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a vulnerabilidade humana e integridade pessoal, a clonagem humana e governança
internacional e as implicações éticas da prática da chamada medicina tradicional.
No encontro, o Brasil encaminhou proposta para criação de comitês regionais de Bioética para melhor difundir os
princípios da Declaração da Unesco.
Princípios básicos
Para objetivar estas atuações, a Bioética se sustenta em alguns conceitos básicos.
O princípio do duplo efeito
Uma situação frequente é a ocorrência de uma determinada ação que acarreta em dois efeitos
concomitantes, um bom e outro mau. Apesar de buscarmos o primeiro resultado, ele sempre traz
consigo um efeito colateral indesejável, porém inseparável.
O que fazer nestas situações?
Desistir do efeito positivo em função do colateral ou
aceitar os danos como consequências de um fim
positivo?
Como decidir sobre o que irá pesar mais?
O principio do duplo efeito foi elaborado para estabelecer as condições pelas quais considera-se ética uma ação boa que
promove efeitos negativos.
A primeira dessas condições refere-se ao fato de que a ação em si não deve ser má. Isso significa que o mal não pode ser
meio para a produção do bem, assim como um ato mau não pode ser moralmente aceito, mesmo que produza benefícios.
Dessa forma, as consequências de um ato são diferentes do ato em si. O efeito negativo é aceito eticamente como
consequência de um ato bom, mas nunca como ato (negativo) em si. É apenas a reprodução do conceito moral tradicional pelo
qual “o fim não justifica os meios”.
Um exemplo é o efeito que uma cirurgia para correção de um problema de saúde é capaz de ocasionar: a pessoa pode ser
curada de sua enfermidade (efeito positivo) ou, devido a complicações, falecer (efeito negativo).
A segunda condição diz respeito à existência de uma proporcionalidade entre os efeitos colaterais negativos e os benefícios
decorrentes da ação. Os benefícios precisam ser maiores do que os malefícios da ação. Um ato no qual os efeitos negativos
sejam muito maiores do que o bem que ele possa acarretar não pode ser moralmente aceitável. Naturalmente que sempre
haverá subjetividades e discordâncias relativas a esta avaliação de proporcionalidade, mas uma ação ética implica
necessariamente nesta análise e (sempre que possível) em um consenso de valor entre as partes envolvidas.
Tomando o exemplo anterior, se a cirurgia for realizada em uma pessoa muito idosa, será necessário considerar seus elevados
riscos devido à idade já avançada. Mesmo que solucione um problema de saúde, o ato pode desencadear outras complicações,
levando a pessoa, inclusive, à morte. Esses riscos devem, portanto, ser pesados.
O princípio da totalidade
Este princípio se origina do sistema psicológico da Gestalt que sustenta que:
“O todo é mais do que a soma de suas partes”.
Assim, as partes do corpo não podem ser compreendidas de modo dissociado da unidade física.
Em outras palavras, isso significa dizer que não podemos dispor das partes de nosso corpo sem analisarmos o que isso irá
promover em termos da preservação de nossa saúde geral.
A amputação de um órgão ou parte do corpo, por exemplo, precisa ser justificada em função de um dano permanente que não
possa ser alterado e que implique em prejuízos para a saúde geral do corpo. Ou, em situações de doação a terceiros, o quanto
esta remoção irá ou não afetar as condições de saúde geral do doador (em termos de proporcionalidade ao bem produzido ao
outro).
 Homem com perna amputada (Fonte: Shutterstock)
Meios ordinários e extraordinários de tratamento
Um procedimento padrão no tratamento de alguma enfermidade se traduz pela aplicação de medicamentos ou processos
terapêuticos já amplamente testados, de acesso disponível e que possuem eficácia comprovada na produção de resultados.
Este tipo de procedimento, chamamos de meios ordinários (comuns).
 Vidros de remédios e seringa. (Fonte: Shutterstock)
Existem, no entanto, situações em que estes procedimentos não logram êxito, nestes casos, é preciso lançar mão de
procedimentos que ao contrário dos primeiros, são muitas vezes caros, produzem efeitos colaterais indesejáveis e ainda
assim, não tem sua eficácia plenamente comprovada. São os chamados meios extraordinários.
Naturalmente que esta distinção é decorrente de uma condição temporal, na medida em os avanços tecnológicos rapidamente
podem transformar um meio extraordinário em ordinário. Esta avaliação, mesmo que sabidamente relativa ao momento
presente, é extremamente importante do ponto de vista ético, na medida em que só se justifica a aplicação de um meio
extraordinário se os meios ordinários já tiverem sido tentados e demonstrados sua ineficácia no caso em questão.
Justiça
Critérios de justiça estão diretamente associados aos aspectos éticos e não poderiam deixar de estar, também, vinculados à
Bioética.
A justiça é o conceito pelo qual cada um deve receber o que lhe é merecido por direito
ou pela ação de seus atos. Assim, casos semelhantes devem ser tratados de modo
semelhante e casos diferentes tratados de modo diferenciado.
 Estátua da justiça.(Fonte: Shutterstock)
Dentre os padrões de aplicação dos critérios de justiça, temos:
Justiça comutativa
Define padrões relativos à equidade nos mais variados tipos de trocas ou relações comerciais como, por exemplo, as
formas de determinação de preços e salários.
Justiça retributiva
Estipula sanções legais para a violação das leis e que determina os meios de garantia que o que é devido seja pago ou
restituído.
Justiça distributiva
Regula a partilha de bens e benefícios sociais, garantindo a cada um o que lhe é devido na distribuição de um todo. Todos
estes aspectos estão intrínsecos na aplicação da Bioética, mas a justiça distributiva, em particular, tem se demonstrado
uma área bastante sensível, na medida em que a obtenção de recursos de saúde interfere diretamente em muitas
questões e problemas inerentes à Bioética.
Santidade da vida humana
Como vimos, quando John Finnis se opõe à ética industrial, o objetivo central de sua crítica se localizava na restauração do
conceito de sacralidade da vida humana. Não precisamos, necessariamente, considerar esta concepção sob um ângulo
religioso, mas é importante percebemos que a vida é o valor maior a ser preservado.
Desta forma, qualquer intervenção ou interferência produzida sobre ela, precisa obrigatoriamente ser avaliada em termos
éticos e morais e deve ter o sentido de sacralidade como paradigma central de suas considerações. Muitos autores preferem o
uso do termo dignidade da vida humana para se reportar a este sentido (em oposição ao sentido de santidade da vida).
 Recém nascido. (Fonte: Shutterstock)
Mais importante do que o termo utilizado ou o sentido filosófico dado, é a consciência da necessidade de respeito e
preservação na aplicação de ações e direitos associados a este valor. Daniel Callahan (1972) identificou cinco elementos
críticos no conceito de santidade (ou dignidade) da vida humana:
1
Sobrevivência da espécie humana.
2
Preservação das linhas familiares.
3
O direito dos seres humanos terem proteção de seus companheiros.
4
Respeito por escolhas pessoais e autodeterminação, que inclui integridade mental e emocional.
5
Inviolabilidade corporal: Meu corpo, com seus órgãos, sou eu mesmo.
Atividade
1 - Sobre os princípios básicos da Bioética, analise as afirmativas abaixo e marque verdadeiro (V) ou falso (F).
a) O principio do duplo efeito foi elaborado para estabelecer as condições pelas quais considera-se ética uma ação boa
que promove efeitos negativos.
b) No princípio da totalidade, as partes do corpo podem ser compreendidas de modo dissociado da unidade física.
c) Somente se justifica a aplicação de um meio extraordinário se os meios ordinários já tiverem sido tentados e
demonstrados sua ineficácia no caso em questão.
d) Qualquer intervenção

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