequena, essa mobilidade pode causar diversos problemas para o corpo. Funções da Articulação Sacroilíaca Considerando a localização da sacroilíaca conseguimos imaginar suas funções fundamentais para o movimento. A MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S cintura pélvica é um complexo no qual se anulam duas forças importantes: a força peso normal e força solo. Os dois ossos ilíacos e o sacro estão entre as estruturas responsáveis por anular e transferir essas forças. A partir dessa articulação as forças chegam na parte superior do corpo e na sínfise púbica. O púbis se junta ao ísquio na parte medial do forame obturado. É nessa região que ele tem a inserção de diversos músculos mediais da coxa. Na face póstero inferior do ísquio temos fortes inserções ligamentares e musculares. Também existe nessa região o acetábulo. Essa é a parte óssea côncava que é formada pela fusão dos ossos: ● Ilíaco ● Ísquio ● Púbis O acetábulo é aprofundado pelo lábio do acetábulo, um anel de fibrocartilagem com importante papel de estabilização. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Mobilidade Ilíaca Mencionei na abertura desse artigo que existe sim uma mobilidade ilíaca responsável por diversos desequilíbrios no corpo. Ela é discreta, quase imperceptível, mas tem grande potencial para gerar desequilíbrios musculares, problemas posturais e até dor. É essa mobilidade que condiciona a estática e dinâmica dos MMII (membros inferiores). Uma parte de seu grande potencial para desequilíbrios vem das asas ilíacas. Essas estruturas possuem braços de alavanca que existem na região e atuam nas cadeias MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S musculares do tronco e do membro inferior. As asas ilíacas possuem algumas mobilidades, que são: ● Anterioridade e Posterioridade ● Abertura e Fechamento Quando estivermos avaliando um aluno lesionado, precisamos prestar atenção extrema aos ilíacos. Sua mobilidade determina o posicionamento da lesão, como explico em detalhes no meu curso de avaliação postural. Analisando a mobilidade ilíaca conseguimos entender o posicionamento disfuncional da pelve também. O sacro também sempre acompanhará o ilíaco em disfunção. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Anterioridade do Ilíaco A anterioridade acontece quando existe uma rotação anterior do ilíaco sobre a cabeça do fêmur. Quando a anterioridade do ilíaco acontece dos dois lados também observamos uma anteversão da pelve e aumento da lordose lombar. Esse desequilíbrio tensiona o quadrado lombar, que leva a parte posterior da asa ilíaca para o alto. Também teremos um reto femoral tensionado, trazendo a parte anterior do ilíaco para baixo. Observe os seguintes sinais durante sua avaliação: ● Espinha Ilíaca Antero-Superior (EIAS) Baixa ● Crista Ilíaca mais Baixa ● Espinha Ilíaca Postero-Superior (EIPS) Alta MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S ● Descida do Púbis (Anterior) ● Subida do Ísquio (Posterior) ● Sacro se horizontaliza e fica mais alto A anterioridade do ilíaco também gera tensão no quadríceps femoral, o que pode levar a alterações patelo-femorais e um recurvato do joelho. Esse processo de alteração fisiopatológica causa dores nos joelhos do aluno. O membro inferior também fica em alongamento compensatório, fazendo com que a perna da lesão pareça aumentada. Posterioridade do Ilíaco Acontece quando existe uma rotação posterior do ilíaco sobre a cabeça femoral. Se a posterioridade estiver presente nos dois ilíacos acontece a retroversão da pelve e uma consequente retificação da coluna lombar. O reto abdominal fica tensionado, o que leva a parte anterior da asa ilíaca para cima. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Os isquiotibiais em tensão tracionam a parte posterior da asa ilíaca para baixo. Os sinais importantes para a avaliação são: ● Espinha Ilíaca Antero Superior Alta ● Crista Ilíaca mais Alta ● Espinha Ilíaca Postero Superior baixa ● Subida do Púbis ● Descida do Ísquio ● Sacro verticaliza-se e fica mais baixo Como o isquiotibial fica tensionado é possível existe um flexo do joelho e dor na região desse músculo. A tensão que acontece com a posterioridade do ilíaco aumenta em até 30 vezes a compressão nos discos intervertebrais. Ela também gera um encurtamento compensatório do membro inferior e deixa a perna da lesão encurtada. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Abertura do Ilíaco Na abertura do ilíaco encontramos glúteos tensionados, levando a parte superior da asa ilíaca para fora. O períneo também fica em tensão e traciona a parte inferior da asa ilíaca para dentro. Como resultado, os ísquios se aproximam. Os músculos envolvidos são: Encontraremos, portanto 3 (três) pontos anatômicos altos no exame clínico ● Espinha Ilíaca Antero Superior Alta ● Crista Ilíaca mais Alta ● Espinha Ilíaca Postero Superior Alta ● Aumento da Distância entre o Umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior ● Sacro se inclinara numa Verticalização MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Quando existe a abertura do ilíaco o membro inferior afetado fica em varo do joelho com um aumento de projeção do membro (alongamento compensatório). Fechamento do Ilíaco O transverso do abdômen fica tensionado durante o fechamento do ilíaco e é responsável por tracionar sua asa superior em direção à linha média. Os adutores do quadril tracionam a asa ilíaca inferior inferolateralmente. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Encontraremos portanto 3 (três) pontos anatômicos baixos no exame clínico. Os principais sinais de fechamento ilíaco são: ● Espinha Ilíaca Antero Superior Baixa ● Crista Ilíaca Baixa ● Espinha Ilíaca Postero Superior Baixa ● Diminuição da Distância entre o Umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior ● Sacro se inclinara numa horizontalização O fechamento do ilíaco é responsável por desenvolver um valgo de joelho no membro afetado. Também existeum encurtamento compensatório da perna. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Como o Ilíaco leva a Alterações da Pelve As adaptações da pelve, como uma metade superior em abertura ilíaca e a metade inferior em fechamento ilíaco, acontece porque existe plasticidade nos ossos. As cadeias musculares incentivam as alterações em relação ao plano visceral, que sempre são as prioridade do corpo. É possível relaxarmos corretamente as cadeias musculares e ainda sim continuar com alterações de alongamento e encurtamento compensatório. Nesse caso teremos compensações no corpo a nível visceral. Quando existem tensões viscerais teremos uma força centrípeta no corpo. Já as congestões viscerais geram uma MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S força centrífuga. Confira abaixo as alterações viscerais que podem estar atingindo seu aluno de acordo com a região do desequilíbrio: ● Cavidade abdominal/pelve maior compreende o mesocólon transverso, o fígado, os rins, o pâncreas, a vesícula, estômago e o baço. ● Cavidade pelviana/pelve menor compreende o começo e o final dos intestinos, a bexiga,o útero e ovário para as mulheres e a próstata para os homens. Portanto ao pensarmos nessas questões viscerais podemos dizer que: 1. Quando a cavidade abdominal possui tensões (centrípetas) instala-se o fechamento ilíaco (estreitamento superior da pelve – ilíaco/pelve maior) = FECHAMENTO ILÍACO 2. Quando a cavidade pelviana possui tensões centrípetas, instala-se o fechamento pelviano MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S 3. Quando a cavidade abdominal possui congestão (centrifuga), entala-se a abertura ilíaca (pontos fixos trocanterianos) = ABERTURA ILÍACO 4. Quando a cavidade pelviana possui congestão, instala-se a abertura pelviana (pontos fixos nos fêmur). MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Conclusão Através dessa análise da mobilidade ilíaca percebemos que existem diversas forças atuando na pelve. Temos as forças musculares unidas a essas outras forças causando desequilíbrios na mecânica corporal. Sem resolvê-las corretamente o quadro de dor ou patologia do aluno dificilmente desaparecerá. Portanto, dou ênfase em uma boa avaliação da posição e mobilidade ilíaca no corpo do aluno. Também precisamos considerar questões emocionais e viscerais que podem estar por trás da dor. MATERIAL PARA PROFISSIONAIS LIVRE PARA SER COMPARTILHADO J A N A Í N A C I N T A S Só depois de analisar o corpo na globalidade estaremos prontos para solucionar as alterações mecânicas do paciente. Referências ● Busquet L. As cadeias musculares- membros inferiores. Vol 4. Ed. 2. Belo Horizonte; 2001 ● Cintas, Janaina. Cadeias Musculares do Tronco: Evolução biomecânica das principais cadeias. Sarvier. São Paulo, 2016. ● Zambenedetti, H. W.; Oliveira, G.A.; Tamelini, B.H.M.; Junior, F.S.M. Escanometria dos Membros Inferiores: revisitando Dr. Juan Farill. Colégio Brasileiro de Radiologia e diagnostico por Imagem. Vol 40 n 2. Mar- Abr, 2007