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apostila cumprimento de sentenca e processo de execucao

Conteúdo sobre cumprimento de sentença e processo de execução: aulas sobre teoria geral da execução, títulos executivos e princípios (tipicidade, menor onerosidade, patrimonialidade), competência, legitimidade e intervenção de terceiros, responsabilidade patrimonial, liquidação de sentença, exercícios e gabaritos.

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CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 1 
Apresentação .............................................................................................................................. 7 
Aula 1: Teoria Geral da Execução ........................................................................................... 9 
Introdução ............................................................................................................................. 9 
Conteúdo .............................................................................................................................. 10 
Nova teoria geral da execução ..................................................................................... 10 
Nova teoria geral da execução ..................................................................................... 11 
Disponibilidade e cumulação de execuções .............................................................. 12 
Títulos executivos – conceito ....................................................................................... 13 
Títulos executivos – conceito ....................................................................................... 13 
Princípios informativos da tutela executiva ................................................................ 14 
Princípio da tipicidade .................................................................................................... 15 
Princípio da menor onerosidade possível ................................................................... 16 
Princípio da patrimonialidade ....................................................................................... 17 
Execução definitiva e provisória ................................................................................... 17 
Competência para execução de títulos judiciais ....................................................... 21 
Competência na execução da tutela coletiva ............................................................ 24 
Competência nas execuções de alimentos ................................................................ 25 
Competência para execução de títulos extrajudiciais .............................................. 25 
Atividade proposta .......................................................................................................... 28 
Referências........................................................................................................................... 28 
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 29 
Notas ........................................................................................................................................... 35 
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 35 
Aula 1 ..................................................................................................................................... 35 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 35 
Aula 2: Teoria Geral da Execução ................................................................................................ 37 
Introdução ........................................................................................................................... 37 
Conteúdo .............................................................................................................................. 38 
Legitimidade ativa para promover execução ............................................................. 38 
Legitimidade passiva ....................................................................................................... 39 
Intervenção de terceiros ................................................................................................ 40 
Responsabilidade patrimonial ....................................................................................... 41 
Alienação fraudulenta ..................................................................................................... 43 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 2 
Liquidação de sentença .................................................................................................. 51 
Natureza jurídica da liquidação .................................................................................... 52 
Hipóteses que não haverá liquidação de sentença .................................................. 53 
Modalidades de liquidação ............................................................................................ 54 
Liquidação de sentença genérica na tutela coletiva ................................................ 57 
Liquidação zero ................................................................................................................ 58 
Atividade proposta .......................................................................................................... 60 
Referências........................................................................................................................... 61 
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 61 
Notas ........................................................................................................................................... 67 
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 67 
Aula 2 ..................................................................................................................................... 67 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 67 
Aula 3: Teoria Geral da Execução ................................................................................................ 69 
Introdução ........................................................................................................................... 69 
Conteúdo .............................................................................................................................. 70 
Conceito de penhora ...................................................................................................... 70 
Ordem de preferência da penhora ............................................................................... 71 
Bens passíveis de penhora ............................................................................................. 72 
Relativização da impenhorabilidade de bem de família .......................................... 73 
Penhora online ................................................................................................................. 74 
Penhora online – conta-corrente conjunta ............................................................... 74 
Penhora de conta-salário ............................................................................................... 76 
Avaliação do bem penhorado ....................................................................................... 78 
Expropriação ..................................................................................................................... 79 
Adjudicação pelo credor e por terceiros ..................................................................... 80 
Alienação ........................................................................................................................... 82 
Arrematação ..................................................................................................................... 83 
Da entrega do dinheiro e defesado executado na fase expropriatória ................ 84 
Usufruto de bem móvel e imóvel ................................................................................. 84 
Suspensão da execução ................................................................................................. 84 
Extinção da execução ..................................................................................................... 86 
Sentença e coisa julgada ................................................................................................ 88 
Atividade proposta .......................................................................................................... 88 
Referências........................................................................................................................... 89 
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 89 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 3 
Notas ........................................................................................................................................... 95 
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 95 
Aula 3 ..................................................................................................................................... 95 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 95 
Aula 4: Cumprimento de Sentença ............................................................................................. 98 
Introdução ........................................................................................................................... 98 
Conteúdo .............................................................................................................................. 99 
Cumprimento de sentença ............................................................................................ 99 
Cumprimento de sentença na tutela específica e nas obrigações que condenam 
o devedor a declarar vontade ..................................................................................... 100 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: uma polêmica 
superada .......................................................................................................................... 101 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: segunda polêmica 
superada .......................................................................................................................... 102 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: terceira polêmica 
superada .......................................................................................................................... 103 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: quarta polêmica 
superada .......................................................................................................................... 104 
Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora ............................... 105 
Possíveis atitudes do executado no cumprimento de sentença .......................... 106 
Abordagens do tema no NCPC ................................................................................... 107 
Defesa do executado no cumprimento de sentença ............................................. 110 
Efeitos da impugnação ................................................................................................. 110 
Garantia do juízo no cumprimento de sentença .................................................... 111 
Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora ............................... 113 
OBJEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE .......................................................................... 114 
Abordagens do tema no NCPC ................................................................................... 115 
Atividade proposta ........................................................................................................ 117 
Referências......................................................................................................................... 118 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 118 
Notas ......................................................................................................................................... 124 
Chaves de resposta ................................................................................................................... 124 
Aula 4 ................................................................................................................................... 124 
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 124 
Aula 5: Processo Autônomo de Execução ................................................................................. 126 
Introdução ......................................................................................................................... 126 
Conteúdo ............................................................................................................................ 127 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 4 
Execução de títulos extrajudiciais............................................................................... 127 
Petição inicial .................................................................................................................. 127 
Citação do devedor ....................................................................................................... 129 
Parcelamento da dívida ................................................................................................ 131 
Arresto.............................................................................................................................. 132 
Penhora e avaliação de bens ....................................................................................... 133 
Defesa do executado..................................................................................................... 143 
Natureza jurídica ............................................................................................................ 144 
Espécies de embargos admissíveis no processo civil brasileiro ........................... 144 
Competência .................................................................................................................. 145 
Prazo ................................................................................................................................ 146 
Petição inicial .................................................................................................................. 147 
Efeitos dos embargos à execução .............................................................................. 148 
Conteúdo dos embargos à execução ........................................................................ 150 
Procedimento ................................................................................................................. 150 
Julgamento e recursos cabíveis ................................................................................. 150 
Atividade proposta ........................................................................................................ 155 
Referências......................................................................................................................... 156 
Exercícios de fixação .......................................................................................................157 
Chaves de resposta ................................................................................................................... 163 
Aula 5 ................................................................................................................................... 163 
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 163 
Aula 6: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 165 
Introdução ......................................................................................................................... 165 
Conteúdo ............................................................................................................................ 166 
Execução contra a fazenda pública ........................................................................... 166 
Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 ............. 167 
Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 ............. 167 
Honorários advocatícios .............................................................................................. 168 
Execução provisória em face da Fazenda Pública .................................................. 168 
Da expedição do precatório ........................................................................................ 169 
Expedição de precatórios nos créditos preferenciais ............................................. 171 
Dispensa de precatório ................................................................................................. 172 
Execução fiscal ............................................................................................................... 173 
Título executivo ............................................................................................................. 173 
Legitimidade ................................................................................................................... 174 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 5 
Competência .................................................................................................................. 175 
Petição inicial .................................................................................................................. 175 
Procedimento ................................................................................................................. 176 
Embargos à execução na execução fiscal ................................................................ 176 
Suspensão e extinção da execução fiscal ................................................................. 178 
Recursos cabíveis ........................................................................................................... 179 
Atividade proposta ........................................................................................................ 179 
Referências......................................................................................................................... 180 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 180 
Chaves de resposta ................................................................................................................... 186 
Aula 6 ................................................................................................................................... 186 
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 186 
Aula 7: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 188 
Introdução ......................................................................................................................... 188 
Conteúdo ............................................................................................................................ 189 
Execução de prestação alimentícia ............................................................................ 189 
Obrigação alimentar ..................................................................................................... 189 
Título executivo ............................................................................................................. 190 
Procedimento executivo fundado em coerção pessoal ........................................ 190 
Procedimento executivo fundado em expropriação .............................................. 192 
Procedimento executivo por desconto em folha .................................................... 193 
Alimentos por ato ilícito – constituição de capital ................................................. 194 
Execução nos juizados especiais cíveis ..................................................................... 198 
Cumprimento de sentença nos juizados especiais cíveis estaduais ................... 198 
Enunciados do FONAJE sobre o tema ...................................................................... 199 
Processo autônomo de execução nos juizados especiais .................................... 200 
Penhora de bens ............................................................................................................ 201 
Fase expropriatória ........................................................................................................ 202 
Execução nos juizados especiais cíveis federais e da fazenda pública ............... 203 
Atividade proposta ........................................................................................................ 205 
Referências......................................................................................................................... 205 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 206 
Notas ......................................................................................................................................... 211 
Chaves de resposta ................................................................................................................... 211 
Aula 7 ................................................................................................................................... 211 
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 211 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 6 
Aula 8: Procedimentos Executivos Especiais ............................................................................. 213 
Introdução ......................................................................................................................... 213 
Conteúdo ............................................................................................................................ 213 
Tutela específica: noções gerais ................................................................................. 213 
Tutela específica – obrigações de fazer e não fazer .............................................. 214 
Tutela específica das obrigações de não fazer ........................................................ 215 
Multa como medida coercitiva na tutela específica ............................................... 216 
Execução indireta .......................................................................................................... 217 
Tutela específica no Código de Defesa do Consumidor ....................................... 217 
Tutela específica na obrigação de entrega de coisa .............................................. 217 
Defesa do executado natutela específica ................................................................ 218 
Tutela específica em face da Fazenda Pública ........................................................ 219 
Atividade proposta ........................................................................................................ 220 
Referências......................................................................................................................... 220 
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 220 
Notas ......................................................................................................................................... 226 
Chaves de resposta ................................................................................................................... 226 
Aula 8 ................................................................................................................................... 226 
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 226 
Conteudista ............................................................................................................................... 228 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 7 
A efetividade do processo ou resultado prático da atividade jurisdicional é o 
tema central da execução civil. Com efeito, a disciplina tem como escopo 
principal aprofundar os estudos acerca da concretização das obrigações 
reconhecidas em uma sentença ou em um título executivo extrajudicial. 
A abordagem, portanto, contemplará a execução civil no CPC 2015 que, para 
além de manter a metodologia consagrada pelo legislador reformista que 
durante os anos de 1990 e 2000 que muito contribuiu para uma maior 
racionalização da atividade executiva, aperfeiçoou tais reformas, completando 
lacunas e definindo novas posições mais efetivas em prol da satisfação dos 
credores de um modo geral. 
Desta forma, o conteúdo da disciplina será apresentado com ênfase nos 
aspectos práticos da nova execução, abordando o entendimento atual do 
Superior Tribunal de Justiça na temática, visando instrumentalizar o operador 
do direito para melhor compreender os mecanismos de efetividade concreta dos 
títulos executivos, como também o necessário aprofundamento teórico para a 
adequada apreensão do modelo executivo estabelecido pelas reformas 
processuais na execução civil. 
 
Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos: 
1. Compreender a nova Teoria Geral da Execução e as principais inovações 
promovidas pelas reformas processuais e incorporadas pelo CPC 2015. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 8 
2. Aprofundar o conhecimento acerca dos procedimentos comuns para 
execução de decisões judiciais e de títulos executivos extrajudiciais bem como 
as modalidades de defesa do executado. 
3. Aprofundar o conhecimento acerca dos procedimentos especiais para 
execução de obrigação de pagar e entender os mecanismos de efetivação dos 
títulos executivos que contenham obrigação de fazer, não-fazer e entrega de 
coisa. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 9 
Introdução 
A teoria geral da execução fornece os princípios informativos e institutos 
fundamentais para a compreensão dos procedimentos executivos comuns e 
especiais. Dessa forma, a clara definição do conceito de título executivo, a 
distinção entre execução definitiva e provisória, o estudo da competência para 
execução dos títulos executivos e a análise dos princípios aplicáveis à tutela 
executiva constituem introdução imprescindível ao tema da execução civil. 
 
Objetivo: 
1. Estudar os princípios informativos da tutela executiva e aplicação dos 
princípios constitucionais na execução; 
2. Entender o conceito de título executivo e a distinção entre execução 
provisória e execução definitiva; 
3. Compreender os critérios de fixação da competência para execução de títulos 
executivos judiciais e extrajudiciais. 
 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 10 
Conteúdo 
Nova teoria geral da execução 
O estudo do direito processual civil tem como principal fonte de análise as 
tutelas jurisdicionais prestadas pelo Estado. Nesse sentido, as funções estatais 
desdobram-se em três atividades jurisdicionais, classificadas como processo de 
conhecimento, processo cautelar e tutela executiva. A execução civil, portanto, 
constitui uma das mais importantes atividades do Estado, pois promove 
resultados práticos na vida do jurisdicionado através da satisfação de uma 
obrigação contida num título executivo judicial ou extrajudicial. 
 
Dessa forma, os atos judiciais realizados na tutela executiva têm como 
finalidade primeira a prática de atos materiais visando à satisfação da obrigação 
ou resultado prático equivalente quando o devedor não o faz voluntariamente, 
conforme disposto no Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015. 
Considerando que a tutela executiva é imprescindível para a efetividade do 
processo, diversas reformas foram levadas a efeito para garantir não só a 
satisfação do crédito, mas, também, num prazo razoável, nos termos do Artigo 
5º, LXXVIII, da CF/88. 
 
A execução civil dos títulos judiciais e extrajudiciais já havia sido objeto de 
importantes alterações pontuais com as Leis 8952/94 e 10.444/02 que 
introduziram de um modo mais amplo, a proposta do sincretismo processual, 
inicialmente no cumprimento das decisões judiciais condenatórias de fazer, não 
fazer e entrega de coisa. 
 
Não obstante a importante ruptura que se apresentava ao sistema processual 
da época, foi somente com a Lei 11.232/05 que modificou a execução das 
decisões judiciais condenatórias de pagar quantia certa que a doutrina, 
majoritariamente ecoou a ideia do sincretismo, do processo bifásico. Na 
verdade, a referida legislação apenas corou um movimento reformador já 
iniciado anteriormente e também refletido de forma originária na Lei 9099/95. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 11 
Por fim, mas não menos importante, a Lei 11.382/06 terminou por arrumar o 
então CPC/73 em seu Livro II, tratando de reorganizar os dispositivos legais 
pertinentes a execução dos títulos executivos extrajudiciais. 
 
Assim, é possível afirmar que o CPC de 2015, apesar de acrescer importantes 
inovações, em especial no campo dos procedimentos, acabou por ratificar o 
espírito legislativo reformador do campo da tutela de execução. 
 
Nova teoria geral da execução 
O estudo do direito processual civil tem como principal fonte de análise as 
tutelas jurisdicionais prestadas pelo Estado. Nesse sentido, as funções estatais 
desdobram-se em três atividades jurisdicionais, classificadas como processo de 
conhecimento, processo cautelar e tutela executiva. A execução civil, portanto, 
constitui uma das mais importantes atividades do Estado, pois promove 
resultados práticos na vida do jurisdicionado através da satisfação de uma 
obrigação contida num título executivo judicial ou extrajudicial. 
 
Dessa forma, os atos judiciais realizados na tutela executiva têm como 
finalidade primeira a prática de atos materiais visando à satisfação da obrigação 
ou resultado prático equivalente quando o devedor não o faz voluntariamente, 
conforme disposto no Artigo 786 do Código de Processo Civil de 2015. 
Considerando que a tutela executiva é imprescindível para a efetividade do 
processo, diversas reformas foram levadas a efeito para garantir não só a 
satisfação do crédito, mas, também, num prazo razoável, nos termos do Artigo 
5º, LXXVIII, da CF/88.A execução civil dos títulos judiciais e extrajudiciais já havia sido objeto de 
importantes alterações pontuais com as Leis 8952/94 e 10.444/02 que 
introduziram de um modo mais amplo, a proposta do sincretismo processual, 
inicialmente no cumprimento das decisões judiciais condenatórias de fazer, não 
fazer e entrega de coisa. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 12 
Não obstante a importante ruptura que se apresentava ao sistema processual 
da época, foi somente com a Lei 11.232/05 que modificou a execução das 
decisões judiciais condenatórias de pagar quantia certa que a doutrina, 
majoritariamente ecoou a ideia do sincretismo, do processo bifásico. Na 
verdade, a referida legislação apenas corou um movimento reformador já 
iniciado anteriormente e também refletido de forma originária na Lei 9099/95. 
 
Por fim, mas não menos importante, a Lei 11.382/06 terminou por arrumar o 
então CPC/73 em seu Livro II, tratando de reorganizar os dispositivos legais 
pertinentes a execução dos títulos executivos extrajudiciais. 
 
Assim, é possível afirmar que o CPC de 2015, apesar de acrescer importantes 
inovações, em especial no campo dos procedimentos, acabou por ratificar o 
espírito legislativo reformador do campo da tutela de execução. 
 
Disponibilidade e cumulação de execuções 
Disponibilidade da execução 
O Artigo 775 do Código de Processo Civil de 2015 dispõe sobre o princípio da 
disponibilidade da execução, autorizando o credor a desistir de alguns meios 
executivos ou de toda execução, sem necessidade de anuência do devedor. 
Caso a execução seja embargada e a matéria nele ventilada versar sobre 
questões processuais, os embargos serão extintos sem anuência do devedor. 
Se a matéria nos embargos versar sobre matérias outras, a extinção dos 
embargos dependerá de concordância do devedor. 
 
Cumulação de execuções 
O credor poderá mover contra o mesmo devedor várias execuções, ainda que 
tenham como base títulos executivos diversos. O Artigo 780 do Código de 
Processo Civil de 2015 exige, para tanto, que o juiz seja competente para 
promover as execuções e que o procedimento seja o mesmo. Assim, poderá o 
credor cumular execuções de pagar quantia certa, que terá como base a sub-
rogação, ou seja, prática dos atos executivos levados a efeito pelo Estado para 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 13 
garantir a satisfação do crédito, vez que o procedimento será o mesmo para 
todas as execuções. 
 
Títulos executivos – conceito 
A tutela executiva tem como pressuposto a existência de um título executivo. O 
título executivo constitui, portanto, pressuposto processual de validade da 
atividade executiva, e a compreensão da sua natureza jurídica é de suma 
importância para a compreensão da extensão da temática no processo civil 
brasileiro. 
 
Fredie Didier apresenta um conceito de título executivo que representa, na 
verdade, uma síntese da posição de diversos autores, que nos permite 
entender, de forma clara, a natureza do título executivo. 
 
Segundo o autor, “título executivo é o documento que certifica um ato 
normativo, que atribui a alguém um dever de prestar líquido, certo e exigível, a 
que a lei atribui o efeito de autorizar a instauração da atividade executiva”. 
(Curso de Direito Processual Civil, vol. 5, pág.148). 
 
Assim, o título executivo enquanto documento que certifica um ato normativo 
pode ser judicial, que é produzido em juízo e acobertado pela coisa julgada, ou 
extrajudicial, oriundo de negócios realizados entre as partes. O nosso 
ordenamento processual é rico na enumeração dos títulos executivos. Os títulos 
executivos judiciais estão elencados no Artigo 515 do Código de Processo Civil 
de 2015, e os títulos executivos extrajudiciais estão arrolados no Artigo 784 do 
Código de Processo Civil de 2015 do mesmo diploma. 
 
Títulos executivos – conceito 
O título executivo deve ser certo, líquido e exigível. A certeza corresponde à 
definição clara quanto à obrigação a ser satisfeita pelo executado, podendo ser 
esta de pagar, fazer, não fazer e entrega de coisa. A liquidez corresponde à 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 14 
quantia ou quantidade definida na obrigação. Se o título contém uma obrigação 
de pagar (certeza), deve também conter o valor correspondente da obrigação, 
como, por exemplo, R$200.000,00. A exigibilidade corresponde à possibilidade 
jurídica de se cobrar em juízo a dívida representada no título executivo. O 
Artigo 525 § 12º do Código de Processo Civil de 2015, diz que é inexigível o 
título executivo fundamentado em lei declarada inconstitucional pelo STF. 
Para finalizar, registra-se que somente poderá ser considerado título executivo 
o que for definido em lei como tal, conforme orienta o princípio da taxatividade. 
 
Princípios informativos da tutela executiva 
A tutela executiva é constituída basicamente de atos materiais 
visando à satisfação da obrigação contida no título executivo. 
 
O inadimplemento, por sua vez, constitui requisito essencial para que se inicie o 
desenvolvimento da tutela jurisdicional executiva (Artigo 786 do Código de 
Processo Civil de 2015). 
 
É evidente que, em alguns casos, o juiz exercerá atividades cognitivas, quando 
aprecia e julga impugnação fundada em uma das hipóteses do Artigo 525 do 
Código de Processo Civil de 2015, mas preponderam as atividades materiais do 
órgão julgador. Nesse sentido, o Artigo 598 do Código de Processo Civil dispõe 
com clareza que se aplicam à execução as disposições do processo de 
conhecimento. 
 
No entanto, inúmeras questões que surgem no decorrer das atividades 
executivas exigem do juiz soluções que não encontram amparo nas regras do 
processo de conhecimento, o que obriga o julgador equacionar soluções com 
base nos princípios que informam a tutela executiva e que serão estudados 
neste tópico. 
 
Importante destacar, desde logo, que os princípios processuais assegurados na 
Constituição Federal de 1988 são plenamente aplicáveis em sede de tutela 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 15 
executiva. Dessa forma, os princípios do devido processo legal, do contraditório 
e ampla defesa, da duração razoável do processo, entre outros, informam, 
também, a atividade do juiz e das partes na condução da tutela executiva. 
O nosso foco, neste momento do curso, é voltar a atenção para os princípios 
específicos da tutela executiva. São eles: 
 
• Princípio da tipicidade; 
• Princípio da menor onerosidade possível; 
• Princípio da patrimonialidade. 
 
Princípio da tipicidade 
O princípio da tipicidade é um dos mais importantes da tutela executiva. 
Segundo este princípio, todo procedimento executivo deve estar 
previamente definido em lei. A finalidade maior é evitar surpresas por parte 
do devedor quanto aos atos executivos ou arbitrariedades do juiz na definição 
dos atos processuais a serem realizados. Dessa forma, a obrigação de pagar 
fixada em título executivo judicial segue o rito estabelecido no Artigo 523 do 
Código de Processo Civil de 2015, a obrigação de fazer segue o rito do Artigo 
536 do Código de Processo Civil de 2015 do mesmo Diploma, e assim 
sucessivamente. 
 
No entanto, a busca pela efetividade da jurisdição vem autorizando certa 
relativização desse princípio, autorizando o juiz, em certa medida, a determinar 
prática de atos executivos, que não estejam previamente estabelecidos em 
determinado procedimento executivo, visando alcançar maior adequação da 
tutela executiva. Vejamos um exemplo. 
 
Podemos citar como exemplo o rol exemplificativo disposto no Artigo 536 do 
Código de Processo Civil de 2015,que autoriza o juiz a determinar a realização 
de atos executivos visando ao resultado prático equivalente à satisfação da 
obrigação. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 16 
Princípio da menor onerosidade possível 
O princípio da menor onerosidade possível é um dos mais utilizados como 
norteador das atividades executivas. A finalidade primeira é alcançar a 
proporcionalidade entre a efetividade da jurisdição em favor do 
exequente e a garantia de realização, de modo menos gravoso para o 
devedor, em homenagem ao princípio da dignidade da pessoa 
humana, nos casos de pessoa física, ou, até mesmo, da estabilidade 
econômica, nos casos de pessoas jurídicas de direito privado. 
 
De acordo com esse princípio, os atos executivos devem ser praticados de 
forma a causar menor prejuízo ao devedor. Nesse sentido, entre a penhora de 
um imóvel, não considerando bem de família, ou de um carro, se o valor da 
execução for baixo, a penhora do carro é a que melhor se adequa ao referido 
princípio. 
O Superior Tribunal de Justiça firmou importante entendimento sobre a matéria 
em um de seus precedentes, onde expõe diretrizes claras para aplicação do 
supracitado princípio. Vejamos: 
 
“A tese de violação do princípio da menor onerosidade não pode ser defendida 
de modo genérico ou simplesmente retórico, cabendo à parte executada a 
comprovação, inequívoca, dos prejuízos a serem efetivamente suportados, bem 
como da possibilidade, sem comprometimento dos objetivos da execução, de 
satisfação da pretensão creditória por outros meios.” (STJ, AgRg no REsp 
1.103.760/CE, 2º T. J. 23.04.2009, rel. Min. Herman Benjamin). 
 
Dessa forma, conforme se depreende da leitura dos fundamentos 
determinantes, a aplicação do princípio estudado não decorre de critérios 
meramente subjetivos, mas de análise objetiva de cada caso concreto. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 17 
Princípio da patrimonialidade 
O princípio da patrimonialidade está disposto no Artigo 789 do Código de 
Processo Civil de 2015, através do qual se extrai o entendimento de que todos 
os bens, presentes e futuros, respondem pela dívida do devedor. 
 
A tutela executiva tem como escopo a satisfação de um determinado crédito 
fixado num título executivo. Nos casos em que a obrigação tenha como objeto 
a obrigatoriedade de pagar não adimplida, o Estado promoverá a expropriação 
dos bens do devedor com a finalidade de se obter o valor correspondente para 
integralização da dívida. Nos casos em que a execução tenha como objeto uma 
obrigação de fazer ou não fazer, não há que se falar, num primeiro momento, 
em expropriação, e, sim, sub-rogação através de medidas coercitivas. 
 
Com efeito, o princípio da patrimonialidade tem ampla aplicação nas execuções 
cujos títulos executivos tenham como base obrigação de pagar, o que deve ser 
realizado através de expropriação. No entanto, há certa flexibilização desse 
princípio, pois é possível expropriação mesmo nos casos de tutela específica, ou 
obrigações de fazer ou entrega de coisa, quando a multa fixada é executada 
através de execução indireta, ou nos casos em que estas são convertidas em 
perdas e danos. 
 
A doutrina, dependendo da metodologia de cada autor, não é unívoca quanto 
aos princípios informativos da tutela executiva; entretanto, adotamos aqui a 
apresentação dos princípios fundamentais da atividade executiva considerados 
essenciais, até mesmo por entender que os demais princípios abordados pelos 
estudos acerca da execução são apenas desdobramentos ou subprincípios do 
princípio do devido processo legal. 
 
Execução definitiva e provisória 
A distinção entre execução provisória e definitiva é fundamental para a 
compreensão dos atos executivos que podem ser praticados em cada um 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 18 
destes procedimentos. A interpretação do art. 588 do Código de Processo 
Civil de 1973 definia execução provisória como execução incompleta, 
onde só se admitia a prática de alguns atos processuais. A execução 
definitiva era caracterizada pela possibilidade de prática integral de 
todos os atos executivos. 
 
Porém...esta definição não mais se sustenta na sistemática atual, como 
bem ponderou Fredie Didier, pois tanto na execução provisória como na 
definitiva haverão a prática de todos os atos executivos, conforme dispõe o 
Artigo 520 do Código de Processo Civil de 2015. A diferença mais adequada 
diz respeito à estabilidade ou não do título executivo que aparelha a 
pretensão executiva. 
 
O Artigo 587 do Código de Processo Civil de 1973, com redação determinada 
pela Lei nº 11.382/06, diz que a execução definitiva é aquela fundada em título 
executivo extrajudicial e provisória enquanto pendente apelação da sentença de 
improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito 
suspensivo. No entanto, a redação é desprovida de boa técnica e causa mais 
dúvidas do que compreensão sobre a matéria. Importante destacar, 
portanto, que a regra não foi reproduzida no CPC/2015. 
 
Execução de títulos extrajudiciais 
Em se tratando de execução de títulos extrajudiciais, pode-se afirmar que esta 
será sempre definitiva, pois tem como base título executivo cuja obrigação foi 
previamente estabelecido em documento bilateral (ou unilateral, na hipótese de 
execução fiscal) e reconhecido em lei como documento hábil a aparelhar tutela 
executiva, nos termos do Artigo 585 do Código de Processo Civil. 
Esse entendimento foi devidamente consolidado pela doutrina e jurisprudência, 
e reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, que tratou do tema no verbete 
da Súmula 317, cujo teor é o seguinte: “É definitiva a execução de título 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 19 
extrajudicial, ainda que pendente apelação contra sentença que julgue 
improcedentes os embargos”. 
No entanto, na contramão do entendimento sumulado acima, a Lei nº 
11.382/06 deu nova redação ao Artigo 587 do CPC, determinando que a 
execução de títulos extrajudiciais será definitiva, excluindo a hipótese de 
pendência de julgamento de apelação da sentença de improcedência dos 
embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo. A reforma 
processual, embora tenha avançado em muitos aspectos, retrocedeu neste 
particular, contrariando o entendimento sumulado do STJ, criando um sistema 
onde é possível execução definitiva e provisória de títulos executivos 
extrajudiciais, possibilitando um benefício injustificado ao devedor em 
detrimento da efetividade da própria execução em relação ao credor. 
 
Na execução de título judicial, a execução definitiva é aquela amparada por 
sentença com trânsito em julgado, nos termos do procedimento estabelecido no 
Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015. A execução provisória de 
sentença tem seu procedimento disposto no Artigo 520 do CPC/2015. 
 
 
Atenção 
 Execução de títulos judiciais 
 
Imagine a hipótese de, em determinado caso, a parte ré 
sucumbente interpõe recurso especial para o STJ. O recurso seria 
recebido somente no efeito devolutivo, nos termos do Artigo 542, 
§2º, do CPC, o que permitirá ao credor promover a execução 
provisória, promovendo inclusive atos de expropriação como 
adjudicação ou alienação particular enquanto o recurso 
excepcional ainda não foi efetivamente julgado. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 20 
 
O procedimento para execução provisória está disposto no Artigo 
475-O do CPC, cabendo ao credor formular requerimento 
juntando as respectivas cópias mencionadas no parágrafo 3º do 
referido artigo. Caso a sentença seja reformada em sede recursal,o credor responderá por perdas e danos nos termos do Artigo 
475-O, II, do CPC. A reforma pretendeu dar maior efetividade à 
execução, mas também não descurou de garantir o devido 
processo legal em favor do devedor ao estipular a possibilidade 
de caução, arbitrada pelo juiz, nos casos de levantamento de 
depósito ou prática de atos que importem em alienação, 
conforme inciso III do supracitado artigo. 
 
Importante observar que o Superior Tribunal de Justiça firmou 
entendimento, apresentando no Informativo nº 535, no sentido 
de que não cabem honorários advocatícios na execução 
provisória. Segundo os fundamentos determinantes deste 
precedente, a execução provisória será promovida por iniciativa e 
conta do credor, razão pela qual não se admite transferir para o 
devedor o dever de pagar honorários advocatícios para formação 
da caução, nos termos do Artigo 475-O, I, do CPC. 
 
Por fim, interessante discutir a possibilidade ou não de execução 
provisória de decisão interlocutória. Como foi bem observado 
acima, o caput do art. 475-O do CPC dispõe que a “execução 
provisória de sentença far-se-á, no que couber, do mesmo modo 
que a definitiva”. A interpretação literal desse dispositivo nos leva 
à conclusão de que não cabe execução provisória fundada em 
decisão interlocutória, mas a experiência do cotidiano forense nos 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 21 
mostra o contrário. 
 
Pense na hipótese de, em determinado processo, o autor formula 
requerimento de antecipação de tutela para custeio do 
tratamento médico para cuidar de lesões decorrentes de ato ilícito 
levado a efeito pelo réu. O juiz, mediante a presença dos 
requisitos, defere a tutela de urgência e fixa o valor de R$400,00 
reais mensais para custeio do tratamento. Diante da decisão, o 
réu permanece inerte por mais de quatro meses causando 
prejuízos à saúde do autor. Nesse caso, o autor poderá promover 
a execução provisória do valor de R$1.600,00, fixados em decisão 
interlocutória, para alcançar a efetividade de seu tratamento 
médico. 
Com efeito, dúvida não há quanto à possibilidade de execução 
provisória de decisão interlocutória nos casos de antecipação de 
tutela não cumprida voluntariamente pelo réu. 
 
Competência para execução de títulos judiciais 
A competência para execução de títulos judiciais é definida em razão da função 
atendendo ao critério absoluto de fixação. Nesse sentido, o Artigo 516 do 
Código de Processo Civil de 2015 define a competência dos Tribunais nas 
causas de competência originária, do juiz que processou a causa no primeiro 
grau de jurisdição e do juiz cível competente quando se tratar de sentença 
penal condenatória, arbitral ou estrangeira. 
 
No que diz respeito à competência dos tribunais para execução, não há muitas 
questões polêmicas, considerando a pouca incidência de execuções que serão 
promovidas nesta sede. Ao analisar as causas de competência originária dos 
tribunais, verifica-se que o rol não é muito extenso, podendo os tribunais 
processar e julgar mandado de segurança, cuja incidência de execução de 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 22 
quantia certa é a exceção, as reclamações constitucionais, nos casos do STF e 
do STJ, e as ações rescisórias, estas sim, com maior incidência e que dão maior 
margem às execuções de obrigação de pagar no âmbito dos tribunais. 
 
 
Exemplo 1 
Imagine que, em determinado processo, o juiz extingue o processo sem 
resolução do mérito por considerar que o réu não é parte legítima para a causa. 
A parte autora recorre, e o Tribunal não só anula a decisão, como entra no 
mérito e julga a causa condenando o réu a pagar determinada quantia. Nesse 
caso, a competência para execução não será do Tribunal, e, sim, do juiz de 
primeiro grau, pois a causa foi apreciada na competência recursal, e não 
originária, conforme determina o Artigo 475-P, I, do CPC. 
 
A competência para execução de sentença, conforme Artigo 475-P, II, do CPC, 
será do juiz que processou a causa em primeiro grau em razão de sua 
competência funcional. A Lei nº 11.232/05 trouxe uma importante inovação no 
que tange à competência para execução de sentenças, permitindo ao credor 
escolher o foro para promover a execução ou modificar a competência da 
execução nos casos de mudança de endereço do devedor. 
 
Conforme redação do parágrafo único do art. 475-P, o exequente optar pelo 
juízo do local onde se encontrem bens expropriáveis do devedor ou de seu 
atual endereço, casos em que os autos serão encaminhados para o juízo 
escolhido. Trata-se de verdadeira transformação de competência funcional-
absoluta em territorial-relativa. Não resta dúvida de que a finalidade da nova 
regra é dar maior efetividade à execução, considerando que os bens podem 
estar localizados em outra Comarca, distante do juízo da execução. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 23 
Algumas dúvidas podem ocorrer na interpretação dessas normas, gerando 
polêmicas tanto no âmbito doutrinário quanto jurisprudencial. 
 
Exemplo 2 
Imagine que uma determinada execução tenha início na Comarca do Estado de 
São Paulo. O credor descobre que o devedor possui bens na Comarca do 
Paraná e formula requerimento ao juiz para encaminhar os autos para o 
referido órgão judicial. O juiz da Comarca do Estado do Paraná promove a 
constrição de bens do devedor existentes, mas esta não alcança o valor do 
crédito. Uma interessante questão surge: poderá o credor formular novo 
requerimento para encaminhamento dos autos para outra Comarca onde tenha 
bens do devedor e, assim, fazer até a satisfação integral do crédito? Ou a 
opção somente pode ser feita apenas uma vez? 
 
A interpretação literal do parágrafo único do Artigo 475-P do CPC não resolve 
este impasse. Com efeito, considerando que a finalidade da reforma processual 
teve como escopo dar maior efetividade à execução, a melhor interpretação da 
referida regra será no sentido de permitir que a execução se torne itinerante 
até a integral satisfação do crédito do exequente. Já no que diz respeito à 
mudança do foro em razão da alteração de domicílio do devedor, a melhor 
interpretação da norma será no sentido de que a mudança deve ser feita 
apenas uma vez para evitar maiores transtornos processuais. 
 
O Artigo 475-P, III, do CPC diz ser o juízo cível competente quando se tratar de 
sentença penal condenatória, sentença arbitral e sentença estrangeira. A 
competência para a execução de sentença penal condenatória será definida 
através da interpretação do Artigo 100, parágrafo único, do CPC, que define a 
competência concorrente do domicílio do autor ou do local do fato. A 
competência para execução de sentença estrangeira está definida no Artigo 
109, X, da CF/88. Segundo essa regra, o Superior Tribunal de Justiça será 
competente para homologar a sentença estrangeira, e a execução será 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 24 
promovida na Justiça Federal, seguindo as regras deste ramo da justiça 
comum, independentemente das partes ou da matéria deduzida na ação de 
homologação de sentença estrangeira. 
Em razão da forte disponibilidade que norteia a arbitragem, conforme bem 
observa Daniel Assumpção, a competência para execução da sentença arbitral 
atende ao critério definido pelas partes na cláusula compromissória ou no 
compromisso arbitral. Na ausência de definição acerca do foro competente, 
aplicam-se as regras gerais para fixação de competência para o processo de 
conhecimento. 
 
Os vícios de incompetência nos casos de cumprimento de sentença devem ser 
alegados através de simples petição, considerando quese trata de competência 
funcional; portanto, absoluta, nos termos do Artigo 113 do CPC. Já nos casos 
de modificação da competência, nos termos do Artigo 475-P, parágrafo único, 
do CPC, que criou uma nova modalidade de competência territorial-relativa, os 
vícios de incompetência devem ser alegados através de exceção de 
incompetência. 
 
Competência na execução da tutela coletiva 
A competência para promover a execução de sentença coletiva que verse sobre 
direito individuais homogêneos, nos termos do Artigo 95 do CDC, será do juízo 
que processou a demanda coletiva na fase de conhecimento, ou do juiz da 
liquidação de sentença, ou da condenação nos casos de execução individual, 
conforme Artigo 98 do CDC. A hipótese poderá ser ilustrada a partir do seguinte 
caso concreto: 
 
Imagine que determinada associação de consumidores promoveu ação em face 
da Caixa Econômica Federal visando devolução de tarifa abusiva cobrada dos 
correntistas. A ação foi distribuída no Estado de Alagoas, e o pedido foi julgado 
procedente para determinar a devolução em dobro do valor. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 25 
 
A execução dessa sentença poderá ser promovida no juízo sentenciante no 
Estado de Alagoas, pela Associação de Consumidores ou por cada consumidor 
individualmente, ou poderá ser promovido em qualquer Estado da Federação 
em que residir o correntista interessado na respectiva execução, nos termos do 
Artigo 98, §1º, do CDC. 
 
Competência nas execuções de alimentos 
Uma última observação se faz necessária: sobre a competência para execução 
de títulos judiciais, esta se refere à execução de alimentos. A execução de 
alimentos deve ser promovida no juízo sentenciante por se tratar de hipótese 
de competência funcional. Mas não são raras as hipóteses em que o credor 
muda de cidade ou de Estado, o que dificulta a execução da dívida alimentar 
em Comarca distante da residência do alimentando, principalmente se este for 
menor. Diante dessa dificuldade corrente na prática forense, o STJ firmou o 
entendimento no sentido de que a execução de alimentos poderá ser 
promovida no atual endereço do alimentando em atenção ao princípio de 
melhor interesse do menor, conforme fundamentos determinantes exarados 
nos precedentes do STJ (CC 2933 – DF – 1992/0007019-1). O CPC/2015 
admitiu essa hipótese de modificação de competência (art. 528,§9º). 
 
Competência para execução de títulos extrajudiciais 
Conforme dispõe o Artigo 781 do CPC/2015, a execução será processada no 
juízo competente segundo as regras do processo de conhecimento. A partir 
dessa interpretação, podemos concluir que a execução de título executivo 
extrajudicial será promovida, em regra, na justiça estadual ou federal perante o 
juízo de primeira instância. Neste sentido, podemos estabelecer três critérios 
para definição da competência para execução de títulos executivos 
extrajudiciais. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 26 
O primeiro diz respeito ao foro de eleição. Havendo cláusula de foro de eleição, 
esta prevalecerá na definição do foro competente. 
 
Na ausência de cláusula de foro de eleição, o critério utilizado será o foro do 
local onde a obrigação deve ser cumprida. 
Por fim, aplica-se a regra do domicílio do devedor. Nas hipóteses de execução 
fundada em títulos executivos que contenham obrigações decorrentes de 
direitos reais, a competência para execução será definida em razão da situação 
da coisa. 
 
Eventuais vícios de incompetência na execução de títulos extrajudiciais deverão 
ser arguidas através de embargos à execução nos termos do Artigo 917, V, do 
CPC/2015, no prazo de 15 dias, podendo ocorrer a prorrogação, nas hipóteses 
de incompetência relativa. Caso o devedor não se manifeste no prazo legal. 
Evidente que, nas execuções cuja competência seja da Justiça Federal, não há 
possibilidade de ocorrer ampliação, modificação ou prorrogação, vez que foi 
definida pelo texto constitucional. 
 
Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil (NCPC). 
Competência na execução de títulos judiciais 
Art. 530. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: 
I – os tribunais, nas causas de sua competência originária; 
II – o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; 
III – o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal 
condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão 
proferido pelo tribunal marítimo. 
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar 
pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se 
encontram os bens sujeitos à execução ou onde deve ser executada a 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 27 
obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do 
processo será solicitada ao juízo de origem. 
Art. 531. A decisão judicial transitada. 
 
Competência na execução de títulos extrajudiciais 
CAPÍTULO III 
DA COMPETÊNCIA 
Art. 797. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o 
juízo competente, observando-se o seguinte: 
I – a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de 
eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; 
II – tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de 
qualquer deles; 
III – sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução 
poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do 
exequente; 
IV – havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será 
proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; 
V – a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato 
ou ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o 
executado. 
Art. 798. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos 
executivos e o oficial de justiça os cumprirá. 
§1º O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo 
juiz também nas comarcas contíguas, de fácil comunicação, e nas que se 
situem na mesma região metropolitana. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 28 
§2º Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego da força 
policial, o juiz a requisitará. 
§3º A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do 
executado em cadastros de inadimplentes. 
§4º A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, 
garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo. 
§5º O disposto no §3º se aplica à execução definitiva de título judicial. 
 
Atividade proposta 
O termo de ajustamento de conduta realizado pela Defensoria Pública de 
determinado Estado possui natureza jurídica de título executivo judicial ou 
extrajudicial. Discuta a questão abordando os aspectos legais pertinentes. 
 
Chave de resposta: Espera-se que você considere que o termo de 
ajustamento de conduta seja considerado título executivo extrajudicial quando 
realizado pelos órgãos legitimados pelo Artigo 5º da Lei nº 7.347/85. A hipótese 
não é contrária ao princípio da taxatividade, pois o Artigo 585, VIII, do CPC 
dispõe que serão considerados, também, título executivo aqueles assim 
definidos em lei. 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da.; BRAGA, Paula Sarno; 
OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. 
p.145-148. 
PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito ProcessualCivil 
Contemporâneo. v. 2. São Paulo: Saraiva, 2012. p.879-889. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 29 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 2. 
ed. São Paulo: MÉTODO, 2010. p. 793-794. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Assinale a alternativa correta acerca do cumprimento de sentença, 
considerando a reforma introduzida pela Lei nº 11.232/2005. (Questão extraída 
do XLV Concurso da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro). 
a) É considerado inexigível o título judicial fundado em lei declarada 
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 
b) Correndo o processo à revelia, a nulidade de citação não pode ser 
arguida em impugnação ao cumprimento de sentença, em razão da 
preclusão temporal. 
c) A decisão que extingue a execução é atacável por meio de recurso de 
agravo, em sua forma de instrumento. 
d) A impugnação ao cumprimento de sentença terá, em regra, efeito 
suspensivo, ressalvada a possibilidade de execução provisória. 
 
Questão 2 
A reforma do processo de execução trazida pela Lei nº 11.232/05 rompeu com 
o formalismo processual e estabeleceu o denominado processo sincrético, onde 
a execução de sentença passou a ser mera fase processual. Dentre as 
alternativas abaixo, assinale a que corresponde à sentença que deverá ser 
executada através de processo autônomo de execução. 
a) Sentença estrangeira devidamente homologada. 
b) Sentença que condena em obrigação de entrega de coisa. 
c) Sentença penal condenatória, impugnada mediante recurso de apelação. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 30 
d) Acordo extrajudicial homologado judicialmente. 
 
 
Questão 3 
O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado 
à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a 
execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um 
processo misto que não é mais nem puramente cognitivo, nem puramente 
executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena 
fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda 
tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que 
contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. (XII Exame de 
Ordem Unificado – FGV) 
a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos 
créditos inscritos na forma da lei. 
b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela 
Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. 
c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de 
obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. 
d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de 
imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas 
de condomínio. 
 
Questão 4 
Considerando os requisitos necessários para realizar qualquer execução, 
assinale a alternativa INCORRETA. (Juiz do Trabalho – RJ/ 2004). 
a) A existência de título executivo judicial ou extrajudicial. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 31 
b) O inadimplemento do devedor. 
c) Um início razoável de prova material do inadimplemento do devedor. 
d) Sendo execução para cobrança de crédito, que o título seja líquido, certo 
e exigível. 
e) O adimplemento da obrigação do credor, quando esta for condição para 
a prestação do devedor. 
 
Questão 5 
A execução provisória da sentença far-se-á do mesmo modo que a definitiva, 
observadas as seguintes normas: 
a) Corre por conta e responsabilidade do exequente, que se obriga se a 
sentença for reformada a reparar os prejuízos que o executado venha a 
sofrer através de ação própria. 
b) Não será admitido, em qualquer hipótese, o levantamento de depósito 
em dinheiro, sendo possível a prática de atos que importem alienação de 
domínio, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, mediante 
caução idônea, requerida e prestada nos próprios autos da execução. 
c) Não será admitido, em qualquer hipótese, o levantamento de depósito 
em dinheiro ou a prática de atos que importem alienação de domínio, ou 
dos quais possa resultar grave dano ao executado. 
d) Fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a sentença 
objeto da execução, restituindo-se as partes o estado anterior e 
liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos. 
e) Fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença 
objeto da execução, no todo ou em parte, restituindo-se as partes ao 
estado anterior. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 32 
Questão 6 
Sobre os critérios de fixação de competência para a atividade executiva, 
assinale a alternativa correta. 
a) Em caso de execução fundada em título extrajudicial, a competência é 
do foro do domicílio do autor. 
b) Em caso de execução fundada em sentença penal condenatória, a 
competência é do órgão que proferiu a decisão. 
c) Em caso de execução fundada em sentença estrangeira homologada pelo 
STJ, a competência será do juízo estadual. 
d) Em caso de execução fundada em sentença cível, pode ser no foro do 
local onde se encontram os bens do devedor. 
 
Questão 7 
O procedimento adotado para se executar na esfera cível uma sentença penal 
condenatória será: 
a) Cumprimento de sentença, na forma do Artigo 573 do CPC/15 
b) Cumprimento de sentença na forma do Artigo 536 do CPC/15. 
c) Processo autônomo de execução. 
d) Nenhuma das assertivas acima. 
 
Questão 8 
Caio, menor devidamente representado por sua mãe, ajuizou ação de alimentos 
na Comarca do Estado do Rio de Janeiro em face de seu pai Pedro visando à 
obtenção de alimentos, considerando que seu pai nunca cumpriu com seu 
dever de sustente. O juiz condenou o devedor a pagar alimentos fixados em 20 
% dos ganhos líquidos do réu. Após o trânsito em julgado, o alimentando 
passou a residir no Estado de São Paulo, e Pedro, por questões de trabalho, 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 33 
mudou-se para o Estado do Paraná. Considerando o inadimplemento da 
obrigação, o alimentando pretende promover a respectiva execução. Diante do 
caso, a competência da execução será: 
a) Do juízo sentenciante, considerando a competência funcional regulada 
pelo Artigo 475-P, II, do CPC. 
b) Do foro da atual residência do alimentante, nos termos do Artigo 475-P, 
parágrafo único, do CPC. 
c) No foro do atual endereço do alimentando, considerando o princípio de 
melhor interesse do menor. 
d) Nenhuma das respostas acima. 
 
Questão 9 
Carlos promove ação indenizatória em face de José. O juiz de primeira instância 
julgou extinto o processo, sem resolução de mérito, por entender que José não 
é parte legítima para a causa. Carlos apelou da referida decisão, e o Tribunal, 
aplicando a teoria da causa madura, declarou a nulidade da sentença e, no 
mérito, julgou procedente o pedido do autor. Nesse caso, a competência para 
promover a execução será: 
a) Do juiz de primeiro grau, considerando que a lei não confere ao Tribunal 
para competência execução da respectiva decisão. 
b) Do respectivo tribunal, considerando a competência funcional. 
c) Serão os autos encaminhados à livre distribuição para execução na 
primeira instância. 
d) A competência será do Tribunal de Justiça, cabendo ao juiz de primeiro 
grau o cumprimento dos atos executivos através de Carta de Ordem. 
 
Questão 10 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 34 
A competência para liquidação e execução de sentença coletiva será definida: 
a)Em razão do caráter absoluto do juízo sentenciante. 
b) Em razão do domicílio do credor, com exclusão de qualquer outra. 
c) Em razão do domicílio do réu ou do juízo sentenciante, 
concorrentemente. 
d) Em razão do juízo sentenciante ou do domicílio do credor, quando 
promovida individualmente. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 35 
AgRg: Agravo Regimental 
REsp: Recurso Especial 
 
 
Aula 1 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - A 
Justificativa: Conforme dispõe o art. 535, § 5 do CPC/15. 
 
Questão 2 - A 
Justificativa: A homologação de sentença estrangeira possui procedimento 
cindido ou bifásico, pois o procedimento de homologação é promovido pelo 
Superior Tribunal de Justiça, e a execução será promovida pela Justiça Federal, 
constituindo verdadeira exceção à competência funcional do órgão que 
conheceu da causa na fase de conhecimento. Nesse sentido, ainda que a 
sentença estrangeira possua natureza de título executivo judicial, sua execução 
não será promovida através de cumprimento de sentença, mas através de um 
processo autônomo de execução. 
 
Questão 3 - C 
Justificativa: Conforme dispõe o art. 515, I do CPC/15. 
 
Questão 4 - C 
Justificativa: Um início razoável de prova material do inadimplemento do 
devedor, conforme Artigo 580 do CPC. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 36 
Questão 5 - D 
Justificativa: Fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a 
sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior, 
conforme Artigo 475-O, II, do CPC. 
 
Questão 6 - D 
Justificativa: O Artigo 475-P, parágrafo único, do CPC autoriza o credor a 
promover a execução no atual endereço do devedor ou no local onde se 
encontram os bens deste. 
 
Questão 7 - C 
Justificativa: Considerando que a sentença penal condenatória foi proferida no 
juízo criminal, a execução de sentença no cível será promovida através de 
processo autônomo de execução após o procedimento de liquidação. 
 
Questão 8 - C 
Justificativa: O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de 
se determinar o foro do domicílio atual do menor como competente para a 
execução de alimentos. (CC 2933 – DF – 1992/0007019-1). 
 
Questão 9 - A 
Justificativa: Segundo o Artigo 475-P, I, do CPC, os Tribunais somente serão 
competentes para promover a execução das causas processadas em sua 
competência originária. No caso, a causa foi apreciada pelo Tribunal em sua 
competência recursal. 
 
Questão 10 - D 
Justificativa: Em razão do juízo sentenciante ou do domicílio do credor, quando 
promovida individualmente, conforme Artigo 98, §2º, do CDC. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 37 
Introdução 
Em determinada ação declaratória o juiz julgou procedente o pedido do autor e 
condenou o réu a pagar honorários sucumbenciais em 20% do valor da causa. 
Considerando que a referida sentença possui aplicabilidade imediata e que não 
necessitará de nenhum procedimento executivo para ser efetivada, o advogado 
do autor poderá promover a execução de honorários nos próprios autos e em 
nome próprio? Neste caso, quais os bens do devedor que poderão ser levados à 
constrição para satisfação do referido crédito? 
 
Esses e outros temas serão objeto desta aula onde apresentaremos os temas 
da legitimidade para execução, a responsabilidade patrimonial e a liquidação de 
sentença e sua aplicabilidade adequada no âmbito da tutela executiva. Bons 
estudos! 
 
Objetivo: 
1. Examinar a legitimidade ativa e passiva para execução e os bens do devedor 
sujeitos à expropriação; 
2. Estudar as hipóteses em que caberá liquidação de sentença, individual e 
coletiva, como também compreender as modalidades de liquidação abordadas 
pelo CPC. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 38 
Conteúdo 
Legitimidade ativa para promover execução 
A legitimidade das partes é um dos temas mais importantes da teoria geral do 
processo, pois além de ser uma das condições da ação estabelece certa 
coincidência entre a titularidade do direito material e aquele que afirma ser o 
portador de um determinado direito. 
Na tutela executiva o tema da legitimidade possui a mesma importância, pois o 
sistema processual estabelece de forma clara quem possui legitimidade para 
promoção dos atos executivos e quem tem legitimidade para estar numa 
posição de desvantagem patrimonial ou de coerção pessoal. Desta forma, o 
Código de Processo Civil dispõe, em seus Artigos 778 a 780 do Código de 
Processo Civil de 2015, sobre a legitimidade ativa, originária e 
subsidiária, e a legitimidade passiva. 
 
A legitimidade ativa originária, nos termos do Artigo 778 do Código de Processo 
Civil de 2015, é atribuída ao credor a quem a lei confere título executivo e ao 
Ministério Público, nos casos prescritos em lei. No que diz respeito à 
legitimidade do credor, importante ressaltar que o CPC não é exaustivo, pois 
não considera o advogado como legitimado para execução da sentença 
referente ao capítulo que fixou honorários sucumbenciais. Assim, a legitimidade 
do credor não está condicionada a existência de título executivo conferido por 
lei, mas à existência ou não de crédito exequível. 
 
Quanto à legitimidade do Ministério Público, importante observar que a sua 
legitimidade estará sempre definida em lei, considerando sua função 
institucional definida no Artigo 129 da CF/88. O Ministério Público tem 
legitimidade para promover a execução coletiva de sentenças genéricas 
proferidas em ação coletiva, nos termos dos Artigos 98 a 100 do Código de 
Defesa do Consumidor. É também legitimado para promoção da execução de 
sentença que condena o réu a pagar alimentos, nos termos do Artigos 141 e 
201, III, da Lei nº 8.069/90. Conforme precedentes do Superior Tribunal de 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 39 
Justiça, o Ministério Público também será legitimado para promover a execução 
de sentença condenatória por reparação de danos, quando o exequente for 
pobre como foi decidido no REsp. nº 232.279-SP. 
 
A legitimidade superveniente ou derivada está disposta no Artigo 778,§1º do 
Código de Processo Civil de 2015. Poderão também promover a execução o 
espólio, os herdeiros, o cessionário e o sub-rogado. Importante também 
registrar que os sindicatos também podem promover a liquidação e execução 
de sentença em favor dos sindicalizados, como substituto processual, conforme 
precedente do STJ no julgamento do EREsp nº 1.082.891/RN. 
 
Legitimidade passiva 
A legitimidade passiva na tutela executiva está prevista no art. 779 do 
CPC/2015. Desta forma, podem figurar no polo passivo de uma execução o 
devedor reconhecido no título executivo, o espólio ou herdeiros do devedor, o 
novo devedor que assumiu a dívida, o fiador judicial e o responsável tributário, 
definido na legislação própria. 
 
A legitimidade passiva do devedor reconhecido no título executivo constitui 
modalidade de legitimidade genérica. Num primeiro momento, podemos afirmar 
que a legitimidade passiva do devedor possui, em regra, estreita coincidência 
com a responsabilidade patrimonial. É evidente que em alguns essa 
coincidência pode não ocorrer, como no caso da execução promovida contra o 
locatário (devedor) e o fiador é incluído também na execução. Cumpre 
esclarecer, neste particular a orientação do STJ no sentido de que o fiador que 
não for citado no processo de conhecimento não pode figurar como devedor na 
respectiva execução. Tal entendimento foi encartado na Súmula nº 268 do STJ. 
 
No entanto, o legislador ampliou legitimidade passiva para permitirque outros 
sujeitos integrem a relação processual. O Artigo 779, II, do Código de Processo 
Civil de 2015 trata da hipótese em que o espólio, herdeiros ou sucessores do 
devedor integram o polo passivo da execução. Haverá neste caso legitimidade 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 40 
passiva derivada. A questão principal nesta hipótese é identificar em que 
momento processual incidirá a legitimidade passiva do espólio. O Superior 
Tribunal de Justiça já firmou orientação no sentido de ser incabível 
redirecionamento de execução fiscal movida em face de pessoa falecida para 
seu espólio quando o falecimento ocorreu antes do ajuizamento da execução, 
considerando que não se efetivou a angularização processual (REsp nº 
1.410.253/SE). Após a partilha dos bens homologada nos autos do inventário, a 
legitimidade passiva se redirecionada para os herdeiros e sucessores. 
 
A legitimidade passiva do novo devedor (Artigo 779, III) decorre da assunção 
de dívida nos termos do Artigo 299-307 do CC. Neste caso, o novo devedor 
assumiu a dívida com o respectivo consentimento do credor. A legitimidade 
passiva do fiador do débito constante em título executivo extrajudicial (Artigo 
779, IV). 
 
Por fim, a legitimidade do responsável tributário (Artigo 779, VI, do Código de 
Processo Civil de 2015) decorre de dissolução irregular da sociedade (Súmula 
nº 435 do STJ) ou nas hipóteses do Artigo 121, § único, II, do CTN. 
 
Intervenção de terceiros 
As intervenções de terceiros regidas pelo CPC (Artigos 119 a 138 do Código de 
Processo Civil de 2015) têm como escopo possibilitar ao terceiro que terá sua 
esfera jurídica afetada por uma decisão judicial a ser proferida em determinado 
processo. Na tutela executiva não haverá decisão judicial no sentido de 
reconhecer o direito do autor, mas sim atividades executivas visando à 
satisfação de obrigação certa, líquida e exigível. 
Com efeito, considerando que não será proferida nenhuma sentença que 
produzira efeitos na esfera jurídica de outrem não cabe nenhuma das 
modalidades de intervenção de terceiros em sede de execução. Admite-se, 
portanto, a assistência em alguns casos específicos, como por exemplo, a 
intervenção de um determinado banco, na qualidade de assistente para 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 41 
acompanhar execução em que um imóvel financiado pelo mesmo foi levado a 
penhora. 
 
Responsabilidade patrimonial 
Na tutela executiva, o crédito do exequente será satisfeito através da 
expropriação, nas obrigações de pagar, ou da coerção, nas hipóteses de 
obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa. Nas obrigações de pagar 
não cumpridas voluntariamente o Estado promoverá a penhora de tantos bens 
quanto bastem para satisfação da obrigação fixada no título executivo. Assim, o 
estudo da responsabilidade patrimonial, ou seja, quais os bens do devedor 
estão sujeitos à constrição, é fundamental para efetividade da execução das 
obrigações de pagar. 
 
O Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015 dispõe que o devedor 
responde com todos os bens futuros e presentes para o cumprimento de suas 
obrigações. Antes mesmo de discutir a responsabilidade patrimonial 
propriamente dita, é importante distinguir obrigação de responsabilidade, como 
bem faz Candido Dinamarco. 
 
Segundo o referido autor: “A obrigação, como categoria de direito material, é, 
portanto, uma situação jurídica visivelmente estática, que não contém em si 
nem oferece ao titular do direito qualquer força ou autorização para 
efetivamente trazer ao seu patrimônio o que lhe é devido; as atividades 
destinadas a produzir resultados quando não os houver produzido aquele que 
tinha o dever de fazê-lo são objeto das normas de direito processual e destas 
recebem sua regência” (Instituições de direito processual civil, vol. IV, p. 
354). 
 
Desta forma, a obrigação é instituto do direito material e a responsabilidade é 
instituto do direito processual. Com efeito, a obrigação nem sempre está 
necessariamente relacionada à responsabilidade, pois existem obrigações sem 
responsabilidade e responsabilidade sem obrigação. Nos casos de obrigação 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 42 
natural, haverá dívidas, mas ocorre a responsabilidade. No entanto, nos casos 
em que ocorre a desconsideração da personalidade jurídica de determinada 
empresa a esfera patrimonial do sócio será afetada sem que este tenha 
contraído a dívida. 
 
Feita essa distinção, passemos à análise da responsabilidade patrimonial. 
Conforme inteligência do Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015, o 
devedor responde pelos seus bens presentes e futuros. Os bens presentes 
dizem respeito aos bens que integram a esfera patrimonial do devedor. Os bens 
futuros referem-se as expectativas de direito, como herança, indenizações 
decorrentes de perdas e danos ou congêneres, que a despeito de ainda não 
integrarem a esfera patrimonial do devedor, este possui expectativa de ampliar 
o acervo de seus bens, porquanto, já estão também sujeitos à responsabilidade 
patrimonial. Veja um caso de responsabilidade patrimonial. 
 
Pense, por exemplo, no caso de um determinado inventário o devedor receberá 
seu quinhão em uma determinada herança ou está às vésperas de receber 
mandado de pagamento oriundo de uma determinada ação indenizatória, o 
credor poderá, nos termos do Artigo 860 do Código de Processo Civil de 2015, 
requerer ao juízo da execução que proceda a penhora “no rosto dos autos” e, 
dessa forma, alcançar a satisfação de seu crédito através de bens considerados 
“futuro” do devedor. 
 
O Artigo 790 do Código de Processo Civil de 2015, por sua vez, trata dos bens 
que estão sujeitos à responsabilidade patrimonial de terceiros que, a princípio, 
não foram incluídos no polo passivo do cumprimento de sentença ou do 
processo autônomo de execução. Destarte, o referido dispositivo incluiu o 
patrimônio do sucessor singular, dos sócios, dos bens do devedor em poder de 
terceiro e do cônjuge pelos bens próprios ou os correspondentes à sua meação. 
Algumas questões interessantes podem surgir a partir da interpretação da 
responsabilidade patrimonial entabulada no referido artigo. Por exemplo, os 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 43 
sujeitos elencados no Artigo 790 do Código de Processo Civil de 2015 devem 
ser citados ou intimados? 
 
Trata-se de questão processual relevante, pois interfere diretamente na defesa 
levada a efeito pelo sujeito indicado pelo Artigo 790 do CPC/2015. Caso 
entenda-se que a responsabilidade patrimonial se estendeu ao sócio ou ao 
cônjuge não obrigado, apenas para ilustrar a hipótese, estes devem ser 
intimados para que possam participar do processo e, portanto, poderão utilizar 
o meio de defesa adequada para proteger seus respectivos bens. 
 
Alienação fraudulenta 
Embora o Artigo 789 do Código de Processo Civil de 2015 disponha que o 
devedor responde pelo cumprimento de suas dívidas com seus bens presentes 
e futuros, em alguns casos os bens pretéritos são, também, inseridos na 
responsabilidade patrimonial nos casos em que ocorreu alienação fraudulenta. 
Assim, a alienação de bens por parte do devedor após a constituição de 
obrigação de pagar em relação ao credor importa em tornar fraudulenta a 
alienação e, portanto, passível de desconstituição, considerando que o único 
objetivo concerne ao não pagamento. 
O nosso ordenamento jurídico trata de três modalidades de alienação 
fraudulenta: 
 
Fraude contra credores 
A fraude contra credores é instituto de direito material e está devidamente 
regulado pelo Código Civil em seus Artigos 158 a 165.Para fins conceituais, 
considera-se fraude contra credores a alienação de bens quando o devedor, 
que contraiu dívidas, já insolvente ou se for reduzido à condição de insolvente 
através desta antes mesmo da respectiva ação judicial. Importa salientar que 
insolvência é uma condição do devedor que o seu passivo, obrigações e dívidas 
se tornam maior que seu ativo, receitas e patrimônios, colocando-o numa 
situação de total falta de possibilidade de cumprir com suas obrigações. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 44 
Para configuração da fraude contra credores necessária se faz a demonstração 
da existência dos pressupostos objetivos e subjetivos. Os pressupostos 
objetivos caracterizam-se pela redução ou aniquilação total do patrimônio 
suficiente para inviabilizar a quitação da obrigação. É evidente que a alienação, 
por si só, mesmo na existência de dívidas, não configura fraude contra 
credores, mas tão somente a alienação que importe em redução do patrimônio 
suficiente para garantia do pagamento da obrigação. A venda, por exemplo, de 
um imóvel no valor de R$ 890.000,00, mas o devedor ainda possui mais 02 
imóveis avaliados no mesmo valor e a dívida perfaz a quantia de R$ 
300.000,00, não configura fraude contra credores, pois não colocou o devedor 
em situação de insolvência. 
 
Os pressupostos subjetivos referem-se à ciência do devedor da condição de 
insolvência que a alienação irá produzir em sua esfera patrimonial e a má-fé do 
terceiro adquirente. É evidente que constitui matéria de prova a ser produzida 
pelo credor que objetiva anular a eficácia da alienação fraudulenta. No entanto, 
admite-se a presunção absoluta de fraude contra credores quando o ato ocorre 
de forma gratuita como renúncia à herança ou doação de bens. Neste caso, o 
autor não terá o intenso ônus de provar a existência dos pressupostos 
subjetivos, principalmente que o terceiro tinha consciência do estado de 
insolvência do devedor. 
 
Os atos onerosos acarretam presunção relativa, admitindo-se, portanto, prova 
em contrário, caso seja demonstrado que o terceiro adquirente não tinha 
ciência da condição de insolvência do devedor. Neste caso, o ônus da prova 
será distribuído ao credor para que se demonstre a existência dos elementos 
objetivos e subjetivos que tenham o condão de tornar sem efeito a alienação 
fraudulenta. 
Apresentados o conceito de fraude contra credores e seus pressupostos 
objetivos e subjetivos, necessário se faz discutir a respectiva ação judicial para 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 45 
tornar a alienação sem efeito perante o credor. O Artigo 161 do Código Civil 
dispõe sobre a denominada ação pauliana que deve ser ajuizada pelo credor 
em face do devedor e do terceiro adquirente, formando um litisconsórcio 
necessário no polo passivo. O juízo competente para processar a mencionada 
demanda será o do foro de um dos réus, no caso o devedor ou do terceiro 
adquirente, nos termos do Artigo 94, §4º, do CPC. 
 
Certa polêmica surge entre a pretensão do credor na ação pauliana. Alguns 
autores entendem que o objetivo da ação pauliana será a anulabilidade do ato. 
Autores outros entendem que a finalidade da demanda não é a anulabilidade 
do ato, mas sim tornar sem eficácia a alienação fraudulenta em relação ao 
autor-credor. A primeira posição é mais afeita aos civilistas e a segunda aos 
processualistas. Parece-nos mais adequado o entendimento de que a ação 
pauliana tem como escopo tornar sem eficácia a alienação fraudulenta em 
relação ao credor, pois o tema diz respeito à responsabilidade patrimonial, 
instituto de direito processual, do que a teoria dos atos jurídicos e suas 
nulidades. 
 
Fraude à execução 
A segunda modalidade de alienação fraudulenta denomina-se fraude à 
execução, regulada pelo Artigo 792 do Código de Processo Civil de 2015. 
Diferente da fraude contra credores que ocorre antes mesmo da propositura de 
ação judicial, a fraude à execução se aperfeiçoa com a alienação do bem pelo 
devedor visando à insolvência após a citação válida em processo judicial 
deflagrado pelo credor. Verifica-se, neste particular, que na fraude à execução 
o devedor promove alienação fraudulenta para se escusar de cumprir obrigação 
em determinado processo judicial, ou seja, viola não só os direitos do credor 
como também promove atentado à própria jurisdição. 
 
Embora a fraude à execução seja uma modalidade de alienação fraudulenta, 
sua arguição e demonstração diferem sensivelmente da fraude contra credores. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 46 
Caso o devedor aliene seus bens após a citação válida, exsurge o fenômeno da 
fraude à execução e o credor poderá alegar, nos próprios autos da demanda 
proposta, através de simples petição para tanto, a ocorrência dos pressupostos 
objetivos e subjetivos. 
 
Os pressupostos objetivos são a redução do patrimônio ocasionando a 
insolvência e a existência de processo judicial com citação válida. O 
pressuposto subjetivo corresponde à má-fé do terceiro adquirente. O tema é 
controvertido ensejando inúmeras controvérsias. Não é fácil demonstrar com 
certa clareza a má-fé do devedor na prática forense. Com efeito, o Superior 
Tribunal de Justiça editou o verbete da Súmula nº 375, que dissolve, em certa 
medida, as divergências neste particular, cujo teor é o que segue: “O 
reconhecimento da fraude à execução depende de registro da penhora do bem 
alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”. 
 
O referido precedente estabelece um critério plausível para configuração da 
fraude à execução que poderá ser demonstrada através de registro de 
distribuição da execução, nos termos do Artigos 615-A do CPC ou do registro da 
penhora de imóvel, nos termos do Artigo 659, §4º, do mesmo diploma, que 
evidenciam a publicidade necessária para identificação da má-fé do terceiro 
adquirente. 
 
Alienação de bem penhorado 
A alienação de bem penhorado é última modalidade de alienação fraudulenta, 
que nem sempre tem reconhecimento doutrinário, mas com algumas 
ocorrências no mundo prático. A alienação de bem levado à constrição 
constituição ato fraudulento grave que viola a um só tempo a lealdade 
processual como também atenta contra a dignidade da jurisdição. A 
demonstração da ocorrência da alienação de bem penhorado é demonstrado 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 47 
nos próprios autos da execução, através de simples petição, configurado 
através do auto de penhora e a comprovação da venda do referido bem. 
 
Independente da modalidade de alienação fraudulenta levada a efeito, a 
finalidade deste estudo tem como escopo analisar as possibilidades de se 
desfazer a referida alienação e restituir o bem alienado para a esfera 
patrimonial do devedor, em alguns casos, e em outros a ineficácia dos atos 
fraudulentos em relação ao credor. 
 
Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil 
CAPÍTULO II 
DAS PARTES 
Art. 794. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere 
título executivo. 
§ 1º Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao 
exequente originário: 
I – o Ministério Público, nos casos previstos em lei; 
II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte 
deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; 
III – o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe foi 
transferido por ato entre vivos; 
IV – o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. 
§ 2º A sucessão prevista no § 1º independe de consentimento do executado. 
Art. 795. A execução pode ser promovida contra:I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo; 
II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; 
III – o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação 
resultante do título executivo; 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 48 
IV – o fiador do débito constante em título extrajudicial; 
V – o responsável, titular do bem vinculado por garantia real, ao pagamento do 
débito; 
VI – o responsável tributário, assim definido na lei. 
Art. 796. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em 
títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas 
elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. 
 
CAPÍTULO V 
DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL 
Art. 805. O devedor responde com todos seus bens presentes e futuros para o 
cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. 
Art. 806. Ficam sujeitos à execução os bens: 
I – do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito 
real ou obrigação reipersecutória; 
II – do sócio, nos termos da lei; 
III – do devedor, ainda que em poder de terceiros; 
IV – do cônjuge ou companheiro, nos casos em que seus bens próprios ou de 
sua meação respondem pela dívida; 
V – alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; 
VI – cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do 
reconhecimento, em ação própria, de fraude contra credores; 
VII – do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. 
Art. 807. Se a execução tiver por objeto obrigação de que seja sujeito passivo o 
proprietário de terreno submetido ao regime do direito de superfície, ou o 
superficiário, responderá pela dívida, exclusivamente, o direito real do qual é 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 49 
titular o executado, recaindo a penhora ou outros atos de constrição 
exclusivamente sobre o terreno, no primeiro caso, ou sobre a construção ou 
plantação, no segundo caso. 
§ 1º Os atos de constrição a que se refere o caput serão averbados 
separadamente na matrícula do imóvel, no registro de imóveis, com a 
identificação do executado, do valor do crédito e do objeto sobre o qual recai o 
gravame, devendo o oficial destacar o bem que responde pela dívida, se o 
terreno, a construção ou a plantação, de modo a assegurar a publicidade da 
responsabilidade patrimonial de cada um deles pelas dívidas e obrigações que a 
eles estão vinculadas. 
§ 2º Aplica-se, no que couber, o disposto neste artigo à enfiteuse, à concessão 
de uso especial para fins de moradia e à concessão de direito real de uso. 
Art. 808. Considera-se fraude à execução a alienação ou a oneração de bem: 
I – quando sobre ele pender ação fundada em direito real ou com pretensão 
reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no 
respectivo registro público, se houver; 
II – quando tiver sido averbada, em seu registro, a pendência do processo de 
execução, na forma do art. 844; 
III – quando tiver sido averbado, em seu registro, hipoteca judiciária ou outro 
ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude; 
IV – quando, ao tempo da alienação ou oneração, tramitava contra o devedor 
ação capaz de reduzi-lo à insolvência; 
V – nos demais casos expressos em lei. 
§ 1º A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. 
§ 2º No caso de aquisição de bem não sujeito a registro, o terceiro adquirente 
tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, 
mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do 
vendedor. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 50 
§ 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à 
execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende 
desconsiderar. 
§ 4º Antes de declarar a fraude à execução, o órgão jurisdicional deverá intimar 
o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no 
prazo de quinze dias. 
Art. 809. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa 
pertencente ao devedor não poderá promover a execução sobre outros bens 
senão depois de excutida a coisa que se achar em seu poder. 
Art. 810. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro 
sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e 
desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. 
§ 1º Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados 
na mesma comarca que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do 
credor. 
§ 2º O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do 
mesmo processo. 
§ 3º O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao 
benefício de ordem. 
Art. 811. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da 
sociedade, senão nos casos previstos em lei. 
§ 1º O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, 
tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade. 
§ 2º Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1º nomear quantos bens da 
sociedade situados na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para 
pagar o débito. 
§ 3º O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do 
mesmo processo. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 51 
§ 4º Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a 
observância do incidente previsto neste Código. 
Art. 812. O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, 
cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção 
da parte que lhe coube. 
 
Liquidação de sentença 
O título executivo deve conter uma obrigação certa, líquida e exigível. Evidente 
que os títulos executivos extrajudiciais, por ser documento bilateral que retrata 
um negócio, possuem certeza, liquidez e exigibilidade inerente à própria 
natureza do título. No entanto, no que tange aos títulos executivos judiciais, em 
alguns casos o juiz não possui condições de proferir sentença líquida capaz de 
instrumentalizar o cumprimento adequado da sentença, embora o Artigo 492,§ 
Único do Código de Processo Civil de 2015, parágrafo único, impeça o 
magistrado de proferir decisão ilíquida. 
 
O Artigo 322 do Código de Processo Civil de 2015 é contundente ao afirmar que 
o pedido deve ser certo e determinado, apesar do equívoco na redação do 
caput que dá azo a interpretação de que as palavras certeza e determinação 
sejam sinônimas. Dessa forma, é defeso ao autor formular pedido incerto ou 
indeterminado, ressalvado as hipóteses elencadas no Artigo 322 do Código de 
Processo Civil de 2015. No entanto, em alguns casos, seja pela complexidade 
da causa ou por necessidade de algum conhecimento técnico, o juiz não tenha 
condições de proferir sentença líquida. Nesses casos a sentença conterá 
exigibilidade, certeza, mas não terá liquidez necessitando, portanto, de uma 
fase denominada liquidação para se apurar o valor exequendo. 
 
A sentença, como título executivo, deve conter necessariamente o an debeatur, 
que corresponde ao dever ou à obrigação a ser cumprida, e o quantum 
debeatur, que corresponde ao valor da obrigação ou à quantidade, nos casos 
de obrigação de entrega de coisa incerta. A liquidação é a fase processual que 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 52 
tem como escopo apurar o quantum debeatur visando viabilizar a execução do 
crédito. 
 
Natureza jurídica da liquidação 
Há forte controvérsia doutrinária acerca da naturezajurídica da liquidação de 
sentença... 
 
Alguns autores entendem, mesmo após a reforma implementada pela Lei nº 
11.232/2005, que a liquidação de sentença é um processo autônomo que 
complementa a fase de conhecimento. Outro segmento doutrinário entende 
que a liquidação constitui uma mera fase do cumprimento de sentença, que 
nesses casos seria trifásico, uma fase de conhecimento, uma fase de liquidação 
e outra fase de execução. 
 
A segunda corrente tem como argumento principal o fato de que o Artigo 
1.015, §Único do Código de Processo Civil de 2015 dispõe sobre o recurso de 
agravo de instrumento contra decisão de liquidação, o que leva a concluir que 
se trata de decisão interlocutória em uma fase processual. No entanto, a 
primeira corrente, que possui dentre os seus defensores Luiz Rodrigues 
Wambier e José Miguel Medina, defende que mesmo o referido dispositivo legal 
definindo o recurso de agravo de instrumento como recurso cabível, esse 
argumento, por si só, não é suficiente para fragilizar a tese que defende a 
natureza autônoma da liquidação, considerando que o nosso sistema processual 
possui inúmeros exemplos de decisão interlocutória com conteúdo de sentença. 
A Discussão não é meramente acadêmica, mas, ao contrário, possui sérias 
complicações de ordem prática como a possibilidade ou não de ajuizamento ou 
não de ação rescisória, apenas para citar um exemplo. A melhor posição, em 
nosso entender, é a que mais se aproxima do espírito que embalou as reformas 
da execução, ou seja, tornar a tutela executiva, mas célere e efetiva produzindo 
resultados mais imediatos possíveis na vida do jurisdicionado. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 53 
Assim, a corrente que defende a natureza de mera fase processual da 
liquidação é a mais acertada, pois desformaliza o procedimento e garante maior 
celeridade à tutela executiva. 
 
Hipóteses que não haverá liquidação de sentença 
O sistema processual anterior à Lei nº 11.232/2005, contemplava 03 
modalidades de liquidação de sentença, quais sejam liquidação por 
arbitramento, liquidação por artigos e liquidação por cálculos do contador. A 
reforma visou tornar a tutela executiva menos formal e mais efetiva eliminando 
a liquidação por cálculos do contador, transmitindo a responsabilidade para 
elaboração dos cálculos aritméticos ao credor, maior interessado no rápido 
andamento da execução, conforme dispõe o Artigo 509,§ 2º do Código de 
Processo Civil de 2015. 
 
Nestes casos, o próprio credor promoverá a execução, nos termos do Artigo 
523 do Código de Processo Civil de 2015, com a respectiva planilha do cálculo, 
incluindo atualização e juros de mora. Quando os documentos necessários para 
elaboração do cálculo estiver em posse do devedor ou terceiro, o juiz 
determinará a entrega da respectiva documentação no prazo de 30 dias, sob 
pena de ser considerado aceito o cálculo apresentado pelo credor ou a busca e 
apreensão, no caso de terceiros, conforme Artigo 524,§§ 3º e 4º do Código de 
Processo Civil de 2015. 
 
O CPC/73 contemplava outra hipótese em que não haveria necessidade de 
liquidação de sentença. Trata-se das causas que versavam sobre ressarcimento 
por acidente de veículo terrestre ou às causas que versem sobre cobrança de 
seguro concernentes à acidente de veículo, conforme disposto no Artigo 475-A, 
§ 3º, do CPC. Nesses casos o juiz não poderia proferir sentença ilíquida fixando 
o valor correspondente através da prova documental produzida nos autos ou 
nos casos de insuficiência probatória o valor será fixado através de seu 
“prudente arbítrio”. O CPC/2015 não reproduziu essa regra. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 54 
Por fim, não haverá liquidação de sentença nas causas de competência dos 
Juizados Especiais Cíveis Estaduais, nos termos do Artigo 38,parágrafo único da 
Lei nº 9.099/95. É compreensível tal limitação, pois o microssistema processual 
dos Juizados Especiais Cíveis optou pela celeridade e simplicidade, razão pela 
qual reduziu a incidência de recursos e procedimentos dilatórios, como é o caso 
da liquidação de sentença. Caso haja necessidade de liquidação em sede de 
juizado o juiz deverá extinguir o processo sem resolução de mérito, vez que se 
trata de causa de maior complexidade e, portanto, incabível nesse 
procedimento. 
 
Modalidades de liquidação 
O Código de Processo Civil contempla duas modalidades de liquidação de 
sentença. A liquidação por arbitramento tem lugar quando, para se alcançar o 
quantum debeatur, houver necessidade de conhecimento técnico ou quando for 
determinado na sentença ou for convencionado pelas partes. A liquidação por 
artigos será feita nos casos em que para determinar o valor haja necessidade 
de provar a existência de fatos novos. 
 
Liquidação por arbitramento 
O Código de Processo Civil, como foi dito, dispõe sobre duas hipóteses de 
liquidação por arbitramento. A primeira ocorrerá quando o juiz determinar na 
sentença ante a sua falta de condições de apurar de forma adequada o 
quantum debeatur. Imagine o caso em que as partes discordam sobre o 
pagamento ou não de um determinado seguro de vida ou previdência privada e 
o juiz, ao final da instrução, julgue procedente o pedido do autor, mas não 
tenha condições de fixar o valor do prêmio, pois não tem condições de realizar 
o cálculo atuarial. Nessa hipótese o juiz determinará que a liquidação seja feita 
por arbitramento. 
 
A segunda hipótese refere-se à convenção das partes. Imagine uma 
determinada demanda em que um sócio decide se retirar de uma sociedade 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 55 
empresarial. Considerando a necessidade de apuração de haveres para saber o 
valor correto a ser levantado pelo sócio, deduzidos os devidos encargos, as 
partes decidem realizar a liquidação por arbitramento nomeando um contador 
para se alcançar o quantum debeatur em sede de liquidação. 
 
A terceira e última hipótese relaciona-se com a necessidade de conhecimento 
técnico para apuração do valor devido. Um exemplo simples de aplicação dessa 
hipótese ocorre nos casos de acidentes em que a parte lesionada necessita de 
tratamento médico ou fisioterápico para seu restabelecimento, e o juiz, se no 
momento de proferir sentença não tiver condições de fixar o valor do 
tratamento médico, determinará que o valor seja apurado em liquidação por 
arbitramento, nomeando para tanto um perito para apresentação do respectivo 
laudo. 
 
Procedimento da liquidação por arbitramento 
A liquidação por arbitramento inicia-se com requerimento do credor através de 
petição simples. O devedor será intimado na pessoa de seu advogado. Neste 
particular percebe-se a finalidade da reforma em imprimir maior celeridade ao 
procedimento executivo, dispensando a citação pessoal do devedor. O juiz 
determinará a nomeação do perito, sendo facultada às partes a nomeação de 
assistentes técnicos, nos termos do Artigo 421, I, do CPC. Após a apresentação 
do respectivo laudo, as partes podem se manifestar, impugnando ou não o 
laudo, podendo, inclusive, ser prestados esclarecimentos, nos termos do Artigo 
435 do CPC, ou até mesmo a determinação de realização de outro laudo 
pericial. Concluído os trabalhos do perito, o juiz decidirá a liquidação de 
sentença fixando o valor do crédito a ser executado, cabendo contra essa 
decisão recurso de agravo de instrumento conforme Artigo 475-H do CPC. 
 
Liquidação pelo procedimento comum 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 56 
A liquidação por artigos terá lugar sempre que houver a necessidade de se 
apurar a existência de fatos novos para dimensionar o valor a ser executado.Luiz Rodrigues Wambier, em sua importante obra sobre liquidação de sentença, 
utiliza um conceito de fato novo que bem ilumina a hipótese. Para este autor “o 
vocábulo novo qualifica qualquer fato ocorrido depois da propositura da ação 
ou após a realização de determinado ato processual” (Liquidação de sentença 
civil, p. 118). 
 
Com efeito, a liquidação por artigos será cabível sempre que para determinar o 
valor da execução houver a necessidade de provar fato que tenha ocorrido após 
a sentença mais que tenha relação direta com a obrigação fixada na mesma, ou 
seja, o fato novo deve ser a extensão dos danos apurados na sentença. 
 
Para melhor compreensão dessa técnica processual, pense no caso de que em 
certa demanda o autor veicula pretensão visando obter indenização pelos danos 
sofridos em queda provocada pelo preposto de uma empresa de ônibus. A 
parte autora prova que houve lesão na perna direita e no braço esquerdo. O 
juiz condena a empresa a pagar o tratamento em valor fixado em R$ 30.000,00 
(trinta mil reais). Proferida a sentença, a parte autora passa a sentir fortes 
dores na lombar e, após exames, identifica que possui sérias lesões decorrentes 
também do acidente. 
 
Neste caso, os danos na lombar constitui fato novo a ensejar liquidação por 
artigos para se apurar o valor correspondente ao tratamento a ser custeado 
pelo executado considerando que foi identificado após a sentença e constitui 
extensão dos danos apurados na fase de conhecimento. 
 
Procedimento da liquidação por artigos 
O objeto da liquidação por artigos consiste na prova da existência ou não do 
fato novo e se este é ou não extensão dos fatos apurados na fase de 
conhecimento. Para tanto o Artigo 475-F do CPC dispõe que será observado o 
procedimento comum para apreciação da existência do fato novo. Será utilizado 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 57 
o procedimento sumário ou ordinário, de acordo com o procedimento utilizado 
na fase de conhecimento. Se a ação foi processada pelo rito sumário, a 
liquidação por artigos se valerá do mesmo rito para apuração dos fatos novos e 
assim ocorrerá se a causa tramitou pelo rito ordinário. 
 
Interessante observar que será possível, inclusive, a nomeação de perito para 
se apurar a extensão do fato novo e o correspondente valor do tratamento a 
ser realizado. 
 
O Superior Tribunal de Justiça em verbete plasmado na Súmula nº 344 dispõe 
que a liquidação por forma diversa da fixada na sentença não ofende a coisa 
julgada. Esse precedente judicial é importante, pois não deixa dúvidas acerca 
da instrumentalidade dessa fase processual, vez que nem sempre a forma 
fixada na sentença se apresenta como a melhor, na prática, para a mais 
adequada apuração do quantum debeatur. 
 
Liquidação provisória 
O nosso sistema processual admite a liquidação provisória da sentença (Artigo 
512 do Código de Processo Civil de 2015). A interposição de recurso recebido 
em seu efeito devolutivo não obsta que o credor promova a liquidação 
provisória da sentença. Neste caso, a liquidação será processada em autos 
apartados, ficando sob a responsabilidade de o credor apresentar as respectivas 
cópias necessárias para apuração do quantum. 
 
Liquidação de sentença genérica na tutela coletiva 
Na tutela coletiva a sentença que condena o réu por violação de direitos 
coletivos, difusos e individuais homogêneos será sempre genérica, conforme 
dispõe o Artigo 95 do Código de Defesa do Consumidor. Considerando a 
natureza indivisível dos direitos difusos e coletivos, estes sempre serão 
liquidados e executados pelos legitimados coletivos e os respectivos valores 
serão depositados no fundo criado pela Lei nº 7.347/85. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 58 
Nos casos em que a sentença genérica versar sobre direitos individuais 
homogêneos, a liquidação e execução da referida sentença poderá ser 
individual, pelas vítimas ou seus sucessores, conforme disposto no Artigo 97 do 
CDC. Para melhor entendimento do que se diz, imagine a hipótese de que em 
determinado caso o Ministério Público ingressou com uma ação, na cidade de 
São Paulo, contra uma empresa de plano de saúde visando à devolução de 
valores cobrados abusivamente dos contratantes. 
 
O juiz profere sentença coletiva determinando o an debeatur, ou seja, o dever 
de indenizar, cujo valor será apurado em sede de liquidação. Nessa situação, os 
contratantes do plano poderão promover nos termos do Artigos 97 do CDC a 
liquidação e execução individual do julgado no juízo que proferiu sentença ou 
no foro de seu domicílio, nos casos dos contratantes que residam em outros 
Estados, conforme o Artigo 101, I, do mesmo estatuto. 
 
A liquidação de sentença nessa hipótese poderá ser feita tanto por artigos 
como por arbitramento, de acordo com a natureza da causa ou a extensão dos 
danos sofridos pelas partes. 
Liquidação zero 
Uma questão intrigante surge quando se identifica, após o procedimento da 
liquidação, que o credor não tem nenhum valor a receber, ou seja, o valor 
apurado foi igual a zero. A liquidação zero poderá ocorrer nos casos em que o 
credor não conseguiu provar a existência dos danos a ser liquidados ou na 
hipótese de mesmo produzindo provas da existência dos danos se constata que 
não há nenhum valor a ser restituído ou indenizado. 
 
Exemplo 
Para melhor ilustrar a questão imagine a hipótese de o réu ser condenado a 
indenizar pelos danos materiais e lucro cessante a serem apurados em sede de 
liquidação e no decorrer deste procedimento se verifique que não houve dano a 
ser indenizado e que os dias que o credor não trabalhou não houve expediente 
decorrente de feriados prolongados, portanto, não há que se falar em lucro 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 59 
cessante. Neste caso, embora o réu seja condenado a indenizar, na fase de 
liquidação verificou-se que o quantum debeatur foi igual a zero. 
 
Abordagem do tema no Novo Código de Processo Civil 
CAPÍTULO XVI 
DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA 
 
Art. 523. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, 
proceder-se-á a sua liquidação, a requerimento do credor ou devedor: 
I – por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas 
partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; 
II – pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar 
fato novo. 
§ 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é 
lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a 
liquidação desta. 
§ 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o 
credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. 
§ 3º O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos 
interessados programa de atualização financeira. 
§ 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que 
a julgou. 
Art. 524. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a 
apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar; 
caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que 
couber, o procedimento da prova pericial. 
Art. 525. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a 
intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de 
advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no 
prazo de quinze dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no 
Livro I da Parte Especial deste Código. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 60 
Parágrafo único. Contra decisão proferida na fase deliquidação de sentença 
cabe agravo de instrumento. 
Art. 526. A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, 
processando-se em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao 
liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes. 
 
 
Atenção 
 Certa divergência se evidencia sobre qual técnica processual deve 
ser utilizada neste caso. Houve carência de ação ou improcedência 
da liquidação? O credor poderá iniciar nova liquidação mediante 
novas provas ou se operou o fenômeno da coisa julgada em sede 
de liquidação? O entendimento de majoritário, no sentido de que a 
liquidação zero corresponde à improcedência da ação e, portanto, 
tal decisão deve ser acobertada pela coisa julgada material 
impedindo o ajuizamento de nova demanda com a mesma 
pretensão. 
 
Atividade proposta 
A legitimidade ativa na tutela executiva é um dos temas mais importantes da 
teoria geral da execução, tendo em vista que se trata dos sujeitos que estão 
autorizados, por disposição legal, a promover a demanda ou fase executiva. 
Elabore um quadro comparativo entre a legitimidade ativa na execução 
individual e na execução coletiva. 
 
Chave de resposta: A legitimidade ativa na execução individual, originária e 
derivada, está disciplinada no art. 566 e 567 do CPC. A legitimidade ativa na 
execução coletiva está disciplinada no arts. 97 e 98 do CDC. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 61 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre a penhora, depósito e avaliação, leia o 
texto disponível em nossa biblioteca virtual. 
 
 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito processual civil 
contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2012. p.869-870. v. 2. 
WAMBIER, Luiz Rodrigues. Liquidação da sentença civil: individual e 
coletiva. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. p. 322/337. 
MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2008. p. 227-230. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Sérgio tem um crédito com Almir consubstanciado num contrato de mútuo, no 
valor de R$ 50.000,00. Por conta deste contrato, Almir emitiu uma nota 
promissória em favor de Sérgio. Almir, antes do vencimento da dívida, intenta 
alienar os seus bens, cujo valor avaliado perfaz a quantia de R$ 60.000,00, 
para se furtar do cumprimento da obrigação. Esses atos fraudulentos 
caracterizam: 
a) Fraude de execução, devendo o credor promover ação pauliana. 
b) Fraude contra credores, devendo o credor promover ação pauliana. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 62 
c) Alienação de bem penhorado, sendo o negócio ineficaz em relação ao 
credor. 
d) Fraude de execução, sendo o negócio ineficaz em relação ao credor. 
 
Questão 2 
O tema da responsabilidade patrimonial é um dos mais importantes da 
execução, pois diz respeito a quem responde com seus bens para a satisfação 
do crédito do exequente. Neste caso, é correto afirmar que: 
a) O marido responde com seus bens para satisfazer dívidas contraídas pela 
esposa em proveito do casal. 
b) Somente os bens presentes poderão ser utilizados para satisfação do 
débito. 
c) Os bens dos sócios, preferencialmente, respondem pelas dívidas da 
empresa. 
d) Os herdeiros não respondem, em nenhuma hipótese, pelas dívidas do 
falecido. 
 
Questão 3 
Assinale a alternativa correta que diga respeito à legitimação ativa na execução. 
a) O credor que figura no título é legitimado ativo subsidiário para 
promover a execução. 
b) O Ministério Público é legitimado ativo para promover a execução, em 
todas as hipóteses em que o processo tratar de direitos individuais 
disponíveis. 
c) A Defensoria Pública executa, em seu próprio nome (agindo como 
substituta processual), os títulos executivos judiciais em favor dos seus 
clientes e assistidos. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 63 
d) O Ministério Público é legitimado ativo para promover a execução, nos 
casos prescritos em lei. 
 
Questão 4 
São sujeitos passivos na ação de execução (OAB/SP – 2006): 
a) O devedor, reconhecido como tal no título executivo; o novo devedor; o 
espólio; o responsável tributário e o fiador. 
b) O devedor, seus herdeiros e sucessores a título universal ou singular. 
c) O devedor; o sócio acionista, independentemente de se desconsiderar a 
pessoa jurídica ou atribuir-lhe responsabilidade direta. 
d) Tão somente o devedor reconhecido no título como tal; outras pessoas 
somente responderão pela execução se participarem do processo 
executivo. 
 
Questão 5 
Assinale a alternativa correta, que diga respeito a legitimação passiva na 
execução. 
a) É sujeito passivo na execução o advogado da parte condenada por 
litigância de má-fé. 
b) É sujeito passivo na execução o novo devedor, que assumiu a obrigação 
resultante do título executivo independentemente de anuência do credor. 
c) É sujeito passivo na execução o advogado do demandado que perdeu a 
etapa de conhecimento. 
d) É sujeito passivo na execução o fiador convencional, desde que tenha 
participado do processo na etapa de conhecimento. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 64 
Questão 6 
Foi proposta ação de conhecimento com o objetivo de obter pagamento de R$ 
20.000,00 (vinte mil reais), em razão de danos oriundos de acidente 
automobilístico. O Juiz condenou o réu ao pagamento de indenização, definindo 
o dano e o dever de indenizar, mas não mencionou o valor. Em relação à 
sentença proferida assinale a alternativa correta: 
a) Foi correta, e o credor deverá promover a liquidação de sentença. 
b) Foi correta e o credor poderá promover diretamente a execução. 
c) Foi incorreta, pois nestes casos a sentença não pode ser ilíquida. 
d) Foi incorreta, mas mesmo assim o credor poderá promover diretamente 
a execução. 
 
Questão 7 
Mauro ajuizou ação indenizatória em face do Hospital Bem-Estar visando à 
indenização pelas lesões decorrentes de erro médico que ocasionou a 
amputação da perna do autor. O Juiz condenou o réu a pagar a quantia de R$ 
100.000,00 a título de danos morais e materiais. Na fase executiva o exequente 
descobriu que o erro médico ocasionou também problemas em sua coluna 
vertebral e que não foram observados na sentença. Nesse caso, para fixação do 
valor da indenização correspondente à lesão na coluna o exequente deverá: 
a) Promover a liquidação por procedimento comum, considerando a 
existência de fato novo. 
b) Promover a liquidação por arbitramento, considerando a necessidade de 
prova pericial para fixar o quantum debeatur. 
c) Promover a realização de simples cálculo aritmético para se alcançar o 
valor da execução. 
d) Não há possibilidade de se incluir novos valores em fase de execução. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 65 
 
Questão 8 
Paulo ingressou com uma ação visando obter a dissolução de sociedade 
empresarial em face dos sócios Martônio e Petrúcio. Após a instrução o juiz 
julgou procedente o pedido para determinar a dissolução e a devolução dos 
valores correspondentes às cotas, lucros e investimentos em valor a ser 
apurado em sede de liquidação. Neste caso o procedimento adequado será: 
a) Simples cálculo aritmético. 
b) Liquidação de sentença coletiva. 
c) Liquidação por artigos. 
d) Liquidação por arbitramento. 
 
Questão 9 
Contra decisão que julga a liquidação de sentença cujo resultado foi igual a 
ZERO caberá: 
a) Agravo retido 
b) Apelação 
c) Agravo de instrumento 
d) A decisão é irrecorrível 
 
Questão10 
Nos autos de ação indenizatória movida por Henrique em face de Paulo, ambos 
prósperos empresários, transitou em julgado sentença de procedência do pleito 
autoral, condenando o réu ao pagamento de indenização, no montante 
equivalente a 500 salários mínimos, na data da prolação da sentença, 
acrescidos de juros legais e correção monetária. Assinale a alternativa que 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 66 
apresenta a providência a ser imediatamente adotada pelo advogado de 
Henrique (OAB/FGV VIII Exame de Ordem). 
a) Instauração da fase de liquidação de sentença por arbitramento, a fim de 
apurar o valor da condenação em moeda corrente. 
b) Instauração da fase de cumprimento de sentença, com a apresentação 
da memória de cálculo contemplando o valor da condenação em moeda 
corrente. 
c) Instauração da fase de liquidação de sentença por cálculos do contador, 
a fim de que o magistrado remeta os autos ao contador judicial, para 
que seja apurado o valor da condenação em moeda corrente. 
d) Ajuizamento de ação rescisória, a fim de que o tribunal apure o valor da 
condenação em moeda corrente. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 67 
an debeatur: Expressão em latim que significa o reconhecimento de uma 
obrigação a ser indenizada. 
 
Quantum deabeatur: Expressão em latim que significa o valor devido ou 
valor da execução. 
 
EREsp: Embargos de Declaração em Recurso Especial. 
 
REsp: Recurso Especial. 
 
 
 
Aula 2 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - B 
Justificativa: Conforme o Artigo 158 c/c Artigo 161 do CC, a resposta correta é 
fraude contra credores, devendo o credor promover ação pauliana. 
 
Questão 2 - A 
Justificativa: Conforme os Artigos 1.643 e 1.644 do CC, o marido responde com 
seus bens para satisfazer dívidas contraídas pela esposa em proveito do casal. 
 
Questão 3 - D 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 68 
Justificativa: Conforme o Artigo 566, II, do CPC, o Ministério Público é 
legitimado ativo para promover a execução, nos casos prescritos em lei. 
 
Questão 4 - A 
Justificativa: Conforme Artigo 568, I, II, III, IV e V do CPC, o devedor, 
reconhecido como tal no título executivo; o novo devedor; o espólio; o 
responsável tributário e o fiador. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: Conforme a Súmula nº 268 do STJ, é sujeito passivo na execução 
o fiador convencional, desde que tenha participado do processo na etapa de 
conhecimento. 
 
Questão 6 - C 
Justificativa: Conforme disposto no Artigo 475-A, §3º, do CPC. 
 
Questão 7 - A 
Justificativa: Conforme o Artigo 475-E do CPC a resposta correta é promover a 
liquidação por artigos, considerando a existência de fato novo. 
 
Questão 8 - D 
Justificativa: Conforme o Artigo 475-C do CPC, a resposta correta é liquidação 
por arbitramento. 
 
Questão 9 - C 
Justificativa: Conforme o Artigo 475- H do CPC a resposta correta é a terceira 
alternativa. 
 
Questão 10 - B 
Justificativa: Cabe a aplicação do procedimento indicado no artigo 523 e 
seguintes do CPC/15. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 69 
Introdução 
A penhora de bens e sua relativização são alguns dos temas mais revisitados na 
doutrina do direito processual civil moderno. Questões intrigantes chegam aos 
tribunais sobre o tema. É possível a penhora de percentual de salário? Em 
determinado processo, o juiz determinou a penhora de conta conjunta para 
pagamento de dívida de um dos cônjuges. Tem fundamento legal essa decisão? 
Esses e outros temas serão objetos desta aula, onde apresentaremos os temas 
da penhora, expropriação, suspensão e extinção da execução. Bons estudos! 
 
Objetivo: 
1. Estudar a finalidade da penhora, sua natureza jurídica e aspectos 
controvertidos. Identificar as hipóteses de impenhorabilidade relativa e 
absoluta; 
2. Compreender as formas de expropriação e suas aplicabilidades. Identificar as 
hipóteses de suspensão e extinção da execução. Estudar o fenômeno da coisa 
julgada no âmbito da execução. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 70 
Conteúdo 
Conceito de penhora 
Nas aulas anteriores, mencionamos que a execução da obrigação de pagar 
quantia certa, caso haja o inadimplemento (Artigo 786 do Código de Processo 
Civil de 2015), se resolverá através da execução forçada, que tem como forma 
de satisfação a expropriação de bens do devedor. A penhora, nesse sentido, 
tem como finalidade maior individualizar bens dentre o acervo patrimonial do 
devedor para garantir a satisfação do crédito do exequente. Dessa forma, o 
Artigo 824 do Código de Processo Civil de 2015 estabelece que a execução 
por quantia certa tem por objeto a expropriação de bens com a 
finalidade de satisfazer o direito do credor. 
 
A penhora, enquanto ato executivo, consiste na atividade judicial, que tem 
como escopo levar a constrição tantos bens quantos bastem do devedor para o 
efetivo pagamento do valor principal, custas e honorários do advogado. (Artigo 
831 do Código de Processo Civil de 2015). 
 
Dessa forma, a penhora produz efeitos processuais e materiais que repercutem 
sensivelmente no processo. 
 
Os efeitos processuais referem-se à individualização de bens do devedor 
através da apreensão, garantia do direito de preferência e conservação do bem 
penhorado através do depósito. 
 
Os efeitos materiais da penhora são a alteração do título de posse do devedor, 
que passa a ter a posse indireta do bem penhorado, a ineficácia dos atos de 
disposição de vontade e a criminalização dos atos lesivos, conforme Artigo 179 
do Código Penal. 
 
Importante ressaltar, desde logo, que um determinado bem do devedor pode 
sofrer diversas penhoras. Um veículo pode sofrer penhoras oriundas de 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 71 
processos diversos com valores também diversos. Nesse caso, segundo a regra 
do Artigo 797, §1º do CPC/2015, prevalecerá o direito de preferência 
obedecendo a ordem das penhoras realizadas. Embora o Código de Processo 
Civil estabeleçam modalidades distintas de arrestos, estes possuem natureza 
jurídica de pré-penhora e, por esta razão, não ensejam direito de preferência 
nos termos do dispositivo mencionado. 
 
Ordem de preferência da penhora 
O Artigo 835 do Código de Processo Civil de 2015 estabelece uma ordem de 
preferência que deve ser observada pelo oficial de justiça no momento que 
efetivar o ato executivo. A redação do mencionado dispositivo sugere que a 
ordem definida é relativa, pois utiliza a palavra “preferencialmente”, não sendo 
obrigatório o cumprimento da ordem definida no texto legal. Embora a lei 
coloque a penhora de valores como primeiro plano, pode efetuar diretamente a 
penhora de bens imóveis, que está na quarta ordem na escala de preferência 
do legislador. 
 
A Súmula 417 do Superior Tribunal de Justiça reforça o entendimento 
anteriormente mencionado ao afirmar que a penhora de dinheiro não tem 
caráter absoluto. Na sistemática anterior à reforma, a inobservância da ordem 
estabelecida era considerada penhora incorreta e enseja a oposição de 
embargos à execução. A reforma relativizou a ordem de preferência aplicando, 
em certa medida, o princípio da instrumentalidade das formas. 
 
A penhora se aperfeiçoa como ato executivo com a apreensão do bem 
penhorado e a respectiva lavratura do auto de penhora. No próprio ato da 
penhora, o oficial de justiça nomeará o depositário nos termos do Artigo 836, 
§2º do Código de Processo Civil de 2015. Importante ressaltar que, atualmente, 
não se admite a prisão do depositário. 
 
 
 CUMPRIMENTO DESENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 72 
Bens passíveis de penhora 
A interpretação literal e sistemática dos Artigos 789 e 831 do Código de 
Processo Civil de 2015 leva à conclusão de que todos os bens do devedor são 
passíveis de penhora, conforme abordamos na aula sobre responsabilidade 
patrimonial. No entanto, a lei exclui alguns bens da incidência da penhora, 
tornando-os impenhoráveis. A impenhorabilidade, que pode ser relativa ou 
absoluta, está regulada pelo próprio CPC e por leis extravagantes. 
 
A Lei nº 8.009/90 definiu quais bens serão considerados de família, 
gravando-os com a cláusula de impenhorabilidade absoluta. O artigo 1º 
da referida lei dispõe que tanto o imóvel residencial da entidade familiar quanto 
os bens móveis que o guarnecem são absolutamente impenhoráveis. 
 
Algumas exceções à regra estão dispostas no Artigo 3º do mesmo texto legal 
admitindo a penhora do bem de família nas execuções que tenham 
como base cobrança de impostos referente ao imóvel, dívida 
alimentícia, entre outras. 
 
Interessante questão surge quando o devedor indica um bem de família para 
penhora em determinada execução. Nesse caso, a penhora pode ser efetivada? 
O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da 
impossibilidade de efetivação da penhora, considerando que a 
impenhorabilidade constitui princípio de ordem pública prevalente sobre a 
manifestação da vontade. (REsp 875687/RS). 
 
O Artigo 833 do Código de Processo Civil de 2015 trata do rol dos bens que são 
absolutamente impenhoráveis, e o Artigo 834 do Código de Processo Civil de 
2015 do mesmo diploma trata da impenhorabilidade relativa de bens. A 
aplicação das mencionadas normas nem sempre é unívoca, suscitando 
inúmeras questões no âmbito dos tribunais estaduais, federais e nos tribunais 
superiores, notadamente no que diz respeito à relativização da 
impenhorabilidade absoluta de alguns bens. O Superior Tribunal de Justiça, no 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 73 
exercício de sua função constitucional de harmonizar a interpretação da 
legislação infraconstitucional, vem, paulatinamente, editando precedentes 
judiciais, persuasivos e/ou com efeito vinculativo sobre a temática visando 
pacificar a questão nos tribunais nacionais. 
 
Relativização da impenhorabilidade de bem de família 
A Súmula 364 do STJ ampliou o conceito de bem de família para incluir os 
imóveis pertencentes às pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas. Trata-se de 
importante interpretação do conceito de bem de família, pois se adequa 
perfeitamente com a própria transformação do conceito de família na sociedade 
contemporânea. É também considerado bem de família o imóvel em que reside 
o irmão do proprietário. 
 
A não utilização pelo proprietário de imóvel considerado bem de família não 
descaracteriza sua impenhorabilidade desde que o proveito econômico 
decorrente do aluguel seja revertido para manutenção da família ou, até 
mesmo, custear o aluguel do imóvel onde o proprietário reside, conforme 
verbete da Súmula 486 do STJ. Ainda nessa linha interpretativa, o imóvel onde 
residem familiares do devedor também não descaracteriza o bem de família. 
(REsp 1095.611). 
 
Quando se estiver diante de uma pequena empresa familiar ou microempresa, 
o referido Tribunal Superior, em decisão relativamente recente, estendeu a 
aplicação da Lei nº 8.009/90 às pessoas jurídicas visando à proteção do imóvel 
e de bens móveis e máquinas essenciais para atividade profissional. (Resp 
621399, Relator Ministro Luiz Fux). 
 
Por outro lado, a Súmula 449 desse mesmo Tribunal Superior autoriza a 
penhora de vaga de garagem, com registro próprio, por não considerá-la, para 
efeito de penhora, bem de família. O imóvel, bem de família, vazio, pode ser 
penhorado (Resp. 10055465), bem como o imóvel misto, ou seja, local em que, 
na parte inferior, funciona a empresa e, na parte superior, reside a família. A 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 74 
parte referente à empresa poderá ser penhorada sem nenhum impedimento 
legal. (REsp. 968.907). 
 
Inúmeras outras questões polêmicas sobre a penhora estão sendo julgadas 
pelo STJ, e estes julgados são balizadores das decisões proferidas pela primeira 
e segunda instância em todo território nacional. Considerando que os 
precedentes do STJ são persuasivos, as polêmicas ainda não foram 
integralmente dissolvidas neste particular. 
 
Penhora online 
A penhora online é uma das formas de virtualização dos atos processuais que 
vem sendo praticada pelos órgãos judiciais através do sistema do Bacen Jud, 
antes mesmo do acréscimo do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015, 
levado a efeito pela Lei nº 11.382/06. A penhora virtual é um importante 
avanço no que diz respeito à efetivação da tutela executiva, tendo em vista que 
dificulta manobras protelatórias do devedor. A formalização da penhora não se 
dará, necessariamente, pela juntada do auto de penhora, mas tão somente 
com a intimação do devedor para que este tome ciência da penhora eletrônica 
do numerário, conforme orientação do STJ no Resp 1.195.976-RN. 
 
No entanto, em determinados casos, como, por exemplo, aplicação virtual de 
penhora de conta conjunta ou conta-salário, surgem algumas polêmicas. É o 
que você verá a seguir. 
 
Penhora online – conta-corrente conjunta 
Inicialmente, o STJ formou entendimento no sentido de que a penhora de 
conta conjunta entre os cônjuges era admissível vez que ambos estabeleciam 
solidariedade no momento da abertura da conta. Os fundamentos 
determinantes desse precedente são evidenciados na ementa: 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 75 
A turma entendeu que é possível a penhora online do saldo total de conta-
corrente conjunta para garantir a execução fiscal, ainda que apenas um dos 
correntistas seja o responsável pelo pagamento do tributo. Salientou-se que os 
titulares da conta são credores solidários dos valores nela depositados, 
solidariedade estabelecida pela própria vontade deles no momento em que 
optam por essa modalidade de depósito. Com essas considerações, negou-se 
provimento ao recurso especial do ex-marido da devedora, com quem ela 
mantinha a conta-corrente. (Precedente citado do TST: AIRR 229140-
84.2008.5.02.0018, DJe 3/2/2011. REsp 1.229.329-SP, Rel. Min. Humberto 
Martins, julgado em 17/3/2011). 
 
Em 2014, a quarta turma do próprio STJ firmou entendimento no exato oposto 
ao anteriormente mencionado sustentando que a solidariedade não se 
presume, mas decorre de lei ou de contrato, conforme veiculado no Informativo 
nº 539. 
 
Embora a ementa do julgado seja longa, a sua colação se faz necessária para a 
adequada compreensão de sua ratio decidendi: 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ALCANCE DE PENHORA DE VALORES 
DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA CONJUNTA SOLIDÁRIA. 
 
A penhora de valores depositados em conta bancária conjunta 
solidária somente poderá atingir a parte do numerário depositado que 
pertença ao correntista que seja sujeito passivo do processo 
executivo, presumindo-se, ante a inexistência de prova em contrário, 
que os valores constantes da conta pertencem em partes iguais aos 
correntistas. De fato, há duas espécies de contrato de conta bancária: a) a 
conta individual ou unipessoal; e b) a conta conjunta ou coletiva. A conta 
individual ou unipessoal é aquela que possui titular único, que a movimenta por 
si ou por meio de procurador. A conta bancária conjunta ou coletiva, por sua 
vez, pode ser: b.1) indivisível – quando movimentada por intermédio de todos 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 76 
os seus titulares simultaneamente,sendo exigida a assinatura de todos, 
ressalvada a outorga de mandato a um ou a alguns para fazê-lo; ou b.2) 
solidária – quando os correntistas podem movimentar a totalidade dos fundos 
disponíveis isoladamente. Nesta última espécie (a conta conjunta solidária), 
apenas prevalece o princípio da solidariedade ativa e passiva em relação ao 
banco – em virtude do contrato de abertura de conta-corrente –, de modo que 
o ato praticado por um dos titulares não afeta os demais nas relações jurídicas 
e obrigacionais com terceiros, devendo-se, portanto, afastar a solidariedade 
passiva dos correntistas de conta conjunta solidária em suas relações com 
terceiros (REsp 13.680-SP, Quarta Turma, DJ 16/11/1992). Isso porque a 
solidariedade não se presume, devendo resultar da vontade da lei ou da 
manifestação de vontade inequívoca das partes (Artigo 265 do CC). Nessa linha 
de entendimento, conquanto a penhora de saldo bancário de conta conjunta 
seja admitida pelo ordenamento jurídico, é certo que a constrição não pode se 
dar em proporção maior que o numerário pertencente ao devedor da obrigação, 
devendo ser preservado o saldo dos demais cotitulares. Além disso, na hipótese 
em que se pretenda penhorar valores depositados em conta conjunta solidária, 
dever-se-á permitir aos seus titulares a comprovação dos valores que integram 
o patrimônio de cada um, sendo certo que, na ausência de provas nesse 
sentido, presumir-se-á a divisão do saldo em partes iguais. (AgRg no AgRg na 
Pet 7.456-MG, Terceira Turma, DJe 26/11/2009). (REsp 1.184.584-MG, Rel. 
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/4/2014). 
 
A decisão proferida nos parece mais acertada sobre o tema e em consonância 
com a inteligência do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015. 
 
Penhora de conta-salário 
Sem prejuízo das inovações do Código de Processo Civil de 2015, a penhora de 
conta-salário é outro tema ainda polêmico em alguns tribunais. Embora o STJ 
tenha tido orientação firme no sentido de que não admitir a penhora de conta-
salário, ratificando, à época, o Artigo 649, IV, do CPC/73, alguns julgados 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 77 
passaram a admitir a penhora de percentual desse tipo de conta. A 
possibilidade da utilização de 30 % do salário para pagamento de débitos, que 
vem sendo implementado por parte da jurisprudência dos tribunais, utiliza 
como parâmetro o próprio percentual autorizado para pagamento de 
empréstimos, consignados em conta ou cartão de crédito, descontados 
diretamente na conta, o que autoriza a retenção do mesmo percentual para 
pagamento das demais dívidas contraídas pelo devedor. 
 
Os fundamentos determinantes dos julgados que aplicam a relativização da 
impenhorabilidade dos salários e vencimentos poderão ser identificados nas 
ementas a seguir, bem como na evolução da matéria no Código de Processo 
Civil de 2015. 
 
O Código de Processo Civil de 2015 admite a penhora de salário na forma de 
seu Artigo 833,§2º. 
 
0015731-51.2011.8.19.0000 – AGRAVO DE INSTRUMENTO 
DES. MARILIA DE CASTRO NEVES – Julgamento: 18/05/2011 – VIGÉSIMA 
CÂMARA CÍVEL – TJ/RJ. 
Agravo Interno no Agravo de Instrumento alvejando Decisão proferida pelo 
Relator que negou seguimento ao recurso. Agravo de Instrumento. Ação 
Monitória. Penhora online decretada sobre valores oriundos de conta-salário da 
Executada, incidindo sobre quantia considerável de seus ganhos. 
Impossibilidade. Decisão que limitou os descontos a 30 % dos ganhos da 
Agravada. Manutenção da decisão recorrida. Precedentes do Superior Tribunal 
de Justiça e deste E. Tribunal. Decisão desprovida de ilegalidade, abuso ou 
desvio de poder, prolatada dentro da competência do relator, não passível, na 
hipótese, de modificação. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 78 
0064583-43.2010.8.19.0000 – AGRAVO DE INSTRUMENTO DES. GUARACI 
DE CAMPOS VIANNA – Julgamento: 12/05/2011 – DÉCIMA NONA CÂMARA 
CÍVEL – TJ/RJ. 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRRESIGNAÇÃO EM RELAÇÃO À DECISÃO QUE 
INDEFERIU DEVOLUÇÃO DOS VALORES PENHORADOS SOBRE SALÁRIOS. 
IMPENHORABILIDADE DE RENDIMENTOS (ART. 649, IV, DO CPC) QUE NÃO 
MAIS SE REVESTE DE CARÁTER ABSOLUTO, SENDO POSSÍVEL A CONSTRIÇÃO 
DESDE QUE RESPEITADO O LIMITE DE 30 %. PRECEDENTES DESTE TJERJ. 1. 
Note-se que a penhora da totalidade ou, como no presente caso, quase 
totalidade do salário líquido, eventualmente importaria em medida abusiva, 
sendo certo que deve ser rechaçada, pois o desconto do valor total existente na 
conta-salário viola o princípio da dignidade da pessoa humana, o que não se 
admite. 2. Decisão concessiva em sede liminar que se substitui no sentido de 
dar parcial provimento ao recurso, nos termos do Artigo 557, §1-A do CPC, para 
que a constrição se restrinja ao limite de 30 % do salário do agravante. 
 
 
Atenção 
 Penhoras especiais 
O CPC admite a penhora de créditos e outros direitos patrimoniais 
em seus Artigos 671 a 679. Admite-se, nesse cotejo, a penhora de 
crédito, tais como investimentos ou títulos de capitalização, 
conforme Artigo 671. A penhora no rosto dos autos está regulada 
no Artigo 674 do CPC. A Súmula 451 admite a penhora de 
estabelecimento comercial. 
 
Avaliação do bem penhorado 
A avaliação do bem penhorado é etapa fundamental para a efetiva 
expropriação e satisfação do crédito. A avaliação, nos termos do Artigo 870 do 
Código de Processo Civil de 2015, será feita no ato contínuo à penhora e deve 
constar no auto de penhora. Trata-se de importante mudança no que tange à 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 79 
celeridade processual e simplicidade dos atos, pois o próprio oficial de justiça 
realizará a penhora e promoverá a avaliação. No entanto, quando for 
necessário conhecimento especializado, o juiz nomeará avaliado e fixará o 
prazo de dez dias para entrega do respectivo laudo. 
 
Caso as partes discordem da avaliação do bem penhorado, podem requerer, 
fundamentadamente, a realização de nova perícia nas seguintes situações: 
• Erro ou dolo do avaliador; 
• Majoração ou diminuição do valor do bem; 
• Quando houver dúvidas sobre o valor atribuído ao bem, nos termos do Artigo 
873 do Código de Processo Civil de 2015. 
 
Por fim, o Artigo 871 do Código de Processo Civil de 2015 menciona que não 
haverá necessidade de avaliação do bem penhorado nos casos em que o 
exequente aceitar a estimativa feita pelo executado ou quando a penhora recair 
sobre títulos cujo valor esteja cotado na bolsa de valores. 
 
Expropriação 
A etapa expropriatória consiste na transferência efetiva da propriedade dos 
bens do devedor para a esfera patrimonial do credor ou de terceiros, com a 
finalidade de satisfazer, com o produto da alienação, o crédito do exequente. É 
a fase final da tutela jurisdicional executiva produzindo resultados práticos e 
sensíveis na vida do cidadão que buscou a tutela jurisdicional. 
 
O nosso ordenamento processual elenca duas modalidades de expropriação 
estabelecidas em uma ordem de preferência pelo legislador na forma dos 
Artigos 876 e 879 do Código de Processo Civil de 2015. 
 
A primeira modalidade de expropriação é a adjudicação (Artigo 876 do Código 
de Processo Civil de 2015), que tem como escopo a transferência do bem 
penhorado para o credor. Trata-se de espécie mais célere e efetiva de 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 80 
expropriação, considerando a possibilidade imediata de transferência do bem e 
a consequente satisfação do crédito do exequente. 
A segunda espécie de expropriação é a alienação particular. Nesse caso, a 
negativa do credor, no sentido de optar pela adjudicação da lei, permite a ele 
promovera expropriação através da alienação particular. 
 
A alienação particular e a adjudicação dependem de requerimento do credor. A 
reforma processual visou dar maior celeridade e efetividade à expropriação, 
possibilitando ao credor utilizar de meios mais práticos para a satisfação de seu 
crédito. 
 
Adjudicação pelo credor e por terceiros 
A adjudicação consiste na transferência de bens penhorados para o 
patrimônio do credor ou de terceiros, regida pelos Artigos 876 e 879 
do Código de Processo Civil de 2015. A adjudicação guarda estreita 
semelhança, guardada as devidas proporções, com a dação em pagamento, 
instituto de direito material que regula a quitação de dívidas com a 
transferência de domínio de determinado bem através de negócio jurídico 
realizado. Sendo o bem imóvel, o juiz expedirá a respectiva carta de 
adjudicação, e se for bem móvel, determinará a expedição do respectivo 
mandado de entrega ao adjudicatário. 
 
A adjudicação poderá ser realizada pelo exequente ou por terceiros. A 
adjudicação pelo exequente poderá ter início após a efetivação da penhora 
desde que não haja oferecimento de embargos recebido no efeito suspensivo. 
O credor informará ao juízo que tem interesse em adjudicar o bem, iniciando, 
assim, a etapa expropriatória pela via da adjudicação. Importante ressaltar que 
o credor adjudicará o bem no valor fixado na avaliação, sendo vedada a 
redução do valor. 
 
Não há prazo para que o credor opte pela adjudicação. Nesse caso, a 
interpretação sistemática do CPC nos leva à conclusão de que a adjudicação 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 81 
poderá ser realizada até a expedição do edital para alienação em hasta pública, 
nos termos do Artigo 686 do CPC/73. Para Cândido Rangel Dinamarco, 
ultrapassado o referido “prazo”, não mais poderá o credor adjudicar. Não é o 
melhor entendimento, em que pese aos substanciosos argumentos 
apresentados pelo autor. A reforma processual teve como metodologia de 
trabalho tornar a execução mais efetiva e viabilizar a satisfação do crédito. Não 
há como não se admitir a adjudicação nos casos em que a alienação em hasta 
pública não lograr êxito. 
 
O novo Código de Processo Civil superou a polêmica ao admitir a possibilidade 
de adjudicação quando frustradas as hipóteses de alienação (Artigo 878 do 
CPC/2015). 
 
É possível adjudicar bens móveis ou imóveis, embora o CPC seja silente neste 
aspecto. O importante, conforme se verifica do dispositivo legal, é a 
observância do valor da avaliação levada a efeito pelo oficial de justiça ou 
perito especializado (Artigo 876 do Código de Processo Civil de 2015). Cumpre 
observar, portanto, que, se o valor da execução corresponde a R$ 300.000,00 
(trezentos mil reais), e o credor pretende adjudicar uma sala comercial avaliada 
no valor de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais), este deverá 
depositar o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) correspondente à 
diferença entre o valor da execução e o valor avaliado do bem. Caso ocorra o 
contrário, e o valor avaliado do bem for inferior ao da execução, a execução 
prosseguirá até a satisfação do saldo remanescente. 
 
O Artigo 876,§6º do Código de Processo Civil de 2015 admite a hipótese de 
licitação de pretendentes nos casos em que um determinado bem tenha 
suportado penhoras por diversos credores ou tenha interesse o credor às 
pessoas indicadas no parágrafo 2º do referido dispositivo. Nessa hipótese, 
caberá ao juiz decidir qual dos credores ou pretendentes terá direito à 
adjudicação. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 82 
Admite-se, também, a adjudicação de quotas de sociedade empresarial, nos 
termos do Artigo 876,§7º do Código de Processo Civil de 2015. 
 
O Código de Processo Civil autoriza a adjudicação por terceiros em 
seu Artigo 876,§5º do Código de Processo Civil de 2015. Nesse caso, os 
familiares do devedor (cônjuge, descendentes ou ascendentes) poderão 
adjudicar o bem penhorado, por motivos familiares ou de valor afetivo do bem, 
depositando o valor da avaliação em juízo. O mesmo direito se estende aos 
credores com garantia real e aos credores concorrentes. 
 
Alienação 
Alienação particular 
O credor que não pretender adjudicar poderá promover a alienação por 
inciativa particular, nos termos do Artigo 879 do Código de Processo Civil de 
2015. A principal finalidade dessa norma consiste na possibilidade de alienação 
do bem penhorado pelo próprio credor ou esta ser realizada por profissional 
habilitado, com experiência comprovada no mercado, o que facilitará 
sobremaneira a celeridade da transformação do bem penhorado em dinheiro. 
A alienação particular dá maior liberdade ao credor na negociação da alienação, 
especificamente em acordos referentes à fixação de prazo, preço, comissão de 
corretagem, entre outros; entretanto, a finalização dessa modalidade de 
expropriação será feita pelo juízo mediante a fixação de prazo tanto para 
realização, como, também, para a finalização por meio de expedição de carta 
de alienação para os casos de bens imóveis, ou mandado de entrega para os 
casos de bem móvel. (Artigo 880,§1º do Código de Processo Civil de 2015). 
 
 
 
A alienação por leilão judicial ou eletrônico 
A alienação em por leilão judicial ou eletrônico (Artigo 879, II e 881 a 903 do 
CPC/2015) é a modalidade mais tradicional e historicamente complexa de 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 83 
expropriação. Ela aparece no cenário processual uma vez que não é possível a 
expropriação pela adjudicação ou pela alienação particular. 
Essa modalidade de expropriação foi inserida como terceira hipótese por ser a 
mais formal e demorada, nem sempre alcançando a finalidade de 
transformação do bem penhorado em dinheiro para satisfação do crédito, mas, 
como uma etapa ou atuação estatal importante, considerando os limites que a 
lei processual estabelece para que se satisfaça o direito do credor com 
patrimônio do executado. 
 
Alienação em hasta pública – legitimidade 
A legitimidade para lançar na alienação em hasta pública é conferida a 
quaisquer interessados, excetuando-se os insolventes, preocupando-se o 
legislador em definir, com clareza, as pessoas que são impedidas de participar, 
conforme dispõe o Artigo 520 do CPC/2015. Com efeito, o próprio credor 
poderá participar da praça ou leilão e lançar sem nenhum impedimento legal, 
observando a regra do parágrafo único do mencionado dispositivo. 
 
Arrematação 
Iniciada a sessão de leilão eletrônico ou presencial, o bem poderá ser 
arrematado pelo valor da avaliação nos casos em que não existam licitantes 
concorrentes. Na hipótese de vários licitantes, será o bem arremato por aquele 
que der o maior lanço, nos termos do Artigo 892 do CPC/2015. 
 
Não ocorrendo a arrematação na primeira praça ou leilão, o bem penhorado 
poderá ser arrematado em valor menor do que o da avaliação, não se 
admitindo a oferta vil. A interpretação literal não permite identificar o que seria 
considerado preço vil, o que suscita diversas arguições de nulidade em 
embargos de segunda fase. O STJ estabeleceu, através de sua jurisprudência, 
ser preço vil aquele inferior a 50 % do valor da avaliação (Resp 451.021/SP). O 
Novo Código de Processo Civil superou essa lacuna ao disciplinar a matéria e 
definir como preço vil aquele inferior a cinquenta por cento ao valor da 
avaliação, nos termos do Artigo 891,§Único. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 84 
A arrematação será considerada perfeita, acabada e irretratável, com a 
assinatura do auto de penhora, nos termos do Artigo 903 do CPC/2015. 
 
Da entrega do dinheiro edefesa do executado na fase 
expropriatória 
Nas hipóteses de expropriação por adjudicação por terceiro, alienação por 
inciativa particular ou leilão, o valor depositado referente à alienação levada a 
efeito será levantado pelo credor. Concorrendo vários credores, o juiz decidirá 
considerando o direito de preferência e a anterioridade da penhora. 
 
Ocorrendo alguma irregularidade após a penhora ou vícios processuais 
decorrentes da própria expropriação, conforme dispõe o Artigo 903,§1º do 
CPC/2015, o devedor poderá, no prazo de 10 dias, a contar da adjudicação, 
alienação ou leilão), apresentar simples petição. Ultrapassado o referido prazo 
caberá ao interessado impugnar o ato expropriatório mediante ação autônoma, 
em conformidade com o parágrafo 4º do mesmo art. O CPC/2015 excluiu do 
ordenamento processual os embargos de segunda fase. 
 
Usufruto de bem móvel e imóvel 
O ordenamento processual trata de possibilidade de satisfação de crédito do 
exequente através de usufruto de bens móveis ou imóveis do devedor, 
conforme dispõe do Artigo 867 do CPC/2015. A interpretação do referido 
dispositivo sugere que caberá ao juiz deferir a satisfação do débito através do 
usufruto quando este for o modo menos gravoso ao devedor. É possível, 
também, que o devedor formule tal requerimento sob o fundamento de que 
essa modalidade de expropriação constitui o modo menos gravoso. 
 
Suspensão da execução 
A finalidade maior da tutela jurisdicional executiva é a satisfação da obrigação 
fixada no título executivo através do efetivo pagamento ou do cumprimento da 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 85 
obrigação de fazer ou entrega de coisa. Em alguns casos, a execução não 
alcança sua finalidade precípua, e o processo tem sua marcha interrompida 
diante da falta de bens do devedor ou da impossibilidade de cumprimento da 
obrigação de fazer ou entrega de coisa. Diante dessa possibilidade, o Código de 
Processo Civil dispõe sobre a suspensão do processo elencando, pelo menos, 
três hipóteses em seu Artigo 921 do Código de Processo Civil de 2015. 
 
Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar do tema, conceitua a suspensão como 
sendo própria e imprópria. A suspensão própria é aquela cujo nenhum ato 
pode ser praticado. A suspensão imprópria é aquela em que, mesmo estando 
suspenso o processo, alguns atos processuais podem ser praticados. 
 
O novo Código de Processo Civil tratou da matéria absorvendo as hipóteses de 
suspensão da execução acrescentando o entendimento do Superior Tribunal de 
Justiça, sobretudo no que diz respeito ao reconhecimento da prescrição 
intercorrente. Segundo o Artigo 921 do CPC/2015 a suspensão da execução 
ocorrerá: I) nas hipóteses dos Artigos 313 e 315; II) no todo ou em parte, 
quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução; III) quando 
o executado não possuir bens penhoráveis; IV) se a alienação de bens 
penhorados não se realizar por falta de licitante e o exequente, em 15 (quinze) 
dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis, e V) 
quando concedido o parcelamento de que trata o Artigo 916. 
 
A redação do Artigo 921 inovou tão somente na hipótese de suspensão da 
execução quando o credor permanecer inerte por 15 dias após a realização 
frustrada do leilão judicial ou a alienação particular. No entanto, a nova 
legislação processual avançou consideravelmente no tratamento da prescrição 
intercorrente na tutela executiva. Segundo a regra do Artigo 921, §1º, o juiz 
suspenderá a execução, e como consequência o prazo prescricional, por, no 
máximo, 1 (um) sem que seja localizado bem do devedor. Após o decurso do 
prazo mencionado acima, os autos da execução serão arquivados e, caso não 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 86 
haja manifestação do exequente, terá início a contagem da prescrição 
intercorrente. 
O CPC/2015 absorveu integralmente a regra enunciada no verbete da súmula 
314 do Superior Tribunal de Justiça, que determina a suspensão da execução 
fiscal por 1 ano, nas hipóteses de inexistência de bens penhoráveis, e findo o 
prazo inicia-se o prazo da prescrição intercorrente. A regra traz segurança 
jurídica no sentido de se evitar que execuções tramitem indefinidamente sem 
que alcance a efetiva satisfação do débito. 
 
No tocante ao prazo da prescrição intercorrente, esse será contabilizado 
observando o mesmo prazo do direito material tutelado em juízo, conforme se 
depreende da súmula 150 do Supremo Tribunal Federal. Nos casos em que a 
execução tenha como objeto obrigação de pagar fixada em favor do segurado 
em face de determinada seguradora, apenas para exemplificar, e essa não 
tenha bens o processo será suspenso por 1 (um) ano e logo após terá início a 
contagem da prescrição intercorrente que será de 1(um) ano, considerando o 
prazo prescricional para essa natureza de direito material, nos termos do Artigo 
206,§1º, II, do Código Civil. 
 
É evidente que o credor, no período da suspensão, poderá requerer o 
desarquivamento dos autos na hipótese de localização de bens do devedor, 
promovendo os respectivos atos executivos visando a satisfação de seu crédito, 
conforme dispõe o Artigo 921,§3º do CPC/2015. 
 
Extinção da execução 
Na tutela cognitiva, o juiz poderá chegar a três possibilidades de desfecho 
legítimos da demanda: 
• Rejeitar o pedido do autor; 
• Acolher integralmente o pedido do autor; 
• Acolher, em parte, a pretensão autoral. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 87 
Na execução, onde não se busca reconhecimento de um direito, mas, sim, atos 
executivos que visem satisfazer o crédito, o desfecho natural será o 
cumprimento da obrigação e a consequente extinção da execução com 
resolução do mérito, ou seja, o efetivo pagamento. O desfecho anômalo da 
execução ocorrerá sempre nas hipóteses em que a execução suspensa por falta 
de bens seja extinta pela prescrição intercorrente, o que equivale à extinção 
sem resolução do mérito. 
 
Cumpre esclarecer, também, que a disponibilidade da execução autoriza o autor 
a desistir da execução, razão pela qual a extinção anômala, ou seja, sem o 
efetivo pagamento. 
 
O Código de Processo Civil de 2015 ratificou as hipóteses de extinção da 
execução dispostas no art. 794 do CPC/73 e ampliou o rol para incluir mais 
duas hipóteses, atribuindo maior coerência interna entre as reformas realizadas 
em todo texto normativo. Nesse contexto, o Artigo 924 dispõe que extingue-se 
a execução quando: I) a petição inicial for indeferida; II) a obrigação for 
satisfeita; III) o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da 
dívida; IV) o exequente renunciar ao crédito e V) ocorrer a prescrição 
intercorrente. 
 
O referido dispositivo legal somente regulamentou o que de fato já ocorre na 
prática forense, não inovando em nenhum instituto de direito processual. As 
hipóteses de extinção da execução por indeferimento da petição inicial, nas 
execuções de títulos extrajudiciais, e a extinção em razão da prescrição 
intercorrente já fazem parte da processualística brasileira devidamente alinhada 
com os precedentes judiciais editados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo 
Superior Tribunal de Justiça. A alteração, portanto, constitui somente em uma 
melhor sistematização das regras processuais. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 88 
Por fim, a extinção da execução somente produzirá seus efeitos quando 
declarados por sentença sendo, portanto, mantida a regra estabelecida no 
Artigo 795 do CPC/73, reproduzida no Artigo 925 do CPC/2015. 
 
Sentença e coisa julgada 
Independentemente do procedimento executivo, cumprimentode sentença ou 
processo autônomo de execução, a extinção da execução somente produzirá 
efeitos após sua declaração por sentença (Artigo 925 do CPC/2015). A sentença 
poderá ser proferida, sem resolução de mérito, na hipótese de extinção 
anômala, mencionada acima, ou mediante o efetivo pagamento do débito ou 
cumprimento da obrigação, que produzirá os mesmos efeitos que a sentença 
com resolução de mérito, com evidente natureza declaratória. 
 
Diante da similitude entre os conteúdos das sentenças nas hipóteses do Artigo 
485 e nas hipóteses do Artigo 924 do CPC/2015, alguns autores, como Rodolfo 
Hartmann, sustentam a incidência da coisa julgada, formal e material, em sede 
de execução. Mas o tema não é pacífico, admitindo entendimentos contrários 
no âmbito doutrinário. 
 
Atividade proposta 
Pedro ajuizou execução por quantia certa fundada em título extrajudicial em 
face de Manoela. Citada, a executada não pagou no prazo legal. Foi, então, 
efetivada a penhora de um imóvel de sua propriedade. A executada, então, 
manifestou-se nos autos alegando a nulidade absoluta da penhora, ao 
argumento de que o imóvel constrito seria impenhorável. Sustentou que o 
referido imóvel estaria alugado a terceiros e que, com o valor do aluguel que 
lhe era pago, custeava sua manutenção e de sua família, inclusive o aluguel do 
imóvel onde moravam. Produziu prova documental confirmando a veracidade 
de todas as suas alegações. Pedro, ouvido sobre essa manifestação, afirmou a 
penhorabilidade do imóvel, já que a devedora e sua família nele não residem. 
Como você decidiria essa questão? 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 89 
Chave de resposta: Os argumentos do devedor deverão ser acolhidos em 
razão do que dispõe a Súmula 486 do STJ. 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. 3. 
ed. v. 4. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 641-680. 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. A Execução Civil. Niterói: Editora Impetus, 
2010. p. 115-123. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
A penhora constitui ato executivo cuja finalidade é individualizar bens do 
devedor para garantir a satisfação do crédito do exequente através da 
expropriação. Assinale a alternativa correta acerca da penhora na execução 
civil. 
a) Não se admite a penhora de imóvel considerado bem de família, 
incluindo a garagem com registro próprio. 
b) O imóvel considerado bem de família poderá ser penhorado quando 
estiver alugado e o devedor não provar que o valor recebido a título de 
aluguel é utilizado para a manutenção de sua família. 
c) O imóvel de pessoa solteira, ainda que seja único e utilizado 
exclusivamente para moradia do proprietário, não é considerado bem de 
família, podendo ser penhorado livremente. 
d) O devedor pode, enquanto ato de manifestação da vontade, nomear 
bem de família à penhora nos casos de inexistência de outros bens. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 90 
Questão 2 
Numa execução por quantia certa contra devedor solvente, o oficial de justiça 
encarregado do mandado de citação esteve, por duas vezes, no domicílio do 
executado, sem o encontrar, havendo suspeita de ocultação. Nesse caso, 
deverá: 
a) Arrombar a porta e ingressar na residência para tentar a citação pessoal. 
b) Arrombar a porta e ingressar na residência para tentar a citação pessoal. 
c) Arrestar tantos bens quantos bastem para garantir a execução. 
d) Devolver o mandado sem cumprimento. 
e) Solicitar o concurso da polícia para a localização do devedor. 
 
Questão 3 
Em relação à execução: 
a) Podem ser executados os bens que a lei considera impenhoráveis ou 
inalienáveis. 
b) Entre outros, são absolutamente impenhoráveis os vestuários, bem como 
os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor. 
c) À falta de outros bens, podem ser penhorados os frutos e rendimentos 
dos bens inalienáveis, mesmo que destinados à satisfação de prestação 
alimentícia. 
d) É penhorável a quantia depositada em caderneta de poupança, de 
qualquer valor, salvo se ficar provado que se destina à futura 
aposentadoria do executado. 
e) O seguro de vida é penhorável por não ter natureza de crédito 
alimentício. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 91 
Questão 4 
De acordo com o Código de Processo Civil, na execução por quantia certa 
contra devedor solvente: 
a) Independentemente de o executado possuir advogado constituído nos 
autos, a intimação em execução far-se-á pessoalmente. 
b) O executado será citado para, no prazo de quarenta e oito horas, efetuar 
o pagamento da dívida. 
c) No caso de integral pagamento pelo executado dentro do prazo legal, a 
verba honorária será reduzida de 1⁄3. 
d) Na ordem legal de preferência de bens à penhora, os veículos de via 
terrestre preferem os bens móveis em geral, bem como os bens imóveis. 
e) A penhora pode ser substituída por fiança bancária ou seguro garantia 
judicial, em valor não inferior ao do debito constante da inicial mais 
50%. 
 
Questão 5 
Numa execução por quantia certa contra devedor solvente, o devedor possui os 
seguintes bens, individualmente suficientes para garantir a execução: um 
terreno, 200 cabeças de gado, um caminhão, títulos da dívida pública da União 
e direitos hereditários de uma casa. A penhora recairá, preferencialmente: 
a) Nas 200 cabeças de gado 
b) No terreno 
c) Nos direitos hereditários da casa 
d) No caminhão 
e) Nos títulos da dívida pública da União 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 92 
Questão 6 
Numa execução, feita a penhora e efetivada a avaliação, requereram a 
adjudicação do bem penhorado pelo valor da avaliação: o exequente, um 
credor concorrente que havia penhorado o mesmo bem, um filho do executado, 
o cônjuge do executado e o pai do executado. Procedida licitação entre os 
pretendentes, constatou-se a igualdade das respectivas ofertas. Nesse caso, 
terá preferência o: 
a) Cônjuge do executado 
b) Exequente 
c) Filho do executado 
d) Credor concorrente 
e) Pai do executado 
 
Questão 7 
No que que diz respeito à expropriação, assinale a resposta correta. 
a) O Código de Processo Civil estabeleceu como forma prioritária de 
expropriação por alienação particular. 
b) É admitido no CPC/15 ao exequente oferecer preço não inferior ao da 
avaliação requerendo que lhe sejam adjudicados os bens penhorados. 
c) O credor somente pode adjudicar o bem penhorado após a concordância 
do devedor. 
d) Na alienação por iniciativa particular, é vedado ao próprio credor 
promover a alienação dos bens. 
 
Questão 8 
Assinale a alternativa que não indique uma causa de suspensão da execução. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 93 
a) Quando deferido o parcelamento do Artigo 916 do CPC/15. 
b) Quando o devedor não possuir bens penhoráveis em processo que 
tramita perante um juízo cível. 
c) Quando os embargos são recebidos no efeito suspensivo. 
d) Quando o credor renuncia o seu crédito. 
 
Questão 9 
Sobre a concorrência entre credores, a pretender a adjudicação do mesmo bem 
penhorado, é correto dizer que: 
a) O juiz deverá adjudicar o bem penhorado ao credor que tiver oferecido o 
maior valor superior ao da avaliação. 
b) O juiz deverá adjudicar o bem ao credor em cuja execução tiver sido 
efetivada a citação do devedor em primeiro lugar, ainda que algum 
credor tenha oferecido valor superior ao da avaliação. 
c) O juiz deverá adjudicar o bem ao cônjuge, ascendente ou descendente, 
nesta ordem, ainda que algumcredor tenha oferecido valor superior ao 
da avaliação. 
d) O juiz deverá adjudicar o bem ao ascendente ou descendente, nesta 
ordem, ainda que algum credor tenha oferecido valor superior ao da 
avaliação. 
 
Questão 10 
Ambrósio oferece embargos à execução para se defender de execução de título 
extrajudicial movida por Marta. Os embargos foram recebidos em seu efeito 
suspensivo. Diante do caso, indaga-se: 
a) O processo executivo será suspenso, sendo vedada a prática de qualquer 
ato executivo. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 94 
b) O processo executivo será suspenso, admitindo, em alguns casos, a 
expropriação dos bens. 
c) A suspensão automática do processo decorrente da oposição de 
embargos não impede a prática de atos executivos, como a penhora; 
d) A suspensão do processo não impede a efetivação dos atos de penhora e 
avaliação. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 95 
Penhora online: Forma virtual de realização de penhora disponibilizada para 
os juízes. Por esse método, os valores existentes na conta do devedor são 
bloqueados por meio do sistema Bacen Jud. 
 
REsp: Recurso Especial. 
 
 
Aula 3 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - A 
Justificativa: A 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: A resposta correta é “arrestar tantos bens quantos bastem para 
garantir a execução”, conforme Artigo 653 do CPC. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – 2007 – Analista Judiciário/Área 
Judiciária. 
 
Questão 3 - B 
Justificativa: Conforme Artigo 659, III, do CPC, entre outros, são absolutamente 
impenhoráveis os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do 
executado, salvo se de elevado valor. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 5ª Região – 2012 – Analista Judiciário/Área 
Judiciária/Especialidade Execução de Mandados. 
 
Questão 4 - D 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 96 
Justificativa: Conforme Artigo 655, III, do CPC, a resposta correta é a letra D: 
“Na ordem legal de preferência de bens à penhora, os veículos de via terrestre 
preferem os bens móveis em geral, bem como os bens imóveis”. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 4ª Região – 2010 – Analista Judiciário/Área 
Judiciária. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: Conforme Artigo 655, III, do CPC. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 3ª Região – 2007 – Analista Judiciário/Área 
Judiciária. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: Embora o Artigo 685-A, §2º, do CPC não estabeleça ordem entre 
os pretendentes, entende-se que o cônjuge terá preferência, considerando a 
possibilidade de preservar bens com valor afetivo familiar. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – Março 2012 – Concurso 
público para provimento de cargos de Analista Judiciário/Área Judiciária. 
 
Questão 7 - B 
Justificativa: Conforme Artigo 692 do CPC, na alienação em hasta pública, o 
bem pode ser arrematado por valor inferior ao da avaliação, desde que seja na 
segunda praça ou leilão, e o valor ofertado não seja considerado vil. 
 
Questão 8 - D 
Justificativa: A renúncia é causa de extinção da execução, na forma do Artigo 
794, III, do CPC. 
 
Questão 9 - C 
Justificativa: Embora o Artigo 685-A, §2º, do CPC não estabeleça ordem entre 
os pretendentes, entende-se que o cônjuge terá preferência, considerando a 
possibilidade de preservar bens com valor afetivo familiar. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 97 
Questão 10 - D 
Justificativa: Previsão do artigo 876, 5º do CPC/15. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 98 
Introdução 
Já mencionamos na Aula 1 que a legislação processual foi reiteradamente 
modificada nas décadas de 1990 e 2000, tendo a tutela executiva ocupado um 
lugar de destaque, com importantes modificações pelas Leis 8952/94; 
10.444/02, 11.232/05 e, por último, da Lei 11.382/06. 
 
Acrescenta-se a isso o fato do CPC/2015 ter, para além de absorvido a 
estrutura e idealização da tutela executiva das reformas, atuou também no 
sentido acrescer importantes pontos polêmicos nos tribunais desde as reformas 
referidas acima. É que veremos na presente aula, repleta de dúvidas e 
considerações a respeito dos papéis de credor e devedor em sede da tutela de 
execução. Boa aula! 
 
Objetivo: 
1. Analisar o procedimento do cumprimento de sentença e os aspectos 
polêmicos inerentes; 
2. Estudar os principais aspectos referentes à defesa do executado no 
cumprimento de sentença. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 99 
Conteúdo 
Cumprimento de sentença 
A tutela de execução passou por diversas transformações nas últimas décadas, 
especialmente a partir de 1994; 2002 e 2005, com a edição das Leis 8952/94; 
10.444/02 e 11.232/05, que ensejaram, por assim dizer, uma nova teoria da 
execução no processo civil brasileiro. As principais características dessa nova 
execução são a simplificação de diversos atos executivos e também a criação 
do chamado processo sincrético, rompendo com duplicidade de processos 
(conhecimento e execução). 
 
A dualidade de processos constitui herança da doutrina de Eurico Tulio 
Liebman, processualista italiano, que lecionou na Universidade de São Paulo, na 
década de 70. O Código de Processo Civil de 1973 foi profundamente 
influenciado pela doutrina de Liebman, estabelecendo a dualidade processual e 
disciplinando um processo de conhecimento e um processo de execução. Desta 
forma, as Leis acima citadas, cada qual a seu tempo e impacto, possibilitaram o 
estabelecimento de um processo único, com duas fases distintas, qual seja fase 
de conhecimento e fase executiva. A reforma teve como escopo, portanto, dar 
maior efetividade à tutela executiva, dispensando atos executivos formais 
demorados e dispendiosos, que mais estimulava o inadimplemento do que a 
satisfação do crédito do exequente. 
 
A fase executiva inicia-se com o cumprimento de sentença, conforme dispõe o 
Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015, e desenvolve-se como 
continuidade da fase de conhecimento. É importante dizer que a execução de 
títulos executivos extrajudiciais permanece como um processo autônomo, pois 
a certeza, liquidez e exigibilidade já estão presentes no título extrajudicial. O 
objeto da presente aula é a execução fundada em título judicial que doravante 
será denominada de cumprimento de sentença. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 100 
Execução de títulos judiciais através de processo autônomo de 
execução 
O procedimento executivo disposto no Artigo 523 do Código de Processo Civil 
de 2015 constitui mera fase do processo sincrético através da qual serão 
realizados atos materiais para a satisfação do crédito do exequente, como foi 
estudado acima. No entanto, o ordenamento processual reconheceu a natureza 
jurídica de determinados títulos executivos como judiciais, mas exclui a 
aplicação do procedimento do cumprimento de sentença nesses casos. 
 
Assim, esses títulos são considerados judiciais pelo Artigo 515 do CPC/2015, 
porém serão executados através de um processo autônomo de execução. Com 
efeito, a sentença penal condenatória (Artigo 515, VI); a Sentença Arbitral 
(Artigo 515, VI); a Sentença Estrangeira (Artigo 515, VIII) e o acórdão 
proferido por Tribunal Marítimo (Artigo 515, X) serão executadas através de 
processo autônomo a ser distribuído no juízo competente para a respectiva 
promoção dos atos executivos. 
 
Cumprimento de sentença na tutela específica e nas obrigações 
que condenam o devedor a declarar vontade 
Cumprimento de sentença na tutela específica 
O cumprimento de sentença que reconheça obrigações de fazer,não fazer ou 
entrega de coisa, considerando que condenam o executado a realizar uma 
obrigação de fazer ou entrega de coisa será feita pelos Artigos 536 e 538 do 
Código de Processo Civil de 2015. Nesses casos o cumprimento de sentença 
não se fará pelo procedimento do Artigo 523 do Código de Processo Civil de 
2015 e sim pela sistemática dos artigos mencionados acima. 
 
Após essas breves considerações, resta claro que somente se aplica o 
procedimento do artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 nas execuções 
de quantia certa, ou seja, quando o devedor tem que pagar quantia em 
dinheiro. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 101 
Cumprimento de sentença nas obrigações que condenam o devedor a 
declarar vontade 
Quando o devedor não cumprir com sua obrigação consubstanciada na 
declaração de O CPC/75 não reproduziu a norma do art. 466 do CPC/73. 
 
O não cumprimento da obrigação por parte do devedor não acarretará nenhum 
prejuízo ao autor vez que a própria sentença produz os efeitos desejados, não 
havendo necessidade de fixação de multa para o respectivo cumprimento da 
referida obrigação. 
 
 
Atenção 
 Cumprimento de sentença – instauração do procedimento 
 
Conforme se depreende do Artigo 523 do CPC/2015, uma vez que 
a obrigação de pagar não foi cumprida voluntariamente pelo 
devedor, surge a possibilidade de se instaurar o procedimento de 
cumprimento de sentença. Segundo o mencionado artigo, se o 
devedor não pagar no prazo de quinze dias, será aplicada a multa 
de 10% e a fase executiva tem seu início. No entanto, a norma 
não é clara em diversos aspectos, suscitando diversas polêmicas 
acerca de sua aplicabilidade. 
 
 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: uma 
polêmica superada 
Uma polêmica que existia há muito na vigência do CPC/73 não mais existe no 
CPC/2015. Dizia respeito ao próprio início do procedimento de cumprimento de 
sentença. Com o estabelecimento do processo sincrético, em que a execução 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 102 
de sentença judicial é um mero desdobramento da fase de conhecimento, 
alguns autores entendem que não há necessidade do exequente promover a 
execução. Entendia segmento da doutrina que o próprio juiz podia instaurar o 
procedimento de cumprimento de sentença. Essa corrente tinha como um de 
seus defensores Fredie Didier Jr. 
 
O entendimento majoritário, capitaneado por Humberto Theodoro Jr., sustenta 
que o próprio Artigo 475-J, § 5°, é claro ao dizer que se o credor não requerer 
a execução no prazo de seis meses o juiz mandará arquivar os autos. Assim, na 
prática, dúvida parece não haver que o exequente deve promover, através de 
simples petição com os cálculos atualizados, o cumprimento de sentença. 
 
O CPC/2015 superou a polêmica definindo com clareza que o cumprimento será 
feito mediante requerimento do credor, nos termos do Artigo 513,§1º. 
 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: 
segunda polêmica superada 
A segunda polêmica superada versava sobre o momento em que o prazo de 15 
dias para o cumprimento voluntário da obrigação se inicia. Iniciava-se com a 
publicação da sentença ou tão somente com o trânsito em julgado? Segundo 
Humberto Theodoro Jr., o termo inicial do prazo para cumprimento voluntário 
da obrigação teria como referência o trânsito em julgado da decisão, ou seja, 
quando a execução estiver fundada em título judicial definitivo. Para o referido 
autor o prazo para cumprimento não se iniciava antes do trânsito em julgado. 
 
José Miguel Medina diferenciava o momento da incidência da cobrança. Para 
este autor, transcorrido o prazo de 15 dias, independente de recurso, a multa 
já incidiria. No entanto, a cobrança somente poderia ser levada a efeito no 
momento da execução forçada. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Arenhart 
entenderam que a multa incidiria após o decurso do prazo recursal, salvo nas 
hipóteses em que o recurso tem efeito suspensivo. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 103 
 
O CPC/2015 superou, também, essa divergência definindo que o devedor será 
intimado, em regra, através de seu patrono após o trânsito em julgado, nos 
termos do Artigo 513,§2º. 
 
O Superior Tribunal de Justiça, através de sua Corte Especial, ao julgar o Resp 
nº 1.059.478-RS, julgado em 15.12.10, sob a relatoria do Ministro Aldir 
Passarinho, consolidou o entendimento de que a multa não incide na execução 
provisória, sedimentando a posição de que a multa tem lugar somente após o 
trânsito em julgado. A ratio decidendi do julgado foi assim resumida: “na 
execução provisória, a parte ainda está exercendo seu direito constitucional de 
recorrer, então, não seria o momento compatível para a exigência de multa 
incidental, pois não se poderia punir a parte enquanto no gozo de seu direito 
constitucional de apelar”. Com efeito, resta evidente que a posição do STJ 
sobre o momento de incidência da multa será após o trânsito em julgado, 
possibilitando orientação clara para os tribunais estaduais. 
 
Cumprimento de sentença - instauração do procedimento: 
terceira polêmica superada 
A terceira polêmica superada diz respeito à forma através da qual o devedor 
seria intimado para efetuar a obrigação de pagar em 15 dias. Seria através de 
intimação pessoal ou através de seu advogado? A doutrina e a jurisprudência 
nunca estiveram uníssonas nesse aspecto. Alexandre Câmara entendia que o 
prazo de 15 dias devia iniciar-se com a intimação pessoal do devedor, pois é 
este quem teria que satisfazer a obrigação. O CPC/2015 superou, também, essa 
divergência definindo que o devedor será intimado, em regra, através de seu 
patrono após o trânsito em julgado (Artigo 513,§2º). 
 
Destoando desse entendimento, Humberto Theodoro Junior entende que a 
execução não é um novo processo que enseja nova citação ou intimação 
pessoal do devedor. Nesse sentido, defende o referido autor que a intimação 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 104 
deve ser feita somente através do advogado do devedor, vez que o prazo do 
Artigo 475-J é efeito legal da sentença e não fruto de assinação particular do 
juiz, donde inexiste outra intimação que não aquela normal do ato judicial ao 
advogado da parte condenada a pagar quantia certa. 
 
Luiz Guilherme Marinoni entende, também, que a intimação pode se dar 
através do patrono do devedor. Fredie Didier Jr. se filia ao entendimento de 
que a intimação deve ser feita através do patrono do devedor, conforme 
sustenta em seu Curso de direito processual civil, p. 518, v. 5. 
 
O STJ firmou orientação no sentido de que o prazo começa a contar 
independente de intimação, conforme fundamento do julgado que diz: “Não é 
necessário a intimação pessoal do condenado para que corra o prazo de 15 
(quinze dias) para o cumprimento da sentença condenatória ao pagamento da 
quantia” (STJ, 3ª Turma, Resp. nº 954.859/RS, rel. Min. Humberto Gomes de 
Barros, j. em 16.08.2007). Com efeito, segundo orientação do julgado acima, o 
prazo começa a correr do trânsito em julgado independente de intimação. 
 
O STJ firmou orientação no sentido de que o prazo começa a contar, 
independente de intimação, conforme fundamento do julgado que diz: “Não é 
necessário a intimação pessoal do condenado para que corra o prazo de 15 
(quinze dias) para o cumprimento da sentença condenatória ao pagamento da 
quantia” (STJ, 3ª Turma, Resp. nº 954.859/RS, rel. Min. Humberto Gomes de 
Barros, j. em 16.08.2007). Com efeito, segundo orientação do julgado acima, o 
prazo começa a correr do trânsito em julgado independente de intimação. 
 
Cumprimento de sentença - instauraçãodo procedimento: quarta 
polêmica superada 
Uma quarta polêmica superada dizia respeito ao pagamento de honorários 
advocatícios na fase executiva. Autores como Cândido Rangel Dinamarco e 
Alexandre Câmara defendiam a fixação de honorários na fase executiva. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 105 
Embora esse entendimento estivesse se consolidando, havia vozes dissonantes 
no sentido de entender que não seriam cabíveis honorários na fase executiva. 
O CPC/2015 dispõe, portanto, que são devidos honorários advocatícios no 
cumprimento de sentença, nos termos do Artigo 523§1º. 
 
Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora 
A penhora realizada antes da intimação do devedor foi uma das mais 
importantes alterações promovidas pela Lei nº 11.232/05, ratificada pelo 
CPC/2015. A finalidade da medida é impedir atos protelatórios do devedor que 
impeça a efetivação satisfação da obrigação de pagar. Segundo inteligência do 
caput do Artigo 523, §3º do CPC/2015, o juiz, após requerimento do credor, 
determinará a expedição do competente mandado de penhora e avaliação. 
 
Contrariamente ao que ocorre no processo autônomo de execução, o devedor 
será intimado da execução após a realização da penhora. É evidente que na 
prática forense não muito raro se verifica que a regra não é aplicada em sua 
literalidade, sendo muito comum o devedor sofrer a constrição somente após a 
sua intimação. 
 
A fase executiva terá início com a formulação do requerimento do devedor, em 
petição contendo o demonstrativo atualizado do débito, com acréscimo da 
respectiva multa legal. O credor poderá indicar bens do devedor passíveis de 
penhora, conforme dispõe o Artigo 524, VII do Código de Processo Civil de 
2015. Neste caso, poderá o credor formular requerimento de penhora virtual 
nos termos do Artigo 854 do Código de Processo Civil de 2015. 
 
 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 106 
 
Atenção 
 Importante ressaltar que todas as regras sobre a penhora 
estudada na teoria geral da execução terão ampla aplicabilidade 
no procedimento executivo de títulos judiciais, razão pela qual 
não nos estenderemos neste particular. 
 
 
 
Possíveis atitudes do executado no cumprimento de sentença 
 
Realizada a intimação do devedor, este poderá exercer as seguintes atitudes: 
pagar o débito integralmente; efetuar o depósito parcial (Artigo 523 § 2° 
CPC/2015); impugnar a execução, no prazo de 15 dias (Artigo 525 do 
CPC/2015) ou permanecer inerte. 
 
Se o devedor efetuar o pagamento integral do débito, a execução será extinta, 
nos termos do Artigo 924, II, do Código de Processo Civil de 2015. No caso de 
o devedor efetuar o pagamento parcial do débito a multa do Artigo 523,§1º do 
Código de Processo Civil de 2015 incidirá somente sobre o saldo devedor, 
prosseguindo a fase executiva em relação a este com a expropriação dos bens 
do executado para satisfação do crédito remanescente. 
 
O novo Código de Processo Civil veda expressamente a aplicação do Artigo 916 
no procedimento do cumprimento de sentença, conforme dispõe o Artigo 
916,§7º do CPC/2015. 
 
Poderá o devedor impugnar o débito e permanecer inerte. Nessa última 
hipótese a fase executiva terá prosseguimento com a expropriação dos bens 
penhorados. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 107 
 
Atenção 
 Expropriação, suspensão e extinção do cumprimento de sentença 
 
Todas as modalidades de expropriação estudadas são aplicáveis 
no procedimento do cumprimento de sentença. O credor, 
portanto, poderá adjudicar bens penhorados, promover a 
alienação particular, requerer a alienação em hasta pública ou o 
usufruto de bens móveis e/ou imóveis. 
As hipóteses de extinção e suspensão da execução (Artigos 791 e 
794 do CPC), estudadas na teoria geral da execução, incidem no 
procedimento do cumprimento de sentença. 
 
 
 
Abordagens do tema no NCPC 
TÍTULO II 
DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 
Artigo 527. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste 
Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o 
disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. 
§ 1º O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, 
provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. 
§ 2º O devedor será intimado para cumprir a sentença: 
I – pelo Diário da Justiça, na pessoa do seu advogado constituído nos autos; 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 108 
II – por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria 
Pública ou não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do 
inciso IV; 
III – por meio eletrônico, quando, sendo caso do § 1º do artigo 246, não tiver 
procurador constituído nos autos; 
 
IV – por edital, quando, citado na forma do artigo 256, tiver sido revel na fase 
de conhecimento. 
§ 3º Na hipótese do § 2º, incisos II e III, considera-se realizada a intimação 
quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao 
juízo, observado o disposto no parágrafo único do artigo 274. 
§ 4º Se o requerimento a que alude o § 1º for formulado após um ano do 
trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, 
por meio de carta com aviso de recebimento, encaminhada ao endereço que 
consta nos autos, observado o disposto no parágrafo único do artigo 274 e no § 
3º deste artigo. 
§ 5º O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, 
do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de 
conhecimento. 
Artigo 528. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o 
cumprimento da sentença dependerá de demonstração de que se realizou a 
condição ou de que ocorreu o termo. 
 
Artigo 529. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de 
acordo com os artigos previstos neste Título: 
I – as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de 
obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; 
II – a decisão homologatória de autocomposição judicial; 
III – a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer 
natureza; 
IV – o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao 
inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 109 
V – o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou 
honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; 
VI – a sentença penal condenatória transitada em julgado; 
VII – a sentença arbitral; 
VIII – a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; 
 
IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à 
carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça. 
X – o acórdão proferido pelo tribunal marítimo quando do julgamento de 
acidentes e fatos da navegação. 
§ 1º Nos casos dos incisos VI a X, o devedor será citado no juízo cível para o 
cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de quinze dias. 
§ 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e 
versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo. 
[...] Artigo 531. A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a 
protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo para pagamento 
voluntário previsto no Artigo 537. 
§ 1º Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de 
teor da decisão. 
 
§ 2º A certidão de teor da decisão deverá ser fornecida no prazo detrês dias e 
indicará o nome e a qualificação do exequente e do executado, o número do 
processo, o valor da dívida e a data de decurso do prazo para pagamento 
voluntário. 
§ 3º O executado que tiver proposto ação rescisória para impugnar a decisão 
exequenda pode requerer, a suas expensas e sob sua responsabilidade, a 
anotação da propositura da ação à margem do título protestado. 
§ 4º A requerimento do executado, o protesto será cancelado por determinação 
do juiz, mediante ofício a ser expedido ao cartório, no prazo de três dias, 
contato da data de protocolo do requerimento, desde que comprovada a 
satisfação integral da obrigação. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 110 
Artigo 532. Todas as questões relativas à validade do procedimento de 
cumprimento da sentença e dos atos executivos subsequentes poderão ser 
arguidas pelo executado nos próprios autos e nestes serão decididas pelo juiz. 
 
Parágrafo único. Contra decisão proferida na fase de cumprimento de sentença 
cabe agravo de instrumento; se essa decisão implicar extinção do processo, 
cabe apelação. 
Artigo 533. Aplicam-se as disposições relativas ao cumprimento da sentença, 
provisório ou definitivo, e à liquidação, no que couber, às decisões que 
concederem tutela antecipada. 
 
Defesa do executado no cumprimento de sentença 
Além das possíveis atitudes do devedor mencionadas acima, poderá este 
apresentar impugnação, no prazo de 15 dias, contra vícios materiais e 
processuais decorrentes do título judicial, conforme dispõe o Artigo 525, do 
Código de Processo Civil de 2015. A defesa do executado no processo 
sincrético, ao contrário do que ocorre no processo autônomo de execução, 
possui natureza jurídica de incidente processual apresentada nos próprios autos 
da execução. 
 
Efeitos da impugnação 
A impugnação será recebida sem efeito suspensivo, conforme se depreende do 
Artigo 525, §6º do Código de Processo Civil de 2015. Poderá, portanto, ser 
recebido com efeito suspensivo nos casos de risco de dano de difícil reparação 
ou de relevante fundamento. Admite-se a prática de atos executivos, mesmo na 
hipótese de efeito suspensivo, quando o credor exige caução idônea arbitrada 
pelo juiz. 
 
Quando recebida em seu efeito suspensivo, a impugnação será processada nos 
mesmos autos do cumprimento de sentença, mas na hipótese de ser aplicada a 
regra, sem efeito suspensivo, a impugnação será processada em autos 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 111 
apartados (525, §6º do Código de Processo Civil de 2015) para evitar 
procrastinação da execução. 
 
Garantia do juízo no cumprimento de sentença 
A interpretação do Artigo 475-J, § 1º, do CPC/73 conduzia à conclusões 
divergentes quanto à penhora como requisito ou não de procedibilidade para 
oferecimento da impugnação, considerando que o devedor será intimado da 
penhora. Essa interpretação ensejou polêmica, pois há certa incoerência entre 
os procedimentos de defesa do devedor na execução de títulos judiciais, que 
exige a prévia penhora, e de títulos extrajudiciais, que dispensa penhora. A 
finalidade da reforma foi dar maior satisfatividade à tutela executiva razão pela 
qual a melhor interpretação será no sentido de somente admitir a impugnação 
mediante a realização da penhora. O CPC/2015 dissolve a polêmica em seu 
Artigo 525 que assim dispõe: 
 
Artigo 525 do Código de Processo Civil de 2015. Transcorrido o prazo previsto 
no Artigo 523 do Código de Processo Civil de 2015 sem o pagamento 
voluntário, inicia-se o prazo de quinze dias para que o executado, 
independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios 
autos, sua impugnação. 
 
O CPC manteve maior coerência interna ao manter o mesmo tratamento ao 
devedor, independente do procedimento executivo que sua defesa seja 
apresentada. Na hipótese de o devedor alegar na impugnação excesso de 
execução (Artigo 525,§4º) deverá, desde logo, apontar o valor que entende 
correto mediante demonstrativo de débito. O não cumprimento desse comando 
normativo acarretará a rejeição liminar da impugnação, nos termos do Artigo 
525, § 5º, do CPC/2015. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 112 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE 
SENTENÇA POR EXCESSO DE EXECUÇÃO. RECURSO REPETITIVO (ART. 
543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). 
Na hipótese do art. 475-L, § 2º, do CPC, é indispensável apontar, na petição 
de impugnação ao cumprimento de sentença, a parcela incontroversa do 
débito, bem como as incorreções encontradas nos cálculos do credor, sob 
pena de rejeição liminar da petição, não se admitindo emenda à inicial. O art. 
475-L, § 2º, do CPC, acrescentado pela Lei 11.232/2005, prevê que “Quando o 
executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior 
à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende 
correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação”. Segundo entendimento 
doutrinário, o objetivo dessa alteração legislativa é, por um lado, impedir que o 
cumprimento de sentença seja protelado por meio de impugnações infundadas e, por 
outro lado, permitir que o credor faça o levantamento da parcela incontroversa da 
dívida. Sob outro prisma, a exigência do art. 475-L, § 2º, do CPC é o reverso da 
exigência do art. 475-B do CPC, acrescentado pela Lei 11.232/2005. Este dispositivo 
estabelece que, se os cálculos exequendos dependerem apenas de operações 
aritméticas, exige-se que o credor apure o quantum debeatur e apresente a memória 
de cálculos que instruirá o pedido de cumprimento de sentença – é a chamada 
liquidação por cálculos do credor. Por paridade, a mesma exigência é feita ao devedor, 
quando apresente impugnação ao cumprimento de sentença. Além disso, o STJ tem 
conferido plena efetividade ao art. 475-L, § 2º, do CPC, vedando, inclusive, a 
possibilidade de emenda aos embargos/impugnação formulados em termos genéricos 
(EREsp 1.267.631-RJ, Corte Especial, DJe 1/7/2013). Por fim, esclareça-se que a tese 
firmada não se aplica aos embargos à execução contra a Fazenda Pública, tendo em 
vista que o art. 475-L, § 2º, do CPC não foi reproduzido no art. 741 do CPC. 
Precedentes citados: REsp 1.115.217-RS, Primeira Turma, DJe 19/2/2010; AgRg no Ag 
1.369.072-RS, Primeira Turma, DJe, 26 set. 2011. REsp 1.387.248-SC, Rel. Min. 
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 07.05.2014. 
 
 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 113 
Cumprimento de sentença: requerimento inicial e penhora 
Realizada a intimação do devedor, este poderá ter as seguintes atitudes: 
 
 
Matérias que podem ser deduzidas na impugnação 
O Artigo 525,§1º do Código de Processo Civil de 2015 é taxativo ao elencar as 
matérias que poderão ser veiculadas na impugnação. Buscou o legislador 
processual evitar que as discussões superadas na fase de conhecimento fossem 
reanimadas pelo devedor na fase executiva, retardamento ao processo ou 
causando prejuízo à efetividade da jurisdição. 
O Artigo 525,§12 do Código de Processo Civil de 2015 criou uma nova espécie 
de inexigibilidade de título executivo judicial. Trata-se da hipótese de 
declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que serviu como 
fundamento da sentença que reconheceu a obrigação a ser executada. Nesse 
caso, a coisa julgada inconstitucional poderá ser veiculada através da 
impugnação, considerando o Verbete nº 487 do Superior Tribunal de Justiça. 
 
Procedimento da impugnação 
Apresentado o incidente de impugnação, a fase executiva terá seu curso normal 
com a expropriação dos bens do devedor, salvo se este alegar que o 
prosseguimentoda execução pode causar danos de difícil reparação, conforme 
dispõe o Artigo 525,§6º do Código de Processo Civil de 2015. Nestes casos, a 
execução será suspensa até o julgamento final do incidente. Caso haja 
interesse do exequente em prosseguir na execução após a suspensão, este 
deve prestar caução nos termos do Artigo 525,§10 do Código de Processo Civil 
de 2015. Após a instrução, o juiz resolverá a impugnação acolhendo ou 
rejeitando a tese do devedor. 
 
Natureza jurídica da decisão que julga a impugnação e recurso cabível 
A natureza jurídica da decisão que resolvia a impugnação possuía natureza 
híbrida na CPC/73. Será sentença quando acarretar a extinção da execução, 
como nos casos de do título, ou era interlocutória, quando inexigibilidade não 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 114 
provocava a extinção da execução, como nos casos de penhora incorreta. 
Assim, na primeira hipótese o recurso cabível seria a Apelação, e na segunda 
seria cabível recurso de Agravo de Instrumento, na forma do previsto no artigo 
475-M, § 3º, do CPC/73. O CPC/2015 alterou o regime no sentido de 
determinar que o recurso cabível, independente da natureza, será Agravo de 
Instrumento (Artigo 1.015, parágrafo único do CPC/2015). 
 
OBJEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE 
Durante muitos anos os devedores tinham também ao alcance uma defesa 
processual construída pela doutrina e jurisprudência, denominada de Objeção 
ou Exceção de Pré-Executividade. Trata-se de uma defesa, deduzida a qualquer 
tempo, quando a matéria a ser alegada for de ordem pública. Essa modalidade 
de defesa não encontra respaldo no ordenamento jurídico-processual 
infraconstitucional brasileiro, mas tem fundamento constitucional, sobretudo no 
princípio do amplo acesso à justiça, Artigo 5°, XXXV, CF/88. 
 
A objeção de pré-executividade foi consolidada em nosso sistema processual 
para possibilitar ao devedor apresentar defesa sem necessidade de se garantir 
o juízo. Com efeito, com a dispensa da exigência da garantia do juízo prevista 
no então artigo 736 do CPC/73, certo segmento doutrinário apontou para a 
extinção da objeção de pré-executividade. Esta não nos parece a melhor 
solução para esta questão. A referida objeção ainda permanecerá, mesmo após 
a reforma processual, pois sobre as matérias de ordem pública não opera a 
preclusão, podendo o devedor apresentar a defesa mesmo após o esgotamento 
do prazo de 15 dias para apresentar impugnação. 
 
Segundo dispõe o Artigo 525, §11º, o devedor poderá apresentar, através de 
simples petição, questões supervenientes após o término do prazo para 
impugnação, como também as relativas à validade e à adequação da penhora, 
da avaliação e dos atos executivos subsequentes. Não há dúvidas que o novo 
CPC introduziu modalidade de defesa do devedor equivalente à objeção de pré-
executividade, possibilitando ao devedor discutir vícios identificados 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 115 
posteriormente ao transcurso do prazo para impugnação. O devedor poderá 
apresentar a objeção no prazo de 15 dias a contar da ciência do ato ou fato. 
Nesse contexto, o novo código regulamentou modalidade de defesa do devedor 
assimilada há tempos pela cultura jurídica processual brasileira. 
 
Abordagens do tema no NCPC 
Artigo 539. Transcorrido o prazo previsto no artigo 537 sem o pagamento 
voluntário, inicia-se o prazo de quinze dias para que o executado, 
independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios 
autos, sua impugnação. 
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: 
I – falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu 
à revelia; 
II – ilegitimidade de parte; 
III – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
IV – penhora incorreta ou avaliação errônea; 
V – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
VI – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VII – qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, 
novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes ao 
trânsito em julgado da sentença. 
 
§ 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 
146 e 148. 
§ 3º Aplica-se à impugnação o disposto no artigo 229. 
§ 4º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, 
pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de 
imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo 
discriminado e atualizado de seu cálculo. Não apontado o valor correto ou não 
apresentado o demonstrativo, a impugnação será liminarmente rejeitada, se o 
excesso de execução for o seu único fundamento; se houver outro fundamento, 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 116 
a impugnação será processada, mas o juiz não examinará a alegação de 
excesso de execução. 
§ 5º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, 
inclusive os de expropriação. O juiz poderá, entretanto, a requerimento do 
executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito 
suficientes, atribuir à impugnação efeito suspensivo, se relevantes seus 
fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível 
de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. A concessão 
de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de 
reforço ou redução da penhora e de avaliação dos bens. 
 
§ 6º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito apenas 
a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. 
§ 7º A concessão de efeito suspensivo à impugnação por um dos executados 
não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o 
respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante. 
§ 8º Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente 
requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios 
autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. 
§ 9º As questões relativas a fato superveniente ao fim do prazo para 
apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à 
adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, 
podem ser arguidas pelo executado por simples petição. Em qualquer dos 
casos, o executado tem o prazo de quinze dias para formular esta arguição, 
contado da comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. 
 
§ 10. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se 
também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado 
em lei ou ato normativo considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal 
Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo 
tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição 
Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 117 
§ 11. No caso do § 10, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal 
poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica. 
§ 12. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 10 deve ter sido 
proferida antes do trânsito em julgado da decisão exequenda; se proferida após 
o trânsito em julgado, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do 
trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
Artigo 540. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o cumprimento da 
sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que entender 
devido, apresentando memória discriminada do cálculo. 
§ 1º O autor será ouvido no prazo de cincodias, podendo impugnar o valor 
depositado, sem prejuízo do levantamento do depósito a título de parcela 
incontroversa. 
§ 2º Concluindo o juiz pela insuficiência do depósito, sobre a diferença incidirão 
multa de dez por cento e honorários advocatícios, também fixados em dez por 
cento, seguindo-se a execução com penhora e atos subsequentes. 
§ 3º Se o autor não se opuser, o juiz declarará satisfeita a obrigação e 
extinguirá o processo. 
Artigo 541. Aplicam-se as disposições deste Capítulo ao cumprimento provisório 
da sentença, no que couber. 
 
Atividade proposta 
Manoel adquiriu e pagou rigorosamente as prestações do imóvel de Construtora 
Real Ltda. Por encontrar-se o bem pronto, as chaves foram entregues ao 
adquirente. Instado a celebrar a escritura definitiva, em razão da quitação do 
preço, o construtor evita, com evasivas, celebrar o pacto definitivo. Proposta a 
ação por Manoel de obrigação de fazer – emitir declaração de vontade - 
(celebrar a escritura definitiva) ficou comprovada a mora da construtora, pelo 
que o juiz julgou procedente o pedido e condenou o réu a celebrar a escritura 
definitiva no prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 500,00. Indaga-
se: Cabe a aplicação de multa neste caso? 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 118 
Chave de resposta: Não é cabível a fixação de multa considerando que a 
própria decisão judicial, considerando sua auto aplicabilidade, atinge o 
resultado prático equivalente pretendido pelo credor. 
 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre o tema desta aula, leia o artigo Impugnação 
total e parcial, de Paulo Henrique Lucon, publicado no site do 
Instituto Brasileiro de Direito Processual. 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
CÂMARA, Alexandre de Freitas. Lições de direito processual civil. 22. ed. 
São Paulo: Atlas, 2013. p. 347/350. v. 3. 
DIDIER JR., Fredie et al. Curso de processo civil. Salvador: JusPodivm, 2009. 
p. 514/530. v. 5. 
MARINONI, Luiz Guilherme. Execução. 2. ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2008. p. 235/251. 
MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2008. p. 214/222. 
 
 
 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
(XII Exame de Ordem Unificado – FGV) 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 119 
O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado 
à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a 
execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um 
processo misto que não é mais nem puramente cognitivo nem puramente 
executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena 
fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda 
tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que 
contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. 
a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos 
créditos inscritos na forma da lei. 
b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela 
Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. 
c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de 
obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. 
d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de 
imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas 
de condomínio. 
 
Questão 2 
A reforma do processo de execução trazida pela Lei nº 11.232/05 rompeu com 
o formalismo processual e estabeleceu o denominado processo sincrético, onde 
a execução de sentença passou a ser mera fase processual. Dentre as 
alternativas abaixo assinale a que corresponde à sentença que deverá ser 
executada através de processo autônomo de execução: 
a) Sentença estrangeira devidamente homologada pelo STJ. 
b) Sentença que condena em obrigação de entrega de coisa. 
c) Sentença penal condenatória, impugnada mediante recurso de apelação. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 120 
d) Sentença que condena o réu a pagar quantia certa. 
 
Questão 3 
De acordo com as alterações promovidas pela Lei nº 11.232/2005, assinale a 
alternativa correta acerca da fase de cumprimento de sentença (XLVI Concurso 
Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado Rio de Janeiro). 
a) Considera-se inexigível o título judicial cujo fundamento foi arquitetado 
em dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, 
em controle concentrado de constitucionalidade. 
b) Na execução provisória da sentença, é vedada a alienação de 
propriedade, ainda que o exequente preste caução. 
c) A sentença arbitral é considerada, para todos os efeitos, título executivo 
extrajudicial. 
d) Não se admite impugnação ao cumprimento de sentença, em qualquer 
hipótese, com fundamento na ilegitimidade da parte. 
 
Questão 4 
Sobre o procedimento do cumprimento de sentença é correto afirmar: 
a) O credor deverá promover a execução do julgado no prazo de 60 dias, 
sob pena de arquivamento dos autos da execução. 
b) É vedado ao devedor efetuar pagamento parcial do débito no prazo de 
15 dias. 
c) A multa do Artigo 475-J poderá ser aplicada nas execuções que 
reconheçam obrigação de declarar vontade. 
d) O exequente poderá, no requerimento da execução, indicar bens do 
devedor passíveis de penhora. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 121 
Questão 5 
O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de determinar o 
termo inicial para a contagem do prazo de 15 dias para o pagamento da dívida 
na execução de títulos judicias. Assinale a alternativa que corresponde à 
orientação do STJ: 
a) O prazo de 15 dias fluirá a partir da intimação pessoal do devedor; 
b) A fluência do prazo fluirá a partir da intimação do advogado do devedor 
pelo Diário Oficial; 
c) Contar-se-á da publicação da sentença; 
d) Contará a partir do trânsito em julgado independente de intimação 
pessoal do devedor. 
 
Questão 6 
Assinale a alternativa correta, que contempla apenas matérias que podem ser 
alegadas em impugnação: 
a) Falta ou nulidade de citação e penhora incorreta. 
b) Impedimento e suspeição do magistrado. 
c) Penhora incorreta e impedimento do magistrado. 
d) Incompetência relativa e pagamento da dívida. 
 
Questão 7 
A impugnação oferecida pelo devedor no procedimento do cumprimento de 
sentença será rejeitada liminarmente na seguinte hipótese: 
a) Quando apresentada sem o devido recolhimento das custas processuais. 
b) Nos casos em que o devedor utilizar como fundamento o excesso de 
execução e não apontar o valor que entende correto. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 122 
c) Quando o devedor não nomeia antecipadamente bens à penhora. 
d) Quando não estiverem presentes os requisitos legais da petição inicial. 
 
Questão 8 
Contra decisão que acolher a alegação de erro de penhora e avaliação incorreta 
caberá qual recurso: 
a) Agravo de instrumento, considerando que se trata de decisão que 
resolve questões incidentes na fase executiva. 
b) Agravo retido, vez que se trata de incidente na fase executiva e o 
julgamento imediato acarretará demora injustificada na prestação da 
tutela jurisdicional. 
c) Apelação, considerando que a fase executiva será extinta. 
d) Reclamação, considerando que em sede de execução não cabe 
interposição de recursos. 
 
Questão 9 
José promove execução de quantia certa contidaem título judicial em face do 
Banco Investimento Seguro. Após a intimação o Banco devedor ofereceu 
impugnação apresentando argumentos acerca da inexigibilidade do título, a 
qual foi recebida pelo juiz com o respectivo efeito suspensivo, independente de 
requerimento do devedor. Diante do caso assinale a assertiva correta sobre a 
decisão do Juiz: 
a) O juiz agiu corretamente, uma vez que o efeito suspensivo é a regra na 
execução de títulos judiciais. 
b) O juiz agiu de forma incorreta, pois não se admite efeito suspensivo 
automático da impugnação, excetuando-se as hipóteses de relevantes 
fundamentos ou risco de danos alegados pelo devedor. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 123 
c) Agiu corretamente, considerando que cabe ao juiz de ofício atribuir efeito 
suspensivo quando se tratar de defesa de pessoa jurídica. 
d) Agiu de forma incorreta, pois não há previsão legal acerca dos efeitos da 
impugnação. 
 
Questão 10 
A impugnação será processada nos mesmos autos do processo sincrético 
quando: 
a) Versar sobre matérias de ordem pública. 
b) Tiver como fundamento a inexigibilidade do título. 
c) Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação é lícito ao exequente 
requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos 
próprios autos caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. 
d) Quando for recebido sem efeito suspensivo e o juiz determinar a prática 
de atos executivos mediante caução idônea. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 124 
Penhora online: Forma virtual de realização de penhora disponibilizada para 
os juízes. Por esse método, os valores existentes na conta do devedor são 
bloqueados por meio do sistema Bacen Jud. 
 
REsp: Recurso Especial. 
 
 
Aula 4 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - C 
Justificativa: A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência 
de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia, conforme 
Artigo 475-J do Código de Processo Civil. 
 
Questão 2 - A 
Justificativa: A sentença estrangeira homologada pelo STJ será executada na 
Justiça Federal (Artigo 109, X, da CF/88) através de processo autônomo de 
execução. 
 
Questão 3 - A 
Justificativa: Considera-se inexigível o título judicial cujo fundamento foi 
arquitetado em dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal 
Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, conforme Artigo 475-
L,§ 1º , do CPC. 
 
Questão 4 - D 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 125 
Justificativa: O exequente poderá, no requerimento da execução, indicar bens 
do devedor passíveis de penhora, conforme Artigo 475-J, § 3º, do CPC. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: Conforme fundamentos do Resp. nº 954.859/RS. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: Falta ou nulidade de citação e penhora incorreta, conforme Artigo 
475-L do Código de Processo Civil. 
 
Questão 7 - B 
Justificativa: Conforme Artigo 475- L, § 2º, do Código de Processo Civil, nos 
casos em que o devedor utilizar como fundamento o excesso de execução e 
não apontar o valor que entende correto. 
 
Questão 8 - A 
Justificativa: A resposta correta é agravo de instrumento, considerando que se 
trata de decisão que resolve questões incidentes na fase executiva, conforme 
Artigo 475-M, § 3º, do Código de Processo Civil. 
 
Questão 9 - B 
Justificativa: Conforme o Artigo 475-M, do Código de Processo Civil, o juiz agiu 
de forma incorreta, pois não se admite efeito suspensivo automático da 
impugnação, excetuando-se as hipóteses de relevantes fundamentos ou risco 
de danos alegados pelo devedor. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: Deve-se observar o disposto no artigo 525, §10 do CPC/15. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 126 
Introdução 
A execução de títulos extrajudiciais foi objeto de diversas reformas processuais, 
visando dar maior efetividade ao adimplemento de obrigações de pagamento 
de reconhecidas em documentos hábeis a ensejar processos autônomos de 
execução. Assim, vamos abordar nesta aula os atos processuais na execução de 
títulos extrajudiciais, bem como as inovações trazidas pela reforma processual. 
 
Objetivo: 
1. Estudar o procedimento para execução de títulos extrajudiciais; 
2. Identificar as principais características do processo autônomo de execução; 
3. Compreender as técnicas de defesa do executado no processo autônomo de 
execução e as matérias que podem ser alegadas em sede de defesa do 
executado. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 127 
Conteúdo 
Execução de títulos extrajudiciais 
As disposições gerais para o exercício do direito de ação para fins de execução 
dos títulos extrajudiciais vem regulado a partir do art. 771 e seguintes do CPC. 
Diante do inadimplemento, surge para o credor o interesse de agir no sentido 
de buscar, através da tutela jurisdicional executiva, a satisfação de seu crédito 
mediante a prática de atos executivos levados a efeito pelo Estado. 
 
Petição inicial 
O procedimento executivo de título extrajudicial tem início com a petição inicial. 
Diferente do cumprimento de sentença, em que a execução terá início com 
simples requerimento do credor, nos termos do Artigo 513§1º do Código de 
Processo Civil de 2015, na execução de título extrajudicial, o juiz terá primeiro 
contato com a causa através da petição inicial, que deverá ser elaborada 
conforme os requisitos dos Artigos 319 e 798 do Código de Processo Civil de 
2015. A petição inicial deverá conter necessariamente o título executivo 
extrajudicial, bem como o demonstrativo do débito atualizado. Não há 
necessidade de se prolongar na descrição do fato constitutivo do direito do 
credor, pois o título executivo é contundente na descrição da obrigação. 
 
 
Atenção 
 O interesse de agir como condição da ação, nessa hipótese, tem 
como fundamento principal o inadimplemento. Caso a petição inicial 
não esteja em conformidade com os Artigos 798 e 799 do Código de 
Processo Civil de 2015 ou que não esteja acompanhada dos 
documentos indispensáveis, o juiz determinará a emenda à inicial no 
prazo de 15 dias, consoante se depreende da regra do Artigo 801 do 
Código de Processo Civil de 2015. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 128 
Ao contrário do que ocorria na sistemática processual anterior à Lei nº 
11.382/06, o credor poderá indicar os bens do devedor passíveis de penhora, 
nos termos do Artigo 798, II, “C” do Código de Processo Civil de 2015. Trata-se 
de inversão procedimental voltada para a efetividade da execução, pois, no 
sistema anterior, o devedor era citado para pagar ou indicar bens à penhora. 
Com a reforma processual, inverte-se o ônus da indicação de bens para o 
credor, evitando, desta forma, atitudes procrastinatórias do devedor. 
 
Distribuída a inicial, o juiz, ao despachar, deverá fixar, desde logo, os 
honorários advocatícios (Artigo 827 do CPC/2015). Em verdade, essa regra já 
constava em nosso ordenamento processual anterior, vez que o Artigo 20, §4 
do CPC/73 já determinava a fixação de honorários em execuções embargadas 
ou não. No entanto, a redação do mencionado Artigo 652-A do CPC/73 
reforçava a intenção do legislador no que concerne à necessidade de fixação de 
honorários. A inovação da Lei nº 11.382/2006 nesse aspecto referia-se à 
redução da verba honorária nos casos de pagamento do valor executado no 
prazo legal. O CPC/2015 manteve no Artigo 827,§1º no, o pagamento integral 
no prazo legal reduzirá pela metade a verba honorária. 
 
Embora não comungamos dessa opção do legislador, que busca estimularo 
pagamento subtraindo da verba honorária do profissional do direito, não restam 
dúvidas de que o intuito é estimular o adimplemento da obrigação evitando 
atos executivos desnecessários e despiciendos. 
 
Por fim, importante observar que o credor poderá requerer, nos termos do 
Artigo 828 do Código de Processo Civil de 2015, no momento da distribuição, a 
expedição de certidão comprobatória do ajuizamento da demanda executiva 
para fins de dar publicidade ao ato perante os órgãos de registros de bens, 
como Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e RGI (Registro Geral de 
Imóveis), e, assim, evitar alienações fraudulentas. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 129 
Citação do devedor 
Distribuída a petição inicial e exarado despacho positivo, o devedor será citado 
para efetuar o pagamento no prazo três dias, em conformidade com o Artigo 
829 do Código de Processo Civil de 2015. Considerando que a execução de 
títulos extrajudicial é realizada através de processo autônomo, a citação será 
ato por excelência, que dará ciência ao devedor da existência da demanda 
executiva ajuizada. 
 
A citação deverá ser promovida pelo correio, em conformidade com o Artigo 
246 do CPC/2015. O novo código não manteve o regime de citação do CPC/73, 
que não admitia citação pelo correio em sede de execução nos termos do Artigo 
222, “d”. Não obstante, a citação poderá se efetuada por oficial de justiça 
quando frustrada a citação pelo correio; nas hipóteses de o devedor residir em 
local não atendida pelos serviços de entrega domiciliar ou se assim quiser o 
exequente. Nesse contexto, tem plena aplicabilidade o verbete da súmula 196 
do Superior Tribunal de Justiça que autoriza a realização de citação ficta na 
execução admitindo-se, portanto, a citação por edital ou por hora certa. 
 
Os efeitos materiais e processuais da citação elencados no Artigo 240 do 
CPC/2015 são estendidos para a execução. No entanto, havia no Código de 
Processo Civil de 1973 uma substancial diferença no que se refere à interrupção 
do prazo prescricional. No processo de conhecimento a citação válida tem como 
um dos seus efeitos materiais e interrupção da prescrição, conforme caput do 
Artigo 219 do CPC/73. Na tutela executiva, a interrupção da prescrição ocorrerá 
com distribuição da execução, em conformidade com o Artigo 617 do CPC/73. 
Essa regra tem como finalidade evitar que atitudes do devedor no sentido de 
inviabilizar a citação fulmine a pretensão do exequente. 
 
Imagine que um determinado credor possui um cheque e promove a execução 
no 5º mês, portanto, antes do prazo prescricional. O devedor somente foi 
citado 06 anos depois. Neste caso não haverá possibilidade de se alegar a 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 130 
prescrição vez que o prazo foi interrompido no exato momento da propositura 
da ação de execução. 
 
A Lei nº 13.105/2015 deu tratamento mais harmônico à temática, 
estabelecendo um critério único para se identificar o momento em que se opera 
a interrupção da prescrição. Dessa forma, a prescrição será interrompida a 
partir do despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo 
incompetente. A regra é exatamente a mesma para a fase de conhecimento 
(Artigo 240§1º) e para execução de títulos extrajudiciais (Artigo 802). 
 
Faz-se prudente registrar que o respectivo Mandado de Citação, Penhora e 
Avaliação deve conter informações claras acerca das possíveis atitudes do 
devedor. Primeiramente deve constar que a obrigação de pagar deve ser 
cumprida no prazo de 03 dias e que se assim for feito o devedor obterá o 
benefício da redução pela metade dos honorários advocatícios (Artigo 827,§1º 
do CPC/2015). É evidente que a ausência de informação no sentido da redução 
da verba honorária não acarreta nulidade da citação, mas reduz a incidência da 
norma que se pretende efetivar. 
 
 
Atenção 
 Importante, também, que conste do mandado a intimação para 
oferecimento dos embargos à execução nos termos do Artigo 914 
do CPC/2015. Com o advento da reforma processual, a 
obrigatoriedade de garantia do juízo para oferecimento dos 
embargos foi excluída do nosso ordenamento processual. Assim, 
não haverá mais a intimação da penhora, realizada após a 
citação, como termo para contagem do prazo para oposição de 
embargos. Considerando que não há mais a garantia do juízo 
como requisito de procedibilidade dos embargos à execução, a 
intimação do devedor para apresentar sua defesa deve constar do 
mandado de citação para que o devedor, na hipótese de não 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 131 
pretender efetuar o pagamento, exerça sua defesa através dos 
embargos. 
 
Parcelamento da dívida 
Segundo inteligência do Artigo 916 do CPC/2015, o devedor, no prazo para 
apresentação dos embargos, poderá, mediante a comprovação do pagamento 
de 30% do valor da dívida, requerer o parcelamento do débito restante em até 
seis vezes, com juros e correção monetária. Percebe-se que o legislador da 
reforma processual privilegiou os meios de incentivar o devedor a adimplir a 
obrigação com a redução de honorários e a possibilidade de parcelamento da 
dívida, o que não existia na sistemática anterior. 
 
A interpretação da regra citada nos parece mais adequada e de acordo com 
proposta do legislador da reforma da execução, que visou aplicar a ponderação 
entre o princípio da efetividade da execução em favor do exequente, e o 
princípio da menor onerosidade possível em favor do executado. 
 
O Código de Processo Civil de 2015 tratou do tema de forma pormenorizada 
evitando dúvidas acerca da sua aplicabilidade. Segundo caput do Artigo 916, o 
devedor poderá formular requerimento do respectivo parcelamento em até 6 
(seis) vezes, comprovando o depósito de 30% do valor em execução, acrescido 
de custas e de honorários advocatícios. Realizado o requerimento o exequente 
será intimado para se manifestar, em 5 (cinco) dias acerca do preenchimento 
dos pressupostos mencionados acima. Considerando a demora no 
processamento dos atos processuais em algumas serventias, a lei dispõe que 
enquanto o requerimento não for apreciado deverá o executado providenciar o 
depósito das parcelas vincendas, sendo facultado ao credor o levantamento da 
quantia já depositada. 
 
A possibilidade de manifestação prévia do credor constitui inovação importante 
do novo código. O somente apreciará o requerimento após o pleno 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 132 
contraditório sobre a proposta de parcelamento levado a efeito pelo devedor. 
Caso a proposta seja deferida, o exequente levantará a quantia depositada e os 
atos executivos serão suspensos (Artigo 916,§3º). Na hipótese de 
indeferimento, a execução prosseguirá, convertendo-se o depósito efetuado em 
penhora (Artigo 916,§4º). 
 
Caso haja o inadimplemento de quaisquer parcelas acarretará o vencimento das 
parcelas subsequentes e o consequente prosseguimento da execução além da 
multa de 10% sobre o saldo devedor. Não houve alterações substanciais nesse 
aspecto. 
 
Arresto 
Quando o devedor não for encontrado no endereço informado, mas localize 
bens deste, o Oficial de Justiça, amparado pela regra do Artigo 830 do Código 
de Processo Civil de 2015, poderá, mediante autorização do juiz, proceder ao 
arresto de bens visando garantir a execução. 
 
O arresto de bens não configura a penhora propriamente dita, mas tão somente 
uma garantia da execução ou pré-penhora. Por outro lado, o arresto executivo 
do Artigo 830, que possui natureza de ato executivo, que integra o rol das 
medidas cautelares sem finalidade satisfativa. 
 
No processode conhecimento, onde o autor visa obter o acolhimento de sua 
pretensão, existem outras técnicas de dar ciência ao réu da existência do 
processo movido contra si, podendo inclusive ser considerado revel, na hipótese 
de inércia. No processo autônomo de execução, a presunção em favor do 
credor está evidenciada no título extrajudicial, onde consta uma obrigação 
certa, líquida e exigível. Essa tênue, mas importante, diferença quanto à 
certeza da obrigação autoriza a invasão, pelo Estado, do patrimônio do devedor 
nas hipóteses de não localização do devedor. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 133 
Realizado o arresto, o oficial de justiça deverá procurar o devedor, por três 
vezes, no prazo de 10 dias, para dar-lhe ciência da diligência realizada. Na 
hipótese de não localização do devedor, o credor deverá promover a citação 
editalícia do devedor. A citação por edital, contudo, somente deve ser realizada 
após o esgotamento de todas as vias possíveis de localização do devedor, 
conforme interpretação por analogia da Súmula 414 do STJ. Ultrapassado o 
prazo para manifestação do devedor, o arresto executivo se converte em 
penhora e estará sujeito às modalidades de expropriação elencadas. 
 
Penhora e avaliação de bens 
Esgotado o prazo para o pagamento voluntário da obrigação, o Oficial de 
Justiça procederá à imediata penhora de bens, tantos quanto bastem para 
garantia da execução, em conformidade com Artigo 829§ 1º do CPC/2015. Para 
melhor compreensão acerca da dinâmica do ato citatório necessário se faz 
esclarecer alguns detalhes. 
 
O Mandado de citação será expedido em uma via que, além do ato citatório em 
si, conterá, também, a ordem de penhora e avaliação que será cumprida 
mediante a verificação do não pagamento pelo devedor. Tudo nos termos do 
Artigo 829 do CPC/2015. O devedor, quando for intimado para tal, poderá 
também indicar bens à penhora. 
 
É evidente que a indicação incorreta de bens ou a inércia do devedor após a 
respectiva intimação para indicação de bens constitui atentado à dignidade da 
jurisdição nos termos do Artigo 774, V, do CPC/2015, podendo ser condenado 
ao pagamento de multa de até 20%, consoante se depreende do Artigo 
774,§único do mesmo Diploma. 
 
Importante ressaltar, todavia, que o código privilegiou a penhora dos bens 
indicados pelo credor na petição inicial, excetuando-se as hipóteses em que o 
devedor demonstre ao juízo a necessidade de penhora de bens outros que lhe 
seja menos onerosa e não cause prejuízo ao exequente (Artigo 829,§2º). 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 134 
 
Realizada a penhora, em qualquer das formas mencionadas acima, o devedor 
não será mais intimado, pois a respectiva intimação foi realizada por ocasião do 
ato citatório, conforme interpretação que decorre da leitura do Artigo 829,§1º 
do CPC/2015. Esse comando normativo não é muito claro quanto ao 
procedimento e poderá acarretar algumas dificuldades na prática dos atos de 
constrição. O objetivo da intimação da penhora, em regra, não é garantir o 
termo inicial da contagem do prazo para embargos à execução, vez que o prazo 
para a defesa do executado contará a partir da juntada do mandado de citação 
ou de uma das formas elencadas no Artigo 231 do CPC/2015, mas para 
verificação de excesso de penhora ou a penhora de bens considerados 
impenhoráveis. 
 
Efetivada a penhora e avaliação dos bens, o procedimento ingressa na fase 
expropriatória, nos termos do Artigo 876 do CPC/2015, transformando os bens 
penhorados em pagamento e a consequente extinção da obrigação na forma do 
Artigo 924 do CPC. Na hipótese de não localização de bens, caberá ao 
exequente diligenciar no sentido de localizar bens do devedor passível de 
penhora e caso não os encontre o processo será suspenso, nos termos do 
Artigo 921, III, do CPC/2015, dando início a prescrição intercorrente que 
correrá no prazo definido na Súmula 150 do STF. 
 
Entenda melhor como é abordagem desse tema no NCPC 
LIVRO II 
DO PROCESSO DE EXECUÇÃO 
TÍTULO I 
DA EXECUÇÃO EM GERAL 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 135 
Art. 787. Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título 
extrajudicial. Suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos 
procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no 
procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou 
fatos processuais a que a lei atribuir força executiva. 
Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do 
Livro I da Parte Especial. 
Art. 788. O juiz pode, em qualquer momento do processo: 
I – ordenar o comparecimento das partes; 
II – advertir o executado de que seu procedimento constitui ato atentatório à 
dignidade da justiça; 
III – determinar que sujeitos indicados pelo exequente forneçam informações 
em geral relacionadas ao objeto da execução, tais como documentos e dados 
que tenham em seu poder, assinando-lhes prazo razoável. 
Art. 789. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas 
necessárias ao cumprimento da ordem de entrega de documentos e dados. 
Parágrafo único. Quando, em decorrência do disposto neste artigo, o juízo 
receber dados sigilosos aos fins da execução, adotará as medidas necessárias 
para assegurar sua confidencialidade. 
Art. 790. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva 
ou omissiva do executado que: 
I – frauda a execução; 
II – se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; 
III – dificulta ou embaraça a realização da penhora; 
IV – resiste injustificadamente às ordens judiciais; 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 136 
V – intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à 
penhora e seus respectivos valores, não exibe prova de sua propriedade e, se 
for o caso, certidão negativa de ônus. 
Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa ao 
executado em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do 
débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível 
na própria execução, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou 
material. 
Art. 791. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de 
apenas alguma medida executiva. 
Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: 
I – serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre 
questões processuais, pagando o exequente as custas processuais e os 
honorários advocatícios; 
II – nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante 
ou embargante. 
Art. 792. O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, 
quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em 
parte, a obrigação que ensejou a execução. 
Art. 793. A cobrança de multa ou de indenizações decorrentes de litigância de 
má-fé ou de prática de ato atentatório à dignidade da justiça será promovida no 
próprio processo de execução. 
 
TÍTULO II 
DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 137 
Art. 813. Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o 
concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que 
adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados. 
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada 
exequente conservará o seu título de preferência. 
Art. 814. Ao propor a execução, incumbeao exequente: 
I – instruir a petição inicial com: 
a) o título executivo extrajudicial; 
b) o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação, 
quando se tratar de execução por quantia certa; 
c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso; 
d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe 
corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não for 
obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do 
exequente. 
II – indicar: 
a) a espécie de execução que prefere, quando por mais de um modo puder ser 
realizada; 
b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de 
inscrição no cadastro de pessoas físicas ou no cadastro nacional de pessoas 
jurídicas; 
c) bens suscetíveis de penhora, sempre que possível; 
Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter: 
I – o índice de correção monetária adotado; 
II – a taxa de juros aplicada; 
III – os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da 
taxa de juros utilizados; 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 138 
IV – a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; 
V – a especificação de desconto obrigatório realizado. 
Art. 815. Incumbe ainda ao exequente: 
I – requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou 
fiduciário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, 
anticrese ou alienação fiduciária; 
II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a 
penhora recair sobre bem gravado por usufruto, uso ou habitação; 
III – requerer a intimação do promissário comprador, quando a penhora recair 
sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; 
IV – requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair 
sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; 
V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso 
de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de 
moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre 
imóvel submetido ao regime do direito de superfície, enfiteuse ou concessão; 
VI - requerer a intimação do proprietário do terreno com regime de direito de 
superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou 
concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre direitos do 
superficiário, do enfiteuta ou do concessionário; 
VII – requerer a intimação da sociedade, no caso de penhora de quota social 
ou de ação de sociedade anônima fechada, para o fim previsto no art. 892, § 
7º; 
VIII – requerer tutela antecipada de urgência, se for o caso; 
IX – proceder à averbação em registro público do ato de propositura da 
execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 139 
Art. 816. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, 
este será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro de dez dias, 
se outro prazo não lhe foi determinado em lei ou no contrato. 
§ 1º Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor não a exercer no prazo 
determinado. 
§ 2º A escolha será indicada na petição inicial da execução quando couber ao 
credor exercê-la. 
Art. 817. Verificando que a petição inicial está incompleta ou que não está 
acompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da execução, o juiz 
determinará que o exequente a corrija, no prazo de quinze dias, sob pena de 
ser indeferida. 
Art. 818. Na execução, o despacho que ordena a citação interrompe a 
prescrição, ainda que proferido por juízo incompetente, desde que realizada a 
citação em observância ao disposto no § 2º do art. 240. 
Parágrafo único. A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura 
da ação. 
Art. 819. É nula a execução se: 
I – o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e 
exigível; 
II – o executado não for regularmente citado; 
III – instaurada antes de se verificar a condição ou de ter ocorrido o termo. 
Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, 
de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à 
execução. 
Art. 820. A alienação de bem gravado por penhor, hipoteca ou anticrese será 
ineficaz em relação ao credor pignoratício, hipotecário ou anticrético. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 140 
§ 1º A alienação de bem objeto de promessa de compra e venda ou cessão 
registrada será ineficaz em relação ao promitente comprador ou cessionário 
que não houver sido intimado. 
§ 2º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído direito de superfície, 
seja do solo, da plantação ou da construção será ineficaz em relação ao 
concedente ou ao concessionário que não houver sido intimado. 
§ 3º A alienação de direito aquisitivo de bem objeto de promessa de venda, de 
promessa de cessão ou de alienação fiduciária será ineficaz em relação ao 
promitente vendedor, ao promitente cedente ou ao proprietário fiduciário que 
não houver sido intimado. 
§ 4º A alienação de imóvel sobre o qual tenha sido instituída enfiteuse, 
concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de 
uso, será ineficaz em relação ao enfiteuta ou ao concessionário que não houver 
sido intimado. 
§ 5º A alienação de direitos do enfiteuta, do concessionário de direito real de 
uso ou do concessionário de uso especial para fins de moradia será ineficaz em 
relação ao proprietário do respectivo imóvel que não houver sido intimado. 
§ 6º A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído usufruto, uso ou 
habitação será ineficaz em relação ao titular desses direitos reais que não 
houver sido intimado. 
Art. 821. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o 
juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. 
Parágrafo único. Ao executado que alegar maior gravosidade da medida 
executiva incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob 
pena de manutenção dos atos executivos já determinados. 
 
CAPÍTULO IV 
DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 141 
Seção I 
Das Disposições Gerais 
Art. 840. A execução por quantia certa se realiza pela expropriação de bens do 
executado, ressalvadas execuções especiais. 
Art. 841. A expropriação consiste em: 
I – adjudicação; 
II – alienação; 
III – apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou estabelecimentos e de 
outros bens. 
Art. 842. Antes de adjudicados ou alienados os bens, o executado pode, a todo 
tempo, remir a execução, pagando ou consignando a importância atualizada da 
dívida, mais juros, custas e honorários advocatícios. 
Seção II 
Da Citação do Devedor e do Arresto 
Art. 843. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários 
advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado. 
§ 1º No caso de integral pagamento no prazo de três dias, contado da juntada 
aos autos do mandado, o valor dos honorários advocatícios será reduzido pela 
metade. 
§ 2º O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando 
rejeitados os embargos à execução; não opostos, a majoração poderá ocorrer 
ao final do procedimento executivo, em atenção ao trabalho prestado pelo 
advogado do exequente. 
Art. 844. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida 
pelo juiz, com identificação das partes e do valor da causa, parafins de 
averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a 
penhora, arresto ou indisponibilidade. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 142 
§ 1º No prazo de dez dias de sua concretização, o exequente deverá comunicar 
ao juízo as averbações efetivadas. 
§ 2º Formalizada penhora sobre bens suficientes para cobrir o valor da dívida, o 
exequente providenciará, no prazo de dez dias, o cancelamento das averbações 
relativas àqueles não penhorados. O juiz determinará o cancelamento das 
averbações, de ofício ou a requerimento, caso o exequente não o faça no 
prazo. 
§ 3º Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens 
efetuada após a averbação. 
§ 4º O exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não 
cancelar as averbações nos termos do § 2º indenizará a parte contrária, 
processando-se o incidente em autos apartados. 
Art. 845. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de três dias, 
contado da citação. 
§ 1º Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a 
avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não 
pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do 
executado. 
§ 2º A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros 
forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de 
que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao 
exequente. 
Art. 846. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos 
bens quantos bastem para garantir a execução. 
§ 1º Nos dez dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça 
procurará o executado duas vezes em dias distintos; havendo suspeita de 
ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente 
o ocorrido. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 143 
§ 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a 
pessoal e a com hora certa. 
§ 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto se 
converterá em penhora, independentemente de termo. 
 
Defesa do executado 
Ao ser citado num processo autônomo de execução, o devedor poderá ter 
diversas atitudes legitimadas pelo ordenamento processual. 
 
 Poderá efetuar o pagamento no prazo legal. 
 O devedor poderá requerer o parcelamento da dívida, nos termos do Artigo 
916 do Código de Processo Civil de 2015. 
 Poderá, também, permanecer inerte, abstendo-se de realizar quaisquer atos 
processuais. 
 
Com efeito, quando o devedor não reconhece a dívida estampada no título ou 
pretende apresentar qualquer outra modalidade de defesa em seu favor, 
deverá apresentar embargos à execução, nos termos do Artigo 914 do Código 
de Processo Civil de 2015. 
 
Com a reforma, o devedor, nas execuções de títulos judiciais, apresentará sua 
defesa através de impugnação e nas execuções de títulos extrajudiciais através 
de embargos à execução. A defesa do executado, a partir desse novo recorte 
epistemológico, ganhou novos contornos, pois o seu estudo prescinde da 
análise do procedimento executivo que ela está inserida. Assim, podemos ao 
estudo da defesa do executado na execução de títulos extrajudiciais que 
contenham obrigação de pagar quantia certa. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 144 
Natureza jurídica 
A natureza jurídica dos embargos à execução é controvertida. Alguns autores, 
como Cassio Scarpinella Bueno, sustentam que, após a reforma, os embargos à 
execução não mais podem ser considerados como ações autônomas, mas como 
meras defesas do executado. Outros autores, como José Carlos Barbosa 
Moreira e Fredie Didier, filiam-se à corrente majoritária no sentido de que os 
embargos à execução possuem natureza de ação, vez que inicia um novo 
processo cognitivo com objeto próprio estranho à demanda executiva, embora 
seja com ela conexa. 
 
José Miguel Garcia Medina apresenta a tese no sentido de que a natureza 
jurídica dos embargos é híbrida, podendo ser ação ou mera defesa de acordo 
com o conteúdo nela veiculado. Para este autor, quando o devedor arguir tão 
somente o erro no procedimento da tutela executiva, a natureza dos embargos 
será de mera defesa, e não de ação autônoma. 
 
 
Atenção 
 A corrente majoritária nos parece mais adequada, sem 
desconsiderar a solidez dos argumentos da corrente oposta, 
considerando a forte carga cognitiva que permeia o procedimento 
dos embargos à execução. A natureza jurídica dos embargos é de 
ação autônoma incidental constitutiva negativa ou 
desconstitutiva, cuja finalidade é desconstituir um título executivo 
extrajudicial que ampara demanda executiva em outro processo 
autônomo. 
 
Espécies de embargos admissíveis no processo civil brasileiro 
O Código de Processo Civil dispõe sobre algumas espécies de defesa do 
executado, denominado de embargos. A doutrina tradicional classificava os 
diversos embargos como espécies do gênero embargos do devedor. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 145 
São eles: 
• Os embargos à execução; 
• Os embargos de terceiro; 
• Os embargos de segunda fase. 
 
A classificação não atende à melhor técnica tendo em vista que, mesmo alguém 
que não é devedor pode veicular embargos para defesa de seus interesses, 
como é o caso dos embargos de terceiro. 
 
A primeira fase se inicia com a citação e se esgota com o transcurso do prazo 
de 15 dias, contados da juntada aos autos do respectivo mandado de citação 
devidamente cumprido. Nessa fase, o devedor poderá apresentar embargos à 
execução, fundamentando sua pretensão desconstitutiva em uma ou mais 
hipóteses do Artigo 917 do CPC/2015. Podemos conceituar, portanto, os 
embargos à execução como embargos de primeira fase, onde o devedor tem 
um amplo espectro de materiais alegáveis e sem limitação legal em sua defesa. 
 
Caberão embargos de terceiro, nos termos do Artigo 674 do Código de 
Processo Civil de 2015, quando um terceiro, que não integra a relação 
processual executiva, tiver seus bens penhorados ou sofrer quaisquer outras 
consequências em decorrência da tutela executiva. 
 
Competência 
O juízo competente para a apreciação dos embargos à execução será o juízo da 
execução sendo, neste caso, a distribuição realizada por dependência nos 
termos do Artigo 914,§1º, do CPC/2015. No entanto, poderão ocorrer casos em 
que a execução será feita por carta precatória em outras Comarcas ou Seções 
Judiciárias, o que autorizará o executado a opor embargos à execução no juízo 
deprecado, mantendo-se a competência para julgamento do juízo deprecante. 
 
Nos casos em que os embargos à execução versarem unicamente sobre vícios 
ou defeitos decorrentes da penhora, realizada pelo juízo deprecado, a 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 146 
competência para apreciação da ação incidental é transferida para o juízo 
deprecado. Tal regra está disposta no Artigo 914,§2º do CPC e na súmula 46 
do Superior Tribunal de Justiça. 
 
Trata-se, portanto, de norma que tem como escopo garantir maior 
acessibilidade ao devedor garantindo-se a ampla defesa e o devido processo 
legal. 
 
Prazo 
Os embargos à execução deveriam ser opostos no prazo de 15 dias a contar da 
juntada do mandado de citação aos autos da execução, nos termos da antiga 
previsão do Artigo 738 do ultrapassado CPC/73. A Lei 11.382/06 alterou 
profundamente o regime de contagem de prazo visando dar maior 
celeridade e efetividade a tutela jurisdicional executiva. O novo código 
não efetuou mudanças significativas nessa matéria.Quando a execução for deflagrada em face de mais de um devedor, o prazo 
para cada um contará a partir da juntada de seu respectivo mandado de 
citação. Assim, se um devedor teve seu mandado juntado no dia 21 de março 
seu prazo para embargar começara a fluir a partir do dia 22 de março 
independente de o segundo devedor não ter sido localizado, conforme dispõe o 
Artigo 915,§1º do CPC/2015. 
 
Por fim, a Lei 11.382/06 impediu a incidência, com a nova redação do Artigo 
738§ 3º, da regra do prazo em dobro do Artigo 191 do CPC/73, nos casos de 
devedores com patronos diferentes. O mencionado comando normativo foi 
mantido pelo CPC/2015 e disposto no Artigo 915,§3º. Todas essas regras e 
outras incluídas pela Lei nº 11.382/2006 e reproduzidas no novo código têm 
como escopo evitar delongas processuais ou até mesmos atos procrastinatórios 
por parte dos devedores dando maior efetividade no âmbito da tutela 
executiva. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 147 
A redação atual do parágrafo 2º do mencionado Artigo 915 do Código de 
Processo Civil de 2015 autoriza o juiz deprecado comunicar imediatamente ao 
juízo deprecante a citação realizada em sua Comarca, inclusive por e-mail, e o 
prazo terá início a partir da juntada da comunicação virtual. 
 
Embora seja uma regra interessante do ponto de vista da desformalização das 
cartas precatórias e da celeridade, não se vislumbra na prática forense meio 
seguro de dar eficácia ao referido comando normativo. Por fim, a Lei nº 
11.382/06 impediu a incidência com a nova redação do Artigo 738, §3º, da 
regra do prazo em dobro do Artigo 191 do CPC/73 nos casos de devedores com 
patronos diferentes. Tal comando normativo foi reproduzido no Artigo 915§1º 
do CPC/2015. 
 
Todas essas regras têm como escopo evitar delongas processuais ou, até 
mesmo, atos procrastinatórios por parte dos devedores, dando maior 
efetividade no âmbito da tutela executiva. 
 
Petição inicial 
Os embargos à execução possuem natureza jurídica de ação e devem ser 
instrumentalizados através de petição inicial, observando os requisitos do Artigo 
319 do Código de Processo Civil de 2015. Importante observação acerca do 
valor da causa nos embargos à execução. Conforme entendimento de Fredie 
Didier, o valor da causa não possui relação necessária com o valor da execução, 
embora, num primeiro momento, a referência seja mesmo o valor da execução. 
 
O valor da causa, em regra, é definido em razão do proveito ou vantagem 
econômica obtida com o processo. Não há dúvidas de que, se os embargos 
versarem sobre nulidade do título, o devedor será liberado do pagamento da 
dívida, o que se reverterá, ainda que indiretamente, em proveito econômico. 
Nesse caso, o valor da causa dos embargos será o valor da própria execução. 
Mas existem hipóteses outras que não haverá essa coincidência. Pense no caso 
de alegar excesso de execução. O valor da causa será o valor que o devedor 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 148 
entende correto, e não o valor da execução. O valor da causa prescinde, com 
efeito, da análise da pretensão do devedor veiculado nos embargos. 
 
 
Atenção 
 A petição inicial dos embargos será rejeitada liminarmente nas 
hipóteses arroladas no Artigo 918 do CPC/2015. Constituiu, 
também, hipótese de rejeição liminar dos embargos quando o 
devedor arguir nos embargos de excesso de execução, e não 
apresentar planilha com demonstrativo de débito que entende 
correto, conforme Artigo 917, §4º, I do CPC/2015. 
 
Efeitos dos embargos à execução 
Nos últimos tempos de vigência do CPC/73, os embargos à execução eram 
recebidos, em regra, sem efeito suspensivo consoante dispõe o Artigo 739-A. 
Antes da reforma levado a efeito pela 11.382/06 os embargos eram recebidos 
com efeito suspensivo o que motivava o devedor a embargar, mesmo sem 
fundamento plausível, tão somente para atrasar a prestação da tutela 
jurisdicional executiva. Esse modelo foi retratado no Artigo 919 do CPC/2015. 
Os embargos poderão ser recebidos no efeito suspensivo somente nos casos de 
relevantes fundamentos que possam ocasionar risco de danos de difícil e 
incerta reparação. Nesses casos o juiz poderá, mediante requerimento do 
devedor devidamente comprovado, atribuir efeito suspensivo aos embargos. No 
entanto, para obter a concessão do efeito suspensivo deverá o executado 
indicar bens a penhora, prestar caução ou depósito. 
 
A regra não possui equivalente no CPC/73 e tem como finalidade evitar atos 
protelatórios injustificados. Para ilustrar a hipótese legal pense no caso de uma 
empresa familiar ou individual tiver sua renda diária penhorada e a manutenção 
do negócio e de eventuais empregados ficarem comprometidos com o ato de 
constrição. Nesse caso, poderá devedor, desde que cumpridos os requisitos 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 149 
legais, requerer que, neste caso, os embargos sejam recebidos em seu efeito 
suspensivo para danos de difícil reparação para a pequena empresa. 
 
A concessão do efeito suspensivo não tem extensão plena objetiva ou 
subjetiva, ou seja, caso a execução verse sobre 02 obrigações distintas, como 
por exemplo, indenização por danos materiais e lucros cessantes e o devedor 
embargar alegando excesso de execução no que tange ao valor referente aos 
lucros cessantes, o efeito suspensivo alcançará somente a parte da execução 
correspondente aos lucros cessantes prosseguindo normalmente quanto à 
verba indenizatória (Artigo 919, §3º do CPC/2015). 
 
Não ocorrerá também a extensão subjetiva do efeito suspensivo dos embargos. 
Significa dizer que na hipótese de mais de um devedor e apenas um deles 
embargar, o efeito suspensivo atribuído aos embargos de um devedor não se 
estende aos devedores que não embargaram ou que embargaram, mas sua 
defesa não foi recebida no efeito suspensivo (Artigo 919,§ 4º do CPC/2015). 
 
Com a reforma, mesmo que os embargos sejam recebidos no efeito suspensivo 
não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço, de redução da 
penhora e de avaliação de bens conforme regra entabulada no parágrafo 5º do 
Artigo 919. Concluiu-se que o legislador, ao reproduzir quase que literalmente 
as regras introduzidas pela Lei nº 11.382/2006, pretendeu levar a efetividade 
da execução até as últimas consequências privilegiando a prática de atos 
executivos em favor do credor sem prejuízo do contraditório e da ampla defesa. 
O recebimento dos embargos do devedor no efeito suspensivo, 
excepcionalmente, não obstará a penhora e avaliação de bens permitindo maior 
celeridade na prática dos atos executivos. 
 
A decisão sobre os efeitos dos embargos não é definitiva podendo ser 
modificada a qualquer tempo caso tenha cessada a causa que os ensejou. 
Nestes casos o juiz não poderá agir de ofício somente decidindo sobre a 
questão mediante requerimento das partes (Artigo 919,§2º). 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 150 
 
Conteúdo dos embargos à execução 
O conteúdo dos embargos à execução é amplo e irrestrito. O Artigo 917 do 
Código de Processo Civil de 2015 apresenta um rol exemplificativo, conforme se 
depreende do inciso V do mencionado dispositivo legal. O devedor poderá 
veicular uma ou diversas das matérias elencadas no ordenamento processual, 
considerando que os embargos à execução constituem em ato de defesa por 
excelência do devedor. 
 
Procedimento 
O procedimento comum é fonte subsidiária dos demais procedimentos. Os 
embargos à execução serão processados aplicando-se as regras gerais do 
procedimento comum ordinário, podendo ser designada, inclusive, audiência de 
conciliação, instrução e julgamento,produção de prova pericial, julgamento 
antecipado da lide, enfim, todas as disposições pertinentes ao supracitado rito. 
 
Julgamento e recursos cabíveis 
Recebido os embargos, o exequente será ouvido no prazo de 15 dias e, não 
sendo a hipótese de se produzir provas em audiência de instrução e 
julgamento, o juiz proferirá sentença imediatamente, conforme redação do 
Artigo 920 do CPC/2015. Não há dúvidas de que, ocorrendo alguma decisão 
incidente ao longo do processamento dos embargos as partes poderão interpor 
recurso de agravo de instrumento, conforme Artigo 1.015, parágrafo único, do 
CPC/2015. 
 
Os embargos serão julgados por sentença, sendo, portanto, impugnada 
mediante recurso de apelação recebido em seu duplo efeito. Não obstante, nos 
casos em que os embargos à execução forem extintos sem resolução do mérito 
ou forem julgados improcedentes o recurso de apelação será recebido somente 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 151 
no efeito devolutivo, possibilitando a imediata prática de atos executivos 
expropriatórios. 
 
Abordagem do tema no NCPC 
DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO 
Art. 930. O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução, 
poderá se opor à execução por meio de embargos. 
§ 1º Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em 
apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que 
poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua 
responsabilidade pessoal. 
§ 2º Na execução por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecante 
ou no juízo deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante, 
salvo se versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou 
alienação dos bens efetuadas no juízo deprecado. 
Art. 931. Os embargos serão oferecidos no prazo de quinze dias, contados, 
conforme o caso, na forma do art. 231. 
§ 1º Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles 
embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, 
salvo se se tratar de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a 
partir da juntada do último. 
§ 2º Nas execuções por carta, o prazo para embargos será contado: 
I – da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem 
unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos 
bens; 
II – da juntada, nos autos de origem, do comunicado de que trata o § 4º deste 
artigo, ou, não havendo este, da juntada da carta devidamente cumprida, 
quando versarem sobre questões diversas da prevista no § 2º, inciso I. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 152 
§ 3º Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, não se 
aplica o disposto no art. 229. 
§ 4º Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a 
realização da citação será imediatamente informada, por meios eletrônicos, 
pelo juiz deprecado ao juiz deprecante. 
Art. 932. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e 
comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, mais custas 
e honorários de advogado, faculta-se ao executado requerer, de forma 
motivada, seja admitido a pagar o restante em até seis parcelas mensais, 
acrescidas de correção monetária e juros de um por cento ao mês. 
§ 1º O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos 
pressupostos do caput ou apresentar qualquer fundamento relevante para a 
não concessão do parcelamento. O juiz decidirá o requerimento em cinco dias. 
§ 2º Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as 
parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento. 
§ 3º Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada e serão 
suspensos os atos executivos; caso seja indeferida, seguir-se-ão os atos 
executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora. 
§ 4º O não pagamento de qualquer das prestações acarretará 
cumulativamente: 
I – o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do 
processo, com o imediato início dos atos executivos; 
II – a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das 
prestações não pagas. 
§ 5º O pedido de parcelamento previsto no caput interrompe o prazo para a 
oposição de embargos. Deferido o parcelamento, o executado não poderá opor 
embargos à execução. Indeferido o pedido, o prazo de quinze dias para 
oposição de embargos começa a correr da publicação da respectiva decisão. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 153 
§ 6º Cabe agravo de instrumento da decisão do juiz que acolhe ou rejeita o 
parcelamento. 
§ 7º O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença. 
Art. 933. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar: 
I – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
II – penhora incorreta ou avaliação errônea; 
III – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
IV – retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para 
entrega de coisa certa; 
V – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VI – qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de 
conhecimento. 
§ 1º A incorreção da penhora ou da avaliação poderá ser impugnada por 
simples petição, no prazo de quinze dias, contados da ciência do ato. 
§ 2º Há excesso de execução quando: 
I – o exequente pleiteia quantia superior à do título; 
II – recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; 
III – esta se processa de modo diferente do que foi determinado no título; 
IV – o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o 
adimplemento da prestação do executado; 
V – o exequente não prova que a condição se realizou. 
§ 3º Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia 
superior à do título, o embargante declarará na petição inicial o valor que 
entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu 
cálculo. Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os 
embargos à execução serão liminarmente rejeitados, com extinção do processo 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 154 
sem resolução de mérito, se o excesso de execução for o seu único 
fundamento; se houver outro fundamento, os embargos à execução serão 
processados, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. 
§ 4º Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer 
a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados 
devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos 
valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 471. 
§ 5º O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa, 
prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou 
resultante da compensação. 
§ 6º A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146 
e 148. 
Art. 934. O juiz rejeitará liminarmente os embargos: 
I – quando intempestivos; 
II – nos casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do 
pedido; 
III – manifestamente protelatórios. 
Parágrafo único. Considera-se conduta atentatória à dignidade da justiça o 
oferecimento de embargos manifestamente protelatórios. 
Art. 935. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. 
§ 1º O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo 
aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela 
antecipada, e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito 
ou caução suficientes. 
§ 2º A decisãorelativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento da 
parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão 
fundamentada, cessando as circunstâncias que a motivaram. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 155 
§ 3º Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas 
a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. 
§ 4º A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos 
executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram, 
quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao 
embargante. 
§ 5º A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de 
substituição, de reforço ou redução da penhora e de avaliação dos bens. 
§ 6º Contra a decisão sobre concessão, modificação ou revogação do efeito 
suspensivo cabe agravo de instrumento. 
Art. 936. Recebidos os embargos, o exequente será ouvido no prazo de quinze 
dias; a seguir, o juiz julgará imediatamente o pedido ou designará audiência; 
encerrada a instrução, proferirá sentença. 
 
Atividade proposta 
Y” figura como executado em ação movida por “Z”. Devidamente citado para o 
pagamento da quantia obrigacional, o demandado deixa de proceder com o 
pagamento no prazo legal, motivo pelo qual o Oficial de Justiça procedeu à 
penhora e à avaliação de bens, lavrou o respectivo auto e intimou o executado 
de tais atos, nos exatos termos da lei. A penhora recaiu sobre uma vaga de 
garagem que possuía matrícula própria no Registro de Imóveis e que fora 
indicada pelo credor na inicial da ação de execução. Y opôs embargos do 
devedor, quinze dias após a juntada do mandado da respectiva intimação aos 
autos, por meio do qual arguiu que o objeto da penhora constituía bem de 
família, estando insuscetível ao ato constritivo. Considerando a situação 
apresentada, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. (XII Exame de 
Ordem) 
A) O embargante está correto nas suas razões? 
B) Considerando o aspecto processual, analise os embargos opostos e exponha 
as consequências jurídicas. (Valor: 0,60) 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 156 
 
Chave de resposta: A) Não assiste razão ao embargante visto ser 
perfeitamente possível a realização de penhora de vaga de garagem. A 
garagem com registro imobiliário autônomo não se confunde com a unidade 
habitacional (apartamento) e não integra a noção de pertença e, por 
conseguinte, não é bem de família (Súmula n. 449 do STJ). 
B) Os embargos merecem ser rejeitados in limine, uma vez que são 
intempestivos (Art.915 I, do CPC/2015). O prazo de quinze dias para a oposição 
desse remédio jurídico deve ser contado da juntada do mandado de citação aos 
autos, e não da de juntada do mandado de intimação. 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da; BRAGA, Paula Sarno; 
OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. 
p. 505-513. 
PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Direito Processual Civil 
Contemporâneo. v. 2. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 961-991. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 157 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
(XI Exame de Ordem) 
No processo de execução, cabe ao credor instruir a petição inicial com o título 
extrajudicial, com o demonstrativo do crédito atualizado, comprovando tratar-se 
de crédito líquido, e a prova de que se operou a condição ou termo, tornando-o 
exigível. Sobre a temática, assinale a afirmativa correta. 
a) Na execução por quantia certa com devedor solvente, cabe ao executado 
indicar os bens a serem penhorados. 
b) A expropriação segue, necessariamente, a seguinte ordem legal: 
alienação em hasta pública, alienação por iniciativa particular e 
adjudicação em favor do exequente. 
c) O juiz pode determinar de ofício, e a qualquer momento, a intimação do 
executado para indicar bens passíveis de penhora. 
d) Não se admite na execução citação por edital. 
 
Questão 2 
(VII Exame Unificado) 
A respeito do processo de execução, assinale a alternativa correta. 
a) A sentença arbitral, a letra de câmbio, a nota promissória e a duplicata 
são títulos executivos extrajudiciais. 
b) O exequente poderá, no ato da distribuição, obter certidão 
comprobatória do ajuizamento da execução para fins de averbação no 
registro de imóveis, de veículos ou outros bens sujeitos à penhora ou 
arresto. 
c) O executado que, intimado, não indica ao juiz a localização de seus bens, 
não pratica ato atentatório à dignidade da justiça. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 158 
d) A ausência de liquidez não impede a instauração do processo de 
execução. 
 
Questão 3 
Assinale a alternativa correta sobre a execução por título extrajudicial de 
obrigação de pagar que envolva particulares. 
a) A defesa usualmente é realizada por impugnação. 
b) O interessado não precisa provocar o Estado-Juiz por meio de uma 
petição inicial para que este procedimento executivo tenha início, pois 
ela se desenvolve de ofício. 
c) A letra de câmbio, nota promissória, duplicata, debênture e cheque são 
títulos executivos extrajudiciais. 
d) Nesse procedimento, não há possibilidade de concurso de penhora de 
bens do executado. 
 
Questão 4 
Marcela pretende executar contra o mesmo devedor, num mesmo processo, um 
cheque no valor de R$20.000,00 e um contrato onde foi fixado uma obrigação 
de fazer em que o devedor se obrigou a realizar uma obra e restou 
inadimplente. Nessa hipótese, é correto afirmar que: 
a) Será possível a cumulação de execuções vez que o devedor é o mesmo. 
b) Não se admite cumulação de execuções de qualquer espécie. 
c) Não é possível cumular execuções cujos procedimentos são 
incompatíveis. 
d) Será possível a cumulação, executando-se, em primeiro lugar, o cheque. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 159 
Questão 5 
Em determinada execução de títulos extrajudicial, o devedor não foi encontrado 
no endereço informado pelo credor. O oficial de justiça, após certificar-se da 
correção do respectivo endereço, promoveu o arresto de bens de devedor para 
garantir a execução. Diante do caso, marque a alternativa correta. 
a) Os bens arrestados convertem-se em penhora automaticamente. 
b) O credor poderá, no prazo de 10 dias, adjudicar os bens penhorados. 
c) O devedor não localizado deverá ser citado através de edital para se 
manifestar acerca do arresto no prazo de três dias (Artigo 829 do 
CPC/15), a contar do esgotamento do prazo fixado no edital; findo este, 
o arresto se converterá em penhora. 
d) O juiz determinará a alienação em hasta pública do bem arrestado, 
independentemente de citação do devedor. 
 
Questão 6 
Os embargos do devedor, nas execuções de título extrajudicial, de acordo com 
o Código de Processo Civil, serão oferecidos no prazo de: 
a) Dez dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de 
penhora. 
b) Dez dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de citação, 
independentemente de penhora, caução ou depósito. 
c) Quinze dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de 
citação, independentemente de penhora, caução ou depósito. 
d) Quinze dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de 
penhora. 
e) Trinta dias, contados da data da juntada aos autos do mandado de 
citação, independentemente de penhora, caução ou depósito. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 160 
 
Questão 7 
Em relação aos embargos do devedor: 
a) como regra, uma vez opostos suspendem ocurso da execução. 
b) serão oferecidos em dez dias, contados da citação dos executados. 
c) poderão ser opostos pelo executado independente de penhora, depósito 
ou caução. 
d) concedido efeito suspensivo aos embargos, é obstada a efetivação dos 
atos de penhora e de avaliação dos bens do executado. 
e) a decisão que os recebe ou rejeita liminarmente é irrecorrível. 
 
Questão 8 
Minotauro está executando judicialmente Bárbara em razão do descumprimento 
de acordo judicial celebrado em ação de cobrança. Bárbara interpôs embargos 
à execução discutindo apenas questões processuais. Considerando que 
Minotauro desistiu de toda a execução, os embargos interpostos: 
a) Serão extintos também, desde que o embargante concorde 
expressamente, pagando o devedor as custas e os honorários 
advocatícios. 
b) Serão extintos também, desde que o embargante concorde 
expressamente, pagando o credor as custas e os honorários 
advocatícios. 
c) Serão extintos também, independentemente de concordância do 
embargante, pagando o devedor as custas e os honorários advocatícios. 
d) Serão extintos também, independentemente de concordância do 
embargante, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 161 
e) Terão prosseguimento normal, tratando-se de medidas judiciais 
independentes, com ônus e deveres processuais a serem discutidos e 
decididos. 
 
Questão 9 
(XLIII Concurso para Magistratura Estadual/ RJ) 
Sobre os embargos do devedor, é correto afirmar que: 
a) O juiz julgará improcedentes os embargos quando intempestivos ou 
manifestamente protelatórios. 
b) O juiz poderá atribuir efeito suspensivo aos embargos quando, sendo 
relevantes seus fundamentos, o prosseguimento da execução 
manifestamente possa causar ao executado grave dano, mesmo que a 
execução não esteja garantida. 
c) A concessão de efeito suspensivo aos embargos não impedirá a 
efetivação dos atos de penhora e de avaliação dos bens. 
d) Quando marido e mulher são executados, o prazo para embargos é 
contado a partir da juntada do respectivo mandado citatório. 
 
Questão 10 
(Concurso para Juiz Substituto – AM/ 2013) 
Com relação aos embargos do devedor, assinale a afirmativa correta. 
a) Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles 
embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da 
citação, salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será 
contado a partir da juntada do último. 
b) O juiz rejeitará liminarmente os embargos que se revelarem protelatórios 
no decorrer da instrução. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 162 
c) O executado, mediante penhora, depósito ou caução, poderá opor‐se à 
execução por meio de embargos. 
d) Os embargos do executado terão efeitos suspensivos, de ofício, se 
verossímeis as alegações. 
e) No caso de embargos manifestamente protelatórios, o juiz imporá, em 
favor da Fazenda, multa ao embargante de até 20 % (vinte por cento) 
do valor em execução. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 163 
Aula 5 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 652, §3º, do CPC. 
 
Questão 2 - B 
Justificativa: Conforme Artigo 615-A do CPC. 
 
Questão 3 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 746 do CPC. 
 
Questão 4 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 573 do CPC. 
 
Questão 5 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 654 do CPC. 
 
Questão 6 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 738 do CPC. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 5ª Região - 2008 - Analista Judiciário/ Área 
Judiciária. 
 
Questão 7 - B 
Justificativa: Conforme art. 736 do CPC. 
 
Questão 8 - D 
Justificativa: Artigo 569, parágrafo único, a, do CPC. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 1ª Região - 2011 - Analista Judiciário/Área 
Judiciária. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 164 
Questão 9 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 739-A, §6º, do CPC. 
 
Questão 10 - A 
Justificativa: Conforme Artigo 738, §1º, do CPC. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 165 
Introdução 
A Fazenda Pública, pela sua própria natureza, necessita de certos privilégios 
procedimentais diferenciados para cobrança de seus créditos e realização do 
efetivo pagamento de obrigações de pagar quantia certa. Diante dessa 
necessidade, o estudo das especificidades da Fazenda Pública serão abordadas 
nesta aula, onde, também, vamos analisar questões importantes, como a 
incidência ou não de honorários em sede de execução contra a Fazenda 
Pública, entre outros. 
 
Objetivo: 
1. Estudar o procedimento executivo em que a Fazenda Pública figura como 
devedora e compreender os meios de defesa da Fazenda Pública em juízo; 
2. Estudar o procedimento da Execução Fiscal e compreender as semelhanças 
entre o procedimentos da execução fiscal e do executivo comum. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 166 
Conteúdo 
Execução contra a fazenda pública 
A execução dos títulos judiciais inicialmente era promovida através do 
procedimento disposto no Artigo 475-J do Código de Processo Civil, com 
redação acrescida pela Lei nº 11.232/05. O procedimento foi reproduzido no 
Artigo 523 do CPC/2015. 
 
A reforma processual nesse particular rompeu com a dualidade processual 
existente entre tutela jurisdicional cognitiva e tutela jurisdicional executiva, 
estabelecendo um processo único, mas com duas fases distintas, denominadas 
de fase de conhecimento e fase executiva. 
 
A mudança conceitual nesse particular estabeleceu um novo modo de ser do 
processo civil no âmbito da execução civil, estabelecendo o denominado 
cumprimento de sentença ou processo sincrético. 
 
As inovações inseridas em nosso sistema processual, que criaram o processo 
sincrético ou cumprimento de sentença, não se aplicam às execuções de alguns 
títulos executivos judiciais por questões específicas inerentes ao próprio título 
ou por opção mesmo do legislador, que excluiu do sincretismo processual 
certas execuções. Os títulos executivos elencados no Artigo 515, VI, VII, VIII, 
IX e X, do CPC/2015, são exemplos de títulos judiciais que não serão 
executados pelo procedimento estabelecido no Artigo 523, pois foram 
originados em juízos diversos dos juízos competentes para promover a 
execução. Nesses casos, as execuções serão promovidas através de um 
processo autônomo de execução. 
 
O mesmo ocorria, no CPC/73, nos casos em que a Fazenda Pública era 
condenada a cumprir obrigação de pagar. Os bens públicos não estão sujeitos à 
penhora; por essa razão, torna-se inviável a utilização do procedimento do 
Artigo 475-J do CPC/73, que tem a penhora como um dos primeiros atos 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 167 
executivos. Com efeito, considerando que os bens públicos são impenhoráveis, 
e a Fazenda Pública, em regra, somente efetua pagamento mediante a 
expedição de precatório, a execução contra a Fazenda Pública seguia o 
procedimento especial disposto no Artigo 730 do CPC/73. No entanto, a Lei nº 
13.105/2015, alterou sensivelmente o procedimento estabelecendo o 
cumprimento e sentença nos termos do Artigo 534. 
 
Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do 
CPC/2015 
Antes de aprofundar a análise acerca desse procedimento executivo especial, 
importante definir o que o legislador entende ser Fazenda Pública e quais entes 
públicos poderão ser executados através deste rito. Segundo Leonardo Carneiro 
da Cunha, Fazenda Pública representa a personificação do Estado, abrangendo 
as pessoas jurídicas de direito público. A expressãoFazenda Pública refere-se à 
União, aos Estados, aos Municípios, ao Distrito Federal e suas respectivas 
autarquias e fundações. Para este autor, as agências executivas ou reguladoras 
também estão acobertadas pela referida expressão. 
 
Não estão incluídos nesse conceito as empresas públicas ou as sociedades de 
economia mista, porque integram a administração pública indireta, mas 
possuem natureza de pessoa jurídica de direito privado. 
 
Hipóteses de aplicação do procedimento do Artigo 534 do 
CPC/2015 
O procedimento especial de execução em face da Fazenda Pública, disposto no 
Artigo 534 do CPC/2015, somente terá lugar nas hipóteses de execução de 
sentenças que condenem o ente público nas obrigações de pagar quantia certa. 
Nas hipóteses de execução das obrigações de fazer e não fazer ou de entrega 
de coisa, serão processadas de acordo com procedimento executivo comum, na 
forma dos Artigos 536 e 537 do CPC/2015, respectivamente. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 168 
A especialidade do procedimento do Artigo 534 do CPC/2015 se aplica somente 
às obrigações de pagar, considerando o regime de precatórios que orienta 
atividade dos entes públicos no que tange ao pagamento de dívidas. 
 
No entanto, não há impedimento quanto ao procedimento de liquidação de 
sentença nas execuções contra Fazenda Pública nos casos em que a decisão 
não for líquida. 
 
 
Atenção 
 Importante ressaltar que é admissível execução de títulos 
executivos extrajudiciais em face da Fazenda Pública, conforme 
verbete da Súmula 279 do STJ. O Novo CPC não só admitiu tal 
possibilidade como também regulou o respectivo procedimento no 
Artigo 910. 
 
Honorários advocatícios 
O Artigo 1º-D da Lei nº 9.494/97 dispõe que não são devidos honorários 
advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções não embargadas. 
Considerando a impropriedade da referida norma, o Superior Tribunal de 
Justiça editou a Súmula 345 autorizando a fixação de honorários advocatícios a 
serem pagos pela Fazenda Pública mesmo nas execuções não embargadas. O 
CPC/2015 admitiu a incidência de honorários advocatícios nas condenações 
contra a Fazenda Pública, nos termos de seu Artigo 85,§3º. 
 
Execução provisória em face da Fazenda Pública 
A Constituição Federal de 1988 somente autoriza a expedição de precatório 
mediante sentença transitada em julgado, conforme Artigo 100, §1º, com 
redação determinada pela Emenda Constitucional nº 62/2009. A Lei nº 
9.494/97, em seu Artigo 2º-B, também dispõe a execução em face da Fazenda 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 169 
Pública somente após o trânsito julgado. A interpretação sistemática desses 
textos normativos leva à conclusão da inadmissibilidade da execução provisória 
em face da Fazenda Pública. 
 
É interessante observar que, para a Fazenda Pública, não há impedimento para 
execução provisória de seus devedores, mas há toda sorte de restrições quando 
a Fazenda Pública é ré ou executado. Não se admite a ampla antecipação de 
tutela ampla em face da Fazenda Pública, conforme se depreende da Súmula 
729 do STF e não há permissão legal para que o exequente promova a 
execução provisória do julgado. 
 
Há, portanto, visível desigualdade de tratamento processual que deve ser 
repensada tendo como fio condutor a constitucionalização do direito processual. 
Sustentamos, com apoio no entendimento minoritário de Fredie Didier e Teori 
Albino Zavascki, a possibilidade de execução provisória de atos executivos 
considerando que a Constituição Federal exige o trânsito em julgado somente 
para a expedição do precatório, e não para o início da execução. O CPC/2015 
admitiu a execução antecipada dos valores não impugnados pela Fazenda 
Pública, conforme dispõe o Artigo 535,§4º. 
 
A Fazenda Pública poderá arguir na impugnação as matérias elencadas no 
Artigo 535 do CPC/2015. O rol é taxativo, não podendo a Fazenda Pública 
ampliar o objeto da defesa. A Súmula 394 do STJ, neste sentido, ilumina a 
interpretação do Artigo 741, VI, do CPC/73, não promovendo ampliação do 
espectro dos embargos. 
 
Da expedição do precatório 
Transitada em julgado a decisão acerca dos embargos ou nas hipóteses em que 
eles não forem opostos, o juiz da execução requisitará o pagamento por 
intermédio do presidente do respectivo Tribunal. O presidente do Tribunal 
deverá encaminhar a requisição de expedição do respectivo precatório ao órgão 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 170 
competente para inclusão no orçamento das entidades de direito público, nos 
termos do Artigo 100, §5º, da CF/88. 
 
A atividade desenvolvida pelo presidente do Tribunal, até o efetivo pagamento 
do precatório pela Fazenda Pública, possui natureza administrativa e não 
jurisdicional, conforme bem orientou o STJ no verbete da Súmula 311, que diz: 
“Os atos do presidente do Tribunal que disponham sobre processamento e 
pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional”. Esse entendimento foi 
reforçado pela Súmula 733 do STF, que é incisiva ao afirmar que “não cabe 
recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de 
precatórios”. 
 
Não cabe, portanto, ao presidente do Tribunal apreciar quaisquer questões ou 
incidentes no processamento dos precatórios, sendo competente, para tanto, o 
juiz que processou a causa em primeiro grau de jurisdição. Ao presidente do 
Tribunal compete, em sua função administrativa, declarar o cumprimento da 
obrigação ou determinar a expedição de precatório complementar. Com efeito, 
a despeito de a atividade do presidente do Tribunal ser administrativa, este 
responderá por retardamento na liquidação dos precatórios e por atos 
omissivos e comissivos, nos termos do Artigo 100, §7º, da CF/88. 
 
Com efeito, trata-se de certa incoerência interna ocasionada por diversas 
reformas pontuais ao longo dos anos num mesmo diploma legal. Tal fato 
evidencia a necessidade de um novo CPC para restabelecer a coerência interna 
do ordenamento processual. O processamento dos embargos opostos pela 
Fazenda Pública não difere do processamento dos embargos à execução, razão 
pela qual não há necessidade de maiores desdobramentos. 
 
O Projeto do Novo Código de Processo Civil eliminou os embargos à execução 
oferecidos pela Fazenda Pública disciplinando a impugnação como forma de 
defesa neste procedimento especial. Trata-se de importante unificação 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 171 
procedimental no que tange à defesa do executado nas execuções de títulos 
judiciais. 
 
Expedição de precatórios nos créditos preferenciais 
A Constituição Federal de 1988 estabelece que os pagamentos dos precatórios 
sejam efetuados obedecendo suas ordens cronológicas. No entanto, o Artigo 
100, §1º, do texto constitucional define quais são os débitos que possuem 
natureza alimentícia, como salário, vencimentos, indenizações por morte, entre 
outros, e dispõe que tais créditos serão pagos com preferência sobre todos os 
demais. 
 
Ao fazer assim, o texto constitucional criou duas ordens cronológicas de 
pagamento de precatório: uma referente aos créditos que possuem natureza 
alimentícia, e outra para os créditos de natureza não alimentar. O parágrafo 2º 
do Artigo 100 da CF/88 trata da preferência na expedição do precatório com 
natureza alimentar dos titulares com mais de 60 anos ou portadores de doença 
grave. O STJ firmou importante orientação sobre a matéria no Informativo nº 
535 de sua jurisprudência: 
 
Direito constitucional e processual civil. Direito de preferência dos 
idosos no pagamento de precatórios 
O direito de preferência em razão da idade no pagamentode precatórios, 
previsto no Artigo 100, §2º, da CF, não pode ser estendido aos sucessores do 
titular originário do precatório, ainda que também sejam idosos. De fato, os 
dispositivos constitucionais introduzidos pela EC nº 62/2009 mencionam que o 
direito de preferência será outorgado aos titulares que tenham 60 anos de 
idade ou mais na data de expedição do precatório (Artigo 100, §2º, da CF) e 
aos titulares originais de precatórios que tenham completado 60 anos de idade 
até a data da referida emenda (Artigo 97, §18, do ADCT). Além disso, esse 
direito de preferência é personalíssimo, conforme previsto no Artigo 10, §2º, da 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 172 
Resolução 115/2010 do CNJ. (RMS 44.836-MG, Rel. Ministro Humberto Martins, 
julgado em 20/2/2014. DO PROCESSO DE EXECUÇÃO). 
 
Considerando que o comando normativo constitucional é claro no sentido que 
estes precatórios serão pagos com preferência de todos os demais, pode-se 
afirmar que haverá três ordens cronológicas de pagamento, sendo duas 
preferências de natureza alimentícia e uma de natureza não alimentícia. Diante 
dessa definição constitucional acerca da ordem cronológica de pagamento de 
precatórios, surge a seguinte indagação: Os honorários advocatícios serão 
acomodados em qual ordem cronológica? 
 
Considerando que os honorários advocatícios possuem natureza alimentícia, 
não há dúvida, em nosso entendimento, de que serão incluídos na ordem 
cronológica preferencial. E caso o advogado seja portador de doença grave ou 
idoso, será incluído na ordem cronológica preferencial estabelecida no Artigo 
100, §2º, da CF/88. 
 
Dispensa de precatório 
A Constituição Federal dispensa a expedição de precatório nas obrigações de 
pequeno valor a serem definidas em lei (Artigo 100, §3º). Com efeito, a Lei nº 
10.259/01, que criou os Juizados Especiais Federais, definiu em seus Artigos 3º 
e 17, §1º, que serão consideradas causas de pequeno valor, para efeito de 
dispensa de precatório, as que não ultrapassarem 60 salários-mínimos. Nesses 
casos, a Fazenda Pública Federal efetuará o pagamento através de Requisição 
de Pequeno Valor. 
 
Cumpre observar que o valor de 60 salários-mínimos é referência apenas para 
pagamentos efetuados pela União e pelas autarquias federais. A Fazenda 
Publica Estadual e Municipal dispensarão a expedição de precatório nas 
obrigações que não ultrapassem o limite de 40 e 30 salários-mínimos, 
respectivamente, nos termos do Artigo 87 dos Atos das Disposições 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 173 
Constitucionais Transitórias. A mesma regra foi reproduzida no Artigo 13, §3º, 
da Lei nº 12.153/09. Com efeito, importante observar que cada ente da 
federação deverá, através de lei, estabelecer o limite para dispensa de 
precatório. Os Estados e Municípios que não estabeleceram seus respectivos 
limites para dispensa podem seguir os critérios acima mencionados. 
 
Execução fiscal 
O procedimento executivo para satisfação de crédito quando a Fazenda Pública 
é devedora observará o disposto no Artigo 534 e 910 do CPC/2015. Ao 
contrário, quando a Fazenda Pública é credora, observar-se-á o procedimento 
especial disposto na Lei nº 6.830/80, que regula os atos executivos na 
denominada Execução Fiscal. 
 
Título executivo 
A Execução Fiscal tem como base um título executivo extrajudicial, nos termos 
do Artigo 783, IX do CPC/2015. A certidão da dívida ativa, que contém a 
respectiva obrigação de pagar, diferente dos demais títulos executivos 
extrajudiciais, é formada unilateralmente pela própria Fazenda Pública, que, 
após a instauração de um procedimento administrativo, emite em seu favor o 
respectivo título. 
 
Dessa forma, a certidão da dívida ativa conterá obrigação certa, líquida e 
exigível apta a ensejar a execução fiscal do crédito nela retratada (Artigo 3º da 
LEF). O Artigo 2º da LEF dispõe que a dívida estampada no mencionado título 
pode ser tributária ou não tributária. Com efeito, a execução fiscal poderá ser 
ajuizamento para cobrança de IPTU como também para cobrar aluguéis devidos 
ao Poder Público. 
 
A certidão da dívida ativa poderá ser emendada ou substituída até a decisão de 
primeira instância (Artigo 2º, §8º, da LEF), sendo devolvido, evidente, o prazo 
para oposição de eventuais embargos contra o novo título. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 174 
Legitimidade 
O procedimento especial da execução fiscal é específico para utilização pela 
Fazenda Pública, não se admitindo, portanto, que o procedimento seja utilizado 
pelas empresas públicas ou sociedade de economia mista. O STJ admitiu a 
legitimidade da Caixa Econômica Federal, na qualidade de substituto 
processual, para cobrar valores não depositados a título de FGTS através da 
execução fiscal. (EREsp n. 537.559/RJ , rel. Min. José Delgado, j. em 
9.11.2005). 
 
Admite-se também a propositura de execução fiscal por conselhos profissionais, 
consoante Súmula 66 do STJ. Não se admite execução fiscal promovida pela 
OAB, vez que a receita desta autarquia especial não se enquadra nas exigências 
da Lei nº 4.320/64, conforme entendimento do STJ (EREsp nº 503.252/SC). 
Com efeito, as dívidas da OAB deverão ser cobradas utilizando as regras 
executivas do Código de Processo Civil. 
 
A legitimidade passiva é definida pelo Artigo 4º da LEF, podendo figurar no polo 
passivo da execução fiscal, inclusive outro ente público. Cumpre esclarecer que 
a legitimidade passiva decorre da inscrição do nome do devedor na certidão da 
dívida ativa. No caso do Artigo 4º, IV, da LEF, que autoriza o redirecionamento 
da execução fiscal para o responsável ou sócio de empresas que tenham se 
dissolvido de forme irregular conforme Súmula 435 do STJ. 
 
A solidariedade dos sócios, nas hipóteses contempladas pela LEF, não decorre 
do simples inadimplemento, nos termos da Súmula 430, mas da demonstração 
da dissolução irregular da empresa, atribuindo a legitimidade para o sócio-
gerente. A Súmula 392 do STJ autoriza a Fazenda Pública a substituir a certidão 
da dívida ativa nas hipóteses de erro material ou formal, proibindo a alteração 
do sujeito passivo. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 175 
Competência 
A definição da competência para processamento da execução fiscal será em 
razão do foro domicílio do devedor ou do fato gerador da dívida. 
 
Nas execuções promovidas pela Fazenda Pública Federal, a competência será 
da Justiça Federal do foro do domicílio do devedor. Caso o devedor resida em 
Município que não haja sede da Justiça Federal, a execução fiscal deverá ser 
promovida na Justiça Estadual, e a competência recursal será do respectivo 
Tribunal Regional Federal. 
 
Nos casos de execução fiscal movida pelos Conselhos de fiscalização 
profissional, a competência será da Justiça Federal, conforme orientação da 
mencionada Súmula 66 do STJ. 
 
Nos casos em que a Caixa Econômica Federal ajuizar execução fiscal na 
qualidade de substituto processual, a competência será da Justiça Federal, nos 
termos da Súmula 349 do STJ. 
 
Petição inicial 
A petição inicial no procedimento especial da execução fiscal não requer 
maiores detalhes que a execução comum de título extrajudicial, conforme se 
depreende da leitura do Artigo 6º da LEF. 
 
Todas as disposições referentes à execução de títulos extrajudiciais no que 
tange aos requisitos e distribuição da inicial são aplicáveis em sede de execução 
fiscal, conforme determina o Artigo 1º da LEF. Assim, as observações acerca da 
expedição de certidão comprobatória da distribuição da execução (Artigo 615-A 
do CPC), entre outras, poderão serrequeridas pela Fazenda Pública. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 176 
A petição inicial poderá ser rejeitada liminarmente nos casos de prescrição 
quinquenal ocorrida antes do ajuizamento da execução fiscal, conforme verbete 
da Súmula 409 do STJ. 
 
Procedimento 
Distribuída a petição inicial, o juiz determinará a citação do devedor (Artigo 7º 
da LEF), que somente poderá ser por edital após o esgotamento das demais 
modalidades, conforme verbete da Súmula 414 do STJ. No despacho inicial, o 
juiz determinará, além da citação, a penhora de bens, caso o devedor não 
efetue o pagamento no prazo de cinco dias (Artigo 8º da LEF). 
 
A penhora pode recair sobre diversos bens, observando-se a ordem de 
preferência elencada no Artigo 11 da LEF. Nos termos da Súmula 417 do STJ, a 
inobservância da ordem estabelecida não acarreta nulidade da penhora. A 
Súmula 406 do STJ autoriza a Fazenda Pública a recusar a substituição do bem 
penhorado por precatório. Tal verbete deve ser interpretado com cautela, pois 
não se pode descurar do princípio da menor onerosidade do devedor, agora 
presente no Artigo 805 do CPC/2015. 
 
Embargos à execução na execução fiscal 
Realizada a penhora, o devedor será intimado (Artigo 12 da LEF) para oferecer 
embargos no prazo de 30 dias (Artigo 16 da LEF). Cumpre fazer algumas 
considerações acerca do procedimento dos embargos à execução na execução 
fiscal. A Lei nº 11.382/06 excluiu a exigência de garantia do juízo para 
oferecimento dos embargos à execução no procedimento executivo comum. 
 
Na execução fiscal, o devedor somente poderá opor embargos após a 
realização da penhora. Embora o Artigo 1º da LEF disponha que o Código de 
Processo Civil constitui fonte subsidiária da execução fiscal, prevalece o 
entendimento de que a exclusão da garantia do juízo levada a efeito na regra 
geral (CPC) não afetará as disposições de lei especial. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 177 
Não se justifica tal entendimento. No momento histórico em que foi editada a 
Lei nº 6.830/80, o legislador preocupou-se em tratar de regras específicas 
concernentes à Fazenda Pública propriamente dita, como, por exemplo, a 
possibilidade de substituição da certidão da dívida ativa e outras regras gerais, 
que tinham, como pano de fundo, o Código de Processo Civil vigente, como, 
por exemplo, as formas de cotação, procedimento dos embargos, entre outras. 
Essa interpretação autoriza a aplicação das alterações levadas a efeito pela Lei 
nº 11.382/06 em sede de execução fiscal. 
 
A exigência da penhora para oposição de embargos na LEF era coerente com a 
regra do CPC naquele momento histórico do direito objetivo. A alteração 
realizada na regra geral provoca irradiação nos estatutos que a utilizam como 
fonte subsidiária como consectário lógico, coerente e estruturante do próprio 
ordenamento jurídico. Dessa forma, não há como se admitir a exigência de 
penhora para oferecimento de embargos. 
 
O raciocínio exercitado acima possibilita o oferecimento de embargos em 
momento anterior à penhora. A polêmica permanece sobre a temática, mas o 
STJ admite a exceção de pré-executividade em sede de execução fiscal, 
garantindo o exercício da ampla defesa. 
 
O Superior Tribunal de Justiça mantém a orientação no sentido da permanência 
da garantia de juízo em precedentes recentes, conforme publicado no 
Informativo nº 538: 
 
Direito processual civil e tributário. Garantia do juízo para embargos à 
execução fiscal 
Não devem ser conhecidos os embargos à execução fiscal opostos sem a 
garantia do juízo, mesmo que o embargante seja beneficiário da assistência 
judiciária gratuita. De um lado, a garantia do pleito executivo é condição de 
procedibilidade dos embargos de devedor nos exatos termos do Artigo 16, §1º, 
da Lei 6.830/1980. De outro lado, o Artigo 3º da Lei 1.060/1950 é cláusula 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 178 
genérica, abstrata e visa à isenção de despesas de natureza processual, como 
custas e honorários advocatícios, não havendo previsão legal de isenção de 
garantia do juízo para embargar. Assim, em conformidade com o princípio da 
especialidade das leis, o disposto no Artigo 16, § 1º, da Lei 6.830/1980 deve 
prevalecer sobre o Artigo 3º, VII, da Lei 1.060/1950, o qual determina que os 
beneficiários da justiça gratuita ficam isentos dos depósitos previstos em lei 
para interposição de recurso, ajuizamento de ação e demais atos processuais 
inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório. (Precedentes citados: 
AgRg no REsp 1.257.434-RS, Segunda Turma, DJe 30/8/2011; e REsp 
1.225.743-RS, Segunda Turma, DJe 16/3/2011. REsp 1.437.078-RS, Rel. Min. 
Humberto Martins, julgado em 25/3/2014). 
 
Suspensão e extinção da execução fiscal 
Se o devedor não oferecer embargos ou se estes não forem procedentes, a 
execução fiscal terá seu curso normal, procedendo-se a expropriação dos bens 
penhorados através da alienação em hasta pública ou adjudicação levada a 
efeito pela Fazenda Pública (Artigo 24 da LEF). 
 
A não localização de bens do devedor acarretará a suspensão do processo, nos 
termos do Artigo 40 da LEF. A Súmula 314 do STJ, considerando o silêncio do 
legislador, definiu com clareza que a suspensão ocorrerá por um ano. Findo o 
prazo, inicia-se a prescrição quinquenal intercorrente. Na prática, o devedor 
que não possui bens aguardará seis anos para obter a extinção da execução 
fiscal. 
 
O efetivo pagamento ou a transformação dos bens expropriados em pagamento 
acarreta a extinção da execução fiscal, nos termos do Artigo 924, II do 
CPC/2015. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 179 
Recursos cabíveis 
Não há restrição quanto à utilização de recursos em sede de execução fiscal, tal 
como ocorre na execução de títulos extrajudiciais. A única diferença diz respeito 
à possibilidade de oposição de embargos infringentes contra sentenças, no 
julgamento dos embargos ou de extinção da execução, de valor igual ou 
inferior a 50 OTNS. Os embargos infringentes mencionados aqui não guardam 
nenhuma semelhança com os embargos infringentes dispostos no Artigo 530 do 
CPC. 
 
Os embargos infringentes do Artigo 34 da LEF, que será julgado pelo próprio 
juiz da execução, nos termos do parágrafo 3º do mencionado dispositivo legal, 
guarda relação com a apelação (Artigo 1009 do CPC/2015). Nos casos em que 
o valor exceder ao supracitado, o recurso cabível será a apelação. 
 
Atividade proposta 
Diante da divergência acerca do valor de determinado precatório, o credor 
pretende receber a parte incontroversa e discutir a aplicação equivocada de 
juros e correção monetária, o que reduziu sobremaneira o valor da execução 
em face da Fazenda Pública. Nesse caso, considerando que a expedição do 
precatório foi determinada pelo Presidente do Tribunal, quem tem competência 
para conhecer esta matéria? 
 
Chave de resposta: A natureza jurídica da atividade do presidente do 
Tribunal no pagamento de precatório é meramente administrativa, cabendo ao 
juiz da execução decidir sobre questões incidentes. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 180 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre execução fiscal e execução contra a Fazenda 
Pública, acesse o site e leia o artigo Prescrição intercorrente no 
âmbito da execução fiscal 
http:/www.sinprofaz.org.br/artigos/prescricao-intercorrente-no-
ambito-da-execucao-fiscal 
 
Referências 
ARAÚJO, Luis Carlos de. Curso do Novo Processo Civil. Rio de Janeiro: 
Editora Freitas Bastos, 2015. 
CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A fazenda pública em juízo.10ª ed. 
São Paulo: Dialética, 2008. p. 15-18. 
DIDIER JR, Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da; BRAGA, Paula Sarno; 
OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. v. 5. Salvador: Juspodivm, 2009. 
p. 733-756. 
 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Carlos Alexandre ajuizou ação de obrigação de fazer em face do Estado do Rio 
de Janeiro visando obter a regularização no fornecimento de remédios para seu 
tratamento de HIV. A pretensão do autor foi julgada procedente para 
determinar que o Estado forneça o medicamento pelo período de dois anos. 
Diante do descumprimento da sentença, o exequente deverá promover: 
a) Procedimento especial de execução contra a Fazenda Pública. 
b) Execução fiscal. 
c) Procedimento comum de execução de obrigação de pagar quantia certa. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 181 
d) Procedimento comum de obrigação de fazer. 
Questão 2 
Para se promover uma execução por quantia certa em face da Petrobras 
(sociedade de economia mista), com lastro em título judicial, o procedimento 
executivo adequado é: 
a) Execução por quantia certa em face da Fazenda Pública. 
b) Execução por quantia certa em face de devedor solvente. 
c) Execução por quantia certa em face de devedor insolvente. 
d) Execução fiscal (Lei nº 6.830/80). 
 
Questão 3 
Ambrosino, 67 anos de idade, portador de doença grave, promoveu execução 
no valor de R$400.000,00 em face do Estado de São Paulo. Após o julgamento 
dos embargos, considerados improcedentes, e o efetivo trânsito em julgado, o 
credor prosseguiu na demanda executiva requerendo a expedição do 
competente precatório. Assinale a alternativa correta acerca do procedimento 
mencionado. 
a) Deverá o presidente do respectivo tribunal determinar a expedição do 
competente precatório obedecendo a ordem cronológica não preferencial 
por se tratar de crédito que não possui natureza alimentícia. 
b) O pagamento do respectivo precatório será pago com preferência de 
todos os demais. 
c) O pagamento será realizado através de procedimento similar ao da 
requisição de pequeno valor devido à idade do credor. 
d) Caberá ao juiz da execução o estabelecimento da ordem cronológica a 
qual será incluído o pagamento do precatório do credor. 
Questão 4 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 182 
Deflagrada execução contra Fazenda Pública municipal sem a oposição dos 
embargos, o juiz indeferiu, de plano, requerimento do credor no sentido de 
fixar os honorários advocatícios sob o fundamento de que estes são incabíveis 
neste rito. O juiz, nesse caso: 
a) Agiu corretamente, considerando que não há fixação de honorários em 
face da Fazenda Pública. 
b) Agiu corretamente, pois a execução não foi embargada pela Fazenda 
Pública. 
c) Agiu de forma incorreta, considerando que é admissível fixação de 
honorários em sede de execução em face da Fazenda Pública. 
d) Agiu de forma correta, considerando o caráter público do referido 
procedimento. 
 
Questão 5 
Em relação ao procedimento executivo em face da Fazenda Pública, é correto 
afirmar que: 
a) É cabível execução de títulos extrajudiciais em face da Fazenda Pública. 
b) A Fazenda Pública poderá arguir qualquer matéria em sede de embargos 
à execução. 
c) O pagamento somente poderá ser feito através de precatório, 
independentemente de valor. 
d) Admite-se a execução provisória em sede de execução contra a Fazenda 
Pública. 
 
 
Questão 6 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 183 
Numa execução fiscal, feita citação, o executado efetuou depósito em dinheiro 
em garantia da execução pelo valor da dívida, juros e multa de mora e 
encargos indicados na certidão de dívida ativa. Nesse caso, o prazo para 
oferecimentos de embargos será contado da data: 
a) Da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido. 
b) Da intimação da efetivação do depósito. 
c) Da intimação da penhora. 
d) Da citação. 
e) Do depósito. 
 
Questão 7 
Determinada empresa teve contra si inscrição de dívida, que, inicialmente, foi 
enfrentada por mandado de segurança, em que alegado tão somente que as 
pessoas consideradas como empregadas pelo fiscal previdenciário seriam 
trabalhadores autônomas, sem vínculo empregatício. Sem que obtido o writ, 
após ajuizada a execução fiscal, intentou ela exceção de pré-executividade, em 
que insistiu na recusa do nexo de emprego, mais uma vez sem sucesso. 
Ofereceu penhora em dinheiro, opondo embargos, nos quais alega, ainda, que 
equivocado o trabalho fiscal que deu gênese à cobrança, sem, no entanto, 
protestar por qualquer meio de prova. Em impugnação, a Fazenda limitou-se a 
afirmar a presunção de liquidez e certeza do título. 
Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta. 
I. O mandado de segurança, por ser garantia constitucional, não poderia ser 
rejeitado de plano. 
II. A exceção de pré-executividade comporta não só matérias que podem ser 
contempladas ex ofício pelo juiz, mas também nulidades outras cuja 
demonstração exija dilação probatória. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 184 
III. O ônus da prova é, em execução fiscal, sempre da Administração, pois que 
o contribuinte guarda a seu favor presunção de inocência. 
IV. A presunção de liquidez e certeza inerente ao título fiscal é iuris tantum, 
cedendo ante inequívoca prova em contrário. 
a) Está correta apenas a assertiva IV 
b) Estão corretas apenas as assertivas I e III 
c) Estão corretas apenas as assertivas II e IV 
d) Todas as assertivas estão incorretas 
 
Questão 8 
Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta. 
I. O juiz deve converter a penhora em depósito para garantia da execução. 
II. A data do depósito, na execução fiscal, jamais pode constituir um marco 
inicial do prazo para oposição de embargos. 
III. Tanto na exceção de pré-executividade quanto no mandado de segurança, 
a apresentação dos meios de prova a serem realizados na instrução é 
imprescindível para viabilizar o próprio instrumento processual. 
IV. No exemplo dado, o juiz deve receber os embargos, determinando 
audiência de instrução e julgamento. 
a) Está correta apenas a assertiva I 
b) Está correta apenas a assertiva III 
c) Estão corretas apenas as assertivas II e IV 
d) Todas as assertivas estão incorretas 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 185 
Questão 9 
O Estado do Rio de Janeiro pretende promover a execução do valor de 
R$10.000,00 referente às custas judiciais devidos por Mauro Junior. Nesse caso, 
é correto afirmar que: 
a) Deverá a Fazenda Pública promover execução pelo rito do Artigo 475-J 
do CPC, onde a defesa do executado será feita através de impugnação. 
b) Não é cabível a execução direta, devendo o Estado promover processo 
de conhecimento para obtenção de título judicial. 
c) Deverá a Fazenda Pública promover a Execução Fiscal, onde a defesa do 
executado será feita através de impugnação. 
d) Deverá a fazenda Pública promover a Execução Fiscal, onde a defesa do 
executado será feita através de embargos à execução. 
 
Questão 10 
O Estado de Santa Catarina promoveu execução em face da Empresa X. 
Efetuada a penhora de bem imóvel da empresa devedora e transcorrido o prazo 
para oferecimento de embargos sem manifestação, a Procuradoria do 
mencionado Estado requereu a adjudicação do referido bem, o que foi 
indeferido de plano pelo juiz sob o fundamento de a adjudicação somente terá 
lugar na hipótese de restar frustrada a alienação em hasta pública. Diante, é 
correto afirmar: 
a) Não assiste razão à procuradoria, vez que a Lei nº 6.830/80 estabeleceu 
uma ordem legal de preferênciadas formas de adjudicação. 
b) O juiz agiu corretamente, vez que, na execução fiscal, privilegia-se o 
pagamento em dinheiro considerando a prevalência do interesse público. 
c) A Fazenda Pública poderá adjudicar os bens penhorados 
independentemente de realização de alienação em hasta pública. 
d) Não há previsão legal acerca da adjudicação na execução fiscal. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 186 
Aula 6 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - D 
Justificativa: O procedimento especial disposto no Artigo 730 do CPC somente 
se aplica nas execuções em face da Fazenda Pública que contenham obrigação 
de pagar. As execuções que tenham como objeto obrigação de fazer ou de 
entrega de coisa seguirão o procedimento comum disposto no Artigo 461 e 
461-A do CPC. 
 
Questão 2 - B 
Justificativa: A Petrobras não é incluída no conceito de Fazenda Pública por ser 
pessoa jurídica de direito privado. 
 
Questão 3 - D 
Justificativa: Conforme Artigo 100, §2º, da CF/88. 
 
Questão 4 - C 
Justificativa: Súmula 345 do STJ. 
 
Questão 5 - A 
Justificativa: Súmula 279 do STJ. 
 
Questão 6 - E 
Justificativa: Artigo 16, I, da Lei nº 6.830/80. 
 
Questão 7 - A 
Justificativa: Conforme Artigo 3º da Lei nº 6.830/80. 
Fonte: Tribunal Regional Federal da 2ª Região – 2007 – Analista Judiciário/ 
Área Judiciária. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 187 
Questão 8 - A 
Justificativa: Artigo 11, §2º, do CPC. 
Fonte: XII Concurso Público para provimento de cargo de Juiz Federal 
Substituto da 4ª Região. 
 
Questão 9 - D 
Justificativa: Conforme Artigo 2º, §2º da Lei nº 6.830/80. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 24, I, da Lei nº 6.830/80. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 188 
Introdução 
O devedor de alimentos poderá ficar preso por débito alimentar inscrito em 
título executivo extrajudicial? Esta e outras questões pertinentes ao tema da 
execução de alimentos serão apresentadas nesta aula, para ampliarmos o 
conhecimento acerca da matéria. A execução no microssistema do juizado 
especial cível será também abordada nesta aula, atentando-se para os aspectos 
que não são aplicáveis às regras dos procedimentos executivos dispostos no 
CPC/2015. 
 
Objetivo: 
1. Estudar o procedimento para execução de dívidas de natureza alimentar e 
seus respectivos procedimentos; 
2. Identificar as principais diferenças entre o procedimento executivo e a 
execução em sede de juizados especiais cíveis. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 189 
Conteúdo 
Execução de prestação alimentícia 
A obrigação alimentar constituída em um título executivo recebe tratamento 
diferenciado pelo Código de Processo Civil, considerando que os alimentos não 
comportam delongas processuais. A matéria é tratada nos Artigos 528 a 533 do 
CPC/2015 e suas peculiaridades serão abordadas nesta aula. 
 
Obrigação alimentar 
O dever de prestar alimentos pode decorrer de diversos fatos reconhecidos e 
regulados em nosso ordenamento jurídico. A obrigação alimentar pode se 
originar das seguintes formas: 
 
 Da relação de parentesco (Artigo 1694 e seguintes, do Código Civil). 
 Da prática de um ato ilícito. 
 De decisões judiciais que fixam os alimentos provisórios (Artigo 4º da Lei 
5.478/68). 
 De decisões em processo cautelar que fixam alimentos provisionais. 
 Os alimentos gravídicos disciplinados pela Lei 11.804/2008. 
 
Há também os alimentos transitórios, assim chamados aqueles fixados quando 
o alimentando é pessoa com idade, condições e formação profissional 
compatíveis com uma provável inserção no mercado de trabalho, necessitando 
dos alimentos apenas até que atinja sua autonomia financeira, momento em 
que se emancipará da tutela do alimentante – outrora provedor do lar –, que 
será então liberado da obrigação, a qual se extinguirá automaticamente (REsp 
1.362.113-MG). 
 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 190 
 
Atenção 
 Independente do fato que originou a obrigação alimentar, o seu 
inadimplemento acarreta a execução nos procedimentos 
dispostos nos Artigos 732 e 733 do CPC. 
 
Título executivo 
A obrigação de prestar alimentos decorre, em regra, de decisões judiciais. 
Independente do rito escolhido pelo exequente, o título executivo será sempre 
judicial consubstanciado em uma sentença ou decisão interlocutória que fixou 
alimentos provisórios ou provisionais. 
 
A Lei 11.441/07, que acrescentou o Artigo 1.124-A ao CPC/73, autorizava o 
divórcio por escritura pública como também que nela seja definida obrigação 
alimentar a ser prestada por um dos cônjuges após o divórcio. Neste caso, a 
obrigação alimentar foi fixada em um título extrajudicial. O CPC/2015 regula a 
matéria no Artigo 733. Com efeito, a execução de prestação alimentícia poderá 
ter como base a obrigação contida em título judicial ou extrajudicial. 
 
O STJ não admite, portanto, a prisão civil em relação às execuções fundadas 
em títulos executivos extrajudiciais (REsp. 769.334-SC), mas admite quando o 
título executivo extrajudicial originado de transação referendados pela 
Defensoria Pública (REsp. 1.117.639-MG). 
 
Procedimento executivo fundado em coerção pessoal 
O Artigo 528 do CPC/2015 coloca à disposição do credor a possibilidade de 
promover a execução de obrigação alimentar inadimplida através de coerção 
pessoal do devedor. Neste rito, o devedor será citado para pagar em 03 dias, 
provar que já o fez ou justificar as razões pelas quais deixou de fazer. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 191 
O Código de Processo Civil não estabelece critérios para utilização deste rito, o 
que motivou o Superior Tribunal de Justiça a editar a Súmula 309 que, por sua 
vez, estabelece que este rito seja utilizado para execução das prestações 
alimentícias recentes, ou seja, os últimos 03 meses e as respectivas parcelas 
vincendas. As prestações pretéritas serão executadas através do rito do 
Artigo 528, 8º do CPC/2015, cujo cumprimento se realizará por meio 
da expropriação. 
 
Caso o réu devidamente citado não cumpra a obrigação no prazo legal, o juiz 
determinará a prisão do devedor que poderá ser de 01 a 03 meses. A Lei 
5.478/68, em seu Artigo 19, determina a prisão por 60 dias do devedor. Para 
autores como Fredie Didier e Alexandre Câmara, prevalecia o período fixado na 
Lei 5.478/68, por ser lei especial e que foi mantida pela Lei 6.014/73, posterior 
ao CPC/73, portanto revogada estaria a regra do parágrafo §1º do Artigo 733 
do CPC/73. 
 
Cassio Scarpinella Bueno, entre outros, defendiam a prevalência do período 
fixado no Artigo 733, §1º do CPC/73, por considerar que a Lei 6.014/73 não 
alterou o caput do Artigo 19 da Lei 5.478/68 e que o CPC/73 constituiu lei 
posterior que revoga a mais antiga. O CPC/2015 manteve a prisão de 1(um) a 
3(três) meses, conforme Artigo 528, §3º. 
 
Há ainda o entendimento de que a prisão terá aplicação nos casos de alimentos 
provisionais e a corrente majoritária, no sentido de que se aplica o princípio da 
menor onerosidade possível, optando por aplicar o período mais curto, nos 
termos do Artigo 19 da Lei 5.478/68. 
 
Cumpre observar, ainda, no que tange à prisão, que não há impedimentos 
legais para que o devedor, após a liberação por cumprimento de pena de prisão 
civil, sofra nova coerção pessoal decorrente de outra obrigação alimentar com 
fundamento no Artigo 528 do CPC/2015. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 192 
Importante ressaltar, por fim, que a natureza jurídica da prisão é meramente 
coercitiva. Casoo devedor não cumpra a obrigação no curso do cumprimento 
da pena, o procedimento executivo será convertido em obrigação de pagar, nos 
termos do Artigo 528, §8º do CPC/2015. 
 
 
Atenção 
 O Artigo 528 do CPC/2015 dispõe que o devedor deve, no prazo 
de 03 dias, pagar ou justificar as razões pela qual não efetuou o 
pagamento da obrigação alimentar. A defesa do devedor, neste 
caso, poderá ser apresentada através de simples petição. 
 
Procedimento executivo fundado em expropriação 
A execução de obrigação de pagar a quantia certa de natureza alimentar 
pretéritas seguirá o rito do Artigo 523 do CPC/2015. Com a reforma levada a 
efeito pela Lei 11.232/05, o Artigo 475-J do CPC/73, inclusive com a incidência 
da multa de 10%, passou a ser perfeitamente aplicável neste procedimento 
executivo. Considerando o procedimento do cumprimento de sentença já 
abordado, não haverá necessidade de se reproduzir o conteúdo anteriormente 
abordado neste particular. 
 
Caso a obrigação esteja assentada em título executivo extrajudicial, o 
procedimento executivo deve seguir as regras do processo autônomo de 
execução, conforme Artigo 911 do CPC/2015. Esta interpretação é a que melhor 
se adéqua à sistemática da denominada “nova” execução levada a efeito pelas 
Leis 11.232/05 e 11.382/06. 
 
Na hipótese de execução de títulos executivos extrajudiciais, a defesa do 
executado será realizada através de embargos à execução, nos termos do 
Artigo 914 do CPC/2015, possibilitando maior abrangência das matérias 
passíveis de arguição. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 193 
Embora o nosso ordenamento processual trate de bens absolutamente 
impenhoráveis e relativamente impenhoráveis, o tema tem análise mais 
cuidadosa quando se refere à obrigação alimentar. Além da possibilidade da 
penhora dos bens admitidos pelo nosso ordenamento processual, na execução 
de alimentos, é permita a penhora de bens impenhoráveis que merecem 
algumas considerações. 
 
A primeira consideração é em relação à possibilidade de penhora dos bens de 
família, conforme dispõe o Artigo 3º, III, da Lei 8.009/90. Mesmo que o 
devedor tenha um único imóvel, considerado bem de família, este poderá ser 
penhorado para satisfação de dívida por pensão alimentícia. 
 
A segunda consideração diz respeito à possibilidade de penhora de FGTS para 
satisfação da obrigação alimentar, conforme entendimento do STJ firmado no 
Informativo 494. 
 
Procedimento executivo por desconto em folha 
O Artigo 529 do CPC/2015 trata da possibilidade de se promover a execução do 
débito alimentar através de desconto em folha nas hipóteses definidas no 
mencionado dispositivo legal. O procedimento é simples e constitui, em 
verdade, penhora de salário permanente para satisfação de dívida alimentícia. 
O credor deverá formular requerimento apontando o valor da prestação bem 
como demonstrar que a condição do devedor se encontra na hipótese acima 
mencionada. 
 
O referido procedimento é utilizado para a satisfação de prestação alimentícia 
futura. No entanto, nada impede que o referido procedimento possa ser 
utilizado para pagamento de débitos pretéritos. Caberá, portanto, ao credor, a 
promoção da execução dos débitos pelos módulos executivos dispostos nos 
Artigos 528; 528,§8º e 539 do CPC/2015. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 194 
Alimentos por ato ilícito – constituição de capital 
A constituição de capital, disposta no Artigo 533 do CPC/2015, tem lugar nas 
hipóteses em que o juiz condenar o réu, pela prática de ato ilícito, a prestar 
alimentos ao autor. Neste caso, a finalidade maior é garantir o pagamento 
futuro da obrigação alimentar dispensando eventual liquidação de sentença 
para definição do valor da respectiva obrigação alimentar. O tema é mais afeto 
ao processo de conhecimento do que ao cumprimento de sentença 
propriamente dito. Para entender o instituto, veja a história a seguir. 
 
João faleceu ano passado, após sofrer um acidente aéreo. Diversas 
investigações foram realizadas até ficar comprovado que um erro do 
comandante do voo ocasionou o acidente. 
 
Os filhos de João entraram com uma ação indenizatória e o juiz condenou a 
empresa aérea a indenizar os herdeiros pelos danos materiais e imateriais, 
condenado também ao pagamento de alimentos por ato ilícito, determinando 
na sentença a constituição de capital, que poderá ser aplicações financeiras, 
bens imóveis, podendo, inclusive, ser substituída a constituição de capital por 
inclusão em folha de pagamento, nos termos do Artigo 533, §§1º e 2º do 
CPC/2015. 
 
Cumprida a obrigação, o juiz determinará a liberação do respectivo capital, nos 
termos do parágrafo 5º do mencionado dispositivo. Para entender melhor veja 
a abordagem do tema no NCPC. 
 
CAPÍTULO IV 
DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXGIBILIDADE DE 
OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS 
Art. 542. No cumprimento de sentença que condena ao pagamento de 
prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixa alimentos, o juiz, a 
requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 195 
em três dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de 
efetuá-lo. Caso o executado, nesse prazo, não efetue o pagamento, prove que 
o efetuou ou apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz 
mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o 
disposto no Artigo 531. 
§ 1º Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de 
pagar justificará o inadimplemento. 
§ 2º Se o executado não pagar, ou não for aceita a justificação apresentada, o 
juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do caput, 
decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de um a três meses. 
§ 3º A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar 
separado dos presos comuns. 
§ 4º O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das 
prestações vencidas e vincendas. 
§ 5º Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem 
de prisão. 
§ 6º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que 
compreende até as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as 
que se vencerem no curso do processo. 
§ 7º O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou 
decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, 
caso em que não será admissível a prisão do executado e, recaindo a penhora 
em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o 
exequente levante mensalmente a importância da prestação. 
§ 8º Além das opções previstas no Artigo 530, parágrafo único, o exequente 
pode promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao 
pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio. 
Art. 543. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou 
gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 196 
exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância 
da prestação alimentícia. 
§ 1º Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao 
empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a 
partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo 
do ofício. 
§ 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no cadastro de pessoas 
físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada 
mensalmente, o tempo de sua duração e a conta naqual deva ser feito o 
depósito. 
§ 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito executado 
pode ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma 
parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela 
devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos. 
Art. 544. Não cumprida a obrigação, observar-se-á o disposto nos artigos 847 e 
seguintes. 
Art. 545. O disposto neste Capítulo aplica-se aos alimentos legítimos definitivos 
ou provisórios. 
§ 1º A execução dos alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados 
em sentença ainda não transitada em julgado, se processa em autos apartados. 
§ 2º O cumprimento definitivo da obrigação de prestar alimentos será 
processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença. 
Art. 546. Verificada a postura procrastinatória do executado, o magistrado 
deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática 
do delito de abandono material. 
Art. 547. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos, 
caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir capital cuja 
renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 197 
§ 1º Esse capital, representado por imóveis ou por direitos reais sobre imóveis 
suscetíveis de alienação, títulos da dívida pública ou aplicações financeiras em 
banco oficial, será inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação do 
executado, além de constituir-se em patrimônio de afetação. 
§ 2º O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do 
exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória capacidade 
econômica ou, a requerimento do executado, por fiança bancária ou garantia 
real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 
§ 3º Se sobrevier modificação nas condições econômicas, poderá a parte 
requerer, conforme as circunstâncias, redução ou aumento da prestação. 
§ 4º A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário 
mínimo. 
§ 5º Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz mandará liberar o capital, 
cessar o desconto em folha ou cancelar as garantias prestadas. 
Execução de Títulos Extrajudiciais 
CAPÍTULO VI 
DA EXECUÇÃO DE ALIMENTOS 
Art. 927. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha 
obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em dez dias, 
efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se 
vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de 
efetuá-lo. 
Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 1º a 6º do Artigo 542. 
Art. 928. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou 
gerente de empresa, bem como empregado sujeito à legislação do trabalho, o 
exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento de pessoal a 
importância da prestação alimentícia. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 198 
§ 1º Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao 
empregador, determinando, sob pena de crime de desobediência, o desconto a 
partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo 
do ofício. 
§ 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no cadastro de pessoas 
físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada 
mensalmente, a conta na qual deva ser feito o depósito e, se for o caso, o 
tempo de sua duração. 
Art. 929. Não requerida a execução nos termos deste Capítulo, observar-se-á o 
disposto no Artigo 840 e seguintes, com a ressalva de que, recaindo a penhora 
em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não 
obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. 
 
Execução nos juizados especiais cíveis 
A execução no microssistema dos Juizados Especiais Cíveis tem como fonte 
subsidiária o Código de Processo Civil, conforme Artigo 52 da Lei 9.099/95. As 
reformas processuais realizadas pelas Leis 11.232/05 e 11.382/06 são, 
portanto, plenamente aplicáveis em sede de Juizados Especiais. 
 
Cumprimento de sentença nos juizados especiais cíveis estaduais 
A execução de sentença nos Juizados Especiais será instaurada mediante 
simples requerimento, verbal ou por escrito, do credor nos termos do Artigo 52, 
IV, da Lei 9.099/95. 
 
A execução de títulos judiciais no Juizado Especial já era promovida como fase 
processual, antes mesmo da reforma processual que estabeleceu o 
cumprimento de sentença no procedimento comum. Assim, após o 
requerimento feito pelo credor, e dispensada a citação, o devedor será intimado 
para pagar em 15 dias, na forma do Artigo 523 do CPC/2015. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 199 
O procedimento não difere do procedimento comum para cumprimento de 
sentença de reconhecimento para pagamento. O devedor, uma vez intimado, 
poderá permanecer inerte, efetuar o pagamento e poderá, ainda, apresentar 
defesa através de impugnação nos termos do Artigo 525 do CPC/2015. 
Importante ressaltar que o recurso cabível contra decisão que julga a 
impugnação, independente do conteúdo, será o recurso inominado nos termos 
do Artigo 41 da Lei 9.099/95. 
 
A observação se faz necessária, pois no procedimento comum do cumprimento 
de sentença, o recurso contra decisão que julga a impugnação dependerá de 
seu conteúdo, vez que em alguns casos o acolhimento da impugnação resultará 
na extinção da execução, como no caso de inexigibilidade do título ou 
ilegitimidade das partes, sendo cabível será a apelação. Nos casos em que o 
acolhimento da impugnação não resultar em extinção da execução, como nos 
casos de penhora incorreta ou excesso de execução, o recurso cabível será 
agravo de instrumento, nos termos do Artigo 475-M, § 3º do CPC. No 
microssistema dos juizados especiais cíveis estaduais, que não admite recurso 
de agravo de instrumento, o recurso cabível será o recurso inominado. 
 
Enunciados do FONAJE sobre o tema 
Agora, veja o que dizem os enunciados do FONAJE a respeito do tema: 
 
Enunciado 38 
A análise do Artigo 52, IV, da Lei 9.099/1995, determina que, desde logo, 
expeça-se o mandado de penhora, depósito, avaliação e intimação, inclusive da 
eventual audiência de conciliação designada, considerando-se o executado 
intimado com a simples entrega de cópia do referido mandado em seu 
endereço, devendo, nesse caso, ser certificado circunstanciadamente. 
 
 
 
Enunciado 75 (Substitui o Enunciado 45) 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 200 
A hipótese do § 4º, do 53, da Lei 9.099/1995, também se aplica às execuções 
de título judicial, entregando-se ao exequente, no caso, certidão do seu crédito, 
como título para futura execução, sem prejuízo da manutenção do nome do 
executado no Cartório Distribuidor (nova redação – XXI Encontro – Vitória/ES). 
 
Enunciado 143 
A decisão que põe fim aos embargos à execução de título judicial ou 
extrajudicial é sentença, contra a qual cabe apenas recurso inominado (XXVIII 
Encontro – Salvador/BA). 
 
Enunciado 156 
Na execução de título judicial, o prazo para oposição de embargos flui da data 
do depósito espontâneo, valendo este como termo inicial, ficando dispensada a 
lavratura de termo de penhora (XXX Encontro – São Paulo/SP). 
 
Processo autônomo de execução nos juizados especiais 
As execuções de títulos extrajudiciais cujo valor não ultrapasse o teto de 40 
salários mínimos poderão ser promovidas no juizado especial cível estadual, 
obedecendo ao disposto no Artigo 53 da Lei 9.099/90. As regras inerentes à 
execuçãode títulos extrajudiciais dispostas no Artigo 797 do CPC/2015 são 
aplicáveis nas execuções de títulos extrajudiciais que tramitam nos juizados. 
 
O devedor será citado, após a efetivação da penhora, para comparecer à 
audiência de conciliação, ocasião em que poderão ser oferecidos os embargos à 
execução (Artigo 53, §1º). A referida regra corresponde ao regime dos 
embargos à execução no período anterior à edição da Lei 11.382/06, que exigia 
a garantia do juízo como requisito de admissibilidade. Com a reforma, 
dispensou-se a exigência de garantia de juízo para oferecimento dos embargos 
(Artigo 914 do CPC/2015) e não há óbice em sua aplicação em sede de juizados 
especiais cíveis estaduais. 
O Artigo 53, § 3º, coloca à disposição do devedor diversas possibilidades de 
satisfação do crédito, como pagamento a prazo ou a prestação, como também 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 201 
a dação em pagamento, autorizando, ainda, o devedor a adjudicar os bens 
penhorados. Não havendo bens passíveis de penhora ou não sendo localizado o 
devedor, a execução será extinta, nos termos do Artigo 53, §4º da Lei 
9.099/95. Veja o que dizem os anúncios do FONAJE a respeito deste tema: 
 
Enunciado 52 
Os embargos à execução poderão ser decididos pelo juiz leigo, observado o 
Artigo 40 da Lei n° 9.099/1995. 
 
Enunciado 76 (Substitui o Enunciado 55) 
No processo de execução, esgotados os meios de defesa e inexistindo bens 
para a garantia do débito, expede-se a pedido do exequente certidão de dívida 
para fins de inscrição no serviço de Proteção ao Crédito – SPC e SERASA, sob 
pena de responsabilidade. 
 
Penhora de bens 
A penhora no sistema processual dos juizados especiais cíveis estaduais guarda 
estreita semelhança com a regra geral disposta no Código de Processo Civil, 
excluindo-se os procedimentos que comprometam a celeridade processual e a 
informalidade. Para entender melhor, veja como este tema é tratado 
nos enunciados do FONAJE: 
 
Enunciado 14 
Os bens que guarnecem a residência do devedor, desde que não essenciais à 
habitabilidade, são penhoráveis. 
 
Enunciado 43 
Na execução do título judicial definitivo, ainda que não localizado o executado, 
admite-se a penhora de seus bens, dispensado o arresto. 
A intimação de penhora observará ao disposto no Artigo 19, § 2º, da Lei 
9.099/1995. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 202 
Enunciado 59 
Admite-se o pagamento do débito por meio de desconto em folha de 
pagamento, após anuência expressa do devedor e em percentual que 
reconheça não afetar sua subsistência e a de sua família, atendendo sua 
comodidade e conveniência pessoal. 
 
Enunciado 100 
A penhora de valores depositados em banco poderá ser feita 
independentemente de a agência situar-se no Juízo da execução (XIX Encontro 
– Aracaju/SE). 
 
Enunciado 140 (Substitui o Enunciado 93) 
O bloqueio on-line de numerário será considerado para todos os efeitos como 
penhora, dispensando-se a lavratura do termo e intimando-se o devedor da 
constrição (XXVIII Encontro – Salvador/BA). 
 
Enunciado 145 
A penhora não é requisito para a designação de audiência de conciliação na 
execução fundada em título extrajudicial (XXIX Encontro – Bonito/MS). 
 
Fase expropriatória 
A etapa expropriatória nos juizados especiais cíveis está regulada no Artigo 52, 
VII, da Lei 9.099/95. Consoante o referido dispositivo legal, poderá ocorrer a 
alienação particular conduzida pelo devedor, pelo credor ou por terceiros. Não 
há incompatibilidade com as regras dispostas nos Artigos 879 do CPC/2015, 
sendo, portanto, perfeitamente aplicáveis nos juizados especiais estaduais. 
 
Dispensa-se, na alienação em hasta pública, a publicação em editais (Artigo 52, 
VIII), em perfeita coerência com os princípios da informalidade, simplicidade e 
economia processual que regem o microssistema. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 203 
A execução será extinta com o efetivo pagamento voluntário ou pelo produto 
da expropriação, na forma dos Artigos 921 e 924 do CPC/2015. Caso o devedor 
não tenha bens, expedir-se-á a competente certidão de crédito, e a 
consequente extinção da execução sem resolução do mérito, considerando que 
a suspensão do processo é incompatível com o rito dos juizados especiais 
cíveis. Veja a abordagem do tema nos enunciados do FONAJE: 
 
Enunciado 81 
A arrematação e a adjudicação podem ser impugnadas, no prazo de cinco dias 
do ato, por simples pedido (nova redação – XXI Encontro- Vitória/ES). 
 
Enunciado 106 
Havendo dificuldade de pagamento direto ao credor, ou resistência deste, o 
devedor, a fim de evitar a multa de 10%, deverá efetuar depósito perante o 
juízo singular de origem, ainda que os autos estejam na instância recursal (XIX 
Encontro – Aracaju/SE). 
 
Execução nos juizados especiais cíveis federais e da fazenda 
pública 
As Leis 10.259/01 e 12.153/09 instituíram os Juizados Especiais Cíveis Federais 
e da Fazenda Pública, viabilizando um microssistema célere para 
processamento de ações de pequenas causas (até 60 salários-mínimos) em 
face da Fazenda Pública. A execução, portanto, em sede de juizado, tem como 
escopo tornar mais célere a tutela executiva em face do Poder Público. 
 
A execução das obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa será 
promovida na forma do Artigo 16 da Lei 10.259/01 e Artigo 12 da Lei 
12.153/09, expedindo-se o respectivo ofício à autoridade citada para a causa. O 
não cumprimento voluntário acarretará a expedição de Mandado de busca e 
apreensão do bem. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 204 
Nos casos de obrigação de fazer ou não fazer, fixada a respectiva, poderá o 
credor promover a execução indireta podendo ocorrer, inclusive, o sequestro de 
verba pública para satisfação da respectiva obrigação. Este entendimento 
encontra-se respaldado na jurisprudência recente do STJ, cujos fundamentos 
determinantes encontram-se nos julgados AgRg no Ag 1073258/DF e REsp 
1.028.480/RS. 
 
A execução de quantia certa será feita mediante a expedição da requisição de 
pequeno valor encaminhado pelo juiz da execução à autoridade citada para a 
causa, na agência mais próxima do juízo da Caixa Econômica Federal ou Banco 
do Brasil. Trata-se de importante passo na efetivação da tutela executiva, vez 
que dispensa a expedição do precatório. No entanto, a regra do Artigo 17, §1º 
da Lei 10.259/01 e Artigo 13, II, da Lei 12.153/09, limita a expedição de 
Requisição de Pequeno Valor até o teto estabelecido para os Juizados Especiais 
Federais e da Fazenda Pública. 
 
Desta forma, mesmo no caso de o exequente ingressar com a demanda nos 
juizados dentro do valor de alçada, mas após a atualização do débito com 
incidência de juros e correção monetária o valor exceda o teto, este deverá 
renunciar ao crédito na parte que exceder ou receber seu crédito através de 
precatório. Tal vedação decorre do Artigo 100, §8º da CF/88 e Artigo 17, §1º 
da Lei 10.259/01. 
 
 
Atenção 
 O não cumprimento da requisição no prazo fixado, o juiz 
determinará o sequestro da verba correspondente ao crédito do 
exequente, nos termos do Artigo 17, §2ª da Lei 10.259/01 e 
Artigo 13, §1º da Lei 12.153/09. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 205 
Atividade proposta 
Os alimentos transitórios, assim chamados aqueles fixados quando o 
alimentando é pessoa com idade, condições e formação profissional 
compatíveis com uma provável inserção no mercado de trabalho, necessitando 
dos alimentos apenas até que atinja sua autonomia financeira, momento em 
que se emancipará da tutela doalimentante – outrora provedor do lar –, que 
será então liberado da obrigação, a qual se extinguirá automaticamente. Nestes 
casos, o credor poderá se valor da execução por coerção pessoal do Artigo 528 
do CPC/2015? 
 
Chave de resposta: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou orientação 
recente no sentido de admitir a coerção pessoal na execução de alimentos 
transitórios (REsp 1.362.113-MG). 
 
Referências 
BUENO, Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual 
Civil. 2ª ed. São Paulo, 2009.p.383/386. 
CÂMARA, Alexandre de Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 22. ed. 
São Paulo: Atlas, 2013 .p.357/361. v. 3. 
________________________, Juizados Especiais Cíveis Estaduais, 
Federais e da Fazenda Pública: uma abordagem crítica. 6. ed. Rio de 
Janeiro: Lumen Juris, 2010. p.159/181. 
DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da.; BRAGA, Paula Sarno; 
OLIVEIRA, Rafael. Curso de Processo Civil. Salvador: Juspodivm, 2009. p. 
700/703. v. 5. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 206 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
João e Maria realizaram divórcio por escritura pública, na qual João se obrigou 
a prestar alimentos pelo período de 06 anos, em percentual de 10% de seus 
ganhos líquidos. Após o devido registro da escritura, João não adimpliu a 
obrigação e Maria pretende ingressar em juízo para cobrar a dívida alimentar. 
Neste caso, Maria deverá: 
a) Propor a respectiva ação de alimentos vez que a escritura pública de 
divórcio não possui natureza de título executivo judiciais. 
b) Propor a execução de alimentos através de coerção pessoal do devedor 
conforme 911 do CPC/15. 
c) Ajuizar processo autônomo de execução na forma do artigo 771 do 
CPC/15, admitindo-se a penhora de bens, excetuando-se os 
considerados bens de família. 
d) Ajuizar processo autônomo de execução na forma do artigo 771 do 
CPC/15, admitindo-se a penhora de bens, inclusive o imóvel considerado 
bem de família. 
 
Questão 2 
A defesa do devedor na execução de alimentos ajuizada de acordo com o artigo 
913 do CPC/15 será feita por meio de: 
a) Impugnação. 
b) Embargos à execução, considerando se tratar de processo autônomo de 
execução. 
c) Simples petição, na qual o devedor justificará o inadimplemento ou 
provará que já o fez. 
d) Objeção de pré-executividade, considerando que a lei nada dispõe sobre 
este aspecto. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 207 
Questão 3 
A prisão civil do devedor de alimentos possui natureza meramente coercitiva. 
Nos casos em que a prisão não alcança sua finalidade e o devedor se livra solto 
sem cumprir a obrigação o juiz deverá: 
a) Determinar a renovação da prisão por igual período, tendo como 
fundamento as parcelas que venceram após a prisão. 
b) Converter o procedimento executivo fundado em coerção para execução 
de quantia certa. 
c) Julgar extinta a execução devendo o credor promover nova execução 
pelo procedimento executivo de quantia certa. 
d) Determinar a suspensão da execução. 
 
Questão 4 
A respeito dos alimentos e da ação de alimentos, assinale a opção correta. 
a) A execução de alimentos pelo rito da coerção pessoal tem como 
pressuposto a atualidade do débito referente às três últimas parcelas 
anteriores ao ajuizamento do processo executivo e as que se vencerem 
no curso do processo. 
b) A sentença que fixa os alimentos não faz coisa julgada material, podendo 
os alimentos serem revistos a qualquer tempo. Assim, o devedor de 
alimentos pode provocar a revisão ou exoneração destes, mediante 
petição dirigida ao juiz, nos próprios autos em que foi fixada a obrigação, 
dando-se vista à parte contrária para manifestar-se. 
c) Considere-se que foi ajuizada execução de alimentos, fixados em 
percentual sobre o salário mensal do alimentante. O executado 
apresentou como justificativa para o inadimplemento a rescisão de seu 
contrato de trabalho, alegando que, atualmente, desenvolvia pequenos e 
eventuais serviços, razão pela qual não tinha condições financeiras para 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 208 
cumprir a obrigação anteriormente assumida com a criação e a educação 
dos filhos menores. Nessa situação, o juiz deverá extinguir o processo de 
execução, pois a rescisão do contrato de trabalho do devedor de 
alimentos retira a liquidez do título executivo judicial, uma vez que a 
referida rescisão do contrato de trabalho enseja a inexistência de base 
de cálculo para apurar a quantia devida. 
d) Considere-se que tenha sido ajuizada ação de investigação de 
paternidade cumulada com pedido de alimentos. Nessa situação, o juiz 
deverá fixar liminarmente os alimentos provisórios que serão devidos até 
o trânsito em julgado da sentença declaratória da paternidade, ainda que 
a decisão seja objeto de recurso. 
 
Questão 5 
Quando a execução de alimentos estiver fundada em títulos executivo 
extrajudicial, a defesa do devedor será realizada por meio de: 
a) Contestação. 
b) Simples petição nos termos do artigo 911 do CPC/15. 
c) Embargos à arrematação. 
d) Embargos de segunda fase 
 
Questão 6 
A arguição de eventuais vícios processuais ocorridos na fase expropriatória em 
sede de Juizados Especiais Cíveis Estaduais será impugnada por meio de: 
a) Impugnação, no prazo de 15 dias 
b) Embargos à execução, no prazo de 15 dias 
c) Embargos de segunda fase, no prazo de 10 dias 
d) Simples petição, no prazo de 05 dias 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 209 
 
Questão 7 
Em determinada execução em sede de juizados especiais cíveis estaduais o 
credor, diante da inexistência de bens do devedor, requereu a penhora de 
percentual de salário do devedor. Após a devida intimação, o devedor aceitou a 
referida modalidade de expropriação, que foi deferida de plano pelo juiz. Sobre 
o caso apresentado, assinale a alternativa correta: 
a) Não se admite penhora de salário considerando que se trata de bens 
impenhoráveis. 
b) Admite-se a penhora de salário em sede de juizados estaduais cíveis, 
independente de anuência do credor. 
c) É admissível penhora de percentual de salários desde que consinta 
expressamente o devedor e que não comprometa a subsistência do 
devedor e de sua família. 
d) A penhora de salário, pela sua complexidade, não é admitida em sede de 
juizados especiais cíveis estaduais. 
 
Questão 8 
Sobre a penhora nos juizados especiais cíveis estaduais, é correto afirmar: 
a) É admissível a penhora de bens móveis que guarneçam a casa do 
devedor, desde que não sejam essenciais. 
b) Não é cabível a penhora virtual. 
c) Caso o devedor não possua bens, a extinção será suspensa pelo prazo 
de 01 ano. 
d) Não se admite penhora de crédito em sede de juizados especiais cíveis. 
 
Questão 9 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 210 
Marco Polo promove execução de título judicial em face da Fazenda Pública 
nacional. Realizados os cálculos, o valor do débito alcançou o valor equivalente 
a 90 salários-mínimos. Neste caso, como deverá proceder ao exequente: 
a) Promover a execução do valor integral, considerando a competência 
funcional do juiz sentenciante. 
b) O pagamento será feito obrigatoriamente através de precatório. 
c) O exequente poderá optar entre renunciar o excedente ao teto 
estabelecido para os juizados federais ou receber o valor integral 
mediante precatório. 
d) O exequente poderá receber parte através de requisição de pequeno 
valor e o restante através de precatório. 
 
Questão 10 
Nas execuções de obrigação de fazer, que tramitam nos Juizados Especiais da 
Fazenda Pública, o inadimplemento levado a efeitopelo Poder Público 
acarretará: 
a) A possibilidade de sequestro de verba pública para o adimplemento da 
obrigação. 
b) A intimação do Poder Público para cumprimento da obrigação em novo 
prazo fixado pelo juízo. 
c) A extinção da execução com a consequente expedição de Certidão de 
Crédito. 
d) A intimação da autoridade competente para o cumprimento da 
obrigação. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 211 
AgRg(Agravo Regimental): Recurso Especial 
 
 
 
Aula 7 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - D 
Justificativa: Artigo 1.124-A do CPC e REsp. 769.334-SC. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: Conforme Artigo 733 do CPC. 
 
Questão 3 - B 
Justificativa: Considerando a natureza coercitiva da multa, o não cumprimento 
da obrigação mediante prisão acarreta a conversão em procedimento executivo 
de obrigação de pagar quantia certa. 
 
Questão 4 – A 
Justificativa: Conforme disposto no artigo 528, § 3º do CPC. 
 
Questão 5 – C 
Justificativa: Conforme artigo 911 do CPC/15. 
 
Questão 6 – D 
Justificativa: Enunciado nº 81 do FONAJE. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 212 
Questão 7 - C 
Justificativa: Enunciado nº 59 do FONAJE. 
 
Questão 8 - A 
Justificativa: Enunciado nº 14 do FONAJE. 
 
Questão 9 - C 
Justificativa: Artigo 17, §3, da Lei 10.259/01. 
 
Questão 10 - A 
Justificativa: Artigo 13, § 1º da Lei 12.153/09. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 213 
Introdução 
Determinado cidadão necessita de um medicamento para tratamento de sua 
doença grave e ajuíza ação em face do Estado e da União, objetivando obter os 
respectivos medicamentos mediante condenação da Fazenda Pública na 
referida obrigação de fazer. Diante desse caso, algumas questões interessantes 
surgem: 
 
O juiz poderá determinar o sequestro de verba para efetivar o cumprimento da 
obrigação? 
 
A multa fixada na sentença poderá ser alterada na fase executiva ou a 
alteração ofenderá a coisa julgada? 
 
Essas e outras questões decorrem do estudo da tutela específica no CPC/2015 
que será analisada nesta aula. Bons estudos! 
Objetivo: 
1. Estudar a finalidade da tutela específica, seu procedimento e as formas 
disposta no CPC para efetivação das obrigações de fazer, não fazer, e a fixação 
da multa e sua respectiva execução; 
2. Analisar os procedimentos para execução das tutelas específicas na 
obrigação de entrega de coisa, bem como a defesa do executado nesses 
procedimentos, e a tutela específica em face da Fazenda Pública. 
Conteúdo 
Tutela específica: noções gerais 
Como já antecipamos na Aula 1, as reformas processuais com enfoque na 
tutela de execução tiveram grande destaque pelo legislador reformador nos 
anos 1990 e 2000. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 214 
A reforma estabeleceu novo paradigma procedimental executivo, possibilitando 
ao credor a execução do julgado, no mesmo processo, tendo à sua disposição 
diversos meios executivos para obtenção da satisfação da obrigação ou do 
resultado prático equivalente. 
 
A tutela específica referente à entrega de coisa foi inserida em nosso 
ordenamento processual através da Lei nº 10.444/2002, que determinou a 
redação do Artigo 461-A do CPC/73, estendendo os meios coercitivos para as 
obrigações de entrega de coisa. O CPC/2015 tratou da matéria, ratificando o 
entendimento pretérito, nos Artigos 536 a 538. 
 
Tutela específica – obrigações de fazer e não fazer 
A tutela específica consubstanciada em obrigação de fazer poder ter como 
fundamento duas obrigações: Infungíveis e Fungíveis 
 
No caso de inadimplemento de obrigações infungíveis, o credor promoverá a 
execução para obter do Estado meios coercitivos para forçar o cumprimento da 
obrigação pelo devedor. Considerando a natureza personalíssima das 
obrigações infungíveis, ocorrendo a impossibilidade de cumprimento da 
obrigação o juiz converterá a tutela específica em perdas e danos, cabendo ao 
credor promover a execução pelo procedimento do Artigo 523 do CPC/2015 
(quantia certa). 
 
Para ilustrar a hipótese mencionada, imagine o caso de um famoso pintor 
contratado por um colecionador para pintar uma obra de arte em determinado 
estilo (pelo qual o contratado é reconhecido mundialmente). Diante da 
impossibilidade do cumprimento da obrigação, caso o pintor sofra algum 
acidente ou problema de saúde, o juiz, nesta hipótese, deverá converter a 
obrigação de fazer em perdas e danos considerado a natureza infungível da 
obrigação. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 215 
Nas obrigações fungíveis, na impossibilidade de cumprimento pelo devedor, o 
juiz poderá determinar, mediante aceitação do credor, na forma do Artigo 817 
do CPC/2015, que a obrigação seja satisfeita por terceiros. Nesta hipótese não 
haverá a conversão em perdas e danos, pois sempre ocorrerá a possibilidade de 
que a obrigação de fazer seja satisfeita. 
 
O Artigo 536 do CPC/2015, admite que o juiz de ofício ou a requerimento 
determine outros executivos que alcance o resultado prático equivalente. Para 
melhor compreender o dispositivo, pense na hipótese de um credor que 
recebeu um carro em dação em pagamento, mas o devedor se recusa a 
fornecer a respectiva documentação para a regularização do veículo perante o 
DETRAN. 
 
O Artigo 536 do CPC/2015, admite que o juiz de ofício ou a requerimento 
determine outros executivos que alcance o resultado prático equivalente. O 
credor ajuíza a respectiva demanda visando à condenação do devedor ao 
cumprimento da obrigação de fazer consubstanciada na regularização dos 
documentos. O juiz julgou procedente o pedido do credor, fixando multa diária 
de R$ 100,00 (cem reais). 
 
O devedor quedou-se inerte. Neste caso o juiz de ofício ou a requerimento do 
credor poderá deferir medidas outras visando obter o resultado prático 
equivalente ao da obrigação, determinando a expedição de ofício ao DETRAN e 
solicitando a regularização da propriedade do referido veículo. Trata-se, 
portanto, de regra que tem como escopo dar maior efetividade à tutela 
específica, garantindo, desta forma, a plena satisfação da obrigação. 
Tutela específica das obrigações de não fazer 
O caput do Artigo 536 do CPC/2015 trata também da tutela específica nas 
obrigações de não fazer. Neste caso haverá verdadeira tutela inibitória ou 
preventiva, pois ainda não ocorreu o dano ou ilícito, garantindo a plena eficácia 
do princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional, Artigo 5º, XXXV, da 
CF/88, evitando lesão ou ameaça ao direito. Nos casos de inadimplência da 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 216 
obrigação de não fazer, o juiz determinará o desfazimento da obra ou 
restauração da condição anterior em conformidade com a pretensão do autor. 
 
 
Atenção 
 O Artigo 300 do CPC/2015 trata das hipóteses de antecipação de 
tutela nas tutelas específicas nos casos de relevância do 
fundamento ou receio de dano irreparável. O regime dessa 
modalidade de tutela de urgência muito se assemelha ao regime da 
antecipação de tutela disposto no Artigo 273 do CPC. 
 
 
Multa como medida coercitiva na tutela específica 
Nas execuções da obrigação de pagar quantia certa, que se resolve pela 
expropriação, o credor visa à satisfação mediante o pagamento. Ao contrário, 
na tutela específica o credor visa ao cumprimento de uma obrigação específica 
oriunda de uma obrigação de fazer ou não fazer. O inadimplemento levado a 
efeito nessa modalidade de obrigação autoriza ao credor pleitear tutela 
executiva no sentido de obter a realizaçãodo cumprimento mediante medidas 
coercitivas ou de apoio realizadas pelo Estado. 
 
Com efeito, a multa ou astreinte são medidas de natureza coercitiva que tem 
como escopo forçar o credor a cumprir a obrigação de fazer ou não fazer. 
Diante dessa finalidade, o legislador autoriza o juiz reduzir ou majorar a multa 
anteriormente fixada quando esta for excessiva ou não alcançar seu efeito 
coercitivo, conforme dispõe o Artigo 537 do CPC/2015. Cumpre, observar, 
portanto, que a alteração da multa fixada pelo Juiz na sentença em sede de 
execução não ofende a coisa julgada. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 217 
Execução indireta 
A multa não constitui objeto principal da execução da tutela específica. A 
finalidade maior desse procedimento é obter a satisfação plena da obrigação de 
fazer e não fazer. Mas existem vários casos em que o devedor não cumpre a 
obrigação no prazo fixado pelo juiz acarretando a cobrança da multa fixada. 
Nesse caso a doutrina denomina a execução do valor correspondente, em favor 
do credor, de execução indireta, pois a execução direta corresponde à 
obrigação de fazer ou não fazer. 
 
A execução indireta da multa poderá ocorrer nos casos de: 
• Antecipação de tutela; 
• Cumprimento de sentença; 
• Execução de título extrajudicial. 
E será processada nos mesmos autos da execução da tutela específica. 
 
Importante ressaltar, contudo, que a cobrança da multa prescinde de intimação 
pessoal prévia do devedor, conforme verbete da Súmula nº 410 do STJ. 
Tutela específica no Código de Defesa do Consumidor 
O Artigo 84 do Código de Defesa do Consumidor trata do regramento da tutela 
específica nas relações de consumo. Essa regra mencionada corresponde a 
literalidade do Artigo 461 do CPC/73, retratado no Artigo 536 do CPC/2015, o 
que dispensa maiores observações. 
 
Tutela específica na obrigação de entrega de coisa 
A tutela específica nas obrigações de entrega de coisa está disciplinada nos 
Artigos 536 e 806 do CPC/2015. Nesta hipótese o inadimplemento decorre da 
não entrega de bem móvel ou imóvel. Os atos executivos desse procedimento 
são simples, cabendo ao credor individualizar o bem na petição inicial, quanto 
for determinado o gênero e quantidade, ou será individualizado pelo réu, se for 
o caso, no prazo fixado pelo juiz. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 218 
Defesa do executado na tutela específica 
A defesa do executado na tutela específica dependia do procedimento executivo 
adotado pelo credor. Havia certa dúvida em relação à defesa do devedor nas 
execuções das obrigações de fazer, não fazer e de entrega de coisa 
representadas em título executivo judicial. O Artigo 461 do CPC/73 era silente 
quanto à defesa do devedor, o que leva à interpretação de que não há 
possibilidade de defesa nesse procedimento executivo. Essa interpretação não 
era compatível com os princípios do contraditório e da ampla defesa garantidos 
no texto constitucional. Diante desta lacuna legislativa duas possibilidades se 
apresentavam como viáveis: 
 
A primeira correspondia ao manejo da Impugnação regulada pelo então Artigo 
475-L do CPC/73. Embora a impugnação estivesse contemplada no 
procedimento do cumprimento de sentença que contenha obrigação de pagar, 
não se vislumbrava impossibilidade no seu manejo, considerando que se 
tratava de meio hábil para a defesa do devedor nas execuções de títulos 
judiciais em consonância com a nova metodologia do processo sincrético, 
inserida pela Lei nº 11.232/2005 no CPC/73. 
 
A segunda possibilidade refere-se à defesa do devedor através de simples 
petição. Caso não se admita a impugnação como forma de defesa do devedor, 
este poderá manejar sua defesa através de simples petição tendo como 
fundamento principal os princípios constitucionais da ampla defesa e do 
contraditório. 
 
O CPC/73 superou a divergência determinando que é cabível a utilização da 
Impugnação, como meio de defesa do devedor, nos termos do Artigo 536,§4º 
do CPC/2015. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 219 
Tutela específica em face da Fazenda Pública 
A Fazenda Pública possui o privilégio de ser executada através de procedimento 
especial (Artigo 534 do CPC/2015) somente nas hipóteses de execução por 
quantia certa, vez que o pagamento será feito mediante precatório. As 
execuções fundadas em obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa, em 
face da Fazenda Pública, serão processadas pelos ritos comuns regidos pelos 
Artigos 536 e 538 do CPC/2015. 
 
As regras inerentes à tutela específica serão aplicadas de forma geral e 
irrestrita em face da Fazenda Pública, pois o administrador público, assim como 
os particulares, devem se ater ao cumprimento ordenamento jurídico, e seu 
inadimplemento acarretará execução na forma dos mencionados dispositivos 
legais. 
 
Assim, caso a União e/ou o Estado sejam condenados em obrigação de fazer 
consubstanciada no fornecimento de medicamentos, nos termos do Artigo 196 
da Constituição Federal de 1988, o juiz poderá fixar a respectiva multa (537 do 
CPC/2015) para garantir o efetivo cumprimento da obrigação. 
Interessante discussão que se evidencia neste debate é a possibilidade de 
ocorrer sequestro de verba pública nas hipóteses de execução de multa por 
descumprimento de obrigação de fazer. 
 
O Superior Tribunal de Justiça vem se posicionando no sentido de se admitir o 
sequestro de verba pública, independente de expedição de precatório, nos 
casos de execução de multa ou quando o Poder Público não fornece o 
medicamento necessário no prazo fixado pelo Juiz. Este entendimento 
encontra-se respaldado na jurisprudência recente do STJ, cujos fundamentos 
determinantes encontram-se nos julgados AgRg no Ag 1073258/DF e REsp 
1.028.480/RS. Para entender melhor, href="docs/a08_t10.pdf" Clique aqui e 
veja a abordagem deste tema no NCPC. 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 220 
Atividade proposta 
Teresa foi condenada, em 17.10.2011, a cumprir obrigação de fazer em favor 
de Marcelo, no prazo de trinta dias, sob pena de multa diária de cem reais. 
Transitada em julgado a sentença, o juiz determinou a intimação da ré, pelo 
Diário Oficial, na pessoa de seu advogado, para cumprir a sentença. Cumprida 
essa determinação e decorrido o prazo sem que a obrigação fosse cumprida, o 
credor postulou a execução da multa. O juiz, porém, indeferiu liminarmente o 
requerimento de execução e determinou que se repetisse a intimação, agora 
pessoalmente, para que pudesse correr o prazo fixado na sentença. Decidiu 
corretamente o juiz? (Prova de Seleção da EMERJ – 1º Semestre 2013) 
 
Chave de resposta: Neste caso, o juiz agiu corretamente, pois a Súmula 410 
do STJ determina que a intimação do devedor, na tutela específica, deve ser 
pessoal. 
 
Referências 
MARINONI, Luiz Guilherme. Execução. 2. ed. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2008. p. 205/224. 
MEDINA, José Miguel Garcia. Execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2008. p. 269/271. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Nas execuções de obrigações de fazer e não fazer o credor poderá promover a 
execução indireta da multa desde que seja cumprida a seguinte condição: 
a) O devedor tenha sido cientificado da multa através de intimação de seu 
advogado 
b) A prévia intimação pessoal do devedor para que haja configuração do 
inadimplemento 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 221 
c) A partir do deferimento da citação editalícia 
d) Da citação no processo de conhecimento 
 
Questão 2 
Em determinada execução de tutela específica o juiz, verificando que a multa 
fixadano valor de R$ 100,00 por dia não gerou o efeito desejado ampliou, de 
ofício, o valor da multa para R$ 800,00 por dia. Neste caso: 
a) O juiz não agiu adequadamente, pois a majoração da multa somente 
poderá se efetivada mediante requerimento do credor. 
b) É vedada a alteração da multa fixada na sentença em razão da coisa 
julgada material. 
c) O juiz poderá majorar a multa, de ofício ou a requerimento, vez que 
nesta hipótese não há violação da coisa julgada, considerando a 
natureza coercitiva da multa. 
d) O juiz poderá alterar a multa fixada na sentença somente com a 
anuência do devedor. 
 
Questão 3 
Carlos Alexandre ajuizou ação de obrigação de fazer em face do Estado do Rio 
de Janeiro visando obter a regularização no fornecimento de remédios para seu 
tratamento de HIV. A pretensão do autor foi julgada procedente para 
determinar que o Estado forneça o medicamento pelo período de 02 anos. 
Diante do descumprimento da sentença o Exequente deverá promover: 
a) Procedimento especial de execução contra a Fazenda Pública 
b) Execução fiscal 
c) Procedimento comum de execução de obrigação de pagar quantia certa 
d) Procedimento comum de obrigação de fazer 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 222 
 
Questão 4 
Diante da impossibilidade do devedor adimplir obrigação de fazer, de natureza 
infungível, deverá o juiz: 
a) Determinar que a obrigação seja realizada por outra pessoa para que se 
atinja o resultado prático equivalente. 
b) Determinar a conversão de ofício da obrigação em perdas e danos, 
excluindo a multa cominada. 
c) Determinar a conversão em perdas e danos, sem prejuízo da multa 
cominada anteriormente; 
d) Determinar a suspensão da execução até que as partes convencionem 
acerca do cumprimento da tutela específica. 
 
Questão 5 
Julião ingressou com uma ação de obrigação de fazer em face de Zenão, cujo 
objeto é a regularização da propriedade do veículo junto ao Detran. O juiz 
acolheu a pretensão do autor condenando o réu à regularização da 
transferência da titularidade do veículo junto ao DETRAN, sob pena de multa de 
R$ 200,00 por dia. O devedor, devidamente intimado, permaneceu inerte. 
Neste caso o juiz deverá: 
a) Designar audiência de conciliação para obter acordo favorável às partes. 
b) Deverá determinar a suspensão do processo, considerando que a multa 
não alcançou sua função coercitiva. 
c) Converter em perdas e danos, considerando a impossibilidade de 
obtenção do resultado prático equivalente. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 223 
d) Determinar a expedição de ofício ao DETRAN para que seja procedida a 
alteração da titularidade do veículo para obtenção do resultado prático 
equivalente. 
 
Questão 6 
A respeito do processo de execução, assinale a alternativa correta. 
a) Na execução de obrigação por entrega de coisa, o juiz deve conceder 
prazo ao executado para cumprimento espontâneo. Se não houver o 
cumprimento, deve o juiz determinar a busca e apreensão do bem móvel 
ou a imissão na posse de bem imóvel. Por fim, se as vias anteriores não 
forem eficazes, pode o magistrado utilizar os poderes gerais de 
efetivação. 
b) Na execução de título extrajudicial contra mais de um réu, o prazo para 
oferecer embargos à execução é contado a partir da juntada do último 
mandado de citação e é de 15 dias, sem exceção. 
c) O sócio de sociedade empresária que, nos termos da lei, toma ciência da 
desconsideração da personalidade jurídica, tem como via processual 
adequada para se defender os embargos de terceiro. 
d) O Código de Processo Civil de 1973 considera título executivo 
extrajudicial a sentença arbitral, pois se trata de decisão tomada fora do 
Poder Judiciário. 
 
Questão 7 
Nas execuções de obrigação de fazer que tramitam nos Juizados Especiais da 
Fazenda Pública, o inadimplemento levado a efeito pelo Poder Público 
acarretará: 
a) A possibilidade de sequestro de verba pública para o adimplemento da 
obrigação. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 224 
b) A intimação do Poder Público para cumprimento da obrigação em novo 
prazo fixado pelo juízo. 
c) A extinção da execução com a consequente expedição de Certidão de 
Crédito. 
d) A intimação da autoridade competente para o cumprimento da 
obrigação. 
 
Questão 8 
A defesa do devedor no procedimento executivo de tutela específica de entrega 
de coisa reconhecida em título executivo judicial deverá ser apresentada 
através de: 
a) Simples petição 
b) Impugnação 
c) Embargos à execução 
d) Objeção de pré-executividade 
 
Questão 9 
Caso o devedor intimado regularmente não efetuar o depósito do bem objeto 
da execução, o juiz deverá: 
a) Determinar a expedição do mandado de busca e apreensão ou imissão 
na posse. 
b) Determinar o acautelamento do bem em juízo. 
c) Converter imediatamente em perdas e danos. 
d) Fixar multa por ato atentatório à dignidade da justiça. 
Questão 10 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 225 
O sistema de execução de decisões modernamente utilizado está muito atrelado 
à ideia de sincretismo processual. Por essa sistemática, em regra, tornou-se a 
execução um prolongamento do processo de conhecimento. Passou-se a ter um 
processo misto que não é mais nem puramente cognitivo nem puramente 
executivo. O novo sistema permitiu que a obtenção da tutela jurisdicional plena 
fosse mais rapidamente alcançada. Entretanto, em hipóteses específicas, ainda 
tem cabimento o processo de execução autônomo. Assinale a alternativa que 
contém título executivo judicial a ensejar a execução sincrética. 
a) A certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos 
créditos inscritos na forma da lei. 
b) O instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela 
Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. 
c) A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de 
obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. 
d) O crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de 
imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas 
de condomínio. 
 
 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 226 
AgRg: Agravo Regimental 
 
REsp: Recurso Especial 
 
 
 
Aula 8 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - B 
Justificativa: Súmula nº 410 do STJ. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 6º, do Código de Processo Civil. 
 
Questão 3 - D 
Justificativa: O procedimento executivo disposto no Artigo 730 do Código de 
Processo Civil é cabível somente nas hipóteses de execução de quantia certa. 
 
Questão 4 - C 
Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 1º, do Código de Processo Civil. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: Conforme o Artigo 461, § 5º, do Código de Processo Civil. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: Artigo 625 do Código de Processo Civil. 
 
 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 227 
Fonte: Concurso para Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná 
– Edital nº 01/2012 
 
Questão 7 - A 
Justificativa: Artigo 13, § 1º, da Lei nº 12. 153/2009. 
 
Questão 8 - B 
Justificativa: Interpretação sistemática do Artigo 475-J do Código de Processo 
Civil. Embora não haja previsão quanto à defesa do executado nesse 
procedimento, admite-se a impugnação como meio de defesa do devedor. 
 
Questão 9 - A 
Justificativa: Conforme o Artigo 461-A, § 2º, do Código de Processo Civil. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: Conforme o Artigo 475-I do Código de Processo Civil.CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO 228 
Alexandre de Castro Catharina possui graduação em Ciências Sociais pela 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e graduação em Direito pelo 
Centro Universitário Augusto Motta (2000). Especialista em Direito Processual 
Civil pela Universidade Estácio de Sá e Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais 
pela Universidade Federal Fluminense (2007). Doutorando em Sociologia pelo 
IUPERJ, com ênfase em sociologia do funcionamento dos tribunais. Atualmente 
atua como Advogado e professor de Direito Processual Civil. Tem experiência 
na área de Direito Processual e em Sociologia do Direito, com ênfase em acesso 
à justiça, atuando principalmente nos seguintes temas: cidadania, acesso à 
justiça, direitos coletivos e difusos, execução civil, tutelas de urgências e direito 
processual coletivo. Membro efetivo do Instituto Brasileiro de Direito Processual 
(2011). Coordenador do Curso de Direito do Campus Duque de Caxias, UNESA/ 
RJ (2014).

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