Direito Constitucional I

Direito Constitucional I

Pré-visualização7 páginas
ROTEIRO DE ESTUDOS - DIREITO CONSTITUCIONAL I \u2013
1) TEORIA GERAL DO ESTADO:
Estado pode ser entendido como a organização política da sociedade, que atua por meio de instituições políticas, dotado de uma ordem jurídica coercitiva, que a aplica em um território definido. Origem do termo: Maquiavel.
Idade Antiga \u2013 até 476 \u2013 queda do império romano do ocidente \u2013 Escravidão \u2013 homens livres X escravos
Idade Média \u2013 até 1453 \u2013 queda do império romano do oriente \u2013 Feudalismo \u2013 senhor feudal (nobres) X vassalos
Idade Moderna \u2013 renascimento comercial, grandes navegações, revolução industrial, revolução francesa, 1º e 2º Guerra Mundial, crise de 1929. Capitalismo \u2013 empregado X empregador.
Pós-modernismo \u2013 Inicia-se com a queda do Muro de Berlim em 1989 e o colapso da União Soviética em 1991. Consenso de Washington (1989), neoliberalismo, hegemonia capitalista, crise das ideologias, globalização. Aprofundamento da revolução informática e tecnológica, espraiando-se para todas as áreas (relações de trabalho e sociais, transporte, comunicação, lazer, prestação de serviços etc).
Obs. Há autores que tratam do período posterior à Revolução Francesa até os dias de hoje como Idade Contemporânea.
_Idade Moderna: Evolução do Estado no capitalismo:
A) Estado Absolutista
B) Estado Liberal
C) Estado Social
D) Neoliberalismo
2) CONSTITUCIONALISMO:
Sentido: Limitação formal do Poder do Estado.
Nesse sentido, exclui-se qualquer tentativa de busca de Constituição nas sociedades antigas (Grécia e Roma) e da idade média.
1) Carta Magna (Inglaterra) \u2013 João Sem Terra X Barões Feudais \u2013 exceção que confirma a regra, já que surgiu na idade média.
2) Constitucionalismo liberal (Const EUA de 1787 e Francesa de 1791): individualismo, absenteísmo estatal, sacralização da propriedade privada e proteção dos direitos individuais e políticos censitários.
3) Constitucionalismo social (Constituição do México de 1917, de Weimar de 1919. Incremento no pós 2º Guerra Mundial): inserção dos direitos sociais no texto constitucional, busca de uma justiça social. Serviços públicos. Intervenção estatal.
4) Constitucionalismo neoliberal (a partir dos anos 80). Incremento após o fim da URSS. Desregulamentação econômica, privatização de serviços públicos. Estado deixa de ser interventor para ser regulador (agências reguladoras). Volta do ideário liberal, mas com algum anteparo social. Não há uma constituição neoliberal, o que há são reformas neoliberais nas constituições sociais exatamente para restringir ou suprimir direitos sociais.
5) Constitucionalismo democrático (ainda em construção).
3) CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO:
José Afonso da Silva: \u201cConstituição é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado\u201d.
A ideia de Constituição nasceu com o fim de adoção de limites ao Poder Estatal, separação de poderes e positivação de direitos fundamentais.
1) Conceito Sociológico: Ferdinand Lassalle \u2013 \u201cO que é uma Constituição?\u201d \u2013 decorre de uma palestra. 
Político alemão socialista que tenta inserir a classe operária no constitucionalismo. Colaborou com o chanceler Otto von Bismarck.
Os problemas constitucionais não são problemas de direito, mas do poder. A constituição real tem por base a soma dos \u201cfatores reais de poder\u201d. Para Lassalle, a pequena burguesia e a classe operária exerceria apenas uma pequeníssima parcela desse poder, que somente se sentiria abalada se, além da falta de liberdade política, fosse violada sua liberdade pessoal (ex: retorno da escravidão \u2013 aí seria uma hipótese em que povo sairia às ruas e lutaria para impedir essa situação).
Se a Const. não reproduzir os fatores reais de poder ela não passará de uma \u201cfolha de papel\u201d.
Ele distingue a Constituição real da Constituição folha de papel. A 1º, todos os países, em toda a história, a possuíram.
Crítica: limitou-se a identificar o \u201cser\u201d, descuidando do \u201cdever ser\u201d. Pode até ser que a Constituição surja a partir dos fatores reais de poder, mas o fato é que depois ela própria se torna um fator real de poder. Konrad Hesse faz uma crítica mais forte a Lassalle \u2013 \u201cForça Normativa da Constituição\u201d.
O equívoco de Lassalle, mesmo dentro da teoria marxista, foi entender que o \u201ccompromisso\u201d do Estado é com os capitalistas (banqueiros, latifundiários, donos de indústrias etc). O compromisso do Estado, na verdade, é mais com o capitalismo, é proteger o sistema, é manter o sistema, mesmo que para isso tenha de atuar contra os capitalistas. Engels já dizia isso na sua obra \u201ca origem da família, da propriedade privada e do Estado\u201d.
2) Político: Carl Schimitt \u2013 \u201cO guardião da constituição\u201d
A força da Constituição não está no Direito, mas sim no Político. Isso se torna mais visível não em situações ordinárias, mas sim em situações excepcionais.
Para Schimitt, quem decide na exceção não é um Tribunal, mas sim o Führer. Hitler chegou ao poder sem romper com nenhum aspecto de legalidade, mantendo a Constituição de Weimar de 1919.
Constituição é # lei constitucional. Constituição só se refere à decisão política fundamental (estrutura e órgãos do Estado, direitos individuais, regime e formas de governo). Lei constitucional seria os demais dispositivos inseridos no texto do documento constitucional, mas que teriam uma relevância bem menor, não precisando, assim, derivar de uma decisão política fundamental.
Schimitt se posicionava totalmente contra a instituição de Cortes Constitucionais. Para ele quem deveria analisar a constitucionalidade de uma norma era, somente, órgãos políticos, não ficando a mercê que qualquer órgão jurídico.
É o político que deve decidir sobre o que é constitucional ou não, e não um juiz.
3) Jurídico: Hans Kelsen \u2013 \u201cTeoria Pura do Direito\u201d.
Originariamente, a constituição era vista apenas como documento político, sem qualquer força vinculante.
Com Kelsen, o direito se aparta do político e perde, com isso, seu valor, se torna uma teoria pura, mas ganha cientificidade. 
O Direito e a Constituição ganham autonomia da filosofia, sociologia, política e demais ramos das ciências humanas.
Assim, a Constituição se torna um instrumento jurídico hierarquicamente superior as demais normas e que serve de fundamento de validade para todo o ordenamento jurídico.
Pirâmide de Kelsen. Escalonamento de normas
Fundamento de validade das normas infraconstitucionais é a Constituição. Mas e o fundamento de validade da Constituição? Norma hipotética fundamental \u2013 norma suposta, e não posta.
Para Kelsen, cabe a uma Corte de Justiça a última palavra sobre a constitucionalidade de uma norma. Idealizou os Tribunais Constitucionais. 
No Brasil, a guarda da Constituição cabe ao STF \u2013 art. 102.[1: \u201cArt. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:\u201d]
Kelsen retira a Constituição do mundo do \u201cser\u201d e insere no do \u201cdever ser\u201d.
4) Pós-positivismo ou neoconstitucionalismo:
Não há uma única visão do que seja essas expressões e em que fase histórica elas se situam, nem se são fases convergentes.
No geral, significa a inserção de valores e princípios ao jurídico. O direito deixa de ser uma ciência pura, amoral, para passar a dar caráter normativo a princípios.
Normas = regras + princípios.
Robert Alexy (Teoria dos Direitos Fundamentais) e Ronald Dworkin (\u201cLevando o Direito à sério\u201d).
A Constituição passa a ser analisada como um misto do jurídico, sociológico e político. A Constituição passa a ser tratada como um produto cultural com força coercitiva.
Há quem se reporte ao surgimento de uma Constituição Total, já que interfere e traz para si todos os aspectos da vida humana, desde aspectos econômicos, sociológicos, políticos, morais, filosóficos até os jurídicos.
A Constituição não se reduziria a um mero produto cultural de uma superestrutura jurídica, mas seria também uma categoria que influenciaria a infraestrutura econômica e social.
4) CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES:
4.1 - Origem:
Outorgadas (imposta. CB/1824, 1937, 1967, 1969).
Democráticas (votada por assembleia constituinte