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CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 1 Apresentação .............................................................................................................................. 7 Aula 1: Teoria Geral da Execução ........................................................................................... 9 Introdução ............................................................................................................................. 9 Conteúdo .............................................................................................................................. 10 Nova teoria geral da execução ..................................................................................... 10 Nova teoria geral da execução ..................................................................................... 11 Disponibilidade e cumulação de execuções .............................................................. 12 Títulos executivos – conceito ....................................................................................... 13 Títulos executivos – conceito ....................................................................................... 13 Princípios informativos da tutela executiva ................................................................ 14 Princípio da tipicidade .................................................................................................... 15 Princípio da menor onerosidade possível ................................................................... 16 Princípio da patrimonialidade ....................................................................................... 17 Execução definitiva e provisória ................................................................................... 17 Competência para execução de títulos judiciais ....................................................... 21 Competência na execução da tutela coletiva ............................................................ 24 Competência nas execuções de alimentos ................................................................ 25 Competência para execução de títulos extrajudiciais .............................................. 25 Atividade proposta .......................................................................................................... 28 Referências........................................................................................................................... 28 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 29 Notas ........................................................................................................................................... 35 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 35 Aula 1 ..................................................................................................................................... 35 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 35 Aula 2: Teoria Geral da Execução ................................................................................................ 37 Introdução ........................................................................................................................... 37 Conteúdo .............................................................................................................................. 38 Legitimidade ativa para promover execução ............................................................. 38 Legitimidade passiva ....................................................................................................... 39 Intervenção de terceiros ................................................................................................ 40 Responsabilidade patrimonial ....................................................................................... 41 Alienação fraudulenta ..................................................................................................... 43 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 2 Liquidação de sentença .................................................................................................. 51 Natureza jurídica da liquidação .................................................................................... 52 Hipóteses que não haverá liquidação de sentença .................................................. 53 Modalidades de liquidação ............................................................................................ 54 Liquidação de sentença genérica na tutela coletiva ................................................ 57 Liquidação zero ................................................................................................................ 58 Atividade proposta .......................................................................................................... 60 Referências........................................................................................................................... 61 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 61 Notas ........................................................................................................................................... 67 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 67 Aula 2 ..................................................................................................................................... 67 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 67 Aula 3: Teoria Geral da Execução ................................................................................................ 69 Introdução ........................................................................................................................... 69 Conteúdo .............................................................................................................................. 70 Conceito de penhora ...................................................................................................... 70 Ordem de preferência da penhora ............................................................................... 71 Bens passíveis de penhora ............................................................................................. 72 Relativização da impenhorabilidade de bem de família .......................................... 73 Penhora online ................................................................................................................. 74 Penhora online – conta-corrente conjunta ............................................................... 74 Penhora de conta-salário ............................................................................................... 76 Avaliação do bem penhorado ....................................................................................... 78 Expropriação ..................................................................................................................... 79 Adjudicação pelo credor e por terceiros ..................................................................... 80 Alienação ........................................................................................................................... 82 Arrematação ..................................................................................................................... 83 Da entrega do dinheiro e defesado executado na fase expropriatória ................ 84 Usufruto de bem móvel e imóvel ................................................................................. 84 Suspensão da execução ................................................................................................. 84 Extinção da execução ..................................................................................................... 86 Sentença e coisa julgada ................................................................................................ 88 Atividade proposta .......................................................................................................... 88 Referências........................................................................................................................... 89 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 89 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 3 Notas ........................................................................................................................................... 95 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 95 Aula 3 ..................................................................................................................................... 95 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 95 Aula 4: Cumprimento de Sentença ............................................................................................. 98 Introdução ........................................................................................................................... 98 Conteúdo .............................................................................................................................. 99 Cumprimento de sentença ............................................................................................ 99 Cumprimento de sentença na tutela específica e nas obrigações que condenam o devedor a declarar vontade ..................................................................................... 100 Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: uma polêmica superada .......................................................................................................................... 101 Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: segunda polêmica superada .......................................................................................................................... 102 Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: terceira polêmica superada .......................................................................................................................... 103 Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: quarta polêmica superada .......................................................................................................................... 104 Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora ............................... 105 Possíveis atitudes do executado no cumprimento de sentença .......................... 106 Abordagens do tema no NCPC ................................................................................... 107 Defesa do executado no cumprimento de sentença ............................................. 110 Efeitos da impugnação ................................................................................................. 110 Garantia do juízo no cumprimento de sentença .................................................... 111 Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora ............................... 113 OBJEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE .......................................................................... 114 Abordagens do tema no NCPC ................................................................................... 115 Atividade proposta ........................................................................................................ 117 Referências......................................................................................................................... 118 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 118 Notas ......................................................................................................................................... 124 Chaves de resposta ................................................................................................................... 124 Aula 4 ................................................................................................................................... 124 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 124 Aula 5: Processo Autônomo de Execução ................................................................................. 126 Introdução ......................................................................................................................... 126 Conteúdo ............................................................................................................................ 127 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 4 Execução de títulos extrajudiciais............................................................................... 127 Petição inicial .................................................................................................................. 127 Citação do devedor ....................................................................................................... 129 Parcelamento da dívida ................................................................................................ 131 Arresto.............................................................................................................................. 132 Penhora e avaliação de bens ....................................................................................... 133 Defesa do executado..................................................................................................... 143 Natureza jurídica ............................................................................................................ 144 Espécies de embargos admissíveis no processo civil brasileiro ........................... 144 Competência .................................................................................................................. 145 Prazo ................................................................................................................................ 146 Petição inicial .................................................................................................................. 147 Efeitos dos embargos à execução .............................................................................. 148 Conteúdo dos embargos à execução ........................................................................ 150 Procedimento ................................................................................................................. 150 Julgamento e recursos cabíveis ................................................................................. 150 Atividade proposta ........................................................................................................ 155 Referências......................................................................................................................... 156 Exercícios de fixação .......................................................................................................157 Chaves de resposta ................................................................................................................... 163 Aula 5 ................................................................................................................................... 163 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 163 Aula 6: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 165 Introdução ......................................................................................................................... 165 Conteúdo ............................................................................................................................ 166 Execução contra a fazenda pública ........................................................................... 166 Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 ............. 167 Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 ............. 167 Honorários advocatícios .............................................................................................. 168 Execução provisória em face da Fazenda Pública .................................................. 168 Da expedição do precatório ........................................................................................ 169 Expedição de precatórios nos créditos preferenciais ............................................. 171 Dispensa de precatório ................................................................................................. 172 Execução fiscal ............................................................................................................... 173 Título executivo ............................................................................................................. 173 Legitimidade ................................................................................................................... 174 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 5 Competência .................................................................................................................. 175 Petição inicial .................................................................................................................. 175 Procedimento ................................................................................................................. 176 Embargos à execução na execução fiscal ................................................................ 176 Suspensão e extinção da execução fiscal ................................................................. 178 Recursos cabíveis ........................................................................................................... 179 Atividade proposta ........................................................................................................ 179 Referências......................................................................................................................... 180 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 180 Chaves de resposta ................................................................................................................... 186 Aula 6 ................................................................................................................................... 186 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 186 Aula 7: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 188 Introdução ......................................................................................................................... 188 Conteúdo ............................................................................................................................ 189 Execução de prestação alimentícia ............................................................................ 189 Obrigação alimentar ..................................................................................................... 189 Título executivo ............................................................................................................. 190 Procedimento executivo fundado em coerção pessoal ........................................ 190 Procedimento executivo fundado em expropriação .............................................. 192 Procedimento executivo por desconto em folha .................................................... 193 Alimentos por ato ilícito – constituição de capital ................................................. 194 Execução nos juizados especiais cíveis ..................................................................... 198 Cumprimento de sentença nos juizados especiais cíveis estaduais ................... 198 Enunciados do FONAJE sobre o tema ...................................................................... 199 Processo autônomo de execução nos juizados especiais .................................... 200 Penhora de bens ............................................................................................................ 201 Fase expropriatória ........................................................................................................ 202 Execução nos juizados especiais cíveis federais e da fazenda pública ............... 203 Atividade proposta ........................................................................................................ 205 Referências......................................................................................................................... 205 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 206 Notas ......................................................................................................................................... 211 Chaves de resposta ................................................................................................................... 211 Aula 7 ................................................................................................................................... 211 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 211 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 6 Aula 8: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 213 Introdução ......................................................................................................................... 213 Conteúdo ............................................................................................................................ 213 Tutela específica: noções gerais ................................................................................. 213 Tutela específica – obrigações de fazer e não fazer .............................................. 214 Tutela específica das obrigações de não fazer ........................................................ 215 Multa como medida coercitiva na tutela específica ............................................... 216 Execução indireta .......................................................................................................... 217 Tutela específica no Código de Defesa do Consumidor ....................................... 217 Tutela específica na obrigação de entrega de coisa .............................................. 217 Defesa do executado natutela específica ................................................................ 218 Tutela específica em face da Fazenda Pública ........................................................ 219 Atividade proposta ........................................................................................................ 220 Referências......................................................................................................................... 220 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 220 Notas ......................................................................................................................................... 226 Chaves de resposta ................................................................................................................... 226 Aula 8 ................................................................................................................................... 226 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 226 Conteudista ............................................................................................................................... 228 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 7 A efetividade do processo ou resultado prático da atividade jurisdicional é o tema central da execução civil. Com efeito, a disciplina tem como escopo principal aprofundar os estudos acerca da concretização das obrigações reconhecidas em uma sentença ou em um título executivo extrajudicial. A abordagem, portanto, contemplará a execução civil no CPC 2015 que, para além de manter a metodologia consagrada pelo legislador reformista que durante os anos de 1990 e 2000 que muito contribuiu para uma maior racionalização da atividade executiva, aperfeiçoou tais reformas, completando lacunas e definindo novas posições mais efetivas em prol da satisfação dos credores de um modo geral. Desta forma, o conteúdo da disciplina será apresentado com ênfase nos aspectos práticos da nova execução, abordando o entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça na temática, visando instrumentalizar o operador do direito para melhor compreender os mecanismos de efetividade concreta dos títulos executivos, como também o necessário aprofundamento teórico para a adequada apreensão do modelo executivo estabelecido pelas reformas processuais na execução civil. Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos: 1. Compreender a nova Teoria Geral da Execução e as principais inovações promovidas pelas reformas processuais e incorporadas pelo CPC 2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 8 2. Aprofundar o conhecimento acerca dos procedimentos comuns para execução de decisões judiciais e de títulos executivos extrajudiciais bem como as modalidades de defesa do executado. 3. Aprofundar o conhecimento acerca dos procedimentos especiais para execução de obrigação de pagar e entender os mecanismos de efetivação dos títulos executivos que contenham obrigação de fazer, não-fazer e entrega de coisa. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 9 Introdução A teoria geral da execução fornece os princípios informativos e institutos fundamentais para a compreensão dos procedimentos executivos comuns e especiais. Dessa forma, a clara definição do conceito de título executivo, a distinção entre execução definitiva e provisória, o estudo da competência para execução dos títulos executivos e a análise dos princípios aplicáveis à tutela executiva constituem introdução imprescindível ao tema da execução civil. Objetivo: 1. Estudar os princípios informativos da tutela executiva e aplicação dos princípios constitucionais na execução; 2. Entender o conceito de título executivo e a distinção entre execução provisória e execução definitiva; 3. Compreender os critérios de fixação da competência para execução de títulos executivos judiciais e extrajudiciais. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 10 Conteúdo Nova teoria geral da execução O estudo do direito processual civil tem como principal fonte de análise as tutelas jurisdicionais prestadas pelo Estado. Nesse sentido, as funções estatais desdobram-se em três atividades jurisdicionais, classificadas como processo de conhecimento, processo cautelar e tutela executiva. A execução civil, portanto, constitui uma das mais importantes atividades do Estado, pois promove resultados práticos na vida do jurisdicionado através da satisfação de uma obrigação contida num título executivo judicial ou extrajudicial. Dessa forma, os atos judiciais realizados na tutela executiva têm como finalidade primeira a prática de atos materiais visando à satisfação da obrigação ou resultado prático equivalente quando o devedor não o faz voluntariamente, conforme disposto no Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015. Considerando que a tutela executiva é imprescindível para a efetividade do processo, diversas reformas foram levadas a efeito para garantir não só a satisfação do crédito, mas, também, num prazo razoável, nos termos do Artigo 5º, LXXVIII, da CF/88. A execução civil dos títulos judiciais e extrajudiciais já havia sido objeto de importantes alterações pontuais com as Leis 8952/94 e 10.444/02 que introduziram de um modo mais amplo, a proposta do sincretismo processual, inicialmente no cumprimento das decisões judiciais condenatórias de fazer, não fazer e entrega de coisa. Não obstante a importante ruptura que se apresentava ao sistema processual da época, foi somente com a Lei 11.232/05 que modificou a execução das decisões judiciais condenatórias de pagar quantia certa que a doutrina, majoritariamente ecoou a ideia do sincretismo, do processo bifásico. Na verdade, a referida legislação apenas corou um movimento reformador já iniciado anteriormente e também refletido de forma originária na Lei 9099/95. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 11 Por fim, mas não menos importante, a Lei 11.382/06 terminou por arrumar o então CPC/73 em seu Livro II, tratando de reorganizar os dispositivos legais pertinentes a execução dos títulos executivos extrajudiciais. Assim, é possível afirmar que o CPC de 2015, apesar de acrescer importantes inovações, em especial no campo dos procedimentos, acabou por ratificar o espírito legislativo reformador do campo da tutela de execução. Nova teoria geral da execução O estudo do direito processual civil tem como principal fonte de análise as tutelas jurisdicionais prestadas pelo Estado. Nesse sentido, as funções estatais desdobram-se em três atividades jurisdicionais, classificadas como processo de conhecimento, processo cautelar e tutela executiva. A execução civil, portanto, constitui uma das mais importantes atividades do Estado, pois promove resultados práticos na vida do jurisdicionado através da satisfação de uma obrigação contida num título executivo judicial ou extrajudicial. Dessa forma, os atos judiciais realizados na tutela executiva têm como finalidade primeira a prática de atos materiais visando à satisfação da obrigação ou resultado prático equivalente quando o devedor não o faz voluntariamente, conforme disposto no Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015. Considerando que a tutela executiva é imprescindível para a efetividade do processo, diversas reformas foram levadas a efeito para garantir não só a satisfação do crédito, mas, também, num prazo razoável, nos termos do Artigo 5º, LXXVIII, da CF/88.A execução civil dos títulos judiciais e extrajudiciais já havia sido objeto de importantes alterações pontuais com as Leis 8952/94 e 10.444/02 que introduziram de um modo mais amplo, a proposta do sincretismo processual, inicialmente no cumprimento das decisões judiciais condenatórias de fazer, não fazer e entrega de coisa. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 12 Não obstante a importante ruptura que se apresentava ao sistema processual da época, foi somente com a Lei 11.232/05 que modificou a execução das decisões judiciais condenatórias de pagar quantia certa que a doutrina, majoritariamente ecoou a ideia do sincretismo, do processo bifásico. Na verdade, a referida legislação apenas corou um movimento reformador já iniciado anteriormente e também refletido de forma originária na Lei 9099/95. Por fim, mas não menos importante, a Lei 11.382/06 terminou por arrumar o então CPC/73 em seu Livro II, tratando de reorganizar os dispositivos legais pertinentes a execução dos títulos executivos extrajudiciais. Assim, é possível afirmar que o CPC de 2015, apesar de acrescer importantes inovações, em especial no campo dos procedimentos, acabou por ratificar o espírito legislativo reformador do campo da tutela de execução. Disponibilidade e cumulação de execuções Disponibilidade da execução O Artigo 775 do Código de Processo Civil de 2015 dispõe sobre o princípio da disponibilidade da execução, autorizando o credor a desistir de alguns meios executivos ou de toda execução, sem necessidade de anuência do devedor. Caso a execução seja embargada e a matéria nele ventilada versar sobre questões processuais, os embargos serão extintos sem anuência do devedor. Se a matéria nos embargos versar sobre matérias outras, a extinção dos embargos dependerá de concordância do devedor. Cumulação de execuções O credor poderá mover contra o mesmo devedor várias execuções, ainda que tenham como base títulos executivos diversos. O Artigo 780 do Código de Processo Civil de 2015 exige, para tanto, que o juiz seja competente para promover as execuções e que o procedimento seja o mesmo. Assim, poderá o credor cumular execuções de pagar quantia certa, que terá como base a sub- rogação, ou seja, prática dos atos executivos levados a efeito pelo Estado para CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 13 garantir a satisfação do crédito, vez que o procedimento será o mesmo para todas as execuções. Títulos executivos – conceito A tutela executiva tem como pressuposto a existência de um título executivo. O título executivo constitui, portanto, pressuposto processual de validade da atividade executiva, e a compreensão da sua natureza jurídica é de suma importância para a compreensão da extensão da temática no processo civil brasileiro. Fredie Didier apresenta um conceito de título executivo que representa, na verdade, uma síntese da posição de diversos autores, que nos permite entender, de forma clara, a natureza do título executivo. Segundo o autor, “título executivo é o documento que certifica um ato normativo, que atribui a alguém um dever de prestar líquido, certo e exigível, a que a lei atribui o efeito de autorizar a instauração da atividade executiva”. (Curso de Direito Processual Civil, vol. 5, pág.148). Assim, o título executivo enquanto documento que certifica um ato normativo pode ser judicial, que é produzido em juízo e acobertado pela coisa julgada, ou extrajudicial, oriundo de negócios realizados entre as partes. O nosso ordenamento processual é rico na enumeração dos títulos executivos. Os títulos executivos judiciais estão elencados no Artigo 515 do Código de Processo Civil de 2015, e os títulos executivos extrajudiciais estão arrolados no Artigo 784 do Código de Processo Civil de 2015 do mesmo diploma. Títulos executivos – conceito O título executivo deve ser certo, líquido e exigível. A certeza corresponde à definição clara quanto à obrigação a ser satisfeita pelo executado, podendo ser esta de pagar, fazer, não fazer e entrega de coisa. A liquidez corresponde à CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 14 quantia ou quantidade definida na obrigação. Se o título contém uma obrigação de pagar (certeza), deve também conter o valor correspondente da obrigação, como, por exemplo, R$200.000,00. A exigibilidade corresponde à possibilidade jurídica de se cobrar em juízo a dívida representada no título executivo. O Artigo 525 § 12º do Código de Processo Civil de 2015, diz que é inexigível o título executivo fundamentado em lei declarada inconstitucional pelo STF. Para finalizar, registra-se que somente poderá ser considerado título executivo o que for definido em lei como tal, conforme orienta o princípio da taxatividade. Princípios informativos da tutela executiva A tutela executiva é constituída basicamente de atos materiais visando à satisfação da obrigação contida no título executivo. O inadimplemento, por sua vez, constitui requisito essencial para que se inicie o desenvolvimento da tutela jurisdicional executiva (Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015). É evidente que, em alguns casos, o juiz exercerá atividades cognitivas, quando aprecia e julga impugnação fundada em uma das hipóteses do Artigo 525 do Código de Processo Civil de 2015, mas preponderam as atividades materiais do órgão julgador. Nesse sentido, o Artigo 598 do Código de Processo Civil dispõe com clareza que se aplicam à execução as disposições do processo de conhecimento. No entanto, inúmeras questões que surgem no decorrer das atividades executivas exigem do juiz soluções que não encontram amparo nas regras do processo de conhecimento, o que obriga o julgador equacionar soluções com base nos princípios que informam a tutela executiva e que serão estudados neste tópico. Importante destacar, desde logo, que os princípios processuais assegurados na Constituição Federal de 1988 são plenamente aplicáveis em sede de tutela CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 15 executiva. Dessa forma, os princípios do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, da duração razoável do processo, entre outros, informam, também, a atividade do juiz e das partes na condução da tutela executiva. O nosso foco, neste momento do curso, é voltar a atenção para os princípios específicos da tutela executiva. São eles: • Princípio da tipicidade; • Princípio da menor onerosidade possível; • Princípio da patrimonialidade. Princípio da tipicidade O princípio da tipicidade é um dos mais importantes da tutela executiva. Segundo este princípio, todo procedimento executivo deve estar previamente definido em lei. A finalidade maior é evitar surpresas por parte do devedor quanto aos atos executivos ou arbitrariedades do juiz na definição dos atos processuais a serem realizados. Dessa forma, a obrigação de pagar fixada em título executivo judicial segue o rito estabelecido no Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015, a obrigação de fazer segue o rito do Artigo 536 do Código de Processo Civil de 2015 do mesmo Diploma, e assim sucessivamente. No entanto, a busca pela efetividade da jurisdição vem autorizando certa relativização desse princípio, autorizando o juiz, em certa medida, a determinar prática de atos executivos, que não estejam previamente estabelecidos em determinado procedimento executivo, visando alcançar maior adequação da tutela executiva. Vejamos um exemplo. Podemos citar como exemplo o rol exemplificativo disposto no Artigo 536 do Código de Processo Civil de 2015,que autoriza o juiz a determinar a realização de atos executivos visando ao resultado prático equivalente à satisfação da obrigação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 16 Princípio da menor onerosidade possível O princípio da menor onerosidade possível é um dos mais utilizados como norteador das atividades executivas. A finalidade primeira é alcançar a proporcionalidade entre a efetividade da jurisdição em favor do exequente e a garantia de realização, de modo menos gravoso para o devedor, em homenagem ao princípio da dignidade da pessoa humana, nos casos de pessoa física, ou, até mesmo, da estabilidade econômica, nos casos de pessoas jurídicas de direito privado. De acordo com esse princípio, os atos executivos devem ser praticados de forma a causar menor prejuízo ao devedor. Nesse sentido, entre a penhora de um imóvel, não considerando bem de família, ou de um carro, se o valor da execução for baixo, a penhora do carro é a que melhor se adequa ao referido princípio. O Superior Tribunal de Justiça firmou importante entendimento sobre a matéria em um de seus precedentes, onde expõe diretrizes claras para aplicação do supracitado princípio. Vejamos: “A tese de violação do princípio da menor onerosidade não pode ser defendida de modo genérico ou simplesmente retórico, cabendo à parte executada a comprovação, inequívoca, dos prejuízos a serem efetivamente suportados, bem como da possibilidade, sem comprometimento dos objetivos da execução, de satisfação da pretensão creditória por outros meios.” (STJ, AgRg no REsp 1.103.760/CE, 2º T. J. 23.04.2009, rel. Min. Herman Benjamin). Dessa forma, conforme se depreende da leitura dos fundamentos determinantes, a aplicação do princípio estudado não decorre de critérios meramente subjetivos, mas de análise objetiva de cada caso concreto. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 17 Princípio da patrimonialidade O princípio da patrimonialidade está disposto no Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015, através do qual se extrai o entendimento de que todos os bens, presentes e futuros, respondem pela dívida do devedor. A tutela executiva tem como escopo a satisfação de um determinado crédito fixado num título executivo. Nos casos em que a obrigação tenha como objeto a obrigatoriedade de pagar não adimplida, o Estado promoverá a expropriação dos bens do devedor com a finalidade de se obter o valor correspondente para integralização da dívida. Nos casos em que a execução tenha como objeto uma obrigação de fazer ou não fazer, não há que se falar, num primeiro momento, em expropriação, e, sim, sub-rogação através de medidas coercitivas. Com efeito, o princípio da patrimonialidade tem ampla aplicação nas execuções cujos títulos executivos tenham como base obrigação de pagar, o que deve ser realizado através de expropriação. No entanto, há certa flexibilização desse princípio, pois é possível expropriação mesmo nos casos de tutela específica, ou obrigações de fazer ou entrega de coisa, quando a multa fixada é executada através de execução indireta, ou nos casos em que estas são convertidas em perdas e danos. A doutrina, dependendo da metodologia de cada autor, não é unívoca quanto aos princípios informativos da tutela executiva; entretanto, adotamos aqui a apresentação dos princípios fundamentais da atividade executiva considerados essenciais, até mesmo por entender que os demais princípios abordados pelos estudos acerca da execução são apenas desdobramentos ou subprincípios do princípio do devido processo legal. Execução definitiva e provisória A distinção entre execução provisória e definitiva é fundamental para a compreensão dos atos executivos que podem ser praticados em cada um CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 18 destes procedimentos. A interpretação do art. 588 do Código de Processo Civil de 1973 definia execução provisória como execução incompleta, onde só se admitia a prática de alguns atos processuais. A execução definitiva era caracterizada pela possibilidade de prática integral de todos os atos executivos. Porém...esta definição não mais se sustenta na sistemática atual, como bem ponderou Fredie Didier, pois tanto na execução provisória como na definitiva haverão a prática de todos os atos executivos, conforme dispõe o Artigo 520 do Código de Processo Civil de 2015. A diferença mais adequada diz respeito à estabilidade ou não do título executivo que aparelha a pretensão executiva. O Artigo 587 do Código de Processo Civil de 1973, com redação determinada pela Lei nº 11.382/06, diz que a execução definitiva é aquela fundada em título executivo extrajudicial e provisória enquanto pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo. No entanto, a redação é desprovida de boa técnica e causa mais dúvidas do que compreensão sobre a matéria. Importante destacar, portanto, que a regra não foi reproduzida no CPC/2015. Execução de títulos extrajudiciais Em se tratando de execução de títulos extrajudiciais, pode-se afirmar que esta será sempre definitiva, pois tem como base título executivo cuja obrigação foi previamente estabelecido em documento bilateral (ou unilateral, na hipótese de execução fiscal) e reconhecido em lei como documento hábil a aparelhar tutela executiva, nos termos do Artigo 585 do Código de Processo Civil. Esse entendimento foi devidamente consolidado pela doutrina e jurisprudência, e reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, que tratou do tema no verbete da Súmula 317, cujo teor é o seguinte: “É definitiva a execução de título CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 19 extrajudicial, ainda que pendente apelação contra sentença que julgue improcedentes os embargos”. No entanto, na contramão do entendimento sumulado acima, a Lei nº 11.382/06 deu nova redação ao Artigo 587 do CPC, determinando que a execução de títulos extrajudiciais será definitiva, excluindo a hipótese de pendência de julgamento de apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo. A reforma processual, embora tenha avançado em muitos aspectos, retrocedeu neste particular, contrariando o entendimento sumulado do STJ, criando um sistema onde é possível execução definitiva e provisória de títulos executivos extrajudiciais, possibilitando um benefício injustificado ao devedor em detrimento da efetividade da própria execução em relação ao credor. Na execução de título judicial, a execução definitiva é aquela amparada por sentença com trânsito em julgado, nos termos do procedimento estabelecido no Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015. A execução provisória de sentença tem seu procedimento disposto no Artigo 520 do CPC/2015. Atenção Execução de títulos judiciais Imagine a hipótese de, em determinado caso, a parte ré sucumbente interpõe recurso especial para o STJ. O recurso seria recebido somente no efeito devolutivo, nos termos do Artigo 542, §2º, do CPC, o que permitirá ao credor promover a execução provisória, promovendo inclusive atos de expropriação como adjudicação ou alienação particular enquanto o recurso excepcional ainda não foi efetivamente julgado. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 20 O procedimento para execução provisória está disposto no Artigo 475-O do CPC, cabendo ao credor formular requerimento juntando as respectivas cópias mencionadas no parágrafo 3º do referido artigo. Caso a sentença seja reformada em sede recursal,o credor responderá por perdas e danos nos termos do Artigo 475-O, II, do CPC. A reforma pretendeu dar maior efetividade à execução, mas também não descurou de garantir o devido processo legal em favor do devedor ao estipular a possibilidade de caução, arbitrada pelo juiz, nos casos de levantamento de depósito ou prática de atos que importem em alienação, conforme inciso III do supracitado artigo. Importante observar que o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, apresentando no Informativo nº 535, no sentido de que não cabem honorários advocatícios na execução provisória. Segundo os fundamentos determinantes deste precedente, a execução provisória será promovida por iniciativa e conta do credor, razão pela qual não se admite transferir para o devedor o dever de pagar honorários advocatícios para formação da caução, nos termos do Artigo 475-O, I, do CPC. Por fim, interessante discutir a possibilidade ou não de execução provisória de decisão interlocutória. Como foi bem observado acima, o caput do art. 475-O do CPC dispõe que a “execução provisória de sentença far-se-á, no que couber, do mesmo modo que a definitiva”. A interpretação literal desse dispositivo nos leva à conclusão de que não cabe execução provisória fundada em decisão interlocutória, mas a experiência do cotidiano forense nos CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 21 mostra o contrário. Pense na hipótese de, em determinado processo, o autor formula requerimento de antecipação de tutela para custeio do tratamento médico para cuidar de lesões decorrentes de ato ilícito levado a efeito pelo réu. O juiz, mediante a presença dos requisitos, defere a tutela de urgência e fixa o valor de R$400,00 reais mensais para custeio do tratamento. Diante da decisão, o réu permanece inerte por mais de quatro meses causando prejuízos à saúde do autor. Nesse caso, o autor poderá promover a execução provisória do valor de R$1.600,00, fixados em decisão interlocutória, para alcançar a efetividade de seu tratamento médico. Com efeito, dúvida não há quanto à possibilidade de execução provisória de decisão interlocutória nos casos de antecipação de tutela não cumprida voluntariamente pelo réu. Competência para execução de títulos judiciais A competência para execução de títulos judiciais é definida em razão da função atendendo ao critério absoluto de fixação. Nesse sentido, o Artigo 516 do Código de Processo Civil de 2015 define a competência dos Tribunais nas causas de competência originária, do juiz que processou a causa no primeiro grau de jurisdição e do juiz cível competente quando se tratar de sentença penal condenatória, arbitral ou estrangeira. No que diz respeito à competência dos tribunais para execução, não há muitas questões polêmicas, considerando a pouca incidência de execuções que serão promovidas nesta sede. Ao analisar as causas de competência originária dos tribunais, verifica-se que o rol não é muito extenso, podendo os tribunais processar e julgar mandado de segurança, cuja incidência de execução de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 22 quantia certa é a exceção, as reclamações constitucionais, nos casos do STF e do STJ, e as ações rescisórias, estas sim, com maior incidência e que dão maior margem às execuções de obrigação de pagar no âmbito dos tribunais. Exemplo 1 Imagine que, em determinado processo, o juiz extingue o processo sem resolução do mérito por considerar que o réu não é parte legítima para a causa. A parte autora recorre, e o Tribunal não só anula a decisão, como entra no mérito e julga a causa condenando o réu a pagar determinada quantia. Nesse caso, a competência para execução não será do Tribunal, e, sim, do juiz de primeiro grau, pois a causa foi apreciada na competência recursal, e não originária, conforme determina o Artigo 475-P, I, do CPC. A competência para execução de sentença, conforme Artigo 475-P, II, do CPC, será do juiz que processou a causa em primeiro grau em razão de sua competência funcional. A Lei nº 11.232/05 trouxe uma importante inovação no que tange à competência para execução de sentenças, permitindo ao credor escolher o foro para promover a execução ou modificar a competência da execução nos casos de mudança de endereço do devedor. Conforme redação do parágrafo único do art. 475-P, o exequente optar pelo juízo do local onde se encontrem bens expropriáveis do devedor ou de seu atual endereço, casos em que os autos serão encaminhados para o juízo escolhido. Trata-se de verdadeira transformação de competência funcional- absoluta em territorial-relativa. Não resta dúvida de que a finalidade da nova regra é dar maior efetividade à execução, considerando que os bens podem estar localizados em outra Comarca, distante do juízo da execução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 23 Algumas dúvidas podem ocorrer na interpretação dessas normas, gerando polêmicas tanto no âmbito doutrinário quanto jurisprudencial. Exemplo 2 Imagine que uma determinada execução tenha início na Comarca do Estado de São Paulo. O credor descobre que o devedor possui bens na Comarca do Paraná e formula requerimento ao juiz para encaminhar os autos para o referido órgão judicial. O juiz da Comarca do Estado do Paraná promove a constrição de bens do devedor existentes, mas esta não alcança o valor do crédito. Uma interessante questão surge: poderá o credor formular novo requerimento para encaminhamento dos autos para outra Comarca onde tenha bens do devedor e, assim, fazer até a satisfação integral do crédito? Ou a opção somente pode ser feita apenas uma vez? A interpretação literal do parágrafo único do Artigo 475-P do CPC não resolve este impasse. Com efeito, considerando que a finalidade da reforma processual teve como escopo dar maior efetividade à execução, a melhor interpretação da referida regra será no sentido de permitir que a execução se torne itinerante até a integral satisfação do crédito do exequente. Já no que diz respeito à mudança do foro em razão da alteração de domicílio do devedor, a melhor interpretação da norma será no sentido de que a mudança deve ser feita apenas uma vez para evitar maiores transtornos processuais. O Artigo 475-P, III, do CPC diz ser o juízo cível competente quando se tratar de sentença penal condenatória, sentença arbitral e sentença estrangeira. A competência para a execução de sentença penal condenatória será definida através da interpretação do Artigo 100, parágrafo único, do CPC, que define a competência concorrente do domicílio do autor ou do local do fato. A competência para execução de sentença estrangeira está definida no Artigo 109, X, da CF/88. Segundo essa regra, o Superior Tribunal de Justiça será competente para homologar a sentença estrangeira, e a execução será CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 24 promovida na Justiça Federal, seguindo as regras deste ramo da justiça comum, independentemente das partes ou da matéria deduzida na ação de homologação de sentença estrangeira. Em razão da forte disponibilidade que norteia a arbitragem, conforme bem observa Daniel Assumpção, a competência para execução da sentença arbitral atende ao critério definido pelas partes na cláusula compromissória ou no compromisso arbitral. Na ausência de definição acerca do foro competente, aplicam-se as regras gerais para fixação de competência para o processo de conhecimento. Os vícios de incompetência nos casos de cumprimento de sentença devem ser alegados através de simples petição, considerando quese trata de competência funcional; portanto, absoluta, nos termos do Artigo 113 do CPC. Já nos casos de modificação da competência, nos termos do Artigo 475-P, parágrafo único, do CPC, que criou uma nova modalidade de competência territorial-relativa, os vícios de incompetência devem ser alegados através de exceção de incompetência. Competência na execução da tutela coletiva A competência para promover a execução de sentença coletiva que verse sobre direito individuais homogêneos, nos termos do Artigo 95 do CDC, será do juízo que processou a demanda coletiva na fase de conhecimento, ou do juiz da liquidação de sentença, ou da condenação nos casos de execução individual, conforme Artigo 98 do CDC. A hipótese poderá ser ilustrada a partir do seguinte caso concreto: Imagine que determinada associação de consumidores promoveu ação em face da Caixa Econômica Federal visando devolução de tarifa abusiva cobrada dos correntistas. A ação foi distribuída no Estado de Alagoas, e o pedido foi julgado procedente para determinar a devolução em dobro do valor. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 25 A execução dessa sentença poderá ser promovida no juízo sentenciante no Estado de Alagoas, pela Associação de Consumidores ou por cada consumidor individualmente, ou poderá ser promovido em qualquer Estado da Federação em que residir o correntista interessado na respectiva execução, nos termos do Artigo 98, §1º, do CDC. Competência nas execuções de alimentos Uma última observação se faz necessária: sobre a competência para execução de títulos judiciais, esta se refere à execução de alimentos. A execução de alimentos deve ser promovida no juízo sentenciante por se tratar de hipótese de competência funcional. Mas não são raras as hipóteses em que o credor muda de cidade ou de Estado, o que dificulta a execução da dívida alimentar em Comarca distante da residência do alimentando, principalmente se este for menor. Diante dessa dificuldade corrente na prática forense, o STJ firmou o entendimento no sentido de que a execução de alimentos poderá ser promovida no atual endereço do alimentando em atenção ao princípio de melhor interesse do menor, conforme fundamentos determinantes exarados nos precedentes do STJ (CC 2933 – DF – 1992/0007019-1). O CPC/2015 admitiu essa hipótese de modificação de competência (art. 528,§9º). Competência para execução de títulos extrajudiciais Conforme dispõe o Artigo 781 do CPC/2015, a execução será processada no juízo competente segundo as regras do processo de conhecimento. A partir dessa interpretação, podemos concluir que a execução de título executivo extrajudicial será promovida, em regra, na justiça estadual ou federal perante o juízo de primeira instância. Neste sentido, podemos estabelecer três critérios para definição da competência para execução de títulos executivos extrajudiciais. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 26 O primeiro diz respeito ao foro de eleição. Havendo cláusula de foro de eleição, esta prevalecerá na definição do foro competente. Na ausência de cláusula de foro de eleição, o critério utilizado será o foro do local onde a obrigação deve ser cumprida. Por fim, aplica-se a regra do domicílio do devedor. Nas hipóteses de execução fundada em títulos executivos que contenham obrigações decorrentes de direitos reais, a competência para execução será definida em razão da situação da coisa. Eventuais vícios de incompetência na execução de títulos extrajudiciais deverão ser arguidas através de embargos à execução nos termos do Artigo 917, V, do CPC/2015, no prazo de 15 dias, podendo ocorrer a prorrogação, nas hipóteses de incompetência relativa. Caso o devedor não se manifeste no prazo legal. Evidente que, nas execuções cuja competência seja da Justiça Federal, não há possibilidade de ocorrer ampliação, modificação ou prorrogação, vez que foi definida pelo texto constitucional. Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil (NCPC). Competência na execução de títulos judiciais Art. 530. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: I – os tribunais, nas causas de sua competência originária; II – o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; III – o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo tribunal marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontram os bens sujeitos à execução ou onde deve ser executada a CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 27 obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. Art. 531. A decisão judicial transitada. Competência na execução de títulos extrajudiciais CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA Art. 797. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente, observando-se o seguinte: I – a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; II – tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles; III – sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente; IV – havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; V – a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado. Art. 798. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos executivos e o oficial de justiça os cumprirá. §1º O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 28 §2º Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego da força policial, o juiz a requisitará. §3º A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes. §4º A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo. §5º O disposto no §3º se aplica à execução definitiva de título judicial. Atividade proposta O termo de ajustamento de conduta realizado pela Defensoria Pública de determinado Estado possui natureza jurídica de título executivo judicial ou extrajudicial. Discuta a questão abordando os aspectos legais pertinentes. Chave de resposta: Espera-se que você considere que o termo de ajustamento de conduta seja considerado título executivo extrajudicial quando realizado pelos órgãos legitimados pelo Artigo 5º da Lei nº 7.347/85. A hipótese não é contrária ao princípio da taxatividade, pois o Artigo 585, VIII, do CPC dispõe que serão considerados, também, título executivo aqueles assim definidos em lei. Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da.; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. p.145-148. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito ProcessualCivil Contemporâneo. v. 2. São Paulo: Saraiva, 2012. p.879-889. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 29 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 2. ed. São Paulo: MÉTODO, 2010. p. 793-794. Exercícios de fixação Questão 1 Assinale a alternativa correta acerca do cumprimento de sentença, considerando a reforma introduzida pela Lei nº 11.232/2005. (Questão extraída do XLV Concurso da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro). a) É considerado inexigível o título judicial fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. b) Correndo o processo à revelia, a nulidade de citação não pode ser arguida em impugnação ao cumprimento de sentença, em razão da preclusão temporal. c) A decisão que extingue a execução é atacável por meio de recurso de agravo, em sua forma de instrumento. d) A impugnação ao cumprimento de sentença terá, em regra, efeito suspensivo, ressalvada a possibilidade de execução provisória. Questão 2 A reforma do processo de execução trazida pela Lei nº 11.232/05 rompeu com o formalismo processual e estabeleceu o denominado processo sincrético, onde a execução de sentença passou a ser mera fase processual. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que corresponde à sentença que deverá ser executada através de processo autônomo de execução. a) Sentença estrangeira devidamente homologada. b) Sentença que condena em obrigação de entrega de coisa. c) Sentença penal condenatória, impugnada mediante recurso de apelação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 30 d) Acordo extrajudicial homologado judicialmente. Questão 3 O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um processo misto que não é mais nem puramente cognitivo, nem puramente executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio. Questão 4 Considerando os requisitos necessários para realizar qualquer execução, assinale a alternativa INCORRETA. (Juiz do Trabalho – RJ/ 2004). a) A existência de título executivo judicial ou extrajudicial. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 31 b) O inadimplemento do devedor. c) Um início razoável de prova material do inadimplemento do devedor. d) Sendo execução para cobrança de crédito, que o título seja líquido, certo e exigível. e) O adimplemento da obrigação do credor, quando esta for condição para a prestação do devedor. Questão 5 A execução provisória da sentença far-se-á do mesmo modo que a definitiva, observadas as seguintes normas: a) Corre por conta e responsabilidade do exequente, que se obriga se a sentença for reformada a reparar os prejuízos que o executado venha a sofrer através de ação própria. b) Não será admitido, em qualquer hipótese, o levantamento de depósito em dinheiro, sendo possível a prática de atos que importem alienação de domínio, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, mediante caução idônea, requerida e prestada nos próprios autos da execução. c) Não será admitido, em qualquer hipótese, o levantamento de depósito em dinheiro ou a prática de atos que importem alienação de domínio, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado. d) Fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes o estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos. e) Fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, no todo ou em parte, restituindo-se as partes ao estado anterior. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 32 Questão 6 Sobre os critérios de fixação de competência para a atividade executiva, assinale a alternativa correta. a) Em caso de execução fundada em título extrajudicial, a competência é do foro do domicílio do autor. b) Em caso de execução fundada em sentença penal condenatória, a competência é do órgão que proferiu a decisão. c) Em caso de execução fundada em sentença estrangeira homologada pelo STJ, a competência será do juízo estadual. d) Em caso de execução fundada em sentença cível, pode ser no foro do local onde se encontram os bens do devedor. Questão 7 O procedimento adotado para se executar na esfera cível uma sentença penal condenatória será: a) Cumprimento de sentença, na forma do Artigo 573 do CPC/15 b) Cumprimento de sentença na forma do Artigo 536 do CPC/15. c) Processo autônomo de execução. d) Nenhuma das assertivas acima. Questão 8 Caio, menor devidamente representado por sua mãe, ajuizou ação de alimentos na Comarca do Estado do Rio de Janeiro em face de seu pai Pedro visando à obtenção de alimentos, considerando que seu pai nunca cumpriu com seu dever de sustente. O juiz condenou o devedor a pagar alimentos fixados em 20 % dos ganhos líquidos do réu. Após o trânsito em julgado, o alimentando passou a residir no Estado de São Paulo, e Pedro, por questões de trabalho, CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 33 mudou-se para o Estado do Paraná. Considerando o inadimplemento da obrigação, o alimentando pretende promover a respectiva execução. Diante do caso, a competência da execução será: a) Do juízo sentenciante, considerando a competência funcional regulada pelo Artigo 475-P, II, do CPC. b) Do foro da atual residência do alimentante, nos termos do Artigo 475-P, parágrafo único, do CPC. c) No foro do atual endereço do alimentando, considerando o princípio de melhor interesse do menor. d) Nenhuma das respostas acima. Questão 9 Carlos promove ação indenizatória em face de José. O juiz de primeira instância julgou extinto o processo, sem resolução de mérito, por entender que José não é parte legítima para a causa. Carlos apelou da referida decisão, e o Tribunal, aplicando a teoria da causa madura, declarou a nulidade da sentença e, no mérito, julgou procedente o pedido do autor. Nesse caso, a competência para promover a execução será: a) Do juiz de primeiro grau, considerando que a lei não confere ao Tribunal para competência execução da respectiva decisão. b) Do respectivo tribunal, considerando a competência funcional. c) Serão os autos encaminhados à livre distribuição para execução na primeira instância. d) A competência será do Tribunal de Justiça, cabendo ao juiz de primeiro grau o cumprimento dos atos executivos através de Carta de Ordem. Questão 10 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 34 A competência para liquidação e execução de sentença coletiva será definida: a)Em razão do caráter absoluto do juízo sentenciante. b) Em razão do domicílio do credor, com exclusão de qualquer outra. c) Em razão do domicílio do réu ou do juízo sentenciante, concorrentemente. d) Em razão do juízo sentenciante ou do domicílio do credor, quando promovida individualmente. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 35 AgRg: Agravo Regimental REsp: Recurso Especial Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: Conforme dispõe o art. 535, § 5 do CPC/15. Questão 2 - A Justificativa: A homologação de sentença estrangeira possui procedimento cindido ou bifásico, pois o procedimento de homologação é promovido pelo Superior Tribunal de Justiça, e a execução será promovida pela Justiça Federal, constituindo verdadeira exceção à competência funcional do órgão que conheceu da causa na fase de conhecimento. Nesse sentido, ainda que a sentença estrangeira possua natureza de título executivo judicial, sua execução não será promovida através de cumprimento de sentença, mas através de um processo autônomo de execução. Questão 3 - C Justificativa: Conforme dispõe o art. 515, I do CPC/15. Questão 4 - C Justificativa: Um início razoável de prova material do inadimplemento do devedor, conforme Artigo 580 do CPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 36 Questão 5 - D Justificativa: Fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior, conforme Artigo 475-O, II, do CPC. Questão 6 - D Justificativa: O Artigo 475-P, parágrafo único, do CPC autoriza o credor a promover a execução no atual endereço do devedor ou no local onde se encontram os bens deste. Questão 7 - C Justificativa: Considerando que a sentença penal condenatória foi proferida no juízo criminal, a execução de sentença no cível será promovida através de processo autônomo de execução após o procedimento de liquidação. Questão 8 - C Justificativa: O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de se determinar o foro do domicílio atual do menor como competente para a execução de alimentos. (CC 2933 – DF – 1992/0007019-1). Questão 9 - A Justificativa: Segundo o Artigo 475-P, I, do CPC, os Tribunais somente serão competentes para promover a execução das causas processadas em sua competência originária. No caso, a causa foi apreciada pelo Tribunal em sua competência recursal. Questão 10 - D Justificativa: Em razão do juízo sentenciante ou do domicílio do credor, quando promovida individualmente, conforme Artigo 98, §2º, do CDC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 37 Introdução Em determinada ação declaratória o juiz julgou procedente o pedido do autor e condenou o réu a pagar honorários sucumbenciais em 20% do valor da causa. Considerando que a referida sentença possui aplicabilidade imediata e que não necessitará de nenhum procedimento executivo para ser efetivada, o advogado do autor poderá promover a execução de honorários nos próprios autos e em nome próprio? Neste caso, quais os bens do devedor que poderão ser levados à constrição para satisfação do referido crédito? Esses e outros temas serão objeto desta aula onde apresentaremos os temas da legitimidade para execução, a responsabilidade patrimonial e a liquidação de sentença e sua aplicabilidade adequada no âmbito da tutela executiva. Bons estudos! Objetivo: 1. Examinar a legitimidade ativa e passiva para execução e os bens do devedor sujeitos à expropriação; 2. Estudar as hipóteses em que caberá liquidação de sentença, individual e coletiva, como também compreender as modalidades de liquidação abordadas pelo CPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 38 Conteúdo Legitimidade ativa para promover execução A legitimidade das partes é um dos temas mais importantes da teoria geral do processo, pois além de ser uma das condições da ação estabelece certa coincidência entre a titularidade do direito material e aquele que afirma ser o portador de um determinado direito. Na tutela executiva o tema da legitimidade possui a mesma importância, pois o sistema processual estabelece de forma clara quem possui legitimidade para promoção dos atos executivos e quem tem legitimidade para estar numa posição de desvantagem patrimonial ou de coerção pessoal. Desta forma, o Código de Processo Civil dispõe, em seus Artigos 778 a 780 do Código de Processo Civil de 2015, sobre a legitimidade ativa, originária e subsidiária, e a legitimidade passiva. A legitimidade ativa originária, nos termos do Artigo 778 do Código de Processo Civil de 2015, é atribuída ao credor a quem a lei confere título executivo e ao Ministério Público, nos casos prescritos em lei. No que diz respeito à legitimidade do credor, importante ressaltar que o CPC não é exaustivo, pois não considera o advogado como legitimado para execução da sentença referente ao capítulo que fixou honorários sucumbenciais. Assim, a legitimidade do credor não está condicionada a existência de título executivo conferido por lei, mas à existência ou não de crédito exequível. Quanto à legitimidade do Ministério Público, importante observar que a sua legitimidade estará sempre definida em lei, considerando sua função institucional definida no Artigo 129 da CF/88. O Ministério Público tem legitimidade para promover a execução coletiva de sentenças genéricas proferidas em ação coletiva, nos termos dos Artigos 98 a 100 do Código de Defesa do Consumidor. É também legitimado para promoção da execução de sentença que condena o réu a pagar alimentos, nos termos do Artigos 141 e 201, III, da Lei nº 8.069/90. Conforme precedentes do Superior Tribunal de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 39 Justiça, o Ministério Público também será legitimado para promover a execução de sentença condenatória por reparação de danos, quando o exequente for pobre como foi decidido no REsp. nº 232.279-SP. A legitimidade superveniente ou derivada está disposta no Artigo 778,§1º do Código de Processo Civil de 2015. Poderão também promover a execução o espólio, os herdeiros, o cessionário e o sub-rogado. Importante também registrar que os sindicatos também podem promover a liquidação e execução de sentença em favor dos sindicalizados, como substituto processual, conforme precedente do STJ no julgamento do EREsp nº 1.082.891/RN. Legitimidade passiva A legitimidade passiva na tutela executiva está prevista no art. 779 do CPC/2015. Desta forma, podem figurar no polo passivo de uma execução o devedor reconhecido no título executivo, o espólio ou herdeiros do devedor, o novo devedor que assumiu a dívida, o fiador judicial e o responsável tributário, definido na legislação própria. A legitimidade passiva do devedor reconhecido no título executivo constitui modalidade de legitimidade genérica. Num primeiro momento, podemos afirmar que a legitimidade passiva do devedor possui, em regra, estreita coincidência com a responsabilidade patrimonial. É evidente que em alguns essa coincidência pode não ocorrer, como no caso da execução promovida contra o locatário (devedor) e o fiador é incluído também na execução. Cumpre esclarecer, neste particular a orientação do STJ no sentido de que o fiador que não for citado no processo de conhecimento não pode figurar como devedor na respectiva execução. Tal entendimento foi encartado na Súmula nº 268 do STJ. No entanto, o legislador ampliou legitimidade passiva para permitirque outros sujeitos integrem a relação processual. O Artigo 779, II, do Código de Processo Civil de 2015 trata da hipótese em que o espólio, herdeiros ou sucessores do devedor integram o polo passivo da execução. Haverá neste caso legitimidade CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 40 passiva derivada. A questão principal nesta hipótese é identificar em que momento processual incidirá a legitimidade passiva do espólio. O Superior Tribunal de Justiça já firmou orientação no sentido de ser incabível redirecionamento de execução fiscal movida em face de pessoa falecida para seu espólio quando o falecimento ocorreu antes do ajuizamento da execução, considerando que não se efetivou a angularização processual (REsp nº 1.410.253/SE). Após a partilha dos bens homologada nos autos do inventário, a legitimidade passiva se redirecionada para os herdeiros e sucessores. A legitimidade passiva do novo devedor (Artigo 779, III) decorre da assunção de dívida nos termos do Artigo 299-307 do CC. Neste caso, o novo devedor assumiu a dívida com o respectivo consentimento do credor. A legitimidade passiva do fiador do débito constante em título executivo extrajudicial (Artigo 779, IV). Por fim, a legitimidade do responsável tributário (Artigo 779, VI, do Código de Processo Civil de 2015) decorre de dissolução irregular da sociedade (Súmula nº 435 do STJ) ou nas hipóteses do Artigo 121, § único, II, do CTN. Intervenção de terceiros As intervenções de terceiros regidas pelo CPC (Artigos 119 a 138 do Código de Processo Civil de 2015) têm como escopo possibilitar ao terceiro que terá sua esfera jurídica afetada por uma decisão judicial a ser proferida em determinado processo. Na tutela executiva não haverá decisão judicial no sentido de reconhecer o direito do autor, mas sim atividades executivas visando à satisfação de obrigação certa, líquida e exigível. Com efeito, considerando que não será proferida nenhuma sentença que produzira efeitos na esfera jurídica de outrem não cabe nenhuma das modalidades de intervenção de terceiros em sede de execução. Admite-se, portanto, a assistência em alguns casos específicos, como por exemplo, a intervenção de um determinado banco, na qualidade de assistente para CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 41 acompanhar execução em que um imóvel financiado pelo mesmo foi levado a penhora. Responsabilidade patrimonial Na tutela executiva, o crédito do exequente será satisfeito através da expropriação, nas obrigações de pagar, ou da coerção, nas hipóteses de obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa. Nas obrigações de pagar não cumpridas voluntariamente o Estado promoverá a penhora de tantos bens quanto bastem para satisfação da obrigação fixada no título executivo. Assim, o estudo da responsabilidade patrimonial, ou seja, quais os bens do devedor estão sujeitos à constrição, é fundamental para efetividade da execução das obrigações de pagar. O Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015 dispõe que o devedor responde com todos os bens futuros e presentes para o cumprimento de suas obrigações. Antes mesmo de discutir a responsabilidade patrimonial propriamente dita, é importante distinguir obrigação de responsabilidade, como bem faz Candido Dinamarco. Segundo o referido autor: “A obrigação, como categoria de direito material, é, portanto, uma situação jurídica visivelmente estática, que não contém em si nem oferece ao titular do direito qualquer força ou autorização para efetivamente trazer ao seu patrimônio o que lhe é devido; as atividades destinadas a produzir resultados quando não os houver produzido aquele que tinha o dever de fazê-lo são objeto das normas de direito processual e destas recebem sua regência” (Instituições de direito processual civil, vol. IV, p. 354). Desta forma, a obrigação é instituto do direito material e a responsabilidade é instituto do direito processual. Com efeito, a obrigação nem sempre está necessariamente relacionada à responsabilidade, pois existem obrigações sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação. Nos casos de obrigação CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 42 natural, haverá dívidas, mas ocorre a responsabilidade. No entanto, nos casos em que ocorre a desconsideração da personalidade jurídica de determinada empresa a esfera patrimonial do sócio será afetada sem que este tenha contraído a dívida. Feita essa distinção, passemos à análise da responsabilidade patrimonial. Conforme inteligência do Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015, o devedor responde pelos seus bens presentes e futuros. Os bens presentes dizem respeito aos bens que integram a esfera patrimonial do devedor. Os bens futuros referem-se as expectativas de direito, como herança, indenizações decorrentes de perdas e danos ou congêneres, que a despeito de ainda não integrarem a esfera patrimonial do devedor, este possui expectativa de ampliar o acervo de seus bens, porquanto, já estão também sujeitos à responsabilidade patrimonial. Veja um caso de responsabilidade patrimonial. Pense, por exemplo, no caso de um determinado inventário o devedor receberá seu quinhão em uma determinada herança ou está às vésperas de receber mandado de pagamento oriundo de uma determinada ação indenizatória, o credor poderá, nos termos do Artigo 860 do Código de Processo Civil de 2015, requerer ao juízo da execução que proceda a penhora “no rosto dos autos” e, dessa forma, alcançar a satisfação de seu crédito através de bens considerados “futuro” do devedor. O Artigo 790 do Código de Processo Civil de 2015, por sua vez, trata dos bens que estão sujeitos à responsabilidade patrimonial de terceiros que, a princípio, não foram incluídos no polo passivo do cumprimento de sentença ou do processo autônomo de execução. Destarte, o referido dispositivo incluiu o patrimônio do sucessor singular, dos sócios, dos bens do devedor em poder de terceiro e do cônjuge pelos bens próprios ou os correspondentes à sua meação. Algumas questões interessantes podem surgir a partir da interpretação da responsabilidade patrimonial entabulada no referido artigo. Por exemplo, os CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 43 sujeitos elencados no Artigo 790 do Código de Processo Civil de 2015 devem ser citados ou intimados? Trata-se de questão processual relevante, pois interfere diretamente na defesa levada a efeito pelo sujeito indicado pelo Artigo 790 do CPC/2015. Caso entenda-se que a responsabilidade patrimonial se estendeu ao sócio ou ao cônjuge não obrigado, apenas para ilustrar a hipótese, estes devem ser intimados para que possam participar do processo e, portanto, poderão utilizar o meio de defesa adequada para proteger seus respectivos bens. Alienação fraudulenta Embora o Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015 disponha que o devedor responde pelo cumprimento de suas dívidas com seus bens presentes e futuros, em alguns casos os bens pretéritos são, também, inseridos na responsabilidade patrimonial nos casos em que ocorreu alienação fraudulenta. Assim, a alienação de bens por parte do devedor após a constituição de obrigação de pagar em relação ao credor importa em tornar fraudulenta a alienação e, portanto, passível de desconstituição, considerando que o único objetivo concerne ao não pagamento. O nosso ordenamento jurídico trata de três modalidades de alienação fraudulenta: Fraude contra credores A fraude contra credores é instituto de direito material e está devidamente regulado pelo Código Civil em seus Artigos 158 a 165.Para fins conceituais, considera-se fraude contra credores a alienação de bens quando o devedor, que contraiu dívidas, já insolvente ou se for reduzido à condição de insolvente através desta antes mesmo da respectiva ação judicial. Importa salientar que insolvência é uma condição do devedor que o seu passivo, obrigações e dívidas se tornam maior que seu ativo, receitas e patrimônios, colocando-o numa situação de total falta de possibilidade de cumprir com suas obrigações. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 44 Para configuração da fraude contra credores necessária se faz a demonstração da existência dos pressupostos objetivos e subjetivos. Os pressupostos objetivos caracterizam-se pela redução ou aniquilação total do patrimônio suficiente para inviabilizar a quitação da obrigação. É evidente que a alienação, por si só, mesmo na existência de dívidas, não configura fraude contra credores, mas tão somente a alienação que importe em redução do patrimônio suficiente para garantia do pagamento da obrigação. A venda, por exemplo, de um imóvel no valor de R$ 890.000,00, mas o devedor ainda possui mais 02 imóveis avaliados no mesmo valor e a dívida perfaz a quantia de R$ 300.000,00, não configura fraude contra credores, pois não colocou o devedor em situação de insolvência. Os pressupostos subjetivos referem-se à ciência do devedor da condição de insolvência que a alienação irá produzir em sua esfera patrimonial e a má-fé do terceiro adquirente. É evidente que constitui matéria de prova a ser produzida pelo credor que objetiva anular a eficácia da alienação fraudulenta. No entanto, admite-se a presunção absoluta de fraude contra credores quando o ato ocorre de forma gratuita como renúncia à herança ou doação de bens. Neste caso, o autor não terá o intenso ônus de provar a existência dos pressupostos subjetivos, principalmente que o terceiro tinha consciência do estado de insolvência do devedor. Os atos onerosos acarretam presunção relativa, admitindo-se, portanto, prova em contrário, caso seja demonstrado que o terceiro adquirente não tinha ciência da condição de insolvência do devedor. Neste caso, o ônus da prova será distribuído ao credor para que se demonstre a existência dos elementos objetivos e subjetivos que tenham o condão de tornar sem efeito a alienação fraudulenta. Apresentados o conceito de fraude contra credores e seus pressupostos objetivos e subjetivos, necessário se faz discutir a respectiva ação judicial para CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 45 tornar a alienação sem efeito perante o credor. O Artigo 161 do Código Civil dispõe sobre a denominada ação pauliana que deve ser ajuizada pelo credor em face do devedor e do terceiro adquirente, formando um litisconsórcio necessário no polo passivo. O juízo competente para processar a mencionada demanda será o do foro de um dos réus, no caso o devedor ou do terceiro adquirente, nos termos do Artigo 94, §4º, do CPC. Certa polêmica surge entre a pretensão do credor na ação pauliana. Alguns autores entendem que o objetivo da ação pauliana será a anulabilidade do ato. Autores outros entendem que a finalidade da demanda não é a anulabilidade do ato, mas sim tornar sem eficácia a alienação fraudulenta em relação ao autor-credor. A primeira posição é mais afeita aos civilistas e a segunda aos processualistas. Parece-nos mais adequado o entendimento de que a ação pauliana tem como escopo tornar sem eficácia a alienação fraudulenta em relação ao credor, pois o tema diz respeito à responsabilidade patrimonial, instituto de direito processual, do que a teoria dos atos jurídicos e suas nulidades. Fraude à execução A segunda modalidade de alienação fraudulenta denomina-se fraude à execução, regulada pelo Artigo 792 do Código de Processo Civil de 2015. Diferente da fraude contra credores que ocorre antes mesmo da propositura de ação judicial, a fraude à execução se aperfeiçoa com a alienação do bem pelo devedor visando à insolvência após a citação válida em processo judicial deflagrado pelo credor. Verifica-se, neste particular, que na fraude à execução o devedor promove alienação fraudulenta para se escusar de cumprir obrigação em determinado processo judicial, ou seja, viola não só os direitos do credor como também promove atentado à própria jurisdição. Embora a fraude à execução seja uma modalidade de alienação fraudulenta, sua arguição e demonstração diferem sensivelmente da fraude contra credores. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 46 Caso o devedor aliene seus bens após a citação válida, exsurge o fenômeno da fraude à execução e o credor poderá alegar, nos próprios autos da demanda proposta, através de simples petição para tanto, a ocorrência dos pressupostos objetivos e subjetivos. Os pressupostos objetivos são a redução do patrimônio ocasionando a insolvência e a existência de processo judicial com citação válida. O pressuposto subjetivo corresponde à má-fé do terceiro adquirente. O tema é controvertido ensejando inúmeras controvérsias. Não é fácil demonstrar com certa clareza a má-fé do devedor na prática forense. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça editou o verbete da Súmula nº 375, que dissolve, em certa medida, as divergências neste particular, cujo teor é o que segue: “O reconhecimento da fraude à execução depende de registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”. O referido precedente estabelece um critério plausível para configuração da fraude à execução que poderá ser demonstrada através de registro de distribuição da execução, nos termos do Artigos 615-A do CPC ou do registro da penhora de imóvel, nos termos do Artigo 659, §4º, do mesmo diploma, que evidenciam a publicidade necessária para identificação da má-fé do terceiro adquirente. Alienação de bem penhorado A alienação de bem penhorado é última modalidade de alienação fraudulenta, que nem sempre tem reconhecimento doutrinário, mas com algumas ocorrências no mundo prático. A alienação de bem levado à constrição constituição ato fraudulento grave que viola a um só tempo a lealdade processual como também atenta contra a dignidade da jurisdição. A demonstração da ocorrência da alienação de bem penhorado é demonstrado CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 47 nos próprios autos da execução, através de simples petição, configurado através do auto de penhora e a comprovação da venda do referido bem. Independente da modalidade de alienação fraudulenta levada a efeito, a finalidade deste estudo tem como escopo analisar as possibilidades de se desfazer a referida alienação e restituir o bem alienado para a esfera patrimonial do devedor, em alguns casos, e em outros a ineficácia dos atos fraudulentos em relação ao credor. Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil CAPÍTULO II DAS PARTES Art. 794. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo. § 1º Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário: I – o Ministério Público, nos casos previstos em lei; II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; III – o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe foi transferido por ato entre vivos; IV – o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. § 2º A sucessão prevista no § 1º independe de consentimento do executado. Art. 795. A execução pode ser promovida contra:I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo; II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; III – o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo; CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 48 IV – o fiador do débito constante em título extrajudicial; V – o responsável, titular do bem vinculado por garantia real, ao pagamento do débito; VI – o responsável tributário, assim definido na lei. Art. 796. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. CAPÍTULO V DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL Art. 805. O devedor responde com todos seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. Art. 806. Ficam sujeitos à execução os bens: I – do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II – do sócio, nos termos da lei; III – do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV – do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V – alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; VI – cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação própria, de fraude contra credores; VII – do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. Art. 807. Se a execução tiver por objeto obrigação de que seja sujeito passivo o proprietário de terreno submetido ao regime do direito de superfície, ou o superficiário, responderá pela dívida, exclusivamente, o direito real do qual é CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 49 titular o executado, recaindo a penhora ou outros atos de constrição exclusivamente sobre o terreno, no primeiro caso, ou sobre a construção ou plantação, no segundo caso. § 1º Os atos de constrição a que se refere o caput serão averbados separadamente na matrícula do imóvel, no registro de imóveis, com a identificação do executado, do valor do crédito e do objeto sobre o qual recai o gravame, devendo o oficial destacar o bem que responde pela dívida, se o terreno, a construção ou a plantação, de modo a assegurar a publicidade da responsabilidade patrimonial de cada um deles pelas dívidas e obrigações que a eles estão vinculadas. § 2º Aplica-se, no que couber, o disposto neste artigo à enfiteuse, à concessão de uso especial para fins de moradia e à concessão de direito real de uso. Art. 808. Considera-se fraude à execução a alienação ou a oneração de bem: I – quando sobre ele pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver; II – quando tiver sido averbada, em seu registro, a pendência do processo de execução, na forma do art. 844; III – quando tiver sido averbado, em seu registro, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; IV – quando, ao tempo da alienação ou oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; V – nos demais casos expressos em lei. § 1º A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. § 2º No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 50 § 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar. § 4º Antes de declarar a fraude à execução, o órgão jurisdicional deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de quinze dias. Art. 809. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente ao devedor não poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa que se achar em seu poder. Art. 810. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. § 1º Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados na mesma comarca que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do credor. § 2º O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo. § 3º O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. Art. 811. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão nos casos previstos em lei. § 1º O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade. § 2º Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1º nomear quantos bens da sociedade situados na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito. § 3º O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 51 § 4º Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a observância do incidente previsto neste Código. Art. 812. O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube. Liquidação de sentença O título executivo deve conter uma obrigação certa, líquida e exigível. Evidente que os títulos executivos extrajudiciais, por ser documento bilateral que retrata um negócio, possuem certeza, liquidez e exigibilidade inerente à própria natureza do título. No entanto, no que tange aos títulos executivos judiciais, em alguns casos o juiz não possui condições de proferir sentença líquida capaz de instrumentalizar o cumprimento adequado da sentença, embora o Artigo 492,§ Único do Código de Processo Civil de 2015, parágrafo único, impeça o magistrado de proferir decisão ilíquida. O Artigo 322 do Código de Processo Civil de 2015 é contundente ao afirmar que o pedido deve ser certo e determinado, apesar do equívoco na redação do caput que dá azo a interpretação de que as palavras certeza e determinação sejam sinônimas. Dessa forma, é defeso ao autor formular pedido incerto ou indeterminado, ressalvado as hipóteses elencadas no Artigo 322 do Código de Processo Civil de 2015. No entanto, em alguns casos, seja pela complexidade da causa ou por necessidade de algum conhecimento técnico, o juiz não tenha condições de proferir sentença líquida. Nesses casos a sentença conterá exigibilidade, certeza, mas não terá liquidez necessitando, portanto, de uma fase denominada liquidação para se apurar o valor exequendo. A sentença, como título executivo, deve conter necessariamente o an debeatur, que corresponde ao dever ou à obrigação a ser cumprida, e o quantum debeatur, que corresponde ao valor da obrigação ou à quantidade, nos casos de obrigação de entrega de coisa incerta. A liquidação é a fase processual que CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 52 tem como escopo apurar o quantum debeatur visando viabilizar a execução do crédito. Natureza jurídica da liquidação Há forte controvérsia doutrinária acerca da naturezajurídica da liquidação de sentença... Alguns autores entendem, mesmo após a reforma implementada pela Lei nº 11.232/2005, que a liquidação de sentença é um processo autônomo que complementa a fase de conhecimento. Outro segmento doutrinário entende que a liquidação constitui uma mera fase do cumprimento de sentença, que nesses casos seria trifásico, uma fase de conhecimento, uma fase de liquidação e outra fase de execução. A segunda corrente tem como argumento principal o fato de que o Artigo 1.015, §Único do Código de Processo Civil de 2015 dispõe sobre o recurso de agravo de instrumento contra decisão de liquidação, o que leva a concluir que se trata de decisão interlocutória em uma fase processual. No entanto, a primeira corrente, que possui dentre os seus defensores Luiz Rodrigues Wambier e José Miguel Medina, defende que mesmo o referido dispositivo legal definindo o recurso de agravo de instrumento como recurso cabível, esse argumento, por si só, não é suficiente para fragilizar a tese que defende a natureza autônoma da liquidação, considerando que o nosso sistema processual possui inúmeros exemplos de decisão interlocutória com conteúdo de sentença. A Discussão não é meramente acadêmica, mas, ao contrário, possui sérias complicações de ordem prática como a possibilidade ou não de ajuizamento ou não de ação rescisória, apenas para citar um exemplo. A melhor posição, em nosso entender, é a que mais se aproxima do espírito que embalou as reformas da execução, ou seja, tornar a tutela executiva, mas célere e efetiva produzindo resultados mais imediatos possíveis na vida do jurisdicionado. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 53 Assim, a corrente que defende a natureza de mera fase processual da liquidação é a mais acertada, pois desformaliza o procedimento e garante maior celeridade à tutela executiva. Hipóteses que não haverá liquidação de sentença O sistema processual anterior à Lei nº 11.232/2005, contemplava 03 modalidades de liquidação de sentença, quais sejam liquidação por arbitramento, liquidação por artigos e liquidação por cálculos do contador. A reforma visou tornar a tutela executiva menos formal e mais efetiva eliminando a liquidação por cálculos do contador, transmitindo a responsabilidade para elaboração dos cálculos aritméticos ao credor, maior interessado no rápido andamento da execução, conforme dispõe o Artigo 509,§ 2º do Código de Processo Civil de 2015. Nestes casos, o próprio credor promoverá a execução, nos termos do Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015, com a respectiva planilha do cálculo, incluindo atualização e juros de mora. Quando os documentos necessários para elaboração do cálculo estiver em posse do devedor ou terceiro, o juiz determinará a entrega da respectiva documentação no prazo de 30 dias, sob pena de ser considerado aceito o cálculo apresentado pelo credor ou a busca e apreensão, no caso de terceiros, conforme Artigo 524,§§ 3º e 4º do Código de Processo Civil de 2015. O CPC/73 contemplava outra hipótese em que não haveria necessidade de liquidação de sentença. Trata-se das causas que versavam sobre ressarcimento por acidente de veículo terrestre ou às causas que versem sobre cobrança de seguro concernentes à acidente de veículo, conforme disposto no Artigo 475-A, § 3º, do CPC. Nesses casos o juiz não poderia proferir sentença ilíquida fixando o valor correspondente através da prova documental produzida nos autos ou nos casos de insuficiência probatória o valor será fixado através de seu “prudente arbítrio”. O CPC/2015 não reproduziu essa regra. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 54 Por fim, não haverá liquidação de sentença nas causas de competência dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais, nos termos do Artigo 38,parágrafo único da Lei nº 9.099/95. É compreensível tal limitação, pois o microssistema processual dos Juizados Especiais Cíveis optou pela celeridade e simplicidade, razão pela qual reduziu a incidência de recursos e procedimentos dilatórios, como é o caso da liquidação de sentença. Caso haja necessidade de liquidação em sede de juizado o juiz deverá extinguir o processo sem resolução de mérito, vez que se trata de causa de maior complexidade e, portanto, incabível nesse procedimento. Modalidades de liquidação O Código de Processo Civil contempla duas modalidades de liquidação de sentença. A liquidação por arbitramento tem lugar quando, para se alcançar o quantum debeatur, houver necessidade de conhecimento técnico ou quando for determinado na sentença ou for convencionado pelas partes. A liquidação por artigos será feita nos casos em que para determinar o valor haja necessidade de provar a existência de fatos novos. Liquidação por arbitramento O Código de Processo Civil, como foi dito, dispõe sobre duas hipóteses de liquidação por arbitramento. A primeira ocorrerá quando o juiz determinar na sentença ante a sua falta de condições de apurar de forma adequada o quantum debeatur. Imagine o caso em que as partes discordam sobre o pagamento ou não de um determinado seguro de vida ou previdência privada e o juiz, ao final da instrução, julgue procedente o pedido do autor, mas não tenha condições de fixar o valor do prêmio, pois não tem condições de realizar o cálculo atuarial. Nessa hipótese o juiz determinará que a liquidação seja feita por arbitramento. A segunda hipótese refere-se à convenção das partes. Imagine uma determinada demanda em que um sócio decide se retirar de uma sociedade CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 55 empresarial. Considerando a necessidade de apuração de haveres para saber o valor correto a ser levantado pelo sócio, deduzidos os devidos encargos, as partes decidem realizar a liquidação por arbitramento nomeando um contador para se alcançar o quantum debeatur em sede de liquidação. A terceira e última hipótese relaciona-se com a necessidade de conhecimento técnico para apuração do valor devido. Um exemplo simples de aplicação dessa hipótese ocorre nos casos de acidentes em que a parte lesionada necessita de tratamento médico ou fisioterápico para seu restabelecimento, e o juiz, se no momento de proferir sentença não tiver condições de fixar o valor do tratamento médico, determinará que o valor seja apurado em liquidação por arbitramento, nomeando para tanto um perito para apresentação do respectivo laudo. Procedimento da liquidação por arbitramento A liquidação por arbitramento inicia-se com requerimento do credor através de petição simples. O devedor será intimado na pessoa de seu advogado. Neste particular percebe-se a finalidade da reforma em imprimir maior celeridade ao procedimento executivo, dispensando a citação pessoal do devedor. O juiz determinará a nomeação do perito, sendo facultada às partes a nomeação de assistentes técnicos, nos termos do Artigo 421, I, do CPC. Após a apresentação do respectivo laudo, as partes podem se manifestar, impugnando ou não o laudo, podendo, inclusive, ser prestados esclarecimentos, nos termos do Artigo 435 do CPC, ou até mesmo a determinação de realização de outro laudo pericial. Concluído os trabalhos do perito, o juiz decidirá a liquidação de sentença fixando o valor do crédito a ser executado, cabendo contra essa decisão recurso de agravo de instrumento conforme Artigo 475-H do CPC. Liquidação pelo procedimento comum CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 56 A liquidação por artigos terá lugar sempre que houver a necessidade de se apurar a existência de fatos novos para dimensionar o valor a ser executado.Luiz Rodrigues Wambier, em sua importante obra sobre liquidação de sentença, utiliza um conceito de fato novo que bem ilumina a hipótese. Para este autor “o vocábulo novo qualifica qualquer fato ocorrido depois da propositura da ação ou após a realização de determinado ato processual” (Liquidação de sentença civil, p. 118). Com efeito, a liquidação por artigos será cabível sempre que para determinar o valor da execução houver a necessidade de provar fato que tenha ocorrido após a sentença mais que tenha relação direta com a obrigação fixada na mesma, ou seja, o fato novo deve ser a extensão dos danos apurados na sentença. Para melhor compreensão dessa técnica processual, pense no caso de que em certa demanda o autor veicula pretensão visando obter indenização pelos danos sofridos em queda provocada pelo preposto de uma empresa de ônibus. A parte autora prova que houve lesão na perna direita e no braço esquerdo. O juiz condena a empresa a pagar o tratamento em valor fixado em R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Proferida a sentença, a parte autora passa a sentir fortes dores na lombar e, após exames, identifica que possui sérias lesões decorrentes também do acidente. Neste caso, os danos na lombar constitui fato novo a ensejar liquidação por artigos para se apurar o valor correspondente ao tratamento a ser custeado pelo executado considerando que foi identificado após a sentença e constitui extensão dos danos apurados na fase de conhecimento. Procedimento da liquidação por artigos O objeto da liquidação por artigos consiste na prova da existência ou não do fato novo e se este é ou não extensão dos fatos apurados na fase de conhecimento. Para tanto o Artigo 475-F do CPC dispõe que será observado o procedimento comum para apreciação da existência do fato novo. Será utilizado CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 57 o procedimento sumário ou ordinário, de acordo com o procedimento utilizado na fase de conhecimento. Se a ação foi processada pelo rito sumário, a liquidação por artigos se valerá do mesmo rito para apuração dos fatos novos e assim ocorrerá se a causa tramitou pelo rito ordinário. Interessante observar que será possível, inclusive, a nomeação de perito para se apurar a extensão do fato novo e o correspondente valor do tratamento a ser realizado. O Superior Tribunal de Justiça em verbete plasmado na Súmula nº 344 dispõe que a liquidação por forma diversa da fixada na sentença não ofende a coisa julgada. Esse precedente judicial é importante, pois não deixa dúvidas acerca da instrumentalidade dessa fase processual, vez que nem sempre a forma fixada na sentença se apresenta como a melhor, na prática, para a mais adequada apuração do quantum debeatur. Liquidação provisória O nosso sistema processual admite a liquidação provisória da sentença (Artigo 512 do Código de Processo Civil de 2015). A interposição de recurso recebido em seu efeito devolutivo não obsta que o credor promova a liquidação provisória da sentença. Neste caso, a liquidação será processada em autos apartados, ficando sob a responsabilidade de o credor apresentar as respectivas cópias necessárias para apuração do quantum. Liquidação de sentença genérica na tutela coletiva Na tutela coletiva a sentença que condena o réu por violação de direitos coletivos, difusos e individuais homogêneos será sempre genérica, conforme dispõe o Artigo 95 do Código de Defesa do Consumidor. Considerando a natureza indivisível dos direitos difusos e coletivos, estes sempre serão liquidados e executados pelos legitimados coletivos e os respectivos valores serão depositados no fundo criado pela Lei nº 7.347/85. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 58 Nos casos em que a sentença genérica versar sobre direitos individuais homogêneos, a liquidação e execução da referida sentença poderá ser individual, pelas vítimas ou seus sucessores, conforme disposto no Artigo 97 do CDC. Para melhor entendimento do que se diz, imagine a hipótese de que em determinado caso o Ministério Público ingressou com uma ação, na cidade de São Paulo, contra uma empresa de plano de saúde visando à devolução de valores cobrados abusivamente dos contratantes. O juiz profere sentença coletiva determinando o an debeatur, ou seja, o dever de indenizar, cujo valor será apurado em sede de liquidação. Nessa situação, os contratantes do plano poderão promover nos termos do Artigos 97 do CDC a liquidação e execução individual do julgado no juízo que proferiu sentença ou no foro de seu domicílio, nos casos dos contratantes que residam em outros Estados, conforme o Artigo 101, I, do mesmo estatuto. A liquidação de sentença nessa hipótese poderá ser feita tanto por artigos como por arbitramento, de acordo com a natureza da causa ou a extensão dos danos sofridos pelas partes. Liquidação zero Uma questão intrigante surge quando se identifica, após o procedimento da liquidação, que o credor não tem nenhum valor a receber, ou seja, o valor apurado foi igual a zero. A liquidação zero poderá ocorrer nos casos em que o credor não conseguiu provar a existência dos danos a ser liquidados ou na hipótese de mesmo produzindo provas da existência dos danos se constata que não há nenhum valor a ser restituído ou indenizado. Exemplo Para melhor ilustrar a questão imagine a hipótese de o réu ser condenado a indenizar pelos danos materiais e lucro cessante a serem apurados em sede de liquidação e no decorrer deste procedimento se verifique que não houve dano a ser indenizado e que os dias que o credor não trabalhou não houve expediente decorrente de feriados prolongados, portanto, não há que se falar em lucro CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 59 cessante. Neste caso, embora o réu seja condenado a indenizar, na fase de liquidação verificou-se que o quantum debeatur foi igual a zero. Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil CAPÍTULO XVI DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Art. 523. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á a sua liquidação, a requerimento do credor ou devedor: I – por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; II – pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo. § 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta. § 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. § 3º O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados programa de atualização financeira. § 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou. Art. 524. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar; caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial. Art. 525. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no prazo de quinze dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste Código. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 60 Parágrafo único. Contra decisão proferida na fase deliquidação de sentença cabe agravo de instrumento. Art. 526. A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes. Atenção Certa divergência se evidencia sobre qual técnica processual deve ser utilizada neste caso. Houve carência de ação ou improcedência da liquidação? O credor poderá iniciar nova liquidação mediante novas provas ou se operou o fenômeno da coisa julgada em sede de liquidação? O entendimento de majoritário, no sentido de que a liquidação zero corresponde à improcedência da ação e, portanto, tal decisão deve ser acobertada pela coisa julgada material impedindo o ajuizamento de nova demanda com a mesma pretensão. Atividade proposta A legitimidade ativa na tutela executiva é um dos temas mais importantes da teoria geral da execução, tendo em vista que se trata dos sujeitos que estão autorizados, por disposição legal, a promover a demanda ou fase executiva. Elabore um quadro comparativo entre a legitimidade ativa na execução individual e na execução coletiva. Chave de resposta: A legitimidade ativa na execução individual, originária e derivada, está disciplinada no art. 566 e 567 do CPC. A legitimidade ativa na execução coletiva está disciplinada no arts. 97 e 98 do CDC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 61 Material complementar Para saber mais sobre a penhora, depósito e avaliação, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual. Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito processual civil contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2012. p.869-870. v. 2. WAMBIER, Luiz Rodrigues. Liquidação da sentença civil: individual e coletiva. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. p. 322/337. MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 227-230. Exercícios de fixação Questão 1 Sérgio tem um crédito com Almir consubstanciado num contrato de mútuo, no valor de R$ 50.000,00. Por conta deste contrato, Almir emitiu uma nota promissória em favor de Sérgio. Almir, antes do vencimento da dívida, intenta alienar os seus bens, cujo valor avaliado perfaz a quantia de R$ 60.000,00, para se furtar do cumprimento da obrigação. Esses atos fraudulentos caracterizam: a) Fraude de execução, devendo o credor promover ação pauliana. b) Fraude contra credores, devendo o credor promover ação pauliana. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 62 c) Alienação de bem penhorado, sendo o negócio ineficaz em relação ao credor. d) Fraude de execução, sendo o negócio ineficaz em relação ao credor. Questão 2 O tema da responsabilidade patrimonial é um dos mais importantes da execução, pois diz respeito a quem responde com seus bens para a satisfação do crédito do exequente. Neste caso, é correto afirmar que: a) O marido responde com seus bens para satisfazer dívidas contraídas pela esposa em proveito do casal. b) Somente os bens presentes poderão ser utilizados para satisfação do débito. c) Os bens dos sócios, preferencialmente, respondem pelas dívidas da empresa. d) Os herdeiros não respondem, em nenhuma hipótese, pelas dívidas do falecido. Questão 3 Assinale a alternativa correta que diga respeito à legitimação ativa na execução. a) O credor que figura no título é legitimado ativo subsidiário para promover a execução. b) O Ministério Público é legitimado ativo para promover a execução, em todas as hipóteses em que o processo tratar de direitos individuais disponíveis. c) A Defensoria Pública executa, em seu próprio nome (agindo como substituta processual), os títulos executivos judiciais em favor dos seus clientes e assistidos. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 63 d) O Ministério Público é legitimado ativo para promover a execução, nos casos prescritos em lei. Questão 4 São sujeitos passivos na ação de execução (OAB/SP – 2006): a) O devedor, reconhecido como tal no título executivo; o novo devedor; o espólio; o responsável tributário e o fiador. b) O devedor, seus herdeiros e sucessores a título universal ou singular. c) O devedor; o sócio acionista, independentemente de se desconsiderar a pessoa jurídica ou atribuir-lhe responsabilidade direta. d) Tão somente o devedor reconhecido no título como tal; outras pessoas somente responderão pela execução se participarem do processo executivo. Questão 5 Assinale a alternativa correta, que diga respeito a legitimação passiva na execução. a) É sujeito passivo na execução o advogado da parte condenada por litigância de má-fé. b) É sujeito passivo na execução o novo devedor, que assumiu a obrigação resultante do título executivo independentemente de anuência do credor. c) É sujeito passivo na execução o advogado do demandado que perdeu a etapa de conhecimento. d) É sujeito passivo na execução o fiador convencional, desde que tenha participado do processo na etapa de conhecimento. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 64 Questão 6 Foi proposta ação de conhecimento com o objetivo de obter pagamento de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), em razão de danos oriundos de acidente automobilístico. O Juiz condenou o réu ao pagamento de indenização, definindo o dano e o dever de indenizar, mas não mencionou o valor. Em relação à sentença proferida assinale a alternativa correta: a) Foi correta, e o credor deverá promover a liquidação de sentença. b) Foi correta e o credor poderá promover diretamente a execução. c) Foi incorreta, pois nestes casos a sentença não pode ser ilíquida. d) Foi incorreta, mas mesmo assim o credor poderá promover diretamente a execução. Questão 7 Mauro ajuizou ação indenizatória em face do Hospital Bem-Estar visando à indenização pelas lesões decorrentes de erro médico que ocasionou a amputação da perna do autor. O Juiz condenou o réu a pagar a quantia de R$ 100.000,00 a título de danos morais e materiais. Na fase executiva o exequente descobriu que o erro médico ocasionou também problemas em sua coluna vertebral e que não foram observados na sentença. Nesse caso, para fixação do valor da indenização correspondente à lesão na coluna o exequente deverá: a) Promover a liquidação por procedimento comum, considerando a existência de fato novo. b) Promover a liquidação por arbitramento, considerando a necessidade de prova pericial para fixar o quantum debeatur. c) Promover a realização de simples cálculo aritmético para se alcançar o valor da execução. d) Não há possibilidade de se incluir novos valores em fase de execução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 65 Questão 8 Paulo ingressou com uma ação visando obter a dissolução de sociedade empresarial em face dos sócios Martônio e Petrúcio. Após a instrução o juiz julgou procedente o pedido para determinar a dissolução e a devolução dos valores correspondentes às cotas, lucros e investimentos em valor a ser apurado em sede de liquidação. Neste caso o procedimento adequado será: a) Simples cálculo aritmético. b) Liquidação de sentença coletiva. c) Liquidação por artigos. d) Liquidação por arbitramento. Questão 9 Contra decisão que julga a liquidação de sentença cujo resultado foi igual a ZERO caberá: a) Agravo retido b) Apelação c) Agravo de instrumento d) A decisão é irrecorrível Questão10 Nos autos de ação indenizatória movida por Henrique em face de Paulo, ambos prósperos empresários, transitou em julgado sentença de procedência do pleito autoral, condenando o réu ao pagamento de indenização, no montante equivalente a 500 salários mínimos, na data da prolação da sentença, acrescidos de juros legais e correção monetária. Assinale a alternativa que CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 66 apresenta a providência a ser imediatamente adotada pelo advogado de Henrique (OAB/FGV VIII Exame de Ordem). a) Instauração da fase de liquidação de sentença por arbitramento, a fim de apurar o valor da condenação em moeda corrente. b) Instauração da fase de cumprimento de sentença, com a apresentação da memória de cálculo contemplando o valor da condenação em moeda corrente. c) Instauração da fase de liquidação de sentença por cálculos do contador, a fim de que o magistrado remeta os autos ao contador judicial, para que seja apurado o valor da condenação em moeda corrente. d) Ajuizamento de ação rescisória, a fim de que o tribunal apure o valor da condenação em moeda corrente. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 67 an debeatur: Expressão em latim que significa o reconhecimento de uma obrigação a ser indenizada. Quantum deabeatur: Expressão em latim que significa o valor devido ou valor da execução. EREsp: Embargos de Declaração em Recurso Especial. REsp: Recurso Especial. Aula 2 Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: Conforme o Artigo 158 c/c Artigo 161 do CC, a resposta correta é fraude contra credores, devendo o credor promover ação pauliana. Questão 2 - A Justificativa: Conforme os Artigos 1.643 e 1.644 do CC, o marido responde com seus bens para satisfazer dívidas contraídas pela esposa em proveito do casal. Questão 3 - D CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 68 Justificativa: Conforme o Artigo 566, II, do CPC, o Ministério Público é legitimado ativo para promover a execução, nos casos prescritos em lei. Questão 4 - A Justificativa: Conforme Artigo 568, I, II, III, IV e V do CPC, o devedor, reconhecido como tal no título executivo; o novo devedor; o espólio; o responsável tributário e o fiador. Questão 5 - D Justificativa: Conforme a Súmula nº 268 do STJ, é sujeito passivo na execução o fiador convencional, desde que tenha participado do processo na etapa de conhecimento. Questão 6 - C Justificativa: Conforme disposto no Artigo 475-A, §3º, do CPC. Questão 7 - A Justificativa: Conforme o Artigo 475-E do CPC a resposta correta é promover a liquidação por artigos, considerando a existência de fato novo. Questão 8 - D Justificativa: Conforme o Artigo 475-C do CPC, a resposta correta é liquidação por arbitramento. Questão 9 - C Justificativa: Conforme o Artigo 475- H do CPC a resposta correta é a terceira alternativa. Questão 10 - B Justificativa: Cabe a aplicação do procedimento indicado no artigo 523 e seguintes do CPC/15. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 69 Introdução A penhora de bens e sua relativização são alguns dos temas mais revisitados na doutrina do direito processual civil moderno. Questões intrigantes chegam aos tribunais sobre o tema. É possível a penhora de percentual de salário? Em determinado processo, o juiz determinou a penhora de conta conjunta para pagamento de dívida de um dos cônjuges. Tem fundamento legal essa decisão? Esses e outros temas serão objetos desta aula, onde apresentaremos os temas da penhora, expropriação, suspensão e extinção da execução. Bons estudos! Objetivo: 1. Estudar a finalidade da penhora, sua natureza jurídica e aspectos controvertidos. Identificar as hipóteses de impenhorabilidade relativa e absoluta; 2. Compreender as formas de expropriação e suas aplicabilidades. Identificar as hipóteses de suspensão e extinção da execução. Estudar o fenômeno da coisa julgada no âmbito da execução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 70 Conteúdo Conceito de penhora Nas aulas anteriores, mencionamos que a execução da obrigação de pagar quantia certa, caso haja o inadimplemento (Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015), se resolverá através da execução forçada, que tem como forma de satisfação a expropriação de bens do devedor. A penhora, nesse sentido, tem como finalidade maior individualizar bens dentre o acervo patrimonial do devedor para garantir a satisfação do crédito do exequente. Dessa forma, o Artigo 824 do Código de Processo Civil de 2015 estabelece que a execução por quantia certa tem por objeto a expropriação de bens com a finalidade de satisfazer o direito do credor. A penhora, enquanto ato executivo, consiste na atividade judicial, que tem como escopo levar a constrição tantos bens quantos bastem do devedor para o efetivo pagamento do valor principal, custas e honorários do advogado. (Artigo 831 do Código de Processo Civil de 2015). Dessa forma, a penhora produz efeitos processuais e materiais que repercutem sensivelmente no processo. Os efeitos processuais referem-se à individualização de bens do devedor através da apreensão, garantia do direito de preferência e conservação do bem penhorado através do depósito. Os efeitos materiais da penhora são a alteração do título de posse do devedor, que passa a ter a posse indireta do bem penhorado, a ineficácia dos atos de disposição de vontade e a criminalização dos atos lesivos, conforme Artigo 179 do Código Penal. Importante ressaltar, desde logo, que um determinado bem do devedor pode sofrer diversas penhoras. Um veículo pode sofrer penhoras oriundas de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 71 processos diversos com valores também diversos. Nesse caso, segundo a regra do Artigo 797, §1º do CPC/2015, prevalecerá o direito de preferência obedecendo a ordem das penhoras realizadas. Embora o Código de Processo Civil estabeleçam modalidades distintas de arrestos, estes possuem natureza jurídica de pré-penhora e, por esta razão, não ensejam direito de preferência nos termos do dispositivo mencionado. Ordem de preferência da penhora O Artigo 835 do Código de Processo Civil de 2015 estabelece uma ordem de preferência que deve ser observada pelo oficial de justiça no momento que efetivar o ato executivo. A redação do mencionado dispositivo sugere que a ordem definida é relativa, pois utiliza a palavra “preferencialmente”, não sendo obrigatório o cumprimento da ordem definida no texto legal. Embora a lei coloque a penhora de valores como primeiro plano, pode efetuar diretamente a penhora de bens imóveis, que está na quarta ordem na escala de preferência do legislador. A Súmula 417 do Superior Tribunal de Justiça reforça o entendimento anteriormente mencionado ao afirmar que a penhora de dinheiro não tem caráter absoluto. Na sistemática anterior à reforma, a inobservância da ordem estabelecida era considerada penhora incorreta e enseja a oposição de embargos à execução. A reforma relativizou a ordem de preferência aplicando, em certa medida, o princípio da instrumentalidade das formas. A penhora se aperfeiçoa como ato executivo com a apreensão do bem penhorado e a respectiva lavratura do auto de penhora. No próprio ato da penhora, o oficial de justiça nomeará o depositário nos termos do Artigo 836, §2º do Código de Processo Civil de 2015. Importante ressaltar que, atualmente, não se admite a prisão do depositário. CUMPRIMENTO DESENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 72 Bens passíveis de penhora A interpretação literal e sistemática dos Artigos 789 e 831 do Código de Processo Civil de 2015 leva à conclusão de que todos os bens do devedor são passíveis de penhora, conforme abordamos na aula sobre responsabilidade patrimonial. No entanto, a lei exclui alguns bens da incidência da penhora, tornando-os impenhoráveis. A impenhorabilidade, que pode ser relativa ou absoluta, está regulada pelo próprio CPC e por leis extravagantes. A Lei nº 8.009/90 definiu quais bens serão considerados de família, gravando-os com a cláusula de impenhorabilidade absoluta. O artigo 1º da referida lei dispõe que tanto o imóvel residencial da entidade familiar quanto os bens móveis que o guarnecem são absolutamente impenhoráveis. Algumas exceções à regra estão dispostas no Artigo 3º do mesmo texto legal admitindo a penhora do bem de família nas execuções que tenham como base cobrança de impostos referente ao imóvel, dívida alimentícia, entre outras. Interessante questão surge quando o devedor indica um bem de família para penhora em determinada execução. Nesse caso, a penhora pode ser efetivada? O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da impossibilidade de efetivação da penhora, considerando que a impenhorabilidade constitui princípio de ordem pública prevalente sobre a manifestação da vontade. (REsp 875687/RS). O Artigo 833 do Código de Processo Civil de 2015 trata do rol dos bens que são absolutamente impenhoráveis, e o Artigo 834 do Código de Processo Civil de 2015 do mesmo diploma trata da impenhorabilidade relativa de bens. A aplicação das mencionadas normas nem sempre é unívoca, suscitando inúmeras questões no âmbito dos tribunais estaduais, federais e nos tribunais superiores, notadamente no que diz respeito à relativização da impenhorabilidade absoluta de alguns bens. O Superior Tribunal de Justiça, no CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 73 exercício de sua função constitucional de harmonizar a interpretação da legislação infraconstitucional, vem, paulatinamente, editando precedentes judiciais, persuasivos e/ou com efeito vinculativo sobre a temática visando pacificar a questão nos tribunais nacionais. Relativização da impenhorabilidade de bem de família A Súmula 364 do STJ ampliou o conceito de bem de família para incluir os imóveis pertencentes às pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas. Trata-se de importante interpretação do conceito de bem de família, pois se adequa perfeitamente com a própria transformação do conceito de família na sociedade contemporânea. É também considerado bem de família o imóvel em que reside o irmão do proprietário. A não utilização pelo proprietário de imóvel considerado bem de família não descaracteriza sua impenhorabilidade desde que o proveito econômico decorrente do aluguel seja revertido para manutenção da família ou, até mesmo, custear o aluguel do imóvel onde o proprietário reside, conforme verbete da Súmula 486 do STJ. Ainda nessa linha interpretativa, o imóvel onde residem familiares do devedor também não descaracteriza o bem de família. (REsp 1095.611). Quando se estiver diante de uma pequena empresa familiar ou microempresa, o referido Tribunal Superior, em decisão relativamente recente, estendeu a aplicação da Lei nº 8.009/90 às pessoas jurídicas visando à proteção do imóvel e de bens móveis e máquinas essenciais para atividade profissional. (Resp 621399, Relator Ministro Luiz Fux). Por outro lado, a Súmula 449 desse mesmo Tribunal Superior autoriza a penhora de vaga de garagem, com registro próprio, por não considerá-la, para efeito de penhora, bem de família. O imóvel, bem de família, vazio, pode ser penhorado (Resp. 10055465), bem como o imóvel misto, ou seja, local em que, na parte inferior, funciona a empresa e, na parte superior, reside a família. A CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 74 parte referente à empresa poderá ser penhorada sem nenhum impedimento legal. (REsp. 968.907). Inúmeras outras questões polêmicas sobre a penhora estão sendo julgadas pelo STJ, e estes julgados são balizadores das decisões proferidas pela primeira e segunda instância em todo território nacional. Considerando que os precedentes do STJ são persuasivos, as polêmicas ainda não foram integralmente dissolvidas neste particular. Penhora online A penhora online é uma das formas de virtualização dos atos processuais que vem sendo praticada pelos órgãos judiciais através do sistema do Bacen Jud, antes mesmo do acréscimo do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015, levado a efeito pela Lei nº 11.382/06. A penhora virtual é um importante avanço no que diz respeito à efetivação da tutela executiva, tendo em vista que dificulta manobras protelatórias do devedor. A formalização da penhora não se dará, necessariamente, pela juntada do auto de penhora, mas tão somente com a intimação do devedor para que este tome ciência da penhora eletrônica do numerário, conforme orientação do STJ no Resp 1.195.976-RN. No entanto, em determinados casos, como, por exemplo, aplicação virtual de penhora de conta conjunta ou conta-salário, surgem algumas polêmicas. É o que você verá a seguir. Penhora online – conta-corrente conjunta Inicialmente, o STJ formou entendimento no sentido de que a penhora de conta conjunta entre os cônjuges era admissível vez que ambos estabeleciam solidariedade no momento da abertura da conta. Os fundamentos determinantes desse precedente são evidenciados na ementa: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 75 A turma entendeu que é possível a penhora online do saldo total de conta- corrente conjunta para garantir a execução fiscal, ainda que apenas um dos correntistas seja o responsável pelo pagamento do tributo. Salientou-se que os titulares da conta são credores solidários dos valores nela depositados, solidariedade estabelecida pela própria vontade deles no momento em que optam por essa modalidade de depósito. Com essas considerações, negou-se provimento ao recurso especial do ex-marido da devedora, com quem ela mantinha a conta-corrente. (Precedente citado do TST: AIRR 229140- 84.2008.5.02.0018, DJe 3/2/2011. REsp 1.229.329-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 17/3/2011). Em 2014, a quarta turma do próprio STJ firmou entendimento no exato oposto ao anteriormente mencionado sustentando que a solidariedade não se presume, mas decorre de lei ou de contrato, conforme veiculado no Informativo nº 539. Embora a ementa do julgado seja longa, a sua colação se faz necessária para a adequada compreensão de sua ratio decidendi: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ALCANCE DE PENHORA DE VALORES DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA CONJUNTA SOLIDÁRIA. A penhora de valores depositados em conta bancária conjunta solidária somente poderá atingir a parte do numerário depositado que pertença ao correntista que seja sujeito passivo do processo executivo, presumindo-se, ante a inexistência de prova em contrário, que os valores constantes da conta pertencem em partes iguais aos correntistas. De fato, há duas espécies de contrato de conta bancária: a) a conta individual ou unipessoal; e b) a conta conjunta ou coletiva. A conta individual ou unipessoal é aquela que possui titular único, que a movimenta por si ou por meio de procurador. A conta bancária conjunta ou coletiva, por sua vez, pode ser: b.1) indivisível – quando movimentada por intermédio de todos CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 76 os seus titulares simultaneamente,sendo exigida a assinatura de todos, ressalvada a outorga de mandato a um ou a alguns para fazê-lo; ou b.2) solidária – quando os correntistas podem movimentar a totalidade dos fundos disponíveis isoladamente. Nesta última espécie (a conta conjunta solidária), apenas prevalece o princípio da solidariedade ativa e passiva em relação ao banco – em virtude do contrato de abertura de conta-corrente –, de modo que o ato praticado por um dos titulares não afeta os demais nas relações jurídicas e obrigacionais com terceiros, devendo-se, portanto, afastar a solidariedade passiva dos correntistas de conta conjunta solidária em suas relações com terceiros (REsp 13.680-SP, Quarta Turma, DJ 16/11/1992). Isso porque a solidariedade não se presume, devendo resultar da vontade da lei ou da manifestação de vontade inequívoca das partes (Artigo 265 do CC). Nessa linha de entendimento, conquanto a penhora de saldo bancário de conta conjunta seja admitida pelo ordenamento jurídico, é certo que a constrição não pode se dar em proporção maior que o numerário pertencente ao devedor da obrigação, devendo ser preservado o saldo dos demais cotitulares. Além disso, na hipótese em que se pretenda penhorar valores depositados em conta conjunta solidária, dever-se-á permitir aos seus titulares a comprovação dos valores que integram o patrimônio de cada um, sendo certo que, na ausência de provas nesse sentido, presumir-se-á a divisão do saldo em partes iguais. (AgRg no AgRg na Pet 7.456-MG, Terceira Turma, DJe 26/11/2009). (REsp 1.184.584-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/4/2014). A decisão proferida nos parece mais acertada sobre o tema e em consonância com a inteligência do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015. Penhora de conta-salário Sem prejuízo das inovações do Código de Processo Civil de 2015, a penhora de conta-salário é outro tema ainda polêmico em alguns tribunais. Embora o STJ tenha tido orientação firme no sentido de que não admitir a penhora de conta- salário, ratificando, à época, o Artigo 649, IV, do CPC/73, alguns julgados CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 77 passaram a admitir a penhora de percentual desse tipo de conta. A possibilidade da utilização de 30 % do salário para pagamento de débitos, que vem sendo implementado por parte da jurisprudência dos tribunais, utiliza como parâmetro o próprio percentual autorizado para pagamento de empréstimos, consignados em conta ou cartão de crédito, descontados diretamente na conta, o que autoriza a retenção do mesmo percentual para pagamento das demais dívidas contraídas pelo devedor. Os fundamentos determinantes dos julgados que aplicam a relativização da impenhorabilidade dos salários e vencimentos poderão ser identificados nas ementas a seguir, bem como na evolução da matéria no Código de Processo Civil de 2015. O Código de Processo Civil de 2015 admite a penhora de salário na forma de seu Artigo 833,§2º. 0015731-51.2011.8.19.0000 – AGRAVO DE INSTRUMENTO DES. MARILIA DE CASTRO NEVES – Julgamento: 18/05/2011 – VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL – TJ/RJ. Agravo Interno no Agravo de Instrumento alvejando Decisão proferida pelo Relator que negou seguimento ao recurso. Agravo de Instrumento. Ação Monitória. Penhora online decretada sobre valores oriundos de conta-salário da Executada, incidindo sobre quantia considerável de seus ganhos. Impossibilidade. Decisão que limitou os descontos a 30 % dos ganhos da Agravada. Manutenção da decisão recorrida. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e deste E. Tribunal. Decisão desprovida de ilegalidade, abuso ou desvio de poder, prolatada dentro da competência do relator, não passível, na hipótese, de modificação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 78 0064583-43.2010.8.19.0000 – AGRAVO DE INSTRUMENTO DES. GUARACI DE CAMPOS VIANNA – Julgamento: 12/05/2011 – DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL – TJ/RJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRRESIGNAÇÃO EM RELAÇÃO À DECISÃO QUE INDEFERIU DEVOLUÇÃO DOS VALORES PENHORADOS SOBRE SALÁRIOS. IMPENHORABILIDADE DE RENDIMENTOS (ART. 649, IV, DO CPC) QUE NÃO MAIS SE REVESTE DE CARÁTER ABSOLUTO, SENDO POSSÍVEL A CONSTRIÇÃO DESDE QUE RESPEITADO O LIMITE DE 30 %. PRECEDENTES DESTE TJERJ. 1. Note-se que a penhora da totalidade ou, como no presente caso, quase totalidade do salário líquido, eventualmente importaria em medida abusiva, sendo certo que deve ser rechaçada, pois o desconto do valor total existente na conta-salário viola o princípio da dignidade da pessoa humana, o que não se admite. 2. Decisão concessiva em sede liminar que se substitui no sentido de dar parcial provimento ao recurso, nos termos do Artigo 557, §1-A do CPC, para que a constrição se restrinja ao limite de 30 % do salário do agravante. Atenção Penhoras especiais O CPC admite a penhora de créditos e outros direitos patrimoniais em seus Artigos 671 a 679. Admite-se, nesse cotejo, a penhora de crédito, tais como investimentos ou títulos de capitalização, conforme Artigo 671. A penhora no rosto dos autos está regulada no Artigo 674 do CPC. A Súmula 451 admite a penhora de estabelecimento comercial. Avaliação do bem penhorado A avaliação do bem penhorado é etapa fundamental para a efetiva expropriação e satisfação do crédito. A avaliação, nos termos do Artigo 870 do Código de Processo Civil de 2015, será feita no ato contínuo à penhora e deve constar no auto de penhora. Trata-se de importante mudança no que tange à CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 79 celeridade processual e simplicidade dos atos, pois o próprio oficial de justiça realizará a penhora e promoverá a avaliação. No entanto, quando for necessário conhecimento especializado, o juiz nomeará avaliado e fixará o prazo de dez dias para entrega do respectivo laudo. Caso as partes discordem da avaliação do bem penhorado, podem requerer, fundamentadamente, a realização de nova perícia nas seguintes situações: • Erro ou dolo do avaliador; • Majoração ou diminuição do valor do bem; • Quando houver dúvidas sobre o valor atribuído ao bem, nos termos do Artigo 873 do Código de Processo Civil de 2015. Por fim, o Artigo 871 do Código de Processo Civil de 2015 menciona que não haverá necessidade de avaliação do bem penhorado nos casos em que o exequente aceitar a estimativa feita pelo executado ou quando a penhora recair sobre títulos cujo valor esteja cotado na bolsa de valores. Expropriação A etapa expropriatória consiste na transferência efetiva da propriedade dos bens do devedor para a esfera patrimonial do credor ou de terceiros, com a finalidade de satisfazer, com o produto da alienação, o crédito do exequente. É a fase final da tutela jurisdicional executiva produzindo resultados práticos e sensíveis na vida do cidadão que buscou a tutela jurisdicional. O nosso ordenamento processual elenca duas modalidades de expropriação estabelecidas em uma ordem de preferência pelo legislador na forma dos Artigos 876 e 879 do Código de Processo Civil de 2015. A primeira modalidade de expropriação é a adjudicação (Artigo 876 do Código de Processo Civil de 2015), que tem como escopo a transferência do bem penhorado para o credor. Trata-se de espécie mais célere e efetiva de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 80 expropriação, considerando a possibilidade imediata de transferência do bem e a consequente satisfação do crédito do exequente. A segunda espécie de expropriação é a alienação particular. Nesse caso, a negativa do credor, no sentido de optar pela adjudicação da lei, permite a ele promovera expropriação através da alienação particular. A alienação particular e a adjudicação dependem de requerimento do credor. A reforma processual visou dar maior celeridade e efetividade à expropriação, possibilitando ao credor utilizar de meios mais práticos para a satisfação de seu crédito. Adjudicação pelo credor e por terceiros A adjudicação consiste na transferência de bens penhorados para o patrimônio do credor ou de terceiros, regida pelos Artigos 876 e 879 do Código de Processo Civil de 2015. A adjudicação guarda estreita semelhança, guardada as devidas proporções, com a dação em pagamento, instituto de direito material que regula a quitação de dívidas com a transferência de domínio de determinado bem através de negócio jurídico realizado. Sendo o bem imóvel, o juiz expedirá a respectiva carta de adjudicação, e se for bem móvel, determinará a expedição do respectivo mandado de entrega ao adjudicatário. A adjudicação poderá ser realizada pelo exequente ou por terceiros. A adjudicação pelo exequente poderá ter início após a efetivação da penhora desde que não haja oferecimento de embargos recebido no efeito suspensivo. O credor informará ao juízo que tem interesse em adjudicar o bem, iniciando, assim, a etapa expropriatória pela via da adjudicação. Importante ressaltar que o credor adjudicará o bem no valor fixado na avaliação, sendo vedada a redução do valor. Não há prazo para que o credor opte pela adjudicação. Nesse caso, a interpretação sistemática do CPC nos leva à conclusão de que a adjudicação CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 81 poderá ser realizada até a expedição do edital para alienação em hasta pública, nos termos do Artigo 686 do CPC/73. Para Cândido Rangel Dinamarco, ultrapassado o referido “prazo”, não mais poderá o credor adjudicar. Não é o melhor entendimento, em que pese aos substanciosos argumentos apresentados pelo autor. A reforma processual teve como metodologia de trabalho tornar a execução mais efetiva e viabilizar a satisfação do crédito. Não há como não se admitir a adjudicação nos casos em que a alienação em hasta pública não lograr êxito. O novo Código de Processo Civil superou a polêmica ao admitir a possibilidade de adjudicação quando frustradas as hipóteses de alienação (Artigo 878 do CPC/2015). É possível adjudicar bens móveis ou imóveis, embora o CPC seja silente neste aspecto. O importante, conforme se verifica do dispositivo legal, é a observância do valor da avaliação levada a efeito pelo oficial de justiça ou perito especializado (Artigo 876 do Código de Processo Civil de 2015). Cumpre observar, portanto, que, se o valor da execução corresponde a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), e o credor pretende adjudicar uma sala comercial avaliada no valor de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais), este deverá depositar o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) correspondente à diferença entre o valor da execução e o valor avaliado do bem. Caso ocorra o contrário, e o valor avaliado do bem for inferior ao da execução, a execução prosseguirá até a satisfação do saldo remanescente. O Artigo 876,§6º do Código de Processo Civil de 2015 admite a hipótese de licitação de pretendentes nos casos em que um determinado bem tenha suportado penhoras por diversos credores ou tenha interesse o credor às pessoas indicadas no parágrafo 2º do referido dispositivo. Nessa hipótese, caberá ao juiz decidir qual dos credores ou pretendentes terá direito à adjudicação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 82 Admite-se, também, a adjudicação de quotas de sociedade empresarial, nos termos do Artigo 876,§7º do Código de Processo Civil de 2015. O Código de Processo Civil autoriza a adjudicação por terceiros em seu Artigo 876,§5º do Código de Processo Civil de 2015. Nesse caso, os familiares do devedor (cônjuge, descendentes ou ascendentes) poderão adjudicar o bem penhorado, por motivos familiares ou de valor afetivo do bem, depositando o valor da avaliação em juízo. O mesmo direito se estende aos credores com garantia real e aos credores concorrentes. Alienação Alienação particular O credor que não pretender adjudicar poderá promover a alienação por inciativa particular, nos termos do Artigo 879 do Código de Processo Civil de 2015. A principal finalidade dessa norma consiste na possibilidade de alienação do bem penhorado pelo próprio credor ou esta ser realizada por profissional habilitado, com experiência comprovada no mercado, o que facilitará sobremaneira a celeridade da transformação do bem penhorado em dinheiro. A alienação particular dá maior liberdade ao credor na negociação da alienação, especificamente em acordos referentes à fixação de prazo, preço, comissão de corretagem, entre outros; entretanto, a finalização dessa modalidade de expropriação será feita pelo juízo mediante a fixação de prazo tanto para realização, como, também, para a finalização por meio de expedição de carta de alienação para os casos de bens imóveis, ou mandado de entrega para os casos de bem móvel. (Artigo 880,§1º do Código de Processo Civil de 2015). A alienação por leilão judicial ou eletrônico A alienação em por leilão judicial ou eletrônico (Artigo 879, II e 881 a 903 do CPC/2015) é a modalidade mais tradicional e historicamente complexa de CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 83 expropriação. Ela aparece no cenário processual uma vez que não é possível a expropriação pela adjudicação ou pela alienação particular. Essa modalidade de expropriação foi inserida como terceira hipótese por ser a mais formal e demorada, nem sempre alcançando a finalidade de transformação do bem penhorado em dinheiro para satisfação do crédito, mas, como uma etapa ou atuação estatal importante, considerando os limites que a lei processual estabelece para que se satisfaça o direito do credor com patrimônio do executado. Alienação em hasta pública – legitimidade A legitimidade para lançar na alienação em hasta pública é conferida a quaisquer interessados, excetuando-se os insolventes, preocupando-se o legislador em definir, com clareza, as pessoas que são impedidas de participar, conforme dispõe o Artigo 520 do CPC/2015. Com efeito, o próprio credor poderá participar da praça ou leilão e lançar sem nenhum impedimento legal, observando a regra do parágrafo único do mencionado dispositivo. Arrematação Iniciada a sessão de leilão eletrônico ou presencial, o bem poderá ser arrematado pelo valor da avaliação nos casos em que não existam licitantes concorrentes. Na hipótese de vários licitantes, será o bem arremato por aquele que der o maior lanço, nos termos do Artigo 892 do CPC/2015. Não ocorrendo a arrematação na primeira praça ou leilão, o bem penhorado poderá ser arrematado em valor menor do que o da avaliação, não se admitindo a oferta vil. A interpretação literal não permite identificar o que seria considerado preço vil, o que suscita diversas arguições de nulidade em embargos de segunda fase. O STJ estabeleceu, através de sua jurisprudência, ser preço vil aquele inferior a 50 % do valor da avaliação (Resp 451.021/SP). O Novo Código de Processo Civil superou essa lacuna ao disciplinar a matéria e definir como preço vil aquele inferior a cinquenta por cento ao valor da avaliação, nos termos do Artigo 891,§Único. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 84 A arrematação será considerada perfeita, acabada e irretratável, com a assinatura do auto de penhora, nos termos do Artigo 903 do CPC/2015. Da entrega do dinheiro edefesa do executado na fase expropriatória Nas hipóteses de expropriação por adjudicação por terceiro, alienação por inciativa particular ou leilão, o valor depositado referente à alienação levada a efeito será levantado pelo credor. Concorrendo vários credores, o juiz decidirá considerando o direito de preferência e a anterioridade da penhora. Ocorrendo alguma irregularidade após a penhora ou vícios processuais decorrentes da própria expropriação, conforme dispõe o Artigo 903,§1º do CPC/2015, o devedor poderá, no prazo de 10 dias, a contar da adjudicação, alienação ou leilão), apresentar simples petição. Ultrapassado o referido prazo caberá ao interessado impugnar o ato expropriatório mediante ação autônoma, em conformidade com o parágrafo 4º do mesmo art. O CPC/2015 excluiu do ordenamento processual os embargos de segunda fase. Usufruto de bem móvel e imóvel O ordenamento processual trata de possibilidade de satisfação de crédito do exequente através de usufruto de bens móveis ou imóveis do devedor, conforme dispõe do Artigo 867 do CPC/2015. A interpretação do referido dispositivo sugere que caberá ao juiz deferir a satisfação do débito através do usufruto quando este for o modo menos gravoso ao devedor. É possível, também, que o devedor formule tal requerimento sob o fundamento de que essa modalidade de expropriação constitui o modo menos gravoso. Suspensão da execução A finalidade maior da tutela jurisdicional executiva é a satisfação da obrigação fixada no título executivo através do efetivo pagamento ou do cumprimento da CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 85 obrigação de fazer ou entrega de coisa. Em alguns casos, a execução não alcança sua finalidade precípua, e o processo tem sua marcha interrompida diante da falta de bens do devedor ou da impossibilidade de cumprimento da obrigação de fazer ou entrega de coisa. Diante dessa possibilidade, o Código de Processo Civil dispõe sobre a suspensão do processo elencando, pelo menos, três hipóteses em seu Artigo 921 do Código de Processo Civil de 2015. Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar do tema, conceitua a suspensão como sendo própria e imprópria. A suspensão própria é aquela cujo nenhum ato pode ser praticado. A suspensão imprópria é aquela em que, mesmo estando suspenso o processo, alguns atos processuais podem ser praticados. O novo Código de Processo Civil tratou da matéria absorvendo as hipóteses de suspensão da execução acrescentando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, sobretudo no que diz respeito ao reconhecimento da prescrição intercorrente. Segundo o Artigo 921 do CPC/2015 a suspensão da execução ocorrerá: I) nas hipóteses dos Artigos 313 e 315; II) no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução; III) quando o executado não possuir bens penhoráveis; IV) se a alienação de bens penhorados não se realizar por falta de licitante e o exequente, em 15 (quinze) dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis, e V) quando concedido o parcelamento de que trata o Artigo 916. A redação do Artigo 921 inovou tão somente na hipótese de suspensão da execução quando o credor permanecer inerte por 15 dias após a realização frustrada do leilão judicial ou a alienação particular. No entanto, a nova legislação processual avançou consideravelmente no tratamento da prescrição intercorrente na tutela executiva. Segundo a regra do Artigo 921, §1º, o juiz suspenderá a execução, e como consequência o prazo prescricional, por, no máximo, 1 (um) sem que seja localizado bem do devedor. Após o decurso do prazo mencionado acima, os autos da execução serão arquivados e, caso não CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 86 haja manifestação do exequente, terá início a contagem da prescrição intercorrente. O CPC/2015 absorveu integralmente a regra enunciada no verbete da súmula 314 do Superior Tribunal de Justiça, que determina a suspensão da execução fiscal por 1 ano, nas hipóteses de inexistência de bens penhoráveis, e findo o prazo inicia-se o prazo da prescrição intercorrente. A regra traz segurança jurídica no sentido de se evitar que execuções tramitem indefinidamente sem que alcance a efetiva satisfação do débito. No tocante ao prazo da prescrição intercorrente, esse será contabilizado observando o mesmo prazo do direito material tutelado em juízo, conforme se depreende da súmula 150 do Supremo Tribunal Federal. Nos casos em que a execução tenha como objeto obrigação de pagar fixada em favor do segurado em face de determinada seguradora, apenas para exemplificar, e essa não tenha bens o processo será suspenso por 1 (um) ano e logo após terá início a contagem da prescrição intercorrente que será de 1(um) ano, considerando o prazo prescricional para essa natureza de direito material, nos termos do Artigo 206,§1º, II, do Código Civil. É evidente que o credor, no período da suspensão, poderá requerer o desarquivamento dos autos na hipótese de localização de bens do devedor, promovendo os respectivos atos executivos visando a satisfação de seu crédito, conforme dispõe o Artigo 921,§3º do CPC/2015. Extinção da execução Na tutela cognitiva, o juiz poderá chegar a três possibilidades de desfecho legítimos da demanda: • Rejeitar o pedido do autor; • Acolher integralmente o pedido do autor; • Acolher, em parte, a pretensão autoral. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 87 Na execução, onde não se busca reconhecimento de um direito, mas, sim, atos executivos que visem satisfazer o crédito, o desfecho natural será o cumprimento da obrigação e a consequente extinção da execução com resolução do mérito, ou seja, o efetivo pagamento. O desfecho anômalo da execução ocorrerá sempre nas hipóteses em que a execução suspensa por falta de bens seja extinta pela prescrição intercorrente, o que equivale à extinção sem resolução do mérito. Cumpre esclarecer, também, que a disponibilidade da execução autoriza o autor a desistir da execução, razão pela qual a extinção anômala, ou seja, sem o efetivo pagamento. O Código de Processo Civil de 2015 ratificou as hipóteses de extinção da execução dispostas no art. 794 do CPC/73 e ampliou o rol para incluir mais duas hipóteses, atribuindo maior coerência interna entre as reformas realizadas em todo texto normativo. Nesse contexto, o Artigo 924 dispõe que extingue-se a execução quando: I) a petição inicial for indeferida; II) a obrigação for satisfeita; III) o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida; IV) o exequente renunciar ao crédito e V) ocorrer a prescrição intercorrente. O referido dispositivo legal somente regulamentou o que de fato já ocorre na prática forense, não inovando em nenhum instituto de direito processual. As hipóteses de extinção da execução por indeferimento da petição inicial, nas execuções de títulos extrajudiciais, e a extinção em razão da prescrição intercorrente já fazem parte da processualística brasileira devidamente alinhada com os precedentes judiciais editados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. A alteração, portanto, constitui somente em uma melhor sistematização das regras processuais. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 88 Por fim, a extinção da execução somente produzirá seus efeitos quando declarados por sentença sendo, portanto, mantida a regra estabelecida no Artigo 795 do CPC/73, reproduzida no Artigo 925 do CPC/2015. Sentença e coisa julgada Independentemente do procedimento executivo, cumprimentode sentença ou processo autônomo de execução, a extinção da execução somente produzirá efeitos após sua declaração por sentença (Artigo 925 do CPC/2015). A sentença poderá ser proferida, sem resolução de mérito, na hipótese de extinção anômala, mencionada acima, ou mediante o efetivo pagamento do débito ou cumprimento da obrigação, que produzirá os mesmos efeitos que a sentença com resolução de mérito, com evidente natureza declaratória. Diante da similitude entre os conteúdos das sentenças nas hipóteses do Artigo 485 e nas hipóteses do Artigo 924 do CPC/2015, alguns autores, como Rodolfo Hartmann, sustentam a incidência da coisa julgada, formal e material, em sede de execução. Mas o tema não é pacífico, admitindo entendimentos contrários no âmbito doutrinário. Atividade proposta Pedro ajuizou execução por quantia certa fundada em título extrajudicial em face de Manoela. Citada, a executada não pagou no prazo legal. Foi, então, efetivada a penhora de um imóvel de sua propriedade. A executada, então, manifestou-se nos autos alegando a nulidade absoluta da penhora, ao argumento de que o imóvel constrito seria impenhorável. Sustentou que o referido imóvel estaria alugado a terceiros e que, com o valor do aluguel que lhe era pago, custeava sua manutenção e de sua família, inclusive o aluguel do imóvel onde moravam. Produziu prova documental confirmando a veracidade de todas as suas alegações. Pedro, ouvido sobre essa manifestação, afirmou a penhorabilidade do imóvel, já que a devedora e sua família nele não residem. Como você decidiria essa questão? CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 89 Chave de resposta: Os argumentos do devedor deverão ser acolhidos em razão do que dispõe a Súmula 486 do STJ. Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. 3. ed. v. 4. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 641-680. HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. A Execução Civil. Niterói: Editora Impetus, 2010. p. 115-123. Exercícios de fixação Questão 1 A penhora constitui ato executivo cuja finalidade é individualizar bens do devedor para garantir a satisfação do crédito do exequente através da expropriação. Assinale a alternativa correta acerca da penhora na execução civil. a) Não se admite a penhora de imóvel considerado bem de família, incluindo a garagem com registro próprio. b) O imóvel considerado bem de família poderá ser penhorado quando estiver alugado e o devedor não provar que o valor recebido a título de aluguel é utilizado para a manutenção de sua família. c) O imóvel de pessoa solteira, ainda que seja único e utilizado exclusivamente para moradia do proprietário, não é considerado bem de família, podendo ser penhorado livremente. d) O devedor pode, enquanto ato de manifestação da vontade, nomear bem de família à penhora nos casos de inexistência de outros bens. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 90 Questão 2 Numa execução por quantia certa contra devedor solvente, o oficial de justiça encarregado do mandado de citação esteve, por duas vezes, no domicílio do executado, sem o encontrar, havendo suspeita de ocultação. Nesse caso, deverá: a) Arrombar a porta e ingressar na residência para tentar a citação pessoal. b) Arrombar a porta e ingressar na residência para tentar a citação pessoal. c) Arrestar tantos bens quantos bastem para garantir a execução. d) Devolver o mandado sem cumprimento. e) Solicitar o concurso da polícia para a localização do devedor. Questão 3 Em relação à execução: a) Podem ser executados os bens que a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis. b) Entre outros, são absolutamente impenhoráveis os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor. c) À falta de outros bens, podem ser penhorados os frutos e rendimentos dos bens inalienáveis, mesmo que destinados à satisfação de prestação alimentícia. d) É penhorável a quantia depositada em caderneta de poupança, de qualquer valor, salvo se ficar provado que se destina à futura aposentadoria do executado. e) O seguro de vida é penhorável por não ter natureza de crédito alimentício. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 91 Questão 4 De acordo com o Código de Processo Civil, na execução por quantia certa contra devedor solvente: a) Independentemente de o executado possuir advogado constituído nos autos, a intimação em execução far-se-á pessoalmente. b) O executado será citado para, no prazo de quarenta e oito horas, efetuar o pagamento da dívida. c) No caso de integral pagamento pelo executado dentro do prazo legal, a verba honorária será reduzida de 1⁄3. d) Na ordem legal de preferência de bens à penhora, os veículos de via terrestre preferem os bens móveis em geral, bem como os bens imóveis. e) A penhora pode ser substituída por fiança bancária ou seguro garantia judicial, em valor não inferior ao do debito constante da inicial mais 50%. Questão 5 Numa execução por quantia certa contra devedor solvente, o devedor possui os seguintes bens, individualmente suficientes para garantir a execução: um terreno, 200 cabeças de gado, um caminhão, títulos da dívida pública da União e direitos hereditários de uma casa. A penhora recairá, preferencialmente: a) Nas 200 cabeças de gado b) No terreno c) Nos direitos hereditários da casa d) No caminhão e) Nos títulos da dívida pública da União CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 92 Questão 6 Numa execução, feita a penhora e efetivada a avaliação, requereram a adjudicação do bem penhorado pelo valor da avaliação: o exequente, um credor concorrente que havia penhorado o mesmo bem, um filho do executado, o cônjuge do executado e o pai do executado. Procedida licitação entre os pretendentes, constatou-se a igualdade das respectivas ofertas. Nesse caso, terá preferência o: a) Cônjuge do executado b) Exequente c) Filho do executado d) Credor concorrente e) Pai do executado Questão 7 No que que diz respeito à expropriação, assinale a resposta correta. a) O Código de Processo Civil estabeleceu como forma prioritária de expropriação por alienação particular. b) É admitido no CPC/15 ao exequente oferecer preço não inferior ao da avaliação requerendo que lhe sejam adjudicados os bens penhorados. c) O credor somente pode adjudicar o bem penhorado após a concordância do devedor. d) Na alienação por iniciativa particular, é vedado ao próprio credor promover a alienação dos bens. Questão 8 Assinale a alternativa que não indique uma causa de suspensão da execução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 93 a) Quando deferido o parcelamento do Artigo 916 do CPC/15. b) Quando o devedor não possuir bens penhoráveis em processo que tramita perante um juízo cível. c) Quando os embargos são recebidos no efeito suspensivo. d) Quando o credor renuncia o seu crédito. Questão 9 Sobre a concorrência entre credores, a pretender a adjudicação do mesmo bem penhorado, é correto dizer que: a) O juiz deverá adjudicar o bem penhorado ao credor que tiver oferecido o maior valor superior ao da avaliação. b) O juiz deverá adjudicar o bem ao credor em cuja execução tiver sido efetivada a citação do devedor em primeiro lugar, ainda que algum credor tenha oferecido valor superior ao da avaliação. c) O juiz deverá adjudicar o bem ao cônjuge, ascendente ou descendente, nesta ordem, ainda que algumcredor tenha oferecido valor superior ao da avaliação. d) O juiz deverá adjudicar o bem ao ascendente ou descendente, nesta ordem, ainda que algum credor tenha oferecido valor superior ao da avaliação. Questão 10 Ambrósio oferece embargos à execução para se defender de execução de título extrajudicial movida por Marta. Os embargos foram recebidos em seu efeito suspensivo. Diante do caso, indaga-se: a) O processo executivo será suspenso, sendo vedada a prática de qualquer ato executivo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 94 b) O processo executivo será suspenso, admitindo, em alguns casos, a expropriação dos bens. c) A suspensão automática do processo decorrente da oposição de embargos não impede a prática de atos executivos, como a penhora; d) A suspensão do processo não impede a efetivação dos atos de penhora e avaliação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 95 Penhora online: Forma virtual de realização de penhora disponibilizada para os juízes. Por esse método, os valores existentes na conta do devedor são bloqueados por meio do sistema Bacen Jud. REsp: Recurso Especial. Aula 3 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: A Questão 2 - C Justificativa: A resposta correta é “arrestar tantos bens quantos bastem para garantir a execução”, conforme Artigo 653 do CPC. Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – 2007 – Analista Judiciário/Área Judiciária. Questão 3 - B Justificativa: Conforme Artigo 659, III, do CPC, entre outros, são absolutamente impenhoráveis os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor. Fonte: Tribunal Regional Federal da 5ª Região – 2012 – Analista Judiciário/Área Judiciária/Especialidade Execução de Mandados. Questão 4 - D CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 96 Justificativa: Conforme Artigo 655, III, do CPC, a resposta correta é a letra D: “Na ordem legal de preferência de bens à penhora, os veículos de via terrestre preferem os bens móveis em geral, bem como os bens imóveis”. Fonte: Tribunal Regional Federal da 4ª Região – 2010 – Analista Judiciário/Área Judiciária. Questão 5 - D Justificativa: Conforme Artigo 655, III, do CPC. Fonte: Tribunal Regional Federal da 3ª Região – 2007 – Analista Judiciário/Área Judiciária. Questão 6 - A Justificativa: Embora o Artigo 685-A, §2º, do CPC não estabeleça ordem entre os pretendentes, entende-se que o cônjuge terá preferência, considerando a possibilidade de preservar bens com valor afetivo familiar. Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – Março 2012 – Concurso público para provimento de cargos de Analista Judiciário/Área Judiciária. Questão 7 - B Justificativa: Conforme Artigo 692 do CPC, na alienação em hasta pública, o bem pode ser arrematado por valor inferior ao da avaliação, desde que seja na segunda praça ou leilão, e o valor ofertado não seja considerado vil. Questão 8 - D Justificativa: A renúncia é causa de extinção da execução, na forma do Artigo 794, III, do CPC. Questão 9 - C Justificativa: Embora o Artigo 685-A, §2º, do CPC não estabeleça ordem entre os pretendentes, entende-se que o cônjuge terá preferência, considerando a possibilidade de preservar bens com valor afetivo familiar. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 97 Questão 10 - D Justificativa: Previsão do artigo 876, 5º do CPC/15. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 98 Introdução Já mencionamos na Aula 1 que a legislação processual foi reiteradamente modificada nas décadas de 1990 e 2000, tendo a tutela executiva ocupado um lugar de destaque, com importantes modificações pelas Leis 8952/94; 10.444/02, 11.232/05 e, por último, da Lei 11.382/06. Acrescenta-se a isso o fato do CPC/2015 ter, para além de absorvido a estrutura e idealização da tutela executiva das reformas, atuou também no sentido acrescer importantes pontos polêmicos nos tribunais desde as reformas referidas acima. É que veremos na presente aula, repleta de dúvidas e considerações a respeito dos papéis de credor e devedor em sede da tutela de execução. Boa aula! Objetivo: 1. Analisar o procedimento do cumprimento de sentença e os aspectos polêmicos inerentes; 2. Estudar os principais aspectos referentes à defesa do executado no cumprimento de sentença. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 99 Conteúdo Cumprimento de sentença A tutela de execução passou por diversas transformações nas últimas décadas, especialmente a partir de 1994; 2002 e 2005, com a edição das Leis 8952/94; 10.444/02 e 11.232/05, que ensejaram, por assim dizer, uma nova teoria da execução no processo civil brasileiro. As principais características dessa nova execução são a simplificação de diversos atos executivos e também a criação do chamado processo sincrético, rompendo com duplicidade de processos (conhecimento e execução). A dualidade de processos constitui herança da doutrina de Eurico Tulio Liebman, processualista italiano, que lecionou na Universidade de São Paulo, na década de 70. O Código de Processo Civil de 1973 foi profundamente influenciado pela doutrina de Liebman, estabelecendo a dualidade processual e disciplinando um processo de conhecimento e um processo de execução. Desta forma, as Leis acima citadas, cada qual a seu tempo e impacto, possibilitaram o estabelecimento de um processo único, com duas fases distintas, qual seja fase de conhecimento e fase executiva. A reforma teve como escopo, portanto, dar maior efetividade à tutela executiva, dispensando atos executivos formais demorados e dispendiosos, que mais estimulava o inadimplemento do que a satisfação do crédito do exequente. A fase executiva inicia-se com o cumprimento de sentença, conforme dispõe o Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015, e desenvolve-se como continuidade da fase de conhecimento. É importante dizer que a execução de títulos executivos extrajudiciais permanece como um processo autônomo, pois a certeza, liquidez e exigibilidade já estão presentes no título extrajudicial. O objeto da presente aula é a execução fundada em título judicial que doravante será denominada de cumprimento de sentença. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 100 Execução de títulos judiciais através de processo autônomo de execução O procedimento executivo disposto no Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 constitui mera fase do processo sincrético através da qual serão realizados atos materiais para a satisfação do crédito do exequente, como foi estudado acima. No entanto, o ordenamento processual reconheceu a natureza jurídica de determinados títulos executivos como judiciais, mas exclui a aplicação do procedimento do cumprimento de sentença nesses casos. Assim, esses títulos são considerados judiciais pelo Artigo 515 do CPC/2015, porém serão executados através de um processo autônomo de execução. Com efeito, a sentença penal condenatória (Artigo 515, VI); a Sentença Arbitral (Artigo 515, VI); a Sentença Estrangeira (Artigo 515, VIII) e o acórdão proferido por Tribunal Marítimo (Artigo 515, X) serão executadas através de processo autônomo a ser distribuído no juízo competente para a respectiva promoção dos atos executivos. Cumprimento de sentença na tutela específica e nas obrigações que condenam o devedor a declarar vontade Cumprimento de sentença na tutela específica O cumprimento de sentença que reconheça obrigações de fazer,não fazer ou entrega de coisa, considerando que condenam o executado a realizar uma obrigação de fazer ou entrega de coisa será feita pelos Artigos 536 e 538 do Código de Processo Civil de 2015. Nesses casos o cumprimento de sentença não se fará pelo procedimento do Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 e sim pela sistemática dos artigos mencionados acima. Após essas breves considerações, resta claro que somente se aplica o procedimento do artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 nas execuções de quantia certa, ou seja, quando o devedor tem que pagar quantia em dinheiro. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 101 Cumprimento de sentença nas obrigações que condenam o devedor a declarar vontade Quando o devedor não cumprir com sua obrigação consubstanciada na declaração de O CPC/75 não reproduziu a norma do art. 466 do CPC/73. O não cumprimento da obrigação por parte do devedor não acarretará nenhum prejuízo ao autor vez que a própria sentença produz os efeitos desejados, não havendo necessidade de fixação de multa para o respectivo cumprimento da referida obrigação. Atenção Cumprimento de sentença – instauração do procedimento Conforme se depreende do Artigo 523 do CPC/2015, uma vez que a obrigação de pagar não foi cumprida voluntariamente pelo devedor, surge a possibilidade de se instaurar o procedimento de cumprimento de sentença. Segundo o mencionado artigo, se o devedor não pagar no prazo de quinze dias, será aplicada a multa de 10% e a fase executiva tem seu início. No entanto, a norma não é clara em diversos aspectos, suscitando diversas polêmicas acerca de sua aplicabilidade. Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: uma polêmica superada Uma polêmica que existia há muito na vigência do CPC/73 não mais existe no CPC/2015. Dizia respeito ao próprio início do procedimento de cumprimento de sentença. Com o estabelecimento do processo sincrético, em que a execução CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 102 de sentença judicial é um mero desdobramento da fase de conhecimento, alguns autores entendem que não há necessidade do exequente promover a execução. Entendia segmento da doutrina que o próprio juiz podia instaurar o procedimento de cumprimento de sentença. Essa corrente tinha como um de seus defensores Fredie Didier Jr. O entendimento majoritário, capitaneado por Humberto Theodoro Jr., sustenta que o próprio Artigo 475-J, § 5°, é claro ao dizer que se o credor não requerer a execução no prazo de seis meses o juiz mandará arquivar os autos. Assim, na prática, dúvida parece não haver que o exequente deve promover, através de simples petição com os cálculos atualizados, o cumprimento de sentença. O CPC/2015 superou a polêmica definindo com clareza que o cumprimento será feito mediante requerimento do credor, nos termos do Artigo 513,§1º. Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: segunda polêmica superada A segunda polêmica superada versava sobre o momento em que o prazo de 15 dias para o cumprimento voluntário da obrigação se inicia. Iniciava-se com a publicação da sentença ou tão somente com o trânsito em julgado? Segundo Humberto Theodoro Jr., o termo inicial do prazo para cumprimento voluntário da obrigação teria como referência o trânsito em julgado da decisão, ou seja, quando a execução estiver fundada em título judicial definitivo. Para o referido autor o prazo para cumprimento não se iniciava antes do trânsito em julgado. José Miguel Medina diferenciava o momento da incidência da cobrança. Para este autor, transcorrido o prazo de 15 dias, independente de recurso, a multa já incidiria. No entanto, a cobrança somente poderia ser levada a efeito no momento da execução forçada. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Arenhart entenderam que a multa incidiria após o decurso do prazo recursal, salvo nas hipóteses em que o recurso tem efeito suspensivo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 103 O CPC/2015 superou, também, essa divergência definindo que o devedor será intimado, em regra, através de seu patrono após o trânsito em julgado, nos termos do Artigo 513,§2º. O Superior Tribunal de Justiça, através de sua Corte Especial, ao julgar o Resp nº 1.059.478-RS, julgado em 15.12.10, sob a relatoria do Ministro Aldir Passarinho, consolidou o entendimento de que a multa não incide na execução provisória, sedimentando a posição de que a multa tem lugar somente após o trânsito em julgado. A ratio decidendi do julgado foi assim resumida: “na execução provisória, a parte ainda está exercendo seu direito constitucional de recorrer, então, não seria o momento compatível para a exigência de multa incidental, pois não se poderia punir a parte enquanto no gozo de seu direito constitucional de apelar”. Com efeito, resta evidente que a posição do STJ sobre o momento de incidência da multa será após o trânsito em julgado, possibilitando orientação clara para os tribunais estaduais. Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: terceira polêmica superada A terceira polêmica superada diz respeito à forma através da qual o devedor seria intimado para efetuar a obrigação de pagar em 15 dias. Seria através de intimação pessoal ou através de seu advogado? A doutrina e a jurisprudência nunca estiveram uníssonas nesse aspecto. Alexandre Câmara entendia que o prazo de 15 dias devia iniciar-se com a intimação pessoal do devedor, pois é este quem teria que satisfazer a obrigação. O CPC/2015 superou, também, essa divergência definindo que o devedor será intimado, em regra, através de seu patrono após o trânsito em julgado (Artigo 513,§2º). Destoando desse entendimento, Humberto Theodoro Junior entende que a execução não é um novo processo que enseja nova citação ou intimação pessoal do devedor. Nesse sentido, defende o referido autor que a intimação CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 104 deve ser feita somente através do advogado do devedor, vez que o prazo do Artigo 475-J é efeito legal da sentença e não fruto de assinação particular do juiz, donde inexiste outra intimação que não aquela normal do ato judicial ao advogado da parte condenada a pagar quantia certa. Luiz Guilherme Marinoni entende, também, que a intimação pode se dar através do patrono do devedor. Fredie Didier Jr. se filia ao entendimento de que a intimação deve ser feita através do patrono do devedor, conforme sustenta em seu Curso de direito processual civil, p. 518, v. 5. O STJ firmou orientação no sentido de que o prazo começa a contar independente de intimação, conforme fundamento do julgado que diz: “Não é necessário a intimação pessoal do condenado para que corra o prazo de 15 (quinze dias) para o cumprimento da sentença condenatória ao pagamento da quantia” (STJ, 3ª Turma, Resp. nº 954.859/RS, rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. em 16.08.2007). Com efeito, segundo orientação do julgado acima, o prazo começa a correr do trânsito em julgado independente de intimação. O STJ firmou orientação no sentido de que o prazo começa a contar, independente de intimação, conforme fundamento do julgado que diz: “Não é necessário a intimação pessoal do condenado para que corra o prazo de 15 (quinze dias) para o cumprimento da sentença condenatória ao pagamento da quantia” (STJ, 3ª Turma, Resp. nº 954.859/RS, rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. em 16.08.2007). Com efeito, segundo orientação do julgado acima, o prazo começa a correr do trânsito em julgado independente de intimação. Cumprimento de sentença - instauraçãodo procedimento: quarta polêmica superada Uma quarta polêmica superada dizia respeito ao pagamento de honorários advocatícios na fase executiva. Autores como Cândido Rangel Dinamarco e Alexandre Câmara defendiam a fixação de honorários na fase executiva. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 105 Embora esse entendimento estivesse se consolidando, havia vozes dissonantes no sentido de entender que não seriam cabíveis honorários na fase executiva. O CPC/2015 dispõe, portanto, que são devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, nos termos do Artigo 523§1º. Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora A penhora realizada antes da intimação do devedor foi uma das mais importantes alterações promovidas pela Lei nº 11.232/05, ratificada pelo CPC/2015. A finalidade da medida é impedir atos protelatórios do devedor que impeça a efetivação satisfação da obrigação de pagar. Segundo inteligência do caput do Artigo 523, §3º do CPC/2015, o juiz, após requerimento do credor, determinará a expedição do competente mandado de penhora e avaliação. Contrariamente ao que ocorre no processo autônomo de execução, o devedor será intimado da execução após a realização da penhora. É evidente que na prática forense não muito raro se verifica que a regra não é aplicada em sua literalidade, sendo muito comum o devedor sofrer a constrição somente após a sua intimação. A fase executiva terá início com a formulação do requerimento do devedor, em petição contendo o demonstrativo atualizado do débito, com acréscimo da respectiva multa legal. O credor poderá indicar bens do devedor passíveis de penhora, conforme dispõe o Artigo 524, VII do Código de Processo Civil de 2015. Neste caso, poderá o credor formular requerimento de penhora virtual nos termos do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 106 Atenção Importante ressaltar que todas as regras sobre a penhora estudada na teoria geral da execução terão ampla aplicabilidade no procedimento executivo de títulos judiciais, razão pela qual não nos estenderemos neste particular. Possíveis atitudes do executado no cumprimento de sentença Realizada a intimação do devedor, este poderá exercer as seguintes atitudes: pagar o débito integralmente; efetuar o depósito parcial (Artigo 523 § 2° CPC/2015); impugnar a execução, no prazo de 15 dias (Artigo 525 do CPC/2015) ou permanecer inerte. Se o devedor efetuar o pagamento integral do débito, a execução será extinta, nos termos do Artigo 924, II, do Código de Processo Civil de 2015. No caso de o devedor efetuar o pagamento parcial do débito a multa do Artigo 523,§1º do Código de Processo Civil de 2015 incidirá somente sobre o saldo devedor, prosseguindo a fase executiva em relação a este com a expropriação dos bens do executado para satisfação do crédito remanescente. O novo Código de Processo Civil veda expressamente a aplicação do Artigo 916 no procedimento do cumprimento de sentença, conforme dispõe o Artigo 916,§7º do CPC/2015. Poderá o devedor impugnar o débito e permanecer inerte. Nessa última hipótese a fase executiva terá prosseguimento com a expropriação dos bens penhorados. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 107 Atenção Expropriação, suspensão e extinção do cumprimento de sentença Todas as modalidades de expropriação estudadas são aplicáveis no procedimento do cumprimento de sentença. O credor, portanto, poderá adjudicar bens penhorados, promover a alienação particular, requerer a alienação em hasta pública ou o usufruto de bens móveis e/ou imóveis. As hipóteses de extinção e suspensão da execução (Artigos 791 e 794 do CPC), estudadas na teoria geral da execução, incidem no procedimento do cumprimento de sentença. Abordagens do tema no NCPC TÍTULO II DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 527. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. § 1º O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. § 2º O devedor será intimado para cumprir a sentença: I – pelo Diário da Justiça, na pessoa do seu advogado constituído nos autos; CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 108 II – por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV; III – por meio eletrônico, quando, sendo caso do § 1º do artigo 246, não tiver procurador constituído nos autos; IV – por edital, quando, citado na forma do artigo 256, tiver sido revel na fase de conhecimento. § 3º Na hipótese do § 2º, incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do artigo 274. § 4º Se o requerimento a que alude o § 1º for formulado após um ano do trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com aviso de recebimento, encaminhada ao endereço que consta nos autos, observado o disposto no parágrafo único do artigo 274 e no § 3º deste artigo. § 5º O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento. Artigo 528. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da sentença dependerá de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o termo. Artigo 529. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: I – as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II – a decisão homologatória de autocomposição judicial; III – a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; IV – o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 109 V – o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; VI – a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII – a sentença arbitral; VIII – a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça. X – o acórdão proferido pelo tribunal marítimo quando do julgamento de acidentes e fatos da navegação. § 1º Nos casos dos incisos VI a X, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de quinze dias. § 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo. [...] Artigo 531. A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no Artigo 537. § 1º Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de teor da decisão. § 2º A certidão de teor da decisão deverá ser fornecida no prazo detrês dias e indicará o nome e a qualificação do exequente e do executado, o número do processo, o valor da dívida e a data de decurso do prazo para pagamento voluntário. § 3º O executado que tiver proposto ação rescisória para impugnar a decisão exequenda pode requerer, a suas expensas e sob sua responsabilidade, a anotação da propositura da ação à margem do título protestado. § 4º A requerimento do executado, o protesto será cancelado por determinação do juiz, mediante ofício a ser expedido ao cartório, no prazo de três dias, contato da data de protocolo do requerimento, desde que comprovada a satisfação integral da obrigação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 110 Artigo 532. Todas as questões relativas à validade do procedimento de cumprimento da sentença e dos atos executivos subsequentes poderão ser arguidas pelo executado nos próprios autos e nestes serão decididas pelo juiz. Parágrafo único. Contra decisão proferida na fase de cumprimento de sentença cabe agravo de instrumento; se essa decisão implicar extinção do processo, cabe apelação. Artigo 533. Aplicam-se as disposições relativas ao cumprimento da sentença, provisório ou definitivo, e à liquidação, no que couber, às decisões que concederem tutela antecipada. Defesa do executado no cumprimento de sentença Além das possíveis atitudes do devedor mencionadas acima, poderá este apresentar impugnação, no prazo de 15 dias, contra vícios materiais e processuais decorrentes do título judicial, conforme dispõe o Artigo 525, do Código de Processo Civil de 2015. A defesa do executado no processo sincrético, ao contrário do que ocorre no processo autônomo de execução, possui natureza jurídica de incidente processual apresentada nos próprios autos da execução. Efeitos da impugnação A impugnação será recebida sem efeito suspensivo, conforme se depreende do Artigo 525, §6º do Código de Processo Civil de 2015. Poderá, portanto, ser recebido com efeito suspensivo nos casos de risco de dano de difícil reparação ou de relevante fundamento. Admite-se a prática de atos executivos, mesmo na hipótese de efeito suspensivo, quando o credor exige caução idônea arbitrada pelo juiz. Quando recebida em seu efeito suspensivo, a impugnação será processada nos mesmos autos do cumprimento de sentença, mas na hipótese de ser aplicada a regra, sem efeito suspensivo, a impugnação será processada em autos CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 111 apartados (525, §6º do Código de Processo Civil de 2015) para evitar procrastinação da execução. Garantia do juízo no cumprimento de sentença A interpretação do Artigo 475-J, § 1º, do CPC/73 conduzia à conclusões divergentes quanto à penhora como requisito ou não de procedibilidade para oferecimento da impugnação, considerando que o devedor será intimado da penhora. Essa interpretação ensejou polêmica, pois há certa incoerência entre os procedimentos de defesa do devedor na execução de títulos judiciais, que exige a prévia penhora, e de títulos extrajudiciais, que dispensa penhora. A finalidade da reforma foi dar maior satisfatividade à tutela executiva razão pela qual a melhor interpretação será no sentido de somente admitir a impugnação mediante a realização da penhora. O CPC/2015 dissolve a polêmica em seu Artigo 525 que assim dispõe: Artigo 525 do Código de Processo Civil de 2015. Transcorrido o prazo previsto no Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de quinze dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. O CPC manteve maior coerência interna ao manter o mesmo tratamento ao devedor, independente do procedimento executivo que sua defesa seja apresentada. Na hipótese de o devedor alegar na impugnação excesso de execução (Artigo 525,§4º) deverá, desde logo, apontar o valor que entende correto mediante demonstrativo de débito. O não cumprimento desse comando normativo acarretará a rejeição liminar da impugnação, nos termos do Artigo 525, § 5º, do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 112 DIREITO PROCESSUAL CIVIL. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA POR EXCESSO DE EXECUÇÃO. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). Na hipótese do art. 475-L, § 2º, do CPC, é indispensável apontar, na petição de impugnação ao cumprimento de sentença, a parcela incontroversa do débito, bem como as incorreções encontradas nos cálculos do credor, sob pena de rejeição liminar da petição, não se admitindo emenda à inicial. O art. 475-L, § 2º, do CPC, acrescentado pela Lei 11.232/2005, prevê que “Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação”. Segundo entendimento doutrinário, o objetivo dessa alteração legislativa é, por um lado, impedir que o cumprimento de sentença seja protelado por meio de impugnações infundadas e, por outro lado, permitir que o credor faça o levantamento da parcela incontroversa da dívida. Sob outro prisma, a exigência do art. 475-L, § 2º, do CPC é o reverso da exigência do art. 475-B do CPC, acrescentado pela Lei 11.232/2005. Este dispositivo estabelece que, se os cálculos exequendos dependerem apenas de operações aritméticas, exige-se que o credor apure o quantum debeatur e apresente a memória de cálculos que instruirá o pedido de cumprimento de sentença – é a chamada liquidação por cálculos do credor. Por paridade, a mesma exigência é feita ao devedor, quando apresente impugnação ao cumprimento de sentença. Além disso, o STJ tem conferido plena efetividade ao art. 475-L, § 2º, do CPC, vedando, inclusive, a possibilidade de emenda aos embargos/impugnação formulados em termos genéricos (EREsp 1.267.631-RJ, Corte Especial, DJe 1/7/2013). Por fim, esclareça-se que a tese firmada não se aplica aos embargos à execução contra a Fazenda Pública, tendo em vista que o art. 475-L, § 2º, do CPC não foi reproduzido no art. 741 do CPC. Precedentes citados: REsp 1.115.217-RS, Primeira Turma, DJe 19/2/2010; AgRg no Ag 1.369.072-RS, Primeira Turma, DJe, 26 set. 2011. REsp 1.387.248-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 07.05.2014. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 113 Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora Realizada a intimação do devedor, este poderá ter as seguintes atitudes: Matérias que podem ser deduzidas na impugnação O Artigo 525,§1º do Código de Processo Civil de 2015 é taxativo ao elencar as matérias que poderão ser veiculadas na impugnação. Buscou o legislador processual evitar que as discussões superadas na fase de conhecimento fossem reanimadas pelo devedor na fase executiva, retardamento ao processo ou causando prejuízo à efetividade da jurisdição. O Artigo 525,§12 do Código de Processo Civil de 2015 criou uma nova espécie de inexigibilidade de título executivo judicial. Trata-se da hipótese de declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que serviu como fundamento da sentença que reconheceu a obrigação a ser executada. Nesse caso, a coisa julgada inconstitucional poderá ser veiculada através da impugnação, considerando o Verbete nº 487 do Superior Tribunal de Justiça. Procedimento da impugnação Apresentado o incidente de impugnação, a fase executiva terá seu curso normal com a expropriação dos bens do devedor, salvo se este alegar que o prosseguimentoda execução pode causar danos de difícil reparação, conforme dispõe o Artigo 525,§6º do Código de Processo Civil de 2015. Nestes casos, a execução será suspensa até o julgamento final do incidente. Caso haja interesse do exequente em prosseguir na execução após a suspensão, este deve prestar caução nos termos do Artigo 525,§10 do Código de Processo Civil de 2015. Após a instrução, o juiz resolverá a impugnação acolhendo ou rejeitando a tese do devedor. Natureza jurídica da decisão que julga a impugnação e recurso cabível A natureza jurídica da decisão que resolvia a impugnação possuía natureza híbrida na CPC/73. Será sentença quando acarretar a extinção da execução, como nos casos de do título, ou era interlocutória, quando inexigibilidade não CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 114 provocava a extinção da execução, como nos casos de penhora incorreta. Assim, na primeira hipótese o recurso cabível seria a Apelação, e na segunda seria cabível recurso de Agravo de Instrumento, na forma do previsto no artigo 475-M, § 3º, do CPC/73. O CPC/2015 alterou o regime no sentido de determinar que o recurso cabível, independente da natureza, será Agravo de Instrumento (Artigo 1.015, parágrafo único do CPC/2015). OBJEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE Durante muitos anos os devedores tinham também ao alcance uma defesa processual construída pela doutrina e jurisprudência, denominada de Objeção ou Exceção de Pré-Executividade. Trata-se de uma defesa, deduzida a qualquer tempo, quando a matéria a ser alegada for de ordem pública. Essa modalidade de defesa não encontra respaldo no ordenamento jurídico-processual infraconstitucional brasileiro, mas tem fundamento constitucional, sobretudo no princípio do amplo acesso à justiça, Artigo 5°, XXXV, CF/88. A objeção de pré-executividade foi consolidada em nosso sistema processual para possibilitar ao devedor apresentar defesa sem necessidade de se garantir o juízo. Com efeito, com a dispensa da exigência da garantia do juízo prevista no então artigo 736 do CPC/73, certo segmento doutrinário apontou para a extinção da objeção de pré-executividade. Esta não nos parece a melhor solução para esta questão. A referida objeção ainda permanecerá, mesmo após a reforma processual, pois sobre as matérias de ordem pública não opera a preclusão, podendo o devedor apresentar a defesa mesmo após o esgotamento do prazo de 15 dias para apresentar impugnação. Segundo dispõe o Artigo 525, §11º, o devedor poderá apresentar, através de simples petição, questões supervenientes após o término do prazo para impugnação, como também as relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes. Não há dúvidas que o novo CPC introduziu modalidade de defesa do devedor equivalente à objeção de pré- executividade, possibilitando ao devedor discutir vícios identificados CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 115 posteriormente ao transcurso do prazo para impugnação. O devedor poderá apresentar a objeção no prazo de 15 dias a contar da ciência do ato ou fato. Nesse contexto, o novo código regulamentou modalidade de defesa do devedor assimilada há tempos pela cultura jurídica processual brasileira. Abordagens do tema no NCPC Artigo 539. Transcorrido o prazo previsto no artigo 537 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de quinze dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: I – falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II – ilegitimidade de parte; III – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; IV – penhora incorreta ou avaliação errônea; V – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; VI – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VII – qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes ao trânsito em julgado da sentença. § 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. § 3º Aplica-se à impugnação o disposto no artigo 229. § 4º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o seu único fundamento; se houver outro fundamento, CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 116 a impugnação será processada, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. § 5º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação. O juiz poderá, entretanto, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes, atribuir à impugnação efeito suspensivo, se relevantes seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou redução da penhora e de avaliação dos bens. § 6º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 7º A concessão de efeito suspensivo à impugnação por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante. § 8º Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. § 9º As questões relativas a fato superveniente ao fim do prazo para apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser arguidas pelo executado por simples petição. Em qualquer dos casos, o executado tem o prazo de quinze dias para formular esta arguição, contado da comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. § 10. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 117 § 11. No caso do § 10, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica. § 12. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 10 deve ter sido proferida antes do trânsito em julgado da decisão exequenda; se proferida após o trânsito em julgado, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Artigo 540. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que entender devido, apresentando memória discriminada do cálculo. § 1º O autor será ouvido no prazo de cincodias, podendo impugnar o valor depositado, sem prejuízo do levantamento do depósito a título de parcela incontroversa. § 2º Concluindo o juiz pela insuficiência do depósito, sobre a diferença incidirão multa de dez por cento e honorários advocatícios, também fixados em dez por cento, seguindo-se a execução com penhora e atos subsequentes. § 3º Se o autor não se opuser, o juiz declarará satisfeita a obrigação e extinguirá o processo. Artigo 541. Aplicam-se as disposições deste Capítulo ao cumprimento provisório da sentença, no que couber. Atividade proposta Manoel adquiriu e pagou rigorosamente as prestações do imóvel de Construtora Real Ltda. Por encontrar-se o bem pronto, as chaves foram entregues ao adquirente. Instado a celebrar a escritura definitiva, em razão da quitação do preço, o construtor evita, com evasivas, celebrar o pacto definitivo. Proposta a ação por Manoel de obrigação de fazer – emitir declaração de vontade - (celebrar a escritura definitiva) ficou comprovada a mora da construtora, pelo que o juiz julgou procedente o pedido e condenou o réu a celebrar a escritura definitiva no prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 500,00. Indaga- se: Cabe a aplicação de multa neste caso? CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 118 Chave de resposta: Não é cabível a fixação de multa considerando que a própria decisão judicial, considerando sua auto aplicabilidade, atinge o resultado prático equivalente pretendido pelo credor. Material complementar Para saber mais sobre o tema desta aula, leia o artigo Impugnação total e parcial, de Paulo Henrique Lucon, publicado no site do Instituto Brasileiro de Direito Processual. Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. CÂMARA, Alexandre de Freitas. Lições de direito processual civil. 22. ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 347/350. v. 3. DIDIER JR., Fredie et al. Curso de processo civil. Salvador: JusPodivm, 2009. p. 514/530. v. 5. MARINONI, Luiz Guilherme. Execução. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 235/251. MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 214/222. Exercícios de fixação Questão 1 (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 119 O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um processo misto que não é mais nem puramente cognitivo nem puramente executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio. Questão 2 A reforma do processo de execução trazida pela Lei nº 11.232/05 rompeu com o formalismo processual e estabeleceu o denominado processo sincrético, onde a execução de sentença passou a ser mera fase processual. Dentre as alternativas abaixo assinale a que corresponde à sentença que deverá ser executada através de processo autônomo de execução: a) Sentença estrangeira devidamente homologada pelo STJ. b) Sentença que condena em obrigação de entrega de coisa. c) Sentença penal condenatória, impugnada mediante recurso de apelação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 120 d) Sentença que condena o réu a pagar quantia certa. Questão 3 De acordo com as alterações promovidas pela Lei nº 11.232/2005, assinale a alternativa correta acerca da fase de cumprimento de sentença (XLVI Concurso Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado Rio de Janeiro). a) Considera-se inexigível o título judicial cujo fundamento foi arquitetado em dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade. b) Na execução provisória da sentença, é vedada a alienação de propriedade, ainda que o exequente preste caução. c) A sentença arbitral é considerada, para todos os efeitos, título executivo extrajudicial. d) Não se admite impugnação ao cumprimento de sentença, em qualquer hipótese, com fundamento na ilegitimidade da parte. Questão 4 Sobre o procedimento do cumprimento de sentença é correto afirmar: a) O credor deverá promover a execução do julgado no prazo de 60 dias, sob pena de arquivamento dos autos da execução. b) É vedado ao devedor efetuar pagamento parcial do débito no prazo de 15 dias. c) A multa do Artigo 475-J poderá ser aplicada nas execuções que reconheçam obrigação de declarar vontade. d) O exequente poderá, no requerimento da execução, indicar bens do devedor passíveis de penhora. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 121 Questão 5 O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de determinar o termo inicial para a contagem do prazo de 15 dias para o pagamento da dívida na execução de títulos judicias. Assinale a alternativa que corresponde à orientação do STJ: a) O prazo de 15 dias fluirá a partir da intimação pessoal do devedor; b) A fluência do prazo fluirá a partir da intimação do advogado do devedor pelo Diário Oficial; c) Contar-se-á da publicação da sentença; d) Contará a partir do trânsito em julgado independente de intimação pessoal do devedor. Questão 6 Assinale a alternativa correta, que contempla apenas matérias que podem ser alegadas em impugnação: a) Falta ou nulidade de citação e penhora incorreta. b) Impedimento e suspeição do magistrado. c) Penhora incorreta e impedimento do magistrado. d) Incompetência relativa e pagamento da dívida. Questão 7 A impugnação oferecida pelo devedor no procedimento do cumprimento de sentença será rejeitada liminarmente na seguinte hipótese: a) Quando apresentada sem o devido recolhimento das custas processuais. b) Nos casos em que o devedor utilizar como fundamento o excesso de execução e não apontar o valor que entende correto. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 122 c) Quando o devedor não nomeia antecipadamente bens à penhora. d) Quando não estiverem presentes os requisitos legais da petição inicial. Questão 8 Contra decisão que acolher a alegação de erro de penhora e avaliação incorreta caberá qual recurso: a) Agravo de instrumento, considerando que se trata de decisão que resolve questões incidentes na fase executiva. b) Agravo retido, vez que se trata de incidente na fase executiva e o julgamento imediato acarretará demora injustificada na prestação da tutela jurisdicional. c) Apelação, considerando que a fase executiva será extinta. d) Reclamação, considerando que em sede de execução não cabe interposição de recursos. Questão 9 José promove execução de quantia certa contidaem título judicial em face do Banco Investimento Seguro. Após a intimação o Banco devedor ofereceu impugnação apresentando argumentos acerca da inexigibilidade do título, a qual foi recebida pelo juiz com o respectivo efeito suspensivo, independente de requerimento do devedor. Diante do caso assinale a assertiva correta sobre a decisão do Juiz: a) O juiz agiu corretamente, uma vez que o efeito suspensivo é a regra na execução de títulos judiciais. b) O juiz agiu de forma incorreta, pois não se admite efeito suspensivo automático da impugnação, excetuando-se as hipóteses de relevantes fundamentos ou risco de danos alegados pelo devedor. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 123 c) Agiu corretamente, considerando que cabe ao juiz de ofício atribuir efeito suspensivo quando se tratar de defesa de pessoa jurídica. d) Agiu de forma incorreta, pois não há previsão legal acerca dos efeitos da impugnação. Questão 10 A impugnação será processada nos mesmos autos do processo sincrético quando: a) Versar sobre matérias de ordem pública. b) Tiver como fundamento a inexigibilidade do título. c) Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios autos caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. d) Quando for recebido sem efeito suspensivo e o juiz determinar a prática de atos executivos mediante caução idônea. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 124 Penhora online: Forma virtual de realização de penhora disponibilizada para os juízes. Por esse método, os valores existentes na conta do devedor são bloqueados por meio do sistema Bacen Jud. REsp: Recurso Especial. Aula 4 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia, conforme Artigo 475-J do Código de Processo Civil. Questão 2 - A Justificativa: A sentença estrangeira homologada pelo STJ será executada na Justiça Federal (Artigo 109, X, da CF/88) através de processo autônomo de execução. Questão 3 - A Justificativa: Considera-se inexigível o título judicial cujo fundamento foi arquitetado em dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, conforme Artigo 475- L,§ 1º , do CPC. Questão 4 - D CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 125 Justificativa: O exequente poderá, no requerimento da execução, indicar bens do devedor passíveis de penhora, conforme Artigo 475-J, § 3º, do CPC. Questão 5 - D Justificativa: Conforme fundamentos do Resp. nº 954.859/RS. Questão 6 - A Justificativa: Falta ou nulidade de citação e penhora incorreta, conforme Artigo 475-L do Código de Processo Civil. Questão 7 - B Justificativa: Conforme Artigo 475- L, § 2º, do Código de Processo Civil, nos casos em que o devedor utilizar como fundamento o excesso de execução e não apontar o valor que entende correto. Questão 8 - A Justificativa: A resposta correta é agravo de instrumento, considerando que se trata de decisão que resolve questões incidentes na fase executiva, conforme Artigo 475-M, § 3º, do Código de Processo Civil. Questão 9 - B Justificativa: Conforme o Artigo 475-M, do Código de Processo Civil, o juiz agiu de forma incorreta, pois não se admite efeito suspensivo automático da impugnação, excetuando-se as hipóteses de relevantes fundamentos ou risco de danos alegados pelo devedor. Questão 10 - C Justificativa: Deve-se observar o disposto no artigo 525, §10 do CPC/15. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 126 Introdução A execução de títulos extrajudiciais foi objeto de diversas reformas processuais, visando dar maior efetividade ao adimplemento de obrigações de pagamento de reconhecidas em documentos hábeis a ensejar processos autônomos de execução. Assim, vamos abordar nesta aula os atos processuais na execução de títulos extrajudiciais, bem como as inovações trazidas pela reforma processual. Objetivo: 1. Estudar o procedimento para execução de títulos extrajudiciais; 2. Identificar as principais características do processo autônomo de execução; 3. Compreender as técnicas de defesa do executado no processo autônomo de execução e as matérias que podem ser alegadas em sede de defesa do executado. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 127 Conteúdo Execução de títulos extrajudiciais As disposições gerais para o exercício do direito de ação para fins de execução dos títulos extrajudiciais vem regulado a partir do art. 771 e seguintes do CPC. Diante do inadimplemento, surge para o credor o interesse de agir no sentido de buscar, através da tutela jurisdicional executiva, a satisfação de seu crédito mediante a prática de atos executivos levados a efeito pelo Estado. Petição inicial O procedimento executivo de título extrajudicial tem início com a petição inicial. Diferente do cumprimento de sentença, em que a execução terá início com simples requerimento do credor, nos termos do Artigo 513§1º do Código de Processo Civil de 2015, na execução de título extrajudicial, o juiz terá primeiro contato com a causa através da petição inicial, que deverá ser elaborada conforme os requisitos dos Artigos 319 e 798 do Código de Processo Civil de 2015. A petição inicial deverá conter necessariamente o título executivo extrajudicial, bem como o demonstrativo do débito atualizado. Não há necessidade de se prolongar na descrição do fato constitutivo do direito do credor, pois o título executivo é contundente na descrição da obrigação. Atenção O interesse de agir como condição da ação, nessa hipótese, tem como fundamento principal o inadimplemento. Caso a petição inicial não esteja em conformidade com os Artigos 798 e 799 do Código de Processo Civil de 2015 ou que não esteja acompanhada dos documentos indispensáveis, o juiz determinará a emenda à inicial no prazo de 15 dias, consoante se depreende da regra do Artigo 801 do Código de Processo Civil de 2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 128 Ao contrário do que ocorria na sistemática processual anterior à Lei nº 11.382/06, o credor poderá indicar os bens do devedor passíveis de penhora, nos termos do Artigo 798, II, “C” do Código de Processo Civil de 2015. Trata-se de inversão procedimental voltada para a efetividade da execução, pois, no sistema anterior, o devedor era citado para pagar ou indicar bens à penhora. Com a reforma processual, inverte-se o ônus da indicação de bens para o credor, evitando, desta forma, atitudes procrastinatórias do devedor. Distribuída a inicial, o juiz, ao despachar, deverá fixar, desde logo, os honorários advocatícios (Artigo 827 do CPC/2015). Em verdade, essa regra já constava em nosso ordenamento processual anterior, vez que o Artigo 20, §4 do CPC/73 já determinava a fixação de honorários em execuções embargadas ou não. No entanto, a redação do mencionado Artigo 652-A do CPC/73 reforçava a intenção do legislador no que concerne à necessidade de fixação de honorários. A inovação da Lei nº 11.382/2006 nesse aspecto referia-se à redução da verba honorária nos casos de pagamento do valor executado no prazo legal. O CPC/2015 manteve no Artigo 827,§1º no, o pagamento integral no prazo legal reduzirá pela metade a verba honorária. Embora não comungamos dessa opção do legislador, que busca estimularo pagamento subtraindo da verba honorária do profissional do direito, não restam dúvidas de que o intuito é estimular o adimplemento da obrigação evitando atos executivos desnecessários e despiciendos. Por fim, importante observar que o credor poderá requerer, nos termos do Artigo 828 do Código de Processo Civil de 2015, no momento da distribuição, a expedição de certidão comprobatória do ajuizamento da demanda executiva para fins de dar publicidade ao ato perante os órgãos de registros de bens, como Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e RGI (Registro Geral de Imóveis), e, assim, evitar alienações fraudulentas. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 129 Citação do devedor Distribuída a petição inicial e exarado despacho positivo, o devedor será citado para efetuar o pagamento no prazo três dias, em conformidade com o Artigo 829 do Código de Processo Civil de 2015. Considerando que a execução de títulos extrajudicial é realizada através de processo autônomo, a citação será ato por excelência, que dará ciência ao devedor da existência da demanda executiva ajuizada. A citação deverá ser promovida pelo correio, em conformidade com o Artigo 246 do CPC/2015. O novo código não manteve o regime de citação do CPC/73, que não admitia citação pelo correio em sede de execução nos termos do Artigo 222, “d”. Não obstante, a citação poderá se efetuada por oficial de justiça quando frustrada a citação pelo correio; nas hipóteses de o devedor residir em local não atendida pelos serviços de entrega domiciliar ou se assim quiser o exequente. Nesse contexto, tem plena aplicabilidade o verbete da súmula 196 do Superior Tribunal de Justiça que autoriza a realização de citação ficta na execução admitindo-se, portanto, a citação por edital ou por hora certa. Os efeitos materiais e processuais da citação elencados no Artigo 240 do CPC/2015 são estendidos para a execução. No entanto, havia no Código de Processo Civil de 1973 uma substancial diferença no que se refere à interrupção do prazo prescricional. No processo de conhecimento a citação válida tem como um dos seus efeitos materiais e interrupção da prescrição, conforme caput do Artigo 219 do CPC/73. Na tutela executiva, a interrupção da prescrição ocorrerá com distribuição da execução, em conformidade com o Artigo 617 do CPC/73. Essa regra tem como finalidade evitar que atitudes do devedor no sentido de inviabilizar a citação fulmine a pretensão do exequente. Imagine que um determinado credor possui um cheque e promove a execução no 5º mês, portanto, antes do prazo prescricional. O devedor somente foi citado 06 anos depois. Neste caso não haverá possibilidade de se alegar a CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 130 prescrição vez que o prazo foi interrompido no exato momento da propositura da ação de execução. A Lei nº 13.105/2015 deu tratamento mais harmônico à temática, estabelecendo um critério único para se identificar o momento em que se opera a interrupção da prescrição. Dessa forma, a prescrição será interrompida a partir do despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente. A regra é exatamente a mesma para a fase de conhecimento (Artigo 240§1º) e para execução de títulos extrajudiciais (Artigo 802). Faz-se prudente registrar que o respectivo Mandado de Citação, Penhora e Avaliação deve conter informações claras acerca das possíveis atitudes do devedor. Primeiramente deve constar que a obrigação de pagar deve ser cumprida no prazo de 03 dias e que se assim for feito o devedor obterá o benefício da redução pela metade dos honorários advocatícios (Artigo 827,§1º do CPC/2015). É evidente que a ausência de informação no sentido da redução da verba honorária não acarreta nulidade da citação, mas reduz a incidência da norma que se pretende efetivar. Atenção Importante, também, que conste do mandado a intimação para oferecimento dos embargos à execução nos termos do Artigo 914 do CPC/2015. Com o advento da reforma processual, a obrigatoriedade de garantia do juízo para oferecimento dos embargos foi excluída do nosso ordenamento processual. Assim, não haverá mais a intimação da penhora, realizada após a citação, como termo para contagem do prazo para oposição de embargos. Considerando que não há mais a garantia do juízo como requisito de procedibilidade dos embargos à execução, a intimação do devedor para apresentar sua defesa deve constar do mandado de citação para que o devedor, na hipótese de não CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 131 pretender efetuar o pagamento, exerça sua defesa através dos embargos. Parcelamento da dívida Segundo inteligência do Artigo 916 do CPC/2015, o devedor, no prazo para apresentação dos embargos, poderá, mediante a comprovação do pagamento de 30% do valor da dívida, requerer o parcelamento do débito restante em até seis vezes, com juros e correção monetária. Percebe-se que o legislador da reforma processual privilegiou os meios de incentivar o devedor a adimplir a obrigação com a redução de honorários e a possibilidade de parcelamento da dívida, o que não existia na sistemática anterior. A interpretação da regra citada nos parece mais adequada e de acordo com proposta do legislador da reforma da execução, que visou aplicar a ponderação entre o princípio da efetividade da execução em favor do exequente, e o princípio da menor onerosidade possível em favor do executado. O Código de Processo Civil de 2015 tratou do tema de forma pormenorizada evitando dúvidas acerca da sua aplicabilidade. Segundo caput do Artigo 916, o devedor poderá formular requerimento do respectivo parcelamento em até 6 (seis) vezes, comprovando o depósito de 30% do valor em execução, acrescido de custas e de honorários advocatícios. Realizado o requerimento o exequente será intimado para se manifestar, em 5 (cinco) dias acerca do preenchimento dos pressupostos mencionados acima. Considerando a demora no processamento dos atos processuais em algumas serventias, a lei dispõe que enquanto o requerimento não for apreciado deverá o executado providenciar o depósito das parcelas vincendas, sendo facultado ao credor o levantamento da quantia já depositada. A possibilidade de manifestação prévia do credor constitui inovação importante do novo código. O somente apreciará o requerimento após o pleno CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 132 contraditório sobre a proposta de parcelamento levado a efeito pelo devedor. Caso a proposta seja deferida, o exequente levantará a quantia depositada e os atos executivos serão suspensos (Artigo 916,§3º). Na hipótese de indeferimento, a execução prosseguirá, convertendo-se o depósito efetuado em penhora (Artigo 916,§4º). Caso haja o inadimplemento de quaisquer parcelas acarretará o vencimento das parcelas subsequentes e o consequente prosseguimento da execução além da multa de 10% sobre o saldo devedor. Não houve alterações substanciais nesse aspecto. Arresto Quando o devedor não for encontrado no endereço informado, mas localize bens deste, o Oficial de Justiça, amparado pela regra do Artigo 830 do Código de Processo Civil de 2015, poderá, mediante autorização do juiz, proceder ao arresto de bens visando garantir a execução. O arresto de bens não configura a penhora propriamente dita, mas tão somente uma garantia da execução ou pré-penhora. Por outro lado, o arresto executivo do Artigo 830, que possui natureza de ato executivo, que integra o rol das medidas cautelares sem finalidade satisfativa. No processode conhecimento, onde o autor visa obter o acolhimento de sua pretensão, existem outras técnicas de dar ciência ao réu da existência do processo movido contra si, podendo inclusive ser considerado revel, na hipótese de inércia. No processo autônomo de execução, a presunção em favor do credor está evidenciada no título extrajudicial, onde consta uma obrigação certa, líquida e exigível. Essa tênue, mas importante, diferença quanto à certeza da obrigação autoriza a invasão, pelo Estado, do patrimônio do devedor nas hipóteses de não localização do devedor. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 133 Realizado o arresto, o oficial de justiça deverá procurar o devedor, por três vezes, no prazo de 10 dias, para dar-lhe ciência da diligência realizada. Na hipótese de não localização do devedor, o credor deverá promover a citação editalícia do devedor. A citação por edital, contudo, somente deve ser realizada após o esgotamento de todas as vias possíveis de localização do devedor, conforme interpretação por analogia da Súmula 414 do STJ. Ultrapassado o prazo para manifestação do devedor, o arresto executivo se converte em penhora e estará sujeito às modalidades de expropriação elencadas. Penhora e avaliação de bens Esgotado o prazo para o pagamento voluntário da obrigação, o Oficial de Justiça procederá à imediata penhora de bens, tantos quanto bastem para garantia da execução, em conformidade com Artigo 829§ 1º do CPC/2015. Para melhor compreensão acerca da dinâmica do ato citatório necessário se faz esclarecer alguns detalhes. O Mandado de citação será expedido em uma via que, além do ato citatório em si, conterá, também, a ordem de penhora e avaliação que será cumprida mediante a verificação do não pagamento pelo devedor. Tudo nos termos do Artigo 829 do CPC/2015. O devedor, quando for intimado para tal, poderá também indicar bens à penhora. É evidente que a indicação incorreta de bens ou a inércia do devedor após a respectiva intimação para indicação de bens constitui atentado à dignidade da jurisdição nos termos do Artigo 774, V, do CPC/2015, podendo ser condenado ao pagamento de multa de até 20%, consoante se depreende do Artigo 774,§único do mesmo Diploma. Importante ressaltar, todavia, que o código privilegiou a penhora dos bens indicados pelo credor na petição inicial, excetuando-se as hipóteses em que o devedor demonstre ao juízo a necessidade de penhora de bens outros que lhe seja menos onerosa e não cause prejuízo ao exequente (Artigo 829,§2º). CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 134 Realizada a penhora, em qualquer das formas mencionadas acima, o devedor não será mais intimado, pois a respectiva intimação foi realizada por ocasião do ato citatório, conforme interpretação que decorre da leitura do Artigo 829,§1º do CPC/2015. Esse comando normativo não é muito claro quanto ao procedimento e poderá acarretar algumas dificuldades na prática dos atos de constrição. O objetivo da intimação da penhora, em regra, não é garantir o termo inicial da contagem do prazo para embargos à execução, vez que o prazo para a defesa do executado contará a partir da juntada do mandado de citação ou de uma das formas elencadas no Artigo 231 do CPC/2015, mas para verificação de excesso de penhora ou a penhora de bens considerados impenhoráveis. Efetivada a penhora e avaliação dos bens, o procedimento ingressa na fase expropriatória, nos termos do Artigo 876 do CPC/2015, transformando os bens penhorados em pagamento e a consequente extinção da obrigação na forma do Artigo 924 do CPC. Na hipótese de não localização de bens, caberá ao exequente diligenciar no sentido de localizar bens do devedor passível de penhora e caso não os encontre o processo será suspenso, nos termos do Artigo 921, III, do CPC/2015, dando início a prescrição intercorrente que correrá no prazo definido na Súmula 150 do STF. Entenda melhor como é abordagem desse tema no NCPC LIVRO II DO PROCESSO DE EXECUÇÃO TÍTULO I DA EXECUÇÃO EM GERAL CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 135 Art. 787. Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título extrajudicial. Suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou fatos processuais a que a lei atribuir força executiva. Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do Livro I da Parte Especial. Art. 788. O juiz pode, em qualquer momento do processo: I – ordenar o comparecimento das partes; II – advertir o executado de que seu procedimento constitui ato atentatório à dignidade da justiça; III – determinar que sujeitos indicados pelo exequente forneçam informações em geral relacionadas ao objeto da execução, tais como documentos e dados que tenham em seu poder, assinando-lhes prazo razoável. Art. 789. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias ao cumprimento da ordem de entrega de documentos e dados. Parágrafo único. Quando, em decorrência do disposto neste artigo, o juízo receber dados sigilosos aos fins da execução, adotará as medidas necessárias para assegurar sua confidencialidade. Art. 790. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que: I – frauda a execução; II – se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; III – dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV – resiste injustificadamente às ordens judiciais; CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 136 V – intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e seus respectivos valores, não exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa ao executado em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível na própria execução, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. Art. 791. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: I – serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II – nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou embargante. Art. 792. O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução. Art. 793. A cobrança de multa ou de indenizações decorrentes de litigância de má-fé ou de prática de ato atentatório à dignidade da justiça será promovida no próprio processo de execução. TÍTULO II DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 137 Art. 813. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados. Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência. Art. 814. Ao propor a execução, incumbeao exequente: I – instruir a petição inicial com: a) o título executivo extrajudicial; b) o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação, quando se tratar de execução por quantia certa; c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso; d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do exequente. II – indicar: a) a espécie de execução que prefere, quando por mais de um modo puder ser realizada; b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no cadastro de pessoas físicas ou no cadastro nacional de pessoas jurídicas; c) bens suscetíveis de penhora, sempre que possível; Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter: I – o índice de correção monetária adotado; II – a taxa de juros aplicada; III – os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros utilizados; CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 138 IV – a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; V – a especificação de desconto obrigatório realizado. Art. 815. Incumbe ainda ao exequente: I – requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária; II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a penhora recair sobre bem gravado por usufruto, uso ou habitação; III – requerer a intimação do promissário comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; IV – requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície, enfiteuse ou concessão; VI - requerer a intimação do proprietário do terreno com regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre direitos do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário; VII – requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social ou de ação de sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 892, § 7º; VIII – requerer tutela antecipada de urgência, se for o caso; IX – proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 139 Art. 816. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, este será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro de dez dias, se outro prazo não lhe foi determinado em lei ou no contrato. § 1º Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor não a exercer no prazo determinado. § 2º A escolha será indicada na petição inicial da execução quando couber ao credor exercê-la. Art. 817. Verificando que a petição inicial está incompleta ou que não está acompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da execução, o juiz determinará que o exequente a corrija, no prazo de quinze dias, sob pena de ser indeferida. Art. 818. Na execução, o despacho que ordena a citação interrompe a prescrição, ainda que proferido por juízo incompetente, desde que realizada a citação em observância ao disposto no § 2º do art. 240. Parágrafo único. A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura da ação. Art. 819. É nula a execução se: I – o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; II – o executado não for regularmente citado; III – instaurada antes de se verificar a condição ou de ter ocorrido o termo. Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução. Art. 820. A alienação de bem gravado por penhor, hipoteca ou anticrese será ineficaz em relação ao credor pignoratício, hipotecário ou anticrético. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 140 § 1º A alienação de bem objeto de promessa de compra e venda ou cessão registrada será ineficaz em relação ao promitente comprador ou cessionário que não houver sido intimado. § 2º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído direito de superfície, seja do solo, da plantação ou da construção será ineficaz em relação ao concedente ou ao concessionário que não houver sido intimado. § 3º A alienação de direito aquisitivo de bem objeto de promessa de venda, de promessa de cessão ou de alienação fiduciária será ineficaz em relação ao promitente vendedor, ao promitente cedente ou ao proprietário fiduciário que não houver sido intimado. § 4º A alienação de imóvel sobre o qual tenha sido instituída enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, será ineficaz em relação ao enfiteuta ou ao concessionário que não houver sido intimado. § 5º A alienação de direitos do enfiteuta, do concessionário de direito real de uso ou do concessionário de uso especial para fins de moradia será ineficaz em relação ao proprietário do respectivo imóvel que não houver sido intimado. § 6º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído usufruto, uso ou habitação será ineficaz em relação ao titular desses direitos reais que não houver sido intimado. Art. 821. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. Parágrafo único. Ao executado que alegar maior gravosidade da medida executiva incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados. CAPÍTULO IV DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 141 Seção I Das Disposições Gerais Art. 840. A execução por quantia certa se realiza pela expropriação de bens do executado, ressalvadas execuções especiais. Art. 841. A expropriação consiste em: I – adjudicação; II – alienação; III – apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou estabelecimentos e de outros bens. Art. 842. Antes de adjudicados ou alienados os bens, o executado pode, a todo tempo, remir a execução, pagando ou consignando a importância atualizada da dívida, mais juros, custas e honorários advocatícios. Seção II Da Citação do Devedor e do Arresto Art. 843. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado. § 1º No caso de integral pagamento no prazo de três dias, contado da juntada aos autos do mandado, o valor dos honorários advocatícios será reduzido pela metade. § 2º O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando rejeitados os embargos à execução; não opostos, a majoração poderá ocorrer ao final do procedimento executivo, em atenção ao trabalho prestado pelo advogado do exequente. Art. 844. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, parafins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 142 § 1º No prazo de dez dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar ao juízo as averbações efetivadas. § 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o exequente providenciará, no prazo de dez dias, o cancelamento das averbações relativas àqueles não penhorados. O juiz determinará o cancelamento das averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no prazo. § 3º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. § 4º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos termos do § 2º indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em autos apartados. Art. 845. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de três dias, contado da citação. § 1º Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado. § 2º A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente. Art. 846. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 1º Nos dez dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado duas vezes em dias distintos; havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 143 § 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a pessoal e a com hora certa. § 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto se converterá em penhora, independentemente de termo. Defesa do executado Ao ser citado num processo autônomo de execução, o devedor poderá ter diversas atitudes legitimadas pelo ordenamento processual. Poderá efetuar o pagamento no prazo legal. O devedor poderá requerer o parcelamento da dívida, nos termos do Artigo 916 do Código de Processo Civil de 2015. Poderá, também, permanecer inerte, abstendo-se de realizar quaisquer atos processuais. Com efeito, quando o devedor não reconhece a dívida estampada no título ou pretende apresentar qualquer outra modalidade de defesa em seu favor, deverá apresentar embargos à execução, nos termos do Artigo 914 do Código de Processo Civil de 2015. Com a reforma, o devedor, nas execuções de títulos judiciais, apresentará sua defesa através de impugnação e nas execuções de títulos extrajudiciais através de embargos à execução. A defesa do executado, a partir desse novo recorte epistemológico, ganhou novos contornos, pois o seu estudo prescinde da análise do procedimento executivo que ela está inserida. Assim, podemos ao estudo da defesa do executado na execução de títulos extrajudiciais que contenham obrigação de pagar quantia certa. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 144 Natureza jurídica A natureza jurídica dos embargos à execução é controvertida. Alguns autores, como Cassio Scarpinella Bueno, sustentam que, após a reforma, os embargos à execução não mais podem ser considerados como ações autônomas, mas como meras defesas do executado. Outros autores, como José Carlos Barbosa Moreira e Fredie Didier, filiam-se à corrente majoritária no sentido de que os embargos à execução possuem natureza de ação, vez que inicia um novo processo cognitivo com objeto próprio estranho à demanda executiva, embora seja com ela conexa. José Miguel Garcia Medina apresenta a tese no sentido de que a natureza jurídica dos embargos é híbrida, podendo ser ação ou mera defesa de acordo com o conteúdo nela veiculado. Para este autor, quando o devedor arguir tão somente o erro no procedimento da tutela executiva, a natureza dos embargos será de mera defesa, e não de ação autônoma. Atenção A corrente majoritária nos parece mais adequada, sem desconsiderar a solidez dos argumentos da corrente oposta, considerando a forte carga cognitiva que permeia o procedimento dos embargos à execução. A natureza jurídica dos embargos é de ação autônoma incidental constitutiva negativa ou desconstitutiva, cuja finalidade é desconstituir um título executivo extrajudicial que ampara demanda executiva em outro processo autônomo. Espécies de embargos admissíveis no processo civil brasileiro O Código de Processo Civil dispõe sobre algumas espécies de defesa do executado, denominado de embargos. A doutrina tradicional classificava os diversos embargos como espécies do gênero embargos do devedor. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 145 São eles: • Os embargos à execução; • Os embargos de terceiro; • Os embargos de segunda fase. A classificação não atende à melhor técnica tendo em vista que, mesmo alguém que não é devedor pode veicular embargos para defesa de seus interesses, como é o caso dos embargos de terceiro. A primeira fase se inicia com a citação e se esgota com o transcurso do prazo de 15 dias, contados da juntada aos autos do respectivo mandado de citação devidamente cumprido. Nessa fase, o devedor poderá apresentar embargos à execução, fundamentando sua pretensão desconstitutiva em uma ou mais hipóteses do Artigo 917 do CPC/2015. Podemos conceituar, portanto, os embargos à execução como embargos de primeira fase, onde o devedor tem um amplo espectro de materiais alegáveis e sem limitação legal em sua defesa. Caberão embargos de terceiro, nos termos do Artigo 674 do Código de Processo Civil de 2015, quando um terceiro, que não integra a relação processual executiva, tiver seus bens penhorados ou sofrer quaisquer outras consequências em decorrência da tutela executiva. Competência O juízo competente para a apreciação dos embargos à execução será o juízo da execução sendo, neste caso, a distribuição realizada por dependência nos termos do Artigo 914,§1º, do CPC/2015. No entanto, poderão ocorrer casos em que a execução será feita por carta precatória em outras Comarcas ou Seções Judiciárias, o que autorizará o executado a opor embargos à execução no juízo deprecado, mantendo-se a competência para julgamento do juízo deprecante. Nos casos em que os embargos à execução versarem unicamente sobre vícios ou defeitos decorrentes da penhora, realizada pelo juízo deprecado, a CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 146 competência para apreciação da ação incidental é transferida para o juízo deprecado. Tal regra está disposta no Artigo 914,§2º do CPC e na súmula 46 do Superior Tribunal de Justiça. Trata-se, portanto, de norma que tem como escopo garantir maior acessibilidade ao devedor garantindo-se a ampla defesa e o devido processo legal. Prazo Os embargos à execução deveriam ser opostos no prazo de 15 dias a contar da juntada do mandado de citação aos autos da execução, nos termos da antiga previsão do Artigo 738 do ultrapassado CPC/73. A Lei 11.382/06 alterou profundamente o regime de contagem de prazo visando dar maior celeridade e efetividade a tutela jurisdicional executiva. O novo código não efetuou mudanças significativas nessa matéria.Quando a execução for deflagrada em face de mais de um devedor, o prazo para cada um contará a partir da juntada de seu respectivo mandado de citação. Assim, se um devedor teve seu mandado juntado no dia 21 de março seu prazo para embargar começara a fluir a partir do dia 22 de março independente de o segundo devedor não ter sido localizado, conforme dispõe o Artigo 915,§1º do CPC/2015. Por fim, a Lei 11.382/06 impediu a incidência, com a nova redação do Artigo 738§ 3º, da regra do prazo em dobro do Artigo 191 do CPC/73, nos casos de devedores com patronos diferentes. O mencionado comando normativo foi mantido pelo CPC/2015 e disposto no Artigo 915,§3º. Todas essas regras e outras incluídas pela Lei nº 11.382/2006 e reproduzidas no novo código têm como escopo evitar delongas processuais ou até mesmos atos procrastinatórios por parte dos devedores dando maior efetividade no âmbito da tutela executiva. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 147 A redação atual do parágrafo 2º do mencionado Artigo 915 do Código de Processo Civil de 2015 autoriza o juiz deprecado comunicar imediatamente ao juízo deprecante a citação realizada em sua Comarca, inclusive por e-mail, e o prazo terá início a partir da juntada da comunicação virtual. Embora seja uma regra interessante do ponto de vista da desformalização das cartas precatórias e da celeridade, não se vislumbra na prática forense meio seguro de dar eficácia ao referido comando normativo. Por fim, a Lei nº 11.382/06 impediu a incidência com a nova redação do Artigo 738, §3º, da regra do prazo em dobro do Artigo 191 do CPC/73 nos casos de devedores com patronos diferentes. Tal comando normativo foi reproduzido no Artigo 915§1º do CPC/2015. Todas essas regras têm como escopo evitar delongas processuais ou, até mesmo, atos procrastinatórios por parte dos devedores, dando maior efetividade no âmbito da tutela executiva. Petição inicial Os embargos à execução possuem natureza jurídica de ação e devem ser instrumentalizados através de petição inicial, observando os requisitos do Artigo 319 do Código de Processo Civil de 2015. Importante observação acerca do valor da causa nos embargos à execução. Conforme entendimento de Fredie Didier, o valor da causa não possui relação necessária com o valor da execução, embora, num primeiro momento, a referência seja mesmo o valor da execução. O valor da causa, em regra, é definido em razão do proveito ou vantagem econômica obtida com o processo. Não há dúvidas de que, se os embargos versarem sobre nulidade do título, o devedor será liberado do pagamento da dívida, o que se reverterá, ainda que indiretamente, em proveito econômico. Nesse caso, o valor da causa dos embargos será o valor da própria execução. Mas existem hipóteses outras que não haverá essa coincidência. Pense no caso de alegar excesso de execução. O valor da causa será o valor que o devedor CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 148 entende correto, e não o valor da execução. O valor da causa prescinde, com efeito, da análise da pretensão do devedor veiculado nos embargos. Atenção A petição inicial dos embargos será rejeitada liminarmente nas hipóteses arroladas no Artigo 918 do CPC/2015. Constituiu, também, hipótese de rejeição liminar dos embargos quando o devedor arguir nos embargos de excesso de execução, e não apresentar planilha com demonstrativo de débito que entende correto, conforme Artigo 917, §4º, I do CPC/2015. Efeitos dos embargos à execução Nos últimos tempos de vigência do CPC/73, os embargos à execução eram recebidos, em regra, sem efeito suspensivo consoante dispõe o Artigo 739-A. Antes da reforma levado a efeito pela 11.382/06 os embargos eram recebidos com efeito suspensivo o que motivava o devedor a embargar, mesmo sem fundamento plausível, tão somente para atrasar a prestação da tutela jurisdicional executiva. Esse modelo foi retratado no Artigo 919 do CPC/2015. Os embargos poderão ser recebidos no efeito suspensivo somente nos casos de relevantes fundamentos que possam ocasionar risco de danos de difícil e incerta reparação. Nesses casos o juiz poderá, mediante requerimento do devedor devidamente comprovado, atribuir efeito suspensivo aos embargos. No entanto, para obter a concessão do efeito suspensivo deverá o executado indicar bens a penhora, prestar caução ou depósito. A regra não possui equivalente no CPC/73 e tem como finalidade evitar atos protelatórios injustificados. Para ilustrar a hipótese legal pense no caso de uma empresa familiar ou individual tiver sua renda diária penhorada e a manutenção do negócio e de eventuais empregados ficarem comprometidos com o ato de constrição. Nesse caso, poderá devedor, desde que cumpridos os requisitos CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 149 legais, requerer que, neste caso, os embargos sejam recebidos em seu efeito suspensivo para danos de difícil reparação para a pequena empresa. A concessão do efeito suspensivo não tem extensão plena objetiva ou subjetiva, ou seja, caso a execução verse sobre 02 obrigações distintas, como por exemplo, indenização por danos materiais e lucros cessantes e o devedor embargar alegando excesso de execução no que tange ao valor referente aos lucros cessantes, o efeito suspensivo alcançará somente a parte da execução correspondente aos lucros cessantes prosseguindo normalmente quanto à verba indenizatória (Artigo 919, §3º do CPC/2015). Não ocorrerá também a extensão subjetiva do efeito suspensivo dos embargos. Significa dizer que na hipótese de mais de um devedor e apenas um deles embargar, o efeito suspensivo atribuído aos embargos de um devedor não se estende aos devedores que não embargaram ou que embargaram, mas sua defesa não foi recebida no efeito suspensivo (Artigo 919,§ 4º do CPC/2015). Com a reforma, mesmo que os embargos sejam recebidos no efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço, de redução da penhora e de avaliação de bens conforme regra entabulada no parágrafo 5º do Artigo 919. Concluiu-se que o legislador, ao reproduzir quase que literalmente as regras introduzidas pela Lei nº 11.382/2006, pretendeu levar a efetividade da execução até as últimas consequências privilegiando a prática de atos executivos em favor do credor sem prejuízo do contraditório e da ampla defesa. O recebimento dos embargos do devedor no efeito suspensivo, excepcionalmente, não obstará a penhora e avaliação de bens permitindo maior celeridade na prática dos atos executivos. A decisão sobre os efeitos dos embargos não é definitiva podendo ser modificada a qualquer tempo caso tenha cessada a causa que os ensejou. Nestes casos o juiz não poderá agir de ofício somente decidindo sobre a questão mediante requerimento das partes (Artigo 919,§2º). CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 150 Conteúdo dos embargos à execução O conteúdo dos embargos à execução é amplo e irrestrito. O Artigo 917 do Código de Processo Civil de 2015 apresenta um rol exemplificativo, conforme se depreende do inciso V do mencionado dispositivo legal. O devedor poderá veicular uma ou diversas das matérias elencadas no ordenamento processual, considerando que os embargos à execução constituem em ato de defesa por excelência do devedor. Procedimento O procedimento comum é fonte subsidiária dos demais procedimentos. Os embargos à execução serão processados aplicando-se as regras gerais do procedimento comum ordinário, podendo ser designada, inclusive, audiência de conciliação, instrução e julgamento,produção de prova pericial, julgamento antecipado da lide, enfim, todas as disposições pertinentes ao supracitado rito. Julgamento e recursos cabíveis Recebido os embargos, o exequente será ouvido no prazo de 15 dias e, não sendo a hipótese de se produzir provas em audiência de instrução e julgamento, o juiz proferirá sentença imediatamente, conforme redação do Artigo 920 do CPC/2015. Não há dúvidas de que, ocorrendo alguma decisão incidente ao longo do processamento dos embargos as partes poderão interpor recurso de agravo de instrumento, conforme Artigo 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. Os embargos serão julgados por sentença, sendo, portanto, impugnada mediante recurso de apelação recebido em seu duplo efeito. Não obstante, nos casos em que os embargos à execução forem extintos sem resolução do mérito ou forem julgados improcedentes o recurso de apelação será recebido somente CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 151 no efeito devolutivo, possibilitando a imediata prática de atos executivos expropriatórios. Abordagem do tema no NCPC DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO Art. 930. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos. § 1º Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal. § 2º Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante, salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens efetuadas no juízo deprecado. Art. 931. Os embargos serão oferecidos no prazo de quinze dias, contados, conforme o caso, na forma do art. 231. § 1º Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, salvo se se tratar de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir da juntada do último. § 2º Nas execuções por carta, o prazo para embargos será contado: I – da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens; II – da juntada, nos autos de origem, do comunicado de que trata o § 4º deste artigo, ou, não havendo este, da juntada da carta devidamente cumprida, quando versarem sobre questões diversas da prevista no § 2º, inciso I. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 152 § 3º Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, não se aplica o disposto no art. 229. § 4º Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a realização da citação será imediatamente informada, por meios eletrônicos, pelo juiz deprecado ao juiz deprecante. Art. 932. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, mais custas e honorários de advogado, faculta-se ao executado requerer, de forma motivada, seja admitido a pagar o restante em até seis parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e juros de um por cento ao mês. § 1º O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos pressupostos do caput ou apresentar qualquer fundamento relevante para a não concessão do parcelamento. O juiz decidirá o requerimento em cinco dias. § 2º Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento. § 3º Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada e serão suspensos os atos executivos; caso seja indeferida, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora. § 4º O não pagamento de qualquer das prestações acarretará cumulativamente: I – o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do processo, com o imediato início dos atos executivos; II – a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das prestações não pagas. § 5º O pedido de parcelamento previsto no caput interrompe o prazo para a oposição de embargos. Deferido o parcelamento, o executado não poderá opor embargos à execução. Indeferido o pedido, o prazo de quinze dias para oposição de embargos começa a correr da publicação da respectiva decisão. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 153 § 6º Cabe agravo de instrumento da decisão do juiz que acolhe ou rejeita o parcelamento. § 7º O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença. Art. 933. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar: I – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; II – penhora incorreta ou avaliação errônea; III – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; IV – retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa; V – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VI – qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. § 1º A incorreção da penhora ou da avaliação poderá ser impugnada por simples petição, no prazo de quinze dias, contados da ciência do ato. § 2º Há excesso de execução quando: I – o exequente pleiteia quantia superior à do título; II – recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; III – esta se processa de modo diferente do que foi determinado no título; IV – o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da prestação do executado; V – o exequente não prova que a condição se realizou. § 3º Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à do título, o embargante declarará na petição inicial o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os embargos à execução serão liminarmente rejeitados, com extinção do processo CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 154 sem resolução de mérito, se o excesso de execução for o seu único fundamento; se houver outro fundamento, os embargos à execução serão processados, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. § 4º Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 471. § 5º O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa, prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou resultante da compensação. § 6º A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. Art. 934. O juiz rejeitará liminarmente os embargos: I – quando intempestivos; II – nos casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do pedido; III – manifestamente protelatórios. Parágrafo único. Considera-se conduta atentatória à dignidade da justiça o oferecimento de embargos manifestamente protelatórios. Art. 935. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. § 1º O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela antecipada, e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. § 2º A decisãorelativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada, cessando as circunstâncias que a motivaram. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 155 § 3º Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 4º A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante. § 5º A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou redução da penhora e de avaliação dos bens. § 6º Contra a decisão sobre concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo cabe agravo de instrumento. Art. 936. Recebidos os embargos, o exequente será ouvido no prazo de quinze dias; a seguir, o juiz julgará imediatamente o pedido ou designará audiência; encerrada a instrução, proferirá sentença. Atividade proposta Y” figura como executado em ação movida por “Z”. Devidamente citado para o pagamento da quantia obrigacional, o demandado deixa de proceder com o pagamento no prazo legal, motivo pelo qual o Oficial de Justiça procedeu à penhora e à avaliação de bens, lavrou o respectivo auto e intimou o executado de tais atos, nos exatos termos da lei. A penhora recaiu sobre uma vaga de garagem que possuía matrícula própria no Registro de Imóveis e que fora indicada pelo credor na inicial da ação de execução. Y opôs embargos do devedor, quinze dias após a juntada do mandado da respectiva intimação aos autos, por meio do qual arguiu que o objeto da penhora constituía bem de família, estando insuscetível ao ato constritivo. Considerando a situação apresentada, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. (XII Exame de Ordem) A) O embargante está correto nas suas razões? B) Considerando o aspecto processual, analise os embargos opostos e exponha as consequências jurídicas. (Valor: 0,60) CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 156 Chave de resposta: A) Não assiste razão ao embargante visto ser perfeitamente possível a realização de penhora de vaga de garagem. A garagem com registro imobiliário autônomo não se confunde com a unidade habitacional (apartamento) e não integra a noção de pertença e, por conseguinte, não é bem de família (Súmula n. 449 do STJ). B) Os embargos merecem ser rejeitados in limine, uma vez que são intempestivos (Art.915 I, do CPC/2015). O prazo de quinze dias para a oposição desse remédio jurídico deve ser contado da juntada do mandado de citação aos autos, e não da de juntada do mandado de intimação. Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. p. 505-513. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito Processual Civil Contemporâneo. v. 2. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 961-991. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 157 Exercícios de fixação Questão 1 (XI Exame de Ordem) No processo de execução, cabe ao credor instruir a petição inicial com o título extrajudicial, com o demonstrativo do crédito atualizado, comprovando tratar-se de crédito líquido, e a prova de que se operou a condição ou termo, tornando-o exigível. Sobre a temática, assinale a afirmativa correta. a) Na execução por quantia certa com devedor solvente, cabe ao executado indicar os bens a serem penhorados. b) A expropriação segue, necessariamente, a seguinte ordem legal: alienação em hasta pública, alienação por iniciativa particular e adjudicação em favor do exequente. c) O juiz pode determinar de ofício, e a qualquer momento, a intimação do executado para indicar bens passíveis de penhora. d) Não se admite na execução citação por edital. Questão 2 (VII Exame Unificado) A respeito do processo de execução, assinale a alternativa correta. a) A sentença arbitral, a letra de câmbio, a nota promissória e a duplicata são títulos executivos extrajudiciais. b) O exequente poderá, no ato da distribuição, obter certidão comprobatória do ajuizamento da execução para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou outros bens sujeitos à penhora ou arresto. c) O executado que, intimado, não indica ao juiz a localização de seus bens, não pratica ato atentatório à dignidade da justiça. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 158 d) A ausência de liquidez não impede a instauração do processo de execução. Questão 3 Assinale a alternativa correta sobre a execução por título extrajudicial de obrigação de pagar que envolva particulares. a) A defesa usualmente é realizada por impugnação. b) O interessado não precisa provocar o Estado-Juiz por meio de uma petição inicial para que este procedimento executivo tenha início, pois ela se desenvolve de ofício. c) A letra de câmbio, nota promissória, duplicata, debênture e cheque são títulos executivos extrajudiciais. d) Nesse procedimento, não há possibilidade de concurso de penhora de bens do executado. Questão 4 Marcela pretende executar contra o mesmo devedor, num mesmo processo, um cheque no valor de R$20.000,00 e um contrato onde foi fixado uma obrigação de fazer em que o devedor se obrigou a realizar uma obra e restou inadimplente. Nessa hipótese, é correto afirmar que: a) Será possível a cumulação de execuções vez que o devedor é o mesmo. b) Não se admite cumulação de execuções de qualquer espécie. c) Não é possível cumular execuções cujos procedimentos são incompatíveis. d) Será possível a cumulação, executando-se, em primeiro lugar, o cheque. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 159 Questão 5 Em determinada execução de títulos extrajudicial, o devedor não foi encontrado no endereço informado pelo credor. O oficial de justiça, após certificar-se da correção do respectivo endereço, promoveu o arresto de bens de devedor para garantir a execução. Diante do caso, marque a alternativa correta. a) Os bens arrestados convertem-se em penhora automaticamente. b) O credor poderá, no prazo de 10 dias, adjudicar os bens penhorados. c) O devedor não localizado deverá ser citado através de edital para se manifestar acerca do arresto no prazo de três dias (Artigo 829 do CPC/15), a contar do esgotamento do prazo fixado no edital; findo este, o arresto se converterá em penhora. d) O juiz determinará a alienação em hasta pública do bem arrestado, independentemente de citação do devedor. Questão 6 Os embargos do devedor, nas execuções de título extrajudicial, de acordo com o Código de Processo Civil, serão oferecidos no prazo de: a) Dez dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de penhora. b) Dez dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de citação, independentemente de penhora, caução ou depósito. c) Quinze dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de citação, independentemente de penhora, caução ou depósito. d) Quinze dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de penhora. e) Trinta dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de citação, independentemente de penhora, caução ou depósito. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 160 Questão 7 Em relação aos embargos do devedor: a) como regra, uma vez opostos suspendem ocurso da execução. b) serão oferecidos em dez dias, contados da citação dos executados. c) poderão ser opostos pelo executado independente de penhora, depósito ou caução. d) concedido efeito suspensivo aos embargos, é obstada a efetivação dos atos de penhora e de avaliação dos bens do executado. e) a decisão que os recebe ou rejeita liminarmente é irrecorrível. Questão 8 Minotauro está executando judicialmente Bárbara em razão do descumprimento de acordo judicial celebrado em ação de cobrança. Bárbara interpôs embargos à execução discutindo apenas questões processuais. Considerando que Minotauro desistiu de toda a execução, os embargos interpostos: a) Serão extintos também, desde que o embargante concorde expressamente, pagando o devedor as custas e os honorários advocatícios. b) Serão extintos também, desde que o embargante concorde expressamente, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios. c) Serão extintos também, independentemente de concordância do embargante, pagando o devedor as custas e os honorários advocatícios. d) Serão extintos também, independentemente de concordância do embargante, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 161 e) Terão prosseguimento normal, tratando-se de medidas judiciais independentes, com ônus e deveres processuais a serem discutidos e decididos. Questão 9 (XLIII Concurso para Magistratura Estadual/ RJ) Sobre os embargos do devedor, é correto afirmar que: a) O juiz julgará improcedentes os embargos quando intempestivos ou manifestamente protelatórios. b) O juiz poderá atribuir efeito suspensivo aos embargos quando, sendo relevantes seus fundamentos, o prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado grave dano, mesmo que a execução não esteja garantida. c) A concessão de efeito suspensivo aos embargos não impedirá a efetivação dos atos de penhora e de avaliação dos bens. d) Quando marido e mulher são executados, o prazo para embargos é contado a partir da juntada do respectivo mandado citatório. Questão 10 (Concurso para Juiz Substituto – AM/ 2013) Com relação aos embargos do devedor, assinale a afirmativa correta. a) Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir da juntada do último. b) O juiz rejeitará liminarmente os embargos que se revelarem protelatórios no decorrer da instrução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 162 c) O executado, mediante penhora, depósito ou caução, poderá opor‐se à execução por meio de embargos. d) Os embargos do executado terão efeitos suspensivos, de ofício, se verossímeis as alegações. e) No caso de embargos manifestamente protelatórios, o juiz imporá, em favor da Fazenda, multa ao embargante de até 20 % (vinte por cento) do valor em execução. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 163 Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: Conforme Artigo 652, §3º, do CPC. Questão 2 - B Justificativa: Conforme Artigo 615-A do CPC. Questão 3 - C Justificativa: Conforme Artigo 746 do CPC. Questão 4 - C Justificativa: Conforme Artigo 573 do CPC. Questão 5 - C Justificativa: Conforme Artigo 654 do CPC. Questão 6 - C Justificativa: Conforme Artigo 738 do CPC. Fonte: Tribunal Regional Federal da 5ª Região - 2008 - Analista Judiciário/ Área Judiciária. Questão 7 - B Justificativa: Conforme art. 736 do CPC. Questão 8 - D Justificativa: Artigo 569, parágrafo único, a, do CPC. Fonte: Tribunal Regional Federal da 1ª Região - 2011 - Analista Judiciário/Área Judiciária. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 164 Questão 9 - C Justificativa: Conforme Artigo 739-A, §6º, do CPC. Questão 10 - A Justificativa: Conforme Artigo 738, §1º, do CPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 165 Introdução A Fazenda Pública, pela sua própria natureza, necessita de certos privilégios procedimentais diferenciados para cobrança de seus créditos e realização do efetivo pagamento de obrigações de pagar quantia certa. Diante dessa necessidade, o estudo das especificidades da Fazenda Pública serão abordadas nesta aula, onde, também, vamos analisar questões importantes, como a incidência ou não de honorários em sede de execução contra a Fazenda Pública, entre outros. Objetivo: 1. Estudar o procedimento executivo em que a Fazenda Pública figura como devedora e compreender os meios de defesa da Fazenda Pública em juízo; 2. Estudar o procedimento da Execução Fiscal e compreender as semelhanças entre o procedimentos da execução fiscal e do executivo comum. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 166 Conteúdo Execução contra a fazenda pública A execução dos títulos judiciais inicialmente era promovida através do procedimento disposto no Artigo 475-J do Código de Processo Civil, com redação acrescida pela Lei nº 11.232/05. O procedimento foi reproduzido no Artigo 523 do CPC/2015. A reforma processual nesse particular rompeu com a dualidade processual existente entre tutela jurisdicional cognitiva e tutela jurisdicional executiva, estabelecendo um processo único, mas com duas fases distintas, denominadas de fase de conhecimento e fase executiva. A mudança conceitual nesse particular estabeleceu um novo modo de ser do processo civil no âmbito da execução civil, estabelecendo o denominado cumprimento de sentença ou processo sincrético. As inovações inseridas em nosso sistema processual, que criaram o processo sincrético ou cumprimento de sentença, não se aplicam às execuções de alguns títulos executivos judiciais por questões específicas inerentes ao próprio título ou por opção mesmo do legislador, que excluiu do sincretismo processual certas execuções. Os títulos executivos elencados no Artigo 515, VI, VII, VIII, IX e X, do CPC/2015, são exemplos de títulos judiciais que não serão executados pelo procedimento estabelecido no Artigo 523, pois foram originados em juízos diversos dos juízos competentes para promover a execução. Nesses casos, as execuções serão promovidas através de um processo autônomo de execução. O mesmo ocorria, no CPC/73, nos casos em que a Fazenda Pública era condenada a cumprir obrigação de pagar. Os bens públicos não estão sujeitos à penhora; por essa razão, torna-se inviável a utilização do procedimento do Artigo 475-J do CPC/73, que tem a penhora como um dos primeiros atos CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 167 executivos. Com efeito, considerando que os bens públicos são impenhoráveis, e a Fazenda Pública, em regra, somente efetua pagamento mediante a expedição de precatório, a execução contra a Fazenda Pública seguia o procedimento especial disposto no Artigo 730 do CPC/73. No entanto, a Lei nº 13.105/2015, alterou sensivelmente o procedimento estabelecendo o cumprimento e sentença nos termos do Artigo 534. Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 Antes de aprofundar a análise acerca desse procedimento executivo especial, importante definir o que o legislador entende ser Fazenda Pública e quais entes públicos poderão ser executados através deste rito. Segundo Leonardo Carneiro da Cunha, Fazenda Pública representa a personificação do Estado, abrangendo as pessoas jurídicas de direito público. A expressãoFazenda Pública refere-se à União, aos Estados, aos Municípios, ao Distrito Federal e suas respectivas autarquias e fundações. Para este autor, as agências executivas ou reguladoras também estão acobertadas pela referida expressão. Não estão incluídos nesse conceito as empresas públicas ou as sociedades de economia mista, porque integram a administração pública indireta, mas possuem natureza de pessoa jurídica de direito privado. Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 O procedimento especial de execução em face da Fazenda Pública, disposto no Artigo 534 do CPC/2015, somente terá lugar nas hipóteses de execução de sentenças que condenem o ente público nas obrigações de pagar quantia certa. Nas hipóteses de execução das obrigações de fazer e não fazer ou de entrega de coisa, serão processadas de acordo com procedimento executivo comum, na forma dos Artigos 536 e 537 do CPC/2015, respectivamente. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 168 A especialidade do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 se aplica somente às obrigações de pagar, considerando o regime de precatórios que orienta atividade dos entes públicos no que tange ao pagamento de dívidas. No entanto, não há impedimento quanto ao procedimento de liquidação de sentença nas execuções contra Fazenda Pública nos casos em que a decisão não for líquida. Atenção Importante ressaltar que é admissível execução de títulos executivos extrajudiciais em face da Fazenda Pública, conforme verbete da Súmula 279 do STJ. O Novo CPC não só admitiu tal possibilidade como também regulou o respectivo procedimento no Artigo 910. Honorários advocatícios O Artigo 1º-D da Lei nº 9.494/97 dispõe que não são devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções não embargadas. Considerando a impropriedade da referida norma, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 345 autorizando a fixação de honorários advocatícios a serem pagos pela Fazenda Pública mesmo nas execuções não embargadas. O CPC/2015 admitiu a incidência de honorários advocatícios nas condenações contra a Fazenda Pública, nos termos de seu Artigo 85,§3º. Execução provisória em face da Fazenda Pública A Constituição Federal de 1988 somente autoriza a expedição de precatório mediante sentença transitada em julgado, conforme Artigo 100, §1º, com redação determinada pela Emenda Constitucional nº 62/2009. A Lei nº 9.494/97, em seu Artigo 2º-B, também dispõe a execução em face da Fazenda CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 169 Pública somente após o trânsito julgado. A interpretação sistemática desses textos normativos leva à conclusão da inadmissibilidade da execução provisória em face da Fazenda Pública. É interessante observar que, para a Fazenda Pública, não há impedimento para execução provisória de seus devedores, mas há toda sorte de restrições quando a Fazenda Pública é ré ou executado. Não se admite a ampla antecipação de tutela ampla em face da Fazenda Pública, conforme se depreende da Súmula 729 do STF e não há permissão legal para que o exequente promova a execução provisória do julgado. Há, portanto, visível desigualdade de tratamento processual que deve ser repensada tendo como fio condutor a constitucionalização do direito processual. Sustentamos, com apoio no entendimento minoritário de Fredie Didier e Teori Albino Zavascki, a possibilidade de execução provisória de atos executivos considerando que a Constituição Federal exige o trânsito em julgado somente para a expedição do precatório, e não para o início da execução. O CPC/2015 admitiu a execução antecipada dos valores não impugnados pela Fazenda Pública, conforme dispõe o Artigo 535,§4º. A Fazenda Pública poderá arguir na impugnação as matérias elencadas no Artigo 535 do CPC/2015. O rol é taxativo, não podendo a Fazenda Pública ampliar o objeto da defesa. A Súmula 394 do STJ, neste sentido, ilumina a interpretação do Artigo 741, VI, do CPC/73, não promovendo ampliação do espectro dos embargos. Da expedição do precatório Transitada em julgado a decisão acerca dos embargos ou nas hipóteses em que eles não forem opostos, o juiz da execução requisitará o pagamento por intermédio do presidente do respectivo Tribunal. O presidente do Tribunal deverá encaminhar a requisição de expedição do respectivo precatório ao órgão CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 170 competente para inclusão no orçamento das entidades de direito público, nos termos do Artigo 100, §5º, da CF/88. A atividade desenvolvida pelo presidente do Tribunal, até o efetivo pagamento do precatório pela Fazenda Pública, possui natureza administrativa e não jurisdicional, conforme bem orientou o STJ no verbete da Súmula 311, que diz: “Os atos do presidente do Tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional”. Esse entendimento foi reforçado pela Súmula 733 do STF, que é incisiva ao afirmar que “não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de precatórios”. Não cabe, portanto, ao presidente do Tribunal apreciar quaisquer questões ou incidentes no processamento dos precatórios, sendo competente, para tanto, o juiz que processou a causa em primeiro grau de jurisdição. Ao presidente do Tribunal compete, em sua função administrativa, declarar o cumprimento da obrigação ou determinar a expedição de precatório complementar. Com efeito, a despeito de a atividade do presidente do Tribunal ser administrativa, este responderá por retardamento na liquidação dos precatórios e por atos omissivos e comissivos, nos termos do Artigo 100, §7º, da CF/88. Com efeito, trata-se de certa incoerência interna ocasionada por diversas reformas pontuais ao longo dos anos num mesmo diploma legal. Tal fato evidencia a necessidade de um novo CPC para restabelecer a coerência interna do ordenamento processual. O processamento dos embargos opostos pela Fazenda Pública não difere do processamento dos embargos à execução, razão pela qual não há necessidade de maiores desdobramentos. O Projeto do Novo Código de Processo Civil eliminou os embargos à execução oferecidos pela Fazenda Pública disciplinando a impugnação como forma de defesa neste procedimento especial. Trata-se de importante unificação CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 171 procedimental no que tange à defesa do executado nas execuções de títulos judiciais. Expedição de precatórios nos créditos preferenciais A Constituição Federal de 1988 estabelece que os pagamentos dos precatórios sejam efetuados obedecendo suas ordens cronológicas. No entanto, o Artigo 100, §1º, do texto constitucional define quais são os débitos que possuem natureza alimentícia, como salário, vencimentos, indenizações por morte, entre outros, e dispõe que tais créditos serão pagos com preferência sobre todos os demais. Ao fazer assim, o texto constitucional criou duas ordens cronológicas de pagamento de precatório: uma referente aos créditos que possuem natureza alimentícia, e outra para os créditos de natureza não alimentar. O parágrafo 2º do Artigo 100 da CF/88 trata da preferência na expedição do precatório com natureza alimentar dos titulares com mais de 60 anos ou portadores de doença grave. O STJ firmou importante orientação sobre a matéria no Informativo nº 535 de sua jurisprudência: Direito constitucional e processual civil. Direito de preferência dos idosos no pagamento de precatórios O direito de preferência em razão da idade no pagamentode precatórios, previsto no Artigo 100, §2º, da CF, não pode ser estendido aos sucessores do titular originário do precatório, ainda que também sejam idosos. De fato, os dispositivos constitucionais introduzidos pela EC nº 62/2009 mencionam que o direito de preferência será outorgado aos titulares que tenham 60 anos de idade ou mais na data de expedição do precatório (Artigo 100, §2º, da CF) e aos titulares originais de precatórios que tenham completado 60 anos de idade até a data da referida emenda (Artigo 97, §18, do ADCT). Além disso, esse direito de preferência é personalíssimo, conforme previsto no Artigo 10, §2º, da CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 172 Resolução 115/2010 do CNJ. (RMS 44.836-MG, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 20/2/2014. DO PROCESSO DE EXECUÇÃO). Considerando que o comando normativo constitucional é claro no sentido que estes precatórios serão pagos com preferência de todos os demais, pode-se afirmar que haverá três ordens cronológicas de pagamento, sendo duas preferências de natureza alimentícia e uma de natureza não alimentícia. Diante dessa definição constitucional acerca da ordem cronológica de pagamento de precatórios, surge a seguinte indagação: Os honorários advocatícios serão acomodados em qual ordem cronológica? Considerando que os honorários advocatícios possuem natureza alimentícia, não há dúvida, em nosso entendimento, de que serão incluídos na ordem cronológica preferencial. E caso o advogado seja portador de doença grave ou idoso, será incluído na ordem cronológica preferencial estabelecida no Artigo 100, §2º, da CF/88. Dispensa de precatório A Constituição Federal dispensa a expedição de precatório nas obrigações de pequeno valor a serem definidas em lei (Artigo 100, §3º). Com efeito, a Lei nº 10.259/01, que criou os Juizados Especiais Federais, definiu em seus Artigos 3º e 17, §1º, que serão consideradas causas de pequeno valor, para efeito de dispensa de precatório, as que não ultrapassarem 60 salários-mínimos. Nesses casos, a Fazenda Pública Federal efetuará o pagamento através de Requisição de Pequeno Valor. Cumpre observar que o valor de 60 salários-mínimos é referência apenas para pagamentos efetuados pela União e pelas autarquias federais. A Fazenda Publica Estadual e Municipal dispensarão a expedição de precatório nas obrigações que não ultrapassem o limite de 40 e 30 salários-mínimos, respectivamente, nos termos do Artigo 87 dos Atos das Disposições CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 173 Constitucionais Transitórias. A mesma regra foi reproduzida no Artigo 13, §3º, da Lei nº 12.153/09. Com efeito, importante observar que cada ente da federação deverá, através de lei, estabelecer o limite para dispensa de precatório. Os Estados e Municípios que não estabeleceram seus respectivos limites para dispensa podem seguir os critérios acima mencionados. Execução fiscal O procedimento executivo para satisfação de crédito quando a Fazenda Pública é devedora observará o disposto no Artigo 534 e 910 do CPC/2015. Ao contrário, quando a Fazenda Pública é credora, observar-se-á o procedimento especial disposto na Lei nº 6.830/80, que regula os atos executivos na denominada Execução Fiscal. Título executivo A Execução Fiscal tem como base um título executivo extrajudicial, nos termos do Artigo 783, IX do CPC/2015. A certidão da dívida ativa, que contém a respectiva obrigação de pagar, diferente dos demais títulos executivos extrajudiciais, é formada unilateralmente pela própria Fazenda Pública, que, após a instauração de um procedimento administrativo, emite em seu favor o respectivo título. Dessa forma, a certidão da dívida ativa conterá obrigação certa, líquida e exigível apta a ensejar a execução fiscal do crédito nela retratada (Artigo 3º da LEF). O Artigo 2º da LEF dispõe que a dívida estampada no mencionado título pode ser tributária ou não tributária. Com efeito, a execução fiscal poderá ser ajuizamento para cobrança de IPTU como também para cobrar aluguéis devidos ao Poder Público. A certidão da dívida ativa poderá ser emendada ou substituída até a decisão de primeira instância (Artigo 2º, §8º, da LEF), sendo devolvido, evidente, o prazo para oposição de eventuais embargos contra o novo título. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 174 Legitimidade O procedimento especial da execução fiscal é específico para utilização pela Fazenda Pública, não se admitindo, portanto, que o procedimento seja utilizado pelas empresas públicas ou sociedade de economia mista. O STJ admitiu a legitimidade da Caixa Econômica Federal, na qualidade de substituto processual, para cobrar valores não depositados a título de FGTS através da execução fiscal. (EREsp n. 537.559/RJ , rel. Min. José Delgado, j. em 9.11.2005). Admite-se também a propositura de execução fiscal por conselhos profissionais, consoante Súmula 66 do STJ. Não se admite execução fiscal promovida pela OAB, vez que a receita desta autarquia especial não se enquadra nas exigências da Lei nº 4.320/64, conforme entendimento do STJ (EREsp nº 503.252/SC). Com efeito, as dívidas da OAB deverão ser cobradas utilizando as regras executivas do Código de Processo Civil. A legitimidade passiva é definida pelo Artigo 4º da LEF, podendo figurar no polo passivo da execução fiscal, inclusive outro ente público. Cumpre esclarecer que a legitimidade passiva decorre da inscrição do nome do devedor na certidão da dívida ativa. No caso do Artigo 4º, IV, da LEF, que autoriza o redirecionamento da execução fiscal para o responsável ou sócio de empresas que tenham se dissolvido de forme irregular conforme Súmula 435 do STJ. A solidariedade dos sócios, nas hipóteses contempladas pela LEF, não decorre do simples inadimplemento, nos termos da Súmula 430, mas da demonstração da dissolução irregular da empresa, atribuindo a legitimidade para o sócio- gerente. A Súmula 392 do STJ autoriza a Fazenda Pública a substituir a certidão da dívida ativa nas hipóteses de erro material ou formal, proibindo a alteração do sujeito passivo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 175 Competência A definição da competência para processamento da execução fiscal será em razão do foro domicílio do devedor ou do fato gerador da dívida. Nas execuções promovidas pela Fazenda Pública Federal, a competência será da Justiça Federal do foro do domicílio do devedor. Caso o devedor resida em Município que não haja sede da Justiça Federal, a execução fiscal deverá ser promovida na Justiça Estadual, e a competência recursal será do respectivo Tribunal Regional Federal. Nos casos de execução fiscal movida pelos Conselhos de fiscalização profissional, a competência será da Justiça Federal, conforme orientação da mencionada Súmula 66 do STJ. Nos casos em que a Caixa Econômica Federal ajuizar execução fiscal na qualidade de substituto processual, a competência será da Justiça Federal, nos termos da Súmula 349 do STJ. Petição inicial A petição inicial no procedimento especial da execução fiscal não requer maiores detalhes que a execução comum de título extrajudicial, conforme se depreende da leitura do Artigo 6º da LEF. Todas as disposições referentes à execução de títulos extrajudiciais no que tange aos requisitos e distribuição da inicial são aplicáveis em sede de execução fiscal, conforme determina o Artigo 1º da LEF. Assim, as observações acerca da expedição de certidão comprobatória da distribuição da execução (Artigo 615-A do CPC), entre outras, poderão serrequeridas pela Fazenda Pública. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 176 A petição inicial poderá ser rejeitada liminarmente nos casos de prescrição quinquenal ocorrida antes do ajuizamento da execução fiscal, conforme verbete da Súmula 409 do STJ. Procedimento Distribuída a petição inicial, o juiz determinará a citação do devedor (Artigo 7º da LEF), que somente poderá ser por edital após o esgotamento das demais modalidades, conforme verbete da Súmula 414 do STJ. No despacho inicial, o juiz determinará, além da citação, a penhora de bens, caso o devedor não efetue o pagamento no prazo de cinco dias (Artigo 8º da LEF). A penhora pode recair sobre diversos bens, observando-se a ordem de preferência elencada no Artigo 11 da LEF. Nos termos da Súmula 417 do STJ, a inobservância da ordem estabelecida não acarreta nulidade da penhora. A Súmula 406 do STJ autoriza a Fazenda Pública a recusar a substituição do bem penhorado por precatório. Tal verbete deve ser interpretado com cautela, pois não se pode descurar do princípio da menor onerosidade do devedor, agora presente no Artigo 805 do CPC/2015. Embargos à execução na execução fiscal Realizada a penhora, o devedor será intimado (Artigo 12 da LEF) para oferecer embargos no prazo de 30 dias (Artigo 16 da LEF). Cumpre fazer algumas considerações acerca do procedimento dos embargos à execução na execução fiscal. A Lei nº 11.382/06 excluiu a exigência de garantia do juízo para oferecimento dos embargos à execução no procedimento executivo comum. Na execução fiscal, o devedor somente poderá opor embargos após a realização da penhora. Embora o Artigo 1º da LEF disponha que o Código de Processo Civil constitui fonte subsidiária da execução fiscal, prevalece o entendimento de que a exclusão da garantia do juízo levada a efeito na regra geral (CPC) não afetará as disposições de lei especial. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 177 Não se justifica tal entendimento. No momento histórico em que foi editada a Lei nº 6.830/80, o legislador preocupou-se em tratar de regras específicas concernentes à Fazenda Pública propriamente dita, como, por exemplo, a possibilidade de substituição da certidão da dívida ativa e outras regras gerais, que tinham, como pano de fundo, o Código de Processo Civil vigente, como, por exemplo, as formas de cotação, procedimento dos embargos, entre outras. Essa interpretação autoriza a aplicação das alterações levadas a efeito pela Lei nº 11.382/06 em sede de execução fiscal. A exigência da penhora para oposição de embargos na LEF era coerente com a regra do CPC naquele momento histórico do direito objetivo. A alteração realizada na regra geral provoca irradiação nos estatutos que a utilizam como fonte subsidiária como consectário lógico, coerente e estruturante do próprio ordenamento jurídico. Dessa forma, não há como se admitir a exigência de penhora para oferecimento de embargos. O raciocínio exercitado acima possibilita o oferecimento de embargos em momento anterior à penhora. A polêmica permanece sobre a temática, mas o STJ admite a exceção de pré-executividade em sede de execução fiscal, garantindo o exercício da ampla defesa. O Superior Tribunal de Justiça mantém a orientação no sentido da permanência da garantia de juízo em precedentes recentes, conforme publicado no Informativo nº 538: Direito processual civil e tributário. Garantia do juízo para embargos à execução fiscal Não devem ser conhecidos os embargos à execução fiscal opostos sem a garantia do juízo, mesmo que o embargante seja beneficiário da assistência judiciária gratuita. De um lado, a garantia do pleito executivo é condição de procedibilidade dos embargos de devedor nos exatos termos do Artigo 16, §1º, da Lei 6.830/1980. De outro lado, o Artigo 3º da Lei 1.060/1950 é cláusula CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 178 genérica, abstrata e visa à isenção de despesas de natureza processual, como custas e honorários advocatícios, não havendo previsão legal de isenção de garantia do juízo para embargar. Assim, em conformidade com o princípio da especialidade das leis, o disposto no Artigo 16, § 1º, da Lei 6.830/1980 deve prevalecer sobre o Artigo 3º, VII, da Lei 1.060/1950, o qual determina que os beneficiários da justiça gratuita ficam isentos dos depósitos previstos em lei para interposição de recurso, ajuizamento de ação e demais atos processuais inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório. (Precedentes citados: AgRg no REsp 1.257.434-RS, Segunda Turma, DJe 30/8/2011; e REsp 1.225.743-RS, Segunda Turma, DJe 16/3/2011. REsp 1.437.078-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 25/3/2014). Suspensão e extinção da execução fiscal Se o devedor não oferecer embargos ou se estes não forem procedentes, a execução fiscal terá seu curso normal, procedendo-se a expropriação dos bens penhorados através da alienação em hasta pública ou adjudicação levada a efeito pela Fazenda Pública (Artigo 24 da LEF). A não localização de bens do devedor acarretará a suspensão do processo, nos termos do Artigo 40 da LEF. A Súmula 314 do STJ, considerando o silêncio do legislador, definiu com clareza que a suspensão ocorrerá por um ano. Findo o prazo, inicia-se a prescrição quinquenal intercorrente. Na prática, o devedor que não possui bens aguardará seis anos para obter a extinção da execução fiscal. O efetivo pagamento ou a transformação dos bens expropriados em pagamento acarreta a extinção da execução fiscal, nos termos do Artigo 924, II do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 179 Recursos cabíveis Não há restrição quanto à utilização de recursos em sede de execução fiscal, tal como ocorre na execução de títulos extrajudiciais. A única diferença diz respeito à possibilidade de oposição de embargos infringentes contra sentenças, no julgamento dos embargos ou de extinção da execução, de valor igual ou inferior a 50 OTNS. Os embargos infringentes mencionados aqui não guardam nenhuma semelhança com os embargos infringentes dispostos no Artigo 530 do CPC. Os embargos infringentes do Artigo 34 da LEF, que será julgado pelo próprio juiz da execução, nos termos do parágrafo 3º do mencionado dispositivo legal, guarda relação com a apelação (Artigo 1009 do CPC/2015). Nos casos em que o valor exceder ao supracitado, o recurso cabível será a apelação. Atividade proposta Diante da divergência acerca do valor de determinado precatório, o credor pretende receber a parte incontroversa e discutir a aplicação equivocada de juros e correção monetária, o que reduziu sobremaneira o valor da execução em face da Fazenda Pública. Nesse caso, considerando que a expedição do precatório foi determinada pelo Presidente do Tribunal, quem tem competência para conhecer esta matéria? Chave de resposta: A natureza jurídica da atividade do presidente do Tribunal no pagamento de precatório é meramente administrativa, cabendo ao juiz da execução decidir sobre questões incidentes. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 180 Material complementar Para saber mais sobre execução fiscal e execução contra a Fazenda Pública, acesse o site e leia o artigo Prescrição intercorrente no âmbito da execução fiscal http:/www.sinprofaz.org.br/artigos/prescricao-intercorrente-no- ambito-da-execucao-fiscal Referências ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2015. CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A fazenda pública em juízo.10ª ed. São Paulo: Dialética, 2008. p. 15-18. DIDIER JR, Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. p. 733-756. Exercícios de fixação Questão 1 Carlos Alexandre ajuizou ação de obrigação de fazer em face do Estado do Rio de Janeiro visando obter a regularização no fornecimento de remédios para seu tratamento de HIV. A pretensão do autor foi julgada procedente para determinar que o Estado forneça o medicamento pelo período de dois anos. Diante do descumprimento da sentença, o exequente deverá promover: a) Procedimento especial de execução contra a Fazenda Pública. b) Execução fiscal. c) Procedimento comum de execução de obrigação de pagar quantia certa. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 181 d) Procedimento comum de obrigação de fazer. Questão 2 Para se promover uma execução por quantia certa em face da Petrobras (sociedade de economia mista), com lastro em título judicial, o procedimento executivo adequado é: a) Execução por quantia certa em face da Fazenda Pública. b) Execução por quantia certa em face de devedor solvente. c) Execução por quantia certa em face de devedor insolvente. d) Execução fiscal (Lei nº 6.830/80). Questão 3 Ambrosino, 67 anos de idade, portador de doença grave, promoveu execução no valor de R$400.000,00 em face do Estado de São Paulo. Após o julgamento dos embargos, considerados improcedentes, e o efetivo trânsito em julgado, o credor prosseguiu na demanda executiva requerendo a expedição do competente precatório. Assinale a alternativa correta acerca do procedimento mencionado. a) Deverá o presidente do respectivo tribunal determinar a expedição do competente precatório obedecendo a ordem cronológica não preferencial por se tratar de crédito que não possui natureza alimentícia. b) O pagamento do respectivo precatório será pago com preferência de todos os demais. c) O pagamento será realizado através de procedimento similar ao da requisição de pequeno valor devido à idade do credor. d) Caberá ao juiz da execução o estabelecimento da ordem cronológica a qual será incluído o pagamento do precatório do credor. Questão 4 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 182 Deflagrada execução contra Fazenda Pública municipal sem a oposição dos embargos, o juiz indeferiu, de plano, requerimento do credor no sentido de fixar os honorários advocatícios sob o fundamento de que estes são incabíveis neste rito. O juiz, nesse caso: a) Agiu corretamente, considerando que não há fixação de honorários em face da Fazenda Pública. b) Agiu corretamente, pois a execução não foi embargada pela Fazenda Pública. c) Agiu de forma incorreta, considerando que é admissível fixação de honorários em sede de execução em face da Fazenda Pública. d) Agiu de forma correta, considerando o caráter público do referido procedimento. Questão 5 Em relação ao procedimento executivo em face da Fazenda Pública, é correto afirmar que: a) É cabível execução de títulos extrajudiciais em face da Fazenda Pública. b) A Fazenda Pública poderá arguir qualquer matéria em sede de embargos à execução. c) O pagamento somente poderá ser feito através de precatório, independentemente de valor. d) Admite-se a execução provisória em sede de execução contra a Fazenda Pública. Questão 6 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 183 Numa execução fiscal, feita citação, o executado efetuou depósito em dinheiro em garantia da execução pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na certidão de dívida ativa. Nesse caso, o prazo para oferecimentos de embargos será contado da data: a) Da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido. b) Da intimação da efetivação do depósito. c) Da intimação da penhora. d) Da citação. e) Do depósito. Questão 7 Determinada empresa teve contra si inscrição de dívida, que, inicialmente, foi enfrentada por mandado de segurança, em que alegado tão somente que as pessoas consideradas como empregadas pelo fiscal previdenciário seriam trabalhadores autônomas, sem vínculo empregatício. Sem que obtido o writ, após ajuizada a execução fiscal, intentou ela exceção de pré-executividade, em que insistiu na recusa do nexo de emprego, mais uma vez sem sucesso. Ofereceu penhora em dinheiro, opondo embargos, nos quais alega, ainda, que equivocado o trabalho fiscal que deu gênese à cobrança, sem, no entanto, protestar por qualquer meio de prova. Em impugnação, a Fazenda limitou-se a afirmar a presunção de liquidez e certeza do título. Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta. I. O mandado de segurança, por ser garantia constitucional, não poderia ser rejeitado de plano. II. A exceção de pré-executividade comporta não só matérias que podem ser contempladas ex ofício pelo juiz, mas também nulidades outras cuja demonstração exija dilação probatória. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 184 III. O ônus da prova é, em execução fiscal, sempre da Administração, pois que o contribuinte guarda a seu favor presunção de inocência. IV. A presunção de liquidez e certeza inerente ao título fiscal é iuris tantum, cedendo ante inequívoca prova em contrário. a) Está correta apenas a assertiva IV b) Estão corretas apenas as assertivas I e III c) Estão corretas apenas as assertivas II e IV d) Todas as assertivas estão incorretas Questão 8 Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta. I. O juiz deve converter a penhora em depósito para garantia da execução. II. A data do depósito, na execução fiscal, jamais pode constituir um marco inicial do prazo para oposição de embargos. III. Tanto na exceção de pré-executividade quanto no mandado de segurança, a apresentação dos meios de prova a serem realizados na instrução é imprescindível para viabilizar o próprio instrumento processual. IV. No exemplo dado, o juiz deve receber os embargos, determinando audiência de instrução e julgamento. a) Está correta apenas a assertiva I b) Está correta apenas a assertiva III c) Estão corretas apenas as assertivas II e IV d) Todas as assertivas estão incorretas CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 185 Questão 9 O Estado do Rio de Janeiro pretende promover a execução do valor de R$10.000,00 referente às custas judiciais devidos por Mauro Junior. Nesse caso, é correto afirmar que: a) Deverá a Fazenda Pública promover execução pelo rito do Artigo 475-J do CPC, onde a defesa do executado será feita através de impugnação. b) Não é cabível a execução direta, devendo o Estado promover processo de conhecimento para obtenção de título judicial. c) Deverá a Fazenda Pública promover a Execução Fiscal, onde a defesa do executado será feita através de impugnação. d) Deverá a fazenda Pública promover a Execução Fiscal, onde a defesa do executado será feita através de embargos à execução. Questão 10 O Estado de Santa Catarina promoveu execução em face da Empresa X. Efetuada a penhora de bem imóvel da empresa devedora e transcorrido o prazo para oferecimento de embargos sem manifestação, a Procuradoria do mencionado Estado requereu a adjudicação do referido bem, o que foi indeferido de plano pelo juiz sob o fundamento de a adjudicação somente terá lugar na hipótese de restar frustrada a alienação em hasta pública. Diante, é correto afirmar: a) Não assiste razão à procuradoria, vez que a Lei nº 6.830/80 estabeleceu uma ordem legal de preferênciadas formas de adjudicação. b) O juiz agiu corretamente, vez que, na execução fiscal, privilegia-se o pagamento em dinheiro considerando a prevalência do interesse público. c) A Fazenda Pública poderá adjudicar os bens penhorados independentemente de realização de alienação em hasta pública. d) Não há previsão legal acerca da adjudicação na execução fiscal. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 186 Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 - D Justificativa: O procedimento especial disposto no Artigo 730 do CPC somente se aplica nas execuções em face da Fazenda Pública que contenham obrigação de pagar. As execuções que tenham como objeto obrigação de fazer ou de entrega de coisa seguirão o procedimento comum disposto no Artigo 461 e 461-A do CPC. Questão 2 - B Justificativa: A Petrobras não é incluída no conceito de Fazenda Pública por ser pessoa jurídica de direito privado. Questão 3 - D Justificativa: Conforme Artigo 100, §2º, da CF/88. Questão 4 - C Justificativa: Súmula 345 do STJ. Questão 5 - A Justificativa: Súmula 279 do STJ. Questão 6 - E Justificativa: Artigo 16, I, da Lei nº 6.830/80. Questão 7 - A Justificativa: Conforme Artigo 3º da Lei nº 6.830/80. Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – 2007 – Analista Judiciário/ Área Judiciária. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 187 Questão 8 - A Justificativa: Artigo 11, §2º, do CPC. Fonte: XII Concurso Público para provimento de cargo de Juiz Federal Substituto da 4ª Região. Questão 9 - D Justificativa: Conforme Artigo 2º, §2º da Lei nº 6.830/80. Questão 10 - C Justificativa: Conforme Artigo 24, I, da Lei nº 6.830/80. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 188 Introdução O devedor de alimentos poderá ficar preso por débito alimentar inscrito em título executivo extrajudicial? Esta e outras questões pertinentes ao tema da execução de alimentos serão apresentadas nesta aula, para ampliarmos o conhecimento acerca da matéria. A execução no microssistema do juizado especial cível será também abordada nesta aula, atentando-se para os aspectos que não são aplicáveis às regras dos procedimentos executivos dispostos no CPC/2015. Objetivo: 1. Estudar o procedimento para execução de dívidas de natureza alimentar e seus respectivos procedimentos; 2. Identificar as principais diferenças entre o procedimento executivo e a execução em sede de juizados especiais cíveis. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 189 Conteúdo Execução de prestação alimentícia A obrigação alimentar constituída em um título executivo recebe tratamento diferenciado pelo Código de Processo Civil, considerando que os alimentos não comportam delongas processuais. A matéria é tratada nos Artigos 528 a 533 do CPC/2015 e suas peculiaridades serão abordadas nesta aula. Obrigação alimentar O dever de prestar alimentos pode decorrer de diversos fatos reconhecidos e regulados em nosso ordenamento jurídico. A obrigação alimentar pode se originar das seguintes formas: Da relação de parentesco (Artigo 1694 e seguintes, do Código Civil). Da prática de um ato ilícito. De decisões judiciais que fixam os alimentos provisórios (Artigo 4º da Lei 5.478/68). De decisões em processo cautelar que fixam alimentos provisionais. Os alimentos gravídicos disciplinados pela Lei 11.804/2008. Há também os alimentos transitórios, assim chamados aqueles fixados quando o alimentando é pessoa com idade, condições e formação profissional compatíveis com uma provável inserção no mercado de trabalho, necessitando dos alimentos apenas até que atinja sua autonomia financeira, momento em que se emancipará da tutela do alimentante – outrora provedor do lar –, que será então liberado da obrigação, a qual se extinguirá automaticamente (REsp 1.362.113-MG). CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 190 Atenção Independente do fato que originou a obrigação alimentar, o seu inadimplemento acarreta a execução nos procedimentos dispostos nos Artigos 732 e 733 do CPC. Título executivo A obrigação de prestar alimentos decorre, em regra, de decisões judiciais. Independente do rito escolhido pelo exequente, o título executivo será sempre judicial consubstanciado em uma sentença ou decisão interlocutória que fixou alimentos provisórios ou provisionais. A Lei 11.441/07, que acrescentou o Artigo 1.124-A ao CPC/73, autorizava o divórcio por escritura pública como também que nela seja definida obrigação alimentar a ser prestada por um dos cônjuges após o divórcio. Neste caso, a obrigação alimentar foi fixada em um título extrajudicial. O CPC/2015 regula a matéria no Artigo 733. Com efeito, a execução de prestação alimentícia poderá ter como base a obrigação contida em título judicial ou extrajudicial. O STJ não admite, portanto, a prisão civil em relação às execuções fundadas em títulos executivos extrajudiciais (REsp. 769.334-SC), mas admite quando o título executivo extrajudicial originado de transação referendados pela Defensoria Pública (REsp. 1.117.639-MG). Procedimento executivo fundado em coerção pessoal O Artigo 528 do CPC/2015 coloca à disposição do credor a possibilidade de promover a execução de obrigação alimentar inadimplida através de coerção pessoal do devedor. Neste rito, o devedor será citado para pagar em 03 dias, provar que já o fez ou justificar as razões pelas quais deixou de fazer. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 191 O Código de Processo Civil não estabelece critérios para utilização deste rito, o que motivou o Superior Tribunal de Justiça a editar a Súmula 309 que, por sua vez, estabelece que este rito seja utilizado para execução das prestações alimentícias recentes, ou seja, os últimos 03 meses e as respectivas parcelas vincendas. As prestações pretéritas serão executadas através do rito do Artigo 528, 8º do CPC/2015, cujo cumprimento se realizará por meio da expropriação. Caso o réu devidamente citado não cumpra a obrigação no prazo legal, o juiz determinará a prisão do devedor que poderá ser de 01 a 03 meses. A Lei 5.478/68, em seu Artigo 19, determina a prisão por 60 dias do devedor. Para autores como Fredie Didier e Alexandre Câmara, prevalecia o período fixado na Lei 5.478/68, por ser lei especial e que foi mantida pela Lei 6.014/73, posterior ao CPC/73, portanto revogada estaria a regra do parágrafo §1º do Artigo 733 do CPC/73. Cassio Scarpinella Bueno, entre outros, defendiam a prevalência do período fixado no Artigo 733, §1º do CPC/73, por considerar que a Lei 6.014/73 não alterou o caput do Artigo 19 da Lei 5.478/68 e que o CPC/73 constituiu lei posterior que revoga a mais antiga. O CPC/2015 manteve a prisão de 1(um) a 3(três) meses, conforme Artigo 528, §3º. Há ainda o entendimento de que a prisão terá aplicação nos casos de alimentos provisionais e a corrente majoritária, no sentido de que se aplica o princípio da menor onerosidade possível, optando por aplicar o período mais curto, nos termos do Artigo 19 da Lei 5.478/68. Cumpre observar, ainda, no que tange à prisão, que não há impedimentos legais para que o devedor, após a liberação por cumprimento de pena de prisão civil, sofra nova coerção pessoal decorrente de outra obrigação alimentar com fundamento no Artigo 528 do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 192 Importante ressaltar, por fim, que a natureza jurídica da prisão é meramente coercitiva. Casoo devedor não cumpra a obrigação no curso do cumprimento da pena, o procedimento executivo será convertido em obrigação de pagar, nos termos do Artigo 528, §8º do CPC/2015. Atenção O Artigo 528 do CPC/2015 dispõe que o devedor deve, no prazo de 03 dias, pagar ou justificar as razões pela qual não efetuou o pagamento da obrigação alimentar. A defesa do devedor, neste caso, poderá ser apresentada através de simples petição. Procedimento executivo fundado em expropriação A execução de obrigação de pagar a quantia certa de natureza alimentar pretéritas seguirá o rito do Artigo 523 do CPC/2015. Com a reforma levada a efeito pela Lei 11.232/05, o Artigo 475-J do CPC/73, inclusive com a incidência da multa de 10%, passou a ser perfeitamente aplicável neste procedimento executivo. Considerando o procedimento do cumprimento de sentença já abordado, não haverá necessidade de se reproduzir o conteúdo anteriormente abordado neste particular. Caso a obrigação esteja assentada em título executivo extrajudicial, o procedimento executivo deve seguir as regras do processo autônomo de execução, conforme Artigo 911 do CPC/2015. Esta interpretação é a que melhor se adéqua à sistemática da denominada “nova” execução levada a efeito pelas Leis 11.232/05 e 11.382/06. Na hipótese de execução de títulos executivos extrajudiciais, a defesa do executado será realizada através de embargos à execução, nos termos do Artigo 914 do CPC/2015, possibilitando maior abrangência das matérias passíveis de arguição. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 193 Embora o nosso ordenamento processual trate de bens absolutamente impenhoráveis e relativamente impenhoráveis, o tema tem análise mais cuidadosa quando se refere à obrigação alimentar. Além da possibilidade da penhora dos bens admitidos pelo nosso ordenamento processual, na execução de alimentos, é permita a penhora de bens impenhoráveis que merecem algumas considerações. A primeira consideração é em relação à possibilidade de penhora dos bens de família, conforme dispõe o Artigo 3º, III, da Lei 8.009/90. Mesmo que o devedor tenha um único imóvel, considerado bem de família, este poderá ser penhorado para satisfação de dívida por pensão alimentícia. A segunda consideração diz respeito à possibilidade de penhora de FGTS para satisfação da obrigação alimentar, conforme entendimento do STJ firmado no Informativo 494. Procedimento executivo por desconto em folha O Artigo 529 do CPC/2015 trata da possibilidade de se promover a execução do débito alimentar através de desconto em folha nas hipóteses definidas no mencionado dispositivo legal. O procedimento é simples e constitui, em verdade, penhora de salário permanente para satisfação de dívida alimentícia. O credor deverá formular requerimento apontando o valor da prestação bem como demonstrar que a condição do devedor se encontra na hipótese acima mencionada. O referido procedimento é utilizado para a satisfação de prestação alimentícia futura. No entanto, nada impede que o referido procedimento possa ser utilizado para pagamento de débitos pretéritos. Caberá, portanto, ao credor, a promoção da execução dos débitos pelos módulos executivos dispostos nos Artigos 528; 528,§8º e 539 do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 194 Alimentos por ato ilícito – constituição de capital A constituição de capital, disposta no Artigo 533 do CPC/2015, tem lugar nas hipóteses em que o juiz condenar o réu, pela prática de ato ilícito, a prestar alimentos ao autor. Neste caso, a finalidade maior é garantir o pagamento futuro da obrigação alimentar dispensando eventual liquidação de sentença para definição do valor da respectiva obrigação alimentar. O tema é mais afeto ao processo de conhecimento do que ao cumprimento de sentença propriamente dito. Para entender o instituto, veja a história a seguir. João faleceu ano passado, após sofrer um acidente aéreo. Diversas investigações foram realizadas até ficar comprovado que um erro do comandante do voo ocasionou o acidente. Os filhos de João entraram com uma ação indenizatória e o juiz condenou a empresa aérea a indenizar os herdeiros pelos danos materiais e imateriais, condenado também ao pagamento de alimentos por ato ilícito, determinando na sentença a constituição de capital, que poderá ser aplicações financeiras, bens imóveis, podendo, inclusive, ser substituída a constituição de capital por inclusão em folha de pagamento, nos termos do Artigo 533, §§1º e 2º do CPC/2015. Cumprida a obrigação, o juiz determinará a liberação do respectivo capital, nos termos do parágrafo 5º do mencionado dispositivo. Para entender melhor veja a abordagem do tema no NCPC. CAPÍTULO IV DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS Art. 542. No cumprimento de sentença que condena ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixa alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 195 em três dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. Caso o executado, nesse prazo, não efetue o pagamento, prove que o efetuou ou apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no Artigo 531. § 1º Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. § 2º Se o executado não pagar, ou não for aceita a justificação apresentada, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do caput, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de um a três meses. § 3º A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns. § 4º O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. § 5º Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. § 6º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. § 7º O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso em que não será admissível a prisão do executado e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. § 8º Além das opções previstas no Artigo 530, parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio. Art. 543. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 196 exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia. § 1º Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. § 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no cadastro de pessoas físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, o tempo de sua duração e a conta naqual deva ser feito o depósito. § 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito executado pode ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos. Art. 544. Não cumprida a obrigação, observar-se-á o disposto nos artigos 847 e seguintes. Art. 545. O disposto neste Capítulo aplica-se aos alimentos legítimos definitivos ou provisórios. § 1º A execução dos alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgado, se processa em autos apartados. § 2º O cumprimento definitivo da obrigação de prestar alimentos será processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença. Art. 546. Verificada a postura procrastinatória do executado, o magistrado deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do delito de abandono material. Art. 547. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 197 § 1º Esse capital, representado por imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do executado, além de constituir-se em patrimônio de afetação. § 2º O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. § 3º Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação. § 4º A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário mínimo. § 5º Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas. Execução de Títulos Extrajudiciais CAPÍTULO VI DA EXECUÇÃO DE ALIMENTOS Art. 927. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em dez dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 1º a 6º do Artigo 542. Art. 928. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento de pessoal a importância da prestação alimentícia. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 198 § 1º Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. § 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no cadastro de pessoas físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, a conta na qual deva ser feito o depósito e, se for o caso, o tempo de sua duração. Art. 929. Não requerida a execução nos termos deste Capítulo, observar-se-á o disposto no Artigo 840 e seguintes, com a ressalva de que, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. Execução nos juizados especiais cíveis A execução no microssistema dos Juizados Especiais Cíveis tem como fonte subsidiária o Código de Processo Civil, conforme Artigo 52 da Lei 9.099/95. As reformas processuais realizadas pelas Leis 11.232/05 e 11.382/06 são, portanto, plenamente aplicáveis em sede de Juizados Especiais. Cumprimento de sentença nos juizados especiais cíveis estaduais A execução de sentença nos Juizados Especiais será instaurada mediante simples requerimento, verbal ou por escrito, do credor nos termos do Artigo 52, IV, da Lei 9.099/95. A execução de títulos judiciais no Juizado Especial já era promovida como fase processual, antes mesmo da reforma processual que estabeleceu o cumprimento de sentença no procedimento comum. Assim, após o requerimento feito pelo credor, e dispensada a citação, o devedor será intimado para pagar em 15 dias, na forma do Artigo 523 do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 199 O procedimento não difere do procedimento comum para cumprimento de sentença de reconhecimento para pagamento. O devedor, uma vez intimado, poderá permanecer inerte, efetuar o pagamento e poderá, ainda, apresentar defesa através de impugnação nos termos do Artigo 525 do CPC/2015. Importante ressaltar que o recurso cabível contra decisão que julga a impugnação, independente do conteúdo, será o recurso inominado nos termos do Artigo 41 da Lei 9.099/95. A observação se faz necessária, pois no procedimento comum do cumprimento de sentença, o recurso contra decisão que julga a impugnação dependerá de seu conteúdo, vez que em alguns casos o acolhimento da impugnação resultará na extinção da execução, como no caso de inexigibilidade do título ou ilegitimidade das partes, sendo cabível será a apelação. Nos casos em que o acolhimento da impugnação não resultar em extinção da execução, como nos casos de penhora incorreta ou excesso de execução, o recurso cabível será agravo de instrumento, nos termos do Artigo 475-M, § 3º do CPC. No microssistema dos juizados especiais cíveis estaduais, que não admite recurso de agravo de instrumento, o recurso cabível será o recurso inominado. Enunciados do FONAJE sobre o tema Agora, veja o que dizem os enunciados do FONAJE a respeito do tema: Enunciado 38 A análise do Artigo 52, IV, da Lei 9.099/1995, determina que, desde logo, expeça-se o mandado de penhora, depósito, avaliação e intimação, inclusive da eventual audiência de conciliação designada, considerando-se o executado intimado com a simples entrega de cópia do referido mandado em seu endereço, devendo, nesse caso, ser certificado circunstanciadamente. Enunciado 75 (Substitui o Enunciado 45) CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 200 A hipótese do § 4º, do 53, da Lei 9.099/1995, também se aplica às execuções de título judicial, entregando-se ao exequente, no caso, certidão do seu crédito, como título para futura execução, sem prejuízo da manutenção do nome do executado no Cartório Distribuidor (nova redação – XXI Encontro – Vitória/ES). Enunciado 143 A decisão que põe fim aos embargos à execução de título judicial ou extrajudicial é sentença, contra a qual cabe apenas recurso inominado (XXVIII Encontro – Salvador/BA). Enunciado 156 Na execução de título judicial, o prazo para oposição de embargos flui da data do depósito espontâneo, valendo este como termo inicial, ficando dispensada a lavratura de termo de penhora (XXX Encontro – São Paulo/SP). Processo autônomo de execução nos juizados especiais As execuções de títulos extrajudiciais cujo valor não ultrapasse o teto de 40 salários mínimos poderão ser promovidas no juizado especial cível estadual, obedecendo ao disposto no Artigo 53 da Lei 9.099/90. As regras inerentes à execuçãode títulos extrajudiciais dispostas no Artigo 797 do CPC/2015 são aplicáveis nas execuções de títulos extrajudiciais que tramitam nos juizados. O devedor será citado, após a efetivação da penhora, para comparecer à audiência de conciliação, ocasião em que poderão ser oferecidos os embargos à execução (Artigo 53, §1º). A referida regra corresponde ao regime dos embargos à execução no período anterior à edição da Lei 11.382/06, que exigia a garantia do juízo como requisito de admissibilidade. Com a reforma, dispensou-se a exigência de garantia de juízo para oferecimento dos embargos (Artigo 914 do CPC/2015) e não há óbice em sua aplicação em sede de juizados especiais cíveis estaduais. O Artigo 53, § 3º, coloca à disposição do devedor diversas possibilidades de satisfação do crédito, como pagamento a prazo ou a prestação, como também CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 201 a dação em pagamento, autorizando, ainda, o devedor a adjudicar os bens penhorados. Não havendo bens passíveis de penhora ou não sendo localizado o devedor, a execução será extinta, nos termos do Artigo 53, §4º da Lei 9.099/95. Veja o que dizem os anúncios do FONAJE a respeito deste tema: Enunciado 52 Os embargos à execução poderão ser decididos pelo juiz leigo, observado o Artigo 40 da Lei n° 9.099/1995. Enunciado 76 (Substitui o Enunciado 55) No processo de execução, esgotados os meios de defesa e inexistindo bens para a garantia do débito, expede-se a pedido do exequente certidão de dívida para fins de inscrição no serviço de Proteção ao Crédito – SPC e SERASA, sob pena de responsabilidade. Penhora de bens A penhora no sistema processual dos juizados especiais cíveis estaduais guarda estreita semelhança com a regra geral disposta no Código de Processo Civil, excluindo-se os procedimentos que comprometam a celeridade processual e a informalidade. Para entender melhor, veja como este tema é tratado nos enunciados do FONAJE: Enunciado 14 Os bens que guarnecem a residência do devedor, desde que não essenciais à habitabilidade, são penhoráveis. Enunciado 43 Na execução do título judicial definitivo, ainda que não localizado o executado, admite-se a penhora de seus bens, dispensado o arresto. A intimação de penhora observará ao disposto no Artigo 19, § 2º, da Lei 9.099/1995. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 202 Enunciado 59 Admite-se o pagamento do débito por meio de desconto em folha de pagamento, após anuência expressa do devedor e em percentual que reconheça não afetar sua subsistência e a de sua família, atendendo sua comodidade e conveniência pessoal. Enunciado 100 A penhora de valores depositados em banco poderá ser feita independentemente de a agência situar-se no Juízo da execução (XIX Encontro – Aracaju/SE). Enunciado 140 (Substitui o Enunciado 93) O bloqueio on-line de numerário será considerado para todos os efeitos como penhora, dispensando-se a lavratura do termo e intimando-se o devedor da constrição (XXVIII Encontro – Salvador/BA). Enunciado 145 A penhora não é requisito para a designação de audiência de conciliação na execução fundada em título extrajudicial (XXIX Encontro – Bonito/MS). Fase expropriatória A etapa expropriatória nos juizados especiais cíveis está regulada no Artigo 52, VII, da Lei 9.099/95. Consoante o referido dispositivo legal, poderá ocorrer a alienação particular conduzida pelo devedor, pelo credor ou por terceiros. Não há incompatibilidade com as regras dispostas nos Artigos 879 do CPC/2015, sendo, portanto, perfeitamente aplicáveis nos juizados especiais estaduais. Dispensa-se, na alienação em hasta pública, a publicação em editais (Artigo 52, VIII), em perfeita coerência com os princípios da informalidade, simplicidade e economia processual que regem o microssistema. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 203 A execução será extinta com o efetivo pagamento voluntário ou pelo produto da expropriação, na forma dos Artigos 921 e 924 do CPC/2015. Caso o devedor não tenha bens, expedir-se-á a competente certidão de crédito, e a consequente extinção da execução sem resolução do mérito, considerando que a suspensão do processo é incompatível com o rito dos juizados especiais cíveis. Veja a abordagem do tema nos enunciados do FONAJE: Enunciado 81 A arrematação e a adjudicação podem ser impugnadas, no prazo de cinco dias do ato, por simples pedido (nova redação – XXI Encontro- Vitória/ES). Enunciado 106 Havendo dificuldade de pagamento direto ao credor, ou resistência deste, o devedor, a fim de evitar a multa de 10%, deverá efetuar depósito perante o juízo singular de origem, ainda que os autos estejam na instância recursal (XIX Encontro – Aracaju/SE). Execução nos juizados especiais cíveis federais e da fazenda pública As Leis 10.259/01 e 12.153/09 instituíram os Juizados Especiais Cíveis Federais e da Fazenda Pública, viabilizando um microssistema célere para processamento de ações de pequenas causas (até 60 salários-mínimos) em face da Fazenda Pública. A execução, portanto, em sede de juizado, tem como escopo tornar mais célere a tutela executiva em face do Poder Público. A execução das obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa será promovida na forma do Artigo 16 da Lei 10.259/01 e Artigo 12 da Lei 12.153/09, expedindo-se o respectivo ofício à autoridade citada para a causa. O não cumprimento voluntário acarretará a expedição de Mandado de busca e apreensão do bem. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 204 Nos casos de obrigação de fazer ou não fazer, fixada a respectiva, poderá o credor promover a execução indireta podendo ocorrer, inclusive, o sequestro de verba pública para satisfação da respectiva obrigação. Este entendimento encontra-se respaldado na jurisprudência recente do STJ, cujos fundamentos determinantes encontram-se nos julgados AgRg no Ag 1073258/DF e REsp 1.028.480/RS. A execução de quantia certa será feita mediante a expedição da requisição de pequeno valor encaminhado pelo juiz da execução à autoridade citada para a causa, na agência mais próxima do juízo da Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil. Trata-se de importante passo na efetivação da tutela executiva, vez que dispensa a expedição do precatório. No entanto, a regra do Artigo 17, §1º da Lei 10.259/01 e Artigo 13, II, da Lei 12.153/09, limita a expedição de Requisição de Pequeno Valor até o teto estabelecido para os Juizados Especiais Federais e da Fazenda Pública. Desta forma, mesmo no caso de o exequente ingressar com a demanda nos juizados dentro do valor de alçada, mas após a atualização do débito com incidência de juros e correção monetária o valor exceda o teto, este deverá renunciar ao crédito na parte que exceder ou receber seu crédito através de precatório. Tal vedação decorre do Artigo 100, §8º da CF/88 e Artigo 17, §1º da Lei 10.259/01. Atenção O não cumprimento da requisição no prazo fixado, o juiz determinará o sequestro da verba correspondente ao crédito do exequente, nos termos do Artigo 17, §2ª da Lei 10.259/01 e Artigo 13, §1º da Lei 12.153/09. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 205 Atividade proposta Os alimentos transitórios, assim chamados aqueles fixados quando o alimentando é pessoa com idade, condições e formação profissional compatíveis com uma provável inserção no mercado de trabalho, necessitando dos alimentos apenas até que atinja sua autonomia financeira, momento em que se emancipará da tutela doalimentante – outrora provedor do lar –, que será então liberado da obrigação, a qual se extinguirá automaticamente. Nestes casos, o credor poderá se valor da execução por coerção pessoal do Artigo 528 do CPC/2015? Chave de resposta: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou orientação recente no sentido de admitir a coerção pessoal na execução de alimentos transitórios (REsp 1.362.113-MG). Referências BUENO, Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. 2ª ed. São Paulo, 2009.p.383/386. CÂMARA, Alexandre de Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 22. ed. São Paulo: Atlas, 2013 .p.357/361. v. 3. ________________________, Juizados Especiais Cíveis Estaduais, Federais e da Fazenda Pública: uma abordagem crítica. 6. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. p.159/181. DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da.; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. Salvador: Juspodivm, 2009. p. 700/703. v. 5. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 206 Exercícios de fixação Questão 1 João e Maria realizaram divórcio por escritura pública, na qual João se obrigou a prestar alimentos pelo período de 06 anos, em percentual de 10% de seus ganhos líquidos. Após o devido registro da escritura, João não adimpliu a obrigação e Maria pretende ingressar em juízo para cobrar a dívida alimentar. Neste caso, Maria deverá: a) Propor a respectiva ação de alimentos vez que a escritura pública de divórcio não possui natureza de título executivo judiciais. b) Propor a execução de alimentos através de coerção pessoal do devedor conforme 911 do CPC/15. c) Ajuizar processo autônomo de execução na forma do artigo 771 do CPC/15, admitindo-se a penhora de bens, excetuando-se os considerados bens de família. d) Ajuizar processo autônomo de execução na forma do artigo 771 do CPC/15, admitindo-se a penhora de bens, inclusive o imóvel considerado bem de família. Questão 2 A defesa do devedor na execução de alimentos ajuizada de acordo com o artigo 913 do CPC/15 será feita por meio de: a) Impugnação. b) Embargos à execução, considerando se tratar de processo autônomo de execução. c) Simples petição, na qual o devedor justificará o inadimplemento ou provará que já o fez. d) Objeção de pré-executividade, considerando que a lei nada dispõe sobre este aspecto. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 207 Questão 3 A prisão civil do devedor de alimentos possui natureza meramente coercitiva. Nos casos em que a prisão não alcança sua finalidade e o devedor se livra solto sem cumprir a obrigação o juiz deverá: a) Determinar a renovação da prisão por igual período, tendo como fundamento as parcelas que venceram após a prisão. b) Converter o procedimento executivo fundado em coerção para execução de quantia certa. c) Julgar extinta a execução devendo o credor promover nova execução pelo procedimento executivo de quantia certa. d) Determinar a suspensão da execução. Questão 4 A respeito dos alimentos e da ação de alimentos, assinale a opção correta. a) A execução de alimentos pelo rito da coerção pessoal tem como pressuposto a atualidade do débito referente às três últimas parcelas anteriores ao ajuizamento do processo executivo e as que se vencerem no curso do processo. b) A sentença que fixa os alimentos não faz coisa julgada material, podendo os alimentos serem revistos a qualquer tempo. Assim, o devedor de alimentos pode provocar a revisão ou exoneração destes, mediante petição dirigida ao juiz, nos próprios autos em que foi fixada a obrigação, dando-se vista à parte contrária para manifestar-se. c) Considere-se que foi ajuizada execução de alimentos, fixados em percentual sobre o salário mensal do alimentante. O executado apresentou como justificativa para o inadimplemento a rescisão de seu contrato de trabalho, alegando que, atualmente, desenvolvia pequenos e eventuais serviços, razão pela qual não tinha condições financeiras para CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 208 cumprir a obrigação anteriormente assumida com a criação e a educação dos filhos menores. Nessa situação, o juiz deverá extinguir o processo de execução, pois a rescisão do contrato de trabalho do devedor de alimentos retira a liquidez do título executivo judicial, uma vez que a referida rescisão do contrato de trabalho enseja a inexistência de base de cálculo para apurar a quantia devida. d) Considere-se que tenha sido ajuizada ação de investigação de paternidade cumulada com pedido de alimentos. Nessa situação, o juiz deverá fixar liminarmente os alimentos provisórios que serão devidos até o trânsito em julgado da sentença declaratória da paternidade, ainda que a decisão seja objeto de recurso. Questão 5 Quando a execução de alimentos estiver fundada em títulos executivo extrajudicial, a defesa do devedor será realizada por meio de: a) Contestação. b) Simples petição nos termos do artigo 911 do CPC/15. c) Embargos à arrematação. d) Embargos de segunda fase Questão 6 A arguição de eventuais vícios processuais ocorridos na fase expropriatória em sede de Juizados Especiais Cíveis Estaduais será impugnada por meio de: a) Impugnação, no prazo de 15 dias b) Embargos à execução, no prazo de 15 dias c) Embargos de segunda fase, no prazo de 10 dias d) Simples petição, no prazo de 05 dias CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 209 Questão 7 Em determinada execução em sede de juizados especiais cíveis estaduais o credor, diante da inexistência de bens do devedor, requereu a penhora de percentual de salário do devedor. Após a devida intimação, o devedor aceitou a referida modalidade de expropriação, que foi deferida de plano pelo juiz. Sobre o caso apresentado, assinale a alternativa correta: a) Não se admite penhora de salário considerando que se trata de bens impenhoráveis. b) Admite-se a penhora de salário em sede de juizados estaduais cíveis, independente de anuência do credor. c) É admissível penhora de percentual de salários desde que consinta expressamente o devedor e que não comprometa a subsistência do devedor e de sua família. d) A penhora de salário, pela sua complexidade, não é admitida em sede de juizados especiais cíveis estaduais. Questão 8 Sobre a penhora nos juizados especiais cíveis estaduais, é correto afirmar: a) É admissível a penhora de bens móveis que guarneçam a casa do devedor, desde que não sejam essenciais. b) Não é cabível a penhora virtual. c) Caso o devedor não possua bens, a extinção será suspensa pelo prazo de 01 ano. d) Não se admite penhora de crédito em sede de juizados especiais cíveis. Questão 9 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 210 Marco Polo promove execução de título judicial em face da Fazenda Pública nacional. Realizados os cálculos, o valor do débito alcançou o valor equivalente a 90 salários-mínimos. Neste caso, como deverá proceder ao exequente: a) Promover a execução do valor integral, considerando a competência funcional do juiz sentenciante. b) O pagamento será feito obrigatoriamente através de precatório. c) O exequente poderá optar entre renunciar o excedente ao teto estabelecido para os juizados federais ou receber o valor integral mediante precatório. d) O exequente poderá receber parte através de requisição de pequeno valor e o restante através de precatório. Questão 10 Nas execuções de obrigação de fazer, que tramitam nos Juizados Especiais da Fazenda Pública, o inadimplemento levado a efeitopelo Poder Público acarretará: a) A possibilidade de sequestro de verba pública para o adimplemento da obrigação. b) A intimação do Poder Público para cumprimento da obrigação em novo prazo fixado pelo juízo. c) A extinção da execução com a consequente expedição de Certidão de Crédito. d) A intimação da autoridade competente para o cumprimento da obrigação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 211 AgRg(Agravo Regimental): Recurso Especial Aula 7 Exercícios de fixação Questão 1 - D Justificativa: Artigo 1.124-A do CPC e REsp. 769.334-SC. Questão 2 - C Justificativa: Conforme Artigo 733 do CPC. Questão 3 - B Justificativa: Considerando a natureza coercitiva da multa, o não cumprimento da obrigação mediante prisão acarreta a conversão em procedimento executivo de obrigação de pagar quantia certa. Questão 4 – A Justificativa: Conforme disposto no artigo 528, § 3º do CPC. Questão 5 – C Justificativa: Conforme artigo 911 do CPC/15. Questão 6 – D Justificativa: Enunciado nº 81 do FONAJE. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 212 Questão 7 - C Justificativa: Enunciado nº 59 do FONAJE. Questão 8 - A Justificativa: Enunciado nº 14 do FONAJE. Questão 9 - C Justificativa: Artigo 17, §3, da Lei 10.259/01. Questão 10 - A Justificativa: Artigo 13, § 1º da Lei 12.153/09. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 213 Introdução Determinado cidadão necessita de um medicamento para tratamento de sua doença grave e ajuíza ação em face do Estado e da União, objetivando obter os respectivos medicamentos mediante condenação da Fazenda Pública na referida obrigação de fazer. Diante desse caso, algumas questões interessantes surgem: O juiz poderá determinar o sequestro de verba para efetivar o cumprimento da obrigação? A multa fixada na sentença poderá ser alterada na fase executiva ou a alteração ofenderá a coisa julgada? Essas e outras questões decorrem do estudo da tutela específica no CPC/2015 que será analisada nesta aula. Bons estudos! Objetivo: 1. Estudar a finalidade da tutela específica, seu procedimento e as formas disposta no CPC para efetivação das obrigações de fazer, não fazer, e a fixação da multa e sua respectiva execução; 2. Analisar os procedimentos para execução das tutelas específicas na obrigação de entrega de coisa, bem como a defesa do executado nesses procedimentos, e a tutela específica em face da Fazenda Pública. Conteúdo Tutela específica: noções gerais Como já antecipamos na Aula 1, as reformas processuais com enfoque na tutela de execução tiveram grande destaque pelo legislador reformador nos anos 1990 e 2000. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 214 A reforma estabeleceu novo paradigma procedimental executivo, possibilitando ao credor a execução do julgado, no mesmo processo, tendo à sua disposição diversos meios executivos para obtenção da satisfação da obrigação ou do resultado prático equivalente. A tutela específica referente à entrega de coisa foi inserida em nosso ordenamento processual através da Lei nº 10.444/2002, que determinou a redação do Artigo 461-A do CPC/73, estendendo os meios coercitivos para as obrigações de entrega de coisa. O CPC/2015 tratou da matéria, ratificando o entendimento pretérito, nos Artigos 536 a 538. Tutela específica – obrigações de fazer e não fazer A tutela específica consubstanciada em obrigação de fazer poder ter como fundamento duas obrigações: Infungíveis e Fungíveis No caso de inadimplemento de obrigações infungíveis, o credor promoverá a execução para obter do Estado meios coercitivos para forçar o cumprimento da obrigação pelo devedor. Considerando a natureza personalíssima das obrigações infungíveis, ocorrendo a impossibilidade de cumprimento da obrigação o juiz converterá a tutela específica em perdas e danos, cabendo ao credor promover a execução pelo procedimento do Artigo 523 do CPC/2015 (quantia certa). Para ilustrar a hipótese mencionada, imagine o caso de um famoso pintor contratado por um colecionador para pintar uma obra de arte em determinado estilo (pelo qual o contratado é reconhecido mundialmente). Diante da impossibilidade do cumprimento da obrigação, caso o pintor sofra algum acidente ou problema de saúde, o juiz, nesta hipótese, deverá converter a obrigação de fazer em perdas e danos considerado a natureza infungível da obrigação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 215 Nas obrigações fungíveis, na impossibilidade de cumprimento pelo devedor, o juiz poderá determinar, mediante aceitação do credor, na forma do Artigo 817 do CPC/2015, que a obrigação seja satisfeita por terceiros. Nesta hipótese não haverá a conversão em perdas e danos, pois sempre ocorrerá a possibilidade de que a obrigação de fazer seja satisfeita. O Artigo 536 do CPC/2015, admite que o juiz de ofício ou a requerimento determine outros executivos que alcance o resultado prático equivalente. Para melhor compreender o dispositivo, pense na hipótese de um credor que recebeu um carro em dação em pagamento, mas o devedor se recusa a fornecer a respectiva documentação para a regularização do veículo perante o DETRAN. O Artigo 536 do CPC/2015, admite que o juiz de ofício ou a requerimento determine outros executivos que alcance o resultado prático equivalente. O credor ajuíza a respectiva demanda visando à condenação do devedor ao cumprimento da obrigação de fazer consubstanciada na regularização dos documentos. O juiz julgou procedente o pedido do credor, fixando multa diária de R$ 100,00 (cem reais). O devedor quedou-se inerte. Neste caso o juiz de ofício ou a requerimento do credor poderá deferir medidas outras visando obter o resultado prático equivalente ao da obrigação, determinando a expedição de ofício ao DETRAN e solicitando a regularização da propriedade do referido veículo. Trata-se, portanto, de regra que tem como escopo dar maior efetividade à tutela específica, garantindo, desta forma, a plena satisfação da obrigação. Tutela específica das obrigações de não fazer O caput do Artigo 536 do CPC/2015 trata também da tutela específica nas obrigações de não fazer. Neste caso haverá verdadeira tutela inibitória ou preventiva, pois ainda não ocorreu o dano ou ilícito, garantindo a plena eficácia do princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional, Artigo 5º, XXXV, da CF/88, evitando lesão ou ameaça ao direito. Nos casos de inadimplência da CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 216 obrigação de não fazer, o juiz determinará o desfazimento da obra ou restauração da condição anterior em conformidade com a pretensão do autor. Atenção O Artigo 300 do CPC/2015 trata das hipóteses de antecipação de tutela nas tutelas específicas nos casos de relevância do fundamento ou receio de dano irreparável. O regime dessa modalidade de tutela de urgência muito se assemelha ao regime da antecipação de tutela disposto no Artigo 273 do CPC. Multa como medida coercitiva na tutela específica Nas execuções da obrigação de pagar quantia certa, que se resolve pela expropriação, o credor visa à satisfação mediante o pagamento. Ao contrário, na tutela específica o credor visa ao cumprimento de uma obrigação específica oriunda de uma obrigação de fazer ou não fazer. O inadimplemento levado a efeito nessa modalidade de obrigação autoriza ao credor pleitear tutela executiva no sentido de obter a realizaçãodo cumprimento mediante medidas coercitivas ou de apoio realizadas pelo Estado. Com efeito, a multa ou astreinte são medidas de natureza coercitiva que tem como escopo forçar o credor a cumprir a obrigação de fazer ou não fazer. Diante dessa finalidade, o legislador autoriza o juiz reduzir ou majorar a multa anteriormente fixada quando esta for excessiva ou não alcançar seu efeito coercitivo, conforme dispõe o Artigo 537 do CPC/2015. Cumpre, observar, portanto, que a alteração da multa fixada pelo Juiz na sentença em sede de execução não ofende a coisa julgada. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 217 Execução indireta A multa não constitui objeto principal da execução da tutela específica. A finalidade maior desse procedimento é obter a satisfação plena da obrigação de fazer e não fazer. Mas existem vários casos em que o devedor não cumpre a obrigação no prazo fixado pelo juiz acarretando a cobrança da multa fixada. Nesse caso a doutrina denomina a execução do valor correspondente, em favor do credor, de execução indireta, pois a execução direta corresponde à obrigação de fazer ou não fazer. A execução indireta da multa poderá ocorrer nos casos de: • Antecipação de tutela; • Cumprimento de sentença; • Execução de título extrajudicial. E será processada nos mesmos autos da execução da tutela específica. Importante ressaltar, contudo, que a cobrança da multa prescinde de intimação pessoal prévia do devedor, conforme verbete da Súmula nº 410 do STJ. Tutela específica no Código de Defesa do Consumidor O Artigo 84 do Código de Defesa do Consumidor trata do regramento da tutela específica nas relações de consumo. Essa regra mencionada corresponde a literalidade do Artigo 461 do CPC/73, retratado no Artigo 536 do CPC/2015, o que dispensa maiores observações. Tutela específica na obrigação de entrega de coisa A tutela específica nas obrigações de entrega de coisa está disciplinada nos Artigos 536 e 806 do CPC/2015. Nesta hipótese o inadimplemento decorre da não entrega de bem móvel ou imóvel. Os atos executivos desse procedimento são simples, cabendo ao credor individualizar o bem na petição inicial, quanto for determinado o gênero e quantidade, ou será individualizado pelo réu, se for o caso, no prazo fixado pelo juiz. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 218 Defesa do executado na tutela específica A defesa do executado na tutela específica dependia do procedimento executivo adotado pelo credor. Havia certa dúvida em relação à defesa do devedor nas execuções das obrigações de fazer, não fazer e de entrega de coisa representadas em título executivo judicial. O Artigo 461 do CPC/73 era silente quanto à defesa do devedor, o que leva à interpretação de que não há possibilidade de defesa nesse procedimento executivo. Essa interpretação não era compatível com os princípios do contraditório e da ampla defesa garantidos no texto constitucional. Diante desta lacuna legislativa duas possibilidades se apresentavam como viáveis: A primeira correspondia ao manejo da Impugnação regulada pelo então Artigo 475-L do CPC/73. Embora a impugnação estivesse contemplada no procedimento do cumprimento de sentença que contenha obrigação de pagar, não se vislumbrava impossibilidade no seu manejo, considerando que se tratava de meio hábil para a defesa do devedor nas execuções de títulos judiciais em consonância com a nova metodologia do processo sincrético, inserida pela Lei nº 11.232/2005 no CPC/73. A segunda possibilidade refere-se à defesa do devedor através de simples petição. Caso não se admita a impugnação como forma de defesa do devedor, este poderá manejar sua defesa através de simples petição tendo como fundamento principal os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. O CPC/73 superou a divergência determinando que é cabível a utilização da Impugnação, como meio de defesa do devedor, nos termos do Artigo 536,§4º do CPC/2015. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 219 Tutela específica em face da Fazenda Pública A Fazenda Pública possui o privilégio de ser executada através de procedimento especial (Artigo 534 do CPC/2015) somente nas hipóteses de execução por quantia certa, vez que o pagamento será feito mediante precatório. As execuções fundadas em obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa, em face da Fazenda Pública, serão processadas pelos ritos comuns regidos pelos Artigos 536 e 538 do CPC/2015. As regras inerentes à tutela específica serão aplicadas de forma geral e irrestrita em face da Fazenda Pública, pois o administrador público, assim como os particulares, devem se ater ao cumprimento ordenamento jurídico, e seu inadimplemento acarretará execução na forma dos mencionados dispositivos legais. Assim, caso a União e/ou o Estado sejam condenados em obrigação de fazer consubstanciada no fornecimento de medicamentos, nos termos do Artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o juiz poderá fixar a respectiva multa (537 do CPC/2015) para garantir o efetivo cumprimento da obrigação. Interessante discussão que se evidencia neste debate é a possibilidade de ocorrer sequestro de verba pública nas hipóteses de execução de multa por descumprimento de obrigação de fazer. O Superior Tribunal de Justiça vem se posicionando no sentido de se admitir o sequestro de verba pública, independente de expedição de precatório, nos casos de execução de multa ou quando o Poder Público não fornece o medicamento necessário no prazo fixado pelo Juiz. Este entendimento encontra-se respaldado na jurisprudência recente do STJ, cujos fundamentos determinantes encontram-se nos julgados AgRg no Ag 1073258/DF e REsp 1.028.480/RS. Para entender melhor, href="docs/a08_t10.pdf" Clique aqui e veja a abordagem deste tema no NCPC. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 220 Atividade proposta Teresa foi condenada, em 17.10.2011, a cumprir obrigação de fazer em favor de Marcelo, no prazo de trinta dias, sob pena de multa diária de cem reais. Transitada em julgado a sentença, o juiz determinou a intimação da ré, pelo Diário Oficial, na pessoa de seu advogado, para cumprir a sentença. Cumprida essa determinação e decorrido o prazo sem que a obrigação fosse cumprida, o credor postulou a execução da multa. O juiz, porém, indeferiu liminarmente o requerimento de execução e determinou que se repetisse a intimação, agora pessoalmente, para que pudesse correr o prazo fixado na sentença. Decidiu corretamente o juiz? (Prova de Seleção da EMERJ – 1º Semestre 2013) Chave de resposta: Neste caso, o juiz agiu corretamente, pois a Súmula 410 do STJ determina que a intimação do devedor, na tutela específica, deve ser pessoal. Referências MARINONI, Luiz Guilherme. Execução. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 205/224. MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 269/271. Exercícios de fixação Questão 1 Nas execuções de obrigações de fazer e não fazer o credor poderá promover a execução indireta da multa desde que seja cumprida a seguinte condição: a) O devedor tenha sido cientificado da multa através de intimação de seu advogado b) A prévia intimação pessoal do devedor para que haja configuração do inadimplemento CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 221 c) A partir do deferimento da citação editalícia d) Da citação no processo de conhecimento Questão 2 Em determinada execução de tutela específica o juiz, verificando que a multa fixadano valor de R$ 100,00 por dia não gerou o efeito desejado ampliou, de ofício, o valor da multa para R$ 800,00 por dia. Neste caso: a) O juiz não agiu adequadamente, pois a majoração da multa somente poderá se efetivada mediante requerimento do credor. b) É vedada a alteração da multa fixada na sentença em razão da coisa julgada material. c) O juiz poderá majorar a multa, de ofício ou a requerimento, vez que nesta hipótese não há violação da coisa julgada, considerando a natureza coercitiva da multa. d) O juiz poderá alterar a multa fixada na sentença somente com a anuência do devedor. Questão 3 Carlos Alexandre ajuizou ação de obrigação de fazer em face do Estado do Rio de Janeiro visando obter a regularização no fornecimento de remédios para seu tratamento de HIV. A pretensão do autor foi julgada procedente para determinar que o Estado forneça o medicamento pelo período de 02 anos. Diante do descumprimento da sentença o Exequente deverá promover: a) Procedimento especial de execução contra a Fazenda Pública b) Execução fiscal c) Procedimento comum de execução de obrigação de pagar quantia certa d) Procedimento comum de obrigação de fazer CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 222 Questão 4 Diante da impossibilidade do devedor adimplir obrigação de fazer, de natureza infungível, deverá o juiz: a) Determinar que a obrigação seja realizada por outra pessoa para que se atinja o resultado prático equivalente. b) Determinar a conversão de ofício da obrigação em perdas e danos, excluindo a multa cominada. c) Determinar a conversão em perdas e danos, sem prejuízo da multa cominada anteriormente; d) Determinar a suspensão da execução até que as partes convencionem acerca do cumprimento da tutela específica. Questão 5 Julião ingressou com uma ação de obrigação de fazer em face de Zenão, cujo objeto é a regularização da propriedade do veículo junto ao Detran. O juiz acolheu a pretensão do autor condenando o réu à regularização da transferência da titularidade do veículo junto ao DETRAN, sob pena de multa de R$ 200,00 por dia. O devedor, devidamente intimado, permaneceu inerte. Neste caso o juiz deverá: a) Designar audiência de conciliação para obter acordo favorável às partes. b) Deverá determinar a suspensão do processo, considerando que a multa não alcançou sua função coercitiva. c) Converter em perdas e danos, considerando a impossibilidade de obtenção do resultado prático equivalente. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 223 d) Determinar a expedição de ofício ao DETRAN para que seja procedida a alteração da titularidade do veículo para obtenção do resultado prático equivalente. Questão 6 A respeito do processo de execução, assinale a alternativa correta. a) Na execução de obrigação por entrega de coisa, o juiz deve conceder prazo ao executado para cumprimento espontâneo. Se não houver o cumprimento, deve o juiz determinar a busca e apreensão do bem móvel ou a imissão na posse de bem imóvel. Por fim, se as vias anteriores não forem eficazes, pode o magistrado utilizar os poderes gerais de efetivação. b) Na execução de título extrajudicial contra mais de um réu, o prazo para oferecer embargos à execução é contado a partir da juntada do último mandado de citação e é de 15 dias, sem exceção. c) O sócio de sociedade empresária que, nos termos da lei, toma ciência da desconsideração da personalidade jurídica, tem como via processual adequada para se defender os embargos de terceiro. d) O Código de Processo Civil de 1973 considera título executivo extrajudicial a sentença arbitral, pois se trata de decisão tomada fora do Poder Judiciário. Questão 7 Nas execuções de obrigação de fazer que tramitam nos Juizados Especiais da Fazenda Pública, o inadimplemento levado a efeito pelo Poder Público acarretará: a) A possibilidade de sequestro de verba pública para o adimplemento da obrigação. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 224 b) A intimação do Poder Público para cumprimento da obrigação em novo prazo fixado pelo juízo. c) A extinção da execução com a consequente expedição de Certidão de Crédito. d) A intimação da autoridade competente para o cumprimento da obrigação. Questão 8 A defesa do devedor no procedimento executivo de tutela específica de entrega de coisa reconhecida em título executivo judicial deverá ser apresentada através de: a) Simples petição b) Impugnação c) Embargos à execução d) Objeção de pré-executividade Questão 9 Caso o devedor intimado regularmente não efetuar o depósito do bem objeto da execução, o juiz deverá: a) Determinar a expedição do mandado de busca e apreensão ou imissão na posse. b) Determinar o acautelamento do bem em juízo. c) Converter imediatamente em perdas e danos. d) Fixar multa por ato atentatório à dignidade da justiça. Questão 10 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 225 O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um processo misto que não é mais nem puramente cognitivo nem puramente executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 226 AgRg: Agravo Regimental REsp: Recurso Especial Aula 8 Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: Súmula nº 410 do STJ. Questão 2 - C Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 6º, do Código de Processo Civil. Questão 3 - D Justificativa: O procedimento executivo disposto no Artigo 730 do Código de Processo Civil é cabível somente nas hipóteses de execução de quantia certa. Questão 4 - C Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 1º, do Código de Processo Civil. Questão 5 - D Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 5º, do Código de Processo Civil. Questão 6 - A Justificativa: Artigo 625 do Código de Processo Civil. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 227 Fonte: Concurso para Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná – Edital nº 01/2012 Questão 7 - A Justificativa: Artigo 13, § 1º, da Lei nº 12. 153/2009. Questão 8 - B Justificativa: Interpretação sistemática do Artigo 475-J do Código de Processo Civil. Embora não haja previsão quanto à defesa do executado nesse procedimento, admite-se a impugnação como meio de defesa do devedor. Questão 9 - A Justificativa: Conforme o Artigo 461-A, § 2º, do Código de Processo Civil. Questão 10 - C Justificativa: Conforme o Artigo 475-I do Código de Processo Civil.CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 228 Alexandre de Castro Catharina possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e graduação em Direito pelo Centro Universitário Augusto Motta (2000). Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Estácio de Sá e Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense (2007). Doutorando em Sociologia pelo IUPERJ, com ênfase em sociologia do funcionamento dos tribunais. Atualmente atua como Advogado e professor de Direito Processual Civil. Tem experiência na área de Direito Processual e em Sociologia do Direito, com ênfase em acesso à justiça, atuando principalmente nos seguintes temas: cidadania, acesso à justiça, direitos coletivos e difusos, execução civil, tutelas de urgências e direito processual coletivo. Membro efetivo do Instituto Brasileiro de Direito Processual (2011). Coordenador do Curso de Direito do Campus Duque de Caxias, UNESA/ RJ (2014).